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Portugal e a União Europeia

11ºF Portugal e a União Europeia Joana Branco João Paulo Candeias Maria do Mar Carmo Tomás

Joana Branco João Paulo Candeias Maria do Mar Carmo Tomás Nogueira

Colaboração: Débora Poço

 

Portugal e a União Europeia

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Índice

 

Introdução

 

3

O processo de integração na Europa

4

A

Europa de 1945 1957

4

OECE Organização Europeia de Cooperação Económica

 

5

CECA Comunidade Europeia do Carvão e do Aço CEE Comunidade Económica Europeia

6

7

O

Acto Único Europeu

10

UE União Europeia UEM União Económica Monetária Instituições da União Europeia

   

11

12

16

Tratado de Nice

 

17

Tratado de Lisboa Desafios da UE na actualidade Os alargamentos da UE

17

19

19

O

orçamento da União Europeia

22

Fundos Estruturais e Fundo de coesão As políticas da União Europeia Conclusão Bibliografia

 

23

25

33

34

Netgrafia

 

34

ANEXOS

35

 

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Portugal e a União Europeia

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Introdução

Este trabalho insere-se no âmbito da disciplina de Economia A leccionada pelo Professor Carlos Fernandes integrada na Unidade 12 A Economia Portuguesa no contexto da União Europeia”. Através deste trabalho pretendemos aprofundar os conhecimentos adquiridos no programa curricular da disciplina, focando-nos em dois subtemas: Processo de Integração na Europa e Desafios da União Europeia na Actualidade. Esperamos passar a conhecer em detalhe a origem e as causas que motivaram à união dos países europeus, a evolução desta união, os seus órgãos, formas de acção, desafios encontrados e principais objectivos futuros.

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O processo de integração na Europa

A Europa de 1945 1957

Com a Primeira Guerra Mundial (1914 1918) e depois com a Segunda Guerra Mundial (1938 1949) a necessidade de uma integração europeia que reorganiza-se o mapa político tornou - -se impreterível.

Esta necessidade assentava em três grandes realidades:

1. A Europa confrontava-se agora com uma nova realidade que realçava a sua debilidade. Com a Segunda Guerra Mundial terminava a supremacia europeia no contexto mundial dando lugar a duas novas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, que detinham um poder político, económico e militar muito superior em relação ao conjunto heterogéneo de países europeus.

2. Tornava-se urgente evitar a todo o custo novos confrontos entre os estados europeus. Ambas as Guerras Mundiais começaram como “guerras civis europeias” alastrando-se a todo o continente transformando-o num campo de batalha. Era essencial criar um acordo de paz entre a França e a Alemanha que fosse bem visto pelos EUA, pois a coesão era o caminho para a paz.

3. Nasce o desejo apoiado por muitos europeus de uma nova Europa mais livre, justa e próspera na qual as relações internacionais se desenvolvessem num ambiente mais harmonioso.

Em 1946, o ex-primeiro ministro britânico Sir Winston Churchill deu o primeiro grande passo para a integração europeia pós-guerra através do seu célebre discurso na Universidade de Zurique que expressava a necessidade urgente de uma nova Europa livre e pacífica.

"Gostaria de falar, hoje, do

Existe um

remédio que, se fosse adoptado global e espontaneamente, pela maioria dos povos dos numerosos países, poderia, como por milagre, transformar por completo a situação e fazer toda a Europa, ou a maior parte dela, tão livre e feliz como a Suíça dos nossos dias. Qual é esse

) (

Entre os vencedores só se ouve uma Babel de

vozes. Entre os vencidos não encontramos mais do que silêncio e desespero (

drama da Europa

)

remédio soberano? Consiste em

podemos reconstrui-la, dotá-la de uma estrutura que lhe permita

reconstituir a família europeia

ou, pelo menos, enquanto não

viver e crescer em paz, em

segurança e em liberdade.

Devemos criar uma espécie de Estados Unidos da Europa.

(

)

Para

realizar esta tarefa urgente,

a França e a Alemanha devem reconciliar-se

."

Winston Churchill Universidade de Zurique 19 de Setembro de 1946

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OECE Organização Europeia de Cooperação Económica

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa encontrava-se completamente destruída, pelo que era urgente e necessário o seu ressurgimento.

Os Estados Unidos, como primeira potência mundial, adoptaram uma política de intervenção nos assuntos europeus, criando o Plano Marshall 1 de ajuda económica aos países europeus. Tratava-se de fomentar o desenvolvimento económico de uma Europa destruída com o objectivo político de impedir a extensão do comunismo.

I - Plano Marshall
I - Plano Marshall

Surgiam assim as bases para a criação de uma organização europeia que administrasse e organizasse a divisão da maciça ajuda económica americana. Com este objectivo fundou-se, em 1948, a Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE).

A OECE ajudou a liberalizar o comércio entre os estados-membros, introduziu ideias que visavam acordos monetários e desenvolveu, em geral, a cooperação económica em aspectos concretos.

Esta organização reflecte-se numa dupla importância: para além de ter administrado a ajuda americana, demonstrou que era possível, os países europeus antes dicotómicos, juntarem-se construindo uma Europa unida pela vai da paz e da cooperação.

A penúria na Europa do pós-guerra levou os

Estados Unidos a concederem uma ajuda

aos seus aliados. Os americanos, ao declararem guerra «à fome, à

pobreza, ao desespero e ao caos», apresentaram-se como protectores dos europeus, que queriam ajudar, encorajando-os a unirem-se. Uma das condições da concessão dos créditos do

económica massiva

da concessão dos créditos do económica massiva Plano Marshall era que a ajuda se inscrevesse num

Plano Marshall era que a ajuda se inscrevesse num plano conjunto de reconstrução do

. Esta condição é confirmada aquando da abertura da Conferência de Paris, a 27 de

Junho de 1947, concluída a 16 de Abril de 1948 com a assinatura de uma convenção que

continente
continente

1 Consistiu na atribuição de um conjunto de capitais, a taxas de juro muito baixas, e de bens de equipamento necessários à reconstrução de todo o aparelho produtivo europeu.

