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R I C A R D O

M O R E I R A

D E

M E S Q U I T A

MERCADO
DO MANÉ AO TURISTA

Edição do Autor

Copyright  2002 by Ricardo Moreira de Mesquita Todos os direitos desta edição reservados ao autor Impresso no Brasil/Printed in Brazil

CIP-Brasil - Catalogação na fonte
M578m Mesquita, Ricardo Moreira de Mercado: do Mané ao Turista/Ricardo Moreira de Mesquita. - 1a ed. - Florianópolis: Ed. do Autor, 2002 192p.: il.; 22cm ISBN 85-00-00000-0 1. Mercado Público I. Título CDU 981.64

Capa: Ricardo Moreira de Mesquita sobre desenho em crayon de Leandro Barrios Revisão Ortográfica: Verlaine Silveira Programação Visual e Diagramação: Ricardo Moreira de Mesquita Digitalização e Tratamento de Imagens: André Kajarana e Estúdio 4 Ficha Catalográfica: Gisele Alves Composto em Century Schoolbook, Arial, Encino e MarkingPen Software utilizado: PageMaker e Adobe PhotoShop Fotolitos:

....................Sumário Vendendo o peixe A pesquisa Duas palavras com o leitor ..........9 A história da construção da Praça do Mercado ...........................................................................................................................135 Balaio de Fotos Balaio de Siri Memória visual dos mercados públicos ....................................163 Balaio de Figurinhas Balaio na Cabeça Personagens que fizeram a história dos mercados e da Ilha ............................................5 De porta em porta ............................... entrevistas e imagens .......15 Os mercados públicos............145 Histórias do Mercado ............................................185 .......7 Balaio do Mané Balaio Velho Balaio Novo Crônica livre sobre a inauguração da Praça do Mercado ................175 Fontes consultadas........ suas construções e suas histórias ...........................53 Balaio do João Passeando e recordando o Mercado.................................................

.A Verlaine Silveira. companheira e cúmplice.

chegaram a funcionar cinco ao mesmo tempo. Vendendo o peixe Nossa capacidade de contaminar o presente. Florianópolis. de relatos desencontrados. e ampliada em 1931. sem considerar o polêmico Galpão do Peixe. . E o Mercado Público Municipal sempre exerceu um grande fascínio sobre a população. em 1899. a construção do Mercado da Coloninha. Cansado de dúvidas. que não saíram da fase de projeto. emaranhadas. Por um período. Para surpresa minha. demolida e substituída pela primeira ala do Mercado Público da rua Conselheiro Mafra. já presenciou a construção de sete mercados públicos e pouco se sabe dos outros três. Assim. o passado e o futuro é incomparavelmente maior do que a nossa fraca imaginação moral. de histórias e afirmações diferentes sobre o mesmo tema. o da Trindade e o de Capoeiras. construídos nos anos 50. assuntos espalhados e a busca revelou a Praça do Mercado. Cercado de mistérios. Balaio virado. Surgiram os mercados da avenida Mauro Ramos e do Estreito. na região próxima ao Beiramar Shopping. era um balaio cheio de novidades. construída em 1851. conhecido como Ceasinha. resolvi ir atrás da verdade. Um mercado projetado na Praia de Fora. do século 19. inaugurados no fim da década de 60. entre tantos casos raros. aprovado por lei e que acabou no esquecimento. junto com o mercado de São Luís. e por último o mercado do Saco dos Limões. Carlo Ginzburg. que precisavam ser ordenadas. historiador italiano. Mais recente. três outros apareceram.

 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Mas o enfoque deste livro é centrado na construção da Praça do Mercado pelo fato de ter sido o primeiro. mané ou turista. concluído em 1891. Ao leitor. um relato histórico entrelaçado por fatos e personagens da evolução da cidade de Florianópolis. Entremeia. dominado por supermercados e compras via Internet. os fatos da construção do Galpão do Peixe. Sempre cercado de mistérios e histórias. ainda. e no Mercado Público da rua Conselheiro Mafra por sua tradição de mais de 100 anos. apenas o nosso Mercado Público resiste ao progresso do abastecimento no terceiro milênio. .

Na Biblioteca Pública Estadual. Foram encontrados relatórios de governadores. Sempre tomando cuidado com a parcialidade. nos mostra particulares que não podemos encontrar nas páginas de jornais ou coletâneas de leis. no Arquivo do Estado. apresentados nas assembléias legislativas. documentos oficiais. um pouco ali. Pena que algumas pessoas não se preocupam com a própria história. a notícia era elogiosa. deixando de transmitir essa memória. Houve muitos desencontros nas entrevistas. foi lido. Inclusive documentos originais com mais de 160 anos. mais de uma publicação foi analisada. Sempre que possível. um pouco em cada lugar. Se a inauguração era do governante alinhado com o jornal. não falam de suas origens ou de seu trabalho. trabalhando e ao mesmo tempo contando suas histórias no balcão. Um pouco aqui. vivida por elas. no diário adversário não se publicava uma linha sequer. muitas vezes quase uma propaganda. A história falada. A pesquisa Parece incrível. Foi quase um trabalho de garimpagem. além de muitos volumes de encadernações desses periódicos foram vistos. O incêndio ocorrido no . mas foram mais de oito meses de pesquisa dentro da Ilha. Pessoas ocupadas. Diversas informações estão desaparecidas. Rolos e mais rolos de microfilmes de jornais antigos. mas tudo que foi possível ler. relatos. Biblioteca e Arquivo Municipal. no Centro da Memória da Assembléia Legislativa. A imprensa antiga era partidária. Enquanto isso. Textos. leis e periódicos espalhados por vários arquivos dificultavam uma busca minuciosa. Todas importantes.



MERCADO DO MANÉ AO TURISTA

prédio da Assembléia Legislativa, em 1956, a enchente que atingiu a Biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1995, são desculpas alegadas. Por detrás das cortinas também se culpa o desleixo de alguns governantes do passado, que não tinham preocupação em preservar a memória da cidade e do Estado. Arquivos não são simples guarda-livros. Sempre carentes de verbas e de espaço, acabam relegados ao esquecimento, às traças e aos cupins. Seria bom se os governantes nos deixassem como legado, além de obras e projetos, as páginas da memória catarinense em melhores condições que as atuais. A grande maioria do material pesquisado se encontrava escrito em letras cursivas, manuscritos traçados de maneira rápida e corrente. Atas de reuniões na Câmara, relatórios, ofícios, discursos e contratos lidos foram produzidos dessa forma, tornando muitas vezes a leitura difícil e a interpretação trabalhosa. Conforme os preceitos da paleografia, ciência que estuda as escritas antigas, usamos os colchetes, quando a palavra lida passa a ser uma interpretação, pela dificuldade em decifrar, ou no caso de interferência pessoal do tradutor. Um ponto de controvérsia entre autores é o índice populacional da cidade. Neste livro foram transcritos os dados constantes nos discursos dos presidentes da Província até 1890. A partir dessa data, os números foram retirados dos estudos estatísticos e censos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O leitor encontrará, além dos casos descritos, a opção do autor em escrever por extenso os numerários que se encontram em réis, moeda antiga e fora de uso, de trabalhosa leitura.

BALAIO DO MANÉ
Mané que é Mané não perde a chance de um ói, ói, ó. Também não perdi. Juntei os textos que possuía aos que tinha lido e recriei numa crônica a inauguração da Praça do Mercado. E ainda tirei do fundo do balaio algumas expressões que havia esquecido.

Não teria sido melhor gastar pra arrumar este lugar? Construir uma carioca e canalizar aquele barreiro bem no meio do largo? Plantar mais árvores. não respeita a Deus. no Dia de Reis. táis. tratar os animáli. Depois voltar pra inauguração da Praça do Mercado. minha mulher. vissi? A missa acaba e meu tormento começa. além destas pouquinhas? Bom. no meio do terço e o padre Joaquim a falar no sermão. vamos simbora Manueli. não? – Maroca. – E tu vais sair hoje di noite no Terno de Reis. não sou o presidente. e fui pro quintali. ó. E fiquei a pensar: por que hoje a inauguração. ói. . estava um abafamento insuportável. Atragi de um pé de vergamota a aripuca continuava armada. não vais? Tomei um cafézinho do buião. Fiz o trato dos bichos e fui 1 As palavras do linguajar do manezinho estão traduzidas na página 14. uma segunda-feira? Estiquei a vista pro campo aberto que chamam de Largo do Palácio. – Ói. Fui até a porta principal. esse menino! Deixou o padre falando sozinho. preciso carpir a roça. que estava em cima do fogão a lenha. A gente véve pra trabalhar. li algumas alvíssaras pregadas na porta da igreja e debrucei os bagos dos óio pros lados da praia. vissi essa menina? – Táis tolo. Deixei dona Maroca. almoçar e fazer a sesta. agora escondida pelo prédio do Mercado.BALAIO DO MANÉ 12 Nem ti conto! Não suportei o calori1 na Catedral apinhada de fiéis.

Não dei importância e dicroca segui a saborear. rendeiras com seus bilros fazendo tramóia e algumas escravas libertas com seus doces de tabuleiro nas cabeças enfeitavam a cena. Começou a inauguração! Ajeitei o chapéli. cavalos com estribos ariados. conversei do aluguéli com um vereador. lá pelas cinco. olham por tudo. Ah! Políticos! O istepôri de um garoto quase me dirruba perseguindo uma bucica pitoca. João José Coutinho. Carros de bois. A rampa das canoas. Maroca barre a casa e o alguidar com pirão tá pronto na mesa. o saltimbanco fazia cambotas. Parece uma atolesmada quando vê padre Joaquim. esqueceu seu terço. Alguns mascates com seus artigos espalhados em esteiras de taboca sobre o chão. Ainda ouvi na saída o grito de Maroca: – Espera aí. Osnildo veio no meu rumo a fazer elogios à obra. O vento suli chega de mansinho e chamo Maroca. bisbilhotam. E mais uns peixinhos. O sóli ainda não se escondeu. sobe na aranha! A Praça apovoada de gente. homem de sabença.. – Manueli! – gritou Maroca – essa fruta vai te dar um quemori. querendo alugar uma das 12 casinhas do Mercado. uma galega.13 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA dereto pra almoçar. quituteira de mão cheia. O sino da cadeia anuncia 7 horas da noite. Carolas! O presidente da Província. Não podia perder. metem os bedelhos. Clemente Antônio Gonçalves. Dei uma volta na calçada a precurar por Maroca. . carroças enfeitadas. Podia correr mais divagari. fala. milho e farinha de mandioca – afirmou. uma buniteza. O pessoal se apinha. entram por uma porta e saem por outra. – Quero vender feijão. Interessado que está em participar da hasta. mas falou que não sabe.. Me aprecatei e comprei um talho de melancia. ainda não fizeram. que encontrei a prosear com Zenilda. ouvi a banda do Quartel do Campo do Manejo a executar uma retreta. – Dijaoje. vesti o palitóli e fui pra Praça. o presidente da Câmara. mas o mari começa a ficar encapelado. com sempre avoada. Ladino. a escada da praia também não. afirma não existir no Império obra de tal vulto e o padre benze. Maroca. À tarde. Em frente a uma barraca na praça. Coisas do verão. esse menino! – Se aprecata mulher. As portas são abertas. – Quanto vai custar o aluguéli? – perguntei.

a bordo de duas galeras. cheios de histórias. a Cadeia Pública no pavimento térreo da Câmara Municipal. A Catedral ainda não tinha a escadaria. São esclarecidas na seqüência. Ficaram instalados inicialmente no interior da Ilha. assimilados de forma melodiosa. vamos embora. os nativos de Florianópolis. A colonização alemã introduziu novos vocábulos. Dedicados à pesca artesanal. Os primeiros 461 imigrantes açorianos haviam chegado à Ilha de Santa Catarina cem anos antes. Lama e mosquitos proliferavam. a chegada dos negros que pronunciavam de forma aberta as vogais deu origem à sonoridade do linguajar ilhéu. O Largo do Palácio não passava de uma área livre. próximo ao local onde se encontra hoje a figueira centenária. espalhados pelo chão. vai chover. suas rendas de bilro. deveria ter sido. Os portugueses que vieram dos Açores já falavam cantando. tampouco as naves laterais. eram mais que motivos para justificar uma grande festividade. A Matriz. lendas e bruxas. Mais tarde. até mesmo nas canoas. . principalmente na Lagoa da Conceição. O alagadiço no centro. A moderna construção do Mercado contrastava com outros edifícios públicos por sua imponência. baseado em relatos e desenhos da época. o palácio do presidente da Província. essa menina. sem grama e com apenas 12 pequenas árvores.BALAIO DO MANÉ 14 – Maroca. em 6 de janeiro de 1748. povoaram a Ilha com seus costumes. o prédio do depósito bélico do quartel estavam construídos. você acompanha nas próximas páginas a evolução dos mercados públicos nesta Ilha formosa. em janeiro de 1851. é uma ficção. principalmente pelo florianopolitano. não foi exatamente como a festa descrita. De balaio em balaio. As expressões e vocábulos desconhecidos no texto fazem parte do linguajar dos manezinhos. – Só mais um cadinho! O texto. era um tormento quando chovia. As lutas pela construção e o fim da compra de alimentos em lugares imundos. o vento está de rebojo. Se a inauguração do primeiro Mercado Público. sob o sol e a chuva. onde já moravam alguns compatriotas.

Divagari: devagar. Carioca: fonte. Rebojo: ventania. pregão público. Manueli: Manoel. com bico. . Táis tolo. bica. se ajeitar. Sabença: inteligência. Tramóia: um tipo de renda de bilro. Istepôri: pessoa chata. Sóli: sol. Aranha: charrete com duas rodas de pneu. algumas expressões do falar do ilhéu: Abafamento: falta de ar. Dirrubar: derrubar. Encapelado: mar agitado com ondas pequenas. Simbora: o mesmo que vamos embora. agonia. alagadiço. Aluguéli: o mesmo que aluguel. Cambota: pirueta no ar. abobado. Quintali: quintal. grande poça. Barrer: o mesmo que varrer. Avoado: pessoa desligada. em frente. Chapéli: chapéu. Aripuca: armadilha piramidal feita de bambu para aprisionar aves. Vergamota: bergamota. cambalhota. Precurar: procurar. Taboca: tipo de bambu. Dijaoje: de hoje. Alguidar: bacia de barro de uso doméstico. Bucica: cadela vira-lata. quente. táis: o mesmo que estás tolo?. Galego: pessoa loura. Animáli: animal. Vissi?: viste?. Suli: sul. Cadinho: um pouquinho. abafado. Buniteza: bonito. Ariado: o que está brilhando. puxada por um cavalo. agora. Atragi: atrás. Véve: vive. Óio: o mesmo que olho. vento que roda. Mari: mar. Quemori: azia. Ói.15 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Para entender o texto. sabedoria. Buião: jarra de barro. ói. Alvíssaras: notícias. usada para servir café. Atolesmado: abobalhado. ficando só um toco. Apovoado: local com muita gente. viu?. Calori: calor. que incomoda. ainda há pouco. Pitoco: animal que teve o rabo cortado. belo. queimor no estômago. ficou bobo?. Palitóli: paletó. tangerina. aviso de boas novas. Barreiro: fosso onde se acumula a água da chuva. Talho: corte. Hasta: leilão. ó: expressão de admiração. Aprecatar: ficar atento. Dicroca: de cócoras. polido com palha de aço. apertado. Dereto: direto.

BALAIO VELHO Aquele que. Mas em seu interior amassado. muito de nosso passado ali se esconde. guarda em seu interior nossa memória. deformado de tantos esforços. Fatos que não temos coragem de revolver. esquecido num canto da casa. .

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e a instituição do Reino Unido de Portugal. ferreiros e marceneiros dão importância logística à cidade. manufaturas de linho e algodão. ou mesmo vendendo seus produtos nas canoas. em 1808.BALAIO VELHO 1 Mascates. A abertura dos portos. Favorecidos pelo fácil desembarque no porto existente e a proximidade com a população. em direção ao Pacífico. do Jardim Botânico e a permissão para instalação de fábricas e manufaturas fortalecem a necessidade de novos rumos também nas províncias. fugindo do exército de Napoleão Bonaparte. os feirantes atendem não só aos habitantes. a fundação do Banco do Brasil. 2 um canal interligando os oceanos Atlântico e Pacífico. região que forma . Acidente geográfico localizado no extremo sul da América do Sul. O acesso a livros. a existência de alfaiates. jornais e revistas estrangeiros e a vinda de artistas europeus estimulam o intercâmbio de novas idéias e novos hábitos. como também aos viajantes. segundo relatos dos navegadores. A comodidade na movimentação de mercadorias. oleiros. e do Brasil e Algarves aproximam a colônia da Europa. pescadores e colonos se aglomeram desde os meados de 1700 na região em frente à Catedral. latoeiros. A chegada da corte portuguesa ao Brasil. criam na praia defronte à praça o ponto ideal para o comércio. sapateiros. Protegida pelas baías Norte e Sul. Último porto de abastecimento das esquadras que cruzam o Estreito de Magalhães2. facilitada por um guindaste. a Cidade do Desterro torna-se parada estratégica para os navios que se dirigem mais ao sul. em abundância e a preços módicos. Há produtos de boa qualidade. Em barracas.

dado em função da capela erguida em homenagem à santa. O arraial de Santa Ana do Cubatão. tornando famosas as águas da Capitania de Santa Catarina4. são construídos a cobertura dos tanques para banhos. Antero José Ferreira de Brito ainda nomeia o tenente-coronel Leandro da Costa como administrador das obras da fábrica. uma casa com quatro quartos. a água mineral do Cubatão abastece a família real. o que prevaleceu entre 1822 e 1889. Proposta aceita. Com a doação. solicita que ela aceite o título de protetora do Hospital das Caldas. que. o hospital já atende a 50 enfermos. o presidente7 da Província8. de forma espontânea. Em 1840. esquecidos do nome original. faz alusão às vultosas doações da imperatriz Thereza Christina6 ao Hospital das Caldas e sua posterior visita. Outros quartos com banheiras servidas com a água mineral canalizada estão sendo 3 4 te. Mais obras elevam para 12 o número de leitos. pede à imperatriz auxílio para as reformas no Hospital das Caldas. 6 Ver Balaio de Figurinhas. receberam a atual denominação de Estado. estância termal inglesa. Em 1812. Sendo prontamente atendido. O arraial. as capitanias assumiram a denominação de províncias. Desde 1809. 179. Criada em 11 de agosto de 1738 por desmembramento da Capitania de São Vicen- . dom João VI5 decreta a construção do Hospital das Caldas. quando. o navegador e pesquisador inglês Luccok a considera similar à do vilarejo de Harrogate. extensivo ao nome do hospital. E que permita denominar as Caldas do Cubatão de Caldas da Imperatriz. pág. Em 1848. 180. Somente em 1943 recebe seu nome definitivo de Santo Amaro da Imperatriz. passa a ser chamado de Santo Amaro por seus moradores. além de conservar a nomenclatura popular. 5 Ver dom João no Balaio de Figurinhas. ranchos e são melhorados os caminhos de acesso. 7 O chefe do governo no período da Província era denominado presidente. no Continente. Arraial de Santa Ana do Cubatão. 179. em 1818. A partir da República. Ver Balaio de Figurinhas. pág.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA As atitudes do príncipe regente dom João3 não se limitam à cidade do Rio de Janeiro e à Corte. engarrafamento de água mineral e do hospital. às margens do rio Cubatão. Antero José Ferreira de Brito. pág. 8 Quando da Independência do Brasil. passa a ser a primeira estância hidromineral do Brasil.

Recai nestes a primeira intervenção. Partidos versus interesses As lutas dos partidários pela remoção das barracas existentes na Praça para outro local. tendas de bebidas. por iniciativa de Jerônimo Coelho9. bêbados. Prostitutas. que receberá as banheiras inteiriças de mármore italiano. Discursos inflamados. é reservado à família imperial. ataques contundentes e não se chega a um acordo. contra os que desejam a construção de prédio próprio para o Mercado Municipal. o lixo jogado ao descaso e constantes brigas na rua acontecem em frente ao Palácio e à Matriz. E comestíveis vendidos à beira-mar. Nas páginas do jornal O Catharinense. acirram-se a cada dia. A questão se arrasta e cresce o apoio para a demolição. Finalmente. divulgada pelos marinheiros. principal líder do Partido Liberal. as feiras livres. Motivos que demonstravam a necessidade de organizar a região central. Além da necessidade de alimentar os ilhéus. o governo provincial de Feliciano Nunes Pires recebe requerimento da Câmara Municipal. artigos defendem no cenário político a edificação 9 Ver Balaio de Figurinhas. . solicitando a destruição das barracas. o Largo do Palácio. que surge em 28 de julho de 1831. A Província de Santa Catarina se amoderna em 1830. Cresce a prevenção de epidemias com a nova ordem sanitarista. Transporte e abastecimento são os principais assuntos. 181. com maior espaço. hoje praça XV de Novembro. As obras compreendem ainda uma construção própria.BALAIO VELHO 20 construídos. A fragilidade das canoas e o vento sul comprometem a segurança dos passageiros e produtos para o comércio. inspirados em alamedas e largas avenidas. rodeados de edifícios públicos e os mercadores à beira-mar. A população pede novos investimentos urbanos e os presidentes se preocupam com a qualidade de vida. sempre estiveram acompanhadas de outras atividades e personagens. A cidade precisa adaptar-se aos conceitos urbanísticos da Europa. sob o calor do sol e sem higiene. justificam a construção da Praça do Mercado. O movimento no porto traz as novidades da capital do Império. desde há muitos séculos. Um deles. A Catedral. em 1831. pág.

mas apoiam a idéia de deixar a praia livre. Para eles. apoiados pelo padre Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva. mas brigam por interesses e idéias contrárias. Correligionários do Partido Conservador. à beira-mar. hoje rua João Pinto. João Carlos Pardal. Apelidados de barraquistas. vereador prestigiado por Amaro Pereira. independentes de ideologias. que propõe a Praça do Mercado entre a Rua do Livramento. Francisco Duarte da Silva. de 27 de abril daquele ano. grupos de pessoas com os mesmos objetivos. A organização dos partidos Cristão e Judeu. que se transformam em Saquarema e Luzia. o fato não se concretiza. ocorre ainda durante o período provincial. o arcipreste Paiva. Em 1839. é criada a Lei no 92. seja o preferido. ou apoiar os benefícios comerciais que a alguns interessa. como são conhecidos seus representantes. defendem a obra na praça. que com seus irmãos é possuidor de um estabelecimento comercial na esquina da Praça com a rua Augusta. luta para que o Canto de Santa Bárbara. na realidade. o projeto dos engenheiros Luiz Bustamente e Pablo Delgado. em 1838. hoje final da rua Antônio Luz. atual Trajano. E os mercadores continuam a negociar seus produtos. sabem da necessidade da construção. a preo- . para finalmente tomarem as denominações de Conservador e Liberal. na Assembléia. Nessa época. presidente da Província. hoje Deodoro. destaca em seu discurso. também conhecido como Padre Catinga por seus artigos na imprensa a favor dos comerciantes. só acontece mais tarde. A intervenção na paisagem urbana avança. A determinação para a demolição das barracas só acontece em 1834. e que não tem execução por não oferecer aos empreendedores as garantias que desejam. Mesmo assim. o movimento da feira simboliza lucros. Com a pretensão dos investidores levada ao conhecimento da Assembléia Provincial. A consciência de partido político. Os partidos reconhecem a causa. presidente do partido. e a Rua do Ouvidor. Uma obra gigantesca para os padrões da cidade.21 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA do Mercado. Desde que não fosse na praça principal. Lutam pela posse do poder e são os embriões do atual modelo. os partidos políticos não passam de agremiações. Os vinagristas. Os discursos se resumem a deixar o Largo do Palácio livre da construção. têm ainda a liderança de João Pinto da Luz. uma área dedicada aos prédios públicos e à população.

a despejar-se na praia. e preciso se faz esgotá-lo e aterrá-lo. A população chega a 18 mil pessoas. . atolando-se o povo nas imundices que ainda se acham depositadas na mesma praia quando vão comprar os misteres para suas casas. 10 11 Funcionava no pavimento térreo do prédio da Câmara Municipal. Em dias de chuva. sem calçamento. que arredam os miasmas pútridos. acresce a venda de peixe podre. Além destes e de outros desleixos de polícia médica. é impossível o tráfego de pedestres nas ruas enlameadas. onde aportarão as canoas com os mantimentos que vêm vender ao público. seria inabitável esta cidade. que a não haver constantemente os ventos nordeste e sul. cheio de água podre. pois deste e de outros charcos e pântanos se tem desenvolvido febres intermitentes perniciosas. conduzidos em vasos de pau destampados. Ao mesmo tempo se aguarda a chegada do coronel Niemeyer para formar mestres calceteiros10. em 1841. apesar de construída de outra maneira. e renitentes de mau caráter. de autoria do sanitarista José da Silva Mafra: Outro manancial de exalações pútridas são os charcos próximos ao poço chamado Carioca. tem junto a si um grande lago amarrado em roda chamado poço do Brandão. atravessando a praça pública desta cidade. Outro princípio de desleixo de polícia médica é a condução à hora do dia dos materiais fecais dos presos da cadeia11. fazendo a pavimentação com pedras. não sendo observadas as reses antes de serem Operário que trabalha no calçamento das ruas. presidente da Província. A fonte do Largo do Senado [hoje Largo do Fagundes]. a inscrição dos nomes das ruas e numeração dos prédios. habitado por sapos. bebendo os povos uma água impura e danosa à saúde. carne malsã. O brigadeiro Antero José Ferreira de Brito. o discurso sobre as condições sanitárias da cidade. que deterioram a saúde pública.BALAIO VELHO 22 cupação se volta para a iluminação pública. lê na Assembléia. cujo poço descoberto serve de lavatório. folhas de árvores e outras matérias em putrefação.

A venda de frutas malsazonadas. e que produzem enfermidades. como freqüentes vezes tem acontecido. a fim de observar se estão em estado de serem mortas e poder se vender ao povo. em 1845. em 23 de janeiro de 1841. demolido posteriormente. vinagres decompostos. Nos bastidores da Câmara Municipal é acertado que. 179. pág. cercanias do Forte de Santa Bárbara. em 1875. A contragosto. em 1842. hoje sede da Fundação Franklin Cascaes. sendo 10 mil contos de seu próprio bolso e.23 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA sangradas pelo fiscal do distrito do matadouro. e. dispõe de uma doação de 11 contos e 200 mil réis. Não são destruídas. que se está observando diariamente. para a construção da Capitania dos Portos. durante a 12 13 O principal estava localizado nos fundos da Catedral. inaugurada em13 de maio de 1926]. Para a chegada da comitiva real. toucinhos rançosos. . inserido no discurso de Antero José Ferreira de Brito. no fim da rua Tiradentes. completando o valor. visita o quase abandonado Hospital de Caridade. a continuação das inumações dos cadáveres dentro dos templos e nos cemitérios12 dentro da cidade são prejudiciais à saúde pública. reforma de vários prédios e. e sua remoção se faz necessária. são outros tantos males à saúde. além do deslocamento das barracas ocorrem outras intervenções do governo. retornam ao local original. a transferência do cemitério atrás da Catedral para o morro do Vieira [cabeceira insular da ponte Hercílio Luz. Ver Balaio de Figurinhas. finalmente as barracas são removidas. Quando se avizinha a chegada de dom Pedro II13 à capital da Província. Relatório assinado por José da Silva Mafra. finalmente. e depois talhada e vendida. vinhos alterados. se deslocam para as proximidades da Ponte do Vinagre. acompanhado da imperatriz Thereza Christina. após a partida do imperador. Melhoramentos na iluminação pública. Conhecendo o projeto e sabendo das dificuldades da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos. mais 1 conto e 200 mil réis da imperatriz. Tem tempo ainda. a venda de carne podre. ou se foi morta por peste. Dom Pedro II.

em 1818. inclusive 400 réis14 ao templo de Nossa Senhora das Necessidades. diz que não. conhece o arraial de Santa Ana do Cubatão.BALAIO VELHO 24 prolongada estadia. 14 15 Antiga denominação do Estado do Rio Grande do Sul. em 13 de fevereiro de 1846. e argumenta em ofício encaminhado à Assembléia: Não é minha opinião que se faça a Praça do Mercado nem em Santa Bárbara e nem na praia. visitando o Hospital Caldas da Imperatriz. sua majestade se hospeda no Palácio do Governo por mais quatro dias. é desconsiderada. A proibição de antes da visita real. antes da partida para São Paulo. visitando a Província vizinha. A comitiva segue e os comerciantes voltam. montam suas barracas e a polêmica se restabelece. Porque ali é melhor. No Continente. encaminha à Assembléia Provincial um abaixo-assinado com 114 cidadãos pedindo que a feira continue no Canto de Santa Bárbara e que o Mercado seja construído ali também. vai valorizar os terrenos e não vai tumultuar a Praça. A estadia programada para quatro ou cinco dias se prolonga por 27 dias na Cidade do Desterro. quando parte em direção ao sul. para venda ao público na Praça. mandado construir por dom João VI. tomando conhecimento. Antero José Ferreira de Brito. segundo a planta e descrição da obra de que trata o artigo 1o da lei no 92. Voltando da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul15. Retornam à cena também os barraquistas e vinagristas. de lançar a pedra fundamental para a construção da segunda ala do hospital. 1:000$000 um conto de réis (um milhão de réis). . Briga de poderosos A Câmara Municipal. em 1846. Mil réis designava a unidade monetária e réis os valores divisionários. Como por exemplo: 0$500=quinhentos réis. 12$200=doze mil e duzentos réis. concede vários donativos. E propõe a construção em um quarto local: Moeda que teve o período de vigência desde a colonização até 30 de outubro de 1942. Visita as igrejas. entre as ruas do Livramento e do Ouvidor. em Santo Antônio de Lisboa.

perto do Hospital de Caridade. que também serviria à Praça e ao Mercado. e os dois barracões das extremidades. era uma represália ao Executivo da Província. um para o comércio de carnes e o outro para peixes. Afirma que: o lugar tem segurança e comodidade para o povo. de construir três barracões na Praça do Palácio. Uma proposta da Câmara. normalmente gêneros . excluindo a Praça. Diante das constantes indecisões sobre o destino da edificação. que determina que todos os produtos de alimentação à venda precisam descansar na Praça até as 9 horas. Ver também pág. sem definir exatamente o local. açúcar. a qualquer hora. determinando o fim do descanso. o tipo e a localização. Não vê inconveniente algum em construir o Mercado na Praça ou no Largo do Palácio. Na briga. enquanto na Rua do Livramento precisariam ser feitos aterro e paredão de contenção. O presidente alega como vantagem o baixo custo. o presidente Antero José Ferreira de Brito. em 7 de março de 1846. protegendo a obra do mar. E o empreendimento poderia ficar completo com a construção de um cais. mas que fosse na Praça do Palácio. destinados à venda de gêneros alimentícios. libera o comércio de gêneros na capital. Seriam necessários 4:000$000 (4 contos de réis). encaminhado à Assembléia Provincial. o central para a venda de farinha. Sem definição. autorizando a construção do Mercado Público. e o custo subiria para 24:000$000 (24 contos de réis). Antero José Ferreira de Brito encaminha à Assembléia Provincial seu discurso alentado sobre reformas e projetos para a 16 alimentícios. A Assembléia Provincial. Ambulante que percorria a cidade a vender suas mercadorias. Mas impõe uma condição: qualquer pessoa pode vender qualquer produto. ele se contraria quando opina no final do documento. os pombeiros16 e atravessadores podem negociar com os produtores e revender de porta em porta. aprovado em 1845. irritado.25 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Talvez. contraria o Código de Posturas Municipal. Somente após tocar o sino da Cadeia Pública. Ofício de Antero José Ferreira de Brito. o Mercado deva ser construído no aterro a partir da praia da rua Menino Deus. aprova a Lei no 228. hortaliças e grãos. em 9 de maio. 37.

BALAIO VELHO 2 capital. O plano de aformoseamento contém por ora só qua-tro praças em toda a extensão da frente. que pela sua disposição geográfica. Ela tem muito a que acudir. A Câmara Municipal conformou-se com ele. visto que bem satisfeita se pronunciou por este belo clima. para o que já tenho prontos esses materiais. para se fazer a grande rampa em toda a frente da Praça do Palácio. a Câmara Municipal e chegam aos ouvidos do imperador. cujo valor poderá ser indenizado lentamente. suas honrosas visitas. e outros o abrigo contra a estação invernosa. boa índole de seus habitantes. É de extrema necessidade o aformoseamento desta capital. senhores. se merecer a vossa aprovação. a frente do mar de toda esta capital. Questiona a proposta da Câmara Municipal para a construção de três barracões: Trago ao vosso conhecimento uma proposta para esse fim que acaba de ser-me endereçada pela Câmara Municipal desta . porém refere que o mesmo para dar princípio não tem forças. já com uma percepção de seu potencial turístico. Entretanto. bom clima. apesar de que prometi coadjuvá-la e auxiliá-la com alguns materiais. e espero que no ano financeiro próximo voteis a quantia de 2:000$000 réis [2 contos de réis]. Agora as divergências sobre o Mercado ultrapassam a cidade. Tracei um plano para aformosear. a procurar. por ora. pela amenidade do País e dedicação de seus habitantes a suas augustas pessoas. Muito há. deve em pouco tempo atrair a concorrência de nacionais e estrangeiros do Norte e Sul. Vereis que alguns edifícios velhos precisam ser desapropriados. Também devemos pensar que a família imperial renove. mas isso é preciso. Apresentarei a Vossa Excelência uma cópia do dito plano. a fazer para chegarmos ao fim. uns o refrigério contra os ardentes calores do verão. para ventura desta Província. mas eu posso muito fazer com grande economia. mesmo lentamente. lá chegaremos. e que comunique com a Rua do Imperador [atual rua Tenente Silveira].

Foi edificado o elegante e acabado edifício público da Tesouraria. reconhecendo a precisão de que fossse como agora traçada a construção da nova Alfândega17 e seu trapiche. via o peixe fresco de mistura com a carne. mas bom dia virá que a tenha nesta mesma praça. que sem dúvida é a mais bela parte da cidade. que por um feliz acaso teve a Câmara Municipal de a fazer demolir. todos elegantes. urgente fazer-se agora é o que tenho proposto: a Funcionava em Santo Antônio de Lisboa. e tudo calcado aos pés dos pretos e pretas quitandeiras18. sobre a construção na praia. Não posso deixar de dizer alguma coisa a respeito. me via para isso impedido. outros muitos particulares.2 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA cidade. de sorte que aplaudimos a lembrança. tendo-me logo ocupado do aformoseamento desta Praça de Palácio. Construiu-se esse grande e forte depósito de artigos bélicos e o edifício a que impropriamente se chamava Palácio. O que é. Existia na praia uma pequena coisa a que se chamava banca de peixe. para ali lançando a vista. e a casa de vossas sessões há de ser esta por muito tempo. e tendo bastantes desejos de o fazer. cuja frente representava ruínas e o aspecto de um templo abandonado pelos fiéis. peixe e farinha. pois. efetivamente em conserto e acréscimo ficará em pouco tempo acabado e elegante. de arvoredos em torno dela. e os depósitos de imundices e despejos que tinha em sua frente foram substituídos por dois jardinzinhos. . há seis anos. além dos edifícios públicos. e dentro em pouco teremos de ver em começo a construção de uma boa Alfândega. principiei pelos reparos da Igreja Matriz. contrastando com tudo o mais que havia na Praça. E se meios houvesse teria esta Assembléia aqui também casa própria para as sessões. Nesta Praça acham-se. Desde que aqui estou. Tem sido constante a plantação e replantação. em frente à Praça da Matriz. de três barracões para venda de carne fresca. e sendo eu muitas vezes instado para seu nivelamento e construção de um cais. 17 18 Mulher que negocia seus produtos em tabuleiros. e sempre me incomodava quando.

eu também os tenho. e não tendo comparecido ninguém oficiei a 12 de outubro à companhia organizada no ano passado para que. A 12 de setembro de 1846. Apresentei-lhes os diferentes planos e algumas observações escritas para examinarem. Façamos a rampa. A Câmara Municipal há de conformar-se com isso. Sem se fazer essa rampa. pois. peço-vos com fervor que não anuais a tal edificação. quando quisesse. O jogo do empurra-empurra entre o Executivo e o Legislativo municipal continua. nesta bela Praça. como se deve. dariam muito má idéia do nosso gosto e capricho. Compareceram três membros da diretoria. comparecesse a conferenciar comigo. e em harmonia preparei não menos de quatro planos para se fazer um edifício que servisse de Praça do Mercado. Três barracões. incluindo o da nova Alfândega. em 1o de março de 1847. dizendo que esperavam a escolha de local . porém que seja segundo o plano que a Presidência apresentar. não desobedece a lei e informa: Não tem tido execução a lei no 228. mandei convidar por editais que comparecessem perante a Presidência companhias ou particulares que quisessem contratar a sua fatura. Antero José Ferreira de Brito. e tanto útil como agradável. O presidente insiste em defender seus objetivos para o melhoramento da capital. e para isso vou mandar chegar alguns materiais. oficiando-me a 28. quanto pior efeito não produzirão os três projetados barracões! Não tendo estes. Devolveram-me os planos e ditas observações. Se a Câmara Municipal manifesta desejos de fazer alguma coisa em benefício público. Mandei tirar o plano de aformoseamento da frente da cidade. e que será correspondente à beleza da Praça. e repetirem as conferências. Se uma barraquinha que mal aparecia tanto nos incomodava. Trechos do discurso do presidente da Província. Depois do que não duvidarei que ali então se construa uma praça de mercado.BALAIO VELHO 2 construção de uma boa rampa em toda a extensão da praia da Praça. com que já me vou ocupar. nada absolutamente se poderá admitir de construção. a minha aprovação. mas o que almejo é que o que fizermos seja completo.

o conselheiro Jerônimo Coelho conhece o trabalho de Victor Meirelles19. Nascido na Cidade do Desterro. na verdade. e ignoro se está de ânimo a prosseguir na empresa. livre de 19 Ver Balaio de Figurinhas. O projeto. Antero José Ferreira de Brito. apresenta os desenhos do jovem artista ao diretor da Academia Imperial de Belas Artes.2 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA mais conveniente. da minha intenção pelos sinceros desejos. Respondi no mesmo dia que eu não podia designar esse local sem que tivéssemos alguma conferência sobre o assunto. conforme projeto de autoria do primeiro-tenente João de Sousa Mello e Alvim. aos 15 anos. O mestre. em 1o de março de 1847. Félix Émilie Taunay. do que determiná-lo eu. ou a apresentar alguma proposta. Porém. Enquanto isso. orçado em 4 contos de réis. após concluída. se matricula a 3 de março de 1847 na Academia Imperial de Belas Artes. 183. além do prédio. não comparecendo mais pessoa alguma. autoriza a presidência da Província a edificar pelos cofres públicos a Praça do Mercado e decreta que. Haveria também uma rampa de boa inclinação. à beira-mar. ou a apresentar-nos alguma proposta. convidando-a novamente a comparecer. Trecho do discurso do presidente da Província. será entregue à administração da Câmara Municipal. hoje rua Antônio Luz. Revoga as leis anteriores e define o Mercado junto à praça principal. aprova os trabalhos e com um grupo de amigos custeia seus estudos na Corte. Era. João Pinto da Luz assume a administração da obra. o pintor Victor Meirelles de Lima. As controvérsias sobre o Mercado chegam ao fim quando a lei no 252. compreende. e até hoje nenhuma resposta tive. em substituição aos três barracões. projeto do vereador Antônio Francisco de Faria. aceitar antes a designação do lugar que a companhia escolhesse. pág. oficiei a 5 de janeiro último a mesma diretoria. . que tenho da fatura desta tão útil como necessária obra. um aterro para nivelar a Praça com a rua projetada na beira-mar. encantado com a revelação precoce. de março de 1948. De volta ao Rio de Janeiro. deixando-lhe assim a liberdade de levá-la a efeito onde melhor conta lhe fizesse.

