Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória

BERNARDO PIMENTEL SOUZA

Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória

6ª edição atualizada de acordo com as Leis n. 11.672 e 11.697, de 2008 2009

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Souza, Bernardo Pimentel Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória / Bernardo Pimentel Souza. — 6. ed. atual. de acordo com as Leis n. 11.672 e 11.697, de 2008. — São Paulo: Saraiva, 2009. Bibliografia. 1. Ação rescisória — Brasil 2. Recursos (Direito) — Brasil I. Título. 08-11604 CDU-347.922+347.955(81)

Índices para catálogo sistemático:
1. Brasil : Ação rescisória e recursos cíveis : Direito processual 347.922+347.955(81) 2. Brasil : Recursos cíveis e ação rescisória : Direito processual 347.922+347.955(81)

Diretor editorial Antonio Luiz de Toledo Pinto Diretor de produção editorial Luiz Roberto Curia Editor Jônatas Junqueira de Mello Assistente editorial Thiago Marcon de Souza Produção editorial Ligia Alves Clarissa Boraschi Maria Coura Estagiário Vinicius Asevedo Vieira Preparação de originais Maria Lúcia de Oliveira Godoy Eunice Aparecida de Jesus Arte e diagramação Cristina Aparecida Agudo de Freitas Henrique Favaro Revisão de provas Rita de Cássia Queiroz Gorgati Setsuko Araki Ana Beatriz F. Moreira Serviços editoriais Karla Maria de Almeida Costa Carla Cristina Marques Ana Paula Mazzoco Capa Know-how editorial

Data de fechamento da edição: 2-3-2009
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Ao meu saudoso pai, VALDINIR COSTA SOUZA, cuja ausência é sentida a cada dia: a homenagem, a gratidão e o amor do filho.

NOTA À sexTA eDIÇÃO
Na esteira das edições anteriores, a presente sexta edição também foi redigida e atualizada à luz dos apontamentos escritos para as aulas de graduação da disciplina Direito processual civil III — recursos lecionada no Centro Universitário de Brasília, de 1998 a 2006, e, em seguida, no Departamento de Direito da Universidade Federal de Viçosa. Passados dez anos de magistério da disciplina, somados aos cinco anos dedicados à assessoria de Ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, muitas opiniões lançadas nas primeiras edições foram atualizadas e até reconsideradas, em virtude de questionamentos e de novas reflexões, sempre na busca da melhoria do compêndio. Não obstante, subsiste a idéia inicial de escrever para os discentes, na esperança de facilitar a compreensão do sistema recursal cível. Tal como nas edições anteriores, as eventuais sugestões e críticas serão recebidas com muitos agradecimentos. Viçosa, fevereiro de 2009. Bernardo Pimentel Souza Departamento de Direito Universidade Federal de Viçosa Minas Gerais

VII

ApreseNTAÇÃO DA TerCeIrA eDIÇÃO
Foi com grande satisfação e, por que não confessar, com certa ponta de orgulho, que recebi o convite de Bernardo Pimentel Souza para apresentar ao público especializado a terceira edição de seu utilíssimo livro Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória. Em pouco tempo, a segunda edição (outubro de 2001) se esgotou. Uma terceira edição, já com as mudanças pontuais da Lei n. 10.352, de 26 de dezembro de 2001, se fazia premente. Era exigência de seus leitores — estudantes, advogados, juízes —, que descobriram na obra do jovem professor Bernardo Pimentel Souza um roteiro seguro para a interposição de recursos e o ajuizamento de ação rescisória. A Lei n. 10.352 trouxe mudanças profundas na sistemática dos embargos infringentes. Daí a exigência de atualização do livro. Na edição ora apresentada ao público, novos capítulos foram acrescidos. É o caso dos embargos de alçada, do recurso inominado interposto das sentenças dos juizados especiais cíveis estaduais e federais. A terceira edição foi enriquecida ainda mais com novas notas de rodapé. Poucos autores tiveram a sorte de conciliar a prática com a teoria, como o Dr. Bernardo Pimentel Souza. Durante alguns anos, ele assessorou ministros no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Vivenciou intensamente o dia-a-dia do processo. Com inteligência, soube, como ninguém, levar essa experiência para as salas de aula e, depois, para as páginas de Introdução aos Recursos Cíveis e à Ação Rescisória. Por tudo isso, o livro de Bernardo Pimentel Souza se tornou uma obra de uso diário. De parabéns, pois, o Autor, a Editora Saraiva e, em especial, seus leitores diários, entre os quais me incluo. Belo Horizonte, janeiro de 2004. Adhemar Ferreira Maciel Ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça Ex-professor da Universidade de Brasília Presidente da Academia Mineira de Letras Jurídicas IX

sUMÁrIO
Nota à sexta edição ........................................................................... Apresentação da terceira edição ....................................................... Tomo I — TEoRIA GERAL DoS RECURSoS CApíTULo I — RECURSoS: ConCEITo E nATUREzA jURíDICA ........................................................................................ 1. 2. 3. 4. Origem e acepções do vocábulo “recurso” ................................... Recurso: espécie do gênero remédio jurídico .............................. Razão de ser dos recursos ............................................................. Natureza jurídica do recurso ........................................................ 3 3 5 8 10 12 12 14 VII IX

CApíTULo II — SISTEmAS RECURSAIS ................................ 1. Classificação .................................................................................. 2. Sistema recursal cível..................................................................... CApíTULo III — AToS SUjEIToS A RECURSo pRoCESSUAL ............................................................................................ CApíTULo IV — EFEIToS DoS RECURSoS .......................... 1. Conceito ......................................................................................... 2. Efeito obstativo .............................................................................. 3. Efeito suspensivo ........................................................................... 4. Efeito devolutivo ............................................................................ 5. Efeito regressivo ou de retratação .................................................. 6. Efeito translativo ............................................................................

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7. Efeito substitutivo e efeito extensivo ............................................. 8. Conclusão....................................................................................... CApíTULo V — jUízoS DE ADmISSIBILIDADE E DE mÉRITo ...................................................................................... 1. Generalidades................................................................................. 2. Objeto do juízo de mérito: errores in procedendo et in iudicando . CApíTULo VI — REQUISIToS DE ADmISSIBILIDADE DoS RECURSoS ....................................................................... 1. Conceitos e classificações .............................................................. 2. Cabimento ...................................................................................... 3. Legitimidade recursal..................................................................... 3.1. Generalidades ......................................................................... 3.2. Legitimidade recursal na qualidade de parte .......................... 3.3. Legitimidade recursal do Ministério Público ......................... 3.3.1. Legitimidade recursal do Ministério Público: generalidades ....................................................................... 3.3.2. Legitimidade recursal do Ministério Público e recurso adesivo ......................................................................... 3.3.3. Desistência do recurso interposto pelo Ministério Público ............................................................................. 3.3.4. Prazo recursal do Ministério Público ........................... 3.4. Legitimidade recursal do terceiro ........................................... 3.4.1. Conceito e exemplos de recurso de terceiro ................. 3.4.2. Recurso de terceiro e perito judicial ............................ 3.4.3. Recurso de terceiro e opoente ...................................... 3.4.4. Recurso de terceiro e recurso adesivo .......................... 3.4.5. Prazo do recurso de terceiro e recursos admissíveis .... 3.4.6. Processos e procedimentos que comportam recurso de terceiro ......................................................................... 4. Interesse recursal ........................................................................... 4.1. Generalidades ......................................................................... XII

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4.2. Hipóteses de ausência de interesse recursal ........................... 5. Inexistência de fatos extintivos e impeditivos ............................... 5.1. Generalidades ......................................................................... 5.2. Renúncia ao direito de recorrer .............................................. 5.2.1. Conceito de renúncia .................................................... 5.2.2. Espécies de renúncia .................................................... 5.2.3. Impossibilidade da renúncia ao direito de recorrer antes da prolação da decisão ........................................ 5.2.4. Renúncia, desistência e aceitação: diferenças ............. 5.2.5. Validade da renúncia .................................................... 5.2.6. Renúncia expressa e recurso adesivo ........................... 5.3. Aceitação ................................................................................ 5.4. Desistência do recurso ........................................................... 5.4.1. Conceito de desistência ................................................ 5.4.2. Espécies de desistência ................................................ 5.4.3. Momento da desistência .............................................. 5.4.4. Validade da desistência ................................................ 5.4.5. Desistência e posterior interposição de recurso .......... 5.4.6. Desistência e recurso especial repetitivo ...................... 5.5. Outros fatos impeditivos ........................................................ 5.5.1. Comprovação do depósito da multa processual .......... 5.5.2. Desistência da ação, reconhecimento do pedido e renúncia ao direito ...................................................... 5.5.3. Ratificação de recurso interposto em conjunto ou na pendência de embargos declaratórios .......................... 6. Regularidade formal ...................................................................... 6.1. Conceito ................................................................................ 6.2. Petição recursal: regra ............................................................ 6.3. Interposição oral: exceção ..................................................... 6.4. Interposição mediante fac-símile ........................................... 6.5. Interposição mediante petição eletrônica (“recurso eletrônico”) 6.6. Componentes da petição recursal .......................................... 6.6.1. Endereçamento ao órgão judiciário competente ..........

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6.6.2. Qualificação do recorrente e do recorrido ................... 6.6.3. Exposição do fato e do direito ..................................... 6.6.4. Motivação: razões recursais ......................................... 6.6.5. Pedido recursal ............................................................. 6.6.6. Assinatura e instrumento de mandato do advogado .... 7. Tempestividade ............................................................................. 7.1. Conceito ................................................................................ 7.2. Prazos recursais ...................................................................... 7.3. Contagem do prazo recursal ................................................... 7.3.1. Princípio norteador ...................................................... 7.3.2. Intimação no sábado ................................................... 7.3.3. Intimação na sexta-feira ............................................... 7.3.4. Intimação no Diário eletrônico .................................... 7.3.5. Quarta-feira de cinzas .................................................. 7.3.6. Feriados em geral ........................................................ 7.3.7. Intimação e publicação ............................................... 7.3.8. Destinatário da intimação ............................................ 7.3.9. Intimação de decisão publicada em audiência ............. 7.3.10. Intimação de decisão publicada em cartório ............. 7.3.11. Intimação de acórdão ................................................. 7.3.12. Segunda intimação por republicação ......................... 7.3.13. Aferição da tempestividade ........................................ 7.4. Suspensão e interrupção do prazo recursal ............................ 7.4.1. Generalidades ............................................................. 7.4.2. Suspensão por superveniência de férias forenses ....... 7.4.3. Suspensão por recesso forense ................................... 7.4.4. Suspensão por obstáculo ao exercício do direito de recorrer ......................................................................... 7.4.5. Suspensão por perda da capacidade processual ......... 7.4.6. Suspensão por oferecimento de exceção .................... 7.4.7. Interrupção por falecimento da parte ou de seu advogado ............................................................................ 7.4.8. Interrupção por motivo de força maior....................... XIV

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7.4.9. Embargos de declaração: regra da interrupção e exceção da suspensão ........................................................ 7.4.10. Inexistência de suspensão e de interrupção ................ 7.5. Perda de prazo recursal e responsabilidade civil do advogado 8. Preparo .......................................................................................... 8.1. Conceito ................................................................................. 8.2. Regra do preparo imediato ..................................................... 8.3. Exceções à regra do preparo imediato .................................. 8.4. Exceções à regra do preparo .................................................. 8.5. Preparo em recurso da massa falida: subsistência do enunciado n. 86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho ........................................................................... CApíTULo VII — DIREITo InTERTEmpoRAL DoS RECURSoS: ApLICAção DA LEI VIGEnTE nA DATA Do pRoFERImEnTo DA DECISão .................................... 1. Regra do direito intertemporal ....................................................... 2. Regra do direito intertemporal dos recursos.................................. 3. Exceções à regra do direito intertemporal dos recursos ................ 4. Publicação da decisão e intimação da decisão .............................. CApíTULo VIII — pRInCípIoS Do SISTEmA RECURSAL 1. 2. 3. 4. 5. 6. Princípios do sistema recursal ...................................................... Princípio do duplo grau de jurisdição ........................................... Princípio da taxatividade ............................................................... Princípio da singularidade ............................................................. Princípio do esgotamento das vias recursais ................................. Princípio da fungibilidade recursal ............................................... 6.1. Generalidades ......................................................................... 6.2. Hipóteses de fungibilidade recursal ....................................... 7. Princípio da proibição da reformatio in peius .............................. 7.1. Generalidades ......................................................................... 7.2. Reformatio in peius e matéria de apreciação oficial ..............

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7.3. Reformatio in peius e remessa obrigatória ............................. 7.4. Proibição da reformatio in mellius ........................................ 7.5. Reformatio in peius indireta .................................................. 8. Princípio da consumação ............................................................... 9. Princípio da dialeticidade .............................................................. 10. Princípio da voluntariedade ......................................................... 11. Princípio da personalidade ou da relatividade ............................. CApíTULo IX — RECURSo ADESIVo..................................... 1. 2. 3. 4. 5. 6. Generalidades ............................................................................... Recurso adesivo: requisitos de admissibilidade ........................... Recurso adesivo: juízo de admissibilidade e juízo de mérito ........ Recurso adesivo no processo trabalhista ....................................... Recurso adesivo no processo penal ............................................... Recurso adesivo no processo eleitoral........................................... Tomo II — AçÕES ImpUGnATIVAS, SUCEDÂnEoS RECURSAIS E InCIDEnTES pRoCESSUAIS noS TRIBUnAIS INTRODUÇÃO ................................................................................ CApíTULo X — Ação RESCISÓRIA ....................................... 1. Notícia histórica ............................................................................. 2. Natureza jurídica ............................................................................ 3. Alvo da ação rescisória: julgado rescindendo ................................ 4. Hipóteses de rescindibilidade ........................................................ 4.1. Generalidades ......................................................................... 4.2. Prevaricação, concussão e corrupção ..................................... 4.3. Impedimento e incompetência absoluta ................................. 4.4. Dolo rescisório, processo fraudulento e processo simulado .. 4.5. Ofensa à coisa julgada............................................................ 4.6. Violação de literal disposição de lei ....................................... 4.7. Prova falsa .............................................................................. XVI

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4.8. Documento novo .................................................................... 4.9. Confissão, reconhecimento do pedido, renúncia e transação... 4.10. Erro de fato .......................................................................... 4.11. Ação rescisória de sentença de partilha judicial ................... 5. Hipóteses que não ensejam ação rescisória ................................... 5.1. Ação rescisória fundada em correção de injustiça quanto aos fatos, reexame de provas e interpretação de cláusula contratual ......................................................................... 5.2. Ação rescisória e processo cautelar ....................................... 5.3. Ação rescisória e Juizados Especiais Cíveis .......................... 5.4. Ação rescisória e controle concentrado de constitucionalidade ................................................................................. 5.5. Ação rescisória e ação anulatória ........................................... 5.6. Ação rescisória, sentença inexistente, ausência de citação e nulidade da citação ........................................................ 6. Ação rescisória e direito intertemporal ......................................... 7. Prazo .............................................................................................. 7.1. Generalidades ......................................................................... 7.2. Termo inicial........................................................................... 7.3. Termo final ............................................................................. 7.4. Momentos da pronúncia da decadência ................................. 8. Competência .................................................................................. 9. Legitimidade.................................................................................. 10. Ação rescisória e execução do julgado rescindendo .................... 11. Procedimento da ação rescisória .................................................. 12. Julgamento da ação rescisória ..................................................... 13. Recorribilidade ............................................................................ 14. Ação rescisória de julgado proferido em ação rescisória ............ CApíTULo XI — Ação AnULATÓRIA .................................... 1. Conceito ........................................................................................ 2. Prazo .............................................................................................. 3. Procedimento e competência .........................................................

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4. Hipóteses de ação anulatória ......................................................... 4.1. Ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil . 4.2. Ação anulatória do artigo 1.029 do Código de Processo Civil e do artigo 2.027 do Código Civil ........................... 4.3. Ação anulatória do artigo 352 do Código de Processo Civil . 4.4. Ação anulatória de sentença homologatória de transação: artigo 485, inciso VIII, versus artigo 486, ambos do Código de Processo Civil ................................................. 4.5. Ação anulatória do artigo 19 da Lei n. 11.101 ....................... CApíTULo XII — mAnDADo DE SEGURAnçA ConTRA ATo jUDICIAL .......................................................................... 1. Notícia histórica do mandado de segurança .................................. 2. Conceito de mandado de segurança .............................................. 3. Mandado de segurança contra decisão judicial ............................. 4. Ilegalidade ou abuso de poder ....................................................... 5. Procedimento: especial .................................................................. 6. Direito líquido e certo ................................................................... 7. Prazo decadencial do mandado de segurança................................ 8. Mandados de segurança repressivo e preventivo ........................... 9. Legitimidade.................................................................................. 10. Autoridade coatora....................................................................... 11. Competência ................................................................................ 12. Mandado de segurança e coisa julgada ........................................ CApíTULo XIII — RECLAmAção ConSTITUCIonAL ..... 1. Nomen iuris, preceitos de regência, natureza jurídica e conceito . 2. Ação de competência originária de tribunal .................................. 3. Reclamação constitucional, correição parcial, ação rescisória e mandado de segurança: diferenças ................................................ 4. Legitimidade ativa e petição inicial ............................................... 5. Distribuição, procedimento e julgamento ..................................... 6. Recorribilidade no processo de reclamação .................................. XVIII

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CApíTULo XIV — CoRREIção pARCIAL (oU RECLAmAção CoRREICIonAL) ..................................................... 1. 2. 3. 4. 5. Nomen iuris e conceito .................................................................. Subsistência da correição (ou reclamação) como sucedâneo recursal Constitucionalidade das leis estaduais e dos regimentos internos..... Natureza jurídica da correição parcial (ou reclamação correicional) Hipóteses de admissibilidade da correição (ou reclamação) como sucedâneo recursal......................................................................... 6. Prazo .............................................................................................. 7. Legitimidade .................................................................................. 8. Procedimento e julgamento............................................................ 9. Correição parcial e mandado de segurança .................................... CApíTULo XV — pEDIDo DE REConSIDERAção ............ CApíTULo XVI — InCIDEnTE DE SUSpEnSão .................. 1. Preceitos de regência da suspensão................................................ 2. Conceito e natureza jurídica da suspensão..................................... 3. Recorribilidade da decisão monocrática presidencial proferida no incidente de suspensão .................................................................. 4. Recursos extraordinário e especial em incidente de suspensão .... CApíTULo XVII — Ação CAUTELAR oRIGInÁRIA .......... 1. 2. 3. 4. 5. 6. Introdução...................................................................................... Ação cautelar, processo cautelar e medida cautelar ...................... Petição inicial ................................................................................ Competência .................................................................................. Procedimento ................................................................................. Julgamento ....................................................................................

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CApíTULo XVIII — REmESSA oBRIGATÓRIA oU REEXAmE oBRIGATÓRIo .................................................................. 1. Nomen iuris e natureza jurídica .....................................................

342 342 XIX

............... Recursos extraordinário e especial em reexame necessário ... 6............... “Do tribunal” e “outra turma..............4. Procedimento e julgamento ............... 9.................................... “Pronunciamento prévio” ......... Sentença de improcedência em embargos à execução fiscal........................................... 2........ Suscitação da uniformização de jurisprudência ........... ocorre divergência” . XX 345 345 345 346 346 347 348 349 351 351 353 353 354 356 357 358 359 360 361 363 372 374 379 381 384 384 .............. 3........ ou câmaras cíveis reunidas” ........................................... 3........................... Hipóteses de remessa obrigatória ............ Legitimidade................... 2...6................................. Recorribilidade ........ “Verificar que..... 4............ 2........... a seu respeito............................2.............. 2.......... 2................................... 1...................................2.....2........... Uniformização de jurisprudência nos Juizados Especiais Federais ... Exceções ao reexame necessário ........... 1. 7...1......... CApíTULo XX — InCIDEnTE DE InConSTITUCIonALIDADE . Procedimento e julgamento da uniformização de jurisprudência ........... Generalidades ..................................5. “No julgamento recorrido a interpretação for diversa da que lhe haja dado outra turma............... 2..........................3......................... Enunciados da Súmula do Supremo Tribunal Federal: persuasivos e vinculantes ................3.................................................. câmara......... 2..................... grupo de câmaras ou câmaras cíveis reunidas” .................. 2. 4....... 5. 2.............. câmara ou grupo de câmaras” .................. CApíTULo XIX — UnIFoRmIzAção DE jURISpRUDÊnCIA......................... Pressupostos da uniformização de jurisprudência ...1.......... Outras hipóteses legais de reexame necessário ......................... 2. “Turma..4.................................................. Incidente de delegação de competência ....................... grupo de câmaras...................................................... 2.................. 2...........................5.............. Sentenças contrárias aos entes públicos ................................................... Conceito e natureza jurídica da uniformização de jurisprudência.... “Acerca da interpretação do direito” ....... Controle jurisdicional de constitucionalidade no direito brasileiro e incidente de inconstitucionalidade .. 8..... câmara..........

............... Conceito de sentença .................................. Nomen iuris e tipos de carta rogatória ................... 5...................... 11............ Recorribilidade................................... Obrigatoriedade da instauração do incidente: regra ...... 8. 6........................................ Alcance da expressão “lei ou ato normativo do poder público” ........... 8............................ 5...............................2.......................... 5.... 3........................................ 7........ 2. Notícia histórica ....................... 401 401 401 402 404 404 406 406 407 409 411 412 412 417 417 418 422 422 424 425 XXI ................ 1. 10...................................................... Tomo III — ApELAção E RECURSo InomInADo CApíTULo XXII — ApELAção ..... Execução da sentença estrangeira homologada........................................................ Procedimento e julgamento da carta rogatória .................................................. Efeitos.. Competência para a homologação de sentença estrangeira............................ 387 387 389 393 393 396 399 CApíTULo XXI — HomoLoGAção DE SEnTEnçA ESTRAnGEIRA E CARTA RoGATÓRIA ......................... Legislação de regência da carta rogatória ........ Procedimento ........................................ 4.......................................................... 4. 3........................................................................ Conceito de sentença estrangeira e objeto da ação de homologação 4...................................................... 6............................... 2..... Natureza jurídica da carta rogatória ................ 9.............. Execução da carta rogatória ........................................ 3............ Objeto da carta rogatória ..... Regra do cabimento da apelação contra as sentenças em geral ...... Recorribilidade da decretação da falência e na liquidação de sentença . 7............................... Exceções ao binômio sentença-apelação .......... Cabimento da apelação contra sentença que engloba questão incidental ............... 12........................................ 1..................................................................... Natureza jurídica do instituto ........ Recorribilidade ...... Conceito de homologação de sentença estrangeira ................................. Requisitos para a concessão do exequatur à carta rogatória ........................................................................ 6......................... Legitimidade..............................................

..... XXII 430 433 434 436 437 439 440 442 446 447 450 451 451 453 453 453 455 456 456 457 457 460 461 461 .................7................... Inadequação da apelação em processo de competência originária de tribunal ............................................... Apelação e deunciação da lide ........................................ Procedimento da apelação no juízo de origem ............. 11............................. 9.... 18............... Efeito suspensivo e apelação contra sentença em embargos à moratória .... 18..... Efeito suspensivo e apelação contra sentença condenatória em alimentos .... com a revogação da tutela antecipada ............ 14........................... Regularidade formal .........4..............5.......9........................................... Preparo ...7. Recorribilidade na objeção de não-executividade (ou “exceção de pré-executividade ...........................................8........................................................................................ 17................................................................................ 17................... 18........................ Efeito suspensivo ........ Efeito regressivo ou de retratação ........................................................2............................... 18.................. 18..............6........ 8........... 18.......... Apelação em argüição de falsidade de documento ...................................................... Efeito suspensivo e apelação contra sentença de interdição ...2................................3...................... Apelação contra sentença liminar de manifesta improcedência ..................................................................1............... 17................... 10...................... Efeito suspensivo e apelação contra sentença de improcedência............................................. 16.........................................................................3.......................................................................... Efeito suspensivo e apelação contra sentença proferida em ações cumuladas ou conexas ....... Apelação e reconvenção ............... Apelação contra sentença proferida na Justiça da Infância e da Juventude .1......................................... 18.. Apelação de sentença proferida em justificação judicial ........ Apelação contra sentença de indeferimento liminar da petição inicial .. 18............. Efeito suspensivo: generalidades ..... Revogação do inciso III do artigo 520 do Código de Processo Civil ............. 17. 15........ 12................ 13......... 18... Efeito suspensivo e embargos à arrematação ............... Tempestividade ..................... Apelação contra sentença de procedência de instituição de arbitragem ........................... 18....

.................................................... Conversão em diligência para correção de nulidades sanáveis......... § 3º........... Apelações sem efeito suspensivo na legislação extravagante ........... 21..... Questões acessórias ... 3..... 18.1..........................................................3............................ 1..................................3.......... 22......................................... Outros fundamentos ......... Questões de apreciação oficial ................ Desistência do recurso inominado.... 21............................................18..... Questões incidentais ..... Regularidade formal ............................... 20......... 21........4........... 461 462 463 465 465 471 471 472 474 477 478 478 478 479 479 480 481 483 486 490 493 495 495 495 497 498 500 500 505 XXIII .. 23................. Procedimento da apelação no tribunal ad quem ....................................... Extensão da apelação e sentença citra petita ......................... 21........... Questões de fato e de direito decididas na sentença .. CApíTULo XXIII — RECURSo InomInADo ............ 1..........2.......12............... Introdução ............ 1............ Cabimento ............ Profundidade da apelação ..1..........2.. 20........ 1..................................................4........ Generalidades ......................................................................... 20. 18............... Recurso inominado e apelação ............ 2........... 21....................6............ 21......4....... Efeito substitutivo ..................................2......... 18............. Questões de fato novas e documentos novos ................................................... Tempestividade ...........5..............3............................... do Código de Processo Civil .........................13.............................7.. Efeito suspensivo e concessão judicial ............. 20.............................................. 20...............................1..................... 1..................................... 21....................................................... Execução e apelação sem efeito suspensivo ............................................ Generalidades .............. Questões de mérito não decididas na sentença definitiva ........... Extensão da apelação e sentença terminativa .....11...... 21........ Extensão da apelação ..... 24........... Efeito suspensivo nas apelações nos processos empresariais ............... Recurso inominado e recurso adesivo ................................. 19..................10.......................... Sentença citra petita e o artigo 515.............................

.................................. 14........ 13....................3.2... 8.............. Natureza jurídica e recorribilidade do pronunciamento deferitório da citação . Cabimento do recurso de agravo contra decisões interlocutórias ........4.............................. Procedimento do recurso inominado na origem ...................................................... 11................................. 11........................................... Tempestividade ........... 3........................................... Fungibilidade recursal consagrada no inciso II do artigo 527 do Código de Processo Civil .......1....... 6................................................................ Preparo ........ 12...... Regularidade formal do agravo de instrumento ................................................................................. 4....................................................... Natureza jurídica e recorribilidade do pronunciamento de emenda da petição inicial ............. 11......... Efeitos obstativo e suspensivo ......... 5.............. 10..................... Procedimento e julgamento do recurso inominado na Turma Recursal . Tomo IV — AGRAVoS noTíCIA HISTÓRICA E pAnoRAmA GERAL DoS AGRAVoS CApíTULo XXIV — AGRAVo ConTRA DECISão InTERLoCUTÓRIA ............................. Questão incidental decidida em sentença .............................. Modalidades do agravo contra decisão interlocutória: retido e por instrumento ................................................. 7.......... 9................................................ 1............................................................................................................................................................... Efeitos devolutivo e de retratação .............. “Despachos” agraváveis .......... Efeitos substitutivo e expansivo ................... 11...... Recorribilidade ............ “Sentenças” agraváveis........ Dos efeitos dos agravos retido e de instrumento.............. Cabimento do agravo retido como regra e do agravo de instrumento como exceção .................... 2..................................... 7............... XXIV 508 510 514 517 526 526 527 528 531 536 537 538 540 541 545 547 547 548 550 552 556 556 ..................................................... Conceito de decisão interlocutória .............. 6...................................... Preparo ............................................................. 5............................................................................

...................... 6............... Cabimento ...... 9......................... Tempestividade ............................... 10...................................................... Preparo ..... 3... Regularidade formal... Regularidade formal ................................................................ Recorribilidade ................ Multa processual e depósito recursal .................. 5........................... Cabimento ............................... 2. 7............................................................................. 8. CApíTULo XXVI — AGRAVo DE InSTRUmEnTo Em RECURSoS EXTRAoRDInÁRIo E ESpECIAL .....................................4... 3............................................... Agravo interno e decisão monocrática indeferitória de suspensão em mandado de segurança .... Procedimento do agravo de instrumento...................................................... Agravo interno e as decisões monocráticas dos incisos II e III do artigo 527 do Código de Processo Civil .. Procedimento ....... Tempestividade ....................... 5..................... 3............................... Efeitos.......... Preparo ........ desistência tácita e procedimento do agravo retido ......................................................2............................................ 1.............. Nomen iuris ...................................................................................3........................... Agravo interno e decisão monocrática denegatória ou concessiva de provimento liminar em ação originária de mandado de segurança ........... O agravo de instrumento do artigo 544 e os outros agravos ......... 7.................... Regularidade formal ..... Do procedimento do agravo de instrumento na origem ............................................... Generalidades .................. 16.... 3...................... Do procedimento do agravo de instrumento no tribunal ad quem 565 570 579 581 583 583 586 587 590 593 594 595 597 598 600 602 604 604 607 610 610 616 617 620 XXV ..........15................................................................................................................... 4................................................. 4............................ CApíTULo XXV — AGRAVo InTERno (oU REGImEnTAL) 1............................................... 6........................................................................................................ 2.......................... 3...............................1................................ Natureza jurídica .................... 3....

....... Preparo: desnecessidade .. 2........... 7...... Recorribilidade ............................................. Embargos de declaração e prequestionamento ........................................................... 8.. Embargos de declaração em embargos declaratórios ........................Tomo V — EmBARGoS CApíTULo XXVII — EmBARGoS DE DECLARAção...... 7......................................... 2..............2................... Efeitos......................................................... Procedimento e julgamento .. Notícia histórica e nomen iuris ......................... Exceção ao princípio da singularidade recursal e ratificação do outro recurso específico .......................... Cabimento ............................ Cabimento ............................................. 5.............................................................. 4............ Hipóteses de cabimento .......... 4......... 6..... Multa processual e depósito recursal ............4... 1............................................................. 4..................... Possibilidade da modificação do julgado embargado ................ Natureza jurídica dos embargos declaratórios.............. 10.................................................................. 6.................... Regularidade formal ..... 4...................... Embargos de declaração e despacho ............. 12. 4...................................... 11..... Regularidade formal ..... 4.............................................. Acepções do vocábulo “embargos” .............................. Generalidades ..........................................5..........................1...........................................3............... 3.... Tempestividade . 627 627 627 628 629 629 632 633 635 636 637 639 641 646 647 649 651 652 656 664 667 667 674 676 677 677 679 681 XXVI .. 3............................... CApíTULo XXVIII — EmBARGoS InFRInGEnTES DE ALçADA .................................... Preparo .................... 4.................................... Tempestividade .............................. 13.. Regra da interrupção do prazo recursal e exceção da suspensão ................................ Procedimento e julgamento ........................................... 9.................................................6............................................................................................................... 5.......................................... 1............................. Cabimento e juízo de admissibilidade ..................... 4.................................. Princípio da complementaridade .................

.................... “Sentença de mérito” ............ 6............................. de uniformização de jurisprudência e de delegação de competência........................... 3...................... 8.....2............. Procedimento dos embargos infringentes ................ 3............. Embargos infringentes e recurso ordinário .........3....5..... 12.......... Legitimidade recursal.. 7......... Julgamento dos embargos infringentes ... 24...................... Efeitos dos embargos infringentes ............................ Embargos infringentes e incidentes de inconstitucionalidade......... 13.... 10.......................................................... 22.......... Preparo ... 4...................... Embargos infringentes e ação direta de inconstitucionalidade .................... Escopo do recurso ....... 9........... 11.......................................... Notícia histórica ...................... 18... Cabimento: generalidades .......... Embargos infringentes contra acórdão tomado por voto médio..... 3............. Embargos infringentes e embargos de declaração..... Regularidade formal.......... 23................................... Embargos infringentes e agravo de instrumento ......... 25...................... “Reformado” .......................................... 3............................................................... 683 683 683 683 684 690 691 694 697 698 700 702 703 704 706 706 708 709 710 712 713 714 718 719 719 720 722 724 726 729 733 XXVII ............................ “Em grau de apelação” ou “ação rescisória” ................................................................................. 19............. Embargos infringentes e apelação em processo empresarial .................................... 3.............CApíTULo XXIX — EmBARGoS InFRInGEnTES.. Embargos infringentes e apelação em mandado de segurança..............1..... 21................................................................................ 17.......................... Direito intertemporal.............. 5...................... Embargos infringentes e agravo retido ................... Embargos infringentes dos sistemas recursais cível e penal: diferenças acerca do cabimento e da tempestividade .............. 16...................... Embargos infringentes e remessa necessária ......... “Acórdão não unânime” . Embargos infringentes em agravo interno ou regimental..................... 15........ 2................................ 20............................ 3..... 1....... Tempestividade . Embargos infringentes e mandado de segurança originário ..................................... Embargos infringentes e recurso inominado.4............ “Procedente ação rescisória” ......................... 14.............................

...... CApíTULo XXX — EmBARGoS DE DIVERGÊnCIA ............................................ 6........ extraordinário e especial: diferenças .................. 9......................... 4..... 7.............................................................................. Julgamento dos embargos de divergência ........ Procedimento dos embargos de divergência .................... 3.......................... Notícia histórica e finalidade do recurso ..................... Recurso ordinário e apelação: diferenças e semelhanças ............ 735 739 739 740 740 741 743 744 744 752 756 757 759 760 761 764 767 769 770 775 780 780 781 783 784 795 798 XXVIII ................ Notícia histórica e legislação de regência ................................... 1.................... Tempestividade .......... Regularidade formal ....... Interesse recursal ....................... 11.......... 2............................................... Embargos de divergência e recurso especial pela alínea “c” ..............................26....................1.................. 1............................. 2............2............... Embargos de divergência e embargos infringentes .......... Conceito e escopo do recurso ordinário ......... De lege ferenda: extinção dos embargos infringentes ....... 6.......................... Embargos de divergência e uniformização de jurisprudência 3....................... Recursos ordinário.. Preparo ...............3............................................................. 2................................ 3................. Recurso ordinário em causas internacionais ....................... Recurso ordinário em mandado de segurança ......... 4...... 2... De lege ferenda: extinção dos embargos de divergência ....... 10.................................... CApíTULo XXXII — RECURSo oRDInÁRIo .............................2... Do julgado paradigma .. Recorribilidade .. 12....... 5............... Do julgado embargado .............. Efeitos..1... 8..................................................... Tomo VI — RECURSoS ConSTITUCIonAIS CApíTULo XXXI — CLASSIFICAçÕES DoS RECURSoS ............ 2........... Do cabimento dos embargos de divergência ........... Embargos de divergência e institutos afins ........................ 5.................. 3......

............ Recurso especial eleitoral ................................ Generalidades ....................... Cabimento ...... 7............................... 6.........................................................................3.................. Recurso especial retido .... Recurso especial parcial e o enunciado n............... Generalidades ..................................... Protocolo integrado e o enunciado n..............2..................................................... 6............................................................2.......... Causas decididas ....... 8.....................4............ Recurso especial retido e agravo retido ....... CApíTULo XXXIII — RECURSo ESpECIAL ............... 9. Recurso ordinário em mandado de segurança para o Superior Tribunal de Justiça ... 9............................................... Notícia histórica do recurso ordinário em mandado de segurança ...........2.................................... 3..................................................... Prequestionamento ..................... 8... 6.............1..................... Desistência tácita ................... 8...........1................................ 3........................................ 256 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça ... Recurso especial retido e tempestividade . 9................................. Antecedentes históricos do Superior Tribunal de Justiça e do recurso especial .......................................................................3. 3...........................................................4............. 7..............1............... 3..... 8......... Recurso especial pela alínea “a” .. Recurso especial em reexame necessário: cabimento . 9.................... Tribunais . Recurso ordinário em habeas data e em mandado de injunção ...................................... Recurso ordinário em mandado de segurança para o Supremo Tribunal Federal ............................... 9........ 355 da Súmula do Supremo Tribunal Federal .........................4..................................................6.............2........ Generalidades .................3...... 1......................... 5.......... 2..... 8............. composição e organização do Superior Tribunal de Justiça ................................................................................1...................................... 3... 4........................... Jurisdição..................................... 798 799 804 805 806 806 807 810 810 810 813 815 819 821 829 830 834 834 836 836 837 839 839 840 841 844 XXIX .......................... Recurso especial pela alínea “b” ......................... Tempestividade ................................ Recurso especial pela alínea “c” .3...............

......1................................... Questão federal de direito constitucional ................. 3........9.4..................................6......10. Natureza e origem do requisito da repercussão geral ................................ Cabimento de recurso extraordinário em incidentes de inconstitucionalidade e de uniformização de jurisprudência 2......... Conceito .................................5............ 12.......... 2..... Cabimento de recurso extraordinário de acórdão dos Juizados Especiais ........... CApíTULo XXXIV — RECURSo EXTRAoRDInÁRIo ...................................................... Efeitos do recurso especial....... Cabimento de recurso extraordinário e julgado do Supremo Tribunal Federal ....... 2.... Obrigatoriedade da repercussão nos recursos extraordinários em geral ............................ 2........ Regularidade formal e interesse recursal .................................................. XXX 844 845 848 854 859 864 864 866 866 867 870 872 875 878 879 880 881 882 882 882 883 883 884 885 885 ..... 2................................... Cabimento ............. 2.......6........ 2............. Preparo ...... 3.....1..................... Preliminar formal e fundamentada de repercussão geral ......... Repercussão geral: requisito de admissibilidade específico do recurso extraordinário .................... 13.... Procedimento especial dos recursos repetitivos ........... Notícia histórica .............................................. 11...... Generalidades .............3.................................................... 1........... Repercussão geral e argüição de relevância: semelhanças e diferenças .............................................7................... 3... Prequestionamento ............................. Causas decididas .......2............. Procedimento padrão do recurso especial ...... 2............................................................... 2...... Recurso extraordinário e repercussão geral ................................................................ 3... 3.................10............................................3. 14..............8.5............................. 2.. Cabimento de recurso extraordinário de acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça ........................................ Esgotamento dos recursos pretéritos .......................2....................................... Cabimento de recurso extraordinário de julgamento proferido por juiz de primeiro grau .......................................................................... 3..... 3................4.... 2......................

................................................3............................. 11....... Recorribilidade das decisões monocráticas presidenciais e dos relatores no Supremo Tribunal Federal ...8.................................... 6........... Competência ...................... Generalidades .......................................... 5........................ Possibilidade de sobrestamento dos recursos extraordinários acerca de questão constitucional idêntica .........................................................4.............. 355 .. 10...... Recurso extraordinário pela alínea “a”.................... Regularidade formal....................... Recurso extraordinário pela alínea “c” .................. 3....... Procedimento e julgamento........ 9........ 3.............................. Efeito erga omnes do acórdão do Plenário que recusa a repercussão geral ......................... 7...... Efeitos ........12................. 12............................. Tempestividade ............ Apêndice II ........... (Ir)recorribilidade do acórdão do Plenário que recusa a repercussão geral ................... Recurso extraordinário adesivo ..............3............................................9.............................. Referências bibliográficas ...................................................................... Insubsistência do enunciado n................................................................................................ 13............... 4.................................................... 9...................2................................... Recurso extraordinário pela alínea “b” ................. 8.. Protocolo integrado .......10..........11.................. 3........................................... Preparo .................................................................................................................. Critérios para a apuração da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal .................. 9..........7...... Recurso extraordinário retido ............................................... 3................................................................................ 9................ 9....................... Recurso extraordinário pela alínea “d” ............. 3.....1............. 886 887 888 889 889 890 891 897 898 899 900 902 902 903 904 905 907 911 911 914 919 921 925 XXXI ... Apêndice I ........

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TOMO I TEORIA GERAL DOS RECURSOS .

.

p. 10ª ed. na doutrina: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA.. Anotações. 507. Por exemplo. assistência. Introdução aos recursos cíveis. p. 2ª ed. Na acepção ampla. 1941.. por exemplo) podem ser assim designados. 1951. cujo significado (curso retrógrado. São múltiplas as acepções do termo recurso no vernáculo. o mandado de segurança. p. p. proteção. volta) revela a exata idéia do instituto jurídico: nova compulsação das peças dos autos para a averiguação da existência de algum defeito na decisão causadora do inconformismo do recorrente1. até mesmo institutos que não são verdadeiros recursos (como a ação rescisória. Novíssimo dicionário latino-português. p. o vocábulo recurso apresenta dois significados: um amplo e outro estrito.. 49 e 72. Volume III. Pode ser empregado como sinônimo de numerário. 12. ALCIDES DE MENDONÇA  . Theoria. habilidade. aptidão. 1942. na doutrina: AFFONSO FRAGA. 7. ª ed. pecúnia. Dicionário latino português.. o incidente de suspensão. DE PLÁCIDO E SILVA. Curso de direito processual civil. 2ª ed. Não 1. 1976. No sentido do texto do parágrafo. socorro. 1976. Volume III.. Por fim. caminho para trás. Vocabulario jurídico. 52. ARRUDA ALVIM. 8. ainda. 2. 85. Pode ser utilizado. 1008. auxílio. Em sentido lato. . faculdade. 1999. Tomo III. como sinônimo de dote. a reclamação constitucional e os embargos de terceiro. ORIgEm E ACEpçõES DO vOCábUlO “RECURSO” O vocábulo recurso provém do latim recursus. 2ª ed. p. recurso é todo remédio jurídico que pode ser utilizado para proteger direito que se supõe existir.Capítulo I RECURSOS: CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA 1.. GABRIEL REZENDE FILHO. JOÃO MONTEIRO. o vocábulo “recursos” é encontrado com o significado de numerário nos artigos 212 e 21 da Constituição Federal. FRANCISCO TORRINHA. 48. EDUARDO COUTURE. 1912. p. p. Também pode significar ajuda. Volume IV. 72. Em sentido conforme ao texto do parágrafo. e SANTOS SARAIVA. na terminologia jurídica. 199. ª ed. Instituições de direito processual civil. p. Vocabulário jurídico. dinheiro2.

é. 299). Sob êsse aspecto. 4. 1969. 124. de sentença ou despacho desfavorável a uma das partes. a integração ou o esclarecimento de decisão jurisdicional. 1912. 207. apto a ensejar a reforma. todavia. p. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. o habeas corpus. 3º) Su interposición dentro de un plano perentorio” (Manual de derecho procesal civil.. p. 1999.. 194. 124 aprovada na Faculdade de LIMA. “en sentido técnico. o vocábulo recurso abrangeria todo e qualquer meio de possibilitar a revisão. 159. 1976. Volume IV. Ainda com a mesma opinião. 1946. ou seja. Volume III. 1995.. p. p. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. e SERGIO BERMUDES. EDUARDO COUTURE. a cassação. o sentido lato. Theoria. o Professor MANUEL IBAÑEZ FROCHAM ensina que “el recurso es un acto procesal” (Los recursos. sea al mismo juez o tribunal que la dictó o a un juez o tribunal jerárquicamente superior” (Manual de derecho procesal civil. 4 . 2ª ed. p. 5. ARRUDA ALVIM. p. dentro do mesmo processo6 em que foi proferido o pronunciamento causador do inconformismo. 2ª ed. No tocante ao prazo peremptório. 1951. Como bem ensina o Professor PEDRO ARAGONESES ALONSO. Anotações. pelo mesmo ou outro juiz. pelo próprio julgador ou por tribunal ad quem. 2000. 6ª ed. 2ª ed. e NELSON NERY JUNIOR. em linguagem técnica. 1. Volume III. 26). Comentários ao Código de Processo Civil. 507. A propósito. 49 e 70. 1958. Volume VII. 11ª ed. Introdução aos recursos cíveis. também na doutrina: MONIZ DE ARAGÃO. por ser a prestigiada na literatura processual. Volume III. ª ed.. Daí a importância da definição específica de recurso. 52. e à luz do direito brasileiro. em prazo peremptório5. 199. pelo Ministério Público e até por terceiro prejudicado. o recurso pode ser assim definido: ato processual4 que pode ser praticado voluntariamente pelas partes. Direito processual civil. se entiende por recurso el acto procesal por el cual una parte solicita del juzgador la modificación de la resolución judicial que la grava dentro del mismo proceso en que aquella resolución fué dictada” (Técnica procesal. É o que também sustenta o Jurisconsulto LINO ENRIQUE PALACIO: “Denomínase recurso al acto procesal en cuya virtud la parte que se considera agraviada por una resolución judicial pide su reforma o anulación. De acordo. Vocabulario jurídico. p. JOÃO MONTEIRO.. p.. 5ª ed.. Em sentido estrito. 85. 11ª ed. p. 567 e 568). p. 569). LOPES DA COSTA. recursos também poderiam ser o mandado de segurança. vale conferir a lição do Professor LINO ENRIQUE PALACIO: “Constituyen requisitos comunes a todos los recursos: omissis. p. Ainda no mesmo sentido. p. 106: “Tomado no seu sentido mais extenso.. 48. 1976. Comentários ao Código de Processo Civil. total o parcial. DE PLÁCIDO E SILVA.. a ação rescisória e a reclamação”. Curso de direito processual civil.. 2ª ed. Vocabulário jurídico. 177 e 184. 1977. o empregado no presente compêndio e nas obras especializadas. 1995. GABRIEL REZENDE FILHO. p. p. merece ser prestigiada a conclusão n. 6. Correição parcial. p. 85. Volume V. ª ed.

Os recursos apenas dão prosseguimento ao mesmo processo no qual foi proferida a decisão causadora do inconformismo. os recursos são interpostos no mesmo processo em que foi proferida a decisão causadora do inconformismo. remedium iuris). RECURSO: ESpéCIE DO gêNERO REméDIO JURÍDICO Os remédios jurídicos são todas as vias processuais disponíveis no ordenamento jurídico para a sustentação de algum direito8. Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Recursos no processo penal. Volume IV. 1988. da invalidação. já que ambos os remédios jurídicos servem para impugnar decisões jurisdicionais. Com efeito. 126 e 172. para a impugnação de decisum prolatado em processo anterior9. Volume V. 5ª ed. Dos recursos ordinários em matéria civil. p. Cf. Entre os remédios jurídicos. Já as ações autônomas impugnativas dão ensejo à formação de novo processo.. 1990. Diz-se de todo meio lícito adequado à consecução de um direito” (OTHON SIDOU. 9. Do duplo grau de jurisdição. p. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. decorrente da reforma. nota 21. 1946. 14. os recursos e as ações autônomas de impugnação não podem ser confundidos entre si. enquanto as ações autônomas de impugnação dão ensejo à formação de novo processo. 4ª ed. apto a propiciar ao recorrente resultado mais vantajoso. REIS FRIEDE. 210. p. diverso daquele em que foi prolatado o decisum gerador da insatisfação. Comentários ao Código de Processo Civil.. e VESCOVI. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. na doutrina: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. ou não. p. “REMÉDIO JURÍDICO (Lat. ª ed. 1976. do esclarecimento ou da integração da decisão”7. 8.. CELSO BASTOS. 1997. 7ª ed. p.Direito da Universidade de São Paulo: “Conceitua-se o recurso como meio voluntário de impugnação de decisões. tomo III.. 99 e 100. 2ª ed. Apesar da aparente similitude. NELSON NERY JUNIOR. ADA PELLEGRINI GRINOVER. destacam-se duas espécies aptas à impugnação das decisões jurisdicionais: as ações impugnativas e os recursos. Diferenciam-se pela instauração de novo processo. p. 179 e 184. 20. Comentários à Constituição Federal. p. SEABRA FAGUNDES. 7 e 8. 178. p. 2001. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. Introdução aos recursos cíveis. 452. BARBOSA MOREIRA. 1997. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. nota 1. 5 . 1999. O processo civil no limiar do novo século. Los recursos judiciales. 160. 1998. 68). 7. 2. p.. 2000. p. utilizado antes da preclusão e na mesma relação jurídica processual.

actus) Dir. mas um só processo11.A propósito. são os elementos do conceito de processo10: relação jurídica processual e procedimento. 5). Conjunto ordenado das peças de um processo judicial” (OTHON SIDOU. merece ser prestigiada a didática lição do Professor CALMON DE PASSOS: “Daí afirmar que um processo pode conter um ou mais procedimentos ou. articulados. Volume III. Tanto quanto sutil. com as dimensões do chamado papel de ofício. a diferença é muito relevante. Dois. do escrivão. procedimento recursal. “Assim se denomina o conjunto de tôdas as peças integradas de um processo. conjunto de peças escritas que formalizam e documentam os atos praticados no processo segundo o procedimento para ele ditado pelo legislador” (Comentários ao Código de Processo Civil. apenas um procedimento incompleto”. é importante distinguir termos técnicos essenciais para a compreensão da distinção dos recursos e das ações autônomas de impugnação. “Pelo que é correto falar-se em procedimento na primeira instância. também é possível afirmar que o recurso nem sempre é interposto nos autos em que a decisão recorrida foi prolatada. Se é certo afirmar que o recurso é sempre interposto no mesmo processo em que foi proferida a decisão impugnada. 6 .. m. 1997. (1) S. 8). 111). Não há lugar para confusão entre os conceitos de processo e autos. Em contraposição. p. representado pelos atos que lhe dão corpo e a relação entre eles (procedimento) e o interno.. Vol. da natureza do feito e os nomes do autor e réu” (CARVALHO SANTOS. p. 5 e 6. 11. só existe outro processo quando há. 2004. portanto. Também no mesmo sentido: “AUTOS. que pode ser vista por dois ângulos: o externo. p. grifos aditados). 9ª ed. se a mesma relação jurídica processual se desenvolve em diferentes séries de atos concatenados. 2004. ª ed. 2001. Volume III. A propósito. 9ª ed. Processo é relação jurídica processual que se desenvolve sob determinado procedimento. há dois procedimentos.” (Comentários ao Código de Processo Civil. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. nova relação jurídica processual e autonomia procedimental. (Lat. 7). Já o vocábulo autos12 significa o cader- 10.. 2ª ed. procedimento instrutório etc. O Professor JOSÉ ROBERTO BEDAQUE também é preciso ao explicar que “o processo é uma entidade complexa. p. etc. simultaneamente. Os autos têm a forma de um caderno. inclusive.. formando um todo iniciado pela autuação.. Repertório enciclopédico. pl. Como bem ensinam os Professores ADA PELLEGRINI GRINOVER. têrmos. sentença. 1994. como petições. 50 e 51). que são as relações entre os sujeitos processuais (relação processual)” (Poderes instrutórios. 4ª ed. p. igualmente merece ser prestigiado o preciso ensinamento do Professor CALMON DE PASSOS: “‘Autos’ é palavra utilizada para significar o processo em sua materialidade. Nessa capa são consignadas as designações do juízo. p. onde é lavrada a autuação.. com uma capa em geral de cartolina. 12. Por conseqüência. o processo deve ser “entendido como relação processual mais procedimento” (Recursos. Proc. V. Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. A respeito do assunto.

se há formação de nova relação jurídica processual com autonomia procedimental. o processo continua a ser o mesmo1 — como se dá nos agravos de instrumento dos artigos 522 e 544 do Código de Processo Civil.. não é suficiente para a existência de um novo processo. O essencial. trata-se de ação autônoma impugnativa. trata-se de recurso. mas o processo permanece uno” (Comentários ao Código de Processo Civil. já que o agravado somente é “intimado”. mas com o prosseguimento da 1. Volume V. Não formam. É certo que a regra reside na interposição dos recursos nos mesmos autos. bifurca-se o procedimento. não necessariamente dos mesmos autos. ou seja. processos diversos. 2). Como não há nova citação. A propósito. conforme revelam o artigo 527. é possível concluir que os agravos de instrumento são interpostos no mesmo processo. são a materialização do processo. Quando a impugnação se dá no mesmo processo. entretanto. ambas simultaneamente. A interposição do agravo por instrumento dá lugar à formação de autos apartados. não são interpostos nos mesmos autos nos quais foram proferidas as decisões agravadas. 200. ou não. Só existe processo diverso. na verdade. mas há recursos que não são interpostos nos autos do processo. Em contraposição. § 2º. é possível afirmar que o recurso pode ser interposto fora dos autos do processo. é se o processo é o mesmo. em virtude da autonomia procedimental dos agravos de instrumento. inciso V.no processual principal que contém os atos processuais que concretizam os direitos e deveres dos sujeitos da relação jurídica processual: autor. em linguagem metafórica. portanto. não há a formação de nova relação jurídica processual. por exemplo. juiz e réu. recursos processados em caderno processual independente denominado instrumento (ou traslado). os agravos de instrumento. Diante da diversidade dos conceitos. 7 . Ainda que existentes procedimento próprio e autuação independente. todavia. a qual. é possível afirmar que os autos são o corpo do processo. 11ª ed. entretanto. e o artigo 544. ambos do Código de Processo Civil. p. Os autos. mas sempre no mesmo processo. mas sem nova relação jurídica. fruto da autonomia procedimental. se a impugnação da decisão ocorre em outro processo. Os agravos de instrumento previstos nos artigos 522 e 544 do Código de Processo Civil. merece ser prestigiada a precisa lição do Professor BARBOSA MOREIRA: “Atente-se bem: dentro do mesmo processo. porquanto não há nova relação jurídica processual. embora não nos autos do processo. e não nos próprios autos. Aliás.

