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INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS PROF.

CAMILLO FILHO
NÚCLEO DE ASSESSORIA JURÍDICA COMUNITÁRIA JUSTIÇA E ATITUDE

TERESINA – PI
MARÇO - 2004
INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS PROF. CAMILLO FILHO
NÚCLEO DE ASSESSORIA JURÍDICA COMUNITÁRIA JUSTIÇA E ATITUDE

DENIZE NASCIMENTO COSTA


CLEANTO LEAL LUZ
MARÍLIA VASCONCELOS DE MORAES
TERESINA – PI
MARÇO - 2004

“Nos oprimidos o medo


da liberdade é o medo
de assumi-la. Nos
opressores, é o medo de
perder a ‘liberdade’ de
oprimir”.

Paulo Freire
1. Introdução

O projeto que iremos expor traz à tona a necessidade de


fazer os futuros operadores jurídicos a encarar a realidade
social em que vivemos. Por um lado, temos uma sociedade
marcada por contradições socioeconômicas, de outro a
concepção individualista dos discentes que constroem o
pensamento jurídico baseado apenas no positivismo.

Durante muito tempo, a concepção de acesso à justiça


restringiu-se ao Poder Judiciário. Em nossa sociedade, os
custos para litigar são bastante altos (custas judiciais e
honorários advocatícios), gerando uma grande dificuldade no
reconhecimento de direitos, principalmente nas camadas
marginalizadas. Além disso, os indivíduos não têm motivação,
informação ou poder para propor uma ação.

Existem ainda, como propõe Mauro Capelletti1,


“obstáculos processuais, sendo a ineficácia ou inadequação do
processo judicial tradicional em resolver certas questões ou
espécies de litígios, e assegurar a real efetivação de direitos”.

1
CAPELLETTI, Mauro. “Os Métodos alternativos de solução de conflitos no quadro do
movimento universal de acesso à justiça”. Revista de Processo, nº74, abr/jun 1994, p.84/88.
Assim, surgiu a necessidade de se criar meio alternativo
para a resolução dos conflitos, pautado em um novo enfoque
de acesso à justiça.

Sobrepondo as concepções tradicionalistas do


ordenamento jurídico, onde o Acesso à Justiça é tratado
como mero princípio processual, recentemente sentiu-se a
necessidade de uma iniciativa que desmistificasse e
democratizasse o acesso à justiça, mas numa nova
perspectiva: humanística, coletiva, proporcionando um direito
de fácil acesso, surgindo assim, as Assessorias Jurídicas
Populares, criando possibilidades na garantia e efetivação dos
Direitos das camadas excluídas.

Sentindo esta necessidade de trabalhar coletivamente


na sociedade, é que os discentes desta IES estão criando o
Núcleo de Assessoria Jurídica Comunitária Justiça e Atitude
– “Projeto JA”.

2. Entendendo a Assessoria Jurídica

Na década de 70, temos um período de intensas


manifestações e transformações sociais, neste contexto se
fortaleceram as entidades de luta já existentes (Movimento
Estudantil, Sindicatos) e, ao mesmo tempo, surgiram outras
que almejavam atuar de forma inovadora, alterando, na base,
o pensamento social existente (Movimentos Populares, ligados
ou não à Igreja). Estes movimentos não se restringiam a
ações políticas diretas, mas também promoviam ações no
âmbito jurídico.

Surgem, aí, as assessorias jurídicas populares, como


movimento social inovador, deixando para trás o sistema
tradicionalista, e intervindo na esfera jurídica, apesar do
conservadorismo do Poder Judiciário.

Propondo-se a representar os interesses coletivos, como


fala Celso Campilongo, esses interesses coletivos são
“entendidos como não passíveis de fruição individual e
exclusiva, comportam estratégias que também escapam à
lógica individualista”.

Como movimento social inovador, a Assessoria Jurídica


Popular, rompe com as visões tradicionalistas, individuais e
formais, em favor dos interesses da coletividade, em um
trabalho de conscientização e participação, situando o
assistido no papel de sujeito conjuntamente com o assessor
jurídico. Quebra-se então o estigma de que o Acesso à
Justiça se obtém somente através do Poder Judiciário.

