R E V I S T A D A S O C I E D A D E B R A S I L E I R A D E A L I M E N T A Ç Ã O E N U T R I Ç Ã O

Nutrire

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J O U R N A L O F T H E B R A Z I L I A N S O C I E T Y O F F O O D A N D N U T R I T I O N

n. 1, abr. 2011

ISSN 1519-8928

NUTRIRE: REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO Comissão Editorial / Editorial Committee
Célia Colli - Editor Científico / Scientific editor Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Elizabete Wenzel de Menezes - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Fernando Salvador Moreno - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Franco Maria Lajolo - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Hélio Vannucchi - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo

Olga Maria S. Amancio - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Ralf Greiner - Federal Research Institute of Nutrition and Food - Germany Regina Mara Fisberg - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Rejane Andréa Ramalho - Universidade Federal do Rio de Janeiro Rui Curi - Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo Semiramis Martins Álvares Domene - Pontifícia Universidade Católica de Campinas Silvia Berlanga de Moraes Barros - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Silvia Eloiza Priore - Universidade Federal de Viçosa Sonia Tucunduva Philippi - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Sophia Cornbluth Szarfarc - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Tasso Moraes e Santos - Universidade Federal de Minas Gerais Thais Borges Cesar - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho Tullia M. C. C. Filisetti - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo

Conselho Editorial / Editorial Board
Álvaro Oscar Campana - Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho Amalia Antezana Valera - Depto de Biologia / Laboratorio de Servicos Academicos Y de Investigacion Universidad Mayor de San Simon, Facultad de Ciencias Y Tecnologia - BOLIVIA Anita Sachs - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Dirce Maria Sigulem - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Elizabeth de Souza Nascimento - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Elizabeth Aparecida Ferraz Silva Torres - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Emma Witting de Penna - Universidad do Chile Felix Reyes - Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas José Augusto de Aguiar Taddei - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina José Alfredo Gomes Arêas - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Júlio Cesar Moriguti - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo Júlio Tirapegui - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Lilian Cuppari - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Luiz Antonio Gioielli - Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo Maria de Fátima N. Marucci - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Maria de Lourdes Pires Bianchi- Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo Maria Lúcia Rosa Stefanini - Instituto de Saúde da Secretaria da Saúde de São Paulo Maria Sylvia de Souza Vitalle - Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina Marina Vieira da Silva - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ/ Piracicaba da Universidade de São Paulo

Normalização e indexação / Normalization and indexing
Bibliotecária Maria Cláudia Pestana À Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição reservam-se todos os direitos, inclusive os de tradução, em todos os países signatários da Convenção Panamericana e da Convenção Internacional sobre os direitos autorais. Não nos responsabilizamos por conceitos emitidos em matéria assinada e também não aceitamos matéria paga em nosso espaço editorial. Os pontos de vista, as visões políticas e as opiniões aqui emitidas, tanto pelos autores como pelos anunciantes, nem sempre refletem a orientação desta revista. The SBAN reserves all rights, including translation rights, in all signatory countries of the Panamerican Copyright Convention and of the International Copyright Convention. The SBAN will not be responsable for concepts expressed in signed articles, and do not accept payed articles. The views, political views and opinions expressed here by authors or by advertisers do not always reflect the policies or position of the Nutrire. No articles published here may be reproduced or distributed for any purpose whatsoever without the express written permision. Reproduction of abstracts is allowed as long as the right source is quoted. Revisores: Alvaro Augusto Feitosa Pereira (inglês), Benedita E. S. de Oliveira (português), Maria Oriana del Reyes Figueiroa (espanhol).

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO-SBAN

Nutrire
R E V I S T A D A S O C I E D A D E B R A S I L E I R A D E A L I M E N T A Ç Ã O E N U T R I Ç Ã O J O U R N A L O F T H E B R A Z I L I A N S O C I E T Y O F F O O D A N D N U T R I T I O N
ISSN 1519-8928 Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 1-197, abril 2011

© Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Publicação quadrimestral/ Published three times to the year Tiragem/Print-run:1000 Impresso no Brasil/Printed in Brazil Capa: Ademar Assaoka Diagramação: Jotacê Desenhos Gráficos

Nutrire: revista da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição=Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition, São Paulo, SP. v.1, (1990) - São Paulo, SP: SBAN, 2000 Quadrimestral. Resumos em português, inglês e espanhol. Continuação dos Cadernos de Nutrição, a partir do v. 19/20 (2000). A partir do v. 31 de 2006 a revista passou a ter periodicidade quadrimestral. 1. Alimentos e alimentação – Periódicos. 2. Nutrição – Periódicos. I. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN

ISSN1519-8928

CDD 612.305 664.005

É permitida a reprodução de resumos com a devida citação da fonte/ Reproduction of abstracts is allowed as long as the right source is quoted. A Revista Nutrire é indexada pelas seguintes bases de dados: CAB, Chemical Abstracts, Lilacs (Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde), Peri (Esalq), Periódica e Latindex.

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Soc. Iracema de Mattos Paranhos CALDERON Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade Coronary risk in adolescents as estimated by the Conicity index Marcela Pinheiro MARQUES. Ana Lúcia MIRANDA. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve Relationship of weight gain before and during pregnancy with fetal macrosomia in gestation complicated by diabetes and mild hyperglycemia Camila Pereira BRAGA. Liana Galvão Bacurau PINHEIRO. p. antes e durante a gravidez. SP. 2011 SUMÁRIO/CONTENTS V Editorial Artigos Originais/Original Articles 1 Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar Impact of different protein sources on the development of hepatic cells in newly-weaned rats submitted to a restriction diet followed by food repletion Denise Aparecida Gonçalves de OLIVEIRA. Sergipe Diva Aliete dos Santos VIEIRA. Elaine Gomes da SILVA. Brazilian Soc. 36. e S. Ana Angélica Henrique FERNANDES. Sandra Aparecida Vieira Neiva NOLASCO. 1-197. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais Impact of food complement supplied by a food bank on the nutritional status of children aged 1 to 6 years in a daycare center in Ibirité/Minas Gerais Bruna Carla SILVEIRA. Bras. Dayanne da COSTA.= J. Valéria Aparecida Alves LOPES. n. Michele Pereira NETTO. Nutr. Clélia de Oliveira LYRA. 1. Dirce Maria Lobo MARCHIONI Relação do ganho de peso. aureus on surfaces used for preparing food in a food service Heloísa Maria Ângelo JERÔNIMO. Ricardo Fernando ARRAIS. Maria Lúcia da Conceição. v. abr. Fernando Fleury CURADO. Paulo Roberto de Medeiros AZEVEDO. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição Occurrence of Staphylococcus spp. Humberto Sadanobu HIRAKAWA.Nutrire: rev. Valdemiro Carlos SGARBIERI Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Food Nutr. Sergipe Socio-economical characteristics and nutritional status of children and adolescents in rural settlements in Pacatuba. São Paulo Quality of food preparation in restaurants in the district of Cerqueira César. Felipe André dos SANTOS. Rita de Cássia Ramos do Egypto QUEIROGA. Lucia de Fátima Campos PEDROSA 23 37 49 71 85 99 iii . Evandro Leite de SOUZA Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. São Paulo. Alim. São Paulo Lívia da Cruz ESPERANÇA. Isabella de Medeiros BARBOSA. Fabiana Maria da COSTA Ocorrência de Staphylococcus spp. Severina Carla Vieira Cunha LIMA. Jamille Oliveira COSTA. and S. Ana Caroliny Vieira da COSTA. Raquel Simões MENDES-NETTO Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César.

Fernanda Castelo BRANCO Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular Effects of wine components on cardiovascular function Daniela Cristina Seminoti Jacques DOMENEGHINI. Suélem Aparecida de França LEMES Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas Iron-deficiency anemia and obesity: a new look at old problems Ursula Viana BAGNI. Nathália BESENBRUCH. Gloria Valeria da VEIGA 163 177 iv . Nailza MAESTÁ. Mariana THALACKER. Rosana Farah SIMONY. Ana Maria Dianezi GAMBARDELLA Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento Effect of the dietary glycid/lipid calorie ratio on the nitrogen balance and body composition of bodybuilders Raquel Simões MENDES-NETTO.111 Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba Epidemiological profile of the nutritional status in children assisted in daycare centers in the state of Paraíba Carolina Pereira da Cunha SOUSA. Dixis Figueroa PEDRAZA Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo Validity of weight and height informed by adult women in the city of São Paulo Maria Fernanda Petroli FRUTUOSO. Roberto Carlos BURINI 127 137 Artigos de Revisão/Revision Articles 151 Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 Metabolic and nutritional aspects of carbohydrate counting in the treatment of type 1 diabetes mellitus Ana Carolina Pereira COSTA. Ana Carolina Dantas ROCHA. Erick Prado de OLIVEIRA. Mayana Pereira da Cunha SOUSA. Fernanda Ávila FALSARELLA.

as mudanças que afetam a saúde da população humana. do ponto de vista da evolução. Assim. e que vem sendo muito discutidas. em sua maioria. O artigo Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. culturais e políticas. Artigo de Santoro S e cols. e o aumento da dependência de monoculturas levaram a importantes mudanças sociais. incluem o aumento do consumo de carboidratos provenientes de grãos altamente processados e refinados. Célia Colli Editora Científica v . rica em fibras pouco digeríveis e hipocalóricas. a absorção ocorre rapidamente. época em que as questões de saúde eram. o aumento do consumo de açúcar refinado. o uso crescente de pesticidas e fertilizantes. publicado neste número da Nutrire. no intestino distal. publicado no periódico São Paulo Medical Journal. em picos..EDITORIAL A alteração dos padrões de alimentação. na população. associadas à desnutrição e às doenças infecciosas. concomitantemente ao desenvolvimento de cérebros maiores. têm trato gastrointestinal maior. pobre em fibras e extremamente fácil de ser absorvida. em 2006. o que pode causar uma falta de produção de hormônios anorexígenos E tem sido descrito que tanto os indivíduos diabéticos como os obesos têm menor produção pós-prandial desses hormônios. tende a ser mínima. um trato gastrointestinal longo e volumoso era necessário para acomodar e processar alimentos volumosos e extrair nutrientes a partir da celulose. Somam-se a esses. e sua possível ligação com a exaustão do solo e outros tantos. apresentava essa hipótese para a questão da obesidade: os obesos seriam aqueles. especialmente até o começo do século XX. os volumes ingeridos. A absorção. portanto. Após uma refeição com essas características. os animais herbívoros têm intestinos mais longos do que os carnívoros. A dieta primitiva era crua. A dieta moderna tornou-se hipercalórica. traz a anemia ferropriva para a pauta dessa discussão sobre a obesidade e suas causas. a redução do consumo de frutas e vegetais de um modo geral. Em consequência. Sob essa perspectiva evolucionária. fatores como o aumento da densidade populacional e a distribuição desigual de alimento. Assim. Como a qualidade da dieta melhorou. alguns pesquisadores chamam a atenção para as adaptações do organismo humano a alterações de sua dieta. Entre os seres humanos e outros primatas. na porção proximal do intestino. houve também uma diminuição do tamanho do trato gastrointestinal. que teriam o intestino delgado maior. aqueles que comem alimentos de baixa qualidade nutricional. Eram grandes.

.

SGARBIERI. 1 . all food treatments showed normal liver development. G. Nutrire: rev. C. The following parameters were evaluated in this study: the amino-acid profile of the protein sources. Endereço para correspondência: Denise Aparecida Gonçalves de Oliveira Rua Aparecida D’Oeste. Brazilian Soc. 2011. A. lower growth of the liver due to a lower growth by cellular hyperplasia (number of cells). Bras. The food restriction model was based on a 50% ingestion restriction for the rats fed with the control diet (21 days) and “ad libitum” recovery (a period of 21 days). Especialmente ao Centro de Química de Alimentos e Nutrição Aplicada. Food Restriction. lower capacity of cell division and DNA synthesis. it showed a higher ability for RNA synthesis. V. SP. n. São Paulo. However. Agradecimentos: aos funcionários e pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL/Campinas. Cell Hypertrophy. 1. Soc. Alim.. SP. 1-21.Faculdade de Engenharia de Alimentos/ FEA/UNICAMP. VALDEMIRO CARLOS SGARBIERI2 1Doutoranda em Alimentos e Nutrição . a lower development of liver cells. the development of liver cells (liver weight and growth rates . DNA. The results showed that the treatment with (YA) was the most affected by the food restriction. weight and number of hepatocytes in the whole organ. Food Nutr. v. During the repletion period.. 36.Artigo original/Original Article Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar Impact of different protein sources on the development of hepatic cells in newly-weaned rats submitted to a restriction diet followed by food repletion ABSTRACT OLIVEIRA.e. E-mail: deneolia@gmail.SP. 464 – Eldorado II CEP 13421-650 Piracicaba. = J. setor de bioquímica por permitir a utilização dos seus laboratórios. cell growth and organ hyperplasia and hypertrophy. Faculdade de Engenharia de Alimentos/ FEA – Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP. thus indicating that growth in the restricted phase was mainly due to increase in the size of hepatocytes (cell hypertrophy). Brasil). Keywords: Liver. 2Professor Titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos/FEA/UNICAMP. protein). Nutr. a mixture containing the YA and WPC in the proportion of 64:36 (protein base). DENISE APARECIDA GONÇALVES DE OLIVEIRA1. commercial casein (CC) which was used as the experimental treatment (EC) and control treatment (CP). Impact of different protein sources on the development of hepatic cells in newly-weaned rats submitted to a restriction diet followed by food repletion. whey protein concentrate from bovine milk (WPC).RNA. abr.com Baseado na tese de doutorado: em Alimentos e Nutrição defendida em 31/05/2004. i. D. The aim of this study was to evaluate the effect of different protein sources with different amino-acid profiles on liver cell development in “Wistar” rats submitted to a food restriction and recovery model. showing an incomplete (leucine-deficient) amino-acid profile. The protein sources used in this study were: Yeast autolysate (YA). p. Cell Hyperplasia.

SGARBIERI. o sea crecimiento de las células y del órgano por hiperplasia e hipertrofia. la proteína presenta un perfil incompleto de aminoácidos (deficiente en leucina). RESUMEN RESUMO El objetivo de este estudio fue evaluar el efecto que diversas fuentes de proteínas con diferentes perfiles de aminoácidos ejercían en el desarrollo de las células hepáticas en ratas “Wistar” sometidas a restricción y reposición de la ingestión de alimentos. Alim. C. Brazilian Soc. a qual foi utilizada como tratamento experimental (CE) e como tratamento padrão (CP). 36. el peso y número de hepatocitos en el órgano. Fueron evaluados el perfil de aminoácidos de las proteínas. p. Food Nutr. DNA.RNA.. Os resultados mostram que o tratamento com (ATL) foi o mais afetado pelo processo de restrição alimentar. en la proporción de 64:36 (base proteica). abr. ADN y proteína total).. menor capacidad de división celular y de síntesis de ADN. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). Nutr. Avaliouse. crescimento de células e do órgão por hiperplasia e hipertrofia. El modelo de restricción alimentar consistía en disminuir 50% del consumo de los animales control (periodo de 21 días) y la recuperación con ingestión “ad libitum” (período de 21 días). apresentou maior capacidade de síntese de RNA. o perfil de aminoácidos das fontes proteicas. proteína total). As fontes proteicas utilizadas neste estudo foram: autolisado de levedura (ATL). o desenvolvimento celular hepático (peso do fígado e dos índices de crescimento . mistura contendo CSL e ATL na porcentagem de 64:36 (base proteica). Hipertrofia celular. Las fuentes de proteínas utilizadas en este estudio fueron: autolisado de levadura (ATL). que fue utilizada como tratamiento experimental (CE) y como estándar (CP). el desarrollo de la célula hepática (peso del hígado y las tasas de crecimiento: ARN. Palabras clave: Hígado. caseína comercial (CC). menor capacidade de divisão celular e síntese de DNA. apresentou menor desenvolvimento celular hepático. Palavras-chave: Fígado. Hiperplasia celular. Había menor desarrollo de las células del hígado. sin embargo. Nutrire: rev. Bras. Los resultados mostraron que el grupo tratado con (ATL) fue el más afectado por el proceso de restricción de alimentos. SP. Soc. ou seja. V. Restrição alimentar. G. 2 . O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de diferentes fontes proteicas com diferentes perfis de aminoácidos sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos “Wistar” submetidos à restrição e recuperação alimentar. 1.OLIVEIRA. caseína comercial (CC). peso dos hepatócitos e número de hepatócitos em todo órgão. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. menor crecimiento del hígado debido a un menor crecimiento por hiperplasia celular (número de células). A.= J. Durante o período de restauração alimentar todos os tratamentos apresentaram desenvolvimento hepático normal. Durante la fase de recuperación alimentar de todos los tratamientos hubo un desarrollo hepático normal. mezcla de CPL y ATL. Hiperplasia celular. mostraron una mayor capacidad para sintetizar ARN indicando que el crecimiento en la fase de restricción se debió principalmente al aumento en el tamaño de los hepatocitos (hipertrofia celular). Restricción alimentícia. v. 2011. menor crescimento do fígado em função do menor crescimento por hiperplasia celular (número de células).neste estudo. São Paulo. e recuperação ad libitum (período de 21 dias). indicando que o crescimento na fase de restrição ocorreu principalmente por aumento no tamanho dos hepatócitos (hipertrofia celular). Hipertrofia celular. Entretanto. D. apresentando um perfil de aminoácido incompleto (deficiência em leucina). O modelo de restrição alimentar foi baseado na restrição de 50% da ingestão dos animais controle (período de 21 dias). concentrado proteico de suero de leche bovino (CPL). 1-21. n.

SGARBIERI. cinzas entre 7-8% e fibra alimentar total de 24-25% (CABALLERO-CÓRDOBRA. O autolisado de levedura é considerado uma boa fonte de proteína e podemos destacar que os aminoácidos mais abundantes encontrados nessa proteína são: o ácido glutâmico. digestão.OLIVEIRA. a biomasssa de levedura. entretanto dependendo da forma de obtenção do autolisado de levedura ele pode apresentar deficiência nos aminoácidos sulfurados (metionina + cisteína) e. tornou-se um grande excedente desta indústria. D. A.5%. definidas como moléculas de estruturas complexas que constituem cerca de 50% do peso celular. absorção e transporte (PELLEY. abr. Soc. 1997. alanina. Se a deficiência for muito grande e prolongada. resultando do equilíbrio entre ingestão e necessidade de nutrientes. O autolisado de levedura é um subproduto da biomassa da levedura. iniciando-se um processo catabólico proteico. A caracterização química do autolisado de levedura proveniente de destilarias de etanol apresenta um teor de proteína na faixa de 40-46%. n. 1. o estado nutricional expressa o grau no qual as necessidades fisiológicas por nutrientes são alcançadas para manter as funções adequadas do organismo. INTRODUÇÃO O estado nutricional estabelece efeitos importantes na vida de um indivíduo.= J. O fígado é o órgão que desempenha papel fundamental no metabolismo corporal. Alim. Entre os nutrientes necessários para equilíbrio dinâmico do organismo estão as proteínas. Food Nutr. a desnutrição proteica calórica provoca um grande impacto nutricional. O estado de desnutrição proteica é caracterizado pela redução das reservas proteicas do organismo e pela alteração do ritmo metabólico dos aminoácidos (MARTÍNEZ. Quando a ingestão de proteínas é deficiente. prejudicando o seu funcionamento (FERREIRA et al.. 3 . No fígado. 2009). SGARBIERI. 1-21. G. Nutr. 2008). lipídios totais ao redor de 3. as proteínas solúveis e a parede celular. Nutrire: rev. 2001). principais macronutrientes responsáveis pelo fornecimento de energia ao organismo vivo. controlando processos importantes como: crescimento. Brazilian Soc. lipídios. o organismo defende-se reduzindo a eliminação urinária de nitrogênio na tentativa de reequilibrar-se.. serina e treonina.. HISANO et al. 36. dos carboidratos e dos lipídios. p. 2011. quando comparados com padrões internacionais como o da FAO/WHO. Sgarbieri e Alvim (2000). lisina. por vezes a leucina. desde o momento de sua concepção até a sua morte. v. incluindo os componentes hidrossolúveis. Franceschini e Ribeiro (2010). obtida por indução de autodigestão ou rompimento mecânico e consiste no conteúdo total da célula lisada. ácido aspártico. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de cana-de-açúcar.. Partes das moléculas das proteínas funcionam como biocatalisadores (hormônios e enzimas). Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. C. A ingestão de nutrientes como proteínas. conforme citado por Vilela. minerais e vitaminas em quantidade e qualidade adequadas é importante para a manutenção do estado nutricional. essa redução chega até um mínimo e o corpo entra em desequilíbrio proteico. Em consequência da grande produtividade da cultura de cana-de-açúcar e do amplo parque sucroalcooleiro. envolvendo múltiplos processos como a regulação do metabolismo das proteínas. SP. Bras. 2007). São Paulo. V. De acordo com Faria.

Nutrire: rev. 1-21. Food Nutr. Sabe-se que em indivíduos sob situações de crescimento rápido. como ativadores intermediários na síntese de glicogênio. v. glicoproteínas e fosfolipídios. abr. pois eram sintetizados no organismo pela “via de novo”. Dentre esses componentes. que representam cerca de 20% da proteína do leite.9% pela proteína caseína e 0. 2005). Os concentrados de proteína do soro de leite são considerados uma fonte de proteína de alto valor biológico. D. São Paulo. podemos citar: nucleotídeos e nucleosídeos. tiamina e ácido pantotênico) e minerais (cálcio e fósforo). portanto. Brazilian Soc. glicanas e mananas.. energética e na regulação de vários processos metabólicos.= J. pela “via de salvamento” (KEHOE et al. os quais são importantes para o crescimento celular e o restabelecimento tecidual (ANTONIONE et al..7% de cinzas e 3. SP. SGARBIERI. a levedura e seus derivados apresentam alguns componentes com propriedades funcionais importantes.9% de lactose. As proteínas do leite possuem propriedades fisiológicas importantes como fornecer peptídios bioativos.5% de proteína. Alguns anos atrás. que são divididas em 2. ou ainda pela “via de salvamento”.7% de lipídios. em comum. Essas substâncias têm. 4 . 36. 2002). Bras.. Nutr. G.OLIVEIRA. V. RUTZ. os nucleotídeos dietéticos passam a ter uma importância fundamental no organismo. Os nucleotídeos dietéticos participam dos processos de divisão e crescimento celular. não eram considerados essenciais no aspecto nutricional. que utilizavam aminoácidos como precursores. C. 2008. acreditava-se que os nucleotídeos não eram necessários para o crescimento e desenvolvimento normal. consumo limitado de nutrientes ou distúrbio endógeno. 3. que favorecem a imunorregulação e regulação da microflora intestinal e a regulação da digestão. p. As caseínas constituem a classe quantitativa principal do leite. 2008). tanto celular como humoral (SGARBIERI et al. e são química e estruturalmente mais complexas que as proteínas do soro bovino. a propriedade de proteger o organismo. atuando como moduladores do sistema imunológico. 2011. SOMMER. A via de salvamento é extremamente importante em tecidos e órgãos onde a síntese de nucleotídeos é eficiente e.. 4. Alim. 0. necessária quando se inclui nucleotídeos na dieta. n..5 a 3. Os nucleotídeos de pirimidina e purina estão envolvidos em quase todos os processos celulares e desempenham papel muito importante na função estrutural. Além do valor nutritivo. A. estruturalmente são componentes de inúmeras coenzimas e também funcionam como efetores alostéricos para as enzimas (ROSSI. 1998). pois disponibilizam bases e nucleosídeos para serem utilizados imediatamente na síntese de nucleotídeos. O leite bovino é um fluído biológico complexo cuja composição média apresenta 87% de água. XAVIER.6% pela proteína do soro de leite (LOURENÇO. a partir da degradação de aminoácidos e nucleotídeos da dieta. representa 76 a 85% da proteína total. minerais (zinco e selênio) e vitaminas (complexo B). 2000). Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. SGARBIERI. 1. A principal propriedade nutricional das proteínas do soro de leite é fornecer energia e os aminoácidos essenciais para o desenvolvimento e crescimento. 2007. e atuam como doadores de grupos metilo e sulfato. Soc. que irão facilitar a assimilação de nutrientes como: as vitaminas (riboflavina.

GERMAN. SP. peso dos hepatócitos e número de núcleos em todo o órgão. o que determina. Todo o procedimento para a obtenção do CSL foi realizado na planta piloto do Centro de Tecnologia de Laticínios (TECNOLAT). p. SGARBIERI. Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL. MISTURA (CSL64: ATL36) A mistura foi obtida pela combinação do concentrado proteico de soro de leite e autolisado total de levedura (64:36g proteína por 100g de dieta) em base proteica. (1999) a partir das células íntegras de levedura (Saccharomyces cerevisae) provenientes de destilaria de álcool etílico. WALZEM. respectivamente. Alim. (2001). SP.Campinas. O processo de produção e desidratação do ATL foi realizado no setor de bioquímica do Centro de Química de Alimentos e Nutrição Aplicada. 2005). C. Soc. Nutr. Nutrire: rev. contendo elevado teor de proteína (30 a 90%) com teores de aminoácidos superiores aos da caseína. Brazilian Soc. Os índices de desenvolvimento celular do fígado avaliados neste estudo foram: RNA. 1. proteção contra carcinógenos. 5 . do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL / Campinas. Bras. SP. segundo processo desenvolvido por Borges et al.. Brasil). seguida de um período de recuperação. São Paulo. Food Nutr. MATERIAL E MÉTODOS AUTOLISADO TOTAL DE LEVEDURA (ATL) O ATL foi preparado de acordo com Sgarbieri et al. 2002). A. atuam como alimentos prebióticos por promoverem o crescimento de populações de bactérias benéficas à microbiota intestinal e melhoram as condições de saúde de indivíduos sob estresse nutricional e doenças neuro-degenerativas (LIEN. n. D. Outras propriedades fisiológicas funcionais importantes das proteínas do leite são: desenvolvimento e proteção do sistema imunológico. 2005. CONCENTRADO PROTEICO DE SORO DE LEITE BOVINO (CSL) O CSL foi obtido a partir do leite bovino tipo B desnatado e pasteurizado adquirido da Cooperativa dos Produtores de Leite da Região de Campinas. Também é considerada uma proteína de digestão e absorção rápida. V.= J. O objetivo deste trabalho foi estudar os efeitos de diferentes fontes proteicas com diferentes perfis de aminoácidos sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos a uma dieta calórica restritiva. abr. DILLARD. G. 1-21.. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. 2003. 2011. v. Brasil). proteína total. favorecendo com isso a síntese proteica (LUIKING et al. SGARBIERI. 36. uma rápida disponibilidade de aminoácidos plasmáticos na corrente sanguínea..OLIVEIRA. DNA.

Os animais escolhidos para o experimento foram ratos albinos da linhagem “Wistar”. Nielsen e Fahey (1993) contendo 17g de proteína/100g de dieta. C. O protocolo nas fases de restrição e de realimentação encontra-se na figura 1. os animais experimentais receberam dietas com 50% de restrição em relação à dieta padrão (CP) à qual recebeu oferta ad libitum. No período de 21 a 42 dias. PROTOCOLO EXPERIMENTAL Os animais experimentais foram adquiridos no Centro de Animais de Laboratório (CEMIB) da Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP . Food Nutr. v. 2011. Durante os primeiros 21 dias do experimento. As dietas foram preparadas segundo as recomendações do American Institute of Nutrition (AIN-G). autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). Com objetivo de verificar a qualidade proteica da caseína esta também foi incluída como dieta experimental. São Paulo.OLIVEIRA. n. SP. Brasil. tempo 21 (animais que sofreram restrição) e tempo 42 (animais em recuperação). D. SGARBIERI. livre de patógenos e parasitas específicos (SPF) que são criados dentro de um eficiente sistema de barreiras que impedem contaminações microbianas. 6 . Bras. divididos em três tempos. com 10 animais por grupo. localizada no município de São Paulo. 1. Utilizou-se como fonte de proteína: caseína padrão (CP) concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). abr. Nutrire: rev. O protocolo experimental foi conduzido com 55 ratos recém-desmamados. foram utilizados como controle. SP. Alim. p. V. Brazilian Soc. Brasil. G. A..= J.. recebendo a denominação de caseína experimental (CE). Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. 114-2. por estar de acordo com os Princípios Éticos na Experimentação Animal adotado pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal recebendo protocolo no. 1-21. Este estudo foi aprovado e certificado pela Comissão de Ética na Experimentação Animal (CEEA/UNICAMP). todos os grupos foram alimentados ad libitum. 36. SP. Os 50 animais restantes foram distribuídos em 5 tratamentos. Soc. aumentando com isso a confiabilidade do experimento. CASEÍNA A caseína foi adquirida da empresa M.Cassab Comércio e Indústria Ltda. tempo zero (T0) instituído como animais que não passaram pelo processo de restrição e recuperação.Campinas. Cinco animais foram sacrificados no início do experimento denominado tempo zero (T0). como descritas por Reeves. Nutr.

Nutrire: rev. V. n. 1.. Brazilian Soc. 55 ratos 05 animais sacrificados (idade 21 dias) T0 50 ratos Dietas com 17% de proteína RESTRIÇÃO ALIMENTAR (50%)/ T2 10 ratos CP 10 ratos CCE 10 ratos CSL 10 ratos ATL 10 ratos CSL64:ATL36 Controle (50%) (50%) (50%) (50%) (25 animais sacrificados. Alim. 1-21. SP. v. coleta do fígado) Onde: T0 = Início do experimento. A. C.= J. 2011. coleta do fígado) Dietas com 17% de proteína RESTAURAÇÃO ALIMENTAR (100%) /T42 “ad libitum” 05 ratos CP 05 ratos CCE 05 ratos CSL 05 ratos ATL 05 ratos CSL64:ATL36 (25 animais sacrificados. 36. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar.OLIVEIRA. Nutr. SGARBIERI. p. abr. T21=Amostras coletadas no 21º dia do experimento e T42 = Amostras coletadas no 42º dia do experimento. 7 . Bras. Food Nutr. D. 05 por tratamento. Figura 1 – Protocolo experimental do processo de restrição e restauração alimentar em ratos recém-desmamados da linhagem “Wistar”. Soc.. São Paulo. 05 por tratamento. G.

pesados. em espectrofotômetro. Bras. 1.3= conteúdo de DNA por núcleo em animais com idade entre 35 e 94 dias. Alim. modificado por Munro (1966) e. V. n. com separação em colunas de troca catiônica e reação póscoluna com ninidrina. D. Lipídios totais foram determinados pelo método de Bligh e Dyer (1959). COLETA DE FÍGADO E ANÁLISES HEPÁTICAS Os fígados dos animais foram retirados. A proteína total foi analisada de acordo com Bradford (1976) e a leitura da absorbância foi a 595nm. RNA e proteína total foi realizado o cálculo matemático.. SGARBIERI.= J.3 = conteúdo de DNA por núcleo em animais com idade entre 17 e 34 dias e 9. A determinação do triptofano foi realizada segundo metodologia descrita por Spies (1967). A extração dos órgãos ocorreu nos tempos zero (T0). COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS FONTES PROTEICAS A determinação da proteína bruta dos tratamentos contendo caseína. Fibras alimentares. cuja leitura da absorbância foi a 600nm em espectrofotômetro. A quantificação foi realizada com base numa mistura de padrões de aminoácidos (Pierce kit 22). Nutr. 8 . Soc. DNA e proteína total. Nutrire: rev. período de restrição (0-21 dias/T21) e período de recuperação (21 a 42 dias/T42). Os carboidratos totais foram obtidos por diferença (entre 100% e a soma dos demais macronutrientes). 38). concentrado proteico de soro de leite (Nx6.3 Peso / Núcleo = Peso do fígado x 1000 = peso de hepatócitos (mµg) Número de Núcleos Onde: 7. 22h) em aparelho HPLC (Dionex Dx-300). 2011. 8) e a determinação das cinzas foram realizadas de acordo com os procedimentos da Association of Official Agricultural Chemists (1998). abr. 110°C.3/9. A. Brazilian Soc. São Paulo. de acordo com os critérios citados por Enesco e Leblond (1962). A extração do ácido ribonucleico (RNA) foi realizada de acordo com Schimidt e Thannauser. (1983). NÚMERO DE NÚCLEOS E PESO DOS HEPATÓCITOS Com os resultados obtidos de DNA. v. A composição em aminoácidos foi determinada por hidrólise ácida (HCL 6N. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. 1-21. mistura (Nx6. a leitura foi realizada a 670nm em espectrofotômetro. SP. G. para determinar o número de núcleos (número de células em milhões) e peso/ núcleo (peso celular em mµg) no fígado. 25) e autolisado de levedura (Nx5. congelados e liofilizados para a dosagem de RNA. 36. solúveis e insolúveis foram identificadas pela técnica de Asp et al.. Food Nutr.OLIVEIRA. p. C. conforme expressões abaixo: Número de Núcleos = DNA total no órgão x 1000 = número de células (milhões) 7. A extração do ácido desoxirribonucleico (DNA) foi realizada de acordo com procedimento de Burton (1956).

tendo como única exceção o tratamento com ATL que apresentou como aminoácido limitante a leucina (EAE 0.01d 12.3±0.04d 66. CSL. v. 1982). confirmando seu elevado valor proteico e não apresentando nenhum aminoácido limitante. Brazilian Soc.02c 20.0±0.01b 11.03b 39. Entre os tratamentos estudados.0±0. Nutr.9±0. C. RESULTADOS A caracterização química. observamos que: o CSL apresentou o maior teor de lipídios totais.6±0.01c 3.2±0. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. A.01c 3. resultado esse esperado para proteínas de alto valor biológico que apresentam grande capacidade de promover crescimento e desenvolvimento no organismo vivo.5 ±0.= J. Soc. 2011.5±0.2±0.3±0. o ATL apresentou o maior teor para cinzas. 1995). 1.01a 81.0±0. G.2±0. SP. ATL e CSL64: ATL36). Nutrire: rev. 1-21.01a 15.. Em relação ao Escore de Aminoácidos Essenciais (EAE). nd=não determinado. 36.01c Lipídios totais (%) 1. encontra-se na tabela 1.01c 6. e o teste de Tukey para diferença entre médias ao nível de significância de 5% (GOMES.4±0. Tabela 1 – Característica química das principais fontes proteicas utilizadas neste estudo: caseína (CP). fibras totais e carboidratos diferindo estatisticamente dos demais.Statsoft. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). Bras. das diferentes fontes proteicas (CP. ANÁLISE ESTATÍSTICA O delineamento experimental estatístico utilizado no ensaio biológico foi o inteiramente ao acaso.00b (*) Cálculo por diferença (somatória dos componentes estudados-100). SGARBIERI. D. Alim.5±0. as proteínas dos tratamentos experimentais caseína e CSL. Food Nutr.00a 1. foi utilizada a análise de variância (ANOVA). diferindo estatisticamente dos demais tratamentos experimentais ao nível de 5% de significância.00d 2.6±0.7±0. abr. O pacote estatístico utilizado foi Statistic (Basic Statistics and tables Program . V. n. Para o valor de PDCAAS.91). Os resultados mostraram que o CP apresentou teor de proteína elevado.00a 11.01c Fibra total Carboidrato* (%) (%) nd nd 32.5±0.6 ±0. autolisado de levedura (ATL) e mistura composta por concentrado proteico de soro de leite + autolisado de levedura (CSL64: ATL36) Componentes CP CSL ATL Mistura Proteína (%) 83. São Paulo. observa-se na tabela 2 que as proteínas estudadas (caseína. CSL e mistura/CSL64: ATL36) apresentaram EAE igual ou superiores a um. apresentaram os melhores perfis de aminoácidos essenciais.OLIVEIRA. em base seca. Para a análise dos resultados obtidos.01b Cinzas (%) 3..01a 4. p. 9 .

00 100 EQ (CP) (g/100 g P) 1. Durante o período de restrição.71 1. 1-21. A. v. SGARBIERI. 1.38 1.53 1. enquanto que no período de recuperação alimentar (ad libitum). seguido de recuperação alimentar (ad libitum) com diferentes fontes proteicas.9 1. n.60 1. Soc.Amostras em duplicata.Escore químico sem correção.Aminoácido limitante.53 1.8 1. Brazilian Soc.5 3. Em relação ao consumo total de dieta/CD (Figura 2B) observamos que durante o processo de restrição alimentar.59 2.00 1. Na figura 2A. o restabelecimento da ingestão alimentar. o grupo de animais com consumo de caseína padrão (CP) apresentou alta ingestão de dieta e.77 1..82 ≥ 1.05 1. consequentemente ganho de peso elevado. Tabela 2 – Aminoácidos essenciais (AAE).50 2. de ratos submetidos ao período de restrição alimentar (0-21dias).00 1. observa-se o ganho de peso (GP).8 6.00 1.83 1.47 1. Nutrire: rev..OLIVEIRA. escores de aminoácidos essenciais (EAE) e PDCAAS para as diferentes fontes proteicas estudadas(+) AAE Treonina Met+cisteína Valina Leucina Isoleucina Fen+tirosina Lisina Histidina Triptofano EAE PDCAAS (%) FAO/WHO (g/100 g P) 3.00 91 (+) . provocou um aumento da velocidade de crescimento para todos os tratamentos.50 1. observamos que o grupo com ingestão ATL apresentou menor poder de recuperação (p ≥ 0.21 1.6 2. apesar do grupo ATL apresentar a menor taxa de crescimento.18 0. Food Nutr. p.54 1. Bras.00 97 EQ(CSL) (g/100 g P) 2. 10 . abr.= J.52 1.50 2.5 6.02 1.71 2.50 1.4 2.91 (Leu) 82 EQ(mistura) (g/100 g P) 1.00 95 EQ(ATL) (g/100 g P) 1.03 1. Para o período de recuperação com a liberação da dieta ad libitum.91* 1.04 1. SP. (*) .36 ≥ 1. EQ . C. 36.59 2.45 ≥ 1.3 5. V.00 1.96 1. os tratamentos experimentais não diferiram entre si. São Paulo.1 ≥ 1. Nutr.54 0. G. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar.20 1.89 1. 2011.94 1.05). Alim. EAE = mg de aa/g N da proteína teste mg de aa/g da proteína padrão x 100 PDCAAS (%) = EAE x digestibilidade aparente. D.

concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). Figura 2 B – Consumo total de dieta (CD) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42 dias) com diferentes fontes proteicas. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). C. V. abr.05) dentro de cada período de tempo. 1. D. SGARBIERI. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. Brazilian Soc.Consumo Total de Dieta (CD) 500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 b bc a c bc Consumo (g) a b b b b CD (0-21 dias) CD (21-42 dias) CP CCE CSL ATL Mistura Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento.c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0. SP.OLIVEIRA. Nutr. 2011. v.b. p. Food Nutr. 1-21.. A . concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). Bras. Figura 2 A – Ganho de peso (GP) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes proteicas.Ganho de Peso (GP) 300 250 200 Peso (g) 150 100 b 50 GP (21-42 dias) 0 CP CCE CSL ATL Mistura b b b a GP (0-21 dias) a b bc c bc Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento. B . G.= J. onde: caseína padrão (CP). caseína experimental (CE).c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0. 11 . onde: caseína padrão (CP). (a. (a. n.05) dentro de cada período de tempo.. Nutrire: rev. Alim. caseína experimental (CE). São Paulo.b. 36. Soc. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). A.

A. G.05). durante o período de restrição. não ocorreu diferença entre os tratamentos experimentais. foi restabelecida a capacidade de síntese de DNA e a multiplicação celular. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL). onde: caseína padrão (CP). Bras. Quanto ao teor de proteína total (PT) nos hepatócitos durante o processo de restrição e recuperação.c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0. V. ou seja. 12 . Brazilian Soc. caseína experimental (CE). Em relação ao conteúdo de DNA. o grupo com ingestão de ATL apresentou maior conteúdo de RNA. abr. (a. observamos que o tratamento com ATL apresentou resultados superiores aos demais tratamentos. encontram-se os resultados referentes ao desenvolvimento celular hepático (RNA.= J. Em relação aos resultados das relações RNA/DNA e PT/DNA (Tabela 4) nos períodos de restrição alimentar e recuperação alimentar (ad libitum). 36. não houve diferença estatística entre as dietas estudadas. p. ATL e mistura foram semelhantes e não diferiram da dieta padrão (CP). Em relação ao período de restauração. SP. 2011.. Nutr. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). No período de recuperação alimentar (ad libitum).OLIVEIRA.. Figura 3 – Peso do fígado (PF) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes proteicas. C. DNA e PT). Os tratamentos com ATL e mistura (Figura 3) durante o período de restrição apresentaram um peso do fígado inferior aos demais tratamentos (p ≥ 0. Na tabela 3. Soc.05) dentro de cada período de tempo.b. D. SGARBIERI. a liberação da dieta permitiu a normalização do crescimento e desenvolvimento celular. v.05). 1. Observamos que durante o período de restrição alimentar o conteúdo de RNA (fígado) dos tratamentos com CSL. O que sugere uma maior capacidade de síntese de RNA e proteína em relação à síntese de DNA. 1-21. Nutrire: rev. n. todavia durante o período de recuperação não ocorreu diferença entre eles. São Paulo. Food Nutr. Alim. o tratamento com ATL apresentou resultado inferior aos demais tratamentos (p ≥ 0. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. Peso do fígado (Depleção-Repleção calórica) 15 12 Peso (g) 9 6 3 0 CP a b b c ATL cb PF (21-42 dias) CCE CSL Mistura PF (0-21 dias) Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento.

3± 0.6a 8. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. (a.6±0. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL).4±0.5 176.7±32.05) dentro de cada período de tempo.2a Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento.2±0.0± 93. A. 1.2±0.6±113.5b 199.1b 155.5 179.7±85.6a 4.5b PT/DNA 167.4±26.0a 181.0±49.5a PT 711.4a 680.3±25.5±17.9b 261.= J.8a 717.OLIVEIRA.8ab 10. 36.0±0.1b 8.8±34.5±0. SP.6± 0. Alim.5 ±29.3ab DNA 4.9±0. No grupo com ingestão de ATL.1±107.3ab 1.3b 4.5ab 2.2b 2.0a 670. Food Nutr. c). p.2a 4.0a 162.9±0. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). 2011.1b 12.2±0. Nutr.2a 3.0b Período de Recuperação (21.0±24.0±0.6±0.9±0.3b 2.5±9.2ab PT//DNA 167. 1-21. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36).0±0.3b 2.0±1.2b 8.3a 3.1±0.0b 9. DNA (mg/g) e Proteína total (PT/mg/g) de fígado de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes de proteínas Período de restrição (0-21 dias) Tratamento RNA TO* CP* CE* CSL* ATL* Mistura* (*) Período de recuperação (21=42 dias) DNA 4.8a 625.0±66.7b 3.1±107.4a RNA 8.5a PT 711.0±1.8a 577. abr.0 ±1.8±0. V. G.2a 687. São Paulo.3±0.3±0. Tabela 3 – RNA (mg/g). concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL).3±25..5ab 11.8±1.4a 4.9±0.4a 712.4±1.8a 3.10±0.3±30.8a 8..5ab 11.7±37.1±37.2a 8.3±30.3±52.2±0. 13 .7 2. SGARBIERI. D. não ocorreu diferença estatística entre as variáveis estudadas. Nutrire: rev.6±0.2±1.5b 2.7±0. (a.7a 634. caseína experimental (CE). Tabela 4 – Relação RNA/DNA e PT/DNA (por grama) de fígado de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) com diferentes fontes proteicas Período de Restrição (0-21 dias) Tratamento TO* CP* CE* CSL* ATL* Mistura* RNA/DNA 2.8b 140.b. v.1b 2.05) dentro de cada período de tempo. Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0.4a 622.0±110.6±1.1 2.0a 149.7b 9.5a 2. C. Brazilian Soc.6±0. c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0. onde: caseína padrão (CP).0± 0.0±14. Soc.6a (*) Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento.4a 4.b.4a 707.2±0. caseína experimental (CE). n. Bras.3±20.7a 4. onde: caseína padrão (CP).6±1.5b 139.42 dias) RNA/DNA 2.1±1.

42 dias) Nº hepatócitos (milhões)* 685.6ab 353. D.5a 18.9b 557. Soc.4a 8. com a restauração da ingestão calórica.3 ± 83. p.6 ± 0.3b (*) Valores expressos como média (± desvio padrão) de 05 animais por tratamento. Sgarbieri e Alvim (2000). Na tabela 5.2b 8. A. SP. Tabela 5 . (2003) e Vilela.7 ± 1.4ab 11.6 ± 52.7 ± 0. (a. Alim.5 ± 4. A composição da mistura (CSL64: ATL36) apresentou valores intermediários de proteína. 36. isto ocorreu pela baixa qualidade proteica que interferiu provavelmente com a velocidade de divisão celular e com a síntese de DNA.1a 612.5b 416. Food Nutr.5b 21. Nutrire: rev. C. 2011.9a 18. Brazilian Soc.3b 455. caseína experimental (CE).5c 11.1 ± 99.5a Peso/ hepatócitos (mµg)* 3. No período de recuperação alimentar (ad libitum). abr. 1-21. nota-se que os animais do grupo com ATL apresentaram menor número de células diferindo estatisticamente dos demais. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar.7 ± 53.05) dentro de cada período de tempo.7 ± 89. c) Médias seguidas por letras distintas (colunas) diferem entre si (p ≤ 0.1 ± 72.4 ± 2. segundo os critérios de Enesco e Leblond (1962).b. Bras.6ab 550. São Paulo. resultados estes de acordo com Santucci et al. ocorreu provavelmente uma normalização na velocidade de divisão celular e na síntese de DNA.21 dias) Tratamento Nº hepatócitos (milhões)* T0 CP CE CSL ATL Mistura 686.7± 4. n..0 ± 75. autolisado total de levedura (ATL) e mistura (CSL64: ATL36). com isso observa-se que não houve diferença estatística entre as dietas estudadas. V. onde: caseína padrão (CP). 14 . SGARBIERI. DISCUSSÃO Em relação à característica química das diferentes fontes proteicas estudadas. Nutr. No período de restrição alimentar. G.Determinação de número de hepatócitos (número células/órgão) e peso dos hepatócitos (mµg) de ratos submetidos a períodos de restrição (0-21dias) e recuperação ad libitum alimentar (21-42dias) em diferentes fontes proteicas Período de Restrição (0 .1a 385. fibra total e cinzas.0 ± 72.7 ± 1.OLIVEIRA. enquanto que o elevado teor de carboidrato é explicado pela adição de maltodextrina no processo de secagem em spray drier.8 ± 41.8 ± 31.0 ± 1.8 ± 45. observamos uma alta concentração de cinzas no ATL devido à adição de cloreto de sódio durante o processo de obtenção do produto.0 ± 41.5b Peso/ hepatócitos (mµg)* 3.3c 517. 1..7b 425. encontram-se os cálculos para número de núcleos e peso por núcleo.7 ab Período de recuperação (21 .1b 456.4 ± 3. concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL).= J.7 ± 0.8a 7.1 ± 1.9 ± 1.1a 18. v.3a 18.

ocorre um aumento de tamanho das células que é caracterizado por crescimento hiperplásico e hipertrófico. O fígado funciona como um laboratório químico realizando diversas funções vitais do organismo. Nutr. a partir dos aminoácidos essenciais. a quantidade e a digestibilidade são de extrema importância para a dieta. e ação desintoxicante. C. apresentou um crescimento reduzido em relação ao peso corporal. fabricação de várias proteínas do sangue. O crescimento de qualquer órgão pode ser causado pelo aumento no número de células (hiperplasia). O ATL apresenta um perfil de aminoácidos incompleto. Os valores nutritivos das proteínas dependem principalmente da capacidade destas em suprir as necessidades do organismo de todos os aminoácidos dieteticamente indispensáveis. Brazilian Soc. sendo que na ausência do aporte calórico eficiente. entretanto. abr. o tempo de duração desta condição. indicando um catabolismo e anabolismo normal. São Paulo. 1-21. deficiência no aminoácido leucina. portanto. o grupo (CP) mostrou crescimento hepático elevado. V. 15 . mostrando que o ATL apresenta menor valor biológico em comparação às demais fontes proteicas estudadas por Pádua et al. ocorre um crescimento hiperplásico.. No período de restrição alimentar. 2009). Nossos resultados são superiores aos apresentados no estudo de Naves et al. dentre elas podemos citar: o armazenamento de diversas vitaminas.OLIVEIRA. por aumento no tamanho das células já existentes (hipertrofia) ou por ambos. estão de acordo com os resultados apresentados por Mazeti e Furlan (2008). 36. a desaminação dos aminoácidos para que possam ser oxidados ou transformados em glicídios ou lipídios. A repercussão da restrição alimentar sobre o fígado depende das condições experimentais no período em que foi provocada a condição de carências e. para manutenção dos níveis de glicose sanguínea (GOBATTO. gelatina e mistura de ambas). 1. MARTINS. ocorrendo nesta fase o crescimento provavelmente por aumento celular (hiperplasia). fabricação dos demais aminoácidos do corpo. por apresentar deficiência em leucina. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. por serem indicadores do fornecimento de quantidades significativas de aminoácidos essenciais e retenção nitrogenada.3g em ratos que ingeriram diferentes fontes proteicas (caseína. na segunda fase o número de células continua aumentando. Essa deficiência afetou diretamente o valor de PDCAAS (91%). entre outras (MALAFAIA. liberação de glicose para os vários órgãos. o grupo com ATL. v. baixo consumo calórico e o estado fisiológico do organismo. Os resultados apresentados. Food Nutr. transformação do excesso de glicídios e proteínas em lipídios. que mostram que a restrição alimentar reduz a taxa de crescimento ponderal e linear de ratas Wistar. G. A qualidade proteica. SP. principalmente. Alim. Nutrire: rev. D. Bras. A.. SILVA. 2011.= J. os aminoácidos serão utilizados como substrato da via gliconeogênese. De acordo com Voltarelli e Mello (2008) e Winick (1970) há três fases de crescimento para todos os órgãos: na primeira fase ocorre um aumento no número de células (hiperplasia) e os tamanhos das células (hipertrofia) permanecem constantes. Soc. mas com menor velocidade do que na primeira fase. (1997) e Pires et al. 1991). n. (2006). p. A eficácia da proteína é afetada por alguns fatores como: baixo consumo proteico. SGARBIERI. neste estudo. (2006). que encontraram um peso médio de fígado de 3.

G. ou seja. exceto no tecido linfoide. Como consequência. Os resultados para o desenvolvimento celular hepático indicaram que a restrição alimentar realizada após o desmame. um crescimento hipertrófico. Bras. SP. abr. os lipídios (dos adipócitos) e os aminoácidos provenientes de proteólise da massa muscular esquelética. 1-21. Neste estudo. Assim. Portanto. ela não tenha ocorrido durante o período mais intenso de divisão celular. que caracteriza-se 10 dias antes do nascimento e até 17 dias após o nascimento. (1990). Nutr.. Soc. (1996). as fases de crescimento dos ratos estão distribuídas da seguinte forma: de zero a 21 dias de vida ocorre a hiperplasia celular em todos os órgãos. pâncreas e intestino. o grupo com ATL que apresentou deficiência no aminoácido essencial leucina foi o mais afetado pelo processo de restrição calórica. Neste estudo. com a finalidade de serem utilizados por órgãos como fígado. isso ocorreu provavelmente devido ao aumento na massa muscular. provavelmente. pâncreas e intestino. não comprometeu drasticamente os constituintes celulares (DNA. A restrição energética estimula processos hepáticos de glicogenólise e gliconeogênese na intenção de manter a glicemia e disponibilizar a glicose para órgãos mais nobres como o cérebro. LEBLOND. A única exceção foi o ATL. v. SGARBIERI. RNA e proteína total). A desnutrição proteica promove uma redistribuição funcional das proteínas musculares. fase do crescimento hiperplásico (ENESCO. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. n. que observaram que uma restrição calórica (40%) imposta por três semanas em ratos 16 . Na etapa de recuperação (ad libitum) com a normalização da ingestão calórica. Esses resultados estão de acordo com os encontrados por Oliveira. ou seja. Resultados semelhantes foram encontrados por Albanes et al. os grupos de animais rapidamente entraram em equilíbrio homeostático aprimorando seu peso e alcançando o peso do grupo (CP). o fígado utiliza como substrato a glicose (hepática). mas o tamanho celular permaneceu constante (hipertrofia). C. D. para disponibilizar nitrogênio necessário para a síntese de proteínas teciduais.OLIVEIRA. Segundo Giacomelli e Natali (1999). Brazilian Soc. observamos que durante o período de restrição alimentar o peso do fígado dos animais experimentais apresentou uma redução por crescimento hiperplásico (número de células). Alim. Food Nutr. funcionaram como uma barreira contra perdas drásticas de tecido muscular. 1962). observa-se apenas o aumento no tamanho das células. e de 65 a 86 dias ocorre a hipertrofia das células em todos os órgãos. Para realizar a gliconeogênese. o elevado teor de proteína e a qualidade no perfil dos aminoácidos essenciais apresentados pelas fontes proteicas utilizadas.. talvez porque. Nutrire: rev. V. Na terceira fase. tanto o tecido adiposo quanto o tecido muscular esquelético são consumidos objetivando a manutenção da homeostase.= J. com 21 a 42 dias continua a hiperplasia em todos os órgãos exceto no cérebro e pulmão. 36. 2011. Paulo e Fujimori (2000) e Boza et al. A. 1. que observaram que a restrição calórica interfere e reduz a síntese de proteínas devido à redução na disponibilidade de aminoácidos essenciais e não essenciais. que apresentou um perfil dos aminoácidos inferior devido à deficiência no aminoácido leucina. fígado. São Paulo. p. o teor de proteína foi elevado 17g/100g de dieta. há liberação de aminoácidos a partir do consumo muscular.

MELLO. Xavier e Rutz (2007). NAD+. O perfil incompleto de aminoácidos na dieta e a escassez de energia durante a fase de restrição alimentar indicou menor divisão celular no grupo com ATL. os nucleotídeos têm um papel fisiológico importante no organismo como fonte de energia na forma de ATP e GTP. Sendo assim. a relação PT/DNA não diferiu entre os tratamentos. Neste estudo. SGARBIERI. Nutrire: rev. São Paulo. Durante o período de recuperação alimentar (ad libitum). n. o menor conteúdo de DNA e o aumento na síntese proteica indicam que o crescimento do fígado no grupo com ATL ocorreu.OLIVEIRA. por aumento da massa tecidual sem aumento no número de células. e consequentemente menor síntese de DNA e divisão dos hepatócitos. NADP+) e interferindo na divisão de tecidos aumentando a replicação de DNA e a síntese de RNA. Os índices de RNA apresentados neste trabalho foram superiores aos resultados obtidos por Barbosa e Santiago (1994). conforme indicam os resultados dos quocientes RNA/DNA e PT/DNA. 2011. Soc. o concentrado proteico de soro de leite bovino (CSL) e a caseína comercial (CC) são excelentes fontes de proteína. na passagem da restrição para a recuperação alimentar (ad libitum). 1. Lourenço (1975) e Morgan e Peters (1971). principalmente. CONCLUSÕES Do presente estudo resultaram os seguintes resultados: – A análise centesimal das fontes proteicas estudadas evidenciou que. Nutr. que observaram o efeito da restrição alimentar sob crescimento de ratas adultas (6. C. O tratamento com ATL apresentou a menor capacidade de crescimento por hiperplasia (multiplicação celular) ou menor número de células.= J. funcionando como cofatores na reação de oxidação e redução (FAD. A. 1-21. p.. G. regeneração de novos tecidos após lesão ou relativa deficiência nutricional é aumentada. sugere que o crescimento do órgão se deu principalmente pela hipertrofia celular. (1996). Bras. não houve aumento na demanda por nucleotídeos durante a divisão celular e crescimento (VOLTARELLI. Food Nutr. mesmo sendo o ATL uma fonte de nucleotídeos que atuam na replicação de DNA e na síntese de DNA. quando comparado com os animais controle. v. Impacto de diferentes fontes proteicas sobre o desenvolvimento celular hepático de ratos recém-desmamados submetidos à dieta restritiva seguida de recuperação alimentar. Alim. A indicação de que os números de núcleos/órgão diminuíram e o tamanho dos núcleos aumentaram. devido à menor capacidade de divisão celular e síntese de DNA. Goodman e Ruderman (1980). SP. Brazilian Soc. Os resultados do estudo estão de acordo com os realizados por Carrillo et al. Neste período. 2008). sendo que a participação dos nucleotídeos na síntese de RNA.. que o autolisado de levedura (ATL) apresentou bons teores 17 . observamos uma normalização na velocidade de divisão celular e na síntese de DNA. V. D. diferindo apenas de T0. 36. recém-desmamados resultou em uma redução na síntese de DNA. De acordo com Rossi. abr.7mg/g). indicação de uma redução no processo de hiperplasia (aumento no número de células) e um aumento no processo de hipertrofia (aumento no tamanho celular) pela normalização da energia e maturidade dos animais.

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22 .

Nutrients. Soc. The following parameters were evaluated during three consecutive days: weight. LOPES. A. A. SP. weight/age. M. making it possible to reach micro. since there was an expressive improvement in the supply of nutrients. V. Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais. Among the existing food and nutrition programs. A. Brazil.Artigo original/Original Article Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. C. height. F. V. = J. Nutritional Status. even as in menu.MG.. Endereço para correspondência: Bruna Carla Silveira Rua Vesta. BRUNA CARLA SILVEIRA1. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais Impact of food complement supplied by a food bank on the nutritional status of children aged 1 to 6 years in a daycare center in Ibirité/Minas Gerais ABSTRACT SILVEIRA. M. since it is believed that in the long term. 36. Nutrire: rev. MICHELE PEREIRA NETTO2. 2011. Nutr. The conclusion is that the Food Bank has emphasized the menu variety. Brazilian Soc. v. Alim. NETTO. and control of the menu given to the children. 2Nutricionista e Mestre em Nutrição pela Universidade Federal de Viçosa. height/ age – were influenced by food donations. VALÉRIA APARECIDA ALVES LOPES1. N. SANDRA APARECIDA VIEIRA NEIVA NOLASCO1.com Instituição vinculada ao trabalho: Centro Universitário UNA – Belo Horizonte/MG. n. Feeding. Keywords: Child. nº 50.and macronutrient adequacy. State of Minas Gerais. Bras. an outstanding one is Prodal Food Bank. body mass index/age. Food Nutr. The indices assessed – weight/height. Docente do Curso de Nutrição da Universidade Federal de Juiz de Fora. NOLASCO. São Paulo. 23 . 1. 3Nutricionista. P. E-mail: bcsilveira10@hotmail. p. FABIANA MARIA DA COSTA3 1Nutricionista pelo Centro Universitário UNA. The research was carried out in a cohort with 45 children. The objectives of this study are to study the availability of food and the impact of the Food Bank donations on the nutritional status of children aged 1 to 6 years at a daycare center in the city of Ibirité.. In fact. B. this is very relevant. abr. COSTA. Coordenadora do Prodal Banco de Alimentos. 23-35. a positive impact on the nutritional status of the children will be rendered. Bairro Alto dos Pinheiros. which aims to take food and redistribute it to registered philanthropic entities.. Impact of food complement supplied by a food bank on the nutritional status of children aged 1 to 6 years in a daycare center in Ibirité/Minas Gerais.. Belo Horizonte .. S.

COSTA. peso/edad. Alim. Conclui-se que o Banco de Alimentos promoveu um cardápio variado. NETTO. Banco de Alimentos. A. a longo prazo. puesto que se espera que a largo plazo provoque un impacto positivo en el estado nutricional de los niños. São Paulo.. Nutrientes. S. Bras. F. Alimentación. 2011. Tal fato é de extrema relevância. n. N. estatura/edad se modificaron por la distribución de alimentos y también el menú ofrecido. Os índices avaliados peso/ estatura. 23-35. Estado nutricional. assim como no cardápio. P. peso/idade.. altura y registro de los alimentos ofrecidos a los niños de la institución durante tres días consecutivos.. Food Nutr. La investigación fue conducida con un grupo de 45 niños. SP. A. Nutrimentos. possibilitando atingir a adequação de micro e macronutrientes.= J. El objetivo del estudio fue evaluar la disponibilidad de alimentos y el impacto de la distribución de alimentos por el Banco de Alimentos en el estado nutricional de niños de 1 a 6 años de un jardín infantil en Ibirité. pois acredita-se que. abr. Dentr e os pr ogramas de alimentação e nutrição existentes. Palabras clave: Niños. Brasil.. ya que la oferta de nutrientes sufrió una mejoría significativa. que tiene como objetivo aprovechar alimentos y distribuirlos entre instituciones filantrópicas registradas. Estado nutricional. seja constatado um impacto positivo no estado nutricional das crianças. M. Nutr. 1. V. 24 . Los índices evaluados: peso/estatura. A.SILVEIRA. p. que tem como objetivo aproveitar alimentos e distribuí-los às entidades filantrópicas cadastradas. M. r essalta-se o Pr odal Banco de Alimentos.. altura e averiguação do cardápio oferecido às crianças da creche durante três dias consecutivos. Nutrire: rev. Soc. IMC/edad. O objetivo desse estudo foi avaliar a disponibilidade dos alimentos e o impacto das doações fornecidas pelo Banco de Alimentos. uma vez que houve expressiva melhora de oferta de nutrientes. V. La conclusión es que el Banco de Alimentos permitió variar el menú posibilitando el alcance de niveles adecuados de macro y micronutrientes. Alimentação. v. Foram utilizados peso. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. no estado nutricional das crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/MG. índice de massa corporal/ idade. C. B. los datos utilizados fueron peso. 36. Palavras-chave: Criança. Brazilian Soc. MG. NOLASCO. LOPES. A pesquisa foi realizada em uma coorte de 45 crianças. Esta observación es de extrema relevancia. RESUMEN RESUMO Entre los programas de alimentación y nutrición existentes sobr esale el Prodal. estatura/idade sofreram interferência após as doações de alimentos. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais.

o estado nutricional também está relacionado com as características socioeconômicas. 2008). 2000). Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. 2008. 2007). presença ou ausência de enfermidades. Cabe destacar ainda que. A adequação do estado nutricional é reflexo do equilíbrio da alimentação e para que seja avaliada necessita-se conduzir uma investigação nutricional (ARAÚJO.. METODOLOGIA Realizou-se um estudo experimental do tipo coorte em uma creche filantrópica em Ibirité. instituição selecionada para receber doações pelo Prodal Banco de Alimentos. SP. estes são selecionados. COSTA. BERTOLI. Brasil. estatura/idade. pois visam à prevenção de deficiências alimentares. pela facilidade e baixo custo (SIGULEM. Alim.. Soc. no ano de 2009. SCHOEPS. 2005). visam oferecer alimentos seguros e acessíveis em quantidade e qualidade suficientes (BRASIL. Na infância. mas que ainda são próprios para o consumo. VICTORA. De acordo com o Tribunal de Contas da União.= J. A. São Paulo. higienizados. NOLASCO. v. Atualmente.. principalmente na faixa etária infantil (MARTINS et al. Na avaliação nutricional de determinada população ou grupo social. o Banco de Alimentos é um dos programas de alimentação e nutrição existentes. A. o método mais utilizado é a antropometria. os programas de alimentação do Governo Federal destinados ao grupo infantil. Bras. além de uma alimentação segura. assim como em todo o ciclo vital. Nesta idade. 1. é importante que esta seja adequada tanto do ponto de vista energético quanto na quantidade de macronutrientes e micronutrientes. LESSA. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. Minas Gerais. LOPES. Nutr. NETTO. 2000). INTRODUÇÃO Os programas de alimentação e nutrição são extremamente relevantes. 23-35. entre outras. VASCONCELOS. 2005. DEVINCENZI. P. condições ambientais. Para tal. 2009). 2011... M. abr. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a disponibilidade dos alimentos e o impacto da complementação alimentar fornecida por um Banco de Alimentos no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/MG. Food Nutr. 25 . Betto (2003) e Brasil (2005).. a alimentação equilibrada possui um papel expressivo para o crescimento e desenvolvimento adequados (GIUGLIANI. V. 36. S. n. F.. peso/estatura e IMC/idade na avaliação de crianças e IMC/idade e estatura/idade para adolescentes (LEONE. ressalta-se a avaliação dietética que pode revelar as inadequações de micro e macronutrientes (CRUZ et al.. C. Dentre os demais métodos de avaliação nutricional. Brazilian Soc. utilizando-se os índices peso/idade. V.SILVEIRA. p. Diante da magnitude das deficiências nutricionais e da importância da alimentação adequada na infância. que tem como objetivo aproveitar os alimentos sem valor comercial. CAMPOS. B. Nutrire: rev. embalados e distribuídos gratuitamente às entidades filantrópicas cadastradas. N. VELHO et al. A. que por sua vez determinam agravos à saúde das populações mais vulneráveis. emprega-se a referência da Organização Mundial de Saúde (OMS) (2006/2007). 2001). M.

