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Tecnologia de materiais Materiais plásticos Definições básicas Elasticidade Quando submetida a uma carga ou força, uma peça deforma-se e, quando é cessada a carga ou força que sobre ela atua, deve voltar a sua forma ou posição original. Plasticidade Quando submetida a uma carga ou força, uma peça deforma-se permanente e definitivamente, não ocorrendo o fenômeno do retorno como na elasticidade. Isso ocorre quando essa força aplicada é superior ao limite elástico do material. Combinação química orgânica É uma combinação entre carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e outros compostos, os quais também existem nos organismos vivos. Monômero É a menor unidade molecular do plástico, constitui sua partícula elementar. Polímero É a combinação de monômeros por um processo chamado polimerização, formando uma cadeia. Molécula É a combinação química de dois ou mais átomos. Pode ser separada (decomposta) em átomos através de processos químicos. Macromoléculas Consistem em milhares de moléculas formando grandes fios (macro = grande). SENAI 1 Tecnologia de materiais O que são plásticos? Plásticos são materiais orgânicos, obtidos através do craqueamento do petróleo, da hulha e do gás natural liquefeito, ao contrário de materiais naturais, como madeira e metal. Plásticos e suas matérias primas Materiais plásticos são tipos de um vasto grupo de materiais, construídos basicamente, ou em sua maior parte, da combinação entre o carbono e hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e outros compostos orgânicos e inorgânicos de origem direta ou indireta do petróleo. Os plásticos apresentam-se no estado sólido e líquido pastoso, quando são aplicados sobre eles temperatura e pressão. A matéria-prima utilizada para a fabricação dos plásticos pode ser largamente combinada, resultando novos polímeros que terão propriedades individuais. Alguns plásticos são semelhantes à borracha, enquanto que algumas borrachas, tratadas quimicamente, são consideradas plásticas. Outros plásticos são obtidos a partir de substâncias naturais, como é o caso da celulose e da caseína (proteína extraída do leite). Os materiais plásticos não são materiais vulgares, mas, sim, materiais nobres, capazes de substituir muitos outros materiais. O amplo uso dos plásticos, na era moderna, pode 2 SENAI Tecnologia de materiais ser atribuído, em grande parte, às combinações de propriedades e vantagens somente oferecidas por essa classe de substâncias. O plástico se transforma em qualquer tipo de produto, por ser moldável, versátil, leve, e barato quando comparado à madeira, ao alumínio, ao cobre e ao aço. Ele pode transformar-se em todo tipo de produto, assumindo as mais diversas formas, desde os mais comuns do dia-a-dia aos projetos mais sofisticados, como os plásticos resistentes à temperatura e altamente impermeáveis à corrosão (termofixos em geral), criados para resistir à temperatura das naves espaciais. Os plásticos podem ser transformados em fios, moldados ou laminados, usinados, flexíveis ou rígidos, transparentes ou opacos, incolores ou pigmentados (coloridos), pintados ou metalizados. Demanda no mercado A partir da Segunda Guerra Mundial (1939), aumentou a demanda de plásticos de todos os tipos. Além dos vários tipos de plásticos já existentes, plásticos completamente novos foram introduzidos no mercado. Os anos de guerra tiveram enorme influência no crescimento rápido das indústrias de plásticos já estabelecidas e deram impulso a muitas outras indústrias. O consumo de plástico no Brasil triplicou no período de 1964/70, passando de 84 mil para 252 mil toneladas, chegando a 865 mil toneladas em 1975. A produção mundial tem duplicado a cada cinco anos, sendo que três categorias representam cerca de 60% do consumo total: o cloreto de polivinila (PVC), o polietileno (em alta ou baixa densidade) e o poliestireno. O poliestireno e o PVC têm uso no mercado de embalagens (sacos plásticos, tampas, garrafas), no capeamento de fios e