HISTÓRIA DE PORTUGAL A história de Portugal tem a sua génese com a chegada dos primeiros hominídeos à Península Ibérica há cerca

de 1.2 milhões de anos atrás. O território entrou no domínio da história escrita com o início das guerras Púnicas. Em 29 a.C. era habitado por vários povos, como os Lusitanos, quando foi integrado no Império Romano como a província da Lusitânia, influenciando fortemente a cultura, nomeadamente a língua portuguesa, na maior parte originada no latim. Após a queda doImpério Romano, estabeleceram-se aí povos germânicos como os Visigodos e Suevos, e no século VIII seria ocupado por árabes. Durante a reconquista cristã foi formado o Condado Portucalense, primeiro como parte do Reino da Galiza e depois integrado no Reino de Leão. Com o estabelecimento do Reino de Portugal em 1139, cuja independência foi reconhecida em 1143, e a estabilização das fronteiras em 1249, Portugal reclama o título de mais antigo estado-nação europeu.[1] Durante os séculos XV e XVI, os portugueses foram pioneiros na exploração marítima, estabelecendo o primeiro império colonial de amplitude global, com possessões em África, na Ásia e na América do Sul, tornando-se uma potência mundial económica, política e militar.[2] Em 1580, após uma crise de sucessão, foi unido a Espanha na chamada União Ibérica que duraria até 1640. Após a Guerra da Restauração foi restabelecida a independência sob a nova dinastia de Bragança, com a separação das duas coroas e impérios. O terramoto de 1755 em Lisboa, as invasões espanhola e francesas que antecederam a perda da sua maior possessão territorial ultramarina, o Brasil, resultaram no desmembramento da estabilidade política e económica, reduzindo o estatuto de Portugal como potência global no século XIX. Após a queda da monarquia, em 1910 foi a proclamada a República, iniciando o actual sistema de governo. A instável Primeira República foi sucedida por umaditadura sob o nome de Estado Novo. Na segunda metade do século XX, na sequência da guerra colonial portuguesa e do golpe de estado da revolução dos cravosem 1974, a ditadura foi deposta e estabelecida a democracia parlamentar, com todos os territórios ultramarinos a obter a sua independência,

nomeadamenteAngola e Moçambique em África; o último território ultramarino, Macau, seria entregue à China em 1999. Portugal entrou, após um conturbado período revolucionário, no caminho da Democracia Parlamentar, ao mesmo tempo que procedia à descolonização de todas as suas colónias. Membro fundador da NATO, o Portugal democrático reforçou a sua modernização e a sua inserção no espaço europeu com a sua adesão, em 1986, à Comunidade Económica Europeia (CEE). Historiografia A compreensão de Portugal e da sua História é uma constante da Historiografia portuguesas pelo menos desde o início do século XIX. As condições que tornaram possível a autonomização de Portugal de Leão e Castela e, depois, lhe permitiram construir e manter uma identidade na Península e no mundo são temas que estiveram no cerne da análise e da reflexão de historiadores e pensadores como Herculano, Oliveira Martins, Antero, Sampaio Bruno, Jaime Cortesão, António Sérgio e Joel Serrão, para citar apenas alguns nomes. Portugal tem, pelas sua posição geográfica, acentuada ainda pelas características geomorfológicas do seu território, uma posição excêntrica relativamente à Europa. A posição atlântica de Portugal, prolongada, desde o início do século XV, pelos dois arquipélagos descobertos e povoados por portugueses, o dos Açorese o da Madeira, foi a chave da sua história e da sua identidade nacional: encravado entre um poderoso vizinho e o mar, os Portugueses souberam tirar partido da sua situação estratégica, quer construindo no mar um poderio militar, quer aliando-se à potência naval dominante (aliança inglesa), assegurando a sua sobrevivência face às pretensões hegemónicas das potências europeias. Escreve Veríssimo Serrão (História de Portugal, vol. 1) : «em face de uma Espanha superior em dimensão cinco vezes, não houve milagre no caso português, mas somente a adequada integração dos seus naturais num quadro político que lhe assegurou a existência autónoma que qualquer periferia marítima amplamente favorece.»

A leitura da História de Portugal em termos de um ciclo de apogeu e queda, de potência mundial à irrelevância geopolítica, é uma leitura marcadamente oitocentista, nascida no contexto da reflexão política de finais do século XIX. Pré-história

Mapa Étnico-Linguístico da Península Ibérica cerca de 200 AC. A região que corresponde actualmente a Portugal começou a ser habitada há cerca de quinhentos mil anos, primeiro pelos Neandertais e, mais tarde, pelo Homem moderno. Entre 20 000 a.C. e 10 000 a.C., a Península Ibérica começou a ser colonizada por grupos humanos Cro-Magnon e, milénios mais tarde, passou a abrigar outros povos, autóctones e sem parentesco aparente com quaisquer outros povos conhecidos. Entre eles, estavam os iberos, na costa mediterrânica de Espanha, os tartessos (relacionados aos turdetanos, túrdulos e cónios), no extremo sul de Portugal (regiões do Algarve e Alentejo) e osaquitanos e vascones (prováveis antepassados dos actuais bascos), na região dos Pireneus. A hipótese de todos serem de origem berbere, do norte daÁfrica (citada na teoria do Vascoiberismo), hoje é amplamente desacreditada, embora o parentesco entre iberos e bascos ainda continue a ser investigado. Porém, segue-se a crença de que todos eram povos distintos etnicamente entre si. No século VII a.C., a região passou a ser habitada por povos indo-europeus, sendo estes tribos proto-célticas e celtas. As tribos iberas e algumas vagas celtas misturaram-se, dando origem aos celtiberos, em partes de Espanha. Outras populações proto-célticas e celtas acomodaram-se em território português, como os lusitanos, os vetões (ou Vettones) e os galaicos (ou

Foram anexadas duas regiões da Península Ibérica por Roma como províncias das Hispânias (a Citerior e a Ulterior). equesos. Influências menores foram os gregos e os fenícioscartagineses. luancos. o líder lusitano. leunos. os Romanos penetraram na Península Ibérica no contexto da Segunda Guerra Púnica que mantiveram contra Cartago. pésures. fazendo com que fosse dos últimos territórios a resistir à ocupação romana da Península Ibérica.C.). quaquernos. No século III a.das maiores do mundo romano. nemetatos.. gróvios. seurbos. como a das Três Minas .. interamici.. o exercito romano levou para Roma cerca de 4 toneladas de ouro e 800 toneladas de prata que obtiveram como espólio de guerra retirado dos tesouros das tribos nativas. Romanização As províncias romanas Lusitânia eGalécia. narbasos. A conquista total da península pelos Romanos só ocorreu no tempo do imperador Augusto. mas a anexação da Ulterior) só se tornou efectiva muito depois.C.C. tapo ros. tamagani. A Citerior foi subjugada e ocupada com relativa facilidade. entre outras menos significativas.ou das minas do campo de Jales ou da Gralheira[4] era um dos principais factores económicos para o interesse romano na região. Entre 209 e 169 a.Gallaeci). Viriato. zoelas. célticos. Erigindo-se em chefe dos Lusitanos após . conseguiu conter a expansão romana durante alguns anos. 298 d. límicos.coelernos.C.[3] A exploração mineira. que terá iniciado no tempo de Augusto (27 a. tais como os brácaros.C. reorganização da Hispânia deDiocleciano. turodos).14 d.

da facção derrotada. o general romano Sertório. já que as terras a norte do rio Dourointegravam a Tarraconense. derrotou sucessivamente os vários generais romanos enviados contra ele.) por três companheiros de armas comprados pelos romanos. o Senado reconheceu-o e declarou-o "amigo do povo romano". como a de Trajano sobre o rio Tâmega em Chaves (Aquae Flaviae) ou a de Vila Formosa (Alter do Chão). No fim do século I a. na arquitectura. incluindo o célebre Pompeu. A partir daí. Desprovidos de chefe. Perpena. Chaves (Portugal). os Lusitanos sujeitaram-se ao jugo romano. derrotou mais uma vez todos os generais enviados contra ele. seria morto à traição (140 a. Uma variante do Latim (Latim Vulgar) passou a ser o idioma dominante da região. Na sequência das guerras civis. o . o imperador Augusto criou a província da Lusitânia.C. segundo o modelo habitual de colonização romana.C. Os Romanos deixaram um importante legado cultural naquilo que é hoje Portugal. embora não à sua totalidade. algumas das quais servem até aos nossos dias. Excelente general.escapar a uma matança perpetrada à traição pelo romano Galba. veio a assassiná-lo traiçoeiramente. que correspondia a grande parte do actual território português. a romanização do território que viria a ser português prosseguiu sem dificuldades de maior para Roma. mas pouco terão contribuido para a composição étnica portuguesa actual. Não obstante.C. mas por pouco tempo. Surgiram novas cidades e desenvolveram-se outras. foi convidado pelos Lusitanos a chefiá-los contra Roma. Em 74 D. Ponte de Trajano sobre o rio Tâmega. um outro general romano que se lhe juntou. No auge da sua carreira. Sertório era um hábil e carismático político. uniu à sua volta um número crescente de tribos e travou uma guerra incansável contra os invasores. nos costumes. Perito em tácticas de guerrilha e em iludir o adversário. na arte. na rede viária e nas pontes.

C.imperador Vespasiano concedeu o "direito latino" (equiparação aos municípios da Itália) a grande parte dos municípios da Lusitânia.C. entre as quais se achava a Callaecia. De todos estes povos. ocorre a entrada dos Visigodos na península ao serviço do Império Romano e com o objectivo de subjugar os anteriores invasores. compostos principalmente por Suevos (Quados e Marcomanos). e os Vândalos Silingos. o . Em finais do século III d.C. a Bética. fixam-se na Hispânia. que viria a ser atribuída a todos os súbditos (livres) do império pela chamada Constituição Antoniniana. de origem persa. a Galiza e as Astúrias.. Durante o Império Romano o Cristianismo difundiu-se em toda a Hispânia.C. que integrava o norte do actual Portugal. Difundiu-se também a cidadania romana..). enquanto os Alanos ocuparam as províncias da Lusitânia e a Cartaginense. Vândalos (Silingos e Asdingos) e Visigodos. os Suevos dominam o território da Galécia e chegam a dominar a parte norte e ocidental da Lusitânia. o imperador Diocleciano subdividiu a Tarraconense em outras províncias. ou édito de Caracala (212 D. Em 409 d. datando dessa época um importante surto urbano. Estabelecendo a capital do seu reino em Braga. além dos Alanos. os chamados povos bárbaros. Invasões bárbaras Visigodos e Suevos(Galécia) na Península Ibérica de 560 d. Em 411 estes povos dividem entre si o território: os Vândalos Asdingos e os Suevos ocuparam a Galécia. os Suevos e os Visigodos seriam aqueles que teriam uma presença mais duradoura no território que é hoje Portugal. todos de origem germânica. Estabelecidos na condição de federados do Império Romano. pelo menos a partir do século III. Algum tempo depois.

em pequenos reinos (taifas) com autonomias características. A partir de 470 crescem os problemas do reino suevo com o vizinho reino visigodo. Muitas cidades foram destruídas durante este período e verificou-se uma ruralização da vida económica. desenvolvia-se um movimento . devido ao colapso deste. facilitou a união das duas populações. Em 711 a Península Ibérica foi invadida pelos muçulmanos do Norte de África (basicamente Berberes com alguma componente de Árabes). como uma província do império omíada. Durante estes séculos. hoje Igreja de Santa Maria da Assunção. Martinho de Dume. mas questões dinásticas reacenderam os conflitos e vieram a estar na origem do colapso final. Estes dominaram partes da península por mais de cinco séculos: inicialmente sobre o controlo do Califado de Damasco. enquanto a maioria da população era católica. oAl-Andalus. controladas pelo Império Bizantino) e zonas do norte controladas pelos vascões) até à queda deste reino em 711. evangelizados finalmente por S. A estabilidade interna deste reino foi sempre difícil.reino suevo foi o primeiro reino da Europa a cunhar moeda própria. a única região que resistiu à invasão árabe. Os povos bárbaros eram numericamente inferiores à população hispanoromana. Recaredo I. convertendo-se ao catolicismo. nas Astúrias. no sul de Portugal. tendo sido convertidos ao catolicismo no ano 449. pois os visigodos eram adeptos do arianismo. pelo que foram obrigados à miscigenação étnica e cultural com esta. Ocupação Muçulmana Antiga mesquita de Mértola. Em 585 o rei visigodo Leovigildo toma Braga e anexa a Galécia sueva. mais tarde sob a forma de um emirado e califado e. A partir daqui toda a Península Ibérica fica unificada sob o reino visigodo (com excepção de algumas zonas do litoral sul e levantino.

Primeiro. Destes condados. entregou. Não se sabe ao certo o grau existente de mescla com estes berberes na população portuguesa actual. por mérito. nasceria o reino de Portugal. mais tarde. que faziam ainda parte do reino de Leão. . soberano e completo e. o governo dos territórios meridionais. Assim nasciam os reinos de Leão e. Formação do Reino de Portugal Evolução das fronteiras linguísticas dos territórios na Península Ibérica ao longo da Idade Media e Moderna. já o reino de Portugal estava formado.de reconquista da Península. tiveram de aderir aos costumes locais (incluindo o Cristianismo). grosso modo entre os rios Minho e Douro e o Condado de Coimbra. que viria a dividir-se entre os filhos de Afonso III das Astúrias quando morreu. Henrique de Borgonha. entre os rios Douro e Mondego. A esta altura. o Condado Portucalense. talvez por isso. para difundir o Cristianismo. a reconquista cristã foi francamente mais lenta. Os muçulmanos que não foram expulsos ou mortos durante o processo de reconquista. o Reino das Astúrias. Este processo gradual originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a Reconquista era bem sucedida. mas há um consenso de que esta mescla existe. Se rápida foi a invasão árabe. o país explorava o além-mar. Mais tarde Afonso VI de Leão e Castela (autodenominado Imperador de toda a Espanha). ao seu genro D. em parte sob o pretexto do espírito das Cruzadas. culminando no fim do poder político islâmico nesta com a tomada de Granada pelos Reis Católicos (1492). mas que dele tinha grande independência. de Navarra e Aragão e Castela.

Afonso Henriques toma conta do condado. mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente a Fernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço. D. declarando-o principado independente. Aos catorze anos de idade (1125). D. em . que o aclamaram como soberano. até que em 1128 se trava a Batalha de São Mamede (Guimarães) e D. Nascia. no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. conseguir a independência para o condado. D. Afonso Henriques dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal tributário da Santa Sé. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. Uma vez vencida. assinando-se a paz definitiva. A luta entre Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se. D. Teresa começou (1121) a intitular-se «Rainha». Por morte de D. Só em 1143 é reconhecida independência de Portugal pelo rei de Castela. Em1139. D. e a cidade de Coimbra como a primeira capital. A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses originou a revolta destes. O pensamento de D. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante quinze anos. no Tratado de Zamora. a lutar contra as forças de Afonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas). enquanto paralelamente travava lutas contra os muçulmanos. com o Rei Afonso I de Portugal (D. o jovem Afonso Henriques arma-se a si própriocavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. Henrique (1112). e passando a viver em Coimbra a partir de 1130. tendo reclamado para a nova monarquia a protecção pontifícia. Durante o período que se segue. sob chefia do seu filho. as atenções seguiam. tendo declarado a independência com o apoio dos chefes portugueses. Teresa.D. pois. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense. sempre que possível. Afonso Henriques. Afonso Henriques conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique. sucede-lhe a viúva deste. no entanto. Continuou. o Reino de Portugal e sua primeira dinastia. em 1139. Afonso Henriques).

até à Índia. tornando a Península Ibérica a maior potência mundial da altura. o Brasil. Portugal tornou-se rapidamente um importante explorador comercial. territórios portugueses no reinado deD. como Ceuta e Tânger. Com todas as suas colónias estabelecidas. João II. João III (verde). Manuel I. redescobrindo a Madeira. as mais tarde chamadas Índias Ocidentais. vê a luz ao Oceano Índico e espalha a presença portuguesa pela costa oriental africana. inicia o planeamento de um projecto que iria lançar Portugal entre as potências mundiais: uma rota comercial marítima para a Índia. Entretanto tomava-se conhecimento. os portugueses empenharam-se em descobrir mais e mais território. Angola e a Guiné até que D. O Império Português . O projecto passa a empreendimento. Açores e descobrindo São Tomé e Príncipe. as Américas. baseado em boatos que procurou esclarecer. portanto. o gosto por descobrir. O pretexto inicial da conversão cristã começava a revelar-se agora um verdadeiro espírito aventureiro. para o novo Império Português. E seria a curiosidade de Pedro Álvares Cabral que traria. na conquista de praças em África. através de Cristóvão Colombo. Vendo a riqueza com que se vivia na região. A partir da conquista de Ceuta em 1415 iniciaram-se várias campanhas além-mar. Os descobrimentos Descobrimentos portugueses de 1415-1543. já no tempo de D.assegurar essa soberania (que ficou dificultada durante a crise dinástica de 1383) e prolongar o território para Sul. Cabo Verde. Portugal inicia uma longa caminhada pela costa Africana. e eis queVasco da Gama. principais rotas no Oceano Índico(azul). de novo território a Oeste.

em 1961. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir. enquanto se avançava por terra para o centro do continente. o trono caiu nas mãos dos reis de Espanha. que tentavam tomar as redes de comércio portuguesas de especiarias asiáticas. Os confrontos foram iniciados a pretexto daGuerra dos Oitenta Anos. o Prior do Crato. a situação manteve-se relativamente controlada até que. Após a perda do Estado Português da Índia. Portugal espalhava a língua e os costumes. sob a forma de monarquia dual . escravos da áfrica ocidental e açúcar do Brasil. No entanto. A intensidade desta procura. Dinastia Filipina Em 1580. Portugal foi envolvido no conflito por .dois reinos. e Portugal foi uma dessas nações. estalavam os primeiros confrontos armados em Angola. um rei. cidade fundada no Japão pelos portugueses: o império tornara-se verdadeiramente global. António. trazendo para o país grandes riquezas. Desde a América do Sul à Ásia. O Império Português foi o primeiro e o mais duradouro dos Impérios coloniais (1415-1999) da Era dos Descobrimentos. a França e a Holanda. Durante a Dinastia Filipina o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos de Espanha com a Inglaterra. Portugal enfrenta uma crise dinástica cuja análise se mostrou complexa. iria permiti-las estabelecer vastas colónias em todo o mundo. logo após a Segunda Guerra Mundial começou a ruptura das dominações coloniais. muitas vezes em prejuízo das colónias. trazendo no processo enormes riquezas para Portugal. Após a descoberta da costa Africana. com a morte do rei D. Entre 1595 e 1663 foi travada a Guerra Luso-Holandesa com as Companhias Holandesas das Índias Ocidentais e Ocidentais. Em 1571 uma cadeia de entrepostos ligava Lisboaa Nagasaki. exploravam-se outras alternativas rumo às especiarias. a que se sucederiam intensos combates. a que Portugal não escapou. Apesar dos esforços de D.Mapa anacrónico do Império Português(1415-1999). por várias nações.

mas os confrontos perduraram vinte anos após a Restauração da Independência em 1640. Sebastião José de Carvalho e Melo. até conseguir aPaz que elevaria D. evidente no processo dos Távora. foram naturalmente expulsos. Introduziu em Portugal a doutrina do "direito divino dos reis". com o objetivo de superar a situação económica enfrentada pela Metrópole. Era Pombalina e Iluminismo Marquês de Pombal e a reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755. Foi muito contestado pela sua crueldade e rigidez. Relativamente ao Brasil. caracterizados no localismo político dos “Homens Bons” da Colónia. o Marquês considerava-o uma colónia estritamente dependente de .estar unificado sob a coroa dos Habsburgos. encarregado de uma nova política colonial. e ao mesmo tempo. como a maior e a mais rica das colónias. estimulou-se a busca pelo ouro e pedras preciosas. A reconstrução da baixa de Lisboa. expressa os conceitos urbanos e estéticos do Iluminismo. procurou-se reduzir os poderes das Câmaras Municipais. e à instabilidade social provocada pela quebra de promessas pelos reis castelhanos. D. defensores do pacto de sujeição do rei à República. Face ao ocorrido. João IV ao trono português. revelando-se um déspota esclarecido ao serviço de um apagado rei absoluto. foi alvo de um arrocho económico e administrativo. Portugal vive um período de guerra interna pela restauração da Independência. a Coroa Portuguesa criou o Conselho Ultramarino. No princípio do século XVIII. o Marquês de Pombal assume o cargo de primeiro-ministro. Neste contexto. Os jesuítas. José I. As Cortes nunca reuniram. Após 1640 (fim da dinastia filipina). após o Terramoto de 1755. Assim. o Brasil. e torna-se responsável por reformas em várias áreas.

Junot não tem outra alternativa senão assinar um armistício (Convenção de Sintra. Ao mesmo tempo. partiram para o Brasil. sob protesto português. todos os planos de Napoleão fracassaram. o povo brasileiro sentiu-se desprezado. Napoleão planeava já apoderar-se do Brasil e das colónias espanholas. que. Napoleão celebra com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (27 de Outubro de 1807). de onde foi prosseguida. Para conseguir os seus intentos. à semelhança do que fizera noutros Estados. formalmente um país aliado. em que se destacou especialmente o general Loison (o famigerado «maneta»). futuro duque de Wellington. O desembarque de uma força expedicionária britânica comandada por Arthur Wellesley. lhe permitirá abandonar Portugal em navios britânicos. Porém. de 30 de Agosto de 1808). o que gerou a instabilidade local suficiente para que a colónia se revoltasse e se viesse a tornar independente. com a invasão de Portugal por um exército comandado pelo general Junot. O plano é executado logo no Outono de 1807. num total de cerca de 15 mil pessoas. Napoleão Bonaparte orienta a sua política para a Espanha. a política internacional portuguesa. conseguiria debelar. em todo o território português alastra um movimento de resistência popular que nem a feroz repressão das forças francesas. pretende substituir pela dinastia Bonaparte. Com a rebelião popular espanhola. as tropas espanholas abandonam Portugal. não aderente ao sistema do Bloqueio Continental decretado em 1806 (Decreto de Berlim). com as suas tropas e o seu saque.Lisboa e ao serviço do enriquecimento do Reino de Portugal. no qual previa a divisão de Portugal em três reinos sob a influência da França. Derrotado em Roliça e Vimeiro (21 de Agosto). . É neste contexto que se deve situar a invasão de Portugal. ao mesmo tempo que. perto da Figueira da Foz (1 de Agosto) deitará por terra os planos de ocupação e dissolução de Portugal. que atingiria a fronteira portuguesa da Beira Baixa no final de Novembro. portanto. Na invasão as tropas francesas foram reforçadas por três corpos do exército espanhol. A família Real Portuguesa. toda a Corte e o Governo. [carece de fontes] As Invasões Francesas Com a derrota da Prússia em 1806 e a aliança franco-russa de 1807 (Tratado de Tilsit). aliado da Inglaterra e. mas cuja dinastia Napoleão. com inegável êxito. deixando margem para a revolta do Porto (7 de Junho de 1808) e para a constituição da Junta Provisional.

A Revolução Liberal de 1820 Embarque para o Brasil do Príncipe Regente de Portugal. Os deputados eleitos. Tendo a cidade de Lisboa aderido ao movimento. Antes de voltar nomeia o seu filho. Pedro. o que tinha provocado a ruína de muitos comerciantes portugueses. João VI. acabando por comprometer toda a política imperial da França. Ao mesmo tempo. O rei D. o Governo português. quebrou as asas à política imperial e aos sonhos de domínio sobre a Península Ibérica. Rodrigo de Sousa Coutinho. Nas duas invasões subsequentes. só restituída à França após o Congresso de Viena. Gravura feita porFrancisco Bartolozzi (1725 . ao mesmo tempo que a guerra alastrava a toda a Península.1815) a partir de óleo de Nicolas Delariva. Conde de Linhares. Esta revolução não encontrou oposição. a ideologia liberal implantava-se em pequenos grupos da burguesia. o príncipe D. regente do reino do Brasil. dependências da África e Ásia) formaram as Cortes Constituintes. chefiado por D. que culminou nas batalhas do Buçaco (27 de Setembro de 1810) e das Linhas de Torres Vedras. a de Soult (1809) e a de Massena (1810). Nos inícios do século XIX Portugal vivia uma crise motivada pela partida da família real para o Brasil. pelo domínio dos ingleses sobre Portugal e pela abertura dos portos do Brasil ao comércio mundial. formou-se uma Junta Provisória cujo objectivo era organizar as eleições para eleger as Cortes. no cais de Belém. a resistência lusobritânica.Estava concluído o fruste domínio de Napoleão Bonaparte sobre Portugal. Madeira. Açores. pelas consequências destrutivas das Invasões Napoleónicas. D. obtinha da Inglaterra o cumprimento do Tratado de Londres de 1807. ao mesmo tempo que mandava tomar a Guiana Francesa. João VI foi intimado pelas Cortes a regressar a Portugal. o que desagradou às Cortes Constituintes que entendiam que a soberania só . No Rio de Janeiro. e de toda a família real. em 27 de novembro de 1807. No dia 24 de Agosto de 1820 eclodiu no Porto uma revolução cujo objectivo imediato era convocar Cortes que dotassem Portugal de um texto constitucional. oriundos de todo o território controlado por Portugal (Brasil.

