Você está na página 1de 4

19

Ciência & Saúde Coletiva, 10(1):18-34, 2005


mortalidade e violência. Entretanto, quando o rem no universo masculino. E, neste sentido, a
enfoque privilegia, de fato, uma perspectiva de perspectiva de gênero pode contribuir para o
gênero, não apenas aparecem as contraposições questionamento das categorias e práticas tradi-
ao feminino, mas também ao próprio modelo cionais da área da saúde, permitindo, com isso,
hegemônico de masculinidade. E é neste senti- conhecer outras formas de se relacionar com a
do que Kimmel chama a atenção para o fato de mesma que escapam às suas prescrições. Incluir
que a masculinidade se constrói não só em rela- os homens nos estudos deve propiciar uma mu-
ção ao feminino, mas também em relação ao dança de perspectiva e não apenas de universo
próprio grupo de pares e a diferentes modelos de investigação.
masculinos, inclusive à homossexualidade. As-
sim, a grande maioria dos trabalhos na área da
Saúde Coletiva opera ainda com a perspectiva
de uma masculinidade hegemônica, sem consi-
derar a existência de diferentes tipos de mascu-
linidades.
Um outro aspecto que deve ser questionado Saúde do homem: uma nova etapa
a partir da perspectiva de gênero é que esta da medicalização da sexualidade?
abordagem não se restringe a incluir os homens Man’s health: a new stage of
nos estudos e formulação de políticas públicas, medicalization of sexuality?
mas implica uma mudança na forma de abor-
dar as questões de saúde e de prevenção. Ou se- Estela Maria Leão de Aquino 3
ja, esta perspectiva impõe uma abordagem cen-
trada no caráter relacional e, portanto, não bas- Durante muito tempo, as diferenças entre os se-
ta incluir os homens, mas a própria forma de xos no adoecimento e na morte foram conside-
trabalhar com as mulheres deve ser repensada. radas naturais e as explicações, quando busca-
O eixo das reflexões e intervenções deixa de ser das, apoiavam-se na biologia – ciência preten-
o individuo (homem ou mulher) e passa a ser samente neutra e objetiva. Isso orientou toda a
as relações e representações sociais acionadas construção de conhecimentos científicos e tec-
nestes contextos. nológicos na área de saúde (Krieger & Fee, 1994).
A dificuldade em dar conta destas implica- As diferenças mais evidentes eram ligadas ao
ções aparece claramente no artigo quando os aparelho reprodutivo, o que incluía não só doen-
autores acionam uma concepção de saúde e de ças – por exemplo, as mulheres acometidas por
cuidado intensamente marcada pela concepção neoplasias de colo de útero e os homens pelo
biomédica. Concepção esta que não contempla câncer de próstata –, mas também um conjunto
outras possibilidades de pensar o cuidado de si de eventos relativos à menstruação, à gestação,
e do outro fora das formas tradicionais, com as ao parto e ao puerpério, restritos obviamente às
quais as mulheres são fortemente identificadas. mulheres. Muitas outras doenças, como as car-
É assim que os homens são percebidos como diovasculares, apresentavam distribuição dife-
não-socializados para o cuidado e a valorização rente entre mulheres e homens, mas isso podia
da saúde. Será que ao contemplarmos as ques- ser explicado pela maior proteção hormonal
tões de gênero o cuidado não adquire também das primeiras ou pelo estresse naturalmente
um outro significado? Ou seja, será que, por maior dos últimos. A infância e a velhice eram
exemplo, as estratégias acionadas pelos homens (e ainda o são) descritas sem sexo. Na saúde
face a determinadas situações – tais como as re- ocupacional, essa variável tampouco era usada,
lações sexuais com as “mulheres de rua” ou “pe- porém a produção de conhecimentos e as inter-
rigosas” – não podem ser pensadas como um venções voltavam-se aos homens, sendo as mu-
cuidado de si, embora se encontrem distante do lheres – sempre potencialmente grávidas – lem-
modelo preconizado pelo discurso biomédico? bradas apenas para a proteção ao feto.
