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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO

GEOPROCESSAMENTO APLICADO
AO PLANEJAMENTO URBANO E RURAL

MÓDULO
ESPAÇO GEOGRÁFICO BRASILEIRO:
UM RECORTE NO ESTADO DO AMAZONAS

Professora Cilene Gomes

INTRODUÇÃO

* Justificativa do módulo
* Objetivos do módulo
* O objeto de estudo do módulo

JUSTIFICATIVA

Este módulo intitulado “ Espaço Geográfico Brasileiro: um Recorte no Estado do


Amazonas” justifica-se, neste curso de especialização em geoprocessamento
aplicado ao planejamento urbano e rural, pelas seguintes razões:

1ª) O espaço geográfico constitui o objeto do conhecimento em qualquer


aplicação de técnicas de geoprocessamento. Ele é o ponto de partida e a
finalidade de qualquer projeto de aplicação do geoprocessamento.

2ª) Todo projeto de aplicação de geoprocessamento presta-se a uma


sistematização e processamento de informações a respeito do mundo real, que
se organiza no espaço geográfico, em qualquer escala de tempo e recorte
territorial observados.

3ª) As atividades do planejamento urbano e rural pressupõem um


conhecimento da realidade em questão, ou seja, do espaço urbano e rural. As
técnicas do geoprocessamento se prestam a melhor organizar, qualificar e
gerenciar as informações que contribuirão para um conhecimento cada vez
melhor deste espaço.

OS OBJETIVOS DO MÓDULO

1. Propiciar uma visão abrangente das relações entre espaço e sociedade no


Brasil, considerando o seu processo de constituição e sua realidade atual.

2. Neste contexto, estabelecer um recorte de estudo no Estado do Amazonas,


em vista de:
- Caracterizar a geografia do meio natural e a geografia humana, a dinâmica de
atividades produtivas e sociais, o equipamento territorial e a organização do
espaço;
- Identificar as principais problemáticas sócio-espaciais do Estado, bem como os
desafios atuais que se apresentam ao planejamento urbano e rural e aos
processos de gestão;
- Destacar a necessidade de novos estudos e análises do meio natural, das
regiões, das cidades e do espaço rural, para os quais o recurso ao
geoprocessamento mostra-se de grande significado político, social e econômico.

OBJETO DE ESTUDO: O ESPAÇO GEOGRÁFICO BRASILEIRO

* Conceitos e realidade
* Uma leitura da história da formação sócio-espacial brasileira

CONCEITOS E REALIDADE

“O ato de definir, claramente, o objeto de uma ciência é


também o ato de construir-lhe um sistema próprio de
identificação das categorias analíticas que reproduzem,
no âmbito da idéia, a totalidade dos processos, tal
como eles se produzem na realidade” (Santos, 1980).

Para adquirirmos uma compreensão mais completa do espaço geográfico


brasileiro, precisamos, antes de tudo, estudar os conceitos de espaço e outros
conceitos que lhes são pertinentes, tais como: Território – Região –
Localização – Lugar – Paisagem – Ambiente.

Espaço

A noção de espaço cobre uma ampla variedade de objetos e significações.

In: Milton Santos, Pensando o espaço do homem, 2004 (5ª edição).

* O espaço é a acumulação desigual de tempos. O espaço é tempo, é uma


localização do tempo. O espaço é história.

In: Milton Santos, Por uma geografia nova, 1980.

* O espaço humano é a morada do homem, seu lugar de vida e trabalho.


* O espaço geográfico é a natureza transformada pelo homem através do seu
trabalho. Segunda Natureza.
* O espaço se define por um conjunto de relações sociais (estrutura) que se
realizam através de processos, funções e formas.
* O espaço é um fato social (realidade objetiva, independente de nossa
percepção).
* O espaço é um fator social: está presente e tem um certo domínio sobre a
vida cotidiana dos indivíduos; é um dado passivo (inerte), mas que condiciona
as atividades humanas e comandam a prática social (inércia dinâmica). “As

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determinações sociais não podem ignorar as condições espaciais existentes”. É
uma dimensão ativa no devir da sociedade.

* O espaço como instância social: como as outras estruturas sociais, o espaço


constitui também uma estrutura subordinada-subordinante. Constitui uma
mediação indispensável para o estudo da sociedade. O enfoque estrutural:
supõe as proporções entre as variáveis que, historicamente, dão como
resultado uma dada situação, que será, em cada período, a situação atual, o
estado da organização sócio-espacial.

In: Milton Santos, A natureza do espaço, 1996.

O espaço: um conjunto indissociável de objetos e ações; de fixos e fluxos.

Território

In: Larousse Cultural

* Grande extensão de terra; área de um país, um Estado, uma cidade; área


sujeita a uma jurisdição qualquer.

* Âmbito geográfico de exercício de poder. Delimitado pelas relações de poder,


supondo domínio ou autonomia política, também encerra uma materialidade
(sustento econômico e identidade cultural).

* Uma fração do sistema da natureza-terra sob jurisdição e soberania de um


Estado-Nação.