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instituía a OECE, reagrupando 16 países europeus (a que se junta a RRFA em 1949, os EUA e o Canadá em 1950 e a Espanha em 1959).

Concebida para coordenar a ajuda americana, a

OECE fixou igualmente como objectivos a

redução dos obstáculos às trocas e à multilateralização dos pagamentos.

A OECE permitiu aos

Estados europeus

multiplicarem as consultas e as trocas de informações económicas.

Graças

ao Plano Marshall, a Europa Ocidental

acelerou o seu restabelecimento e suprimiu as restrições

quantitativas e monetárias nas trocas.”

Fontaine, P.; A União Europeia (adaptado)

CECA Comunidade Europeia do Carvão e do Aço

A 9 de Maio de 1950, Robert Schuman (Ministro dos Negócios Estrangeiros francês), prpôs um plano para integrar e gerir em comum a produção franco-alemã de carvão e aço. Este plano tinha como objectivo desenvolver a ligação entre a França e a Alemanha terminando com tensões ainda provenientes da guerra.

"Senhores, não se trata de palavras vãs mas de um acto ousado e construtivo. A França age e

as consequências da sua acção podem ser imensas. Assim o esperamos. A

defesa da paz (

)

e associa-se à Alemanha.

A Europa nasce assim,

França age em uma Europa solidamente

França age em

uma Europa solidamente

uma Europa solidamente

unida e fortemente estruturada

. Uma Europa em que o

nível de vida subirá graças à junção das

A Europa não se

fará de uma só vez nem por um esforço conjunto, mas resultará de realizações concretas que exigem, em primeiro lugar, uma solidariedade de facto. O governo francês propõe que se submeta o conjunto da produção franco-alemã de carvão e aço a uma autoridade comum,

produções e à ampliação de mercados que provocarão a baixa de preços

(

)

numa organização aberta à participação de outros países da Europa.

Pôr em comum a

produção do carvão e do aço assegurará, de imediato, o estabelecimento de bases comuns de

desenvolvimento económico, primeira etapa da Federação Europeia

(

)"

Declaração Schuman 9 de Maio de 1950 Robert Schuman

A 18 de Abril de 1951, é assinado o Tratado de Paris e criada a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) que realizou o Plano Schuman de 1950 e entrou em vigor em 1952. Esta organização foi acolhida por seis países: Bélgica, República Federal da Alemanha, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos.

A constituição de um mercado comum de carvão e aço tinha como objectivos o desenvolvimento económico e a consolidação da paz recentemente conquistada pois estes seis países estavam impedidos de fabricar armas de guerra. Consistia em relacionar os países vencedores e vencidos numa organização que procurava articular os interesses nacionais com

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a promoção do interesse comum a cargo de uma instituição supranacional a Alta Autoridade 2 - que geria o mercado comum do carvão e do aço.

A CECA permitiu alcançar importantes objectivos:

1. Em termos políticos, conseguiu a reconciliação entre a França e a Alemanha abrindo caminho à Europa Comunitária.

2. Em termos económicos, ajudou à recuperação da Europa através da produção e da livre-circulação de carvão e aço, matérias-primas essenciais à indústria.

A constituição da CECA representou um passo decisivo na afirmação do rumo a seguir para a

integração europeia, tendo provado que era possível à Europa enveredar pela paz, pela cooperação e pela solidariedade, abrindo o caminho para a futura constituição da Comunidade Económica Europeia (CEE).

constituição da Comunidade Económica Europeia (CEE). II - Primeiro lingote europeu de ferro fundido CEE –

II - Primeiro lingote europeu de ferro fundido

CEE Comunidade Económica Europeia

A 25 de Março de 1957 foram assinados, em Roma, os tratados que fundaram a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM).

Este acordo histórico foi assinado por:

1. Christian Pineau França

2. Joseph Luns Países Baixos

3. Paul Henri Spaak Bélgica

4. Joseph Bech Luxemburgo

2 A estrutura da CECA está repartida pela Alta Autoridade, composta por nove membros designados pelos governos, mas independentes destes, pelo Conselho de Ministros, pela Assembleia e pelo Tribunal de Justiça.

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5. Antonio Segni Itália

6. Konrad Adenauer República Federal Alemã

A EURATOM tinha como principal objectivo fomentar a utilização pacífica da energia nuclear,

numa época bastante conturbada no que se referia à utilização deste tipo de energia. Vivia-se

em plena Guerra Fria, com o mundo dividido entre as duas grandes potências, EUA e URSS, e na iminência de rebentar, a qualquer momento, uma nova guerra mundial, em resultado da corrida ao armamento.

A CEE tinha como objectivos criar um mercado comum mais alargado, com livre circulação de

mercadorias, serviços, pessoas e capitais e a adopção de uma pauta aduaneira comum relativamente a países terceiros, criação de um Banco Europeu de Investimentos, bem como a aplicação de políticas económicas e sociais comuns conducentes a uma integração económica

total.

A década de 60 foi caracterizada pela concretização do objectivo da união aduaneira, com a

eliminação das barreiras alfandegárias entre os países aderentes à Comunidade e à introdução da pauta aduaneira comum, aplicável às mercadorias provenientes de países terceiros. Na

mesma década, os seis países também definiram políticas comuns para as áreas do comércio e da agricultura.

Esta união aduaneira produziu efeitos nas economias dos países-membros da CEE tais como:

1. Aumento das trocas comerciais entre os Estados-membros;

2. Os investimentos nos Estados-membros multiplicaram-se;

3. O Produto cresceu;

4. Os consumidores beneficiaram de uma maior variedade de produtos e preços mais baixos.

Em 1973, mais três países decidiram aderir à CEE: a Dinamarca, o Reino Unido e a Irlanda. Este alargamento trouxe a definição de mais políticas comuns: passaram a ser privilegiados aspectos sociais e, dois anos mais tarde, era criado o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). Em 1981, foi a vez de a Grécia se juntar aos nove países da CEE, logo seguida por Portugal e Espanha, em 1986.