. Na verificação da melhoria do cardápio após a doação do Banco de Alimentos. 1. aproximadamente. M. V.1. As análises estatísticas foram feitas nos programas Epi Info 6 e Sigma Stat. M. 2001. por meio do programa WHO ANTRHO versão 3. A estatura foi medida através da fita inextensível. São Paulo. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. p. no estudo. A. proteínas. 36. sendo a primeira antecedente às doações de alimentos e a segunda. 23-35. 2011. acompanharam-se em período integral. foram determinados os percentuais de aumento dos nutrientes entre o primeiro e último dia de avaliação. v. V. foram utilizados os parâmetros da OMS 2006/2007. Brazilian Soc.. O registro fotográfico das porções foi realizado com objetivo de facilitar. 1997. B. Utilizou-se as DRIs como referência (INSTITUTE OF MEDICINE. foi utilizado o Software Avanutri® para quantificar vitamina A. lipídios e energia de todas as refeições presentes no cardápio. A. marca Sony®. Soc.= J. quarenta dias após o início das doações. Para a análise dos dados dietéticos. n. P. vitamina C. durante três dias consecutivos e com registro fotográfico. lanche e jantar) oferecidas às crianças da creche. LOPES. marca Welmy®. As crianças foram pesadas descalças (com o mínimo de roupa possível) por meio de uma balança digital.. consideraram-se inadequados os valores inferiores a -2 ou superiores a +2 escore-z. por meio da câmera digital. N. S. ferro. O levantamento de dados ocorreu em duas etapas. correspondendo a um total de 45 crianças. Nutr. no momento em que eram servidas as porções em medidas caseiras. C. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Na avaliação dos dados antropométricos. encostadas na parede e com a postura ereta. A participação das crianças. abr. 26 . A. Alim. COSTA. Para os parâmetros peso/idade. Para análise dietética.. Os dados antropométricos coletados foram peso e altura. Todas as crianças de um a seis anos presentes no dia da avaliação antropométrica foram avaliadas.0. carboidratos. Bras. peso/estatura e IMC/idade. Nutrire: rev. de todas as refeições (desjejum. por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.. NOLASCO. 2004). NETTO. SP. ocorreu após autorização e consentimento dos pais ou responsáveis. marca Sanny® com as crianças em pé. 2002). Os dados antropométricos foram apresentados em escore-z. a conversão da porção de medidas caseiras para os valores em gramas ou mililitros de alimentos. já para estatura/idade. Food Nutr. Utilizou-se o teste de Wilcoxon para verificar as diferenças antes e após as doações de alimentos e o teste de Qui-Quadrado para avaliar mudanças nas frequências de inadequação do estado nutricional nos diferentes momentos do estudo.SILVEIRA. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Universitário UNA – União de Negócios e Administração. cálcio. Cabe destacar que foram feitas avaliações de disponibilidade e não consumo de alimentos pelas crianças. almoço. 2000. F. a inadequação foi caracterizada quando os valores eram inferiores a -2 escore-z. em momento posterior. As medidas das crianças menores de dois anos foram obtidas com a mesma na posição horizontal (BRASIL. visto que não se procedeu à avaliação individual da dieta e sim a avaliação do cardápio da creche.

15 -0. Tabela 1 – Medidas de tendências centrais dos índices antropométricos estabelecidos em escore-z nas crianças de 1 a 6 anos.2%) do gênero feminino e 26 (57. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos.CEASAMINAS. 36.32 0.. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos. A. 1. 45 (88. Soc. nem todos os pais assinaram o Termo de Livre Consentimento. A..05 2. A.10 0. na faixa etária de um a seis anos. Dentre as 51 crianças matriculadas. Ao analisar os indicadores peso/estatura. A tabela 1 mostra que as médias e medianas encontram-se na faixa de eutrofia (valores entre -2 e +2 escore-z) dos índices peso/estatura.47 0. N. M.55 0. Nutr. evidenciou-se que houve melhoria das médias. inclusive nos valores mínimos e máximos de escore-z.01 0. peso/estatura e IMC/idade.18 0.23 Após 0. Na tabela 2.14 -0. p.7 5.16 Após 1.4 -1.6 1. IMC/ idade e estatura/idade após o recebimento das doações e compará-los com os valores iniciais. abr.53 1.. as principais categorias de gêneros recebidas pelo banco são as doações de frutas e hortaliças − recebidas em sua maioria dos doadores do entreposto da CEASAMINAS. São Paulo.28 0.SILVEIRA. F. *Apenas para as crianças menores de 5 anos. Alim.27 0. Máx = Valor máximo.2%) participaram da pesquisa.= J. após todo processo de higienização. apesar da permanência dos desvios nutricionais.90 1. A participação das crianças na pesquisa não foi integral.42 0.42 Após 0. SP.008). no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. Por se tratar de um Banco de Alimentos da Central de Abastecimento de Minas Gerais . embora os valores mínimo e máximo tenham apresentado desvios nutricionais como: baixo peso e sobrepeso. Já a baixa estatura esteve presente 27 . V. sendo 19 (42.6 1. a≠b: teste de Wilcoxon. S. LOPES. mas sem valor comercial – posteriormente distribuídas às entidades cadastradas.88 1. v.28 Antes -1.09b Antes 0.38 Mediana DP Min Máx DP = Desvio padrão. peso/idade. entretanto. COSTA. C. Min = Valor mínimo.. 23-35.43 -1. peso/idade.08a Após 0. Bras. O recebimento e distribuição das doações são realizados diariamente pelo Banco de Alimentos. Nutrire: rev. RESULTADOS As doações fornecidas pelo Prodal Banco de Alimentos são baseadas em alimentos não perecíveis e perecíveis. P.17 -5. NETTO.84 -3.26 Antes 2.8%) do gênero masculino.10 0.93 5. pois. B.16 0.21 1. percebeu-se que houve uma mudança significativa no índice estatura/idade (p = 0. Brazilian Soc.65 -2. para os demais índices não se encontraram diferenças estatísticas.02 Antes 0.4 -2. antes e após o recebimento de doações pelo Banco de alimentos Média Índice Antes P/E* P/I IMC/I E/I 0. NOLASCO. V. Food Nutr. pode-se observar as frequências de inadequação encontradas. índice de massa corpórea (IMC)/idade. n. Comparando a evolução das medianas entre a primeira e a segunda avaliação pelo teste de Wilcoxon. M.26 0. Antes = valores antes do recebimento das doações..12 Após -1. com boa qualidade. de acordo com os índices peso/idade.54 2. 2011.

. SP. Food Nutr. São Paulo.8% para 275. após o recebimento das doações de alimentos.3%. A. n.SILVEIRA. pois os alimentos oferecidos são os mesmos para ambas as faixas etárias.. 36. 1. 2011. proteína de 123.8% para 229..2 Após 0 93. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. C. demonstrando claramente que a inclusão dos alimentos doados obtiveram impacto positivo. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos. vitamina C e ferro.4%. 28 . permanecendo acima das recomendações da Necessidade Média Estimada . apontando uma melhora significativa. já a alimentação oferecida na creche não objetiva atender ao mesmo período. carboidrato e aporte energético. NOLASCO. A tabela 4 demonstra que os valores referentes à vitamina A passou de 83. o que confirma que.EAR e Estimativa da Necessidade Energética . p. 23-35.3% para 726.2 95.6 2.9%.EER. as diferenças foram estatisticamente significantes.3% para 204. para todos os índices antropométricos. É importante ressaltar que as recomendações nutricionais estabelecem valores diários de referência. Em relação ao percentual de adequação de vitamina A.= J. destaca-se que para os nutrientes vitamina A e C. em 4. N. V. tanto antes quanto após as doações. Tais resultados são semelhantes aos representados na tabela 3. espera-se que a criança tenha sua alimentação complementada em casa. A.1% para 291.8 0 Após 0 100 0 Antes = valores antes do recebimento das doações. cálcio. Verificou-se que o percentual de adequação de vitamina C passou de 114.EAR após as doações de alimentos. Nutrire: rev. A. Necessidade Média Estimada . v. Para os nutrientes: vitamina A. B.5%. Já os nutrientes. S.7%.2 97.AI. desta forma. a adequação ultrapassou satisfatoriamente as recomendações estabelecidas pela EAR. abr. as diferenças nos valores oferecidos antes e após a doação do Banco de Alimentos foi estatisticamente significante. o ferro de 143. LOPES. P.. constatou-se uma mudança de 91. M.6%.6 Peso/estatura Antes 0 97 3 Após 0 100 0 IMC/idade Antes 2.6% para 131. F. NETTO. Tabela 2 – Estado nutricional segundo índices antropométricos das crianças de 1 a 6 anos antes e após o recebimento das doações pelo Banco de Alimentos Estado nutricional Baixo peso (%) Eutrofia (%) Sobrepeso (%) Peso/idade Antes 2. Nutr. Observou-se também que o VCT do cardápio das crianças de 1 a 3 anos apresenta valor superior em relação ao cardápio das crianças de 4 a 6 anos. Bras. M.7% para 567. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Soc. apresentaram valores abaixo do recomendado. A tabela 3 evidencia que houve uma melhora expressiva no percentual de adequação..3%. segundo Ingestão Adequada . respectivamente.4% (n=2) das crianças tanto antes quanto após a doação de alimentos. Brazilian Soc.13% para 165. COSTA. como demonstrado na tabela 4. V. porém para as crianças de 1 a 3 anos é acrescida a mamadeira. ferro de 105. após o recebimento das doações de alimentos. A inadequação do estado nutricional não diferiu estatisticamente entre as duas avaliações e nem entre os sexos. vitamina C de 97.4 6. Alim.3% e proteínas de 220.

1 15 130 ND 1. NETTO. A (µg/d) Vit. c≠d.3 58.. A (µg/d) Vit. peso e altura). LOPES. n.43d 293.46 4.08** 143.. NOLASCO. v. 2011.4a 14.89 20.36 6.46 762.83 5.8# %Adequação Antes 83.4 37. S. ** = % de Adequação abaixo da EAR. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais.3 726. V.SILVEIRA. M.= J.43 4. c≠d: teste de Wilcoxon.46# %Adequação Antes 91. SP.31 103.13f 30. antes e após o recebimento das doações de alimentos Nutrientes Vit.3 220. A.Estimativa da necessidade energética (obtido com os valores médios de idade. abr.9 567. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos.8 68. 36.5 79.14 ND 50.07 686.29 88. e≠f: teste de Wilcoxon.3 275. Alim. Tabela 3 – Análise do valor nutricional do cardápio oferecido às crianças de 1 a 3 anos referente à média de três dias consecutivos.3 19.5** ND 41.. p.. B.Estimativa da necessidade energética (obtido com os valores médios de idade.89** %Adequação Após 229.84 102.6 123.42 Média Após 611. V.53a 21.3e 24. a≠b. COSTA.93b 94.47 81.1** 114. a≠b. 1.80** 105.26b 124.. Soc.67** 204.7 165.5c 238. Nutrire: rev. São Paulo.64 26. Tabela 4 – Análise do valor nutricional do cardápio oferecido às crianças de 4 a 6 anos referente a média de três dias consecutivos.26** ND 76. # = EER. A.2** Antes = valores antes do recebimento das doações.44 EAR 275 22 800* 4. P. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos.6** 79. Brazilian Soc. ND = Não determinado.86 577. N. Após = valores após recebimento das doações do Banco de Alimentos.13 62. C. Bras. ** = % de Adequação abaixo da EAR.39 694. peso e altura).6** %Adequação Após 291.1** ND 68. * = AI (Ingestão Adequada). F.83d 300. Food Nutr. * = AI (Ingestão Adequada). 29 .8** 97. A.60** 131. antes e após o recebimento das doações de alimentos Nutrientes Vit.05 25.4 24. M.36** Antes = valores antes do recebimento das doações.7 29.66 Média Após 632. # = EER. C (mg) Ca (mg) Fe (mg) PTN (g) CHO (g) LIP (g) VCT (Kcal) Média Antes 230. Nutr. 23-35.3 50.378.000. ND = Não determinado.33 18. C (mg) Ca (mg) Fe (mg) PTN (g) CHO (g) LIP (g) VCT (Kcal) Média Antes 191.86c 250.52 EAR 210 13 500* 3 11 130 ND 1.

N. DISCUSSÃO De acordo com Batista Filho (2003). sofreram pouca interferência após as doações de alimentos... A. é importante lembrar que os índices antropométricos podem ser considerados indicadores benéficos para a saúde. B. provavelmente devido ao curto tempo entre as avaliações. abr. A. 1. houve um aumento significativo tanto de macro e micronutrientes. Apesar de não terem sido avaliados os parâmetros bioquímicos nas crianças da creche. peso/ estatura. O Banco de Alimentos é um dos programas de alimentação que tem por finalidade evitar o desperdício e combater a fome (BELIK. sendo as mudanças ponderais mais significativas que as estaturais. SP. ADVÍNCULA. 36. Soc. Já na avaliação do cardápio oferecido pela creche. no Brasil. Food Nutr. S.SILVEIRA. pois a primeira ocorre mais precocemente que a segunda. 23-35. Brazilian Soc. 2005). 2001. NOLASCO. ANJOS. COUTINHO. C. p. 2006). 1992). peso/idade.. é de extrema importância estudos que versem sobre a ingestão de nutrientes adequados e 30 . M. por lei. NETTO. IMC/idade e estatura/idade. Outros estudos também relatam o papel relevante da averiguação do consumo dietético na infância. pois a alimentação influencia de forma expressiva na promoção da saúde e na prevenção de doenças (BARBOSA et al. 2006). HIRAI. 2004). Bras. contribuindo para a melhoria da alimentação e do estado nutricional e de saúde da população beneficiada. 2006. Embora não tenham sido notados valores estatisticamente significativos para todos os índices antropométricos. Nutrire: rev. fato esperado. 2003). COSTA. M. apesar de o crescimento mundial da produção de alimentos. 2011. SUBAR. A.= J. a fim de obter resultados satisfatórios para os beneficiários (BELIK. É importante ressaltar que todos os programas voltados para a segurança alimentar do país devem estar interligados devido à alta complexidade destas ações (PESSANHA.. SCHIMITZ. As políticas públicas de combate à fome. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. P. TAKAGI. v. Os resultados obtidos no estudo mostram que os índices antropométricos. 2006. O conjunto de ações de tais políticas implica também a melhoria do aspecto social. V. perceberam-se pequenas diferenças como a melhora nos percentuais de inadequação e das médias de escore-z. conduzindo ao bem estar. 2007.. garantindo-se. o direito humano à alimentação.. qualidade e a regularidade. esse fato não assegurou o desaparecimento da fome e da desnutrição.. Destaca-se a importância da avaliação dietética na detecção de situações de risco alimentar e nutricional para grupos populacionais (TUMA. Alim. F. existentes no Brasil. V. et al. São Paulo. COSTA. visam à segurança alimentar e nutricional das pessoas que vivem em situação de maior vulnerabilidade social. MELNIK et al.. 1998. A acessibilidade alimentar deve ser baseada em três pilares: quantidade.. GALLO. SOARES et al. o que pode impactar positivamente no estado nutricional das crianças e diminuição dos problemas nutricionais. pois possibilitam analisar a evolução física alcançada (FERNANDES. SILVA. Apesar da pouca interferência. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. Nutr. LOPES. n. LUCATELLI.

reprodução. Com o recebimento das doações.. com níveis inadequados de vitamina A. BRAZACA. SCHIMITZ et al. a fim de prevenir deficiências nutricionais. 2011. sendo assim. verificou-se que. SZARFARC.. importante para o sistema imunológico.. mesmo em quantidade moderada. São Paulo. SOARES. Nutr.. vegetais e hortaliças. mesmo sendo um país rico em frutas. Nutrire: rev. o que contribui. As crianças em idade pré-escolar estão entre as populações de risco com mais probabilidade de deficiência de ferro. em idade pré-escolar. P. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. A deficiência desse nutriente é considerada um dos principais distúrbios nutricionais presentes em grande parte da população dos países subdesenvolvidos.= J. A. 2007). Food Nutr. implica a imunossupressão do sistema imunológico e limita a capacidade de aprendizagem e a socialização. A distribuição de frutas e hortaliças é foco principal do Banco de Alimentos relatado neste estudo.. auxilia no crescimento. Conforme revelado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância . abr. 1. p. 2004. NOLASCO. SP. Alim. nesta fase da vida.2 milhões de crianças brasileiras. para uma melhor biodisponibilidade de ferro. torna-se importante a presença desse nutriente na alimentação da população (BRUNKEN. evidenciam-se consideráveis desigualdades sociais e econômicas. Diante da importância do ferro na alimentação das crianças. M. COSTA.. fato que pode justificar a ocorrência da deficiência da vitamina C (COSTA et al. 23-35. fato que contribuiu para o aumento significativo de vitamina A e vitamina C e que pode acarretar um papel relevante para o desenvolvimento das crianças.. 36. o que contribui para prejuízos no seu desenvolvimento e propicia um problema de saúde pública (CASTRO et al. a alimentação. sua deficiência. E mais. A vitamina A é um nutriente essencial. No Brasil. M. é preocupante porque poderá ter como consequência a anemia. F. (2000) no qual se aponta. HENN. v. formação dos ossos e dentes (GERMANO. PAIVA et al. 2008. 2001). que o fornecimento de uma alimentação adequada na infância. observou-se um aumento relevante de vitamina A. A.. n. após o recebimento das doações de alimentos.SILVEIRA. na faixa etária de 1 a 3 anos. Carvalhaes e Trezza (2003). No presente estudo. LANZILLOTTI. e a partir desta evidenciou-se aumento no aporte de vitamina C. desenvolvimento cognitivo e fisiológico. além de favorecer o sistema imunológico promovendo a saúde nesta faixa etária. Bras. B. a deficiência de ferro é considerada de maior prevalência entre as carências nutricionais existentes. Soc. V. a deficiência. NETTO. 1998).UNICEF (1998) e Tonete. visão. tanto em quantidade quanto em qualidade. CANNIATTI. consiste em fornecer inovações ao paladar (BARBOSA et al. em longo prazo. estima-se que existam 2. os benefícios que estes representam à infância. 31 . 2004). N. houve uma variabilidade na ingestão de frutas e hortaliças no cardápio da creche. Além disso. C. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. Segundo Ramalho (2008). levando a inacessibilidade a estes alimentos.. A. 1999). Tal afirmativa é demonstrada no estudo de Silva et al. V. RAMALHO et al. LOPES.. Na análise do cardápio oferecido às crianças da creche. atingindo principalmente crianças (ODORIZZI. crescimento. Brazilian Soc. houve uma melhora expressiva na disponibilidade média de ferro. além de outros benefícios. metabolismo. MATOS. ao comparar a primeira avaliação com a segunda.. S. acarretando prejuízos ao crescimento e desenvolvimento cognitivo (BARBOSA. 2005). 2005. 2006).

D. G. R. p. no estado nutricional de crianças de 1 a 6 anos de uma creche em Ibirité/Minas Gerais. V. REFERÊNCIAS/REFERENCES ARAÚJO. M. já que os alimentos doados pelo Prodal Banco Alimentos não são fontes ricas desse componente. evidenciou-se que não houve um aumento entre as avaliações. é superior à recomendada. LANZILLOTTI. Brasil. saúde matern. CARVALHO. C. 633-641. A. SALLES-COSTA. para todas as faixas etárias. 2002. BRIGHENTI.= J. M. infant. v. após as doações de frutas e hortaliças houve uma melhora nos valores dietéticos. Porém. M.. A ingestão de proteína. com o impacto positivo no estado nutricional das crianças assistidas. BARBOSA.. São Paulo. abr.. C. devido ao seu papel no fortalecimento de ossos e dentes. C. C. SALADO. M. 127-134. 1. M. SOARES. 2005. bras.. Avaliação do consumo alimentar de crianças pertencentes a uma creche filantrópica na Ilha de Paquetá. S. E.. v. 2.. 159-166.. Rev. além de ser importante para o funcionamento correto do sistema nervoso e imunológico. A. S. e. FRANCO. Consumo alimentar de crianças com base na pirâmide alimentar brasileira infantil. Brazilian Soc. 2006). 7. bras.. E.. R. infant. 23-35. A. no início da pesquisa. R. p. C. saúde matern. T. S... uma vez que o cálcio é um mineral essencial para o organismo. CARVALHO. 2008. SOARES. FRANCO. LOPES. BARBOSA. B. Nutr. Bras.. em que se observou um consumo proteico acima das necessidades recomendadas. 32 .. assim.. coagulação sanguínea e pressão arterial (FELIPE et al.. Na análise do cálcio oferecido às crianças. 1. 2011. também demonstrou que as crianças ingerem quantidades inadequadas do mineral. Rio de Janeiro. n.. CONCLUSÃO O Banco de Alimentos teve um papel relevante na alimentação oferecida às crianças da creche. P. p. 36. n.. o pequeno aumento proporciona benefício para essas crianças. SALLES-COSTA. v.SILVEIRA. constatou-se assim. 219-225. que avaliou a oferta desse mediador celular em seis creches. N. J. C. Outro estudo. V. bem como para a contração muscular. Rev. A. 19. NETTO.. SOARES. S. v. Alim. A. a creche disponibilizava pouca variedade de alimentos no cardápio. A. p. n. V.. p. 2006. S. A. na dieta das crianças menores de dois anos no Brasil. Avaliação da ingestão de nutrientes de crianças de uma creche filantrópica: aplicação do consumo dietético de referência. B. Alim. 2001). SP. nutr. 18. V. Isso confirma os dados obtidos neste estudo. N. 2007. H. Do ponto de vista antropométrico. como mostrado no estudo multicêntrico de consumo alimentar (BRASIL. 2003). CROCCIA. v. nutr. A.. E. FERNANDEZ. COSTA. R. Impacto da complementação alimentar fornecida por um banco de alimentos. corroborando. n. entretanto percebeu-se diminuição nos índices de distrofia.. Food Nutr. BARBOSA. a evolução foi pequena. N. NOLASCO. 2. CAMPOS. a manutenção dos níveis de cálcio abaixo do recomendado. reforçam os dados do Brasil que apontam a deficiência de energia mais constante do que a deficiência proteica.. n. Nutrire: rev. C. De acordo com Fidelis e Osório (2007) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1977) esses valores de proteína acima do recomendado. o que prejudica a formação de sua massa óssea (SANTOS et al. 5. Rev. Subsídios para a avaliação do estado nutricional de crianças e adolescentes por meio de indicadores antropométricos. G. R. Soc. visto que. F.. 6.

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36 .

Artigo original/Original Article Ocorrência de Staphylococcus spp. n. = J. as well as the need for more adequate recommendations regarding the microbiological control of food-processing surfaces. Food and Nutrition Services. Contamination. SP. Nutrire: rev. Occurrence of Staphylococcus spp. R.87%) from surfaces used for preparing vegetables. Universidade Federal da Paraíba Endereço para correspondência: Evandro Leite de Souza Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências da Saúde Departamento de Nutrição Campus I . A.75%). aureus on surfaces used for preparing food in a food service ABSTRACT JERÔNIMO. C. CONCEIÇÃO. COSTA. Universidade Federal da Paraíba 2Laboratório de Bromatologia.0 x 101 CFU/cm2). R. Brasil. Bras. RITA DE CÁSSIA RAMOS DO EGYPTO QUEIROGA2. Alim. 67 (41.. the highest counts for Staphylococcus spp. aureus the counts oscillated between <1. L..5. MARIA LÚCIA DA CONCEIÇÃO1. aureus.ufpb. João Pessoa. I. H. 100% were contaminated by Staphylococcus spp. ANA CAROLINY VIEIRA DA COSTA1. Out of 160 samples collected from ten different food services. In the 48 surface samples collected in three food services at different times on the same day. and S. 37-48. State of Paraíba.3. e S. (< 101 . Paraíba. aureus on surfaces used for preparing foods in ten food services in the city of João Pessoa. and 14 (8. C.br 37 . aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição Occurrence of Staphylococcus spp.. abr. Brazil. E-mail: evandroleitesouza@ ccs. A. and S.75%) from surfaces used for handling ready-to-eat food items. Keywords: Staphylococcus. EVANDRO LEITE DE SOUZA1 1Laboratório de Microbiologia de Alimentos. Cidade Universitária. São Paulo.CEP 58051-900. This study aimed to assess the occurrence and population kinetics of Staphylococcus spp.5%) were collected from surfaces used for preparing meat. while for S.6 x 103 CFU/cm2 on surfaces used for preparing vegetables and meat over the day. v. M. QUEIROGA. 2011. Generally. M. E. 70 (43. Departamento de Nutrição. 1. Food Nutr. For S. BARBOSA. Centro de Ciências da Saúde.. L. these counts were in a range from <101 . The counts of Staphylococcus spp.5%). ISABELLA DE MEDEIROS BARBOSA1.0 x 101 . and S.. SOUZA. 36. p. Departamento de Nutrição. V. and S. ranged from < 101 (15%) from > 106 CFU/cm2 (13. respectively.0 x 105 CFU/cm2 to <1. M.25%) and 105 CFU/cm2 (7.0 x 101 (81. E. Brazilian Soc. Soc. HELOÍSA MARIA ÂNGELO JERÔNIMO1. These results show a possible inefficacy of the hygiene methods in the food production environment.4. Centro de Ciências da Saúde. aureus on surfaces used for preparing food in a food service.. Nutr. aureus over a day were found on surfaces used for preparing vegetables.

M.87%) de superficies de preparación de vegetales.. Brazilian Soc.75%) foram de superfícies de preparo de carnes. 38 . 67 (41. enquanto que a contagem de S. Nutrire: rev. aureus oscilou entre < 10 1 (81. e S.. 14 (8. R. A contagem de Staphylococcus spp. Também foram coletadas 48 amostras de superfícies de preparo de vegetais e carnes em diferentes momentos do mesmo dia. aureus la variación del conteo estuvo entre < 101 e 4. 37-48.5%).= J. SOUZA. (< 101 – 2.JERÔNIMO. L. Estes resultados evidenciam uma possível ineficácia dos procedimentos de higienização do ambiente. la necesidad de recomendaciones más adecuadas para lo control microbiológico de superficies en que se manipulan alimentos. e S. Para S. aureus estuvo entre <101 (81. Food Nutr. Ocorrência de Staphylococcus spp. 1.63%) de alimentos procesados.6 x 103 UFC/cm2. R. 36. mientras que el conteo de S.75%) de superfícies de preparo de alimentos em geral e 9 (5. I. El conteo de Staphylococcus spp osciló entre < 101 (15%) y > 106 UFC/cm2 (13.25%) e 10 5 UFC/cm 2 (7.5%). bem como a necessidade de recomendações mais adequadas para o controle microbiológico de superfícies de processamento de alimentos. RESUMEN RESUMO Este trabajo ha evaluado la ocurrencia y la dinámica poblacional de Staphylococcus spp.0 x 10 5 UFC/cm 2 em superfícies de preparo de vegetais. 70 (43. As mais altas contagens de Staphylococcus spp. E. n. Soc. Palavras-chave: Staphylococcus.0 x 105 UFC/cm2 e < 101 e 3. L. 2011. Brasil. COSTA. aureus em superfícies de preparo de alimentos de unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa. Este trabalho objetivou avaliar a ocorrência e dinâmica populacional de Staphylococcus spp. C. Paraíba.75%) fueron de super ficies de preparación de carnes.0 x 105 UFC/ cm2 en superficies de preparo de vegetales y para las superficies de preparación de carnes < 101 e 4. aureus en superficies de unidades de alimentación y nutrición de la ciudad de João Pessoa. das quais 100% apresentaram contaminação por Staphylococcus spp. CONCEIÇÃO. Do total de 160 amostras coletadas de 10 diferentes unidades de alimentação e nutrição. aureus fueron encontrados en las superficies de preparo de vegetales. H. aureus as contagens variaram entre < 10 1 e 4. Estos resultados muestran una posible ineficacia dos procedimientos de higienización del ambiente y también. E. 70 (43. Contaminação. Alim.0 x 105 UFC/cm2 y < 101 e 3.87%) de superfícies de preparo de vegetais.25%) e 105 UFC/cm2 (7. De 160 muestras r ecogidas en diez unidades distintas de alimentación y nutrición. M. p.6 x 103 UFC/cm2. v. SP.4. Nutr. Para S. e S. V. M. abr.75%) de superficies de pr eparación de alimentos variados y 9 (5. Servicios de alimentación y nutrición. enquanto para as superfícies de preparo de carnes as contagens oscilaram entre < 101 .9 x 105 UFC/cm2). Paraíba.. QUEIROGA. C. Palabras clave: Staphylococcus.. aureus foram encontradas nas superfícies de preparo de vegetais. contaminación. A. BARBOSA.9 x 105 UFC/cm2). y S. Bras. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição.. Unidade de alimentação e nutrição. 67 (41.63%) de superfícies de alimentos prontos. Los más altos niveles de contaminación por Staphylococcus spp y S.75%). También fueron recogidas 48 muestras de superficies de preparación de carnes y vegetales en diferentes momentos de un mismo día y que presentaron 100% de contaminación por Staphylococcus spp (<101 – 2. 14 (8. variou entre < 101 (15%) e > 106 UFC/cm2 (13.. São Paulo.75%). durante el día. A.

. LIMA. jornadas de trabalho contínuas.. 2005). 2003). ROSSI et al. SP. A rota de contaminação através das superfícies é reconhecida como de grande necessidade de controle nas atividades rotineiras dos serviços de alimentação.. BRABES. dificuldade de locomoção para casa. Brazilian Soc. 2004. O gênero Staphylococcus. Com o aumento do número de empresas no setor de refeições coletivas. M. 2007).JERÔNIMO. pele e cabelos. ALMEIDA. I. a transmissão de S. 2004. 2001). abr. Nutr. v. Assim. A.. DEN AANTREKKER. n. 2007). já que S. 1.. M. São Paulo. CONCEIÇÃO. A. O deslocamento da população para os grandes centros urbanos. atingindo de forma persistente 20 a 30% dos indivíduos saudáveis (NORMANNO et al. LOVATTI. e por equipamentos e superfícies dos ambientes de produção de alimentos onde estes indivíduos realizam suas funções de trabalho (CHMIELEWSKI. E. 2003). a vida moderna imprimiu um ritmo acelerado no cotidiano dos indivíduos. torna-se essencial que ocorra um rigoroso controle das condições higiênico-sanitárias nos locais onde os alimentos são manipulados para o consumo humano (ZACCARELLI.. SHALE et al. C. Ocorrência de Staphylococcus spp. 39 . aureus se encontra amplamente disseminado nos ambientes de circulação do ser humano. M. 2000). H. SILVA. E. INTRODUÇÃO Com o passar do tempo. L.. COSTA. provocaram mudanças no estilo de vida dos indivíduos... V. pois. 2005). BARBOSA. em especial a espécie Staphylococcus aureus... S. ANDRADE. 1995. 2007). Por apresentar características ubiquitárias. 37-48. garganta. sendo responsável por quase 45% de todas as toxinfecções registradas (NORMANNO et al. COELHO. L. QUEIROGA. Em Serviços de Alimentação é bem estabelecida à relação do potencial de transmissão de microrganismos patogênicos para os alimentos durante o seu processamento e distribuição. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição.. Bras.. R.... C. SILVA. teve como repercussão a mudança de hábitos alimentares com a introdução de refeições rápidas (BENEVIDES. SOUZA. aumentam também as perspectivas de ocorrência de doenças de origem microbiana transmitidas por alimentos. fazendo do homem seu principal reservatório devido à colonização das vias nasais. a ocorrência de surtos é favorecida. 2005). tem sido citado como a terceira mais importante causa de doenças microbianas transmitidas por alimentos notificadas em todo o mundo (ARAGON-ALEGRO et al. p. observa-se que os alimentos tornaram-se mais expostos a uma série de perigos ou oportunidades de contaminação em decorrência da utilização de práticas incorretas de manipulação e processamento de alimentos (ALMEIDA et al. Soc. de modo que tal controle pode ser alcançado através da implantação de um adequado programa de sanitização (REIJ. aureus aos alimentos se torna facilitada por meio de manipuladores assintomáticos ou não (STAMFORD et al. Muitas bactérias patogênicas e deteriorantes de importância em alimentos são capazes de aderir a superfícies de ambientes de preparo e distribuição de alimentos.. 2004. PELES et al. Nutrire: rev. aureus é reconhecido como sendo o microrganismo patogênico mais comumente isolado de superfícies de serviços de alimentação (KUNIGK. 2005. Alim.= J. Food Nutr. 2006). 36. 2011. R. e permanecerem viáveis mesmo após a limpeza e desinfecção (AMMOR et al. FRANK. e S. 2001. cujo crescimento é de cerca de 20% ao ano. 2007. OLIVEIRA. RODE et al. Diante do conhecimento desta realidade. VASSEUR et al. e no que diz respeito à alimentação.

CAKIROGLU. dos equipamentos. Brasil. p. 40 . EEB. SILVA. EE1J. Paraíba. C. RASOOLY. Ocorrência de Staphylococcus spp. L. M. dos utensílios e dos manipuladores pode melhorar sensivelmente a qualidade dos alimentos servidos aos comensais (ANDRADE. desencadeando ampla gama de enfermidades que podem resultar em invasão direta dos tecidos.. atualmente são reconhecidos 20 tipos de EE. EE1O. Fundamentado em planos de amostragem bem definidos. aureus em superfícies de preparo de alimentos de origem animal e vegetal de diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa. Após esta etapa. EEC1. EED e EEE. EEI. (2007). EE1N. e S.. QUEIROGA. 2004). os quais se subdividem em dois grupos: as clássicas. 37-48. R. São Paulo. abr. A. Alim. COSTA. Nutrire: rev. M. foram identificados os tipos EE1U2 e EE1V e seus genes correspondentes descritos (KÉROUANTON et al.= J. 2005). Bras. METODOLOGIA COLETA DE AMOSTRAS Um total de 160 amostras de superfícies de preparo de alimentos de dez unidades de alimentação e nutrição. As enterotoxinas termoestáveis estão entre os mais notáveis fatores de virulência associados a S. as porções finais dos swabs que entraram em contato com as superfícies foram assepticamente cortadas. EE1R. incluindo serviços públicos e privados. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. aureus. V. De acordo com Lawrynowicz-Paciorek et al. R. BARBOSA. C. compreendendo o horário de preparação de refeições (almoço)... o monitoramento por meio da avaliação microbiológica do ambiente. v. I. CONCEIÇÃO. compostas por cinco tipos: EEA. aureus é reconhecido como possuidor de destacável virulência. E. foram analisadas para o grau de contaminação por Staphylococcus spp. 2011. 2000. EE1L. S. n. 3. E.85% estéril. a saber: EEG. A atuação dos profissionais responsáveis pela qualidade dos alimentos produzidos em unidades de alimentação e nutrição deve ser eminentemente preventiva. 36. L. STEVENSON. os quais foram friccionados em quatro pontos distintos (área de 25 cm²) de cada superfície. Considerando a importância da qualidade higiênico-sanitária na alimentação diária e a grande utilização de estabelecimentos de alimentação coletiva por parte da população. McKILLIP. Brazilian Soc. BRABES. A. EEH. As amostras das superfícies de preparo de alimentos das diferentes unidades de alimentação e nutrição foram coletadas sempre durante o período da manhã. 2.. Paraíba. SP. da cidade de João Pessoa. Food Nutr. aureus. 2003). SOUZA. Soc.. Nutr. EE1Q. formadas por EE e toxinas semelhantes à enterotoxinas (EE1). este estudo teve como objetivo avaliar a ocorrência e dinâmica populacional de Staphylococcus spp. EE1M. e S. Recentemente. 2007). e S. e as novas. SANDEL. visto que a sua estabilidade ao calor se constitui em uma das propriedades mais importantes em termos de segurança alimentar (BALABAN. As amostras foram obtidas através da utilização de swabs (02 por superfície) umidificados em solução salina 0. M. Por suas características inerentes.JERÔNIMO. em bacteremia primária ou em intoxicação em decorrência da ação de suas enterotoxinas (AYCECEK. 1.. EE1U. EE1P. H. utilizando-se bisturi esterilizado. EE1K.

. E S. sendo os resultados das contagens nos diferentes períodos expressos em UFC/cm2. SP. Em seguida. E S. COSTA. O início das análises microbiológicas ocorreu dentro de um período máximo de 6 horas após a coleta das amostras. 36. foi realizada a contagem de Staphylococcus spp. aureus nas superfícies de preparo de carnes e superfícies de preparo de vegetais de três diferentes unidades de alimentação e nutrição em diferentes momentos de um mesmo dia. A. I. bem como para a realização das análises microbiológicas foi utilizada a mesma metodologia citada no item anterior.1% esterilizada como diluente. teste de fermentação do manitol positivo e teste de fermentação de glicose positiva). plaqueamento (alíquota de 100µL) das diluições seriadas em ágar Baird-Parker (meio seletivo diferencial para o gênero Staphylococcus) adicionado de telurito de potássio a 1% e emulsão de gema de ovo (50mL para cada 1L de ágar). foram submetidas aos testes de identificação de S. 1. Soc. as quais perfizeram um 41 .= J. pretas. teste de produção de termonuclease positivo. p. é apresentada a distribuição das amostras das diferentes superfícies de preparo de alimentos das dez unidades de alimentação e nutrição. fez-se a coleta de amostras antes do início das atividades de preparo de alimentos. AUREUS NAS SUPERFÍCIES Neste estudo. BARBOSA. Nutrire: rev. L. H. atividade de catalase positiva. isolamento das colônias características do gênero Staphylococcus (colônias circulares. R. V. L. AUREUS A metodologia empregada para a contagem de Staphylococcus spp. Para a coleta e transporte das amostras. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. e acondicionadas em tubos de ensaio adicionados de 9mL de solução salina esterilizada. SOUZA. DINÂMICA POPULACIONAL DE STAPHYLOCOCCUS SPP. CONTAGEM DE STAPHYLOCOCCUS SPP. abr. QUEIROGA. e S.. aureus a partir das amostras de superfícies foi a descrita por Downes e Ito (2001). Para tal. v. n. 37-48. Food Nutr. reação de coagulase positiva. Os resultados foram expressos em Unidades Formadoras de Colônia por centímetro quadrado (UFC/cm2). E. CONCEIÇÃO.. pequenas. Ocorrência de Staphylococcus spp. Brazilian Soc. lisas. O sistema foi transportado em recipiente isotérmico até o local de realização das análises microbiológicas. M.JERÔNIMO. 2011. e S. e S. São Paulo. que consistiu em: preparação de diluições seriadas (10-1 – 10-4) das amostras das superfícies utilizando-se água peptonada 0. Alim. Bras.. rodeadas por uma zona opaca e/ou halo transparente se estendendo para além da zona opaca) em tubos inclinados contendo ágar Nutriente. C.. A.. durante o período das atividades de preparo (dividido em dois subperíodos) e após a execução do procedimento de higienização próprio de cada unidade. M. M. RESULTADOS Na tabela 1. Nutr. E. C. R. convexas. apresentando massa de células esbranquiçadas nas bordas. com bordas perfeitas. a fim de se verificar as alterações de carga microbiana ao longo de um período de atividades. aureus através de provas bioquímicas (coloração de Gram positiva.

SOUZA. n.. C. R. e S. Bras. Nutrire: rev. variou entre < 101 (15%) e > 106 UFC/cm2 (13. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. M. Ocorrência de Staphylococcus spp. Alim.. Food Nutr.88 8.63 5. aureus. C.88%) de superfícies de preparo de vegetais. Brazilian Soc.75 100% Staphylococcus aureus Número de superfícies 130 1 9 8 12 0 0 160 Representação percentual 81. 2011. e S. I. aureus em 160 amostras de superfícies de preparo de alimentos de unidades de alimentação e nutrição estão apresentados na tabela 2.25 0.JERÔNIMO.25%) e 105 UFC/cm2 (7. BARBOSA.75%) de superfícies de preparo de alimentos em geral (incluindo o preparo de alimentos de origem animal e vegetal na mesma superfície) e 9 (5.5 22. QUEIROGA. SP. 70 (43.. Tabela 1 – Distribuição das amostras de superfícies coletadas em unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB.75%). CONCEIÇÃO..63 100% * quando a unidade de alimentação e nutrição não apresentava superfícies de preparo diferentes para vegetais e carnes.75 41.5 22. V. A. 14 (8. v. M.63%) de superfícies de manipulação de alimentos prontos. L. COSTA.. 67 (41. Soc.5 0 0 100% 106 Total 42 . abr. 36. Dentre estas.5 13.62 5 7. p.25 7.= J. E. total de 160 amostras. 1. A. de acordo com o tipo de alimento manipulado Tipo de superfície (alimento manipulado) Carnes Vegetais Preparo de Alimentos em Geral* Alimentos Prontos Total Número de superfícies 70 67 14 9 160 Representação percentual 43. São Paulo.5 17. M. H. que a contagem de Staphylococcus spp. 37-48. E. Nutr. L. Observa-se.5%). Número de superfícies 24 2 12 36 28 36 22 160 Representação percentual 15 1. apresentou uma variação entre < 101 (81.75%) foram de superfícies de preparo de carnes.75 5.. R. e Staphylococcus aureus em superfícies de preparo de alimentos em diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB Intervalo de contagem (UFC/cm2) < 101 101 – 102 102 – 103 103 104 105 > – – – 104 105 106 Staphylococcus spp. Os resultados relativos à distribuição de frequência das contagens de Staphylococcus spp. Tabela 2 – Distribuição de frequência das contagens de Staphylococcus spp. enquanto que a contagem de S.

de unidades de alimentação e nutrição em diferentes momentos de um mesmo dia.7 x 103 2.0 x 102 4. spp. 4.9 x 102 2. I.3 x 103 2.2 x 103 5. em diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB Unidade 01 Coleta Períodos Antes Coleta Durante 1 01 Durante 2 Após sanitização Antes Coleta Durante 1 02 Durante 2 Após sanitização Unidade 02 Unidade 03 Staphylococcus Staphylococcus Staphylococcus S. em diferentes unidades de alimentação e nutrição da Cidade de João Pessoa-PB Unidade 01 Coleta Períodos Antes Coleta Durante 1 01 Durante 2 Após sanitização Antes Coleta Durante 1 02 Durante 2 Após sanitização Unidade 02 Unidade 03 Staphylococcus Staphylococcus Staphylococcus S.0 x 103 4. Tabela 3 – Dinâmica populacional (UFC/cm 2 ) de Staphylococcus spp. Brazilian Soc. Alim.0 x 105 2..2 x 103 1.0 x 101 7. R.7 x 104 2.2 x 104 < 101 1. Food Nutr. Soc. QUEIROGA.9 x 104 1.0 x 104 < 101 1. v.5 x 103 7.0 x 101 3. em diferentes momentos em um mesmo dia. 36. 5 x 101 1. L. M.0 x 104 3. Bras.6 x 104 4. 2011.0 x 101 1. C. spp. C. A. V. São Paulo.2 x 103 4.0 x 103 1. H.6 x 103 < 101 < 101 4. aureus S. 1.0 x 103 4. p.0 x 102 9.1 x 103 < 101 < 101 < 101 < 101 3 x 102 3. E. respectivamente.0 x 104 1.0 x 101 1. n.JERÔNIMO.0 x 103 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 1. e Staphylococcus aureus em superfícies de preparo de carnes de Unidades de alimentação.5 x 103 4.0 x 105 1.. spp. spp. M. R.3 x 104 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 43 .0 x 102 1. 37-48. CONCEIÇÃO. A.9 x 103 1. e S. E. Nutrire: rev. aureus em superfícies de preparo de vegetais e carnes.0 x 102 1. COSTA. Nas tabelas 3 e 4.. em diferentes momentos em um mesmo dia.0 x 102 4. e S.9 x 104 6. Ocorrência de Staphylococcus spp.0 x 101 4. e Staphylococcus aureus em superfícies de preparo de vegetais de Unidades de alimentação.0 x 105 2.5 x 103 1.. aureus spp.9 x 105 5. SOUZA.0 x 103 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 5.0 x 101 1.1 x 104 1. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. Nutr.2 x 103 1. aureus S. L.0 x 102 4.. Todas as 48 amostras analisadas apresentaram contaminação por Staphylococcus spp. de modo que o período que apresentou as mais altas contagens foi aquele relacionado ao intervalo de manipulação dos alimentos. aureus S.6 x 104 5.0 x 103 1. aureus spp.1 x 104 1. SP.4 x 102 2...6 x 102 1. abr.8 x 104 4.= J. aureus S.0 x 103 1. M.6 x 102 < 101 < 101 < 101 < 101 < 101 Tabela 4 – Dinâmica populacional (UFC/cm2) de Staphylococcus spp. BARBOSA. são mostrados os resultados da contagem de Staphylococcus spp.0 x 102 < 101 1.4 x 103 < 101 < 101 1.6 x 102 5.0 x 105 4.

36.. respectivamente. Brazilian Soc.3 x 104 UFC/cm2 para superfícies de vegetais e carnes. Para as unidades 01 e 03. Soc. Bras. Na Unidade 02. R. que a contaminação cruzada tem sido frequentemente relatada como fator responsável pela ocorrência de enfermidades de origem alimentar (BRYAN. M. Piragine (2005) verificou a ausência de S. levou a concluir serem as bancadas do setor de pré-preparo de frutas e hortaliças um ponto crítico expressivo na contaminação destes alimentos. apresentaram-se inferiores ao longo dos diferentes períodos de coleta durante o dia. BARBOSA. São Paulo. as contagens de Staphylococcus spp. SP. p.. obtiveram contagens de S. também foram verificadas contagens de S. Com relação à ocorrência de S. SOUZA. COSTA. em estudo de avaliação da qualidade microbiológica de utensílios e superfícies de manipulação de alimentos de unidade de alimentação. SILVA JÚNIOR. nas superfícies de preparo de carnes. aureus em superfícies de unidades de alimentação e nutrição (Tabela 2).6 x 102 – 4. A.4 UFC/cm2. Alim. L.6 x 103 UFC/cm2. Food Nutr. (2007). Ocorrência de Staphylococcus spp. as contagens de S. A. CONCEIÇÃO. aureus foram sempre <101 UFC/cm2 nos diferentes intervalos de análise. Nutr. R.. aureus nas amostras analisadas do ambiente (equipamentos e utensílios) de produção.0 x 105 UFC/cm2..= J. DISCUSSÃO A detecção de microrganismos em altas contagens em superfícies e bancadas dos setores de preparo de alimentos demonstra a importância desses locais como fontes potenciais de disseminação de microrganismos para o ambiente de unidades de alimentação e nutrição. Silva (2006) obteve contagem de Staphylococcus coagulase positiva variando entre < 102 e 2. apresentaram resultados semelhantes. a unidade 02 apresentou as mais elevadas contagens (2. 2011.. abr.0 x 103 e 2.6 x 102 UFC/cm2. I. n. 37-48.3 x 102 UFC/ cm2. H. Nas demais unidades. v.. é que mesmo após a sanitização das superfícies. a Unidade 01 e a Unidade 03. principalmente através da contaminação cruzada de alimentos. respectivamente. QUEIROGA. M. 06 amostras apresentaram contagens variando entre 2. C. M. 1.0 x 103 e 4. 02 amostras de superfícies de preparo de vegetais coletadas na Unidade 02 apresentaram contagens inferiores a 101 UFC/cm2. Esses resultados 44 . aureus nas superfícies de preparo de vegetais.. Com relação à dinâmica populacional de S. Ao analisar as condições higiênico-sanitárias do preparo da merenda escolar em escolas da rede estadual de ensino de Curitiba (Paraná. C. as contagens obtidas para 30 (contagens superiores a 101 UFC de S. Cabe ressaltar. aureus por cm2) das amostras analisadas apresentaram resultados superiores àqueles encontrados por Martins et al. enquanto somente 01 amostra de cada unidade (01 e 03) apresentou contagem de 5. Um estudo de análise de risco desenvolvido em um restaurante universitário por Nascimento (1992). Considerando a dinâmica populacional de Staphylococcus spp.2 x 104 e 1. Outro fato observado. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. onde 07 amostras apresentaram contagens inferiores a 101 UFC/cm2. aureus < 0.0 x 105 UFC/cm2). atingindo contagens de 2. e S. Brasil). aureus entre <101 e 3. L.JERÔNIMO. E. E. 100% das amostras apresentaram contaminação por Staphylococcus spp. Na Unidade 02. Ainda. que analisando superfícies de preparo de dieta enteral. 2002). 1998. Nutrire: rev. V.

superfícies ou mesmo diretamente os alimentos durante a manipulação. aureus pode ocorrer principalmente naqueles que sofrem intensa manipulação durante o seu pré-preparo e preparo. Food Nutr. Silva e Cantanozi (2003). São Paulo. existem critérios que refletem a realidade de alguns países economicamente desenvolvidos e que servem como base para determinar valores relativos às condições de manipulação que se aproximem da realidade brasileira.. os vegetais apresentam potencial de risco na transmissão de agentes patogênicos relacionados a surtos de doenças transmitidas por alimentos. V. a higiene pessoal é um dos fatores mais importantes relacionados à higiene dos alimentos. Alim. BARBOSA. C. nos quais se evidenciou que dentre as áreas que apresentaram elevados graus de contaminação por bactérias aeróbias mesófilas destacaram-se as áreas de preparo de frutas e hortaliças. M. L. 1. corroboram àqueles relatados por Rêgo. E. 37-48. CONCLUSÃO Considerando-se os valores de contagem para Staphylococcus spp. A.. Considerando este último padrão. e tomando como base o fato de bactérias do gênero Staphylococcus serem aeróbias facultativas mesófilas. Germano. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. C. e S. e que os avanços tecnológicos na produção e o aumento no consumo resultaram na mudança dos padrões sanitários de toda a cadeia. com vistas a evitar ou diminuir os riscos de doenças transmitidas por alimentos. em particular. Ocorrência de Staphylococcus spp.. Brazilian Soc. De acordo com Nascimento. n. A American Public Health Association (1984) estabelece que contagens até 2 UFC/cm2 de bactérias aeróbias mesófilas são consideradas satisfatórias. suas limitações de aplicação. A contaminação de alimentos vegetais por S. Germano e Karnei (2000) ressaltam que saúde e alimentos estão estritamente relacionados. 2011. SOUZA. 36.. pois o homem é direta ou indiretamente responsável por contaminar matérias-primas.. Silva Júnior (2002) preconiza uma contagem menor ou igual a 50 UFC/cm2 de bactérias aeróbias mesófilas como limite para equipamentos e utensílios. p. aureus obtidos no presente estudo. Segundo Silva Júnior (2002). No entanto. e S. constata-se uma possível ineficácia das práticas higiênico- 45 . SP. R. em razão principalmente das condições de temperatura ambiental do Brasil. e Staphylococcus aureus quando comparadas às superfícies de manipulação de carnes.JERÔNIMO. enquanto que contagens acima desse valor são reconhecidas como insatisfatórias. ou naqueles que são produzidos em ambientes que possuem equipamentos e utensílios não devidamente higienizados. COSTA. Bras. verifica-se uma inadequação de mais de 70% (contagem superior a 102 UFC/cm2 de Staphylococcus spp. As superfícies de preparo de vegetais apresentaram maiores contagens de Staphylococcus spp. que as condições inadequadas de higiene dos manipuladores e do ambiente de produção favorecem.) das superfícies de preparo de alimentos analisadas no presente estudo (Tabela 2). E. CONCEIÇÃO. v. particularmente aquelas de origem microbiana. L. Nutrire: rev. De acordo com Silva Júnior (2002). Soc. H.. I. Ressalta-se também. QUEIROGA. M. Guerra e Pires (1997). R. os pontos de perigo na produção quando o produto é consumido in natura. M.= J. A. Nutr. por meio da qualidade e segurança dos alimentos. abr.

A.. 531-534. A. Washington: APHA. R. L. 590-596. 38-45. n. S. 18-22. AYCECEK. Food Control. L. C. Brazil and detection of toxins from food and strains isolated. TALON. M. J. 24-27. 2007. 2000... 4. M. C. n. SILVA. LABADILE. ROCHA. Food Microbiol. P. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. p... Avaliação das condições microbiológicas em Unidades de Alimentação e Nutrição. 46 . tais achados repercutem em uma necessidade de conscientização dos gestores de serviços de alimentação em formular e colocar em prática estratégias eficazes de capacitação dos manipuladores de alimentos produzidos em seus estabelecimentos. M. K. ABREU. Manipuladores de alimentos: capacitar? É preciso. n. I. 27. e consequentemente a ocorrência de surtos de intoxicação alimentar estafilocócica. T. R. Y. K.. Biofilm formation and control in food processing expression off polysaccharide intercellular adhesin in Staphylococcus aureus and facilities.. R.. J Food Prot. M.. 2. procedures and processes that lead to outbreaks of foodborne diseases. A. p.. A. n. E. P. n. M. Characterization of Staphylococcus aureus strains associated with food poisoning outbreaks in France. S. A.. Hig. p.. 1. S.. n. STEVENSON. C. 14. BRABES. K. ARAGON-ALEGRO. 2005. FRANK... E. L. v. 16. Compendium of methods for the microbiological examination of foods. G. C. ALMEIDA. QUEIROGA. H. p. M. BARBOSA. 61. 1-10. 4. 78/79. M. VIEIRA.. GERMANO. SILVA. KONTA. p. 11-17. aliment. R. n. I. aliment. C. SILVA. sanitárias adotadas pelas unidades de alimentação e nutrição em estudo.. e S. Washington: APHA.. L. Investigation of the selective bactericidal effect of several decontaminating solutions on bacterial biofilms including useful. 2000. KÉROUANTON. Int J Food Microbiol.. E. v. n. K... C. J. Risks of practices. SUZUKI. 2001.. 36. 22-32. Cienc. V. 29. evitando assim à contaminação cruzada dos alimentos. v.. p.. 1984. de. DUFOUR. R. A. 1. N. O. LETERTRE.= J.. v. v. 2007. J. SERRANO. C. C. M. da. A.. F. abr. LAMARDO. v.. Compendium of methods for the examination of foods. C. A. 8. KUAYE. L. CHESNEAU. Turkey. p. BRYAN. Soc. Food Control. 37-48. Regulamentar? Será preciso? Hig. CHEVALLIER. H. 1998. Nutrire: rev. C. 18. ANDRADE. v. S.. v. 2004. Rev.. L. De BUYSER... REFERÊNCIAS/REFERENCES ALMEIDA. spoilage and/or pathogenic bacteria. A. 125. saúde pública. V. LOVATTI. Avaliação e controle da qualidade microbiológica de mãos de manipuladores de alimentos. KAMEI.. 2011. 1. M. 630-634. p.. 3.. Occurrence of coagulasepositive Staphylococcus in various food products commercialized in Botucatu. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. M. CHMIELEWSKI.. BENEVIDES. A. A. KAWASAKI. F. Food Nutr. CONCEIÇÃO. 2003.. 1. v.. V. DOWNES. A. Comprehensive Rev Food Microbiol. Segurança alimentar em estabelecimentos processadores de alimentos. S. p.. R. 1995. I.JERÔNIMO.. CAKIROGLU. M. LAGUE. SOUZA.. Alim. Ocorrência de Staphylococcus spp. M. Technical committee on micr obiological methods for foods. K. COSTA. M. 369-375. F.. RALL. H. BALABAN. C. K. v. 21. Nutr. J. L. n. n.. ITO. p. M. P. 663-673. E. 2003.. p. M. Ainda. M. PETIT. L. S. RIBEIRO. F. 51. E. I. HENNEKINNE. v. AMMOR. SP.. v. 115. 4th ed. L. RALL. E. JÚNIOR. n. agrotec. RASOOLY. São Paulo. Bras. R. 676 p.. C. Int J Food Microbiol. A. 2004. SP. BRISABOIS. Incidence of Staphylococcus aureus in ready-to-eat meals from military cafeterias in Ankara. 18.. J. G. Staphylococcal enterotoxins. R. n. C. F. p. V. R. 6.. Brazilian Soc.. GERMANO. 6..

FIRINU.JERÔNIMO. O.. F.. B. B. 433-438. VENTER. v. Brazilian Soc. 98.. 3. A.. p. 1-11. J. Paraná. 170-185. DEN AANTREKKER. GROCHOWSKA. S. aliment... BÉRI. N. Resistência a antibióticos de Staphylococcus aureus isolados de dietas enterais em um hospital público de Minas Gerais. Emprego de sanitizantes na desinfecção de vegetais. 2007.. B.. E. SOUZA. on bovine meat from abattoir deboning rooms. NORMANNO. 32. 47 . 91. 36. 3. p. 118. Int J Food Microbiol. n. aliment. M. F. n. 1.... A.. G. C. P. NASCIMENTO. A. 2007... M. SCUOTA. S. DAMBRÓSIO. M. T. 186-193. SALANDRA.. R. L. nutr.. 42-46. 19. K. E. BARBOSA. CONCEIÇÃO. MARTINS. 2004. 12... CELANO. L. OLIVEIRA.... F.. 1. Braz J Microbiol.. N. VARGA. NORMANNO. POGGIU.. PARISI.. H. N.. The distribution of enterotoxin and enteroxinlike genes in Staphylococcus aureus strains isolated from nasal carrriers and food samples. Int J Food Microbiol. KOCHMAN. v. M. n. Nutr. V. L.. 2. v.. CELANO. n. MG. Boletim CEPPA. F. 2004. p.. F. D.. X... 2007. n. M. HEIN. Characterization of Staphylococcus aureus strains isolated from bovine milk in Hungary. Alim. MARTINS. p. n. G. BUYS.. V. M. SZABÓ. A... E. The distribution of Staphylococcus sp.. Influência do treinamento no controle higiênicosanitário de unidades de alimentação e nutrição. NASCIMENTO. SANTOS... Int J Food Microbiol. n.. n. FIRINU. M.. C.. Nutrire: rev. B. 45-53. v. L. 90-95. L... E. Hig.. 5-10.. L. p.. SIAS. Occurrence. F.. KERESZTÚRI. p. v. ANDRADE. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. 10. MILAGRES. V. 50-62. p. D. A. J. n.Universidade Federal do Paraná. PIEKARSKA. p.. QUEIROGA. BOLZONI. J. Semin. K. W. I. M. I. Bras. J. RÊGO. WINDYGA. 1997.. WAGNER. Hig. P. G. A. SILVA. 2003. J. A. 2005. 1. 5. p. K. PELES. Análise de risco e pontos críticos de controle (APPCC) de uma planta de processamento de alimentos (Restaurante Universitário) em Ouro Preto-MG. 2007.. SANTAGADA. PIRAGINE. R. O. A. F. M. 2011. Coliformes termotolerantes e Staphylococcus coagulase positiva em pratos quentes servidos em restaurantes self-service de Uberlândia. 372-383. SP. LIMA.. TURCSÁNYI... RIECK. p. B. v. M. G. 10. characterization and antimicrobial resistance of enterotoxigenic Staphylococcus aureus isolated from meat and dairy products. C. Soc. A.. 128. McKILLIP. biol. 2007. v. T. Food Nutr. A. C. Ocorrência de Staphylococcus spp. I. A. 319-323. Hig aliment. L. J. PARISI... MULA. SANDEL. D.... n. R.. T. COSTA. M. LUES... J. LAWRYNOWICZ-PACIOREK. saude. D. G.= J. M. KARDOS. 290-296. 73-79. Virulence and recovery of Staphylococcus aureus relevant to the food industry using improvements on traditional approaches. R. RODE. v. A.. G. v. p. M. M. n. Dissertação (Mestrado) . 19. GUTSER.. ALMEIDA. C. 2005.. v. G... GUERRA.. PIRINO. G. QUAGLIA. Action of peracetic acid on Escherichia coli and Staphylococcus aureus in suspension or settled on stainless steel surfaces. KUNIGK.. L. 1. 1. Int J Food Microbiol. 2001. E. CANTANOZI. Rev.. CORRENTE. K. A. 28. 115. J. 2. J. SALINETTI. Food Control. ZUCCON. N. 2005. 17. QUAGLIA. ZARDINI. HOLCK. 1. G. M. O crescimento do restaurante self-service: aspectos positivos e negativos. 3. CRISETTI. Aspectos higiênicos e sanitários do preparo da merenda escolar na rede estadual de ensino de Curitiba. Coagulase-positive staphylococci and Staphylococcus aureus in food products marketed in Italy. VIRGILIO. C. São Paulo.. R. M. S. v... 9-14. L. LA SALANDRA. p. E.. v. 117. abr.. Recontamination as a source of pathogen in processed foods. DECASTELLI. 2005.. n. v. 2005. REIJ. N. n.. L. G. DI GIANNATALE.. C. K. BARTOLI. PIRES. 22. p. MIONI. E.. Int J Food Microbiol. C. 1. p. n. M. 38-41. v. A. 116. S. Different patterns of biofilm formation in Staphylococcus aureus under foodrelated stress conditions. p. e S. 1992. cienc. BARROS. DAMBROSIO. MØRETRØ. 136 p. ROSSI. R. Food Microbiol. LANGSRUD. P. SHALE. 2005.. F. 37-48. Int J Food Microbiol. A. v. v. n. n. P. P. S. 15..

JERÔNIMO. 3.= J. R. Ciência tecnol. Brazilian Soc.. p. L. 623 p. n. C. CONCEIÇÃO. M. 1. SILVA. T.. em Unidades de Alimentação e Nutrição. NETO.. 2006. Alim. F. no treinamento para controle higiênico-sanitário. Manual de controle higiênico-sanitário em alimentos. SILVA. S. 41-45. E. G. L.. E. R. M. C. p. E.. and biocides (monolurin and lauric acid) on inactivation of Listeria monocytogenes and Pseudomonas spp.. M. M. A. 2006.. aureus em superfícies de preparo de alimentos em unidades de alimentação e nutrição. A. Enterotoxigenicidade de Staphylococcus spp. v. 14. Bras. 5. I. LABADIE. 23-26. H. HÉBRAUD. p. D. M. Food Nutr... Hig. 1442-1445. SOUZA. Nutr. M. aliment. 70.. ed. Soc. Rio Grande do Sul. M. São Paulo. J Food Prot. COSTA. n. F.. P. SILVA. J. Recebido para publicação em 27/01/10. C.. A. BARBOSA. Combined effects of NaCl. SILVA. N. 1.. STAMFORD. ZACCARELLI. R. v. O jogo. L. JÚNIOR. MOTA.. 2001.. C. C. RIGAUD. SP.. A. p. como prática educativa. 2000. QUEIROGA. v. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal de Santa Maria. 64. E. Ocorrência de Staphylococcus spp. A. 26. São Paulo: Varela. 2011. Pr ocedimento operacional padronizado de higienização como requisito para segurança alimentar em unidade de alimentação. e S.. n. VASSEUR. Nutrire: rev. 37-48. V. NaOH. COELHO H. M. 36. Aprovado em 03/12/10. L. 2006. abr. aliment. 48 . v. L. E. isolados de leite in natura. 2002. n.

São Paulo. n. the studied population presented a weight and growth deficit (children. A. p. Nutritional status was assessed through Body Mass Index (BMI)/age (weight evaluation) and height/age (growth evaluation) using z-score. vitamin A and calcium in both studied groups. CURADO. Marechal Rondon. R.br Agradecimentos: os autores agradecem o apoio da EMBRAPA. MENDESNETTO. s/n Jardim Rosa Elze São Cristóvão – SE CEP 49100-000 E-mail: raquel@ufs. The participants included 145 children and teenagers. Brazil). v.6% and 63. Rural Settlements. The aim of the present study was to point out the socio-economic. the girls presented a higher prevalence of weight deficit (P>0. JAMILLE OLIVEIRA COSTA1. 49 . Food Nutr. dietary and anthropometric profiles in school-age residents of rural settlements in Pacatuba (State of Sergipe. Food Consumption.EMBRAPA/CPATC Depto. respectively. FERNANDO FLEURY CURADO2. DAYANNE DA COSTA1. abr. Sergipe Socio-economical characteristics and nutritional status of children and adolescents in rural settlements in Pacatuba. Socio-economical characteristics and nutritional status of children and adolescents in rural settlements in Pacatuba. These findings indicate that the socioeconomic and nutritional status are factors which determine the nutritional situation of this population. Food intake was assessed by a 24-hour recall method and analyzed using Dietary Reference Intakes. and teenagers. onde foi realizado: Núcleo de Nutrição – Universidade Federal de Sergipe Endereço para correspondência: Raquel Simões Mendes Netto Núcleo de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe Cidade Universitária Prof. also 35% of the participant’s mothers had attended school for less than 3 years. Brazilian Soc. 49-69. Nutrire: rev. SP. According to gender.. S.Artigo original/Original Article Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. RAQUEL SIMÕES MENDES-NETTO1 1Núcleo de Nutrição – Universidade Federal de Sergipe 2Centro de Pesquisa Agropecuária dos Tabuleiros Costeiros . Nutritional evaluation is an essential tool for the measurement of population health status. DIVA ALIETE DOS SANTOS VIEIRA1. O.8%. zinc. thus justifying the relevance of the scholar’s nutrition surveillance. HAVERST PLUS. Nutr. Bras. 14. 7. F.05)... Sergipe ABSTRACT VIEIRA. According to BMI/age and height/ age indexes. Sergipe. Keywords: Nutritional Status. S.05). of the daily value recommendation). “José Aloísio de Campos” Av. = J. D. The analysis of micronutrients showed a high probability of inadequate consumption of iron. The energy intake of children and teenagers was considered inadequate (72.1%.. SEIDS/GOVERNO DO ESTADO DE SERGIPE. J. Alim. D. F. COSTA. COSTA. AGROSALUD.9%. P>0. whose legal guardians had informal jobs (79%) (agriculture and handicraft) and received less than a minimum wage per month (82%). 36.. Soc. 2011. 1.

