Aula 2

Colposcopia e coleta de material para Papanicolau
Porf. Paulo César P. Vasconcelos

Colposcopia
• Exame preliminar de observação de possíveis lesões no colo uterino. • Sozinho não define diagnóstico nem indica tratamento. • Limitações:
– Lesão não visível – Cervicocolpites intensas – Imagens não-típicas
• Ex de imagens típicas: pontilhado, mosaico, epitélio aceto-branco...

– Inexperiência do colposcopista – Equipamento ruim – Colposcopia não alargada
• Ácido acético 5%, solução de Schiller, Bissulfito

Espéculo Colo normal Colo com inflamação .

nome do município. 2. a idade da paciente.a presença de pequeno sangramento de origem não menstrual.Técnica de coleta do exame citológico • Nomenclaturas sinônimas – Exame de papanicolau – Exame preventivo – Exame colpocitológico • Importante! – – – – – – Ambiente acolhedor Cortesia Respeito à privacidade Explicar o significado e os procedimentos que serão realizados Lembrar a importância de receber o resultado do exame Demonstrar abertura para esclarecer as dúvidas • Etapas da Coleta: 1. – Solicitar que se deite na mesa. inclusive com exame ginecológico da paciente. não é impeditivo para a coleta. – Fornecer um avental e disponibilizar local reservado para troca de roupa. devido a possibilidade de extravasamento nas fichas e perda de informações). Preenchimento do formulário: – Utilizar lápis preto nº 2 (recomendação obrigatória para quem utiliza álcool como fixador citológico. – devem ser identificadas na extremidade fosca com lápis preto nº 2. . • evitar relações sexuais nas 24 horas que antecedem o exame. – Preencher a requisição com todos os dados solicitados. auxiliando-a a posicionar-se adequadamente para o exame. Coleta: – Condições para uma amostra de qualidade: • Não estar menstruada . Identificação das lâminas: – as lâminas devem ter bordas lapidadas e extremidade fosca. – Solicitar à paciente que esvazie a bexiga. informando: • • • • as iniciais do nome da paciente. 3. • Não usar creme ou ducha vaginal nem submeter-se a exames intravaginais (ultrassonografia) por 2 dias antes do exame. o número de registro da mulher na unidade. principalmente em mulheres na pós-menopausa.

creme ou vaselina. não usar espéculo e colher a citologia com escova endocervical ou cotonete/swab. faça uma rotação de 90º. • Uma vez introduzido totalmente na vagina. glicerina. abra-o lentamente e com delicadeza. deixando-o em posição transversa. sem esfregar. Se for. retire o excesso delicadamente com uma gaze montada em uma pinça. – Acomodar a lâmina. • Iniciada a introdução. já identificada. para não perder a qualidade do material a ser colhido. – Escolher o espéculo mais adequado ao tamanho da vagina da paciente. na mesa de apoio para receber o material colhido. – Colocar as luvas. – Perguntar se está grávida ou suspeita estar.3. – Verificar a existência de lesões suspeitas na vulva e vagina. • Se tiver dificuldade para visualizar o colo peça que a paciente tussa e tente manobras delicadas com o espéculo. não colher material endocervical. 3. • Durante a introdução do espéculo. • Introduza-o em posição vertical e ligeiramente inclinado. . Se sim. de modo que a fenda da abertura do espéculo fique na posição horizontal. • No caso de pessoas idosas. Coleta: – Cobrir a paciente com o lençol. houver grande quantidade de muco ou secreção. • Se. recomenda-se molhar o espéculo com soro fisiológico ou solução salina. lembrar de fazer o encaminhamento adequado ao final do exame. Coleta: – Introduzir o espéculo: • Não lubrifique o espéculo com qualquer tipo de óleo. – Verificar se a paciente é virgem. Em caso positivo. Se não. – Deixar o tubete com álcool a 95% / fixador próximo à lâmina já identificada. ao visualizar o colo. procede-se à inspeção das paredes vaginais. com vaginas extremamente ressecadas. usar espéculo pequeno. – Perguntar se já teve filhos por parto vaginal.