A um custo de 1 conto. E o prédio seria edificado no alinhamento da Rua do Príncipe. de estuque. Mesmo com 2 contos de réis para o primeiro prêmio. é reconstruído. Além disso. 750 mil e 500 réis. direitos de 8% e mais despesas. Visando a arrecadar fundos para a construção. O revestimento externo. em exercício. a Câmara Municipal autoriza. o primeiro Mercado Público acaba sendo construído onde atualmente se encontra a praça Fernando Machado20. encarregado da construção. do total de 4 contos de réis do orçado. Mesmo sem condições ideais e a obra do Mercado parada. os reparos na Igreja Matriz consomem parte do orçamento administrativo. Estou certo que conviria alterar o plano. E o governo presta contas: [.BALAIO VELHO 30 encalhe. inicia a obra. solicita mais 6 contos de réis para a conclusão. Depois de anos de polêmicas. Trecho do discurso do presidente da Província. O reforço de verba é aprovado. Severo Amorim do Valle. na lei no 263. Mas João Pinto da Luz.. presidente em exercício. mas a baixa arrecadação de impostos não permite a disponibilidade. o co- 20 21 Ver Balaio de Figurinhas. no encontro com o forro. 179. que ameaçava cair por uma infestação de cupins. Última carreira de tijolos da parede. O certo é que o dinheiro arrecadado não é suficiente. A edificação segue lenta. . A construção pára. a arrecadação foi mísera. também é refeito. atual rua Conselheiro Mafra. pág. A extração pouco ou quase nada serviu aos objetivos. de 16 de março de 1848. para facilitar a subida das canoas e pequenas embarcações que abasteceriam o Mercado.] O produto líquido não chega para o selo. o teto da Catedral. mas mesmo com a verba praticamente esgotada os administradores propõem que a obra continue de forma lenta e gradual. em 1o de março de 1849. As fundações são feitas e as paredes são levantadas até a altura do respaldo21. Severo Amorim do Valle. quando já estão gastos 3 contos. ou aplicá-las ao Hospital de Caridade. 499 mil e 728 réis. cada uma com a quantia de 10 contos de réis em prêmios. o sorteio de duas loterias.. em benefício da Praça do Mercado.

Promulgada pela Assembléia Provincial.31 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA mércio continua. variedades de legumes e a chamada batata inglesa chegam à Praça após longas viagens de carroça até São José. Esse valor não é ainda suficiente. As pessoas precisam se alimentar. de 2 contos de réis. coberta em roda Antiga medida de comprimento equivalente a 22cm. a Lei no 295. foram transferidos para lotes à beira da estrada de Lages. manteiga. 22 23 . de 11 de março de 1850. ocorrida em 6 de janeiro: Por meio de empréstimos. são os principais fornecedores da capital. no sul da Ilha. 20 pilares de 12 palmos de alto com capitéis. Em 1844. de onde são transportadas em canoas para a Ilha. serve de adorno ou apoio aos beirais do telhado. quando se efetuaria o resgate da dívida a juro de 1% ao mês. Os primeiros imigrantes alemães chegaram em 1828. ficando hipotecado o rendimento da Praça do Mercado até 1o de abril de 1853. sendo alojados em barracões na Praia da Armação. Tem ela 490 palmos22 de parede de altura. Ao justificar o empréstimo. sendo contraído mais outro crédito junto a particulares. farinha. pôde-se concluir em princípio de janeiro a Praça do Mercado. o presidente João José Coutinho se explica na sessão de abertura dos trabalhos legislativos. Carne de porco. em 1o de março de 1851. mesmo sem autorização da Assembléia. 20 palmos fora dos alicerces sobre dois a três palmos de espessura firmada em base de cinco de largo e sete de profundidade. dentro dos limites do município de São José. autoriza o governo a contrair um empréstimo de 5 contos de réis. aterrada a arca correspondente a todo o edifício na altura média de quatro palmos. Os alemães. na parte superior da parede. tornando-se município em 1994. Saliência que. após a inauguração da Praça do Mercado. Tem cimalha23 com platibanda na extensão de 490 palmos. Após a demarcação das terras no Continente. fundando a colônia de São Pedro de Alcântara. que haviam fundado a colônia São Pedro de Alcântara. no Continente. a colônia se transforma em freguesia. termo médio. alguns tipos de queijos.

cada uma das quais corresponde a três quartos. Ainda usada para alguns produtos agropecuários. 26 Antiga medida de peso igual a 4 arrobas. mas seu acabamento é devido aos senhores Alexandre Ignácio da Silveira. conhecerá que ela se acha feita com toda solidez.20m. Domingos Velloso de Oliveira. a 24 25 inglesa equivale a cerca de 1. Antônio de Freitas Serrão. mesas de exposição. equivalente a 14. 219 mil e 650 réis] e gastado depois de resto 7:077$580 réis [7 contos. Forte pregadura nas portas. e são assoalhadas de tabuado. balcão e mesas de picar. os senhores João Pinto da Luz e o comendador Agostinho Leitão de Almeida. Antônio Machado de Faria. Fizeram-se pelo lado de fora 46 braças27 quadradas de calçada. ou 58.BALAIO VELHO 32 na largura de 50 palmos. seis balanças de meia arroba25 e uma de quintal26. importou toda essa obra a quantia de 12:297$230.80m. Denominação que definia o espaço fechado. Nas bancas de carne existem quatro fortes ganchos de pendurar. além de quatro bancas. Se cada um de vós a examinar. poço no centro com bomba.8kg. sendo estas 12. 27 Unidade de comprimento equivalente a 2. Tendo importado até a altura do respaldo na quantia de 5:219$650 réis [5 contos. Não achareis na Província muitos exemplos de economia combinada com perfeição e presteza. A obra acha-se acabada. Estanislao Antônio da Conceição. Foi adotada a braça portuguesa. Bento José Ferreira da Silva. 297 mil e 230 réis] inclusive 1. que se deve. gradeamento. Unidade antiga de peso. portões e bancas acham-se pintadas a óleo. 77 mil e 580 réis]. Acha-se dividida em pátio central. As casinhas têm portas e janelas. hoje correspondente a 15kg. compartimento. box. e divisão de paredes de estuque. e que a mão-de-obra é perfeita. e se convencerá que só pelo zelo dos dois administradores dela.7kg. corredores e casinhas24. Antônio Francisco de Faria. Alexandre Francisco da Costa. As bancas são cercadas por gradeamento de madeira e ladrilhadas de tijolo. Alexandre Martins Jacques. portas. janelas.560 tijolos.5 palmos de diâmetro com gradeamento de ferro e caixilhos por fora. [12 contos. é devido a importar toda essa obra na referida quantia de 12:297$230 [12 contos. Tem 24 semicírculos de 2. Portadas. . 297 mil e 230 réis]. Nas do peixe. assim como o pátio e corredores.

João da Costa Mello. encimados por capitéis.64m de altura. o prédio seria assim descrito: O edifício possui 33. João Antônio de Sousa Flores. acompanhadas de seis balanças de 7. água e cola ou óleo de baleia. iluminam a área interna. Janelas em semicírculo com 55cm de raio. Atualizando o texto para o sistema métrico atual. além da função decorativa. esconde o telhado. João Pinto da Luz. José Maria do Valle. facilitam o acesso.34m na lateral. Manoel Marques Guimarães. onde se apóia uma platibanda que. cercadas com grades em madeira e piso de tijolos. coberto com telhas de barro. cada uma com balcão e mesas de picar. Franco José Teixeira Bastos. No interior. Existem ainda quatro bancas para o comércio de carne. José da Silva Paranhos. Completando a obra. com 2. Silvério Ferraz Pinto de Sá e Ulrico Haeberle. José Bonifácio Caldeira de Andrade. Marcos Antônio da Silva Mafra. em número de 24. . Quatro grandes portas. Jacintho José da Luz. dona Maria Joaquina da Luz. que da melhor vontade emprestaram a quantia necessária para a sua conclusão por três anos. São 723m2 de área construída. agrupando com mais informações conhecidas sobre o projeto.5kg de capacidade 28 Argamassa de revestimento preparada com cal.88 metros de frente para a Praça do Palácio e 21. Silva & Bastos. Queiroz de Azevedo. dotado de bomba. e grades no interior. José Antônio Cabral. José Maria da Luz. João José Coutinho. As mercadorias são expostas em 12 compartimentos com portas e janelas. O pátio central tem um poço. Trecho do discurso do presidente da Província. 20 pilares de ferro. Henrique Schutel. Roberto Trompowski.33 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Francisco Duarte Silva. separados entre si por paredes de estuque28 e piso assoalhado. Adornando as fachadas. possui uma cimalha em toda a extensão. sustentam o madeiramento do telhado. sem prêmio algum. em 1o de março de 1851. uma em cada face. uma calçada facilitava o acesso nos dias de chuva. para conforto das pessoas. Martinho José Callado. que abastece os comerciantes e mata a sede dos fregueses.

E ainda ocorreria a moralização na região central. Mas. e que deveriam ser mantidos acesos à noite. uma segunda-feira. Um total de 12 contos. janelas. o capital aplicado teria um retorno em 10 anos. ou 22. Ao abrir ao público. arrendatário do box 1 com 4$000 (4 mil réis) por mês. 77 mil e 580 réis em empréstimos. a inexistência de um serviço de coleta de lixo. O edifício não seduz os comerciantes e poucos se candidatam a alugar os espaços oferecidos. o presidente da Província. no período de seis meses. em 6 de janeiro de 1851. portas.BALAIO VELHO 34 e uma balança de 58. Cinco pessoas têm suas propostas aceitas para arrendamento. arrematando . Pestes e doenças causadas pelo acúmulo de lixo e falta de higiene no manuseio dos alimentos estariam solucionados. Embelezando a obra. prostitutas e bêbados no local. para abrilhantar. sendo: Francisco Antônio de Castro. passa às mãos de Clemente Antônio Gonçalves. a falta da rede de esgotos e a vadiagem que continua a existir na região ainda impedem as saudáveis condições de higiene. Na inauguração. o comércio começa a funcionar no dia 10 de janeiro nas dependências internas. Ao contrário da iluminação pública. 219 mil e 650 réis dos cofres públicos e 7 contos. que tinha os lampiões apagados por volta das 22 horas. Com um rendimento médio anual de 1 conto e 200 mil réis. 478 mil e 558 réis. estaria sendo resolvida parte dos problemas sanitários.1% da arrecadação da Província no ano anterior. Além das falhas no abastecimento. 297 mil e 230 réis. grades e bancas são pintadas com tinta a óleo. as chaves do polêmico edifício público. As bancas de peixe têm mesas de exposição. em impostos e aluguéis. que foi de 55 contos. apenas seis boxes estão locados. Considerando que em seus relatórios os presidentes da Província sempre elogiaram a honestidade dos administradores. evitando o agrupamento de marginais. João José Coutinho. O Mercado Público custou 5 contos.75kg. João Pinto da Luz e João de Sousa Mello e Alvim. presidente da Câmara Municipal. Um ótimo investimento. foi uma obra executada com custo bem razoável. Paisagem modificada. Alerta ainda que. Um marco importante para o desenvolvimento da capital. mandou que lampiões fossem instalados nas paredes externas.

Muito pouco ou quase nada tem seu comércio efetuado em pequenas quantidades. Visando a uma análise aproximada sobre a evolução dos preços. quando as portas do Mercado Público são abertas ao comércio. passa a ser observada. e que oito boxes sejam cedidos gratuitamente aos vendedores de carne e peixe. Equivalência do CustoA da Mercadoria (kg) por Hora Trabalhada (h) Mercadoria Em 1851 Em 2001 B C Réis Tempo Real Tempo Farinha de Mandioca 18 5 min 1. As outras unidades somente foram ocupadas após quatro meses da inauguração.80 77 min D Goma 32 9 min 1. estes todos com um aluguel mensal estipulado em 3$000 (3 mil réis) e uma vigência contratual também de seis meses. os valores das mercadorias foram transformados em minutos trabalhados. na tabela a seguir os preços foram calculados no varejo. Francisco da Silva ficou com os boxes 8 e 9. O jornal O Novo Iris.00 2h18 min Amendoim com casca 48 14 min 2. de 13 de maio de 1850.50 14 min Batata Inglesa 32 9 min 0. As mercadorias são vendidas em saco. Funciona o Mercado e também começa a cobrança de impostos.80 2h13 min .00 28 min F Café chumbado 234 67 min 4. foi possível montar um comparativo do custo de vida na época da inauguração do Mercado com os dias de hoje.00 28 min Fava 44 13 min 5. na edição de 10 de janeiro de 1851. em quilo. Para facilitar. A Lei no 307. publica uma tabela de preços de alguns produtos. tomando como base o salário de um professor primário em 1851 e 2001.35 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA José de Sousa Freitas o box 5. Assim.20 33 min Feijão 43 12 min 2. o box 6 alugado por Pedro [Scifer].70 19 min Arroz piladoE 100 29 min 1. João Lago escolheu o box 7. temos a quantidade de minutos que o profissional precisava trabalhar para adquirir determinado alimento na Praça do Mercado e hoje.50 1h09min Milho 36 11 min 0. Como curiosidade. Define no artigo 13 que seja cobrada uma taxa de 300 réis por cabeça de gado vendida na Praça do Mercado. Estabelece ainda que todo imposto arrecadado com a venda de carne seja aplicado exclusivamente na amortização do empréstimo contraído na construção do prédio.

R$ 347.17 por hora. Atualizados em pesquisa nas feiras de Florianópolis. na média. o quilo do arroz custava 100 réis..00. importava. serão vendidos nas bancas. A seguir. serão alugadas em hasta pública por semestre. pagas em trimestres adiantados. de que trata este regulamento. com esse valor. o equivalente ao preço da passagem na barca que fazia a travessia Ilha-Continente. os donos. F) Depois de seco. é. para a venda de todos os gêneros. em 1o de abril de 1851.BALAIO VELHO 3 A) Preços publicados na edição de 10 de janeiro de 1851 do jornal O Novo Iris. [. Esclarecendo. Também são compreendidos nesta exceção o carvão. em 1851. socado no pilão.] Artigo 24 . define deveres e obrigações dos comerciantes. O regulamento para a Praça do Mercado. na conformidade dos artigos 13 e 18 deste Regulamento. lenha e outros objetos que promovam a falta de asseio e tomem grande espaço na Praça.As casinhas. com exceção da carne e de peixes. que. dando mais cor ao produto final. ou 208 réis por hora. à exceção dos fronteiros aos portões. praça geral.A Praça do Mercado é dividida em casinhas. se podia comprar um exemplar de jornal. Dados da Secretaria de Estado da Educação e do Desporto de Santa Catarina. C) O correspondente salário de um professor primário. o guarda da Praça fará tirar do centro desta todos os gêneros que ali se acharem. ou agentes que não obedecerem incontinente serão presos por 24 horas. que são os vãos que ficam entre as colunas.O pátio central do Mercado é destinado. ou R$ 2. em 28 de dezembro de 2001. Artigo 2o . o café era torrado e amassado no pilão. bancas de carne e peixe. alguns artigos interessantes: Artigo 1o .Logo que seja dada a hora marcada do artigo antecedente. em 33$280 (33 mil e 280 réis). era o equivalente ao arroz descascado. que fica reservada para a residência do guarda. E) O arroz pilado. D) Fécula alimentícia que se extrai da mandioca. menos a de número 2. até as 2 horas da tarde. .. ou. aprovado pela Câmara Municipal na Lei no 317. Artigo 25 . na média. e lugares de quitandeiros. Alguns fornecedores ainda misturavam um pouco de açúcar mascavo. em 2001. B) O salário de um professor primário.

Os infratores serão multados em 4$000 [4 mil réis] pela primeira vez e no dobro na reincidência. ovelhum. 1$200 [1 mil e 200 réis] mensais. ou assoalhados dentro da Praça. Artigo 47 . [. retalhada. quando seus donos não queiram levar à Praça do Mercado. muar31. Artigo 50 . sob pena de 8$000 [8 mil réis] de multa. Peneirados. feijão e outros gêneros não poderão ser joeirados30.. com destino de serem vendidos. sob pena de 4$000 [4 mil réis] de multa.São proibidos dentro da Praça jogos. canino e qualquer outro de igual ou maior dimensão. Parte ou pedaço de uma coisa maior. Artigo 48 .Os gêneros que forem levados ao Mercado. cavalar. animal vivo vacum. Venda a varejo. cada um dos vãos.Dos portões para dentro é proibido entrar carro [de cavalo]. arroz. 32 Suíno.Os lugares entre as colunas são destinados. tocatas e qualquer outro divertimento. sob pena de 4$000 [4 mil réis] de multa. todos os demais gêneros poderão ser vendidos nas praias que ficam entre a Igreja do Menino Deus [Hospital de Caridade] e o Canto da Figueira [posto de gasolina em frente ao Terminal Rita Maria]. ou para qualquer fim. que pagarão de aluguel. não poderão retirar-se antes das 9 horas [o horário era anunciado pelo sino da Cadeia] para serem vendidos em outros lugares. ainda mesmo para serem vendidos.Não se poderão atar nem conservar parados animais. 31 Animal pertencente à raça do mulo. podendo estes serem ocupados por uma ou duas pessoas. danças.3 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Artigo 26 . 29 30 . para serem vendidos a retalhos29.] Artigo 45 . Em nenhum outro lugar é permitido pararem os gêneros trazidos a esta cidade. cabrum. Artigo 49 .À exceção da carne verde [carne fresca] e peixe fresco. Artigo 46 . a menos distância de 10 braças [22 m] da Praça do Mercado. para quitandeiros. carroça. conforme o artigo 1o. ou aportarem na praia em frente ou nas imediações da Praça.. sob pena de 4$000 [4 mil réis] de multa. pagando cada uma a metade do aluguel.O milho. cerdum32.

.É qualificado pombeiro e sujeito ao imposto de 3$200 [3 mil e 200 réis] todo indivíduo que comprar ou atravessar dentro dos limites do município gêneros alimentícios para tornar a vender a um ou a muitos. de 3 de maio de 1851. ou mesmo sobre as cabeças. Lei no 325.. em tabuleiros. os pombeiros eram as pessoas que vendiam de porta em porta. ou dando fiador idôneo ao pagamento. quer em canoas ou botes.] Artigo 58 . Relembrando. e ninguém poderá entrar com cousa alguma dentro dele.] Artigo 5o . sendo pessoa livre. Na maioria das vezes com os produtos acondicionados em um ou mais cestos. a Câmara aprova a nova Lei de Posturas. 182.BALAIO VELHO 3 [.O poço da Praça é privativo do comércio.. ou mesmo no Mercado. Regulamentando o comércio em geral. marinas [beira-mar] ou outros lugares públicos.. pelas ruas. [. a bordo das embarcações. o homem com uma vara transversal sobre as costas e um cesto pendurado em cada extremidade. O contraventor. pág. pagará uma multa equivalente ao dobro do imposto. cestos. 33 Ver Balaio de Figurinhas.É também classificado pombeiro e sujeito ao imposto de 3$200 [3 mil e 200 réis] e às penas do artigo 1o aquele que vender carne de vaca e outras carnes a retalho de animais de qualquer outra espécie pelos lugares acima designados. praças. A figura mais comum de pombeiro é aquela que encontramos nos quadros de Rugendas33. onde também se define as funções do pombeiro: Artigo 1o . . etc. ou satisfazendo no ato de ser encontrado em contravenção. sob pena de 4$000 [4 mil réis] de multa. e sendo escravo será recolhido à cadeia até que seu senhor ou alguém por ele pague. quer em tabuleiros.

O armazém da Ilha do Carvão34 começa a ser construído. possuía um castelinho que servia de depósito de carvão. Cresce a cidade. E a devastação das matas para a fabricação do produto continua crescendo. além do transporte de passageiros. Quase ao lado do Mercado. Além de novos espaços para a venda de carne e peixe. e 11 escolas femininas. com 331 alunas. tudo com um custo de 102$520 (102 mil e 520 réis). Registros nos livros fiscais do Mercado mostram que. e testam-se novos lampiões a gás. A taxa sobre o gado vendido é reajustada. e passa de 300 para 400 réis por cabeça. está para se vencer. que já vinha informalmente administrando o comércio no local. logo desprezados. De- . entrega o prédio à Câmara Municipal. e de carga. Outro depósito de carvão. Os navios. consomem enormes quantidades de carvão para suas caldeiras a vapor. Existem na Província 28 escolas masculinas. sabendo que o atraso no pagamento acarretaria uma multa de 1% ao mês.913 habitantes na Cidade do Desterro. eram vendidas por dia seis cabeças de gado vacum. As escolas particulares ensinam a 256 alunos e 215 alunas. também são importadas quatro novas balanças e são executados reparos nas antigas bancas. O Palácio do Governo passa por reformas. A Biblioteca Pública começa a funcionar com um acervo de 474 volumes e alguns folhetins. O empréstimo feito pelo governo. e possuindo verba extra nos cofres públicos. O censo oficial. em 1855.3 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA E as reformas já aparecem. Situada na Baía Sul. As obras novas do Mercado duram dois anos e ficam prontas em junho de 1853. abastece os navios da esquadra real. 34 molida para a construção da ponte Colombo Machado Sales. João José Coutinho. liquida a dívida. na média. o cais da Alfândega está em obras. é ampliado com a criação de mais duas bancas para carne e duas para venda de peixe. com 981 alunos. onde os compradores se espremem e os açougueiros ficam limitados para trabalhar. a escola das primeiras letras. e conforme a Lei no 252 determina. Sobram vagas na instrução primária. situada na Baía Norte. em 1o de abril de 1850. informa uma população de 19. O progresso continua impulsionando as reformas no setor urbano. na ilha de Ratones Grande. Não havendo mais a penhora do rendimento da Praça do Mercado aos credores. O espaço insuficiente para venda de carne.

648 pessoas. Em 2 de janeiro de 1867. A carência de bons produtos na cidade é suprida pelos colonos de São José e São Pedro de Alcântara. Indignados ficaram os habitantes que esperavam o desembarque do ilustre visitante.405 obras. o pintor catarinense Victor Meirelles apresenta o quadro A Primeira Missa no Brasil. Essas obras são consultadas por 2. quando visitou a Igreja Matriz. espiritual do mundo. no ano de 1864. Navio abastecido. o quase aniquilado exército paraguaio marcha sobre a cidade da fronteira oeste gaúcha. simbólica. na Cidade do Desterro. dom Pedro II zarpa para o Rio Grande do Sul. recebe o nome do santo do dia. Ao cabo de um mês de sítio. 181. 37 Ver Balaio de Figurinhas. Nasce em 1861. O conflito só termina em 1870. é instalada a primeira estação telegráfica de Santa Catarina. O movimento. O progresso não detém sua marcha. os hospitais Militar e de Caridade. rende-se ali. Escola literária que se caracteriza por uma visão subjetiva. fato que não ocorreu. agregando o sobrenome da família do senhor de seus pais. A bordo do vapor Santa Cruz. A crise não chega à Biblioteca Pública. a primeira vitória brasileira na Guerra do Paraguai. Mantém sua fama comercial o porto da capital da Província. 182. já com um acervo de 3. capital do Império. no Largo do Fagundes. pág. na presença de dom Pedro II. João da Cruz e Sousa35. Filho de escravos libertos do coronel Guilherme Xavier de Sousa.BALAIO VELHO 40 No Rio de Janeiro. 35 36 38 Cidade gaúcha localizada na fronteira com a Argentina. . avaliadas em 500 mil réis. o poeta simbolista36 catarinense. pág. segundo relato da Alfândega. Os aliados aprisionam também mais de 6 mil soldados. São João da Cruz. Após a batalha do Riachuelo. Estigarríbia. é promissor: Ver Balaio de Figurinhas. ambas no Continente. Restava como conforto a estadia que fizera em agosto o príncipe Conde d’Eu37. como era freqüente. em 1860. exausto. com destino a Uruguaiana38. chega ao porto o imperador dom Pedro II.

um brigue-escuna. 21 bergantins41. tinham 181 tripulantes. com mastreação menor. três bergantins. Os 231 da primeira [longo curso] eram do porte de 47.271 toneladas.440 toneladas e 643 pessoas de tripulação. duas escunas. com 7. com 2. e nesta principalmente. um brigue-escuna. velas redondas e latina quadrangular. 39 . 43 paquetes39 e vapores do comércio. Empregaram-se também na grande e pequena cabotagem. com dois mastros. seis sumacas e 92 iates. dois bergantins e três patachos estrangeiros.768 toneladas. um total de 51.039 toneladas e de 2. cinco patachos e um iate nacional. Adolpho de Barros Cavalcanti de Albuquerque Lacerda. Os 19 da segunda [grande e pequena cabotagem]. 42 Navio com três mastros. 82 transportes de guerra. 43 Semelhante ao brigue. sendo 267 nacionais livres. com a lotação de 3. três vapores de guerra. três sumacas44 e um iate estrangeiro. 44 Semelhante ao brigue. mas pertencentes a outras praças. quatro polacas. 13 escunas. o que dá para os 250 navios de longo curso. 218 estrangeiros e 158 escravos. com oito ou 10 bancos para remadores e um ou dois mastros. e um saldo de 56 catarinenses mortos. três bergantins. em 1o de março de 1868. Foram: dois brigues-barcos. cinco polacas42.631 tripulantes. muito usado na costa do Brasil. três brigues-barcos40 nacionais. 47 patachos. Apesar dos altos custos da Guerra do Paraguai terem deixado os cofres da Província vazios. 16 patachos43. um brigue-escuna. 41 Embarcação veloz e esguia. 40 Navio à vela. 20 brigues-barcos. 124 navios pertencentes à Província. mais o terceiro mastro inclinado na proa. o de ré com vela quadrangular e um terceiro mastro inclinado na proa. e de grande e pequena cabotagem. no ano de 1867.41 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA A navegação de longo curso trouxe a esta Província. Trecho do discurso do presidente da Província. e um brigue. 20 vapores de guerra.450 pessoas de tripulação. A de grande e pequena cabotagem trouxe três brigues-barcos. as obras do cais da Alfândega são terminadas. a falta de água potável Embarcação veloz e luxuosa para viagens rápidas de transporte regular de passageiros.

para o que não faltaria alguma empresa a que seria cometido um tal serviço. . Demorou algum tempo para que os ilhéus esquecessem aquele 24 de abril. Cabral. espalhando pela Praça e pelas ruas mais próximas restos de vigas e telhões partidos. em 1871 propõe uma concessão de três anos em troca de duas linhas de transporte. empresário. partiu vidraças de edifícios distantes e foi ouvida lá pela Tronqueira [região da avenida Hercílio Luz]. e pelo Mato Grosso [região da praça Getúlio Vargas]. A detonação fez estremecer as casas vizinhas. A Alfândega. bebedouro. uma linha de carros de cavalo e outra de barco a vapor. José Delfino. ligando a Ilha a diversos pontos do Continente. O novo edifício é levantado no local em que se encontra até hoje.BALAIO VELHO 42 passa a ser prioridade e reformas e construção de novos chafarizes45 são executadas. Proposta essa que não saiu do papel. Novidades internacionais chegam à Cidade do Desterro. o telhado do Mercado. inutilizou. MKS. metro (m). O antigo prédio estava localizado mais próximo da Praça do Mercado. os bairros mais distantes. quase 10 anos depois. presidente da Província. Surge a idéia para a coleta do lixo. que vinha operando precariamente após uma explosão em suas instalações. pelo deslocamento do ar. As paredes abateram-se com fragor entre nuvens de pó e fumo. uma terça-feira: O teto da casa voou para todos os lados. mediante a retribuição de taxas pagas pelos moradores dos prédios urbanos. A partir o de 1 de janeiro de 1874. Osvaldo R. pág. em 26 de março de 1871. tem a pedra fundamental do novo edifício lançada em 25 de janeiro de 1875. empregando-se cubos hermeticamente fechados em carroças apropriadas. em 1866. 45 Construção de alvenaria com uma ou duas bicas. Joaquim Bandeira de Gouvêa. o Brasil passa a usar o padrão internacional do sistema decimal de pesos e medidas. 70. hoje praça Fernando Machado. quilograma (kg) e segundo (s).

Os quadros de Victor Meirelles. Bell declamando Shakespeare: to be or not to be. isto fala!. E o Brasil apresenta às nações. circuito que o Brasil já freqüenta desde a Exposição de Londres. pronunciado outra frase famosa na história do telefone. da indústria. teria dito o imperador. confirmada por muitos: Meu Deus. como ficou conhecida. Enquanto Bell fica numa ponta do fio. acompanhado do imperador do Brasil. uma terça-feira. uma comissão especialmente formada seleciona produtos catarinenses da lavoura. dom Pedro II. a Centennial. Mas. o Forte Santa Bárbara havia sido demolido para ceder lugar ao edifício da Capitania dos Portos. trabalhos de ciências e artes. através do qual é possível determinar as coordenadas de um astro. Não acontece a Exposição Provincial de 1875 programada para realizar-se no Teatro Santa Isabel. Graham Bell mostra seu mais famoso invento. em 1862. Seriam exibidos na Exposição Nacional. na outra ponta. inaugurado em 7 de setembro de 1875. Sua inauguração aconteceu com a presença do presidente Grant. contestada por uns. um instrumento científico de fabricação nacional. O objetivo era selecionar artigos nacionais para serem mostrados na feira mundial. Ainda em janeiro. que está em fase final de construção. para irem ao Rio de Janeiro. a intenção é divulgar o país como nação soberana e civilizada. como tecidos. E teria então. O invento de Bell chama a atenção de Dom Pedro II. A primeira mostra em solo norte-americano.43 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA A destruição também não detém sua marcha. pela primeira vez. Agora é a vez da Exposição Universal da Filadélfia. nitidamente. apenas em 1893 . em 1876. Apresentando basicamente produtos naturais e alguns manufaturados. dos Estados Unidos. o telefone. também são exibidos nessa Exposição. que insiste em experimentar o aparelho. referências da Guerra do Paraguai. além de máquinas e artes mecânicas. Dom Pedro II escuta. teve um hino especialmente composto por Wagner. Finalmente a cultura ganha o Teatro Santa Isabel. no transmissor. a 150 metros de distância. Então. que comemora o centenário da Independência do Estados Unidos. Combate Naval do Riachuelo e Passagem de Humaitá. o Alta Azimute Prismático.

Pela força do Direito Pela força da razão. Quebram-se férreas cadeias. Irmãos somos todos e todos iguais. 46 47 de setembro de 1895. 177. Oficializado no governo de Hercílio Pedro da Luz através da lei número 114. Cai por terra o preconceito Levanta-se uma Nação. em homenagem a este dramaturgo. Do povo nas epopéias Fulge a luz da redenção. Ver Balaio de Figurinhas. em primeiro ato. Na inauguração. um coral de vozes femininas entoa o Hino de Santa Catarina47. A força está toda do povo nas massas. No céu peregrino da Pátria gigante Que é berço de glórias e berço de heróis Levanta-se em ondas de luz deslumbrante. Não mais diferenças de sangues e raças Não mais regalias sem termos fatais. de 6 . Liberdade cercada de sóis.BALAIO VELHO 44 recebe o nome de Teatro Álvaro de Carvalho46. Celebram nas terras gigantes da cruz. O sol. As festas que os livres frementes de ardores. Rojam algemas no chão. Da liberdade adorada No deslumbrante clarão Banha o povo a fronte ousada E avigora o coração. da autoria de Horácio Nunes e música de José Brazílico de Sousa: Hino de Santa Catarina Sagremos num hino de estrelas e flores Num canto sublime de glórias e luz. pág.

fez algumas modificações. Importou o seu custo 8 contos e 550 mil réis. Quebrou-se a algema do escravo E nesta grande Nação É cada homem um bravo Cada bravo um cidadão. bem como a de 450 mil réis pela aquisição de alguns objetos pertencentes à mesma casa. Com flores e festas deu vida ao cativo. em 1879. dirige a solenidade em 10 de janeiro de 1877. Em 14 de agosto de 1877 é estabelecido. por um prazo de 15 anos. A partir de 1o de janeiro de 1880. A preocupação sanitária não deixa de estar em pauta. na esquina das ruas Tenente Silveira e Trajano. pág. Com festas e flores o trono esmagou. Na política. . puxados a cavalo. o direito da remoção de lixo. 48 Ver Balaio de Figurinhas. mortos na Guerra do Paraguai. o que eleva a 13 contos de réis a importância despendida.45 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA O povo que é grande mas não vingativo Que nunca a Justiça e o Direito calou. mas a essa quantia se acresce a de 4 contos de réis de despesas necessárias para reformas. hoje rua Conselheiro Mafra. A empresa Carris Urbanos. compra a casa de Ernesto da Silva Paranhos para servir de paço da Assembléia Legislativa Provincial. Começa no ano seguinte o serviço de bondes. o presidente Antônio de Almeida Oliveira. o visconde de Taunay.Thiago. Inaugurado na Praça do Palácio o monumento à memória dos heróis catarinenses. de Polydoro Olavo S. 177. e continuam funcionando outros 30 que usam querosene como combustível. O presidente da Província. Achando o projeto inicial de pouca beleza arquitetônica. materiais fecais e águas servidas aos cidadãos Firmino Duarte Silva e Carlos Guilherme Schmidt. As placas de mármore fixadas nas laterais lembram os 56 oficiais catarinenses que tombaram naquela luta. liga a Praça do Palácio à Rua do Príncipe. a cidade passa a ser iluminada por 150 lampiões a gás. Alfredo d’Escragnole Taunay48.

