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AGRADECIMENTOS

No final deste trabalho desejamos expressar os meus sinceros agradecimentos a todas as pessoas que de algum modo contribuíram para a concretização deste trabalho:

Ao Professor Doutor Adrião José Batista pelo empenho e cuidado com que orientou este trabalho e, pela disponibilidade demonstrada a cada momento, fundamental ao desenvolvimento e à elaboração deste seminário. Ao Professor Clemente Martins Pinto pela disponibilidade e oportunas sugestões e ideias que nos possibilitaram a obtenção de resultados bem como a sua interpretação.

INDICE GERAL

1. OBJECTIVO

4

2. METODOLOGIA DE TRABALHO

5

3. INTRODUÇÃO

6

3.1 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO, POLÍTICO E DEMOGRÁFICO

6

3.2 PANTEÃO DE ROMA

7

4. DESCRIÇÃO DA OBRA

9

4.1

ARQUITECTURA

9

4.1.1 FUNDAÇÃO

10

4.1.2 PAREDES LATERAIS

11

4.1.3 CÚPULA

14

4.1.4 ENTRADA PRINCIPAL

18

4.1.5 PAVIMENTO

19

4.2

MATERIAIS UTILIZADOS

21

4.2.1 FUNDAÇÃO

22

4.2.2 PAREDES

23

4.2.3 CÚPULA

23

5. METÓDOS CONSTRUTIVOS

25

5.1 FUNDAÇÕES

25

5.2 PAREDES

25

5.3 CÚPULA

26

6. ANÁLISE ESTRUTURAL

27

6.1 FUNDAÇÕES

27

6.2 PAREDES

28

6.3 CÚPULA

29

7. RELAÇÃO ENTRE A ARQUITECTURA E A ESTRUTURA

32

8. MODELAÇÃO DA CUPULA NO ROBOT

35

9. CONCLUSÕES

39

10. BIBLIOGRAFIA

41

11. CYBERGRAFIA

42

INDICE DE FIGURAS

FIGURA 1 – ENTRADA PRINCIPAL DO PANTEÃO

7

FIGURA 2 – ESCULTURA DE ADRIANA

8

FIGURA 3 – ESQUEMA REPRESENTATIVO DAS FUNDAÇÕES

10

FIGURA 4 – VISTA AÉREA DO PANTEÃO

11

FIGURA 5 – ALÇADO LATERAL DO PANTEÃO

11

FIGURA 6 – CORTE TRANSVERSAL

12

FIGURA 7 – INTERIOR DO PANTEÃO

12

FIGURA 8 – POSIÇÃO SOLAR

13

FIGURA 9 - NICHOS

13

FIGURA 10 – DEGRAUS NO EXTERIOR DA CÚPULA

14

FIGURA 11 - COFRES

15

FIGURA 12 – CHAPA DE BRONZE NO ÓCULO

15

FIGURA 13 – VISTA INTERIOR DA CÚPULA

16

FIGURA 14 – ESQUEMA GEOMÉTRICO

16

FIGURA 15 – COFRE TRAPEZOIDAL

17

FIGURA 16 – ESQUEMA GEOMÉTRICO DOS COFRES

17

FIGURA 17 – ENTRADA PRINCIPAL

18

FIGURA 18 - ALPENDRE

19

FIGURA 19 – PAVIMENTO INTERIOR

19

FIGURA 20 – MAPA DO IMPÉRIO ROMANO

20

FIGURA 21 – TIPOS DE MÁRMORES

21

FIGURA 22 – VISTA LATERAL DO PANTEÃO

22

FIGURA 23 – AMOSTRA DE TRAVERTINO

23

FIGURA 24 - CÚPULA

24

FIGURA 25 – ESQUEMA REPRESENTATIVO DOS ANDAIMES

26

FIGURA 26 – ESQUEMA DO APARECIMENTO DAS FISSURAS

27

FIGURA 27 – ESQUEMA DE FORÇAS

29

FIGURA 28 – DEGRAUS EXISTENTES NA PARTE EXTERIOR DA CÚPULA

30

FIGURA 29 – INTERIOR DA CÚPULA FISSURADO

31

FIGURA 30 – PRIMEIRA OBRA EM BETÃO ARMADO

33

FIGURA 31 – MODELO PROPOSTO DA CÚPULA

35

FIGURA 32 – FORÇAS NOS NÓS

36

Seminário

Panteão de Roma

Seminário Panteão de Roma 1. OBJECTIVO A análise do comportamento de edifícios no contexto da avaliação

1. OBJECTIVO

Seminário Panteão de Roma 1. OBJECTIVO A análise do comportamento de edifícios no contexto da avaliação

A análise do comportamento de edifícios no contexto da avaliação estrutural, constitui um domínio de investigação de grande interesse e actualidade.

O tema assume maior importância no âmbito das construções de elevado interesse histórico e cultural, como é o caso dos monumentos, em que a complexidade da análise estrutural é, em geral o factor dominante.

Numa análise visual efectuada ao edifício, os materiais aplicados, os processos construtivos e o comportamento estrutural e funcional da cúpula, tomam uma relevância importante, sendo por isso, os pontos principais deste estudo. O trabalho apresenta uma breve introdução histórica do monumento, bem como da actividade da construção e do desenvolvimento do processo construtivo.

da construção e do desenvolvimento do processo construtivo. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 4

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Seminário

Panteão de Roma

Seminário Panteão de Roma 2. METODOLOGIA DE TRABALHO É universalmente aceite que o Panteão de Roma

2. METODOLOGIA DE TRABALHO

Seminário Panteão de Roma 2. METODOLOGIA DE TRABALHO É universalmente aceite que o Panteão de Roma

É universalmente aceite que o Panteão de Roma é o mais impressionante edifício monumental romano a sobreviver no mundo, praticamente completo.

Para se conseguir interpretar a forma como este monumento sobreviveu, tem de se proceder primeiramente a um estudo prévio sobre a sua contextualização histórica, bem como as influências arquitectónicas.

Um enquadramento dos materiais e a interpretação da sua evolução são também pontos de estudo para um melhor esclarecimento acerca dos métodos construtivos aplicados na altura, visto não existirem os meios hoje utilizados.

De forma a se atingir o objectivo principal, ou seja, a análise estrutural e comportamental do edifício, irá proceder-se a uma pormenorizada descrição dos materiais e da estrutura, com o intuito de justificar todas as opções estruturais e construtivas aplicadas na altura, em função das acções e esforços internos existentes na mesma. O estudo será conduzido com recurso a métodos e modelos computacionais na tentativa de explicar a existência do lanternim, irá proceder-se a uma modelação aproximada da cúpula de forma a formular uma hipótese para este facto.

da cúpula de forma a formular uma hipótese para este facto. Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Panteão de Roma

Seminário Panteão de Roma 3. INTRODUÇÃO 3.1 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO, POLÍTICO E DEMOGRÁFICO Roma é a cidade

3. INTRODUÇÃO

Seminário Panteão de Roma 3. INTRODUÇÃO 3.1 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO, POLÍTICO E DEMOGRÁFICO Roma é a cidade

3.1 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO, POLÍTICO E DEMOGRÁFICO

Roma é a cidade capital de Itália, local onde se insere o monumento em estudo. Considerada a Cidade Eterna pela sua história milenar, Roma foi fundada em meados de 753 a.C. segundo a lenda por Rómulo e Remo, símbolos da cidade actual. Pensa-se que foi no local de implantação deste edifício que Roma teve o seu início

O estado do Vaticano encontra-se no seio da cidade, sede da Igreja católica. É uma das

cidades com maior importância na história mundial, sendo um dos símbolos da civilização europeia, possuindo ainda, um vasto império em volta do Mar Mediterrâneo. Conserva inúmeras ruínas e monumentos na parte antiga da cidade, especialmente da época do Império Romano, e do Renascimento, o movimento cultural que nasceu na Itália.

