Teoria da Causa Madura

Maurício Madeu*

Sumário: 1. Introdução; 2. Teoria da Causa Madura – Abreviação salutar do sistem a recursal, 2.1 Constitucionalidade do art. 515, § 3º, do CPC – Princípio da Duração Razoável do Processo, 2.2 Aplicação da Teoria da Causa Madura na jurisprudência; 3. Conclusão.

1. Introdução O presente trabalho tem com o objetivo dem onstrar o quão im portante é a aplicação das m odernas técnicas de direito processual para a busca da m aior celeridade e efetividade na atuação do Poder Judiciário. Estas técnicas podem ser utilizadas na seara trabalhista para igualm ente agilizar os feitos que nela tram itam . A questão passa pela análise do disposto no art. 515, §§ 1º e 3º, do CPC, cuja aplicação tem sido afastada pelo Judiciário Trabalhista por apego a um form alism o exacerbado em detrim ento do princípio constitucional que determ ina a duração razoável do processo. Nesse diapasão, após um a análise da doutrina e jurisprudência m ais atualizadas sobre a aplicação da Teoria da Causa Madura, com enfoque m ais específico no sistem a recursal brasileiro, procurarem os dem onstrar que a incidência da referida teoria deverá ser incorporada pela jurisprudência trabalhista com o um a m aneira de dar m aior eficiência e credibilidade à atuação do Poder Judiciário. 2. Teoria da Causa M adura – abreviação salutar do sistema recursal brasileiro A Teoria da Causa Madura, m esm o antes da Lei nº 10.352/2001, já era acolhida pelo sistem a processual brasileiro por força do disposto no art. 330, inciso I, do Código de Processo Civil, que perm ite ao juiz o julgam ento antecipado da lide quando ela tratar de m atéria exclusivam ente de direito, ou não houver a necessidade de provas em audiência. Diz o art. 330, inciso I, do CPC o seguinte: Art. 330. O juiz conhecerá diretamente do pedido, proferindo sentença: I – quando a questão de mérito for unicamente de direito, ou, sendo de direito e de fato, não houver necessidade de produzir prova em audiência; [...]. ____________________________ *Juiz do Trabalho Substituto do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

Revista do TRT/EMATRA - 1ª Região, Rio de Janeiro, v. 20, n. 46, jan./dez. 2009

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deverão os autos tornar para apreciação da lide pelo órgão monocrático (STJ. concluím os que a sua aplicação prática não pode acarretar óbice à entrega da prestação jurisdicional com m ais rapidez. Superado o óbice. em primeiro grau. j.1ª Região.352/2001: 1 REVISTA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 12ª REGIÃO. rel. A questão tam bém é notada por Plínio Lacerda Martins ao analisar a Teoria da Causa Madura nas Relações de Consumo. que é expresso ao dispor que “Serão. tendo em vista que a justiça tardia é a própria injustiça. O referido autor faz referência à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça antes das alterações introduzidas pela Lei nº 10. fechando os olhos para outros princípios. 1º semestre de 1999. ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. É o que se verifica da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça advinda do início da década de 90: Acolhida. 20. DJU 24/9/90. porém . Resp 2. a alegação de prescrição.A aplicação da Teoria da Causa Madura no sistem a recursal brasileiro. n. com o se eles não tivessem poderes para analisar questões ainda não abordadas pelo juiz do prim eiro grau. m esm o antes da Lei nº 10. têm confundido o princípio do duplo grau de jurisdição com a im possibilidade de o juízo ad quem ter convencim ento próprio sobre as provas a serem produzidas. Rio de Janeiro. inútil. Apenas quando terminativa a sentença reformada. p./dez. 515 do CPC. 19/6/90. objeto de apreciação e julgam ento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo. Min. Eduardo Ribeiro. 168.”. 9. Estam os convencidos de que o duplo grau de jurisdição é de sum a im portância para o aperfeiçoam ento de um a decisão judicial. no nosso entender. sob pena de torná-la ineficiente e. 2009 .352/2001 já vinha dando aplicação à Teoria da Causa Madura quando a causa estivesse pronta para julgam ento e reform ada a decisão do prim eiro grau que acolhera anteriorm ente a prescrição. no m ais das vezes. a interpretação equivocada do que acarretaria um a supressão de instância tem levado o Poder Judiciário. 3ª Turma. TRT 12ª Região.978)1. devem os juízes do recurso prosseguir no exame da causa. dem onstrando-se m ais sensível à questão. p. A jurisprudência da Justiça Com um . todavia. negaram provimento.306-SP. Em que pese a im portância vital do duplo grau de jurisdição para o sistem a processual – e não tem os dúvidas que ele é incorporado pelo princípio do devido processo legal –. em segundo. a decisão é de mérito. maioria. Florianópolis: Ed. 102 Revista do TRT/EMATRA . jan. v. Alguns doutrinadores e operadores do direito. 46. já tinha previsão no § 1º do art. criando um a devolução restritiva das m atérias levadas a julgam ento no segundo grau de jurisdição. entre outros fatores. Existe um a visão distorcida dos poderes atribuídos aos m agistrados m ais experientes que com põem o segundo grau de jurisdição. a um descrédito gigantesco.

