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UNIVERSIDADE DE COIMBRA B i b l i o t e c a Geral

130150001X

FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

A

VIDA
Ii

SEXUAL

PATHOLOGI A
rR o
A N T O N I O C A E T A N O D'ABREU FREIRE E G A S - M O N I Z
DOUTOR EM MEDICINA

C O I M B R A FINANÇA z-l.UAUO 1()02 EDIl UK

DO

MESMO

ADCTOR:

Alterações anatomo-pathologicas na diphteria. A vida sexual. I, Physiologia. Coimbra, 1901.

Coimbra,

1900.

PREAMBULO

Kntre a da « Vida physiologia,

publicação

do primeiro v o l u m e

Sexual », que dizia respeito á e o presente trabalho em que sexual, mediou o tempo apparecessem algumas

me proponho tratar das manifestações mórbidas da f u n c ç ã o bastante país. C o m o vieram depois da discussão a que esse trabalho deu m o t i v o no m e u acto de conclusões sionaram. E m geral foram b e n e v o l a s , c o m e x c e p ç ã o porem d'alguns jornaes ultra-moralistas que quiseram ver na minha despretenciosa dissertação quasi um grito de revolta e uma propaganda de doutrinas subversivas e magnas, já estava preparado para as receber e por isso me não imprespara que

criticas na imprensa diaria e scientifica do

XVIlI

PREAMBULO

inconvenientes. posito, porque vulgarização E' bem o

N ã o foi esse o m e u promeu trabalho não é de que o fosse, haveria que os que desejam

e, nem melhor

nisso inconveniente algum. ter conhecimentos do que nos e e precisos sobre questões litteratura ensina de os

sexuaes os adquiram em livros scientificos documentos deleteria em que d'uma nada mórbida positivo

que se não distinguem

actos convenientes dos prejudiciaes. Sou contra a p o r n o g r a p h i a ; não sigo as opiniões de educador; leve
PAUI. ADAM

que ainda ha pouco

sustentou as suas vantagens c o m o principio m a s não posso admittir que se se não o pudor até ao exaggero de importancia

consentir que o publico culto possa apreciar problemas da e complexidade dos que discuti e tratei. N ã o é principio moralisador defender a ignorancia, nem laridades, a d e v e ser occulta aos olhos capital da especie e do medico, ainda nas suas minimas particufuncção uma das mais importantes do individuo. A a c c u s a ç ã o não é pois cabida e, se o fosse, tando estudo eu dar-me-hia por v e n c i d o não trade de angariar tão mais subsídios assumpto. para E o a complexo

proposito d e v o declarar que se recorro por

PREAMIiUIO

IX

v e z e s , no em sexuaes, é

presente v o l u m e , ás descripções porque este v o l u m e é escripto Só a

latim, em alguns casos de perversões

especialmente para médicos e juristas.

elles interessa o conhecer e tratar os doentes d'essas p e r v e r s õ e s : só aos médicos legistas e aos juristas importa apreciá-los no c a m p o da psychiatria e da responsabilidade criminal. minudencias. A o s leigos pode interessar o assumpto na sua generalidade, nunca nas suas Q u e me desculpem os meus críticos e que reflictam nos fundamentos da pseudo-moral em que pretendem apoiar-se. Lançando um olhar para o passado, ao m e s m o tempo que descobrimos um a u g m e n t o constante das perversões sexuaes na nossa sociedade, pelas lapso cerca augmento que se verifica da a até noticias de de escandalosas imprensa 1876), de

diaria e que em F r a n ç a se elevou, no curto cinco annos ( 1 8 7 2 200 casos (1), nós averiguamos

que as atfecções nosso século.

do sentido genesico, não

nasceram d'hoje, na a p r e g o a d a c o r r u p ç ã o do Desde a mais remota antiguibons costumes. Existem dade que se encontram com toda a sua corte de a g g r a v o s aos

(1) Nesses cinco annos houve 4:000 attentados ao pudor, registados na estatística da Justiça criminal de França.

X

PKEAMBUI.O

perversões em muitos povos selvagens que as ostentam publicamente, e até nos proprios animaes se téem encontrado. Na antiguidade, depois duma evolução demorada e crescente, chegáram a usurpar todos os limites do senso mais rudimentar, espalhando-se populações quasi epidemicamente e doentias. nas Basta definhadas

recordar as orgias e as dissoluções d'essa phantastica R o m a dos Cesares. Entre todas as desordens genesicas, a aberração do amor physico é a mais frequente e a mais variada, o que facilmente se comprehende por ser o desejo sexual a mais imperiosa homem. E necessidade que estimula o alterações eram mais estas

numerosas e mais publicas na antiguidade, em que v i g o r a v a m idéas diversas das actuaes no que respeita á moral que, sendo uma creação social, é sujeita a variações de logar e de tempo. Os primeiros legisladores julgaram-se impotentes para pôr um inconveniente, lucta physica. freio a esta corruquando era pção, que intuitivamente consideravam c o m o especialmente necessário ter os povos aguerridos para a C o n t u d o marcaram-lhe limites, tentando por todas as formas moderá-la, o que não impedia que, para c o m p r a z e r e m

PUEAMBUI.O

Xl

com o seu desejo, fizessem do acto genesico o objecto d'um culto particular, c o m o se quasi todas as crenças dos Ainda hoje na índia e na Bralima- Siva -Wichmi, homens e consagrados para de se observa em

povos antigos. dade Roha, reúnem religiosa etc., os em

Oceania, onde se observam as leis da trinas mulheres se

logares

abandonarem a toda a especie de prazeres, e aos excessos mais desenfreados e dissolutos. O christianismo operou u m a grande revolução tentando fazer do amor um meio e não um fim. C o m elle só devera ter-se em Este exagmas é vista a propagação da especie. dando-se ainda ás necessidades prevalece, foi

gero foi-se pouco a pouco attenuando, amolsociaes, inegável que a sua hoje acção educadora, que vantajosíssima.

Em opposição á libertinagem pagã nasceu a moralidade severa dos christãos. Os gregos e os romanos pensavam que as divindades tinham dado o amor á humanidade como um prazer e nunca o encararam sob o aspecto grandioso da fecundação. E, contudo, não pôde haver duvida alguma de que é este o seu fim supremo, embora seja licito procurar o prazer sexual, dentro de determinados limites. E é tal a importancia do asssumpto, sob qualquer aspecto que se

XVIlI

PREAMBULO

encare, que seria uma verdadeira puerilidade deixar de o estudar por motivos fúteis de hypotheticas offensas á moralidade publica. E já a divisa que antes de escolhemos para o nosso Igreja, falso primeiro volume servir-nos-hia de defesa, se
TARDIEU

um doutor da referindo-se ao

SANTO

AGOSTINHO,

pudor de que

se

julgam possuídos alguns

críticos mais susceptíveis e melindrosos, não tivesse dito que se os seus escriptos, sobre determinados assumptos escandalizar vras que se alguém, via antes da torpeza própria moraes, podessem se accusassem do que das palaque

f o r ç a d o a empregar para

exprimir o seu pensamento, esperando que os leitores pudicos e sábios lhe perdoassem as expressões que se via obrigado a e m pregar. E como as apreciações qué me foram feitas neste sentido partiram de quem ainda respeita o argumento da auctoridade, e especialmente do valor d'esse sábio doutor da Igreja termino por aqui a minha defesa.

*

#

Num

jornal

medico

da

capital,

supe-

riormente dirigido pelo digno professor da

PREAMBULO

XlII

escola medica
BOMBARDA,

de

Lisboa,

sr.

dr.

MIGUEL

a quem me é grato agradecer, subsídios que me prestou trabalho, appareceu uma

neste para

logar, os o presente

critica ao meu primeiro volume da « Vida Sexual », que afinal veio a recair sobre a discussão d'uma these que, propositadamente e para não tirar o interesse ás discussões do meu acto de conclusões magnas, não quis desenvolver no texto, sua ligação intima com o apesar da que Dizia capitulo,

intitulei O acto sexual. Fecundação (i). eu a pag. 2 1 4 : fusão do espermatozóide e

« Por minha parte julgo a do ovulo por

vezes dispensável, mesmo na mulher, para que este possa desenvolver-se e dar origem ao feto ». E em nota accrescentava : « Uma das theses por mim apresentadas á F a c u l dade de Medicina é a seguinte: — O ovulo pode ser uma cellula c o m p l e t a ; só por si pode dar origem ao feto. — Sobre ella tenciono publicar um pequeno opusculo ». Ainda não tive occasião de dar á imprensa esse pequeno commentario á minha these, mas sr. aproveito o ensejo para
PINTO DE MAGALHÃES.

expôr umas

acclarações, em resposta ás supposições do X ã o creia o meu

(1) Vid. pag. 149, vol. 1.

XIV

I 1 KKAMIiUI-O

illustre à

critico a

que

eu

pretendo

defender Para

ontraiice

verdade d'essa

these.

mim representa uma duvida que achei com direito a servir de thema a uma d i s c u s s ã o : nada mais. Nem tive com ella intuitos de pretender justificar mysterios da crença, nem sequer com mim, isso era me preoccupei: a d u v i d a , para interessante no principalmente

campo da medicina legal. Os fundamentos em que a appoiei foram de tres categorias: presumpções theoricas, factos demonstrativos no campo da pathologia, e factos demonstrativos no c a m p o da physiologia. V o u esboçá-los em poucas palavras. As presumpções das theoricas da deduzem-se fecundação e facilmente çam theorias

da maturação ovular, desde que se conheas experiencias de
TICHOMIROW

e as e

o b s e r v a ç õ e s de
MOREL.

HENNEGUY ( I ) ,

CELLACHER

Aquelle strou mento

insigne

experimentador

demon-

que uma forte irritação chimica ou dos ovos do bombyx tnori, mesmo

mechanica pôde dar origem ao desenvolvisem se dar a fecundação.
(1) Comptes Rendus de l'Acad. des sc., i5 mai 18Q3.

PREAMBULO

XlII

HENNEGUY

observou

a

segmentação

em

ovulos de vários m a m m i f e r o s e, entre outros, dos chiropteros, sem intervenção de espermatozóides e onde c h e g o u a distinguir m a s s a s que pareciam verdadeiros blastomeros.
OELLACHER

já em

1872

tinha

notado

a

segmentação dum o v o d'ave não fecundado. A o b s e r v a ç ã o de
MOREI,

é, porém, a mais de Strasburgo
GRAAF DE

importante de todas. trophiadas nite

MOREL

e x a m i n a n d o vesículas de puerperal, oito a

hyper-

em mulheres mortas de peritodez dias depois do que a vários ovulos em Ao seu

parto, encontrou nos ovulos

segmentação se d a v a pela mesma forma que fecundados. trabalho juncta figuras elucidativas, que não podem deixar d u v i d a alguma sobre a interpretação dos factos. S e n d o assim, e considerando o espermatozóide como provocador da segmentação do o v u l o , vê-se que pôde ser substituído por causas chimicas ou m e c h a n i c a s ; e basta só admittir que esta segmentação siga os seus termos regulares — e nada ha que d e m o n stre o contrario — para admittir a minha these, por mais extraordinaria que ella pareça ao meu severo critico. A a f f i r m a ç ã o escaldou-lhe o cerebro por ser demasiadamente contraria ás doutrinas

XVIlI

PREAMBULO

correntes, mas deve saber que os prejuízos de doutrina podem muito, sobretudo q u a n d o se implantam no nosso espirito com a c h a n cella de v e r d a d e s scientificas. A p r e c i e m o s os factos, que eu julgo d e m o n strativos no c a m p o da pathologia. aos kystos dermoides. kystos tem sido muito discutida. Refiro-me EnumereA etiologia d'estes

mos em primeiro logar os casos que julgo mais interessantes e apreciemos em seguida as theorias pathogenia. varam um que pretendem explicar a sua
REVERDIN

e

BUSCARI.ET (I)

obser-

kisto

desmoide do

o v á r i o que

continha orgãos sua extremidade

complexos c o m appendices uma pequena producção

digitiformes, um dos quaes apresentava na córnea, e um outro que possuia um esqueleto osteo-cartilagineo.
RÉPIN (2)

descreve um kysto dermoide do

o v á r i o que encerrava um rudimento de feto provido de quatro m e m b r o s deseguaes e terminando por uma membros eram porção óssea semelhante Os quatro a uma c a b e ç a e com tres dentes.

perfeitamente reconheciveis,

ainda que rudimentares e extravagantemente
(1) Jicvue iiiddicale de la
Cit. de MATHIAS DUVAL.

Suisse romande, des kystes

mars, 1894. dermoides de

(2) Origine partheno gene tique 1'ovaire. Paris, 1894.

PREAMBULO

XlII

contornados. desenvolvidas. tubo digestivo

As extremidades eram melhor Este monstro não possuía que estava ao lado repre-

sentado por um c o r d ã o cylindrico de extremidades fluctuantes. Possuía diversos cordões nervosos entre os quaes o nervo sciatico direito apresentava caracteres histologicos inteiramente normaes. E paremos aqui com a resenha. Para explicar estes extraordinários tumores varias theorias foram a v e n t a d a s . P o r e m o s , desde já, de parte a theoria do neoplasma de
LEBERT.

C o m effeito não p o d e

admittir-se que tão extraordinários tumores p r o v e n h a m de quaesquer outras cellulas que não sejam ovulos. E tanto que o auctor d'esta theoria, que já data de i 852, nega a existência nestes tumores de partes evidentemente embryonarias, apesar de já se c o n h e c e r e m nessa
LEBERT

epocha

casos

bem

a v e r i g u a d o s que

p ô z systematicamente de lado.

A theoria do e n c r a v a m e n t o que talvez seja exacta para alguns casos não pode explicar as producções dermoides do ovário, e m b o r a as attribuam His e a invaginações insistem ectodermicas produzidas ao nivel da região lombar.
POUCHET

em disposições Ambos

embryonarias, que podem dar u m a apparencia de v e r a c i d a d e a esta maneira de ver.

XVIlI

PREAMBULO

consideram o encravamento como sendo de natureza pêllos, já não ectodermica podem e podendo a fornecer dos unhas, glandulas e m e s m o dentes; explicar existencia

variados tecidos que se encontram nos dermoides o v a r i a n o s , e especialmente as prod u c ç õ e s teratoides com a forma de orgãos determinados pletos. A theoria da gravidez extra-uterina é fundada no facto da f e c u n d a ç ã o , que normalmente se opera na trompa, poder dar-se, accidentalmente, á superfície do ovário. Esta theoria cáe pela base sob a consideração de que não explica os kystos dermoides, aliás a v e r i g u a d o s na sciencia, de mulheres e raparigas virgens de e, mais ainda, de mulheres congenitaes
DUVAL).

ou de

embryões quasi c o m -

affectadas

deformações excluem

de

tal natureza, que

por completo a

possibilidade da fecundação ( M .

A l e m d'isso, é bom lembrar que a e v o l u ç ã o da gravidez ex-uterina é muito mais rapida, que traz consigo symptomas a chorion denunciantes bem patentes e que, no feto existem sempre dois e n v o l u c r o s :
( P I N A R D ).

e a amnios e

nunca falta a placenta, embora rudimentar A theoria da inclusão mente larga divulgação. letal teve ultimaA admittí-la o

PREAMBULO

XlII

individuo

portador

d'um

d'estes

tumores

seria um monstro duplo e n d o c y m i a n o . Semelhante theoria é inacceitavel: i.° porque os parasitas e n d o c y m i a n o s são, de facto, irmãos de q u e m os c o n d u z e manifestam a sua presença numa época nascimento, que exactamente se geralmente a p p r o x i m a d a do ao contrario no do appareci-

observa

mento dos kystos d e r m o i d e s ; 2.0 porque os kystos dermoides são por v e z e s bilateraes e, para minal se explicar o facto com esta theoria, bilateral, isto é, a uma gemealidade especial era necessário admittir uma inclusão a b d o univitellina dade tripla, que situação

dos embriões e tornam

a raridade d'esta gemealicompletamente inverosímil;

3." porque muitas vezes ao kysto dermoide principal se juntam outros menos importantes, o que é inexplicável por esta t h e o r i a ; 4. 0 porque já se encontraram kystos em mulheres
(RÉPIN

der-

moides

cujo e
M .

ovário,
DUVAI.).

exami-

nado durante uma laparotomia anterior, foi encontrado são De fórma que nos resta a theoria parthenoíienetica,1 isto é, a de serem os kvstos dermoiO 1 J des devidos ao d e s e n v o l v i m e n t o dos o v u l o s (1)
(1) M. DUVAL, fundando-se na persistência, no testículo, dos ovulos primordiaes t a m b é m admitte para os k y s t o s do testículo a natureza parthonegenetica ( B A L B I A N I ).

XVIlI

PREAMBULO

sem intervenção do espermatozóide e d e v i d o a causas mechanicas e chimicas completamente ignoradas. E tanto assim parece
RÉPIN

quanto é certo que na o b s e r v a ç ã o de derivados que nenhuma segue. dos das folhetos a sua outras

se nota a existencia de todos os elementos blastodermicos origem ovular) (o e demonstra

theorias apresentadas

explica todos os casos, o que só esta c o n E se o o v u l o , só por si, pode dar origem a um feto monstruoso c o m o no caso de ovulo de origem a um feto n o r m a l ? P o d e dizer-se que só a chromatina m a s c u lina orienta, convenientemente, a segmentaç ã o ; mas meio pode também affirmar-se que o a boa constituição do é que orienta
RÉPIN

porque não ha de admittir-se que o m e s m o

feto e, sendo assim, não custa a acreditar que o o v u l o , que se segmentar no útero e em boas condições, possa dar origem a um feto viável. é Na gravidez extra-uterina o feto monstruoso o que v e m em geralmente

apoio d'esta s u p p o s i ç ã o (i).
(i) E' notável um caso relatado pelo eminente professor dr. C O S T A S I M Õ E S , lente jubilado da F a c u l d a d e de Medicina e cuja peça anatómica existe no gabinete d'anatomia pathologica da Faculdade E' um monstro difficilmente reconhecível c o m o feto. T e v e quarenta annos d'existencia intra-abdominal.

PKKAMliLH-O

XXl

V e j a m o s agora se existem factos d e m o n strativos da minha these no c a m p o physiologico já que d a m o s c o m o normal o facto de uma mulher só por si, e sem o auxilio do espermatozóide, poder ter um filho. Ha na sciencia medica casos de mulheres tornadas gravidas tendo o h y m e n intacto e não
(Obs.

permittindo

no

seu

orifício
etc.).

hymenial
EM res-

mais do que a entrada d'uma penna de a v e
DLxxxi11 d e MAURICEAU,

posta dir-me-hão ( d e encontro á i n f o r m a ç ã o d'essas infelizes) que tiveram copula i n c o m pleta e que foi em resultado d'ella e da entrada do espermatozóide que a f e c u n d a ç ã o se deu. D e m o s a supposição c o m o verdadeira, e perguntemos c o m o se ha de explicar o caso
de ZINSSTAG (Cent.f. gynak., 1888, pag. 219)

de u m a mulher que a p p a r e c e u g r a v i d a com o h y m e n imperfurado ? espermatozóide (1)? E, sendo assim, para que não h a v e m o s de juntar todos estes factos apresentados a fim
(1) Existiria previamente uma abertura que, em seguida á introducção do espermatozóide, e tendo-se inflamado os seus rebordos, desapparecesse por cicatrização ? Não é crivei, porque se não encontraram vestígios d'esse processo cicatricial. E a admittir-se esta hypothese deveria egualmente admittir-se a restituição da virgindade hymenial por meio da sutura das fendas do h y m e n jrf rasgado.

Por onde entrou o

XMI

PKhAMBULO

de tirarmos a conclusão lógica da aíiirmação contida na minha these ? rios, que actualmente Para que havemos dominam o mundo de importar-nos com os prejuízos doutrináscientifico? Q u e m sabe mesmo se, á c o m p a ração do que se fez antigamente em que se condemnaram á morte, por suppostos crimes de bestialidade, as mães de fetos-monstruosos, não pelos téem sido injustamente que, julgadas de médicos, mulheres apesar

gravidas, não tiveram relações sexuaes nem directas, nem indirectas? E único não venham dizer que, por um caso bem averiguado, nos não devemos Alem doutrina corrente.

decidir contra a

d'este facto, ha as presumpções documentadas, quer no campo theorico, quer no pathologico a que nos referimos. a que os únicos casos comprovativos gravidez variedade (Vid. com Accresce ainda verdadeiramente

da minha these são os de hymen é imperfurado, e esta extremamente rara Legal, pelo pro-

hymenial

Manual de Medicina

fessor sr. dr. coincidência d'estes vativa. tem

ADRIANO XAVIER LOPES VIEIRA),

sendo de notar que mais rara deve ser a da pois gravidez a maior parthenogenetica UM facto comproforça com essa variedade de hymen.

PKtAMDULO

XXMI

Pelo que acabo de expor fica sabendo o meu insigne critico que apresentei uma these documentada, que não tinha direito a apreciar sem saber as suas bases e fundamentos. E nada mais tenho a responder, porque os outros reparos são de menor importancia. Assim as considerações expostas sobre a forma c o m o a these está redigida não teem valor algum, pois quando eu empreguei a designação cellula completa, encarei-a sob o duplo aspecto morphologico e physiologico. A cellula-ovulo só desempenha o papel que lhe feto.
O DA

está

distribuído

na

economia

animal

depois de se desenvolver e dar origem ao meu illustre professor sr. dr.
CAMARA PHII.OMENO

que fez o ataque d'esta minha outra forma com que em pela maior precisão

proposição, com superior critério e competência, absoluto deu-lhe concordei

scientiíica dos termos e m p r e g a d o s : o ovulo pode ser um germen, dando-se ao germen a maxima latitude de significação.

A

VIDA

SEXUAL

INTRODUCÇÃO

A e

p a t h o l o g i a da « V i d a S e x u a l » é um l o n g o e interna, pela psychiatria e pela

l a b o r i o s o c a p i t u l o que se r a m i f i c a p e l a patholegal. S e r i a diíticil c o n d e n s a r n u m s ó

logia e x t e r n a medicina

v o l u m e t u d o o q u e d e v i a incluir-se s o b este titulo. A a l g u n s d ' e s s e s a s s u m p t o s já i n c i d e n t a l m e n t e me referi no p r i m e i r o v o l u m e d ' e s t e t r a b a l h o e o u t r o s ha O por que, por estudo menos das interessantes, não do merecem sexual, attenção especial. doenças no apparelho exemplo, cabia titulo q u e a p r e s e n t a m o s ,

m a s seria p r e c i s a r d e m a s i a d a m e n t e o s t e r m o s e seria f a z e r d o p r e s e n t e t r a b a l h o u m a v e r d a d e i r a encyclopedia medica sobre pathologia genital. O r i e n t o pois o meu estudo no sentido das psychopathias sexuaes. que primeiro S ã o essas, e na verdade, as por lembram, relacioná-las-hei,

v e z e s , c o m o u t r o s a s s u m p t o s m é d i c o s , p o i s , tor-

2

A VIIJA S t X U A L

nar-se-hia

incompleto

o

seu

estudo

se

lhe

não

d e s s e m o s essa latitude.

*

*

As fraudes sexuaes, que são empregadas com o fim de o b s t a r á f e c u n d a ç ã o , n ã o se l i m i t a m aos p r o c e s s o s que e s t u d e i e c u j a u t i l i d a d e d e f e n d i , em muitos casos, quando na primeira parte deste t r a b a l h o me referi ao m a l t h u s i a n i s m o malthusianismo. A l e m d e s s e s p r o c e s s o s ha m u i t o s o u t r o s , a m a i o r p a r t e d o s q u a e s inclue a ideia de p e r v e r s õ e s . Por vezes, dades, sexual. que a principio, deixar são de simples ser perversipodem justificadas, e ao neo-

mas não constituem uma verdadeira psychopathia A repetição d'esses actos, especialmente em indivíduos tarados, é que p o d e dar origem ás perversões sexuaes. KRAFFT-EBING r e f e r e - s e a ellas s o b a d e s i g n a ç ã o g e r a l de n e u r o s e s s e x u a e s e d i v i d e - a s em d i f f e r e n t e s grupos. siderada outros mas S e g u i r e i a sua c l a s s i f i c a ç ã o , q u e é conclassica, psychiatras apesar têem são das modificações que querido introduzir-lhe;

apenas

estudarei e

detalhadamente as paresinegavelmente as mais

t h e s i a s s e x u a e s , que interessantes nos importa.

aquellas cujo conhecimento mais Estudá-las-hei c o m o doenças cara-

cterizadas e definidas. A sua etiologia c o n d e n s a - s e nos a b u s o s g e n i t a e s e nas c a u s a s h e r e d i t á r i a s . em especial. Congregaremos estas c a u s a s e a p r e c i a r e m o s o seu v a l o r p a r a c a d a c a s o E por v e z e s entraremos nos francos

INTUObUCXAO

domínios da psychiatria, porque como os orgãos genitaes téem uma importante relação funccional com todo o systema das nervoso, é frequente o apparecimento neuroses e psychoses geraes

derivadas de doenças sexuaes. O d i a g n o s t i c o é g e r a l m e n t e t ã o intuitivo p e r a n t e os factos observados, que só em casos muito particulares merecerá attenção especial. Impõe-se

por forma que raríssimas vezes merece discussão. T é e m as paresthesias sexuaes, em certos casos, a sua anatomia pathologica especial: pequenas n o t a s q u e f i c a r ã o d e s s i m i n a d a s nos d i v e r s o s q u a dros que descriptivos d'estas perturbações genesicas. também não ás nossas a sua therapeutica no aspirações. própria momento Mas já infelizmente corresponde, justas Possuem presente,

r e p r e s e n t a u m a e s p e r a n ç a , e os r e s u l t a d o s o b t i d o s em a l g u n s ' c a s o s s ã o um justo i n c e n t i v o a p r o s e guirmos nessas investigações therapeuticas em q u e a s u g g e s t ã o entra c o m o p r i n c i p a l f a c t o r . E s t e s a s s u m p t o s , quasi p o r c o m p l e t o d e s c u r a d o s e n t r e n ó s , o n d e a b i b l i o g r a p h i a m e d i c a q u a s i se limita a pequenos estudos sobre a pederastia, E' m e r e c e m ser a p r e c i a d o s c o m o c u i d a d o q u e a s u a complexidade e a sua importancia requerem. i n d i s p e n s á v e l olhá-los p o r t o d o s o s a s p e c t o s q u e a c a b a m o s de mostrar, e não deixar falhas importantes na condensação dos differentes assumptos, que f a z e m objecto dos capítulos que vão seguir-se. E' uma modesta tentativa que alargaremos c o m a m o n o g r a p h i a s e s p e c i a e s e c u j a leitura p o d e t a l v e z suggestionar a profissionaes mais c o m p e t e n t e s publicação de subsídios valiosos.

N E U R O S E S

S E X U A E S

KRAFFT-EBING hendem volume referimos roses das das aos

divide

as

neuroses

sexuaes no

em

três g r a n d e s categorias que facilmente se deprenoções centros apresentadas da primeiro que a nos saber: d'este trabalho, no capitulo em erecção (i),

neuroses periphericas, neuroses cerebraes. neuroses

espinhaes e neualterações

A b r a n g e m todas as

da funcção sexual desde que admittamos no grupo cerebraes as alterações moraes do sentido genesico, novo aspecto para que é preciso c h a m a r a a t t e n ç ã o d o s p s y c h i a t r a s e ás q u a e s o proprio KRAFFT-EBING se não refere s e n ã o acciNeste dentalmente e fóra do q u a d r o das neuroses. grupo incluiremos o incesto. As neuroses periphericas são de varias especies, m a s é difficil d e s l i g á - l a s p o r c o m p l e t o d a s i n f l u e n -

(1) A Vida Sexual, vol. i, cap. cundação », pag. 149.

« O Acto Sexual—Fe-

6

A VIIJA S t X U A L

ciaç

espinhaes ou cerebraes. formam grupos

Contudo

algumas Podem

d'ellas

independentes.

a s s e n t a r s o b r e p e r t u r b a ç õ e s da sensibilidade, da motilidade ou das secreções. E n t r e as primeiras a s s i g n a l a r e m o s a anesthesia, a hyperesthesia e a neuralgia. A anesthesia e a h y p e r e s t h e s i a ligam-se as mais das v e z e s a c a u s a s do s y s t h e m a n e r v o s o central, a neuralgia é especialmente uma d o e n ç a local. KRAFFT-EBING agglomera-as indistinctamente neste g r u p o e c o m r a z ã o , p o r q u e se não i m p o r t a c o m a sua etiologia. N a s p e r t u r b a ç õ e s m o t o r a s c o s t u m a m incluir-se as polluções e a espermatorrhéa, m a s as p o l l u ç õ e s não d e v e m ser c o n s i d e r a d a s c o m o neurose m o t o r a . A e s p e r m a t o r r h é a p o d e ser devida a c a u s a s locaes, a uma paralysia dos n e r v o s p e r i p h e r i c o s por e x e m plo, e por isso entra b e m neste s e g u n d o g r u p o . Einalmente, permia. entre as neuroses periphericas de n a t u r e z a m o t o r a colloca-se a a s p e r m i a e a polysUma e o u t r a são d e v i d a s , g e r a l m e n t e , ás a l t e r a ç õ e s de e n e r v a ç ã o dos o r g ã o s s e x u a e s . A s n e u r o s e s espinhaes p o d e m a f f e c t a r o s centros da e r e c ç ã o e da e j a c u l a ç ã o . O centro da de erecção acções pode reflexas ser excitado em consequência ou d e v i d a s a exci-

t a ç õ e s sensitivas p e r i p h e r i c a s das partes g e n i t a e s regiões vizinhas, a excitações da u r e t h r a , do recto e b e x i g a , á r e p l e ç ã o d a s vesículas s e m i n a e s , á irritação dos n u m e r o s o s n e r v o s e ganglios q u e se encontram no tecido prostatico, e finalmente ás excitações dos n e r v o s da região l o m b a r ( l l a g e l l a d o r e s ) (i). (i) Viii. vol. i cT/1 Vida Sexual, pag. 152.

NEUROSES

SEXUAES

7

P o d e e g u a l m e n t e dar-se a e r e c ç ã o em virtude da e x c i t a ç ã o d a s fibras q u e u n e m o c e r e b r o ao centro e r e c t o r e q u e e s t ã o em geral l i g a d a s a d o e n ç a s da m e d u l l a cervical ( i ) . A e x c i t a ç ã o pode t a m b é m ser directa e obtida pela a c ç ã o de d e t e r m i n a d o s v e n e n o s , e finalmente p o d e ser u m a c o n s e q u ê n c i a de reacções psychicas. E s t a s ultimas e x c i t a ç õ e s d ã o o r i g e m á denomin a d a salyriasis, isto é, ao p r o l o n g a m e n t o anormal da e r e c ç ã o e do d e s e j o sexual. causa da excitação não vem Q u a n d o porém a do cerebro, mas

s i m p l e s m e n t e d u m a e x c i t a ç ã o reflexa o u e x c i t a ç ã o directa o r g a n i c a , o d e s e j o sexual pode f a l t a r e o priapismo é então acompanhado d u m a sensação desagradavel. A p a r a l y s i a do c e n t r o e r e c t o r p r o v é m da destruição do c e n t r o ou d a s vias de c o m m u n i c a ç ã o , como succede nas d o e n ç a s d a espinhal m e d u l l a a impotência p a r a l y t i c a . o cançaço manifesta-se ( á p a r t e as e x c l u s i v a m e n t e l o c a l i z a d a s á medulla cervical). devidos pela ctor. á Dá-se então masturbação, da Em s e g u i d a a e x c e s s o s s e x u a e s , e s p e c i a l m e n t e diminuição sensibilidade do c e n t r o ere-

Este phenomeno observa-se frequentemente E s t a a n e s t h e s i a e outras origi-

t e n d o t o d o s o s m é d i c o s c a s o s d e o b s e r v a ç ã o pessoal a affirmá-lo. n a d a s por i n t o x i c a ç õ e s , c o m o p o r e x e m p l o p e l o s saes d e b r o m i o , s ã o g e r a l m e n t e a c o m p a n h a d a s d e anesthesia das p a r t e s g e n i t a e s e x t e r n a s . Do lado da vida p s y c h i c a o b s e r v a - s e , na m a i o r parte dos c a s o s , ausência de d e s e j o s s e x u a e s e, a l g u m a s v e z e s , o seu e x a g g e r o l e v a d o até ao ultimo e x t r e m o . (i) Vol. r, pag. 157.

8

A VIIJA S t X U A L

V e m a proposito fazer notar aqui, c o m o falta de excitabilidade a certas do centro erector, o facto de, Assim ha e m a l g u n s i n d i v í d u o s , este c e n t r o n ã o s e r sensivel senão excitações especiaes. indivíduos em que só relações pervertidas p o d e m dar erecções. sexual, pois é N e s t e c a s o existe a p s y c h o p a t h i a no cerebro que reside a causa

d'estas excitações e d'estas anesthesias. C a s o s ha em que o r e c e i o de u m a i n f e c ç ã o ou uma sua aversão o fraqueza natural por é determinada outros tão ha grande mulher que só paralysa centro erector, congenital em q u e a

c e r t a s a f f i n i d a d e s p e s s o a e s , v e r d a d e i r a m e n t e idiosyncrasicas, podem determinar a excitação. T é e m menos importancia as affecções do centro da e j a c u l a ç ã o , e c o n t u d o é b o m a c c e n t u a r q u e a sua extrema facilidade excitadora o fim ou excessiva da dificuldade, podem cópula normal. A facilidade da e j a c u l a ç ã o p o d e s e r d e v i d a a duas causas inteiramente differentes: ou a demasiada e x c i t a b i l i d a d e p s y c h i c a , ou a g r a n d e sensibilidade do centro ejaculador. sensual Um por A nada causas um pode determinar acto a U m a s i m p l e s idéa saída dar do o esperma. resultado impedir principal

primeiro contacto, embora imperfeito, pode, simples reflexo, da do

d um a c t o s e x u a l c o m p l e t o . difficuldade pela varias, os anda anormal entre as e j a c u l a ç ã o é origicentro, devida a tomam logar de se insensibilidade

quaes

predominante matorrhéa anesthesia

abusos sexuaes. geralmente e a

Esta dyspersó

acompanhada ejaculação

peripherica

NEUROSES SEXUAES

9

p r o d u z d u r a n t e o acto sexual muito t a r d i a m e n t e , c h e g a n d o por v e z e s a realisar-se depois da c ó p u l a e sob a f o r m a de p o l l u ç ã o . A s neuroses c e r e b r a e s , que s ã o i n e g a v e l m e n t e as mais i m p o r t a n t e s , podem t o m a r a f o r m a de p a r a d o x o s genesicos, de anesthesia e h y p e r e s t h e s i a sexual e finalmente de p e r v e r s õ e s s e x u a e s . A' paradoxia sexual já na primeira parte nos r e f e r i m o s p o r v e z e s trabalho, mas duma que d'este

maneira rapida e s e m c o m m e n t a r i o s e x p l i c a t i v o s . Ninguém sexual. duvida dos factos: todos sabem nas c r e a n ç a s se p o d e m dar m o v i m e n t o s de vida Ha na litteratura medica u m a farta lista
LONGER-YILLERMAY E MOREAU apre-

de c a s o s de m a s t u r b a ç ã o p r e c o c e .
ULTZMANN,

sentam

casos

de

masturbadores

da

edade

de

dois a n n o s ! A p o n t a m - s e tendencias e m e s m o p r a t i c a s heter o s e x u a e s e até h o m o s e x u a e s ( M O L L ) em c r e a n ç a s de pouca e d a d e . E' que indispensável os desejos no anus porém sexuaes ou separar os são casos em por despertados que,

c a u s a s e x t r a n h a s , taes c o m o p h y m o s i s , balanites, oxyuros vagina, etc., provoc a n d o p r u r i d o nos o r g ã o s g e n i t a e s , certo b e m grau a de estar e mais t a r d e um susceptível em que, determinam determinado de originar causa sem

c o n t a c t o s m a n u a e s s u f i c i e n t e s para p r o d u z i r u m voluptuosidade

masturbação,

d'aquelles

a l g u m a p e r i p h e r i c a , m a s e x c l u s i v a m e n t e por processos c e r e b r a e s , a c r e a n ç a e x p e r i m e n t a d e s e j o s genesicos que são a m a n i f e s t a ç ã o p r e c o c e da vida sexual.

3o

A VIDA S l i X U A L

As nesta

observações segunda

nitidas,

que são

devem muito

incluir-se

categoria,

numerosas.

E n t r e e l l a s c i t a r e i as de LINO FERRANI ( I ) de d o i s delinquentes de a MARC de p r e c o c e s , u m o n a n i s t a (2) q u e d e s e creança doutra pudor duma que de começou tres annos que a entreque desde se a java homens como cúmplices e outro sadista ; a d'uma gar-se á m a s t u r b a ç ã o na edade de quatro a n n o s ; LOMBROSO sem ZAMBACCO masturbava por algum; e o caso citado

rapariguita

e d a d e de sete annos se m a s t u r b a v a e que um dia exhortada a emendar-se por um p a d r e , se serviu da própria batina d'elle para se dar-a essa pratica! O a m o r , o lado p s y c h i c o do desejo sexual, t e m egualmente tanto signal que de siderado apparecido alguns esta na primeira infanda. no DANTE amor que como amou E um aos p s y c h o p h y s i o l o g i s t a s t é e m concitam

precocidade

génio, e

n o v e a n n o s , BYRON a o s o i t o , MARY-DUFF e CANOVA aos cinco a n n o s ! E ao lado d'este d e s p e r t a r p r e c o c e do instincto sexual nas creanças e c o m o facto similar, e m b o r a distante na e d a d e , existe a sexualidade e x a g g e r a d a dos velhos. mos, edade idéa o muito alguma a sua Ha i n d i v í d u o s e m q u e , c o m o dissesexual se que conserva não sexual. até Ha uma implica com porém instincto de

avançada, o

anomalia

m a n i f e s t a ç õ e s m ó r b i d a s nos indivíduos que tendo perdido virilidade, c o m o consequência da

(1) Arcliivo delle psicopatia secsuali, pag. 40 e 106. (2) Apesar da origem etymologica d'esta palavra empregarei indistinctamente onanismo e masturbação como svnonimos.

NEUROSESSEXUAES40

e d a d e , a r e a d q u i r e m , p a r a em s e g u i d a se manifestar, pervertidamente, num desejo feroz de saciabilidade. E s t e s desejos são devidos a doenças cerebraes e a alterações antes tão profundas que levam quasi s e m p r e os q u e os t e e m á idiotia senil. muito que appareçam tações de fraqueza intellectual. bação dos desejos sexuaes, Revelam-se

quaesquer manifesAffirmam alguns

p s y c h i a t r a s q u e , c o n j u n c t a m e n t e c o m esta e x a c e r a p p a r e c e u m enfraq u e c i m e n t o do s e n t i d o m o r a l q u e se vai p o u c o a pouco accentuando. Esta volta á vida sexual, que parece ser em muitos casos um verdadeiro syndroma prodromico d a l o u c u r a senil, t e m u m a e v o l u ç ã o m u i t o particular. Primeiramente apparecem as manifestações de p a l a v r a s e g e s t o s s e n s u a e s , e em s e g u i d a ha a procura das creanças para a satisfação das necessidades sexuaes. Este facto tem S ã o as suas primeiras victimas. importancia sob o ponto de

vista m e d i c o - l e g a l . F . . . era u m v e l h o d e 7 0 a n n o s , o r g a n i c a m e n t e muito abatido. averiguar Sei porém Dos seus ascendentes nada pude que entre os filhos houve uma rigorosamente.

rapariga choreica, que morreu aos quinze annos, e uma hysterica muito curiosa em que começou a manifestar-se a doença por phenomenos aphasicos e hemiplegicos. A c c u s a d o perante os tribunaes d e dois a t t e n t a d o s c o n t r a c r e a n ç a s , s e m p r e frust r a d o s p o r a c c u d i r e m e m sua d e f e s a , foi d a d o o crime por não provado (apesar de num dos casos ter havido algumas escoriacões v u l v a r e s ) , sob o

A VIDA S E X U A L

p r e t e x t o principal de que o a c c u s a d o era i n c a p a z de ter e r e c ç ã o . tê-la e O q u e se n ã o sabia é q u e podia q u e , até s e m erecção, p o d i a ser um dese-

joso de relações sexuaes. H o j e entrou em plena phase de degenerescencia psychica. Por va-se vezes de a intelligencia d'estes velhos conser-

modo a não fazer revelações, enquanto dos actos a cuja pratica adultos e contentam-se, Outras

o seu sentido moral baixa até torná-los i n c a p a z e s de julgar da moralidade se entregam. U m a s vezes procuram em geral, com equivalências da cópula em consequência da sua erecção ser incompleta. v e z e s , e é o caso mais vulgar, o doente caminha de desejo em desejo até ás ultimas perversões. D i z TARNOSWSKY q u e c h e g a m ções dade Os com estes do pervertido desejo na eroticos Não são se a p r o c u r a r relasaciecontemplação dos quasi casos sempre, em que com galinhas, etc., obtendo completa

m o v i m e n t o s convulsivos dos animaes moribundos. delirios ou sem apparecem raros os episodios maniacos, m a s c o m muita cynicos lançam furiosamente ás

intensidade. velhos

próprias filhas com um impudor revoltante! N u m c a s o de LEGRAND DU SAULLE ( I ) o d o e n t e chegou apesar mente e a da ser sua internado edade, os num manicomio que o e ahi, masturbava-se homens se téem constantecercavam em

perseguia

com a persistente obsessão de que eram mulheres. Phenomenos similares encontrado

(I)

La Folie, pag.

533,

cit. por

KRAFFT-EBING.

NEUROSES

SEXUAES

13

mulheres q u e , t e n d o sido muito a s i z a d a s e sexualmente maiores normaes, adquirem, em sexuaes excessos avançada edade, chegando aos excitações exaggeradas,

que, como no homem, podem

reduzir-se a relações s e x u a e s n o r m a e s ou e n t r a r no c a m p o das perversões, como mais vulgarmente succede. A Pode anesthesia cerebral, ser sexual pela ou é falta caracterizada, de desejo Quer do como sexual. num

doença

congénita

adquirida. da ausência

quer noutro c a s o , s ó s e d e v e m c o n s i d e r a r c o m o exemplos incontestáveis sentido sexual, devido a causas cerebraes, aquelles casos em que, a p e s a r do d e s e n v o l v i m e n t o e do funccion a m e n t o n o r m a l das p a r t e s g e n i t a e s ( e s p e r m a t o g e n e s e e o v u l a ç ã o ) , falte o d e s e j o s e x u a l . S ã o r a r o s o s c a s o s d e a n e s t h e s i a s e x u a l congénita. S ã o geralmente acompanhados de estygmas E n t r e o u t r o s , h a alguns
LEGRAND DU SAULLE e

s o m á t i c o s de d e g e n e r e s c e n c i a e de s y m p t o m a s de degenerescencia psychica.
registados na sciencia por

de

HAMMOND. ha

E n t r e estes intermediários

e x e m p l o s nitidos de de indivíduos que,

anesthesia sexual congénita e o u t r o s de anesthesia adquirida sendo s e x u a l m e n t e i m p e r f e i t o s , t é e m de v e z em que geralmente não l e v a m os A

q u a n d o d e s e j o s s e x u a e s , a p e n a s m a n i f e s t a d o s por p e q u e n a s crises, indivíduos alem da pratica da m a s t u r b a ç ã o .

anesthesia adquirida c o m o e s t a d o m o r b i d o ( p o i s normalmente apparece com a edade e momentan e a m e n t e depois da c ó p u l a ) , e n c o n t r a a sua c a u s a nas o c c u p a ç õ e s q u e f a t i g a m o espirito ( e s t u d o s , grandes impressões m o r a e s , e t c . ) , no surmenage

3o

A VIDA S l i X U A L

p h y s i c o , nos e x c e s s o s s e x u a e s , a l c o o l i s m o , intoxic a ç õ e s e na própria abstinência. actua como estimulante, mas E s t a a principio logo em seguida

v e m a diminuição da actividade dos o r g ã o s genitaes e, c o n s e q u e n t e m e n t e , o e n f r a q u e c i m e n t o do desejo sexual. C o m o já d e m o n s t r a m o s na physiologia d Vl Vida Sexual, nem cionamento desejo o desejo s e m p r e ha c o r r e l a ç ã o entre o funcdos orgãos Como dos o fim da e o apparecimento do exemplo bastará lembrar se t o r n a r a m damas de fecundação. verdadeira que a castradas pelas a uma

sexual. sexual na com

e u n u c o s , que de evitar da

appetecidos sociedade Esta perversão procura. fraude

devassa R o m a constitue parte

genesica

sexual Mas ha

mulher

mais:

as mulheres

p o d e m , c o m o d i s s e m o s (1), ter desejos s e x u a e s . A seita d o s e s c ó p e z e s , da R ú s s i a , c o m as suas praticas de p e d e r a s t i a , s ã o a d e m o n s t r a ç ã o c a b a l do q u e a f f i r m a m o s . A diminuição da vida sexual existe s o b r e t u d o nos casos das doenças cerebraes e da espinhal m e d u l l a , e a p r o v a pratica d'esta c o r r e l a ç ã o observa-se nos c a s o s de d e m e n c i a p a r a l y t i c a de e d a d e avançada (KRAFFT-EBING ), hysteria, melancolia, etc., e tanto q u e se tem o b s e r v a d o a atrophia dos testículos em s e g u i d a a d o e n ç a s dos c e n t r o s cerebraes. C o m o e x e m p l o d esta anesthesia sexual citarei o c a s o d u m a h y s t e r i c a , que me confessou p r a t i c a r o coito c o m seu m a r i d o por d e v e r , m a s sendo-lhe inteiramente (1) Vid. vol. i. indifferentes semelhantes relações.

NtUROSES

SEXUAES

Estes

casos

são vulgares

e,

como

diz KRAFFT-

EBING, muitos h o m e n s ha q u e se l a s t i m a m d ' e s s a frieza da parte d a s m u l h e r e s a q u e e s t ã o l i g a d o s . A lij-peresthesia gnação nia. sexual t o m a no h o m e m a desi-

de satfriasis e na m u l h e r a de nymphoma-

M e s m o n o s indivíduos de o r g a n i z a ç ã o n o r m a l

o d e s e j o sexual não entra s e m p r e c o m u m a q u a n tidade c o n s t a n t e : ha s e m p r e v a r i a ç õ e s , ás v e z e s i m p o r t a n t e s , de individuo p a r a individuo. q u e exerce a E é elle maior influencia sobre as r e l a ç õ e s

s e x u a e s , á p a r t e a indifferença t e m p o r a r i a q u e se s e g u e á s a t i s f a ç ã o do a c t o sexual e a abstinência f o r ç a d a p e l a s influencias p e r m a n e n t e s d a e d a d e , d o e n ç a s , etc. A educação e o meio téem egualmente uma g r a n d e influencia no que diz respeito á h y p e r e s thesia o u a n e s t h e s i a s e x u a e s . zeres, desde onde o ha permanentes ao passeio, Os habitantes das excitações desde os sexuaes museus g r a n d e s c i d a d e s c o n s t a n t e m e n t e ligados a o s pratheatro

artísticos, d o s q u a d r o s e e s t a t u a s mais ou m e n o s lascivas, até ás reuniões em que a m u s i c a entra c o m o principal d i s t r a c ç ã o , são g e r a l m e n t e h y p e r e s thesicos. A vida s e d e n t a r i a , a vida de escriptorio, o l u x o , os e x c e s s o s de n u t r i ç ã o , e t c . , são o u t r o s t a n t o s e x c i t a n t e s d o appetite g e n e s i c o . Pelo contrario, a e sem v i d a d o s c a m p o s , cheia consigo de um actividade p r o v o c a ç õ e s , traz

certo grau de afrouxamento dos desejos sexuaes. A vida c o n j u g a l p a r e c e c o n s e r v a r e r e g u l a r o

instincto sexual, que a l c a n ç a o seu m a i s alto g r á u de i n t e n s i d a d e entre os vinte e os q u a r e n t a annos.

3o

A VIDA S l i X U A L

E , j á q u e n o s r e f e r i m o s á v i d a c o n j u g a l , será bom recordar a noção tantas vezes repetida na E sendo assim, e sabentodos os augmentos primeira parte d'este t r a b a l h o : o homem é mais sensual que a mulher. do-se que são anormaes

das necessidades sexuaes da mulher, manifestados externamente pelo amor demasiado dos vestuários que bons chegam de ao excesso ás da andromania vai com a variedade escolha, que de encontro aos

costumes e

conveniências sociaes, deve

admittir-se que esses exaggeros andam ligados á c o n s t i t u i ç ã o n e u r o p a t h i c a e ao a u g m e n t o m o r b i d o da necessidade sexual, que tanto torturam as suas victimas mente, espirito impeçam a a ás da ponto de as do tornar verdadeiramente instincto. E quando que a irresponsáveis, obedecendo cegamente, imperiosaexigencias doente as conveniências sociaes podem ainda integrar no motivos bastantes, de s u c c u m b i r á s u a i n f l u e n c i a , c o r r e m e augmentar gravemente a tara

o p e r i g o de a r r a s t a r o s e u s y s t h e m a n e r v o s o p a r a neurasthenia As ser e causas d'origem entre as n e r v o s a já e x i s t e n t e . d esta estimulação genesica podem ou central. estados Entre as peripherica segundas

primeiras contam-se as variadas excitações locaes, vários nervosos, acções medicamentosas, doenças geraes ( c o m o a t u b e r c u l o s e p u l m o n a r ) , etc. N a s mulheres neuropathicas a excitação normal da menstruação pode attingir u m g r a u v e r d a d e i r a m e n t e p a t h o l o g i c o . Pela epocha da menopausa estes apparecem, por vezes, manifestações de nymphomania. Geralmente ridos dos attribuem-se estados a pruestas excitações orgãos genitaes, mas

NEUROSES

SEXUAES

46

em

indivíduos como

de

edade

adeantada dum

apparecem desequilíbrio

sempre nervoso.

consequência

As idéas lascivas suggerem-se facilmente q u a n d o o centro psychosexual anormal de se encontra e num pela estado facilide hyperesthesia notável, caracterizada sibilidade imaginação pela sen-

d a d e de a s s o c i a ç ã o de i d é a s , o q u e é o r e s u l t a d o das excitações do córtex em que o centro reside. A hyperesthesia excessos.
TRKLAT e

sexual Os

leva

os.

doentes
são a

aos por

últimos
MAGNAN,

casos

apresentados

KRAFFT-EBING

prova

real d ' e s t a a f f i r m a ç ã o . nam-se mente, infelizes vação de é o vão tal forma os manicomio passar

O s e x c e s s o s s e x u a e s torrepugnantes a morada últimos que, em que longe geraltaes da

dias,

sociedade que poderiam desmoralizar. própria conheço um resumir. A..., annos. creada Nada de pude servir, de

De obser-

que posso facilmente

sessenta de a

e

tres

averiguar

antecedentes relações com sefins

hereditários. entregando-se xuaes. lascivos. provocava

P a s s o u a vida num grande centro, exaggeradamente os que de a

N ã o teve f i l h o s . N a q u e l l a a v a n ç a d a e d a d e todos rodeavam casas Expulsa varias entregava-se

a p r a t i c a s s e x u a e s c o m r a p a z i t o s de d o z e e t r e z e annos que attraía para satisfação dos seus desejos. As perversões sexuaes, a vez me tenho referido, são que por mais d ' u m a os desvios do acto

s e x u a l n o r m a l , isto é, a s a c i e d a d e da n e c e s s i d a d e sexual f ó r a do fim a q u e cila d e v e a s p i r a r , q u e é

3o A VIDA S l i X U A L

a perpetuação da especie. não implica

N ã o deve ser confunE s t a idéa os actos

dida a perversão com a perversidade. pathologica. Para diíferençar porém

necessariamente uma causa psycho-

f i l i a d o s n a d o e n ç a ( p e r v e r s ã o ) o u n o vicio ( p e r v e r s i d a d e ) , é necessário subir ao exame c o m p l e t o do individuo sexual, a E e ao e x a m e moral dos seus actos. podem combinar-se é, c o m as clinicamente perversões muitas A h y p e r e s t h e s i a , a p a r a d o x i a e a p r ó p r i a anesthesia com paresthesia, esta isto

sexuaes.

combinação

observa-se

vezes nitidamente.

N o s casos de inversão sexual,

por e x e m p l o , p o d e h a v e r h y p e r e s t h e s i a , p a r a d o x i a e m e s m o a n e s t h e s i a , c o m o s e o b s e r v a nos c a s o s normaes. realizam. E s t e estudo abrange quasi por completo todo o p r e s e n t e v o l u m e , e a sua o r i e n t a ç ã o d e d u z - s e da sequencia dos capítulos, que vão seguir-se. A s p e r v e r s õ e s m o r a e s , q u e v ã o d ' e n c o n t r o aos bons costumes e ao bem estar da família e da são propriamente sociedade (incesto, etc.), não Quando estudarmos uniões e a casos concretos, forma como se v e r e m o s b e m estas

p e r v e r s õ e s s e x u a e s , i n t e r p r e t a n d o á letra a significação q u e KRAFFT-EBING, entre o u t r o s , lhes d á . Contudo das são pelas relações as familiares a que ou não especiaes que descem pessoas que realisam reconhece-se

completas

anomalias,

indivíduos bem equilibrados.

H E T E R O S E X U A L I D A D E

M Ó R B I D A

São normaes as relações sexuaes entre o homem e mulher no estado adulto, havendo mutuo consentimento, e sem manifestações de perversão do instincto que domina essas relações. E' ambigua tal noção mas a este respeito somos do parecer de TARDIEU (I), que se refere á violação e aos attentados ao pudor julgando inútil definir o que elles sejam, por todos saberem mais ou menos em que consistem e por não valer a pena estar a fazer longas considerações de jurisprudência penal sobre taes assumptos-, e contudo a distincção da heterosexualidade mórbida e normal nem sempre é tão simples como á primeira vista pode imaginar-se. Se muitas vezes ha factos, cujo caracter morbido não podemos
(I) A. TARDIEU,

Étude

médico-legale

sur

Ies

attentats

aux mceurs, Paris, 1878.

20

A VIUA S E X U A L

pôr em duvida, outros ha em que os phenomenos se não dão com nitidez sufficiente p a r a n o s tirar P o r vezes não são acompatodas as hesitações.

nhados de desordens mentaes, com que as perversões genesicas téem intimas ligações e analogias, outras de não adquire o acto sexual caracteres taes nos permitta podermos do seu valor c o m o desvio são impulsivas, e, reanormalidade, que

julgar immediatamente As psychopathias uma seus

do q u e é n o r m a l e r e g u l a r . sexuaes presentam mente, os necessidade auctores organica geral-

téem estigmas e taras,

que as vêem justificar no c a m p o da psychiatria. D'entre a que abranger estupro. com 394.0 ou as todas com a as heterosexualidades mórbidas, se apresenta é a que podemos de violação 393.0 e e dupla designação (artt.

primeiro

Definindo estes termos em c o n f o r m i d a d e disposições legaes 392.0, do C o d i g o p e n a l p o r t u g u ê s ) , violação ( 1 ) é a

cópula c o m qualquer mulher contra vontade d'esta, ainda c o m menor de doze annos, quer seja á por meio meio de de s e d u c ç ã o ; e estupro é a effectuada com por seducção força, quer cópula

( 1 ) Dr. A D R I A N O X A V I E R L O P E S V I E I R A , Manual de Medicina Legal, Coimbra, ígoo-iqoi. Os artigos do Codigo penal d'onde se deduzem as noções que apresentamos são os seguintes : Art 392.0. Aquelle que por meio de seducção estuprar mulher virgem maior de doze annos e menor de dezoito, terá pena de prisão maior cellular de dois a oito annos, ou, em alternativa, a pena de degredo temporário. Art. 3g3.°. Aquelle que tiver cópula illicita com qualquer mulher contra sua vontade, por meio de violência physica, de vehemente intimidação ou de qualquer outra

H E T E R O S E X U A I . I D A D E MÓRBIDA 5 0

rapariga doze lado a e

virgem

menor

de

dezoito

e

maior

de

annos. exclusivamente pela do medico — como de perversão

Nestas definições e encarando o problema pelo s e x u a l — ha d o i s a s p e c t o s d i v e r s o s a c o n s i d e r a r : perversão a escolha emprego mulher impúbere, perversão da força c o m o meio

de a l c a n ç a r a presa feminina. No primeiro caso, ha a procura da creança em vez da mulher. importa a Para o psychiatra, porém, pouco que deve preoccupá-lo é o edade, o

a s p e c t o infantil da i m p ú b e r e . No s e g u n d o caso, q u a n d o não é a f o m e sexual que impelle o individuo, q u a n d o systematicamente o h o m e m fórça a mulher, a p p a r e c e m nessa predilecção os primeiros s y m p t o m a s de sadismo, a que em b r e v e me referirei. C o m r a p a r i g a i m p ú b e r e q u e , s e g u n d o a lei, é a que tem m e n o s de doze annos é, em geral, impossível a c ó p u l a p e r f e i t a . C o n t u d o é i n t e r e s s a n t e n o t a r as discordâncias dos auctores sobre este ponto. Assim apresenta o professor, as sr. dr. de LOPES dois VIEIRA ( I ) , escriptores contradições

fraude que não constitua seducção, ou achando-se a mulher privada do uso da razão ou dos sentidos, commette o crime de violação e terá a pena de prisão maior cellular de dois a oito annos, ou em alternativa, de prisão maior temporaria. Art. 3 9 4 . A q u e l l e que violar menor de doze annos, posto que se não prove nenhuma das circumsjancias declaradas no artigo antecedente, será condemnado a prisão maior cellular por quatro annos, seguida por oito de degredo ; ou, em alternativa, á pena fixa de degredo por quinze annos. (1) Obr. cit.

3o

A VIDA S l i X U A L

modernos VIBERT em contraste

e ser

de que

reconhecido acresce a

valor:

THOINOT

e

circunstancia, para o pertencerem á mesma

m a i o r , de

n a c i o n a l i d a d e , isto é, de terem o m e s m o c a m p o de o b s e r v a ç ã o . THOINOT auctores (1898) de diz que não encontrou de cópula nos em noticia caso algum

c r e a n ç a a b a i x o de seis annos, e não tem duvida em affirmar q u e , abaixo de seis annos, u m a c r e a n ç a n ã o pode ser violada, p o r q u e o penis não pode penetrar edade. VIBERT ( 1 9 0 0 ) c o n f e s s a ter visto quinze c a s o s de c ó p u l a realizada em c r e a n ç a s de dois a o n z e annos.
da de

nos

orgãos

genitaes

internos

em

tal

A opinião
VIBERT.

de STRASSMANN a p p r o x i m a - s e

O sr. dr. LOPES VIEIRA inclina-se para a opinião de não p o d e r h a v e r cópula c o m p l e t a até aos seis annos, muito e pergunta se com os pretendidos casos de c ó p u l a em tal e d a d e não são antes c a s o s de c ó p u l a imperfeita, simples recalcamento do emittir h y m e n e mui incompleta p e n e t r a ç ã o do penis. Faltam-me em linha de dados conta de observação para opinião p e s s o a l , m a s p a r e c e - m e q u e d e v e entrar na i n v e s t i g a ç ã o da possibilid a d e ou i m p o s s i b i l i d a d e de c ó p u l a , o v o l u m e do penis. penis Ha indivíduos de estatura r e g u l a r e c o m pouco volumoso com quem pode compre-

hender-se a r e a l i s a ç ã o da cópula cm i m p ú b e r e s , da m e s m a f o r m a q u e pode admittir-se o desfloramento de menores de pouca edade com objectos perfurantes. Um individuo conheci e u q u e p r o c u r a v a respeito menores impúberes, sem á moral nem ás

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

23

conveniências prazer, porque contactos que

sociaes, só só as as

e

pretendia

desculpar-se os

a f f i r m a n d o , que

c r e a n ç a s p o d i a m dar-lhe mulheres dispensavam

ellas p o d i a m permittir-lhe outras

aos indivíduos n o r m a e s .

E s t a desculpa de verda-

deiro p s y c h o p a t h a , e t a n t o que tinha s i g n a e s de d e g e n e r e s c e n c i a nitida ( t e n d e n c i a s suicidas, e t c . ) , dá-nos a i m p r e s s ã o de que na v e r d a d e — theoripode admittir o d e s f l o r a m e n t o em camente — se

i m p ú b e r e s de pouca e d a d e , tanto mais q u e nestas pode a p p a r e c e r u m d e s e n v o l v i m e n t o m u i t o r á p i d o e a n o r m a l , c o n c o r r e n d o para auxiliar a r e a l i z a ç ã o da c ó p u l a ( i ) . E m g e r a l , p o r é m , p o d e m o s a f f i r m a r q u e , antes dos d o z e a n n o s , a c ó p u l a c o m p l e t a é irrealisavel. E' interessante c o n h e c e r o g r a u de f r e q u e n c i a dos crimes c o m m e t t i d o s contra o p u d o r , e em e s p e c i a l os que d i z e m respeito ao e s t u p r o e violação. E s t e s a t t e n t a d o s v a r i a m c o m a e d a d e , sexo e e s t a ç õ e s (TAEDIEU) (2), e n e n h u m a d'estas partic u l a r i d a d e s é indifferente ao m e d i c o d i g n o d este n o m e , que n ã o p o d e ficar e x t r a n h o a estes assumptos de moral e e c o n o m i a s o c i a l , pois n i n g u é m m e l h o r d o q u e e l l e ' e s t á m a i s a p t o para o s julgar e c o m p r e h e n d e r , d e s d e que os o b s e r v e c o m minuciosa a t t e n ç ã o e c o m v o n t a d e de a c e r t a r . A s s i m o s a t t e n t a d o s q u e m a i s têem a u g m e n t a d o são os e s t u p r o s e as v i o l a ç õ e s . plicaram de 183o a i85o. O Em F r a n ç a trimesmo se pode

affirmar c o m r e s p e i t o a a t t e n t a d o s sobre c r e a n ç a s do sexo masculino. P e l o c o n t r a r i o a s violências

(2)

(1) Vid. vol. 1, « Puberdade » Obr. cií.

24

A VIDA S f c X U A i -

sobre adultos O que

em

geral t é e m a u g m e n t a d o lentanos países da Europa parece

mente ; mas augmentado sempre ! porém f a c t o i n c o n t e s t á v e l é o p r o n u n c i a d o a u g m e n t o da criminalidade A sobre creanças d'um e outro sexo. p r o p o r c i o n a l i d a d e p o d e v a r i a r d um p a í s p a r a feminino como podem E' desegualar-se o crime de

outro, os attentados sobre os indivíduos do sexo masculino ou povo para considerar-se p o v o , m a s a lei do c r e s c i m e n t o p o d e geral. peculiar

a o s e n v e l h e c i d o s , e m o t i v o s ha p a r a a l f i r m a r q u e a E u r o p a entrou c m f r a n c o p e r í o d o d e d e c a d e n c i a sexual. E é incontestável que a libertinagem augmenta, alimentada das por na múltiplos arte e variados incentivos, q u e se i n s i n u a m por t o d a a p a r t e , m e s m o no seio famílias, na doentia e p r o v o c a n t e da época, encoberta dissolução dos costumes, c E sobre tudo isto, se pretende saciar a que me

até n a p r o v o c a n t e e x h i b i ç ã o d e f o r m a s nos a c t o s s o l e m n e s da v i d a q u o t i d i a n a . satisfazer tendencias conseguiu onze O vaidades, sadicas, ter e outras no a sede de virgens com que u m a s vezes se pretende como com caso

referi a p a g . 22 e 23. relações quem annos, com

E s s e doente ( q u e o e r a ) uma rapariguita de dormiu noites seguidas.

d e s e j o s e x u a l foi d e m i n u i n d o e t a n t o q u e p o r E r a a presença d'esta

fim o b r i g a v a a d e i t a r c o m a sua i m p ú b e r e a m a n t e u m a i r m ã d e oito a n n o s . e o t o q u e dos s e u s o r g ã o s g e n i t a e s , p o r v e z e s c o m p r o v o c a ç ã o de d ô r , q u e lhe d e t e r m i n a v a a e j a c u lação. velha de Foi das e essa duas de dôr que, despertando amor fraternal, na mais creanças um natural sentimento determinou um

receio

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

25

rompimento que occasionou a salvação da c r c a n ç a m a i s n o v a e m q u e m a l i á s j á tinha t e n t a d o , e m b o r a improficuamente, o desfloramento. E' verdade que durante alguns annos e em alguns países se quis se pretendeu encontrar uma demiá a repressão Mas desmentir mais séria e mais as recrudescencias ephemeros esses

nuição nos crimes de attentado ao p u d o r , o que attribuir d'estes segura têem crimes.

apparecido

decrescimentos e temos de concordar em que não é s o b r e tal e s p e c i e de c r i m e s , q u e o r e c e i o d ' u m a condemnação certas attentados praticados outras obtém é melhor fatal o se resultado. desenlace muitas que já e Dadas estes são podem condições, sobre por

menores

vezes

gastos

libertinos, por

considerar-se doentes sexuaes por exhaustamento, vezes são-no verdadeiros psychopat h a s , n a e v o l u ç ã o d a sua d o e n ç a . As localidades em que o luxo, os espectáculos, e outros attractivos tornam a vida mais aprazível são os theatros do maior numero Os incentivos sexuaes que d'estes attena tados. E antecipam

puberdade (i) são t a m b é m factores criminogenes. facto digno de os registo: nas cidades são mais as creanças e nas vulgares attentados sobre

aldeias sobre os adultos. ViLI.ERMÉ, a c u j a a u c t o r i d a d e já r e c o r r e m o s no n o s s o o u t r o v o l u m e , TARDIEU, LOMBROSO, e m u i t o s outros averiguaram, em seria fastidioso estar face de estatísticas, que aqui a transcrever, para

que os meses das mais bellas estações são os que fornecem o numero mais elevado de attentados.

(i) Vid. vol. i. i

20

A VIUA S l i X U A N

Em os

ordem de

decrescente clima

podemos da

juntar,

para

países

temperado

Europa,' os

m e s e s do anno em quatro g r u p o s , a s a b e r : Maio, Junho e Julho ; Agosto, Setembro e Outubro ; Fevereiro, Março e Abril ; Novembro, Dezembro e Janeiro. As ' estatísticas occupam-se da mais ças parte de de a que nos vimos mulheres referindo e sobre

attentados que p o d e m dar-se ou homens sobre

creanças de a m b o s os sexos, ou — e m b o r a muito raros — da quer do parte de mulheres sobre creansexo masculino, quer até m e s m o do

feminino. No que respeita propriamente á violação encontramos a seguinte proporcionalidade em relação ás edades: Abaixo de 12 annos . . . De 12 a 15 annos De 15 a 20 annos Acima de 20 annos . . . . números frontadas. violação, tir-se mais citarei BRADY, Mas Este origem deduzidos Como porque não de casos 70 por cento 16 » » » 12 » 2 » » estatísticas de possa do. que penis por de que da con-

varias

extremos

pretensa admit-

parece seja o

nestes casos reduzido os de que casos por

verdadeiro desfloramento, por violador, em observados TAYLOR TARDIHU foi

creanças

d o i s a n n o s e d e z o i t o m e s e s e o de victima como a sua

citado

uma creança de onze meses. voltemos acto, ao assumpto violação tem manifestação mórbida. como psychopathico,

no desejo que o h o m e m experimenta ao

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

2

7

ver

soffrer

a

sua

victima, contorcendo-se sob o pelas c o n t u s õ e s vagisatisfação com que

domínio naes. é falam mente

da dor provocada observar a

Na intimidade d'esta especie de criminosos d'este de torturante prazer. Trata-se geral-

interessante

degenerados cujos delictos vão até ás caso dr. seu edade de MANESCLOU FREIRE citado dos

offensas c o r p o r a e s da victima e ao proprio estrangulamento, c o m o no pelo de professor ter saciado de quem tenra sr. o BASILIO desejo a uma num

seus livros, caso este em que o criminoso, depois genesico em depois numa d'um creança como festim tante elle cortou taça pedaços,

quebrasse

de goso, são

na phrase insinuante do illustre enthusiastas que que no h o m e m , duração, que

professor.

E o que torna este m o n s t r o mais revolos versos eroticos, e após o que prazer tem sexual uma neste á a realisação do assassínio (i). pequena

escreveu

Parecia para durou ser e pelo

physiologicamente, intenso tão

s e g u i d o d ' u m a b a t i m e n t o t o t a l , foi t ã o anomalo até que degenerado, menos ultima palavra d'esses a satisfação encontra-se no cançaço

infames versos, em do prazer gosado. A etiologia vezes

transparece psycopathias e

d'estas na

muitas sexual.

libertinagem

E' preciso d a r m o s a esta causa, bastante

(i)

Je t'ai vue,je l'ai prise, Je m'cn veux maintenant, Mais la fiireur vens grise Et Ic bonheur na qu'un instant.

Vid. a Dissertação de concurso a Faculdade de Medicina
do Sr. l)r. BASILIO FREIRE.

3o

A VIDA S l i X U A L

d e s p r e s a d a , o v a l o r q u e cila já a attentados em d'uma cm que d'esta o velhos, inicio Pois seu No desejo

tem. genesico que

Referinio nos praticados parecia estão tarda não por ter no a

natureza

definitivamente apparecer com passado caso e

expirado.

Geralmente

demencia

senil,

todo o seu cortejo s y m p t o m a t i c o . uma vida atrás no é dissoluta dá-se e vergonhosa. coincidência. genesicas

muitos d'esscs velhos encontra-se no exposto essa

O cançaço sexual vosas produz Não parte, bem

p r o v o c a g r a v e s alterações nermundo porém das uma idéas

modificações graves, que p o d e m determinar estes resultados. geral a e maior causa etiologica sexuaes, de se não com anormaes muitos psychopathas são indivíduos do gráu o

estigqjas cencia Sob seja o

evidentes

degeneresmais d'uma

que possuem. aspecto medico-legal d'uma capitulo quer de mais interessante da violação, q u e r perversão, o é inegavelmente lesões causadas (e sob este anatomia

importante e perversidade, pathologica os desfloramento.

proveniente das

na mulher pelo especial do

A tentativa de violação, que para aspecto egual valor, pode t a m b é m podemos reco-

psychiatras tem

problema) nhecer-se. D'uma

maneira

geral

agglomerar os

signaes de attentado simples e de attentado com violação nos seguintes ( i ) : T r a u m a t i s m o s genitaes e extra-genitaes c o m ou sem laceração, do hymen.

(i) Sobre este assumpto v. Manual de Medicina Legal ,
Jo Sr. Dr. LOPES VIEIRA, p a g . IQ3 e 20F>.

HETER0SEXUA1.1DADE

MÓRBIDA

2Q

Presença do esperma.

Vulvo-vaginite.
Transmissão Entre exame os de doença venerea e syphilitica. mais simples e cujo traumatismos

requer sempre

da parte do medico perito

o m á x i m o cuidado, estão as e c c h y m o s e s , as excoriações e erosões, e entre as mais g r a v e s d e v e m o s collocar a laceração As do h y m e n , q u e constitue o ecchymoses valor (manchas azudesfloramento. e só téem

ladas ou avermelhadas) nem sempre se observam, verdadeiro de bem quando de apparecem violência. a sua acompanhadas signaes Todas causa da estes as outros signaes

As excoriações e erosões produzidas pelas unhas, característicos, téem importancia. dificuldades recaem porém sobre a laceração do hymen, que pode ^ar-se,

quer por meio do penis, quer por meio do dedo ou unha. C o m effeito, para a applicação dos artt. 391.0, 392.0, 393.0 e 394. 0 do nosso Codigo penal, já c i t a d o s , c o m e x c e p ç ã o d o a r t . 0 3 9 1 . 0 ( 1 ) , é indisp e n s á v e l s a b e r o q u e d e v e c o n s i d e r a r - s e p o r estupro ou violação e por simples attentado ao pudor. Ora a laceração do h y m e n p o d e ser completa praticada c o m o penis ou c o m o ou incompleta,

(1) Art. Sgi. 0 . T o d o o attentado contra o pudor de uma pessoa de um ou de outro sexo que fòr commettido com violência, quer seja para satisfazer paixões lascivas, quer seja por outro qualquer motivo, será punido com prisão correccional. § único. Se a pessoa offendida fòr menor de doze annos, a pena será em todo o caso a mesma, posto que se não prove violência.

3o

A VIDA S l i X U A L

dedo, ticados-,

e

todos porque

os a

casos

provenientes da

d'estas é

h y p o t h e s e s d e v e m ser c o n v e n i e n t e m e n t e d i a g n o s differença penalidade e x t r a o r d i n a r i a e o m e d i c o p e r i t o p r e c i s a nos s e u s r e l a t o r i o s de ter o m á x i m o c u i d a d o na e s c o l h a d o s termos a empregar. O p r o f e s s o r sr. d r . LOPES VIEIRA, a p r e s e n t a a este p r o p o s i t o a s e g u i n t e difticuldade: « O q u e r e s t a s a b e r , e é de alta i m p o r t a n c i a do penis para alem da membrana p r a t i c a , é se a c ó p u l a dita i n c o m p l e t a , isto é, s e m passagem h y m e n , sem laceração ou ruptura d'esta e só com o seu r e c a l c a m e n t o , d e v e r á ser c o n s i d e r a d a c o m o tal, nos termos do citado art. 3oa.° do C o d i g o p e n a l ; ou se somente como attentado ao pudor, n o s t e r m o s e p a r a o eiíeito do art. 3CJI.°? » O illustre
e

professor
NINA

apresenta
(da

em

seguida

o
de

p a r e c e r de tres n o t á v e i s m e d i c o - l e g i s t a s : THOINOT,
STRASSMAN RODRIGUES Faculdade

Medicina da B a h i a ) . THOINOT a f f i r m a que a pratica dos tribunaes n ã o a d m i t t e a e v a s i v a de n ã o d e v e r c o n s i d e r a r - s e c o m o v i o l a ç ã o a d e s f l o r a ç ã o i n c o m p l e t a s e m laceração do hymen. STRASSMAN conquanto sistir o a é mais e explicito violação e na faz notar que, penetração do p r ó p r i a lei inglesa t e n h a feito con-

estupro

m e m b r o viril, o s j u i z e s d ' a q u e l l e país t é e m intendido sempre que não é necessário, para que se dê e s t u p r o ou v i o l a ç ã o , ter h a v i d o a i n t r o d u c ç ã o c o m p l e t a do p e n i s , b a s t a n d o a s i m p l e s a p p l i c a ç ã o d o m e s m o a o orifício v a g i n a l . O p r o f e s s o r NINA RODRIGUES a p r e s e n t a c o n s i d e rações d'outra ordem que mostram na realidade

HliTEkOSfc.XUAl.1L>ADE

MOKBlbA

um de

grande ou de ao ou um

interesse. vulvar, gravidez, que todos senão

« Desde

que a

o

coito

externo estado divisão tados pro

respeitando não os os pode a

integridade a

hymen

intolerante, pode reduz

determinar um acceitar-se simples atten-

arbitraria pudor violação

contactos attentados

que f i q u e m que vão

á q u e m d a m e m b r a n a e n ã o a d m i t t i r c o m o estua l é m d'ella. « Em matéria de violação os legisladores têem tido em vista p r o t e g e r a h o n r a da m u l h e r e n ã o a integridade de uma m e m b r a n a anatómica, cuja a u s ê n c i a p o d e até s i g n i f i c a r u m a falta c o n g é n i t a , q u e p o d e resistir a o c o i t o s e m r o m p e r - s e e q u e , em caso d e g r a v i d e z p o r coito e x t e r n o , o f f e r e c e uma integridade illusoria emquanto não ou na e apenas Todas apreciação

c h e g a o a b o r t o ou p a r t o . » estas da considerações conducta dos assentam juizes (TAYLOR

STRASSMAN ) ou s o b r e a má letra da lei. A p r i m e i r a , que diz r e s p e i t o ás i n t e r p r e t a ç õ e s dos tante sobre nota juristas, p o u c o de país não porque interesse podem nos apresenta e é variavel para país, a segunda é imporconcordar os médicos

a e n o r m e d i f f e r e n ç a de p e n a l i d a d e q u e se e n t r e os c r i m e s p o r a t t e n t a d o s ao p u d o r e M a s se e s s e é um d e f e i t o da aos a r b i t r a r i o s dos estudos

estupro e violação.

lei, q u a n t o s n ã o e s t ã o i n h e r e n t e s c o d i g o s p e n a e s da a c t u a l i d a d e ?