2.1. Assistência Judiciária e Assessoria Jurídica

Dessa forma, faz-se necessário distinguir os serviços de


Assessoria Jurídica de Assistência Judiciária.
A Assistência Judiciária é um serviço legal tradicional,
voltado a um atendimento individual, caracterizado pelo
paternalismo, criando assim uma estrutura formal e
hierárquica entre advogado e cliente, proporcionando um
Direito difícil, sendo o cliente, o objeto da ação do advogado.

Os serviços legais tradicionais são trabalhos realizados


pelos Escritórios-Escola, Núcleos de Prática Jurídica e
Defensorias Públicas, que prestam um serviço técnico,
formal. Os Escritórios Escola e Núcleos de Prática Jurídica
visam principalmente formar seus estudantes através de um
serviço assistencialista. As Defensorias Públicas cumprem
apenas o seu dever constitucional, assistindo de forma
individual (geralmente), a população marginalizada.

Não queremos com isso, menosprezar o papel dos


escritórios escola e dos núcleos de prática jurídica, mas
devido ao seu caráter assistencialista seus trabalhos,
geralmente, não observam que através de um processo
educativo e conscientizador, poderiam proporcionar não só
uma melhor prestação jurídica como uma melhor formação
de seus integrantes.

Os serviços legais inovadores, Assessorias Jurídicas


Populares, compreendem uma intervenção não só judiciária,
mas constitui um processo de orientação e organização
através de uma ação político-jurídica, trabalhando a
construção do Direito pela base.
3. O que é o “Projeto JA” ?

O Projeto JA - Núcleo de Assessoria Jurídica


Comunitária Justiça e Atitude, é um projeto de extensão,
criado e gerido pelos estudantes de Direito, do Instituto de
Ciências Jurídicas e Sociais Prof. Camillo Filho – ICF.

Na nossa realidade social, não há uma efetiva garantia


dos direito de todos, principalmente das camadas excluídas.
Dessa forma, a sociedade necessita de uma solução
alternativa que busque ajudar a desenvolver a cidadania,
viabilizando a emancipação das comunidades mais carentes
afim de que possam defender e garantir seus direitos.

O papel das instituições de ensino e dos profissionais


jurídicos hoje é notório, em vista da natureza coletiva e
classista dos diversos conflitos na sociedade. Não podendo as
Instituições de Ensino Jurídico ser meras transmissoras de
informações orientando os estudantes exclusivamente no
âmbito prático-forense, e nem estes, apegar-se unicamente ao
positivismo jurídico.

Assim o “Projeto JA” tem como objetivo, proporcionar ao


estudante uma visão crítica do Direito, através de atividades
de ensino, pesquisa e extensão, tornando-se um elo entre a
Instituição de Ensino e a sociedade, promovendo uma
democratização do conhecimento jurídico.

4. Bases do Projeto JA

O Projeto JA será realizado de forma autônoma, ou seja,


terá independência de qualquer entidade existente na
sociedade civil. Sua organização interna será fruto de
discussões, para que os acadêmicos sintam-se à vontade.
Trabalhando assim quebraremos as hierarquias, exercitando
a democracia interna.

Apesar da autonomia do projeto, faremos parcerias com


diversas entidades. É fundamental entender que os alunos é
que irão guiar o projeto, as decisões serão frutos de análises e
discussões internas, sendo este um princípio defendido por
toda a Rede Nacional de Assessoria Jurídica – RENAJU
(Anexo II).

O projeto realizará suas atividades de forma


indissociada unindo o ensino, a pesquisa e a extensão,
ressaltando a importância do conhecimento e a necessidade
de uma visão crítica sobre a teoria-prática. Através da
atividade extensionista, o projeto confrontará o saber com a
realidade em que vivemos, promovendo a aplicabilidade social
do conhecimento científico adquirido nas instituições.
As atividades serão pautadas pela interdisciplinariedade,
buscando temas que na maioria das vezes não são discutidos
em sala de aula, com o auxílio de outras disciplinas, como
sociologia, educação, psicologia etc, e com a participação de
profissionais de outras áreas de conhecimento.

