Momentum

O índice que baliza o consumo

Marcos Gouvêa de Souza (mgsouza@gsmd.com.br), diretor-geral da GS&MD - Gouvêa de Souza

São quatro os fatores que determinam o comportamento de consumo e, portanto, as vendas do varejo num mercado. A evolução e o volume da renda dos consumidores; o nível de emprego; o crédito; e o Índice de Confiança do Consumidor. Enquanto renda e empregos podem ser considerados de forma direta e objetiva, ou seja, quanto maior a renda e o nível de emprego (que geram a massa salarial), maior será o consumo, o crédito tem sua análise desdobrada em outras variáveis, que tornam sua consideração um pouco mais complexa. No quadro atual brasileiro temos um dos menores níveis históricos de desemprego, de apenas 6%, e que, com o crescimento da renda real das famílias, redunda num crescimento da massa salarial superior também a 6% que, com exceção de abril de 2011, tem sido uma constante desde abril de 2010. Dizem respeito ao crédito o volume ofertado ao mercado; as taxas praticadas; as políticas de análise e concessão; e o nível de inadimplência, todos eles interagindo entre si e influenciando o comportamento do mercado. O volume determina a oferta, que por sua vez, dependendo do comportamento da demanda e dos elementos ligados à análise de risco, pode influenciar as taxas praticadas, sempre considerando a taxa Selic, o balizador administrado pelo Banco Central. Importante destacar que o crédito pessoal no Brasil representará em 2011 apenas algo em torno de 16,5% do PIB, muito superior aos patamares em

torno de 6% no início dos anos 2000, mas inferior a economias similares à brasileira e extremamente baixo quando comparado com países mais desenvolvidos. Em termos de Inadimplência, o Brasil vive um momento de ligeiro aumento, sendo o percentual atual de 6,6% superior ao mínimo de 5,7% ocorrido entre novembro e dezembro de 2010, mas muito inferior aos patamares superiores a 8% do início de 2009, para falarmos só dos períodos mais recentes, segundo os dados do Banco Central. Mas um fator pouco analisado é o Índice de Confiança do Consumidor, obtido por monitoramento realizado pela Fundação Getúlio Vargas, que mede as expectativas desses consumidores para o curto, médio e longo prazo, a partir de uma amostra de 2000 domicílios. A amostra é coletada sempre no começo de cada mês e tem forte impacto na propensão a comprar e consumir, muitas vezes, de forma mais independente em relação às outras três variáveis. Um elevado grau de confiança pode levar consumidores a tomar crédito, mesmo em taxas muito elevadas ou sem aumento significativo da renda, pela excitação que o momento proporciona, gerando um aumento das vendas no varejo, que pode redundar à frente em problemas de inadimplência, como ocorreu nos anos 90 e em outros períodos mais recentes. O Índice de Confiança do Consumidor brasileiro vem se mantendo nos patamares dos mais elevados de toda sua série, sendo que em novembro de 2010 e julho deste ano alcançou seu maior nível histórico, tendo caído em agosto e setembro muito provavelmente como consequência das notícias sobre o agravamento do quadro econômico e financeiro, em especial na Europa; e também as notícias envolvendo o cenário político brasileiro. A notícia positiva para as vendas do final do ano foi a recuperação do índice no mês de outubro, interrompendo a sequência dos dois meses de queda, sinalizando talvez o esgotamento dos temas negativos e ainda sem ter sido impactado pelos acordos que têm sido costurados visando a estabilização da crise financeira de alguns países europeus, o que pode

gerar um quadro ainda mais interessante para o período natalino que se inicia agora.

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