E, apesar da orientação moderna

c r i m i n a l i s t a s , q u e q u a s i s e d i v i d e m e m dois e x a g geros oppostos : — todo o crime é uma loucura, — t o d o o c r i m e é u m a c o n s e q u ê n c i a do m e i o —e e m b o r a me sinta a t t r a í d o p e l a p r i m e i r a f o r m u l a ,

3o A VIDA S l i X U A L

é ainda c e d o d e m a i s p a r a u m a s u b s t i t u i ç ã o q u e implicaria u m a destruição completa do existente. As theorias entrechocando-se pouco a pouco hão de ir c r e a n d o t r a ç o s de l i g a ç õ e s , e o c o d i g o p e n a l d o f u t u r o será tão d i v e r s o d o existente, q u e n e m se poderão talvez comparar nas suas disposições mais geraes. mas J á hoje p o d e r í a m o s i n t r o d u z i r r a d i c a l , c o m des-

muitas vantagens em assumptos bem averiguados, precisa-se d ' u m a r e f o r m a truição das actuaes bases de legislação penal que, á força de vigorarem durante muitos annos, téem creado adeptos enthusiastas. E' o habito e a rotina c o n t r a q u e é m u i t o dilficil o p p o r de m a n e i r a decisiva e efticaz i d é a s n o v a s , p o r m a i s r a c i o n a e s que sejam. Mas no caso t u d o isto p o d e ser muito i n t e r e s s a n t e n o restricto peritos a que estamos sujeitos pelas Como Os c a m p o da c r i m i n a l o g i a e da j u r i s p r u d ê n c i a , n u n c a disposições legaes que é forçoso respeitar. médicos juizes

deve interessar-nos sobretudo a como melhor lhes parecer.

d e s c r i p ç ã o m i n u c i o s a d a s lesões e n c o n t r a d a s . que julguem Propagandistas de novas e quasi as sempre

idéas temos contudo de para a solução

n o s s u j e i t a r a um t r i b u n a l s e m p r e mal e l u c i d a d o , incompetente d ' e s t e s p r o b l e m a s g r a v í s s i m o s , em q u e ha a lidar com lesões anatomo-pathologicas existentes e c o m a m a i o r ou m e n o r r e s p o n s a b i l i d a d e c r i m i n a l dos accusados. E por isso que não somos adeptos de da e escola que de anthropologista responsabilidade deve ser deixaremos vários a como frisar que a

admitte

graus,

considerada

possibilidade

integrar na consciência motivos modificadores da

HETEROSEXUAI.IDADE

MORRIDA

33

actividade pessoal (i). averiguar. Voltando

E' um elemento s e m p r e a ao estudo das lesões

propriamente

a n a t o m o - p a t h o l o g i c a s , e a s s e n t a n d o em que n ã o é o medico-perito mas sim o ponsabilidade que o no emprego por para mais o á de q u e m t e m de classificar o c r i m e , por isso t o d a a resdisposição expressões dissertações e deixam legal, accentuaremos dêem que, sejam e até Basta Juryr, d e i x a n d o

medico-perito deve

ter o m á x i m o c u i d a d o equivocas, que dos de ser dos advogados que banaes, casos.

logar a vastas

eloquentes na grande

persuasivas

jury, não

erróneas, cópula pratica Com contacto

maioria

citar as discussões l e v a n t a d a s s o b r e dos de tribunaes tanto tem

a expressão feito variar. cópula o

q u e a lei n ã o d e f i n e e c u j a s i g n i f i c a ç ã o a effeito antigamente considerava-se da se penetração deprehende se

dois indivíduos de s e x o s differentes d o m e m b r o viril n o das vai opiniões que

acompanhado tados, como

canal vaginal, m a s já hoje nos povos mais adeanapresenta e o STRASSMAM, e t c . , consigo a considerando dos de

c o m o tal e p o r i s s o l e v a n d o á s m e s m a s c o n c l u s õ e s trazendo acto de mesma de penalidade indivíduos artt. 3 9 2 . 0 , 3()3.° e
3()4-°

do nosso C o d i g o p e n a l , dois

approximação

sexos differentes em que apenas haja a applicação do penis da ao addito vaginal, até sem passar além hymen. E assim parece dever membrana

s e r , p o r q u e a i n t e n ç ã o do c r i m i n o s o é s e m p r e a

Vid. o Prologo do sr. Juuo DE M A T T O S á obra de sobre criminalogia, que este insigne psychiatra traduziu em português.
(1) GAROFALO

63 A YlDA S t X U A L

m e s m a e a gravides pode egualmente produzir-se nos com dois a casos ( NINA não ha RODRIGUES ). progresso Mas como em resescola c l a s s i c a , e i v a d a de m e t a p h y s i c a e possível que de penalidades, e temos

arbitrariedades, modificações

p e i t a r a lei v i g e n t e , o m e d i c o perito d e v e p r o c u r a r a f a s t a r , p o r t o d a s as f o r m a s , a r e s p o n s a b i l i d a d e legal, e na resposta aos quesitos que lhe forem propostos. A c i m a de tudo a verdade anatómica, as illaçÕes q u e d elia se

só d e v e m a í f i r m a r - s e

derivem quando não possa haver suspeita alguma d e cair e m e r r o . Já do-as no nosso primeiro volume dissemos quaes Recordanas variedades principaes de hymens. duas categorias: a n n u l l a r ou tura lateral, os de

agora simplesmente d e v e m o s devidí-las em formas usuaes ( h y m e n s e os circular, de duas semilunar c labiado) aberturas ou cm

d e f o r m a s r a r a s ( h y m e n s i m p e r f u r a d o s , d e aberponte, cribiforme e franjado). de C a s o s h a , e m b o r a rarísJá por esta victimas,

simos, mas, como dissemos (i), bem averiguados, ausência congenital do hymen. se vê quam difficil o exame medico-legal enumeração vezes se se tornará por

d'estas

attendendo a que, e m b o r a em casos muito raros, encontram fendas varias, que podem confunattendendo a que o a r r a n c a m e n t o total do h y m e n se seguir e TARDIEU, cinco por exemplo, propostas dir-se c o m a s l a c e r a ç õ e s h y m e n e a e s , ainda Se com

s e m e l h a aos c a s o s d a sua a u s ê n c i a c o m p l e t a , e t c . quiséssemos as suas vinte questões

sobre este a s s u m p t o , seriamos levados para muito

(i) ViJ. vol. I.

HETliKOSKXOALlDADE

MOK B l b A

longe do proposito em que assentamos de apenas dedicar do algumas paginas á anatomia pathologica e violação e á sua importancia no estupro

c a m p o da medicina legal. Frizaremos porém os factos mais interessantes e de m a i o r i m p o r t a n c i a . E ' m u i t o difficil j u l g a r , e s p e c i a l m e n t e d e c o r r i d o s alguns O dias a p ó s o d e s f l o r a m e n t o , as l a c e r a ç õ e s demorado da mucosa e das suas adquiridas das fendas congénitas. exame f e n d a s , a a p r e c i a ç ã o da sua e l a s t i c i d a d e e o a s p e cto total da a b e r t u r a , são os p o u c o s e l e m e n t o s a que p o d e m o s recorrer para a solução do problema q u e , e m m u i t o s c a s o s , fica i n s o l ú v e l . Bem vista. » E se a c r e s c e n t a r m o s q u e a a b e r t u r a p o d e teias m a i s v a r i a d a s d i m e n s õ e s e q u e h y m e n s ha ( i ) , que p o d e m permittir a introducção do penis sem se d i l a c e r a r , vê-se a q u e s t ã o em t o d a a m a x i m a M a s não d e v e m o s cahir no descredito absoluto d'estes factos. Se julgar mos ha de casos em que as duvidas que apresennão hymen é menos como o verdade signal de menos que mais bem t a m o s nos d e i x a m indecisos s o b r e o q u e d e v e m o s positivo, o salvo hypotheses considerar da nunca valioso porém, muito e x c e p c i o n a e s a i n d a d e v e Nos casos duvida e x a m e s — seria ir c o n t r a a v e r d a d e dos complexidade. diz BROUARDI-L : « A virgindade é muito m e n o s fácil de v e r i f i c a r do q u e p a r e c e á p r i m e i r a

virgindade. façamos

afíirmações

(i) Vid. vol. i.

3t>

A VIDA S E X U A L

comprovadas quências precaver-se

que contra

podem as

trazer

consigo

conseque

lamentaveis.

E o perito ainda tem que vulgares simulações

podem embaraçá-lo seriamente. C o m o conclusão do que tenho dito sobre estupro e violação acrescentarei, que a p e r v e r s i d a d e h e t e r o s e x u a l é a q u e mais se a p p r o x i m a do acto physiologico. ver um crime Assim, estando nós costumados a desde que é exercido neste acto,

c o m v i o l ê n c i a , j á n ã o o t o m a m o s c o m o tal h a v e n d o consentimento legalizado pelo casamento, embora a mulher tenha de d o z e ) (i). Contudo estado basta-me publicado é em muitos casos accentuado. AnnaIes o producto d u m menos de dezoito annos (e mais

morbido apenas nos

Para o demonstrar (2).

c i t a r u m c a s o d o D r . HOSPITAL medico-psjxliologiques

Umn rapariguita guardava um rebanho junto d'uma aldeia nos arredores de Clermont-Ferrand. Um homem que a procurava, approximou-se d'ella com o pretexto de que o rebanho lhe atravessara uma propriedade. Depois d u m a ligeira altercação e de se desfazer da companhia d'um pequenito, que mandou a um recado, lançou-se sobre a rapariguita sem se incommodar com os seus gritos e procurando contactos libidinosos sem se importar sequer com as pancadas que o rapazito, que pretendera aíTastar e fôra attrahido pelos gritos da victima, lhe vibrara. Chega ainda a levantar-se receando que apparecessem testemunhas, mas não tardou a voltar sobre a sua victima para, depois de completamente saciado, fugir á vista das duas

(1) Como se sabe no nosso país não é permittido o matrimonio antes d'essa edade. (2) Anno de 1891, pag. 43.

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

3?

creanças. A accusação foi feita e por tal forma se insinuaram os infantis accusadores, que o criminoso foi conduzido á prisão. A investigação do seu passado fez descobrir actos tão numerosos de immoralidade, que começou a duvidar-se da integridade das suas faculdades intellectuaes sendo-lhe ordenado um exame medico-legal que foi levado a effeito por tres peritos. Estes depois de considerarem o doente affectado de perturbações psychicas reconheceram a necessidade d u m segundo exame, que foi feito pelo especialista, dr. H O S P I T A L , medico do manicomio de SaintMarie. E' interessante o resultado d'esse exame : Antecedentes. Os antecedentes familiares pouco conhecidos. Um dos irmãos pelo menos foi attingido de alienação mental. Em compensação a estes dados incompletos os antecedentes pessoaes são interessantíssimos. De ha muito que se observara nelle um caracter d'immoralidade instinctiva revoltante. Em 1860 foi condemnado a dez dias de prisão por offensas a moral publica na pessoa d'uma rapariguita, que lançou ao chão e a quem levantou as saias permanecendo junto d'ella alguns minutos, apesar dos gritos da creança. Em 1875 foi condemnado por violação. Em 1879 foi surprehendido em flagrante delicto de copulação com uma cadella. T e v e um anno de prisão. Posto em liberdade voltou á pratica da bestialidade e praticou nova violação em uma creança. No ponto de vista physico, pathologico e mental ha a notar a existencia de ataques, cuja existencia negou, e as suas faculdades deminuiram tanto que em 1879 o Maire chegou a considerá-lo attingido de alienação mental numa carta que dirigiu ao procurador. Na prisão a conducta nada apresenta de extraordinário. Só se queixa do tempo, que o demoram em prevenção. Exame directo. T e m cerca de 60' annos, mas parece mais velho. Magro e enfraquecido ; soffre de bronchite ligeira. A cabeça é pequena e a caixa craneana, embora curta, é regularmente conformada. A bossa occipetal em que, segundo G O L I . , residia a séde do erotismo, bastante desenvolvida, tanto quanto se podia apreciar atravez da espessura das partes molles e da sua espessa cabelleira branca. Feições regulares: devia mesmo ter tido bonito rosto, de olhos grandes e expressivos.

A VIDA S E X U A L

O exame das partes genito-urinarias revela uma particularidade curiosa, que o dr. H O S P I T A L acha extraordinaria e que já anteriormente assignalámos a proposito da observação d'um outro violador systhematico, mas que neste caso era levado ao ultimo excesso : — este doente era quasi eunuco ! Com effeito, o penis era de exiguas dimensões, bem como a glande que se apresentava coberta J u m longo prepúcio, que difficilmente se podia afastar até alem do sulco belano-prepucial, circunstancia que, como se sabe, torna por vezes a cópula diflicultosa e com mais razão a violação. O escroto muito pequeno, caindo pouco, mais claro do que vulgarmente é, muito pouco povoado de pêllos, não contem senão um testículo, o esquerdo, de grandeza ordinaria, suspenso por um cordão de medíocres dimensões. O direito atrophiado, da grandeza d u m a avelã, encontra-se á saída do canal inguinal não tendo acabado de descer no escroto. T o d o o apparelho genital parece ter parado sem ter attingido o seu definitivo desenvolvimento. O exame mental está em conformidade com o desenvolvimento physico. T o d a s as manifestações do espirito e até da phvsionomia, em conformidade com o timbre da voz e a exiguidade do desenvolvimento genesico, lhe dão um ligeiro aspecto feminino. Na maneira de se exprimir nota-se o receio e a indignação tímida. Os seus cumprimentos são humildes e chora frequentemente a sua desgraça, chama Deus em testemunho da sua innocencia, lastima os que o accusam, revolta-se contra as accusações que repelle com energia, annuncia que vai morrer de desgosto, e sente que o tenham detido tanto tempo, o que lhe prejudica os trabalhos que vão atrazando, dizendo que preferia a morte a tal situação. De medíocre intelligencia, sem instrucção, pois não sabe ler nem escrever, tem contudo uma memoria regular dos factos, que lhe dizem respeito. Sujeito ao interrogatório, diflicil pela sua surdez e obtusão intellectual, indigna-se quando se referem á corrupção dos seus costumes e que constantemente nega. Pela sua confissão confirma-se a existencia d'ataques que, mais proximos na infancia, se foram successivamente espaçando com a edade. E é interessante esta confissão, porque é cheia de verdade mesmo

H E T E R O S E X U A I . I D A D E MÓRBIDA 68

no que respeita á descripção da crise nervosa. Não tem hallucinações. Foi sempre sobrio em bebidas E' bom fazer notar que é casado, e perguntando-se-lhe se era libertino respondeu : — não, nunca conheci senão minha mulher. Discussão. Os actos que se attribuem ao criminoso não têem caracter algum de loucura, o seu interrogatorio por outro lado não revela indicio algum de delírio ou de mania, e se o observador se limitasse a estes factos não hesitaria em julgar o culpado c o m o absolutamente responsável, e no entanto enganar-se-ia julgando prematuramente. Ha com effeito dois factos, accrescenta o dr. H O S P I T A L , que examinados attentamente nos fazem modificar por completo o primeiro diagnostico. Notemos, com effeito, o contraste frisante entre a sua individualidade como violador e os seus medíocres caracteres de virilidade, tanto no que diz respeito ao mundo phvsico como ao moral, e essa serie de factos monstruosos realizados sem a menor prudência ou precaução, em pleno campo, sem reserva do publico, sem a menor reflexão preventiva, perpetrados como sob a influencia inconsciente d'uma impulsão irresistível, por uma forma irregular, com raros intervallos, ora em seguida á saída da prisão, ora depois de ^arios annos de repouso ; finalmente o dirigir-se ao acaso a tudo o que se offerece á sua attenção, são signaes bastantes de suspeita. Consideremos ainda que o inculpado fugia algumas vezes de casa para errar durante alguns dias, facto de que se não lembrava, o que representa uma ausência real de memoria, que não pode ser simulada, pois estaria em opposição com a memoria manifestada na revelação dos ataques tão bem descriptos, tão abertamente confessados que não é possível pô-los em duvida e que devem considerar-se como pertencendo á classe das neuroses epileptiformes mais ou menos larvadas. Esta hvpothese é tanto mais admissível quanto é certo encontrar explicação nos antecedentes familiaes, nestes contrastes notados e na pouca intelligencia do doente. Esta hypothese explica tudo o mais: falta de lembrança do facto realisado, actos violentos precedendo as crises ou succedendo-lhe. A própria maneira como os actos foram realisados, brutalmente, bestialmente, sem que o inculpado ficasse impressionado com a chegada

-IO

A VIDA S E X U A L

de testemunhas, ou mesmo das pancadas com que o fustigavam, afastando-se por fim sem falar, milita ainda em favor da epilepsia e indica que o doente esteve por vezes sob a influencia de auras bem averiguadas. Se não é um louco averiguado, continua o dr. H O S P I T A L , ú, pelo menos, um temperamento louco e acredito que este estado, no momento da observação pouco accentuado, se irá radicando. Os alienistas estão bem ao corrente d'estes factos para se não enganarem. Esta especie de satvriasis, quando apparece numa edade avançada, é incurável e está acima dos esforços da vontade d'aquelle que é attingido, quando se apercebe do seu estado. Em vão os condemnnm. E d bom frisar mais uma vez a phrase de M O R E L « Os inicios da alienação mental assignalarn-se muitas vezes por appetites venereos excessivos. E' um symptoma d u m a significação capital nos indivíduos da edade avançada ». Criterium. Um ultimo facto : algum tempo depois da sua entrada na prisão, perdeu subitamente a consciência dos seus actos, tendo de ser transportado para a enfermaria. Appareceram crises nervosas de natureza epileptiforme, a que os actos ditos criminosos deviam a sua perpetração. Acceita a irresponsabilidade, foi entregue á auctoridade administrativa e internado no estabelecimento de Sainte-Marie. Ahi tornou-se mais espesso o véu que obscurecia o seu entendimento ; habituou-se depressa e nunca pediu para sair, nem tam pouco desejou saber noticias das pessoas de sua familia; a saúde physica era regular; nunca se lhe notou palavra, gesto ou acto contrario aos bons costumes ; permanecia sentado grande parte do dia ; reconhecia as pessoas de sua casa e respondia facilmente a perguntas simples ; de tempos a tempos apparecia mais obtuso, a surdez augmentava-lhe ; finalmente passado mais d'um anno o lado direito do corpo appareceu notavelmente mais enfraquecido do que o esquerdo. T a l era o seu estado, quando na noite do dia 11 de dezembro de iSS5, após um vomito abundante, cahiu de cama. A respiração era estertorosa e rapida, a perda do conhecimento profunda, a cabeça lançada para trás e sem paralysia dos membros. Morreu no dia 12.

h e t e k o s e x u a l i d a d e mordida

4'

Autopsia. No dia i5 procedeu-se ao e x a m e do c a d á v e r . A abobada craneana foi retirada sem que mostrasse anomalia alguma ; os ossos tinham a espessura normal e a dura-mater a p p r o x i m a v a - s e muito da normal, pois não estava adherente ás paredes ósseas c o m o a c o n t e c e frequentemente na d e m e n c i a epileptica, e não possuía ponto algum de espessamento ou ossificação ; a arachnoidéa não estava e d e m a c i a d a c o m o tantas vezes se encontra nos casos de epilepsia chronica em que este edema toma o a s p e c t o d'uma geleia cinzenta com m e i o centímetro de espessura envolvendo a peripheria cerebral. O encephalo em massa pesava 1460 grammas, o c e r e b r o , só por si, 1160 grammas. Neste orgão é que a p p a r e c e r a m lesões graves, umas antigas e outras recentes. As primeiras encontram-se na parte inferior e anterior do lobo esquerdo do cerebro. Na p o r ç ã o que repousa sobre a abobada orbitaria existe uma depressão ou perda de substancia da grandeza d'uma moeda de cinco tostões, cavada no centro pelo menos de meio centímetro, de bordos irregulares e duros, tendo feito desapparecer a c i r c u m v o l u ç ã o que ahi existia primitivamente, e tendo a côr amarella particular aos fócos a p o p l é c t i c o s em via de resolução. No f u n d o d'esta perda de substancia nada ha amollecido. O aspecto á primeira vista é d u m a ulcera callosa. S e r á ainda uma ulcera ? Será de natureza syphilitica ? Mas a ausência de lesões especificas 011 de seus vestígios sobre o resto do c o r p o , a ausência de c o m m e m o r a t i v o s neste sentido são contra essa h y p o t h e s e . P e l o contrario, o enfraquecimento muscular direito milita em favor da s u p p o s i ç ã o do f ó c o a p o p l e t i c o . Uma segunda lesão idêntica á p r e c e d e n t e , mas muito menor, se observa na face inferior e media do l o b o esquerdo. Nada de semelhante no hemispherio direito, enfim, adelg a ç a m e n t o e ligeira d e s c ó r a ç ã o da camada cortical. As lesões recentes são as seguintes : c o n g e s t ã o g e n e r a lizada da substancia branca que sob a pressão, exsuda pequenas gottas de sangue e sorosidade ; aqui e além, pequenos f o c o s apopleticos da grandeza de g r ã o s de milho ; ventrículos lateraes a u g m e n t a d o s e cheios de sangue, que se encontra depositado nas duas e x t r e m i d a d e sem grandes

71 A VIUA S E X U A I .

coágulos negros e vermelhos; telas choroidéas atrophiadas. Os lagos venosos da base cerebral estão engorgitados de sangue ; e nas veias principaes d'estes lagos existem placas fibrosas brancas, de 2 millimetros, oblongas e sensivelmente espessas sem estarem ossificadas. As lesões cerebellosas não são menos interessantes. T e m o peso normal, mas parece mais molle e apresenta na parte postero-exterior, infiltração sanguínea sobre os dois lobos que não deve ser considerada como consequência da estase por declividade, post mortem, por ser d u m a côr vermelha-viva. O quarto ventrículo está cheio de sangue, d'onde saiu um coágulo fresco, maior que uma avellã. Examinando a cavidade esvaziada averiguamos que a capacidade ventricular era insufficiente tendo-se por isso espalhado o sangue num lóculo aberto á custa da parte anterior do lobo cerebelloso esquerdo, de que.a substancia em contacto com o coágulo é molle e está destruída. A parte medullar correspondente é indemne. A que seria devido este derrame ? Seria occasionado por uma hemorrhagia cerebellosa ? Viria dos ventrículos lateraes atravez dos orifícios de M O N R O para o ventrículo médio e d'este pelo aqueducto de S Y V I U S porá o quarto ventrículo ? Chegado ahi, como teria força para produzir as desordens atrás descriptas ? Pela força da pressão ? Mas qual o motivo da preferencia por esta região esquerda do cerebro ? Segundo o auctor a primeira hypothese é a mais provável porque, diz elle, um liquido penetra mais difficilmente dos ventrículos lateraes para os ventrículos inferiores do que reciprocamente. T u d o parece confirmar a hvpothese d u m a hemorrhagia cerebellosa como causa do derrame local. Reflexões. 1." Ainda que se não encontrassem lesões anatomo-pathologicas características do mal comicial, não se poderia, depois d'isto, pôr em duvida a existencia d u m a doença d'este genero, porque devemos recordar que os ataques foram muito raros e que, além d'isso, ha casos em que o exame necropsico é absolutamente negativo. 2.a As lesões antigas indicam que houve certamente congestões cerebraes, talvez pequenas apoplexias podendo muito bem ser seguidas de excitações delirantes que determinaram a demencia pela demora.

IiETEHOSEXUAl.IDAbE

MORUIDA

43

3." A hemorrhagia cerebellosa faz-nos admittir que clle podia estar doente desde ha muito, e sob esta dupla impulsão de origem cerebral e cerebellosa, podia ser arrastado para o erotismo em determinados momentos. E' o que parece ter acontecido. D e p o i s d a l e i t u r a d ' e s t e c a s o , q u e é m u i t o interessante logica, sobretudo embora se no tocante á anatomia-pathoda de opinião que do dr. não é divirja alguma

HOSPITAL n a pode haver muitas vezes estado E' sobre obs. de

interpretação dos phenomenos, duvida

o estupro

o s y m p t o m a de alterações nervosas um v e r d a d e i r o o caso citado na

p r o f u n d a s e r e p r e s e n t a só por si psycho-pathologico. também « Os muito interessante nos que

p e l o s r . JULIO DE MATTOS no s e u r e c e n t e v o l u m e Alienados Tribunaes » (i) VIII, d u m r a p a z , M . A . , n a t u r a l d a c o m a r c a Albergaria-a-Velha e violou u m a creança idiota c o m o s e averiE r a um

de quatro annos.

guou pelo exame medico-legal. Inversamente pode, aos d e s e j o s que o h o m e m a d u l t o em raparigas

anormalmente, experimentar do

impúberes, ha o das mulheres que saciam os seus desejos libidinosos c o m creanças lino. mais vulgares do que se acredita. Geralmente só chegam ao conhecimento dos m é d i c o s no c a s o da infecção das infelizes victimas. E s t e s actos são as mais das vezes determinados pelo receio do escandalo em famintas sexuaes. sexo mascuE s t a s p r a t i c a s s ã o , c o m o d i z CONTAGNE (2),

(1) Lisboa, Tavares Cardoso & Irmão, 1902. ( 2 ) Precis de Medicine Legale, Lvon 1 I8Q<>.

44

A VIUA S E X U A I .

E' u substituição do rapazito pelo eunuclio, as damas romanas poderem vezes para entregar-se são as á libertinagem doentes

que sem das

preferiam aos outros liomens

receio da gravidez. Outras cópula mulheres casas de tolerancia, que attraem os rapasitos a u m a imperfeita. Raras vezes é o capricho, e No nosso país e na classe se curam q u a n d o tranraríssimas o desejo de preferencia que determina estas approximações. que as doenças sagrada. São baixa das mulheres venaes existe a superstição de venereas muitas s m i t t i d a s a um innocente, s e g u n d o a e x p r e s s ã o c o n vezes impulsionadas, sem remorso, a estas infames praticas c o m o tratamento. E s t a c r e n ç a t a m b é m existe em outros países. M..., perstição rua algum meretriz passava em Coimbra, a ver estava se atacada na

d'uma blenorrhagia. rapazito mais e

D o m i n a d a p e l a a b s u r d a sudescobria a fim de se libertar da sua ou menos, a que tornando-se de q u e

horas

enfermidade. annos, toda a pouco nitidez blenorrhagico

Foi victima um pequenito de cinco recolheu ao hospital contando com ingenuidade infamia

tinha sido victima. D E c a s o s j á r e g i s t a d o s c o n h e ç o u m d e DEVERGIO, três d o s Annales d'Hjgiòne, dois de CÁSPER, q u a t r o de TARIHEU, a l g u n s de LOP e d o i s de CONTAGNK. Em todos se tratava de creanças de cinco a treze annos c o m m u l h e r e s de dezoito a trinta annos (i).

(i) Vid. a pag. 17 um caso similar com uma mulher de sessenta e tres annos.

IlKTKKOSliXUALlDADE

MORDIDA

45

Attrahiam-nas ralmente imperfeita. parte dos mórbidas causa. nas dos ou por O

ao as

deboche iniciar e

por numa

meio

de

toques sexual

r e p e t i d o s , a p p r o x i m a ç õ e s v a r i a s e a c a b a v a m gejuncção receio d o u t r a s p r a t i c a s , n a m a i o r algumas vezes d'uma predilecções desenfreada consequências

casos,

l i b e r t i n a g e m e d i s s o l u ç ã o de c o s t u m e s s ã o a sua E ' diflicii p o r t a n t o a v a l i a r n a m a i o r p a r t e Não succede a mesmo num dos casos o contingente p s y c h o p a t h i c o que existe delinquentes. casos d e CÁSPER e m que u m a mãe chegou

a a b u s a r do p r o p r i o filho c o m a e d a d e de n o v e annos ! N e s t e c a s o a l é m da p e r v e r s i d a d e do a c t o , h a v e r i a u m a nítida p e r v e r s ã o m o r a l . Os rapazitos, instrumentos d'estas abjectas praticas, a p r e s e n t a m t o d o s o s s i g n a e s d ' u m a f a d i g a geral excessiva devida a excessos prematuros. T o r n a m - s e pallidos, avolumam-se-lhe as olheiras, a pelle torna-se-lhes q u e n t e e s e c c a , o p u l s o a c c e l e r a d o , o v e n t r e d o l o r o s o , as virilhas s e n s í v e i s , as p e r n a s e n f r a q u e c i d a s e a d o b r a r e m - s e , as p a r t e s sexuaes muito desenvolvidas, a por glande vezes d'um o penis longo e semi-turgescente, e inflamada e descobrindo-se humedecida branco e os por com um as dolo-

muita f a c i l i d a d e , a a b e r t u r a da u r e t h r a v e r m e l h a corrimento bolsas rosos. Por vícios um de exame cuidadoso tem--.se descoberto mucoso cinzento, cordões

escrotaes

flacidas

conformação

nos orgãos genitaes d'al-

g u m a s d ' e s t a s v i c i o s a s m u l h e r e s , e e n t r e elles u m a p e r t o m u i t o n o t á v e l d a v a g i n a q u e n ã o permittiria r e l a ç õ e s s e x u a e s c o m p l e t a s c o m um a d u l t o o

A VibA SEXUAL

q u e neste c a s o c o n c o r r e r i a p a r a e x p l i c a r a s s u a s seducções criminosas sobre as creanças. Não são p o r é m v u l g a r e s n e m é r a z o a v e l esta explicação.

Prostituição.

A

prostituição

é

um

facto Não muito d'isso,

monstruoso, incomprehensivel e degradante. dos e como des ao seja e nia, que derá de de males diz da de civilização: varias existe E de ha

é, c o m o se tem querido dizer, uma consequência debaixo formas. apesar

PAULINO TARNOWSKY, c u s t a a a d m i t t i r c o r p o e de espirito, p o s s a de dia e e de noite,

q u e u m ser h u m a n o n a p o s s e d a s s u a s f a c u l d a m e n t a e s , s ã o de acto qual prestar-se constantemente fôr a

genesico com o primeiro que apparece, sua physionomia grosseiro, a sua r a ç a , cynico, do seu para como se povezes ébrio, brutal,

muitas

dando-lhe muito se um

publicamente raros e muito

testemunho

despreso.

Fóra de alguns casos de nymphomaexcepcionaes, de conta como d'uma sexual no linha

possam t o m a r em apreciavel o estado diariamente que, é como de

dando

contingente, psychico o acto

explicar

mulher, dezenas prias e de que vida a

exercendo escolha

vezes, recusando volume, a E

por completo a prerogativa dissemos toda a a essas nosso a todas especial

meiro femeas, de na e que

attributo com

abdicando escolha se parte

preferencia infelizes sua

toda maior se se

impassividade pela

estatua ?

observarmos sentem na bem bem

prazer situação

sentem

deprimente

reduziram,

podemos

classificá-las

ÍIETfcUOiLXUALIDADE

MORDIDA

47

com tendo viver

LAURENT ( I ) , consciência a sua o como da

de

profissionacs; anomalia e a dum do sua

pois seu maneira

não de

estado, qualquer

encaram

posição exercicio

mister

a que se e n t r e g a m c o m o a u m a profissão muito natural. E que a contudo levam é grande a variedade da maior de motivos, de e estas Umas pela infelizes a arregimentar-se sob dissolução educação de são levadas outras, pela

bandeira

ignominiosa pelo

costumes. pelo acossadas

exemplo,

pouco amor ao trabalho ou apesar terem

fome,

q u e m as oriente no sentido h o n e s t o e lhes a p o n t e a conducta proba e honrada são irresistivelmente impellidas de homens. Costuma incitações numero ao normal, tem dizer-se extranhas, que ha mas prostitutas honestas, esta Com e aífirmação tem q u e se c a í r a m no v i c i o foi d e v i d o á m i s é r i a , ou a apenas um valor relativo. d essas do desde ao inferno seu que fim vicio, effeito, se certo á vida para a voragem do prazer venal e constante, de todas as horas, com toda a especie

infelizes p o d e r a m ser a r r a n c a d a s entregues um alcançaram de certo que ganha-pão a mera

que lhes assegurou a subsistência, a m a i o r parte voltado, na tempo, lhe gulhar-se deixar. E toda quantas a ha impulsionadas cegamente Basta para ref o r m a de e x a g g e r o s s e x u a e s ? prostituição obrigaram

cordar a historia.

(I) E . L A U R E N T , Prostitution et Med. psychologiques, 1899, vol. 11.

dégénerescence.

Ann.

A VlUA S l i X L 1 A L

SERVIEZ ( I ) hediondez dos

descreve crimes

com sexuaes

cores e a

terríveis

a

desenfreada

libertinagem das imperatrizes romanas. JULIA, c a s a d a e m t e r c e i r a s n ú p c i a s c o m o i m p e rador TIBÉRIO, era tão pouco ciosa da própria " reputação e tão inclinada aos prazeres sexuaes, que attendia sempre ás declarações dos que a requestavam, estando sempre prompta a satisfazer os desejos mais baixos e revoltantes. N e m a religião,

n e m a s leis d o p u d o r , n e m a d e c e n c i a a p o d e r a m suster na sua m a r c h a ostensiva p a r a a ultima corrupção. R e c e b i a os a m a n t e s em g r u p o s e á noite Diz percorria as ruas da cidade deshonrando-lhe todos os cantos c o m a sua prostituição repugnante. SERVIEZ q u e se e x p o r i a á i n c r e d u l i d a d e r e l a t a n d o

todas as revoltantes desordens sexuaes da celebre f i l h a d e AUGUSTO, s e n ã o h o u v e s s e a g a r a n t i a d a s narrativas de auctores dignos de toda a fé. AGGRIPINA, d o t a d a mes. Vinda de um da grande b e l l e z a , unia ao era filha de espirito mais artificioso os mais dissolutos costuincesto, pois AUGUSTO e de s u a filha JULIA, s e g u i u na m e s m a senda de crimes sexuaes. LÉPIDO irmão e seu primo com Manteve relações com c o m CALÍGULA, s e u co-irmão,

o s e u p r o p r i o filho NERO, a q u e m as m a i s i n f a m e s c a r i c i a s a fim de o nascida de V. MESSALA

attrahia com

levar a t o d a a c a s t a de v e r g o n h a s s e x u a e s . MESSALINA-VALERIA, BARBATO e de LÉPIDA (2), t e v e u m a v i d a v e r g o -

(1) Les Jemmes des dou ^e Cesars, Ieui s vies el intrigues secretes, 3 voll., Paris, 1S72. ( 2 ) L É P I D A deu-se também ás praticas da prostituição chegando a ter relações com seu irmão D O M I Z I O ENOr.Aiuio. M E S S A L I N A foi pois uma filha digna de tal mãe.

HLTLROSliXLJALlbAbh

MOKblbA

nhosissima.

A

sua

prostituição

foi

das

mais

i n f a m e s , os seus Ímpetos dos mais e x c e s s i v o s e d o s mais dissolutos. O s p r a z e r e s mais b r u t a e s e r a m o s que procur a v a de p r e f e r e n c i a e a t o d o o c u s t o . vezes experimentar a sua crueldade F e z por aos que

tiveram virtude b a s t a n t e para não c e d e r aos seus lúbricos d e s e j o s . de do classe, apesar S e m p r e sequiosa d e da sua qualidade Nunca se prazeres, de esposa a b a n d o n a v a - s e a todos os h o m e n s s e m d i s t i n c ç ã o imperador do a si CLÁUDIO. que para considerava

saciada. panheiras associou vida de

P o r fim, mais pelo p r a z e r d e ter c o m pretender desculpar-se, das melhores os famílias proprios hediondas mulheres

r o m a n a s , que c o m ella v i v e r a m a m a i s dissoluta libertinagem, a ver a genesicas. sua Saíj-ra obrigando das maridos pratica mais

perversidades MESSALINA, na soffrimento gue. única do de

JUVENAL a p r e s e n t a um XYI, em vendo a q u e canta o m u l h e r repude que uma con-

quadro horroroso, mas sublime, da corrupção de CI.AUDIO, do e entrar o calor á

diar-lhe o leito i m p e r i a l p o r um m i s e r á v e l alberFugia-Ihe confidente, ia ainda disfarce se as palacio com o numa fétido seguida favor da das morada, trevas e

servava onde com o

prostituição, p u b l i c a , até

sacrificava faces do lividas,

brutalidade fatigada ao leito

ficar mais c a n s a d a que cheiro lupanar

s a c i a d a , p a r a vir trazer, e desacreditada, onde ficara o

imperador! N ã o m e r e c e a p e n a insistir mais na d e s c r i p ç ã o d'este typo de que mulher não se que levou tão longe a impudicicia, poderia escrever, sem

DO

A VlDA S l i X U A L

vergonha, como POPPÉA dono do a

d i z MAREAU ( I ) , mulher de

a historia c o m NERO, DOMIZIA acabou a vida

pleta das suas aberrações genesicas. dissoluta da ás que, depois entregando-se TINA mãe, m o r t e d e DOMICIANO e d o a b a n preferido maiores filha, PARIS, libertinagens, mãe de SEMIDE

seu

q u e d o s e u tio CARACALA t e v e ELIOGABALO, FAUSFAUSTINA COMMODO, CRISPINA, TICIANA, JULIA, LUCÍLIA, e t a n t a s o u t r a s , occupam dissolutas zas. noção ducta, togares que proeminentes nessa plêiada de de Roma o theatro dos fizeram

mais extravagantes excessos e das maiores torpePara que enumerar mais ? do sentido Nesses tempos, p e r d i d o o d e c o r o e c o m elle trizes, não podendo dominar a mais rudimentar a sua cynica consempre as

moral, imperadores e imperamanchadas para

deixaram

paginas, por vezes tão Nos exemplares pode de ou taras haver mórbida, o todas estas que

brilhantes, da historia da acabo de alguma se da apresentar não sua natureza em quasi das nós, motivo d'alienação

magestosa cidade dos Cesares. duvida porque

que não d e v e ser, personagens que da se

para

admiração, pelo

encontram estigmas

menos

predisposições

derivadas

hereditárias principal

multiplicavam de ma-

neira a s s u s t a d o r a . a causa de

E d e s d e já p o d e m o s frisar que a b e r r a ç ã o do sentido geneOs m o d e r n o s trabalhos a prova cabal do que MOREL, MOREAU de T o u r s , são

sico é a h e r e d i t a r i e d a d e . PROSPERO LUCAS, etc., KRAFFT-EBING, affirmamos.

(i) Le Aberrajione dei senso genesico, trad. do francez, Roma, 1897.

HliTfckOSliXUALIDADt

MOkDlbA

5l

E semelhantes a essas dissolutas,

de q u e n o s

f a l a a h i s t o r i a , ha e x e m p l a r e s n o s t e m p o s m o d e r n o s . PAULINO TARNOWSKY cita o s e g u i n t e c a s o q u e é i n t e r e s s a n t e e cuja v e r a c i d a d e g a r a n t e . Em 1880 u m a joven de d e z o i t o a n n o s d e i x a a sua p r o v í n c i a para procurar trabalho em S. Petersburgo, onde tinha parentes a f a s t a d o s . na gare. Intimidada por com O c o m b o i o soffreu um se encontrar sosinha atraso motivo porque não encontrou os parentes n u m a g r a n d e c i d a d e e n ã o s a b e n d o p a r a o n d e ir, travou arrastou como duma nista. que o conhecimento para casa A de de anno quis que em u m a m u l h e r , q u e lhe para a tomar afinal se fez a a a dona como pensiomãe, mãe a ao entrou p a r e c e u t o m a r p a r t e na s u a d e s v e n t u r a e q u e a otferecendo-se senhora toleradas, que em depois guardar pôs a era onde breve tinha creada. casa Um pae rico

servente, mas

um filho viável, E r a um

resgatando creança e

quem fez deixar a casa em que estava. homem

a b r i g o da m i s é r i a o b r i g a n d o esta a d e i x a r a v i d a vergonhosa para a que na e estava. Por fim mandou-a uma pensão. entra desde família, paes na província, com a S.

P o i s e s t a m u l h e r , ao fim de seis m e s e s , d e i x a o filho a o s de novo volta Petersburgo; que habita abandonada casa

então e que não deixa, senão m o m e n t a n e a m e n t e , p a r a f a z e r p e q u e n a s v i a j e n s á p r o v í n c i a e m visita ao filho. P e r g u n t a n d o - I h e se foi a f a l t a de d i n h e i r o q u e a o b r i g o u a a b a n d o n a r o filho em c a s a d o s p a e s e lhe a v o l t a r ao a n t i g o g e n e r o de v i d a r e s p o n d e u , c o n t i n u a v a a d a r a m e s a d a do p a e e q u e a q u a s i o f f e n d i d a , q u e n ã o a b a n d o n a r a o filho, q u e

81 A YlDA S t X U A L

m e u d o o ia visitar. era penoso, e ainda

V o l t a v a para a vida porque porque a existencia ali lhe

lhe a g r a d a v a , p o r q u e o t r a b a l h o dos c a m p o s lhe era m a i s f á c i l . LAURENT o b s e r v o u um c a s o s e m e l h a n t e . Eu tenho conhecimento d'uma mulher casada, de m e i o s e c o m filhos, q u e se e n t r e g a á prostit u i ç ã o p o r p r a z e r , p o r q u e s ó n a q u e l l a v i d a sacia a sua fome sexual. E quantos mais se não poderiam citar ? E o q u e ha em t o d o s e s t e s c a s o s da p a r t e d a s prostituídas senão um verdadeiro estado psychopathologico ? — que crime e ha as especies. S e i p e r f e i t a m e n t e — e já o affirmei da prostituição se s ã o de v a r i a s as escolas a sua causas tão

Considerando a prostituição c o m o um bem alliaram Ha p r o s t i t u t a s de r a ç a , que encontram M a s não devede assentar em

nunca também

a n t h r o p o l o g i c a e social. prostitutas

origem nos vicios da sociedade. muitos que ha desejam, causas dados precisamos que

m o s l i g a r - n o s a p e n a s a esta u l t i m a e s c o l a , c o m o individuaes levam dão a origem aos esta

mesmos males. Estes LAURENT formular h y p o t h e s e : se ha p e s s o a s f a t a l e i n e x o r a v e l m e n t e v o t a d a s ao c r i m e e á l o u c u r a , n ã o h a v e r á r a p a rigas fatalmente votadas á prostituição ? hereditaria, uma degenerada ? E é este inegavelmente, para os médicos, o aspecto fundamental da questão. C o m e c e m o s por estudar a hereditariedade das prostitutas. A prostituta n ã o s e r á a l g u m a s v e z e s u m a a n o r m a l , u m a

IlbTEUOSEXUAI.IDADt

MORDIDA

53

U

alcoolismo Sobre
por

dos

ascendentes e

parece

ter u m a

a c ç ã o p r e p o n d e r a n t e na etiologia d'esta anomalia moral. vinte vam. e cento tinham cinceenta
TARNOWSKY,

prostitutas
cento e

observadas

PAUMNO

quatro

paes,

que

se

embriaga-

LAURFNT interrogou m u i t a s t o l e r a d a s s o b r e que eram alcoolicos. As estatísticas e E s t a idéa,
num

os seus a s c e n d e n t e s e na m a i o r p a r t e confessavam-lhe os
que

factos p a r e c e m
é expressa

d e m o n s t r a r q u e ha prostituiLOMBROSO e FKRRERO

das-natas, c o m o ha criminosos-natos.
por

dos

seus v o l u m e s , é u m a v e r d a d e q u e d e v e ser C o n f i r m a esta opinião o da existencia de famílias averiguado

tomada sem exaggero. facto b e m

em que só ha alienados, criminosos ou prostitut a s ( LAURENT ).

MINOR,

de

Moscou,

citou

um

caso

muito

c u r i o s o : a historia tristemente c e l e b r e de JUKES. ADA JUKES, nascida em fissão, d a v a - s e alcoolicos. a seguinte á Deixou uma 1740, era l a d r a de proe aos excessos de 834 181 em descendencia 10G 64 vagabundagem

indivíduos, de 709 d o s q u a e s ha noticias q u e d ã o destribuição: 142 indigência, e entregam todos á os celibatários, recolhidos prostitutas, asylos por víduos de se mendigos,

76 criminosos entre os T o d o s estes indiO numero embriaguez.

q u a e s se n o t a m 7 assassinos. annos q u e

m e m b r o s d'esta família Na quinta

téem p a s s a d o na p r i s ã o c h e g a a 1 1 G ! e t o d o s os h o m e n s c r i m i n o s o s !

g e r a ç ã o quasi t o d a s as m u l h e r e s e r a m prostitutas LEGRAIN, na sua these cita um c a s o s e m e l h a n t e , e LAURENT a p r e s e n t a o u t r o s , o q u e t u d o l e v a a crer que a prostituição n ã o é, em alguns c a s o s .

54

A VIDA S f c X U A L

senão cencia.

lima

das

múltiplas

formas da degenercs-

M a s se a p r o s t i t u t a é u m a d e g e n e r a d a h e r e d i tária deverá e encontrar-se e s t i g m a s , que
e de PAULINO

nella t a r a s p h y s i c a s e d e n o t e m o e s t a d o de
TARNOWSKY mostram

psychicas
de

degenerescencia.
Messine,

A s o b s e r v a ç õ e s d e ANDRONICO,

u m a p e r c e n t a g e m d e v a r i a s a n o m a l i a s n a s prostitutas examinadas, que sóbe na estatística de
TARNOWSKY a 82 por 100!

Para termo de comparação foram examinadas mulheres honestas á mistura: c a m p o n e z a s í 1 Iet r a d a s e m u l h e r e s i n s t r u í d a s , e a dilferença e n c o n trada foi e n o r m e p a r a m e n o s . Assim, para as mulheres 2 por instruídas 100 de não se encontraram
LOMBROSO

senão
e

anomalias
a

p h y s i c a s , e n a s c a m p o n e z a s 14 p o r 100.
FERRERO notaram egualmente

g r a n d e frequencia de anomalias nas prostituídas. TARNOWSKY c o n c l u e p o r d i z e r , q u e u m a differença tão frisante entre as prostituídas e as m u l h e r e s h o n e s t a s n ã o p o d i a ser o b r a d o a c c a s o , e e s t a a b u n d a n c i a de e s t i g m a s de d e g e n e r e s c e n c i a nas prostituídas tem a sua explicação, pelo menos em grande parte, nos caracteres dos seus ascendentes, para que apresentam taras muitas hão prova sua predisposições de vir a p e s a r de degenerestão a g r a v a r as que,

sobre os descendentes. Acrescenta cencia i:ooo das frequente, a do que um mais, ponto parto como a que prostituídas, esterilidade

PARENT-DUCHATELET em não o b s e r v o u m a i s Para TARNOWSKY

prostitutas

parisienses por anno.

esta e s t e r i l i d a d e seria u m a c o n s e q u ê n c i a d a f a l t a

HETEK.OSEXUAl.IL>ADE

MORlilDA

da

força

procreadora

que

se

nota

nos

seres

degenerados levando-os á extincção. P a r a LAURENT e s t e f a c t o n ã o e s t á d e m o n s t r a d o , e pode até de dizer-se que tal a r g u m e n t o de n a d a muito i m p o r t a n t e s , taGs frequentes v a l e p o r q u e as p r o s t i t u t a s e s t ã o s u j e i t a s a o u t r o s factores como a esterilidade e syphilis menos vezes c a o a l c o o l i s m o , tão

n e s t a s i n f e l i z e s , as a f f e c ç õ e s v a g i n a e s e u t e r i n a s embora muitas de orgãos frequentes, os com choque sua do anormalidade pela e x c e s s o s d o coito penis que no focinho aos advém

tença,

genitaes

excitação anormal e a Acresninguém a d'este

q u e l o g o m e referirei c o m mais d e m o r a . prostitutas para que nos conhecerem a referimos no melhor do os que

c e n t e - s e a t o d a s e s t a s r a z õ e s o f a c t o de t o d a s as impedirem concepção processos volume

primeiro

trabalho. Sob o ponto de vista psycho-biologico, as

prostituídas typicos, que physionomia mulheres. cter. E' raciocínio

apresentam moral que

ainda as

certos caracteres lhes d ã o u m a

lhes são c o m m u n s e

distingue das outras fazer-lhes seguir um

E'

notável a sua mobilidade de caraimpossível lhes v e m a i n c o n s c i ê n c i a c o m a necessidade que que sentem

quasi d'onde

pleta n o q u e diz r e s p e i t o a o s e u f u t u r o . LAURENT f a z de se agitar, a notar loquacidade c h e g a a trans-

formá-las em moinhos de palavras, preguiça que as t o r n a i n a p t a s p a r a t o d a a e s p e c i e de t r a b a l h o , o prazer da dança e do jogo e a predilecção pelas leituras sentimentaes. Em Paris, segundo

este o b s e r v a d o r , p r e f e r e m a l e i t u r a d o s f o l h e t i n s

56

A VIUA S E X U A I .

do Petit Journal, e s p e c i a l m e n t e os a qualquer outro.

de RICHIÍBOUKG

M e n t i r o s a s , facilmente e n c o l e r i s a v e i s , p r o m p t a s a e s b o f e t e n r e m - s e s o b a influencia do mais l e v e são contudo amigas de se auxiliarem pretexto,

m u t u a m e n t e e as q u e s ã o m ã e s o c c u p a m - s e bastante dos filhos, q u e p r e t e n d e m e d u c a r convenientemente. P o r v e z e s , nas c a s a s o n d e a l i m p e z a é m e n o s exigida, d e s m a z e l a m - s e a o ultimo e x t r e m o . E m P o r t u g a l , q u e e u s a i b a , não e m p r e g a m , p e l o m e n o s c o m insistência, a t a t u a g e m o que já succ e d e noutros países e n o m e a d a m e n t e em F r a n ç a . O q u e a c a b a m o s de dizer e s b o ç a g r o s s e i r a m e n t e o e s t a d o p s y c h i c o das m u l h e r e s v e n a e s , m a s quer e n d o descer a mais m i n u c i o s i d a d e s é b o m f a z e r
a distincção, com PAULINO TARNOWSKY, entre as

prostitutas "gencia psychica E e

em a

que

ha em

enfraquecimento que o existe estudo

de

intelli-

aquellas a

anormalidade do se grande encon-

ligada

u m a constituição n e u r o p a t h i c a . seguir primeira no

continuando

o b s e r v a d o r e n o t a n d o q u e as m u l h e r e s de b a i x a intellectualidade, tram com por categoria, da centenas mundo prostituição

g r a u s d i v e r s o s , p o d e m o s dividi-las c m dois as obtusas e as descuidadas. s ã o d o t a d a s d u m a insensibilidade O q u e as c a r a c t e r i z a a grande de e estatura, os

grupos : As

obtusas

m a i o r ou m e n o r á dor e d ' u m a g r a n d e indifferença por tudo o q u e as rodeia. é ou nas mais das vezes

m e m b r o s r o b u s t o s e d e s g r a c i o s o s , a pelle pallida amarellada, certo grau movimentos gordura, uma marcha arrastada, lentos propensão

IIETEKOSEXUALlDAbE

MOKliIDA

57

notável pletos que a

para o somno. que falta a

T o d o s os frequentadores income impulsão dos desejos,

de lupanares téem o b s e r v a d o estes seres

c o n d e n s a m t o d a a sua f e l i c i d a d e em b e b e r , A l i m p e z a p r ó p r i a , os a d o r n o s que todas as mulheres normaes tanto De fala vagade idéas, com

comer e dormir. femininos

apreciam e estimam, são substituídos pelo prazer da immobilidade mais completa. rosa de e de vagarosíssima noções pouco lúcidas, sem associação

distinguirem

nitidez o b e m do m a l a c h a m p r e f e r í v e l a q u a l q u e r o u t r o o s e u e s t a d o p o r ser m a i s fácil, m a i s tranquillo e menos por agitado. e Geralmente tornam-se deixam-se prostitutas O acto apanhar surpreza

p o r q u e a o c c a s i ã o se lhes d e p a r o u v a n t a j o s a e foi s o b r e t u d o a inércia q u e as d e i x o u sexual Estes nosso vezes, cm está é praticado apesar já não com de a se maxima os mais assim das a o exemplares não meio, mas a A são ficar. indifferença. vulgares no algumas Arabia da sua sua promulheres na

observarem

succede com arabe

que em

passividade prostituta sem assim

completa

conformidade commerciante

fatalismo exerce sem

crença. fissão de sem devia

d'amor,

vergonha, acreditando Ignora por do

reservas, sê-lo; as

esperanças, não Allah o quis! e

que possa fazer outra coisa. completo temente, alegrias

E' prostituta porque casuaes uma

psychicas de que

a m o r ( LAURITNT). admirada

Vende-se friamente, indiffercntalvez mulher

possa a m a r u m h o m e m ! A p r o s t i t u t a e u r o p e i a t e m s e m p r e no f u n d o do c o r a ç ã o , na chama
6

phrase que

de o

LAURIÍNT, u m a primeiro

faisca

da faz

divina,

galanteador

58

A VIUA S E X U A I .

brotar então apesar vela no

sem como da

difficuldade. as outras

A

prostituta

torna-se como dia

mulheres, Vinte fiel

amando vezes

c i l a s , s o f f r e n d o c o m o ellas e g o s a n d o c o m o e l l a s , sua ignominia. e fica por v e n d e o s e u c o r p o aos m e r c e n á r i o s , m a s o a m o r seu c o r a ç ã o ao seu a m a n t e , p] e s t e a m o r q u e p o d e ir até aos ú l t i m o s e x t r e m o s é p a r a ella a a b s o l v i ç ã o de toda a sua c o n d u c t a : rehabilita-a aos proprios olhos, fá-la gosar e s o f f r e r , fá-la v i v e r ou s e n t i n d o a f e l i c i d a d e de ser c o r r e s p o n d i d a ou o infortúnio do a b a n d o n o . vezes soffre mais estas e aos angustias mais do que a mulher normal. maiores excessos commettimentos. V . . . , m e r e t r i z e m C o i m b r a , h a v i a dois a n n o s q u e tinha a s s e n t a d o a r r a i a e s e n t r e a s s u a s companheiras de infortúnio. mento bebidas seus nervoso que Destacando-se dentre as com o uso das sem um d e m a i s p e l a b e l l e z a e pela f r e s c u r a , de t e m p e r a exacerbava nunca Um pôde d'elles alcoolicas, passar E ás do amor

P o r elle é a r r a s t a d a aos extraordinários

a m a n t e q u e ia r e c r u t a n d o d ' e n t r e a m u l t i d ã o d o s admiradores. impressionou-a p o r tal f o r m a q u e ao s a b e r q u e elle ia a b a n d o ná-la, m a n d o u c o m p r a r u m a s c a i x a s d e p h o s p h o ros, de q u e a p r o v e i t o u em d i s s o l u ç ã o a v e n e n o s a massa, seguida ingerindo no leito a e beberagem, dispondo-se deitando-se para morrer em na

c o n t e m p l a ç ã o d o r e t r a t o d o q u e tanto e s t i m a v a . P r o v a v e l m e n t e j u l g a v a a m o r t e t r a n q u i l l a , serena : u m e s q u e c i m e n t o t o r p i d o d a s c o i s a s que a r o d e a s sem, absorvida a p e n a s na pessoa do seu preferido a q u e m d e s e j a v a d e d i c a r o seu u l t i m o p e n s a m e n t o ;

H E T E R O S E X U A I . I D A D E MÓRBIDA 88

mas cujo veio

o

cortejo veio

dos

symptomas o provavelmente

da

intoxicação em com mas maior

phosphorica final a

alterar-lhe

programma sonhara horas, sua

plácido

extremo agrado. morrer transes

C o n d u z i d a p a r a o hospital ahi passadas bastantes foi a

s e m a b a n d o n a r o retrato, cuja c o n t e m p l a ç ã o nos últimos conscientes preoccupação. D i z LAURENT q u e um m a g i s t r a d o de C o n s t a n tinopla lhe contara que quasi todas as prostitutas f r a n c e s a s , e s p a n h o l a s e italianas da c i d a d e tinham u m a m a n t e , g e r a l m e n t e u m oflicial inferior ou mesmo um soldado da guarnição. E m contraste c o m esta p r e d i l e c ç ã o das prostitutas europ e i a s não p ô d e descobrir-se entre a s a r a b e s n e m u m a só q u e tivesse um a m a n t e ! A prostituta arabe n ã o se d i v e r t e , não b e b e , Dir-se-hia passado do que estavam não se ri e Parece seu t e m horror ao b a r u l h o . nas evocações do

u m a sacerdotisa, tal a sua c o n d u c t a g r a v e e seria. recordar país, as h e t a í r a s de o u t r o r a ,

juntas aos t e m p l o s e tinham l o g a r e s d ' h o n r a nas ceremonias do culto. Ao lado da outra classe, classe como de prostitutas a p a t h i c a s e as descuidadas. inditíerentes, a que nos r e f e r i m o s , colloca-se u m a dissemos, E s t a s juntam a u m a intelligencia débil e rudimentar u m a certa p r o p e n s ã o p a r a a b r i n c a d e i r a , para o riso, são duma da extraordinaria imprevidência pelas da coisas vida e distinguem-se sobretudo se vê approximam-se

pela m o b i l i d a d e e inconstância da sua alegria ou sua tristeza. Como muito da classe anterior. TARNOWSKY a p r e s e n t a

do

A VIDA S E X U A L

como

exemplo

d'esta

classe

de

prostitutas

a

historia d ' u m a r a p a r i g u i t a que se iniciou aos d o z e a n n o s , ainda i m p ú b e r e , na vida sexual por u m a s e d u c ç ã o e foi de d e g r a u em d e g r a u até ás c a s a s publicas. E' ahi q u e v a m o s a p a n h a r a d e s c r i p ç ã o « De p e q u e n a e s t a t u r a , tem As typica do a u c t o r :

u m a figura d ' a v e , de bellos c a b c l l o s c a s t a n h o s e d e olhos negros, scintillantes d e v i v a c i d a d e . o r e l h a s mal o r l a d a s téem lobos sesseis. um com dente uma supranumerário. fosseta. Queixo Possue

ponteagudo

A l e g r e , viva, d i v e r t i d a , risoE n t r e g a - s e ao uso de

n h a , c a n t a todo o dia s e m ter receio do futuro, n e m d u v i d a r de n i n g u é m . bebidas Em ção opposição a esta c a t e g o r i a de p r o s t i t u t a s e que, egualmente, se podem

de baixa intellectualidade existem as de constituineuropathica, dividir em dois g r u p o s p r i n c i p a e s : as h y s t e r i c a s e as i m p u d i c a s . As h y s t e r i c a s são d'uma ás v e z e s a r r a s t a d a s para a precocidade sexual notável Depois, p r o s t i t u i ç ã o , n a t u r a l m e n t e , por m e r o dilectantismo. Geralmente p o s s u e m a m a n t e s quasi d e s d e a i n f a n d a .

impellidas pela n e c e s s i d a d e de a g r a d a r e de ser a m a d a s d e i x a m - s e a r r a s t a r para a s c a s a s p u b l i c a s da prostituição. bruscas e O r a ternas e sentimentaes, ora amorosas e excessivab u l h e n t a s , ora

m e n t e s e n s u a e s p e r c o r r e m a g a m m a c o m p l e t a da s e n t i m e n t a l i d a d e feminina. nesta classe da m o r a l . C o m r e f e r e n c i a a h y s t e r i c a s s e n s u a e s , citarei u m a o b s e r v a ç ã o q u e c o m outras m e foi o b s e q u i o s a m e n t e de E ' raro encontrar-se prostituídas a v e r d a d e i r a n o ç ã o

HliTEROSEXUALIDADE

MORDIDA

cedida

pelo

illustre

professor

sr.

dr.

MIGUEL

BOMBARDA :

I lyslero-neuraslhenia sexual quasi violenta. ferozes. impotente,

sexual. de de

Rapariga, masturbação

vinte e de quinze Gravi-

e dois annos, solteira. lesbismo

Desde creança excitação com um individuo em

Hábitos Collage apenas

quinze

dias e c o m s a t i s f a ç ã o sexual i m m e d i a t a . d e z que t e r m i n o u ha tres m e s e s .

Nos primeiros

tres m e s e s da g e s t a ç ã o o b t u s ã o sexual quasi t o t a l . F o r t e s e x c i t a ç õ e s ao sexto m ê s e r e p e t i d a s p r a t i c a s sexuaes. H o j e procura h o m e m que a s a t i s f a ç a , ao m e s m o t e m p o que se queixa das coisas e x t r a ordinarias q u e lhe ficaram da g r a v i d e z : p e r t u r bações Marcha cerebraes, difficil, de obnubilações, atravessar um cephalalgia.. . de andar, mesmo largo impossibilidade quasi

impossibilidade

a c o m p a n h a d a ; a s p e r n a s p a r e c e m ter-se d e s e d u c a d o : q u a n d o dá um p a s s o e l e v a n t a u m a p e r n a p a r e c e - l h e , a meio do m o v i m e n t o , q u e não s a b e c o m o ha ordinaria pernas de pô-la, excitação nem como ha de seguir no Extramovimento. Absolutamente nada de tabes.

sexual q u e , p o s t a e m a c ç ã o , Essa excitação chega a

a g g r a v a o seu e s t a d o a ponto de p a r e c e r q u e as vão paralysar. ponto de ter o e s p a s m o dez e d o z e v e z e s a n t e s do homem ejacular. A i m p u d i c a é u m a louca moral. evolução crear natural se concentrou LOMBROSO e

FERRERO f a z e m notar q u e , c o m o t o d o o e s f o r ç o da na m u l h e r p a r a pudor a sua e reforçar o s e n t i m e n t o do

maior d e g e n e r e s c e n c i a m o r a l , a sua moral iusanily,

02

A VIUA S E X U A I .

deve dos vida com

ter

por

effeito que

a a

perda

d'este

sentimento

da m e s m a forma que provoca no homem a perda sentimentos dos seus com a civilisação impõe com a Estas prostitutas maior força, como, por exemplo, o respeito pela semelhantes. acceitam maior indifferença, e por vezes

n o t a d a p r e f e r e n c i a , u m a p r o f i s s ã o que lhes N e s t a s m u l h e r e s dá-se a c o n t r a d i c ç ã o entre a sua vida e a frigidez sexual.

a t t r á e o d e s p r e s o da s o c i e d a d e , c o m inteira q u e b r a do p u d o r . apparente cilas u m a

P a r a LOMHROSO e FERRERO esta f r i g i d e z s e x u a l é p a r a vantagem, uma adaptação darwiniana; porque, para uma mulher facilmente excitavel a vida da p r o s t i t u i ç ã o seria em e x t r e m o e x t e n u a n t e , ao passo q u e para cilas o a c t o g e n e s i c o , s e n d o u m a c t o insignificante t a n t o m o r a l c o m o p h y s i c a mente, é realisado facilmente porque é lucrativo. N e s t e s c a s o s e s p e c i a e s d e p r o s t i t u i ç ã o trata-se mais d'um desvio de e moral do que d'um desvio sexual. da mais E tanto q u e p o r v e z e s se e n c o n t r a u m a prostituição moral virgindade. nem sequer egoistas, que que pôr acompanhada Geralmente chegam a escrupulosa

precocidade mentirosas apresentar mulheres, e outras intensidade E para

esse s e n t i m e n t o i n h e r e n t e a t o d a s as se e n c o n t r a em q u a s i t o d a s as vezes até c o m a m e s m a nas mulheres norse bem encontra

prostitutas, por

m a e s : — o amor maternal. em e v i d e n c i a este g r u p o de resumidamente um prostituídas apresentaremos

c a s o m u i t o i n t e r e s s a n t e de KRAFFT-EBING : R., d'uma família pois era nobre filha e rica, mas muito e

degenerada,

d'uma

mãe louca

IItTKROSEXUALIDAbE

MORDIDA

63

dum tentou depois Poucos a

pae

excentrico, com com um um

mostrou amante outro tomava e

uma

tendencia tempo casou. amantes

m u i t o p r e c o c e p a r a o vicio. fugir fugiu meses

A o s quatorze annos pouco quem com

depois sexual

vários

s u c c e s s i v a m e n t e e s i m u l t a n e a m e n t e e no e n t a n t o sensibilidade nella era tão o b t u s a , q u e E — c a s o notásegundo ella os amantes não c h e g a v a m a provocar-lhe prazer s e n ã o á c u s t a de m u i t a s f a d i g a s . ou com a bocca, intenso porque então, acto vel —• sentia p r a z e r m a s t u r b a n d o - o s c o m a m ã o dizia, sentia m e l h o r o h o m e m . tanto mais quanto o E este p r a z e r era era r e a l i s a d o

em local em q u e p o d i a ser s u r p r e h e n d i d a : n u m c a r r o , em p a s s e i o , no t h e a t r o , a t r á s d um r e p o s teiro, o que me parece uma forma curiosa de exhibicionismo. O a m o r m a t e r n a l oscillou e n t r e g r a n d e s limites. Ora ora actos de e apparecia brusca e obscenos terna e carinhosa para os filhos, desmaselada chegando na sua que isto presença. ter se por vezes a praticar Naturalmente expressões a cynicas

contradictoria, parecia arrependimento no mal, e até de minutos! recaídas

succediam

com

intervallos d'horas

Depois d'um aborto confesficara; d'ahi a pouco tentava recebendo o a visita masturbou. com

sava a um amante que desejava m u d a r de vida, tão dum cas impressionada e, em outro com os masturbá-lo seguida,

amante, amantes

egualmente sem se

I m p r u d e n t e e i m p u l s i v a , p r o v o c a v a s c e n a s publipreoccupar o escandalo. Mentirosa por natureza, não podia

c o n t a r a m e s m a coisa d u a s v e z e s s e m a a l t e r a r , m o d i f i c a n d o c o n t i n u a m e n t e o s f a c t o s s e m interesse

A VIUA S E X U A L

a l g u m pessoal ou indirecto, c h e g a n d o a atlirmar q u e se o m a r i d o a tivesse e n c o n t r a d o em flagrante delicto d ' a d u l t e r i o o teria n e g a d o . s e m interesse a l g u m . Este caso parecem são e as c o n c l u s õ e s que d'elle d e r i v a m que existem e mulheres que a instinctiva para o fatalmente para E r a naturalmente má p r o c u r a n d o excitar e intrigar os a m a n t e s

demonstrar

arrastadas

prostituição, c o m o os loucos m o r a e s são irresistivelmente plas e levados mal ou p a r a a o vicio. Sei b e m que as c a u s a s da prostituição são múltiv a r i a d a s , taes como, má e d u c a ç ã o , o falta de a contagio do e x e m p l o , os mas não é attractivos, a

t r a b a l h o , a preguiça, a n e c e s s i d a d e do luxo, etc., m e n o s c e r t o q u e em o u t r o s c a s o s prostituição se nos a p r e s e n t a c o m o um d e r i v a t i v o da c r i m i n a l i d a d e , e certas prostitutas s ã o d e g e n e r a d a s e loucas m o r a e s . E c o m o tenho f a l a d o em loucura m o r a l e c o m o alguns a u c t o r e s m o d e r n o s e n t e n d e m que esta entid a d e nosologica d e v e ser riscada do q u a d r o d a s alienações m e n t a e s , é preciso dedicar-lhe a l g u m a s p a l a v r a s de d e f e s a o q u e , aliás, é fácil e intuitivo. GAROFALO, que e s t á á frente dos que c o n t e s t a m a noção da loucura do moral, baseia-se em que a ausência senso ethico não p o d e c a r a c t e r i z a r ,

só por si, u m a d o e n ç a m e n t a l . E' a r b i t r a d o este c o m m e n t a r i o e em n a d a justificável, além de que a loucura moral não é exclusivamente caracterizada por essa ausência que, a p e s a r de ser o s y m p t o m a c u l m i n a n t e , t e m o u t r o s que o a c o m p a n h a m e d ' o r d e m intellectual, bastante apparentes, para se não poderem passar

HETEKOSEXUAUUAbE

MOKlilbA

65

em

silencio,

e

que

foram

postos

em

evidencia

p o r MAUDSLEY e m a i s m o d e r n a m e n t e p o r KRAFFTEBING. GAROFALO f a z a e s t e p r o p o s i t o u m a s u b t i l loucura e anomalia, mas estas duas divisão entre do espirito. Existe portanto a loucura moral, c o m o entidade nosologica. E para completar estas rapidas noções sobre prostituição passo a referir-me á anatomia pathologica dos orgãos genitaes das prostitutas. E' assumpto muito controverso e sobre que veio l a n ç a r b a s t a n t e l u z o t r a b a l h o de MARTINEAU ( I ) que se vações. PARENT DUCHATELET a f f i r m a q u e as p r o s t i t u t a s não da apresentam vagina, nas E a cuja alteração dilatação em é alguma dos orgãos como nortem sua genitaes. habitual encontra maes. R e l a t i v a m e n t e ás d i m e n s õ e s da vulva e considerada este mulheres é que da meretrizes, diz prova, em auctor que se fundamenta em grande numero de obser-

entidades confundem-se intimamente na pathologia

egualmente

muitas no

acrescenta

elle,

encontrado

mulheres

principio

prostituição uma vagina enormemente dilatada e, ao contrario, não é raro ver-se em mulheres que durante dez, quinze e vinte annos se e n t r e g a r a m á prostituição, uma vagina de pequenas dimensões e sem a m e n o r alteração das partes genitaes. Accrescenta ainda que nunca observou deformação vulvar ou vaginal da prostituição.

(i) La Deforma^ioni vulvari et anali, trad. do francês, Roma, 1898.

OU

A VIDA S E X U A L

Entre os auctores que seguem opinião inversa, isto é, que a p r o s t i t u i ç ã o d e i x a e s t i g m a s de alteração que nos o r g ã o s g e n i t a e s , e s t á CHARPY q u e diz declina primeiro é a dos orgãos genitaes. q u e de t o d a s as b e l l e z a s das m u l h e r e s p u b l i c a s a S e g u n d o elle a s p r o s t i t u t a s t é e m a i n d a a s m a m m a s rigidas, as a n c a s s e m r u g a s , o rosto c o m a frescura natural com que assentaram téem e arraiaes n e s s a v i d a de d e v a s s i d ã o , e já os o r g ã o s s e x u a e s , mecanicamente parável ultrage offendidos, do trabalho s o f f r i d o o irreTaes exclusivamente á do abuso.

d e f o r m a ç õ e s são d e v i d a s quasi anteriores. concluiu De cerca essas

r e p e t i ç ã o da c ó p u l a , e em c e r t o s c a s o s a d o e n ç a s de oitocentas observações deformações consistem na que

h y p e r t r o p h i a e a l g u m a s v e z e s a t r o p h i a dos g r a n d e s e d o s p e q u e n o s l á b i o s , no a s p e c t o e n r u g a d o , na cas coloração e cinzenta dos pequenos na lábios, no a p p a r e c i m e n t o f r e q u e n t í s s i m o d e e r u p ç õ e s acneiherpeticas (sobretudo porção inferior d o s g r a n d e s l á b i o s ) , n o a l o n g a m e n t o d o clitores e no a b a i x a m e n t o do m e a t o urinário d e v i d o em p a r t e ao d e s e n v o l v i m e n t o do b o l b o v a g i n a l e do d e s e n v o l v i m e n t o d o s folliculos q u e c e r c a m a entrada d'este meato. quência da perda da A e s t a s d e f o r m a ç õ e s , junta elasticidade d o s tecidos e CHARPY, a d i l a t a ç ã o do orifício v a g i n a l em c o n s e da t o n i c i d a d e do m u s c u l o c o n s t r i c t o r ; o e s p e s s a m e n t o d a m u c o s a d o orifício v a g i n a l , q u e s e a p r e senta um pouco amarellecida ; um estado fungoso do canal da urethra com inflamação chronica dos folliculos d este situados das na parte dos anterior attritos antigas. e Em inferior e consecanal, resultante repetidos

especialmente

metrites

IlETEkOSfcXUAUbALHi MOklilbA

Oy

quencia forma

d'esta e de

metrite,

a

mucosa saliência violacea

tumefáz-se, externa e num em ou

destaca-se

produz

uma

massa

fungosa,

noutro c a s o u l c e r a d a . CHAIÍPY termina o seu t r a b a l h o c o m a seguinte conclusão: oppostas : ção amor O dose que muito « A prostituta soffre nos o r g ã o s genid e s d e o a b u s o que atrophia á irritahypertrophia. As Como mulheres vive que muito, abusam do vive do sol. t a e s u m a serie de d e f o r m a ç õ e s que r e v e l a m c a u s a s

depressa. o

são c o m o as flores, que moderada vivificam e em

abusam

amor e

sol s ã o d u a s f o r ç a s a n a l o g a s : em dose excessiva demora-

fazem murchar. » MARTINEAU damente o q u e , c o m o disse, estudou sete a s s u m p t o em a n n o s de p r a t i c a

h o s p i t a l a r e na pratica civil, c o m e ç a por a f f i r m a r , q u e o e s t u d o das d e f o r m a ç õ e s v u l v a r e s produzidas pela p r o s t i t u i ç ã o não é tão fácil c o m o p a r e c e , e tanto que não o f f e r e c e m c a r a c t e r a l g u m nítido e preciso, porque a sua existencia é d a s m a i s T a n t o se envariaveis e d a s mais i n c o n s t a n t e s . habitualmente nas r a p a r i g a s Observam-se se

c o n t r a m nas m u l h e r e s , q u e de ha m u i t o s a n n o s e e n t r e g a m á prostituição, c o m o de d e z a s e i s e d e z a s e t e m e s e s , de ora nas prostitutas e mulheres

ha p o u c o d e s f l o r a d a s . g a l a n t e s , ora nas m u l h e r e s c a s a d a s . N a s suas o b s e r v a ç õ e s feitas c o m p a r a t i v a m e n t e cm m u l h e r e s q u e , c o m o diz CHARPY, téem « o habito do amor », e em m u l h e r e s de curta vida sexual ou de e s p a s s a d a s r e l a ç õ e s s e x u a e s , notou q u e a s d e f o r m a ç õ e s d a vulva a p p a r e c i a m i n d i f e rentemente. Observou-as quer nas meretrizes

A VIDA S E X U A l .

dos

bairros a

operários La ter

de

Paris

(Mont-Martre, etc.) que sexuaes

Ciignancourt, chegam

Villete,

Belleville,

numerosíssimas

relações

diarias, q u e r e m ções

mulheres desfloradas de pouco

t e m p o , q u e r e m m u l h e r e s c a s a d a s q u e t é e m relas e x u a e s d e d u a s o u tres v e z e s p o r dia a t é apparentemente extravagante E s t a s alterauma vez por semana. Este phenomeno tem uma explicação muito natural.

ções são devidas ao proprio exercício da cópula c o m t o d a s as c i r c u n s t a n c i a s q u e a a c o m p a n h a m , taes c o m o a s d e s p r o p o r ç õ e s e n t r e o v o l u m e d o s o r g ã o s g e n i t a e s , a e d a d e d a m u l h e r , a s inflamações vulvares coito. a os bem está rapariga orgãos e nas de e mesmo quatorze mais a r e p e t i ç ã o m ú l t i p l a do a dezaseis annos, do no que o A l e m d'isso d e v e m o s frisar o facto de que

momento do apparecimento da menstruação, tem genitaes mesmas dos ao desenvolvidos observamos genitaes quando attinge maior edade. edades, orgãos E se i n d a g a r m o s que externos

desenvolvimento ligado

estado escrophuloso, lymphatico,

a r t h r i t i c o ou a i n d a , c o n s e q u e n t e m e n t e , a v u l v i t e s varias, embora tenham apparecido na infancia. Em resumo, a prostituição não produz na vulva ou vagina deformação alguma particular. tal deformação ainda causas: — a b i d a s , ou inflamações, a Quando exista d ç v e attribuir-se a o u t r a s a predisposições mórv i o l ê n c i a s s e x u a e s c a p a z e s de

só p o r si as e x p l i c a r . No q u e r e s p e i t a a t r a t a m e n t o da p r o s t i t u i ç ã o a suggestão pode actuar vantajosamente nas doentes i n t e l l i g e n t e s . C a s o s ha p o r é m em q u e o m a l

HbTLKOSfcXUALlDADE

MOkBIbA

tXj

é

incurável.

As perturbações degenerativas que a r r a s t a r a m essas infelizes ins. .

para

aquella vida

creveram Lasciate

na porta do l u p a n a r a velha l e g e n d a :

ogni spevan\a.

Sadisnw. notável xuaes, que que

Houve

em

França na

um

marquês, se-

pelas

extraordinarias

perversidades

ficou c e l e b r e ao que

litteratura o b s c e n a hoje s e r v e p a r a o immormuito

do seu país. deu designar talizou. O em amor alguns e o

F o i o m a r q u ê s de SADE ( 1 7 4 0 - 1 8 1 4 ) termo tão que vicio a tristemente téem

origem

crueldade

relações

intimas e tanto que se o b s e r v a m c o n j u n c t a m e n t e a n i m a e s ; m a s na especie h u m a n a só dá uma explicação completa e se e v i d e n c e i a m nos c a s o s de sadismo. KRAFFT-EBING muito e n g e n h o s a d'esta p e r v e r s ã o s e x u a l . Indi-

víduos n o r m a e s , diz elle, muito excitáveis c h e g a m a m o r d e r e a a r r a n h a r as m u l h e r e s a q u e se juntam. A m o r e cólera são as d u a s p a i x õ e s mais E tanto f o r t e s e violentas q u e a g i t a m a e s p h e r a psy^chom o t o r a e t é e m c o r r e l a ç õ e s muito i n t i m a s . assim parece ser que ha factos t e n d e n t e s a mostrar que á v o l u p t u o s i d a d e e x a g g e r a d a está l i g a d a a crueldade e inversamente. E e s t a s d u a s paix õ e s l e v a m s e m p r e o individuo ao d e s e j o v i o l e n t o de se a p o d e r a r do o b j e c t o a m b i c i o n a d o : s ã o por isso as d u a s únicas f o r m a s possíveis da p a i x ã o N ã o se t r a t a d u m a forte, c o m o diz KRAFFT-EBING.

simples e x c i t a ç ã o inconsciente da e n e r v a ç ã o muscular, m a s d u m v e r d a d e i r o e x a g g e r o d a v o n t a d e com o fim de p r o d u z i r um p o d e r o s o effeito s o b r e o

70

A YlDA S t X U A L

individuo que causou a nossa excitação. KRAFFT-EBING O

Segundo

m e i o m a i s efficaz de c o n s e g u i r

e s s e fim é c a u s a n d o a esse i n d i v i d u o u m a s e n s a ç ã o d e d o r , isto é , n o m á x i m o d a p a i x ã o v o l u p t u o s a o individuo procura causar u m a d ô r ao o b j e c t o a m a d o q u e , nos c a s o s d e i n d i v í d u o s p s y c h o p a t h a s e c o m falta de s e n t i m e n t o s m o r a e s q u e os d o m i n e m p o d e c h e g a r aos últimos e x c e s s o s . O s a c t o s s á d i c o s são m a i s v u l g a r e s n o h o m e m do q u e na m u l h e r e, s e g u n d o KRAFFT-EBING, t é e m uma sexos mesmo limita quanto pôr-se que Ora em o uma o explicação é o natural. ao e Nas passo vencer durante relações que a a d o s dois se h o m e m que escolhe o papel activo e mulher O homem

aggressivo,

ao p a p e l p a s s i v o e d e f e n s i v o .

pretende conquistar em

m u l h e r , e s t a é, algum tempo, o

mais não seja, obrigada pela decencia a defensiva grande uma importancia que psychologica. naturalmente

tem

caracter

aggressivo

t e m o h o m e m p o d e e x a g g e r a r - s e e até d e g e n e r a r tendencia capaz de subjugar completaobjecto dos seus entrar nas desejos em indo até ao Por outro de conta as r e g r e s edades da mente lado a sões

seu a n i q u i l a m e n t o e á p r ó p r i a m o r t e . devem também os pois linha favorecer accessos do s a d i s m o primeiras

atavicas,

h u m a n i d a d e e ainda h o j e , n a s t r i b u s s e l v a g e n s , a m u l h e r é a p r e s a do m a i s f o r t e . é por O sadismo não conseguinte senão o exaggero pathologico

d e c e r t o s p h e n o m e n o s a c c e s s o r i o s d a vida s e x u a l , que s e p o d e m p r o d u z i r e m c i r c u n s t a n c i a s n o r m a e s , sobretudo no homem. conhecidos. S ã o actos impulsivos em que o s v e r d a d e i r o s m o t i v o s d o d e s e j o f i c a m des-

HKTEUOSKXUAl.IUAIJK

MOKIiIDA

Quando

ha

a s s o c i a ç ã o entre a v o l u p t u o s i d a d e

e a c r u e l d a d e n ã o só a p a i x ã o v o l u p t u o s a d e s p e r t a o d e s e j o da c r u e l d a d e , m a s ao c o n t r a r i o a i d é a e s o b r e t u d o a vista d ' a c t o s c r u é i s a c t u a m c o m o u m estimulante sexual e são neste sentido e m p r e g a d o s por indivíduos pervertidos. A este proposito c o n h e ç o u m f a c t o i n t e r e s s a n t e que m e foi r e l a t a d o p e l o p r o p r i o individuo c o m q u e m s e p a s s o u . F . . . , estudante, estava a ser passava por uma rua onde um

maltratado

com

palmatoadas

rapazito, egualmente estudante. s a b e r p o r q u ê , sentiu-se seguir Este De apressadamente facto que

De repente, sem

possuido d uma extraorpara evitar a ejaculação. extraordinariamente. é importante notar o

dinaria v o l u p t u o s i d a d e t e n d o de d e s v i a r a vista e impressionou-o pessoaes

Averiguei

havia hystericas nos ascendentes.

antecedentes

c a s o e x t r a v a g a n t e d e q u e , q u a n d o tinha d e z a n n o s pouco da mais o u m e n o s , a t t r a h i r a u m r a p a z i t o d e d'umas pequenas dadivas, obteve cinco ou seis a n n o s p a r a l o g a r o c c u l t o e, a t r o c o promessa da sua v i c t i m a o c o n s e n t i m e n t o de lhe b a t e r n a s n a d e g a s o q u e realisou c o m p r a z e r d e q u e ainda se r e c o r d a . sexual. E r a o d e s p e r t a r m o r b i d o do i n s t i n c t o por completo com a edade e D e p o i s t o r n o u - s e o n a n i s t a , vicio q u e lhe

d e s a p p a r e c e u quasi

hoje é um p e q u e n o s a d i s t a , q u e se t e m ido c o r r e g i n d o e n o r m a l i z a n d o o m a i s p o s s i v e l a sua v i d a sexual evitando toda a especie de excitações genesicas que tenham tendencias sadistas. Os actos sádicos differem segundo o grau da

sua m o n s t r u o s i d a d e , s e g u n d o a g r a n d e z a da per-

72

A VIUA S E X U A I .

versão do desejo sobre que o individuo está, ou ainda segundo no os elementos e que de resistencia ser que existem individuo podem muito

e n f r a q u e c i d o s pelos defeitos etílicos o r i g i n a e s , pela degenerescencia hereditaria e pela loucura moral. Segundo deve ser KRAFFT-EBING a hyperesthesia sexual como a base dos sempre considerada

desejos e praticas sadistas. Ha os pequenos sadistas que alcançam a maior excitação genital com p i c a d a s , m o r d e d e l l a s , palaté ao estrangulamento das apenas com o e outros que e m a d a s nas nadegas da mulher, etc., e os grandes sadistas que chegam suas victimas. ferem, nem soffrimento sem matam: accidental Ha alguns que não torturam nem contentam-se de outrem;

se limitam a imaginar a scena sadica que e v o c a m , nunca descer á pratica (sádicos inactivos de imaginação). O sadismo e tem sádicos por

victimas as mulheres, até os h o m e n s . sexo que feminino) neste são

as c r e a n ç a s , os animaes e as segundas ( d o Os actos

As primeiras

as mais frequentes e únicas preoccupam. ao estrangulamento acabam revoltante de comerem

m o m e n t o nos pela pratica

sádicos

que v ã o até

muitas vezes

partes do cadaver.