5. Participação Acadêmica

Todos os acadêmicos de Direito do Instituto Camillo


Filho, independentemente de período devem ser sujeitos
ativos na construção deste projeto. O projeto será divulgado
através de panfletos e cartazes, explicando os objetivos e
princípios do projeto.

Desta forma, integraremos todos os discentes desta IES,


objetivando um crescimento acadêmico e social.

6. Objetivos do Projeto

6.1. Objetivos Gerais

O presente projeto objetiva desmistificar o Direito,


promovendo o acesso à justiça, aguçando a visão crítica dos
discentes, integrando-os de forma compromissada com a
sociedade, tornando-se um elo entre a Instituição e a
sociedade.
6.2. Objetivos específicos

 Movimentar e produzir conhecimento dentro do ICF


como atividade de extensão;
 Exercício da Interdisciplinariedade;
 Humanização do futuro profissional jurídico às causas
sociais;
 Incentivar a pesquisa e a produção de textos pelos
participantes.
 Promover a conscientização das comunidades com a
realização de qualquer atividade que transmita
conhecimento.
 Estabelecer intercâmbio com outros grupos de
assessoria integrando a Rede Nacional de Assessoria
Popular Jurídica – RENAJU.

7. Estágios do Projeto

O projeto deverá ser executado em três etapas:

7.1. Capacitação

Trata-se da etapa fundamental do projeto. Aqui será


criado um espaço democrático de participação dos
estudantes, através da troca de experiências, reflexões sobre
os conteúdos estudados. Iremos refletir sobre os princípios e
objetivos do projeto e promovendo integração entre os
estudantes.

É a forma de entrada do NAJUC-JA. O ingresso é livre,


isto é, independente de período.

Temas como Direitos Humanos, Assessoria Jurídica


Popular, Acesso a Justiça, Ensino Jurídico, Políticas
Públicas, Educação Popular entre outros, deverão ser
abordados objetivando preparar operadores jurídicos capazes
e comprometidos com o trabalho comunitário aqui proposto.

A metodologia aplicada aqui será através de oficinas,


utilizando materiais audiovisuais, textos, discussões
doutrinárias, aulas expositivas (professores da ICF ou
convidados de outras IES), dinâmicas e todo e qualquer
método que transmita conhecimentos.

7.2. Pesquisa e Prestação de Serviços Comunitários

Depois de capacitados, cientes do seu papel social e


prontos para serem multiplicadores de conhecimentos
jurídicos, começaremos uma nova etapa, por sinal a mais
prazerosa, na qual os participantes atuarão direta e
efetivamente junto à comunidade teresinense.
Esta atuação será de forma democrática, sem
hierarquias, quebrando o formalismo como fala Murilo
Oliveira2:

“romper com o formalismo jurídico que impõe


os o primado dos aspectos formais em detrimento
do conteúdo da norma, o direito não pode ser
normatividade posta como prescreve o
positivismo”

Almejaremos, sempre, expor o direito de forma


acessível, através de cartilhas, textos, folders, encenações,
oficinas, dinâmicas, tudo em uma linguagem informal,
socializando ao máximo o conhecimento jurídico, fazendo
com que o atendido seja sujeito desta construção. Para isto,
teremos que efetivar um trabalho pesquisa que alie os livros e
a realidade social, num processo de conhecer as necessidades
e tentar suprí-las.

Dessa forma abriremos caminhos para que chegue ao


seu real destinatário, pois consideramos o que disse Roberto
Lyra Filho, “Justiça é Justiça Social”.

7.3. Avaliações

Para que possamos crescer com qualidade, é necessário


fazer avaliações periódicas e deste serão gerados relatórios

2
Murilo Carvalho Sampaio Oliveira: Bacharel em Direito, ex-membro do SAJU-BA, citação retirada de
sua monografia, “SERVIÇO DE APOIO JURÍDICO – SAJU: A PRÁXIS DE UM DIREITO CRÍTICO”.
sobre os trabalhos realizados e seus resultados. Estes
relatórios serão destinados a toda Instituição.