* O espaço de uma nação, ou Estado-Nação.

In: Milton Santos O Brasil, 2004 (6ª edição).

* Por território entende-se geralmente a extensão apropriada e usada. O


território é o nome político para o espaço de um país. A existência de um país
supõe um território. Mas a existência de uma nação nem sempre é
acompanhada da posse de um território e nem sempre supõe a existência de
um Estado. Pode-se falar de territorialidade sem Estado, mas é impossível a
idéia de um Estado sem um território.

* Configuração territorial: é o território mais o arranjo de objetos naturais e


artificiais.

* O território usado: sinônimo de espaço geográfico. A utilização do território


por um povo cria o espaço.

* A idéia de territorialidade: o caráter/identidade do território brasileiro.


“Pertencer àquilo que nos pertence. Supõe a preocupação com a construção do

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futuro”. O conflito entre progresso técnico e econômico versus a defasagem
social.

Região

* Categoria tradicional dos estudos geográficos  remete à idéia de recortes


do espaço e supõe a idéia de escala (níveis de intencionalidades que se revelam
através de decisões e repercutem na ordem econômica, cultural, política e
territorial). Uma entidade autônoma, com características particulares.

* Um espaço com características físicas e sócio-culturais homogêneas, fruto de


uma história que tece relações que enraízam os homens em dado território e
que particularizam este espaço de modo a distinguir-se dos demais.

* Uma porção do espaço geográfico dotada de individualidade.

* A região: integração e síntese dos aspectos humanos e naturais.

* A região como uma construção do pesquisador.

* Uma divisão ou fração do espaço a partir de homogeneidades e


heterogeneidades.

* A região pode se fundar em áreas não contíguas.

* A região, para as finalidades do governo ou administração. Regionalizar:


dividir o espaço segundo critérios.

* Hoje: as regiões constituem versões do que acontece no mundo.

“Lugares e áreas, regiões ou subespaços são, pois, unicamente, áreas


funcionais, cuja escala real depende dos processos” (Milton Santos).

Localização

O fenômeno geográfico por excelência. O espaço é feito de localizações.


Traduz-se por esta busca constante da sociedade de localizar suas atividades.

In: Milton Santos, Espaço e método, 1989.

Localização: um momento do movimento do mundo concernente a um lugar. É


devido a este movimento que o lugar muda sempre de significação. A
localização subentende um feixe de forças sociais incidentes, convergentes em
um lugar que condicionam a uma situação, valorizando-o diferencialmente.

Remete à idéia de posição relativa. Situação social hierárquica.

In: Flávio Villaça, O que todo cidadão precisa saber sobre habitação.

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* Localização enquanto acessibilidade aos pontos valorizados da cidade.

* Da economia: Localização enquanto vantagens competitivas.

Lugar

* Inspirando-se em J. L. Borges, O aleph, lugar seria o microcosmo. Guardadas


as dimensões, o universo está contido no lugar.

* Os lugares: intermediação entre o mundo e os indivíduos. Cada lugar é à sua


maneira o mundo. A dimensão do cotidiano, onde o mundo se dá como
existência. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do
qual lhe vêm solicitações e ordens precisas, mas é também o espaço da co-
presença, das mais diversas manifestações de espontaneidade e criatividade.

* Porção discreta do espaço total. O lugar é um objeto ou conjunto de objetos.

* Heidegger. O lugar: fundamenta-se nas coisas, que propiciam espaços, que


são deixadas ao seu próprio vigor. Ex: A ponte não se situa num lugar. É da
própria ponte que surge um lugar, que o espaço se arruma ou organiza.
Espaço: lugar arrumado ou organizado.

* A cidade, o lugar por excelência.

Paisagem

“Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta
pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. Não é
formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons
etc” (Milton Santos, Metamorfoses do espaço habitado).

É a dimensão da percepção, dos sentidos, onde a percepção estabelece um


processo seletivo de apreensão.

A paisagem é o nosso horizonte, é um fragmento e, por isso, não pode conduzir


diretamente à compreensão do real.

Meio

Lugar onde se vive. Ambiente.

Ambiente (meio ambiente/ ambiente construído)

Que cerca ou envolve as pessoas ou as coisas. Remete mais às qualidades de


uma organização do espaço

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As noções de formação sócio-espacial e instâncias da sociedade (Milton
Santos).

Essas duas categorias devem ser tratadas como um recurso de método para
uma interpretação da sociedade em seu todo: abrangendo a história do país
nos recortes da economia, da política, da cultura e do território, considerados
como uma totalidade em movimento.

• Autores brasileiros que trabalharam com o conceito de formação econômica


e social: entre outros, Caio Prado Junior, Celso Furtado, Gilberto Freire, e
Milton Santos que propõe, então, junto ao estudo da formação econômica e
social, a formação do espaço.

• Algumas passagens a respeito dessas categorias do método:

In: Sociedade e espaço: a formação social como teoria e método. Espaço e


Sociedade (São Paulo, Vozes, 1982).