Manual. p. o juiz não está isento das falhas e das imperfeições humanas. recurso especial. pela simples razão de que o agravado é apenas “intimado” (cf. além dos dois remédios jurídicos tradicionais (os recursos e as ações autônomas de impugnação). Assim. 1975. eventuais equívocos constantes do julgado podem vir a ser eliminados17. a reclamação constitucional. Volume III. mas que os substituem. Por fim. como a correição parcial (ou reclamação correicional) e o pedido de reconsideração16. embargos de declaração. Introdução. p. as quais podem dar ensejo à prolação de decisões defeituosas. De acordo: PALACIO. embargos infringentes de alçada e recurso inominado. Com exemplos semelhantes: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. 172 a 175. 1997. é necessário conceder ao jurisdicionado insatisfeito com a prestação jurisdicional a possibilidade de submeter a decisão que considera viciada à apreciação do próprio juiz que a proferiu ou. o mandado de segurança contra ato jurisdicional. artigos 527. 15. tomo III. 49. De outro lado. volume 259. en la mayor medida posible. 17. p. p. 257. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Além das ações impugnativas. FREDEDICO MARQUES. já é possível arrolar os recursos que integram o sistema cível: apelação. ambos do Código de Processo Civil15.. 1995. recurso ordinário. institutos que não são recursos. embargos infringentes. ao crivo de um órgão colegiado composto por magistrados mais experientes. por vía de reexamen. 160. inciso V. a ação de querela nullitatis e a ação anulatória dos artigos 52. RAZãO DE SER DOS RECURSOS Como todo homem. Comentários. 8 . interno). 3. Sistemática dos recursos. 1976. estão as ações autônomas de impugnação14: a ação rescisória.mesma relação jurídica processual. os sucedâneos recursais também constam do tomo II do presente compêndio. os embargos de terceiro. embargos de divergência. Revista Forense. O processo civil brasileiro. Fixada a distinção teórica entre os recursos e as ações autônomas de impugnação. recurso extraordinário. Por oportuno. inciso I. e 544. 16. 11ª ed. há os sucedâneos recursais. Manual. CELSO BASTOS. agravos (de instrumento. las decisiones judiciales se adecuen. e 486. o tomo II do presente compêndio versa sobre as ações autônomas de impugnação. retido. p. 14. § 2º). a las exigencias de la justicia”. 570: “La razón de ser de los recursos reside en la falibilidad del juicio humano y en la consiguiente conveniencia de que. como ocorre em regra. p. 1999. 210. e JACY DE ASSIS. Volume IV. Por tal razão.

Theoria. ª ed. e SERGIO BERMUDES. A irresignação que as decisões desfavoráveis causam no espírito do vencido também justifica a adoção de um sistema recursal. p. Theoria. Dos recursos. Theoria. CHIOVENDA. p. O recurso também serve para uniformizar a aplicação do direito19. 50. Comentários.. p. p. os fundamentos que justificam a instituição dos recursos. como a inaceitável manifestação de inconformismo perante a própria pessoa do juiz. pelo menos em tese. p. 1912. artigo 9. 52 e 5.. ª ed. 14. ROGÉRIO LAURIA TUCCI. Comentários ao Código de Processo Civil. incisos II e III. 1. e PONTES DE MIRANDA. nota 8. Volume VII. LEO ROSENBERG. 1989. Código. p. 1946. especialmente a primeira. JOÃO MONTEIRO. 9 . 84. 1 e 20. De acordo: ANTÔNIO MACHADO. Com efeito. p. p. Daí a conveniência de se conferir ao inconformado algum remédio jurídico capaz de tornar insubsistente a decisão causadora da sua insatisfação. 199. os recursos permitem a revisão do decisum pelo tribunal ad 18. e SEABRA FAGUNDES. JOÃO MONTEIRO. p. OLIVEIRA E CRUZ. 20. Revista de Doutrina e Jurisprudência. a finalidade de uniformização jurisprudencial é marcante no recurso especial pela alínea “c” do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. Volume I.. assim. 194. Dos recursos. nos embargos de divergência e nos embargos infringentes. 1912. Curso. Evita-se. assim como restrições para a ascensão na carreira (cf. 1977. em suma. sob pena de sofrer censuras.. p. 147. Com efeito. 255. Volume I. 15 e 16. p. número 15. o magistrado há de ser cuidadoso na prolação do decisum. Não se trata de mera coincidência.. Istituzioni. São. 1912. não pode ser desconsiderada a utilidade preventiva da adoção de um sistema recursal. . Volume II. 1968. Em sentido semelhante: ALFREDO BUZAID. 19. ª ed. 147. Tratado. nota 18. 1955. A propósito.. ª ed. No sentido do texto do parágrafo: JOÃO MONTEIRO. p. o que causaria inegável descrédito em relação ao Poder Judiciário. 12. que a irresignação dê azo a expedientes maléficos ao Estado. Tomo VI. Volume III.Além da finalidade corretiva acima enunciada. Aliás. 44. 5. o risco da subsistência de julgados antagônicos diante de casos idênticos seria ainda maior. ª ed. da Constituição Federal)18. Ciente da possibilidade de o tribunal ad quem vir a examinar a decisão proferida na instância inferior. 1998. porquanto o instituto recursório nada mais é do que a concretização daqueles princípios20. Se não houvesse o sistema recursal. também são os motivos que explicam a adoção dos princípios do duplo grau de jurisdição e do duplo exame pelos ordenamentos jurídicos dos países civilizados. nota 8. 2ª ed. Volume III. é da própria natureza humana não se conformar com a decisão que beneficia o adversário.

salvo quando decorrido in albis o biênio do artigo 495. É a corrente prestigiada pela doutrina pátria. 2. A respeito da natureza jurídica do recurso no direito pátrio. 10 . a outra corrente tem o recurso como mera extensão do próprio direito de ação exercido no processo em que foi prolatado o decisum causador do inconformismo. ADA PELLEGRINI GRINOVER. a busca da justiça21 e da conformação do sucumbente não pode ser incessante. merece ser prestigiada a conclusão n. Não obstante. com a formação da coisa soberanamente julgada. direito a reexame do provimento jurisdicional”2. somente as ações autônomas de impugnação dão causa à inauguração de processo distinto daquele no qual foi proferida a decisão desfavorável. a decisão protegida pela coisa julgada ainda está sujeita à ação rescisória. NATUREZA JURÍDICA DO RECURSO Não há unanimidade na doutrina acerca da natureza jurídica do recurso. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. nos termos dos artigos 01. ao menos. o que é explicável à luz do direito positivo brasileiro. Daí a necessidade da limitação do número de recursos. ou. Assim considerada a correta aplicação do direito objetivo ao quadro fático correspondente. considera o recurso verdadeira ação autônoma. ª ed. segunda parte. sob pena de os litígios se eternizarem. com a materialização do princípio do duplo grau de jurisdição. 21. 22. § º. 2001. Cf. diversa daquela que deu ensejo à formação do processo em que foi proferida a decisão recorrida. p. 4. 45. e 467. quando há a realização do princípio do duplo exame. com inconveniente insegurança jurídica.quem. pois enquanto não houver preclusão tem a parte. À vista do direito brasileiro. segundo o qual a interposição de recurso não conduz à instauração de novo processo.. a fim de que em determinado momento o conflito de interesses seja solucionado mediante decisão jurisdicional protegida pelo manto da coisa julgada. no mesmo processo. Por fim. com muitos defensores na doutrina estrangeira. o reexame pelo próprio juiz prolator da decisão. 14 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O direito de recorrer constitui modalidade do próprio direito de ação. mas ocasiona apenas o prosseguimento do mesmo processo iniciado com a propositura da ação pelo autor. Recursos no processo penal. ambos do Código de Processo Civil22. Duas correntes antagônicas partem do direito de ação para identificar a natureza do instituto: a primeira corrente.

Cf. Recursos no processo penal. se não o fizer. p. Mas se não se desincumbe dele. ADA PELLEGRINI GRINOVER.. Cf. Comentários ao Código de Processo Civil. pratica o ato imposto por lei. sofrerá um prejuízo” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. 10ª ed. Em síntese. representando uma faculdade que. porquanto o legitimado25 pode recorrer se assim desejar. 26. 45. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. Se ela observa essa conduta. 407. 15 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O recurso é um ônus processual. n. 24. o recurso configura ônus processual 24. 11 . nada lhe acontece. p. o decisum adverso subsistirá. 252). mas.Sob outro prisma.. Volume I. não exercida. pode acarretar conseqüências desfavoráveis”26. duas teses prevalecem na doutrina brasileira sobre a natureza jurídica do recurso: a que tem no recurso uma continuação do direito de ação exercido no processo no qual foi proferida a decisão recorrida. ª ed. Foi o entendimento que restou consolidado na precisa conclusão n. 1998. e a que considera o recurso verdadeiro ônus processual. artigo 499 do Código de Processo Civil. com prejuízo àquele que se conformou com a decisão contrária. 25. “O ônus é a atribuição de certa conduta a uma parte. 2001.

como a impossibilidade de retenção do agravo cabível contra decisão interlocutória e a inexistência de preparo em relação aos recursos interpostos pela massa falida. além de alcançar os diversos processos e procedimentos previstos no Código de Processo Civil (e nas leis processuais civis extravagantes sem disposição em sentido contrário). trabalhista. falimentar. do artigo 769 da Consolidação das Leis do Trabalho. o sistema recursal cível tem aplicação subsidiária em relação aos sistemas 27. 2007. 7ª ed. especial. trabalhista e eleitoral. criminal e eleitoral. 12 . geral. com a indicação de doutrina em abono à tese sustentada pelo autor. Os sistemas recursais criminal (ou penal). ClASSIfICAçãO Há cinco sistemas recursais no direito brasileiro: cível. do artigo º do Código de Processo Penal e do artigo 4 do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral. porquanto são regidos por normas específicas. entretanto. Com efeito. Cf. de 2005. 28. incide o disposto no Código de Processo Civil. Há. por força do artigo 189 da Lei n.101. quando omissos os diplomas específicos.101 é omissa em relação ao procedimento dos recursos no juízo de origem e no tribunal ad quem. apesar de seguir. criminal. O sistema recursal falimentar (ou empresarial) também é considerado um sistema próprio27. todos os sistemas recursais são influenciados pelo sistema cível. FÁBIO ULHOA COELHO. trabalhista e eleitoral podem ser denominados especiais. ainda que de forma reflexa. 11. Por exemplo. Volume I. Outro exemplo: a Lei n. também incide o disposto no Código de Processo Civil. p. em grande parte28.101 é omissa quanto aos prazos recursais. o qual é verdadeiro sistema recursal comum. o sistema recursal cível tem incidência subsidiária em relação aos sistemas falimentar. algumas peculiaridades próprias do sistema recursal falimentar. Curso de Direito Comercial. o disposto no sistema recursal cível.Capítulo II SISTEmAS RECURSAIS 1. 29.. Na verdade. 11. Por conseqüência. a Lei n. 11.

Por exemplo.. 2ª Turma do STF. aplicável aos embargos em matéria criminal. “A regra original do CPC. merece ser prestigiada a lição dos Professores ADA PELLEGRINI GRINOVER. Profundidade. vale conferir o enunciado n. Diário da Justiça de 5 de agosto de 1994. As razões que inspiraram a regra do processo civil também incidem no processo penal. 2007. 7ª ed. A respeito de tema. 1. 538 CPC. todavia. trabalhista0. Também em prol da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil no processo penal: HC n. p.950/94 não viesse. o enunciado n. 29). 4ª ed. art. Até mesmo em matéria de recorribilidade das decisões proferidas pelo juízo falimentar tem lugar a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. As condições da ação são apreciáveis de ofício.recursais falimentar29. pouco importando que o processo esteja em fase de apelação interposta pelo querelante e que a legitimidade lhe diga respeito — aplicação subsidiária do § 3º do artigo 267 do Código de Processo Civil” (grifos aditados). ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES: “É certo que a lei processual penal não é expressa nesse sentido. atualmente. 9 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Efeito devolutivo. 515. Art. Por exemplo. o prejudicado pode manejar o recurso de embargos de declaração (CPC.101/2005). a despeito de a Lei de Falências ter consagrado um sistema recursal próprio” (FÁBIO ULHOA COELHO. 11. Recurso ordinário. recomeçando a contar em sua inteireza a partir da intimação da decisão que julga os embargos” (Recursos no processo penal. Ainda em sentido conforme. merece ser prestigiado o correto enunciado n. A propósito. diversamente do que ocorre com o art.51/RS. obscuridade ou contradição. 69. 19299: “LEGITIMIDADE — QUEIXA-CRIME — APRECIAÇÃO DE OFÍCIO EM GRAU RECURSAL. transfere automaticamente ao Tribunal a apreciação de fundamento da defesa não examinado pela sentença. que se extrai do § 1º do art. se pode entender que o prazo para os outros recursos fica interrompido também no campo penal. 515 do CPC. Curso de Direito Comercial. do CPC. aplicável nas lacunas da legislação falimentar. era expressa no sentido da suspensão do prazo (art. coerente e completa. Assim também sustenta autorizada doutrina: “Quando a Lei de Falências for omissa.. De modo que. 29. no qual o art. até que a Lei 8. 538 encontra aplicação analógica”. 69 da Súmula do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro: “Aplica-se ao processo penal. p. o artigo 557 do Código de Processo Civil”. ao caso de pedido não apreciado na sentença” (grifos aditados). caberá o recurso indicado no CPC. Mas a verdade é que. enquanto a decisão não surgir clara. porém. § 1º. razão pela qual é verdadeiro sistema recursal comum e supre as lacunas dos demais. Aplicação. 0. 535). a determinar a interrupção do prazo (nova redação do caput do art. não poderá configurar resposta jurisdicional que possa ser impugnada por outros recursos. O processo falimentar está disciplinado na Lei de Falências (Lei n. Volume I. 538). também expressamente. Não se aplica. 538). ainda que não renovado em contra-razões. sem os grifos). 26. 25 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e os respectivos precedentes jurisprudenciais revelam a adoção do Código de Processo Civil no processo falimentar. O efeito devolutivo em profundidade do recurso ordinário. se a sentença declaratória da falência contiver omissão. p. 1 . criminal1 e eleitoral2. 2005. O Código de Processo Civil é fonte subsidiária. por analogia.

110. aliás.. 15: “No processo eleitoral. 10 do Tribunal de Contas da União: “Na falta de normas legais regimentais específicas. Volume VIII. não só as decisões proferidas em processo de conhecimento são recorríveis. As disposições a ele referentes. são aplicáveis. § 2º). defere ou indefere pedido de efeito suspensivo ou de antecipação dos efeitos do recurso” (REsp n. 481. que não se limita à órbita do direito civil.088/SC. incisos II. III e parágrafo único6. aplicam-se. das exigências fundadas no magistério jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal” (grifo e destaques constam do original).352/2001). p. 527. 19ª ed. subsidiariamente. “A Lei 11. Recursos. De acordo. 2004. ao que estabelece o Código de Processo Civil (art. o Código de Processo Civil também é aplicado subsidiariamente na esfera administrativa. como bem revela o enunciado n. Comentários ao Código de Processo Civil. artigos 519. em agravo de instrumento nos Tribunais de segundo grau. é cabível o recurso extraordinário. 2ª Turma do STF. revelam os artigos 475-M. Cf.. 1977. 558 e 598. tomo I. Em sentido semelhante: GALENO LACERDA. 1). destinado ao processo de conhecimento. c/c o art. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. como. por analogia e subsidiariamente. p. também são passíveis de recurso as decisões prolatadas nos processos de execução e cautelar5.187/2005 tornou irrecorrível decisão de Relator que. p. Por oportuno.2. Com efeito. atender. 1994. 2ª ed. 1. 8ª ed. também. as disposições do Código de Processo Civil”. — Impõe-se à parte agravante. p. 520. 2ª ed. A inclusão da matéria no bojo do Livro I. 282.124/MG — AgRg. 2. mas. 5. na hipótese de não-admissão de recurso extraordinário interposto em processo eleitoral.006. p. e 54. 4. na composição do traslado. o parágrafo único proposto também reveste a tramitação de agravo de racionalidade e celeridade. 75. 111 e 112. todos do Código de Processo Civil vigente. 541 a 546. parágrafo único. inciso IV. a Juízo do Tribunal de Contas da União. ao eliminar as hipó- 14 .. mais especificamente nos artigos 496 a 565. na formação do traslado. 198. no processo eleitoral”. Na verdade. Volume V. na doutrina: TITO COSTA. 279. 1999. SERGIO BERMUDES. p. com redação da Lei 8. sem prejuízo da observância. Diário da Justiça de 26 de abril de 2002: “AGRAVO DE INSTRUMENTO EM MATÉRIA ELEITORAL E COMPOSIÇÃO DO TRASLADO. Comentários ao Código de Processo Civil. Diário da Justiça Eletrônico de 5 de março de 2008. propriamente. SISTEmA RECURSAl CÍvEl Os recursos cíveis estão previstos no Título X do Livro I do atual Código de Processo Civil.. § º. “Por fim. não só ao que dispõe.950/1994 e a Lei 10. no que couber. Comentários ao Código de Processo Civil. 190. 4 e 5. 6ª ed. ressalvadas as exceções expressamente previstas na legislação processual (por exemplo. em caráter irredutível. Volume VII. 544.. o Código Eleitoral (art. vale conferir o seguinte precedente jurisprudencial: Ag n. contidas no CPC (arts. 6. . ª Turma do STJ. e Processo de execução. foi alvo de acertada crítica da doutrina4. § 2º). A propósito.

8. Reforma infraconstitucional. na jurisprudência: EREsp n. sempre que não houver disposição especial em contrário”. Volume IV. na doutrina: SERGIO BERMUDES. Na verdade. de 2005. 1977. Diário da Justiça de 7 de agosto de 2006: “A sistemática recursal prevista no Código de Processo Civil é aplicável subsidiariamente a todo o ordenamento jurídico. como fonte subsidiária8. 2005. Assim. 471. Volume VII. aos processos cíveis regulados por leis especiais. A rigor. Corte Especial do STJ. sem os grifos no original). teria sido melhor preservar a estrutura do antigo Código de Processo Civil de 199. p. 2ª ed. todos do Código de Processo Civil).§§ 2º e º. p. diploma que tratava dos recursos em livro específico (Livro VII). 4 e 5. em virtude da regra de que tanto o processo quanto o procedimento em que foi lançado o decisum são irrelevantes para a recorribilidade. solução mais adequada à vista do amplo alcance do sistema recursal cível7. o sistema recursal cível norteia todos os demais sistemas recursais. com o suprimento das omissões dos mesmos. Comentários ao Código de Processo Civil.51/MG.. com incidência direta em relação a todos os processos e procedimentos disciplinados no Código de Processo Civil e. De acordo. como estudado no tópico anterior. 15 . inclusive aos processos regidos por leis especiais. 11. 12 e 127. teses de recorribilidade de decisão liminar proferida nos casos dos incisos II e III” (Exposição de Motivos da Lei n. toda decisão jurisdicional pode ser impugnada por meio de recurso.187. 7.

“d”. com o parecer oferecido pelo Ministério Público. Já a competência conferida aos tribunais para elaboração de regimento interno configura exemplo de atividade legislativa. da Constituição de 1988. Os demais atos praticados no processo não podem ser impugnados por meio de recurso. e só os atos do Judiciário no exercício da função jurisdicional 16 . Apenas os atos jurisdicionais são passíveis de impugnação por meio de recurso propriamente dito. artigos 46 e 47 do Código de Processo Civil). muito menos para formar a coisa julgada. O laudo do perito também não gera sucumbência a nenhuma das partes. apenas os atos de autoria de magistrado ou de órgão colegiado judiciário são passíveis de recurso. é igualmente correta a asserção de que nem todos os atos provenientes do Judiciário podem ser impugnados mediante recurso processual. inciso I. Em contraposição. respectivamente). os atos de cunho administrativo e legislativo podem ser combatidos por outras vias processuais (por exemplo.Capítulo III ATOS SUJEITOS A RECURSO pROCESSUAl No direito processual brasileiro. artigo 162. Por conseguinte. são administrativos os atos praticados no exercício das atividades previstas no artigo 96. inciso I. “c”. Por tudo. por exemplo. do Código de Processo Civil). razão pela qual não têm força para causar prejuízo às partes. porquanto pode não ser prestigiado pelo juiz da causa. pois os respectivos atos são passíveis de revisão pelo juiz. “e” e “f”. letra “a”. conforme o disposto no artigo 96. ação de mandado de segurança e ação direta de inconstitucionalidade. A propósito. só os atos praticados por juiz ou por órgão coletivo judiciário podem ser impugnados por meio de recurso processual. porquanto pode não ser acolhido pelo magistrado (cf. É o que ocorre. nem todos os atos provenientes do Poder Judiciário são jurisdicionais. mas não pela via recursal. Se é certo afirmar que os recursos processuais são cabíveis apenas contra atos oriundos do Poder Judiciário. na qualidade de fiscal da lei: o parecer ministerial não ocasiona gravame a litigante algum. § 4º. alíneas “b”. porquanto estão sujeitos ao imediato controle dos juízes. Os atos do escrivão igualmente são irrecorríveis. até mesmo quando o escrivão atua por delegação (cf. da Constituição Federal.

e DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO NEVES. os pronunciamentos jurisdicionais podem ser divididos em razão da existência de conteúdo decisório e de gravame. 19. Só os pronunciamentos com conteúdo decisório e que causam gravame estão sujeitos a recurso processual. os atos jurisdicionais podem ser classificados em pronunciamentos e outros atos jurisdicionais. e 1. Comentários ao Código de Processo Civil. p. aqueles que não são pronunciamentos. e PONTES DE MIRANDA. ª ed. Em contraposição. 76 e 77. O novo conceito de sentença. 17 . artigos 125. p.são passíveis de impugnação por meio de recurso processual. artigo 504). Volume V. nem todos são impugnáveis por meio de recurso processual. Por tudo. decisão monocrática e acórdão) e podem ser alvo de impugnação por meio de recurso processual. Cf. Os pronunciamentos com conteúdo decisório e que causam gravame são denominados decisões lato sensu (decisão interlocutória. 7ª ed. 2006. e 1ª ed. comentário 10. por exemplo. Tomo VII. Assim. 47. Já os pronunciamentos sem conteúdo decisório e que não ocasionam prejuízo (ou seja. Cf. os despachos) são irrecorríveis. p. 1ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil. Comentários ao Código de Processo Civil. artigo 440 do Código de Processo Civil. Alguns exemplos semelhantes são encontrados na doutrina mais abalizada: BARBOSA MOREIRA. Por sua vez. DALL´AGNOL. sentença. Código de Processo Civil comentado. Cf.. Por exemplo. 1996. 4. p. os pronunciamentos sem conteúdo decisório e que não causam prejuízo às partes são intitulados despachos e não estão sujeitos a recurso algum (cf. 2006.. 2000. 42. In Reforma do CPC. só os atos do Poder Judiciário no exercício da função jurisdicional ensejam a interposição de recurso processual. 152 e 15. p. ou seja. despacho é o pronunciamento jurisdicional ordinatório. 246. por meio do qual o magistrado apenas dá andamento ao processo.. 2ª ed. n. como a arrecadação de bens9. considera-se despacho o pronunciamento por meio do qual o magistrado4: a) concede vista à parte para 9. 240 e 241. não são passíveis de impugnação por meio de recurso42. Volume II. 591. 1998. É o que revela o artigo 504 do Código de Processo Civil: “Dos despachos não cabe recurso”.. 2006. Em síntese. Com efeito. os demais atos jurisdicionais. p. Mesmo entre os atos jurisdicionais provenientes dos órgãos do Poder Judiciário. Volume V. Resta examinar os atos jurisdicionais que nem são pronunciamentos. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. sem solucionar controvérsia alguma. 41. ambos do Código de Processo Civil. artigo 1. 1999. a tentativa de conciliação40 e a inspeção judicial41. 40.142 do Código de Processo Civil. p.. NERY JUNIOR e ROSA NERY. Comentários ao Código de Processo Civil. inciso IV. Com efeito. 260.

ou seja. Ao contrário dos despachos. Além dos despachos. no mínimo. para a realização de futuras intimações. isto é. 18 . controvérsia que surge no curso do processo. g) fixa prazo para as partes apresentarem as respectivas alegações finais. Em contraposição. e) apenas concede prazo às partes para especificação de provas a serem produzidas. O artigo 267 trata da sentença terminativa. ao argumento de que “a alteração sistemática impõe a alteração dos artigos 162. b) determina a juntada de substabelecimento. consoante o disposto no parágrafo único do artigo 25 do Código de Processo Civil. Já o pronunciamento por meio do qual o magistrado ordena o desentranhamento de fotocópia ou nega a validade do documento tem natureza de decisão interlocutória. 269 e 463. d) fixa o prazo para a apresentação do laudo pericial. Ainda a respeito do conceito de sentença. Como as decisões interlocutórias e as sentenças têm conteúdo decisório e causam gravame. À vista do § 2º do artigo 162 do Código de Processo Civil. a Lei n. modificou a redação dos artigos 162. os juízes de primeiro grau podem proferir outros pronunciamentos: as decisões interlocutórias e as sentenças. f) determina a remessa dos autos ao Ministério Público. outro é o critério descritivo das aludidas decisões. caput. de 2005. c) ordena a anotação pelo distribuidor da propositura de reconvenção e da intervenção de terceiro. caput. e 269. os quais podem ser prolatados por todos os magistrados. § 1º. processual. até mesmo pelos que compõem os tribunais. um dos litigantes. a diferença é relevante para a identificação da natureza do pronunciamento e da respectiva recorribilidade.manifestação sobre documento apresentado pelo adversário. 267. bem como a anotação do nome do novo procurador e da respectiva inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. de mérito. decisão interlocutória é o pronunciamento por meio do qual o juiz de primeiro grau resolve questão incidental. uma vez que a sentença não mais põe fim ao processo”.22. e h) determina à parte que apresente fotocópia autenticada do documento ou o próprio original. Já o artigo 269 versa sobre a sentença definitiva. à vista dos artigos 421 e 4 do Código de Processo Civil. Tanto quanto sutil. as decisões interlocutórias e sentenças são pronunciamentos com conteúdo decisório e que ocasionam prejuízo a. ou seja. 11. o § 1º do artigo 162 estabelece que sentença é o pronunciamento proferido por juiz de primeiro grau com esteio nos artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil.

Volume IV. Por conseguinte. 267 e 269 desta Lei”. extinta uma delas e prosseguindo o feito. Exposição de Motivos do Ministro da Justiça. portanto. com conteúdo decisório. Volume IV. com ou sem apreciação do mérito’ ”44.. VI) etc. a decisão que rejeita o litisconsórcio. de decisão interlocutória47. a sentença pode ser assim redefinida: pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau por meio do qual há a aplicação de alguma das hipóteses arroladas nos incisos dos artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil em relação a todas as ações existentes no processo. 2005. estar-se-á diante de decisão interlocutória e não de decisão final. p. na doutrina: “Nem toda decisão que tiver por conteúdo uma das hipóteses dos arts. 267 e 269 do CPC terá por efeito a extinção do procedimento. § 1º. “etapa final do processo de conhecimento”. “Por outro lado. 267). sim. “para possibilitar que a execução da sentença ocorra na mesma relação processual cognitiva”. São exemplos de decisão interlocutória. agora o processo subsiste até o efetivo cumprimento da sentença de mérito.“‘sentença’ passa a ser o ato ‘de julgamento da causa. 45. Por conseguinte. se o juiz de primeiro grau evoca algum inciso do artigo 267 ou do artigo 269 para resolver apenas uma demanda. Cf. artigos 292 e 01. 2007. mas não todas as existentes no mesmo processo46. 47. iii) decisão que exclui um litisconsorte por ilegitimidade (art. Assim sendo. 269. De acordo. ii) decisão que reconhece a decadência de um dos pedidos cumulados (art. 46. assim. a que 19 . 18. Volume III. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. 522 do CPC)” (FREDIE DIDIER JR. ser impugnadas por agravo (art. mas que não ocasiona a aplicação integral de nenhuma das hipóteses arroladas nos incisos dos artigos 267 e 269. a desafiar. p. 22. ª ed. Alguns exemplos de decisões que aplicam os mencionados artigos e não encerram o procedimento: i) decisão que indefere parcialmente a petição inicial (inciso I do art. p. extraído do atual § 1º do artigo 162: “Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. Com o advento do processo sincrético no direito brasileiro. Reforma infraconstitucional. Por tudo. Curso de direito processual civil. é preciso ter sempre presente a noção de que um mesmo processo pode comportar várias ações. a sentença de mérito deixou de ocasionar a extinção do processo. Reforma infraconstitucional. mas. 20 e 22. e não mais um “‘processo autônomo’ de execução”45. 44. 2005. Nesse sentido. ambos do Código de Processo Civil. decisão interlocutória é o pronunciamento de juiz de primeiro grau. Exposição de Motivos do Ministro da Justiça. IV). 1). 267. que podem. Daí a explicação para o novo conceito legal de sentença. o recurso de agravo. Em contraposição. o pronunciamento não tem natureza de sentença. a execução da maioria dos títulos judiciais passou a ser mera “fase processual”.

entretanto. p. exceções ao binômio sentença-apelação no sistema recursal cível brasileiro. Incorre em equívoco os que entendem que à cada litisconsorte corresponde um processo e que à reconvenção. da Constituição Federal: recurso ordinário. Sob outro prisma. alínea “c”. 267 e 270. merece ser prestigiada a conclusão n. Autorizada doutrina48 sustenta a existência de outra exceção ao binômio sentença-apelação.099 e nos artigos 1º e 5º da Lei n. 6.. como ação do réu. Não obstante. também há doutrina muito respeitável: DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO NEVES. com o destaque para a diferença que separa os dois pronunciamentos com conteúdo decisório em primeiro grau de jurisdição. A propósito. FÁBIO ULHOA COELHO. A terceira exceção está prevista no artigo 41 da Lei n. Reforma do CPC. Em sentido contrário.101. Prevalece na doutrina. 10. 2007. assim como a que indefere a reconvenção desafiam o recurso de agravo. o respeitável entendimento de que a decretação da falência é proveniente de sentença agravável. razão pela qual a hipótese não é exemplo de exceção ao binômio sentença-apelação. à vista do proêmio do artigo 100. 9. 11. como o permite textualmente o art. ambos da Lei n.  e 4). Curso de direito comercial: direito de empresa. Cf.259: recurso inominado. de 2005. em razão do cabimento de agravo de instrumento contra a “sentença” de decretação da falência. Há. Volume III. as sentenças geralmente desafiam apelação. p. Enquanto as decisões interlocutórias são impugnáveis por meio dos agravos — retido e de instrumento — previstos no artigo 522 do Código de Processo Civil. pertine um processo autônomo. é possível concluir que a decretação da falência ocorre mediante decisão agravável (e não sentença agravável). com o reforço do parágrafo único do artigo 99. já é possível analisar a recorribilidade. A reforma do processo civil. 79 a 84. A segunda consta do artigo 4 da Lei n. 20 . 2008.80: embargos infringentes de alçada. p.Estudadas a decisão interlocutória e a sentença. 7ª ed. recurso cabível contra toda e qualquer decisão. inciso II. 152 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “Embora a lei preveja embargos de declaração impõe o seu desmembramento. entretanto. 2006. 2ª ed.. O novo conceito de sentença. 292 do Código de Processo Civil” (LUIZ FUX. 48. todavia. tanto a decisão interlocutória quanto a sentença podem ser impugnadas mediante embargos de declaração. Repise-se: é possível cumular-se várias ações no mesmo processo. A primeira está inserta no artigo 105.

9. ao mandar converter os agravos de instrumento em retidos. ª ed. revisor. na qualidade de relator. Ao contrário do que ocorre com as decisões prolatadas por juízes de primeiro grau. 52. p. Há. 52 (na redação da Lei n.756)” (BARBOSA MOREIRA. vice-presidente ou presidente. Ademais. no artigo 4º. 11. de 1992. como as previstas nos incisos II e III do artigo 527 do Código de Processo Civil. Comentários ao Código de Processo Civil. Cf. parágrafo único. parágrafo único. 50. de 200551. a decisão monocrática presidencial ou vice-presidencial de juízo negativo de admissibilidade de recurso extraordinário ou recurso especial desafia agravo de instrumento.47. 247 e 248). todavia. de 1999. Importa apenas a autoria do pronunciamento: por magistrado de tribunal. com a redação conferida pela Lei n. ADA PELLEGRINI GRINOVER.868. ou ao deferir ou indeferir o chamado efeito ativo. a decisão proferida isoladamente por membro de tribunal é intitulada monocrática e recorrível por meio do agravo interno (ou regimental50) previsto nos artigos 120. parágrafo único. 1ª ed. 140.47. § 1º. Recursos no processo penal. Há até mesmo decisões monocráticas irrecorríveis por meio de agravo. Com efeito. exceções: ex vi dos artigos 541 e 544 do Código de Processo Civil. na doutrina: “os agravos (comumente denominados de ‘regimentais’ ou ‘internos’) previstos nos arts. no artigo 9 da Lei n. § 1º (na redação da Lei n.apenas de sentença e acórdão. 545 e 557. da Lei n. 9. 454. a recorribilidade de decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal não sofre influência alguma dos artigos 267 e 269 do Código de Processo Civil. de 1985. 8. Em sentido conforme. proferidos pelos magistrados dos diversos graus de jurisdição. corregedor. das decisões dos relatores.. nos termos do parágrafo único do mesmo preceito. 51. 7. ao eliminar as hipóteses de recorribilidade de decisão liminar proferida nos casos dos incisos II e III” (Exposição de Motivos da Lei n. não mais caberá agravo interno”. os membros dos tribunais também proferem decisões monocráticas. qualquer decisão judicial pode ser embargada. § º. na qualidade de relator). 2001. Volume V. n.08. no artigo 12.187. da Lei n. todos do Código de Processo Civil.. § 1º. “Por fim. e 15. 49. prevê que. Falta examinar os pronunciamentos jurisdicionais dos magistrados e dos órgãos colegiados dos tribunais. o parágrafo único proposto também reveste a tramitação de agravo de racionalidade e celeridade. de 1990. enquanto não ocorrer preclusão”49. p. Além dos despachos. 2006. 8. na prestação jurisdicional singular (por exemplo. “5. 21 . 8.950) e 557. e nos artigos 4º. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. da Lei n.

Por tudo. há outra denominação clássica: aresto. ser impugnados por meio de recursos extraordinário e especial (cf. Existem também os acórdãos passíveis de recurso ordinário. e 105. que sejam pronunciamentos com conteúdo decisório e que causam gravame a algum dos litigantes. cabem embargos infringentes contra o acórdão de provimento proferido por maioria de votos em julgamento de apelação de sentença definitiva ou de aresto não unânime de procedência em ação rescisória (cf. em tese. da Constituição Federal). estão sujeitos a recurso os atos judiciais proferidos no exercício da função jurisdicional. 12 e 127. 2005. consoante o disposto no artigo 546 do Código de Processo Civil. Reforma infraconstitucional. de 2005. sem os grifos no original). Já os acórdãos proferidos em julgamento de recursos extraordinário e especial são. artigos 102. Por fim.187. passíveis de impugnação por meio de embargos de divergência. inciso III. alínea “a”. em razão da enorme diversidade existente no direito brasileiro. com a redação conferida pela Lei n. É ampla — e até complexa — a recorribilidade dos acórdãos. Outros arestos podem. incisos I e II.52. Além de acórdão. 22 .Já os pronunciamentos jurisdicionais proferidos pelos órgãos colegiados são acórdãos. de 2001). artigo 50. p. Por exemplo. os acórdãos (e também as decisões monocráticas) são passíveis de impugnação mediante embargos de declaração. nos termos do artigo 16 do Código de Processo Civil. em tese. conforme revela o artigo 59. inciso III. 10. 11. Volume IV.

. 2 . Em contraposição. na doutrina: BENTO DE FARIA. Código de Processo Penal. Por con- 52. artigo 520 do Código de Processo Civil. há outras diferentes conseqüências jurídicas relacionadas ao instituto recursório. § º. 06. 1960. Embora a legislação trate explicitamente apenas dos efeitos devolutivo e suspensivo52. segunda parte. não há preclusão. conseqüência da recorribilidade e da interposição do recurso. 2ª ed. o pronunciamento aí contido transita em julgado e escapa a toda e qualquer revisão” (Direito Aplicado II. 6). CONCEITO Os efeitos são as conseqüências jurídicas da recorribilidade. No mesmo sentido: artigo 599 do Código de Processo Penal. por não ser alcançado pelo efeito obstativo do recurso que teve em mira apenas a outra parte da decisão54. Volume II. Como também bem ensina o Professor BARBOSA MOREIRA. 5. Em suma. todas as espécies recursais do direito brasileiro impedem a formação da preclusão e da coisa julgada. Daí a possibilidade da reforma e da cassação da decisão recorrida no bojo do mesmo processo. e 467. o efeito obstativo consiste no impedimento à formação da preclusão e da coisa julgada. Com a mesma opinião. Por força do efeito obstativo. 2. da interposição ou do julgamento dos recursos processuais. p. “se algum capítulo da sentença deixa de ser atacado mediante recurso. ambos do Código de Processo Civil. o capítulo autônomo não impugnado fica desde logo protegido pela res iudicata. p. muito menos coisa julgada na pendência do prazo recursal e do recurso interposto. Cf. Trata-se do efeito obstativo. 2000. se interposto recurso parcial ex vi do artigo 505 do Código de Processo Civil5. EfEITO ObSTATIvO O primeiro efeito é comum a todos os recursos. À vista dos artigos 01.Capítulo Iv EfEITOS DOS RECURSOS 1. 54.

hipótese em que flui a decadência. O efeito suspensivo consiste na ineficácia da decisão. salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida. nem todos os recursos são dotados de efeito suspensivo. e 521. que é geral. ambos do Código de Processo Civil55. a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial”. A posterior interposição do recurso prolonga a ineficácia da decisão recorrida até o término do julgamento daquele (recurso). 24 . e não após o julgamento do recurso parcial. O efeito devolutivo consiste na transferência da matéria impugnada do órgão judiciário a quo para o órgão ad quem: 55. é possível a liquidação da mesma. A despeito de a decisão impugnada mediante recurso com efeito suspensivo não ser passível de execução. o biênio da rescisória quanto ao capítulo independente não impugnado corre de imediato. sob todos os prismas. conforme a combinação dos artigos 497. a ausência do efeito suspensivo pode ser suprida pela concessão judicial. com a prolação de nova decisão. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “II . a qual não pode ser objeto de execução. nem mesmo provisória. 520 e 558. acrescentado pela Lei n.Havendo recurso parcial no processo principal. EfEITO SUSpENSIvO Outro efeito relacionado à recorribilidade e à interposição é o efeito suspensivo. todavia. 11. § 2º. de exceção à regra segundo a qual o efeito suspensivo impede a eficácia da decisão recorrida. o trânsito em julgado dá-se em momentos e em tribunais diferentes. tendo em vista o disposto nos artigos 475-I. 3. À vista do artigo 475-A. segunda parte. A produção do efeito suspensivo depende de previsão legal. de 2005.22. merece ser prestigiado o item II do enunciado n. EfEITO DEvOlUTIvO Já o efeito devolutivo está relacionado à interposição do recurso. o julgado não tem eficácia desde a prolação da decisão impugnável por meio de recurso que produz efeito suspensivo. § 1º. todos do Código de Processo Civil. Ao contrário do efeito obstativo. 4. nem mesmo provisória. consoante o caput do artigo 515. Na verdade. a liquidação tem lugar “na pendência de recurso”. contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de cada decisão. Não obstante.seqüência. A respeito do tema. Trata-se. segunda parte.

§ 2º. Se parcial a impugnação. 54-B. têm ambos os efeitos: regressivo e devolutivo. devolviéndosela en el caso de mediar un recurso de apelación” (Manual de derecho procesal civil. o que explica a freqüente confusão com o efeito devolutivo. É certo que predomina o efeito devolutivo no direito brasileiro. apenas a matéria recorrida pode ser apreciada pelo órgão ad quem. não produzem efeito devolutivo. EfEITO REgRESSIvO OU DE RETRATAçãO O efeito regressivo também diz respeito à interposição do recurso. ainda que sutil. in fine. de 1990. Ainda que também sejam exceções. nem todas as espécies recursais têm efeito devolutivo. os recursos extraordinário e especial também produzem efeitos regressivo e devolutivo. À vista dos artigos 542. 1995. e nos artigos 285-A. A propósito. todavia. todos do Código de Processo Civil. inciso II. ambos do Código de Processo Civil vigente. 296. Ao contrário do devolutivo. já que diferentes as conseqüências jurídicas ocasionadas por cada um deles: enquanto o efeito regressivo enseja a retratação do juízo ou tribunal a quo. o efeito devolutivo transfere o conhecimento do inconformismo para o tribunal ad quem.. Entretanto. Tanto que todos os agravos e a apelação interposta com esteio no artigo 198. 5. e 54C. inciso VII. alguns recursos produzem efeito regressivo ou de retratação. os efeitos de retratação e devolutivo não podem ser confundidos. A propósito. mas. 11ª ed. marcado pela transferência para tribunal ad quem. Embora a produção do efeito devolutivo seja a regra no direito brasileiro. 56. Algumas espécies recursais. outras espécies produzem efeitos de retratação e devolutivo. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. tendo em vista o disposto no artigo 505 do Código de Processo Civil. sim. também denominado efeito de retratação. p.tantum devolutum quantum appellatum56. § 1º. efeito regressivo.069. 25 . § º. o efeito regressivo enseja o retorno da matéria impugnada ao próprio órgão judiciário prolator da decisão recorrida. é possível apontar os embargos de declaração e os embargos infringentes de alçada. merece ser prestigiada a lição de LINO ENRIQUE PALACIO: “La expresión ‘efecto devolutivo’ deriva de la época del derecho romano en la que los magistrados inferiores ejercían jurisdicción como delegados del emperador. Em suma. § 7º. 8. 580). há diferença. caput. da Lei n. os efeitos regressivo e devolutivo não são incompatíveis entre si.

O efeito translativo está consubstanciado na apreciação oficial pelo órgão julgador do recurso de matérias cujo exame é obrigatório por força de lei. assim como no artigo 210 do Código Civil de 2002. e 516. o julgamento proferido no recurso ocupa o lugar da decisão recorrida no processo. 7. § º. com predomínio do interesse público em relação ao interesse pessoal das partes. 245. 267. salvo quando o recurso não é conhecido ou é provido apenas para cassar a decisão. parágrafo único. 1981. p. EfEITO TRANSlATIvO Outro importante efeito recursal é o translativo. para atingir outros atos processuais e beneficiar outras pessoas. 8. Livraria Almedina. caput. todos do Código de Processo Civil. Conhecido o recurso. Pluralidade das partes na fase dos recursos em processo civil. Por exemplo. Por força da regra do artigo 512.6. por ter sido substituído pelo julgamento proferido no recurso. o julgamento prolatado no recurso passa a ser o pronunciamento com valor decisório. EfEITO SUbSTITUTIvO E EfEITO ExTENSIvO Outros efeitos estão relacionados ao próprio julgamento do recurso. porquanto prevalece o princípio da personalidade57. §§ 1º e 2º. 219. Em regra. o efeito translativo é encontrado nos artigos 11. segundo o qual o recurso beneficia 57. salvo quando não há o ingresso no mérito do inconformismo ou é constatada a ocorrência de error in procedendo. O efeito substitutivo está previsto no artigo 512 do Código de Processo Civil: a decisão recorrida é substituída pela proferida no julgamento do recurso. Daí a conclusão: o efeito translativo diz respeito às matérias de ordem pública. exceções estudadas nos dois capítulos subseqüentes. portanto. como o substitutivo e o extensivo (ou expansivo). o tribunal competente para o julgamento também deve tomar conhecimento das matérias veiculadas naqueles preceitos. 48 e 49: “A sua resolução pode basear-se em dois princípios teóricos distintos: a) Princípio da realidade — a sua aplicação conduz à extensão máxima 26 . § 5º. entretanto. ainda que ausente impugnação específica do recorrente. Com outra opinião. há respeitável doutrina: JORGE NORONHA SILVEIRA. sem valor decisório algum. O efeito extensivo configura exceção no direito brasileiro. enquanto a decisão recorrida passa a ser mero documento de cunho histórico do processo. 515. Já o efeito extensivo ou expansivo consiste na ampliação do julgamento além da decisão recorrida e da pessoa do recorrente. 7. Coimbra.

apenas o recorrente58, e só alcança a decisão recorrida. Apenas em casos excepcionais o recurso produz efeito extensivo ou expansivo, quando o julgamento também favorece pessoa que não recorreu59 ou atinge outras decisões além da recorrida60.

8. CONClUSãO
Após a conclusão do julgamento, cessam os efeitos do respectivo recurso: effectus durat, durante causa; cessante causa, tollitur effectus61. Não obstante, a recorribilidade da nova decisão proferida no julgamento do

da eficácia do recurso: os co-interessados não recorrentes aproveitam-se sempre do eventual êxito do recurso; b) Princípio da personalidade ou da relatividade — consagra a solução oposta: restringe o âmbito de eficácia do recurso ao recorrente; a decisão da 1ª instância constitui caso julgado quanto aos co-interessados não recorrentes” (p. 7 e 8). “A legislação brasileira também dá um predomínio acentuado ao princípio da realidade. O CPCB 1939, embora no seu art. 89º estabeleça que ‘os litisconsortes serão considerados em suas relações com a parte adversa como litigantes distintos e os actos de um não aproveitarão nem prejudicarão aos demais’, abre todavia uma excepção quanto aos recursos, consagrando no art. 816º o princípio de que ‘o recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveitará, salvo se distintos ou opostos os seus interesses’. Esta aparente contradição entre os arts. 89º e 816º do CPCB de 1939 foi sublinhada, por exemplo, por Jorge Americano, que considera o art. 816º como ‘um dispositivo fora do sistema do código’. Mas o legislador brasileiro, e a nosso ver bem, manteve-o inalterável no corpo do art. 509º do actual CPCB, que apenas acrescentou um § único em que, exemplificando o princípio já enunciado, se diz que ‘havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros, quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns” (p. 48 e 49). Após o interessante estudo de direito comparado, com a interpretação do artigo 816 do Código de Processo Civil brasileiro de 199 e do artigo 509 do Código de Processo Civil brasileiro de 197, portanto, o douto jurista lusitano concluiu que os Códigos brasileiros revelam a predominância do princípio da realidade, tese contrária à opinião defendida no presente compêndio. Registre-se, por fim, e com muitos agradecimentos, que o acesso à doutrina lusitana só foi possível em virtude da gentileza do Professor RODRIGO MAZZEI. 58. Por oportuno, o posterior item 11 do capítulo VIII do presente tomo I versa sobre o princípio da personalidade. 59. Por exemplo, nas hipóteses do artigo 509 do Código de Processo Civil. Por oportuno, o Professor CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO também prestigia a expressão efeito extensivo e o respectivo exemplo previsto no artigo 509: “efeito extensivo da apelação (art. 509)” (Intervenção de terceiros. ª ed., 2002, n. 67, p. 12). 60. Por exemplo, na hipótese do artigo 11, § 2º, do Código de Processo Civil. 61. O efeito dura enquanto durar a causa; cessada a causa, cessa o efeito.

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recurso, a interposição de novo recurso e o respectivo julgamento também produzem os seus próprios efeitos jurídicos. Por tudo, além dos tradicionais efeitos devolutivo e suspensivo, é possível destacar outros efeitos dos recursos62: obstativo; regressivo ou de retratação; translativo; substitutivo; e expansivo ou extensivo.

62. Em sentido semelhante, na doutrina: MANUEL GALDINO DA PAIXÃO JÚNIOR. Teoria geral do processo. 2002, p. 1 a 5; e NELSON NERY JUNIOR. Princípios fundamentais. 5ª ed., 2000, p. 67 a 422.

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Capítulo v JUÍZOS DE ADmISSIbIlIDADE E DE méRITO 1. gENERAlIDADES
Os recursos só têm o mérito examinado pelo órgão julgador quando são observados determinados requisitos fixados na legislação. À averiguação do cumprimento dos pressupostos necessários à apreciação do mérito recursal, dá-se o nome de juízo de admissibilidade, o qual é obrigatório e anterior ao juízo de mérito, bem como deve ser proferido de ofício, isto é, independentemente de provocação da parte recorrida ou do Ministério Público. A respeito da regra consagrada no direito brasileiro, merece ser prestigiada a correta conclusão n. 57 do 6º Encontro Nacional dos antigos Tribunais de Alçada: “Ao Tribunal compete apreciar de ofício os requisitos de admissibilidade do recurso”6. Sob outro prisma, vigora a regra do duplo juízo de admissibilidade no sistema recursal brasileiro. Primeiro, cabe ao órgão de interposição examinar se os requisitos indispensáveis ao julgamento do mérito do recurso estão preenchidos. O último pronunciamento acerca do cumprimento dos pressupostos de admissibilidade cabe ao órgão julgador, o qual não está vinculado à decisão proferida pelo órgão de origem. Com efeito, o órgão julgador é soberano na prolação do juízo de admissibilidade do recurso. Ainda a respeito da regra do duplo juízo de admissibilidade, alguns recursos (por exemplo, os embargos de declaração e os embargos infringentes de alçada) constituem exceções, em razão da existência de juízo de admissibilidade único. Com efeito, nas espécies recursais previstas no artigo 55 do Código de Processo Civil e no artigo 4 da Lei n. 6.80, de 1980,

6. A regra consubstanciada na apreciação oficial dos requisitos de admissibilidade, todavia, comporta a exceção prevista no artigo 526 do Código de Processo Civil, porquanto o tribunal competente só pode deixar de conhecer do agravo de instrumento mediante provocação do agravado.

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os requisitos de admissibilidade são apreciados apenas pelo órgão julgador. Não há, no particular, juízo de admissibilidade do recurso por outro órgão judiciário que não seja o próprio julgador. Quanto aos agravos, mesmo quando interpostos e processados perante o órgão de interposição, não podem sofrer negativa de seguimento pelo juízo ou tribunal a quo, porquanto também têm juízo único de admissibilidade, apenas no tribunal julgador. Em resumo, se é certo afirmar que a regra está consubstanciada na existência de duplo juízo de admissibilidade, é igualmente correta a conclusão de que existem exceções, marcadas pelo juízo único de admissibilidade, realizado apenas no órgão julgador do recurso. A carência de algum dos requisitos de admissibilidade previstos em lei conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade, o qual fecha o acesso ao juízo de mérito. Negativo o juízo de admissibilidade proferido pelo órgão de interposição, o recurso não é recebido pelo juízo ou tribunal de origem. Por conseguinte, o recurso não é encaminhado ao tribunal ad quem. Cabe, entretanto, algum recurso de agravo, a fim de que o anterior recurso não admitido seja processado e julgado. A espécie de agravo depende da natureza da decisão proferida e também do recurso não recebido na origem. A decisão interlocutória por meio da qual o recurso de apelação não é recebido na origem desafia agravo de instrumento, consoante o disposto no artigo 522, caput, do Código de Processo Civil. Já contra a decisão monocrática por meio da qual não há o recebimento de embargos infringentes ou de embargos de divergência, o agravo apropriado é o interno ou regimental, consoante o disposto nos artigos 51 e 52 do Código de Processo Civil, assim como no artigo 9 da Lei n. 8.08, de 1990. Por fim, cabe agravo de instrumento do artigo 544 do Código de Processo Civil contra a decisão por meio da qual não há o recebimento de recurso extraordinário ou de recurso especial. Em suma, toda decisão de primeiro juízo negativo de admissibilidade é impugnável por meio de agravo, cuja espécie cabível (agravo de instrumento do artigo 522, agravo interno ou regimental, ou agravo de instrumento do artigo 544) depende da natureza da decisão proferida e do recurso não recebido na origem. Já a prolação de juízo de admissibilidade negativo por parte do próprio órgão julgador impede o conhecimento do recurso, com o encerramento do ofício jurisdicional da corte ad quem, sem o julgamento do mérito recursal, consoante o disposto no caput do artigo 560 do Código de Processo Civil. Tal como a decisão de inadmissão, o julgamento de não-conhecimento também enseja a interposição de outro recurso, em razão da possibilidade da existência de algum erro no juízo negativo de admissibilidade proferido 0

pelo tribunal ad quem. O cabimento do outro recurso depende da natureza do julgado. Da decisão monocrática, cabe agravo interno ou regimental, pelo menos em regra. De acórdão, o recurso cabível depende do enquadramento na Constituição Federal e no Código de Processo Civil, conforme o caso. Além dos recursos específicos, o legitimado inconformado também pode interpor embargos de declaração. O juízo de admissibilidade negativo deve ser explícito e fundamentado, a fim de que o recorrente saiba os motivos pelos quais o recurso não teve seguimento, para que possa, se desejar, interpor outro recurso e pleitear a reapreciação do primeiro recurso denegado. Já o juízo de admissibilidade positivo pode ser implícito: se o órgão julgador passou a examinar o mérito recursal, significa que os requisitos de admissibilidade estão satisfeitos e foi proferido juízo de admissibilidade positivo64. Positivo o juízo de admissibilidade no órgão de interposição, o recurso é recebido ou admitido. A admissão do recurso na origem ocasiona a remessa dos autos ao órgão julgador, o qual proferirá outro juízo de admissibilidade. Ausente algum dos pressupostos de admissibilidade, o recurso não é conhecido, com o encerramento da prestação jurisdicional perante o órgão julgador, sem julgamento do mérito do inconformismo. Preenchidos todos os requisitos de admissibilidade, o recurso é conhecido pelo órgão julgador, quando ocorre o imediato ingresso no juízo de mérito, no qual o órgão julgador analisa se o inconformismo do recorrente é fundado, ou não. Na primeira hipótese, o recurso é provido. Improcedente o inconformismo, o recurso é desprovido. Em suma, no primeiro juízo de admissibilidade o recurso é admitido, ou seja, recebido, ou não. Já no juízo de admissibilidade perante o órgão julgador o recurso é conhecido, ou não. Por fim, quanto ao juízo de mérito, o recurso é provido, ou não. São os termos técnicos, nem sempre observados na prática judiciária. Ainda em relação ao juízo de mérito, o órgão julgador examina se o recurso é fundado, ou não, com o seu conseqüente provimento ou desprovimento, respectivamente. É no juízo de mérito que se verifica a procedência do inconformismo do recorrente em relação à decisão impugnada. Fundado o inconformismo, é dado provimento ao recurso. Caso contrário,

64. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V, 7ª ed., 1998, p. 261 e 262. 