No mesmo ano as Cortes aprovaram a Constituição. depôs o regime monárquico-constitucional de D. Na tentativa de impor o seu regime absolutista. D. Após D. e impõe-se. levantava-se um problema de sucessão. Estas atitudes geraram o descontentamento dos 65 deputados brasileiros nas Cortes Constituintes. As derrotas sucessivas de D. que deixam o país em direcção ao Brasil. Inspirada na Constituição francesa de 1791 e na Constituição de Cádis de 1812 . conhecido como o grito de Ipiranga. e permitir a restauração da Carta Constitucional de 1826 e do trono de D. Pedro recebe mais uma mensagem das Cortes. limitava o papel do rei a uma mera função simbólica. marcaria a data da independência do Brasil. foi nomeado regente do Reino. consagra a divisão tripartida dos poderes (legislativo. Entretanto. Pedro deixasse o Brasil para se educar na Europa. Maria II subia ao trono por legitimidade. Miguel iriam forçá-lo a desistir da luta no [Convenção de Évora Monte]. Primeira República . exclamando: "Independência ou morte!". e o casamento com D.poderia residir em Portugal continental. pela força. que rasga diante dos seus companheiros. D. Para resolver a situação. Este acto. Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) Com a morte de D. Miguel. Pedro IV ter sido forçado a abdicar do trono de Portugal em favor do trono do Brasil. que já se revoltara pelo menos duas vezes e estava exilado. Isso mostrava a forte influencia iluminista na época. D. As cortes ordenaram também que D. Maria II. Maria dando início a seis anos de conflitos armados com intervenções da política internacional. Pedro abdica do trono para o seu filho Pedro II do Brasil. colocando o poder no governo e num parlamento unicamaral eleito por sufrágio directo. executivo e judicial). João VI. Maria seria arranjado. No dia 7 de Setembro de 1822 o princípe D.

naquele que ficou conhecido como o primeiro momento do período das Três Repúblicas.O Republicanismo acentuou-se de tal forma na primeira década do século XX que em 1 de Fevereiro de 1908 se dá o regicídio. por um sistema económico regulador da economia (condicionalismo industrial) e pelo antiparlamentarismo. Por volta de 1928 tornara-se premente a situação financeira do Estado português. alimentava uma nostalgia pelo meio rural. o Rei D. encabeçado por Teófilo Braga. . António de Oliveira Salazar. foram assassinados no Terreiro do Paço (Praça do Comércio). A ditadura e o Estado Novo António de Oliveira Salazar. A 3 de Outubro de 1910 estalava uma revolta que provocaria a deposição de D. Nesse ano foi chamado ao governo um professor de Finanças da Universidade de Coimbra. Manuel II e a criação da República Portuguesa. Carlos e o seu filho mais velho. com o de presidente do Conselho de Ministros para o qual é nomeado. Quando regressavam de Vila Viçosa. em Lisboa. mas também as tradições do liberalismo político e económico. Luis Filipe. O seu pensamento político rejeitava o comunismo. o príncipe herdeiro D. Constituía-se o primeiro Governo Provisório. que teria os destinos de Portugal nas suas mãos durante as próximas quatro décadas. caracterizado pela existência de um único partido (a União Nacional). considerado ideal. A partir daqui dedica-se a montar as estruturas do novo regime político. Em 1932 Salazar passa a acumular o cargo de ministro das Finanças. Profundamente conservador e nacionalista.

No mesmo ano estala a guerra de indepedência em Angola. A censura. Damão e Diu. restabelecida em 1926. Nos anos sessenta Portugal registou um forte fenómeno de emigração. De cariz presidencialista. usado para o fábrico de material bélico. Guerra do Ultramar . admitia a existência de uma Assembleia Nacional e de uma Câmara Corporativa composta por elementos ligados às profissões.1950). o presidente da República foi uma figura apagada. a Assembleia Nacional foi ocupada por apoiantes do regime e o poder concentrou-se na figura de Salazar. Os destinos principais dos portugueses. Durante a Segunda Guerra Mundial Portugal manteve-se neutro no conflito. A Operação Vagô envolveu o desvio de um avião entre Casablanca e Lisboa. Foi a primeira acção do género no Mundo e serviu para distribuir panfletos anti-salazaristas. foi consolidada e todas as greves proibidas. motivados pelo desejo por melhores condições de vida. Agricultores beirões (c. Na prática. No dia 19 de Dezembro de 1961 tropas da Índia invadem os territórios portugueses de Goa. na 10 de Novembro de 1961. Em 1936 o regime cria aMocidade Portuguesa. tendo beneficiado com a venda de volfrâmio. PIDE). com excepção do Partido Comunista Português (fundado em 1921). Em 1949 Portugal ingressa na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO) e em 1955 na Organização das Nações Unidas.Em 1933. cujos dirigentes foram duramente perseguidos pela polícia política (PVDE e depois. cujo propósito era incutir à juventude do país as ideias do regime. entrou em vigor a nova Constituição Portuguesa. foram a França e a Alemanha Ocidental. Os antigos partidos políticos portugueses desaparecem.

exigindo a independência. No contexto político-social do pós-Segunda Guerra Mundial. agora designadas províncias ultramarinas não foram excepção. com a designada Revolução dos Cravos. dava-se início ao um conflito armado que ficou conhecido na historiografia portuguesa como Guerra do Ultramar. . fariam o país revoltar-se contra o governo e. As possessões portuguesas. ou uma forma de governo equiparável à metrópole. e em 1964 em Moçambique. depois na Guiné Portuguesa e Cabo Verde.Embarque de tropas portuguesas. em que subsistiam os princípios de autodeterminação e independência. e entre 1961 e 1964 estalam uma série de tumultos violentos contra as forças coloniais portuguesas exigindo a libertação dos povos. libertava-se o país do regime opressor que se vivia. e na historiografia das antigas colónias como Guerra de Libertação. Primeiro em Angola. A insustentabilidade de uma guerra de três frentes (desprezando Timor Português. cuja distância tornou inviável a intervenção portuguesa). Revolução dos Cravos Manifestação do 25 de Abril de 1983 na cidade do Porto. num movimento apoiado pelas Forças Armadas. aliado a um contexto político-social ditatorial. as colónias em todo o Mundo revoltavam-se contra os colonizadores.

cujo objectivo era formar uma Assembleia Constituinte que elaborasse uma constituição para o país. Foi elaborada uma nova constituição. No dia 25 de Abril de 1975. o restabelecimento da liberdade de expressão e pensamento. descontente com aquilo que consideravam ser uma deriva esquerdista na vida política nacional tinha partido para Espanha. No mesmo dia o governo provisório tomou medidas socialistas na economia. III República A Terceira República Portuguesa é o período da história de Portugal que corresponde ao actual regime democrático implantado após a Revolução dos Cravos do dia 25 de Abril de 1974. que pôs um fim ao regime autoritário do Estado Novo. o reconhecimento dos partidos políticos existentes ou a criar e a negociação com os movimentos de independência das colónias. o Exército Português consegue ser bem sucedido num golpe de estado que. assumiram como prioridades o fim da polícia política.Numa conspiração militar.António de Spínola foi designado Presidente da República. tendo entrado em funcionamento o primeiro de uma série de governos provisórios. No dia 11 de Março de 1975 o país viveu a ameaça de um golpe de estado direitista encabeçado por militares próximos a Spínola. passado justamente um ano sobre a revolução. O poder seria assumido pela Junta de Salvação Nacional. Essa constituição seria promulgada no dia 2 de Abril de 1976 e é a constituição que rege Portugal até hoje. os prisioneiros políticos libertos e as maiores . constituída por militares. se tratou de designar historiograficamente de Revolução dos Cravos e que ocorreu no dia 25 de Abril de 1974. por não ser violento. que entretanto. a liberdade de expressão garantida. órgão que seria substituído pelo Conselho da Revolução (19751982). Os dirigentes do movimento (os "Capitães de Abril"). Foi caracterizado inicialmente por constante instabilidade e possibilidade de guerra civil durante os primeiros anos pós-revolucionários. decretando a nacionalização da banca e dos seguros. a censura foi proibida. presidido porPalma Carlos. realizaram-se as primeiras eleições democráticas. apesar de ter sido revista em várias ocasiões.

constituiu sempre uma dependência do reino das Astúrias/Leão/Galiza). sob a chefia de Mário Soares. Para aderir à União Europeia Portugal saiu de EFTA em 1986.[5] Em 1999.[8] CONDADO PORTUCALENSE Presumível bandeira do condado portucalense.instituições do Estado Novo foram extintas. . Passam a funcionar todas as instituições democráticas. sendo sensivelmente equivalente ao actual Entre-Douro-e-Minho).[6] e ainda nesse ano. derivada do pendão do condeHenrique da Borgonha. um dos oficiais do Grupo dos Nove. Portugal aderiu à Zona Euro. no actual território de Portugal. Um segundo. Portugal entra para o Conselho da Europa. As primeiras eleições democráticas para a presidência da República foram realizadas por sufrágio directo. iniciando o processo de abertura do país que levou à adesão de Portugal à CEE (actual União Europeia) em 1986. entregou a soberania de Macau à República Popular da China. Venceu Ramalho Eanes. Subsequentemente foi concedida às colónias africanas a independência. O I Governo Constitucional de Portugal teve o seu início a 23 de Setembro de 1976. ao longo do processo de reconquista.[7] Desde a sua adesão à União Europeia. a última das quais em 2007. recebendo a cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa. Houve. A 12 de Novembro do mesmo ano realizaram-se as primeiras eleições autárquicas. após a morte do conde Nuno Mendes (e que embora gozando de certa autonomia. o país presidiu o Conselho Europeu por três vezes. dois Condados Portucalenses ou Condados de Portucale distintos: um primeiro. fundado por Vímara Peres após a presúria de Portucale (Porto) em 868 e incorporado no reino da Galiza em 1071.

já que abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra. e ao sul pelo rio Vouga. Uma outra teoria afirma que a palavra cale ou cala. e tinha por centro e cabeça a povoação de Portucale. partes deTrás-os-Montes e ainda do Sul da Galiza (mormente da diocese de Tui). na Irlanda. "porto") e outro grego (καλός. já que os seus chefes eram alternativamente intitulados Comite (conde). Este último condado era muito maior em extensão. que se julga ser um nome híbrido formado por um termo latino (Portus.[1] Ainda outra teoria propõe que Cale deriva de Caladunum. História O nome do condado vem do topónimo Portucale. . tendo também recebido a mão de sua filha Teresa de Leão.os Callaeci. um burguinhão que veio auxiliá-lo na Reconquista de terras aos Mouros. Uma explicação alternativa é a de que o nome deriva da deusa venerada pela tribo e que poderia historicamente relacionar-se com a palavra Cailleach (definida como "deusa ancestral"). dado serem essas as expressões mais consagradas. kalós. e implicava a existência de um porto celta mais antigo.constituído c. com o qual desde o século IX se designava uma cidade situada perto da foz do Douro. e ao segundo como Condado Portucalense. numa invasão celta proveniente da Galécia e que teria nesses primórdios invadido a actual Irlanda. "belo"). transl. "Porto de Cale". Dux (duque) ou Princeps (Príncipe). Outra explicação é de que o nome deriva dos povos de cultura castreja que habitariam a área de Cale nos tempos pré-romanos . De notar que Condado é um termo genérico para designar o Território Portucalense. aludir-se-á ao longo deste artigo ao primeiro condado portucalense como Condado de Portucale. designada de Portus Cale. suprimido em 1091. Por uma questão de comodidade. seria celta e significava "porto". 1095 em feudo do rei Afonso VI de Leão e Castela e oferecido a Henrique de Borgonha. donde qualquer coisa como "Porto Belo". uma "enseada" ou "abrigo".[2] Data assim desse período a expressão terra portucalense ou província portucalense para designar um território distinto que era limitado ao norte pela terra bracarense.

Após a invasão.[4] refere-se. Portucale foi palco de vários acontecimentos. a diocese não sobreviveu. Portucale era já. um dos nomes mais importantes da diplomática portuguesa. a sede da diocese Portucalense. que pretendia ser aclamado rei e foi executado. Quando do domínio dos Suevos. e tendo por metropolita o bispo de Braga. tendo sido apenas restaurada após a reconquista do Porto. Idácio de Chaves escreve sobre um "Portucale castrum". e outro.No século I a.C. situada na província da Galécia. estudado pelo cônego Pierre David após a sua identificação pelo também cônego Avelino de Jesus da Costa. as "Histórias de Salústio" referem uma "Cales civitas" localizada na Gallaecia. no século V. o mesmo não acontece para a sua localização exacta. Cale teria também sido conquistada por Perpena. fala-se de uma povoação chamada de Cale ou Calem. oParoquial Suévico de São Martinho de Dume. no "Itinerário de Antonino". em 868. e a última batalha (585) de Andeca. Condado de Portucale . na direita.[3] Portucale Embora a existência da povoação na foz do Douro durante o período romano se encontre confirmada. último rei suevo. séculos depois. Quando da invasão muçulmana da península Ibérica. contando-se entre eles o aprisionamento de Requiário durante a invasão deTeodorico (457). na margem esquerda. no século IV. desde a segunda metade do século VI. a um povoado que designava como Portucale Castrum Antiquum. vencido por Leovigildo. a revolta do seu governador Agiulfo. o Portucale Castrum Novum.

a sua posição de charneira entre os mundos cristão e muçulmano permitiu uma vivência de maior paz no Entre-Douro-e-Minho. sendo entregue ao conde (ou alvazil. em 868. um próspero período da sua história: daí partiu toda a acção de reorganização. um moçárabe valido do . Viseu eFeira). Por esta altura. quer ao norte do rio Ave. neste sentido. como ainda as terras de Lamego. As campanhas do Almançor. Apenas dez anos decorridos sobre a reconquista definitiva de Portucale tivesse sido tomada a cidade de Coimbra e erigida em condado independente às mãos deHermenegildo Guterres. A reconquista permitiu também a restauração diocesana. confinava com outros territórios (Braga. Viseu. o território designava-se já de Terra Portugalense. vivendo. quer ao sul do rio Douro. a partir de então. segundo outros documentos coevos) Sesnando Davides. em finais do século X. fizeram recuar a linha de fronteira de novo até ao Douro. tendo os bispos de Portucale sido instalados numa pequena povoação chamada Magneto (a qual os especialistas fazem corresponder com a actual Meinedo.A reocupação e possível reconstrução ou fortificação de Portucale verificouse após a presúria de Vímara Peres. no concelho de Lousada). Terras da Feira e Coimbra). Pouco a pouco são alargadas as fronteiras do território que. Lamego. e nalguns casos de repovoamento. Na segunda metade do século XI. para além dos limites da antiga diocese nela sediada. porém. reconstituiu-se ao sul o condado de Coimbra (que incluía não só a cidade do Mondego. bem sucedida.

nos quais surge a referência expressa a terras situadas em Portugal.rei Fernando I de Leão e Castela. na Galiza. ou seja. Onega Lucides 3 (com Diogo Fernandes) 4 Mumadona Dias (com Mendo ? antes de 924 Filha de Lucídio Vimaranes. e vieram ainda a pertencer durante algum tempo. e que então pertenciam. repovoada durante o reinado de Ordonho I. Condes de Portucale: a casa de Vímara Peres Foram condes da casa de Vímara Peres (nem sempre em linha recta. 924 950 Filha de Onega Lucides e Diogo Fernandes. . que conquistara definitivamente a cidade em 1064 (este condado viria mais tarde a ser incorporado no Portucalense). ao sul do rio Lima. sob o governo de Vímara Peres e seus descendentes. Diogo Fernandes. no âmbito da organização eclesiástica deTui. Governa conjuntamente com o esposo. O repovoamento da Terra Portugalense ocorreria no tempo de Afonso Magno. Paulo Merêa refere a existência de documentos comprovadamente encontrados na província de Ourense. mas recorrendo às vezes à sucessão congnática): Início Fim do do govern governo o # Nome Notas 1 Vímara Peres 868 873 2 Lucídio Vimaranes 873 ? Filho de Vímara Peres. Governa conjuntamente com o esposo.

Filho de Mumadona Dias e Mendo I. Gonçalo I 5 Mendes 950 999 6 Mendo II Gonçalves Alvito Nunes 999 1008 7 1008 1015 Ilduara Mendes 8 (com Nuno I Alvites) Mendo III Nunes 1015 1028 Filha de Mendo II Gonçalves. ele lutava por controlar os seus nobres irascíveis. Nuno I Alvites. derrotado pelo rei Garcia da Galiza na batalha de Pedroso. Filho (ou neto?) de Gonçalo I Mendes. Em 997 intitula-semagnus dux portucalensium. No entanto. Sancho. onde derrota Nuno II Mendes. na Batalha de Pedroso. Governa conjuntamente com o esposo. Com a sua vitória em 1071. por . os seus irmãos Afonso VI e Sancho II tomaram o reino de Portugal e Galiza. o Condado de Portucale e a Galiza fizeram parte do território atribuído por Fernando I para o seu filho mais novo Garcia II.I Gonçalves) Mendo I Gonçalves. Na primavera seguinte. expulsando Garcia. que se tornou o primeiro monarca a usar o título de "Rei de Portugal e Galiza". 9 1028 1050 1 Nuno II 0 Mendes 1050 1065 Último conde da família de Vímara Peres. em 1071. Em 1065. filho de Alvito Nunes. Mais tarde. o Condado de Portucale é extinto.

no mesmo ano. e prolongada até à sua morte. quando Garcia acabou por morrer. Porém. Sancho aparece identificado como rei num documento português de 1072. Afonso VI sucedeu na coroa de Leão (que abrangia os três reinos). a atrofia do condado de Coimbra. prolongada pelos seus descendentes — embora nem sempre segundo uma linhagem perfeita — até à morte do último conde. em 1071. Fernando Magno. o de Leão. voltando a juntar os três reinos. em 1092 — pôde impedir. Entretanto. 790-1300. mais tarde. depois de preso. mas suprimido com a conquista da cidade por Almançor no final do século X. os territórios na sua posse passaram para . que nem mesmo a reconstituição de uma autoridade equivalente à do conde — em benefício de Sesnando Davides.sua vez. expulsou Afonso. Não se deve confundir o Condado Portucalense — concessão dos dois territórios de Coimbra e de Portucale ao conde D. que governava o Reino da Galiza e Portugal de seu pai. a ambição de Afonso VI de Leão e Castela reconstituiu novamente a unidade dos Estados paternos e. em 1064. criado em 878. o de Portugal e Galiza e o de Castela. que tentava conseguir maior autonomia face a Garcia II da Galiza. Henrique — com o condado de Portucale. D. Condado Portucalense Evolução das fronteiras dos territórios na Peninsula Ibérica ao longo da reconquista. que começou a existir desde a presúria de Vímara Peres. na batalha de Pedroso. Com o assassinato de Sancho. em 1091. permitiu a supremacia nortenha.

Teresa começa (1121) a intitular-se «Rainha». outro. dividindo em duas a zona atribuída inicialmente a Raimundo. com várias regalias. que fora cedida aos Leoneses pelo rei taifa de Badajoz. casado com D.as mãos de Raimundo de Borgonha. judiciais e militares. Urraca. apoiado pelos interesses políticos clunicenses. Em Guimarães fixou D. e o seu pensamento orientava-se. as condições lhe eram propícias. O conde D. os condes ou governadores tinham amplos poderes administrativos. conquistando poder junto das cortes. entregando a mais exposta a Henrique de Borgonha. para melhor reforçar o território: um comando na zona central. o vigor das investidas Almorávidas recomendava a distribuição dos poderes militares. para a aquisição de uma completa autonomia quando. entregue ao próprio rei Afonso VI. sistematicamente afastados. na qual fez vila de burgueses. naturalmente. exercido por El Cid em Valência. A fim de aumentar a população e valorizar o seu território. A esta altura. Falecido o conde D. Henrique a sua habitação. juntamente com Santarém. Henrique deu foral e fez vila (fundou uma povoação nova) em várias terras. este último não conseguiu defender eficazmente a linha do Tejo — tendo já perdido Lisboa. dentro do castelo que ali fora edificado no século anterior. Teresa. muitos francos seus compatriotas. fidalgo galego a quem entregara o governo dos distritos do Porto eCoimbra. a governar o condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques. e o terceiro a ocidente. não oficial. Henrique. entre elas Guimarães. da gerência dos negócios públicos. Henrique (1112). D. no caso português. entregue a Raimundo. atraindo ali. introduz-se ambiciosamente na política do Reino. D. mas os conflitos com o alto clero e sobretudo a intimidade com Fernão Peres. por estranhos. que estava também prestes a cair nas mãos dos Almorávidas — e essa será uma das razões que atribuem alguns historiadores modernos à decisão tomada por Afonso VI[5] de reforçar ainda mais a defesa militar ocidental. em paços próprios. . passa a viúva deste D. trouxeram-lhe a revolta dos Portucalenses e do próprio filho. Vendo-se na condição de subordinados ao rei.

Aos catorze anos de idade (1125). Henrique 1096 1112 Pai de D. D. Teresa 1112 1128 Regente na menoridade do filho (r. e declarou a independência.1128). pois. trava-se a Batalha de São Mamede (Guimarães) entre os partidários do infante Afonso e os de sua mãe. Afonso Henrique s 1128 27 de O Conde de Portucale e Julho de 11 Conquista depois primeiro Rei de 39 dor Portugal O Fundador . Esta é vencida. Mãe de D. Lutando contra os cristãos de Leão e Castela e os muçulmanos. 2 D. o reino de Portugal e sua primeira dinastia. [editar]Condes Portucalenses: Casa de Borgonha Início do govern o # Nome Fim do Cognome governo (s) Notas 1 D. em 1139. o jovem Afonso Henriques arma-se a si próprio cavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. Afonso Henriques. em 1139. Afonso Henriques toma conta do condado e dele vai fazer o reino de Portugal. Afonso Henriques conseguiu uma importante vitória contra os Mouros na Batalha de Ourique. Nascia. com o título de regina(«rainha»). Afonso Henriques. 1112 . 3 D. com o rei Afonso I de Borgonha (Afonso Henriques). Em 1128.

com o apoio da nobreza portuguesa da época. Teresa. D. Teresa começou (1121) a intitular-se rainha.O Grande INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL Foi rápida a ocupação muçulmana da Península Ibérica no ano 711 d. em 1096. Deste condado. conseguir a independência para o condado. o conde D. Teresa. mas os muitos conflitos diplomáticos e a influência que concedeu a alguns nobres galegos (principalmente a Fernão Peres) na gerência dos negócios públicos prejudicou o seu esforço de tal maneira a que D. Teresa foi idêntico ao do seu marido: fortalecer a vida portucalense. Primeiro.C. juntamente com a sua outra filha. Inicialmente. de Navarra e Aragão. D. Henrique (1112). Aos catorze anos de idade (1125). Assim nasciam os reinos de Leão e. D. originou a revolta destes. mais tarde. Teresa.. Afonso Henriques. Henrique de Borgonha. e a reconquista pelos visigodos foi francamente mais lenta. sucede-lhe a viúva deste. Aquando a morte de D. D. passando Henrique a ser conde de Portucale. no governo do condado durante a menoridade do seu filho Afonso Henriques de Borgonha. e mudar de política. descontente com as políticas bélicas do conde Raimundo de Borgonha. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e deixou uma terra portucalense muito mais livre do que aquela que recebera. Portugal e de Castela. a infanta D. o rei Afonso VI de Leão e Castela entrega o governo do Condado Portucalense a um primo de Raimundo. o Reino da Galiza. Teresa foi obrigada a abdicar das suas pretensões. D. Alguns anos mais tarde. o pensamento de D. nasceria o reino de Portugal. que viria a dividir-se entre os filhos de Afonso III da Galiza quando morreu. sob chefia do seu filho. Este processo gradual originou o nascimento de pequenos reinos que iam sendo alargados à medida que a reconquista era bem sucedida. . A posição de favoritismo em relação aos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses por parte de sua mãe. arma-se a si própriocavaleiro – segundo o costume dos reis – tornando-se assim guerreiro independente. o jovem Afonso Henriques.

torna-se rei. confirma e reconhece a Portugal como país independente e soberano protegido pela Igreja Católica. após conquistar Santarém no dia 15 de março com o auxílio de uma poderosa esquadra com 160 navios. Na continuação das conquistas procurou também terreno ao sul. por Mouros e. dado que ele era neto de Afonso VI. e um contingente de 12 a 13 mil cruzados que se dirigiam para a Terra Santa. Dirigiu-se ao papa Inocêncio II e declarou Portugal tributário daSanta Sé. Contudo. Fez importantes doações à Igreja e fundou diversos conventos. no entanto. depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro. Afonso Henriques (Afonso I) procurou consolidar a independência por si declarada. Nascia. povoado. Afonso Henriques toma conta do condado. D. Continuou. Imperador de toda a Hispânia. passando a assinar todos os documentos oficiais não como conde. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante 15 anos. enquanto paralelamente travava lutas contra os muçulmanos. declarando-o reino independente. D. pois à semelhança de seu pai. até então. o qual só foi feito por parte do Reino de Leão e Castela a 5 de Outubro de 1143. o estatuto de independência carecia de reconhecimento. data em que o rei Afonso VII assinou o Tratado de Zamora. Uma vez vencida. RECONQUISTA . Afonso Henriques. e com o apoio dos nobres portugueses. o rei Afonso VII de Leão e Castela (inconformado com a perda das terras portuguesas. Em 1179 o papa Alexandre III. Em 1139. D. mas sim como rei. Afonso Henriques e sua mãe desenrola-se. pois. que assinalaria a separação entre os reinos. o rei Afonso I de Portugal. Afonso Henriques afirma-se como rei de Portugal. após ver malograda a primeira tentativa de conquistar Lisboaem 1142.A luta entre D. ele também se intitulava como Imperador). Desde então. a lutar contra as forças do seu primo. em 1139. até que a 24 de Junho de 1128 se trava a batalha de São Mamede (em Guimarães) e D. é aclamado como rei soberano. feito que só conseguiu realizar em 24 de Outubro do mesmo ano. o Reino de Portugal e a sua primeira dinastia e Casa Real: os Borgonha. através da Bula Manifestis Probatum. Afonso VI. D. tendo reclamado para a nova monarquia a protecção pontifícia.

