FATORES ABIÓTICOS

TEMPERATURA • A vida se desenvolve dentro de uma faixa 300ºC (-200 a +100ºC). • A maioria dos seres vivos sobrevive, preferencialmente, entre um intervalo de temperatura compreendido, em média, entre 0 e 50ºC, pois são estas as temperaturas compatíveis com uma atividade metabólica normal.

Exceções – Ex: bactérias que vivem em águas termais (Thermus aquaticus acima de 79oC; Pyrodictium occultum 105oC– termófilos - fungos e bactérias); Nematóides submetidos a – 272o C.

• Limites superiores, de modo geral, são mais críticos que os inferiores, pois, geralmente, se situam apenas poucos graus do ótimo metabólico (inatividade ou desnaturação de enzimas). • A cada aumento de 10oC dobra a velocidade de metabolismo – processos biológicos duplicam pelo aumento da velocidade molecular e da aceleração das reações químicas. • A temperatura preferencial varia muito segundo as espécies e seus estágios de desenvolvimento:  Homeotermos ou endotérmicos – mamíferos e aves;  Pecilotermos ou ectotérmicos – invertebrados, peixes, répteis e anfíbios. • Endotérmicos  estratégia de alto custo/alto benefício (gasto de ‘E’ para manter a temperatura). • Ectotérmicos  estratégia de baixo custo/baixo benefício. • A temperatura atua sobre a distribuição das espécies sendo os limites máximos e mínimos atuam como fator limitante. • As variações de temperatura sobre a superfície e no interior da Terra podem estar relacionadas a diferentes causas: efeitos de latitudinais, altitudinais, continentais, sazonais, diários e microclimáticos, e, no solo e na água efeitos da profundidade.  Altitude – existe uma queda de 1oC para cada 100m de aumento da altitude no ar seco e 0,6oC no ar úmido;  Água e solo – em comparação com a água, a superfície terrestre reflete menos calor, de modo que ela se aquece e perde calor mais rapidamente;  Continentais – áreas secas e com solo descoberto (desertos) estão submetidos a extremos diários e sazonais de temperatura maiores que áreas úmidas (florestas).  Microclimas – a temperatura do ar em uma mancha de vegetação pode variar o 10 C, ao longo de uma distância vertical de 2,6m da superfície do solo até o dossel. • Quando se relacionam taxas de crescimento e desenvolvimento com temperatura observa-se apenas desvios lineares, ou seja, os organismos precisam de uma combinação entre tempo e temperatura para se desenvolver  tempo fisiológico (graus dia). • As taxas de crescimento e desenvolvimento juntas determinam o tamanho final do organismo  desenvolvimento mais rapidamente com a temperatura do que o crescimento  tamanho menor. • A amplitude de variação da temperatura tende a ser menor na água do que na terra. • Temperatura + umidade + luminosidade controlam as atividades sazonais e diárias de animais e vegetais.

 etológicas – enterramento do solo. 2. Mn e Fe). . Ex. atividade diurna e noturna em diferentes épocas do ano. De forma semelhante. pela redução da qualidade e amplitude de fontes alimentares disponíveis aos animais (fungos. sombra e sol. • Atua na quantidade de alimentos consumidos e na fecundidade. • Age por meio de interação com outras condições (ar e substrato). da atividade enzimática ou das trocas gasosas. • A variabilidade de temperatura é extremamente importante em termos ecológicos. com média em 15 oC. aumentando a concentração de metais tóxicos (Al. elevada. Tempo quente e úmido é menor favorável para o gorgulho. Mn2+ (fixados em compostos insolúveis). • Os organismos podem desenvolver adaptações às temperaturas extremas:  morfológicas – regra de Bergmann (esférico) e regra de Allen (extremidades).  a duração da vida aumenta quando a temperatura diminui – número de gerações anuais. atua na localização das espécies no seu meio – migração.• A temperatura é responsável pela zonação e estratificação que ocorrem nos ambientes aquáticos e terrestres. gorgulho do algodão tolera melhor temperaturas mais elevadas quando a umidade é baixa ou moderada do que quando é muito alta. o PO43+. Tempo quente e seco na região de cultivo de algodão é um sinal para os agricultores investigarem um aumento na população de gorgulhos.diapausa. Uma temperatura que flutua entre 10º a 20ºC. umidade pequena) e hibernação (temp. pilosidade. diretamente. etc.ç TEMPERATURA E UMIDADE • A temperatura exerce um efeito limitante mais grave sobre os organismos sob condições ou de muita umidade ou de muito pouca. PH DO SOLO E DA ÁGUA • A acidez pode atuar de três maneiras: 1. a umidade é crítica sob extremos de temperatura.  modificações no ciclo de desenvolvimento: . SALINIDADE • A salinidade provoca o mesmo tipo de efeito osmorregulador da seca e do congelamento. • É necessário evitar pressuposto que a temperatura é limitante. pela perturbação da osmorregulação. Ou seja.  fisiológicas – aclimatação (variações no metabolismo – homeotérmicos). • Exerce interferência sobre as atividades vitais dos organismos:  afeta a velocidade de desenvolvimento e o número de gerações anuais nos pecilotermos.5 é limitante para a maioria das espécies. . não apresenta necessariamente o mesmo efeito nos organismos como uma temperatura constante de 15oC. indiretamente. • Fator ecológico mais fácil de ser medido. mas também para o algodoeiro. flora aquática). quando outros fatores não medidos poderiam ser mais importantes. • A alcalinidade do solo torna insolúveis o Fe3+. 3. baixa). vegetação vertente norte e sul.quiescência: determinado por condições desfavoráveis do meio – estivação (temp. • Ph abaixo de 4. indiretamente.