C o m o e x e m p l o citarei a obser-

v a ç ã o n o t á v e l d e MASCHKA r e e d i t a d a p o r GAUSTER e p o r KRAFFT-EBING, de q u e m a e x t r á i o .

TIRCCH, pensionista do hospício de Praga, de cincoenta e cinco annos era concentrado, de mandras extravagantes, brutal, irascivel e vingativo. Foi condemnado a vinte annos de prisão pela violação d'uma rapariguita de dez annos de edade. Nos últimos tempos chamou sobre si as attenções publicas pelos accessos de raiva experimentados sob a influencia das mais fúteis razões.

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

73

Em 1864, depois de ter sido despedido por uma viuva a quem propôs casamento ficou a odiar extraordinariamente as mulheres. No dia 8 de julho andou vagueando com a persistente intenção de assassinar um individuo do sexo que tanto detestava. Vetulam occurrentem in silvam allexit, coitum poposcit, renilentem prostavit, jugulum feminae compressit « furore captus ». Cadaver virga betulae desecta verberare vnluit neque tamen idperfecit, guia conscientia sua IuvcJieri vetuit, cultello mammas et genitalia desecta domi cocta proximis diebus cwii globis comedit. A 12 de setembro quando elle foi preso ainda se encontraram os restos d'esta horrível refeição. Alegou como movei do seu acto « uma sede interior » e pediu mesmo para ser executado por ter sido um pária na sociedade. Na prisão manifestava excessiva irascibilidade e por vezes teve accessos de raiva durante os quaes recusava todo o alimento. A maior parte dos seus antigos excessos coincidiam com explosões de irritação e de raiva.

Na minosos

categoria

d'estes devem que

verdadeiros por vezes

monstros trazem o

psycho-sexuaes

incluir-se

o s c e l e b r e s criD entre esses WHITECHAPEL, de WHITEdo a ausência

estripadores citar etc. nota-se

horror ás populações que infestam. podemos JACK (?), CHAPEL útero, dos SPITZKA, Assim KIERNAN, nas victimas

constantemente

ovários e

da vulva o que faz s u p p ô r

q u e elle p r o c u r a e e n c o n t r a a i n d a u m a s a t i s f a ç ã o mais viva na anthropophagia. Em sidade muitos casos não tem de assassinato por voluptuoo estupro por quer devido a motivos psychilogar

razões physicas,

quer ainda

c o s , c o c r i m e s a d i s t a só p o r si s u b s t i t u e o c o i t o . II' i n t e r e s s a n t e o c a s o de VERZENI de q u e KRAITTEBING diz que encerra sobre tudo a o que a sciencia existente moderna conhece connexão

74

A VIUA S E X U A I .

entre

a

voluptuosidade, o

desejo

de

matar

e a

anthropophagia.

Ei-Io em toda a sua c r u e z a :

V I N C E N T V E R Z E N I , nascido em 1 S 4 9 , preso desde 11 de janeiro de 1872, é accusado : primeiro, de ter pretendido estrangular sua prima M A R I A N N A , quando esta, ha quatro annos estava deitada no leito ; segundo, de ter commettido o mesmo delicto na pessoa da esposa de A R S U F F I , de 27 annos de edade ; terceiro, de ter desejado estrangular Madame G A L A apertando-lhe a garganta enquanto ajoelhava sobre o seu corpo ; quarto, é ainda accusado de ter praticado os seguintes assassinatos :

No mês de dezembro, entre as 7 e 8 horas da manhã, M O T T A dirigia-se a uma communa vizinha onde o o amo de quem ella era servente a esperava. Como ella não chegasse foi procurá-la, encontrando num atalho o cadaver horrivelmente mutilado. As vísceras e os orgãos genitaes tinham sido arrancados e estavam ao lado do cadaver. A nudez e as erosões das coxas faziam pensar num attentado contra o pudor e a bocca da victima cheia de terra indicava que haviam procurado suffocar-lhe os gritos. No dia 28 d'agosto de 1871, de manhã cedo, Madame F R I G E N I , de 2 8 annos, que se distanciára de casa foi, pelo proprio marido, encontrada morta no campo, tendo em volta do pescoço signaes evidentes de estrangulamento e numerosas feridas. O ventre estava aberto e deixava sair as vísceras. No dia 2 9 d'agosto, como M A R I A P R E V I T A I . I , de edade de 19 annos atravessasse os campos foi perseguida por seu primo V E R Z E N I , que a arrastou para uma sementeira de trigo, lançando-a por terra e apertando-lhe o pescoço. Quando afrouxou um pouco a pressão das mãos a fim de se inteirar se havia alguém na vizinhança, a rapariga levantou-se e obteve pelos seus pedidos que V E R Z E N I a deixasse depois d'elle lhe ter apertado as mãos violentamente.
JEANNE

Foi depois conduzido aos tribunaes. Tinha 22 annos, craneo de grandeza media e asymetrico. O osso frontal direito era mais estreito e mais baixo- do que o esquerdo ; a bossa frontal direita pouco

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

75

desenvolvida, a orelha direita mais pequena do que a esquerda, a parte inferior do helix falta nas duas orelhas, as artérias da cabeça um pouco atheromatosas, a arcada zygomatica muito saliente, o maxillar inferior anormalmente desenvolvido, o penis de grandes dimensões, e certo grau de estrabismo arternante divergente ( insufficiencia dos musculos rectos internos ) e mvopia. LOMB R O S O concluiu d'estes signaes de degenerescencia que se tratava d u m a paragem de desenvolvimento do lobo frontal direito. A o que parece V E R Z E N I é uma victima da hereditariedade. Dois dos tios eram cretinos, um terceiro microcephalo e imberbe, com falta d'um testículo e com o outro atrophiado. O pae teve um accesso de liyppocondria pellagrosa. Um primo soffria de hvperhemia cerebral e um outro era kleptomano. A familia de V E R Z E N I é devota e d u m a avareza sórdida. Elle é d u m a intelligencia acima do vulgar e não deu no passado signaes alguns de alienação mental. O seu caracter é extranho. E' taciturno e gosta do isolamento. Na prisão a attitude é cynica, masturba-se e procura a todo o transe ver mulheres. Acabou por confessar os crimes e dizer os moveis impulsores. A realisação dos crimes, diz elle, provocava-lhe uma sensação extremamente agradavel ( voluptuosa ), acompanhada de erecção e ejaculação. Apenas tocava a victima no pescoço experimentava immediatamente sensações sexuaes. Era-Ihe porem inteiramente indifferente que as mulheres que lhe espertavam essas sensações agradaveis fossem velhas ou novas, feias ou bonitas. Habitualmente só experimentava prazer apertando o pescoço das mulheres, e se chegava a sobrevir-lhe o maior espasmo genesico sem matar a victima deixava-a com vida. Nos dois casos citados a satisfação sexual tardou a apparecer e a essa demora deveram as mulheres o ser estranguladas. O prazer que experimentava com taes estrangulações era superior ao que sentia com a masturbação. As contusões que appareceram na pelle das coxas e do púbis eram feitas com os dentes quando elle sugava, com grande prazer, o sangue. Chegou a levar para casa um pedaço de carne d u m a das suas estranguladas para mandar cosinhar e comer, mas

76

A VIUA S E X U A I .

não levou tão longe a perversidade com receio de que lhe descobrissem os delictos. Levava consigo vestidos e vísceras, porque sentia prazer em os cheirar e apalpar. A força que possuía nestes momentos era extraordinaria. Nunca esteve doido, mas na execução dos actos não via ninguém em redor de si, o que estava evidentemente ligado á excitação sexual, que levada ao mais alto grau, lhe supprimia a faculdade de percepção. Depois de executar o crime experimentava sempre certo bem estar e um sentimento de grande satisfação. Nunca tivera remorsos. Nunca tocou as partes genitaes das mulheres que estrangulava, nem tão pouco exerceu sobre ellas o acto sexual ; para sentir o prazer genesico bastava-lhe estrangulá-las e beber-lhes o sangue ainda quente. Era um verdadeiro vampiro. Os desejos sexuaes normaes parecem ter-lhe sido extranhos. Tinha duas amantes, mas contentava-se em as olhar e elle mesmo se admirava de não ser attingido por desejos de as estrangular ou de lhes apertar as mãos. Mas também é verdade que com ellas não sentia o mesmo prazer que com as suas victimas. Não se observou nelle vestígio algum de sentido moral ou de arrependimento. Elle mesmo acabou por declarar que deveria estar sequestrado da sociedade, pois se voltasse para ella não poderia resistir aos seus desejos assassinos e voluptuosos. Foi condemnado a trabalhos forçados. As confissões de V E R Z E N I após o julgamento são interessantíssimas. « Eu experimentava um prazer excessivo quando estrangulava mulheres ; sentia então erecções e um verdadeiro prazer sexual. Já o cheiro do vestuário das mulheres me dava prazer. Sentia-me verdadeiramente feliz ao beber o sangue do púbis das minhas victimas. T a m b é m me dava grande satisfação o retirar do Cabello das assassinadas os ganchos que o seguravam. Tirava pedaços do vestuário e vísceras para ter o prazer de os cheirar e apalpar. Minha mãe acabou por descobrir os meus delictos, e encontrar manchas de esperma na minha camisa. Depois da perpetração do acto ficava satisfeito e bem disposto. Nunca tive a idéa de tocar ou reparar nos orgãos genitaes e tanto que ainda hoje ignoro como a mulher tem dispostos os orgãos

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

77

sexuaes. Bastava-me alfinetar-lhes o pescoço e sugar-lhes o sangue para sentir a satisfação genesica. Enquanto as estrangulava encostava-me a ellas, mas sem procurar de preferencia esta ou aquella parte do corpo. Desde a edade de 12 annos que sentia prazer em matar gallinhas e cheguei a matá-las em tal quantidade, sob o movei do prazer, que tive de inventar que uma doninha é que ia á capoeira ».

Como

diz e

o

sr.

dr.

LOPES sob o

VIEIRA, ponto

O de

mais vista

interessante medico-legal

necessário

seria' d e t e r m i n a r o s s i g n a e s e x t e r n o s manifestações especiaes por onde Infeliz-

ou e s t y g m a s e

se p o d e s s e m distinguir estes d e g e n e r a d o s .

mente estes e s t y g m a s não existem nem m e s m o se podem prever atravez da hereditariedade mórbida dos seus de antepassados. formas e As perversões sexuaes variam ditárias. se tuições. Mas se a h e r e d i t a r i e d a d e é a c a u s a p r i n c i p a l , ella p r ó p r i a é por sua v e z u m a c o n s e q u ê n c i a d o s hábitos adquiridos da libertinagem. Ao lado dos grandes actos sádicos ha as peentrecruzam-se com outras

manifestações de d e g e n e r e s c e n c i a nas linhas hereR e c o r d a m as diatheses sobre que tanto no que respeita ás suas substiescreveu

quenas manifestações que c o m e ç a m a notar-se nas dentadas dadas durante a cópula, que ninguém se lembrou por de conglobar no quadro morbido d'esta dolorosas, e como Em que quando muito serão exteriorisações a da mais porperversão, e terminam em flagellações ligeiras m a s vezes consideradas sexualidade. exquisitas

breve desceremos

menores q u a n d o nos

referirmos á explicação que

KRAFFT-EBING a p r e s e n t a d e s t a a n o m a l i a g e n e s i c a .

107t>

A VIDA S E X U A L

Muitos consideram sadismo.

a necrophilia u m a f o r m a do

Se na maioria d o s casos assim é, noutros

a p e r v e r s ã o é inteiramente d i v e r s a p e l o d e s e j o e pelo fim que se tem em vista. O necrophilo que tortura a mulher p a r a d e p o i s a m a n c h a r ou o b t e r do c a d a v e r q u a l q u e r p a r t e , verdadeiro feitiço, um por que ou ambicionava, um pode considerar-se sádico sadi-feiticista.

M a s o que procura

o c a d a v e r de p r e f e r e n c i a á

própria mulher ou o que não p o d e n d o consegui-la vái violar s e p u l t u r a s com fins sexuaes, esse não é um sádico. da pessoa O o b j e c t i v o é outro. amada N ã o é a tortura q u e o deleita, é o a s q u e r o s o

c a d a v e r que o attrai com todas as suas e x h a l a ç õ e s q u e r seja de p r e f e r e n c i a a o u t r o o b j e c t o de satisf a ç ã o sexual, q u e r seja á falta de m e l h o r . do quadro das variedades de sadismo. l h e - h e m o s a l g u m a s p a g i n a s e m especial. O s a d i s m o pode apresentar-se sob vários aspec t o s : nos assassinos por v o l u p t u o s i d a d e , a q u e já nos referimos, e em todos aquelles a quem a a b e r r a ç ã o m o r a l arrasta p a r a s e n s u a l m e n t e consp u r c a r e m , maltratando-as, m u l h e r e s , c r e a n ç a s ou animaes. E s s e s seres d e g r a d a d o s sentem p r a z e r e m ferir a victima dos seus desejos e em vê-la correr sangue. O tristemente celebre m a r q u ê s de SADE pretendeu fazer-se o a p o s t o l o d ' u m a doutrina f u n d a d a sobre este p e r v e r t i d o s e n t i m e n t o , que por t o d a s as f o r m a s p r o c u r o u idealizar, d e f e n d e r e vulgaI n t e r n a d o n u m a casa d e s a ú d e ( C h a r e n rizar. Por tanto esta v a r i e d a d e de necrophilia d e v e excluir-se Dedicar-

t o n ) , solto durante a R e v o l u ç ã o f r a n c ê s a ( 1 7 9 0 )

IILTlikOSEXUALlUADE

MOkDlDA

7'J

c o m e ç o u d e e s c r e v e r r o m a n c e s e m d e f e s a d a sua these, r o m a n c e s q u e o f f e r e c e u a BONAPARTL q u a n d o este subiu ao c o n s u l a d o , o que lhe v a l e u s e r e m as suas o b r a s q u e i m a d a s e ser elle p r o p r i o intern a d o na sua antiga c a s a de s a ú d e . SADH feria as suas victimas e sentia p r a z e r em as c o n t e m p l a r nesse e s t a d o . G e r a l m e n t e os indivíduos attingidos d ' e s t a perv e r s ã o s ã o indiíferentes aos encantos da m u l h e r , embora, episodicamente, e em condições muito especiaes p o s s a m a p p a r e c e r e x c e p ç õ e s . A s s i m TARNOWSKY c o n t a que Z . . . , m e d i c o d e constituição neuropathica, cedendo facilmente á a c ç ã o do álcool, p r a t i c a v a a c ó p u l a nas circunstancias ordinarias, m a s sentia, logo que b e b e s s e vinho, ção e que obter a a cópula simples o não gôso satisfazia. completo, N e s t a s c o n d i ç õ e s era f o r ç a d o , p a r a ter a ejaculaimpressão d u m picar ou c o r t a r as n a d e g a s da sua v i c t i m a , preferindo a tudo enterrar a lamina na carne v i v a até escorrer s a n g u e . M a s taes c a s o s s ã o o s m e n o s v u l g a r e s . de tudo, p r e f e r e o ver soffrer. N ã o e s t a m o s a citar mais c a s o s , a p e s a r de se encontrarem dade desde ás dezenas em (La livros da especialiCorrupcion d Paris) COFFIGNON Geralmente o sádico é um d e s e j o s o de s a n g u e e, acima

até ao magnifico t r a t a d o de KRAFFT-EBING s o b r e p e r v e r s õ e s s e x u a e s ; p o r q u e não p o d e m o s d e m o rar-nos em minúcias num t r a b a l h o da v a s t i d ã o do que e m p r e h e n d ê m o s . O u t r o a s p e c t o interessante do s a d i s m o está no d e s e j o d ' a l g u n s p e r v e r t i d o s c o n s p u r c a r e m a s mulheres por u m a f o r m a v e r d a d e i r a m e n t e h u m i l h a n t e .

So

A VIDA S E X U A L

Os

casos

de

ARNOT,

TARNOWSKY

e

PASCAL

são

b e m característicos.
a o b s e r v a ç ã o 32.A

B a s t a d'entre elles d e s t a c a r

de TARNOWSKY.

T r a t a - s e d u m doente q u e s e deitava c o m u m a m u l h e r em loilettc d e c o t a d a sobre um baixo divan e m q u a r t o e x c e s s i v a m e n t e allumiado. Ipse Iituit in ILvc eam apud jcinum adspiciendo insiluit est. conta que um jornalista vienês faciens alius cubiculi obscurati consaliquantulum femitiam, quamdam se excitatus sentire

excremento, ejaculationem

in sinus ejus deposuit.

confessus

KRAFFT-EBING

lhe c o m m u n i c á r a o facto de existirem h o m e n s que a troco de exorbitantes p r e ç o s o b r i g a m as prostitutas a et urinas tolerar ut illi piri in ora earum spuerent, in ora explerent. a s u p p o s i ç ã o de c o n s i d e r a r

EM virtude d'estes factos, c o m m e n t a o illustre p s y c h i a t r a , impõe-se c o m o p e r v e r s õ e s s e x u a e s , o facto de certos indiv í d u o s e s t r a g a r e m p r o p o s i t a d a m e n t e o s vestuários femininos exemplo). (com E' tinta o u caso acido s u l p h u r i c o , ao dos por idêntico indivíduos

que nas ruas b e l i s c a m f e r o z m e n t e as m u l h e r e s e que são v e r d a d e i r o s s a d i s t a s . Seria bom que ás no O s criminosos s ã o quasi s e m p r e h o m e n s e as victimas as m u l h e r e s . julgamento d ' e s t e s c a s o s se da vida sexual dos attendesse alterações

incriminados. S u c c e d e por v e z e s , q u a n d o o desejo p e r v e r t i d o n ã o é tão p o d e r o s o q u e v e n ç a a resistencia m o r a l do individuo, satisfazer-se a inclinação é, sadista por uma f o r m a e x t r a v a g a n t e , isto por actos

HETEKOSEXUALlDAbE

MÓRBIDA

Si

inteiramente p u e r i s e i n s e n s a t o s m a s em q u e h a , no f u n d o , a m a n i f e s t a ç ã o s a d i c a . A s s i m é q u e , s e g u n d o a f f i r m a Liio TAXIL, em alguns lupanares de Paris se põe á disposição de alguns dos clientes i n s t r u m e n t o s c o n t u n d e n t e s c o m a s f o r m a s mais e x t r a v a g a n t e s , m a s q u e não p a s s a m de b e x i g a s cheias d'ar e s e m e l h a n t e s ás q u e os clowns u s a m nos nossos circos. e isso os excita s e x u a l m e n t e . U m r a p a z conheci e u , d e c o m p l e i ç ã o neuropathica a c c e n t u a d a , que sentia p r a z e r em b a t e r c o m a m ã o na m u l h e r de f o r m a a f a z e r g r a n d e ruido. Era a audição ha d'este r u i d o , s e g u n d o c o n f e s s o u , mais a as interessantes, como o que constituía o seu m a i o r excitante g e n e s i c o . Mas d'aquelle que lhes dine O casos vienês, a sed que se refere KRAFFT-EBING prostitutas unicamente puelLvs excitahtr valde para ladit, IibiNunqitam Os sádicos t é e m assim a illusão de que b a t e m nas m u l h e r e s

procurava fazer et

barba. ejaculai. pode

acrescenta,

Iuvc Jdciens

sperma

sadismo

apresentar-se

sob

aspectos

ainda mais p a r t i c u l a r e s .

N e m s e m p r e é hetero-

sexual e por v e z e s entra nos d o m i n i o s da homos e x u a l i d a d e , b e s t i a l i d a d e e até do feiticismo. As relações do téem sadismo sido com as tendencias em alguns E' homosexuaes descobertas

p r e c e p t o r e s v o l u p t u o s o s que, s e m m o t i v o justific a d o , b a t e m nos seus discípulos o u pupillos. o E que são demonstram esses os as observações que por camaradas de castigos seus vezes ALBERT. provocam

sexualmente num

collocando-os

tal e s t a d o de e x c i t a ç ã o , que o r i e n t a m n u m

82

A VIUA S E X U A I .

sentido

m o r b i d o a vida sexual a p e n a s e s b o ç a d a .

D e s t a c o dos factos c o m p r o v a t i v o s o r e s u m o d ' u m c a s o de GYURKOVECHKY em que certo P. . . c o n f e s s a que os m á u s tratos infligidos a um seu a m i g o lhe p r o p o r c i o n a v a m os m a i o r e s p r a z e r e s p o r q u e a masturbação, que sempre de conjunctamente lhe praticava seguida um prazer ejaculação, produzia

m a i o r que a m a s t u r b a ç ã o solitaria. E ' s e m e l h a n t e a o c a s o d o nosso c o n h e c i m e n t o a t r á s citado ( pg. 7 1 ) . Alguns violências recorrem espectáculo augmentarem forma matar patos rara. que tinham MANTEGAZZA para tionis (!). E' sádicos ou ou á da a ainda sua sua tortura pelo por dos temor uma de praticarem perversão, mesmo E1 ao ou uma dupla

animaes ou para

morte

excitarem dois

voluptuosidade. observou

LOMBROSO ou

homens affirma

e j a c u l a ç ã o t o d a s as v e z e s que v i a m pombos. Segundo OS chineses d e g e n e r a d o s sodomisant lhes cortar a c a b e ç a tempore ejaculaa morte dos animaes.

gallinhas

Em outros casos os pervertidos só sen-

tem p r a z e r p r e s e n c i a n d o m e n t e os domina.

o feiticismo do acto de m a t a r q u e exclusivaA p r o p o s i t o do sadi-feiticismo são interessantes

as

considerações

de

PAUL

GARNIER

(Ann.

Hyg.,

p u b l . , t o m . xLiii ) a que n ã o p o d e m o s referir-nos, porque viriam alongar demasiadamente a nossa exposição. O s a d i s m o é, d u m a m a n e i r a geral, u m a affirm a ç ã o pathologica da virilidade do c a r a c t e r sexual e pertence m a i s ao h o m e m do que á mulher, porq u e um dos seus e l e m e n t o s constitutivos é, c o m o

IlETEUOSEXUAUDAbB

MOUUlbA

83

dissemos, a s u b j u g a ç ã o do outro sexo e, s e g u n d o a s leis q u e a c t u a l m e n t e r e g u l a m a s s o c i e d a d e s n o que isso do se é que refere o ás m u t u a s relações dos sexos, é ainda o h o m e m q u e m e x e r c e a s u p r e m a c i a . na mulher. se é quasi é Contudo certo existem Por

s a d i s m o m u i t o m a i s v u l g a r no h o m e m mulheres normal na Mas que o homem pequenos certo que

sadicas. apresenta

sempre menos

episodios na

sua v i d a s e x u a l q u e se p o d e m r e l a c i o n a r c o m o sadismo, não m u l h e r só raríssimas vezes se notam essas pequeninas accent u a ç õ e s q u e os p o e t a s e r o m a n c i s t a s r e a l i s t a s t é e m por vezes aproveitado para thema dos seus devaneios. Os casos observados de mulheres sadicas são e m t ã o l i m i t a d o n u m e r o q u e a p e n a s KRAFFTKBING e MOLL o b s e r v a r a m dois c a s o s , os únicos até h o j e v e r d a d e i r a m e n t e e s c i e n t i f i c a m e n t e averiguados. C i t a r e i a primeira d ' e s s a s o b s e r v a ç õ e s . Tratava-se sentou cicatrizes de dum homem casado que se apreD e c l a r o u que a KRAFFT-EBING p a r a lhe m o s t r a r v a r i a s feridas nos braços.

essas cicatrizes eram devidas ao cortar-se no braço para poder approximar-se sexualmente da mulher, q u e é de c o m p l e i ç ã o n e r v o s a e q u e c o m i m m e n s o prazer suga o sangue c h e g a n d o a alcançar por este extraordinário processo uma viva excitação sexual. E' preciso não confundir este caso de s a d i s m o feminino, com os casos de m a s o c h i s m o masculino a q u e em b r e v e nos r e f e r i r e m o s . Na de litteratura e n c o n t r a m - s e m u i t a s d e s c r i p ç õ e s sadicas femininas em que figuram scenas

m u l h e r e s q u e r e i n a r a m a b u s a n d o d a sua c r u e l d a d e e d a n d o l a r g a s á sua d e s e n f r e a d a v o l u p t u o s i d a d e .

A VIDA S t X U A L

Desde

MESSALINA,

a

dissoluta,

até

CATHARINA

DE

MEDICIS, ás da

a

instigadora

dos

morticínios

de

S ã o - B a r t h o l o m e u e q u e tinha o m a i o r p r a z e r em assistir damas No regras sadismo q u e as flagelações, sua corte, que m a n d a v a applicar ás parecem existir vestígios

reaes d esta p e r t u r b a ç ã o genesica. recato dos vetustos mosteiros de austeras é provável feminino, flagellações que apparecessem na casos época de em especialmente

e r a m c o n s e n t i d a s e d elias se

fazia o s t e n t a ç ã o q u e c h e g a v a a p a t e n t e a r - s e nas ruas em procissões celebres (i). A flagellação, que pode ser um acto masochista, originava de memorias verdadeiros prazeres nos Íntimos e

secretos em algumas espectadoras, como se deduz que esqueceram envelhecidos a r c h i v o s dos descripções constituem scientifico. poeta seus conventos. que prova Quando como os litteratos bastante, o imaginaram como no e não

M a s , repetimos, todas estas p r e s u m p ç õ e s e as campo genial crise

desequilibrado possuida

KLEIST n o s a p r e s e n t a a h e r o i n a d ' u m d o s poemas em que d uma q u e ha a s e d e da v o l u p t u o s i d a d e e

nervosa

do assassínio, lançando-se ao amante, rasgando-o c o m os d e n t e s e m a t a n d o - o p o r fim, p a r a exclamar depois de de Beijos a que desapparecer volúpia não e ama o beijei. essa embriaguez para crudelissima morto ? o matar. e coisa e x t r a n h a : — « Beijei-o Attrahiu-me são uma a pode mesma confun-

Não,

mordeduras sinceramente certamente,

di-los » — d á - n o s ,

descripção

(i) Vid. vol. i, pag. 154 e seg.

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

85

viva

e

original,

mas

que

não

pode

ter

o valor

d ' u m d e p o i m e n t o scientifico. T e e m - s e notado tendencias para o assassinato durante a supra-excitação e, ao inverso, produzida téem-se pela voluptuosidade reconhecido

s e n s a ç õ e s v o l u p t u o s a s , p o r e x e m p l o , nos s o l d a d o s q u e se e n t r e g a m aos h o r r o r e s da p i l h a g e m e da carnificina. E tão intimas que são estas relações que as explicações sivas. A perversão de menos E' um sadica existe, quasi mas são s e m p r e , em alguns actos consequência virtude sádicos sexual. rem-se dos taras hereditárias, repugnantes a t r á s a p r e s e n t a m o s d ' e s t e vicio,

d e v i d a s a KRAFFT-EBING, são p o s i t i v a m e n t e deci-

d i r e c t a e i m m e d i a t a da l i b e r t i n a g e m e do c a n ç a ç o f a c t o d e t o d o s o s dias o b s e r v a genesicas nesses devassos começam por desejar perturbações

grandes

centros, que

experimentar sensações acceitá-las

novas e que a c a b a m por

c o m o o s m e l h o r e s e x c i t a n t e s q u e poPrecisamos de não

d e r a m e n c o n t r a r p a r a a sua d e c a d e n c i a f u n c c i o n a l nos dominios da sexualidade. ser e x c l u s i v i s t a s e n ã o me c a n ç a r e i de o r e p e t i r . O s a b u s o s g e n i t a e s p o d e m , s ó p o r si, ser c a u s a s de grandes se perturbações explicar a sexuaes genese, e só d'essa das forma pode atravez

gerações, das grandes neuroses sexuaes. A p e r v e r s ã o s e x u a l ou se a d q u i r e d i r e c t a m e n t e ou se impõe em varias gerações c o m o o symbolico ónus do p e c c a d o original. sos d o s a s c e n d e n t e s . Q u a n d o nascemos já não somos livres : vimos acorrentados aos excesM a s a curva da e v o l u ç ã o

86

A VlUA S K X U A L

não pára e os d e s c e n d e n t e s , p o r sua v e z tornados ascendentes, continuam com novos addicionaes a a c r e s c e n t a r a s taras q u e lhe f o r a m l e g a d a s . campo das doenças nervosas que E' assim que deve explicar-se a g e n e s e m ó r b i d a no vão variando c o m as é p o c a s e c o m os e x a g g e r o s da lucta a

que a civilisação nos a r r a s t a . A t h e r a p e u t i c a a applicar-se a estes p e r v e r t i d o s condensa-se quasi exclusivamente na suggestão h y p n o t i c a que e m m u i t o s casos tem d a d o resultado. E x t r a i o do livro de SCHENCIC-NOAZING O seguinte c a s o q u e pertence á clinica de MOLL, de B e r l i m , e q u e d e m o n s t r a o q u e a c a b a m o s de se auto-masturbou durante muitos affirmar. auxiT r a t a - s e de um c o m m e r c i a n t e de 25 annos, que annos liando-se da r e p r e s e n t a ç ã o de a s s u m p t o s lúbricos e mais ou m e n o s doentios. Na primeira e s e g u n d a tentativa de coito não P o r fim o b r i g a v a a m u l h e r a deivictima Esta in gritava com dores, dava-se mais sem teve erecção. mais se a sua

xar-se b a t e r por elle e q u a n t o m a i s batia e q u a n t o facilmente a erecção, o orgasmo e a ejaculação produziam. penis geralmente immissio vaginam.

O t r a t a m e n t o h v p n o t i c o a que foi sujeito d u r o u dois m e s e s e meio ao fim d o s q u a e s c o m e ç o u a e s q u e c e r o s p e r v e r t i d o s d e s e j o s , c o n s e g u i n d o mais t a r d e que a p r e s e n ç a da m u l h e r nua lhe provocasse a e r e c ç ã o e, finalmente, e depois de a l g u m a s tentativas, tornou-se-lhe costumadas possível a realisação do á sua v i c t i m a . a c t o s e x u a l s e m n e c e s s i d a d e s e q u e r d e p e n s a r nas torturas q u e infligia T o d a v i a o p e n s a m e n t o da f l a g e l a ç ã o ainda o exci-

HETEROSEXUAI.IDADE

MÓRBIDA

7

tava ao fim d'este t e m p o de tratamento ainda que muito menos do que primitivamente. Faltam mais observações neste sentido. O resultado d'este caso é animador. Para sadismo estygmas seus finalizarmos estas considerações sobre o agora no sob o aspecto

encará-lo-hemos especiaes nem As

medico-legal.

Esta anomalia sexual não apresenta individuo, n e m nos no sentido alterações

antecessores (i). mesmo com de suas seu

genesico podem geração, ou tantemente limitado dificavel integrar Para

variar de outras

typo, de geração para O

alternar ou existir concomialterações nervosas.

sadista é, geralmente, um impulsivo e possue um grau nas no elles responsabilidade tendencias, cerebro olhar criminal com compode que o os variantes de caso para caso. pletamente irresponsável, E' por vezes immotornando-se não se novos

porem factores

f a ç a m seguir caminho diverso do que tem seguido. devem compassivamente tribunaes, já que uma nova vida judicial se não

pôde ainda impôr

ás s o c i e d a d e s cultas e o n d e o

medico devera ter um papel primacial.'

Necropliilia. tanto ser

Junto

aos

actos

sádicos

e

que, como estudada o a

já dissemos, alguns auctores a necropliilia. aos mortos Etymologicamente e scientificamente

consideram c o m o uma forma de sadismo, — deve significa amor

(1) VIEIRA.

Manual de Medicina Legal, do sr. prof. dr.

LOPES

88

A VIUA S E X U A I .

é a e x c i t a ç ã o g e n e s i c a q u e a v i s t a ou o c o n t a c t o dos mortos pode provocar em alguns pervertidos Estes pelos tenham horriveis sido attentados téem sido casos romancistas, sem que os sexuaes. explicados descriptos

exactamente

observados

c o m a precisão a que o rigor scientiíico obriga. Assim CAMILLO da obra do nosso grande poderia escriptor deduzir-se d'um

CASTELLO a

BRANCO seguinte

q u e elle t i v e r a t e n d e n c i a s n e c r o p h i l a s . Transcrevemos tuense (i): passagem a r t i g o e s c r i p t o s o b r e CAMILLO n u m a r e v i s t a p o r -

A orphandade noviciara-o no amor. D a h i esse infortunado casamento em Friume, aos quinze annos, os amores com aquella Luiza de que fala nas Memorias do Cárcere e com uma das sobrinhas do padre que conheceu naquelle dia da morte d'alguns seus companheiros d'« estúrdia » na festa de Nossa Senhora d'Apparecida, para quem escreveu a sua primeira poesia entre lagrimas, na serra do Mésio, onde o seu espirito trasladou alguma cousa de « vago e intraduzível » e ainda esses amores com a Maria do Adro, os mais bellos na sua melancolia e simplicidade de quantos eu conheço e tenho visto em livros. A exhumação d'essa mulher amada, violando a sepultura por uma noite tempestuosa, ao clarão dos relampagos, entrando pelas frestas da igreja abalada pelo ribombo dos trovões e reflectindo na cara do cadaver verminado já, a que se seguiu em Camillo uma febre delirante que o prostrou quasi junto da morta, conservando depois sempre junto de si o esqueleto ; só isso, horrível e trágico como

(i) Germinal, n.° i, i.° anno. Porto, i de julho de 1901. Artigo do sr. Lopes d'01iveira, critico talentoso e conhecedor da obra do extraordinário romancista.

HETER0SEXUAL1DADE

MÓRBIDA

um conto de lenda, influiria de modo a elle proprio dizer que « estas impressões ao principio da vida, explicam a agonia das vidas mais dilatadas ».

Devemos sua aldeia

notar

porem

que

elle

foi de

levado

á

e x h u m a ç ã o do cadaver no a convite d'um leitura ( i ) (1842) N a s Duas horas de Impressão indelevel

regresso e no

Lisboa á xi da

medico seu cunhado. capitulo elle descreve mesmo

c o m o o c o n v i t e foi f e i t o . E i s os termos com que se exprime : No dia seguinte, disse-me meu cunhado : — Sabe alguma coisa de anatomia ? — Eu fiz um exame (2). — Atreve-se a ajudar-me a preparar um esqueleto ? — Poderei ajudá-lo. — Então, guarde segredo, porque é preciso que meu mano padre o não saiba. T e m o s que ir á egreja desenterrar um cadaver d'uma rapariga que morreu tisica. — A Maria do A d r o ? — atalhei eu com extranha vivacidade. — Sim : quer ? — Quero, quero. Vamos hoje mesmo desenterrá-la? Não estará ainda corrompida ? •— Não : como estava muito magra, bem sabe que os tecidos que primeiro se corrompem são c e l l u l a r e s . . . E' natural que nem sequer cheire mal. Em todo o caso levaremos agua de cal para borrifar o cadaver. C o m o se vê de todo o dialogo apenas se destaca a i m p r e s s ã o de q u e n ã o d e s a g r a d o u a CAMILLO a idéa de v e r a m o r t a q u e a m o u , o que não é b e m (1) Pag. 53 da 3.» ed. Porto, 1S68. C A M U . L O tinha feito pouco antes acto de Anatomia na Escola Medica de Lisboa onde foi premiado, segundo a sua phrase, com um indulgente R.
(2)

8

<jo

A VIDA S E X U A L

n o r m a l , e o s e u i n t e r e s s e v a i a t é ao p o n t o de p e r guntar: — Vamos hoje mesmo desenterrá-la? Mas acrescenta em seguida manifestando mais o desejo de v e r a MARIA DO ADRO de q u e o s e u c a d a v e r : — AOO estará ainda corrompida ? Da veracidade do facto não pode haver duvida e t a n t o q u e ALBERTO PIMENTEL ( I ) d i z na b i o g r a p h i a de CAMILLO : A historia d'estes amores é de todo o ponto verídica. Contou-me Antonio de Azevedo Castello Branco que em casa do padre Antonio de Azevedo estiveram, durante alguns annos, os ossos da Maria do Adro, sem que o padre soubesse d'isso. Foi um acaso que lh'os deparou. Poderá quando muito, em face d'esses docu-

m e n t o s , c o n s i d e r a r - s e o p r o c e d i m e n t o de CAMILLO c o m o menos equilibrado, especialmente se attentarmos na bella descripção que elle nos dá do esqueleto da sua ex-amada e em que parece h a v e r a l g u m a coisa de feiticismo. Diz assim :

Falta dizer-te meu caro Barbosa, que o esqueleto de Maria está no quarto de meu cunhado. A caveira é d'uma alvura de jaspe. Os dentes conservam o verniz do esmalte. As phalanges d'aquellas mãos que eu beijava não téem a mais pequena mancha. O seio onde lhe bateu o coração está vasio ; todavia a symetrica inserção das costellas faz-me lembrar a cupula d u m a urna onde um anjo do céo veio buscar um coração que não era de cá.

Agora

perguntar-me-hão se informar-me de

eu

procurei, partinos

cularmente,

minuciosidades

pontos em que os documentos me não aclaravam. (1) O Romance do Romancista, Lisboa, 1890.

IIEThROSEXUALlDADE

MORDIDA

9'

Responderei em o fazer.

que O

não,

embora

tivesse

facilidade

que apenas desejei patentear é

que pelo exame das provas que as bibliographias p u b l i c a d a s nos f o r n e c e m n ã o p o d e m o s l e v a n t a r a s u s p e i t a de q u e CAMILLO f o s s e um n e c r o p h i l o . Pi, d e s c u l p a d o este p a r e n t h e s i s , f a ç a m o s n o t a r as d u a s f o r m a s s o b q u e a necropliilia se p ô d e a p r e sentar. ou Umas a vezes sua h a m u t i l a ç õ e s nas m o r t a s , o u t r a s v e z e s ha a p e n a s a r e a l i s a ç ã o do a c t o s e x u a l mesmo Os grupo simples contemplação seguida casos de podem agrupar-se nos da satisfação genesica. primeiros especial a c t o s sadi-feiticistas, e os s e g u n d o s e n t r a m n u m aberrações sexuaes de difficil explicação. H a , em geral, a escolha do cadaver. ferem pela os sua cadaveres belleza. determinadas U n s predas donzellas, outros os de Casos ha p o r e m , e e s t ã o no

mulheres que apreciaram em vida

e x t r e m o da p e r v e r s ã o , em q u e a e s c o l h a é indifferente. Ha então apenas o desejo do c a d a v e r , T a l é o c a s o do sarp r o c u r a m os
n u m q u e me

sem especialização alguma. g e n t o BERTRAND.
relatado

Uns

necrophilos

cadaveres nas c a m a r a s mortuarias, c o m o no caso
p o r BRIÈRE D E B O U I S M O N T , e

foi c o m m u n i c a d o p o r u m a m i g o m e u , d u m individuo que teve relações com o c a d a v e r da própria m u l h e r c o m q u e m s e deitou n o leito o n d e j a z i a , facto seguia Outros occultamente o pervertido vão presenceado por alguém que e era da sua intimidade. aos cemiterios, c o m o

desenterrá-los

h y e n a s f u g i t i v a s , p a r a s a t i s f a z e r o s seus c y n i c o s e pervertidos desejos. BERTRAND, q u e foi o m a i s

92

A VIUA S E X U A I.

extraordinário e repugnante necrophilo conhecido, pois á falta de c a d a v e r e s h u m a n o s c h e g a v a a proc u r a r c a d a v e r e s de a n i m a e s a q u e m abria o v e n t r e e a r r a n c a v a as v í s c e r a s e n q u a n t o se m a s t u r b a v a , ia aos c e m i t e r i o s d e s e n t e r r a r os c a d a v e r e s q u e a principio a p e n a s d i l a c e r a v a p a r a sentir p r a z e r e com quem por fim praticava a cópula, cobrindo-os de beijos, numa loucura de afagos inacreditável! Nunca porem deixava de dilacerar o cadaver q u e em s e g u i d a t o r n a v a a e n t e r r a r . Em Portugal ha um caso celebre de necrophilia julgado nos tribunaes e que é muito curioso. Devo a c o m m u n i c a ç ã o d'esse caso ao meu b o m amigo e d i g n í s s i m o p r o c u r a d o r régio de L i s b o a , sr. d r .
JOSÉ PAULO CANCELLA a quem me é grato agra-

decer, neste logar, o seu precioso subsidio. Em de 15 d'abril de T..., na i883 e n t e r r o u - s e e m P o n t e de F. D . . . Lançado o Sôr, mulher

cadaver 24 fóra

c o v a , q u e era u m p o u c o m a i s l a r g a de edade, os a natural de é Coruche, costume dentro acima pôs nas do do

do q u e o c o s t u m e , o c o v e i r o CUSTODIO JOSÉ, de annos do ao e cemiterio fechou do rapazes que estavam para como porta coveiro ficando subiram

assistir aldeias, o

enterramento,

cemiterio. muro para

A l g u n s dos rapazes que extranharam ver o que se p a s s a v a e o b s e r v a r a m

procedimento

q u e o CUSTODIO JOSÉ se l a n ç a r a s o b r e o c a d a v e r , o q u e t a m b é m foi v i s t o p o r u m a o u t r a p e s s o a q u e e s t a v a n o alto p r o x i m o . o que viram a Abriram porta e Os rapazes foram contar o coveiro em a uns h o m e n s q u e e s t a v a m p e r t o . encontraram

cópula com o cadaver.

HETEKOSEXUALlbAbK

MOKUIbA

<j3

Consta que namorara a T . . . dera e q u e c a s o u c o m F. D. . . anno depois do c a s a m e n t o . Nada ditários. Como Penal num de anno o crime pude averiguar dos

q u e n ã o o attenE l l a f a l l e c e u um

antecedentes

here-

não estava previsto pelo C o d .

1842, foi c o n d e m n a d o p e l o c r i m e prede prisão correccional com multa de da c o m a r c a

visto e p u n i d o p e l o art. 247. 0 do r e f e r i d o c o d i g o , 200 réis d i á r i o s , e m a u d i ê n c i a geral confirmada O que é a sentença por

d e A b r a n t e s e m 2 3 d e n o v e m b r o d e 1883, s e n d o a c c o r d ã o da r e l a ç ã o neste caso é a de L i s b o a de 21 em julho de 1S84. mais extraordinário i m p u l s i v i d a d e d o acto, r e a l i s a d o e m t ã o e x t r a o r di na rias c o n d i ç õ e s em q u e quasi n ã o h o u v e resg u a r d o d a vista d a s t e s t e m u n h a s . E' que a necrophilia só pôde admittir-se cm degenerados bem confirmados, tão r e v o l t a n t e s e

afigura aos c e r e b r o s n o r m a e s . A l g u m a s investigações anatomo-pathologicas de necrophilos téem dado resultados interessantes. N u m c a s o de MOREAU em q u e o c r i m i n o s o s á d i c o e n e c r o p h i l o , ao m e s m o t e m p o , foi g u i l h o t i n a d o , a a u t o p s i a deu a c o n h e c e r q u e as m e n i n g e s fronestavam casos espessas porem e adherentes sido, ao córtex em taes Os

cerebral. téem felizmente, limitado n u m e r o e as i n v e s t i g a ç õ e s n e s t e s e n t i d o raríssimas. Este previsto Penal, caso pelo que de diz violação assim: de « § cadaver 3." Se está o hoje crime § 3.° do art. 247. 0 do n o s s o C o d .

94

A VIUA S E X U A I .

previsto no em art. facto 390.° constitua

páragrapho que,

antecedente (i), consistir contra na com pessoa parte prisão viva, do maior ultima

praticado previsto será

crime (2),

punido

c e l l u l a r d e d o i s a oito a n n o s , o u , e m a l t e r n a t i v a , com degredo temporário. será para esse A violação de sepultura c o m o circunsnossa legiseffeito considerada foi incluído do caso

tancia a g g r a v a n t e do crime c o n s u m a d o ». Este paragrapho na lação em consequência acima referido e

c o m m u n i c a d o p e l o s r . d r . PAULO CANCELLA a um dos m e m b r o s do governo de 1884.

Masochisino.
sexual tivas. o mesmo inversa obsessão que

SACHER

MASOCH,

celebre

con-

tista e r o m a n c i s t a d i v u l g o u u m g e n e r o d e p e r v e r s ã o tratou de preferencia nas suas narraderivou provocar sadismo. o a O nome masochismo que E' é a á da c r u e l d a d e e da v i o l ê n c i a s o b r e si voluptuosidade. masochista obedece D'elle para do de

emprego

estar s u b m e t t i d o absoluta e incondi-

(1) Este § 2." diz o seguinte : Aquelle que pratica quaesquer factos directamente tendentes a quebrantar o respeito devido á memoria do morto ou dos mortos, sem violação do tumulo ou sepultura, será condemnado a prisão correccional até um anno. (2) Art. 3q3.". Aquelle que tiver cópula illicita com qualquer mulher contra sua vontade, por meio de violência physica, de vehemente intimidação, ou de qualquer fraude, que não constitua seducção, ou achando-se a mulher privada do uso da razão, ou dos sentidos, commette o crime de violação e terá a pena de prisão maior cellular de dois a oito annos, ou na alternativa, a de prisão maior temporária.

IiETEKOSfcXUALIDADE

MOKBlDA

cionalmente forma a ser e vergonhosa torturas. sexual,

a a

uma tratado

pessoa por de

de ella

outro

sexo,

de

por uma

forma

ponto

soffrer humilhações e

E é a s s i m q u e elle a l c a n ç a a s a t i s f a ç ã o sendo completamente impossível seguir a Succede, por vezes, existir a o l a d o o prazer sexual ha em que a

vida s e x u a l n o r m a l , p o r s e sentir p s y c h i c a m e n t e impotente. d estas a perversas manifestações E casos

com a copula normal. outras perversões. psychica impotência

O u t r a s v e z e s p o r e m alia-se e physica existem concomi-

tantemente sendo as praticas masochistas apenas excitantes genesicos. Em dos todos os masochistas da que ha a do tendencia do outro sexo. Mas tamd e s e j o sexual p a r a a s u b m i s s ã o e p a r a a p r o c u r a maus tratamentos parte O m a s o c h i s t a é, a m e u v e r , m a i s d e p e n d e n t e de t a r a s h e r e d i t á r i a s do dições do sadismo. O s actos m a s o c h i s t a s v a r i a m n a s u a g r a v i d a d e e i n t e n s i d a d e d e s d e as p r a t i c a s mais m o n s t r u o s a s e mais r e p u g n a n t e s até ás m a i s p u e r i s e i n e p t a s , s e g u n d o o g r a u de i n t e n s i d a d e d o s d e s e j o s perv e r t i d o s e a i n t e n s i d a d e da f o r ç a de r e a c ç ã o ethica e esthetica. E é s e g u n d o e s s e s g r a u s de intensid a d e q u e se d e v e a p r e c i a r o seu m a i o r ou m e n o r dominio sobre a vida sexual normal. O a s s a s s i n a t o d o s s á d i c o s n ã o tem aqui c o r r e s pondente Os casos devido á existencia do instincto de conservação. actos menos masochistas podem, só p o r si, produzir a sensação equivalente á copula ; mas nos g r a v e s a p e n a s s ã o p r e p a r a t i v o s 011 o sadista. b é m h a m a s o c h i s m o a d q u i r i d o n a s m e s m a s con-

125 A VlUA S E X U A L

excitantes d'este da

acto.

T u d o depende do estado

potencia sexual que na maior parte dos casos E' preciso não que confundir recorrem a perversidade da

é psychica e physicamente attingida. liagellação, a masochista. vol. i, a nica dos erecção; os indivíduos sexual-

mente empobrecidos, com a verdadeira perversão Como da se sabe e já e x p l a n á m o s no passiva pela irritação mecharegião sagrada estimula a perversidade normaes. é que é pertence aos flagellação nervos mas esta

physicamente extenuados, podendo apparecer em indivíduos psychicamente sochista o aspecto moral P a r a o maimportante.

A c i m a de tudo deseja a sua s u b m i s s ã o á m u l h e r . O s m á u s t r a t a m e n t o s q u e e s t a lhe p o d e infligir é um meio p a r a alcançar a satisfação do seu estado d'alma meio nhal. e dos seus desejos particulares. para O masochista n ã o p r o c u r a c o m o o impotente vulgar um mechanico Nesses e x c i t a r o seu c e n t r o espideseja ver a sua sujeição. actos

M a s ha casos de masochistas flagelladores d'entre os quaes vou destacar um exemplar muito curioso ( o b s . 4 6 d e KRAFFT-EBING ) p a r a e m s e g u i d a f a z e r algumas considerações sobre os distinctivos que ha a p r o c u r a r nas duas especies de flagellados. X . . . , litterato, de vinte e oito annos, tarado, hyperestheziado desde a infancia, sonhou na edade de seis annos que uma mulher lhe fustigava as nadegas. Ao despertar d'este sonho sentiu a mais viva emoção voluptuosa. Em seguida começou a dedicar-se á masturbação. Na edade de oito annos pediu a uma creada que lhe batesse. A partir da edade dos dez annos tornou-se neurasthenico. Até á edade de vinte e cinco annos teve constantes sonhos de tlagellações e algumas vezes evocava no estado de vigilia essas imagens, masturbando-se ao mesmo tempo.

IlliTEKObtXUAUUADE

MÓRBIDA

9 7

Ha três annos, cedendo a um imperioso desejo, fez-se bater por uma mulher sem que com isso alcançasse a erecção ou a ejaculação. Depois d u m novo e improfícuo ensaio recorreu ao seguinte artificio : enquanto procurava realisar a copula, a mulher devia contar-lhe como batia nos outros impotentes ameaçando-o de lhe fazer o mesmo. Alem d'isso elle era obrigado a imaginar-se amarrado, e completamente entregue á mulher de quem recebia constantes pancadas. Se, apesar d'isso, a erecção não vinha tinha necessidade de se fazer amarrar a valer e só assim é que conseguia pôr-se em condições de realisar a copula em que nunca encontrou sensação voluptuosa, ao contrario do que lhe succedia nas raras polluções que eram acompanhadas de sonhos em que se via maltratado. Nas mulheres só a corpulência do punho determinava a sua preferencia. Todavia a sua necessidade de flagellação era apenas ideal e tanto que a flagellação praticada por homens lhe era inteiramente desagradavel sem provocar o menor grau de erecção. Com o desejo de se casar tem procurado tratamento.

P e l o que se d e d u z d'esta narrativa vê-se que é principalmente sente ella a confissão dos doentes que nos orienta no sentido do diagnostico. o desejo da flagellação, produz levar muito até s e m O masochista muito,

appetece-a

a experimentar, e contudo nem sempre elfeitos aphrodisiacos. que ao a flagellação masochismo. as ou que no das praticas E' entretanto em por das certos vezes, a perturHagelpôde, São, nos grupo

indubitável casos, razões collocar bações iadoras. Estas não

subtis

determinam

certas

masochistas

predilecções

alterações sob

genesicas, a

c o m o aliás de

as que ás taras

agglomeramos podem

designação

sadismo,

exclusivamente

attribuir-se

127 A VIDA S E X U A I .

hereditárias. A maior a

E' parte

a

meu

ver

um

exaggero

dos

psychiatras que v e r s a m estes assumptos. dos casos, porem, s ã o nitidamente c o n s e q u ê n c i a i m m e d i a t a d a s t a r a s ner-

vosas que impendem sobre o degenerado. O masochismo toma varias formas e aspectos desde o masochismo palpavel de provas evidentes e máus tratos em averiguados, até ao masochismo symbolico que os doentes imaginam estar a

ser torturados, e é sob essa extranha impressão q u e c h e g a m á sua s a t i s f a ç ã o s e x u a l . S e a l g u n s d e s e j a m ser e s p e s i n h a d o s p e l a s m u lheres praticas até haver sangue e largas echymoses, dão ao relativamente situação vulgares, humilde porque

masochista a

e soffredora que

elles a m b i c i o n a m ; o u t r o s h a q u e s y m b o l i s a m tort u r a s c h e g a n d o a l e v a r a sua i d e a l i s a ç ã o até ao assassinato passivo por voluptuosidade ! Estas casos variantes em não só face podem d'um apreciar-se grande aqui, convede nos Citaactos nientemente que numero porque

apresentamos

augmentaria immenso o presente volume. ou pelas pessoas ou pela natureza dos

remos apenas, em resumo, alguns casos celebres masochistas realizados. Um amigo m e u , intelligente e aparentemente

e q u i l i b r a d o , d e familia a l g u m t a n t o t a r a d a é u m masochista curioso. bem gravados. N ã o s e e n v e r g o n h a e m m o s t r a r aos s e u s a m i g o s nrais Íntimos os vestígios d'essas lacerações, O b r i g a a amante a morde-lo no peito até a p p a r e c e r s a n g u e e ficarem os d e n t e s

IltTEKOSEXUALIUADh

MOKbIDA

apesar cionista.

de

ser

naturalmente E' como que

r e s e r v a d o nas s u a s u m masocho-exhibi-

confidencias.

J. J. ROUSSEAU foi um masochista.
punições de MELLE LAMBERCIER e do

D e s d e as
nos

seu inicio

v e r d a d e i r o s m y s t e r i o s d o a m o r c o m M M E WARENS até ás suas confissões encontram-se todos os episodios q u e definem o m a s o c h i s t a . Acima « der, Etre de t u d o p r e s a v a aux jenoux moi d'une de a sujeição á mulher. maitresse impérieuse, » A s s i m o affirma no seu livro : obéir à ses ordres, avoir des pardons a Iui demantrês dotices juissances. de alienação

étaient pour

BAUDEI.AIRE q u e denunciam que era as

morreu

mental,

foi s a d i s t a , feiticista e masochista. suas phantasticas encarcerar, a

Os seus v e r s o s predilecções. e nutrir com o

E l l e , q u e c o n s i d e r a v a a s mulheres c o m o a n i m a e s necessário bater ellas convenientemente, sujeitava-se

p r a z e r doentio d e m a s o c h i s t a c o n f e s s o . incoherencia d o d e s e q u i l i b r a d o s e x u a l !

Suprema

M a s h a f o r m a s m a i s curiosas d'esta a b e r r a ç ã o genesica. A l e m dos c a s o s masocho-feiticistas q u e se n o t a m s o b r e t u d o q u a n d o o feitiço é o s a p a t o , o q u e já é u m a p r e d i l e ç ã o de inferioridade, e q u e estão nos limites do m a s o c h i s m o e feiticismo q u e mais tarde estudaremos, segundo os ha a os c a s o s de masode KRAFFTforma chismo e lhe larvado, phrase

EBING, O primeiro que se o c c u p o u d'esta p e r v e r s ã o assignalou Pode limites dando-lhe autonoma. admittir-se a d e s i g n a ç ã o pela

100

A VIDA S E X U A I .

repugnancia casos. Um

que

nos

inspira.

Citaremos pelo já amigo

tres d um na

foi-me typos

relatado anomalos

doente, cujo n o m e me foi o c c u l t a d o e dois o u t r o s representam conhecidos litteratura m e d i c a e dignos de n o t a . X..., trinta bacharel, annos, de a edade quem não superior com a

conservava meretriz No dia

relações

uma

determinada se a a dessem.

pedira, d e s d e o

principio, o m á x i m o s e g r e d o das p r a t i c a s a que a p r a s a d o para as r e l a ç õ e s , meretriz era o b r i g a d a a não d e f e c a r antes do S ó s e sentia s e x u a l m e n t e e x c i t a d o c o m in os. Não pude averiguar defaecatio feminae

encontro.

se este acto era a c o m p a n h a d o de a u t o m a s t u r b a ç ã o . CANTARANO e KRAEFT-EBING citam vários c a s o s similares. Um muito interessante É citado por PELANDA : W . . . , d e 4 5 annos, t a r a d o , d e s d e a e d a d e d e oito annos que se e n t r e g o u á m a s t u r b a ç ã o . A decimo sexto atino bibenlis libidines ul nec suas bibendo Tanta aliquid de ter reerat ceai em volúpias nec feminarum urinam urinam satiavit. Depois

olfacerei bebido,

saperet,

hoec faciens.

e x p e r i m e n t a v a s e m p r e u m g r a n d e m a l - e s t a r , espec i a l m e n t e i n c o m m o d o s c a r d í a c o s , e promettia a si m e s m o de não voltar a repetir tal b e b e r a g e m o que não c o n s e g u i a . egual fellatio. U m a única vez e x p e r i m e n t o u a urina d ' u m r a p a z i t o de prazer bebendo

nove annos c o m o qual se e n t r e g a r a á pratica do O doente por fim foi attingido de delirio epileptico.

HETEROSEXUAUbADE

MÓRBIDA

IOl

LEO

TAXIL a

r e f e r e - s e no s e u l i v r o La prostitution outros casos o estercorarios caso a como que

contemporaine E' muito

muitos os designam. interessante seguinte b e m cabia a d e s i g n a ç ã o de s y m b o l i c o . T r a t a - s e d ' u m notário que era c o n s i d e r a d o c o m o original e misanthropo fez desde a sua juventude. Enquanto um certo os seus estudos dava-se á pratica P a r a se excitar sexualmente tomava de folhas na de papel de que se servira latrina. Estendia-os

do onanismo. previamente sobre

numero

a c o b e r t a do leito, o l h a v a - o s e c h e i r a v a - o s

p r o v o c a n d o por esta forma a erecção. D e p o i s da sua morte encontrou-se perto do seu leito um cesto d'estes papeis. Cada uma das folhas estava cuidadosamente datada. P r o v a v e l m e n t e estes papeis serviam para e v o c a r actos Este dos realisados caso anteriormente um pouco em que e conservava-os aquella as pratica para c o m a l e m b r a n ç a d elles despertar a erecção. lembra de banquetes NERO fezes eram

tomadas e apreciadas como excitantes. KRAFFT-EBING r e l a c i o n a c o m o s a c t o s m a s o c h i s tas a pratica feminina do cunnilingus ( i ) , que infelizmente poderia no tão espalhado, e de certo t o m a r á c o m o pratica masochista ser o fellatio ( i ) também da acto masochista masculino mundo

(i) E' escusado definir o que sejam estas duas praticas. A primeira a própria palavra a define e a segunda é a reciproca com a applicação dos orgãos sexuaes masculinos.

102

A VIDA S E X U A I .

homosexualidade remos. Não me

a

que

mais

tarde

nos

referi-

parece interpretação acertada,

attendendo a que esses actos que, na maior parte dos c a s o s s ã o a c o n s e q u ê n c i a do a b u s o s e x u a l , n ã o vêem ligados a outros s y m p t o m a s masochistas. O masochismo subjugação a que, também em que se se nota na mulher,

mas como não é senão o a g g r a v a m e n t o d'aquella passiva homem c o l l o c a junto d o haja a sua accentuação manifestação sociaes. é difficil a p o n t a r c a s o s b e m a v e r i g u a d o s embora pelas d e s t e instincto, reprimida sobre

attendendo pathologica deve ser

convenções

A l e m d ' i s s o é difícil ao o b s e r v a d o r o c o l h e r documentos o masochismo feminino, porque as r e s i s t ê n c i a s i n t e r n a s e e x t e r n a s , o p u d o r e as c o n v e n i ê n c i a s , o p p õ e m o b s t á c u l o s quasi i n s u p e r á veis ás m a n i f e s t a ç õ e s e x t e r i o r e s d o s d e s e j o s seC o m effeito d e s d e xuaes pervertidos da mulher.

a p r a t i c a c o r r e n t e da m u l h e r a j o e l h a r d e a n t e do h o m e m que a m a até á p r a t i c a d o s p o v o s e s l a v o s , em que as mulheres das classes inferiores, c o m o aliás já ao fizemos do n o t a r no v o l . condado r, se c o n s i d e r a m de Sorerogy infelizes q u a n d o n ã o são b a t i d a s p e l o s m a r i d o s , e costume húngaro o n d e a s m u l h e r e s , s e g u n d o s e diz, s ó a c r e d i t a m no a m o r do m a r i d o d e p o i s de r e c e b e r e m d'elle a primeira da bofetada, ha extraordinarias cujo limite variantes divisorio é subjugação feminina,

difficil m a r c a r n a p a s s a g e m d o c a m p o p h y s i o l o g i c o para o pathologico. A t é h o j e n a s c i e n c i a , s e g u n d o a f f i r m a KRAFFTEBING,'' SÓ assim ha um caso bem averiguado e ainda muito obscuro pelas circunstancias que o

HETEKOSEXUAI.IDAbK

MÓRBIDA

IOJ

cercam. das

Estou

porem

convencido

que a l g u m a s iam até

flagelladoras

dos c o n v e n t o s e q u e

aos mais lúbricos t r a n s p o r t e s , e m b o r a m a s c a r a d o s de um m y s t i c i s m o g r o s s e i r o , se d e v i a m a g r u p a r nesta categoria de viciosas. positivamente de outras C o n t u d o n a d a ha de a v e r i g u a d o , c o m as c a r a c t e r í s t i c a s Fica pois de pé a nota do

de o b s e r v a ç ã o scientifica, entre essas visionarias eras. g r a n d e p r o f e s s o r de p s y c h i a t r i a . A therapeutica a applicar a esta especie é o de

doentes é a m e s m a que se preconisou nos c a s o s de s a d i s m o . recurso voltar. S o b r e o ponto de vista medico-legal não otíerece interesse algum. A victima é voluntaria e por isso não v e m queixar-se n e m v e m pedir o auxilio da justiça. para A s u g g e s t ã o hypnotica que, com único v a n t a g e m , nos p o d e m o s

Devassidões referir-me gnação virilidade

lieterosexuaes.

Para

concluir

o estudo sobre a h e t e r o s e x u a l i d a d e m ó r b i d a vou a algumas de que a praticas s e x u a e s e n t r e os heterosexuaes. a decadencia São da dois s e x o s e q u e d e v e m a g r u p a r - s e s o b a desigeral leva devassidões geralmente perversidades

p r a t i c a r ; mas a l g u m a s ha que Entre annal traz por v e z e s , A as praticas

p a r e c e m constituir a c c e n t u a d a s p e r v e r s õ e s . essas d e v e m do está ciinnilingiis longe de collocar-se, e do fellatio. copula vezes

entre o h o m e m e a

m u l h e r é u m a p r a t i c a que Raríssimas

ser rara.

104

A VIDA S E X U A I .

prazer á mulher e quasi sempre o coito é acompanhado tem em de o dôr q u e justifica contudo a r e c u s a q u e ella algumas acceitar; notam-se

excepções:

mulheres ha que procuram satisfazer

d ' e s t a f o r m a o s seus d e s e j o s s e x u a e s . A e x a l t a ç ã o da s e n s i b i l i d a d e genital t o m a , c o m o dissemos, o nome de f u r o r uterino ou de n y m p h o m a n i a na m u l h e r e o de s a t y r i a s i s no h o m e m por allusão á apregoada lubricidade das N y m p h a s e d o s S a t y r o s e dá o r i g e m a m u i t a s p e r v e r s i d a d e s . Este todas velhice. estado as morbido tanto pôde na encontrar-se como em na edades, infancia

BUCHAN o b s e r v o u - o n u m a p e q u e n i t a de

tres a n n o s e n u m v e l h o s e p t u a g e n á r i o . A s p e s s o a s a t t i n g i d a s p o r esta n e u r o s e g e n i t a l , a que já n o s r e f e r i m o s , s o f f r e m d e b a i x o da s u a uma perversão passageira ou permainfluencia

nente d a s f a c u l d a d e s i n t e l l e c t u a e s , que os leva a praticar actos verdadeiramente revoltantes. S ã o estas excitações genesicas que determinam os a c t o s p r a t i c a d o s c o m c r e a n ç a s . tados seguem ao pudor são os que para os tribunaes. E e s t e s attenmais vulgarmente na imbecilidade

E s t e s delictos, com

exclusão dos indivíduos

cahidos

senil, s ã o p r a t i c a d o s o u p o r p e s s o a s m u i t o n o v a s , que não téem ainda coragem para e m p r e z a s amor o s a s , o u p o r d e s m o r a l i s a d o s que s e t o r n a m m a i s ou menos impotentes. sexual E e das até suas onde N ã o se acredita facilmente faculdades pôde ir a mentaes possa do q u e u m a d u l t o , e m plena p o s s e d a sua p o t e n c i a encontrar prazer na devassidão com creanças. então imaginação l i b e r t i n o na i n o v a ç ã o d ' e s s a s p r a t i c a s ?

HETER0SEXUAL1DADE

MÓRBIDA

105

V u l g a r m e n t e p o r e m a impudicicia consiste em toques femura, ainda voluptuosos, cunnilingus, novo fazia masturbação, etc. d a n ç a r no seu q u a r t o raparicoilus inlei

N u m c a s o d e s c r i p t o por MASCHKA um h o m e m g u i t a s de oito a d o z e a n n o s , o b r i g a v a - a s a saltar e urinar deante d'elle até ter a e j a c u l a ç ã o . N ã o são raros, como já dissemos, os casos de mulheres um rem com voluptuosas c h a m a r e m os a fim de rapazitos a conjimctio membrorum se satisfaze-

a fricção ou ainda p a r a os o b r i g a r a

praticar-lhes a m a s t u r b a ç ã o . A m a i o r p a r t e d o s a u c t o r e s d ' e s t e s delictos s ã o libertinos que parecem ter sido normaes; mas outros h a q u e são p s y c h o p a t h a s b e m a v e r i g u a d o s .

H O M O S E X U A L I D A D E

Desde signaes corrente orgãos reside da

o

exaggero os e se ha se

de

HGESSLI, q u e sexuaes mesmo nocivos

chegou a como a aos que de de de para

considerar

orgãos

externos

supérfluos em que

d e t e r m i n a ç ã o p s y c h i c a d o s s e x o s , a t é á doutrina liga um valor meio absoluto termo em genesicos, a verdade

dos factos. pôde em

No estado actual existencia providos

sciencia n ã o

negar a homens o

sensações como não

femininas pôde

orgãos genitaes normalmente c o n f o r m a d o s , assim negar-se apparecimento sensações masculinas em mulheres com os orgãos sexuaes normalmente desenvolvidos. Ha com a homens que que só se excitam genesicamente de outros homens e ha só experimentam desejos sexuaes approximação

mulheres

quando se approximam de outras mulheres.

1

8

A VIDA S E X U A L

D'ahi a designação de homosexualidade (i) c o m que encimamos o presente capitulo. Vários termos tcem sido empregados para classificar este g r u p o de vicios genesicos. elles d e s t a c a m o s os que vra hoje mais mais vulgarizados. é o uranismo. circula Dentre UM dos E s t a pala-

foi i n t r o d u z i d a n a s c i e n c i a p o r ULRICHS q u e passagens do Banquete e no de Platão, lenda, neste a as solTrera nascera sentido

a f a z d e r i v a r d e URANUS p e r s o n a g e m q u e , s e g u n d o umas de perversão homosexual f i l h a APHRODITE q u e , s e m m ã e (2). homosexualidade Tem-se de por tanto que teve como

dizer da e só

M a s o uranismo abrange apenas a masculina vezes para de

deverá ser applicado. empregado classificar mas pela amador sua de designação tendencias p e d e r a s t i a (3)

homosexuaes recto, porque (Ttxidéçérac-vn;)

masculinas; apesar significar

o t e r m o é incororigem grega rapazes, é

certo que de ha muito circula na sciencia m e d i c a e n a s leis p e n a e s , c o m o s i g n i f i c a n d o a p e n a s u m pequeno dos As que grupo de degenerados homosexuaes, o in anum dois immitiunt. indivíduos pela divulgada. e a gynandria a que e viraginidade E' do porsexo membrum

tanto má designação generica. relações entre aliás masculino As são também designadas palavra

commasculatio, correspondem

pouco

expressões

effeminação

inversamente

(1) Também se emprega o termo inversão, como synonymo.
(2) Cap. VIII-IX.

(3) O coito anal tem o nome de sodomia quando é praticado na mulher.

HOMOSEXUALIDADE111

androgynia facilmente ficam do em homem

da se

parte

da

mulher

e

que,

como

conclue da sua e t y m o l o g i a , signipsychicamente da m u l h e r se se transformar

as tendencias mais ou m e n o s a c c e n t u a d a s para as t r a n s f o r m a r em

mulher e

h o m e m r e p r e s e n t a m , p a r a alguns ( i ) , u m e s t a d o a d e a n t a d o da p e r v e r s ã o e estão p o u c o d i v u l g a d a s . Para a h o m o s e x u a l i d a d e feminina t a m b é m ha varias. Nenhuma porem conheço

designações

q u e , com p r o p r i e d a d e e t y m o l o g i c a , a b r a n j a t o d a s as suas m a n i f e s t a ç õ e s . apenas um grupo A s s i m o saffismo a b r a n j e p r a t i c a s , p o r q u e cond'essas

siste na f r i c ç ã o do clitóris c o m a lingua seguida de s u c ç ã o . E c o n t u d o é esta u m a d a s e x p r e s s õ e s mais d i v u l g a d a s e q u e , por v e z e s , se encontra nos livros d a e s p e c i a l i d a d e c o m d e s i g n a ç ã o geral que não lhe d a r e m o s . Alguns gnações O ilha auctores de Icsbismo deriva a empregam também para a a as desie tribadismo de Lesbos, collocou significar conhecida origem da

r e l a ç õ e s h o m o s e x u a e s femininas. lesbismo em que tradição

masturbação boccal. turbação manual, os as fricções

A s p r a t i c a s d a mutua m a s toques anaes pelos dedos, são t a m b é m desi-

v o l u p t u o s a s , etc.,

g n a d o s p o r este t e r m o . como designação geral. O bação que
(I)

P o r isso o a p p l i c a r e m o s signifi-

tribadismo reciproca possuíam
Vid.

(de

Tpiêw— friccionar) entre

c a v a a n t i g a m e n t e u m a f o r m a especial d e m a s t u r usada clitóris as m u l h e r e s p e l a s compriexcepcionalmente
ob. cit.

KRAFFT-EBING,

139 A VlUA S E X U A L

dos, Jictrices

simulando davam e de

assim subigatriees

a

copula os ás

normal. nomes que

Os de se

latinos

respectivamente

mulheres

entregavam como

a estas praticas. do amor seja

U l t i m a m e n t e , popbysico a entre duas

r e m , muitos a u c t o r e s t é e m t o m a d o o t r i b a d i s m o synonimo mulheres, qualquer que satisfeito. forma porque é

E até m o d e r n a m e n t e MANTEGAZZA (I) « algu-

d e p o i s de citar os casos c e l e b r e s de DUHOUSSET, PAUL ERAM, TEGG, etc., diz o s e g u i n t e : m a s v e z e s o t r i b a d i s m o não é s e n ã o q u e s t ã o de v o l u p t u o s i d a d e p h y s i c a , e a mulher p e d e a volup t u o s i d a d e á lingua de o u t r a m u l h e r c o m o á do h o m e m com a b s o l u t a i n d i f f e r e n ç a ; m a s a m a i o r parte das v e z e s associa-se á luxuria u m a v e r d a Ora deira p a i x ã o ardente, e que t e m todas as exigências e todos os c i ú m e s do a m o r v e r d a d e i r o » . nem a origem da palavra nem a generalização

q u e se lhe deu justificam que c o m ella se p o s s a m designar d e t e r m i n a d a s d e v a s s i d õ e s h e t e r o s e x u a e s . A' falta de melhor, e indo d'accordo com g r a n d e n u m e r o de a u c t o r e s e m p r e g a r e i as expressões l e s b i s m o e t r i b a d i s m o indistinctamente para designar a homosexualidade feminina. parte a expressão uranismò feminino alguns a u c t o r e s se s e r v e m . As maes o tendencias se téem a h o m o s e x u a e s não s ã o a t t r i b u t o N o s p r o p r i o s aniRAMDOHR foi confirmou-o reconhecido. e KRAUSS P o r e i de de que

e x c l u s i v o da especie h u m a n a . ellas primeiro affirmá-lo

com factos.

MOLL cita o c a s o curioso de dois

(i) O Amor dos Homens — Tr. Lisboa, 1901.

HOMOSEXUALIDADE

1 1 1

cães

que

se

friccionavam

um

contra

o

outro

a t é um d ' e l l e s o b t e r a e j a c u l a ç ã o . observados sexo ás verdadeiros homosexuaes heterosexual: cho-sexual. Vou D'esse para As taes, em as especialmente estudo referir-me

O que porem

n e n h u m d ' e s t e s a u c t o r e s f a z h o t a r é se os a n i m a e s preferem as relações dos do m e s m o pois, como outras. se as sabe os relações Casos ha degenerados a preferem heterosexuaes,

quaesquer

p o r e m em q u e o h o m o s e x u a l é t e m p o r a r i a m e n t e é portanto um hermaphrodita psyao uranismo. conclusões

tirar-se-hão

idênticas

manifestações homosexuaes femininas a homosexuaes não são accidensobrevindo

q u e mais t a r d e m e referirei c i r c u n s t a n c i a d a m e n t e . perversões mas nitidamente pathologicas,

condições determinadas.

C o m e f f e i t o , .estas

anomalias foram observadas em todas as épocas e em t o d o s os p a í s e s m e s m o em i n d i v í d u o s q u e ignoravam completamente o q u e em outros se praticava e sempre com os m e s m o s caracteres que se teem identificado num grande n u m e r o de biographias e a u t o - b i o g r a p h i a s de u r a n i s t a s , a p e s a r d a s dilferenças individuaes que naturalmente existem. O uranista pôde reconhecer a belleza lher, mente dade, serem vista ções. laços mas não sente na os sua presença de e os e serem da seus alguma voluptuosa, accentuados isto é, o seu apesar penis da m u sensação rigorosasua virilitestículos

attributos

absolutamente n o r m a e s sobre o ponto de da c o n f o r m a ç ã o de sympathia exterior que em das suas funcse parecem O uranista approxima-se dos homens por nada arrasta-os u m a impulsão

com a amizade v u l g a r :

1 12

A VIDA S E X U A L

sexual

que

é

inteiramente

comparavel

á

que

impelle o homem para a mulher. E todas as manifestações da vida sexual normal ali s e r e p r e s e n t a m . masculinos excita o A vista dos o r g ã o s genitaes uranista tão intensamente

c o m o a vista dos o r g ã o s genitaes femininos excita o homem normal. O sexual aquelle ciúme deseja a é O fim do u r a n i s t a é r e a l i s a r , s e j a uma possuir se manifestação em constante do c o m o fôr, contactos deleitosos com outro h o m e m . amor uranista. quem C o m o no amor normal o homoabsoluto e só p a r a si E esta paixão tão dedica.

característica as de vulgares temor e

não é m e n o s intensa entre os uraTodas aqui e scenas de desconfiança, de receio e aquella com que mais se ama vezes ferocidade

nistas d o q u e entre o s indivíduos n o r m a e s . de perder por

apparecem

intensidade do que nos casos normaes. No c a m p o da homosexualidade feminina dão-se os mesmos phenomenos embora não sejam tão intensos. Em breve apreciaremos mais desenvol-

vidamente estes s y m p t o m a s . Historia. — As manifestações homosexuaes, E, no pronas no

c o m o a maior parte das perversões sexuaes hoje seleccionadas, datam coisa seu curiosa, a aperfeiçoamento apreciaveis. alterações Como das mais remotas eras. não no tem operado hontem, produzido ou seu como téem exaggero evolução Hoje, se

gressos as

sociedades hodiernas c o m o nas velhas civilizações, mesmas instincto sexual. diz MAURIAC ( I ) estas

(i) Art. Onanisme, Dicc. de Jaccoud, Paris.

HOMOSEXUALIDADE

Il3 progredido, Mais tempos no-las nem ou

alterações novas menos riaes e

genesicas

não vêem

téem de

perversões disfarçadas a historia

foram

descobertas.

immemopatenteia.

claramente

P o d e m ir buscar-se as suas origens ás narrativas mythologicas e ás tradições mais ou m e n o s verosímeis de remotíssimas épocas. M a s recorrendo m e s m o somente áquelles factos s o b r e q u e não p o d e m existir d u v i d a s e de q u e a historia g a r a n t e a inteira a u t h e n t i c i d a d e p o r m e i o das suas fontes mais seguras, vê-se que o uranismo é c o n h e c i d o de ha m u i t o s séculos. N a Biblia l e m o s : « 22 — Não usarás do macho, como se fosse femea, porque isto é uma abominação. » « 24 — Não vos manchareis com nenhuma d'essas torpezas, com que se tem contaminado todas as gentes, que eu expulsarei á vossa vista. » « 29 — T o d o o homem que commetter alguma d'essas abominações, perecerá no meio do seu povo. » (1). E ainda : « — Aquelle que dormir com macho, abusando d'elle como se fôra femea, ambos commettem coisa execravel, morram de morte ; o seu sangue recáia sobre elles. » « — O Senhor te ferirá d'ulcera do Egypto e a parte do teu corpo por onde saem os excrementos será atacada de sarna e comichões que não poderás curar. » M a s onde as m a n i f e s t a ç õ e s h o m o s e x u a e s deixar a m m a i s a c c e n t u a d o s v e s t í g i o s foi n a s c i v i l i z a ç õ e s grega e e s p e c i a l m e n t e na r o m a n a . Na Grécia, pondo mesmo de parte scenas e mythologicas Cap. que vão das relações do Levit., trad. de d e JÚPITER

(1)

XVIII,

FIGUEIRF.DO.