a expansão marítima portuguesa. Os muçulmanos não conseguiram ocupar a região montanhosa das Astúrias. Em nome da recristianização da região. isto é. A ideia de «cruzada» só veio a surgir na época das Cruzadas (1096). iniciando imediatamente um movimento para reconquistar o território perdido. com o toque das trombetas e a bandeira desfraldada. pelas suas características naturais. O período compreendido entre 711 e 1492 foi marcado. pois foram derrotados pelos Francos. entre outros fatos. colocava grandes dificuldades ao domínio muçulmano. resultando finalmente na completa reconquista do território por parte dos cristãos. Precedentes Por volta do ano 711 toda a Península Ibérica seria invadida por hordas berberes. Além disso. ocorreu um longo processo de lutas. Mais tarde. . Afonso III. A reconquista de todo o território peninsular vai durar cerca de oito séculos. que. A guerra tinha um objectivo: reapoderarem-se das terras e de tudo o que nelas existia. comandadas por Tarik ibn-Ziyad. considerado por alguns como parte do movimento de cruzadas. Em Portugal. A ocupação das terras conquistadas fazia-se com um cerimonial: cum cornu et albende de rege. a reconquista terminou com a conquista definitiva deSilves pelas forças de D. visto terem como objectivos conquistar todos os territórios à volta do Mediterrâneo. na Península Ibérica. só ficando concluída em 1492 com a tomada do reino muçulmano de Granada pelos Reis Católicos. onde resistiram muitos refugiados. pela presença de governantes muçulmanos. aí surgiria Pelágio (ou Pelaio) que se pôs à frente dos refugiados. obrigando os visigodos a recolher-se principalmente nas Astúrias. os muçulmanos estavam mais interessados em atravessar osPirenéus e derrotar os Francos.Reconquista (também referenciada como Conquista cristã) é a designação historiográfica para o movimento cristão com início no século VIII que visava à recuperação dos Visigodos cristãos das terras perdidas para os árabes durante a invasão da Península Ibérica. uma região no Norte da Península. como uma continuação da Reconquista. em 1253. em parte. o que acabou por não acontecer. precedida pela conquista das praças africanas foi considerada.

que dominaram a revolta. Um historiador moderno supõe que seria um servo que se conseguiu impor aos companheiros no período de crise que seguiu a queda da monarquia. chefe dos Visigodos. que iria durar cerca de oito séculos. A revolta Estátua dePelágio das Astúrias Antes de 750. segundo a tradição. cada um querendo «gizar» um reino para si. até hoje ainda existem movimentos separatistas. um outro considera-o um nativo das Astúrias. que se acantonavam nas terras mais ao norte. parente. Um escritor árabe coevo diz que se tratava de umgalego.Durante esta fase. Não se sabe muito sobre Pelágio: o nome não é gótico: os autores de pequenas crónicas escritas pelo fim do século IX e no X procuram relacionálo com os antigos reis visigodos. dá-se o nascimento do Reino de Portugal e de diversos outros reinos na Península Ibérica. O domínio muçulmano na Península levava os guerreiros cristãos a porfiadas pelejas. os soldados berberes. aproveita a desorganização muçulmana e dá início a um processo de reconquista dos territórios hispânicos. Enquanto Portugal já em 1250 tinha seus limites muito próximos dos atuais. Em 718 Pelágio. Pelágio seria então o chefe daquele heróico grupo de montanheses (ástures e cántabros) que escaparam à dominação árabe da Península. . a unificação da Espanha deu-se de forma gradual. refugiados nas montanhas quase inacessíveis das Astúrias. outros autores consideram que Pelágio era duque da Cantábria. para estabelecerem uma relação entre os guerrilheiros montanheses e a «restauração» do Cristianismo em Espanha. revoltaram-se contra os árabes: estes eram pouco numerosos e chamaram tropas sírias. do rei Rodrigo.

precipitaram-se em sua direcção. e que seria o primeiro elo dessa cadeia de combates que. Alexandre Herculano considera que o ardil de guerra que deu a vitória a Pelágio tem muito de comum com aquele que Viriato pusera por vezes em prática. na Batalha de Covadonga. os cristãos recuaram e os primeiros. cerca de novecentos anos antes: ainda que muito a custo. do cimo dos rochedos surgiram guerreiros que dizimaram os africanos e os renegados godos com tiros e lançando rochedos. atribuindo ao temor esta fuga simulada. a cerca de 740. Aquando da aproximação dos árabes. dos invasores. os cavaleiros enviados em cilada para a floresta à esquerda das gargantas de Covadonga. fez recuar o Corão para as praias de África e restituiu a Península ao Cristianismo. em consequência da qual as terras para o norte do Douro ficaram livres. pela morte de vinte mil sarracenos. porque os berberes. o duque da Cantábria atraiu-os para a entrada da gruta de Covadonga. Seguiu-se uma prolongada guerra civil. dá-se assim a derrota dos muçulmanos.É em 722 que ocorre a primeira grande vitória dos Cristãos contra os mouros. A oportunidade Os cristãos esperavam esses combates na esperança de um avanço na reconquistas cristã. e encontravam nas montanhas das Astúrias um campo propício. capitaneados por Pelágio. prolongando-se através de quase oito séculos. Na batalha de Auseba foram vingados os valentes que pereceram nas margens do Chrysus. que lá estavam. Pouco a pouco. ou quase livres. que infligiria aos sarracenos uma formidável derrota na batalha de Cangas de Onís (cerca de722). Ao som da trombeta de Pelágio. Das Astúrias desceu um dia um grupo de godos. puderam chegar aí sem serem sentidos pelos árabes. marcharam para o sul para .

bispo de Salamanca. Este ponto de vista foi depois corrigido. cujo limite passava.fazer guerra aos árabes. A Galiza foi uma zona onde essa luta foi mais renhida e devastadora. Algumas sés (entre elas as do Porto e Braga) foram abandonadas pelos bispos. por efeito do recuo dos mouros. É essa a origem da teoria do ermamento: se todos os mouros foram mortos e todos os cristãos levados. E. por Coimbra. As populações hispano-góticas dessas regiões puderam. Rezam as crónicas que foi Afonso I (um chefe asturiano) quem reconquistou uma enorme região. entre eles Alexandre Herculano. em especial o atribuído a Sebastião. passando os mouros a fio de espada e levando consigo. mas o culto cristão nunca foi interrompido. todos os cristãos que encontrou no território. que incluía toda a Galiza. a não ser ao clero. então. Os ataques As razias eram feitas nos lugares onde os saques podiam ser compensadores. tomaram à letra algumas frases dos cronicões da reconquista. levantar cabeça e colocaram-se do lado dos cristãos contra os mouros. há indicações de conflitos sociais violentos entre os servos e os senhores. seguia o curso do Mondego por Talavera. As populações não estavam submetidas a nenhuma organização definida permanente. E estas dificuldades iam fortalecendo o poder popular. divididos por guerras internas. outras vezes cristãos). o Minho. onde a vida social parou e só veio a renascer a partir da sua incorporação nos novos reinos cristãos. Toledo. a Península Ibérica tinha duas zonas. aproximadamente. . o Douro e parte da actual Beira Alta. a terra transformou-se num grande deserto. Tudela e Pamplona. os aldeões faziam como em Coimbra: refugiavam-se nos montes e voltavam depois para construir novas choupanas e continuar as sementeiras. Apesar disso. À aproximação dos soldados(umas vezes mouros. Antes de terminar o século VIII. Alguns historiadores. e o facto de se repetirem várias vezes mostra que as populações estavam enraizadas. há sempre alguns que escapam. para norte. As condições sociais desta época são pouco conhecidas. entre os mortos e os feridos. Os cristãos levados para o norte pode explicar-se pela necessidade de mão-deobra.

Mas os «reconquistadores» não aceitavam as organizações dos vizinhos que. descendentes de antigos escravos.Os Cristãos consideravam que o seu protector era Santiago (ainda hoje patrono da Espanha). altura em que o seu brado foi substituído pelo de São Jorge. entretanto. Diz que se revoltaram contra os senhores mas foram vencidos e «reconduzidos à escravidão». Santiago teria aparecido miraculosamente em vários combates travados em Espanha durante a Reconquista Cristã. Os reinos cristãos . as populações revoltavam-se após a incorporação dos territórios em que habitavam no domínio cristão. Sebastião de Salamanca e o cronicão Albeldense falam-nos de uma revolta de libertinos. sendo a partir de então apelidado de Matamoros (Mata-Mouros). Santiago foi também protector doexército português até à crise de 1383-1385. se tinham enraizado. Santiago Mata-Mouros De acordo com outras tradições. apelidado deSantiago Matamouros. Em alguns casos. isto é. Santiago y cierra España foi desde então o grito de guerra dos exércitos espanhóis. Essas revoltas não eram de carácter religioso: não existem indícios de uma profunda adesão dos povos ao credo islâmico.

e mais tarde de Reino de Leão. a amarelo a formação do território português. outros tons para os reinos cristãos da Península (Leão. formando o Reino de Navarra. O primeiro reino cristão foi o das Astúrias. iam repovoando terras e reconstruindo igrejas e mosteiros. ficando célebre na parte ocidental . fundado por Pelágio. Castela. ao mesmo tempo. Aragão. Navarra). A verde. Os reis ásturo-leoneses foram alargando os domínios cristãos que atingiram o rio Mondego (Afonso III de Leão.Mapa da evolução da conquista cristã. Nos princípios do século X a provínciade Navarra tornou-se independente. os territórios sob domínio muçulmano. Cronologia da reconquista cristã da Península Ibérica (790 . e.1150 1300).900 .

os seus estados foram divididos pelos três filhos. Fernando I. alargando assim definitivamente os limites da reconquista até ao Mondego. a oeste. e Garciacom a Galiza (e portanto com o condado de Portugal). já no século X. Afonso VI. Afonso com Leão e Astúrias. estendendo assim a reconquista até ao Tejo. em 1110. por sua morte. tornando-se assim rei de Leão. propriedades rústicas e Porém. aproveitando as lutas entre os principados muçulmanos após a desagregação do califado de Córdova (1031).o Mosteiro de Guimarães – com grandes muitos castelos por todo o norte do país. separadamente dos outros territórios da Galiza. com dois distritos ou condados – Portugal e Coimbra – gozando de autonomia administrativa. prosseguiu a guerra contra os infiéis e conquistou Toledo. morto Sancho e destronado Garcia. a capital. Santarém permanece então . derrotam os exércitos cristãos na Batalha de Zalaca (1086). e reduzindo o reino cristão ao último extremo. de Castela e de Galiza. Afonso VI de Castela reúne novamente todos os estados de seu pai. entre as quais Coimbra(1064). o Magno. anexou o condado de Castela e. o qual aparece designado por Portucale. e Almançor tomou a ofensiva destruindo Leão. Contudo. onde fixou a capital. mas este em breve se apoderou também do reino de Leão. Face ás vitórias cristãs. Porém. Este monarca desenvolveu o território entre o Douroe Mondego. os nobres galegos e do condado portucalense. as discórdias entre os chefes cristãos enfraqueceram o reino. rei de Navarra. com magistrados próprios. e estes. repartiu os seus domínios pelos filhos: Sancho ficou com Castela. Depois de varias lutas entre os irmãos. uma reacção mais forte dos Sarracenos trouxe-os de novo até junto de Santarém e após um longo assédio a cidade rendeu-se. O reino de Castela coube aFernando I. Sancho de Navarra. transformado em reino independente. sendo nessa altura os condados de Aragão e de Castela elevados à categoria de reinos. Fernando. diminuindo de extensão o poder dos leoneses. notabilizou-se na luta contra os muçulmanos recuperando muitas terras. vindo à Península. tomam Santarém e a seguirLisboa e Sintra (1093). rei de Leão e Castela. No século XI. ao falecer (1065). os emires pedem auxilio aos Almorávidas da Mauritânia.

Aragão e peloscondes de Barcelona.terra que seu filho Afonso Henriques (revoltandose contra ela e o seu padrasto Fernão Peres de Trava) alargou e tornou em reino independente. Afonso VI de Leão. Assim. depois. filha ilegítima de Afonso VI e recebe. Afonso Henriques em 1147. a reconquista contra os Almóadas foi prosseguida pelos reis de Portugal. Acudindo aos apelos de Afonso VI. ficando. Portugal na Reconquista D. irmão do Duque de Borgonha e primo de Raimundo. vem Raimundo. filha do rei de Leão e recebe deste (1093) o governo de toda a Galiza até ao Tejo. que casaria com D. entre os cavaleiros de além-Pirenéus. Afonso Henriques. Depois de D. mais dependente do poder do Reino de Castela — limitada por Leão a Este e por Portugal a Sul. conseguimos documentar as seguintes batalhas: Reinado Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Acontecimento Local Ano 113 5 113 9 114 Fundação do Castelo Leiria Batalha de Ourique Ourique Tomada do Castelo Santarém . Castela. que recebe a mão de D. Desde o início do seu reinado. iria revoltar-se contra a sua mãe.no poder dos mouros até ser reconquistada definitivamente por D. com o tempo. filho do conde de Portucale. conquistando a Independência de Portugal e iniciando a reconquista portuguesa autonomamente. a Galiza assumia assim a sua fronteira e Portugal seria o único a constituir um estado independente do poder castelhano. o último grande reconquistador espanhol até aos reis católicos. Henrique. Teresa. No ano seguinte chega à PenínsulaD. O reino da Galiza passou a ser unicamente aquele ao norte do rio Minho. filho do conde de Borgonha. a formação do reino de Portugalfoi uma frutuosa consequência das cruzadas do Ocidente. Urraca. o governo da província portucalense que fazia parte do Reino da Galiza .

Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques 7 114 7 114 7 114 7 114 7 do 115 8 115 9 115 9 115 9 116 2 116 5 Conquista de Lisboa Lisboa Batalha de Sacavém * Sacavém Tomada do Castelo Almada Tomada do Castelo Palmela Conquista Alcácer Sal Conquista do Castelo Tomar de Cera Conquista Évoramonte de Évoramonte Conquista de Beja Beja Reconquista de Beja Beja Conquista de Évora Évora .

bem como na fundação do próprio Reino de Portugal. especialmente. O fim do domínio árabe . viria a beneficiar das Cruzadas em trânsito para o Médio Oriente.Afonso Henriques Afonso Henriques Afonso Henriques Tomada de Serpa Serpa 116 6 116 6 116 9 118 9 de 121 2 134 0 Tomada de Moura Moura Batalha de Badajoz Badajoz D. Afonso II Batalha Tolosa Navas de Navas Tolosa D. Portugal.Considerada lendária pela historiografia moderna Cronologia da Reconquista Ordens religiosas e Cruzadas Todos os reinos ibéricos puderam beneficiar do apoio de várias Ordens Militares. Afonso IV Batalha do Salado Salado * . Sancho I Rendição da Cidade Silves D. das quais se destaca a Ordem dos Templários. uma Ordem militar e religiosa instituída com o propósito da cristianização. tendo estas desempenhado um papel importantíssimo na tomada de algumas cidades portuguesas e subsequente expansão.

para a fase inicial dosDescobrimentos. DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES Os descobrimentos portugueses foram o conjunto de viagens e explorações marítimas realizadas pelos portugueses entre 1415 e 1543 que começaram com a conquista de Ceuta na África. Caminhava-se. desenvolvendo os primeiros navios capazes de navegar em segurança em mar aberto no Atlântico. impulsionados pela Reconquista e pela procura de alternativas às rotas do comércio no Mediterrâneo. ambos os reis estavam agora de olhos postos no Norte de África. a Reconquista chegava ao fim. cartografia e astronomia. com a conquista do reino de Granada. Os descobrimentos resultaram na expansão portuguesa e deram um contributo essencial para delinear o mapa do mundo. . Leão. administrativa e comercial).Granada — entrega das chaves da cidade pelo próprio rei Boabdil à rainha Isabel I de Castela. Com estas descobertas os portugueses iniciaram a Era dos Descobrimentos europeus que durou do século XV até ao XVII e foram responsáveis por importantes avanços da tecnologia e ciência náutica. nas praças comerciais de renome. como Ceuta e Tânger. Juntamente com o reino independente de Portugal. Já os reinos da Galiza. sob o pretexto da cristianização. Castela. Navarra e Aragão iniciavam uma relativa unificação ao possuir um único rei (embora mantendo a autonomia económica. que posteriormente recebeu o nome de reino de Espanha. Em 1492. debatiam-se estes dois Estados pelas conquistas marítimas. paralelamente. Ainda com o apoio da Igreja.

filho de D. Terminada a Reconquista. D. navegando no extremo da Ásia chegaram à China em 1513 e ao Japão em 1543. Os portugueses importavam armaduras e munições. o espírito de conquista e Cristianização dos povos muçulmanos subsistia. Chegaram à índia em 1498. é a partir da conquista de Ceuta em 1415. Vinho e frutos secos doAlgarve eram vendidos na Flandres e na Inglaterra. nomeando-o primeiro almirante da frota real com privilégios comerciais com seu país. Em 10 de Maio de 1293. sal das regiões de Lisboa. Setúbal e Aveiro eram exportações rentáveis para o Norte da Europa. Afonso IV. Henrique. de onde tinham vindo os mouros que se haviam estabelecido na Península Ibérica. instituiu um fundo de seguro marítimo para os comerciantes portugueses que viviam no Condado da Flandres. até ao projecto da descoberta de um caminho marítimo para a Índia de D. que pagavam determinadas quantias em função da tonelagem. altura em o Império Português ficou estabelecido. Avançando progressivamente pelo Atlântico ao longo das costas do continente africano. além de couro e Kermes. simultaneamente exploraram o Atlântico Sul e aportaram nas costas do Brasil em 1500. organizando a exportação para países europeus. um corante escarlate. Dinis fez um acordo com o navegador e mercador genovês Manuel Pessanha (Emanuele Pessagno). roupas finas e diversos produtos fabricados da Flandres e da Itália.Embora com antecedentes no reinado de D.Dinis interessou-se pelo comércio externo. Os portugueses dirigiram-se então para oNorte de África. João III. Dinis (1279) e nas expedições às Ilhas Canárias do tempo de D. João II. João I. que Portugal inicia o projecto nacional de navegações oceânicas sistemáticas[1] que ficou conhecido como "descobrimentos portugueses". Antecedentes Com a Reconquista concluída. com o objetivo de defender as . culminando no reinado de D. em troca de vinte navios e suas tripulações. que revertiam em seu benefício se necessário. desde as explorações na costa africana impulsionadas pelo Infante D. As expedições prolongaram-se por vários reinados.[2] Em 1317 D. passaram o Cabo da Boa Esperança e entraram no Oceano Índico movidos pela procura de rotas alternativas ao comércio Mediterrânico.

com apoio de genoveses. Henrique. Luís de la Cerda. mas em 1344 Castela disputou-as. Genoveses e florentinos estabeleceram-se então em Portugal. o Navegador. O Infante D. foram oficialmente descobertas sob o patrocínio do rei Português. personifica a gesta dos descobrimentos[4] Na segunda metade do século XIV. concedendo-as ao castelhano D. que lucrou com a iniciativa e experiência financeira destes rivais da República de Veneza. já conhecidas dos genoveses. sob o comando de Manuel Pessanha. Em 1341 as ilhas Canárias. os mercadores da República de Génova tinham-se voltado para o comércionorte Africano de trigo. [5] Entre 1325 e 1357 D. Afonso IV de Portugal concedeu o financiamento público para levantar uma frota comercial e ordenou as primeiras explorações marítimas. Só o mar oferecia alternativas.costas do país contra ataques de pirataria (muçulmana). azeite (também fonte de energia) e ouro . com a maioria da população fixada nas zonas costeiras de pesca e comércio.[6] A sua exploração foi concedida em 1338 a mercadores estrangeiros. surtos de peste bubónica levaram a um grave despovoamento: a economia era extremamente localizada em poucas cidadese a migração do campo levou ao abandono da agricultura e ao aumento do desemprego nas povoações. lançando as bases da Marinha Portuguesa e para o estabelecimento de uma comunidade mercante genovesa em Portugal.navegando até aos portos de Bruges (Flandres) e Inglaterra. .[3] Obrigados a reduzir suas atividades no Mar Negro.

Em 1370 é criada a Bolsa de Seguros Marítimos e em 1387 há notícia do estabelecimento de mercadores do Algarveem Bruges. Afonso IV enviou uma carta ao Papa Clemente VI referindose às viagens do portugueses às Canárias e protestando contra essa concessão. se não sentisse que em alguma maneira era serviço de Deus”. Gil Vicente. Há unanimidade dos historiadores em considerar a conquista de Ceuta como o início da expansão portuguesa. a vontade do rei de Castelasobre estas ilhas.No ano seguinte. mas a decisão cabia ao rei D. tipicamente referida como os Descobrimentos. A aventura ultramarina ganharia grande impulso através da acção do Infante D. João I: “Eu não o teria por vitória. O cronista Gomes Eanes de Zurara refere que os Infantes tinham as suas razões. Henrique reconhecido internacionalmente como o seu grande impulsionador. Em 1353 é assinado um tratado comercial com a Inglaterra para que os pescadores portugueses pudessem pescar nas costas inglesas. sobrepondo-se a todos os outros. considerava-se que a principal motivação para as conquistas africanas em Marrocos tinha sido de ordem religiosa. Foi uma praça conquistada com relativa facilidade. em 1415. [editar]Motivações Até ao século XIX. no final. abrindo assim caminho para o futuro Tratado de Windsor em 1386. nem o faria em boa verdade. ainda que soubesse cobrar todo o mundo por meu. João I. Em 1395. Luís de Camões. sucessivamente renovadas pelos dois povos. D. prevaleceu. foi como tal apontado. os letrados as suas.[7] O motivo religioso. . entre outros. Nas reivindicações de posse. João I emite uma lei para regular o comércio dos mercadores estrangeiros. por João de Barros. por uma expedição organizada por D.

Porta do comércio do poente para levante. considerando a primazia do interesse económico: procurar acesso directo a fontes de fornecimento de trigo. (3ª) saber até onde chegava o poder dos muçulmanos. porém. ligando-as à acção deD. Henrique. Mas houve também historiadores. Baluarte da Cristandade. & Chave de toda Hespanha. permitindo também reprimir ou tolher a pirataria dos mouros nas costas do Atlântico. sob o impulso do Infante D. houve historiadores que julgaram o passado com as preocupações do presente. Segundo Gomes Eanes de Zurara. (2ª) trazer ao reino mercadorias.As importantes rotas comerciais da sedae das especiarias. (4ª) encontrar aliados que o pudessem ajudar numa guerra que durava há trinta . de ouro ou de escravos no norte de África. rebatendo essa tese: "Ainda que Ceuta tivesse importância como centro de comércio. Ceuta era uma base naval que podia servir de apoio à navegação entre a península itálica e Portugal. vieram a dar lugar aos descobrimentos.“El-Rei Dom João o primeiro. foi o que motivou a procura de um caminho marítimo pelo Atlântico. contornando a África Mapa das rotas comerciais portuguesas de Lisboa à Nagasaki em 1580-1640 Mas havia também outras razões para a conquista de Ceuta. as expedições organizadas pelo Infante tinham cinco motivações: (1ª) conhecer a terra além das Canárias e do cabo Bojador. tomãdo Septa." O inimigo muçulmano dominava o Estreito e era poderoso em Granada. começou a conquista de África. Afonso IV na Batalha do Salado . bloqueadas pelo Império Otomano em 1453 com a queda de Constantinopla. No século XX. naCrónica do descobrimento e conquista da Guiné (Capítulo VII). a sua conquista por cristãos desviaria dela o tráfico muçulmano" [8] As conquistas de Marrocos. como David Lopes. Pela sua posição geográfica. mais de um século depois resumidas pelo carmelita Frei Amador Arrais.

parece haver sobretudo a intenção de envolver pela rectaguarda o grande poderio islâmico. João II. as trocas comerciais no Mediterrâneo de Veneza e de Génova ficaram muito reduzidas.e um anos. Afonso V e D. que a partir de então dirigiu e impulsionou as primeiras expedições no Atlântico. 1558. Quando se firma o projecto da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Em 1453. [editar]Primeiras expedições no Atlântico Imagem de Preste João no trono. Diogo Homem. a crescente intervenção dos "cavaleirosmercadores" (Magalhães Godinho) nos reinados de D. Nela participou o Infante D. onde foi acompanhado por um grupo de cartógrafos. astrónomos e pilotos. acabará por levar a expansão portuguesa até ao Oriente em busca das especiarias. como investimento do seu património pessoal. Henrique. com a tomada de Constantinopla pelos Otomanos. o príncipe ambicionava estabelecer . com o Infante. ao avançar pela costa de África na direcção do sul. a expansão portuguesa está já dominada pelo interesse comercial. mapa da África oriental no Queen Mary's Atlas. As primeiras navegações estão associadas à sua figura a partir da base que estabeleceu em Lagos e na Sagres. adversário da Cristandade (uma estratégia militar e diplomática tributária do espírito das Cruzadas). O proveito de uma rota comercial alternativa mostrava-se recompensador. (5ª) e trazer para a fé de Cristo todas as almas que se quisessem salvar. Portugal iria ligar directamente as regiões produtoras das especiariasaos seus mercados na Europa.Museu Britânico A conquista de Ceuta em 1415 é geralmente referida como o início dos "descobrimentos Portugueses". Além dos interesses materiais. Se.