E todos os esforços despendidos à manutenção A partir da década de 1980, o que parecia
da própria masculinidade não podem também óbvio passou a ser questionado por influência
ser incluídos na categoria do cuidado e, nesse
caso, não apenas de si mas também do outro?
Assim, antes de excluir os homens das cate- 3 MUSA–Programa de Estudos em Gênero e Saúde
gorias de cuidado e saúde faz-se necessário pen- do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal
sar nas significações que estas categorias adqui- da Bahia. estela@ufba.br
20
Knauth, D. R. et al.

do feminismo no âmbito acadêmico e nas polí- sa expressão em abordagem complementar e


ticas públicas. Uma das críticas mais contun- análoga à tradicional saúde da mulher.
dentes dizia respeito ao modo como homens e Antes de tudo, é preciso esclarecer que essa
mulheres eram representados na literatura bio- última expressão não foi cunhada pelo feminis-
médica: o masculino como norma e o feminino mo, mas pelos médicos. Suas origens remontam
como “outro”, especial, desviante (Krieger & ao século 19, quando se constituíram as bases
Fee, 1994). E desse modo, ao se ocultar a mas- da ginecologia moderna, como uma “ciência da
culinidade implícita do ser humano universal, mulher”, sem qualquer equivalente em relação
apresentado sempre com aparente neutralida- ao homem (Rohden, 2001). Isso ocorreu em
de, reafirmava-se as bases da discriminação. um contexto histórico de grandes transforma-
A forte crítica ao essencialismo da biomedi- ções sociais, em que as mulheres reivindicavam
cina visava, em um primeiro momento, retirar novos direitos ao voto, à educação e ao trabalho
as mulheres da esfera exclusiva da reprodução, e a medicina produzia os argumentos que justi-
conferindo visibilidade a inúmeras necessida- ficassem as relações hierárquicas nas quais elas
des de saúde negligenciadas até então como re- ocupavam o pólo dominado. Durante o século
sultado do chamado viés de gênero nas ciências 20, houve uma medicalização progressiva do
biomédicas. Isso gerou uma enorme quantida- corpo feminino, como parte do processo mais
de de estudos e proposições voltados à saúde amplo de normatização da vida social pela me-
das mulheres e suas especificidades. No Brasil, a dicina (Vieira, 2002; Rohden, 2001). Nos anos
expressão mais emblemática desses esforços foi 70/80, o termo saúde da mulher foi resgatado
a criação do PAISM – Programa de Assistência pelas feministas com o propósito de ressignifi-
Integral à Saúde da Mulher, que ainda hoje se cá-lo para conferir visibilidade às necessidades
constitui em uma referência para o movimento das mulheres para além da função materna, em
feminista pela saúde. O aprofundamento da re- oposição à perspectiva materno-infantil em que
flexão feminista desembocou nos estudos de gê- o interesse primordial recaía na saúde do feto e
nero que vêm proliferando em todo o mundo da criança. O principal problema ao adotar essa
ocidental. Sua aplicação na Saúde Coletiva tem expressão prende-se à ênfase nas especificidades
apresentado benefícios inegáveis permitindo – o que reafirma a representação simbólica da
repensar estratégias metodológicas, conceitos e diferença sexual como a ordem natural do mun-
categorias analíticas, incluir novas temáticas – do, mantendo a mulher como ser essencial a-
como a violência e a sexualidade, e voltar a es- histórico e universal.