A área tem cerca de 2.546.804 habitantes 1 , e estende-se por uma área de 1.285 Km 2 ,

tendo uma densidade populacional de 1.981 hab/Km 2 , o que a torna na maior cidade da Itália e também na capital europeia de maiores dimensões.

Com o crescimento do Cristianismo na cidade, no século III d.C., o Bispo de Roma (actualmente Papa) tornou-se a maior autoridade religiosa na Europa Ocidental, assim se justifica a existência de templos na cidade. Designa-se por Templo, como sendo, uma estrutura arquitectónica dedicada ao serviço religioso, reflexo do mundo divino, habitação de Deus sobre a terra, o lugar da Presença Real. Destes Templos destacamos

o Panteão de Roma pela sua grandiosidade, quer a nível arquitectónico quer a nível

estrutural e por ser a construção mais antiga que sobreviveu praticamente intacta até aos nossos dias.

A pedra, material fundamental na construção do templo, e sendo este o ponto onde se

encontram o terrestre e o celeste, simboliza pela sua durabilidade precisamente essa união. Na mitologia Romana, o romano, que impregnava a sua vida pelo numen, uma

força divina indefinida presente em todas as coisas, estabeleceu com os deuses

1 Dados referentes ao ano de 2001

estabeleceu com os deuses 1 Dados referentes ao ano de 2001 Universidade da Beira Interior 2007/2008

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P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma romanos um respeito es crupuloso. Mais tarde, a influência greg a,
Seminário P anteão de Roma romanos um respeito es crupuloso. Mais tarde, a influência greg a,

romanos um respeito es crupuloso. Mais tarde, a influência greg a, inseria uma

adaptação para o panteão

feições de Hermes e o deu s do vinho, como Dionísio.

romano do seu deus do comércio e da el oquência sob as

A palavra Panteão, que,

significa, literalmente, o monoteísmo, os panteões

que através dos seus fei tos engrandeceram a sua pátria (intelect uais, estadistas,

artistas etc.). O primeiro

e théos( deus),

templo dedicado a todos os deuses. Ma is tarde, com o

morada àqueles

etimologicamente deriva de pan (todo)

foram reformulados para servir de última

templo conhecido a constituir-se sob este

ponto de vista

situava-se em Pérgamo. N o entanto o de Roma é o mais conhecido, po is é o único que

chegou até nós em bom es tado de conservação.

3.2 PANTEÃO DE ROM A

Mesmo com o seu estado

desvanecendo ao longo do s milénios, devido essencialmente às acçõe s climatéricas, o

Panteão traduz a grandios idade da integridade estrutural de Roma e filosófica. Poucos edifícios desta dimensão têm uma história paralela representa o génio da arqu itectura romana.

O panteão de Roma, foi

ao Panteão. Este

a sua harmonia

alterado, onde grande parte da sua decor ação exterior foi

construído por Agrippa, filho do imperad or Augusto, em

meados de 27 a.C, e é ded icado a todos os deuses da mitologia roma na. Na inscrição

sobre a entrada principal,

esculpida em pedra, pode ler-se o nome do s eu fundador.

esculpida em pedra, pode ler-se o nome do s eu fundador. Figura 1 – Entrada principal

Figura 1 – Entrada principal do Panteão [1]

nome do s eu fundador. Figura 1 – Entrada principal do Panteão [1] Universidade da Beira

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P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma Como as tragédias aconte cem, este primeiro Panteão foi severament e
Seminário P anteão de Roma Como as tragédias aconte cem, este primeiro Panteão foi severament e

Como as tragédias aconte cem, este primeiro Panteão foi severament e danificado por um incêndio no ano 80 de pois de Cristo. Mais tarde, o Panteão foi re construído pelo

Adriano cara cterizava-se pelo

império, sendo

também um admirador da cultura grega, vendo por isso no Panteão a e xpressão da sua

filosofia de vida. A constr ução foi concluída pelo imperador Pio em d.C

meados de 140

imperador Adriano, durant e o período de 118 a 128 d.C

seu cosmopolitismo 2 , via jou bastante pelas regiões orientais do

2 , via jou bastante pelas regiões orientais do Figura 2 – Escultura de Adriana [7]

Figura 2 – Escultura de Adriana [7]

Considerado como o maior

várias gerações de arquite ctos europeus, americanos etc.

Desde que foi construído

personalidades italianas ilu stres, como pintores, arquitectos, reis etc.

como igreja defendeu-o dos actos de v andalismo e da as antigas construções da antiga Roma sof reram durante o

início do período medieval . A maior perda, registou-se nas esculturas q ue adornavam o

tímpano do frontão, acima da inscrição relativa a Agrippa.

exemplar de arquitectura monumental rom ana, influenciou

que se manteve sempre em uso como úl tima morada de

A consagração do edifício destruição deliberada que

2 Pensamento filosófico que de spreza as fronteiras geográficas imposta pela socie dade considerando que a humanidade segue as leis do Universo, fazendo hoje parte de Itália.

humanidade segue as leis do Universo, fazendo hoje parte de Itália. Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário Panteão de Roma 4. DESCRIÇÃO DA OBRA 4.1 ARQUITECTURA Os romanos uniram todas as formas

4. DESCRIÇÃO DA OBRA

4.1

ARQUITECTURA

Panteão de Roma 4. DESCRIÇÃO DA OBRA 4.1 ARQUITECTURA Os romanos uniram todas as formas artísticas

Os romanos uniram todas as formas artísticas dos povos por si conquistados adaptando-as às suas necessidades reais. O que caracteriza a arte romana é precisamente a combinação, sem preconceitos de qualquer tipo, de formas que encontram ao seu alcance. A arquitectura romana caracteriza-se também, pelo seu aspecto maciço, por grandes quantidades de pedra distribuídas segundo planos horizontais ou verticais. O conjunto é formado por paredes de grande espessura que suportam a maior parte das vezes uma cobertura semi-esférica. Exteriormente, as paredes são lisas constituindo assim a sua única decoração. A fachada principal costuma ser decorada com arabescos geométricos. Os romanos foram buscar aos Etruscos 3 o arco pleno e através destes e com a sua marca pessoal incorporaram na sua riqueza artística os estilos gregos. A aliança do arco com a coluna é precisamente o que caracteriza a arte romana no seu aspecto monumental e decorativo, ou seja, uma mistura de elementos mutuamente implicados. A arquitectura do edifício baseia-se em três formas geométricas principais, o paralelepípedo, o cilindro e a esfera. Um pórtico rectangular sob um alpendre com as respectivas asnas em madeira, uma estrutura cilíndrica constituindo o corpo principal do edifício encimada por uma cúpula 4 de forma esférica com uma abertura ou lanternim que serve de cobertura. O período de construção das paredes durou aproximadamente 4 a 5 anos, tendo a construção da cúpula exigido mais tempo, devido à sua altura e às escassos meios utilizadas pelos romanos, no entanto não existe informação referente ao tempo de execução da cúpula.

3 Os Etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na actual Itália na região a sul do rio Arno e a norte do Tibre, então denominada Etrúria. 4 Marca de um palácio ambicioso

então denominada Etrúria. 4 Marca de um palácio ambicioso Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 9

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Panteão de Roma

Seminário Panteão de Roma 4.1.1 FUNDAÇÃO A sua fundação apresenta uma forma em coroa circular na

4.1.1

FUNDAÇÃO

Seminário Panteão de Roma 4.1.1 FUNDAÇÃO A sua fundação apresenta uma forma em coroa circular na

A sua fundação apresenta uma forma em coroa circular na zona do cilindro e uma

forma rectangular na zona do pronaos 5 e na transição deste para o corpo principal. A

sua forma simples acompanha a arquitectura do edifico. Inicialmente a largura da fundação era de 7,2 metros, tendo sido aumentada para 8,1 metros, facto que irá ser justificado mais à frente neste trabalho. A profundidade desde o nível térreo até à face inferior da fundação é de 4,7 metros.

até à face inferior da fundação é de 4,7 metros. Figura 3 – Esquema representativo das

Figura 3 – Esquema representativo das fundações [A]

A observação detalhada do edifício mostra a existência de uma estrutura na parte de

trás deste aparentemente sem serventia. Esta, apenas se encontra em algumas figuras, sendo ignorada na maior parte delas. Mais à frente será apresentada uma justificação plausível para a existência desta estrutura. Esta não apresenta qualquer tipo de

funcionalidade no seu interior nem é conhecida qualquer ligação ao corpo principal.