afastando a aplicação da Teoria da Causa Madura. Rio de Janeiro: Ed. ou um a prejudicial. 1. pode o tribunal. TST que O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário. ao invés de prosseguir no julgam ento das dem ais questões de m érito. olvidando-se a Teoria da Causa Madura. do C PC. 269. 20. 40. Nesse diapasão. ano I. o Superior Tribunal de Justiça já reconhecia a Teoria da Causa Madura. considerado as questões meritórias. desde logo.Nesse sentido. seja rejeitada pelo juízo ad quem. p. Ministro Ruy Rosado de Aguiar. proferindo decisão de m érito e o juízo ad quem. jan. data maxima venia. cam inhou em sentido oposto.RJ 2001/0193883-9. ao invés de anular a sentença. apesar de não apreciar o mérito. A situação ocorre com frequência quando o juiz do prim eiro grau acolhe um a alegação de prescrição. conforme destaca Aguiar: “Estando a lide pronta para julgamento e tendo a sentença. ao caso de pedido não apreciado na sentença. não perm itindo o julgam ento das lides m aduras no segundo grau de jurisdição a pretexto de evitar um a suposta supressão de instância. reformá-la e. que se extrai do § 1º do art.TST não deu a m elhor interpretação ao disposto no § 1º do art. jan. n. todavia. Síntese. que não se refere ao acréscim o do § 3º do art. 515 do CPC ao restringir o efeito devolutivo do recurso. é m uito com um ainda nos dias de hoje acórdãos que determ inam a baixa dos autos para a complementação do julgam ento nos casos em que um a argum entação. Na Justiça do T rabalho a situação é m ais grave. v. Não se aplica. 515 do CPC./dez. a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. por aplicação equivocada do princípio do duplo grau de jurisdição. Rel.934 . conform e o disposto no art. m esm o quando a causa já 2 Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense. Diz a Súm ula 393 do C. A pretexto de evitar um a supressão de instância. 2007. 2009 103 . com aplicação da causa madura. Assim . anteriorm ente acolhida pelo prim eiro grau. transfere automaticamente ao Tribunal a apreciação de fundamento da defesa não examinado pela sentença./jun. parece-m e que a Súm ula 393 do C. Publicado DJ 10/6/2002)2. 46. A Teoria da Causa Madura em relação ao sistem a recursal já vinha sendo adm itida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. inciso IV. n. sem que haja supressão de um grau de jurisdição” (Agravo de instrumento nº 431. haja vista que nem nas causas em que o juiz aprecia o m érito parte da jurisprudência adm ite o prosseguim ento do julgam ento pelo juízo ad quem quando afastada um a questão prejudicial anteriorm ente acolhida. decidir questões que foram suscitadas e a ele desenvolvidas por força do apelo. Rio de Janeiro. Revista do TRT/EMATRA . alguns m agistrados determ inam o retorno dos autos para que seja proferida um a nova decisão no prim eiro grau de jurisdição. 515 do CPC. Paradoxalm ente. seguindo a orientação do Tribunal Superior do Trabalho.1ª Região. que lida com um direito m aterial que depende de um a atuação jurisdicional m ais célere. ainda que não renovado em contra-razões.