tudar antigas – como o trabalho e a reprodução. Todavia, como poderiam as mulheres, dis-
Os estudos sobre homens e masculinidades criminadas com base na sua diferença, exigir
têm trazido contribuições importantes ao pro- mudanças como indivíduos humanos sem in-
blematizar aspectos cruciais para reflexão sobre vocar a diferença que as excluiu? Como a discri-
a dominação masculina e as relações de gênero. minação, que atribuía características de grupo a
Ao partir da noção de masculinidade hegemô- indivíduos com base no seu sexo, poderia ser com-
nica, a produção teórica e empírica neste cam- batida sem que se levantasse a questão da dife-
po tem permitido o reconhecimento de mascu- rença sexual? Como a questão da diferença sexual
linidades múltiplas e contribuído para pensar o poderia ser levantada sem que se reproduzissem
gênero como categoria que atravessa o tecido os termos nos quais a exclusão se baseia? (Scott,
social e se articula à classe, raça/etnia e geração, 2001). Esse “essencialismo estratégico” não é in-
recriando formas de subordinação e opressão. gênuo e tem sido objeto de sérias discussões,
Na área de saúde, tem-se buscado demonstrar não apenas no feminismo, mas no âmbito de
como a “masculinidade hegemônica” gera com- outras lutas identitárias (por exemplo, nas pro-
portamentos danosos à saúde, o que fica evi- postas de cotas para negros e nos questiona-
dente no artigo “Homens e saúde na pauta da mentos quanto a ganhos e perdas políticas com
Saúde Coletiva”. Essa ampla revisão, que certa- a “racialização” da sociedade).
mente será uma referência para aqueles que E o que dizer então da emergência do termo
pretendem se introduzir ao tema, abrange va- saúde do homem? Quais as suas origens e que
riados aspectos e poderia suscitar diferentes forças têm contribuído para sua institucionali-
questões para o debate. Considerando sua in- zação?
serção em suplemento que pretende colocar a Na base Medline – principal base de refe-
“Saúde do homem em questão”, parece conve- rências bibliográficas sobre saúde –, a expressão
niente examinar as implicações de se adotar es- no singular não é encontrada e o termo men’s
21

Ciência & Saúde Coletiva, 10(1):18-34, 2005


health não integra os descritores – ao contrário de saúde de 17 países (http://www.wcmh.info/),
de women’s health, incorporado em 1991. A mais tendo em sua abertura conferência do dr. Ale-
antiga das 307 referências identificadas a partir xandre Kalache, coordenador da área de enve-
da expressão men’s health em qualquer campo lhecimento na Organização Mundial da Saúde
de busca é de 1984, sendo uma revisão sobre di- (OMS). Em seu discurso, reconhecendo a im-
ferenças entre os sexos na morbi-mortalidade possibilidade de pensar o envelhecimento hu-
(Wingard, 1984). Até 1994, todos os artigos tra- mano sem adotar a perspectiva de gênero, Kala-
tavam da infecção pelo HIV e a Aids, parte sig- che critica, entretanto, a ênfase exclusiva confe-
nificativa dos quais tratando de homens gays e rida às mulheres tanto na investigação científica
muitas vezes em diálogo com a literatura femi- quanto na assistência à saúde. Entre vários as-
nista. Em 1996, men’s health intitulava um edi- pectos, chama a atenção o breve comentário de
torial do British Medical Journal (Griffiths, 1996), que a terapia de reposição hormonal pode ajudar
em que eram destacados os variados condicio- a prevenir o previnível e retardar o inevitável
nantes da saúde dos homens, os quais compa- (Kalache, 2001), sendo necessário produzir evi-
rativamente às mulheres teriam menor capaci- dências sobre seus efeitos em homens de modo
dade de reconhecer problemas físicos e emocio- complementar ao que se sabe sobre as mulhe-
nais e procurar ajuda. res. Em 2002, a segunda edição do evento con-
Ao final da década de 1990, um “novo” pro- tou com 700 participantes de 72 nações (http://
blema de saúde surge associado ao termo: a dis- www.wcmh.info/). Desde então esses congres-
função erétil (Montorsi, 2004; Potts et al., 2004). sos têm sido realizados anualmente por associa-
Essa “desordem” é definida na literatura médica ções médicas, com o apoio de quatorze grandes
como a incapacidade de obter ou manter uma corporações da indústria farmacêutica, todas
ereção peniana suficiente para uma relação se- elas envolvidas com a produção de drogas hor-
xual satisfatória (Potts et al., 2004) e até então monais e outros insumos para o tratamento da
era tratada por psicoterapia ou pelo uso de im- disfunção erétil.