"O papel do espaço em relação à sociedade tem sido frequentemente


minimizado pela geografia. Esta disciplina considerava o espaço muito mais
como teatro das ações humanas. (...). Pode-se dizer que a Geografia se
interessou mais pela forma das coisas do que pela sua formação. Seu domínio
não era o das dinâmicas sociais que criam e transformam as formas, mas o das
coisas já cristalizadas, imagem invertida que impede de apreender a realidade
se não se faz intervir a História. Se a Geografia deseja interpretar o espaço
humano como o fato histórico que ele é, somente a história da sociedade
mundial, aliada à da sociedade local, pode servir como fundamento à
compreensão da realidade (p. 9) espacial e permitir a sua transformação a
serviço do homem. Pois a História não se escreve fora do espaço e não há
sociedade a-espacial. O espaço, ele mesmo, é social".

• O espaço é ao mesmo tempo resultado de uma evolução social e condição


da evolução social.
• A categoria de formação econômica, social e espacial: "diz respeito à
evolução diferencial das sociedades, no seu quadro próprio e em relação
com as forças externas de onde mais frequentemente lhes provém o
impulso" (p. 10).

"Modo de produção, formação social, espaço - essas três categorias são


interdependentes. Todos os processos que, juntos, formam o modo de
produção (produção propriamente dita, circulação, distribuição, consumo) são
histórica e espacialmente determinados num movimento de conjunto, e isto
através de uma formação social".

A formação sócio-espacial importa a uma localização dos homens, das


atividades e das coisas no espaço. Importa à unidade (estrutura) e à
diversidade de uma sociedade específica, das relações sociais e econômicas, em
um dado período da história (p. 13 e 14).

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In: As noções de totalidade, de formação social e a renovação da geografia.
Por uma geografia nova (São Paulo, Hucitec, 1980).

"Não estamos interessados nas configurações espaciais por si mesmas (p.


193), mas pelo fato de que exprimem relações sociais e são uma condição para
que as relações entre agentes de uma formação econômica e social possam
exercer-se" (p. 193/94).

A categoria de formação social aplica-se ao contexto de uma realidade


específica ou particular, como a de um país. A noção é vizinha da noção de
estrutura social ou sistema social.

INSTÂNCIA: uma definição vocabular adotada  Elemento dinâmico de um


processo ou organização social.

In: Espace et methode (Paris, Publisud,1989): "Nós consideramos que o


espaço é uma instância da sociedade, da mesma forma que a instância
econômica e a instância ideológico-cultural. Enquanto instância, ele contém e é
contido pelas outras instâncias. A economia está no espaço assim como o
espaço está na economia; e o mesmo se dá para o político-institucional e o
ideológico-cultural. Isso significa que a essência do espaço é social; e neste
caso, o espaço não se limita (p. 5) às coisas, aos objetos geográficos naturais e
artificiais cujo conjunto forma a Natureza. O espaço é tudo isso e mais a
sociedade: cada fração da natureza abriga uma fração da sociedade do
momento considerado” (p. 6).

Uma leitura da história do espaço

* Da idéia de formação sócio-espacial: decorre a idéia de estrutura sócio –


espacial  estrutura / organização (disposição das partes no todo) da
sociedade em relação dialética com a organização do espaço, supondo o
processo de transformações que traduz a história do país;

* E considerando ainda as instâncias da sociedade: a economia, a político-


institucional e a ideológico-cultural:

- Quais as determinações gerais e específicas aos diferentes períodos da


história?
- O que é uma determinação?
- Quais os períodos para uma leitura da história?

- Quais as determinações? Quais as variáveis - força (intencionalidades,


desígnios) que determinaram decisões políticas, estratégias de ação e
processos (de ordem administrativa, institucional etc.)?

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* Partindo da suposição de que “As determinações sociais não podem ignorar
as condições espaciais existentes”:

- Quais as condições espaciais em cada período?

Tempo e espaço: A periodização como instrumento metodológico. A


história como objetivo de método.

- Tudo o que existe articula o presente e o passado e igualmente o presente ao


futuro;
- Essa noção reforça a idéia do espaço relativo: um sistema de relações e um
campo de forças;
- A análise da produção do espaço deve considerar que o tempo é concreto
(objetividade) e não indiferenciado, daí, a idéia de períodos dotados de
características particulares  a ação das variáveis presentes depende das
condições gerais do sistema em que se situam: um elemento do espaço deverá
ser tomado como um dado do sistema temporal a que pertence.
- As variáveis mudam de significado no transcorrer do tempo.
- Os elementos do espaço são datáveis.

Os períodos: noção e delimitação

A noção: escala de tempo, uma secção do tempo, onde, em cada uma, tempo
externo e interno se combinam, por um arranjo de variáveis-força e variáveis-
suporte que estabelecem um modo produtivo e de realização da vida social;

- O espaço se impõe pelas condições que ele oferece para a produção e a vida
social.
- A técnica como “fundamento” para estabelecer a equivalência entre tempo e
espaço  “as técnicas são uma medida do tempo: o tempo do processo direto
de trabalho, o tempo da circulação, o tempo da divisão territorial do trabalho e
o tempo da cooperação”  o espaço, em sua concretude, é formado de
objetos técnicos.