§ 3º. inclusive nas hipóteses em que o processo é extinto sem julgam ento do m érito. 769 da CLT. a Lei nº 10. 515. do CPC. Marcelo Santiago de Pádua Andrade em artigo sobre o tem a. Trata-se de um a lim itação inadm issível dos poderes atribuídos aos magistrados do segundo grau. a teoria da causa madura se relaciona muito intimamente com a idéia de julgamento conforme o estado contemplado no art. criou-se um dogm a processual. desde que ele já esteja pronto para apreciação do m érito. defendendo que o juízo ad quem poderá prosseguir no julgam ento do recurso não só quando a m atéria for exclusivam ente de direito. 515. 515 do CPC. o poder-dever do Poder Judiciário de entregar prontamente a prestação jurisdicional invocada. 515. tanto quando na hipótese do art.está m adura para a decisão. determ ina o retorno dos autos para evitar um a suposta supressão de instância. É com o se os m agistrados do segundo grau fossem m enos juízes do que os do prim eiro grau. n.352/01 acrescentou o § 3º ao dispositivo legal em com entário para perm itir o prosseguim ento do julgam ento pelo tribunal.1ª Região. A doutrina m ajoritária ao analisar o art. jan. § 3º do CPC quando não houver provas a serem produzidas. 46. 330. Desta feita. A aludida reform a am pliou no sistem a processual brasileiro a aplicação da Teoria da Causa Madura e deve ser aplicada na Justiça do Trabalho por força do art. após analisar a doutrina pátria. do CPC. defende: Bem se vê. reform ando a decisão declaratória de não reconhecim ento de vínculo em pregatício. afastando-se a noção de acúmulo. do CPC. já nesse início de trabalho. Rio de Janeiro. Em que pese a existência de norm a expressa a respeito. é com um encontrarm os nos tribunais trabalhistas acórdãos determ inando a baixa dos autos nos casos em que o processo já teve sentença apreciando o m érito. mesmo que se esteja diante de questão que não é de estrito direito. estando suficiente e adequadamente instruído o feito. Nesse sentido./dez. m as tam bém naquelas hipóteses em que as provas já foram produzidas e está o feito suficientem ente instruído para o julgam ento. I. 515. dispensando-se a prática de 104 Revista do TRT/EMATRA . que a literalidade da norma há de ser mitigada para se apanhar os telos do art. Compreendida dessa forma. poderá incidir a regra do art. § 3º. que em nosso entendim ento já acolhia a Teoria da Causa Madura no sistem a recursal brasileiro. que contempla a idéia de alternatividade. v. Não bastasse a clareza solar do § 1º do art. segundo o qual aqueles só poderiam m anifestar-se sobre questões já analisadas por estes. Caso m ais gritante no processo do trabalho ocorre quando o juízo ad quem. apenas porque não foram exam inados todos os argum entos e questões discutidas na lide. § 3º. do CPC tam bém tem se posicionado pela aplicação extensiva do referido dispositivo legal. que prevê. 20. 2009 . emprestando-se ao termo e significado próprio da partícula ou. Nesse diapasão. determ ina o retorno dos autos para que os pedidos daí decorrentes sejam apreciados no prim eiro grau de jurisdição.