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o recurso é desprovido. Já no juízo de admissibilidade, a regra é a apreciação somente dos pressupostos recursais, ou seja, dos requisitos processuais fixados na legislação como indispensáveis ao posterior julgamento do mérito recursal. Os pressupostos recursais são os seguintes: cabimento, legitimidade para recorrer, interesse em recorrer, inexistência de fato extintivo ou impeditivo, tempestividade, regularidade formal e preparo. A averiguação da procedência ou improcedência do recurso no bojo do juízo de admissibilidade é exceção própria do sistema cível, prevista no § 1º do artigo 518 do Código de Processo Civil. Aliás, até o advento da Lei n. 11.276, de 2006, a regra era absoluta: não era juridicamente possível a análise de procedência ou de improcedência do recurso no juízo de admissibilidade. Não obstante, em razão do § 1º do artigo 518 do Código de Processo Civil, com a redação conferida pela Lei n. 11.276, de 2006, passou a existir julgamento de mérito no primeiro juízo de admissibilidade, qual seja, o realizado na Justiça de origem. Quanto ao objeto do juízo de mérito, reside na ocorrência de error in procedendo e de error in iudicando. A procedência do recurso depende da existência de vício na decisão, o qual pode ser tanto de juízo quanto de atividade. Contaminada a decisão por error in iudicando, dá-se provimento ao recurso para reformar o decisum recorrido. Constatado o error in procedendo, a decisão viciada é cassada, anulada, ressalvada a possibilidade da aplicação do novel § 4º do artigo 515, a ser verificada em cada caso concreto, quando o tribunal passa a ter competência para o imediato julgamento de fundo, a despeito do defeito de forma na decisão recorrida. Quando o mérito recursal envolve suposto error in iudicando, tanto o provimento quanto o desprovimento do recurso conduzem à substituição da decisão recorrida, porquanto não podem coexistir duas decisões em um processo sobre a mesma matéria, ainda que em sentido idêntico65. Por tal razão, a decisão proferida pelo órgão julgador substituirá o decisum impugnado. Aliás, ainda que no tribunal ad quem se afirme que a decisão recorrida é confirmada, mantida, haverá verdadeira substituição66, ex vi do

65. Cf. BARBOSA MOREIRA. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V, 7ª ed., 1998, p. 266. 66. De acordo: ADA PELLEGRINI GRINOVER, ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. Recursos no processo penal. 4ª ed., 2005, p. 2: “É freqüente, na práxis judiciária, que o acórdão se reporte à fundamentação da decisão ‘confirmada’. Na verdade, mesmo nesse caso a primeira decisão é substituída pela segunda, de igual conteúdo”. Também em sentido semelhante: CHIOVENDA. Istituzioni. 

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artigo 512 do Código de Processo Civil: “O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso”. Como é perceptível da leitura do dispositivo, não há distinção entre o provimento e o desprovimento para a ocorrência do efeito substitutivo quando o recurso está fundado em error in iudicando. Em ambas as hipóteses, apenas o último julgado, qual seja o proferido pelo tribunal ad quem, fica protegido pela res iudicata. Por conseguinte, eventual ação rescisória terá como alvo o decisum proferido pelo órgão julgador. O mesmo não ocorre quanto ao error in procedendo. Quando o mérito recursal envolve error in procedendo, só há a substituição do julgado se a alegação da existência do vício é rejeitada, isto é, o recurso é desprovido67. Já a constatação do erro de atividade conduz à anulação, à cassação

Volume II, 194, p. 85 e 86. A lição do Professor da Universidade de Roma restou assim traduzida pelo Dr. PAOLO CAPITANIO: “Obscurecem-se semelhantes princípios quando se atribui à sentença de primeiro grau valor diferente; especialmente quando, em caso de rejeição do recurso, se considera a sentença de primeiro grau como a única e verdadeira sentença da causa. É esse um grave equívoco, devido em parte a certas praxes estrangeiras, capazes facilmente de induzir em erro. É fato que o juiz do recurso toma em exame a sentença de primeiro grau, e parece fazer dela a base de seu julgamento; mas é muito natural que, em seguida ao primeiro exame da causa, o segundo juiz passe a considerar, antes de mais, o trabalho do primeiro; isto lhe simplifica o próprio trabalho; a realidade, porém, é que o segundo juiz, através da sentença de primeiro grau, conhece da causa ex novo. É fato, ainda, que, decidindo o recurso, o juiz usa a fórmula: confirma a sentença recorrida, rejeita o recurso, e quejandas. Isso, entretanto, não significa subsistir a sentença de primeiro grau, quase isenta de qualquer impugnação, como acontecia quando o recurso era apenas uma reclamação ao juiz superior contra o inferior. No direito moderno, a realidade é que o juiz de segundo grau profere uma nova sentença. Somente sob considerações práticas, o julgamento do segundo juiz, quando é conforme ao primeiro, costuma assumir a feição de remessa à primeira decisão, pois a sentença de primeiro grau, tendo, embora, perdido todo valor potencial de sentença, é sempre praticamente a melhor explicação lógica da sentença em grau de recurso”. Arremata o Jurisconsulto italiano: “Sob o rigor lógico dos princípios, título executório seria exclusivamente a sentença de segundo grau”. 67. De acordo com a distinção feita no texto: NERY JUNIOR. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. ª ed., 1996, p. 414; e Código de Processo Civil comentado. 4ª ed., 1999, p. 996, comentário 2: “2. Substituição. Somente haverá substituição se o recurso for conhecido. O julgamento do mérito substitui a decisão recorrida. Verifica-se a substituição quando: a) em qualquer hipótese (error in judicando ou error in procedendo), for negado provimento ao recurso; b) em caso de error in judicando, for dado provimento ao recurso” (não há os grifos no original). 

da decisão recorrida, a fim de que outra seja proferida à luz das formalidades legais, ressalvada a possibilidade da aplicação do novel § 4º do artigo 515, a ser verificada em cada caso concreto, quando o tribunal passa a ter competência para o imediato julgamento de fundo. Cassada a decisão, entretanto, não há o efeito substitutivo previsto no artigo 512 do Código de Processo Civil. Do preceito também se depreende que não há efeito substitutivo quando o recurso não ultrapassa a barreira da admissibilidade, porquanto o órgão julgador nem ingressa no juízo de mérito, razão pela qual não há julgamento no tribunal ad quem sobre o “objeto do recurso”. Com efeito, a prolação de juízo de admissibilidade negativo conduz à inexistência de efeito substitutivo. Quando não há o conhecimento do recurso, não importa o tipo de vício apontado pelo recorrente, porquanto o mérito do recurso nem sequer é examinado, à vista do caput do artigo 560. Por fim, prevalece o entendimento de que o juízo negativo de admissibilidade tem efeito ex tunc, ou seja, retroativo. Com efeito, hoje predomina a orientação de que a prolação de juízo negativo de admissibilidade não tem o condão de postergar o momento do trânsito em julgado. Segundo o atual entendimento predominante, o biênio legal destinado à ação rescisória nem sempre é contado do último julgamento proferido no processo, mas, sim, da última decisão de mérito. Por conseguinte, se o último julgamento proferido no processo foi de simples juízo negativo de admissibilidade, considera-se que a coisa julgada teve lugar com a anterior decisão de

Contra a distinção, ao respeitável argumento de que jamais há substituição em sede de recurso fundado em error in procedendo, até mesmo quando o tribunal nega provimento ao recurso: REsp n. 744.271/DF, ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 19 de junho de 2006, in verbis: “Contra a referida sentença, o recorrente interpôs recurso de apelação, pleiteando, apenas, a cassação da sentença, que teria levando em conta o depoimento de uma só testemunha, em detrimento do conjunto probatório. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal negou provimento ao apelo e rejeitou os respectivos embargos de declaração, tendo o acórdão transitado em julgado. Por meio deste relato, verifica-se que o recorrente quando interpôs recurso de apelação, contra a sentença objeto da rescisória, apontou apenas ‘error in procedendo’, tanto que requereu fosse cassada a decisão impugnada”. “Assim, aplicando à espécie o entendimento defendido por Barbosa Moreira, conclui-se que, na hipótese, o julgamento colegiado do Tribunal não substituiu a sentença, pois a impugnação do recorrente em seu apelo indicou somente ‘error in procedendo’, sendo, portanto, viável o recorrente apontar a sentença como objeto da ação rescisória” (não há os grifos no original). 

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mérito, a qual é tida como o termo inicial do biênio para a ação rescisória68. O reconhecimento da predominância do entendimento acima exposto na doutrina e na jurisprudência modernas não significa, entretanto, adesão à respectiva tese, a qual, ainda que perfeita sob o prisma teórico, não apresenta resultado satisfatório sob o enfoque pragmático, mas, ao contrário, gera séria insegurança jurídica. Daí a ressalva do ponto de vista sustentado no presente compêndio desde a primeira edição, consoante as razões expostas na nota abaixo69.
68. A tese predominante é sustentada por autorizada doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Ação rescisória. 2007, p. 240 a 252; BARBOSA MOREIRA. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V, 7ª ed., 1998, p. 26; e PONTES DE MIRANDA. Comentários ao Código de Processo Civil. Tomo VIII, p. 297. Na esteira da respeitável doutrina, decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal em recente acórdão resumido na seguinte ementa: “DECADÊNCIA — AÇÃO RESCISÓRIA — BIÊNIO — TERMO INICIAL. O termo inicial de prazo de decadência para a propositura da ação rescisória coincide com a data do trânsito em julgado do título rescindendo. Recurso inadmissível não tem o efeito de empecer a preclusão — ‘Comentários ao Código de Processo Civil’, José Carlos Barbosa Moreira, volume 5, Editora Forense” (AR n. 1.472/DF, Pleno do STF, Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2007). A atual orientação do Pleno do Supremo Tribunal Federal seguiu a fundamentação do respeitável voto proferido pelo Ministro-Relator: “Esta ação rescisória somente veio a ser ajuizada em 15 de junho de 1999 — carimbo de protocolo de folha 2. O acórdão rescindendo foi publicado em 23 de agosto de 1996. É certo que houve a interposição de embargos de divergência. Todavia, a declaração da impropriedade destes afastou a possibilidade de tê-los como a projetar no tempo o trânsito em julgado, porquanto recurso inadmissível, como os embargos de divergência protocolizados, não obstaculiza o trânsito em julgado. A data em que ocorrida a preclusão fixa o termo inicial dos dois anos para o ajuizamento da rescisória. Assim, assento a decadência”. 69. Ainda que hoje minoritária, sustenta-se no presente compêndio a opinião defendida desde a primeira edição, qual seja a de que a prolação de juízo de admissibilidade negativo tem efeito ex nunc, e não ex tunc. Só há coisa julgada após a irrecorribilidade do julgado negativo de admissibilidade do último recurso interposto no processo, conforme se infere da interpretação dos artigos 01, § º, in fine, e 467, ambos do Código de Processo Civil. Por conseguinte, o prazo decadencial para a propositura de ação rescisória só começa a fluir no momento em que passa a ser inadmissível recurso para impugnar a última decisão proferida no processo, mesmo que o decisum derradeiro não seja de mérito. Prestigia-se, portanto, no presente compêndio, desde a primeira edição, a tese consagrada no inciso I do enunciado n. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I — O prazo de decadência, na Ação Rescisória, conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não”. Ademais, o argumento de que o provimento jurisdicional de inadmissibilidade recursal produz efeito ex tunc em razão da natureza declaratória não é invencível. O artigo 27 da Lei n. 9.868 e o artigo 11 da Lei n. 9.882 revelam a possibilidade de provimentos jurisdicionais declaratórios com efeito apenas 

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2. ObJETO DO JUÍZO DE méRITO: errores in procedendo et in iudicando
As decisões jurisdicionais podem conter dois tipos de defeitos: — o vício de atividade, também denominado error in procedendo; — o vício de juízo ou vício de julgamento, igualmente intitulados de error in iudicando.

ex nunc, em prol da “segurança jurídica”. Por tudo, ao invés da tese vencedora no Plenário do Supremo Tribunal Federal (cf. nota anterior), defende-se o entendimento sustentado nos votos vencidos, em especial a divergência inaugurada pelo eminente Ministro CEZAR PELUSO: “Senhora Presidente, peço vênia para divergir. É um problema seríssimo o da contagem do prazo, quando há recursos sucessivos. O que a doutrina apreendeu e a jurisprudência consagrou — a meu ver, com inteira razão — é que o único requisito de inadmissibilidade que se pode, sem grave prejuízo para o recorrente, retroagir, é o da intempestividade, porque todos os demais são requisitos cuja discutibilidade cria situação de insegurança ao recorrente, que não pode desistir dos recursos. Ele tem que esgotar todos os recursos, uma vez que há sempre a possibilidade de serem admissíveis. E, se os descarta para entrar com ação rescisória, ele está, eventualmente, sendo antieconômico, porque pode obter o resultado dentro daquele processo, sem correr os riscos da rescisória. Noutras palavras, só admito que retroaja a inadmissibilidade de algum recurso, para efeito de contagem do prazo da ação rescisória, se a causa for intempestividade, porque, nesse caso, o recorrente não pode invocar nenhuma dúvida, já que ele deve ter certeza a respeito da tempestividade, ou não, do seu recurso. Nos demais casos, como este, sobretudo, em que estavam em jogo embargos de divergência que podiam ser conhecidos ou não, penso que se cria dificuldade de ordem prática muito grande. Quer dizer, a parte veio a ser surpreendida, muito tempo depois, com o reconhecimento de que seu prazo de ação rescisória já se teria consumado! Peço vênia, para conhecer do pedido”. Frise-se, por oportuno, que a tese divergente sustentada pelo Ministro CEZAR PELUSO não foi isolada, porquanto contou com o apoio do Ministro GILMAR MENDES: “Senhora Presidente, também peço vênia para acompanhar a divergência instalada a partir do voto do Ministro Cezar Peluso”. Em sentido semelhante ao texto da presente nota, na doutrina: FREDIE DIDIER JR. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. Curso de direito processual civil. Volume III, ª ed., 2007, p. 11; NELSON LUIZ PINTO. Manual dos recursos cíveis. 1999, p. 55 e 56; e Recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. 2ª ed., 1996, p. 80; e VICENTE GRECO FILHO. Direito Processual Civil brasileiro. Volume II, 11ª ed., 1996, p. 421 e 422. Por fim, também há respeitáveis precedentes jurisprudenciais em prol da tese defendida na presente nota: AR n. 96/CE, Pleno do STF, Diário da Justiça de 2 de novembro de 1979, p. 8777; RE n. 94.055/RJ, 1ª Turma do STF, Diário da Justiça de 4 de dezembro de 1981, p. 1220; RE n. 92.816/SC, 1ª Turma do STF, Diário da Justiça de 12 de agosto de 198, p. 11764; RE n. 87.420/PR, 2ª Turma do STF, RTJ, volume 84, p. 684; REsp n. 18.691/RJ, 1ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 28 de novembro de 1994, p. 2568; e REsp n. 11.106/SC, 2ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997: “O biênio para a propositura da ação rescisória corre da passagem in albis do prazo para recorrer da decisão proferida no último recurso interposto no processo, ainda que dele não se tenha conhecido”. 

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Abalizada doutrina faz a distinção dos defeitos à luz da diferença entre direito processual e direito material70. Segundo tal corrente doutrinária, o error in procedendo consiste na má aplicação do direito processual71. Já o error in iudicando está relacionado ao vício na exegese do direito material72, assim como na apreciação dos fatos sobre os quais incidirá o direito substantivo.

70. É o critério discretivo adotado pelo Professor UGO ROCCO: “Gli errori, poi, si distinguono in errores in procedendo ed errores in judicando. Gli errores in procedendo sono costituiti dalla ignoranza di una norma processuale, ovvero dalla falsa applicazione o interpretazione di una norma processuale; gli errores in judicando sono costituiti dalla ignoranza di una norma di diritto sostanziale o dalla falsa applicazione o interpretazione di una norma di diritto sostanziale. Vero è che gli errores in judicando possono aver per oggetto anche i fatti e non soltanto il diritto, ma, in sostanza anche l’errore di giudizio sul fatto, si traduce, in ultima analisi, in un errore di diritto” (Trattato. Parte generale, volume II, seconda edizione accresciuta, 1966, p. 280). Ainda na literatura estrangeira, ensina o Professor AMÂNCIO FERREIRA: “A decisão é errada ou por padecer de error in procedendo, quando se infringe qualquer norma processual disciplinadora dos diversos actos processuais que integram o procedimento, ou de error in iudicando, quando se viola uma norma de direito substantivo ou um critério de julgamento, nomeadamente quando se escolhe indevidamente a norma aplicável ou se procede à interpretação ou à aplicação incorrectas da norma reguladora do caso ajuizado” (Manual dos recursos civis. 2000, p. 51). Tal critério distintivo é igualmente prestigiado na literatura brasileira, como revela a autorizada lição do Professor JOSÉ AFONSO DA SILVA: “A distinção fundamental está em que o juiz erra in procedendo, quando viola uma norma de direito processual, destinada a indicar-lhe o modo de regular a sua conduta e a das partes durante o processo; e in iuris iudicando, quando infringe uma norma de direito substancial” (Recurso extraordinário no direito brasileiro. 196, p. 15). Conferir, ainda na doutrina pátria: LÚCIA HELENA FERREIRA PALMEIRO DA FONTOURA. Recurso especial. 199, p. 5. 71. “error in procedendo. Erro no processar, erro no processo. Erro ou omissão na aplicação de lei processual ao caso sub judice” (DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário jurídico. 1ª ed., 1997, p. 1). “error in procedendo (Dir. Proc.). Erro no processar, ou erro de processo, que consiste na aplicação de regra de direito processual diferente da que deveria incidir, ou na não-aplicação da regra incidente, por dolo processual, malícia, ignorância, desídia, ou interpretação errônea” (JOSÉ NÁUFEL. Novo. 8ª ed., 1988, p. 521). “O juiz erra in procedendo quando viola uma norma de direito processual” (LÚCIA HELENA DA FONTOURA. Recurso especial. 199, p. 5). 72. “error in iudicando. Expressão latina que significa erro de julgamento. Erro cometido pelo juiz relativamente à relação de Direito Material, e que viola as normas jurídicas que a regulam” (CRETELLA NETO. Dicionário. 1999, p. 157). “error in Judicando. Erro no julgar, ou seja, de aplicação da lei de direito material ao caso concreto” (DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário jurídico. 1ª ed., 1997, p. 1). “error in iudicando. (Loc. Lat.) Dir. Proc. Diz-se do erro do juiz quanto ao julgamento das 

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Apesar de consagrado, tal critério distintivo parece não ser o melhor. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, o vício de juízo também pode ocorrer na aplicação do direito processual. Sem dúvida, a despeito de geralmente versar sobre direito material, o error in iudicando também pode estar relacionado ao direito processual7. Alguns exemplos de errores in iudicando que versam sobre norma processual podem facilitar a compreensão do assunto. Imagine-se a seguinte hipótese74: inconformado com o valor indicado na petição inicial, o réu contesta a ação e impugna o valor atribuído à causa. Intimado, o autor reitera o valor apontado na inicial. Após, o juiz de primeiro grau profere decisão interlocutória e julga improcedente a impugnação. Insatisfeito, o réu interpõe recurso de agravo, ao argumento de que o valor da causa não está em harmonia com o artigo 259 do Código de Processo Civil. A despeito de o alegado equívoco estar relacionado ao direito processual, não há dúvida de que a decisão interlocutória é válida enquanto ato jurídico, já que regular

questões de direito material suscitadas na causa” (OTHON SIDOU. Dicionário jurídico. 4ª ed., p. 20). “error in Judicando (Dir. Proc.). Erro no juízo. Diz-se do erro em que, muitas vezes, incorre o juiz ao aplicar a lei de direito material ao processo, ou interpretando-a mal, ou erroneamente considerando-a revogada, bem como ao deixar de aplicála, por ignorá-la ou por entender que não incide — na — hipótese sub judice” (JOSÉ NÁUFEL. Novo. 8ª ed., 1988, p. 521). Por fim, a Doutora LÚCIA HELENA DA FONTOURA também sustenta que o juiz erra “in iudicando, quando infringe uma norma de direito substancial (material), destinada a ser aplicada na sentença para a decisão do mérito da causa” (Recurso especial. 199, p. 5). 7. À luz da lição de CALAMANDREI, o Professor MONIZ DE ARAGÃO sustenta a correta tese de que “o error in iudicando pode manifestar-se igualmente no que tange ao Direito Processual, pois ‘pode-se ter um error in iudicando consistente na errônea declaração da parte do Juiz de uma concreta vontade de lei puramente processual’” (Correição parcial. 1969, p. 87). 74. O exemplo é originário das didáticas Lições de Direito Processual Civil do Professor ALEXANDRE FREITAS CÂMARA (Volume II, 2ª ed., 1999, p. 44 e 45). Embora tenha sido elaborado antes do advento da Lei n. 11.187, de 2005, subsiste a essência do exemplo do eminente processualista, com a simples atualização à luz da regra imposta pela nova lei, segundo a qual o agravo deve ser retido. A propósito da regra imposta pela Lei n. 11.187, de 2005, reforça a Exposição de Motivos: “4. A proposta tem o escopo de alterar a sistemática de agravos, tornando regra o agravo retido” (Reforma infraconstitucional. Volume IV, 2005, p. 12). A regra, todavia, é afastada pelas seguintes exceções, nas quais o agravo deve ser por instrumento: decisão interlocutória de inadmissão da apelação; decisão interlocutória relativa aos efeitos do recebimento da apelação e decisão interlocutória geradora de lesão grave e de difícil reparação. 

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do ponto de vista estrutural. O suposto vício reside no conteúdo da decisão. Em outras palavras, o alegado erro não diz respeito à forma, mas ao fundo. Por tudo, o eventual erro cometido pelo magistrado é de julgamento, ou seja, de juízo; basta a simples reforma da decisão interlocutória, com a respectiva substituição prevista no artigo 512 do Código. O mesmo ocorre quando, no julgamento do recurso de agravo, constata-se a ocorrência de litispendência, apesar de o primeiro grau ter rejeitado a preliminar prevista no artigo 01, inciso V e §§ 1º e º, do Código de Processo Civil. Sob o ponto de vista formal, a decisão interlocutória está perfeita, razão pela qual é válida. Na verdade, o defeito reside no conteúdo, no fundo da decisão. Daí a necessidade da reforma da decisão. No julgamento do agravo, o recurso deve ser provido para reformar a decisão interlocutória e extinguir o processo. Não há cassação na hipótese, já que o vício está no fundo, e não na forma. Com efeito, a existência de hipóteses nas quais o erro de julgamento diz respeito ao direito processual revela que deve ser adotado outro critério discretivo, já que a tradicional distinção entre direito material e direito processual não permite, com absoluta segurança, a identificação da natureza do vício cometido pelo julgador. Segundo autorizada doutrina75, o error in procedendo consiste no

75. “Questa distinzione, che si riconduce a quella tra errores in procedendo ed errores in judicando, si fonda sul duplice caracttere che avrebbe la sentença, di atto giuridico e di giudizio. Come atto giuridico, la sentenza, alla pari di qualunque altro atto, può presentare difetti di costruzione, dovuti a violazioni di regole processuali, ma essa può presentare anche errori di giudizio, sia di fatto che di diritto, cioè errori in quella che è la funzione propria ed esclusiva del giudice” (SALVATORE SATTA. Diritto. Ottava edizione, 197, p. 5). Também merece ser prestigiada a lição do Professor BARBOSA MOREIRA. Como bem ensina o eminente processualista, “a impugnação da decisão definitiva pode também fundar-se na alegação de error in procedendo e visar à anulação da sentença. Aqui, o que se discute, em primeiro lugar, é a própria validade desta como ato processual. Se o órgão ad quem acolhe a impugnação, dando provimento ao recurso, deixa de existir pronunciamento de primeiro grau sobre o mérito” (Comentários. Volume V, 8ª ed., 1999, p. 48). Então, os “vícios de atividade (errores in procedendo)” estão relacionados a “alegações concernentes à invalidade da sentença, quer por vícios que nela mesma se apontam (v.g., defeitos da sua estrutura formal, julgamento ultra petita ou extra petita), quer por vícios que se apontam no processo e que são suscetíveis de afetar a decisão (v.g., impedimento do juiz, incompetência absoluta, não participação de litisconsorte necessário, não intimação do Ministério Público em caso de intervenção obrigatória)”. Já “os vícios de juízo (errores in iudicando)” dizem respeito a “alegações referentes à injustiça da sentença, em razão de 

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defeito de forma76 que contamina a decisão jurisdicional enquanto ato jurídico, tornando-a inválida. O error in procedendo é marcado pela existência de vício na estrutura, na construção do ato jurídico consubstanciado na decisão jurisdicional77, o que justifica a cassação, ou seja, a invalidação do decisum. É o caso de acórdão proferido sem o cumprimento das formalidades previstas no artigo 552 do Código de Processo Civil, quando o recurso julgado pelo colegiado está no rol das espécies recursais que dependem da prévia inclusão em pauta. A respeito do tema, merece ser prestigiado o enunciado n. 117 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A inobservância do prazo de 48 horas, entre a publicação de pauta e o julgamento sem a presença das partes, acarreta nulidade”. Do mesmo modo, acórdão proferido em embargos infringentes sem a prévia intimação do embargado para apresentação de contra-razões deve ser cassado. O desrespeito à formalidade prevista no caput do artigo 51 do Código de Processo Civil conduz ao pronunciamento de invalidade do julgado.

erro cometido pelo juiz na solução de questões de fato (por exemplo: passou despercebido um documento, interpretou-se mal o depoimento de uma testemunha, deu-se crédito a outra que não era fidedigna) ou na solução de questões de direito (v.g., entendeu-se aplicável norma jurídica impertinente à espécie, considerou-se vigente a lei que já não vigorava, ou inconstitucional a que não o era)” (p. 41). 76. De acordo: LEIB SOIBELMAN. Dicionário. Volume I, 1974, p. 24. Ao tratar do error in procedendo, o Professor NERY JUNIOR pontifica: “O vício é de natureza formal, invalidando o ato judicial, não dizendo respeito ao conteúdo desse mesmo ato” (Princípios fundamentais. 5ª ed., 2000, p. 218, especialmente a nota 115). Ainda em sentido conforme: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Lições de direito processual civil. Volume II, 2ª ed., 1999, p. 45: “Note-se que não há error in iudicando apenas quando a declaração errônea da vontade da lei refere-se a normas de direito material, mas também quando o erro incide sobre normas de direito processual (como, no exemplo, acima figurado, da norma sobre a fixação do valor da causa). Situação diversa é a que se tem quando o recurso é interposto sob o fundamento de a decisão impugnada ter sido proferida com error in procedendo. Este é um vício de forma, ao contrário do anterior, em que se tinha um vício de conteúdo. O error in procedendo está sempre ligado ao descumprimento de uma norma de natureza processual, e consiste em vício formal da decisão, que acarreta sua nulidade. Nesta hipótese, o objeto do recurso não será a reforma da decisão recorrida, mas sua invalidação”. 77. Também no mesmo sentido do parágrafo: BENTO DE FARIA. Código de Processo Penal. Volume II, 2ª ed., 1960, p. 26: “a) em vício de forma, ou seja da construção do processo (error in procedendo)”.

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Na mesma esteira, aresto proferido em ação rescisória sem a realização da revisão prevista no artigo 551 do Código de Processo Civil está contaminado por vício de atividade, o que enseja a cassação do julgado. Sentença proferida sem fundamentação, ou seja, sem a observância do disposto no artigo 458 do Código de Processo Civil e no artigo 9, inciso IX, da Constituição Federal, também está contaminada de vício de atividade, razão pela qual deve ser cassada, a fim de que o juiz de primeiro grau emita ato jurídico válido. O mesmo ocorre com a sentença proferida sem a observância dos artigos 128 e 460 do Código: tanto a sentença extra petita quanto a ultra petita padecem de error in procedendo. Ainda a respeito do tema, salvo quando o vício é sanado no julgamento de embargos declaratórios, a sentença citra petita também deve ser cassada, já que contaminada por vício de atividade. Também há error in procedendo quando órgão fracionário (verbi gratia, turma, câmara, seção, grupo) de tribunal declara a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, fora das hipóteses excepcionais do parágrafo único do artigo 481 do Código de Processo Civil. O desrespeito à regra da reserva de plenário inserta no artigo 97 da Constituição Federal e nos artigos 480 e seguintes do Código conduz à cassação do julgado. É que há defeito de construção no pronunciamento da corte judiciária. Como é possível perceber dos últimos exemplos apontados, a inobservância de formalidades legais — e, com maior razão, constitucionais — contamina o ato jurídico por meio do qual há a entrega da prestação jurisdicional. Por tal motivo, é necessária a cassação, a fim de que seja praticado outro ato jurídico, que seja válido — ressalvada, entretanto, a possibilidade da aplicação do § 4º do artigo 515, a ser verificada em cada caso concreto, quando o tribunal passa a ter competência para o imediato julgamento da causa. Por fim, salvo o ato jurídico inexistente, os demais pronunciamentos jurisdicionais contaminados por error in procedendo ficam protegidos pela auctoritas rei iudicatae e só podem ser desconstituídos por meio de ação rescisória. Resta estudar o error in iudicando. O vício de juízo está consubstanciado na erronia ocorrida na solução propriamente dita de questões de fato e de direito, ainda que a última seja de cunho processual78. O defeito reside

78. Em sentido semelhante: MARIA HELENA DINIZ. Dicionário jurídico. Volume II, 1998, p. 62: “error in Judicando. Expressão latina. Erro cometido pelo juiz

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no fundo79, no conteúdo da decisão jurisdicional. Como não há vício sob o ponto de vista formal, a decisão jurisdicional é válida; é, no entanto, injusta80, por vício de fundo. Por conseguinte, é passível de reforma, com a modificação do conteúdo do julgado. Em síntese, o error in procedendo consiste em vício de forma, em defeito estrutural, de construção do pronunciamento jurisdicional. O error in iudicando está consubstanciado no vício de fundo, no defeito que reside no próprio conteúdo da decisão. Com efeito, o error in procedendo diz

quanto ao direito material ou quanto ao direito processual”. Ao tratar do vício de juízo, o Professor NERY JUNIOR pontifica: “Se o mérito da causa for questão processual, o erro em que, eventualmente, incidir o juiz ao julgar será in judicando” (Princípios fundamentais. 5ª ed., 2000, p. 220, especialmente a nota 126). Ainda em sentido conforme é a lição de BATISTA MARTINS: “...não se trata mais de distinguir a natureza do êrro de acôrdo com a natureza da regra legal violada, mas de acôrdo com o modo pelo qual se deu a violação. Se é verdade que não se pode conceber que o juiz viole in procedendo uma lei de fundo, é possível, entretanto, que êle viole in iudicando uma lei de processo, o que ocorre naqueles casos em que, interpretando-a, o juiz a aplica mal” (Recursos. 1957, p. 98; sem o grifo no original). Reforça o eminente autor do Código de 199: “O contrôle do Supremo Tribunal não se detém, hoje, no êrro in iudicando, embora possa êle abranger, como se viu, erros de aplicação de lei processual, mas estende-se, ao contrário, aos casos de violação in procedendo dessa mesma lei” (p. 98; não há o grifo no original). Com o mesmo entendimento: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Lições de Direito Processual Civil. Volume II, 2ª ed., 1999, p. 45: “Note-se que não há error in iudicando apenas quando a declaração errônea da vontade da lei refere-se a normas de direito material, mas também quando o erro incide sobre normas de direito processual (como, no exemplo, acima figurado, da norma sobre a fixação do valor da causa)”. Reforça o eminente Professor em outra didática obra: “É de todos conhecida a distinção entre o error in iudicando e o error in procedendo. Enquanto aquele é o erro de julgamento, este é o erro de atividade. No error in iudicando encontra-se uma decisão equivocada, isto é, um provimento jurisdicional em que a conclusão está equivocada. Já no error in procedendo o vício não é da conclusão, mas da atividade de produção da decisão. Assim, por exemplo, a decisão que condena a pagar dívida que já havia sido paga contém error in iudicando, enquanto o provimento jurisdicional não fundamentado contém error in procedendo (ainda que sua conclusão esteja correta)” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Ação rescisória. 2007, p. ). 79. De acordo: LEIB SOIBELMAN. Dicionário. Volume I, 1974, p. 24: “error in Judicando. Erro de juízo, erro na aplicação da norma jurídica, erro de interpretação da lei. Erro de fundo”. 80. A propósito, merece ser prestigiado o pronunciamento do Ministro BENTO DE FARIA: “b) ou em vício respeitante à função lógica do Juízo (error in judicando), isto é, quando a decisão, embora válida, é injusta” (Código de Processo Penal. Volume II, 2ª ed., 1960, p. 26).

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respeito ao vício atinente à forma da atividade jurisdicional, ao defeito quanto ao modo do julgamento, o que explica a necessidade da cassação da decisão inválida, a fim de que outra seja proferida de forma, de modo regular, com a observância das formalidades legais. Já o error in iudicando diz respeito ao julgamento em si, com os olhos voltados não para a forma da prestação jurisdicional, mas, sim, para o conteúdo da prestação jurisdicional, a fim de se saber qual foi o resultado do julgamento e se o mesmo é justo, ou não, para a eventual reforma da decisão injusta. É o critério discretivo prestigiado ao longo do presente compêndio. Convém lembrar que a distinção dos defeitos que podem contaminar as decisões jurisdicionais é muito relevante tanto no plano teórico quanto no prático: enquanto as decisões com vício de juízo são reformadas, os julgados maculados por error in procedendo são cassados, invalidados. A caracterização do vício também é importante para a apuração da substituição prevista no artigo 512 do Código de Processo Civil, já que não há substituição da decisão quando o órgão julgador constata a existência de vício de atividade — há mera cassação, invalidação. Por fim, a despeito das diferenças dos vícios que contaminam as decisões jurisdicionais, é preciso reconhecer um aspecto positivo do direito brasileiro: tanto o error in procedendo quanto o error in iudicando podem ser denunciados nas espécies recursais em geral. Por conseguinte, é admissível a interposição dos recursos pátrios com a alegação de ambos os vícios ou apenas um deles. Daí o aspecto positivo do sistema recursal brasileiro: em regra81, o cabimento de recurso no direito pátrio não leva em consideração a natureza do vício que contamina o julgado.

81. Segundo orientação predominante na doutrina e na jurisprudência, a exceção reside no artigo 50 do Código de Processo Civil, porquanto prevalece o entendimento de que os embargos infringentes são cabíveis apenas quando há error in iudicando, em razão de reforma da sentença definitiva.

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Capítulo vI REQUISITOS DE ADmISSIbIlIDADE DOS RECURSOS 1. CONCEITOS E ClASSIfICAçõES
Estudados os juízos de admissibilidade e de mérito, já é possível realizar o estudo específico dos requisitos de admissibilidade. As “condições de admissibilidade”, os “pressupostos de admissibilidade” ou “requisitos de admissibilidade” são as exigências legais que devem estar satisfeitas para que o órgão julgador possa ingressar no juízo de mérito do recurso. Por terem idêntico significado, tais expressões são igualmente prestigiadas tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência. Aliás, até mesmo o Código de Processo Civil utiliza as três expressões nos artigos 500, parágrafo único, 518, § 2º, e 540, caput, respectivamente. Daí a possibilidade da utilização de todas as expressões, sem ofensa alguma à linguagem técnica. Os escritores contemporâneos classificam os requisitos de admissibilidade em intrínsecos e extrínsecos. Enquanto os primeiros (intrínsecos) estão relacionados à existência do direito de recorrer, os últimos (extrínsecos) estão ligados ao exercício daquele direito. Integram o primeiro grupo: o cabimento, a legitimidade recursal, o interesse recursal e a inexistência de fatos extintivos e impeditivos. Compõem a classe remanescente: a tempestividade, a regularidade formal e o preparo. A propósito, é importante registrar que a doutrina clássica divide os pressupostos de admissibilidade em objetivos e subjetivos. Segundo tal critério distintivo, a legitimidade e o interesse são pressupostos subjetivos. Em contraposição, a recorribilidade, a adequação, a tempestividade, o preparo, a motivação e a regularidade procedimental são pressupostos objetivos. Ainda que muito respeitável a classificação da doutrina tradicional, o critério prestigiado pelos autores modernos parece ser o melhor, por ser mais completo, especialmente em relação aos institutos da desistência, da renúncia e da aceitação (ou aquiescência), previstos nos artigos 501, 502 e 44

50 do Código de Processo Civil, respectivamente. Ademais, a classificação prestigiada pela doutrina contemporânea está em harmonia com a terminologia empregada no Código de Processo Civil, conforme se infere dos artigos 496, 51, 522, 50 e 55, preceitos que versam sobre o cabimento. Mas a escolha da classificação moderna não implica desconsideração da distinção tradicional, até mesmo em razão de certa correlação existente entre os dois critérios diferenciadores dos requisitos de admissibilidade.

2. CAbImENTO
O requisito de admissibilidade do cabimento consiste na exigência de que o recorrente utilize, entre as espécies recursais existentes na Constituição Federal e na legislação federal vigente, aquela adequada para impugnar a decisão jurisdicional causadora da insatisfação. Com efeito, o requisito do cabimento concretiza os princípios da taxatividade, da singularidade e do esgotamento das vias recursais, porquanto o recurso só é cabível quando previsto na Constituição Federal ou na legislação processual em vigor, e for o apropriado para combater o decisum gerador do inconformismo. Aliás, o requisito do cabimento prestigiado pela doutrina moderna corresponde aos pressupostos objetivos da recorribilidade e da adequação da corrente doutrinária clássica. Em primeiro lugar, para ser cabível o recurso, a decisão deve ser recorrível, isto é, passível de impugnação. A segunda etapa do cabimento reside na adequação, já que a decisão jurisdicional só pode ser impugnada por meio do recurso próprio. A falha em qualquer uma das fases do cabimento conduz à prolação de juízo de admissibilidade negativo (salvo se for possível a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, quando, de forma excepcional, o recurso incabível é recebido e processado como se fosse o correto). A propósito do cabimento, no direito processual civil brasileiro contemporâneo, a apelação é o recurso cabível contra sentença. Por força do artigo 51 do atual Código de Processo Civil, a apelação é cabível tanto de sentença terminativa quanto de sentença definitiva. A regra consubstanciada no binômio sentença-apelação, todavia, não é absoluta. A primeira exceção consta do artigo 105, inciso II, alínea “c”, da Constituição Federal, assim como do artigo 59, inciso II, alínea “b”, do Código de Processo Civil. Da sentença proferida em causa internacional cabe recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. A segunda exceção está prevista no artigo 4 da Lei n. 6.80, de 1980, com o reforço do enunciado n. 28 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “Em execução fiscal 45

parágrafo único. parágrafo único.de valor inferior ao disposto no art. decisão interlocutória que rejeitar a impugnação ao cumprimento da sentença. 6. § º. 8. de 1980.187. de decisão interlocutória cabe recurso de agravo. de 2005). Aliás. do artigo 4º.22. do artigo 12. porquanto não importa se a decisão unipessoal proferida em tribunal é incidental ou se ocasiona a extinção do processo.099. os recursos cabíveis são embargos infringentes e declaratórios. de 1995.868. consagrou a regra do agravo retido. de 1985. da Lei n. de 2001. distritais e federais.259. da Lei n. À vista do caput do artigo 522 do Código de Processo Civil. de 1990. de 1999.. 8. A regra da recorribilidade das decisões monocráticas por meio do agravo interno está prevista nos artigos 120. de 1992. 11. 9. A última exceção ao binômio sentença-apelação consta dos artigos 41 e 42 da Lei n. desde que o valor da causa seja inferior ou igual ao teto legal: 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional. § º. decisão interlocutória de decretação da falência.08.47. 11. primeira parte. decisão interlocutória relativa aos efeitos do recebimento da apelação. estaduais. 10. da Lei n. 545 e 557. primeira parte. Em regra. todos do Código de Processo Civil. § 1º. da Lei n. Com efeito. e 15. ambos do Código de Processo Civil. qualquer que seja o fundamento da sentença”. A Lei n. cabem embargos infringentes de alçada contra sentença proferida em ação regulada pela Lei n. decisão interlocutória de inadmissão da apelação.830/80. cabe recurso inominado — e não apelação — contra sentença proferida em ação processada perante os Juizados Especiais Cíveis em geral. decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal é impugnável por meio de agravo interno (também denominado “agravo regimental”).101. § 1º. Na verdade. bem assim contra outras decisões interlocutórias recorríveis mediante agravo de instrumento por força de lei (artigos 475-H e 475-M. cabe agravo de instrumento contra qualquer decisão interlocutória que causar lesão grave e de difícil reparação (artigo 558). a regra do cabimento do agravo retido é afastada nas seguintes hipóteses. do artigo 9 da Lei n. 6. decisão interlocutória proferida na liquidação de sentença. 9. contra as decisões de juízo negativo de admissibilidade da apelação na origem e quanto aos efeitos do recebimento do recurso apelatório (artigo 522. ou seja. 52. o agravo interno é cabível das decisões monocráticas em geral. in fine. de 2005. da Lei n. 7. parágrafo único. 11. acrescentado pela Lei n. Com efeito. 34 da Lei n.47. de 2005. 46 . nas quais o agravo deve ser por instrumento: decisão interlocutória geradora de lesão grave e de difícil reparação.80. e dos artigos 4º. in fine). e artigo 100. Apesar de a regra ser o cabimento do agravo retido. bem como dos artigos 1º e 5º.

52. Superior Tribunal de Justiça) em ações originárias de habeas data e de mandado de injunção82. conforme se infere do artigo 5º. 47 . e do artigo 105. Há. todavia. 10. alínea “a”. alínea “b”. com a redação conferida pela Lei n. 19 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. as decisões monocráticas irrecorríveis por meio de agravo interno ou regimental. arestos. verbete que atesta a inadequação do agravo interno na hipótese em estudo: “Não é cabível agravo regimental de decisão que examina a admissibilidade dos chamados recursos constitucionais — RE. Com efeito. salvo os arestos impugnáveis mediante embargos infrin- 82. da Constituição Federal. assim como do artigo 59.Por força do artigo 544 do Código de Processo Civil. contra a decisão monocrática presidencial ou vice-presidencial de juízo negativo de admissibilidade de recursos extraordinário e especial cabe agravo de instrumento. até no processo civil. da Constituição Federal. Registre-se o cabimento do recurso ordinário em habeas corpus no processo penal — e. incisos II e III. Resta examinar os recursos cabíveis contra os pronunciamentos dos órgãos colegiados dos tribunais: acórdãos. Também cabe recurso ordinário contra acórdão denegatório proferido por corte superior (por exemplo. da Constituição Federal. Ex vi do artigo 50 do Código de Processo Civil.187. inciso II. do Código de Processo Civil. LXVII. cabe recurso ordinário contra acórdão denegatório de mandado de segurança de competência originária de tribunal. À vista do artigo 102. incisos I e II. após o advento da Lei n. e do artigo 105. conforme revela o correto enunciado n. inciso II. de 2005. Trata-se de verdadeira exceção ao cabimento do agravo interno ou regimental contra decisão monocrática. REsp e RO”. cabe agravo de instrumento do artigo 544 contra a decisão monocrática presidencial ou vice-presidencial denegatória da admissibilidade dos recursos extraordinário e especial. de 2001. ainda. e parágrafo único. inciso III. cabem embargos infringentes contra acórdão de provimento proferido por maioria de votos em julgamento de apelação de sentença definitiva e também contra aresto não unânime de procedência em ação rescisória. 11. inciso III. alínea “a”. excepcionalmente. À luz do artigo 102. consoante se infere do artigo 527. do Código de Processo Civil. isto é.

Daí a correta denominação inserta no § 1º do artigo 475: “remessa”. tem legitimidade para recorrer até mesmo quando revel. In ADA PELLEGRINI GRINOVER. mais especificamente o caput do artigo 499 do Código de Processo Civil. em tese. Quanto ao réu. 152 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “Embora a lei preveja embargos de declaração apenas de sentença e acórdão.2. generalidades O requisito de admissibilidade da legitimidade recursal consiste na exigência de que o recurso seja interposto por quem possui o poder de recorrer ex vi legis. lEgITImIDADE RECURSAl 3. cabem embargos de declaração contra todas as decisões jurisdicionais: sentença. conforme se infere do correto enunciado n. Afastada a legitimidade recursal do juiz. 454. 2001. legitimidade recursal na qualidade de parte São partes os que compõem os pólos ativo e passivo da relação jurídica processual: autor e réu. A propósito. A legislação processual civil brasileira. A propósito. Em contraposição. qualquer decisão judicial pode ser embargada. Recursos no processo penal. 3.1. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. outorga legitimidade para recorrer às partes. inciso VIII. p. ambos do Código de Processo Civil. merece ser prestigiada a seguinte conclusão n. contra os demais acórdãos proferidos por tribunais cabem. e 546. Por fim. enquanto não ocorrer preclusão”8. 3. acórdão. o Ministério Público e o terceiro prejudicado. é importante estudar cada um dos legitimados por força do artigo 499: as partes. ª ed. o instituto previsto no artigo 475 não tem natureza recursal. decisão interlocutória e decisão monocrática. Trata-se de condição à formação da coisa julgada e não pode ser confundido com recurso.gentes ou recurso ordinário. consoante o disposto nos artigos 496. o magistrado não possui legitimidade recursal à luz do artigo 499.. 48 . recursos extraordinário e especial. 12 da 8. Já contra os arestos proferidos em julgamentos de recursos extraordinário e especial cabem embargos de divergência. ao Ministério Público e ao terceiro prejudicado.

Se é certo que o recurso de um litisconsorte beneficia o outro quando há litisconsórcio unitário. os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros”. o mesmo não ocorre na hipótese de litisconsórcio simples. no caso de provimento do inconformismo. marcada pela impossibilidade da existência de soluções diferentes. salvo se distintos ou opostos os seus interesses”. em relação ao qual incide a regra inserta no artigo 48 do Código de Processo Civil: “Salvo disposição em contrário. entretanto. O provimento do inconformismo de um dos litisconsortes também alcança o outro. A propósito da exceção.Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação. enquanto o caput do artigo 509 revela que no litisconsórcio unitário o recurso de um favorece até mesmo àquele que não recorreu. A extensão do julgamento em relação ao outro litisconsorte é indispensável para a subsistência do matrimônio e dos respectivos direitos e deveres. os quais obtiveram. em razão da impossibilidade de soluções jurídicas antagônicas para os litisconsortes unitários. a declaração de nulidade do casamento em razão de conluio com fraude à lei. pode ser afastada. todos os litisconsortes têm legitimidade recursal individual na qualidade de parte. os litisconsortes serão considerados. quando as defesas opostas ao credor lhes 49 . A regra da personalidade do recurso do litisconsórcio simples. a partir da publicação da sentença em audiência ou em Cartório”. o recurso interposto por apenas um dos litisconsortes também beneficia o outro. Não há como preservar a sentença rescindenda e a nulidade do casamento somente em prol do litisconsorte recorrente. tal não ocorre no litisconsórcio simples. como litigantes distintos. Com efeito. Quando o pólo ativo ou o pólo passivo da relação jurídica processual são ocupados por mais de uma pessoa. ex vi do parágrafo único do artigo 509 do Código de Processo Civil. Com efeito. em razão da natureza da relação jurídica. como bem revela o proêmio do próprio artigo 48: “Salvo disposição em contrário”. o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros. Tanto que o caput do artigo 509 estabelece que “o recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita. Ainda que eventual recurso seja interposto apenas por um dos cônjuges. em ação anterior. É o que ocorre no julgamento de procedência em ação rescisória movida pelo Ministério Público contra marido e mulher. não há como conferir tratamento diverso na hipótese sub examine. em suas relações com a parte adversa. as defesas comuns aos litisconsortes devedores solidários também beneficiam os que deixaram de recorrer: “Havendo solidariedade passiva. em caso de litisconsórcio unitário.

tudo nos termos do artigo 509. O primeiro réu contesta a ação. por ser pessoal a alegação de novação. do Código de Processo Civil. o assistente litisconsorcial (ou qualificado) está habilitado a recorrer sem restrições. Em resumo. razão pela qual está exonerado. ex vi do artigo 65 do Código Civil de 2002. do Código de Processo Civil. efeito extensivo — apenas em decorrência do provimento do recurso do primeiro réu. consoante se infere dos artigos 281 e 65 do Código Civil de 2002. No que tange aos terceiros intervenientes tratados no Capítulo VI do Título II do Livro I do Código de Processo Civil — isto é. parágrafo único. o respectivo recurso também alcança o outro litisconsorte passivo. O mesmo não ocorre com a apelação interposta pelo segundo réu. o recurso do segundo réu trata de argumento pessoal. o recurso de um favorece aos demais. Inconformados. Tal conclusão é reforçada pelo artigo 281 do Código Civil de 2002: “O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos. condenando ambos os réus. ainda que a respectiva apelação sofra juízo negativo de admissibilidade — e mais. o segundo réu também será beneficiado. ao argumento de que houve novação apenas entre o autor e o primeiro réu. e do artigo 281 do Código Civil de 2002. nos quais repisam as diferentes alegações de cada uma das contestações. Enquanto a apelação do primeiro réu versa sobre defesa comum. não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor”.forem comuns”. mesmo que o segundo réu não tivesse apelado. o litisdenunciado e o chamado ao processo — que ingressaram no processo. Na tentativa de esclarecer o assunto. em razão da incidência do parágrafo único do artigo 509 do Código de Processo Civil. não haverá a extensão do benefício do resultado do julgamento ao primeiro réu. quando suscita a ocorrência de objeto ilícito com esteio no proêmio do artigo 814 do Código Civil de 2002. Já o segundo réu contesta a ação. o mesmo não ocorre quando a defesa é pessoal. o nomeado à autoria. a diferença é muito relevante. se comum a defesa em prol dos devedores solidários. Ao revés. se o recurso do segundo réu for provido. porquanto 50 . Do mesmo modo. parágrafo único. Portanto. os réus interpõem os respectivos recursos. se o recurso do primeiro réu for provido. O juiz de primeiro grau profere sentença de procedência. ao argumento de que são devedores solidários. todos são considerados partes e têm legitimidade recursal individual em tal qualidade. combinados com o artigo 509. Daí a existência de efeito extensivo — ou seja. Tanto quanto sutil. o opoente. Como a argumentação suscitada pelo primeiro réu na sua apelação é comum (objeto ilícito). imagine-se a seguinte hipótese: o autor propõe ação de cobrança contra os dois réus.

reforçado pelo § 2º do mesmo artigo. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume I. 1999.. 84. Com efeito. p. 82).. 10ª ed. embora seja entendimento minoritário na literatura especializada. NELSON NERY JUNIOR. Curso. como parte secundária. 420. e PONTES DE MIRANDA. NELSON LUIZ PINTO. 2ª ed. o assistente simples não tem legitimidade para interpor recurso contra a vontade do assistido. A respeito da séria divergência doutrinária acerca da natureza do assistente simples. 180. 1996. p. 1999.. 1977. Daí a inadmissibilidade de recurso interposto pelo assistente simples contra sentença proferida em razão de desistência da ação do assistido. o Ministério Público tem ampla legitimidade para recorrer. Condições. 7ª ed. 1998. mas com as restrições previstas no artigo 5 do Código de Processo Civil. quando muito. 50 a 55) não é considerado por muitos como parte. Comentários ao Código de Processo Civil.atua na defesa de direito próprio. 87. É irrelevante se a atuação ministerial no processo foi como parte ou como fiscal da lei: em ambas o Ministério Público tem ampla legitimidade recursal. de reconhecimento da procedência do pedido. Ainda que discutível do ponto de vista acadêmico. Comentários ao Código de Processo Civil.. Comentários ao Código de Processo Civil. 16. 1996. pelo menos do ponto de vista legal. p. Comentários ao Código de Processo Civil. Mas o Código englobou a assistência no mesmo Título referente às partes. é inegável que o Código de Processo Civil inseriu o assistente no rol das partes: “O assistente (arts.1.. p. Manual. o assistente simples é uma parte secundária que atua como “auxiliar da parte principal” (artigo 52). p. por atuar como auxiliar da parte primitiva84. de modo que. p. 18ª ed. 254 e 255. n. na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. 52. SERGIO BERMUDES. 6. 9ª ed. GABRIEL REZENDE FILHO.3. Princípios fundamentais. 1994. Volume I. 51 . 102. 58.. o assistente é considerado parte” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. ª ed. Em resumo. Volume V. p. Volume VII. p.. 1999. ª ed. Legitimidade recursal do Ministério Público: generalidades À vista do caput do artigo 499 do Código de Processo Civil. legitimidade recursal do ministério público 3. mas não pode interpor recurso em divergência com o assistido. 3. 289 e 290. 4ª ed. Volume I. 1998.. BARBOSA MOREIRA. p. prestigia-se a tese segundo a qual o assistente simples é parte secundária. O assistente simples também pode recorrer.3.. Curso. 4ª ed. 2. p. de transação e de renúncia ao direito sobre que se funda a ação85. p. 288. É certo que o assistente simples não precisa da anuência do assistido para recorrer. Tomo VII. 1956. 1998. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. 85. CELSO BARBI. Volume III. e O novo processo.

como defensor do direito objetivo. o Ministério Público não está obrigado a recorrer.A despeito da ampla legitimidade recursal. A despeito da existência de entendimento contrário. ainda que não haja recurso da parte”. a parte cuja presença no processo tornou obrigatória a intervenção do Ministério Público já está devidamente patrocinada por advogado. 226 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “O Ministério Público tem legitimidade para recorrer na ação de acidente do trabalho.. De acordo. surge a pergunta: seria admissível recurso interposto pelo Ministério Público? Trata-se de vexata quaestio. Resta saber se o Ministério Público pode interpor recurso contra o julgado favorável à parte cuja presença no processo tornou obrigatória a intervenção do parquet. não depende da anuência do derrotado. p. Sob outro prisma. Em seguida. Diante do problema. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: o autor. Como não existe restrição no preceito de regência. O interesse recursal também é inegável. nec interpres distinguere. ou seja. é possível evocar o princípio de hermenêutica jurídica segundo o qual o intérprete não deve distinguir quando não há distinção na lei: ubi lex non distinguit. tudo indica que o parquet tem legitimidade e interesse. 6. 2ª ed. o juiz de direito rejeitou a nulidade suscitada pelo parquet e proferiu sentença de procedência. A respeito do assunto. já que o Ministério Público atua como custos legis. 52 . Comentários ao Código de Processo Civil. o qual não ofereceu contestação. com a 86. A legitimidade é revelada pelo artigo 499. isto é. 1977. Volume VII. tanto na atuação como parte quanto no ofício de fiscal da lei. menor absolutamente incapaz. Ao constatar vício na citação. Reforça o enunciado n. ajuizou ação de investigação de paternidade contra o réu. Além do mais. o Ministério Público argüiu a respectiva nulidade com esteio no artigo 247 do Código de Processo Civil. Daí a resposta afirmativa. representado por sua mãe. caput e § 2º. autor da ação. O processamento do recurso interposto pelo Ministério Público também não depende da interposição de recurso pela parte vencida. merece ser prestigiado o correto verbete n. jamais será necessário86. Com efeito. ainda que o segurado esteja assistido por advogado”. 99 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no processo em que oficiou como fiscal da lei. ou seja. recurso do Ministério Público será sempre voluntário. com o reconhecimento da paternidade em favor do menor. o Ministério Público tem autonomia recursal. na doutrina: SERGIO BERMUDES.