1

4

A VIDA S E X U A L

GANYMEDES,

APPOLLON

e

HYACINTHO,

HERCULES e PYLADE, ura-

H Y L A S , e t c . , a t é ás r e l a ç õ e s de ORESTE e PHESEU e PEYRITHONS, h a numerosas

lendas

nistas parte mesmo

em

que as

p a r e c e h a v e r a p r e o c c u p a ç ã o da approximações procurar homosexuaes e

dos g r e g o s , de fazer subir á m a i s r e m o t a talvez nobilitá-las e embellezá-

antiguidade

Ias c o m d e s c r i p ç õ e s p h a n t a s i o s a s . Em A t h e n a s e em C r e t a a p e d e r a s t i a , s o b r e t u d o , esteve Os muito divulgada de e tanto que as leis de bellos SOLON a ella se r e f e r e m . negociantes para E de escravos lúbricos o vendiam mancebos indignava. em honra fins que a ninguém

até á custa de m y t h o l o g i a glorifiEROS, O protector do amor dos

c a r a m os seus vicios erigindo m a g e s t o s o s t e m p l o s homens. Os g y m n a s i o s e as p r e d i l e c ç õ e s estheticas dos gregos pela belleza physica E masculina era assim concorque nos r e r a m i m m e n s o p a r a se d i v u l g a r e m e r a d i c a r e m estas praticas exercícios aos olhos mórbidas. athleticos, nas c o r r i d a s , dum povo nos j o g o s , e

nos c o m b a t e s os m a n c e b o s se e x p u n h a m semi-nús sensual c o m o p o u c o s , alim e n t a n d o dia a dia o vicio que já vinha congenitamente i n v e t e r a d o nos c o s t u m e s . O amor theatro e sexual. a litteratura t é e m r e f e r e n c i a s ao Assim no Banquete de Platão

p r o c u r a dar-se a este a m o r um c a r a c t e r e l e v a d o chegando-se a m o r dos a mas seducção somente todavia a p e d i r leis que r e g u l e m o com o seu do sexo, sexo prohibindo masculino, antidas creanças homens

como

precoce,

nunca c o m o

natural.

111

HOMOSEXUALIDADE

ANACREONTE em deliciosos ter o

nas

Odes

canta

o

amor uranista da andorinha ao lado. do tão foi seu

versos. seu

Queixa-se

que o desperta porque imagina Fala seu E que dos

afasta os sonhos em que BATYLLO e

adorado negros e

Descreve-nos o seu a m a d o c o m cores insinuantes. seus de cabellos marfim foi brilhantes, suas ancas não ao o pescoço se no das

f o r m o s a s c o m o a s d e POLLUX ( I ) . ANACREONTE seu expressivo idyllio m e n o s THKOCRITO que viveu muito mais tarde e dirige

duodécimo estas

a m a d o AITO, c o m a q u e l l a f e b r e e n t h u s i a s t a d u m apaixonado, recerás E eu ardentes com neste palavras: « Virás, Oh A i t o muito a m a d o ? finalmente patenteio D e p o i s de tres noites a p p a a terceira aurora ? logar estes

joven, este desejo faz-nos velhos num só d i a ! . . . » documentos porque sou de parecer que, e m b o r a estes poetas P a r a qualificar c o m que aquelles que a

não tenham sido uranistas, é certo que exprimiram o pensar do seu tempo. subsídios arte nos mais valiosos nas do verdade o estado moral d'uma sociedade não ha prodigalisa suas diversas manifes-

(i) Chega até a ter referencias directas á pederastia. Basta citar duas passagens bem significativas. Extráio-as do magnifico livro de M O L L ( edição italiana ) que exprime assim e continua o pensamento acima expresso nestes termos : « I suoi capelli sono veri e brillanti, il suo collo è d'avorio, Ie sue anche sono tanto belli quanto quelle di Polluce, tra la sue cosce fine, piene di gioia, lio conpiuto con pudore un impudicifia che aspira verso l'amore. » Nada porem ha mais significativo do que a seguinte passagem da mesma ode : « L'arte tua è molto gelosa, poichè mi cela il tuo bel dorso, che è la parte migliori di te stesso. »

145 A VlUA S E X U A L

tacões. leveis A tem

A

musica,

a

pintura,

a

esculptura,

a

p o e s i a e até a a r c h i t e c t u r a d e i x a m v e s t í g i o s indeque bem definem os costumes do tempo. musica noções rudimentar vagas d um dos povos dos tropicos baixo e característico

sensualismo. A p i n t u r a e a e s c u l p t u r a da é p o c a em q u e o uranismo mente ao delineadas. A poesia mais vigor A preponderava das a formas vida, attendia masculas especiale bem

a n i m a ç ã o da téla ou da dia a dia era o sentir da raro o amor espoPelo

estatua apparecem subsequentemente. photographa Assim na sociedade. DROS rádicos contrario amor e Grécia

a r d e n t e do h o m e m p e l a m u l h e r . appareciam na era uma vida raramente: amorosa d'esse

EROS e LEANpovo.

eram casos um

vulgar

encontrar

verdadeiro entre o s

extraordinaria

abnegação

h o m e n s que s e a m a v a m . UM facto curioso pelas que muitas que vezes delle me tem

preoccupado o amor

illações

podem que

tirar-se, é o s e g u i n t e : nas p o p u l a ç õ e s n a s c e n t e s homosexual altamente é raríssimo, civilizados quer e ao p a s s o nos povos muito desen-

volvidos, quer versões Eoi lação devido por em ás

material,

psychicamente, as

m a n i f e s t a ç õ e s h o m o s e x u a e s e , e m g e r a l , a s pergenesicas isso que abundam extraordinariamente. sustentei na primeira parte

d ' e s t e m e u e s t u d o que o d e c r e s c i m e n t o da p o p u algumas praticas nacionalidades não é apenas que apesar As malthusianistas,

d a s a c c u s a ç õ e s que s o b r e ellas r e c á e m s ã o a s q u e m e n o s contribuem para esse terrível effeito.

HOMOSEXUALIDADE

raças e as civilizações téem u m a e v o l u ç ã o inteiramente nuamento que comparavel e o á dos indivíduos. das O exteé definhamento se sociedades taras

d e v i d o a um c o n j u n c t o g r a n d e de c i r c u n s t a n c i a s especialmente reúnem nas que p e s a m s o b r e as s o c i e d a d e s c u l t a s . M a s , r e a t a n d o o que v í n h a m o s d i z e n d o , q u a n d o o uranismo nhecia Pelo depois relações em florescia na Grécia quasi se descoR o m a , que c o m e ç a v a e n t ã o a levanem C a r t h a g o os hábitos pede-

tar-se e n e r g i c a e v i g o r o s a . contrario das rastas e s t a v a m e x t r a o r d i n a r i a m e n t e d i v u l g a d o s e g u e r r a s púnicas o c o n h e c i m e n t o d o s estes tomaram com os gregos fez de amor grego. c o s t u m e s c a r t h a g i n e z e s p e l o s r o m a n o s e ainda as que c o m que o vicio se e s p a l h a s s e no seio dos vencedores com E designação a p e s a r de h a v e r d o c u m e n t o s d e m o n s t r a t i v o s

da existencia do u r a n i s m o antes de CESAR e dos primeiros i m p e r a d o r e s — e t a n t o que muito t e m p o antes a lei Scaliniatina prohibia as r e l a ç õ e s c o m os r a p a z e s , — é certo q u e é neste p e r i o d o que a pederastia se m a n i f e s t a c o m mais e v i d e n c i a . E conjunctamente do seu proclama com um o uranismo novo e como consequência Mytilene, t a d o culto. uma cada filha, sexo apparecimento, amor SAPHO, de superior

áquelle a q u e até então as m u l h e r e s tinham presV i u v a de CERCALA, de q u e m tivera começou devia num a defender a esteril. idéa si de que e e concentrar-se em amor terríveis mesmo poetisa

consumir-se discursos que

Era

p h i l o s o p h a ao m e s m o t e m p o , e as s u a s p o e s i a s e foram meios de adeptos. propaganda Discutiu-se crearam innumeros

118

A VIDA S E X U A I .

muito tudo

se isso

seria pouca

bonita ou

ou

feia,

se

teria para

formas mas que o

masculinizadas

se seria mulher a valer, importancia tem

mais nos interessa. SAPHO, f i l h a d u m a f a m i l i a d e L e s b o s e r a r i c a . Pôde escola que amor por de se vinham em isso estabelecer em sua onde das da casa as uma jovens do praticas mutua prostituição orientavam geral e a tribade, no

a o gyneceu a p r e n d e r o s s e g r e d o s sentido especialmente

tribades maremos Entre

masturbação boccal saphismo.

q u e , c o m o dissemos, cha-

as suas discipulas tornaram-se celebres ATIS, ANACTORIA, as suas FELESILA, educandas, ANDRÔporque

ARNICTENE, SAPHO não se que

MEDA, MEGARA, e t c . , e, na p h r a s e de BARTHELEMY ; amou muito podia da amar d'outra maneira. extraordinaria poetisa Já ao tempo ficou uma ode

pensara num foi

delirio s a p h i c o e tanto q u e d a s sciencia m e d i c a da antigui-

obras

tomada pela

dade c o m o um m o n u m e n t o de diagnostico d'esta alfecção genesica (i). Alguém dedicada quis fazer acreditar que esta ode fôra a PHAON por q u e m mais tarde se apai-

(i) Eis a extraordinaria ode que não se sabe a qual das suas amantes foi dirigida : « Feliz quem junto de ti, só por ti suspira ; quem gosa o doce prazer de te ouvir falar ; quem merece um só dos divinos sorrisos dos teus lábios ! Nem os deuses na sua eterna felicidade podem egualar-te ! Mal te vejo sinto correr por todo o corpo, de veia em veia uma chamma subtil, e nos doces transportes em que a alma se me perde não sei encontrar nem palavras nem voz ! Tolda-me a vista uma nuvem confusa ; nada ouço, mergulho-me em suave languidez, e pallida, sem alento, delirante, estremeço, caio e . . . morro. »

HOMOSEXUALIDADE

xonou loucamente e tanto que não sendo correspondida ultimo versão se suicidou para não o atirando-se ao seu violento A mar do alto amor. ode foi Esta de do rochedo de L e u c a d e , procurando nas ondas o allivio parece ser exacta.

certo dedicada a uma das suas a m a d a s . SAPHO foi p o i s u m a h e r m a p h r o d i t a p s y c h i c a e alguns a accusam de h e r m a p h r o d i t i s m o physico, o que não é rasoavel admittir-se. M o r r e u depois de crear u m a escola q u e se desenvolveu no titutas requintados attestado logo de das meio e das cortezãs gregas, das prosdas tocadoras ahi em de flauta dos E como e s s e Diaqueixas as legaes

festins da academia p a g ã . desordens LUCIANO temos que

d'essas

Cortesãs de

CARMIDE a o v e r - s e e n g a n a d a p e l a s u a q u e r i d a para a a d o r a ç ã o das f o r m a s e dominava ao os d'onde a época. serviço homens As eram se poseram taças da d'esses

PHILEMACIA s ã o t r i s t e m e n t e c a n t a d a s c o m a q u e l l a propensão natural artes festins rosas, não mente E muita vez da belleza physica, que deslumbrantes somente a os lauréis as da

expulsos para, entre tanto palma

de vinho c o r o a d a s de poderem como disputar principalamando-se

mulheres

belleza,

voluptuosidade,

e u n i n d o - s e s o b a i n v o c a ç ã o de VENUS PERIBASIA. t a n t o se a d i v u l g a r a m q u e o g r a v e ALCIPHRONTE bella descripção d'um d'esses festins a u l e t r i d a ( I ) MEGARA á adoração de formas dá-nos

numa carta dirigida pela uma bella pagina

s u a a m a d a BACAHIS, c a r t a q u e é a o m e s m o . t e m p o d'aquella que tanto caracterisa a civilização grega.

(i) Auletrida quer dizer prostituta livre.

120

A VIDA S E X U A I .

M a s não p a r e m o s n a G r é c i a . R o m a , já depois

Olhemos para

que o m u n d o asiatico e g r e g o V i n g a n ç a terrível, Por dos das

d elia se h a v i a m v i n g a d o legando-lhe, v e n c i d o , o p e s a d í s s i m o ó n u s dos vicios. propicio para outro o p o r q u e nunca a d e v a s s i d ã o e n c o n t r o u terreno mais p r o s p e r a r e se d e s e n v o l v e r . dos imperadores exemplares fizeram d'estudo um lado o luxo e exemplo os romanos a opulência do meio, e pelo

melhores

variadas perversões sexuaes. O uranismo d e s e n v o l v e u - s e e x t r a o r d i n a r i a m e n t e e concomitante e consequentemente o tribadismo a o m e s m o t e m p o floresceu a o seu l a d o , e m s y m b i o s e , q u e significava sexo e s q u e c i d o . d'alguns uranistas uma d e f e s a do p a r a d o x a l J u u o CESAR q u e tanto c u i d a v a modernos que fazem cortar

da b e l l e z a do seu c o r p o , c h e g a n d o aos e x c e s s o s cuidadosamente os c a b e l l o s , c h e g a n d o m e s m o á

e p i l a ç ã o afim de ter a pelle o mais Iiza possível, sacrificou a NICOMEDES, rei da B i t h y n i a , a flor da sua j u v e n t u d e , p a r a nos s e r v i r m o s da p h r a s e de CICERO. SUETONIO accusa-o de ter tido r e l a ç õ e s
TIBÉRIO, DOMITIO CALÍGULA, e NERO, tantos GALGA, outros

s e x u a e s c o m o e s c r a v o RUFION.
OCTÁVIO, OTHÃO, TITO, NERVA, e

são

accusados a

do m e s m o vicio. da é p o c a . de

E estes costucomo o OS EpiA h i o estão a

mes tinham-se p r o p a g a d o e affirma grammas litteratura os de proclamar Epillialamios MARTIAL, O

divulgado, CATULO, de

Satyricon

PETRONIO

e as Satyras de JUVENAL. A prostituição masculina alcançou em R o m a o maior desenvolvimento. vários n o m e s e durante O s prostituídos tinham algum tempo se exhi-

HOMOSEXUALIDADE

biram mente

os nos

mutilados referimos.

recordando Havia os

um

pouco e

os os

e s c ó p e z e s a q u e no nosso primeiro v o l u m e largacastralli thlibice a que só se a t r o p h i a v a m os testículos por m e i o s cirúrgicos. miscuidade nua N a s c a s a s de b a n h o , na prodas pessoas do mesmo sexo, E se o u r a n i s m o

progrediu o amor homosexual.

attingiu o mais i m p u d i c o d e s e n v o l v i m e n t o de que ha m e m o r i a , o t r i b a d i s m o e e s p e c i a l m e n t e o Iesb i s m o a l c a n ç a r a m o m á x i m o d e s e n v o l v i m e n t o , que nessa p e r v e r s ã o poderia imaginar-se. uiessaliones alcançaram romanas até tão aos as Saturnaes e requintes nunca o antes prazer Nunca N a s comimaginados. homosexual tão longe e relações, de Festas á Bôa-Deusa

M e n o s p r o p e n s o s a a d o r a r as f o r m a s , as m u l h e r e s materialisaram se últimos e x t r e m o s .

publicamente

levaram

estas

c o m o entre e s s a s m u l h e r e s q u e CELIO classificou de tribades, PLAUTO frictices. de subigatrices e ARNOBIO N ã o insistimos em citar m a i s e x e m p l o s .

P a r a c o n h e c i m e n t o do d e s e n v o l v i m e n t o da homos e x u a l i d a d e nas antigas civilizações o que fica dito é mais do q u e b a s t a n t e . nova phase surgia, histórica: E n t r e m o s por isso n u m a vejamos o que a homo-

s e x u a l i d a d e foi na e d a d e m e d i a , na é p o c a em que c o m b a t e n d o os d i v e r s o s cultos do pagado que s y m b o l o s e da prostituição, u m a nova crença que Mas imperiosísnismo, que n ã o e r a m m a i s mysterios como uma

r e c o m m e n d a v a a c a s t i d a d e e a continência. as n e c e s s i d a d e s g e n e s i c a s são consequência a do m e i o , a

simas e as p e r v e r s õ e s s e x u a e s , cm muitos c a s o s , homosexualidade nas regiões em começou divulgar-se, mesmo

que a doutrina christã mais e f f i c a z m e n t e deveria

122

A VIDA S E X U A I .

prosperar.

N o n u m e r o d o s uranistas s e encontram

f r a d e s das mais a u s t e r a s r e g r a s e até o p a p a d o contribuiu c o m o seu contingente p a r a q u e esse vicio se não e s q u e c e s s e . dades da de bons espontaneamente. mente Assim a extranhos na M e s m o no seio de socieapparece a perversão costumes

Ha factos bem demonstrativos ao movimento encontrou-se da a da a civilização. pederastia. o

existencia da pederastia em p o v o s completaAmerica

O u t r o s males lhe l e v a r a m os d e s c o b r i d o r e s com enormíssima vantagem menos sob já de civilização, m a s forma no Panamá, uranismo, pelo p e d e r a s t i a , era dades cultas o e especial da Perú e deseforma por N a s socieuma

conhecida

em o u t r o s pontos do continente n o v o . nhara-se frizante. Não admira portanto que na m e s m o p h e n o m e n o por

morigerados costumes

Turquia,

exemplo, os a causa os

prazeres

homosexuaes

dominassem

p o r tal f o r m a d u r a n t e a e d a d e m e d i a q u e f o s s e m de luctas c o m os christãos sob o único ao p r a z e r u r a n i s t a ; extranheza Pedro os do seus o mesmo que os que p r e g á r a m companheiros vicio. Basta mas já causa do m o v e i d a a c q u i e s c e n c i a d e bellos m a n c e b o s p a r a forçarem certa S. com uma que, successores

apostolo

a castidade e condemnaram fossem alguns citar

especialmente atacados exemplos. PAUI.O em hesitava se fosse formoso.

peccado

contra-natura,

II, tão v a i d o s o c o m o p r e s u m i d o , tinha a sua belleza p h y s i c a em que não que de em De declarar, vestes quanto cardeal, e cobertas

tanta conta eleito

p a p a , se havia de c o g n o m i n a r o roçagantes

HOMOSEXUALIDADE

111

pedrarias, de mulher

de thiara com

luxuosíssima, de invertido,

tinha embora

ternuras alguns

scenas como

lagrimas

frequentes.

Consideram-no

historiadores p o n h a m em duvida esta a s s e v e r a ç ã o . S o b r e SIXTO R R é q u e n ã o p o d e h a v e r d u v i d a s . Muitos alguns Á d o s s e u s f a v o r i t o s f o r a m e l e v a d o s á alta cardinalícia. E, a darmos credito a historiadores, os da pederastia. cardeaes teriam pedido dignidade

a este p a p a p a r a durante o v e r ã o se e n t r e g a r e m pratica WEBER (I) c i t a a p r o posito d este p a p a o c o n h e c i d o dístico : Roniii quod inverso delectaretur amore Nomen ab inverso nomine facit Amor. A i n d a se i n c r i m i n a m JULIO II. LEÃO X, e o u t r o s c o m o pederastas e uranistas. E não dos são homens celebres d?essa época quantos D e s d e MIGUEL a c c u s a d o s d'esse vicio ?

ANGELO a o g l o r i o s o SHAKESPEARE h o u v e u m g r a n d e n u m e r o de artistas e pensadores que não p o d e r a m fugir ao terrível mal. E faço salientar estes f a c t o s p a r a , d e s d e já, tirar as s e g u i n t e s c o n c l u s õ e s : o u r a n i s m o a p p a r e c e p o r vezes imperiosamente com forças superiores ás p r ó p r i a s c r e n ç a s e á s m a i s r e s p e i t a d a s leis ; c o m este mal n a d a tem q u e v e r a intellectualidade dos infelizes, que n ã o p o d e m furtar-se á sua deleteria influencia. N o s conventos de monjas e entre as mysticas dessa tações época deram-se casos bem averiguados de demoniomaniacas que tudo desculparam, tribadismo por vezes m a s c a r a d o com as manifes-

( I ) Vid. L U D W I G G E I G E R , Renaissance und Humanismus in Italien und Deutschland. Berlin, 1882.

124

A VIDA S E X U A I .

e s p e c i a l m e n t e n o s s é c u l o s x v , xvi e x v n em q u e o mysticismo alcançou o seu maior desenvolvimento. N o s tempos modernos estas perturbações genesicas c o n t i n u a m a d a r - s e , e e m b o r a , c o m o m u i t o bem muito certo diz LACASSAGNE, caminhar das não é não a sociedade para chegar grega actual ao e tenha de é a do que que grau romana Contudo e

depravação moralidade civilização. passado

sociedades isenta deixa de

de c u l p a s . das a

ter p r o g r e d i d o c o m a tradições homosexualidade

Alguns

amigos

téem

considerado

c o m o um producto do progresso sem se lembrar e m de q u e , em f a c e da historia, p a r e c e q u e foi a própria desejo natureza que deu ao instincto s e x u a l o de t o d a s as s e n s a ç õ e s n a t u r a e s ou artifi-

c i a e s p o s s í v e i s , s u b s i s t i n d o s e m p r e i d ê n t i c o atrav e z de t o d a s as g e r a ç õ e s e c i v i l i z a ç õ e s .

Uranismo. — A Quando por

creança

é

do

genero neutro.

se produzem prematuramente excitações externa, na de forma parte a provocar a

dos orgãos genitaes quer expontaneamente, quer influencia m a s t u r b a ç ã o como satisfação genesica, ha, c o m o accentuamos ausência soas mais o primeira de d'este trabalho, pesque que dos completa relações ideaes com reflexos e do Logo

d'outro sexo parecendo estes actos sexuaes phenomenos espinhaes anatomico psychicas conscientes.

manifestações orgãos

desenvolvimento

funccional

g e n i t a e s se c o m e ç a a p r o d u z i r , a p p a r e c e

a differenciação simultanea das formas do corpo e as b a s e s d ' u m e s t a d o p s y c h i c o em c o n f o r m i d a d e

IlOMOSKXUALIbADt

125

com o sexo proprio. volvimento pessoas fundíveis. do desejos de sexual sexo Assim é

N o s c a s o s em q u e o d e s e n normal as r e l a ç õ e s c o m as fazem que nascer na certos incono

differente ao passo

aproximação

verdadeiramente

infanda

pudor, por e x e m p l o , é apenas u m a exigencia da e d u c a ç ã o q u e a c r e a n ç a n ã o a t t i n g e , no j o v e n e na virgem apparece como uma imperiosa obrigação que cada um, por conveniência própria, sabe respeitar. S e a s d i s p o s i ç õ e s p r i m i t i v a s são n o r m a e s , forma-se u m a i n d i v i d u a l i d a d e p s y c h o - s e x u a l t ã o solidamente construída e tão conforme ao proprio Não o s e x o q u e n e m a p e r d a ulterior d o s p r o p r i o s o r g ã o s sexuaes a podem profundamente modificar. que joven o homem castrado, a mulher q u e r isto d i z e r , c o m o b e m a c c e n t u a KRAFFT-EBING, castrada, e o velho, a virgem e a velha, o homem e o impotente não sejam psychicamente M a s como já dissemos na parte em

potente

differentes.

que nos o c c u p a m o s da physiologia da vida sexual, o d e s e n v o l v i m e n t o d o s o r g ã o s g e n i t a e s n ã o é um factor lidade guado exclusivo que a da formação Contudo duma está das individuab e m averiglandulas psycho-sexual. ausência

congénita

genitaes tem u m a acção decisiva sobre o desenv o l v i m e n t o g e n e s i c o de m a n e i r a a s e r d e t i d o ou m e s m o a tomar uma direcção opposta no sentido do sexo contrario. Em indivíduos com orgãos s e x u a e s p h y s i o l o g i c a e a n a t o m i c a m e n t e b e m constituídos p o d e d e s e n v o l v e r - s e u m s e n t i m e n t o s e x u a l contrario ao caracter A do sexo que o individuo nada representa. homosexualidade p o u c o ou

tem com o desenvolvimento dos orgãos genesicos,

155

A VIDA S E X U A I .

pois

que

reside

especialmente

numa

disposição

psycho-sexual nam O nos

anormal.

As causas anatómicas e funccionaes que determiesta a n o r m a l i d a d e s ã o ainda d e s c o n h e c i d a s . é que sobre o invertido, vulgar taras um sido e para muito do de servirmos devendo d'uma expressão pesam geralmente como tem alguns considerar-se que sabemos

característica, thicas, sentimento Esta mente

neuropa-

esta

anomalia estygma

psycho-sexual sexual por

degenerescencia funccional. perversão considerada exaggeradacomo auctores

s e n d o s e m p r e de n a t u r e z a c o n g é n i t a e t a n t o q u e , no p r o l o g o q u e p r e c e d e o bello livro de MOLL ( I ) ,
diz KRAFFT-EBING : « Quando em I85S CÁSPER

f e z n o t a r q u e a p e d e r a s t i a , até e n t ã o c o n s i d e r a d a como um vicio, era uma anomalia congenital mórbida, uma tarde se especie de hermaphroditismo psvnas obras scientificas esta

chico, ninguém preveria que quarenta annos mais encontraria aftirmação como uma verdade psycho-pathologica da v i d a g e n i t a l . » N ã o m e p a r e c e q u e e m a b s o l u t o a s s i m seja e m a i s t a r d e , q u a n d o nos o c c u p a r m o s d a etiologia da h o m o s e x u a l i d a d e , d e s e n v o l v e r e m o s m a i s detieste em assumpto. affirmar Por agora contentarque a h o m o s e x u a l i d a d e , damente nos-hemos

c o m o quasi t o d a s a s o u t r a s p e r v e r s õ e s , p o d e ser uma forma de neuropathia congénita ou ainda um mal adquirido c o m o nos impendem que, embora em não seja tão nitido casos que as taras neuropathicas

sobre a delinquente, é certo que téem

(i) Obr. cit.

HOMOSEXUALIDADE

111

m u i t o s c a r a c t e r e s a p r o x i m a t i v o s d e f o r m a a estabelecer por vezes a sua c o m p l e t a identidade. Nem d outra forma se poderia c o m p r e h e n d e r a acção hereditaria das taras e ainda a influencia nefasta de determinados meios homosexualizados. E aos como do são em varias que a as graduações psychico são personalidade do mal, que simples moral e até as vão hermaphroditismo sensações formas

casos

próprias breve Por O seu

physicas e

transformadas ás a differentes apreciar os

110 s e n t i d o d a p e r v e r s ã o s e x u a l , a p r e c i a r e m o s e m essas agora numero para as daremos causas o valor que ellas m e r e c e m . limitar-nos-hemos masculinos varia de na país homosexuaes sociedade actual.

para país e espeonde raras mesmo qual é

cialmente dos grandes centros, o n d e mais abundam, vezes pequenas E' povoações apparecem. difticilimo saber,

recorrendo apenas Assim oscillar der-se fogem medica. E está tal mais é em

ás indicações da auctoridade, relação á população

o numero dos uranistas existentes, ainda que seja heterosexual. MOLL as esta referindo-se previsões pois a B e r l i m , onde o uraentre as proporções ha que

nismo está extraordinariamente desenvolvido, fez suas de 1 p a r a 3.000 e 1 0 . 0 0 0 ! hesitação, E é fácil c o m p r e h e n invertidos

a t o d a e q u a l q u e r i n v e s t i g a ç ã o , n ã o só á

a c ç ã o policial e j u d i c i a l , m a s a i n d a á o b s e r v a ç ã o a incerteza que, nas este muitos províncias ponto a auctores, ou nos

c h e g a m a t e r d u v i d a s s o b r e se a h o m o s e x u a l i d a d e desenvolvida Sobre grandes pequena centros. minha

observação

faz-me

d e c i d i d a m e n t e incli-

157

A VIDA S E X U A I .

nar sede

para de

considerar os grandes centros c o m o a um a numero m a i o r de u r a n i s t a s , o q u e Km uma não constitue ás

aliás é c o m p r o v a d o p o r m u i t o s p s y c h i a t r a s . Portugal perversão homosexualidade sexual e o tão que vulgar como elles contam

primeiras devem são conheço

observações poderá parecer. homosexuaes servir de inclinados víduos d'elles: que são a orientação segura. Um

As conjecturas dos não Geralmente uranista

exaggerar. nunca com

eu q u e v a r i a s ^ e z e s lançou s u s p e i t a s s o b r e inditiveram certeza taes tendencias: — Dahi a « Vê X. e Z. ? A n d a m s e m p r e junctos, desconfio uranistas. »

dias v o l t a v a a i n s i n u a ç ã o : — « E n t ã o já r e p a r o u ? O X. deixou de andar com o Z. para acompanhar o L. E Na A b o r r e c e u - s e do p r i m e i r o . estas supposições, feitas do Já vê q u e n ã o com muita me e n g a n a v a . » talvez dos sinceridade, eram falsíssimas. investigação numero uranistas na KRAFFT-EBING preoccupa-se constantemente

differenciação do uranismo congénito do adquirido, em c o n f o r m i d a d e c o m a o r i e n t a ç ã o scientifica que o dirige, importa especie bem esta de como sexuaes indagações, á maior parte dos psychomodernos. e se as Raras para vezes esta de sobretudo pathologistas

distincção,

pusermos

parte, poderemos talvez com certa aproximação, a c c e i t a r a p r o p o r c i o n a l i d a d e q u e ULRICHS, a q u e já p o r mais d u m a v e z n o s r e f e r i m o s , estabeleci:i em 1868 para a A l l e m a n h a : um uranista por 5oo a 2.000 h o m e n s . s e n ã o fòr a i n d a m e n o r . EM P o r t u g a l a p r o p o r c i o -

n a l i d a d e d e v e inclinar-se p a r a este u l t i m o limite,

H O M O S E XL t A LIlJ A b E

Muita que, por Mas uma

gente 2.000 da

considera indivíduos que

apenas c o m o uranistas haja um homosexual. pederastia c é apenas a mesmo

os p e d e r a s t a s e p o r i s s o e x t r a n h a r á o a f f i r m a r - s e deve forma saber-se a

homosexualidade:

mais rara. O uranista vive ao nosso lado e pertence a

t o d a s as c l a s s e s . vicio social. este entre como dendo versão as diz a que

O amor heterosexual é attributo a todos os gráus com da mais escala vezes o que, são

g e r a l da n o s s a e s p e c i e , m a s a h o m o s e x u a l i d a d e é pertence Contudo classes que as e assevera-se, e morbido elevadas da razão, que

phenomeno

apparece

sociedade

MOLL, n ã o d e v e m a r a v i l h a r - n o s attenpredisposições que esta nervosas

c o n d i ç õ e s f a v o r a v e i s a o d e s e n v o l v i m e n t o d a persexual predisposição existe sobretudo nos meios mais cultos. H a u r a n i s t a s n a s c l a s s e s i n s t r u í d a s , ricas e d e e l e v a d a p o s i ç ã o social. O de vez, dos quaes uranista volúpia foi seus um em não experimenta sensação alguma presença de mulheres, por mais
que, por sua J á K A R L ULRICHS

bellas que sejam.

homosexual, se

escreveu

a

proposito entre os nossas

desventurados masculinas,

companheiros, elle, são

publicamente

incluia: — « A s

maneiras

diz

artificiaes.

S o m o s como as mulheres do theatro na investida ao h o m e m . » Quando homem que une não os o se uranista liga a outros é elle attrahido pela sente-se por outro vulgar amizade imperiosa-

homens,

A VIDA S L X U A L

mente

a r r a s t a d o p a r a elle por a m o r idêntico ao

q u e , entre os h e t e r o s e x u a e s , dá origem ás maiores d e d i c a ç õ e s e aos mais extraordinários sacrifícios. em pela E no E x c i t a - s e v e n d o as p a r t e s genitaes do outro e representa-as transportes, das tanta por vezes de memoria terminar lúbricos mundo com que podem homem

m a s t u r b a ç ã o simples ou .masturbação anal. dedicações este a m o r manique as mais o theatro O uracomintensidade

festa-se nos nista tem

extraordinarias scenas

de c i ú m e , que poderiam para si

p a t e n t e a d o , ' se exclusivamente

representar, o seu

c o m inteira v e r d a d e , entre h o m o s e x u a e s . quer

panheiro, prescuta-lhe os passos e o o l h a r , receia de todos e pode ser levado aos m a i o r e s crimes e até pode ao assassinato sob o império d'essa p a i x ã o . levar exactamente aos mesmos excessos No m u n d o da h o m o s e x u a l i d a d e o amor p s y c h i c o que o a m o r n o r m a l . Em todos os invertidos s e x u a e s que se juntam em mènage masculino os p a p e i s distribuem-se da m e s m a f o r m a q u e n o c a s a m e n t o real. empenha o papel obediente manda e e mulher, outro dirige, U m desda a subordinado g o v e r n a com

característica virilidade de um h e t e r o s e x u a l . O uranista não tem limite de e d a d e em que Segue a De

termine c o m a pratica dos seus vicios. activos em que, sexuaes em que principiam as

g a m m a de t o d a s as p e r v e r s õ e s h o m o s e x u a e s .

por ser, t r a n s f o r m a m - s e e corruptas o a matronas depois de

p a s s i v o s e s e g u e m a sua vida de d e s o r d e n s como novas, velhas venderam amor p a r a

de velhas o

comprarem

peso de oiro ou

HOMOShXUALlDADt

sacrifícios. dendo c o m raros dedicam a

A l g u n s invertidos p a s s i v o s v ã o o s annos o s esses estes pelas desejos sexuaes. Todos os ha que que dos casos.

perSão se

porém

estudos sabem immediações

velhos á

que a n d a m nos g r a n d e s centros de rua em r u a , e sobretudo quartéis, p r o c u r a de q u e m p o s s a s e x u a l m e n t e satisfazê-los. C o n h e c e m - s e até p e l o n o m e e, entre nós, a l g u n s se e ia t o r n a r a m c e l e b r e s pela sua p o s i ç ã o , erudição pelo tão seu longe valor intellectual. que, E o seu i m p u d o r respeitar a p e s a r de d e v e r e m

o n o m e o c c u l t a n d o o m a i s possível os seus defeitos, se e x p u n h a m ás vaias d o s g a r o t o s d a s ruas. Geralmente nistas víduos n o r m a e s tendencias vezes, casos annos! primeira de porém, Um as primeiras manifestações urasuas s u r g e m na m e s m a e d a d e em q u e os indic o m e ç a m a m a n i f e s t a r as pelo outro s e x o . essa época. cu que precedem uranista amorosas Algumas Citam-se desde a

uranistas de doze, conheci infancia c o m e ç o u

d e z e até de seis

a m a n i f e s t a r as s u a s E ' m e s m o difficil preE' p a s s i v o e d e s e j a de que natureza os seus Um me a sua o com por que afasta

tendencias homosexuaes.

cisar a é p o c a em que c o m e ç o u a entregar-se c o m p r a z e r ás praticas uranistas. as relações com masculinas, tal forem, violência sejam

a m a n t e s por o não p o d e r e m s u p p o r t a r . que tinha e tal por furor tal Esse uterino que forma doente (foi em que esta poucos

c o m m u n i c o u que tivera de a f a s t a r - s e d'elle, porsignificativa exgotára nia expressão), dias

appareceu a que

symptomas bem nascente.

característicos d u m a neurasthecurioso

m a i s d u m a vez nos r e f e r i r e m o s e que foi m e s m o

102

A VIDA S E X U A I .

o e x e m p l a r q u e nos serviu e s p e c i a l m e n t e para o nosso estudo, é uma p r o v a flagrante de q u e no m u n d o da h o m o s e x u a l i d a d e se e n c o n t r a m perversões idênticas ás e s t u d a d a s no capitulo antecedente. chistas a N e n h u m a é extranha ás l i g a ç õ e s uranistas. característicos. pelos seus Quer soffrer e moral chega e até por

E s t e doente a q u e me refiro t e m d e s e j o s masophysicamente chico ás que lhe amantes

p r o v o c a r esses soffrimentos p e l o produzem.

p r a z e r psy-

Tratá-lo-hemos

A. A. e se por a c a s o este m e u livro lhe fôr ter mãos c se se r e c o n h e c e r p h o t o g r a p h a d o nos que procurei a p r e s e n t a r a da sua e denuncia diversos vida clichés

sexual intima, q u e d e s c u l p e

que leia s o b r e t u d o o capitulo que dedico ao tratamento d'esta terrível p s y c h o p a t h i a sexual. mindo : dade e em t o d a s as e d a d e s apparecem da porém vida. com seguem como ha uranistas, a edade da de geralmente extremos Pode Resumas puberoitenta

passivos

até aos últimos

Ha

pederastas

annos e m a i s ! h a v e r e x c e p ç õ e s no que respeita á s primeiras e d a d e s , e x a c t a m e n t e c o m o por v e z e s ha p r e c o c i d a d e nas r e l a ç õ e s h e t e r o s e x u a e s . Alguns profissões quiseram sobre o attribuir c e r t a influencia apparecimento ás

do u r a n i s m o sou de d'estes

e, a p e s a r das opiniões em contrario, eu pequena, infelizes. exercem sobre a vida sexual

p a r e c e r q u e por v e z e s a l g u m a influencia, e m b o r a E' v e r d a d e que ha uranistas em t o d a s

as profissões, m a s é certo t a m b é m q u e os alfaiates, cabelleireiros, floristas, actores, cosinheiros e escriptores são os q u e d ã o o contingente mais

HOMOSEXUALIDADE

111

avultado cedendo uranistas das

para á sua

a

inversão.

E'

provavelmente que m u i t o s

natureza

effeminada

se s e n t e m c o m p e l l i d o s a t o m a r profisvirtude Mas os da de sua h a b i l i d a d e n a de vestidos e todas as profissões mais convenienteas formas alguns e mais

sões, que são, a maior parte das vezes, apanagio mulheres, em de femininos. com podem Entre decoração enfeites em quartos, confecção

a m a i s p r e f e r i d a é a de a l f a i a t e , p o r q u e e s t a n d o contacto lhe homens mente e apreciar os

f a c i l m e n t e o s p o d e m c a p t a r c o m o s seus m e n e i o s denguices. actores signaes ha de uranismo bem denunciáveis: desempenham p a p e i s de m u l h e r e a v o z auxilia-os n e s s e s p a p e i s . Na bem carreira das armas a pederastia não toma grande desenvolvimento; ha contudo alguns casos averiguados.

E s t u d e m o s a g o r a o s u r a n i s t a s n a s s u a s predilecções e nos a seus da pela que hábitos. A Geralmente com as e a são propensos emocionarem-se arte. variadas pintura das suas Mas são tal

manifestações cita as a paixão

musica como lhes ideia

s e d u z e m - n o s e s p e c i a l m e n t e , e t a n t o q u e COFFIGNON musica a arte da uma mais notáveis particularidades de caracter. sensações a prodigalisa sensual com

diversas das que normalmente se experimentam. Possuem levam um obcessão pouco dos i n t e n s i d a d e e e n e r g i a , q u e as i m p r e s s õ e s artísticas pensamentos voluptuosos de m i s t u r a c o m as n a t u r a e s e m o ç õ e s q u e o b e l l o nas s u a s m a n i f e s t a ç õ e s inspira a t o d o s os que o admiram. M ú s i c o s , p o e t a s ou p i n t o r e s a sua arte é característica.

I 3 4

A VIDA S E X U A I .

As tam-se lyrico, nados

personagens sempre até

masculas o

e

vigorosas do

saliendrama

desde

inesperado

aos q u a d r o s descriptivos b e m illumiA musica de WAGNER, s e m d u v i d a a vastos domínios entre os da harmonia, tem,

dos p o e m a s e aos vultos que a l e g r a m as

suas telas. crear como e nos

m a i s bella de tudo o que o génio h u m a n o p o d e dissemos, uranistas, sinceros

admiradores.

A . A . a d o r a a musica w a g n e r i a n a ao ouvir a sublime e

a i m p r e s s ã o q u e sente

inspirada c a n ç ã o de WALTER nesse glorioso p o e m a m u s i c a l , que se c h a m a Mcslrcs Cantores, desperta S e r á esta u m a nelle s e n s a ç õ e s e x t r a n h a s em que ha muita volup t u o s i d a d e e muita sensualidade. p r e d i l e c ç ã o especial ? T a l v e z , mas s e m p r e será

conveniente notar que a musica do g r a n d e sonhador allemão tem enthusiastas f e r v o r o s o s em t o d o s os cultores da boa musica, e que os neurasthenicos e os facilmente excitáveis se d e i x a m s u b j u g a r pelos encantos da mais bella m u s i c a que até hoje se não escreveu. neste dou a Por isso. apesar das affirmações feitas sentido pelos diversos psychiatras,

esta nota particular do c a r a c t e r do O modo

uranista o valor que muitos lhe a t t r i b u e m . M a s d e s ç a m o s a maiores m i n u d e n c i a s . de andar e os c o s t u m e s dos que se iniciam no

u r a n i s m o são tão característicos e p a r t i c u l a r e s , q u e constituem o que os p s y c h o p a t h o l o g i s t a s denominaram E' com a e x p r e s s ã o genesica de efeminação. na edade interessante o b s e r v á - l o s , s o b r e t u d o

a d u l t a , não deixando ainda de m o s t r a r interesse nas primeiras e d a d e s q u a n d o as tendencias homosexuaes são congénitas. P r e f e r e m t o d o s os brinq u e d o s femininos, p o s s u e m a habilidade manual

HOMOSEXUAf.IIiADE

I 35

das

pequenas

coisas,

preoccupam-se

particular-

m e n t e c o m o s e u v e s t u á r i o , p r e f e r e m as b o n e c a s aos d i v e r t i m e n t o s d o s r a p a z e s , d e q u e m s e esquiv a m para se associarem ás pequenitas com quem se entreteem de preferencia, etc., etc. PZntre os a d u l t o s a e f f e m i n a ç ã o , ora é imbecil e grotesca, ora illude por completo. TAYLOK refere o c a s o de ELISA EDWARD q u e r e p r e s e n t o u c o m o actriz em m u i t o s t h e a t r o s da E u r o p a , e até c o m muito êxito, v i n d o a d e s c o b r i r - s e d e p o i s da sua m o r t e q u e e r a h o m e m . ninos. corpo Trazia por um os orgãos Desde os primeiros genitaes especial ligados ao annos d a sua. m o c i d a d e s ó u s a v a v e s t u á r i o s femiapparelho d e tal m o d o ,

q u e se lhe n ã o r e c o n h e c i a m á p r i m e i r a v i s t a . N o s b a i l e s p ú b l i c o s é q u e o u r a n i s t a m a i s se denuncia. se a pela época Ama é do a dança extraordinariamente e, propicia carnaval, para o disfarce, c o m ò apparece vestido de occasião

mulher.

E s p a r t i l h a - s e , cria f o r m a s p r o v o c a d o r a s

á c u s t a de b a l õ e s de b o r r o c h a , p i n t a - s e e a d o r n a - s e com brincos e sapatos decotadissimos. Tem requebros de prostituta, denguices de m u l h e r v e n a l , c o m r o d o p i o s de saias e e x p o s i ç ã o de p e r n a s . Segreda convites, mostra-se languido, submisso, c a p a z d e ter u m g r a n d e a m o r . carados pelo cara e U n s a n d a m masO u t r o s , de directad e s e j a m ir ao e n g a n o c o m o m u l h e r e s pretendem insinuar-se

b r a ç o d ' a l g u m é b r i o dissoluto. descoberta,

m e n t e , n a n u d e z d a sua s i t u a ç ã o d e p r i m e n t e . M a s estes, que assim se denunciam, p o d e m b e m comparar-se ás rameiras dos lupanares baratos, o s o u t r o s , a q u e l l e s q u e c o r r e s p o n d e m á s prosti-

A VIDA S E X U A I .

tuidas dos

salões, esses, escondem-se

no recato

d a s s u a s o c c u p a ç õ e s s u p e r i o r e s e do s e u c o r r e c t o v e s t u á r i o , p a r a c e d e r e m c o m o que a m e d o á q u e l l e a quem se e n t r e g a m c o m j u r a m e n t o s de n u n c a do que tecto d o q u a l c á e s u s p e n s o só um a r r a n j o f e m i n i n o lhe vão E, h a v e r d e n u n c i a s de p a r t e a p a r t e , no e s c u r o do quarto e a de cama um docel de c ô r e s m i m o s a s , e o n d e ha o c o n f o r t o disposição imprimir. e sabe E, em vez de se tratarem, de homens instruídos.

pouco a pouco contagiando a sociedade por forma indigna imprópria assim tornando-se perigosos para a sociedade e

p r e j u d i c i a e s á sua s a ú d e e b e m e s t a r , v ã o arrastando uma vergonhosa vida occulta de misérias. N e s t e s é s o b r e t u d o d i g n o de nota o c u i d a d o c o m que escanhoam a barba, chegando á epilação, e a attenção que ligam a O A a e da seu estudo de graphico é pequenas é cheio O c o i s a s feminide interesse. com A. A. usa n a s , q u e a quasi t o d o s p a s s a m d e s p e r c e b i d o s . forma letra inteiramente parecida invertido de é

calligraphia bem suas

feminina. O

e s c r e v e c a r t a s m u i t o i n t e r e s s a n t e s e m letra e s g u i a muito as cuidada. declarações A a papel que para amorosas mais letra duvida de c ô r e pessoa, a doente que era resera

perfumado menina quem ponder

cuidadosamente como o de qualquer d uma d'este se

namoradeira. perguntei que

de h o m e m

o u m u l h e r , ouvi c o n s t a n t e m e n t e não havia alguma,

letra f e m i n i n a . E q u e c a r t a s as d e i t e ! n a ç ã o viva preferidos, requintada de todos os I l l u s t r a d o e de i m a g i enthusiasmos pode que uma e irrequieta d i s p õ e , a f a v o r d o s s e u s paixão amorosa suggerir-lhe.

HOMOSEXUALIDADE

111

Sentimos me foram

não

poder

aqui pela

transcrever pessoa a

em

autoforam

g r a p h o u m a das s u a s c a r t a s , a l g u m a s das q u a e s cedidas quem dirigidas. A voz dos uranistas geralmente é eífeminada, A . A . c a n t a e m falcuriosíssimos os seus pretranA. A. e por m a s p ô d e d e i x a r d e o ser. com uma mulher. São

s e t e c o m tanta p e r f e i ç ã o , q u e c h e g a a c o n f u n d i r - s e m e n e i o s e o s e u m o d o de a n d a r : dir-se-hia, p o r vezes, lima tendendo seuntes. O mente Como vezes uranista é mentiroso E' por ás e insensato. pouco ser muito com constantemente. sobretudo homem de agradavel é ser discreto, pretende rameira disfarçada em homem, impôr-se aos despreoccupados

salienta-se

falador. amabili-

sociedade senhoras

d a d e s t ã o fóra Contudo Possue quasi

do vulgar, que geralmente criam ha, e entre ellas algumas a

na p o p u l a ç ã o feminina uma invencível antipathia. senhoras um todos intelligentes, que muito o apreciam e consideram. exaggerado os pudor, como succede que d'esta uranistas, forma se

aproximam

mais da mulher

do que do h o m e m . E' um leviano, não Por

T e m tido g r a n d e s p a i x õ e s p o r v á r i o s i n d i v í d u o s , m a s não as demora muito. sendo p a r a a s e x t r a o r d i n a r i a s d e d i c a ç õ e s q u e ou-

t r o s seus s e m e l h a n t e s s ã o c a p a z e s d e t e r . confidencias. Fala com grande

isso s e c o n s i d e r a u m infeliz n a s s u a s m a i s i n t i m a s enthusiasmo de a l g u n s d o s s e u s p a s s a d o s a m o r e s : os o l h o s escuros b r i l h a m c o m m a i o r i n t e n s i d a d e a o p r o n u n c i a r o diminuitivo, 11 com que classifica « — um um dos seus mais queridos amantes : ingrato que o

A VIDA S E X U A I .

e s q u e c e r a p o r u m a m u l h e r ! ».

Procura occultar

o s e u vicio, m a s denuncia-se c o m muita facilidade aos olhos d u m o b s e r v a d o r reflectido. N u n c a sentiu p a i x ã o a l g u m a pelo s e x o feminino e não p u d e averiguar se c h e g o u a realisar c ó p u l a c o m m u l h e r e s . P a r e c e pois q u e s e não trata d u m h e r m a p h r o d i t a sexual; A. A. é, pelo menos actualmente, um uranista, só se sente b e m junto d o s h o m e n s entre os q u a e s se insinua c o m o bello e e l e g a n t e . G e r a l m e n t e os uranistas s ã o i m p o t e n t e s p a r a a m u l h e r , e os que não c o n h e c e m c o n v e n i e n t e m e n t e o seu e s t a d o ficam s u r p r e h e n d i d o s e v e x a d o s ao reconhecerem da a sua frieza junto dos encantos n u d e z feminina. sexuaes do A s v e z e s v o t a m - l h e s averO u t r a s v e z e s , d e v i d o ás conmeio em que se e n c o n t r a m ,

são extraordinaria. dições chegam a que a

realisar o c a s a m e n t o , e em c a s o s de

u r a n i s m o p u r o não é raro encontrar mènages em m u l h e r e o h o m e m se s a t i s f a z e m s e x u a l com em os mesmos este homens. vicio se O uranismo MOLL cita só por v e z e s muito t a r d e . que mente um

manifesta-se caso

manifestou

depois dos vinte e dois annos. o individuo era n o r m a l . com um amigo a partir nutriu extraordinário imagem, dia e noite. ejaculou. Foi affecto que por elle fez

A t é essa e d a d e um grande que a e sua

E s t a n d o p o r e m um dia com

d'esse instante,

o perseguisse sempre

Sobrevinham-Ihe

erecções

q u e p e n s a v a nelle, e um dia q u e p ô d e a b r a ç á - l o o final da sua vida h e t e r o s e x u a l . D e s d e então tornara-se c o m p l e t a m e n t e i m p o t e n t e para a m u l h e r . No c a s o , a que c o n s t a n t e m e n t e nos v i m o s referindo, as tendencias h o m o s e x u a e s d a t a m da m a i s

HOMOSEXUALIDADE

tenra

edade, como pelo

já dissemos.

A l g u n s casos psychico para adeantadas. da pela

conhecemos porém em que os pervertidos fizeram passagem o pto Os hermaphroditismo edades uranismo quando em nos bastante

R e f e r i r - n o s - h e m o s d e m o r a d a m e n t e a este a s s u m occuparmos conhecem-se, especialmente em geral, etiologia da h o m o s e x u a l i d a d e . uranistas linguagem maravilha idêntico dum dos olhos. ao que e se E s t e f a c t o , que a muitos observa na aproximação

é, afinal, um p h e n o m e n o inteiramente d u m a mulher que se estimam. que se s a i b a , não signaes q u e na ha hoje

homem e

M a s n ã o são unicamente os olhares q u e os aproximam; aquelles contudo, característicos devassa

R o m a s e r v i a m p a r a elles se r e c o n h e c e r e m entre si. O d e d o m é d i o não se eleva até á c a b e ç a n e m se levanta d e s p r o p o s i t a d a m e n t e p a r a se f a z e r notar em a l g u m g e s t o mais saliente. m e n t o s , os trejeitos e e passam despercebidos aos E' que os movique executam h e t e r o s e x u a e s desademanes,

p r e o c c u p a d o s , s ã o o b a s t a n t e para s e r e m n o t a d o s pelos que v i v e m sob a o b s e s s ã o c o n s t a n t e do seu mal. E s t e s infelizes p r o c u r a m v i v e r juntos, reupontos d e t e r m i n a d o s . Em Berlim ha que quasi, p o r exclusivo, lhes pertencelebres cervejarias por ora de Friedrichstadl. nir-se e m restauranls cem. as é aos ora não mais

MOLL refere-se a um que está situado e n t r e

R e u n e m - s e , tcem os seus bailes e os seus c h á s , e interessante seus observá-los feminis, nomes os vezes entregues fazendo meia, si labores Dão-se

dedicando-se a b o r d a d o s e outros t r a b a l h o s femininos. assumptos, Entre que conversam sobre mais

similares.

140

A VIDA S E X U A I .

especialmente

p r e o c c u p a m os h o m e n s n o r m a e s :

politica, n e g o c i o s , sciencia, e t c . , f a l a m de coisas m i n i m a s , a que g e r a l m e n t e não são extranhos os assumptos ciúme. um A predilectos confissão desejo ha do ao de seu medico amor e do seu do seu um estado lenitivo

d ' a l m a e do seu d e s e s p e r o , em que t r a n s p a r e c e immenso encontrar p a r a a sua d o e n ç a , é m a i s rara •, p o r q u e alguns homosexuaes os caso transforma de q u e não d e s e j a m , n e m t e n t a m abjectos os e repellentes. sempre que libertar-se d'esse terrível e indecoroso vicio, que em seres genital D i z TARNOWSKY que nas g r a n d e s c i d a d e s e em infecção o uranistas E' um procuram mesmo medico. facto

carece de confirmação.

Contudo comprehende-se

q u e t a e s infelizes, entre si, f a ç a m o r e c l a m o do m e d i c o a q u e m c o n f i a m a historia d a s s u a s perv e r s õ e s genesicas. Já d i s s e m o s que o a m o r h o m o s e x u a l é inteiramente comparavel ao heterosexual: possue os m e s m o s t r a n s p o r t e s nas a p a i x o n a d a s d e c l a r a ç õ e s e nas c a r t a s que s o b r e v i v e m c o m o c l á s s i c o tua, sempre tua. . . vado A. sacrifícios que o A., descripção. amor O do c o m o s u c c e d e nas do n o s s o o b s e r que nos a c o m p a n h a a t r a v e z d ' e s t a uranista uranista é capaz dos maiores o que a m a . D i z ULRICHS

pelo h o m e m

é superior ao que

h o m e m e x p e r i m e n t a pela m u l h e r , p o r q u e , a c c r e s centa, n o r m a l m e n t e o a m o r da m u l h e r é superior ao a m o r do h o m e m nas r e l a ç õ e s h e t e r o s e x u a e s . Eu direi d'outra f o r m a : o a m o r uranista tem as c a r a c t e r í s t i c a s do a m o r da m u l h e r : m e n o s intenso talvez nos primeiros m o m e n t o s , m a s m a i s dura-

H O M O S L X U ALID AIJfc

'41

doiro e c a p a z de m a i o r e s sacrifícios. chega se um a desejar e nas que ser escravo mãos com dedica suas existe é O todas

O uranista a quem vezes imagi-

d'aquelle

muitas as

instrumento

inconsciente.

masochismo

homosexual,

n á v e i s s u b m i s s õ e s , é u m a d e m o n s t r a ç ã o c l a r a da h y p e r t r o p h i a da d e d i c a ç ã o q u e o u r a n i s t a t r i b u t a . O E masochismo é vulgarissimo nos uranistas. a sua f i d e l i d a d e ? a quem o P o r vezes chega a assomuranista se dedicou vezes na o

brar.

P a s s a m annos e annos e nunca a i m a g e m pôde esquecer-lhe. Outras

d'aquelle, mocidade, O

ciúme i n c o m m o d a o uranista violentissimamente. OTHEI.LO h o m o s e x u a l é um t y p o v e r í d i c o infeobservado tribunaes mostrar basta já até até á scena sido pôde final. A t é nos casos do téem onde julgados ir o lizmente nossos Para uranista nos

que o confirmam. ciúme t r a n s c r e v e r aqui u n s p e r í o d o s d a d ' u m m e d i c o u r a n i s t a , q u e MOLL no seu livro ( i ) : «... A idéa do traição do meu amor priva-me

autobiographia apresenta da pungente chloral. posso

s o m n o e, p a r a d o r m i r , s o u o b r i g a d o a r e c o r r e r ao Os meus sonhos continuam a realidade Não o seu ainda s a b e r c o m o isto t e r m i n a r á ; m a s a s elementares seguem sempre T e n h o pensado em deixar esta terra, A única s o l u ç ã o r a c i o n a l do arrastaria comigo tres s e n d o p o r v e z e s tão d o l o r o s o s c o m o ella. impressões caminho.

e teria já p a r t i d o se n ã o r e c e a s s e v e r e s s e d e m o nio p a r t i r c o m i g o . conílicto é a morte, mas

p e s s o a s , p a r a q u e m sou t u d o n e s t e m u n d o » . (ij Obr. cit.

142 D'este pode

A VIDA S E X U A I .

t r e c h o se c o n c l u e q u e o a m o r u r a n i s t a aos m e s m o s extremos que o a m o r uma em differencial isolada, e imporcomo E ' q u e . c o m o e m r e g r a o s urajuntam vida Contudo

chegar

heterosexual. nistas lhes se não

tante os sepára.

f a l t a os é l o s c o m q u e a f a m i l i a e os filhos os matrimoniados, o amor homosexual P o r i s s o ULRICHS

prendem

é mais ephemero, mais volúvel.

t e v e a e x t r a v a g a n t e i d é a de p r o p o r a l e g a l i z a ç ã o d o c a s a m e n t o u r a n i s t a n u m d o s s e u s livros m a i s apreciados. E m r e s u m o , o a m o r u r a n i s t a p o d e ser s i m p l e s mente physico, d e s e j a n d o apenas a satisfação dos instinctos s e x u a e s , o u e g u a l m e n t e p s y c h i c o e m e s mo exclusivamente platonico: ficando o desejo da saciabilidade physica em estado latente durante muitos annos. rasse a vida N ã o ha na litteratura medica caso inteira d'algum d'estes amorosos. algum registado d u m amor platonico, que demoMOLL a c r e d i t a n a s u a e x i s t e n c i a , i n d o d e e n c o n t r o á opinião celebres, amor e de KRAIFT-EBING e o u t r o s p s y c h i a t r a s descreve que uma mais terem forma parece o especial uma de d'este transição tocar nisso e vá

asexual,

do q u e u m a f o r m a e s p e c i a l : minados abraçar appetite uranistas a pessoa algum amada,

é o c a s o de d e t e r desejo sem que

sexual.

N ã o falta que por

característica alguma de semelhança tem chegado aos excessos ao da

d'este a m o r m o r b i d o c o m o a m o r sexual, e tanto vezes O erotomania. alcança o uranista de difficulta-se ataque sabe

amoroso para se tornar mais appetecido e, quando renome belleza profissional,

HOMOSEXUALIDADE

111

collocar-se os nem

por f o r m a q u e a seus p é s v ê e m cair em fervorosas para supplicas a que cede ficar fiel ao seu antigo

aduladores sempre

preferido. O uranista é m o n o a n d r i c o ou p o l y a n d r i c o , exactamente como o homem ou polygammo. uranista, m a s as relações com alguns os ha normal é m o n o ç a m m o tem um escolhido que a que c h e g a m a p r e f e r i r normaes A estes deu ULRICHS Geralmente

indivíduos

g o s t a m das m u l h e r e s . a designação

de dionislas.

Geralmente escolhem N ã o é exacta os uranistas A é

indivíduos em que as q u a l i d a d e s viris se s a l i e n t a m . A m a m - s e em e d a d e s d i v e r s a s . a asserção é de KRAFFT-EBIXG exclusiva MOLL faz que dos a adultos dilecção

nunca p r o c u r a m jovens e que essa preapenas que libertinos. respeito este

consideração

d e v e r a s c o n v i n c e n t e : assim c o m o h a h o m e n s q u e , em vez de procurar mulheres preferem raparigas impúberes, cúmplices novos. E' uma dupla p e r v e r s ã o a q u e mais tarde nos referiremos. E m r e g r a , o s g o s t o s são tão variaveis que não p o d e m estabelecer-se leis de p r e f e r e n c i a s . Um ponto d o s mais interessantes da homotambém do seu ha amor homens que procuram rapazes criminoso nos

sexualidade

é investigar q u a e s os p r o c e s s o s p o r

que se satisfaz o d e s e j o uranista. O g e n e r o de s a t i s f a ç ã o g e n e s i c a , que c a d a um escolhe, d e p e n d e de varias c a u s a s entre as q u a e s a imitação e o máu exemplo gosam um papel importante. P o r v e z e s o s m e s m o s uranistas v ã o

144 evolucionando sexuaes. toda a O especie na

A VlUA S E X U A L

escolha relações

das

suas

relações praticar

citado de

uranista A. A. tem realisado preferindo P a r a v e r até o n d e p o d e m que MOLL ( I ) apresenta e

a masturbação bocal. transcrever um caso

chegar as variedades d estas aproximações basta que é, sob este ponto de vista, muito interessante. X., de 5o annos, artista bem conhecido, faz recuar os seus pervertidos actos á mais tenra infancia. As primeiras ideias de ordem sexual appareceram-lhe na edade de 10 a 11 annos. O joven Y. tomou-lhe a mão e collocou-lh'a primeiro sobre as calças e em seguida sobre os orgãos genitaes. O toque d'estes orgãos ou dos pêlos do púbis e ainda a sua simples contemplação, provocavam em X. uma sensação voluptuosa. Mais tarde, experimentava o desejo constante de olhar os orgãos genitaes dos homens, sem todavia se aperceber bem das suas sensações (2). Cresceu. O contacto com o corpo d u m homem provocava-lhe sensações agradáveis, mas não lhe despertava idéas voluptuosas. Mais tarde preferia encostar a face á do seu escolhido e lançar o seu corpo sobre o do namorado. Até á edade de 26 annos não praticou outros actos nem nunca pensou que taes contactos podessem vir a provocarIhe a ejaculação. Foi nesta época que, tendo-se deitado no mesma leito com um dos seus amigos, corpus membrumque suum apprimens ad corpus amici, teve uma ejaculação seguida de sensações voluptuosas. Este facto impressionou-o vivamente. Nunca praticára a masturbação, somente de noite tinha sonhos voluptuosos referindo-se sempre a homens e seguidos de pollução Repugna-Ihe a immissio nieinbri in anum e porisso continua com os contactos que tanto o deleitaram.

(1) Obr. cit. (2) Como se sabe, é vulgar observar em redor dos ourinoes invertidos com o fim de observar os orgãos sexuaes masculinos.

HOMOSEXUALIDADE

111

Junte-se tão

a

este caso e ainda o anal,

a immissio membri in os ( 1 ) a masturbação mutua, coito anal, inter femora a e

divulgado

masturbação ainda a

in axillam e t e r e m o s c o m p l e t a d o o q u a d r o alterius outros os ejaculatum ha em vull que ut in Iiic os proprium semen devoo

das misérias do amor homosexual. Alguns chegam semen E in rarei semen Os a q u e l l e q u e ejaeulavit devorei,

alterius,

que é m a i s raro. beijos dos uranistas são por vezes a c o m p a como nos as heterosexuaes, do eontaetus nhados, linguarum. Em o resumo: relações sexuaes uranistas são possível do amor das relações heteromais Na proximo

sexuaes com pervertidos. descripção u r a n i s t a h a a i n d a episodios, que precisamos de pôr em relevo, embora não possamos examiná-los d e m o r a d a m e n t e . Como dissemos, as perversões sexuaes observ a d a s nas relações n o r m a e s da heterosexualidade e compatíveis com a h o m o s e x u a l i d a d e t é e m aqui O sadismo, o masochismo, homosexuaes com todas as as s u a s e q u i v a l e n t e s . riremos, existem nos O

e o proprio feiticismo, a que mais tarde nos refecaracterísticas que tão nitidamente os definem. sadismo tem sido o b s e r v a d o entre os homoentre os quaes surge por vezes com sexuaes

(1) Esta pratica que é immensamente mais frequente entre os uranistas do que a pederastia. Pratica-se de varias formas : Nonulli immittunt totum ímmbmtn in os alterius, ut non soluin glans includalur; alii solam glandem immittunt ut littgua et labris alterius tangatur, dum membri altera pars manei extra cadum oris ; swpe Iuvc pars eodem tempore circumcluditur manibus viri dilecti.

A VIDA S L X U A L

inconfundível nitidez. necessidade genesico. De minha o d'esta que de Neste caso

Ha da parte do sádico a para victima sentir é um caso o prazer homem. algum isso Por da a

martyrisar não

observação das caso

conheço perversões. por livros

alliança feito

duas

repetirei tem lidade.

publicado pelos

GYURKOVECHKY, especia-

carreira

P. rapaz de i5 annos tinha como amante B. de 14. A mãe d'este ultimo tinha notado que o filho tinha mordedellas nos braços, na região sagrada e nas coxas. Averiguou-se que B. era bem pago por P. para se deixar morder por elle. Quando B. chorava, P. continuava a maltratá-lo enquanto se masturbava. P. interrogado confessou que a masturbação lhe causava o maior prazer no momento em que a sua victima se contorcia em dores. P. era epileptico e possuía uma hereditariedade nervosa carregadissima. Como livros celebre da o este ha outros casos descriptos nos

especialidade e, VON ZASTROW

entre outros, é muito E' o c a s o do jovens especie de que procurava

q u e UI.RICHS d e s c r e v e .

mutilador impúberes

para lhes ministrar toda a pôde imaginar : monstro foi

maus tratos que testículos! Este

mordedellas na e conde-

face, mutilações varias e até o a r r a n c a m e n t o dos julgado mnado pelos tribunaes da A l l e m a n h a . MOLL r e c o r d a d o i s c a s o s h i s t o r i c o s a q u e n ã o quero deixar que, de referir-me. depois de ter Um d'elles obrigado é o de alguns TIBÉRIO homens a

b e b e r vinho em

excesso, lhes ligava o

penis de m a n e i r a a p r o v o c a r - l h e s violentos soffrimentos devidos e pelo outro por um lado á retenção da urina ao estrangulamento provocado.

HOMOSliXUALlbAbL

• 4 7

O

outro c a s o c da e d a d e media e p a s s a - s e em Um m a r e c h a l f r a n c ê s , GILLE DE LAVAI., violara

F r a n ç a d u r a n t e o r e i n a d o de CARLOS \ II. torturara e m a t a r a varias c r e a n ç a s de a m b o s os sexos. O UM Foi c o n d e m n a d o á m o r t e . masochismo uranista de ser de homosexual a tem-se que observado sentia o

c o m muita nitidez e c o m todos os p o r m e n o r e s . confessou batido ciúme MOLL desejo prazer. com pelo seu c o m p a n h e i r o no até ao e x a g g e r o de ser

P a r a p r o v o c a r o seu a m a n t e e x c i t a v a - o E e r a m esses ultrages p h y s i c o s q u e

scenas

esbofeteado.

lhe p r o v o c a v a m os m a i o r e s p r a z e r e s . A l g u n s masochistas manifestam-se em sentido diverso. D e s e j a m humilhar-se, s u b m e t t e r - s e . A s s i m ha uranistas que só sentem v e r d a d e i r o p r a z e r em oscula urinam applicare in ad anum alterius; outros só téem a sua satisfação sexual q u a n d o alter immitit os proprium. MOLL refere-se ao vicio q u e t é e m certos indivíd u o s de só se excitarem c o m a vista da realisação da a copula que normal ou das praticas mixoscopia uranistas, (de
U.CLM

poderíamos

chamar

— união sexual e <7y.cr.e1-j — o l h a r ) casos do m a s o c h i s m o .

filiando-o

nos

N ã o me p a r e c e esta asse-

veração bem demonstrada, mas o caso precisava de registo neste logar, p o r q u e no c a m p o da h o m o sexualidade Não quando mórbida sação é que não p o d e ter u m a e x p l i c a ç ã o rasoavel c o m o na mixoscopia h e t e r o s e x u a l . c i t á m o s este p h e n o m e n o c o m o p e r v e r s ã o nos occupámos pode da heterosexualidade a vista da que as realique a tão por nos pelo parecer que mesmo

da copula

excitar o h o m e m processo

presenceie,

i48

A VIbA S K X U A L

divulgadas poderá Mas mudam no

figuras caso de

pornographicas. homosexualidade A exhibição

E

ninguém as coisas formas

classificar

estes indivíduos de anormaes. de

por completo.

m a s c u l i n a s e as p r a t i c a s u r a n i s t a s h ã o de f o r ç o samente enojar o homem normal. rença que estabelecemos entre D ' a h i a diHea mixoscopia

normal (permitta-se-me o termo que bem exprime o m e u m o d o de v e r ) e a m i x o s c o p i a m a s c u l i n a . Poder-me-hão campo da dizer que esta predilecção, no homosexualidade, tem exactamente o

m e s m o valor que nos casos de heterosexualidade, a t t e n d e n d o a que l o g o q u e se s a i b a q u e o vicio u r a n i s t a d o m i n a o h o m e m t u d o o m a i s se e x p l i c a como será; fações a na heterosexualidade. todas Em parte e assim pelo mas, por uranistas u m l a d o , a v a r i e d a d e d a s satisanormalissimas,

o u t r o a sua h e t e r o g e n e i d a d e na c o m p a r a ç ã o c o m copula n o r m a l f a z e m c o m q u e se justifique a d i s t i n c ç ã o q u e a p r e s e n t a m o s , aliás d e p o u c a importância. TARNOWSKY p u b l i c o u a este p r o p o s i t o um c a s o muito interessante. por á mutua Dois rapazes a tinham fim na de sua sido se precontractados entregarem sença. certo individuo

masturbação

Geralmente

c o n t e n t a v a - s e em olhá-los o

q u e o enchia de p r a z e r e, se a l g u m a s v e z e s intervinha era c o m o p e d e r a s t a . Pertence masculina. O i m p e r a d o r TIBÉRIO na ilha C a p r e i a c o n t e n em assistir c o m o e s p e c t a d o r á s p r a t i c a s tava-se á historia um caso de mixoscopia

u r a n i s t a s r e a l i z a d a s e m sua p r e s e n ç a p o r j o v e n s escolhidos.

HOMOSEXUALIDADE

111

E, s e g u n d o se diz, era o único p r o c e s s o de que então sexual. M a s se estes casos que a c a b a m o s de citar estão ligados ao masochismo, muito mais o deve estar submissão, que não me um caso notabilissimo de podia dispor para alcançar uma excitação

furto ao desejo de transcrever. Em toda a litteratura medica que se o c c u p a da pathologia como guar, a sexual scena nada vou conheço expor. duvida tão O repugnante caso esteve que

affecto aos tribunaes e, se pouco se pôde averiparece não haver que se está em presença d u m doente.

Trata-se d'um individuo A attingido de perversão sexual que, vivendo no estranjeiro, contratou um creado B sem o conhecer. Alugando uma quinta na província, mandou-o para lá enquanto elle mesmo ficava no estranjeiro e lhe dava por cartas instrucções sobre o modo como deveria receber um tal C e obrigá-lo a prestar-se á pederastia. G devia, conforme uma carta de A a B , dirigir-se á quinta, portador d'uma carta de A, e B devia fazer com C o que lhe dissesse A . A s instrucções enviadas por A a B são J u r a tal cynismo que, se não se conhecesse o fim da historia, poder-se-ia tomar A por um malfeitor da peor especie. Dou a seguir as instrucções em questão, nas quaes estão em latim as expressões particularmente obscenas e impossíveis de ser transcriptas taes como se encontravam no original. Estas instrucções são dirigidas por A, uranista, a B, egualmente uranista, que devia forçar C a prestar-se á pederastia. Na primeira noite em que tiveres a ventura de o surprehender a roubar colheres de prata, fecharás as portas, e dir-lhe-has que o farás prender como um ladrão vulgar. Dir-lhe-has então que recebestes de mim as cartas que elle me tinha escripto ( e que tu terás previamente queimado ) e dir-lhe-ás mais que o entregarás á policia.

A VIDA S L X U A L

Elle ficará louco de terror e lançar-se-ha a teus pés para implorar misericórdia. Então dir-lhe-has que não o denunciarás com a condição d'elle se tornar teu escravo, sem ser pago, e tua meretrix, durante o tempo que tu quiseres. í Se elle consentir, conquistá-lo-has na própria noite d'esta conversa. Tirar-lhe-has o casaco e prender-lhe-has as mãos atras das costas c o m o se faz aos forçados. Em seguida tirar-lhe-has as botas e as meias, e apenas lhe deixarás as calcas e a camisa. §3.» Chamarás todos os mais creados que habitarem a casa. Sentar-vos-heis commodamente á mesa, bebereis uma grande porção de cerveja que vos «nviarei para essa noite, e fumareis charutos que vos mandarei na mesma occasião. L o g o que estejaes bem á vontade, fa-lo-has despir e fazer tudo o que desejares. Obrigal-o-has a lavar-vos os pés e podereis semen ejaculare in os suum, vel debel oscula dare in natibus veslris, se isto vos agradar. Podereis servir-vos d'este rapaz para as coisas mais extraordinarias ; elle prestar-se-ha a todas as vossas fantasias.

A' noite, por-lhe-hão ferros no pescoço e nos pés, porque se elle podesse fugir, fugir-te-hia. § 5.° C o m o cama, terá apenas um caixote com palha e um cobertor roto. §6.» T o d o s os dias á noite será obrigado a lavar os pés de vossês todos, o que vos será muito agradavel durante os calores do verão. § 7-° Se chover, dar-lhe-has tamancos para que elle não tenha frio nos pés. Fá-lo-has barbear todos os dias. lho dar-lhe-has 10 pfennings. Para pagar esse traba-

HOMOSEXUALIDADE

111

I 9-° Só deverá fallar quando o interrogarem. I '0° L o g o que tiveres de sair, ou logo que não haja ninguém em casa, pôr-lhe-has os ferros para que não possa fugir nem fazer tolices. I M.° Quando lhe bateres, deves fazè-lo á maneira russa. Encostarás uma escada a uma parede, depois prenderás, os pés em baixo, e as mãos por cima da cabeça, aos degraos da escada. Em seguida despi-lo-has. O corpo será ligado com uma corda. Agarrarás depois num knout e dar-lhe-has algumas chicotadas sobre nates denudatas. Não lhe deverás bater com muita força porque se trata d u m individuo fraco. I 12." T o d a s as vezes que te desobedecer, deverás castigá-lo com varadas. I 'J- 0 Obriga-lo-has a fazer todos os trabalhos de casa. 1 i4-° Passo agora a descrever-te alguns praseres que apenas são conhecidos na Rússia e na Turquia. § '4-° a Os praseres de que se trata são pouco communs, mas quando, como tu, se possue um rapaz que podemos obrigar a fazer tudo, não devemos privar-nos d'esses prazeres. I '4 ° b Denudas te ipsum eumque. Deinde collocas te in ventrem alterque pedes tuos lingua lambere debete, praicipue inter digitos et plantam, longum tempus; si erectionem habes, decumbis eo modo ut alter una manu membrum tuum alteraque testículos tuos fringat; eodem tempore nates tuas lambere debet Iinguamque immittere in anuiu tam profunde quam potcst, quoad ejaculationem seminis habes. Id est pulcherrimum quoJ liaber possis.

0 2

A VIDA S E X U A I .

i '4-° C Denudas eum ejusque inanus illigas post tergum ligasquc quoque pedes; collocas eum in dorsum, fatiem .superiorem, membrum in eius os immittis; si semert luum ejaculatur, ei nan licet expuere semen; potius membrum luum in alterius ore manet quoad devoravit ultimam guttam. Simplici modo ad hunc finem pervenire potes, bene lenendo alterius caput, si semen ejaculatur; ita debet devorare ulrum velit annon. § 15.» Quando elle tiver aprendido tudo, escrever-me-has ; eu irei pessoalmente, e se ficar satisfeito, dar-te-hei 5oo marcos. O que eu mais desejo, é que lingua lamberepossit atque in ejus os semen ejaculatur, dum semen 11011 exspuit. Será bom leres todos os dias as minhas indicações para evitar esquecimentos. Ahi encontrarás descripto tudo o que deverás fazer ao teu escravo e peço-te que executes rigorosamente as minhas ordens. P 16.° Para o alimentares dar-lhe-has muito leite, pão negro, agua, ovos, legumes, feijões e batatas. Só ao domingo lhe darás carne. i '7-° Dar-lhe-has liberdade todos os domingos, desde as dez horas da manhã até ao meio dia. Durante esse tempo poderá sair e calçar botas e meias. Nunca consentirás tal em dias de semana. Se elle não voltar logo que seja meio dia, castiga-lo-has com varadas. I iS.° Ensinar-lhe-has o seguinte : 1." A cultivar o jardim e os campos ; 2." A escovar os fatos e engraxar o calçado ; 3.° A lavar a escada ; 4.0 A dormir de noite com os ferros ; 5." A lavar os pés ao seu senhór ; 6." Ut in os semen injuratur atque semen devoret. 7 ° Pedes natesque lambere. Sabes que tenho palavra ; sê pois honrado e faze tudo o que te digo.

HOMOSEXUALIDADE

111

§ '9-° T o d o s os dias me escreverás cartas longas em que me contes largamente, sem nada esquecer, tudo o que fizeres com o teu escravo e em que alturas vae a sua educação. Será o teu escravo o incumbido de levar a carta ao correio onde a fará registar, entregando-te depois o recibo. Desejo sobretudo que elle saiba que tu me escreves a fim de ver que tudo se fez segundo as minhas ordens. § 20 -° Quando vos servir á noite em casa, deve despir-se. Como verdadeiro escravo, deve andar nú ou quando muito com a camisa. Para nada esquecer, deverás ler todas as noites as minhas instrucções. Responde-me immediatamente para eu saber se sim ou não és capaz de cumprir conscienciosamente, e á letra, todas as minhas instrucções. Entrego-te pois o meu antigo creado, como castigo de todas as partidas que me fez. T u d o o que lhe pertence, com excepção das calças, da camisa e das chinellas, fica sendo teu. Permitto que faças com elle tudo o que quiseres, tudo o que te passar pela cabeça. Elle poderá escolher : ou faz tudo o que tu lhe ordenares, sem ser pago, ou denuncia-lo á policia. Presentemente és o seu único senhor. Eu irei no dia 21 de agosto. Espero as tuas cartas todas as quartas e sabbados. A. Tacs a fim foram de B as instrucções C C. A, B C e á alugou de dia, uma B d a d a s por A a B, Segundo em logo de as que espedeter C o

obrigar

pederastia. quinta devia a

instrucções rou duma e, em

a c h e g a d a de carta certo da carta. carta.

Este devia ser o portador Assim succedeu com recebeu visita effeito c a

portador esperada

ncão

p ô d e p o r e m ser sujeito

A VIDA S E X U A I .

ás prescripçÕes dadas, porque fugiu em seguida ao e n t r e g a r a c a r t a . Agora rente A e C Portanto este minuciosa dinaria A d'uma do o facto caso eram era A mais i n t e r e s s a n t e é q u e p o u c o chegaram um que único á e conclusão mesmo de que t e m p o d e p o i s a s a u c t o r i d a d e s c o l l o c a d a s a o corindividuo.

dava instrucções a B para observamos que nessa extraortranscrevemos. tratava possa uraseriaque

o f o r ç a r a t o d o s os a c t o s i n d e c o r o s o s , c u j a descripção carta paragraphada Não das me suas

d e f e n d e u - s e d i z e n d o que a p e n a s se brincadeira. dentro pretendia instrucções deixar parece

a c c e i t a r - s e tal s u p p o s i ç ã o . masochistas nistas. em uma que podia a que que mente A B as

A possuia tendencias predilecções a applicar não de B,

D i z MOLL q u e a f u g a de A no m o m e n t o começar recebidas, de gostar E constitue que que não bem

prova contra podia succeder ia

a p e r v e r s ã o m a s o c h i s t a , poracrescenta

conhecia

previamente. se

que, apesar das suas tendencias apavorasse que dos máus tractos tão b e m conhecia,

masochistas, A exactamente applicar-lhos.

sujeitar-se, e

no momento em que c o m e ç a v a m a esta apreciação e afigura-se-me brincadeira capaz e de de máu escrever para gosto, esse a si

Concordo com que, mesmo

como

nenhum h o m e m que não tivesse tendencias masocho-homosexuaes programma de proprio o impor. seria torturas vergonhas

E q u e m s a b e m e s m o se n ã o se

trataria d ' u m d ' e s t e s m a s o c h i s t a s s y m b o l i c o s q u e ás vezes, m e s m o na realisação da copula normal, so s e n t e m o p r a z e r g e n e s i c o q u a n d o a i m a g i n a ç ã o

HOMOSEXUALIDADE

111

os

mostra

entregues

a

soffrimentos

de

sujeição

psychica e physica em presença da mulher a m a d a . Q u e r m a s o c h i s t a real, q u e r s y m b o l i c o — p a r a nos servirmos dever do termo duvida consagrado — parece de que não restar era u m p e r v e r t i d o .