50 . siendo el 7. 49-69.. Consumo de alimentos.3% da população estudada apresentou déficit ponderal e estatural. las niñas presentaron mayor prevalencia de déficit ponderal (p <0.1% en los niños y el 14. Cuando evaluamos los micronutrientes se percibe una alta probabilidad de inadecuación de consumo de hierro. Quando avaliados os micronutrientes houve uma alta probabilidade de inadequação de consumo para ferro. São Paulo. El consumo de energía fue insuficiente para los niños y adolescentes que mostraron respectivamente solo el 72. respectivamente. La evaluación del consumo alimentar se llevó a cabo por medio de la aplicación del recordatorio de 24 horas que fue analizado según las Ingestiones Dietéticas de Referencia.6% e 63. as meninas apresentaram maior prevalência de déficit ponderal (p<0. Palavras-chave: Estado nutricional. sendo 7. SE. zinco. Quando os dados foram analisados quanto ao gênero. 82% recebiam menos de um salário mínimo por mês e 35% das mães tinham menos de três anos de escolaridade. CURADO. COSTA. Palabras clave: Estado nutricional.05).. abr. Nutr. Na avaliação do estado nutricional.05). p. Segundo os índices IMC/I e A/I.. v. Soc. O. Para la evaluación del estado nutricional se adoptaron los índices IMC/I (evaluación ponderal) y talla/edad (evaluación del crecimiento) y para la clasificación.. Alim. n. justificando assim a importância da vigilância do estado nutricional de escolares. A.05). Cuando analizamos en relación al género. utilizando a classificação por escore Z. A avaliação do consumo alimentar foi realizada através da aplicação do recordatório de 24h e analisada segundo as Ingestões Dietéticas de Referência.VIEIRA. Sergipe. MENDES-NETTO. 1. vitamina A y calcio en los dos grupos estudiados. J. Consumo de alimentos. vitamina A e cálcio para os dois grupos analisados..1% em crianças e 14.9% das necessidades diárias. SP. 2011. Los resultados indican que las condiciones socio-económicas y el perfil alimentar son factores determinantes de la situación nutricional de esta población. dietético y antropométrico de estudiantes de una región de asentamientos rurales en la ciudad de Pacatuba. F.05). A avaliação da situação nutricional é um parâmetro essencial para aferição das condições de saúde de uma população. Food Nutr.3% de la población estudiada presentaba déficit ponderal y de estatura. Según el índice IMC/A y T/E. 10. Brasil. dietético e antropométrico de escolares de uma região de assentamento rural no município de Pacatuba-SE. Foram avaliadas 145 crianças e adolescentes em que 79% dos seus responsáveis tinham trabalhos informais (roça e artesanatos). S. Brazilian Soc. O consumo de energia foi insuficiente para crianças e adolescentes.8% en los adolescentes (p> 0. Bras.= J. RESUMEN RESUMO La evaluación del estado nutricional es un parámetro clave para medir la salud de una población. 72. foram adotados os índices IMC/I (avaliação ponderal) e Altura/ idade (avaliação do crescimento). Nutrire: rev. D. apresentando. 36. Fueron evaluados 145 niños y adolescentes y cuyos responsables: 79% tenían trabajos informales (jardinería y artesanía). F. COSTA. R. Os resultados apresentados indicam que as condições socioeconômicas e o perfil alimentar sejam fatores determinantes da situação nutricional desta população. justificando así la importancia de vigilar el estado nutricional de los estudiantes.8% em adolescentes (p>0. zinc. 82% recibía menos de un salario mínimo al mes y 35% de las madres tenía menos de tres años de escolaridad. Asentamientos Rurales. S. D. O presente estudo tem como objetivo caracterizar o perfil socioeconômico.9% de las necesidades diarias suplidas. el escore Z.6% y 63. Assentamentos rurais. Este estudio tuvo como objetivo caracterizar el perfil socio-económico. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. el 10.

biológico. notadamente. As diversas situações que se descrevem na conformação de assentamentos rurais.. moldadas pelos diferentes contextos socioeconômicos e ambientais que se pode observar nas regiões brasileiras. carecem de informações sobre o quadro nutricional das crianças. Sergipe.)” (VALENTE. tecnológico e da ausência de produtos nocivos à saúde (agrotóxicos. 49-69. que visa o desenvolvimento econômico e social do conjunto de assentados (INSTITUTO NACIONAL E REFORMA AGRÁRIA. 2011. desenhando um quadro nutricional mais desfavorável do que o observado na zona urbana. a nutrição infantil evoluiu de forma particularmente favorável no meio rural (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. quando uma nova situação de vida se desenvolve com o ingresso nos assentamentos rurais. Sendo importante relatar que apesar de a região Nordeste ser a mais acometida pela desnutrição no país. etc. Brazilian Soc. D. adolescentes e gestantes no sentido de orientar ações de políticas públicas com estratégias bem definidas no sentido de se assegurar a segurança alimentar e nutricional nestes novos espaços de vida e produção. A. 1989. Food Nutr. Nesta reflexão acerca do urbano e do rural encontra relevância o debate sobre o papel da reforma agrária e os aspectos da alimentação e nutrição da população de assentamentos rurais na compreensão sobre a segurança alimentar das famílias beneficiadas pela política de terras no Brasil. MEDEIROS. INTRODUÇÃO A investigação sobre estado nutricional de crianças e adolescentes é um importante instrumento que reflete as condições de saúde e vida da população. higiênico. F.. J. a definição de assentamento rural 51 . 1989. S. MENDES-NETTO. COSTA. R. 1996). CURADO. Em uma análise de cinco estudos sobre a situação nutricional da população brasileira. S. O Assentamento Rural é definido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária . São Paulo. ganha visibilidade as discussões sobre a abordagem do direito humano à alimentação adequada. Tal discussão aponta para a importância de estudos que permitam uma melhor compreensão sobre as transformações ocorridas na realidade alimentar e nutricional de famílias em diferentes localidades no País.. 2010. Soc. 1996 e 2002-2003.VIEIRA. o que intensificou as desigualdades entre as regiões Sul e Sudeste em relação ao Norte e Nordeste. esta redução se deu de forma diferenciada no território nacional. Nutrire: rev. No entanto. O. n. 1994). v. COSTA. realizados em 1974-1975.. pois. 2001).= J. entre os anos de 1996 e 2008-2009. A luta pela reforma agrária no País remonta os anos 50 do século passado. BURLANDY. autônoma e gerida pelos trabalhadores. p. aditivos. 36. Bras.INCRA como uma unidade empresarial associativa. o que pode ter ocorrido devido a um maior acesso dessa população ao serviço básico de saúde. as condições de vida na zona rural são piores. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. especialmente no que se refere à “qualidade dos alimentos ingeridos do ponto de vista nutricional. hormônios. 1. VEIGA. de base familiar. ESTERCI. Alim. 2008-2009 percebeu-se que houve uma melhora no estado nutricional das crianças e adolescentes residentes na zona rural em relação à zona urbana. D. Apesar da queda na prevalência de desnutrição infantil nos cinco estudos. foi nos anos 80 que os assentamentos rurais ganham expressividade no cenário nacional (MEDEIROS. Neste sentido. abr. porém. F.. SP. tais resultados ainda carecem de fundamentação. No Brasil. Nutr. 2002).

. Estes dados descrevem a necessidade de se traçar medidas emergenciais e permanentes na recuperação do estado nutricional desta população. CURADO. por outro lado. F. p. transformando-o em seu meio de sobrevivência. o estudo realizado pelo governo do Estado de Sergipe em 1998. especialmente nas últimas décadas. J. Variedades biofortificadas apresentam o potencial de fornecer 52 . D... 2008). Nutrire: rev. 131 assentamentos rurais pelo INCRA. A. foram criados. S. município de Pacatuba (RAMOS FILHO. Soc. no qual se materializam relações sociais. D. Alim.7% no município Pacatuba. No entanto. 2005). Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. numa amostra representativa de crianças de 0 a 5 anos.= J. No período de 1986/2005. 49-69. 32. porém um levantamento feito a partir dos dados disponíveis no DATASUS (Tecnologia de Informação a Serviço do SUS) mostrou cerca de 9% de desnutrição em Sergipe e de 20. O assentamento rural representa um espaço que expressa conteúdos históricos. nada mais é do que variedades de plantas obtidas em programas de melhoramento genético vegetal e que foram selecionados por apresentarem maiores concentrações de micronutrientes. 36. somente em Sergipe. proporcionando uma maneira sustentável e de baixo custo para as populações com limitado acesso aos sistemas formais de mercado e de saúde. 2011. MENDES-NETTO.. 1994).329 famílias (LOPES. Sergipe. 1. Outro método que vem recebendo a atenção e o desenvolvimento de pesquisas para sua aplicação é o de biofortificação de alimentos. SP. Nutr.VIEIRA. Em Sergipe. Esse tipo de alimento visa complementar as intervenções em nutrição existentes. mostrou que a anemia acometia cerca de 31. Em relação às carências nutricionais de micronutrientes. a ação dos movimentos sociais de luta pela terra teve início no começo dos anos 80. F. têm sido as estratégias mais utilizadas na maioria dos países em desenvolvimento. sendo assentadas 6. S. v. COSTA. sendo neste local onde ocorrem as atividades dos trabalhadores rurais que conquistaram esse espaço e transformam em um território com identidade própria. Brazilian Soc. “esteve atrelada a uma atuação estatal direcionada ao controle e à delimitação do novo ‘espaço’ criado e.1% (SERGIPE. 2006). A fortificação de alimentos com Vitamina A e Ferro. De acordo com Paulilo (1994). às características do processo de luta e conquista pela terra. São Paulo. as famílias assentadas possuem melhores condições de vida se comparadas aos marginalizados urbanos. como o Brasil. COSTA. Bras. O.. Em Sergipe. não se observa uma uniformidade entre a comunidade assentada do país apresentando grande variabilidade nas condições socioeconômicas entre eles e entre as famílias residentes em um mesmo assentamento (GUANZIROLI. Os assentamentos rurais vêm crescendo no Brasil. MENDES-NETTO. para combater estas carências (BRASIL. são escassos os estudos de avaliação nutricional. bem como a distribuição de suplementos destes micronutrientes para a população alvo. com a conquista do primeiro assentamento de reforma agrária a partir do conflito social envolvendo posseiros e a Seragro Serigy Agroindustrial Ltda no povoado Santana do Frades. sendo considerado o maior do Estado (MORAIS. 2008). abr.4% das crianças e a hipovitaminose A. 2009). n. Food Nutr. JAGUAR. encaminhados pelos trabalhadores rurais” (LEITE. ainda. R. 2001). A introdução de produtos agrícolas biofortificados.

F. bem como da situação nutricional e alimentar da população. COSTA.. benefícios contínuos em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.. Bras. Sergipe.. O projeto piloto em Sergipe. 2) Independência Nossa Senhora do Carmo (90 famílias assentadas). J. visando a prevenção do desenvolvimento de carências nutricionais de crianças e adolescentes. v. Saúde. S. O. a um custo recorrente inferior ao da suplementação e da fortificação pós-colheita. Sergipe. n. trigo. sob a coordenação da EMBRAPA Agroindústria de Alimentos (no âmbito nacional) e EMBRAPA Tabuleiros Costeiros (âmbito regional) e parceria com a Universidade Federal de Sergipe e instituições estaduais (Secretarias de Educação. S. 2002). Os assentamentos rurais são: 1) Santana dos Frades (93 famílias assentadas). particularmente da região de Sergipe. Inclusão Social . COSTA. 1. está dividido em duas fases complementares e simultâneas: a primeira etapa envolve um levantamento do estado nutricional e de consumo e hábitos alimentares da população a ser estudada. F. A falta de dados sobre as condições de vida. Soc. A. levou a realização do presente estudo que teve como objetivo descrever características socioeconômicas das famílias e avaliar o estado nutricional das crianças e adolescentes filhos de agricultores residentes na área de assentamento rural no município de Pacatuba. METODOLOGIA A INSERÇÃO DO PROJETO EM UMA PESQUISA MULTIDISCIPLINAR Este estudo é do tipo transversal e faz parte de um projeto de pesquisa intitulado: “Combatendo a Fome Oculta na América Latina: Cultivos Biofortificados com Melhor Qualidade Proteica e Maiores Teores de Vitamina A e Minerais Essenciais”. Food Nutr. CASUÍSTICA A amostra foi composta por 84 crianças (faixa etária de 3 a 9 anos e 11 meses) e 61 adolescentes (faixa etária de 10 a 18 anos e 11meses). especialmente no que se refere à qualidade e quantidade de alimentos consumidos. 49-69. zinco e vitamina A (WELCH. Nutr. feijão e mandioca já estão sendo melhorados geneticamente para altas concentrações de ferro.. D.VIEIRA. saúde e nutrição dos assentados. milho. Alimentos como arroz. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. abr.= J.. O presente trabalho servirá como base para a introdução dos produtos biofortificados na alimentação dentro de uma estratégia de intervenção nutricional. Alim. CURADO. MENDES-NETTO. D. p. SP. 3) Nossa Senhora Santana (36 famílias assentadas) e Cruiri (35 famílias). e a segunda referente à validação das cultivares e a produção dos alimentos biofortificados em Sergipe. É essencial para o planejamento e execução de estratégias de intervenção eficazes o conhecimento prévio das condições socioeconômicas. 36. Nutrire: rev. R. 53 . Brazilian Soc.EMDAGRO). 2011. matriculados no ano corrente em duas escolas da rede pública de ensino e pertencentes a 95 famílias de quatro assentamentos rurais do município de Pacatuba. no qual o presente estudo está inserido. São Paulo.SEIDES e a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário do Estado de Sergipe .

Estes assentamentos surgiram. 2011. Na análise das frequências destas variáveis. A coleta dos dados ocorreu no período de junho a setembro de 2008. J. p..201 hectares e foi destinada a 93 famílias (SILVA. a 116km de Aracaju. Soc. antes de assinarem o Termo de Consentimento Livre e Informado. o município ocupa a 61ª posição. COSTA.= J. Assim. F. sendo 21.96% da população residente na zona urbana e 78. um território que tem passado por mudanças socioculturais e econômicas que refletem este processo. Em relação ao Estado de Sergipe. escolaridade do responsável. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. os percentuais foram calculados sobre o total de resposta dos pais e não 54 . D. COSTA. Pacatuba dispõe de uma rica flora e fauna. Bras. num total de 75 municípios nesta Unidade Federativa (SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DO ESTADO DE SERGIPE. grau de parentesco (em relação à criança ou adolescente). A. os benefícios e os possíveis efeitos não desejáveis das avaliações. os quais foram convocados a comparecer na escola em dias pré-estabelecidos e de acordo com a sua disponibilidade de horário. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA Na aplicação do questionário socioeconômico foram obtidas informações referentes à renda mensal familiar. de forma que estes não ficassem prejudicados quanto ao conteúdo dado em sala. foi conduzida a aferição das medidas antropométricas nas crianças e adolescentes. n. em diferentes momentos.VIEIRA.04% na zona rural (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brazilian Soc. Pacatuba está localizada no litoral Norte do Estado de Sergipe. Os entrevistadores aplicaram dois questionários. Sergipe. e outro relativo ao consumo alimentar das crianças. S. 1. graças ao apoio da Igreja Católica e do Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais. com 11. no movimento de luta pela terra em Sergipe. nesse sentido.536 habitantes. CURADO. 2009). 2002). São Paulo. O IDH é um dos índices que avaliam o grau de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida oferecida às populações. D. Nutrire: rev. possuindo atratividade turística devido à existência de lagos que fazem com que a região seja considerada o “Pantanal de Pacatuba”.IDH deste município em 2000. SP. O Índice de Desenvolvimento Humano . número de moradores em cada domicílio e a participação em algum tipo de programa de transferência de renda do governo. foi assegurado aos participantes o anonimato nos achados levantados e que a recusa à participação no projeto não implicaria em nenhum prejuízo para a criança e para a família. Nesta pesquisa.. portanto.. historicamente com alta concentração fundiária. Alim. Devido à sua localização. A área desapropriada em 1982 era de 1. O Município de Pacatuba. por meio de entrevistas com as mães ou responsáveis. abr. os pais/responsáveis das crianças dessas comunidades foram convidados a participar de uma reunião na qual receberam informações sobre os objetivos do estudo. v. com características semelhantes àquelas do Pantanal do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Tornou-se. Em paralelo. F. um para avaliação socioeconômica. Food Nutr. destacou-se. Possui uma área de 364km². 36. a partir da experiência dos posseiros de Santana dos Frades no início dos anos 80. segundo dados da Confederação Nacional de Municípios é de 0. S. durante o período de aula. 2001).584. R. Nutr. O. 49-69... MENDES-NETTO.

2005). F. incluindo a primeira até a última refeição. média e grande – utensílios e medidas – foi utilizado como recurso padrão para auxiliar o entrevistado a recordar-se da porção do alimento servido à criança ou adolescente. 49-69.. S. F. É um instrumento validado. com o auxílio de uma tabela para avaliação de consumo alimentar apropriada para esse fim (FISBERG. CURADO. já que na aplicação de outros métodos como o questionário de frequência alimentar é necessário ter um conhecimento anterior dos hábitos alimentares da população afim da elaboração do questionário a ser aplicado (PEREIRA. SICHIERI. pelo fato de a aplicação ser feita em uma população a qual os investigadores não tinham tido contatos prévios. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL A avaliação nutricional das crianças e adolescentes foi realizada com base nos dados antropométricos (na aferição das medidas antropométricas de peso e estatura) e dietéticos (recordatório de 24 horas).= J. 2005). Nutr. Brazilian Soc. v.. Food Nutr. 2011. Soc. mas requer um nutricionista ou entrevistador bem treinado para realização de coleta de dados (FISBERG. Para quantificação da alimentação realizada na escola. O registro fotográfico. Sergipe.. A. buscou-se as informações referentes ao cardápio do dia anterior e. capaz de avaliar a ingestão atual de indivíduos. com as merendeiras o detalhamento da receita/preparação e a quantificação do porcionamento da alimentação escolar para 55 . MENDES-NETTO. GIL. D. Registraram-se primeiro a hora e o lugar referido as refeições. aumentando assim a confiabilidade das informações fornecidas (ZABOTTO. 1. p. sobre o número de crianças ou adolescentes. Bras. de baixo custo e não demora muito tempo na aplicação.. Em seguida. em geral. VIANNA. O. composto de desenhos de alimentos nas três dimensões normais: pequena. São Paulo. 36. Alim. 1996). o recordatório foi determinado em entrevista com o responsável. COSTA. R. em seguida. dietético. já que algumas vezes existiam mais de uma criança ou adolescente pertencente a uma mesma família. A aplicação do método recordatório 24 horas consiste em obter informações escrita ou verbais sobre a ingestão alimentar das últimas 24 horas. perguntou-se o que a criança comeu e bebeu. MARTINI.VIEIRA. Nutrire: rev. MARTINI. S. J. Dessa forma. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba.. Assim. frequentemente utilizado em estudos epidemiológicos. optou-se por esse método. 2007). Para as crianças menores de dez anos. o tipo do alimento e a forma de preparo. intercaladas pelos lanches. O método recordatório 24 horas é um instrumento de avaliação da ingestão de alimentos e nutrientes de indivíduos e grupos populacionais. registrando a quantidade de cada alimento relatado em medidas caseiras. enquanto que para os adolescentes com dez anos ou mais a entrevista foi feita diretamente com eles. visando a coleta de informações sobre o consumo alimentar da criança na sua residência. SP. n. As informações dos alimentos consumidos foram anotadas seguindo a ordem das refeições principais. D. bem aceito pelos entrevistados. COSTA. os alimentos foram transformados em gramas e mililitros. com dados sobre os alimentos atualmente consumidos e informações sobre peso/tamanho das porções. abr.

as crianças e adolescentes. S. o parâmetro de referência utilizado por esse mineral é a Ingestão Adequada (AI). bateria de litium interna. ferro. estimando a ingestão alimentar de indivíduos e grupos populacionais (PADOVANI. SP.VIEIRA. 49-69. (2) entre EAR e RDA (Recommended Dietary Alowances): risco de inadequação. COSTA. utilizou-se as equações preditivas proposta pelas Institute of Medicine (2005). F. A avaliação de ingestão dietética foi realizada com base nas Ingestões Dietéticas de Referência (Dietary Reference Intakes . este é o mais adequado para estimar o consumo alimentar de crianças. proteínas. respectiva para cada faixa etária e sexo. zinco e vitaminas A foram realizados com o auxílio do software Nutwin versão (3. cálcio. 2006). São Paulo. e apresentar valores de ferro. Food Nutr. 36. 1. COSTA. afinal segundo as DRI. 2008b). de PVC rígido com fita métrica metálica retrátil. vitamina C e zinco superiores a outras tabelas brasileiras. Os cálculos para quantificar o consumo de energia. As crianças e adolescentes foram pesados e medidos segundo técnicas preconizadas pelo Ministério da Saúde (BRASIL.TACO (NEPA-UNICAMP. tendo em vista que as atividades diárias das crianças e dos adolescentes do estudo eram caracterizadas por reduzida locomoção e escassas atividades de lazer. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. basicamente. visor em cristal líquido. Alim. Nutrire: rev. uma vez que era o observado por todas as merendeiras e professoras. 2005). a qual não deve ser utilizada para avaliar adequação de consumo (INSTITUTE OF MEDICINE. lipídios. CURADO.. Já o cálcio por não apresentar a EAR não foi possível fazer a avaliação de ingestão desse micronutriente. 2011. apesar de o banco de dados do Nutwin ser proveniente da tabela norte-americana de composição de alimentos (USDA).1. A análise qualitativa dos nutrientes foi classificada em três grupos: (1) abaixo da EAR (Estimated Average Requirement): provável inadequação do consumo. considerando o nível de atividade física pouco ativo. J. 2005). p. com capacidade de 150kg. os alimentos inexistentes no banco de dados foram acrescentados e os com valores superestimados foram corrigidos com base na análise da composição de alimentos da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos . resolução de 0. S. D. Soc.DRI). Segundo Salles-Costa et al. A avaliação dietética do consumo dos micronutrientes foi realizada por meio de comparação da ingestão individual contra valores de referências de nutrientes que compõe a DRI. o valor energético total da dieta (VET) foi comparado em relação às NEE em porcentagem das necessidades. escala de 0 a 220cm. (2007).0) (PROGRAMA DE APOIO A NUTRIÇÃO. D. Sergipe. abr. n. Em seguida. et al. Assim. Brazilian Soc. e as preparações quando não encontradas foram adicionadas ao software e analisadas pelo mesmo. F. Bras. fixo na parede com parafuso. v. do tipo digital futura.... 2004). são utilizados no planejamento e avaliação das dietas. Nutr.. carboidrato. Para aferição da altura foi utilizado um estadiômetro portátil SECA. (3) acima da RDA: provável adequação. graduação de 100g. R.. O. MENDES-NETTO. Ambos os equipamentos foram previamente calibrados.= J. As DRI são valores de referência de ingestão de nutrientes que reúnem conceitos e conhecimentos científicos mais atualizados e. O peso foi medido utilizando uma balança digital da marca Plenna. A. Para o cálculo das necessidades energéticas estimadas (NEE). 56 . Estes valores foram somados ao recordatório de 24h sendo considerado o consumo completo da refeição servida.

95% das atividades desenvolvidas por essas famílias. 2007). 2011. 57 . O nível de rejeição da hipótese de nulidade foi 0. como o trabalho no campo e o artesanato.00 (66. Bras. D.31%). através da confecção de redes de pesca (tarrafas) e bolsas. F. S. 62. RESULTADOS Os resultados obtidos referem-se a dados preliminares de um estudo piloto realizado junto a 145 indivíduos. entre crianças e adolescentes. eutrófico escore-z entre -2 e 1 e excesso de peso escore-z acima de 2. Soc.. As características socioeconômicas das famílias das crianças e adolescentes estão descritas na tabela 1.. Já para a avaliação estatural utilizou-se os valores menores que escore-z -2 para classificar baixa estatura para idade e os maiores que escore-z -2 para classificar estatura adequada para idade. Nutr.04. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. Na análise descritiva dos dados de consumo alimentar. abr. S.2% das famílias são constituídas por mais de cinco pessoas. sendo complementado pelos trabalhos informais.. sendo o primeiro estudo da região. J. COSTA. ANÁLISES ESTATÍSTICAS Os dados socioeconômicos e antropométricos foram processados e analisados em banco de dados criado por meio do software Epi Info versão 6. Vale ressaltar que programas de auxílio do governo como bolsa família é a base da renda de 78. 2008a). Por meio do Teste “t” Student foram verificadas as diferenças entre as médias do consumo de energia e nutrientes entre crianças e adolescentes. no Estado de Sergipe. Food Nutr. A maior parte da renda familiar é advinda de trabalhos informais que representaram 78. MENDES-NETTO. O.9% das famílias. feitas da fibra da taboa (Typha domingenis). O uso dos dois documentos da WHO é recomendado pelo Ministério da Saúde (BRASIL. Sergipe. v. CURADO.63%). Foram calculadas as frequências absoluta e relativa das respostas e aplicado o teste de qui-quadrado para análise das associações entre as variáveis.05 ou 5%.. um recurso natural que coletam de forma sustentável nas lagoas próximas ao assentamento. São Paulo. porém as mães têm uma grande representatividade com 40%. Os índices antropométricos IMC/idade e altura/idade foram adotados para avaliar o estado nutricional das crianças e adolescentes sendo expressos em escore-Z ou unidades de desvio padrão de afastamento da mediana da população de referência da World Health Organization (WORLD HEALTH ORGANIZATION. 1.= J. SP.VIEIRA. pertencentes a 95 famílias de assentados da zona rural do município de Pacatuba. foram calculadas a média e o desvio padrão. COSTA. 2006. Analisando estes dados pode-se observar que existiu uma maior proporção de homens como chefes de família (52. 49-69. p. F. Os pontos de cortes adotados para baixo peso foi o índice IMC/idade menor que escore-z -2. 36. A.. Alim. D. n. Além disso. sendo que parte dessas são viúvas ou separadas. Nutrire: rev. a maioria apresentando também renda inferior a R$250. Brazilian Soc. R.

05) respectivamente. verificou-se que 6.05 11.32 7. S. Nutrire: rev. cerca de 35% das mães tinham escolaridade inferior a 3 anos.7 8. 49-69. 58 . F. n. O.8% das mães declararam não saber a sua escolaridade. SE Variáveis Chefe da família Pai Mãe Avós Sem informação Ocupação do chefe de família Trabalhos formais Trabalhos informais Não sabe Escolaridade materna (anos) 0–3 4–7 8 – 10 11 ou + Não sabe Sem informação Total de rendimentos (R$) < 100.95 9. Soc. Brazilian Soc. Food Nutr. Tabela 1 – Características socioeconômicas de 95 famílias assentadas de povoados da zona rural de Pacatuba.50 Na tabela 2. p.00 100.00 251. S.63 40.5% e 4. COSTA. Já em relação ao índice estatura/ idade.4% apresentaram baixa estatura para meninas e meninos respectivamente. Bras.37 3.79 10.00 – 415.16 16. sendo 7. abr.3 53. porém sem diferença estatística entre os grupos. F..79 15.3% e 13. D.05). D.52 7.74 26.VIEIRA. 16. Quanto à escolaridade materna. SP.00 > 415... CURADO. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba.47 34. porém sem diferença estatística entre os grupos (p>0. Vale destacar também que.. R.84 11. Quando os dados foram comparados em relação ao gênero.32 1.58 78. COSTA.. Nutr.00 Não sabe Número de moradores por domicílio < 4 pessoas 5 a 8 pessoas > 9 pessoas n 50 38 6 1 11 75 9 33 25 7 3 16 11 29 34 15 10 7 36 51 8 % 52.1% em crianças e 14. são apresentados dados do estado nutricional das crianças e adolescentes.00 – 250. J.51 30. os meninos apresentaram um déficit ponderal significativamente superior às meninas.9% (p<0. São Paulo. Sergipe.8% em adolescentes para ambos os índices. v.00 6. MENDES-NETTO. 36. A população estudada apresentou déficit ponderal (segundo IMC/I) e estatural (segundo A/I).37 38. 1. Alim.52 35. A. 17. o que pode refletir em nenhum ou poucos anos de estudo. 2011.= J.

VIEIRA, D. A. S.; COSTA, D.; COSTA, J. O.; CURADO, F. F.; MENDES-NETTO, R. S. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba, Sergipe. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 49-69, abr. 2011.

Tabela 2 – Frequência absoluta e relativa de crianças e adolescentes escolares de acordo com a classificação ponderal (baixo peso, eutrófico e com excesso de peso) e estatural (déficit e adequação). Pacatuba, SE Estado nutricional IMC/Idade Baixo Peso Eutrófico Excesso de peso Altura/Idade Déficit estatural Estatura adequada Crianças (n=84) n 6 75 3 6 78 % 7,14 89,30 3,57 7,14 92,86 Adolescentes (n=61) n 9 51 1 9 52 % 14,75 83,61 1,64 14,75 85,25 Todos (n=145) n 15 126 4 15 130 % 10,34 86,90 2,76 10,34 86,65

As análises descritivas do consumo atual de energia, macro e micronutrientes, estimadas pela aplicação de um recordatório de 24hs, são descritas na tabela 3. Tendo em vista os resultados apresentados, observou-se maior consumo de macro e micronutrientes entre os adolescentes em relação às crianças, porém sem diferença significativa entre os grupos e gênero (p>0,05). Tabela 3 – Média (X) e desvio padrão (DP) do consumo energético, macro e micronutrientes de crianças e adolescentes escolares da zona rural de Pacatuba, SE Nutrientes Energia (kcal) %NEE Proteínas g totais %VET Carboidratos g totais %VET Lipídios g totais %VET Ferro (mg/d) Cálcio (mg/d) Zinco (mg/d) Vit. A (µgER) Crianças (n=84) X (DP) 1116,65 (373,59) 72,56 (22,46) 77,41 (33,90) 28,00 (10,29) 172,49 (65,04) 60,68 (10,36) 30,55 (26,45) 25,44 (26,57) 6,99 (2,78) 194,58 (86,83) 5,10 (3,89) 347,74 (417,60) Adolescentes (n=61) X (DP) 1219,19 (376,95) 63,92 (20,57) 80,64 (33,93) 26,26 (9,21) 191,42 (66,88) 61,77 (12,02) 29,85 (14,67) 21,55 (7,32) 7,59 (2,90) 215,56 (128,67) 5,25 (3,19) 498,98 (582,67) Todos (n=145) X (DP) 1167,43 (372,06) 69,10 (21,65) 79,11 (33,73) 27,36 (9,73) 181,62 (65,80) 61,58 (10,11) 30,30 (21,95) 23,79 (20,40) 7,29 (2,82) 204,98 (107,86) 5,17 (3,59) 413,43 (503,89)

NEE = Necessidade Energética Estimada, VET = Valor Energético Total, g totais = gramas totais.

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A classificação qualitativa da ingestão de micronutrientes em relação às DRIs foi descrita na tabela 4, esses valores representam as frequências absolutas e relativas de crianças e adolescentes que apresentaram consumo de micronutrientes menor que a EAR, entre a EAR e a RDA e acima da RDA. Para o cálcio, considerou-se apenas a classificação segundo a AI. Em relação a este mineral todos os indivíduos estão abaixo da AI e para os demais nutrientes a maioria destes encontra-se abaixo da EAR, com exceção para o ferro, no qual a maioria das crianças (61,9%) está entre a EAR e a RDA, estando porém, numa área de incerteza da avaliação. Tabela 4 - Frequência absoluta e relativa de crianças (n=84) e adolescentes (n=61) escolares de acordo com a interpretação qualitativa de ingestão em relação à EAR. Pacatuba, SE < EAR Nutrientes* n Ferro Criança Adolescente Zinco Criança Adolescente Vitamina A Criança Adolescente 16 25 % 19,05 40,99 n 52 14 % 61,90 22,95 n 16 22 % 19,05 36,06 EAR-RDA > RDA

48 47 55 44

57,14 77,05 65,48 72,13

16 3 16 4

19,05 4,92 19,05 6,56

20 11 13 13

23,81 18,03 15,48 21,31

DISCUSSÃO
Quando analisada a situação econômica das famílias, verificou-se que 82% destas, possuem renda inferior a um salário mínimo, vale destacar que 30,5% recebem menos que cem reais por mês (Tabela 1). Esse dado é preocupante, visto que em estudo realizado em escolas públicas de Salvador, adolescentes que proviam de famílias que recebiam menos do que um salário mínimo tinham maior probabilidade de serem anêmicos (BORGES et al., 2009). Segundo Castro et al. (2004), em um estudo realizado em um assentamento rural do Vale do Rio Doce (MG), foi observado que a escolaridade materna foi inferior a média nacional, que é de 6,8 anos. Da mesma forma, no presente estudo, foi verificada uma baixa escolaridade dos responsáveis das crianças e adolescentes investigados, o que pode estar relacionada ao abandono precoce da escola, já que há uma necessidade de mão de obra no trabalho rural, pois é deste que advém o sustento da família, além da falta de incentivo do governo em tempos passados.

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A baixa escolaridade materna pode representar implicações severas no estado nutricional dos filhos. Em um estudo de revisão realizado por Wachs (2008), no qual relaciona a educação materna com o consumo alimentar de crianças, observou-se que quanto maior a escolaridade materna melhor a qualidade e a quantidade da dieta infantil. Já Guimarães, Latorre e Barros (1999), em investigação sobre a situação nutricional de pré-escolares, em Cosmópolis, São Paulo, verificaram que crianças cujas mães possuíam apenas o primário incompleto apresentaram mais chance (OR= 2,1; IC=95% = [1,1-3,8]) de ter desnutrição, em relação àquelas cujas mães possuíam maiores níveis de escolaridade. Em relação ao estado nutricional, pode-se observar elevada proporção de adolescentes e crianças com déficit estatural (10,3%) e ponderal (10,3%) (Tabela 2). A condição socioeconômica dessas famílias pode responder a situação nutricional das crianças e dos adolescentes. Segundo Monteiro et al. (2000), variações estaturais podem refletir problemas nutricionais associados às diferenças socioeconômicas entre grupos populacionais, sendo comum a presença de déficit estatural em adolescentes brasileiros de classes econômicas menos favorecidas. Eisenstein (1999) considera que, no Brasil, o diagnóstico de desnutrição é diferencial obrigatório para a avaliação de adolescentes com problemas de crescimento e atraso puberal. Dessa forma, analisar o crescimento linear implica considerar, além dos fatores hereditários, a história nutricional (desnutrição pregressa) e alimentar, doenças, atividade física e estresse, principalmente quando essa influência é exercida nos períodos de maior velocidade de crescimento (PRIORI, 1998; WATERLOW, 1976). A comparação do estado nutricional entre os gêneros indicou que os meninos foram mais comprometidos do que as meninas, especialmente em relação ao baixo peso. A inserção destas crianças no trabalho rural é uma prática comum e os meninos normalmente são os que mais exercem estas atividades enquanto que as meninas, envolvem-se mais com os trabalhos manuais e artesanais. Desta forma, pode-se inferir que a maior demanda energética das atividades realizadas pelos meninos esteja contribuindo para o não acompanhamento do canal de crescimento. Muitos são os estudos conduzidos com o objetivo de avaliar o estado nutricional de crianças menores de 5 anos, visto que é o grupo de maior vulnerabilidade às deficiências nutricionais. No entanto, o mesmo não acontece com os escolares, tornando limitado o número de estudos, principalmente, no Nordeste brasileiro. Considerados sobreviventes daquela fase, sofrerão alterações no crescimento, tornando-se adultos com baixa estatura (ANJOS, 1989; LAURENTINO; ARRUDA; ARRUDA, 2003) e, conforme afirmam Corso, Buralli e Souza (2001), a idade escolar é o estágio da vida em que melhor se avalia a desnutrição pregressa, nos últimos 7 a 8 anos. Estudo conduzido em São Luís (MA) com 1.130 crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos mostrou que a prevalência de desnutrição atual resultou em 14,8%, e o déficit estatural de 4,2%, atingindo mais os estudantes da rede pública de ensino (CONCEIÇÃO, 2006). Resultados semelhantes foram observados em outros estudos, como o realizado por Burlandyr e Anjos (2007), no qual 1.177 crianças na faixa etária de 7 a 10 anos

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foram avaliadas no Nordeste e Sudeste do Brasil e observou-se que 13,2% apresentaram desnutrição pregressa, sendo a maior prevalência no Nordeste Rural (21,9%), e a menor no Sudeste Rural (8,4%). Outro estudo feito em um assentamento do Rio de Janeiro com 273 crianças e adolescentes entre 0 e 17,9 anos, mostrou que oito crianças (4,0%) apresentaram inadequação estatural, sendo que sete eram adolescentes, correspondendo a 6,7% do total de adolescentes (VEIGA; BURLANDYR, 2001). Para todas as crianças e adolescentes, o consumo de energia e de nutrientes foi insuficiente em atingir as necessidades energéticas e recomendações diárias, respectivamente (Tabela 3). No Brasil, principalmente na Região Nordeste, o déficit energético sempre se revelou como um importante marcador dos problemas nutricionais da população (ROMANI; AMIGO, 1986). A avaliação do consumo energético em relação às necessidades estimadas pelas equações propostas pelas DRI mostrou que a maioria das crianças (76,2%) e dos adolescentes (80,3%) encontra-se abaixo do recomendado para a sua faixa etária (Tabela 3); o que implica em um déficit energético na maior parte dos indivíduos estudados, sendo mais um fato que confirma o comprometimento do desenvolvimento estatural dos mesmos. Resultado semelhante pode ser encontrado no estudo de Castro et al. (2005), no qual ao avaliar pré-escolares de Viçosa (MG) encontrou que 75,7% apresentaram déficit energético. Sabe-se que, durante a puberdade, ocorrem os processos de crescimento e maturação sexual. Para que estes ocorram de maneira ideal é importante que os fatores ambientais sejam favoráveis, e a nutrição destaca-se nesse processo. Cerca de 50% do peso e 20-25% da estatura de um indivíduo são adquiridos na adolescência, e o papel da nutrição em nível populacional serve como determinante altamente significativo da variabilidade desse processo. A secreção dos hormônios gonadais pode ser inibida por quantidades insuficientes de nutrientes, retardando o início do desenvolvimento da puberdade, o que pode comprometer o ganho estatural (SIGULEM; DEVINCENZI; LESSA, 2000). Quando avaliados os micronutrientes (Tabela 4) houve uma grande probabilidade de inadequação de consumo para ferro, zinco, vitamina A e cálcio entre as crianças e adolescentes (Tabela 4), visto que poucos foram os indivíduos que apresentaram ingestão satisfatória destes nutrientes (> RDA ou AI). A ingestão diminuída de cálcio torna-se preocupante, considerando a sua importância na adolescência. A menor ingestão desse mineral pelos adolescentes pré-púberes merece ainda maior destaque, tendo em vista a maior necessidade de cálcio nessa fase, para garantir o crescimento adequado. Segundo Jackman et al. (1997), a reduzida ingestão desse mineral nesta fase resulta em menor mineralização óssea, quando comparada a indivíduos da mesma faixa etária que tiveram ingestão adequada de cálcio. Observa-se, com base na tabela 4, que cerca de 69% das crianças e adolescentes apresentaram consumo de vitamina A insuficiente (< EAR), sendo a maior prevalência de inadequação entre adolescentes (72,1%). As necessidades vitamínicas estão aumentadas em período de anabolismo intenso. A vitamina A é um nutriente essencial ao funcionamento normal do sistema visual, sistema imunológico, crescimento e desenvolvimento, proliferação

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(2009).93%) (RUVIARO. FRUTUOSO. MONTEIRO. QUINTILIANO. pela ingestão deficiente de alimentos ricos em ferro que são muitas vezes substituídos por carboidrato e gordura. a maioria dos adolescentes (54. 1. J. sobretudo na região Nordeste. Por ser uma vitamina de depósito. em estudo realizado em escolas públicas de Salvador (BA). São Paulo. Alim.1% dos estudantes investigados apresentaram consumo de vitamina A abaixo das recomendações preconizadas. as manifestações clínicas da doença expressam a privação alimentar ostensiva. junto ao grupo em estudo.6% das mulheres estavam com o consumo de ferro inadequado (GARCIA.8% dos homens e 83. D. 2007. em Minas Gerais. a carência no consumo de ferro pode representar também sérias complicações para estes indivíduos em consequência da maior velocidade de crescimento e da menstruação nesta fase (GAMBARDELLA. D. provavelmente. quase sempre.. n. como o fígado e ovo. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL. manga.VIEIRA. 36. CURADO. É preocupante a situação encontrada nas crianças e adolescentes de Pacatuba. FRANCHI. matriculadas em escolas rurais do município de Novo Cruzeiro. Nutrire: rev. além das frutas e hortaliças regionais como abóbora. SP. Os resultados da tabela 4 apontam que 30% das crianças e adolescentes apresentaram consumo alimentar de ferro insuficiente (<EAR). 63 . abr.= J. sendo determinada. Nutr. 1999). Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. Segundo Borges et al. Food Nutr. sendo a maior parte do sexo masculino (52.31%) possuía consumo inadequado de ferro. Soc. p. que desencadeia a anemia.. COSTA. FRUTUOSO. S. 2006). Para crianças e adolescentes. haja vista a hipovitaminose A ser considerada como um problema de saúde pública no Brasil. no qual houve um consumo abaixo da porcentagem de adequação entre ambos os sexos. v. O. 2007) essa carência. é evidente em outros estudos que existe uma associação entre a maior prevalência de baixo consumo de ferro com as classes sociais mais desfavorecidas (GARCIA. pode refletir. Dados semelhantes foram encontrados em estudo realizado no Centro de Juventude da cidade de São Paulo. 2008). o estudo realizado no assentamento rural do município de Promissão no Estado de São Paulo. Alguns estudos conduzidos entre crianças e adolescentes apontam resultados satisfatórios na ingestão deste nutriente (ALBANO. Assim também. verificou-se que 63. COSTA.. mostrou resultado semelhante no qual o consumo de vitamina A encontravase abaixo da adequação (entre a EAR e RDA) para todas as faixas etárias (SILVA. e divisão celular.. Resultados semelhantes foram obtidos em estudo realizado com adolescentes matriculados na rede pública de ensino de Guarapuava (PR). Em estudo desenvolvido por Santos et al. SOUZA. F. com 95 alunos entre 6 e 13 anos. O consumo insuficiente. 2001. no qual 59. FRUTUOSO. GAMBARDELLA. perda da visão. Sergipe. e na reprodução. 2003). 2002 ). no entanto. MOREIRA. ALBUQUERQUE. Bras. A. 2011. 2003). 49-69. caju amarelo e vermelho e goiaba. Brazilian Soc. R. F. (2005). o baixo consumo de alimentos fonte da vitamina. alterações dermatológicas e menor resistência a infecções (BRASIL. NOVELLO. com 241 crianças de 6 a 14 anos. S. Sua deficiência pode desencadear cegueira noturna. 2007). GAMBARDELLA.. com 153 adolescentes. é atualmente um dos mais graves problemas nutricionais mundiais em termos de prevalência. MENDES-NETTO.

das crianças e adolescentes estudados apresentavam consumo inadequado (<EAR) deste micronutriente. Nutr. v. A população estudada tem um consumo alimentar baseado na sazonalidade da produção local ou nos alimentos obtidos a partir da troca de alimentos como o coco. J. Resultados semelhantes foram encontrados no estudo de Urbano (2002). arroz. p. D. Food Nutr. PEREIRA. 2008). tal comportamento reflete uma “dieta ocidental”. A provável hipótese para a elevada prevalência da baixa ingestão de ferro pelas crianças e adolescentes da zona rural deve-se ao baixo poder aquisitivo para a compra de alimentos proteicos de origem animal (carnes. Essa justificativa também pode ser vista nesse estudo.. a fonte proteica principal era o feijão. pão e açúcar. 64 . vísceras). A. Sergipe. assim como para comercialização dos frutos. R. os quais apresentaram uma frequência relativamente constante na alimentação. referentes aos dias da avaliação dietética.14% e 77. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. abr. não sendo relatado consumo de outras fontes. COSTA. 1. F. já que quando analisado qualitativamente a dieta das crianças e adolescentes percebeu-se que somente 27. MENDES-NETTO. observou-se que 57. que avaliou a adequação do zinco durante o estirão do crescimento. antiga fazenda de produção de coco para industrialização. As frutas e o leite tiveram baixo consumo por essa população... presente quase que diariamente no almoço. portanto pobre em proteína de origem animal.= J. os alimentos mais consumidos pelas crianças e adolescentes foram particularmente o feijão. S. SP. observando um maior consumo de sucos industrializados ou em pó. 36. Por meio da análise qualitativa dos recordatórios de 24h. Já as hortaliças e as carnes bovinas tiveram um consumo representativo apenas quando fornecidos pela alimentação escolar. Alim. respectivamente. A avaliação dietética em uma amostra de 47 adolescentes atendidos em ambulatório de adolescência clínica mostrou que a maioria apresentou ingestão inadequada sendo justificado pelo autor pela composição da dieta brasileira. (2004). n. No momento da estruturação do assentamento Santana dos Frades. que é à base de arroz com feijão. em detrimento dos sucos naturais. sendo a oferta da carne vermelha observada principalmente na alimentação escolar. Os principais alimentos utilizados na troca pelo coco foram o pão. O consumo insuficiente de hortaliças fontes de ferro e de feijão também pode contribuir para esta condição nutricional. ARRIVILLAGA. São Paulo. Como fonte de origem animal apenas o peixe adquirido da própria pesca no Rio Poxim. Um aspecto importante identificado na subsistência desta população foi a existência de um sistema de troca direta de coco por certos gêneros alimentícios. Estes possuem concentrações maiores de ferro e custo mais elevado que os demais produtos alimentícios básicos. D. O.05%. Nutrire: rev. o que caracteriza uma baixa variabilidade nos alimentos consumidos. Segundo Fisberg et al.. Tal alimento tem uma ampla distribuição pelos povoados. Na população do presente estudo. Bras. COSTA. a mortadela e o geladinho (picolé). CURADO. 49-69. mineral que está envolvido em etapas metabólicas relevantes para o bom funcionamento do sistema imune e para o crescimento (DOMENE.. 2011. na qual há um baixo consumo de frutas e hortaliças e um alto consumo de açúcares e produtos industrializados. que atravessa o Assentamento Santana dos Frades. Soc. caracterizando uma monotonia alimentar. o INCRA destinou a cada família de agricultores assentados o número de 80 plantas para gerenciamento da produção.12% consumiam carnes. No que diz respeito ao zinco. F.VIEIRA. Brazilian Soc. S. uma das principais fontes deste micronutriente.

pediatr. 6. Bras. v.1% do valor energético total (VET) diário e 16.. a batata-doce e a abóbora com maior conteúdo de carotenoides e.VIEIRA. F. A introdução dos produtos biofortificados na alimentação escolar. 15.. 36. contribuindo para que estes percentuais não sejam ainda mais baixos do que os encontrados. Sergipe. O melhoramento destes produtos tem como meta aumentar em pelo menos 50% do conteúdo original que. p. constata-se a importância da realização de ações destinadas a esse grupo para que este tenha oportunidade de expressar todo seu potencial de crescimento. p. o feijão. 77. Verificou-se que a alimentação escolar contribuiu com 17. Brazilian Soc. 1. n. nas quais muitas vezes se torna a única ou a principal refeição realizada pelo estudante. São Paulo. J. ferro e zinco.5%. proporcionando uma maneira sustentável e de baixo custo para alcançar as populações carentes e incentivar a agricultura familiar e a oferta de produtos biofortificados para alimentação escolar. A. Assim. ainda. nutr. SOUZA. 2011. p.= J. D. irá estimular também a agricultura familiar. Ingestão de energia e nutrientes por adolescentes de uma escola pública. arroz. a alimentação escolar desempenha um papel essencial principalmente em comunidades carentes. CURADO. 49-69. 36. Alim. Soc. v.. sendo um meio viável de geração de renda.299.. Além disso. J. M. 16% da ingestão de carboidrato. 22. Rev. 3. M. Em relação aos micronutrientes. a alimentação escolar é representativa na quantidade de energia e micronutrientes consumidas por estas crianças e adolescentes.6% de vitamina A. B. Destaca-se a inadequação na ingestão dos micronutrientes como ferro. 291. 2001 ALBUQUERQUE. com maiores conteúdos de ferro e zinco. O.. S. 512-516. Características socioeconômicas e estado nutricional de crianças e adolescentes de assentamentos rurais de Pacatuba. MENDES-NETTO. MONTEIRO.4% de cálcio também eram fornecidos pela mesma. S. Diante disto. n.3% de zinco. 65 . S. lipídios e proteína respectivamente.. e 11. n.9%. R. COSTA. F. M. representaria mais uma estratégia a se somar nas intervenções em andamento. Food Nutr. Ingestão de alimentos e adequação de nutrientes no final da infância. abr. 54. SP. além de auxiliar na melhora do estado nutricional das crianças pela oferta de alimentos como maior teor de vitamina A... O programa de biofortificação de alimentos no Brasil vem sendo desenvolvido com o objetivo de melhorar geneticamente alimentos tipicamente regionais como a macaxeira. Nutr. v. Nutrire: rev. R. D. dentro de uma perspectiva alimentar. 2002. D. zinco e vitamina A.3% de ferro. F. A. REFERÊNCIAS/REFERENCES ALBANO. COSTA. 22. CONCLUSÕES Verificou-se que as famílias dos assentamentos rurais estudados estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica e que as crianças e adolescentes destas famílias apresentam déficit antropométrico e dietético.. O presente estudo também avaliou a participação da alimentação escolar na alimentação das crianças e adolescentes e confirmou sua importância na oferta de nutrientes diários.

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70 .

SP. No restaurant was rated as good or excellent.br Observação: trata-se de trabalho de Iniciação Científica. good (81-90). 22 commercial restaurants were analyzed in the region of Cerqueira Cesar. São Paulo. Quality of food preparation in restaurants in the district of Cerqueira César. da Faculdade de Saúde Pública. São Paulo Quality of food preparation in restaurants in the district of Cerqueira César. and suggest the need for interventions to improve the sanitary-hygiene quality in the production of meals. v. Arnaldo. The restaurants were ranked according to the scores obtained: excellent (91-100).Artigo original/Original Article Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. = J. São Paulo. p. em 2007. The item which had the worst scores was “Good Manufacturing Practices”. 1. C. The results demonstrate the poor quality of services offered by the restaurants evaluated. Alim. Nutr. DIRCE MARIA LOBO MARCHIONI1 1Faculdade de Saúde Pública – Universidade de São Paulo Endereço para correspondência: Dirce Maria Lobo Marchioni Departamento de Nutrição . MARCHIONI. number of employees and number of meals served. poor (up to 60). L. To investigate the relationship between variables.73.2%. Brazilian Soc. The intense urbanization and industrialization started in the second half of the twentieth century has stimulated growth and development of the market segment that provides meals outside home. 71 . Sanitary Profiles.FSP/USP Avenida Dr. 715 Cerqueira César São Paulo/SP E-mail: marchioni@usp. Bras. da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo. da Universidade de São Paulo. abr. The average score achieved was 41. Recebeu o “3º Prêmio de Incentivo à Pesquisa” categoria Iniciação Científica. 91% were classified as poor and 9% as regular. 71-83. Soc. M. which corresponds to the poor rating. Keywords: Quality Control. realizado com Bolsa do Programa “Ensinar com Pesquisa”. To evaluate the management of quality for the production of commercial meals in restaurants. Restaurants. The validity of internal constructs (items). The restaurants were categorized according to the distribution of prices into tertiles. A check list based on the existing health legislation was used for scoring the following items: the sanitary-hygiene conditions. For the verification of differences regarding the final score in these categories. was 0. 36. São Paulo ABSTRACT LÍVIA DA CRUZ ESPERANÇA1. D. good manufacturing practices and management. Nutrire: rev. 71%. ESPERANÇA. the test of the KruskalWallis was used. verified by Cronbach’s alpha statistic. regular (61-80). 2011. pest control. tests of correlation were made (Pearson and Spearman). Food Nutr.. 9. processes and products. n.. L. while the “Pest Control” was best scored. Sao Paulo.

Restaurantes.= J. 22 restaurantes fueron analizados en la región de Cerqueira César. Utilizou-se roteiro baseado na legislação sanitária vigente. de acordo com a legislação sanitária vigente no país. Soc. número de empleados y número de comidas servidas. control de plagas. buenas prácticas de fabricación y gestión. e sugerem a necessidade de intervenções para que se melhore a qualidade higiênico-sanitária da produção das refeições vendidas. bueno (81-90). A intensa urbanização e industrialização ocorridas a partir da segunda metade do século XX estimularam o cr escimento e desenvolvimento do segmento do mercado que oferece refeições fora do lar. boas práticas de fabricação e gestão. El atributo con peor puntuación fue el de “Buenas Prácticas de Manufactura”. RESUMEN RESUMO La intensa urbanización y el cr eciente desenvolvimiento industrial que acontecieron en la segunda mitad del siglo XX provocó aumento del número de personas que hacen sus comidas fuera del hogar con el consiguiente crecimiento el mercado de oferta. número de funcionários e número de refeições servidas. procesos y productos. que corresponde a clasificación deficiente. O item que apresentou pior pontuação foi “Boas Práticas de Fabricação”. regular (61-80). deficiente (até 60). mientras que “Control de Plagas” fue el que mostró mejor resultado. La fidelidad de los atributos.. pontuando-se os seguintes itens: condições higiênico-sanitárias. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. con destaque para los siguientes temas: instalaciones sanitarias. foi de 0. abr. 36. Sao Paulo. Nenhum restaurante foi classificado como bom ou excelente. Palavras-chave: Controle de qualidade. utilizou-se a prova de Kruskal-Wallis. Para a verificação das diferenças quanto à pontuação final nestas categorias. se realizaron pruebas de correlación (Pearson y Spearman). malo (hasta 60). situados na região de Cerqueira César. Com o objetivo de avaliar as condições do processo de produção de refeições em restaurantes comerciais. la calidad de los alimentos vendidos. foram feitos testes de correlação (Pearson ou Spearman). verificada pelo α de Cronbach.2%. enquanto o “Controle de Pragas” foi o que obteve melhor pontuação. 71-83. processos e produtos. p. Nutrire: rev. Food Nutr. 9. verificada por medio del alfa de Cronbach. Ningún restaurante fue clasificado como bueno o excelente. 91% foram classificados como deficiente e 9% como regular. D. 71%. 72 . Nutr. C. controle de pragas. Os resultados encontrados demonstram a qualidade deficiente dos serviços oferecidos pelos restaurantes avaliados. Los restaurantes fueron clasificados conforme los terciles de distribución de precios. La puntuación media obtenida fue 41. Brasil.ESPERANÇA. Para investigar la relación entre las variables. 2011. Os restaurantes foram classificados segundo a pontuação obtida: excelente (91-100). M. que corresponde à classificação deficiente. São Paulo. Restaurantes. 71%.73. Para evaluar la gestión de calidad en la producción comercial de comidas. A consistência interna dos constructos (itens). condiciones de higiene. Brazilian Soc. A pontuação média obtida foi 41. regular (61-80). Alim. Bras. v. MARCHIONI. Os restaurantes foram categorizados segundo tercis da distribuição dos preços praticados. bom (81-90). Palabras clave: Control de calidad.73. Los resultados permiten evidenciar la baja calidad de los servicios ofrecidos por los restaurantes evaluados. n.. 9. fue 0. 1. São Paulo. SP. Para verificar a relação entre as variáveis. Perfile sanitario. foram analisados 22 restaurantes. L. Fue utilizada la guía basada en la legislación sanitaria vigente. L. Los restaurantes fueron clasificados en función de los resultados obtenidos: excelente (91-100). Perfis sanitários. 91% eran malos y 9% regulares. Para verificar las diferencias en la puntuación final fue utilizada la prueba de Kruskal-Wallis.2%. sugiriendo la necesidad de intervenciones para mejorar la gestión y de esta forma.

C. D. L. no uso de suas atribuições. este mercado serviu cerca de 8. 2005. No entanto.ESPERANÇA. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. p. este tipo de serviço está relacionado à ocorrência de enfermidades relacionadas à alimentação (MORAES et al. falta de adequação e conservação da estrutura física dos estabelecimentos. 2005. que contribuem para a ocorrência de contaminação cruzada (NOLLA. distribuição e consumo. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (2007) – há cerca de 800 mil restaurantes por peso no Brasil. no Brasil. Os principais fatores relacionados à ocorrência de surtos e doenças de origem alimentar estão relacionados às falhas múltiplas e peculiares no controle de qualidade na produção da refeição.. para a garantia da higiene e segurança de todo o processo de produção de alimentos. SP. alimentos contaminados. utilização de sobras. São Paulo. GENY. e a opção à la carte. manipuladores infectados ou contaminados. sendo pelo menos 2. a inserção da mulher no mercado de trabalho e a distância entre o domicílio e o local de trabalho. SILVA FILHO. órgãos governamentais como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Nutrire: rev. Bras. INTRODUÇÃO A alimentação do indivíduo e da população sofreu intensas modificações a partir da segunda metade do século XX. 36.. podem-se incluir as más condições de higiene na manipulação dos alimentos. refrigeração inadequada. São Paulo. exacerbou-se a necessidade de refeições práticas. Soc. o acelerado desenvolvimento tecnológico. com um faturamento de 9. Nesse contexto.5 mil restaurantes somente na capital paulistana. grande intervalo entre o preparo e o consumo. n. o uso incorreto do binômio tempo-temperatura. Pode-se incluir nas falhas de processos e produtos.. 1. M. manipuladores. [2010]).8 bilhões de reais (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS. entre outros. Segundo Benevides e Lovatti (2004). v. 2005. além de más condições de armazenamento e de conservação dos alimentos. Brazilian Soc. Em 2009. que podem ser bufê ou por peso. No segmento de refeições fora do lar. OLIVEIRA. são de responsabilidade de restaurantes. 73 . uso de produtos clandestinos. Nutr. 2005). que possuem ambiente. situados na região de Cerqueira César. desde o recebimento. L. destacam-se os restaurantes de autosserviço.. Para minimizar tais problemas. ainda é escassa a literatura sobre a adequação dos restaurantes comerciais à legislação sanitária.= J. este trabalho tem como objetivo avaliar as condições do processo de produção de refeições em restaurantes comerciais. de baixo custo e de fácil aquisição. Já nas falhas de higiene. criando uma demanda por locais que ofereçam este tipo de serviço (AKUTSU et al. 1996). conferem normas e procedimentos técnicos que devem ser seguidos rigorosamente. processamento. Alim.5 milhões de refeições por dia. a globalização da economia. Food Nutr. LIMA. em virtude de fatores como a intensa urbanização. Assim. equipamentos e utensílios inadequados. 2011.. mais de 50% dos surtos de toxinfecções alimentares de origem bacteriana. Entretanto. armazenamento. abr. DE DEUS et al. de acordo com a legislação sanitária vigente no país. 71-83. MARCHIONI. 2005).

ESPERANÇA. “não conforme” – quando não atendeu ao item observado. SP. Soc. Nas visitas. foram consideradas as respostas “conformes” e “não conformes”. O roteiro avaliou os seguintes itens: Higiene (dos manipuladores. previamente agendadas. A coleta dos dados foi feita em 2007 por acadêmicos do curso de Nutrição de uma universidade pública. a avaliação das condições foi observacional e as informações necessárias ao preenchimento do roteiro foram prestadas pelo gerente ou responsável técnico. a fim de padronizar e garantir a qualidade dos dados.= J. 2011. Boas Práticas de Produção (boas práticas) e Gestão (gestão operacional e recursos humanos). METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo transversal. 74 . higienização e distribuição e botijões de gás). localizados em Cerqueira César. “não verificável” – quando não foi possível verificar se o item estava em conformidade. de acordo com seu número de questões. “não aplicável” – quando o item observado não se aplicava à realidade do restaurante. Nutrire: rev. enquanto as respostas “não aplicadas” e “não verificadas” fora desconsideradas. Brazilian Soc.. adaptado do proposto pela Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS. das sobras e coleta de amostras). no Município de São Paulo. O critério de seleção dos restaurantes foi não possuir como responsável técnico o nutricionista. 2003). Foram analisados 22 restaurantes (18 de autosserviço por peso e 4 à la carte). 71-83. D. tendo por base a legislação da área. M. da água utilizada. 36. Controle de Pragas (controle). armazenamento de matériaprima e de pós-manipulados.. n. v. a atividade econômica é caracterizada pela prestação de serviços e é grande a utilização diária dos restaurantes. São Paulo. Bras. Nutr. abr. Alim. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. L. Processos e Produtos (recebimento de matéria-prima. C. 1. Bloco Higiene Processos e produtos Controle de pragas Gestão Boas Práticas de Fabricação B1 B2 B3 B4 B5 Constante (nº de questões) 58 23 5 11 7 Peso 25 30 10 10 25 Quadro 1 – Peso de cada bloco e constante. L. Para a pontuação final de cada item. dos utensílios e equipamentos. 2004). conforme quadro 1. Para o cálculo da pontuação de cada item. das instalações. Food Nutr. e a Resolução RDC nº 216/2004 (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1993). especialmente a Portaria nº 1428/1993 (BRASIL. biomédico ou veterinário. MARCHIONI. p. São Paulo. Foi aplicado um roteiro padronizado. Neste bairro. devidamente treinados. cada subitem teve quatro opções de resposta: “conforme” – quando o restaurante apresentou conformidade ao item observado. atribuíram-se um peso e uma constante.

Em contrapartida. os restaurantes foram classificados em: excelente (91-100). foi feita a soma da pontuação dos cinco itens. L. foi feito teste de correlação de Pearson. Soc.= J. deficiente (até 60). 1.3). São Paulo. nenhum restaurante foi classificado como excelente ou bom. segundo categorização em tercis. o que corresponde a 91% da amostra analisada. no item “boas práticas”. construída a partir de n variáveis observadas. pode ser verificada na tabela 1. Nutrire: rev. p. MARCHIONI. O percentual de adequação variou de 9. Os dados foram tabulados no programa Epi data e as análises estatísticas foram feitas no programa Stata. Aproximadamente. Os restaurantes foram ainda categorizados segundo tercis da distribuição dos preços praticados. SP. Alim. P – Peso de cada bloco. São Paulo.. Bras. L..00. A maioria dos restaurantes analisados (82%) servia a refeição na modalidade por peso. na ocasião da pesquisa situou-se entre R$14. utilizou-se a prova de Kruskal-Wallis. A pontuação máxima em cada bloco foi. 2011. 20 restaurantes foram classificados como deficientes. TS – soma das respostas “sim” obtidas. para Boas Práticas de Produção. 10. O preço por quilo da refeição. Para a verificação das diferenças quanto à pontuação final nestas categorias. e teste de Spearman. O nível de significância considerado foi de 5%. número de funcionários e número de refeições servidas. v. D. Brazilian Soc. 36.00 a R$20. Dos 22 restaurantes analisados. única variável que não apresentou distribuição normal. medida que permite quantificar o nível de confiabilidade de uma escala criada a partir de uma dimensão não observável. e 2 foram classificados como regulares (9%). 25. correspondente à classificação deficiente. n. A mediana da pontuação no item “boas práticas” foi zero. A seguir. C. 25 e 10. Nutr. 30.9. os dados foram descritos em medidas de tendência central e dispersão. TQ – Total de questões. TNA – Total de respostas “não aplicável”. Valores superiores a 0. RESULTADOS A descrição dos restaurantes. 77% possuíam de 11 a 32 funcionários. regular (61-80).70 denotam boa confiabilidade do instrumento. Food Nutr. A Pontuação de cada bloco foi calculada de acordo com a equação: PB = TS X P TQ – (TNA + TNV) Onde: PB – Pontuação do Bloco. respectivamente. A pontuação média de cada um dos itens e do total pode ser observada na tabela 2. abr.2. a 70. Para o cálculo da pontuação total. para as variáveis com distribuição normal. Para verificar a relação entre as variáveis. com pontuação máxima de 100. A consistência interna dos constructos (itens) foi verificada pelo α de Cronbach. como é o caso do roteiro elaborado para este estudo. TNV – Total de respostas “não verificável”. M. bom (81-90). 71-83. no item “controle de pragas”. 75% dos estabelecimentos serviam até 300 refeições. 75 . A pontuação total média encontrada foi de 41 (dp=14.ESPERANÇA. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César.