A 1 de Janeiro de 1995, a Áustria, a Finlândia e a Suécia davam entrada na então denominada União Europeia, que passava agora a integrar quinze Estados-membros.

Em Dezembro de 1997, foram iniciadas as negociações para um alargamento sem precedentes que incluía a Bulgária, a Polónia, a Hungria, a Roménia, a Eslováquia e a República Checa, antigos países do bloco soviético, a Estónia, a Letónia e a Lituânia, estados bálticos que haviam pertencido à União Soviética, os países mediterrânicos Chipre e Malta e a Eslovénia, uma das repúblicas da antiga Jugoslávia. Esta adesão concretizou-se em duas fases:

1. Na primeira fase, ocorrida em 1 de Maio de 2004, aderiram à UE dez dos doze países;

2. Na segunda fase, a 1 de Janeiro de 2007 entraram a Bulgária e a Roménia.

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  Portugal e a União Europeia 11ºF IV - Estados membros da CEE 1957 III -
  Portugal e a União Europeia 11ºF IV - Estados membros da CEE 1957 III -

IV - Estados membros da CEE 1957

III - Estados membros da CEE em 1973

membros da CEE 1957 III - Estados membros da CEE em 1973 V - Estados membros
membros da CEE 1957 III - Estados membros da CEE em 1973 V - Estados membros

V - Estados membros da CEE em 1981

VI - Estados membros da CEE em 1986

da CEE em 1981 VI - Estados membros da CEE em 1986 VII - Estados membros

VII - Estados membros da UE em 1995

 

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em 1986 VII - Estados membros da UE em 1995   9 | P á g

VIII -Estados membros da UE em 2004

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O Acto Único Europeu

A primeira revisão ao Tratado de Roma deu-se em 1987, com o Acto Único Europeu a estabelecer as seguintes prioridades:

1. Abolição de todas as barreiras físicas, técnicas e fiscais existentes entre os Estados- membros até 31 de Dezembro de 1992, de forma a instituir o Mercado Único Europeu a partir de 1 de Janeiro de 1993, prevendo-se a livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais;

2. Reforço da coesão económica e social, de forma a reduzir as disparidades de desenvolvimento entre regiões, graças à maior intervenção dos fundos estruturais (FEOGA, FEDER e FSE);

3. Reforço da cooperação em matéria monetária, através do Sistema Monetário Europeu, com vista à União Monetária;

4. Harmonização das regras relativas às condições de trabalho, higiene e segurança;

5. Reforço da Investigação e Desenvolvimento, de forma a aumentar a competitividade da indústria europeia;

6. Protecção do ambiente, através de acções de prevenção e de legislação comunitária;

7. Reforço das instituições comunitárias, através da criação do Conselho Europeu, do reforço dos poderes do Parlamento Europeu e do alargamento das competências da Comissão Europeia.

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" O Acto Único é, numa frase, a obrigação de realizar simultaneamente o grande mercado sem fronteiras e também, a coesão económica e social, uma política europeia de investigação e tecnologia, o reforço do Sistema Monetário Europeu, o começo de um espaço social europeu e de acções significativas em relação ao meio ambiente"

Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia

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A 1 de Janeiro de 1993 as barreiras fiscais à livre-circulação desaparecem, o que facilitou

bastante o comércio na Europa, tendo aumentado significativamente o volume de trocas entre

os Estados-membros.

o volume de trocas entre os Estados-membros. UE – União Europeia O Tratado de Maastricht foi

UE União Europeia

O Tratado de Maastricht foi assinado a 7 de Fevereiro de 1992, na cidade holandesa que lhe

deu o nome, tendo entrado em vigor a 1 de Novembro de 1993. Este tratado traduziu a vontade de transformar uma comunidade, essencialmente económica, numa união em que a componente política fosse mais acentuada e centra-se, fundamentalmente, em dois

objectivos:

1. A criação de uma União Política;

2. A criação de uma União Económica e Monetária.

“O presente Tratado constitui uma nova etapa no processo criador de uma União cada vez mais estreita entre os povos da Europa…”

artº 2 do Tratado da União Europeia

A sua ratificação foi difícil de se conseguir, devido à aí subjacente perda de soberania dos Estados.

O Tratado de Maastricht consagra oficialmente o nome de “União Europeia” que a partir daí substituirá o de Comunidade Europeia.

A União Europeia assenta em três pilares:

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Domínio da Política Externa e de Segurança Comuns

Domínio Comunitário

Domínio da Cooperação em Matéria de Justiça e Assuntos Internos

política externa comum

mercado único

imigração

política de defesa comum

cidadania europeia

asilo

 

políticas comuns

fraudes

 

união económica e monetária

alfândegas

   

polícia

UEM União Económica Monetária

A criação de uma União Económica e Monetária constitui uma das etapas mais elaboradas do processo de integração europeu. Esta traduziu-se num processo progressivo de integração económica que levou à adopção de uma moeda única no espaço comunitário e à definição e execução de uma política monetária comum, a cargo de uma nova instituição, o Banco Central Europeu.

Assim, na Cimeira de Hanôver, realizada em Junho de 1988, foi decidida a criação de um Comité, presidido por Jacques Delors, encarregue de propor as etapas e as condições da realização da UEM, tendo-se decidido que esta passaria por três etapas faseadas.

e as condições da realização da UEM, tendo-se decidido que esta passaria por três etapas faseadas.

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Portugal e a União Europeia 11ºF No Tratado da União Europeia ficou definido que a UEM
Portugal e a União Europeia 11ºF No Tratado da União Europeia ficou definido que a UEM

No Tratado da União Europeia ficou definido que a UEM deveria entrar na sua fase final, em Janeiro de 1999, com a adopção da moeda única. O Conselho Europeu de Madrid ,em 1995, decidiu que a nova moeda se chamaria euro.

Na Cimeira de Maastricht, foram definidos os critério de convergência nominal que os países de cumprir para poderem passar à terceira etapa.

