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opinião

DIÁRIO DO NORDESTE | FORTALEZA, CEARÁ - DOMINGO, 6 DEMARÇO DE 2011

NORDESTE | FORTALEZA, CEARÁ - DOMINGO, 6 DEMARÇO DE 2011 EDITORIAL Explosãodemográfica Segundo estimativas da

EDITORIAL

Explosãodemográfica

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a população da Terra atingirá em 2012 o impressio-

nante número de 7 bilhões de habitantes, quantidade causa- dora de redobrados tremores sobre sérios problemas possí- veis de serem exacerbados em um mundo superpovoado. O crescimento demográfico, sobretudo atribuído à falta do

adequadocontroledenatalidadeempaísesmenosdesenvol-

vidos, torna-semais preocupante em decorrência dos prová- veis efeitos danosos que as mudanças climáticas, ocorridas com frequência nos últimos anos, venham a ocorrer em um mundodensamentehabitado. De acordocom a organização ambientalWWF, aTerra preci- saria ter o dobro do seu tamanho para produzir alimentos

suficientes, no caso de o consumo de seus recursos naturais

continuaremacrescernomesmoritmopresentementeobser-

vado. Parajustificar os temores existentes, constata-se que a populaçãomundial parece estar crescendo demaneiramais rápidado quenunca. Em apenas 12 anos, houve aumento de 6 para 7 bilhões de

pessoas.Emcomparaçãoaopassadoremoto,foramnecessá-

riosmilharesdeanosparaqueahumanidadechegasseater1

bilhão de indivíduos, em torno do ano de 1800. Em seguida,

maisdeumséculosepassouantesqueesseíndicedemográfi-

cochegasse aos 2bilhões, em 1927. Contrariando o clima de pessimismo, existem dados otimis-

tas que refutam as projeções negativas: na realidade, a taxa subjacentedecrescimentopopulacionalestádesacelerando.

Emboraasfamíliasnumerosasdegeraçõesanterioressignifi-

quemaexistênciademaiornúmerodemãesnageraçãoatual e, supostamente,demais crianças, as famílias sãomenores e o ímpetodocrescimentodaspopulações tende adiminuir. OaumentodemográficonoBrasil, sóparacitarum exemplo, apresentou-se mais lento na última década, embora o in- chaço de algumas regiões metropolitanas, entre as quais se incluiadeFortaleza,assumaaspectospreocupantes,mesmo comorealidadespontuais emseucontextogeral.Sãoproble- maslocalizados, resultantesdamigração interioranaparaos grandes centros urbanos, mas que não fazem aumentar as taxas de natalidade, nem influem nos índices demográficos gerais. Apenas contribuem para agravar os problemas so- ciaiscaracterísticosderegiõessuperpovoadas,entreosquais se incluem carências notórias de saneamento, ausência de urbanização, falta de emprego, guetos de marginalidade e a crônicadificuldadede acesso à saúde e à educação. Preveem os analistas que o crescimento da população mun- dial de 6 bilhões para 7 bilhões de habitantes será o último a acontecer, nas mesmas proporções, em tão curto espaço de tempo. Em torno de 2050, o Planeta estará bem próximo de uma população numericamente estável, pela primeira vez, emmuitos séculos. Cabe prover para que esse processo seja acompanhado da consciência social do muito que deve ser feito para evitar a tumultuada concentração de grandes e desestruturadas megalópoles nos países subdesenvolvidos e em desenvolvi- mento, problema gravemente similar ao de um mundo con- turbadoporcrisesclimáticas e superpovoamento.