cabos, no revestimento de canais de irrigação, etc. O PVC e o poliestireno estenderam seu uso ao mercado de móveis (capas, forros, acolchoamentos, cadeiras pré-moldadas) e só o poliestireno, ao mercado de eletrodomésticos. SENAI 3 Tecnologia de materiais As fibras sintéticas, plásticos especiais, têm seu consumo voltado para a fabricação de peças de vestuário (tergal, nycron, dracon, orlon), usos domésticos (tapetes) e industriais (cordas e cordonéis para pneus). Também chamadas de elastômeros, as borrachas sintéticas atendem a 70% das necessidades mundiais, no Brasil, sua utilização chega a ser de 80% do total de borracha consumida. Isso por apresentar vantagens sobre a natural, como maior resistência à abrasão e ao calor, mais uniformidade no processamento, fluidez na moldagem e diversidade de tipos. O negro de fumo, por exemplo, é insubstituível na fabricação de certos tipos de borrachas, plásticos e tintas, sendo 90% de sua produção mundial aplicada à indústria de borracha, no setor de pneumáticos. Propriedades comuns de todos os plásticos Todos os plásticos consistem em macromoléculas que possuem como principal elemento químico o carbono (C); por isso, chamam-se também combinações orgânicas. De um modo geral os plásticos apresentam as seguintes vantagens:        Pouco peso (Y = 0,9 – 2,2g/cm3); Alta resistência à corrosão; Baixo coeficiente de atrito; Baixa condutividade térmica e elétrica; Boa aparência; Facilidade de trabalho; Boa resistência aos álcalis, às soluções salinas e ácidas. Entre as desvantagens podemos enumerar:     Baixa resistência ao calor; Baixa resistência mecânica ( = 15 – 100N/mm2); Pouca estabilidade dimensional – deformam-se facilmente com qualquer variação de temperatura; Alto coeficiente de dilatação (15 vezes maior que o do aço C); 4 SENAI Tecnologia de materiais  Não resistem aos ácidos concentrados, aos solventes orgânicos e aos hidrocarbonetos. A obtenção dos plásticos Os produtos básicos dos materiais plásticos são as resinas sintéticas, obtidas através de reações químicas. Polimerização São reações químicas que ocorrem entre moléculas iguais (monômeros) quimicamente não saturadas, que se unem (por rompimento das duas ligações) em longas cadeias, formando macromoléculas (polímeros). Polimerização Essas reações não alteram a composição química molecular, portanto, são reversíveis. Policondensação São reações químicas que ocorrem entre moléculas iguais ou diferentes (contendo grupos funcionais característicos) que, ao reagirem entre si, originam moléculas mais complexas, com eliminação de água, álcool ou outro composto simples. Essas reações alteram a composição química molecular, portanto, são irreversíveis. SENAI 5 Tecnologia de materiais Reação de policondensação (elimina água) Poliadição É uma reação que ocorre entre moléculas de iguais ou diferentes características funcionais, sem eliminação de nenhum outro elemento. Poliadição Um átomo da primeira molécula une-se à segunda molécula. Classificação dos plásticos 6 SENAI Tecnologia de materiais Termoplásticos São resinas que amolecem com o calor (superior a 800C) e endurecem com o frio. As macromoléculas formam fios (linhas) (figura seguintes) e são ligadas somente pelas forças de coesão e adesão, chamadas de forças de Van der Waals não existindo, portanto, na polimerização uma reação química. Durante o aquecimento essas forças diminuem e as macromoléculas tornam-se móveis. O plástico então amolece e pode ser transformado várias vezes. Os termoplásticos também podem ser soldados. Estruturas dos termoplásticos Nas tabelas Propriedades e aplicações dos termoplásticos mais comuns, Características físicas e de transformação dos termoplásticos mais comuns e Comportamento químico de alguns termoplásticos quando em contato com agentes agressivos, apresentamos as propriedades, aplicações e características físicas e químicas dos termoplásticos mais comuns. SENAI 7 Tecnologia de materiais Duroplásticos (termofixos) São resinas obtidas por policondensação ou poliadição e portanto