5 Antecâmara no templo grego que antecedia o naos - espaço do templo reservado à estátua

grego que antecedia o naos - espaço do templo reservado à estátua Universidade da Beira Interior

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Seminário P anteão de Roma Figura 4 – Vista aérea do Panteão [G] 4.1.2 PAREDES LATERAIS
Seminário P anteão de Roma Figura 4 – Vista aérea do Panteão [G] 4.1.2 PAREDES LATERAIS

Figura 4 – Vista aérea do Panteão [G]

4.1.2 PAREDES LATERAIS

As paredes exteriores são

de tijolos maciços espaça dos de 1,2 metros. A altura das paredes é que corresponde aproxima damente a um edifício de 12 pisos.

de alvenaria, sendo visível no seu exterior,

arcos formados de 31,7 metros,

visível no seu exterior, arcos formados de 31,7 metros, Figura 5 – Alçado lateral do Panteão
visível no seu exterior, arcos formados de 31,7 metros, Figura 5 – Alçado lateral do Panteão

Figura 5 – Alçado lateral do Panteão [A]

A parede encontra-se divi dida em três partes, através de cornijas. É

esta altura, não coincide c om a altura da parede interior. Na parte su perior e inferior da parede existem abertur as de acesso pelo exterior, em todo o seu co ntorno, que não possibilitam o acesso ao in terior do edifício.

de salientar que

possibilitam o acesso ao in terior do edifício. de salientar que Universidade da Beira Interior 2007/2008

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P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma Figura 6 – Corte transversal [8] A parede interior encontra-s e
Seminário P anteão de Roma Figura 6 – Corte transversal [8] A parede interior encontra-s e
Seminário P anteão de Roma Figura 6 – Corte transversal [8] A parede interior encontra-s e

Figura 6 – Corte transversal [8]

A parede interior encontra-s e dividida por duas cornijas 6 em mármore com 1,10 metros. A primeira enc ontra-se a 12,8 metros do pavimento, estando

metros. A grande parede cil indrica apresenta na sua face interior, em tod o o seu contorno, cavidades e nichos. O nicho é uma reentrância curva, de

uma saliência de a segunda a 21,7

reentrância curva, de uma saliência de a segunda a 21,7 Figura 7 – Interior do Panteão

Figura 7 – Interior do Panteão [4]

pequenas dimensões e qu e não se projecta para o exterior do edifíci o, utilizado para

colocação de estátuas, im

agens e adorações. As cavidades encont ram-se no nível

superior da parede interio r e projectam-se para o exterior do edifíci o, sem ligação a

este. A espessura da pared e é de 6,20 metros, sendo reduzida na zona dos nichos para

6 Uma faixa horizontal que se de staca da parede, a fim de acentuar as nervuras nela e mpregadas.

de staca da parede, a fim de acentuar as nervuras nela e mpregadas. Universidade da Beira

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Seminário P anteão de Roma 2,20 metros. No total, os n ichos são 8 e encontram-se
Seminário P anteão de Roma 2,20 metros. No total, os n ichos são 8 e encontram-se

2,20 metros. No total, os n ichos são 8 e encontram-se localizados estr ategicamente ao longo do perímetro intern o da parede. Esta distribuição, foi feita, te ndo por base os pontos cardeais. Os nic hos que se encontram nos pontos car deais principais

apresentam uma geometr ia semi-circular, com excepção daquele que

porta principal que aprese nta uma forma rectangular. Apresentando e stes um arco no

topo. Aqueles que se enc ontram nos pontos colaterais apresentam

rectangular. Entre os nich os encontram-se pequenos altares em pórt ico, salientes da

parede, com a imagem rep resentativa dos vários deuses por eles idolat rados.

uma geometria

se encontra na

deuses por eles idolat rados. uma geometria se encontra na Figura 8 – Posição solar [2]

Figura 8 – Posição solar [2]

Os pilares utilizados, carac terísticos da arquitectura romana, estão pr esentes em todo o perímetro da parede.

romana, estão pr esentes em todo o perímetro da parede. Figura 9 – Nichos [A] Universidade

Figura 9 – Nichos [A]

pr esentes em todo o perímetro da parede. Figura 9 – Nichos [A] Universidade da Beira

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Seminário P anteão de Roma São observados dois tipo s de secções, circular e rectangular. Os
Seminário P anteão de Roma São observados dois tipo s de secções, circular e rectangular. Os

São observados dois tipo s de secções, circular e rectangular. Os p ilares circulares encontram-se no centro do s nichos e os rectangulares nas extremidade s dos mesmos. Durante a descrição arquit ectónica de toda a parede, verifica-se a perf eita combinação do arco com as colunas.

4.1.3

CÚPULA

A cúpula é uma caracter ística interessante e difícil de se descrev er devido à sua

configuração tão incomum

21,7 metros. A sua espess ura varia entre 5,9 metros, junto à base, at é 1,5 metros no

topo. No exterior existe metade da sua altura

uma série de sete anéis que acompanha m a cúpula até

O seu raio é de

e constitui o corpo principal do edifício.

Estes anéis não se aprese ntam de uma forma uniforme, as suas me didas escalam a forma da cúpula. O primei ro anel com uma largura e altura de 2,3 m etros, tem o seu bordo exterior assente sob re o eixo médio da parede.

o seu bordo exterior assente sob re o eixo médio da parede. Fig ura 10 –

Fig ura 10 – Degraus no exterior da cúpula [3]

colocados uns sobre os outros apenas dife renciando o seu

diâmetro. A altura destes é em média 0,8 metros, e a distância exteri or entre anéis é de 1,20 metros. Ainda exis te uma escada que conduz por estes anéis a o óculo.

Os anéis seguintes foram

que conduz por estes anéis a o óculo. Os anéis seguintes foram Universidade da Beira Interior

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P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma O interior da cúpula é co nstituído por 5 níveis de
Seminário P anteão de Roma O interior da cúpula é co nstituído por 5 níveis de

O interior da cúpula é co nstituído por 5 níveis de vazados ou cofre s, apresentando estes, o formato de “waffl e”.

A divisória entre os cofr es, constituem nervuras estruturais com o rientação semi- esférica, segundo os merid ianos e os paralelos.

semi- esférica, segundo os merid ianos e os paralelos. Figura 11 – Cofres [A] No centro

Figura 11 – Cofres [A]

No centro da cúpula enco ntra-se um óculo com um diâmetro de 8, 2 metros e uma

espessura de 1,5 metros. O camadas sobrepostas, que da construção original.

bronze que data

anel de compressão que existe no óculo é c onstituído por 3

por sua vez são cobertos por um anel de

c onstituído por 3 por sua vez são cobertos por um anel de Figura 12 –

Figura 12 – Chapa de bronze no óculo [8]

A cúpula que apresenta al véolos na face interior, em direcção a um ó culo que se abre para Zenite 7 . Dando um as pecto agradável ao observador.

7 Ponto superior da esfera celes te, segundo a perspectiva de um observador na supe rfície do astro onde se encontra (isto é, o exacto pon to acima de sua cabeça)

onde se encontra (isto é, o exacto pon to acima de sua cabeça) Universidade da Beira

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Seminário P anteão de Roma Figura 13 – Vista interior da cúpula [6] O desenho deste
Seminário P anteão de Roma Figura 13 – Vista interior da cúpula [6] O desenho deste
Seminário P anteão de Roma Figura 13 – Vista interior da cúpula [6] O desenho deste

Figura 13 – Vista interior da cúpula [6]

O desenho deste monum ento não é totalmente original, no entant o, a dimensão é

formando uma

esfera perfeita tangente a o pavimento. Esta cúpula foi a maior que ch egou até nós da

antiguidade e foi consid erada durante muito tempo a maior de

Ocidental até ter aparecid o a cúpula de Florença. No entanto, é a ú nica que tem a forma esférica enquanto q ue, todas outras se baseiam no arco em ogiv a.