3. voluntária e autônoma. preceito que restringe o recurso adesivo às partes. 2ª ed. quando é parte. em razão da limitação inserta no caput do artigo 500. o mesmo não ocorre no artigo 500. guardião dos interesses maiores da sociedade. Legitimidade recursal do Ministério Público e recurso adesivo A propósito da ampla legitimidade recursal do Ministério Público consagrada no artigo 499 do Código de Processo Civil e no enunciado n. o parquet atua como fiscal da lei. Volume II. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. p. e nada justifica a existência de um patrono particular e outro público na defesa do direito subjetivo da parte. a possibilidade de o Ministério Público interveniente. preceito que restringe a via adesiva às partes. em doutrina. quando intervém no processo na qualidade de fiscal da lei. nos processos em que tal intervenção se dá por haver interesse de incapaz. Ao revés. Ainda que muito respeitável o entendimento em sentido contrário. Lições de direito processual civil. ambos do Código de Processo Civil. De acordo. tudo indica que é admissível o recurso do Ministério Público até mesmo contra o julgado favorável à parte que ensejou a intervenção obrigatória do parquet no processo87.missão de defesa do direito subjetivo. Não se pode admitir que o Ministério Público. Parece-nos que sim. Em síntese. o Ministério Público pode interpor tanto recurso independente quanto recurso adesivo. poder recorrer contra decisão favorável aos interesses do mesmo. Assim. Com efeito.2. Por tudo. até mesmo quando atua como fiscal da lei. pois que sua função precípua não é a defesa dos interesses individuais de quem quer que seja. 99 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. O Ministério Público não pode ser chamado a defender o mau direito. 55 e 56: “Discute-se. 3. ou seja. razão pela qual tem interesse na preservação do direito objetivo. há séria controvérsia doutrinária que envolve o recurso adesivo. A solução da vexata quaestio é extraída da combinação dos artigos 499 e 500. o Ministério Público não tem legitimidade para apresentar recurso adesivo como custos legis. é possível concluir que a legitimidade recursal do Ministério Público é ampla. a intervenção ministerial como custos legis só autoriza a interposição de recurso independente. 1999. Em contraposição. mas sim a dos interesses sociais”. seja obrigado a calar diante da inadequada atuação da vontade concreta da lei ocorrida num processo onde é chamado a intervir como fiscal desta mesma atuação. o Ministério Público só pode interpor recurso independente.. aquele interposto na primeira oportunidade disponível para 87. Se é certo que o artigo 499 confere ampla legitimidade recursal ao Ministério Público. 5 .

o artigo 501 do Código de Processo Civil não sofre nenhuma restrição como a existente no artigo 576 do Código de Processo Penal. Não há. strictae subsunt interpretationi”89. Sistemática dos recursos. 1998. 1999. por conseguinte. e SERGIO BERMUDES. p. 24. volume 259. o Ministério Público não pode desistir do recurso criminal interposto.. 1999. p. 15 e 16. traduzido pelo Padre JOÃO CORSO e pelo Bispo Dom TARCÍSIO ARIOVALDO DO AMARAL. na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. Não obstante. Condições. em razão do princípio da indisponibilidade da ação penal. “As leis que estabelecem pena ou limitam o livre exercício dos direitos ou contêm exceção à lei. consagrado tanto no Código Canônico de 1917 quanto no Codex de 198. 29. O processo civil brasileiro. 50. 4ª ed. BARBOSA MOREIRA. 1977. 292. Como o princípio da indisponibilidade da ação penal é específico do Direito Processual Penal. p. A propósito. Aliás. 3. 1998. CARLOS OCTAVIO DA VEIGA LIMA. 10 e 11). p. Em sentido semelhante ao ponto de vista defendido no presente compêndio. 6.. diante da sua importância e da respectiva 88. a aplicação analógica ao Direito Processual Civil. Não há no Direito Processual Civil exceção como a prevista no artigo 576 do Código de Processo Penal: “O Ministério Público não poderá desistir de recurso que haja interposto”. Volume VII. Trata-se de princípio de hermenêutica jurídica herdado do Direito Romano e do Direito Canônico. Revista Forense... 975 e 976. Volume V. 291. NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. em prol da ampla recorribilidade do Ministério Público. Comentários ao Código de Processo Civil. 1999. específico do Direito Processual Penal. Código. o artigo 576 do Código de Processo Penal é exceção exclusiva do sistema recursal criminal. 54 . 1999. volume 246. porquanto o recurso é uma extensão do próprio direito de ação.. O Ministério Público. p. 185. Comentários ao Código de Processo Civil. p. p.a veiculação de recurso. 11ª ed. Promulgado pelo Papa JOÃO PAULO II. 89. p. 80. também há autorizada doutrina: JACY DE ASSIS. em razão do princípio da interpretação estrita das exceções: exceptiones sunt strictissimae interpretationis. comentário 7. Com outra opinião. p.3. Eis o teor do cânon 18 do Código vigente: “Leges quae poenan statuunt aut liberum iurium exercitium coarctant aut exceptionem a lege continent. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. até mesmo para aviar recurso adesivo como fiscal da lei. Desistência do recurso interposto pelo Ministério Público O Ministério Público pode desistir do recurso cível que interpôs. e 8ª ed.3. Com efeito. 7ª ed. e Revista Forense. Por tudo. a regra reside na possibilidade jurídica da desistência dos recursos em geral. é inadmissível recurso adesivo do fiscal da lei88. 2ª ed. devem ser interpretadas estritamente” (Código de Direito Canônico. mesmo no Direito Processual Penal.

preceito que. o Ministério Público pode desistir do recurso cível interposto na qualidade de parte ou de fiscal da lei. Ademais. p. no qual o artigo 576 do Código de Processo Penal revela a impossibilidade jurídica da desistência de recurso interposto pelo parquet. BARBOSA MOREIRA. quanto ao recurso interposto pelo Ministério Público. em matéria civil. revela a inexistência de restrição à desistência do recurso ministerial no âmbito do Direito Processual Civil91. 90. na jurisprudência: REsp n. Em sentido contrário. Por oportuno.. p. 188. Também em sentido conforme. 94. o Ministério Público tem prazo duplicado por força do artigo 188 do Código de Processo Civil.P. Prazo. art. 576).P. ou restringe direitos. 72.219/MG. 2796. entretanto. combinado com o artigo 499 do mesmo diploma. Diante do princípio da interpretação estrita das exceções. 99. no Código de Processo Civil não há preceito de igual teor. Código de Processo Civil. Prazo recursal do Ministério Público Em relação ao prazo para interposição de recurso. regido pelo artigo 501. 4ª Turma do STJ. a desistência encontra sustentação no princípio da voluntariedade90 e na regra permissiva do artigo 501 do Código de Processo Civil. 3. Ao contrário do que ocorre no Direito Processual Penal. tópico 10 do capítulo VIII do presente tomo I. 1ª Turma do STF. na jurisprudência: RE n. 1998. p. 499. o princípio da interpretação estrita das exceções já foi até mesmo consagrado na legislação pátria. ou quando a lei lhe permitir o recurso” (não há o grifo no original). na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. achamos que a exceção alcança o recurso do M. § 2º. 91. que não poderá desistir dêle (C. Com opinião idêntica. A duplicação do prazo recursal ocorre quando o Ministério Público atua como parte e também quando oficia como custos legis92. 196. volume 106. 1999. Volume V. 101: “o princípio sofre exceção.3. 7.. art.P. Diário da Justiça de 2 de junho de 1997. não há como aplicar o artigo 576 do Código de Processo Penal ao Direito Processual Civil. Recurso. Se o art. 92. Em resumo..4. quando êle fôr parte. em matéria penal. Cf. 217: “Ministério Público. p. Condições de admissibilidade. há doutrina muito respeitável: JOSÉ AFONSO DA SILVA. que especifica”. p. RTJ. conforme se infere do artigo 6º da antiga Lei de Introdução ao Código Civil: “A lei que abre excepção a regras geraes. Comentários ao Código de Processo Civil.incidência no direito brasileiro.064/SP. só abrange os casos. Em sentido semelhante. Recurso extraordinário. do CPC confere ao Ministério 55 . 7ª ed. preceito genérico que não comporta exceção.

De acordo: RMA n. José Luiz Vasconcellos. 61: “O Ministério Público. p. O mesmo raciocínio alcança os recursos eleitorais.o prazo ministerial só começa a fluir no primeiro dia útil após a intimação pessoal exigida pelo § 2º do artigo 26 do Código de Processo Civil. 1. não é possível. como naqueles em que oficia como fiscal da lei. 15. quanto ao prazo em dobro. Diário da Justiça de 22 de março de 2004. Na mesma esteira. em se tratando de matéria criminal.512/MS. DJ de 20/10/2000. Min. Min. 28. TST-RMA-445. Cnéa Moreira. Francisco Fausto. não há a duplicação dos prazos dos recursos criminais interpostos pelo Ministério Público94. DJ de 9/10/98. conforme seja parte ou assuma a posição de fiscal da lei”. 5ª Turma do STJ. TST-RMA-410. 5ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 17 de fevereiro de 200. 596. Por oportuno. Diário da Justiça de 5 de dezembro de 200. Diário da Justiça de 28 de junho de 2004. Tribunal Pleno.478/MG — EDcl. do CPC. 449. Órgão Especial. em se tratando de matéria penal. colhe-se do voto do Ministro Relator: “Segundo a jurisprudência pacífica desta Corte. 418: “2. diante da ausência de preceito similar ao excepcional artigo 188 do Código de Processo Civil no Código de Processo Penal. 94. p. entre outros”. 188. não goza do benefício do prazo em dobro para a interposição de recurso”. tem aplicação seja quando este figura como parte. 9. na exegese do art.644.88/SP — AgRg. Min. 05). 465. Daí a incidência do princípio de hermenêutica jurídica consubstanciado na interpretação estrita das exceções: exceptiones sunt strictissimae interpretationis. em razão da incidência do artigo 188 do Código de Processo Civil por força do artigo 769 da Consolidação das Leis do Trabalho9. 56 . estabelecer distinção. 6ª Turma do STJ.194/PR. DJ de 10/12/99. Diário da Justiça de 10 de outubro de 2005. Com igual conclusão: REsp n. Precedentes: TST-RMA-410. Trata-se de exceção prevista no artigo 188 do Código de Processo Civil. em razão da inexistência de preceito semelhante ao artigo 188 do Código de Processo Civil Público legitimidade para recorrer. “Em matéria criminal. seja quando sua atuação dá-se na condição de custos legis. RHC n. sendo o termo inicial o primeiro dia útil após sua intimação pessoal”. 6ª Turma do STJ. Com efeito. Pleno do TST. Ainda no mesmo sentido: REsp n.754/98. o Ministério Público não tem o benefício da duplicação dos prazos nos recursos criminais. que confere ao Ministério Público prazo recursal em dobro. Órgão Especial. que nesse dispositivo se garante ao Ministério Público.607/97. p. o artigo 188 do CPC. O Ministério Público. assim nos processos em que é parte. o Ministério Público tem igual prazo recursal em dobro para a interposição de recurso no processo do trabalho. Em contraposição. p. não possui prazo em dobro para recorrer.040/98. o Ministério Público não tem o prazo em dobro para recorrer” (RMS n.

106. p. 480: “Tem legitimidade para recorrer como terceiro prejudicado aquele que demonstrar interesse jurídico em impugnar a decisão.. 1996.4. tal como acredita o Agravante. A rigor. Todavia. na ação em que foi vencido o devedor principal. 1988. O Professor GABRIEL REZENDE FILHO também indica alguns exemplos: “Assim. 1999. p. 1999. A aplicação do Código de Processo Civil ao Direito Eleitoral é apenas subsidiária. conforme revelam o caput e o § 1º do artigo 499 do Código de Processo Civil.. Conceito e exemplos de recurso de terceiro O terceiro juridicamente prejudicado também tem legitimidade recursal. Com a mesma opinião: ELIÉZER ROSA. Código. Los recursos. não há dúvida de que o sublocatário que não ingressou no processo. “Nesse contexto. p. O processo civil brasileiro. legitimidade recursal do terceiro 3. aceitar-se o prazo em dobro do parquet é o mesmo que se opor à celeridade tão almejada” (Ag n. Diário da Justiça de 8 de outubro de 1999. 427). p. p. in casu.no Código Eleitoral e por ser a duplicação do prazo recursal incompatível com a celeridade processual. 96. preenchendo lacunas quando a Lei Eleitoral nada dispuser a respeito. Pleno do TSE. 4ª ed. Além de outros exemplos apontados pela doutrina e pela jurisprudên98 cia . 197. e Revista de Jurisprudência do TSE. aquele que poderia ter sido assistente (simples ou litisconsorcial)”. p. E rematam os eminentes Professores: “Todavia. 97. 2ª ed. na ação de anulação de testamento. citando o Professor PALACIO). 1. Cadernos. poderia ter ingressado no processo como assistente ou litisconsorte”.945/MG. p.1. De acordo: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Vale dizer. volume 11. o fiador. nota 24. 112. o cha- 57 . poderia ter ingressado no processo como assistente96 — simples e litisconsorcial — e litisconsorte97. Ainda no mesmo sentido: NERY JUNIOR e ROSA NERY. 178: “Dessa maneira. antes. o terceiro que tem legitimidade para recorrer é aquele que. 98. pode dizer-se que quem puder intervir no processo como assistente pode recorrer como terceiro prejudicado”. princípio maior do direito eleitoral95. 95. não pode estabelecer regras confrontantes com os princípios eleitorais.4. pode apelar o legatário. o terceiro que poderia ter sido assistente simples pode interpor recurso de terceiro prejudicado (CPC 499)” (Código. 147). ingressando no processo depois da sentença. A doutrina estrangeira indica hipótese em que terceiros têm legitimidade recursal: “la de los socios del marido respecto de la resolución que dispone la intervención de la sociedad en el juicio de separación de bienes iniciado por la mujer” (VESCOVI. 52: “De um modo geral. tomo 4. tem legitimidade recursal na condição de terceiro prejudicado aquele que. 3. durante a tramitação no primeiro grau de jurisdição. não se pode conceber que o Ministério Público Eleitoral tenha o prazo em dobro.

16980).906. ª Turma do STJ. inequívoco interesse jurídico a legitimar seu apelo. Diário da Justiça de 27 de junho de 1994. 48. Com efeito. 102 e 10). sob o fundamento de que teria sido o bem também adquirido pelo casal.660/SP. art. em razão do deferimento de liminar de medida cautelar de seqüestro de bens do casal. interpor recurso contra o julgado favorável ao locador em ação de despejo.. impugnar decisão judicial que versa sobre honorários advocatícios. mas. p. Na hipótese. Diário da Justiça de 28 de março de 1994. d) “Civil/Processual. p. 4ª ed. aos respectivos titulares do domínio” (REsp n. tendo como alvo o decisum contrário ao condomínio. É cabível apelação do co-devedor que não embargou a arrematação. pode. Código de Processo Civil.682/SP.245. na ação em que. p. p. o adquirente de imóvel. de 1991. Tem legitimidade para recorrer. Embargos à arrematação ajuizados por um deles. 58 . sim.87/SP — AgRg — EDcl. o último exemplo revela que o substituído pode interpor recurso como terceiro prejudicado. Recurso conhecido e provido” (REsp n. 619). 1956. consoante o disposto no artigo 15 da Lei n. como terceiro juridicamente prejudicado. e e) “Execução promovida contra mais de um devedor. de 1994. impedido de registrar o seu título. Na mesma linha. na espécie duplicata. intentada pela mulher. como representante técnico-jurídico da parte. 9908). porquanto o advogado não atua no processo como parte. c) “Há que se considerar como terceiro prejudicado o endossatário de título de crédito. podem interpor recursos nos embargos à execução opostos por co-devedor” (REsp n. Cabimento. para o fim de legitimar o direito de recorrer de decisão que ameace crédito seu representado pela cártula comercial.645/MG. A jurisprudência pátria também oferece vários exemplos de legitimidade recursal de terceiro prejudicado: a) “Avalista — Possibilidade de recorrer. Aliás. 499. Diário da Justiça de 22 de abril de 1991. o condômino que não participou do processo. de um dos devedores. 1018). como terceiro prejudicado na ação de embargo intentada por um dos outros devedores. Recurso especial conhecido e provido” (REsp 19. por ser igualmente atingido pelo decisum. Apelação. Outra hipótese comum de recurso de terceiro prejudicado reside no artigo 2 da Lei n. como litisconsorte ou como assistente litisconsorcial. ª Turma do STJ. 4788).na qualidade de assistente simples do inquilino. p. Diário da Justiça de 29 de junho de 1992. Volume III. em nome próprio. 8. Legitimação. não compareceu para substituir a parte” (Curso. embora não tendo figurado como parte em ação anulatória de duplicata. como terceiro prejudicado. ª Turma do STJ. 8. que não embargou. por ser o substituto a parte no processo. também. apesar de regularmente notificado. em embargos movidos pelo co-devedor” (Ag n. 40. consoante a regra con- mado à autoria. ª Turma do STJ. p. tem o endossatário. o advogado tem legitimidade recursal para. ª Turma do STJ. b) “Os executados não embargantes. Diário da Justiça de 1º de abril de 1996.185/MG. na condição de terceiros. como terceiro. 7. 8. pode interpor recurso na qualidade de terceiro juridicamente prejudicado. Trata-se de recurso de terceiro prejudicado. Recurso de terceiro.

na condição de terceiro interessado. 1ª Turma do STJ. à vista da autorização consagrada no § 2º do artigo 19. p. p. 4ª Turma do STJ.4. 2.122/PR. têm legitimidade para recorrer de decisão que cuida de honorários advocatícios. Por conseguinte. p. 199: “PROCESSUAL CIVIL. 2ª Turma do STJ. poderá recorrer qualquer cidadão e também o Ministério Público”. Por fim. 2 da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. Tanto a parte quanto seu advogado.218/PR. in verbis: “Das sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso. como também autoriza o artigo 6 do Código de Processo Civil. Ainda em sentido conforme. o enunciado não está em harmonia com o disposto no § 1º do artigo 499 do Código de Processo Civil. como bem revela o verbete n. tanto a parte propriamente dita quanto o advogado têm legitimidade para recorrer da decisão relativa aos honorários advocatícios. todos os cidadãos alheios ao processo proveniente de ação popular também podem recorrer da sentença e das demais decisões contrárias ao cidadão autor originário. Seção . 59 . É certo que o advogado pode ser a própria parte em litígio no qual está envolvido pessoalmente. parte e advogado.717.82/DF. de 1965. quando é. Ainda que muito respeitável a orientação consolidada no transcrito verbete n. Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2006. ambos com esteio no artigo 499 do Código de Processo Civil100. na jurisprudência: REsp n. 4. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. em nome próprio. . 100. e REsp n. 101. 0: “O advogado. na jurisprudência: REsp n. 220. 724. Diário da Justiça. Precedentes”. 1. o advogado tem legitimidade na qualidade de terceiro.sagrada no artigo 6 do Código de Processo Civil99. Diário da Justiça de 11 de abril de 2005. porquanto o perito judicial não tem 99. Diário da Justiça de 14 de agosto de 2006. 821. 79.2.867/ MA. p. há interessante exemplo de recurso de terceiro no bojo do § 2º do artigo 19 da Lei n. com sede em Brasília: “PERITO — RECURSO — LEGITIMIDADE — O perito judicial possui legitimidade para recorrer quando o tema recursal guarde pertinência com a fixação/correção dos seus honorários”101. tem legitimidade para recorrer da parte da sentença onde fixados os honorários”. também na jurisprudência: REsp n. De acordo. 4ª Turma do STJ. Recurso de terceiro e perito judicial No que tange ao recurso interposto por perito judicial. Com efeito. No mesmo sentido. 3. Cf. 288. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. p. a um só tempo. do dia 19 de novembro de 2002. há orientação jurisprudencial em prol da legitimidade recursal. 614. Diário da Justiça de  de agosto de 2006. Enquanto aquela tem legitimidade recursal na qualidade de parte.

Na mesma linha: REsp n. A atuação do perito subordina-se ao magistrado condutor do feito.01/SP. escrevente. Terceiro prejudicado. o terceiro legitimado a recorrer é aquele que tem interesse jurídico em impugnar a decisão. perito judicial e os assistentes técnicos. 499 E 522. 3. razão pela qual não pode ser considerado “terceiro prejudicado”. 4ª Turma do STJ. o perito não possui legitimidade recursal102. cabendo-lhe manejar o mandado de segurança se presentes os requisitos a esse inerente”. devendo buscar a defesa de seus interesses contra atos do juiz por meio de mandado de segurança”. PERITO. 2000. Com efeito. razão pela qual não pode ser considerado terceiro prejudicado. Princípios fundamentais. 147. contador. Diário da Justiça de 26 de outubro de 1992: “Recurso. Recurso de terceiro e opoente Há séria divergência se aquele que poderia ter ingressado em processo alheio na qualidade de opoente tem legitimidade recursal na qualidade de terceiro. Prevalece a tese de que o opoente não possui legitimidade recursal na qualidade de terceiro. não têm legitimidade para recorrer porque não são parte nem terceiro prejudicado” (sem os grifos no original). 10. 5ª ed. RECURSO DESACOLHIDO. preceito que indica a prolação da sentença como marco final para a intervenção de terceiro opoente em 102. mesmo quando lhe é imposta multa pelo Juízo.997/MG. nem mesmo de forma indireta.“interesse” algum na “relação jurídica submetida à apreciação judicial”.3. diretor de secretaria. como o escrivão. O perito judicial não possui legitimidade para recorrer. 166. nem mesmo na qualidade de terceiro10. não guardando qualquer relação com as partes.976/SP. CPC. 12. visando ao aumento de sua remuneração”. Falta-lhe. De acordo. 26 e 264: “Em suma. portanto. ª Turma do STJ. na doutrina: NELSON NERY JUNIOR. Diário da Justiça de 8 de agosto de 1994. 187. ARTS. Legitimidade para recorrer.4. por não sofrer prejuízo jurídico oriundo da “relação jurídica submetida à apreciação judicial”. — Nos termos da orientação do Tribunal. na jurisprudência: REsp n. “Os auxiliares do juízo em geral.426/SP. Diário da Justiça de 28 de agosto de 2000: “Perito. Em sentido conforme. 4ª Turma do STJ. p. partidor. Também no mesmo diapasão: REsp n. depositário judicial. PRECEDENTES DO TRIBUNAL. já que o respectivo interesse é apenas econômico. à luz do caput e do § 1º do artigo 499. Diário da Justiça de 18 de fevereiro de 2002: “PROCESSO CIVIL. 2. Ainda no mesmo sentido: REsp n. legitimidade para recorrer. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. 60 . em razão da limitação inserta no artigo 56 do Código de Processo Civil. Perito.. o perito judicial não possui legitimidade para recorrer. não um mero interesse de fato ou econômico”. AUSÊNCIA. ª Turma do STJ.

. Volume I. Lições de direito processual civil. p. na jurisprudência: ACO n. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Eis o voto condutor proferido pelo Ministro PAULO BROSSARD: “No entanto. RTJ. quando também há lugar para a oposição. por exemplo. Pleno do STF. p. Foi a opinião também defendida até a terceira edição do presente compêndio105. 4ª Ed. São. o artigo 500 estabelece que só as partes podem interpor recurso 104. Não obstante. 106. FREDIE DIDIER JR. 105. ª ed. o atual Código de Processo Civil. 2006.4. ou contra A e B. correndo o prazo para recurso. Princípios fundamentais. Comentários ao Código de Processo Civil. 1999. 3. pág. em suma. 57. BERNARDO PIMENTEL SOUZA. preceito que confere legitimidade recursal às partes. não é mais cabível o ajuizamento da ação de oposição. 1989. p. 2. ao Ministério Público e também a terceiro. 221 e 222. Neste sentido basta citar o entendimento do Prof. 971. 197. 2004. Saraiva. conforme revela o seguinte trecho extraído da ementa: “Oposição. 184. Cf. conclusão n. Dedução após a sentença. p. Ademais. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. 1996. ª ed. os argumentos que conduziram à adoção da tese minoritária em prol da admissibilidade do recurso de terceiro na qualidade de opoente106. 2002. p. 980). 2ª tiragem. simplesmente. e NELSON NERY JUNIOR. Se a sentença já foi proferida (e está.. ajuizar a demanda que entender adequada contra A. 52 e 5. Intempestividade (art.processo alheio104. p. volume 11. art.4. p. art. 61 . 59/60)” (RTJ. 164/SP. a fim de que a sentença seja cassada. Volume I.. o terceiro opoente pode impugnar a respectiva validade.. 456). ª ed. na doutrina: ELIÉZER ROSA. 56) até ser proferida a sentença (juízo de 1º grau) no processo pendente (v. ou está pendente recurso em Superior Instância). 15ª ed. é expresso no particular: a oposição pode ser oferecida ‘até ser proferida a sentença’. Athos Gusmão Carneiro: ‘A ação de oposição somente poderá ser oferecida (v. na vigência do qual — digase de passagem — a União deduziu sua pretensão interventiva. Cadernos de processo civil: apelação. e PONTES DE MIRANDA. Recurso de terceiro. Recurso de terceiro e recurso adesivo Ao contrário do artigo 499 do Código de Processo Civil. 56 do CPC)”. Conferir. 256. Mas já não será uma ação de oposição’ (Intervenção de Terceiros. p. Assim. mesmo em relação à sentença. Tomo VII. volume 11. ou contra B. porquanto o artigo 56 do Código de Processo Civil não impede que terceiro opoente recorra de eventual decisão interlocutória proferida antes da sentença e da posterior oposição. 44. com o retorno do processo à fase anterior ao error in procedendo. nova reflexão acerca da vexata quaestio ocasionou a reconsideração da opinião anterior. A pessoa interessada no objeto da lide entre A e B deverá. De acordo.

Além de prazo recursal igual. 109. 107. na doutrina: SERGIO BERMUDES. de prazo maior que o das partes”. p. p. Volume VII. 167. Com efeito. Com a mesma opinião. Em sentido conforme. até mesmo as espécies recursais destinadas aos tribunais superiores109.pela via adesiva. Com efeito. 1977. 20451: “O terceiro prejudicado. ao admitir recurso de terceiro em processo de conhecimento sob o rito sumário. Assim. e SERGIO BERMUDES. é idêntico ao prazo das partes108. 2002. o recurso de terceiro só não tem lugar diante de vedação expressa. De acordo. Diário da Justiça de 0 de junho de 1995. Prazo do recurso de terceiro e recursos admissíveis Quanto ao prazo do recurso de terceiro. p. Volume VII. Com efeito. é possível concluir em prol da ampla legitimidade recursal do terceiro. o terceiro não dispõe de prazo superior nem mesmo nas hipóteses excepcionais previstas nos §§ 1º e 2º do artigo 815 do antigo Código de Processo Civil de 199.4. 8ª ed. 2ª ed. p. 59 e 60. conclusão n. ou de incompatibilidade manifesta.. entretanto. Recurso de terceiro. A regra. para recorrer. 6: “Não cabe recurso adesivo de terceiro”.. 3.. p. embora investido de legitimidade recursal (CPC. Comentários ao Código de Processo Civil. 108.787/PR — AgRg. Daí a conclusão: é inadmissível recurso adesivo interposto por terceiro107. 59 e 18. bem assim as existentes na legislação especial.099. 7ª ed. como é possível imaginar na execução. Comentários ao Código de Processo Civil. p. Comentários ao Código de Processo Civil. não dispõe. 3. 62 . 9. como a existente no artigo 10 da Lei n. art. 72. em relação ao procedimento sumaríssimo dos juizados especiais. como bem atesta o artigo 280 do Código de Processo Civil. Processos e procedimentos que comportam recurso de terceiro Em regra. 1977. na doutrina: FREDIE DIDIER JR. o terceiro pode interpor os mesmos recursos das partes. Volume V. na jurisprudência: RE n. reside na ampla admissibilidade do recurso de terceiro. 1ª Turma do STF.4. 1999. o recurso de terceiro pode ser interposto nos processos e nos procedimentos em geral. 499). 2ª ed. 58. de 1995.. 1998. 291. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. o qual pode interpor todas as espécies arroladas no artigo 496 do Código de Processo Civil. 61.5. como o artigo 499 do Código de Processo Civil vigente está no capítulo “das disposições gerais” do título “dos recursos”. independentemente do processo ou do procedimento.6.

Comentários. Em todas as hipóteses. 28. recurso da parte que não tiver interesse na reforma ou modificação da decisão”. Condições.. O recurso é útil se. Como regra. em tese. não é absoluta. 1998. É irrelevante se a derrota foi total.. 269. em busca da simples modificação da fundamentação da decisão que lhe foi favorável. correção monetária). merece ser prestigiada a conclusão n. generalidades O requisito de admissibilidade do interesse recursal está consubstanciado na exigência de que o recurso seja útil e necessário ao legitimado. Até mesmo o vencedor pode ter interesse recursal em impugnar decisum favorável. Cf. 2001. ARAKEN DE ASSIS. É necessário se for a única via processual hábil à obtenção. 297. Recursos no processo penal. 2000. em relação ao que deixou de obter em seu favor. do benefício prático almejado pelo legitimado. sob o ponto de vista prático. com aplicação analógica em prol do sistema recursal civil: “Não se admitirá.. entretanto. 5ª ed. ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. o vencido tem interesse recursal nos limites da sucumbência. a “parte vencida” tem interesse recursal. BARBOSA MOREIRA. tem-se que é inadmissível recurso interposto pela parte vitoriosa. Consoante revela o caput do artigo 499 do Código de Processo Civil. p. p. 7ª ed. Ausente a utilidade ou a necessidade. como honorários advocatícios. 18 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O interesse em recorrer configura-se como resultado prático mais vantajoso que o recorrente possa obter por intermédio do recurso”110. em relação aos capítulos acessórios. parcial ou até mínima (por exemplo.1. Volume V. 45. puder trazer alguma vantagem sob o ponto de vista prático ao legitimado. INTERESSE RECURSAl 4. Cf. Sem dúvida. p. no mesmo processo. há didático exemplo formulado pela doutrina111: diante de sentença de improcedência por defi110. o recurso deve sofrer juízo negativo de admissibilidade. todavia. 1999. A respeito da possibilidade da existência de interesse recursal até mesmo do vitorioso. ou seja. Princípios fundamentais. como bem revela o parágrafo único do artigo 577 do Código de Processo Penal. A regra. Basta que. 6 . juros. e NERY JUNIOR. A propósito.4. Resta saber se o vencedor também tem interesse em interpor recurso. a decisão do órgão julgador do recurso possa ser ainda mais vantajosa ao vencedor. em tese. a “parte vencida” tem interesse em recorrer da decisão na qual sofreu a derrota. ª ed. 111. p.

veicula dois ou mais pedidos. Cf. Com efeito. Precedentes” (REsp n. Volume III. p. pode sofrer nova ação popular. a pretensão prevalente da autora é de obter o deferimento do primeiro pedido. 7. porquanto o artigo 268 permite ao autor ajuizar nova ação em muitas hipóteses. fundada no artigo 16 da Lei n. 60). 4. Pelo mesmo motivo. p.104/RS — AgRg — EDcl. de 1985. Ainda a respeito do interesse recursal do vencedor. de 1965. Tendo sido formulado pedido em ordem sucessiva. 9ª ed.47. Também há interesse recursal quando o autor. 2004. porquanto também está sujeito ao ajuizamento de nova ação.829/DF. o réu ainda pode alcançar resultado prático mais vantajoso no plano recursal. No mesmo sentido do texto. conforme o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 01. na forma do art. 64 . à vista do artigo 289 do Código de Processo Civil.717. subsiste o interesse recursal do autor. o réu pode ter interesse em impugnar sentença terminativa proferida à luz do artigo 267 do Código de Processo Civil.. na jurisprudência: “II — Subsiste o interesse recursal quanto aos pedidos sucessivos não deferidos. Por conseguinte. 49). Para ficar livre de futura ação do autor. como dito. porquanto o tribunal pode julgar procedente o pedido principal. fundada no artigo 18 da Lei n. 646.ciência de prova. ainda que procedente o pedido eventual ou subsidiário112. 1ª Turma do STJ. “4. Daí o interesse recursal do réu vitorioso em impugnar a sentença. na busca da prolação de julgamento definitivo em seu favor. 112. 584. 21. a fim de ter a seu favor decisão protegida pela coisa julgada material. 289 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 12 de junho de 2006. 289 do CPC. Precedente” (REsp n. desde que baseada em nova prova. 5ª Turma do STJ. p. apesar de vencedor em virtude da prolação de sentença terminativa. Do contrário. existindo interesse em recorrer quando da sua sucumbência. proferida em ação popular. já que apenas a coisa julgada material impede a propositura de nova ação idêntica. JOSÉ JOAQUIM CALMON DE PASSOS. Comentários ao Código de Processo Civil. na busca da resolução do processo com julgamento do mérito. Diário da Justiça de 28 de fevereiro de 2005. em razão da possibilidade da obtenção de vantagem prática ainda maior do que a obtida em primeiro grau de jurisdição. Daí a existência do interesse em recorrer. o réu vencedor pode ter movida contra si outra ação popular. 11. o réu vencedor em ação civil pública também pode recorrer da sentença de improcedência por insuficiência de provas. para a eventualidade de o pedido principal ser julgado improcedente. formulados nos termos do art. o réu pode recorrer. tendo em conta a ordem de preferência veiculada pelo autor11.

Sentença ilíquida. Aliás. artigo 459. Pedido certo. o réu não tem interesse recursal para questionar a nulidade da sentença ilíquida proferida em demanda na qual o autor formulou pedido certo e determinado na petição. a quem preponderantemente interessa a observância da norma”. Diário da Justiça de 10 de abril de 1995. 15509: “Pedido de condenação em quantia determinada — Sentença ilíquida — C. Por tudo. 28 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e no enunciado 114. A decretação de nulidade decorrente da inobservância da regra inserta no parágrafo único do art. o que revela o cumprimento do pressuposto de admissibilidade do interesse recursal é a satisfação do binômio utilidade-necessidade.56/MG. Acomoda-se aos fins visados pelo processo. consoante o disposto no caput do artigo 499 do Código de Processo Civil.C. 4.P. Diário da Justiça de 24 de maio de 199. o requerimento de pedido indeterminado é faculdade conferida somente ao autor (artigos 286 e 459. o litigante vencido apenas em parte. Na verdade. 18 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Formulado pedido certo e determinado. ª Turma do STJ. somente o autor tem interesse recursal em argüir o vício da sentença ilíquida”.P. 2. ainda que mínima. parágrafo único. ª Turma do STJ.Em síntese. embora evidenciada a existência de danos a serem ressarcidos. O reconhecimento do vício condiciona-se a alegação do autor. p. seja pela inutilidade. do CPC. ª Turma do STJ. p. Recurso não conhecido” (REsp n. e a mera possibilidade de o vitorioso obter julgamento mais vantajoso conduz à admissibilidade do recurso por ele interposto.566/MG. porquanto não obtém vantagem prática alguma com a anulação da sentença ilíquida. A regra reside na existência de interesse recursal da “parte vencida”. já é possível indicar algumas hipóteses de ausência de interesse recursal. 10005. Com efeito. até mesmo o vencedor pode ter interesse em recorrer da decisão que lhe foi favorável. 65 .2. ambos do Código). o réu não tem interesse recursal. Outros exemplos de carência de interesse recursal são encontrados no enunciado n. razão pela qual o réu não pode recorrer da sentença ilíquida proferida em demanda com pedido certo e determinado. Diário da Justiça de 29 de maio de 1995. “Processo Civil. e REsp n. também tem interesse recursal. para que seja proferida sentença líquida114. 459. depende de iniciativa do autor. evitando-se deva-se concluir pela improcedência da ação. Em tese. na jurisprudência: REsp n. Hipóteses de ausência de interesse recursal Exposta a teoria. Assim. parágrafo único. 50. 56.85/SP.C. Um exemplo de falta de interesse recursal consta do enunciado n. p. seja pela desnecessidade de recurso. 9275). ter-se como simplesmente anulável a sentença que contravenha o disposto no artigo 459. parágrafo único do C.

para mantê-lo. Não há necessidade de interposição de recurso contra despacho (propriamente dito). Como o despacho não possui conteúdo decisório. a inconstitucionalidade material). por força do fundamento remanescente. Reforça o enunciado n. em razão da inconstitucionalidade formal e da inconstitucionalidade material da lei que instituiu o tributo. Do mesmo modo.n. os quais igualmente conduzem à prolação de juízo negativo de admissibilidade. por estar sustentada pelo fundamento constitucional. não gera 66 . quando a conclusão do julgamento está sustentada por dois ou mais fundamentos. com a respectiva dispensa do pagamento da exação. A conclusão do julgado permaneceria intacta. 28 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. Com efeito. quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional. Imagine-se o seguinte caso hipotético: na esteira do acórdão proferido pelo Pleno no incidente de inconstitucionalidade. a conclusão do acórdão recorrido não seria abalada. é inútil o recurso que não combate todos eles. Ainda que fosse provido o recurso especial. qualquer deles suficiente. Com efeito. um de índole infraconstitucional e outro de cunho constitucional. Indicadas hipóteses comuns de recursos inúteis. Como o acórdão está sustentado por dois fundamentos autônomos e independentes entre si. por si só. falta apontar exemplos de recursos desnecessários. o recurso extraordinário é inadmissível por ausência de interesse recursal. e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário”. E a razão é simples: o eventual provimento do recurso quanto ao fundamento impugnado não traria nenhuma vantagem prática ao recorrente. não impugnado. 126 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. nem mesmo em tese é possível imaginar o sucesso do recurso especial interposto isoladamente contra acórdão sustentado por fundamentos constitucional e legal autônomos e suficientes. Com efeito. como o fundamento remanescente (a inconstitucionalidade formal) é suficiente para preservar a conclusão do aresto. dispõe o enunciado n. e o legitimado não interpõe recurso extraordinário. autônomos entre si. o recurso especial é inútil quando a conclusão do acórdão recorrido está sustentada por dois fundamentos autônomos e independentes entre si. 126 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “É inadmissível recurso especial. Em reforço. é inútil o recurso extraordinário que impugna apenas um dos fundamentos (por exemplo. a Turma Julgadora do Tribunal deu provimento ao recurso de apelação interposto pelo contribuinte.

Em síntese. e relevado. ao apreciar a argumentação inserta na petição avulsa. Embargos de declaração. Por tais motivos. não é admissível agravo contra a decisão interlocutória prevista no caput do artigo 519 do Código de Processo Civil. independentemente da interposição de recurso (de agravo) contra a decisão interlocutória de admissão da apelação na origem. Após a admissão da apelação. é possível 115. Também não há necessidade de interposição de recurso de agravo contra decisão interlocutória de relevação da pena de deserção no primeiro juízo de admissibilidade. Por conseguinte. contra-razões) ao recurso apelatório. 15. basta suscitar a preliminar de deserção na resposta (isto é. Cf. consoante o disposto no caput do artigo 518. além da impossibilidade jurídica imposta por força do artigo 504. VICENTE MIRANDA. Resta saber qual a medida a ser adotada diante de despacho equivocado. é desnecessária a interposição de recurso. a interpretação do artigo 504 permite a conclusão de que a apresentação de simples petição com a notícia do erro cometido pelo magistrado já é suficiente para a correção do equívoco. se o recorrido desejar alertar o tribunal ad quem acerca da inexistência de justo impedimento. É certo que. Não obstante. 1990. cabendo ao tribunal apreciar-lhe a legitimidade”. sob pena de formação de preclusão ou até mesmo de coisa julgada. Reforça o parágrafo único do artigo 519 do Código de Processo Civil: “A decisão referida neste artigo será irrecorrível. há a ulterior necessidade da interposição de recurso. Além do mais. Por conseguinte. o vencedor tem prazo para apresentação de resposta. 44. pode o magistrado lançar pronunciamento com conteúdo decisório e que causa gravame. o tribunal pode deixar de conhecer da apelação. à vista do artigo 504 do Código de Processo Civil: “Dos despachos não cabe recurso”. até mesmo de embargos declaratórios. até mesmo o cumprimento do requisito do preparo já apreciado. p. conforme o caso. por ser desnecessária a impugnação de despacho mediante recurso. porquanto o tribunal ad quem deve reexaminar de ofício a observância dos pressupostos de admissibilidade da apelação. Com efeito. 67 .sucumbência nem dá ensejo à formação de preclusão. Só aí. Daí a justificativa para a impossibilidade jurídica de recurso contra despacho. 4. não cabe recurso contra despacho em razão da ausência de interesse recursal. 45 e 84: “Contra despachos de mero expediente também cabem embargos de declaração”. pelo juiz de primeiro grau. diante de decisão superveniente. Autorizada doutrina sustenta o cabimento de embargos declaratórios115.

Por força do § 2º do artigo 515. a retratação tornou o agravo de instrumento totalmente desnecessário. não basta a existência do interesse recursal no momento da interposição do recurso. o vitorioso não tem interesse recursal em interpor apelação. com o deferimento da antecipação da tutela em ação demolitória. Por conseguinte. porquanto a decisão interlocutória de deferimento deu lugar à decisão de denegação. o autor obteve o despejo em processo movido pela falta de pagamento e por outra infração contratual. ou seja. A ocorrência de fato superveniente que retire a utilidade ou a necessidade do recurso também enseja a prolação de juízo negativo de admissibilidade. 5. ainda que por só um dos fundamentos suscitados (por exemplo. na linguagem do artigo 529 do Código de Processo Civil. Por fim. ficou “prejudicado”. generalidades O requisito de admissibilidade da inexistência de fatos extintivos e impeditivos consiste na exigência de que não tenha ocorrido nenhum fato 68 . oportunidade na qual pede a reconsideração da decisão ao juiz prolator.concluir pela desnecessidade de recurso de agravo (tanto retido quanto por instrumento) contra a decisão interlocutória de relevação da pena de deserção no primeiro juízo de admissibilidade. INExISTêNCIA DE fATOS ExTINTIvOS E ImpEDITIvOS 5.1. Ao proferir o juízo de retratação. mas alcançou a procedência total por apenas um dos fundamentos). o réu interpõe agravo de instrumento com urgência. No exemplo. Daí a superveniente ausência de interesse recursal. Em suma. interposta apelação pelo adversário derrotado. o juiz de primeiro grau reconsidera a decisão interlocutória agravada e denega a antecipação da tutela. É igualmente desnecessária a apelação interposta pela parte que obteve vitória integral. porquanto o tribunal deverá tomar conhecimento de ofício do fundamento não prestigiado pelo juiz a quo. A superveniente ausência de interesse recursal ocasiona a prolação de juízo negativo de admissibilidade. o fundamento remanescente é transferido de ofício à apreciação do tribunal ad quem. que o recurso perdeu o objeto. bem como cumpre o disposto no artigo 526. Imagine-se a seguinte hipótese: diante da prolação de decisão interlocutória in limine litis. para que o tribunal ad quem aprecie o fundamento que não foi prestigiado pelo juiz de primeiro grau. o interesse recursal deve estar presente no momento da interposição até o momento do julgamento do recurso.

se o julgado pode ser impugnado no todo ou em parte. Trata-se. a ausência de fatos extintivos e impeditivos é essencial para a prolação do juízo positivo de admissibilidade. Ao revés. em relação ao requisito da inexistência. A renúncia consta do artigo 502 do Código de Processo Civil. preceito que indica a principal característica do instituto jurídico: ausência de interposição de recurso. o recorrente necessita ter legitimidade e interesse) para a prolação de juízo positivo de admissibilidade.2. a renúncia dá-se em relação ao “direito de recorrer”. o qual ainda não foi consumado pela prática do ato processual de recorrer. é perfeitamente possível abdicar do direito de recorrer contra parte da decisão contrária. Com efeito. Com efeito. o recurso precisa ser cabível. Aliás. A renúncia expressa pode ser feita por meio de petição.2. A renúncia ao direito de recorrer e a aceitação da decisão desfavorável são fatos extintivos do direito de recorrer.que conduza à extinção do direito de recorrer ou que impeça a admissibilidade do recurso.2. Espécies de renúncia A renúncia pode ser total ou parcial.1. é o único. Conceito de renúncia Há a renúncia quando o legitimado a recorrer revela a sua vontade de não exercer o respectivo direito. a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação e a ausência do depósito de multa processual de pagamento imediato. Renúncia ao direito de recorrer 5. assim como oralmente. A renúncia expressa está consubstanciada na explícita declaração de vontade de não exercer o direito de recorrer. já que os demais pressupostos recursais são de natureza positiva (por exemplo. 5. Sob outro prisma. como a própria denominação revela. a desistência da ação. De outro lado estão os fatos impeditivos: a desistência do recurso. o reconhecimento da procedência do pedido.2. 5. O legitimado simplesmente abdica do direito de recorrer. assim como 69 . a rigor. A renúncia expressa oral pode ser efetuada quando o decisum contrário é proferido em audiência. de requisito de admissibilidade de cunho negativo. preceito que assegura a liberdade de escolha do legitimado entre a impugnação total da decisão e a impugnação apenas parcial. a renúncia pode ser expressa e tácita. conclusão compatível com o disposto no artigo 505 do Código de Processo Civil.

direito de recorrer já consumado.3. pressupõe ausência de interposição de recurso.4. após o presidente do colegiado anunciar o resultado desfavorável do julgamento. 5. razão 116. 5.em sessão em tribunal.2. dos limites em que foi proposta a ação116. O argumento sustentado no presente compêndio é de autoria do Professor BARBOSA MOREIRA (Comentários. a desistência pressupõe recurso já interposto. 140). também prestigiado pelo Professor ARAKEN DE ASSIS (Condições. 70 .2. Em ambas as hipóteses. ocorre quando o derrotado deixa o prazo recursal correr in albis. 7ª ed. por parte do magistrado. Volume V. Ex vi do artigo 50. Ao contrário. A conclusão em relação à impossibilidade de renúncia diante da inexistência de decisão não é abalada pelo fato de o autor poder renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação e de o réu poder reconhecer a procedência do pedido. Tanto que o artigo 501 fala em “desistir do recurso” que foi interposto. Impossibilidade da renúncia ao direito de recorrer antes da prolação da decisão A despeito da divergência existente acerca do tema. enquanto na renúncia tácita há omissão durante o prazo recursal. À luz do artigo 8 do Código de Processo Civil. caput e parágrafo único. Renúncia. não há coincidência entre o direito sobre o qual se funda a ação e a prestação jurisdicional dada pelo juiz. O mesmo não ocorre na renúncia: na expressa.. Em ambas as hipóteses. A renúncia. p. a qual poderá ser tanto ultra petita quanto extra petita. Outro é o critério distintivo que separa a renúncia da aceitação. prevalece a orientação de que a renúncia ao direito de recorrer pressupõe a existência de decisão. a renúncia expressa sempre depende de poder especial na procuração. o direito já existe e está devidamente delimitado na petição inicial. p. 1). Daí a conclusão: na renúncia expressa há um ato específico. a aceitação ocorre com a prática de ato revelador de conformação. 1998. a renúncia tácita é implícita. ocorre a abdicação explícita do direito de recorrer por qualquer outro motivo que não seja a concordância em relação ao julgado contrário. desistência e aceitação: diferenças Ao contrário da renúncia. por desrespeito. 1999. O mesmo não ocorre em relação ao direito de recorrer enquanto não proferida a decisão. ao contrário.

Portanto. 5. não importa se o recurso seria interposto pela via principal ou pela adesiva. mas apenas a omissão consubstanciada em permitir a fluência in albis do prazo recursal. sem reserva alguma. merece ser prestigiada a conclusão n. consiste na prática de ato capaz de demonstrar a conformação em relação à decisão desfavorável. 2001. Quando manifestada validamente. diante da inexistência de direito a ser exercido. com a ressalva em relação ao recurso adesivo. na tácita. artigo 8 do Código de Processo Civil). não há ato algum. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. Não obstante. só pode ser manifestada por advogado com poder especial para tal (cf. sem deixar margem para a discussão acerca da ausência de vontade do legitimado de exercer o direito de recorrer. 117. 454.2. Também não depende da concordância dos litisconsortes. Porém. é irrevogável”117. 145 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “A renúncia produz efeitos preclusivos e. o recurso adesivo não é uma espécie recursal autônoma. A propósito. é irrevogável. se houve a renúncia ao direito. a validade da renúncia não está condicionada à anuência do adversário.que não precisa e geralmente não é declarada no ato por meio do qual o legitimado manifesta a sua vontade de não exercer o direito de recorrer. p. É um caso de renúncia parcial. se houve renúncia expressa ao direito de recorrer. Aceitação A aceitação. 71 . que a parte renuncie. por isso. a forma do exercício é o que menos importa. 5. Nada impede.2. Cf. Se o derrotado renunciou pura e simplesmente ao direito de recorrer. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Validade da renúncia Por força do artigo 502 do Código de Processo Civil.3. ª ed. Recursos no processo penal. também intitulada aquiescência. a qual é admitida em nosso direito.6. Trata-se de forma secundária de exercício do direito de recorrer. 5.. ADA PELLEGRINI GRINOVER. Renúncia expressa e recurso adesivo A renúncia expressa ao direito de recorrer impede a posterior interposição de recurso adesivo.5. todavia. não sobra nem mesmo o acesso pela via adesiva.

