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O que é conhecer?

As fontes de justificação
do conhecimento
As fontes de justificação do conhecimento

Conhecimento
Razão
a priori

Como justificamos as
Problema nossas crenças?

Conhecimento
Experiência
a posteriori
Conhecimento a priori e conhecimento a posteriori

Um conhecimento é a priori se o podemos adquirir recorrendo


apenas ao pensamento e independentemente da experiência.
Exemplo: O quadrado tem quatro lados.

Um conhecimento é a posteriori se só o podemos adquirir pela


experiência.
Exemplo: A mesa é redonda.
Racionalismo e Empirismo

Racionalismo

Qual é a origem do
Problema conhecimento?

Empirismo
Racionalismo

A razão é a principal fonte/origem de


Tese conhecimento.
Empirismo

A experiência é a principal
Tese fonte/origem de conhecimento.
Racionalismo e Empirismo

Racionalismo

Qual é a principal
Problema fonte de justificação
das nossas crenças?

Empirismo
Racionalismo

O conhecimento tem um fundamento racional:


as crenças básicas provêm da razão.
Tese
Há crenças sobre o mundo que podem ser
justificadas a priori.
Empirismo

O conhecimento tem um
fundamento empírico: as crenças
Tese básicas provêm da experiência.
O conhecimento a priori não é
substancial (sobre o mundo).
Fundacionalismo

Racionalismo e empirismo são teorias fundacionalistas.

Tese O conhecimento está fundado em crenças básicas (racionais ou empíricas).


Fundacionalismo

Fundamento certo, seguro e indubitável.


Crença básica
Crença autojustificada, isto é, que se justifica a si mesma.

Crença
Crença que é justificada por outra crença.
não básica
É possível conhecer?
A resposta cética

Descartes e a resposta racionalista

Hume e a resposta empirista

Análise comparativa
Ceticismo

Racionalismo
Problema É possível conhecer? de
Descartes

Empirismo
de
Hume
A resposta cética
A resposta cética

Não podemos afirmar que temos conhecimento, porque nenhuma fonte de


Tese justificação das nossas crenças é satisfatória.
Ceticismo: argumentos

Argumento da divergência
de opiniões

Se fosse possível justificar as nossas crenças, não haveria lugar para divergências de opinião.
Há divergências de opinião.
Logo, é impossível justificar as nossas crenças.
Ceticismo: argumentos

Argumento da ilusão

Tudo o que é uma fonte de justificação segura do


conhecimento não nos engana.
Os sentidos enganam-nos.
Logo, os sentidos não são uma fonte de justificação segura do
conhecimento.
Ceticismo: argumentos

Argumento da regressão infinita da


justificação

A justificação de qualquer crença é inferida de outras crenças.


Se a justificação de qualquer crença é inferida de outras crenças, então dá-se uma regressão infinita.
Se há uma regressão infinita, as nossas crenças não estão justificadas.
Logo, as nossas crenças não estão justificadas.
Descartes e a
resposta racionalista
Descartes e a resposta racionalista

O conhecimento é possível.
Tese
A razão é a principal fonte de justificação das nossas crenças.
Dúvida
«Que para examinar a verdade é necessário, uma vez na vida,
pôr todas as coisas em dúvida, tanto quanto se puder. […]
Será mesmo muito útil que rejeitemos como falsas todas
aquelas coisas em que pudermos imaginar a mais pequena
dúvida, a fim de que, se descobrirmos algumas que, não
obstante esta precaução, nos pareçam manifestamente
verdadeiras, possamos estar seguros de que elas são também
muito certas e as mais fáceis que é possível conhecer.»
Dúvida

Duvidar de todas Considerar Objetivo: Os céticos


as crenças em provisoriamente encontrar crenças estão O
que se levante a falsas as fundacionais que errados: não
Dúvida mais pequena crenças que não sejam o ponto de há regressão
conhecimento
suspeita de passam o teste partida do infinita da é possível
incerteza. da dúvida. conhecimento. justificação.
Dúvida
Metódica: é um meio para alcançar um conhecimento certo
e indubitável. É um instrumento da razão que permite evitar
Metódica o erro.

Provisória: é abandonada, uma vez alcançado o objetivo de


encontrar crenças fundacionais.
Universal Dúvida Provisória
Universal: todas as crenças são submetidas à dúvida –
crenças a priori, crenças a posteriori.