H Seumdiavocêsforemsurpreendidospelainjustiçaoupelaingratidão,nãodeixemdecrerna vida, de engrandecê-la pela decência, de construí-la pelo trabalho.” EDSON QUEIROZ

FRASES

IH O fim da ocupação é uma exigência, mas não émais importante. Buscamos coisas mais eternas. Buscamos liberdade"

Fadi Quran

Ativista palestino, sobre asmanifestações no Egito

IH Somosmuito conscientes de que nosso desenvolvimento (econômico) ainda não émuito equilibrado, coordenado e sustentável"

Wen Jiabao

Primeiro-ministro da China

SINFRÔNIO

Wen Jiabao Primeiro-ministro da China SINFRÔNIO Ideias EDGARCARLOSAMORIM- escritor JOÃOSOARESNETO-
Ideias
Ideias

EDGARCARLOSAMORIM- escritor

JOÃOSOARESNETO- escritor

EDGARCARLOSAMORIM- escritor JOÃOSOARESNETO- escritor Impasseinevitável Oséculodasmulheres D esenha-se no
EDGARCARLOSAMORIM- escritor JOÃOSOARESNETO- escritor Impasseinevitável Oséculodasmulheres D esenha-se no

Impasseinevitável

Oséculodasmulheres

D esenha-se no Brasil um impasse de ordem política, a pon- to de mesmo através de eleições não havermais alternância do poder, amarca indelével da verdadeira democracia. Pois bem, com a Bolsa Família sem ser cons-

tituída por lei para que ninguém se arvorece de ser o seu dono, o PT jamais deixará o poder. Haverá mudança de pessoas na presi- dência,mas o partida será o mesmo. Teremos ditadura de um parti- do e não de uma pessoa. O Sr. Lula senhor de uma inteligência bri- lhante, mas voltada inteiramente para política. Porquanto, trata- se de homem que almoça e janta votos, sonha e acorda pensando em política, enquanto vida tiver, vai continuar sendo presidente da República, pela via direta ou indireta. Ora, se afasta, pondo um testa de ferro, e assim vai enganando os seus adversários, isto é, fingindo que está disputando eleições. Bem fizeram os hondure- nhos, pois quando viram o então presidente formando aglomera- do de pessoas para serem dependentes da Bolsa Família, deram- lhe um golpe, e colocaram no seu lugar um presidente tampão, pa- ra, no prazo de dois meses, realizarem as eleições. E para onde cor- reu o gestor maior daquele país, claro que tinha de ser para a em- baixada do Brasil. Sim, porque outrora havia sido orientado pelo Sr. Lula, hoje líder inconteste da América Latina. O governo Dilma, embora seja espécie de continuidade do seu antecessor, será mais hábil nas suas relações com os diversos países do mundo. O exem- plomaior está no fato de ter mudado oministro das relações exte- riores. Esperamos que o Irã deixe de ser paparicado como vinha sendo, e que as relações com os Estados Unidos não sejam tão hos- tilizantes, e sim de completa independência e respeito. Irá, igual- mente, tentar controlar os trilhões de dívidas interna e externa, e jamais poderá usar a mentira como verdade, pois as do FMI foram quitadas, mas não aquela resultante da balança de pagamento. Agora, para evitar esse continuismo do PT, só vemos uma saída, e esta não é senão os principais partidos da oposição, que dominam os maiores estados dessa Nação, criarem bolsa de amparo à pobre- za com condições superiores às da atual Bolsa Família.

Q uando universitário, abordei um professor de direito sobre o absurdo da exigência da expressa concordância do marido para que amulher exercesse atos de comér- cio. Falávamos de estados de pessoas e amulher era dis-