é uma reação irreversível. As macromoléculas são ligadas quimicamente, através de cadeias laterais formando assim uma estrutura tridimensional difícil de romper (figura ao lado). Os duroplásticos não são transformáveis após a primeira formação. Também não podem ser soldados. Estrutura dos duroplásticos O material bruto pode ter a forma líquida ou sólida e é moldado por meio de pressão e calor que são necessários para ocorrer a reação de policondensação ou poliadição. Essas resinas, usualmente, são misturadas com farinha de soja, serragem ou pó de rocha, por motivos econômicos, e com fibras, tecidos, papel e celulose para melhorar as características mecânicas. As resinas termofixas mais usadas são:      Fenólica Uréica Melamínica Epóxi Poliéster Nas tabelas Propriedades e aplicações dos termofixos mais comuns e Características físicas e de transformação dos duroplásticos mais comuns apresentamos as propriedades, aplicações e características físicas desses duroplásticos. 8 SENAI Tecnologia de materiais Elásticos São plásticos cujas macromoléculas possuem poucas pontes de redes. Estrutura dos elásticos O elemento de formação das pontes é o enxofre, que também é responsável pelo fenômeno da recuperação elástica do material (vulcanização). Estão neste grupo a borracha natural, a borracha sintética e a borracha de silicone. Veja na tabela Propriedades e aplicações de elásticos mais comuns as propriedades e aplicações desses materiais. Silicone Os silicones diferenciam-se dos demais plásticos em razão da matéria-prima de que são constituídos. Enquanto todos os outros plásticos são constituídos de cadeias de átomos de carbono, os silicones são constituídos de cadeias de átomos de silício. Os silicones são menos ativos quimicamente do que os compostos de carbono e são mais resistentes ao calor. São usados como a borracha (veja a tabela Propriedades e aplicações de elásticos mais comuns, vernizes, graxas e óleos que devem resistir a alta temperatura. São encontrados em produtos tais como ceras para polimento, tinta, cosméticos, agentes antiespuma e fluidos dielétricos. SENAI 9 Tecnologia de materiais Propriedades e aplicações dos termoplásticos mais comuns Símbolo DIN Propriedades Aplicações Cloreto de polivinila – Nomes comerciais: Troriplas Vestolit Hostalit Geom. PVC Rígido PVC Flexível Muito elástico, não é indicado para embalagens de produtos alimentícios. Mangueiras, frisos, guarnições, revestimento de fios e cabos elétricos, botas, solas de sapato. Polietileno – Nomes comerciais: Hostalen Vestolen Polietileno-U Carbide PEHD (alta densidade) Elevada rigidez – boa dureza superficial, dielétrico, resistente à ebulição. Garrafas, recipientes e vasilhas para uso doméstico, revestimento de fios, conduítes, brinquedos. PELD (baixa densidade) Alta flexibilidade – boa resistência, baixa dureza superficial. Frascos flexíveis, saquinhos, embalagens, flores artificiais. Polipropileno – Nomes comerciais: Hostalen Vestolen P PP Elevada estabilidade de forma ao calor – resistente a choques – boa dureza superficial – esterilizável a 120 C – quebradiço a 0 C. Poliestireno – Nomes comerciais: Polystirol Vestyron OS Grande rigidez e exatidão de medidas, resistente a choques. Peças para eletricidade e telecomunicações, brinquedos, pratos, xícaras, garrafas, caixas para telefone, rádio e TV. Policarbonato – Nomes comerciais: Makrolon Lexan PC Transparente como vidro, alta resistência, estabilidade dimensional até 140 C, antitóxico, inalterável ao tempo. 