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FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA NÚCLEO DE CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE ARTES LICENCIATURA EM MÚSICA

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA NÚCLEO DE CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE ARTES LICENCIATURA EM MÚSICA Waldecir

Waldecir Celestino da Silva

O VIOLÃO: Novas formas de escrita no processo de ensino coletivo nas escolas.

PORTO VELHO-RO

2011

Waldecir Celestino da Silva

O VIOLÃO: Novas formas de escrita no processo de ensino coletivo nas escolas.

Trabalho apresentado na disciplina de Instrumento Complementar, no curso de licenciatura em música do departamento de artes da Universidade Federal de Rondônia com caráter avaliativo do 3º período.

Professor Cristiano Sousa.

Porto Velho-RO

2011

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

Considerando a aprovação da Lei Nº 11.769 de 2008, que altera a Lei de Diretrizes e

Bases da Educação Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, o governo toma a iniciativa de democratizar o acesso de todas as classes sociais brasileiras ao ensino gratuito da música. A inclusão da Música como disciplina obrigatória no curriculo escolar nos leva a refletir sobre educação musical, não mais sobre a égide do ensino tradicional, onde só teriam

acesso pessoas com talento ou dons especiais e divinos, espaços “conservatórios” um tanto

místicos e sombrios, mas sobre uma nova ótica inovadora cujo objetivo é despertar no aluno o interesse pela disciplina por intermédio do fazer musicalmente e por fim, o aprendizado de um ou outro instrumento qualquer ou estilo, pop ou erudito, à escolha do próprio aluno. Este trabalho não tem como objetivo apresentar novas formas de escrituração, mas, valorizar a que é corrente entre crianças, adolescentes, jovens e adultos, como a tablatura, cifras e outros quaisquer. Considerando também a forma antiga ou tradicional de

representação sonora. Apresentaremos exemplos bem sucedidos de como e quando usar estas formas de escritas de forma coletiva ou individualizada no processo do ensino na educação musical nas escolas quer sejam públicas ou privadas, especificamente para o uso do violão. Consideramos neste trabalho a importância que o instrumento tem no cotidiano de crianças, jovens, adolescentes e até adultos. Em muitos lugares do Brasil e, também, em outros países o ensino coletivo é aplicado com sucesso (Cristina Tourinho). No entanto, no atual momento existe uma grande falta de material escrito sobre aulas com a metodologia do ensino em grupo (VIEIRA, 2007) e o uso de novas formas de representação simbólica, como as acima citadas, dos sons que facilite o aprendizado do aluno. No ensino coletivo ou em grupos, como e quando usar ou deixar de usar a escrita tradicional ou as outras formas como cifras e tablaturas. O professor tem este preparo?. Em fim, a liberdade de expressão, o ambiente ou a realidade social as quais os alunos, individualmente, das diversas classes vivem deve ser um parâmetro para o ponto de partida para a escolha da melhor metodologia a ser empregada.

Um breve histórico:

Sem sombra de dúvidas, uma longa história que começou a ser descoberta há quase dois mil anos antes de cristo. Na antiga Babilônia arqueologistas encontraram placas de barro com figuras seminuas tocando instrumentos musicais, muitos deles similares ao violão atual (1900-1800 a.C). No Egito: O único instrumento de cordas pulsadas era a harpa de formato côncavo que depois foi acrescentada de um braço com trastes cuidadosamente marcados e cordas feitas de tripa animal. Pouco tempo depois estas características se combinariam e evoluíram para um instrumento ainda mais próximo do violão. Em Roma: Instrumento totalmente de madeira surge (30 a.C-400 d.C) . O tampo que antes era de couro cru (semelhante ao banjo) agora é de madeira e possui cinco buracos. É importante frisar que nas catacumbas egípcias foram encontradas instrumentos com leves curvas características do violão. Há também a descrição de outro instrumento datado da Dinastia Carolingian que pode ser de origem tanto alemã como francesa. Este instrumento possuía formato retangular e seu corpo era equivalente ao seu braço. Este instrumento possuía um corpo oval e o tampo possuía vários furos ornamentados chamados de Rosetas. Era teoricamente o remanescente do Alaúde, e dentro deste conceito existia uma série de outros modelos, com diferentes números de cordas.