por admissível o julgamento antecipado do mérito5. § 3º. ed. ou estar em condições de imediato julgamento. 515. Acesso em: 7 abr. Rio de Janeiro. p. 2009 4 GÓES. de m odo a perm itir que o tribunal prossiga no julgam ento sem pre que não exista m ais prova a ser produzida. 174-175. 46. 330 do CPC. Gisele Santos Fernandes. DINAMARCO. quando toda instrução processual já estiver exaurida. para que desencadeie o prosseguimento do exame de mérito da matéria no Tribunal4. Ela deve. I e II do art. tam bém associou o § 3º do art. visto que bastará a questão ser de direito. Disponível em: <http://www. São Paulo: Malheiros. sendo irrelevante que exista questão de fato a ser dirim ida. Nova Era do Processo Civil.1ª Região. assim: se não houver questões de fato ainda dependentes de prova. e concluiu: E a síntese das exigências postas no § 3º do art.paranaeleitoral. 330. p. 3 ANDRADE. 20.br. após apresentar exaustiva fundam entação. 2009 105 ./dez. Trata-se de interpretação m ais coerente com o princípio da efetividade que vem defendida pela autora supracitada nos seguintes term os: E também não se deverá fazer uma interpretação reducionista quanto à expressão “se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento”. possibilitando julgamento antecipado da lide. nos termos dos incis. 2004.todo e qualquer ato de instrução que não contribua para o deslinde do feito3. Gisele Santos Fernandes Góes tam bém interpreta o disposto do art. Seguindo a m oderna doutrina processualista. n. Revista Paraná Eleitoral. ainda não hajam sido produzidas todas as provas admissíveis no caso.>. do CPC. 5 Revista do TRT/EMATRA . 515. portanto. v. no rumo de que essas duas situações são concomitantes. havendo questões de fato. o m estre Cândido Rangel Dinam arco. arrisca-se logo uma primeira análise do novo dispositivo. Cândido Rangel. ser lida pelo avesso. 2. 70 (jan/2009). Marcelo Santiago de Pádua. n.”. São Paulo: Saraiva. entenda-se que a locução se a causa versar exclusivamente questão de direito foi posta no novo parágrafo com o objetivo único de impedir o salto de grau jurisdicional quando. No m esm o sentido. Princípio da Proporcionalidade no Processo Civil. § 3º. Destaca o autor sobre a interpretação do art. da CLT: “Razoavelmente e com plena fidelidade ao sistema do Código de Processo Civil e às garantias constitucionais do processo. 515 do CPC ao art. no que tange ao sentido disjuntivo desse “e” que merece ser lido como “ou”.gov. 515 do Código de Processo Civil é: julgar o mérito sem que o haja julgado o juiz de primeiro grau. jan. 157-158.

De outro lado. com o. um a vez que a m atéria é de ordem pública e não há nenhum a exigência legal para que a parte requeira o julgam ento antecipado do m érito no juízo ad quem. 515./dez. Se o fez. § 3º. 6 106 Revista do TRT/EMATRA . 46. Assim sendo. 2009 . n. do CPC. prossiga no m érito da dem anda. aliás. Não há dúvida que o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição encontra-se im plícito nas regras de distribuição de com petências a tribunais e tam bém na inserção de recursos no âm bito da am pla defesa. na verdade. Nelson Nery Junior aborda a questão. 515. no caso que especifica.1 Constitucionalidade do art. deverá o tribunal prosseguir no julgam ento. não faltaram vozes a defender a inconstitucionalidade da inovação trazida pelo art. o referido princípio não significa. 330. São Paulo: Malheiros. m esm o nas hipóteses em que as questões debatidas em juízo não tenham sido apreciadas pelo juízo do prim eiro grau. conform e expressam ente estabelecido na legislação processual. Os m agistrados do prim eiro e segundo graus não dependem de requerim ento das partes para julgar o processo quando ele estiver m aduro para tal. todavia. § 3º. competência originária ao tribunal de apelação. não há nenhum a anom alia em se perm itir que o tribunal. que o juízo ad quem só possa analisar as questões já apreciadas no prim eiro grau de jurisdição. I)6. jan. 330 do CPC: Se a extinção ocorrer após a contestação o tribunal somente poderá examinar o mérito. ainda que dependa da análise de m atéria de fato. § 3º) e o disposto no art. pela primeira vez. 515. v. é evidente que o julgam ento não depende de requerim ento do recorrente. caso modifique a sentença. matéria não BEDAQUE. estando o processo devidam ente instruído – pronto para o julgam ento (causa madura) –. 330 do CPC. ed. O im portante é que o juízo do prim eiro grau tenha a opção de m anifestar-se sobre as questões discutidas na dem anda. 2. do CPCP – princípio da duração razoável do processo Com o acontece com toda m udança legislativa. 20.José Roberto dos Santos Bedaque tam bém não tem dúvida em associar o dispositivo legal analisado (art. 2.1ª Região. Efetividade do Processo e Técnica Processual. afastando a prelim inar. p. necessariam ente. nos seguintes term os: O art. em razão da nova sistem ática recursal. vislum brando um a possível vulneração do princípio do duplo grau de jurisdição. José Roberto dos Santos. § 3º confere. art. 515. já ocorre no prim eiro grau de jurisdição com a aplicação do disposto no art. Rio de Janeiro. 170. se a questão for exclusivamente de direito ou se já houver prova suficiente a respeito dos fatos controvertidos (CPC. Isto quer significar que o tribunal pode julgar. acolhendo um a prelim inar em detrim ento do m érito. refutando a tese de inconstitucionalidade. quando da apreciação do recurso. inicialm ente.