8. Produção Científica

Todas as atividades serão registradas com fotos,


relatórios, produção de textos dos integrantes, que serão
expostos a toda comunidade acadêmica.

9. Parâmetros Mínimos

Como projeto de Extensão, a capacitação e trabalhos de


campo contarão com horas-aulas. Para conseguir estas é
necessário que se cumpra à freqüência mínima de 75% nas
atividades (capacitações, reuniões e trabalhos de campo),
podendo ser acrescentados outros requisitos que se tornem
necessários futuramente.

10. Referencial Teórico

Buscaremos aliar o direito dado em sala de aula com


uma leitura crítica do mesmo, através de textos, revistas,
artigos, livros etc. Dessa forma selecionamos uma pequena
bibliografia (Anexo I) que nos ajudará durante este processo.

11. Rede Nacional de Assessoria Jurídica - RENAJU


A Renaju é a união de entidades vinculadas a
Instituições de Ensino Superior que prestam Assessoria
Jurídica Popular. A necessidade de articular o que cada
projeto de extensão poderia alcançar individualmente,
visando o melhor cumprimento de seus fins, criou-se a
RENAJU, fortalecendo o movimento de assessoria e
permitindo ter maior eficácia e cada vez mais se estender.

Compõem a RENAJU os seguintes grupos:

 Serviço de Apoio Jurídico - SAJU/BA;

 Serviço de Auxílio Jurídico Universitário - SAJU/SE;

 Centro de Assessoria Jurídica - CAJU/CE;

 Serviço de Assessoria Jurídica - SAJU/RS;

 Núcleo de Assessoria Jurídica do Ceará - NAJUC/CE;

 Serviço de Assistência Jurídica Universitária Popular –


SAJUP-UFPR;

 Núcleo de Assessoria Jurídica Popular Negro Cosme -


NAJUP Negro Cosme/MA;

 Centro de Assessoria Jurídica de Teresina -


CAJUÍNA/PI;

A RENAJU realiza dois encontros anuais, o ERENAJU


(Encontro da Rede Nacional de Assessoria Jurídica
Universitária), tendo como sede uma das entidades membros
e o ENAJU (Encontro Nacional das Assessorias Jurídicas
Universitárias), realizado durante o ENED (Encontro Nacional
dos Estudantes de Direito).

Assim como todos os movimentos já existentes, que


lutam por uma sociedade solidária, sempre visando uma
Justiça efetivamente social e que têm na RENAJU a
possibilidade de trocas de idéias e experiências, pretendemos
compor esta rede.

12. Apoio do Instituto Camillo Filho

O esforço coletivo é importante, mas também é essencial


que a faculdade desenvolva o seu papel perante uma
sociedade marcada por contradições sociais, conscientizando-
se que sua função também é participar na descoberta de
novos caminhos institucionais tendo em vista a aplicabilidade
do Direito no meio social.
Sabendo que o Instituto Camillo Filho apoia as
atividades extensionistas, com “vistas à otimização do ensino
e pesquisa, contribuindo, desse modo, para o
desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da
população”, é que contamos com o apoio de nossa Instituição
para a melhor eficácia de nosso projeto.
Dividiremos o nosso apoio em dois, a parte pedagógica e
a parte estrutural.

12.1 Apoio Pedagógico


Considerando que este projeto trabalha com o ensino, a
pesquisa e extensão de forma indissociável, é necessário
termos algumas “ferramentas pedagógicas” que se fazem
importantes:

o Reconhecimento das horas extra-curriculares dos


coordenadores do projeto equivalentes a 144 horas
anuais;
o Reconhecimento das horas extra-curriculares dos
participantes do projeto nas iniciativas do mesmo
(capacitações, serviços, visitas, etc.). A quantidade
de horas vai depender da extensão da atividade;
o A disponibilização de professores orientadores
(ainda a serem escolhidos), e de professores para a
realização de oficinas de acordo com a necessidade
do grupo.