1. Estabilidade de preços: A taxa de inflação não poderia ultrapassar 1,5% da média das taxas verificadas nos três países com menor inflação;

2. Taxas de juro: As taxas de juro de longo prazo não poderiam variar mais de 2% em relação à média verificada nos três países com as taxas mais baixas;

3. Défices orçamentais: Os défices orçamentais de cada país deveriam ser inferiores a 3% do PIB;

4. Divida Pública: A Divida Pública não poderia exceder 60% do PIB;

5. Estabilidade de cotações: A moeda nacional de cada país não poderia ter desvalorizado nos dois últimos anos, mantendo-se dentro da margem de flutuação fixada pelo Sistema Monetário Europeu;

Em Maio de 1998 o Concelho Europeu de chefes de estado e de Governo definiu os Estados que, de acordo com os critérios de convergência estariam aptos a aderir à moeda única: todos os 15, com excepção da Grécia e da Suécia. No entanto a Dinamarca e o Reino Unido optaram pela sua não entrada na UEM.

A 1 de Janeiro de 1999, nasceu o euro.

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As moedas dos países participantes ficaram ligadas por uma relação fixa e tornaram-se numa moeda única. O euro passou a ser utilizado como moeda escritural em todas as transacções dentro e entre os Estados-membros participantes na UEM.

Mais tarde, a Suécia, embora já cumprindo todos os critérios de entrada, decidiu não aderir à moeda única enquanto a Grécia aderiu, em 2001, à UEM.

A Zona Euro é o espaço comum europeu onde circula a mesma moeda, o Euro.

o espaço comum europeu onde circula a mesma moeda, o Euro. IX - Moeda Única, o

IX - Moeda Única, o Euro

Para assegurar a sua integração na União Económica e Monetária, cada estado-membro teve de obedecer
Para assegurar a sua integração na União Económica e Monetária, cada estado-membro teve
de obedecer aos seguintes critérios de convergência estabelecidos no Tratado da União
Europeia:
Critérios de
Convergência:
Estabilidade de
preços
Taxas de juro
Défices
Orçamentais
Dívida Pública
Estabilidade de
cotações

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Cada estado-membro tem de obedecer a estes critérios, pois a criação de uma União Monetária tem de assentar em economias relativamente homogéneas, o que exigia um processo de aproximação dos desempenhos das economias.

O cumprimento dos critérios de convergência permite assegurar uma economia estável, sólida

e sustentável.

O esforço desenvolvido pelos países no que respeita ao cumprimento dos critérios de convergência teve como consequência alguns custos económicos e sociais devido às políticas de redução de despesas que foram levadas a cabo.

Por outro lado, a unificação das políticas cambiais colocava as empresas em concorrência directa, enquanto a convergência monetária passava a evidenciar as disparidades dos países ao nível do desenvolvimento económico. A necessidade de uma coesão económica e social passou a ser mais notória, exigindo aos países da União Europeia um maior esforço em termos de convergência real, de modo a permitir uma aproximação das diferentes realidades económicas e sociais.

A participação dos países na UEM trouxe benefícios tais como:

1. Facilita a vida aos viajantes, pois desapareceram os incómodos e os custos com câmbio de dinheiro;

2. Facilita a comparação dos preços, o que é saudável para a concorrência e bom para os consumidores;

3. Assegura um ambiente de baixas taxas de inflação;

4. Os custos das transferências de dinheiro diminuíram e os riscos das flutuações cambiais foram eliminados, o que facilita a livre circulação de capitais.

A Política Orçamental está a cargo dos vários estados-membros da UEM, mas está todavia

condicionada pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), ratificado no Conselho de

Amesterdão, em Junho de 1997.

O PEC tem por finalidade obter orçamentos nacionais equilibrados, de forma a contribuir para

a manutenção da taxa de juro num nível baixo e para um menor endividamento dos estados,

condições indispensáveis à estabilidade dos preços e à solidez das finanças públicas.

Estabilidade dos

preços

solidez das finanças públicas. Estabilidade dos preços Pacto de Estabilidade e Crescimento Finanças públicas

Pacto de

Estabilidade e

Crescimento

Finanças públicas

sólidas

Estabilidade e Crescimento Finanças públicas sólidas Maior crescimento da economia e do emprego Este plano impôs

Maior crescimento da economia e do emprego

Este plano impôs um limite de 3% do PIB para o défice orçamental dos Estados, prevendo multas para os países que apresentam défices que ultrapassem, de forma persistente, o limite estipulado.

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Instituições da União Europeia

O processo de integração europeia exige um conjunto diversificado de tarefas e funções, não apenas da iniciativa e competência dos estados-membros, mas também das instituições comunitárias.

A União, através das suas instituições, só pode tomar decisões de acordo com as competências que lhe são atribuídas pelos Tratados, depois de estes serem ratificados (por referendo ou por via parlamentar) pelos estados-membros.

depois de estes serem ratificados (por referendo ou por via parlamentar) pelos estados-membros. 16 | P

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Estas

importantes:

instituições

da

União

Europeia

são,

por

sua

vez,

coadjuvadas

por

cinco

órgãos

Europeia são, por sua vez, coadjuvadas por cinco órgãos Tratado de Nice Assinado em 26 de

Tratado de Nice

Assinado em 26 de Fevereiro de 2001, o Tratado de Nice entrou em vigor em 1 de Fevereiro de 2003, tendo resultado de uma Conferência Intergovernamental (CIG) que tinha como objectivo preparar a reforma das instituições para os alargamentos aos países do Leste e do Sul da Europa, que viriam a ocorrer em 2004 e 2007. As principais alterações instituídas pelo tratado incidem sobre a limitação do tamanho e a composição da Comissão, a extensão da votação por maioria qualificada a um maior número de matérias e uma nova ponderação dos votos no Conselho.

Tratado de Lisboa

Durante a presidência alemã do Conselho da União Europeia, no primeiro semestre de 2007, foi apresentada uma proposta para abandonar o formato do Tratado Constitucional anteriormente delineado. Como o processo não ficou concluído, quando Portugal assumiu a presidência no semestre seguinte, ficou com a incumbência de acabar a redacção do novo tratado. Foi então lançada uma Conferência Intergovernamental com o objectivo de terminar a redacção do texto.