Rio de Janeiro.. E. obviamente. 180-181. Dinamarco ponderou: “Em crítica ao dispositivo. Após longa explanação refutando um a um os argum entos de suposta infração à garantia constitucional do due process. § 3º. Legem Habemus. n. conclui-se que não existe nenhum a inconstitucionalidade no disposto no art. segundo. DINAMARCO. 2009 107 . poderá contribuir para maior agilidade e rapidez na oferta da tutela jurisdicional. No m esm o sentido. 515. o autor que apelar contra a sentença terminativa fá-lo-á com a consciência do risco que corre. p. Nelson. como já se viu. 6. Demonstrando a fragilidade da tese das poucas vozes na doutrina que se voltaram contra a constitucionalidade do dispositivo analisado. por via de conseqüência. os poderes atribuídos ao tribunal na apreciação dos recursos devem ser estabelecidos em lei. a extensão da apelação (recurso ordinário no Judiciário Trabalhista) depende dos lim ites estabelecidos pela lei. 46. jan. do CPC.. p. 434. A solução da lei é heterodoxa. 515 do Código de Processo Civil (Barbosa Moreira. 8 Revista do TRT/EMATRA . o objeto da impugnação’ – sendo esse o principal fundamento de sua opinião contrária a essa inovação. ao estabelecer que. Não há inconstitucionalidade por ofensa ao duplo grau de jurisdição porque a lei processual pode conferir competência originária a tribunal7. não do que não o foi. São Paulo: RT.”. sustenta José Rogério Cruz e Tucci que ‘essa novidade amplia de modo substancial a extensão do efeito devolutivo da apelação. 20. o que a legitima. Cândido Rangel Dinam arco tam bém engrossa a lista de processualistas que afastam de form a veem ente a suposta inconstitucionalidade do disposto no art. 2004. extravasar os limites da sentença ou da própria apelação seria uma ilegalidade manifestar. v.] se agora as regras são essas e são conhecidas de todo operador do direito. nas situações que indica. § 3º. cit. Prim eiro. da CLT. a conseqüência natural era que (c) o julgamento da causa fosse rigorosamente proibida pelo caput do art. 2007. essa inovação não transgride qualquer garantia constitucional nem é capaz de aportar prejuízos a quem quer que seja – ao contrário. o tribunal se reputa investido do poder de decidir o mérito. porque (a) só se podendo recorrer do que foi decidido e. Antes da vigência do parágrafo. apesar de não o ter feito o juiz inferior e ainda quando não o haja pedido do apelante. ed. capaz de evitar surpresas8. Pela via do recurso o tribunal pode conhecer originariamente do mérito. 515. logo. Teoria Geral dos Recursos. não há infração à garantia constitucional do due process porque as regras do jogo são claras e isso é fator de segurança das partes. nada im pede que o legislador confira com petência 7 NERY JUNIOR. o professor conclui com a sua natural acuidade: [. e (b) só podendo o tribunal julgar nos limites do que foi apelado e não do que não o foi.1ª Região.apreciada pelo juízo a quo. mas visa à economia processual. de onde proveio o recurso de apelação. permitindo que o juízo recursal extravase o âmbito do dispositivo da sentença de primeiro grau e.) Mas o § 3º do mesmo artigo derrogou parcialmente essa regra./dez. Em sum a.