Hiperbólica Hiperbólica: é exagerada, leva a supor que é falso tudo o que


possa levantar a mais pequena dúvida.
Dúvida Dúvida metódica

Crenças a posteriori Crenças a priori

Argumento Argumento Hipótese do


da ilusão do sonho génio maligno

Os sentidos já Não
nos enganaram Hipótese da existência de um
conseguimos Deus enganador, que se
algumas vezes distinguir, com
e já nos fizeram diverte em manipular
certeza, o sonho sistematicamente os nossos
assumir como
verdadeiro algo da vigília. Tudo pensamentos e leva-nos a
que depois pode não acreditar que são verdadeiras
verificamos ser passar de uma proposições que podem ser
falso. ilusão. falsas.
Cogito, ergo sum

«Mas, imediatamente, notei que, ao querer assim


pensar que tudo era falso, eu, que o pensava,
necessariamente devia ser alguma coisa. E,
notando que esta verdade: Penso, logo existo, era
tão firme e tão certa, que nenhuma das mais
extravagantes proposições dos céticos eram
incapazes de abalá-la, julguei que a podia aceitar,
sem hesitação (scrupule), para primeiro princípio
Duvido Penso Existo
da filosofia que procurava. »
Cogito
Crença fundacional: crença básica, autojustificada. Crença
fundacional/
autojustificada
Crença indubitável: não conseguimos duvidar da
sua verdade.
Ideia evidente: Crença
clara e distinta indubitável
Verdade racional e a priori, descoberta através da
intuição racional. Cogito

Evidência que se impõe ao pensamento como


absolutamente clara e distinta.
Substância pensante (res cogitans) distinta e Res cogitans/
Verdade racional e
independente da existência do corpo (res extensa). a priori
alma
(intuição racional)
Critério da verdade: evidência, clareza
e distinção das ideias

«E, tendo notado que, na afirmação Penso, logo existo, não há


absolutamente nada a garantir-me que esteja a dizer a verdade, a não
ser o ver muito claramente que, para pensar, é preciso existir, julguei
que podia tomar como regra geral que são verdadeiras todas aquelas
coisas que concebemos muito claramente e muito distintamente.»
Deus existe: argumento ontológico

«Pode-se demonstrar que existe um Deus, apenas porque a necessidade


de ser ou de existir está compreendida na noção que temos dele.»

A existência está
Ideia de um ser contida
Deus existe.
perfeito. necessariamente
na essência.

A existência de Deus é a conclusão necessária da ideia de ser perfeito.


Deus existe: argumento da marca impressa

«[…] lembrei-me de ver donde me tinha vindo o pensamento de qualquer coisa de mais perfeito
que eu […] só restava que ela tivesse sido posta em mim por uma natureza que fosse
verdadeiramente mais perfeita do que eu […] E, certamente, não é de admirar que Deus,
criando-me, tenha posto em mim esta ideia, para que fosse como a marca do artista impressa
na sua obra.»

É uma ideia
Não posso
Se duvido, inata
Ideia de tirar de mim a
sou colocada por Deus existe.
perfeição. ideia de
imperfeito. um ser
perfeição.
perfeito.
Tipos de ideias Tipos de ideias

Inatas Factícias Adventícias

Ideias que já
nascem
connosco e que Ideias Ideias que têm
são fabricadas pela origem na
descobertas imaginação. experiência
racionalmente. sensível.
Exemplos:
Exemplos: ideia sereia, Exemplos:
de existência, centauro, oceano, cavalo,
de verdade, lobisomem. árvore.
ideias da
matemática.
Deus existe: argumento da causa da existência do cogito

«Que não somos nós a causa de nós mesmos, mas sim Deus,
e que, por consequência, há um Deus. […] E conhecemos
facilmente que não há força alguma em nós pela qual
possamos subsistir ou conservar-nos um só momento, e que
aquele que tem tanto poder que nos faz subsistir fora dele e
nos conserva, deve conservar-se a si próprio, ou melhor, não
tem necessidade de ser conservado por quem quer que seja,
pois é Deus.»

Deus é a causa
Imperfeito, Não pode ser a
criadora e Deus existe e é
Cogito finito e causa de si
conservadora causa sui.
contingente. próprio.
do cogito.
Deus como princípio fundante da verdade e da realidade

Deus

Princípio fundante da verdade


objetiva de toda a realidade. «Mas, desde que reconheci que
existe um Deus, ao mesmo
tempo compreendi também que
Afasta-se a hipótese do génio maligno. tudo o resto depende dele e que
ele não é enganador, e daí
concluí que tudo aquilo que
concebo clara e distintamente é
necessariamente verdadeiro.»
Podemos confiar na Reconstrução do - Corpo.
razão quando edifício do - Outras pessoas.
concebe ideias conhecimento certo,
claras e distintas. seguro e inabalável. - Mundo físico.
Críticas ao racionalismo de Descartes

Cogito

Só podemos concluir
“Há pensamentos.”
Crítica O argumento do cogito não é convincente.
Do facto de haver pensamentos não
se conclui que tem de haver um
pensador.

É duvidoso concluir
“Eu penso, logo eu existo.”
Críticas ao racionalismo de Descartes

Crítica Círculo cartesiano

Deus existe porque concebo Aquilo que concebo clara e


clara e distintamente a sua distintamente é verdadeiro
existência. porque Deus existe.

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