89. Por conseguinte. 19ª ed. BARBOSA MOREIRA. Ao revés. até mesmo em homenagem ao princípio de hermenêutica jurídica segundo o qual as leis não contêm palavras inúteis: verba cum effectu sunt accipienda.. doutrina igualmente abalizada defende a inexistência da interposição de recurso para que possa ocorrer a aquiescência119. Volume II. Segundo entendimento predominante na doutrina118. razão pela qual não é válida quando manifestada antes do pronunciamento jurisdicional. PONTES DE MIRANDA. a aquiescência contamina o próprio direito de recorrer — que ainda não foi exercido — e acarreta a sua extinção. de um ato incompatível com a vontade de recorrer”. Tal como a renúncia. nota 41. ainda que a declaração posterior seja de conformação em relação ao julgado recorrido.A aquiescência pode ser total ou parcial. dispõe o parágrafo único do artigo 50.. 1997. 119. 559. 1999. Volume V. 120. Com efeito. Tomo VII. Em contraposição. com a interposição de recurso. 99. 4ª Turma do STJ. Não conhecimento” (REsp n. sem reserva alguma. Resta saber se há lugar para a aceitação depois da interposição do recurso. A propósito da aceitação tácita. 1999. “Considera-se aceitação tácita a prática. A aceitação também pode ser expressa ou tácita. merece ser prestigiado o seguinte precedente jurisprudencial: “RECURSO. a tese restritiva merece ser prestigiada. a aceitação pode ocorrer antes ou depois da concretização do direito de recorrer. a aceitação também pressupõe a existência de decisão. Ainda que muito respeitável a orientação predominante na doutrina. ª ed. p. tanto que o le- 118.219/MG. p. 72 . 8ª ed. Curso de direito processual civil. 1999. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume I. FREITAS CÂMARA. Diário da Justiça de 2 de junho de 1997. Manifestação posterior equivalente à desistência. caso a concordância seja integral ou limitada. A aceitação expressa pode ocorrer tanto por petição quanto oralmente. 6. A propósito. A utilização do verbo no futuro no bojo do artigo 50 revela a ausência de interposição de anterior recurso. Lições de direito processual civil. a aquiescência expressa é revelada por ato com explícita declaração de conformação em relação ao julgado contrário. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR.. Comentários ao Código de Processo Civil. 28 e 44. Cf. Cf. só há possibilidade jurídica da aceitação realizada após a prolação da decisão. p. qualquer manifestação contrária ao recurso após a respectiva interposição deve ser entendida como desistência120. já que o artigo 50 revela que após a aceitação o legitimado “não poderá recorrer”. 2796). p. p.

a aceitação não está condicionada à anuência do adversário. Se o julgado pode ser impugnado no todo ou em parte. Por fim. No tocante à desistência tácita. A desistência também pode ser expressa ou tácita.gitimado que aceitou o julgado contrário “não poderá recorrer”. Desistência do recurso 5.4. é inadmissível o recurso interposto por quem aceitou a decisão contrária. Um consta do § 1º do artigo 52 do Código de Processo Civil: há desistência tácita do agravo retido quando o agravante deixa de reiterar o inconformismo nas razões ou na resposta da apelação.2. Há desistência tácita quando o recorrente deixa de praticar ato essencial à subsistência do inconformismo. O artigo 501 do Código revela que a desistência pressupõe a existência de recurso já interposto. desde que cindível o recurso. Tal conclusão é sustentada à luz do artigo 505. a aquiescência impede tanto a admissibilidade de inconformismo independente quanto a de recurso adesivo. Espécies de desistência A desistência pode ser total ou parcial. O que distingue a desistência da renúncia é exatamente a existência de recurso interposto. demonstra o desinteresse em relação ao inconformismo manifestado em momento anterior. Conceito de desistência A desistência é o ato pelo qual o recorrente abre mão do recurso interposto.1. 5. A renúncia alcança o próprio direito de recorrer. Por força do artigo 50. Outro exemplo de desistência tácita de recurso reside no artigo 88 do Código de 7 . o qual ainda não foi consumado com a interposição do inconformismo. Na mesma esteira.4. é possível indicar alguns exemplos freqüentes na prática forense. 5. marcada pela ausência da prática de ato indispensável à subsistência do recurso. Outra hipótese reside no § º do artigo 542 do Código de Processo Civil: há desistência tácita dos recursos extraordinário e especial retidos quando o recorrente não efetua a reiteração no prazo recursal final.4. Há desistência expressa quando o recorrente declara explicitamente a ausência de vontade em ver o objeto do recurso julgado. também é possível abrir mão de parcela do recurso que alcançou a totalidade da decisão contrária — desde que divisível o inconformismo. É igualmente desnecessária a concordância de litisconsorte em relação à aquiescência: incide a regra do artigo 48 do Código de Processo Civil.

29688: “PROCESSO CIVIL. Cf.791-PE (DJU de 27. — Sem embargo de já iniciado o julgamento e proferido o voto do relator. Com esse entendimento. prevalece o entendimento favorável à possibilidade da desistência no curso do julgamento.4. p. RE 121.3. 5. porquanto há a ficção jurídica de que o recorrente que deixa de efetuar o reforço da caução cautelar no prazo assinado pelo juiz também desiste do recurso interposto no processo principal. 74 . Já em relação à possibilidade da desistência até mesmo após o início do julgamento do recurso. Momento da desistência Por força do artigo 501 do Código de Processo Civil. REsp n. homologou a desistência manifestada pelo recorrente após a interrupção do julgamento. homologa-se a desistência do recurso”. o Tribunal. na jurisprudência do STF: “Admite-se a desistência de recurso extraordinário cujo julgamento já se iniciou mas estava interrompido em virtude de pedido de vista.800. DEFERIMENTO. também há desistência tácita quando o recorrente que interpôs o inconformismo por meio de fac-símile deixa de cumprir o disposto no artigo 2º da Lei n. em razão da ocorrência de desistência tácita. como nas hipóteses do artigo 555 do Código121. o recorrente pode desistir independentemente da concordância do recorrido. a desistência ocorre por meio de petição. a ausência da apresentação da petição original no qüinqüídio posterior ao término do prazo do recurso interposto via fac-símile impede a prolação de juízo positivo de admissibilidade.682/ SP — QO. desde que antes do respectivo julgamento. Proclamado. 11. à vista do artigo 556. Validade da desistência À vista do artigo 501 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 26 de agosto de 1996. julgado em 0 de agosto de 2001).92)” (RE n.387-RJ (RTJ 90/402). de 1999. 5. No mesmo sentido. No mais das vezes. o resultado do julgamento pelo presidente do órgão colegiado julgador do recurso. Por fim.4. a desistência expressa pode ser formulada a “qualquer tempo” após a interposição do recurso. Com efeito. DESISTÊNCIA MANIFESTADA. entretanto. 6. a desistência do recurso não está condicionada à anuência do adversário. apesar de alguns votos já terem sido proferidos. HOMOLOGAÇÃO REQUERIDA PELA RECORRENTE.4. ainda que 121. JULGAMENTO INICIADO E ADIADO POR PEDIDO DE VISTA. A desistência também pode ser feita na sustentação oral prevista no artigo 554 do Código de Processo Civil.Processo Civil.11. resolvendo questão de ordem. Precedentes citados: RCR 1. 4ª Turma do STJ. 9.702/SP. Aliás. não há mais lugar para desistência.

Excepcionou-se. a impossibilidade de conhecimento do segundo agravo.187/2005. isto sim. não pode ser novamente exercido contra a decisão já recorrida. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. se tratando de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação. 28. na jurisprudência: “RECURSO ESPECIAL. tem-se. No mesmo sentido. 75 . 5. ainda que dentro do prazo recursal122. Daí.4. por que. Ao contrário do que ocorre no processo criminal. concretizado no instituto da preclusão consumativa. INTERPOSIÇÃO. 11. PROCESSO CIVIL. após a reforma introduzida pela Lei n. será admitida a sua interposição por instrumento. 2. Não se conhece. aquelas hipóteses em que. Do mesmo modo. ou nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida. a regra geral contida no artigo 522. 4ª Turma do STJ. prevalecem o princípio da voluntariedade e a regra permissiva da desistência consagrada no artigo 501 do Código de Processo Civil. por estar consumado. do Código de Processo Civil. determina seu processamento na forma retida. AGRAVO DE INSTRUMENTO. as partes. o recorrente que desistiu expressamente do recurso interposto não pode recorrer novamente. o terceiro prejudicado e até mesmo o Ministério Público podem desistir dos respectivos recursos. p. 866. esta deve ser entendida como desistência ao recurso em si mesmo.006/PR. Ao interpor o primeiro recurso de agravo. o qual. Diário da Justiça de 0 de abril de 2007. preceito que combinado com o artigo 499 do mesmo diploma revela a inexistência de restrição à desistência do recurso ministerial no processo civil. no ordenamento recursal civil brasileiro. 122. sem os grifos no original). Entretanto. a validade da desistência pressupõe a existência de poder especial para tal fim no instrumento de mandato. 1. Hoje. A propósito. Com a interposição do recurso o inconformado exaure o respectivo direito de recorrer. conforme o disposto no artigo 8 do mesmo Código. na forma retida. Portanto. mesmo ocorrendo a desistência. Desistência e posterior interposição de recurso À luz do princípio da consumação. correta é a conclusão de que se operou preclusão consumativa relativamente à recorribilidade da decisão interlocutória que se pretendia modificar. OCORRÊNCIA. AGRAVO RETIDO.5. no qual o artigo 576 do Código de Processo Penal revela a impossibilidade jurídica da desistência do recurso interposto pelo Ministério Público.apresentada resposta ao recurso. convém registrar que. diversas formas ou modalidades quanto à sua interposição. não quanto à sua forma. todavia. Daí a conclusão: o recorrente que desistiu do respectivo recurso não pode interpor outro. Portanto. caput. DESISTÊNCIA. a desistência do recurso não depende da concordância de litisconsorte. agora de instrumento” (REsp n. no Código de Processo Civil não há dispositivo excepcional de igual teor. espécies distintas de agravo.

tendo em vista os termos do artigo 501 do Código de Processo Civil. Em síntese. em prol da desistência do recurso à vista apenas da vontade do recorrente. Ainda que muito respeitável o acórdão paradigma proferido pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n. à vista do precedente da Corte Especial. Trata-se de forma secundária de interposição de recurso. o recorrente que desistiu não pode interpor recurso adesivo. Após ampla discussão. Não obstante. Por fim. conforme o disposto no inciso III do artigo 500. Com efeito. o novel artigo 54-C do mesmo Código ocasionou a releitura daquele preceito. o recorrente é livre para desistir do recurso. 5. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça recusou a incidência do artigo 501 do Código de Processo Civil em relação aos recursos especiais repetitivos admitidos e processados sob o rito especial do artigo 54-C. Cumpridas as formalidades do artigo 8 do Código de Processo Civil. 1. no todo e em parte. ou não. ao exposto no parágrafo anterior.06.Pelo mesmo motivo. por meio da qual a parte tem uma segunda oportunidade de exercer o direito de recorrer. exercido o direito de recorrer no primeiro momento.6. o preceito confere ao recorrente total liberdade de escolha acerca da desistência.4. O fato de o recorrente ter desistido do recurso interposto na primeira oportunidade prevista na legislação processual não tem o condão de ressuscitar o direito de recorrer. o argumento de que o recurso adesivo não configura espécie recursal autônoma. o artigo 501 não incide em recurso especial repetitivo processado sob o rito do artigo 76 . não parece ser admissível recurso adesivo interposto pelo recorrente que desistiu do inconformismo veiculado pela via principal. merece ser prestigiado o voto-vencido em favor do deferimento do pedido de desistência.4/RS. evidenciada pela prolação de votos divergentes. ao fundamento de que o interesse público na pacificação da questão federal objeto da controvérsia é superior ao interesse privado das partes em litígio. sem necessidade de autorização nem anuência alguma. Porém. é conveniente lembrar que a desistência do recurso principal conduz à prolação de juízo de admissibilidade negativo também em relação ao adesivo. houve a respectiva consumação. Desistência e recurso especial repetitivo A despeito do disposto no artigo 501 do Código de Processo Civil. especialmente em relação ao recurso repetitivo processado sob o rito do artigo 54-C e pendente de julgamento no Superior Tribunal de Justiça. Some-se.

A exigência da imediata demonstração do pagamento da multa processual diz respeito apenas aos recursos previstos nos artigos 58. desistir da 77 .756. Outros fatos impeditivos 5. 5. previstos nos artigos 267. A propósito da desistência da ação. a admissibilidade do recurso subseqüente não depende do prévio recolhimento da sanção pecuniária. sem o consentimento do réu.5. instituíram novo fato impeditivo: ausência do depósito de multa processual. configuram fatos impeditivos da admissibilidade do recurso. segunda parte. a falta da imediata comprovação do depósito da multa processual também impede a prolação de juízo de admissibilidade positivo em relação ao recurso interposto após a condenação. por ter acrescentado o § 2º ao artigo 557 do mesmo diploma. inciso VIII. de 1994. inciso VII.1. 5.950. Desistência da ação. a apreciação do mérito do recurso subseqüente fica condicionada ao prévio recolhimento da verba fixada pelo juiz ou tribunal recorrido. reconhecimento do pedido e renúncia ao direito A desistência da ação. só podem ser efetuados por advogado com poderes especiais.5. “depois de decorrido o prazo para a resposta. assim como a renúncia ao direito sobre o que se funda a ação. e a Lei n. o autor não poderá. Por força do artigo 8.54-C. e 18. Não obstante. bem assim da interposição de agravo interno (ou regimental) manifestamente inadmissível ou infundado. § 2º. Além da ausência do anterior pagamento. de 1998. 8. Com efeito.5. e 557. respectivamente. incisos II e V. Comprovação do depósito da multa processual A Lei n. parágrafo único.2. Daí a conclusão do Superior Tribunal de Justiça: o novel artigo 54C deve ser interpretado como exceção ao artigo 501. Nas demais hipóteses de imposição de multa em razão da interposição de “recurso com intuito manifestamente protelatório”. 9. ambos do Código de Processo Civil. a cobrança da sanção pecuniária ocorre em ulterior execução — e não imediatamente para a interposição de recurso contra a decisão condenatória. e 269. ao conferir nova redação ao parágrafo único do artigo 58 do Código de Processo Civil. o reconhecimento da procedência do pedido. se a multa processual foi aplicada com esteio nos artigos 17. imposta multa em razão da reiteração de embargos declaratórios protelatórios.

690. independentemente de quem os opôs e do acolhimento ou não do recurso. sob pena de sofrer juízo negativo de admissibilidade12.04. Ratificação de recurso interposto em conjunto ou na pendência de embargos declaratórios Quando há interposição conjunta ou o recurso é interposto na pendência de embargos de declaração. o requisito da regularidade formal apontado 12. No julgamento do REsp 776. 70. Não obstante. no particular. porquanto não há. da Constituição Federal. 5. Cf. artigo 267. não há mais lugar para discussão: tollitur quaestio. finalizado em 18. a desistência do recurso não está condicionada à anuência do recorrido. REgUlARIDADE fORmAl 6. Trata-se de obrigação imposta por força da jurisprudência. À luz do artigo 501.2007. REsp n. Diário da Justiça eletrônico de 29 de outubro de 2008: “2.ação” (cf. 6. § 1º. de 17 e 18 de abril de 2008: “2. Cf.265/SC. Ag n. O Supremo possui orientação pacífica no sentido de ser extemporâneo o recurso extraordinário protocolado antes da publicação do acórdão que julgou os embargos de declaração. Existe importante diferença entre a desistência da ação e a do recurso. o recorrente pode desistir sem a concordância do recorrido. e não ex vi legis.3. § 4º). como o Supremo Tribunal Federal também exige a posterior ratificação do recurso interposto em conjunto ou na pendência de embargos declaratórios124.404/SP — EDcl. preceito similar aos artigos 52. sob pena de não conhecimento pelo STJ” (não há o grifo no original).527/PA — AgRg. Daí a duvidosa constitucionalidade da obrigação imposta à margem do artigo 5º. ambos do Código de Processo Civil. Diário da Justiça eletrônico n. 959.1. 124. inciso II.5. sem posterior ratificação”. e 542. Conceito O requisito de admissibilidade da regularidade formal consiste na exigência de que o recurso seja interposto de acordo com a forma estabelecida em lei. a Corte Especial firmou a orientação de que é prematura a interposição de recurso especial antes do julgamento dos embargos de declaração. 2ª Turma do STF. 2ª Turma do STJ. declarando a necessidade de ratificação do especial porventura já interposto. A propósito. 78 . § º. aquele outro recurso só é considerado admissível se for ratificado logo após a intimação do julgamento dos declaratórios no juízo ou tribunal de origem. Ainda que apresentada resposta ao recurso.

do artigo 4. 9. § º. com a redação conferida pela Lei n. 541 e 542. 514. em razão da impossibilidade da aferição da tempestividade. e do artigo 42 da Lei n. 11. parágrafo único. de 1995. 524. ou seja. Além da irregularidade formal por força da exigência de “petição” pelos artigos 514.80. Com efeito. de 1995. do artigo 4. da Lei n.80. também não é permitida a interposição oral de recurso. porquanto a ausência do ingresso no protocolo do órgão judicial competente impede a contagem do prazo recursal. recurso cível manifestado por simples cota nos autos deve sofrer juízo negativo de admissibilidade. Sob ambos os prismas. § 2º. de 1980. 541 e 542. é irregular recurso interposto por simples cota nos autos.pela doutrina moderna corresponde aos pressupostos recursais da regularidade procedimental e da motivação. 525. 540. do Código de Processo Civil. 6. ou seja. 56.3.2. § 2º. de 1980.187. 525. A regra. o § º do artigo 52 estabelece a exigência da interposição imediata do agravo retido oral 79 . Fora das duas hipóteses excepcionais. Ainda a propósito das exceções da interposição oral. o recurso manifestado oralmente deve sofrer juízo de admissibilidade negativo. 524.099. de 2005. 540. todavia. 6.099. embora os declaratórios orais sejam admitidos apenas contra julgado proferido em ação processada nos Juizados Especiais. 6. os recursos cíveis devem ser interpostos por meio de “petição”. da Lei n. petição recursal: regra À luz dos artigos 506. à vista da classificação doutrinária tradicional. todos do Código de Processo Civil.099. datilografada. e do artigo 42 da Lei n. 6. só é admissível a interposição “oral” de agravo retido e de embargos de declaração. a interposição de recurso por cota nos autos também é incompatível com o proêmio do parágrafo único do artigo 506 do Código de Processo Civil. 9. manuscrito lançado nos próprios autos. razão pela qual o recurso deve sofrer juízo negativo de admissibilidade. todos do Código de Processo Civil. caput. impressa ou até mesmo eletrônica. 9. 56. de 1995. peça autônoma escrita. e artigo 49 da Lei n. comporta duas exceções: artigo 52. quando prevista a última forma (petição eletrônica) na norma interna do tribunal competente. caput. De volta à exigência da manifestação do inconformismo por meio de “petição”. Interposição oral: exceção Por força da regra da necessidade de petição recursal.

para a prática de atos processuais que dependam de petição escrita”. 2º da Lei 9.4. 9. nos termos do artigo 2º da Lei n. trabalhista. consoante revela o caput do artigo 2º da Lei n.800. a petição original deve ser apresentada no respectivo protocolo até cinco dias após o término do prazo recursal. 9. Não obstante. de 1999. pois. de 1995. o agravo retido deve ser interposto oralmente na própria audiência de instrução e julgamento. sob pena de preclusão.800 revela que a peça transmitida via fac-símile deve corresponder com exatidão ao original apresentado no qüinqüídio subseqüente ao término do prazo recursal. Ainda a propósito do recurso interposto mediante fac-símile. de 1999.800. o agravante já não tem a opção entre a imediata interposição oral do agravo retido e a interposição por petição no prazo de dez dias. criminal. Assim. confere ao embargante a opção entre a interposição oral dos embargos desde logo ou a interposição por petição no prazo de cinco dias. ao contrário do caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. Após o advento da Lei n. nos termos do art. 9. de 2005. 87 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. 9. tornou-se admissível a interposição de recurso (cível.contra decisão interlocutória proferida em audiência de instrução e julgamento.800/1999.800. eleitoral) mediante fac-símile. Após o advento da Lei n. A inobservância de tal exigência conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. sob pena de juízo de admissibilidade negativo. especialmente o inciso II do verbete: “A contagem do qüinqüídio para apresentação dos originais de recurso interposto por intermédio de fac-símile começa a fluir do dia subseqüente ao término do prazo recursal. se esta se deu antes do termo final do prazo”. não deve ser considerada a data da interposição do recurso quando ocorre antes do dia do término do prazo. merece ser prestigiado o enunciado n. Não é só. O mesmo não ocorre nos embargos de declaração nos Juizados Especiais. o qüinqüídio para a apresentação da petição recursal original tem como dies a quo do “término” do prazo recursal. À vista do § º do artigo 52 do Código de Processo Civil vigente. 11. 9. conforme se infere do artigo 1º: “É permitida às partes a utilização de sistema de transmissão de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar. que prestigia o princípio da consumação ao atribuir importância ao 80 . 6.187. Interposição mediante fac-símile Resta saber se é possível a apresentação de recurso por meio de facsímile. porquanto o artigo 49 da Lei n. A propósito. e não do dia seguinte à interposição do recurso. de 1999. a resposta é afirmativa.099. A inteligência do parágrafo único do artigo 4º da Lei n. Com efeito.

isto é. 11. quando estipulou o termo inicial do qüinqüídio para o oferecimento da petição original. em caso de dúvida. 44.800 reside no “término” do prazo recursal. 9. o mesmo não ocorre no caput do artigo 2º da Lei n. de 2007: “A petição enviada para atender prazo processual relativo ao e-stF será considerada tempestiva quando transmitida até 125. o legislador optou expressamente pelo “término” do prazo recursal. em virtude da existência de preceito específico em prol da tempestividade do recurso interposto mediante petição eletrônica até o último minuto do dia final do prazo (artigos º e 10). e não na data da interposição do recurso. 11. Além do mais. o advogado cadastrado passa a ser identificado mediante a respectiva assinatura eletrônica. No mesmo sentido do texto do presente compêndio. 81 .80/RS.“ato de interposição do recurso”. Em reforço ao disposto na Lei n. 9.5. estabelece o artigo 8º da Resolução n. tendo sido elaborada em prol do recorrente. a qual permite a interposição de recursos processuais também de forma eletrônica. portanto. é admissível o envio da petição eletrônica ao sistema do Poder Judiciário durante as vinte e quatro horas do último dia do prazo (artigo º). tanto a intimação das decisões judiciais quanto a interposição de recursos dependem do prévio credenciamento voluntário dos advogados das partes perante os órgãos competentes do Poder Judiciário (artigo 2º). em todos os graus de jurisdição. penal e trabalhista.419. Para incentivar o cadastro voluntário dos advogados e facilitar a prática dos atos processuais em geral. à luz dos métodos literal. 640. Por tudo. até mesmo quando a interposição ocorre antes do dies ad quem125. de exceção explícita ao princípio da consumação. Não incide o disposto no artigo 172 do Código de Processo Civil. deve-se adotar a exegese que favorece o recorrente: appellatio admittenda videtur in dubio. de 1999. Interposição mediante petição eletrônica (“recurso eletrônico”) A novel Lei n. Corte Especial do STJ. Realizado o credenciamento prévio. 6. tem-se que o termo inicial do qüinqüídio previsto no caput do artigo 2º da Lei n.419 autoriza a realização da intimação das decisões judiciais e a interposição dos respectivos recursos processuais por meio eletrônico nos processos civil. Trata-se. segundo princípio de hermenêutica jurídica. até mesmo a interposição de recursos. há recente precedente jurisprudencial: EREsp n. desde a primeira instância até o Supremo Tribunal Federal (artigos 1º e 10). em 19 de dezembro de 2007. Na verdade. Não obstante. histórico e teleológico de interpretação.800.

na jurisprudência: “II — Nos exatos termos do § 3º do art. vale conferir o disposto no artigo 4º da Portaria Conjunta n. Diário da Justiça de 24 de agosto de 2007. De acordo. 909.419 com os artigos 184 e 240 do Código de Processo Civil. 11. “1. salvo quando há a necessidade de intimação pessoal ex vi legis (artigos 4º e 5º). subsiste na jurisprudência128 a exigência da juntada da petição recursal 126. Apresentação da 82 . o qual não é computado à luz do princípio dies a quo non computatur in termino. p. 128.405/RJ — AgRg. Diário da Justiça eletrônico de 25 de abril de 2008. 629.419/06. Intempestivo o presente recurso interposto por meio eletrônico. 287/04.87). bem assim com o envio da comunicação ao respectivo endereço eletrônico dos advogados previamente cadastrados (artigo 5º. do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Cf. Agravo regimental não conhecido” (Ag n. p. Imagine-se. in verbis: “§ 1º O primeiro dia útil subseqüente à data em que se disponibilizar o Diário Judiciário Eletrônico será considerado como sendo a data da publicação. 2. que a decisão judicial foi veiculada no Diário da Justiça eletrônico em uma terça-feira. Além da interposição do recurso pela via eletrônica. considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico” (Ag n. quinta-feira (ainda no mesmo exemplo).800/99 e 5º. por exemplo. 11. 2º Os prazos processuais para as primeira e segunda instâncias iniciar-se-ão no primeiro dia útil seguinte àquele considerado como data da publicação”.972/RS — AgRg. tem-se que o início da fluência do prazo ocorre no dia útil seguinte. se for dia útil. §§ º e 4º)127. Fixado o dia do início do prazo (quarta-feira. “Recurso interposto por meio eletrônico. Pleno do STF. combinado com o artigo 2º). caput. 4. No mesmo sentido do texto do parágrafo. e o início da fluência do prazo só ocorre no dia útil subseqüente (artigo 4º. A intimação eletrônica dispensa a realização por outra forma. no exemplo imaginado). os advogados também podem ser intimados pela só publicação das decisões e dos atos em geral no Diário da Justiça eletrônico (artigo 4º). ª Turma do STJ. de 2008. caput. tendo em vista a combinação do artigo 4º da Lei n. considera-se efetuada a intimação no primeiro dia útil seguinte ao da veiculação no Diário eletrônico126. da Resolução STF n. 127. Considera-se realizada a intimação na quarta-feira. considerada a hora legal de Brasília”. porque os originais somente ingressaram formalmente no Tribunal após o qüinqüídio previsto nos artigos 2º. da Lei 9. 4º da Lei n. 1).as vinte e quatro horas do seu último dia. No que tange à interposição de recurso processual por meio eletrônico. Realizada a intimação mediante o Diário da Justiça eletrônico. 119.

6). 9. sob pena de o recurso sofrer juízo negativo de admissibilidade129. Com efeito. estão sendo aprovados atos normativos internos (por exemplo. 44. além da Lei n. do Presidente do Superior Tribunal de Justiça. os supervenientes atos normativos regulamentadores (como a Resolução n.969/RN — AgRg. 52. Além dos preceitos da Lei n.419 permitem a conclusão de que a admissibilidade do recurso eletrônico não depende da posterior juntada da respectiva petição impressa no qüinqüídio previsto no artigo 2º da Lei n. a Lei n. emendas regimentais. de 14. do Presidente do Supremo Tribunal Federal.800. p. 647. todas de 2007) também devem ser observados pelos jurisdicionados e seus advogados. sobre as intimações e os recursos por meio eletrônico. apesar de proferidos após o advento da Lei n. 11. 7 e a Resolução n. 11. 8 .419.800 não deveria ser aplicado ao recurso eletrônico. em razão da existência de legislação específica.04.04. os artigos 11 e 12 da Lei n. ou seja.419. § 1º. 9. os quais. 9. Por fim. tal como revela a Resolução n. como a Resolução n. de 2007. com a regulamentação da Lei n. portarias) nos diversos órgãos do Poder Judiciário. os órgãos do Poder Judiciário também devem efetuar a regulamentação da Lei n. Pleno do STF. de 2007. 9. a fim de que a via eletrônica seja utilizada cada vez mais para os atos processuais em geral. 9. 504.800.419. Diário da Justiça de 9 de novembro de 2007. instruções.10/MG — EDcl. Intempestividade” (RE n. o artigo 2º da Lei n. 7. de 2006. 129.419 mediante atos normativos internos (artigo 18). 11. Daí a defesa de opinião contrária aos respeitáveis precedentes jurisprudenciais apontados na nota anterior. 9. do Presidente do Superior Tribunal de Justiça. 11. 287. 9. 11. conforme o disposto nos artigos 4º da Lei n. especialmente para as intimações das diversas decisões judiciais e para a interposição dos recursos processuais. ambas de 2007. 2ª Turma do STF.419. com as normas gerais relativas aos atos processuais eletrônicos em geral. petição original fora do prazo legal. não prestigiaram o diploma de dezembro de 2006. 11. o que impede o prosseguimento do presente recurso” (Ag n. Ainda que muito respeitável o entendimento jurisprudencial acerca da necessidade da posterior juntada dos originais impressos pelo recorrente que utilizou a via eletrônica para efetuar a interposição do respectivo recurso. cujos artigos 11 e 12 permitem interpretação diversa da extraída do artigo 2º da Lei n. A despeito da jurisprudência colacionada na anterior nota de rodapé. 44 e a Portaria n. 9. a Portaria n.800.original no qüinqüídio previsto no artigo 2º da Lei n.800/99 e 5º. de 1999. resoluções. e a Resolução n. da Resolução STF n. a fim de que os atos processuais praticados pela via eletrônica sejam válidos e tenham eficácia jurídica. 11. de 2006.419. “Inviável a análise de recurso interposto por meio eletrônico sem correspondência com o original apresentado à Secretaria desta Corte. Diário da Justiça de 1 de agosto de 2007. p.

É o que estabelecem os artigos 524 e 56 do Código. 168. tratando-se de recurso sujeito a duplo juízo de admissibilidade. inciso I. a peça de interposição é geralmente endereçada ao órgão competente para realizar o primeiro juízo de admissibilidade (juízo ou tribunal a quo).. AMARAL SANTOS. da Lei n. ARAKEN DE ASSIS. 419.6. Componentes da petição recursal 6. Volume V. 117.. Condições de admissibilidade. 51. 540 e 541. 1999. a petição recursal. Não obstante a literalidade do inciso I do artigo 514. BARBOSA MOREIRA. NERY JUNIOR e ROSA NERY.. e PONTES DE MIRANDA. Lições. Tomo VII.. petição eletrônica). Volume III. de 1980.6. No recurso interposto por terceiro.. 1999. caput. 4ª ed.6. é dirigida ao próprio órgão julgador do recurso.6. Com efeito. caput. a petição deve ser dirigida ao órgão de interposição.. ª ed. 72. 999. Volume II. 8ª ed. a exigência da qualificação completa do recorrente deve ser cumprida por inteiro na própria 10. do artigo 522 —. p. §§ 2º e º. p. conforme se extrai do disposto nos artigos 514. p.80. p.1. do Código de Processo Civil. as petições recursais do agravo de instrumento contra decisão interlocutória — ou seja. todos do Código de Processo Civil. Código. p. 1. caput. caput. nota 5. Comentários. Primeiras linhas. assim como o artigo 4. 1999. 6. consoante o disposto no artigo 514. 84 . 56. e O novo. Ao revés. Na hipótese de juízo único de admissibilidade. p. 1999. Comentários. 1999. 2ª ed. 20ª ed.. 524. todavia. a doutrina10 ensina que não há necessidade de nova qualificação completa na petição recursal quando o recorrente e o recorrido já foram identificados nos autos. 1995. em regra. Conferir: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Endereçamento ao órgão judiciário competente Independentemente da forma de interposição utilizada pelo recorrente (petição impressa.2. p. a petição de interposição deve conter inicialmente a indicação do órgão judicial ao qual é dirigida. Qualificação do recorrente e do recorrido A petição recursal deve conter os nomes e a qualificação do recorrente e do recorrido. Como no direito processual civil brasileiro vigora a regra do duplo juízo de admissibilidade. 42. 540 e 541 do Código. 1999. É o que se infere dos artigos 514. 6. dos embargos de declaração e dos embargos infringentes de alçada devem ser endereçadas diretamente aos respectivos órgãos julgadores. 15ª ed.

que concretizam o princípio da dialeticidade.petição recursal. sob pena de juízo negativo de admissibilidade. e 541. Ainda que sucintamente. 85 .4. os recursos cíveis devem ser motivados. Apelação geral não vale com respeito a uma causa.6. É necessária a impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida. Até mesmo os recursos que podem ser interpostos oralmente estão sujeitos à exigência da imediata apresentação das razões recursais. inciso I. de nada adianta o inconformado veicular no recurso alegações dissociadas das razões de decidir. bem como a discussão jurídica travada perante o juízo ou tribunal a quo. deve o recorrente indicar desde logo os motivos do inconformismo. até mesmo para que seja aferida a existência de prejuízo jurídico do inconformado.6. em razão da irregularidade formal. como se infere do § º do artigo 52 do Código de Processo Civil. 524. A propósito. Aliás. do Código. inciso II.80. 6. 182 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça trata do tema: “É inviável o agravo do art. Em respeito a tal exigência. há princípio de hermenêutica jurídica contra a admissibilidade de recurso em termos gerais: appellatio generalis respectu causae non valet11. Não há no Direito Processual Civil brasileiro recurso isento de fundamentação. 9. inciso II. com a demonstração dos motivos que justificam a cassação. inciso I. a petição deve ser acompanhada das razões recursais. conforme determinam os artigos 524. 56. 541. preceito que trata do agravo retido oral. a reforma ou a integração do julgado recorrido. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada”. Com efeito. 6. do artigo 4. Motivação: razões recursais À vista dos artigos 514. todos os recursos cíveis dependem de fundamentação.3. 11. do Código. Exposição do fato e do direito O recorrente ainda deve efetuar “a exposição do fato e do direito”. que teve fim com a prolação da decisão causadora do inconformismo. Com efeito. Com efeito. que devem indicar os vícios que contaminam a decisão impugnada. da Lei n. 6. § 2º. 540. inciso III. e do artigo 42 da Lei n. o verbete n.099. o inconformado deve registrar na petição recursal os contornos da espécie dos autos.

os artigos 514. não há irregularidade formal alguma na interposição de recurso por meio de petição única. Aliás. as quais também podem ser veiculadas em peça anexa12. diante da legislação processual civil vigente. a interpretação dos preceitos de regência indica que o recurso deve ser interposto “por petição escrita. Sem dúvida. por ser a petição de interposição dirigida ao juízo ou tribunal a quo. não fica excluída. 9. desde que contenha as razões recursais em seu bojo. todos do Código de Processo Civil. 4 da Súmula do Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: “Não se conhece de apelação quando não é feita a exposição do direito e das razões do pedido de nova decisão”. com as razões recursais no seu interior. todavia. em vez de constarem da própria petição. 144: “omissis. 2007. É comum na prática forense o oferecimento simultâneo de duas peças: a petição de interposição e a peça de razões recursais. Antes de passar para o próximo tópico. instruindo a petição de interposição do recurso. sob pena de juízo negativo de inadmissibilidade por irregularidade formal. merece ser prestigiado o correto enunciado n. É o que também dispõe a precisa conclusão n. com as razões recursais no seu bojo. sejam oferecidas em anexo”. é tão freqüente na praxe judiciária a interposição dos recursos mediante apresentação conjunta de duas peças autônomas. Portanto. revelam que a petição “conterá” as razões recursais. ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Embora muito respeitável. 86 . que até pode parecer equivocada a interposição por meio de petição recursal única. convém ressaltar que não convence o argumento de que são necessárias duas petições. da qual constarão as razões”. Em sentido conforme..Por ser a motivação necessária ao cumprimento do requisito da regularidade formal. a ausência das razões recursais conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. Aliás. 25ª ed. Não obstante. todos os recursos cíveis devem ser fundamentados. A propósito. porquanto o juízo de 12. 524. com maior autoridade: BARBOSA MOREIRA. Em resumo.099. reforçados pelo artigo 42 da Lei n. 62 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Não se conhece de apelação desacompanhada dos fundamentos”. o argumento não merece ser prestigiado. p. 56 e 541. a possibilidade de que as razões do recurso. Resta saber se as razões recursais podem estar insertas na própria petição do recurso ou se há necessidade de petição autônoma para as razões recursais. O novo processo civil brasileiro. basta uma petição. enquanto as razões recursais são destinadas exclusivamente ao órgão julgador.

a manifestação do recurso por meio de duas peças autônomas. tal exigência é justificada pelo disposto nos artigos 128 e 460 do Código.099. § º. até mesmo o juízo de origem pode reconsiderar a decisão recorrida.069. Essa prática não é ilegal.6. 52. 540. 6. 529. vedada. 524. inciso II. nas hipóteses excepcionais previstas nos artigos 296. Por tudo. desde que apresentadas simultaneamente1. que deve conter os motivos da irresignação. A ausência de requerimento recursal conduz à inevitável prolação de julgamento extra petita. inciso III. pelos artigos 128 e 460. o recebimento do recurso no juízo ou tribunal a quo depende da observância de todos os pressupostos recursais. nos termos dos artigos 514. apresentado de uma só vez”. assim como no artigo 198. Assinatura e instrumento de mandato do advogado A petição recursal deve ser datada e assinada por advogado devidamente identificado e com instrumento de mandato já nos autos ou apresentado no ato da interposição do recurso. Por força da regra do duplo juízo de admissibilidade. e 541. quando deve verificar se foram apresentadas as razões com impugnação específica. porém. 2006. 6. Pedido recursal Todo recurso deve conter pedido de nova decisão. também não é admissível recurso sem pedido algum. 8. Não configura irregularidade formal. Sob outro prisma. 2). p. até mesmo da regularidade formal. os recursos cíveis podem ser interpostos por petição única. “A intenção da lei. 52. Assim. requisito que só é cumprido quando o recorrente apresenta a respectiva motivação do inconformismo.6. inciso VII. De acordo.5. conforme se infere da combinação dos artigos 6 e 159 do Código de Processo Civil com o caput do artigo 14 1. é a de que se apresente uma peça formalmente uma” (VICENTE GRECO FILHO. que agasalham o princípio da correlação entre a decisão e o pedido. Direito processual. 17ª ed. § 2º. na doutrina: “É hábito forense separar a petição dirigida ao juiz das razões nas quais estão contidos os fundamentos de fato e de direito e o pedido de nova decisão. Volume II. uma para a interposição e a outra referente às razões recursais. e do artigo 42 da Lei n. todos do Código de Processo Civil. por outro lado. especialmente após a análise das razões recursais.. como já salientado. 87 . Não bastasse estar inserta nos mencionados preceitos. da Lei n. inciso III.origem também examina a admissibilidade do recurso. todos do Código de Processo Civil.6. desde que tudo forme um conjunto único. de 1995. 9.

inclusive para o recurso”. conforme se infere do correto enunciado n. 11. Daí a justificativa para a concessão de prazo adicional em prol do recorrente. nem há a necessidade de juntada de procuração alguma. Resta saber se o vício de representação e a falta de assinatura da petição recursal conduzem ao imediato juízo negativo de admissibilidade do recurso. no exercício de sua atividade”. os advogados da União. de 2006. Na esteira do preciso enunciado n. trata-se. basta a indicação do nome e do respectivo número de inscrição do procurador público: “Ao titular do cargo de procurador de autarquia não se exige a apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo”. Quando o recorrente é representado em juízo por procurador com mandato legal. a procuração apud acta é suficiente para demonstrar a regularidade da representação. ficou evidente a opção do legislador em prol da instrumentalidade também na fase recursal. 77 do Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE: “O advogado cujo nome constar do termo de audiência estará habilitado para todos os atos do processo. de 1994.276. os procuradores da Fazenda Nacional. Embora o novel preceito esteja inserto em capítulo (ou seja. Em reforço. o poder de recorrer é inerente ao patrocínio da causa. a qual acrescentou o § 4º ao artigo 515 do Código de Processo Civil. Capítulo II do Título X do Livro I do Código de Processo Civil) destinado ao recurso de apelação. 8. suas autarquias e fundações públicas. Aliás. merece ser prestigiada a proposição n. Dispensável a juntada de procuração”. Procurador da União. Ainda a respeito do instrumento de mandato. os procuradores dos Estados e do Distrito Federal e demais procuradores públicos que exercem a representação judicial ex vi legis. como se dá com os membros do Ministério Público. de norma aplicável aos recursos em geral. na verdade. Municípios e Distrito Federal. porquanto o poder de recorrer não é especial. Estados. in verbis: “É obrigatória a indicação do nome e do número de inscrição em todos os documentos assinados pelo advogado. 52 da Primeira Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “Mandato.da Lei n. Sem duvída. a fim de 88 .906. nem mesmo para a interposição de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. razão pela qual não necessita de outorga especial na procuração. Com efeito. a procuração apud acta já é suficiente para a interposição do recurso. 644 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. consoante revela o artigo 8 do Código de Processo Civil. Com o advento da Lei n. não há necessidade de poder especial para a interposição de recurso.

o recurso deve ser desde logo admitido. ainda prevalece a orientação jurisprudencial consolidada no enunciado n. Conceito O requisito de admissibilidade da tempestividade repousa na exigência de que o recurso seja interposto dentro do prazo peremptório estabelecido em lei. é sanável. 11. TEmpESTIvIDADE 7. 7. nem há a necessidade de conversão em diligência. o advogado do recorrente deve ser intimado para sanar o defeito. no que tange aos recursos especial. formar-se a coisa julgada material. só há irregularidade formal se não existir assinatura alguma na petição recursal. O juízo negativo de admissibilidade por irregularidade formal só pode ser proferido (seja no primeiro juízo de admissibilidade na origem. Por fim. também aplicável na fase recursal. o reconhecimento da extemporaneidade do recurso não está condicionado à prévia alegação do recorrido ou do Ministério Público. 89 . apresente o instrumento de mandato que lhe foi outorgado.276. a ausência de assinatura do patrono do recorrente só impede a admissibilidade do recurso se o advogado deixar de sanar o vício no prazo adicional concedido para a respectiva correção. em homenagem ao princípio da instrumentalidade. de 2006. à medida que não existe erro a ser sanado.1. acrescentado ao artigo 515 do Código de Processo Civil pela Lei n. a qual.que. Na mesma esteira. Na hipótese. extraordinário e de embargos de divergência. Portanto. por intermédio do respectivo advogado. como bem revela o novel § 4º. 115 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Na instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos”. Porém. mediante a incidência do novel § 4º do artigo 515 do Código de Processo Civil. A tempestividade deve ser averiguada de ofício pelos órgãos de interposição e julgador. seja no juízo definitivo de admissibilidade no tribunal ad quem) após o decurso in albis do prazo adicional concedido para a regularização da representação. Com efeito. sob pena de operar-se a preclusão temporal e. entretanto. se o advogado subscreveu somente a folha de rosto da petição ou lançou a respectiva assinatura apenas na última folha das razões recursais que a acompanharam. diante da absoluta inexistência de assinatura na petição recursal. caso o mérito da causa tenha sido solucionado.

A propósito. 545 e 557. com a redação dada pela Lei n. Completam o sistema recursal cível brasileiro os embargos infringentes de alçada e o recurso inominado. Do mesmo modo. é de cinco dias o prazo para a apresentação de agravo interno (ou seja. conforme estabelece o artigo 42 da Lei n. sem a necessidade da apuração do órgão prolator da decisão embargada. é de dez dias o prazo para a apresentação de embargos infringentes de alçada. Por fim. prazos recursais O artigo 508 do Código de Processo Civil. de 1994.7. recurso especial. também é de cinco dias o prazo para a interposição de embargos de declaração até mesmo contra as decisões proferidas por juiz togado ou por Turma Recursal de Juizado Especial Cível. Com efeito. unificou em parte os prazos dos recursos que compõem o sistema recursal cível codificado.069 também preservou o qüinqüídio para a apresentação de embargos de declaração contra decisão proferida em ação regida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. 8.80. em razão da autoria da decisão impugnada de juiz de primeiro grau ou de órgão colegiado de tribunal. Hoje.2. também é de dez dias o prazo para a interposição de agravo de instrumento contra decisão de inadmissão de recursos extraordinário e especial.950. Por força do § 2º do artigo 4 da Lei n. o inciso II do artigo 198 da Lei n. é de dez dias o prazo para a apresentação de agravo contra decisão interlocutória: retido ou por instrumento. 8. 9. todos do Código de Processo Civil). agravo regimental) contra decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal (artigos 120. À vista do artigo 49 da Lei n. Completam o sistema recursal cível codificado os embargos de declaração e os agravos. é de quinze dias o prazo para a interposição de apelação. À vista do caput do artigo 544. parágrafo único. Para fechar o sistema recursal cível codificado. os embargos de declaração devem ser interpostos no prazo de cinco dias. À luz do artigo 56 do Código de Processo Civil. embargos infringentes. resta examinar os agravos. de 1994. de 1995. o prazo para a interposição de recurso inominado é de dez dias. 52. Também é quinzenal o prazo para a apresentação de resposta aos mencionados recursos. a Lei n. Segundo o caput do artigo 522 do Código de Processo Civil. 6. Segundo o preceito. recurso extraordinário e embargos de divergência. é de cinco dias o prazo para a interposição de embargos de declaração.950. deu nova redação ao artigo 56 do Código e pôs fim à dicotomia anteriormente existente em relação ao prazo para a apresentação de embargos declaratórios. 8.099. 90 . de 1980. recurso ordinário. § 1º.

§ 1º. Quanto ao réu revel. de 1990. Com efeito. os embargos infringentes do Código podem ser veiculados em quinze dias.099. Estudados os prazos à luz das espécies recursais. 8. o artigo 12.47. 8. de 1992. resta examinar os prazos recursais com a consideração do recorrente. de 1990. e veiculado na órgão oficial de imprensa. É de dez dias o prazo para a interposição do recurso cabível contra a sentença proferida nos Juizados Especiais Cíveis. 8. merece ser prestigiado o seguinte verbete sumular: “Compete ao Juízo da Infância e da Juventude processar e julgar os pedidos de guarda e de tutela de criança ou de adolescente em situação de risco” (enunciado n. 12 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação. à exceção dos embargos de declaração e do agravo interno (ou regimental). § º. no dia 14 de maio de 2007). 91 .069. Enquanto aqueles embargos podem ser interpostos em dez dias. as quais reforçam a regra prevista no Código: prazo de cinco dias. aprovado pela Seção Cível. é de dez dias o prazo para interpor qualquer outro recurso contra decisão proferida em ação submetida ao rito da Lei n. em  de maio de 2007. Quanto ao sistema recursal nas ações da competência do Juízo da Infância e da Juventude14. enquanto a apelação cível pode ser aviada em quinze dias. preceitos que igualmente tratam do agravo interno contra decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal. a tempestividade é aferida pela publicação da decisão em audiência ou em cartório. como o réu revel sem 14. 7. o agravo interno (ou regimental) ainda é regulado por leis especiais. recursos que devem ser interpostos no prazo de cinco dias.08. Além de estar previsto no Código de Processo Civil. Por força do artigo 22 do Código de Processo Civil. merece ser prestigiado o correto enunciado n. da Lei n. Da mesma forma. de 1995. é importante não confundir o recurso inominado com a apelação. e o artigo 4º. 2 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco.47. de 1985.9. A propósito. a partir da publicação da sentença em audiência ou em Cartório”. A propósito da competência do Juízo da Infância e da Juventude. da Lei n. não há necessidade da intimação no órgão de imprensa. Os embargos infringentes de alçada não se confundem com os embargos infringentes do Código de Processo Civil. Com efeito. também fixam em cinco dias o prazo para a interposição do recurso. É o que se infere do disposto no inciso II do artigo 198 do Estatuto da Criança e do Adolescente. o artigo 9 da Lei n.

7 dos Juizados Especiais e das Turmas Recursais do Estado do Rio de Janeiro. 116 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A Fazenda Pública e o Ministério Público têm prazo em dobro para interpor agravo regimental no Superior Tribunal de Justiça”. Não obstante.. há didática obra de autoria do Professor LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA (A Fazenda Pública em juízo. que eventual terceiro prejudicado favorecido pelo artigo 188 do Código vigente tem o prazo recursal duplicado. os Municípios. No que tange às empresas públicas e às sociedades de economia mista. Distrito Federal e Municípios.advogado constituído nos autos nem curador especial não precisa ser intimado à vista do artigo 22 do Código de Processo Civil. É certo.80. p. porquanto 15. as autarquias e as fundações públicas sempre têm prazo em dobro para recorrer. A rigor. o Código de Processo Civil confere à expressão “Fazenda Pública” alcance bem maior. dos Estados-membros. 5ª ed. 9. independentemente da espécie recursal interposta. A propósito da duplicação dos prazos recursais. E a duplicação do prazo recursal em favor do Ministério Público ocorre quando o parquet atua como parte e quando oficia como custos legis. 15). A propósito da regra e da exceção. a União. reforça a correta proposição n. com o mesmo significado de União. à luz do Código de Processo Civil vigente. a execução fiscal da Lei n. de 2007: “Contra o revel correm em Cartório todos os prazos. de 1997. dispõe o enunciado n. a expressão “Fazenda Pública” diz respeito à atuação em juízo da União. É o que dispõem o artigo 188 do Código de Processo Civil e o artigo 10 da Lei n. porém.469. de 1980). o Distrito Federal. as respectivas Fazendas Públicas15. 11. 9. merece ser prestigiado o preciso verbete n. 92 . do Distrito Federal e dos Municípios em causas fiscais (por exemplo. Estados-membros. os Estados. 2007. Ainda a respeito do tema. salvo o de intimação da sentença quando houver patrono nos autos”. 6. em todas as causas. Já o Ministério Público.9. A respeito do tema — e também do conceito de “Fazenda Pública” —. o terceiro não possui prazo superior nem mesmo nas hipóteses excepcionais tratadas nos §§ 1º e 2º do artigo 815 do antigo Código de 199. Com efeito. O prazo recursal do terceiro prejudicado é idêntico ao das partes. não são beneficiadas com a duplicação dos prazos recursais. o respectivo prazo recursal corre da publicação da decisão na audiência ou com a respectiva entrega em cartório. publicado no Aviso n. 192 da Primeira Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “É em dobro o prazo para a interposição de embargos declaratórios por pessoa jurídica de direito público”.

É que a expressão “falar nos autos” constante do artigo 191 do Código de Processo Civil abrange o oferecimento de resposta a recurso. § 5º. as respectivas Fazendas Públicas.871. Com efeito. mas não para apresentar resposta a recurso. 1. a União. parágrafo acrescentado pela Lei n. 10. de aplicação expressa aos processos nos Juizados Especiais Cíveis estaduais. inciso I. e 128. razão pela qual não são alcançadas pelo artigo 188 do Código de Processo Civil. 9. conforme se infere do artigo 2º da Lei n. É o que revela o enunciado n. Os defensores públicos e os que ocupam cargo com atribuição de defensoria pública também têm prazo em dobro tanto para recorrer quanto para responder.469 atenta contra o princípio da celeridade. Também é singelo o prazo até mesmo para a interposição de recurso contra decisão proferida nos Juizados Especiais Cíveis. Portanto. inciso I. É o que se infere do disposto nos artigos 44. Já os litisconsortes com procuradores diferentes têm prazo em dobro tanto para recorrer quanto para responder a recurso. de 2001.060. A excepcional duplicação dos prazos prevista no artigo 191 pressupõe. a qual revela a duplicação dos prazos para recorrer e para responder. entretanto. 9.259. da Constituição Federal). as autarquias e as fundações públicas têm apenas prazo simples para oferecer resposta a recurso. 9. inclusive a interposição de recursos”. 10. a regra da duplicação do prazo recursal inserta no artigo 188 Código e no artigo 10 da Lei n. Ainda em relação ao artigo 188 do Código de Processo Civil. 641 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não se conta em dobro o prazo para recorrer. os prazos recursal e para responder são duplicados quando há litisconsortes com diferentes patronos. 80. quando só um dos litisconsortes haja sucumbido”. Por conseguinte. os preceitos contêm a expressão “todos os prazos”. da Lei n. e no artigo 5º.estão sujeitas ao regime jurídico privado (artigo 17. e não apenas um deles. A regra do prazo recursal em dobro prevista no artigo 188 Código de Processo Civil e no artigo 10 da Lei n. in verbis: “Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato processual pelas pessoas jurídicas de direito público. o Distrito Federal. o Ministério Público. Ademais.099 e do artigo 1º da Lei n. distritais e federais. ambos da Lei Complementar n. os Estados. 9 .469 não resiste ao confronto com o preceito específico do proêmio do artigo 9º da Lei n.259. o preceito confere prazo em “dobro para recorrer”. os Municípios. inciso II e § 2º. que os litisconsortes tenham interesse recursal. 7.

o Tribunal.Em contraposição. Sepúlveda Pertence e Néri da Silveira. ou quem exerça cargo equivalente. por faculdade de direito.060/50. 51: “Prazo Recursal.0. por maioria.060/50. conforme já assentaram o Supremo Tribunal Federal16 e o Superior Tribunal de Justiça17. somente é aplicável nos feitos em que atua Defensor Público. mas sim. os advogados dativos não são beneficiados pelo prazo recursal duplicado. Os preceitos indicam que o dies 16. O prazo dobrado para recorrer é concedido ao defensor público ou ocupante de cargo público equivalente — Lei 1. Assistência judiciária organizada e mantida por faculdade de direito. 17. 2002. Informativo STF. § 5º. parágrafo único). n. negou provimento a recurso interposto contra decisão que não conhecera de agravo regimental — interposto contra decisão que concedera exequatur a carta rogatória —. A propósito.870 — AgRg. § 5º — não alcançando. os advogados autônomos que patrocinam causas sob o pálio da assistência judiciária também não têm a vantagem da duplicação dos prazos recursais. Por fim.871/89 e LC 80/94). 94 . Lei 1. Conferir: CR n. 5ª Turma do STJ.060/50. Princípio norteador A contagem do prazo recursal é efetuada segundo os artigos 184. no caso.94) e Ag 166. por conseguinte emalgrado a relevância do serviço que presta. 7.3. Diário da Justiça de 14 de agosto de 2000: “A contagem em dobro dos prazos processuais. da Lei 1.002040-2. Conferir: Apelação n. 1. Na mesma esteira. é restrito a serviço da Assistência Judiciária mantido pelo Estado”. Conferir: RHC n.1.716-RS (DJU de 25. 219: “Não se estendem aos defensores dativos as prerrogativas processuais da intimação pessoal e do prazo em dobro asseguradas aos defensores públicos em geral e aos profissionais que atuam nas causas patrocinadas pelos serviços estaduais de assistência judiciária (Lei 7. não se incluindo nessa condição o mero advogado dativo (Precedentes)”. 5º. 5º. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 2004.5. 25 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O disposto no art. Com base nesse entendimento. 18. 9. Não se conhece de apelo intempestivo”. p. Pleno do STF. art. CONTAgEm DO pRAZO RECURSAl 7. que davam provimento ao agravo regimental.95)”.060/50 art.3. todos do Código de Processo Civil. 5º. 227. Precedentes citados: Pet 932-SP (DJU de 14. reforça o enunciado n. 242 e 506.180/SP. 7. da Lei 1. o defensor vinculado a núcleo de assistência judiciária que não é organizada nem mantida pelo Estado. na forma do art. Vencidos os Ministros Marco Aurélio. porque intempestivo (RISTF. § 5º. 1ª Turma Criminal do TJDF.1. Intempestividade. prevalece na jurisprudência o entendimento de que os advogados dos Núcleos de Assistência Judiciária das Faculdades de Direito também não têm o benefício do prazo recursal em dobro18.9. 2.