. • Age pela intensidade. como o ritmo sazonal de temperatura e luminosidade regula os organismos de zonas temperadas. onde os ventos sopram de grandes áreas continentais secas e não desde o oceano. atrás de serras altas ou ao longo do litoral. em grande parte. • A chuva é determinada. umidade. savanas ou bosque aberto. • Em ecossistemas terrestres. 45% infravermelha.: ultravioleta (letal barrada na camada de ozônio) – curta – abaixo de 3900 A Infravermelha – longa – acima de 7600 A • Radiação que chega na superfície da terra em 1 dia sem nuvens – 10% ultravioleta. porém. a qualidade (comprimento e cor) não varia o suficiente para apresentar um efeito diferencial importante sobre a taxa de fotossíntese.. 45% luz visível. duração. a luz esverdeada resultante sendo mal absorvida pela clorofila. • Chuva. menos fortemente verde e muito fracamente infravermelho próximo. grau de polarização. pelo balanço entre precipitação e evaporação potencial . ou seja. comprimento de onda. 750 – 1250 mm/ano – floresta seca 1250 – . mas à medida que a luz penetra na água. pela geografia e pelo padrão dos movimentos atmosféricos ou sistemas meteorológicos.. De certa forma. • Evolução da Biosfera (Hipótese Gaia) como um todo se processou principalmente pela domesticação da radiação solar entrante de forma que seus comprimentos de onda úteis pudessem ser explorados e os perigosos mitigados ou barrados Obs. na maioria das vezes. tanto num nível máximo como num nível mínimo. Ex. sendo estas duas refletidas pela vegetação. • Algas vermelhas (Rhodophyta) possuem pigmentos suplementares (ficoeritrinas) que permitem utilizar esta energia e viver em profundidades maiores • Seu papel ecológico é na maturação dos ritmos biológicos – fotoperíodo • A luz controla o funcionamento do ecossistema inteiro pela sua influência na produção primária • Plantas C3 – inibidas por altas temperaturas e luminosidade intensa • Plantas C4 – adaptadas à luz e a altas temperaturas ÁGUA • Fator limitante principalmente em ambientes terrestres ou aquáticos nos quais sua quantidade pode flutuar muito. 0 – 250 mm/ano – deserto 250 – 750 mm/ano – campos.. desertos são encontrados. • Trópicos – o ritmo sazonal de umidade. potencial de evaporação do ar e suprimento de águas superficiais são os principais fatores medidos. • A vegetação absorve comprimentos de onda azul e vermelho visíveis e infravermelho logo. mm/ano – floresta úmida • A situação biótica é determinada não pela precipitação exclusivamente. ou onde a alta salinidade provoca um perda de água dos organismos por osmose. os vermelhos e azuis são retidos.RADIAÇÃO • A luz além de ser fator vital é também um fator limitante. regula as atividades sazonais (especialmente reprodução) dos organismos. a distribuição das chuvas ao longo dos meses.

• A umidade junto com a temperatura e a luminosidade ajuda a regular as atividades dos organismos e a limitar sua distribuição • A umidade é especialmente importante na modificação dos efeitos da temperatura • A água e os nutrientes não sendo limitantes. • Como a maior parte da energia está na forma de calor e como a fração que fornece calor latente para a transpiração é quase sempre uma constante. o crescimento também é proporcional à transpiração • A evaporação esfria as folhas e é um dos vários processos que ajudam na ciclagem dos nutrientes • Se o ar estiver com excesso de umidade (aproximadamente 100% de umidade relativa) como ocorre em certas florestas tropicais de neblina. Me) de águas residuárias . • Alta concentração de CO2 implica em baixa concentração de O2 – limitante . não apresentam inibição por oxigênio • Oxigênio é um fator limitante primário em lagos ou em águas com uma carga grande de matéria orgânica • A temperatura e os sais dissolvidos na água afetam muito a capacidade da água conter oxigênio • A solubilidade do oxigênio aumenta com baixas temperaturas e diminui com alta salinidade • O provimento de oxigênio da água vem de duas fontes: por difusão do ar e pela fotossíntese • O oxigênio se difunde para água muito lentamente. pH e elementos químicos (Fe. a salinidade e o pH. Feijão aumenta em até 50% sua taxa de fotossintética quando a concentração de oxigênio das folhas é diminuída a 5%. provavelmente por causa da falta de tensão transpiratória • A razão entre o crescimento (produção líquida) e a água transpirada chama-se de eficiência de transpiração.amplitude de 6 a 9 parece oferecer proteção à vida dos peixes e invertebrados bentônicos .5 é letal. aumentando-se moderadamente a concentrações de CO2 • Diminuir a concentração de O2 por meios experimentais também pode aumentar a fotossíntese. Ex. GASES ATMOSFÉRICOS • A fotossíntese pode ser aumentada. geralmente expressa em termos de gramas de matéria seca produzidas por 1000g de água transpirada • Maioria das espécies de culturas agrícolas apresenta eficiência de transpiração de 2 ou menos. 500g ou mais de água perdem-se para cada grama de matéria seca produzida • Sorgo e painço são resistentes à seca e podem ter eficiência igual a 4.8. • O CO2 é altamente solúvel na água.9mg/l Fe em pH 5. As gramíneas C4 . milho e cana. Ex.efeitos sinérgicos (combinação de duas ou mais substâncias que juntas produzem efeitos maiores do que a soma dos efeitos quando isoladas). sendo que o seu suprimento provém da respiração. a penetração luminosa é importante para a produção fotossintética de oxigênio. o crescimento das árvores é limitado e grande parte da vegetação é epífita. o crescimento da plantas terrestres é bem proporcional ao fornecimento total de energia na superfície terrestre. da decomposição. • Nos ambientes aquáticos os três aspectos mais relevantes seriam o teor de oxigênio dissolvido. pode ser auxiliado por movimentos – vento e água. 0. de fontes edáficas e subterrâneas. NH3. Al.4mg/l de Fe não apresentam efeito tóxico em pH 4. • PH da água: . Plantas C4 não são inibidas por altas concentrações de O2 como são as C3.

