VÍCIOS REDIBITÓRIOS E EVICÇÃO

1.Natureza jurídica: O elemento “coisa”, que compõe os requisitos da compra e venda, não é perquirido sob o aspecto da sua validade, por ser de natureza objetiva. Somente será perquirido quanto a sua existência e, após, na irradiação de seus efeitos, sendo analisado assim através dos institutos dos vícios redibitórios (= perfeição da coisa) e da evicção (= posse tranqüila da coisa).

2.-

Dos vícios rebibitórios: O vício rebitório é defeito oculto da coisa, que faz com que o negócio

jurídico de compra e venda não produza um dos efeitos ao qual se destina, qual seja a perfeição do bem alienado. O instituto está disciplinado nos Arts. 441 a 446 do novo Código Civil. O vício redibitório não se confunde com o erro, uma vez que este é um vício de vontade, passível de levar à anulação do negócio jurídico. No erro há divergência espontânea entre a vontade manifestada e a vontade querida, sendo, portanto, defeito de ordem subjetiva. No vício redibitório o adquirente quer exatamente a coisa adquirida, mas apenas desconhece algum defeito oculto da mesma, sendo, desta forma, defeito de ordem objetiva.  Requisitos: a) o contrato deve ser comutativo, ou seja, sinalagmático, com obrigações recíprocas para ambos os contratantes. Nos contratos não comutativos não há que se falar em vício redibitório. Ocorre nas doações com encargo.

d) o defeito deve tornar a coisa imprópria ao uso ou lhe diminuir o seu valor. Se o adquirente já estava na posse. a contar da ciência pelo adquirente. 446 NCC. a contar da alienação (= do negócio).  Ações próprias: a) Ação redibitória ou edilícia: Quando o adquirente pretende a resolução total no negócio. ex vi Art. enjeitando a coisa e recebendo de volta o preço pago. uma vez feita a escolha. O CDC prevê a possibilidade de ser enjeitada a coisa por vício aparente (Art. Os prazos decadenciais não prejudicam os prazos de garantia. vindo a se manifestar posteriormente. pois a má fé somente vai repercutir no acréscimo de eventuais perdas e danos. 26). e) irrelevante o conhecimento do vício pelo alienante. b) Ação estimativa ou “quanti minoris”: Quando o adquirente pretender a resolução parcial do negócio. Quando o vício. por sua natureza somente puder ser conhecido mais tarde. 445 e seus §§ NCC. a contar a entrega efetiva (tradição). Os prazos decadenciais são de 30 (trinta) dias para as coisas móveis e de 01 (um) ano para as coisas imóveis. ficando com a coisa e pleiteando abatimento do preço. . então os prazos são reduzidos pela metade. não poderá mudar o pedido. c) o defeito deve ser existente anterior à formação do contrato. mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante dentro de 30 (trinta) dias do seu descobrimento. o prazo será de 180 (cento e oitenta) dias para bens móveis e de 01 (um) ano para bens imóveis. conforme Art. não podendo ser constatado pelo “homo medius”.b) o defeito deve ser oculto. A escolha de uma das ações é direito potestativo do adquirente e.