1. Os períodos

A duração dos períodos vai se encurtando, em razão da aceleração


contemporânea:

- De 1500 ao final do século XIX, aproximadamente;


- Final do século XIX: A entrada do país na era industrial;
- Segunda metade do Século XX: Revolução científico - tecnológica e
informacional;
- Um novo período: período demográfico?

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2. As determinações

* Determinações globais da história mundial peculiares aos continentes do


Terceiro Mundo (Ásia, África e América Latina):
• Um fato e dois momentos comuns: a colonização; a passagem do século XIX
para o século XX (a lógica da segunda revolução industrial) e o pós -
segunda guerra (inserção na lógica da globalização econômica e da
revolução científico – técnica e informacional).
• Em última instância: Determinações que estabelecem as formas de relação
entre os comandos imperiais e suas colônias, ou, mais recentemente, entre
os pólos e as periferias do sistema mundial  A causa maior: reside no
processo de sucessivas modernizações que se verifica inicialmente com a
partilha colonial e com as novas etapas que tendem a instituir o processo de
mundialização (possibilitada pela presença das multinacionais da produção
material e da cultura) ou globalização da economia.

• Como no geral da América Latina:

- O Brasil apresenta os primeiros elementos de modernidade no período do


comércio em grande escala, com as cidades nascendo a serviço das relações
com os países colonizadores. Um fato distintivo: a autonomia política se dá
antes da revolução da grande indústria e dos transportes  o que repercute na
emergência de regiões sequiosas de modernidade e geradoras de urbanização,
com cidades que organizaram o seu espaço paralelamente à estruturação de
uma nova economia, onde os interesses estrangeiros tiveram sempre a sua
contrapartida na formação de mercados internos.

- Outro fato significativo: a revolução demográfica na América Latina é anterior


à da África negra e da Ásia.

• A aceleração da urbanização e o desenvolvimento das cidades constitui um


dos apoios dessa história geral da sociedade capitalista que se traduz na
formação de impérios e, hoje, com as remodelações políticas e econômicas
do território dando-se à escala mundial.

As principais determinações: de ordem econômica, política e cultural que


incidiram, decisiva e progressivamente, na formação da sociedade e do espaço
de nosso país:

* As diversas etapas do desenvolvimento atreladas às exigências do modo de


produção capitalista, em suas diferentes etapas até os nossos dias; exigências
do progresso técnico e econômico;

* O Estado: em qualquer nível do poder público, é o intermediário entre as


forças externas e internas e entre as classes dirigentes e demais classes sociais;
indispensável para a manutenção da ordem; a lei vem com o governo, para a
manutenção de uma força de dominação;

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- Condições políticas e a presença de um Estado em boa medida conivente com
as demandas dos diversos agentes hegemônicos, sobretudo externos e no que
respeita ao equipamento do território (condições gerais da produção)  Em
que medida o Estado compactua com determinados interesses e classes sociais
em detrimento da sociedade como um todo;

• As sementes da dominação econômica pelas empresas multinacionais. "A


ideologia do consumo, do crescimento econômico e do planejamento foram
os grandes instrumentos políticos e os grandes provedores das idéias que
iriam guiar a reconstrução ou a remodelação dos espaços nacionais,
juntamente com a da economia, da sociedade e, em consequência, da
política".
• A independência outorgada às colônias africanas e asiáticas faz parte deste
grande projeto.  "Desde que fosse possível o planejamento externo do
desenvolvimento, o estatuto colonial deixava de ser indispensável".
• Uma questão: Como repensar a história de modo a tornar equiparável a
força política do Estado à do cidadão?

* A escravização, a sociedade subjugada, atomizada, com ausência de


autênticas forças de aglutinação. Ausência de organização social e política, de
cidadania  Cidadania versus consumo. A busca de emancipação e identidade.
O embate entre a criação cultural genuína versus cultura de massa.

Condições espaciais

- Ocupação litorânea versus interiorização;


- A estrutura (concentração) fundiária;
- A incapacidade de gerar uma integração do território (fluxos de natureza
econômica de amplitude nacional). Eram as indicações da natureza, tal
como encontradas pelo colonizador que ditava as localizações, com a
demanda externa de produtos sendo o dado motor.
- O vasto arquipélago: um conjunto de "penínsulas" da Europa.

