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AVALIAÇÃO ALTERNATIVA DE RISCOS AMBIENTAIS: O GRANDE E INEVITÁVEL

DESAFIO DA AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL DO SÉCULO XXI

Parte I: Tomando melhores decisões ambientais. Revisão do livro ‘Making Better


Environmental Decisions’ de Mary O’Brian (The MIT Press, 2000)

Antonio A. Mozeto – Laboratório de Biogeoquímica Ambiental


Departamento de Química – Universidade Federal de São Carlos
amozeto@dq.ufscar.br

O final deste último século foi marcado pela publicação de dois extraordinários
livros que descrevem uma abordagem totalmente nova sobre a proteção e avaliação ambiental.
São publicações que, além de mostrar e discutir claramente o estado de degradação que os nossos
ecossistemas alcançaram no final do Século XX, apresentam um novo paradigma na avaliação de
risos e impactos ambientais que denega frontalmente o modelo vigente que levou ao ‘estado de
coisas’ que muito bem conhecemos.
O primeiro desses livros, cuja revisão se apresenta nesta Parte I, é o livro de Mary
O’Brien intitulado ‘Making Better Environmental Decisions’ (286 páginas) publicado no ano
passado pela Editora do MIT, EUA. O segundo livro ( Parte II desta revisão) é o livro de Theo
Colburn, Dianne Dumanoski e John Peterson Myers chamado ‘Our Stolen Future’ (316
páginas) publicado pela Plume Book em 1996, que já conta com edição na língua portuguesa.
O aprendizado básico que se alcança após ler o livro de Mary O’Brien é que a
definição de políticas públicas ambientais no mundo todo tem sido baseada no levantamento de
questionamentos equivocados sobre a avaliação de riscos e impactos ambientais aos
ecossistemas, biota e seres humanos. Nesse processo, quase nunca ou muito raramente,
questiona-se sobre a existência de alternativas ou opções sobre comportamentos humanos,
tecnologias e/ou processos (muitos dos quais, de domínio público) que permitem que atividades
antrópicas em geral sejam desenvolvidas com o menor dano e maior benefício possível aos
ecossistemas, sua biota e aos cidadãos.
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O Século XX demarcou um tempo de severa degradação da biosfera. Este novo


século terá de mostrar, verdadeira e eficazmente, a que veio a ciência ambiental: ou seja, teremos
de, inevitavelmente, aprender a definir e implementar formas alternativas de avaliação de riscos
e impactos ambientais que sejam centradas no mínimo risco e máximo benefício aos
ecossistemas, sua biota e aos homens.
O paradigma de riscos ambientais terá de ser substituído pelo paradigma
ecológico, onde exposições aceitáveis de compostos químicos altamente tóxicos à biosfera serão
trocadas por outras que reconhecem os limites da ciência ambiental que levanta importantes
informações sobre a natureza da contaminação, mas que nunca fará a previsão ou o diagnóstico
de compostos químicos individuais nos sistemas naturais.
É exatamente no contexto deste paradigma que o novo livro de Mary O’Brien foi
escrito. Com extrema simplicidade e objetividade, a autora mostra através de grande número de
exemplos e estudos de casos o quanto equivocado o modelo vigente de avaliação de riscos no
mundo industrializado está. Segundo Peter Montague da Enviromental Research Foundation,
Annapolis, Maryland (EUA) (Montague, 2000)1 ‘nós deveríamos adotar a abordagem do tipo
Consumer Reports (guia do consumidor dos E.U.A.) onde podemos examinar toda uma lista de
opções quando desejamos comprar um tostador pela TV, por exemplo’. As instâncias de decisões
(públicas E privadas) deveriam examinar toda uma gama de opções antes de se comprometer
com um novo projeto ou uma nova tecnologia. A opção com menor impacto ou dano é a que
deveria sempre ser a escolhida.
Este livro mostra que, em vez de se questionar sobre a existência ou não de
comportamentos, processos e/ou tecnologias alternativas ou mesmo, eventualmente, sobre a
simples consideração da não adoção de tais atividades e emissões de substâncias nocivas (a base
do princípio da precaução), investe-se financeiramente (e quase sempre à custa dos cofres
públicos) e em termos de recursos humanos, pesadamente no levantamento de dados sobre a
‘capacidade de assimilação de um ecossistema’, ‘capacidade suporte de um dado organismo’,
‘níveis aceitáveis de uma susbtância ou de exposição a uma substância ou atividade’ ou ainda
sobre ‘riscos ou danos mínimos’ aos ecossistemas, à biota e ao homem. Muitos, consideram
essas propriedades como imponderáveis dada a complexidade dos sistemas naturais. Esse