Henrique pensava expulsar os Muçulmanos da Terra Santa e recomeçar as Cruzadas. por serem vizinhos da costa africana. Trata-se de um redescobrimento pois já havia conhecimento da existência das ilhas da Madeira noséculo XIV. Tratava-se de ilhas desabitadas que. João I. Em 1452 o grupo ocidental (Flores e Corvo) é descoberto por Diogo de Teive. segundo revela a cartografia da mesma época. responsáveis por uma série importante de iniciativas a que o Navegador aderiu. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto Santo por João Gonçalves Zarco e mais tarde da ilha da Madeira por Tristão Vaz Teixeira. São Miguel e Santa Maria. Segue-se o descobrimento do grupo central -Terceira. Pedro. Por trás deste movimento estava um grupo vasto de mercadores e armadores profissionais. no Saara Ocidental. principalmente em mapas italianos e catalães. [editar]A costa oeste de África Em 1434 Gil Eanes contornou o Cabo Bojador. São Jorge. desde cedo. Graças a essa aliança. ainda no reinado de D. [editar]A ilha da Madeira Em 1418. A disputa destes territórios deu origem ao primeiro conflito ibérico motivado por razões expansionistas que só terminou com a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. Pico e Faial). após a derrota portuguesa . representavam fortes potencialidades económicas e estratégicas. Entretanto. pelo seu clima. Graciosa. Os arquipélagos da Madeira e das Canárias despertaram. como dirigente governativo. Ainda nesse ano é descoberto o grupo oriental dos Açores. dão-se os primeiros contactos com o arquipélago dos Açores por Diogo de Silves. interessados e participantes nas navegações e. ofereciam possibilidades de povoamento aos Portugueses e reuniam condições para a exploração agrícola. [editar]Os Açores Em 1427. mas numa escala planetária. No ano seguinte.uma aliança com o Preste João das Índias. o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos. D. o infante D. dissipando o terror que este promontório inspirava. navegando com Afonso Gonçalves Baldaia descobriram Angra de Ruivos e este último chegou ao Rio de Ouro. e sob comando do Infante D. um príncipe cristão que governaria as terras da Etiópia.

da costa oeste africana Golfo da Guiné e "A mina" . A partir de então ficou generalizada a convicção de que essa área da costa africana poderia.[10] Em 1455 é emitida a bula Romanus Pontifex do Papa Nicolau V confirmando as explorações portuguesas e declarando que todas as terras e mares descobertos a sul do Bojador e do cabo são pertença dos reis de Portugal. Em 1456. Diogo Gomes descobre Cabo Verde e segue-se o povoamento das ilhas ainda no século XV.Pêro de Sintra atinge a Serra Leoa. No ano seguinte chegava a Bristol o primeiro carregamento de açúcar provindo da ilha da Madeira. independentemente de novos avanços. Henrique. que poderá cobrar impostos sobre a navegação e comércio. como em toda a Europa.de Tânger em 1437. Após a sua morte. a missão é atribuída temporariamente ao seu sobrinho. Afonso V. se fazia sentir. Mapa do século XVI.Duarte). Fernando (filho de D. de onde foi obtido ouro em pó. Juntamente com Antão Gonçalves fizeram incursões ao Rio do Ouro. em Portugal.[9] Já na regência de D. os portugueses adiaram o projecto de conquistar Marrocos no Norte de África. Nesse ano faleceu o Infante D. Em 1460. sustentar uma actividade comercial capaz de responder às necessidades denumerário que. o Infante D. em 1441 Nuno Tristão chegou ao Cabo Branco.

já no Hemisfério Sul. e per seus oficiais. do qual não há grandes pormenores. atingindo a «minha de ouro» de Sama (actualmente Sama Bay).Em 1469. que ficou conhecida posteriormente pelo seu nome). a de Benin. D. per si. Fernão Gomes fêlo mesmo para além do contratado. Rei de Portugal dadas as poucas receitas da exploração. Mais tarde. pois o exclusivo era garantido com «condição que em cada um destes xinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem léguas. concedeu o monopólio do comércio no Golfo da Guiné ao mercador de LisboaFernão Gomes. Fernão do Pó e Pedro de Sintra. Este fez o reconhecimento de toda a costa até à região do Padrão de Santo Agostinho. hoje conhecido por Cabo Lopez) ultrapassou o Equador. mui boa ordem à navegação destes trautos e os governa mui bem. com apenas dezanove anos. a organização das explorações por terras africanas. contra uma renda anual de 200. a costa da Mina. ficava aquele «honrado cidadão de Lisboa» com a obrigação de continuar as explorações. João organizou a primeira viagem de Diogo Cão. os portugueses chegaram ao Cabo de Santa Catarina. Lopo Gonçalves.». a do Calabar e a do Gabão e as ilhas de São Tomé e Príncipe e de Ano Bom..[13] Quando as expedições chegaram a Elmina na Costa do Ouro em 1471. o príncipe D. D.[14]encontraram um florescente comércio de ouro. teria começado a partir da Serra Leoa. João Vaz Corte-Real. [11] Segundo João de Barros. João. Seguiram-se outros navegadores como Soeiro da Costa (que deu nome ao rio Soeiro).000 réis. Em 1474. e em 1473 Lopo Gonçalves (cujo nome se transmitiu ao Cabo Lopo Gonçalves. Afonso V. Com o seu patrocínio. Pedro Escobar. Com a colaboração de navegadores como João de Santarém. que em 1472 descobriu a Terra Nova. Afonso V entregou ao seu filho. Diogo Cão levou a . João II. Este avanço. futuro D. Assim que lhe foi entregue a política de expansão ultramarina. João de Santarém e Pêro Escobar exploraram a costa setentrional do Golfo da Guiné. Em 1485. o rei confirmou a missão do príncipe em novo diploma: «…sabemos certo que ele dá. onde haviam já chegado Pedro Sintra e Soeiro da Costa. Fernão do Pó (que descobriu a ilha Formosa (em África). em 1481. de maneira que ao cabo do seu arrendamento desse quinhentas léguas descobertas[12]».

cabo uma segunda viagem até à Serra Parda. contornando a costa africana (o chamado "périplo africano"). do Paralelo 27 no qual se encontravam. pelo qual a Coroa portuguesa garantia o seu progresso para o sul e o Oriente. O tratado dividia as terras descobertas e a descobrir por umparalelo na altura das Canárias. Além da aquisição do ouro e malagueta. para oeste até ao Novo Mundo. para a Coroa de Castela. Em 1482 dá-se a construção da Fortaleza de São Jorge da Mina e. para a Coroa de Portugal. Fernão Gomes auxiliou o monarca na conquista de Arzila. A pedra de Dighton na Terra Nova. Diogo Cão chega ao rio Zaire. evidência da descoberta por João Vaz Corte-Real Em 1479. pelo qual Castela se aventurou no oceano Atlântico. e o que se denominou posteriormente de ciclo ocidental. renunciando a navegar ao Sul do cabo Bojador. o de Cabo Verde e a costa da Guiné. Preservavam-se. Há notícias de carregamentos de açúcar da Madeira serem entregues em Rouen (1473) e Dieppe (1479). no ano seguinte. Portugal negociou com Castela o Tratado das Alcáçovas-Toledo. A Fortaleza de São Jorge da Mina e a cidade foram construídos em 1482 em redor da indústria do ouro. desse modo. definindo-se. estabelecendo a paz e concertando a política externa Atlântica dos dois reinos rivais: Portugal obtinha o reconhecimento do seu domínio sobre a ilha da Madeira. o comércio escravagista oferecia boas perspectivas de lucro. Alcácer Ceguer e Tânger. o Arquipélago dos Açores. e a sul. os interesses de ambas as Coroas. a partir de então. dividindo o mundo em dois hemisférios: a norte.[15] Com os lucros deste comércio. enquanto que Castela recebia as ilhas Canárias. ou seja. os dois ciclos da expansão: o chamado ciclo oriental. buscando proteger o investimento resultante das descobertas.[16] [editar]A ligação do Atlântico com o Índico .

D. D. A juntar à cada vez mais sólida presença marítima portuguesa. Contentavam-se com o comércio da Guiné e do Norte de África e temia-se pela manutenção dos eventuais territórios além-mar. este empreendimento não era bem visto pelas altas classes. n'Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões. Manuel I que iria designar Vasco da Gama para esta expedição. Estabelecia-se assim a ligação náutica entre o Atlântico e o Oceano Índico.Viagem de Bartolomeu Dias (1487–88) Em 1487. Porém. João II tão esforçadamente havia preparado. Nesse mesmo ano. atinge o Cabo da Boa Esperança. o empreendimento não seria realizado durante o seu reinado. João almejava o domínio das rotas comerciais e expansão do reino de Portugal que já se transformava em Império. João II como medida de redução dos custos nas trocas comerciais com a Ásia e tentativa de monopolizar o comércio das especiarias. Porém. pelo custo implicado na expedição e manutenção das rotas marítimas que daí adviessem. Bartolomeu Dias. embora mantendo o plano original. D. João II envia Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã em busca do Preste João e de informações sobre a navegação e comércio no Oceano Índico. comandando uma expedição com três Caravelas. Seria o seu sucessor. Esta posição é personificada na personagem do Velho do Restelo que aparece. O projecto para o caminho marítimo para a Índia foi delineado por D. a opor-se ao embarque da armada. Nas Cortes de Montemor-o-Novo de 1495 era bem patente a opinião contrária quanto à viagem que D. .

João II consegue uma renegociação. Os castelhanos recusaram a proposta inicial.as Bulas Alexandrinas . vindo viver para Portugal.que concediam ao reino de Espanha o domínio dessas terras. D. [editar]Tratado de Tordesilhas e o domínio do Atlântico Sul Ver artigo principal: Tratado de Tordesilhas Meridiano de Tordesilhas demarcando os territórios a explorar por Portugal e por Castela Face à chegada de Cristóvão Colombo à América no mesmo ano 1492. Este tratado estabelecia a divisão do Mundo em duas áreas de exploração: a portuguesa e a castelhana.Em 1492. foi assinado em 7 de Junho de 1494 o Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Castela. segue-se a promulgação de três bulas papais . e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha. essencial para a manobra náutica então conhecida . trazendo consigo as tábuas astronómicas que ajudariam os navegadores portugueses no mar. Cientes da descoberta de Colombo. Reuniram-se então os diplomatas em Tordesillas. sem a intervenção do Papa. mas só entre os dois Estados. Como resultado das negociações. os cosmógrafos portugueses argumentaram que a descoberta se encontrava em terras portuguesas.770 km) a oeste das ilhas de Cabo Verde.[17] Em princípio. Abraão Zacuto é expulso da Espanha por ser judeu. o tratado resolvia os conflitos que seguiram à descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo e garantia a Portugal o domínio das águas do Atlântico Sul. propondo estabelecer um paralelo das Ilhas Canárias. cabendo a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas antes da linha imaginária que demarcava 370 léguas (1. mas prestaram-se a discutir o caso.

João II teria designado seu pai. cavaleiro da sua casa. Estêvão da Gama. A 8 de Junho de 1497 iniciou-se a expedição semi-planetária que terminaria dois anos depois com a entrada da nau Bérrio rio Tejo adentro. Nos anos que se seguiram à assinatura do Tratado de Tordesilhas (1494) Portugal prosseguiu no seu projecto de alcançar a Índia. Manuel I mandou aparelhar as naus e escolheu Vasco da Gama. o que foi finalmente alcançado pela frota de Vasco da Gama. D. [editar]A chegada à Índia Ver artigo principal: Descoberta do caminho marítimo para a Índia Vasco da Gama chega à Índia. na sua primeira viagem de 14971499. para chefiar a armada. Neste dia parte do Restelo a armada chefiada por Vasco da Gama. o rei D. mas a esta altura já ambos tinham falecido. para capitão desta armada. Segundo o plano original. trazendo a boa-nova.como volta do mar. empregada para evitar as correntes marítimas que empurravam para norte as embarcações que navegassem junto à costa sudoeste africana. É a partir da viagem de Vasco da Gama que se introduzem as naus. Tratava-se de uma expedição comportando três embarcações. João II. a 20 de Maio de 1498. Mantendo o plano de D. permitindo a ultrapassagem do cabo da Boa Esperança. A 20 de .

Estabelecia-se assim o caminho marítimo para a Índia. A sua foi a mais bem equipada armada do século XV. Mas Pedro Álvares Cabral. retornando com o máximo de mercadorias. após quarenta e três dias de viagem. A sua missão era a de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim.500 homens. como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho. tendo partido de Lisboa a 9 de março de 1500. Tendo-se afastado da costa africana. seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo.200 a 1. após o retorno de Vasco da Gama. Era integrada por navegadores experientes. A 24 de abril. Pedro Álvares Cabral foi nomeado capitão-mor da armada que se dirigiria à Índia. nos arredores de Porto Seguro. fundeando na atual baía de Santa Cruz Cabrália. houve o contato inicial com os indígenas. onde permaneceu até 2 de maio. transportando de 1. à qual compareceu o Rei e toda a Corte. . No dia seguinte. promovendo a imagem de Portugal e instalando um entreposto comercial ou feitoria. desvia-se da rota. soldados e religiosos. a 22 de abril de 1500.Maio de 1498 Vasco da Gama chega a Calecute. integrada por dez naus e três caravelas. Em 1499. Manuelescrita por Pero Vaz de Caminha descrevendo as terras brasileiras achadas na expedição de Pedro Álvares Cabral. avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. entre funcionários. após missa solene na ermida do Restelo. [editar]Chegada ao Brasil Ver artigo principal: Descobrimento do Brasil Carta a El Rei D. por alturas de Cabo Verde.

perderam-se quatro dos navios. separou-se do resto da expedição devido aos ventos. navegador que o descobrira em1488. entre os quais o de Bartolomeu Dias. a qual denominou de "Ilha de Vera Cruz" (mais tarde Terra de Santa Cruz e finalmente Brasil . Sua embarcação se perdeu durante a tormenta. da nova terra. com o qual acaba por romper relações. Cabral tomou posse. Retomou então a rota de Vasco da Gama rumo às Índias. Assim. e descobriu uma ilha a que deu o nome de São Lourenço. onde chegou com apenas sete homens. dirige-se para Sul e estabelece uma feitoria em Cochim. em nome da Coroa portuguesa. [editar]Explorações secretas e Duarte Pacheco Pereira Ver artigo principal: Duarte Pacheco Pereira . mais tarde designada Madagáscar. inclusive a Carta de Pero Vaz de Caminha. onde ocorrem confrontos com o Samorim. de volta ao reino. retornou a Portugal. actualmente na Biblioteca Nacional de França. A armada de Pedro Álvares Cabral chega a Calecute em 1501. 1519).face à abundante existência de madeira pau-brasil). e acabou sendo o primeiro capitão português a viajar pelo mar Vermelho. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança. A 10 de Agosto de 1500. após ter dobrado o cabo da Boa Esperança. Incapaz de prosseguir rumo à Índia.Detalhe do mapa "Terra Brasilis" (Atlas Miller. É citado na Carta do Achamento do Brasil de Caminha como «homem gracioso e de prazer». Diogo Dias contava entre os navegadores experientes da frota de Pedro Álvares Cabral na segunda armada à Índia. e enviou uma das embarcações menores com a notícia.

na esperança de que estes fizessem eco das boas relações com os portugueses. China e ao Japão Carraca Portuguesa em Nagasaki. o conhecimento da existência de terras a leste da linha do Tratado de Tordesilhas. Malaca. Simultaneamente investiu esforços diplomáticos com os mercadores do sudeste asiático. estabelecendo relações amigáveis entre os reinos de Portugal e do Sião. ordenou a partida dos primeiros navios portugueses para o sudeste asiático. comandado pelo seu homens de confiança António de Abreu e por Francisco Serrão. como os chineses. em 1511. século XVII Em 1510 Afonso de Albuquerque conquistou Goa. um dos nomes ligados a um suposto descobrimento do Brasil pré-Cabralino. Painel japonês do período Nanban. onde foi o primeiro europeu a chegar viajando num junco chinês que retornava à China. guiados por pilotos malaios. na Índia e pouco depois. imediatamente enviou Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (actual Tailândia).A expedição de Pedro Álvares Cabral viria a abrir uma polémica historiográfica acerca do "acaso" ou da "intencionalidade" da descoberta. cidade fundada pelos portugueses no Japão em 1570. Note-se que uma das testemunhas que assinaram o Tratado de Tordesilhas por Portugal foi Duarte Pacheco Pereira.[18] Ainda em Novembro desse ano. [editar]A chegada às Molucas. Estes são os primeiros europeus a chegar às Ilhas . na Europa. Conhecendo as ambições siamesas sobre Malaca. ao tomar conhecimento da localização secreta das chamadas "ilhas das especiarias". na Malásia. certo é que por esta data já se tinha. Embora não existam evidências concretas a sustentar qualquer das hipóteses.

Banda nas Molucas. A nau de Serrão encalhou próximo a Ceram e o sultão de Ternate, Abu Lais, entrevendo uma oportunidade de aliar-se com uma poderosa nação estrangeira, trouxe os tripulantes para Ternate em 1512. A partir de então os portugueses foram autorizados a erguer uma fortificaçãofeitoria na ilha, na passagem para o oceano Pacífico: o Forte de São João Baptista de Ternate. Em 1513, partindo de Malaca (actual Malásia) Jorge Álvares atinge o Sul da China. A esta visita seguiu-se o estabelecimento de algumas feitoriasportuguesas na província de Cantão, onde mais tarde se viria a estabelecer o entreposto de Macau. De acordo com os registos disponíveis, foi o primeiroeuropeu a alcançar e visitar o território que actualmente é Hong Kong. Em 1543, Francisco Zeimoto, António Mota e António Peixoto são os primeiros portugueses a atingir o Japão. Terão aportado ao Japão a 23 de Setembro, tendo sido este primeiro contacto de europeus com o Japão, relatado pelo cronista Fernão Mendes Pinto. Segundo este, a ilha de Tanegashima teria sido o primeiro lugar visitado pelos portugueses, que espantaram os autóctones não só com o relato de terras e costumes que tinham visto como com a novidade das armas de fogo, visto que o conhecimento da pirobalística ainda não tinha chegado ao Japão. A chegada dos portugueses deu origem ao período de comércio Nanban (sendo Nabanjin, a denominação que atribuiam aos bárbaros do sul), durante o qual uma intensa interação com os poderes europeus ocorreu tanto a nível econômico como religioso. [editar]Descobrimentos e explorações portuguesas

Descobrimentos, viagens e explorações portuguesas: datas e primeiros locais de chegada de 1415-1543, principais rotas no Oceano Índico (azul), territórios portugueses no reinado de D. João III (verde) [editar]Países actuais Os descobrimentos Portugueses marcaram a primeira presença dos europeus, chegando pelos Oceanos, entre os primórdios do Século XV e a primeira metade do Século XVI, em muitos dos actuais países. Os portugueses foram os pioneiros nos países:
   

América do Norte - Canadá (Terra Nova e Labrador) América do Sul - Brasil Oceania - Austrália, Papua-Nova Guiné, Vanuatu África (litoral atlântico e ilhas) - Marrocos (e Saara Ocidental), Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Cabo Verde, GuinéBissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Benim, Nigéria,Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, São Tomé e Príncipe, Angola, Namíbia, África do Sul. África (Litoral índico e ilhas) - Moçambique, Madagascar, Tanzânia, Maurícia, Comoros, Quênia, Som ália

Ásia - Iêmem (Kamaran, Socotra), Omã, Bahrein, Irão (Ormuz), Índia (G oa, Damão e Diu, Dadrá e Nagar-Aveli, Calicute, etc.), SriLanka (antigo Ceilão), Maldivas, Tailândia (Sião), Malásia,Indonésia, Ti mor-Leste, Ilha Formosa (Taiwan), China, Japão. Ilhas diversas pertencentes a países europeus - Canárias (ESP); Açores e Madeira (POR); Ascensão, Santa Helena e Tristão da Cunha (RU)

As Filipinas, as possessões Marianas Setentrionais (EUA) e a Polinésia Francesa (FRA) foram descobertas por um português a serviço da Espanha, Fernão de Magalhães, durante a sua viagem de circumnavegação. [editar]A ciência náutica portuguesa Ver artigo principal: Ciência Náutica Portuguesa

A Caravela Vera Cruz nos 150 Anos da A.N.L. As sucessivas navegações e a experiência acumulada dos pilotos levaram a uma evolução bastante rápida da ciência náutica portuguesa, tendo a investigação criado uma elite de astrónomos, navegadores, matemáticos e cartógrafos, entre os quais se destacaram Pedro Nunes com os estudos sobre a forma de determinar as latitudes por meio dos astros e D. João de Castro.

passaram a ser utilizadas na marinha de guerra. embarcações pequenas e frágeis de um mastro com velaquadrangular fixa. na actual Mauritânia.Navios Até ao século XV os portugueses praticavam a navegação de cabotagem utilizando a barca e o barinel. usadas nas primeiras viagens às ilhas Canárias. os ventos fortes e as correntes marítimas desfavoráveis. mas que não obstaram ao seu sucesso. À medida . resultando do aperfeicoamento de embarcações já usadas na faina da pesca. Entre as caravelas famosas estão a Bérrio e a Caravela Anunciação. Mas que não conseguiam dar resposta às dificuldades no avanço para Sul. "Nau" era o sinónimo arcaico de navio de grande porte. Era e ágil e de navegação mais fácil. com uma tonelagem entre 50 a 160 toneladas e 1 a 3 mastros com velas latinas triangulares que permitiam bolinar. destinado essencialmente a transportar mercadorias. Livro de Lisuarte de Abreu Com a passagem das navegações costeiras às oceânicas também as naus se desenvolveram de forma assinalável em Portugal. Foram introduzidas as bocas-de-fogo. Armada portuguesa de 1507. sendo substituídas pelas caravelas. Madeira e Açores. Devido à pirataria que assolava a costa. que levaram à classificação das naus segundo o poder de artilharia. como os baixios. A pouca capacidade de carga e tripulação eram os seus principais inconvenientes. e no litoral africano até Arguim. A caravela foi o navio que marcou os descobrimentos portugueses.

duas cobertas. castelos de proa e depopa. foram sendo modificadas as suas características. Henrique. dois a quatro mastros e velas sobrepostas. em geral. A capacidade aumentou das duzentas toneladasno século XV até às quinhentas. Lisboa . inaugurado em 1960 nos 500 anos da morte do Infante D.Belém.que se foi desenvolvendo o comércio marítimo. Navegação astronómica Padrão dos Descobrimentosrepresentando muitos dos seus intervenientes. Na carreira da Índia no século XVI foram também usadas as carracas. naus de velas redondas e borda alta com três mastros que atingiam 2000 toneladas. As naus eram imponentes e tinham.

como outros europeus. Para a navegação astronómica os portugueses. Inventaram outros. aproveitando os . juntamente com o seu astrolábio melhorado. recorreu-se às tábuas Almanach Perpetuum. recorriam a instrumentos de navegação árabes.Tábua astronómica do Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto. publicadas em Leiria em 1496. que foram utilizadas. Técnicas de navegação Mapa mostrando a localização das principais correntes e ventos oceânicos giratórios Além da exploração do litoral foram feitas também viagens para o mar largo em busca de informações meteorológicas eoceanográficas (foi nestes trajectos que se descobriram os arquipélagos da Madeira e dos Açores. O conhecimento do regime de ventos e correntes do Atlântico e a determinação da latitude por observações astronómicas a bordo. Quando se introduziram na náutica as observações astronómicas que a revolucionaram. como o Cruzeiro do Sul descoberto após a chegada ao hemisfério Sul por João de Santarém e Pêro Escobar em 1471. como a balestilha. 1496. que conheceram uma notável difusão no século XV. que iniciaram a navegação guiada por esta constelação. as Tábuas astronómicas. como o astrolábio e o quadrante. em particular a observação de alturameridiana do Sol para com o conhecimento da declinação solar. o Mar dos Sargaços). do astrónomo Abraão Zacuto. o que obrigava a correcções. para obter no mar a altura do sol e outros astros. Mas os resultados variavam conforme longo do ano. No século XIII era já conhecida a navegação astronómica através da posição solar. se poder calcular a latitude do lugar. preciosos instrumentos de navegação em alto-mar. por Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral. Para isso os portugueses utilizaram tabelas de inclinação do Sol. que aligeiraram e simplificaram. permitiu a descoberta da melhor rota oceânica de regresso de África: cruzando o Atlântico Central até à latitude dos Açores.

ventos e correntes permanentes favoráveis, que giram no sentido dos ponteiros do relógio no hemisfério norte devido à circulação atmosférica e ao efeito de Coriolis, facilitando o rumo directo para Lisboa e possibilitando assim que os portugueses se aventurassem cada vez para mais longe da costa, manobra que ficou conhecida como "volta da Mina", ou "Volta do mar". Cartografia Pensa-se que Jehuda Cresques, filho do cartógrafo catalão Abraão Cresques terá sido um dos notáveis cartógrafos ao serviço do Infante D. Henrique. Contudo a mais antiga carta de marear portuguesa assinada é um portulano de Pedro Reinel de 1485 representando a Europa Ocidental e parte de África, que reflecte as explorações efectuadas pelo navegador Diogo Cão ao longo da costa africana. Reinel foi também autor da primeira carta náutica conhecida com uma indicação de latitudes em 1504 bem como da primeira representação da rosa-dos-ventos. Com o seu filho, Jorge Reinel e o cartógrafo Lopo Homem, participou na elaboração do atlas conhecido por Atlas de Lopo Homem-Reinés ou Atlas de Miller, de1519. Foram considerados dos melhores cartógrafos do seu tempo, a ponto do imperador Carlos V os desejar a trabalhar para si. Em 1517 o rei D. Manuel I de Portugal passou a Lopo Homem, cartógrafo e cosmógrafo português, um alvará que lhe dava o privilégio de fazer e emendar todas as agulhas (bússolas) dos navios. Na terceira fase da antiga cartografia náutica portuguesa, caracterizada pelo abandono da influência de Ptolemeu na representação do Oriente e por uma melhor precisão na representação das terras e continentes, destacase Fernão Vaz Dourado (Goa ~1520 — ~ 1580), cuja obra apresenta extraordinária qualidade e beleza, conferindo-lhe a reputação de um dos melhores cartógrafos de seu tempo. Muitas de suas cartas são de grande escala.