I. que trata do julgamento imediato do mérito. CAPUT. julgamento em 06/3/03 – site certificado . LEI Nº 10.352/2001. não houver necessidade de produção de novas provas. 4. tem abarcado e aplicado am plam ente a Teoria da Causa Madura. CPC. III – Nos termos do § 3º do art.2 Aplicação da Teoria da Causa M adura na jurisprudência A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. aliás. PRESCRIÇÃO AFASTADA NO 2º GRAU. julgando as demais questões. do CPC. adentrou desde logo no mérito da questão. 108 Revista do TRT/EMATRA . 515. 20. EXAME DAS DEMAIS QUESTÕES NO MESMO JULGAMENTO. EXEGESE DO ART. já ocorre nas ações originárias dos tribunais. 2009 . § 3º. é permitido ao órgão ad quem adentrar no mérito da controvérsia. encontrando-se madura a causa. EMBARGOS REJEITADOS. Alegada violação do art. DESDE QUE SUFICIENTEMENTE DEBATIDA E INSTRUÍDA A CAUSA. POSSIBILIDADE. 515.989-SC. Rel. 330. ao estabelecer que não eram as rés partes ilegítimas. do CPC. jan. § 3º. Poderá o Tribunal (assim como o juiz de primeiro grau poderia) pronunciar-se desde logo sobre o mérito se as questões de mérito forem exclusivamente de direito ou. uma vez que o Tribunal a quo. O caso dos autos amolda-se ao conceito de causa madura trazida pela doutrina e jurisprudência. I – Reformando o tribunal a sentença que acolhera a preliminar de prescrição. “o tribunal pode julgar desde logo a lide.DJ 10/3/03). do CPC deve ser lido à luz do disposto no art. salvo quando suficientemente debatida e instruída a causa. v. se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento”. (Embargos de Divergência em RESP 89.1ª Região. (Parte da ementa no Recurso Especial nº 797. PRECEDENTES DO TRIBUNAL E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. do mesmo diploma.240-RJ – Relator Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. Rio de Janeiro. julgamento 22/4/08. introduzido pela Lei nº 10. Ministro Humberto Martins. DIVERGÊNCIA DOUTRINÁRIA E JURISPRUDENCIAL. ainda que não apreciadas diretamente em primeiro grau. § 3º. 2ª Turma do STJ. bem como assim lhe permitia o art. site certificado – DJE 15/5/2008). sendo de fato e de direito. Entendimento doutrinário e jurisprudencial. conform e se pode observar dos julgados abaixo relacionados: PROCESSO CIVIL. II – Nesse caso. decisão unânime. 515.352/2001. 515. com fundam ento no princípio principal da duração razoável do processo e nos princípios subjacentes da econom ia processual. O art.originária ao juízo ad quem nos casos em que isso for conveniente para obtenção de m aior celeridade processual. 46. com o. 2. não pode o mesmo ingressar no mérito propriamente dito. n. 515. CPC. 3. 515. INTRODUÇÃO DO § 3º DO ART. celeridade processual e da efetividade./dez. pois toda a instrução probatória já se fazia presente nos autos.

5º. Assim. Revista do TRT/EMATRA . 515. impõe-se o julgamento dos pedidos formulados na inicial. 20. entre outras hipóteses. nos term os do art. No mesmo sentido: RT 829/2109. 2009. “estando a matéria fática já esclarecida pela prova coletada. 374). nos seguintes term os: Tendo em vista os escopos que nortearam a inserção do § 3º no art. em determ inados casos por alguns anos. com o se pode observar de acórdão recentem ente relatado pelo ilustre desem bargador Theocrito Borges dos Santos Filho. 46. fazendo jus o Autor à multa de 40% do FGTS e do art. por ilegitimidade passiva do apelado” (STJ – 4ª T. de conformidade com o § 3º do art./dez. Desde que tenha havido o exaurimento da fase instrutória na instância inferior. 625-D da CLT e diante da violação do disposto no art.980-MG. Theotônio. Ao fazerm os referência à seara trabalhista. n.A respeito. o julgamento do mérito diretamente pelo tribunal fica autorizado. pode o Tribunal julgar o mérito da apelação mesmo que o processo tenha sido extinto sem julgamento do mérito.1ª Região. José Roberto. Rel. não poderíam os deixar de registrar jurisprudência – ainda que por ora m inoritária. Oxalá os tribunais trabalhistas se convençam de que a sentença que não reconhece o vínculo em pregatício. com resolução do mérito. jan. § 3º é o de que a causa esteja madura para o julgamento. tam bém Theotônio Negrão e José Roberto F. 515. sua aplicação prática não fica restrita às hipóteses de causas envolvendo unicamente questões de direito. ou que reconhece a prescrição. m as que tende a ganhar corpo nos tribunais trabalhistas – que vem aplicando integralm ente a Teoria da Causa Madura. XXXV. A m udança de m entalidade dos juízes e a aplicação de novos institutos introduzidos no Direito Processual Brasileiro poderá abreviar a duração do processo. nota 11 d do art. 477 da CLT. Logo. poderá ser interposto outro recurso das dem ais questões analisadas pelo juízo a quo. GOUVÊA. economia processual e efetividade do processo). §§ 1º e 3º. 515 (celeridade. 515. além de horas extras. o pressuposto para a incidência do art. eis que não cumprida a norma do art. cuja em enta é a seguinte: Reformada a sentença que extinguiu o processo. j. São Paulo: Saraiva. 628. da CF/88. 9 NEGRÃO. do CPC. 515 do CPC. v. por acolher a quitação com eficácia liberatória do termo de conciliação firmado perante a Comissão de Conciliação Prévia. 21/8/03. Rio de Janeiro. haja vista que o processo terá que retornar ao prim eiro grau para com plem entação da sentença e. Min. REsp 533. p. é de m érito e que o juízo ad quem pode prosseguir no julgam ento da causa após reconhecer a relação de em prego ou afastar a prescrição. sem se falar em desrespeito ao princípio do duplo grau de jurisdição. 2009 109 . intervalo intrajornada e respectivos reflexos nas parcelas contratuais e resilitórias (Processo nº 01071-2006-001-01-00-4. Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor. aguardando-se novo julgam ento tam bém pelo juízo ad quem. César Rocha. mesmo que existam questões de fato. F. posteriorm ente. p. Gouvêa fazem referência à jurisprudência do STJ.