Q u e m s a b e s e elle a o e s c r e v e r e s s a s r e v o l t a n t e s i n d i c a ç õ e s n ã o sentiu e s p a s m o s s e n s u a e s s i m i l a r e s aos q u e e x p e r i m e n t a o h o m e m de c o s t u m e s dissolutos q u e , e m e x t e n s o s m e m o r a n d o s , p i n t a , c o m cores vivíssimas ás suas amantes distantes, os prazeres que s e n s u a e s q u e p r o j e c t a realisar e m s e g u i d a Um individuo conheci eu, descripções pornographicas entremeava as a o primeiro e n c o n t r o .

das s u a s c a r t a s p a r a a s s u a s a m a n t e s c o m p r a ticas d e m a s t u r b a ç ã o s e g u i d a s d e g r a n d e p r a z e r sexual. A era pois um m a s o c h o - u r a n i s t a repugnantíssimo. F a l a m o s do masochismo e sadismo homosexuaes. V i m o s os c a r a c t e r e s e as s e m e l h a n ç a s q u e a p r o ximam estes
VÍCÍQS

dos

que

se

produzem

nas

uniões heterosexuaes. são c a r a c t e r i s t i c a s estas

E para nada faltar nesta d u a s e n t i d a d e s d e rela-

a p r o x i m a ç ã o de vícios e p a r a se e v i d e n c i a r q u a n t o ç õ e s : h e t e r o e h o m o s e x u a e s , f a r e m o s ainda notar outras aproximações. Já dissemos se sentem que assim c o m o ha homens que por mulheres mas por attraídos não

rapariguitas impúberes, t a m b é m ha uranistas que o r i e n t a m a s u a p e r v e r s ã o no s e n t i d o de só g o s t a rem da de mais rapazes. remota este E não é vicio d'hoje, na data antiguidade, vicio muito tendo Grécia umas

e d e p o i s em R o m a o seu a p o g ê o . mente está

M e s m o actual-

espalhado:

A VIDA S E X U A I .

vezes ainda

com como

característica uma com as

de

perversão

e

outras

consequência mulheres falsa

das d i f i c u l d a d e s e a t é c o m o preas doenças

das relações venereas. X, rico

venção — embora

— contra sempre a

titular, c o s t u m a com quem se

rodear-se de excessos de

rapazitos

entrega

toda a especie. nas está victimas de

Possue-os, por vezes, de varias correctas e gentis, o que

nacionalidades, procurando sempre nestas pequeformas accordo com a s u a o r i e n t a ç ã o artística.

C o m elles, quasi e x c l u s i v a m e n t e p a s s a a sua v i d a sexual. Mas este doente não procura creanças em alguns infecasos. r i o r e s a o s d e z a n n o s e este limite tem s i d o extraordinariamente ultrapassado U m a d a s m a i s i n t e r e s s a n t e s o b s e r v a ç õ e s é a de S . W . MIHZEJEWSKI e m q u e s e t r a t a d u m p s y c h o p a t h a de vinte e seis a n n o s , q u e c h e g o u a p r a t i c a r a p e d e r a s t i a c o m u m a c r e a n ç a d e dois a n n o s . E para nada faltar nestas extravagancias mórb i d a s , t ã o nítidas n o c a m p o d a h o m o s e x u a l i d a d e , direi tecem A ainda as que, ha em antithese que com a anterior e appesempre predilecção, uranistas desejam (quasi

relações

homosexuaes tem

pederastia) com velhos de barba branca. própria da tão e necrophilia conhecido já c r e a d o a d e p t o s no O sargento dos BERdois necrophilo, cadaveres em saciava campo TRAND, o seu sexos homosexualidade. como em vicio

repugnante até, como

dissemos,

cadaveres

de animaes. Ainda a outras pequenas perversões poderíamos referir-nos, taes como de indivíduos com zonas

IiOMOSKXUAI IbAliK

excitáveis

e

provocadoras

de

erecção

e

ejacu-

l a ç ã o , distantes

d o s o r g ã o s s e x u a e s e sem c o m

elles terem r e l a ç õ e s a l g u m a s e que só p o d e m prov o c a r p r a z e r c o m o s c o n t a c t o s d o seu p r e f e r i d o , e t c . , m a s o q u e fica e x p o s t o é o que ha de mais i m p o r t a n t e sobre estas d e v a s s i d õ e s h o m o s e x u a e s . Para concluirmos masculina de a descripção da homosea E esse com que

xualidade classificar

referir-nos-hemos masculina.

repellente c o m m e r c i o uranista, que b e m se p ô d e prostituição effeito é i n t e i r a m e n t e c o m p a r a v e l , no m u n d o da h o m o s e x u a l i d a d e , á prostituição feminina a atrás nos r e f e r i m o s . creou se raizes t ã o v i g o r o s a s por que, até desde ás a V e m de r e m o t o s t e m p o s e época

em q u e ESCHINO, que já c e n s u r o u os h o m e n s que prostituíam dinheiro, sociedades séculos de mais h o d i e r n a s , n u n c a deixou de existir, tendo t o m a d o um g r a n d e d e s e n v o l v i m e n t o nos e nos centros que ler são as civilizados. Basta obras últimos de classificados

COFFIGNON,

de MOLI. e KRAFFT-EUING para nos c o n v e n c e r m o s do q u e aflirmo. Ha h o m e n s que se e n t r e g a m a toda a especie de d e v a s s i d õ e s h o m o s e x u a e s c o m o meio de enriq u e c e r ou de g a n h a r a vida. Ou são devassos A maior ou N ã o são uranistas psychicovenaes p r o p r i a m e n t e ditos e alguns d'elles s ã o c a s a d o s . hermaphroditas porem sexuaes. parte d esses

são uranistas característicos.

A prostituição mas-

culina é mal vista pelos uranistas, da m e s m a f o r m a que a prostituição feminina é mal a p r e c i a d a p e l o s h e t e r o s e x u a e s de bons c o s t u m e s . E tanto isto é v e r d a d e q u e os uranistas por v e z e s criam intrigas

187 A V I b A S E X U A I .

entre si l a n ç a n d o a c a l u m n i a de que alguns dos c o m p a n h e i r o s mais felizes v e n d e m os seus f a v o r e s a p e s o de dinheiro. Juntam-se por v e z e s estabelecendo b o r d e i s de q u e ha e x e m p l o s em N á p o l e s , R o m a , P a r i s , B e r l i m , etc. S ã o e x p l o r a d o r e s ávidos d a bolsa dos uranistas incautos. tutas quaes Também as no possuem suas meio como as prostidas vulgares, alcançam, esti-ellas, algumas

uranista,

reputação

internacional.

U n s v e s t e m - s e de mulher, outros

a d o r n a m - s e e criam a d e m a n e s p r o v o c a n t e s p a r a os seus clientes, etc. C h e g a m a ter a m a n t e s e a jogar c o m a a r m a do ciúme lupanar. E' nhas esta e prostituição uma em especial os das maiores vergopsydeviam do nosso século e c o n t r a a q u a l os governos como as e x p e r i m e n t a d a s m u l h e r e s do

chiatras

e m p r e g a r t o d a s as a r m a s a fim de a e x t e r m i n a r por u m a vez. seus vicios, P a r a v e r g o n h a da nossa civilização policiada ou particular, immensos b a s t a a prostituição feminina q u e , c o m todos os p r e j u í z o s tem c a u s a d o ás a c t u a e s g e r a ç õ e s .

Ilowoscxualidade
ainda, nomes mesma Ha embora de lesbismo

feminina.
e

Designa-se
com com os a que, como

menos

propriamente, tribadismo indistinctamente averiguados

dissemos,

acceitaremos casos bem

significação. menos que de tribade u r a n i s m o . E é fácil c o m p r e -

dismo do hender a

r a z ã o d ' e s t a differença, p o r q u e a vida

da mulher por mais que p r e t e n d a m o s investigá-la

IiOMOSEXUALlbAbh

f o g e á nossa o b s e r v a ç ã o q u e r pelas c o n v e n i ê n c i a s sociaes q u e r ainda pela falta de sinceridade nas s u a s confidencias sobre taes a s s u m p t o s . O a m o r sexual feminino data dos mais r e m o t o s tempos. que a muito A Grécia e R o m a deram exemplos bem de tribadismo no
DE

característicos é

e

PLORS

aftírma de ha aliás é

masturbação mutua conhecida
TYRO

das mulheres o que

Oriente,

c o n f i r m a d o por M . a r a b e a que me — — deu Ladra e
MOLL

e por v a r i a s p a s s a Já u m a velha c a n ç ã o como pega uma e o haste corvo

gens dos p o e m a s orientaes. uma mulher, atrevida

se r e f e r e diz a s s i m : —• « D e u s magra como a

A m a as mulheres e d e s p r e z a os h o m e n s — E Não pretendo voltar á repetição das notas A a

só se d i v e r t e c o m a g e n t e ordinaria. » históricas a q u e já nos referimos. O lesbismo

d e s e n v o l v e u - s e nas civilizações s u b s e q u e n t e s . na Edade Media, a Inglaterra também teve

A l l e m a n h a foi theatro de g r a n d e s scenas l é s b i c a s sua é p o c a e a França, a H e s p a n h a e o nosso

p r o p r i o paiz a c o m p a n h a r a m o m o v i m e n t o , s o b r e tudo q u a n d o o m y s t i c i s m o e o c o n v e n t o p r o v o cavam por todas as formas as aproximações homosexuaes femininas. O s r o m a n c i s t a s téemdesde
DIDEROT

M a s se o mal v e m de ha muito o seu e s t u d o data d e h a p o u c o s annos. Ihe ligado La de especial attenção
ZOLA

que

e s c r e v e u esse interessante livro tão d i v u l g a d o — Religieuse — até Nana nas suas no bello com < e s t u d o sexual a sua amiga ligações

Satin

O t r i b a d i s m o está b a s t a n t e e s p a l h a d o e g r a s s a c o m g r a n d e intensidade, e p i d e m i c a m e n t e m e s m o ,

i6o

A VIDA S E X U A L

nos centros mais populosos da E u r o p a . tra-se em evidenceia tidas

Encon-

todas as sociedades, m a s onde mais se é no m u n d o da prostituição, entre as aristocracia (i). entre vários mulheres casos Ha invercasadas. comprovaPor mesmo apresenta

actrizes e no seio da sexuaes
KRAFFT-EBING

tivos d'esta affirmação. As mulheres juntam-se c o m o os uranistas. vezes uma desempenha o papel passivo. exteriores ticular. por das Assim tribades as nada activo e outra o

Em geral, a p h y s i o n o m i a e as maneiras apresentam de parque téem o rosto mulheres

coberto de pellos c o m o o dos homens não estão isso p a r t i c u l a r m e n t e predispostas á inversão sexual. Contudo, muitas vezes, apresentam traços

masculinos quer na sua conducta, quer ainda nas linhas geraes do rosto. A tidas evolução varia do desejo homosexual os nas inverOra muito segundo muitos tribades a que os individuos.

s u r g e nas primeiras edades, ora segue inconscientemente Na guns durante as annos, ora finalmente p o r alapenas apparece em edades adeantadas. infancia caracteres para denunciam-se se não pôde e dar grande dos de

importancia. propensões rapazes, homem, das porem Conheci que que d'estes

Assim

diz-se que as tribades téem jogos os só divertimentos com fatos brinquedos vestir-se

estimam desprezam signaes é

usuaes Nenhum

meninas, taes c o m o b o n e c a s , etc.

p o r si denunciante.

duas tribades que me descreveram estas

( I ) Para COFFIGNON e, depois das prostituídas, nas aristocratas que se encontra o maior numero.

homosexualidade

1ôi

m i n u c i o s i d a d c s de e v o l u ç ã o , m a s ao l a d o d ' e s t a s invertidas o b s e r v e i o u t r a s m u l h e r e s que t i v e r a m as m e s m a s p r o p e n s õ e s nas p r i m e i r a s e d a d e s a p e s a r d e serem s e x u a l m e n t e n o r m a e s . O que é mais curioso p o r e m é q u e u m a d ' e s s a s d u a s tribades que g o s t a v a de r e p r e s e n t a r o p a p e l passivo de m u l h e r , tinha t a l v e z m a i s tendencias C o n t u d o é isto u m a e x c e p ç ã o á r e g r a . a t r i b a d e a d q u i r e hábitos m a s c u l i n o s adquire o estado de viraginidade. trabalhos de m a s c u l i n a s do que a que d e s e m p e n h a v a o p a p e l de activo. Quando diz-se culinos costura. que e

F u m a , e v i d e n c e i a v o c a ç õ e s para o s t r a b a l h o s massente r e p u g n a n c i a Uma doente de pelos
WESTPHAL

tinha u m a

g r a n d e v o c a ç ã o para a c o n s t r u c ç ã o de m a c h i n a s , o u t r a s ha c o m p r o p e n s õ e s para industrias que até hoje t é e m e s t a d o m o n o p o l i s a d a s pelo h o m e m . G e r a l m e n t e só m a n i f e s t a m as suas t e n d e n c i a s no r e c a t o do seu niènage, m a s por v e z e s patenteiam fatos nas ruas as suas ao qualidades masculinas. que a N ã o é r a r o p r e f e r i r e m u s a r , ou usar m e s m o , de pertencentes outro sexo, casos i m p r e n s a diaria vai d e n u n c i a n d o , por v e z e s c o m descripções menos convenientes. A tribade passa u m a vida intima de torturas p o r não ter n a s c i d o h o m e m : ella e o uranista c o m p l e t a r - s e - h i a m operando uma troca dos orgãos sexuaes. Dentro d u m a f o r m a feminina, existe u m a a l m a d e h o m e m . S e n t e - s e v i g o r o s a para a lucta. cavallo e a espingarda A t t r a h e m - n a mais as sciencias do que as artes : estima mais o seu c o m q u e se entrega aos E querendo encontrar m a i s violentos g e n e r o s de sport, do q u e o p i a n o e a m a c h i n a de costura. dentro d o seu s e x o p a r a d y g m a s p a r a seguir o u

A VIDA S E X U A I .

a d m i r a as m a s c u l a s m u l h e r e s ou actividade.

da historia ou as

q u e , na sua é p o c a , se salientaram pela intelligencia R e p u g n a - I h e s a idéa da m a t e r n i d a d e . e prende. apreciarem Só com-

p r e h e n d e m o a m o r e s t e r i l : só esse as e n t h u s i a s m a N o s bailes e reuniões particulares preA p e s a r de a dança — o que parece symptoma f e r e m s o b r e t u d o o s p a r e s femininos.

geral de todos os h o m o s e x u a e s — p r e f e r e m não dançar a dançar com homens. E mal Já se ou o h e t e r o s e x u a l e o uranista são l e v a d o s morbido com a lésbica não lhes fica atrás. aos m a i o r e s e x c e s s o s g u i a d o s p e l o seu a m o r norLORANUS

dizia q u e as t r i b a d e s p e r s e g u e m as e n t h u s i a s m o tal, que os h o m e n s

raparigas imitar. felicidade

s ó c o m m u i t a d i f i c u l d a d e seriam c a p a z e s d e a s S e n d o c o r r e s p o n d i d a s a d q u i r e m aquella que o Ha bem casos estar lhes de dá, sentindo de

a p e n a s q u e o seu casal não tenha a a m b i c i o n a d a estabilidade. muitos annos. porem as ligações Téem mesmas predilecções

que os h o m e n s : u m a s p r e f e r e m as loiras, o u t r a s a s m o r e n a s ; u m a s a s m u l h e r e s altas, e l e g a n t e s , outras as tnignones. todas as formas o os nova, de crear relações até aos são passeus Desde todos mais se ainda Por annuncio d uma Procuram homosexuaes. seios uma nada seguia públicos, rapariga, conhecidos. immenso

processos que se

v e z ouvi dizer a contrariava determicom

quando se

encontrava

m u l h e r , que não conhecia m a s q u e a percomo f ô r a u m h o m e m , olhando-a por

f o r m a q u e não podia fitá-la. A v e r i g u a d a a ident i d a d e e os h á b i t o s da p e r s e g u i d o r a chegou-se á

HOMOSEXUALIDADE

ibj

c o n c l u s ã o de q u e se t r a t a v a d ' u m a t r i b a d e aliás muito c o n h e c i d a no meio em q u e vivia. E' C., por de e estes vinte de olhares e ser tres que provavelmente servente, de n ã o as t r i b a d e s se d e n u n c i a m e se c o n h e c e m . annos, Apesar tinha aos horror pelos h o m e n s . graciosa ser des-

muitas

vezes provocada

p r a z e r e s h e t e r o s e x u a e s , nunca que lhe seriam a g r a d a v e i s . tia-se quem res, que O forma immensamente dispensava juntando-se foi bastante os attraída

deu d e n u n c i a s de P e l o contrario, senpelas a mulheres a olhaunião

mais concupiscentes preferida,

depois c o m

duradoira e não m e n o s escanentre como as t r i b a d e s por estas scenas não e é

dalosa. ciúme desenvolve-se E as ferem extraordinaria.

contrariedades e insomnias

profundamente, cairem dá a no

raro o b s e r v a r tribades, a t a c a d a s de i n a p p e t e n c i a rebeldes, quando se maior dos de desesperos circunstancia

d e s a p p a r e c e r a sua ligação. Ha na sciencia r e g i s t a d o s a l g u n s c a s o s de loucura,
ZOI.A

cuja

causa

occasional

foram

separações

homosexuaes rapidas. no r o m a n c e Nana, a que já nos r e f e r i m o s , dá-nos u m a s o b e r b a d e s c r i p ç ã o do c i ú m e d'essa d e s e q u i l i b r a d a , q u a n d o se julgou a t r a i ç o a d a pela amante. sido O ciúme Ora do no entre que essa as scena, que bem não podia é ter tirada natural, repete-se homosexuaes normal. amor muitas Parece vezes. menos mesmo-

violento

que se e x a g g e r a c o m a p e r v e r s ã o . E' curioso notar que entre as t r i b a d e s ha algumas casadas, como aliás s u c c e d e , e m b o r a mais

4

A VIdA SEXUAi.

r a r a m e n t e , entre o s uranistas. que

A l g u m a s d'essas

são h e r m a p h r o d i t a s p s y c h i c a s , outras s ã o lésbicas apenas consideram o casamento como uma P a r a a trioperação n e c e s s i d a d e social e de c i v i l i z a ç ã o : nunca a manif e s t a ç ã o d ' u m a n e c e s s i d a d e genesica. bade o casamento é uma fins. mais, commercial casada verdadeira

e u m a c o m m o d i d a d e p a r a a melhor seus A mulher depois de ter mais extensas passear

c o n s e c u ç ã o dos pôde

relações e, em s u m m a , livrar-se das criticas d o s soalheiros femininos. O que é porem digno de registo é que nas quer tribades para sicas. do a a quer hermaphroditas das a psychicas,

a b s o l u t a m e n t e h o m o s e x u a e s , a c o p u l a não b a s t a satisfação E' devido s u a s n e c e s s i d a d e s geneisso que essas mulheres

p e d e m aos h o m e n s a que se j u n t a r a m a pratica ciniiliiigus. E s t e c o n t a c t o é-lhes muito mais a g r a d a v e l que copula e chega por vezes a provocar-lhes g r a n d e p r a z e r , s o b r e t u d o q u a n d o i m a g i n a m scenas lúbricas c o m o u t r a s mulheres, c u j a s i m a g e n s evocam no acto e da anormal citam a ligação com o h o m e m a q u e se l i g a r a m .
MARTINEAU MOLL

c a s o s de

divorcios de

e

separações As tribades

devidas praticam umas

hábitos

lésbicos

esposas. entre si varias juneções mais vulgares do que sexuaes, outras. U m a s t e n t a m praticar a copula imperfeita por meio da i n t r o d u c ç ã o do clitóris na v u l v a , o q u e me parece exequível em alguns c a s o s , tanto mais que as praticas sallicas a l o n g a m muito os clitóris, sendo

HOMOSEXUALIDADE

ibj

c o m o facilmente se p ô d e a v e r i g u a r v e n d o as figuras que
MARTINEAU (I)

junta

ao

seu

conhecido praticam a

livro s o b r e as d e f o r m a ç õ e s v u l v a r e s e anaes produzidas por esta pratica. Outras m a n u a l i z a ç ã o m u t u a , m a s a m a i o r parte dedica-se á pratica do cunilingus, isto é, ao s a f f i s m o . o papel p a s s i v o . Segundo
COFFIGXON

Neste

c a s o a mulier lambens gosa o p a p e l activo, a o u t r a estes p a p e i s alternam-se mais v e z e s do que entre os p e d e r a s t a s ; s e g u n d o MOLI. estes p a p e i s ficam a b s o l u t a m e n t e separados. devida ao E s t a differença de opinião é em parte campo de observação ser differente

( P a r i s e B e r l i m ), e ainda por um p o u c o de exagg e r o no r a d i c a l i s m o de c a d a u m a das opiniões. Na ipsa casos v e r d a d e , se em as que ha a casos, como um t r i b a d e X só sente alterius, também na se maior sentem c i t a d o por p r a z e r si parte dos excitadas dando-se MOLI.,

lambit genitalia tribades fazem

quando

lambere

genitalia própria

por v e z e s á p r a t i c a m u t u a e s i m u l t a n e a . H a c a s o s d e a m o r p l a t o n i c o entre a s t r i b a d e s , idêntico ao d o s uranistas, m a s de curta d u r a ç ã o c o m o é de s u p p o r . paração das e duas masculina E p a r a n a d a faltar na comespecies de homosexualidade a c r e s c e n t a r que menor intensi-

feminina, d e v e m o s com muito

as t r i b a d e s t é e m por v e z e s t e n d e n c i a s s a d i s t a s e masochistas, embora dade. A p r o p o s i t o d a s t e n d e n c i a s s a d i s t a s citarei um c a s o muito interessante, que foi affecto aos tribunaes f r a n c ê s e s onde foi j u l g a d o em 17 de d e z e m b r o (1) Le Dcfonnaponi vidrari ed anali. — Trad. da 3." edição francesa. — Roma, iSq8

A VIDA S E X U A I .

de 1891. meira Sr.

Refere-se

á celebre

princeza

RATAZZI,

tão conhecida entre nós.
ADEUNO SILVA

E s t e c a s o foi p e l a prino livro do a Inversão sexual ( 1 ) .

vez apresentado em Portugal sobre

Ei-Io : O coronel Mortier, morto em Nice em 1882, confiou no testamento sua filha Carlota aos cuidados de M.m* Ratazzi, rogando-lhe que a conservasse em sua companhia e a casasse depois honestamente. M."'6 Ratazzi empregou primeiramente Carlota na redacção do seu jornal — Les Matinées Espagnoles, mas depois fez da donzella sua secretaria particular, sua confidente e amiga, obrigando-a a partilhar o seu leito. Carlota era uma rapariga de 23 annos, hysterica, desequilibrada, mas d u m espirito muito cultivado e d'uma intelligencia superior. Apezar da desproporcionalidade da idade, as duas amigas viviam como dois apaixonados, e se ás vezes Carlota mostrava algumas velleidades de revolta a princeza chamava-a á ordem pelos argumentos persuasivos da bofetada e do socco. Carlota era d'uma dedicação immensa, servil, pela princeza. Um dia salvou-lhe uma filha d'um cão hydrophobo, agarrando o animal pela garganta. D'outra vez, essa mesma creança soffrendo d u m ataque de crup, Carlota salvou-lhe a vida sugando espontaneamente e sem temer o risco, as mucosidades que a suffocavam. A princeza Ratazzi amava Carlota d'um modo bestial, furioso, quasi allucinado, onde se confundiam ternuras de noivo, crueldades de marquês de Sade, requintes lúbricos de devassos gastos. Chamava Carlota pelo nome infame de Gabriella Bompard, alcunhara os dois pés da donzella de Messalina e Nana e nas suas cartas lidas no tribunal, ao lado de expressões ardentes de luxuria, de declarações incendiarias de amor, havia ameaças positivas de martyrio e de morte.
Em uma d'ellas c'est d'irritation. dizia : « Je te faime, te tuerai, sans doute,je te martyriserai, 1111 momenl probable,je Mais je cliourineraipeut-être toul est lá. » dans

(1) Porto, 1S96.

HOMOSEXUALIDADE

Em certa occasião obrigou Carlota a assignar um bilhete declarando que se a encontrassem morta, não accusassem ninguém, pois que voluntariamente tinha posto fim aos seus dias. Não tendo podido rehaver este bilhete, não obstante os seus reiterados pedidos, e temendo que se realisassem as ameaças repetidas da princeza, Carlota escreveu em abril de 1891 ao procurador da republica, prevenindo-o de que se lhe acontecesse alguma desgraça não ligasse importancia a esse bilhete, que lhe fora extorquido. Entretanto, em 1886, a princeza havia casado Carlota com mr. Bouly de Eesdain. Mas que união tão singular ! Marido e mulher viviam separados e, durante cinco annos, somente se encontraram rapidas e fortuitas vezes. O perigo que a princeza julgava ter affastado com esse casamento, mais apparente que real, appareceu d u m outro lado. Empregado no seu jornal havia um rapaz de nome Regis Delbeuf, de exterior muito pouco sympathico, pedante e brutal, mas que conseguiu conquistar Carlota e torná-la sua amante lisongeando-lhe a vaidade litteraria e applicando-lhe também soccos e bofetadas, o que parecia ser um argumento bem poderoso para esta mulher hvsterica. A princeza Ratazzi despediu logo de seu serviço este perigoso rival. Mas Carlota, muito apaixonada, conseguiu que seu marido acceitasse o divorcio e partiu para Paris em companhia de Delbeuf afim de propor a necessaria acção. A princeza, mordida de despeito, de ciúme e raiva por assim perder a amante idolatrada, soube pelas suas intrigas accender o amor proprio do marido, tão bem que Bouly de Lesdain veio ao encontro de sua mulher e no comboio metteu duas bailas em Delbeuf. Os ferimentos não foram mortaes, e o jurv absolveu o marido, convencido muito justamente de que, em todo este drama, o seu papel foi sempre de instrumento dócil nas mãos da princeza Ratazzi. O marido, não cohabitava com sua mulher, não tinha direitos sobre ella e, quando se apresentava no palacio da princeza, era maltratado, comia na cosinha entre os

A VIDA S E X U A I .

creados,e era despedido como importuno, enquanto Carlota brilhava nos salões e de noite partilhava o leito da lésbica fidalga. Quando Carlota se cansou de aturar os transportes lúbricos d'essa velha insaciavel, á ainda este pobre homem quem serve ao odio da princeza. Armou-Ihe o braço para matar o rival como antes lh'o atara no casamento, que encubria aos olhos do mundo os segredos do seu vicio.

Outras caso

invertidas mulher

ha

que só desejam teve relações

as relacita o sexuaes

ções homosexuaes com creanças. d'uma que

TARDIEU

c o m u m a c r e a n ç a de s e i s a o n z e a n n o s , e é b e m conhecido o d'aquella proprios nuando a dedos uma mãe que desflorou com os filha de dez annos os contidedos diariamente,

introduzir-lhe,

na v a g i n a e no a n u s . As lésbicas juntam-se muitas vezes nas casas da prostituição onde, como abundam. motivo dades entre de o Em que alguns as poderem dissemos, especialmente casos tem e a sido o fútil sem dificul-

viver juntas determina

arregimentar-se

essas desventuradas.

E c o m o esta asseveque é muito

r a ç ã o p ô d e ser considerada e x a g g e r a d a , c i t a r e m o s um caso c o m p r o v a t i v o de curioso: Uma a tribade dirige-se por carta á sua amante em seguida a u m a scena de ciúmes que sobreveio proposito se d u m a terceira mulher, propondo-lhe numa c a s a p u b l i c a de prostiD'esta para juntar-nos-hemos a para inscrever
MARTINEAU,

tuição a fim de nunca mais se s e p a r a r e m . maneira, felizes. feita em A acrescentava, resposta carta foi

nunca mais termos scenas de ciúme e viveremos c e d e n c i a da p r o p o s t a e caracteristica da uma erótica

HOMOSEXUALIDADE

L6Q

grande dedicação mais curioso exclusivo mulheres é apenas que, em

que as das

ligava. das

M a s o que é toleradas' e, vão ou

q u e as p r a t i c a s safficas não s ã o casos

assim c o m o o s h o m e n s p r o c u r a m essas c a s a s , h a algumas c i d a d e s , ali deixar-se s a f f i z a r ou saffizar as m u l h e r e s d ' e s s a s casas publicas. como os C h e g a m a p a g a r a sua e n t r a d a masculinos. E casas ha de especialidade, só para
MARTINEAU

clientes

prostituição saffica, c o m o mulheres. a de vir da I n g l a t e r r a , da as visitarem. As

Segundo assevera

chegam

R ú s s i a e da A l l e m a n h a praticas safficas têem-se

a l g u m a s m u l h e r e s ricas e p e r v e r t i d a s c o m o fim divulgado extraordinariamente mesmo em Lisboa e Porto. Em Paris téem alçancado e x t r a o r d i n á r i o desenvolvimento. Etiologia e palhogenia da homosexualidade. —

C o n h e c e m o s os f a c t o s , t r a t e m o s a g o r a de investigar as c a u s a s d ' e s t a s a b e r r a ç õ e s g e n e s i c a s . Talvez se téem devido occupado á frequencia da e importancia das causas medico-legal d a h o m o s e x u a l i d a d e , muitos a u c t o r e s investigação d'esta p e r v e r s ã o . e podemos dizer E se é certo que o e s t u d o d a s bem assente, do o mesmo a não edu-

causas occasionaes se pôde considerar completo, succede com a apreciação d'este mal. Uns, com valor que
Á

c a ç ã o e a h e r e d i t a r i e d a d e téem no a p p a r e c i m e n t o
MOLL

frente,

querem

que a o r i g e m d ' e s t a anomalia esteja u n i c a m e n t e numa d i s p o s i ç ã o hereditaria ; o u t r o s a f f i r m a m que as influencias do meio e da e d u c a ç ã o , só por si, podem produzir o mal.
13

i199o

A VIDA S E X U A L

Inclino-me muito para a opinião dos segundos. Se é certo que as taras hereditárias muito conseg u e m do individuo sobre que p e s a m , não é menos certo de que que o contagio educativo não e, é menos importante. A h o m o s e x u a l i d a d e tem tido é p o c a s por mais por vezes recorrer á distincção,

maior e menor desenvolvimento queiramos

a r t i f i c i o s a de p e r v e r s ã o e p e r v e r s i d a d e , é f ó r a de duvida que muitos invertidos deixariam de o ser, se não tivessem sido contagiados e influenciados pelo meio. com A l e m d'isso todos os que se dedicam ao estudo d'estes assumptos téem cuidado

a v e r i g u a d o que, em alguns casos nitidos de homosexualidade a principal m á o r i e n t a ç ã o d a v i d a s e x u a l foi a da sua inversão. que Basta determinante

lembrar que ha h o m o s e x u a e s casados, e que devemos admittir com remover Por ha ou isso diz
KRAFFT-EBING

é impossível que nada

modificar

uma perversão congénita.
(I)

SCHRENCK-NOTZING

mais c o m m o d o para o nihilismo therapeutico tem a vantagem de deixar tranquillos os

do q u e a theoria da hereditariedade que, alem de tudo, h o m o s e x u a e s a fim de não procurarem tratamento para a sua doença. Se útero seriam os caracteres O moraes os se completassem no

materno, todos inúteis.

methodos de educação sempre o que

individuo seria

d e v e r a s e r : t e r í a m o s p o r t a n t o q u e a d m i t t i r u m fatalismo grosseiro, talvez mais enervante do que o que domina a crença dos arabes. A h e r e d i t a r i e d a d e

(i)

La

Terapia

suggestiva

delle

psicopalie

sensuali,

trad.

it., Torino, 1897.

HOMOSEXUALIDADE

ibj

n ã o é m a i s d o q u e u m a e s p e c i e d ' a c t i v i d a d e vital capitalizada atravez dos ascendentes ; mas não é tudo, apesar de ser um factor importantíssimo d a o r i e n t a ç ã o vital. serie dos actos, que C a d a individuo melhora ou realiza na própria vida e

a g g r a v a a situação dos seus descendentes c o m a que, c o m o habito, hereditaria. por var vezes, lucta, mas a se organizam em disposição educação e c o m q u e p ô d e traas tendencias

A hereditariedade manda e impera transforma modifica

naturaes.

D e n t r o d o v a s t o c a m p o d a s leis i m m u Na hereditarie-

t a v e i s ainda fica e s p a ç o b a s t a n t e p a r a a i n f l u e n c i a directa e modificadora do meio. dade sexual a l g u m a coisa d e real. não se herda ha antes alguma coisa de possível do que O r d i n a r i a m e n t e , na inversão senão a disposição para a da vida. E são estas

d o e n ç a ; o seu desenvolvimento d e p e n d e pois das posteriores influencias influencias q u e , c r e a n d o p o r v e z e s e s t a d o s n e u r o pathicos, p o d e m , independentemente da existencia de t a r a s h e r e d i t á r i a s , d e t e r m i n a r a h o m o s e x u a l i dade em indivíduos não ferreteados c o m o signal da sobrecarga mórbida hereditaria. A ella cia do t h e o r i a do a t t a v i s m o não ha a tenha do lado existido. dos a da e explica, Parece casos porém, na para todos os casos, a que na Assim como influencia hereditaria alguma embora verdade influenmórbida.

maior parte fraqueza

hereditariedade herda-se

irritabilidade e x a g g e r a d a frequentemente que e a vida pôde desen-

systema

nervoso

disposição neuropathica, segundo que a natureza actuam na

volver-se nervosas, dos

em neurasthenia ou em outras doenças intensidade individual.

estímulos

172

A VIbA SEXUAI.

Dá-se

aqui

um

f a c t o c o m p a r a v e l a o q u e suc-

cede, por exemplo, com os tuberculosos. R a r í s s i m a s v e z e s se h e r d a a d o e n ç a , o q u e se herda boas trahir é a predisposição. condições a S e n d o a s s i m , os filhos d e t u b e r c u l o s o s n ã o o são f a t a l m e n t e , a p e s a r d a s e m q u e s e e n c o n t r a m p a r a conenfermidade. um os as E na inversão polymorinversão dos terrível

sexual, c o m o no maior numero das psychoses, a hereditariedade phismo. Na sexual, litteratura e medica casos de especialmente autobiographias apresenta grande

uranistas, demonstram

que as taras hereditárias

i n f l u e m e d ã o f o r ç a ás c a u s a s o c c a s i o n a e s , e p o r v e z e s t e m de a d m i t t i r - s e a h e r e d i t a r i d a d e d i r e c t a da a inversão s e x u a l ; mas não devemos esquecer a educação e sobre a as c a u s a s da occagenese inversão, influencia que exercem

sionaes riores

destrinçando o tariedade. A influencia

que

é d e v i d o a influencias e x t e -

e o q u e é da r e s p o n s a b i l i d a d e da h e r e d i que a e d u c a ç ã o e x e r c e s o b r e u m a A suggestão tem para é que eu ouso

creança é extraordinaria. systematica. perguntar num sobre ella se se invertido E tão

ellas t a n t a ou m a i s i n f l u e n c i a do q u e a i n s t r u c ç ã o importante creança pôde uma transformar-se seu desenvolvi-

simplesmente exerça

p e l a influencia q u e

durante o

m e n t o , a i n d a q u e n ã o p o s s u a a s m a i s leves t a r a s hereditárias. T o d o s sabem que é possível uma transformação artificiosa conhecidos das tendencias mais ou menos presunos esclarecem por completo míveis dos indivíduos, mas infelizmente os casos não

HOMOSEXUALIDADE

s o b r e e s t e i m p o r t a n t e p r o b l e m a d a influencia d a educação, porque geralmente os doentes portadores da anomalia homosexual só v ã o procurar o m e d i c o , q u a n d o são o b r i g a d o s a isso p e l a s p e r t u r b a ç õ e s n e r v o s a s ou l o c a e s , e é difficil na c o m p l e x i d a d e d a s s y m p t o m a t o l o g i a s distinguir o q u e primário ou hereditário do que é é secundário.

P a r a m i m a e f f e m i n a ç ã o é um p h e n o m e n o s e c u n dário, um producto de adaptação c o m melhores ou peores qualidades de terreno. O m e u o b s e r v a d o A . A . , a p e s a r d a s t a r a s nervosas que sobre elle impendem, foi talvez um Não Muitos h o m o s e x u a l d e v i d o á e d u c a ç ã o q u e lhe d e r a m e sobretudo ao contagio a que esteve sujeito. ha duvida que existem invertidos consequência do meio em que viveram. que são u m a

téem taras a predispô-los, mas não seriam h o m o s e x u a e s se o m e i o a m b i e n t e os n ã o a r r a s t a s s e p a r a o vicio d e g r a d a n t e , q u e m a i s t a r d e se t r a n s f o r m o u em necessidade. P o r q u e devo confessar que por m a i s d i s t i n c ç õ e s q u e q u e i r a m e n c o n t r a r entre perv e r s i d a d e s ou vicios e p e r v e r s õ e s , a d i f f e r e n c i a ç ã o e n c o n t r a - s e e c h o c a - s e no limite, n u m a c o n f u s ã o indeslindavel. o que bem E o que se observa na vida sexual encontra-se em todos os hábitos ou vicios, justifica aquella phrase — tantas v e z e s r e p e t i d a — de q u e o h a b i t o é u m a s e g u n d a natureza. O q u e a c i m a de t u d o s e d u z os i n v e r tidos e os a r r a s t a ás p r i m e i r a s f a l t a s é a s u g g e s tão por vezes inconsciente e a illusão retrospectiva sobre da um sua vários factos banaes dos primeiros annos v i d a , o q u e de c e r t o é a u g m e n t a d o p o r

fundo mais ou menos neuropatha em que a

p h a n t a s i a m e l h o r se c u l t i v a e d e s e n v o l v e .

7 4

A VIDA S E X U A i .

C o m o demonstração do que acabo de affirmar destaco da autobiographia, que um doente me forneceu, u m a p a s s a g e m interessante e b e m comprovativa do poder da força suggestiva em assumptos d'esta n a t u r e z a : Tenho 26 annos, sou de família pouco tarada, meu pae parece ter tido aberrações genesicas pelo que pude averiguar. Desde creança senti tendencias hermaphroditas. Ora me masturbava pensando em mulheres nuas, provocantes de formas, ora pensava em alguns dos meus companheiros de trabalho. Muitas vezes alcançava o espasmo genesico imaginando-me a representar o papel passivo em scenas lúbricas de fellatio. Aos 16 annos saí de casa de meus paes com destino a seguir um curso superior. Em completa liberdade, senhor dos meus actos, procurava indistinctamente pessoas d'um e outro sexo para satisfazer o meu ardor genesico, que era desmedido.

Tinha 20 annos. Apaixonei-me intensamente por uma rapariga com quem consegui relações dentro de pouco tempo. Era uma morena de olhos escuros, magra, um pouco nervosa e que devia regular pela minha edade. Estimava-a muito porque, alem de lhe adorar as formas, havia certo perigo para mim em consegui-la e isso me dava prazer. Passaram-se tempos e o meu desejo sexual por ella começou a alquebrar-se. A satisfação pela copula era incompleta para mim. Precisava de novas sensações que foram do cunilingus até á sodomia e á mutua masturbação. Por fim essas praticas cansaram-me. Imaginava então approximações masculas em combinações de sexos mais ou menos repugnantes para obter a satisfação genesica com a minha amante. Um dia, porem, tomei novo rumo e perguntei-lhe se ella conhecia alguma rapariga, sua amiga, de quem gostasse. Confessou-me que sim, mas mostrou completa ignorancia do que fosse o amor homosexual. Então durante a copula descrevi-lhe o quanto poderiam fazer duas mulheres e pedi-lhe, chegando a

HOMOSEXUAUDAbE

i75

ameaça-la de a abandonar se ella se não desse a essas praticas com uma das suas amigas mais intimas. Consegui o que desejava e d'ahi em deante era a descripção d'essas scenas que me despertava o prazer. Ella porem começou desde então a escusar-se de me receber. Os mais fúteis motivos serviam de obstáculo. A principio de nada suspeitei, mas mais tarde vim a ter a convicção de que a minha amante me tinha abandonado pela sua companheira. Disse-me um dia que o melhor seria esquecê-la, pois suspeitava que não podesse tomá-la por esposa, e sendo assim aquellas relações eram inconvenientes. Passados meses consentiu uma approximação. Foi apenas para satisfazer uma curiosidade que a atormentava, segundo ella me declarou. Praticava com a sua amiga a mutua masturbação digital ( e o cunilingus ffJ ) seguindo os conselhos que eu lhe dera. Uma noite ficou surprehendida com uma nemorrhagia que provocara com o dedo no hvmen da sua companheira, desejando saber se isso a prejudicaria no caso de mais tarde pretender casar. Conversámos então, mas desde essa época nunca mais pude pertencer-lhe. Até hoje ainda não houve receio da duvida que ella me manifestou, porque a minha substituta não casou e já os annos lhe vão creando rugas que os pretendentes de certo não desculparão. Mesmo na minha vida heterosexual era a homosexualidade que a dominava. Passaram-se annos. O meu hermaphroditismo psychico continuava a sua obra. •>

O resto pouco interessa. tações

De todas as manifes-

reveladas nos seus actos e do seu aspecto

physico não podia concluir-se que fosse um homos e x u a l ; e c o n t u d o era u m i n v e r t i d o p e r i o d i c o q u e talvez d e v e s s e a sua p e r v e r s ã o ao c o n t a g i o a q u e se sujeitou nos primeiros annos da sua m o c i d a d e . E' hoje um medico intelligente que odeia o casamento, apesar de ainda se porque receia, mesmo sentir com virilidade, de matrimoniado, depois

I7C

A YILiA S E X U A L

continuar

com

as De

mesmas todo que

necessidades caso, ao das aliás

hermapouco da

phroditarias. interessante destaca-se amante do-lhe sas, a que um que da a a

este respeita

pelo

biographado, tendencias insinuan-

transformação principio novo de

desmoralisou

mundo ella se

sensações voluptuotal f o r m a q u e E' o as São

affeiçoou por a

despresou o seu antigo amor heterosexual. poder suggestão manifestar-se. causas educativas

e desmoralizadoras a imporem

a sua f o r ç a c o r r u p t o r a . N e s t e c a s o e em m u i t o s o u t r o s , e b a s t a ler a lista dos casos citados por KRAFFT-EBING, por exemplo, em que h a a u t o b i o g r a p h i a s i n t e r e s s a n -

t í s s i m a s , é e v i d e n t e q u e se n ã o d e v e a t t r i b u i r á h e r e d i t a r i e d a d e p h e n o m e n o s , q u e a influencia da educação, explicar. d'isso. E se p o r v e z e s e s q u e c e m os a c c i d e n t e s em que d e v e filiar-se a o r i g e m da i n v e r s ã o , n ã o d e v e isso admiraNnos. despidos ligar a sempre p o r isso palavras sexual a de um N a s autobiographias dos uranistas, preconceitos, se não sua para inicio por só importam confissão, a da de ha na maior parte dos casos de médicos que, mais papel anonymo a tendencia muitas de que natural se o vezes suggestão e outras condições podem E' mau processo augmentar o numero

d o s princípios c a u s a e s s e m q u e h a j a n e c e s s i d a d e

desculpa e aberração tarde

lêem as sacramentaes muito

sobre

nada

podem

dizer

terem consciência da anomalia congénita de que são victimas. Ora verdade essa primeira excitação vir a esquecer sexual, por que em pôde completo,

HOMOSEXUALIDADE

ibj

consiste ou na observação do acto pervertido, ou no propositado ou accidental contacto de um i n d i v i d u o do m e s m o s e x o . e O d e s e j o a t é ahi sub-

jectivo acha finalmente na representação objectiva c o n c r e t a um p r i n c i p i o de o r i e n t a ç ã o , p o d e n d o o individuo
MOLL

assim

cair na i n v e r s ã o s e x u a l a n t e s

m e s m o d e ter e x p e r i m e n t a d o o s e s t í m u l o s h e t e r o sexuaes. consoante daria a este caso outra explicação, a s s u a s ideias q u e v o l t i j a m c o n s t a n t e -

mente cm redor do fulcro da hereditariedade, com que tudo pretende explicar no c a m p o da inversão sexual. que uma vistas. tomado, moderna estímulos A s s i m diria o illustre p r o f e s s o r de V i e n n a : d'uma não que a completa ser inversão da effeminação tão exclusitem nas no educação sexual a ideia q u e o i n d i v i d u o e x p e r i m e n t o u foi já consequência Ora depende e da A diffusão devemos

congénita.

principalmente separação com

nociva são

dos sexos dirigidos

n o s s a s e s c o l a s ( SCHRENCK-NOTZING). genitaes effeito sentido do m e s m o sexo. lares Na e pela própria

Os p r i m e i r o s

Na Grécia e em R o m a a divulgação d'esses que vicios. é nos

h o m o s e x u a l i d a d e d e s e n v o l v e u - s e p o r c a u s a s simiépoca taes actual quer-me parecer

p a í s e s em q u e o r i g o r da s e p a r a ç ã o d o s s e x o s é maior, que as maior Mas c o m o a A l l e m a n h a , a Áustria, etc., homosexuaes exame téem adquirido perversões desçamos ao

desenvolvimento. de outros factos de

pathologia sexual, que p o s s a m semelhar-se no seu inicio a o s d a h o m o s e x u a l i d a d e q u e a c a b a m o s d e descrever. cismo. Em breve nos referiremos ao feitiO i n d i v i d u o f e r i d o d ' e s t e m a l p a r a sentir

prazer precisa de adquirir um determinado objecto

'78

A ViUA S t X U A L

inanimado. prehende gica.

E sem

esta

predilecção uma

não

se

com-

admittir

associação patholo-

O r a na inversão sexual ha de forçosamente

intervir um p h e n o m e n o semelhante e, se o cliente muitas vezes o esquece, é porque a complexidade dos suas symptomas do causas que o é paciente de tal apresenta forma no momento exame medico comparada com as absor-

originarias

v e n t e , q u e difficil é e v o c a r a p r i m e i r a a s s o c i a ç ã o d e i d e i a s q u e t r a ç o u o inicio d a s r e l a ç õ e s h o m o sexuaes num completa inversão Entre e que tão interessante de casos seria para da averiguar fazer uma da ha o grande numero

analyse sexual. os

psychologica e outros dos

etiologia

necrophilos publica
BERTRAND,

pervertidos livros ( I )

exemplos de associações pathologicas.
TARDIEU

num

seus

extracto d'um manuscripto autographo do celebre necrophilo me referir. a q u e m já tive o c c a s i ã o d e N e l l e influiu, p a r a a g g r a v a r e orientar a distanciação das raparigas que, tornam mais intensos os desejos.

as p e s a d a s taras neuropathicas que o o p p r i m i a m , a abstinência e como sempre,

E s t e facto observa-se muitas v e z e s nos invertidos. A s s i m o hermaphrodita psycho-sexual, de q u e m ha a pouco apresentámos confessa que, uma parte se da via autobioobrigado graphia, quando

distanciar-se d a s m u l h e r e s t e n d o de r e c o r r e r á

m a s t u r b a ç ã o á falta de o u t r o meio de satisfação genesica, pensava sempre nas maiores aberrações genesicas tendia as sendo nessas occasiões que mais preetc. r e l a ç õ e s h o m o s e x u a e s c o m fellatio, Paris, 1878.

(1) Attenlats aux moeurs.

HOMOSEXUALIDADE

ibj

Em

BERTRAND

estas

causas

também

influí-

ram para a u g m e n t a r e orientar as suas alterações psychicas no campo da
BERTRAND

sexualidade;

pois, c o m o Eis como sem

já a f f i r m a m o s , elle

n ã o p ô d e d e i x a r de con« Comecei a edade, pessoa tornou e oito

siderar-se um p s y c h o p a t h a confirmado. se e x p r i m e na s u a c o n f i s s ã o : desde a mais tenra o masturbar-me saber pensar conheci para num minha d'ellas a alguma (i). em

que fazia e s e m me occultar de mulheres, paixão que só se sete

Na e d a d e de 8 a 9 a n n o s c o m e c e i a Então não

intensa na edade de i3 ou 14 annos. limites, masturbava-me até vezes por dia. quarto,

Bastava ver um vestido de mulher Masturbando-me imaginava-me que varias mulheres e s t a v a m á depois de me ter servido protorturá-las por cadaveres diversos em

me excitar. disposição; pensava em

cessos; finalmente, depois de mortas imaginava-me profanar-lhes os despedaçando-os. P o r m o m e n t o s tinha o desejo de mutilar c a d a v e res de homens. h o r r o r ». P o r ventura não h o u v e neste caso a p r e p a r a ç ã o pelo onanismo para os maiores e mais revoltantes horrores, que podem imaginar-se no mundo da sexualidade ? O feiticista, que prefere os s a p a t o s pequeninos ou as toucas côr de rosa para satisfação da sua necessidade masturbação ideia sexual, não em abstrahiu, por meio da da representações successivas, Isto p o r e m era raro, e sentia-lhes

dos pequeninos pés que

primeiro o enthu-

(1) Este facto demonstra, já por si, uma hyperesthesia anormalissima.

A VIDA S E X U A I .

s i a s m a r a m ou da c a b e ç a c o i f a d a que primeiro o emocionou ? muitos quência De certo. se das A o r i e n t a ç ã o sexual em não em todos, é conseexperimentadas. segundo é a indivíduos, natural

emoções

E' fácil a p p a r e c e r num ou noutro sentido, é mais p r e c o c e nuns que noutros indivíduos excitabilidade si que tas lhe não a para explicar hereditariedade a eu desejaria creanças foram teriam ha não a basta, nem n e r v o s a de c a d a um ; m a s só por essencial isso é creanças Quanque um e homosexualidade. que com educação Por das

f o s s e e s p e c i a l m e n t e vigiada neste sentido. tendencias ao ver despertadas

sadistas, castigado

companheiro

de t r a b a l h o ? a

E quantos uranistas educação

d e i x a d o de o ser se a

ainda a s e d u c ç ã o e

s u g g e s t ã o os não envere-

d a s s e m por um c a m i n h o que, se lhes não r e p u g n a , muito b e m p o d i a m ter d e i x a d o de seguir ? Depois de c a h i r e m nessa miséria sexual p o d e m deixar d e levantar-se. succede e etiologia ainda da bem T o r n a d o s doentes p o d e m que estas ideias deixam sobre a antever ficar i n c u r á v e i s ; m a s felizmente nem s e m p r e assim homosexualidade

uma e s p e r a n ç a no q u e respeita ao t r a t a m e n t o ! Se a c a s o o meu livro for lido por alguns d'esses infelizes h o m o s e x u a e s que se a b a n d o n a m ao fatalismo do seu m a l , q u e ao m e n o s levem a sua ser r e a c ç ã o até á consulta m e d i c a o n d e devem

sinceros, e x p r i m i n d o t o d a a v e r d a d e do seu pass a d o , que se aos seus olhos se afigura v e r g o n h o s o , aos olhos do clinico será inteiramente c o m p a r a v e l a qualquer outra enfermidade. As causas da homosexualidade, como dissemos, téem o maior valor, por s e r e m episodios da edu-

HOMOSEXUALIDADE

ibj

cação

do

individuo ver a com

que que

se

homosexualiza. de raciocínio, pretende

E' aliás

interessante valor,

esgrima

talentosíssima,

MOI.L

dar-lhes

apesar de sexual, nasce

asseverar isto com é,

duma se

maneira quasi nasce uranista seguifacto-

absoluta que é congénita a predisposição para a inversão como remos se que olhos azues. Não

porem

os seus resumida

argumentos (i) e faremos enumeração d'esses

apenas uma

res m o r b i d o s , que tiramos de varias o b s e r v a ç õ e s colhidas nos tratados da especialidade. A s s i m num caso de já havia revelado de do companheiros afastamento gou aos a ter tornou-se
CÁSPER

certo individuo que uranistas com aos um quem dezoito e para só os seu chedevido ao

tendencias trabalho sexo

talvez

outro

relações uranista annos

sexuaes o

annos,

depois

que

desconhecido masturbou

dezenove

conquistou

num local retirado e escuro d ' u m jardim publico. Num amigo. c a s o de Sem
SCHMINKE

u m individuo aos vinte sentiu-se violenta-

e quatro

annos teve occasião de abraçar um seu saber porquê, Desde esse torem ter pela

mente excitado e teve uma pollução. m o m e n t o tornou-se homosexual. Num nou-se creança, visto pratica caso a de HAMMOND, porque dos cópula o anal. cães um em

individuo que julgou

pederasta cópula a realisar

impressionou, Começou

da auto-masturbação que

anal por meio d ' u m

lápis e terminou pela p e d e r a s t i a passiva. Dir-se-ha malia este p r a z e r representa u m a anocongénita. Todos sabem porem nervosa

(i) Vid. obr. cit., pg. 204 e seguintes.

A VIDA S t X U A I .

quaes taes

as com

ligações o a

nervosas

dos

orgãos podia

geniter-se

anus e recto,

e bem

desenvolvido
MANTEGAZZA,

excitabilidade

d a s r a d i c u l a s ner-

v o s a s da região anal.

R e f e r e - s e a esta h v p o t h e s e

e m b o r a em t e r m o s m e n o s explicitos,
MANTEGAZZA

e não nos r e p u g n a acceitá-la. A anomalia n e r v o s a que conjectura foi a t a c a d a por KRAFFT-EBING. Pela minha parte

n ã o julgo que se trate d ' u m a a n o m a l i a , m a s sim d ' u m a m a i o r excitabilidade d o s n e r v o s d a r e g i ã o anal. Todos conhecem as relações nervosas que ha região e os o r g ã o s s e x u a e s . As fellaentre essa

íores c o n h e c e m isso muito b e m e t a n t o q u e por v e z e s p r a t i c a m nos h o m e n s c o m q u e m se d ã o a essas o praticas leves contactos digitaes no anus Ora é p a r a lhes a u g m e n t a r o o r g a s m o v e n e r e o .

e x a g g e r o d ' e s t a excitabilidade e o seu predoKRAFFT-EBING, O

mínio que por v e z e s p o d e m explicar a p e d e r a s t i a . M a s , diz passivo vel senão que excita o p e d e r a s t a A sumissio digilorum o mesmo resultado dá é o membrum virile. rerum não

aliarum

q u a n d o o p e d e r a s t a t e n h a deante de si a

r e p r e s e n t a ç ã o mental d ' u m h o m e m . A s s i m é na v e r d a d e , m a s a p e d e r a s t i a é geralm e n t e um p r o d u c t o da h o m o s e x u a l i d a d e e nesta entra o f a c t o r p s y c h i c o ; n a d a p o r e m exclue q u e algumas vezes que esta em appareça a as a como pratica da pederastia, masturbação das com relações as muitos c a s o s homens, que Não idéas principia pela mental se vão conque

anal com

com

representação não podem de

a v i g o r a n d o , visto mulheres. fissões das

imaginar copulas

é raro ouvir nas descripção

prostitutas

HOMOSEXUALIDADEibj

em que o h o m e m d estes t e n h o eu

exige

a m a s t u r b a ç ã o anal p o r D um caso

meio de lápis ou objectos similhantes. de um homosexual.

c o n h e c i m e n t o e n ã o se t r a t a v a P e l o m e n o s nunca lhe p u d e

descobrir taes tendencias, apesar dos esforços q u e empreguei nesse sentido (i).
TARNOWSKY

attribue como que

uma um

grande rapaz

influencia attingido em

ao de

contagio Admitte

moral

causa da homosexualidade.

mesmo

inversão sexual e enclausurado num collegio, por exemplo, pôde d e si. principio propagar esta affecção redor a E x p l i c a assim a e v o l u ç ã o da a f f e c ç ã o :

o h o m e m praticará a pederastia (a q u e r e f e r e ) i m a g i n a n d o ter d e a n t e

exclusivamente se

de si u m a mulher, m a s a sua vida sexual t o m a r á p o u c o a pouco u m a falsa direcção, por fim habituar-se-ha a ser uranista e n c o n t r a n d o a sua satisfação exclusivamente no nas relações do homosexuaes. mas a Os máus exemplos téem na verdade uma grande culpabilidade litteratura peiam nas progresso nos uranismo e nas com a e a d e s m o r a l i z a ç ã o q u e p o r ahi c a m escolas, de collegios prisões as mu-

occasionam egualmente muitos males. As privações lheres relações sexuaes egualmente para contribuem inversão.

(i) As theorias com que se tem pretendido explicar a homosexualidade são muito curiosas e sentimos não ter espaço para dedicarmos umas paginas á sua historia. Já A R I S T O P H A N E S no Banquete de Platão pretendeu explicar este vicio por meio da mythologia. P A R M E N I D E S pretendeu explicar a inversão por meio de falsas idéas sobre a concepção. S C H O P E N H A U E R , G Y U R - K O V E C H K Y , etc., apresentam também theorias que soffrem do mesmo mal dos outros : a falta de documentação.

84

A VIDA S E X U A i .

Este acho e de

facto para mim condemnavel que resulta o

é

tão importante que até

afastamento dos sexos nas as primeiras sensações

escolas pela forma severa, que geralmente se faz serem sexuaes experimentadas c o m indivíduos do m e s m o sexo. Na A m e r i c a n ã o se dá e s s a s e p a r a ç ã o e n ã o é r a r o as r a p a r i g a s t e r e m o s e u p r e f e r i d o de quat o r z e a n n o s o u p o u c o m a i s , s e m q u e d'ahi r e s u l t e inconveniente algum. Os nossos ultramoralistas é q u e n ã o g o s t a m d ' e s t e c a m i n h o de p r o m i s c u i dade de sexos, embora a A m e r i c a , em questão de m o r a l i d a d e , deixe a p e r d e r de vista as c a n s a d a s nações da velha E u r o p a . E s t a s e p a r a ç ã o d o s s e x o s foi, s e g u n d o hoje é a razão porque esta
MEIER,

a c a u s a p r i n c i p a l do u r a n i s m o na G r é c i a , e a i n d a psychopathia tão i n t e n s a m e n t e s e t e m d e s e n v o l v i d o e n t r e o s musulmanos. S o b r e este a s s u m p t o a t é o p r o p r i o moralistas tão rante a que pregam quanto e da a se a
MOLL

escreve

o s e g u i n t e , q u e é d i g n o de m e d i t a r - s e : — « Os separação dos rigorosa e sexos, duperprolongada infancia possível juventude, elles

deveriam

g u n t a r a si

proprios

não favorecem o Um cava-

desenvolvimento

inversão sexual.

lheiro q u e e u c o n h e c i h e r m a p h r o d i t a p s y c h o s e x u a l , a t t r i b u e a sua p e r v e r s ã o e x c l u s i v a m e n t e ao ter-se d e s e n v o l v i d o p r e c o c e m e n t e o s e u instincto g e n i t a l , e c o m o estava inteiramente privado da sociedade feminina os seus desejos desviaram-se para o homem \ mais pelos homens. » t a r d e a m u l h e r p ô d e excitá-lo de

tempos a tempos, mas nunca perdeu o seu gosto

HOMOSEXUALIDADE

ibj

O em

temor presença

da g r a v i d e z , o r e c e i o da i m p o t ê n c i a da mulher, o medo por de doenças
CHE-

venereas, são
VALLIER

considerados

HOFFMAM,

e o u t r o s a u c t o r e s c o m o c a u s a da h o m o A m a s t u r b a ç ã o , a pratica m e r c e n a r i a
TARXOWSKY

sexualidade. em excesso,

da p e d e r a s t i a ( inversão, mas

), s o b r e t u d o p r a t i c a d a s como causas de

p o d e m admittir-se não lhes

attribuo o m e s m o valor

q u e ás o u t r a s já e n u m e r a d a s . As praticas dissolutas p o d e m provocar o desejo de s e n s a ç õ e s n o v a s e p o r fim o h a b i t o das praticas homosexuaes. da copula
STORK

Já uma

não

digo

o

mesmo

do

excesso tendem

normal, em causa, e

que

a l g u n s pre-

encontrar

da razão apre-

sentada por só poderia

de q u e a p e d e r a s t i a seria e m prazer contacto na constricção do

alguns casos uma necessidade para o homem, que encontrar anal pelo esphyncter m a i s intenso q u e

elle p o d e r i a p r o v o c a r . Ha a l g u m a s doenças em que apparece episodicamente a inversão sexual. Ainda teremos occasião de nos referirmos a este a s s u m p t o d ' u m a m a n e i r a g e r a l . Muitos auctores se teem referido ás relações do hermaphroditismo dade. chiatras Affirma-o Sob de este maior physico ponto vulto: com entre a a homosexualios psye o inversão estão d'accordo

hermaphroditismo physico não ha relação alguma.
KRAFFT-EBING

e já antes d'elle

TARDIEU

fizera observar, que no hermaphroditismo phvsico as f a c u l d a d e s p s y c h i c a s e m o r a e s e a e s p h e r a d a s s e n s a ç õ e s n ã o s o f f r e m a influencia da d e f o r m a ç ã o sexual 14 organica. Auctores ha, porem, e entre

A VIDA S E X U A I .

elles entre

CTLEY

e

CHEVALLIER,

que a d m i t t e m relações e a homosexualidade

o

hermaphroditismo

c h e g a n d o a crear um grupo, de invertidos s e x u a e s em que se attribue a causa da d o e n ç a ao h e r m a phroditismo physico. Appoia por
GLEY

a sua opinião num caso p u b l i c a d o
1881,

MAGITOT

em

q u e se refere a u m indicujos os orgãos de uma genitaes mulher

viduo q u e , depois de e x a m i n a d o , foi r e c o n h e c i d o c o m o s e n d o h o m e m , mas por que tal nos forma recordavam de ao assentos

baptismo

foi c o n s i d e r a d o E s t e indi-

como pertencente

sexo feminino.

v i d u o casou-se e m s e g u i d a c o m u m h o m e m c o m q u e m teve relações s e x u a e s , e n t r e t e n d o contudo, a o m e s m o t e m p o , relações c o m m u l h e r e s . E s t e c a s o por si n a d a p r o v a , pois b e m podia ser que tal individuo tivesse relações indifferentes com o homem. era O q u e seria importante a v e r i g u a r se na sua vida p s y c h i c a se d e s c o b r i a m ten-

dencias m a s c u l i n a s ou s i m p l e s m e n t e femininas. Ha na litteratura m e d i c a um c a s o idêntico de
TOURTUAL

que já

data com

de

1856

e

que

deu e m

r e s u l t a d o a annullação do c a s a m e n t o . o bermaphrodita que se predominância dizia Em sentia unicamente

Neste caso masculina pelos

attrahido

homens. resumo : os h e r m a p h r o d i t a s p o d e m manifestar tendencias contrarias ás da sua p r e p o n d e rância sexual, m a s d'ahi não d e v e concluir-se que h a j a ligações entre esta d e f o r m a ç ã o p h y s i c a e a homosexualidade. Anatomia pathologica. — Apreciaremos em pri-

meiro logar os vestígios q u e deixa o u r a n i s m o e,

HOMOSEXUALIDADE

em seguida, parte as

apreciaremos as deformações devidas Desde já poremos de que a

ao tribadismo ou lesbismo.

alterações anatomo-pathologicas,

m a s t u r b a ç ã o p ô d e p r o v o c a r , pois t r a t a r e m o s d'esse assumpto no capitulo immediato. Entre os uranistas as únicas alterações anatomopathologicas dignas de importancia são as resulE' por vezes um assumpto a questão é uranista se a pederastia tantes do coito anal. i m p o r t a n t e em mais estuda Antes por um geral pois com

medicina-legal, onde

a pederastia mercenaria e a sodomia (i). de fazer qualquer exame medico-legal é as deformações do anus produzidas taes como: apertos recordar

conveniente

estado pathologico prolapso por da um

abcessos do rebordo anal, fistulas, tumores hemorrhoidarios, anaes mucosa rectal, r e c t a e s o u a n a e s (2), e t c . e a i n d a a s d e f o r m a ç õ e s produzidas também traumatismo como os que as deformações que resultam da introducção de corpos extranhos. Devemos recordar anaes, que resultam da pederastia ou sodomia, s ã o as mais variadas, differindo s e g u n d o a realização da c o p u l a c o n t r a - n a t u r a é recente ou a n t i g a , foi realizada simo ter com em maior conta ou todas menor estas violência e com a penis mais ou menos v o l u m o s o s . E' importantíscircunstancias

fim de apreciar devidamente as alterações encon-

(1) A sodomia ou copula anal da mulher têm-se desenvolvido muito em França ao lado do cunilingus e fellatio, talvez com o fim de obter o prazer sexual livre dos receios da fecundação. Geralmente não provoca prazer á mulher. Vid. pag. 104 do presente volume. (2) Estes casos de aperto são muito raros. Pozzi operou um d'estes doentes atacado d'um aperto anal.

A VIDA S E X U A I .

tradas. que

TARDIEU

e

MARTINEAU,

OS

dois a u c t o r e s o aspecto

mais

particularmente

e

sobre

medico-legal téem estudado estas alterações, f a z e m n o t a r as d i f f i c u l d a d e s do e x a m e . ção para observar Em o anus é genu-peitoral. seguida A m e l h o r posiinegavelmente a

devem alargar-se as

n a d e g a s m a s p o r f o r m a tal q u e se evite q u e r a c o n t r a c ç ã o do m u s c u l o e l e v a d o r do a n u s , q u e r a contracção dos musculos nadegueiros. minar-se ultimo Como ços para lentamente recurso, é por com meio os o fim do de D e v e exao b t e r , em as taes as

cansaço e

contracções

musculares. sabido, pederastas da mesmo região

m u l h e r e s s o d o m i z a d a s , e m p r e g a m t o d o s o s esforimpedir a exploração anal. P o r isso c o n t r a e m os m u s c u l o s da r e g i ã o , e em especial os que acima citamos. Apesar medico As d'isso, com paciência e tenacidade o chega facilmente a v e n c e r e s t a s difficuld o coito anal s ã o

dades e a conseguir uma observação completa. deformações resultantes variadíssimas e differem segundo o acto é antigo ou r e c e n t e , e s e g u n d o a sua violência e c o n s t a n c i a . Q u a n d o a p e d e r a s t i a é r e c e n t e o b s e r v a - s e um rubor mais ou menos vivo do anus, um augmento m a i o r o u m e n o r d a m u c o s a anal. deiras ulcerações. N ã o é raro encontrar em volta das lacerações u m a côr violacea, echymatica, devida á inflamação do tecido cellular. N ã o são raras as complicações e p u r u l e n t a , que b a n h a de a b c e s s o s e fistulas, e ainda a p r e s e n ç a d ' u m a sorosidade sanguinolenta a região anal. A d o r c o n t í n u a ou p a s s a g e i r a é Encontram-se p o r v e z e s e s c o r i a ç õ e s s a n g u i n o l e n t a s , e até v e r d a -

HOMOSEXUALIDADE

ibj

phenomeno constante especialmente no momento da defecação. difficil O e Se é contínua, persistente, torna-se o c a m i n h a r , é p e n o s o e s t a r s e n t a d o e só exame da região faz notar os seguintes

o d e c ú b i t o d o r s a l allivia o d o e n t e . s i g n a e s : o orifício anal está l i g e i r a m e n t e d i l a t a d o recalcado para cima. ainda a sua O esphyncter, que não está encostado perdeu tonicidade,

p a r a c i m a d a n d o a i m p r e s s ã o d ' u m principio d e infundibulo. Estes ou signaes de pederastia r e c e n t e são m a i s menos notados s e g u n d o o g r a u de violência

c o m que o a c t o foi r e a l i s a d o , a d e s p r o p o r ç ã o d o s o r g ã o s , a e d a d e do q u e se e n t r e g a a essa p r a t i c a e a sua r e p e t i ç ã o . O s h á b i t o s antigos e p a s s i v o s d a p e d e r a s t i a s ã o os que mais interessam sob o aspecto medicolegal. S o b r e e s t e s s i g n a e s t e m r e c a í d o a mais v a r i a d a critica.
HOFMANN

e

MOLL

m a i s r e c e n t e m e n t e n ã o cond'estes signaes, de nutrição que do ao estado

cordam

com o valor diagnostico antes

attribuindo-os Assim será.

i n d i v i d u o e á sua e d a d e . Succederá mesmo muitos p e d e r a s t a s p a s s i v o s t e n h a m anus n o r m a e s e q u e muitos indivíduos normaes tenham os caracteres que p a s s o a e n u m e r a r . para a opinião foi de tão observação E u , p o r m i m , inclino-me
O
TARDIEU.

seu mal

campo se

de

extenso,

que

pode

a d m i t t i r q u e e r r a s s e as s u a s c o n c l u s õ e s . é necessário oppôr provas.

A provas

Q u a n t o aos signaes característicos da pederastia activa, damos razão ás observações de
CÁSPER,

A VIDA S E X U A I .

LISMAN

e E. da

V.

HOFMANN.

AS

c h a m a d a s defortéem entre exame sido os da numero o

mações

glande quasi

dos em é

pederastas egual

encontradas Em

pederastas e indivíduos normaes. medicina-legal importante c a m i s a a fim de i n v e s t i g a r a e x i s t e n c i a de m a n c h a s de esperma. C o m o se sabe, o pederasta passivo geralmente tem ejaculação. E n u m e r e m o s as deformações mais importantes. O tanto seus alguns A augmento desejam das para nadegas se que os uranistas em tornar appetecidos pelos embora volume e f o r m a os carado anus é o

companheiros não é constante, adquiram pelo

cteres das nadegas femininas. deformação infundibuliforme ú n i c o signal q u e v e r d a d e i r a m e n t e m a r c a a p e d e rastia. E s t e c a r a c t e r d e v e a sua n o t a b i l i d a d e a e s o b r e elle incidiram as m a i s p e s a d a s
JACQUEMIN, COLLINEAU, CULLESIER

e a c e r b a s criticas, c h e g a n d o KRAFFT-EBING, etc. valor.
MARTINEAU

a

negar por completo o seu s o b r e • este assumpto as

perfilha

i d é a s de

TARDIEU

q u e , d a n d o a e s t e signal o v a l o r vezes de difficil a p r e c i a ç ã o ,

que elle m e r e c e , a c r e s c e n t a q u e é , e m g e r a l , m a l conhecido e muitas quer porque se procede mal ao exame, quer ainda p o r q u e s e f o r m a u m a idéa p o u c o e x a c t a d o m e c a n i s m o p o r q u e este i n f u n d i b u l o s e c r e o u . Resulta tanto do augmento gradual das partes q u e e s t ã o s i t u a d a s d e a n t e d o a n u s , c o m o d a resistência q u e a e x t r e m i d a d e s u p e r i o r do e s p h y n c t e r oppõe á intromissão completa no recto. Como se sabe, o esphyncter forma acima do anus uma especie de canal musculoso contractil, cuja altura

HOMOSEXUALIDADE

ibj

a t t i n g e em a l g u n s i n d i v i d u o s sendo assim o relaxamento

3

a 4 centímetros-, a operar-se

começa

de baixo para cima, p o d e n d o ceder a parte inferior do annel e r e s i s t i r á p r e s s ã o a p a r t e s u p e r i o r q u e offerece uma mais resistencia, de pelo funil, rebordo de modo parte das a formar-se larga é prolonespecie cuja mais

circunscripta

nadegas

g a n d o - s e a p o r ç ã o m a i s a p e r t a d a a t r a v e z d o orifício a n a l a t é á e x t r e m i d a d e s u p e r i o r d o e s p h y n c t e r . O infundibulo varia devido de pederasta para pederasta Assim nos individuos que as nadegas são é reduzidísesphyncter praticando N o s indivipor vezes o existe, visto á g o r d u r a d a s n a d e g a s e cl SUcl s a l i ê n c i a gordos, o e em

mais ou menos accentuada. excessivamente muito ser anal, um duos pronunciadas, ao

infundibulo que não custa do perceptivel dá-se á

simo, parecendo por vezes formado e forte nivel se apenas torna

afastamento das nadegas. magros

excessivamente

m e s m o facto, porque, sendo quasi nullo o r e b o r d o interior das n a d e g a s , não ha d e s e n v o l v i m e n t o d a s partes molles que o tornam mais característico. anatómica Isto é, o infundibulo que, de u m a maneira geral, se pôde considerar uma característica dos p e d e r a s t a s só é b e m p r o n u n c i a d o nos individuos de g o r d u r a m o d e r a d a e de n a d e g a s molles e facilmente deprimiveis. tante nos pederastas do E s t e signal é mais consque nas sodomizadas.

P e l o m e n o s , é o q u e se d e d u z das opiniões emittidas pelos differentes auctores que t r a t a m d'este assumpto. E' que que as sejam, E a explicação afigura-se-me simples. nadegas são das mulheres, ás por pequenas excessivamente semelhantes

g o r d a s dos pederastas

passivos, em que o infun-

192

A VIbA S E X U A I .

dibulo O signal rior. uma

quasi

se não do e

descobre, esphyncter de fácil

podendo mesmo é t a m b é m um não

deixar de existir. relaxamento importante averiguação

t e n d o m e n o s valor pela constancia do que o anteC o m o c o n s e q u ê n c i a d'esse r e l a x a m e n t o h a mudança do muito notável raios na d'um conformação circulo desanus: as p r e g a s , que se o b s e r v a m As v e z e s

exterior

vulgarmente

formando

a p p a r e c e m e o a s p e c t o é liso e polido.

a m e m b r a n a m u c o s a da ultima p o r ç ã o rectal sae, f o r m a n d o e x c r e c e n c i a s , que t é e m o n o m e de cristas ou carunculas. são os signaes anatomicos mais comTaes

rnuns e i m p o r t a n t e s da pederastia passiva ; alem d estes ha outros que p o d e m o s designar dos casos extremos. Assim a dilatação anal p ô d e ir até á N o s que c o n s t a n t e m e n t e se incontinência fecal.

dedicam á pratica da pederastia passiva apparec e m por v e z e s u l c e r a ç õ e s p r o f u n d a s e até fistulas anaes As signal que apesar de tudo são incaracterísticas c o m o valor denunciativo da p e d e r a s t i a . doenças não venereas de o pronunciar que, t a m b é m p o d e m ser u m pederastia. opinião quando rapida em dois a E' sem contudo examinar pelo no importante

prudente casos anus, de

convenientemente syphilis uma tem

invertido, e s p e c i a l m e n t e em alcançada sobretudo

evolução um fim

que respeita á m a n i f e s t a ç ã o p r i m a r i a .
TARDIEU

observou ao a

caso de

que o c a n c r o dias. alguns Para casos

se

desenvolveu passo

concluir esta resenha de anatomia p a t h o l o g i c a da pederastia, referir-me da i n t r o d u c ç ã o de c o r p o s extranhos no anus, o

homosexualidade ibj

q u e a l g u n s p e d e r a s t a s t é e m p r a t i c a d o c o m o fim de alcançar a s a t i s f a ç ã o g e n e s i c a por m a s t u r b a ç ã o a n a l , no c a s o de não terem uranistas q u e q u e i r a m satisfazer-lhes o s p e r v e r t i d o s d e s e j o s . que denunciam agulha de de hábitos de S ã o praticas E então de p e d e r a s t i a .

que de o b j e c t o s os c i r u r g i õ e s n ã o t é e m e x t r a í d o ! Desde a garrafas servido Alguns fazer meia até aos c o p o s e formas
CUMANO, FORT,

varias

e volume, tudo tem de prazer.
NÉLATON, VEI.PEAU,

instrumento
LE

temporário
SIREDEY

cirurgiões, a

DÉSORMEAUX,

por

exemplo, partejarem

chegaram estes
POULET

empregar

fórceps

para

objectos e

verdadeiramente no seu

extraordinários!

BOUSQUET

Tratado de Pathologia

Externa ( i ) c i t a m recto. com

q u a t r o c a s o s de e x t r a c ç ã o p o r extraiu por este processo, de 20

via a b d o m i n a l de v á r i o s o b j e c t o s i n t r o d u z i d o s no
GENTILHOME

feliz êxito, um

p e d a ç o de m a d e i r a

centímetros de comprido.

T é e m - s e dado alguns

c a s o s de p e r f u r a ç ã o intestinal. V o l t e m o s a g o r a a nossa a t t e n ç ã o p a r a as safficas e vejamos se estas invertidas apresentam C o m o já s i g n a e s d o s seus hábitos h o m o s e x u a e s . cal c o m s u c ç ã o d o clitóris. quaes as alterações que

d i s s e m o s , o s a f f i s m o consiste na m a s t u r b a ç ã o bocE ' pois fácil d e d u z i r apparecem. pelo aspecto A defore

mação vulvar é especialmente caracterisada pelo a l o n g a m e n t o do clitóris, destacado da glande. berta, é volumosa e rugoso pela flacidez do p e r p u c i o q u e , em p a r t e , a p p a r e c e E s t a , p a r c i a l m e n t e descoturgescente. e O clitóris é

(1)

2." edição, revista por

RICAUD

BOUSQUET,

Paris, 1893.