53.3 Mediana 13.5 . porém não significativa estatisticamente.99 R$18. Brazilian Soc. Tabela 1 – Categorização das variáveis.1 14.0 5.2 46.7 41.. M.3 4.= J.7 . L.7 11. SP. 2008 Variável Número de refeições até 200 de 201 a 300 de 301 a 600 Número de funcionários <10 11 a 13 14 a 32 Preço por quilo da refeição* R$14.15.0 0.0 0. Food Nutr.9 9.3 dp 3.4 46.. 76 .00 Tipo de serviço à la carte Por peso Total *18 restaurantes neste sistema de serviço.9 70.6 5.0 .0 2. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. D.1 .0 38.9 8. 36. abr.8.0 .1 2.5 52.6 14. C. p. Nutr. encontrou-se uma correlação positiva. L.5 2. v. São Paulo 2008 Item Higiene Processos e Produtos Controle de Pragas Boas Práticas Gestão Total Média 13.00 acima de R$20.8 5. 1. São Paulo.0 32.ESPERANÇA.7 6. São Paulo.1 7.2 % de Intervalo Interquartil Adequação 11. Alim. Soc.00 a R$20.0 13.0 . n. conforme apresentado na tabela 3. 2011. Bras.00 a R$17. Frequência 9 7 6 5 11 6 7 7 4 4 18 22 (%) 41 32 27 23 50 27 39 39 22 18 82 100 Tabela 2 – Pontuação média dos itens que compõe o Índice e do Total dos restaurantes avaliados.3 2.6.3 Ao analisar a correlação do item Gestão com a pontuação total e os demais itens.14. 71-83. MARCHIONI. São Paulo. Nutrire: rev.0. segundo seus tercis.9 41.

no bloco sobre as condições de manipulação e manipuladores de alimentos.43 0. analisando buffets na região do ABC paulista relatou que 85% foram classificados como parcialmente satisfatórios ou 77 . Torres e Ueno (2010). em sua maioria como “deficiente” e “regular”. Brazilian Soc. verificaram que. relatando que tanto as condições ambientais e edificações quanto as condições higiênico-sanitárias de utensílios e equipamentos eram insatisfatórias. Soc. em estudo observacional realizado em restaurantes self-service. Food Nutr.30 0.. 41 pontos. 2011.12 0. 71-83. que correspondeu à classificação regular. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. DISCUSSÃO Neste trabalho. (2004) ao caracterizar as condições higiênico-sanitárias dos restaurantes tipo fast food de dois shopping centers em diferentes regiões do município de São Paulo. 36. correspondendo a uma área com intensa atividade comercial.= J.73. Bras. pois os restaurantes localizados na periferia apresentaram-se classificados. verificou-se que 90% dos estabelecimentos foram classificados como deficientes. No entanto. ambas as investigações retratam situação inadequada às exigências da legislação. 1. São Paulo.ESPERANÇA. 2008 Variável Higiene Processos e Produtos Controle de Pragas Boas Práticas 1 r1 0. Situação semelhante foi observada por Carrijo et al. que objetivou avaliar as condições higiênico-sanitárias em restaurantes comerciais em região central do Município de São Paulo. Franco e Ueno (2010). Nutr. L. L. demonstra a deficiente qualidade higiênicosanitária dos restaurantes avaliados. superior ao presente estudo. v.61 0. abr.. Também em Taubaté. A média encontrada. número de funcionários e número de refeições servidas quando estas foram divididas em tercis. SP. Estudo feito por Cardoso et al. São Paulo. D. avaliaram 119 pontos de venda de comida de rua em Taubaté. Da mesma forma. São Paulo. Nutrire: rev. p. MARCHIONI. Ferraz (2010). (2005) sobre as condições higiênico-sanitárias de panificadoras.18 0.21 Coeficiente de correlação de Pearson.18 0. foram considerados satisfatórios apenas 33% dos estabelecimentos. A pontuação total não diferiu nas categorias de preço.45 p 0. Alim. C. relataram pontuação média igual a 68. n. Tabela 3 – Correlação entre o item Gestão e os demais componentes do roteiro padronizado. foi obtido um α de Cronbach de 0. Resultados semelhantes aos do presente estudo foram encontrados por Yamamoto et al. Na análise de confiabilidade da escala. com exceção da variável Boas Práticas que se utilizou Coeficiente de Correlação de Spearman. (2010) em um restaurante universitário do Rio de Janeiro. M.

Brazilian Soc. em estudo citado anteriormente. Nutrire: rev. pois o item controle de pragas apresentou 90% de eficiência na adequação. que a presença do nutricionista foi essencial para adequação dos itens imprescindíveis da verificação proposta. 2010). p. (2005) também encontraram qualidade insatisfatória ao avaliar preparações alimentícias à base de carne em restaurantes de autosserviço em Natal (RN). L.. verificaram que os surtos ocorreram em locais nos quais a média percentual de itens não conformes às boas Práticas de Higiene variou de 30. Os blocos que apresentaram percentuais médios de adequação foram “Processos e Produtos”. Food Nutr. Ferraz. De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (BRASIL. São Paulo. São Paulo. o controle adequado desse item tem como finalidade garantir a ausência de insetos.2%). SP. C. Esses dados refletem a importância de melhorar a qualidade dos restaurantes. com 123.= J. Os resultados para os itens “Processos e Produtos” e “Higiene” guardam relação com os obtidos por Bricio. 47% dos estabelecimentos classificados como deficientes..9. O treinamento de pessoas sobre procedimentos de higiene e conservação dos alimentos. São Paulo. PINTO. 2011. “Gestão”. e. obtiveram que 33% dos restaurantes de autosserviço analisados desconheciam as Boas Práticas de Fabricação e Produção.ESPERANÇA. 47% e “Higiene”. ao avaliarem a adequação às boas práticas de fabricação em serviços de alimentação. M. D. insatisfatórios. Os maus hábitos de higiene dos manipuladores foram a maior causa de contaminação das carnes e é o segundo maior motivo de DTA notificadas no Rio Grande do Sul. além de 20% contaminados por salmonela. que compreendia basicamente a presença e implantação de Boas Práticas. (2005) concluíram. que avaliou as condições higiênicosanitárias de restaurantes do tipo self-service de Belo Horizonte. Barreto e Sturion. De Deus et al. O item que apresentou a pior pontuação foi o de Boas Práticas (9. pois os mesmos podem apresentar um risco potencial à saúde pública.. tendo em vista as características semiartesanais da produção de refeições em restaurantes. v.917 doentes e 70 óbitos. ao analisar salpicão de frango e salada de maionese com ovos. 52%.349 surtos de DTAs. 2007). 2010. MG estão de acordo com os encontrados nessa pesquisa. O Manual de Boas Práticas de Produção contém processos que servem para garantir a qualidade e a identidade dos alimentos e dos serviços. 1. além da saúde do consumidor (ABREU. abr. Bras. Este quadro pode ajudar a justificar o número de surtos que ocorrem no Brasil. L. entretanto. 36. n. roedores ou qualquer tipo de animais.4 a 76. Nutr. uma vez que mostra os problemas identificados nos diversos segmentos de estabelecimentos produtores de alimentos. verificou no item fluxo de produção. 47%. Soc.3% das amostras fora do padrão para Estafilococos e 80% fora do padrão para coliformes. 73. 2009). Cavalli e Salay (2004) ao avaliarem a segurança do alimento e recursos humanos em restaurantes comerciais. Alim. O item que obteve maior adequação foi “Controle de Pragas” com 71%. 2007. ao traçar o perfil epidemiológico dos surtos de toxinfecções em Limeira. Akutsu et al. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. é fundamental para prevenção da ocorrência de surtos de toxinfecções 78 . MARCHIONI. 2010. SILVA JR. Os dados de Rossi (2006). a fim de garantir a qualidade das refeições servidas. 85% dos restaurantes avaliados não o possuíam. SPINELLI. de 1999 até 2009 foram notificados 6. o que reafirma a necessidade da capacitação dos manipuladores (BARROS et al. Leite e Viana (2005) que encontraram. 71-83.

reunidas sob o nome de competências. o momento atual exige dos trabalhadores de alimentação coletiva. L. Soc. Kraemer. p. culturas e práticas alimentares e sociais. após o treinamento. que é necessário qualificar a gestão de pessoas no segmento de restaurantes comerciais. em trabalho desenvolvido em Campinas. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. BRUNA. Bras. L. operar novos equipamentos. SP.= J. Pansa et al. AGUIAR. A preocupação com as questões ambientais. também concluem. Portanto. No primeiro. O bloco sobre gestão diz respeito à gestão operacional e de recursos humanos. C. SP e Porto Alegre. RS. Dessa forma. 2010). incluindo a gestão de pessoas e gestão dos processos produtivos de forma a garantir a sanidade da refeição e preservação da saúde e satisfação dos clientes. Brandão e Silva (2010) observaram melhoras progressivas nas avaliações semestrais. No entanto. Nutr. alimentares. 71-83. v. No entanto. O segundo engloba itens como política de gestão de pessoas e existência de Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (NR-9). São Paulo.ESPERANÇA. a política de compras e de acompanhamento de custos e existência de metodologia para aferir a satisfação do cliente. abr. o gerenciamento de pessoas deve se basear na formação profissional segundo o conceito de desenvolvimento sistemático de habilidades. Brazilian Soc. devem 79 . A implantação de um sistema de controle higiênicosanitário também pode ser um diferencial para a prevenção das doenças transmitidas por alimentos. 2003. A gestão de um restaurante comercial. focam na verificação e classificação higiênicosanitária de restaurantes (AVEGLIANO et al. MARCHIONI. poucos estudos têm considerado outras dimensões da gestão. o que ressalta a importância das empresas buscarem conhecer as competências que devam ser desenvolvidas. e não somente no treinamento para operação (KRAEMER. após treinamento em restaurante comercial. MONTEIRO. não apresentando bloco específico para avaliar as dimensões de gestão de pessoas e sustentabilidade. é exigido um novo tipo de trabalhador. São Paulo. desenvolver seu potencial cognitivo para preencher as condições necessárias ao desempenho de suas funções e suas interações sociais entre sujeitos de diferentes mundos. capaz de compreender e participar de um ambiente no qual as decisões são mais complexas e as interações sociais mais numerosas. 2011. 1. Nutrire: rev. aproveitamento energético e destino apropriado para o lixo. n. 2004).... podendo ser determinante para sua sobrevivência em longo prazo. Alim. refere-se aos esforços e movimento em prol de ações voltadas para o meio ambiente e para a qualidade de vida (LIMA. habilitar-se em novas tecnologias. por sua vez. 2009). Cavalli e Salay (2007). M. A sustentabilidade. Food Nutr. ao analisarem os resultados de três anos de programa com estas características. como adequação da cozinha ao uso racional da água. Southier e Novello (2008) verificaram expressiva melhora na higiene e manipulação de higiene em um serviço de alimentação. não somente preparar refeições. como pontuam Kraemer e Aguiar (2009). é um aspecto fundamental para o sucesso do negócio. 36. implantado em cantinas de uma universidade pública. (2006) verificaram um aumento de 13% dos itens em conformidade com a legislação. D. além da conformidade dos processos higiênico-sanitários com a legislação. é investigado a existência de fichas técnicas ou receituário padrão. mas monitorar a segurança alimentar. Trabalhos recentes apresentando propostas de check-list. de modo a favorecer as condições de segurança alimentar para a população consumidora.

n. se traduzir em ações programáticas e contínuas. garantiria a melhoria na qualidade dos serviços encontrados. 2008.= J. de acordo com os princípios do Sistema Único de Saúde. fundamentais para garantia da qualidade sanitária dos produtos. RS. 2011. especialmente. que relataram que restaurantes analisados em Taubaté se assemelham em relação à higiene dos manipuladores. o que pode apontar que maiores investimentos nos processos de gestão resultem em melhoria do desempenho dos demais aspectos. Bras. L. 80 . falta de conhecimento dos responsáveis em relação a RDC 216/04. Uma vez que o coeficiente obtido foi igual a 0. os aspectos de gestão correlacionaram-se positivamente com os demais itens analisados. Baltazar et al. 36. L. as condições higiênico-sanitárias encontradas. independente da classe social que atendem. o que sugere a necessidade de intervenções para que se melhore a gestão da qualidade na produção das refeições vendidas. apesar dos inegáveis avanços que foram alcançados no país desde a década de 80.5% dos estabelecimentos não haviam sido fiscalizados em relação a esta resolução. C. A confiabilidade dos dados é resultado da qualidade dos instrumentos de coleta de dados. com a definição do papel da ANVISA em intervir nos riscos decorrentes da produção e do uso de produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária. verificaram em Santa Maria. Soc. pode-se concluir que o roteiro utilizado no presente estudo possui boa consistência interna e boa confiabilidade. 71-83. Brazilian Soc.ESPERANÇA. Nutrire: rev. São Paulo. em ação coordenada com os Estados. (2006) ao fazerem a avaliação higiênico-sanitária de estabelecimentos da rede fast food no município de São Paulo. resultado similar ao de Torres e Ueno (2010). Nutr. e a checagem da consistência interna é um dos passos da validação de um instrumento. MARCHIONI. Delevati e Saccol. a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o órgão que considera a necessidade constante de aperfeiçoamento das ações de controle sanitário na área de alimentação. Food Nutr.73. visando à proteção à saúde da população. encontraram que as condições socioeconômicas dos estabelecimentos interferiram nas suas condições higiênico-sanitárias. p. uma vez que os resultados sugerem risco potencial de ocorrência de doenças transmitidas por alimentos (DTA) tendo em vista. são ainda necessárias ações e programas para redução dos riscos de doenças transmitidas por alimentos. SP. No Brasil. os Municípios e o Distrito Federal. 1. A presença efetiva de um responsável técnico devidamente capacitado. manipulados e distribuídos de acordo com as boas práticas de manipulação e fabricação de alimentos. decorrente de falhas no processamento e manipulação. D. CONCLUSÃO Destaca-se que nenhum restaurante foi classificado como bom ou excelente. O controle sanitário dos alimentos se constitui em um conjunto de normas e técnicas utilizadas para verificar se os produtos estão sendo produzidos. Entretanto. Stargarlin.. possivelmente. Alim. No presente estudo. abr.. Qualidade na produção de refeições em restaurantes comerciais na região de Cerqueira César. Tal situação denota que. São Paulo. As condições higiênico-sanitárias dos restaurantes analisados no presente estudo não diferiram de acordo com características de atendimento. com ênfase particular na divulgação dos textos da lei e na educação dos atores envolvidos no processo de produção e comercialização de refeições. v. e que 72. M.

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84 .

unesp. ap. n. Nutr. Gestational diabetes. braga_ca@ibb. We conducted a retrospective. antes e durante a gravidez. Soc. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve Relationship of weight gain before and during pregnancy with fetal macrosomia in gestation complicated by diabetes and mild hyperglycemia ABSTRACT BRAGA. Trabalho foi desenvolvido: no Hospital das Clínicas de Botucatu da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP.. p. Camilo Mazzoni.Artigo original/Original Article Relação do ganho de peso.. 5Professora Doutora da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. H. HUMBERTO SADANOBU HIRAKAWA3. Bras.com. 2Pós-graduando do Programa de Biologia Geral e Aplicada do Instituto de Biociências . G. C. Half (49. CAMILA PEREIRA BRAGA1. H. SILVA. 4Professora Doutora do Departamento de Química e Bioquímica . = J. S. CALDERON. SANTOS. However.Instituto de Biociências . Nutrire: rev.br 85 . The prevalence of macrosomia was 11..UNESP. where the curves were analyzed for weight gain of pregnant women who were diagnosed with diabetes or gestational mild hyperglycemia and received prenatal care in the service of Obstetrics at the Botucatu Medical School in 2005 and 2006. P. ANA ANGÉLICA HENRIQUE FERNANDES4. P. São Paulo. A. Obstetrícia e Mastologia da Faculdade de Medicina de Botucatu. 85-98. descriptive study. The aim of this study was to evaluate the nutritional status of pregnant women complicated by gestational diabetes mellitus (GDM) and mild hyperglycemia and associate them to the diagnosis of fetal macrosomia. H 22. Relationship of weight gain before and during pregnancy with fetal macrosomia in gestation complicated by diabetes and mild hyperglycemia. A. abr. 1055.21% as compared with other populations of concern in the study. Food Nutr. Keywords: Weight gain. Fetal macrosomia. Hyperglycemia.. M. Brazilian Soc. Alim. F. A. The highest rate of overweight and obese women (adding up the two ratings) and a lower rate of low weight were detected by the Atalah’s curve. ELAINE GOMES DA SILVA3. 3Pós-graduando do Programa de Pós-graduação em Ginecologia. IRACEMA DE MATTOS PARANHOS CALDERON5 1Graduanda do Curso de Nutrição da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”Campus de Botucatu – UNESP. and the pre-pregnancy weight affected the weight of the newborn at birth. 1. Endereço para correspondência: Camila Pereira Braga Av..UNESP. 2011. whereas the curve recommended by the Institute of Medicine (IOM) revealed a higher percentage of women with weight gain below the recommended levels and a lower percentage of pregnant women in the range of appropriate-gain curve and the curve of the Latin American Centre for Perinatology (CLAP) detected a higher percentage of pregnant women with adequate weight and a lower percentage of women with obesity and overweight. the pre-pregnancy weight and weight gain during pregnancy of the diabetic patients or patients suffering from mild hyperglycemia were above the recommended levels. 36. FERNANDES. I. HIRAKAWA.51%) of the women were obese before the beginning of pregnancy. SP. E.br.. FELIPE ANDRÉ DOS SANTOS2. and Body Mass Index (BMI) before pregnancy was the only index that was related to the weight of the newborn at birth. Pregnancy. Botucatu/SP CEP 18610-285 E-mail: braga_ca@yahoo. v.

Macrosomía fetal. 86 . La curva de Atallah fue la que demostró la tasa más alta de mujeres con sobrepeso y obesas (suma de las dos clasificaciones) y menor tasa de peso bajo. 85-98. Hiperglicemia. reveló mayor porcentaje de mujeres con aumento de peso abajo de los niveles recomendados y un menor porcentaje de gestantes en el rango de ganancia apropiada y el Centro Latinoamericano de Perinatología (CLAP) detectó un mayor porcentaje de mujeres embarazadas con peso adecuado y un menor porcentaje de mujeres con obesidad o sobrepeso. Food Nutr. já a curva recomendada pelo Instituto de Medicina (IOM) detectou maior porcentagem de gestantes com ganho de peso abaixo do recomendado e menor porcentagem de gestantes na faixa de ganho adequado e a curva do Centro Latino Americano de Perinatologia (CLAP). C.. Diabetes gestacional. H.. A curva de Atalah foi a que detectou maior índice de gestantes obesas e sobrepeso (somando-se as duas classificações) e menor índice de baixo peso. M. H. abr. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. FERNANDES. que fizeram pré-natal no serviço de Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu. La prevalencia de macrosomía fue 11. 2011. n.21% en comparación con otras poblaciones de interés en el estudio. Se realizó un estudio retrospectivo descriptivo.51%) das gestantes apresentaram obesidade antes do início da gestação. nos anos de 2005 e 2006. SP. Foi realizado um estudo retrospectivo. ya la curva recomendada por el Instituto de Medicina (IOM). Contudo.. S. v. P. Gravidez. Palabras clave: Aumento de peso. Diabetes gestacional. E. Hiperglucemia.21%. Nutrire: rev.= J. SANTOS. onde foram analisadas as curvas de ganho de peso de gestantes que tinham o diagnóstico de diabetes gestacional ou hiperglicemia leve.. A. P. Alim. A. p. La mitad de las mujeres (49. Embarazo. HIRAKAWA. Metade (49.. en el que se analizaron las curvas de ganancia de peso de las mujeres embarazadas que fueron diagnosticadas con diabetes o hiperglucemia gestacional leve y recibian atención prenatal en el servicio de Obstetricia de la Escuela de Medicina de Botucatu en 2005 y 2006. antes e durante a gravidez. Macrossomia fetal. Nutr. RESUMEN RESUMO El objetivo del estudio fue evaluar el estado nutricional de mujeres embarazadas complicado por diabetes mellitus gestacional (DMG) o hiperglucemia leve y asociarlos con el diagnóstico de macrosomía fetal. 1. I. SILVA. detectou maior porcentagem de gestantes com peso adequado e menor porcentagem de gestantes com obesidade/sobrepeso. sendo que o peso pré-gestacional interferiu no peso do recém-nascido. G. Relação do ganho de peso. F. Bras. A prevalência de macrossomia foi de 11. dado preocupante comparado com outras populações em estudo. el peso pregestacional y el aumento de peso durante el embarazo de gestantes diabéticas o portadoras de hiperglucemia leve están por sobre la recomendación siendo que el peso pregestacional influye en el peso del recién nacido.51%) eran obesas antes del comienzo del embarazo. y el Índice de Masa Corporal (IMC) pregestacional fue el único que estaba relacionado con el peso del recién nacido. Soc. São Paulo. e o Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional foi o único que se relacionou com o peso do recém-nascido. CALDERON. O objetivo do presente estudo foi avaliar o estado nutricional de gestantes que sofreram complicações pelo diabetes mellitus gestacional (DMG) e por hiperglicemia leve e associálas ao diagnóstico de macrossomia fetal.. Sin embargo. Palavras-chave: Ganho de peso. A.BRAGA. descritivo. 36. o peso pré-gestacional e o ganho de peso durante a gestação das portadoras de diabetes ou de hiperglicemia leve apresentaram-se acima do recomendado. Brazilian Soc.

Nutr. C. ganho 87 . I. Fetos macrossômicos apresentam maior risco de morte intrauterina. devido aos riscos de mortalidade e morbidade materno-infantil dela decorrentes e ao incremento da sua incidência no Brasil (BRASIL. a associação de conhecidos fatores de risco maternos (peso pré-gestacional. a acurácia do peso fetal estimado permanece em torno de 38 e 67% (HACKMON et al. 2007.= J. 2002) ou ainda o peso ao nascer igual ou superior a 4. Nutrire: rev. Este indicador influencia o crescimento e o desenvolvimento da criança e a longo prazo pode repercutir nas condições de saúde do adulto (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. H. HIRAKAWA. de intolerância à glicose ou diabetes. Food Nutr. Bras. MAHONY et al. 2006).. 2007). F. 2005).. SILVA.. A macrossomia é a característica mais comum entre mulheres multíparas. 1. v.. a 1% da população geral.. 2008). O risco parece ainda maior com peso ao nascer superior a 4. A definição clássica para macrossomia é o peso ao nascimento igual ou superior a 4.. Soc. CAMPOS. fratura umeral e clavicular. H. paralisia facial e do plexo braquial. apesar dos avanços na área da ultrassonografia obstétrica. Essas alterações parecem ter importante papel no desenvolvimento da doença aterosclerótica na idade adulta (HALAC et al. 2001). SILVÉRIO. 85-98. recém-nascidos macrossômicos ou grandes para a idade gestacional também podem apresentar importantes efeitos em longo prazo.500g (INSTITUTE OF MEDICINE. M. De forma alternativa. Alim. SANTOS. A. com sequelas neurológicas. mas esse risco está associado à presença ou não de diabetes (KERCHE et al. dislipidemia. n. porém há estudos que a define como o peso ao nascer superior a 4.BRAGA..500g ou ao percentil 97 (GOLBERT. G. com idade mínima de 30 anos. Além disso. 2011. distocia de ombro.000g (independente da idade gestacional ou de outras variáveis demográficas) (BRASIL. P. maior estatura e índice elevado de massa corporal (IMC). São Paulo. Deste modo. ALTMAN. A. classificando como macrossômicos os recém-nascidos de peso para idade gestacional superior ao percentil 90 (ABRAMS. 2007).. CAMARGO. 2005). FERNANDES. 2008). P.. S. obesidade. E..000g (GROSS. aspiração de mecônio.500g ou mais. SP. Os recém-nascidos com peso igual ou superior a 4.. reflete as condições nutricionais do recém-nascido e da gestante. no pós-datismo e nos fetos do sexo masculino (CHAUNHAN et al. 2006). Brazilian Soc.. INTRODUÇÃO O peso obtido na primeira hora após o nascimento. além da presença de antecedentes familiares de diabetes e obstétricos de macrossomia fetal. A prevalência da macrossomia depende do critério utilizado e da população estudada.. A. crescente importância vem sendo dada à macrossomia. Relação do ganho de peso. abr. O diagnóstico antenatal de macrossomia fetal é difícil porque. para aumentar a acurácia. PICKETT. resistência à insulina e diabetes mellitus. 2004). sendo considerado um indicador apropriado de saúde individual. antes e durante a gravidez. assim como alterações do metabolismo antioxidante (EVANGELIDOU et al. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. asfixia. 2000). Sugere-se. A macrossomia pode aumentar o risco de complicações tanto para a mãe como para o concepto. pode ser considerado o peso fetal relacionado à idade gestacional. 36. cardiomiopatia hipertrófica e uso da unidade de terapia intensiva por tempo prolongado (CROMI et al. p.000g correspondem a 10% e aqueles com 4. CALDERON. 1990). hipoglicemia e hiperbilirrubinemia neonatal.

Com isso. deverá alertar para o risco perinatal e destacar a importância do diagnóstico de macrossomia ainda na gestação. Bras. indicativos da síndrome metabólica.1) e a obesidade materna (OR=2. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. SYSYN. FERNANDES... o IMC superior a 25kg/m2 se relacionou a risco aumentado de macrossomia fetal e diabetes gestacional (DAS. Especificamente associadas ao diabetes.56) e de macrossomia (OR=2. S.4% das gestações pós-termo e em 10% dos casos de obesidade mórbida (EVERS et al. 88 . Independente do IMC. F. também foram relacionados ao risco aumentado de macrossomia fetal (CLAUSEN et al. 36. 1996).78) também foram identificados como risco independente para o crescimento fetal exagerado (DAS. I.. 2005). n. p. onde foram analisados os prontuários de gestantes com diagnóstico de DMG ou hiperglicemia leve que fizeram pré-natal no serviço de Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu. HIRAKAWA. P. evidenciou que o não-tratamento de qualquer grau de hiperglicemia materna representa risco de peso fetal aumentado. Com esta abordagem. H. em 05 de março de 2007 (OF. incluindo 1000 gestantes com intolerância à glicose. o objetivo do presente trabalho foi avaliar o estado nutricional de gestantes que sofreram complicações pelo diabetes mellitus gestacional (DGM) e por hiperglicemia leve e associá-las ao diagnóstico de macrossomia fetal. CALDERON. ponderal durante a gravidez). 2002). ensaio clínico randomizado. Neste contexto..83). 85-98. M. SILVA. a hiperinsulinemia e os níveis anormais das frações do colesterol. as cifras variam de 28. Alim. v. Estudo recente. 1. Relação do ganho de peso. SP. SYSYN. 20/2207-CEP).= J. Na população de gestantes brasileiras. 2004). em gestações associadas ou não ao diabetes materno.37) e a média glicêmica no terceiro trimestre 120mg/dL (OR=1. Em estudos populacionais. com um adequado exame clínico e corretas mensurações ultrassonográficas (incluindo. Soc. Nutrire: rev.. comparando 886 gestações de fetos macrossômicos com 26. 2004). A. o pós-datismo (OR=3.075 gestações de fetos com peso adequado para o termo da gestação. a prevalência de macrossomia foi confirmada em 5. A. além dos parâmetros biométricos.1). 2000). o antecedente pessoal de diabetes (OR=1. Food Nutr. nos anos de 2005 e 2006 e possuíam gestação única.BRAGA. o ganho de peso superior a 16kg (OR=1. Nutr.0). o antecedente de feto macrossômico (OR=3.3% da população geral. Brazilian Soc. O presente trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu.5 até 48. C. P. METODOLOGIA Foi realizado um estudo observacional.6). retrospectivo. em 15. o IMC 25kg/m2 (OR=1.. antes e durante a gravidez.. análise do índice de líquido amniótico e da área seccional do cordão umbilical). pode-se aumentar o valor preditivo positivo para até 85% (PATES et al. São Paulo. 2011. 2008).. confirmou como fatores de risco independentes para a macrossomia o diabetes prévio (OR=4.79). além de outros resultados perinatais adversos (BRASIL. descritivo. abr.6) ou gestacional (OR=1. HDL e LDL-colesterol.. SANTOS. A presença destes marcadores. H. Nas gestações complicadas por diabetes ou hiperglicemia diária.8% (SCHWARCZ et al. A. G. E..

. CALDERON. o grau de escolaridade (ausente ou ensino: fundamental. antes e durante a gravidez. DEFINIÇÃO DAS CURVAS DE PESO • Curva de Ganho de Peso padronizada pelo Centro Latino Americano de Perinatologia (CLAP) – o ganho de peso.. SP. A. G. Foram consideradas como anormal quando a curva foi ascendente. calculado em kilogramas (kg). 1997). sendo consideradas como de comportamento normal quando ficou ascendente e não ultrapassou o percentil 90. estado nutricional pré-gestacional de sobrepeso e obesidade (IMC acima de 25 e 30kg/m2. H. a raça (branca. • Curva de IMC (Atalah): curva baseada na classificação do estado nutricional na primeira consulta do pré-natal (baixo peso. ganho de peso (GP) gestacional.. calculado em relação ao peso prégestacional. Brazilian Soc.. 1996). 1996). São Paulo.= J. A. HIRAKAWA. Foram obtidos os antecedentes de diabetes – considerados os pessoais e obstétricos. PARÂMETROS MATERNOS ANALISADOS Em relação aos parâmetros maternos foram analisados: a idade materna. H. v. O comportamento da curva foi considerado anormal.. P. C. SANTOS. E a cada consulta a gestante: era pesada. CASTILHO. 36. negra ou parda). p. CASTILHO. CASTRO. relacionada ao número de partos anteriores. a idade gestacional no parto. sobrepeso e obesa) e calculada em cima do IMC atual e idade gestacional. por trimestre e total. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. presença de tabagismo (quantos cigarros/dia). respectivamente). Com base na avaliação do estado nutricional na primeira consulta foram calculados os ganhos de peso durante a gestação segundo preconização da IOM (INSTITUTE OF MEDICINE. 85-98. SCHWARCZ et al. em anos completos. 1. Nutr. CASTRO. 1990). F. 2011. SILVA. sobrepeso e obesa. sendo consideradas como de comportamento normal quando esta foi ascendente e se manteve dentro dos limites determinados para sua faixa de IMC. 1997) e foram classificadas em: baixo-peso.BRAGA. Nutrire: rev. a paridade. FERNANDES. M. isolados ou em associação. que indicará o estado nutricional atual através de faixas de IMC (ATALAH. nulípara ou multípara. normal. Soc. As curvas foram construídas e analisadas. CASTRO. onde as gestantes tiveram seu estado nutricional avaliado pelo IMC (Atalah) (ATALAH. os antecedentes de 89 .. Food Nutr. peso adequado. As curvas foram construídas e analisadas... Alim. P. I. A. é colocado em um gráfico de percentis (SCHWARCZ et al. quando se manteve sempre acima do percentil 90. calculada pela data da última menstruação (DUM) e confirmada pela ultrassonografia. quando esta não apresentou incremento mantendo um platô durante a gravidez e quando a curva foi decrescente. quando manteve um platô ou houve perda de peso. 1997. S. ultrapassou o percentil 90. Foram obtidos os primeiros dados de peso materno na primeira consulta de pré-natal. mas ultrapassava os limites determinados para sua faixa de IMC. CASTILHO. abr. calculado o seu IMC e preenchidas as curvas do CLAP (ATALAH. E. n. Bras. Relação do ganho de peso. médio ou superior).

20kg.. não tabagistas e multíparas. 1. Apenas 24.27% das gestantes estavam eutróficas e 2. Em relação ao ganho de peso foi observado maiores médias em kg no 2º e 3º trimestre gestacional. profissão do lar. F. M. Foram classificados como Pequenos para a Idade Gestacional (PIG) aqueles recém-nascidos com peso abaixo do percentil 10. quando entre os percentis 10 e 90 e Grandes para a Idade Gestacional (GIG) os que se encontravam acima do percentil 90 (LUBCHENCO et al. sendo a idade mínima apresentada de 15 anos e a máxima de 54 anos.. SILVA.63±7. SANTOS. n. 2011. Brazilian Soc. A. Bras. a idade gestacional média do parto foi de 37. Adequado para a Idade Gestacional (AIG). CALDERON. e calculado os respectivos intervalos de confiança (considerado intervalo de confiança de 95%) das curvas de ganho de peso de CLAP e de IMC.71±2. abr. antes e durante a gravidez. 85-98. 1963). H. E. Foi constatado que 73% das gestantes receberam pelo menos uma orientação nutricional pelo nutricionista do serviço durante o pré-natal. casadas.= J. com escolaridade primária. v. Soc. Nutrire: rev.. C. RESULTADOS Foram analisados 150 prontuários de gestantes com diagnóstico de diabetes gestacional ou hiperglicemia leve.000g na anamnese de admissão do pré-natal. A análise estatística foi feita com orientação do Grupo de Apoio à Pesquisa (GAP) da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP.19 ± 7. e ganho de peso total médio durante a gestação de 10. p.42 semanas. PARÂMETROS NEONATAIS ANALISADOS Em relação aos parâmetros neonatais: os recém-nascidos foram classificados quanto à adequação do peso ao nascimento com os valores normais esperados pela idade gestacional. 90 .18 anos.. Verificou-se que quase metade das gestantes apresentavam obesidade antes do início da gestação e 23. 36. Alim. H. P. O IMC pré-gestacional médio foi de 30. como mostra a tabela 2. A idade média encontrada das gestantes foi de 30. A. SP. prévio (diabetes clínico) ou durante a gestação (diabetes gestacional).BRAGA. G. S. Relação do ganho de peso. As características gerais da população estudada estão apresentadas na tabela 1.. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. Nutr. Food Nutr. entre o período de janeiro 2005 a dezembro 2006.. ANÁLISE ESTATÍSTICA Foram realizadas análises descritivas das características demográficas da população do estudo..87kg/m2. o tipo de diabetes – relacionado ao momento do diagnóstico. FERNANDES. macrossomia – confirmação (sim) ou negativa (não) de recém-nascido com peso superior a 4.9% com baixo peso. I. São Paulo.3% apresentavam-se sobrepeso. P. A. verifica-se o predomínio de mulheres de raça branca. HIRAKAWA.18±7.

.42 7. Soc. antes e durante a gravidez. 2º e 3º trimestre da gestação pela preconização do IOM. segundo classificação do estado nutricional. n. A. São Paulo.= J. Alim. Nutr. avaliados pelo IMC (ATALAH. E.21 13. H. 91 . CASTRO.59 82. FERNANDES.56 17.07 30..44 80.23 Raça Estado Civil Escolaridade Profissão Tabagistas Paridade Tabela 2 – Caracterização das médias de ganho de peso total e ganho de peso por trimestre gestacional Ganho de Peso (kg) Ganho de peso total Ganho de peso no 1º trimestre Ganho de peso no 2º trimestre Ganho de peso no 3º trimestre Média e Desvio Padrão 10. CALDERON.42 31.92±5. v.46±7. 1. A.08 13. HIRAKAWA.20±2. Food Nutr. 2011. abr. C. S. H.. Tabela 1 – Características gerais das gestantes estudadas (n=107) Variáveis Idade (anos) <20 20-35 >35 Branca Negra Parda Solteira Casada União estável Primário (completo/incompleto) Secundário (completo/incompleto) Universitário (completo/incompleto) Do lar Empregada doméstica Outras Sim Não Primíparas Multíparas (%) 3. SANTOS. levando em conta a avaliação do estado nutricional na primeira consulta de pré-natal.69 47 11 42 19.84 52.BRAGA. 85-98. 36.88 39. P. G. Bras.63±7. 1997) e o ganho de peso apresentado pelas gestantes do estudo. I. Relação do ganho de peso. SP. A. P.7 11. SILVA.18 11. Nutrire: rev. CASTILHO. p.73 75.56 8..31 A tabela 3 mostra valores de ganho de peso recomendados durante o 1º.84 64.08 56. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve... F. Brazilian Soc.20 5. M.

G.500 gramas (PIG . I. e a recomendação de ganho de peso para gestantes saudáveis segundo preconizado pela IOM7 Estado Nutricional pré-gestacional Baixo peso Peso adequado Sobrepeso Obesidade Ganho de peso observado no 1º trimestre 3. 85-98. SILVA. Nutr. 55. a distribuição do peso ao nascer das crianças foi de: 10. 92 . Food Nutr.20g (n=24) 0. diabéticas gestacionais. A. São Paulo. HIRAKAWA.. n. Alim. S. C.18 55.55kg (n=46) 2.46% no 3º trimestre. Observa-se que o IMC pré-gestacional foi o único que influenciou significativamente no peso do recém-nascido.6Kg 0.BRAGA. temos que a curva de CLAP foi a que detectou maior número de gestantes obesas quando comparada com a de Atalah.23 x 13. v.000 gramas (AIG .76%.5g 1.22% com o peso acima de 4.4 gramas.3 Kg 0. SANTOS..71kg (n=26) 1.21% das gestantes tiveram parto tipo cesárea e a incidência de óbito fetal foi de 5. p.= J.92 11. SP.32g (n=40) 0.000 gramas (GIG . F.Pequeno para a Idade Gestacional).03 x 13%) no 1º trimestre. 36.21 44.53g (n=13) 0. 23% x 13.22 5. verifica-se que em relação ao tipo de parto. Soc.22% com peso menor que 2.Grande para a Idade Gestacional) (Tabela 4).61% x 24. A. CALDERON. Nutrire: rev. Porém. 77. Bras. Brazilian Soc. FERNANDES.9Kg 0. Tabela 4 – Características perinatais e obstétricas das gestantes diabéticas estudadas Variáveis Diabetes Frequência (%) 39.46% no 2º trimestre e 26% x 19. Tabela 3 – Comparação do ganho de peso durante a gestação de 107 gestantes. M.6kg (n=13) Recomendação Recomendação Ganho de peso de ganho de de ganho de observado nos peso nos peso no 2º e 3º trimestres 2º e 3º trimestres 1º trimestre (semanal) (semanal) 2. E..33g (n=26) 0. observou-se que a média de peso dos recém-nascidos foi de 3200 ± 720. P.22 77.500 e 4. P.4g 0. 1. e a de IOM no decorrer dos trimestres: (34. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. 2011.. Relação do ganho de peso. deve-se considerar que a curva de Atalah apresenta uma classificação diferenciada para sobrepeso.56 58. 28ª e 37ª semana) e o peso do recém-nascido. Dos resultados perinatais.. antes e durante a gravidez.18kg (n=18) 4.. A.3g Dentre as características obstétricas e perinatais.24 13.07% x 13. H.76 IB IIB IIA Cesárea Tipo de parto Vaginal Classificação dos recém-nascidos PIG AIG GIG Óbito Fetal A tabela 5 apresenta a correlação entre o IMC pré-gestacional nos trimestres gestacionais (14ª. abr. Em relação às curvas de ganho de peso.3g – 0.Adequado para a Idade Gestacional) e 11.92% com o peso entre 2.79 10. H.

A. São Paulo. classificadas em baixo peso.05 30. C.18±7. 36. SILVA. Alim.4% x 54. 23% x 11.88% no 1º trimestre. n.7 x 28..2% x 70.. segundo as curvas de Clap. P.. classificadas em adequadas.3% 1º trimestre.31±8. Nutrire: rev.77±7. H. apenas no 1º trimestre a curva do IOM indicou maior frequência de obesidade. v.71 0.BRAGA. Food Nutr. abr. 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre CLAP ATALAH IOM Gráfico 1 – Porcentagem de gestantes com diabetes gestacional ou hiperglicemia leve. A. I. F. CALDERON.162 0. Atalah e IOM 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre CLAP ATALAH IOM Gráfico 2 – Porcentagem de gestantes com diabetes gestacional ou hiperglicemia leve.03% x 22. Brazilian Soc. Tabela 5 – Média e desvio padrão dos Índices de Massa Corporal em cada trimestre gestacional e correlação com o peso do recém-nascido Índice de Massa Corporal (kg/m2) IMC pré-gestacional IMC 14ª semana gestacional IMC 28ª semana gestacional IMC 37ª semana gestacional Média e Desvio Padrão Correlação p<0.09 34. S. H..= J. apresentando as seguintes frequências (CLAP e IOM respectivamente): 34% x 51.191 0. a curva de CLAP e IOM foram as que detectaram maior número de gestantes com baixo peso quando comparada com a de Atalah: 24. Atalah e IOM 93 . SP. FERNANDES.003 0. p.131 Comparando a curva de CLAP com a de IOM. P. 1.04% x 17. 44. Relação do ganho de peso.75% x 25% no 2º trimestre e 39. A.87 32. HIRAKAWA. 2011. Nutr.23 33. 2 e 3). Para baixo peso..77±8. SANTOS.5% no 3º trimestre. Bras. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. G.8% no 3º trimestre (Gráficos 1.3% no 2º trimestre e 26% x 24. 85-98.. E. antes e durante a gravidez. Soc. segundo as curvas de Clap. M.

(2001) para uma amostra de mais de 3. o ganho ponderal gestacional excessivo configura-se também como um problema de saúde pública (DREHMER et al. S. classificadas em obesas. Tal condição é geralmente associada a controle glicêmico inadequado. quando comparadas às mulheres com ganho de peso adequado ou abaixo do recomendado.= J.. No presente estudo. CALDERON. CAMPOS. M. 2010. São Paulo. segundo as curvas de Clap. 1. As novas recomendações do Institute of Medicine publicadas em 2009 levaram em conta o aumento da prevalência de obesidade e sobrepeso. tais como: idade. 2008). Bras. HIRAKAWA. 2011.. Nutrire: rev. 2009). No presente estudo.. abr. antes e durante a gravidez. A. Esses valores são coincidentes com os reportados por Nucci et al. 2009). C.. Food Nutr. A. baseando-se principalmente em dados de coortes de gestantes americanas (INSTITUTE OF MEDICINE. SANTOS. Brazilian Soc. G.. SP.BRAGA. a variável 94 . FERNANDES.. levando-se em conta que o perfil das gestantes era de obesidade e o ganho trimestral observado nos mostra ganho de peso menor no 1º trimestre. Nucci et al. (2001) sugerem que fatores psicossociais e estilo de vida podem estar associados ao maior ganho de peso semanal durante a gestação entre as gestantes com maior IMC inicial e associa esta ocorrência às mulheres com menos atitudes favoráveis ao ganho de peso e menor conhecimento sobre a importância de não ganhar peso excessivo durante a gravidez. P. 85-98. multiparidade. Relação do ganho de peso. P. 2010). Alim. A macrossomia é o resultado adverso mais comumente observado nas gestações complicadas por diabetes ou hiperglicemia diária (GOLBERT. p. v. aumento acentuado no 2º trimestre e aumento mais lento no terceiro trimestre. 36. F.. 2000). No Brasil. E. mas algumas características maternas. Nutr. H. Atalah e IOM e sobrepeso pela curva de Atalah DISCUSSÃO A literatura aponta que a gravidez e o pós-parto são períodos do ciclo reprodutivo associados com o excesso de peso (CASTRO et al. 60 50 40 30 20 10 0 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre CLAP ATALAH (sobrepeso e obesas) IOM Gráfico 3 – Porcentagem de gestantes com diabetes gestacional ou hiperglicemia leve. a média de ganho de peso por trimestre gestacional foi acima do recomendado.000 mulheres estudadas em seis capitais brasileiras. CALDERON. I. SILVA. Soc. obesidade. A. n.. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. RODRIGUES et al.. antecedentes de diabetes e de recém-nascidos grandes para a idade gestacional também podem contribuir para este desvio do crescimento fetal (RUDGE. H. assim como o ganho de peso excessivo na gravidez.

utilizando o aumento de peso a partir da 12ª semana gestacional através de quatro curvas correspondentes aos percentis 10. Porém. como a Alemanha (10. A. CALDERON. sem doenças crônicas que afetam o crescimento fetal. H. v. P. a partir de inúmeras evidências. 2011. o IOM. Nutr. S. As principais críticas ao método baseiam-se no pequeno número de observações do estudo original e na recomendação de peso final de 8 a 16kg.500g). Brazilian Soc. SP. 85-98. As faixas de recomendação de ganho de peso estão associadas a menores prevalências de baixo peso ao nascer (<2. 1. Bras. essas relações parecem ser mais evidentes em mulheres com baixo peso pré-gestacional e eutróficas do que em mulheres com sobrepeso e obesidade pré-gestacional (DAVIS. esse valor pode ser considerado baixo se comparado a estudos com populações nativas americanas. são encontradas associações consistentes entre o IMC pré-gestacional e os desfechos maternos e fetais. 2009).. A frequência observada de macrossomia foi de 11. 2002. 2009). ainda são escassos os estudos sobre a magnitude ou mesmo sobre os determinantes da macrossomia fetal (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Atalah. órgão americano.1%) e a Dinamarca. 36. FERNANDES.BRAGA. 1990). A avaliação do IMC por semana gestacional tem a vantagem de realizar o diagnóstico nutricional diretamente através da tabela com valores correspondentes e fazer o monitoramento através da visualização direta do traçado dos valores de IMC no gráfico (ATALAH. onde a incidência atinge valores altos.000g) e recém-nascidos pequenos ou grandes para a idade gestacional. 1996). I. que se correlacionou positivamente com a presença de recém-nascido macrossômico foi o IMC pré-gravídico com p=0. estado nutricional materno e curso gestacional (crescimento fetal e peso ao nascer) (INSTITUTE OF MEDICINE. F. Na literatura. A. A. com paridade menor do que quatro. 1996). ambas em 1999 (20. CASTILHO.. PADILHA et al. No Brasil... n. 95 . E em países europeus.= J. M. p. Essa curva foi elaborada com uma amostra de 665 gestantes uruguaias com idades entre 18-35 anos. a partir de uma pequena casuística de 43 gestantes uruguaias. Na década de 90. São Paulo.003. entre 16 e 31%. a relação entre excesso de peso pré-gestacional e risco de pré-eclâmpsia. H. 50 e 90. Essas recomendações são diferenciadas segundo o estado nutricional pré-gestacional. sem considerar o estado nutricional pré-gestacional (COELHO. G.. além de levar em conta aspectos específicos do pré-natal. ou mesmo representativo quando comparados à população americana em geral. 2009). P.. cesária. 25. diabetes gestacional. Food Nutr. Castilho e Castro propuseram um novo método de avaliação antropométrica de gestantes baseado no IMC por idade gestacional entre as semanas 12 e 42 de gravidez. macrossomia e prematuridade (INSTITUTE OF MEDICINE. SOUZA.. macrossomia (>4. com o objetivo de restabelecer os estoques de gordura corporal em mulheres desnutridas e minimizar os ganhos de gordura em mulheres obesas.0%). o CLAP propôs um modelo de avaliação nutricional da gestante. E. Nutrire: rev. CASTRO et al. abr. 2009). Em 1997. OLSON. Alim. CASTRO. que apresenta taxas da ordem de 10% (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. elaborou recomendações para o ganho de peso na gestação. FILHO. 1997. Soc. Em meados da década de 1990. HIRAKAWA.21%.. antes e durante a gravidez. SILVA. como por exemplo. SANTOS. com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. Relação do ganho de peso. C.

CONCLUSÃO O peso pré-gestacional e o ganho de peso durante a gestação das portadoras de diabetes ou de hiperglicemia leve apresentaram-se acima do recomendado. Em nosso estudo. 88-90. ALTMAN. E. v. Atualmente. 2006.. por exemplo. Nutrire: rev.. J. G. A curva recomendada pelo IOM detectou maior porcentagem de gestantes com ganho de peso abaixo do recomendado e menor porcentagem de gestantes na faixa de ganho adequado. a curva de Atalah foi a que detectou maior índice de gestantes obesas e sobrepeso (somando-se as duas classificações) e menor índice de baixo peso. Gestacional Diabetes Mellitus.= J. n. P. 1. 2401-2409. Bras. Food Nutr.. para prevenir e controlar o aparecimento de condições indesejáveis materno-fetal. São Paulo. 5 Suppl. 36. ANDRETO. Pernambuco. I. S. L. F. CALDERON. 11. Já a curva de CLAP detectou maior porcentagem de gestantes com peso adequado e menor porcentagem de gestantes com obesidade/sobrepeso. com origem em duas populações internacionais de mulheres grávidas. saúde pública. SILVA.. com gestantes de baixo risco obstétrico. FIGUEIROA. C. p. Castilho e Castro (1997) e Institute of Medicine (1990). Cad.. N. K.BRAGA. M. M. sendo que o peso pré-gestacional interferiu no peso do recém-nascido. as recomendações do MS geram muitas controvérsias. entre o ganho de peso final entre os dois métodos. 2000. H.. A. Fatores associados ao ganho ponderal excessivo em gestantes atendidas em um serviço público de pré-natal na cidade de Recife. 22. L. como a macrossomia que é o resultado adverso mais comumente observado nas gestações complicadas por diabete ou hiperglicemia diária. P. p. A. n. 27. SOUZA. Brasil. FERNANDES. J. p. o Ministério da Saúde (MS) associa duas metodologias para a avaliação do ganho de peso gestacional: Atalah. v.. Relação do ganho de peso. S. 2004. O controle de ganho de peso é adequado para acompanhar as mulheres grávidas. HIRAKAWA.. CABRAL-FILHO. H. v. E. abr. Nutr. diferentemente dos resultados obtidos no estudo de Andreto et al. 71. A.. Soc. PICKETT. REFERÊNCIAS/REFERENCES ABRAMS. n. 96 . com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. que consideram diferentes indicadores. SP. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) publicou em 2004 as normas para classificação do ganho de peso gestacional de grávidas brasileiras mediante combinação entre o modelo proposto por Atalah. (2006). 1. Por associar duas metodologias distintas. Brazilian Soc. v. Diabetes Care. SANTOS. antes e durante a gravidez. Pregnangy weight gain: still controversial. n. onde aproximadamente metade destas apresentou estado nutricional adequado para a idade gestacional e 26. A.3% sobrepeso/obesidade. 85-98. p. A M E R I C A N D I A B E T E S A S S O C I AT I O N .. Castilho e Castro (1997) e as recomendações propostas pelo IOM (INTITUTE OF MEDICINE. Am J Clin Nutr.. 1990). Alim. E. I. B. 2011. 1233S-1241S.. Algumas discordâncias podem ser verificadas..

SILVA. RAIO. Socioeconomic. K.. CASTILHO. V.. Pré-natal e puerpério. 1484-1489.. J. BUSS. W. 1024-1034. CASTRO. GHEZZI. 46. endrocrinol. P. Manual Técnico. C. E. MANZOLI. 2000. CALDERON. p. 2007.. CHAUHAN. 6. E. C. G. 36. Diabetes Melito: Diagnóstico. GODANG. CROMI. 2010. F. OLINTO.. C. p.. v.. TZALLAS. v. Ultrasound Obstet Gynecol. glucose homeostasis. 1. G. M. 2002.. BRASIL. 6.. p. Norma e Manual Técnico. FERBER. p. A. 30. L.. Brazilian Soc. Propuesta de un Nuevo estándar de evaluación nutritional de embarazadas... 11. G. SP... Combined analysis with amniotic fluid index and estimated fetal weigth for prediction of severe macrosomia at birth.. 97 .. v. Brasília. Norma e Manual Técnico. 2009. M a c r o s o m i a d e s p i t e g o o d glycaemic control in type I diabetic pregnancy. bras.. n. N. KIORTSIS. 2008. CASTRO. GIAPROS. Food Nutr. 2006. n. metabol. SICHIERI. SANTOS. 12. 2002. 4. 2009. n. Obesity in pregnancy. G. N. n. 2. J. T. Abnormal fetal growth: intrauterine growth retardation. W. T. HACKMON. BURSKI. S. B. A.. 1996. A. DREHMER. endocrinol. 2005. n. L. p. CAMARGO. Nutr. p. MELERE C. R. T.. v. M. J. n. Alim. Am J Obstet Gynecol.. H. I. n. n. Primary Care.. BERGAMINI. 1-2. G. p.. MOL. M. 1. 332-346. V. Eur J Endocrinol. Rev. v. S. bras... Suspicion and treatment of the macrosomic fetus: a review. S. med. L. 6. S. FILHO.. A. 85-98. M.. DIVON. 36. Ministério da Saúde.. p.. blood pressure.. 1-4. 1197-1201. p.. NUNES. P. I. S.. CHANG... GROBMAN. P. Nutrition. P.. K. HOFFMAN. v. Classificação e Avaliação do Controle Glicêmico. v. Diabetologia. I. Ministério da Saúde. BOLLERSLEV. 2. Am J Obstet Gynecol.. M. V. 1429-1436. 861-866. F. S.. 341-356. 29. SILVEIRO. Y. O’REILLY GREEN. P. Lipid profile. GROSS. OLSON.. E. E. COELHO.. v. U. P.. Bras. metabol. results of a nationwide study in The Netherlands.. D.. p. M. A. saúde pública. HIRAKAWA. 2011. Nutrire: rev. OYEN. GOLBERT. p.. Amparo Aldea P.= J. BAIRAKTARI. T.. v. B. 307-314. K. DAS. 2001. EVERS.. Soc.. p. 57-61. Relação do ganho de peso. 887-894. CHAUHAN. W. E. H. MAGANN. Arq.. R. N. v. T... com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. P. 415-425. p. C.. 153. v. Brasília.. 1. M. A. Diabetes melito tipo 1 e gestação. T. LEON. 51.. G. Avaliação antropométrica do estado nutricional da gestante: visão retrospectiva e prospectiva. M. n. M. n. GIACOMELLO. E . 639-654. J. DI NARO. 2002. 2004. 2. 2006... B. infant. Large cross-sectional area of the umbilical cord as a predictor of fetal macrosomia. 196. R. n. C. SIESTO. Resolução nº 196/96 sobre pesquisa envolvendo serem humanos. DE VALK. SHIMIDT. H. n. C. bras. abr. A. Assistência Pré-natal. I.. 52. A. K. antes e durante a gravidez. Cad. v. S.. and obesityanthropometric markers in macrosomic offspring of nondiabetic mothers. v.. High-protein diet promotes a moderate postpartum weight loss in prospective cohort of Brazilian women. A. 1120-1128.. I. p. 25. FERNANDES. n. Brasília. small for gestational age. B. 1997. ATALAH. SYSYN. CHOLEVAS. E. Bioética. EVANGELIDOU. Pediatr Clin North Am. DAVIS. p. HENRIKSEN. CLAUSEN. Rev. M. v. large for gestational age.. A.. SOARES R. KAC. 26. W.BRAGA. A. 3. 3.. BORNSTEIN. E. L. BRASIL.. 193. D. n. São Paulo. GHERMAN. Diabetes Care. Chile. v. 45. HORANI. 2005. v. 4. E. SOUZA. A. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. J. Arq. saúde mater. V.. CAMPOS. Ministério da Saúde. F. p. S. 125. BRASIL. R. T E R . Maternal anthropometric and metabolic factors in the first half of pregnancy and risk of neonatal macrosomia in term pregnancies. 1. Gestação de alto risco. CAMY. L. A.. 2007. 1. n. M. demographic and nutritional factors associated with maternal weight gain in general practices in Southern Brazil..

H. S. V. DE MUCIO. 469-476.. J. Determinant factors of inssuficient and excessive gestacional weight gain and maternalchild adverse outcomes. SCHWARCZ. ginecol obstet. I. experimental. P. L. RUDGE. 2010. NUCCI. DUNCAN. 2.. A. 2005. R. Rev. B. PATES.. L. bras. 36. S. v. L. 171-178.793-800. p. p. Nutr. G.. BRITTO. 25. INSTITUTE OF MEDICINE. H. Nutritional status of pregnant women: prevalence and associated pregnancy outcomes. 26. V. Nutrire: rev.. FOLEY. Relação do ganho de peso. L.. 2000. Alim.. INSTITUTE OF MEDICINE. 106. p. C. 1. 32... A. n.. p. Organização Pan-Americana da Saúde. 36-39. L. B. P. CALDERON. p. C. K. T. 2001. 35. OTTINO.. DRESSLER. n. A.. M.. 2011. 2009. A. S. Pediatrics. Rev. J. A. M. C. n. v. H. BODY.. Arch. 2007. MCAULIFFE... LIBERA. CALDERON. J. Anexo 1. MAHONY.. n.. P. R. FUCHS. Brazilian Soc. v. 5. D. E. 25. Fatores de risco para macrossomia fetal em gestações complicadas por diabete ou hiperglicemia diária.. pasado.= J.. Femina.. Report of the Subcommittee on Nutritional Status and Weight Gain during Pregnancy. p. E. p. O. abr. SP. OLIVEIRA. Bras. HALAC. T.. 2009. p. Food Nutr. 502-507. OLMAS. P. 2008. C.. ABBADE. C. São Paulo. B. M. I. Recebido para publicação em 01/04/10. SILVA. M. Saúde reprodutiva materna perinatal.. A. I.. C. SANTOS.. 580-587. MCINTIRE. G. 617-623. DELGADO. antes e durante a gravidez. p. (DC): National Academy Press. J Ultrasound Med. C. ACIOLLY. FERNANDES. Montevidéu: Centro Latino-Americano de Perinatologia e Desenvolvimento Humano (CLAP). M. O’HERLIHY.. 4. FLECK. M. J. BRITO. p. PADILHA. 399-401. R.. n. saúde publica. Anthropometric assessment of nutricional status en Brazilian pregnant women. BELITZKY. M. E. 1996. Washington.. 1.. B. R.. Aprovado em 01/03/11. 85-98. Maternal weight characteristics influence recurrence of fetal macrosomia in women with normal glucose tolerance. LUBCHENCO. KAC. v. n.. El dilema del hijo de madre diabética: evolución. LEVENO. Panam Salud Publica. E. B. presente y futuro. C. FESCINA. C. 10.BRAGA. SAUNDERS. DÍAZ. v. Nutrition. F. M. R. argent. Aust N Z J Obstet Gynaecol. HIRAKAWA. B. COSTA... com a macrossomia fetal em gestações complicadas pelo diabetes gestacional e hiperglicemia leve. 27. Soc. 27. n.. R. v. v. CASEY. Washington. D. v. CALDERON. KERCHE. SCHIMDT. 98 ... CHAGAS. 6. ROSELLÓ. I. P. Intrauterine growth as estimated from liveborn birth-weight data at 24 to 42 weeks of gestation. v. n. 47. L. (DC): National Academy Press. M. M. J. 1963.. RUDGE. Predicting macrosomia. Nutrition during pregnancy... C. Macrossomia fetal: correlação clínica-6. F. A. 2008. L. n. G. pediatr.. C. S. J. HANSMAN. D. Rev. 5. R. v. M.. Normalização do cuidado da saúde materno-infantil.. PAISANI. RODRIGUES. 1990. 1. F. A. Weight gain during pregnancy: reexaminig the Guidelines. 39-43. O. D.. M. P. weight gain and nutrient supplements.. E. M.

pelo acesso às escolas. de Pediatria. Natal-RN. Risk Factors. Adolescent. the prevalence of high coronary risk rates was considerable. C.. 3Depto. Soc. UFRN.. Endereço para correspondência: Clélia de Oliveira Lyra Universidade Federal do Rio Grande do Norte . Measures of central tendency and dispersion (mean. P. PAULO ROBERTO DE MEDEIROS AZEVEDO3. Strong correlations were found between conicity index and the waist-height ratio (0.br. s/nº Petrópolis Natal – RN CEP 59012-570. The objective of this study was to estimate the prevalence of coronary risk using the conicity index and to compare this index with other indicators of body adiposity in adolescents. 2Depto. The correlation between conicity index and other variables of the corporal adiposity was performed using Pearson’s partial correlation. MARCELA PINHEIRO MARQUES1. A. followed by moderate correlations with abdominal circumferences and the body mass index. como parte integrante do projeto “Fatores de risco para doenças cardiovasculares entre adolescentes beneficiários do PNAE-Natal/RN”. Keywords: Conicity Index. PINHEIRO. median and standard deviation) and percentiles distribution of the corporal adiposity are compared according to sex. S. M. These findings verified that 27. São Paulo.. R. L.. UFRN. aos alunos do Curso de Graduação em Nutrição e aos residentes do Hospital de Pediatria da UFRN pela colaboração na coleta de dados. Therefore. 4Depto. Food Nutr.. sex and sexual maturation. V. de Estatística.br Agradecimentos: Secretaria Municipal de Educação. = J. Brazilian Soc. considering age. waist-height ratio and body mass index. CLÉLIA DE OLIVEIRA LYRA2. This was a cross-sectional study with 185 adolescent students from public schools in Natal. 36. 99 .com. All correlations were significant (p < 0. Fonte de Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Bras. 1. MIRANDA. regardless of sex (p=0. The corporal adiposity was assessed using conicity index. L. 2011. ARRAIS. v. abr. SEVERINA CARLA VIEIRA CUNHA LIMA2.. Coronary risk in adolescents as estimated by the Conicity index. F.. C. P. selected by random sampling in two stages.Centro de Ciências da Saúde . B. PEDROSA. F. This index can be used in adolescent coronary disease screening. G. abdominal circumferences. Sexual maturity was clinically assessed according to Tanner. de Nutrição. The low/medium and high categories of coronary risks were respectively 1. 99-109.Artigo original/Original Article Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade Coronary risk in adolescents as estimated by the Conicity index ABSTRACT MARQUES.0001). LIMA. processo nº 478287-06-2. S. LIANA GALVÃO BACURAU PINHEIRO2. RICARDO FERNANDO ARRAIS4. p. AZEVEDO. L. SP. de Nutrição Rua General Gustavo Cordeiro de Farias. considering the two health districts of the city.764). clelialyra@ufrnet.20. The conicity index is strongly correlated with the waist-height ratio.732). C. for the median values of conicity index concerning both sexes.. Brazil. LUCIA DE FÁTIMA CAMPOS PEDROSA2 1Curso de Nutrição. C.Depto.6% of adolescents have high coronary risk. UFRN. Nutrire: rev. ANA LÚCIA MIRANDA1. UFRN. Alim. LYRA. Nutr. O. Anthropometry. R. M. E-mail: clelia_lyra@yahoo. n.16 and 1.

Brasil. O. Adolescente.. PEDROSA. Bras. R. Nutrire: rev. Os valores médios deste índice. sem associação com o sexo (p = 0. LYRA. El coeficiente de correlación parcial de Pearson fue utilizado para verificar la relación entre el índice de conicidad y otras variables antropométricas. Todas las variables r elacionadas con la adiposidad se analizaron mediante medidas de tendencia central y de dispersión. Por lo tanto. las circunferencias de la cintura. Se observó una elevada correlación entre el índice de conicidad y el de cintura-altura (0. 732) y correlaciones moderadas con la circunferencia de la cintura y el IMC. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. La madurez sexual fue clínicamente evaluada de acuerdo a Tanner. C. ajustadas por idade. SP.0001). todas estadísticamente significativas (p <0. RESUMEN RESUMO El objetivo de este estudio fue estimar la prevalencia de riesgo coronario en adolescentes mediante el índice de conicidad y evaluar su relación con otros indicadores antropométricos de grasa corporal. L. em dois estágios..0001). LIMA. Los valores promedio de este índice.20. Soc. Fatores de risco. Todas as variáveis relacionadas à adiposidade corporal foram analisadas por medidas de tendência central e de dispersão. Dessa forma.. C. ajustado por edad.. relación cintura / talla e índice de masa corporal. por categoría de riesgo: bajo/medio y alto fueron 1. Alim. M. B. Brazilian Soc. 1. P.. Nutr.. ARRAIS.764). C.764). 100 .6% de los adolescentes presentan alto riesgo coronario. V. segundo as categorias de risco baixo/médio e elevado foram 1. n.MARQUES. F. S. C. seleccionados mediante muestreo estratificado en dos etapas. L. Adolescente. Objetivou-se estimar a prevalência de risco coronariano em adolescentes. sexo y madurez sexual. respectivamente para ambos sexos. São Paulo. con el de cintura-altura. Destaca-se. realizado com 185 adolescentes de escolas públicas municipais de dois distritos sanitários de Natal. portanto. positiva y significativa. M. PINHEIRO. que este índice pode ser utilizado na triagem para a detecção precoce de eventos cardiovasculares em adolescentes. AZEVEDO. 36. G.732) e correlações moderadas com as circunferências abdominais e o índice de massa corporal.. circunferências abdominais.= J. Os resultados indicaram que 27.16 y 1. 99-109. respectivamente para ambos os sexos. Trata-se de um estudo transversal. Antropometria. Constatou-se uma forte correlação entre o índice de conicidade e a razão cintura-altura (0. Palabras clave: Índice de conicidad. La adiposidad corporal fue evaluada por el índice de conicidad. S.16 e 1. Palavras-chave: Índice de conicidade. P. A adiposidade corporal foi avaliada pelo índice de conicidade. o risco coronariano avaliado pelo índice de conicidade apresentou alta magnitude e mostrou correlação positiva e significante com a razão cintura-altura. Este índice puede ser utilizado en adolescentes para detección de enfermedades coronarias. abr. el alto riesgo coronario estimado por el índice de conicidad mostró elevada correlación. v. F. A. A maturação sexual foi avaliada conforme classificação de Tanner.20. utilizando o índice de conicidade e avaliar sua relação com outros indicadores antropométricos de excesso de adiposidade corporal. selecionados por amostra estratificada. 2011. RN.6% dos adolescentes apresentaram risco coronariano elevado. segundo o sexo. L. Antropometría. A correlação parcial de Pearson foi utilizada para verificar a relação entre o índice de conicidade e as demais variáveis antropométricas. Los resultados mostraron que 27. según el sexo.. Food Nutr. razão cinturaaltura e índice de massa corporal. R. Factores de riesgo. sexo e maturação sexual. Es un estudio transversal con 185 adolescentes de escuelas públicas en dos distritos de salud de la ciudad de Natal. p. independientemente del sexo (p = 0. MIRANDA. todas significantes estatisticamente (p<0.