Tratava-se do texto do Tratado de Lisboa ou Tratado Reformador, que modificava o Tratado da União Europeia e o Tratado de Roma e dotava a UE de personalidade jurídica que lhe conferia poder para assinar acordos a nível internacional.

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O tratado foi assinado a 13 de Dezembro de 2007, em Lisboa, mas o seu processo de ratificação não tem sido fácil de obter e por isso não entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2009, conforme estava previsto. A Irlanda e a República Checa ainda não ratificaram o Tratado de Lisboa, restando, assim, aguardar e ver qual vai ser o desenvolvimento da situação.

X - Tratado de Lisboa
X - Tratado de Lisboa

A construção de um espaço de justiça, liberdade e segurança é uma das grandes prioridades da União Europeia.

O Tratado de Lisboa exerce uma influência considerável sobre as regras em vigor em matéria

de liberdade, segurança e justiça e facilitará uma acção europeia mais completa, legítima,

eficaz, transparente e democrática neste domínio.

XI - Tratado de Lisboa
XI - Tratado de Lisboa

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Desafios da UE na actualidade

As alterações ocorridas nas últimas décadas têm provocado profundas alterações em todo o mundo. Entre elas podemos referir a globalização, o desenvolvimento das novas tecnologias da informação e comunicação e o desmoronamento do bloco de Leste após o derrubo do Muro de Berlim.

No mundo actual, caracterizado pela rapidez a que a mudança ocorre, vários são os desafios que se colocam à União Europeia. Por um lado, com a abertura do bloco de Leste, a nova vaga de alargamento tem exigido reestruturações várias. Paralelamente ao processo de alargamento, outra questão se tem vindo a colocar, o aprofundamento, não só como resposta inevitável ao alargamento, mas também ao próprio evoluir da União Europeia a formas cada vez mais exigentes, o que implica um funcionamento mais democrático e mais próximo do cidadão.

Os alargamentos da UE

O sucesso da União Europeia tem atraído a entrada de novos países nas Comunidades, o que beneficia não só os novos membros mas também a União no seu todo:

1. Novas oportunidades para as empresas;

2. Alargamento do Mercado Único;

3. Possibilidade de os cidadãos europeus circularem e trabalharem num território mais vasto;

4. Consolidação da estabilidade política na Europa, na medida em que a integração reduz a possibilidade de conflito;

5. Reforço dos valores em que assenta a União Europeia a democracia, o Estado de Direito e o respeito pelos Direitos Humanos.

Mas o alargamento da UE a novos membros coloca uma questão essencial: garantir num espaço cada vez mais vasto, numa Europa em crescimento, a salvaguarda dos valores e das normas que estão na base da União.

A adesão à UE implica, da parte dos países candidatos, a aceitação dos valores e a adopção das normas e práticas da União que, no seu conjunto, constituem o chamado “acervo comunitário”.

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Democracia

Portugal e a União Europeia 11ºF Democracia Valores da União Europeia Estados de Direito Respeito pelos
Portugal e a União Europeia 11ºF Democracia Valores da União Europeia Estados de Direito Respeito pelos

Valores da União Europeia

Estados de Direito

Democracia Valores da União Europeia Estados de Direito Respeito pelos Direitos Humanos A adopção e a

Respeito pelos Direitos Humanos

A adopção e a aplicação do acervo comunitário exigem da parte dos países candidatos a harmonização das suas normas e práticas nacionais com as da União Europeia, o que implica necessariamente reformas económicas, sociais e políticas.

com as da União Europeia, o que implica necessariamente reformas económicas, sociais e políticas. 20 |

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Portugal e a União Europeia 11ºF 21 | P á g i n a
Portugal e a União Europeia 11ºF 21 | P á g i n a

Portugal e a União Europeia

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O orçamento da União Europeia

A União Europeia, para dar cumprimento aos objectivos definidos nos vários tratados, tem de

por em prática diversas políticas económicas e sociais. Mas para desenvolver as acções necessárias, a União Europeia precisa de meios financeiros, obtendo-os, na sua totalidade, através dos seus próprios recursos, nomeadamente das contribuições dos Estados-membros.

O orçamento comunitário é as receitas e as despesas, previstas para um ano, inscritas no

Orçamento da União Europeia que constitui o seu principal instrumento financeiro.

As receitas orçamentais:

Recursos Próprios

   

Outras receitas

 

Direitos cobrados nas importações de produtos provenientes de países terceiros;

Coimas

aplicadas

pela

Comissão;

Contribuição proveniente

Impostos pagos pelo pessoal das Instituições Europeias.

 

do

IVA

de

todos

os

Estados-membros;

Contribuição de cada Estado-membro baseado no seu RNB.

 

O orçamento da União Europeia financia um conjunto de actividades, de intervenções e de

políticas comunitárias, repartindo-se por cinco categorias de despesas:

Recursos Naturais:

1. Agricultura;

2. Desenvolvimento Rural;

3. Ambiente;

4. Pescas.

Competitividade e Coesão:

1. Mais crescimento económico;

2. Mais emprego;

3. Apoio às regiões mais desfavorecidas.

Portugal e a União Europeia

11ºF

Despesas Administrativas:

1. Salários e pensões dos funcionários;

2. Despesas com imóveis, etc.

Cidadania, liberdade e segurança:

1. Luta contra o terrorismo, crime organizado e imigração clandestina;

2. Reforço da cooperação nos domínios judicial e penal.

Acção da UE a nível mundial:

1. Ajuda de emergência;

2. Ajuda ao desenvolvimento e cooperação com países vizinhos e com países em vias de adesão.

As receitas de cada ano são fixadas em função do total das despesas definidas pelas

autoridades orçamentais, verificando-se o princípio do equilíbrio orçamental (despesas iguais

às

receitas).

O

orçamento anual da União é elaborado respeitando um quadro financeiro de médio prazo

que estipula os limites anuais de despesas. A programação financeira plurianual tem vantagens, pois fixa as grandes orientações orçamentais para vários anos, facilita a aplicação anual do orçamento e contribui para um maior controlo da evolução das despesas da União.