0 0 0 Boa resistência, tenacidade e dureza, dielétrico. Tubos, placas, juntas, discos. Peças de automóveis, vasilhas, capacetes, brinquedos. Peças para computadores, interruptores automáticos, fotografias: filmes, câmaras, carretéis; copos para filtros, semáforos, faroletes traseiros para carros, capacetes, jarras para água, mamadeiras. Poliamida – Nomes comerciais: Ultramid Durethan Nylon PA Grande capacidade para suportar cargas dinâmicas – dureza e rigidez elevada – resistência aos choques – amortecedor de choques, ruídos e vibrações – resistente à abrasão e ao desgaste – boas propriedades de deslizamento. Carcaças de aparelhos elétricos, engrenagens, buchas, pás para ventiladores, rotores de bombas – parafusos e porcas – revestimento de cabos e fios, cordas, embalagens para produtos alimentícios. Acrilonitrilo-Butadieno-Estireno – Nomes comerciais: Novodur Lustran Vestodur ABS Duro resistente a choques – amortece vibrações acústicas – antitóxico – permite a produção de produtos repuxados a frio a partir de chapas. Utensílios domésticos: batedeiras, geladeiras; indústria automobilística, grades, indústria radiofônica e fotográfica: caixas para rádio e TV, filmes; caixas e teclados para máquina de escrever e de calcular, brinquedos. 10 SENAI Tecnologia de materiais Características físicas e de transformação dos termoplásticos mais comuns Contração Nome Abreviatura Densidade Resistência a g/cm 3 Temperatura de transformação 0 Temperatura máxima no serviço 0 de moldagem % 0,1 – 0,2 0,2 – 2,0 2,0 – 4,0 1,5 – 3,0 1,5 – 3,0 0,4 – 0,6 0,4 – 0,8 1,0 – 2,5 tração N/m 30...50 10...14 25 10 30...40 50...75 65 60...80 2 C C Cloreto de polivinila rígido Cloreto de polivinila flexível Polietileno alta densidade Polietileno baixa densidade Polipropileno Poliestireno Policarbonato Poliamida (nylon) AcrilonitriloButadieno Estireno PVC PVC PEHD PELD PP OS PC PA 1,45 1,20 0,96 0,92 0,91 1,05 1,20 1,15 175 – 200 175 – 200 185 – 220 150 –175 200 – 220 180 – 210 240 – 290 180 – 290 65 65 120 90 140 80 140 100 ABS 1,05 180 - 250 0,3 – 0,8 90 Comportamento químico de alguns termoplásticos quando em contato com agentes agressivos PVL concentrado ácidos fraco concentrado álcalis fraco álcoois óleos minerais graxas benzina esteres éter cetona hidrocarbonetos clorados benzol carburante PE PP I E I E C C I C C C I I I PS PC I E I E E E E I I I I PA ABS I E E E E I I E E E E E E I E E E E E E E I I I I I I E E C I C C C I I I E E E I I I I I I I E E E I I I I E – Estável I – Instável C – Condicionamento Estável SENAI 11 Tecnologia de materiais Propriedades e aplicações dos termofixos mais comuns Nome Comercial Propriedades Aplicações Resina fenólica fenol formaldeído (PF) Baquelita Reriform Eshalit Trolitan Isolante elétrico – resistência à pressão de 12 a 15kg/mm e resistência à tração de 2,5kg/mm . 2 2 Plugs, tomadas elétricas, rádios, TV, caixas para motores pequenos, aspiradores, baterias. Pertinax Repelit Trolitax Impregnada em papel São resistentes à umidade e se incham muito pouco quando em contato com graxa ou óleo. Corpos para bobinas, pranchas e peças de isolamento elétrico, tabuleiro de instrumentos. Ferroell Lenax Durcoton Novatext Resitex Celeron Resina uréica – Uréia formaldeído (UF) Beetle Plaskon Baquelite Impregnada em tecido São bastante resistente à flexão e têm boa tenacidade. Engrenagens, buchas, aletas de máquinas pneumáticas, martelos. É inodora e transparente. Permitindo colorir-se Aparelhos elétricos, peças para com cores claras, como o branco, etc. lâmpadas, coberturas, cola, pranchas isolantes contra o calor e o ruído. Resina melamínica – Melamina formaldeído (MF) Melmac Melurac Resina epóxi (EP) Araldite Epirole Epoxim Metallon Existem variedades desta resina – líquida e Isolação em interruptores, Características semelhantes à resina uréica – resiste bem a água, calor e ácidos orgânicos. As mesmas da resina uréica. sólida, transparentes, incolores e pastosas. Os condensadores, conectores e epóxis são inodoros e sódicos. No estado líquido são venenosos, os vapores irritam a pele, mas endurecidos tornam-se atóxicos. Resistem aos ácidos e a lixívia. aparelhos elétricos em geral, adesivos para metais, verniz ao fogo. Misturada com quartzo, talco, grafite, obtemos resina para fabricação de moldes de fundição, etc. Resina do poliéster – Poliéster insaturado (UP) Thermaflow Mylar Kriston É incolor e transparente, mas pode-se obter qualquer cor por meio de corantes. Endurece sob pressão. Peças de rádio e TV, vidraças de avião, carrocerias de carro. 