IMPÉRIO PORTUGUÊS Império Português é a designação comum dada ao conjunto dos territórios ultramarinos ocupados e administrados por Portugal a partir do início século

XV até ao século XX. O termo "Império Português", no entanto, nunca foi usado oficialmente. A designação oficial mais utilizada para o conjunto dos territórios ultramarinos portugueses foi simplesmente "Ultramar Português". Já a designação "Império Colonial Português" foi oficial, mas apenas durante um breve período, de 1930 a 1951. O Império Português foi o primeiro império global[1] da história, com um conjunto de territórios repartidos por cinco continentes sob soberania portuguesa, resultado das explorações realizadas na Era dos descobrimentos. Foi o mais duradouro dos impérios coloniais europeus modernos, já que a presença portuguesa fora da Europa abrangeu quase seis séculos. Foi governado pela Casa de Avis por cerca de cento e cinquenta anos, depois por sessenta anos, pelaCasa de Habsburgo, posteriormente pela Casa de Bragança por trezentos anos, e a partir de 1910 foi governado pelaRepública Portuguesa. Convenciona-se o início do Império como sendo a conquista de Ceuta em 1415. Já o final do Império, consoante o critério utilizado, pode ser considerado o ano de 1975 - independência da maior parte dos territórios -, o ano 1999 - fim da administração portuguesa de Macau, o último território ultramarino ainda administrado de facto por Portugal - ou o ano de 2002 data da independência de Timor-Leste, último território ultramarino considerado de jure sob soberania portuguesa.[2] História

Infante Dom Henrique, o Navegador, (1394-1460), impulsionador das primeiras explorações[3] O expansionismo português foi movido inicialmente pelo espírito militar e evangelizador, de continuação da reconquista no Norte de

África e, depois, pelo interesse comercial, primeiro nas prósperas capitanias das ilhas da Madeira e dos Açores, seguindo-se a busca de um caminho marítimo para a Ásia, alternativo ao Mediterrâneodominado pelas repúblicas marítimas italianas, pelos otomanos, pelos mouros e por piratas, no lucrativo comércio de especiarias. Os portugueses começaram por explorar sistematicamente a costa de África a partir de 1419, com o incentivo do Infante D. Henrique e navegadores experientes servidos pelos mais avançados desenvolvimentos náuticos e cartográficos da época, aperfeiçoando a caravela. Em 1471 chegaram ao Golfo da Guiné, onde em 1482 foi estabelecida a feitoria de São Jorge da Mina para apoiar um florescente comércio de ouro de aluvião. Partindo da Mina Diogo Cão estabelece o primeiro contacto com oReino do Congo. Após sucessivas viagens exploratórias para sul, em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, entrando pela primeira vez no Oceano Índico a partir do Atlântico. A chegada de Cristóvão Colombo à América em 1492 precipitou uma negociação entre D. João II e os Reis Católicos de Castela e Aragão. Como resultado foi assinado em 1494 o Tratado de Tordesilhas, dividindo o Mundo em duas áreas de exploração demarcadas por um meridiano situado entre as ilhas de Cabo Verde e as recém descobertas Caraíbas: cabiam a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas a leste deste meriadiano, e à Espanha as terras que ficassem a oeste dessa linha. Pouco depois, em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia, inaugurando a Rota do cabo. Em 1500, na segunda viagem para a Índia, Pedro Álvares Cabral desviou-se da rota na costa Africana e aportou no Brasil. [4] Em Lisboa foi então estabelecida a Casa da Índia para administrar todos os aspectos do monopólio régio do comércio e da navegação além-mar. Seis anos após a viagem de Gama foi nomeado o primeiro vice-rei sediado em Cochim e a sua vitória na Batalha de Diu afastou mamelucos e árabes, facilitando o domínio português do comércio no Índico. Em 1510 é constituído o Estado Português da Índia com capital em Goa, primeira conquista territorial na Índia. Malaca foi conquistada em 1511 e os portugueses continuaram a exploração e conquistas de portos nas costas e

Em 1571 uma cadeia de entrepostos ligava Lisboa a Nagasaki. Safávidas da Pérsia. cuja acção central é . João III. de 1415 até 1534. Em 1529 o Tratado de Saragoça demarcou as explorações portuguesas e espanholas no oriente: as Molucas são atribuídas a Portugal e as Filipinas a Espanha. o império português foi uma talassocracia. império sob D.ilhas da Ásia oriental. com o apoio de numerosas relações diplomáticas e alianças. data em que foi ordenada a colonização do interior nas capitanias do Brasil[5] por D. o Japão e a Europa via Malaca e Goa. um acordo da coroa portuguesa com a Santa Sé.[6][7] abrangendo os oceanos Atlântico e Índico. cidade então fundada pelos portugueses: o império tornara-se verdadeiramente global. reforçada por um sistema de licenças de navegação. que depressa se tornou a base de um próspero comércio triangular entre a China. defendida por uma cadeia de fortificaçõescosteiras protegendo uma rede de Feitorias. os cartazes. Descobrimentos e viagens portuguesas entre 1415-1543: principais rotas (azul). João III (verde) Durante a expansão. Luís Vaz de Camões publicaria a epopeia "Os Lusíadas". Em 1543 comerciantes portugueses aportam no Japão estabelecendo-se inicialmente em Hirado. Em 1557 as autoridades chinesas autorizaram os portugueses a estabelecerem-se em Macau. alcançando as ambicionadas "ilhas das especiarias" (as ilhas Molucas) em 1512. Em 1572. era completado pela acção das missões religiosas em terra ao abrigo do Padroado. Reino de Bisnaga e Etiópia. incluindo com o Reino do Sião. e a China um ano depois. três anos após regressar do Oriente. trazendo no processo enormes riquezas para Portugal. estabelecendo-se na ilha deSanchoão.

como política para evitar ser considerado uma potência colonial nos fóruns internacionais. Durante o Estado Novo. pelas colóniasasiáticas de Macau. Guiné Portuguesa. a França e a Inglaterra. embora tendo perdido para sempre a proeminência na Ásia. Com a chegada da Corte portuguesa em 1808. Durante a Dinastia Filipina o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos de Espanha com a Holanda. Após a perda de numerosos territórios.a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. O Brasil ganhou assim importância no império. a designação "Império Colonial Português" foi abolida. [8] Entre 1595 e 1663 foi travada a Guerra Luso-Holandesa com as Companhias Holandesas das Índias Orientais (VOC) e Ocidentais (WIC). reforçada pela descoberta de grandes quantidades de ouro no fim do século XVII. Em 1654 conseguiu recuperar o Brasil e Angola. escravos da África ocidental e açúcar do Brasil[9]. Em 1578 o rei D. que tentavam estabelecer os seus próprios impérios. Angola. Brasil e Algarves. Na esperança de preservar um Portugal intercontinental. protegendo-se dos exércitos de Napoleão I. com a designação de Reino Unido de Portugal. Cabo Verde. em que esteve em vigor o Acto Colonial (1930 . imortalizando os feitos dos portugueses. Com o reconhecimento da declaração de independência do Brasil em 1825. o Estado Novo passou a designar as colónias por províncias ultramarinas. Cabinda. que tentavam tomar as redes de comércio portuguesas deespeciarias asiáticas.1951). seguindo-se uma crise sucessória que resultou na união com a coroa espanhola em 1580.[10] Portugal restaurou a independência em 1640. e a partir de 1870 teria que enfrentar as potências europeias para conservar o resto do seu fragmentado Império. Em 1951. Apesar dos formidáveis ganhos no Oriente. o interesse pelo Marrocos manteve-se. Sebastião procurou conquistar os territórios interiores. Portugal acentuou a expansão territorial no interior da África. do Estado Português da Índia e de Timor Português. . o Ultramar Português teve a designação oficial de "Império Colonial Português". Moçambique e São João Baptista de Ajudá. o que terminou na derrota em Alcácer-Quibir. passou a ser considerado um associado ao Reino.[11] sendo então composto pelas colónias africanas de São Tomé e Príncipe.

a África domina as atenções no Império Colonial Português. quando Macau. "Terceiro Império" (1822-1975): Após a independência do Brasil. Pode-se ainda considerar que este ocorreu em 2002. numa acção armada com pouca resistência e pouco depois a Ilha de Angediva. O "fim" de jure do Império Português terá sido em 1999. quando Portugal reconheceu a independência de Timor-Leste. a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli. que terminaria com a ocupação espanhola. Em 1961 iniciam-se também os confrontos da Guerra Colonial Portuguesa em África.considerando que esses territórios não eram colónias. que duraria até à Revolução dos Cravos em (1974). "Segundo Império" (1580-1822): Com a perda de influência no Oriente. como uma "Nação Multirracial e Pluricontinental". Em 1954. último território sob a sua administração. o Brasil ganha importância. mas sim parte integrante e inseparável de Portugal. A resistência à dominação portuguesa manifestou-se no contexto da descolonização europeia.[12]   Presença portuguesa em África . resultando na independência das colónias em 1975. Pode dividir-se a história do império português em períodos distintos:  "Primeiro Império" (1415-1580): Descobrimentos e expansão em África e no Oriente. libertada da ocupação indonésia em 1999. e em 1961 iniciam-se confrontos generalizados no Oriente e em África: a Índia independente conquistou Goa. foi devolvido à República Popular da China.

pela iniciativa privada que buscava riqueza fora do território conseguindo-a nas prósperas capitanias dos arquipélagos da Madeira e dos Açores. . Impulsionado pelo Infante Dom Henrique. na costa da Mauritânia. construída sob as instruções do próprio Infante: visava atrair as rotas percorridas por mercadores muçulmanos no norte de África: tentava-se implantar um mercado para monopolizar a actividade comercial da zona.[13] Em 1444. foram tomadas medidas para proteger os interesses de Portugal. "o Navegador". como os genoveses e venezianos. cada vez mais para sul. depois. fortalezas (azul). é decretado o monopólio da navegação na costa oeste Africana em 1443.[13] [editar]África Ocidental As expedições passaram o cabo Bojador em 1434.as viagens prosseguiram pela costa africana. o Infante estabelece um consórcio de navegação em Lagos.Possessões portuguesas em Marrocos entre 1415-1769: cidades (vermelho). E em 1445 é criada a primeira feitoria comercial da ilha de Arguim. territórios de colonização e exploração agropecuária. o que motivou o investimento em viagens de exploração por portugueses e estrangeiros. À medida que os resultados se mostravam mais compensadores. Os navios passam a ser licenciados por Portugal em troca de parte dos lucros obtidos. marcam o início da expansão territorial marítima portuguesa. Movidas de início pela busca de privilégios de fidalguia conquistados em batalha e. A tomada de Ceuta em 1415 e a descoberta das ilhas da Madeira em 1418 e dos Açores em 1427. como governador do Algarve.

a pimenta-daguiné (Aframomum melegueta) popular substituto da pimenta preta. mas o problema era a necessidade de mão de obra e o trabalho pesado: a solução foi trazer escravos da África. que viria a investir em numerosas viagens portuguesas. declarando que as terras e mares descobertos além do Cabo Bojador são pertença dos reis de Portugal.[16] foilhe também concedido por 100 000 reais anuais. O Golfo da Guiné e o ouro da Mina Após a morte do infante. Em 1455 iniciara-se na Madeira uma florescente indústria de açúcar. em 1469 o Rei Afonso V concedeu o monopólio do comércio na parte do Golfo da Guiné ao mercador Fernão Gomes contra uma renda anual de 200 000 reais.[17] . com as suas guarnições militares. legitimando a política portuguesa de mare clausum no Atlântico e a ainda incipente escravatura. Pouco depois o Papa Nicolau V emite a bula Romanus Pontifex[14] a favor do rei Afonso V de Portugal. Gomes tinha que explorar 100 léguas da costa da África por ano durante cinco anos. A partir de 1458. Marrocos Em 1453 dá-se a queda de Constantinopla. reforçando a anteriorDum Diversas de 1452. foram pontoschave de apoio logístico e material às navegações portuguesas e um entrave à pirataria praticada pelos mouros. O exclusivo do comércio da então chamada "malagueta". A acessibilidade das ilhas atraiu comerciantes genoveses e flamengos interessados em contornar o monopólio Veneziano. um golpe para o cristianismo e para as relações comerciais estabelecidas no Mediterrâneo.Cisterna Manuelina da Fortaleza de Mazagãoconstruída entre 1513-1541. e dados os magros proveitos da exploração. e autorizando o comércio e as conquistas contra muçulmanos e pagãos.[15] Neste comércio prosperou o florentino Bartolomeu Marchionni. tomada pelos Otomanos. Ceuta e Arguim.

cavalos e conchas ("zimbo"). e encontraram também as ilhas do Golfo da Guiné. os portugueses chegaram ao Cabo de Santa Catarina. fê-lo mesmo para além do contratado. já no Hemisfério Sul. Pouco depois de subir ao trono. estes com intensidade crescente a partir do século XVI. [18] onde encontrou uma florescente indústria de ouro de aluvião. Afonso V na conquista de Arzila. Sob o comando de Diogo de Azambuja foi rapidamente construído o "Castelo de São Jorge da Mina" [19] com pedra previamente talhada e numerada em Portugal. Fernão do Pó e Pedro de Sintra. determinando a construção de uma feitoria para o comércio do ouro. Alcácer Ceguer e Tânger. incluindo São Tomé e Príncipe e Elmina em 1471. Lopo Gonçalves. Ao abrigo da fortificação-feitoria desenvolveu-se a povoação de São Jorge da Mina que recebeu Carta de Foral em 1486. Com o seu patrocínio. incluindo os direitos sobre a costa da Mina e o Golfo da Guiné e o prosseguimento da exploração na costa. Ali passaram a ser trocados trigo. despertando a cobiça dos Reis Católicos. desempenhando um papel de enorme influência na economia do reino. actual Gana. O reino do Congo e a fundação de Angola . que só cessaram as pressões para se apossarem da região após a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. João II centralizou na coroa a exploração e comércio. tecidos. O tratado reconhecia o domínio português das descobertas a Sul das Canárias. Com os lucros deste comércio Fernão Gomes auxiliou D.Fortaleza de São Jorge da Minaconstruída em 1482 em redor da indústria de ouro da então chamada Costa do Ouro. em 1482. sistema de construção depois adoptado para numerosas fortificações. Pedro Escobar. Com a colaboração de navegadores como João de Santarém. D. Aquele trecho do litoral passou a ser designado Costa do Ouro. por ouro (até 400 kg/ano) e escravos. enviada como lastro nos navios.

sendo vedadas a castelhanos e outros europeus. que fora investido por D. e enviou uma embaixada portuguesa ao Reino do Congo.[21] Os primeiros sacerdotes católicos e soldados descrevem a capital M'Banza Kongo como uma grande cidade do tamanho de Évora. Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos. substituindo as habituais cruzes de madeira. em particular os escravos. Paulo Dias de Novais. data desconhecida Desde a assinatura do Tratado das Alcáçovas que as costas da Guiné eram cuidadosamente patrulhadas. Jorge da Mina para explorar o estuário do Rio Congo e terá subido 150 km a montante até às cataratas de Ielala. que em 1491 se converteu ao cristianismo e foi baptizado. A penetração para o interior era limitada. O primeiro passo foi o estabelecer de uma aliança com o influente "Manicongo" (do Kikongo "mwene kongo" ). partiu de S. assumindo o nome "D. bem como vários nobres. que dominava toda a região: Diogo Cão levou alguns nobres de visita a Portugal e ao retornar em 1485 faz um acordo com o rei Nzinga a Nkuwu. Diogo Cão. ou "Manicongo" (do Kikongo "mwene kongo" ) a navegadores portugueses e súditos africanos. Aí ergueu o primeiro padrão de pedra. Entre 1482 e 1486. que estabeleceu o cristianismo como religião oficial do reino. para dar origem ao reino de Angola (c. 1559). João I do Congo governou até cerca de 1506 e foi sucedido pelo filho Afonso I Mvemba um Nzinga. procurou delimitar o vasto território e explorar os seus recursos naturais. A sul deste reino existiam dois outros. os quais acabariam por fundir-se. O primeirogovernador de Angola. João I" em honra do rei português. Em 1576 fundam São . o de Ndongo e o de Matamba. na segunda metade do século XVI os portugueses instalam-se na região de Angola. João II nestas patrulhas.Audiência do rei do Congo. iniciando os primeiros contactos europeus[20] É a partir daqui que se inicia conquista da região que se tornaráAngola.

[22] . passando a efectuar-se sob iniciativa da Coroa. saísse uma armada para a Índia. partiu no início de 1505 a armada de D. com D. Vasco da Gama usou as cartas marítimas até então traçadas para estabelecer uma rota marítima para a Índia. Francisco de Almeida.Paulo da Assunção de Luanda. na Tanzânia. mediante um acordo com um chefe local e progressivamente reforçado. Após esta descoberta oséculo XVI tornar-se-ia o "século de ouro" para Portugal e o seu apogeu como nova potência europeia. Para impor o monopólio do comércio de especiarias no Índico. Vasco da Gama tornou tributário de Portugal o porto árabe da ilha de Quíloa (actual Kilwa Kisiwani). Angola tornar-sehá mais tarde o principal mercado abastecedor de escravos para as plantações da cana-de-açúcar do Brasil. ao proselitismo da Reconquista adicionam-se a curiosidade científica e omercantilismo. Foi então estabelecido o Forte de São Caetano de Sofala. África Austral e Oriental A ilha de Moçambique foi uma importante escala de navegação da carreira da Indiainiciada em 1498: mapa do percurso seguido pelas naus na ida (vermelho) e rota de regresso (verde) Com a passagem do cabo da Boa Esperança por Bartolomeu Dias em 1488. Manuel I a determinar que todos os anos. Na sua segunda viagem em 1502. entre Fevereiro e Março. e fez também o reconhecimento de Sofala em Moçambique. nomeado primeiro de Vice-rei da Índia Portuguesa. A partir de então as explorações perderam o carácter privado. a actual cidade de Luanda.

Afonso de Albuquerque conseguiu desembarcá-los em Filuk. a Fortaleza de São Sebastião (1558) e um hospital. Visto como o muito esperado contacto com o lendário Preste João e com Pêro da Covilhã. chegou a Goa em 1512 o embaixador Mateus. Os portugueses só compreenderam a natureza da sua missão ao chegarem à Etiópia em 1520. facto que complicou os contactos com o imperador etíope. a ilha de Socotra. Confrontos com os holandeses em África (1597-1663) . porto estratégico de apoio à carreira da Índia que ligavaLisboa a Goa. em busca de uma aliança para fazer face ao crescente poder otomano na região. após a morte de Mateus. o rei informou o Papa Leão X em 1513 e Mateus viajou para Portugal em 1514. que ajudaram a restabelecer o governo[28] na guerra Etíope-Adal. na entrada do Mar Vermelho.[25] de onde regressou com uma embaixada portuguesa. Património Mundial da UNESCO Em 1507 os portugueses ocuparam a ilha de Moçambique.[24] Na sequência desta expedição. Em Agosto de 1507. Aí foi construída mais tarde uma poderosa fortificação. foi conquistada. Manuel I de Portugal e ao Papa. Tristão da Cunha enviou uma expedição para a Etiópia. Sem conseguir atravessar por Melinde. a Armada das ilhas protegia as naus carregadas a caminho de Lisboa dos ataques de piratas e corsárioseuropeus.Igreja de Santo António. juntamente com Francisco Álvares. Como escala de navegação era o ponto de encontro das embarcações desgarradas na viagem de ida e das que aguardavam a monção. Ilha de Moçambique.[23] Aí. enviando armas e quatrocentos homens. perto do Cabo Guardafui. que então se pensava ser mais próxima. Nos Açores. enviado pela rainha regente Eleni da Etiópia ao rei D.[26] Contudo iniciou as primeiras relações contínuas de um país europeu com a Etiópia[27] e em 1517 Portugal ajudou o imperador Lebna Dengel.

vulneráveis a ser tomados um a um. o império português sofreu grandes reveses ao ser envolvido nos conflitos que a Espanha travava com a Inglaterra. Sebastião(1557-1578) investiu na conquista dos territórios interiores.Mapa do Império Espanhol-Português em 1598. tornou-se um alvo fácil. atacavam por mar colónias e navios. O império português. constituído sobretudo de assentamentos costeiros. escravos da África ocidental e açúcar do Brasil. que tentavam estabelecer os seus próprios impérios. O século XVI é uma sucessão de conquistas e de abandonos de fortalezas costeiras até que o rei D.[29] A Guerra Luso-Holandesa começou com um ataque a São Tomé e Príncipe em 1597. a França e a Holanda. ██ Territórios administrados pelo Conselho de Castela ██ Territórios administrados pelo Conselho de Aragão ██ Territórios administrados pelo Conselho de Portugal ██ Territórios administrados pelo Conselho da Itália ██ Territórios administrados pelo Conselho das Índias Apesar dos formidáveis benefícios gerados pelo império colonial no Oriente. [8] Portugal seria arrastado. envolvidos na Guerra dos Oitenta Anos com Espanha desde 1568. com o objectivo de tomar as redes de comércio portuguesas de especiarias asiáticas.[30] Após vários confrontos no oriente e no Brasil. começaram os . sem verbas e sem capacidade para enviar exércitos para as regiões atacadas por forças bem preparadas. o interesse da coroa por Marrocos não enfraqueceu. o que resultou na derrota em Alcácer-Quibir em 1578 seguindo-se uma crise sucessória que acabou na união com a coroa espanhola em 1580. Foi travada pelas CompanhiasHolandesas das Índias Orientais e Ocidentais. Os holandeses. No contexto da Dinastia Filipina.

determinou-se que as terras pertenciam à coroa e eram arrendadas pelos chamados prazos. Na tentativa de consolidar as posições na África Oriental.[10] Em 1640. defendidos por grandes exércitos de escravos conhecidos como “chicundas”. O mapa cor-de-rosa (1822-1890) . por 3 gerações transmitidos por via feminina. após um cerco de dois anos. uma força anglo-persa tomou o forte de Ormuz. cuja guarnição foi enviada para Mascate (Omã). Com a vitória omani sobre Mascate em 1650.ataques nos postos comerciais da costa oeste africana. Portugal restaurou a independência. Portugal perdeu para sempre a proeminência na Ásia. mas. vencendoos em Zanzibar e Pemba até que. visando assegurar escravos para a produção de açúcar em territórios conquistados no Brasil. A escravidão era realizada entre chefes tribais. temendo perder os territórios já conquistados. prosseguiu o combate aos portugueses na costa oriental africana. seguindo-se Axim (1642) no golfo da Guiné. Em 1622. acabariam por selar definitivamente a paz do Tratado de Haia em 1663. Contudo através de casamentos mistos estas propriedades tornaram-se verdadeiros “estados” afroportugueses ou afro-indianos. de comércio para o oriente. forçando a recuar para o sul até Moçambique. é tomado o Forte Jesus de Mombaça em 1698 [31] (Quénia). permitindo aos holandeses dominar a rota do cabo. a frota de Salvador Correia de Sá e Benevides conseguiu recuperar o Brasil e Luanda. que invadiam tribos guerreiras e vendiam os prisioneiros aos prazeiros. em 1654. e Luanda em 1641. Os Holandeses. restabelecendo a aliança com a Inglaterra que pouco depois viria a desafiar os Holandeses. o mercador da VOC Jan van Riebeeck estabelece perto do Cabo da Boa Esperança um posto de reabastecimento que se tornaria na Cidade do Cabo. Em 6 de Abril de 1652. Em 1638 os holandeses tomaram o Forte de São Jorge da Mina.