1998. em razão da prorrogação determinada pelo § 1º do artigo 184 do Código de Processo Civil. o princípio é igualmente adotado no Direito Processual Penal. incluindo-se. preceito que dispõe sobre o dia da contagem. embora o dia do início não seja computado. do Código Civil de 2002: “computam-se os prazos. 95 . 19. Em contraposição. p. De volta à legislação pátria. Com efeito. Trata-se de princípio jurídico também encontrado no Código de Direito Canônico. o termo inicial não é computado na contagem do prazo. 88 e 89). o dia do fim é considerado na contagem do prazo. isto é. mas o último dia é computado no prazo. o termo final do prazo recursal coincide com dia útil. o dia da contagem do prazo e o respectivo término (dies ad quem) — são sempre encontrados em dias úteis. É o que estabelece o § 2º do artigo 184 do Código de Processo Civil. conforme se infere do § 1º do artigo 798 do Código de Processo Penal: “Não se computará no prazo o dia do começo. É o que também estabelece o artigo 12. in fine. tanto as fontes quanto a legislação brasileira consagram a regra de que o dia do início não é considerado na contagem. Em resumo. 11ª ed. os três marcos — ou seja. o do vencimento”. Do mesmo modo. e incluído o do vencimento”. Não obstante. Promulgado pelo Papa JOÃO PAULO II. “o dia final é computado no prazo” (Código de Direito Canônico. traduzido pelo Padre JOÃO CORSO e pelo Bispo TARCÍSIO ARIOVALDO DO AMARAL. ainda que a intimação tenha sido realizada “em dia em que não tenha havido expediente forense”. porém. reforça o proêmio do caput do artigo 775 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Os prazos estabelecidos neste Título contam-se com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento”. o termo final é incluído na contagem do prazo. consoante as regras consagradas nos §§ 1º e 2º do cânon 20: “dies a quo non computatur in termino”. À luz do parágrafo único do artigo 240 do Código de Processo Civil. o termo inicial do prazo recursal coincide sempre com dia útil.a quo do prazo recursal é o dia da intimação. pelo § º do artigo 798 do Código de Processo Penal e pelo parágrafo único do artigo 775 da Consolidação das Leis do Trabalho. e comentado pelo Padre JESÚS HORTAL.. Da mesma forma. o início do prazo (dies a quo). excluído o dia do começo. o cômputo do prazo só é efetuado a partir do primeiro dia útil seguinte à intimação. com horários normais tanto em relação ao início quanto para o término das atividades judiciárias. “dies ad quem computatur in termino”19. o dia da fluência do prazo. Em síntese. “O dia inicial não é computado no prazo”. assim considerados os dias com expediente forense regular. Na mesma esteira.

disso decorrendo que apenas o segundo dia útil após a publicação (terça-feira. ainda que não sejam úteis. E 184. 262 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. merece ser prestigiado o verbete n. Com efeito. 151/PB. caput E § 2º. o agravo de instrumento). 4ª Turma do STJ. no subseqüente”140. Diário da Justiça de 26 de setembro de 1994. 2ª Turma do STJ. só será considerada realizada na segunda-feira seguinte. DECISÃO AGRAVADA PUBLICADA EM UM SÁBADO. PRAZO RECURSAL. AGRAVO. 25628). dia útil posterior ao início do prazo.à vista da legislação de organização judiciária específica prevista no § º do artigo 172 do Código de Processo Civil.2. “I — As intimações efetivadas no sábado consideram-se realizadas no primeiro dia útil seguinte. A respeito do assunto. razão pela qual o dia não é considerado útil para a fluência dos prazos processuais. Preliminar de intempestividade do recurso afastada” (RMS n. o prazo para recorrer só começa a ser computado a partir do primeiro dia útil após a intimação. Intimação no sábado Assentado o princípio norteador da contagem dos prazos. no caso. da terçafeira seguinte. o dies a quo se dá na segunda-feira. 96 . p. primeiro dia com expediente forense normal. p. considera-se realizada a intimação respectiva no primeiro dia útil subseqüente (segunda-feira. na segunda-feira subseqüente. como o problema da intimação no sábado. Feita a intimação no sábado. já é possível ingressar no estudo dos pontos polêmicos. em concreto.48/AL. Já a respectiva contagem ocorrerá na terça-feira.3. 50. em regra). quando não há expediente forense. o início do prazo se dará no primeiro dia útil imediato e a contagem. Tendo a decisão sido publicada em finalde-semana (sábado). Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: imagine-se um recurso com prazo de dez dias (por exemplo. Em contraposição. 240. 22202). PARÁGRAFO ÚNICO. não há expediente forense regular aos sábados. ou seja. especialmente o inciso I: “Intimada ou notificada a parte no sábado. INTELIGÊNCIA CONJUGADA DO DISPOSTO NOS ARTS. CPC. feita a intimação no sábado. no mais das vezes) é que há de ser considerado no cômputo do prazo recursal como dia inicial de sua fluência” (REsp n. vale conferir as ementas de dois precisos acórdãos específicos acerca da contagem do prazo recursal proveniente de intimação no sábado: “PROCESSO CIVIL. os dias intermediários são computados independentemente da ocorrência de dia útil. 7. Por força das leis de organização judiciária e das normas internas dos tribunais. Por conseguinte. Em abono. RECURSO PROVIDO. o artigo 178 do Código de Processo Civil e do caput do artigo 798 do Código de Processo Penal estabelecem que os dias situados entre o dia da fluência e o dies ad quem são sempre incluídos na contagem do prazo. Diário da Justiça de 29 de agosto de 1994. Nessa hipótese. primeiro dia útil após a intima- 140.

972/RS — AgRg. primeiro dia útil após o dies a quo. vale conferir o disposto no artigo 4º da Portaria Conjunta n. merece ser prestigiado o enunciado n.419/06. § 2º Os prazos processuais para as primeira e segunda instâncias iniciar-se-ão no primeiro dia útil seguinte àquele considerado como data da publicação”.ção. ª Turma do STJ. p. Eis um exemplo: imagine-se o mesmo recurso com prazo de dez dias.3. salvo se não houver expediente. desde que também seja dia útil. É o que também dispõe o verbete n. primeiro dia útil após a intimação. §§ º e 4º)142. o termo final do prazo recursal reside na quartafeira da semana seguinte. 909. o prazo judicial terá início na segunda-feira imediata. Como o dia do início é excluído da contagem. 7. caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir”. se dia útil. De acordo. do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. 1 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira. in verbis: “§ 1º O primeiro dia útil subseqüente à data em que se disponibilizar o Diário Judiciário Eletrônico será considerado como sendo a data da publicação. o dies a quo se dá na própria sexta-feira. de 2008. considera-se efetuada a intimação no primeiro dia útil seguinte ao da veiculação no Diário eletrônico141. resta analisar o problema da intimação efetuada na sexta-feira. na jurisprudência: “II — Nos exatos termos do § 3º do art. que a deci- 141. o termo final do prazo reside na quinta-feira da semana subseqüente. Diário da Justiça eletrônico de 25 de abril de 2008. salvo se não houver expediente. A respeito do assunto.3. e o início da fluência do prazo só ocorre no dia útil subseqüente (artigo 4º. 7. por ser dia útil. inclusive. Feita a intimação na sexta-feira. No mesmo sentido do texto do parágrafo. a fluência começa efetivamente na terça-feira.4. 119. Intimação na sexta-feira Estudada a intimação realizada no sábado. 11. 1). 97 . considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico” (Ag n. 4º da Lei n. o prazo judicial será contado da segunda-feira imediata. 142. Então. por exemplo. Imagine-se. ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia. Com a contagem a partir da terça-feira. 10 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira.3. ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia. Intimação no Diário eletrônico Realizada a intimação mediante o Diário da Justiça eletrônico. caso em que fluirá do dia útil que se seguir”. Já a contagem do prazo começa na segunda-feira.

da Lei n. do Código de Processo Civil estabelece que o “horário de expediente” será “nos termos da lei de organização judiciária local”. o qual não é computado à luz do princípio dies a quo non computatur in termino. 1. A lição da doutrina merece ser prestigiada. Considera-se realizada a intimação na quarta-feira. Ao tratar do parágrafo único do artigo 240 do Código de Processo Civil. o desate do problema depende da interpretação da expressão “dia útil”. Quarta-feira de cinzas O artigo 5º da Lei n. quinta-feira (ainda no mesmo exemplo). ao contrário do que pode parecer. Por força do artigo 62. tem-se que o início da fluência do prazo ocorre no dia útil seguinte. trata-se de vexata quaestio. Por sua vez. o artigo 172. aí indicado como aquele em que há expediente forense. Fixado o dia do início do prazo (quarta-feira. o mesmo artigo 5º da Lei n. no exemplo imaginado). 5. na prática forense é freqüente o expediente na quarta-feira de cinzas com início retardado. prevista nos §§ 1º e 2º do artigo 184. inciso III. tendo em vista a combinação do artigo 4º da Lei n. Em primeiro lugar. Pouco 98 .010. 1. Por conseguinte.5. § º. de 1966. com horários normais para o início e o término das atividades judiciárias14.408 autoriza a existência de outros feriados forenses indicados pela legislação estadual. tendo em vista a combinação determinada pelo caput do artigo 506. se for dia útil.419 com os artigos 184 e 240 do Código de Processo Civil. Sem dúvida. há expediente forense regular na quarta-feira de cinzas. À primeira vista. Só pode 14. o Professor MONIZ DE ARAGÃO ensina: “O primeiro problema a equacionar e resolver referese ao conceito de dia útil.3.408 estabelece que a terça-feira de Carnaval é feriado forense nacional. só é considerado útil o dia com expediente forense integral. pois é comum a ausência de expediente na quarta-feira de cinzas. Não obstante. “os dias de segunda e terça-feira do Carnaval” são feriados na Justiça e nos Tribunais Federais. com o início e o término dos prazos recursais. Quid iuris: incidem os §§ 1º e 2º do artigo 184 e o parágrafo único do artigo 240 do Código de Processo Civil quando não há expediente forense regular na quarta-feira de cinzas? Tudo indica que sim. bem assim a ocorrência de expediente forense não integral. 7. Segundo a communis opinio doctorum.são judicial foi veiculada no Diário da Justiça eletrônico em uma terçafeira. 11.

o prazo para apelar começou a fluir do dia 13. No mesmo sentido é a lição do Professor NERY JUNIOR: “Nenhum prazo se inicia ou extingue em dia não útil. Naturalmente o fato será apurado em relação ao juízo no qual tramita a causa. repelida a alegação de intempestividade. PRAZO. dos Tribs. e sim. e nessa data o expediente forense só começou à tarde. em 07 de fevereiro de 1997 (sexta-feira. 100. Igualmente não há o término do prazo recursal na quarta-feira de cinzas quando as atividades judiciárias têm início retardado.. mas quatorze dias e meio. p. Não basta que seja dia útil para ter-se início ou término do prazo. como deflui do disposto no art. volume II. RECURSO. ocorre a prorrogação para o primeiro dia útil integral importa. da fluência) do prazo recursal na quarta-feira de cinzas quando a abertura do protocolo judiciário ocorre após o horário normal144. o expediente forense só teve início na parte da tarde. 600/200)” (Comentários.1997. Diário da Justiça de 1 de maio de 2002). anterior aos feriados de Carnaval).. 98/99). se não houve expediente forense não foi útil para o processo.. consoante a legislação de organização judiciária específica. Com efeito. dies a quo) na quarta-feira de cinzas quando o expediente forense começou com atraso.ser considerado útil para o direito processual o dia com expediente forense regular. vale a pena conferir o didático fundamento do voto do relator: “Sobre o primeiro ponto. Com razão. Mas não basta haver expediente forense. 294. ª ed.. não há o grifo no original).628/SP. a parte não teve quinze dias para apelar. 144. o prazo de recurso não seria de quinze dias. § 1º. mas é necessário que se dê em dia integralmente útil (Moniz de Aragão. 99 . regulares. Em reforço. pois. Não tendo havido expediente forense nos dias 10 e 11. É o que também ensina o Professor GALENO LACERDA: “Parece evidente que. Foi publicada. 8ª ed. 1995. é necessário que tenha sido normal. integral. grifos aditados). No mesmo sentido. postergando-se o termo ad quem para o dia seguinte” (REsp n. isto é. para efeitos forenses. na correta interpretação do Tribunal de Alçada do Paraná. encerrandose em 27. não há início do prazo recursal (ou seja. quando foi protocolizado o apelo’ (fl. Também não há início da contagem (ou seja. e tendo sido reduzido o do dia 12 de fevereiro (quarta-feira de cinzas). merece ser prestigiado o seguinte precedente: “PROCESSO CIVIL. 24. conforme os horários previstos na legislação pertinente de que trata o § º do artigo 172. comentário 2.02. p. o conceito de dia útil coincide com o de expediente integral” (O novo direito. se o dia foi útil para outra atividade. Se no dia 12 de fevereiro (quarta-feira de cinzas). Quando o expediente forense for anormal (início retardado ou encerramento antecipado). 219). Coment. Se o prazo de recurso iniciava na quarta-feira de cinzas. contado dessa data. parece evidente que. 122. É indispensável que tanto a abertura quanto o fechamento do protocolo judiciário sejam normais. lê-se no julgado: ‘Conhece-se do recurso. não se tem início nem término de prazo naquele dia” (Código. 1974. de quatorze dias e meio” (grifos aditados). que não reputou útil dia em que o expediente forense limitarase a meio período (o da tarde) — Acórdão no Agravo de Instrumento 96/85 (Rev. grifos aditados). 184. a sentença. o Tribunal a quo.

os Tribunais Superiores não funcionam nesse dia. aqueles casos em que o expediente termina antes da hora prevista em lei. 100 . Diário da Justiça de 14 de novembro de 2001. não provoca a aplicação do art. tenho como improcedente a intempestividade evocada” (grifos aditados). pode e deve ser aferida pela informação lançada no despacho proferido pelo Vice-Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. 184. relator Ministro MARCO AURÉLIO. p.subseqüente145. na semana do carnaval. que alcança. 1ª Subseção do TST. No mesmo sentido: RMS n. Embargos conhecidos e providos” (ERR n. Diário da Justiça de 1º de julho de 199. INAPLICABILIDADE DO ART. Diário da Justiça 12 de dezembro de 2000: “AGRAVO DE INSTRUMENTO — TEMPESTIVIDADE — RECURSO ESPECIAL — TERMO ad QueM — EXPEDIENTE FORENSE DO ÚLTIMO DIA DO PRAZO RETARDADO EM TRÊS HORAS — NÃO HÁ PRORROGAÇÃO”. Por fim.184-II. p. Pleno do STF. 5ª Turma Cível do TJDF. segundo a qual consta expressamente ter sido feriado o dia 17-2-99. 575. na hipótese dos autos. silenciando o preceito. II. não há o início do prazo. Diário da Justiça de 9 de setembro de 1999. PRECEDENTES.485/DF. 146. INÍCIO RETARDADO DO EXPEDIENTE FORENSE. 1999.010/66 somente são feriados. ao se entender que o referido despacho goza de fé pública. que. sem o grifo no original). há recente precedente muito respeitável: Ag n. Ainda em sentido contrário ao entendimento sustentado no texto. julgado em 4 de março de 2004. 259. a segunda e a terça-feira. Portanto.412/SP.647. Com maior razão. A tempestividade do Recurso de Revista. 1ª Turma Cível do TJDF. RECURSO DESACOLHIDO”. 5.9/PI — AgRg.088/PR. assim. mas ainda em sentido contrário ao defendido no ensaio. constata-se que o Recurso de Revista interposto em 25-2-99 o foi dentro do prazo. Destarte. 18. Precedentes da Corte.678/ RJ. Ainda com igual entendimento: Ag n. 44. O fato de começar fora do horário normal. Diário da Justiça de 27 de maio de 2002). p. há outro respeitável precedente jurisprudencial: REsp n. merece ser prestigiado o voto proferido pelo Relator: “O Ministério Público assevera. Também em sentido conforme: “PRAZO — RECURSO DE REVISTA. Também contra o entendimento sustentado no texto. quanto à quarta-feira de cinzas. Recurso especial não conhecido” (REsp n. 547. Termo final. Por oportuno. do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 5 de fevereiro de 200: “PROCESSO CIVIL. a começar por esta própria Corte — Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 1992 e comunicado do Diretor-Geral da Secretaria do Superior Tribunal de Justiça datado de 20 de fevereiro de 1992. O recurso é tempestivo se o prazo para sua interposição vence em dia que foi feriado de carnaval e no dia que se segue é quarta-feira de cinzas (sem expediente forense) e no próximo dia útil dá-se entrada na petição” (Apelação n. O mesmo raciocínio merece ser aplicado quando há ponto faculta- 145. apenas.00. 47.2. grifos aditados). CPC. tratando-se de quarta-feira de cinzas. 1. 21. 1142. II. da fluência. 50. 2. nem o término quando nem há expediente forense na quarta-feira de cinzas146. Diário da Justiça de 1º de junho de 2001. 184. há respeitável orientação jurisprudencial: “Prazo. Ainda no mesmo sentido do texto: “1. TEMPESTIVIDADE.520/98. quarta-feira de cinzas. QUARTA-FEIRA DE CINZAS. pelo teor do artigo 62 da Lei n. § 1º. Art. Todavia. há autorizado precedente: Ag n. unânime quanto ao conhecimento. com inegável razão. do Código de Processo Civil. APELAÇÃO. § 1º. Em sentido contrário. 40.000449-6.

3.00. NÃO OCORRÊNCIA.2001. 2ª Turma do TST. No caso em tela. quando os feriados ocorrem em dias intermediários. o prazo para oposição dos embargos findou em 28. com prazo vencendo naquela data. §§ 1º e 2º. Como os presentes embargos foram opostos apenas em 01. 536 do CPC. que atualmente os tribunais com sede no Distrito Federal geralmente funcionam.01. parágrafo único. em todas as hipóteses. nos termos do art.02.01. não se interrompendo nos feriados”. 6: “I — Os embargos de declaração devem ser opostos em cinco dias da publicação do acórdão embargado.6. com início retardado do expediente forense. Incidem. como o acórdão foi publicado em 19. todos do Código de Processo Civil.019925-9/MG. 1. 7. 147. 67. e 506. tampouco dentre os nacionais. Por conseguinte. é contínuo. p. conforme o horário previsto na legislação de organização judiciária específica da respectiva Justiça ou Tribunal competente. Diário da Justiça de 15 de agosto de 200. ao dia da contagem (ou seja. dia de expediente forense normal neste Tribunal no corrente ano. Diário da Justiça de 12 de abril de 2002. 101 .0 — EDcl. APELAÇÃO. se houve expediente forense absolutamente normal na quarta-feira de cinzas. Assim: Apelação n. em relação ao dies a quo. 81: “PROCESSUAL CIVIL.02. Feriados em geral Não há o início. 240. caput e parágrafos. 2ª Turma do TRF da 1ª Região. Com efeito. mas apenas no período da tarde. da fluência) e ao dies ad quem. são computados normalmente. estabelecido pela lei ou pelo juiz. os artigos 184. por oportuno. não merecendo censura a decisão que reconhece intempestivo o recurso que. caput. não abrangeu a Quarta-feira de cinzas. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. que.2001. em razão da ausência de expediente forense.03. no entanto.01525-4/MG — EDcl. bem como o respectivo término148. conforme se infere do artigo 178 do mesmo diploma: “O prazo. p.tivo na quarta-feira de cinzas147. nem da fluência. 148. Diário da Justiça de 9 de novembro de 2001. veio a ser interposto no dia seguinte” (não há o grifo no original). 2001. 95. De acordo: AIRR n. No mesmo sentido: Ag n. assim. incidem os artigos 184. tendo em vista o feriado forense referente a Carnaval. 240. Em contraposição.11/00. FERIADO. Daí a necessidade da verificação da existência de expediente forense integral em cada caso. parágrafo único. e 506. Em contraposição. muito menos o término de prazo recursal em feriados federais e locais (ou seja. distritais e municipais). caput. ª Turma do TRF da 1ª Região. da contagem. A quarta-feira de cinzas não se insere dentre os feriados previstos no Regimento Interno do Tribunal. só Registre-se. todos do Código de Processo Civil. há o início do prazo recursal. manifestamente intempestivos” (grifos aditados).2001. estaduais. são.

à vista da jurisprudência dominante.498/RS — AgRg. todavia. Diário da Justiça de  de maio de 2004. O princípio jura novit curia aplica-se inclusive às normas do direito estadual e municipal. Ainda que muito respeitável o entendimento jurisprudencial consubstanciado no verbete n. a existência de feriado local ou de dia útil em que não haja expediente forense. Por conseguinte. 522. quando da interposição do recurso. preceito que deve prevalecer quando há dúvida acerca da tempestividade do recurso. Diário da Justiça de 9 de fevereiro de 2004. Diário da Justiça de 14 de maio de 2004. Prazo recursal. 491. que justifique a prorrogação do prazo recursal”149. Diário da Justiça de 6 de agosto de 200. merece ser prestigiado didático acórdão da relatoria do Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI: “1. Diário da Justiça de 20 de outubro de 200. com a conseqüente possibilidade da posterior comprovação da existência de norma local instituidora de feriado. Ag n. 509. Prorrogação. STJ. estadual ou distrital no prazo adicional fixado pelo juiz ou tribunal. 572. STF. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho não se coaduna com o artigo 7. da fluência e do término do prazo que caem em feriados federais e locais. A parte não está obrigada a provar o conteúdo ou a vigência de tal legislação 102 . se o feriado está previsto em legislação local. Com efeito. posteriormente. Cabe à parte comprovar. os feriados previstos em dispositivos municipais. não há necessidade da comprovação. REsp n. o princípio também alcança os feriados locais. Em prol da tese minoritária sustentada na presente nota. Diário da Justiça de 1 de agosto de 200. Ausência de expediente forense. Necessidade. 2 de maio de 2006. isto é. Ag n. Com efeito.070/MG — AgRg. 149. Na verdade. mas com a exceção de que o juiz e o tribunal podem exigir da parte a posterior demonstração das respectivas normas locais. prevalece nos tribunais a tese da necessidade de que o recorrente demonstre a respectiva existência já no momento da interposição do recurso. consoante revela o artigo 7 do Código de Processo Civil. 500. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Feriado local.226/MS — AgRg. à luz do artigo 7. Com efeito. Ag n. Ag n. Ag n.022/RJ — AgRg.28/RJ — AgRg. à vista do artigo 7 do Código de Processo Civil. o recorrente tem o direito subjetivo de demonstrar a respectiva existência da norma municipal.há prorrogação em relação aos dias do início.780/MG — AgRg. também há precedentes jurisprudenciais: RE n. 452. É o que determina o enunciado n. Em relação aos feriados locais. STJ. STJ. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. 504. Comprovação. em razão da incidência do princípio jurídico segundo o qual o juiz conhece o direito: iura novit curia. Ainda na mesma esteira da proposição sustentada na presente nota. o enunciado n. o artigo 7 do Código de Processo Civil permite outra solução para a vexata quaestio. STJ. estaduais e distritais também são alcançados pelo princípio iura novit curia. STJ.554/RS — AgRg. Quanto aos feriados federais. cabe ao recorrente comprovar a ocorrência do feriado local no ato da interposição do recurso.

mas confundidos com bastante freqüência.7. a publicação marca a existência jurídica da decisão. 337)” (Ag n. Intimação e publicação Outro importante assunto relativo ao requisito da tempestividade reside na diferença entre intimação e publicação. por força do artigo 11 da Lei n.81/RJ — AgRg — EDcl — AgRg. provarlhe-á o teor e a vigência. Não é só. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. art. Diário da Justiça de 19 de setembro de 2005). interponha recurso mesmo antes da intimação solene. Diário da Justiça de 19 de setembro de 2005). o presidente do colegiado determina o imediato cumprimento da decisão. é a publicação — e não a intimação por meio da publicação no órgão oficial de imprensa — que marca a existência da decisão no mundo jurídico. 8. se assim determinar o juiz’. reforça o voto condutor proferido pelo Ministro Relator: “Ora.08. de 1990). não há como impor sanção processual de intempestividade ou de preclusão. se assim desejar). no entanto. Se o conhecimento do preceito normativo estadual não dependia de prova. que o legitimado. a intimação é o ato pelo qual se dá oficialmente ciência a alguém dos atos e termos do processo. nos termos do art. À luz do artigo 24 do Código de Processo Civil. institutos jurídicos diversos.81/RJ — AgRg — EDcl — AgRg. Enquanto a intimação marca o dia do início do prazo recursal. 337 do CPC. É à luz da data da salvo quando o juiz o determinar (CPC. em princípio. 85 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. com a posterior lavratura do acórdão (artigo 18 da Lei n. Nada impede. portanto. Tal regra é decorrência do princípio geral segundo o qual o juiz conhece o direito — o qual não depende.5 e do artigo 206 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal de 1980. 10 . para que faça ou deixe de fazer algo (por exemplo. é preciso reconhecer que a tese defendida na presente nota é minoritária nos tribunais. que alegar direito municipal. de prova. Não obstante. Ag n. logo após o julgamento em processo de reclamação constitucional. estadual. deve ser imediatamente expedido ofício à autoridade impetrada. para que o inconformado recorra. Não se podia exigir que a parte comprovasse a existência de feriado local no momento da interposição do recurso se isso não lhe foi exigido na oportundide” (cf.3. 1. porquanto prevalece a orientação jurisprudencial consubstanciada no enunciado n. 659. ainda não cientificado oficialmente da prolação da decisão. Por oportuno. ‘a parte. nem ela foi previamente exigida da parte. Da mesma forma.7. estrangeiro ou consuetudinário. 659. Tanto que logo após a prolação de decisão em processo de mandado de segurança. a distinção é muito relevante. excluído da contagem (artigos 184 e 506). especialmente na prática forense. Tanto quanto sutil.

Los recursos. 1999. 920. inclusive.. O legitimado só não pode deixar de recorrer até o último dia do prazo recursal. é perfeitamente admissível o recurso antecipado152. não há no Código brasileiro preceito algum com sanção processual de não-conhecimento do recurso antecipada. tal como o Código português. ambos do Código de Processo Civil. Civil” (Código de Processo Civil anotado. 104 . aliás. Além de draconiana. a partir da publicação da sentença em audiência ou em Cartório”. No mesmo sentido. a inadmissibilidade de recurso prematura também é ilegal à luz do Código nacional. em conclusão. p. o Código de Processo Civil de Portugal também não veda a interposição de recurso antes da intimação oficial. 46: “No creemos. Com efeito. nada impede que a interposição do recurso anteceda à intimação oficial. Com efeito. como bem anota ABÍLIO NETO: “I — A interposição prematura (antes da notificação da decisão) do recurso constitui tão-só uma irregularidade processual mas desprovida de sanção por inclusivamente não se enquadrável no art. si la parte tuvo conocimiento del acto. Por exemplo. Por tudo. a qual. A interposição de recurso antes da intimação oficial também é aceita no direito italiano. 1988. não há razão lógica nem jurídica para condicionar o exercício do aludido direito à espera da intimação solene. Proc. o respectivo prazo recursal corre da publicação da decisão. Por conseguinte.publicação do decisum que deve ser aferida a tempestividade de recurso interposto pelo réu revel. inciso II. conferida pela Lei n. 12 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação. merece ser prestigiado o enunciado n. nota 6). tanto na redação original quanto na atual. 201º do Cód. ocorre na audiência ou com a entrega da decisão pelo juiz em cartório. há a nomeação de curador especial. em primeiro grau de jurisdição. é irrelevante em relação ao legitimidado recorrente. Diante da inexistência de sanção explícita no Código vigente. citado o revel por edital ou com hora certa. 152. 11. p. artigo 22 do Código de Processo Civil). não há como considerar inadmissível recurso interposto antes da intimação oficial151. com maior autoridade: VESCOVI. de 2006. como o réu revel sem patrono150 nos autos não precisa ser intimado (cf. 15ª ed.280. incorrecto que la impugnación (el recurso) se presente antes de la notificación. A respeito da matéria. Daí a existência de correto precedente jurisprudencial em prol do conhecimento de recurso antecipado. 151. e 22. Tal como o Código brasileiro. 150. y entendemos que representa exceso de formalismo rechazar el recurso por esa razón (si no se reiteró luego de la notificación)”. À vista do Código de Processo Civil. sin embargo. nasce com a publicação do decisum. O direito de recorrer. à vista dos artigos 9º. a qual. o qual deve ser intimado dos atos processuais em geral (como as decisões judiciais). Assim revela o artigo 22 do Código de Processo Civil.

194. No mesmo sentido é o ensinamento do Jurisconsulto THEOTONIO NEGRÃO (Código. p. protocolizando o recurso. do mesmo diploma.075/RJ — EDcl. 1ª Turma do STF. salvo nas causas com valor superior a vinte salários mínimos e.3. 492.461/MG — AgRg. em suas clássicas Istituzioni. sistemático — e até mesmo do literal. 0ª ed. salvo quando a lei determinar o contrário”. 29 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada. Pleno do STF. Não obstante.8. p. não há necessidade da constituição de procuradores. a Corte Especial do STJ já bem decidiu em prol da admissibilidade do recurso interposto antes da intimação. Destinatário da intimação Outro assunto importante é o do destinatário da intimação da decisão. sentença ou acórdão” (Manual. inciso II. merece ser destacada a lição do Professor ARRUDA ALVIM: “Nada impede que o recurso seja manifestado antes da intimação. 1999. caso elas não estejam representadas por advogados. 500. a intimação pode ser dirigida às próprias partes.. não pode ser punido com a intempestividade dos embargos se quis dar celeridade ao processo”. em 17 de novembro de 2004. de orientação consagrada na jurisprudência pátria. e RE n. Entre os autores pátrios. 2. Volume II. à vista do artigo 242 —. em 22 de fevereiro de 2001.7. Diário da Justiça de 11 de fevereiro de 1997. se a oportunidade se apresenta” (RJTJSP. Trata-se. 229: “RECURSO PROTOCOLIZADO ANTERIOR. Informativo n. Por conseqüência. à luz dos métodos de interpretação teleológico. há precedentes jurisprudenciais contrários ao conhecimento de recurso interposto antes da intimação oficial: ADIn n. em ação processada nos Juizados Especiais. 194. independentemente do valor da causa. pelo legislador especial. 4).090-5 — EDcl. consoante ensina o Professor CHIOVENDA. aprovada à unanimidade de votos: “A intimação é ao advogado e não à parte. 27. merece ser prestigiado o acórdão proferido à unanimidade de votos pela 5ª Câmara Civil do TJSP na Apelação n. A Corte Especial por maioria deu provimento ao agravo regimental entendendo que o recurso de embargos de divergência protocolizado em data anterior à publicação do acórdão embargado não é intempestivo. segundo revela a correta conclusão n. 105 . tem-se que a exegese dos artigos 26. Não obstante. Por oportuno. Se o advogado tomou ciência inequívoca da decisão e se antecipou à publicação na imprensa oficial. conforme se infere de autorizado precedente jurisprudencial: EREsp n. TEMPESTIVIDADE. caput. p. Afastada a tese proveniente da interpretação literal do artigo 506. Com efeito. 295. 6ª ed. parte final. e 242. na fase recursal. do Código de Processo Civil. desde que o advogado se dê por ciente da decisão. 28. 19). 1997.. aliás. volume 102.411-1: “Contudo. nada impede o recurso anterior. p. caput. PUBLICAÇÃO. a despeito da fixação do termo fatal. última parte. conduz à conclusão de que a intimação deve ser feita aos advogados das partes. nota 2). Por oportuno. 69. § 1º.

§ 2º. A regra. a intimação aos advogados ocorre desde logo. 9. tendo sido publicado o decisum em audiência. É o que se infere dos artigos 9º. não comparecer à audiência em prosseguimento para a prolação da sentença. O causídico irregularmente intimado e que não compareceu à audiência deve ser intimado da decisão nela proferida. 19 e 41.3. do Código de Processo Civil.099. a intimação da decisão proferida na audiência não ocorre desde logo. o mesmo ocorre em ação processada nos Juizados Especiais. caso estejam sendo patrocinadas por advogados. assim como da interpretação a contrario sensu do artigo 8º da Lei n. isto é.099. inciso I. salvo se a intimação da audiência não tiver sido prévia e regular. Em contraposição. a regra é a seguinte: devidamente intimados os advogados. e não havendo necessidade nem estando voluntariamente as partes patrocinadas por causídicos. todavia. Intimação de decisão publicada em audiência Publicada a decisão em audiência. ainda que algum advogado não tenha comparecido à audiência. o prazo recursal deve ser considerado tendo em conta a ulterior intimação. regular a intimação para a audiência. A respeito do tema. 197 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “O prazo para recurso da parte que. estando a parte representada por advogado. aplicando-se a regra da intimação ao procurador. 7. 9. Intimação de decisão publicada em cartório Não proferida a decisão em audiência. Na hipótese. 10. merece ser prestigiado o enunciado n. oportunidade na qual será possível manifestar o inconformismo em razão do error in procedendo. com a posterior ausência do respectivo advogado.10. É o que se infere dos artigos 242 e 506. Sem dúvida. a intimação é dirigida aos próprios litigantes. assim como os seus procuradores. afasta-se a exceção da intimação diretamente à parte. o dies a quo (excluído da contagem) coincide com a data da audiência na qual a decisão é proferida. Com efeito. comporta exceção: na eventualidade de vício na intimação para a audiência. o não-comparecimento à audiência não tem o condão de modificar o termo inicial do prazo recursal para a impugnação de decisão nela publicada. da Lei n. o termo inicial do prazo recursal é re106 . as partes ficam desde logo intimadas.259.9. Ainda a respeito da intimação em audiência. de 1995. 7. conta-se de sua publicação”.tratando-se de sentença proferida em ação da competência dos Juizados Especiais. intimada. tratando-se de decisum publicado em cartório ou secretaria.3. nos termos do § 1º do artigo 19 da Lei n. Com efeito.

velado pela data da intimação dos advogados dos litigantes. 80. caput. artigo 5º. a comprovação da existência de diferença entre a data da edição estampada no Diário da Justiça e o dia da efetiva circulação. especialmente para a intimação das decisões proferidas nos juízos das comarcas de interior. a precisão na identificação daquela (intimação) é fundamental para a aferição da tempestividade do recurso. caput. do Código de Processo Civil. todavia. A intimação dos patronos das partes pode ocorrer por meio da veiculação da decisão no órgão oficial de imprensa.625. prevalece aquela (data da edição). à vista da regra extraída do artigo 26 do Código de Processo Civil. caso não tenham procuradores. Como a intimação marca o dies a quo (excluído da contagem do prazo à vista do caput do artigo 184). com a consideração da data da efetiva circulação. 8. da Lei n. do Código de Processo Civil. 10. segundo estabelecem os artigos 242. a intimação deve ser realizada em cartório. Em regra. inciso I. primeira parte. artigo 6º da Lei n. nas hipóteses dos artigos 26. artigo 25 da Lei n. Lei n.910. 107 .028. Já em relação aos feitos de competência dos Juizados Especiais. e 27. do mesmo diploma. inciso IV. prevista na primeira parte do artigo 28 do Código de Processo Civil.80. 9. conforme indica o artigo 241. exigida a intimação pessoal pela legislação. Comprovada a circulação em data diversa mediante certidão lavrada pelo escrivão nos autos do processo. Tratando-se de intimação pelo correio. a intimação ocorre na data estampada no próprio Diário da Justiça. 7. o dies a quo do prazo recursal coincide com a juntada aos autos do aviso de recebimento.271 e artigos 17 e 19 da Lei n. inciso I. caput. conforme estabelece a última parte do artigo 28 do Código de Processo Civil. artigo 8 da Lei Complementar n. a intimação pessoal pode ser efetuada diretamente pelo escrivão ou pelo chefe de secretaria. afasta-se a regra. § 2º. artigo 44. Em tal hipótese. o dies a quo também pode ser revelado pela intimação das partes. da Lei Complementar n. Ausente. da Lei n. 9. A regra da intimação por meio do órgão oficial de imprensa não incide quando é exigida a intimação pessoal ex vi legis: artigo 26. inciso II. do Código de Processo Civil. Com efeito.060. 1. 6. § 5º. O problema surge quando há diferença entre a data da edição do órgão oficial de imprensa e o dia da efetiva circulação. o termo inicial coincide com a data em que foi concretizada a intimação pelo escrivão ou pelo chefe de secretaria. Em primeiro lugar. artigo 41. pelo correio ou por mandado. e 506.

7. conforme o caso”. no enunciado n. com a fluência do prazo no dia útil subseqüente. quando há decisão lançada nos autos. entretanto. tem-se por efetuada a intimação na data em que são retirados pelo advogado com carga do cartório ou da secretaria. observando-se as regras de contagem do CPC ou do Código Civil. inciso II. Assim também assentaram os juízes dos Juizados Especiais e das Turmas Recursais do Estado do Rio de Janeiro.9. do Código de Processo Civil. inciso III. e não da juntada do comprovante da intimação. 11. Com efeito. nem sempre é prestigiado na prática forense. à luz do artigo 28 do Código. de verdadeira intimação em cartório. e não no dia da juntada do mandado ou do aviso de recebimento aos autos. respectivamente. predomina o entendimento de que o dies a quo ocorre na data da intimação real. a carga dos autos com decisão neles exarada marca o dies a quo do prazo recursal. e não da juntada do respectivo expediente aos autos”. prevalece a orientação de que o termo inicial se confunde com a intimação de fato. Na mesma esteira. e 564.3. O disposto no artigo 241. publicado no Aviso n. como revela o enunciado n. ambos do Código de Processo Civil. os vocábulos “dispositivo” e “conclusões” insertos nos artigos 506. Com efeito.No que tange à intimação pessoal efetuada por meio de oficial de justiça. Com efeito.  das Turmas Recursais do Rio Grande do Sul: “RECURSO — PRAZO — TERMO INICIAL — O decêndio legal para interposição de recurso conta-se a partir da ciência da sentença e não da juntada aos autos do mandado ou AR”. no que tange às ações processadas nos Juizados Especiais Cíveis. e 564. têm idêntico significado. considera-se realizada na data da juntada aos autos do mandado cumprido. Sem dúvida. 108 . Por fim. É o que revela o artigo 241. o Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE aprovou enunciado com igual redação: “Os prazos processuais nos Juizados Especiais Cíveis. do Código de Processo Civil. de 2007: “Nos Juizados Especiais os prazos são contados da data da intimação. inciso III. contam-se da data da intimação ou ciência do ato respectivo. incisos I e II. Intimação de acórdão À luz dos artigos 506. 9. a qual ocorre na própria data da retirada dos autos pelo advogado. o termo inicial do prazo para a interposição de recurso contra acórdão corresponde à data da veiculação das conclusões do aresto no órgão oficial de imprensa.11. especialmente nos Juizados Especiais Cíveis.. Trata-se.

12. com a prevalência da segunda intimação. não haveria motivo para a imposição do artigo 56: “Todo acórdão conterá ementa”. todos do Código de Processo Civil permite a conclusão de que a primeira intimação deve ser desconsiderada. 247. 242. a atual exigência da ementa revela bem a intenção do legislador: permitir o imediato conhecimento por parte do advogado do resumo do julgado. consubstanciada na intimação via publicação no órgão oficial de imprensa.Na verdade. caput e § 1º. Segunda intimação por republicação O Código de Processo Civil não contém preceito específico acerca do termo inicial do prazo quando ocorre segunda intimação da sentença. conclusões) e da ementa do acórdão no órgão oficial de imprensa. b) pelo correio. marcada pela nova veiculação no órgão oficial de imprensa ou no Diário da Justiça eletrônico. e c) via mandado.3. não constam da intimação do acórdão. Com efeito. fica igualmente afastada a regra do artigo 26. Por fim. 506 e 564. Ainda que julgada desnecessária a republicação. todavia. Quando for exigida a intimação pessoal do acórdão. por meio de oficial de justiça. por determinação errônea do juiz ou por publicação repetida por erro do escrivão ou até da imprensa oficial. deve ser realizada por uma das seguintes formas: a) diretamente na secretaria do órgão colegiado competente. quando há a necessidade de intimação pessoal do acórdão. a combinação dos artigos 26. nem marca o dies a quo do prazo recursal. pela nova publicação no órgão oficial de imprensa ou no Diário da Justiça eletrônico. do acórdão ou da decisão monocrática. tanto o dispositivo (resultado do julgamento do órgão coletivo) quanto a ementa (resumo da tese jurídica que foi prestigiada pelo colegiado) devem constar da publicação no órgão oficial de imprensa. Tanto quanto sutil. O relatório e a fundamentação. a mera veiculação da ata do julgamento no órgão oficial de imprensa não serve como intimação do acórdão. porquanto o prazo recursal só começa a fluir da veiculação do dispositivo (ou seja. Na verdade. a simples notícia do resultado do julgamento não tem o condão de dar início à fluência do prazo recursal. 7. Não obstante. Em contraposição. a diferença é muito relevante. Do contrário. o prazo para a interposição do recurso tem como 109 . por carta com aviso de recebimento. O mesmo raciocínio deve ser aplicado quando a segunda intimação é desnecessária. da decisão interlocutória.

REsp n. ª Turma do STJ. INCAPAZ DE INVALIDÁ-LA. 110 .887/SP — AgRg. REPUBLICAÇÃO EFETUADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. p. 286). em prol da preservação da segurança jurídica. qual seja. AGRAVO REGIMENTAL. impondo que qualquer dúvida a respeito da tempestividade seja sempre dirimida em favor da admissibilidade. “PROCESSUAL CIVIL. Em sentido conforme: “PROCESSUAL CIVIL. Recursos. Em sentido conforme: “Especificamente com relação aos recursos e à sua tempestividade. Diário da Justiça de 8 de setembro de 1998). Diário da Justiça de 2 de maio de 2006. Entendimento pacificado nesta Corte de que havendo a republicação da sentença. 2ª Turma do STJ.termo inicial o dia da segunda intimação. o prazo dela se conta. 2ª Turma do STJ. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. portanto. a de que a republicação da sentença no órgão oficial de imprensa. I — Ainda que desnecessária. p. ainda que desnecessária. PRECEDENTE DO STF.063/MG. 4ª ed. 154. Daí a correta conclusão: “Vê-se. 15. reabre o prazo para o recurso” (REsp n. a republicação de decisão judicial no órgão oficial de imprensa tem o condão de reabrir o prazo recursal” (Ag n. 17. de modo ser assegurado o reexame da decisão impugnada” (ADA PELLEGRINI GRINOVER. que a jurisprudência da Corte entende razoável que em caso de republicação de sentença. indispensável ao ato processual que marca o dia do início do prazo recursal. 51). Diário de 1 de maio de 2004. Ainda que desnecessária. 2005. p. ainda que desnecessária. dela começa a correr o prazo para o recurso” (REsp n. ainda que desnecessária. no órgão oficial de imprensa ou no Diário da Justiça eletrônico. REPUBLICAÇÃO DE SENTENÇA. 1. PRECEDENTES.590/MG. em razão de republicação da decisão judicial. ainda que desnecessária. com a desconsideração da primeira intimação para a aferição da tempestividade154. p. Com essas razões. fora protocolizado dentro do prazo. merece prosperar o recurso especial que sustenta tese sufragada pela jurisprudência desta Corte. RECURSO ESPECIAL. na dúvida. a republicação de decisão judicial no órgão oficial de imprensa tem o condão de reabrir o prazo recursal.27/RJ — AgRg.597/RS — EDcl. Também no mesmo sentido: “II — Considerado intempestivo o recurso de apelação que.. PUBLICAÇÃO COM ERRO MATERIAL. e também em homenagem ao princípio jurídico segundo o qual. ª Turma do STJ. REPUBLICAÇÃO EFETUADA. Com igual orientação: “PROCESSUAL CIVIL. CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL: DA NOVA PUBLICAÇÃO. Diário da Justiça de 28 de junho de 2004. não obstante. Em suma. 5ª Turma do STJ. o princípio da interpretação em favor do recorrente visa a preservar a garantia do duplo grau e do controle das decisões judiciais. 280. marca o novo termo inicial do prazo recursal. Diário da Justiça de 16 de dezembro de 2002). 255. 549. 651. a ocorrência de segunda intimação. o recurso deve ser admitido15: appellatio admittenda videtur in dubio. 00). 98 e 99). CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL DA NOVA PUBLICAÇÃO.206/SP. II — Precedente do STF: RE n. 76. AGRAVO DE INSTRUMENTO. III — Recurso especial conhecido e provido” (REsp n. eu conheço do especial e lhe dou provimento para afastar a intempestividade” (cf.

a tempestividade à luz da data da postagem não alcança o agravo retido. sob registro com aviso de recebimento. Por ser exceção à regra consagrada no proêmio do parágrafo único do artigo 506. respectivamente. Como a exceção (da averiguação da tempestividade à luz da data em que a petição recursal foi postada) alcança apenas o agravo de instrumento dos artigos 522. o disposto no § 2º do artigo 525 não alcança o agravo interno (ou regimental). conforme a espécie recursal. e 544. 9. “no correio”). o Superior Tribunal de Justiça aprovou o enunciado n. 216: “A tempestividade de recurso interposto no Superior Tribunal de Justiça é aferida pelo registro no protocolo da Secretaria e não pela data da entrega na agência do correio”. Ainda no tocante à aferição da tempestividade. a regra consagrada no proêmio do parágrafo único do artigo 506 não é absoluta. ambos do Código de Processo Civil. portanto. Com o advento da Lei n. bem como por estar inserto no capítulo que versa sobre o agravo contra decisão interlocutória.3. É o que estabelece o proêmio do parágrafo único do artigo 506 do Código de Processo Civil. caput.7. Com efeito. a tempestividade é aferida à luz da data em que a petição do recurso foi apresentada no protocolo do cartório judicial ou da secretaria de tribunal. mas também pode ser postada (vale dizer. conforme revelam os artigos 557. consoante autoriza o § 2º do artigo 525. § 1º. a tempestividade deve ser averiguada à vista da data da recepção da cópia da petição 111 . Em síntese. a regra cede à exceção prevista na segunda parte do mesmo parágrafo único do artigo 506. a regra é a de que a tempestividade do recurso é aferida à vista da data da apresentação da petição recursal no protocolo do órgão judiciário competente. a data da juntada da petição recursal aos autos. Interposto o recurso mediante fac-símile. nem o agravo de instrumento contra decisão de inadmissão de recursos especial e extraordinário. segunda parte. Aferição da tempestividade Em regra.13. A combinação do parágrafo único do artigo 506 com o § 2º do artigo 525 revela que a aferição da tempestividade pela data da postagem é exclusiva do agravo de instrumento contra decisão interlocutória. Da mesma forma. Não obstante. passou a ser possível a interposição de recurso por meio de fac-símile. Por exemplo. a petição recursal do agravo de instrumento contra decisão interlocutória pode ser protocolizada na secretaria do tribunal competente.800. à vista da regra. espécies de agravo regidas por normas próprias. para a averiguação da tempestividade do recurso. É irrelevante. e 525. há outra exceção.

2º da Lei n. previsto na parte final do art. em 19 de dezembro de 2007.800. 9. conforme revela o caput do artigo 2º da Lei n. 87 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. A propósito do recurso interposto via fac-símile. 640. ART. Por tudo.800. sem a incidência dos artigos 184. e não do dia seguinte à interposição do recurso.800. de 1999. parágrafo único.800/1999.800. O recorrente. 9. tem-se que o termo inicial do qüinqüídio previsto no caput do artigo 2º da Lei n.5. 9. o qüinqüídio para a apresentação da petição recursal original tem como dies a quo do “término” do prazo recursal. de 26. INADMISSIBILIDADE. e não na data da interposição do recurso.5. do Código de Processo Civil156. de 1999. histórico e teleológico de interpretação. se esta se deu antes do termo final do prazo”. O descumprimento da exigência contida no artigo 2º conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. de exceção explícita ao princípio da consumação. consoante estabelece o caput do artigo 2º da Lei n. 9. Prevalece a orientação jurisprudencial pela continuidade do prazo. Ademais. nos termos do art. todavia.recursal no órgão judiciário competente. portanto. para a apresentação 112 . Sem dúvida. mesmo que o inconformismo tenha sido interposto antes do dia do término do prazo. Conferir: “AGRAVO REGIMENTAL OFERECIDO VIA Fac-siMiLe. PRETENSÃO DE CONTAR-SE O PRAZO DE CINCO DIAS PARA A JUNTADA DO ORIGINAL A PARTIR DA SEGUNDA-FEIRA IMEDIATA. Com efeito. 2º da Lei 9. DE 26. Trata-se. segundo princípio de hermenêutica jurídica. O prazo de cinco dias. de 1999. PRAZO DE RECURSO FINDO NA SEXTA-FEIRA. não deve ser considerada a data da interposição do recurso. Resta saber como deve ser feita a contagem do qüinqüídio previsto no artigo 2º da Lei n. No mesmo sentido do texto do presente compêndio. deve apresentar a petição recursal original dentro de cinco dias. há recente precedente jurisprudencial: EREsp n. reforça a 155. deve-se adotar a exegese que favorece o recorrente: appellatio admittenda videtur in dubio. Por oportuno. 9. A propósito. merece ser prestigiado o enunciado n.800 reside no “término” do prazo recursal. em caso de dúvida.800. o legislador optou expressamente pelo “término” do prazo recursal. quando o inconformismo é interposto por fac-símile antes do termo final155. 9. quando estipulou o termo inicial do qüinqüídio para o oferecimento da petição original.1999. especialmente o inciso II: “A contagem do qüinqüídio para apresentação dos originais de recurso interposto por intermédio de fac-símile começa a fluir do dia subseqüente ao término do prazo recursal. 2º DA LEI N. contados do “término” do prazo recursal.80/RS. 156. § 2º. Corte Especial do STJ. e 240. à luz dos métodos literal.1999.