12 SENAI Tecnologia de materiais Características físicas e de transformação dos duroplásticos mais comuns Temperatura de Densidade Nome Abreviatura g/cm Fenol – Formaldeído (baquelita) Uréia – Formaldeído (uréia) Melamina Formaldeído (melamina) Poliéster (com fibra de vidro) Epóxi E.P 1,2 150 1,6 – 2,1 120 – 180 120 M.F 1,40 – 1,55 135 – 188 100 U.F 1,45 – 1,55 135 – 188 135 F.F 3 Temperatura máxima no serviço 0 transformação 0 C C 1,25 – 1,37 149 – 177 160 Propriedades e aplicações de elásticos mais comuns Nome Propriedades Aplicações Pneus, guarnições, mangueiras. Borracha natural Proveniente da seiva da seringueira (látex), ela é aquecida com enxofre (vulcanização) para tornar-se mais consistente mantendo a elasticidade. Não resiste bem a muitos óleos e solventes. Butadieno estireno (SBR) Propriedades semelhantes da borracha natural. Facilidade de produção. Um pouco inferior à borracha natural em resistência à tração e resistência ao desgaste. Polímeros de clorobutadieno (cloropreno) (neopreno) Borracha de silicone Suporta temperaturas de trabalho até 150 C. Permanece elástica até –70 C. Alta resistência a óleos e produtos químicos. O vapor reaquecido destrói a borracha de silicone. 0 0 Comumente combinada com a borracha natural e usada nos mesmos produtos. Mangueiras e guarnições para óleo, particularmente para temperaturas altas. Pneus para serviço pesado. Mangueiras, guarnições, isolantes para fios, etc., que devem resistir a temperaturas extremas. - Alta resistência ao calor, luz, óleos e a produtos químicos, boa resistência elétrica. Não é processado como a borracha natural. SENAI 13 Tecnologia de materiais Materiais obtidos quimicamente de produtos naturais Celulose sintética Fibra vulcanizada, celulóide, celona e celofane. Fibra vulcanizada Massa específica 1,1 a 1,4kg/dm3. De cor natural cinzenta, adquirindo comumente as cores marrom, roxa ou preta. Emprego: guarnições, cabos para ferramentas, sapatas para freios. Celulóide Massa específica 1,38kg/dm3 (inflamável). Emprego: placas de proteção, filmes, armação de óculos. Celona Massa específica 1,4kg/dm3 (não facilmente inflamável mas pega fogo). É incolor e transparente mas com o tempo fica amarelada. Emprego: pára-brisas, resinas, armação de óculos, capa intermediária para vidros de proteção. Celofane Papel transparente impermeável. Chifre sintético Massa específica 1,3kg/dm3. Esse material é fabricado de caseína (leite desnatado). Pode ser tingido em todas as cores, é insípido e inodoro. Quando se queima, cheira a leite queimado. É fácil de ser usinado e se deixa polir, a 700C é fácil de dobrar ou estampar. Emprego: substitui o chifre e o marfim na fabricação de regüetas, réguas de cálculo, cabos para facas e pentes. 14 SENAI Tecnologia de materiais É conhecido no mercado como Galalit, Berolit, Esbirith. Usinagem de plásticos Devido à baixa condutividade térmica dos plásticos, o calor gerado pelo atrito entre a ferramenta e a peça durante a usinagem não se dispersa, provocando, então, uma combustão nos duroplásticos. Já os termoplásticos amolecem e ficam pastosos, o que dificulta o corte. Portanto, durante a usinagem é muito importante que se faça um bom resfriamento com ar comprimido. Os duroplásticos produzem cavacos curtos e quebradiços, já os termoplásticos produzem cavacos longos e contínuos. As ferramentas a serem utilizadas: Metal duro – tipo K10 ou Aço rápido Deve-se normalmente utilizar alta velocidade de corte e pouco avanço. Características das ferramentas para usinagem de plásticos Material Duroplásticos com material de enchimento orgânico Duroplásticos com material de enchimento inorgânico PVC Ferramenta Processo MD Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Ângulo de Ângulo de folga saída 0 0 ( ) ( ) 8 12 – 25 6–8 6 – 10 10 – 15 3 10 – 20 20 – 25 5–8 0 – 12 6–8 0–6 10 – 15 3 15 8 – 10 30 – 40 25 – 30 8 – 10 8 – 15 30 – 40 25 – 30 5 – 10 3–8 30 – 40 25 - 30 SENAI Avanço mm/rot 0,1 – 0,3 0,1 manual 0,1 – 0,3 0,1 – 0,3 0,1 manual 0,1 – 0,2 0,1 – 0,5 0,1 – 0,5 0,3 0,1 – 0,3 0,1 – 0,3 manual 