Esta medida apresenta vantagens. verifica-se que o Índice C constitui-se em um indicador mais específico para avaliar fatores de risco coronariano. 2009.. Brazilian Soc. o estudo teve como objetivo estimar a prevalência de risco coronariano em adolescentes utilizando o índice de Conicidade e avaliar sua relação com outros indicadores de adiposidade corporal. O processo aterosclerótico tem início na infância.. S. KLEIN et al.. INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares (DCV) representam a primeira causa de mortalidade no Brasil (BRASIL. 1993). S. 2006. MENDES et al. Soc. MÉTODOS DELINEAMENTO DA POPULAÇÃO DE ESTUDO Estudo transversal realizado no período de 2007 a 2008. LANDAETA-JIMÉNEZ. provenientes de escolas municipais dos 101 . 2006. B.. ARRAIS. Bras. 2000.. C. como indicativo de obesidade generalizada e as circunferências da cintura (CC) ou do abdômen (CA) e razão cintura/ altura (RCA). 2010) e no mundo (WORLD HEALTH ORGANIZATION. PINHEIRO..... MIRANDA. JANSSEN et al. Muitos destes fatores estão associados à obesidade e ao excesso de adiposidade abdominal. DANIELS. L. Em adicional. 2000. V. abr.. P. Configura-se então. 2011. G. Alim. devido estar fortemente relacionado com as alterações das concentrações séricas de lipídios e lipoproteínas. Em adultos. AZEVEDO. 2007). tais como informações da adiposidade geral e central. bem como de diferentes biótipos e etnias (VALDEZ et al. os indicadores antropométricos utilizados nesta fase da vida são o Índice de Massa Corporal (IMC). 2002). Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade.. 1999.. O. 2007). hiperinsulinemia.. VELDHUIS et al. O Índice C está baseado no princípio que o corpo humano muda do formato de um cilindro para o de um “cone duplo”. MONEGO. SAVVA et al. M. 2005. F. 2001. C. 1991). SP. São Paulo. C. R. 2009. F. trata-se de uma ferramenta antropométrica de baixo custo e de fácil padronização.. LESSA.. 2008). SOROF. P. 1. Nutrire: rev. TAYLOR et al. BOZZA et al. R.... 2005). como marcadores de obesidade central. v. LYRA. maior comparabilidade entre pessoas com mesmo peso e altura. Poucos estudos têm avaliado o risco coronariano por meio do índice de Conicidade (Índice C) em adolescentes. devido às variações corpóreas próprias da fase puberal (PEREZ. com gravidade proporcional ao número de fatores de risco apresentados pelo indivíduo durante a vida (FREEDMAN et al. L. KLEIN et al. M. Nutr. 2009). 2008. 36. L. 2007. aspecto importante em se tratando de adolescentes. hipertensão e alterações nas concentrações de lipídios e lipoproteínas plasmáticas (BOZZA et al..MARQUES. diabetes. estando as últimas mais associadas às doenças cardiovasculares (ALVAREZ et al. FREEDMAN et al. VASQUÉZ. Neste sentido.. glicemia e pressão arterial (PITANGA. Classicamente. p. JARDIM.= J. 99-109. Food Nutr. com o acúmulo de gordura ao redor da cintura (VALDEZ. n. que favorecem a intolerância à glicose.. como uma medida independente da circunferência do quadril. LIMA. A. C. PEDROSA. com subamostra de adolescentes na faixa etária de 10 a 16 anos.

MIRANDA.. R. quando houve diferença superior a 0.MARQUES.6% e ρ Sul = 8. gestantes e os que apresentavam necessidades especiais. resultando no tamanho de amostra n = 224 alunos e amostragem estratificada com alocação de Neyman para definição dos tamanhos de amostra por distritos. de acordo com a alocação proporcional por distrito obteve-se nove escolas no distrito norte e três no sul. 1. O peso foi aferido com o auxílio de uma balança Tanita®. na faixa etária de interesse definida no momento da primeira coleta de dados. Nutr. Esses dois distritos sanitários foram escolhidos por se tratar de localidades dispares do ponto de vista de infraestrutura urbana e populacional. SP. PINHEIRO. A seleção das escolas foi feita por sorteio aleatório sistemático.. P. do tipo solar. conforme estudo piloto com ˆ ˆ oito escolas (ρ Norte = 14. G. O limite de erro de estimação foi de 2. Para registro dos dados foi preenchido um formulário padronizado. Soc.0281±0. Foram incluídos os adolescentes que frequentavam regularmente a escola. 36. A pressão arterial elevada foi utilizada para o cálculo amostral por ser o fator de risco cardiovascular de menor prevalência nesta população. M. Para determinação do número de escolas. distritos sanitários Norte e Sul.. n. AZEVEDO. A.270 alunos no distrito Norte e 4. no âmbito do projeto “Fatores de risco para DCV entre Adolescentes Beneficiários do Programa Nacional de Alimentação Escolar . O plano amostral foi determinado por amostragem aleatória estratificada em dois estágios. O. Nutrire: rev.0016±0. nSul = 33. São Paulo. A reprodutibilidade das medidas antropométricas foi verificada e a diferença média entre cada uma das duas medidas variou de -0..Natal/Rio Grande do Norte”.. S. C. O tamanho da amostra resultou em 12 escolas e. Brazilian Soc.28cm. realizou-se uma terceira medida e considerou-se a média das duas mais próximas. L. da CC e da CA. P. M. Food Nutr. 2011.= J. a estatura foi obtida com 102 . contemplando informações de identificação e dados antropométricos.5% e 20% de previsão para perdas amostrais. com amostra distribuída de forma proporcional aos totais de alunos das escolas sorteadas. abr. com base na população alvo de 19. LYRA. F. resultando em: nNorte = 192 .5cm entre as duas primeiras mensurações. Bras.. conforme protocolo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (nº 112/06). p.29cm a -0. e representa 52% da amostra total pesquisada. L. foi considerado o número médio de alunos por escola. Alim. S.8%).. L. e excluídos aqueles com síndromes genéticas associadas à obesidade ou a outras doenças. 99-109. Todos os participantes ou seus responsáveis apresentaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido. supondo-se aproximadamente igual a variância desse número nos distritos. C. modelo HS301. V. com capacidade de 150kg e precisão de 100g. no Sul. ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) O IMC foi calculado a partir da relação do peso (em kg) e da altura (em metros) ao quadrado.. Na aferição da altura. v. LIMA. B. ARRAIS. C. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. PEDROSA. e prevalências estimadas de pressão arterial elevada.128. R. C. ANTROPOMETRIA As medidas antropométricas foram aferidas em duplicata por estudantes de Nutrição devidamente capacitados. F.

36. P.= J. F. L. LIMA. AZEVEDO. L. circunferências da cintura e do abdômen e razão cintura/altura. SP.MARQUES. Apesar de ter sido utilizada a circunferência do abdômen. A circunferência do abdômen (CA) foi aferida no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca. Bras. Brazilian Soc. Soc. São Paulo. Foi realizada uma adaptação metodológica em relação ao uso da medida de circunferência abdominal. V. PINHEIRO. R. S. Enquanto que a circunferência da cintura foi mensurada na parte mais estreita do tronco. C.. M. Optou-se pelo P75 da distribuição do Índice C da população estudada considerando que a partir deste centil foi possível identificar diferença entre médias de IMC. p. indicadores antropométricos clássicos relacionados ao risco cardiovascular.. com o auxílio de uma fita antropométrica de material não elástico. Nutrire: rev. Nutr.. 99-109. L. 1991): Índice C = 0. com precisão de 1mm. ARRAIS. abr. F. segundo método de Tanner. CIRCUNFERÊNCIAS ABDOMINAIS As circunferências corporais foram medidas conforme as técnicas recomendadas pela World Health Organization (1995). optou-se em utilizar a nomenclatura padronizada na literatura. A. B. (2000). 1. considerando o desenvolvimento das 103 . considerando que seria a mais próxima do referencial anatômico proposto originalmente para o cálculo do Índice C. MIRANDA. C. C. Alim. O Índice C foi calculado a partir da fórmula (VALDEZ. ÍNDICE DE CONICIDADE O Índice C foi calculado a partir da circunferência do abdômen. Ambas as medidas foram mensuradas conforme as técnicas recomendadas pela World Health Organization (1995). S. DESENVOLVIMENTO PUBERAL Uma equipe de pediatras procedeu a avaliação da maturação sexual. n.... G. Abdômen (m) Peso Corporal (kg) Altura (m) O risco coronariano avaliado pelo Índice C foi categorizado em elevado. R. PEDROSA. Food Nutr. RAZÃO CINTURA / ALTURA A razão cintura/altura (RCA) foi avaliada a partir da divisão entre a circunferência do abdômen (cm) e a altura (cm). v.. segundo Savva et al. um estadiômetro portátil do tipo altura exata (precisão de 1mm). P.. entre a última costela e a crista ilíaca. 2011. O. utilizada como variável controle. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. C. M. LYRA. quando maior ou igual ao percentil 75 (P≥75) e baixo e/ou médio quando apresentou valores inferiores ao percentil 75 (P<75).109 C . peso corporal e altura.

MIRANDA. 99-109. ajustados pela idade. LYRA. CC. resultando em 17. nos estágios 4 e 5 de maturação sexual. v. TANNER. C. F. A análise foi realizada nos softwares Microsoft Office Excel 2007 e SPSS 9.. no qual as variáveis foram pré-codificadas. peso e altura dos adolescentes estudados foi de 11.. a maioria dos meninos (71.0. RESULTADOS Participaram efetivamente do estudo 185 adolescentes.. R. A. CA e RCA.175. O.. já prevista no cálculo do tamanho da amostra. n. R. Todas as análises estatísticas foram consideradas significantes quando o p-valor foi menor que 5%.. A prevalência de elevado risco coronariano medido pelo Índice C foi de 27. C.MARQUES. ARRAIS. RCA e Índice C) entre os sexos. sem diferenças entre médias em relação ao sexo (p=0. p=0. CA. PEDROSA. Food Nutr. Alim. Observou-se que não houve diferença estatística dos valores médios das variáveis antropométricas (IMC.. sexo e maturação sexual revelaram que o Índice C se relacionou de 104 . TANNER. S. P. Para comparar as médias entre as circunferências abdominais nos dois pontos anatômicos aferidos (cintura e abdômen). M.04.764) (dados não apresentados em tabelas). L.8 anos. M.. P.= J.. abr. p=0. Bras. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. A correlação entre o Índice C e variáveis de adiposidade corporal foi verificada pelo coeficiente parcial de Pearson. ANÁLISE ESTATÍSTICA O banco de dados foi construído no software EPI-INFO versão 6. 1970) em estágios do 1 ao 5. respectivamente). 1. mamas (MARSHALL.8% (n=94) eram do sexo masculino e a média da idade. Brazilian Soc. Nutrire: rev. F.7%) encontrava-se nos estágios 1 e 2. AZEVEDO. 39. C. Todas as variáveis antropométricas foram apresentadas por meio de medidas de tendência central e de dispersão (média. V. Destes. Nutr. respectivamente para meninas e meninos. A análise dos coeficientes de correlação parcial entre o Índice C e IMC. 36.6%. Soc. 50. ajustado por idade (como variável contínua).0cm.4 kg e 146. 1969) e genitais (MARSHALL.4% de perda do universo amostral inicial. PINHEIRO. Conforme avaliação do desenvolvimento puberal. 2011. C. As diferenças entre as médias das variáveis antropométricas em relação ao sexo e ao risco coronariano medido pelo Índice C (elevado e baixo/médio) foram verificadas pelo teste t-Student. A associação do risco coronariano elevado com o sexo foi verificada pelo teste de qui-quadrado (χ2). ao passo que 50% das meninas. sem associação com o sexo (p = 0. sexo e maturação sexual (cinco estágios). CC. utilizou-se o teste t-pareado. L. p. SP. São Paulo. L. As características antropométricas da população estudada estão representadas na tabela 1.135. S. G.630. mediana e desvio padrão) e distribuição em percentil considerando o P75. LIMA. B.

de acordo com as categorias de Índice C foram semelhantes entre os sexos e significativamente maiores nos adolescentes que apresentaram elevado risco coronariano (Tabela 3).1 0. M. sendo mais forte para a RCA.20 p-valor* 0.907 0.4 0.2±7.84 66. LYRA.. São Paulo.423 0. C.MARQUES. AZEVEDO.624 0.2 63.46 1.. CA:circunferência do abdômen. P. R. Bras.43 1. O. LIMA. ajustados por idade.4±3. Índice C: índice de conicidade. Brazilian Soc. L. Food Nutr.16 P75 18.96 67.4 66.45±0. ARRAIS.7 63. F.05 1.6 63. Os valores médios e desvio padrão das variáveis antropométricas.05 1.47 1.350 0. 99-109.0001 Índice C 0. S...0±9. Natal (RN).5 68. 2011. PINHEIRO.0 0.. C. PEDROSA.2±9. F. 105 . RCA: Razão cintura-altura. Soc. Índice C: índice de conicidade.45±0.3±8.9±3. 36..06 P50 17. n. G. Alim.673 Feminino *p-valor refere-se a diferença entre masculino e feminino. Nutr.16 P75 19.17±0.43 1. R.05 P50 17. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. P.2 65.= J. B.4 0.3 63. Tabela 2 – Coeficientes de correlação parcial* entre o Índice C e as variáveis antropométricas de adolescentes. L. 1. C. p.290 0.0001).10 61. MIRANDA. S.65 61. abr.1 0.732 para todos os coeficientes de correlação. V.3 0.685 0. C. CC: circunferência da cintura. 2007-2008 Variáveis Antropométricas Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência do Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura *p<0.. sexo e maturação sexual. como mostra a tabela 2. Tabela 1 – Características antropométricas de adolescentes de escolas municipais de Natal. M. v. SP.917 0. L. A.20 x ±DP 18.. Nutrire: rev. maneira positiva e significativa com todas as variáveis (p<0. RN (2007-2008) Masculino Variáveis x ±DP IMC (kg/m2) CC (cm) CA (cm) RCA Índice C 17.17±0.5 70.

0±8. Natal. deve ser considerada na avaliação do estado nutricional.7±12. S. 2007-2008 Índice C Variáveis Masculino Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência do Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura Feminino Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência do Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura Total Índice de Massa Corporal (kg/m2) Circunferência da Cintura (cm) Circunferência Abdômen (cm) Razão Cintura-Altura *Teste ≥ P75 Elevado n=25 20. P.3±5.0* 0.6±5.8* 70.3±2. 106 .9* 70.2* 72.. P.6±5.0* 70.1 60. Nutr. C. p. L. M.02 n=65 17.2 0. LANDAETA-JIMÉNEZ.. S. MIRANDA.3± 9. PITANGA. R. PRIORE..43±0. O. n.06* n=51 20.1±11.. que verificou a relação deste índice e o perfil lipídico em adultos. M. Nutrire: rev. VASQUÉZ.7±4.MARQUES.0001.0±1. 99-109. abr. VELDHUIS et al. F. em população de adultos de Salvador... F.03 n=134 17. 2007).50±0.2±5.= J.0±11.9 0.5 0.50±0. C. LESSA. L. B. C. RN. SP. A maturação sexual foi utilizada neste estudo como variável de ajuste.4±5.1±4.6* 74.2±2. DISCUSSÃO O estudo pioneiro relacionando o índice C e o risco cardiovascular foi realizado por Valdez et al.9 62.. L. e não somente quanto à idade cronológica e sexo (BARBOSA.1 62. p < 0. Pitanga e Lessa (2007) realizaram estudo de validação utilizando o escore de Framingham. v.1* 75. Food Nutr. R. G. Soc.5 60. São Paulo.06* n=26 21.4±5. C. optou-se em utilizar a nomenclatura deste último autor. Bras. segundo o sexo. Tabela 3 – Valores médios (±DP) das variáveis antropométricas de adolescentes. 1. FRANCESCHINI. 36.4* 0. 2005).7 60. portanto. conforme risco coronariano medido pelo Índice C.43±0. 2002.06* < P75 Baixo/moderado n=69 17. AZEVEDO. (1993). uma vez que a puberdade desencadeia modificações antropométricas e de composição corporal. LYRA..43±0. Bahia.03 t-Student. 2011.50±0. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. No presente estudo. ARRAIS. A. LIMA.0 62.5* 0. Alim.8±4. O Índice C tem sido utilizado como alternativa para avaliar distribuição da adiposidade em adolescentes (PEREZ. 2006. Brazilian Soc. PINHEIRO. No Brasil. PEDROSA.0±9. V.. denominando o risco como coronariano.

P. LIN et al. PINHEIRO.02 – 1. MUTO. L.18) que as meninas (0. 2011. Além disso... FREEDMAN et al.. CONCLUSÕES O Índice C indicou uma relevante prevalência de elevado risco coronariano nos adolescentes avaliados. R.. A mediana do Índice C foi semelhante em ambos os sexos e seu valor diminuiu à medida que a idade aumentou. n. estas limitações não comprometem os achados diante do embasamento conceitual e metodológico explorados.. 1999).35±2.= J. especialmente para os meninos. LYRA. F. 2008. e pressão arterial sistólica e diastólica) (SAVVA et al. Soc. C. apresentaram valores médios mais elevados de outros fatores de risco cardiovascular (colesterol total. L. AZEVEDO. 2000). low-density lipoprotein cholesterol . R. Alim. L. Além disso. V.MARQUES. esses autores verificaram que os adolescentes que excederam o percentil 75 para esses três indicadores. F. 1. 2003. YOSHINAGA. pesquisas de delineamento transversal não permitem identificar a precedência no tempo entre a exposição e o desfecho. para identificar a obesidade central a partir das circunferências abdominais é necessário primeiramente definir o critério de classificação a ser utilizado. com o mesmo termo técnico ou significado. abr. C..25cm (p<0. high-density lipoprotein cholesterol . Portanto. Food Nutr. A. Os resultados mostraram que todos os valores obtidos foram mais elevados do que os encontrados na presente pesquisa. Nutrire: rev. 2004. no feminino. triglicérides. Apesar de estas medidas serem aferidas em pontos anatômicos distintos. Uma pesquisa realizada na ilha de Chipre com adolescentes de 10 a 14 anos também investigou a média dos indicadores IMC. CC e RCA. O Índice C forte e positivamente relacionado à RCA reflete a pertinência desta medida pelo fato da RCA estar relacionada com a predição de vários fatores de risco cardiovasculares (HO. VASQUÉZ. M. São Paulo. p. SP. No entanto. B. P. 107 . S. ARRAIS. Bras. 2003.99 – 1. Verificou-se como limitação a escassez de estudos utilizando o Índice C em adolescentes. Brazilian Soc. para então escolher o referencial anatômico adequado para a pesquisa. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. tem sido frequentemente utilizadas para compor os critérios de classificação de obesidade central. S. 36. visando a determinação de pontos de corte mais adequados para a avaliação do Índice C em adolescentes. 2002).. Recomenda-se que outras investigações sejam realizadas. FERNÁNDEZ et al. dificultando a interpretação dos resultados fundamentada em análises comparativas. LIMA. JANUS. v. para as distintas idades.. PEDROSA. A forte correlação entre este índice e a RCA reforça a predição de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares nesta população. LANDAETA-JIMÉNEZ. MIRANDA. 2000). Além disto. 99-109. G. Neste estudo. também foi observado que as circunferências abdominais estão mais relacionadas aos fatores de risco cardiovasculares do que o IMC (ALVAREZ et al. os meninos apresentaram valores mais elevados de Índice C (1.0001. que resultou em diferença média de 2. segundo os percentis 50 e 75 da distribuição. HSIEH..HDL-C.. que foi de 14% no sexo masculino e 15%. C. LAM.LDL-C. a prevalência do elevado risco coronariano foi preocupante e superior ao observado em adolescentes venezuelanos. M.14) (PEREZ. Em outros estudos. C. Cuidados também foram direcionados quanto ao conhecimento da variação da CA e da CC. O.. Nutr.. t-pareado)..

MARQUES, M. P.; LYRA, C. O.; LIMA, S. C. V. C.; PINHEIRO, L. G. B.; AZEVEDO, P. R. M.; ARRAIS, R. F.; MIRANDA, A. L.; PEDROSA, L. F. C. S. Risco coronariano em adolescentes estimado pelo índice de Conicidade. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 99-109, abr. 2011.

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Artigo original/Original Article

Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba Epidemiological profile of the nutritional status in children assisted in daycare centers in the state of Paraíba
ABSTRACT

SOUSA, C. P. C.; SOUSA, M. P. C.; ROCHA, A. C. D.; FIGUEROA PEDRAZA, D. Epidemiological profile of the nutritional status in children
assisted in daycare centers in the state of Paraíba. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. = J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 111-126, abr. 2011. This was a cross-sectional study to evaluate the nutritional status of children younger than 6 years old from daycare centers in the state of Paraíba and its association with food intake and health condition. The nutritional status was evaluated by height-for-age and weight-for-height anthropometric indices. Children presenting such ratios with values of 2 z scores below the standard population according to the World Health Organization were diagnosed with malnutrition. In the case of overweight/obesity, children presenting values of 2 z scores above the standard population were considered overweight/obese. The food consumption was monitored through a 24-hour dietary recall. The health condition of children was analyzed, considering the presence of signals and symptoms of infection. Statistical analyses were carried out using software SPSS-8.0, considering a significance level of 5%. The prevalence of stunting, wasting and overweight/obesity, from a total of 353 children, were 7.36%, 1.13% and 6.23%, respectively. The variables vaccination schedule, birth weight, blood in the feces, number of rooms at home, per-capita income and maternal stature were statistically associated with stunting. The weight-for-height index was associated with the variables child’s age vaccination schedule, supplementation with vitamin A, the participation of macronutrients in the total-energy value and the mother’s age. Expressive prevalence of stunting and overweight/obesity was verified, thus justifying the need for a nutritional intervention in order to prevent and control these problems. Keywords: Nutritional Status. Child Malnutrition. Daycare Centers.

CAROLINA PEREIRA DA CUNHA SOUSA¹; MAYANA PEREIRA DA CUNHA SOUSA²; ANA CAROLINA DANTAS ROCHA¹; DIXIS FIGUEROA PEDRAZA³ 1Estudante de Iniciação Científica PIBIC/CNPQ/UEPB, Curso de Enfermagem da Universidade Estadual da Paraíba. 2Estudante Colaboradora de Iniciação Científica, Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual da Paraíba. 3Doutor em Nutrição. Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Núcleo de Estudos e Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Estadual da Paraíba. Endereço para correspondência: Carolina Pereira da Cunha Sousa Rua Dorinha de Vasconcelos, 155, Santa Rosa. Campina Grande-PB. CEP 58416-340. E-mail: carolina_pcs@ hotmail.com Agradecimentos: aos dirigentes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano por viabilizarem o desenvolvimento da pesquisa. Às estudantes, dos cursos da área de saúde da Universidade Estadual da Paraíba, pela colaboração no estudo. Aos pais, crianças e funcionários das creches, que participaram do estudo.

Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ). N° do Processo: 35.0210/2007-1.

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... as crianças que apresentaram índices dois escores z abaixo do valor mediano do standard de crescimento infantil da Organização Mundial da Saúde. P. La evaluación de la ingestión de alimentos fue realizada por recordatorio de 24 horas. Soc. 112 . D. As variáveis esquema de vacinação. SOUSA. justificando a necessidade de intervenções nutricionais para a prevenção e controle destes agravos. Fueron detectadas prevalencia expresiva de déficit de estatura y sobrepeso/obesidad. M. A avaliação do consumo de alimentos foi realizada por recordatório de 24 horas. Realizou-se estudo transversal com o objetivo de avaliar o estado nutricional de crianças menores de seis anos assistidas nas creches do Estado da Paraíba e sua associação com o consumo de alimentos e as condições de saúde. A condição de saúde da criança foi analisada considerando a presença de sinais e sintomas de infecção.. foram analisados os índices estatura/idade e peso/estatura. Verificaram-se prevalências expressivas de déficit de estatura e sobrepeso/obesidade. justificando la necesidad de intervenciones nutricionales para la prevención y control de estos problemas. 111-126. ROCHA. adecuación de macro nutrientes en el valor energético total de la dieta y edad materna. y su asociación con el consumo de alimentos y las condiciones de salud. 1. 36. Alim. renta familiar per cápita y estatura materna se relacionaron estadísticamente con el déficit de estatura. Palavras-chave: Estado nutricional. ponderando un nivel de significancia de 5%. considerándose con déficit nutricional los niños que presentaron índices con puntaje z abajo del valor mediano del patrón de crecimiento infantil de la Organización Mundial de la Salud. São Paulo.0.= J. 1. Para la evaluación del estado nutricional fueron analizados los índices estatura/edad y peso/estatura. As prevalências de baixa estatura. Nutrire: rev. Food Nutr. n.23% respectivamente. de um total de 353 crianças estudadas.36%. RESUMEN RESUMO Estudio transversal con el objetivo de evaluar el estado nutricional de niños menores de 6 años que frecuentan jardines infantiles del Gobierno de Paraíba. Las variables esquema de vacunación. Jardines infantiles. Brazilian Soc. renda per capita e estatura da mãe se associaram estatisticamente com o déficit de estatura. La condición de salud de los niños fue analizada considerando la presencia de señales y síntomas de infección.13% y 6. número de cômodos no domicílio. foi considerado o índice peso/estatura dois escores z acima da referência. Brasil. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. abr. Desnutrição infantil. adequação da participação de macronutrientes no valor energético total da alimentação e idade da mãe.SOUSA.0. D. SP.13% e 6. suplementación con vitamina A. p. fue de 7. O peso/estatura mostrou-se associado com as variáveis: idade da criança. FIGUEROA PEDRAZA. Nutr.36%. esquema de vacunación. déficit de peso y sobrepeso/obesidad en un total de 353 niños estudiados. sangre en las heces. P. déficit de peso e sobrepeso/obesidade. Desnutrición infantil. 1. Bras. esquema de vacinação. peso al nacer. Foram realizadas análises estatísticas para proporções com o programa SPSS-8. C. peso ao nascer. número de cuartos en el domicilio. El peso/estatura mostró relación con las variables edad del niño. sangue nas fezes. 2011. Fueron realizadas análisis estadísticas para proporciones con el programa SPSS-8. Para o caso do sobrepeso/ obesidade. C. A. Palabras clave: Estado nutricional. foram de 7. Para el caso de sobrepeso/ obesidad fue considerado el índice peso/ estatura con puntaje z sobre la referencia. ponderando um nível de significância de 5%. Para a avaliação do estado nutricional. suplementação com vitamina A. Creches. considerando-se com déficit nutricional. respectivamente. v.23%. La prevalencia de déficit de estatura. C. C.

escolaridade materna. Nutr. convive com a transição nutricional. contribuindo com o aumento das doenças crônicas não transmissíveis (COUTINHO. D. particularmente no caso das crianças. GENTIL. 36. atualmente. n. pela interação sinérgica dessas duas vertentes (RISSIN et al. justificando a conduta de enfoques clínicos e epidemiológicos diferenciados (BATISTA FILHO et al. coabitação com o pai da criança. São Paulo. ocupação/trabalho feminino fora do lar.= J. expressa pelo comprometimento do crescimento linear e/ou ponderal. vii) nutricionais: estado nutricional de micronutrientes (zinco. P. biótico e social.SOUSA. abr. ROCHA. nas disfunções relacionadas com o aproveitamento biológico de energia e nutrientes ou. o retardo estatural constitui... é ainda um dos principais problemas de saúde enfrentados pelos países em desenvolvimento. Soc. LIRA. P. tabagismo. vi) socioeconômicas: renda per capita familiar. 2004). Entre esses fatores. Segundo Romani e Lira (2004). 2008). Diversos estudos têm demonstrado que o Brasil. tipo de moradia. internações hospitalares. SOUSA. Ao contrário. no Brasil (VITOLO et al. vitamina A) (ROMANI. o que é mais comum.. as deficiências nutricionais expressam um desequilíbrio na relação hospedeiro/habitat mediado por restrições no consumo de alimentos. quer pela elevada prevalência. A desnutrição na infância. SP.. se o consumo energético excede as exigências biológicas acima dos níveis toleráveis. 2007). p. OSORIO. ao lado do sedentarismo crescente. 2006). M. quer pela carga de morbidade que se associa a esse evento (OLIVEIRA et al. determinada frequentemente pela má-alimentação. compreende outras variáveis que devem ser destacadas pela sua relevância: i) biológicas: sexo. ii) maternas: idade. reflete mais do que qualquer outra condição do espectro saúde/doença o processo de ajustamento de indivíduos e populações ao seu ambiente físico.. C. 2007). de gorduras animais. De forma simplificada. peso e estatura da mãe. A. C. representadas pela alimentação hipercalórica e seus desvios específicos: consumo excessivo de açúcares simples. FIGUEROA PEDRAZA. INTRODUÇÃO O estado de nutrição. 2008). Food Nutr. de ácidos graxos saturados. Brazilian Soc. 1. Bras. ferro. Sob essa perspectiva.. 111-126. poucos estudos de base populacional sobre o estado nutricional e fatores associados têm sido realizados. assim como outros países em desenvolvimento. Nos últimos anos. A natureza multicausal do crescimento infantil. além de estar centrada na interação sinérgica entre o consumo inadequado de alimentos e o desenvolvimento de enfermidades infecciosas. a desnutrição e o excesso de peso são representações de dois modelos bem distintos e até antagônicos.. Ao mesmo tempo em que se assiste à redução contínua dos casos de desnutrição. destino do lixo e esgotamento público. destacam-se as variáveis nutricionais. iv) acesso aos serviços de saúde: imunizações. Alim. D. de gorduras trans. são observadas prevalências crescentes de excesso de peso. TORAL. iii) condições de saneamento ambiental: abastecimento e tratamento da água. 2008). Dados resultantes 113 . a característica antropométrica mais representativa do quadro epidemiológico do crescimento de crianças no Brasil e no mundo. C. uso imoderado de bebidas alcoólicas e outras práticas de vida não saudáveis (BATISTA FILHO et al. O sobrepeso/obesidade apresenta principalmente fatores biológicos e comportamentais de risco. peso e comprimento ao nascer. Nutrire: rev. 2008).. C. v. número de equipamentos domésticos no lar. número de irmãos pequenos. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. pré-natal.. a tendência é a instalação da chamada patologia dos excessos nutricionais (FIDELIS. 2011.

Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. O estudo foi desenvolvido em creches da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano do Governo da Paraíba. 36.. utilizando-se um procedimento de amostragem por conglomerados em duas etapas.= J. O universo é de 4.SOUSA. abr.000 crianças beneficiadas. Soc. C. 2006). o sistema de referência para a primeira etapa de amostragem foi ordenado segundo estratos (João Pessoa. indicam a tendência de manutenção das altas prevalências de déficit no crescimento linear (15. da avaliação do Programa Bolsa Alimentação. MÉTODOS Realizou-se estudo transversal. nas 14 creches selecionadas de forma aleatória na primeira etapa. A opção para determinar o tamanho da amostra do estudo foi através do procedimento de amostragem para proporções: 114 . Ao todo funcionam 45 creches em bairros distintos das cidades beneficiadas. C. Itaporanga. outros municípios). e considerando a influência decisiva do estado nutricional nos riscos de morbi-mortalidade. Nutrire: rev.. 750 no município de Campina Grande e 450 nos outros municípios. Mamanguape. C. o aumento de episódios de doenças infectocontagiosas e de outras doenças de maior gravidade associado à institucionalização. 111-126. SOUSA. além das cidades de Areia. Para garantir a representatividade dos municípios.7%) e sustentam também o diferencial da distribuição dos déficits do crescimento na infância entre as regiões. Entretanto. Brasil”. Foi selecionada uma amostra probabilística de creches da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano do Governo da Paraíba. Nutr. São Paulo. em 2. Bras. FIGUEROA PEDRAZA. as crianças a serem avaliadas. p. Nesse contexto. Soledade e Umbuzeiro (cada uma delas com uma creche). em áreas carentes que abrigam crianças de famílias de baixa renda (percebem uma renda familiar entre um e dois salários mínimos). foram sorteadas. Na segunda etapa de amostragem. n. A. Campina Grande. geralmente. SP. 1. possibilitando a obtenção de um tamanho amostral apropriado para cada estrato. ao estudar crianças menores de sete anos de idade de municípios do Nordeste do Brasil. D. 2004). ROCHA.1%) e ponderal (10. Alim. v. C. Campina Grande (9 creches)..800 no município de João Pessoa. P.. M. distribuídas. é de fundamental interesse investigar a etiologia da desnutrição infantil em crianças assistidas em creches. pode repercutir negativamente no estado nutricional das crianças (ZÖLLNER. 2011. D. Bayeux. especialmente nas populações de baixa renda (BRASIL. integrado a um projeto mais amplo intitulado “Desnutrição crônica e deficiência de zinco em crianças pré-escolares de similar vulnerabilidade social do Estado da Paraíba. O benefício está presente em oito municípios paraibanos: João Pessoa (30 creches). P. demonstrado associação positiva entre a permanência de crianças em creches e seu estado nutricional. a utilização das creches por crianças em condições socioeconômicas menos favorecidas é considerada uma das estratégias dos países subdesenvolvidos para garantir o crescimento e desenvolvimento das mesmas. FISBERG. situadas. a fim de subsidiar a formulação e/ou reformulação das ações nutricionais correspondentes. Com base no supracitado. Considerou-se também o porte da creche (número de crianças por creche). aproximadamente. É nesta perspectiva que o presente estudo se propõe a avaliar o estado nutricional de crianças assistidas nas creches do Governo da Paraíba e sua associação com o consumo de alimentos e as condições de saúde. Food Nutr. Brazilian Soc.

. A mensuração do comprimento das crianças menores de 24 meses foi realizada na posição deitada com antropômetro infantil de madeira (construção própria) com amplitude de 130cm e subdivisões de 0. 2011. FIGUEROA PEDRAZA. n. Para os dados socioeconômicos. contendo informações sobre as crianças (características biológicas.962 (se a confiança é do 95%). Nutr. Para obtenção do peso corporal das crianças. 111-126. previamente testado incluíram: sexo. C. O treinamento também incluiu a obtenção do peso e estatura das crianças e das mães.. Brazilian Soc. p é a proporção esperada. imunização antitetânica e realização de três ou mais consultas de pré-natal).5 (média do déficit de altura para o Brasil.105 * 0. condições de saúde e consumo de alimentos) e sobre outras variáveis de interesse (características ambientais e antecedentes maternos).0009 * 3999 + 3. A. 1997) e d = 3%. SOUSA. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. D. Nutrire: rev. seguindo as recomendações de padronização da Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION.. SP.895 0. foi permitida apenas uma peça íntima leve. e cuidados durante a gravidez (suplementação com sulfato ferroso. M. P. A estatura das crianças entre 25 e 72 meses e das mães foi realizada utilizando estadiômetro (WCS®) com escala em milímetros (mm). de forma transversal.65 2 onde N é o total da população. Food Nutr. Considera-se p = 10. q = 1 – p. pesava-se a criança no colo daquele adulto. peso ao nascer e situação vacinal durante o primeiro ano de vida foi utilizado o cartão de saúde da criança.1cm. 36. D. A renda familiar foi estimada considerando a soma dos salários dos membros da família com outros benefícios (doação ou pensão alimentícia. p. P. abr. PNDS 1996) (SOCIEDADE CIVIL BEM-ESTAR FAMILIAR NO BRASIL. No caso de crianças que usavam fraldas.895 = 364. Utilizou-se balança eletrônica do tipo plataforma com capacidade para 150kg e graduação em 100g (Tanita UM-080®). O cartão de saúde da criança e a ficha da criança são de uso obrigatório em todas as creches. O processo de pesagem das crianças menores foi por verificação de diferenças: o adulto era pesado. São Paulo. Zα = 1. remessas e programas assistenciais). 1995). Para obter os dados sobre a data de nascimento. mediante entrevista realizada com as mães ou responsáveis pelas crianças. por entrevistadores treinados (estudantes da área de saúde e três professores pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba).8416 * 0. totalizando 365 crianças entre 6 e 72 meses que foram sorteadas de forma aleatória no momento do trabalho de campo. em seguida. Alim. ocorrência de diarreia. C. Eles foram treinados pelo coordenador do projeto para aplicar um questionário. foi utilizada a informação fornecida na ficha da criança. Soc.105 * 0. N * Z2 * p * q α n= d2 * (N – 1) + * q Z2 α * p = 4000 * 3. C. d é a precisão arbitraria (erro de estimação). devendo a pessoa estar em pé e descalça.SOUSA. a balança eletrônica era zerada e.. 1. A coleta de dados foi realizada nas creches. através do questionário. exceto a dos dados sobre a renda. sangue nas fezes. v. Bras. braços relaxados ao lado do corpo. corpo encostado na superfície vertical do 115 .8416 * 0. febre ou problemas respiratórios nos 15 dias anteriores à entrevista. As informações obtidas.= J. Para a obtenção do comprimento e da estatura. foram removidos enfeites e prendedores de cabelo e os indivíduos foram colocados na posição certa (pernas e pés paralelos. O salário da família sempre foi conferido com aquele fornecido na ficha da criança. C. estas foram retiradas. ROCHA.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. 2004). 2007). C.. estadiômetro e cabeça no plano de Frankfurt). v. 50% das necessidades nutricionais diárias. M. FRANCESCHINI. calculado pela razão entre a massa corporal (em kg) e a estatura (em metros) ao quadrado. Para o caso do sobrepeso/obesidade. 2004). 2000).. e a adequação da distribuição percentual dos macronutrientes em relação ao valor energético total. comparados com o standard de crescimento infantil da OMS (ONIS et al. A. no mínimo. 116 . C. São Paulo. ROCHA.= J. considerando o preconizado pelo Ministério da Saúde (BRASIL 2002. os dois bancos de dados foram cruzados com a utilização do aplicativo Validate do programa Epi Info v. mudando de um mês para outro). D. utilizando o programa WHO Anthro 2005 versão beta. foram considerados os índices estatura/idade e peso/estatura. P. Esse valor corresponde ao percentil 5 da relação estatura para idade. A digitação dos dados foi realizada com dupla entrada e após o término da digitação. 2011. ponderando que a alimentação nas creches deve suprir. SOUSA. também foi utilizado para a classificação do estado nutricional materno empregando os pontos de corte indicados pela World Health Organization (1995). 2000. onde idade é igual a 20 anos do National Center for Health Statistics (2000). Alim. assumindo que a essa idade perde-se a capacidade de crescer (segundo a OMS. visto que nas mesmas as crianças recebem duas refeições (desjejum e almoço) e um lanche diariamente. segundo a faixa etária da criança em cada creche. foi considerado o índice peso/ estatura dois escores z acima da referência. Food Nutr. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.04b (NATIONAL CENTER FOR HEALTH STATISTICS.. Foi estimada a adequação das recomendações de energia. 111-126. tamanho de medidas caseiras e estimação das porções) e obter resultados mais confiáveis (CAVALCANTE. considerando os parâmetros da Organización de las Naciones Unidas para la agricultura y la Alimentación (2001). Os cálculos para quantificar o valor energético total da dieta e de macronutrientes foram realizados com o auxílio do software Virtual Nutri. Durante a aplicação do recordatório de 24 horas foi utilizado o álbum de registros fotográficos com o fim de diminuir erros (viés de memória. No caso dos cardápios oferecidos nas creches. 2006). 6. 36. D. p. A avaliação do consumo de alimentos na creche baseou-se no cálculo do valor nutricional dos cardápios do dia da avaliação oferecidos nas creches (sugeridos pelo núcleo de creches: um cardápio para cada dia da semana. Nutr. Soc. C. considerando a quantidade de alimento pronto servido. A avaliação do consumo de alimentos foi realizada por recordatório de 24 horas. P. SP. a adolescência corresponde às idades de 10 a 19 anos) (NATIONAL CENTER FOR HEALTH STATISTICS. Brazilian Soc.SOUSA. FIGUEROA PEDRAZA. O índice de massa corporal (IMC). As medidas de peso e estatura foram tomadas nas creches no momento em que as mães deixavam ou pegavam as crianças. PRIORE. considerando a alimentação no dia anterior em casa e o consumo de alimentos na creche.. abr..0cm. A baixa estatura materna foi definida pelo ponto de corte 155. Bras. C. estes também foram avaliados para estimar sua adequação às recomendações. 1. Foram consideradas com déficit nutricional todas as crianças que apresentaram índices dois escores z abaixo do valor mediano da população de referência (<-2 escores z como ponto de corte para classificar déficit nutricional). n. Para a avaliação do estado nutricional. Nutrire: rev.

7%) e adequação da participação dos macronutrientes no valor energético total.05). A maior parte das mães entrevistadas obteve expressos percentuais no que se refere a cuidados durante a gravidez: suplementação com sulfato ferroso (84. ROCHA. sobrepeso/obesidade) foi considerado (y) = estatura/idade ou peso/ estatura (≥ -2z = 0.0. RESULTADOS Da amostra de 365 crianças. α = 0. C.. SOUSA.= J. 43.1% das mães tinham menos de 20 anos. FIGUEROA PEDRAZA. A distribuição por sexo foi de 197 (55.9%) e três o mais consultas de pré-natal (91. D. A tabela 1 apresenta a distribuição das crianças segundo o estado nutricional (déficit de estatura.1%. O nível de significância estatística considerado foi de 5% (p< 0.. referindo o consumo de alimentos. no momento da coleta de dados ou por recusas para participar.133-07. <-2z = 1). Alim. baixo peso e sobrepeso/obesidade) e a associação com as características biológicas das crianças. Soc. abr. D.SOUSA. Por sua vez.8%) meninos e 156 (44.23% de sobrepeso/obesidade.2%). para a maioria das crianças. Brazilian Soc. Após o resultado do estado nutricional. 117 . p. Para analisar a influência das variáveis no estado nutricional (déficit de estatura. condições de saúde e consumo de alimentos. Os dados que abordam aspectos relacionados com a situação de saúde da criança revelaram que os problemas respiratórios apresentaram destaque no contexto dos processos infecciosos. os pais foram contactados para esclarecimentos acerca do estado de saúde das crianças e correspondentes orientações nutricionais. 111-126.9% com déficit de estatura e 35. C. As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o programa SPSS. P.1%) quando comparado com as meninas (5.9% com sobrepeso/obesidade.6% e 7. Nutr. 1. Quanto aos antecedentes maternos (Tabela 2)..2%) meninas. C.6% da população afetada. sendo devido ao não comparecimento das mães ou pessoas responsáveis pelas crianças. C. Nutrire: rev. registrou-se um total de 12 perdas. respectivamente. sendo 68. n.1%). v. 36. 2011. os resultados evidenciaram. 1. o baixo peso só foi encontrado em crianças do sexo feminino. Para o caso do índice peso/estatura. P. como variável dependente.13% de baixo peso e 6.05. A.4%).. a prevalência de sobrepeso/obesidade foi maior entre os meninos (7. A avaliação do estado nutricional segundo os índices antropométricos apontou prevalências de 7. Todas as diretrizes éticas da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde foram contempladas e o projeto maior foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba. A perda de peso e os estados febris foram os outros sintomas de maior importância em relação aos processos infecciosos.000. possibilitando assim verificar a consistência dos dados e gerando o banco final que foi usado para análise estatística. O percentual de meninas e meninos que apresentaram déficit de crescimento linear foi de 7. nota-se que 5. SP. protocolado sob o número 4232. Bras.36% de déficit de estatura. A identificação de diferenças entre proporções foi realizada através do teste de qui-quadrado de Pearson. M. São Paulo. adequação energética (71. imunização com vacina antitetânica (88. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. Food Nutr.

9 7. C.4 94.0 1.3 92.0 0.8 7.1 8.853 92.SOUSA.6 6.2 0. SOUSA.869 93.5 7.1 10.1 73.3 0. ROCHA.1 4.7 94.6 89.1 0.004 PESO/ESTATURA Baixo Peso Sobrepeso/ peso adequado obesidade (n = 4) (n = 327) (n = 22) % % % 0.476 89. abr. São Paulo.001 VARIÁVEIS p p Sexo Masculino Feminino Idade da criança (meses) 6 – 12 13 – 36 37 – 72 Esquema de vacinação Completo Incompleto Sem informação Suplementação com vitamina A Sim Não Sem informação Peso ao Nascer Baixo (<2500 g) Normal Sem informação Diarreia* Sim Não Sangue nas fezes* Sim Não Febre* Sim Não Problemas respiratórios* Sim Não Adequação de energia Inadequado Adequado Participação dos Carboidratos no VET Inadequado abaixo Adequado Inadequado acima Participação das Proteínas no VET Inadequado abaixo Adequado Inadequado acima Participação dos Lipídios no VET Inadequado abaixo Adequado Inadequado acima 0.2 85.0 4.0 0.3 94.2 93.5 9.4 93.3 7.2 2.6 0.002 22.0 18..0 0.6 0.1 10.5 7.0 79.8 100.7 68. Tabela 1 – Distribuição das crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. 36.4 95.0 14. p.2 27.9 0.0 1.5 24.0 22.1 10.1 92.841 0.021 50.1 93.1 86.5 93.7 8.1 93. 111-126.7 0.3 0. Food Nutr.7 <0.8 11.215 90.7 5.0 92.4 5.4 28. v..1 94. Nutr.9 7.6 100. Soc. A.0 85.6 0.8 44.1 8.6 7.9 14.9 6.0 14.0 100..7 18.9 0.2 1. D.2 95.6 94. C.1 78.2 5.0 0.8 1.106 93.6 6.0 94.9 92.3 93. M. 2008 ESTATURA/IDADE Déficit de Estatura Total estatura adequada (n = 26) (n = 327) (N=353) % % % 197 156 9 85 259 321 25 7 248 98 7 32 304 17 50 303 2 351 128 225 242 111 100 253 64 247 42 39 166 148 51 253 49 55.0 14.4 71.0 41. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. segundo o estado nutricional e características das crianças (biologia humana.0 92.0 9. condições de saúde e consumo de alimentos).0 0.3 50.0 0.8 0.303 91.183 1.3 63.8 0.7 4.0 92.3 90.3 6.3 96. n.9 0.0 93.= J.2 0.5 84.1 47.923 3.001 1.5 92.4 3.3 95.0 0. Bras. C.004 93.3 0.6 0.004 1. Brazilian Soc.0 91.0 6. 2011.061 * Condição referida nos 15 dias anteriores à entrevista.3 93.9 87.4 100.4 36.6 99.9 14.5 14.2 7.8 5.8 85.362 0.6 6. VET: Valor Energético Total.8 2.2 9.544 0.0v 2.4 6. Nutrire: rev.5 95.8 0.8 4.5 10.7 13.1 2.1 5. P. 1.2 0.9 91.5 89.0 8.2 89.596 89.6 4. P.4 92.1 6.4 11.5 7.4 0.4 90.6 93. SP.4 4.0 0. 118 .6 6.0 5. D.9 0.2 0.6 0.365 1.4 0.7 3.6 7.0 8.021 81.0 92.3 71.4 7.365 93.6 31.5 0.1 9.8 6.2 24.324 100. Alim.1 70.8 76.0 10. Paraíba.0 7.9 6.1 <0.0 0.4 3.0 11.2 15.1 85.9 11.7 0.1 0.003 0.1 1.0 70.2 0.9 91.4 55.9 90.9 12.1 0.8 87.148 0.9 0..0 82.0 10.0 89.5 0.6 92.3 0.7 5.7 5. FIGUEROA PEDRAZA. C.0 7.

0 93.0 8.7 94.0 15.6 94.5 0..0 5.4 95..695 92.= J.2 7.007 0.0 6.046 89.3 25.5 53. ROCHA.5 % 0. A.1 7.0 1.0 91.950 p PESO/ESTATURA Baixo Peso Sobrepeso/ peso adequado obesidade (n = 4) (n = 327) (n = 22) % % % 0.0 4.5 46.3 0.0 0.044 87.2 6.5 84.2 6.0 94.0 91.701 93.4 8.609 95.8 6.6 95.0 86.2 7. 2011.0 11.4 13.4 1.9 7.0 66. Nutrire: rev.696 97 256 189 164 298 47 8 314 31 8 322 24 7 27.3 88.2 90.0 84. FIGUEROA PEDRAZA. SOUSA.8 5.8 0.1 0.0 94.5 0.7 75.233 94.1 92.0 4.2 91.3 4.3 5.0 1.9 5.901 0.0 12. D.0 1.3 7.0 5.1 83.6 94.0 100.4 5.0 0.3 0.5 72. 1 Considerando o valor do salário mínimo da época (R$416.3 5.5 94.3 0.0 cm) Normal Sem informação IMC da mãe (Kg/m2) Obesidade (≥ 30) Sobrepeso (25 |– 30) Normal (20 |– 25) Baixo peso (< 20) Sem informação * Condição referida durante a gravidez.0 1.0 6.7 92.9 0.5 0.1 88.0 94.2 0. p. 1.9 0.4 5.0 92.5 80. São Paulo. P. Bras.0 0. Nutr.0 10.0 0. Paraíba.5 92. C.2 1.0 0.147 0.0 0. segundo o estado nutricional e outras variáveis de estudo (características ambientais e antecedentes maternos).9 53. M.3 100.0 93.0 95.0 6.2 75.8 8. C.0 8.0 92.0 25.7 94.2 83.7 4.001 4 50 296 3 69 284 100.4 0..2 100.4 100.5 100.5 91.0 3. Alim. n. Soc..9 100.8 2.8 92.415 1.3 34.0 0.3 9.0 84.894 0.3 9.4 0.8 25. P. SP.0 85.5 6.8 91.1 0.SOUSA. 119 .8 93. Food Nutr.9 11.0 6.9 92.0 4.2 100.3 91.0 100.1 14.6 0. SM: Salário Mínimo.0 0.0 0.5 7. C.0 7.5 0.6 5. D.1 0.1 0.6 93.0 0.5 0.6 91.2 7.8 92.0 33.6 1.0 0. abr. 2008 ESTATURA/IDADE VARIÁVEIS Total Déficit de Estatura estatura adequada (n = 26) (n = 327) % 1.0 0.5 92.0 % 0.0 92.4 6.7 0. Tabela 2 – Distribuição das crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.8 90.0 0.8 2.0 0.8 2. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.1 7.5 100.4 43. Brazilian Soc.6 20. 36.2 100.4 2.2 5. 111-126.3 0.3 87.5 100.0 0.521 1.4 0.320 0.0 0.0 1.0 96.3 26.8 92.321 p (N=353) Renda familiar per capita1 >= 1 SM 1/2 SM ≤ Renda/pessoa < 1 SM < 1/2 SM Sem informação Número de cômodos no domicílio <3 >= 4 Nº de indivíduos por domicílio >= 6 <6 Bolsa família Não recebe Beneficiário Sulfato ferroso* Sim Não Sem informação Vacina antitetânica* Sim Não Sem informação Três o mais consultas de pré-natal* Sim Não Sem informação Idade da mãe (anos) >= 30 25 ≤ Idade < 30 20 ≤ Idade < 25 < 20 Sem informação Estatura para idade da mãe Baixa (< 155.7 13. v.1 0.0 5.0 1.0 14.0 4.0 0.3 2.8 9.072 87.0 0.6 56.0 15.9 8.00).9 0.8 19.1 1.9 7.843 121 120 89 18 5 155 190 8 33 94 199 19 8 34.0 0.4 3. C.214 1.3 80.

003). adequação dietética de carboidratos (p<0. SP. Nesse esquema. estatura materna (p = 0. de saúde e dos cuidados.5 salário mínimo.9% das crianças pertenciam a famílias com renda familiar per capita abaixo de 0. D. C. (2003) constataram que a avaliação do estado nutricional das crianças aos 12 meses de idade revelou percentual de déficit de 6. v.8%. C.0%). SOUSA. Os resultados encontrados no estudo de Zöllner e Fisberg (2006) evidenciaram que o déficit nutricional mais prevalente foi o estatural (5. P.. P. A população estudada apresentou uma alta prevalência de má nutrição.046). 1.SOUSA. n.004). ROCHA. Em relação às variáveis para medir as condições socioeconômicas. peso ao nascer (p = 0. D. 36. sendo a mais importante manifestação da desnutrição energético-proteica na população brasileira infantil. Lira et al.6% para os índices peso/idade. 2000). M.001).002). Nutrire: rev. 2011. os fatores que se associaram de forma estatística ao déficit de estatura foram: esquema de vacinação (p = 0. São Paulo. e de serviços de saúde deficientes (MONTE.. Os dados referentes à Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO.76 salários mínimos.021). Estes resultados manifestam a tendência de outros estudos em contextos similares.001). respectivamente.007).9%).021).2%) seguido pelo sobrepeso (5.5%). Para o caso do baixo peso e o sobrepeso/ obesidade diferenças estatisticamente significativas. os dados destacaram que a maior parte das crianças residia em ambientes favoráveis indicado por frequências maiores de moradia com quatro cômodos ou mais (80. No presente estudo. sendo que 83. Na análise estatística (Tabelas 1 e 2). assim como variáveis indiretas da capacidade das mães ou responsáveis pelas crianças para prestar cuidados. comprimento/idade e peso/comprimento.5%) e com menos de seis pessoas por domicílio (72. 2008) indicam que 7. Nutr. sendo o déficit linear e o sobrepeso/obesidade os mais prevalentes. de cuidados inadequados da mãe para com a criança.004). Brazilian Soc.0% das crianças brasileiras apresentam déficit de estatura. idade da mãe (p = 0. adequação dietética de proteínas (p= 0.= J.. assim como em outros estudos locais e nacionais. C. A. Alim. a desnutrição infantil é mostrada como resultado de dieta inadequada e doenças que resultam de falta de segurança alimentar. Alencar et al.0% e 0. FIGUEROA PEDRAZA. DISCUSSÃO Avaliar o estado nutricional de crianças implica na análise da situação alimentar. p. suplementação com vitamina A (p = 0. Bras.. Sugere-se que o esquema “alimento-saúde-cuidados” seja utilizado como instrumento analítico da interação dos vários determinantes da desnutrição. Food Nutr. foram encontradas nas variáveis: idade da criança (p<0.044) e renda familiar per capita (p = 0. abr. Em seu estudo. 120 . 11. Soc. C. 111-126. esquema de vacinação (p = 0. (2008) obtiveram em seu estudo sobre a desnutrição infantil no Estado do Amazonas percentuais superiores de inadequação no índice estatura/idade (17%).001). descrevem-se variáveis relacionadas com as condições de saúde e adequação energética que influenciam o estado nutricional de crianças.004) e adequação dietética de lipídios (p = 0. A média da renda familiar foi de 2. número de cômodos no domicílio (p = 0. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. sangue nas fezes (p = 0. sendo baixa a prevalência de crianças com emagrecimento (0.

dificultando a amamentação dessas crianças e tornando-as mais vulneráveis à ocorrência de doenças infecciosas frequentes (principalmente diarreia e infecções respiratórias). O peso ao nascer se mostrou estatisticamente significante para o índice estatura/idade. repetidas e prolongadas com sequelas de fundamental importância. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. Nutr. Soc. SOUSA. diferente do encontrado no presente estudo. ROCHA. 2004). a frequência do retardo de crescimento mais do que duplicou do primeiro para o segundo ano de vida. Food Nutr. M.. Assim. P. A. respectivamente.5%). D. Nutrire: rev. atingindo especialmente as crianças menores de 24 meses.3%). São Paulo. 2008) indicou prevalência de déficits de estatura/idade de 8. Brazilian Soc.= J.. SP. C. A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO. ROMANI. FIGUEROA PEDRAZA. 2007. n.. LIRA. por ser um fator associado com o desenvolvimento de doenças infecciosas. em geral. O estudo de Fisberg. Alim. em crianças de 4 meses a 6 anos de idade residentes em favelas da cidade de Maceió (SILVEIRA et al. P. Marchioni e Cardoso (2004) encontrou associação entre a idade da criança e o déficit de crescimento linear. quando comparado com o peso adequado ao nascimento em crianças menores de dois anos do Estado da Bahia (OLIVEIRA et al. 2008). O contrário aconteceu para o sobrepeso/obesidade e para o déficit de estatura que resultou em maiores prevalências no sexo masculino. 2007). com respeito ao retardo do crescimento linear.SOUSA.. 1. D.. Similar resultado ocorreu no estudo de Vitolo et al.5%. observou-se que o déficit de estatura e o sobrepeso/obesidade ocorreram com maior frequência em crianças cujas idades variaram entre 13-36 meses para o caso da estatura e entre 6-12 meses para o sobrepeso/obesidade. 111-126. C. mais susceptíveis que as meninas às condições desfavoráveis de vida. Guimarães e Barros (2001) referem que. Bras. 2011.9%) tinha completado o esquema de vacinação 121 . Outros estudos corroboram com os resultados encontrados.7%).. muitas vezes. os meninos são.1% e 5. Além disso. Constatou-se que a maioria das crianças (90. reduzindo-se progressivamente nas idades posteriores. 2010).. abr. 36. 2006). A distribuição das crianças por sexo evidenciou uma maior proporção de déficit de peso entre as meninas quando comparado com os meninos. C. C. v. Diversos autores apontam resultados similares. a faixa etária da criança esteve associada estatisticamente com o índice peso/estatura. 2004).. (2008). e em crianças pré-escolares da Bahia e de São Paulo (OLIVEIRA et al. p. LIRA. conduzindo à morte (ROCHA et al. A condição de nascer com peso inferior a 2500 gramas se constitui um expressivo fator de risco relacionado ao crescimento e desenvolvimento. ações preventivas como as imunizações também repercutem no crescimento e desenvolvimento infantil por sua importância no sistema imune e na resistência às infecções (ROMANI. as maiores prevalências de déficit de estatura foram encontradas nas faixas etárias de 12-35 meses com valores de 19. Na Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO. pois neste observou-se associação estatística entre a idade da criança e o déficit linear. sendo a chance de baixa estatura maior para a faixa etária de até 36 meses (10. quando alcançou seu pico (12.8% para meninos e meninas. O baixo peso ao nascer mostrou-se altamente associado com o déficit no crescimento linear. Da mesma maneira que o peso ao nascer pode repercutir no crescimento infantil. Com relação à faixa etária. Para o caso do sobrepeso/obesidade a pesquisa apontou a faixa etária de 36-59 meses com valores mais prevalentes (14.

(2007). 2007). SP. maior o efeito deletério sobre o estado nutricional da criança. mesmo que seja indicadores indiretos do estado nutricional. Referente aos programas sociais de complementação de renda. C. seguramente restringe o poder de compra e a satisfação das necessidades materiais de vida. da mesma forma que o estudo de Oliveira et al. D. Para Santos et al. proteínas e lipídios no valor energético total da alimentação se mostraram associados estatisticamente com o índice peso/estatura.SOUSA. Nutr. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba.. n. A condição de pobreza. constituindo. SEGALL-CORRÊA. associou-se ao déficit do índice estatura/idade. também 122 . 2007). São Paulo. (2006) e Oliveira et al. Nutrire: rev. O crescimento infantil é um evento altamente sensível às condições do ambiente social e econômico em que vive a criança e sua família. faz-se necessário o desenvolvimento de pesquisas que possibilitem o fornecimento de dados suficientes para a avaliação de impacto do programa (VIANNA.. C. D. C. 2008). abr. FIGUEROA PEDRAZA. M. encontraram resultados similares ao avaliar a associação entre o déficit de estatura e a presença de morbidade nos 15 dias anteriores à entrevista. P. Esse patamar de renda limita também o acesso a bens e a situação de moradia. Maiores prevalências de desnutrição foram encontradas nas crianças do presente estudo com problemas respiratórios e que apresentaram episódios de diarréia. o patamar de renda per capita situado em <1/2 do salário mínimo.. Esses resultados reforçam a importância do padrão alimentar de energia e de macronutrientes no desencadeamento dos déficits ponderal e estatural.. 2011. OSÓRIO. colocando as crianças que vivem nesse nível de pobreza em condição de alta vulnerabilidade para o déficit estatural. avaliada pela renda per capita das crianças envolvidas neste estudo. Soc. v. indicando a importância epidemiológica destes determinantes básicos na conformação do estado de saúde e nutrição na infância. 36. se mostrou estatisticamente significante tanto com o índice estatura/idade. Apesar de que a adequação energética e o aporte de macronutrientes no valor energético total da alimentação não mostraram associação estatística com o índice estatura/ idade. Isto pode ser analisado de duas maneiras diferentes: o direcionamento não adequado dos recursos envolvidos ou reduzida efetividade das ações. especificamente o benefício da bolsa família. 2006. Bras. Assim. (2007).= J. entretanto sem associação estatística. O número de cômodos no domicílio foi a variável que expressou de forma significativa esta associação no estudo em questão. ROCHA. SOUSA. Food Nutr. quanto com o índice peso/estatura.. Para um melhor entendimento. o que explica a produção do déficit no crescimento linear das crianças no presente e em outros estudos (OLIVEIRA et al. 111-126. Brazilian Soc. C.. as intercorrências infecciosas (especialmente diarreia e as infecções respiratórias) pertencem ao grupo de fatores conhecidamente associados à desnutrição e quanto maior a frequência e a gravidade dos episódios. 1. a inadequação dos carboidratos. Oliveira et al. (2008). Alim. os resultados apontam maior frequência do benefício entre as crianças que apresentaram déficit de crescimento linear. P. A. p. o primeiro indicador de risco nutricional (MENEZES. aos doze meses de idade e que a variável em questão. A alta prevalência de déficit de estatura encontrada nas mães do presente estudo e a forte associação encontrada entre a baixa estatura da mãe com a da criança. OLIVEIRA et al.

= J. C. Sendo assim. Alim. MARINHO et al. centrado no ciclo da desnutrição infantil. É importante ressaltar que estes estudos também coincidem na ausência de associação entre a obesidade da mãe e o déficit estatural das crianças. P. SILVEIRA et al.. estas instituições podem estabelecer um sistema simples de vigilância alimentar e nutricional que forneça subsídios para promover intervenções nutricionais adequadas. Do ponto de vista metodológico. Bras. SP. 36. mais especificamente da mãe. 2008. baixa estatura. P. Soc.. FIGUEROA PEDRAZA.. TORAL. ROCHA. como importante indicador de maior severidade de déficit estatural entre as crianças. Portanto.. cabe ressaltar que os resultados de estudos descritivos conformam uma linha de base para a análise do crescimento infantil. a alternativa encontrada foi avaliar também os cardápios da alimentação que a criança recebe na creche.. M. deve ser considerado que as creches oferecem a possibilidade das crianças desnutridas ou em risco nutricional serem facilmente identificadas e monitoradas. GENTIL. Food Nutr. condicionada por compartilharem tanto informações genéticas quanto condições socioeconômicas e ambientais. 1.SOUSA. São Paulo. Porém. D. v. 2011. importante a ser considerada no desenvolvimento de outros similares. Nutr. Esse representa um dos principais dilemas da saúde pública contemporânea. permitem presumir que os agravos nutricionais na gestação. 2007. n. p. destacando a magnitude do problema. A necessidade de maior quantidade de estudos e de forma continuada sobre o déficit de estatura e o sobrepeso/obesidade centra-se no fato desses agravos constituírem as características antropométricas mais representativas das afecções do crescimento infantil. levando à desnutrição fetal. fato que foi totalmente impossível por questões financeiras e pela não disponibilidade das mães para um segundo encontro. SILVEIRA et al.. esteve coligada com as atividades correspondentes à avaliação do consumo de alimentos. Estudos prospectivos representam uma melhor possibilidade de proporcionar elementos para um entendimento mais adequado e concepção mais consistente das possíveis ações a serem implementadas. A correlação positiva quanto ao estado nutricional de pais e filhos. sejam um dos principais determinantes desta observação. D. é evidente que tanto a informação genética e as condições socioeconômicas e ambientais oferecidos por parte dos pais são transmitidas e têm impacto sobre o estado nutricional de seus filhos. Considerando os resultados acerca dos agravos nutricionais mais prevalentes nas creches do Estado. A. Destarte. 111-126. a principal limitação do presente estudo. Esses resultados enfatizam a estatura dos pais. no intuito de ter resultados que pudessem expressar melhor a alimentação da criança (o rejeite insignificante da 123 . C. torna-se importante a complementação dos dados com estudos longitudinais. 2010). Porém. a distribuição e principais fatores de suscetibilidade. Assim. abr. foram resultados de outros estudos com populações em risco de fome crônica (MARINHO et al. espera-se contribuir com as discussões e o conhecimento sobre o processo de crescimento infantil... pois o crescimento e desenvolvimento infantil é um processo dinâmico e de rápidas mudanças. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. 2010). Brazilian Soc. A proposta inicial era de aplicar o questionário de recordatório de 24 horas por três vezes. C. C. 2007. no Brasil. Nutrire: rev. SOUSA. obesidade e comorbidades na vida adulta. processo iniciado ainda no período intrauterino (COUTINHO.