1
Montague, Peter (2000). Modern Environmental Protection. Part 3. Northland Reader. October, 12/2000. Vol. 4,
No. 85. pp. 8-9.
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processo clássico de avaliação de impacto ambiental também é considerado: antidemocrático;


centralizador de decisões; concentrador de comportamentos danosos e da extensão em que as
atividades podem ser realizadas sem a destruição completa dos organismos, espécies ou dos
ecossistemas; responsável por colocar todo peso das decisões nos ambientalistas por
publicamente ‘pensarem’ pelas comunidades sobre comportamentos ambientalmente mais
corretos; encorajador das empresas a desenvolverem atividades que custarão às mesmas e ao
público em geral altos recursos financeiros na mitigação dos impactos decorrentes (se de todo
esta mitigação é possível) e, responsável por induzirem que as empresas invistam em processos
e/ou tecnologias que mais tarde serão contestadas e/ou rejeitadas. Por outro lado, o processo da
avaliação alternativa de riscos ambientais tem seu foco nas alternativas que causam o menor
dano e o maior benefício possível aos cidadãos, ecossistemas e vida silvestre; enfoca uma
ampla variedade de comportamentos ambientalmente sustentáveis; cataliza o envolvimento de
todos os setores das sociedades que reforça os esforços de outros setores; não envolve
incalculáveis problemas metodológicos; envolve a criatividade do público, inovação e energia na
solução dos problemas; responsabiliza aqueles que poluem, exploram e degradam o meio
ambiente a expressarem publicamente sobre as alternativas de seus comportamentos; mostra às
empresas e agências como elas podem evitar atividades que mais tarde terão altos custos a elas
próprias e aos cofres públicos na mitigação dos impactos (se estes são, de fato, mitigáveis), além
de encorajar a tomada de atitudes otimistas sobre a qualidade de vida na biosfera. O processo de
avaliação alternativa de impactos ambientais tem três componentes que se baseiam na
apresentação de um conjunto completo de opções, dos efeitos adversos, bem como benéficos
potenciais de cada opção.
O processo de avaliação de riscos ambientais no Brasil não foge a estas
características e tendências mudialmente reconhecidas e amplamente debatidas neste livro. O
resultado final e global deste processo retrata uma ‘fotografia’ que nos é bastante conhecida e,
para muitos, de forma bastante triste e trágica. Vários estudos mostram que já existem muitos
sinais ou evidências bastante claras com as quais estamos convivendo há algum tempo que têm
características irreversíveis. Algumas delas são interpretadas por muitos como reais ameaças à
sustentabilidade da raça humana na face deste planeta como vem sendo, desde o período pós
segunda gerra mundial, demonstrado por estudos que comprovam a diminuição de contagens de
espermatozóides em mamíferos - inclusive humanos -, aumento da incidência de alguns tipos de
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câncer e a perda de inúmeras espécies da fauna devido a ação de compostos químicos sintéticos
que agem como interferentes ou ruptores endócrinos (ver Our Stolen Future’ de T. Colburn, D.
Dumanoski e J. P. Myers, Parte II desta revisão). Talvez caiba aqui uma ponderação de Blake e
Steinhart (1987)2: “corremos o risco de um dia termos de apreciar apenas uma grande planície
de concreto, asfalto e vidro e, descobrirmos que secamos os céus”.
E, o que é um processo de avaliação de riscos? É um processo de se estimar
danos que estão ocorrendo ou que podem ocorrer decorrente de uma substância ou atividade. E,
como funciona este processo? Em teoria é processo objetivo, na prática envolve a escolha dentre
numerosas estimativas (ou ‘chutes’ mesmo!), onde política e dinheiro (muito) tem o poder de
afetar as decisões a serem tomadas.
Esse processo se baseia fundamentalmente na avaliação de danos e exposição.
Dano é toxicidade de um material, i.e., sua capacidade de causar certos tipos de danos enquanto
que exposição é a quantidade de uma substância (i.e., dose) que é passada a um organismo vivo
sobre o qual o dano esta sendo avaliado, usualmente seres humanos.
Este livro examina por exemplo o que está errado com o processo de avaliação de
riscos e porque é preciso substituir este modelo por um modelo de avaliação alternativa de
riscos, sempre através de exemplos extremamente ilustrativos. Por exemplo, o caso da queima de
resíduos perigosos num incinerador localizado próximo a uma escola. A autora usa este caso
para descrever o que ela chama de ‘metas básicas e não-declaradas das avaliações de riscos’ que,
fundamentalmente existe para ‘garantir a permissão para funcionamento de uma atividade cujos
riscos está sendo avaliada’. Em vez de avaliar a permissão de exposições aceitáveis às crianças
da escola vizinha ao incinerador, deveríamos: (1) incentivar e desenvolver programas de redução
de resíduos tóxicos na indútrias; (2) trabalhar com as indústrias no desenvolvimento e uso de
tecnologias alternativas que não dependam tanto no uso de compostos químicos tóxicos; e (3)
escrever leis que obriguem as indústrias a manterem em seus pátios os resíduos gerados, o que
incentivaria as mesmas a reduzir e desenvolver tecnologias de atenuação da toxicidade dos
compostos químicos usados em seus processos industriais. Se, os consultores das indústrias,
empregados de governos e comunidades envolvidos neste caso do incinerador examinassem os