194

A VIbA S E X U A I .

mais proeminente e salientando-se bastante entre os grandes lábios. O perpucio é em extremo v o l u m o s o e d e s d e q u e se f o r c e p õ e a d e s c o b e r t o toda a glande. forma são por sobre Levemente repuxado para cima a glande uma prega saliente Os O s s e u s b o r d o s livres

semelhante a um capacete.

mais espessos e de maior consistência. da são e extremidade mais espessos O seu inferior e dos

f r e i o s d o clitóris, p r e g a s f o r m a d a s p e l o d e s e n v o l vimento lábios, A liente glande pequenos samais consistentes. desenvolvida, transversal liga pela que

apresenta-se alongada. arqueada, esta lesão com é

muito

diâmetro a que

a u g m e n t a de v o l u m e , e a sua p o r ç ã o m e d i a apresenta-se affirma, signal da
MARTINEAU

excepcional masturbação A

importancia

por que

distinguir, é coxas e e

segundo em

provocada

attritos de

das

falta esta c u r v a t u r a . coloração roseo intenso algumas vezes violacea. ficas. Todos estes signaes, que
MARTINEAU

A t u r g e s c ê n c i a é m a i s ou m e n o s

a c c e n t u a d a s e g u n d o a r e p e t i ç ã o d a s p r a t i c a s safjustifica

em face de alguns casos, não téem o valor que e s t e a u c t o r lhes q u e r d a r . suas variações, a das podem nossa estabelecer homosexuaes cteres C o n t u d o , apesar das de as modo O a que sobre praticas guiar-nos

opinião

mulheres observadas. é a

s o b r e t u d o intlue p a r a o a p p a r e c i m e n t o d o s c a r a enunciados p r a t i c a r e p e t i d a da m a s t u r b a ç ã o satHca. O s g r a n d e s e o s p e q u e n o s l á b i o s , t a n t o n o seu volume sentam como na sua conformação, especial. não apredeformação alguma Quando

homosexualidade

ibj

existem partes No

alterações do corpo,

são que

devidas, produzem nos

ou

a

praticas tão

da m a s t u r b a ç ã o m a n u a l , ou a attritos de d i v e r s a s alterações próximas assumpto. A s i n f l a m a ç õ e s que cterísticas apparecem não s ã o caraAs more próprias d'estas praticas. que dificilmente se podem destrinçar. capitulo occuparemos d'esse

proximo

d e d u r a s do clitóris é que s ã o b e m d e n u n c i a n t e s e casos ha em que t é e m tido c o m o c o n s e q u ê n c i a a sua divisão quasi é completa. Nestes casos a hemorrhagia Nas
ZIALE

b a s t a n t e intensa e a c i c a t r i z a ç ã o que a p p l i c a m auctores e algumas a bocca (activas) e, entre

não se o p e r a c o m facilidade. safficas encontrar q u i s e r a m vários e s p e c i a l m e n t e MAR-

características

o u t r a s , a i n f l a m a ç ã o a g u d a ou chronica da abob a d a palatina, d a s a m y g d a l a s e da u v u l a , o m a u cheiro da b o c c a , a dor da lingua, a pallidez dos lábios e da face, o d'estes e m a g r e c i m e n t o geral e tem sido as p e r t u r b a ç õ e s nutritivas. Nenhum signaes unanimemente observado, tendo por isso m í n i m o valor.

A syphilis p ô d e ser adquirida pela b o c c a e m u i t a s v e z e s t e m sido t o m a d a , e m b o r a s e m r a z ã o , c o m o p r o v a das praticas safficas da sua p o r t a d o r a . Diagnostico
KRAFFT-EBING

e

prognostico.

Como

dissemos, E s t a seria A distin-

faz a

distincção, por

v e z e s artifi-

ciosa, entre p e r v e r s ã o e p e r v e r s i d a d e . a p e n a s um vicio, aquella u m a d o e n ç a . cção tem de ser. de admittir-se

e m alguns c a s o s c o m o

v e r d a d e i r a , m a s e m o u t r o s não tem r a z ã o a l g u m a De c e r t o q u e o individuo q u e é violen-

196

a viba s e x u a I .

t a d o q u e r aos a c t o s i n v e r t i d o s , q u e r á s p r a t i c a s u r a n i s t a s , q u e r á s l é s b i c a s , n ã o d e v e ser c o n s i d e rado como um doente sexual. á e sua a P ô d e vir a sê-lo, p o d e m essas praticas dar uma orientação errada vida genesica, p o d e m m e s m o transformar por completo por forma as suas tendencias, se poderá se principio depois á das alguma modificar

mas Se

considerar como um doente. primeiras em alguns approximações mercenaria, casos, na dedicou poderá parte luctar homosexualidade como um ainda maior de a

admittir-se mesmo, de rosto

miserável

incapaz ganhar

levantado,

preferindo

vida p e l o p r i m e i r o e x p e d i e n t e q u e se lhe d e p a r o u . S e r ã o c a s o s i d ê n t i c o s aos d a q u e l l a s p r o s t i t u t a s a q u e a t r á s n o s r e f e r i m o s ( p g . 5 6 ) e q u e classificamos de o b t u s a s (PAULO TARNOWSKY). d'esses a individuos, ou do seu inicio ou Alguns ou d e p o i s accen-

d'algum tempo de pervertidas praticas, começam experimentar com a prazer mais menos tuado sua v i d a , p r e f e r e m uns a outros

e lançam-se atravez d u m hermaphroditismo psycho-sexual sobre Os esta grosseiro no c a m p o aberto da homoEis em resumo de o que e pensamos nos distineção vicio doença sexualidade. homosexuaes. hermaphroditas psycho-sexuaes são egualDe t e m p o s a t e m p o s pelas tendencias e m e n t e d o e n t e s , e m b o r a não t ã o a d e a n t a d o s c o m o os u r a n i s t a s e as l é s b i c a s . egualam-se completamente pelos desejos. Pelo que a c a b o d e dizer s e v ê e m i m m e d i a t a -

m e n t e a s d i f i c u l d a d e s q u e p o d e r ã o surgir n u m a

homosexualidade

ibj

determinação

de

diagnostico,

tanto

mais

que,

c o m o s e s a b e , n e m s e m p r e s e p ô d e o b t e r a conf i s s ã o dos vicios o u d o e n ç a s s o b r e t u d o q u a n d o s e apresentam sob uma forma tão hedionda e repugnante c o m o estes. ração do crime E ' m a i s fácil o b t e r a d e c l a d u m assassino ou ladrão do que

a d u m i n v e r t i d o , o que não d e v e a d m i r a r , p o i s só c o m muita d i f i c u l d a d e os d o e n t e s c o n f e s s a m a syphilis soffram. ou E a blenorrhagia esta falsa de que porventura mesmo com vergonha,

d e p o i s d e c o n f e s s a r e m a o m e d i c o o s seus d e f e i t o s , embaraçam-nos em mil p e r i p e c i a s de m a n e i r a a t o r n a r difficil a a v e r i g u a ç ã o de s a b e r se se t r a t a d u m vicioso ou d u m doente : determinação que ao medico especialmente interessa. res e que, quando na maior o fazem parte alteram dos casos Assim fogem s e m p r e de c o n f e s s a r a i m p o t ê n c i a p a r a as m u l h e sempre a razão é o uranismo. receiando que

T e m e m o ridículo d a s c o n f i s s õ e s , t u d o se v e n h a a d i v u l g a r . felizes pouco O tem com os seus nos vicios

E depois não sabem e esses e os o u t r o s de

p a r a q u e i s s o sirva : os a m a n c e b a d o s d ã o - s e p o r acreditam recursos therapeuticos

q u e a m e d i c i n a d i s p õ e p a r a lhes t r a t a r o ' m a l . m e d i c o t e m , p o i s , de d i s f a r ç a r as p e r g u n t a s d e ser c a u t e l o s o n o s c o m m e n t a r i o s , d a r - l h e de m o d o q u e o d o e n t e lhes n ã o p e r c e b a o a l c a n c e , razão embora as suas considerações sejam menos r a s o a v e i s , ser a o m e s m o t e m p o b o m o b s e r v a d o r e instigador dos a delictos alheios: da boa um medicopolicia em calculado. illudido que E qualidade os observação se téem

n ã o p ô d e d i s p e n s a r a arteirice do i n t e r r o g a t o r i o mesmo especialistas nestes e x a m e s , q u e r n a clinica q u e r n o

a vida s e x u a I .

campo medico-legal, onde

podem

ser

chamados

e o n d e os e n s i n a m e n t o s da a n a t o m i a p a t h o l o g i c a , a que já nos r e f e r i m o s p o d e m m i n i s t r a r um valiosíssimo auxilio em casos de pederastia. Mas, c o m o s e s a b e , esta p ô d e ter sido r e a l i z a d a c o m o m e i o de s a t i s f a ç ã o s e x u a l á falta de m e i o n o r m a l , c o m o s u c c e d e a b o r d o d o s n a v i o s , p ô d e ter s i d o f o r ç a d a , ou p ô d e ser o s y m p t o m a d ' u m a d o e n ç a ; logo, embora q u e respeita ção genesica a haja esta a confissão do individuo no pratica, é preciso averiguar investigar as ten-

as c o n d i ç õ e s em que foi r e a l i s a d a , q u a l a s a t i s f a experimentada; d e n c i a s q u e o o b s e r v a d o sente p a r a os h o m e n s e p a r a a s m u l h e r e s , s e aprecia m a i s a s s u a s r e l a ç õ e s c o m estes o u c o m a q u e l l a s e s e p r e f e r e s ó u m a s d'ellas, qual a natureza dos seus sonhos eroticos, pois está averiguado que os uranistas sonham sempre com approximações masculas seguidas de p o l l u ç õ e s n o c t u r n a s , etc. Estas deve nismo declarações obtéem-se mais facilmente Assim d e p o i s de p r e p a r a r o espirito do d o e n t e . começar-se é um mal que

p o r se lhe insinuar q u e o uratoda a gente pôde ter, e

facilitar-lhe a s d e c l a r a ç õ e s p e l a n a r r a ç ã o d ' a l g u n s casos que vierem a proposito. P a r a se fazer o diagnostico não devemos p o r e m limitar-nos derem. A importante, ás respostas é que dos os invertidos um nos é moapreciação mas seus movimentos escolher

necessário

m e n t o e m q u e elles s e n ã o j u l g u e m o b s e r v a d o s . E n t ã o v e r - s e - h a q u e elles o l h a m a t t e n t a m e n t e n a direcção este do penis dos assistentes. bastante importancia.
MOLL

liga a lado

signal

E

ao

d'este d e v e m o s agrupar todos os outros subsídios

homosexualidade de diagnostico que e que deixamos

ibj

espalhados na desque a b r i m o s este estar aqui a

cripção dos homosexuaes, c o m capitulo seria repetir (1). KRAFIT-EBING, d'essas classes. que Por

fastidioso

divide os homosexuaes em mim julgo dum apenas impor-

q u a t r o c l a s s e s , insiste n o d i a g n o s t i c o d i f f e r e n c i a l tante o saber se se trata p h e n o m e n o acci-

dental da vida sexual do individuo ( p o r violência ou vicio transitorio), ou se d'um verdadeiro invertido. investigação pesam. Pelo estudo circunstanciado de cada caso é que se p o d e r á c o n v e n i e n t e m e n t e gnostico que haja a fazer. Se não estamos succede é em se o presença d'um neuropatha hábitos o prognostico não pôde sexuaes um ser f a v o r a v e l , já o m e s m o homoa sem taras nervosas apreciar o prodas taras se está em p r e s e n ç a Neste caso é imporque sobre elle

t a n t e o e s t u d o da h i s t o r i a da s u a p e r v e r s ã o e a nervosas

portador dos

individuo

aggravar o seu estado.

(1) Por vezes ha causas curiosas de erro no diagnostico da inversão sexual. Num caso de blenorrhagia de um homosexual, W E S T P H A L entendeu que devia pôr de parte e por completo toda a suspeita de pederastia passiva. Enganou-se. A blenorrhagia só pôde observar-se em indivíduos que tenham apenas relações com homens. A este proposito cita M O L L O caso d u m uranista que apenas mantinha relações com outro homem e que estava infectado d'esta doença. Contaminou-se por se entregar á pratica de collocar o seu penis junto do do seu preferido que era um blenorrhagico.

200

a vida sexuai.

Um sexual,

uranista e estes

ou

uma

lésbica

são

bem

mais

difficeis de tratar do q u e um h e r m a p h r o d i t a p s y c h o mais do que os individuos que p r a z e r e sem por elias a p e n a s c o m e ç a m a m a n i f e s t a r as s u a s tendencias homosexuaes quasi sem ter ainda e x p e r i m e n t a d o v e r d a d e i r a a t t r a c ç ã o . Tratamento. — A inversão sexual é ça tão digna E seja a é de uma ella ser qual tratada fôr, de outra. saúde, envolver doença porque deve factores a u m a doenqualquer noção de e

como

forçosamente psychicos

existencia

p h y s i c o s necessários p a r a a c o n s e r v a ç ã o do individuo e da e s p e c i e . A l i m e n t a n d o - s e conserva-se o individuo, r e p r o d u z i n d o - s e sustenta-se a e s p e c i e . L o g o o individuo que se não alimenta por inappetencia é um doente, mas não o é menos o O hermaque tendo o instincto sexual p e r v e r t i d o não c u m p r e o fim p a r a que lhe foi d e s t i n a d o . tende para a i n f e c u n d i d a d e . nismo E, p h r o d i t a p s y c h o - s e x u a l está no inicio da d o e n ç a , a p e s a r do uraser u m a d o e n ç a , não p o d e m o s deixar de

admittir q u e , em g e r a l , p a r a a s a ú d e do h o m o sexual são m a i s f a v o r a v e i s as praticas da inversão do q u e as relações h e t e r o s e x u a e s que por v e z e s p o d e realisar, e x p e r i m e n t a n d o u m a e x t r a o r d i n a r i a f a d i g a c o m incompleta s a t i s f a ç ã o genesica. V e j a m o s se é d o e n ç a tratavel e q u a e s os meios q u e ha a e m p r e g a r para se a l c a n ç a r a c u r a . E' este o p a p e l do m e d i c o , e c o n t u d o , s o b r e affase s t e a s s u m p t o , n e m todos a s s i m p e n s a m , este a s s u m p t o , em que ha

tando-se o b s t i n a d a m e n t e de e s t u d a r e e s c l a r e c e r muito a d e s c o b r i r e muitas d i f i c u l d a d e s a discutir e r e s o l v e r .

homosexualidade

L6Q

E'

repugnante

a

doença ?

Decerto,

mas

o

m e d i c o que entra na pratica clinica não d e v e ter repugnancias. doentes. T e m u m a m i s s ã o a c u m p r i r : tratar N ã o importa o que haja a f a z e r ; não

se é m e d i c o p a r a ostentar um titulo ou simplesmente a l c a n ç a r um meio honesto de s u s t e n t a ç ã o : são v a n t a g e n s q u e n ã o s e d e v e m d e s p r e z a r , m a s ao seu lado deve estar a dominá-las o desideratum que, acima de t u d o , o m e d i c o d e v e ambic i o n a r : t r a n s f o r m a r o s d o e n t e s e m h o m e n s sadios e prestantes á sociedade. Ora o uranista é um doente e, geralmente, um inútil p o r q u e é esteril, e nós d e v e m o s luctar pelo nosso b e m - e s t a r e pelo da s o c i e d a d e . E é preciso q u e os m é d i c o s c o m e c e m a attentar c u i d a d o s a m e n t e nestas q u e s t õ e s da vida sexual que saiba alguns, que a guiados solução a raça por u m a da falsa moral, que não vem desejam trazer a publico. atravessando E' necessário q u e se maior crise que tanto se tem

latina e

a c c e n t u a d o em F r a n ç a , o d e c r e s c i m e n t o da popul a ç ã o , ha de partir do estudo c i r c u n s t a n c i a d o da vida sexual. pois ás E nós que s o m o s um p o v o colonial colonias e ao Brazil quasi que d e v e m o s e s t u d a r o p r o b l e m a c o m muito c u i d a d o , nossas sacrificamos o nosso a u g m e n t o da p o p u l a ç ã o . MOLL, antes meios de propriamente se o c c u p a r dos

prophylaticos

e t h e r a p e u t i c o s da homose-

x u a l i d a d e , enuncia u m a q u e s t ã o tão i n t e r e s s a n t e q u e a p e s a r de a t e r m o s já e s b o ç a d o , não deixaremos de a e x p o r aqui, tanto mais que é importante a sua solução neste m o m e n t o em q u e nos p r o p o m o s fallar do t r a t a m e n t o da inversão.
13

202

a vida s e x u a i .

Pode-se forma : inversão E por

enunciar sexual mais ou

a será

dificuldade

da

seguinte a ao uraa per-

— Deve-se

tratar

therapeuticamente

isso p r e j u d i c i a l que pareça

nista e á especie ? extraordinaria g u n t a , se nós a t t e n d e r m o s a que nos h o m o s e x u a e s a vida psychica é desde era muito completamente feminina, e que todos o os pensamentos se nos dos lemsexual pelos consiaos tempo mas

uranistas (i) se dirigem, não para a mulher, como natural, se para ás homem; da b r a r m o s de que viduos por tal a c o n s t i t u i ç ã o d o s p r o p r i o s indiidéas a etc., o sua os inversão suas s e n s a ç õ e s e os seus preferencia levaram que a dedicam

adaptou

f o r m a , que as femininos, mulher, normal de

sentimentos trabalhos derar como

amor

h o m e n s , ainda mais do que o amor que poderiam ter pela só o de que é mulher; a somos levados á conclusão não tem razão de ser, m a s , que pergunta

mais, nos

d e i x a e m b a r a ç a d o s p a r a lhe

darmos

uma resposta immediata. q u e s u j e i t a m o s os u r a n i s t a s , essencialmente em feminina, com é, no as

Mas desenvolvamos o assumpto. A therapeutica a cer numa que natureza não s e n d o e f i c a z , t r a z c o m o c o n s e q u ê n c i a f a z e r nasp o n t o de vista dos sentimentos e das i d é a s , um desejo outras rando estaria do a harmonia Isto disposições desviar para espirito. mulher procu-

o instincto sexual

(i) Por vezes só nos referimos a uns dos homosexuaes, aos uranistas. O que porem dizemos d'estes invertidos é egualmente applicavel as tribades ou lésbicas, de que já fallámos.

homosexualidade

ibj

dum E

uranista

declarado a

com

effeminação, esse

pro-

d u z i r - l h e - h e m o s u m d e s e q u i l í b r i o d a vida p s y c h i c a . teremos direito praticar verdadeiro abuso ? N ã o ha duvida de que temos esse direito, mais ainda, de que temos obrigação de o fazer desde q u e n o s o c c u p e m o s n ã o só de libertar o d o e n t e dos s e u s h á b i t o s u r a n i s t a s , m a s t a m b é m d o s s e u s s y m p t o m a s de e f f e m i n a ç ã o . masculinização do individuo. E é fácil c o n s e g u i r a E' uma consequência

fatal d a m o d i f i c a ç ã o d a s s u a s t e n d e n c i a s , d a sua p a s s a g e m d o g r u p o d o s h o m o s e x u a e s p a r a o dos heterosexuaes. E a sua saúde não perigará c o m essa transformação tão importante ? N ã o periga, e tanto que se tem alcançado em alguns casos muito referiremos, Mas, assim sem frisantes, e a que l o g o nos que tenha produzido alteração se o uranista é os geralseus

alguma na saúde d'estes doentes. perguntar-se-ha, transmittir por m e n t e esteril n ã o s e r á p e r i g o s o c u r a r - s e , p o d e n d o hereditariedade defeitos ? No campo da observação não ha por enquanto n u m e r o b a s t a n t e d e c a s o s que n o s g a r a n t a a a f i r m a ç ã o q u e a c a b a d e ser f e i t a , m a s n ã o m e p a r e c e q u e v u l g a r m e n t e a s t e n d e n c i a s u r a n i s t a s dos p a e s se transmitiam directamente ). As aos filhos, embora taras neuropathicas e x i s t a m a l g u n s c a s o s b e m a v e r i g u a d o s d essa transmissão (
KRAFFT-EBING

p o d e m influir p r e p a r a n d o o t e r r e n o , m a s v u l g a r mente não c o m m u n i c a m a forma da manifestação por um p r o c e s s o tão nitido como poderá imaginar-se. O q u e é p o s s í v e l , o q u e é quasi c e r t o

204

a viba s e x u a I .

é q u e o u r a n i s t a , m e s m o d e p o i s de t r a t a d o , communique aos seus descendentes um certo grau de degenerescencia. se trate a m o r esteril E s e n d o a s s i m , será justo q u e o i n v e r t i d o p a r a q u e elle, p a s s a n d o do ao a m o r f e c u n d o , t r a n s m i t i a o seu o tratamento moral de deve o

m a l ás s e r a c;õ e s f u t u r a s ? O Mas juntamente com medico incutir-lhe Eis praticas o descendencia. i m p o r as um

dever

não a

crear de

caso em que se deverão fim

neo-malthusianistas

evitar a fecundação, praticas que desassombradam e n t e v i e m o s t r a z e r a p u b l i c o no p r i m e i r o v o l u m e d'este cações trabalho, e tão que apesar das censuras que como esta em q u e ha a
HCESSU,

a l g u n s p s e u d o - m o r a l i s t a s lhes d i r i g i r a m , tem appliproveitosas n e c e s s i d a d e de a c o n s e l h a r a c o p u l a i n f e c u n d a . A l g u n s a u c t o r e s , entre os q u a e s e s t á mas uma elogiam-no, a felicidade que e por a tal forma o não só p õ e m de p a r t e o t r a t a m e n t o do u r a n i s m o , fazem que como nas resoptido chegam considerar a homosexualidade Grécia objecções até junto vêem adquiriu não se

para o E s t a d o , attribuindo-lhe a antiga

supremacia A e estas

artes e nas s c i e n c i a s . extravagantes trazer ponde, mas para o fazer d'uma maneira completa cabal bastaria que d'esses até m i s t a s a l g u n s d ' e s s e s r a r o s infelizes q u e , c o n s c i o s das torpezas praticam, casa m e d i c o pedir-lhe que o s liberte d a s a b o m i n a ç õ e s para que são irresistivelmente arrastados. Infelizmente ao lado d'estes h o m o s e x u a e s , que vêem procurar remedio para os seus males, estão muitos o u t r o s e e m m u i t o m a i o r n u m e r o q u e o u n ã o c r e e m n o t r a t a m e n t o d a sua d o e n ç a o u , p o r

HOMOSEXUALIDADE

ibj

se não darem mal, vão continuando pelo caminho q u e a sua d e s g r a ç a l h e s f a z t r i l h a r : ora resignados E ora se torturados, a pergunta na que mais ignóbil vida acima que se p o d e ter-se. enunciamos dirigisse só a e s s e s , eu ficaria m a i s e m b a r a ç a d o ainda p a r a d a r u m a r e s p o s t a c a b a l e d e c i s i v a . E' disso rado. hábitos ptores turbação bem é mais do que importante o seu hoje a prophylaxia e do

uranismo

tratamento, que os

apesar descupercea mas-

assumpto homosexuaes,

completamente paes que e

Quantos não

indivíduos ha porque os

adquirem os

receiaram trazer

perigos

poderia

sobre indivíduos sobreE é ha

c a r r e g a d o s de t a r a s , e p o r t a n t o c o m um t e r r e n o m a g n i f i c o p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o do m a l ? este um defeito geral da educação. Quem

ahi q u e n ã o s a i b a q u e a m a i o r p a r t e d o s n o s s o s c o l l e g i o s e p e n s i o n a t o s são, p o r a s s i m d i z e r , escolas de a p r e n d i z a g e m de m a s t u r b a ç ã o e de i m p u dicicia ? questão brevidade mados : portam. os e todos a é e E que os importa isso aos paes ? A com adquirir educação habilitações moral litterarias

respectivos

d i p l o m a s b e m infore p h y s i c a p o u c o im-

E d e p o i s , t o d o s se e s f o r ç a m p o r a f a s t a r téem os a preoccupação da meu vida ridícula sexual. de lhes

r a p a z e s das m u l h e r e s c o m o u m m a l t e r r í v e l , segredos d'este Quantos

occultar a

paes de rapazes curiosos de saber não censurarão publicação sem se volume e o u t r o s similares, lembrarem de que, por mais que

queiram occultar-lhes os segredos da sexualidade, nada conseguirão, porque não p o d e m extinguir a

2 0 6

A VIbA S E X U A I .

natural

e v o l u ç ã o do instincto genesico.

E

este

d e s e n v o l v e - s e por v e z e s , sob u m a m á o r i e n t a ç ã o adquirida em r o m a n c e s b a r a t o s ou m o n o g r a p h i a s pornographicas, dando E' curiosa a em resultado d'um os desejos de e as p r a t i c a s h o m o s e x u a e s . autobiographia doente
KRAFFT-EISING [ o d a o b s . 88.A ( I ) ] e q u e d i z a p r o -

posito da e v o l u ç ã o : da sua d o e n ç a — « Si jamais on une xuelle pourrait par Il tard. os eu la esl » autobiographia e a educadores não poder devia que ser lida p o r todos o bem ao P e n a tenho desejassem arrivait, bonne à non Ies mais l'àge peut-ètre, suggestion, probable pas à délruire, comme che~ por Ies Spartiates, niennes, jeunes á de la que gens malingres nolre cette guérisson avoir seon

sélection

dans

Ies seus des idées darwiinversion jeunesse, Ies première de loules

reconnaitre nolre pendant pire la dans

période, pourrait

guerir maladies! étre que plus

plus facilement Esta paes de

obtenue

la jeunesse

estar dos seus filhos e e d u c a n d o s . para aqui

transportar,

m e n o s no que se refere aos primeiros annos da sua vida infelicíssima. SCHENCK-NOTZING dever moral é a diz que a consciência que do melhor resistencia pode

o p p o r - s e contra os desejos p e r v e r t i d o s da h o m o sexualidade. valor, quando E sendo um g r a n d e m e i o p r o p h y convenientemente suggestionado. latico é e g u a l m e n t e um p r o c e s s o t h e r a p e u t i c o de S e g u n d o KRAFFT-EBING a therapeutica da vida sexual p o d e c o n d e n s a r - s e nestas tres i n d i c a ç õ e s : (i) Vid. 6.» edição. Obr. cit.

HOMOSEXUALIDADE

ibj

1. a — C o m b a t e r 2. A — S u p p r i m i r xual ou geral)

o o

onanismo estado

assim

como

os

outros elementos nocivos á vida sexual. neurasthenico condições (seantiproduzido por pelas

h y g i e n i c a s d a vida s e x u a l . 3. a — Combater, tratamento psychico a p r o p r i a d o , os s e n t i m e n t o s e as i m p u l s õ e s h o m o sexuaes e desenvolver o desejo heterosexual. P o r v e z e s d e s d e q u e se s a t i s f a ç a a p r i m e i r a e s e g u n d a i n d i c a ç ã o o b t e m - s e o a m b i c i o n a d o resultado. taras S ã o os menos da casos mais simples e em que as impenderam suggestão e sobre com os ella indivíduos. se alcança

EM c a s o s m a i s c o m p l e x o s é p r e c i s o o t r a t a m e n t o psychico muitas vezes a cura. O u t r a s vezes a suggestão simples não basta e então vem muito nicos pnose a muito em seu auxilio a h y p n o s e que c u s t a por e incidir em sobre más neurasthede condições provocar

excitados

poderem

c o n c e n t r a r as i d é a s .

A l c a n ç a d a a hy-

deve-se

s u g g e r i r ao d o e n t e a n e c e s s i d a d e

de abandonar por uma vez a m a s t u r b a ç ã o , assim c o m o os s e n t i m e n t o s h o m o s e x u a e s , e i n c u l c a r - l h e a c o n f i a n ç a na s u a p o t e n c i a , i n s i n u a n d o - l h e desejos h e t e r o s e x u a e s . Ha vários casos de cura comprovativos da excellencia dos processos que d e v e m tanto successo como a hypnose. ser e m p r e -

gados e que enunciei, m a s nenhum tem alcançado KRAFFT-EBING diz q u e ella p o d e p r e s t a r taes b e n e f í c i o s a estes infelizes, que se deveriam e m p r e g a r s e m p r e todos os e s f o r ç o s p a r a a l c a n ç a r a h y p n o s e , único m e i o r e a l d e lhes p o d e r d a r a s a ú d e . se obtiveram curas em casos P o r este meio que este auctor

208

A VIbA SEXUAI.

classifica, defende
SCHRENK,

em sobre

conformidade a etiologia

com da

as

idéas

que

homosexualidade,
Desejaríamos

de casos congénitos.
BERNHEIM,

T a e s foram as obtidas por
MULLER, etc.

c o n c l u i r p e l a r e p r o d u c ç ã o d a historia d ' u m d ' e s t e s c a s o s , m a s a s u a e x t e n s ã o inhibe-nos de o f a z e r , enviando mos este os curiosos
e

para

os

citados
E

livros

de

SCHRENK-NOTZING

KRAFFT-EBING.

concluire-

capitulo

com estas consoladoras palaPor

v r a s : a h o m o s e x u a l i d a d e trata-se e c u r a - s e .

isso d e v e m o s m e d i ç o s e m p e n h a r - s e e m p r o s e g u i r na lucta, e m p r e g a n d o os tratamentos a d e q u a d o s e esquecendo quaesquer velhos preconceitos de que precisam desempoeirar-se por uma vez, para a l c a n ç a r o g r a n d e fim q u e a m e d i c i n a se p r o p õ e alcançar: curar os doentes.

A S E X U A L I D A D E

Debaixo se alcança

cTesta d e s i g n a ç ã o g e r a l a g g l o m e r a m o s fóra mais por de qualquer relação homo ou

t o d a s as p e r v e r s õ e s em q u e a s a t i s f a ç ã o g e n e s i c a heterosexual. reparos cas dos existem T a l v e z a designação dada mereça puristas, vezes p o r q u e n e s s a s pratirepresentações ideaes de

outros indivíduos.

Na realidade p o r e m , o termo

e m p r e g a d o é b a s t a n t e s u g g e s t i v o , p a r a se p o d e r e m d e s p r e z a r taes o b s e r v a ç õ e s d e m e n o r m o n t a . S e r i a n a v e r d a d e difficilimo e n c o n t r a r u m a o u t r a d e s i g n a ç ã o c o m que s e p o d e s s e m a b r a n g e r t o d a s as perturbações só genesicas episódica asexuaes e em que a idéa da se sexualidade manifesta. As perversões são muito variadas, m a s p o d e m o s a g r u p á - l a s nas s e g u i n t e s : a) E r o t o m a n i a . b) E x h i b i c i o n i s m o . accidentalmente

210

A VIbA S E X U A I .

c) d)

Onanismo. Feiticismo.

é) Bestialidade (i). E s t u d a r e m o s c a d a u m d ' e s t e s g r u p o s d e p e r si, sob os vários e após o seu aspectos que podem apresentar-se estudo ver-se-ha que é b e m cabido

o titulo do capitulo c o m que os a b r a n g e m o s .

d) sr. que

Erotomania. dr. LOPES a figura

Segundo é a

define

o

professor genital uma

VIEIRA (2) viva, ou

perversão

só se satisfaz em i m a g i n a ç ã o , sobre a qual inanimada do de como

impera estatua. Já nos

no

primeiro a

volume esta razão

presente de amor amor

trabalho asexual, morbido.

referimos

especie

classificando-o tio e

com

T o d o o a m o r que não deseje a união sexual é doeni m p r o p r i o p a r a d a r os r e s u l t a d o s a q u e a aspira a para e é a conservação da especie. como dissee r o t o m a n i a a a n t i t h e s e da s a t y r i a s i s caracterisada, paixão amorosa exaltada, despronatureza Constitue e

nymphomania

mos, por uma

vida de toda a idéa sensual.

E' pois u m a affecção Os erotóma-

mental, passageira ou permanente, sobre que não p o d e m sequer levantar-se duvidas. nos são p o r e m inoffensivos e a maior parte das

(1) A proposito da bestialidade poder-se-ha dizer que ha a predilecção do sexo entre os animaes. Estes porem, como cúmplices das aberrações genesicas dos psychopathas sexuaes, não téem sexo, e em alguns casos machos e femeas prestam indifferentemente os mesmos repugnantes serviços. ( 2 ) Obr. cit.

A SEXUALIDADE

21 I

v e z e s s ã o i m p e r i o s a m e n t e a r r a s t a d o s p a r a o suicídio. N ã o n o s d e m o r a m o s p o r t a n t o n o e s t u d o cirE para fechar que já se a c h a m explanadas ( i ) cumstanciado d'estes pervertidos. estas referencias d'esta em em doença. de 18 annos, que foi julgado

e m p a g i n a s anteriores, citarei u m e x e m p l o t y p i c o Ferrand, rapaz

i838 pelo tribunal de Versailles apaixonou-se, casamento. As recusas da família levaram

extraordinariamente, por uma rapariga que pediu os dois a m a n t e s á solução de se s u i c i d a r e m . F e r r a n d atirou ferida, de que tentando em d o i s tiros á c a b e ç a d a s u a p r e a g o l p e s de p u n h a l , com tres tiros a ferimentos suicidar-se acabando-lhe a vida seguida apenas resultaram

graves

que sobreviveu.

Foi a b s o l v i d o c o m o s e n d o ero-

t ó m a n o e na v e r d a d e a a u t o p s i a c o n f i r m o u q u e a r a p a r i g a e s t a v a v i r g e m (2).

b) na de vras O derno

Exhibicionismo.

Esta dos

perversão

consiste

simples exposição qualquer, ou obscenas pudor um é ou na

orgãos com

sexuaes deante concomitância do h o m e m arreigados mopela

em publico, sem gestos ou palatambém

d ' e s t a s (3). vida civilizada princípios tão dos

e d u c a ç ã o q u e , c o m o d i z KRAFFT-EBING, É n e c e s s á rio s u p p ô r a e x i s t e n c i a d ' u m e s t a d o p s y c h o - p a t o logico nos que ultrajam g r o s s e i r a m e n t e a decencia (1) Vid. vol. 1. (2) Adeante falaremos da paranóia erótica. (3) Vid. Mamial de Med. Legal do prof. sr. dr.
VIEIRA.

LOPES

212

A VIbA S E X U A I .

e a moralidade publica. exhibicionistas talidade partes manifestam são avariada. genitaes a

Os q u e se d ã o ás p r a t i c a s effeito do o desejo sexo, que sem

e m geral i n d i v í d u o s d e menCom pessoas ostentação, as

de descobrirem, com

outro

n u n c a se t o r n a r e m a g g r e s s i v o s , é t ã o pueril que d i f i c i l m e n t e se c o m p r e h e n d e a s u a existencia em indivíduos Podem categorias. com as faculdades mentaes existe integras. agrupar-se os exhibicionistas em varias Nuns f r a q u e z a m e n t a l adqui-

rida, a c o n s c i ê n c i a foi p e r t u r b a d a p o r u m a d o e n ç a do c e r e b r o ou da e s p i n h a l - m e d u l l a e a v i r i l i d a d e p e r d e u - s e quasi c o m p l e t a m e n t e . São ção de os casos mais vulgares. os D'entre esses os d o e n t e s p o d e m o s e s p e c i a l i s a r , p a r a e v i t a r a citacasos senis as inúteis, e paralyticos geraes, dementes Noutros idiotia, cam-se numero na os a l c o o l i c o s e os são d e l i r a n t e s de e é de

diversas categorias. perturbações e nas como congénitas formas p r e c i s o ir p r o c u r a r as c a u s a s na i m b e c i l i d a d e ou epilepsia diversas todos degenerescencia. d'estes D'entre pervertidos. porem destamaior

epilepticos

produzindo

T e m - s e d i s c u t i d o (THOINOT, e t c . ) s e h a exhibic i o n i s t a s r e s p o n s á v e i s e f ó r a do g r u p o de d o e n t e s que acabamos a de apresentar; praticas e a mas é esteril e b a n a l tal d i s c u s s ã o . entrega essas c r i m i n a l , tal scientificos. O exhibicionista é irresistivelmente impulsion a d o p a r a a p r a t i c a d um a c t o q u e r e p u g n a p o r como a Nenhum h o m e m normal se responsabilidade define a escola classica, é

u m velho p r e c o n c e i t o q u e u r g e e l i m i n a r d o s livros

A S E X U A LID A D E

2 I 3

tal f o r m a e tanto se a f a s t a do q u e é n o r m a l , q u e impossível duos que sociedade. Ha varias individuos muros partes especie Ao dos de formas de de exhibicionismo. ao habito com que em alguns das uma está que se divertirem e s u j a r os E' que outro KRAFFT-EBING téem, refere-se seria e n c o n t r á - l o no meio d o s indivia normalidade da nossa constituem

logares

públicos

desenhos mas

genitaes

masculina

feminina.

exhibicionismo d'este habito

ideal,

l o n g e do e x h i b i c i o n i s m o real. lado collocarei b e m s e lhe a p p r o x i m a . acto, E, da Os de gostam mesma de R e f i r o - m e aos i n d i v i d u o s palavras obscenas.

q u e , d u r a n t e a c ó p u l a e a n t e s da r e a l i s a ç a o d ' e s t e pronunciar fórma, uma especie de exhibicioespecial Téem

n i s m o ideal q u e , se a s s e m e l h a ao v e r d a d e i r o . epilepticos f o r m a m u m a c a t e g o r i a Distinguem-se exhibicionistas. pela ausência

d e c o n h e c i m e n t o nas p r a t i c a s e x h i b i t o r i a s . Isto explica

s e m p r e o b n u b i l a ç õ e s d u r a n t e a p r a t i c a do d e l i c t o . a r a z ã o p o r q u e e s t e s infelizes, s e m da pratica que elles dos s e u s a c t o s , c o m proprios condemnam ter c o n s c i ê n c i a mettem tenham cam-se delictos

q u a n d o r e t o m a m os s e u s s e n t i d o s , a n ã o ser q u e já c h e g a d o a um e s t a d o p e r m a n e n t e de A o l a d o dos e p i l e p t i c o s colloe seguidamente os os neurasthenicos fraqueza mental.

d i v e r s o s e s t a d o s m e n t a e s a que já nos r e f e r i m o s e e n t r e os q u a e s se d e s t a c a a i m b e c i l i d a d e . O e x h i b i c i o n i s m o a p p a r e c e só ou a c o m p a n h a d o t k m a s t u r b a ç ã o , c h e g a n d o e s t a a ser o s e u c o m plemento. A l g u n s exhibicionistas ha que c h e g a m F o i - m e r e l a t a d o p o r um m e u a adornar o penis.

214

A ViDA S E X U A L

distincto coberto mento de de

collega

da

capital o c a s o d ' u m d'estes

d e g e n e r a d o s que p a s s e a v a p e l a s ruas de L i s b o a , por u m a longa c a p a , p r o c u r a n d o o moa s a d o de p a t e n t e a r o penis o r n a m e n t a d o auctores c o n s i d e r a m c o m o u m a f ó r m a a p e r v e r s ã o d o s friccionadores, theatros, templos, E etc., para

flores! Alguns exhibicionismo concorridos: forma de

isto é, dos indivíduos que p r o c u r a m os l o g a r e s mais uma se friccionarem pelas m u l h e r e s , o que mais p a r e c e masturbação. KRAFFT-EBING pretende e x t e n d e r tanto o capitulo do exhibiciolonga serie de casos dos da ha maior bem parte averiinquesdo sexo

n i s m o que lhe inclue o ultrage ás estatuas de q u e MOREAU r e c o l h e u u m a Infelizmente lhes pode e dar. apesar dar a as t e m p o s antigos e m o d e r n o s . descripções Alguns de porem de d'elles são feitas por fórma que p o u c o credito se guados poderem que deve serem origem pessoas esta

t i o n a v e l m e n t e p a t h o l o g i c a , e a p e s a r das e s t a t u a s suggestão das que r e p r e s e n t a m , parece antes p e r v e r s ã o se

ligar ao feiticismo que ao exhibicio-

nismo.

S e j a p o r e m c o m o fôr, estes c a s o s , d e s d e

CLISYPHUS que c o n s p u r c o u u m a estatua do t e m p l o de SAMOS, até ao c a s o d ' a q u e l l e jardineiro ( 1877 ) que se apaixonou pela estatua da Y e n u s de Millo com quem praticou actos indecorosos, são b e m c a r a c t e r í s t i c o s d u m a a n o r m a l i d a d e p s y c h i c a averiguada. Ainda nos a mixoscopia a que já a c c i d e n t a l m e n t e foi tomada por alguns auctores L i g o pouca referimos

c o m o u m a forma de exhibicionismo.

importancia a esta anomalia c o m o p e r v e r s ã o , m a s

A S E X U A LIUADE

2 I5

mesmo chismo.

que

a

classifiquemos

como

tal,

talvez

d e v a c o l l o c a r - s e , c o m MOLL, n o g r u p o

do maso-

Em r e s u m o : o e x h i b i c i o n i s m o é u m a p e r v e r s ã o typica hoje d'esta que anda geralmente ligada a p s y c o p a t h a s E' de difficil talvez genesica. tratamento devido á que até não foi tentado, raridade confirmados.

perturbação

c)

Cnanismo. — De t o d a s as p e r v e r s õ e s s e x u a e s , E contudo

cujo estudo vimos fazendo, é esta inegavelmente a mais espalhada e a mais conhecida. genesico. P o r outro raras são as m e m o r i a s p u b l i c a d a s sobre este vicio lado s e n d o por todos consiraras vezes tem merecido E a E' n e c e s d e r a d o c o m o causa de varias e n f e r m i d a d e s , o seu estudo circunstanciado a attenção dos médicos e dos educadores. uns e a outros interessa directamente.

sário notar que a todas as horas h o m e n s , mulheres e c r e a n ç a s , trabalham á porfia para prejudicar a sua saúde, a sua vida intellectual e m o r a l , o seu de todos os vicios e paiz e a raça h u m a n a . E , c o m o diz chamar e dos crimes mais
POUILLET (I),

de todas as torpezas que com verdade se podem de lesa-natureza um dos maiores nos dois sexos, em espalhados é inquestionavelmente a Encontra-se Quer

masturbação. as classes

todas as edades, em todos os logares e em todas sociaes. sobre uns quer sobre Ora detem o outros o effeito é s e m p r e deleterio.

desenvolvimento physico, ora atrophia e prejudica (i) L'onanisme che, Ia femme, Paris, 1897.

i245o

A

VIDA

SEXUAL

o

desenvolvimento psychico. da raça, é o

E

num

e

noutro E' o das

caso

as c o n s e q u ê n c i a s são beni p a l p a v e i s . aniquilamento

definhamento

prosperas gerações de outr'ora. D ' a q u i a importancia d'este estudo que a m e u v e r se impõe tanto ao m e d i c o , c o m o ao e d u c a d o r , c o m o ao sociologo. A obra
que

palavra
por sua

onanismo a
vez foi

deriva

do

titulo

duma Onania
de que

attribuida

BEKKERS, de L o n d r e s ,
derivada de ONAN e

MOYSÉS fala no capitulo x x x v i n do G e n e s i s . A Biblia diz-nos, em r e s u m o , que HER O filho m a i s velho de JUDAS e m a r i d o de THAMAR m o r r e r a sem filhos. S e u irmão ONAN devia pois, s e g u n d o M a s ONAN o d i a v a o i r m ã o a L e i , c a s a r c o m ella e o filho que d'ella houvesse teria o n o m e de HER. e não q u e r e n d o expòr-se a ter um filho c o m o n o m e d'elle que fosse chefe de familia, realizava c o m THAMAR O principio do acto coitai e ejaculavat extra vas, c o m o d i z e m os casuistas. D'aqui se conclue que etimologicamente ha ditíerença entre o n a n i s m o e m a s t u r b a ç ã o . A s praticas onanistas, p r o p r i a m e n t e ditas, são a p e n a s realizadas a c t u a l m e n t e por alguns matrimoniados que p r e t e n d e m fugir ás c o n s e q u ê n c i a s da procreação. E s s a s praticas p o r e m p o u c o differem das m a n u a e s e, ou por s e r e m m e n o s v u l g a r e s ou por a b u s o de l i n g u a g e m , é certo que o n a n i s m o e m a s t u r b a ç ã o são hoje s y n o n y m o s . dois termos vicio, solitário, muitos mesmo pração, habito devendo etc. notar-se vicio A o lado d ' e s t e s designar o de manustuchiromania, os outros ha para manual,

manuelisação,

ASEXUALIDADE

217

POUILLET (1) c h a m a o n a n i s m o ao acto c o n t r a a natureza fim feito com etc.) o ou auxilio d u m orgão vivo ( m ã o , lingua, instrumento qualquer, a v e n e r e o , q u e r este

de p r o v o c a r o o r g a s m o

acto seja solitário, q u e r seja e x e c u t a d o em c o m mum. CHRISTIAN (2) r e s u m e e g e n e r a l i z a ainda mais a definição. meios produzir a P a r a elle o o n a n i s m o é o c o n j u n c t o de por u m o u o u t r o s e x o p a r a genesica, artificialmente, satisfação empregados

fóra das c o n d i ç õ e s do coito n o r m a l . C o m o se v ê , estes a u c t o r e s , incluem no onanismo muitas das p r a t i c a s já quer descriptas entre nos dois de capítulos sexo. O r a c o m a divisão q u e f i z e m o s das p e r v e r s õ e s s e x u a e s e a t t e n d e n d o ás c o n s i d e r a ç õ e s etiologicas que apresentamos, com de de forma alguma Para podemos nós o concordar essas definições. que levam anteriores, indivíduos

diversos sexos, q u e r entre indivíduos d o m e s m o

o n a n i s m o ou a m a s t u r b a ç ã o n ã o é mais do que o conjuncto isoladamente ção, a praticas o individuo á ejaculação. A mutua masturba-

masturbação

b o c c a l , e t c . , já f o r a m estu-

d a d a s e classificadas c o m o a n a t u r e z a das respectivas perversões o exigiam. L i m i t a m o s a significação do t e r m o , m a s a p e s a r d'isso t e m o s d e a n t e de nós u m a d a s mais difficeis q u e s t õ e s q u e dizem respeito á vida sexual e ao m e s m o t e m p o um dos peores m a l e s que a f f e c t a a s o c i e d a d e hodierna e cujas f u n e s t a s c o n s e q u ê n c i a s

(1) yi)

Obr.cit. Dicc. Dechambre, art. Onanisme. Vol. i5.", 2." serie.

16

A VIDA S E X U A I .

s e v ã o s e n t i n d o dia a d i a e s e v ã o n o t a n d o , m o mento a m o m e n t o , no definhamento progressivo dos individuos e das raças. Historia. — O s perversões as antigos não tinham sobre estas

m e s m a s idéas que nós hoje temos. a cousa mais natural R a r o s f o r a m o s m é d i c o s d a anti-

P a r a elles o o n a n i s m o e r a d'este mundo.

g u i d a d e q u e a ella se r e f e r i r a m . A s r e f e r e n c i a s q u e lhe f o r a m f e i t a s e n c o n t r a m - s e nos p o e t a s satyricos e eroticos da época. A Biblia t a m b é m nos fornece elementos para a apreciação d'estas perturbações genesicas. O que bem facto porem se entregam é a de que o onanismo nasceu com esta cães pratica. e Ha exemplos se terem Alguns auctores a humanidade. Mais a i n d a : especies animaes ha macacos

averiguados

e n t r e g a d o a este vicio genesico. é natural. Entre Os os rapazes, e as a nas judias á Biblia

téem m e s m o pretendido discutir se a m a s t u r b a ç ã o primeiras edades, e na em em especial, entrega-

nossa e d u c a ç ã o social, p a r e c e sê-lo. judeus, com vam-se saçóes. Na das muito enthusiasmo pratica das manueli-

Attesta-o China

vários versículos ao lado

q u e é inútil c i t a r ( i ) . o onanismo tomou desenvolveu-se A um perversões feminina homosexuaes. mesmo masturbação aspecto mer-

cenário particular.

A f f i r m a JEANNEL (2) q u e ali s e

(1) V . sobre este assumpto a obr. cit. de P O U I L L E T , pg. 22. (2) De la Prostitution dans Ies grands villes ao XIXe siècle, etc. Paris, 1868.

ASEXUALIDADE

2 kj

v e n d e m o b j e c t o s de g o m m a - r e s i n o s a c o m a f o r m a de penis. E s t e s c ú m p l i c e s da m a s t u r b a ç ã o femiD a s ruinas de r e t i r a d o s muitos bronze, outros nina são c o n h e c i d o s da ha muito c o m o n o m e de Priapos ou Phallos (cpxni;, p e n i s ) . Herculanum d'estes d'oiro, etc. N ã o e x i s t e m vestígios d o o n a n i s m o m a s c u l i n o , este nunca t e v e c ú m p l i c e s ; m a s as t r a d i ç õ e s e os d o c u m e n t o s são u n a n i m e s em affirmar a sua existencia d u r a n t e os l o n g o s s é c u l o s que nos p r e c e deram, desde o apparecimento da civilização. P o d e m o s m e s m o a s s e v e r a r que o o n a n i s m o foi a p e r v e r s ã o sexual primeiro conhecida e d i v u l g a d a . Hoje porem com me o a mesmo O é seu a perturbação genesica estudo muito se cá scientifico no a tarde, seguiu os século mais xvui espalhada. livro e começou e Pompeia Uns foram eram de objectos.

fazer-se a

de BLKKERS — Onania, —• a q u e já que de para da c e l e b r e e tão de onatéem-se TISSOT — Tractado trabalhos do que

referi

divulgada

obra

nismo — . D'ahi samente, E das apesar apesar

s u c c e d i d o , m a s v a g a r o s a m e n t e , quasi q u e m e d r o importancia para assumpto. é uma devia se d'isso, como já a c c e n t u a m o s ,

perturbações

sexuaes

olhar c o m mais c u i d a d o e a t t e n ç ã o .

P e l a leitura

das p a g i n a s q u e d e d i c o a o e s t u d o d ' e s t a p s y c h o pathia sexual se concluirá o que a c a b o de a f f i r m a r . Formas — D i v e r s a s da masturbação em no são as e praticas na com papel manuaes A que

homem attrictos caso, o

mulher. a de mão

f o r m a mais v u l g a r por q u e o h o m e m se onanisa consiste praticar neste desempenha, vagina.

220

A VIbA SEXUAI.

O u t r a s vezes são os contactos com outros objectos que mais tação de determinam urethral o orgasmo o por venereo. Em casos a lá excihastes téem excepcionaes que, individuo mais provoca pequenas vez,

introduzindo-lhe

madeira

duma

ficado, sendo necessário fazer-lhe a extracção por processos individuos cirúrgicos. a f o r m a da m a s t u r b a ç ã o anal n o s téem tendencias pederastas e que Ha t a m b é m

h o m o s e x u a e s , nos c a s t r a d o s (i), etc. Na mulher as formas são mais variadas e mais dignas em de ser estudadas. Podemos agrupá-las clitoridca, quatro variedades: masturbação

masturbação turbação A

vaginal, m a s t u r b a ç ã o urethral, mas-

uterina. c l i t o r i d e a é, ou ainda de do todas, a mais de

masturbação

vulgar. objectos o auxilio

C o n s i s t e nos contactos m a n u a e s , ou extranhos, dos dedos Geralmente, que

friccionamento porem, é com a satisfação

das próprias coxas. sexual. nual. Tal nismo E' é o caso

alcançam

A ' s vezes são movimentos diversos que,

provocando contactos, substituem o trabalho maduma e por masturbadora em e de doze a um

mezes, citada por deitando-se o caso movimentos notável lado

POUILLET

que praticava o onaseguida das Por bacia pernas.

dando-se da dois

variados

motivos.

a m o n s t r u o s i d a d e e o p a r a d o x o da d i m i n u t a e pelo outro a maneira particu-

e d a d e da viciosa

laríssima porque conseguia masturbar-se. (i) Veja o que digo no i vol. a proposito dos escópezes.

ASEXUALIDADE

221

T o d a s as praticas enunciadas, f r i c c i o n a r e e x c i t a r o clitóris. A a masturbação clitoridea, por meio na vaginal, em de menos

visam porem a

frequente que excitações a própria phallos, estes que

consiste

provocar taes para

vaginaes pessoa vellas de

objectos

introduz tem não

vagina, chamado ser

como

estearina, agulheiros, etc. sido

Mais d'um extrair

cirurgião ções de

o b j e c t o s q u e , p o r m á s o r t e , l á f i c a r a m e m condipoderem facilmente retirados. E s t a s m a n o b r a s vaginaes são raras nas raparigas e v u l g a r e s n a s m u l h e r e s c o m p l e t a m e n t e desenvolvidas e especialmente nas casadas, viuvas e celibatarias. E é fácil c o m p r e h e n d e r - s e a r a z ã o d'esta preferencia. C o m o e s t a s p r a t i c a s são a s i m u l a ç ã o g r o s s e i r a da c ó p u l a é p o r v e z e s a única e s p e c i e de m a n u e lização que satisfaz aquellas mulheres que se gastaram em outros contactos genesicos ou mesmo se e n t r e g a r a m á c o p u l a n o r m a l que d e p o i s , p o r qualquer motivo, não poderam continuar a realizar. E s t a f o r m a d e o n a n i s m o é u m vicio c u j a c a u s a assenta antes e a que no espirito nas do que no que corpo téem
(POUILLET)

apparece imaginação téem

mulheres o corpo

manchado lutas ou

com idealisações dissoa orgias

entregado

que n ã o p o d e m f a c i l m e n t e r e p e t i r . E s t á b a s t a n t e d i v u l g a d a entre n ó s , c o n t u d o n o c a s o de d u v i d a e a g u i a r m o - n o s a p e n a s p e l a s indicações Uma pouco vez precisas das clientes, devemos muito sempre diagnosticar a forma clitoridea. appareceu-me uma mulher, envergonhada, a consultar-me sobre uma vulvite

222

A VIDA S E X U A L

e urethrite mente. renta annos

que e

não cheguei a observar directaoccupava-se em arranjar um dos C o m o , levada por u m a falsa ver-

A m u l h e r tinha de trinta e c i n c o a q u a -

t e m p l o s da v i z i n h a n ç a o n d e aliás p a s s a v a a m a i o r parte do dia. g o n h a , n ã o se m o s t r a s s e d i s p o s t a a ser o b s e r v a d a d i r e c t a m e n t e , indiquei-lhe a t h e r a p e u t i c a q u e julguei conveniente receitando-lhe lavagens vaginaes. Não mais varias que se vaginal. Pela narrativa mais circunstanciada da doente vim d e p o i s a s a b e r q u e , d e s d e m u i t o s a n n o s , se entregava a manuelisações. Nunca p o r e m pensara em provocar o espasmo genesico senão pelo f r i c c i o n a m e n t o d o clitóris. Dum uma A outro a caso este tenho conhecimento, muito comparavel e succedido egualmente com pôde do realizá-las qual que e não que por ter o hymen a expor intacto, canula por aqui, atravez podia seria passar ocioso de

estreita razões,

se pôde d'um

obter.

Julguei,

tratasse

caso

masturbação

mulher que passava as horas pelas egrejas masturbação clitoridea é pois muito mais

a rojar-se aos p é s d o s p a d r e s c o n f e s s o r e s . vulgar que a vaginal. As mulheres viuvas porem

p r e f e r e m esta u l t i m a f o r m a . M... era v i u v a d e trinta a n n o s . Compleição

h y s t e r i c a de f o r m a s e x u a l . tecia com receio

Mulher intelligente e da sociedade e

m ã e de filhos, não procurava a copula que appedas censuras especialmente da gravidez. Masturbava-se quasi Confessou

t o d a s a s noites c o m o b j e c t o s v á r i o s .

que, sobretudo, experimentava um grande prazer

A S K X U AI.U-) A DE

223

quando

esse

objecto

o u o s p r o p r i o s d e d o s conS o f f r e u d e v a r i a s inflapraticas, mas que não

t o r n a v a m o c o l l o do ú t e r o q u e descia na v a g i n a em prolapso accentuado. mações devidas a taes

p u d e o b s e r v a r d e v i d a m e n t e p o r n ã o ter s i d o seu medico assistente. A masturbação urethral é mais as não a duas precedentes. A rara, do que

sensibilidade das

da v u l v a

t e m z o n a s e s p e c i a e s e é t a l v e z d e v i d o a isto q u e exista uniformidade da região praticas masturbavulvar, de mas por doras. vezes é G e r a l m e n t e é o clitóris o o r g ã o q u e g o s a sensibilidade das a glandulas Bartholin Serão cujo meato

hegemonia

( e n t r a d a da v a g i n a ) ou a u r e t h r a q u e , p o r t o q u e s repetidos, fazem aberrações notar e cuja que a despertar maior prazer. Talvez; zonas mas tem é erogenes O sensoriaes ? mulher devemos

desenvolvimento é variavel de u m a s para outras desegualdade bem visivel. u r i n á r i o , c o m o seu b o r d e l e t e erectil e a p r ó p r i a u r e t h r a c o n s t i t u e m , p o r v e z e s , o o r g ã o p o r excell e n c i a e q u a s i e x c l u s i v o do p r a z e r e r o t i c o . Como orifícios genesico. se de sabe em volta muito do meato existem A glandulas rudimentares.

ellas q u i z e r a m a l g u n s a u c t o r e s a t t r i b u i r o p r a z e r O u t r o s fazem-no derivar da erectilidade do p r o p r i o t e c i d o da u r e t h r a e e s p e c i a l m e n t e da sua e x t r e m i d a d e v u l v a r . Serão como giões. se erogenes provavelmente sabe, em apparecem, as duas mais causas, mas, realgumas nas hystericas as zonas

inesperadas

S ã o p h e n o m e n o s que ainda hoje nos são Ha ligações nervosas

intimamente desconhecidos.

224

A VIbA S E X U A I .

que não p o d e m o s prever nem imaginar. se i n c u m b i r á de d e s l i n d a r a q u e s t ã o . As mulheres que experimentam urethraes

O futuro sensações são mais D e dois

a g r a d a v e i s com as titilações

numerosas do que geralmente se julga.

c a s o s t e m o s nós c o n h e c i m e n t o e de m u i t o s t e r ã o a q u e l l e s q u e e s p e c i a l m e n t e se d e d i c a r e m á clinica gynecologica. As onanistas urinário dão-se que a tocam com prazer o meato esta na pratica urethra repetidas com e o vezes. fim de

P o r fim á b u s c a d ' u m p r a z e r n o v o e m a i s i n t e n s o introduzem levar E zirem mais então objectos longe os contactos experimentar

satisfações mais intensas. succede-lhes muitas vezes o introdue x t r a n h o s na Os bexiga, de são difhcil muitos e e exemplos corpos

dolorosa

extracção.

p o r isso é inútil e s t a r a t r a n s c r e v e r os c a s o s q u e p a r a ahi c i r c u l a m nos livros da e s p e c i a l i d a d e . A m a s t u r b a ç ã o u t e r i n a , r a r í s s i m a entre n ó s , é muito vulgar no Japão, C h i n a e índia. em lá por titilar c o m téem meio ficado, de onde o mucosa da cavidade uterina. sendo as e preciso processos Consiste auxilio de c o r p o s e x t r a n h o s a Por vezes mesmo depois extraí-los paizes mais ser Nos

cirúrgicos.

orientaes, regimen

mulheres vida

parecem

lascivas, devido talvez alimentar

á acção da temperatura, excitante dos haréns,

onde não téem outro fim em vista senão o prazer s e x u a l , existe u m p e q u e n o a p p a r e l h o c o m p o s t o d e duas espheras: uma (a f e m e a ) é completamente ôcca e outra (o m a c h o ) é uma esphera massiça q u e se j u x t a p õ e á p r i m e i r a no c a n a l v a g i n a l , de

ASEXUALIDADE

225

forma a rino.

ficar

a e s p h e r a ô c c a junto do collo uteO menor c o x a s p r o v o c a , por meio de rolacommunica ovos de á outra que, por sua que a as do a

A m a s s i ç a s e g u e - s e - l h e na v a g i n a .

movimento das diatamente grandeza inútil os se

mento, u m a vibração na esphera cheia que immevez, a transmitte ao útero. de As e s p h e r a s t é e m a Conta-se para das

pomba. da bacia Depois

excitação genesica experimentada ú grande, sendo movimentos das as próprias bastam que dos útero e o que obter vibrações vibrações canal lento mulher no e espheras. primeiras o frémito viciosas, quasi numa a não

contracções para bem

fibrillares arrasta

vaginal ao

entreter depressa Outras de

continuo sombrio no

espasmo

genesico. haréns que na se

recato

velhos

asexuaes, praticam tantes grossas allucinação satisfação

a introducção de ancia

hastes basde obter lhe

deforma, senhor

desvairada genesica

seu

pode ou não quer dar. Mas, como dissemos, não é só no Oriente

que se dão esses desvarios. sem o requinte dos guardam

M e s m o nas socieda-

des e u r o p é a s se tem e n c o n t r a d o esta p e r v e r s i d a d e , apparelhos d o u r a d o s que as no cofre das suas preciosidaorientaes

des mais caras, m a s c o m objectos rústicos que se téem descoberto quando o medico é chamado para c o n f i d e n t e , em c a s o s em q u e o d e s e s p e r o e ít d o r saem victoriosos da v e r g o n h a que as victimas sentem c o m a confissão das suas misérias genesicas. Escusamos de fazer commentarios.
LISFRANC
1

Basta
:

citar

aqui um caso celebre de

1

Clinique chirurgicale, tom. n. Cit. de

POUILLET.

Obr.cit.

24'2

A VIDA S E X U A L

U m a m u l h e r e n t r e g a v a - s e á p r a t i c a da i n t r o d u cção de objectos extranhos na cavidade uterina. N u m a d a s é p o c a s i n t e r - m e n s t r u a e s f i c o u - l h e dentro do útero uma parte da haste de roseira de que A se servia para obter a satisfação não sobreveio accidente genesica. O principio algum.

útero estava por certo, a corpos extranhos.

de ha muito, costumado violentas semevaginal combi-

N a s proximidades da época

menstrual appareceram-lhe dores facilmente verificável pelo toque

lhantes ás do parto, com e d e m a c i a m e n t o do orgão n a d o c o m a p a l p a ç ã o do h v p o g a s t r i c o . O orifício do collo p a r e c i a f e c h a d o e este e s t a v a h y p e r t r o p h i a d o c o m o nas g r a v i d e z e s e do t e r c e i r o m e z . extremidade A sua do segundo attenta, saliência exploração ligeira

m e t h o d i c a e r e p e t i d a , f e z d e s c o b r i r , no centro da sua inferior, uma offerecendo uma grande resistencia. ficasse as anterior foi de pinça. posição. I m m e d i a t a m e n t e r e c u p e r o u o seu b e m e s t a r . P o r este caso se vê que esta e s p e c i e d e onaMuitos primeiras presumpções. A observaIntroduzida

ç ã o d i r e c t a p e l o e s p e c u l o n a d a m o s t r a v a que justiu m a s o n d a c a n u l a no orifício e l e v a n t a d o o lábio d o collo viu-se u m c o r p o e x t r a n h o que cautelosamente seguido de de sangue por meio em de de uma grandecomFoi hemorrhagia negro retirado

quantidade

n i s m o , a p e s a r de rara e s o b o u t r a f o r m a n ã o é d e s c o n h e c i d a nos p o v o s d a v e l h a E u r o p a . accidentes que os denunciem. casos porem ficarão no olvido por não haverem

ASEXUALIDADE

2 2 7

E s t a s v a r i e d a d e s d e m a s t u r b a ç ã o f e m i n i n a são acompanhadas de praticas accessorias do lado d o s p e q u e n o s l á b i o s e até dos g r a n d e s l á b i o s . São, porem, contactos de menor importancia.

H a , ainda, duas outras formas de masturbação a q u e não d e v o d e i x a r de r e f e r i r - m e . Ies Já em contactos mammarios e anaes. no p r i m e i r o v o l u m e do presente trabalho nos r e f e r i m o s á c o n n e x ã o intima que liga os seios aos o r g ã o s g e n i t a e s , c o n n e x ã o tal que em s e g u i d a á e r e c ç ã o d ' u m d ' e s t e s o r g ã o s se lhe s e g u e a do outro. E' por isso que m u i t a s m u l h e r e s entreg a m os seios a titilações e x t r a n h a s ( l i n g u a e s ou d i g i t a e s ) f a z e n d o - o o u t r a s v e z e s por si p r ó p r i a s . Já r e f e r i m o s , em r e s u m o , o caso de u m a r a p a r i g a q u e d e p o i s de ter d e i x a d o excitar a r e g i ã o marrimaria por m e i o de beijos do seu a m a n t e , o que lhe d e s p e r t o u u m m u n d o n o v o d e s e n s a ç õ e s i n e x perimentadas, da V. própria assim tupvatio. E' que, c o m o diz de serem uma o podem CH. MAURIAC, os terceiro em f ó c o da casos mamillos inervação exceapezar sexual, procurou que approximar E' mamillo de bocca, o
(I)

S ã o aquel-

que a s a t i s f a ç ã o genesica é o b t i d a p e l o s

conseguiu, alcançando observação

a satisfação genesica.

HILDEBRANDT

q u e a c o g n o m i n o u de sucíus-

adquirir

muito

pcionaes,

tal f a c u l d a d e de

e r e t h i s m o volu-

p t u o s o q u e a sua titilação p o d e p r o v o c a r , só por

(1) Vid. vai. 1 da Vida Sexual, pg. i65.

228

A VIDA S E X U A L

si

e

com

toda genital. como

a

intensidade, dissemos, d'esta

as

sensações

do

espasmo que se

Téem-se, siasmo, Ao de tanto como corpos attestar mamente rapariga recto a uma

observado maneira, estas

mulheres enthuao

masturbam

com

associando, por do dá

vezes

praticas

onanismo clitorideo ou vaginal. lado se na suctusíupratio, para ir c o m a phrase Esta Para a
HILDEBRANDT,

está a m a s t u r b a ç ã o anal. (tendeneia que o muitas sodomista). vezes a lá

no h o m e m (tendeneia homosexual)

mulher

p r a t i c a r o t o q u e anal utilisam-se dos d e d o s e de extranhos perante raros. quem ficam cirurgião verdade o caso se d'esta d'uma do costu-

degradante

perversão. foi

O s casos não são extrecita com necessário extrahir-lhe que

POUILLET

pequena

garrafa

mava masturbar (i). Etiologia. nismo. — São variadas da parte que se as causas pode vezes As do ser no onauma sexo é

Este, A

como normal maior

dissemos, das

manifestação masculino. uma que os

sexualidade

porem ao

manifestação psychiatras assumptos

pathologica.

distineções estudo e

dedicam

d'estes

t é e m feito entre p e r v e r s õ e s

p e r v e r s i d a d e s , t e r i a m a q u i c a b i m e n t o s e t a e s distineções não fossem, segundo o meu m o d o de ver, demasiadamente pratica usual, é artificiaes. O onanismo, como sempre uma manifestação mor-

(i) Estas tendencias sodomistas são muito extraordinarias. Fazem suppôr uma distribuição anormal dos nervos sensitivos das regiões vulvar e anal.

ASEXUALIDADE

2 2 9

bida,

e

o

não

será

quando

essas

praticas

representem uma substituição da copula normal. E m e s m o a s s i m a i n d a é licito p e r g u n t a r a r a z ã o porque nem todos recorrem o a este Não o expediente será uma á onanismo em egualdade de circunstancias. anomalia genesica preferir-se

c o p u l a p o r m o t i v o s de o r d e m social ? O onanismo é universal. que só pela historia T o d o s os p o v o s , os e os que são

conhecemos

n o s s o s c o n t e m p o r â n e o s , p a g a r a m o seu t r i b u t o a esta a b e w a ç ã o g e n e s i c a . Entre todas as causas occupa o primeiro logar a falta da s a c i e d a d e g e n e s i c a . E ' a s s i m q u e n o seio d a s g r a n d e s a g g r e m i a ç õ e s de homens e m u l h e r e s elle se d e s e n v o l v e q u a s i No exercito, na armada, nos epidemicamente.

h a r é n s , nos c o n v e n t o s , e t c . , o o n a n i s m o t r a n s f o r ma-se pouco a pouco numa necessidade imperiosa.
E

p o r isso b e m a f f i r m a

CHRISTIAN

q u e se o o n a isso

nismo alastra pelas prisões

e penitenciarias

é d e v i d o m a i s á n e c e s s i d a d e da s a t i s f a ç ã o s e x u a l do q u e á d e p r a v a ç ã o d o s s e u s h a b i t a n t e s lei é tão geral que Os se observa mundo animal. macacos, os E esta no os egualmente veados,

camellos, os elephantes, etc., téem sido observados a entregar-se a praticas onanistas
MONTÉGRE, (BURDACH,

etc.).

Mas sendo a causa occasional mais importante do o n a n i s m o a i m p o s s i b i l i d a d e da r e a l i s a ç ã o do á vida sexual normal. O onanismo a c t o s e x u a l , d e s a p p a r e c e n d o e s t a v o l t a r i a o masturbador n ã o seria s e n ã o u m f a c t o p a s s a g e i r o , a c c i d e n t a l .

A VIDA S E X U A L

Nunca causa d'isso nunca

degenerariaapontada tem-se essa não

em o

habito. poderia nas

Pelo

menos em

a

explicar.

Alem que

observado

creanças

n e c e s s i d a d e existiu.

Nestes casos o

acto onanico acompanha-se d u m a viva satisfação physica que a creança procura reproduzir machinalmente, inconscientemente. tros incentivos examinar. H a c a s o s d e c r e a n ç a s d e dois, t r e s , cinco a n n o s se e n t r e g a r e m á m a s t u r b a ç ã o . mais mente. A d e a n t e referirei u m d ' e s s e s c a s o s a o l a d o d o qual d e v e m o s collocar os d'aquellas creanças que f r i c c i o n a n d o a s p a r t e s g e n i t a e s d e s c o b r i r a m sensações acto. a g r a d a v e i s e c o n v i d a t i v a s á r e p e t i ç ã o do E s t e s seres são e x e m p l o s d e v e r d a d e i r a s genesicas. mais frequente. Nos collegios, um argumento outras vezes em U m a s v e z e s é-lhe do aleitamento instinctivacontagiada pelas amas devassas, o que constitue favor materno, naturalmente, E ' q u e e x i s t e m ouda m a s t u r b a ç ã o q u e p a s s a m o s a

monstruosidades o do onanismo exemplo, casos mas é

M a i s t a r d e , n a e d a d e d o s d e z aos q u i n z e a n n o s , pelo a f a s t a m e n t o do o u t r o s e x o e p e l o c o n t a g i o desenvolve-se poderá as com um praticas a da extraordinariamente. como acto nem manuelisação numero considerar-se edade.

Nestes normal, sempre em

acabam para

Transforma-se de adultos

habito

grande

aos q u a e s n a d a seria m a i s fácil que a s a t i s f a ç ã o genesica pela copula normal. tidos s e x u a e s . E s t e vicio é m a i s v u l g a r no h o m e m do q u e na mulher, o que é facilmente explicável pela supeS ã o então perver-

j

A S E X U A!.ID A D E

r i o r i d a d e das s u a s t e n d e n c i a s s e x u a e s . rando s e x o , affigura-se q u e que o homem. grandes temperamentos s u s c e p t í v e i s de anemicos e a mulher

Compa-

p o r e m o g r a u da p e r v e r s i d a d e , s e g u n d o o viciosa s e r á , em

e g u a l d a d e de c i r c u n s t a n c i a s , m a i s p e r v e r t i d a , do E em c a d a s e x o ha d i f f e r e n ç a s A s s i m os sanguíneos se e n e r v o s o s , são mais alguém tenha d e individuo p a r a i n d i v i d u o .

e n t r e g a r ao vicio do q u e os embora

lymphaticos,

q u e r i d o d e f e n d e r o contrario. L y m p h a t i c o s ha q u e se e n t r e g a m a essas pratic a s , m a s g e r a l m e n t e o seu l y m p h a t i s m o é já u m a c o n s e q u ê n c i a do seu vicio. Parece mente que o clima t e m u m a certa influencia pela acção que elle tem s o b r e a g e n e r a l i s a ç ã o do o n a n i s m o o q u e é facilcomprehensivel s o b r e a vida s e x u a l . completamente preconisam. põem A mais falta de T ê m - s e e x a g g e r a d o a influenparte, como alguns auctores

cia d ' e s t a c a u s a q u e t a m b é m não d e v e ser p o s t a O s c l i m a s s e c c o s e quentes predispara o o n a n i s m o de limpeza dos do q u e os climas sexuaes quer

frios e húmidos. orgãos m a s c u l i n o s , q u e r e s p e c i a l m e n t e femininos, p o d e m d e t e r m i n a r u m p r u r i d o d e s a g r a d a v e l que pode ser o germen da voluptuosidade compromettedora. Do f r i c c i o n a m e n t o ao p r a z e r e á r e p e t i ç ã o do a c t o , isto é á m a s t u r b a ç ã o , v ã o distancias tão p e q u e n a s que depressa se galgam. O u t r o tanto se pode dizer d a s v e g e t a ç õ e s t a n t o da e n t r a d a da v a g i n a c o m o do m e a t o urinário e da v u l v a , da vaginite, b l e n o r r h a g i a , b e l a n i t e , etc. D a s vulvites é especialmente excitante a que se localisa ao clitóris e a q u e alguns a u c t o r e s d e r a m o n o m e de cestrale.

2 3 2

A VIDA S E X U A L

A

ingestão

de

medicamentos

congestionantes

do a p p a r e l h o genital s ã o e g u a l m e n t e c a u s a s provocadoras do onanismo. D o e n ç a s h a q u e são p o d e r o s o s excitantes p a r a a vida Certos sexual. E s t ã o nestes casos prolongados, a paralysia como a geral, a t u b e r c u l o s e , e t c . exercícios taes d a n ç a e a e q u i t a ç ã o s ã o c o n s i d e r a d a s c a u s a s do o n a n i s m o e ao seu l a d o d e v e m o s collocar a posição sentada e o a b u s o do leito, o uso da m a c h i n a de costura, da b i c y c l e t t e , etc. A de proposito
POUILLET,

da m a c h i n a de costura c u j o uso, Des-

c o m razão está tão e s p a l h a d o , vou citar um c a s o que acho muito interessante. c r e v e - o d a seguinte f o r m a : Um dia descobriu, que no visitava um atelier de c o s t u r e i r a s meio do ruido uniforme d'umas

trinta m a c h i n a s de costura, que u m a f u n c c i o n a v a c o m mais v e l o c i d a d e do que as o u t r a s . Notou que a pessoa que a m o v i a era uma m o r e n a de 18 a 20 annos e e n q u a n t o ella impellia a u t o m a t i c a m e n t e as c a l ç a s que c o n f e c c i o n a v a s o b r e a meza da sua m a c h i n a , a face c o n g e s t i o n a v a - s e , a b o c c a entreabria-se e as narinas d i l a t a v a m - s e ao m e s m o t e m p o que o s p é s a r r a s t a v a m o s p e d a e s num movimento sempre crescente. D'ahi a p o u c o os olhos c o n v u l s i o n a v a m - s e , as p a l p e b r a s baixav a m , empallidecia e cahia para traz p r o c u r a n d o a e x t e n s ã o dos m e m b r o s numa p a r a g e m repentina. Seguiu-se-lhe um mal r e p r e m i d o grito q u e se perdeu por entre o ruido que a c e r c a v a . Ficou enxugou desfallecida com o alguns as segundos. fontes que Depois o suor lenço

A S E X U AI-ID A D E

24I

h u m e d e c e r a e l a n ç a n d o em redor de si um olhar timido e v e r g o n h o s o r e c o m e ç o u o seu interrompido trabalho. Estes as suas factos são vulgarissimos as mulheres sentam maior nas se nos que ateliers e

especialmente cadeiras, Por res isso o

quando que

pedalam das

machinas

bordas

produz

friccionamento motodas

nos g r a n d e s lábios. alguns para hygienistas conseguir aconselham o portáteis movimento

machinas. A bicyclette traz, por na vezes, as mesmas e por cona

sequências,

sobretudo

mulher,

isso

reputamos c o m o inconveniente
O

para uso do sexo

feminino, especialmente com as sellas ordinarias. sr. dr.
SERRAS E SILVA

q u e se r e f e r i u a e s t e

assumpto num recente e bem elaborado artigo (i),

(i) Escreve o professor sr. Jr. S E H H A S E S I L V A (Movimento Medico, Coimbra, n.° 3 ) : Os movimentos das Coxas1s o attricto da vulva, do clitóris sobre o bico da sella tem dado logar a praticas viciosas que, não sendo bastante frequentes para condemnar a bicycletta, bastam contudo para condemnar o uso da sella que não satisfizer aos princípios estabelecidos pela hygiene. Desde muito que a masturbação feminina pela machina de costura é conhecida; a mulher mal sentada, friccionando durante horas successivas as coxas uma contra a outra, num movimento curto das pernas, que cria um estado de crispação muscular enervante, com a attenção limitada, sem attractivos num atelier, está assim a pobre operaria em óptimas condições de adquirir maus hábitos a que a hygiene deficiente do meio de resto a convida. A bicycletta não é um instrumento comparavel á machina de coser,

A

VIDA

SEXUAI.

exige p a r a u m a b o a sella as seguintes c o n d i ç õ e s : i.° ter um assento s u f i c i e n t e m e n t e largo para os ischions; 2. 0 não comprimir o p e r i n e o ; 3.° p e r mittir u m a boa p o s i ç ã o ; 4.0 dar um sentimento de segurança suficiente \ 5.° t e r o v e r t i c e da p a r t e anterior do bico oito centímetros para deante do eixo transversal dos pedaes. Affigura-se-nos sob do dr. por que as sellas alongadas são, este p o n t o de vista, bico curto
E

as mais anti-hygienicas O a p r o f e s s o r sr. boa posição

e p o r i s s o ás c o n d i ç õ e s a p o n t a d a s j u n t a r í a m o s a e arredondado.
SERRAS SILVA

c o n d e m n a as s e l l a s s e m b i c o ,

trazerem

inconvenientes para

do cyclista.

Assim parece, mas, para a mulher,

nem o seu exercício tem o desgosto da fixação num mesmo logar por muito tempo; os movimentos dos pedaes são mais amplos, o attricto das coxas muito menor, o estado psychico é bem diverso. Entretanto muitas mulheres procuram na bicycletta a satisfação d'um prazer genital; para algumas até este prazer offerece requintes que os amores naturaes não podem dar. D I C K I N S O N conheceu uma mulher nova que, tendo aliaz uma larga pratica dos prazeres sexuaes, encontrava na bicycletta as sensações mais intensas. Uma cyclista referiu a VERC H L R E que sobre a bicycletta effectuava ás vezes num passeio duas ou tres sessões de masturbação completa. MARTIN, procedendo a um inquérito, encontrou muitas mulheres que responderam affirmativamente: masturbavam-se sobre a bicycletta. Uma d'ellas excitou-se tanto nos exercícios de aprendizagem que se precipitou pasmada nos braços d u m homem que a guiava. São effectivamente os exercícios de aprendizagem os que mais risco fazem correr, porque além da novidade que sobreexcita, ha os inconvenientes das posições viciosas resultantes da pouca destreza. No inquérito de 0 ' F O I . L O V V E L L , mais de oitenta mulheres responderam negativamente:

A S E X U AI-ID A D E

24I

preferi-las-hia ás sellas ordinarias por considerar maiores desvantagens as que provêem da masturb a ç ã o do que as que resultam d'essa má posição. H a , porem, um meio termo recommendavel: a sella do bico curto e a r r e d o n d a d o . Ao sicas, sociaes Estão um excesso lado (i). nesse de boa caso a riqueza em que arrasta permittindo com frequenteprolongado leitos q u e n t e s , d'estas causas, as exclusivamente causas phy-

devemos

collocar

denominadas

repouso

alimentação,

nenhuma confessou experimentar sobre a bicycletta prazeres d'ordem intima. Entretanto os factos não são raros, sobretudo na classe das mulheres ociosas, de imaginação exaltada pelos romances, e cujo objectivo da vida parece exclusivamente consistir em procurar enraivecidamente o prazer. Por isso, nesta classe a bicycletta é um apparelho suspeito. D O N N A Y e s c r e v e : « embriagada pelo ar livre, pela velocidade, a mulher abandona-se pouco a pouco á excitação experimentada, á sensação de goso que é talvez a causa do prazer obtido sobre um baloiço, sobre a montanha russa, prazer que muitas vezes a conduz até á volúpia. E' necessário aconselhar com prudência o uso do cyclismo na época da puberdade. Pode haver inconveniente no sentido de despertar o instincto genesico. » A este libello accusatorio, é necessário fazer o desconto da influencia que tem a degeneração da sensibilidade nalgumas mulheres. Não é a bicycletta, é a mulher que tem a culpa Ha mulheres que experimentam sensações voluptuosas nas condições mais ordinarias da vida : uma tem um vivo prazer em passear de carrugem com rodas pneumaticas ; outra, aliaz muito honesta, experimenta orgasmo venereo ao atravessar em omnibus uma praça mal calçada.
(I) POUILLET, obr. cit.