B. L. Anemia e obesidade: um paradoxo da transição nutricional brasileira. Avaliação do pr ograma bolsaalimentação: primeira fase... 2011. 38. K. A. H. de. 701-706. A. W. v. houve preocupação em preservar a qualidade dos dados através da padronização do trabalho. Considerando que. M. M.Brasil. 36. C. 111-126. SP. 2004).SOUSA. C. p. posteriormente conferido pelos entrevistadores por observação durante o trabalho de campo. Nutrire: rev. FRANCESCHINI. V.= J. Brazilian Soc. Alim.. Brasília: Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos. BATISTA FILHO. F. D. a avaliação da ingestão de alimentos por um único recordatório de 24 horas tende a subestimar em até 30% o consumo de energia. Cad. Guia alimentar para a população brasileira. _______. FIGUEROA PEDRAZA. 2002.. 1. CONCLUSÕES Baixa estatura e sobrepeso/obesidade foram os principais desvios antropométricos observados neste trabalho. F. E. p. MENDONÇA. p. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. dos. M. método que garante melhores resultados do consumo alimentar de crianças assistidas em creches (CAVALCANTE.. REFERÊNCIAS/REFERENCES ALENCAR. 24. P. Considerando que existem poucos estudos que indicam o questionário de frequência de consumo alimentar para estudos em crianças. 2004).. Brasília: Ministério da Saúde. C. não foi utilizado no presente estudo devido à grande quantidade de dados a serem coletados. Food Nutr. Bras.. segundo Menezes e Osório (2007). 2008. Ministério da Saúde. PRIORE. Departamento de Atenção B á s i c a . PRIORE.. SANTOS. M. Acredita-se que este fator somado à avaliação da alimentação oferecida nas creches (cardápios) possa ter contribuído de maneira positiva na diminuição de possíveis vieses. 2008. C. abr... MIGLIOLI. Suplemento 2. fica evidente a necessidade de contar com questionário de frequência de consumo alimentar validado para crianças menores de cinco anos (CAVALCANTE. BRASIL. Brasília: Ministério da Saúde. Soc. dez. conduzido e supervisionado por uma nutricionista. 2004. T. YUYAMA. C. ESTEVES. SILVA. v. P. Acta amaz. A. FRANCESCHINI. SOUSA. C. Secretaria de Atenção à Saúde. I. n. COLUCCI. principalmente de cunho transversal e em população infantil. S247-S257. 124 . SOUZA. 2004. ROCHA. PHILIPPI. saúde pública. alimentação oferecida nas creches foi referido pelas diretoras e merendeiras das creches e. o recordatório de 24 horas continua representando o mais apropriado para estudos populacionais. Nutr. v. 2006. D.. O. M. Assim. n. A pesagem direta dos alimentos. RODRIGUES. sendo utilizado como alternativa a avaliação dos cardápios. F. em comparação com outros métodos. atribuindo-se isso à importância da alimentação nas creches de crianças cuja família apresenta problemas de acessibilidade aos alimentos). 4. _______. constituindo condições que devem ser consideradas na formulação e/ou reformulação das ações de saúde e nutrição correspondentes e no monitoramento dos principais fatores de risco. A. São Paulo. Magnitude da desnutrição infantil no Estado do Amazonas/AM . SLATER. implicando em longos tempos de trabalho de campo e em altos custos financeiros..

. C.. n. 2001. M. no estado de Pernambuco. 1. v. Brasil. LEGER. Nutrire: rev. v.. 2000. 2004. 229-240. D. P. 4. D. n. infant. 812-817. Desnutrição: um desafio secular à nutrição infantil. 125 . p. BARRETO. A. G. O. 601-613. BARRETO.. T. Soc.. bras. n. 2007. SLATER. 4. Acesso em: 01 abr. M. n. v. C. 337-347. 63-74. bras. MARCHIONI. P. L. S. saúde pública. SILVA. de. LIRA. L. BENÍCIO. D. G.. 874-882. I. 23. N. Van den BROECK. L. M. S. M. de. Roma: FAO/OMS. R.. p. 1. PHILIPPI. C. MARTORELL. O. F. 2007. National Health and Nutrition Examination Survey. 2003. NUNES.. 393-401. S285-S297.. M.SOUSA. 7. p.... C. M. p. M. Consumo alimentar de macro e micronutrientes de crianças menores de cinco anos no Estado de Pernambuco. Pesquisa Nacional Sobre Demografia e Saúde da criança e da mulher. Alim.. L. C. 4. R. 76. S. hum. F. A desnutrição no Brasil: o enfrentamento com base na agenda única da nutrição. p.. A. 25. A..= J. P.. S. C. bras. p. C.. 2008. J. GENTIL.. HUTTLY. saúde pública. B. v. Food Nutr. E. 2000. 2001. M. 77. Cad. BRAGA-JÚNIOR. 20. VENÂNCIO. n. ROCHA. n. v. 2008. S. R. M. W. A. M. Human energy requirements . GUIMARAES. v. Preditores do retardo de crescimento linear em pré-escolares: uma abordagem multinível. 24. P. J. A. 2007. 40. MENEZES.Report of a Joint FAO/WHO/UNU Expert Consultation. Centers for Disease Control and Prevention. Bras. C. 2011. n. saúde matern. . Brazilian Soc.. Estudos de consumo alimentar: aspectos metodológicos gerais e o seu emprego na avaliação de crianças e adolescentes.. I. Estado nutricional e fatores associados ao déficit de crescimento de crianças frequentadoras de creches públicas do Município de São Paulo.. G. TORAL. Brasil. M. R. p. saúde pública. ASSIS. A. Cad.cdc. M. S. v. D. infant. ESCUDER. pediatr. R. V. As diferenças de estado nutricional em pré-escolares de rede pública e a transição nutricional. C. M. n. C. P. BARROS. COUTINHO. M. S. A. 2004.. Saúde e nutrição de crianças de zona da Mata Meridional de Pernambuco: resultados preliminares de um estudo de coorte. L. M. C. Rev. C. Rev. LIMA. MINISTÉRIO DA SAÚDE. da. CENTRO BRASILEIRO DE ANÁLISE E PLANEJAMENTO.. Rev. S. ORGANIZACIÓN DE LAS NACIONES UNIDAS PARA LA AGRICULTURA Y LA ALIMENTACIÓN. C. 3. M. A. Suplemento 1. 36. FRANCESCHINI. saúde pública. M. 111-126. OSORIO. USA: CDC. Pediatr. 17. C.. 3. B. ARAÚJO. CARDOSO. A. p. Rev.. 1. Obesidade e baixa estatura: estado nutricional de indivíduos da mesma família. ALESSIO. v. F. infant.. A. P.. Determinantes dos déficits ponderal e de crescimento linear de crianças menores de dois anos. p... M. 2004. Disponível em: <http://www. 1. L. M. H. p. ASSIS. p... FISBERG. M. N. SALDIVA. SOUSA.. 2006. PRIORE. A. Nutr. 20. OLIVEIRA. A. Suplemento 3. M. ONYANGO. p. V. bras. Rev. OLIVEIRA. 3. PINHEIRO. bras. p. A. C. MONTE. n.. W. CAVALCANTE. M. n. M. Consumo energético-protéico e estado nutricional de crianças menores de cinco anos. M. 463-472... S15-S27. Cad. São Paulo.. Food Nutr Bull. MARTINS. n. ROMANI. v.. C. S332-S340. S. Rev. FIGUEROA PEDRAZA. crescimento desenvolv. P. L. 2007. D. saúde matern. S. 5. de ONIS. A. M. v. de. Perfil epidemiológico do estado nutricional de crianças assistidas em creches no Estado da Paraíba. BATISTA FILHO. C.. J. 4. NATIONAL CENTER FOR HEALTH STATISTICS. v. E. R. E. M. v.. M. n. FIDELIS. SP.. abr. 5. A. nutr. EICKMANN. J. M. M.. 381-386. Suplemento. OSORIO. C. L. F.. I. COLUCCI. CHUMLEA. A. de. saúde matern. P. H. R. ASHWORTH. 7. Rev. epidemiol. v. OLIVEIRA.. D. C.. Brasil: CEBRAP/MS. Brasil. MARINHO. Desenvolvimento de um questionário de frequência alimentar para avaliação do consumo alimentar de crianças de 2 a 5 anos de idade.gov/growthcharts>. 156-164. p.. 2004. 3.. S. OLIVEIRA. 2007. v. Measurement and standardization protocols for anthropometry used in the construction of a new international growth reference..

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FALSARELLA.Artigo original/Original Article Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo Validity of weight and height informed by adult women in the city of São Paulo ABSTRACT FRUTUOSO.Brasil CEP 11060-001 ffrutuoso@yahoo. p.SP . D. Keywords: Body Weight. Bras.. Body Mass Index. 95 Santos . FERNANDA ÁVILA FALSARELLA2. A. Food Nutr. thus showing a high correlation between BMI values. with a high sensibility and specificity. = J. To evaluate the differences between measured and self-reported values. A. A high agreement was found for overweight and obesity. as the values present high agreement and validity. Nutrire: rev.99. MARIA FERNANDA PETROLI FRUTUOSO1. F. M. P. 36. The analysis of maternal education and per-capita income showed no differences for the nutritional status classification. 2Universidade de São Paulo Faculdade de Saúde Pública – Departamento de Nutrição. Height. The correlation between measured and informed weight and height values was 0.. Pearson coefficient of correlation and Bland-Altman analysis were used. This study aimed to evaluate the validity of weight and height values selfreported by women in the city of São Paulo. abr.. Brazilian Soc. Anthropometry. Sensitivity and specificity were used for agreement between self-reported and measured nutritional status according to the Body Mass Index (BMI). 127-136. Soc. 3Docente do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. v. F. 1. ANA MARIA DIANEZI GAMBARDELLA3 1Docente do curso de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo – campus Baixada Santista.com. Nutr. n. Validity of weight and height informed by adult women in the city of São Paulo. São Paulo. 2011. M. SP. It is possible to use the self-reported information of weight and height in similar populations. Alim. Ana Costa. GAMBARDELLA. Endereço para correspondência: Maria Fernanda Petroli Frutuoso Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo – campus Baixada Santista Av.br Departamento de realização do trabalho: Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo 127 . The study used weight and height values which were self-reported by 167 mothers of public and private schools’ students in the city of Sao Paulo.

Índice de Masa Corporal. P. 2011. Palavras-chave: Peso corporal. Los datos mostraron alta sensibilidad y especificidad para el diagnóstico de sobrepeso y obesidad. pois os valores apresentam elevada concordância e validade. 36. FALSARELLA. A. 127-136. 1. n. F. em populações semelhantes. não apresentou diferenças. p. M. São Paulo. D. Brazilian Soc. M. no mostró diferencias para la clasificación del estado nutricional.FRUTUOSO. Utilizou-se sensibilidade e especificidade para avaliar a classificação nutricional a partir dos valores de índice de massa corporal (IMC). Alim. Soc. evidenciando elevada concordância entre valores de IMC. Fue utilizada la sensibilidad y especificidad para evaluar el estado nutricional por medio del índice de masa corporal (IMC). Es posible utilizar el peso y estatura autorreferidos en poblaciones similares.= J. porque los datos presentaron elevada concordancia y validez. Fueron utilizadas informaciones autorreferidas de peso y estatura de 167 mujeres.99. tanto de peso como de estatura fue 0.. 128 . A correlação entre valor aferido e informado. Estatura. Food Nutr. v. Para evaluar las diferencias entre el valor medido y el valor autorreferido. A análise. Brasil. Palabras clave: Peso corporal. madres de alumnos de escuelas públicas y privadas. El análisis de la escolaridad y renta per cápita materna. se utilizó el coeficiente de correlación de Pearson y análisis gráfico. mostrando una elevada concordancia entre los valores de IMC. del municipio de São Paulo. Antropometría.. F. Índice de Massa Corporal. O estudo objetivou avaliar a validade das informações autorreferidas de peso e estatura em mulheres no município de São Paulo. do município de São Paulo. tanto de peso como estatura foi igual a 0.. utilizou-se coeficiente de correlação de Pearson e análise gráfica. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. Para avaliar as diferenças entre valores medidos e autorreferidos. Os dados apontaram elevada sensibilidade e especificidade para o diagnóstico tanto de excesso de peso quanto de obesidade. Estatura. Antropometria. SP. Foram utilizadas informações autorreferidas de peso e estatura de 167 mães de alunos de escolas públicas e privadas. Nutrire: rev. Bras. segundo escolaridade e renda per capita maternas. GAMBARDELLA. para a classifi cação do estado nutricional.99. É possível utilizar as informações autorreferidas de peso e estatura. La correlación entre los valores medido e informado. RESUMEN RESUMO El objetivo del estudio fue evaluar la validez de la información autorreferida de peso y estatura de mujeres en el municipio de São Paulo. A. abr. Nutr. SP.

com maior concordância entre as mulheres do que entre os homens. com diferenças significativas segundo faixas etárias e escolaridade (FONSECA et al. 2001). v. A.. FALSARELLA. escolaridade. D. Bras. Kuczmarski. (1999). estudos indicam elevada concordância entre peso corporal informado e aferido. associadas inversamente à idade. (2000) trabalharam com indivíduos idosos e adolescentes e detectaram maior diferença entre valores informados e aferidos nestas populações. superestimam a estatura (NIEDHAMMER et al. F. o peso e estatura autorreferidos apresentam limitações. p. mesmo em ambientação anônima. M. A. Nutrire: rev. Brazilian Soc. F. analisando dados de indivíduos norteamericanos acima de 20 anos de idade que participaram do NHANES III. sendo 129 .. segundo Nakamura et al. Alim. P. indivíduos com menor nível socioeconômico apresentariam menor acesso a obtenção desses dados e. n. Em relação à estatura.. verificaram elevada sensibilidade e especificidade. porém.IMC. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. Os extremos de idade parecem influir nos dados de peso e estaturas corporais. abr. De fato. independente de idade e nível de escolaridade. no que diz respeito à técnica e custo. 127-136. Soc..FRUTUOSO. Nutr.713 indivíduos. 2000. São Paulo. Em contrapartida. os homens. muitas parecem desconfortáveis e se negam a informar tal dado. Fonseca et al.943). quando comparadas aos adultos. VILLANUEVA. 1999). Food Nutr. COUTINHO.977) e de estatura (0. (2004) estudaram 3. geralmente. em ambos os sexos. da idade e das condições socioeconômicas do grupo estudado (FONSECA et al. simplificando o trabalho de campo e favorecendo a economia de recursos em estudos epidemiológicos (CHOR.. Nível de renda e escolaridade podem limitar a informação correta sobre peso e estatura. o que pode ser corroborado pelo resultado de várias pesquisas. 2011. LAURENTI. selecionados entre funcionários nas carreiras técnico-administrativas de uma universidade. renda e categorias de índice de massa corporal . com tendência de subestimar o valor do peso e superestimar o valor da estatura. GAMBARDELLA. 1. para utilização no monitoramento do estado nutricional. verificou que homens e mulheres tenderam a subestimar o peso. No que se refere ao diagnóstico nutricional a partir de informações de peso e estatura referidos. 2004). esses mesmos estudos mostram concordância elevada entre os valores informados e referidos. 2004). em decorrência prestariam informações menos precisas. Coutinho e Laurenti (1999) com 1. sugerindo limitação na sua utilização para idosos. 36. as mulheres tendem a subestimar o peso. Pesquisa realizada por Chor. além de tendência leve e uniforme à subestimação do peso e à superestimação da estatura informados. sendo sua validade dependente do gênero.183 funcionários de um banco. INTRODUÇÃO O peso e a estatura autorreferidos podem ser obtidos facilmente.= J. Entretanto. Kuczmarski e Najjar (2001). No entanto. M. SP. De acordo com Jeffery (1996). Não observaram diferenças entre os valores aferidos e informados de acordo com idade. tendo encontrado elevada correlação entre valores aferidos e informados de peso (0.. Gunnell et al.

METODOLOGIA Este trabalho é parte de projeto (Fatores associados ao sobrepeso e obesidade de indivíduos de 8 a 18 anos de idade). P... A. peso e estatura dos pais. FALSARELLA. ainda. Silveira et al. 1. as diferenças médias entre medida e informação foram menores do que no caso isolado do peso. escolaridade. BENÍCIO. para obtenção de estimativas aproximadas sobre o estado nutricional de populações e monitoramento de fatores de risco. Dos 660 questionários. Bras. Em relação à estatura. Nutr. Soc. é imprescindível para sua utilização. abr. D. em estudos epidemiológicos. 36. 2006). solicitavam-se informações sobre a renda familiar. No Brasil. encaminhado junto ao termo de consentimento.= J. p. altura e IMC. fato influenciado pela idade. Ao se considerar o IMC. A. M. verificaram melhor concordância para o peso que para estatura. Entretanto. estudo com população adulta da região Centro-Oeste verificou superestimativa da estatura tanto para homens quanto mulheres. as diferenças entre informação e medida foram irrelevantes.. 130 . 2011. e participaram da validação dos dados referidos. O conhecimento da validade de informações referidas de peso e estatura. para ambos os sexos. v. o presente estudo teve como objetivo avaliar a validade da informação auto-referida de peso e estatura. Food Nutr. Os autores afirmam. Alim.944 indivíduos que participaram do US Third National Health and Nutrition Examination Survey. Os dados para este estudo foram obtidos por meio de questionário enviado para as mães de todos os 660 adolescentes matriculados em uma escola pública e uma privada do Município de São Paulo. Nutrire: rev. Devido à escassez de estudos sobre a concordância de dados colhidos e informados referentes à população adulta brasileira. retornaram 499 completamente respondidos. investigando a validade do IMC. sugerindo a necessidade de correção destes valores referidos. M. F. que as medidas aferidas e relatadas apresentaram alto grau de concordância. 167 estiveram presentes em reunião realizada nas próprias escolas. Todas as mães (n=660) foram convidadas pela escola para reunião de pais e destas. (2005). GAMBARDELLA. escolaridade e IMC associam-se a valores não concordantes de peso aferido e informado. quando necessários. este comportamento mais marcante entre os homens de peso mais elevado. Nesse questionário. calculado por intermédio do peso e estatura informados para predizer o estado nutricional de adultos do Sul do país. JARDIM. Villanueva (2001) analisou dados disponíveis de 15. 127-136. SP. escolaridade. tendo observado subestimação somente para mulheres. participantes da investigação. bem como a criação de modelos de correção. com sensibilidade e especificidade do IMC elevadas (PEIXOTO. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. São Paulo. Brazilian Soc.FRUTUOSO. que teve como objetivo avaliar os fatores associados ao excesso de peso e obesidade de adolescentes. verificando que a idade. n. Não foi possível validar as informações paternas dado ao baixo comparecimento da população masculina nas reuniões. F.

. FALSARELLA. respectivamente 66. as médias (desvios padrão) do peso materno referido e medido foram. 1.24) e 66. Food Nutr. 25.227kg. 131 . que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo com protocolo número 421.000). Com base no valor do IMC calculado (peso/estatura 2 ) procedeu-se a classificação nutricional das mulheres de acordo com os critérios recomendados pela World Health Organization (1990). Para estatura. São Paulo.0 ≥ IMC < 30.0. F. sendo a diferença de estatura e IMC estatisticamente significantes (p<0. P. 2011. SP. em relação ao IMC medido. adotando metodologia proposta por Gordon et al. Para a mensuração do peso corporal. A figura 1 ilustra a elevada correlação entre as medidas aferidas e informadas. Foi calculado o teste t de Student pareado para análise das médias entre os grupos. com capacidade para 150 kg e graduação em 100g e para a da estatura foi utilizado antropômetro (Seca®).5 ≥ IMC < 25.53) e 160. Brazilian Soc. Calculou-se a sensibilidade e especificidade do índice de massa corporal referido para classificação de mulheres com excesso de peso e obesidade. IMC ≥ 30kg/m2 obesidade. n. GAMBARDELLA. fixado em suporte de madeira. A diferença média observada foi 0. (1988). Alim. M.0kg (10.. tanto para peso como estatura corporal das mulheres estudadas. Após a reunião foram realizadas as medidas de peso e estatura das mulheres para comparação com as medidas informadas. RESULTADOS A mediana de escolaridade das mães estudadas e a renda per capita familiar foi de 11 anos e 1. com escala em milímetros. Na análise utilizou-se o programa Stata® 9.8cm (6. A correlação entre valor aferido e informado foi de 0. as médias das variáveis apresentaram valores semelhantes entre os dados medidos e referidos para todas as variáveis estudadas. M. no geral. ser o peso referido inferior ao medido.5kg/m 2 baixo peso.. respectivamente. v. Nutr. D.= J. Comparando os dados das mães. Bras. respectivamente. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo.21) para referida e medida. abr. sendo IMC < 18. p. o que sugere. Soc.0kg/m 2 eutrofia.3cm (6. O projeto de pesquisa está de acordo com as normas da Resolução 196 de 10/10/1996 do Conselho Nacional de Saúde. F. 127-136. Todos os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido concordando com a participação neste estudo. Realizou-se análise de variância para determinar as diferenças entre valores referidos e medidos segundo renda e escolaridade. Conforme nota-se na tabela 1. as médias foram de 161.3kg (9.99). A. A comparação dos valores referidos e medidos foi realizada por meio do coeficiente de correlação de Pearson e análise gráfica por Bland e Altman (1986). Nutrire: rev. A.0kg/m 2 excesso de peso. 18. 36.FRUTUOSO.99.4 salários mínimos. foi utilizada balança eletrônica do tipo plataforma (Tanita®).

FALSARELLA. São Paulo.4 160.0 103.. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo.4 37. 36.0 161.1 25.3 (6. Bras. abr.dados referidos (kg/m2) IMC .55) 25.53) 160. F. A.2 Valor máximo 105. Nutrire: rev. p.4 Valor mínimo 45.6 12 9 4. 2011. n.FRUTUOSO.dados medidos (kg/m2) Escolaridade (anos) Renda per capita (salários mínimos) Mediana Média (desvio padrão) 65. M.0 185.0 66. F.99) 161.8 (6.6 (3.6 Média (peso aferido + peso referido)/2 104 Figura 1 – Diferença entre peso aferido e peso informado.0 (10.53) 11 1.4 18.0 42.24) 66.2 66. SP. Tabela 1 – Distribuição das médias (desvio padrão) das variáveis estudadas.9 36.9 24. A. D.3 (9.1 43. P.3 Diferença (peso aferido – peso referido) -5. 1.8 0 0.0 145. Nutr. 132 . Food Nutr.9 18. foi detectada elevada correlação entre a estatura medida e referida com diferença média de . São Paulo (2009) Variável Peso referido (kg) Peso medido (kg) Estatura referida (cm) Estatura medida (cm) IMC .21) 24.0 183. GAMBARDELLA. São Paulo (2009). Conforme pode ser observado na figura 2.2 145.7 (3. Brazilian Soc.= J.0.. 127-136. Alim. v.. indicando estatura aferida inferior à informada. Soc.468cm. M.

Brazilian Soc. 3 Diferença (estatura aferida – estatura informada) -3. Nutrire: rev. n. SP. M. Os valores referentes à estatura foram superestimados em todas as classes de renda.04124 Diferença (IMC aferido – IMC referido) -2. 36.FRUTUOSO. Alim.10001 145. P.. São Paulo (2009). D. evidenciou-se elevada concordância entre valores de IMC (Figura 3). abr. p. sendo maior em mulheres com dois salários mínimos ou mais (p = 0. Bras. Soc. F. sendo a diferença média entre valores aferidos e medidos de 0.30661 18.. Seguindo os achados para peso e estatura. São Paulo. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. 133 . 1. GAMBARDELLA.234kg/m2. A.6904 Média (IMC aferido – IMC referido)/2 36. Análise segundo a renda e escolaridade aponta que as mulheres com menor escolaridade (até ensino fundamental). v. tendem a subestimar o peso e superestimar a estatura. M.04). F.. Mulheres com renda per capita menor ou igual a um salário mínimo subestimam o peso em comparação àquelas que recebem dois salários mínimos ou mais. Food Nutr. 2. São Paulo (2009). Nutr. enquanto as com maior nível de escolaridade (nível superior.7239 Figura 3 – Diferença entre IMC aferido e IMC informado. 127-136.= J.45 Média (estatura aferida – estatura informada)/2 184.2 Figura 2 – Diferença entre estatura aferida e estatura informada. 2011. A. completo ou incompleto) superestimam tanto o peso quanto a estatura. FALSARELLA.

uma vez que a diferença média entre os valores medidos e referidos foram de 0. 2011.9 Excesso de peso n 7 60 1 68 % 10. Brazilian Soc. Gunnell et al. verificou-se 38. F.2 1. M.468.. Resultado semelhante foi encontrado por Fonseca et al. D. sugere elevada concordância entre as medidas informadas e aferidas na população estudada.2% e 96%.7 Total Obesidade n – 3 16 19 % – 15. apontando. tendência de subestimar o peso e superestimar a estatura. verificaram que a estatura autorreferida foi superestimada e o IMC.3%. 1. baseado em peso e estatura autorreferido.2% e especificidade de 99. a sensibilidade e especificidade foram. F. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo.2%) foram classificadas segundo IMC referido e nenhuma segundo IMC medido. Os achados apontaram 10. para a classificação do estado nutricional. Tabela 2 – Distribuição (%) das mulheres estudadas com excesso de peso e obesidade segundo valores de índice de massa corporal referidos e medidos. p. Food Nutr.227 e -0. Verificaram ainda. SP.7% de mulheres com excesso de peso segundo IMC referido e medido. A. abr. Para obesidade. n.= J.FRUTUOSO.2 100.3 88.3 – 47. GAMBARDELLA. respectivamente. 127-136. observou-se sensibilidade de 84. Para o excesso de peso. Nutrire: rev. respectivamente.0 Quanto ao baixo peso. tendência leve e uniforme à subestimação da informação do peso e a superestimação da estatura. 88. v. Alim.. segundo escolaridade e renda per capita maternas. São Paulo.2 11.4 n 86 64 17 167 % 51. Soc. 134 .3% e 40.8 84. São Paulo (2009) Medido Referido Baixo peso e eutrofia n Baixo peso e eutrofia Excesso de peso Obesidade Total 79 1 – 80 % 98. (2000) estudando indivíduos de 56 a 78 anos. (2004) que detectaram elevada concordância entre a aferição e a informação do peso e da estatura em adultos de ambos os sexos. 36.2% de mulheres obesas segundo IMC informado e 11. M.5 38.4% segundo o aferido.3 10. DISCUSSÃO A comparação gráfica entre os valores de peso e estatura.7 1. apenas 2 mulheres (1.5 40.. FALSARELLA. P. A. Conforme observa-se na tabela 2. A análise. não apresentou diferenças. medidos e referidos. Nutr. em ambos os sexos. Bras. de modo geral. respectivamente.

bem como no seu relato. p. A título de ilustração. possibilitando a verificação de tendências entre as duas medidas. Nutr. 2004). no caso aferida e referida.07 + 1. Apesar da boa concordância. de modo geral. Tal proposta consiste na apresentação gráfica da diferença entre as medidas contra sua média. uma vez que no momento de preenchimento do questionário. ressalta-se. Food Nutr. 36. pelo fato de incluir apenas mulheres em idade adulta. n. foram utilizados para a formulação de modelos de correção. Segundo Bland e Altman (1986). Em relação à classificação nutricional. Nutrire: rev. estudos mostram concordância elevada entre os valores informados e referidos. fato que levou a utilização da proposta gráfica destes autores para a avaliação da concordância entre os dados. além de depender do tamanho da amostra. 1. em decorrência.97 + 1. tendência de subestimar o peso e superestimar a estatura. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. Os autores sugeriram que os mais baixos e mais velhos tendem a superestimar a estatura. quando comparadas com suas respectivas aferições. De acordo com Jeffery (1996). M. São Paulo. os dados antropométricos referidos e aferidos. sendo a equação para peso: Peso referido = -0. Outra limitação consiste na falta da variável idade. Brazilian Soc. uma vez que esta pode ter influência nas variáveis antropométricas. 2011...04 x estatura medida. M. estudos indicam elevada concordância entre peso corporal informado e aferido. com alta concordância especialmente entre as mulheres. 135 .01 x peso medido e para a estatura: Estatura referida = -6. pode-se concluir que as informações referidas de peso e estatura podem apresentar boa concordância e validade. prestar informações menos precisas. Não houve fonte de erro importante neste estudo. o coeficiente de correlação aponta somente a força da relação entre duas variáveis e não sua concordância. v. F. Bras. especialmente na detecção das mulheres eutróficas. SP. independente do nível de escolaridade. FALSARELLA. indivíduos com menor nível socioeconômico poderiam apresentar menor acesso à obtenção desses dados e. Em relação à estatura.FRUTUOSO. os participantes não sabiam do objetivo de comparação entre os dados informados e mensurados. abr. os dados apontaram elevada sensibilidade e especificidade para o diagnóstico tanto de excesso de peso quanto de obesidade. de peso e estatura das mães. 127-136. P.= J.. enquanto indivíduos com excesso de peso subestimam o peso. A. D. GAMBARDELLA. Alim. Uma das limitações deste estudo é a impossibilidade de extrapolação dos resultados para a população geral.. sugerindo a possibilidade de utilização de informações referidas de peso e estatura para estudos populacionais. F. foi subestimado. A. Entretanto. com diferenças segundo escolaridade (FONSECA et al. Soc. sendo que a especificidade foi maior que a sensibilidade para ambas as classificações. CONCLUSÃO Com esses resultados.

In: LOHMAN.. saúde pública. JEFFERY. C. C. p. HOSHINO. D. I. A. G. São Paulo.. CHUMLEA. M.. Anthropometric standardization reference manual. 1. SMITH. COUTINHO. 127-136. J Am Diet Assoc. 2004. NAJJAR. D. 38. 1988-1994. 307-310. D. ROCHE. 2001. D. weight and body mass index: findings from the Third National Health and Nutrition Examination Survey. p. 235-245. v. MARTORELL.. nutrition. C. 392-398. M. 136 . K. 1. D.. GORDON. How accurately are height. A.. BLANE. n. 1986. p. 21. Rev. 33.. v. p. F. abr. F. ROCHE. E. Food Nutr. M. Rev. CHOR. FONSECA. v. Stature. saúde pública. G. 1. Diet. NIEDHAMMER.. M. Y. n. KODAMA. P.. Recebido para publicação em 21/05/10. W. 456-464. P. 2. Addict Behav. LOPES. A. P. 2005. LIMA. 34-76. M. M. Champaign: Human Kinectis Books. JARDIM.. p. R. 217-212. A. T. 1.. FALSARELLA. 1988. HOLLAND. M. p. Int J Obes Relat Metab Disord. 3-8. v. K. J.FRUTUOSO. 1996.. v.. weight and leg length reported by the elderly. W. M. v. REFERÊNCIAS/REFERENCES BLAND. Cad. 1065-1072. YAMAMOTO. FRANKEL.. 101. n.. 1111-1118. FAERSTEIN.. Statistical methods for assessing agreement between two methods of clinical measurements. F.. D. M. BENÍCIO. p. Rev. KUCZMARSKI. Bias in reported body weight as a function of education. D’A. J. n. 3.. E. G.... J Biosoc Sci.. 555-558. 2006.. L. F. p.. Alim. Effects of age on validity of selfreported height. A. S. v. S. 28-34. and weight. v. n.. BUGEL. R. and how closely are they related to measurements recorded in childhood? Int J Epidemiol. ARAÚJO. 6. BONENFANT. 1990. A. LAURENTI.. A.. BARROS. 16-23. NAKAMURA. E. D.= J. S.. n. BMC Public Health. GUNNELL. saúde pública. n. G. Lancet. saúde pública. R. P. 29. Validade de peso e estatura informados por mulheres adultas no Município de São Paulo. p.. LECLERE. Geneva: World Health Organization. S. R. p. VILLANUEVA. health and weight concern.. ant the prevention or chronic diseases. V. v. 1. n. J. Soc. Nutrire: rev. 11. n. 1999. v. GIGANTE. J.. 2001. 21. 36. SP. 31. WORLD HEALTH ORGANIZATION. H.. F... 9. Validity of self-reported weight and height in French GAZEL cohort. 24. ALTMAN. CHOR. MAYNARD. p.. 8. Nutr. 2000. E. Validade de peso e estatura informados e índice de massa corporal: estudo pró-saúde. Validade do peso e da altura auto-referidos: o estudo de Goiânia. Reliability of self-reported weight and height among state bank employees in Rio de Janeiro. 1999. M. PEIXOTO. Validação do peso e altura referidos para o diagnóstico do estado nutricional em uma população de adultos no Sul do Brasil.. M. p. Aprovado em 04/02/11. p. SILVEIRA. D. recumbent length.. KUCZMARSKI. v. BERNEY. D. n. GAMBARDELLA. S. 4. I.. M. C. L. 2011. B. Bras. C. occupation. C. F. v. Brazilian Soc. The validity of self-reported weight in US adults: a population based crosssectional study. Reliability of self-reported body height and weight of adult Japanese women. 2000. 40. 3. n. R.

. 36. both groups receiving a high-protein diet (1. R. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. = J. Protein Intake. fat mass. the higher carbohydrate/fat ratio resulted in a greater muscle mass gain.Departamento de Saúde Pública. NAILZA MAESTÁ2. The volunteers were randomly divided in two groups. São Paulo. s/nº CEP 18618-970 Botucatu (SP) E-mail: burini@fmb. N. Soc.unesp. 2011. BURINI. C. Nitrogen Balance. one receiving a dietary carbohydrate/ fat ratio of 4. S. Nutrire: rev. nitrogen retention and biochemical analyses were assessed. This was a prospective. D2 showed a higher muscle mass gain. Both diets promoted weight and fat mass gain and positive nitrogen retention. Energy Intake. Keywords: Resistance Exercise. The aim of this study was to determine the effect of the carbohydrate/fat ratio on body composition. p.Artigo original/Original Article Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento Effect of the dietary glycid/lipid calorie ratio on the nitrogen balance and body composition of bodybuilders ABSTRACT MENDES-NETTO. Nutr. Brazilian Soc. Food Nutr. Núcleo de Nutrição 2Centro de Metabolismo em Exercício e Nutrição (CeMENutri) – Departamento de Saúde Pública – Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) 3Pós-graduação pelo Departamento de Patologia – Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) Endereço para correspondência: Roberto Carlos Burini UNESP Faculdade de Medicina .. RAQUEL SIMÕES MENDES-NETTO1.br 137 .. However. randomized cross-over study with eleven voluntary males undergoing bodybuilding training. Thus. Muscle mass.. body weight. P. muscle mass and nitrogen retention in young bodybuilders. SP.0 (D2). Bras. Alim. ROBERTO CARLOS BURINI2 1Universidade Federal de Sergipe. Effect of the dietary glycid/lipid calorie ratio on the nitrogen balance and body composition of bodybuilders.0 (D1) and the other one receiving a dietary carbohydrate/fat ratio of 8. ERICK PRADO DE OLIVEIRA2. n. CeMENutri Distrito de Rubião Jr.5g protein/ kg/d).3. DE OLIVEIRA. E. MAESTÁ. 1. 137-150. abr. v. R.

Balanço nitrogenado. O objetivo do estudo foi comparar os efeitos de duas dietas isopr oteica-isocalóricas diversificadas na proporção carboidratos e lipídios sobre a composição corporal e retenção nitrogenada de jovens praticantes de treinamento de força. 138 .0 (D1) o 8. Palabras clave: Entrenamiento de fuerza. Massa muscular. 137-150. Ingestão de energia. sin embargo. Food Nutr. Ambas as dietas promoveram ganho de peso e massa adiposa e positivação do balanço nitrogenado. Balance nitrogenado. Foram formados dois grupos diferenciados por receberem relação calorias glicídicas/lipídicas de valor 4.5g/kg/d).= J. Ambas dietas promovieron aumento de peso y de masa adiposa y el balance nitrogenado positivo. con diversas proporciones de carbohidratos y lípidos.. con 11 culturistas jóvenes del sexo masculino. Alim. abr. masa gorda. P.. Palavras-chave: Treinamento de força. Soc. SP. n. ambos con dieta hiperproteica (1. massa gorda. R. ambos com dieta hiperproteica (1.0 (D2). v. O estudo foi prospectivo.. 1. BURINI. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. E. S. N. RESUMEN RESUMO El objetivo del estudio fue comparar los efectos de dos dietas isoproteicas e isocalóricas. com 11 culturistas jovens do sexo masculino.0 (D2). Ingestão proteica. Se evaluaron masa muscular. 36. no entanto. Fueron formados dos grupos diferenciados por recibir relación calorías glúcidos/lípidos de valor 4. la dieta D2 provocó mayor aumento de masa muscular. Ingestión de energia. R. retención de nitrógeno y análisis bioquímico. sobre la composición corporal y retención de nitrógeno en jóvenes practicantes de entrenamiento de fuerza. Brazilian Soc. MAESTÁ. a dieta D2 resultou em maior ganho de massa muscular. randomizado cruzado. retenção nitrogenada e análise bioquímica foram avaliadas. 2011. DE OLIVEIRA. randomizado cruzado. C. Bras.0 (D1) ou 8. p.5g/kg/d). Nutr. Se concluye que la mayor relación calórica glúcidos/lípidos promovió un mayor aumento de masa muscular. São Paulo. El estudio fue prospectivo.MENDES-NETTO.. Ingestión proteica. Nutrire: rev. Conclui-se que a maior relação calórica glicídica/lipídica promoveu maior ganho de massa muscular.

O ganho muscular ocorre pela positivação do balanço proteico durante a recuperação. 2003). com aumento da síntese proteica muscular (BISSCHOP et al. seguida do aumento da síntese de proteína. 1999). 2001). Bras. p. particularmente de carboidratos (BORSHEIM et al. insulin like growth factor 1 (IGF-1). CASUÍSTICA E MÉTODOS O estudo foi prospectivo. Nutrire: rev. randomizado cruzado. Vários fatores. DE OLIVEIRA. LANGLEY. 2009). 2010. Food Nutr.. N. 1. 2003. em decorrência do aumento da glicose e insulina plasmáticas.. mas desconhece-se a melhor proporção da relação glicídica/lipídica sobre o ganho de massa muscular. como a ingestão proteico-energética. R. ZAWADZKI et al. R. insulina e testosterona. massa muscular e retenção nitrogenada de praticantes de treinamento de força. Maestá et al. Estes mediadores interagem com os receptores celulares do músculo esquelético. promovendo a redução do catabolismo e o aumento da síntese proteica (GLYNN et al. BURINI. é determinante para força e desencadeamento da hipertrofia muscular (WOLFE. A oferta de calorias provenientes de carboidrato (calorias não proteicas) influencia a positivação do balanço nitrogenado. Alim.. 36. além de facilitar a entrada de nutrientes (glicose e aminoácidos). HULMI et al. São Paulo. Isto porque a proteólise decorrente do esforço. anabólicos como hormônio do crescimento (GH). o efeito hipertrófico do exercício (intensidade de 75 a 85% 1RM) apresenta associação com a ingestão energética. níveis de leucina e o exercício físico podem alterar o turnover proteico (BIOLO et al.. 139 .= J. O aumento da síntese proteica ocorre em resposta ao catabolismo aumentado durante o esforço exaustivo (WAGENMAKERS. (2008) sugerem a ingestão de 1.. diminuição do catabolismo proteico miofibrilar e excreção da ureia urinária.. E. avaliando ganho de peso corporal. Os carboidratos são maiores poupadores de proteínas do que as gorduras (ROY et al. C.... Soc.. antes e após a sessão do exercício. Brazilian Soc. INTRODUÇÃO As necessidades proteicas e energéticas de praticantes de treinamento de força. Nutr. S. 137-150.5g de proteína/kg de peso/dia com ajuste do consumo energético para 30kcal/g de proteína para síntese proteica ideal em atletas culturistas. ROY et al. 1997. DI MARCO.. o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da relação das calorias glicídicas/ lipídicas sobre a composição corporal. RODRIGUEZ. O predomínio da síntese em relação ao catabolismo proteico muscular representa a base metabólica da hipertrofia. 2008.. TIPTON et al. 2004).MENDES-NETTO. A combinação de carboidrato e proteína. 2004). SP. são maiores do que as de sedentários (MAESTÁ et al. abr. 2005. 1997. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. 2011. com mais de dois anos de experiência em treinamento de força. com 11 jovens saudáveis em treinamento com pesos.. 1992). Portanto. aumentando a transcrição gênica. 2000). promove a liberação de hormônios. P. MAESTÁ. n.. Adicionalmente. principalmente para hipertrofia muscular. VOLEK. sexo masculino. idade entre 18 e 35 anos. v.

Estes indivíduos foram recrutados em academias da cidade de Botucatu (SP). R. foi realizada investigação dos hábitos alimentares.. Foram prescritas dietas individuais para o período de pré-experimento (D0 2 semanas de duração). maltodextrina (40%) e carboidratos simples (15%). Todos foram informados sobre a proposta do estudo. aleatoriamente. As análises nutricionais foram realizadas por meio do software de nutrição NutWin. aproximadamente. e cerca de 9% das calorias lipídicas da dieta D2. em dois grupos. BURINI. DE OLIVEIRA. 137-150. abr. por meio do registro alimentar de três dias. PROTOCOLO DIETÉTICO Inicialmente. ou seja. O diferencial das dietas foi a razão energética carboidratos/lipídios. os procedimentos a que seriam submetidos e assinaram a declaração de consentimento esclarecido. lipídica e normoglicídica). As calorias lipídicas correspondiam aproximadamente a 18% do total da dieta D1. Soc. Após este período. A duração total do estudo de intervenção dietética foi de 28 dias (M0/M2).. As dietas continham. foram realizadas as avaliações (M0) e oferecidas aos atletas. usuários de esteroides anabolizantes. ingeridos na forma de amido (45%). O estudo teve duração de seis semanas em que as duas primeiras foram de adaptação à dieta e ao treinamento e as 4 últimas com intervenção dietética associada ao treinamento para hipertrofia. duas semanas antes do início da intervenção nutricional. S. P. fumantes e elitistas. Na primeira dieta (D1).MENDES-NETTO. 2011. Nutrire: rev. E. saudáveis e excluídos os indivíduos que ingeriam suplementos (com exceção de maltodextrina). nº 269/98). n. 36. Foram selecionados adultos jovens. sendo dois no meio da semana e um no final de semana para análise das quantidades relativas de macronutrientes e total de calorias ingeridas (CINTRA et al. C.5g de proteína/kg/dia. 60-70% de carboidratos e 20-30% de lipídios. 2002). SP. pois os indivíduos consumiam dieta adaptada para hipertrofia muscular para ambos grupos e por se tratar de estudo cruzado. A dieta foi fracionada em sete vezes ao dia (desjejum. 1997). almoço. com duração de 2 semanas. três lanches e ceia). A contribuição dos carboidratos foi estimada em 70-80% do consumo calórico total.5 (ANÇÃO et al. Encerradas estas duas semanas.0. ambas com conteúdo proteico fixo de 1. Os atletas foram distribuídos. 1. MAESTÁ. enquanto que na D2 essa relação foi de 8. a relação calorias de carboidratos/calorias de lipídios foi de 4.. jantar. Alim. compostas por 1. versão 1. São Paulo. com ingestão de água ad libitum. houve a troca do tratamento dietético entre os grupos. Nutr. v.5g/kg/dia e isoenergéticas. após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa em 03 de abril de 2000 (Of. 34kcal não proteicas/g proteína/dia. R. Bras. um recebendo a dieta D1 (n=5) e o outro a dieta D2 (n=6).= J. por período de quatro semanas. vegetarianos. Food Nutr. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. p.0. por mais 2 semanas (Figura 1). N... aquele que estava com a dieta D1 recebeu a D2 e quem estava coma D2 recebeu D1. duas dietas (D1 e D2) em sequência alternada (2 semanas cada dieta).. Não houve dieta controle (normocalórica. Brazilian Soc. 140 .

p. Alim. com exceção dos grupamentos dos braços. Antes de iniciar o teste de RM. R. 2 semanas PROTOCOLO DE EXERCÍCIO FÍSICO O protocolo de treinamento utilizado constou de duas fases. Soc. Nutrire: rev. A primeira sessão (A) de treinamento foi composta por exercícios para os grupamentos musculares do peitoral. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. os jovens fizeram aquecimento com carga subjetiva e 15 repetições para cada exercício. N. envolvendo programação de quatro dias não consecutivos. 2011. A segunda fase visou a hipertrofia muscular. Foram realizadas quatro sessões de treinamento (A e B). Bras. SP. Para a panturrilha. v. 1. Food Nutr. R. Nutr. São Paulo. com quatro séries para cada exercício.MENDES-NETTO. MAESTÁ. 1995). Brazilian Soc. repetida no primeiro e quarto dia da semana.. com maior número possível de repetições. essas duas semanas foram suficientes para nivelamento do treino.= J. panturrilha e abdome. intercalados por um de descanso. 1995). A segunda sessão 141 .0 Figura 1 – Delineamento do estudo e ingestão da dieta D1 e D2. As cargas utilizadas foram compatíveis com o número de repetições máximas estipuladas para cada exercício. n. BURINI. DE OLIVEIRA. E. abr.5g/kg/dia de proteína e isoenergéticas D1 (n=5) D1 (n=6) 2 semanas 2 semanas D2 (n=6) D2 (n=5) 2 semanas (D1) relação carboidratos/lipídios = 4. com a primeira fase (2 semanas) correspondendo ao pré-experimento (sem tratamento dietético). FRY.0 (D2) relação carboidratos/lipídios = 8. Foram realizadas de três a cinco tentativas para obtenção da carga máxima com pausa de três a cinco minutos entre as elas (KRAEMER. FRY. costas. O número de repetições utilizadas em cada série foi 12/10/8/6. 137-150. Após a pausa de um minuto foi iniciado o teste de 1RM com adição de carga subjetiva e individual. P. correspondendo em 75-85% de uma repetição máxima (1 RM).. com dois exercícios cada. tendo como finalidade a equiparação do protocolo de treinamento físico. C.. foram realizadas 15-20 repetições e abdome 20-30 (KRAEMER. utilizando o método de cargas variáveis conhecido como pirâmide. Cada programação constou de três exercícios para cada grupamento muscular. pois como já eram praticantes há mais de dois anos. 36. 1. ombros e pernas.. S.

.MENDES-NETTO. quadril (CQ). com precisão de 0. e entre os exercícios de um mesmo grupamento muscular. colesterol total. foi de sessenta a noventa segundos. antebraço (CAT). (1990). AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA As amostras de sangue venoso foram colhidas após repouso e jejum de 8-12h. A insulina e a testosterona total e livre foram analisadas por radioimunoensaio (DWENGER. POLLOCK. suprailíaca (DCSI). Para a avaliação do peso corporal e altura. As circunferências do braço (CB). 1995). Para o cálculo da massa muscular (kg). ureia. BURINI. Alim. Nutrire: rev. MAESTÁ. HDL-colesterol por método enzimático. N. MD) (HEYWARD. com quantidade de 10mL de sangue. 36. abdominal (DCA). durante cada exercício. 1978) e com a densidade foi calculado o percentual de gordura corporal (%G) (SIRI. O intervalo de recuperação entre as séries. 1997). 2000). AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL A avaliação da composição corporal foi realizada antes do início do estudo dietético (M0). triacilglicerol. Brazilian Soc. STOLARCZYK.1kg para peso e 0. Soc. albumina. 1. DICH. em tubo seco com gel separador. utilizou-se a equação proposta por Martin et al. Para o cálculo da densidade corporal. DE OLIVEIRA. circunferências (cm) do antebraço. repetida no segundo e quinto dia (KRAEMER. 1961). 142 . R. foi utilizada balança antropométrica provida de estadiômetro (Filizola®. 2011. C. FRY. abr. ácido úrico. 137-150. 1984).1cm para altura. SP. creatinina e ácidos graxos livres. Nutr. P. Cambridge. biciptal (DCB). subescapular (DCSE).. 1990). coxa (CC) e panturrilha (CP). amônia (extração em Conway) e nitrogênio total pelo método micro-Kjeldahl para o cálculo do balanço nitrogenado (BN) (DICH. abdominal (CA). ao final dos primeiros 14 dias (M1) e no final dos 28 dias (M2). Foram determinadas no plasma as proteínas totais. As medidas foram realizadas por um único avaliador com adipômetro científico da marca Lange (Cambridge Scientific Instruments. de dois a três minutos.= J. p.. Brasil). Food Nutr. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. glicose. STOLARCZYK. e as dobras cutâneas triciptal (DCT). S. n. ombros e coxas. (B) envolveu exercícios para os grupamentos musculares do braço (anterior e posterior). AVALIAÇÃO DO BALANÇO NITROGENADO O período de coleta de urina foi de 24 horas. Bras. Foram dosadas ureia urinária (método urease). que leva em consideração a estatura (cm). E. O intervalo de recuperação entre os exercícios para grupamentos musculares diferentes nunca foi inferior a cinco minutos. com o indivíduo descalço e mínimo de roupa (HEYWARD. v. R. utilizou-se equação (JACKSON. São Paulo. coxa e panturrilha e as dobras cutâneas da coxa e da panturrilha (MARTIN et al. 2000). coxa (DCC) e panturrilha (DCP) foram utilizadas o cálculo da massa gorda e massa muscular do corpo.. por método colorimétrico. BURINI..

. Foi dosada ureia (método Urease) para o cálculo do balanço nitrogenado (BN): nitrogênio ingerido (NI) – (0. seguida de teste post hoc HSD de Tukey. BURINI. 2011. S.07 76.46 x ureia urinária (g/24h) +4). Tabela 1 – Características basais da idade e da composição corporal dos praticantes de treinamento com pesos Variáveis Idade (anos) Estatura (m) Peso (kg) Gordura (%) Massa Muscular (kg) n = 11 24. efeito dos tratamentos (dietas D1 e D2) foi feita análise de variância (ANOVA – one way).1 143 .2+6. N.. E. 1997). DE OLIVEIRA. Brazilian Soc.. 36. Para cada indivíduo foi calculada a variação relativa das variáveis. Para comparação entre dieta habitual.1+2.5 47. MAESTÁ. ANÁLISE ESTATÍSTICA Os resultados estão apresentados como média ± desvio padrão. R.5+4. R. Nutrire: rev. Para comparação entre os dois tratamentos dietéticos (D1 e D2) foi aplicado teste t de Student pareado. P. São Paulo. Alim.MENDES-NETTO. Food Nutr. SP.. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. 137-150. 1. definida por: D1 = X15 dias – X0dias X0dias X30dias – X15dias X15dias D2 = Foi aplicado o teste de Kolmolgorov-Smirnov para verificar a homogeneidade da amostra. com NI expresso em g de N. O nível de significância adotado foi de p<0.8+7.9 1. p.0.05 (5%). Soc. Bras. com percentual de gordura e massa muscular (kg) adequados para a idade (Tabela 1).d-1 (DICH.5 16. O período de coleta foi de 24 horas. v.79+0. BURINI. Nutr.= J. DICH. RESULTADOS Os indivíduos eram jovens. As amostras de urina foram coletadas em frasco contendo solução de HCl 1N (para manter o pH < 2) e conservadas em refrigerador. n. abr. C. O tratamento estatístico foi realizado com software STATISTICA 5.

0±0. 137-150.7±2.3 803.0±0. a ingestão energética.15 10.14 883. 144 . resultando em diferença (p<0.55 8. como esperado.21 49. Brazilian Soc. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento.1 D2 4. D2 (CHO/GORD: 8. E.0). Nutrire: rev.6±0..0±174. São Paulo.0±1.2 3.0 11.0 58.2±0.9±5.5 1.0±0.0 1.01* 117.5±0.02 * p<0.1 4.7 72. D1 (CHO/GORD: 4.0±0. decorrentes do consumo das dietas D1 e D2 foram semelhantes. Nutr. BURINI. Alim. n. As variações de peso e gordura corporal. D1 e D2.6 24.= J. 36.2 D1 4.5±1.75 14. respectivamente) (Tabela 3).01 (D2). abr.2±0.0±70. O tratamento dietético mostrou-se efetivo (p<0.8 1.0±6. A oferta proteica diária.. Food Nutr.5±0. MAESTÁ. Apesar das diferentes proporções glicídicas/lipídicas de 4. Assim.0).MENDES-NETTO.0 88.3 124.1 18.0±0.0±9.7±0. Bras.5 1.393±357. DE OLIVEIRA.05) no ganho de massa muscular apenas na dieta D2 (Delta MM (kg) = -0.0 0. Soc.0±0. SP.0±4. S. 1. p.0±11.0±0. a diferença entre as dietas D1 e D2 ocorreu na proporção carboidratos/gorduras. por unidade de peso corpóreo.0 59.7 e 1. assim como a ingestão calórica (não-proteica) por grama de proteína (Tabela 2).0±10.0 61.04 118.5±0. por unidade de peso.0±48. v.05) de participação no valor calórico total da dieta (VCT) de 8%.. 2011.0±39.0±11. P. dietas D1 e D2 dos praticantes de treinamento com pesos (n=11) Dietas Habitual Calorias totais kcal/kg kcalNP/g ptn kcal CHO/kcal GORD Proteínas totais (g) Proteínas/kg (g/kg) % Proteína Carboidratos totais (g) CHO/kg (g/kg) % CHO Gorduras totais (g) Gorduras/kg (g/kg) % Gorduras 3.6±0.5.1±1.0±53.3±2.04 (D1) e 8.0±4..0 1.2 34.7 34.0±12.372±715.5 89.0±9.2 24. R. Tabela 2 – Consumo proteico-energético habitual.463±319. kcalNP/g ptn: calorias não proteicas por grama de proteína.1 44. R.0±0.0 10.0±0.5±0.6±0.0±4. foi semelhante nos dois grupos dietéticos. foi semelhante entre os grupos nas duas dietas.05 10.05 (diferença entre D1 e D2).9 80. C.7 518.0 6. N.14 10.

4 -1.1 -0.9 1.1±5.4 D1 (%) 41. Ambas as dietas promoveram redução na excreção do nitrogênio urinário e apresentaram balanço nitrogenado positivo.MENDES-NETTO. Nutrire: rev.65 0. E.. D1 (CHO/GORD: 4.. C. 145 . 36. D1 e D2.01 6.6 p 0. Tabela 3 – Variação absoluta (kg) e relativa (%) da composição corporal dos praticantes de treinamento com pesos submetidos à dietas isoenergéticas. N.0).7 0.29 * p<0.2±10. D1 e D2. mas sem diferença estatística entre as dietas (Tabela 4).= J. Soc.1 3.6 191.5* 0. p. R.8 D1 (%) 1. D1 (CHO/GORD: 4. D2 (CHO/GORD: 8.0).9±1. D2 (CHO/GORD: 8.6±0. R.9±6.47 0. A dieta de maior proporção lipídica (D1) promoveu aumento dos ácidos graxos livres (AGL). nitrogênio ureico (NU) e balanço nitrogenado (BN) dos praticantes de treinamento com pesos submetidos à dietas isoenergéticas.3±1. MAESTÁ.3 34. p<0.0). v.1±6.91±16.0 Variação Relativa D2 (%) 28.0 8.5±1.44±8. 2011.3 -4.0). respectivamente). Nutr.05 (diferença entre D1 e D2). 1. DE OLIVEIRA.05 (diferença significativa). Brazilian Soc. P.6 e 12.16 0. BURINI.5 -13. Fato inverso foi verificado para a colesterolemia total (Delta = -3. Tabela 4 – Variação absoluta (g/d) e relativa (%) do nitrogênio ingerido (NI).3±0.4±6.3 D2 (g/d) 3.05: diferença significativa.0±11.1 D2 (kg) 1. 137-150. Food Nutr. A oferta de proporções glicídicas/lipídicas diferentes em dietas isoproteicas não resultou em alterações significativas dos outros parâmetros bioquímicos em ambas as dietas (Tabela 5). SP. n.8mg/dL.4 Variação Relativa D2 (%) 2.05) (Delta = -6.0 p 0.1±5.8mg/dL. com variação na razão calorias glicídicas/lipídicas Variação absoluta D1 (kg) Peso MM Gordura 1.7 0. Bras. com variação na razão calorias glicídicas/lipídicas Variação absoluta D1 (g/d) NI NU BN 2.9 e 12. onde o estímulo hipercolesterolêmico foi da dieta D2. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. MM: massa muscular.3 -3. S. São Paulo.33 P<0.1±1.05 0...0 2. respectivamente) e fração LDL (p<0. Alim.9 4.0±10. abr.

a alta ingestão de carboidrato melhora o balanço proteico.MENDES-NETTO..03±0.05: diferença significativa. com variação na razão calorias glicídicas/lipídicas Variação absoluta D1 Prot (g/dL) Alb(g/dL) Creat (mg/dL) U (mg/dL) Ac.0). 1.6 3. VOLPI et al.1±0.60 0.5 7. alb: albumina.45±6.0 3.3 14.0). p<0. possivelmente por redução do catabolismo proteico (BORSHEIM et al. U: ácido úrico. 137-150.0 -39. 2011. São Paulo.6 D1 (%) -1.004 0.09 0. D1 (CHO/GORD: 4.5 0.2 0.3 -3.11 0.34 0. creat: creatinina. 2001). Bras. P.2 25..0±9.42±0. BURINI.05 -1.19 0.15 26.6 6.U (mg/dL) Gli (mg/dL) TGL (mg/dL) CT(mg/dL) HDL(mg/dL) LDL(mg/dL) AGL(mm/L) Insulina (µUI/mL) GH (ng/mL) TT (ng/mL) TL (pg/mL) -0. RENNIE.9 6.8±7.9 0. Nutrire: rev. 2000). 36.25±0.0)..85±4.13±4.7 3. No presente estudo. S.8 -0.0±11.03±0. U: ureia. TIPTON et al.4±40.2 32.2 11.6 0.35 1.33 0.3 0.0 53 4. CT: colesterol total. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento.13 0.75±148 -0. AGL: ácidos graxos livres.= J.4 -6. 1988.6 535.9 -1.8 D2 0. gli: glicose.3 12. abr. Tabela 5 – Variação absoluta e relativa (%) dos parâmetros bioquímicos e hormonais dos praticantes de treinamento com pesos submetidos à dietas isoenergéticas.6 -4.1 1. R.7 16. a introdução proteica 146 .8 -2.05±0.35 0.0 Variação Relativa D2 (%) 1..6 12.8±5.52 0.01 0. DE OLIVEIRA. Brazilian Soc.2±8.9 1.9 1. R.05 -0. MAESTÁ..40 0. Nutr. ac. MACDOUGALL.6 37. Assim. p.1±6.10 0.0±145 1.56 0.5±0. v. C. Sabe-se que a oferta concomitante de substratos energéticos é necessária para melhorar a síntese proteica muscular (TARNOPOLSKY. TGL: triglicerídios. A associação de aminoácidos essenciais com carboidrato estimula o balanço proteico (aumento da síntese e redução do catabolismo proteico) (DORRENS. Alim. Soc.0 -0.0 13.2 0.8 p 0.91±16. N.26 Prot: proteínas totais.6 1.4 -3.. Food Nutr. 2003.7 0.11±0. a D2 que apresentava relação CHO/GORD:8.6 3.9 -3.1±0. Alguns estudos mostram que nos exercícios com levantamento de pesos.0 mostrou maior ganho de MM quando comparada a D1 (relação CHO/GORD:4.0 1.3±0.1 -4. DISCUSSÃO O principal achado do estudo foi que a maior relação CHO/GORD resultou em maior ganho de massa muscular e positivação do balanço nitrogenado em atletas culturistas. 2004). SP.9 19. n.1±0. ATKINSON.1±0.2 10.4±4.05 0.96 0. E.4±9.7±9.3 3.9 25.2 2. D2 (CHO/ GORD: 8.54 0..2±10.7±52.

2003. os dados antropométricos são confiáveis desde que as equações sejam adequadas ao grupo estudado.. n. Nutr. MARTIN. Como o desempenho físico é dependente de diversas funções musculares. MACDOUGALL. WOLFE. DRINKWATER. POLLOCK. 2011. 2008).01). a equação utilizada para quantificação da massa muscular utilizada no estudo é específica para o sexo masculino (MARTIN et al.0±0. P. BURINI. O efeito significante e mensurável da troca isoenergética de gordura por carboidratos sobre o metabolismo proteico. A insulinemia não apresentou maior resposta à oferta de calorias glicídicas (D2). 1993). Alim.0 e 4. sem diferença significativa da dieta D1. Apesar de ser utilizado método duplamente indireto para avaliação da massa muscular e adiposa do corpo. 1. 1978) é específica para pessoas fisicamente ativas (REZENDE et al. O consumo proteico associado ao de carboidratos resulta em aumento da síntese proteica muscular nos períodos de uma hora e duas horas após o treino (MILLER et al. 2003). 2000). que compara culturistas com outras modalidades esportivas e não atletas (SPENST. 137-150. No presente trabalho.0) foram selecionadas por se enquadrarem dentro de variação que poderia ser aplicada às dietas destes atletas e que permitiria ampla variedade de alimentos com melhor palatabilidade. 36. foi mostrado neste estudo com praticantes de treinamento com pesos em fase de treinamento (Tabela 5). 1990).MENDES-NETTO. entretanto. São Paulo. ATKINSON. v.. com calorias glicídicas entre 72% (D1) e 80% (D2) e lipídicas entre 18% (D1) e 10% (D2). p. Além disso. Food Nutr. C. Brazilian Soc. o balanço torna-se negativo. valor semelhante ao encontrado em atletas culturistas observado em outro estudo. 1988). E. a suplementação exclusivamente glicídica ou associada com proteínas estimula a resposta favorável ao crescimento muscular em função do aumento das concentrações 147 . No entanto. Soc.04 e D2 8.0) reduziu a excreção nitrogenada e promoveu aumento do BN em 191%. As razões energéticas de CHO:GORD (8. 2000).5g por kg de peso por dia.0±0. N. R.. Nutrire: rev. 2002). Sabe-se que a excreção de nitrogênio aumenta com exercício e quando a ingestão proteica e energética (principalmente de carboidrato) é reduzida. A maior oferta de calorias glicídicas por lipídicas (8. As necessidades proteicas-energéticas de praticantes de musculação são maiores que dos sedentários (MAESTÁ et al. período que coincide com o pico da síntese e catabolismo proteico muscular nas condições de repouso (pós-treino) (PITKANEN et al.. SP. no presente estudo a equação para densidade corporal (JACKSON. A dieta com maior razão CHO/GORD (8. 2006). S. indesejável para estes atletas (MENDES-NETTO. Bras.0) dobrou a retenção nitrogenada (pela menor excreção de nitrogênio ureico). com diferença significativa somente entre a razão de calorias glicídicas por calorias lipídicas (D1 4. abr. A massa muscular dos atletas do presente estudo correspondia a aproximadamente 62% do peso corporal. o balanço nitrogenado pode ser utilizado para avaliar o metabolismo proteico (TARNOPOLSKY... o consumo proteico de ambas dietas foi em média 1... MAESTÁ.= J. BURINI. associada à ingestão de carboidrato potencializa a resposta anabólica do treinamento físico (MENDES-NETTO. R. BURINI. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento.. DE OLIVEIRA.