• A entrada do país na era industrial:

- Aparelhamento do território (dos portos, estradas de ferro, um


desenvolvimento das comunicações internas, como o cabo submarino),
reforçando as relações externas, novas formas de participação do país na fase
industrial;

• A formação da região concentrada  concentração e desequilíbrio espacial


 desconcentração:

- A partir dos anos 30: uma nova situação: uma indústria em


desenvolvimento que necessitava ampliar o seu mercado  Integração
inicial de natureza econômica no caso de São Paulo e sua região: as
relações comerciais eram facilitadas por um sistema de transportes

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embrionário. Daí a constituição inicial do que hoje conhecemos como a
região concentrada do país.
• A grande abertura: Com as perspectivas abertas pela revolução científico-
técnica, o país começava a sentir os entraves que a falta de um sistema de
transportes acarretavam dada a suas dimensões continentais.
• Impusera-se a criação de condições espaciais ao florescimento das novas
condições da economia internacional. Facilitar a fluidez das mercadorias,
criando um espaço de circulação. A maior ou menor capacidade de uma
firma de fazer circular seu produto determina a maior ou menor capacidade
de realização de seu poder sobre o mercado;

- O país refluía para o seu centro: capitais privados, investimentos públicos,


população, crescimento e pobreza.
- Nos anos 70: uma reprodução ampliada do que já estava sendo feito:
investimentos públicos mais numerosos, injeção de recursos para atividades
de exportação, mais proteção ao grande capital, menor retribuição ao
trabalho, uma política social deficiente, uma produção social extrovertida.
- Outros fenômenos: a ocupação periférica: da Amazônia, com técnicas
adiantadas; grandes projetos públicos ou privados; capitalismo rural;
renovação urbana, com capitais públicos e valorização especulativa.

A Expansão do meio técnico–científico-informacional

Pressuposto

• Espaço, tempo e sociedade: elementos indissociáveis ou co-essenciais ao


estudo das dinâmicas sócio-espaciais ou ambientais.

A expansão do meio técnico – científico – informacional

• O que é o meio técnico-científico-informacional?

- Do meio natural - ao meio técnico - ao meio técnico-científico-


informacional: "O meio natural era aquela fase da história na qual o
homem escolhia da natureza aquilo que considerava fundamental ao
exercício da vida, e valorizava diferentemente essas condições naturais,
as quais, sem grande modificação, constituíam a base material da
existência do grupo. O fim do século XVIII e, sobretudo, o século XIX
vêem a mecanização do território: o território se mecaniza (...) é o
momento da criação do meio técnico, que substitui o meio natural. Já,
hoje, (...) é preciso falar de meio técnico-científico, que tende a se
superpor, em todos os lugares, ainda que de modo desigual, ao
chamado meio geográfico" (1993, p. 35).

O meio natural: subentende os diversos os pedaços da crosta terrestre


utilizados pelos grupos humanos para desenvolver sua base material nos
primórdios da história; as florestas, os cerrados, a caatinga, os campos
do sul etc; numa fase de domesticação de plantas e animais, o homem

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cria instrumentos e formas de fazer tentando estabelecer a sua presença
mediante a técnica, mas a natureza comandava as ações humanas; os
assentamentos humanos fundavam-se, assim, nas ofertas da natureza;
os tempos eram lentos e primavam pelo reino das necessidades
(SANTOS, M. 2001, p. 28 a 30).

O meio técnico: "o período técnico testemunha a emergência do


espaço mecanizado. São as lógicas e os tempos humanos impondo-se à
natureza" (p. 31). Milton Santos divide esse período em três sub-
períodos:

1) O período de uma mecanização incompleta: quando temos um


conjunto de manchas ou pontos do território onde se realiza uma
produção mecanizada (engenhos, mineração, os primeiros sistemas
de engenharia (os portos, as ferrovias, os primeiros caminhos, usinas
de eletricidade). "Formavam-se verdadeiros circuitos interiores, cada
qual dominando uma dada extensão do território com os meios
limitados de que dispunham" (p. 34).

2) O período da circulação mecanizada e da industrialização manifesta:


período de transição entre a herança da época colonial pré-mecânica
e a verdadeira integração nacional: entre o começo do século XX e os
anos 40: período da constituição da região concentrada e da
urbanização interior (contrapondo-se ao litoral)  "um tempo lento
para dentro do território que se associava a um tempo rápido para
fora. Este se encarnava nos portos, nas ferrovias, no telégrafo e na
produção mecanizada". ""Máquinas de produção e máquinas de
circulação" (G. Friedmann) se espalham no território". "A produção e
a distribuição de energia se circunscreviam aos centros urbanos (ou)
as possibilidades técnicas de transmissão eram circunscritas ao lugar"
(p. 37). Um melhoramento dos sistemas portuários interligados às
extensões ferroviárias que se ampliam; uma difusão do uso da
eletricidade (bondes elétricos, iluminação pública e indústrias; uma
difusão do uso do telégrafo; o rádio; as estradas, etc. (p. 39 a 42).

3) O período da integração do mercado e do território: quando essas


manchas e pontos já são ligados pelas extensões ferroviárias e pelas
rodovias nacionais. São Paulo se afirma como a grande metrópole
fabril do país. Há um aumento acelerado de investimentos. O sistema
bancário e financeiro fazia uma forte drenagem das zonas pobres e
subdesenvolvidas em favor das áreas metropolitanas (São Paulo e Rio
de Janeiro). A modernização do país facilita a concentração
econômica e espacial.