236

A VIDA S E X U A L

mente cios. mais Ao

os E'

a d o l e s c e n t e s a e s s e s d e l e t e r i o s exercípor isso que o onanismo se e n c o n t r a nas cidades do que nas aldeias.

divulgado

lado

d ' e s t a c a u s a e e m v e r d a d e i r a antithese S ã o os garotos das e são as r a p a r i sujeitas

c o m ella, e s t á a p r o m i s c u i d a d e d o s s e x o s na v i d a intima d a s f a m í l i a s p o b r e s . e pelos contactos guitas que ficam ruas q u e s e d e s m o r a l i z a m p e l o e x e m p l o familiar dos amigos, nos leitos communs,

aos contactos dos proprios irmãos e á observação de s c e n a s l ú b r i c a s e i n c o n v e n i e n t e s da p a r t e d o s p r o g e n i t o r e s , e q u e c r i a m a s s i m u m a tal necessidade de prazer que em breve se transforma no o n a n i s m o q u e ora é o p r e l u d i o da vida do l u p a n a r , ora c o n s t i t u e a p r e d i l e c ç ã o g e n e s i c a a t o d a s preferida, f o r m a n d o uma verdadeira perversão sexual. A cultura das bellas-artes é especialmente para o a sexo feminino notar-se a este de concretisar um Não vicio. attractivo é raro, particular mesmo para os demais como, masturbação. entre

rapazes, inclinados vemos a

tendencias algumas

artísticas nos tendencias taes formas,

D'essas

observação de

i m a g e n s l a s c i v a s e de e s t a t u a s

impudicas artísticas que
A

e voluptuosas, embora sejam creações m é r i t o , a leitura de l i v r o s i n c o n v e p e l a s o c i e d a d e culta e u r o p ê a , etc. dos romances escreve
SCHWARTZ :

nientes q u e c o n s t i t u e m a m a i o r p a r t e d o s r o m a n c e s circulam proposito

« Q u a n t o s j o v e n s dos dois s e x o s , se não t o r n a r a m e s c r a v o s do o n a n i s m o pela leitura de r o m a n c e s ! » E acrescenta: rapariga « C o n h e c i em Lille ( F l a n d r e s ) u m a de t e m p e r a m e n t o b i l i o s o - s a n g u i n e o e de

imaginação exaltada em que os romances fizeram n a s c e r este tèrrivel mal c o m t a n t a i m p e t u o s i d a d e

A S E X U ALl U ADE

q u e e m p o u c o t e m p o foi a t t i n g i d a d e t r e m o r nos m e m b r o s s u p e r i o r e s e f r a q u e z a da vista ». Ao lado d'estas causas não d e v e m o s esquecer a a c ç ã o delecteria do t h e a t r o d e s m o r a l i z a d o r . Ao sahirem do espectáculo, no quarto para onde o forçado i s o l a m e n t o os arrastou, uns e outros p e n s a m no e n r e d o do d r a m a e j u l g a n d o - s e o h e r o e ou heroina da peça vão reconstruindo as scenas m a i s a m o r o s a s , a b a n d o n a n d o - s e p o r fim á p r a t i c a da manualização, único epilogo que encontram para saciar a imaginação que a scena exaltara e corrompera. E não d e v e m o s esquecer t a m b é m as conversações e os g e s t o s o b s c e n o s , que d e s p e r t a m u m a natural, pelas e a vista do da c o p u l a e n t r e campo. A este a curiosidade auxiliados proposito sendo

a n i m a e s d o m é s t i c o s q u e p o r v e z e s c h e g a m a ser raparigas l e m b r a - m e a historia d ' u m a a l d e ã , q u e honesta, confessou

incontestavelmente

u m a sua a m i g a , e m h o r a d e c o n f i d e n c i a s i n t i m a s , que se sentira t ã o e x c i t a d a a s s i s t i n d o á r e a l i z a ç ã o da c o p u l a e n t r e dois a n i m a e s , q u e d e v i a a c o n s e r v a ç ã o da sua h o n r a a n ã o ter a p p a r e c i d o n e s s e momento um homem que a provocasse. O não d'um parte c o n t a g i o d a s c a s a s de e d u c a ç ã o e r e c l u s ã o é e porem menos sexo pernicioso. é que se Nos vão, collegios na maior d'outro

dos casos, colher os primeiros ensinamenEm P o r t u g a l a educaque mesmo de

tos n a c a r r e i r a d o vicio. feita. longe Não se possuímos

ção collegial dos rapazes e das raparigas é mal collegios possam semelhar aos q u e e x i s t e m e m

I n g l a t e r r a , p o r e x e m p l o , e o n d e se a t t e n d e t a n t o á e d u c a ç ã o p h y s i c a c o m o á e d u c a ç ã o scientifica e

2 3 8

A VIDA S E X U A L

ao

desenvolvimento

moral

do

educando.

Em

Portugal os internatos são péssimos. z e s hesita-se meio nista se d'um á custa fanatismo religioso

P a r a rapae

entre a s e s c o l a s jesuitas o n d e , p o r deprimente

i n c o n v e n i e n t í s s i m o , se c o n s e g u e a r e p r e s s ã o onade c o n f i s s õ e s , m e d i t a ç õ e s e rezas q u o t i d i a n a s , e as e s c o l a s leigas o n d e n e m s e q u e r pensa no mal que os primeiros atalham por humilhante, bem e onde do se permittem da denunciadoras de raparigas contagio forma tão

amizades Nos

masturbação. collegios E' estamos n o s mesm o s casos. c e r t o p o r e m q u e o o n a n i s m o ahi Concom

se n ã o d e s e n v o l v e c o m t a n t a i n t e n s i d a d e d e v i d o á natureza menos sensual do sexo feminino. tudo bom as será que as dirigentes vigiem cuidado camente des raparigas menos

e x p a n s i v a s , organi-

enfraquecidas, que por

inactivas e indolentes, e vezes são levadas até ao

p r o c u r e m evitar por todos os meios essas amizaintimas escandalo mais exaggerado. A e d u c a ç ã o dos p e r c e p t o r e s e p e r c e p t o r a s n ã o é t a m b é m isenta de p e r i g o s .
SCHWARTZ

C i t a r e i um c a s o de Um de idêntico que o

(I)

bem com a

característico.

conheço

eu

differença porem

p r o t o g o n i s t a era do s e x o f e m i n i n o e o delirio perv e r t i d o n ã o foi l e v a d o a taes e x t r e m o s .
O

de

SCHWARTZ

é

conhecido em Strasbourg. A mais velhita das duas

U m p e r c e p t o r d a v a lições a d u a s p e q u e n i t a s q u e lhe foram confiadas. c o m e ç o u por mostrar u m a certa repugnancia em assistir á lição. (i) Obr. cit. Convidada a confessar a razão

A S E X UAI-IDADE

24I

da

sua

má vontade c o m de varias A

o perceptor confessou, tudo a a que elle a creança a assistir

depois mais

hesitações,

obrigava.

mãe convidou

u m a única vez á lição.

Espiou o devasso e Era homem mães os são

surprehendeu-o em flagrante delicto. já de bastante edade. As por amas vezes e as algumas que desnaturadas despertar fazem

desejos

sexuaes E

anormaes nas creanças que estão confianão desejamos fazer asseverações que inverosímeis sem as fundamentar um caso de em bem a de como sexo a prova

das á sua vigilancia. como pareçam factos Uma quinze pouco

transcreverei creança mezes, leite. do era Como

c o n h e c i d o d a l i t t e r a t u r a m e d i c a (1). masculino, por creança doze ama aleitada uma

chorasse

muito

pensou em calar os choros da creança praticando a sucção Que São A das partes genitaes do infeliz r a p a z i t o . Ao lado d'ella téem devem ser consideramensageira extraordinaria ama ! raríssimas porem, porem é a e

a l g u m a s m ã e s o seu logar. d a s , a c i m a d e t u d o , c o m o p e r v e r t i d a s m o r a e s (2). ama, mais vulgar d'estas ignominias. Outros a acompanham que deviam

E' esse, p o r ser mais raro, o seu m e n o r inconveniente. f a z e r c o m q u e s e e l i m i n a s s e tal i n s t i t u i ç ã o a n ã o ser em casos extremos. intellectual dos povos Ainda bem que da parte mais avançados começa a

( 1 ) Caso de P O U I I . I . E T , pae. Vid. P O U I L L E T , obr. pag. 70. (2) Vid. adeante o capitulo com este titulo.

cif.,

240

A VIDA S E X U A L

surgir propaganda nesse sentido.

N ã o é só nos

livros de sciencia para profissionaes e nos r o m a n ces de v u l g a r i z a ç ã o , é no jornal e no t h e a t r o , em toda a parte. Ainda de da este ha pouco me a
(I)

impressionou duma

agradabiliscomedia

simamente
BRIEUX

leitura em

primorosa

que muito

desejaria ver traduzida

e representada ama.

Portugal onde tanto sé abusa

N ã o é a q u i p r o p r i o o l o g a r p a r a me r e f e r i r a assumpto com o desenvolvimento que das seria para desejar. niente que quasi nunca vão desde Apontei apenas mais um inconveo abandono dos proprios filhos,

a m a s aos muitos que se c o n h e c e m e

sempre c o n d e m n a d o s a uma morte irremeá transmissão de doenças g r a v e s que vindo se comprometter a saúde dos suas m ã e s o u s a s s e m ter corateriam

diável, até

recemnascidos

g e m de fazer o sacrifício do aleitamento em favor das creanças a que d e r a m origem. Reatando ção, Nas odio o estudo das causas bastante da masturbaespe-

assignalaremos

uma

vulgar,

cialmente nos centros d e s m o r a l i s a d o s e populosos. mulheres casadas um que por vezes são causas que detesta com desejo contrariado, o a votar aos seus chegam

maridos, homem

determinantes do onanismo. a mulher uma submette-se sem

O b r i g a d a a soffrer os t r a n s p o r t e s a m o r o s o s d um protestos, mas repugnancia intima,

(1) Les Remplaçantes, cotnédie cn Irois acles. Representée pour la primière fois au Tlieatre Antoine, Ie 15 février igoi.

A S E X U AI-ID A D E

24I

pensando lado idéas, e Então,

naquella a

que

desejaria sob

sentir

ao

seu

que fundamentalmente ama em segredo. pouco pouco, a influencia d'estas substitue mentalmente o amante imagináesposo, c o m m e t t e n d o assim moral. Em seguida a sonho substituindo infidelidade o mesmo

rio, p e l o v e r d a d e i r o uma verdadeira refaz, E a sós,

copula normal pelas praticas libertinas. já que nos referimos casadas (e que é pois estes, o ao o n a n i s m o nas raríssimo nos quando lhes é que detestam fácil), levam muas lheres suas a remos homens

matrimoniados, saciedade

esposas, procuram geralmente fóra do casal genesica, outros que citaas alguns incentivos

mulheres casadas á pratica d'este vicio. vulgares. E' Os sobretudo haréns, frequente como

A impo-

tência ou a indifferença do m a r i d o é um dos m a i s entre os p o v o s polygaestão cheios de

micos. dissemos, phallos mais ou m e n o s e x t r a v a g a n t e s e na litte-

ratura chineza e no theatro chinez tem-se pretend i d o j u s t i f i c a r o s e u u s o (1). N a s sociedades m o n ó g a m a s esta causa é egualmente X., conhecida. artista a veio lyrica, voz. a lastimava-se Interrogada que por ver desapsobre casara os com seus um se-

parecer costumes

sua

declarar tentava

hemiplegico, impotente, que quecimento xuaes physico

apesar do seu enfraapproximações a p e n a s irritar o s

incompletas, conseguindo Referencias de Vid.

(1)

WATREMEY.

POUILLET.

24'2

A VIDA

SEXUAL

desejos panheira.

sexuaes

da

sua

joven

e

vigorosa

com-

M u i t a s v e z e s m e s m o , d e p o i s d e inúteis o fim ella de lhe s a t i s f a z e r os d e s e j o s mostrava serem muito vio-

e s f o r ç o s de a p p r o x i m a ç ã o , e n t r e g a v a - s e a c a r i c i a s linguaes com genesicos lentos. E s t a s p r a t i c a s l e v a r a m a infeliz artista a u m a e x a l t a ç ã o erótica tal que d e n t r o e m p o u c o s e m a s turbava repetidas vezes. appareceram referimos. A desharmonia pode ser entre causa os de orgãos copuladores quer da as C o m este f a c t o , t a l v e z vocaes a que nos m a i s p o r c o i n c i d ê n c i a d o que c o m o c o n s e q u ê n c i a , modificações que

também

masturbação cercam a vida

m u t u a q u e r isolada dos dois c ô n j u g e s s e n d o , p e l a s circunstancias especiaes que m u l h e r , m a i s v u l g a r n e s t a d o que n o h o m e m . C o m e f f e i t o , se o penis é d e s p r o p o r c i o n a l m e n t e menor que muito forma a v a g i n a •, se o clitóris está collocado é excessivaalto no de erem e n t e p e q u e n o o u , por u m vicio d e c o n f o r m a ç ã o frequente, que, muito a p e s a r d a t u r g e s c ê n c i a que

thismo o arrasta para o o espasmo cimento As da voluptuoso; a

penis, n ã o p o d e e x p e r i copula como normal dá um genecoito

m e n t a r attritos b a s t a n t e d e m o r a d o s p a r a a l c a n ç a r prazer incompleto e imperfeito. masturbação ignóbeis excitantes sica q u e a c o p u l a n ã o p o d e d a r . praticas da sodomia e do boccal que alguns maridos e amantes depravados praticam, são levam nualização. g e n e s i c o s que d e p r e s s a uso i m m o d e r a d o da maas pacientes ao D'ahi o apparesatisfação

A S t X U Al.IUADE

2 ^ 3

E' t a m b é m causa da m a s t u r b a ç ã o na m u l h e r a demora da terminação do acto venereo que, por v e z e s , nella se o b s e r v a . Na v e r d a d e se o h o m e m a l c a n ç a muito c e d o a s a t i s f a ç ã o g e n e s i c a , d a n d o á mulher a p e n a s um c o m e ç o i m p e r f e i t o de p r a z e r , esta c o m e ç a r á por d e s g o s t a r - s e d a p r a t i c a dum acto q u e lhe é p o u c o a g r a d a v e l e, c o m o conseq u ê n c i a , irá p r o c u r a r no o n a n i s m o o q u e as relaç õ e s s e x u a e s n o r m a e s lhe não p o d e m d a r . Ha p o r e m e s p o s o s e a m a n t e s que t é e m o d e s e j o de ver partilhada pela sua c o m p a n h e i r a a sensaç ã o v o l u p t u o s a que e x p e r i m e n t a m . é fria e intelligente simulando preferido impressões que Se a mulher do seu sente. não satisfaz a a m b i ç ã o

E' este, p o r e m , o c a s o m e n o s v u l g a r em mulheres h o n e s t a s . e imaginação por cam E Outras, de temperamento quente viva, excitadas pela ou c o p u l a , indigestos exacariciadoras

palavras amantes

pressivos muitos

o meio de c h e g a r e m ao fim d e s e j a d o . e m a r i d o s ha q u e d e s c e m a

essa b a i x e z a , s e m s a b e r e m b e m o perigo em q u e c o r r e m , d e s m o r a l i z a n d o aquella que mais d e v e r i a d e s c o n h e c e r e s s a s misérias s e x u a e s q u e a s p o d e m l e v a r ao d e p a u p e r a m e n t o o r g â n i c o e q u e lhes a b r e o c a m i n h o do vicio e do adultério. E quantos libertinos se proposito não
(I)

não e n t r e g a m a e s s a de transcrever

pratica c o m o a r m a de conquista ? A este Refere-se deixarei u m c a s o de 'Pas-de-Calais.
POUILLET

que é e x t r a v a g a n t í s s i m o . se dá u m a união matri-

a um c o s t u m e p o p u l a r d a s aldeias do Quando

monial entre o s c a m p o n e z e s d ' u m a classe p o u c o (1) Obr. cit.

2

4 4

A VIDA S t K U A L

e l e v a d a , os c o n v i d a d o s , r a p a z e s e r a p a r i g a s , dois a dois, d e p o i s da r e f e i ç ã o n u p c i a l e a n t e s do baile, r e t i r a m - s e p a r a u m q u a r t o aos c i n c o o u seis g r u p o s , e d e p o i s de ditos p i c a n t e s e e q u í v o c o s , p r o c u r a m a s t u c i o s a m e n t e ficar n a o b s c u r i d a d e . lhos e m a s t u r b a m - n a s e m s e g u i d a . símil Mas o costume, se ha mas como para ahi fica c o n s i g n a d o . mulheres quem as relações matrimoniaes não bastam, outras ha para q u e m o c a s a m e n t o é o único c a l m a n t e de t o d o s os desejos s e n s u a e s . ceram, sociaes e E' então que a viuvez, em edade os a filhos e as conveniências forçado, pode em que os pensamentos eroticos se não desvanequando obrigam um celibato Os r a p a z e s e n t ã o t o m a m a s r a p a r i g a s s o b r e o s joeE ' b e m inveroO POUILLET

affirma,

levá-la ao onanismo.

P o r u m l a d o a f e b r e impe-

riosa do p r a z e r e p e l o o u t r o o receio da g r a v i d e z e do d e s l u s t r e do seu n o m e e n t r e c h o c a m - s e n u m a lucta em q u e sai v i c t o r i o s o o c h a m a d o p e c c a d o O m e s m o succede com a ausência dos do homem geralmente não ha esse solitário. Da

esposos e dos amantes. parte perigo. sem Só duos A s o c i e d a d e t ã o rigorista c o m a m u l h e r , O homem pode, e e m indivíé que para procurar mulher que o satisfaça. extraordinários como

é indulgente com o sexo forte. deslustre, de em casos muito a

constituição mórbida accentuada masturbação remedio

apparecerá esse mal.

O m e s m o d i r e m o s dos h o m e n s d o e n Na b a i x a c l a s s e m e r c e n a r i a do Raras da

tes e r e p e l l e n t e s .

amor ha mercadorias para todos os preços. bação como ultimo recurso. Já a

v e z e s terão de recorrer ao expediente da masturZN^ana

ASEXUALIDADE

245

magnifica

creação

de

ZOLA.

essa

extraordinaria

e i n c o m p r e h e n s i v e l m u l h e r , se d e i x o u p e r d e r p o r um h o m e m que a maltratava, de preferencia ás Tencaricias dos opulentos que a r e q u e s t a v a m . homem para a

dencias masochistas que caiam e m proveito d u m que b e m p o d i a sentir-se e m d i f i c u l d a d e s mulher quasi de que o s a c i a s s e . repugnantes, desejos p a r t e da o a pelo numa E como incomque Cedem-se alcançar

e s s e t y p o m u i t a s o u t r a s m u l h e r e s ha. indivíduos prehensivel procuram. graciosa já sede não

cúmplice O

M a s da

m u l h e r feia e deshomem

succede mas

mesmo.

geralmente alcança cúmplice na c o n s e c u ç ã o do seu ambicionado de olhares. prazer, Alem mulher repellente e d e f o r m a d a é u m a v i u v a de c a r i c i a s , de a f f e c t o s e d ' i s s o n ã o s e p o d e rojar a o s pés d o s h o m e n s q u e p a s s a m , p o r q u e l h ' o i m p e d e o s e u b o m s e n s o e as c o n d i ç õ e s p a r t i c u l a r e s do meio e da sociedade em que vive. Raras vezes a l g u m p e r v e r s o libertino o u a l g u m a l c o o l i s a d o d e m a u s sentimentos pretenderá alcançá-la e apesar de ser s ó s i n h a , e as demais, viver sem tem procura, é a mulher como sentimentos satisfazer,

necessidades vê bem,

sexuaes a realizar. sensata, que

T o d o s a repelsó á incommoda satisfação

l e m , quasi q u e a o d e i a m . quando é desejaria os que p a s s a m . sempre por não

N ã o se mostra porque

E então só, no quarto em que viver, entrega-se

d o s c o n t a c t o s a m b i c i o n a d o s , t o r n a n d o - s e libertina p o d e r ser feliz n o r e m a n s o d o lar q u e idealisou.

A p r e s e n t a m o s já um grande numero de causas da masturbação a que poderiamos acrescentar

246 outras etc.

A VIDA S E X U A L

de insignificante valor, taes c o m o o clima, religião (1), certas d o e n ç a s locaes, referirmo-nos á mais imporvulgar capitulo que Falta porem do

o vestuário, a

t a n t e s d a s c a u s a s : á i n f l u e n c i a de c e r t o s e s t a d o s pathologicos Mais especial, mal de ás que cerebro. nos O onanismo é em nos idiotas, nos cretinos e nos epilepticos. adeante a os este referiremos, Ha assumpto. se delirantes

durante a época em que mais são attingidos pelo apoquenta annos, do masturbam intelligente, que furiosasujeito a no que mente.
CHRISTIAN

(2) cita pouco

o caso d u m individuo

dezaseis praticas

accessos delirantes durante os quaes se entregava onanismo o caso abandonava rapariga regresso á sua vida normal.
RITTI

presenciou se

d'uma

apesar de ter os braços presos de forças masturbava q u e lhe ficavam l i v r e s ! vezes a o onanismo o se revelia. da sua doença

por u m a camisa

no banho com os pés

Na paralysia geral é por O paralytico geral é na

primeiro s y m p t o m a por que doença um hyperexcitado

primeira phase sexual.

Ao lado d'estes occasião nir-se os no de

estados morbidos que teremos

apreciar mais demoradamente, c o m o da pathologia mental arrastam que cáem ao vicio do ona-

j á a n n u n c i a m o s , o u t r o s h a q u e n ã o p o d e n d o deficampo individuos sobre

(1) Obr. cit. (2) A confissão e os interrogatorios inconvenientes sobre o sexto mandamento arrastam muitos penitentes a praticas do terrível vicio. ( V . padre trappista D E B R E Y N E na sua Machiolngia ).

ASEXUALIDADE

2 4 7

nismo d'esta

duma pratica

forma um

irresistível, verdadeiro

fazendo

assim Os

estado

morbido. effeito

E s t ã o neste caso as disposições hereditárias. filhos de mais do paes libertinos ás succumbem com facilmente tentações o

da voluptuosidade

do que os outros. meio infanda, que os cientemente. E se é quasi os que

O u t r a s vezes são as condições mau exemplo desde a ao vicio, quasi inconsarrasta lei o

familiar, com

geral meio

que

uma mãe lasciva para o vicio

abona

sempre

vicios

da p r ó p r i a filha, n ã o é arrasta

menos exacto para

m u i t o s i n d i v í d u o s q u e se lhe t e r i a m s u b t r a h i d o , se elles n ã o f o s s e m i m p e l l i d o s v i g o r o s a m e n t e . a u c t o r e s c h e g a m a a f f i r m a r q u e a s próAlguns

prias a m a s d e v a s s a s , m e s m o q u e n ã o c o r r o m p a m as c r e a n ç a s , influem s o b r e a s u a c o n d u c t a f u t u r a .
ET um exaggero decerto, m a s S C H W A R T Z e P O U I L L E T

O

asseveram Em resumo:

fundamentando-se o onanismo pode

em ser

factos

de

observação. auxiliado por muitas causas, mas de todas a mais deter-

m i n a n t e é i n e g a v e l m e n t e a q u e , a l t e r a n d o a orientação moral e modificando a normalidade genesica, a r r a s t a as v i c t i m a s p a r a o c a m i n h o da s a t i s f a ç ã o sexual solitaria. Ha para indivíduos que se sentem tão attrahidos o onanismo c o m o os h o m o s e x u a e s para as são os verdadeiros separar Uns e os doentes, aquelles Não em logar

pessoas do mesmo sexo. Esses podemos varias p a r a q u e mais a t t e n t a m e n t e d e v e m o s o l h a r . porem masturbadores téem aqui classes. outros

p a r a ser e s t u d a d o s .

2 4 8

A VIDA S E X U A L

Anatomia vestígios No homem

pathologica. clínicos alem nunca bem

A

masturbação na de

deixa do do que e a

observáveis do

mulher. (?) ha e

dos vestígios exaggerado

momento, nada

desenvolvimento prepúcio, segundo

penis

característicos,
NOEL GUÉNEAU,

denuncie as praticas masturbadoras.
TARDIEU, O MARTINEAU

Na mulher, de M u s s y ,

s i g n a l a n a t o m i c o p r i n c i p a l é o alonEste alongamento chega chegou a sem duplica o seu c o m p r i m e n t o normal. alcançar a que houvesse d u a s ou tres

g a m e n t o do clitóris. ser tal que Numa doente de d'um tenra

MARTINEAU

grandeza a de de Os mais

dedo minimo, edade, se

o u t r o vicio de c o n f o r m a ç ã o . v e z e s p o r dia a e s t a p r a t i c a . de c i n c o c e n t í m e t r o s e m e i o . côr violacea, Da estava edade a pequenos se lábios

Confessou que, desde N u m a outra doente A glande clitoridea pelo annos prepúcio. e que esta hypertrophiados

entregava

dezoito a n n o s o clitóris m e d i a o c o m p r i m e n t o coberta de oito

estavam

alongados. infeliz nas vinte

entregava

seis e o i t o m a n u a l i z a ç õ e s Depois dos quatorze

e quatro horas.

a n n o s foi amante.
MOREAU

desflorada e em seguida saffizada pelo

(I)

cita o c a s o d ' u m a r a p a r i g a d e v i n t e d u m penis. Desde a edade

a n n o s q u e s e m a s t u r b a v a e q u e c h e g o u a ter u m clitóris da grossura de tres annos q u e se entregava ao onanismo. Deveremos porem vimento exaggerado fazer notar que o desenvoldo clitóris pode ser phy-

(i) Le Aberraponi Jel senso Roma, 1897.

genesico ( i.» trad. it. ).

A S E X U AI.ID ADE

2 4 9

siologico. por

E'

o

que Ha

succede porem

nos

casos
A O

citados mesmo é e

BOUSQUET.

algumas differenças,

s e g u n d o as o b s e r v a ç õ e s de moso, coberta se a glande clitoridea

MARTINEAU.

t e m p o q u e o clitóris é m a i s a l o n g a d o , m a i s voludas m a s t u r b a d o r a s é molle, alongado mais alongada, mais turgescente. pelo prepúcio que destaca facilmente da glande. N ã o está toda N o s casos de

h y p e r t r o p h i a c o n g é n i t a do clitóris é m a i s consistente, mais espesso e não alongado. Q u a n d o a m a s t u r b a ç ã o é a n t i g a , os p e q u e n o s lábios apresentam de também a flácidos e signaes particulares. os g r a n d e s A sua Alongam-se forma forma ultrapassar

lábios, tornam-se triangular

pendentes.

exaggera-se especialmente para A' medida que se tornam São uma

a extremidade superior.

p e n d e n t e s v ã o p e r d e n d o a c ô r rósea p r i m i t i v a , e alcançam uma côr acinzentada de ardozia. manchados pigmentação externa. brancos de pontos escuros devidos que se a mais accentuada

observa

e s p e c i a l m e n t e no b o r d o livre e s o b r e t u d o na f a c e Nota-se t a m b é m a presença de pontos ou amarellos, semelhantes a ovos de S ã o glan-

i n s e c t o s , na p h r a s e de Noiii. GUÉNEAU. dulas hypertrophiadas.

A a v e r i g u a ç ã o d ' e s t e s folliculos é d a s m a i s importantes. A sua existencia indica u m a i n f l a m a ç ã o v u l v a r q u e data d a i n f a n d a o u u m a a f f e c ç ã o p r u riginosa q u e d e u o r i g e m a o h a b i t o v i c i o s o , d e s d e creança, e Esta o que se t o r n o u i n v e t e r a d o na m u l h e r . d e f o r m a ç ã o , q u e r e s i d i n d o s o b r e o s dois das tracções que a viciosa exerce

l á b i o s , s e n o t a s o b r e t u d o n o lábio e s q u e r d o s ã o resultado sobre os p e q u e n o s lábios.

25o

A VIDA S E X U A I .

Do

lado

dos

grandes O

lábios meato

ha também urinário

alteapre-

rações,

embora

menos importantes.

Tornam-se

flácidos e pode

delgados.

s e n t a - s e c o b e r t o ,e a l a r g a d o . dilatar-se

O esphyncter vesical

e causar a incontinência urinaria

que t a m b é m p o d e ser o b s e r v a d a nos m a s t u r b a d o res m a s c u l i n o s . Da mais parte dignas do de hymen ser é que as alterações são um relanotar notadas. Soffre

xamento considerável. no primeiro volume não só praticar-se

Os constrictores vulvares fizemos toque d'este trabalho (i), podendo

p e r d e m a sua tonicidade, c o m o )á facilmente o

vaginal,

m a s ainda o coito sem q u e se p r o d u z a a ruptura da membrana hymeneal. Em outros casos, tinente seguida o de sobretudo quando a rapariga impere leucorrhêa vulvar interna é escrophulosa, desenvolve-se uma vulvite persistente, h y m e n inflama-se

adquirindo u m a E ' ne-

espessura bastante considerável e tornando-se, por vezes, um obstáculo invencível ao coito. lateralmente penis. a fim c e s s á r i o e n t ã o o a u x i l i o do c i r u r g i ã o p a r a o i n c i d i r de f a c i l i t a r a i n t r o d u c ç ã o do

(i) Vid. vol. i, pg. 43. Ahi dizemos : « Muitas mulheres virgens, que se dedicam á pratica da masturbação, provocam um tal relaxamento do hymen e uma perda tão grande da tonicidade dos constrictores que podem ser desfloradas sem dôr nem sangue. Como se o hvmen, essa mysteriosa membrana, fosse posta á entrada dos orgãos sexuaes da mulher não só para lhe guardar a virgindade, mas também para a punir quando, menos avisada, caísse nesse deleterio vicio a que me referirei largamente no segundo volume d'este trabalho ».

A SEXUALIDADE

25

I

As lesões

praticas locaes,

masturbadoras taes como

podem dar logar a varias e

inflamações

cicatrizes das ulcerações praticadas com a unha ou c o m os objectos de que se serviram. Q u a n d o a m a s t u r b a ç ã o se pratica pelo escorreg a m e n t o das coxas, u m a sobre a outra, o que só se observa entre mulheres variam como adultas, os caracteres facilmente se compreanatomicos hende. menos cobre
TINEAU

Desenvolve-se mais a glande clitoridea e o prepúcio se que deixa da A sentido aos de ser a l o n g a d o e glande glande que toma nunca maior ( MARem ha, de mudestaca no

dificilmente

completamente. ) e

desenvolvimento Esta que descripção o que

transversal casos raro. d'esta cita o

colora-se d'um roxo escuro carregado. refere-se aliás é typicos Casos especie duma

a m u l h e r n u n c a se e n t r e g o u á m a s t u r b a ç ã o muito
(I)

manual, porem,

bem

característicos
MARTINEAU

masturbação.

lher que s e m p r e se dedicou a essa f o r m a de onanismo não tolerando n e n h u m a outra relação sexual ou asexual. A própria masturbação digital lhe era penosa. algum. turbação mosos e são C a n ç a v a - a e n ã o lhe p r o d u z i a p r a z e r menos desenvolvidos, alongados o que m e n o s volufacilmente se

Os p e q u e n o s lábios nestes casos de masmenos

c o m p r e h e n d e em virtude de não haver m e c a n i s m o a l g u m particular que justifique o seu m a i o r desenvolvimento. Quando a masturbação manual precedeu de

muito tempo a m a s t u r b a ç ã o pelo escorregamento

(1) Obr. cit., pag. 84. Cita um outro caso a pag. 85.

i5i

A VIDA S E X U A I -

das c o x a s , encontram-se as lesões a n a t ó m i c a s que caracterisam as Diagnostico. d u a s f o r m a s de o n a n i s m o . — Apesar de não haver signal

a l g u m s e g u r o , p a t n o g n o m o n i c o d'este vicio, existe c o n t u d o um n u m e r o tal de c a r a c t e r e s q u e , tomados i s o l a d a m e n t e nada indicariam, mas que no seu c o n j u n c t o farão suspeitar a um o b s e r v a d o r attento a p r e s e n ç a d u m d'esses viciosos. Pode mesmo c h e g a r a reconhecer-se c o m precisão a existencia do habito m a n u a l , a p e s a r das n e g a t i v a s dos interessados.
MARTINEAU

classifica os signaes em tres c a t e g o são c o m m u n s aos dois sexos, os

rias : os p h y s i c o s g e r a e s , os m o r a e s e os l o c a e s . O s primeiros da mulher. Entre os signaes physicos geraes está a côr pallida, p l ú m b e a ; o olhar triste e fixo, dirigido para o s o l o ; as pupillas dilatadas ; as p a l p e b r a s engorgitadas, por um com uma do pesadas, e c e r c a d a s inferiormente semi-circulo a z u l - a c i n z e n t a d o ; os lábios últimos dilTerem s e g u n d o se trata do h o m e m ou

d e s c o r a d o s ; o a s p e c t o languido do rosto por v e z e s ligeira intumescência da face ; o emag r e c i m e n t o rápido a contrastar c o m a v o r a c i d a d e appetite e s e m doença a l g u m a q u e o justifimovimentos; a fraqueza muscular que ; a m a r c h a vacillante, por v e z e s c o m incoord u a ç ã o dos s o b r e t u d o a c c e n t u a d a na região l o m b a r ; o t r e m o r d o s m e m b r o s ; o suor n o c t u r n o ; a urina t u r v a e sedimentosa; o desenvolvimento i n c o m p l e t o em do pulso e desproporção com a e d a d e ; uma susceptibilidade nervosa e x t r e m a ; as intermittencias p u l s a ç õ e s c a r d í a c a s ; a c e p h a l ê a , a g a s t r a l g i a , as

ASEXUALlbADE

253

lipothymias e syncopes f á c e i s o p e s a d e l l o s , e t c . (r).

somno cortado

de constantes sonhos voluptuosos ou de terríveis Os signaes intellectuaes e moraes consistem na tristeza i n e x p l i c á v e l q u e c o n s t a n t e m e n t e afflige o s masturbados; no caracter medroso e desegual; na t i m i d e z e x a g g e r a d a em p r e s e n ç a dos p a e s ; na g r a n d e i n a p e t e n c i a p a r a o t r a b a l h o ; no e n f r a q u e c i m e n t o d a m e m o r i a ; n a o b t u s ã o d a intelligencia c o m i n d i f f e r e n ç a p a r a as i n v e s t i g a ç õ e s m e n t a e s ; na p r o c u r a d e m a s i a d a da s o l i d ã o ; no h a b i t o da m e n t i r a ; etc. Ha alguns ao exaggeros nesta enumeração, mas é c e r t o q u e a o b s e r v a ç ã o d ' u m i n d i v i d u o q u e se entrega onanismo faz denunciar muitos d e s A um dos meus mais dois signaes diagnósticos physicos, de com da .faculdade de medicina fazer tes p e q u e n o s s y m p t o m a s . distinctos lembra-me m u i t o êxito. sempre professores ter visto só

masturbadoras

pelos

L i g o u especial importancia ao facto a vista, e eu mesmo t e n h o já

d'estas doentes nunca ousarem fitá-lo, p r o c u r a n d o desviar observado a importancia d'este s y m p t o m a . E n t r e r a p a z e s o d i a g n o s t i c o é t a l v e z m a i s difficil, m a s h a a l g u m a coisa n o c o n j u n c t o d o o n a n i s t a que ciso para geralmente porem se não engana o clinico. o E ' predoente conhecer demoradamente

p o d e r f a z e r c o m c e r t a s e g u r a n ç a o dia-

gnostico. A e s t e s s i g n a e s t e m o s ainda de j u n t a r os q u e e n u n c i a m o s a t r a z a p r o p o s i t o da a n a t o m i a p a t h o -

(1)

Vid.

POUILLET.

A

VlDA S K X U A L

lógica da m a s t u r b a ç ã o e que m a i s p a r t i c u l a r m e n t e se r e f e r e m á m u l h e r do q u e ao h o m e m . Como referirem dissemos, e apesar de alguns auctores o c o n t r a r i o , s ã o de p o u c o ou n e n h u m

v a l o r a s a l t e r a ç õ e s a n a t ó m i c a s d o p e n i s d o onan i s t a , a n ã o ser q u e se e n c o n t r e e r o s õ e s da p e l l e , c o m o j á tive o c c a s i ã o d e o b s e r v a r n u m i n d i v i d u o que se entregava seis e sete vezes por dia a essa pratica e que eram a c o m p a n h a d a s de u m a e d e m a c i a ç ã o n o t á v e l , d a n d o ao p e n i s a f ó r m a de uma dente liquido massaroca sanioso. de linho, com o prepúcio de notar pena e c o m a g l a n d e i n f l a m a d a c o b e r t a de um E', porem, que de o n a n i s t a s se e n c o n t r a e n t r e

maior q u a n t i d a d e

os i n d i v í d u o s de g l a n d e c o b e r t a e q u e t é e m a l g u m valor symptomatico a vermelhidão exaggerada da g l a n d e e a p r o j e c ç ã o do p r e p ú c i o c o m os r e b o r dos inflamados. si n a d a i n d i c a m . Já o u t r o t a n t o n ã o s u c c e d e na m u l h e r o n d e a anatomia pathologica dos orgãos sexuaes ministra muitas e precisas indicações para corroborar o d i a g n o s t i c o p r e s u m i d o o u p a r a nos l a n ç a r n o v e r dadeiro caminho de investigações. Não estamos a tómicos, mente isto é, só apenas repetir s o b r e u m a o u t r a f o r m a acrescentaremos que
BARADUC

S ã o porem signaes que só por

o q u e d i s s e m o s s o b r e o v a l o r d ' e s s e s s i g n a e s anad e s c o b r i u u m signal q u e c o n s i d e r a certo. nos indivíduos Infeliz-

se pode applicar em casos raríssimos, que se m a s t u r b a m e q u e

foram feridos ou queimados nos orgãos sexuaes. Nesses indivíduos não tarda a apparecer, sobre a c i c a t r i z r e c e n t e m e n t e f o r m a d a ou em via de formação, um pequeno ponto branco-amarellado

ASEXUAUDADE

255

pouco proeminente,

da g r o s s u r a , da fórma e da E ' u m a p e q u e n a vesí-

côr d u m g r ã o d e milho.

cula c o n t e n d o u m a m a t é r i a um p o u c o viscosa que p r o d u z o l e v a n t a m e n t o d u m epithelio t r a n s p a r e n t e e de nova f o r m a ç ã o . E s t a m e m b r a n a r a s g a - s e ao fim de vinte e q u a t r o ou trinta e seis horas e deixa v ê r u m a u l c e r a ç ã o irregular de f u n d o cinzento ou a m a r e l l a d o , de b o r d o s t a l h a d o s a pique e ficando muitas fundo d'estas vezes da coberta da E' matéria fácil mas que occupa só em o ulceração. explicar a causa casos

perturbações

locaes,

muito e x t r a o r d i n á r i o s nos meio de diagnostico. São interessantes

poderá

auxiliar c o m o

os oito c a s o s que o a u c t o r
MARTINEAU

a p r e s e n t a e não os cito p o r serem m u i t o l o n g o s e de limitado interesse.
(I)

transcreve

dois d o s m a i s i n t e r e s s a n t e s . Prognostico. — As a f f e c ç õ e s c a u s a d a s pela pra-

tica do o n a n i s m o s ã o a c c i d e n t a e s ou o r g a n i c a s e neste c a s o p o d e m ser locaes ou g e r a e s . E n t r e as accidentaes e s t ã o todos os a c c i d e n t e s produzidos praticas da do lado dos orgãos São genitaes do pelas masturbação. Uns dominio da anneis de

cirurgia e a alguns d ' e s s e s accidentes já nós nos referimos. m e t t e m o penis em c o b r e d ' o n d e d e p o i s não. p o d e m retirá-lo, o u t r o s i n t r o d u z e m o b j e c t o s dentro da u r e t h r a que téem c a h i d o na b e x i g a d ' o n d e s ã o retirados por p r o c e s sos cirúrgicos e ainda o u t r o s i n t r o d u z e m o b j e c t o s no a n u s .

(1) Obr. cit.

2 5 6

A VIDA S E X U A L

No

sexo

feminino

as

manobras analogos ou

do

onanismo mais

determinam frequentes. mação da

accidentes

talvez

V á r i o s o b j e c t o s téem sido introduziA conforu r e t h r a q u e é m a i s c u r t a e rectilínea

d o s na v a g i n a , na b e x i g a e no a n u s .

q u e no h o m e m auxilia a p e n e t r a ç ã o d o s o b j e c t o s na b e x i g a . Já nos r e f e r i m o s na m u l h e r ás l e s õ e s a n a t ó m i cas rem se outra que provocam, indo de accordo com as a f i r m a ç õ e s de demasiado me afiguram excepção,
MARTINEAU

q u e a p e s a r de p a r e c e para alguns auctores, Haverá uma ou e alterações clitorideas

absolutas mas as

verdadeiras.

labiaes que descrevemos encontram-se geralmente. J u n t a s á s lesões e n u n c i a d a s d e v e m c o l l o c a r - s e os abcessos dos g r a n d e s l á b i o s , o s e s c o a m e n t o s a ruptura hvmeneal, as O as vulvites as leucorrheicos, c h r o n i c a s , etc. No homem e podem as sobrevir balanites, paraphimosis ulcerações. a u g m e n t o do

v o l u m e do penis é c o m o se s a b e a s s u m p t o ainda controverso, mas influencia Sobre exerce as parece sobre que o onanismo pouca o seu volume e alongacausadas pela se

m e n t o a n ã o ser pela e d e m a c i a ç ã o de m o m e n t o . perturbações tem geraes m a s t u r b a ç ã o muito se tem d i s c u t i d o . escripto e muito

U n s consideram o onanismo como

a causa dos maiores males, outros consideram-no perigoso sim, mas incapaz de produzir as desord e n s q u e o s p r i m e i r o s lhes a t t r i b u e m .
BURDACH TISSOT

e

estão c o m os primeiros, O de considerar o

CHRISTIAN

com

os s e g u n d o s . maneira

f a c t o d a s d i v e r g ê n c i a s está na onanismo. A pratica

c a s u a l da m a s t u r b a ç ã o é quasi isenta de p e r i g o ,

A SEXUALIDADE

m a s a sua p r a t i c a c o n s t a n t e t r a z c o n s i g o g r a v e s desordens para o individuo. E a t t e n d e n d o só a e s t e s c a s o s a i n d a s e levanta u m a o u t r a q u e s t ã o n o que respeita ás relações do onanismo com as doenças m e n t a e s . das frequente
EI.LINGER

P a r a uns é causa rara mentaes, para
FLEMING, MOREL),

(GUIRLAIN)

perturbações
(EI.LIS,

outros é causa chegando a l i e n a d o s , 83,

a

alfirmar

que

em

383

isto é, m a i s de '/5, t e r i a m c o m o única c a u s a de d o e n ç a o seu o n a n i s m o . E' causa licito das porem d u v i d a r , se o o n a n i s m o mentaes que ou se as produzem o é a as perturbações mentaes são

perturbações

onaEra

n i s m o , s e n d o este o p r e l u d i o d u m a s y m p t o m a t o logia m a i s c a r a c t e r í s t i c a d ' e s s a s a l t e r a ç õ e s . esta a opinião de
ESQUIROL.

P o r m i m j u l g o que

c a s o s ha em q u e o o n a n i s m o é u m a m a n i f e s t a ç ã o m ó r b i d a , e o u t r o s em q u e a p e n a s é um vicio q u e pode trazer como consequência perturbações das faculdades mentaes altamente compromettedoras. A p r i m e i r a e s p e c i e de o n a n i s m o é de p r o g n o s tico mais ensombrado, de cura. A a o de loucura, que a segunda primeira segunda onanismo é é é variedade uma apenas é um susceptível festação D'ahi mais taes, mani-

p a s s o n a e s t r a d a q u e p o d e c o n d u z i r a t é lá. concluir inoffensivo vai um a b y s m o . adeante, no ver-se-ha que D e v e m o s s e p a r a r as q u e s t õ e s e capitulo em que tratamos das se em certos casos s ã o já

diversas perturbações genesicas nas doenças menque symptomas de alterações cerebraes, noutros são hábitos, não se corrigindo por meio d'uma podem arrastar a graves therapeutica salutar,

consequências.

258

A VIDA S E X U A L

C o m e c e m o s por a v e r i g u a r essa q u e s t ã o simples e tantas v e z e s f o r m u l a d a de s a b e r se a copula é mais perigosa que o onanismo. Q u e r no coito q u e r no acto onanico ha os m e s m o s e l e m e n t o s : a a g i t a ç ã o n e r v o s a e, no h o m e m , a e j a c u l a ç ã o . O r a esta é a m e s m a nos dois casos ; examinemos a a g i t a ç ã o n e r v o s a . duvida nico, embora
CHRISTIAN

P a r a m i m não offerece não queira encontrar

a l g u m a que é muito maior no acto onaO onanista em geral tem de esforçar

differença.

a sua i m a g i n a ç ã o para alcançar o e s p a s m o genesico com c r e a ç õ e s mais ou m e n o s e x t r a v a g a n t e s que em certos c a s o s , se se t r a n s f o r m a s s e m cm Corealidade, seriam postas de p a r t e para serem preferidas pela continuação da pratica m a n u a l . nheci um doente nessas c o n d i ç õ e s . pensando Já n u m a mulher c o m q u e m foi impotente.
LONDE

Masturbava-se conseguir e

que veio a

defendia estas idéas e a pratica corO mesmo

robora o que o raciocínio nos ensina.

individuo realisanda, por étapes, series de c o p u l a s e de actos onanicos em é p o c a s d i v e r s a s e afastadas reconhece as v a n t a g e n s do seu bem estar durante as primeiras sobre as s e g u n d a s , e m b o r a o o n a n i s m o lhe seja mais a g r a d a v e l . rapazes nismo Os que que altera signaes se E' u m a confissão fácil de adquirir, inquirindo da vida sexual dos sujeitam a estes accidentes ou O onamoraes do conpor p r e d i l e c ç ã o ou por falta de mulheres. physicos, intellectuaes nos e

p r o f u n d a m e n t e o s y s t e m a nervoso. quando occupámos
MARTINEAU

apresentamos

diagnostico e que e x t r a c t a m o s de do que aifirmamos.

têem muitos factos que b e m m o s t r a m a v e r d a d e

A SEXUALIDADE

Sobre o que o proprio Entre ciaes elle e

CHRISTIAN

não apresenta

d u v i d a é no q u e r e s p e i t a ao o n a n i s m o f e m i n i n o . e a c o p u l a e x i s t e m d i f f e r e n ç a s essenisso as perfilha as considerações
A

por que

de

POUILLET

põe em evidencia.

mulher,

diz e s t e a u c t o r , é um ser p a s s i v o d u r a n t e o a c t o sexual. toda a genesica. glandulas me, visto P o d e isolar-se, q u a n d o lhe a p r o u v e r , d e participação corporea sem e m o r a l na u n i ã o P o d e h a v e r e s c o a m e n t o d o liquido d a s vulvo-vaginaes faltar o desperdício algum E' esta a

de e x c i t a ç ã o n e r v o s a e s e m s o b r e s a l t o e p i l e p t i f o r e s p a s m o sexual. razão porque capazes não trega de as prostitutas p o d e m impunemente matarem o mesmo o homem quando que a elles se Já

e x e r c e r o seu mister e s e r v i r de meio a e x c e s s o s e n t r e g a r s e m s e r a t t i n g i d o o seu o r g a n i s m o . succede á pratica do o n a n i s m o .

a m u l h e r se enE s t e só tem p o r

fim c o n s e g u i r a v o l u p t u o s i d a d e . Assim é , m a s i n d e p e n d e n t e m e n t e d ' c s s a argumentação, o o r g a s m o venereo attingido na mulher p e l a c o p u l a e pela m a s t u r b a ç ã o é b e m m a i s prejudicial no segundo caso do que no primeiro, attendendo ao esgotamento nervoso mais intenso que a masturbação provoca. O tante esgotamento nas nervoso Não é sobretudo esperma impore é E tanto creanças. téem

a ellas q u e o o n a n i s m o m a i s p r e j u d i c a .

mais prejudicial é quanto a creança é mais nova. N a s p r i m e i r a s e d a d e s o o n a n i s m o é tão e v i d e n temente prejudicial que o proprio dirige os mais a cruéis a anathemas intelligencia
CHRISTIAN

lhe

e e

c o m justificoma própria

c a d í s s i m a r a z ã o ; p o r q u e é e n t ã o q u e lhes promette saúde,

260

A VIDA S E X U A L

vida.

0 p e r i g o p r o v e m s o b r e t u d o de q u e o o r g a Basta esta

n i s m o n ã o attingiu ainda o d e s e n v o l v i m e n t o n e c e s sário p a r a o e x e r c í c i o da f u n c ç ã o g e n i t a l . observá-las opinião. dia, natural para nos identificarmos perdem a com

E m p a l l i d e c e m , e n f r a q u e c e m d e dia p a r a estúpidas, vivacidade q u e as a n i m a e a l e g r a e p a s s a m a vida

tornam-se

taciturna de torturadas pelo peso da vida. Q u a n d o a creança se approxima da p u b e r d a d e o perigo é diminue, porque chega o momento em que a funcção genital deve entrar em scena. Mas ainda c o n s i d e r á v e l , p o r q u e o p e r í o d o de T u d o o que excita o crescimento não terminou. systema

n e r v o s o e n f r a q u e c e o c o r p o , p e r t u r b a as O onanismo é nestes casos intellectual naturaes e pode haja ona-

principaes funcções e impede o desenvolvimento h a r m o n i c o dos o r g ã o s . uma causa frequente de anemia, de esgotamento n e r v o s o , de e n f r a q u e c i m e n t o exaggerar lose as predisposições etc. Mais que o

para a epilepsia, hysteria, neurasthenia, tubercupulmonar, é a vulgarmente de algumas nismo Em em manifestação puberdade d'estas

enfermidades. plena e nos p r i m e i r o s t e m p o s q u e a vida s e x u a l se m o s t r a n e b u l o s a m e n t e

aos o l h o s d o a d o l e s c e n t e , o o n a n i s m o p o d e c h e g a r a ser na n o s s a s o c i e d a d e m a l o r g a n i s a d a um a c t o inteiramente normal. Já nos referimos a esse a s p e c t o da q u e s t ã o a q u e d e v e m o s d a r a i m p o r tancia q u e m e r e c e s e m e x a g g e r o s , n e m g e n e r a l i zações. No adulto, em plena actividade da vida sexual, a f u n c ç ã o sexual d e v e praticar-se. q u e se e x e r ç a p a r a que o E' necessário i n d i v i d u o s e j a equili-

A SEXUALIDADE

brado.

O o n a n i s m o é e n t ã o a d e m o n s t r a ç ã o de E a l e m do imaginação

que a l g u m a coisa existe de a n o r m a l . do acto onanico, d\im trabalho de

c a n ç a ç o n a t u r a l q u e h a d e vir, c o m o c o n s e q u ê n c i a e x c e s s i v o , juntar-se-ha f a t a l m e n t e o e x c e s s o , p e l a repetição frequente do acto que se pode realizar em toda a parte, sem concurso de auxiliar de especie alguma. attribuindo excessos é-o b e m de O de todos P o r isso é que os seus Mas
CHRISTIAN

asseaos se a E

v e r a q u e o o n a n i s m o f a z t a n t o mal c o m o o c o i t o , inconvenientes é certo que repetição. a á é

copula exaggeradamente repetida é inconveniente mais repetição do a c t o o n a n i c o . q u a n d o se r e p e t e d i a r i a m e n t e , c o n s t a n t e m e n t e e preferencia onanismo c o p u l a o seu p o r t a d o r é f a t a l um s y m p t o m a na m a i o r p a r t e mente um doente do systema nervoso. dos c a s o s . O s f a c t o s clínicos o d e m o n s t r a m .

Q u a e s são a s c r e a n ç a s q u e , t e n d o sido i n i c i a d a s n a s m a n o b r a s d o o n a n i s m o , f a z e m d elias u m h a b i t o desastroso? creanças R e s p o n d i a já para
BURDACH

que eram as Os

predispostas

a

encephalite.

e x e m p l o s e s p a l h a d o s pelos livros r e f e r e m - s e t o d o s a seres doentes, mal conformados, caracteristicamente anormaes. A l g u n s a q u e já, p o r m a i s d u m a v e z nos r e f e r i m o s , s ã o v e r d a d e i r o s m o n s t r o s s e x u a e s pela sua antecipada são nunca alguma Ao virilidade. M a s todos esses infelizes do lado do encephalo ou a quaesquer pratica do condemnados á morte precoce e a autopsia deixou de anomalia despertar revelar de da estructura adolescência

signaes de outra doença concorrente. o n a n i s m o é geral o u quasi g e r a l , m a s s e m c o n s e -

24'2

A VIDA S E X U A L

quencias.

R a r a s v e z e s se t r a n s f o r m a num habito

i n v e t e r a d o , m a s , q u a n d o tal s u c c e d e , o termo da doença v e m d e m o n s t r a r que os p o r t a d o r e s d'esses hábitos, seres pallidos, m a g r o s , timidos, pussillanimes dria e e mal c o n f o r m a d o s , p a s s a m da h y p o c o n do mysticismo a que se a p e g a r a m , ás alienação mental, indo a c a b a r

varias f o r m a s de

os últimos dias nos m a n i c o m i o s . E n t r e os a d u l t o s , q u a n d o o o n a n i s m o é pratic a d o c o m excesso, e q u a n d o não ha impossibilidade da realização da copula, devemos sempre fazer m á u prognostico do f u t u r o d'esses infelizes. D e m o n s t r á - l o - h e m o s num p r o x i m o capitulo. Em que é resumo: o onanismo corrigir as pode e a ser um que se vicio deve indispensável todas

o b s t a r por

f o r m a s , e s p e c i a l m e n t e nas

c r e a n ç a s e ainda nos adolescentes, m a s as praticas do o n a n i s m o persistentes e d e m o r a d a s são indicio de que no individuo já a l g u m a causa ha que o P o r isso
CHRISTIAN

determina. esta especie logico.

dá c o m r a z ã o a

de o n a n i s m o a d e s i g n a ç ã o de patho-

M a s até aqui a p e n a s nos temos o c c u p a d o das consequências do onanismo no homem. Na m u l h e r alem de lhe ser a p p l i c a v e l t u d o ou quasi t u d o o que a c a b a m o s de e s c r e v e r , o u t r a s a f f e c ç õ e s a p p a r e c e m q u e não téem similares no h o m e m . A metrite está nesses casos praticada e. sobretudo, e é uma conseantes, quência p o u c o rara da m a s t u r b a ç ã o h a b i t u a l m e n t e repetida pouco durante ou i m m e d i a t a m e n t e á m e n s t r u a ç ã o . E' talvez d e v i d o ás a l t e r a ç õ e s que ella p r o d u z , c a u s a n d o u m a c o n s t a n t e irritação d o útero. parece também, e mais v u l g a r m e n t e , nos Apcasos

ASEXUALIDADE

263

da masturbação uterina.

P o d e m mesmo appareFABRE

cer varias formas de metrite. C i t a r e i a p e n a s u m c a s o de do que acabo de affirmar. U m a r a p a r i g a , c a s a d a h a c i n c o a n n o s , n ã o tinha filhos. Possuia e esverdeado. dôr de cabeça, um corrimento muito abundante A p r e s e n t a v a - s e muito e m a g r e c i d a acompanhada de gastralgia e demonstrativo

e queixava-se constantemente d u m a insupportavel dores thoracicas. o mal proseguia. Feito o tratamento conveniente A doente vendo a inefficacidade

d o s m e d i c a m e n t o s , e a p e r s i s t ê n c i a d o s s e u s terríveis s o f f r i m e n t o s e n t e n d e u q u e d e v i a c o n f e s s a r a o r i g e m do mal que a torturava. a maneira de se satisfazer Teria quatorze por a q u i n z e a n n o s q u a n d o u m a m u l h e r lhe e n s i n o u genesicamente meio da masturbação. a essa pratica seu tinha fazer casamento sido a a Desde então entregou-se do marido lhe

e c o m tal e x c e s s o q u e d e p o i s do approximação indifferente, sendo por vezes por meio de

sempre

o b r i g a d a a d e i x a r a sua c o m p a n h i a p a r a ir satissua necessidade genesica praticas uranistas. Não nos, buir. A incontinência urinaria tem observada ( A ralisada
GIRANDEAU

acreditamos,

com á

DESCURET,

que a masdo

t u r b a ç ã o p o s s a ser a c a u s a de c a r c i n o m a s uterinem attribuimos acção lubrificadora e s p e r m a a s v i r t u d e s que a l g u n s lhe q u e r e m attrisido muitas vezes

) e n t r e as m a s t u r b a d a s . c i r c u n s c r i p t a ou g e n e -

peritonite

traumatica

a p p a r e c e em seguida a uma p e r f u r a ç ã o

264

A VIDA S E X U A L

vaginal p r a t i c a d a por um instrumento m a s t u r b a dor. essa De minha A o b s e r v a ç ã o sei familia da do caso d u m a porem não peritonite que attribui c o m sérios f u n d a m e n t o s a causa. victima consentiu que ella fosse a u t o p s i a d a . desditosa r a p a r i g a A m i g a s da

tinham d e c l a r a d o que ella se

e n t r e g a v a c o m e x c e s s o a essas p r a t i c a s . P o r v e z e s a p e r f u r a ç ã o não é c o m p l e t a d a n d o a p e n a s o r i g e m a a b c e s s o s da v a g i n a . Tratamento. — O medico deve preoccupar-se

em alcançar dois fins c o m o t r a t a m e n t o da mast u r b a ç ã o : i m p e d i r que o o n a n i s m o se t r a n s f o r m e em habito ( tratamento p r o p h y l l a t i c o ) e destruir esse habito q u a n d o elle exista e r e p a r a r as desordens que elle causou ( t r a t a m e n t o c u r a t i v o ) . Ora sendo o onanismo, em muitos casos o resultado d ' u m a s u p e r e x c i t a ç ã o m ó r b i d a dos centros n e r v o s o s , d e v e m o s e s p e c i a l m e n t e p r e o c c u p a r nos em f a z e r funccionar n o r m a l m e n t e o s y s t e m a nervoso. de Por isso bem mais importante conhecida é o de tratamento preventivo. hygiene a que b o m toda gente, K ' u m a simples q u e s t ã o seria fosse nas suas linhas m a i s

ao m e n o s

geraes. A e d u c a ç ã o das c r e a n ç a s deve m e r e c e r , s o b r e este ponto de vista, especial c u i d a d o aos p a e s . e as mães Devem vigiar. deve ser c o n s t a n t e m e n t e v i g i a d a s

c u i d a d o s a s terão o maior c u i d a d o em as dirigir e O v e s t u á r i o d e v e ser a m p l o e c o m m o d o , evitar-se o i s o l a m e n t o e o aborrecimento,

deve a t t e n d e r - s e á maneira c o m o b r i n c a m e emp r e g a r todos os meios p a r a que se não p r o d u z a irritação nos o r g ã o s genitaes.

ASEXUAI.IDADE

265

Na e d a d e de oito a d e z annos, q u a n d o c o m e ç a m os estudos, a importancia d u m a boa hygiene é para uns esta edade no atrazo de supplicios, prendendo horas as e ainda maior e p e n a é que os n o s s o s s y s t e m a s de educação internatos creanças, Ihe o estejam senão ha um século. C o m effeito o que são os nossos a actividade, entregando-as estiolando-

cerceando-lhe

desenvolvimento,

h o r a s s e g u i d a s a um e s t e r i l terror! dão-se ção, Em a E vão E geral, duas se nos

e inútil t r a b a l h o de portuguezes, recreio mal

decorar definições e formulas, sob um regimen de collegios de em quinze horas de trabalho e alimenta-

duas

e meia horas

dirigido! que a lhe

alguma creança mais insubmissa roubo de s a ú d e e energia paga cara a insubmissão cima os m a i s

se insurge contra este fazendo,

com que, segundo os graves censores, veio alterar ordem. e n t ã o p e s a m - l h e em ignóbeis castigos. C o n h e ç o d e p e r t o u m c o l l e g i o (1) j e s u í t a , b a s tante conceituado, e é com pesar que me lemb r o d o s c a s t i g o s q u e ali d ã o á s c r e a n ç a s : p e r d e r a s h o r a s (2) d e r e c r e i o o u n u m s i l e n c i o r i g o r o s o ou Não copiando do admira que trinta pois lhe e que quarenta que as vezes o mesmo a artigo regulamento tinham creanças dar por infringido! tomem tão estúd'ar

educação E essas

pretendem

p i d o s p r o c e s s o s , c o m o o m a i o r d o s s u p p l i c i o s (3). creanças requestradas, privadas

(1) O de S. Fiel, no districto de Castello Branco. (2) Téem duas ou duas e meia horas de recreio. (3) Por melindre facilmente justificável não desejo entrar na apreciação do ensino Iyceal'.
>9

206

A VIDA S E X U A L

e

de

movimento, que não atraz

obrigadas as d'uma

a

estudar por medeixam-se levar

thodos

interessam,

naturalmente nismo que a

i m a g i n a ç ã o q u e seria de estar senta-

fácil o c c u p a r e i n t e r e s s a r , até á p r a t i c a do onaposição constante d o s e m b a n c o s d u r o s , m a i s e x a c e r b a p e l a irritaç ã o q u e c a u s a nos o r g ã o s g e n i t a e s . não é maior, c o m o diz
CHRISTIAN,

E se o m a l é porque o

onanismo só se transforma em habito inveterado nos i n d i v í d u o s p r e d i s p o s t o s . dio seria s i m p l e s : intellectual, ensino creanças por e outros com modificar os que e E c o n t u d o o remediminuir as h o r a s de t r a b a l h o ronceiros methodos de mais interessassem de recreio ás pre-

a u g m e n t a r as h o r a s bons

enchendo-as

p r o p o r c i o n a d o s exercí-

cios a essa e d a d e . Já de ha m u i t o que se t o m o u p o r este r a c i o n a l caminho attribuisse Conta annos para O dia. E dizia u m a g r a n d e v e r d a d e . servadora da infanda. Juntai-Ihe u m a a l i m e n t a ç ã o s u b s t a n c i a l s e m ser excitante, escolhei-lhe um leito u m p o u c o d u r o , marcae-lhe as horas do somno com regularidade e t u d o tereis c o n s e g u i d o . E' no exercício do c o r p o e no t r a b a l h o q u e reside a h y g i e n e preos em a outros essa paizes, a nomeadamente superioridade rapaz o de na da I n g l a t e r r a , o que m e r e c e u que um f r a n c e z illustre educação que um um que raça anglo-saxonica.
CHRISTIAN

dezasete remedio teu pae por

consultara desejos rachar

medico

pedindo fosse

sexuaes lenha

atormentavam. duas horas

medico

r e s p o n d e u - l h e : — Se durante

far-te-hia

ASEXUAI.1DADE

267

O s m e s m o s p r e c e i t o s g e r a e s d e v e m presidir á e d u c k ç ã o das r a p a r i g a s s e m e x a g g e r o s d e exercícios e m q u e d e v e h a v e r a s r a s o a v e i s r e s t r i c ç õ e s , m a s s e m o d e s p r e z o a q u e hoje se vota a h y g i e n e plastica. As raparigas são naturalmente mais f á c e i s de p r e s e r v a r do o n a n i s m o do q u e os rapaz e s , m a s é n e c e s s á r i o que a e d u c a ç ã o v e n h a em seu auxilio. Se a vigilancia fosse e x e r c i d a c o m c u i d a d o v e r i a m o s c e r t a m e n t e diminuir o n u m e r o hoje t ã o c o n s i d e r á v e l d a s m u l h e r e s attingidas de n e u r o s e s em t o d o s os g r a u s e s o b t o d a s as f o r m a s . Tratamento para troso curativo. — Apesar de todos os

c u i d a d o s , a p e s a r de t o d a a vigilancia, ha c r e a n ç a s as q u a e s o o n a n i s m o se torna um h a b i t o , quanto é certo portadoras que d'uma elle tara se m a n i f e s t a em que o u m a irresistível n e c e s s i d a d e , e é tanto mais desascreanças justifica. Nestes casos deve empregar-se a therapeutica s u g g e s t i v a , a m e d i c a m e n t o s a e a c i r ú r g i c a . E casos ha em q u e t o d o s estes m e i o s serão i m p o t e n t e s ! N u m c a s o de fazia — Não de
BARADUC

cerebral

aos p e d i d o s que o clinico

q u e a b a n d o n a s s e t a e s praticas, r e s p o n -

deu-lhe a doente, u m a r a p a r i g u i t a de d o z e a n n o s : sei se terei f o r ç a s para c u m p r i r a minha atar as m ã o s , será o meio p r o m e s s a ; fazei-me mais s e g u r o . A s u g g e s t ã o p o d e , p o r e m , a l g u m a coisa q u a n d o b e m dirigida e a s u g g e s t ã o h y p n o t i c a t e m alcançado alguns successos. O s meios m e d i c a m e n t o s o s c o m p r e h e n d e m toda essa série de m e d i c a m e n t o s c h a m a d o s anaphrodisiacos e que d e c e r t o pouca virtude t é e m .

/

268

A VIDA S E X U A L

Os dos Os

mais com

preconisados potássio.

são

os

brometos

de

camphora successo.

e de

D e v e m ser e m p r e g a -

cuidado e

c o m p o u c a s e s p e r a n ç a s de

meios cirúrgicos s ã o hoje limitadíssimos a

não ser entre os p o v o s p o l y g a m o s o n d e ainda se empregam. Está nesses casos a injibulação que consiste Actualpovos do em p a s s a r no p r e p ú c i o dos r a p a z e s e nos g r a n d e s lábios das m u l h e r e s um annel de m e t a l . mente ainda é praticada por alguns Oriente. dos

A o l a d o d o uso d e cintos d e c a s t i d a d e , lábios processos (tribus é hoje do Sudan), etc. e os

tão d i v u l g a d o s noutros t e m p o s , pratica-se a sutura pequenos dos Nenhum applicado

cintos m o d e r n o s por mais ingenhosos que s e j a m pouco ou nada conseguem. Tem-se abandonada parte clitóris prazer dos também por preconisado ter a clitoridectomia, na maior O isto é, a a m p u t a ç ã o do clitóris. não o fim casos E' o p e r a ç ã o hoje

conseguido

q u e havia em vista.

não só não gosa um papel exclusivo no genesico, como que dissemos, mas por vezes a extracção tal que a

deixa de e x e r c e r um p a p e l p r e p o n d e r a n t e . Supponho dos o algum. como a o v a r i o t o m i a ou uma testículos não seria a c o n s e l h a d a por m e d i c o Seria meio de provocar anomalia poderia E mesmo que estado morbido nunca aconselhar que

tratamento. até

o p e r a ç ã o se fizesse n e m por isso seria c o m p l e t o o resultado. conseguisse. E m r e s u m o : o s meios locaes p o u c o valor t é e m e só á h y g i e n e se p o d e recorrer c o m c o n f i a n ç a . Seria provável p o u c o se

A S E X U A I - I D ADE

24I

d)

Feiticismo. — N o s limites do e s t a d o physio-

logico p o d e t o m a r u m a g r a n d e i m p o r t a n c i a p s y c h o sexual a a t t e n ç ã o d e m a s i a d a que se liga a c e r t a s p a r t e s do c o r p o de p e s s o a s d ' o u t r o s e x o e ainda a c e r t o s o b j e c t o s q u e lhe d i z e m r e s p e i t o . A esta p r e d i l e c ç ã o , q u a n d o se torna e x a g g e r a d a , deu-se corpo sexual, o ou nome e a uma sob de das de feiticismo. da dos O Com toilette, pontos objectos
(I),

effeito partes com de vista

o do a dr.

enthusiasmo

adoração parte muitos

de c e r t a s

ardor

recorda

adoração

relíquias,

sagrados, a anomalia a uma

etc., dos cultos
LOPES VIEIRA

religiosos.

p r o f e s s o r sr. apenas

define-o c o m

GARNIER

do

instincto genital

que confere

p a r t e do c o r p o do s e x o o p p o s t o ou idêntico, a um o b j e c t o do vestuário ou traje f e m i n i n o ou m a s c u lino, o p o d e r definição é exclusivo de d e t e r m i n a r s e n s a ç õ e s Esta porque abrange os c a s o s a m o r o s a s e de p r o v o c a r o o r g a s m o v e n e r e o . completa

raríssimos d o feiticismo h o m o s e x u a l ( p e r m i t t a - s e me a d e s i g n a ç ã o ) . O o b j e c t o ou o b j e c t o s q u e téem a f a c u l d a d e de despertar o que accusa denomina-se Escrevemos impropriamente o r g a s m o v e n e r e o d\ztm-st feitiços, e o esta anomalia e do instincto sexual como feiticista. feiticismo se tem n ã o fetichismo, em escripto portuguez,

p o r q u e a d e s i g n a ç ã o d'esta p e r v e r s ã o t e m o r i g e m p o r t u g u e z a e v e m de feitiço. D'ahi a derivação O proprio m a t e r i a l da p a l a v r a q u e e m p r e g a m o s .
(1)

Citado por

THOINOT.

270
KRAFFT-EBING

A VIDA S E X U A L

(I)

faz

notar essa origem

da pala-

vra, não como Já

s e n d o a f i n a l Jetiche s e n ã o a a p r o p r i a ç ã o da n o s s a p a l a v r a f e i t i ç o (fetisso, o illustre p s y c h i a t r a e s c r e v e ) . no do primeiro feitiço volume na d'este do escolha

á lingua franceza erradamente nos á

referimos, influencia

trabalho,

par, m a s este só se torna objecto d u m a perversão quando o individuo atacado d'esta anomalia genesica não aprecia a posse sexual da p e s s o a , preferindo pação a t u d o o o b j e c t o da sua c o n s t a n t e p r e o c c u sexual.

O f e i t i c i s m o d i z r e s p e i t o n ã o só a c e r t a s p a r t e s do c o r p o vivo, m a s ainda a objectos inanimados que são geralmente partes da loilette f e m i n i n a ,

(i) Vid. obr. cit., pag. 21. « Par fétiche, diz o auctor, on entend ordinairement des objets, des parties ou des qualités d'objets qui, par leurs rapports et Ieur association, forment un ensemble ou une personalité capable de produire sur nous un vif intérêt ou un sentiment, d'exercer une sort de charme, — (fetisso en portugais), — ou des moins une impression tres profonde et particulièrement personelle que n'explique nullement la valeur ni la qualité intrinsòque de 1'objet symbolique ». Como se vê dá-lhe origem portugueza escrevendo contudo fetisso por feitiço. E a significação que damos a este termo tem-lhe sido dada pelos nossos clássicos. « Esta carta de v. m. com os seus feitiços me encantou de maneira, que não poude deixar de obedecer », escreveu V I E I R A . « Os feitiços e esconjuros d'aquella noiva », escreveu G A R R E T T . E ' inútil usar de palavras extranhas quando as temos tão próprias e mais significativas do que pretendemos exprimir. Que os francezes fizessem de feitiço fetiche em vez de fétice, vá. E' a apropriação mais ou menos fiel d'um termo extrangeiro. Nós é que, dando a origem da palavra, não devemos ir depois aportuguezar um termo francez derivado d'um vocábulo nosso.

>

A S E X U ALIDADE
V

271

e n c o n t r a n d o : s e p o r isso e m r e l a ç ã o estreita c o m o seu corpo. O feiticismo pathologico nunca é u m a perversão primitiva, é sempre adquirida. estão de accordo todos os S o b r e este ponto psychiatras que se Para

dedicam ao estudo das perversões sexuaes. da sexualidade. butos cismo receu na e na caso é do

o feiticista o o b j e c t o p r e f e r i d o é t u d o no m u n d o T o d o s os encantos femininos são masculinas Não d'esta nos até para hoje, os ao não homofeitiappaque o do do c o i s a s i n d i f f e r e n t e s p a r a elle, b e m c o m o o s attriqualidades feiticistas. mulher algum maior sexuaes referimos

porque,

variedade pela do

consignado

litteratura

medica. interesse apertado determinar

Parece sexual em as

portanto

feiticismo dominio resse se o

anomalia

restricção prevertido tão

q u e p e l a e x c e s s i v a a d o r a ç ã o do f e i t i ç o . sexual limites deve manifestar-se em maior intensidade. queiram ponto fronteiras

O inteestreitos E não do feiti-

c i s m o p a t h o l o g i c o p e l o e x a m e dos f e i t i c i s t a s s o b especial de e s t e s p o d e r e m ou n ã o read'acção do s e u E' lizar -a c o p u l a da a u s ê n c i a com ardor a do fóra da e s p h e r a

feitiço, porque ha casos n u m e r o s o s em que, a p e s a r feitiço, a c o p u l a é p o s s í v e l . que lhe de representa de n o t a r q u e este coito é i m p e r f e i t o e a u x i l i a d o imaginação genesico objectos extaem r e l a ç ã o c o m o f e i t i ç o . precisa siando-se P a r a satisfazer o seu concentrar-se,

na contemplação do objecto preferido.

Segundo por

BINET

é

necessário

suppôr

um

inci-

d e n t e n a vida d e c a d a feiticista q u e d e t e r m i n a s s e , sensações voluptuosas, a accentuação d'esta

IrJI

A VIDA S E X U A L

impressão que este

isolada.

E

acrescenta

KRAFFT-EBING

incidente d e v e ter a p p a r e c i d o na mais

tenra e d a d e e coincidir c o m o p r i m e i r o d e s p e r t a r da vida s e x u a l . C o m u m a i m p r e s s ã o sexual a g r a d a v e l coincide u m a a p p a r i ç ã o parcial d e a l g u m o b j e c t o f e m i n i n o , e d'ahi a a s s o c i a ç ã o de duas ideias i n s e p a r á v e i s nunca mais se desagregam. apenas o N a sua cond'esta permanece resultado que

sciência

associação.

Já se s a b e que n e m t o d o s os indise deu esse a c c i d e n t e , se E q u e existe, da parte dos para as psychopaactos crimi-

v í d u o s , em cuja vida t o r n a r a m feiticistas. pervertidos, thias O mais a sexuaes. feiticismo pode e a

predisposição

manifestar-se m e s m o por

pelos actos

extraordinários como

nosos, taes D'ahi a

s a t i s f a ç ã o g e n e s i c a em loco

indébito, o r o u b o de o b j e c t o s , etc. importancia do seu e s t u d o no c a m p o da m e d i c i n a legal. Segundo a natureza com dos objectos
EBING,

preferidos em tres

dividi-los-hemos,

KRAFFT

c a t e g o r i a s : os q u e t o m a m por feitiço u m a p a r t e do corpo da mulher; os que preferem uma peça do v e s t u á r i o f e m i n i n o ; e os q u a l q u e r tecido i n d e t e r m i n a d o . P a r a o v e r d a d e i r o feiticista é o feitiço o único excitante Os actos sexual. do Só a a vista, o c o n t a c t o ou cuja pratica a representação feitiço lhe p r o v o c a m e r e c ç ã o . se e n t r e g a m que se servem de

perversos

p o d e m , só por si, p r e e n c h e r t o d a s as n e c e s s i d a des d a vida sexual e x t e r n a , m a s p o d e m t a m b é m manifestar-se ao lado do acto sexual normal,

A SEXUALIDADE

quando a potencia physica e psychica e a excitabilidade o toque á pelos do encantos normaes de que de acto o ser não foram de todo esquecidas. Acontece devido muitas sua G e r a l m e n t e p o r e m a vista ou serve preparatório. cessa, aos sensivel vezes feiticista

feitiço

perversão,

e n c a n t o s n a t u r a e s e q u e a c o p u l a só p o d e realis a r - s e , c o m o d i s s e m o s , c o n c e n t r a n d o a sua i m a g i nação sobre o feitiço. completo. prever, uma tendeneia P o d e mesmo cessar por natural para o onanismo N e s t a p e r v e r s ã o h a , c o m o é fácil d e

p s y c h i c o e p h y s i c o , s o b r e t u d o em i n d i v i d u o s a i n d a novos e q u a n d o os contramotivos estheticos f a z e m recuar os pervertidos deante da realisação dos seus p e r v e r s o s d e s e j o s . E' inútil dizer q u e o ona-

nismo, quer psychico, quer physico, ao qual foram l e v a d o s r e a g e d ' u m a m a n e i r a f u n e s t a s o b r e a sua c o n s t i t u i ç ã o p h y s i c a e s o b r e a sua v i r i l i d a d e . De tudo o que acabo de e x p o r se c o n c l u e o A mulher p e r i g o do c a s a m e n t o para o feiticista.

n u n c a c o n s e g u i r á excital-o a não ser q u e o o b j e c t o da sua p r e d i l e c ç ã o esteja p r e s e n t e ou o feiticista o figure na sua i m a g i n a ç ã o d o e n t i a . Pela descripção dos casos que vou apresentar ver-se-ha de que o e feiticista a elle favor seja é do um qual doente di^no compaixão quer n ã o se t e m Perante os de roubo

experimentado therapeutica alguma. tribunaes, accusado

quer de attentados ao pudor, e d'accordo m e s m o c o m a v e l h a e s c o l a c r i m i n a l o g i s t a q u e s e r v i u de orientação para os codigos penaes de todo o mundo, esses infelizes são i r r e s p o n s á v e i s d i g n o s Só pode

de dó, nunca merecedores de castigos.

vir a ser feiticista a q u e l l e s o b r e q u e m u i t o p e s a r e m

24'2

A

VIDA S E X U A L

as taras hereditárias ou ainda algum que perdeu a sua normalidade nervosa, e m b o r a não haja casos b e m averiguados que c o m p r o v e m esta p r e s u m p ç ã o . No feiticismo physiologico são g e r a l m e n t e algumas partes do corpo da mulher que mais impressionam cia E' o a o homem. São mais a os olhos, as mãos, os Ha pés, os cabellos que qualquer exaggero predilecções normaes seduzem, de preferenfeminina. nos que já referimos. Uns

outra

qualidade

d'este exclusivismo que dá origem

ao feiticismo das partes do corpo feminino.

a p p e t e c e m os olhos, e só elles os e x c i t a m , o u t r o s os narizes correctos, outros as mãos ou pés minúsculos, o que constitue o c a s o m a i s v u l g a r , e até alguns defeitos physicos! E' curioso o seguinte caso que é ao m e s m o tempo exemplo da primeira categoria de feiticistas. X. . ., vinte e oito annos, pertence a uma família muito tarada. E' neurasthenico e queixa-se de ter falta de confiança em si proprio. Tem frequentes accessos de mau humor com tendencias suicidas, contra as quaes tem por vezes sustentado uma lucta vigorosa. Exalta-se á menor contrariedade. E' engenheiro numa fabrica da Polonia russa, tem uma forte constituição physica e não apresenta estygmas de degenerescencia. Queixa-se de ter uma mania extravagante que muitas vezes o faz duvidar se ellè será um homem de espirito são. Desde a edade dos dezasete annos só se excita sexualmente pelo aspecto das deformidades femininas, particularmente das mulheres que coxeam e que téem pés disformes. O doente não pode dar conta das primeiras associações que originaram esta predilecção sexual pelos defeitos da belleza feminina. Desde a puberdade está sob a influencia d'este feiticismo que lhe é penosíssimo. A mulher normal não tem para elle attrativo algum, só o interessa a mulher coxa, de pés defei-

ASEXUALIDADE

2

7

5

tuosos. Quando uma mulher possue este defeito exerce sobre elle um poderoso encanto sensual quer seja bonita ou feia. Nos seus sonhos de polluções, só imagina ver mulheres coxas. De tempos a tempos não pode resistir á impulsão de imitar uma mulher que coxeie. Neste estado é tomado d'um verdadeiro orgasmo, seguido de ejaculação e acompanhado das mais intensas sensações voluptuosas. O doente queixa-se de ser muito libidinoso e de soffrer muito com a não-satisfação dos seus desejos. Todavia só praticou a primeira copula na edade de vinte e dois annos e desde então só repetiu o acto sexual apenas cinco vezes. Apesar de ser potente não sentiu prazer algum. Se elle tivesse a sorte de realisar a copula com uma mulher coxa sentiria prazer e se não casa é por não encontrar noiva com a deformidade que o excita. Desde a edade dos vinte annos, o doente apresenta também symptomas de feiticismo das peças de vestuário. Para se satisfazer sexualmente basta vestir calças, ou calçar meias ou sapatos de mulher. De tempos a tempos compra estes objectos de toiletle feminina para alcançar, vestindo-os, a excitação voluptuosa e chegar a obter a ejaculação. Coisa curiosa : as peças de vestuário já usadas pelas mulheres não o excitam. T e m tido desejo de se vestir de mulher nos momentos das suas exacerbações sensuaes, mas não o tem feito com receio de ser descoberto. A sua vita sexualis resume-se nestas praticas. Nunca se entregou á masturbação. Ultimamente tem-se fatigado com as polluções, ao mesmo tempo que os seus males neurasthenicos téem augmentado (1). Ao lado
O

d'este caso outros se poderiam
DESCARTES

citar.

proprio

era feiticista de u m a deforexcitava com as mulheq u e m tivera rela-

midade feminina. defeito ções a

Só se

res v e s g a s e e x p l i c a v a isso pela r a z ã o de ter esse primeira mulher com sexuaes.