não subsistindo ofensas aos arts. § 3º. Com o já alertou Cândido Rangel Dinam arco: Em nome dos elevados valores residentes nos princípios. da Constituição Federal e 515. de garantias tutelares e de dogmas que. nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. Publicado DEJT – 04/9/2009). 896. no seguinte sentido: RECURSO DE REVISTA. § 3º. Rel. LV. No m esm o sentido. O inconformismo do recorrente repousa apenas sobre a ausência de exame de provas pelo Juízo de origem. § 3º. 10 DINARMACO. d. § 3º. Rio de Janeiro. Prevê o art. TEORIA DA CAUSA MADURA. desde que desnecessária dilação probatória. NULIDADE. Nós. a. julgamento realizado em 27/5/09). chegaram ao ponto de se transmudar em grilhões de uma servidão perversa. doutrinadores e operadores do processo. concebidos para serem fatores de consistência metodológica de uma ciência. 515. 2007. às vezes. v. 20-21. 1. 2. recente decisão da 3ª Turm a. n. unânime. levaram-se a extremos as regras técnicas sobre a competência. 515. Para preservar as garantias do juiz natural e do duplo grau de jurisdição. Arestos inservíveis ao confronto de teses não impulsionam o conhecimento do apelo (art. INOCORRÊNCIA. concorrem para uma Justiça morosa e. acirram-se formalismos que entravam a máquina e abriram-se flancos para a malícia e a chicana. Recurso de revista não conhecido. 46. p. o tribunal pode julgar desde logo a lide. 2009 110 . 20. Desembargador Teocrito Borges dos Santos Filho. MATÉRIA FÁTICA. do CPC. Em dom dos elevados valores residentes nos princípios do contraditório e do due processo of law. temos a mente povoada de um sem-número de preceitos e dogmas supostamente irremovíveis que.Rel. da CLT).1ª Região. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. do CPC que. dem onstrando m udança de posicionam ento do Tribunal Superior do Trabalho em razão da alteração legislativa (art. 5º. jan. DO CPC. decisão unânime. é cabível a aplicação da assim chamada teoria da causa madura também quando remanesce matéria fática. 6ª Turma. 267). Revista do TRT/EMATRA . Ainda que o dispositivo legal em questão aluda a questão exclusivamente de direito. 3. As inovações legislativas não podem ser olvidadas pelos operadores do direito por apego a um a dogm ática ultrapassada. ART. (RR 747/2005-196-05-00. se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. do CPC). em vez de iluminar o sistema. Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira. 515./dez. 3ª Turma do TST. insensível à realidade da vida e às angústias dos sujeitos em conflito10.