"É num Brasil integrado pelos transportes e pelas necessidades


advindas da industrialização que vão nascer importantes cidades no
interior. Estas decorrem do crescimento populacional, da elevação
dos níveis de vida e da demanda de serviços em número e frequência

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maiores que anteriormente" (p. 44). De uma força própria ou regional
do núcleo industrializado dependente de fatores regionais passamos a
uma situação - com a tendência à unificação do mercado - onde
estes núcleos passam a dispor de condições para competir com as
outras regiões na própria zona de influência destas últimas (p.
44/45). Esse é o período do império do caminhão, sobretudo em
favor da metrópole industrial paulistana. Temos a possibilidade de
circular mais depressa e através de uma superfície muito maior que a
anterior.

"As antigas metrópoles costeiras foram, desse modo, reduzindo a sua


polarização frente às suas áreas tradicionais de influência, pois de um
lado o novo sistema de transporte induzia os deslocamentos para São
Paulo e o Rio de Janeiro e, de outro, essas metrópoles regionais
litorâneas tornaram-se incapazes de fornecer bens e serviços às suas
regiões. Por essa razão os núcleos urbanos mais recentes ligaram-se
diretamente a São Paulo. O antigo tipo de hierarquia desmoronou
para dar origem a novas formas de dependência entre São Paulo e
esses centros regionais e metrópoles incompletas" (p. 46). A partir
daí, as desigualdades assim instaladas tendem a agravar-se cada vez
mais.

O meio técnico-científico- informacional

- Uma definição: um modo de organização do espaço ou da sociedade,


onde a técnica, a ciência e a informação são ingredientes fundamentais
 ou seja, importa entender como a evolução social no campo dos
avanços técnicos, científicos e da informação tende a ser incorporada,
em dado momento, às dinâmicas de atividades em suas distintas
localizações do espaço geográfico?

- E como essa evolução tende a ser incorporada de forma determinante e


seletiva: ou seja, estabelecendo a ascendência de um novo período da
história e, por conseguinte, um novo meio geográfico - que subentende
ser uma nova forma de organização sócio-espacial, que se sobrepõe ao
espaço já organizado e a ele se impõe e, todavia, contrapondo-se
àqueles espaços não eleitos pelos interesses hegemônicos implícitos.

• Basicamente, o que subentende a sua expansão?

- Uma nova dimensão: porque a medida da nova realidade que


estabelece é dada por suas raízes na história - sobretudo no período das
grandes revoluções do século XIX e no processo ou fenômeno da
aceleração contemporânea -, por suas condições sócio-espaciais de
origem (as regiões concentradas, as cidades metropolitanas) e por seus
vetores de irradiação: as indústrias, os transportes e as comunicações,

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os sistemas de informação; os serviços; os deslocamentos populacionais
e profissionais, dentre outros possíveis.

- A tendência a uma divisão social e territorial do trabalho em


nova amplitude: a desmetropolização, ou seja, a "dissolução" da
metrópole e/ou o fenômeno da metrópole onipresente; um alargamento
de contextos dado pelas novas possibilidades de fluidez (Santos, 1996, p
202); uma dinâmica produtiva e social abrangendo um número bem
maior de pontos ou localizações do espaço e, por conseguinte, um
número também maior de pessoas, agentes sociais, círculos de
cooperação  supondo uma interdependência muito maior, mas
também, e sobretudo, novas formas de controle e legitimidade de certas
hegemonias, em detrimento de outras etc.

- Um processo de diferenciação: se há uma localização referencial e


distintos vetores de deslocalização para diferentes porções do território,
há finalmente, um processo de relocalizações - que subentende a
superposição de uma nova lógica e dinâmica sobre uma realidade pré-
existente, com maior ou menor propensão ao acolhimento dos
propósitos expansionistas dos agentes hegemônicos  Dessa
diversidade de combinações possíveis entre um novo tempo social
hegemônico que pretende se impor (com as suas normas e formas) e os
diferentes tempos sociais locais (com os seus próprios funcionamentos e
arranjos construídos) é que se produzem as diferenciações do espaço
geográfico. Ou seja, é no plano de uma remodelação regional, urbana ou
local que o processo de expansão do meio técnico-científico-
informacional se completa e engendra as suas contradições.

• Quais os fenômenos que constituem esse processo de expansão?

In: Milton Santos, O Brasil (2001):

- Uma renovação das materialidades: incluindo diversas infra-estruturas ou


sistemas de engenharia: estruturas de apoio à produção agrícola
(depósitos, silos etc); maquinário agrícola e insumos químicos; sistemas
de irrigação; barragens; portos e aeroportos; ferrovias, rodovias e
hidrovias; sistemas de produção e distribuição de energia elétrica;
refinarias e dutos; sistemas técnicos de telecomunicações; institutos de
ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

- A ascendência da informação e do conhecimento: a constituição e o uso


do meio geográfico dependem de quantidades e qualidades diversas de
informação. A informação é um recurso, mas temos áreas de abundância
e áreas de carências distribuídas pelo território. "Daí a necessidade de
compreender as qualidades da informação, reconhecer os seus
produtores e possuidores, decifrar os seus usos" (p. 93). "Mas são os
seus produtores e possuidores - empresas, Estado, sociedade - que vão
decidir dos seus usos. Cabe, então, considerar a relação entre duas