Fundos Estruturais e Fundo de coesão

A actuação da União Europeia envolve muitos domínios: o económico o social, o regulamentar,

o financeiro, etc. No entanto, a sua acção visa sempre a convergência dos vários Estados- membros, pelo que, por essa razão, destina uma grande parte do seu orçamento à atribuição

de fundos em áreas que são consideradas fundamentais.

A solidariedade é concretizada através da transferência de verbas (fundos) dos países mais

ricos para os mais pobres, com o objectivo de fazer acelerar o desenvolvimento das regiões mais atrasadas, auxiliar as regiões industriais com problemas, modernizar a agricultura e as zonas rurais e contribuir para a integração profissional de jovens e de desempregados de longa duração. Os principais fundos da União Europeia são:

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11ºF

1. Os fundos estruturais, que visão auxiliar aos países mais carenciados ao nível do desenvolvimento regional (FEDER) e dos problemas relacionados com o emprego (FSE);

2. fundo de coesão, que foi criado especificamente para promover a coesão económica

O

e

social de todos os países, fazendo com que os seus níveis de desenvolvimento se

aproximassem cada vez mais.

níveis de desenvolvimento se aproximassem cada vez mais. Novos fundos: 1. Fundo Europeu Agrícola de Garantia

Novos fundos:

1. Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) e Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento (FEADER). Estes dois fundos, aplicados a partir de Janeiro de 2007, inserem-se na reforma da Política Agrícola Comum;

2. Fundo Europeu para a Pesca (FEP), aplicado a partir de Janeiro de 2007, veio substituir

o IFOP.

A aplicação dos fundos europeus em Portugal, no período entre 2007 e 2013, está consubstanciada no documento intitulado Quadro de Referências Estratégico Nacional (QREN).

A grande aposta é na modernização e na inovação, factores necessários ao crescimento da nossa economia e à sua convergência com a União Europeia.

Portugal também lida com problemas de natureza social: por um lado, o envelhecimento da população que traz problemas relacionados com a manutenção da população activa e a forma

Portugal e a União Europeia

11ºF

como vão ser financiadas as políticas de Segurança Social no futuro; por outro, verifica-se um empobrecimento da população, que, devido à actual crise económica, tem tendência para se agravar ainda mais. Com a entrada na União Europeia dos novos países, o nosso país também enfrenta a diminuição dos apoios comunitários concedidos, nomeadamente, nas áreas respeitantes à agricultura e às pescas.

A economia portuguesa acompanhou o recente ciclo económico mundial recessivo, reflectindo-se na diminuição das exportações, das importações e do consumo interno. Contudo, os dados mais recentes publicados pela Comissão Europeia indicam que Portugal se situou, no segundo trimestre 2009, entre os poucos países que tiveram um crescimento positivo do PIB.

poucos países que tiveram um crescimento positivo do PIB. XII - Evolução do PIB entre 2008

XII - Evolução do PIB entre 2008 e 2009

As políticas da União Europeia

A política regional, a política agrícola comum e política comum de pesca representam as

principais políticas desenvolvidas no espaço europeu, absorvendo mais de 75% do total das

despesas do orçamento da União.

A coesão económica e social concretiza-se através da política regional que tem como principais

objectivos:

1. Promover o desenvolvimento equilibrado da União Europeia;

2. Reduzir as desigualdades de desenvolvimento da União.

A política regional concretiza-se através da intervenção dos fundos europeus nomeadamente

dos Fundos Estruturais e do Fundo de Coesão, que se destinam a modernizar as estruturas

económicas e sociais das regiões menos desenvolvidas.

A política regional, a fim de assegurar maior eficácia nos seus resultados tem concentrado os

fundos comunitários em três objectivos prioritários:

Portugal e a União Europeia

11ºF

1. Regiões com atrasos de desenvolvimento, isto é, regiões cujo PIB, representa 75% da média comunitária;

2. Regiões em reconversão económica e social, isto é, regiões onde se verifiquem dificuldades decorrentes de reestruturação dos sectores industriais e da pesca e do declínio das actividades tradicionais nas zonas rurais;

3. Grupos sociais frágeis como jovens desempregados, desempregados de longa duração, trabalhadores com baixas qualificações e vitimas de exclusão. Todas estas pessoas independentemente da região onde residam, são abrangidas pelas medidas de ajuda que representam.

A aplicação dos fundos europeus nas regiões mais desfavorecidas reflecte o principio da solidariedade financeira da União Europeia: transferência para as regiões mais desfavorecidas de uma parte significativa do orçamento da União, que é alimentado pelas contribuições dos Estados-membros (cerca de 1% do seu PNB).

Os projectos para o desenvolvimento das regiões, a financiar pelos fundos europeus, são da responsabilidade das autoridades nacionais e regionais, uma vez que elas conhecem melhor os problemas das suas regiões, embora tenham de respeitar as orientações estratégicas para o desenvolvimento definidas pela Comissão.

Os recursos afectados (acções a desenvolver) são co-financiados conjuntamente pelos fundos europeus e pelos Estados nacionais, havendo limites máximos de co-financiamento no que diz respeito aos fundos europeus.

Podemos verificar com o alargamento da União Europeia para 27 países houve um aumento de 20% da população da União Europeia no entanto o crescimento económico apenas atingiu 5% do espaço comunitário contribuindo para uma descida do PIB médio por habitante e uma diminuição da equidade das regiões. Os novos países representam, actualmente cerca de 60% da regiões com mais baixo nível de desenvolvimento, indo, por conseguinte, absorver um apoio mais forte no âmbito da política regional UE.

A “convergência real” contribuiu para a realização de um processo de recuperação com o resto da UE. Neste processo os fundos europeus tem tido um papel relevante, verificando um PIB per capita muito inferior à média da UE, mas subindo à medida a que as economias crescem.

A política agrícola comum (PAC) conseguiu constituir o sector de actividade económica onde o processo de integração mais evoluiu, alcançando os seguintes objectivos:

1.