Em todo este edifício e stá presente a geometria, base element ar de qualquer

presentes nesta

construção, o circulo com o símbolo do centro do mundo, e o triâng ulo com a ponta para baixo, indicando a co ncentração de forças celestes ou sobrenatu rais na direcção da terra. É de notar que n o interior do panteão, este forma uma esfe ra plena entre o tecto e o chão.

construção. O círculo e o

toda a Europa

incomum. Apresentando

por isso uma cúpula com 21.7m de raio,

triângulo são as formas geométricas mais

21.7m de raio, triângulo são as formas geométricas mais Figura 14 – Esquema geométrico [2] Universidade

Figura 14 – Esquema geométrico [2]

as formas geométricas mais Figura 14 – Esquema geométrico [2] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página

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P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma Do ponto de vista da pe rspectiva, um dos pontos mais

Do ponto de vista da pe rspectiva, um dos pontos mais notáveis é produzido pela composiçã o geométrica dos cofres.

o efeito visual

pela composiçã o geométrica dos cofres. o efeito visual Figura 15 – Cofre trapezoidal [A] Actualmente
pela composiçã o geométrica dos cofres. o efeito visual Figura 15 – Cofre trapezoidal [A] Actualmente

Figura 15 – Cofre trapezoidal [A]

Actualmente existem duas explicações aceitáveis para a forma dos cof res. A primeira e

da cobertura. A

pequena inclinação que se

observa do cofre deve assegurar a estabil idade do betão,

talvez na nossa perspectiv a a mais credível, visa a redução do peso

devido ao facto de a cú pula ter sido construída de baixo para c ima. A segunda

explicação que sugere a

intenção deliberada de uma aparência f ormal, ou seja,

permitir que os vários níve is não permaneçam escondidos ao observa dor assim como

possibilitar uma estética

trapezoidal que pode ser o btido através de um quadrado, se este for o btido através do

comprimento da base mais

agradável. Todos os cofres apresenta m um esboço

longa com o comprimento da base mais cu rta. Porém este

longa com o comprimento da base mais cu rta. Porém este Figura 16 – Esquema geométrico

Figura 16 – Esquema geométrico dos cofres [9]

cu rta. Porém este Figura 16 – Esquema geométrico dos cofres [9] Universidade da Beira Interior

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Seminário

P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma Na mesma figura, pode ser para o chão seguindo a ref

Na mesma figura, pode ser

para o chão seguindo a ref erência das diagonais superiores do trapézi o. A razão por se

assumir que os cofres sur gem de um quadrado cuja base é determin ada pela divisão

em 28 meridianos é que progressivo. Isto sugere

m esboço radial

observado que o esboço do nível superior s e inclina do teto

a posição dos cofres corresponde a u

que algum tipo de molde mestre foi u tilizado para a

a u que algum tipo de molde mestre foi u tilizado para a construção, simplesmente foi

construção, simplesmente foi ajustado às dimensões de cada curso me ridiano.

4.1.4 ENTRADA PRINCIP AL

A entrada principal, impr essiona pela sua dimensão e pelo cuidad o posto no seu

esculpido que

resistiram ao passar do te

tratamento decorativo p ois apresenta grandes portas de bronze

mpo mesmo que restauradas por várias veze s.

de bronze mpo mesmo que restauradas por várias veze s. Figura 17 – Entrada principal [A]

Figura 17 – Entrada principal [A]

Estas portas encontram-se

comporta 16 colunas de g ranito. As colunas existentes neste alpendr e são colunas de origem toscana que é uma simplificação da coluna dórica.

protegidas por um alto e amplo alpendre , cuja estrutura

dórica. protegidas por um alto e amplo alpendre , cuja estrutura Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário

P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma Figura 18 – Alpendre [6] A ordem toscana apresent a a
Seminário P anteão de Roma Figura 18 – Alpendre [6] A ordem toscana apresent a a
Seminário P anteão de Roma Figura 18 – Alpendre [6] A ordem toscana apresent a a

Figura 18 – Alpendre [6]

A ordem toscana apresent a a coluna com uma pequena base, o fuste

capitel com uma moldura sua grandiosidade através

Sobre as colunas apoiam v igas em mármore que por sua vez suportam

pedra. As asnas de madeir a existentes neste alpendre formam uma co bertura de duas

uma arcada em

sem estrias e o

simples. As colunas presentes neste edifíc io transmitem a

dos 11.8 metros de altura por 1.5 metr os de diâmetro.

águas que se encontram

presente a forma geométri ca do paralelepípedo.

assentes sobre a arcada de pedra. Nes ta entrada está

4.1.5

PAVIMENTO

Todo o pavimento quer int erior quer exterior, apresenta formas geom étricas das quais

se destacam o círculo e o toda a construção do edifíc io.

quadrado, representando assim as forma s existentes em

io. quadrado, representando assim as forma s existentes em Figura 19 – Pavimento Interior [2] Universidade

Figura 19 – Pavimento Interior [2]

assim as forma s existentes em Figura 19 – Pavimento Interior [2] Universidade da Beira Interior

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Seminário

P anteão de Roma

Seminário P anteão de Roma Como explicado anteriorm ente o círculo representa o centro do mund

Como explicado anteriorm ente o círculo representa o centro do mund o, já o quadrado

representa a envolvente,

império romano. O círcu lo, no interior do quadrado, representa

Ptolemeu 8 . O material pro vém de diversos locais tais como, Egipto (Im perial Porfiry), o sudoeste da região de N umidian Carthage (Giallo Numidiana), o n ordeste da Ásia (Docimian Pavonazzeta) e o dos Alpes (granito cinzento), como forma de simbolizar as suas conquistas.

pertencentes ao a geografia de

ou seja, as quatro partes do mediterrâneo

ao a geografia de ou seja, as quatro partes do mediterrâneo Figura 20 – Mapa do
ao a geografia de ou seja, as quatro partes do mediterrâneo Figura 20 – Mapa do

Figura 20 – Mapa do Império Romano [2]

8 Cientista grego com conhecim ento na área da geografia, que determinou coordena das de latitude e longitude para os lugares mais i mportantes segundo círculos quadrados.

para os lugares mais i mportantes segundo círculos quadrados. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 20

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Seminário P anteão de Roma a) Docimian Pa vonazzeta c) Imperial Porfiry b) Docimian Pavonazze ta
Seminário P anteão de Roma a) Docimian Pa vonazzeta c) Imperial Porfiry b) Docimian Pavonazze ta

a) Docimian Pa vonazzeta

Seminário P anteão de Roma a) Docimian Pa vonazzeta c) Imperial Porfiry b) Docimian Pavonazze ta

c) Imperial

Porfiry

de Roma a) Docimian Pa vonazzeta c) Imperial Porfiry b) Docimian Pavonazze ta d) Giallo Numidiana

b) Docimian Pavonazze ta

Pa vonazzeta c) Imperial Porfiry b) Docimian Pavonazze ta d) Giallo Numidiana Figura 21 – Tipos

d) Giallo Numidiana

Figura 21 – Tipos de mármores [2]

ta d) Giallo Numidiana Figura 21 – Tipos de mármores [2] O pavimento, todo ele rev

O pavimento, todo ele rev estido por mármore com embutidos decor ativos apresenta

um contorno convexo, p ossibilitando assim o escoamento e drena gem das águas provenientes do olho da cú pula.