(1)

Obs.

77

de

KRAFFT-EBING,

obr.

cit.

276
LYDSTONE (I)

A VIDA S E X U A L

cita u m denomina que só

caso se

de feiticismo negaTrata-se

tivo, c o m o d'um

o

KRAFFT-EBING.

homem

excitava com mulheres

a m p u t a d a s de c o x a ! Q u a n d o a parte tue os res E' o feitiço do c o r p o feminino que constiE' assim que ha entre

pode ser destacada dá origem aos

actos mais extravagantes. de trancas

feiticistas um g r u p o muito curioso de cortadoque chegam a commetter verdado feiticismo em

deiros crimes. outro aspecto interessante legal. ser medicina E' porem menos importante que menos todos Alguns os ha vulgar. que E' as conveniente de tranças para roubam

o do r o u b o de o u t r o s o b j e c t o s , a q u e já n o s r e f e riremos, por notar são que feiticistas. nem cortadores

vender.

N e s t e s c a s o s d e i x a m d e ser f e i t i ç o s , p a r a

ser m e r c a d o r i a s . N ã o transcrevemos caso algum d'estes, por não nos com de e E' desejarmos
MAGNAN

tornar ha

excessivamente

extensos

transcripçoes ;

contudo uma observação aos leitores curiosos. d'um foi

(2) q u e m u i t o s e n t i m o s n ã o a p r o v e i t a r todo o cuidado. em Trata-se do

que feita

recommendamos com que

h o m e m que ia creanças

p a r a a rua c o r t a r a s t r a n ç a s d a s passavam virtude que

p r e s o e c o n d u z i d o a um m a n i c o m i o . H a d ' e s t e s l a d r õ e s c e l e b r e s q u e p o r v e z e s atterrorisam as populações das cidades. Em 1890,

(1) A Lcclure on sexual perversion, Chicago 1890.
de KRAFFT-EBING.

Cit.

(2) Areh. del'anthropologie criminelle, t. v, n.° 28.

ASEXUALIDADE

277

no

dizer d o s jornaes a m e r i c a n o s , a p p a r e c e u um criminosos um a percorrer seria algumas a cidades

d'estes A

dos E s t a d o s - U n i d o s d a A m e r i c a d o N o r t e . ser pervertido transfiguração de JACK, mais b e n e v o l o e m e n o s e x i g e n t e . O feitiço pode ser uma parte do vestuário mesmo na

feminino. vestuário crearam

Normalmente os pequenos objectos do feminino para a téem mulher influencia, qualidades A m o d a e a civilisação puramente Assim A sua ausência

vida sexual do h o m e m .

artificiaes do seu caracter s e x u a l .

p o d e ser c o n s i d e r a d a c o m o u m a l a c u n a .

c h e g a a p r o d u z i r u m a i m p r e s s ã o e x t r a n h a a vista d u m a m u l h e r n u a , a p e s a r d o effeito sensual que normalmente produz ( Com taes effeito os sem a
K R A F F T - E B I N G ).

toilette tem as

tendencias a fazer etc. Por outro

salientar e a a u g m e n t a r certas f o r m a s f e m i n i n a s , como seios, ancas, lado como sociedade a o instincto sexual a p p a r e c e na nossa p o d e r i m m e d i a t a m e n t e ser satis-

feito, o s p r i m e i r o s a p p e t i t e s v ê e m s e m p r e l i g a d o s r e p r e s e n t a ç õ e s m e n t a e s de m u l h e r e s v e s t i d a s . N o primeiro d e s e j o sexual vai i n e g a v e l m e n t e u m a a s s o c i a ç ã o indissolúvel da m u l h e r e do v e s t u á r i o . H a individuos que c o n s e r v a m esta reminiscência até com ao exaggero de não
(I).

poderem nuas.

ter

relações é um

mulheres

completamente
MOLL

Tal

c a s o citado por

A causa d'esta predi-

l e c ç ã o d e v e estar t a l v e z nas p r a t i c a s onanistas c o m representações mentaes de mulheres vestidas.

(1) Obr. cit.

24'2

A VIDA S E X U A L

D'ahi ao feiticismo das peças

do vestuário vai

um pequeno passo, porque já o desejo da mulher vestida de p r e f e r e n c i a á m ul h er nua é u m a f o r m a de feiticismo. á mulher Alguns toilettes. Conheci prostitutas um de individuo que se que servia m a n d a v a vestir as de um costume o O feiticista m a i s a d e a n t a d o p r e f e r e proprio a vestuário ou u m a ou outra de determinadas

das suas peças. téem preferencia

bizarro de c a m p o n e z a e ha muitos casos d'esses, m e s m o entre relações maritaes. Os pleto tiço. verdadeiros feiticistas separam-se por comda E' idéa este mais parte da o mulher, caso e ligam toda a sua do

a t t e n ç ã o s e x u a l a o o b j e c t o q u e l h e s s e r v e d e feitypico, carecteristico objecto e feiticismo mado, uma si só, para sexual. E' esta forma que variadíssimos perversão! a m a i s i m p o r t a n t e , c o m o dissemedicina legal. aspectos E então sob p o d e mostrar-se esta m o s , no c a m p o da divulgado. a Um inani-

isolada do vestuário basta, por excitação a satisfação

provocar

D e s d e os ladrões dos lenços até aos U m a variedade muito curiosa

r a s g a d o r e s de saias !

é representada pelo seguinte caso :

M. Z. . ., de trinta e cinco annos, funccionario, foi filho único de uma mãe nervosa e d'um pae bem constituído. Tinha uma constituição nervosa. O seu olhar era de neuropatha, o seu corpo delicado, os seus traços physionomicos finos, a sua voz delgada e a sua barba mal semeada. Aparte alguns svmptomas d u m a neurasthenia ligeira, nada se encontrava de morbido. Orgãos genitaes e funcções

ASEXUALIDADE

2 7 9

sexuaes normaes. Affirma que nunca se masturbara senão umas quatro ou cinco vezes, ainda em rapaz. Desde a edade de treze annos que começou a ser excitado sexualmente com a vista de vestuários femininos molhados, ao passo que os mesmos vestuários seccos lhe passavam completamente desapercebidos. O seu maior prazer era observar, num dia de chuva as mulheres molhadas. Quando as encontrava nestas condições e as mulheres lhe eram sympathicas experimentava uma voluptuosidade, uma erecção violenta e sentia-se arrastado para a copula. Confessa nunca ter tido desejos de molhar as mulheres. O resto é menos interessante.

O os

maior numero apaixonados no nosso do

dos feiticistas conhecidos s ã o sapato. ha já São innumeros casos e paiz alguns bem

mesmo

averiguados e bem estudados.
KRAFFT-EBING

pretende dar-lhe u m a origem ma-

s o c h i s t a r e p r e s e n t a n d o p a r a elle a p r e d i l e c ç ã o d o sapato uma sujeição do h o m e m á mulher. N e m sempre assim será. dar a esta á forma que do semelhante Inclino-me mais para uma etiologia feiticismo

d e m o s para as f o r m a s anterio-

r e s , isto é , p e l a a s s o c i a ç ã o , a d m i t t i d a e n t r e o p é p e q u e n o d a p r i m e i r a m u l h e r a p p e t e c i d a e a satisfação genesica. Casos ha predilecções não me em que parece haver associação mas de masochistas, afiguram-se-me a outra

uniões de duas entidades m ó r b i d a s differentes, e parece que uma possa explicar ou vice-versa. As causas que influem são divermatéria

sas, ainda que a natureza p s y c h o p a t h a , congénita o u adquirida, d e v a existir s e m p r e , c o m o prima indispensável.

24'2

A VIDA S E X U A L

São sapatos

muito e

curiosos que

estes que

colleccionadores constantemente a todo e

de se

pequeninos

com

masturbam

preferem

qualquer

incitante sexual.

C o m tendencias masochistas ou

s e m ellas, r e s u m e m t o d a a sua vida genesica em pensar nesses objectos de que por fim abstrahem p o r c o m p l e t o a ideia d o s p é s q u e o s c a l ç o u . Finalmente, ha ticistas que uma terceira o grau c a t e g o r i a d e feimais intenso da

occupam

paradoxia genesica. feminino, nem terminado que

N ã o é uma parte do corpo vestuário que E ' u m t e c i d o de-

um objecto do seu serve

determinam o desejo genesico.

p a r a a c o n f e c ç ã o d a íoiletlc S ã o p e ç a s anoE contudo luva da m ã o requintadamulher que

f e m i n i n a ( i ) e q u e n o e n t a n t o p o d e , s ó p o r si, f a z e r apparecer a nymas, e ções que produzem excitação genesica. dificilmente p o d e m admittir-se associae x p l i q u e m a sua etiologia. o mesmo effeito que a

p e q u e n a e f u s e l a d a , o s a p a t o do pé m e n t e mignone, a c o i f a de d o r m i r da pervertido. primeiro excitou o

H a v e r á uma associação longínqua cujos termos intermedios sejam desconhecidos ? Talvez.
KRAFFT-EBING

porem

pretende

dar-lhe

outra

etiologia a

c o m que não c o n c o r d a m o s por a consi-

d e r a r m o s inverosímil e nos parecer mais rasoavel a s s o c i a ç ã o d a idéa d a m u l h e r p e l a p r i m e i r a v e z com uma determinada peça do vesappetecida

tuário e com o tecido d'essa peça, o que constitue uma segunda abstracção. nega esta qualidade em alguns casos.

(1)

KRAFFT-EBING

ASEXUALIDADE

E'

na

verdade

digno

de

notar-se

que

são

s e m p r e o v e l l u d o , a s e d a ou excitante.
KEAFFT-EBING

as p e l i e s o o b j e c t o

porem nos

diz

que são certas sensahyperesthesicos

ções

tácteis

que

indivíduos

dão o r i g e m a esta especie de feiticismo. M a s então p o r q u e é que estes feiticistas só preferem tecidos que entram na confecção de adornos femininos ( i ) ? grande de factos A theoria só poderá fazer-se que se possa com segurança q u a n d o na litteratura m e d i c a haja um n u m e r o t ã o tirar l a r g a s illações. fundamentar. maneira Por agora em podem apresenda minha

tar-se hypotheses s e m r i g o r o s a m e n t e as p o d e r m o s Contudo, appoio de vêr sobre a p r o d u c ç ã o d'esta perver-

s ã o g e n e s i c a , c i t a r e i u m c a s o c u r i o s o (2). H a v i a u m h o m e m que era conhecido n o m u n d o das prostituídas pelo nome de «Velludo». de satisfazer os que houT i n h a o habito de vestir de velludo u m a prostituta que lhe era s y m p a t h i c a e rosto com um seus desejos s e x u a e s acariciando u n i c a m e n t e o seu pedaço do vestido sem vesse entre os dois contacto algum. Alguns feiticistas téem desejo de destruir os

objectos da sua predilecção.

Ha um caso d'estes
KRAFFT-EBING

muito curioso apresentado por assumpto pleto. é,

que, com-

de todos os auctores que téem escripto sobre este inquestionavelmente, o mais

( 1 ) K K A F F T - E B I N G , como dissemos, nega esta asserção, bem evidente em presença dos casos conhecidos. (2) Vid. 20 KUAFFT-EBING, obr. cit., pag. 24.

282

A VIDA S E X U A L

No mez de julho de 1891 appareceu deante da segunda camara do tribunal correccional de Berlim o serralheiro Alfred Bachmann de vinte e cinco annos de edade. No mez de abril tinha a policia recebido varias queixas. Alguém havia que com um instrumento bem afiado cortava os vestidos de varias damas. Na tarde de de abril poderam descobrir o aggressor na pessoa do accusado. Um agente da policia notara que elle procurava d'uma maneira extravagante encostar-se a uma dama que atravessava um passeio acompanhada por um cavalheiro. O funccionario pediu á senhora que examinasse o vestido enquanto detinha o homem suspeito. Averiguou-se que o vestido estava cortado. Recolhido o homem viu-se que trazia uma faca bem aguçada e confessou que d'ella se servia para rasgar os vestidos. Encontraram-Ihe duas fitas de seda de guarnição de vestido e um pedaço de seda. O homem que foi já varias vezes condemnado, é pallido e não tem expressão alguma physionomica. Deu em juizo uma explicação bem enigmatica da sua conducta. A cosinheira d'um commandante, disse elle, lançara-o por uma escada abaixo quando pedia esmola. Desde então nutria um odio implacavel contra o sexo feminino. Como se duvidasse da sua responsabilidade foi observado pelo medico adjuncto ao serviço da Administração. Nos debates judiciários o perito declarou que não havia razão alguma para considerar o accusado como alienado, apesar da sua intelligencia estar pouco desenvolvida. Defendeu-se então d'uma maneira extraordinaria. Era uma impulsão irresistível que o obrigava a approximar-se de mulheres que tivessem vestidos de seda. O contacto com um tecido de seda era, para elle, de tal maneira delicioso que mesmo durante a sua detenção, se sentia excitado, quando cardando lã, um fio de seda lhe caía por acaso nas mãos. O resto pouco interessa.

Aqui o sexuaes

está

um no

caso

em

que E'

teria

de filiar-se

feiticismo

sadismo.

que as p e r v e r s õ e s

tocam-se p o r vezes, entrecruzando-se até

A S E X U AI.ID ADE

283

nas espheras das suas características. mente nida era era que e um porem uma e parecem etiologia e porque ter uma própria. Este roubar sentir seda das

Individualdefide e em individuo outros, prazer

entidade objectos

feiticista seda

guardava

velludo

procurava parecia de

sadista

porque

deteriorar os

vestuários

mulheres

passavam.

c) siste

Bestialidade. — E s t a p e r v e r s ã o na preferencia que os

sexual

con-

indivíduos

d o s dois

s e x o s d ã o a o s a n i m a e s p a r a a s a c i a ç ã o d o s desejos g e n e s i c o s . o professor da sr. característica versão, Nesta preferencia, como accentua dr.
LOPES VIEIRA,

é

que está a muitas N ã o ha

que

distingue

a

bestialidade-perContudo

bestialidade-vicio.

v e z e s se passa d'este para a perversão. o não duos outros existe averiguar existe nas já se na chamada de de

linha divisória e seria m o t i v o de l a r g a d i s c u s s ã o bestialidade-vicio doentio, meio alguma uns proa l g u m a coisa

manifestação mórbida.

C o l l o c a d o s v á r i o s indiví-

mesmas condições a não do

c u r a m nos a c t o s b e s t i a e s a s u a s a t i s f a ç ã o s e x u a l , preferem já, da s a t i s f a ç ã o g e n e s i c a ou o De certo que entrega a tão Mas disposição que se o n a n i s m o á p r a t i c a d e taes a c t o s . parte repugnantes approximações,

alguma

mórbida, alguma tendencia

psychopathica.

a d m i t t a m o s a d i f f e r e n ç a d a n d o - l h e antes a significação de representarem graus diversos do m e s m o mal do que duas entidades tão distinctas que fique u m a no m u n d o da p a t h o l o g i a e a o u t r a e n t r e os vicios v u l g a r e s d o s d i s s o l u t o s .

24'2

A VIDA S E X U A L

A

bestialidade

tem

quasi

sempre

uma

origem

psycho-pathologica, auxiliada d ' u m a notável hyperesthesia sexual. o seu caracter Individuos ha que fizeram descer moral até ao ultimo grau pelos imperiosa da nos dois q u e se d ã o á pratica Encontra-se

e x c e s s o s da l i b e r t i n a g e m e d'este vicio c o m o sua sexos satisfação e genesica.

uma necessidade

por vezes é o único processo que pode

sexualmente satisfazer os miseráveis que se entregam a tão repugnantes praticas. A e bestialidade aves. é v u l g a r e n t r e os t r a t a d o r e s de Conheço casos de bestialidade cavallos, de vaccas, cães, cabras e até gallinhas outras com dão peruas. a essa Diz-se que os chinezes d e v a s s o s se pratica com gallinhas cortando-lhe a A' bestialidade

cabeça no momento da ejaculação. As gadas. que onde Em numa relações das

j u n t a m o s a d i s m o e até a necrophilia animal ( i ) ! mulheres com os animaes são Estão hoje muito no divuleducam-nos e que nas cunilingus. bem até praticadas com cães.

Geralmente

Ha porem outras praticas.
MASCHKA

E' monstruoso o caso mostra grandes cidades.

descreve uma

chega Paris

a

depravação roda, onde

havia

mulher que se apresentava acudiam os libertinos

pequena

a p a g a r o s e u l o g a r , a fim de a v e r e m d e i x a r - s e cobrir — vá o t e r m o que m e r e c e — por um a s q u e r o s o bull-dog q u e industriára nesse serviço! S i m p l e s m e n t e aviltante !

(i) A necrophilia bestial tem casos registados na sciencia. Bertrand (vid. pag: 92) chegou a desenterrar cadaveres de animaes para satisfação dos seus pervertidissimos desejos.

ASEXUALIDADE

285

G e r a l m e n t e os que se e n t r e g a m a estas praticas com A maes. pela assiduidade bestialidade Ha sua um são tem-se caso possuidores dado entre por de cerebros imperfeitos e mal desenvolvidos. a l g u n s aniCADIAT (I),

observado Trata-se

que cito, em r e s u m o , mais por curiosidade do que importancia. d'um cão de Um coito. cão, desoito m e z e s que vivia num p a t e o c o m gallinhas c o m as quaes nunca tivera desintelligencias. dia para A depois creou sobre principio o a habito ella effectuar gallinha aturando desejo as por movimentos fugia manobras um de ao de tomar u m a das gallinhas escolhida

foi-lhe o

e p o r fim

procurava-o abaixando-se deante d'elle e manifestando-lhe seu cacarejar muito característico. Isto mas ram Para acabar com o escandalo teve que até entre os a n i m a e s algu-

de m a t a r - s e a g a l l i n h a . demonstra das mais repugnantes perversões encontram a s c a u s a s q u e a s d e t e r m i n a m diflicoisa das que actuam na nossa alguma

echo, embora especie.

KORVALEWSKY

(2)

cita

um

caso

typico

e

muito

interessante d'esta Trata-se annos, excesso ao de um de filho

perversão. grego orthodoxo, paes que se de quarenta com A partir entregavam

uso de b e b i d a s alcoolicas.

dos cinco annos teve accessos epilepticos de forma particular. O seu instincto sexual despertou aos

(1) Recucil de med. velépnaire, tom. 111, 3o avril, 1899.
(2) Cit. por KRAFFT-EBING.

24'2

A VIDA S E X U A L

dezasete sexuaes homens. Nunca

annos. nem se

O

doente

não

sentia nem

desejos para os

para

as mulheres, A

Só os animaes o excitavam. masturbou. principio procurava

r e l a ç õ e s s e x u a e s c o m g a l l i n h a s e p a t o s , e seguidamente com cavallos e vaccas. Dedicava-se De espirito de mente tase. E Virgem lheres. á pintura de imagens com de religiosas. d'exvida. mupremuito paranóia limitado e s t á a t a c a d o ultimaestados dar a ás em

religiosa seria

S e n t e um a m o r « i n e x p l i c á v e l » pela S a n t a pela qual d'isso e Tentando capaz sempre com era teve aversão

apesar

copula

mulheres ficou

impotente,

contudo

s e m p r e viril

s e n ç a de a n i m a e s . Não apresentava estigmas physicos de degenerescencia. Este
FRITSCH,

caso

a

que

podíamos

juntar outros á

de

BOETEAU,

TARDIEU,

e t c . , e as c o n s i d e r a levam-nos seguinte isto é, a indicio de

ções

que

atraz a

fizemos,

conclusão: bestialidade graves chopathias pesadas e

bestialidade exclusivista, considerada perversão, é bestialidade a vida

alterações

m e n t a e s e é a t t r i b u t o de p s y a denominada d'esses

graves; indicam

vicio é d e n u n c i a n t e p a r a m i m de t a r a s n e r v o s a s que sexual viciosos p r e c i s a de ser v i g i a d a e b e m d i r i g i d a . As creanças que instinctivãmente se dão a essa p r a t i c a são s e x u a l m e n t e a n o r m a e s e p r e c i s a m de u m a h y g i e n e s e x u a l r i g o r o s a p a r a n ã o s e sujeitarem a peores consequências. sição psycho-pathologica, A etiologia c i f r a - s e o c c a s i o n a l — as pois n o s dois f a c t o r e s : um e s s e n c i a l — a dispooutro d i f i c u l d a d e s que n a p r i m e i r a i n f a n d a i m p e d e m a s

ASEXUALIDADE

287

relações sexuaes normaes e o receio de gravidez das mulheres. Neste caso téem cúmplices mudos e inoffensivos nos pequenos cães que constantemente afagam e com os quaes descem ás degradações mais aviltantes.

PERVERSÕES

MORAES

E ' este u m n o v o c a p i t u l o q u e f a l t a v a n o e s t u d o das psychopathias sexuaes. E' tão novo como necessário. Q u e m e conste n i n g u é m t r o u x e a i n d a

p a r a o m u n d o da p a t h o l o g i a t o d o s e s s e s h o r r o r e s s e x u a e s q u e p e r t u r b a m a p a z da f a m i l i a e m a n cham vezes o sanctuario essas d'uma do lar. E contudo quantas tropelias s e x u a e s n ã o são a terrível má educação e, mais ainda,

consequência sobre que os

das taras hereditárias que pesam constantemente esses infelizes c o m o prisão inquebrantável liga ao p a s s a d o e ás m i s é r i a s d ' a q u e l l e s

que lhes d e r a m o r i g e m . O meio tem grandes responsabilidades, têm-nas e s s a artificial c i v i l i z a ç ã o m o d e r n a , m a s n ã o p o d e explicar tudo. Ha misérias que provêem de outras origens, horrores que téem outras causas. Q u a n t a s v e z e s n ã o s e o u v e p a r a ahi d i z e r , aos a r r e b a t a d o s m o r a l i s t a s de t o d a s as c l a s s e s , q u e a

24'2

A

VIDA

SEXUAL

adultera quido ?

merece E

a

morte se

depois lembra

de de

ter fazer

delinuma

ninguém

o b s e r v a ç ã o rapida dos antecedentes d'essa mulher que, talvez mais por t e m p e r a m e n t o do que pelas c i r c u n s t a n c i a s d e o c c a s i ã o , foi i m p u l s i o n a d a p a r a o crime num desvairamento de epileptica ou n u m a insubmissão de hysterica. dico mais ousado quer E q u a n d o algum meserenamente elucidar a E já q u e principaes

questão insultam-no, desprestigiam-no. ciemos rapidamente quaes E' as causas

f a l a m o s n o a d u l t é r i o c o m o p e r v e r s ã o m o r a l enund'esta infidelidade. e v i d e n t e q u e n o s referi-

m o s á a d u l t e r i n a : o h o m e m n ã o é um c r i m i n o s o p e r a n t e a s o c i e d a d e q u a n d o e s q u e c e o s e u juram e n t o de c o n s t a n t e sua necessidade defesa. A s leis a c t u a e s p o r e m e s t a b e l e c e r a m a e g u a l dade que é necessário acatar. A l g u é m p r e t e n d e e x p l i c a r a l g u n s c a s o s d e adultério p e l a n e c e s s i d a d e d e m a i o r n u m e r o d e r e l a ç õ e s sexuaes. E ' e x p l i c a ç ã o b a s t a n t e p a r a justificar o adulterino, mas nunca a mulher adultera que tem necessidades sexuaes — quando é normal — muito limitadas. influir. divisar, As condições cosmologicas podem N ã o h a n i n g u é m q u e lhes seja e x t r a n h o por entre a nebulosa da vida nómada fidelidade. vem um E a n a t u r e z a da pouco em sua sexual

e, atravez de milhões de gerações, ainda p o d e m o s dos nossos ancestraes, a influencia das estações. M a s isso n ã o b a s t a . U m a m u l h e r equilibrada não cede a tão fáceis provocações. são factores As questões de meio e a e d u c a ç ã o bem mais importantes. Quantas

PERVERSÕES

MORAES

29I

v e z e s os costumes mulheres nhando guias! E

maridos pouco para o

com

a sua v i d a d e s r e g r a d a e não braço arrastam dado, as

vergonhosa, c o m a a p p r o x i m a ç ã o de pessoas de exemplares, crime, de cami-

na mesma corrente, levando os mesmos é licito, p o r acaso, armar-se o braço

d ' e s s e h o m e m p a r a s e v i n g a r d a victima q u e elle lançou á lama ? se inclinar condições. para P a r e c e q u e n i n g u é m d e i x a r á de a negativa. E contudo poucos

deixarão de fazê-lo, embora em tão degradantes E' q u e a v a i d a d e do n o m e , a n e c e s s i de d i v o r c i o d a d e que s e n t e m d e s e n ã o v e r e m r i d i c u l a r i s a d o s e a i n d a a f a l t a , e n t r e n ó s , d u m a lei o i m p u l s i o n a r ã o nesse s e n t i d o . nial. Mas a educação Não

da mulher v e m de traz, da época ante-matrimoP a r a e s s a é que é p r e c i s o a t t e n d e r . que a mulher tenha uma importa instrucção

variada, não importa que captive pelas maneiras, q u e p r e n d a p e l a s a g a c i d a d e de e s p i r i t o , é p r e c i s o q u e lhe d e s s e m b o n s e x e m p l o s n o lar d o m e s t i c o onde se educou a e q u e lhe e n s i n a s s e m q u a e s os sociedade impõe e a vida deveres que actual

matrimonial exige. M a s não é t u d o . Os elementos podem concorrer p a r a se f a z e r o m a i s l i s o n g e i r o p r o g n o s t i c o do futuro da mulher, c o m o esposa d e d i c a d a , e apesar d e n ã o h a v e r m o t i v o s n o lar q u e d e t e r m i n e m o u p r o v o q u e m i n f i d e l i d a d e s e s t a s p o d e m s u r g i r inesperadamente. Muitas causas são então apresentadas para a e outras reaes, mas é por vezes uma justificar, u m a s P o r isso é apparentes o

todas dependentes das taras hereditárias. que adultério psychopathia sexual bem definida e razão temos

292

A VIDA S E X U A L

nós para

dedicar algumas paginas ás

denomina-

das perversões moraes. C o n h e c i u m a infeliz r a p a r i g a , f i l h a d u m a actriz de péssimos costumes. gente vezes que E rança diverso e a lhe ia de amiga ia da filha C o m o a m ã e e r a intelliseparou-se d'ella desde collegio onde só raras o e dinheiro o modo a com de

creança, internando-a num vergonhosos porque as

v i s i t a r e o c c u l t a n d o - l h e os p r o c e s s o s alcançava mensalidades

pagava vivendo ver daquelle

vida que seguia. tranquilla, acalentando dia para a sua a filha sua onde má esperumo a um seguir

sorte

arrastara. de

D e p o i s d e e d u c a d a foi c o l l o c a d a c o m o Dentro

p r o f e s s o r a de c r e a n ç a s n u m a casa seria. quem como jurou eterna outros prostituída fidelidade, a professa,

mezes fugia com o pae das suas educandas a e em poucos dias se entregava dias antes que homens quem ella

conhecia

p a r e c i a ser u m a r a p a r i g a h o n e s t a ! saber-se pido praticas coagido algumas a das companheiras A esse caminho

Veio depois a obrigando-as de a

que já dentro do collegio tinha c o r r o m indecorosas. seguir hereditariedade tinha-a

desventuras-

por onde se enveredou. Seria uma casualidade ? M a s ha tantos casos s e m e l h a n t e s (1) a corrobor a r a m i n h a o p i n i ã o q u e difficil s e r á a c c e i t a r t a l explicação. tudo quando ha devassos, As excepções é que são raras, sobreda parte das mães ou dos e paes taras nervosas definidas depen-

(1) Vid. pag. 46 — « Prostituição ».

29I

PERVERSÕES

MORAES

dentes

de

neuroses

typicas,-como

a hysteria, a

epilepsia, etc. E essas adulteras, essas predispostas, não são v e r d a d e i r a s p e r v e r t i d a s m o r a e s q u e d e v e m collocar-se como doentes ao lado dos outros delinquentes sexuaes ? Decerto. E dade são do em que geral a m a i s p e r i g o s a s p a r a a sociemaior parte dos por outros si e perpela Infectam-na

vertidos

genesicos.

d e s c e n d e n c i a v e r g o n h o s a q u e lhe l e g a m , d e p a t e r nidade a n o n y m a . vantajoso nação ; de leis o um neste mas A l g u é m julgaria o assassinato caso sobre como o processo e os de elimi-

n ã o p o d e h a v e r o direito de m o r t e outro, Entre alguns prejuízos

cônjuge

s o c i a e s h ã o de ir r u i n d o p o u c o a p o u c o e n o v a s virão regular o mal. uma lado ao de ellas o c c u p a r á inconvenientes, primeiro logar que, b e m e l a b o r a d a lei de di-

vorcio

trará innumeras v a n t a g e n s . J u n t a v a m - s e i n d i v í d u o s d e t e m p e r a m e n t o s heterogéneos e inteiramente incompatíveis. o divorcio c o m o remedio para o mal. O homem ou a m u l h e r p e r d i a m - s e em o r g i a s O divorcio d e g r a d a n t e s , q u e era m a u e x e m p l o p a r a o s f i l h o s e uma tortura para o outro cônjuge. sanaria a difficuldade. Alas trouxe eu não estou a justificar o d i v o r c i o n e m pretendo fazer um estudo sobre o adultério que afinal p a r a j u s t i f i c a r o titulo do p r e s e n t e Muito se podec a p i t u l o e p a r a e n u n c i a r um d o s c a s o s em q u e a p s y c h o p a t h i a m o r a l p o d e existir. assumpto que vimos tratando. ria d i v a g a r s o b r e este t h e m a , e m b o r a r e s t r i c t o a o Lá estava

A VIDA S E X U A L

P a r a ver q u ã o curiosa é essa q u e s t ã o a c o n s e l h a m o s a leitura d ' u m livro de
BAROTTA, GUGLIELMO GAM-

L'adultério

e

la

teoria

dei

diritti neces-

sari, que se é i m p o r t a n t e de f a z e r a p p l i c a ç ã o da sua sociaes.

para os juristas não é sciencia aos estudos

m e n o s interessante p a r a o s m é d i c o s q u e g o s t a m

Continuemos porem na enumeração das perversões m o r a e s . caremos o E m seguida a o adultério o u m e s m o que é, d ' u m a maneira g e r a l , A conO da vida da família é da civilização. horror quando Só u m a antes d'elle, pela r e p u g n a n c i a que p r o v o c a , colloincesto, a união entre parentes muito p r o x i m o s . s e r v a ç ã o da p u r e z a moral devida homem ao desenvolvimento sente civilisado

sempre

lhe v e m ao p e n s a m e n t o u m a idéa libidinosa referente a u m a pessoa p r ó x i m a da familia. sensualidade to. nos fez poderosa, junta a uma moralidade

baixíssima, e m b r y o n a r i a , p o d e r á justificar o incesEstas condições individuos parar o as em s ó p o d e m encontrar-se e m taradas. A embriaguez e que, ao são famílias e x c e s s i v a m e n t e

do s e x o m a s c u l i n o , a idiotia q u e se acha alliada

d e s e n v o l v i m e n t o do p u d o r circunstancias, individuos do sexo

segundo erotismo

feminino,

e l e m e n t o s que facilitam os a c t o s incestuosos. A c o n d i ç ã o exterior q u e mais p r o v o c a o desenvolvimento O d'esta aberração vezes é a inegavelmente manifestação a da p r o m i s c u i d a d e dos sexos nas famílias proletarias. incesto é muitas d e b i l i d a d e mental congénita ou adquirida e ainda da epilepsia e das paranóias. E se em alguns casos — a maioria talvez — causas se não p o d e m pôr bem em evidencia as

PERVERSÕES

MORAES

2Q5

pathologicas porque

d'este repugnante

acto

q u e otTende

os s e n t i m e n t o s de t o d a se não sobre problema esse

a população civilizada, é aspecto. Como no honra bem da diz

tem estudado convenientemente o tem de admittir-se incesto um huma-

KRAFFT-EBING

fundamento psychopathico para nidade culta. Citarei gicos.
FII.DTMANN

alguns casos

averiguadamente praticára Era um

patholorepetihomem de

conta que um pae por matar. e

d o s a t t e n t a d o s aos c o s t u m e s n a p e s s o a d u m a sua filha que attingido Num citado idiota.
LOMBROSO

acabou de outro

imbecilidade caso de

provavelmente

perturbações pelo

cerebraes periódicas. incesto entre a filha dum pae e filha, é que era homem a de mesmo
(I)

auctor, o de

refere uma

caso vinte e

quarenta e dois annos que praticou o incesto c o m tres filhas suas, de e dois annos de u m a de edade, outra ao dezanove O finalmente exame de

onze annos que obrigou a prostituir-se, indo depois procurá-la tarado, lupanar. demonstrou manifestações medico-legal um d'este doente com que se tratava de

i m b e c i l i d a d e intel-

lectual e moral.
SCHUERMAYER

cita o c a s o d ' u m a m ã e q u e p r o c u O

r o u ter r e l a ç õ e s c o m u m s e u f i l h o d e c i n c o a n n o s de edade e um ção. conjunctio
LAFARQUE

d u m a r a p a r i g a de dezairmão de de treze a seguido masturba-

sete annos que forçou um seu membrorum, E r a m anormaes.

(1) cArchiv. di PsicIuiIlria,

VIII,

pag. 519.

2 oG

A VIDA S E X U A L

MAGNAN

cita,

nos

çAnnaes

me d ico -psj 'chologicos, imperiosa

um caso curiosíssimo m o s t r a n d o b e m que o incesto pode apparecer como uma necessidade e c o n s t i t u i r a ú n i c a f o r m a de s a c i e d a d e g e n e s i c a . R e f e r e - s e a u m a rapariga de vinte e n o v e annos que sendo indifferente pelos homens e c r e a n ç a s se e x c i t a v a p o r tal f o r m a c o m a v i s t a d e s e u s s o b r i nhos que não podia resistir á elles. impulsão de ter relações Ha uma um sexuaes com registado mulher irmão, e ha por Esta anomalia dessobrinhos.
(I)

appareceu com o crescimento dos
LEGRAND

o

caso téem

de pro-

casada

que procurava relações com varias mães que filhos. sua Algumas e outras

curado relações com os proprios téem-se até t o r n a d o g r a v i d a s deram amante. Ao entre são lado do incesto proximos raras. devemos e brado na historia a mãe como succedeu com pela

(LEGRAND)

devassidão,

d e N e r o q u e foi s u a

collocar,

como

cumulo de perversidade, as relações homosexuaes parentes que infelizmente não Conheço um d'esses excessivamente

casos entre dois irmãos. Também • abominavcis pertencem d essas que a este g r u p o os costumes execrandas mães dos meios educam as suas filhas pre-

desmoralizados l i b e r t i n o s (2).

parando-as para os usos s e x u a e s dos d e v a s s o s e Ha um c a s o d'estes tão b e m estu-

(1) Ann. méd.-psych , 1876, maio. (2) Tenho conhecimento d u m a mãe que se deitava com a própria filha, cuja prostituição explorava, no mesmo leito e com o mesmo homem !

PERVERSÕESMORAES29I

d a d o que não deixo de o transcrever da obra de
TARDIEU (I).

Uma mulher, nova ainda, tinha, sob a influencia d'um desregramento de imaginação impossível de comprehender, desflorado a sua filha que, á data da observação, tinha doze annos de edade, introduzindo-lhe os dedos muito profundamente e varias vezes por dia, durante muitos annos, nas partes sexuaes e no anus. Chamada aos tribunaes pretendeu justificar-se dizendo que apenas tinha em vista, com estas monstruosas praticas o interesse e a saúde de sua filha e os cuidados d'uma limpeza verdadeiramente extraordinaria. Mas trahia-se pela natureza dos toques e as circunstancias que os rodeavam. A creança contava, com uma tal accentuação de verdade que não pôde duvidar-se, que era vulgar sua mãe acordá-la durante a noite entregando-se com ella a essas praticas que duravam por vezes uma hora. E durante esta scena a mãe estava offegante, as faces coravam, o olhar animáva-se, os seios agitavam-se e parava, por fim, prostrada, banhada em suor. O exame da creança foi concludentíssimo. As partes genitaes foram a sede de uma deformação inteiramente característica, a vulva apresentava-se larga e aberta, o hymen, completamente rasgado, estava reduzido a um annel indurado e a vagina, excessivamente alargada, permittia o accesso de vários dedos. O mesmo se observava do lado do anus, cujo orifício revelava as violências repetidas de que fôra victima. De resto era exteriormente interessante e a sua saúde geral pouco ou nada tinha soffrido.

T o d a s estas misérias sexuaes, sem duvida mais repugnantes zemos, não do que sem nitida. Paris, 1878. todas lhes as dar outras que expopodem, a meu ver, admittir-se nem uma origem psy-

comprehender-se cho-pathologica

(i) Altcntats aux mceurs.

A VIDA S E X U A L

A basta

sua etiologia é difficil de d e t e r m i n a r .

Não

e n u n c i a r a d i f i c u l d a d e de o b t e r a satisfaD e v e m o s ligar m a i o r i m p o r da libertinagem que fazem até ao ultimo e x t r e m o , e, existencia de nem

ção genesica, nem tão pouco evocar como causa o cançaço genesico. tancia aos e x c e s s o s nivel moral descer o constitue Até

s o b r e t u d o , á influencia d a s t a r a s n e r v o s a s e q u e a c a u s a f u n d a m e n t a l da não foram taes d e s o r d e n s . hoje ainda preconisados aconselhados processos alguns de tratamento. A suggestão deveria produzir algum bem e por mais a s q u e r o s o s que estes doentes se nos apretratamento conveniente. do que os Os pris e n t e m p r e c i s a m o s , c o m o m é d i c o s , ser c o r a j o s o s , aconselhando-lhe moraes, E' por só bem leprosos não m o r r e m pelas ruas, e estes leprosos mais de repugnantes meiros, não d e v e m t a m b é m ficar ao abandono. depois os judicialmente serem punidos A t é ahi o d o e n t e o c c u l t a , o seu vicio repellente. q u e a d o e n ç a se r e v e l a . todos meios,

E x p o s t o enfim á o b s e r v a ç ã o do medico, forçado á c o n f i s s ã o da p e r v e r s ã o q u e o t o r t u r o u , m u i t o s e n s i n a m e n t o s s e p o d e r i a m tirar s e s e c o m e ç a s s e m a e n s a i a r m e i o s de t r a t a m e n t o de q u e h o u v e s s e a esperar resultado. E' uma questão medico-social que tanto deve interessar ao sociologo c o m o ao medico. C h a m a m o s a a t t e n ç ã o d o s q u e nos l e r e m p a r a e s t e a s s u m p t o , p o r q u e a sua i m p o r t a n c i a é g r a n d e n a v i d a d a s s o c i e d a d e s e , a t é h o j e , n ã o t e m sido estudado convenientemente no campo da pathologia mental.

A

VIDA

SEXUAL

DOS

ALIENADOS

Por d'essas

vezes, no alterações

decurso nos

da exposição das psyreferimos do á presença sexual Examiinstincto

cliopathias

sexuaes,

mórbidas

em diversas formas da alienação mental. da sua vida sexual.

nemos pois algumas d'essas f o r m a s sob o aspecto

Idiotia ( i ) .

— A

vida

sexual

é

muito

pouco

desenvolvida nos idiotas, faltando por vezes completamente nos mais atacados d'esta enfermidade. As partes genitaes são, nestes casos, pequenas, a t r o p h i a d a s e a m e n s t r u a ç ã o , se e x i s t e , é m u i t o reduzida. Os idiotas ou são impotentes ou estereis. M e s m o nos idiotas mais elevados a vida sexual é

(i) A idiotia é a obliteração congénita, mais ou menos completa, das faculdades mentaes ( F O V I L L . E ) .

24'2

A VIDA S E X U A L

uma

coisa de

secundaria. com que cio

Quando

muito

apparece é uma uma Pode

periodicamente especie

intensidade. exige Geralmente,

Então

impetuosamente

satisfação genesica.

c o m esta baixa

intellectualidade, não ha perversões sexuaes. sexual e em frente duma resistencia

p o r e m acontecer que sob a impulsão da satisfação qualquer elle a t a q u e os seus p a r e n t e s mais p r o x i m o s e os pretenda violentar pela Por vezes tem o força. E' o que, p a r a a instinctivo de que sua intelligencia rudimentar, se afigura rasoavel. sentimento esses actos obscenos não são permittidos em publico p r o c u r a n d o realiza-los em das vistas de testemunhas, logar solitário e longe mas na maioria dos

casos nem p r o c u r a m esse natural recato.

Imbecilidade ( i ) . mente tão

Os

imbecis

são

geralcomo os

sexualmente

desenvolvidos

indivíduos normaes.

E' raro encontrar entre elles

as perversões genesicas, c o m e x c e p ç ã o do onanismo e da bestialidade q u e elles p r e f e r e m ás l i g a ç õ e s normaes. Difficilmente se esforçam por se ligar ás pes(EMMINGHAUSS),

soas adultas do outro sexo. P o r v e z e s p r o c u r a m as c r e a n ç a s e instincto sexual. Os dão-se c o m ellas a m a n i f e s t a ç õ e s i m p u d i c a s do exhibicionistas são muitas

vezes imbecis. (1) A imbecilidade é um estado em que, por fraqueza dos orgãos do pensamento, os indivíduos são d'uma mediocridade tal que não podem elevar-se aos conhecimentos communs ás pessoas da mesma edade, da mesma categoria e da mesma educação ( E S Q U I R O I . ) .

A VIDA S E X U A L D O S A L I E N A D O S

Deinencia ( i )

Esta

affecção

mental

é

quasi

sempre consecutiva. tudo casos
BAIIXARGER).

E' o t e r m o , a t r a n s f o r m a ç ã o Ha con(TUCKE,

final d a s d i f f e r e n t e s e s p e c i e s d e l o u c u r a . raros de demencia São primitiva

A vida sexual dos dementes é semeimbecis. v u l g a r e s entre elles

lhante

á

dos

os ultrajes ao p u d o r , o exhibicionismo, as violências sobre m e n o r e s , a bestialidade, etc.

Demencia

senil.

Estes

esgotados téem

quasi

sempre u m a vida sexual avariada que, em muitos c a s o s , é a d o m i n a n t e q u e os d i r i g e . praticar as repugnante. Chegam a maiores infamias e com um i m p u d o r As suas predilecções t e n d e m geralJá a traz nos r e f e r i m o s a de reeditar neste

mente para as approximaçÕes sexuaes com creanç a s de sexo differente. casos logar. d'estes, que escusamos

Paralysia trabalho,

geral (2).

Já, p o r mais d ' u m a vez, como causa de graves

nos r e f e r i m o s a esta d o e n ç a no d e c u r s o do n o s s o apresentando-a

(1) E' uma affecção mental, ordinariamente apyretica, caracterisada pelo enfraquecimento de todas as faculdades psychicas ( E S Q U I R O L ) . (2) Esta doença é caracterisada clinicamente pela coexistência de lesões somaticas — consistindo principalmente em hesitação da palavra, tremulo dos membros, perturbações da sensibilidade e enfraquecimento muscular; e lesões psychicas — consistindo num estado constante de

302

A VIDA S E X U A L

perturbações festar. a t é ahi O

genesicas.

E , c o m effeito, assim é .

L o g o no periodo da incubação se começa a manic a r a c t e r perverte-se-lhe e um h o m e m , honesto e b e m c o m p o r t a d o , principia por A princi-

praticar as mais revoltantes obscenidades, violando menores, praticando a pederastia, etc. pio ha as manifestações resultantes d u m instincto, sexual e x a g g e r a d o , e os paralyticos p r o c u r a m espectáculos obscenos, frequentam os lupanares, projectam mental d'outras realisar scenas duma lubricidade própria da R o m a d e c a d e n t e ; mas á medida que a f r a q u e z a augmenta os doentes descem á execução exhibicionistas, masaffirmamos abunmedica
(TARDIEU,

praticas, tornam-se

t u r b a d o r e s , conquistadores de c r e a n ç a s , etc. C o m o demonstração do que dam O os casos na litteratura as suas
MENDEL, WESTPHAL ).

que caracterisa

manifestações mór-

bidas é especialmente a maneira brutal c o m o estes doentes tentam satisfazer o seu instincto sexual.
LEGRAND

Assim, num caso observado por rua.

conta-

se que um p a e de familia se m a s t u r b a v a em plena Depois do acto engulia o e s p e r m a !
U M d o e n t e de K R A F F T - E B I N G , o f f i c i a l d o e x e r c i t o ,

e de boa familia, praticava numa cidade de estação, e á vista de t o d o s , t e n t a t i v a s o b s c e n a s s o b r e rapariguitas de pouca edade. Em casos raros, os paralyticos geraes podem descer a outras formas de torpezas sexuaes.

demencia, que pode existir isolado, mas que não exclue as mais variadas formas delirantes ( J. DE M A T T O S ). Anatomicamente a doença consiste numa periencephalite intersticial diffusa.

A VIDA S E X U A L DOS ALIENADOS

3 IQ appa-

Segundo recem por

as o b s e r v a ç õ e s vezes, quer da nas

de

TARNOWSKY

phases

prodomicas,

quer no decurso e bestialidade.

doença, casos de pederastia

O p a r a l y t i c o geral é pois um p e r v e r t i d o sexual quasi completo. tas estes infelizes. As próprias perversões moraes protognisde que tratamos tem muitas vezes por

Melancolia. lancolia um

Precisemos geral ou

em

primeiro

logar

a significação d'este termo. delirio A um depressiva. ESQUIROL, que, sobre palavra

D e v e definir-se meparcial de natureza creada se por torna Ijpemania,

applica-se de preferencia aos casos em fundo geral deprimido,
DE MATTOS

predominante um A consciência ctos sexuaes.
KRAFFT-EBING

g r u p o circunscripto de idéas e
(I)].

sentimentos delirantes [ J.

e as p r e d i l e c ç õ e s do m e l a n c o l i c o Ha casos porem de masturbação. eram primitiva-

n ã o s ã o f a v o r a v e i s a o d e s e n v o l v i m e n t o d o s instinsustenta em face das suas obsermasturbadores m e s m o antes do desenvolvimento T a l v e z assim seja e na verdade, O meparece

vações mente com

que estes tarados,

da sua psychose. raras

excepções, é s y m p t o m a constante dos quando não pratica a masturbação, a essa por pratica esse

m e l a n c ó l i c o s a f a l t a do a p p e t i t e g e n e s i c o . lancolico, em geral mais por ter excitação Dá-se do que

alguma voluptuosa a friamente, de uma meio por necessidade

determina-lo. prazer.

habito Parece

procurar

(i) Manual das doenças mentaes, Porto, 1884.

24'2

A VIDA S E X U A L

mudança

temporaria

na

sua nitidos

situação

psychica

t ã o m i s e r á v e l e d i g n a de d ó . Ha casos porem b e m excitada. dr.
IMIGUEL

de masturbação

E p a r a o d e m o n s t r a r citarei u m a o b s e r BOMBARDA,

v a ç ã o obsequiosamente cedida pelo professor sr. que é curiosíssima.

X . . . , senhora d e cincoenta annos, d u m a familia e n o r m e m e n t e pés quer abysmos que tarada. Estado Todos de melancolia V i a aos anciosa d a t a n d o de cerca de um anno. terríveis. se E l l a era a g r a n d e c r i m i n o s a . d'ella

tinham morrido. depois de o

S e g u r a v a - s e a qual-

approximasse,

tentar expulsar se se tratava de pessoa desconhecida, e não o largava nem a rogos nem a ameaças. A g g r e s s i v a n e s t a s o c c a s i õ e s , b a t i a , b e l i s c a v a , mordia. quarto E n t r a d a no hospital em 24 de s e t e m b r o . . . hoje menor. Fica bem só no seu e apenas repete as c o s t u m a d a s lamurias está j u n t o d ' e l l a . A i n d a crê que Injuria a s p e s s o a s q u e d e n o v o e n t r a n d o - l h e n o q u a r t o , soffri a s Você A m i n h a L. ( s u a Anciedade

quando alguém todos morreram. Hontem, é 15,

se approximam, para depois as reter. injurias h a b i t u a e s : — V. que v e m cá f a z e r ? u m . . . h o m e m de o p e r a . .. irmã) morreu. bateu-me. cama, çou a Por

D e i x e - m e c á a m i n h a L . , é esta Q u i z morder-me, beliscou-me, estando com eu aos pés da proe comemulher bem fim,

(uma enfermeira).

deitou-se b r u s c a m e n t e para traz masturbar-se com todo o palavras e obscenas por uma de

impudor,

vocando-me de lupanar. do-me com caracteristica.

A c a b o u n u m e s p a s m o v i o l e n t o olhananciedade forma

A VIDA S E X U A L D O S A L I E N A D O S

3 IQ

H a u m outro c a s o muito c u r i o s o d a o b s e r v a ç ã o do illustre alienista, m a s q u e já e s t á em o p p o s i ç ã o c o m este no que diz r e s p e i t o á e x c i t a b i l i d a d e genesica. Em E' o d u r a m e l a n c o l i c o que se m a s t u r b a v a resumo: o melancolico tem sido que se masturba c o m o m e m b r o flácido. n ã o é g e r a l m e n t e um e x c i t a d o s e x u a l . A masturbação apresentada, e com razão, como uma das causas da melancolia.

Mania. — N e s t a vesanica,

outra

variedade

de

loucura por um

psychicamente e tumultuosa

caracterisada necessidade

delirio g e n e r a l i s a d o , c o m viva s o b r e e x c i t a ç ã o d a intelligencia de movimento, apparecem sempre, como symptoma, as toda a doença

p e r v e r s õ e s genesicas. esphera psychica.

A e s p h e r a sexual participa o grau da

t a m b é m da e x c i t a ç ã o geral q u e existe em Segundo

assim o instincto se a p r e s e n t a s o b f o r m a s d i v e r s a s . N a simples e x a l t a ç ã o m a n i a c a o s h o m e n s t e n t a m c o n s t a n t e m e n t e f a z e r a c o r t e a t o d a s as m u l h e r e s , frequentam os bordeis, cercam-se de frivolidades p a r a se e n s i n u a r e m no m u n d o f e m i n i n o ; as mulheres tornam-se coquettes, falam constantemente de historias de c a s a m e n t o s e de e s c a n d a l o s , lançam infundadas suspeitas sobre a honestidade dos o u t r o s , etc. Com gam-se çam-se as mais os a accessos uma furiosos e os homens entreIanás vergonhosa masturbação e

soffregamente elementares

inconvenientemente do pudor

mulheres, com fins de violação. noções

Estas, perdendo fazem

3oó

A

VlbA

SEXUAL

convites directos para a realisação do coito, procuram desejos de presenciar de se scenas exhibicionistas, etc. e até O d e i a m as enfermeiras que as cercam. sujarem excrementos, curiosos, Sentem

c o m saliva, urina,

a c o m p a n h a n d o t u d o isto d e s c e n a s de movi-

masturbação que não occultam aos olhos dos acompanhando-as, por vezes,

mentos característicos da bacia.

Loucura conhecida de formas

circular. pelos alternas,

Ksta

vesania,

também delírio sucpela

nomes etc., é

de psjxhose

cyclica,

caracterisada

c e s s ã o regular de períodos de d e p r e s s ã o e excitação psychica, ou reciprocamente. N o s casos d'esta doença existem por vezes manifestações ou accentuações mórbidas sexual. O sentimento E' genesico notável pode ter um caracter
(I)

da esphera

pervertido.

u m c a s o de

SERVAES

c o m o demonstração do que aífirmo.

Catharina W . . . , de dezaseis annos, não menstruada. O pae é um individuo exaltado e facilmente encolerisavel. Sete semanas antes da sua admissão (3 de dezembro de 1872 ) apresentava depressão melancólica e irritabilidade. Em 27 de novembro teve um accesso de loucura furiosa que durou dois dias. Em seguida depressão melancólica. No dia 6 de novembro estado normal. A 24 de novembro (vinte e oito dias depois do primeiro accesso furioso ) estava tranquilla e deprimida. No dia 27 estado

(1) Transcripto de

KRAF FT-EBING,

obr. cit.

A

VIDA

SEXUAL

DOS

ALIENADOS

3

IQ

de exaltação, com tendencias amorosas para a sua enfermeira. Estas tendencias homosexuaes reappareeeram nos accessos seguintes. Tornou-se menstruada e melhorou muito.

GOCK

cita

o

caso

dum

individuo

que

durante

os accessos furiosos se tomava por mulher. Ha sob casos muito i n t e r e s s a n t e s e m q u e o s sentiapenas se sem manifestam

mentos sexuaes morbidos seguida instincto d'estes de sentia que ao estado normal

a forma de accessos periodicos. voltando em que do lado do algum de Ha casos senhora sexual bem appareça symptoma

perversidade

ou intensidade anormal. averiguados como o d u m a praticas

bons costumes que, impulsionada

de t e m p o s a tempos, se indecorosas
TARNOWSKY

para

c o m r a p a z e s ( A N J E L ) e os c i t a d o s por demoradamente sexual. documentou psychopathia Estão e paes sentem mais maes de

este

ponto

da

nestas condições familia que, actos os impulsionados

certos homens casados de tempos a t e m p o s se para os que,

irresistivelmente sexuaes, actos os

abominaveis e detestam bem

enquanto

nos períodos de intervallo, são sexualmente norpraticados casos de nesses p a r o x y s m o s r e c e a n d o ter n o v o s a c c e s s o s . Estão Na estudados ha e pederastia pela periódica realisados nestas m e s m a s condições. verdade semelhanças verdadeiras, d'estes periodicidade b a m o s de pelos caracteres e de extravaformar

gantes accessos, c o m a loucura cyclica a que acareferir-nos que parecem uma variedade especial.

24'2

A VIDA S E X U A L

Epilepsia. — C o m o

se

sabe

é

esta

doença

muitas vezes a causa de enfraquecimento psychico e p o d e d a r o r i g e m a t o d o s os f a c t o s de s a t i s f a ç ã o sexual brutal um de que grupo falámos. de Conhece-se na psychiatria loucuras, designadas

n e u r o p a t h i c a s , entre as q u a e s a l o u c u r a e p i l e p t i c a occupa o primeiro logar. epileptico, muito mesmo nos característico. Os O e s t a d o p s y c h i c o do casos seus mais benignos é desejos genitaes

são muito v i v o s .

Em muitos casos são satisfeitos Umas

pelas praticas onanistas, outras vezes por meio de r e l a ç õ e s c o m c r e a n ç a s e pela p e d e r a s t i a . v e z e s estas tendencias são permanentes, constantes, nunca a b a n d o n a m o epileptico; outras vezes apresenta, com excessiva intervallos, os s y m p t o m a s d u m a que geralmente coincide sexualidade

com os accessos do seu mal. S ã o os casos mais vulgares. Este a s s u m p t o é duplamente interessante sobre o p o n t o de vista clinico e m e d i c o - l e g a l . O epileptico as que as durante os accessos entra a num resclase que estado contra sica, todas E de inconsciência absoluta s e m resistencia Definindo velha ter com fala a escola

impulsões sexuaes. responsabilidade de que nos vezes que tinha

ponsabilidade criminal epilectico lançava homem

poderá accessos

aquelle

KRAFFT-EBING

repetidos se era um

á própria m ã e pretendendo estuprá-la ? passados esses momentos, apparentemente normal e d ' u m a moraliT i n h a completa amnésia do que se

contudo,

dade severa.

passava durante os accessos.

A VIDA S E X U A I , D O S A L I E N A D O S

E

ao

lado

d'este

caso

quantos

outros

não

poderiamos sionados que força possa

collocar(i)! a pratica moral obrar, de de ou na actos obscenos sua sem

Os epilepticos são portanto muitas vezes impulpara alguma de conveniência os inconsciência

impedir

criminosa.

Hysteria. sicas ricas. Quando base se

— Nesta encontram á

neurose entre se

a

vida

sexual

é

muitas vezes anormal.

T o d a s as anomalias geneos hystericos e hystejuntam de complicações existe uma

hysteria

extranhas, quando degenerativa ral, p o d e m na cem

fundamentalmente hereditaria

decadencia mo-

apparecer

as mais perversas formas. Q u a n d o apparevêem ás vezes

A hysteria é, c o m o se sabe, muito mais vulgar mulher do que as no homem. hystericas manifestações hystericas ha a

c o m ellas as m a i o r e s a b e r r a ç õ e s genesicas. Nas vida s e x u a l e n c o n t r a - s e vulintermittencias que g a r m e n t e excitada, contudo ha e x c e p ç õ e s e nessa excitação Por são muitas as vezes correspondem ás épocas menstruaes. vezes hystericas são a r r a s t a d a s inconOutras vezes homosexuaes, para os actos scientemente para a prostituição.

impulsionadas etc.

para scenas de d e p r a v a ç ã o com creanças, para o onanismo,

( I ) . Vid. observações de S I M O N , K I E R N A N , citados na obr. cit. de K R A F F T - E B I N G .

CÁSPER,

etc.,

24'2

A VIDA S E X U A L

SCHULE

diz c o m r a z ã o que o instincto genital m o r b i d a m e n t e alte-

d a s h y s t e r i c a s p o d e ser tão

r a d o q u e « se t r a n s f o r m a m em M e s s a l i n a s raparig a s p r e d i s p o s t a s e até e s p o s a s que v i v i a m felizes no seu lar». Ha h y s t e r i c a s que em v i a g e n s de n ú p c i a s t é e m t e n t a d o fugir c o m o p r i m e i r o hom e m q u e lhes a p p a r e c e e o u t r a s q u e t e n d o sido h o n e s t a s e b e m c o m p o r t a d a s , sob a influencia da sua doença, sacrificam toda a sua felicidade á sua insaciavel avidez s e x u a l . O u t r a s v e z e s ao l a d o d estes e x c e s s o s g e n e s i c o s p o d e m a p r e s e n t a r a maior frigidez s e x u a l . Foi-nos sr. dr. o b s e q u i o s a m e n t e cedida u m a o b s e r v a BOMBARDA,

ç ã o d e m o n s t r a t i v a d'esta v e r d a d e pelo p r o f e s s o r
MIGUEL

que

é

digna

de

ser

registrada. Rapariga g e m (?). Hysteria toque, dez. um espasmo. genital beijo, extremamente bastam para intensa. Um o lhe produzir de vinte e um annos, solteira. Vir-

Ha tres m e z e s a mais absoluta frigi-

N ã o tem sonhos lúbricos c o m o d ' a n t e s ; o s

t o q u e s e a f a g o s s ã o indifferentes, e os p r o p r i o s t o q u e s locaes não t r a z e m n e n h u m a c o n s e q u ê n c i a : « Pode estar a provocar o espasmo q u a n t o t e m p o ». Q u i n z e dias deC a s t r a ç ã o por a f f e c ç ã o local. A hysteria é nitida. degenerescencia. Ao l a d o da m a i o r e x a l t a ç ã o genesica a m a i o r frigidez! possa que n a d a c o n s e g u e . . .

pois v o l t o u a habitual quentura genital. T e m e s t i g m a s p h y s i c o s de

A VIDA S E X U A L DOS A L I E N A D O S 3 IQ

S u p r e m a incoherencia d u m a neurose a q u e s e não podem marcar limites nos excessos, nem marcar trajectórias symptomaticas.

Nenrasthenia. — N e m
outros tudo psychiatras para existem essas tendencias

KRAFFT-EBING

nem

os

attribuem

aos n e u r a s t h e n i c o s E con-

as p e r v e r s õ e s s e x u a e s .

tendencias pelo menos para D e v e dar-se m e s m o u m a

as praticas onanistas. neurasthenia.

c e r t a i m p o r t a n c i a á m a s t u r b a ç ã o na etiologia da C o n h e c i um p e q u e n o sadista que era um neurasthenico r e c o n h e c i d o .
E'

E s t e c a s o p o r e m poderia dr.
MIGUEI. BOMBARDA O

ser de m e r a coincidência. do professor sr. c a s o seguinte q u e , a o m e s m o t e m p o q u e m o s t r a q u a n t o o o n a n i s m o p o d e a c t u a r c o m o c a u s a da neurasthenia, depois de demonstra que a era doente, uma mesmo excitada neurasthenisada,

sexual c o m d e s e j o s m a s t u r b a d o r e s . E . . . , quarenta a n n o s , c a s a d a . C a s o u - s e aos d e s a s e t e annos. o coito s e n ã o um a n n o d e p o i s . praticava-lhe toques genitaes O marido, para M a s no e n t r e t a n t o , muito r e p e t i d o s , e Depois da realhe era o lhe n ã o c o n t a g i a r d o e n ç a s que tinha, não p r a t i c o u

não sei se t a m b é m o cunilingus. A mulher ficou impassível, Ha dois

l i z a ç ã o do primeiro coito c o n t i n u a r a m a pratica-lo. só o t o q u e annos, a g r a d a v e l , porisso c o n t i n u a r a m a dar-se ás primitivas praticas. percebendo mal q u e tão r e p e t i d a s e x c i t a ç õ e s lhe p r o v o c a r a m , deixou-se de t o d o do a c t o normal e e x t r a - n o r m a l .

24'2

A VIDA S E X U A L

O m a r i d o t o m o u u m a amante e a mulher p a s s a as noites a sonhar no toque e a a c o r d a r s o b r e s a l t a d a tres tes e e quatro v e z e s p o r noite no e s p a s m o final. De dia, appetiver o acto basta Isto não c e s s a ha dois a n n o s . excitações continuadas; realisado por normal

a n i m a e s para que lhe ve-

n h a m d e s e j o s e appetites muitas v e z e s t e r m i n a d o s pelo espasmo ultimo. Neurasthenia confirmada. Uma tem irmã d'esta doente t a m b é m foi pelos toques do marido. excitada Apenas de sexualmente

p a s s a d o noites m á s ,

inquietas e cheias

sonhos eroticos. O n e u r a s t h e n i c o é quasi s e m p r e um d e p r i m i d o . A l g u n s ha porem que téem épocas de excitações g r a n d e s que se r e f l e c t e m na e s p h e r a da sexualidade. Em muitos casos é o onanismo o que seu e c o m p a n h e i r o mais intimo. neurasthenico bem tários. portava U m r a p a z conheci eu, praticava

averiguado,

d e f e n d i a p e r a n t e os seus a m i g o s o vicio d o s soliO d i a v a as mulheres com quem parece se differentemente, segundo as occasiões, Tinha

no que respeita á sua potencia g e n e s i c a . não c o n s e g u i u possuir. Um dia t o m o u u m a amante. noite e i a m lúbricas criptivel. gava-se que Ao quasi dignas uma fim de

a m o r asexual [ e r o t o m a n i a (?)] por m u l h e r e s q u e A descripção que

fazia d a s p r a t i c a s a q u e se e n t r e g o u na primeira ser c o l h i d a s em flagrante T o d a s a s scenas escandecida pode semanas essas entrescenas. p o r algum o b s e r v a d o r d e r a ç a . imaginação de

c r e a r elle praticou n u m a ancia de p r a z e r indesalgumas a publicamente

A VIDA S E X U A L DOS A L I E N A D O S 3 IQ

A

amante

por

fim

atraiçoou-o t r a n s m i t t i n d o - l h e Tornou-se impotente. com outras q u e lhe Coinu m a p a i x ã o por outra tinham tortude p o u c a s Dentro

uma blenorrhagia. cidiam mulher, rado estas scenas eguaes a

a v i d a de

adolescente.

s e m a n a s c o m e ç o u a m o s t r a r t e n d e n c i a s delirantes que mais tarde se confirmaram. E s t e c a s o deu-me s e m p r e a i m p r e s s ã o de que u m a e d u c a ç ã o sexual a b e m c u i d a d a teria evitado serie de d e s a s t r e s q u e a c a b a m o s r a p i d a m e n t e

d e d e s c r e v e r , muito s u p e r f i c i a l m e n t e , tanto q u a n t o é n e c e s s á r i o p a r a mostrar as c o r r e l a ç õ e s i n t i m a s q u e existem entre o o n a n i s m o e a n e u r a s t h e n i a . M o t i v o s m u i t o p a r t i c u l a r e s inhibem-me de d a r á descripção deste caso o desenvolvimento que era p a r a d e s e j a r .

Paranóias. menos

Demonstramos

que

os

pheno-

a n o r m a e s da vida sexual não constituem de descrever. Ha indivíduos porem

tHn f a c t o r a r o nas d i v e r s a s f o r m a s da l o u c u r a q u e acabámos q u e , livres de q u a e s q u e r e s t i g m a s de d e g e n e r e s cencia f u n c c i o n a l , p o s s u e m a e s p h e r a da sua vida sexual carregada de pesadas taras. Muitas vezes até em indivíduos q u e r e p u t a m o s n o r m a e s , encont r a m o s p e r v e r s õ e s r e p u g n a n t e s q u e elles, d i f i c i l m e n t e teriam c o r a g e m d e c o n f e s s a r . D'ahi v e m a idéa de a g r u p a r t o d o s esses c a s o s e f o r m a r u m a entidade n o s o l o g i c a nova entre os delírios s y s t h e m a t i s a d o s já c o n h e c i d o s . paranóia sexual. Não podemos porem Seria a fazê-lo.

H a h e t e r o g e n e i d a d e s n a s a p p r o x i m a ç õ e s dos diff e r e n t e s c a s o s q u e são inteiramente i n s u p p e r a v e i s .
22

24'2

A VIDA S E X U A L

N ã o ha s y m p t o m a t o l o g i a característica que defenda a idéa d ' u m a e n t i d a d e m ó r b i d a nova q u e Pelo c o n g r e g u e t o d o s esses e s t a d o s p a t h o l o g i c o s . m e n o s é esta a nossa opinião. Nas diversas formas de paranóias conhecidas S ã o par-

e x i s t e m a l t e r a ç õ e s d o sentido g e n e s i c o . religiosa.

t i c u l a r m e n t e mais v u l g a r e s na paranóia erótica e Na paranóia erótica o e s t a d o de s u p r a - e x c i t a ç ã o sexual n ã o se manifesta t a n t o pelos actos e proc e s s o s q u e visam d i r e c t a m e n t e á s a t i s f a ç ã o s e x u a l , como por um amor platonico, u m que isso lhe d á . enthusiasmo Por vezes r o m â n t i c o por u m a pessoa do outro s e x o e p e l a s a t i s f a ç ã o esthetica esse enthusiasmo p o d e recair s o b r e um p r o d u c t o da imaginação, um quadro ou uma estatua. Quantas paixões não tem já despertado a sublime V e n u s de Millo ? M a s este a m o r s e m v i g o r , a que já n o s referimos, tem mento quência dos das muitas v e z e s por c a u s a o e n f r a q u e c i viris, o q u e é u m a conseda masturbação. attributos

praticas repetidas

E s s e a m o r a q u e d ã o o titulo r e c a t a d o de casto o c c u l t a por v e z e s no seu intimo muitos e x c e s s o s e abusos sexuaes. P o r v e z e s e s t a s b o a s i n t e n ç õ e s são q u e b r a d a s inesperadamente. Ha os u l t r a j e s ás e s t a t u a s e as t e n d e n c i a s n y m p h ó m a n a s de a l g u m a s m u l h e r e s que devaneiam com platonicos amores, a demonstrar o q u e a f i r m a m o s . A o l a d o d a paranóia erótica c o l l o c a m o s , e c o m r a z ã o , a paranóia religiosa. Os d e l i r a n t e s encon-

A VIDA S E X U A L D O S A L I E N A D O S

3

IQ

t r a m a s a t i s f a ç ã o s e x u a l ou p o r m e i o da m a s t u r b a ç ã o o u p e l o e x t a s e religioso q u e r e c a e s o b r e a pessoa d u m padre, d u m santo o u d'uma santa O que foram todas essas grandes ascetas das épocas e extraordinários
THEREZA DE

que preferiram. mysticas Se

passadas senão doentes sexuaes ?
SANTA JESUS

fosse sexualmente

n o r m a l n ã o teria d e s e n v o l v i d o a a c ç ã o e s u p e r i n tendência que exerceu. Loucamente apaixononada p o r J e s u s v i a - o , sentia-o e m s o n h o s e e m v i s õ e s emaranhadas e confusas, cujo alcance não attingia bem e que explicava em conformidade com as suas crenças. Immensamente se semelham as duas variedades d e a m o r : s e n s u a l e religioso. mysticos não é se instincto, uma mente, O tal e tem força sem transcendentes. Um No e outro amor são sexual

a c o n s c i ê n c i a do v e r d a d e i r o fim do E, contudo, um conheciA para impulsora a que se o b e d e c e c e g a por

a propagação da especie. se poder explicar succede com

m e n t o nitido d a s a t i s f a ç ã o f u t u r a . mesmo que a o amor religioso. campo vasto f e l i c i d a d e d e s e j a d a e o s e r a m a d o s ã o de n a t u r e z a imaginação tem idealizações. A f e l i c i d a d e q u e a m i r a g e m do i n s t i n c t o s e x u a l nos apresenta é incomparável e incommensuravel ao lado de todas as outras sensações de prazer. O m e s m o se pode dizer das venturas promettidas p e l a fé religiosa e q u e s ã o infinitas em t e m p o e em q u a l i d a d e . A sua s e m e l h a n ç a no q u e r e s p e i t a á natureza inconcebível do seu objecto, faz c o m q u e estes dois e s t a d o s d ' a l m a s e j a m s u s c e p t í v e i s de p a s s a r a um e s t a d o i n d e f i n i d o em q u e a v i v a -

3.6

A VILlA S E X U A L

cidade do sentimento se evidenceia sobre a nitidez e a estabilidade das idéas. estas este duas grau, variedades podem ainda ser de a E' o e x t a s e . amor são consequência Quando a do um elevados

outro, ou mesmo Os paráveis que os

um e outro p o d e m apparecer ao

tempo. aos enleva. os dos apaixonados. Os e grandes as Uns e outros e os Os são

voluntários sacrifícios dos ascetas são com-

q u e r e m mostrar que acima da vida está a paixão apaixonados de Jesus g r a n d e s mysticos téem pois o m e s m o fundo. Leandros, Ligoris There\as intimamente que muitas do idênticas. das mysticas dos séculos passados,

E, por mais que pese a heresia, somos em dizer' que hoje passam com f a m a de santas, teriam sido heroinas século, se se t i v e s s e m s u b t r a h i d o á i n f l u e n c i a d a e d u c a ç ã o q u e lhe m i n i s t r a r a m . E ' fácil p o i s e x p l i c a r a v u l g a r i d a d e d o s d e l i c t o s sexuaes nos paranoicos religiosos. N ã o é só á m a s t u r b a ç ã o que p r e t e n d o referirme. que dade. Ha perturbações abundam citações sexuaes mais graves e de nos livros da especiali-

Citarei um caso de incesto o b s e r v a d o por

LIMAN (I). M. . . , pae de familia, teve relações com uma filha sua que se tornou gravida. Sua mulher, mãe de dezoito filhos, e que também se achava gravida denunciou o marido. M. . . soffria ha dois annos de paranóia religiosa. « Foi-me annunciado pelo céo, dizia elle, que devia deitar-me com minha filha, o eterno sol. Das nossas relações nascerá um homem que datará de ha dezoito séculos. Este homem

(i)

Cit.

por

KRAFFT-EBING,

obr.

cit.

A VIDA S E X U A L DOS A L I E N A D O S

3 IQ

será uma ponte para a vida eterna entre o Antigo e o Novo Testamento. » O louco obedecera a esta impulsão, que segundo affirmava, era uma ordem vinda do céo.

GIRAUD

c i t a urrr c a s o d e i m p u d i c i c i a s p r a t i c a d a s por um paranoico religioso de annos Etc. e
MARC

sobre

rapariguitas e tres

quarenta

refere

o

d'uma

mulher que se m a s influencias.

tornou adultera debaixo das mes-

A o l a d o d a p a r a n ó i a e r ó t i c a e d a p a r a n ó i a religiosa outras variedades ha que podem explicar alguns delictos sexuaes. paranóia da perseguição. v a ç ã o de nito de
KUESSUER.

E' o que s u c c e d e c o m a E' notável uma obserum peque-

U m a m u l h e r de trinta a n n o s

attrahira com

promessas de dinheiro Esta

cinco annos com q u e m se deu a praticas m u l h e r f ô r a institutrice. da sua conducta,

sexuaes imperfeitas. a cair na prostituição

E n g a n a d a pelo seductor que a conquistou c h e g o u apesar antes d'essa é p o c a , ter sido d u m a m o r a l i d a d e rigorosa. E x p l i c a v a o seu d e s r e g r a m e n t o de c o s t u m e s seductor dizendo-se estar sob a influencia do seu taes actos. essa torpeza. brutal Teria sido

( d e l i r i o p e r s e c u t ó r i o ) q u e a o b r i g a v a á pratica de elle q u e l h e c o l l o c a r i a a mais infeliz c r e a n ç a no c a m i n h o p a r a a o b r i g a r a

E na v e r d a d e não se poderia sup-

pôr que o movei do crime fosse uma sensualidade pois ser-lhe-ia m u i t o fácil s a t i s f a z e r o s e u appetite genesico d u m a maneira natural.
CUI.LÈRE

refere própria que

que irmã

um

seu o b s e r v a d o tentara a uma pretenbonaelle exerciam os

violar dida

a

cedendo

pressão

sobre

partistas.

318

A VIDA S E X U A L

E os

casos

ha que

dos por

perseguidores vezes

terem e

levado até da lhes

p a r a n o i c o s á pratica do o n a n i s m o

pederastia repugna. E apesar

immensamente

de

termos

passado

em

revista

as

f o r m a s d e loucura q u e p o d e m relacionar-se c o m a s p e r t u r b a ç õ e s g e n e s i c a s , ainda não e n c o n t r a m o s entre ellas explicação sexuaes r e g u l a r para entre as as grandes avulta a perturbações gnante. sobre quaes

necrophilia c o m o a mais h e d i o n d a e a mais r e p u A sua etiologia firma-se em d i v a g a ç õ e s E' q u e ha ser doenças N ã o podeLonge tragenesicas que parecem t a r a s n e r v o s a s e p o u c o mais.

perversões

mentaes typicas, embora muito raras.

ríamos agrupá-las t o d a s num só e s t a d o m o r b i d o , mas podemos enumerá-las separadamente. porem de balho doenças que mentaes só um características, de de m i m a idéa de lhes q u e r e r d a r f ó r o s seria psychiatra valor poderia

conseguir. A salyriasis referimos occupa estado nella geral. O mesmo podem dizer para a necrophilia, s a d i s m o , m a s o c h i s m o , i n v e r s ã o sexual, etc., m a s o q u e é c e r t o é que muitas v e z e s , por mais que se e s t u d e m os d e l i n q u e n t e s , n a d a se lhes encontra o de um são e a nymphomania estados a que atraz nos

d e excitação p s y c h i c a e m Alguns quizeram psychiatras um ver apenas

q u e o instincto genital, a c c e n t u a d a m e n t e m o r b i d o , primeiro que esta logar. quizeram excitação parcial constituísse duma

loucura, outros phenomeno

psychose

A VIDA S E X U A L D O S A L I E N A D O S

3 IQ

de anormal c o m exclusão do que se refere á vida genesica. Nunca. Esses actos pervertidos são uma mórbida. importantes vida sexual. a fim de Foram do determinados do cerebro como lado na manifestação alterações esphera da no por E devemos porventura admittir que estes individuos são normaes ?

P o r isso a p p e l l o p a r a o s p s y c h i a t r a s os classificarem, merecem,

logar que lhes c o m p e t e no q u a d r o da nosographia mental.

Í N D I C E

PAG.

INTRODUC CÃO NEUROSES SEXUAES MÓRBIDA . . . .

i

.
. . .

.
. . . .

.
. . . .

.
. . . .

5
19 46 69 87

HETEROSEXUALIDADE

Necrophilia Masochismo Devassidões heterosexuaes . Historia Uranismo Homosexualidade feminina . Tratamento Erotomania Exhibicionismo Onanismo Feitieismo Bestialidade
PERVERSÕES MORAES . . . . . .

.

.

.

.

.

io3
112

.

.

.

.

158

211
. . . . 2 1 5

.
.

.
.

.
.

.
.

283
289

324

A

V I D A

SEXUAL
PAG.

A VIDA S E X U A L D O S A L I E N A D O S

299

Idiotia Imbecilidade Demencia Demencia senil Paralysia geral Melancolia Mania Loucura circular Epilepsia Hysteria Neurasthenia Paranóias
ERRATAS

299 3oo 3oi 3oi 3oi 3o3 3o5 3o6 3o8 309 3n 3i3
321

f

E R R A T A S

Passaram alguns lapsos typõgraphicos de fácil correcção. O leitor intelligente corrigí-los-ha e desculpará o auctor, attendendo á precipitação com que foi impresso este volume.

» » * i. 5

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K ;

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