criminada na legislação civil vigente à época. Logo depois, essa exi-

gência, unilateral, foi abolida. Agora, neste 2011, vejo até que as revoltas nos países árabes têm a presença forte dejovens mulhe- res. Elas, mesmo portando véus ou de caras desnudas, estão nas praças, em manifestações fortes e utilizammeios magnéticos (twit- ters, e-mails, msn etc.) para difundir mensagens de renovação so- cial e política e, nas entrelinhas, sugerem o fim da submissão eter- na, de que são vítimas. O escritor egípcio Nagib Mahfuz, Prêmio Nobel de Literatura, 1988, (detalhe: o presidente Osni Mubarack, agora deposto, à época, sequer cumprimentou Nagib) publicou, hámuitos anos, a “Trilogia do Cairo” em que mostra o crescimento de ideias emmeio à velha sociedade muçulmana. No primeiro volu- me, “Entre Dois Palácios”, surge a figura de Amina, casada com Ahmed, há mais de 25 anos, e narra que, todas as noites, ele chega- va tarde e ela, aquietada, lavava e enxugava seus pés e, mesmo as- sim, o amava. Hoje, a vida é outra, as mulheres estão descobrindo que foram pisoteadas por crenças de toda ordem e resolvem assu- mir o seu papel de parceira e não de mera procriadora de filhos. O machista país Brasil está sendo presidido por uma mulher. É verda- de que Dilma só está presidente por ter sido ajudada pela populari- dade de Lula. Igualmente é verdade que,mesmo assim, ela tenta criar uma forma diferenciada do seu antecessor. Hoje, mulheres ocupam governos, parlamentos, forças armadas, tribunais, diri- gem empresas, são profissionais e exercem, com coragem e força, múltiplas funções até bem pouco reservadas aos homens. Estamos ainda no ano 11 deste século, os que viverem por muitas décadas verão que não estou fazendo profecia, apenas relato um processo inexorável que chegou para ficar. A questão maior, neste século, será a adaptação do homem a essa nova face da mulher. A mulher já é protagonista da História e sê-lo-a, doravante, para sempre.

Artigos

opiniao@diariodonordeste.com.br

para sempre. Artigos opiniao@diariodonordeste.com.br MARNEYEDUARDOFERREIRACRUZ- professorefilósofo

MARNEYEDUARDOFERREIRACRUZ- professorefilósofo

Livro,propostasolidária

A os 13 anos tive a sor- te de ter uma profes- soramaravilhosa queme despertou o

prazer pela leitura através da sugestão, quase imposta, do livro “Dom Casmurro”, de Ma-

chado de Assis, queme garan-

tiu aprovação na 7ª série (hoje 8º ano). Por vias do destino mexia nos livros dos meus irmãos e, garim- pando, me deparei com jóias do tipo “A Metamorfose”, de Kafka

e o Anti-Cristo de Nietszche que

me transformaram em um de- pendente buscador pelo saber. Daquela época até hoje se passa- ram 19 anos onde milhares de títulos passaram por minhas mãos e alimentaram minha al-

ma e espírito crítico.

Desperto por um universo de

grandes intelectuais aindame espanto com várias intrigantes questões. Comome tornei um crítico al- goz de uma sociedade de consu- mo e egoísmo que não se preo- cupa com o outro? Outro dia observava, em um semáforo, um pedinte e bus- quei repostas para a seguinte questão: Como seria nossa so- ciedade se esses cidadãos de direitos, pedissem além de tro- cados, um livro que alimentas- se suas mentes nas noites frias e vazias até que a fome passasse? Não encontrei a resposta mas doo livros sempre que posso na esperança de um futuro me- lhor, mesmo que só para aquele que lê.

À anos que não passo um dia

sequer sem ler algumas oumui- tas páginas e, mesmo que isso raramente aconteça, sinto uma ânsia e vontade, que falta de comida ou vontade de comer nunca produziram em mim. Vários foram os poetas e escrito- res que,mesmo aprisionados, pediam, ao invés de comida, Livros, muitos Livros, como no caso de Bertold Brecht, Dostoie-

viski e Gramsci que enquanto seus corpos estavam presos, seus espíritos viajavam até o mais distante e maravilhoso rincão. Mas mesmo distante das pes- soas amadas, estando aprisio- nado, faminto ou distante do leito materno o amante do sa- ber busca nos livros algo que sustente seus sonhos e situa- ção humana. Caso semelhante aconteceu comigo, quando residi em Bra-

sília, por seis anos. Lá encontrei a possibilidade de retornar à terra-natal, em uma parada de ônibus repleta de livros, para quem ouse pegá- los. Me deparei, assim, na situação,