4.2 MATERIAIS UTILIZADO S

A capacidade dos Roman os para seleccionar técnicas de construçã o mais eficazes, permitiu a construção dest e edifício complexo.

o mais eficazes, permitiu a construção dest e edifício complexo. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página

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Seminário P anteão de Roma A construção do panteão pedra – pomes, granito, b ronze e

A construção do panteão

pedra – pomes, granito, b ronze e chumbo, com algumas partes do e difício folheadas

cilíndrica. Estes

inclui materiais como o tijolo, betão, tu fa 9 , travertino 10 ,

com mármore multi-colori do, nomeadamente todo o interior da zona

provinham de vários ponto s do império romano como explicado anteri ormente.

ponto s do império romano como explicado anteri ormente. As fundações são bem con cebidas, pois

As fundações são bem con cebidas, pois são construídas com materiais pesados como o

travertino.

4.2.1

FUNDAÇÃO

Panteão foi construído s ob um terreno instável, mais propriame nte um terreno argiloso, que deu origem a sérios problemas do ponto de vista da fund ação.

origem a sérios problemas do ponto de vista da fund ação. Figura 22 – Vista lateral

Figura 22 – Vista lateral do Panteão [2]

O material do anel de fu ndação é constituído por blocos de grande s dimensões de

travertino ligados por uma argamassa de cal e cinzas vulcânicas prove niente da cidade

de Pozzuoli, daí o nome da do ao betão.

A utilização do travertino

pois é um material resiste nte á compressão (apresenta valores da m esma ordem de grandeza de uma rocha gra nítica).

foi uma escolha acertada do ponto de vist a de resistência,

9 Descreve materiais porosos, ta nto calcários como também vulcânicos. 10 O travertino é uma rocha calc ária, composta por de calcite, aragonite e limonite

uma rocha calc ária, composta por de calcite, aragonite e limonite Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário P anteão de Roma 4.2.2 PAREDES Figura 23 – Amostra de Travertino [10] As paredes
Seminário P anteão de Roma 4.2.2 PAREDES Figura 23 – Amostra de Travertino [10] As paredes
Seminário P anteão de Roma 4.2.2 PAREDES Figura 23 – Amostra de Travertino [10] As paredes

4.2.2 PAREDES

Figura 23 – Amostra de Travertino [10]

As paredes são constituída s por travertino, tufa, argamassa de cal e c inzas vulcânicas. A secção da parede mais p róxima do nível térreo é constituída por cam adas alternadas de fragmentos de traverti no e tufa cuja ligação é feita com argamass a de cal e cinzas

bém vulcânico,

a ser empregado apenas para depósit os carbonáticos

originados em águas con tinentais sob temperatura ambiente. A se cção superior é

tijolo quebrados

vulcânicas. A tufa, é um passando, actualmente,

material poroso, tanto calcário como tam

constituída por betão, apr esentando uma mistura de fragmentos de num almofariz.

Nas paredes, observam-se

uma dimensão de 60 cm x 60 cm x 4 cm.

arcos em tijolo, estes são manufacturado s e apresentam

No interior do edifício exis tem colunas em granito que servem de apoi o à parede.

4.2.3 CÚPULA

zona inferior é

constituída por betão poz olâmico cujo agregado é o tijolo e a tufa. A zona superior, é

A cúpula apresenta duas

constituições diferentes de materiais. Na

constituída por betão pozo lâmico, com agregados de tufa e pedra-pom es.

por betão pozo lâmico, com agregados de tufa e pedra-pom es. Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário P anteão de Roma O anel de compressão exis tente no topo da cúpula, é
Seminário P anteão de Roma O anel de compressão exis tente no topo da cúpula, é

O anel de compressão exis tente no topo da cúpula, é constituído por três camadas de tijolos sobrepostos, manuf acturados.

por três camadas de tijolos sobrepostos, manuf acturados. Figura 24 – Cúpula [A] Universidade da Beira

Figura 24 – Cúpula [A]

de tijolos sobrepostos, manuf acturados. Figura 24 – Cúpula [A] Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página

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Seminário Panteão de Roma 5. METÓDOS CONSTRUTIVOS 5.1 FUNDAÇÕES A fundação foi executada com recurso a

5. METÓDOS CONSTRUTIVOS

5.1 FUNDAÇÕES

Panteão de Roma 5. METÓDOS CONSTRUTIVOS 5.1 FUNDAÇÕES A fundação foi executada com recurso a uma

A fundação foi executada com recurso a uma trincheira de forma circular com 8

metros de largura e 4,5 metros de profundidade, tendo sido efectuada a restante fundação utilizando o mesmo método. Após a colocação da cofragem em madeira, as trincheiras foram preenchidas com blocos de travertino juntamente com betão pozolâmico. Este betão constituído por cal e cinzas vulcânicas era preparado fora do local de aplicação, obtendo-se uma mistura com um baixo teor em água, permitindo assim o seu transporte através de caixas até ao local de aplicação. Já no local, esta mistura era depositada sobre os grandes blocos de travertino sendo posteriormente comprimida de forma a reduzir a quantidade de água existente, permitindo ao mesmo tempo o fortalecimento da ligação.

Numa breve comparação com os dias actuais, é de referir que os romanos criaram a forma da fundação do panteão recorrendo a terraplanagens e cofragens de madeira, processo árduo e demorado, hoje é possível fazer o mesmo de uma forma mais rápida e menos árdua, através de utilização de maquinaria especializada.

5.2 PAREDES

Devido é escassa informação sobre o método construtivo das paredes, pressupõem-se que estas tenham sido erguidas através de andaimes de madeira. Os pilares existentes no interior do edifício apresentam-se espaçados de uma forma uniforme radial e têm como objectivo principal suportar as cargas provenientes da parede na zona das cavidades e nichos. As colunas em granito foram extraídas das montanhas de Mons Claudianus no Egipto. Como é possível imaginar, o transporte destas não foi tarefa fácil, pois cada uma pesava 60 toneladas. Assim os romanos transportaram-nas através de um mecanismo

inventado por eles, que consistia na colocação de troncos de madeira, paralelos entre

si com uma placa bastante resistente a cobrir estes troncos de forma a aguentar com

bastante resistente a cobrir estes troncos de forma a aguentar com Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário P anteão de Roma as 60 toneladas de peso d as colunas, fazendo os troncos
Seminário P anteão de Roma as 60 toneladas de peso d as colunas, fazendo os troncos

as 60 toneladas de peso d as colunas, fazendo os troncos rolarem e a ssim transportar

Num batelão, pelo mediterrâneo, foram tr ansportadas até

ao porto romano de Ostia, seguindo o rio Tiber até ao local do panteão . Todos sabemos que o betã o é fraco á tracção. Para reforçar o betão a plicamos aço, os romanos não tiveram ess a opção, usando cordas de porcelana vítre a como reforço. Assim construíram pared es extremamente grossas para poder sup ortar o peso da cúpula, caso contrário este peso esmagaria as paredes.

as colunas até ao rio Nilo.

5.3 CÚPULA

Como foi referido anterio rmente, a construção das paredes foi reali zado através de andaimes de madeira, o q ue leva a pressupor que este mesmo métod o de construção foi utilizado para a constru ção da cúpula. Assim, foram elevados andai mes de madeira até á altura do óculo e apli cada uma espécie de cofragem em madeira com a forma da cúpula. Em cima desta, fo ram aplicadas as várias camadas de materia l que constitui a cúpula.

as várias camadas de materia l que constitui a cúpula. Figur a 25 – Esquema representativo

Figur a 25 – Esquema representativo dos andaimes [A]

a cúpula. Figur a 25 – Esquema representativo dos andaimes [A] Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário Panteão de Roma 6. ANÁLISE ESTRUTURAL 6.1 FUNDAÇÕES O anel de fundação inicial apresentava

6.