plantes ou bombas penianas. É quando se regis- Alguns artigos vêm debatendo a medicali-
tra a ocorrência de ereções penianas como efei- zação das disfunções sexuais masculinas e des-
to colateral inesperado de um medicamento – o tacando como esse processo é permeado de re-
citrato de sildenafil – destinado ao tratamento presentações de gênero e sexualidade que refor-
de problemas cardiovasculares (Montorsi, 2004). çam o modelo hegemônico de masculinidade
O advento do Viagra®, nome pelo qual a droga (Winton, 2000; Loe, 2001; Bass, 2001; Potts et
foi comercializada, promoveu uma mudança na al., 2004). Potts et al. (2004), a partir de um es-
abordagem terapêutica da disfunção erétil, de- tudo na Nova Zelândia com usuários de Via-
sencadeando inúmeros estudos – financiados em gra® e suas parceiras, discutem as bases desse
grande parte pela indústria farmacêutica –, a di- modelo e suas implicações nas condutas médi-
fusão massiva na mídia e uma demanda sem pre- cas, que tomam a “diversidade” como “disfun-
cedentes por tratamento médico especializado. ção”. Segundo essas autoras, os depoimentos
A primeira década deste século é ocupada dos informantes contrastam fortemente com os
por publicações sobre drogas hormonais. Ao la- conteúdos publicitários da indústria farmacêu-
do do interesse sobre a disfunção erétil, consta- tica, evidenciando múltiplas possibilidades de
ta-se uma profusão de indicações terapêuticas exercício da sexualidade, em que o tratamento
de reposição hormonal para o tratamento da medicamentoso nem sempre é necessário ou
andropausa ou climatério masculino, o que pro- exitoso.
voca em leitores desavisados uma sensação ine- Não se trata de recusar o desenvolvimento
vitável de dejá vu. Em 2001, registram-se mais científico e tecnológico e o acesso universal a
dois editoriais: um no Journal of General Inter- quem possa dele se beneficiar. Entretanto, co-
nal Medicine (Penson & Krieger, 2001), que de- mo é discutido por Collier & Iheanacho (2002),
dica boa parte do texto ao problema “emergen- os interesses da indústria farmacêutica conver-
te” da disfunção erétil. O segundo é um novo gem em última instância para a produção de
editorial no British Medical Journal (Baker, mais valia e seus programas de pesquisa sobre
2001), defendendo a articulação de iniciativas novas drogas se baseiam em predições de futu-
regionais em torno da proposta de men’health e ros mercados e no potencial de criação de pro-
anunciando o 1st World Congress on Men’s dutos lucrativos. Os investimentos nas campa-
Health & Gender, nesse mesmo ano, em Viena. nhas promocionais dos produtos são por vezes
O evento reuniu 400 cientistas e profissionais maiores do que na própria produção, e essas se
22
Knauth, D. R. et al.

dirigem, não apenas ao público potencialmente de na melhor tradição da Saúde Coletiva latino
consumidor, mas antes de tudo aos médicos, americana.
que deverão ser os principais agentes na difusão
dos produtos. Isso envolve múltiplas estratégias Referências bibliográficas
voltadas à grande mídia, mas principalmente
aos veículos de divulgação científica, ou seja, Baker P 2001. The international men’s health movement
congressos e periódicos. Não por acaso, os au- [Editorial]. British Medical Journal 323: 1014-1015.
Bass BA 2001. The sexual performance perfection industry
tores (Collier & Iheanacho, 2002) citam como and the medicalization of male sexuality. Family Jour-
ilustração desses mecanismos o apoio da Pfizer nal Counseling & Therapy for Couples & Families 9(3):
– empresa farmacêutica que produz o Viagra® 337-340.
– ao Men’s Health Fórum (http://www.mens- CollierJ & Iheanacho I 2002. The pharmaceutical industry
healthforum.org.uk). as an informant. The Lancet 360 (November):1405-
1409.