12.2 Apoio Estrutural

Por não possuírmos movimentação financeira dentro do


projeto, gostaríamos de ressaltar que a ajuda do Instituto
Camillo Filho é decisiva para uma melhor realização dos
trabalhos3.

o Disponibilização de uma sala, com computador, mesa


e armário, para uma melhor organização e
funcionamento do projeto;
3
Estes custos são apenas estimados.
o Materiais de expediente, como canetas, papéis, pastas
e etc, que poderão ser utilizados no andamento do
projeto;
o Compra de livros didáticos com conteúdo que se
coaduna com as atividades do projeto;
o Apoio para a participação dos Encontros da RENAJU
– Rede Nacional de Assessoria Jurídica (passagens e
inscrição);
o Fornecimento de materiais gráficos como cartazes,
folders, panfletos, cartilhas e informativos com textos
e resultados dos trabalhos executados para
divulgação por este projeto;
o O benefício bolsas para auxílio dos coordenadores do
projeto, a fim de proporcionar um maior incentivo
para trabalhar mais efetivamente, não se esquecendo,
sempre do caráter voluntário que o projeto exige.
Estas bolsas podem ser em forma de descontos na
mensalidade, mínimo de 20% (Vinte por cento.

Não podemos esquecer jamais que o apoio de nossa


Instituição é de maior importância para termos credibilidade
diante de toda a sociedade.

13. Considerações Finais

Gostaríamos de enfatizar que o projeto que realizaremos


será uma experiência interessante, pois a medida que
proporciona ao estudante um contato com o mundo jurídico,
onde aprenderá e acumulará experiência, o estudante
também, possuirá um visão crítica do Direito, não reduzindo-
o a um simples sistema de normas.

Diante desta iniciativa, como projeto de extensão, essa


atividade será um elo entre a Instituição e a comunidade, não
sendo um mero reprodutor de conhecimento jurídico, mas
sim um centro de produção de conhecimento jurídico.

Assim o saber jurídico, para ser utilizado,


primeiramente precisa ser conhecido, não devendo restringir-
se a mera transmissão, justificando assim a socialização do
saber jurídico.

ANEXO I

Bibliografia

AGUIAR, Roberto A R. A crise da advocacia no Brasil: diagnóstico e


perspectiva. Ed. Alfa-Omega. São Paulo.
ALFONSIN, Jacques Távora. Assessoria Jurídica Popular. Breves
Apontamentos sobre sua necessidade, limites e Perspectivas;
ARRUDA JUNIOR, Edmundo Lima de. Lições de Direito Alternativo .
Ed.Acadêmica. São Paulo.
AZEVEDO, Plauto Faraco de. Aplicação do direito e contexto social. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 1996.
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Editora Campus,
1992.
BOBBIO, Noberto. O Positivismo Jurídico. Lições de Filosofia do Direito.
São Paulo: Ícone, 1995.
CAMPILONGO, Celso Fernandes. Direito e Democracia. Ed. Max Limond.
São Paulo, 1997.
CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à Justiça, Sérgio Fabris
Editor, 1988, Porto Alegre.
FARIA, José Eduardo. A reforma do ensino jurídico. Sergio Antonio
Fabris Editor, Porto Alegre, 1986.
FARIA, José Eduardo C. O e CAMPILONGO, Celso. A sociologia jurídica
no Brasil.Sergio Antonio Fabris Editor. Porto Alegre.
FARIA, José Eduardo. Justiça e conflito: os juízes em face dos novos
movimentos sociais. São Paulo: RT, 1.991.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 28ª ed. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 2000;
LYRA FILHO, Roberto. O direito que se ensina errado. Brasília, Centro
Acadêmico de Direito da UnB, 1980.
LYRA FILHO, Roberto. O que é direito? Rio de Janeiro: Brasiliense,
1982.
OLIVEIRA, Murilo C. S..Serviço de Apoio Jurídico – SAJU: A Práxis de
um Direito Crítico. Monografia de final de curso: Salvador, 2003;
SOUZA JR, José Geraldo Junior (Organizador). Série o Direito achado na
rua. 4ª ed. Brasília: Ed. Universidade de Brasília: 1993;
WOLKMER, Antônio Carlos. Ideologia, Estado e Direito. 2. ed. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 1995.