” 161. de 26. a tempestividade deve ser aferida à vista da data do primeiro protocolo. 7 da Primeira Subseção do Tribunal Superior do Trabalho. 09.proposição n. 256160 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça pela respectiva Corte Especial161. resolução. ao alterar os artigos 542 e 547 do CPC. 525. em todos os recursos. Diário da Justiça de 24 de junho de 2002). pois a parte. A Lei n. Por oportuno. lei de organização judiciária. permitem a instituição de protocolo descentralizado157 tanto por meio de lei de organização judiciária quanto por norma interna de “tribunal”. deu provimento ao agravo regimental e revogou a Súmula n. O Min. Instituído o protocolo integrado pela legislação pertinente158. o qual é contínuo. RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO PELO SISTEMA DE PROTOCOLO DESCENTRALIZADO. Por exemplo. parágrafo único. Assim já bem decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal: “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO.12. caput. em seu voto-vista. não só no agravo de instrumento (art. de ato que dependa de notificação. Esta nova regra processual. não se interrompendo nos feriados” (Ag n. não constitui um prazo novo. Para o Min. ao interpor o recurso. Agravo regimental provido para determinar a subida do recurso extraordinário e assim possibilitar melhor exame do feito” (AI n. 184 do CPC quanto ao dies a quo do prazo. vale conferir o disposto no Informativo n. todos do Código de Processo Civil. podendo coincidir com sábado. 476. 10. 10. ADMISSIBILIDADE. afastou o obstáculo à adoção de protocolos descentralizados. 160. já tem ciência de seu ônus processual. a Corte Especial. porquanto o verbete sumular aprovado em da peça original.52. em virtude da “delegação” autorizada pela Lei n. 159. 56: “Ao apreciar o agravo regimental no agravo de instrumento no qual o agravante sustentava que deve prevalecer o entendimento da Lei n. Diário da Justiça de 16 de junho de 2006. Também denominado protocolo integrado e protocolo unificado. e 547. 157. de aplicação imediata. domingo ou feriado”. e não da chegada da petição recursal no tribunal ad quem159. regimento interno. atenta contra a lógica 11 . Luiz Fux. ao prosseguir no julgamento. Daí a justificativa para o correto cancelamento do enunciado n. 158. Luiz Fux. não se aplica a regra do art.01.352/2001. p. pela celeridade de tramitação e pelo mais facilitado acesso das partes às diversas jurisdições. de dezembro 2001. pudesse a parte interpor sua irresignação por meio do protocolo integrado. por maioria. explicitou que a mencionada lei alterou o parágrafo único do art. segunda parte.260/SP — AgRg. in fine: “Ademais. § 2º. 10. a juntada dos originais. 542. se orienta pelo critério da redução de custos. mas mera prorrogação do primeiro. 5).6/SE — AgRg. 256 deste Superior Tribunal. os atuais artigos 506. do CPC). parágrafo único.352. Por fim. “O sistema de ‘protocolo integrado’ não se aplica aos recursos dirigidos ao Superior Tribunal de Justiça. não se tratando. 4ª Turma do STJ. 547 do CPC visando a permitir que.

mas o lapso decorrido é computado na contagem final do prazo. regimental ou regulamentar alguma em prol da aferição da tempestividade pelo sistema de protocolo unificado no âmbito da competência do juízo ou tribunal recorrido. Generalidades Antes de ingressar no estudo das hipóteses de suspensão e de interrupção do prazo recursal. parágrafo único. tendo em vista as novas redações dos artigos 542.4. posteriormente restituído por inteiro. de dezembro do mesmo ano.1. aplicável aos recursos em geral e. desconsiderando-se o lapso decorrido. Os dias anteriores ao advento da suspensão são levados em consideração após o retorno da contagem do prazo. À vista dos artigos 179 e 180 do Código de Processo Civil. Suspensão e interrupção do prazo recursal 7.352/2001. A tendência ao efetivo acesso à Justiça. Corte Especial do STJ. Este Tribunal Superior já assentou que a Lei n. 114 . aos Tribunais Superiores. desde que o sistema esteja previsto em norma legal. ambos do Código de Processo Civil. onde há mais comodidade oferecida às partes do que com relação aos recursos endereçados aos tribunais superiores.52. se não existir norma legal. regimental ou regulamentar com incidência perante o juízo ou tribunal competente. Não obstante. 10. Daí a conclusão: a aferição da tempestividade de todos os recursos pode ser feita à vista do protocolo integrado.260SP. DJ 16/6/2006” (AgRg no Ag 792. demonstrada. de aplicação imediata. afastou o obstáculo à adoção de protocolos descentralizados. 7. Precedente citado do STF: AgRg no AI 476. orienta-se pelo critério da redução de custos. e 547. Essa nova regra processual. a fortiori. quando menos. revela a inequivocidade da ratio essendi do artigo 547.846-SP. pela própria possibilidade de interposição do recurso via fax. julgado em 21 de maio de 2008.agosto de 2001 restou incompatível com a superveniente Lei n. do CPC. só existentes no âmbito nos tribunais jurídica conceder o referido benefício aos recursos interpostos na instância local.4. é importante diferenciar a suspensão da interrupção. pela celeridade de tramitação e pelo mais facilitado acesso das partes às diversas jurisdições. parágrafo único. 10. a suspensão ocasiona a paralisação do curso do prazo. prevalece a regra inserta no proêmio do parágrafo único do artigo 506: a tempestividade do recurso é aferida à luz da data da apresentação da petição recursal no próprio protocolo do órgão judiciário competente. a interrupção ocasiona a paralisação do curso do prazo. sem os grifos no original). ao alterar os artigos 542 e 547 do CPC. Há a imediata suspensão do prazo recursal: a) em razão da superveniência de férias forenses coletivas. Em contraposição. caput.

de suspeição ou de impedimento. já é possível estudar cada uma delas. de 2004. ou seja. b) em decorrência de obstáculo ao exercício do direito de recorrer. 5. c) em razão da interposição de embargos declaratórios admissíveis. recaindo as férias dos Ministros nos períodos de 2 a 31 de janeiro e de 2 a 31 de julho”. Houve somente a limitação das férias coletivas em prol do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores (por exemplo. independentemente da intimação das partes. com o imediato reinício do prazo no primeiro dia útil seguinte ao encerramento das férias judiciais coletivas. c) em virtude da perda da capacidade processual. da Constituição Federal. é automático. Nas hipóteses de obstáculo ao exercício do direito de recorrer. 7. Superior Tribunal de Justiça.4. as férias coletivas compreendem os períodos de 2 a 1 de janeiro e 2 a 1 de julho. d) em razão do oferecimento de exceção de incompetência relativa. 115 . Suspensão por superveniência de férias forenses Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. a suspensão dos prazos recursais nas férias coletivas dos ministros da Corte Suprema e dos Tribunais Superiores. Apontadas as hipóteses de suspensão e interrupção. conforme dispõe a parte final do artigo 179 do Código de Processo Civil. de perda da capacidade processual e de apresentação de exceção. o artigo 9. Resta saber qual o período das férias forenses no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais Superiores. Subsiste. inciso XII.2. com a redação determinada pela Emenda Constitucional n. de 1979. tribunais regionais e locais). não aboliu as férias forenses do direito brasileiro. Tribunal Superior do Trabalho). porquanto a vedação constitucional das férias forenses alcançou apenas os juízos de primeiro grau e os tribunais de segundo grau (ou seja.superiores. o término da suspensão ocorre ipso facto. Já no caso de superveniência de férias forenses. Reforça o artigo 81 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça: “O ano judiciário no Tribunal divide-se em dois períodos. b) por motivo de força maior. portanto. o prazo recursal somente volta a fluir no primeiro dia útil após a intimação do término do fato gerador da suspensão. Ocorre a imediata interrupção do prazo recursal: a) pelo falecimento da parte ou de seu advogado. À vista do § 1º do artigo 66 da Lei Complementar n. A contagem do prazo recursal é retomada logo no primeiro dia útil após o término das férias forenses. 45.

nas quais os prazos recursais correm até mesmo na Corte Suprema e nos Tribunais Superiores. Suspensão por recesso forense O período compreendido entre o dia 20 de dezembro e o dia 6 de janeiro é denominado “recesso forense”. há recesso forense na Justiça Federal de 116 . o recesso forense passou a receber o mesmo tratamento jurídico conferido às férias forenses. Assim. com expressa remissão às “hipóteses previstas em lei”.245 também tramitam durante as férias forenses. aplica-se a regra do artigo 179 do Código de Processo Civil”.099. Por força do enunciado n. Os artigos 17. como revela o inteiro teor do verbete sumular: “Aos prazos em curso no período compreendido entre 20 de dezembro e 6 de janeiro. 8. a suspensão dos prazos recursais por superveniência de férias coletivas no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais Superiores comporta exceções. 9. A propósito das exceções. salvo nas hipóteses dos artigos 17 e 174 do Código de Processo Civil e das leis especiais. em razão da importância na prática forense. Com maior razão.Não obstante. na Justiça Federal. 174 e 179 do Código de Processo Civil revelam que o prazo recursal para a impugnação de decisão proferida em ação submetida ao procedimento sumário não é atingido pela superveniência das férias forenses. também têm curso durante as férias judiciais coletivas as ações previstas em leis especiais que afastam a suspensão. pelo artigo 179 do Código de Processo Civil. com a suspensão dos respectivos prazos recursais. é possível concluir que as férias coletivas subsistem no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais Superiores. As ações submetidas ao rito especial da Lei n. as quais são reconhecidas no artigo 105 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. de 20 de dezembro a 6 de janeiro. 105 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos. 7. Por tudo. Com efeito. inciso I. não há suspensão do prazo recursal em ação sujeita ao rito sumaríssimo consagrado no inciso I do artigo 98 da Constituição Federal e no artigo 2º da Lei n.4. 5. conforme o disposto no inciso I do artigo 58 do diploma que trata das “locações dos imóveis urbanos”. algumas merecem destaque. de 1995. à vista do artigo 62. da Lei n. de 1966. inclusive. além das ações mencionadas no próprio Código de Processo Civil. em causa sujeita ao rito sumário do artigo 275 do Código. o prazo para a interposição de recurso não é suspenso durante as férias coletivas.010. Com efeito. com a igual suspensão dos prazos.3. conforme se infere do inciso III do artigo 174.

com a consagração do recesso forense. Daí o recesso forense de 20 de dezembro a 6 de janeiro. Último exemplo: o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás aprovou a Resolução n.primeiro grau e nos Tribunais Federais em geral (ou seja. os Tribunais Superiores e o Supremo Tribunal Federal). os Tribunais Regionais. o Conselho Nacional de Justiça confirmou a possibilidade da suspensão do expediente forense “na primeira e segunda instâncias” da Justiça local. 15. É o que ocorre. o Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovou o Ato Regimental n. quando há carga (ilegal) dos autos pelo advogado de uma parte em caso de sucumbência recíproca. muitos Tribunais de Justiça162 já aprovaram atos normativos específicos (resolução ou ato regimental) destinados aos respectivos Estados-membros. cujo artigo 1º dispõe: “ART. 1º FICAM SUSPENSOS OS PRAZOS PROCESSUAIS NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE 20 DE DEZEMBRO DE 2007 E 6 DE JANEIRO DE 2008”. também há o obstáculo judicial (como são exemplos a conclusão dos autos ao magistrado e o 162. de 2005. inclusive. consoante a interpretação do proêmio do artigo 180 do Código de Processo Civil. 117 . 7. artigo 40.4. 61. a suspensão do expediente forense durante os dias 20 de dezembro a 6 de janeiro ocorre por força da Lei Complementar Estadual n. cujo artigo 1º dispõe: “Art. Na mesma esteira. tanto na Justiça do Distrito Federal quanto no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Além do obstáculo criado pela parte contrária. por exemplo. de novembro de 2007. à Justiça e ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Suspensão por obstáculo ao exercício do direito de recorrer Há suspensão do prazo recursal em decorrência de obstáculo criado pela parte contrária ou pelo respectivo advogado. por meio do qual alterou o parágrafo único do artigo 5 do Regimento Interno e determinou a aplicação do artigo 62 da Lei n. 85. de 29 de novembro de 2005. 5. § 2º. À luz da resolução do Conselho Nacional de Justiça. inclusive. de 1966. com a igual determinação de suspensão dos prazos no período de 20 de dezembro a 6 de janeiro. Por exemplo. do Código de Processo Civil).010. de novembro de 2007. Outro exemplo: o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul aprovou a Resolução n. Quanto à Justiça e ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. para consulta dos advogados das partes (cf. 8. 1º Ficam suspensos os prazos processuais no período compreendido entre 20 de dezembro de 2007 e 06 de janeiro de 2008”. 1. de 5 de setembro de 2005. porquanto o prazo é comum e os autos devem permanecer no cartório do juízo ou na secretaria do tribunal. com a suspensão dos prazos recursais. conforme a combinação dos artigos 1º e 2º da Resolução n.4.

artigo 8º do Código de Processo Civil). nas referidas hipóteses de obstáculo ao exercício do direito de recorrer. os membros do Ministério Público também têm capacidade postulatória. legitimatio ad processum) é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade jurídica de praticar de atos válidos em juízo. Por fim. inciso I. por motivo 16. os menores podem ser partes. segundo orientação predominante na doutrina e na jurisprudência. com os artigos º. tanto a perda da capacidade processual16 quanto a perda da capacidade postulatória164. A capacidade postulatória ou ius postulandi é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade jurídica de ingressar em juízo. O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal contém dispositivo sobre o obstáculo judicial. o obstáculo judicial ocasiona a suspensão do prazo recursal. mas também da capacidade civil plena. A capacidade de estar em juízo. de seu representante legal ou de seu procurador”. Não obstante.4. mas não esclarece se há suspensão ou justa causa. em virtude da capacidade civil plena. porquanto o § 2º do artigo 105 do Regimento Interno estabelece apenas que não corre prazo quando há obstáculo judicial. porquanto não têm capacidade civil plena. aplicável à vista do artigo 126 do mesmo diploma. todos do Código Civil. A capacidade processual depende da capacidade de ser parte. nem todo aquele que pode ser parte pratica atos válidos no processo. Suspensão por perda da capacidade processual Há a suspensão do prazo recursal diante da “perda da capacidade processual de qualquer das partes. 4º e 5º. em virtude da interpretação analógica do proêmio do artigo 180 do Código de Processo Civil. segunda parte.5. tendo em vista a combinação dos artigos 7º. Daí a distinção entre a capacidade de ser parte e a capacidade de estar em juízo. mas não têm capacidade processual. Na verdade. É o que se infere dos artigos 180 e 265. todos do Código de Processo Civil. por exemplo. Os advogados têm capacidade postulatória (cf. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. conforme o caso (cf. Daí a necessidade da assistência ou da representação. Além dos advogados em geral. capacidade processual ou legitimação para o processo (no latim. o prazo recursal só volta a fluir no primeiro dia útil após a intimação do término do fato gerador da suspensão. assim considerados os defensores públicos e os procuradores das pessoas jurídicas de direito público interno. 8º e 12. artigos 6 e 7 do Código de Processo Civil): tanto os advogados autônomos quanto os públicos. de patrocinar causa em juízo. O Código de Processo Civil não contém preceito específico acerca do obstáculo judicial. 118 .desaparecimento dos autos do cartório ou da secretaria durante o prazo recursal). Assim. 164. 7. para que possam praticar atos válidos em juízo. do Código de Processo Civil.

10. 7. também há a suspensão do prazo recursal diante da veiculação de exceção de incompetência relativa. Suspensão por oferecimento de exceção À vista dos artigos 180. 119 . não há suspensão quando as partes estão patrocinadas por mais de um advogado. artigo 265. Com efeito. 265. Em sentido semelhante. § 4º. Por fim. de suspeição ou de impedimento podem ser suscitadas em todos os processos (até mesmo em execução. há a imediata suspensão do processo e do prazo recursal. na jurisprudência: REsp n. § 1º. 8. suspensão do advogado. à vista dos artigos 4º. parágrafo único. p. inciso II) e em todos os graus de jurisdição. à vista dos artigos 8 e 42 da Lei n. 4ª Turma do STJ. 166. independentemente do resultado 165. parte final).271/SP. Diário da Justiça de 5 de outubro de 1992. exclusão do advogado. todos da Lei n. o § 4º do artigo 265 estabelece que as exceções veiculadas em primeiro grau de jurisdição devem ser processadas e julgadas à luz dos artigos 04 a 14 do Código de Processo Civil. de suspeição e de impedimento. 7.4. As exceções de incompetência relativa. Por conseguinte.6.transitório165 ou definitivo166. de 1994. Com efeito. Já as exceções veiculadas nos tribunais devem ser processadas e julgadas à luz dos respectivos regimentos internos (cf.906. artigo 1. Só há suspensão quando há perda de capacidade do único advogado de alguma das partes167. à vista do artigo 791. Já o artigo 180 estabelece que a veiculação de alguma das exceções ocasiona a suspensão do prazo recursal. inciso III. Por exemplo. 167. todos do Código de Processo Civil. caput). de 1994. e 42. Protocolizada a exceção no juízo ou tribunal competente. ocasionam a suspensão do prazo recursal durante o lapso marcado pelo juiz para o defeito ser sanado (cf. o inciso III do artigo 265 versa sobre a suspensão do processo por força do oferecimento de exceção de incompetência relativa. O prazo recursal só volta a correr após a intimação do pronunciamento judicial de declaração da correção do vício processual. Por exemplo.906. 8. o inciso I do artigo 265 não incide quando foram constituídos dois ou mais advogados para atuação conjunta. de suspeição ou de impedimento do artigo 05. 17104. e 06.

III. Só então o processo volta a ter seguimento. na jurisprudência: “EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. entretanto. pelo tempo restante. Em sentido semelhante. 169.4. p.567/RS. Interrupção por motivo de força maior Também há a interrupção do prazo recursal por motivo de força maior que suspenda o curso do processo.8. com a intimação da respectiva decisão. Os preceitos genéricos. inciso III. p.7.4. 111. Diário da Justiça de 18 de novembro de 2002. Força maior é o evento coletivo que 168. ª Turma do STJ. Por conseguinte. A suspensão subsiste até o julgamento da exceção. É o que se infere da primeira parte do artigo 507 do Código de Processo Civil. inciso I.404/ES. razão pela qual a superveniência do falecimento da parte e a morte do advogado ocasionam a interrupção (e não simples suspensão) do prazo recursal. E 306 DO CPC. artigos 180. 7. a interrupção do prazo para a interposição de recurso só ocorre quando há falecimento. A simples oposição da exceção de incompetência suspende o processo. 790. Em suma. Oposta exceção de incompetência. INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 265. 7. inciso I. Já a doença do advogado pode configurar justa causa. Diário da Justiça de 14 de maio de 2007. 285). 120 . 4ª Turma do STJ.do julgamento do incidente processual168. sobrevier o falecimento da parte ou de seu advogado”. SUSPENSÃO DO PROCESSO. tema objeto do próximo tópico. com a incidência do artigo 18 do Código de Processo Civil. parecem conduzir à conclusão de que o falecimento da parte e a morte do advogado ocasionam mera suspensão do prazo recursal. 265. 218). Em sentido conforme. com o conseqüente retorno da fluência de eventual prazo recursal igualmente suspenso (cf. até o julgamento definitivo do incidente” (REsp n. fluindo. é possível concluir que o artigo 507 prevalece em relação aos artigos 180 e 265. incide o princípio da especialidade: norma especialis derogat generalem. Interrupção por falecimento da parte ou de seu advogado Ocorre a interrupção do prazo recursal “se. É certo que os artigos 180 e 265. durante o prazo para a interposição do recurso. Com efeito. não resistem ao confronto com o dispositivo específico do artigo 507. e 06)169. tendo em vista a interpretação do artigo 06 do Código de Processo Civil. TERMO INICIAL. o prazo para contestação fica suspenso. após o julgamento da exceção” (REsp n. na jurisprudência: “1.

força maior não se confunde com justa causa. 0). QUESTÃO DE ORDEM. de preparar. constitui obstáculo ao curso regular do prazo recursal. face ter sido internado em hospital. Também no mesmo sentido. revelando-se motivo de força maior suficiente para determinar-se a suspensão dos feitos que envolvem a União.impede o exercício regular da atividade forense. os arts.48/MG — AgRg. Recurso especial conhecido e provido” (REsp n. Diário da Justiça de 5 de setembro de 2005. p. as guerras. p. p. n. Diário da Justiça de 14 de setembro de 1992. 98). Aplicação do art. 589. também denominada “justo impedimento”. 5. Em conseqüência. p. PARALISAÇÃO DOS ADVOGADOS PÚBLICOS FEDERAIS. no prazo. e que impede a prática do ato processual171. na jurisprudência: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. À vista do direito processual. 265. 7. se este adoece e fica impossibilitado. por motivo de saúde. 68 e 69. os sismos.” (PEDRO BARBOSA RIBEIRO e PAULA RIBEIRO FERREIRA. peça recursal. na jurisprudência: “Há de se interpretar o art. 1998. as revoluções que conturbam a vida normal da Nação etc. na doutrina: ARAKEN DE ASSIS. Assim. e que a impe- 170. p. com a compreensão voltada para o laço de confiança firmado entre cliente e advogado.618/SP. Inteligência do art. 183. 4ª Turma do STJ. 11. Condições de admissibilidade. 1999. do CPC. Ainda em sentido conforme: “1) TEMPESTIVIDADE. 107). e BARBOSA MOREIRA. 69). as tempestades que alagam o Ofício de Justiça. 171. Por exemplo. “PRAZO. A recente greve dos advogados públicos federais coloca em risco a defesa do erário e. ª Turma do STJ. DOENÇA. Diário da Justiça de 4 de junho de 2004. principalmente.600/SC. 4ª Turma do STJ. 105. p. De acordo. 183. FORÇA MAIOR. “São exemplos de força maior os terremotos. o § 1º do artigo 18 do Código de Processo Civil fornece o conceito de justa causa: “Reputa-se justa causa o evento imprevisto. considerando a excepcionalidade da situação” (RMS n. 265. 41. 183. ambos do Código de Processo Civil. do RISTF” (RE n. V. Comentários. suas autarquias e fundações. no prazo recursal” (Ag n. em razão da gravidade do acontecimento que atingiu determinada coletividade170. A propósito. 1. Considera-se tempestivo o presente agravo regimental interposto por advogado que ficou impossibilitado de exercer suas atividades profissionais. SUSPENSÃO DOS PROCESSOS. ADVOGADO.478/PR — QO. 1998. § 2º. Pleno do STF. A justa causa é o evento individual alheio à vontade da parte ou do seu advogado. 7ª ed. na jurisprudência: “A doença do advogado pode constituir justa causa para os efeitos do art. Daí a interrupção do prazo recursal. do interesse público. e 507. 1ª Turma do STJ. do CPC. JUSTA CAUSA.. consoante revela a combinação dos artigos 265. há do juiz relevar a intempestividade. § 1º. em razão de greve do funcionalismo. principalmente quando ele for o único procurador constituído nos autos” (REsp n. Diário da Justiça de 1 de dezembro de 2004. c. A parada dos serviços judiciais. Diário da Justiça de 2 de março de 1998). V do CPC e do art.c. 8. Volume V. PARALISAÇÃO DOS SERVIÇOS JUDICIAIS. Curso. e 507 do CPC. p. tomo I. Volume V. 14974). § 1º.852/RJ — AgRg. § 1º. inciso V. 121 . alheio à vontade da parte.

inciso V. À luz dos artigos 18 e 185 do mesmo diploma. isto é. No mesmo diapasão.diu de praticar o ato por si ou por mandatário”. Em suma. Embargos de declaração: regra da interrupção e exceção da suspensão O caput do artigo 58 do Código de Processo Civil consagra a interrupção do prazo recursal em razão da interposição de embargos declaratórios por qualquer uma das partes. os artigos 18 e 519 cuidam da justa causa. sendo negativo o juízo de admissibilidade (verbi gratia. a fim de que a parte possa praticar o ato processual não realizado em razão do justo impedimento (cf. muito menos de interrupção do prazo recursal. O mesmo não ocorre quando há justa causa. é indispensável a alegação e a comprovação mediante petição protocolizada até cinco dias após o término do justo impedimento. A força maior gera a interrupção do prazo recursal. por irregularidade formal). força maior e justa causa são institutos jurídicos distintos. a justa causa não pode ser incluída no rol das hipóteses de suspensão. como ocorre com a força maior. Com efeito. É a regra que atualmente norteia o direito brasileiro. Em tais casos. Na verdade. os embargos declaratórios não acarretam a interrupção dos prazos dos outros recursos. § 2º). vale 122 . não gera a interrupção do prazo recursal.4. a justa causa gera o afastamento da preclusão temporal. por intempestividade. 7. artigo 18. só há interrupção quando o recurso de declaração é conhecido. A força maior é um acontecimento coletivo. de irregularidade de representação ou quando a parte sequer alega omissão. o magistrado afasta a preclusão temporal e concede prazo adicional para a interposição do recurso. Os significados de força maior e de justa causa são extraídos da interpretação do Código de Processo Civil. cujo prazo correu in albis em razão do evento individual que impediu a prática do ato processual. todavia. Porém. não sendo vinculativa a decisão originária que tenha concluído diversamente”. com sede em Brasília: “EMBARGOS DECLARATÓRIOS — NÃO-CONHECIMENTO — HIPÓTESES — EFEITOS. Em contraposição. É o que revela o preciso verbete n. A justa causa.9. Enquanto os artigos 265. I — Os Embargos de declaração não devem ser conhecidos nas hipóteses de intempestividade. reconhecido o justo impedimento. finda a justa causa que impediu a interposição do recurso. do justo impedimento. contradição ou obscuridade. e 507 tratam da força maior. 1 da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. não interrompem o prazo recursal. com a concessão de prazo adicional fixado pelo magistrado. já a justa causa é um evento individual.

consoante o disposto no artigo 18. Tal exceção à regra da interrupção do prazo recursal consta do artigo 50 da Lei n. após a intimação do julgamento proferido nos embargos declaratórios. Por ser peremptório. o prazo recursal volta a fluir. Há. conforme estabelece o artigo 178 do Código de Processo Civil. Então. Também não há suspensão nem interrupção do prazo recursal nos feriados. como já estudado. a concessão de prazo adicional para a interposição de recurso pelo legitimado que deixou de recorrer em razão de “justa causa”.conferir o correto enunciado n. caput e parágrafos. vale a pena conferir o preciso enunciado n. Tanto a doutrina quanto a jurisprudência ensinam que o simples pedido de reconsideração não ocasiona a interrupção nem a suspensão do prazo recursal. dilatado ou prorrogado. 9. 12 . A primeira hipótese está consubstanciada no pedido de reconsideração. aprovado à unanimidade de votos: “Os embargos de declaração. por acordo das partes. na esteira do enunciado n. 27. Além da regra da interrupção inserta no artigo 58 do Código de Processo Civil.10.4. Inexistência de suspensão e de interrupção Estudados os casos de suspensão e de interrupção. É o que se depreende do disposto no proêmio do artigo 182 do Código de Processo Civil. vale a pena conferir alguns casos que não interferem na fluência do prazo recursal. a interposição de embargos de declaração contra sentença proferida em ação da competência dos Juizados Especiais apenas suspende o prazo para a apresentação de outro recurso. convém lembrar que há exceção. quando intempestivos.099. de 1995: “Quando interpostos contra sentença. a teor do § 1º do artigo 184. Com efeito. quando intempestivos. houve a inclusão do preciso verbete n. Há. Com efeito. reduzido. mero pedido de reconsideração não tem o condão de interromper nem de suspender prazo recursal. Em abono ao raciocínio sustentado. o prazo recursal também não é suspenso. computando-se os dias decorridos. 48 na Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Os embargos de declaração. os embargos de declaração suspenderão o prazo para recurso”. apenas a prorrogação do prazo recursal quando o vencimento do prazo ocorre em feriado. não interrompem o prazo para a interposição de recursos”. interrompido. 27 do Centro de Estudos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Posteriormente. entretanto. 7.  da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “O pedido de reconsideração não interrompe nem suspende o prazo para interposição do competente recurso”. não interrompem o prazo para a interposição de recursos”.

a ausência do recolhimento dos encargos financeiros do recurso conduz à aplicação da pena de deserção. bem assim da jurisprudência predominante acerca da quaestio iuris objeto do julgamento contrário ao constituinte. dos aludidos encargos é fixada.5. porquanto o reconhecimento da culpa depende da análise do quadro fático. segundo o caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. a responsabilização civil do advogado só pode ser aferida à vista da espécie. em razão de imperícia. e b) os portes de remessa e de retorno. razão pela qual não pode ser responsabilizado pela omissão na interposição do recurso. porquanto a responsabilização civil depende da demonstração dos danos causados por culpa do advogado no caso concreto. A expressão legal “legislação pertinente” alcança as leis de custas federais e estaduais. os regimentos internos dos tribunais e as tabelas de custas judiciais dos tribunais. Os encargos recursais englobam: a) as custas judiciais do processamento do recurso nos órgãos judiciários a quo e ad quem.2. desde que o respectivo constituinte acione e comprove a culpa do advogado. do teor da decisão judicial proferida no caso concreto. o advogado deixou de recorrer em razão da prolação da sentença em conformidade com jurisprudência sumulada do tribunal competente para o eventual recurso. quer da totalidade quer de parte. Sem dúvida. 8.1. inciso VII. negligência ou imprudência no patrocínio da causa. quando há a exigência do preparo “pela legislação pertinente”. Regra do preparo imediato Por força do caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. pREpARO 8. 8. Se. das provas produzidas. do Código de Processo Civil.7. Conceito O requisito de admissibilidade do preparo consiste na exigência de que o recorrente efetue o pagamento dos encargos financeiros que dizem respeito ao recurso. perda de prazo recursal e responsabilidade civil do advogado A perda de prazo recursal torna o advogado responsável pelos danos causados à parte. Trata-se de responsabilidade civil subjetiva. por exemplo. “pela legislação pertinente”. o causídico observou o disposto no artigo 17. a qual também é imposta pelo simples fato de o recorrente não comprovar o recolhimento do preparo no ato da interposição do 124 . A necessidade do depósito.

reforça o enunciado n. artigo 6º. ao não-conhecimento do recurso por parte do órgão julgador. artigo 500. parágrafo único. quando há mais de um recurso contra a mesma decisão. A falta do pagamento do preparo ou da demonstração do depósito no ato da interposição dá ensejo à aplicação ex officio da sanção de deserção e. Assim estabelece o correto enunciado n. cada recurso deve ser instruído com a respectiva guia do preparo. 2 do 9º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “O não preparo do agravo. de nada adianta o recorrente apresentar a guia comprobatória do preparo após a interposição do recurso. ainda que dentro do prazo legal de interposição do recurso”. ainda que seja adesivo de outro. ainda que tenha efetuado o pagamento. Com efeito. do Código de Processo Civil). inspirada na seguinte orientação 125 . que é mera repetição do anterior parágrafo único do mesmo artigo. se recebido sem razão. 8. reforçado pelo princípio da consumação. 11. resta examinar as respectivas exceções. declarando-se a deserção se feito em data posterior. de 2007) quanto para os recursos adesivos (cf. O raciocínio serve tanto para os recursos independentes (cf. Nem poderia ser diferente: interposto o recurso. sob pena de deserção. À luz do caput do artigo 511 do Código. o § 2º do aludido dispositivo constitui importante inovação legislativa.3. caput. Ainda a respeito do assunto. merece ser prestigiada a precisa conclusão n. concomitante à sua interposição. consagrada no caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. Exceções à regra do preparo imediato Estudada a regra do preparo imediato. mesmo que a petição recursal não tenha sido protocolizada no último dia do prazo. ainda que remanesça parte do prazo para seu exercitamento. Com efeito. determina deserção”. 1 aprovado pelo Centro de Estudos do extinto Tribunal de Alçada do Paraná: “O preparo deve ser realizado de modo concomitante à interposição do recurso. Ao contrário do § 1º do artigo 511 do Código.recurso. 19 da Súmula do Tribunal de Justiça do Distrito Federal: “O preparo do recurso há de ser comprovado no momento de sua interposição.66. está consumado o direito de recorrer. da Lei n. cada um deve ser acompanhado do comprovante do pagamento do preparo. sob pena de deserção”. à inadmissão do recurso pelo juízo ou tribunal de origem ou. à luz do princípio da consumação. por conseguinte. embora feito dentro do prazo recursal. Na mesma esteira. A propósito. o caput do artigo 511 fixou a regra de que o recurso deve estar regular em sua totalidade no momento da interposição.

do disposto no § 2º do artigo 511 do Código.jurisprudencial assentada no Superior Tribunal de Justiça: o recorrente que depositou parte do valor do preparo não pode ser liminarmente apenado com a aplicação da sanção de deserção. 28. Sem dúvida. É que o § 2º do artigo 511 condiciona a abertura do qüinqüídio à “insuficiência no valor do preparo”. o órgão judicial competente para averiguar a observância dos requisitos de admissibilidade desde logo não recebe o recurso ou dele 126 . a insuficiência do preparo não conduz à aplicação da pena de deserção. fixou apenas a exigência da prévia intimação para a efetuação do depósito da verba não recolhida. que o preceito só alcança recorrente que depositou parte do preparo. e 242. 29 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “A intimação é ao advogado e não à parte. Na verdade. caput. conforme revelam os artigos 26. Todavia. salvo se o recorrente não depositar o valor necessário à integralização do preparo. Depreende-se. por força do § 2º do artigo 511. a Comissão Revisora do Código de Processo Civil agasalhou a tese. aliás. o que é vedado ao órgão judicial é impor a pena ao recorrente sem a prévia concessão do prazo para a correção do recolhimento do preparo. parte final. antes da imposição da pena de deserção. Com efeito. que hoje tem amparo legal. conforme se depreende da conclusão n. o recurso não deve ser conhecido pelo tribunal ad quem. o decurso in albis do qüinqüídio conduz à aplicação da pena de deserção. já que a Lei n. Como o novo § 2º do artigo 511 não exige a intimação pessoal da parte. no qüinqüídio após a intimação da deficiência no recolhimento dos encargos financeiros. Trata-se. tem-se que a intimação é ao advogado do recorrente. § 1º. de orientação consagrada na jurisprudência pátria. ainda. Atenta à evolução da jurisprudência. diante da total ausência do pagamento dos encargos financeiros do recurso.756 não proibiu a aplicação da pena de deserção em caso de insuficiência do preparo. 9. 27. Ainda que recebido sem razão. o recurso não deve ser admitido no juízo ou tribunal a quo. Com efeito. A inexistência — que não pode ser confundida com a insuficiência — do recolhimento do preparo dá ensejo à imediata imposição da pena de deserção. todos do Código. última parte. Não sendo completado o preparo ou ausente a comprovação do recolhimento adicional no qüinqüídio. caput. salvo quando a lei determinar o contrário”. Já o que nada recolheu não é beneficiado com a concessão de prazo para o pagamento dos encargos financeiros do recurso.

respectivamente. converte-se o julgamento em diligência. Além da possibilidade da complementação do preparo recolhido a menor. averiguada a deficiência pelo relator. em qualquer caso. Consoante o § 1º do artigo 18. a fim de que o recorrente possa depositar o valor necessário à integralização do preparo. excepcionalmente é permitido até mesmo o efetivo suprimento da total ausência do depósito dos encargos financeiros referentes ao processamento do recurso. diante de justa causa devidamente demonstrada. compete a ele determinar a intimação do recorrente para a regularização do preparo. 127 . Constatada a insuficiência pelo órgão de interposição. e 519. imediatamente é concedido o qüinqüídio ao recorrente. não há dúvida de que. o recorrente pode recolher e demonstrar o pagamento do preparo. o órgão judicial fixa de imediato o prazo para a realização do preparo. Sob ambos os prismas. em razão de justa causa reconhecida pelo órgão judicial. Além do mais. o que permite a aplicação do preceito em prol de todos os recursos. “reputa-se justa causa o evento imprevisto. alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário”. Apesar de o artigo 519 do Código tratar especificamente da apelação. observando-se o disposto no parágrafo único do artigo 560 do Código. reforçado pelo artigo 519 do mesmo diploma. É o que indica o parágrafo único do artigo 560. Por fim. conforme indicam os artigos 18. caso se trate de juízo primeiro ou definitivo de admissibilidade. as normas referentes à apelação incidem por analogia aos recursos em geral. porquanto não há restrição alguma no genérico artigo 18. É o que se infere do artigo 18 do Código. não há dúvida de que tanto o responsável pelo primeiro juízo de admissibilidade quanto o órgão julgador têm competência para tanto. Verificada a insuficiência apenas pelo órgão colegiado. é possível depositar e comprovar o recolhimento do preparo após a interposição de qualquer recurso. combinado com o artigo 18. qualquer recorrente que deixar de comprovar o preparo por justo impedimento (isto é. Com efeito. a concessão do prazo para a integralização do preparo não depende de provocação do recorrente. § 2º. justa causa) é beneficiado pelo artigo 519. Apesar de o § 2º do artigo 511 não especificar o órgão judicial competente para conceder prazo — de cinco dias — ao recorrente para complementação do preparo.não conhece. Reconhecido o justo impedimento. devendo o órgão judicial determinar a intimação de ofício. Entretanto.

Cf. p.467/RS. oportunidade em que o expediente bancário já se encontrava encerrado. do CPC. Aplicação do artigo 183. 1 — Verificando-se que a parte interpôs recurso no último dia do prazo forense. 183. deixando de conhecer do recurso. falta ao recorrido interesse recursal em impugnar a decisão de relevação da pena de deserção. § 2º. Realmente. O tribunal ad quem pode pronunciar a ausência do preparo. Além do mais. A rigor. merece ser prestigiada a seguinte conclusão do Centro de Estudos do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais: “Pode ser aceito sem decretação da deserção. Diário da Justiça de 7 de fevereiro de 2000. o vencedor pode apresentar resposta ao recurso interposto pelo derrotado. 17: “RESP — PROCESSUAL CIVIL — AGRAVO — EMBARGOS INFRINGENTES — PREPARO — RECURSO PROTOCOLADO NO PRAZO FORENSE — EXPEDIENTE BANCÁRIO ENCERRADO — CARACTERIZAÇÃO DE JUSTA CAUSA — DESERÇÃO AFASTADA — APLICAÇÃO DO ART. DO CPC — DIVERGÊNCIA COMPROVADA. a configurar o justo impedimento a que se refere o art. ainda que o juiz de primeiro grau tenha relevado a pena de deserção. basta suscitar a preliminar de deserção na resposta. A decisão do órgão de interposição que afasta a pena de deserção e fixa prazo para a efetuação e a demonstração do preparo é irrecorrível. combinados com o § º do artigo 172 do Código de Processo Civil. 519 do CPC”. nada impede que o recorrente efetue e comprove o pagamento do preparo no primeiro dia útil seguinte. 5ª Turma do STJ. interposto o recurso após o horário bancário. § 2º. Trata-se de justa causa amparada nos artigos 18 e 519. ocorre quando o inconformado interpõe o recurso no último dia do prazo. resta afastada a deserção quando restar demonstrado o respectivo recolhimento do preparo no primeiro dia útil subseqüente. A respeito do tema. É o que se infere da segunda parte do parágrafo único do artigo 519. há justo impedimento que afasta a regra do preparo imediato. se foi o apelo protocolado após o encerramento do expediente bancário. 198. assim. Com efeito. já reconhecida pela jurisprudência172.Hipótese de justa causa. 128 . a teor do proêmio do parágrafo único do artigo 519 do Código. Com efeito. deixando de efetuar o preparo em virtude do fechamento do banco em horário anterior ao do funcionamento do protocolo judicial. já que o órgão julgador do recurso deve reexaminar de ofício a ocorrência da justa causa evocada pelo recorrente. oportunidade na qual pode demonstrar o 172. o preparo do recurso feito no primeiro dia útil. na hipótese. mas dentro do expediente forense. se o recorrido desejar alertar o tribunal ad quem acerca da inocorrência de justo impedimento. o atrelamento estrito do prazo forense ao expediente bancário”. Inviável. REsp n.

de 1995. Falta examinar as exceções previstas na legislação processual civil extravagante.099/95)”. da Lei n. não admitida a complementação intempestiva (art. 9. consoante a inteligência do artigo 522. previsto no Art. da Lei 9. § 1º. no particular. do Código de Processo Civil.099/95. Ainda 129 . 9. 9. do Código de Processo Civil. o § 2º do artigo 511 do Código é incompatível com o princípio da celeridade processual consagrado no artigo 2º da Lei n. de 1995.099. importa em deserção. da Lei 9099/95”. Daí a conclusão: a insuficiência do preparo do recurso inominado enseja a imediata aplicação da pena de deserção.desrespeito ao requisito do preparo. não há a incidência do artigo 511. da lei n. no prazo de 48 horas. independentemente de intimação do advogado. É o que também estabelece a correta conclusão dos Encontros dos Juizados Especiais Cíveis do Rio de Janeiro: “O não recolhimento integral do preparo do recurso inominado. de 1995). § 1º. a decisão interlocutória por meio da qual o juiz de primeiro grau deixa de relevar a deserção é passível de impugnação mediante agravo de instrumento. inadmitida a complementação a destempo”. de 2005. 42.099. Não há necessidade do preparo imediato em relação ao recurso inominado interposto contra sentença prolatada em ação de competência dos juizados especiais cíveis. 9. § 1º.187. 42. 11. porquanto não é admissível a ulterior complementação fora das quarenta e oito horas posteriores à interposição do recurso inominado. vale a pena conferir o enunciado n.4 dos Encontros dos Juizados Especiais Cíveis do Rio de Janeiro: “O prazo para o pagamento do preparo do recurso inominado vence no final do expediente bancário do dia em que se completam as 48 (quarenta e oito) horas de que trata o Art. a pena de deserção só pode ser aplicada após o decurso do prazo fixado no § 1º do artigo 42 da Lei n. A propósito do dies ad quem.099. Na mesma esteira. caput. 42. dispõe o enunciado n. § 2º. Portanto. § 1º. A comprovação do recolhimento pode ser efetuada nas quarenta e oito horas seguintes à interposição do recurso.9. é possível concluir pela desnecessidade de recurso contra a decisão por meio da qual é relevada a pena de deserção no primeiro juízo de admissibilidade. Sob outro prisma. Por tais motivos. com a redação conferida pela Lei n. 80 do Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE: “O recurso Inominado será julgado deserto quando não houver o recolhimento integral do preparo e sua respectiva comprovação pela parte. Em contraposição. Como o preparo do recurso inominado é regido por preceito específico (artigo 42. 11.

parágrafo único. também não há necessidade de preparo imediato em recurso cabível contra sentença proferida em ação processada perante a Justiça Federal. Exceções à regra do preparo Além das exceções à regra do preparo imediato. ressalvada a hipótese de assistência judiciária gratuita”. além dos encargos financeiros específicos do recurso inominado.289 confere ao recorrente o prazo de cinco dias para a demonstração do preparo. o recorrente também arca com as verbas dispensadas na primeira instância. inclusive aquelas dispensadas em primeiro grau de jurisdição. À vista dos artigos 522. 10 . e 56.no mesmo sentido. Aliás. Todavia. 8. conforme revela o caput do artigo 54 da Lei n.4. também há as exceções ao próprio preparo. 9. taxas ou despesas em primeiro grau de jurisdição. Por fim. convém lembrar que o recorrente também deve recolher as despesas dispensadas na primeira instância. salvo quando já estiver sob o pálio da assistência judiciária no momento da interposição. ambos do Código de Processo Civil. nos demais recursos cíveis as despesas referentes ao primeiro grau de jurisdição não integram o preparo.C. na forma do § 1º do art. sob pena de deserção. Ainda a respeito do preparo do recurso inominado. 42 desta Lei compreenderá todas as despesas. o mesmo não ocorre com o recurso inominado.099/95. reforça o preciso enunciado n. É o que se infere do parágrafo único do artigo 54: “O preparo do recurso. quando o recurso simplesmente não depende de preparo.P. o recurso será considerado deserto. 9. refere-se apenas às despesas do recurso e não às até então vencidas no processo”. 56 do 6º Encontro Nacional dos antigos Tribunais de Alçada: “O preparo previsto no art. 519 do C. 9. Trata-se de peculiaridade do recurso inominado. conforme revela a correta conclusão n. o agravo retido e os embargos de declaração não estão sujeitos a preparo.099. de 1995. 12 do Primeiro Colégio Recursal de São Paulo: “Na hipótese de não se preceder ao recolhimento integral do preparo recursal no prazo do artigo 42 da Lei n. Porém. nos Juizados Especiais não há a necessidade de pagamento de custas. Realmente. O inciso II do artigo 14 da Lei n. além dos encargos financeiros relativos ao processamento do inconformismo. sendo inaplicável o artigo 511 do Código de Processo Civil”.

o § 1º do artigo 511. os recursos interpostos pela massa falida não estão sujeitos à regra do preparo imediato. que substituiu a expressão “entidades da administração indireta”. Do mesmo modo.060. Por outro lado. a despeito da regra do preparo no sistema recursal cível. à vista dos artigos º e 9º da Lei n. 86 da Súmula daquela Corte Superior: “Não ocorre deserção de recurso da massa falida por falta de pagamento de custas ou de depósito do valor da condenação”. não precisam de preparo os recursos interpostos pelo Ministério Público. 8. apenas as autarquias estão dispensadas do preparo à luz do artigo 511 em vigor.069 também não dependem de preparo. estabelece que apenas as autarquias não estão sujeitas a preparo. Portanto.Ainda a respeito do assunto. 7. o atual § 1º do artigo 511 do Código equivale ao anterior parágrafo único. 8.661 ensejava a efetuação do “preparo” 11 . 9. 1. 8. nos termos do inciso I do artigo 198 do Estatuto da Criança e do Adolescente. 9. pela União. a Lei n. o artigo 208 do Decreto-lei n.950. no particular. com a redação dada pela Lei n. conforme revela o proêmio do enunciado n. de 1945.661. das entidades da administração indireta.950. 7.756 apenas preservou a alteração efetuada pela Lei n.756. É. Em suma. Salvo quando dispensadas por lei específica. pelos Municípios e pelas autarquias. 86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho Consoante a jurisprudência consolidada no Tribunal Superior do Trabalho sob a égide do artigo 208 do Decreto-lei n. É o que estabelece o § 1º do artigo 511 do Código de Processo Civil. preparo em recurso da massa falida: subsistência do enunciado n. Na verdade. há várias exceções. as demais entidades da administração indireta devem recolher os encargos financeiros dos recursos por elas interpostos. que dispensava do preparo as “entidades da administração indireta”. pelo Distrito Federal. pelo vocábulo “autarquias”. 8. constante do texto primitivo do Código. o qual foi acrescentado ao artigo 511 por força da Lei n. Com efeito. pelos Estados. ao contrário da redação original do artigo 511 do Código de 197. Os que gozam de isenção legal também estão dispensados do preparo.5. o que ocorre com os que estão sob o pálio da assistência judiciária. A rigor. nas quais há a dispensa da comprovação do recolhimento de encargos financeiros para a admissibilidade do recurso. todos os recursos interpostos em processos regidos pela Lei n.

Assim. p.077804-7/001. ao autorizar o pagamento de preparo em momento oportuno. Diário da Justiça de 24 de novembro de 200. O art. 208 DO DECRETO-LEI N. Deserção. também na jurisprudência: “MASSA FALIDA — AÇÃO ORDINÁRIA — APELAÇÃO — ART. Recursos no processo do trabalho. 08. 11.661/45 ao autorizar o pagamento de preparo em momento oportuno. p. somente se aplica ao processo falimentar propriamente dito. sendo excluída a sua aplicação em ações autônomas de que a massa seja parte. 86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho subsiste à luz da atual legislação. 1 — O art. Custas. 174. Revogado o antigo Decreto-lei n. No mesmo sentido. não alcançando as demais ações em que a Massa Falida litiga” (Apelação n. Cf.98. 4ª Turma do STJ.“oportunamente”.101. 11.661/45. ART.661/45. 214.661. porquanto os incisos III e IV do artigo 84 e o caput do artigo 149 revelam que o pagamento das custas processuais relativas às ações em geral da massa falida só é feito ao final do processo falimentar. em razão da dispensa provisória17. de 1945. 208 da Lei de Falências só incide sobre o processo principal da falência. 1. Por conseguinte.558/SP. depois da realização do ativo e das restituições. 7. é possível concluir que a orientação consagrada no proêmio do enunciado n. PREPARO.661/45 — NÃO INCIDÊNCIA — PREPARO — NECESSIDADE — PENA DE DESERÇÃO — APELAÇÃO ADESIVA — NÃO CONHECIMENTO. 7. entretanto. À luz do mesmo artigo 208 do Decreto-lei n. O art. Ação de indenização. 147). 208 DO DECRETO-LEI N. p. “COMERCIAL. somente se aplica ao processo falimentar propriamente dito. 1ª Câmara Cível do TJMG.661. 208 do Decreto-Lei n.42/MG. de 2005. a regra prevista no caput do artigo 511 do Código de Processo Civil não alcança os recursos 17. a deserção se impunha” (REsp n. Massa falida. 208 do Decreto-Lei n. de 1945. na doutrina: “Também goza do privilégio da dispensa provisória do pagamento de custas a massa falida (Súmula n. Não efetuado o preparo quando do recurso de apelação em ação de indenização. 12 . 400. a ação revocatória. À vista dos incisos III e IV do artigo 84 da Lei n. 86 do TST)” (JÚLIO CÉSAR BEBBER. APELAÇÃO. grifos aditados). Precedente desta Corte” (REsp n.: “Processual civil. de 2005. Diário da Justiça de 17 de maio de 2004. AÇÃO REVOCATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. MASSA FALIDA. 7. não há o grifo no original).101. 254. como por exemplo. o Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência em favor da dispensa provisória do preparo apenas em relação aos recursos interpostos pela massa falida no processo falimentar propriamente dito174. ª Turma do STJ. 7. com o advento da Lei n. 7. na espécie. FALÊNCIA.0024. 7. a vexata quaestio agora deve ser solucionada à luz da nova legislação que versa sobre a recuperação empresarial e a falência. com o conseqüente afastamento da pena de deserção. não alcançando os incidentes a ele correlatos. Diário da Justiça de 20 de maio de 2005).

caput. 86 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Não ocorre deserção de recurso da massa falida por falta de pagamento de custas ou de depósito do valor da condenação”. o caput do artigo 511. Com efeito. 11. qual seja. da Lei n. artigos 84.interpostos nos processos em geral nos quais a massa falida é vencida. 1 . incisos III e IV. e 149. de 2005). na mesma linha do proêmio do enunciado n. não há lugar para a incidência do preceito genérico do Código de Processo Civil. Daí a dispensa do preparo recursal imediato em favor da massa falida nas ações em geral. diante da existência de legislação específica em prol da massa falida (cf.101.

4ª ed. p. Volume I. Dos recursos. 425 e 426. 425 e 426.Capítulo vII DIREITO INTERTEmpORAl DOS RECURSOS: AplICAçãO DA lEI vIgENTE NA DATA DO pROfERImENTO DA DECISãO 1. Segundo o princípio. Volume VII.. consagrado na segunda parte do artigo 1. consoante o disposto no inciso XXXVI do artigo 5º da Constituição Federal177. 19 e 20. a norma processual nova incide desde logo sobre os processos em curso. 64. 1974. Volume I. 1999. na doutrina: EDSON PRATA. HAROLDO VALADÃO. O novo direito processual. p. 1978. REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl O princípio geral de regência do direito intertemporal em matéria processual é o da aplicação imediata das leis175. 1997. p. 75. Comentários ao Código de Processo Civil. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Curso. Volume VII. O novo direito processual. 5ª ed. 19 e 20. Comentários ao Código de Processo Civil. 175. 22 e 2. iniciados na vigência da lei anterior. NERY JUNIOR. 12. Com efeito.211 do Código de Processo Civil. 75 e 76. 1995. Comentários ao Código de Processo Civil. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. 1946. p. 1999. 19ª ed. GALENO LACERDA. 14 . EDSON PRATA. p. 1974. 19ª ed. NERY JUNIOR. p. Em sentido conforme. 5ª ed. 176.. 1997.. 5ª ed. e SEABRA FAGUNDES. Comentários ao Código de Processo Civil. Princípios fundamentais. p. 425. 1974. Volume XIII. Princípios fundamentais. p. p... 22. Comentários ao Código de Processo Civil. e NERY JUNIOR. na doutrina: CASTRO FILHO. 1978. 177. Volume X. p. Assim. 64 e s. 1974. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. GALENO LACERDA. Curso.. Dos recursos. a lei processual nova não pode prejudicar o direito adquirido. Já os processos findos e os atos processuais concluídos sob a égide da lei antiga não são atingidos pela lei processual superveniente176. Princípios fundamentais.. p. De acordo. 1999. 1946. p. Volume XIII. p. p. e SEABRA FAGUNDES. 25 e 26. na doutrina: HAROLDO VALADÃO. 1.