A. T. Soc. Food Nutr. TIPTON. B. ANTONIONE.. C. 1997. F. Alim. S. TADDEI. R.. S. 1994. R.. 76. A. R.5. K. D. DRAIBE.. n. Curr Opin Clin Nutr Metab Car e. R. D. 2. Nutr. LEE. R. J. 137-150. p. Como a dieta D2 é mais hiperglicídica (80%) e menos lipídica (9% das calorias da dieta). v. v.. São Paulo. M. G. P. BURINI. Mechanisms of altered protein turnover in chronic diseases: a review of human kinetic studies. Brazilian Soc. DICH. BARAZZONI. SAUERWEIN. CD-ROM. P. v. v. AARSLAND. 6.. Dietas hiperglicídicas podem induzir dislipidemias. Dietary carbohydrate deprivation increases 24-hour nitrogen excretion without affecting postabsorptive hepatic or whole body protein metabolism in healthy men. A. 1997.SPDM . 2011. 8.. 96. FRANCHESCHINI.. 13.. M. K. J. D. R. p.. 2002... 2003.. CREE.. ELLIOTT. 55-63..= J. WOLFE. M. CUPPARI. Cad. SCHMITZ. Cad. H. 11-23. E.. n.. n. C. SP. M. ROMIJN.. J Clin Endocrinol Metab.. CINTRA. REFERÊNCIAS/REFERENCES ANÇÃO. Effect of carbohydrate intake on net muscle protein synthesis during recovery from resistance exercise. com maiores proporções de calorias glicídicas/lipídicas (D2).. R. 36. n. 3801-3805. A. 2003. favorecer a formação de partículas de LDL pequenas e densas e reduzir as concentrações de HDL plasmático. no grupo dos praticantes de treinamento com pesos que recebeu essa dieta. 1. HEYDE.... KUIPERS. sem alteração da adiposidade corporal e ambas positivaram o balanço nitrogenado. São Paulo: Departamento de Informática em Saúde . BORSHEIM. A. 674-678. DE OLIVEIRA. B. BURINI. BISSCHOP.. SIGULEM. 1. BYRNE.. DE SAIN-VAN DER VELDEN. SIGULEM. abr. v. 148 . MAESTÁ. 839-845. I. nutr. principalmente pelo aumento da síntese de triglicerídios. Metabolismo protéico global em humanos mediante técnicas de isótopos estáveis. A. v. J. L. p. e consequente produção e liberação aumentadas de LDL e VLDL (PARK. G. R. p.. versão 1. com objetivo de hipertrofia muscular. A. 2010). M. S. L. G. S... J Appl Physiol. isso pode explicar o maior aumento da LDL e a redução dos ácidos graxos livres. P. n. 2. Bras. G. p. J. p. MEIJER.. J. E.UNIFESP/EPM. A. apresentam maior efeito anabólico que dietas hiperlipídicas. promoveu maior ganho de massa muscular. nutr. PATTERSON.. H. G. J. PARK. N. H. p.. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. IVY. CHANDLER. S. 88. Nutrire: rev.. Métodos de inquéritos dietéticos. as dietas hiperglicídicas para praticantes de treinamento com pesos. M. D. M. C. E. J Appl Physiol. 14. Programa de apoio à nutrição Nutwin. Sendo assim. CONCLUSÃO A oferta de dietas isoenergéticas e isoproteicas.MENDES-NETTO. Dietary supplements affect the anabolic hormones after weight-training exercise. ZANETTI. I. 2004.. V. STELLAARD.. DICH. BIOLO. 13-22. F.. de insulina e GH durante o período de recuperação após exercício de força (CHANDLER et al. P. 1994).. v. C. GUARNIERI. C..

REZENDE. E. GLYNN. FRY. p. 82. v. J. C. J.. E. p. N.. LEE. v. MERO. p. 138-155. 2003. 2000. Nutr. n. M. SIRI. 19/20. J. 215-220. v. D. W. n. 137-150. N. n. P.. n. p. B. TARNOPOLSKY. 139. S. S. M.. Int J Cardiol. In: BROZER. PRIORE. 11. 2010. 37. p. esporte. 41. MAESTÁ. p. n. R. D. Med Sci Sports Exerc. D. MILLER. C. F. 2008.. P. N... S. 35. S. 3. J Clin Chem Clin Biochem. S. p. A. 129-144. K. R. DRINKWATER. 1990. 2003. 1. 3. S. S. med. 149 . BURINI. p. R. P... STOLARCZYK. FOSTE.. Avaliação da composição corporal aplicada. ROY. n.. balanço nitrogenado e cinética da 15N-glicina de atletas em treinamento de musculação. 26-33. American College of Sports Medicine position stand. Effect of glucose supplement timing on protein metabolism after resistance training. 36. V. CHINKES. p. H. Body composition from fluid space and density. 14. 12... Anthropometric estimation of muscle mass in men. L.. MAESTÁ.. D.. H. V. WOLFE. Free amino acid pool and muscle protein balance after resistance exercise. FOWLES. D.. A... Muscle mass of competitive male athletes. Dietary carbohydrate intake is associated with cardiovascular disease risk in Korean: analysis of the third Korea National Health and Nutrition Examination Survey (KNHANES III). J Sports Sci.. 6. 1978. S. J. F. Radioimmunoassay: an overview. SP. Med Sci Sports Exerc. bras. S. p. MERO. HEYWARD. 1995. IL: Human kinetics. O. v.. p. SPENST. Champaign. S. Nutrire. A. DWENGER. JACKSON. C. M. M. TIPTON.. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol... MARTIN.. L.. WOLF. LANGLEY. J. Rev. Independent and combined effects of amino acids and glucose after resistance exercise. p. D. J. São Paulo. 729-733. FRY. p. PARK. O. v. v. p. 1997. L. 2005. PITKANEN. DE OLIVEIRA. L. (Ed. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. KOMI. 357-367. C. C. Physiological assessment of human fitness. W. 19. n. F. In: MAUD. 299. 35. 1882-1888. A. S. C. C. VOLPI. 22. E. SPENST. T. Alim. Scand J Med Sci Sports. BURINI.. Nutrition and athletic performance. Br J Nutr. S. B. Bras. v. 3.. R.. S. 497-504. 1984... n. J.. DREYER. LAHTI.. P. 2000. 3. Strength testing: Development and evaluation of methodology. Techniques for measuring body composition. K. M. 784-792. Y. T. 1... v. MARTIN. E.. J. YARASHESKI. 709-731. p.... ALEN. Med Sci Sports Exerc. 1990-1997.. D. 449-455. NYKANEN. v. ANGELELI. 5.. A.).. L. Soc. Effects of ageing and human whole body and muscle protein turnover. H. n. S. Generalized equations for predicting body density of men. M. J Appl Physiol. L.. Washington. L. A. DORRENS.= J. A. v.. Nutrire: rev. R533-R540. São Paulo: Manole. 11. Efeito da oferta dietética de proteína sobre o ganho muscular. Brazilian Soc. nutr. n. n. Muscle protein breakdown has a minor role in the protein anabolic response to essential amino acid and carbohydrate intake following resistance exercise.. R. ROSADO. FRANCESCHINI. A. J. POLLOCK. v. 2010. v. L. DC: National Academy of Science. 22. J. Food Nutr. J. A. C. 2009. v.. KNUUTINEN. SELANNE. Protein ingestion prior to strength exercise affects blood hormones and metabolism. R. N. D. p.. C. C. 3.. T.. KRAEMER. 2011. K.. 2. 2006. DRUMMOND.. v. H. n. 234-240. A. CLARYS. 1. R. v. PARK. T. VOLEK. F.. KEINANEN.. Rev... n.. n. 5.MENDES-NETTO.. DHANANI. B. 13. DRINKWATER. MACDOUGALL. p. E. J. abr. DI MARCO. A. A. 3-8. 1961. E.. 40. Y. Aplicabilidade de equações na avaliação da composição corporal da população brasileira. 223-244. 883-894.. E. n. M. J. p. H. A. P. Med Sci Sports Exerc.. BURINI.. E.. MENDES-NETTO. CYRINO. E. L. H. RASMUSSEN. RODRIGUEZ. RENNIE. HANSCHEL. 2003. R. 3. v. Efeito da oferta e do balanço de energia sobre o metabolismo protéico. HULMI. Med Sci Sports Exerc. K. 1993.

n. Effects of insulin on muscle tissue. MILLER. K. ZAWADZKI. Nutrire: rev. RASMUSSEN. Carbohydrate-protein complex increases the rate of muscle glycogen storage after exercise. R. MACDOUGALL. WOLFE. v. SP. 281. K. v. Amino acid supplements to improve athletic performance.. B. S. D. São Paulo. p. 150 . 36. R. B. J. 36. v. p. E. WOLFE. E. 3RD.. Med Sci Sports Exerc.. VOLEK. 187-193. v. 539-544. BURINI. 2. J. RASMUSSEN.. v. 4481-4490. p. n.. 1... B. Nutr. 2004. K..= J... 3. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. p. J. 5. D. S. n. Aprovado em 14/12/10. 72. S. C. 1. E. 2000. p.. E197-206. J Clin Endocrinol Metab. 137-150. v... B... WOLFE. VOLPI. 64. IVY. R. J Appl Physiol.. 1. Soc. ATKINSON.. E.. 689-696. The response of muscle protein anabolism to combined hyperaminoacidemia and glucose-induced hyperinsulinemia is impaired in the elderly. 1999. Influence of nutrition on responses to resistance training. 132. 85. 1988. v. TIPTON. N. R. 2002.. R. p. MITTENDORFER. n. WOLFE. Curr Opin Clin Nutr Metab Care. J Nutr. 1992. 6. R. p. Alim. PETRINI. B. v.MENDES-NETTO. n. v. J Appl Physiol.. 2011. Recebido para publicação em 29/07/10. R. 1854-1859. A. B.. 12. B. 2. 3219S-3224S. TARNOPOLSKY. n. M. Food Nutr. L. S. A. R. p. 2001. R. WOLF. P. J. Brazilian Soc. Influence of protein intake and training status on nitrogen balance and lean body mass. L. Bras. M. A.. MAESTÁ. p. 10. 4.. YASPELKIS. n. S. R. n. Timing of amino acid-carbohydrate ingestion alters anabolic response of muscle to resistance Exercise. 2000. Regulation of muscle protein by amino acids. DE OLIVEIRA. 67-71. Efeito da relação de calorias glicídicas/lipídicas da dieta sobre o balanço nitrogenado e composição corpórea de praticantes de musculação em treinamento. Am J Physiol Endocrinol Metab. abr. B. WAGENMAKERS. OWENS-STOVALL. n. S.

Brazilian Soc. São Paulo. C. MARIANA THALACKER1. A. 44. Nutrire: rev. 3Nutricionista da Associação de Diabetes Juvenil. CEP 05021010. SP. abr. ROSANA FARAH SIMONY2. SP. Pompéia. Carbohydrates. São Paulo. it is known that the presence of the nutritionist in the health-care team that deals with diabetic patients is essential for the maintenance of a good metabolic control. and adjust the insulin doses according to the sum of the carbohydrate grams ingested. as it allows more flexibility in the food choices. = J. Therefore. which has been used with patients with type 1 diabetes. E-mail: carolpcosta@gmail. Nutr. Metabolic and nutritional aspects of carbohydrate counting in the treatment of type 1 diabetes mellitus. Diabetes mellitus. Food Nutr. SIMONY. The nutritionist’s role in the education of the patient who chooses to start counting carbohydrates is further discussed. The goal of this study was to review the literature for the nutritional aspects of this dietary method. resulting in hyperglycemia and disorders in the metabolism of the macronutrients. v. ANA CAROLINA PEREIRA COSTA1.. F. 270. C. carbohydrate counting is a dietary method that allows the patients to choose the food they wish to eat in each meal. FERNANDA CASTELO BRANCO3 1Nutricionista pelo Centro Universitário São Camilo. N. 2011. Studies verified a decrease in the levels of glycosylated hemoglobin and a higher compliance with the treatment in patients using carbohydrate counting.. Evidences show that the amount of carbohydrate may be more important than its quality in determining the postprandial glycemic levels. encouraging modifications in the eating habits and the practice of physical activity. M. THALACKER. Type 1.. Soc. R. 1. is characterized by the deficiency in the production and secretion of insulin by the pancreas. F. BRANCO. 151-162. Type 1 diabetes mellitus. apto. P. Keywords: Nutritional Therapy. n. Bras. 36. p. Endereço para correspondência: Ana Carolina Pereira Costa Rua Tucuna. 2Docente dos Cursos de Nutrição do Centro Universitário São Camilo e da Universidade Presbiteriana Mackenzie..com 151 . In this context. Alim. NATHÁLIA BESENBRUCH1. BESENBRUCH. the incidence of which has been considerably increasing in the world.Artigo de Revisão/Revision Article Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 Metabolic and nutritional aspects of carbohydrate counting in the treatment of type 1 diabetes mellitus ABSTRACT COSTA..

Food Nutr. Discute-se a participação do nutricionista na educação do paciente que deseja iniciar a contagem. Evidências relatam ser mais importante a quantidade de carboidratos ingeridos numa refeição do que seu tipo na determinação da resposta glicêmica pós-prandial. N.. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. Nutrire: rev. n. BESENBRUCH. O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) caracteriza-se pela deficiência na produção e secreção de insulina pelo pâncreas. 36. El objetivo de este trabajo fue hacer una revisión bibliográfica de los aspectos nutricionales de este método. através do incentivo de alterações nos hábitos alimentares e da prática de atividade física.. já que ela permite maior flexibilidade nas escolhas alimentares. Sua incidência vem aumentando consideravelmente no mundo. Palavras-chave: Terapia nutricional. a contagem de carboidratos é um método dietético que permite ao paciente escolher os alimentos que deseja consumir em cada refeição. SP. SIMONY. Hidratos de carbono. BRANCO. lo que resulta en hiperglucemia y alteraciones en el metabolismo de macronutrientes. Nutr. debido a que permite una mayor flexibilidad en la elección de alimentos. Hay evidencias mostrando que la glucemia pósprandial es más afectada por la cantidad total que por el tipo de carbohidratos ingeridos en una comida. Se plantea la participación de nutricionistas en la educación de los pacientes que deseen comenzar este cálculo. Soc. Estudos verificaram diminuição nos níveis de hemoglobina glicosilada e maior adesão ao tratamento em pacientes utilizando a contagem de carboidratos. M. Brazilian Soc. Diabetes mellitus tipo 1. resultando em hiperglicemia e distúrbios no metabolismo dos macronutrientes.COSTA. C. ajustar la dosis de insulina regular o ultra rápida. São Paulo. ajustar as doses de insulina regular ou ultrarrápida.. Carboidratos. THALACKER. e sabe-se que a atuação do nutricionista no cuidado de pacientes com DM1 é essencial para a manutenção de um bom controle metabólico. En este contexto el cálculo de los carbohidratos es un método que permite al paciente seleccionar los alimentos que desea consumir en cada comida.= J. Diabetes mellitus tipo 1.. e a partir da soma dos gramas de carboidrato contidos em cada alimento. P. Los estudios encontraron una disminución en los niveles de hemoglobina glucosilada y una mejor adherencia al tratamiento en pacientes que utilizan el cálculo de carbohidratos.. p. Palabras clave: Terapia nutricional. Nesse contexto. Bras. Su incidencia mundial ha aumentado considerablemente y se sabe que la actuación del nutricionista en el cuidado de los portadores de DM1 es esencial para la mantención de un control metabólico adecuado. F. O objetivo deste trabalho foi fazer uma revisão bibliográfica dos aspectos nutricionais desse método dietético. usado atualmente no controle do DM1. y de acuerdo con los gramos de carbohidratos contenidos en cada alimento. F. R. 2011. abr. C. A. v. utilizado actualmente en el control de la DM1. 1. Alim. 152 . por medio del estimulo a cambio de hábitos alimentarios y a la práctica de actividad física. RESUMEN RESUMO La diabetes mellitus tipo 1 (DM1) se caracteriza por una deficiencia en la producción y secreción de insulina por el páncreas. 151-162.

NERY. abr. Alim. O tipo 1 da doença pode ser dividido em tipo 1A (origem autoimune). 1993. São Paulo. pois preveniria a elevação glicêmica. BESENBRUCH. e tipo 1B (origem idiopática. 1.. 2008). LEITE et al. SP. 1993).. FRANCO. 2005). Acreditava-se que a restrição de diversos alimentos seria a melhor forma de tratamento. Tal conduta. macro e microvasculares. que é mais comum. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. THALACKER. resultando em hiperglicemia e distúrbios no metabolismo dos macronutrientes.. O diagnóstico se traduz clinicamente pelo aparecimento de sintomas como poliúria.. Tal variação ocorre por conta de fatores genéticos e ambientais.COSTA. porém. Estudo com humanos identificou que o valor de hemoglobina glicada (que reflete a média de glicemia mantida num período de três meses) define somente 25% o risco de intercorrências microvasculares em pacientes com DM1. ressaltando que um bom controle metabólico deve apresentar redução na variabilidade glicêmica (DCCT RESEARCH GROUP.3%) entre crianças de 0 a 4 anos (EISENBARTH. Estudos in vitro indicam que constantes variações glicêmicas parecem danificar mais as células do que a hiperglicemia por si só (HANEFELD. 2011. apenas o tratamento dietético viabilizava o controle da doença. Até o advento da terapia insulínica.000 (FERREIRA et al. C. 36. Em São Paulo. Em ambos os casos. HIRSCH. astenia e perda de peso (COSTA. Pelo fato de o DM1 estar diretamente relacionado ao metabolismo dos macronutrientes. 2008). entre os anos de 1987 e 1991. P. polifagia. as consequências comuns de um mau controle metabólico incluem danos neurológicos. HIRSCH. especialmente associada à doenças renais. Dados do estudo multicêntrico DIAMOND revelam incidências anuais variando de 0. A incidência do DM1 no mundo vem aumentando cerca de 3% ao ano e pode ser bastante variável. Outro autor chegou a afirmar que a variação glicêmica é um fator de risco independente para complicações do diabetes (BROWNLEE. cardiovasculares e cerebrovasculares. R. JEFFREY. p. N. Nos próximos dois anos. Soc.000 na Coréia e no México a 35. F. 2009). a nutrição desempenha importante papel no seu controle. polidipsia. 1997). INTRODUÇÃO O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) caracteriza-se pela deficiência na produção e secreção de insulina pelo pâncreas. Food Nutr. F. ausência de anticorpos) (IMAGAWA et al. Brazilian Soc.= J.6/100. além de aumento no risco de morte por doenças cardiovasculares (DCCT RESEARCH GROUP. 2006). PISTROSCH. Sabe-se que a atuação do profissional nutricionista no cuidado de pacientes com DM1 é essencial para a manutenção de um bom controle metabólico.. 151-162. v.. através do incentivo de alterações nos hábitos alimentares e da prática de atividade física (BATISTA et al.. Observa-se o aumento da frequência da figuração da doença nas estatísticas de mortalidade. TSCHIEDEL. A. Bras. n. tanto como causa básica ou contributiva. provocava desnutrição grave.6/100. BROWNLEE. a incidência deverá ser 40% superior à do ano de 1997. 1995). pela ausência de outros recursos disponíveis.. 2008.000 na Finlândia (KARVONEN et al. conduzindo os indivíduos à 153 . C. Tais associações representam uma enorme sobrecarga para a Saúde Pública (FONTBONNE. e dentre estes podemos citar a dieta como fator de risco importante (DIB. M. SIMONY.. 2005). Nutrire: rev. 1993). Nutr. 2000).3/100. 2005).. com maior incidência (6. BRANCO. a incidência anual de DM1 entre jovens com até 14 anos foi de 7. BORNSTEIN.

devendo ser aplicadas imediatamente antes ou após a refeição (PIRES. diabetes mellitus. Soc. usado atualmente no tratamento e controle do DM1.. 1993). Assim sendo. São três os tipos mais utilizados: NPH. asparte e glulisina. Já as insulinas de curta duração são responsáveis pela metabolização dos carboidratos consumidos nas refeições e pela correção de glicemias elevadas. O uso da bomba de insulina requer treinamento mais elaborado por parte dos pacientes e profissionais. 36. CHACRA. num esquema chamado de basal/bolus. As mais conhecidas são: regular (ação rápida). mas com o desenvolvimento da bioengenharia genética passou-se a produzir quimicamente insulinas humanas sintetizadas por técnicas de recombinação de DNA. ALMEIDA NETO. o objetivo deste trabalho foi verificar os aspectos nutricionais desse método dietético. Brazilian Soc. ALBUQUERQUE. Estudos 154 . CHACRA. Os descritores usados na busca foram: terapia nutricional/nutritional therapy. Um dos marcos na terapêutica em diabetes ocorreu a partir do clássico estudo Diabetes Control and Complication Trial (DCCT RESEARCH GROUP. SIMONY. SP. morte precoce (HISSA. 1998). As insulinas de longa duração são utlizadas a fim de se manter a glicemia nos períodos de jejum (madrugada) e entre as refeições. p. INSULINOTERAPIA NO DM1 As primeiras insulinas comercializadas eram extraídas de porcos e bois. possibilitando ao paciente ajustar sua própria insulina baseando-se no conteúdo ingerido desse nutriente.. Alim. as complicações decorrentes do DM1.. que é semelhante à anterior e possui pico de ação pouco pronunciado. além do custo maior associado à sua operacionalização. e detemir.. Nutr. v. SciELO e PubMed.COSTA. ou através do uso de bombas de infusão contínua de insulina subcutânea. BRANCO. P. que apresenta pico de ação após 3 horas de aplicação. com pico de ação cerca de 8 a 10 horas após a aplicação. 2008). Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. As recentes diretrizes publicadas pela American Diabetes Association (2010) refletem uma abordagem mais flexível em relação às intervenções nutricionais e ao conteúdo de carboidratos da dieta. F. Estas insulinas sintéticas não apresentam impurezas e possuem uma menor ação antigênica (COSTA. ou até previnem. 151-162. C. dieta/diet. carboidratos/carbohydrates. Foi feita uma revisão de artigos científicos publicados entre 1991 e 2010 e indexados nas bases de dados Lilacs. F. abr. 2011. de maneira individualizada para cada paciente. THALACKER. glargina. contagem de carboidratos/carbohydrates counting. M. que demonstrou que níveis de glicemia próximos da normalidade diminuem drasticamente. C. N. a partir de bactérias ou de células de outros tecidos. n. A. 2008). Este é o fundamento básico da contagem de carboidratos. de ação intermediária. 2004). O esquema basal/bolus consiste na aplicação alternada de insulinas de longa e curta duração. R. A insulinoterapia no DM1 pode ser realizada através de múltiplas injeções diárias.. devendo ser aplicada meia hora antes da refeição. HISSA. BESENBRUCH. que apresentam picos de ação após aproximadamente uma hora de aplicação. Nutrire: rev. que não apresenta pico de ação. lispro. Food Nutr. 1. São Paulo. Bras. que mimetiza com mais precisão a liberação fisiológica do hormônio pelas células beta (PIRES. (ação ultrarrápida).= J.

COSTA, A. C. P.; THALACKER, M.; BESENBRUCH, N.; SIMONY, R. F.; BRANCO, F. C. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 36, n. 1, p. 151-162, abr. 2011.

colocam que seu uso é mais eficaz do que as múltiplas injeções diárias de insulina no controle glicêmico a longo prazo, bem como na prevenção da hipoglicemia em diabéticos do tipo 1. Ainda assim, a indicação para o uso do equipamento deve ser avaliada individualmente pela equipe responsável pelo cuidado do paciente (SCHEINER et al., 2009; SILVERSTEIN et al., 2005). É importante que os profissionais de saúde e pacientes conheçam bem os tipos de insulina e seus mecanismos de ação, já que estes relacionam-se intimamente com o método da contagem de carboidratos.

CONTAGEM DE CARBOIDRATOS
Os carboidratos são os principais nutrientes que influenciam os níveis glicêmicos de indivíduos saudáveis e com diabetes. Evidências relatam ser mais importante a quantidade de carboidratos ingeridos numa refeição do que seu tipo na determinação da resposta glicêmica pós-prandial (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010; WOLEVER et al., 1999). A contagem de carboidratos ganhou destaque a partir de um estudo realizado pelo DCCT Research Group (ANDERSON et al., 1993), que comparou a eficácia de quatro métodos dietéticos no controle do DM1 – Healthy Food Choices, sistema de substituições, glicose total disponível e contagem de carboidratos – e verificou que este último era uma alternativa inovadora e motivadora para os pacientes. A contagem permite que o paciente, com o auxílio de um nutricionista, escolha os alimentos que deseja consumir em cada refeição e, a partir da soma dos gramas de carboidrato contidos em cada alimento, realize o ajuste do chamado bolus prandial, isto é, a dose de insulina rápida ou ultrarrápida a ser utilizada para metabolizar os carboidratos contidos naquela refeição. Há também o bolus de correção, que é uma dose extra de insulina rápida ou ultrarrápida utilizada nos casos em que a glicemia pré-prandial excede o limite desejado. O cálculo do bolus prandial e do bolus de correção, bem como os horários de aplicação de insulina, devem levar em consideração os seguintes itens: nível de glicose pré-prandial; meta glicêmica (prescrita pelo médico); fator de sensibilidade (também determinada pelo médico, representa quanto uma unidade de insulina rápida ou ultrarrápida reduz a glicemia do indivíduo); realização de atividade física posterior à refeição; experiências alimentares prévias e quantidade de carboidratos ingeridos na refeição. Geralmente, uma unidade de insulina é capaz de metabolizar de 10 a 20g de carboidratos em adultos, dependendo do peso corporal, do horário do dia, da resistência à insulina e do grau de atividade física. Em crianças, como a sensibilidade ao hormônio é maior, a relação insulina:carboidrato é normalmente considerada como sendo 1:30 (AHERN et al., 1993; GILLESPIE; KULKARNI; DALY, 1998; HISSA; ALBUQUERQUE; HISSA, 2004; LOTTENBERG, 2008; SCHEINER et al., 2009). Uma estratégia interessante para nutricionistas que trabalham com diabéticos é possuir em consultório manuais fotográficos ou mesmo instrumentos culinários (colheres,

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tigelas, copos, xícaras) para exemplificar e auxiliar o paciente no controle das porções alimentares (GILLESPIE; KULKARNI; DALY, 1998).

O IMPACTO DA CONTAGEM NO TRATAMENTO DIETÉTICO DO DM1
Um estudo inglês acompanhou durante doze meses 169 adultos diabéticos do tipo 1, com idade média de 40 anos, e mostrou diminuição nos valores de hemoglobina glicada (HbA1c) e aumento na satisfação em relação ao tratamento após um período de seis meses utilizando a contagem de carboidratos (DAFNE STUDY GROUP, 2002). De forma análoga, um estudo brasileiro de oito meses com dez adolescentes diabéticos realizando contagem de carboidratos revelou ser possível a redução dos níveis de HbA1c, mesmo com a introdução da sacarose no lanche da tarde, consumida na forma de um doce (COSTA; FRANCO, 2005). A American Diabetes Association (ADA), após a análise de diversos estudos clínicos, concluiu que a sacarose pode ser utilizada por indivíduos diabéticos do tipo 1 em substituição aos carboidratos da dieta (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010). Entretanto, é recomendável que seu consumo não ultrapasse 10% do total calórico diário da dieta, segundo recomendação da OMS para indivíduos saudáveis (LOTTENBERG, 2008). Um estudo brasileiro (HISSA; ALBUQUERQUE; HISSA, 2004) usou um questionário para verificar a aceitação da contagem de carboidratos, que foi respondido por 50 pacientes entre 9 e 59 anos, que vinham utilizando a técnica havia seis meses. Os resultados indicaram boa aceitação, principalmente nos quesitos relacionados à escolha do número de refeições, comer fora de casa, horário das refeições, planejamento das atividades sociais e diárias, realização de testes de glicemia e leituras de rótulos dos alimentos. Um estudo italiano com 48 adultos portadores de DM1, com idade média de 27 anos, revelou que a educação nutricional em contagem de carboidratos melhorou a reação e a conduta frente aos episódios de hipoglicemia (BRUTTOMESSO et al., 2001). Tais episódios podem ser sintomáticos ou não e normalmente são identificados através de um valor de glicemia capilar abaixo de 70mg/dL (MAIA; ARAÚJO, 2008), constituindo fator limitante para a adequação e adesão terapêuticas, especialmente em crianças. A correção ideal, caso o indivíduo esteja consciente, é a ingestão de 15g de carboidrato de rápida absorção (balas de goma, refrigerante normal, mel, água com açúcar), que tende a aumentar a glicemia em 40 a 50mg/dL em até 15 minutos. Após esse período, é recomendável a realização de novo teste de glicemia capilar e a repetição do processo caso haja necessidade (NERY, 2008). Na prática clínica, sabe-se que também as proteínas e gorduras da dieta podem ser transformadas em glicose, num período que varia de 4 a 6 horas, influenciando os níveis glicêmicos. O estudo americano de Ahern et al. (1993), com amostra de oito pacientes diabéticos com idade média de 35 anos, verificou que episódios de hiperglicemia tardia após a ingestão de pizza estavam relacionados à sua composição dietética, e não

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somente ao consumo exagerado desse alimento. A importância da monitoração glicêmica frequente é justamente identificar as possíveis reações individuais ao consumir esses nutrientes e servir de embasamento para possíveis alterações dietéticas medicamentosas e no padrão de atividade física do paciente. A monitoração glicêmica é comumente realizada através da medição da glicemia capilar (GILLESPIE et al., 2009). Um estudo australiano com 31 crianças e adolescentes entre 9 e 16 anos revelou que a insulina pré-prandial (bolus) calculada individualmente para um lanche contendo 60g de carboidrato conseguiu manter a glicemia pós-prandial em níveis adequados quando o mesmo lanche continha 50 ou 70g, indicando que uma quantidade fixa de insulina ultrarrápida é capaz de cobrir uma determinada faixa glicêmica (SMART et al., 2009). Ainda assim, a contagem de carboidratos trata-se de um planejamento alimentar que requer certa precisão na quantificação de porções dos alimentos e, por isso, pode aumentar a ansiedade e a obsessão por comida, fazendo com que os pacientes sintam que o diabetes controla suas vidas. A adoção de práticas como omitir a aplicação de insulina e restringir severamente a alimentação é comum em pacientes adolescentes, tanto do gênero feminino como masculino, e sabe-se também que a prevalência de transtornos alimentares é alta na população diabética, tanto nos portadores do tipo 1 quanto do tipo 2 da doença. Atitudes alimentares inadequadas e práticas errôneas de controle do peso têm um impacto negativo sobre o controle metabólico do diabetes, especialmente do tipo 1. É importante, portanto, atentar às atitudes alimentares dos pacientes, especialmente daqueles que apresentam muita dificuldade no controle glicêmico, a fim de se detectar precocemente sinais de um possível transtorno alimentar (AZEVEDO; PAPELBAUM; D’ELIA, 2002; JONES et al., 2000; NEUMARK-SZTAINER et al., 2002; PAPELBAUM et al., 2004; PEREIRA; ALVARENGA, 2007; WALDRON, 1996). Já existe um questionário específico para detectar a presença de atitudes alimentares inadequadas em crianças com DM1; entretanto, este ainda não foi traduzido e validado (MARKOWITZ et al., 2010). Faz parte da educação nutricional, dentro do contexto da contagem de carboidratos, incentivar o consumo diário de 20 a 35g de fibras, segundo recomendação da ADA (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010). As fibras da dieta retardam a absorção de glicose, melhoram a sensibilidade à insulina e estão associadas à diminuição nos níveis plasmáticos de colesterol (GARG; SIMHA, 2007; O’KEEFE; GHEEWALA; O’KEEFE, 2008). O uso do índice e carga glicêmicos, segundo a ADA, fornecem benefícios modestos no controle e tratamento do DM, por conta de variações inter e intraindividuais (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2010). Gilbertson et al. (2001) obtiveram resultados interessantes ao avaliar a aplicabilidade do índice glicêmico no controle metabólico de pacientes diabéticos. Ao longo de um ano, comparou-se o uso da contagem de carboidratos versus uma orientação nutricional baseada na pirâmide, com ênfase em alimentos de baixo índice glicêmico (IG), em 104 crianças com DM1. Aquelas do grupo de baixo IG reduziram de forma significante os níveis de HbA1c e obtiveram redução nos episódios de hiperglicemia. Entretanto, não foram

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feitos ajustes de insulina em ambos os grupos, que é justamente uma das vantagens da contagem de carboidratos, e os próprios autores colocaram que não se poderia atribuir os baixos valores de HbA1c somente ao uso da dieta com baixo IG. É importante orientar os pacientes quanto aos exageros alimentares que podem surgir com a quebra dos antigos mitos relacionados à alimentação do diabético, já que tais exageros também podem gerar danos à saúde. O estudo multicêntrico e multiétnico de Liu et al. (2009), nos Estados Unidos, analisou 3.953 jovens diabéticos e 7.666 não-diabéticos, com idades entre 3 e 19 anos. Houve maior prevalência de obesidade em jovens com DM2 e em jovens não diabéticos, mas em jovens com DM1 a prevalência de sobrepeso ultrapassou a de jovens saudáveis. Sabe-se que indivíduos diabéticos do tipo 1 também podem apresentar resistência insulínica e síndrome metabólica, o que implica na piora do controle metabólico e da qualidade de vida do paciente (BÁEZ et al., 2009). Entretanto, um grande estudo de coorte realizado nos EUA, que acompanhou 655 indivíduos com DM1 durante 20 anos, obteve resultados interessantes. O primeiro deles é que a relação entre índice de massa corpórea (IMC) e mortalidade não foi linear nem no baseline e nem durante o follow-up. O segundo achado do estudo é que o ganho de peso ao longo dos anos se mostrou protetor nos indivíduos diabéticos, e a faixa de IMC associada à mortalidade mínima foi entre 20 e 29kg/m2. Já valores altos de HbA1c representaram fator de risco importante para mortalidade (CONWAY et al., 2009; SHANKAR et al., 2007). O estudo qualitativo de Mehta et al. (2009) avaliou a percepção de alimentação saudável e a influência do controle do diabetes na escolha alimentar apresentada por 35 crianças e adolescentes com DM1 e suas famílias. Todos os participantes reconheceram que frutas e vegetais são saudáveis, enquanto que fast food e outros alimentos que tendem a aumentar mais a glicemia pós-prandial não são. Muitos pais e jovens admitiram a importância da determinação da quantidade de carboidratos dos alimentos para um controle adequado do diabetes, e relataram preferir muitas vezes alimentos industrializados pela facilidade nessa determinação, através da leitura de rótulos. Importante ressaltar que alguns pais e poucos jovens associaram a maior flexibilidade de um regime insulínico basal-bolus a um pior comportamento alimentar, como por exemplo maior tendência a “beliscar” alimentos durante o dia e corrigir com insulina depois. Já as famílias que seguiam um regime fixo de aplicação de insulina apresentaram a visão equivocada de que não é saudável consumir lanches para prevenir hipoglicemia nos momentos de pico de ação do hormônio. As crenças e mitos acerca da alimentação saudável para diabéticos também devem ser abordadas no processo de educação nutricional dos pacientes e familiares. No contexto da contagem de carboidratos, o uso de produtos diet deve ser avaliado, pois grande parte deles apresenta maior teor de gorduras (FARIA et al., 2007) e quantidades semelhantes de carboidrato, alterando a glicemia do paciente da mesma forma que um produto convencional. Confirmando que alimentos dietéticos são bastante usados por indivíduos com diabetes, Castro e Franco (2002) encontraram que somente 24,2% de uma amostra de 389 pacientes não utilizavam produtos diet.

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Os profissionais devem dominar a técnica da contagem de carboidratos.. S11-S61.... v. P. 2008. 16. Diabetes Car e. na medida em que possibilita maior liberdade e flexibilidade na escolha dos alimentos. SP.= J... A. M. N. M. a conhecer tamanhos de porções alimentares e a se habituar à leitura de rótulos e tabelas de alimentos (AHERN et al.. O nutricionista deve atentar-se às atitudes alimentares dos indivíduos com DM1. 159 . n. 93. M. 1. 1993. 2002. n... F. psiquiatr. 1996). 36. O acompanhamento multiprofissional contínuo desses pacientes e o auxílio do nutricionista na escolha de alimentos mais saudáveis e adequados são extremamente relevantes. PETIT. o profissional é capaz de incentivar uma melhor aderência à dieta (MACLEAN. A. 768-772. bras. 1993. CASTLE. A saúde deve ser vista não só em um contexto puramente biológico. Bras. BRANCO. e o nutricionista deve levar em conta que as escolhas alimentares derivam de fatores fisiológicos e psicossociais.. 151-162.. D’ELIA. Aspectos metabólicos e nutricionais da contagem de carboidratos no tratamento do diabetes mellitus tipo 1. é necessário que o profissional nutricionista também auxilie o paciente a aceitar melhor a doença e a conviver em paz com ela e com si próprio. 24. ALBUQUERQUE.. e devem se tornar mais empáticos com os problemas enfrentados pelos pacientes (ZANONI et al. SNETSELAAR. 2010. LYON. bem como outros aspectos relativos ao tratamento. Exaggerated hyperglycemia after a pizza meal in well-controlled diabetes. Nutrition interventions for intensive therapy in Diabetes Control and Complications Trial. PAPELBAUM. P. HISSA. G A T C O M B . Diabetes e transtornos alimentares: uma associação de alto risco. BESENBRUCH. Isso possibilita que eles tenham maior confiança em seu autocuidado.. HISSA. 77-80.. ANDERSON. Food Nutr. 1991. REFERÊNCIAS/REFERENCES A H E R N . CERCONE. 1993. 2011. Alim. SCHEINER et al. p.. THALACKER. KULKARNI. Soc. DELAHANTY. Dessa forma. CUIDADOS IMPORTANTES NA CONTAGEM DE CARBOIDRATOS O paciente que deseja adotar a contagem de carboidratos deve estar disposto a passar por treinamento específico. MUELLER. Finalmente. C. L. V. W. Diabetes Care. WALDRON. L. G. v. A. Rev. p. 7. 4. v. J.. 2004. W. R. v. 1998. bem como melhor controle metabólico. TAMBORLANE. Standards of medical care in diabetes – 2010.. E. p. LOTTENBERG. C. DALY. p.. abr. A. prevenindo episódios de hipo e hiperglicemia. a fim de detectar precocemente práticas inadequadas de controle do peso. P. F. J . Brazilian Soc. 2009).. AZEVEDO. F.. N. 33. A... mas sua promoção deve favorecer acima de tudo o bem-estar do paciente.. D. Supplement 1. HELD. M. A M E R I C A N D I A B E T E S A S S O C I AT I O N . n. Nutrire: rev. GILLESPIE. Nutr. S. R. J Am Diet Assoc. São Paulo. 2009).COSTA. RICHARDSON. v. p. SIMONY. Suplemento 3. 578-580. CONSIDERAÇÕES FINAIS A contagem de carboidratos é um método dietético que apresenta diversas vantagens aos pacientes diabéticos do tipo 1.

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Fernando Corrêa da Costa. SUÉLEM APARECIDA DE FRANÇA LEMES2 1Nutricionista. The benefits of wine consumption to the cardiovascular system cannot be denied. Brasil. 1665. D.RS 2Nutricionista. which may bring benefits to the body and the cardiovascular system. 163-176. CEP 95310-000. we can emphasize resveratrol. 163 . reduces platelet aggregation and helps in the prevention of atherosclerosis. Laboratório de Bioquímica Pesquisa. Marcolino Pereira Vieira. The consumption of wine must be regular and moderate to avoid risks to health. it has substances called polyphenols which are the major compounds responsible for these beneficial effects. Bras. In regular and moderate doses. Endereço para correspondência: Suélem Aparecida de França Lemes Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Nutrire: rev. MT. J.Artigo de Revisão/Revision Article Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular Effects of wine components on cardiovascular function ABSTRACT DOMENEGHINI. 36. F. S. 2367. Flavonoids. n. Soc. especially on the cardiovascular system. such as wine. but the effects are not the same because of the difference in the absorption of these polyphenols. Alim. a substance which is mainly present in red grapes. but further studies must be conducted to clarify questions like which is the ideal amount of resveratrol recommended and what are other possible effects of its consumption. Wine is an alcoholic beverage obtained from the processing of organic grapes. The prevention of these diseases is directly related to the consumption of certain foods. Nutr. abr. Brazilian Soc. Laboratório de Bioquímica Pesquisa. Av. DANIELA CRISTINA SEMINOTI JACQUES DOMENEGHINI1. Departamento de Química. Studies highlight that the Sangiovese. E-mail: suafranca@hotmail. Cardiovascular diseases. n. Like the wine. SP. Av. v. = J. though. Food Nutr. A. CEP 78060-900 Cuiabá. C. 1. André da Rocha .. p. wine can act beneficially in the body. Doutoranda do Programa de PósGraduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Among polyphenols. Bairro Centro. Phenolic Compounds. LEMES. Keywords: Wine. Effects of wine components on cardiovascular function. S. the grape juice also contains these substances. Departamento de Química. Bairro Boa Esperança.com Trabalho de conclusão de curso apresentado à Faculdade de Nutrição da Universidade de Cuiabá-MT em 2009.. Original articles and reviews were used in this essay which aims to investigate the effects of wine consumption. Cardiovascular diseases are among the leading causes of death around the world. The types of grapes also contain different amounts of this substance. 2011. São Paulo. Merlot and Tannat varieties have higher concentrations of resveratrol and consequently a greater cardio-protective effect.

= J. que puede producir efectos benéficos al organismo y al sistema cardiovascular. Flavonoides. Entre os polifenóis destaca-se o resveratrol. Enfermedades cardiovasculares. São Paulo. Así como el vino. p. como o vinho. porém os efeitos não são os mesmos. pero los efectos no son los mismos porque la absorción de los polifenoles es diferente. Alim. Soc. LEMES.DOMENEGHINI. C. que pode produzir efeitos benéficos ao organismo e ao sistema cardiovascular. dessa forma o vinho pode atuar beneficamente no organismo. Food Nutr. 164 . diferenciando-se na absorção dos polifenóis.. Possui substâncias denominadas polifenóis. consecuentemente. Compuestos fenólicos. pero más estudios deben ser realizados para aclarar las dudas acerca de la cantidad ideal recomendada de resveratrol así como otros efectos del consumo. responsáveis pelos efeitos benéficos. O consumo de alguns alimentos está diretamente ligado à prevenção dessas doenças. Palavras-chave: Vinho. 36. Brazilian Soc. mayor efecto en la protección cardiovascular. 1. Doenças cardiovasculares. foram utilizados artigos originais e de revisão com o objetivo de abordar os efeitos causados pelo consumo de vinho. consequentemente. Flavonoides. 163-176. porém mais estudos devem ser realizados para esclarecer dúvidas em relação à quantidade ideal recomendada de resveratrol. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. Neste levantamento bibliográfico. v. S. y el objetivo fue pesquisar los efectos causados por el consumo de vino. Merlot e Tannat com maiores concentrações de resveratrol e. maior efeito cardioprotetor. S. Nutr. assim como outros efeitos do seu consumo. Merlot y Tannat con mayores concentraciones de resveratrol y. n. Bras. Nutrire: rev. o suco de uva possui tais substâncias. Compostos fenólicos. São inegáveis os benefícios do consumo de vinho ao sistema cardiovascular. El vino es una bebida alcohólica resultante de la transformación biológica de la uva. Los estudios destacan las variedades Sangiovese. F. El consumo de algunos alimentos esta directamente ligado a la prevención de estas enfermedades. As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo. Assim.. substância presente principalmente nas uvas tintas e que age prevenindo a aterosclerose por diminuir a agregação plaquetária. Son innegables los beneficios del consumo de vino al sistema cardiovascular. Os tipos de uvas também possuem quantidades diferentes desta substância. el jugo de uva posee estas sustancias. SP. principalmente en el sistema cardiovascular. abr. Palabras clave: Vino. RESUMEN RESUMO Las enfermedades cardiovasculares están entre las principales causas de óbito en el mundo. O consumo de vinho deve ser regular e moderado para que não traga riscos para a saúde. sustancia presente principalmente en las uvas tintas y que actúa previniendo la ateroesclerosis por disminuir la agregación plaquetaria. en dosis regulares y moderadas el vino puede actuar benéficamente en el organismo. A. O vinho é uma bebida alcoólica resultante da transformação biológica da uva. como es el caso del vino. En este análisis fueran utilizados artículos originales y de revisión. D. Los tipos de uvas también poseen diferentes cantidades de estas sustancias. J. posee sustancias denominadas polifenoles que son los grandes responsables por los efectos benéficos. Entre los polifenoles se destacan el resveratrol. Estudos destacam as variedades Sangiovese. 2011. como é o caso do vinho. principalmente ao sistema cardiovascular. Pero el consumo de vino debe ser regular y moderado para que no traiga riesgos a la salud.

2009). D. transformando-os em álcool. O vinho é uma bebida alcoólica resultante da transformação biológica da uva. 1997). 2006). inicialmente protetoras da uva e da videira conhecidas como polifenóis ou compostos fenólicos. 2006. MONFRÓI. Durante a fermentação um conjunto de reações químicas provocadas por leveduras age sobre os açúcares da uva. Uma dieta rica em vegetais como a Dieta Mediterrânea. o suco de uva possui polifenóis que agem na prevenção de D. S. 2009). pode trazer benefícios ao organismo e diminuir fatores de risco. dando origem ao vinho. 2009). pois atuam como agentes antiaterogênicos (ANDRADE. Soc. WORLD HEALTH ORGANIZATION. 2006. assim como de outras. a insuficiência cardíaca (I. porém os efeitos não são os mesmos do vinho. 2006. abr.C.V. melhorando a função endotelial e reduzindo a pressão arterial. 80% desse total ocorre em países em desenvolvimento (ANDRADE. o qual possui melhor absorção de polifenóis. Esta propriedade foi descoberta a partir do Paradoxo Francês. a arterial coronariana (D. Food Nutr. que acompanham a fermentação do vinho e até são acentuadas neste processo.C. n. curiosamente. Os flavonoides e não-flavonoides são grupos de polifenóis que têm um importante papel na prevenção e tratamento da aterosclerose.V. S. SOUTO et al. Merlot e Tannat apresentam as maiores concentrações de substâncias benéficas (FREITAS. representando 30% dos óbitos para todas as faixas etárias (SANTOS FILHO. 2007). 165 . entre outras doenças (ANDRADE. J. 2006).C. Muitas dessas pesquisas. 2011.V. 2006. GIEHL et al. 2007.A. na população francesa que consumia uma dieta rica em gordura saturada. SP. Nutr. Essas substâncias exercem uma forte ação antioxidante em humanos e animais. 2002. O vinho possui substâncias. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular.) estão entre as principais causas de morte no Brasil. A.C. Dentre essas doenças. 2005).. C. além de outros efeitos (ANDRADE. naturalmente.) são as causas principais de mortalidade no mundo segundo dados da Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION.. Estudos demonstram que variedades como Sangiovese. MAMEDE. DA LUZ. 36. mas apresentava também um alto consumo de vinho. está a má qualidade da alimentação (CERVATO et al. INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares (D.C. Contudo. PASTORE.A. SOUZA FILHO. 163-176. Bras. Como o vinho. 2004). O suco de uva também é um antioxidante poderoso. GIEHL et al. 2006.. 2005).. Elas são responsáveis por 29% do total de óbitos e. Brazilian Soc. 1.= J. em especial o tinto (GIEHL et al. Em algumas vinícolas as leveduras utilizadas são selecionadas e cultivadas em laboratório (NASCIMENTO. São Paulo. porém existem controvérsias quanto à sua eficácia. é incluir o vinho como elemento fundamental na promoção de saúde. Entre os fatores de risco para as D. onde foi observada baixa taxa de mortalidade por D. 2006. há um consenso de que o consumo moderado de vinho tinto está inversamente associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares (ANDRADE.). Nutrire: rev. A quantidade de polifenóis também é variada em diferentes tipos de uva. v. procuraram demonstrar os possíveis efeitos benéficos do consumo do vinho em relação a acidentes cardiovasculares.DOMENEGHINI. LEMES.C.) e o acidente vascular cerebral (A.. longevidade e proteção ao sistema cardiovascular... 2007).. MARTINEZ. Alim. p. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Existem vários estudos que abordam dados relativos à ação de vinho no sistema cardiovascular. F. Uma das características dessa dieta.C.V.

red wine e cardiovascular disease. arterial periférica. Food Nutr. Trata-se de um levantamento bibliográfico. a urbanização. J. cardíaca reumática. os termos de indexação utilizados foram: doenças cardiovasculares. sobrepeso e obesidade. 2011. Estudos afirmam que o resveratrol. COSENZA. Uma substância benéfica presente na uva que tem sido estudada recentemente é o resveratrol.. S. 2007. 36. bem como o envelhecimento da população. 163-176.C. hipertensão arterial. as doenças cardiovasculares são consideradas uma das principais causas de morte (WORLD HEALTH ORGANIZATION... Soc. SANTOS. 2009). p.. Além disso. este artigo tem por objetivo fazer um levantamento bibliográfico sobre os benefícios do consumo de vinho para a saúde humana. PENNA. maus hábitos alimentares. 2008). SOUTO et al. a pobreza e o estresse também estão relacionados ao surgimento das D. abr. Os fatores de risco modificáveis são responsáveis por cerca de 80% das doenças coronarianas e cerebrovasculares. hipertensão arterial. n. dislipidemias. teses. estão relacionados ao estilo de vida. SAUTTER et al. vinho. ou as chamadas “causas das causas”. ANDRADE.= J.A. SIPP. da mesma forma que os outros compostos fenólicos. 2009). artigos originais e de revisão selecionados em bases de dados como Lilacs. 2006. 2004. 2007. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. 2005. Pubmed e Scielo. Os tipos mais comuns incluem doenças coronárias. DUDLEY et al. uva. A. LEMES.V. Nutr. no período de 1994 a 2009.. Bras. Alim. 2004). Brazilian Soc. 166 . VINHO E SAÚDE Segundo a Organização Mundial de Saúde. atuam como agente antioxidante prevenindo fenômenos aterogênicos e trombogênicos (ABE et al. cardiopatia congênita e insuficiência cardíaca (SANTOS FILHO. S.. 2001). D. HECKTHEUER.C. Foram incluídos estudos realizados em seres humanos (adultos e idosos) e estudos experimentais envolvendo animais (ratos e coelhos) publicados nos idiomas português. 1997.. 2002. WORLD HEALTH ORGANIZATION.DOMENEGHINI. São Paulo. outros fatores tem influência sobre os benefícios causados pela ingestão de vinho ao sistema cardiovascular. 1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. SP. (BRASIL. assim como os seus efeitos sobre o sistema cardiovascular. inglês e espanhol. MARTINEZ. vinho tinto.). no período de fevereiro a junho de 2009. como os fatores socioeconômicos e culturais entre eles a globalização. F. polifenóis. resveratrol. 2009). Diante disso. 2004. Há também uma série de determinantes de doenças crônicas.V. Além dessas substâncias. utilizando livros. A hipertensão arterial é considerada um dos principais fatores de risco de morbi-mortalidade cardiovascular e um dos principais agravantes à saúde no Brasil (BRASIL. hiperglicemia. consumo excessivo de bebida alcoólica e tabagismo (CERVATO et al. 1994. BERTAGNOLLI et al. SOUSA NETO. C. Ela seria responsável pela redução da viscosidade do sangue além de prevenir a aterosclerose. Bireme. vino.. Nutrire: rev. Para a busca. cerebrovascular. Os fatores de risco para as D. v. SOUZA. Estes são chamados de fatores de risco modificáveis e podem levar a fatores de risco intermediários como: hipertensão arterial sistêmica (H. flavonoides. 2009. compostos fenólicos.S.

2004. SOUZA. 2005.) e A. PENNA. Os compostos aos quais foram atribuídas as possíveis ações terapêuticas do vinho são conhecidos como compostos fenólicos ou polifenóis. PENNA.C.V. Estudos desenvolvidos no mundo todo comprovam que o vinho. as estimativas não são diferentes. (SIPP.C.C. que é classificado como a substância que mais beneficia o organismo com proteção à doenças (ANDRADE. Nutrire: rev. Pode-se dizer que as dislipidemias são distúrbios do metabolismo lipídico que podem contribuir para o desenvolvimento das D.DOMENEGHINI..A. 2006. Bras. SANTOS.. 2001). 2007. (SPOSITO et al. MEIRELLES. 1. SOUZA. MEIRELLES. D. MARTINEZ.V..5 milhões de pessoas morreram de D. melhorando a qualidade e aumentando o tempo de vida (ABE et al. SIPP.V.A. SOARES. Food Nutr. Já as lipoproteínas de alta densidade (HDL) são de extrema importância. 17. Dentre estes compostos.. o A. GIEHL et al. 2009. assim como o de H. Estudos prospectivos indicam que o controle de alguns dos fatores de risco independentes pode reduzir de forma importante a morbi-mortalidade secundária à aterosclerose (RIQUE. a diminuição da H.M.. cabe destacar o resveratrol. LEMES. Nutr. F. SOUSA NETO. Brazilian Soc. n. J. no ano de 2005. Cerca de 80% destas mortes ocorreram em países de rendas média e baixa. SANTOS FILHO. 2007). Se não houver mudanças.9%) (BRASIL. cerca de 40% e a doença isquêmica do coração em 15% (SANTOS FILHO.V. 2004. MONFRÓI. 2007. em 29% e a mortalidade cardiovascular em 28%. 2007. Para prevenir doenças.S.= J. As mortes por doenças do aparelho circulatório passam dos 60% segundo dados do Ministério da Saúde de 2004. 2002.. Da mesma forma. 2009). especialmente o tinto. 2002). as D. redução do tabagismo. várias estratégias são sugeridas. COSENZA. 2005).V. principalmente as de origem cardiovascular. A. S.V.V. 2007).C. A lipoproteína de baixa densidade (LDL) tende a se depositar nas artérias e está associada ao início e à aceleração do processo aterosclerótico. até o ano de 2015. principalmente por infarto agudo do miocárdio (I. 2004). SOUTO 167 .C. BERTAGNOLLI et al. em 33%. Segundo Santos Filho e Martinez (2002). SP. tendem a continuar sendo a principal causa de morte (GIEHL et al. 2008). 2004. abr. reduziria o A. SANTOS. C. a redução do LDL em cerca de 30% diminuiria o risco de I.. Desses óbitos 43% foram devido a ataques cardíacos e 32% devido a A. sobre modificar o estilo de vida através da prática de atividades físicas. SPOSITO et al. 1994. 2006.C. (22..8%).A. isquêmicas do coração (30. 163-176.V. O controle de dislipidemias é um fator importante na prevenção de D.S. HECKTHEUER. 36.M. 2007. Segundo a Organização Mundial de Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION .. 2006. 2007. NASCIMENTO. As pesquisas relacionam o consumo moderado de vinho a benefícios à saúde humana no que diz respeito às D. ingestão de uma dieta saudável e inclusão do consumo de vinho. sendo as de maior incidência as doenças cerebrovasculares (31.4%) e I. 2007).A.. DUDLEY et al. 2008. Soc.C..V. v.C. pois ajudam a remover o colesterol já depositado. SOARES.V. representando 30% de todas as mortes no mundo. Estima-se que 20 milhões de pessoas morrerão de D. 2002).. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. São Paulo. MARTINEZ. HECKTHEUER. 2002. Alim.. HECKTHEUER.C. 2011. GIEHL et al. contribui para a saúde do organismo humano.M. reduzindo o risco de aterosclerose e de infarto (ANDRADE. S. SOUTO et al.A.. DUDLEY et al. ingerido em quantidade moderada. 2009. p.. PENNA. SOUZA FILHO. BERTAGNOLLI et al. à quimio-prevenção de vários tipos de câncer e outras doenças (ANDRADE.C. No Brasil.

Bras. Alim. têm a metade dos problemas cardiocirculatórios (ABE et al. Food Nutr. URQUIAGA et al. Populações que consomem dietas ricas em frutas. GIEHL et al. devido ao consumo de álcool (ANDRADE.V.. 2001). PASTORE. S. 2006. 2005. Bélgica e Espanha. S.C. na França. são mais sedentários.A. 2007.= J.. 163-176. (ANDRADE. 2004. 2006. têm uma vida mais longa e com menos doenças crônicas do que outras populações ocidentais (MEZZANO. 2004). 2006. C. São Paulo. Nutr. SOUZA FILHO. também podem ser encontradas em frutas e verduras (ANJO. MAMEDE. 2006. frutos secos e vinho tinto regularmente e com moderação. PENNA. 1994. Isto sugere que o vinho tinto reduz o risco de doença cardiovascular (URQUIAGA et al.. onde afirma que os franceses. PASTEN.. SOUSA NETO. Brazilian Soc. GIEHL et al. COSENZA. abr. 36. TORRES. Durante os anos de 1985 a 1993. 2004. 2009. mostram potencial para modificar o metabolismo humano de maneira favorável à prevenção do câncer e de outras doenças degenerativas. quando comparados com outros povos do mesmo nível socioeconômico-cultural. ISHIMOTO. GRENETT. 1. Possuem compostos fitoquímicos bioativos que. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. anticarcinogênica e vasodilatadora (ABE et al. PASTORE. Essas substâncias bioativas presentes nas uvas. F. 2005. Dados do Projeto MONICA levaram ao surgimento do famoso “Paradoxo Francês”. inclusive a prevenção e o tratamento de doenças. RIQUE. ANDRADE. Esse tipo de alimentação é característica da Dieta Mediterrânea. 2007. Estudos posteriores surgiram evidenciando uma relação benéfica entre álcool e D. Diferentes bebidas alcoólicas também foram avaliadas em algumas pesquisas epidemiológicas na prevenção das D. LEMES. v. Estudos intervencionais realizados em seres humanos objetivando comparar os efeitos de dietas mediterrâneas e ocidentais. HECKTHEUER. n. ARAÚJO et al. Soc. Vários outros estudos surgiram a partir desta descoberta exaltando o vinho como uma bebida com atividades antioxidante.. 2011. et al. MAMEDE. SOARES. MEIRELLES. PASTORE. 2004). Nutrire: rev. 1994). NASCIMENTO. sobretudo vinho tinto. 2004).C. 2004). COSENZA. quando ingeridos diariamente em determinadas quantidades. em comparação a outras regiões. 2004). Alimentos funcionais são definidos como qualquer substância ou componente de um alimento que proporciona benefícios para a saúde. DA LUZ.A. 2004). 2006.. MONFRÓI.. PASTORE. 2002. p. 2004. no entanto. a OMS desenvolveu o Projeto MONICA (“MONItoring system for CArdiovascular disease”) com o objetivo de estudar as características populacionais. D. SP. URQUIAGA et al. 2005.. regionais e temporais de 37 países. anti-inflamatória.C. 2004. ANJO. antimicrobiana.DOMENEGHINI. 2005).. 2007. SOUSA 168 . A baixa incidência de doenças em alguns povos chamou a atenção para a sua alimentação. reduzia o risco de morbi-mortalidade cardiovascular em 40 a 60% (ARAÚJO et al... SOUSA NETO. J. Diante desse resultado pode-se observar que a ingestão moderada de bebidas alcoólicas. FERRARI. suplementadas com vinho tinto. legumes.. 2006. fumam mais e consomem mais gorduras saturadas e. Este projeto demonstrou menor incidência de D. 2004). 2006. MAMEDE. 2007. O vinho é considerado um alimento funcional (AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION. observaram uma diminuição no percentual de ácidos graxos saturados e aumento no percentual de ácidos graxos monoinsaturados (MUFA) e polinsaturados (PUFA) no plasma. A. (ANDRADE. MAMEDE.

PASTORE. COMPOSTOS FENÓLICOS DO VINHO Outros estudos pormenorizaram os benefícios do vinho e descobriram uma série de substâncias que teriam maiores e melhores efeitos do que o álcool ao organismo (ANDRADE. FIALHO.C. 2004). NASCIMENTO.. 2006. DAS. 2006). O consumo moderado de vinho tinto melhora a função cardíaca no miocárdio isquêmico através da proteção da função endotelial (ANDRADE. 2005. já foram identificados cerca de 200 polifenóis com importantes efeitos antioxidantes (ANJO. 2007. DA LUZ. MAMEDE. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. 2006. Nos vinhos. 2004). v.. como Alzheimer e demência (BERTAGNOLLI et al. DHALLA. O vinho tinto demonstrou ter um benefício maior entre as bebidas alcoólicas nesta prevenção (ANDRADE. MAMEDE. 2007. 2004. 1994. DA LUZ. câncer. MONFRÓI. SOUZA FILHO. MAMEDE. presentes no vinho tinto associados com o álcool eram os responsáveis por limitar o início do processo aterosclerótico (ANDRADE... SANTANI. vírus e bactérias. 163-176. principalmente em função da elevada capacidade antioxidante (ABE et al. neurodegenerativas.. 2007) e. 2009. n. GRENETT. A. COSENZA. S. tenha efeito protetor nas coronariopatias. 2002).000 tipos desses compostos químicos presentes nos vegetais (ARAÚJO et al. 2006. 2005. Em uma metanálise envolvendo 209. COIMBRA.C..418 indivíduos mostrou que o risco relativo para o desenvolvimento de D. DI CASTELNUOVO et al.. 2006). DI CASTELNUOVO et al. PASTORE. São Paulo. NETO. SOUSA NETO.. p. MONFRÓI. Alim. entre outras. GIEHL et al. foi menor no consumo de vinho do que para o consumo de cerveja quando comparados aos abstêmios. Ainda neste mesmo estudo foi encontrada uma associação benéfica significativa com o consumo diário de 150mL de vinho. 2005).. Bras.V. COSENZA. os compostos fenólicos apresentam comprovados efeitos anticarcinogênicos in vitro e in vivo. 36. reduz a interação plaquetária com a parede vascular. DA LUZ. 2006. Food Nutr. C. 169 . FALLER. S. 2006).. através do aumento da HDL e redução do fibrinogênio (ANDRADE. Brazilian Soc. (2002). Uma associação semelhante. F. de vinho com o risco de doença vascular.DOMENEGHINI. São conhecidos mais de 8. Uma série de pesquisas sugeriu que os compostos fenólicos. 1. Nos vinhos. J. SOUZA FILHO. Polifenóis são substâncias que tornam o vinho uma bebida diferente de todas as outras. SP. 2001. 2004.. Soc. Acredita-se que a ingestão de quantidades moderadas de álcool. D. GIEHL et al. Nutr. PASTEN.. porém menor foi sugerida com o consumo de cerveja por Di Castelnuovo et al. O álcool age no fígado e assim aumenta os níveis de HDL (ANDRADE. também tem sido relacionado à redução da ocorrência de câncer e doenças degenerativas. A eles cabe proteger essas plantas dos ataques físicos como a radiação ultravioleta do sol e dos ataques biológicos por fungos. DI CASTELNUOVO et al. 2005). 2011. As ações fisiológicas exercidas pelos polifenóis foram relacionadas à prevenção de D. Estes dados corroboram a associação inversa entre o consumo frequente. 2002). 2007). 2002).V. 2005. LEMES. o que é considerado benéfico do ponto de vista de risco cardiovascular (MEZZANO. ARAÚJO et al. de até 30 gramas por dia (DA LUZ. Nutrire: rev. PASTORE. 2007. 2002). 2006. 2006. 1994. 2006. abr.= J. TORRES. de leve a moderado. Além disso. constituindo promissores alimentos funcionais para a prevenção do câncer (FERRARI.

As mesmas são responsáveis pelo sabor. 2005. autores afirmam que esses têm uma ação antioxidante mais potente (SAMUEL et al. v. D. Nutr. FIALHO. 2004). inibindo agregação plaquetária. S.. (2007). 1997). Os compostos fenólicos também são encontrados em uvas brancas. 2007. porém em baixas concentrações. MAMEDE.. 2006. INOUE. e foi apontado em estudos científicos como o principal fator de proteção à saúde encontrada em vinhos (GIEHL et al. SOUSA NETO. já os de baixo peso molecular tendem ao sabor amargo (ANJO. principalmente. 2008). 2002. Todas essas substâncias são antioxidantes derivadas geralmente das sementes e da casca da uva (ANDRADE. p. 2006). HECKTHEUER. COSENZA. 2006. MIYAGI.= J. principalmente. MALACRIDA. Em uvas tintas. 2007). MAMEDE. 2004. 170 . É por isso que os vinhos tintos. 1994). 2009). atribuindo ao tinto melhores benefícios para a saúde (ANDRADE. O tanino é outra substância polifenólica presente no vinho. 2009). para a coloração do vinho. n. Alim.000 compostos identificados (FALLER. sendo subdivididos em classes de acordo com a estrutura química de cada substância (FALLER.. Os compostos fenólicos representam um constituinte importante para a produção de vinhos tintos porque contribuem para os atributos sensoriais e.. 2007). PASTORE. Apesar de a classe de flavonoides ser a mais estudada e possuir mais de 5. LEMES. Brazilian Soc. têm cerca de 10 vezes mais polifenóis que os vinhos brancos. Estes polifenóis. 2004). 2005. 2011. presentes no vinho tinto. para a coloração do vinho. S.DOMENEGHINI. 163-176. MIWA. já que não são claros em estudos com sucos de uva (ANDRADE. catequina. que são fermentados na presença das cascas e sementes. epicatequina e a quercetina. 2007. em especial. As catequinas e epicatequinas presentes. Os polifenóis compreendem o maior grupo dentre os compostos bioativos nos vegetais. Soc. 1. COSENZA. MOTTA. F. fermentados na ausência delas.. 2007. COSENZA. C. os polifenóis do vinho tinto apresentam vários efeitos antiaterogênicos atuando como antioxidantes no colesterol LDL. estão limitados ao vinho. J. mesmo assim influenciam no aroma e gosto dos vinhos brancos (ABE et al. PENNA. GIEHL et al. abr. Bras. o resveratrol pertence ao grupo de nãoflavonoides.. 2006. são os principais compostos fenólicos responsáveis pelo sabor e adstringência de vinhos e sucos de uva. SOUSA NETO. sobretudo em sementes de uvas. FIALHO. outros mostram que eles pertencem à classe de não-flavonoides (SOUSA NETO. TORRES. As antocianinas. as antocianinas contribuem para os atributos sensoriais e.. induzindo a liberação de óxido nítrico e promovendo a vasodilatação.. MOTTA. 2004) e estão distribuídos nas folhas da videira. são responsáveis pela maioria das cores azul. FERRARI. Apesar de os vinhos brancos possuírem polifenóis em menor número. Nutrire: rev. são subdivididos em duas categorias: flavonoides e não-flavonoides. porém. São Paulo. Food Nutr. PASTORE. 2004). Segundo Giehl et al. 1994). violeta e todas as tonalidades de vermelho presente em flores e frutos. não há consenso na literatura. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. nas sementes e principalmente na casca das uvas. Estudos apontam que os taninos estão inseridos na classe de flavonoides (MALACRIDA. 36. GIEHL et al. SP. Dentre a classe dos flavonoides podemos encontrar a antocianina. cor e adstringência de vinhos e sucos de uva (ABE et al. A. 1994). Os que apresentam alto peso molecular são responsáveis pelo sabor adstringente. todavia é consenso de que são responsáveis também pelo sabor e cor do vinho (FREITAS. Estes efeitos. Sobre sua classificação.