as ilhas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe. que em 1876 criou uma associação para colonizar o Congo. Roberto Ivens e Serpa Pinto. c. Portugal teve de enfrentar as potências europeias para conservar o resto do seu fragmentado império: as possessões nas Índias.[33] Em 1875 setenta e quatro subscritores fundaram a Sociedade de Geografia de Lisboa para apoiar a exploração. alicerçado na primazia da ocupação. onde se instalaria a Companhia Britânica da África do Sul. com a independência em 1822. entrando em colisão com as principais potências europeias.Mapa Cor-de-Rosa reclamando a soberania de Portugal nos territórios entreAngola e Moçambique. tal como as congéneres europeias. Esta decisão seria rapidamente contrabalançada por uma legislação trabalhista insistindo na necessidade do trabalho indígena nos campos de algodão ou nas obras públicas. as costas da África Ocidental (depois Angola e Guiné) e Oriental portuguesas (depois Moçambique). A crescente presença inglesa. onde vigoravam acordos de protecção com governantes locais e cujo interior não fora ocupado.[34] Prepararam então as primeiras expedições científico-geográficas. Pretendiam fazer o reconhecimento dos rios Cuango. que entre 1877 e 1885 mapearam o território. Congo eZambeze. Macau e Timor-Leste. Após a perda do Brasil. de Hermenegildo Capelo. Portugal reclamou vastas áreas do continente africano baseado no "direito histórico".1886. . como testemunhou Silva Porto. financiadas por subscrição nacional. Durante a chamada "partilha de África". ignorando os interesses portugueses na região. comerciante sedeado no planalto do Bié. concluindo a carta da África centro-austral (o famoso Mapa cor-de-rosa) para manter "estações civilizadoras" portuguesas no interior. francesa e alemã no continente ameaçavam a hegemonia portuguesa.[32] A partir da década de 1870 ficou claro que o direito histórico não bastava: à intensa exploração científica e geográfica europeia seguia-se muitas vezes o interesse comercial. Em 1842Portugal pôs fim ao tráfico negreiro no Império e em 1869 aboliu a escravidão sob pressão da Grã-Bretanha. Em 1874 Henry Morton Stanley explorou a bacia do rio Congo e foi financiado pelo rei Leopoldo II da Bélgica. Entre 1840 e 1872 David Livingstone explorou a África central.

em Moçambique. a Moçambique. proteger estrangeiros e controlar nativos". . Portugal tentou fechar o Rio Zambeze à navegação e reclamou o vale do Niassa. [41] Simultaneamente. Portugal perdeu o controlo da foz do Congo. cedendo à França na Guiné. em Angola. propondo abrir Moçambique e Goa ao comércio e navegação britânicos[35] em troca do reconhecimento no Congo.Entretanto. junto ao Lago Niassa. a caminho do Barotze para tentar obter a "avassalamento" do soba Levanica.incluindo a oposição LusoBritânica à expansão de Leopoldo II. para dirimir os conflitos . reclamando uma faixa de território de Angola à contra-costa ou seja. as forças de Serpa Pinto arreavam as bandeiras inglesas. em troca do reconhecimento às terras interiores. Para sustentar esta reclamação foram feitas campanhas de exploração e avassalamento dos povos do interior. Em 1887.[39] que então nomeou colónia. levando à convocação da Conferência de Berlim (1884– 1885) [36] por Bismarck. O estado português diversificou então os contactos internacionais. cujos notáveis assinaram o Tratado de Simulambuco em Fevereiro de 1885. O acordo foi de imediato denunciado pelas restantes potências. Em 1883 Portugal ocupou o norte do rio Congo e no ano seguinte firmou um acordo com os ingleses reconhecendo o direito a ambas as margens. Nascia assim o Mapa Cor-de-Rosa. Enquanto os britânicos criavam a Rodésia do Sul. num espaço monitorizado pelo Reino Unido. [35] mantendo apenas Cabinda. tornado público em 1886.[37] A exigência de uma ocupação efectiva determinada pela Conferência de Berlim[38] obrigou Portugal a agir. Contudo a aliança decepcionou: sob pressão da Alemanha e da França. pelo qual aceitavam ser um protectorado da coroa portuguesa. ao saber dos planos portugueses.[40] Em Janeiro de 1890 Paiva Couceiro estacionou com 40 soldados no Bié. numa faixa que isolava as colónias britânicas. e à Alemanha no Sul de Angola. o primeiro-ministro britânico Lord Salisbury avisou que não reconheceria territórios "não ocupados com forças suficientes para manter a ordem. cuja resistência era combatida pelas Campanhas de Conquista e Pacificação conduzidas pelas forças armadas. o ministro dos negócios estrangeiros João de Andrade Corvo reafirmou a tradicional aliança Luso-Britânica.

Em 1890 António Enes decretou uma revisão do Código de Trabalho Rural de 1875 . a pretexto do incidente Serpa Pinto. referente ao estabelecimento das fronteiras de Angola foi resolvida entre Portugal e a Grã-Bretanha com a arbitragem de Vítor Emanuel III da Itália. O ultimatum causou sérios danos à imagem do governo monárquico português. que aceitara o acordo num balanço precário entre forças portuguesas. O Império Colonial Português em África (1890-1975) Na sequência do ultimato britânico de 1890 a administração colonial portuguesa endureceu a actuação. Após o ultimato foram autorizadas três grandes concessionárias para explorar imensos territórios em Moçambique: a Companhia do Niassa (1890). investindo em "campanhas armadas de pacificação" e no derrube dos régulos menos cooperantes. Portugal terminou.O arrendatário [dos Prazos] fica obrigado a cobrar dos colonos em trabalho rural. o Ultimato britânico exigiu a retirada imediata das forças militares portuguesas no território entre Moçambique e Angola (actuaisZimbabwe e Zâmbia). e Gaza fica no interior de Moçambique. Um ano depois a Questão do Barotze. É intimado assumir-se como súbdito de Portugal. A província de Gaza e o porto de Lourenço Marques (actual Maputo) eram cobiçados pelos britânicos da British South Africa Company e Cecil Rhodes para escoar as matérias-primas do Transvaal. ao pedir a protecção britânica. fica sem resposta: os governos tinham acordado a delimitação dos territórios em Junho de 1891. britânicas e a ameaça dos pretendentes ao trono.A 11 de Janeiro de 1890..que estabelecia a obrigação "moral" dos colonos [camponeses indígenas] de produzirem bens para comercialização.. de imediato a expansão colonial africana que Lord Salisbury considerara baseada em "argumentos arqueológicos" de ocupação[40]. imperador do Império de Gaza na África oriental. Em Outubro de 1890 Cecil Rhodes obtém uma aliança[42] para concessão de exploração e acesso ao mar ao arrepio do acordo de 1885. entre os rios Zambeze e Limpopo. pelo menos metade da capitação de 800 réis". mas ao jogar no conflito entre Londres e Lisboa Gungunhana é surpreendido quando. Em 1885 aliara-se a Gungunhana.que o camponês já não tem a opção de pagar o "mussoco" em géneros: ". Entre 1891-1892 Mouzinho de . a Companhia de Moçambique (1891) e a Companhia da Zambézia (1892): todos procuravam atrair Gungunhana para os seus interesses. então.

durante a Ditadura Militar (1926-1933) que antecedeu o Estado Novo. e até 1895. por forças portuguesas e foi reintegrado oficialmente em Moçambique em 1919 pelo Tratado de Versalhes. O governo reagiu energicamente reforçando a presença militar em Moçambique. Entre os cada vez mais frequentes incidentes. o alarme foi grande. uma rebelião reúne milhares de guerreiros e cerca Lourenço Marques (Maputo) durante mais de dois meses. até 1961. o pagamento de impostos. Conhecido da imprensa europeia. em Junho de 1894 uma força naval alemã ocupou o triângulo de Quionga na foz do rio Rovuma. Desde 1926 as pessoas afectadas pelo Estatuto do indígena estiveram excluídas da categoria de cidadãos ao qual pertenciam os africanos integrados e os colonos europeus. O Triângulo de Quionga foi reocupado em 1916. obtendo o controlo da desembocadura no oceano Índico. que definiu novamente a fronteira ao longo do rio Rovuma. durante a Primeira Guerra Mundial. os republicanos deram às possessões d'além-mar o nome de colónia às quais atribuem uma certa autonomia financeira e administrativa. foi condenado ao exílio nos Açores. após o fim da monarquia. A 28 de Dezembro de 1895 Gungunhana foi preso por Mouzinho de Albuquerque. e a violência contra as populações levaram à revolta. sendo a queda impedida por navios de guerra.Albuquerque. na fronteira entre a África Oriental Alemã (atual Tanzânia) e Moçambique. que o modificou e integrou no texto da Constituição. governador do distrito de Lourenço Marques (Maputo) endureceu as relações com os povos circundantes. O trabalho forçado. O Acto Colonial centralizador aprovado em 1930. restringindo a já limitada autonomia financeira e administrativa. . A cidade foi saqueada. emprestando dos britânicos um método de administração indirecta. Em 1911. O conjunto dos territórios administrados passou a então a denominarse Império Colonial Português. mas também influenciados pelos franceses. como o Imposto de palhota. em Agosto. Em Lisboa a rebelião era atribuída a Gungunhana e a interesses britânicos. Este Acto definiu durante muito tempo o conceito ultramarino português tendo sido revogado na revisão da Constituição feita em 1951. re-definiu as formas de relacionamento entre a metrópole e as colónia.

O objectivo de Portugal no Oceano Índico foi o de assegurar o monopólio do comércio de especiarias. Vasco da Gama conseguiu uma carta de concessão ambigua para as trocas comerciais com o samorim de Calecute. comandada por Pedro Álvares Cabral. Jogando continuamente da rivalidade que opunha hindus e muçulmanos. Em 1500 a segunda armada à Índia que vinha de descobrir o Brasil explorou a costa oriental africana. Pouco depois. várias fortalezas e feitorias comerciais.A partir de 1946..[46] foi ponto de partida da implantação portuguesa na costa oriental africana e na Índia. mais tarde designada Madagáscar.[43] [editar]Presença portuguesa no Oriente Igreja de S. mas sim parte integrante e inseparável de Portugal. aí deixando alguns portugueses para estabelecerem uma feitoria. O primeiro contacto deu-se a 20 de Maio de 1498. como forma política de evitar que Portugal fosse considerado uma potência colonial nos fóruns internacionais. como uma "Nação Multirracial e Pluricontinental". falecido em 1524 foi aqui sepultado inicialmente. Francisco emCochim. onde . onde Diogo Dias descobriu a ilha a que deu o nome de São Lourenço. o Estado Novo passou a designar as colónias por províncias d'além-mar ou províncias ultramarinas. Após alguns conflitos com mercadores árabes que detinham o monopólio das rotas de especiarias. foi criada em Lisboa a Casa da Índia para administrar o monopólio régio da navegação e comércio com o Oriente. e na esperança de preservar um Portugal intercontinental. entre 1500 e 1510. Esta armada. a mais antiga da Índia. considerando que esses territórios não eram colónias. chegou a Calecute em Setembro. [44][45] Vasco da Gama. construída em1503. os portugueses estabeleceram. A viagem comandada por Vasco da Gama até Calecute.

na costa da Tanzânia.actual Sri Lanka. fundando em Cochim o forte (Forte Manuel) e posto comercial que seria a primeira colónia europeia na Índia. Encontrando-o dividido em sete reinos rivais. Francisco de Almeida[48] primeiro Vicerei da Índia[49] por um triénio. Cabral seguiu para Cochim. explorando as rivalidades internas. os portugueses foram bem recebidos e vistos como aliados na defesa.[47] Em 1502 Vasco da Gama tomou a ilha de Quíloa. A feitoria portuguesa aí instalada teve contudo efémera duração: atacada pelos muçulmanos em 16 de dezembro. em . Em 1506 os portugueses. Em 1505 o rei D. onde em 1517 seria fundada a fortaleza de Colombo. O Estado Português da Índia Beneficiando da rivalidade entre o marajá de Cochim e o samorim de Calecute. entre os quais o escrivão Pero Vaz de Caminha. Sedeada em Cochim iniciou-se a governação portuguesa no oriente. onde em 1505 foi construída a primeira fortificação portuguesa da África Oriental para proteger as naus da carreira da Índia. Irão. erguido entre 15071515. estabelece um pacto de defesa com o reino de Kotte e. Nesse ano os portugueses tomaram Cananor onde fundaram a fortaleza de Santo Angelo e Lourenço de Almeida chega a Ceilãoa lendária Taprobana. estende o controlo nas áreas costeiras. Aí construiram em 1503 a Igreja de São Francisco. Manuel I nomeou D. conquistam Socotorá na entrada do Mar Vermelho.[50] Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz. Após bombardear Calecute. nela pereceram vários portugueses. onde descobre a origem da canela. sob o comando de Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque.assinou o primeiro acordo comercial na Índia.

Nesse mesmo ano foram construidas fortalezas na Ilha de Moçambique e em Mombaça. do Sultão Otomano Beyazid II. os Portugueses conquistaram rapidamente localidades costeiras. do samorin de Calecute e do Sultão de Gujarat. concessões e locais para fortificar. onde Albuquerque inicia a construção do Forte de Nossa Senhora da Vitória. Goa tornou-se a sede da presença portuguesa.[51] A vitória portuguesa foi determinante. permitia cumprir a vontade do Reino de não permanecer eterno hóspede de Cochim. oferecendo alianças. seguindo a estratégia que pretendia fechar as entradas para o Índico. Com o poder dos otomanos seriamente abalado. Em 1509 é travada a batalha de Diu contra uma frota conjunta do Sultanato Burji do Cairo. mostrando a feitoria-Forte de São João Baptista de Ternate iniciada em 1522. Cobiçada por ser o melhor porto comercial da região. com a conquista a desencadear o respeito dos reinos vizinhos: Guzerate e Calecute enviaram embaixadas. Apesar de ataques constantes. com o apoio naval da República de Veneza e da República de Ragusa. entreposto de cavalos árabes para os sultanatos do Decão. sob nome de Estado Português da Índia. na costa queniana.1507Mascate e temporariamente Ormuz. Albuquerque iniciou nesse ano em Goa a primeira cunhagem de moeda portuguesa fora do reino. marcando o início do domínio europeu no Índico. aproveitando a oportunidade para anunciar a conquista. Já sob o governo de Albuquerque Goa foi tomada aos árabes em 1510 com o auxílio do corsário hindu Timoja. no arquipélago das Molucas. Desenho holandês de 1720 .[52][53] [editar]Malaca e o Sudeste Asiático Ternate.

com a missão de tentar um acordo com o sultão de Malaca. Pilotos malaios guiaram-nos viaJava. enchendo os seus navios com noz moscada e cravinho. partindo de Malaca. Em Abril de 1511 Albuquerque zarpou para Malaca. ainda subsiste. onde é o primeiro europeu a chegar. e assim permaneceram. Duarte de Lemos presidiam à área entre o Cabo da Boa Esperança eGuzerate.[59][60] Em 1513. Diogo Lopes de Sequeira fora enviado para o sudoeste asiático. na frota de Fernão Peres de Andrade. dadas as pretensões siamesas em Malaca. Afonso de Albuquerque envia imediatamente Duarte Fernandes em missão diplomática ao Reino do Sião (Tailândia). Manuel I à China. que conseguiu negociar com as autoridades de Cantão o seu envio a Pequim e uma feitoria em Tamau. as ilhas Banda. a embaixada ficou retida. na Indonésia.[58] Abreu partiu por Ambão enquando o seu vice-comandante Francisco Serrão se adiantou para Ternate.[61] Seguiu-se a chegada a Cantão e Sanchoão por Rafael Perestrelo. denominada a "A Famosa". Manuel I e o conselho do reino tentaram distribuir o poder a partir de Lisboa.[55] Placa contornante do comércio com a China e com o sudeste asiático. na Malásia. Para defender a cidade foi erguido um forte cuja porta.[54] Contudo estes cargos foram centralizados por Afonso de Albuquerque. enviou uma expedição comandada por António de Abreu para as encontrar.Inicialmente D. aportando na foz do Rio das Pérolas na Ilha de Lintin. Jorge Álvares chegou ao Sul da China. depois. sob o Estado Português da Índia cuja capital era Goa. Aden e Calecute assegurando o domínio no mar Vermelho. Vencido o sultanato de Malaca. os portugueses tomam Macáçar. chegando a Timor em 1514. as Pequenas Ilhas da Sonda e da ilha de Amboíno até Banda. como primeiros europeus a chegar às ilhas. que se tornou plenipotenciário. Em1517 Tomé Pires foi enviado como embaixador de D. onde chegaram no início de 1512. ficando a saber a localização das chamadas "ilhas das especiarias" nas Molucas. criando três áreas de jurisdição no Índico: Albuquerque seguira com a missão de tomar Hormuz. Nesse mesmo ano.[62] Comerciantes portugueses sedearam-se então na ilha de . [57] Aí permaneceram. com uma força de cerca de 1 200 homens e 17 ou 18 navios. a península de Malaca tornou-se então a base estratégica para a expansão portuguesa na Índia Oriental.[56] Em Novembro desse ano. Inicialmente bem sucedida. Jorge de Aguiar e.

cedidas pela Espanha mediante o pagamento de 350. Em 1534. O Tratado de Sunda Kalapa (1522) foi selado com um padrão. a cerca de 50 km de Bombaim. o Bahrein em 1521. uma pequena ilha na baía de Guangzhou (Cantão). Tamau onde em 1521 e 22 foram combatidos pelas forças chinesas e Lampacau. Guzerate foi ocupada pelos mogóis e o sultão Bádur Xá de Guzerate foi forçado a firmar o tratado de Baçaim. é enviado sob prisão para o reino e substituído por Vasco da Gama. após uma administração desastrosa.000 ducados de ouro. que veio a falecer em Cochim em 1524. No Golfo Pérsico os portugueses conquistam Ormuz em 1515 e. devido à posição estratégica na região. [64] Em 1533 Portugal conquista Baçaim. cedendo em . convidando-os a construir uma fortaleza no porto de Kalapa (actual Jacarta). na sequência da viagem de circumnavegação de Fernão de Magalhães. a mais importante fortificação da Índia Portuguesa (15351536). João III e Carlos I de Espanha selaram o Tratado de Saragoça. Em 1529 D. que definia a continuação do meridiano de Tordesilhas no hemisfério oposto. a leste das ilhas Molucas.Sanchoão. Entre 1522 e 1529. Índia. mas os portugueses não conseguiriam cumprir a promessa de voltar no ano seguinte: nesse ano torna-se governador da Índia Duarte de Meneses que. os castelhanos contestaram o limite Este do Tratado de Tordesilhas. Guzerate.[63]. onde estabelecia uma aliança para recuperar o seu país. mais tarde em Liam Póque seria destruída. Fortaleza de Diu. disputando as valiosas Molucas "berço de todas as especiarias" e as Filipinas com os portugueses. subornando mandarins locais. Em 1522 o rei hindu de Sondana Indonésia procurou selar uma aliança com os Portugueses em Malaca para se defender do aumento de poder muçulmano no centro de Java.

pimenta. O empório comercial A Casa da Índia situada noPaço da Ribeira frente ao rio Tejo. A vasta rede de feitorias e fortalezas facilmente abastecíveis por mar. mantendo a Coroa como reguladora. cravinho e canela e exportação de cobre. como a Casa da Guiné e a Casa da Mina.[65] Em 1535 o capitão António de Faria.[66] Em 1538 a fortaleza de Diu é novamente cercada por 54 navios otomanos. na então chamada Cochinchina (actual Vietname).Civitates Orbis Terrarum . com grande procura na Índia. centro do império oriental.[67] reforçadas pela acção das missões religiosas em terra. onde os portugueses tinham aportado em 1516.cobrando uma taxa de 30% no lucro dos restantes produtos. tentou estabelecer um posto comercial em Faifo. Desenho de Braun e Hogenberg . A distribuição na Europa era feita através daFeitoria Portuguesa de Antuérpia. Em Lisboa a "Casa da Índia" administrava o monopólio da navegação e do comércio com o oriente. o que falhou. partindo de Da Nang. localizado em regiões costeiras. . Lisboa era o "empório" da Europa.troca Damão. Um outro cerco falhado em 1547 poria fim às ambições otomanas. A Casa da Índia administrava as exportações para Goa.1572 O Império Português em África e no Oriente foi essencialmente marítimo e comercial. O monopólio régio incidia sobre as principais especiarias .[68] foi sucessora de instituições semelhantes. confirmando a hegemonia portuguesa. da seda e da porcelana. Criada entre 1500 e 1503. Bombaim e Baçaim. Diu. para acompanhar a expansão comercial no oriente. o desembarque de mercadorias orientais e a sua venda em Lisboa. permitiram aos portugueses controlar e dominar o comércio de especiarias. de pedras preciosas. vendo-se o estaleiro naval (Ribeira das Naus).

de 1503 a 1535.Em 1506 cerca de 65% dos proveitos do reino vinham de taxas sobre as actividades além-mar. [71] projectando Antuérpiacomo grande centro comercial da Europa. permitindo o aparecimento de uma comunidade euroasiática em Goa.[72] O trono confiava crescentemente no financiamento externo e em 1560 a receita da Casa da Índia não era suficiente para cobrir as suas despesas: a monarquia tinha entrado em ruptura. "o rei merceeiro". fazendo com que grande parte da receita se dissipasse no processo. Em 1518 só o lucro das especiarias[69]representava 39% da receita da Coroa. o chamado galeão de Manila(branco) A receita começou a declinar em meados do século. grande parte da sua construção seria realizada até 1540. Portugal não desenvolvera as infraestruturas domésticas para acompanhar a actividade. a política do governador-geral Afonso de Albuquerque encorajou os casamentos mistos. O estilo Manuelino atesta ainda hoje prosperidade do reino em obras como o Mosteiro dos Jerónimos. devido aos custos da presença em Marrocos e a gastos perdulários. encomendado pelo reiD. João III. após um pico especulativo. Ao longo de cerca de 30 anos. pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da Índia.[70] o que levaria Francisco I de França a apelidar D. os portugueses conseguiram ultrapassar o comércio de especiarias veneziano do Mediterrâneo. confiando em serviços exteriores para suportar as suas actividades comerciais. E a rota comercial espanhola estabelecida em 1565. (A política portuguesa de monopólio . No oriente desde 1510. Manuel I de Portugal "le roi épicier". Rotas comerciais portuguesas de Lisboa a Nagasaki entre 1580-1640 (azul). no reinado de D. Em 1549. a Feitoria Real de Antuérpia faliu e foi encerrada. Manuel I e iniciado em 1502. que por sua vez apoiava a administração e as actividades comerciais e de construção naval. ou seja. Financiado em grande parte pelos lucros do comércio de especiarias.

no que ficou conhecido como período de "Comércio Nanban". com a crise sucessória e após dinastia filipina. chegaram à ilha deTanegashima. entre os quais Francisco Zeimoto aportou no Japão pela primeira vez. o missionário Francisco Xavier co-fundador da ordem jesuíta chegou a Goa para ocupar o cargo de Núncio Apostólico. Fora enviado por D. ao abrigo do Padroado português. [74][75] Em 1542 um grupo de comerciantes. O arcabuz foi fabricado pelos japoneses em grande escala[76] e teria um papel determinante no curso das batalhas do período Sengoku que então travavam entre daimyos. Chegada ao Japão e fixação em Macau Os portugueses encontraram também uma lucrativa fonte de rendimento no comércio triangular China-Macau-Japão. embora sem permanecer em terra. "Comércio com os bárbaros do sul"). No Japão os portugueses estabeleceram-se no porto de Hirado. (japonês:南蛮貿易. viajando com o novo vice-rei. Segundo Fernão Mendes Pinto. nanban-bōeki. João III após sucessivos apelos ao Papa pedindo missionários para espalhar a fé e ajudar a manter a ordem na Ásia portuguesa. onde espantaram os autóctones as armas de fogo e o relógio. o açúcar refinado e o cristianismo seriam outras das novidades de grande aceitação. que aconselhou o rei a chamar os jovens cultos da recém-formada Companhia de Jesus. Nesse mesmo ano.[73] Desde 1535. Francisco Xavier viajaria no Japão em 1549. que terá participado nesta viagem. e recomendado entusiasticamente por Diogo de Gouveia. fazendo numerosos convertidos. passando a Casa da Índia a ter um carácter de alfândega). na sequência de um naufrágio.real seria atenuada em1570 e abandonada em 1642. . tinham sido autorizados a aportar na península de Macau e a exercer as suas actividades comerciais. iniciando de imediato uma intensa interação tanto a nível económico como religioso.