• Zn – síntese de DNA ativa diversas enzimas. Algas – síntese de clorofila. como sulfolipídeos e enzimas que controlam a divisão celular. folhas laceoladas.16:1 e em água doce 28:1 • P – elemento estrutural da ATP. • B – forma complexos açúcar/borato relacionados com a translocação de açúcares e é importante na formação de proteínas. síntese de proteínas e fixação de nitrogênio do ar. . respiração e síntese de ácidos orgânicos. Função básica na matéria viva é a ligação entre as cadeias polipeptídicas numa molécula protéica. parte da vitamina B12 e metabolismo da planta. • K – essencial ao funcionamento de muitas enzimas • Ca – importante para plantas superiores • Mg – íon essencial para o transporte de P pelas membranas celulares. A deficiência de boro em geral retarda o crescimento das plantas afetando primeiro os pontos de crescimento e as folhas novas. baixa resistência ao ataque de bactérias. Sua deficiência resulta em plantas anãs. exceto a água. É fundamental para o aproveitamento do Nitrogênio (redutase do nitrato) na planta. Floração prejudicada. folícolos menores. pouca nodulação e redução na fixação do nitrogênio. É essencial para a geminação dos grãos e formação das sementes. Amarelecimento do limbo das folhas. enzimas essenciais no processo de fixação do N. • Co . Importante na reação clara da fotossíntese (fotólise da água). Atua na síntese de hormônios de crescimento como as auxinas (AIA). portanto é um nutriente promotor de crescimento nas plantas. folhas mais velhas amareladas e encurvadas. metabolismo de carbohidratos. encurtamento de internódios. bem como atua na fixação simbiótica do nitrogênio do ar (nitrogenase) promovendo desenvolvimento nas culturas. Ativa diversas enzimas. crescimento retardado. como as que atuam no aproveitamento do Nitrogênio. Portanto. ossos dos animais vertebrados • N – 30% do peso total da maioria das proteínas • S – elemento essencial para vários aminoácidos (cisteína e metionina). glicose –fosfato e ácidos nucléicos. Vertebrados – hemoglobina. porque a proporção entre o fósforo e outros elementos nos organismos tende a ser consideravelmente maior que a proporção nas fontes primárias dos elementos biológicos. Atua em diversos compostos dentro da planta. Sua deficiência causa o chocamento dos grãos. • Mn – sua falta induz a clorose (anel tetrapirrólico da clorofila). Sua falta prejudica o metabolismo de N e P é um constituinte da clorofila (átomo central do anel tetrapirrólico) Micronutrientes • Fe – elemento importante e essencial em todos processos de oxirredução (respiração e fotossíntese). é mais provável que uma deficiência de fósforo limite à produtividade de uma dada região da superfície terrestre do que uma deficiência de qualquer outro material. queda da síntese protéica e fixação simbiótica de nitrogênio do ar. A deficiência na retenção de vitaminas na planta. sendo que sua deficiência promove diminuição na fotossíntese e respiração. Sua falta prejudica a fosforilização. • Cu – atua na respiração. diminuição da fotossíntese e produtividade • Mo – essencial na nitrogenase e nitrato redutase.participa na regulação hormonal. formação da clorofila.SAIS BIOGÊNICOS Macronutrientes • P e N – tem importância primordial • Provavelmente o P é o elemento com maior importância ecológica. • N/P – biomassa: média .

Mn. Cl. • Necessários no metabolismo do N – Mo.e Si . Co. Fe • Necessários em outras funções metabólicas . Zn e V.• Necessários para a fotossíntese – Mn. Cu. B. Fe. B. Co.

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