ANÁLISE ESTRUTURAL

6.1

FUNDAÇÕES

de Roma 6. ANÁLISE ESTRUTURAL 6.1 FUNDAÇÕES O anel de fundação inicial apresentava cerca de 7,2

O anel de fundação inicial apresentava cerca de 7,2 metros de largura, quando, no final da construção, este fissurou em ambas as extremidades segundo o eixo norte-sul.

fissurou em ambas as extremidades segundo o eixo norte-sul. Figura 26 – Esquema do aparecimento das

Figura 26 – Esquema do aparecimento das fissuras [A]

Facto este, que pode ser explicado pelo tipo de solo que se encontra na zona de implantação do edifício. Um solo argiloso é mais propício a sofrer assentamentos diferenciais. De forma a resolver o problema, os “engenheiros” romanos decidiram construir um segundo anel com cerca de 3 metros de largura em torno do primeiro perfazendo um total de 10,2 metros. Este alargamento da fundação tinha o objectivo de aumentar a área de contacto da fundação com o solo, permitindo assim uma diminuição das tensões de contacto. Além desta solução, os “engenheiros” resolveram construir uma parede de contrafortes do lado sul. Como inicialmente o terreno sofreu assentamentos diferenciais, provocando abertura de fissuras, a colocação deste contraforte, vai evitar que o anel de fundação abra mais evitando assim o aparecimento de fissuras. Este corpo serviu apenas para estabilização do anel de fundação, embora pareça uma sala anexa ao edifício.

do anel de fundação, embora pareça uma sala anexa ao edifício. Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário Panteão de Roma Mesmo sem os conhecimentos e os meios que hoje a engenharia possui,
Seminário Panteão de Roma Mesmo sem os conhecimentos e os meios que hoje a engenharia possui,

Mesmo sem os conhecimentos e os meios que hoje a engenharia possui, a solução adoptada funcionou pois o edifício ainda se encontra em bom estado de conservação.

6.2 PAREDES

Dos materiais aplicados na construção das paredes, é da máxima importância verificar que os materiais mais pesados foram aplicados na camada inferior das mesmas, tornando-se mais leves á medida que a construção evolui em altura. Este método leva- nos a concluir que já naquela época existia a preocupação com a funcionalidade da estrutura. Para uma estrutura ser funcional tem de ter o material essencial para assegurar a segurança da mesma, caso contrário, considera-se uma estrutura com má funcionalidade. O facto das paredes construídas serem leves, é um exemplo notável da progressão ascendente dos romanos na engenharia.

A elevada largura da parede torna-se aceitável, devido á carga que esta suporta vindo

da cúpula, ou seja, os esforços de compressão que a mesma provoca sobre as paredes. Outro pormenor relevante é a variação da espessura da parede em determinados locais, criando cavidades e nos nichos. Esta redução de espessura do ponto de vista da engenharia terá como objectivo a redução do uso de materiais que implicitamente,

reduz o peso da estrutura aliviando as tensões no solo. Os “engenheiros” da época tinham a noção de que era necessário aumentar o peso das paredes, para que a

componente vertical fosse suficientemente forte para resistir aos esforços vindos da cúpula. Assim, aumentaram e espessura da parede na zona superior fazendo com que

a resultante caísse dentro da base da parede.

fazendo com que a resultante caísse dentro da base da parede. Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário P anteão de Roma Figura 27 – Esquema de forças [A] Os arcos construídos no
Seminário P anteão de Roma Figura 27 – Esquema de forças [A] Os arcos construídos no

Figura 27 – Esquema de forças [A]

P anteão de Roma Figura 27 – Esquema de forças [A] Os arcos construídos no in

Os arcos construídos no in terior das paredes não foram colocados a o acaso mas sim

com o intuito de distribuir os esforços e conduzi-los directamente pa ra os pilares que se encontram nos extremo s dos nichos. Uma forma de transmissão d e esforços muito

corrente nos dias actuais.

a fazer parte

Durante a construção estes arcos també m resistiam aos

esforços enquanto o be tão pozolâmico curava, passando depois integrante da estrutura.

Era característico das pare des romanas serem contraventadas através destes arcos. No edifício em estudo estes a rcos apresentavam-se espaçados de 1,2 met ros estendendo- se ao longo de toda a pare de. Têm como principal função o travament o da parede.

6.3 CÚPULA

A cúpula, é sem dúvida, a

metros e uma espessura v ariável desde os 5,9 metros na base até 1,5

óculo. Esta variação de

materiais, pois existe uma optimização do material bem como uma opt imização do seu peso. No exterior da cúpula, ex iste até meio da sua altura, uma serie d e sete anéis em

escada.

espessura torna-se importante ao nível d a evolução dos

um raio de 21,7 metros junto ao

parte mais impressionante do edifício. Tem

de 21,7 metros junto ao parte mais impressionante do edifício. Tem Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário P anteão de Roma Figura 28 – Degraus existentes na parte exterior da cúpula [5]
Seminário P anteão de Roma Figura 28 – Degraus existentes na parte exterior da cúpula [5]
Seminário P anteão de Roma Figura 28 – Degraus existentes na parte exterior da cúpula [5]

Figura 28 – Degraus existentes na parte exterior da cúpula [5]

Na nossa perspectiva e exi stência destes anéis, serve de contrabalanç o para a cúpula, ou seja, criar um peso esta bilizador de forma a evitar o seu derrubame nto.

cúpula, existem cinco camadas de cof res com forma

trapezoidal, que servem d e aligeiramento da estrutura, além de serv ir para reduzir o material ali empregue.

Na superfície interior da

Junto ao óculo existe um romano tem a função de

compressão. Esta foi a solu ção que os romanos encontraram para cons eguirem manter

a estrutura estável, pois estrutura resistisse á flexã o.

não tinham conhecimentos ou forma de f azer com que a

anel de compressão, que fazendo a analo gia com o arco uma pedra de fecho, garantindo que a cú pula funcione á

No exterior, junto ao ócul o existe um anel de bronze que na nossa

como função a protecção d o anel de compressão, em tijolo, contra a e rosão.

perspectiva tem

Em meados de 1930, foi r ealizada uma inspecção ao interior do pan teão, no qual se

observam diversas fissuras

que datem do inicio da co nstrução e que tiveram como origem as te nsões excessivas

existentes na cúpula.

na cúpula e nas paredes. As fissuras na cúp ula pressupõem

na cúpula e nas paredes. As fissuras na cúp ula pressupõem Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário P anteão de Roma Figura 29 – Interior da cúpula fissurado [3] Universidade da Beira
Seminário P anteão de Roma Figura 29 – Interior da cúpula fissurado [3] Universidade da Beira
Seminário P anteão de Roma Figura 29 – Interior da cúpula fissurado [3] Universidade da Beira

Figura 29 – Interior da cúpula fissurado [3]

P anteão de Roma Figura 29 – Interior da cúpula fissurado [3] Universidade da Beira Interior

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Seminário Panteão de Roma 7. RELAÇÃO ENTRE A ARQUITECTURA E A ESTRUTURA No inicio do século,
Seminário Panteão de Roma 7. RELAÇÃO ENTRE A ARQUITECTURA E A ESTRUTURA No inicio do século,

7. RELAÇÃO ENTRE A ARQUITECTURA E A ESTRUTURA

No inicio do século, a engenharia tomou vantagem sobre a arquitectura, este facto era até bastante evidente nas preocupações da sociedade dos arquitectos portugueses numa carta dirigida ao rei D. Carlos onde reclamam para a sua profissão, uma equidade em relação ao estatuto dos engenheiros mas sobretudo que as obras de arquitectura fossem executadas por arquitectos.

De facto foram dos engenheiros, muitas das obras feitas nesta época, baseadas essencialmente no desenvolvimento e utilização de novos materiais, nomeadamente o ferro. Assim impuseram novos sistemas estruturais na que foi denominada mais tarde de modo eufemista como arquitectura de engenheiro.

Se até então o conceito arquitectónico se baseava essencialmente na adaptação de um estilo e na composição, passou desde aí a ser gradualmente substituída pela concepção estrutural.