Auto suficiência alimentar;

2.

Segurança dos alimentos consumido;

3.

Rendimento estável aos agricultores;

4.

A agricultura tem tido um financiamento da PAC, disponibilizados meios financeiros do

orçamento da UE.

As despesas agrícolas foram cobertas pelo Fundo Europeu de Orientação e de Garantia Agrícola (FEOGA) dividindo-se em duas secções:

Portugal e a União Europeia

11ºF

1.

FEOGA Garantia: gestão dos mercados dos diferentes produtos agrícolas, subsidiando produções, comprando a produção excedentária e assegurando a sua armazenagem, apoiando os rendimentos dos agricultores, etc.

2.

FEOGA - Orientação: modernização das explorações agrícolas, para o desenvolvimento de actividades económicas nas zonas rurais mais desfavorecidas que criem emprego e evitem o êxodo rural, etc.

3.

A Aplicação dos fundos e a gestão da PAC permitiu alcançar os objectivos desejados:

1. A produção agrícola aumentou;

2. Assegurou-se o abastecimento regular e a preços razoáveis para os consumidores;

3. Garantiu-se um nível de vida justo para os agricultores.

O sucesso da Política Agrícola Comum foi, todavia, acompanhado de efeitos secundários:

1. Desequilíbrios ambientais, devido à sobreexploração da terra e às praticas intensivas de cultivo;

2. Formação de excedente;

3. Excesso de proteccionismo aos produtos comunitários;

4. Elevadas despesas agrícolas.

Devido às desvantagens provocadas pela PAC a UE introduziu uma série de reformas.

Os efeitos secundários obrigaram mudanças na PAC, tendo sido adoptadas pelo Concelho as seguintes medidas reformadoras:

1. Estabelecimento de preços mais competitivos, isto é, mais próximos do mercado mundial;

2. Estabelecimento de quotas para algumas produções, para evitar a acumulação de excedentes;

3. Promoção de uma agricultura mais compatível com o ambiente, pela utilização de praticas menos intensivas e com menor recurso a fertilizantes e pesticidas;

4. Sustentabilidade do modo de vida rural através, por exemplo, da criação de novos empregos nas zonas rurais e da preservação da paisagem rural.

As medidas de reforma da PAC reduziram os excedentes, preservando o ambiente aumentando a competitividade diminuindo as despesas com a agricultura a longo prazo.

O principal objectivo da nova PAC é proteger o ambiente, a saúde e bem-estar dos animais.

O financiamento da PAC acompanhou as reformas introduzidas, tendo sido aplicados, em Janeiro de 2007, dois novos instrumentos financeiros:

1. O Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA);

2. O Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento (FEADER).

Portugal e a União Europeia

11ºF

A grande procura de pescado e a necessidade de preservar este recurso tem levado a UE a

estabelecer um conjunto de regras comuns a aplicar no espaço comunitário, originando a política comum da pesca.

A política comum da pesca prossegue com os seguintes objectivos:

1. Proteger os recursos da pesca, evitando a sobreexploração;

2. Garantir

o

abastecimento

transformação;

de

pescada

aos

consumidores

e

à

indústria

de

3. Melhorar a competitividade das empresas do sector.

Para alcançar os objectivos propostos, o Concelho de Ministros adoptou as diversas medidas:

1. Fixação de totais admissíveis de captura anuais por espécie de pescado;

2. Estabelecimento de quotas anuais de exploração para cada Estado-membro;

3. Restrição na emissão de licenças de pesca, reforçando o objectivo das quotas;

4. Fixação de normas relativas à malhagem das redes, especialmente nas zonas de reprodução, onde a protecção dos recursos é essencial;

5. Estabelecimento de acordos de pesca com outros Estados que permitam à frota comunitária aceder a bancos de pesca distantes das águas protegidas;

6. Apoiar o desenvolvimento da aquicultura como fonte alternativa de pescado;

7. Reestruturação das estruturas de produção, o que passa pela modernização dos navios existentes.

O Instrumento Financeiro de Orientação da Pesca (IFOP), apoiou a política comum de pesca

até finais de 2006, financiando a reestruturação da frota e das infra-estruturas portuárias, e apoiando a comercialização e a transformação de peixe e outros produtos de pesca.

portuárias, e apoiando a comercialização e a transformação de peixe e outros produtos de pesca. 28

Portugal e a União Europeia

11ºF

Em 2002, criou-se um conjunto de medidas de reforma da política comum da pesca, cujo principal objectivo é garantir que a pesca seja uma actividade sustentável, a nível da preservação dos recursos, da protecção do ecossistema marinho, da qualidade do pescado e da viabilidade económica das frotas. Foram adoptadas as seguintes medidas:

1. Estabelecimento, no mediterrâneo, de zonas de protecção das pescarias, limitando a actividade da pesca;

2. Erradicação da pesca ilegal;

3. Apoio à redução da capacidade das frotas;

4. Reforço das estruturas de inspecção;

5. Estabelecimento de acordos com países terceiros, no sentido de assegurar a sustentabilidade da pesca nas águas desses países;

6. Reforço do desenvolvimento da aquicultura tendo em vista a criação de empregos e a qualidade do pescado.

A reforma da política comum da pesca foi acompanhada pela substituição do IFOP pelo Fundo Europeu para a Pesca (FEP), a nível da ajuda comunitária, este novo instrumento foi aplicado em 2007.

comunitária, este novo instrumento foi aplicado em 2007. Os vários tratados da UE têm objectivos em

Os vários tratados da UE têm objectivos em comum: atingir um elevado nível de emprego e de protecção social, aumentar a igualdade de oportunidades e melhorar a qualidade de vida de toda a população da UE.

Em 1997, o Tratado de Amesterdão definiu uma estratégia comum em matéria de emprego (Estratégia Europeia de Emprego), cuja finalidade é criar mais e melhores empregos para todos.