0,1 0,2 – 0,4 0,1 – 0,4 manual 0,2 – 0,5 MD Velocidade de corte m/min 200 – 250 60 – 80 2500 – 3000 200 – 500 até 40 20 – 40 até 1000 200 – 500 150 3000 até 1000 200 – 500 até 100 até 2000 até 1000 500 – 600 20 – 50 até 2000 até 1000 Aço Ráp. Poliamida (Nylon) Aço Ráp. Acrílico Aço Ráp. 0 3–5 0–8 0 – 25 40 – 50 3–5 5–8 25 0–5 3–5 0–8 0 – 25 15 Tecnologia de materiais Processos de transformação Injeção Na moldagem de materiais termoplásticos aquece-se o material até um estado de fluidez e, em seguida, por meio de pressão, é lhe dada a forma de um molde. Molde para plástico Finalmente, esfria-se a peça antes de extraí-la do molde. Processo de moldagem por injeção Na moldagem por injeção, a máquina injetora é alimentada com material granulado ou em pó. Se necessário deve ser preaquecido em um cilindro adequado, onde o material se plastifica o suficiente para que possa ser injetado sob pressão em um molde frio e fechado, desse molde pode-se extrair a peça moldada após o seu resfriamento. Máquina de moldagem por injeção 16 SENAI Tecnologia de materiais Extrusão A extrusão é um processo extremamente versátil e entre os artigos fabricados por esse processo incluem-se tubos, mangueiras, filmes, folhas, chapas, cabos elétricos, etc. Extrusão de filmes Revestimento por extrusão A seqüência básica de processamento de um termoplástico em máquinas de extrusão é a que segue: a) Fluidificação de matéria-prima, em geral em forma granular. b) Vazão controlada do produto fluidificado através de uma matriz que o molda na forma desejada. c) Solidificação do produto. d) Enrolamento ou corte final. SENAI 17 Tecnologia de materiais As fases a e b são realizadas realmente na máquina de extrusão, enquanto que as fases c e d podem ser chamadas de acabamento e se realizam em equipamentos auxiliares. A máquina de extrusão em si é constituída de um parafuso de Arquimedes, que gira dentro de um cilindro aquecido, em relação ao qual mantém uma folga muito pequena. Termoformação Na termoformação, uma chapa de plástico amolecida pelo calor recebe uma determinada forma, seja dentro de um molde, seja ao seu redor. A termoformação pode ser dividida em três tipos principais: Formação a vácuo Em sua formação mais simples, o método consiste em fixar a folha num quadro ligado à caixa de molde. 18 SENAI Tecnologia de materiais A chapa é aquecida até ficar com a consistência de borracha e, por meio de vácuo, é estirada por sobre o molde. A pressão atmosférica, que existe acima da folha, força-a contra o molde enquanto é resfriada suficientemente para poder manter a sua forma definitiva. Formação a vácuo (esquema) Formação sob pressão ou por pressão É o mesmo caso anterior, com a diferença que se aplica à folha aquecida uma pressão positiva de maior ou menor intensidade. Sopro 3 Aplicado na produção de garrafas. Introduz-se um tubo pré-formado em estado plástico na matriz e injeta-se ar (sopra-se). A figura ao lado mostra a seqüência de formação da peça. Sopro (esquema) SENAI 19 Tecnologia de materiais Calandragem É o processo pelo qual se fabrica uma chapa contínua passando o material amolecido pelo calor entre dois ou mais cilindros. As calandras foram originalmente projetadas para o processamento de borracha, porém, atualmente são utilizadas também para a produção de lâmina dos termoplásticos, especialmente de PVC flexível e para a preparação de revestimentos sobre papel, tecidos, etc. Calandragem (esquema) Moldagem por compressão Usa-se principalmente na fabricação de produtos, basicamente de plásticos termofixos, embora possa ser também facilmente aplicada aos trabalhos com termoplásticos. 20 SENAI Tecnologia de materiais Moldagem por transferência É um processo em peças que possuem muitos detalhes. O processo consiste no carregamento de uma certa quantidade de pó de moldagem em uma câmara aquecida, fora do molde, onde atinge um estado suficientemente plástico que permite sua passagem (sob pressão) através de uma abertura adequada, para dentro de um molde, fechado desde o início. SENAI 21