Texto:
CAMPILONGO, Celso Fernandes. Acesso à Justiça e Formas Alternativas
de Resolução dos Conflitos: Serviços Legais em São Bernardo do Campo,
Revista da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, n.° 41, pp. 73-
106, jun/1994, São Paulo.

ANEXO II

CARTA – COMPROMISSO DA REDE NACIONAL DE ASSESSORIA


JURÍDICA UNIVERSITÁRIA

Art. 1º A Rede Nacional de Assessoria Jurídica Universitária, RENAJU, é


a união de Entidades Vinculadas a Instituições de Ensino Superior, que
prestam assessoria jurídica popular e obedece aos seguintes princípios
e finalidades:

I – Lutar por uma sociedade justa e democrática, valorizando a


pluralidade de idéias e a dignidade da pessoa humana;

II – Promover a integração das Entidades a ela filiadas, através do


intercâmbio de idéias e projetos de assessoria jurídica popular;
III – Lutar pela discussão e aprofundamento a respeito do exercício dos
Direitos Humanos, encaminhando propostas que visem a garantia dos
mesmos;

IV – Fomentar a criação de núcleos que defendam a efetivação dos


direitos mencionados no inciso anterior, com respaldo ao acesso à
justiça;

V – Funcionar enquanto instrumento crítico do conteúdo acadêmico


adquirido pelo estudante de direito, almejando ser um elo entre a
universidade e a sociedade;

VI – Desvinculação de qualquer ideologia político-patidária.

Parágrafo único – Considera-se assessoria jurídica popular a atuação


na defesa de demandas coletivas e individuais e/ou serviço de educação
jurídica popular, objetivando o acesso à justiça e à efetivação dos
direitos humanos e da cidadania.

Art. 2º - Podem compor a RENAJU as entidades que obedeçam aos


princípios supramencionados e sejam geridas pelos próprios
estudantes, ainda que com orientação de professor designado pela
universidade, bem como apresentem um projeto, com execução
iniciada, que atenda aos princípios e finalidade deste documento.

Art. 3º - A Assembléia Geral, soberana em suas decisões, é o fórum


máximo de deliberação da RENAJU e realizar-se-á no Encontro
Nacional de Assessoria Jurídica (ENAJU) e no Encontro da Rede
Nacional de Assessoria Jurídica (RENAJU).

Art. 4º - A Assembléia Geral será composta das Entidades que compõe a


Rede, todas com direito a voto, sendo assegurada a livre manifestação
aos estudantes que integram as Entidades.

§ 1º - As deliberações da Assembléia serão tomadas mediante voto


aberto, por maioria das entidades presentes, não admitindo voto por
procuração.

§ 2º - A Assembléia Geral decidirá, preliminarmente, sobre a validade do


voto por correspondência, que só será considerada mediante envio de
justificativa pela entidade quanto a sua não participação.

Art. 5º - Compete à Assembléia Geral:

I – Apreciar e submeter à votação as propostas levantadas pelas


Entidades;
II – Indicar a Sede do Encontro da RENAJU;

III – Decidir sobre o ingresso e exclusão de Entidades na Rede;

IV – Deliberar sobre modificações ao presente documento.

§ 1º - As deliberações que versam sobre exclusão de Entidades e


modificações do presente documento serão feitas desde que 2/3 das
entidades filiadas se manifestem a favor.

§ 2º - Não será admitido o voto por correspondência no caso dos incisos


III e IV, do presente artigo.

Assinam esta carta as entidades abaixo-relacionadas, então integrantes


da RENAJU:

 Serviço de Apoio Jurídico - SAJU/BA;


 Serviço de Auxílio Jurídico Universitário - SAJU/SE;
 Centro de Assessoria Jurídica - CAJU/CE;
 Serviço de Assessoria Jurídica - SAJU/RS;
 Núcleo de Assessoria Jurídica do Ceará - NAJUC/CE;
 Serviço de Assistência Jurídica Universitária Popular – SAJUP-
UFPR;
 Núcleo de Assessoria Jurídica Popular Negro Cosme - NAJUP
Negro Cosme/MA;
 Centro de Assessoria Jurídica de Teresina - CAJUÍNA/PI;