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potencialidades: a do conhecimento técnico e a da ação, isto é, a
política, mediante os usos da informação, ora voltada para a busca do
maior lucro, ora para a defesa da soberania, para a conservação dos
recursos naturais etc." (p. 94). "Mas é preciso relacionar o conhecimento
do lugar com o conhecimento produzido no lugar" (p. 100). Pois "esse
conhecimento pode ser um dos pilares para criar "uma base de vida que
amplie a coesão da sociedade civil, a serviço do interesse coletivo" (...),
quando "descobrem-se, acima dos conflitos, interesses comuns que
podem conduzir a uma consciência política, na base de uma densidade
comunicacional dinâmica e transformadora" (p. 101).

- Uma reorganização produtiva do território: a descentralização industrial;


a guerra dos lugares; a modernização da agricultura, as especializações
produtivas etc

- As diferenciações resultantes: novas desigualdades territoriais;


densidades e rarefações; espaços da rapidez e da lentidão; espaços
luminosos e espaços opacos; espaços que mandam e espaços que
obedecem etc.

A remodelação do sistema de regiões e cidades

"(...)É a irradiação do meio técnico-científico-informacional que se instala sobre


o território, em áreas contínuas no Sudeste e no Sul ou constituindo manchas e
pontos no resto do país" (SANTOS, 2001, p. 52/53).

• Em razão desse movimento de difusão das lógicas da globalização capitalista


- que supõe também novas lógicas de relação entre centro e periferia - há
uma redefinição resultante do sistema espacial, que abrange regiões,
cidades e localizações, e que se manifesta através de um novo conjunto de
aglomerações; de uma reconfiguração do espaço edificado; de uma
reatribuição de funções e novas complementaridades.

- "O território ganha novos conteúdos e impõe novos comportamentos,


graças às enormes possibilidades da produção e, sobretudo, da
circulação dos insumos, dos produtos, do dinheiro, das idéias e
informações, das ordens e dos homens. É a irradiação do meio técnico-
científico-informacional que se instala sobre o território, em áreas
contínuas no Sudeste e no Sul ou constituindo manchas e pontos no
resto do país" (SANTOS, 2001, p. 52/53).

O Brasil em quatro regiões: uma divisão regional marcada simultaneamente


pela difusão diferencial do meio técnico-científico-informacional combinada com
as heranças do passado.

Uma Região Concentrada (Sudeste e Sul): uma implantação mais


consolidada dos dados da ciência, da técnica e da informação. "Nessa Região
Concentrada do país, o meio técnico-científico-informacional se implantou sobre

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um meio mecanizado, portador de um denso sistema de relações, devido, em
parte, a uma urbanização importante, ao padrão de consumo das empresas e
das famílias, a uma vida comercial mais intensa. Em consequência, a
distribuição da população e do trabalho em numerosos núcleos importantes é
outro traço regional" (p. 269).

O Brasil do Nordeste: é uma área de povoamento antigo, onde o meio


mecanizado se deu de forma pontual e pouco densa, com um sistema precário
de circulação (pessoas, produtos, informações, ordens, dinheiro), em razão das
atividades pouco intensivas e da estrutura da propriedade. Uma agricultura
basicamente alicerçada no trabalho. "Herança da antiguidade da ocupação
econômica, realizada no período pré-mecânico, o número de núcleos urbanos é
grande em virtude da baixa mecanização do território, sua densidade é
relativamente importante, mas a taxa de urbanização é baixa. Se as
aglomerações são numerosas, a urbanização é, de modo geral, raquítica. São
causas e consequências da fraqueza da vida de relações, formando um círculo
vicioso" (p. 272). Hoje: certas manchas do meio técnico-científico-
informacional: o Vale do São Francisco (áreas irrigadas).

O Centro-Oeste: é uma área de ocupação periférica recente. O meio técnico-


científico se implanta sobre um território praticamente "natural" ou pré-técnico,
onde a vida de relação era precária. "Sobre essa herança de rarefação, os
novos dados constitutivos do território são os do mundo da informação, da
televisão, de uma rede de cidades assentada sobre uma produção agrícola
moderna e suas necessidades relacionais" (p. 271). Temos aí uma das maiores
densidades de mecanização agrícola, o maior consumo de produtos químicos, a
utilização da agricultura de precisão. A produção se dá em fazendas modernas
dispersas, tendo o Estado participado bastante com a instalação de novos
sistemas de engenharia e de movimento.