Embora não seja bem definida, pois existem segundo musicólogos várias teorias para o sua criação, odiernamente apresentam-se duas, citadas por Emílio Pujol na sua conferência de nome “La guitarra y su História” que ocorreu em Paris no dia 9 de Novembro de 1928, onde resolveu que:

A primeira hipótese é de que o Violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.

A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a península Ibérica através das invasões muçulmanas, sob o comando de Tariz. O Alaúde Árabe que penetrou na península na época das invasões, foi um instrumento que se adaptou perfeitamente á s atividades culturais da época e, em pouco tempo, fazia parte das atividades da côrte. Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe viveram mutuamente na Espanha. Isso se pode comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão ( 1221-1284 ), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois instrumentos distintos convivendo juntos. O primeiro era chamado de “Guitarra Moura” e era derivado do Alaúde Árabe. Este instrumento possuía três pares de cordas e era tocado com um plectro (espécie de palheta ); possuía um som ruidoso. O outro era chamado de “Guitarra Latina”, derivado da Khetara Grega. Ele tinha o formato de oito com incrustações laterais, o fundo era plano e possuía quatro pares de cordas. Era tocado com os dedos e seu som era suave, sendo que o primeiro estava nas mãos de um instrumentista árabe e o segundo, de um instrumentista romano. Isso mostra claramente as origens bem distintas dos instrumentos, uma árabe e a outra grega; que coexistiram nessa época na Espanha. Observa-se, portanto, como a origem e a evolução do Violão estiveram intimamente ligadas á Espanha e a sua história. Como este instrumento passou a chamar-se “Violão”? Em outros países de língua não portuguesa o nome do Violão é guitarra, como pode se ver em inglês (Guitar), francês (Guitare), alemão (Gitarre), italiano (Chitarra), espanhol (Guitarra). O Violão no Brasil, especificamente quando se fala em guitarra, quer se denominar o instrumento elétrico chamado Guitarra Elétrica com formatos bem específicos e de material diferenciado, mas, a viola portuguesa possui as mesmas formas e características do Violão, sendo apenas pouco menor, portanto, quando os portugueses se depararam com a guitarra (Espanhol), que era igual a sua viola sendo apenas maior, colocaram o nome do instrumento no aumentativo, ou seja, de Viola para Violão. A confusão entre a viola e violão começa em meados do século XIX, quando a viola é usada com uma afinação própria do violão, isto é, lá, ré, sol, si, mi. A confusão no uso do termo viola/violão, continua nessa época como atesta Manuel Antônio de Almeida, autor da Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55), quando se refere muitas vezes com terminologia da época do final da colônia, á viola em vez de violão ou guitarra sempre que trata de designar o instrumento urbano com o qual se acompanhava as

modinhas. A viola, hoje, tornou-se a viola-caipira, instrumento típico do interior do país, e o violão, depois de ter sua forma atual estabelecida no final do século XIX, tornou-se um instrumento essencialmente urbano no Brasil. O violão também tornou-se o instrumento favorito para o acompanhamento da voz, como no caso das modinhas, e, na música instrumental, juntamente com a flauta e o cavaquinho, formou a base do conjunto do choro.

O problema de se priorizar o uso da partitura no ensino coletivo de violão para iniciantes.

Considerando o advento da aprovação da Lei nº 11.769/08, uniram professores, pesquisadores e artistas, juntos, propuseram uma alteração à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de ....

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Afinal, num país em que a vocação musical é reconhecidamente um

„privilégio‟, o cumprimento da Lei n. 11.769/08 deve „soar como música‟ aos

ouvidos de educadores comprometidos com uma escola criativa e democrática. Rosa Helena Mendonça(2011)

Antes de definirmos qual seria a melhor forma de ensino musical, devemos lembrar que a proposta da lei é de ensino coletivo. A educação musical e o ensino coletivo ou em grupos tem sido tema de debates e pesquisas por professores escritores, músicos e

pesquisadores como: Cristina Tourinho, A série Educação musical escolar, que a TV Escola, programa Salto para o Futuro.