Nestas circunstâncias. Para tal instalaram-se em Macau. mas deixando os portugueses como únicos intermediários: apesar da proibição. os japoneses eram grandes consumidores de sedas e porcelana chinesa.[75] concedendo-lhes um considerável grau de autogovernação mediante um pagamento anual (cerca de 500 taéis de prata). Tornarse-ia rapidamente um nó importante no desenvolvimento do comércio ao . Em 1549 foram autorizadas missões comerciais anuais de Sanchoão e em 1554 Leonel de Sousa obteve um acordo para negociar em Cantão. ganhando o monopólio de um comércio que atingiria o seu auge entre o final do século XVI e o início do século XVII. as autoridades chinesas deram finalmente autorização para os portugueses se estabelecerem permanentemente. precisava de acesso às reservas do Japão. que levaria a avançar para Macau. Em 1557. carente da prata. os portugueses tornaram-se os intermediários naturais. Painel japonês do período Nanban do Japão. Por sua vez. Macau cresceu à custa do lucrativo comércio baseado na troca de sedas chinesas por prata japonesa. Em apenas uma década. retomando a política isolacionista Hai Jin (literalmente "proibição marítima"). tornou-se o intermediário-chave no comércio entre a China e o Japão. a China. Desde a sua fundação. O comércio português local tornou-se particularmente lucrativo a partir de 1547. quando as autoridades chinesas proibiram o comércio directo entre a China e o Japão devido à pirataria.[77] Por volta de 1555 Macau tornara-se já um importante centro do comércio entre a China e o Japão e entre estes e a Europa.Carraca Portuguesa em Nagasaki. com os portugueses a embolsar enormes lucros.

benjamim. Dinastia Filipina e guerra luso-holandesa (1580-1663) A captura de Cochim e victória da V. pouco antes do início da união Ibérica. considerando suspenso a aliança Luso-Britânica de 1373 e em plena guerra com Espanha.O. âmbar. ouro e prata. rolos de tecido e tapeçaria. fez passar a coroa em 1580 para os Habsburgos da Espanha. 425 toneladas de pimenta. 1682. Richard Hakluyt relatou-o tratado como a mais preciosa das jóias. holandesa sobre os portugueses em 1656.longo de três eixos principais: Macau-Malaca-Goa/Lisboa. E o maior tesouro: um documento impresso em Macau em 1590. contendo informação sobre o comércio português na China e no Japão. aliando-se por sua vez com os dirigentes locais. damasco. Em 1592. o império do Oriente viu-se envolvido nas guerras que a Espanha travava com os ingleses e os holandeses. porcelana chinesa e presas de elefante entre outros. e desmantelando o monopólio comercial português na Ásia. Quando Isabel I de Inglaterra foi informada do sucedido enviou Sir Walter Raleigh para reclamar o seu quinhão. Entre as riquezas estavam jóias. Guangzhou-MacauNagasaki e mais tarde Macau-Manila-México. noz-moscada. no Japão [78] e criando assim um centro comercial que durante muitos anos seria a porta do Japão para o mundo. ébano. após um acordo com o daimyo cristão Omura Sumitada (baptizado "Dom Bartolomeu") os portugueses mudar-se-iam fundando a cidade portuária de Nagasaki. uma frota inglesa interceptou ao largo dos Açores uma frota vinda da Índia. cochonilha. Ao longo do século XVII. sedas. cravo da Índia. Quando Raleigh restaurou a ordem já só .C. Havia ainda incenso. Com 1600 toneladas (das quais 900 de mercadorias) tinha 3 vezes o tamanho do maior navio inglês e uma tripulação de 600 a 700 homens. O valor estimado da carga equivalia a metade do tesouro inglês na altura. Omura Sumitada cedeu a jurisdição sobre Nagasaki aos Jesuitas. na guerra LusoHolandesaos holandeses tomaram sistematicamente possessões portuguesas. canela. Durante este período. capturando a Nau portuguesa Madre de Deus de grande tonelagem. sem descendência. Em 1571. tecido de ouro. Em 1580. Atlas van der Hagen A morte de Dom Sebastião em Alcácer Quibir.

Em 1605 mercadores da VOC capturaram o forte português de Amboina. A Madre de Deus seria um dos maiores saques da História. galvanizando o interesse inglês na região. quanto pudesse. quando a carraca portuguesa "Santa Catarina". Em 1619. Francisco Xavier. seguindo-se Ternate. permitindo a entrada dos seus compatriotas nas então denominadas Índias Orientais. O interesse despertado nos Países Baixos e na Inglaterra por estas informações esteve na origem do movimento de expansão comercial que levou à fundação da Companhia Neerlandesa das Índias Orientais em 1602 da Companhia Britânica das Índias Orientais em 1600. fundaram Batávia (actual . nas ilhas Molucas.sobrava cerca de um quarto. uma sustentação ideológica para que os holandeses quebrassem os monopólios comerciais. construída entre 1594-1605 onde se encontra o túmulo de S. foi capturada ao largo deSingapura pela recém criada Companhia Holandesa das Índias Orientais. um saque que duplicava o capital inical da VOC. O feito. Património Mundial da UNESCO Nesse mesmo ano Cornelis de Houtman fora enviado por mercadores de Amesterdão para Lisboa. A obra continha cartas e indicações sobre como navegar entre Portugal e as Índias Orientais até ao Japão. publicou em Amsterdão o relato "Reys-gheschrift vande navigatien der Portugaloysers in Orienten" ("Relato de uma viagem pelas navegações dos portugueses no Oriente"). gerou protestos internacionais mas serviu de pretexto para contestar a política ibérica de Mare Clausum. Os confrontos com os Holandeses no oriente iniciaram-se em 1603. advogando o "Mare Liberum". utilizando a sua potência naval para estabelecer o seu próprio monopólio. carregada de valiosas mercadorias. ou VOC. após ter viajado extensamente na Ásia ao serviço dos portugueses. com a missão de recolher tanta informação sobre as Ilhas das Especiarias. Basílica do Bom Jesus. Em 1595 o mercador e explorador holandês Linschoten. Goa Velha.

D. a rota alternativa que ligara Manila a Acapulco e a Espanha desde 1565. Fulcral no comércio entre a China. a primeira universidade ocidental no Oriente. como capitais rivais dosEstado Português da Índia e da VOC. igreja construída em 1565 e Colégio Jesuíta de São Paulo de 1594. . tornando-a capital do seu império no Oriente. chegaram a pedir a destruição de Macau e transferência do comércio de prata e de seda entre o Japão e a China para Manila. e Batávia batalharam incessantemente entre si. a Europa e o Japão. Os espanhóis sedeados em Manila tentaram sem sucesso acabar com a posição privilegiada portuguesa: em 1589.Jacarta) na Indonésia. com a criação de uma rota comercial Macau-Acapulco. Não Há Outra Mais Leal). Macau Os portugueses de Macau viram com preocupação a subida de Filipe II ao trono. Apogeu e queda do comércio Macau-China-Japão Ruínas de São Paulo. a sua posição estratégica permitia beneficiar das rotas comerciais portuguesas e espanholas. e tornarase fulcral quando os Holandeses começaram a perturbar as rotas de Goa e Malaca. Devido à crescente prosperidade foi elevada a cidade em 1586 por Filipe II. (Mais tarde. Macau atingiu a sua "idade de ouro" durante a união espanhola. Além da exclusividade portuguesa do comércio com o Japão. como o Galeão de Manila. expulsaram os portugueses do Bahrein em 1602 e de Ormuz em 1622. No médio oriente os Persas. de 1595 a 1602. Nos vinte anos seguintes Goa. sob cercos desde 1603. passando esta cidade a ser designada por Cidade do Santo Nome de Deus de Macau. com a ajuda dos ingleses. Em 1583 criaram o Senado para garantir a autonomia e mantiveram a bandeira portuguesa. João IV recompensaria a lealdade de Macau com o título Não Há Outra Mais Leal. temendo perder o monopólio no comércio ou a expulsão do território pelos chineses.

que entrou rapidamente em declínio. Com o fim do dominio Habsburgo João IV de Portugal ascendeu ao trono. estabelecendo uma trégua de dez anos entre o Reino de Portugal e a Holanda. O comércio com o Japão terminaria abruptamente: confinados à ilha de Dejima no porto deNagasaki desde 1636. a trégua firmada para todos os territórios de ambos impérios. Reprimida com o auxílio dos holandeses. ao mesmo tempo que o cristianismo no Japão passou à clandestinidade (os Kakure Kirishitan). Na prática. Foi um Tratado de Aliança Defensiva e Ofensiva entre ambas as partes. Foi firmado o Tratado de Haia (1641). limitou-se ao continente europeu. os portugueses e o catolicismo foram vistos como uma das causas da rebelião de Shimabara de 1638. o mercador da VOC Jan van Riebeeck estabeleceu um posto de reabastecimento próximo do Cabo da Boa Esperança que evoluiu . que ganharam o exclusivo do comércio. sendo expulsos do Japão em 1639. no culminar da guerra. 1820. construida em 1634 para confinar os portugueses e sede Holandesa desde 1641. único ponto de comércio externo do Japão após decretado o sakoku. constituindo o maior golpe. Inglaterra e à holanda. O rei enviou embaixadores a França. afectando seriamente a economia de Macau. Restauração e declínio do Estado Português da Índia Em 1640 começou a Guerra da Restauração em Portugal. Em 6 de Abril de 1652. que se haviam estabelecido em Hirado. prejudicando seriamente a economia de Macau.A ilha de Dejima na baía de Nagasaki. Dejima passou para os holandeses da VOC. British Museum Macau sofreu ataques holandeses desde 1603 a 1622. ao privar o império português do controlo do estreito. ano em que resistiu a uma tentativa de conquista após dois dias de combate.a rebelião reforçou as políticas de isolamento Sakoku do xogum Tokugawa Iemitsu. visando formar parcerias na luta contra a Espanha. sendo ignorada por ambas as partes no resto do mundo: Malaca foi conquistada pelos holandeses da VOC em 1641.

permitindo aos holandeses dominar a rota do cabo. entretanto. Damão. com novas rotas de transporte dos produtos orientais (as "Rotas do Levante"). ditaram do monopólio Português no Oriente. fazendo a navegação directa desde o Cabo da Boa Esperança até ao estreito de Sunda. Em 1787 dá-se a chamada "Conjuração dos Pintos".[79] Ano em que Bombaim e Tânger foram cedidas à Inglaterra como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. A desactualizada administração do império. económicos e militares para uma efectiva ocupação. quebrando um segundo acordo de paz. a reorganização do comércio por parte dos Turcos e dos Árabes.para se tornar na Cidade do Cabo. e. Macau e Timor Português. que foram acrescentados ao Estado Português da Índia. mantendo-se as designadas "Velhas Conquistas". sobretudo o aumento da capacidade económica. a pirataria e o corso. ao norte e a leste. Diu. Ceilão foi perdida em 1658. que estabelecera o seu império sobre os territórios conquistados aos portugueses com vastas rotas comerciais. Cochim em 1662 e a costa de Malabar em 1663. a falta de recursos humanos. perdidos para os maratas até 1739. Do seu império fragmentado. Mapa mostrando a posição possessões europeias na Índia e Sri Lanka (Ceilão). Portugal só conseguiu conservar não muito mais do que Goa. Entre 1713 e 1788. militar e naval de potências europeias como a Inglaterra e a Holanda. ao sul. uma tentativa de derrubar o regime . a superfície de Goa triplica com a incorporação dasNovas Conquistas: Portugal apoderou-se de Dadrá e Nagar-Haveli. Na Índia vários territórios foram. quatro concelhos de Goaincorporados no Estado Português da Índia desde o início do domínio português. entre 1501 e 1739. num grupo de sete concelhos. na Indonésia. o Tratado de Haia de 1661.

assi frios e temperados como os d'antre Doiro e Minho". de que "Nela até agora não podemos saber que haja ouro nem prata. por motivos raciais. Houve dois curtos períodos de dominação britânica (1797-1798 e 18021813) e poucas outras ameaças externas após este período. Pedro Álvares Cabral afastou-se da costa africana. e incluía o nome de José Custódio Faria. Oficialmente tida como acidental. Nesse mesmo ano o rei D.[80] O território conseguira fazer parte dos domínios portugueses renegociando a demarcação inicial da Bula Inter Coetera de 1493. encontrou-se como principal recurso explorável uma madeira avermelhada. [81] Confirmando a descrição de Pero Vaz de Caminha. a Coroa portuguesa enviou duas expedições de reconhecimento. quando D. a mais bem equipada do século XV. sentiam-se discriminados nas promoções de suas carreiras. que movia mais para oeste o meridiano que separava as terras de Portugal e de Castela. adotando uma política de concessões de três anos: os concessionários deveriam descobrir 300 léguas de terra por ano. que os tupis chamavam ibirapitanga e a que foi dado o nome paubrasil. a conspiração foi reprimida pelas autoridades portuguesas. com vários clérigos e militares. conhecido como "Abade Faria".[82] . a descoberta do Brasil originou a especulação de ter sido preparada secretamente. João II firmou o Tratado de Tordesilhas em 1494. instalar aí uma fortaleza e produzir 20. Manuel I decide entregar a exploração a particulares. Denunciada. valiosa para a tinturaria europeia.000 quintais de pau-brasil. onde alcançaria a fama. A 22 de abril de 1500 avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. Presença portuguesa no Brasil Em 1499 na segunda armada à Índia.português em Goa. naturais da região. O grupo dos conspiradores era liderado pelo padre José António Gonçalves de Divar. pero a terra em si é de muitos bons ares.. nem alguma coisa de metal nem de ferro lho vimos. O Abade Faria escapou para a França. O padre Divar conseguiu escapar e viria a morrer emBengala. Até 1501.

Pau-brasil (Caesalpinia echinata) florido. o rei D. atual Fernando de Noronha. Em 1503. colares e espelhos (prática chamada "escambo").[80] O litoral servia fundamentalmente como apoio à carreira da Índia. estabelecer contactos com os ameríndios e principalmente fazer o mapeamento da parte situada aquém do Meridiano de Tordesilhas. como reconhecimento. em especial a Baía de Todos-os-Santos onde as frotas se abasteciam de água e lenha. junto à foz do rio foi erguida uma construção inspirou o nome que os índios deram ao local: "cari-oca". que terá sido comandada por Gonçalo Coelho. jardim botânico de São Paulo. aves de plumagem colorida . Comerciantes de Lisboa e do Porto enviavam embarcações à costa para contrabandearem pau-brasil. Em 1504. entre eles Fernão de Noronha. com crescente demanda na Europa. que vinha financiando viagens portuguesas à Índia. Manuel I doou a Fernão de Noronha a primeira capitania hereditáriano litoral brasileiro: a ilha de São João da Quaresma. então centrada no comércio com a Índia e para o Oriente.5 metro de comprimento e 30 quilogramas de peso. que seria representante do banqueiro Jakob Fugger. Em 1502 um consórcio de comerciantes financiou uma expedição. casa dos brancos. O arrendamento foi renovado duas vezes. Em 1506 produzia cerca de 20 mil quintais de pau-brasil. por isso pertencente à coroa portuguesa. em 1505 e em 1513. todo o território foi arrendado pela coroa para exploração do paubrasil aos comerciantes que financiaram a expedição. em troca de pequenas mercadorias como roupas. Cada nau carregava em média cinco mil toras de 1. para aprofundar o conhecimento sobre os recursos da terra. No Rio de Janeiro.[83] Os navios ancoravam na costa e recrutavam índios para trabalhar no corte e carregamento. Nas três primeiras décadas o Brasil teria um papel secundário na expansão portuguesa. aproveitando para fazer pequenos reparos. cujo preço elevado tornava a viagem lucrativa.

como se fizera com sucesso nas ilhas da Madeira e de Cabo Verde. Entre 1534-36 D. que incentivava a prática do corso. Surgiram. O aumento do contrabando de pau-brasil e outros géneros por corsários. Desde as expedições de Gonçalo Coelho que se assinalavam incursões de franceses no litoral brasileiro. promovendo o povoamento através das sesmarias. raízes medicinais e índios para escravizar.. dada a contestação do Tratado de Tordesilhas por Francisco I de França. Este sistema . assim. araras). do Benim e da Angola. os portugueses apercebem-se que a região corria o risco ser disputada. as primeiras feitorias. 1574) com a divisão do Brasil em 12 capitanias e a linha de Tordesilhasdeslocada dez graus para oeste.[84] A partir de 1520. peles. As Capitanias hereditárias e o primeiro Governo Geral (1532-1580) Mapa de Luís Teixeira (c. Foram criadas quinze faixas longitudinais que iam do litoral até o Meridiano das Tordesilhas. desencadearam um esforço de colonização efectiva do território.(papagaios. A cultura da cana-de-açúcar foi introduzida a partir de 1516 e as grandes plantações na Bahia e em Pernambuco exigiriam um número crescente de escravos negros da Guiné. João III instituiu o regime de capitanias hereditárias.

Os doze beneficiários eram elementos da pequena nobreza de Portugal que haviam se destacado nas campanhas da África e na Índia. . Tomé de Sousa fundou a primeira cidade. Percebendo o risco que corria o projeto de colonização. o rei criou em 1548 o Governo Geral. embora não fosse proprietário: podia transmiti-la aos filhos. O governador-geral passou a assumir muitas funções antes desempenhadas pelos donatários. Esquema do ataque de Mem de Sá aos franceses na baía de Guanabara em 1560 (autoria desconhecida. Com a finalidade de "dar favor e ajuda" aos donatários. Esta medida não implicou a extinção das capitanias hereditárias. 1567). conseguiram manter os colonos e estabelecer alianças com os indígenas. sede do Governo Geral. doadas a capitães-donatários que possuíssem condições financeiras para custear a colonização. a Coroa decidiu centralizar a organização da Colónia. enviando como primeiro governador-geral Tomé de Sousa. Cada capitão-donatário e governador deveria fundar povoamentos. ficando responsável pelo seu desenvolvimento e arcando com as despesas de colonização. como João de Barros e Martim Afonso de Sousa. apesar dos problemas comuns às demais. Salvador (Bahia). Das quinze capitanias originais (a dois meses de viagem de Portugal) apenas as capitanias de Pernambuco e de São Vicenteprosperaram.envolvia terras vastíssimas. altos funcionários da corte. Resgatou dos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a Capitania da Baía de Todos os Santos. transformando-a na primeira capitania real. os donatários Duarte Coelho e os representantes de Martim Afonso de Sousa. conceder sesmarias e administrar a justiça. Ambas se dedicaram à lavoura de cana-de-açúcar e. mas não vendê-la.

sobretudo a prata abundante na América espanhola e indígenas para escravização. Em 1551. membros das milícias e do clero. enfrentando choques com índios e com invasores. De início trabalharam na construção da cidade de Salvador e. Vieram também padres jesuítas. os "bandeirantes". na instalação de engenhos na região. terminaram os limites do meridiano de Tordesilhas.1572). Em 1595 iniciou-se a guerra Guerra Luso-Holandesa. em busca de riquezas minerais.capital do estado. para catequese dos indígenas. depois. A ocupação francesa perduraria até 1567. Trouxe três ajudantes para ocupar os cargos das finanças. onde tentaram estabelecer uma colónia. Duarte da Costa (1553 . Pernambuco. resultante da crise de sucessão de 1580 em Portugal. especialmente os franceses. e entre antigos e novos colonos. Sob o governo de Tomé de Sousa que chegou ao Brasil um considerável número de artesãos. reforçaram a defesa das capitanias. Estas expedições exploratórias duravam anos. estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa. permitindo expandir o território do Brasil para oeste. as "entradas". e com os próprios jesuítas que se opunham à escravidão indígena. da justiça e da defesa do litoral. e mais tarde no Rio de Janeiro. fizeram explorações de reconhecimento e tomaram medidas no sentido de reafirmar a colonização. Foram também instaladas as Câmaras Municipais.1557) e Mem de Sá (1557 . Com . Foram então realizadas expedições ao interior tanto por ordem da Coroa. Surgiram ainda conflitos com o bispo. foi criado o 1º Bispado do Brasil. como por particulares. a França Antártica. Domínio Habsburgo. Inicia-se então um grande desenvolvimento da agricultura. com o engenho de açúcarcomo peça principal especialmente na Bahia. ano em que foram definitivamente derrotados. divisão e invasões holandesas (1580-1663) Com a união ibérica sob o domínio Habsburgo. como a Holanda. A economia da colónia gradualmente passara à produção da cana-de-açúcar e do cacau em grandes propriedades. Os governadores seguintes. compostas pelos "homens bons": donos de terras. Esta união colocou contudo o império português em conflito com potências europeias rivais de Espanha. que em 1555 trazidos por Nicolas Durand de Villegagnon ocuparam o território o Rio de Janeiro.

Para sustentar a produção a partir de meados do século XVI. ou WIC. o velho. com capelas magníficas e refeições emlouça da Índia. resultado do destacado papel como ponto de apoio para a colonização do norte e nordeste. começaram a importar-se africanos como escravos. Até então os portugueses possuíram o monopólio do tráfico de escravos.uma produção muito superior à das ilhas Atlânticas. Roterdão. enfraquecendo a participação portuguesa. atravessavam o Atlântico em navios negreiros. O Governador é capturado e o governo passa para as mãos de Johan van Dorth. perpetuando a situação. do atual Ceará à Amazônia. Capturados entre tribos em África. Gabriel Soares de Sousa comentava o luxo reinante na Bahia. de Pernambuco à atual Santa Catarina. A resistência portuguesa reorganiza-se a partir do Arraial do rio Vermelho. que servia de lastro nos navios. Em 1625 a Coroa espanhola envia uma poderosa armada luso-espanhola. Antuérpia. Esta bloqueia . Nas senzalas os seus filhos também eram escravizados. "Planta da restituição da Bahia" (João Teixeira Albernaz. Em 1624 a recentemente criada Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. 1631). os chamados de "portugueses do Brasil" estavam sujeitos às mesmas leis que regiam os residentes em Portugal: as Ordenações manuelinas e as Ordenações filipinas. conhecida como Jornada dos Vassalos. o açúcar brasileiro supria quase toda a Europa e no início do século XVII era exportado para Lisboa. mas com o crescimento das suas colónias franceses. holandeses e ingleses entraram no negócio. capital do Estado do Brasil. e o Estado do Maranhão. Em ambos os estados. Hamburgo. por vezes com a conivência de chefes rivais. em péssimas condições. conquista a cidade de Salvador (Bahia). Amsterdão. Em 1621 o Brasil é dividido em dois estados independentes: o Estado do Brasil.

O avanço holandês nas duas costas do Atlântico Sul a partir do fim doséculo XVI ameaçou fortemente as possessões portuguesas. expulsaram-nos do Brasil e recuperaram Recife. A primeira batalha ocorreu em 19 de Abril de 1648. O território ocupado é renomeado Nova Holanda. como o Quilombo dos Palmares. sendo destruída perto de Itamaracá. Este "submundo" foi destruído por bandeirantes portugueses comandados por Domingos Jorge Velho. .o porto de Salvador. No mesmo ano começou a Guerra da Restauração. de São Jorge da Mina (1637). Portugal concedeu à Inglaterra a posição de "nação mais favorecida" no comércio colonial. João IV de Portugal ascende ao trono. 1645 eclode a Insurreição Pernambucana de luso-brasileiros descontentes com a administração da WIC. João Maurício de Nassau-Siegen foi nomeado Governador da colônia. As forças lideradas pelos senhores de engenho André Vidal de Negreiros e João Fernandes Vieira. Entre 1648-1649 são travadas as Batalhas dos Guararapes. Nesse ano o Brasil foi elevado a Principado. Em 1642. consegue a rendição holandesa e a recuperação da Bahia. a maior parte do Brasil permaneceu em mãos portuguesas. que congregava milhares de negros fugidos dos engenhos de cana do Nordeste brasileiro e alguns índios e brancos pobres ou indesejáveis. embora a guerra continuasse noutras partes do império. Restauração e capitulação holandesa (1640-1663) Em 1640 uma armada luso-espanhola falhou o desembarque em Pernambuco. pelo africano Henrique Dias e pelo indígena Felipe Camarão. que foram uma constante ameaça ao domínio holandês. Entre 1645 e 1654. abrangendo sete das dezenove capitanias do Brasil à época. Em 1630 a capitania de Pernambuco é conquistada pela WIC. vencidas pelos luso-brasileiros no Estado de Pernambuco. Nessa época foram fundados os quilombos. comandados por Salvador Correia de Sá. terminando assim o período do domínio Habsburgo [85] e D. Os holandeses apoderaram-se sucessivamente do Recife (1630). e a segunda em 19 de Fevereiro de 1649. os colonos recifenses(também chamados leões do norte) luso-brasileiros. No entanto. A guerra recomeçou. terminam as invasões holandesas do Brasil. liderado por Zumbi. de Arguim (1638) e de São Tomé (1641).

conseguiram reconquistar Luanda em 15 de Agosto. em carácter de exclusivo. A campanha prolongou-se de 1648 a 1652. que poderiam negociar diretamente vários produtos do Brasil com Portugal e vice-versa. Em 26 de Janeiro de 1654 é assinada a capitulação holandesa no Brasil. através de contactos com Jesuitas. exNova Holanda. escravos africanos para a região nordeste do Brasil e garantir o transporte do açúcar em segurança para a Europa. de onde partiram os últimos navios holandeses. e dominavam o transporte e distribuição em toda a Europa. equivalente a sessenta e três toneladas de ouro. Em 1661 a Inglaterra comprometeu-se a defender Portugal e colônias em troca de dois milhões de cruzados. dando seguimento a uma ideia já avançada por padre António Vieira. O Ciclo do Ouro (1693-1800) . obtendo ainda as possessões de Tânger e Bombaim. cedidas como dote do casamento entre a princesa Catarina de Bragança e Carlos II de Inglaterra. Em 1649. o açúcar produzido nas Antilhas Holandesas começou a concorrer fortemente com o açúcar do Brasil. Salvador Correia de Sá e Benevides preparou uma frota de 15 navios sob o pretexto de levar ajuda aos portugueses sitiados pelos guerreiros da rainha Nzinga em Angola. Este valor foi pago em prestações. como compensação pelo reconhecimento da soberania portuguesa do Nordeste brasileiro. ao longo de quarenta anos e sob a ameaça de invasão da Marinha de Guerra. Os holandeses tinham aperfeiçoado a técnica no Brasil. comprometendo-se a pagar oito milhões de Florins. para coadjuvar a resistência ao invasor. a Capitulação do Campo do Taborda. recuperando Angola e ailha de São Tomé para os portugueses. no Recife. A sua principal função era a de fornecer.[86] D.Em 1648. no Rio de Janeiro. João IV autoriza a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasilpara fomentar a recuperação da agromanufatura açucareira. Portugal foi obrigado a recorrer à Inglaterra e nesse ano aumentou os direitos ingleses. Nesse ano é assinado o segundo Tratado de paz de Haia com os holandeses: Portugal aceitou as perdas na Ásia. Partiu do Rio de Janeiro a 12 de Maio e. Em meados do século.

embora conseguindo recuperar o Brasil e territórios em África. No fim dos confrontos com os holandeses. A partir de 1693 as atenções centraram-se na Capitania do Espírito Santo. Brasil. Património Mundialda UNESCO. ao longo do século XVII. Igreja e Convento de São Francisco (Salvador) (17081752).[87] As primeiras descobertas importantes na serra de Sabarabuçu e o início da exploração nas regiões auríferas (Minas Gerais. na região que ficaria conhecida como Minas Gerais. Minas Gerais.Mato Grosso e Goiás) provocaram uma verdadeira "corrida do ouro". o Brasil começou a ganhar uma importância crescente no império. . Talha dourada barroca. para o qual exportava pau-brasil e açúcar.Cidade de Ouro Preto. Portugal perdeu para sempre a proeminência no Oriente. onde bandeirantes paulistas haviam descoberto ouro. Assim.