sem agredir o colo. faça mais uma vez o movimento de rotação. garantindo uma amostra uniforme. esfregando a espátula com suave pressão. girando-a a 360º. do lado que apresenta reentrancia. • Proceda inicialmente a coleta da ectocérvice e depois a coleta da endocérvice: – Utilize a espátula de madeira tipo Ayre. estenda o material ectocervical dispondo-o no sentido horizontal. – Encaixe a ponta mais longa da espátula no orifício externo do colo. para não prejudicar a qualidade da amostra. ocupando 1/2 da parte transparente da lâmina. . – Ocupando a 1/2 restante da parte transparente da lâmina. – Recolha o material. – Na lâmina. da direita para a esquerda. introduzindo a escova delicadamente no canal cervical. apoiando-a firmemente. rolando a escova de cima para baixo. em torno de todo o orifício. procurando exercer uma pressão firme. preferencialmente – Evite deixar espaço livre entre as duas amostras. em movimentos de sentido único. estenda o material endocervical. • As amostras são colhidas separadamente. – Caso considere que a coleta não tenha sido representativa. fazendo uma raspagem na mucosa ectocervical em movimento rotativo de 360º. – Para a coleta no canal cervical utilize a escova apropriada para coleta endocervical.• Coleta: – Coleta das amostras: • A coleta é dupla: da ectocérvice e do canal cervical. mas delicada. já devidamente identificada.

– A lâmina com material deve ser submersa no álcool a 95%. Visa conservar o material colhido. a uma distância de até 20cm. – São três as formas usadas de fixação: • Álcool a 95% . até a formação de uma película leitosa e opaca na sua superfície. Retirar as luvas. • Propinilglicol – Borrifar a lâmina com fixador. 6. . sem nenhuma espera. em tubete de boca larga. Envio das lâminas ao Laboratório de Citologia: – Preencher a relação de remessa na mesma sequência das lâminas e das requisições. Conclusão do Procedimento: – – – – – – – – Fechar o espéculo. lá permanecendo até a chegada ao laboratório. spray ou aerosol. Orientar a paciente para que venha receber o resultado do exame. Cobrir totalmente o esfregaço. Solicitar que ela se troque. em posição horizontal. Inspecionar a vulva e o períneo. mantendo as características originais das células.4. 5. – Feche o tubete imediatamente após a colocação da lâmina e enrole no mesmo a requisição do exame. Retirar delicadamente. Fixação do material: – A fixação do esfregaço deve ser procedida imediatamente após a coleta. Avisar a paciente que um pequeno sangramento poderá ocorrer após a coleta. conforme a rotina da sua unidade de saúde. Deixar secar ao ar livre. Auxiliar a paciente a descer da mesa.fixador de uso preferencial. preservando-as do dessecamento que impossibilitará a leitura do exame. – Acondicionar as lâminas em caixas específicas para transportá-las. que deverá ser completamente coberto pelo líquido. • Polietilenoglicol – Pingar 3 ou 4 gotas da solução fixadora sobre o material.

– O esfregaço ocupando toda a superfície transparente da lâmina. – Tipos de células presentes no esfregaço (ecto e endocervicais). – Quantidade de células no esfregaço. sendo 1/2 da parte transparente da lâmina ocupado com material do ectocérvice e 1/2 da parte transparente da lâmina ocupado com material do canal endocervical. .Infraestrutura e material necessários para a realização da coleta do exame de citologia cervical: Consultório •Mesa ginecológica •Escada de dois degraus •Mesa auxiliar •Foco de luz com cabo flexível •Biombo ou local reservado para troca de roupa •Cesto de lixo •Balde com solução desincrostante em caso de instrumental não descartável Material para a Coleta •Espéculo •Lâmina com uma extremidade fosca •Espátula de Ayre •Escova endocervical •Par de luvas para procedimentos •Pinça de Cheron •Fixador apropriado •Tubetes •Gaze •Formulário de requisição do exame •Lápis preto nº 2 •Recipiente para acondicionamento dos tubetes. – O acondicionamento apropriado das lâminas. sendo preferível caixas de madeira ou plástico •Lençol para cobrir a paciente ou avental Indicadores de Qualidade da Coleta: – A identificação clara das lâminas (é obrigatório que a lâmina seja identificada antes de iniciar os procedimentos da coleta). – O esfregaço colocado na face da lâmina que corresponda a da extremidade fosca (rugosa). – Espessura e homogeneidade do esfregaço. – Preservação das estruturas celulares (boa fixação).