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11ºF

Em Março de 2000, a Cimeira de Lisboa, criou um novo objectivo para a UE, até 2010. Este objectivo consiste em tornar a Europa na economia mais competitiva e dinâmica do mundo, capaz de sustentar o crescimento económico, com mais e melhores empregos e coesão social reforçada.

com mais e melhores empregos e coesão social reforçada. No que diz respeito ao emprego, foi

No que diz respeito ao emprego, foi fixado como objectivo principal aumentar a taxa de emprego global da UE para 70% e a taxa de emprego das mulheres para mais de 60%.

Os Estados comprometeram-se a aumentar os seus investimentos na educação, a assegurar

que as novas tecnologias da informação se tornem acessíveis a todos, a desenvolver esforços

na

erradicação da pobreza e a promover a inclusão social.

O

Fundo Social Europeu constituiu o instrumento financeiro para apoiar as acções para

alcançar o objectivo geral de aumentar a taxa de emprego global e a taxa de emprego das

mulheres, com vista à:

1. Melhoria dos sistemas de formação profissional;

2. Promoção do espírito empresarial;

3. Qualificação dos trabalhadores, nos domínios da ciência e da tecnologia;

4. Criação de incentivos ao auto-emprego;

5. Prestação de assistência às pessoas em risco de exclusão;

6. Diminuição das desigualdades entre homens e mulheres, no mercado de trabalho;

Um novo programa PROGRESS 2007-2013 foi criado para apoiar financeiramente os objectivos

da União em matéria de emprego.

Este

parâmetros:

programa

tem

um

orçamento

de

743

milhões

de

euros,

distribuídos

por

cinco

Portugal e a União Europeia

11ºF

1. Emprego

2. Protecção e inclusão social

3. Condições de trabalho

4. Luta contra a discriminação

5. Igualdade entre homens e mulheres

Todas estas acções pretendem contribuir para uma maior prosperidade e justiça social para todos os cidadãos.

O Fundo Social Europeu é utilizado pela UE para a requalificação das pessoas, de forma a

proporcionar-lhes a formação necessária à obtenção de emprego.

O Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG), foi criado a nível comunitário com o

objectivo de apoiar a procura de emprego e requalificação de pessoas que fiquem desempregadas em resultado de um processo de deslocalização para fora de um espaço europeu.

de deslocalização para fora de um espaço europeu. A finalidade desta política europeia de acordo com

A finalidade desta política europeia de acordo com a política do desenvolvimento sustentável

é promover um desenvolvimento em harmonia com o ambiente.

A estratégia da UE para o “desenvolvimento sustentável” assenta no princípio de que o crescimento económico, a coesão social e protecção do ambiente estão interligados.

O crescimento da economia deverá garantir a satisfação das necessidades do presente, sem

pôr em causa a satisfação das necessidades das gerações futuras.

A intervenção da UE baseia-se, na conciliação de interesses económicos, sociais e ambientais,

garantindo que todas as políticas comunitárias prossigam este mesmo objectivos.

Portugal e a União Europeia

11ºF

A política da UE para o ambiente é apoiada financeiramente pelos Fundos Estruturais e pelo Fundo de Coesão que financiam projectos que melhorem o ambiente e promovam o desenvolvimento socioeconómico das regiões mais pobres:

1. Reabilitação das zonas industriais em declínio;

2. Recuperação das zonas urbanas degradadas;

3. Limpeza das faixas costeiras, dos portos e dos rios;

4. Tratamento de resíduos;

5. Apoio ao investimento em tecnologias limpas;

6. Incentivos e prémios às empresas que melhorem o seu comportamento ambiental;

7. Educação ambiental dos jovens;

8. Redução da emissão de gases que provoquem o efeito de estufa.

Assim, a UE promove a qualidade de vida para todos, hoje e no futuro, através da protecção ambiental.

a UE promove a qualidade de vida para todos, hoje e no futuro, através da protecção

Portugal e a União Europeia

11ºF

Conclusão

Todo o trabalho foi realizado pelos alunos com o apoio a textos, documentos, gráficos e sites, disponíveis na bibliografia, e a interpretação dos mesmos. Através deste trabalho, percebemos que a necessidade de uma união entre países era urgente perante as condições sociais, políticas e económicas em que a Europa se encontrava após a Segunda Guerra Mundial, mas que este processo foi complexo sobretudo devido às diferenças culturais e situações diferentes em que os países se encontravam. Foram necessários vários Tratados e reformas dos mesmos a fim de conseguir o consentimento de todos os envolvidos, no entanto as várias etapas/formas de integração foram sendo superadas restando apenas o aprofundamento da União Europeia numa União Política. A União Europeia deparou-se com vários desafios aos níveis económico, social e ambiental a fim de melhorar a qualidade de vida da população europeia que perduram nos dias de hoje.

Portugal e a União Europeia

11ºF

Bibliografia

Pais.MJ, Oliveira.ML, Góis.MM, Cabrito.BG, ECONOMIA A 11º ANO, Lisboa, Texto Editores,

2008

Capucho.ADOrey, O QUE É E COMO FUNCIONA A UNIÃO EUROPEIA, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1994

Gomes.RP, PREPARAÇÃO PARA O EXAME NACIONAL 2011 ECONOMIA A, Porto, Porto Editora,

2010

Silva.E, Mendes.H, ECONOMIA A 11º ANO, Lisboa, Plátano Editora, 2008

Netgrafia

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ANEXOS

Portugal e a União Europeia

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11ºF

Portugal e a União Europeia 11ºF 37 | P á g i n a

Portugal e a União Europeia

11ºF

Após a instauração do regime democrático, Portugal pede formalmente a adesão às Comunidades Europeias (CECA, CEE e CEEA) em 28 de Março de 1977:

«Em nome da República Portuguesa e em conformidade com a posição tomada pela Assembleia da República sobre este assunto, tenho a honra de informar Vossa Excelência, por este meio, do pedido de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, em conformidade com o disposto no artigo 237º do Tratado que institui a CEE ( )»

Mário Soares

em conformidade com o disposto no artigo 237º do Tratado que institui a CEE ( )»

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Portugal e a União Europeia 11ºF 39 | P á g i n a

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11ºF

Portugal e a União Europeia 11ºF 40 | P á g i n a