ou seja. de 11. em razão da atribuição do bem a um terceiro. deve haver uma contraprestação através de pagamento por parte do adquirente. mesmo assim. c) deve ocorrer a denunciação da lide ao alienante ou diretamente a qualquer dos anteriores responsáveis3. estando disciplinado nos Arts. conforme se vê in COAD 104760. bem como não há atribuição do bem. 447 a 457 do novo Código Civil.No caso das situações de enquadramento no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8. in BDI 27/03p. Tratando-se de vício oculto. Instituto que deriva do dever que incumbe ao alienante de assegurar ao adquirente a posse e o domínio pacíficos sobre a coisa alienada. 26 e seus parágrafos do CDC1. no sentido de que o evicto que não denunciar a lide poderá. 14.- Da evicção: A evicção é a perda da posse e domínio do bem. o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito. então se deve aplicar o Art. 1 O prazo de decadência é de 30 (trinta) dias para produtos não duráveis e de 90 (noventa) dias para produtos duráveis. Situação comum de evicção. seja por ato judicial ou administrativo. 3ª Turma do STJ. Neste . No tombamento não há perda do domínio. RJTJRGS 145/245. propor ação autônoma contra o alienante. Existem decisões jurisprudenciais. em acórdão do STJ. 20). ocorre nas hipóteses das chamadas “vendas a non domino” e em casos de duplicidade de títulos junto ao Cartório de Imóveis2. Ocorre mesmo nas alienações em hasta pública. BDI 19/02p. 407179. inclusive do STJ. em virtude da existência de relação de consumo no negócio jurídico. Tombamento do imóvel não acarreta evicção. RDC 73/176.1990). 3.09. a outrem (REsp. 70 do CPC determina que é obrigatória a denunciação da lide para o evicto poder demandar indenização contra o alienante. no que se refere à perda do domínio.  Requisitos: a) o contrato deve ser oneroso. b) deve haver o desconhecimento pelo evicto da litigiosidade da coisa ou de ser a mesma alheia. a respeito. 2 Vide.078. 3 O Art. posse ou do uso da coisa tombada.

parágrafo único do NCC. COAD 67987. vide COAD/INF ano 1991. também. O preço a ser devolvido será o valor da coisa na época da evicção 5. 450. 2a parte NCC). e) irrelevante a má fé do alienante. COAD 85520 (3ª Turma do STJ). 1. RJTJRGS 145/134.d) a privação da coisa deve ter ocorrido por meios judiciais ou administrativos4. conforme já decidiu o TJRGS in RJTJRGS 125/331. RJTJRGS 140/225.117. conforme se vê em: RJTJRGS 176/510. que inclusive podem reforçar ou diminuir a garantia: o adquirente tem direito à devolução do preço e mais perdas e danos (Arts. d) Exclusão total da evicção: somente ocorrerá se o alienante tiver se exonerado da obrigação e o adquirente tiver assumido os risco da evicção ou era conhecedor da mesma (Art. COAD 97222. COAD 43737 5 O valor do preço sempre será corrigido monetariamente até o seu efetivo pagamento ao evicto.  Verbas indenizatórias: a) Quando houver responsabilidade expressa do alienante. salvo dolo do adquirente. c) Exclusão da evicção pelo alienante: ainda assim o alienante continuará respondendo pela devolução do preço da coisa (Art. 449. que o NCC não reproduziu o inc. 447 e 448 NCC). 447 NCC).91 e AJURIS 78/468. pois é uma garantia implícita (Art. 4 Estariam enquadradas neste caso as evicções derivadas de apreensões policiais. subsistindo ainda que a coisa esteja deteriorada. segundo dispõe o Art. I. É de ser observado. . COAD 72372 (4ª Turma do STJ). A jurisprudência tem admitido a responsabilização do Estado na hipótese da evicção decorrer de furto ou roubo. COAD 67987. RJTJRGS 134/287. do antigo Art. 1ª parte NCC). sentido. Neste caso não haverá devolução do preço e nem indenização por perdas e danos. 449. conforme já vinha decidindo a jurisprudência: RJTJRGS 160/223. p. COAD 70745 (3ª Turma do STJ). COAD 62643. b) Silêncio do contrato sobre a evicção: mesmo assim o adquirente tem direito à devolução do preço e mais perdas e danos.

segundo os incisos do Art. . 453 NCC). somente poderá haver indenização (Art. mas não total.  Evicção parcial: Sendo considerável a evicção. Podem ser abatidos do valor das perdas e danos. serão: a) frutos que o evicto tiver que restituir. d) o valor das benfeitorias úteis e necessárias que não forem pagas ao evicto pelo terceiro que receber a coisa (Art.As perdas e danos. c) custas judiciais e honorários advocatícios. 455 NCC). b) despesas do contrato e prejuízos que diretamente resultarem da evicção. Não sendo considerável. b) o valor das vantagens da deterioração da coisa que o evicto não houver sido condenado a indenizar. poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato ou o abatimento do preço. e ainda. pelo adquirente: a) o valor pago ao evicto pelas benfeitorias. 450 do NCC.

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