Começam os estudos para a canalização de água na capital e interferências são feitas no saneamento. Regulamenta o uso do Teatro Santa Isabel. antiga Praça do Palácio e hoje praça XV de Novembro. passa por sérias transformações e propostas de urbanização. Na educação. equivalente a prefeito. Preocupado com as chuvas. 49 50 Ver Balaio de Figurinhas. Ele organiza uma loteria para angariar fundos que se destinariam às obras do Hospital de Caridade e auxiliar instituições pias e igrejas da providência. o presidente adia o serviço. Sugere que a Câmara Municipal e a Companhia de Aprendizes Marinheiros dividam os gastos com a reforma da praça Barão de Laguna50. Contrata quatro varredores para colaborarem no asseio das vias. rescinde com o jornal Regeneração o contrato de publicação das leis e assina com o Conservador. Inaugura também o Matadouro do Estreito. denuncia a falha na distribuição dos livros escolares e sugere a criação do curso Normal. pág. e em carro. nas mãos do presidente da Província Francisco José da Rocha. com intuito de formar senhoras professoras para a instrução primária. Denominação que prevaleceu até o fim do Império. O arrendatário do serviço de iluminação propõe a troca dos lampiões a querosene por lâmpadas elétricas. que deixam as poucas calçadas escorregadias. e propostas para o calçamento das ruas. 177. nomeando duas equipes médicas para visitar as casas e atender aos doentes. . a Cidade do Desterro. A febre amarela que assola a cidade é debelada quando o presidente a divide em dois distritos. Cobra perfeito atendimento nos socorros médicos e cria subdelegacias para manter a ordem. ele solicita aos engenheiros uma solução. Cobra do superintendente49 municipal mais empenho na conservação e limpeza da cidade. As atitudes benéficas do presidente se estendem inclusive ao envio de uma lei à Câmara. Mas a obra não se concretiza. Questionando a eficiência da novidade e os elevados custos. de menor custo. determinando a remoção urgente de corpos para o cemitério. O chefe de governo municipal.BALAIO VELHO 4 No período entre 1885 e 1887.

próximo à Ponte do Vinagre. reclamando da falta de feiras livres na capital da Província. contribui para novos debates na imprensa. de modo a preservá-los dos raios solares. a capital do Império. antigo Forte Santa Bárbara. as barraquinhas voltam à cena. após 35 anos da inauguração da Praça do Mercado. A crise do abastecimento retorna à pauta. presidente da Província. fossem erguidas barracas ou tendas. aliado ao aumento de consumo e à grande quantidade de vendedores na área externa. quando há por toda parte capoeirões para fornecerem aquela e outros vegetais e drogas para servirem a este. Em seus artigos. abraça a causa dos pescadores. Os pombeiros se aglomeram na vizinhança. sobre o Rio da Bulha. os movimentos para ampliação do espaço. propondo sua construção junto à Capitania dos Portos. A controvérsia chega ao Palácio do Governo e Francisco José da Galpão do Peixe . ou para lenha ou para curtumes. Muita areia da Ilha de Santa Catarina foi retirada também para servir de lastro aos navios que aqui lançavam âncora. agora denominadas quiosques.4 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Francisco José da Rocha. já demonstrava uma preocupação ecológica. Mui conveniente seria que o pescado fosse vendido dentro do Mercado. O crescimento da população. reforçando: Os mangues continuam a ser barbaramente devastados. Velhas polêmicas se fazem presentes na nova fase da evolução social e urbana da Cidade do Desterro. Começam. A balbúrdia em volta do Mercado torna-se insuportável. hoje avenida Hercílio Luz. igreja e escola. e a moda é importada do Rio de Janeiro. em 7 de dezembro de 1886. Impede a Capitania dos Portos de retirar areia das praias para usar em suas obras. E ainda afirma: não pode haver um povoado sólido sem a existência de feira. Jornal do Commércio. Endossa a decisão da Câmara em proibir o corte do mangue. a continuar a ser vendido fora. ou que. O Jornal do Commércio empunha a bandeira para a construção do Galpão do Peixe.

ao contrário do antecessor. 1888. Sugere que seja edificado por alguém ou empresa com concessão por determinado período. a construção do galpão anexo ao prédio do Mercado. pois que eram ilegais desde sua origem. tendo em frente uma pequena doca para desembarque de gêneros e abrigo das canoas. perante a Assembléia: O local onde se acha o Mercado é o menos apropriado possível. defende. em discurso de 20 de maio. Eram concessões ilegais feitas pela Câmara. do meio da qual partiria uma ponte de pedra para embarque e desembarque de passageiros. e deste para aquela. ele assume uma briga com a Câmara Municipal pela demolição dos quiosques adjacentes ao Mercado. presidente. questiona as atitudes da Câmara: Ouvida a Câmara sobre concessões feitas por ela. Depois. Augusto Fausto de Sousa.BALAIO VELHO 4 Rocha. porque impede a belíssima vista que da praça principal se gozaria para o porto. não muito longe do atual. Demolido o atual Mercado. Augusto Fausto de Sousa. em 1o de setembro. em sua face de oeste se construiria uma varanda ornamentada. o novo presidente da Província. seria fácil encontrar uma associação ou indivíduo que. em 11 de outubro de 1887. construísse outro mercado em ponto escolhido. que com tais edifícios ficaria comprimido entre ruas estreitas. Acredito que. a título de renda municipal para a construção de edifícios de três metros sob a denominação de quiosque. Trecho do discurso do presidente da Província. poupando as finanças provinciais. Francisco José da Rocha. embora com algum sacrifício. em 1o de setembro de 1888. contrárias à legislação. Trecho do discurso do presidente da Província. e como quer que fossem encaradas. mediante algumas concessões municipais. Mas foi contraditório. alegando que lhe valiam . Em seu primeiro ano de mandato. em ofício de 30 de junho [1887] demonstrei-lhe a inconveniência e os perigos de tais concessões em vista da legislação vigente. no terreno concedido para logradouro público onde está o Mercado. em substituição à velha ponte de madeira que hoje existe e ameaça próxima ruína.

atualmente ruas Jerônimo . elaboram em janeiro de 1890 um abaixo-assinado solicitando à Câmara autorização para vender seus produtos em volta do Mercado. Na sessão da Câmara de 25 de maio de 1889 aparece a primeira proposta concreta. abastecendo a uma população de 30. não encontram [os agricultores] o menor abrigo nesta capital. Jornal do Commércio. hoje rua Conselheiro Mafra.. O presidente reconhece a necessidade da obra. atual rua Saldanha Marinho. mas sugere as proximidades da Capitania como local ideal. pois estavam edificados em terrenos reservados para logradouros públicos. e se compadece em seus discursos dos colonos e pescadores que vendem peixes e verduras expostos ao sol e à chuva. Gustavo Richard. Os vereadores Manoel Joaquim da Silveira Bittencourt. um rancho de tábuas para abrigar as mercadorias com as quais enriquecem o nosso Mercado. Antônio Carlos Ferreira e Joaquim Caetano votam a construção de um galpão para a venda do pescado no cais. o presidente consegue que sejam demolidos. e os rumores sobre a República criam novas expectativas na população.. definindo como local a rua José Veiga.. sempre no centro das discussões. entre as ruas da Paz e do Ouvidor. ocorrido a 13 de maio de 1888..] depois de penosa viagem de dois ou três dias por maus caminhos. concordam que se faça a concorrência para a construção de um galpão. Ele admite a construção do barracão. Depois de longos debates.4 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA recursos extras.392 habitantes. em 21 de janeiro de 1890. Os comerciantes instalados no edifício entram na briga. [. começa a definir-se a construção do Galpão do Peixe. os vereadores.] nem ao menos têm um telheiro de zinco. Os pombeiros. Agora o Jornal do Commércio defende os agricultores relatando a sorte de seu destino: [. entre a Praça do Mercado e a Rua da Conceição. O fim da escravatura. A ebulição política na capital do Império se reflete nas províncias. Neste clima. Pressionados. em 4 de setembro de 1888. O tempo passa e o comércio continua a ocorrer a céu aberto.

coberta com telhas de barro. O centro da cidade passa por várias reformas. executado por Jerônimo Nocetti. Em fase final de acabamento. Na inexistência de algum empreendedor para o projeto. Ao final da sessão. Os moradores do interior da Ilha passam a contar com o benefício de novas pontes. Antônio Carioni conclui. . a um custo final de 5:808$000 (5 contos e 808 mil réis).BALAIO VELHO 50 Coelho e Deodoro. A sessão fica acalorada quando um opositor sugere que se aprove seu projeto de construção do Galpão sobre o mar. além do calçamento. Acontecem melhorias na iluminação pública e a colocação de novas placas indicativas com os nomes das ruas e a numeração das casas. Para comodidade dos fiéis. Ruas estão sendo calçadas. Desta vez são os proprietários estabelecidos no Mercado que apresentam à Câmara um abaixo-assinado pedindo providências contra os ambulantes na Praça. porém com menor autonomia. Edificado ao lado da praça Fernando Machado. a Praça do Mercado. a praça XV de Novembro. Todos reconhecem sua necessidade. ao final de 10 ou 15 anos. prevalece a construção na rua Conselheiro Mafra. Mas não concordam com a nova localização. o Galpão do Peixe não ameniza as constantes disputas por clientes. Apresentado por José de Araújo Coutinho. há dez bancas e vários tabuleiros para exposição e venda dos produtos. que prejudicaria os comerciantes. o Galpão do Peixe abre suas portas em 30 de janeiro de 1891. ainda a combinar. com área aproximada de 640m2. em 10 de abril de 1890. além de não haver condições para o desembarque de mercadorias. uma segunda-feira. o projeto foi aprovado em parte. entre as ruas João Pinto e Antônio Luz. O interessado deveria fazer a construção com recursos próprios e. a renda e o prédio passariam ao domínio do Governo Municipal. a escadaria da Catedral. Em seu interior. Idéia descartada pelo alto custo. podendo contrair empréstimo no valor da obra. tem seu ajardinamento implantado. parcialmente aberta. pois estariam fora do centro comercial. 51 O mesmo que prefeitura. por quatro votos a três. O Galpão é uma construção de madeira. a Intendência51 ficaria obrigada a construir o Galpão em seis meses. em frente ao prédio do Mercado. entre elas a do rio Ratones e a sobre o rio Tavares.

é transplantada para o centro do jardim. voltam as barraquinhas. Então. 180. em São José. Teodoro José dos Reis. inaugurado em 1851. no Galpão do Peixe. duas vezes por semana. pág. O prazo de exploração dos boxes dos primeiros comerciantes está para se vencer. Brigídio Antônio Priscolo. E os ambulantes. a pedido da fiscalização da saúde e higiene pública.51 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Em frente. sendo deferida. localizada na Baía Sul. Em janeiro de 1892. a figueira que havia nascido mais próxima da Catedral. em frente à Praça. também em 1891. embarcada em canoas. Augusto Estêvão de Lima constrói uma casinha para negociar comestíveis junto ao Galpão do Peixe. Miguel Meilego. e outra para a pintura a óleo do Galpão. passa por pequenas reformas e uma pintura completa no interior e exterior. A produção da colônia alemã de São Pedro é transportada em carroças até a Praia Comprida. os primeiros arrendatários Cosme Francisco da Luz. O movimento revolucionário. em oposto à região central de Florianópolis. E. no Trapiche do Comércio. o edifício do Mercado. Em dezembro de 1892. Do lado de fora. É a Feira dos Colonos. para venda de comestíveis e café. a Intendência abre uma concorrência para a construção de mais seis bancas. onde. O coronel Gustavo Richard. José Ramos Rigueira e Nicolau da Silva Eucélio requerem que a Intendência prorrogue por mais dois anos o direito de exploração. um cidadão tenta obter alvará para a construção de um quiosque. Em dezembro. João da Silva Pereira. chega à capital. contrário a Floriano Peixoto53. descarregando os colonos seus produtos na praia em frente ao Mercado. aos dez tabuleiros existentes são acrescentados mais dez. há 20 anos. governador. Manoel Francisco Paim Júnior. . federalista. João Batista Jacques pede permissão para construir um quiosque. José Serex. na praça XV de Novembro. As primeiras interferências no projeto começam em nove meses. 52 53 Ver Balaio de Figurinhas. Não consegue. João José Cláudio. pombeiros e pescadores sem concessão continuam a negociar. que era republicano. Praia do município de São José. executa melhoramen-tos na estrada entre São Pedro de Alcântara e a Praia Comprida52. invade o Palácio e faz suas vítimas.

um guarda palaciano e o médico-major da guarnição.BALAIO VELHO 52 Na tentativa de invasão. Os ânimos se acalmam. . a localização do Mercado e do Galpão do Peixe volta a ser o centro das discussões. Porém. Este eclético contingente continua a ser alvo de ataques na Câmara e jornais. A luta pela moralização dos espaços é acirrada. A falta de espaço em seu interior cria uma feira paralela que cerca a edificação. sob o comando de Hercílio Luz. bêbados. com o esgoto. quando este recebe as esculturas alegóricas e a nova platibanda escondendo o telhado. então. a necessidade da transferência do Mercado Público. A malograda invasão deixa ainda alguns feridos. principalmente na área central. e a higiene pública. na madrugada do dia 1o de julho de 1893. O governador Hercílio Luz assina a 10 de outubro de 1894 a lei que dá o nome de Florianópolis à cidade. Autoriza a reforma do Palácio. em 1895. morrem dois civis. Dentro deste contexto. Surge. a mudança do cemitério. Preocupa-se ainda com o abastecimento de água. se associando novamente a tipos comuns. sábado. começa a interferência racional no uso do espaço urbano. adquirindo uma característica neoclássica. prostitutas e marginais que se misturam a colonos e pescadores que desejam apenas vender seus produtos honestamente.

53 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA .

BALAIO NOVO Com seus cipós ainda amarrados de modo firme. transportar nosso futuro. . Pronto para seu uso. Guardando o emaranhado do passado. poder descansar num canto da despensa. um dia. guardar nosso dia-a-dia e. quem sabe.

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1851. Planta. orçamento e local já definidos. torneiras. e a necessidade de embelezar a região central eram os assuntos discutidos no momento. tiveram suas construções definidas após anos de debates. pipas e barricas dos vendedores do líquido. Rapidamente. em fevereiro de 1896. Primeiro na imprensa. Mas os empreendimentos ainda não eram suficientes para a Câmara Municipal. e a finalização do cais da Alfândega. mesmo com o Galpão do Peixe funcionando. entre 1890 e 1901. três dias depois. Primeiro mistério. o comércio tumultuado nas ruas próximas. depois na Câmara e seus bastidores. Seu discurso principal era sobre o desmatamento dos morros que cercam a cidade. o vereador Raulino Júlio Adolfo Horn. Grandes escavações e aterros são retomados em 1889. e o Galpão do Peixe. Ao invés de disputas. A Praça do Mercado. A canalização dos córregos da região central e a construção do cais na praça Lauro Müller são completadas com as obras do trapiche de passageiros na praça Floriano Peixoto. alertando para o fato de alguns mananciais já estarem extintos. em 26 de dezembro. o vereador Leonel Heleodoro da Luz apresenta um projeto para o novo Mercado. o superintendente municipal. autoriza a chamada de licitantes para a obra. 1891.BALAIO NOVO 5 As constantes obras para urbanização de Florianópolis mudam o cotidiano das pessoas. O espaço acanhado. Henrique Monteiro de Abreu. Preocupado com o abastecimento de água. Na sessão da Câmara. uma quinta-feira. é cercado de mistérios. solicita mais empenho na fiscalização das cariocas. em 23 de dezembro de 1895. O novo Mercado não teve o mesmo passado. . Nas atas de sessões que foram consultadas. Proposta que foi aprovada por unanimidade. atual praça Fernando Machado. e com certa apatia.

conforme a planta e orçamento desta superintendência. época em que foi preterido. nesta Secretaria da Superintendência Municipal da Cidade de Florianópolis.5 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA propostas que visavam à melhoria da cidade e tudo que envolvia o emprego de dinheiro público eram exaustivamente discutidos. Segundo mistério. Termo de contrato que fazem os cidadãos tenente-coronel Henrique Monteiro de Abreu. a decisão desviava-se do padrão. conforme a planta e orçamento mandado organizar pela Superintendência Municipal. Mesmo que se leve em consideração que o local escolhido já havia sido proposto há cinco anos. verbas e reforços para a obra. com Antônio de Castro Gandra. Demorou quase um ano para a assinatura do contrato e a Câmara deliberou nesse período. em quatro sessões. comigo. secretário interino. Artigo 1o . pagamentos e multas. a tomada de preços para o Mercado não tem registro no livro de atas. Enquanto outras obras tiveram as concorrências analisadas. Aos dois dias do mês de novembro de 1896. E mais. pela quantia de 85:000$000 [85 contos de réis]. quando se discutia a construção do Galpão do Peixe. é assinado o contrato que define as condições da construção. depois de 11 meses da publicação do edital. capital do Estado de Santa Catarina. debaixo das seguintes condições e cláusulas. superintendente municipal. Artigo 2o . superintendente municipal em exercício.O cidadão Antônio de Castro Gandra obrigase a construir o Mercado Público desta capital. compareceu o cidadão Antônio de Castro Gandra e declarou que vinha firmar com esta superintendência contrato para a construção do novo Mercado Público desta cidade. Manoel Lício da Silva Brasinha. mesmo sem a definição sobre o empreendedor. O Mercado foi aprovado na primeira sessão.O material empregado na construção do Mercado será todo ele de melhor qualidade e sujeito antes de ser empregado a fiscalização por profissional indicado pela Superintendência Municipal na construção [fiscal de obra]. onde se achava o cidadão tenente-coronel Henrique Monteiro de Abreu. . e Antônio de Castro Gandra para a construção do Mercado Público desta Cidade de Florianópolis como abaixo se declara. adiante nomeado.

as portas serão feitas de madeira de lei nas condições e dimensões do orçamento número 11. g) Colunas . f) Portas .os capitéis serão como a cimalha.BALAIO NOVO 5 Artigo 3o a) Alicerces . e) Cobertura .depois de construído e seco o edifício.os alicerces serão construídos de pedra com argamassa de cal e areia.o calçamento interno do Mercado será feito de macadame [pedra britada] armado e coberto com uma camada de cimento. O cais que servirá de alicerce para a parede do lado do mar será também de cimento. n) Calçada . e espessura de 45 centímetros. [em] partes iguais conforme o respectivo orçamento. em adiantamento constante do orçamento. passará o empreiteiro duas demãos de caiação. terão os alicerces em granito e lançados em presença do respectivo fiscal.o telhado consistirá de telhas francesas.o madeiramento deve constituir-se todo ele de madeira de lei e terá as dimensões especificadas no orçamento sob os números 6.as bandeiras [parte superior fixa] das portas [as grades] serão de ferro batido.as cimalhas serão feitas em cimento e com as dimensões constantes na planta. em partes iguais.as colunas de ferro fundido (já encomendadas). k) Platibanda . i) Cimalhas . com argamassa de cal.as paredes serão construídas de tijolo. o) Portões .a calçada externa será feita de macadame com cimento.serão de cobre e não poderão ser colocados senão depois de serem examinados pelo fiscal. d) Madeiramento . bem como os ventiladores [óculos54]. areia e barro. c) Calçamento . b) Paredes . 7. . m) Caiação . l) Calhas e canos . 8 e 9. h) Bandeiras . na maioria das vezes decorativa.a platibanda será de balaústre [pequenas colunas torneadas].os quatro portões principais serão de ferro bati do com emblema adequado e a arquitetura será conforme a 54 Abertura ou janela circular. de preferência requeimados. j) Capitéis . Os desenhos serão com ponteiras.

Em tempo. p) Frente da edificação . Artigo 6o . b) Empregar material julgado impróprio à construção. Artigo 5o . a contar da data da assinatura do presente contrato. E por estarem conformes com todas as cláusulas e condições aprovadas neste contrato.A planta terá desde já a seguinte atenção: os quatro cantos serão quebrados [construídos em 45o] e terá uma porta em cada um deles. d) Das multas impostas pelo fiscal recorrerá [o construtor] para a superintendência.a frente do edifício que fica para o lado do mar será colocada em cima do cais existente e as outras frentes serão alinhadas pela superintendência. a quarta quando o edifício estiver coberto. louvem-se o presente termo que assinarão o superintendente cidadão tenente-coronel Henrique Monteiro de Abreu. Manoel Lício da Silva Brasinha.serão de 500$000 [500 mil réis] a 2:000$000 [2 contos de réis] se: a) Faltar a execução fiel da planta em vigor. e eu. sob pena de perder os materiais expostos e as prestações que tiver a receber. Artigo 4o .O pagamento será feito em seis prestações.Das multas . Artigo 7o .5 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA planta. c) Em caso de desobediência a aviso do fiscal. O prazo acima concedido só poderá ser prorrogado em caso de força maior devidamente justificado pelo contratante. a quinta quando for entregue a obra e .O prazo para a construção do edifício será de 22 meses. o contratante cidadão Antônio de Castro Gandra. não podendo por forma alguma exigir revisão do contrato nem abandonar a obra. cuja não observância possa ser prejudicial à construção. a segunda prestação quando as paredes estiverem na altura das portas. a terceira prestação quando estiverem no respaldo. sendo cinco prestações de 14 contos de réis cada uma e a sexta de 15 contos de réis pela forma seguinte: a primeira prestação quando tiver os alicerces prontos. tendo o contratante quatro meses para dar princípio à obra [a ser] executada. secretário interino.

Aproveitando o excesso de terra retirado nas escavações das ruas que estavam sendo alargadas e prolongadas. O mar chegava à rua quando. rua Altino 55 Correia. por ventura. o Mercado seria construído na rua Altino Correia55.A superintendência não poderá também. Rua do Comércio. secretário interino. Se. O logradouro teve várias denominações: Rua do Príncipe. indenizará ao contratante mais 120$000 [120 mil réis] mensais pela mora de pagamento de cada prestação vencida. em 1875. rua José Veiga. Finalmente. o superintendente municipal. Com as tradicionais festividades. nos prazos respectivos. e o contratante Antônio de Castro Gandra. Eu. . Além de afastar o comércio do Centro. E como assim ficou ajustado e contratado assinam o presente contrato os cidadãos. mão-deobra e material e mais a quantia de 20 contos de réis por peça e [. o terreno era de sua propriedade. atual rua Conselheiro Mafra. tenente-coronel Henrique Monteiro de Abreu. 28 de dezembro de 1896. satisfazer os pagamentos. foi lançada na segunda-feira. próximo ao local proposto desde 1838. A área tomada do mar estava desocupada e na época suficientemente longe da Praça do Mercado. Manoel Lício da Silva Brasinha. em 17 de abril de 1894. Artigo 8o . o superintendente não puder. que escrevi. propícia aos interesses da superintendência. a pedra fundamental da edificação.BALAIO NOVO 0 a sexta e última 20 dias depois de ser entregue. conforme consiste no orçamento. e finalmente rua Conselheiro Mafra. em 19 de setembro de 1891. de forma alguma. o cais da Alfândega teve seu limite estendido até a rua Jerônimo Coelho e as obras finalizaram em 1890. e sim será cober-to o edifício com telhas de ferro galvanizado.. rescindir o presente contrato sob pena de pagar ao contratante todas as despesas feitas no edifício. começou o aterro para a edificação da nova Alfândega. entre as ruas Jerônimo Coelho e Deodoro.]. a partir de 21 de janeiro de 1890. Em tempo.. Fica sem efeito a cláusula terceira onde diz que a cobertura será feita de telha francesa.

é contratado para a execução de um cais com rampa. por 49:700$000 (49 contos e 700 mil réis). verduras e legumes. mesmo com as obras atrasa- . de carne e um poço no centro do edifício. Enquanto outros assuntos ligados ao novo Mercado continuam a monopolizar os discursos na Câmara. o construtor Iconomos Agapito Iconomos. Parecia de pouca utilidade o grande espaço interno do prédio. Um quebra-mar se fazia necessário para proteção do prédio e criar uma calçada em volta. sem divisões internas. Apesar de localizado à beira-mar. peixe. destinado ao comércio de carne. aproveitando o muro onde o mar batia. em continuação à rua Deodoro. sendo que o último pagamento não poderá ser feito seis meses depois de concluída a obra. um aditamento passa a largura dos cais de 7 para 10 metros. E uma novidade. bancas de cimento para a venda de pescado. hoje no vão central.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA O prédio do novo Mercado seria. em 7 de dezembro de 1897. o projeto não previa um atracadouro e rampa de acesso para as mercadorias que chegavam em canoas. a lei no 41. Projeto finalizado. na realidade. secos e molhados. acrescendo também 19:071$000 (19 contos e 71 mil réis) ao valor da obra. e de um quebra-mar por 65:000$000 (65 contos de réis). conforme as forças da superintendência e de acordo com a existência de caixa desta repartição. Em menos de um mês após a assinatura do contrato. O contratante se obriga a começar a obra em 40 dias e acabá-la num prazo de 24 meses. Então. a parede estava sendo construída sobre a beira do aterro. bem como as condições e a autorização da hasta para a locação. E. ocorre a definição do tamanho e a posição dos boxes. a cláusula sobre o pagamento tem uma redação indefinida e engraçada: Os pagamentos serão feitos em prestações mensais ou semestrais. com produtos expostos em bancas e 12 tabuleiros. o superintendente solicita ao governador Hercílio Pedro da Luz o empréstimo de um engenheiro da Repartição de Terras para projetar um cais. Com o caixa da superintendência precário. autoriza uma licitação pública para a construção das paredes internas e suas divisões. dois banheiros públicos. um grande galpão de alvenaria. Oposta à rua Altino Correia. Já com as obras sendo executadas. de 16 de abril de 1898. o prazo de aluguel.

. fronteiriços ao mar. desde o número 1. legislam o regulamento para o funcionamento do Mercado pela lei no 56: Artigo 1o . que não poderá ser ocupado por mais de uma pessoa. toda a qualidade de pescados. [. bancas. que procedendo informação do administrador de achar ou não vago o lugar 56 expostos em tabuleiro. ovos. sem a conclusão dos cais e do quebra-mar. e no centro da parte superior do portal interno. os vereadores autorizam o superintendente a inaugurar o prédio. [. previstos para dezembro de 1898. com fundo branco.] Artigo único. Artigo 2o . doces e outros produtos caseiros Que têm bons costumes ou vida exemplar.. legumes. Os números deverão ser feitos com tinta preta a óleo. para açougues e bancas de pescado. produtos de lavoura e quitandas56 para alimentação.A casinhas serão alugadas a pessoas morigeradas57 e de bons costumes e o contrato de aluguel se fará por concorrência pública. A casinha N ficará reservada para o administrador.A Praça do Mercado servirá de centro para compra de gêneros alimentícios: a carne verde.BALAIO NOVO 2 das. Parágrafo único. aves.. 57 Mercadorias dos vendedores ambulantes. cereais. frutas. mediante aluguel de 6$000 [6 mil réis] mensais para cada vão de coluna. hortaliças. Continuando os trabalhos. vãos de colunas e centro da Praça na forma determinada neste regulamento. e os compartimentos norte e sul. Artigo 3o ..] Artigo 12 . os quais deverão ser colocados nele segundo as suas divisões em casinhas.As casinhas nela existentes serão numeradas devidamente. a começar pelo lado direito da entrada do portão que faz frente à Alfândega. Parágrafo único. biscoitos.O quitandeiro que pretender um lugar na Praça requererá ao superintendente. . Os lugares entre as colunas são destinados para os quitandeiros exporem à venda tudo o que não é proibido existir na Praça.

Artigo 14 . Por simples despacho do superintendente irá o pretendente pagar aluguel ao procurador e obtendo o respectivo conhecimento se apresentará com este ao administrador para lhe facultar a entrega do lugar concedido. menos carne e pescado. fechando-a nesta época às 6 horas da tarde e naquela às 7 horas.] Horário de funcionamento. ovos. e às 5h30min de 1o de abril a 30 de setembro. desde o amanhecer. para venda de todos os gêneros da lavoura. quando a abundância for tanta que as bancas não chegarem para ele. uma vez que não esteja ocupa- Parágrafo único.No pátio central não haverá lugar certo e privativo de alguém. porém. lho concederá.Ninguém poderá comprar tais gêneros por atacado.3 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA do. salgado. que só podem ser vendidos nos lugares destinados para esse fim [açougues e bancas de pescado]. frutas. aves. produtos suínos.O peixe fresco.] Artigo 39 . Na sessão de 18 de abril de 1898. Artigo 15 . O destino da Praça do Mercado e do Galpão do Peixe começa a ser definido.. seco. camarões e mariscos serão só expostos à venda no lugar designado para este fim. Artigo 13 . até as 3 horas da tarde. como cereais. § 5o do artigo 22 . parágrafo único [somente os pombeiros]. etc. Artigo 40 . [.. de 1o de outubro a 31 de março.. O infrator incorrerá na multa do artigo 100 do mesmo código.Abrir as portas diariamente às 4 horas da manhã. se permitirá a venda na rua [calçada] fronteiriça ao mar. senão de acordo com o artigo 95 e § 1o do artigo 96 do Código de Posturas.. Os que vierem aí expor gêneros tomarão aquele que se achar desocupado.O pátio central da Praça do Mercado é destinado. [. requerido.O pescado fresco existente no Mercado não poderá ser conservado nele para se vender no dia seguinte. a Câmara autoriza a .

uma de Miguel José Maltz. O arrendamento de mais três boxes foi avaliado na segunda sessão. com uma proposta de 10:200$000 (10 contos e 200 mil réis). da Silva Xavier. Com o box 5 ficou Antônio da Silva Braga. ganhando Constantino Garofalles com a oferta de 51$000 (51 mil réis). box 3.B. Quatro propostas foram apresentadas para o box 11. Nicolau Tsckki. Miguel Bufaraco. é revogada a demolição do Mercado velho e do Galpão do Peixe. Às vésperas da inauguração do novo Mercado. em duas sessões realizadas durante o mês de maio de 1898. vendê-los junto com o terreno. ganhando Francisco Carlos Salomé Pereira. box 7. box 6. ganha a licitação para execução das paredes internas. Foram analisadas 33 propostas e mais quatro em desacordo. Antônio de Castro Gandra. e box 13. duas de Francisco Salomé Pereira. Três disputaram o box 16: J. ganhou para o box 15 de outros três participantes. Cosme Damião da Cunha. box 10. Norberto de Souza Nunes. ganhou de José Félix do Carmo e Romão Rigueira. oferecendo 56$000 (56 mil réis). Antônio de Castro Gandra e Monteiro Abreu de Cabral. Durval Livramento e Elias Maltz. box 4. com oferta de 60$000 (60 mil réis). Moura e Irmão. Em maio. que ofertaram 25$000 (25 mil réis) por mês. que ofereceu 60$000 (60 mil réis). construtor do Mercado novo. uma de Cosme Damião da Cunha. ou . Miguel Bufaraco. ficando a superintendência autorizada a aproveitar os prédios.BALAIO NOVO 4 demolição dos prédios e a construção de um trapiche no local. com oferta de 28$000 (28 mil réis). que ofereceu 35$000 (35 mil réis). acontece na Câmara a abertura das propostas para locação dos boxes. por 45$000 (45 mil réis). Constantino Garofalles. uma de Armindo José Boabaid. o vencedor. Manoel José Fernandes. Gandour Dagher e Miguel Maltz. A proposta de Manoel José Fernandes. José Felix Caetano do Carmo. box 2. Jovita de Castro Gandra. arrematou o box 12. boxes 8 e 9. com 56$000 (56 mil réis). com 26$000 (26 mil réis). Jovita de Castro Gandra. que revelou uma disputa pelos principais locais. uma de Monteiro Abreu de Cabral e outra de Norberto de Souza Nunes. Enquanto isso. Foram apresentadas quatro propostas para o box 14. Francisco Campos da Silva. O resultado final da licitação foi: Para o box 1. também Francisco Campos da Silva. vencendo outros quatro concorrentes.

sobre esteiras. o jornal O Estado publica uma reportagem que prevê o futuro do empreendimento. É um extenso corredor com grandes bancadas cimentadas. há de ter. especialmente. Por esses e outros motivos. etc. Relata a grande quantidade de erros que se acumularam durante a construção e descreve a obra: Quem tenha examinado o Mercado novo. como nós. reconheceu-se na primeira inspeção que no novo Mercado esse comércio não poderá ser feito sem prejuízo para o povo e para os respectivos comerciantes. No caso de venda. o atual Galpão [do Peixe]. sendo adiada a venda do edifício do velho Mercado. a carne. ao centro. que estava marcada para 30 do corrente [janeiro]. e com o qual gastou a municipalidade algumas dezenas de contos de réis. Fez-se um comprido edifício. esquecendo-se os fins a se preencher em bem da população. ela não se fará. É aí que se abastece a maior parte da população. deixando de cada lado um tão pequeno espaço que muito mal poderão passar duas pessoas. Todos sabem a afluência diária ao Mercado destinado à venda desses gêneros. o peixe. dividiu-se sem critério. sem cálculo. que pretendem inaugurar breve. Com a proximidade da inauguração. o comprador deveria construir um sobrado no local em um prazo máximo de três anos. deixando apenas para a venda dos gêneros de alimentação. são levados a acreditar que. espaços acanhadíssimos. não comporta a quantidade do pescado exposto à venda e os negociantes desse gênero são obrigados a fazer o seu comércio na rua. O lugar que dizem designado para venda do pescado. Nessas condições. a par. onde não se poderão mover livremente vendedores e compradores.5 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA mesmo apenas concedendo o direito de demolição e seus materiais. e prova o que acima dissemos. é digno de reparo. Ainda que não seja ele necessário à municipalidade para outros . em cubículos de aluguel para o comércio diverso. Em determinadas épocas do ano. ficado convencido de que na sua construção só se atendeu as rendas que devia produzir de futuro para os cofres municipais. que é bastante espaçoso.

ainda não inaugurado. O Estado critica a falta de espaço. que serve de quartel do Corpo de Polícia e Cadeia. segundo nos informaram. O próprio Mercado novo. está carecendo de reparos na coberta e paredes externas. o jornal República comenta: Felizmente.BALAIO NOVO  fins. com o qual dispensou o Tesouro não pequena quantia. . para edificar-se outro quase no mesmo lugar. Aí está o novo prédio. Em outras edições. apesar de sua inferioridade quanto à solidez. Lembrem-se os poderosos públicos do Estado que já nesta capital mandou-se demolir desnecessariamente um espaçoso e bem construído edifício. nas terças-feiras. pelos quais é sempre batido o local onde se acha esse edifício. A prova é que essas paredes. em função da deficiente organização interna do conjunto. E prevê que os colonos ficariam expostos às intempéries quando chegassem. a merecer já sérios reparos. quando completamente levantadas. constituindo bela edificação onde venha a funcionar alguma de suas repartições. vai o público gozar de mais um importante me58 Denominação do vento sul forte. o Poder Executivo do Estado talvez venha a reconhecer a utilidade do local em que está situado para aproveitá-lo com vantagem. instalados em um canto. insuficiente para a venda de verduras. Jornal O Estado. apenas faltando colocar as cobertas de zinco. não oferecendo o mesmo a necessária segurança. para a Feira dos Colonos. já uma vez. bem como os tabuleiros mal colocados e pequenos. não se lhes pode augurar muitos anos de resistência aos pampeiros58. que funcionava nas quartas-feiras pela manhã. o antigo colégio dos jesuítas. foram quase totalmente destruídas. Conhecido na Argentina e Rio Grande do Sul como minuano. Eram em número de 12. Anunciando a solenidade inaugural. a julgar pelo modo por que foram construídos. relativa ao antigo. onde posteriormente funcionou o Ateneu. em 7 de janeiro de 1899.

O República. esteve o Mercado iluminado a gás de acetileno59. cabendo à situação republicana todos os louvores pelo interesse com que trata do bem público. Jornal República. Finalmente o centro de abastecimento de Florianópolis possui um novo endereço. Percorreram aqueles cidadãos todas as dependências. Já então era enorme a concorrência. vice-presidente [da Câmara Municipal]. e os senhores conselheiros [vereadores] Inocêncio Campos. primeiro-secretário [da Câmara Municipal]. domingo. questiona o destino do Mercado velho e nas entrelinhas critica o novo empreendimento: 59 Hidrocarboneto não-saturado que. em que primava a ordem. O jornal República noticia: Foi anteontem [5 de fevereiro de 1899] inaugurado o novo Mercado. Às seis e meia da manhã. ilustre superintendente municipal. A parcialidade da imprensa da época fica evidente no acontecimento. às 6h30mim do dia 5 de fevereiro de 1899. situado na rua Altino Correia [atual Conselheiro Mafra]. jornal republicano. quando molhado. No governo de Felipe Schmidt. . pelo melhoramento que acaba de adquirir. no mesmo dia. o novo Mercado é aberto ao público. na presença de autoridades. compareceram o senhor senador Raulino Horn. em 7 de fevereiro de 1899. sem dúvida. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA lhoramento. com o que. À noite. O Estado. construtor do importante edifício. José Boiteux. O jornal federalista. sendo avultado o número de pessoas que o visitaram. Pereira Oliveira e Pedro Bosco [vereadores]. Congratulamo-nos com a população desta capital. gera um gás inflamável. trata a inauguração com destaque. bem assim como o senhor Antônio de Castro Gandra. terá vantagens e comodidade compatíveis ao velho pardieiro da Praça.

o que muito convém a uma grande parte da população local e aos bairros adjacentes. o Mercado velho. o peixe exposto em esteiras. durante três a quatro horas. construção cuja solidez pode-se bem avaliar. na maior parte pequenas.BALAIO NOVO  Ouvimos que a Superintendência Municipal autorizará vender-se o pescado também no respectivo Galpão [do Peixe]. de sorte que a baldeação [lavação] da área das bancas atira às águas [do mar] todos os resíduos que vão-se no baixa-mar. legumes. isto é. ligeiramente que seja. abastecer-nos de lenha. então. meio século. o que acontecerá a esses milhares de pobres homens que ali vêm em canoas. o que determina acotovelarem-se os compradores. Para acabar de fazer obra boa e a contento geral. restaurante ao alcance dos que não podem ir à mesa de hotel. sobretudo. A pequena praia que ali está à frente do Mercado é imprescindível. pequeno comércio de charque e molhados. Não valerá a pena sacrificar qualquer projeto de uso aos interesses e à comodidade dessa pobre gente? Ignora o governo municipal que a doca em construção à frente da linha do cais correspondente ao Mercado novo não serve convenientemente ao serviço de . espaçoso. os preamares do equinócio vão batendo-lhe os alicerces. frutas e o que mais seja. Murmurar no vago. visto que o lugar que lhe é destinado em nosso novo Mercado não tem capacidade para época de abundante pescaria. ao sol. e traz para o município grande fonte de renda. de sorte que ali tenhamos também açougue. ventilado e sobre o mar. deve o governo municipal reparar. como outrora. apesar das licenças concedidas para tal serviço no interior do Mercado recentemente instalado. café. a retalho. em verdadeira multidão. tornando-se assim prejudicial à alimentação pública. que ela desaparecerá. que em poucas horas o decompõe. em porções ao alcance de nossos bolsos. O próprio prédio municipal construído especialmente para esse fim. dias em que para o consumo chegam mais de 12 mil anchovas. ovos. seria inepto desprezá-lo. e abri-lo novamente ao público. forçando-nos ao triste espetáculo de ver. havendo. E assim deve ser. embora. que vai de maio a novembro. considerando que há 50 anos.

entendeu a superintendência permitir a Feira dos Colonos. não são de natureza para estarem atracadas roçando umas nas outras. tem sido plenamente justificado. Os ataques. Aos fundos do Mercado. Os compartimentos destinados à venda de carne e peixe deixam tudo a desejar e os consumidores perdem ali precioso tempo. onde estão estabelecidos os tabuleiros para venda de frutas e legumes. a ressaca. divisão aconselhada por múltiplos interesses particulares em jogo. embarcações inteiriças de 1 polegada [2. De mais. de O Estado continuam no dia seguinte. com o que tem presenciado no novo Mercado recém-inaugurado. dificultando velejar sobretudo aquelas que forem tripuladas por um homem só. ou as verdades. . às terças e quintas-feiras. arrebentação. fará perigar a saída dessas embarcações para o mar.5cm] apenas de espessura no fundo e costados. sem descanso para o superintendente: Não deve estar satisfeito o senhor Raulino Horn. Jornal O Estado. em 7 de fevereiro de 1899. dolente que seja. Tudo que nessas colunas temos dito sobre a divisão feita no Mercado. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA canoas. tornando quase impossível o trânsito pela grande quantidade de mercadorias espalhadas e grande aglomeração do povo. e cremos que providenciará com brevidade sobre 60 Mar agitado. ainda que bastante espaçoso. O senhor superintendente deveria ter visto o inconveniente de se ter esta feita no interior do Mercado. que terá de cuidar a um tempo de manobrar a vela e o leme. aos empurrões. das ondas. depressa lhes gastará o fundo. e pouca duração podem ter se forem diariamente pranchadas [arrastadas] à rampa. ao oscilar. a confissão60 das águas em ocasião que ventar. tal a quantidade de madeira de que são construídas? Isso admitindo a hipótese da rampa comportá-las quando elas ali vêm em número de mais de cem. que. numa verdadeira luta para aproximarse do vendedor e alcançar um pedaço de carne à venda do açougueiro. sendo-lhes quase vedada a liberdade na escolha.

custou 236:471$000 (236 contos e 471 mil réis). ao lado da praça Floriano Peixoto. pescado. continua a vender carne. o valor inicial de 85:000$000 (85 contos de réis) correspondia a 69 % da receita do município. na inauguração do Galpão do Peixe. construir um estabelecimento para o futuro com apenas 32% a mais de área parece falta de planejamento. Elevou-se o custo do contrato para 102:700$000 (102 contos e 700 mil réis).075 pessoas. que era de 121:914$728 (121 contos.8% a mais. frutas e legumes. os fregueses encontram os . da praça Floriano Peixoto com a do Galpão do Peixe. 640m2. Jornal O Estado. A partir de agora os consumidores dividem suas compras em dois endereços. 20. o conjunto arquitetônico é inaugurado. em 1896. 2:000$000 (2 contos de réis). Ganchos para a exposição das carnes. construção dos tabuleiros e calçamento ao redor do prédio. mas proporciona aos clientes o conforto de bares e cafés.841 habitantes. Mesmo assim. No primeiro dia de funcionamento. 16. e comercializa os mesmos produtos do Galpão.363m2. o quebra-mar e muitas divisórias internas. contra os 1. 914 mil e 728 réis). a divisão interna sem critérios. a novíssima iluminação a acetileno e as bancas de mármore consumiram mais 4:500$000 (4 contos e 500 mil réis). Somando a área do Mercado.BALAIO NOVO 0 o assunto. Levando em consideração que em volta da antiga edificação os comerciantes negociavam seus produtos nas ruas próximas. a falta de espaço para a Feira dos Colonos já justificam as críticas. Cais e quebra-mar consumiram 133:771$000 (133 contos e 771 mil réis). localizado na rua Altino Correia. Quando contratado. Faltavam os cais. por falta de espaço. crescendo 42% em relação ao ano de 1891. Inacabado. quando eram 21. goteiras. resulta em 1. em 8 de fevereiro de 1899. O Galpão do Peixe.6% a mais que o orçamento inicial. Os defeitos na obra. o novo Mercado perde o adjetivo novo. Melhoramentos que não estavam previstos no orçamento inicial foram incorporados e suas verbas liberadas em cima da hora. que tinham ficado a cargo dos arrendatários. 723m2. Afastado. E a cidade tinha uma população de 31. 1:000$000 (1 conto de réis). Uma rápida análise do edifício esclarece muitas dúvidas sobre qual órgão da imprensa tinha razão.806m2 do Mercado novo.

Box 6. Também no box 4. Os espaços eram decididos na superintendência. 61 Ver Balaio de Fotos . Sem lugar definido. O box 3. O box 7. de Manoel José Fernandes. o box 13. Eram de quem chegasse primeiro e desembolsasse os impostos referentes a seus produtos. Os quitandeiros comercializavam em uma espécie de armário61 e tinham os aluguéis mensais fixados em 6$000 (6 mil réis). Moura e Irmão continuam com os boxes 8 e 9. A relação dos primeiros locatários do Mercado da rua Conselheiro Mafra. no leilão. com os lugares sendo disputados diariamente. fica assim: Boxes 1 e 2 continuam pertencendo a Jovita de Castro Gandra. O box 10. no qual foi vencedor. de Antônio da Silva Braga. vários boxes trocaram de mãos em diversas negociações. de Nicolau Tsckki. o box 12 ficou com Cosme Damião da Cunha. sem qualquer menção a transferência. foi transferido para Oliveira Carvalho e Irmão. que emitia novos alvarás a cada mês. os produtos da lavoura. aumentando os problemas existentes. . o box 16. foi transferido para Constantino Garofalles. A Feira dos Colonos realizada na praça Fernando Machado é transferida para o novo Mercado uma semana após a inauguração. ficou com Constantino Garofalles. Monteiro Abreu Cabral. aves. Entre os arrendatários. José Félix Caetano do Carmo transferiu para Armindo Boabaid. o box 14. o interior não comportava a grande quantidade de fornecedores e produtos. em 1899. Constantino Garofalles transferiu para Miguel João Bufaraco. Mal dimensionado.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA novos comerciantes nas bancas. Estranhamente. teve o contrato assinado por Francisco Carlos Salomé Pereira. Francisco Carlos Salomé Pereira transferiu para Miguel João Bufaraco. Norberto de Souza Nunes transferiu para Miguel João Bufaraco. Francisco Campos da Silva transferiu para Antônio de Castro Gandra. o box 15 teve contrato assinado com Manoel José Fernandes. Francisco Campos da Silva transferiu para Antônio de Castro Gandra. o box 11. O box 5. e o box 16 ficou com Francisco Carlos Salomé Pereira. ovos e cereais eram vendidos ao longo do centro do prédio. que passou para Júlio Nicolau de Moura.

. os oleiros continuam pela terceira vez a vender suas louças nas ruas próximas. a falta de recursos no caixa do governo estadual paralisa algumas obras.] todo o material do edifício do Mercado velho. quatro balanças com conchas de metal. Antônio de Castro Gandra. em dois lotes. nada restou do primeiro Mercado Público de Florianópolis. Será tudo vendido em um só lote. tampa do mesmo. dois lampiões dito belgas e um mastro para bandeira. passando pelo Galpão do Peixe. relacionava: [. O primeiro compreende objetos avulsos: [. telhas. assume as parcelas do contrato . mas realiza reparos urgentes na Cadeia. Felipe Schmidt. Enquanto isso.] para onde se transportarão. em direção ao Centro. Adia a reforma do Teatro Álvaro de Carvalho. atual praça Fernando Machado.. depois de demolido. madeiramento. desde que no Mercado novo os únicos 10 lugares [bancas] existentes são diminutos. os comerciantes licenciados para o comércio do pescado. constando de pedras e tijolos das paredes. bem como a demolir o edifício e retirar o material num prazo de 30 dias a contar da data de arrematação. era: O futuro do Galpão do Peixe ainda estava indefinido. arrematado pelo construtor do Mercado novo. na Praça do Mercado.. Demolido. etc. poço.BALAIO NOVO 2 Esquecidos desde a Praça do Mercado. desaparece em 25 de março de 1899. segue de forma lenta a do Palácio.. Na cidade. O Mercado velho vai a leilão em 4 de março de 1899. o governador. em julho de 1899. uma dita sem concha. Todos esses objetos serão arrematados no estado e lugar em que se acham. o governo municipal continua o calçamento na rua Altino Correia. o Mercado velho. Assim.] duas cobertas de zinco com oito tabuleiros cada uma. bomba. em 12 de março de 1899.. dois lampiões de vidro. ficando o arrematante obrigado a conservar somente o alicerce do lado fronteiriço do mar. cano de chumbo. 28 barras de ferro. 13 tabuleiros de madeira. O segundo. insuficientes mesmo? Jornal O Estado. quatro bancas de madeira.. ladrilhos. e a questão [.

. conforme as forças da superintendência e de acordo com a existência de caixa [. um soldado avisava a entrada de navios na baía. nos Estados Unidos. se dirige à superintendência e é encaminhado ao Tesouro Estadual para receber uma parcela de 8:000$000 (8 contos de réis). assinado em dezembro de 1897. não possui outras menções sobre o Galpão. Os produtos que representam o Estado na Exposição Universal de Saint Louis. A superintendência entrega o calçamento com paralelepípedos da rua Conselheiro Mafra.3 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA para a construção do cais e do quebra-mar que. as preocupações com o desenvolvimento da cidade continuam. 1895 a 1911. O transporte fica mais rápido. em Paris. No entanto. Século XX E para as comemorações da virada do século. definia a forma de pagamento: [. por iniciativa do monsenhor Francisco Xavier Topp. . considerando que os contratos eram anuais. O sócio de Iconomos Agapito Iconomos. Em 23 de outubro daquele ano. é inaugurada a cruz no morro do Antão. conhecido hoje como morro da Cruz.. o antecessor do Miramar. 25 de prata e 24 de bronze. em 1906. quando começou a construção do trapiche da praça XV de Novembro. o brasileiro Santos Dumont62 decola com o 14-BIS e realiza um vôo de 60 metros nos campos de Bagatelle..] serão feitos em prestações mensais ou semestrais. Enquanto isso. e os contratos são assinados em dezembro. assinado em dezembro de 1897. O Livro de Contratos da Câmara Municipal.]. ficando um saldo de 14:450$000 (14 contos e 450 mil réis). em 30 de abril de 1904. num total de 53 prêmios. Roberto Trompowski. Na guarita.100 casas existentes na capital. conquistam quatro medalhas de ouro. 182. 62 Ver Balaio de Figurinhas. O governador Antônio Pereira da Silva e Oliveira acentua a necessidade de implantar o sistema de água e esgoto para atender as 2. Três linhas de bonde de tração animal ligam alguns pontos de Florianópolis. em 1900.. A última concorrência para os boxes do Galpão do Peixe acontece em novembro de 1902. e o Livro de Atas das Sessões também não. o comércio catarinense obtém renome nacional e reconhecimento internacional. observando fotos de 1904. Sem registros. pág. o Galpão do Peixe deve ter sido demolido no início de 1904.

133 medalhas de ouro. para a comodidade dos florianopolitanos. Artigo 2o . no largo São Sebastião [rua Bocaiúva. com o crescimento da cidade fica mais próximo. o comércio e a região estão deteriorados.O prazo da construção será de 25 anos. em seus 5. que será posto à disposição do contratante. § 1o Este mercado obedecerá aos preceitos de boa higiene e estética e será construído em alvenaria ou ferro e de acordo com a planta que a referida concorrência tiver a preferência.. atual rótula da ro-doviária. perdendo apenas para São Paulo. chamando interessados na construção de um novo mercado: Artigo 1o . Durante a Exposição Nacional. aves. inaugura o abastecimento de água potável. Passados 12 anos da inauguração do Mercado Público. A tentativa de melhorar o abastecimento leva o superintendente municipal Antônio Pereira da Silva e Oliveira a publicar um edital. peixes. § 2o Será destinado à venda de produtos da pequena lavoura. Os comerciantes ficam espremidos no interior do prédio e a situação piora a cada dia com a Feira dos Colonos. em 8 de maio de 1910. Os quatro carros para passageiros transportaram no ano 49. 25 toneladas. O governador Gustavo Richard. E o progresso chega.Não poderá ser autorizada a abertura de ou Mercado de São Sebastião .Fica a Superintendência Municipal autorizada a chamar concorrência para construção e instalação de um mercado na Praia de Fora.. comemorativa ao Centenário da Abertura dos Portos do Brasil. em 1911. 263 de prata e 365 de bronze. carnes. em frente ao Hospital São Sebastião].450 metros de trilhos.081 pessoas e os nove de carga. Foram 38 grandes prêmios. Santa Catarina continua em destaque no País.BALAIO NOVO 4 A principal faz o trajeto entre o cais da Rita Maria. As ruas próximas são transformadas em feira livre e o local. hoje Praça da Bandeira. aberta em 11 de agosto de 1908. revertendo para a municipalidade o edifício e benfeitorias em perfeito estado de conservação. etc.] Artigo 3o . e o largo 13 de Maio. os produtos catarinenses ganham 799 prêmios. antes afastado do Centro. no Rio de Janeiro. [.

35 medalhas de bronze e 29 menções de honra. com os gêneros alimentícios chegando ao Mercado em embarcações. Diferente não é a situação dos colonos da Ilha. Projeto ainda inexistente nessa data. Cobertura suspensa apoiada em colunas sobre portas ou vãos. Dorval Melquíades de Souza. tornando impossível o acesso de pessoas e mercadorias. Frei Caneca até a Estação Agronômica [proximidade do Hospital Infantil]. ligando o Rio da Bulha.5 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA tro mercado ou mesmo açougue na área compreendida entre as ruas Ana Schutel [não foi encontrada referência sobre a localização]. Presidente Coutinho. e fazem a travessia em canoas. os produtos catarinenses conquistam 126 prêmios: um diploma de benemerência64. Itália. denominava a ampliação do aterro. Esteves Júnior. Surge. [Almirante] Lamego. enquanto na Exposição Universal de Turim. E a cidade cresce. Alpendre Em 1912. a chegada dos materiais importados da Inglaterra está atrasada e adia o início das obras da rede de esgoto. destinado à venda de pescado. Em dias de vento sul. Define o edital que o alpendre será ligado a um galpão de madeira sobre o mar. Em Florianópolis. em 1915. No outro lado da praça XV de Novembro estão concluídos os primeiros 460 metros dos cais do saneamento. benemerente. Os colonos do Continente continuam a transportar em carroças seus produtos até São José. A ponte Hercílio Luz ainda era um sonho. a primeira idéia de ampliação do Mercado e de amenizar os problemas com a falta de planejamento. Apesar do artigo acima limitar a livre concorrência por iniciativa municipal. à Prainha. notável. 40 medalhas de prata. . 16 medalhas de ouro. os planos não são concretizados. em 1899. assim. 63 64 Digno de honras. a estreita calçada lateral ao Mercado não é suficiente para deter as ondas. o novo superintendente. [largo] Benjamin Constant. abre licitação para a construção de um alpendre63 junto ao mar. sem cobertura. No Mercado. atual avenida Hercílio Luz. quatro diplomas de honra. um grande prêmio. O aterro começa em 1913.

entram em cena os pombeiros. esses lavradores completam o abastecimento. delibera ao superintendente João da Silva Ramos autorização para conceder a exploração. Mais ao centro da Ilha. cada . E a imprensa noticia: [. É nessas ocasiões que aparecem os tais pombeiros.200 velas. duas de 400 velas e 18 lâmpadas de arco voltaico de 1. agora elétrica. a empresa ou particular que. um dos pombeiros adquiriu à razão de 1$300 [mil e 300 réis] todas as galinhas que um colono trouxe para a feira. por 15 anos. chuva e o vento sul. Existem 837 instalações particulares de luz elétrica e 23 instalações de força motriz. a fim de oferecê-las à venda por 2$000 [2 mil réis]. os colonos vêm à feira e aqui chegam nas vésperas. enfrentando sol. por conta própria. até aproximadamente o meio do hoje conhecido vão central. que compram miudezas que são muito procuradas nos dias de feira.. Ingleses e Ratones chegam ao Mercado transportando a farinha de mandioca. Ampliação A lei no 369. O alpendre do Mercado está concluído em 1915. tomando do mar mais alguns metros. trazendo suas quitandas. os agricultores de Canasvieiras. ou mesmo no lombo dos cavalos. o café e outros produtos em carroções.] Como é de costume. uma lâmpada de 200 velas. Além de fornecer o projeto.. a renda do Mercado ficaria à disposição do contratante. é feita por 542 lâmpadas incandescentes de 50 velas. Rio Vermelho. construa uma nova ala. No comércio novamente tumultuado. de 6 de março de 1915. a cebola. e depois vão vendê-las por um preço exorbitante. no Rio Tavares. É a primeira atitude concreta do governo municipal para a ampliação do acanhado edifício. Se resume a um alargamento da calçada. destinada à venda de hortaliças. No Centro. peixes e produtos coloniais. do lado do mar. a moderna iluminação pública. Por entre caminhos sem pavimentação. tradicional região de produção de hortaliças.BALAIO NOVO  Produtores do Ribeirão usam baleeiras no transporte. a situação não é diferente. Anteontem.

tomando enérgicas propriedades. Não se explica de modo algum a alta de preços por que se vende nos dias de feira do nosso Mercado a produção colonial. ficam aboletados fora do Mercado. da umidade das noites e. uma medida há tanto reclamada pelos altos interesses da nossa população contra. nos dias de feira. Jornal O Estado. no dia seguinte. os senhores fiscais hão de apreciar a belíssima mutação: os colonos. enquanto no interior deste abre-se espaço para os pombeiros. Antigamente. Os colonos que chegam nas vésperas da feira já não encontram lugar no Mercado para seus produtos. dos amigos do alheio. A superintendência precisa tratar seriamente deste assunto. Jornal . que se dão ao trabalho de trazer a nossa alimentação. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA uma. não só esse abuso. os senhores pombeiros – uma nova casta privilegiada – ainda cometem esse grande abuso. como contra a terrível e vergonhosa exploração que os pombeiros vêm fazendo em torno do comércio da feira. Hoje. aqueles que produzem. Providências governamentais já tendiam a ser demoradas e quase um mês depois as denúncias continuam: Estão se passando no nosso Mercado coisas que são interessantes e que reclamam providências enérgicas. Nos dias de feira. dá-se agora o contrário. Chamamos a atenção do senhor delegado de polícia a fim de pôr termo a esse inqualificável abuso. É o cúmulo! Não contentes com o adquirirem por um preço baixo e venderem depois os produtos por outro elevado. Infelizmente. Era aí que eles faziam o seu comércio. quem sabe. É a nossa população reclama providências para os senhores dos poderes competentes. os colonos que se abalavam a vir à nossa capital expor os seus produtos achavam o interior do Mercado à sua disposição. É preciso acabar com essa especulação tremenda. estando os seus produtos coloniais livres do sereno. O mesmo sucede com outros gêneros. em 9 de junho de 1915. porque os pombeiros se assenhorearam da vasta área interna do nosso Mercado.

A interferência governamental troca de lado e os pombeiros são substituídos pelos comerciantes estabelecidos. Se acomodando conforme é possível em volta do Mercado. Ficam sem abrigo durante a noite. no gênero as mais completas. onde o gelo comprado era depositado em um pequeno compartimento e reposto quando derretia. em 1851. conservando um quilo de gelo pelo espaço de mais de seis dias. conforme a estação. e continuando sob o sol ou chuva. e a carne transportada em pequenas embarcações. em 7 de agosto de 1915. nas ruas próximas ou mesmo voltados no tempo e oferecendo seus produtos a bordo das canoas. Oferece ao interessado em construir a segunda ala um prazo de 20 anos para exploração. atingidos pela padro- .BALAIO NOVO  O Estado. os agricultores se vêem à própria sorte. Se não aparecerem concorrentes. Mas. parece bastante evidente. A grande quantidade de produtores e produtos não pode ser convenientemente instalada no prédio e. A geladeira! Que hoje apenas se liga na tomada. Pois não aparecem investidores interessados e também não são construídos os dois galpões. O gado para o consumo é abatido no Estreito. Perfeitas [era o nome do produto] que são. o Mercado da capital continua a sacrificar os colonos. na edição de 22 de outubro de 1915: Chamamos a atenção do público para essa maravilhosa invenção. era na época um grande armário com isolamento térmico. a superintendência fica autorizada a construir dois galpões nas rampas das ruas Deodoro e Jerônimo Coelho. Um para a venda de carne. desta vez. outro para produtos coloniais. de 20 de outubro de 1916. apesar da freqüência semanal. Passado um ano do edital para a edificação da nova ala. nas calçadas. O consolo para as famílias abastadas era o aviso da Companhia Antarctica Paulista em O Estado. produtos suínos e pescado. reempossado. a lei no 415. A semelhança com a construção da Praça do Mercado. chegando por volta das 22 horas. deixa uma opção ao governo. realiza nova concorrência pública. O superintendente municipal Dorval Melquíades de Sousa.

No mesmo ano. com sede na Praia da Figueira. Começa com a canalização do Rio da Bulha. em 1920. no Rio de Janeiro. O governador Hercílio Luz. de agosto de 1920. o novo carrilhão da Catedral é abençoado. 50 quilos. em gramas. As comemorações do Centenário da Independência. 60 quilos. E o futebol chega em 21 de junho de 1921 com a fundação do Figueirense Futebol Clube. Com a participação do governador. a 41. contrata com a General Electric a construção de uma linha de bondes elétricos no distrito de João Pessoa65. um quilo. sob o comando do médico Henrique Brüggemann. pois vendiam somente em quilograma. Constrói uma rede de estradas de rodagem no interior da Ilha. O sal entra na exceção: será vendido. o peso dos produtos vendidos em saco é padronizado: arroz. exposto ao sol e à chuva. construindo a Avenida do Saneamento. agraciados pela qualidade.. Os produtos catarinenses retornam da Exposição Nacional. comemorativa aos cem anos do Grito do Ipiranga. A fiscalização da saúde ganha a Inspetoria de Lacticínios. realiza várias obras na capital. 45 quilos.. Os cinco sinos foram importados da Alemanha e pesam 5. O futebol catarinense cresce. dois quilos. hoje avenida Hercílio Luz. 65 Ver página 98. Nos transportes. em 1o de setembro de 1923. quando importado.338 habitantes. em sacos. reforma praças e jardins. são determinadas pela prefeitura pequenas reformas no Mercado. No atacado. em 1922. existente no começo da rua Frederico Rolla. A Lei no 494. batata. Na rua Frei Caneca é criado o Avaí Futebol Clube. está agora no interior do prédio. 60 quilos. com 242 prêmios. pelo peso adotado da praça de procedência.338 quilos. feijão. . e muitos outros produtos. O peixe vendido no alpendre. se refletem em Florianópolis. cria o Brasão de Armas do Município de Florianópolis. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA nização da unidade de peso para compra e venda. moderniza o porto. e quando recebido a granel [grande carregamento sem embalagem] o peso correspondente ao saco variará entre 60 e 75 quilos. em algumas poucas bancas. farinha de mandioca. A população chega. Os varejistas são obrigados a vender em submúltiplos. engenheiro civil.

o superintendente Fúlvio Aducci invoca a Lei no 415 e. Acordo feito e contratos assinados. de 26 de novembro de 1924. que diminui e redefine os aluguéis em 13 de dezembro de 1924: os boxes 1. 14. realiza mais uma tomada de preços para ampliação do Mercado. para os de números 2. O bairro São Luís se estendia da praça Lauro Müller até a Pedra Grande. 5 e 8. 3. O centro da cidade se expande. Artigo 2o . 4. baseadas nas ofertas. Reclamações forçam o governo. Quando também não aparecem candidatos. O box 9 era reservado à administração. Consultando pessoas que viveram essa época. rua Frei Caneca. 7. após a abertura das propostas. a superintendência fixa valores arbitrários.Fica o superintendente autorizado a contratar com João Selva a construção de um mercado público na zona de São Luís. não há referências ou lembranças a respeito dele. 120$000 (120 mil réis) e os boxes 13. começa a construção do trapiche municipal na praça Floriano Peixoto. 10. devendo obedecer a todos os requisitos de pesca. Mercado de São Luís . fundamentado na nova Lei no 538. sem nenhum ônus para o município. chegando a 44. Uma constatação que faz surgir a Lei no 544. Os arrendatários dos boxes do Mercado se assustam quando. 6. higiene e comodidade para o público. 12 e 17. 11. autorizando a construção de mais um mercado em Florianópolis. Artigo 1o . em local previamente indicado. para atender à população que crescera. elevando-os e desprezando a licitação.O contratante construirá esse edifício de acordo com a planta que for aprovada pela Superintendência Municipal. Obra que ficará na memória e no coração dos florianopolitanos como Miramar. nesta cidade. 110$000 (110 mil réis).224 habitantes. 200$000 (200 mil réis). 15 e 16. Não existem documentos que comprovem a conclusão do projeto. Então.BALAIO NOVO 0 Continuando a tentativa de contornar o problema da falta de espaço. de 25 de maio de 1925.

compartimentos 13. 864% a mais que os valores de 1899. 30$000 [30 mil réis]. 15 e 16 [duas portas]. 14. 12$000 [12 mil réis]. compartimentos números 2. 3. Mas. 1. de 14 de novembro de 1925. ainda durante muito anos o abastecimento do Mercado continua por via marítima. 110$000 [110 mil réis]. [. de maiores dimensões. vitrine para venda de pães. vitrina para venda de pães. 7. muda as regras para locação. etc. 5 e 8 [duas portas]. Ocupando só a metade. 10. doces. em novembro de 1925. Aluguel mensal: sala. 120$000 [120 mil réis]. guichês para venda de loteria. A grande quantidade de pequenas embarcações e a malha viária precária na Ilha favorecem esse meio de transporte. o de número 17. tabuleiro para miúdos [buchada. Fúlvio Aducci. os aluguéis dos boxes. etc. diariamente. e que o mix do comércio está bem diversificado. cada uma. 40$000 [40 mil réis]. em média. em 1927. 4. 3$000 [3 mil réis]. 6$000 [6 mil réis]. Com a inauguração da ponte Hercílio Luz.. fixa valores mínimos para os boxes. que são anuais. 11. 20$000 [20 mil réis]. 6. as mercadorias produzidas no Continente podem chegar facilmente à cidade.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Interferência governamental Novos problemas na renovação dos contratos. Inflacionados. há 28 anos. compartimentos números 1.. Novas discussões. 30$000 [30 mil réis]. O grande sonho dos ilhéus chega ao final em 13 maio de 1926. doces. tabuleiro dentro do Mercado para doces e quitandas. moedor de cana. 20$000 [20 mil réis]. pois eram 16 quando o Mercado foi inaugurado.75m.] Banca para venda do pescado ou espaço correspondente. a 320$000 (320 mil réis). chegam.40m por 0. etc]. 200$000 [200 mil réis]. novos acordos e todos continuaram a comercializar suas mercadorias. O superintendente define também uma tabela com aluguéis para novas atividades e cria o aluguel diário. 50$000 [50 mil réis]. Amparado na Lei no 556. tripa. 12 e 17 [esquina e de quatro portas]. Nota-se na relação que surgiu mais um box. .

BALAIO NOVO 2 Um ensurdecedor trovão. e a outra de Raul Oscar Wendhausen. em pequena excursão sobre a Ilha. um catarinense inaugura assim o serviço aéreo comercial no Brasil. de acordo com o projeto oficial e condições [explicadas] no edital da superintendência. Pilotado por J. propondo tomar conta da renda bruta do Mercado a contar de 1o de julho do corrente ano. De propriedade da Kondor-Syndikat. tem a bordo uma pequena comitiva e o catarinense Victor Konder. por si ou por sociedade que organizar. amerissa na baía sul. e assim sucessivamente durante 14 anos. Ocasião em que voaram. amerissa em 9 de fevereiro um hidroavião Junkers. iniciando o serviço aéreo regular entre Rio de Janeiro e Porto Alegre. ajudante de ordens. Capital Federal. atual Rio de Janeiro. em Florianópolis. Com os pés no chão. São Paulo e Florianópolis. Walmor Ribeiro. com escala em Santos. pilotado por alemães. o Atlântico aportou novamente na cidade. o hidroavião Atlântico. entregando mensalmente ao município um terço da referida renda. após 11 horas da saída da Guanabara. Nueuhofen. . em raid66 Rio-Buenos Aires-Santiago. para ampliação do Mercado. São duas opções. 66 Incursão. provocando um rebuliço na população. Levantando água por onde passava. comprometendo-se a concluir os consertos do atual Mercado dentro de um ano. de 7 de maio último [1927]. comprometendo-se também o município a não criar novos mercados durante a vigência do contrato. A de Miguel Savas. acompanhados da senhorita Sá Ribeiro. acompanhado dos secretários e dos proponentes. A bordo estavam também o comandante Floriano Cordeiro de Farias. o jornalista Crispim Mira. o superintendente Heitor Blum. e o respectivo aumento no prazo mínimo de dois anos. como garantia das despesas das obras. Com esse vôo de 1o de janeiro de 1927. Em 28 de janeiro. pedindo 491:700$000 (491 contos e 700 mil réis) pela execução da obra. seu filho e Willy Hoffmann. o capitão João Marinho. a fazer os consertos no atual Mercado e a construir o aumento do mesmo. Ministro da Viação do Brasil. avalia o resultado do edital de 7 de maio. vicepresidente do Estado. que se oferecia. e o major Dalmiro de Barros.

recém-adquirido. iniciam os pousos e decolagens no Aeroporto Adolpho Konder.000m3 de aterro para ampliação do Mercado. Segunda ala Com a região próxima ao Mercado e o próprio edifício em condições precárias de comércio. As viagens para o Rio de Janeiro. a 400$000 (400 mil réis) o metro quadrado. do rebaixamento necessário entre as ruas Pedro Ivo e Bento Gonçalves são transportados 18. se fosse comprada. Já havia na cidade 932 postes com 1. orçado em 850:000$000 (850 contos de réis). completando com os vapores Anna e Max a frota da Empresa de Navegação Hoepcke. Demonstra com cálculos baseados na média de preços dos terrenos da rua Felipe Schmidt. custaria muito mais que a obra contratada.216 casas pagavam .190 lâmpadas. O governador Adolpho Konder se empenha em aplicar com o maior rigor possível o Regulamento de Trânsito. o cargo de superintendente passa a ser denominado prefeito. localizado na orla da Praia do Campeche. Na continuação da rua Felipe Schmidt.000m3 para o alargamento do cais entre a praça Fernando Machado e o Mercado. alega que.3 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Mesmo assim. que a área tomada do mar. Heitor Blum. a iluminação pública cresce consideravelmente. com duas propostas. em seu relatório de 1928. o projeto de ampliação do Mercado não vai adiante.000m2 sendo tomados do mar. custaria à prefeitura 1. Enquanto isso. Quase o dobro do valor contratado para ampliação e reforma do Mercado. O navio Carl Hoepcke. se o terreno fosse adquirido de particular.600:000$000 (1 mil e 600 contos de réis). A rede havia sido iniciada em maio de 1927. Construído em parceria com a Compagnie Générale Aeropostale. E. Principia com 4. Assina o contrato para instalação dos telefones na capital em 30 meses. apesar de ter apenas dois inspetores e um adido. Começa o ano de 1928 com grandes perspectivas para os florianopolitanos. São Francisco do Sul e Santos serão mais confortáveis. nos fundos da Alfândega. Agora o progresso aporta em Florianópolis. o prefeito Heitor Blum contrata a construtora Corsini e Irmão para a construção da segunda ala e reforma da primeira. lança suas amarras em 14 de agosto. pela Constituição Estadual de 1928. com escalas em Itajaí. 2. Foram também transferidos mais 12. Justificando a atitude.

Jornal O Estado.N.] Atirado ao mar o carro blindado. A Revolução de 30 também passa pelo Mercado Público. embarcaram pelo trapiche da Praia de Fora. [. em 27 de outubro de 1930. 735 mil e 266 réis) pagos aos empreiteiros. jogando ao mar. Assim foi.BALAIO NOVO 4 o consumo de eletricidade por taxa única e 699 por medidores. a bordo do vapor C. onde se encontrava guardado. Costeira. e mais tarde o povo o levou daquele logradouro público para o Cais da Liberdade [Alfândega]. O prefeito Heitor Blum. 67 Autoridades. às 16h. que contratou a obra e mesmo em dificuldades financeiras a prosseguiu.] Às 3h30min. A passos curtos seguia a ampliação do Mercado. O senhor Fúlvio Aducci. tudo se acalmou: o Governo do Estado. quando os revolucionários se aquartelaram na segunda ala. cujos nomes não nos foi possível saber. com rumo ignorado. [. passa o cargo para José da Costa Moellmann com 272:735$266 (272 contos. .N.. em 1929. a entrega prevista para agosto de 1930 só se concretiza na gestão seguinte. tinha tomado a resolução de abandonar a capital. para a praça XV de Novembro. convicto de que a situação federal baqueara. acompanhado de secretários e outras personas gradas67. Desde o início em ritmo lento por várias vezes. que havia sido construído na fiscalização dos portos para com ele ser atacada a força revolucionária que ocupou esta capital. o capitão Regis organizou uma força para guardar o Mercado Público.. E o jornal noticiava: Alta noite [25 de outubro]. ainda em construção. por ordem do general Ptolomeu Assis Brasil.. O carro blindado. onde está armazenada grande quantidade de gêneros alimentícios.. foi hoje pela manhã [25 de outubro] conduzido do Mercado Público.

Funcionam no primeiro momento os compartimentos destinados aos açougues. ao público. estavam um sistema de encanamento ligado à caixa de água central. esteve em visita ao novo edifício que. à noite. um sábado. instalar bebedouros e torneiras públicas. com cinco registros onde poderiam ser ligadas mangueiras para a lavação completa do Mercado. Em número de 16. prefeito municipal. interventor federal do Estado. paralela à existente na rua Conselheiro Mafra. As bancas de pescado também começam a atender aos clientes. que facilitava a limpeza e não estava previsto. e de mais algumas pessoas gradas. Sua Excelência o senhor general Ptolomeu de Assis Brasil. sendo 13 para venda de carne. . O conjunto não possuía a configuração atual. senhores doutores Cândido de Oliveira Ramos e Manoel Pedro Silveira. sexta-feira [23]. Enumerados com orgulho pela administração municipal. Novamente. e do senhor José da Costa Moellmann. o jornal O Estado praticamente desconhece o fato. com seus aventais e gorros brancos. um para o comércio de miúdos e dois reservados ao fornecimento de carne de porco. Os funcionários. Na véspera. demonstram que o esmero na limpeza seria uma constante. está presente. acompanhado de seus secretários. já se achava preparado para ser entregue ao uso público. O sistema de água e esgoto. O República. é entregue à população em 24 de janeiro de 1931. Esta garante asseio aos açougues e às 12 bancas de pescado. que não houve nas obras anteriores. A preocupação com a higiene. custou mais 6:567$600 (6 contos e 567 mil e 600 réis) à prefeitura. Eram duas alas isoladas e a prefeitura ainda prometia finalizar o edifício. nessa ocasião. a nova ala do Mercado Municipal. azulejar as paredes até a altura de 50 centímetros. na edição de 25 de janeiro de 1931. prioridade para a área destinada à venda de carne e pescado.5 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA A segunda ala. colocação de pias e instalação de uma rede de esgoto própria. publica um relato sobre a inauguração da nova ala do Mercado Público: Foi franqueada ontem [24].

Instalados do lado oposto aos açougues e peixarias.909. 1. os alguidares. que regulamenta os primeiros açougues particulares. Artigo 4o . foi um aparente progresso. os tabuleiros de frutas e legumes da primeira ala são transferidos para a ala nova. e a transferência dos últimos comerciantes da primeira ala. Com verbas definidas em um adendo ao contrato com a Corsini e Irmão. Novamente os oleiros são esquecidos. só será permitido fora da zona central da cidade.20m2 a mais que a primeira.Não será permitido o comércio ambulante de carne verde.Os açougues deverão ser instalados em compartimentos que tenham pelo menos duas portas dando dire- . Raulino Horn [não foi encontrada referência sobre a localização]. Florianópolis está com 47. Deodoro.Para efeito de execução do artigo antecedente. Artigo 3o . com alguns artigos interessantes: Artigo 1o . ao ar livre. a segunda ala não resolve os constantes problemas de abastecimento da população. Álvaro de Carvalho. Marechal Guilherme.20m2. melhor planejamento e corredor mais largo. A população se desloca para os bairros e a legislação não permite a venda de carne fora dos açougues do Mercado.BALAIO NOVO  Mesmo assim. Artista Bittencourt. Tenente Silveira e Padre Roma. ao lado da Alfândega].713 habitantes. Com área um pouco maior. sendo negociados nas ruas Deodoro e Jerônimo Coelho. praça Pereira Oliveira. em açougues particulares. em fevereiro de 1931. 28 de Setembro [não foi encontrada referência sobre a localização]. Hercílio Luz.O comércio de carne verde. esta é fechada para as reformas. Aos poucos. não resiste às pressões e assina a Resolução no 21. Fregueses e comerciantes voltam a se espremer em apenas um prédio. nem a qualidade do atendimento e muito menos as condições de trabalho dos comerciantes. ou 103. Artigo 2o . ruas Frederico Rolla. considere-se zona central da cidade a área compreendida dentro dos seguintes perímetros: largo Badaró [o largo em frente à rua Trajano. jarras e moringas ficam ao tempo. funcionam de modo precário. nas calçadas. As tradicionais panelas de barro. Pedro Soares. Mas o prefeito José da Costa Moellmann.

] Artigo 17 . [..] Artigo 20 . Na Praça do Mercado.] A resolução é abrangente e preocupada em garantir a qualidade da carne para o consumidor final. Continua a ser o item mais polêmico na dieta da população e nos cofres municipais. qualquer que seja o vasilhame que as contenha. conhecida também como charque.A entrega de carne verde a domicílio só se fará em viatura do tipo aprovado pela autoridade sanitária. Uma prática herdada dos tempos coloniais. Mais impostos. fato que gerava os maiores aluguéis. para diferenciar da carne seca. no artigo 3o.As carnes que forem encontradas em contato com o gelo.A carne verde poderá ficar exposta à venda nos açougues só até as 11 horas. A população cresce e o consumo também. Artigo 13 . ou 10% do maior aluguel mensal de um box.. [. [. E assim a carne garante alta arrecadação aos cofres municipais.. incorrendo os infratores na multa de 500$000 [500 mil réis]. por uma única empresa.. inibe a livre concorrência..] Artigo 12 . Fiscalização constante e preocupação esclarecida. depois as licitações para a distribuição exclusiva no atacado. com a vigilância na higiene do matadouro e na qualidade das reses. .. Porém. Inicialmente chamada de carne verde. facilitando a cobrança de impostos. o governo realiza intervenções sobre o produto. para justificar o monopólio brando. Primeiro a saúde pública.Os produtos não poderão ser expostos às portas dos açougues.A carne será coberta com panos brancos de tecido leve. Os boxes que vendiam a carne sempre foram os mais disputados. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA tamente para o exterior. Desde 1851. para impedir o contato com insetos e a poeira. sempre teve uma fiscalização rígida e era motivo de preocupação governamental.. e o dobro nas reincidências.. Artigo 21 . serão sumariamente apreendidas e inutilizadas. [. Além dessas não poderão ter outras aberturas. o imposto chegava a 400 réis por cabeça vendida.

ao interesse do público consumidor. No ato da inauguração. ao contrário da atualidade. ser um produto elitizado. Os seus proprietários visaram. organizando uma tabela especial de preços para a carne verde. o senhor prefeito disse algumas palavras. às 8 horas. A inauguração foi assistida pelo senhor doutor Sizenando Teixeira. um professor . e grande número de pessoas. pelos representantes da imprensa. foram inaugurados anteontem [16 de março]. Jornal República. respectivamente. pelo senhor prefeito doutor José da Costa Moellmann. principalmente. diretor da higiene. e que presta à população incalculáveis benefícios. fato amplamente divulgado pela imprensa: Consoante o que noticiamos. Além da carne em retalho [varejo]. o primeiro instalado na praça General Osório [atual rua General Osório]. era do peixe fresco. estão dotados de todos os preceitos de higiene que os mesmos necessitam e aparelhados para atender com presteza os mais exigentes fregueses.BALAIO NOVO  Em um mês. os senhores [Hidelbrando] Vaz e [Eliseu] Di Bernardi a feliz lembrança de dotar a nossa capital de semelhante estabelecimento. venderão os novos açougues carne moída e farão entregas a domicílio. na época. Aos presentes. os modernos açougues da firma Vaz e Di Bernardi. e o outro na rua Demétrio Ribeiro. As novas instalações apresentam um agradável aspecto. dispondo para isso de pessoal habilitado. pois. pois a abundância. Tiveram. lhes desejando felicidades. gentilmente convidada. tão comum nas grandes cidades. Apesar da carne. os dois primeiros açougues particulares são abertos na cidade. em São Luís [região do Beiramar Shopping]. destinadas à recepção da carne. foi servida fina bebida. que será vendida à razão de 1$600 [1 mil e 600 réis] e 1$200 [1 mil e 200 réis] o quilo da carne de primeira e segunda. impressionando pelo seu esmero e capricho nas dependências internas. congratulando-se com os proprietários pela feliz iniciativa. Os açougues do Povo e Popular. exploradora desse gênero de comércio. em 18 de março de 1931.

Um professor podia comprar um par a cada 5h20min de aulas lecionadas. acomodações para 36 passageiros. saída da praia às 6h30min e retorno às 14 horas. A empresa Auto Viação Evaristo faz a linha Canasvieiras-Florianópolis. O passageiro desembolsa na viagem 1$500 (mil e quinhentos réis). No Centro. em média. nesta capital. procedente de Buenos Aires. um possante avião da Panair do Brasil. os passageiros são desembarcados em lanchas. o maior da América do Sul. O preço do par de tamancos é. de 2 de abril de 1931. ou 1. ou no trapiche do Miramar ou no cais da empresa Ciriaco Atherino e Irmão. o comércio do Mercado gera. determina: . vendendo-se 100 dúzias por mês.7 quilos de feijão ou 4 quilos de farinha de mandioca. Melhores horários tem a Auto Viação Santo Antônio. que anuncia em 12 de março: Deverá amerissar amanhã. possuindo cabines de luxo e compondo-se sua tripulação de cinco pessoas. na rua Conselheiro Mafra as reformas da primeira ala do Mercado estão dentro do cronograma. Tem o grande hidroavião. ou 34 minutos de trabalho do professor. Fundeados em uma plataforma. Um quilo de carne de primeira equivalia aproximadamente a 4. Além do Mercado. ou 57 minutos de trabalho de um professor primário. Os aviões amerissam praticamente atrás do Mercado. O transporte coletivo também anunciava nas páginas da imprensa. Duas opções de saída da Praia de Santo Antônio de Lisboa e duas de retorno. Enquanto isso.200 pares. A Resolução no 28. o comércio na região central tem seus problemas e a prefeitura está atenta. mal instalado na segunda ala. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA com o salário mensal de 420$000 (420 mil réis) podia comprar 1.6 quilo de carne por hora trabalhada. em abril de 1931. às 10 horas. E não incomodam os consumidores tanto quanto o tráfego aéreo. E uma curiosidade. com passagem custando 2$500 (2 mil e 500 réis). de 14$000 (14 mil réis). uma arrecadação de 618$400 (618 mil e 400 réis).

queixou-se que. prefeito municipal de Florianópolis. [. como de casas comerciais quaisquer. estabelecido com casa de pasto [local onde serviam refeições] no Mercado Público. etc. cinematográficas. morro do Penhasco]. em 12 de agosto de 1931. queixou-se na DP desta capital que hoje. proibir terminantemente a distribuição de reclames ou anúncios avulsos pelas ruas da cidade. residente no morro das Trincheiras [hoje. pombeiro. de sorteio e outras. agências de leilões. foram as mesmas furtadas.. o qual foi vendido em um dos cafés do Mercado Público.] Na imprensa. Notas policiais João Laurentino. nesta data. fábricas. no depósito do referido estabelecimento. . Jornal República. queixou-se de Valdir de tal. tendo depositado em frente ao Mercado Público três latas de banha.BALAIO NOVO 0 O doutor José da Costa Moellmann. usando de suas atribuições: Resolve. em 9 de outubro de 1931. tanto sobre empresas teatrais. as páginas policiais trazem notícias da região de abastecimento: Notícias policiais O senhor Mário Pizza. a fim de evitar a constante aglomeração de fragmentos de papel nas vias públicas. deu por falta de 100$000 [100 mil réis] que se achavam dentro de uma História Sagrada.. O delegado da capital tomou as devidas providências. e que a mesma estava guardada dentro de uma mala. Jornal República. em 17 de setembro de 1931. cobrados dentro do prazo de 24 horas. que furtoulhe um cabo de relho. sob pena de multa de 100$000 (100 mil réis) por inobservância. Notas policiais Fredolino Arnaldo Schmidt. pelas 14 horas. ou ainda sobre qualquer outro assunto. Jornal República.

é ampla e espaçosa. Durante o tempo em que ficou fechada ao público. projetos e tropeços até a cidade ter seu Mercado definitivo. o governo municipal não mediu sacrifícios para a definitiva realização de tão importante melhoramento. Relembrando. Em 5 de fevereiro de 1899 foi inaugurada a ala paralela à rua Conselheiro Mafra. Quase um ano após o início das reformas na primeira ala. em 7 de janeiro de 1932. O edifício da Praça do Mercado foi inaugurado. Satisfazendo exigências do nosso meio e o crescente movimento comercial.] Jornal República. ontem. Foram anos de disputas. por coincidência ou não. Essa ala. Enorme foi. Com as condições adotadas e com as grandes obras e construção realizadas. de sorte que o comprador não se aproxima dos gêneros alimentícios. [. uma quarta-feira. que tem a frente para a rua Conselheiro Mafra. destinadas à venda de hortaliças e frutas.. tendo quatro modernas plataformas. O Mercado Público passa a ter o conjunto arquitetônico que hoje se admira em 6 de janeiro de 1932. em 6 de janeiro de 1851. há exatos 81 anos. tendo comparecido à feira numerosos colonos e pombeiros. onde os colonos colocam seus produtos à venda. acontece a já tradicional inauguração: Foi ontem [6 de janeiro de 1932] reinaugurada a primeira ala do Mercado Público com a presença de numerosos colonos. e em 24 de janeiro de 1931 fica pronta a segunda ala. a acorrência ao nosso Mercado. no mesmo dia e mês. que estavam ali funcionando em anacrônicos tabuleiros. a primeira ala .. o nosso Mercado Público tornou-se um estabelecimento que honra a nossa cultura.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Mercado Público Municipal Com a reforma concluída na ala da rua Conselheiro Mafra. fronteiriça à primeira. o Mercado é reinaugurado. as armações de ferro. 32 anos depois. Essas plataformas são separadas por meio de gradis. como se fazia antigamente. Na semana vindoura serão inauguradas na segunda ala.

Perdem a flor estilizada que enfeitava o frontão69 de cada uma. e os do vão central são reconstruídos salientes. Os cantos chanfrados72 são mantidos apenas na rua Conselheiro Mafra. o número de lojas para o exterior é aumentado. A inscrição registrava a data de 1898. Moldura que guarnece um arco. o filete que havia logo abaixo das cornijas70 é retirado. atualmente funciona mais como ornamento. Em número de quatro. Haviam sido construídas. Completando. ou a entrada social de uma construção. pedra ou metal que. 71 Coluneta de madeira. Internamente. Na reforma é que surgiram as lojas para o vão central. 70 Molduras (frisos) sobrepostas de modo a formar saliências na parte superior das paredes. Os arcos romanos são mantidos nas portas das lojas. Originalmente elemento estrutural. em 1899. desaparecem na reforma. regularmente distribuída. Padronizadas. a construção de 1899 perde os óculos.BALAIO NOVO 2 sofreu grandes transformações para adaptar-se ao projeto final. mas ela só ocorre em janeiro de 1899. pois o Mercado teve sua inauguração marcada para o mês de dezembro desse ano. em forma de torre. onde as escadas dão acesso às pontes que ligam as duas alas. gradis de ferro e uma plataforma definem os espaços de cada comerciante. . Desaparecem os adornos laterais. que é também removido. com as portas para a rua Conselheiro Mafra e apenas desse lado. O baixo-relevo com a inscrição Mercado Público e a data da inauguração sobre a porta principal. sendo mantido o arco em asa de cesto. que compreende a ligação com a nova ala através de pontes. as arquivoltas recebem a mesma decoração das portas pequenas. Sobrepondo a platibanda. 68 69 72 Corte em ângulo (na maioria das vezes em 45o) que elimina os cantos vivos (90o). No respaldo. pequenas janelas redondas entre as portas. adornando a parte superior de portas e janelas. as portas das entradas têm mais modificações. substituídos por molduras imitando pedras na arquivolta68. considerada a fachada na lateral da Alfândega. Externamente. acima de cada porta de acesso havia um enfeite. forma um corrimão ou peitoril. a platibanda tem os balaústres71 substituídos por ameias em degraus e os elementos decorativos em forma de cálice são retirados.

3 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA A segunda ala. O conjunto arquitetônico do Mercado Público tem agora um novo trapiche.20m. no jornal República. . Medeiros. 376 mil e 100 réis). e depositados no Banco do Brasil mais 70:000$000 (70 contos de réis). A primeira possui 21m e a segunda 22. Em obras extras foram pagos mais 2:376$100 (2 contos. Cinco parcelas que foram localizadas somam 27:302$000 (27 contos e 302 mil réis). 624 mil e 840 réis). construído em 1851. também recebe gradis de ferro. desafogada com a volta de vários comerciantes para o prédio da rua Conselheiro Mafra. Segundo relatório assinado pelo tesoureiro. dez parcelas pela reforma da primeira ala e mais alguns pagamentos extras.865m2 úteis para o comércio. onde uma escada bifurcada dá acesso ao mar e a uma grande mesa de alvenaria construída para servir aos limpadores de peixe. Leônidas de S. durante 1931.150m2. depois da reinauguração. dividindo os quitandeiros em espaços maiores e demarcados. traz à lembrança a tabela de preços do capítulo Balaio Velho com os valores dos gêneros alimentícios em 1851. comparados com 2001. a prefeitura possuía em caixa 18:624$840 (18 contos. em concreto armado e cobertura. Na beira-mar. de 86m. existe uma rua estreita na lateral e sobre o muro de arrimo um parapeito com balaústres. mas com a mesma extensão. verificada na edição de 7 de janeiro de 1932. em dezembro. quase seis vezes maior que o edifício da Praça do Mercado. ao pagar a última parcela. finalmente Florianópolis tem um Mercado para atender às necessidades da população. em alinhamento com a rua Deodoro. sendo 2. Outra curiosidade que passa despercebida aos comerciantes e freqüentadores é que as duas alas do Mercado não têm a mesma largura. Com área de 4. hoje avenida Paulo Fontes. Custo de vida A publicação dos preços praticados no varejo. A empreiteira recebe.

em 2001. ou 208 réis por hora. Os dois prédios funcionando. podemos acompanhar uma nova evolução dos preços.300 30 min 1. H) Em 1932. importava. na média.70 19 min Arroz piladoE 100 29 min – – 1. era o equivalente ao arroz descascado. ou 2$625 (2 mil e 625 réis) por hora. quitandas.10 30 min A) Preços publicados na edição de 10 de janeiro de 1851 do jornal O Novo Iris. estavam novamente sendo relegadas .50 1h09 min Ovos – – 1. socado no pilão. as pontes interligando as quatro torres. pelo esquecimento dos oleiros. agora o Mercado Público estaria concluído. ou R$ 2. peixarias. D) Fécula alimentícia que se extrai da mandioca.00 2h18 min Amendoim com casca 48 14 min – – 2. açougues. em 33$280 (33 mil e 280 réis). um professor primário recebia de salário 420$000 (420 mil réis) por mês.800 41 min 4. R$ 347.80 48 min Açúcar – – 367 8 min 1.00 28 min Café chumbadoF 234 67 min 1. dando mais cor ao produto final. é. em São José.20 33 min Feijão 43 12 min 33 47 min 2. Equivalência do CustoA da Mercadoria (kg) por Hora Trabalhada (h) Mercadoria E m 1851 Em 1932 Em 2001 Réis TempoB Réis TempoH Real Tempoc Farinha de Mandioca 18 5 min 400 9 min 1. Montevidéu e Rio de Janeiro. C) O correspondente salário de um professor primário. novamente. Exportadas para Buenos Aires. na média. em 1851. já eram famosas em 1700.17 por hora.50 1h09 min Milho 36 11 min 250 6 min 0. o café era torrado e amassado no pilão. a Feira dos Colonos. G) O frango era vendido vivo. As louças de barro produzidas nas olarias da Ponta de Baixo.00. Dados da Secretaria de Estado da Educação e do Desporto de Santa Catarina.80 77 min GomaD 3 29 min – – 1.BALAIO NOVO 4 Acrescentando apenas os dados referentes a 1932. armazéns de secos e molhados. lojas e cafés. F) Depois de seco.80 2h13 min FrangoG – – 2. em 28 de dezembro de 2001. exceto. E) O arroz pilado.50 14 min Batata Inglesa 32 9 min 140 3 min 0.000 45 min 2.00 28 min Fava 44 13 min – – 5. Atualizados em pesquisa nas feiras de Florianópolis. Alguns fornecedores ainda misturavam um pouco de açúcar mascavo. B) O salário de um professor primário.

madrugavam no Mercado e até as 12h de quarta-feira vendiam arroz. O pescado. Sopa húngara. galinhas vivas. Orlando. em 18 de agosto de 1939. oferece refeições praticamente ao preço da diária: Menu do almoço de hoje 3$000 (3 mil réis). segue vendendo nos bairros Saco dos Limões e Trindade. No dia seguinte. Sobremesa flan mirim. café ou chá. Jornal Dia e Noite. o Restaurante Pérola. Quartos sem pensão Banhos quentes e frios Diárias de 4$000 a 5$000 (4 mil a 5 mil réis) Jornal Dia e Noite. em 1939. queijos. Época em que gente trabalhadora começa a escrever seu futuro. pois. salames e outros produtos caseiros. assado à brasileira e banana a Rei Alberto. era encharcado com Creolina73 e jogado no mar. São José. Walter e Antônio começam assim a delinear o Grupo Koerich. e as sobras jogadas ao lixo. em 18 de agosto de 1939. Nome comercial de desinfetante líquido. Anunciava o Estrela Hotel. Razoável a diária. Chega no dia anterior à feira. empilhadas no chão. 73 com propriedades germicidas e anti-sépticas. se hospedando ali. sofisticado. e depois de horas de estrada atravessa a ponte Hercílio Luz. peixe ensopado à baiana. Seu Raulino abastece a carroça na Colônia Santana. guisadinho à jardineira. na rua Jerônimo Coelho. Os agricultores vinham à cidade nas terças-feiras. na Feira dos Colonos. que se danificava mais facilmente. quase ao lado. feijão. seu comércio continua ao lado do Mercado. negocia seus produtos. Sem local definido. Na praça XV de Novembro fornece carne para o Estrela Hotel. o abastecimento de carne era diário. A primeira ala agora tem o espaço interno reservado à Feira do Colono.5 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA às intempéries. O prefeito Mauro Ramos inicia a construção do frigorífico do Mercado Público. Seu Raulino e os filhos Paulo. . milho. com base em sabão de resina e creosoto. Até então.

As lojas do Mercado começam a fazer história. jogos de jersey e armarinho. anunciam: Relojoaria Royal Relógios de pulso. números 1 e 2. Mercado Público. edifício do Mercado. Jornal A Gazeta. Taças para esportes. Além de criarem uma valorização comercial para aquela área. elegância e economia? Procure a Casa Veneza de Francisco Evangelista e sobrinho Rua Conselheiro Mafra. de bolso. nacionais ou estrangeiras Cigarros e charutos. a câmara frigorífica comunitária do Mercado ficou conhecida como o Frigorífico Modelo. Assegurava. número 10. Casa das Novidades de Nicolau Buatim Recebeu variado e abundante sortimento de sedas.BALAIO NOVO  Mesmo com a necessidade do fechamento de algumas bancas de peixe e outras de carne para a concretização da obra. 9 Jornal Dia e Noite. a importância para a saúde pública justifica a interferência. em 17 de agosto de 1940. bijuterias e brinquedos. despertadores para cima de mesa e balcão. que constava inclusive do edital para construção da segunda ala. a quali- . Jornal Diário da Tarde. esquina do Mercado Público. em 1927. Casa Veneza Calçados e chapéus Quereis calçado com gosto. em 18 de agosto de 1939. Artigos para presentes. no Mercado Público. em 1940. Vendas à vista e a longo prazo. Rua Conselheiro Mafra. Jornal A Gazeta. Conselheiro Mafra. em 18 de agosto de 1939. Salão Comercial Frutas geladas ou não. Assim era realizada uma antiga reivindicação dos comerciantes. Ocupando a região onde se encontra hoje a Peixaria Milgon e a Pescados Silva. número 3. em 18 de agosto de 1939.

por haver o governo extinguido a Comissão de Abastecimento. Segundo nos afirmaram. a batata a 38$000 [38 mil réis o saco]. Embora não tenhamos acreditado nas razões que nos foram dadas. Tinha também uma máquina para produção de gelo com 12 formas de 12. cinco de carne e duas de verduras. Basta uma denúncia para aquele órgão. sob condição prévia.] É necessário que se faça saber a todos os interessados.. foi a causa principal da alta. antes de abrir o Mercado. perdendo-se os gêneros. tanto assim é. O feijão chegou a 50$000 [50 mil réis o saco]. [.. como influenciadores diretos na pauta de nossa feira. Subiram novamente os preços dos gêneros de primeira necessidade. Falamos com vários dos pombeiros e ambulantes. e de que deram notícia os jornais. e outros gêneros que estavam cotados por preços mais baixos tiveram alta imediata.. nem por isso deixamos de fazer justiça à argúcia desses aproveitadores. também.. legítimo defensor dos direitos do povo. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA dade dos alimentos vendidos. alcançando alta exagerada na pauta da última feira do Mercado Público. Especulação e o custo de vida ocupam as páginas do jornal: Os gêneros de primeira necessidade estão novamente em alta. a invasão dos roedores chegou a assumir a violência de uma . Em suas três câmaras comportava 10 toneladas de peixe. aos quais perguntávamos os motivos da alta. que.5kg. [.] Várias centenas de sacas foram destruídas. que para se porem livres da lei da economia popular se prevalecem dos ratos. Os ratos são os responsáveis. e os exploradores hão de sentir que . dizem os pombeiros. Em alguns paióis de gêneros. Responderam-nos que a grande quantidade de ratos que ultimamente apareceu.kreg [sic]. os preços dos gêneros são feitos. que mantém no Rio o tribunal necessário para julgar os que tentam explorar a bolsa do público... nem por isso deixou ao léu a defesa da economia nacional e.

como aumentar sua área? A ponte Hercílio Luz já faz a ligação com o distrito de João Pessoa.. acaba de instalar em sua fachada um artístico relógio luminoso. sito à rua Conselheiro Mafra. a unidade monetária vigente. Nereu Ramos. Uma das grandes mudanças é a extinção dos réis. [. A vida continua.2% ao ano. província . Até 1940. desde 1926. Sendo uma ilha. com volume histórico e corográfico74. Florianópolis cresce em direção ao Continente. integrando a população e o comércio das duas cidades. Relativo à corografia.7% ao ano. Getúlio Vargas. 74 ou município. município de São José. Do varejo ao atacado Já corria mais rápido o tempo na década de 40. que cria o cruzeiro.791. presidente do Brasil. edifício do Mercado. Carlos Galhardo se apresenta nas salas do circuito cinematográfico Real. assina o Decreto-lei Federal no 4. constatação que incomoda o interventor federal em Santa Catarina. em 23 de agosto de 1940. custava 20$000 (20 mil réis) o saco. O rádio nos Anos Dourados informa em instantes os acontecimentos mundiais. As distâncias estão menores com o avião e os ônibus intermunicipais aproximam populações distantes. mais 1$000 (1 mil réis). região. A batata aumentou 542%. Boas horas são marcadas no Mercado Público e nas páginas do Diário da Tarde sob o título: Relógio Luminoso O acreditado estabelecimento comercial Relojoaria Royal.BALAIO NOVO  nem mesmo os ratos os salvarão. o Guia do Estado de SC.] Jornal Diário da Tarde. Na livraria Central. Estudo ou descrição geográfica de um país. Jornal Diário da Tarde. em 18 de dezembro de 1940.. Pelos Correios. ou 67. O feijão. a nova moeda que vigora a partir de 1o de novembro de 1942. em 1932. A capital catarinense tem o menor território das capitais brasileiras. em primeira edição. tinha subido 250%. ou 31. há oito anos. custa 10$000 (10 mil réis).

peças que muitos consideravam desaparecidas. Vendeu muita. as panelas eram de barro ou de ferro. o dono do bazar Mansur era também um grande contador de anedotas. Quando chega o alumínio. com o mesmo nome na fachada e pertencente à mesma família. em 25 de setembro de 1947. adaptada aos novos tempos. a antiga loja continua no ramo. O abundante sortimento de sedas.146 habitantes. atual proprietário. Goteiras no telhado danificavam a mercadoria. o Mercado passa por uma acomodação. incorporando João Pessoa a partir de 1o de janeiro de 1944. Nas mãos de Antônio Liberto Bernardo. 75 Tipo de lamparina feita de lata. Novos rumos são definidos. resiste aos supermercados e lojas de departamentos. Gedeão Mansur continuou a vender armarinhos. Na primeira ala. embalada com palha. é o primeiro a vender. vendendo confecção. em conseqüência da criação do município de São José. louças. a loja ajudou a consolidar o comércio de tecidos na região. Era um Deus nos acuda aquela palha em dia de vento sul. Separada da Ilha desde 3 de janeiro de 1833. Nereu Ramos assina o Decreto-lei Estadual no 941. anunciado na imprensa. recorda a filha Zenaide Mansur. era o orgulho de Nicolau Buatim. fazendo frente para a rua Conselheiro Mafra.206 imóveis. cheia de botões. enquanto muitos negociantes começam a criar o fundamento para a história de seus estabelecimentos. A loja mais antiga. De malinha na mão. o nome grafado não deixa dúvidas. elásticos. Quando se estabeleceu. em 20 de outubro de 1937. podemos ainda encontrar pombocas75 e penicos esmaltados. que começou a trabalhar na loja em 1969. . Até então. fundador da Casa das Novidades. ele vai da vida de mascate ao próprio estabelecimento. agora tem 12. esta área volta à cidade e readquire a denominação dos tempos coloniais: Estreito. o urinol.200. Hoje. A população sobe de 47. Produto perecível. Conhecido carinhosamente pelos amigos como seu Gedeão. que possuía 10. Florianópolis. MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Fato que leva a comissão criada a sugerir a reanexação.146 para 57. entre panelas de marca e utensílios de cozinha. Com a elevação repentina desse número. então trocou de ramo. quebrava no transporte ou no manuseio. de 31 de dezembro de 1943. colchetes. No toldo de lona. A mercadoria vinha em engradados.

levaram o prefeito Paulo Fontes a sancionar um decreto para beneficiálas. hoje quase desaparecidas por falta de incentivo. era confeccionada por famílias no interior da Ilha desde o século 18. as rendeiras de Florianópolis tinham sua tradição melhor preservada antigamente. 11 de maio de 1951. precariamente instaladas na Avenida das Rendeiras. de 16 de outubro de 1948. A redação retrata bem sua importância: Decreto no 7 O prefeito municipal de Florianópolis. considerando que as rendas e os crivos confeccionados a mão constituem uma arte que merece o amparo do poder público. que são pessoas de poucos recursos. Artigo 4o . A renda de bilro ou de almofada. e tendo em vista o artigo 97 da lei número 12.Dentro de 90 dias serão baixadas instruções relati-vas à regulamentação da feira de que trata o presente decreto. na parte fronteira à rua Conselheiro Mafra. considerando que é necessário localizar a sua venda em ponto abrigado e confortável. em 1951. que será localizada no prédio do Mercado Público. trazida pelos açorianos. e na mesma só poderão ser vendidas rendas. considerando que a aquisição de rendas e similares tornou-se uma tradição e atrativo para os que visitam a capital.A feira terá caráter permanente. uma homenagem prestada a elas. Artigo 2o . no uso de suas atribuições. decreta: Artigo 1o .O serviço de fiscalização será superintendido e executado pela Diretoria de Serviços Gerais. Artigo 3o .Fica criada a Feira das Rendas. crivos e trabalhos manuais similares. § 1o . Paulo Fontes. considerando que na Ilha e localidades circunvizinhas do Continente está localizado o maior número de rendeiras. De tão importantes.Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação. Prefeitura Municipal.BALAIO NOVO 100 Hoje confinadas à Lagoa da Conceição. prefeito municipal .

mais nada. A semente era toda manual. meretrizes. a loja fundada por mãe e filho. secretário-geral Se o decreto não foi revogado. Hoje. As casinhas No vão central. com 19 anos. marinheiros e pessoas desempregadas transforma a região. junto com a mãe.101 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Percival Callado Flores. As pessoas vêm aqui porque é de tradição. No primeiro dia. adubo. a partir de 1956 ele recebe ajuda da esposa. já conhecem. Nezir Scheidt Carvalho. uma vez que a Feira terá caráter permanente. começou a vender sementes. só tinha a Associação Rural. filho do casal. Carvalho? Fundada em 1o de janeiro de 1953 por Gervásia de Andrade Carvalho e o filho Sérvio Túlio. tem sua clientela modificada. recorda Nezir Carvalho. após a morte de Sérvio Túlio. cafés. Barbearias. quem nunca comprou semente. instalado em um armário no corredor transversal da segunda ala.A. a confusão impera por volta de 1955. . Agora tem muita agropecuária. a gente é que fazia tudo. vendeu apenas 1 cruzeiro. A pensão de Pedro Kowaslki. Chegou em casa chorando. O glamour do Mercado está desaparecendo. comida de passarinho ou cachorro na G. A gente estacionava na frente. para que as rendeiras continuem a trançar suas rendas a declamar a antiga quadrinha76: O sereno desta noite Caiu na folha da palma O dia em que não te vejo Não faço renda com calma. poderia ser reeditado. mais tarde duas portas. Pelos caminhos do destino. Também aqui no meio passava carro. planejada em 1932 para ofertar pernoite aos colonos. Tinha acabado de dar baixa no Exército e. A gente é que enchia [os saquinhos]. A freqüência de marginais. de Doralécio Soares. 76 Texto transcrito do livro Aspectos do Folclore Catarinense. Naquela época. voltou a ser de mãe e filho: Nezir Scheidt Carvalho e Fábio Túlio Carvalho. O armário virou balcão.

Deixemos de lado os botequins e depósitos de lixo (que o mar. ensaiemos novamente o calamitoso próprio municipal. puro depósito de lixo. Se o peixe fica impregnado de maçã ou carne. Carmelo Faraco. A praia próxima é repelente.. Visitaremos a anarquia (não confundir com autarquia) que se chama . Começaremos no largo próximo à Alfândega. nas proximidades de um posto de gasolina. há ainda um grande depósito de esterco de cavalos. E isso há muito tempo. Para que? Finalizemos nossa jornada na rua Álvaro de Carvalho. baratas e mosqui- . Continuemos nosso agradável passeio. generosamente. Nas bancas de peixe encontramos três câmaras frigoríficas. para completar. De início.BALAIO NOVO 102 relojoarias perdem os melhores fregueses. não dá mal algum. adquire sabor de bergamotas. Mercado Público Municipal Se o amável leitor quiser acompanhar-nos mentalmente. E que lixo .. Apenas uma está funcionando a pau e corda. além de antiquados e antihigiênicos.. limpa de quando em vez). e. É o paraíso e o viveiro das moscas. ali. Penetrando o Mercado adentro. iremos levá-lo a empreender um passeio maravilhoso. Anotemos. Mercado Municipal. assina um artigo em A Gazeta. O resultado é que nessa única câmara colocam-se carnes. Retratando a situação do Mercado. Não nos preocupemos com as balanças. devemos levar um lenço ao nariz. que há muito tempo não são aferidas. Todavia. frutas e verduras.. Almoço completo. o leitor verá o parapeito do cais completamente destruído. Azar do comprador. Os sanitários do prédio do Mercado são uma obra-prima do desmazelo. para evitar o mau cheiro. Mais adiante não é possível. peixes. advogado e cronista.

principalmente quando os favores são feitos com o dinheiro do povo e os empregos desnecessários dilapidam o erário público. Ou será que nosso povo está anestesiado? Jornal A Gazeta em 16 de julho de 1958. Não se deve votar em troca de favores ou empregos. palmito78 em tora e produtos da colônia. não adianta muito. Na Praia do Vai-quem-quer79. Três de outubro77 está próximo. quitandeiros e pombeiros vão se aglomerando. Reclamar e votar a favor. debaixo de chuva e sol. Realizada nas quartas-feiras. Sobre o mar. o prefeito (1954-1959) Osmar Cunha construiu 15 casinhas para a exposição de frutas. . de madeira e com apenas uma inclinação de telhado.103 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA tos. defensor destemido da anarquizada administração municipal. Novamente no mar está a solução. O povo que julgue. Era vendido em toras. verduras e legumes. in natura. como já uma vez nos declarou em plena Câmara Municipal o vereador Antônio Apóstolo. juntando-se aos caminhões e carroças. apenas julgue. e se misturam ao tráfego da rua Francisco Tolentino. Sim. A praia recebeu esse apelido popular pela grande quantidade de lixo acumulado. Há um recurso porém. as casinhas desafogaram em parte o vão central. Sempre espalhadas na calçada. estaduais e federais. deixa as pessoas sem opção para os demais dias da semana. oferecendo frutas. A cidade está entregue às baratas. ao lado do Mercado. verduras. A Feira dos Colonos não é suficiente para atender a população. amigo florianopolitano. pois apelar ao leitor não adianta. O senhor prefeito está viajando. que também vendiam hortigranjeiros. criando uma improvisada feira livre do vão central. as louças de barro conseguem um lugar protegido com a mudança da Associação 77 78 79 Eleições municipais. Aos poucos. onde hoje estão localizados o Camelódromo e o terminal de ônibus. Não vamos fazer críticas. Os freqüentadores do Mercado sabem que não estamos desejando.

nossas louças e diversos artesanatos de barro voltaram ao 80 Local onde se calcina a casca de moluscos marinhos para a fabricação da cal. Vendia muito era o torrador. outra levava até o barco e a terceira arrumava as louças de barro por entre capim seco. orquestra de sapo. buião e moringas eram vendidos pelo Bidinho. Instalada agora na rua Francisco Tolentino. Vinha da Ponta de Baixo. deixe cheia d’água de um dia para o outro. Hoje estão mais confortáveis. seu Laudêncio. alerta: isso foi criação do seu Zeferino. Fazia as loucinhas. Ele era aleijado. A senhora dele fazia um cavalo com um homem montado. o de passar o café. na continuação da rua Jerônimo Coelho. com a experiência de 50 anos. O nome da mãe de Francisco era Amélia. sobre o mar. no Largo da Alfândega. onde a família trabalhava. evitando danificá-las. com um bico para servir. ampliam o galpão e ali se abrigam. sonho de toda menina na época. precisavase de três pessoas para carregar a embarcação. Conversando. e o de talhar leite. Com a permissão da prefeitura. Uma trazia as peças da olaria. . 11 pescarias e quatro caieiras80 de conchas. para a Ilha. sem bico. todas funcionando na Ponta de Baixo. Não pedia esmolas. boi-de-mamão. continua a oferecer os insumos agropecuários aos moradores da Ilha e Continente. de canoa. Manoel de Matos e Francisco Valverde. E o barco dele era a vela! Mas da pequena olaria. os oleiros se cotizam. costeando. sem bater nas pedras. recorda: Existiam 14 olarias. Alguidar. passava ali por Coqueiros. se firmando. pau-de-fita. uma porção de coisas. Laudêncio esclarece que havia dois tipos de buião.BALAIO NOVO 104 Rural. Hoje. em frente ao Mercado. liberando o pequeno galpão que ocupava. As loucinhas de barro. Era um sucesso. de macaco. um tipo de alguidar com boca mais aberta. em São José. onde as pessoas torravam o grão de café. sempre foi um homem trabalhador. O mais antigo deles. apesar de localizados fora do Mercado. Laudêncio Pereira. e ele ficou conhecido como Chico Mélia. pescava e vendia no Mercado. andava com as mãos. as peças mais bonitas quem fazia eram os filhos. Transportadas as loucinhas em baleeiras. gramofone. E dá uma dica: para usar uma panela de barro pela primeira vez.

Pescadores e estivadores faziam reuniões em suas dependências. sem data para retorno. abria suas portas às 2h da manhã para atender aos feirantes que já ajeitavam seus tabuleiros. Na véspera da Feira dos Colonos. acomodando-os em um barril com serragem. Na safra da 81 Lona ou pano impermeabilizado por uma camada de verniz. com mesas de mármore. recorda o manezinho Décio Bortoluzzi. Em Ponta das Canas. Localizado onde funciona hoje o Armazém Vando. praia do norte da Ilha. na caçamba da caminhonete Ford. Baixinho. Os maridos embarcavam nas traineiras para cercar o peixe no Rio Grande do Sul. o milho e o leite são levados ao Mercado. Apesar da dificuldade de transporte individual e coletivo. em xícara. de andar ligeiro. Com as portas abertas. junto com feijão e hortaliças. Nos Ingleses. próximo à praça Fernando Machado. de propriedade de Nilo Laus. Roberto Pereira. A pé. desde 1o de maio de 1993. Dos anos 50. ia ao Mercado vender ovos com um cesto nas costas. Português dos ovos Para os moradores do interior da Ilha. atende no período da manhã e seu filho. o dinheiro de valor na temporada da tainha era o ovo de galinha. o popular calhambeque. com bastante leite. Com os filhos para criar. .105 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA lugar comum. à tarde. Delícias do Café do Comércio. muitas comunidades vivem em função do comércio na região do Centro. Chique. do Café do Comércio e do Bar do Joca. muitas lembranças continuam vivas. aos 72 anos. A farinha de mandioca. O apelido ele ganhou por andar rápido. No largo da Alfândega. onde seu Laudêncio. o Mercado dos anos 50 continua sendo o principal ponto comercial. parecido com uma ximbica. uma construção iniciada pelo prefeito Antônio Henrique Bulcão Vianna abriga oito oleiros. e estão fora do Mercado Público. algumas pessoas se recordam de seu Ximbica. o Português passava e arrematava os ovos. Grandes mesas coletivas cobertas com oleados81 xadrez e farinha de mandioca acondicionada em garrafas de leite. próximo à Farmácia Esperança. as compras nas vendas eram pagas pelas mulheres com ovos de galinha. no vão central está o Bar do Joca. funcionando com frente para a rua Conselheiro Mafra. era o melhor sanduíche e a melhor média. ida e volta.

A imprensa noticia a inauguração: [. constituiu acontecimento de grande relevo. como também vale pela estética de suas linhas. Nicanor Delfino Conti. sendo edificado pelo Consórcio Catarinense de Desenvolvimento S. em 1957. O melhor local para selecionar os trabalhadores que iriam descarregar os navios atracados. sendo necessária a descentralização do abastecimento. o Nicanor dos Passarinhos. Sempre com uma curiosidade ou simpatia a ditar. A paixão pela fauna era tanta que chegou a ter um minizoológico em sua residência da rua Almirante Lamego. onde criava um jacaré e pássaros exóticos. das guarnições militares. A Lei no 315 autoriza a abrir concorrência para a edificação do Mercado Público da Mauro Ramos.A. levando ao local autoridades dos três poderes estaduais. A Prefeitura de Florianópolis e o Consórcio Catarinense de Desenvolvimento S. passarinhos e alimentação para aves. e responsabilidade técnica de Jorge Ramalho Anachoreto. a ser construído em um terreno da prefeitura.BALAIO NOVO 10  tainha ou anchova. vende no interior da primeira ala gaiolas. era comum se avistar caminhões com o barco na carroceria recrutando profissionais. aprova a construção de mais dois mercados na capital.. A proximidade com o porto.] A inauguração. Hercílio Luz e ruas adjacentes.. Com uma tendência exclusivamente comercial. especialmente convidadas. representantes do povo e público em geral. fez do Bar do Joca o ponto de encontro dos estivadores. O prefeito Osmar Cunha.A. do clero. sábado. estão de parabéns. O prédio tem projeto de Ivo Monteiro Martinez. A obra não só se destaca pelos grandes benefícios que trará aos moradores das avenidas Mauro Ramos. o Centro estava afastando os moradores para os bairros. cais Rita Maria.. do primeiro supermercado em Florianópolis. um na Ilha e outro no Estreito. Era a referência dos criadores. situado no triângulo das avenidas Hercílio Luz e Mauro Ramos e rua Emílio Blum. por terem pro- Mercado da Mauro Ramos .

conseqüentemente. ter feito a bênção do local. etc.A. Ônibus parados. [. em 27 de abril de 1959. pôs à disposição do senhor Dib Cherem as chaves do magnífico supermercado. que construiu no prazo razoável. fiambreria. em 7 de setembro de 1981. foi concluída já com o senhor Dib Cherem à frente do governo municipal. serviam de sala de espera e guarda-volumes.] Jornal Diário da Tarde. A construção do primeiro supermercado. foi inaugurado o novo Terminal Rita Maria.[. Ressaltou o apoio recebido do ex-prefeito Osmar Cunha e do atual.. já se sabe por enquanto. que vendiam passagens. usou da palavra o senhor Oswaldo Machado.] Concluídos os atos da inauguração. à cidade. o povo ali presente percorreu todas as dependências do belíssimo prédio..847m2. que veio preencher a lacuna no progresso da capital. farmácia. ambos prestando toda assistência aos trabalhos. 22 lojas e área de 2. um sábado. que já não precisarão locomover-se a grandes distâncias. A solenidade de sábado Após o senhor arcebispo metropolitano. iniciada na gestão do prefeito Osmar Cunha e cuja concessão foi dada ao Consórcio de Desenvolvimento Econômico S. loja. obra de tamanho vulto.10 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA porcionado a nossa cidade tão importante melhoramento.. para se desenvolverem.. examinando detidamente suas instalações e informando-se de tudo que lhe atraía a curiosidade.. a calçada servindo de plataforma e os passageiros embarcando. Acabou sendo um misto de mercado e rodoviária. diretor-presidente do consórcio. voltadas para a avenida Hercílio Luz. foi aberto para o público na segunda-feira. que disse de sua satisfação por entregar à prefeitura e. Finalmente. Inaugurado em 25 de abril de 1959. dom Joaquim Domingues de Oliveira. Dispunha de 34 boxes. Nele funcionarão. essa foi a rotina até que. Lanchonetes. As empresas de ônibus interestaduais e intermunicipais atendiam aos clientes em pequenas lojas. uma banca de revistas e uma farmácia propiciavam . resolvendo o problema dos moradores da grande zona de Florianópolis.

tem a chance de fazê-lo. Dois anos mais tarde. ou mesmo fechar sua quitanda. Atendendo a um público variado. Pesados um a um em uma balança. Ele não pensa em trocar de ramo. A história cruza o caminho dos mercados. Silva cresce seu faturamento com a venda de alguns produtos coloniais. das antigas. lingüiças penduradas ao lado de costelinhas defumadas para feijoada chamam a atenção do público. Quando as empresas de ônibus foram transferidas para o Terminal Rita Maria.BALAIO NOVO 10  algum conforto aos viajantes. queijos. dos lojistas do prédio a pessoas que param para comprar um talão de estacionamento de Zona Azul. Com a frente voltada para a avenida Hercílio Luz. No grande espaço central. Exceto a Fiambreira Koerich. na quitanda Silva podem ser compradas frutas em qualquer quantidade. Ovos. 34 boxes dividiam com tabuleiros a atenção da clientela. Se o Mercado da Mauro Ramos era denominado na imprensa da época o nosso supermercado. bobina de papel e manivela. os preços são diferenciados. Não. como poderíamos classificar o estabelecimento que o prefeito Osmar Cunha tinha planejado na Lei no 315. com frente para a avenida Hercílio Luz. Quem não conheceu uma venda deste tipo. João Bernardino da Silva compra o estabelecimento. verduras também. A Feira dos Colonos é transferida para o supermercado da Mauro Ramos. O comércio de alimentos era realizado no interior.99. em forma de triângulo. Um solitário comerciante garante ainda ao prédio um pouco do charme para o qual foi projetado. uma beterraba ou uma berinjela. em frente. seu Lelo montou uma quitanda na antiga loja da Empresa Santo Anjo da Guarda Ltda. uma laranja ou um pêssego. A grande lacuna deixada quando da desativação do Mercado Público da Mauro Ramos é preenchida por uma loja do Supermercados Imperatriz. de Mercado do Estreito . aquela de apenas quatro operações. Hoje. E o interior é usado como depósito. as lojas externas comercializam de acessórios para automóveis a produtos de 1. não é igual ao sacolão. têm o valor total da compra calculado em uma máquina de somar Facit. uma maçã. que funcionava na parte externa. liberando espaço no prédio da rua Conselheiro Mafra. com ponteiro e bandeja. um tomate.

destinados à exposição e venda de carne. bazares de tecidos. transferido em 27 de abril de 1959 para Campinas. legumes. varejo de especiarias. sementes. já havia adquirido a denominação de Fúlvio Aducci. O curioso dessa lei é que. e a referida rua 3 de Maio passou a ser designada Heitor Blum em 15 de março de 1956. Após a demolição do prédio do Matadouro Municipal. . a ser construído no bairro Estreito? O artigo 3o da lei definia: A construção deverá obedecer aos princípios da moderna engenharia. b) um mínimo de 66 (sessenta e seis) bancas para exposição e venda de verduras. primeiros socorros. coleta postal e também instalação sanitária completa. no terreno onde funcionava o Matadouro Público. lacticínios. O prefeito era um visionário. nomenclatura de logradouros que não existiam mais. papelarias e livrarias. seria edificado o Mercado do Estreito. A rua 24 de Maio. editada em 19 de setembro de 1957.10 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA 19 de setembro de 1957. em 28 de agosto de 1955. Corretamente localizado o empreendimento. secos e molhados. salões de barbeiros. restaurantes. subagências de bancos. situava o terreno para a construção nas esquinas das ruas 24 de Maio e 3 de Maio. aves. pássaros..A. etc. bem como escritórios de administração. o mesmo que construiu o Mercado da Mauro Ramos. posto de aferição de pesos e medidas. c) dependências próprias para instalação de farmácias. doces gelados e demais artigos normais do mercado. flores. cestos e artigos de manufatura regional. lojas de modas e comércio em geral. peixes. artigos de caça e pesca. começaram as obras. A execução fica a cargo do Consórcio Catarinense de Desenvolvimento S. no Estreito. Se a obra imaginada tivesse sido construída com essas especificações. bares. da técnica e terá: a) um mínimo de 33 (trinta e três) boxes de dimensões não inferiores a 12 (doze) metros quadrados. certamente teríamos em Florianópolis um shopping center por volta de 1962 que poucas capitais hoje possuem. especiarias.

um motorzinho de enrolar linha. O cliente não quer ser roubado. um bar. Pescador de Mercado Nem só casos obscuros povoam as histórias de Florianópolis nos anos 60. Nicolau José Müller.. Brincadeira comum era chegar em casa com um peixe embrulhado. Não lembra de qualquer festividade para abertura do Mercado e afirma não existir sequer placa comemorativa. ó. Inauguração não houve.BALAIO NOVO 110 No terreno de 3. Apesar de instalados dez.122m2.. é o proprietário mais antigo. no vão central. a simpatia no atendimento e bons preços notabilizam a alguns. Lutando contra o progresso. Hoje semi-abandonado. o cliente não quer que roube. de tintas. Relembra Izair Campos. Mas a Casa do Pescador. Eu aprendi assim. justifica sua escolha profissional: A balança é o símbolo da Justiça. Não comercializa nada. do Mercado Público. Quer o peso certo. lojas de presentes.827 habitantes. dois sanitários. distribuídos entre 31 boxes. e sobre quando principiou o comércio as informações são desencontradas. quando a população chega a 97. sala de administração e dois acessos ao vazio central. arrumando balanças analógicas. Sempre alguém implicava com o pescador de paletó do centro da cidade. certo? Então. e anunciar: Pesquei! Ói. descoberto. embaixo do braço. o Alemão. que comprava linha em metro na loja de Joa- . presta serviços. ói. com pratos e ponteiros. só se foi no Mercado. inclusive aquelas tipo relógio. Eu ainda tenho uma recordação da Casa do Pescador. Desde 1969 exerce o ofício.536m2 são construídos apenas 1. as lojas abriram suas portas com o edifício inacabado. hoje no ramo. Histórias de pescador não podem faltar na Ilha da Magia. A qualidade dos produtos ofertados. Conserta balanças. Foi simplesmente aberto este Mercado. Casa lotérica. com Oswaldo Machado no cargo de prefeito. Em algum momento do ano de 1962. fornecia material de pesca para amadores e profissionais. da década de 60 é que vêem as melhores histórias do Mercado. de produtos naturais e uma oficina de motos fazem o mix. 15 anos antes. herdado do pai. abriga 11 lojas e um comércio de frutas e verduras do sistema Direto do Campo em um galpão de madeira edificado no vazio central.

tem coloração branca e cerca de 3cm de comprimento. quando Acácio S. Moradores compravam camarão na lata para o almoço de domingo. tainhotas. e na mesa à beira-mar. lembra da fartura que havia antigamente. corvinas. Fornecia para o Exército e a Marinha. Tainhas. fazendo escavações na areia. Governava82 40kg de peixes quase todo dia para o Bar do Joca. 84 Pequeno crustáceo que habita praias arenosas. onde seguravam e exibiam aos olhos do freguês a lata cheia.Thiago. como o cação. Esse era o camarão da lata. e também parte dos vendedores que negociavam nas casinhas. tatuíras84 vendidas no balaio. o vão central continua repleto de comerciantes. Não tinham balanças e a medida era uma lata de azeite. escamar e eviscerar. isso é manjuba! Chegava muita pescada amarela. com suas facas sempre afiadas. Solução paliativa. prefeito (1966-1970). Mães e avós ainda lembram do Chico Escamador. Meros de 100 e 200 quilos eram comuns. 82 83 . muita garoupa. esses pequenos de hoje. há 58 anos trabalhando no Mercado Público de Florianópolis. Descia a escada lateral ao Mercado. no balaio. a Feira dos Colonos é transferida para o prédio da avenida Mauro Ramos. João Frederico de Souza. no lado da Alfândega. Fresquinhos. eram vendidos pelos pescadores em frente à porta principal da segunda ala. Os pescadores de fim de semana passavam para comprar isca. pois a grande quantidade de fornecedores não permite a recolocação de todos e a segunda ala não comporta mais Limpar o peixe. o Mercado fechava. Era num piscar de olhos. Escamar ou lonquear83. Retirar em tiras o couro de alguns peixes. faz uma nova intervenção. Um litro. quem comprava era o Altamiro Barbie. que tinha negócio aqui dentro do Mercado. Alguns cerealistas que negociavam no vão central foram em parte remanejados para o interior da primeira ala. a qualidade e o tamanho dos peixes.. Aos domingos. Francisco Manuel da Rosa era mestre na arte. onde hoje é o Box 32. Falando de pescado..111 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA quim César de Oliveira. um quilo! Os mais espertos amassavam o fundo da lata ou a lateral. A maior parte. escamava e ia colocando em uma caixinha. miraguaia grande. Apesar das casinhas de frutas e verduras na praia da Francisco Tolentino. Procurando amenizar a situação. limpava os peixes.

que a gente cortava e ele era úmido por dentro. a senhora que fazia aquele pão era da Enseada do Brito. quem também fornecia pães. E o pão do Ribeirão [da Ilha] que vinha num caminhão. sem química. 12 açougues e três bancas de pão. Um senhor que era tio da minha esposa. Aqui no Mercado existiram oito bancas de pães. Está completa. Eu era pequeninho e sei da história através da esposa dele. Bananas recheadas. As pessoas comiam tanto. direitinho. O pão francês também era melhor que os próprios biscoitos da época. artesanal. Localizadas na entrada do Mercado. Está no box 36. Era como comer pamonha. Fornecia para os três navios do Hoepcke. Era o tipo de uma pamonha. esclarece José Isaltino da Rosa. Era feito na base da banha. Ao lado do posto de pão do Zezinho. ele esclarece: o primeiro dono daquela banca foi o seu Joca. Ela tinha uma panificadora assim. na banca que herdou do pai. A respeito da banca de pão que existia no corredor transversal. e isso antes de mim. Mas Zezinho continua no Mercado. . caseiro. onde funciona hoje a lanchonete do Scotti. Ele fornecia pão naquela época. junto da Fiambreria Dona Clara. há uns 55. As padarias eram poucas e nos bairros as galeotas85 entregavam em domicílio. e a especialidade era o pão de milho. tranças e roscas de polvilho era Maria Ventania. que eram o Anna. braçal. que sempre saía um reforço [vendia mais]. pelo lado da Alfândega. sonhos e balas queimadas também podiam ser compradas nas vitrines de pão. o Zezinho. Aliás. saquinho transparente? Vinha em quantidade. quando não resistiu à concorrência das padarias. até 1988. seu Canuto. A gente colocava mel e um queijinho e aquilo penetrava no pão. Mas só na banca do Zezinho se comprava o saudoso pão de milho. 60 anos. doces. Mas morava aqui em Capoeiras. Ele agüentava oito dias. com a lona sobre o caminhão. A banca do Zezinho funcionou por 33 anos.BALAIO NOVO 112 negociantes. meio molhadinho. havia duas vitrines de pães. com 25 tabuleiros. o Max e o Carl. 85 Carroça com duas rodas e caixa com abertura onde se acondicionava os pães. mas encaixotado.

trazendo todo tipo de mercadoria.113 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Sabor na memória Baleeiras e outras embarcações aportavam na praia. natural de Berlim. compraram um terreno no Estreito e começaram a produzir embutidos de forma artesanal. Dia de vento sul virava tudo e perdiam tudo. Ela entrava em qualquer bar. comerciantes entram para a história. Ficava assim de homem espiando na porta. São José. relembra Tea Yolanda Ramtour Pinto Rosa. compraram um tabuleiro. Armazém Dona Clara. Dona Clara. Alemã. chegou à Ilha na década de 20. que vendiam no Mercado em tabuleiros. o que tivesse pela mão ela já dava na cabeça . desembarcava na beira-mar. Estabelecidos na segunda ala. Era dessas que. Saía do Mercado. também a cal produzida na Ponta de Baixo. Ninguém mexia com a minha mãe. não tinha a ponte. filha do casal. No tempo que ele fez isso. Com alguns réis no bolso. mas entrava em qualque lugar. com muito trabalho. acostumada a uma vida mais pra frente. Muitos têm reconhecimento popular na atualidade. box 39. Desembarcavam na Praia de Fora (praça Esteves Júnior) e carregavam nas costas até o Mercado. embutido à base de miúdos e sangue de porco. embarcavam na lancha e atravessavam pra Ilha. Ela andava de vestido. Além de peixes. Do tabuleiro à gaiola –assim era chamada a banca. Então eles embarcavam numa canoa. relembrados e fazendo parte da tradição do Mercado. acompanhando o marido Kurt Ramtour. Até tijolos de barro da Palhoça. Era um negócio de café e doces. louças de barro. E minha mãe não andava de calça comprida. dava uma volta e do lado de cá [rua Conselheiro Mafra] tinha o seu Jorge. produtos agrícolas. ficou responsável pelas vendas e seu Kurt encarregado da criação de suínos. com o apoio da família. a inesquecível tinha um endereço: Mercado Público. dona Clara foi a primeira comerciante mulher do Mercado. se alguém mexesse com ela. Aos poucos. onde era o Mayer antigamente [começo da rua Fúlvio Aducci]. O lugar era dominado pela presença masculina. Primeiro foram as lingüiças de porco. fechada com um gradil– e depois ao Armazém. Então minha mãe ia tomar café lá. com três filhas. com os produtos até ali. Morcilha. de origem alemã. Eles iam a pé. galinhas e da produção.

87 Planta originária da América tropical e muito cultivada como alimento.. molinho. Comecei a trabalhar com 12 anos no Armazém Dona Clara. recorda Tea Yolanda. com uma ponta de orgulho. Moía com a carne e os temperos. levava muito fiambre e patê.BALAIO NOVO 114 do fulano. Às vezes eu vou a algum lugar e vejo aquela morcilha. inclusive com geladeira. interventor do Estado. E para a higiene pessoal. O Mercado abria às 4h da manhã. e que. o branco. Nereu Ramos. servem como verdura. Às vezes se metiam a querer ser engraçadinhos. e quando endurecia retirava e botava naquele gradeadozinho. Iguarias que fizeram sucesso e tinham um cliente em especial. Sempre que viajava ao Rio de Janeiro. E no início 86 largas e cor azulada. O segredo ficou no quintal de temperos. em caixa. Tudo era posto numas caixinhas. Duchen e Aymoré. E aquela morcilha? Eu nunca mais comi morcilha com pão. fiambres e banha. vendiam também o sabão Lux. torresmos e presuntos cozidos. especial para lavar roupa de seda. A morcilha do meu pai era ótima porque a tripa tem que ser muito bem lavada. O inesquecível patê vermelho. entre um pedaço de sabão Joinville e outro. porque era mole a manteiga e ela ia pra geladeira. só se via homem.. de 50. Mas entre as delícias acima vendiam também secos e molhados. para passar no pão. chimias87 e bolachas Cestari. 100 quilos. honesto. Ficavam todos os pacotinhos certos. e a fábrica ampliada. porque era mulher! Naquele tempo. Senão. dá mau cheiro. Produtos de qualidade. meio quilo. Produção crescendo. De que é feita? Aí eu vou abrir e tem um cheiro. Ele não queria que ninguém entrasse ali. Fiambreria bem montada. queijos. que faziam escalas na cidade. E. produzindo morcilhas. picadas e cozidas. . A rotina era dura. Com a chegada da 2a Guerra Mundial. de 250 e de 100 gramas. presuntos. passaram a fornecer também para os navios. Meu pai tinha um quintal só de temperos. de manhã cedo não se via uma mulher no Mercado. de folhas Geléia preparada com frutas cozidas em açúcar. e às 5h já havia clientes. Ele usava muito o taiá86. sabonete Eucalol. geléias. puro fígado de suíno. E nós fazíamos tudo pacotinho de 1 quilo. E como empacotei manteiga! Minha mãe tinha manteiga de tina. Cansei de fazer isso. seu Kurt importou uma moderna máquina de moer carne.

A lingüiça de porco. feijão. Era secos e molhados. continua a manter a tradição familiar. Como para encerrar as atividades no Mercado precisava pagar uma alta indenização aos empregados. Elaborada em família. De duas em duas horas tinha que virar. além do leite instantâneo Ninho. em 1944. Atenta às oportunidades e necessidades dos consumidores. Rogério. podia ser comprada junto com secos e molhados. o que a deixava crocante. transferiu o Armazém Dona Clara para seu funcionário mais antigo. Hoje. Entrou no Mercado Público trabalhando como empregado até que. onde seu filho. arroz. aos 47 anos. E trabalhou a vida inteira no ramo. Werner Baron. com os mesmos produtos e atendimento à clientela. Aprendeu a trabalhar com a carne no primeiro açougue que foi instalado em Florianópolis fora do Mercado. de panelas a formas de empadinha. Nós fornecíamos aos barcos de pesca. carne seca. salames. o estabelecimento ficou conhecido pelo apelido do novo proprietário. charque. O mais antigo comerciante não gosta de falar sobre o assunto. A Fiambreira do Bubi. se aposenta. Depois eles começaram a fazer carne seca. Bubi. tinha um ingrediente a mais. com 75 anos. manteiga Frigor e outros produtos fabricados. Tudo o que você imagina. Um luxo para a época. que o acompanhava desde garoto. Saudosista e apaixonado . Nossas mães lembram bem do trabalho de comprar uma galinha viva para o almoço de domingo. a couve mineira cortada bem fininha. O pai virava. Outra morcilha que deixou saudades no Mercado era a vendida por Nelson Spinoza. Não era tarefa fácil depenar e limpar a ave. Mas tradição não falta. aos 63 anos. queijos. Bacalhau. proprietária do bazar Ana Spinoza. Aprendia os segredos para um bom corte na carne e colaborava na limpeza. Mas começou vendendo gêneros alimentícios. A fiambreria oferece também lingüiças.115 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA dos anos 60 Kurt Ramtour. é humildade. Irineu do Livramento montou seu próprio estabelecimento. o Açougue do Povo. E tínhamos os balcões como eram os armazéns antigamente. Hoje. diz Ana Maria. Eles mesmos faziam. não pretende trocar de profissão. bem temperada. farinha. óleo Primor. Rogério começou aos 9 anos ajudando o pai. lembra Ana Maria Fernandes da Luz. ainda passa todos os dias no box 9. a família Koerich fornece no Mercado os primeiros frangos limpos da cidade. que hoje vende utensílios para cozinha. No mesmo local.

. veio o seu Nelson e ele continuou. O nome dele era Antônio Xavier da Rosa. Trabalhou com o seu Nelson [Spinoza] e outros antes dele. recorda Rogério Livramento. Era o aviso: vai fechar o Mercado.. lidava com o boi. pertencente à família. a carne chegava ao Mercado por volta das 4h da manhã. Pro argentino é peseto. com a visita dos argentinos. A gente corta o osso ao comprido. está atento à preferência do consumidor e à temporada turística de Florianópolis. os cortes são mais sofisticados. Então. mas trabalhava direto aqui. o fiscal passava todo dia para conferir a qualidade da carne. Ninguém mexia! Hoje. que há 30 anos chegou ao box 12. o paulista chama lagarto. Meia hora depois as portas eram cerradas. não tinham portas. Vai mais longe no tempo. e os paulistas e os gaúchos cortam tipo uma ripa. um dos três que pertenciam à família. Às 17h30min chegava o encarregado soando um sino. Ganhava carne e deixavam limpar o mocotó pra ele vender. Quando chega o verão. recordando histórias da família. Chaira em punho e o vaivém da faca. as bancas continuavam abertas. que casou com 12 anos. Meu bisavô é que ajudava a descarnar os bois. relembra: antigamente. Vem gente de outros países. Hoje. Tenho que acompanhar os muitos cortes de supermercado e também o turismo. É acém ou lombo. As vezes. eu tenho que trabalhar de acordo com o que eles estão acostumados. desossava. Aqui em Florianópolis o osso saía inteiro e depois a gente serrava ele em pedacinhos. tem que fazer conforme manda o figurino. de outros Estados. Ele não ouvia bem. e as pessoas colocavam sacos de aniagem88 sobre os produtos e pronto. Era avô da minha mãe. e muitas vezes às 88 Pano grosseiro feito de juta ou outra fibra vegetal. Direto do abatedouro da Trindade. Meu bisavô era conhecido aqui como Antônio Surdo. Ricardo Vidal. só o nome é que muda. Na costela é diferente. O corte é o mesmo. o corte que o gaúcho chama de tatu. serrava na mão. e não tinha carteira assinada. Os ossinhos saem tudo assim ó [mostra com as mãos os pedaços pequenos]. Quando esses saíram. Chegava de madrugada. e cada um tem um corte diferente de carne.BALAIO NOVO 11  pelo Mercado.. Tem mais. demonstra que a habilidade nos cortes da carne bovina é de pai para filho.

vencendo o concurso municipal para escolha do hino oficial da cidade. quando o trânsito ainda corria no vão central. pai de Ricardo. Cláudio Alvim Barbosa89. picavam os ingredientes. Apaixonado pela Ilha. Agripina Vidal. como também relacionados às festas. pág. Num pedacinho de terra. dona Corrucha. na Semana Santa. na continuação da rua Deodoro. Não havia refrigeração e os fiscais da Vigilância Sanitária confiscavam o excedente. trabalhou por quase 40 anos no Mercado. um peixe pelo preço de três. tal era a quantidade em oferta. Aqui não seria diferente. compôs Rancho de Amor à Ilha. e no açougue de seu tio.. A morcilha era uma maravilha. da anchova. Jamais a natureza reuniu tanta beleza jamais algum poeta teve tanto pra cantar! 89 Ver Balaio de Figurinhas.. recorda Ricardo Vidal. tudo pro Mercado. fechavam os embutidos e no outro dia de manhã vinham aqueles balaios de morcilhas. A tia. perdido no mar!. religiosas ou populares. e a cada versão. na fiambreria que possuía. quem não lembra dos três ou quatro caminhões vendendo caixas de uva? E onde comprar a árvore de Natal? Em frente ao Mercado! Se podia escolher o tamanho dos pinheiros recém-cortados. ou no vão central.. Rancho de Amor à Ilha Um pedacinho de terra. A música foi adotada oficialmente em 8 de julho de 1968. beleza sem par. Era assim no açougue de Osvaldo. o Zininho. a cada vez que é entoada. feito por ela. Pedro Vidal. ou em frente ao trapiche. o produto só po-dia ser vendido até a 1h da tarde. Na safra da uva. 178. Não somente em função do período de colheita. Tudo ao alcance dos fregueses. três unidades por preço de uma. Na safra da tainha. Alimentos sempre tiveram a sua sazonalidade. aperta o coração dos manezinhos.11 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA 6h já havia fila para comprar. abatiam o porco à tarde.. Na década de 40. .

de 23 de novembro de 1967. Tua lagoa formosa ternura de rosas poema ao luar.. em Capoeiras. parecia ser perfeito. a lei no 947 permitia que fosse aberta uma licitação para arrendamento do prédio. dengosa vem se espelhar. hoje.Thiago a edificar mais um Mercado Público. fevereiro de 2002.. não funcionaram além de dois meses algumas poucas bancas de frutas e outras de verduras. Mas. Dois lotes comprados na rua Campolino Alves.BALAIO NOVO 11  Num pedacinho de terra belezas sem par! Ilha da moça faceira. Um simpático prédio. pareciam ser o local ideal. escritório do Projeto Bom Abrigo e. Em março de 1970. Sem interessados. Cidade ganha novo Mercado na Trindade A Prefeitura Municipal vai construir mais um Mercado Público. com área de 828m2. segundo moradores. já foi cozinha da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital). Procurando descentralizar o abastecimento. o prefeito anuncia mais um projeto. cujo contrato será assinado Mercado de Capoeiras Mercado da Trindade . da velha rendeira tradicional Ilha da velha figueira onde em tarde fagueira vou ler meu jornal. se encontra com as portas trancadas. no bairro da Trindade. com 490m2. A publicação no Diário Oficial da Lei no 852. autoriza o prefeito Acácio Garibaldi S. cristal onde a lua vaidosa sestrosa.

Dois dias depois de anunciar o Mercado da Trindade. foi um alívio. Terá uma área de 330m2 para ter todas as condições de atendimento. Eu estava acostumada a ver trazerem a carne lá de trás. Antes não podia pegar. Quando não estava atrás do balcão. Tinha esse frigorificozinho e tinha mais um na entrada. “desde que. bonito. para um prazo de construção de 150 dias.. estava sempre atrás do balcão. Jornal O Estado. Desde 1970. o prefeito Acácio S. em 2 de agosto de 1968. com poucas opções de mercadorias e bem mais caro que o Mercado do Centro. professora. Nós chamávamos depois de pequena fiambreria. No mercadinho era tudo assim.Thiago assinou na tarde de ontem [31 de julho] o contrato para a construção do Mercado da Trindade. cuja conclusão está prevista para fins de novembro. com frigorificozinho. tinha a carne ali exposta. em 31 de julho de 1968. moradora do bairro. De outra parte. Foi a primeira vez que eu vi a mercadoria na frente dos olhos.. Jornal O Estado. O senhor Acácio S. para tanto. já foram iniciadas as obras do Mercado de Capoeiras. e há 22 anos funciona no local o NETI (Núcleo de Estudos da Terceira Idade). Prefeitura anuncia para 1969 a construção de novo mercado Afirmando que no início do próximo ano espera começar as obras de um mercado público no Saco dos Limões. contratada para a execução da obra. estava no alto. Era mercadinho. O prefeito era um construtor de mercados. a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) utiliza o prédio.Thiago e a firma Comasa.Thiago esteve na tarde de ontem inspecionando a construção do Mercado de Capoeiras e foi informado pelos construtores que a obra será entregue no prazo previsto. Não funcionou mais que dois anos. acostumados a fazerem suas compras no Mercado Público. Mercado do Saco dos Limões .11 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA amanhã pelo prefeito Acácio S. Para os moradores do bairro da Trindade. os moradores daquele bairro colaborem com o empreendimento”. relembra Matilde Vieira.

Brito desconversa. Na cidade circulava a lista da Cadep (Campanha em Defesa da Economia Popular). empresários e o governo em prol da economia doméstica. Nos meios de comunicação veiculavam uma relação com vários produtos e onde podiam ser encontrados com o menor preço. Hasteia uma bandeira de cada time na porta do estabelecimento. Aproveitando a boa fase do futebol brasileiro.. e. o Bulcão Vianna. no Mercado Público. Orlando Elpo. e a alegria tomou conta dos habitantes da cidade. o prefeito não tem culpa.BALAIO NOVO 120 Desta vez. calções. sobe a bandeira do Brasil. . abre o Bazar Brito. Tem toalhas. mas o centro pesqueiro catarinense foi transferido para Itajaí. K. Participavam alguns comerciantes do Mercado –Castilho Manoel dos Santos. que já eram 138. Nesse momento. se especializou em jogos de uniformes para times de futebol. Hoje. Vanderlei Manoel Amaro e Manoel Amaro. Antigamente. vendia muito bem as do Santos Futebol Clube. finalizando. Parece que os moradores daquele bairro não colaboraram com o empreendimento e o Mercado não saiu do papel. comercializando verduras e legumes. Se o time vai bem. secos e molhados. Este é uma País que vai pra frente. Avaí ou Figueirense? Com um sorriso nos lábios. Mas. E a seleção brasileira foi tricampeã no México. jogos completos dos principais times de futebol. Florianópolis e Santos (SP) desde o tempo de colônia. na dúvida. atacadista e varejista de arroz. ele não fabrica mais. comprava muito aqui. camisetas. Noventa milhões em ação. Eram 100. A clientela era grande e só havia eu aqui no Mercado. Vendi muito para políticos. também secos e molhados. que tinha uma fábrica de camisetas e uniforme escolar.. Na falta de animação das torcidas.. Passeatas. Revende e ampliou as ofertas na loja. Miyahara. Aldo Brito. adotou um marketing próprio. fica neutro e. em 1970. escolas de samba. comerciante atento. No tempo que o Amin começou a carreira. por uma questão de identificação. meias. do Armazém Vando. 200 jogos de camisas na véspera de eleição.337. festas. o Colombo Salles. As camisetas preferidas são as do Flamengo e Vasco. É que a pesca ligava as duas cidades. vende qualquer uma. que unia consumidores..

em 1971. continuou no ramo de cereais. Inicialmente. Orlando Elpo. Quem compra tudo à vista sempre tem maior facilidade. Foi se especializando em miudezas até se transformar na Casa Costa. a agência publicitária Propague. também destroem mais dois belos patrimônios públicos. eu me dediquei mais a embalagens plásticas e papéis. Eles iam a cavalo nas casas comprar ovos. Florianópolis entra no embalo e comemora o fim das longas filas nas cabeceiras da ponte Hercílio Luz. que não suportava o imenso tráfego. Eu procurava sempre comprar mais em conta. Os Incríveis declaravam seu amor. arroz. em 1983 passou o ponto. a Ilha do Carvão e seu castelinho. No fim. Sempre tive um movimento muito bom ali.. afastando . porque naquela época eu trabalhava com o pessoal de Criciúma a Itajaí. de comprar mais em conta e vender mais em conta. um infarto. E faziam um pouquinho a mais e vendiam. farinha. Há mais de um século a solução encontrada era conhecida. feijão. Praticamente eu fui o rei do papel ali. um dos últimos grandes atacadistas se aposenta. o pessoal trabalhava na lavoura. e mais uma vez vão aterrar o mar. Desta vez. E eu gostei muito. governador (1971-1975). Aos 73 anos. Jaime Costa dá expediente na empresa do filho. Vende o ponto para Jaime Costa. farinha. Muito afreguesado o meu ponto. Comerciante desde 1961. Para não ficar parado em casa. Após problemas de saúde. quando tinha uma venda no bairro Saco Grande e uma clientela de 70 cadernetas. Aos poucos foi trocando a linha de produtos e o estabelecimento recebeu nova denominação. Mas quem trabalhou a vida inteira não pode parar. Grandes transformações acontecem em Florianópolis. Tinha sempre novidades. em direção à Rita Maria. Tubulões despejam toneladas de areia a partir da Prainha. Felizmente. Eu te amo meu Brasil. galinha. A euforia havia tomado conta dos brasileiros.. de Roberto Costa. eu te amo. O aterro chega ao Mercado em novembro de 1973. Armazém Costa. Colombo Salles. dá início à construção da segunda ponte. Jaime recorda: o comerciante aceitava [como pagamento] tudo porque revendia depois. Tem uns irmãos meus que compravam muitos ovos até pra lá [nos Ingleses]. me dei bem. Naquela época.121 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Anunciavam os cantores Don e Ravel. vendendo no atacado e varejo. completa. Comprava sempre à vista.

prefeito (1973-1975) nomeado durante a ditadura militar. que operava o cabo submarino. Bairros limítrofes de São José já abrigavam parte das pessoas que trabalhavam e estudavam em Florianópolis. onde se lê: feito por Gillette e Johnston. E se observa a data de 1911. estava sendo desativada. os pescadores e o mar. Foram momentos de dificuldades para os comerciantes. diretor da Divisão de Planejamento da Prefeitura. Devagar andava a remodelação do frigorífico do Mercado Público. os alimentos somente poderão ser guardados em caixas de plástico. A inscrição na lateral da caixa nos remete à Inglaterra do início do século 20. solicita a doação do antigo relógio exposto na fachada. Continua a descentralização comercial quando surgem os novos centros de abastecimento. Surge o trabalho informal.BALAIO NOVO 122 para sempre as embarcações. Construído em 1939. os supermercados. Nova onda de decadência se eleva sobre o Mercado Público. a inflação.] Depois da reforma. A população. na esquina das ruas Tiradentes e Nunes Machado. que acumulam sujeiras e restos de diferentes alimentos. teve uma reforma em 1956 e outra em 1969. carnes e verduras. Muitos fregueses do Mercado queixavam-se também que alguns alimentos ficavam com cheiro de outros. o desemprego. conseqüência da forma como as caixas de diversos produtos eram empilhadas. Informa o jornal O Estado na edição de 15 de setembro de 1973. O arquiteto Paulo Roberto Rocha. A empresa Western Telegrafh Cable Company. Reformadas.. mais higiênicas e resistentes. A utopia do Milagre Econômico começava a dar sinais de fracasso. [.. passando por ali. o relógio foi instalado no Mercado nos últimos dias do mês de abril de 1974. Mas a falta de manutenção tinha paralisado há seis meses a conservação de 100 toneladas de peixes. Após alguns estudos e a construção de uma plataforma. Ficou conhecido como Frigorífico Modelo. ultrapassava os limites do município. as três câmaras diminuíram as reclamações dos clientes em dezembro de 1973. na gestão de Nilton Severo da Costa. No largo entre o Mercado e a Alfândega aparecem os primeiros camelôs. por volta de 1976. principalmente na construção civil. E o inesquecível Miramar é demolido no mês de outubro de 1974. ao contrário das de madeira. Vendem principalmente . se distanciando do Centro.

não sei se tu te lembra. que trabalhava com produtos agrícolas desde 1940. primeiro por armarinhos e depois para sandálias e calçados. Com o fim do comércio de gêneros alimentícios na ala. pentes e escovas. 168. vendia pão de porta em porta até a barra do Sambaqui. espelhinhos. pêra d’água. e bem. olha a banana. Entre um cliente e outro. olha o tomate! Em 1954. Nós vínhamos aqui e comprávamos caixas de uva. nas costas. Uma atitude impulsionada pela necessidade de sobrevivência. Atencioso. Ainda é um armazém. na ala da rua Conselheiro Mafra. subia na galeota e partia rumo à padaria. ajeitava os estribos do cavalo. Vanderlei Manoel Amaro. Comprava aquele saquinho de papel baixinho. Vendia verduras e legumes de manhã e de tarde vendia frutas. quando vendia batata e cebola na calçada do vão central. Em frente. com os balaios pendurados. gritando: Olha a laranja. eu já andava vendendo com meu pai. Ninguém sabe ao certo quem começou ou quando. sacos de papel. Foi nesse tempo que seu Vando. Vendia nos pontos onde tinha aquelas senhoras que lavavam roupa pra fora. sempre atencioso. Também aquelas pêras-ferro. se transferiu para um local mais amplo. Tinha ônibus só pra carregar as lavadeiras. com produtos de qualidade e preço bom. Acordava às 2h. barbantes. curto assim. E depois? Eu vendia verdura naqueles balainhos. mas não deixa de ter orgulho de seu passado de trabalhador. sufocadas pela concorrência dos supermercados. pág. Morava no Saco Grande. as bancas de frutas ficam sem clientela. suas bugigangas. passou por dificuldades. Elson Ricardo Amaro. no vão central. . lembra do tempo que saía de casa para pegar pão. O Armazém Vando. A gente sentava em cima das trouxas e elas ficavam doidas! 90 Ver Balaio de Siri.123 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA pequenos produtos nacionais. continua a vender secos e molhados. Não com os clientes. Aos poucos. com a gerência de seu filho. naqueles pauzinhos. mas com a concorrência90. tinha seu box sempre bem freqüentado. box 16. os comerciantes do Mercado vão trocando as frutas. Mário Valgas vende sapatos. enchia de uva e vendia nos pontos de táxi. muitos artigos de armarinho. Dentro. rolhas de cortiça e embalagens. os camelôs vendem.

cestos. São peças rústicas. Só tinha as feiras uma vez por semana. depois o Riachuelo. dos poucos que ainda habitam o Mercado. fazem painel. Pra não passar friagem. tradicional bairro de lavadeiras. vendia gaiolas e alimentação para aves. fazem forração também. continua a ser manezinho autêntico. quando acampam. Também não agüentou o movimento dos camelôs e a chegada dos supermercados. não é? Porque não tinha supermercado. esteiras. diz Orivalda Florindo Conti. Box 39. bem lavadas. Hoje eles usam pra barraca. vendia frutas. e ficou sendo a única lojista a vendê-los. Alguns tentaram manter a tradição e insistiram com comércio de palha e vime. Hoje é quase todo dia. finas e flexíveis. a nora de Nicanor dos Passarinhos assumiu o box quando ele se aposentou. Antes. Diziam que era bom. já falecido. . verduras e cereais foi lenta e gradual. Em pé. que é feita lá na Pinheira. depois que seu Cachoeira. De suas hastes são confeccionadas aquelas esteiras fininhas. Mário atende aos clientes com o jeito carinhoso dos ilhéus. atrás do pequeno balcão. há 21 anos. foi adquirindo artesanatos. É uma coisa que daqui a pouco vai ficar extinta porque. nós comprávamos no atacado e botávamos nas bancas pra vender. Não gostava muito. sempre conversando e usando o diminutivos nas palavras. Elas buscavam as trouxas nas casas e devolviam na semana seguinte. e fazia a linha para o Itacorubi. sempre no 39. Era uma correria. Na Pau e Palha. lembranças e presentes. entre esteiras. como Mário gosta de frisar. antigamente eles usavam pra botar debaixo do colchão. Eu recebo pequeninha pra fazer jogo americano. serve pra forrar móveis. Aos poucos. o Im-peratriz e aí veio o Angeloni pra matar tudo. forram o teto. passadas e muitas vezes engomadas. Primeiro o Pão de Açúcar. Tem aquela de taboa e a de junco.BALAIO NOVO 124 O ponto de ônibus da Trindadense era ao lado do Teatro Álvaro de Carvalho. mas não resistiram. não gosto de ver pássaro preso. eu morro de pena. usadas para a praia e muitas vezes como cortina. onde o pessoal colhe. fechou seu box. No começo.Orivalda explica a diferença entre uma e outra. Apaixonada por artesanato. A mudança de frutas. O junco é a designação de várias plantas que nascem nos alagadiços. os caminhões paravam aqui. já estão aterrando e o pessoal tá ficando sem a matéria-prima. Esteiras de taboa ou piri.

tem 37 boxes. com aproximadamente 570m2. Com a saída da Ceasinha. Hoje as crianças só querem eletrônicos. sem cipó. Abandono e a Associação No início dos anos 80. um restaurante. Sem mata. à espera de licitação. ficando conhecido como Ceasinha. Aos sábados. a feira livre no pátio atendia aos moradores vendendo no varejo. Nesse ano. Resposta de desdém do autêntico manezinho quando o preço do produto ofertado é exorbitante. o Mercado da Coloninha. Tão tradicionais que deram origem ao dito popular mofas com a pomba na balaia91. O arame tomou o lugar dos filetes de bambu e as boas peneiras sumiram. Abandonado. o Mercado Público de Florianópolis entra mais uma vez numa trajetória de decadência. Reformados desde 1997. afirma a lojista.A.). uma peixaria e algumas bancas de frutas e verduras ocupam 19 boxes. o declínio total é uma questão de tempo. sem balaio. funciona com a metade da capacidade. a Secretaria ganhou a palavra regional. sendo a segunda realizada em 1997. a Secretaria do Continente instalou-se no mezanino do prédio desde junho de 1990. . quase desapareceram. Inaugurado em 1978. Duas lanchonetes. rampas de acesso para caminhões e pátio de estacionamento no pavimento térreo.125 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Balaios estão desaparecendo com a devastação da Ilha e arredores. se transformando em Secretaria Regional do Continente. Apesar da boa localização e um grande público consumidor no entorno. oficialmente Centro de Abastecimento Oswaldo Machado. os outros 18 boxes se encontram fechados. Bilboquê. 91 Mercado da Coloninha O mesmo que balaio. sem manutenção e o comércio sem condições de competir com os supermercados. quando o edifício passou pela primeira reforma. pião e carrinhos de madeira ainda existem à venda no Mercado Público. junto com bonecas e bruxinhas de pano. funcionou no primeiro momento como entreposto da Ceasa (Centrais de Abastecimento S. O prédio.

que sugeria: sempre que viajar. Oreste Mello. o primeiro lugar que você deve visitar são os mercados. Vieram três relógios: um para o Rio de Janeiro. datada de 11 de junho de 1911. quando os relógios saíram pro Brasil. em 30 de julho de 1980. a folha do livro que eles mandaram em cópia xerox. prestando uma informação. explica as preferências gastronômicas dos habitués: O nosso campeão é o pastel de camarão. o Box 32 tornou-se o point da cidade. E o que mais me empolgou foi o Livro Razão. Ninguém gastou nada e tá funcionando até hoje. Muita gente chega embaixo dele e acerta o seu relógio. a quem havia mostrado o relógio. foi eleito primeiro presidente. Dentro deles você sempre vai encontrar representantes de todos os segmentos da sociedade local. à eclética clientela e cardápio. mas que depois voltaram a fabricar sinos e relógios. em inglês. Roberto Henrique Barreiros Silva resolve acreditar no conselho de seu avô. que ainda fabrica sinos e relógios para o mundo inteiro. A única coisa que ele come muito é o óleo Singer. o político catarinense Barreiros Filho. Ele contava. escolhi o Mercado. que oferece mais de 800 variedades de bebidas e diversos pratos sofisticados e da culinária ilhoa. E o relógio continua aqui. até o relógio havia parado. Apesar da situação de abandono que passava o Mercado. Oreste Mello conta: Fiquei trabalhando nele e depois de oito horas consegui fazer funcionar. Nessa época. que eu boto na máquina pra azeitar. que houve uma paralisação durante a Segunda Guerra Mundial.BALAIO NOVO 12  Na tentativa de melhorar a situação. não tive dúvidas. recebi uma carta de um casal de turistas da Holanda. sem dúvida. um para Buenos Aires e um para Florianópolis. Beto conclui: fiquei com isso na cabeça. que é a hora certa a toda a nossa população. os comerciantes fundam a Acovemapuf (Associação dos Comerciantes e Varejistas do Mercado Público de Florianópolis). a Casa Universal e a Casa Nacional. e dentro tinha o seguinte: uma carta do presidente da Gillette e Johnston. Apaixonado por ele e pelo Mercado. que contém em seu recheio . Uma vez. Orgulhoso de seu estabelecimento. proprietário na época de dois estabelecimentos. sua fama se deve. Atravessando os limites do Estado e invadindo os países vizinhos. O resto é o tic-tac perfeito e ainda mantendo a hora certa desde 1911. Aberto em 3 de março de 1984. Quando foi pra montar um negócio.

Se alguém falar Tita. Mas. . Então é como na sua casa. um quarto. Juarez Machado. envelhecida em tonel de carvalho e engarrafada com exclusividade por um alambique de Luís Alves. 120 gramas. quero provar. Adriana Calcanhoto. o fato de investir capital em um imóvel em degradação e lutar pela conservação e restauração do Mercado não deixa dúvidas. ao bafo. Se você quer um quarto de uma porção. suposições. Você vai pesar e ver que tem 110. Aqui você não tem obrigatoriedade de nada. ganhou da Escola de Samba Quilombo. ou meia taça. Jamelão. grelhados. Como recordação. que é trabalhado de várias formas: natural. e depois nós temos as ostras.12 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA 100 gramas de camarão. Freqüentadora assídua Se alguém perguntar quem mais freqüentou o Mercado. que apresentou na avenida o samba-enredo Apoteose do Box 32. e o presunto espanhol Pata Negra. sendo enfatizado pelo proprietário: É um lugar onde você não é obrigado a nada. o atendimento que deixa o cliente à vontade diferencia o Box 32 de outros locais. Alguns jornalistas chegam aqui e dizem ah. Discussões à parte. criadas aqui na Ilha do Papagaio. sem agradar a todos. que você abre um queijo e não tem que comer ele todo. Eu costumo resumir dizendo o seguinte: o Box é mais ou menos a geladeira dos sonhos da sua casa. Polêmicos. enfim. Astor Piazzola. Desde o início só temos delas. Entre troféus e prêmios. por causa da massa. Atitudes incomodam. Beltrano. Os 100 gramas de recheio eu garanto. são alvo de críticas e elogios. Aplausos. esse ou aquele político. pode acreditar. Brizola. a gente faz pra você. Temos um trabalho muito grande com o camarão que é também o prato predileto dos turistas. Fulano. no Carnaval de 1989. uma taça de vinho. Ele é seguido pelo bolinho de bacalhau. E muitos derivados do camarão. Juca Chaves. Fernando Henrique Cardoso. se pode adquirir uma garrafa da cachaça Box 32. Espera que eu vou pesar. milanesa. um bolinho de bacalhau. a lista de nomes deve chegar à ponte Hercílio Luz. O Box tem pratos pra todo mundo. o Box 32 e seu proprietário Beto Barreiros. fotos de figuras ilustres disputam a atenção no Box 32. Luís Fernando Veríssimo. A gente tem desde um pastel. casadinhos. até o escargô. Se você quiser uma taça de champagne. Ostras vivas. nós fazemos o impossível para servir.

chegava às 5h da manhã. suas histórias se relacionam com o Mercado Público pela alegria e carinho que os lojistas tinham para com ela. ou mesmo xingar algum desafeto. Negra. quem poderia esquecer aquela que. tantos filhos para criar. Chegava de madrugada e também abria o Mercado. o Mercado estava sendo negociado com a maior rede de supermercados do Brasil. tal era a paixão pelo local. quer ter filho. pra pobreza. eu tenho mais condições e você poderia deixar eu criar uma dessas crianças – sugeriu a socialite. Por esse motivo ganhou o apelido de Coruja. Quem marcou seu tempo no Mercado foi o Juca do Lloyd. com data de nascimento incerta e seu 1. ou no escritório. ou outro local para dançar. a nossa Nêga Tita. de saias justas. foi abordada por uma senhora da sociedade. alguém comentou que o prédio não estava tombado. que sempre lhe ofereciam algum alimento. e sim à cidade. Que ouviu de Tita: Quer ter filho. Na ocasião em que se discutia seu destino. Patrimônio preservado? Nos bastidores. relembra Oreste Mello. sentada na escadaria da Catedral. Entre um sorriso ou palavrão. bananinha recheada pra outro.BALAIO NOVO 12  Folclórica na cidade. A melhor história da mascote do Mercado não se refere ao local. E Tita diariamente ali passava. Abria o Mercado! Contam que muitas vezes ele ia de pijama. Ele chegava aqui e dava cocadinha pra um. com sua peruca loura. 92 Vulva. José do Valle Pereira. ou para pedir algum trocado. geralmente na cor branca. Sempre vinha com uma pilha de notas de baixo valor em dinheiro pra dar pra todo mundo aqui.15m de altura. Quando não estava a bordo. Outra personagem foi Antônio Salum. Desde nova na vida. Viveu seus últimos anos da bondade dos comerciantes. Adquiriu o apelido por trabalhar na Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro. vai dar a pomba92 como eu di! Coisas de Zelita da Silva. ou para brincar. . deixou um vazio na rotina do Mercado com sua morte. Tita. sempre carregando uma fileira de filhos. passava no Mercado a caminho da Gafieira do Laudelino. um dia.

Relembrando. o governador (19831987) Esperidião Amin. como poucas vezes aconteceu na cidade.208) previstos para a obra. Com o prédio do Mercado Público tombado. através da Fundação Catarinense de Cultura. assina um convênio com a Prefeitura Municipal para sua restauração. Aí eu me aborreci com aquilo.J.12 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Redigido às pressas e aprovado com urgência. Os outros três mercados. de autoria do vereador D. O decreto municipal no 35. falei com o Cláudio Ávila da Silva [prefeito na época] e ele disse: “Pode fechar. com as obras em andamento. foi salvo da especulação imobiliária em 20 de março de 1884. O conjunto arquitetônico. Para melhor entendimento. Visando a agraciar os colaboradores. conta Oreste Mello. Não vi nada!” Na segunda-feira eu vim aqui. cotinuam relegados ao esquecimento. o decreto permitiu. tombou o Mercado Público da rua Conselheiro Mafra. Denominação da moeda brasileira entre 31 de março de 1970 e 27 de fevereiro de 1986. dos Cr$ 145 milhões (US$ 59. sem vulgarizar ou ser político. 93 . Época em que se cria também o Troféu Amigo do Mercado Público. da Mauro Ramos. Porque todo o trânsito da [rua] Jerônimo Coelho e da [rua] Francisco Tolentino era feito por aqui. Medida que foi aprovada mais tarde em conjunto com a Prefeitura Municipal.452)94. As atitudes concretas começaram com o fechamento do vão central ao trânsito de veículos. Detran e Associação de Comerciantes e Varejistas do Mercado Público de Florianópolis. entrega ao prefeito (1983-1984) Cláudio Ávila da Silva a primeira parcela de Cr$ 20. Machado. apenas 26 pessoas foram homenageadas até 2001. à coletividade– conforme o dicionário Aurélio. do Estreito e da Coloninha (Centro de Abastecimento Oswaldo Machado). cartão-postal da cidade. 94 Após dez reformas monetárias fica difícil avaliar o poder aquisitivo da moeda. Em 16 de outubro de 1984. Cruzeiro. os valores foram convertidos em dólar. coloquei seis tubos neste lado e seis no lado de lá e aí foi um bafafá tremendo. o da Trindade e o de Capoeiras foram fechados. a preservação de um patrimônio público – pertencente ou destinado ao povo.7 milhões93 (US$ 8.

que custou ao município Cz$ 100 milhões (US$ 178. atrasos causados por embargos na Justiça. Finalmente. desde 1984. em 11 de outubro de 1985. Reboco.231). com um custo estimado de Cz$ 58 milhões96 (US$ 103.233). conforme projeto original. Desta vez foram recuperados os telhados.5% a mais que o previsto. Mistério O prefeito Aloísio Piazza diz que a empreiteira recebeu o pagamento. madeiramento e telhas e as torres voltaram a ter cobertura. quase parando. Foi a grande reforma geral do conjunto arquitetônico em 56 anos. fizeram com que a conclusão acontecesse em 240 dias. pintura. 95 96 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional. telefônica e de prevenção de incêndio foram refeitas e atualizadas. Moeda vigente de 28 de fevereiro de 1986 a 15 de janeiro de 1989. piso interno e sanitários completavam a parte estrutural. Foram quatro anos até concluir a restauração. Jornal O Estado. e a mesma afirma que não. Recuperação de esquadrias e grades de ferro finalizaram a restauração. em Cz$ 270 milhões (US$ 481. Cruzado. solicitados por antigos comerciantes de peixe que não concordavam com o projeto de restauração. O Estado noticiava: A restauração do prédio do Mercado Público está parada já há 25 dias e não se sabe quando vai continuar. 27. Prevista para 150 dias. Instalações elétricas.BALAIO NOVO 130 Uma briga entre a empreiteira da obra e o prefeito (1985) Aloísio Piazza deixa a restauração parada. Ficando o custo total da restauração.374). na administração municipal (1986-1988) de Edison Andrino a obra foi acelerada a partir de 16 de abril de 1988. Em ritmo lento.732]. A primeira ala já havia sido reformada em 1931. . apesar da placa comemorativa indicar 12 de novembro. que deverão ser repassadas para o término da construção.209 ORTNs95 [US$ 8. e mesmo assim aproveitando-se telhas velhas. Tablados e andaimes inúteis depõem contra o aspecto do edifício que até agora de melhoria só recebeu o telhado novo da fachada para a avenida Paulo Fontes. A reinauguração ocorreu em 16 de dezembro de 1988. As obras estão paralisadas e ainda faltam 1.

“Perdi uns Cz$ 2 milhões [US$ 11.828] em materiais de cozinha”. uma segunda-feira. disse Vieira.131 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA A ponte em frente à Alfândega foi ocupada pela Fundação Franklin Cascaes. um incêndio ocorrido em 6 de junho de 1988. O seu proprietário. lamentou o dono do Trapiche.” Ele avalia as perdas em mais de Cz$ 3 milhões [US$ 17. ainda não pôde avaliar o total do prejuízo. ninguém sabe onde”. Deu um estouro lá em cima. .742]. foi a que mais sofreu a ação do fogo. pág. Goiano II e a Casa do Pescador. de propriedade de Amauri Vieira. que tinha no estoque muito material inflamável. Os estabelecimentos mais antigos atingidos pelo fogo foram os restaurantes Trapiche. a notícia demonstrava sensibilidade para com os lojistas tradicionais. nas proximidades do Box 32. ficou interditada por 15 dias. A sobreloja do restaurante ficou destruída. Incêndio Durante a restauração. Vão Central? Destinado às exibições folclóricas. mas não conseguiram apagar. de Espaço Cultural Luís Henrique Rosa97. os prejuízos materiais na estrutura do prédio foram avaliados em Cz$ 5 milhões (US$ 29. “O fogo começou no forro. 97 Ver Balaio de Figurinhas.570) pela SUSP (Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos). nylon e isopor. “O primeiro a notar foi um garçom. pegaram extintores. em 7 de junho de 1988. às 4h30min. Joaquim César de Oliveira. ocasionado por um vazamento de gás próximo à fiação elétrica. Renato Adriano Manoel dos Santos. foi denominado. assim como a do Goiano II. Sem feridos. Esta. e a da rua Jerônimo Coelho pela administração do Mercado e o Núcleo de Transportes. exposições de artesanato ilhéu e apresentações musicais. Jornal O Estado. 181. em dezembro de 1988. A segunda ala. destruiu parcialmente nove lojas. Nas páginas de O Estado. na gestão do prefeito Edison Andrino.

lançava músicas e novos talentos. Geraldo Vandré. Jorge Ben Jor. humorismo E bate-papo com os fãs Esse alegre programa da Diário da Manhã. Sidney Müller. lançou o disco A Bossa Moderna de Luís Henrique. Com a voz de Zininho. Sivuca. Ele disse que era e estava fazendo um show em determinado lugar. João Gilberto. Luís Henrique participou com várias composições. No ar. Ele estava falando com um cara sobre feijoada e ela perguntou se ele era brasileiro. gravado pela Philips. mudou-se para os Estados Unidos junto com o Zimbo Trio. em 1963. a Revolução de 64. Tem música. Em 1970. Assim. onde já era amigo de João Gilberto. entrava Luís Henrique Rosa. então. Eles moravam num hotel que se chamava Um. que ele conheceu a Liza Minelli.. depois de se destacar na capital catarinense. Luís Henrique escreveu a peça musical Joy 66. Está no ar Seqüências da Modelar. Deu um cartão pra Liza e ela foi assistir ao show. apresentando o programa de auditório Seqüências da Modelar. Variedades e entrevistas. Na Bossa Nova foi nosso representante. com carisma e talento. nascido em Tubarão. conta Décio Bortoluzzi. começou sua vida artística o músico catarinense. num elevador. Foi o primeiro de sua carreira. amigo e confidente de Luís Henrique. e muitos vão recordar: Amigos.BALAIO NOVO 132 Muitos não lembram ou não sabem. Foi. Dois. A partir daí ficaram amigos. que. Tom Jobim e outros tantos artistas e intelectuais. o jingle abria o programa da rádio Diário da Manhã. Os Cariocas. Três.. apontado pela crítica especializada . adotou a Ilha da Magia. Ela estava precisando de dois brasileiros pra fazerem um arranjo musical. Com a chegada do regime militar. na década de 60. No Rio de Janeiro.. E nesse hotel quem é que estava? Miriam Makiba. Não. gravado quando morava em Florianópolis. em parceria com Oscar Brown Jr. Falava com artístas. e foi o Luís Henrique quem fez. o último foi Mestiço. não foi só de paulistas e cariocas que se fez esse movimento musical.

completados em 5 de fevereiro de 2002. tás? – Responde o outro manezinho do lado de cá. no grito: Ô tu aí. –Chama o manezinho do lado de dentro do balcão. aquele que bebe sua cachacinha em algum restaurante no Espaço Cultural Luís Henrique Rosa. distribuídos entre 129 proprietários. sem investimentos na manutenção por parte da . um camarão e farinha. vão central. Com 103 anos de existência. por tradição tem seu futuro incerto.133 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA como um dos cinco melhores trabalhos off Broadway em Nova Iorque. música.. deixou há muito de ser mercado para se transformar na sala de visitas da cidade. Sobrevive dos aluguéis. lembra o compositor. o meu pirão primeiro. ou mesmo uma alpargata. onde ainda é possível se ouvir o cumprimento carinhoso. Apesar de possuir o maior número de manezinhos por metro quadrado. Se bebe um bom copo de caldo de cana no Laurentino ou uma champanha importada no Box 32. tás tolo. Uma escondida placa em uma coluna do vão central. Outros grandes músicos também eram amigos seus. Pode-se comprar uma tradicional esteira. Sendo hoje o local mais democrático da Ilha. Melhor seria se a chuva fosse aparada pela cobertura móvel projetada. ô istepô . Chick Corea. muita cerveja e paquera. se pouca. acabou suplantando de longe o Ponto Chic como centro da fofoca. João Gilberto e Elis Regina. que não freqüenta mercado. o Mercado Público continua a ser polêmico e. um balaio ou uma sandália de dedo. esquecido pela municipalidade e os meios de comunicação. Com 144 boxes. Famoso. A merecida homenagem passa despercebida.. Duke Ellington e Stan Getz. Neide Maria Rosa. Divulgou e freqüentou o Mercado Público entre amigos da Ilha e personalidades: Zininho. e imóvel em alguma gaveta de algum burocrata. as havaianas. O futuro? O passado já foi relatado e o presente está acontecendo. como Bill Evans. O local onde os políticos se aglomeram às vésperas de eleições. Ainda se pode comprar uma tainha. lançou sete discos nos EUA antes de voltar ao Brasil. só supermercado. após participar como convidado em uma turnê pelo Japão. Nos fins de semana. Todos se deliciavam com a comida típica servida ali. simplesmente. que insistem em chamar o Espaço Cultural Luís Henrique Rosa de. quando se lembram do povo. Liza Minelli. Ô.

BALAIO NOVO 134 Prefeitura Municipal. E essa gente honesta e alegre merece que seu patrimônio seja melhor preservado. teve a iluminação de realce inaugurada em 22 de novembro de 1999. como no passado. de prefeito em prefeito. IPUF e outras siglas se revezam em opiniões sobre o que pode ou não pode. . presidente da associação que congrega os lojistas. Enfim. tende à descaracterização completa. Que siga com bons ventos rumo ao bicentenário. Como último investimento. Só falta carinho para com o Mercado (que é) Público. o Mercado. SUSP. de administrador em administrador. segundo Oreste Mello. o nosso Mercado Público vai sobrevivendo em sua tradição. de projeto em projeto. obstinado. Enquanto IPHAN. SPHAN.

135 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA .

do Joaquim. mas é o balaio do João. além da sua própria. Com muitas histórias. do Mário.BALAIO DO JOÃO Poderia ser do Manoel. . Mas não é apenas do João. É do João Frederico de Souza. pessoa mais apaixonada e devotada ao Mercado Público não há.

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e sim muito orgulho. eu gostaria que você fizesse alguma coisa pelo João. O dia que ele deixou o trabalho. Porque isto aqui é a vida dele. mas conhece muito. eu pago um salário mínimo. porque a lei não permite. o que eu posso pagar pra ele é um salário mínimo. quando chegou lá embaixo. mas não podia fazer nada. Ela disse que não precisava pagar nada. Oito dias depois a esposa dele sentou aqui e disse: – Oreste. trabalhei dez anos varrendo. Às 10h da manhã já tínhamos feito a limpeza e vinha uma carretinha da prefeitura juntar o lixo. Porque ele tem que se empolgar. Ele foi descendo a escada e. por decreto. descarregavam palmito. – Olha. afirmei. frutas e verduras.BALAIO DO JOÃO 13  Manezinho do Ribeirão da Ilha. passavam as carroças de um lado para o outro. Deixavam as caixas ali. Ele é um homem vigoroso. desceu e disse: – Seu Oreste. Mas chegou o dia da aposentadoria. hoje com seus 75 anos de vida. Ele está em casa. fala pouco. tô indo embora. seu João Frederico de Souza começou a trabalhar no Mercado Público aos 14 anos. Nós é que íamos limpar. Não. – Seu João. mas há 40 anos morador do Saco dos Limões. recorda João Frederico. Eu fiquei emocionado. Eu queria que ele viesse trabalhar de graça. há sete dias. olhando pro chão. Não tem vergonha. Foi embora. sem comer. não posso fazer nada. o prefeito determinou. . De primeiro. Eu era varredor. diz ele. olhou pra mim e uma lágrima desceu dos seus olhos.

Peixe e carne só podiam ser vendidos até as 10h. vendia confecções. rua Deodoro esquina com Conselheiro Mafra. Se não me . pelas pracinhas e pelo Mercado. condenava tudo e espalhava Creolina por cima. nas pesquisas e. depois disso o fiscal chegava. Atualmente entrou para o ramo de armarinhos. saí pelo Mercado: Passeando com o João Antigamente. E outra coisa. A história contada por Oreste Mello e confirmada por João Frederico mostra o tamanho da paixão desse manezinho. ir embora ao meio-dia. ele veio. O último pedido foi acima de 22 mil cruzeiros. Onésia Francelina de Souza.13 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Então. As lembranças de João Frederico –que são muitas– podiam ser ampliadas. e a loja se chamava Casa Veneza. A vida no Mercado era dura. Antes de comercializar roupas prontas. que aportou aqui em 1950. É um homem muito sério. Hoje está alegre e o maior orgulho dele é ficar aqui. Carne era descarregada todo dia e os açougueiros chegavam à meia-noite. numa crônica livre. A Casa Miranda. abrir o Mercado. muito poucos mesmo. chegar às 6 horas da manhã. ele continua seu romance com o Mercado Público. que confunde sua existência com a do Mercado. Tinham de esperar para ir embora. Andavam pela cidade. é um patrimônio aqui do Mercado. Vinha gente de São Joaquim. Começando pela frente da primeira ala. Urubici. Quando Galego comprou o estabelecimento. Alfredo Wagner. Bom Retiro. ali está a loja de Amadeu Galego. sendo o forte as sandálias Havaianas. o nome vem de uma homenagem a sua cidade natal em Portugal. Naquele tempo [final dos anos 60] nós chegamos a ser exclusivistas das sandálias Havaianas. português da segunda leva. Tubarão. Distribuíamos para toda Santa Catarina. As pessoas iam de manhã para o Centro e só voltavam à noite. E começavam a carnear desde cedo. os ônibus eram escassos. Tinha açougueiro que pegava um boi. ali se vendia calçados. Contratado da Associação dos Comerciantes. cuidar daqui. com a interferência de sua mulher. com quem está casado há 47 anos. O Mercado abria às 5h e já tinha fila. Juntei ao Balaio do João as informações obtidas nas entrevistas. continuou a vender calçados por algum tempo. Outros ficavam com quatro ou cinco.

com as almofadas da renda no colo. Era tudo 2. dizem. Coisas que não têm nada a ver com o Mercado. e ficavam ali. esteiras. Pães. de sabor ímpar. aquelas que fazem rendas de bilro. Bruxinhas de pano. caminhões e carrinhos de madeira. Na . em 1939. mas aqui dentro da primeira ala uma loja que vende aparelhos de telefone celular e outra vendendo roupas. Na outra ponta. Indo em direção da Alfândega. Foi quando instalaram um relógio luminoso na fachada. Outras vendiam nas portas dos hotéis. tinha umas quatro bancas que vendiam balaios. As mulheres sentavam num caixotinho. sandálias são produtos populares. era a barbearia de dois irmãos. não era aquele do vão central. que. Dobrando a esquina. Muito mais tarde. Sapatos. já é demais. coisa da gente. Mudou muito. No corredor do meio da ala. foram 22. Vendiam as rendas dependuradas na parede. Bar Brasil e Café do Comércio. funcionava na calçada da rua Conselheiro Mafra a Relojoaria Royal. com remo e tudo. tudo mudou. saída para o vão central. fundada por Nicolau Buatim em 20 de outubro de 1937. Não. tinha umas rendeiras. chegamos à Casa das Novidades. Engraçado era que ninguém gostava de cortar cabelo nem fazer barba com eles porque. Onde funciona a Casa Raposo. peneiras e muitos brinquedos. Sem esquecer dos bares e cafés. é antigo aqui. de Plácido Manoel da Silveira. quando a Feira foi para o Mercado da Mauro Ramos. Foi por isso que não esqueci. esquina com a rua Jerônimo Coelho. Tão chique era o nosso Mercado. mas tem gente que vende calçado e que é daquele tempo. recorda Amadeu Galego. lá pelos anos 60. Está acontecendo também a descaracterização desta ala. Seguindo pela calçada da Conselheiro Mafra. que abria nas quartasfeiras. Eram produzidos por gente daqui. Sabe. antigamente era só a Feira dos Colonos. continua no ramo de confecções. canoa pequeninha. bolos e uma rosca de polvilho inesquecível. Vendiam frutas e depois mudaram. E tinha também a Farmácia Esperança. Aqui.222 pares de sandálias Havaianas. Hoje nas mãos de Antônio Liberto Bernardo. voltando pelo lado de dentro. assim como a bananinha encapada. era outro. funcionou durante muitos anos a padaria Foguinho. O Bar Plácido. Hoje chamam de artesanato. eram meio carniceiros. tecendo.BALAIO DO JOÃO 140 engano. ainda vai. Funciona desde 1o de maio de 1972. é que vieram as bancas de frutas e o comércio dos cerealistas.

Mas o Laurentino Martins. Mais uma loja que não tem nada a ver com o Mercado é o Paraíso das Canetas. que desde 1975 funciona aqui. ligaram as duas com essas pontes. mais ou menos. dos restaurantes antigos. restaurante típico. sabes? E essa garapeira? É nova. antes de serem comercializadas no interior da primeira ala. quando fizeram a segunda ala. é o único que sobreviveu. antes era a pensão Kowalski. e o Bazar Mansur funciona no box 35 desde 1947. Esta. do Royal. atrapalhando o visual do prédio. Tinha algumas lojas de confecção. Agora quem toca são os filhos. onde funcionavam as casinhas com as verduras. A Vera Cruz e Achar Aviamentos são de portugueses. Bom. ou 40 anos. Em cima. do Valério Matos. Fechando essa calçada. no Empório Rosa e na calçada da Caixa Econômica Federal. tem mais gente nova. Depois mudou para a frente da outra ala. dá 43 anos vendendo caldo de cana. perto da Associação Rural. Bom. Hoje tem armarinhos. quem está comandando são os filhos Ricardo José Raposo e Sérgio Luiz Raposo. O mais enérgico deles foi seu Marcos Nunes Vieira. inesquecível. tem uns 30 anos. onde foi o Hotel La Porta. E ainda colocam esses mostruários na porta. e aquela de Mário dos Reis Raposo. Mas. A briga é para saber qual é a loja mais antiga. era a casa do administrador. na rua Francisco Tolentino. Lei era lei. . Olhando para o lado do Terminal Urbano. onde hoje está instalada a administração do Mercado. aqui no Espaço Cultural Luís Henrique Rosa. O Goiano. o do relógio. onde está o Camelódromo Municipal era praia. o Ponto 15. onde funcionava o Bar do Joca. Mas a maioria está no Mercado há 30. da Maria Achar. Depois as louças de barro passaram a ser vendidas nesse local. Tem o bazar do Geraldino Manoel da Silva. restaurante de Lauro Raimundo de Paula. Tem a Mercadolândia. Juntando tudo. o Amarildo e o Laurentino Martins Filho. Ali onde funciona o Pirão.141 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA frente do Lux Hotel. a Casa das Louças e Alumínio. na Praia do Vaiquem-quer. que vende produtos para festas e o Armazém do Vando. Ali onde está o Depósito de Meias Gebai era a barbearia do Nero Feamino. na beira do cais. Dependendo da avaliação. começou onde era a loucinha de barro. que é o dono. neste lado. Era aqui que os pescadores faziam suas compras. Voltando ao largo da Alfândega. O homem era fogo.

carregando uma bacia com 5kg de milho. As duas lojas são as mais antigas. como seu marido fazia. temos a Barbearia Leka’s. bolos e salgados até a decoração. o Bar Laguna. depois o restaurante O Mercador. d’angolas. quando não havia geladeira. tinha no mesmo local uma agropecuária. tem um carinho especial para com os pombos do Largo da Alfândega. A Casa Costa. apesar dos dez anos de diferença. e quem gerencia o estabelecimento são seus filhos. A padaria Preço Bom é nova. por volta das 9h. passarinhos e alimentação para aves. Todos os dias. ao lado está o bazar Ana Spinoza. ali era a barbearia do Moraes. Lázaro Valdemar da Silva tem no local o Ilha’s Bar. Caminhando. era a Fiambreria do Andrino. Seu Irineu. Antes. desde que Manoel Jacques Luiz Vieira morreu. A Casa das Novidades é de 1937. o box do Leca. Primeiro. e é de João da Silveira. na época em que era tudo comércio de secos e molhados.BALAIO DO JOÃO 142 são duas. era de Orlando Elpo. ao lado. Renato Andrino Manoel dos Santos é o dono do restaurante Trapiche. Isso até 1999. seu pai. No outro lado da porta. desde ingredientes para doces. o filho. Andrino Manoel dos Santos. Quando Valdemar da Silva comprou o ponto. trocou de ramo e vendia galinha viva. depois de Jaime Costa. passou a comercializar louças. A loja de artigos para festas Caracol é de Maria Elzi Amaro. mas já passou por vários proprietários. comercializa artigos para animais de estimação. filha de seu Vando. de Francisco Manoel Vieira. Seu Gedeão morreu e as filhas continuaram. Nezir Scheidt Carvalho continua vendendo sementes e insumos para agricultura. Na época em que vendia secos e molhados. Muito antes. desde 1987. Em 1976. Atualizada. e agora é de Válter Coelho e os filhos. funciona há muito tempo. quando virou Armazém Costa. de Ângela Maria e Carlos Alberto Fernandes da Luz. o funcionário mais antigo da loja. tem cinco anos de Mercado. depois um bar. depois de trabalhar no comércio de peixe por 30 anos. se especializaram em embalagens e produtos para festas. mais tarde Casa Costa. . ele os alimenta. Hoje. Na esquina do corredor lateral da segunda ala. Mantendo o mesmo nome. Cristiano Fábio Martins. Ao lado. foi um depósito de sal. há um ano. O Bazar Mansur sempre foi da família. Antes de Mansur instalar seu comércio. A peixaria tem novo proprietário.

Vamos andar pelo lado direito. Ao lado. Neosi. e a Peixaria Ventania. o caldo de cana é de 1962. Marci Silveira tem a Peixaria Silveira. No tempo de Natal. e hoje os filhos dele. Entrando na segunda ala. depois voltamos pelo esquerdo. de Terezinha Euzébio Guimarães. em 1957. Peixaria do Tuca. As irmãs Cardoso. perto do trapiche. E na mesma banca que seu pai comprou. Nézia e Malvina. A do Zezinho. bem onde tinha as bancas de pão. Antes. A outra metade vende artesanatos e sapatos. os caminhões que vendiam pinheirinhos. Antes de chegar ao famoso e já tradicional Box 32. de Ana Maria Guimarães. e colocaram uma vitrine em frente. Ele é neto de seu Manezinho. que tinha a banca de pão. Do outro lado. muito conhecido porque tinha uma banca que só vendia bananas. atua no Mercado desde o tempo em que as bancas nem tinham numeração. Foi tudo aterrado. box 23. Mais uma banca restou dos bons tempos do Mercado. Ronaldo Adúcio e Rodrigo Adúcio é que tocam o estabelecimento. Peixaria Guimarães. que depois passou para a filha. aqui neste ponto é que se vendia o camarão na lata. Três peixarias. ainda vendem verduras. É. Desde 1973. agora o filho. que batia bem ali nos fundos da Alfândega. Amarildo. onde Sérgio Murilo Guimarães atende aos esportistas. de Edemésio e Maria Alice Silva. aos domingos. quando trabalhava com o antigo proprietário. a primeira peixaria é da Pescados Silva. e a do seu Canuto. agora tem material para pintura e artes plásticas. ou atrás da Alfândega. ou paravam aqui. de Maria Ventania. Na esquina do corredor transversal. de um lado está a Peixaria Oliveira. se lembra? A loja do seu Miyahara.143 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Cadê o mari? Ai que saudade do mar. que Adúcio Vítor Oliveira herdou do pai. senhor Iamim. Maria Ventania. há 38 anos instalada aqui. que vendia madeira. passamos pela Central de Caça e Pesca. três proprietárias. mas o box é dividido. madeira para fogão . que oferecia verduras e legumes. Primeiro foi o Alberto Luiz Elias. José Isaltino da Rosa. Na peixaria com seu nome. Mercado Público em Florianópolis praticamente é sinônimo de peixe. ali do lado da Maria Ventania. o peixeiro mais antigo em atividade é Nelson Santos.

Novo também é o Bazar Caramuru. Andando mais um pouco. Se confunde com o corredor a lanchonete e caldo de cana do Scotti. vemos o Camelódromo Municipal. volta também a saudade do Armazém Dona Clara. Entre eles a Choperia Zero Grau. José Isaltino da Rosa montou a Pastelaria do Zezinho. Antigamente. E o último dos três açougues remanescentes pertence a Osvaldo Vidal. Isso. diz o filho. e há quase 60 anos trabalha com carnes. Aurino Manoel dos Santos ainda mantém a atividade no Açougue e Fiambreria Aurino. sobre o muro de arrimo. que também aprendeu o ofício da carne com o pai. tudo amarradinho. o box de Inácio Silvino da Silva. A carne verde (fresca) sempre teve presença obrigatória no Mercado. Ao lado. Aqui do lado. Pelo lado de dentro. Seu Irineu começou no Mercado em 1944. Foi posto de venda de pão nos anos 50 e 60 e nessa época já servia café acompanhado de sonhos e bananas recheadas. está a Toca do Urso. Irineu é o açougueiro mais velho. À beira-mar. Antes era açougue. Ricardo Vidal. o bar de Válter Ribas e Rosana Dalbona. Era só colocar embaixo do braço e levar. bem em frente à porta. Ao lado. na ponte da rua Jerônimo Coelho. funcionava a administração. estava instalado o galpão da Associação Rural. Rogério do Livramento. Fazendo frente para a rua. instalado onde funcionam as duas primeiras peixarias . Deste lado só tinha açougues. montando o Empório Mania da Ilha. de Margarete Sardá e Roseane Mayer. desde que o pai fechou o açougue. depois da banca de pão. que há dez anos vende artesanato. o box foi dividido. Quando esta mudou-se para cima. filha de Edegar Jacques. Ainda no começo da década de 60 se vendia feixes de lenha. no açougue Livramento. também conhecida como Box 36. que o acompanha há 35 anos. que Graziela. e agora o filho. aquele das bandeiras e uniformes de futebol. De volta ao corredor principal. administrado pelo filho. de Ari Carlos Rachadel. a floricultura Estação das Flores. Depois da febre do Box 32. Primeiro o pai. Alvim Nelson Fernandes da Luz. que trabalhou por 32 anos com carne e mudou para secos e molhados. Nelson. o primeiro box é a Fiambreria Spinoza.BALAIO DO JOÃO 144 a lenha. mais tarde ocupado pelos oleiros. Na seqüência. administra. Sempre esteve com a família. na outra metade do box está instalado o Bazar Brito. vários pontos de reunião surgiram. Entrando de volta no Mercado.

mas o mar que se afastou. de mãe para filha. virou a avenida Paulo Fontes e estacionamento para caminhões. O Chico Peixeiro. garoupas. Hoje. bagres eram peixes sem valor na década de 60. quem viveu os bons tempos se assusta ao relembrar que bem ali. mas desta vez não foi o Mercado que se apossou do mar. Sardinhas. Antônio João. E o camarão. Maria Alice Furtado da Silva e o marido Edemésio Belmiro da Silva atendem a outra banca da Comércio de Pescados Silva. Andrezza Pereira cuida do outro estabelecimento da família. Maria Ventania Filha é a proprietária da Peixaria Ventania. onde está o ponto de táxi. só na vitrine. Finalizando. de propriedade de Milton Francisco Oscar.145 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA do Chico. não confundir com o Chico Escamador. Oxalá a fartura de pescado fosse a mesma de antigamente. Mesmo assim. Antes. com a escassez de anchovas. Onde hoje estaciona o primeiro veículo da fila era o começo do trapiche. e no ramo. como os de Alfredo Sardá. . onde se pescava na balaustrada ou se apreciava o trabalho de Chico Escamador. estabelecida há 23 anos. nos boxes 15 e 16. Entre o box 18 e esta peixaria funcionava o Frigorífico Modelo. aqui funcionava a Fiambreria Koerich. a câmara comunitária de conservação de alimentos inaugurada em 1940. No box 18. Há 30 anos no box 18A. ponto em que barcos. Saindo do Mercado. descarregavam 20. Filha da dona Maria Ventania. que instalou a Peixaria do Nico há 40 anos. Hamilton Antônio da Silveira segue os passos de seu pai. a Milgon Pescados. Francisco Martiniano Jacques. a beira-mar já não existe mais. O pescado era vendido em tabuleiros (ou bancas). A rua lateral. qualquer peixe dá um caldo. dirigida pelo filho Marcelo Jacques. 30 toneladas de peixes. mais uma Peixaria do Chico. tainhas. atua no comércio de peixes do Mercado desde o tempo em que não havia boxes. Alugados por dia. Parece vingança. porquinhos. administradas pelos filhos Jorge e Francisco. que tinha o posto de pão.

os retratos ainda guardam as lembranças do passado. sem data. No fundo do balaio.BALAIO DE FOTOS Fotos misturadas. Mas. fotos fantásticas reavivam a memória. bem revirado. algumas já esmaecidas pelo tempo. .

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mar.Comércio realizado na praia da Praça do Mercado. . Ao fundo. onde foi edificado o primeiro Mercado Público de Florianópolis. Ao fundo. construído em 1851.2002 Praça Fernando Machado. Acervo IHGSC James Tavares . demolido em 1899. Banco de Imagem/FFC Fachada do prédio do Mercado.4. a rua Conselheiro Mafra. O primeiro Mercado Público. o prédio da Alfândega. Foto tirada entre 1890 e 1899.

Banco de Imagem/FFC Comerciantes se aglomeram na lateral da Praça do Mercado. Acervo Assembléia Legislativa Fac símile da planta que acompanhava o ofício do presidente Ferreira de Brito. . Possívelmente. encaminhado à Assembléia Legislativa em 1846. era a projeto sugerido na lei no 92.

O Mercado inaugurado em 1899, alinhado à rua Conselheiro Mafra e à beira-mar.

James Tavares - 4.mar.2002

Banco de Imagem/FFC

Conjunto arquitetônico que compõe o Mercado Público de Florianópolis. A primeira e a segunda ala, unidas pelas torres e duas pontes.

Acervo IHGSC

Compradores se reuniam em frente ao Mercado e ao primeiro trapiche. Foto registrada entre 1899 e 1912.
Acervo IHGSC

Interior da primeira ala, onde nota-se em primeiro plano, no tabuleiro, peles de animais vendidas entre alhos e bananas. As colunas de ferro fundido se encontram hoje no interior dos boxes.

Banco de Imagem/FFC

Trapiche para desembarque das mercadorias destinadas ao Mercado.
Acervo IHGSC

Rua Conselheiro Mafra em dia de Feira dos Colonos. Comerciantes entre carroças e, à direita, um pombeiro.

Acervo IHGSC

Os peixeiros vendiam em tabuleiros, a céu aberto, pois o interior do prédio não comportava o grande número de vendedores. Foto batida após a construção do alpendre, em 1915.

Dois registros do alpendre à beiramar. Acervo IHGSC acervo IHGSC O comércio das tradicionais louças de barro era realizado no alpendre. ao fundo do Mercado. em direção ao Largo da Alfândega. uma vista parcial a partir da rua Jerônimo Coelho. E as mercadorias eram espalhadas pelo chão. olhando em direção à Rita Maria. Acervo IHGSC . Abaixo. Ao lado.

Banco de Imagem/FCC

Acervo Blasio Junkes/Foto B

Na primeira foto, nota-se que o abrigo sobre o trapiche foi retirado após a conclusão do alpendre. Acima, uma vista parcial da fachada voltada para o Largo da Alfândega. O casarão ao fundo ainda hoje compõe a paisagem com o Mercado. Ambas as fotos foram feitas a partir de 1915, quando o prédio tinha passado por um pintura geral.

Acervo IHGSC

Vista panorâmica do Mercado na década de 60. O mar ainda chegava à lateral do prédio.

Acervo IHGSC

O Mercado na década de 50. No local onde os barcos estão ancorados, aterrado em 1972, na foto abaixo uma árvore está plantada no lugar.

James Tavares - 4.mar.2002

Acervo Blasio Junkes/Foto B

Acervo Blasio Junkes/Foto B

A Praia do Vai-quem-quer, hoje aterrada. No local foi edificado o Camelódromo Municipal. À direita, o pequeno galpão abrigava a Associação Rural. A foto abaixo foi feita após 1958, quando já existiam as casinhas das louças de barro.

e abaixo.Acervo IHGSC Acervo Oreste Mello O vão central. Acima. passava por algumas reformas . em dois momentos. no final dos anos 50. em 1958. quando o Mercado. na década de 40. Espaço Cultural Luís Henrique Rosa.

O Esrado .1972 A banca de verduras e a peixaria onde está instalado o Box 32. Clara Ramtour. Um cliente conversa com a proprietária.Acervo família Ramtour O saudoso Armazém Dona Clara.ago. . apoiada ao balcão.28.

posam. instalada na segunda ala. o novo pudim Royal e produtos coloniais eram comercializados na Fiambreria no 5 da família Koerich. . Irineu e Rogério Livramento.Acervo família Koerich Galinhas limpas. Acervo família Livramento Pai e filho. no açougue da família. em 1966.

1972 Havia um grande número de açougues lado a lado.O Estado . James Tavares . os açougues dividem o espaço com bares.2002 Hoje. em frente ao Box 32. artesanato e empórios.4.ago.mar.28. .

camarões e outros frutos do mar. O incêndio parcial ocorrido em 6 de junho de 1988.1988 . as peixarias que. além do pescado. À direita.6. O Estado .4.2002 Acima.mar.James Tavares .jun. o registro da maior tragédia acontecida no Mercado. comercializam o berbigão.

2002 O interior da primeira ala.O Estado . passou a ser ocupado por bancas de frutas e alguns armazéns de secos e molhados.28. . A partir dos anos 80.ago.1972 James Tavares . à exceção do Bar do Plácido. após a tranferência da Feira dos Colonos para o Mercado da Mauro Ramos.4.mar. do caldo de cana do Laurentino e lojas de artesanato. as frutas foram trocadas por calçados.

James Tavares - 4.mar.2002

Fachada do centenário Mercado Público Municipal de Florianópolis, voltada para o Largo da Alfândega.

BALAIO DE SIRI
Quem nunca viu um balaio cheio de siri? Uns sobre os outros, andam para lá, sobem para cá, e as garras emaranhadas. Quando se retira um, vêm vários pendurados. Assim são as histórias. Ninguém sabe, ninguém tem, ninguém conta, até começar. Começou, uma puxa a outra, e aí vai, vai ...

De peruca loira. pegamos a sereia! Essa foi muito engraçada. Chegou outro e pediu uma garoupa. O cara deu o golpe pra levar a cabeça. era mulata.BALAIO DE SIRI 1 Salomé Um turista chegou aqui e disse que queria a cabeça da garoupa. Imagina. que ficava na Ivo Silveira. O funcionário serrou. E ela tentava sair daqueles cômoros de linha. Depois. Aí veio aqui no Mercado. Alguém sugeriu: liga um ventilador. A Tita. . uma pessoa que era de cor. a fiação antiga não suportava a demanda da carga elétrica. a gente jogou a rede. que era mascote do Mercado. Ouvida no Mercado. aquecia e desligava os disjuntores.. Eles ficaram com a cabeça. e nós ficamos com a garoupa posteada. Faz uns 20 anos. Até hoje estamos esperando o outro voltar com o cheque pra levar a garoupa. Ele pediu que se pesasse a garoupa. Tarrafeamos a Nêga Tita. Pegamos uma rede e armamos. Na hora que a Tita chegou.. só que ele não queria levar a cabeça. Foi o meu pai que atendeu [Adúcio Vitor de Oliveira]. Aí a galera começou a gritar: Pegamos. Dizem! Momentos de dificuldades financeiras rondavam o Mercado na década de 80. não tem? Essas redes de pescaria. Quase sem manutenção. vendemos em postas. bem curtinha. E disse: dá a cabeça pra esse cara aí que eu não gosto da cabeça e eu vou lá no carro buscar o talão de cheques. Ronaldo Adúcio de Oliveira. com uma peruca loira e uma minissaia branca. tava pronta pra dançar na gafieira do Laudelino. É sereia Sabe aquelas redes. Pediu pra retirar. deu a cabeça pro cara e ele foi embora. Estavam de combinação. Só a cabeça. limpasse e cortasse em postas. sapatão alto e tal.

O pai mandou Aí. que varria aqui. Vou ser bem sincera. porque ele era muito atentado – então eu coloquei minha mão na bandeja de fígado. Sabes porque? Às vezes uma pessoa doente. Tinha o seu Pedro. há um ano. Toda vez que se pede esmalte ao representante. Lavou. Tinha uma com um eslaque branco – era o meu pai que mandava eu fazer isso. ficou apavorada. logo eu vi que quem estava errada era eu. chega lá e toca na cabeça do Pedro. Queria chamar o delegado pra me prender. Fui suspenso muitas vezes. Levou e vendeu muita coisa. Você pode flambar esse material. Se não for usado. que cai todo o cabelo da pessoa. precisa até pra fazer um exame em laboratório. Ele não tinha onde colocar e botou no urinol. a primeira coisa que tem que pedir são penicos. Bota álcool ali e toca fogo. que loucura essa quantidade de urinol. Pode levar em cima da chama e deixar ferver. o pai diz assim. na frente do quadro de luz. pois estava limpo. passou num freguês que queria lhe dar coalhada. Na volta. Ouvida no Mercado. quando viu. tinha aquelas "senhoras". a coalhada e trouxe pra casa. Eu fiz assim: .. logo. Ele era um senhor também. olhei e disse assim: mas que barbaridade. dois ventiladores esfriavam o equipamento. que era careca. isso é um absurdo. Marlene e Zenaide Mansur. olha tu vai lá no tabuleiro do Dato. Aí a mulher veio aqui e fez o maior rolo. tinha aquela doença. Meu pai mandou! Ficou a minha mão certinha.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Dizem que. Não podemos deixar faltar. Sempre na moda Ainda hoje nós recebemos um carregamento.. meretrizes. que não tem problema. fiz tipo uma almofada de carimbo. como é que se diz. que ficavam aqui nos fundos do Mercado. botou um plástico. Um dia. Eu fui suspenso do Mercado. Como língua não tem osso. Só deixa de ser panela depois de ter sido usado a primeira vez. É uma panela. cheguei e dei uma palmada na mulher. A mãe. Quando cheguei aqui. Uma vez o pai foi a Santo Amaro fazer entregas. Hoje usa-se mais porque tem mais pessoas de idade em casa. pega um ovo. pode usar como panela. que está na cama. Tem gente que compra pra derreter alguma coisa.

mas o que mais a gente comprava era tatuíra. Ficou lindo. Ele mora em Palhoça. – Mas como? – A gente joga o milho. Pescaria Era vendida em balaio. Tinha um funcionário que era o melhor tarrafeador que se conhecia na cidade. Alguns voaram embora. Ricardo Vidal. Vendiam outras iscas. Mas sabes quantos pegamos? Foram 123. direto. Um dia eu falei pra ele: – O senhor venha no Mercado que eu vou dar um dinheirinho pro senhor. que na época era coronel e comandava o batalhão. o que eu faço com esses pombos? – Ora. Depois. boa. É. O comandante leu e morreu de rir. pum. às 6 horas da manhã. Só que deu outro problema. e aquilo ali ficava .. Suspenso 15 dias do Mercado. – Nós vamos dar uma tarrafada. e o senhor joga a tarrafa. era tanto pombo que ela levantou. Quando ele largou. Na solenidade. deram os tiros e soltaram os pombos para uma revoada. olhou. O Aldírio Simões acabou fazendo uma crônica. lá na praia de Coqueiros. dá um jeito. A maioria deu uma volta por cima do batalhão. que a pombarada desceu. seu Oreste? – ele perguntou. E vieram pedir pra nós. um ovo na cabeça do cara. o Exército precisou de pombos para soltar numa solenidade. coronel –respondi. É que eu preciso de uns 200 pombos. o general Dutra. me ligou perguntando: – Oreste.BALAIO DE SIRI 1 tirei o chapéu e. pra pescar. Estavam lá. O homem era bom! De manhã bem cedo. atravessou a ponte e veio de volta. Numa tarrafada! Colocamos tudo dentro duma caixa e levamos para o Exército. Eu vivia suspenso daqui. uma tarrafa que abria mais ou menos umas 12 braças. o seu Leodoro. – Mas como é que nós vamos fazer. bem cedo. ele me esperando com uma tarrafa bonita. Era impressionante! Quando largamos o milho. pai da Márcia Dutra. que a gente levava vivinha e colocava uma areinha. Mofas com a pomba na tarrafa Uma vez. sujando todo o batalhão. Oreste Mello.. ele lançou a tarrafa. Mas uns ficaram.

que tinha um armazenzinho. cumpra-se. Zenaide Mansur. Um dia. Vinham comprar a carne. A gente pescava corvina com ela. Outros tempos Não era tão movimentado como hoje. João Frederico de Souza. interventor do Estado. Modelo e exemplo A cartilha de Nereu Ramos. quando tinha dois. A mão que assina Entrou-se com o projeto de tombamento na Câmara. A carne tinha o preço controlado e não podia sofrer reajustes. contava que um dia estava cheio de freguês no Vando e ele estava de costas. que aprovou e foi para o prefeito sancionar. três clientes no Vando. Tinha fila pra comprar carne e também o leite. Izair Campos. até foi engraçado. subiram o quilo em 200 réis. pertencia à empresa Vaz e Di Bernardi. Então. A carne tinha que ser comprada todo dia. o leite. Quando o freguês dava uma olhadinha ele fazia assim ó [assobiava] pra chamar. ele ficava escondido. Nereu Ramos soube e mandou prender Eliseu di Bernardi. um dia para cada 100 réis de aumento. que vinham aqui comprar em atacado com o pai. nunca foi para agradar esse ou aquele. que trabalhava na frente. Está escrito na lei. na nossa administração. atendendo. Pegou bem na orelha. Um dia. O Fermino. O Açougue Modelo. Porque não tinha geladeira. e naquela mesa histórica [aponta] que está aqui. O Vando olhava e ele [disfarçava]. aquela tatuirinha viva. Era o Cláudio Ávila da Silva. um dos primeiros em Florianópolis.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA uma semana. Concorrência O seu Castilho era engraçado. Izair Campos. Passou a mão num balde de feijão e jogou nas costas do cara. Nós viemos aqui no dia 20 de março de 1984. O cara olhou e ele assobiou e disfarçou. por dois dias. às 10h40min. foi assinado . Porque tinha o Vando do lado. Era aquele pessoal que vinha lá do interior da Ilha e até de Santo Amaro. O Castilho estava desesperado porque no armazém dele não tinha ninguém. que eram duas portas. Era outra clientela que freqüentava o Mercado.

– Rabada? – No. a maminha. E eu achava que era uma rabada. Izair Campos. Sabes o que era? A maminha da alcatra.. bem extrovertida. não é? Aldo Brito. no! Colita! Eu penso. rabada. Porque. colita! – Mas não é rabo. com o braço quebrado. Internacional Uma senhora argentina. senhora? – No! Aí fomos ver. a camisa e o calção. que era o chefe de Gabinete do Cláudio. Oreste Mello. cola da alcatra. que estava junto. Ricardo Vidal. podia ser um estranho. Sabes porque? Por que o Cláudio estava com a mão quebrada. Como aquilo é comprido. . Vem na caixinha e já fica um presentinho embalado.BALAIO DE SIRI 10 pelo [atual] presidente da Assembléia. Lembro também do seu Mansur. Assim é que ele tratava as pessoas. E colita seria uma coisa comprida. Todos que pra ele chegavam. meu amorzinho. colita. Tem tudo. Tem gente que já compra o conjuntinho completo. Tem a toalha. O marido. Pra mim. ele dizia: Ô querido! Ô. Onofre Santo Agostini. meu Deus. o verdadeiro manezinho tem um carinho todo especial com a clientela. Além de não ter pressa. eles chamam de colita. usa naturalmente o diminutivo para qualificar sua mercadoria.. que vendia panelas de alumínio. relembrando Gedeão Mansur. E ela levantou o vestido aqui na frente do box e batia: – Acá. muito engraçada. aquilo ali foi o que marcou o Mercado. uma cola. explicou: Isso aqui [apontando]. Muito atencioso. mas o que é essa tal de colita. nádegas. em matéria de carinho e bondade. A gente achava que ela tava contando uma piada. explicando os produtos que vende. chegou aqui e queria: colita. Ao cliente com carinho Com seu jeito lânguido de falar. era um cara excepcional. Sai mais barato.

filho do Chico Peixeiro. E ele a puxar. tomar um traguinho. não é? Pode trocar. A vaca não queria entrar por causa da multidão de gente. Essa caixinha aqui é jóia. – O senhor quer endereço. Então tá certo. Aí ofereceram um conto [1 cruzeiro] pra ele. Luciano [funcionário]. pode trocar. vendendo um par de sapatos. Já vou telefonar pra lá. a pessoa ficar puxando uma vaca pra dentro do corredor e chega aqui no meio. a vaca dá uma talagada e carimba o Mercado. Queres a caixinha. Aonde a vaca vai . né? – É. que ele vai te contar. puxar. não tem problema. telefone. Acho que a história interessante que mais marcou aqui no Mercado foi a da vaca. Mas é bom tu levar na caixinha. Ricardo Vidal. e essa caixinha é uma beleza. – Então. grilou muita gente. Eu estava almoçando no Goiano . E quando chegou aqui bem no meio a vaca deu aquela talagada que vocês conhecem. É. Isso aqui serve pra tu colocar documentos. Quando se deu aqui a história de tombar. não tem? Olha. Eu já vou pedir. Mário Valgas. – Então eu dou uma ligadinha lá pelo dia 27 [cliente]. começou a puxar a vaca. mais ou menos? Isso. Izair Campos. telefone? Marca aí direitinho. Tenho até pena de jogar fora. tá? O nome dela. E ele. Eu gosto de guardar os sapatos na caixa. e não suja tanto. Imagina. Pode. dia 30. e a vaca acabou entrando.. atendendo uma cliente. que é mais simpático. O cara vinha com uma vaca e ia passar pelos fundos. O que tomba vem abaixo? Outra do tombamento do Mercado Público. Ele diz que é a história que mais marcou. Marca direitinho. pra ir pro bar do Goiano..11 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA Senhora? – Voltei pra encomendar a rede. querida? – Porque depois o senhor não troca. foi um alvoroço aqui dentro. E pra tirar a vaca? Pode perguntar pro Jorge.

Chamaram o Marcos. Queria ver. chegou um comerciante e perguntou: – Seu Oreste. Chegou na vez dele e ele diz assim: o senhor me embrulha duas tainhas bonitas. é uma tainha pra cada um –respondeu o peixeiro. Era um peixe pra cada pessoa. Eu tinha verdadeiro pavor. Uma tainha pra cada pessoa..BALAIO DE SIRI 12 e. dizendo que era da polícia. Eles acharam que tombar era destruir o Mercado. Ele disse: – Não. Dos céus O hidroavião é do meu tempo. Racionamento E também teve uma época que as pessoas faziam fila pra com-prar. mas tinha medo e me escondia numa coluna que tinha ali no posto do Cristobal e ficava olhando assim [se esconde atrás do balcão]. Puxou a carteira. que foi o mais severo do Mercado Público.. um primeiro-sargento. – E qual é o primeiro lado que eles vão destruir? Acho que a máquina vai passar no lado de lá primeiro. de repente.. da administração. Marcos Nunes Vieira. dá licença? Vão tombar o Mercado. Ele fechava box por 10. precisa ver a fumaça que levantava na água. não vão? Vão –respondi. Mas daí a pouco ia sentando. Eu achei fantástico isso aí. Eu ficava horrorizada com aquilo. Então.. 20 dias e ninguém abria. era só o Mercado. Oreste Mello. 15. Existiu aqui um administrador chamado Marcos. Quando ele descia. Aí o Marcos continuou: . Marlene Mansur. Naquele tempo era pequeninho [se refere ao comércio da cidade]. existia essa fila. Aí chegou um grande da polícia. – É lei de quem? –perguntou o cliente. O administrador tinha uma força tremenda. sentando e já ia saindo uma baleeira pra pegar o pessoal lá e desembarcar aqui no trapiche atrás da Casas da Água [rua Frederico Rolla com Pedro Ivo]. o senhor vai levar só uma tainha. mas eu era pequena. – Não. Aí ele fez um rolo. É a lei e o senhor não vai passar fora da lei. – Do Mercado. no lado das peixarias.

. Foi a coisa mais feia. a Regina. Se o senhor teimar. A correia dessa câmara ficava em cima. A ponte naquele tempo era de assoalho de madeira. E nós a procurar por ele. Aí as mulheres da padaria embaixo começaram a gritar que era uma bomba. bote que vinha do sul da Ilha. eu mando prender o senhor. onde ela morava. é bomba Não tem aquela correia? A correia da geladeira ali [apontando para o local da câmara frigorífica construída em 1939]. Eram trilhos de madeira grossa. cargueiro. do lado de lá também [Continente]. Tinha uma escada e as padariazinhas ficavam embaixo. uma atrás da outra. Aí. O Otcho havia se metido debaixo da casa e ficado trancado. A poeira foi um dilúvio dentro deste Mercado. lancha. Conclusão! O Otcho estava ficando velho lá em Los Angeles. Mas estava muito velhinho e ficou na casa da irmã dele.. Chegava lancha cheia de abacaxi. Laudêncio Pereira. Um dia. rebentou uma delas. Mário Valgas. o cachorro A Liza. e levou o cara preso. Veio o grande lá. Todo mundo neste Mercado começou a correr e aquela fumaceira invadiu tudo. Parecia que tinha estourado uma bomba [ri bastante]. A prefeitura ia trocando. se a Liza sabe. E a casa dela não é no chão. Fornecedores O Mercado funcionava a noite inteirinha. mas mesmo assim muito cavalo quebrou a perna ali. se não quiser. da Enseada do Brito. que mora até hoje em Coqueiros. não tem nenhuma. preso. o Luiz Henrique chegou e disse: pô o Otcho desapareceu. nesse dia. o major. Ratones. puta que pariu. Aí o cara puxou a carteira de novo. tem uma altura. Otcho. Ali na ponte. Botou o nome dele de Otcho. Décio Bortoluzzi. estava andando em Los Angeles e viu um cachorro. um dia. Chegava mercadoria de carroça. ficavam uns espaços e iam apodrecendo. O que aconteceu? Mandou o Luiz Henrique trazer o cachorro pra Florianópolis. E não . Ele veio de engradado e tudo. É bomba.13 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA – O senhor vai levar uma e. E o Marcos disse: o senhor tá preso. uma vez. ou Nova Iorque. de madrugada se via uma fila de carroça.

que invadem espaço [do público]. na época. Se fosse hoje. Ela disse assim: Será que vai caber? O pai olhou . ele não deixava. bem gorda. Ricardo Vidal. Quando no verão ameaçava trovoada. Zenaide Mansur. Eram tabuleiros de verduras. Laudêncio Pereira. era a correia do frigorífico. Ele tinha até um balaio com alça pra colocar o que pescava. Era tudo com grade de ferro. Sabes aqueles barcos [traineiras] de peixe que chegavam ali? Ficavam várias pessoas nadando. Era o seu Bohrer. frutas. Mas depois de 60 já foi feita outra troca. Ele morava no Mercado. um tipo de tela. trocaram o madeiramento. Eram compartimentos. Seu Marcos Reforma teve. e a administração era embaixo. guardados. esperando a tainha que caísse na água. Serviço de Ajuda ao Cliente Chegou uma freguesa aqui. quatro quilos. ele pegava burriquete de caniço. Estava eu e um funcionário no . É. Se fosse o seu Marcos. naquela parte que é a administração hoje. Grande pescador. e disse: não. o grande é que vai caber. Tinha um senhor que trabalhava nos Correios. E não se botava nada na rua. Ele mandava mesmo tirar. Naquele época não tinha espírito de malvadeza. e os ossos estavam tudo aqui debaixo da mesa.. Dropando no açougue E nesse tempo [estavam reformando o Mercado] tinha uma desos-sa de carne aqui. Veio comprar um penico. Reformaram o telhado. eles estavam nadando com um pedaço de pau pra cutucar os balaios e fazer o peixe cair. tudo dentro dos tabuleiros.BALAIO DE SIRI 14 era bomba. Zezinho. Aí o pai [seu Mansur] mostrou os pequenos. Não era como hoje. Ela chegou a colocar o urinol atrás pra ver se servia. Ali dentro do Mercado não era assim como tá agora. ali onde tá a banca do Zezinho. E todos achando que era uma bomba. José Isaltino da Rosa. fisgava lá no anzol e pegava burriquete de três.. Burriquete ou miraguaia ? Não sei se tu sabe essa história do trapiche lá na ponta. Eu estava atendendo um cliente. quebrava um marisquinho.

Quase morre espetado nos ossos. Língua. – O João Frederico de Souza. na segunda ala. que estava cochilando? Mas quando ele ouviu o estouro.15 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA açougue. o surfista que eu tô te falando. Sabe o que aconteceu? Ele espetou um osso daqueles na barriga. um cliente fez questão de comentar: Eu tomei caldo de cana aqui. o Áureo. – Quem é o Linguado? – perguntei. porque ninguém esperava. Áureo. ouvi: – Quem sabe tudo aqui dentro é o Linguado. Além dos peixeiros. E o Áureo. Homem de fé Enquanto realizava um pequena entrevista no box 21. Joel Pinto desafia: Daqui há 40 anos eu volto! . É que. fazendo lembrar o linguado. açougueiro. Mais tarde fui conversar com seu João e perguntei: – Seu João que história é essa de linguado? – Só pode ser coisa desses filhos da puta desses peixeiros. entrei no Mercado e me perguntei: será que ainda existe aquele caldo de cana? Moro em Brasília e vim pra tomar o caldo de cana dele (apontando para o proprietário). e quando a gente viu já estava com o osso espetado na barriga. como se vocês estivessem conversando comigo agora. O assoalho de madeira e todo esse telhado vir em cima. peixeiro. outros também conhecem o apelido. É brincadeira! Ricardo Vidal. peixe que tem a boca de lado. linguado Durante uma entrevista. O funcionário mais antigo. Imagina o barulho que foi. seu João coloca a ponta da língua no canto da boca. mergulhou debaixo da mesa onde estavam os ossos. quanto fica absorto. Eu e o freguês ficamos espantados. Ele era surfista. No meio dessa confusão. Ronaldo Adúcio de Oliveira. Imagina. Vê a idéia do cara de mergulhar debaixo da mesa! Quase se matou. caiu um caibro desses. Despencou desse telhado aí e veio tudo abaixo. e Rogério do Livramento. há 40 anos. mergulhou debaixo da mesa. Agora. Saboreando um copo duplo da bebida.

No próximo balaio.BALAIO DE FIGURINHAS Bons tempos dos álbuns de figurinhas. Todos as conheciam. se lembra? A disputa por figurinhas carimbadas na esquina. mas como era difícil achá-las. algumas dessas figurinhas ilustres que muito contribuíram para o desenvolvimento de Florianópolis. .

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BALAIO DE FIGURINHAS 1 Alfredo Maria Adriano d’Escragnole Taunay. Barão de Laguna O almirante Jesuíno Lamego da Costa fez carreira na Marinha de Guerra. diretor da Academia Imperial de Belas Artes. Afonso Taunay. onde se alistou aos 14 anos e. Jesuíno Lamego da Costa. ao lado de seus irmãos. Dedicado à literatura. Publicou seu primeiro título. Presidiu a Província do Paraná em 1885 e. Álvaro Augusto de Carvalho Jornalista e militar. Em sua homenagem. participou das lutas contra as províncias do Prata. Em 31 de julho de 1821. Mocidade de Trajano. o Teatro Santa Isabel passou a ser denominado Álvaro de Carvalho. foi presidente da Província de Santa Catarina em 1876. . no ano seguinte. Visconde de Taunay Filho de Félix Émilie Taunay. Como político. político. escreveu para o jornal Província e a revista Marítima. em 5 de setembro de 1865. em 25 de fevereiro de 1899. e a seguir senador (1886-1889). na vaga do Barão de Laguna. Amante do mar. sendo um dos fundadores de Academia Brasileira de Letras. foi eleito deputado geral por Santa Catarina. em nome e representando o imperador do Brasil. Alfredo nasceu no Rio de Janeiro em 22 de fevereiro de 1843. sob o pseudônimo de Sílvio Duarte. Morreu em Buenos Aires. Pedro Martelli e Raimundo. refletiu sua paixão nas obras teatrais. quando no Palácio Cruz e Sousa nasceu seu filho. Foi engenheiro militar. nasceu em Florianópolis em 1o de março de 1829. historiador e romancista. José e Firmino Lamego. Morreu no Rio de Janeiro.

o poeta e compositor Zininho nasceu em Florianópolis em 8 de maio de 1929. morrendo de morte natural no Rio de Janeiro em 16 de fevereiro de 1886. Aos 12 anos de idade foi crooner da orquestra do Clube 12 de Agosto. eleito pelo Partido Liberal. Cláudio Alvim Barbosa. sua terra natal. Político. A história do rádio na capital catarinense se confunde com a história do autor de Rancho de Amor à Ilha. Foi suplente de Jerônimo Coelho na Câmara dos Deputados. redigiu e assinou o Tratado de Incorporação. Mais tarde. formam o acervo do artista que tantas alegrias marcou para a cidade. durante muitos anos. Exerceu o cargo de juiz de direito em Minas Gerais. Rio de Janeiro. em Laguna. ficou para sempre o exemplo de amor à Ilha. quando foi nomeado Ministro da Justiça. Com o falecimento de José da Silva Mafra. Conselheiro Manoel da Silva Mafra Formado em Direito. esteve no Rio de Janeiro cantando ao lado de Elizete Cardoso. Suas músicas foram.1 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA dom João VI. foi deputado geral por Santa Catarina em duas legislaturas. Gravações de programas de rádio nas décadas de 50 e 60. Como herdeiro natural. e inúmeras canções. e agraciado com o título de Barão de Laguna em 1871. assumiu o trono como príncipe regente quando sua mãe foi declarada louca. Brasil e Algarves. Com sua morte. exerceu a magistratura em São José e Florianópolis. assumiu a cadeira de senador. cargo vitalício. em 11 de março de 1907. em São Paulo. Morreu em Niterói. hino oficial de Florianópolis. as mais tocadas nos bailes de carnaval. sob a denominação de Estado Cisplatino. defendendo seu Estado. anexando o Estado de Montevidéu ao Reino Unido de Por-tugal. no Copacabana Palace. Dom João (VI) Filho de dona Maria I. advogou a questão dos limites entre Santa Catarina e Paraná. Jesuíno Lamego de Costa nasceu em 13 de setembro de 1811. em Florianópolis. Zininho Boêmio. Pernambuco e no Paraná. em 5 de setembro de 1998. Entre 1965 e 1970. onde nasceu em 12 de outubro de 1831. foi acla- . em 1860.

alcançando o posto de comandante-dearmas. seu filho Pedro de Alcântara tinha apenas 5 anos de idade.146. Incentivou o crescimento das exportações e procurou desenvolver a indústria. foi governado por Regências. em 6 de dezembro de 1868. Dom Pedro II Quando dom Pedro I abdicou. em 18 de julho de 1841. Governou o Brasil até a Proclamação da República. O Brasil. tímido e indeciso. foi nomeado presidente da Província . Sua personalidade não combinava com as necessidades de mandatário. dom Pedro I. Era calado. Foi responsável pela descentralização da produção da região Nordeste para a Centro-sul. Com o fim do combate. na ponte de Itororó. pela lei no 4. em 7 de abril de 1831. dom Antônio. durante dez anos. o imperador casou-se com Maria Thereza Christina de Bourbon aos 18 anos e tiveram quatro filhos. sempre se mostrando partidário de novas tecnologias. quando ocorreu a transformação da agricultura. Casou-se com dona Carlota Joaquina de Bourbon. Fernando Machado de Sousa O militar catarinense nasceu em Florianópolis em 11 de janeiro de 1822 e tombou alvejado na Guerra do Paraguai.BALAIO DE FIGURINHAS 1 0 mado dom João VI com a morte da mãe. nascido em 30 de abril de 1839. lutou na Guerra no Paraguai do início ao fim. o proclamador da Independência. com o país passando por uma fase de progresso econômico. Sua estátua foi inaugurada em 1902 na praça Floriano Peixoto. dom Pedro de Alcântara e Miguel viria a ser o imperador do Brasil. de quando em quando tinha acessos de melancolia e indiferença com os que o cercavam e os problemas do reino. Seu governo foi marcado por decisões corretas e sensatas. quando foi exilado. com quem teve nove filhos. Com a morte do primogênito. que recebeu a denominação de praça Fernando Machado em 6 de outubro de 1993. aos 66 anos. baseada no cultivo de café. Floriano Peixoto Militar de carreira. Coroado dom Pedro II aos 16 anos. morrendo em Paris. em 1816.

e de Maria Isabel de Bourbon. No final de seu governo. ficou conhecida por sua popularidade e foi carinhosamente chamada de Mãe dos Brasileiros. Apesar da Constituição determinar novas eleições. em Florianópolis. O primogênito e Afonso morreram na infância. Thereza Christina chegou ao Brasil em 3 de setembro de 1843. concluiu o mandato e transmitiu o cargo a Prudente de Moraes. no sul do País. já doente e sem força política. A necessidade de um casamento consistente para dom Pedro II levou à Europa uma missão que durou dois anos para selecionar sua mulher. a mais nova. mas também negou apoio à monarquia. Imperatriz Maria Thereza Christina de Bourbon A princesa nasceu em Nápoles. não participou diretamente da Proclamação da República. mas isso lhe rendeu a alcunha de Marechal de Ferro. Foi o responsável pelo massacre do forte de Anhatomirim. Tiveram quatro filhos. Deodoro da Fonseca ganhou para a presidência e Floriano Peixoto para a vice-presidência. preocupada com as causas sociais. quando conheceu dom Pedro II. e a Revolução Federalista. Com contrato de casamento acertado. Afonso. ele se negou a convocá-las. sem a presença do imperador. Nesse período. Leopoldina e Isabel. Seu governo foi marcado por grande instabilidade. hoje Rio de Janeiro. As eleições de presidente e vice eram separadas. onde foram mortos seus opositores. rei das Duas Sicílias. Morreu em 29 de junho de1895. a cerimônia ocorreu em território napolitano. Isabel. conseguiu derrotá-las. . na Guanabara. Nas eleições de 1891. Em 15 de novembro de 1889. Se recusou a lutar com as tropas golpistas de Deodoro da Fonseca. concorreu a vice-presidente na chapa encabeçada por Prudente de Morais. ficaria conhecida como a Princesa Isabel. posição que favoreceu o golpe. Pedro. infanta da Espanha. teve início a Revolta da Armada. Com a renúncia de Deodoro.11 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA do Mato Grosso. Assim. mesmo como ajudante-general. que assinou a Lei Áurea. Combateu as revoltas com muita violência. Floriano assumiu a presidência da República. Sempre ao lado do marido. filha de Francisco II. eleito pelo povo em 15 de novembro de 1894.

Minas Gerais. mestre pedreiro do marechal. João da Cruz e Sousa Negro. Em Florianópolis. o jornal O Catharinense. Nesse período. sua grande amiga. e de ministro da Guerra. na praça XV de Novembro. Morreu em Nova Friburgo. Foi morar em Nova Iorque e tocou com grandes personalidades. Nascido na Cidade de Laguna. em 16 de janeiro de 1860. Luiz Henrique Rosa O compositor e cantor catarinense nasceu em Tubarão em 25 de novembro de 1938. Líder do Partido Liberal. não cursou o ensino superior. Missal e Broquéis. presidiu o Rio Grande do Sul e outros Estados. como escravos libertos. Seu pai. no exterior. Guilherme. Boêmio. foi dono do bar Samburá. as idéias que defendeu na imprensa são suas maiores obras literárias. mas aos 20 anos fundou com o conterrâneo Virgílio Várzea o jornal Colombo. publicou dois livros. na década de 60 conheceu Elis Regina e João Gilberto. localizado anexo ao restaurante Rosa. ambos em 1893. Inicialmente fazendo locução e apresentação de programas locais. Jornalista. em 30 de setembro de 1806. Ainda na vida política. morreu na cidade de Sítio. além de ocupar os cargos de ministro da Marinha. quando conheceu Liza Minelli. lavadeira. freqüentado por radialistas. na capital da Província. Carolina. em 19 de março de 1898. e sua mãe. viviam sob proteção da família Sousa. Discriminado.BALAIO DE FIGURINHAS 1 2 Jerônimo Francisco Coelho É considerado o fundador da imprensa catarinense. foi deputado na Assembléia Provincial e deputado geral de 1836 a 1847. compositores e notívagos. Vitimado por tuberculose. Mudou-se para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. em 1844. sendo . com quem vivia como filho de criação. o marechal Guilherme Xavier de Sousa. em 1858. magos da Bossa Nova. fundou em 1831. nasceu em Florianópolis em 24 de novembro de 1861. lançou sete discos. Poeta simbolista. Foi criado por Clarinda Fagundes de Sousa e seu marido. lançou-se na vida artística através de programas de rádio na Diário da Manhã. onde lançou seu primeiro disco de Bossa Nova.

foi enviado pelo pai para completar seus estudos em Paris. Retornou ao Brasil para pintar os retratos de dom Pedro II. Formado na Academia Militar de Segóvia. contornou a torre Eiffel. ao lado de Luís Henrique. Johann Moritz Rugendas Como participante da Expedição Langsdorff. ilustrado com suas pinturas. na Espanha. em 1845. em 20 de julho de 1873. Acompanhou o imperador na rendição dos paraguaios em Uruguaiana. Partiu definitivamente no ano seguinte. cenas do cotidiano e o trabalho escravo até 1824. após o casamento recebeu as honras de marechal do exército brasileiro e o comando geral da Artilharia. publicando o livro Voyage Pittoresque dans le Brésil. Príncipe Conde d’Eu Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orleans tornou-se príncipe ao renunciar à nacionalidade francesa e adotar a brasileira. da imperatriz Thereza Christina e do príncipe dom Afonso. Liza veio a Florianópolis em 1979 e. atual Santos Dumont. seguiu a família real no exílio. . em 1901. participando inclusive de competições internacionais. conheceu a Ilha da Magia. por fatalidade do destino morreu em um acidente de carro em 9 de julho de 1985. Com o balão dirigível de número 6. veio ao Brasil em 1821. No balão Brasil. Alberto Santos Dumont O brasileiro. nas proximidades do Armazém Vieira. na Costeira. Registrou paisagens. nasceu em Palmira. Mas ficou conhecido pelo grande número de inventos. culminando com o avião. Aos 18 anos. No primeiro momento se dedicou ao automobilismo. e freqüentou o Mercado Público. o único que teve nome. em Minas Gerais. em Florianópolis. fez sua primeira demonstração de vôo em 4 de julho de 1898. Avesso a automóveis.13 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA aplaudido pela crítica americana. Depois da Proclamação da República. herdeira do trono brasileiro. casando-se com a princesa Isabel. Pai da Aviação. quando abandonou a expedição e voltou à Europa. os demais foram apenas números.

se encontra exposto no Museu Nacional. armação de bambu e cobertura de seda japonesa. Dumont. impulsionado por um motor. Explicava a atitude afirmando que desta forma homenageava suas duas origens. pelo imperador dom Pedro II. o orgulho de ser brasileiro. percorreu a distância de 60 metros a uma altura entre 2 e 3 metros. Mais tarde foi condecorado com o Grau de Cavalheiro da Ordem da Rosa. Alberto Santos Dumont assinava Santos=Dumont. Dizia que Santos. com o biplano construído em forma de T invertido. A casa onde nasceu. no Rio de Janeiro. . As experiências com o 14-BIS começaram em julho de 1906. os ailerons. Finalmente. a uma altura de 6 metros. O fato é homologado como o primeiro vôo mecânico do mundo. Pintou entre outros quadros a Batalha de Guararapes. Morreu em 22 de fevereiro de 1903. morou entre Paris e Roma. situada na rua de mesmo nome. Santos Dumont planejava elevar-se do solo apenas com seus próprios meios. exibindo sua nova invenção. o avião. retornando ao ponto de partida. Morreu no Brasil. Retornando ao Brasil. no Centro da cidade. em 21 segundos. no Rio de Janeiro. lecionou na Academia onde havia sido aluno. o homem podia voar. em 1852. o quadro A Primeira Missa no Brasil. o pintor catarinense foi aluno da Imperial Academia de Belas Artes. Novamente com o 14-BIS. funcionava. era igual a sua descendência francesa. Quando ganhou uma viagem de estudos para a Europa. Victor Meirelles de Lima Após exibir seus primeiros trabalhos em Florianópolis. em Florianópolis. Em Paris. aplaudido pelos franceses. em 23 de julho de 1932. em São Paulo. pesando 290 quilos. Santos Dumont comprovou que o aparelho mais pesado que o ar. em 23 de outubro de 1906. onde nasceu em 18 de agosto de 1832. em 12 de novembro realizou um vôo de 220 metros. Sua obra mais famosa. deixando o Campo de Bagatelle.BALAIO DE FIGURINHAS 1 4 Após 29 minutos e 30 segundos. no Guarujá. Assim. cauda à frente e as asas na parte posterior. foi transformada no Museu Victor Meirelles. em Paris. ganhou o prêmio Deutsh de la Meurth. Rio de Janeiro. Batalha Naval de Riachuelo e Juramento da Princesa.

15 MERCADO DO MANÉ AO TURISTA .

E a informação pode. pesar tanto quanto um balaio cheio de mandioca. feijão ou milho. Se ele vende de porta em porta.BALAIO NA CABEÇ A Enquanto o pombeiro vai de casa em casa para vender suas quitandas. a pesquisa vai de documento em documento. o autor vai de arquivo em arquivo. às vezes. .

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2002 329 anos da fundação da póvoa de Nossa Senhora do Desterro (1673) 288 anos da criação da freguesia de Nossa Senhora do Desterro (1714) 276 anos da criação do município de Desterro (1726) 264 anos da criação da Capitania de Santa Catarina (1738) 108 anos da denominação Florianópolis (1894) 171 anos da Imprensa Catarinense (1831) 149 anos do primeiro livro impresso em Santa Catarina (1853) 82 anos da fundação da Academia Catarinense de Letras (1920) 170 anos do nascimento do pintor Victor Meirelles (1832) 141 anos do nascimento do poeta Cruz e Sousa (1861) 73 anos do nascimento do compositor Cláudio Alvim Barbosa.Florianópolis. Zininho (1929) 64 anos do nascimento do compositor Luís Henrique Rosa (1938) 151 anos da inauguração da Praça do Mercado (1851) 103 anos da inauguração da primeira ala do Mercado Público Municipal (1899) 71 anos da inauguração da segunda ala do Mercado Público Municipal (1931) Copyright  2002 by Ricardo Moreira de Mesquita Todos os direitos desta edição reservados ao autor Impresso no Brasil/Printed in Brazil Pré-impressão .