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Concepção Clássica do homem: transição socrática

O homem é um mistério desde os tempos antigos. E desde esses tempos, várias culturas
e estudiosos tentaram defini-lo. Na África a concepção do homem está enraizada em um
cosmovisão única. Ou seja, a ideia de comunidade é fundamental nessa concepção do
homem e do mundo. Em outras palavras, na concepção africana, além de matéria, o
homem é um ser social, espiritual e moral que procura manter harmonia com a natureza,
os antepassados e a comunidade em que vive (Mbiti, 1990).

Por outro lado, os gregos arcaicos entendiam o homem atravez de três linhas: teológica,
que coloca os homens no mundo dos mortais separando-os dos deuses, cosmológica,
coloca o homem como contemplante e admirador da ordem (cosmo) e, por fim,
antropológica, como o ser constituido do lado luminoso (do logos, apolíneo) e do lado
obscuro (do desejo, paixões, ou seja, dionisíco) (Vaz, 1990).

Como podemos ver, várias foram e ainda são as tentativas de entender a natureza e a
essência do homem. E Sócrates foi um dos que fizeram as tentativas de definir e
entender o homem. Este trabalho procura discorrer sobre a sua concepção.

Vida de Sócrates

Sócrates nasceus em Atenas viveu entre 470/469 – 399 a.C.. Ele “esteve entre os
filósofos naturalistas, de modo particular Arquelau” (Reale & Antiseri, 1990, p. 85). E
mais tarde foi discípulo dos sofistas, o quais veio a rebater suas teorias com muita
veemência. Porém teria sido influencia por eles, fazendo próprios os seus problemas
(Reale & Antiseri, 1990).

Sócrates foi militar, onde se destacou pela sua valentia e pela capacidade de enfrentar
problemas. Mais tarde abandondou o oficio e começou a dedicar-se a arte de ensinar.
Dia após dia caminhava pelas ruas e praças de Atenas ensinando (Storing, 2009).

Sócrates nada escreveu. Tudo o que pode-se falar ou referir-se a ele vem dos escritos de
Platão, seu discípulo. E morreu condenado a beber a sicuta por ter sido acusado de
desviar a juventude, não respeitar os Deuses gregos.
Visão socrática do homem

Depois de um período dos filósofos naturalistas, que tentavam encontrar o elemento


primordial da natureza, o qual foram identificando-o com várias coisas da natureza
contradizendo-se, Sócrates foca-se no homem. “Ele procurou responder o que é a
natureza ou a realidade última do homem, ou seja, o que é a essência do homem?”
(Reale & Antiseri, 1990, p. 87)

Na visão sócratica, o humano só tem sentido e explicação se referido a um princípio


interior ou a uma dimensão de interioridade, ou seja, homem é a sua alma (Vaz, 1990, p.
34). A alma é, para Sócrates, a sede de uma dimensão de areté que permite medir o
homem segundo a dimensão interior na qual reside a verdadeira grandeza humana (Vaz,
1990), ou seja, “a alma é a nossa razão e a sede de nossa actividade pensante e
eticamente operante” (Reale & Antiseri, 1990, p. 87).

Para fundar essa tese Sócrates diz:

“uma coisa é o instrumento que se usa e a outra é o sujeito que usa o


instrumento. Ora, o homem usa o seu próprio corpo como um instrumento, o que
significa que o sujeito, que é o homem, e o instrumento, que é o corpo, são
coisas distintas. Assim a pergunta “o que é o homem?” não se pode responder
que é o seu corpo mas sim “aquilo que se serve do corpo, a sua alma” (Reale &
Antiseri, 1990, p. 88).
A ideia sócratica do homem pode ser vista de três traços:

 A teologia do bem e do melhor comom via do acesso para a compreensão do


homem e do mundo, sobre o qual se funde a natureza ética da psiqué.
 A valorização ética do indivíduo
 A primazia da faculdade intelectual no homem donde procede o chamado
intelectualismo socrático inspirando a doutrina da virtude ciência (Vaz, 1990, p.
35)

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