com Iracema de José de Alen-

car, ali na minha frente, em uma prateleira ricamente ador- nada com um dos bens mais preciosos do homem: os livros. Os usuários dos famigerados transportes coletivos do Distri- to Federal, que já foi considera- do como um dos piores siste- mas de transportes do Brasil, tem a oportunidade de pegar livros e de devolverem quando quiserem, graças a iniciativa do proprietário de um açou- gue, (pasmem!) um açougue, que recebe doações de livros e dispõem em dezenas de para- das no Plano Piloto de Brasília. Dessa forma lanço uma propos- ta solidária que muitos já a exercitam: após lerem um li- vro, deixem-no em alguma pa- rada de ônibus, para que outro

possa voar e desfrutar do pra- zer que você sentiu. Esse ato de Amor, palavra essa que tem sentido para muitos como Frederico Garcia Lorca, que equivale a Livro, isso mes- mo Amor=Livro. Como o Amor, o Livro deveria ser mais dado e recebido. PS: Minha homenagem a todos que tanto precisam de alimen- to e saber.

homenagem a todos que tanto precisam de alimen- to e saber. GERALDODUARTE- advogado,administradoredicionarista

GERALDODUARTE- advogado,administradoredicionarista

Óabrealas!

T empo de Carnaval. Diversão oriunda dos grupos festeiros e ro- meiros portugueses

das regiões de Entre Douro e Minho. Eram os chamados “Zé Pereira”.

Ali, nos três dias antecedentes à Quaresma, formava-se o entru- do, diversão popular de rua. Nele, os participantes lança- vam, uns nos outros, baldes de água, farinha, ovos, tangerinas, gesso e tintas. Perturbavam-se com vassouras

e luvas cheias de areia. As des-

crições fazem lembrar, em par- te, os mela-mela locais. Trazido para o País em meados do sécu- lo XVII, dada à repressão poli- cial, possuiu curta duração. Em 1870, no Rio de Janeiro, sur- giu o que ficou conhecido como bloco de sujos. Com tambores e zabumbas, brincantes surgiram com o “Zé Pereira carnavales- co”, calcado na música da peça francesa “Os bombeiros de Nan- terre”, inserida a letra “E viva O Zé Pereira/ Pois a ninguém faz mal/ E viva a bebedeira/ Nos dias de carnaval”. Veio 1873. E o primeiro rancho momesco, o “Reis de Ouro”, fundado pelo baiano Hilário Jovino Ferreira. Dois anos mais tarde, o inaugural cordão “Flor de São Lourenço”. 1891. As autoridades tentaram trans- ferir a grande festa pública para

junho. Alegarammotivo de saú- de e a amenidade climática da- quelemês. Não lograram êxito. O grande momento fez-se em 1899.

A pedido do cordão “Rosa de

Ouro”, amaestrina, instrumen- tista e compositora Chiquinha Gonzaga, com primazia, elabo- rou a composição carnavalesca aclamada até hoje.

“Ó abre alas/ Que eu quero pas- sar/ Ó abre alas/ Que eu quero passar/ Eu sou da Lira/ Não posso negar/ Ó abre alas/ Que

eu quero passar/ Ó abre alas/ Que eu quero passar/ Rosa de Ouro/ É quem vai ganhar”.

A autora já era avó e quinqua-

genária quando criou amarcha- rancho, sucesso maior nos car- navais de 1901 a 1910 e símbo- lo da folia nacional. Produziu, também, mais de

280músicas para piano solo e piano e canto, além de ter musi- cado peças para cine-teatros cariocas. Sua cantiga inicial, aos 11 anos de idade, foi “Can- ção dos Pastores”. No teatro, grande êxito susci- tou sua pitoresca produção “Forrobodó”. Participou demovimentos cívi- cos, destacando-se na campa- nha republicana.

A cultura do Carnaval não está

nomela-mela. Lamentável haver quem desco- nheça.

EDITORAVERDESMARESLTDA. Praça da Imprensa S/N - Bairro:Dionísio Torres - Fortaleza, CE -CEP 60135-690
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