entendem os que os operadores do direito deixem de lado o form alism o exacerbado para se preocupar com a justiça. 3. Ressalte-se que não defendem os a liberdade de procedim ento ao arbítrio do julgador. um a vez que este não im plica reconhecer que o tribunal só pode se pronunciar sobre questões já analisadas no prim eiro grau de jurisdição. é de im portância vital para o sistem a recursal desta Justiça especializada. m as é certo que não há m ais lugar na atualidade para o positivism o extrem ado e cego. Revista do TRT/EMATRA . com base nestas perspectivas. inclusive nas sentenças term inativas.1ª Região. a não observância da Teoria da Causa Madura expressam ente acolhida pela nova sistem ática recursal no Direito Processual Civil Brasileiro dem onstra que a m udança na m entalidade dos operadores do direito. § 3º. 769 da CLT). que encam pou de form a m ais abrangente a Teoria da Causa Madura. levando-se em consideração o caráter alim entar dos créditos que se busca salvaguardar neste ram o do direito. com o nas hipóteses em que se afasta a prescrição reconhecida no prim eiro grau ou se reconhece o vínculo em pregatício no segundo grau de jurisdição. do CPC (art. aquelas que não adentraram no m érito. 46. do CPC não fere o princípio do duplo grau de jurisdição. vale dizer./dez. 515. o que dem onstra ser inviável no atual estágio do direito processual a devolução dos autos ao prim eiro grau quando o processo já esteja m aduro para julgam ento. Assim . haja vista que já era perm itido ao tribunal analisar questões não apreciadas no prim eiro grau de jurisdição. é possível o tribunal prosseguir no julgam ento do m érito. 515. n. Afastada a prelim inar acolhida no prim eiro grau. do CPC. fazendo-se m ister a aplicação do direito levando-se em consideração que o fim da prestação jurisdicional é a justiça.Nesse diapasão. chegam os às seguintes conclusões: 1) a aplicação da Teoria da Causa Madura já estava autorizada na apreciação dos recursos ordinários. jan. 20. § 1º. 3) o art. A am pliação de poderes do tribunal no julgam ento de recursos ordinários prestigia o princípio da duração razoável do processo e vem ao encontro dos anseios da sociedade por um a Justiça m ais rápida e eficiente. dando-se aplicação tam bém a outros princípios inerentes ao direito processual m oderno. de acordo com o art. com o já ocorre de form a m uito m ais am pla no Superior Tribunal de Justiça. 4) a incorporação da Teoria da Causa Madura na prática dos tribunais trabalhistas. contribuirá para o aperfeiçoam ento do Poder Judiciário. Conclusão Em consequência. 515. sem ocorrer qualquer outra alteração legislativa para que isso se verifique. 2) com o advento do art. v. o que indubitavelm ente contribuirá para retom ada da dignidade do Poder Judiciário. § 3º. Rio de Janeiro. 2009 111 .

MARTINS. p.1ª Região. 1º sem estre de 1999. br. p. Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor. 40. 515./dez. p. nota 11 d do art. 2. REVISTA DO TRT DA 12ª REGIÃO. 41. 20. 2007. Teoria Geral dos Recursos./2009). 46. p. Nelson. São Paulo: Saraiva. GOUVÊA. p. GÓES. José Roberto F. 170. jan. n. 70 (jan. Efetividade do Processo e Técnica Processual. 2004. Disponível em : <http://www. Nova Era do Processo Civil. Jurisprudência obtida m ediante pesquisa no sítio. n. José R oberto dos Santos. NEGRÃO. ed. São Paulo: Malheiros. 2009. 2. 6. São Paulo: Saraiva. 168. ed. jan. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. p. São Paulo: Malheiros. p. 628./jun. 20-21.stj. Rio de Janeiro. 174-175 e 180-181.>. Plínio Lacerda. BEDAQUE. 112 Revista do TRT/EMATRA . 2009. DINAMARCO. Acesso em : 7 abr. Gisele Santos Fernandes. n.gov.paranaeleitoral.br>. São Paulo: RT. Florianópolis: TRT 12ª Região. de 2007. Cândido Rangel. Marcelo Santiago de Pádua.Referência bibliográfica ANDRADE. 157-158. ed. Niterói: ano I. v. 2007. ed. NERY JUNIOR. 434.jus. Disponível em : <http://www. Revista Paraná Eleitoral. Theotônio. 2004.1. Princípio da Proporcionalidade no Processo Civil. 2009 . Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal Flum inense.

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