A Amazônia: uma região de rarefações demográficas herdadas e baixas


densidades técnicas. Foi a última região a ampliar a sua mecanização na
produção e no território. "A vastidão do território e a necessidade de interligar
seus principais lugares levam, primeiro, a um aumento do número de pontos
servidos pela aviação, que tendem a ser os mesmos pontos nucleares das vias
de circulação fluvial ou terrestre" (p. 272). As novas hidrovias respondem à
necessidade de escoar a soja. A presença de fazendas modernas levaram ao
crescimento de núcleos urbanos tornados multifuncionais e exercendo um
comando sobre várias áreas, e mantendo ligações com as áreas mais
importantes do país (graças a disseminação dos recursos de telecomunicações
instalados. Temos também uma ocupação fundada no conhecimento (ainda
bem insuficiente) possibilitado pelos modernos sistemas de satélites e radares.
As cidades mais importantes: o traço-de-união entre os sistemas locais, e com
o mundo e regiões mais dinâmicas do país.

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O sistema de cidades

- "Desde a revolução urbana brasileira, consecutiva à revolução


demográfica dos anos 50, tivémos, primeiro, uma urbanização
aglomerada, com o aumento do número - e da respectiva população -
dos núcleos com mais de 20 mil habitantes, e em seguida uma
urbanização concentrada, com a multiplicação de cidades de tamanho
intermédio, para alcançarmos, de pois, o estágio da metropolização, com
o aumento considerável do número de cidades milionárias e de grandes
cidades médias (estas em torno do meio milhão de habitantes)" (P. 202)
 um sistema metropolitano, um sistema de cidades médias e um
sistema de cidades pequenas.

- Aumenta o número de cidades locais e sua força, assim como o dos


centros regionais. As cidades locais tendem a se especializar e são
chamadas, nas áreas da agricultura moderna a dar respostas às
necessidades da marcha da produção  "Quanto mais intensa a divisão
do trabalho numa área, tanto mais cidades surgem e tanto mais
diferentes são umas das outras" (SANTOS, 1993, p. 52). "Nas zonas
onde a divisão do trabalho é menos densa, em vez de especializações
urbanas, há acumulação de funções numa mesma cidade e,
consequentemente, as localidades do mesmo nível, incluindo as cidades
médias, são mais distantes umas das outras"  é o caso do Nordeste.

- As metrópoles regionais (compreendendo, sobretudo, as capitais dos


Estados) passam a crescer relativamente mais que as metrópoles do
Sudeste, mantendo cada vez mais relações nacionais. As metrópoles
também tendem a se diferenciar umas das outras. "Houve um tempo em
que se podia tratar a rede urbana como uma entidade onde as cidades
se relacionavam segundo uma hierarquia de tamanho e funções. Esse
tempo passou. Hoje, cada cidade é diferente da outra, não importa o seu
tamanho" (p. 53).

- As regiões metropolitanas, onde se diversifica e avoluma a divisão do


trabalho, conhecem uma aceleração e aprofundamento de uma série de
processos econômicos e sociais. As grandes metrópoles acolhem tanto as
atividades de comando e maior qualificação e especialização do trabalho
quanto acolhem e recriam a pobreza. Hoje, pode-se falar de "uma
involução metropolitana", "uma vez que o grande número de pobres
urbanos cria o caldo de cultura para que nas cidades, sobretudo nas
grandes cidades, vicejem formas econômicas menos modernas, dotadas
de menor dinamismo e com maior peso na contabilidade estatística do
crescimento econômico" (P. 55).

- As cidades de porte médio passam a acolher maiores contingentes


das classes médias e um número crescente de letrados, indispensáveis a
uma produção que se intelectualiza.

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- Assistimos a um processo paralelo de metropolização e des-
metropolização, um aumento das cidades grandes e médias, ambas
apresentando um notável crescimento demográfico, associado tanto ao
fenômeno da criação da riqueza como ao da criação da pobreza.

• Se há toda essa redefinição do sistema urbano, em razão do avanço das


lógicas capitalistas de produção, há de modo geral, e mais recentemente,
um movimento do tempo social que delineia e articula novas mudanças: por
uma outra globalização, por uma outra remodelação. Nesse sentido, há toda
uma linha de preocupações sociais e, por conseguinte, de investigação, a
respeito das novas tendências a uma organização e consciência crescentes
que se manifestam nos mais distintos lugares, onde o lugar é tomado como
locus de uma força de resistência às lógicas perversas da globalização, o
locus de uma força de solidariedade que poderá alterar de modo bastante
significativo e promissor a atual organização social e do espaço. Uma
tendência a uma cada vez maior diferenciação dos lugares e,
simultaneamente, uma tendência a uma cooperação cada vez mais
ampliada.

BIBLIOGRAFIA

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RATTNER, Henrique. Brasil 1990. São Paulo: Brasiliense, 1980a, p. 143 a 161.
......................... Espaço e Sociedade. Petrópolis: Editora Vozes, 1982.
........................A Urbanização do Terceiro Mundo durante o Século XX. Texto
elaborado para publicação da História do Século XX, pelo Instituto da
Enciclopédia Italiana, 1990.
....................... A Urbanização Brasileira. São Paulo: Hucitec, 1993
........................ Da Totalidade ao Lugar. São Paulo: Editora da Universidade
de São Paulo, 2005.

SANTOS, Milton e SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: Território e Sociedade


no Início do Século XXI. Rio de Janeiro-São Paulo, Editora Record, 2004 (6ª.
edição).

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