Em sentido semelhante. 1998. isto é.518/SP. que tem incidência imediata”. Direito processual. Volume V.. p. p. Aspectos. 2ª ed. p. importa saber qual a lei vigente no momento da prolação da decisão. 1ª Turma do STJ. p. da interposição do recurso e do julgamento do recurso interposto. Diário da Justiça de 28 de junho de 199. 16.2. e não pelos preceitos que posteriormente venham a entrar em vigor”. p. e O novo direito processual. GALENO LACERDA. Comentários. Direito intertemporal.. Na verdade. 1955. salvo quando se trata de alteração de ordem constitucional. ª ed.. p. 266.862/RS. REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl DOS RECURSOS Estudada a regra da incidência imediata da lei superveniente em direito processual. Tomo VII. 68: “Os recursos são regidos pelas regras em vigor ao tempo da publicação da decisão causadora da insatisfação. 1946. ANTONIO GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES: “A matéria é regida pelo princípio fundamental de que a recorribilidade se rege pela lei em vigor na data em que a decisão foi publicada”. Revista Forense. já é possível tratar da problemática que envolve o direito intertemporal dos recursos. prolatada. Os recursos. p. 8/SP. proferida a decisão. na jurisprudência: REsp n. p. 278.65/SP. Também na mesma linha: REsp n.. razão pela qual são irrelevantes os momentos da intimação da decisão. ª ed. e não pelos preceitos em vigor quando do julgamento”. 5061: “Segundo princípio de direito intertemporal. porquanto o direito de recorrer nasce no momento em que a decisão causadora da insatisfação é proferida. . nasce desde logo o direito de recorrer. 25. 68. 62. Ainda no mesmo sentido: REsp n. Diário da Justiça de 20 de outubro de 1997. ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. p. 1974. na doutrina: ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. o recurso se rege pela lei vigente à data em que publicada a decisão. No mesmo diapasão: RMS n. Também no sentido do texto. volume 246. Em sentido conforme: REsp n.79/RS. e SEABRA FAGUNDES. 2ª Turma do STJ. Com efeito. vale a pena conferir a didática lição dos Professores ADA GRINOVER. 149. Em matéria de recursos. 7ª ed. ª ed. 181. p. p.. a lei regente é aquela em vigor na data da publicação do decisum atacado”. 5040: “Os recursos são regidos pelas regras em vigor ao tempo da publicação da decisão causadora da insatisfação. 12859: “O direito ao recurso rege-se pela lei vigente na data em que se publicou a decisão”. p. ROBERTO ROSAS. Diário da Justiça de 19 de outubro de 1998. 1999. Diário da Justiça de 2 de março de 1998. 5ª Turma do STJ. 1974. 179. 1998. 140. 148: “Em matéria recursal. A respeito do mesmo entendimento defendido no ensaio. Comentários. o princípio norteador é o da aplicação da lei processual vigente ao tempo do proferimento da decisão178. 2ª Turma do STJ. porquanto o direito de recorrer pertence ao legitimado recursal e é preservado mesmo 178. 171. BARBOSA MOREIRA. CARLOS MAXIMILIANO. 4ª Turma do STJ. 28. p. Diário da Justiça de 4 de junho de 1990. Nem poderia ser diferente. Recursos. Dos recursos. 15 . PONTES DE MIRANDA. 2001. p.

por se tratar de direito adquirido processual179. porquanto o vencedor tem igualmente direito 179. Parece-nos que. O Professor GALENO LACERDA também defendeu a tese em excelente monografia: “Em direito intertemporal. A lei nova não atinge situações consolidadas nem prejudica atos já realizados. mesmo que o recurso seja interposto na vigência da lei nova” (Novo curso de direito processual civil. assim. dentre outros. existentes à época em que publicada a decisão recorrida.após o advento da lei superveniente. que não pode ser ferido por lei nova. Direito subjetivo do recorrido a não ver admitido o recurso em termos mais amplos. a partir desse momento nasce o direito subjetivo à impugnação. 2007. ROUBIER. ou seja. sem retroatividade. p. Isto porque. peremptório. Conduzida pelo preciso voto proferido pelo Ministro EDUARDO RIBEIRO. Incidência dos óbices à admissibilidade. mas já estava em curso o prazo para a sua realização. sob pena de ofensa à proteção que a Constituição assegura a todo e qualquer direito adquirido” (O novo direito processual. proferida a decisão. p. os remédios contra o julgado. citando. em presença de verdadeiro direito adquirido processual. que ‘os recursos não podem ser definidos senão pela lei em vigor no dia do julgamento: nenhum recurso existente contra uma decisão poderá ser suprimido. a admissibilidade de qualquer recurso. que esteja correndo o prazo para as partes interporem agravo de instrumento contra uma decisão quando entra em vigor uma lei processual nova suprimindo essa possibilidade. Mais complexo é o caso se a lei processual entra em vigor quando o ato processual ainda não foi praticado. 180. 4ª ed. 278). afirma. 1. Em obra clássica destinada ao Direito intertemporal. Imagine-se. e aplicáveis ao extraordinário. 16 . 829).622/MT. vale conferir a lição do Professor MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES: “Os problemas mais sérios de direito intertemporal são os relacionados ao direito processual adquirido. 68). porquanto isto tudo constitui direito adquirido processual.. pois que agora só pode ser retido. a regra básica no assunto é que a lei do recurso é a lei do dia da sentença. 1974. Aquelas decisões proferidas durante a vigência da lei antiga poderão ser objeto de agravo de instrumento. 19. nem elimina um velho” (2ª ed. surgiu para as partes o direito de interpor recurso na forma prevista no ordenamento jurídico vigente. p. por lei posterior’ (ob. Volume I. p.. por superveniência de direito novo” (REsp n. a ª Turma do STJ também preservou o direito do recorrido. conforme se depreende da ementa do acórdão: “Recurso extraordinário convolado em especial. o Ministro CARLOS MAXIMILIANO pontificou: “Os postulados imperantes na data da Sentença resolvem sôbre a sua impugnabilidade.. sem os grifos no original). Diário da Justiça de 7 de maio de 1990. por exemplo. II/278). O direito do favorecido pela decisão judicial também fica protegido em relação à lei nova180. desde o momento em que a decisão foi proferida. 1955. MERLIN e GABBA. cit. Estamos. Há um direito adquirido processual de que o recurso possa ser interposto sob a forma de instrumento. não se usa um novo. o direito ao recurso autorizado pela lei vigente nesse momento. Na literatura moderna.

por maioria. a despeito da superveniência da lei nova. Diário da Justiça de 12 de setembro de 200. infringindo-se princípio constitucional” (Comentários. 1999. 26 da L. 2). Em suma. da lei nova que abole recurso aos casos em que o acórdão. a recorribilidade 182 e o respectivo cabimen- 181. O Tribunal. RISTF: inaplicabilidade. 1. na verdade.868/99. E remata o eminente processualista: “Em todo caso. a conclusão em prol da igual proteção do direito do vencedor é reforçada pela necessidade da observância do princípio constitucional da isonomia. que não conhecia dos embargos por entender que o controle concentrado de constitucionalidade não visa direito subjetivo. sem o grifo no original). conheceu de embargos infringentes contra decisão não unânime proferida pelo STF em ação direta. na jurisprudência: “I. colhe-se do Informativo n. Ainda a respeito do precedente jurisprudencial. A correta lição do Professor GALENO LACERDA é ainda mais explícita: “O problema dos recursos é extremamente delicado em matéria de direito transitório.868/99. por força do art. A legislação superveniente que cria nova espécie recursal. a matéria como disse é difícil. sob pena de ferir direito adquirido processual do recorrido. 9. que dispensa o recorrente do preparo. 29. não se faz recorrível com a lei posterior. que aboliu os embargos infringentes em tal hipótese. 182. mas sim garantir a ordem jurídica” (sem os grifos no original). IV. Carlos Velloso. não alcança decisão proferida sob a égide da lei revogada. a data a ser considerada pelo Tribunal é a do julgamento. que amplia o cabimento de espécie já existente.adquirido processual181. não devemos considerar apenas o direito adquirido do recorrente. apesar de a publicação do acórdão ter ocorrido quando de sua vigência. porque. enquanto o derrotado tem preservado o direito à impugnação recursal consoante a legislação antiga. porém. que dilata o prazo recursal. 292: “Embargos Infringentes e Direito Intertemporal. Considerou-se que. Devemos considerar também o direito adquirido do recorrido” (Aspectos. que implicou abolição dos embargos infringentes previstos no art. o vencedor também tem assegurado o direito à preservação da decisão segundo o disposto na legislação anterior.591/RS — EI. seja proferido em data anterior ao do início da sua vigência: análise e aplicação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal” (ADIn n. preliminarmente. Vencido o Min. por força da aplicação da lei vigente ao tempo do proferimento da decisão. p. p. 17 . Ademais. contrabalançar esta posição também com os direitos adquiridos inequívocos do recorrido” (p.. Com efeito. Tanto que o Jurisconsulto PONTES DE MIRANDA destacou que se a decisão “era irrecorrível. por exemplo. 29). p. uma vez que a partir dessa decisão nasce o direito subjetivo ao recurso autorizado pela lei vigente no momento. mas minha preocupação é a de não enxergar apenas a posição do recorrente. 1974. Tomo VII. Ação direta de inconstitucionalidade: irrecorribilidade da decisão definitiva declaratória da inconstitucionalidade ou constitucionalidade de normas. No mesmo sentido do texto. ª ed. então recorrível. uma vez que a data da decisão embargada é anterior à Lei 9. Pleno do STF. para a aplicação imediata de inovações processuais. ). porque seria atribuir-se à regra jurídica retroeficácia. 333.

p. Por conseguinte. ª ed. em seus pressupostos e processo” (Comentários. também há respeitável doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p.18/GO. p. não há o grifo no original). 115. p. 85. publicada). e SEABRA FAGUNDES. 54788). 1997. p. Tomo VII. 19ª ed. p. p. regula-se pela lei do tempo em que proferida a decisão” (REsp n. muito menos pela lei em vigor no momento do julgamento do recurso.18/GO.to18 do recurso. não há o grifo no original). 18 . 184. Direito intertemporal. entretanto. o legitimado que recorreu tem 18. isto é. PONTES DE MIRANDA. dentre eles se inclui o preparo. Curso. 1997. ª ed. p. p. Tomo VII. RTJ. p. Ainda a respeito dos pressupostos de admissibilidade. Dos recursos. De acordo. Volume I. aí incluídas as respectivas condições de admissibilidade. 1974. Cabível é o da lei vigente ao tempo em que foi proferida a decisão recorrida” (RE n. GALENO LACERDA. Tomo VII. Assim. Comentários. Recursos. 1ª Turma do STF. ª Turma do STJ..169/PR. quanto aos seus efeitos. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Recursos. O cabimento do recurso. Diário da Justiça de 27 de outubro de 1997. todos são regidos pela lei em vigor quando do proferimento da decisão (ou seja. Tomo VII. O cabimento do recurso. . p. A propósito da regra consubstanciada na incidência da lei vigente na data da prolação da decisão. 19ª ed. 2ª ed. 608 e 609. volume I. 25.. p.. 1997. A respeito do tema. Dos recursos. volume 81.. Comentários. o prazo recursal184. 2ª parte.. merece ser transcrita a ementa do seguinte precedente: “Em matéria de recurso. 186. ª ed. 608. e não pela norma processual vigente ao tempo da respectiva intimação. 1999. PONTES DE MIRANDA. 4. na doutrina: PONTES DE MIRANDA. 1999.. O novo direito processual.. se ao tempo da prolação a decisão judicial era impugnável mediante algum recurso processual. a legitimidade recursal e os demais pressupostos de admissibilidade186. não há o grifo no original). 1999. ª ed. merece ser prestigiado precedente da relatoria do Ministro EDUARDO RIBEIRO: “Direito intertemporal. 862). segundo o princípio de direito intertemporal” (REsp n. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. No mesmo sentido do texto. assim como os efeitos187 do recurso. A propósito da regra consubstanciada na incidência da lei vigente na data do proferimento da decisão. como bem alertou o Jurisconsulto PONTES DE MIRANDA. nem da interposição do recurso. Comentários. conforme revela a ementa: “Recurso. 1946. também merece ser prestigiado precedente da relatoria do Ministro EDUARDO RIBEIRO: “Direito intertemporal. 100. 1. do momento em que a decisão foi prolatada. não há de ser interpretado como regra de direito intertemporal que apanha os recursos. 1955. e SEABRA FAGUNDES. 1999. 1946. Curso.. 4. 608. No mesmo sentido é a jurisprudência da Suprema Corte. Curso. 19ª ed.276/RS.  e 4. Volume I. 185. 187. a exigência e o momento da realização do preparo185. aplica-se a lei vigente ao tempo da decisão recorrida. p. regula-se pela lei do tempo em que proferida a decisão” (REsp n. 279. 27 e 28. 9 e 94. aí incluídas as respectivas condições de admissibilidade. Em sentido contrário. 115. 8. na doutrina: CARLOS MAXIMILIANO.211. “o art.

Precedentes da Corte. Diante do exposto. são admissíveis embargos infringentes. em nada prejudicou o direito do legitimado que. No mesmo sentido: REsp n. também deve receber a prestação jurisdicional.150/MA. não é só o legitimado que interpôs o recurso antes do advento da lei nova que tem direito à entrega da prestação jurisdicional. no que tange aos acórdãos proferidos por maioria de votos em apelações e ações rescisórias antes do início da vigência da Lei n. com a superveniência da Lei n. na jurisprudência: “Embargos infringentes.52. ainda que o início da vigência da lei nova ocorra durante a fluência do prazo para a interposição do inconformismo.52. desde que interponha o recurso no prazo previsto na lei revogada. 4ª Turma do STJ. e passou a exigir a imediata demonstração do preparo no ato da interposição do recurso. Aquele que adquiriu o direito de recorrer. julgado em 8 de fevereiro de 2000. após a intimação da respectiva conta188. Alteração pela Lei n. reforça o artigo 915 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Não serão prejudicados os recursos interpostos com apoio em dispositivos alterados ou cujo prazo para interposição esteja em curso à data da vigência desta Consolidação”. assim considera- 19 . Direito intertemporal. Com efeito. de 1994. 189. Art. de 2001. ao tempo da prolação do julgado contrário. 240. De acordo.352/01. da interposição dos embargos e do julgamento dos infringentes. 10. 1. houve significativa restrição ao cabimento do recurso de embargos infringentes. 10. tinha dez dias adicionais para efetuar o preparo. A posterior demora na redação do respec- 188. 8.950. o recurso é regido pela lei antiga. São irrelevantes as datas da intimação do acórdão. A propósito.o direito de receber a respectiva prestação jurisdicional. ainda que a espécie recursal utilizada tenha sido eliminada do sistema recursal. Não obstante. com o amplo cabimento previsto no original Código de 1973. mas ainda não o utilizou. O recurso rege-se pela lei do tempo em que proferida a decisão. para a verificação da admissibilidade dos embargos infringentes importa somente o dia em que o presidente do colegiado competente tornou pública a decisão na forma do artigo 556 do Código de Processo Civil189. a qual deu nova redação aos artigos 511 e 519 do Código de Processo Civil. A ampla admissibilidade do recurso à luz do anterior artigo 50 do Código de 197 depende apenas do dia da prolação do julgamento por maioria em apelação ou ação rescisória. Sem dúvida. em virtude de lei superveniente. 530 do Código de Processo Civil. Na verdade. 10. o advento da Lei n. Da mesma forma.

na doutrina: BARBOSA MOREIRA. 2ª Câmara Cível do TJDF. oportunidade em que foi proclamada a decisão por maioria de votos. ExCEçõES à REgRA DO DIREITO INTERTEmpORAl DOS RECURSOS Estudada a regra consubstanciada no princípio da aplicação da lei vigente ao tempo do proferimento da decisão. 267. É nesse momento que nasce o direito subjetivo à impugnação. p. Ainda a respeito do tema. vale a pena conferir a lição do Professor ERNANE FIDÉLIS: “Mudando a competência do órgão — digamos que se passou a atribuir competência de determinada causa ao Tribunal de Justiça. Volume V. que não pode ser prejudicada pela demora na confecção do acórdão na apelação” (AgRg nos EI n.. Diário da Justiça de 1 de fevereiro de 2006. também merece ser prestigiado preciso precedente jurisprudencial: “2. 205. 1999.2. 556 do Código de Processo Civil. por força da extinção do órgão judiciário anteriormente competente. Volume I. Em caso similar. nos termos do art. p.002959-4. De acordo. 19ª ed. o Plenário da Corte Supremo também prestigiou o princípio da aplicação da lei vigente no momento do proferimento da decisão. Pleno do STF. 2. ADIn n. acórdão registrado sob o n. 1998. p..tivo acórdão à luz das formalidades dos artigos 165. não sendo aplicável na hipótese. resta estudar as exceções..00. independentemente da data em que o acórdão embargado foi veiculado no órgão oficial de imprensa: cf. 1999. porque tal resultaria em inaceitável prejuízo à parte. A primeira exceção reside na segunda parte do artigo 87 do Código de Processo Civil. Embargos de divergência conhecidos e providos” (EREsp n. A propósito.825. e O processo civil. p. dá ensejo à aplicação do princípio da imediata incidência da legislação superveniente191. 16). p. a nova redação dada ao art. 649. Corte Especial do STJ. quando era do Tribunal de Alçada — há o deslocamento instantâneo do recurso em andamento” (Manual. p. 3. Tomo VII. 1997. 7ª ed. e PONTES DE MIRANDA. Comentários. 22). 179. 1998. Regula-se o cabimento dos embargos infringentes pela lei vigente ao tempo em que se deu o julgamento da apelação. p. 530 do Código de Processo Civil pela Lei 10.526/MG. Diário da Justiça de 12 de setembro de 200.. 64. 4. 608. ª ed. Curso. da nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado. 458 e 56 em nada altera a recorribilidade do anterior julgamento proferido por maioria de votos em apelação e ação rescisória190. Diário da Justiça de 15 de outubro de 200. 1. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 190. 200.591/RS — EI. ou da modificação da competência em razão da matéria ou da hierarquia.352/01. 6ª ed. Volume I. Comentários. p. O preceito revela que a alteração da competência recursal. por isso. não há o grifo no original). 140 . 29. 191.

in fine. 194. os Tribunais de Alçada foram extintos e todos os recursos interpostos e pendentes passaram a ser da competência dos Tribunais de Justiça dos respectivos Estados. 774/PE. Conferir: BARBOSA MOREIRA. entretanto. 205. 45. Outra exceção consagrada na doutrina19 e na jurisprudência194 é a de que o procedimento recursal também é regido pelo princípio da aplicação imediata da lei processual nova.18/GO). foram remetidos ao Superior Tribunal de Justiça.. 1997. Diversamente. Com a superveniência da Emenda Constitucional n. na jurisprudência: REsp n.Se a lei nova suprimir o órgão judicial competente para julgar o recurso à luz da lei anterior. dos agravos retidos e de instrumento interpostos nas causas processadas sob o rito sumário (cf. 115. p. e O processo civil. p. e que versavam sobre contrariedade à lei federal. não existe direito adquirido no tocante às formas processuais. Por exemplo. cujo artigo 4º extinguiu os Tribunais de Alçada até então existentes nos Estados de Minas Gerais. logo após a instalação da Corte instituída pela Constituição de 1988192. Diário da Justiça de 25 de novembro de 1991. p. 279. 1946. 267. 608. por força do artigo 87. Assim. os recursos interpostos para o Supremo Tribunal Federal sob o império do ordenamento constitucional pretérito. o mesmo será julgado pelo órgão judiciário instituído pela lei superveniente em substituição ao órgão extinto. Direito intertemporal. 2ª ed. “As regras procedimentais. de 2004. Curso. 19ª ed. 20 e 28. 1998. O mesmo ocorre quando a lei nova altera a competência recursal em razão da matéria ou da hierarquia: o recurso deve ser julgado pelo órgão judiciário incumbido da nova competência. Pontes de Miranda sustentou a impossibilidade da incidência da lei nova também 192. São Paulo e Paraná. p. 19. de 2004. p. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Segundo a corrente majoritária. 45. entretanto. 1955. artigo 275 do Código de Processo Civil). e SEABRA FAGUNDES. 1999. do Código de Processo Civil. 141 . além de outras competências previstas nas Constituições estaduais. p. com competência para o julgamento das apelações. pois a modificação não atinge direitos adquiridos” (REsp n. 17046. 7ª ed. Comentários. CARLOS MAXIMILIANO.. Volume V. Os Tribunais de Alçada eram verdadeiras cortes de segundo grau. 2ª Turma do STJ. Dos recursos.. Volume I. Um exemplo da incidência da exceção consagrada na segunda parte do artigo 87 do Código de Processo Civil ocorreu com o advento da Emenda Constitucional n. serão as da lei nova.

e NERY JUNIOR. 417. e SÁLVIO DE FIGUEIREDO. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Tomo VII. “Quanto ao procedimento do recurso.668/SP — AgRg — EDcl. p. alcançando inclusive os recursos já admitidos e que se acham aguardando julgamento”. 5ª ed. Assim estabeleceu a Resolução n. Daí o dilema: qual princípio deve ser adotado em relação ao procedimento recursal? Tal discussão foi ressuscitada com o advento da Lei n.756 não pode ser aplicada aos recursos pendentes no início da respectiva vigência.756. 61: “Segundo a orientação do STJ. artigo 542. de 1999. À vista da asserção. a orientação majoritária tem sido questionada por autorizada doutrina. Autorizada doutrina ratificou a orientação majoritária de que as regras de natureza procedimental têm incidência imediata. 1. 1999. Princípios fundamentais.quanto ao procedimento do recurso195. 9. 1999. a Lei n. ª ed. A impossibilidade da aplicação imediata da lei nova que versa sobre procedimento é confirmada quando os olhos são voltados para hipóteses comuns na prática forense. 142 . Diário da Justiça de 1 de setembro de 1999. a aplicação imediata da Lei n.. Ora. o legitimado cujo direito de recorrer nasceu sob a égide da legislação pretérita não pode ser obrigado a cumprir exigência inserta na lei nova. nem mesmo aos recursos que têm como alvo julgado proferido sob o império da antiga legislação. de 1998.. ª Turma do STJ. o § º do artigo 542 do Código de Processo Civil enseja aplicação imediata. 428 e 429. concluiu-se pela imediata aplicação da lei nova em relação aos recursos pendentes. De acordo: JOSÉ SARAIVA. p.756 obrigaria o recorrente a reiterar o recurso interposto. Cf. em virtude do direito adquirido processual. A Lei 9. 196.756/98.756/98 é de aplicação imediata. sob pena de ofensa a direito adquirido processual197. Não se confundam com as regras jurídicas sobre competência as regras jurídicas sobre pressupostos naturais e formais dos atos do recorrente e dos atos do recorrido ou de terceiro que intervenha. Assim. Comentários. 197. sob pena de prolação de juízo negativo de admissibilidade (cf. na jurisprudência: MC n. 9. No caso sob comento. a qual defende a tese de que os recursos pendentes não devem seguir o procedimento fixado pela lei superveniente. § º. 9. 1. ou sobre a documentação e as exigências de serem ouvidas pessoas apontadas pela lei da data do julgamento” (PONTES DE MIRANDA. Item 5. Um exemplo pode facilitar a compreensão do 195. Por conseguinte. 4). não se diga que se tem de submeter à lei nova. O recurso especial retido. Os recursos. 9. 2000. a Lei n. p. Segundo a corrente majoritária. p. do Presidente do Superior Tribunal de Justiça. Não obstante. mesmo em relação aos recursos já admitidos no tribunal de origem196. do Código de Processo Civil).

com a igual eliminação da sustentação oral. 4. . as condições de admissibilidade. A pesquisa da legislação nacional revela a existência de dispositivo específico na Lei de Introdução ao Código de Processo Penal. submeter o procedimento recursal à legislação superveniente pode ocasionar grave ofensa a direito adquirido processual. a publicação da decisão não se confunde com a intimação da decisão198. Eis o teor do preceito que reforça a conclusão em favor da aplicação da legislação pretérita quanto ao procedimento recursal: “Já tendo sito interposto recurso de despacho ou de sentença. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. pUblICAçãO DA DECISãO E INTImAçãO DA DECISãO Resta. 20ª ed. p. a forma e o julgamento serão regulados pela lei anterior”. Há outro argumento em favor da aplicação da legislação anterior em relação ao procedimento recursal.91 consagra a regra da incidência da lei antiga até mesmo em relação ao procedimento. 86). O artigo 11 do Decreto-lei n. Como não há preceito específico no Código de Processo Civil acerca do direito intertemporal dos recursos. Daí a necessidade da aplicação do princípio da incidência da lei vigente ao tempo da prolação da decisão também em relação ao rito do recurso. a aplicação da nova lei em relação a recurso interposto com esteio na lei em vigor na data do proferimento da decisão recorrida fere direito adquirido processual. a orientação da incidência imediata da lei nova quanto ao procedimento recursal. porquanto desrespeita direitos (à inclusão em pauta e à sustentação oral) assegurados pela anterior legislação. Ainda com a mesma opinião: REsp n. Em síntese. É o que também sustenta o Professor BARBOSA MOREIRA: “Da publicação distingue-se conceptualmente a intimação da sentença” (O novo processo. o entendimento que predomina na doutrina e na jurisprudência. entretanto. aciona-se o artigo 126 do próprio Código de Processo Civil e o artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil. 198.. 2000.problema: imagine-se que a lei superveniente dispense a inclusão de determinada espécie recursal em pauta. Não é. examinar o significado do vocábulo publicação. À evidência. prevalece. 48. 14 . em prol da escorreita compreensão do direito intertemporal dos recursos. ao contrário.991/ES.

14. 144 . 427). No primeiro grau a decisão é publicada quando o juiz a entrega ao escrivão.. O ‘dia da sentença’ é aquele em que o juiz a publicou. p. 1974. em segunda instância. É o que também ensina o Professor GALENO LACERDA: “As de segundo grau. a precisa lição do Professor NERY JUNIOR: “Por ‘dia do julgamento’ deve-se entender a data em que foi efetivamente publicada a decisão impugnável. Após o julgamento de reclamação constitucional. quer seja em audiência. vale a pena conferir o seguinte trecho da ementa de acórdão didático: “Considera-se a sentença publicada no momento em que o juiz lhe dá existência legal. de 1951). julgando a ação de competência originária. deve ser expedido ofício à autoridade impetrada.021. Publicada decisão libera- 199. no momento em que o presidente. quase com as mesmas palavras (art. 5ª ed. o decisum passa a ter existência no mundo jurídico200. 69 e 71). são proferidas na sessão de julgamento. 875.991/ES. isto é. de si.28/96. artigo 18 da Lei n. cit. nas mãos do escrivão. § 2º). ou vencido este. que é o parâmetro para a fixação da recorribilidade e do regime jurídico do recurso que vier a ser interposto” (Princípios fundamentais. o presidente anunciará a decisão. quando colegiadas..08. mesmo que as partes ainda não tenham sido intimadas. de público. devemos distinguir a publicação que resulta do anúncio público da decisão pelo Presidente do Órgão julgador. Tanto que o artigo 46 do Código de Processo Civil proíbe a alteração ex officio do conteúdo da decisão publicada. isto é. ª Turma Cível do TJDF. a qual pode tornar esta já. O novo direito processual. 2000. Na mesma esteira. Confira-se. por oportuno. 1. na presença das partes e seus procuradores.5. de público. E o novo Código assim também dispõe. 4. 68. 200. eficaz — da publicação do julgado no órgão oficial. a decisão existe a partir desse momento”. De acordo. como condição ou termo inicial de fluência do prazo de recurso” (O novo direito processual. Por fim. 86). o ‘dia do julgamento’ é aquele em que o órgão colegiado proferiu o julgamento. p. Isto significa que. publicada decisão em processo de mandado de segurança. ainda. O Código revogado era explícito a respeito: ‘Proferido o julgamento.A publicação é o ato processual por meio do qual o magistrado singular ou o presidente do órgão colegiado externa oficialmente a decisão199. “Aliás. Publicado. o revisor’ (art. anuncia a decisão’ (Lacerda. artigo 206 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 11 da Lei n. p. designando para redigir o acórdão o relator. conhecendo ou não conhecendo do recurso. 68). quando não mais pode alterá-la (CPC 463). 48. O dia em que a decisão é publicada no órgão de imprensa — o dia da intimação — apenas serve de parâmetro para aferir-se a tempestividade de eventual recurso. o presidente do colegiado também deve determinar o imediato cumprimento da decisão. provendo ou improvendo o recurso. acórdão n. na jurisprudência: REsp n. mas não para a fixação do ‘dia do julgamento’. anuncia a decisão. 8. Diário da Justiça de 27 de junho de 2001. no instante em que a entrega à Secretaria ou quanto é juntada aos autos” (Apelação n. ‘no momento em que o presidente. quer em cartório. ou. Nos tribunais. p. de 1990). com a posterior lavratura do acórdão (cf. 556). independentemente de intimação (cf.

isto é. Diário da Justiça de 27 de junho de 2001. 9. 1998. na presença das partes e seus procuradores. e nos artigos 660. ou. quando não mais pode alterá-la (CPC 463). Também no mesmo sentido do texto: “Considera-se a sentença publicada no momento em que o juiz lhe dá existência legal.81/GO. inciso LXV. na doutrina: ERNANE FIDÉLIS. então. Volume I. Na primeira hipótese. nos termos dos artigos 242. ª Turma Cível do TJDF. Já os acórdãos dos órgãos judiciários coletivos são publicados no momento em que o presidente do colegiado anuncia o resultado do 201. p. É o que também ensina o Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO: “A publicação da sentença se dá com a formalidade da sua entrega ao cartório” (REsp n. Com efeito. 268 e 269. A partir de tal momento. A lição do Professor NERY JUNIOR também merece ser prestigiada: “Por ‘dia do julgamento’ deve-se entender a data em que foi efetivamente publicada a decisão impugnável. O ‘dia da sentença’ é aquele em que o juiz a publicou. Assim. No primeiro grau a decisão é publicada quando o juiz a entrega ao escrivão. da Constituição Federal. p. quer seja em audiência. a publicação e a intimação ocorrem no mesmo instante. 5ª ed. para que faça ou deixe de fazer alguma coisa”. quando ele a recebe das mãos do juiz e certifica nos autos. do Código de Processo Civil. não podendo mais alterá-la (art.28/96. “a sentença pode ser publicada na própria audiência. por vezes a lei determina o cumprimento da decisão logo após a respectiva publicação. o juiz cumpre e acaba seu ofício jurisdicional. portanto. em mãos do escrivão. Volume III. § 1º. no instante em que a entrega à Secretaria ou quando é juntada aos autos” (Apelação n. isto é. p. a publicação e a intimação não são concomitantes: a intimação é ulterior à publicação da decisão. p. 463)” (Manual. segundo o disposto no artigo 5º. a intimação é o “ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do processo. 86). nas mãos do escrivão” (Princípios fundamentais. Diário da Justiça de 22 de junho de 1998. 8). do Código de Processo Penal. 145 . Em suma. As decisões dos juízes de primeiro grau podem ser publicadas em dois momentos diversos: em audiência ou em mãos do escrivão ou do chefe de secretaria201. tomo I. 2000. 6ª ed. a decisão já existe para o Direito. Comentários ao Código de Processo Civil. ainda que não tenha sido realizada a intimação oficial. quer em cartório. 1980. Na segunda. 217). julgamento — mas não intimação. e 665. E a razão é simples: publicada. proferimento. Eis. e 506. 427).tória da prisão civil. deve ser imediatamente expedido ofício às autoridades competentes. inciso I. 4ª Turma do STJ... À vista do artigo 24 do Código de Processo Civil. 4. p. § 5º. os sinônimos de publicação: prolação. como se infere do inciso II do artigo 506.

de si. Tanto quanto sutil. da prolação da decisão. por conseqüência. ainda. p. prevalece. Aspectos. conforme revelam as didáticas lições da doutrina: “Convém precisar que a decisão do tribunal está juridicamente publicada com o próprio anúncio coram populo do resultado” (BARBOSA MOREIRA. É o que se extrai do artigo 556 do Código de Processo Civil. ou. ou seja. volume 251. Princípios fundamentais. O novo direito processual. O dia em que a decisão é publicada no órgão de imprensa — o dia da intimação — apenas serve de parâmetro para aferir-se a tempestividade de eventual recurso. isto é. Com efeito. julgando a ação de competência originária. conhecendo ou não conhecendo do recurso. 71). a diferença é muito relevante. que é o parâmetro para a fixação da recorribilidade e do regime jurídico do recurso que vier a ser interposto” (NERY JUNIOR. do proferimento20. O recurso rege-se pela lei do tempo em que proferida a decisão. 20. 5ª ed. provendo ou improvendo o recurso. Na verdade. p.julgamento202. porquanto o direito ao recurso nasce no primeiro momento. p. Revista Forense. p. cit. ou seja. 40). não há o grifo no original). O novo direito processual. Em suma. Julgamento colegiado. Questões de direito intertemporal. da prolação da decisão. é irrelevante para a solução de problema relacionado ao direito intertemporal dos recursos: vale a data do julgamento.. na jurisprudência: “1. Diário da Justiça de 1 de fevereiro de 2006. 1). p. p. a intimação serve apenas para fixar o termo inicial para a contagem do prazo recursal. De acordo. Não nos convencem as razões apresentadas por aqueles que tomam como proferida a decisão na sessão de julgamento”. 146 . conforme se infere do disposto nos artigos 242 e 506. mas não para a fixação do ‘dia do julgamento’. 202. A intimação. “nos tribunais. É nesse momento que nasce o direito subjetivo à impugnação” (EREsp n. do proferimento.526/MG. 1974. 14: “No que respeita às decisões proferidas em segundo grau de jurisdição ou. A data da intimação. “Aliás. A doutrina pátria tem prestigiado o mesmo entendimento defendido no texto. 1974. 556 do Código de Processo Civil. isto é. como condição ou termo inicial de fluência do prazo de recurso” (GALENO LACERDA. entretanto. concretizadas a publicação e a intimação em datas diferentes. para efeito de fixação da lei reguladora do recurso. Corte Especial do STJ. nos processos de competência originária dos tribunais. eficaz — da publicação do julgado no órgão oficial. a questão oferece maiores dificuldades. somente ocorre após a publicação da decisão. assim considerada nos órgãos colegiados a data da sessão de julgamento em que anunciado pelo Presidente o resultado. 649. de público. devemos distinguir a publicação que resulta do anúncio público da decisão pelo Presidente do Órgão julgador.. ainda. 68). ‘no momento em que o presidente. o ‘dia do julgamento’ é aquele em que o órgão colegiado proferiu o julgamento. anuncia a decisão’ (Lacerda. Em sentido contrário. e não quando ocorre a intimação oficial. 2000. proclamado o seu resultado pelo presidente do tribunal” (GALENO LACERDA. 2000. a norma em vigor na data da publicação. há autorizada doutrina: WELLINGTON PIMENTEL. é claro que a regra fundamental em matéria de recurso é esta: A lei aplicável é a do dia em que o acórdão foi proferido. nos termos do art. especialmente na prática forense. a qual pode tornar esta já. “Então. 427).

Capítulo vIII pRINCÍpIOS DO SISTEmA RECURSAl 1. 2. las seguientes funciones: 1º) Sirven de bases previas al legislador para estructurar las instituciones del proceso en uno u otro sentido. alguns princípios são específicos do sistema recursal pátrio.. pRINCÍpIO DO DUplO gRAU DE JURISDIçãO O princípio do duplo grau de jurisdição está consubstanciado na exigência de que uma mesma causa seja submetida à apreciação de dois órgãos 204. Introdução. 545 e 546). 3º) Constituyen instrumentos interpretativos de inestimable valor” (LINO ENRIQUE PALACIO. portanto. 11ª ed. é o “mandamento nuclear de um sistema. 186). orientações normativas integrantes da lei ou de seu espírito e que ajudam a expansão lógica do direito” (HERMES LIMA. razão pela qual merecem destaque em compêndio destinado ao estudo dos recursos. Princípio. 1996. p.. durante a elaboração das leis. verdadeiro alicerce dele. pRINCÍpIOS DO SISTEmA RECURSAl Os princípios jurídicos são os principais e originais alicerces do ordenamento jurídico. 1964. 6). é possível concluir: “Los principios procesuales cumplen. Do exposto. p. 1ª ed. Curso. 8ª ed. “São os princípios. 1995. así como el de los que rigieron en otras épocas. nos processos sob julgamento204. 147 . fundamentalmente. 2º) Facilitan el estudio comparativo de los diversos ordenamientos procesuales actualmente vigentes. quanto o julgador. no momento da aplicação e da interpretação delas. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo. porquanto influenciam e direcionam tanto o legislador. Manual. Além de outros tantos princípios jurídicos de sustentação do ordenamento jurídico brasileiro.. p. sob o ponto de vista jurídico. no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico” (BANDEIRA DE MELLO.

216. com o segundo de grau hierárquico superior ao primeiro205. ª ed. 2ª Turma do STF. p. não consubstancia garantia constitucional”. Diário da Justiça de 14 de setembro de 2001. entretanto. o duplo grau de jurisdição. 2ª Turma do STF. 60 e 61: “O duplo grau de jurisdição. Diante do disposto no inciso III do artigo 102 da Carta Política da República. p. O princípio do duplo grau de jurisdição. a exceção prevista no artigo 4 da Lei n. como se chegou a imaginar. 207. O duplo grau de jurisdição continua a fazer parte. na doutrina: MOACYR AMARAL SANTOS. omissis. já que a Constituição Federal é omissa no particular. conseqüentemente. inciso I.jurisdicionais distintos. 1999. não tem explícita previsão constitucional. a ação 205. p. 206. não constitui garantia constitucional. no âmbito da recorribilidade ordinária. o segundo de grau hierárquico superior ao primeiro”. pois não foi introduzido no elenco dos direitos e garantias constitucionais dos indivíduos e da sociedade” (não há o grifo no original). Ademais. consiste em admitir-se. 7: “JURISDIÇÃO — DUPLO GRAU — INEXIGIBILIDADE CONSTITUCIONAL. letras “a” a “r”. 208. à evidência. referente ao recurso de embargos infringentes de alçada da competência de juiz de primeiro grau207. razão pela qual são legítimas as restrições existentes na legislação processual. o conhecimento e decisão das causas por dois órgãos jurisdicionais sucessivamente. é possível afirmar que o princípio do duplo grau de jurisdição não é constitucional206. Em sentido semelhante. a ação direta de inconstitucionalidade. Não há. 8 e 84: “O princípio do duplo grau de jurisdição.257/SP — AgRg. O posterior capítulo XXVIII versa sobre o recurso de embargos infringentes de alçada. Primeiras linhas de direito processual civil. Diante da omissão da Constituição vigente. na doutrina: MANOEL ANTÔNIO TEIXEIRA FILHO. previsão de recurso algum para outro tribunal que configurasse grau superior para o reexame dos julgamentos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal nas ações de competência originária. como. por exemplo. por exemplo.. De acordo. No mesmo sentido. Diário da Justiça de 11 de dezembro de 1998. consagrado pela Revolução Francesa. na jurisprudência: “No ordenamento jurídico-brasileiro não existe a garantia do duplo grau de jurisdição” (RHC n. 6. da Constituição Federal. p. artigo 102. Cf.80. Ainda em sentido conforme: RE n. de nossa tradição infraconstitucional. Cadernos de processo civil. 64). as inúmeras ações cíveis e criminas de competência originária208 do Supremo Tribunal Federal revelam que o princípio do duplo grau de jurisdição não pode ser considerado absoluto. 148 . 80. de 1980.919/SP. no que revela cabível o extraordinário contra decisão de última ou única instância. 199. como. como regra. todavia. na Constituição Federal vigente.

p. somente em relação ao direito processual penal. Embora seja possível a conversão dos tratados e dos acordos internacionais 209. Com efeito. O tratado internacional situa-se formalmente no mesmo nível hierárquico da lei. Durante o processo. a regra reside na incorporação dos tratados internacionais pelo ordenamento jurídico nacional com a estatura de lei federal209. desde que submetidos às duas Casas do Congresso. em dois turnos. com maior razão. Volume III. às seguintes garantias mínimas: omissis h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior”. Eis o que dispõe o preceito do Pacto de São José da Costa Rica. toda pessoa tem direito.76/RJ. 45 dispõe que os tratados e acordos internacionais podem passar a ter natureza de norma constitucional derivada. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência. Hierarquia. a fim de que os mesmos passem a ter força de emenda constitucional. É certo que o § º do artigo 5º da Constituição Federal permite a conversão dos tratados e acordos internacionais relativos a direitos humanos. de preceito destinado apenas ao direito processual penal. Trata-se. a Emenda Constitucional n. em plena igualdade.declaratória de constitucionalidade. 159. “os tratados e as leis se equiparam. ratificado pelo Brasil em 1992: “Garantias judicias: omissis 2. a ela se equiparando” (REsp n. a ação rescisória.. Ainda em relação ao § 2º do artigo 5º da Constituição Federal. a combinação do § 2º do artigo 5º da Constituição Federal com a alínea “h” do número 2 do artigo 8º da Convenção Americana de Direitos Humanos garante a existência do duplo grau de jurisdição apenas no plano infraconstitucional e. Tanto que a letra “a” do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal equipara o tratado à lei federal para o cabimento do recurso especial. Os tratados são leis”. Primeiras linhas de direito processual civil. Daí a conclusão: não há previsão constitucional do duplo grau de jurisdição nem mesmo em relação ao processo penal. 1995. Em sentido semelhante: MOACYR AMARAL SANTOS. à evidência. Na precisa lição do eminente Ministro e Professor. além das várias outras ações arroladas no inciso I do artigo 102 da Constituição Federal. também não há quanto ao processo civil. mesmo assim. ª Turma do STJ). Sob outro enfoque. e desde que alcançada a maioria qualificada de três quintos em todas as votações. 149 . Ainda a respeito do tema. enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. 15ª ed. o mandado de segurança. merece ser prestigiado acórdão da relatoria do eminente Ministro e Professor EDUARDO RIBEIRO: “Tratado Internacional. Lei ordinária. 7.

420/PR. § 3º. Então. os inconformados só podem utilizar os recursos previstos na legislação federal. o princípio do duplo grau de jurisdição não tem previsão constitucional. 6. cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992. nem por isso. art. 211. porquanto nem existe o óbice do Pacto de São José da Costa Rica em relação ao processo civil. 515. Em sentido semelhante. no nosso ordenamento. existem diversas hipóteses. 515. sendo vedado o uso de recursos e expedientes inexistentes no direito positivo brasileiro vigente. que permite ao tribunal apreciar o mérito. § 4º.80. trata-se de garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos Humanos. 3. Aliás. porquanto da Convenção Americana de Direitos Humanos ainda não passou pela aprovação qualificada prevista no § º do artigo 5º da Constituição vigente210. devendo utilizar apenas os 210. 6. de 1980. em razão das várias exceções na própria Constituição Federal. como não há exigência expressa na Constituição de que sempre se obedeça ao duplo grau. na doutrina: “Todavia. que permite ao tribunal determinar a realização ou renovação de ato processual que contenha nulidade sanável. a alínea “h” do número 2 do artigo 8º do Pacto de São José da Costa Rica versa sobre o processo penal. em que ele não ocorre. mesmo em relação ao processo penal o princípio do duplo grau de jurisdição não pode ser considerado de estatura constitucional. 1ª Turma do STF. sem o grifo no original). Em sentido semelhante. antes de prosseguir no julgamento da apelação” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. podem ser qualificadas de inconstitucionais. quando haja nos autos elementos suficientes para tanto.. julgados pelo mesmo órgão que proferiu a sentença. pRINCÍpIO DA TAxATIvIDADE De acordo com o princípio da taxatividade. 4ª ed. os insatisfeitos não podem criar recursos. Volume I. Novo curso de direito processual civil. data posterior à promulgação Código de Processo Penal. os casos de competência originária do Supremo Tribunal Federal e os embargos infringentes da Lei de Execução Fiscal. ainda que a primeira instância não o tenha feito. 2007. e nos §§ º e 4º do artigo 515 do Código de Processo Civil vigente211. entre outros. mas que. na jurisprudência: “V — Ainda que não se empreste dignidade constitucional ao duplo grau de jurisdição. Também não há inconstitucionalidade na atual redação do CPC. Por tudo. Aliás. VI — A incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra prevista em tratado internacional tem o condão de modificar a legislação ordinária que lhe é anterior” (HC n. Nem no art. Diário da Justiça de 8 de junho de 2007. Daí a legitimidade das exceções consagradas no artigo 4 da Lei n. Podem-se citar. 150 . 88. a legitimidade das exceções relacionadas ao direito processual civil é ainda maior.sobre direitos humanos. p. em prol da aquisição de força de emenda constitucional. sem os grifos no original). nem é absoluto.

Com efeito. 1996. Cf. e h) embargos de divergência. a remessa necessária (ou reexame obrigatório).099 e no artigo 5º da Lei n. 10. o incidente de inconstitucionalidade. Tal dispositivo revela a adoção do princípio da taxatividade. e 5ª ed. O Código de Processo Civil de 199 tratava expressamente da singularidade recursal na segunda parte do artigo 809: “A parte poderá variar de 212. ª ed.. 2000. CARLOS MAXIMILIANO. a correição parcial (ou reclamação correicional).. o artigo 496 do Código de Processo Civil é o preceito que arrola os recursos existentes no sistema recursal codificado: a) apelação. a reclamação constitucional. d) embargos de declaração. p. também denominado princípio da unicidade e da unirrecorribilidade. a uniformização de jurisprudência. o previsto na legislação como adequado à impugnação do decisum causador do inconformismo. 1996. qual seja. como o recurso inominado inserto no artigo 41 da Lei n. 44 e 45. há outros recursos previstos em leis federais especiais. 2 e 24. c) embargos infringentes. o incidente de suspensão. além das espécies arroladas no artigo 496 do Código. e NERY JUNIOR. a cautelar originária.previstos na legislação em rol taxativo. 4. os quais também podem ser utilizados nas hipóteses estabelecidas pelo legislador. que é o repositório das espécies que compõem o sistema recursal codificado. Princípios fundamentais. consoante o exposto nos respectivos capítulos do tomo II do presente compêndio. b) agravos. a homologação de sentença estrangeira. a carta rogatória e a ação rescisória não são recursos. São essas as espécies que integram o sistema recursal cível brasileiro. e) recurso ordinário. Realmente. Já o recurso adesivo. g) recurso extraordinário. Hermenêutica. pois aponta as espécies recursais que compõem o sistema recursal codificado. p. 6.259. o pedido de reconsideração. p. pRINCÍpIO DA SINgUlARIDADE O princípio da singularidade. exaustivo. e os embargos infringentes de alçada previstos no artigo 4 da Lei n. 24. 9. f) recurso especial. Porém. 16ª ed. a legislação processual civil esparsa estabelece outras espécies recursais.80. o que é confirmado pela existência do vocábulo restritivo “seguintes”212 no bojo do caput do artigo 496 do Código de Processo Civil. o mandado de segurança. está consubstanciado na exigência de que cada decisão seja atacada por apenas um recurso.. mas apenas institutos afins. 151 .

que é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau que põe termo ao processo. Tratando-se de decisão de inadmissão dos recursos extraordinário ou especial. Já a sentença lançada em ação processada perante os Juizados Especiais Cíveis pode ser impugnada por meio do recurso inominado previsto no artigo 41 da Lei n. todavia. Mas as exceções ao binômio sentença-apelação não configuram ofensa ao princípio da unicidade. 247. É que em cada uma das hipóteses estudadas cabe uma determinada espécie recursal contra a sententia. a apelação é o recurso apropriado para impugnar sentença. a regra é a de que não “há a interponibilidade de dois ou mais recursos. passível de ataque por meio de recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. Volume V. e 557. todavia. de mais de um recurso”. Além de 21. p. parágrafo único. 41). em alguns casos. Já a decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal judiciário é passível de ataque por meio de agravo interno. nos termos do artigo 105. O processo.08. bem como no artigo 9 da Lei n. é cabível o agravo de instrumento previsto no artigo 544 do Código. Realmente. 545. É o caso da sentença proferida nas causas internacionais.80 está sujeita a ataque via embargos infringentes de alçada.259. À luz do artigo 51 do Código de Processo Civil. Porém. A sentença de que cuida o artigo 4 da Lei n. usar. p. alínea “c”. a decisão interlocutória pode ser atacada por meio de agravo — que terá processamento retido ou por instrumento. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. todos do Código de Processo Civil vigente. p. Comentários. Tomo VII. De acordo. § 1º. ao mesmo tempo. A primeira reside na possibilidade da interposição de embargos declaratórios e de outro recurso contra uma mesma decisão21. conforme a escolha do agravante e. ª ed. Ainda que implicitamente. Como bem ensina PONTES DE MIRANDA. 10. Decisão de Presidente de Tribunal que inadmite recurso especial. 6. 1999. pois fixa um recurso para cada tipo de decisão.099 e do artigo 5º da Lei n. conforme se depreende do disposto nos artigos 120.. a sentença deve ser combatida por meio de outros recursos. nem a interposição de outro recurso o preexclui” (Comentários. Em sentido conforme. o Código vigente também prestigia a singularidade recursal. de 1990.recurso dentro do prazo legal. da Constituição de 1988. Admissibilidade. não podendo. em algumas hipóteses excepcionais expressamente previstas na legislação. 7ª ed. que não afasta outro recurso. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. à luz do diploma atual. contém exceções ao princípio da singularidade.. O sistema recursal cível. segundo a exigência legal. 1998. A circunstância de ser 152 . 52. na jurisprudência: “Embargos Declaratórios. 8. 1999. 167. inciso II. mas há exceção: o recurso de embargos declaratórios. 9.

A parte do acórdão concessiva da ordem pode ser combatida por meio de recursos extraordinário e especial — desde que atendidas as exigências previstas nos artigos 102. Por oportuno. e 105. Porém. Realmente. Do contrário. 248: “PROCESSUAL CIVIL. em regra. O princípio da unirrecorribilidade. veda. há autorizada jurisprudência: Ag n. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. A possibilidade da interposição simultânea de recursos especial e extraordinário contra um mesmo acórdão configura outra exceção ao princípio da singularidade.207/RS — AgRg). p. 22. pois a mesma decisão jurisdicional fica exposta à impugnação por mais de um recurso. inciso II. é necessária a interposição simultânea de recursos extraordinário e especial. por ausência de utilidade. inciso III. da Constituição Federal. 48. 15 . Embargos de declaração não conhecidos”. a interposição simultânea de vários recursos contra a mesma decisão judicial.poder ser impugnada por recurso específico. toda decisão jurisdicional pode ainda ser atacada por meio de embargos declaratórios. entretanto. recursos que podem ser interpostos até mesmo em conjunto214. qual seja. Na verdade. convém lembrar que o julgamento proferido por corte regional ou local em mandado de segurança originário pode ocasionar sucumbência recíproca. Portanto. 1ª Turma do STJ. nem mesmo a regra da interposição do recurso específico após os declaratórios descaracteriza a exceção estudada. o recurso apresentado isoladamente não ultrapassa a barreira da admissibilidade. já que ambos têm como alvo o mesmo julgado. inciso III. 214. Já a parte do aresto na qual houve denegação da segurança só pode ser impugnada via recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. É o que estabelece o verbete n. tendo em vista a permissão do caput do artigo 58 do Código de Processo Civil. vigente no sistema processual civil brasileiro. quando a conclusão do acórdão recorrido está sustentada por dois fundamentos autônomos e suficientes per se. 1. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE DOS RECURSOS. 126 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Diário da Justiça de 2 de dezembro de 2002. É certo que geralmente o recurso específico é interposto após o julgamento dos embargos de declaração. conforme o disposto no artigo 105. o decisum embargado. tratando-se de acórdão com capítulos denegatório e concessivo em mandado de segurança originário de cabível agravo de instrumento não afasta a possibilidade do pedido de declaração” (Ag n. alínea “b”. Em sentido contrário.568/SC — AgRg — EDcl. 2. um de índole constitucional e outro de cunho infraconstitucional. ambos da Constituição de 1988. tratase de exceção ao princípio da unicidade.

No que toca especificamente à admissibilidade da interposição de recursos principal e adesivo contra o mesmo julgado. recursos especial e extraordinário). o primeiro recurso também não ultrapassa a barreira da admissibilidade. extraordinário e especial. com a impugnação da decisão na parte em que foi proferido o julgamento desfavorável. convém lembrar que a sucumbência recíproca enseja a interposição de mais de um recurso contra o mesmo pronunciamento jurisdicional. Por força do instituto da preclusão consumativa. É outra exceção existente no sistema recursal cível quanto ao princípio da singularidade. Por conseguinte. Tal possibilidade. pela via adesiva. a interposição de dois recursos contra um mesmo decisum conduz à prolação de juízo de admissibilidade negativo do interposto por último. o primeiro recurso também está sujeito ao crivo do juízo de admissibilidade. Ao revés. são cabíveis recursos ordinário. o fato de um recurso ter sido apresentado em primeiro lugar não significa que o mérito do inconformismo deve ser apreciado pelo órgão julgador. Porém. a sucumbência recíproca e a permissão da interposição de um recurso por cada uma das partes não contrariam o princípio da singularidade. não é admissível a interposição de recursos principal e adesivo pelo mesmo litigante. 154 . nem mesmo exceção ao princípio em estudo. Com efeito. Por último. Com efeito. ressalvadas as exceções já estudadas (verbi gratia. com as mesmas exceções da sucumbência unilateral. Ausente algum dos pressupostos recursais. a mesma espécie recursal interposta pelo adversário.tribunal regional ou local. entretanto. o direito de recorrer é exercido com o oferecimento do primeiro recurso. Em resumo. Em primeiro lugar. o princípio da unicidade prevalece até mesmo na sucumbência recíproca. não configura afronta ao princípio da singularidade. Fora das exceções estudadas. efetuado normalmente tanto pelo órgão de origem quanto pelo órgão julgador. salvo quando for possível a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. convém registrar que o recurso adesivo não configura espécie recursal autônoma. apenas o litigante que ainda não recorreu pode exercer o respectivo direito de acionar. cada sucumbente parcial interpõe apenas um recurso. quando ocorre a consumação do respectivo direito de recorrer. por vezes um principal e o outro adesivo. mas mero procedimento recursal secundário. É certo que os litigantes simultaneamente sucumbentes que desejam a interposição imediata também devem aviar a mesma espécie recursal.

inciso III. p. Dicionário jurídico. 207 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem”. pRINCÍpIO DO ESgOTAmENTO DAS vIAS RECURSAIS O princípio do esgotamento das vias recursais está consubstanciado na exigência de que o vencido utilize todos os recursos cabíveis perante o juízo ou o tribunal a quo antes de interpor recurso para corte ad quem. portanto. 155 .08. todos do Código de Processo Civil. 52.. É que decisum monocrático de membro de corte judiciária pode ser impugnado por meio de agravo interno (ou regimental). parágrafo único. Decisão monocrática de autoria de relator também não está sujeita a imediata apreciação por tribunal ad quem. 545 e 557. “Recurso per saltum — é aquele em que se salta sobre o tribunal normalmente competente para conhecer dos recursos” (JOÃO MELO FRANCO e ANTÓNIO HERLANDER ANTUNES MARTINS. 592). 1995. Nosso ordenamento jurídico contempla várias hipóteses que dão ensejo à aplicação do princípio do esgotamento. vale conferir o enunciado n.08. sem a prévia interposição do agravo regimental não há julgado proferido “em única ou última instância”. reparação judicial buscada em instância superior. E a ausência da interposição de recurso cabível na justiça de origem conduz à inadmissibilidade do recurso subseqüente. conforme exigem os artigos 102. de 1990. Com efeito. no direito brasileiro a figura do recurso per saltum215. É o que estabelecem os artigos 120. da Constituição Federal. § 1º. em prejuízo do impetrante. É que só há julgado proferido “em única ou última instância” após a utilização do último recurso cabível perante o tribunal a quo. é inadmissível recurso para tribunal superior quando cabíveis embargos infringentes na corte de origem. 72). inciso III. 8. Uma das mais freqüentes está prevista no artigo 50 do Código de Processo Civil. bem como o artigo 9 da Lei n. de 1990. Não cabe recurso ordinário contra decisão de magistrado de tribunal que julga isoladamente mandado de segurança. “Recurso per saltum.. Só cabe recurso ordinário após o julgamento do 215. ª ed. com preterição da instância própria” (OTHON SIDOU. nos termos do artigo 9 da Lei n. 4ª ed. p. e 105. Com efeito. 8. 1997. Não há. A propósito. Dicionário de conceitos e princípios jurídicos.5. pois pode ser atacada por meio de agravo interno (ou regimental) para a própria corte de origem.

decisão monocrática proferida por relator em sede de recursos extraordinário e especial não é passível de impugnação via embargos de divergência. inciso III. Já o posterior acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso ordinário em mandado de segurança pode ser atacado via recurso extraordinário. Com efeito. A rigor. por mais notório que seja o dissídio jurisprudencial. 6. Também não cabe recurso extraordinário contra a sentença de que cuida o caput do artigo 4 da Lei n. Com efeito.80. Já os embargos de divergência só podem ter como alvo “decisão da turma”. acórdão.agravo regimental — e desde que a segurança também seja denegada pelo colegiado. Reside aí a tradicional exigência do 156 . de 1980. no que tange ao acórdão proferido em agravo regimental interposto contra decisão monocrática prolatada em recursos extraordinário ou especial. À luz dos artigos 102. só após o julgamento do agravo interno (ou regimental) pelo órgão colegiado é admissível o recurso de embargos de divergência. É o que se infere do caput do artigo 546 do Código de Processo Civil. quando couber. ainda que a corte de origem tenha solucionado questão exclusivamente de direito constitucional federal. Do mesmo modo. Só o decisum proferido no julgamento dos embargos infringentes de alçada pode ser combatido por meio de recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. não cabe recurso extraordinário contra julgado sujeito a recurso ordinário. 281 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É inadmissível o recurso extraordinário. nada impede a apresentação de embargos de divergência. recurso ordinário da decisão impugnada”. estão em julgamento os próprios recursos extraordinário e especial. Igualmente. É o que estabelece o verbete n. ou seja. porquanto. e 105. Na verdade. O acesso à Suprema Corte está condicionado ao prévio oferecimento de recurso inominado para turma recursal dos juizados. a decisão monocrática está sujeita a ataque por meio de agravo interno (ou regimental). ambos da Constituição Federal de 1988. em última instância. Tratando-se de ação processada nos Juizados Especiais. a sentença não pode ser impugnada diretamente via recurso extraordinário. inciso III. o cabimento dos recursos extraordinário e especial depende de decisão “em única ou última instância” sobre a matéria submetida à apreciação da corte ad quem. acórdão denegatório de segurança proferido em única instância por tribunal regional ou local é passível de impugnação por meio de recurso ordinário. