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Universidade Federal de São Paulo – Campus Diadema

Unidade Curricular: Química Orgânica Experimental I

Experimento 8: Preparação do Cloreto de tercButila

Felipe Vieira Zauith Assad Jéssica Soares da Silva Rafael Jun Tomita

com nucleófilos fracos por meio de mecanismo SN1. Introdução O método mais geral de preparação de haletos de alquila é a partir de alcoóis. Resumo A síntese do cloreto de terc-butila. o produto da síntese não pode ser obtido. devido a um erro na identificação do álcool. originando os haletos de alquila. Alcoóis terciários reagem. através de uma destilação simples do álcool utilizado constatou-se que o mesmo não era terciário e tratava-se do n-butanol (P. nos casos em que o carbono que sofre a substituição é um centro estereogênico. considera-se que a etapa determinante da velocidade da reação é a etapa mais lenta da reação. que é um ótimo grupo de partida. Como a reação também envolve a formação de um carbocátion. Primeiramente ocorre a saída do grupo de partida. produzindo o haleto de alquila. [2] Figura 1. HBr ou HI. 112°C a 710mmHg). em meio ácido. o ácido protona o álcool para que o haleto possa deslocar uma molécula de água. 24 de Outubro de 2011. numa reação de substituição. como subproduto destas reações está o produto de Eliminação Unimolecular. a partir de ácido clorídrico e um álcool terciário. Como a reação acontece em etapas. Esquema de reação Sn1. A forma mais simples de se converter alcoóis é reagindo com HCl. Porém. a cinética da reação é de primeira ordem.Diadema.E. . [2] Neste tipo de reação. Sendo assim. onde não há formação de carbocátions. observa-se completa racemização do produto. Nessa reação. dessa forma. sendo o grupo hidroxila o grupo de partida após ser protonado e gerar água. A reação de Substituição Nucleofílica Unimolecular (SN1) são reações orgânicas que seguem uma cinética de primeira ordem e não são estereoespecíficas. Já os alcoóis primários e o metanol são convertidos em haletos de alquila através de reações catalisadas por ácido que ocorrem em uma única etapa em um mecanismo de SN2. Depois o nucleófilo ataca o carbocátion formado na primeira etapa fornecendo o produto de substituição nucleofílica. pois a velocidade da reação depende apenas da concentração do substrato. e.[1] No mecanismo SN1 a reação acontece em duas etapas. com a formação de um carbocátion. onde há a formação do alceno respectivo à desidratação do álcool. foi descrita por informações adquiridas na literatura uma vez que o procedimento experimental foi interrompido.

dessa forma.Resultados e Discussões Ao adicionar o terc-butanol no ácido clorídrico produz-se uma reação de S N1 com o álcool protonado agindo como o substrato. Os íons haleto são bons nucleófilos (mais fortes que a água) e. Na terceira etapa (c). onde este último recebe um próton e. nem todos os carbocátions reagem com os nucleófilo e muito freqüentemente faz com que a reação seja acompanhada pela formação de um alceno. pois como a quantidade de água no HCl é relativamente alta e a própria reação já produz água. dessa forma. os carbocátions estabilizam-se recebendo o par de elétrons de um íon haleto. As duas reações. mesmo após a extração da fase aquosa. Ambos são nucleófilos ruins e normalmente estão presentes em baixas concentrações. onde o carbocátion perde um próton em uma reação de E1 para formar um alceno. então. geralmente realiza-se a reação em meio de ácido sulfúrico concentrado e.[4] As primeiras duas etapas do mecanismo dessa reação (a e b) são as mesmas de um mecanismo para desidratação de um álcool. temos a reação do carbocátion com o nucleófilo (íons cloretos) em uma reação SN1 para a formação do haleto de alquila (cloreto de t-butila). A última etapa difere do mecanismo de desidratação. como estão em alta concentração. Ainda por causa desta última etapa.[3] Por esse motivo. Figura – 2: Mecanismo da reação de SN1 para a formação do cloreto de t-butila. As energias livres de ativação para essas duas reações de carbocátions não são muito diferentes. para a obtenção do cloreto de terc-butila puro. resultado líquido de uma reação E1. os únicos nucleófilos presentes na mistura de reação são a água e nos íons hidrogeno sulfato (HSO4-). Sob essas condições. representam um exemplo da competição entre a substituição nucleofílica e a eliminação. o grupo hidroxila protonado sai como um grupo de partida para formar um carbocátion e água. cujo mecanismo pode ser acompanhado pela figura 2. o carbocátion altamente reativo estabiliza-se por si só perdendo um próton e transformando-se em um alceno. adiciona-se um secante (CaCl2 anidro) ao meio reacional. pois geram um intermediário comum (o carbocátion). se faz necessário a destilação do produto final. Isso ocorre porque na desidratação. Durante a realização do experimento. o secante ajuda no deslocamento do equilíbrio no sentido dos produtos. a síntese foi interrompida pois mesmo após 20 minutos de reação não foi observada a formação de duas fases (orgânica e . desidratação e formação de um haleto de alquila.

Isso porque como este se trata de um álcool primário e o haleto utilizado é um nucleófilo fraco. Química Orgânica: estrutura e função 4. Preparação do Cloreto de t-butila Universidade Federal de Minas Gerais.1. O questionamento sobre o erro ocorrido nos levou a duvidar da natureza do álcool e para sanar a dúvida fez-se uma destilação simples do álcool puro utilizado.aquosa) que indicaria a ocorrência efetiva da reação de formação do haleto de alquila. L. foi possível entender o motivo que impediu a realização da síntese.. Gonçalves. Química orgânica. Além disso.D. um grupo refez o experimento utilizado um tercbutanol de outro fabricante e obtiveram sucesso. ZnCl2). R. pag: 260.. abril de 2009. Schore. A diferença entre os valores é explicada pelo fato de que o experimento foi realizado em Diadema. T.ed – Porto Alegre: Bookman.ed. Dessa forma. [3] Solomons. K. pág 233. slides 10-16. onde a pressão atmosférica é aproximadamente 710mmHg. . Assumindo que o álcool utilizado fosse o n-butanol podemos dizer que a reação de substituição nucleofílica (SN2) também não ocorreu. pois no rótulo do frasco de álcool utilizado constava a existência de um produto que não correspondia com o seu conteúdo. Graham.C. W. [2] Aula 10. 478-481. [Organic chemistry].e.. pois a temperatura de estabilização do procedimento a qual indica a temperatura de ebulição do destilado foi de 112°C que está muito próximo do valor de ponto de ebulição encontrado na literatura para o n-butanol (aproximadamente 118°C à 760mmHg). 8. valor este bem próximo ao valor encontrado na literatura (82°C).. Souza. Neste último caso. uma vez que o produto da reação foi facilmente isolado e a temperatura de estabilização na destilação deste foi de 78°C. e isso fornece para a reação um melhor grupo de partida que a água. A destilação constatou que a dúvida sobre o álcool era válida. Conclusão A realização do experimento possibilitou a compreensão sobre a necessidade da confiabilidade no fornecedor dos reagentes para a prática de sínteses em geral.R. Tradução de: Robson Mendes Matos.. Rio de Janeiro: LTC. pois com a mudança o cloreto de terc-butila pôde ser obtido sem grandes problemas. Peter C. Introdução a Química Orgânica. Referências [1] Volhardt.[3] Para efeito de comparação. [4] Pinto. a reação de SN2 só aconteceria em meio fortemente ácido (como feito no experimento 7) ou com a adição de um ácido de Lewis (p. a realização de um experimento utilizando um reagente de outro fabricante provou mais uma vez que o produto da síntese não foi obtido devido ao erro na natureza do álcool. o cloreto de zinco forma um complexo com o álcool através da associação com um par de elétrons nãocompartilhado do oxigênio com o zinco. 2004. 2005. v.. Neil E. pois uma vez que o reagente presente não era um álcool terciário o produto da síntese discutido anteriormente não poderia ser formado. 261. BH.

Acessado em 22/10/2011.com.unesp.html.html#A 22/10/2011.[5] http://www.br/prevencao/produtos/msds.br/fispq. [6]http://www.labsynth.ibilce.qca. Acessado em .

Massa Molar (g/mol) 74. Efeitos crônicos: visão escurecida. sensibilidade à luz. pele e trato respiratório. sonolência. vertigem. Outros efeitos agudos: dor de cabeça. Depois do contato com os olhos: pode provocar cegueira. Após a ingestão: queimadura da boca.89 -114.12 36.81 1. perda de audição.19 Nome do Reagente Toxicidade Irritante para olhos.Anexo • Dados físico-químicos e toxicológicos dos compostos envolvidos neste experimento [5]. Depois do contato com a pele: queimaduras ou forte irritação local.46 PE a 1atm (oC) 118 -85. esôfago e trato gastrointestinal Periculosidade [6] Butanol Ácido Clorídrico Cor = Corrosivo .8 Cor e Estado (CNTP) Liquido límpido incolor Líquido incolor Densidade (g/mL) 0. vertigem com exposição de ruído. Após a inalação dos fumos: irritação ou queimadura das mucosas.03 Solubilidade a 20°C em água 90g/L 720g/L Nome do Reagente Butanol Ácido Clorídrico PF (oC) .