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Blake, Tupper e Steinhart, Peter 1987. Tracks in the sky: Wildlife and wetlands of the Pacific flyway. Chronicle
Books.
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riscos e benefícios das opções potencialmente úteis (isto é, alternativas ao emprego de um


incinerador para destruir resíduos sólidos que incluiria, dentre muitas outras coisas, estudos de
minimização da geração dos mesmos) juntamente com aqueles da operação deste incinerador,
eles estariam fazendo uma avaliação alternativa de riscos ambientais.
Os princípios ou bases de conduta deste processo são baseados em certos valores e
predisposições (‘biases’) que requerem fundamentalmente duas coisas: (1) participação pública
mais diversa possível e (2) considerações de numerosas opções técnicas. Tendo essas duas
premissas em mente a autora levantada os seguintes pontos:
(1) não é aceitável causar danos a pessoas quando há alternativas razoáveis para o contrário a
serem consideradas;
(2) idem, a seres não-humanos (vida silvestre)
(3) ninguém é capaz de definir o que é um dano ao outro (um ‘dano aceitável’)
(4) a maioria do comportamento privado tem conseqüências ambientais para o público em
geral, daí não é privado.
(5) nós humanos, inevitavelmente, causamos danos ambientais e a única maneira de causar o
menor dano possível é considerar-se as opções que causam o menor dano possível e que
restauram a saúde ambiental quando possível.
(6) dificuldades de se pensar em alternativas sobre as atividades. Interesse de pessoas e
corporações.
(7) dificuldades de mudanças de nossos hábitos e comportamentos.
(8) a única saída é portanto ganhar prática através da mudança dos maus comportamentos
ambientais, em qualquer lugar, em qualquer situação.
(9) o pré-requisito para mudanças políticas (vontade política) é: entender que há alternativas
e, as ações políticas é a única maneira que pode gerar mudanças nos maus comportamentos e
hábitos das outras pessoas e corporações.
Enquanto que no processo clássico de avaliação de riscos ambientais discute-se a
segurança de uma atividade ou substância danosa sem serem considerados os benefícios e
desvantagens de cada opção e baseando-se na combinação dos danos de uma atividade ou
substância e da exposição a seres humanos ou outras espécies no sentido de se estimar os riscos
das mesmas e que, primariamente é usada para defender atividades desnecessárias que causam
danos ao ambiente e aos homens, na avaliação alternativa de riscos ambientais discute-se tudo
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isto e mais os prós e contras de grande número de opções e os possíveis riscos de cada uma,
bem como as relevantes vantagens físicas, sociais, econômicas e democráticas.
Pelo mundo afora, há um grande número de casos que justificam a implantação do
processo de avaliação de riscos ambientais, como por exemplo: (1) contaminação do ar;
contaminação da vida silvestre; (3) contaminação das águas subterrâneas; (4) níveis aceitáveis de
radiação nuclear; (5) extinção de espécies; (6) incorporação de compostos tóxicos em nossos
alimentos; (7) redução da vida silvestre; (8) direito de nações em estabelecer um alto padrão de
proteção à saúde pública.
Especificamente nos E.U.A são inúmeros os casos de usos de avaliação de riscos
como para: (1) alimentos: registro de pesticidas; resíduos permissíveis de pesticidas; resíduos
permissíveis de hormônios (2) água: níveis de de bombeamento permissível de água de rios e
aqüíferos; níveis permissíveis de contaminação de água potável (níveis máximos de
contaminantes); níveis de contaminação de águas subterrâneas; permissões de descarga de
substâncias tóxicas em rios. (3) atmosfera: permissões de descargas de particulados e substâncias
tóxicas no ar ambiente; aplicações aéreas de pesticidas; permissões para queima e incinerações.
(4) terra/oceanos: permissões para desmatamentos; análises de riscos ecológicos; permissões
para coletas de espécies ameaçadas; construção de estradas. (5) ambiente de trabalho: limites de
susbtâncias tóxicas (e.g., threshold limit values); intervalo de re-entrada de trabalhadores após
aplicação de pesticidas no campo; limites de radiação. (6) ‘cleanups’: padrões de ‘cleanups’ de
vazamentos, derramamentos, ‘superfund sites’ e sítios nucleares.
Nas avaliações quantitativas de riscos os danos podem ser causados por uma atividade ou
uma substância com por exemplo em rodovias, devido ao aquecimento global, radiação, bombas
químicas, corrida de motocicletas no deserto, etc. Os danos podem ser a morte, o aumento da
incidência de diferentes tipos de câncer, problemas neurológicos, redução da atividade
fotossintética das plantas, comportamento maternal alterado (e.g., em relação aos ninhos de
pássaros), perdas de audição, etc. Os experimentos são conduzidos em aminais, plantas,
ecossistemas modelos ou outros organismos experimentais. Outros casos podem ser fertilização
diminuída de ovos de sapos devido à ação da radiação UV em lagos (um fenômeno que, muito
recentemente, se suspeita ser o causador deste impacto negativo), intoxicação de bombeiros pela
ação de derramamentos químicos industriais, etc. Em síntese, estes experimentos procuram
determinar a exposição (quantidade ou intensidade - dose - de uma atividade ou substância que
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alguns seres humanos ou outras espécies podem experimentar) à estas atividades ou substâncias
que causem efeitos adversos.
Os avaliadores de riscos estimam o grau que alguém ou alguma coisa (e.g., sapos,
homem, comunidade ou um lagarto no deserto) pode ser exposto a esta atividade ou substância.
Estima-se a dose que esta espécie (usualmente um elemento médio de algum grupo)
experimentará. Estas estimativas são feitas em experimentos controlados ou medidas no lugar de
trabalho ou no campo ou ainda, em exposições acidentais. Muitas vezes, essas estimativas são
feitas em situação muito próxima ou afastada das situações relacionadas ou (no pior dos casos),
simplesmente escolhe-se para se ter um risco pré-estabelecido !!! Há, neste processo, todo um
alto grau de incertezas e de toda a sorte. A autora lista alguns principais que fazem com que as
exposições não passem mesmo de meras estimativas: (1) área da pele exposta a uma substância
química no ar; (2) % de composto químico absorvido pelo corpo através da pele; (3) % de
composto químico absorvido que atingirá um tecido ou órgão vital; (4) quantidade de alimentos
consumidos; (5) direção e velocidade dos ventos; (6) velocidade em que a chuva recarrega um
aqüifero; (7) número de horas ou dias que um organismo é exposto; (8) peso corporal;
etc...etc...etc. Inevitavelmente, muitos fatores são completamente ignorados neste processo: por
que eles nunca foram examinados ou porque sua inclusão tornaria o modelo de avaliação de
riscos muito complicado ou porque sua inclusão tornaria a exposição muito perigosa.
A quantificação da possibilidade de um organismo experimentar um dado dano
(risco) é feita tentanto-se responder às perguntas: será alguém exposto? quanto? Toma-se por
base as estimativas da habilidade de uma atividade ou substância em causar um dano em
particular e nas estimativas do grau de um certo organismo ser exposto àquele dano.