Homens e mulheres apresentam muitas di- Griffiths S 1996. Men’s health: unhealthy lifestyles and an
ferenças, mas ao compartilharem o mesmo con- unwillingness to seek medical help [Editorials]. Bri-
texto sociocultural podem ter mais semelhan- tish Medical Journal 312: 69-70.
ças entre si do que se comparados, respectiva- Kalache A 2001. Men’s health: North-South prospects, pp.
mente a outros homens e mulheres de diferen- 47-48. Abstract book. 1st World Congress on Men’s
Health & Gender. Vienna, Austria, November 2-4.
tes grupos sociais, o que torna obrigatório con- Krieger N & Fee E 1994. Man-made medicine and women’s
textualizar achados empíricos e articular gênero health: the biopolitics of sex/gender and race/ethni-
com outras categorias analíticas, como classe city. International Journal of Health Services 24(2):
social, raça/etnia e geração. Rigorosamente, 265-283.
poucas diferenças biológicas justificam assis- Loe M 2001. Fixing broken masculinity: Viagra as a tech-
nology for the production of gender and sexuality.
tência especializada e ainda assim as especiali- Sexuality & Culture: an Interdisciplinary Quarterly
dades médicas devem ser integradas, no sentido 5(3):97-125.
de assegurar a integralidade da atenção. Mesmo Montorsi F 2004. Oral pharmacotherapy for erectile
na saúde reprodutiva tem-se proposto a incor- dysfunction: a personal view of experiences with
poração dos homens nas consultas de pré-natal, three different drugs [Editorial]. Journal of Men’s
Health & Gender 1(1):29-31.
no momento do parto e nos serviços de contra- Penson D & Krieger JN 2001. Men’s health: are we missing
cepção. Sendo assim, na organização da atenção the big picture? Journal of General Internal Medicine
à saúde, enfatizar as especificidades pode reite- 16(10):717.
rar o essencialismo; mas incorporar a perspec- Potts A, Grace V, Gave N & Vares T 2004. “Viagra stories”:
tiva de gênero pode contribuir para adequar os challenging ‘erectile dysfunction’. Social Science &
Medicine 59: 489-499.
serviços às necessidades de homens e mulheres Rohden F 2001. Uma ciência da diferença: sexo e gênero na
e superar mecanismos e atitudes de discrimina- medicina da mulher. Rio de Janeiro: Fiocruz. [Antro-
ção. Isso pode envolver ações e estratégias vol- pologia e Saúde]
tadas a grupos de homens ou de mulheres em Schraiber L, Gomes R & Couto M 2005. Homens e saúde
particular, sem a segmentação de espaços e no- na pauta da Saúde Coletiva. Ciência e Saúde Coletiva
10(1):7-17.
vas especialidades. Scott JW 2001. “La querelle des femmes” no final do sécu-
Com um atraso histórico em relação a ou- lo XX. Estudos Feministas 9(2):367-388.
tras áreas do conhecimento, a Saúde Coletiva Vieira EM 2002. A medicalização do corpo feminino. Fio-
vem se abrindo à incorporação das análises de cruz. Rio de Janeiro. (Antropologia e Saúde).
gênero sobre variados aspectos da saúde. Isso Wingard DL 1984. The sex differential in morbidity, mor-
tality, and lifestyle. Annu Rev Public Health 5: 433-
não se dá sem controvérsias ou simplificações 458. (Review)
(por exemplo, com a mera substituição de se- Winton MA 2000. The medicalization of male sexual
xo por gênero em muitos estudos epidemioló- dysfunctions: an analysis of sex therapy journals.
gicos). Existe hoje uma vasta e rica literatura Journal of Sex Education & Therapy 25(4):231-239.
produzida não apenas por distintas correntes
do feminismo, mas também oriunda dos estu-
dos críticos sobre masculinidades e das verten-
tes construtivistas dos estudos sobre sexualida-
de. Iniciativas como a organização desse suple-
mento e dessa seção de debates podem enri-
quecer a reflexão sobre gênero e saúde. Mas é
preciso recusar o essencialismo – seja biológico
ou cultural – e politizar as necessidades de saú-