• A amostra colhida. dessecamento etc.. que impeçam a interpretação de mais de 75% das células epiteliais. mas limitada. Nestes casos não é possível se dar algum diagnóstico e por isso o exame deve ser repetido. obscurecido por sangue. má fixação. será classificada em: – amostra satisfatória. dessecamento etc. . – amostra satisfatória. • Uma amostra será considerada insatisfatória quando há: – ausência de identificação na lâmina ou na requisição. inflamação. áreas espessas. – obscurecimento por sangue.. – células escamosas bem preservadas cobrindo menos de 10% de superfície da lâmina. – ausência ou escassez de células endocervicais ou metaplásicas representativas da junção escamo-colunar (JEC) ou da zona de tranformação. ao ser examinada no laboratório. – lâmina quebrada ou com material mal fixado. – amostra insatisfatória. • Uma amostra será considerada satisfatória mas limitada quando há: – falta de informações clínicas pertinentes. que impeçam a interpretação de aproximadamente 50 a 70% das células epiteliais. – esfregaço purulento. áreas espessas.

Álcool absoluto 15. 2º Xilol 22. . Orange G 14.25% 8. Álcool absoluto 16. Água corrente 9. Solução aquosa de Hcl a 0. Álcool 70% 3. Água corrente 7. Água destilada 10. Álcool 70% 12. Álcool 80% 13.Corantes / reagentes 1. Álcool 50% 4. Álcool absoluto 18. EA 36 17. Água destilada 5. 3º Xilol de montagem Tempo / mergulhos 15 mergulhos 15 mergulhos 15 mergulhos 05 mergulhos 02 minutos para tirar o excesso de corante 02 mergulhos rápidos 10 minutos aproximadamente 10 minutos 15 mergulhos 15 mergulhos 15 mergulhos 1 minuto 15 mergulhos 15 mergulhos 05 minutos 15 mergulhos 15 mergulhos 10 mergulhos 10 mergulhos 10 mergulhos 10 minutos • Montar a lâmina de preferência com lamínula e bálsamo do Canadá • Cuidados: • Filtrar diariamente antes do uso: Hematoxilina. Álcool 50% 11. • Filtar diariamente depois do uso: Xilol de montagem • Filtar diariamente depois do uso: Álcool absoluto. Álcool absoluto / xilol 20. Álcool absoluto 19. 1º Xilol 21. Hematoxilina de Harris 6. Álcool 80% (+ ou -) 2. • Filtrar semanalmente os demais corantes.

que cora os núcleos celulares. – Orange G – tem cor laranja e cora o citoplasma das células queratinizadas – EA-36 ou EA-50 – cora o citoplasma das células superficiais. endocervicais e leucócitos. parabasais. intermediárias. parabasais.• Pontos importantes: – Hematoxilina de Harris – a hematoxilina é um corante básico. Este corante contém uma mistura de corantes: • Verde luz verde • Eosina amarelada vermelho-amarelado • Castanho Bismarck castanho • Cora o citoplasma das células: – células superficiais vermelho – células intermediárias. endocerviais e leucócitos verde Células do colo coradas com Papanicolau Células Endocervicais normais Células Superficiais Vermelho Células Intermediárias Verde .

Corte Histológico de Junção Escamocolunar normal Células superficiais Células Intermediárias Células Endocervicais Endocérvix Ectocérvix JEC .

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