[90] No final da década de 1720. Rouillé. novo centro económico da colónia. o que passou a ser conhecido como "o quinto". com rápido povoamento e alguns conflitos. O ouro abundante nos ribeirões esgotou-se e passou a ser mais penosamente buscado em veios dentro da terra. 1. João IV a referir-se ao Brasil como a "vaca leiteira do Reino". há a primeira menção ao ouro chegado na frota em 1697 . mas Godinho sem citar a fonte menciona. A população cresceu 750% entre 1650 a 1770. pelo que instituiu toda uma burocracia de controlo.115. com as condições de vida dos escravizados na região mineira particularmente difíceis. contribuindo para o povoamento do interior. mas os conflitos continuam frequentes ao respeito dacolónia do Sacramento. descobriram-se também diamante e outras gemas preciosas. O tratado de Madrid (1750) definiu as fronteiras entre o Brasil e o resto dos territórios espanhóis. em 1701. teria levado D. Apareceram metais preciosos em Goiás e no Mato Grosso. A população de Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do Brasil. mas depois começou a declinar fortemente até se esgotar antes do fim do século. O ouro ultrapassou em lucro os outros produtos do comércio e permitiu a prosperidade do Rio de Janeiro. importantes no comércio colonial nos povoados em volta de Ouro Preto e Mariana.com grande afluxo migratório para estas regiões.[89] Na correspondência do embaixador francês em Lisboa. A importância económica do Brasil para Portugal. O século XVIII foi marcado por uma maior centralização e .[88] Este Ciclo do Ouro permitiu a criação de um mercado interno e atraiu uma grande quantidade de imigrantes. A corrida ao ouro aumentou consideravelmente as receitas da coroa. em 1699. A produção aurífera terá passado de 2 toneladas por ano em 1701 para 14 toneladas nos anos 1750.785 quilos. Os desvios e o tráfico eram frequentes. Faltam elementos para julgar o ouro entrado no Reino de 1698 a 1703. 725 quilos e. no século XVIII. destacando-se também os cristãos-novos vindos do norte de Portugal e das Ilhas dos Açores e Madeira. 78% desta população era formada por negros e mestiços. que cobrava um quinto de todo o minério extraído.2 quilos. Em 1696 foi fundada a povoação se tornou a vila de Minas Gerais em 1711. até que Portugal a renunciou no Tratado de Santo Ildefonso (1777).

Dom João VI chegou ao Rio de Janeiro em 1808 com uma comitiva de 15. um dos seus líderes. após uma aliança secreta com a Inglaterra. Em 1774. a coroa portuguesa mudou-se para o Brasil. mulatos e alfaiates. Em 1789. quando se anunciava a derrama. que pregavam a libertação dos escravos. refugiando-se das tropas de Napoleão Bonaparte. eclodiu em Ouro Preto a Inconfidência Mineira. o poder dos jesuítas. com grande participação de negros.Tiradentes. os dois Estados do Brasil e do Grão-Pará e Maranhão fundiram-se numa só entidade administrativa.[92] Instalaram-se no Paço da Cidade. um movimento que partiu da camada humilde da sociedade da Bahia. Mudança da Corte e Independência do Brasil (1807-1825) Primeira Carta Régia. de 1808. então protectores dos Índios ante a escravidão. .aumento do poder real por todo o Império Português. A revolta que partiu da elite de Minas Gerais fracassou e. residência dos governadores desde 1743. um imposto de 20% do valor doouro retirado. Estes dois movimentos manifestavam já a intenção de proclamar a independência. A decadência da mineração tornou difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa. Os colonos começam a manifestar uma certa insatisfação face às autoridades de Lisboa. foi brutalmente suprimido porMarquês de Pombal com a dissolução desta ordem religiosa católica sob solo português em 1759. escoltando os navios no caminho. em 1792. que acordou pôr a salvo a família real e o governo português. inspirados nos ideais iluministas da França e na recente independência norte-americana. a instauração de um governo igualitário com a instalação de uma República na Bahia. com oDecreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. por isso também é conhecida como Revolta dos Alfaiates. Em Novembro de 1807.000 pessoas. que seria detida em 12 de Agosto de 1798. foi enforcado.[91] Dez anos mais tarde seguiu-se a Conjuração Baiana em Salvador.

a total dependência de Portugal da Inglaterra. decretados por carta régia: depois do comércio. Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa" encarregadas de elaborar uma constituição. que estabelecia o monopólio de comércio do Brasil com Portugal. no extremo norte. no contexto das negociações do Congresso de Viena. Brasil e Algarves Em 16 de dezembro de 1815.Quatro dias após a chegada. após a (revolução liberal portuguesa de 1820). Nesse ano morreu a rainha Maria I e D. João VI foi coroado rei.[95]Em 12 de outubro foi fundado o Banco do Brasil para financiar as novas iniciativas e empreitadas. fazendas e mercadorias transportadas em navios estrangeiros das potências que se conservavam em paz e harmonia com a Real Coroa" ou em navios portugueses.[92] Foi permitida a importação "de todos e quaisquer gêneros. mas o Uruguai foi mantido sob o nome de Província Cisplatina. no extremo sul. chegou "a liberdade para a indústria". Os portos brasileiros foram então abertos às nações amigas . ainda na Bahia. o Brasil foi elevado à condição de Reino dentro do Estado português. acabando com o Pacto colonial.como a Inglaterra). o Príncipe assinou a primeira carta régia com o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. a criação da Imprensa Nacional e de uma Fábrica de Pólvora. Como represália à França. Brasil e Algarves". Esta abertura foi acompanhada por uma série de melhoramentos. O Rio de Janeiro tornou-se Corte e capital e as antigas capitanias passaram a ser denominadas províncias. foram instauradas em Portugal as "Cortes Gerais. com a designação "Reino Unido de Portugal. abrindo os portos. O primeiro território seria devolvido à soberania francesa em 1817. D. já presente em moedas da África portuguesa (1770). Em Janeiro de 1821. numa tentativa de diminuir. João ordenou a invasão e anexação da Guiana Francesa. e da banda oriental do rio Uruguai. Deu ao Brasil como brasão-de-armas a esfera manuelina com as quinas. Bandeira do Reino Unido de Portugal. Em .[93][94] que desde 1540 era fabricada na Fábrica da Pólvora de Barcarena.

No dia seguinte. a primeira assembléia de eleitores do Brasil resultou em confronto com mortos.Fevereiro. com as seguintes palavras: Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação. Esta . cariocas afixaram à porta do Paço um cartaz com a inscrição "Açougue do Bragança". um decreto comunicou o retorno do rei a Portugal e ordenou que. deputados da Junta do Pará e de Pernambuco.[96] No Rio. João VI ordenou que deputados do Brasil. no "Dia do Fico". Madeira e Cabo Verde participassem na assembleia. Pedro. Em Agosto de 1821 as Cortes apresentaram três projetos para o Brasil com medidas que estes se recusavam a aceitar. João VI partiu para Portugal cinco dias depois. D. D. O Brasil elegeu 81 representantes para as Constituintes em Lisboa. No Rio. Em Janeiro de 1822. com os deputados portugueses Borges Carneiro e Ferreira Borges e Moura. referindo-se ao Rei como carniceiro. Em Abril chegaram a Lisboa Maciel Parente e Francisco Moniz Tavares. fossem realizadas eleições dos deputados para representarem o Brasil nas "Cortes Gerais" convocadas em Lisboa. a secessão do Brasil seria impulsionada e anunciada informalmente pelo príncipe herdeiro D. estou pronto: diga ao povo que fico. «sem perda de tempo». bem como dos Açores. contra a remessa de mais tropas para Pernambuco e a incômoda presença da numerosa guarnição militar portuguesa na província.[96] em vivo debate. em 16 de abril de 1821. deixando seu primogénito Pedro de Alcântara como Príncipe-Regente do Brasil. com tropas portuguesas a dissolveram a manifestação. os primeiros brasileiros a discursar oficialmente na Assembleia. Agora só tenho a recomendar-vos união e tranquilidade. Império Português em 1822. com a declaração de de que iria permanecer no Brasil.

o regime estabilizou-se.[97] Aos catorze anos em 1840. As províncias foram pacificadas e a última grande insurreição. Além de formalizar a paz entre Afonso V de Portugal e os Reis Católicos. Trata-se de um redescobrimento pois já havia conhecimento da existência das ilhas da Madeira no século XIV. porém. principalmente em mapas italianose catalães. sob comando do Infante D. Eram então ilhas desabitadas que. como D. que tinham uma grande importância estratégica. Portugal fica obrigado a acentuar a sua expansão territorial no interior da África a fim de manter-se a par com as outras potências. continha cláusulas concernentes à política externa de dos dois reinos. Com o reconhecimento por Portugal da declaração de independência do Brasil. símbolo de orgulho nacional. pelo seu clima. A disputa destes territórios deu origem ao primeiro conflito ibérico motivado por razões expansionistas que terminaria com a assinatura do Tratado das Alcáçovas-Toledo em 1479. que tinha apenas cinco anos.seria declarada no dia 7 de setembro a data do romantizado "grito do Ipiranga". Portugal Insular Durante o reinado de D. a Revolta Praieira. representavam fortes potencialidades económicas. Dom Pedro II. que competiam pelo domínio do Oceano Atlântico e das terras até então descobertas na costa africana: Portugal . desde cedo. foi derrotada em 1849. em 1825. Dom Pedro II teve sua maioridade declarada. em especial as Canárias. A independência do Brasil. pois era o baluarte do Império. ofereciam possibilidades de povoamento e reuniam condições para a exploração agrícola. sendo coroado imperador no ano seguinte. quando foi sucedido por seu herdeiro. criou uma imensa onda de choque emocional e material em Portugal. por serem vizinhos da costa africana. mediante pagamento. o interesse tanto dos Portugueses como dos Castelhanos. Henrique dá-se o redescobrimento da ilha de Porto Santo por João Gonçalves Zarco em 1418 e mais tarde da ilha da Madeira por Tristão Vaz Teixeira. João I. Pedro I. Em 7 de setembro de 1822 Dom Pedro proclamou a independência e reinou até 1831. No final da primeira década do Segundo Reinado. Os arquipélagos da Madeira e das ilhas Canáriasdespertaram. segundo revela a cartografia da época.

sangue-de-dragão. A produção cresceu de tal forma que exigiu uma grande necessidade de mão-de-obra.obtinha o reconhecimento do seu domínio sobre a ilha da Madeira.rara na Europa e já tentada no Algarve . a partir de 1450 tornou-se um centro produtor de cereais. Em 1490 a Madeira tinha ultrapassado Chiprecomo um produtor de açúcar.passando a Madeira a investir na produção dovinho.[15] entres os quais pontuou o florentino Bartolomeu Marchionni.inicialmente comercializado como "açúcar da Madeira" . "Em 1480 havia cerca de setenta navios envolvidos no comércio de açúcar da Madeira.promovendo. Inicialmente a Madeira exportava cedro. a cultura da cana-do-açúcar iria ser promovida no Brasil ."[15] Mais tarde. da Sicília. no Norte de África. o infante D. logo em 1424 iniciou-se a colonização da Madeira adoptando um sistema de capitanias. com a refinação e distribuição concentrada em Antuérpia. da soca da primeira planta e dos técnicos especializados. enquanto que Castela recebia as ilhas Canárias. A Madeira Para tentar evitar uma situação idêntica à das Canárias. a vinda. renunciando a navegar ao Sul do cabo Bojador. teixo. mais tarde. de Marrocos e. perdidas para Castela. Regulamentava também as áreas de influência e de expansão de ambas as coroas pelo Reino Oatácida de Fez. Para satisfazer esta carência foram levados para a ilha escravos originários das Canárias. Os Açores . o de Cabo Verde e a costa da Guiné. A acessibilidade da Madeira atraiu comerciantes genoveses e flamengosinteressados em contornar o monopólio Veneziano. anil e outros materiais tintureiros. A partir de 1455 inicia-se uma florescente indústria de açúcar. de outras zonas de África. o Arquipélago dos Açores. Henrique mandou plantar na ilha da Madeira a cana-de-açúcar . ou seja. do Paralelo 27 no qual se encontravam. cerca do século XVII. Com a queda na produção cerealifera. para isso.

1596). atingindo o seu auge quando a produção de cana-de-açúcar. Pico e Faial).. São Jorge. Ainda nesse ano é descoberto o grupo oriental dos Açores. A presença nas ilhas de flamengos e alemães. porto de abrigo daarmada das ilhas (Jan Huygen van Linschoten. tentada sem grandes resultados.. A exportação de madeiras para produção escultórica e construção naval. e de trigo entraram em decadência. dão-se os primeiros contactos com o arquipélago dos Açores por Diogo de Silves. entre os quais o cosmógrafo Martin Behaim. a cultura do pastel e a apanha da urzela para tinturaria deram origem a um activo comércio com os portos da costa europeia. cedo canalizado para as então praças portuguesas das conquistas do norte de África. foram colonizados desde o início do século XV. (São Miguel e Santa Maria). tal como o sul do Continente Português. em especial com Portugal e a Flandres. Em 1452 o grupo ocidental (Flores eCorvo) é descoberto por João de Teive. Para que os colonos pudessem cultivar as terras foi necessário desbastar densos arvoredos que proporcionavam matéria-prima para exportação. Segue-se o descobrimento do grupo central (Terceira. A presença de grande número deflamengos nas ilhas do Grupo Central levou a que aquelas ilhas fossem durante muitos anos conhecidas por "ilhas flamengas" (em inglês "Flemish islands") na cartografia oriunda do norte europeu. maioritariamente por portugueses. o cultivo de cereais e a criação de gado foram as actividades predominantes. territórios desabitados até à altura do seu descobrimento. Graciosa."A Cidade de Angra na Ilha de Jesus Cristo da Terceira. Para além do trigo. Em 1427. em especial Mazagão e Ceuta. contribuiu para algum . o cedro-do-mato e o teixo. de que Portugal era cronicamente carente. maioritariamente flamengos e italianos.". com o trigo. embora também com alguns estrangeiros europeus. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira.

ficando a autoridade do Governo centralizada no capitão-general. No porto de Angra do Heroísmo eram reabastecidas e reaparelhadas as embarcações carregadas de mercadorias. com sede em Angra. A 26 de Janeiro de 1771 os Açores foram oficialmente declarados província de Portugal. tal como o resto do país. quando extinguiu esse regime senhorial e instituiu as capitanias-gerais. As ilhas portuguesas tornaram-se constitucionalmente. no contexto da Dinastia Filipina. antecessoras dos distritos autónomos do liberalismo oitocentista. em 1976. Em 1641.cosmopolitismo da vivência insular de então. serviu de porto aos galeões espanhóis carregados de ouro e prata. e alcançava Sevilha. nos Açores as capitanias donatárias haviam sido extintas em 1766. o modo como expulsou os espanhóis entrincheirados na fortaleza do Monte Brasil valeu-lhe o título de "Sempre leal cidade". para apoiar a chamada Armada das ilhas. Por essa razão desde as primeiras décadas do século XVI aqui foi instalada a Provedoria das Armadas. apoiando António I de Portugal que aqui estabeleceu o seu governo. regiões autónomas de Portugal. oriundos das "Índias Ocidentais". em particular no Grupo Central. passava por Porto Rico e por Angra. Entre os povos que vieram para os Açores estavam os cristãosnovos. anterioremente ao dos restantes senhorios do Continente. as Ilhas foram integradas na estrutura centralizada do Reino pelo Marquês de Pombal. de 5 de Agosto de1580 a 6 de Agosto de 1582. judeus convertidos forçadamente ao catolicismo que emigraram do continente europeu para adquirirem terras e escaparem da perseguição religiosa. Sujeitas desde o início ao regime senhorial. apoiando as naus que regressavam na "volta do mar". no sc. não podendo ser consideradas partes do Império. Descolonização (séc. Posteriormente. XX) . outorgado por João IV de Portugal. numa rota que se estendia de Cartagena das Índias. Com efeito. que tanto aliás ajudaram a colonizar. XVIII. Estado unitário. A cidade teve parte activa à época da Crise de sucessão de 1580 resistindo ao domínio Castelhano. O progresso das ilhas deveu-se à importância como escala da chamada Carreira da Índia.

altura em que se deu a Revolução dos Cravos. Portugal pôde restabelecer as relações diplomáticas com a Índia. no entanto. o que foi vetado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. que desde 1779 faziam parte doEstado Português da Índia.Colônias portuguesas no século XX. E no ano seguinte tomava a Ilha de Angediva. a União Indiana anexou os territórios de Dadrá e Nagar Haveli. De 18 para 19 de Dezembro de 1961 uma força de 40.acabou com o domínio Português de 451 anos em Goa encontrando pouca resistência. com o governo português liderado por António de Oliveira Salazar a recusar-se a negociar. mantendo-os representados naAssembleia Nacional até 1974. em 1947.000 soldados a Índia independente conquistou Goa. após a descolonização francesa Pondicherry. Damão e Diu. ar e mar. Portugal recusou-se a aceder ao pedido da Índia para rescindir a sua posse. a resistência à dominação portuguesa manifestou-se no contexto da descolonização europeia. A partir de então. a União Indiana invadia os territórios de Goa. o Conselho de Segurança da ONU considerou uma resolução que condenava a invasão. acabando por anexar formalmente os enclaves. A Índia impediu Portugal de deslocar militares para a sua defesa. Em Dezembro de 1961. as datas representam a perda do território.feita por terra. Em 1954. Após a independência indiana concedida pelos britânicos. após vários protestos pacíficos. começando pelo reconhecimento da soberania indiana sobre o antigo Estado . que durou cerca de 36 horas . A maioria das nações reconheceram a acção da Índia. No Oriente. Salazar recusava-se a reconhecer a soberania indiana sobre os territórios. À época. numa acção armada . A atitude era condenada pelo Tribunal Internacional e pela Assembleia das Nações Unidas que se pronunciou a favor da Índia. e integrou o Estado Português da Índia no seu território.

a autonomia à Angola e a Moçambique. conduzem rapidamente ao despedaçamento e à ruína dum país em pleno desenvolvimento e rico em petróleo. Timor-Leste proclamou unilateralmente a sua independência em 1975. No mesmo ano. a situação colonial dos dois países degradou-se rapidamente e os portugueses concordaram em conceder aindependência às suas colónias em 1975. a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) toma o comando do país. onde os portugueses se mostram incapazes de travar o aumento das hostilidades e reconheceram rapidamente a independência da Guiné-Bissau(1974) e de Cabo Verde (1975). diamantes. seguida da administração . que divide as forças de libertação. No entanto. esteve sob administração indonésia até ao referendo de 1999. Após a Revolução dos Cravos na metrópole (1974). aos seus habitantes que o pretendessem foi dada a possibilidade de manterem a cidadania portuguesa. mas foi anexado no mesmo ano pela Indonésia. Portugal aceitou conceder. o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União dos Povos de Angola (UPA). Em 1961. enquanto a guerra civil angolana. Após a morte de Salazar.Português da Índia. Consequentemente. em 1972. iniciando a Guerra Colonial Portuguesa. Em Moçambique.[98] Cerimónia da Transferência da Soberania de Macau para a República Popular da China. Em Moçambique. um movimento antiportuguês manifestou-se em Angola com o surgimento de dois partidos de luta armada. decorrida nos primeiros momentos da madrugada do dia 20 de Dezembro de 1999. ferro e café. O processo de descolonização é próximo na Guiné. as operações de guerrilha começaram em 1964. as ilhas de São Tomé e Príncipe acederam igualmente à independência.

a maior possessão colonial portuguesa de sempre. Após o retorno à China.dia da coroação de D. A título de exemplo. e conceder um elevado grau de autonomia para a população de Macau. seguindo o princípio de "um país. Macau passou a ser uma Região Administrativa Especial. A descolonização de Macau foi feita de um modo diferente e especial e teve começo após a Revolução dos Cravos.e o fim de facto . data em o príncipe real D. Em contrapartida. formalmente. No entanto. retorno esse rejeitado por aquele grande país comunista. uma vez que foi então quePortugal e a comunidade internacional. Pedro I como Imperador . No Brasil. quando Portugal reconheceu a sua independência.provisória da ONU até 2002. após intensas negociações.que sela a independência política unilateral do novo Império do Brasil. administrada por suas gentes. No estado da Bahia é comemorado o dia 2 de julho de 1823. Pode considerar-se o fim de jure . é comemorado o 7 de Setembro de 1822 como o dia da independência. no dia 20 de Dezembro de 1999. reconheceram a independência do Brasil.marcado pelo reconhecimento do mesmo . é a data de 1 de dezembro de1822 . mas mais concretamente dirigida por um Chefe do Executivo (entretanto eleito por sufrágio indirecto) e uma Assembleia Legislativa (somente menos de metade dos seus membros entretanto são eleitos pelo sufrágio directo. incluindo o seu sistema económico de carácter capitalista. Por fim. . Pedro deu o Grito do Ipiranga. Em 1976. a China prometeu conservar as especificidades de Macau. dando por isso uma Fim do Império Existem várias datas que podem ser consideradas como as do fim do Império Português. da soberania sobre Macau. existem pelo menos três datas referentes à independência do Brasil. esta colónia passou oficialmente a ter o estatuto especial de "território chinês sob administração portuguesa".marcado pela independência das possessões coloniais. Em 1987. quando foi proposta o seu retorno imediato à República Popular da China. na declaração conjunta sinoportuguesa Portugal aceitou a recuperação pela China. quando as últimas tropas portuguesas são retiradas do território brasileiro. como aIndependência da Bahia. dois sistemas". oficialmente. também se pode considerar a data de 29 de agosto de 1825.

possui uma situação colonial peculiar e única no Império Português e por isso. foi imediatamente invadido e ocupado pelaIndonésia. mas ocupado gradualmente por Portugal desde o século XVI.[99] Mas. ou ainda quando Timor-Leste. mais precisamente no dia 20 de Dezembro de 1999. o seu caso deve ser analisado de uma maneira diferente e especial. um território inalienável da China. reconheceu a independência. pode-se afirmar que o "fim" de facto do Império Português ocorreu em 1975. também se pode considerar o "fim" oficial ou de jure do Império Português em 1999. foi finalmente devolvido na sequência da declaração conjunta de 1987 e passou para a soberania da República Popular da China como região administrativa especial. desde os tempos mais remotos. mas esta possessão colonial. Macau foi o único que não proclamou a sua independência em 1975. são agora . Sete das ex-colónias de Portugal. a soberania de Timor-Leste. num acto simbólico. encravada em terras chinesas.Assim sendo. hoje países independentes. Pode-se ainda afirmar que o verdadeiro "fim" oficial ocorreu em 2002. que foi libertada da ocupação indonésia em 1999. e seguindo esta lógica. que proclamou unilateralmente nesse mesmo ano a sua independência. quando Macau. quando as suas colónias proclamaram em massa a sua independência e/ou viram a sua independência reconhecida por Portugal. Legado Mapa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). que sempre defendeu que Macau era. quando Portugal. têm hoje o português como sua língua oficial. Juntamente com Portugal. e portanto. o último território sob a sua administração.

No ciberespaço. sabendo-se que o total da população portuguesa era em 1527 de apenas 1. Portugal e Brasil estão liderando um movimento para incluir o português como uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas. gastronómica. aos chamados Burghers portugueses que. na Malásia. cultural e arquitectónica em vários continentes. embora haja também comunidades significativas de lusófonos em países como Canadá. mantêm vivo um de várioscrioulos de base portuguesa. doze países ou regiões candidatas solicitaram a adesão à CPLP e estão aguardando aprovação. com cerca de 240 milhões de falantes em todo o mundo. ou 7. deu origem à comunidade Cristang.membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. junto com Maurícia e Senegal.2 milhão de habitantes. a nona maior quantidade de artigos publicados. sendo também a língua co-oficial junto com o cantonês na região administrativa de Macau. antigo Ceilão. A presença em Malaca. Deixou a sua influência no Japão. um legado extraordinário. Hoje. incluindo o utilizado pela população da Comunidade Cristang em Malaca.2% do território da Terra. [100] A Guiné Equatorial.[101] É a terceira língua mais falada nas Américas. Estados Unidos e Venezuela. com diversas palavras de origem portuguesa no léxico japonês. No Sri Lanka. totaliza de 10 742 000 km².[101] Em função da sua importância internacional. é atualmente um observador associado da CPLP. que adoptou o português como seu terceiro idioma oficial. estima-se que o português seja a sétima língua mais utilizada da Internet e na Wikipedia. tem actualmente.[102] É também a língua-franca em muitas antigas possessões coloniais em África e a língua oficial em 8 países. quando combinada.[103] A presença portuguesa deixou também uma vasta herança humana. que. Além disso.[104] . como muitos outros povos. sendo o 6º idioma mais falado. o português é uma das principais línguas do mundo. Além disso. principalmente devido ao Brasil. existem inúmeras línguas crioulas de base portuguesa.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful