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A Aviação de Caça no

Brasil
A Caça, por definição, é uma arma de elite.
Confiando a pilotos superselecionados aviões de
preço quase incalculável, concebidos por
engenheiros de gênio e executados por
conscienciosos e esmerados especialistas, criou-se
um instrumento de extraordinária eficácia, mas
também de extrema delicadeza. Instrumento afiado
como navalha, que precisa ser utilizado por mãos ao
mesmo tempo firmes e sensíveis. Se usado como faca
de açougueiro, não se deve espantar em vê-la
embotado.
Tenente General Adolf Galland
Comandante-Chefe da Caça Alemã (1939-1945)

A Aviação de Caça nasceu no momento em que o homem, após criar o


avião, vislumbrou seu emprego como arma de guerra. A necessidade de
destruir “os observadores aéreos do campo de batalha” é que impôs o
surgimento do avião armado e, com ele, a missão de “caça ao inimigo”.

A partir de aeronaves comuns, a indústria aeronáutica mundial seguiu na


direção de, não só armar, como transformar essas máquinas voadoras em
plataformas de tiro a alvos aéreos. E o fez em um progresso vigoroso de
desenvolvimento que, até hoje, domina o modus animandi dos projetistas
aeronáuticos – o avião de caça – primeiro guerreiro do ar – é aquele que
evolui e se moderniza mais rápida e continuamente no plantel das armas
aéreas. E, como mestre dessa máquina de guerra, surge o piloto de caça.

No Brasil, a Aviação de Caça só veio a surgir a partir de 1933 quando a 2


de janeiro a Aviação Naval fez constituir a 1ª Divisão de Caça da
marinha e o Exército criou o 1º Regimento de Aviação.

Antes disso, e logo após o término da 1ª Guerra Mundial, o Exército


voava “aeronaves de perseguição” SPAD 7 e NIEUPORT 21 bis, de
fabricação francesa, e a Marinha, os SOPWITH SNIPE, de origem
inglesa.

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SPAD VII

NIEUPORT 21

SOPWITH SNIPE

Com a introdução dos Boeing P12 em 1932, voados pelo Exército e pela
Marinha, é que começa a se delinear a idéia do emprego de aeronaves
dedicadas à destruição de oponentes, por meio de combate aéreo.

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Caças Boeing P-12 sobrevoando o Pão de Açúcar

Até a fundação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, os aviões de caça


eram voados cumprindo programas de adestramento ditados pelas
Missões Militares francesas e inglesas, sem a preocupação do seu
emprego como arma de guerra.

A bem da verdade, o nascimento da mentalidade e a estruturação da


Aviação de Caça na Força Aérea Brasileira (FAB), em termos sólidos, só
viria a ocorrer com a criação do 1º Grupo de Caça em 1943. Unidade de
combate, constituída para compor o contingente militar brasileiro a
participar das operações da 2ª Guerra Mundial, fez todo seu
treinamento no Panamá e nos Estados Unidos e operou no teatro europeu
fazendo parte do 350th Fighter Group da Força Aérea do Exército dos
Estados Unidos.

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P-40N

A história dessa legendária e aguerrida unidade já têm sido amplamente


difundida. Para a Aviação de Caça brasileira (se não para toda a FAB), a
maior contribuição desse conjunto de homens, à arma aérea, foi a
criação de uma mentalidade profissional de combatente e a
perseverança na sua preservação no seio da recém-criada Força Aérea
Brasileira. Mentalidade essa que, por mais de meio século, encabeça e
domina o comportamento do piloto e sua equipe nas Unidades Aéreas da
FAB – “a Caça não é melhor nem pior – é diferente” ... Assim se definem
os membros dessa comunidade.

P-47 D

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Com seu retorno ao Brasil, após a Campanha no Teatro Europeu, o 1º
Grupo de Caça imporia – a si próprio e aos seus componentes – uma
tarefa tão ou mais importante do que a participação nas operações de
guerra: implantar e desenvolver uma “escola de formação de pilotos de
caça” para a FAB.

Em 1945, retornando ao Brasil, estes pilotos com experiência de guerra,


instalados na Base Aérea de Santa Cruz, deram início a esse misto de
apostolado e execução que, até 1998, resultou na formação de 1300
Pilotos de Caça.

Todos plasmados sob a égide da mesma mentalidade a atitude perante a


profissão – soldados do ar e combatentes de escol. Conscientes da
importância de suas raízes históricas, os novos Pilotos de Caça – irmãos
em fé dos Veteranos do 1º Grupo de Caça – também apostolaram durante
esse mais de meio século, selecionaram e treinaram esse mais de milhar
de combatentes e, hoje, representam a tropa de escol da Força Aérea.

F-8 Gloster Meteor, o primeiro caça à jato da FAB

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TF-33

Distribuídas pelo território brasileiro, as Unidades Aéreas de Caça


(esquadrões) são oito:

1º Grupo de Aviação de Caça – Santa Cruz, Rio de Janeiro

1º/1º 2º/1º

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1º Grupo de Defesa Aérea – Anápolis, Goiás

1º/3º Gav – Boa Vista, Roraima

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2º/3º Gav – Porto Velho, Rondônia

1º/4º GAv – Natal, Rio Grande do Norte

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1º/14º Gav – Canoas, Rio Grande do Sul

3º/10º Gav – Santa Maria, Rio Grande do Sul

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1º/16º Gav – Santa Cruz, Rio de Janeiro

Tripulando aeronaves AT26 XAVANTE, F5E/F Tiger II, Mirage III


EBR, AMX A-1 e AT-27 Tucanos, essas Unidades Aéreas mantêm-se
permanentemente adestradas para o emprego imediato de seus aviões
como armas de guerra.

E referendando-se ao dia 22 de abril de 1945, em que o 1º Grupo de


Caça na Itália cumpriu – com extremo denodo e eficiência – sua jornada
de maior esforço no combate, é que se comemora o Dia da Aviação de
Caça.

“Divorciado de meu avião sou um homem comum, um professor sem


alunos, um escultor sem mármore, um sacerdote sem deus”
(Um piloto de caça)

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