Regressando à época do panteão, toda a arquitectura do panteão bem como de outras estruturas da altura, é determinada pela estrutura em si. A utilização dos arcos, o aumento da largura das paredes, as colunas, etc, todos estes elementos tem unicamente, como objectivo, assegura a estrutura do edifício, acabando por fazer parte da arquitectura. Podemo-nos atrever a dizer que nesta época a engenharia dominava a arquitectura.

Muitas vezes a arquitectura presente no edifício provem da estrutura, aquilo que se observa é o sistema estrutural básico do edifício. A maior inovação ao nível da estrutura e que veio realmente revolucionar o modo de construir deve-se numa primeira fase ao desenvolvimento de um cimento de grande resistência (portland) e posteriormente à sua aplicação com inertes formando o que chamamos hoje de betão.

O betão e as argamassas são utilizados como materiais de construção há milhares de

anos, sendo produzidos pela mistura de vários materiais. Nas antigas civilizações estes

materiais eram utilizados essencialmente em pavimentos paredes e fundações, temos

o exemplo do Panteão de Roma. Assim, os romanos exploraram estes materiais com

Panteão de Roma. Assim, os romanos exploraram estes materiais com Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página

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Seminário P anteão de Roma mestria em diversas obras – casas, templos, pontes e aquedutos, que

mestria em diversas obras – casas, templos, pontes e aquedutos, que ainda hoje sobrevivem.

muitos dos quais

e aquedutos, que ainda hoje sobrevivem. muitos dos quais Existem registos que os Ro manos fizeram

Existem registos que os Ro manos fizeram tentativas para armarem o b etão com cabos de bronze, experiências e stas, que não tiveram muito sucesso devid o aos diferentes

tentativa de unir

estes dois materiais prov ém de várias experimentações, concluindo -se que os dois,

principal desta

combinação é a resistênc ia à flexão. Assim, nasce o betão armad o. As primeiras referências ao betão arma do datam de 1830 com o barco em ferroci mento realizado pelo francês Jean Louis e m 1848 é reconhecido como a obra mais a ntiga construída neste material.

combinados, possuem u ma maior eficácia. Pois a característica

coeficientes de dilatação t érmica que ambos os materiais possuem. A

de dilatação t érmica que ambos os materiais possuem. A Figu ra 30 – Primeira obra

Figu ra 30 – Primeira obra em betão armado [1]

Joseph Monier é um dos

de 1849 para caixas (florei ras), casas e tubagens em 1867 e pontes em arco em 1873.

principais pioneiros do betão armado com

as suas patentes

Em 1852 Francois Coigne t e em 1854 William Wilkinsen iniciaram pavimentos de betão arm ado (lajes e vigas) os quais se tornaram na

a realização de maior aplicação

deste material até à época actual. No final do século XIX sã o já vários os estudos publicados sobre

o betão armado

(Coignet, Considère, Mesn ager) teorizando o comportamento à flexão , tendo em 1897 sido criada a primeira disci plina de Betão Armado na ENPC – École Nati onal de Ponts et

Chaussées (Paris) de que f oi primeiro professor Rabut. As patentes tor nam-se também numerosas (Cottancin, Mo nnoyer, Hyatt, Coignet).

tor nam-se também numerosas (Cottancin, Mo nnoyer, Hyatt, Coignet). Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 33

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Seminário Panteão de Roma Em 1906 são publicadas as primeiras instruções francesas (Regulamento), traduzidas e
Seminário Panteão de Roma Em 1906 são publicadas as primeiras instruções francesas (Regulamento), traduzidas e

Em 1906 são publicadas as primeiras instruções francesas (Regulamento), traduzidas e publicadas em 1907 pela Revista de Obras Públicas e Minas da Associação Portuguesa dos Engenheiros Civis, com o título “As Instruções Francesas para o Formigão Armado”. A aplicação do betão armado, veio permitir uma maior amplitude de vãos, uma maior solidez construtiva e maior liberdade formal, substituindo muito rapidamente os materiais tradicionais. Ainda que inicialmente as aplicações de quaisquer novos materiais e tecnologias, tenham sido reservadas a edifícios ou estruturas de carácter utilitário ou público como pontes, gares e fabricas, rapidamente se difundiram e chegaram às habitações em geral mas porque ainda vivíamos um período de exploração revivalista e se procurasse apurar um estilo ou identidade pela plástica de fachada, as primeiras construções não respeitariam a verdade dos novos materiais escondendo-o quase sempre debaixo de uma "cobertura "de feições românticas ou de carácter "neo" em divulgação nesta época.

Assim, a construção foi encarada como uma composição em partes separadas e aparentemente autónomas que caracterizou o ecletismo de final de oitocentos não sendo apenas característico da "grande" arquitectura porque as próprias construções ditas "utilitárias" integraram igualmente essa dicotomia.

ditas "utilitárias" integraram igualmente essa dicotomia. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 34

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Seminário P anteão de Roma 8. MODELAÇÃO DA CUP ULA NO ROBOT o modo de funcionamento

8. MODELAÇÃO DA CUP ULA NO ROBOT

P anteão de Roma 8. MODELAÇÃO DA CUP ULA NO ROBOT o modo de funcionamento da

o modo de funcionamento da cúpula, mod elou-se a mesma

num programa de cálculo de estruturas, admitindo algumas simplifica ções resultantes

da falta de informação.

Na tentativa de interpretar

O programa usado para es ta modelação foi o Robot Millenium. Após u ma análise visual da cúpula, concluí-se qu e a base estrutural é formada por nerv uras verticais e horizontais, sendo os esf orços conduzidos por estas nervuras. Rep roduziu-se esta

estrutura no programa co

mo ilustrado na figura seguinte.

estrutura no programa co mo ilustrado na figura seguinte. Fi gura 31 – Modelo proposto da

Fi gura 31 – Modelo proposto da cúpula [A]

Devido à escassa informa ção sobre o edifício, algumas medidas for am estimadas a partir de imagens. Atravé s do conhecimento dos materiais aplicad os na cúpula e sabendo os respectivos v alores do peso volúmico, ponderou-se o p eso dos cofres. Posteriormente aplicou-se a força exercida pelo peso dos cofres em ca da nó.

aplicou-se a força exercida pelo peso dos cofres em ca da nó. Universidade da Beira Interior

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Seminário P anteão de Roma Figura 32 – Forças nos nós [A] Tendo conhecimento sobr e
Seminário P anteão de Roma Figura 32 – Forças nos nós [A] Tendo conhecimento sobr e
Seminário P anteão de Roma Figura 32 – Forças nos nós [A] Tendo conhecimento sobr e

Figura 32 – Forças nos nós [A]

Tendo conhecimento sobr e a existência de fissuras no interior da c úpula, tentou-se

origem do seu

aparecimento. Um obser vador sensível ao comportamento de es truturas tem a percepção imediata que e sta se encontra essencialmente à compres são. Através do modelo de cálculo propost o irá comprovar-se a veracidade desta perce pção.

com esta modelação fo rmular uma hipótese credível sobre a

Numa primeira análise a os resultados apresentados pelo program a, verificou-se a

existência de esforços de

outras comprimidas. No e ntanto os esforços de tracção existentes apr esentam valores

baixos.

tracção na nervura horizontal inferior, e stando todas as

existência dos vários anéis no exterior da cú pula, colocou-se

uma força adicional provoc ada pelo peso destes anéis sobre cada nó. P ôde-se observar uma redução pouco signifi cativa nos esforços de tracção, o que nos lev a a concluir que o aumento do peso naquel a zona implica uma diminuição dos esforços de tracção. Se o

Na tentativa de explicar a

objectivo da colocação de stes anéis era eliminar os esforços de tra cção, tal não foi conseguido, pois seria nec essário um aumento de peso muito grande.

conseguido, pois seria nec essário um aumento de peso muito grande. Universidade da Beira Interior 2007/2008

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Seminário Panteão de Roma De forma a eliminar as tracções existentes na cúpula, propôs-se a alteração
Seminário Panteão de Roma De forma a eliminar as tracções existentes na cúpula, propôs-se a alteração

De forma a eliminar as tracções existentes na cúpula, propôs-se a alteração do modelo de cálculo usado inicialmente. Assim, colocaram-se apoios duplos ao longo de toda a nervura horizontal traccionada.