EXEMPLO DE UM MODELO DE AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DE RISCOS


O exemplo reproduzido abaixo dá conta do quanto simplicado são as avaliações
quantitativas de riscos ambientais. No exemplo, quantifica-se o risco (número de pessoas por
milhão que potencialmente podem contrair câncer devido a exposição a substâncias causadoras
de câncer) de um aplicador de um pesticida específico em adquirir câncer decorrente desta
atividade segundo um conjunto de condições determinado que abaixo se discrimina. O cálculo é
feito com base no produto do DANO (i.e., potencial cancerígeno de uma substância) pela
EXPOSIÇÃO (i.e., dose).
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O EXEMPLO
• Organismo alvo: aplicador de orizalina (2,6-dinitroanilina)
• Orizalina: um herbicida da DowElanco (matar grama, pragas em várias plantações
nos EUA)
• Substância causadora de câncer das glândulas mamárias em ratazana, de pele e
tumores na tiróide de ratos e ratazanas
• U.S. EPA: considera esta substância como possível causador de câncer em seres
humanos (Grupo C)
• Potencial cancerígeno: 0,13 mg/kg/dia
• Suposições para cálculo de risco de câncer:
o Aplicador aplica 1 vez/ano na sua vida
o Usa bomba manual de baixa pressão
o Usa calça comprida, camisa de mangas compridas e não usa luvas
o Exposição dérmica: 52 mg/pound orizalina
o 0,094 pound orizalina/1000 pés quadrados
o Aplicação em 2 acres
• Dose diária no tempo de vida do aplicador
o (dose diária total X número de dias de trabalho X 35) / 70 anos
o resultado: 2,0 X 10-4 mg/kg/dia
RESULTADO
DANO (0,13 mg/kg/dia) x EXPOSIÇÃO (2 x 10-4 mg/kg/dia) = RISCO (2,6 x 10-6)
ou
2,6 casos de câncer/100.000 pessoas ou 26 vezes mais casos de câncer em 1 milhão de pessoas.

São Carlos, SP 12/setembro/2001


Ass.: Antonio A. Mozeto – PhD em Ciências da Terra