Pinot Noir. Possui em sua composição de 80 a 85% de água e de 10 a 13% de álcool dependendo da variedade. iodo. HECKTHEUER. HECKTHEUER. origem geográfica. 2009. n. B5 e B8) (DAUDT. 2005. diferente dos demais (ANDRADE. pois na produção de vinhos tintos a casca participa do processo de fermentação. amendoim. Sangiovese e outras produtoras de vinhos finos. As concentrações de resveratrol encontradas nos diferentes tipos de vinhos variam em função da infecção fúngica. 2004). porém a principal fonte são as uvas e seus derivados (ABE et al. porém existem diferenças nas quantidades de resveratrol (ABE et al.4’-triidroxiestilbeno) é uma substância natural produzida por diversas plantas como eucalipto. Tannat. SAUTTER et al. 2006. flúor. São Paulo. 171 . 2004. 2001). zinco. 2007. amora. LEMES. 2004).. D. SOUTO et al. Isabel e Niágara. Os compostos fenólicos são encontrados em espécies Vitis vinifera. 163-176. 2002. v. 2004. 36. 2004. Na uva. 2007. como glicose e frutose. PENNA. essa substância é sintetizada na casca como resposta ao estresse causado por ataque fúngico na videira. Nutrire: rev. abr. Soc.. Estudos recentes mostraram que os efeitos benéficos do vinho provêm principalmente desta substância (ABE et al. SAUTTER et al. cultivo da uva. o resveratrol é produzido como uma defesa. SAUTTER et al. O RESVERATROL Dentre todas essas substâncias polifenólicas destaca-se uma em especial: o resveratrol. TORRES. Herbemont. 2007.. PENNA... PENNA.. 2001).. O resveratrol da uva aumenta no processo de transformação em vinho pela ação de contato com a casca (BERTAGNOLLI et al. Alim. O vinho ainda fornece energia na forma de açúcares. HECKTHEUER. SAUTTER et al. Brazilian Soc.. 2007. FERRARI. 2002. e também em Vitis labrusca que são uvas rústicas. KROGH et al. 2005). sempre que a planta sofrer agressões. 2004). pois contém carboidratos.. HECKTHEUER. 1994). A. ANDRADE. Food Nutr. 2004. Entre os minerais presentes destacam-se potássio. 2004. S. 2007. p. HECKTHEUER. PENNA. COSENZA. 2007. as quantidades que aparecem são maiores do que em sucos de uva ou em vinhos brancos e rosados. HECKTHEUER.= J. 2005). pois o mesmo é formado a partir de açúcares presentes na uva. PENNA.. provenientes da uva (PENNA. de vinhos comuns. 2004. 2005. É por isso que em vinhos provenientes de uvas tintas. 2006. o vinho é considerado um complemento alimentar. F. 2011. GUTIÉRREZ MAYDATA. boro e silício que. SOUTO et al. Nutr. B3. 2001). 2001).. Quanto mais intensa a coloração da uva. O resveratrol (3. cobre. SAUTTER et al. Concord.. Em alguns países da Europa. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. SOUTO et al. 2007). 2005.. S. alumínio. 2007. 1. vitamina C e vitaminas do complexo B (B1. vitaminas e minerais. 2007. J. a síntese de resveratrol é concentrada na casca e está ausente ou presente em baixíssima quantidade na polpa da fruta (BERTAGNOLLI et al. conhecidas como uvas finas como Cabernet Sauvignon. No grão de uva. mesmo em quantidades pequenas.. maior conteúdo de compostos fenólicos e capacidade antioxidante ela apresenta (ABE et al. SOUTO et al.DOMENEGHINI. Merlot. são indispensáveis ao organismo. Ou seja. SP..... DUDLEY et al. PENNA. tipo de vinho e práticas enológicas (BERTAGNOLLI et al. Bras. HECKTHEUER.5... SOUSA NETO.. por dano mecânico ou por irradiação de luz ultravioleta (ABE et al.. PENNA. magnésio. C. BERTAGNOLLI et al.

comparado ao controle (DUDLEY et al. TORRES. n.A. Estudos confirmam que o resveratrol diminui a agregação plaquetária.. Apresenta também capacidade antitumoral através da indução da morte de células neoplásicas. Estudo realizado com ratos alimentados com resveratrol por 14 dias mostrou uma melhor recuperação pós-isquêmica e redução de I. J. p. 2007. Portugal. juntamente com outros polifenóis o que inibe certos fatores de risco para D. Brazilian Soc. Nutrire: rev. 2001). diminuindo assim riscos de aterosclerose (BERTAGNOLLI et al. Os vinhos brasileiros analisados com maiores concentrações de resveratrol foram Sangiovese (5. Tannat e Merlot. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. PENNA. COSENZA. D. abr. 2008). 2004.. 2008).. através da interferência na síntese das prostaglandinas.. 163-176.DOMENEGHINI. HECKTHEUER.M. 2011. Entre eles o vinho que apresentou maior teor de compostos fenólicos e intensidade de cor foi o Tannat. 2009). Um estudo inédito no Brasil realizado por Souto et al.V.. Japão. ou com a dieta mais produtos não alcoólicos do vinho. Outro estudo. BERTAGNOLLI et al. F. 2004). 2001). como anticoagulante e vasodilatador. além de haver uma diminuição quando comparados somente com a dieta. GUTIÉRREZ MAYDATA. São Paulo. Ou seja. podendo posteriormente mudar esta classificação atual. que são mediadores inflamatórios. HECKTHEUER. 2002. GUTIÉRREZ MAYDATA. Grécia. 2007). S. Assim. 36. Apesar de possuir quantidades menores de resveratrol. SOUSA NETO. 2001 avaliou os teores de resveratrol de vinhos brasileiros comparados aos importados. Alim. 2006. 2002. o vinho tinto 172 .. Os efeitos benéficos do resveratrol vão além do sistema cardiovascular. v. Chile e Argentina. devido ao maior teor de antocianina presente nessa variedade de uva (FREITAS... LEMES. além do resveratrol. 2002. Bras.C. realizado também no Brasil.. Foram analisadas 36 amostras de diferentes variedades de vinhos e observou-se uma média superior aos valores apresentados na literatura para vinhos da Califórnia. o vinho branco é considerado tão cardioprotetor quanto o tinto (SAMUEL et al. PENNA.. 2004). 1.= J. A. Este estudo verificou também que as concentrações de resveratrol em vinhos Merlot e Cabernet Sauvignon vêm aumentando nas últimas safras. PENNA. o mesmo não sendo confirmado no suco de uva (ANDRADE. esta substância é capaz de induzir proteção contra isquemias e prolonga a longevidade de substâncias benéficas (SAMUEL et al. Soc. SOUTO et al. ANDRADE.. Esta proteção dada inicialmente à videira é transmitida pelo vinho e beneficia o organismo através do consumo regular e moderado (ABE et al. C. 2007.. e atividade anti-inflamatória (BERTAGNOLLI et al. 2006). Food Nutr. 1994. O resveratrol também seria responsável pela redução da viscosidade do sangue.. Estudo realizado com coelhos demonstrou que o vinho tinto diminuiu placas ateroscleróticas macroscopicamente nos animais alimentados durante 3 meses com dieta hipercolesterolêmica. inibição da atividade dos receptores de hormônios andrógenos em células tumorais prostáticas (DUDLEY et al. Esta propriedade se deve pela identificação do tirosol em vinhos brancos. analisando vinhos tintos avaliou quantidade de compostos fenólicos e quantificação de cor das variedades Vitis vinifera: Cabernet Sauvignon. SP. Canadá. S. GIEHL et al. SOUTO et al. 2006. HECKTHEUER.75mg/L) e Merlot (5. FERRARI. 2007.. Nutr. 2007.43mg/L). 2009.

V. os polifenóis estão presentes nos seus derivados. MALACRIDA. J. Nutr. reduz a pressão arterial e melhora a função endotelial. MIWA. 2005). Nutrire: rev. Bras. parece fornecer maiores benefícios do que qualquer outro tipo de bebida alcoólica. pois previne a precipitação destes no trato digestivo. Este resultado deve-se à melhor absorção dos flavonoides do vinho pelo intestino do que os do suco de uva (MIYAGI. 2007. INOVE. MALACRIDA. n. Assim como o vinho. Comparando os efeitos do consumo de vinho aos do suco de uva. 2007.C.. 2001). como a diminuição da agregação plaquetária. tais como a expressão endotelial de moléculas de adesão vascular (DA LUZ. esses são mais facilmente absorvidos pelo organismo quando provenientes do vinho. Brazilian Soc. MIYAGI. MIYAGI. A. INOUEL. o vinho pode atuar beneficamente no organismo além dos efeitos relatados ao aparelho cardiovascular. 1994). 2007.V. o suco de uva pode ser considerado uma boa fonte de compostos fenólicos (MALACRIDA. COSENZA. Além de induzirem o relaxamento vascular os flavonoides e não-flavonoides inibem muitas das reações celulares associadas com aterosclerose e inflamação. 173 . COIMBRA. C. SOUSA NETO. 2007). porém em quantidades diferentes. COSENZA. MOTTA. Há controvérsias quanto aos benefícios atribuídos ao vinho serem maiores do que os do suco de uva. MIWA. 2005. LEMES. pois outros estudos afirmam a maior eficácia do suco aos benefícios à saúde. 1997).DOMENEGHINI. 2005. 2006.= J. 1994). mostrou uma significativa inibição da oxidação de LDL colesterol com vinho tinto. 1997).. (MALACRIDA.. além do prazer sensorial e do seu alto valor nutritivo (SOUSA NETO. o suco de uva melhora os fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da aterosclerose. Alim. A presença do álcool atesta benefícios. MOTTA. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. relaxante com alteração do humor e alívio do estresse. v. a presença de etanol no vinho aumenta a absorção de compostos fenólicos. mas não com o suco de uva. Provenientes da uva. p. O suco de uva contém mais compostos fenólicos do que o vinho (GIEHL et al. como na redução da pressão arterial. MOTTA. Por outro lado. Em doses moderadas. 36.. Argumenta-se ainda que a menor incidência de D.. MOTTA. São atribuídos ao vinho ações como a melhoria da qualidade de vida dos idosos. Miyagi et al. porém não evita a oxidação do colesterol LDL (GIEHL et al. o consumo de vinho deve ser regular e moderado de uma a duas taças ao dia (300mL). provavelmente devido aos polifenóis. embora o suco tenha apresentado maiores quantidades de flavonoides. Os conteúdos de compostos fenólicos totais encontrados para os sucos de uva são semelhantes aos encontrados para o vinho tinto. INOUEL. F. Diante disso. 2005). abr. Porém. São Paulo. D. S. Food Nutr. S. 163-176. 1. para oferecer efeitos benéficos sem comprometer a saúde do organismo e proteger o sistema cardiovascular (ABE et al. VINHO: OUTROS BENEFÍCIOS X MENOR RISCO DE D. 1997). a outras bebidas alcoólicas e não somente o vinho (ANDRADE. Soc. em estudo realizado com 20 voluntários (8 homens e 12 mulheres) que consumiram 300mL de ambas as bebidas.C. MIWA. em consumidores moderados e habituais de vinho pode estar associada a um estilo de vida mais descontraído (GIEHL et al. 2011. SP.

além da dependência alcoólica que é um grave problema de saúde (DA LUZ. em casos de alcoolismo. v.V. Na dose correta. sendo de complemento alimentar a alimento. SOUSA NETO. C. acidentes industriais e de tráfico. 109. a dose recomendada de resveratrol e outros efeitos desta substância se for utilizada de forma isolada e não através do consumo de vinho. 735-746.. DAS. T. n.. assassinatos. 145-154. F. Alimentos funcionais em angiologia e cirurgia vascular. cirrose hepática. 4. Nutr. HECKTHEUER. 394-400. aliment.A. bras. SOUSA NETO. o consumo excessivo de qualquer bebida alcoólica. Sugerem-se mais estudos para o esclarecimento de dúvidas como os efeitos do suco de uva. PASTEN. 2008. Food Nutr. 2004). 2004. F. como todas as outras bebidas alcoólicas são contraindicadas em casos de transtornos no aparelho digestivo. 2006. Assim. Ciênc. roubos e psicose. por razões de saúde não deve ser incentivado. abr. MOTA.C. e Vitis vinifera L. Em indivíduos que ingerem álcool em excesso. A. p. há risco de oclusão vascular. porém o consumo de doses elevadas e uso indiscriminado de álcool. observando as contraindicações que dependem de cada indivíduo. o suco de uva traz benefícios. COIMBRA. PENNA. tecnol. São Paulo.. COSENZA. V. se os riscos forem avaliados. deve ser evitado (DA LUZ. 3. o vinho pode ser indicado como tratamento e prevenção das D. Efeitos dos componentes do vinho na função cardiovascular. M. DHALLA.C. TORRES. v. síndrome alcoólica fetal. COSENZA. 1. I. As características sensoriais atraem o consumo do vinho. porém são os compostos fenólicos os dignos de mérito quanto aos benefícios à saúde. 2004. AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION.Faculdade de Medicina.S.. PENNA. Tese (Doutorado) . 2004). n. M. DA LUZ. S. 2006. 1994). v.. D. de sua condição psicológica e de saúde em geral. No entanto. ANJO. 2001. PENNA. DA LUZ. ANDRADE. 2004. 2. para menores de idade. 2007. 2006. 2005). Position of the American Dietetic Association: Functional Foods. J. 174 .. arritmias. 2006. 27.. F. porém menos significativos que os do vinho. Nutrire: rev. assim como de vinho. Universidade de São Paulo. 163-176. n. et al. FERRARI. 2001. C.= J. CONSIDERAÇÕES FINAIS O vinho pode ser considerado mais do que uma bebida alcoólica. câncer gastrintestinal. SAMUEL. São Paulo. GRENETT. MAMEDE. 2009. Assim o vinho. L. PASTORE. C. inclusive o vinho.. A. M. 2011. 2006. p. 2006. D. o consumo regular e moderado traz benefícios à saúde e principalmente ao sistema cardiovascular. MONFRÓI. Compostos fenólicos e capacidade antioxidante de cultivares de uvas Vitis labrusca L. REFERÊNCIAS/REFERENCES ABE. n. HECKTHEUER. GENOVESE. LAJOLO. 2007. SP. Bras. R. p. 2.. portanto.. 2001. Ação do vinho tinto sobre o sistema nervoso simpático e a função endotelial em pacientes hipertensos e hipercolesterolêmicos. ISHIMOTO. HECKTHEUER. insuficiência hepática e diabetes (DA LUZ. p. vasc. COIMBRA. COIMBRA.DOMENEGHINI. SOUZA FILHO. Alim. Tal como o vinho.V. SANTANI. estão associados à H. fibrilação arterial. O consumo de vinho deve ser cuidadosamente indicado em caso de prevenção à D. e. 1994. LEMES. S. crimes sexuais. J Am Diet Assoc. Soc. J.. 36. Brazilian Soc. v.

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v.. CEP 21941-590. U. SP. Bloco J. G. V. 2º andar. Nutr. since aerobic capacity and resistance to physical efforts are impaired in anemic individuals.. who tend to gradually reduce their activity level to avoid discomfort arisen from increased cardiac stress. E-mail: ursulaviana@gmail. 36. abr. URSULA VIANA BAGNI1. São Paulo. anemia in obese people could favor the perpetuation of obesity. Obesity. Iron-deficiency anemia and obesity: a new look at old problems. However. V. since the first would be associated with nutritional deficiencies. The complex relationship between anemia and obesity requires professionals to seek new strategies that are effective in coping with the combination of these nutritional problems. Carlos Chagas Filho. which favors weight gain. with excesses. Universidade Federal do Rio de Janeiro. thus reducing circulating iron and favoring anemia. Universidade Federal do Rio de Janeiro. = J. and the second. Furthermore. 177-188. Food Nutr. Ilha do Fundão. Alim. Rio de Janeiro. VEIGA. RJ. Bras. Chronic Disease. p. The coexistence of iron-deficiency anemia and obesity could represent an apparent paradox. Brazilian Soc.com 177 . Soc. Cidade Universitária. 1. which in high concentrations negatively regulates the export of iron in duodenal enterocytes and macrophages. thus indicating a possible link between these diseases. The increased inflammatory activity in the adipose tissue of the obese person favors the production of hepcidin. recent findings suggest that obesity could predispose to iron-deficiency anemia.Artigo de Revisão/Revision Article Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas Iron-deficiency anemia and obesity: a new look at old problems ABSTRACT BAGNI. Av. Nutrire: rev. n. 2011. Keywords: Anemia. 373. Centro de Ciências da Saúde. Endereço para correspondência: Ursula Viana Bagni Instituto de Nutrição Josué de Castro. GLORIA VALERIA DA VEIGA1 1Instituto de Nutrição Josué de Castro. Iron-Deficiency.

que en altas concentraciones regula negativamente la salida de hierro en los enterócitos duodenales y los macrófagos. já que anêmicos têm capacidade aeróbica e resistência aos esforços físicos prejudicados e tendem a reduzir. ya que la primera estaría asociada con deficiencias alimenticias y la última con excesos. Doença crônica.. Obesidad. seu nível de atividade para evitar desconfortos decorrentes do maior esforço cardíaco. G. 178 . disminuyendo el hierro circulante y promoviendo el aparecimiento de anemia. señalizando una posible relación entre estas enfermedades. Por otro lado. Nutrire: rev.. Palavras-chave: Anemia ferropriva. n. Enfermedad crónica. v. V. SP. 1. favorecendo o ganho de peso. RESUMEN RESUMO La coexistencia de anemia ferropénica y obesidad podría representar un aparente paradojo.BAGNI. V. 2011. Todavia. Por outro lado. Brazilian Soc. Food Nutr. evidenciando possível relação entre estas doenças. São Paulo. Alim. descobertas recentes sugerem que a obesidade poderia predispor a anemia ferropriva. VEIGA. visto que a primeira estaria associada à carências nutricionais e a outra a excessos. Esta complexa relação entre anemia e obesidade impõe aos profissionais buscar novas estratégias que sejam eficazes para o enfrentamento dessa combinação de problemas nutricionais. Soc. abr. Palabras clave: Anemia ferropénica. reduzindo o ferro circulante e favorecendo a anemia. U. gradativamente. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. la anemia en los obesos puede favorecer la perpetuación de la obesidad. Bras. Esto provoca más aumento de peso. Obesidade. Nutr. A aumentada atividade inflamatória no tecido adiposo do obeso favoreceria a produção de hepcidina. que em altas concentrações regula negativamente a saída do ferro em macrófagos e enterócitos duodenais. Sin embargo. p. A coexistência da anemia ferr opriva e obesidade poderia aparentemente representar um paradoxo. hallazgos recientes sugieren que la obesidad puede predisponer a la anemia por deficiencia de hierro. 36. El aumento de la actividad inflamatoria en el tejido adiposo de los obesos favorece la producción de hepcidina. a anemia no obeso favoreceria a perpetuação da obesidade.= J. porque personas anémicas tienen la capacidad aeróbica y resistencia al esfuerzo físico perjudicados y tienden a reducir gradualmente su nivel de actividad para evitar el malestar derivado del mayor esfuerzo cardíaco. 177-188. Esta compleja relación entre anemia y obesidad requiere que los profesionales busquen nuevas estrategias que sean eficaces para hacer frente a esta combinación de problemas nutricionales.

Índia. como a obesidade e as alterações metabólicas relacionadas (VASKONEN... BRAGA. SELTZER. vitaminas C e A).. 2001. AMÂNCIO.. 2006. 2003). surgiam os primeiros estudos epidemiológicos demonstrando a maior proporção de deficiência de ferro entre indivíduos com obesidade (SELTZER. particularmente no Brasil. especialmente aqueles em transição nutricional como o Brasil (BATISTAFILHO et al. outro problema de proporções epidêmicas da atualidade.. 2006. já vem sendo encontrada em diversos países. designada como “dupla carga de problemas nutricionais”.BAGNI. Marrocos e Tailândia (ZIMMERMANN et al. Hoje. 2008).. 1962). V. NEAD et al. 2004. PINHAS-HAMIEL et al. MAYER. o presente artigo traz uma revisão sobre o tema e discute acerca das possibilidades de que o melhor conhecimento sobre a 179 . a associação entre a obesidade e anemia ferropriva foi explicada pela alimentação desequilibrada dos indivíduos acometidos por estes dois problemas nutricionais (NEAD et al. PINHAS-HAMIEL et al. 2008). México. 177-188. As práticas alimentares também exercem importante papel no desenvolvimento da doença. A literatura ainda é muito incipiente quanto à relação entre anemia ferropriva e obesidade. 2008). 1963. abr. 2008). a doença permanece com elevada magnitude e encontra-se entre as mais graves deficiências nutricionais no mundo (WORLD HEALTH ORGANIZATION. O aumento na demanda orgânica por ferro. Nutr. V. mais expressivo. poderia ser o fator predisponente para o desenvolvimento da anemia ferropriva em diversos indivíduos (ZIMMERMANN et al. e não a dieta. MAYER. assim como o consumo concomitante de inibidores da biodisponibilidade do ferro (ex. 2007) como em crianças e adolescentes (MOAYERI et al. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. WENZEL. pode também aumentar o risco de desenvolvimento de doenças crônicas. 2008).. Bras. meio século depois.. U. consumo inadequado de estimuladores da absorção do ferro junto às refeições (ex. 36.. a coexistência de obesidade e anemia. 2001. essa relação também veio sendo observada por diversos outros autores. 2001. WORLD HEALTH ORGANIZATION. VITALLE. 2003). SP. 2003.. YANOFF et al. descobertas recentes nos campos da fisiologia e biologia molecular suscitaram a discussão de que a obesidade propriamente dita. VITALLE. Nutrire: rev. 1. Se por um lado a manutenção de uma dieta desequilibrada por longo prazo pode favorecer o aparecimento da anemia ferropriva e outras deficiências nutricionais (COMITÉ NACIONAL DE HEMATOLOGÍA. 2004. MICOZZI.. MENZIE et al. Posteriormente. Entretanto. 2006.. 1963). Alim. MAYER. São Paulo. cálcio e ácido fítico) (COMITÉ NACIONAL DE HEMATOLOGÍA. tanto em indivíduos adultos (LECUBE et al. 2008). Já na década de 1960. Durante muito tempo.. VEIGA. 2011. AMÂNCIO.. G. BRAGA.= J. Egito e Peru (ECKHARDT et al. p. tais como: consumo insuficiente de ferro. por outro lado. n. 2006). STEVENS. STULTS. Assim. v. particularmente durante a gestação e a primeira infância. a anemia por deficiência de ferro é considerada pela Organização Mundial de Saúde como um problema de saúde pública. ALBANES. Brazilian Soc. INTRODUÇÃO Desde o final da década de 1950. Nesse sentido. Soc. 1989. tem sido um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento da anemia ferropriva na população. 2008. Food Nutr.

termos livres foram aplicados para a realização da busca. 2003).5%) para sobrepeso (5. As expressões de pesquisa foram construídas combinando-se os descritores ou utilizando-os de forma isolada.001) (PINHAS-HAMIEL et al. tendo sido consultadas também as listas de referências dos artigos encontrados.. Science Direct. Stults e Mayer (1962) verificaram que o nível sérico de ferro dos jovens obesos era significativamente inferior ao dos eutróficos. Esta tendência também vem sendo observada em jovens de outras regiões. IC95% 2.8µmol/L) (p<0. G. V. anemia ferropriva (iron-deficiency anemia). obesidade (obesity). Bras.5 e OR=2. quando não disponíveis.002).9. A busca bibliográfica foi realizada no ano de 2010 nas bases de dados eletrônicas PubMed. Os descritores utilizados em português (e seus respectivos correspondentes em inglês) foram: ferro (iron). adiposidade (adiposity). Brazilian Soc..nlm. São Paulo.2-3.gov/mesh) e Descritores em Ciências da Saúde.001) (MOAYERI et al. VEIGA. Ao avaliar 355 adolescentes de 11 a 19 anos de idade.3%) e obesidade (6. Ovid e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). significativamente.5. também.8) e obesidade (OR=2.. relação entre estes dois distúrbios nutricionais possa influenciar as políticas e ações em saúde pública voltadas para a prevenção e controle dos mesmos. No Teerã.. Wenzel. v. 177-188. Albanes e Stevens (1989) verificaram que valores elevados de IMC estavam associados com baixas concentrações de 180 .BAGNI. Foi priorizada a utilização dos descritores obtidos pelo Medical Subject Headings (MeSH) (http://www. U. p. abr. Scopus.bvs.6) quando comparados aos eutróficos. Avaliando os dados da primeira edição do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES-I).3 IC95%:1. Alim.nih.3µmol/L) foi significativamente menor que de crianças eutróficas (15. sobrepeso (overweight). a concentração de ferro sérico de crianças e adolescentes com sobrepeso (10. Food Nutr.6.2-5.9%) (p=0. V. (DeCS) (http:// decs. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. Scielo. 36. Em Israel.1%) para sobrepeso (5.= J. e que a prevalência desse agravo aumentava. Micozzi. e que a prevalência de anemia aumentava à medida que o Índice de Massa Corporal (IMC) se elevava da faixa normal (2. resultado também verificado por Seltzer e Mayer (1963) em um grupo de 321 jovens de 11 a 21 anos de idade. IC85% 1. Mais recentemente. à medida que o IMC se elevava da faixa normal (2. Soc.br). (2004) constataram que crianças e adolescentes americanos com sobrepeso e obesidade apresentavam o dobro de chance de ter anemia por deficiência de ferro (OR=2. Wiley Inter Science. SP. inflamação (inflammation).4-3.5%) (p=0.4-4.3%) e obesidade (5. Nutr. se constatou maior chance de ter anemia ferropriva em crianças e adolescentes com sobrepeso (OR=3. O ano de publicação não foi utilizado como filtro para seleção dos artigos. 2011.6µmol/L) e obesidade (13. Nutrire: rev. A maior prevalência de anemia entre indivíduos com excesso de peso e obesidade também vem sendo relatada entre adultos. deficiência de ferro (iron deficiency). n. anemia da doença crônica (anemia of chronic disease). hepcidina (hepcidin). Nead et al. DESVENDANDO A RELAÇÃO ENTRE ANEMIA E OBESIDADE Os primeiros estudos epidemiológicos demonstrando a maior proporção de deficiência de ferro entre indivíduos com obesidade surgiram na década de 1960. 2006). respectivamente).0 IC95%:1. 1.

2001). Bras. interferindo na regulação da sua absorção intestinal e na sua reutilização pelo sistema reticuloendotelial (GRAF et al. 2008. a dieta desequilibrada foi única hipótese aventada para explicar a relação entre anemia e obesidade. mais baixa no maior quartil de IMC. Citocinas inflamatórias favorecem esse aumento da produção de hepcidina (FLEMING. U. A síntese de hepcidina se reduz em situações de deficiência de ferro e hipóxia. significativamente. PARK et al. Alim. Park et al. 2008).= J. abr. sendo 181 . NEMETH.. Brazilian Soc. mas no início da década de 2000. 2006). A hepcidina é uma pequena proteína de 25 aminoácidos sintetizada principalmente nos hepatócitos e inicialmente caracterizada por apresentar atividade antimicrobiana (KRAUSE et al. VEIGA. LÖNNERDAL. GANZ.. No intestino. V. 2008) inclusive entre mulheres obesas pós-menopausa (LECUBE et al. SELA. 2006. 2008. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. Nutr. NEMETH. a fim de evitar o acúmulo do metal e danos tissulares irreversíveis (LEONG. GANZ. 2011. a deficiência de ferro em obesos vem sendo demonstrada por outros pesquisadores (GILLUM. o ferro degradado acumula-se nessas células. GROTTO. que passou a ser denominado hepatic bactericidal protein (Hepcidin). NEMETH. G. negativamente. NEMETH. a hepcidina regula. Desde então. a hepcidina também causa a internalização da molécula de ferroportina situada na membrana basolateral dos enterócitos. 2006).. 2008). GANZ. LÖNNERDAL. Sua produção também é aumentada durante infecções e inflamações. Além disso. e que a saturação de transferrina era... SP. A primeira descrição desse peptídio no plasma foi feita por Krause et al. SELA. causando a diminuição no nível de ferro sérico e a instalação do fenômeno conhecido como “Anemia da Inflamação” ou “Anemia da Doença Crônica”. 2004).. 2006). e é estimulada em situações de sobrecarga de ferro no fígado. 177-188.. 2004. LEONG. Essa ligação faz com que a ferroportina seja internalizada nos lisossomos citoplasmáticos e degradada. (2001) divulgaram a descoberta desse peptídio na urina. Mais tarde foi demonstrado que a hepcidina seria um hormônio chave na homeostase do ferro. 2008). 2008). que é a proteína transmembrana encarregada de exportar ferro das células. 2004. 2008. GANZ. Um ano depois. NEMETH. 2008. 2007.BAGNI. potencializando ainda mais o efeito sobre a concentração de ferro circulante. bloqueando a transferência do ferro que está no citoplasma dessas células para a transferrina no plasma (GANZ. NEMETH. com a descoberta da hepcidina. GROTTO. Nutrire: rev. 2008. 2006. 2001. a retenção do ferro nos enterócitos leva à redução no aproveitamento do ferro dietético pelas células da membrana apical (FLEMING. um mecanismo do hospedeiro para limitar a disponibilidade de ferro para micro-organismos invasores (ANDREWS. 36. 1. São Paulo. Consequentemente. YANOFF et al. Food Nutr.. que o nomeou como Liver Expressed Antimicrobial Peptide 1 (LEAP-1). ZIMMERMANN et al. 2008). MENZIE et al. NEMETH. 2008. 2000. Durante muito tempo. A hepcidina age ligando-se à ferroportina. v. GANZ. Soc. com a perda dessa proteína na superfície da membrana celular. especialmente nos macrófagos reticuloendoteliais envolvidos na reciclagem de ferro a partir de eritrócitos e enterócitos duodenais (FLEMING. p. MENA et al. a saída de ferro das células.. Ao entrar na circulação. V. GANZ. ferro sérico em mulheres.. enquanto a concentração de ferro circulante se reduz (FLEMING. tanto em homens quanto em mulheres. 2006. 2006. (2000). a discussão acerca dessa relação começou a tomar novos rumos. 2006. n.

2µg/dL.3%.005) e o volume corpuscular médio (85.004). Marrocos e Índia. assim como a quantidade e biodisponibilidade do ferro consumido por crianças de 6 a 14 anos com peso adequado e com sobrepeso. 22. Zimmerman et al. FAIN. 86. Ao investigar a relação entre o IMC e a absorção de ferro alimentar em mulheres e crianças da Tailândia. 2006).6nmol/L vs.0±18. apontando para um menor aproveitamento do mineral nesse grupo (MENZIE et al. comparados aos eutróficos..9% vs. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. Alim. a deficiência de ferro foi significativamente maior naquelas com sobrepeso (20% vs. a principal delas a Interleucina-6 (IL-6). São Paulo. p=0. mas sim à ação da hepcidina sobre a redução de ferro absorvido e/ ou aumento da retenção do ferro nas células (AEBERLI. 2011. Soc. NEMETH. p<0.001). 2. p<0. p=0.0mM p=0. 2008).4fL vs.0015) e inversa com 182 . p=0.3±9.3±58. Segundo os autores. Brazilian Soc.001) e saturação de transferrina (20. GANZ. COPPACK. n. que age diretamente nos hepatócitos estimulando sua expressão (ANDREWS.1% vs.3±28. 177-188. No modelo de regressão múltipla. Hurrell e Zimmermann compararam os níveis de hepcidina circulante.10) e até mesmo superior de ferro heme (p<0.6±8. apesar de crianças com sobrepeso e sem sobrepeso apresentarem consumo semelhante de ferro.029). (2008) também observaram que aqueles com IMC mais elevado apresentaram menor absorção do ferro oferecido em uma intervenção com alimentos fortificados com o mineral. 2009). a massa gorda também afetou negativamente a concentração sérica de ferro (β= -0. p=0.8±35.0±61. Uma vez que a obesidade está associada com o aumento da atividade inflamatória no tecido adiposo. Nutrire: rev. No estudo de Del Giudice et al. e consideraram improvável que isto se deva ao consumo alimentar inadequado. Os autores verificaram que.6nmol/L. KARL. a saturação de transferrina (20. p=0.7% vs.0001) foram significativamente menores nos obesos.680. abr. A veracidade dessa afirmativa foi constatada por Yanoff et al. ZIMMERMANN. p=0.330. 23. 2001.4 mM vs. 79.8±1. Os autores concluíram que existe uma baixa disponibilidade de ferro para eritropoiese em crianças com sobrepeso. 88.9±5. os obesos tiveram menor concentração média de ferro sérico (72. (2008). p=0. G..= J.02) e menor saturação de transferrina (18.1µg/dL.6µg/dL.012).3±6.002).9%. 1. estado nutricional de ferro. Bras.0±5. 2006. Nutr. p=0.039. 85.. 2009). SP.8µg/dL vs.02) e ferro corporal (β=0. 36. e se correlacionaram negativamente com o IMC e a massa adiposa. No ano de 2009. com particular aumento na produção de IL-6 (BASTARD et al. 2006). U.4fL. (2009) também foi verificado que crianças obesas apresentaram menor concentração de ferro sérico (68.5±34. 1. 23.9±1. tais como características demográfi cas e dietéticas. (2007). as quais apresentavam níveis séricos de hepcidina significativamente maiores que as crianças não obesas (1.33. é possível que a adiposidade em excesso possa predispor ao aparecimento da “Anemia da Doença Crônica” (McCLUNG.022). p=0. ao verificar que em adultos americanos o ferro sérico (75.6%. 6%. na Suíça.01) do que crianças não obesas. p. Aeberli. sendo essa associação significativa mesmo após ajuste para variáveis de confundimento. HURRELL. além de maiores níveis de hepcidina (2. p<0. 2004. V. No estudo de Menzie et al.001) que os indivíduos eutróficos.05)..7µg/dL vs. VEIGA.2µg/dL vs.BAGNI. v.0±9. Food Nutr. A hepcidina sérica teve correlação direta com o IMC (r2=0. os níveis séricos de hepcidina mostraram associação com o IMC (β=0. apesar de os indivíduos obesos apresentarem consumo semelhante de ferro total na dieta (p=0. p=0. V.

NOVAS DESCOBERTAS. NELSON. 1994). Brazilian Soc. quanto pode ser causada por ela. e durante o tempo de lazer apresentam menor frequência cardíaca. p=0.04) e com a saturação de transferrina (r2=0. VEIGA. Food Nutr.. São Paulo.BAGNI. jovens com anemia severa apresentam menor tempo máximo de atividade e menor consumo máximo de oxigênio (VO2 máx). o indivíduo com anemia. G. BAKALIOU. o ferro sérico (r2=0. e particularmente entre obesos... A influência negativa da anemia sobre a atividade física foi identificada por diversos autores. Soc.16. Bakaliou e Trivedi (1994). reduzindo seu nível de atividade (BATHIA. atividade aeróbica e gasto energético do que jovens com deficiência marginal de ferro ou com ferro adequado. A recuperação do exercício também foi mais difícil em meninas indianas com anemia. p. significativamente. 1996. 1990). 1994). 183 . abr. SP. assim como apresentam maior dificuldade de se recuperar do exercício. WORLD HEALTH ORGANIZATION. o indivíduo anêmico vai. SESHADRI. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. 36. TRIVEDI. Segundo Nelson. SESHADRI. U. 1987. Nutrire: rev.37. conforme esquematizado na figura 1. meninos anêmicos apresentaram a pior performance após serem submetidos ao teste de step (BATHIA. v. Na Índia. n. E se outrora essa “dupla carga de doença” foi considerada um paradoxo em meio à transição nutricional (BATISTA-FILHO. pessoas anêmicas têm um aumento muito mais expressivo na frequência cardíaca durante a atividade física do que aquelas não-anêmicas. poderia também favorecer a manutenção e/ou agravamento da própria obesidade. BAKALIOU. na tentativa de evitar desconfortos como cansaço e palpitações decorrentes do maior esforço cardíaco para garantir a oferta de oxigênio aos tecidos. OSKI. que ocorrem em paralelo. quando comparados com indivíduos não-anêmicos. YIP. 1. além de trazer os prejuízos próprios dessa doença. V. consequentemente. que após realizarem teste de step apresentaram frequência cardíaca. 1987) e teste de corrida de 1. Wang et al. Uma vez que a baixa concentração de hemoglobina no sangue leva à redução da capacidade aeróbica e resistência aos esforços físicos (NELSON. Alim. tem ficado evidente que a relação entre a anemia e a obesidade é bem mais complexa do que se poderia imaginar. Nutr. A obesidade tanto pode favorecer o aparecimento da anemia ferropriva.= J. favorecendo o sedentarismo. 2009). também com o aproveitamento do ferro dietético (r2= 0. RISSIN. 2001) e a prejuízos na função muscular pela diminuição da capacidade oxidativa mitocondrial para produzir energia a partir do oxigênio (DALLMAN. o que poderia favorecer o ganho de peso. torna-se menos ativo. p=0. gradativamente.003) (DEL GIUDICE et al. de natureza oposta. É importante considerar que a instalação da anemia ferropriva no indivíduo obeso. TRIVEDI.005). imediatamente após o teste e também após 1 minuto de repouso após o teste (NELSON. atualmente deixa de ser compreendida meramente pela presença de fenômenos isolados.. V.600 metros (SATYANARAYANA et al. maior que as não anêmicas. p=0. Bras. mas sim de eventos correlacionados entre si. onde um pode determinar o desenvolvimento do outro. 2003). 1993). 177-188. Assim.33. NOVOS DESAFIOS Ao longo dos últimos anos. (2009) verificaram que durante atividade física. 2011.

. Bras. assim.= J. Alguns autores já recomendam que as diretrizes voltadas à identificação. Alim. SP. 1. É mister refletir em como lidar com a sobreposição da anemia e obesidade de maneira eficaz: as estratégias atuais utilizadas individualmente para o controle dessas doenças são suficientes nesse novo cenário? Segundo Zimmerman et al.. o controle da anemia ferropriva em obesos pode ter papel importante no processo de perda de peso. 2009). São Paulo. Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. abr. G. 2006. e vice-versa. uma vez que pode melhorar a adesão a programas de prática regular de atividade física. Nutr. Brazilian Soc. (2008). como o controle da obesidade pode exercer importante papel no avanço do controle da anemia ferropriva. V. V. p. OBESIDADE “Inflamação” [↑ citocinas] ↑ produção Leptina ↑ sedentarismo PRÁTICAS ALIMENTARES INADEQUADAS ↑ produção de Hepcidina Ligação da Hepcidina à ferroportina nos macrófagos Acúmulo do ferro degradado dentro dos macrófogos Ligação da Hepcidina à ferroportina nos enterócitos Bloqueio da transferência do ferro absorvido para a transferrina no plasma Redução gradativa do nível de atividade física ↓ concentração ferro circulante ↓ ingestão de ferro ↓ ingestão de facilitadores da absorção de ferro ↓ ingestão de inibidores da absorção de ferro prejuízos na função muscular ANEMIA FERROPRIVA ↓ capacidade aeróbica e resistência a esforços físicos Figura 1 – Modelo esquemático da relação entre anemia ferropriva.BAGNI. 177-188. n. 36. o rápido aumento do excesso de peso e obesidade em países em transição nutricional pode prejudicar os esforços no controle da deficiência de ferro e trazer sérias consequências para a população. 2011. TUSSING-HUMPHREYS et al. Por sua vez. Percebe-se. Nutrire: rev. obesidade e práticas alimentares. que têm sido um dos pilares para o 184 .. Soc. produtos fortificados e suplementos nutricionais.. Essa nova compreensão da relação entre os dois principais problemas de saúde pública da atualidade tem imposto aos profissionais um novo modo de olhar para a sua prática. VEIGA. U. já que indivíduos em excesso de peso podem apresentar menor aproveitamento do ferro dos alimentos. prevenção e tratamento da anemia ferropriva. Food Nutr. passem a incluir a obesidade como mais um fator de risco a ser controlado (LECUBE et al. v.

a concretização de ações integradas para o controle da obesidade e anemia ferropriva. 1. subsidiar o desenvolvimento de terapias nutricionais e/ou farmacológicas que previnam o desenvolvimento de deficiência de ferro em obesos. Em meio a tantos questionamentos onde as respostas nem sempre parecem evidentes. em uma abordagem integral capaz de prevenir. p. em longo prazo. 185 . aos desafios que o quadro mutante do cenário epidemiológico brasileiro aconselha e reclama”. V. Para Coutinho. deve ser enfrentado pautando-se em políticas articuladas numa “agenda única de nutrição”. SP. Batista-Filho e Rissin (2003) consideram que “as ações setoriais de saúde ainda não apresentam o grau de agilidade e o nível de eficácia para responder. Food Nutr. assim como o possível desenvolvimento da obesidade. Segundo McClung e Karl (2009). Anemia ferropriva e obesidade: novos olhares para antigos problemas. São Paulo. Gentil e Toral (2008).. U.BAGNI. Alim. pelo contrário. a fim de que as medidas de promoção. por outro lado ainda são escassas as investigações prospectivas. o dilema atual da nutrição em saúde pública. n. A redução gradual na atividade física em indivíduos anêmicos também precisa ser melhor investigada. 36. 2011. a melhor compreensão da relação entre essas doenças poderá também. CONSIDERAÇÕES FINAIS Se por um lado parecem abundantes as informações sobre a prevalência e as consequências independentes que anemia ferropriva e a obesidade podem trazer para indivíduos e sociedades. com presteza. como pedra angular. acerca da relação entre as duas doenças e do prejuízo que a combinação desses dois problemas nutricionais pode trazer. resultando em redução da prevalência do excesso de peso e das outras doenças crônicas não transmissíveis associadas. Nutr. no futuro. considerando. V. além de esclarecer e fundamentar a relação entre anemia e obesidade. sucesso dos programas de controle da obesidade. as doenças causadas por deficiências nutricionais e aquelas causadas por excessos. Bras. Brazilian Soc. 177-188. uma atuação que valorize a multiplicidade de fatores envolvidos no complexo processo saúde-doença. Soc. VEIGA. G. a promoção da alimentação saudável com enfoque no curso da vida. Nutrire: rev. na prática.. v. frente a essa redução de atividade. tais como a influência da concentração sérica da hepcidina sobre o estado nutricional de ferro em indivíduos com excesso de peso nos diferentes ciclos de vida. o primeiro passo é manter um olhar ampliado para o indivíduo. Pesquisas nesse sentido. proteção e recuperação à saúde implementadas sejam realmente eficazes no enfrentamento dessa dupla carga de problemas nutricionais. e para muitos profissionais. particularmente em âmbito nacional. serão fundamentais para trazer subsídios à prática profissional e para o fomento de políticas públicas de prevenção e promoção da saúde. que é lidar simultaneamente com situações aparentemente contraditórias. abr. Muitas são as lacunas que demandam respostas na busca do controle da obesidade e da anemia ferropriva. fugindo de uma prática segmentada e reducionista e buscando. ao mesmo tempo.= J. ainda parece um desafio hercúleo frente à íntima relação e interdependência dessas doenças.

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85 BRANCO.. G. A.. C. L. L.. P. M. A. G. L. D.. 37 BESENBRUCH. E. H. 137 MARCHIONI. 99 BAGNI. V. C.. 1 SILVA. A. L. J. P.. C. P.. M. E. C. E. N. M. 85 CONCEIÇÃO. p. C... D. 99 MENDES-NETTO.. I. F.. S. 49 CURADO. C. L. 85 SGARBIERI..... A. C. G. 177 BARBOSA. M. D. 127 FERNANDES. R... 23 LYRA. 2011. M. São Paulo. v. R. C. 36. abr. 111 189 . 99 LOPES. 137 MIRANDA. R.. 163 LIMA. F. E. M. S.. 151 COSTA. 111 FRUTUOSO. D. n. 23 OLIVEIRA. F. A. S.. G. 151 SOUSA. F. Soc. P. C. 151 BURINI. F.. A. R. M.. 137 CALDERON. M. P. 99 QUEIROGA. N. L. C. S. 127 GAMBARDELLA. R.. 1 PEDROSA. 23 NOLASCO.. R. 85 SILVEIRA. C.... M.. D. A. C. A. 85 FIGUEROA PEDRAZA. M. D.. C. P. ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX ARRAIS.. 23 COSTA. P.. 99 AZEVEDO.Nutrire: rev. 37 COSTA. O. Food Nutr. S. A. V. F. A. 99 PINHEIRO. P. M. 49 DE OLIVEIRA. S. H. Nutr. 49.. C. 23 SIMONY. P. V. 49 SANTOS. 99 MAESTÁ.. J. F.. V. C. 37 LEMES. 177 VIEIRA. SP.. 71 MARQUES. Brazilian Soc. Alim. 127 HIRAKAWA. 49 COSTA. F. D. A. L. S. 163 ESPERANÇA. 111 SOUSA. B. C. F. 137 DOMENEGHINI. M.. A. 111 SOUZA. C.. V. 1. A. 189. V. H. 85 THALACKER.. P. D. A. U. 151 JERÔNIMO. 37 ROCHA. 37 COSTA. R. N.= J. F. 151 BRAGA... A. C.. M... V. B.. I.. A... F..... O. 99 NETTO... 71 FALSARELLA.. S. Bras. 37 VEIGA.

72 Perfis sanitários. Soc. 112 Doença crônica Anemia ferropriva. 152 Treinamento de força Balanço nitrogenado. 164 Flavonóides. 128 Fatores de risco. São Paulo. 24. ÍNDICE DE ASSUNTO Adolescente Antropometria. 152 Carboidratos. 2 Hipertrofia celular. 100 Índice de Conicidade. 50. 112 Criança. 50 Creches. Food Nutr. 24 Desnutrição infantil. 138 Ingestão de energia. 38 190 .190-191. Bras. 138 Ingestão proteica. 38 Nutrientes. 86 Ganho de peso. 50 Contaminação Staphylococcus. 164 Estado nutricional. 86 Índice de Massa Corporal Estatura. 128 Restaurantes Controle de qualidade. 72 Terapia nutricional Diabetes mellitus tipo 1. p. 86 Macrossomia fetal. abr. 128 Peso corporal.= J. 1. 24 Assentamentos rurais. 86 Hiperglicemia. Nutr.. Brazilian Soc. 178 Doenças cardiovasculares Vinho Compostos fenólicos. v. Alim.Nutrire: rev. 138 Unidade de alimentação e nutrição. 100. 36. 2011. 112 Fígado Hiperplasia celular. n. SP. 100 Alimentação Consumo de alimentos. 2 Gravidez Diabetes gestacional. 2 Restrição alimentar. 178 Obesidade.

127 Height. 85 Weight gain. 1 Cell hypertrophy. Alim. 1 Nutritional status. Food Nutr. 23 Food and nutrition services. SP.Nutrire: rev. 1 Food restriction. 37 Food consumption. 111 Nutritional therapy Carbohydrates. 99 Body mass index Body weight. 71 Sanitary profiles. 127 Conicity index. 151 Pregnancy Fetal macrosomia. 111 Feeding Contamination Staphylococcus spp. 36. 127 Cardiovascular diseases Wine Flavonoids. type 1. 177 Obesity.. Bras. Brazilian Soc. 137 Nitrogen balance.= J. 177 Daycare centers. Nutr. 137 Protein intake. SUBJECT INDEX Adolescent Anthropometry. n. 99 Risk factors. 71 Rural settlements. 163 Child.. 49 191 . São Paulo. 111 Chronic Disease Anemia. v. 49. 85 Resistance exercise Energy intake. 99. p. 137 Restaurants Quality control. Soc. 85 Hyperglycemia. 163 Phenolic compounds. 151 Diabetes mellitus.190-191. Iron-deficiency. 1. 49 Nutrients. 23 Child malnutrition. 37 Liver Cell hyperplasia. 23. 85 Gestational diabetes. abr. 2011.

d) notas e informações: relatos curtos e notas prévias. a população estudada. f) se foi baseado em Tese. INSTRUÇÕES AOS AUTORES NORMAS PARA PUBLICAÇÃO Os artigos devem ser redigidos em ortografia oficial. b) revisão: avaliação crítica da literatura sobre determinados assuntos.seguir normas de publicação.br. dentre outros. 192-197. São Paulo. de revisão. extraindo conclusões. pelo e-mail sban@sban. revisão crítica da pesquisa). Alim. exclusivamente. 1. Nutr. seguida da comparação com a literatura e a interpretação dos autores. a fonte dos dados e critérios de seleção. abr. filiação à instituição e respectivo endereço. Devem conter conclusões ou comentários. SP. b) descritores (usar o vocabulário) português e espanhol: Descritores em Ciências da Saúde. Soc. utilizando o programa Word. Conclusão: para os artigos originais. Resultados: deve se limitar a descrever os resultados encontrados sem incluir interpretações/comparações. RESUMO E PALAVRAS-CHAVE a) português. v. p. Não devem ser cortadas as palavras no final das linhas. indicar o título. em espaço duplo. inglês e espanhol (até 250 palavras). g) se foi apresentado em reunião científica. h) se foi subvencionado indicar o tipo de auxílio. 2.Nutrire: rev. descritos e interpretativos da situação em que se encontra determinado assunto. d) nome do departamento onde o trabalho foi realizado. b) indicar título abreviado para legenda. Bras. i) agradecimentos: 1. No item assunto deverá ser colocado: artigo NUTRIRE. local e data de realização. n. 36. Discussão: deve começar apreciando as limitações do estudo.250 caracteres sem espaço). contribuições (assessoria científica. Brazilian Soc. Os artigos podem ser: originais. definindo o problema estudado sintetizando sua importância. 2011. 192 . com margens de 3cm em cada um dos lados e enumeradas em algarismos arábicos no ângulo inferior direito. versão em inglês e espanhol.. atualização ou notas e informações: a) originais: divulgam resultados de pesquisas que possam ser replicados ou generalizados. Material e Métodos. O envio deverá ser feito. Introdução: deve ser curta. indicando novos caminhos para pesquisa. e) nome e endereço do autor responsável. com letras corpo 12. incluindo-se as referências – seguir normas de publicação. c) atualização: baseada na literatura recente.com. da Literatura Latino-Americana e do FOLHA DE ROSTO (IDENTIFICAÇÃO) a) título e subtítulo.= J. Artigo original: não tem limite . material e outros). QUANTIDADE DE PÁGINAS Artigo de revisão: no máximo 30 laudas (cada lauda = 1. O mesmo deverá ser anexado em um único arquivo. indicar o evento. coleta e dados. em folhas tamanho ofício (A4). c) nome e sobrenome de cada autor. nome do agente financeiro e o número do processo. instituições (apoio econômico. e) são aceitos artigos em inglês e espanhol. Food Nutr. ano e instituição onde foi apresentada.

Brasil.br REGULAMENTO DA NUTRIRE: REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO= JOURNAL OF THE BRAZILIAN SOCIETY OF FOOD AND NUTRITION Da Revista. da National Library of Medicine. M. C. uma vez por ano. DESENHOS.. c) todos os autores são citados. Bras.A Comissão Editorial será composta de 7 membros.Nutrire: rev. OBS: não usar traços horizontais ou verticais internos. 1929). São Paulo. Sede e Fins Art. 1930). com mandato de 5 anos 193 .1º . TABELAS As tabelas também devem ser incluídas no mesmo arquivo. v. 1119 . o Editor-científico e o Conselho Editorial compõem a Comissão de Redação.) nas referências bibliográficas (BRITTO e PASSOS. Brazilian Soc. abr. f) a exatidão das referências é de responsabilidade dos autores. FIGURAS (FOTOGRAFIAS.A Nutrire: revista Brasileira de Alimentação e Nutrição=Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition. logo após as referências (enumeradas em ordem consecutiva. UNIDADES Seguir as normas do Instituto Nacional de Metrologia. 1. J. p. AGRADECIMENTOS VER FOLHA DE ROSTO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (ABNT NBR-6023.Periodicidade quadrimestral. na ordem do texto). Parágrafo 1: a Nutrire: revista Brasileira de Alimentação e Nutrição=Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition contará com as seguintes seções: artigos originais.gov. 192-197. R. Legendas à parte. criado em 1985. S. 36. Homepage: www.A revista será editada. Normalização e Qualidade Industrial-INMETRO. no mínimo. Food Nutr. Jardim Paulista. n.inmetro. Da Direção e Redação Art. separados por ponto e vírgula (. Alim. de revisão. ABREVIATURAS E SIGLAS a) forma padrão da língua portuguesa e inglesa. por ponto e virgula (. Soc. Caribe em Ciências da Saúde-LILACS inglês: Medical Subject Headings-MESH. com sede na Rua Pamplona. 4º . 2º . e) substituir & por e no texto e. tem por finalidade publicar trabalhos técnico-científicos nas áreas de alimentação e nutrição. 3º . b) não usar no título e no resumo.= J. Art. TORQUATO. Art. b) abreviatura dos periódicos (Index Medicus). Parágrafo 2: A Comissão Editorial. d) indicação do autor e data no texto: citar entre parênteses o nome do autor e data (BRIAN. São Paulo. 5º .) CORDEIRO. GALVES. índices de autores e assuntos. Art. órgão oficial da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição – SBAN. 51. atualização. SP. notas e informações. Nutr..Cj. 2011.. M. GRÁFICOS) As figuras deverão vir logo após as referências (enumeradas em ordem consecutiva.O editor-responsável será o Presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN. 2000) a) ordem alfabética. na ordem do texto) devem ter título breve. cartas ao editor.

Food Nutr. Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos. 1119 .Compete à Comissão Editorial e ao Editor-científico julgar todo o material encaminhado para publicação.A organização e revisão do material a ser publicado compete ao bibliotecário responsável pela normalização técnica e indexação. respectivamente. Rio de Janeiro. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Rua Pamplona. Parágrafo único: os trabalhos serão publicados em ordem cronológica de recebimento. salvo as notas prévias.] 3.Cj. 8º . de trabalhos publicados na Nutrire: revista da Socidade Brasileira de Alimentação e Nutrição= Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition sem prévia autorização do autor e do Presidente da SBAN. 1999. Ann. Dermatol.Compete à Comissão Editorial fazer cumprir este regulamento e seu respectivo Cronograma. Nutr. Intern. SP. 17º . NBR 6023: Informação e Documentação. 18º . Associação Brasileira de Normas Técnicas.A primeira prova gráfica será revisada pelo Editor-científico e conferida pelo autor que a rubricará. Art./ago. 1. An. Soc. Uniform requirements for manuscripts submited to biomedical journals.br. 5th ed.com. Os membros da Comissão elegerão o editor-científico pelo mesmo período. São Paulo.36-47. 1. Parágrafo único: O Conselho Editorial não terá número de membros definidos e será composto de especialistas nacionais e internacionais de cada área de Alimentação e Nutrição indicados pela Comissão Editorial. 51 Jardim Paulista. 192-197. Art. Alim. 22p. e escolhidos dentre seus sócios efetivos.= J. O mesmo deverá ser anexado em um único arquivo.br Referência 1. v. 14º .126.Os artigos poderão ser enviados a qualquer momento. A partir de julho de 2007 o envio de artigos deverá ser feito pelo e-mail: sban@sban. 15º . É permitida a reprodução de resumos com a devida citação da fonte. Bras. Med. 10º .Os originais de trabalhos aceitos para publicação não serão devolvidos. Art. Art.É proibida a reprodução. International Committee of Medical Journal Editors. No item assunto deverá ser colocado: artigo NUTRIRE. p. Art.Todo trabalho enviado para publicação deverá trazer endereço para correspondência e endereço eletrônico do autor principal. [updated may. 9º . 7º . p. no todo ou em parte. supl. Referência. Art. Bras.72. Art.Nutrire: rev. Art. [4. p. abr. Rio de Janeiro. v.com. 16º .41-53.] 194 . No caso de mais de um autor deverá expressamente ser indicado o autor responsável pela publicação. 36. Art. a cada três (3) anos. 2011. Art. jul.. Art.Os trabalhos aprovados para publicação deverão trazer o visto do Editorcientífico. 1997.Os autores deverão assinar a declaração de responsabilidade e transferência. 2.Brasil Tel.. 13º . n. Requisitos de uniformidade para manuscritos submetidos a periódicos biomédicos. Brazilian Soc. Art.ed.: (11) 3266-3399 E-mail: sban@sban. Elaboração. Parágrafo único: a renovação de seus membros será de 4 e 3.. 12º .Compete ao Conselho Editorial a revisão científica dos artigos recebidos.A data de recebimento do artigo constará obrigatoriamente no final do mesmo. 11º . 1997. Haverá apenas duas provas gráficas. 2000. São Paulo (SP) CEP: 01405-001 . v.

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INSTRUCTIONS TO AUTHORS
PUBLICATION RULES
Manuscripts must be written in the official orthography, on one side of the sheet and double space, in A4 paper and 12 pt size characters, 3 cm margins on each side and number in Arabic numerals on the lower right side. Words should not be separated at the end of the lines. One (1) original and two (2) copies should be mailed. When accepted for publication, an electronic copy in 3/5 6.0 MS Word must also be included. Manuscripts can be original studies, reviews, updates or notes and information: a) original data: disclosure of results that can be replicated or generalized; b) reviews: critical overview of the literature on specific issues. They must contain conclusions or comments; c) updates: based on recent literature, describing and interpreting the current situation of a chosen issue; d) notes and information: short reports and previews; e) the manuscript can be written in Portuguese, Spanish or English. indicate the type of support, name of the funding agency and grant number. i) acknowledgements: 1. Contributions (scientific consulting, data collection, critical revision of the study); 2. Institutions (financial support, material, etc). Introduction: must be concise, defining the problem under study, summarizing its importance. Methods and materials employed, the population under study, data source and selection criteria, among others. Results: must be limited to description of the results without including interpretations/ comparisons. Discussion: must begin by pointing out the limitations of the study, followed by a comparison with the literature and interpretation of the data, extracting conclusions and indicating new ways of research. Conclusion: for original studies.

SUMMARY AND KEYWORDS
a) in Portuguese, English and Spanish, up to 250 words; b) keywords in Portuguese and Spanish: Descriptors in Science and Health (Descritores em Ciências da Saúde) of Latin-American and Caribean Literature in Health Sciences-LILACS. In English: Medical Subject Headings-MESH of the National Library of Medicine;

FRONT PAGE
a) title and heading; in Portuguese (or Spanish) and English; b) running title; c) name and surname of each author, affiliation, and address; d) department where the study was performed; e) name and address of the principal investigator; f) if based on a Thesis, indicate the title, year and institution where it was carried out; g) if presented in a scientific meeting, indicate the name of the event, place and date; h) if financial supported was provided

TABLES
a) must be in separate sheets (number consecutively, in the order that they appear in the text) with a short title; b) should not contain inner horizontal or vertical borders;

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FIGURES (PHOTOGRAPHS, DRAWINGS, GRAPHICS)
Must be in separate sheets (numbered consecutively, in the order that they appear in the text); captions are apart.

ACKNOWLEDGEMENTS – SEE FRONT PAGE REFERENCES (ABNT NBR 6023, 2002)
a) alphabetical order; b) journal abbreviations (Index Medicus); c) all authors must be cited, separated by semi-colon (;); CORDEIRO, J. M.; GALVES, R. S.; TORQUATO, C. M.; d) citation of author and year of publication in the text: in parenthesis (BRIAN, 1929); e) use e instead of & in the text and ; in the list of references (BRITTO e PASSOS, 1930); f) the authors are responsible for the accuracy of the references.

UNITS
Must follow the guidelines of the Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO, homepage: www.inmetro.gov.br

ABBREVIATIONS
a) Standard pattern of Portuguese and English languages; b) Must not be used in the Title and Summary.

DIRECTIVE OF NUTRIRE: JOURNAL OF THE BRAZILIAN SOCIETY OF FOOD AND NUTRITION
Of the Journal, Headquarters and Purposes Art. 1° - Nutrire, Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition, is the official organ of the Brazilian Society of Food and Nutrition –SBAN, created in 1985, located* at Rua Pamplona, 1119 - cj. 51, São Paulo, Brasil, CEP 01405-001, with the purpose to publish technical-scientific papers in food and nutrition. Paragraph 1: Nutrire, Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition will be composed by the following sections: Original data, Reviews, Updates, Notes and Information, Letters to the Editor, Author and Issue Indices; Paragraph 2: The Editorial Committee, Scientific Editor and Editorial Board compose the Composition Committee. *The headquarters are located at the jurisdiction of the President elected. Art. 2° - The journal will be published, at least, once a year. Art. 3° - Periodicity: semester. Of the Direction and Editorial Art. 4° - The Editor-in-Chief will be the President of the Brazilian Society of Food and Nutrition-SBAN. Art. 5° - The Editorial Committee will be composed of 7 members, with a 5-year mandate to be chosen among the effective members. The members of the Committee will elect the Scientific-Editor for the same period. Single paragraph: renewal of the members will be of four and three, respectively, every three years. Art. 6° - Is the competence of the Editorial

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Committee and of the Scientific-Editor to judge all material submitted to publication. Art. 7° - Is the Editorial Committee’s competence to fulfill this regulation and its timetable. Art. 8° - Is the Editorial Board’s competence to perform the scientific revision of the manuscripts received. Single Paragraph: The Editorial Board will not have a permanent number of members and will be composed of national and international experts in each area of Food and Nutrition, indicated by the Editorial Committee. Art. 9° - The papers approved for publication must be signed by the Scientific-Editor. Single Paragraph: Papers will be published in the order of receipt, except when noted. Art. 10 - Date of receipt will appear at the end of the paper. Art. 11 - Every manuscript submitted for publication must be signed by its author and must contain an address of correspondence. In case of more than one author, the principal investigator must be indicated. Art. 12 - The first galley proof will be revised by the Scientific-Editor and checked and signed by the author. There will be only two galley proofs. Art. 13 - The original versions of the manuscripts accepted for publication will not be returned to the authors. Art. 14 - Total or partial reproduction of papers published by Nutrire, Journal of the Brazilian Society of Food and Nutrition without previous authorization of the author or SBAN’s president is strictly forbidden. Reproduction of the summaries is allowed when appropriately cited. Art. 15 - The authors must sign a Copyright Transfer and a Term of Responsibility.

Art. 16 - Due dates for manuscripts to be received for publication are January 30 and July 30 of each year. Art. 17 - Organization and revision of the material to be published is under the librarian’s responsibility for technical normalization and indexing. Art. 18 - Manuscripts must be mailed to the Scientific-Editor (one original and two copies): Dra. Célia Colli. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Rua Pamplona, 1119 - Cj. 51, Jardim Paulista, São Paulo, SP, CEP 01405-001 Brasil.

References 1. [Brazilian Association of Technical Guidelines] Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 6023: Infor mação e Documentação; Referência, Elaboração. Rio de Janeiro, 2000. 22p. 2. [International Committee of Editors of Medical Jour nals. Unifor mity of requirements for manuscripts submitted to biomedical journals] Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos. Requisitos de uniformidade para manuscritos submetidos a periódicos biomédicos. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro. v.72, supl. 1, p.41-53, jul./ago., 1997. [4.ed.] 3. International Committee of Medical Journal Editors. Uniform requirements for manuscripts submitted to biomedical journals. Ann. Intern. Med. v.126, p.36-47, 1997. [updated may, 1999, 5th ed.]

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO-SBAN

Presidente / President
Sergio Alberto Rupp de Paiva

1ª Vice-presidente / Vice-President
Silvia Maria Franciscato Cozzolino

2ª Vice-presidente / Vice-President
Regina Mara Fisberg

Secretário Geral / General Secretary
Dirce Maria Lobo Marchioni

1º Secretário / Secretary
Semíramis Martins Álvares Domene

2ª Secretário / Secretary
Eliane Fialho de Oliveira

1º Tesoureiro / Treasurer
Thomas Prates Ong

2º Tesoureiro / Treasurer
Marcelo Macedo Rogero

Sócios Mantenedores / Supporting Partners
Bunge Alimentos S.A. Coca Cola Indústrias Ltda. Danone Ltda. Monsanto do Brasil Ltda. Nestlé Brasil Ltda. Unilever Bestfood Brasil Ltda. Wyeth Consumer Healthcare A Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição – SBAN representa no Brasil a IUNS – International Union of Nutritional Sciences

Endereço / Address
Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição-SBAN Rua Pamplona, 1119 – cj. 51 – Jd. Paulista São Paulo/SP, Brasil – CEP 01405-001 Tel./Fax: (11) 3266-3399 e-mail: sban@sban.com.br www.sban.org.br

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