Esta hipótese surgiu, depois de se ter verificado que a parede se prolonga acima do nível onde nasce a cúpula, podendo funcionar como um contraforte.

Como era de esperar, e porque a cúpula se encontra restringida lateralmente, nos resultados finais deste modelo de cálculo, a cúpula apresenta apenas esforços de compressão. [ 11 ]

De forma a se conhecer a variação do diagrama das tensões efectuou-se o cálculo das tensões para a secção inferior e superior.

   

Momento

 

Momento

 

Área da secção

Esforço axial

Tensão

Secção

de inércia

flector

[m

2 ]

[m

4 ]

[KN]

[KN/m]

[MPa]

         

+2.36

1 5.9x0.8

13.69 m 4

10500

630

-2.09

         

+1.02

2 1.5x0.8

1.2 m 4

1126

27.36

-0.84

Como é possível observar o diagrama das tensões mantém-se quase constante ao longo de toda a nervura

11 Os resultados que permitiram a interpretação do modo de funcionalidade de toda a estrutura, bem como a colocação de algumas hipóteses, apresentam-se em anexo I.

como a colocação de algumas hipóteses, apresentam-se em anexo I. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página

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Seminário Panteão de Roma Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 38
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Seminário Panteão de Roma 9. CONCLUSÕES Após o estudo da estrutura do Panteão de Roma, ficou-se

9. CONCLUSÕES

Seminário Panteão de Roma 9. CONCLUSÕES Após o estudo da estrutura do Panteão de Roma, ficou-se

Após o estudo da estrutura do Panteão de Roma, ficou-se com a noção do grande feito, que foi a sua construção para aquela época.

O engenho desta construção está na sua estrutura base e nas soluções encontradas pelos romanos de forma a erguer este edifício. É impressionante, como a sensibilidade que os “engenheiros romanos “ possuíam, lhes permitia solucionar todos os imprevistos que surgiram durante a construção do panteão. Alguns dos imprevistos que surgiram na altura da sua construção são idênticos aos que hoje surgem numa obra comum, com a diferença que hoje possuímos um conhecimento de engenharia e ferramentas de cálculo que nos permite prever e evitar alguns desses problemas. Identifica-se esta sensibilidade, quando por exemplo: decidiram aumentar a área de contacto da fundação com o solo de forma a diminuir as tensões; na construção da parede cilíndrica com uma espessura elevada de forma a resistir ao peso proveniente da cúpula; na construção dos cofres de forma a aligeirar o peso da cúpula; na colocação de um peso adicional na cúpula de forma a tentar evitar o aparecimento de fissuras, bem como a utilização de fibras de vidro para substituir o nosso aço aplicado hoje no betão, etc

Pensa-se que o grande objectivo dos “engenheiros romanos” para a construção da cúpula era que esta funcionasse somente à compressão, facto este que não se verifica através da primeira modelação apresentada neste trabalho, bem como na realidade, pois no final da construção surgiram fissuras verticais. Na nossa perspectiva a cúpula teria uma forma inicial diferente, pois os anéis e o aumento da parede acima da cúpula terão sido construídos posteriormente de forma a solucionar os problemas de fissuração.

Por outro lado, um facto que confirma a nossa teoria de que a forma inicial da cúpula seria diferente, é a existência de uma tensão de tracção muito baixa que não seria suficiente para provocar aquelas fissuras, além de que a colocação das fibras de vidro absorveriam estas tensões, o que não aconteceu.

fibras de vidro absorveriam estas tensões, o que não aconteceu. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página

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Panteão de Roma

Seminário Panteão de Roma A forma que se encontrou para justificar o aumento da parede acima
Seminário Panteão de Roma A forma que se encontrou para justificar o aumento da parede acima

A forma que se encontrou para justificar o aumento da parede acima da cúpula, consistiu em fazer um modelo de cálculo diferente, colocando apoios na zona traccionada. Assim, subentende-se que aquele aumento de parede sirva de contrafortes, restringindo a cúpula de uma forma radial.

Uma dúvida que até aos dias de hoje ainda não foi oficialmente esclarecida é “o porquê do óculo existir com aquele diâmetro?”. Inicialmente pensava-se que este facto pudesse estar relacionado com questões filosóficas e arquitectónicas, no entanto ao longo deste trabalho foi possível verificar-se a necessidade estrutural do óculo na medida em que este se elimina numa zona das nervuras verticais, onde apareceriam momentos flectores positivos que provocariam tensões de tracção na face inferior das nervuras, que não poderiam ser absorvidas apenas com as fibras de vidro. Daí a solução ter sido abrir aquela zona e criar um anel de compressão que recebe os esforços das nervuras verticais.

Acredita-se que toda esta estrutura foi projectada com a verdadeira percepção da estática.

estrutura foi projectada com a verdadeira percepção da estática. Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 40

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Seminário

Panteão de Roma

Seminário Panteão de Roma 10. BIBLIOGRAFIA A Arnheim, Rudolf – A Dinâmica da Forma Arquitectónica –

10.

BIBLIOGRAFIA

Seminário Panteão de Roma 10. BIBLIOGRAFIA A Arnheim, Rudolf – A Dinâmica da Forma Arquitectónica –

A

Arnheim, Rudolf – A Dinâmica da Forma Arquitectónica – Editorial Presença, Lda.,

Lisboa, 1988

F

Ferreira, Carlos Antero – Betão – A Idade da Descoberta – Passado Presente, Lisboa,

1989

G

Grau, A. Pruig – Síntese dos Estilos Arquitectónicos – Plátano Edições Técnicas, Lisboa,

1989

S

Scruton, Roger – Estética da Arquitectura – Edições 70, Lisboa, 1979

V

Viseu, Joaquim C.S. – História do Betão Armado em Portugal (Incluindo a História do Betão Armado Pré-Esforçado) – Edição:ATIC, Lisboa, 1993

do Betão Armado Pré-Esforçado) – Edição:ATIC, Lisboa, 1993 Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 41

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Seminário

Panteão de Roma

Seminário Panteão de Roma 11. CYBERGRAFIA [1] http://www.civil.ist.utl.pt/~cristina/GDBAPE/ConstrucoesEmBetao.pdf

11.

CYBERGRAFIA

Seminário Panteão de Roma 11. CYBERGRAFIA [1] http://www.civil.ist.utl.pt/~cristina/GDBAPE/ConstrucoesEmBetao.pdf

[1] http://www.civil.ist.utl.pt/~cristina/GDBAPE/ConstrucoesEmBetao.pdf (Consultado a

08/05/2008)

[2]

http://traumwerk.stanford.edu/philolog/2005/12/imperium_in_the_pantheon_in_ro.

html (Consultado a 14/04/2008)

3] http://www.romanconcrete.com/docs/chapt01/chapt01.htm (Consultado a 15/04/2008)

[4] http://en.structurae.de/structures/data/index.cfm?id=s0000292 (Consultado a

17/03/2008)

[5] http://static.monolithic.com/thedome/pantheon/ (Consultado a 17/03/2008)

[6] http://www.italyguides.it/us/roma/pictures_of_rome/browse_topic.php?ID=21 (Consultado a 15/03/2008)

[7] http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano (Consultado a 08/05/2008)

[8] http://pt.wikipedia.org/wiki/Pante%C3%A3o_de_Roma (Consultado a 15/03/2008)

[9] http://www.generativeart.com/salgado/salgado.htm (Consultado a 20/04/2008)

[10] http://www.generativeart.com/salgado/salgado.htm (Consultado a 20/04/2008)

[A] Tirada pelo autor

(Consultado a 20/04/2008) [A] Tirada pelo autor Universidade da Beira Interior 2007/2008 Página 42

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