O ensino coletivo é uma importante ferramenta na democratização do ensino musical, contudo, a falta de material escrito ou de professores capacitados nos coloca diante de desafios a ser vencidos em sala de aula. O momento é oportuno, e expõe os profissionais da área a um desafio que a muito foi abandonado por pesquisadores, e retomado nos últimos anos, o uso de novas formas de escrituração musical, não só como uma busca pela inovação, mas, um auxilio ao entendimento da partitura tradicional e o aprendizado de um instrumento em particular.

Fundamentação Teórica:

Do ponto de vista da educação em si, seguimos a ótica de dois autores de grande relevância em termos de educação e formação do caráter do cidadão, como Swanwick (1999) e Hernández (1998).

Segundo Swanwick (1999, p. 69) [

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não acho que a capacidade de ler e escrever

sejam o objetivo final da educação musical; é, simplesmente, um meio para um fim, quando estamos trabalhando com algumas músicas.Hernández (1998, p. 34) defende a discussão e o estudo do que ele chama “elementos discrepantes” como uma busca de relações e papéis do valor que se dá relacionando as disciplinas a partir de problemas de pesquisa, que partem desde a estruturação as atividades. “Compreender o mundo em que vivemos a partir de uma dimensão de complexidade (HERNÁNDEZ, 1998, p. 35), partindo para compreender a educação por meio de projetos de trabalho.Diante da proposta dos autores, nós professores ao trabalharmos com grupos, devemos observar os interesses do grupo em questão e individualidade de cada aluno para sabermos que materiais serão úteis em aula. Sem um interesse em particular por um estilo ou ritmo musical, e ainda por uma única forma de representação simbólica dos sons.

o Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais nas escolas regulares e instituições públicas de ensino; o Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais como forma de inserção e transformação social; projetos sócio-culturais e o ensino coletivo.

O uso da partitura, da cifra e da tablatura, poderá ser a solução para o enfretamento do problema.

Conforme José Coelho de Almeida (2004) Como é que alguém pode ter a coragem de ensinar música sem fazer música desde o primeiro instante? Por que ter maior preocupação com o “saber” e esquecer-se do “fazer”? “O fazer musical” deve preceder sempre “o saber musical”. Não há nenhuma.”

justificativa sociopsicopedagógica, nem econômica e prática que nos autorize a pensar

o

contrário.

O uso de novas formas de escrita que abordaremos não tem o objetivo de substituir os símbolos existentes, mas, facilitar, democratizar e dinamizar o processo de cognição musical em grupo, principalmente na faixa etária que compreende o ensino fundamental em escolas.

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  • 2.1. Partitura como opção

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  • 2.2. O fator da motivação no gosto musical dos alunos

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  • 2.3. Quando o uso exclusivo da partitura pode atrapalhar o aprendizado

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  • 2.4. Qual material pode ser produzido no ensino coletivo de violão CAPÍTULO 3:

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ENSINO COLETIVO DE VIOLÃO COM DIFERENTES ESCRITAS

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  • 3.1. A questão do acompanhamento

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  • 3.2. Acordes reduzidos

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  • 3.3. A representação de melodias e solos

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  • 3.4. Exemplo de aula coletiva de violão com diferentes escritas

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DEPARTAMENTO DE ARTES

Chefe de departamento: José Lopes Júnior

CURSO: Licenciatura em Música Porto Velho/RO

DISCIPLINA: Instrumento Complementar I (Violão)

PROFESSOR: Cristiano Sousa dos Santos

PERÍODhttp://www.anppom.com.br/anais/anaiscongresso_anppom_2007/educacao_musical/edmus

_CTourinho.pdfO: 2011/2

Doutor em Música pela Universidade Federal da Bahia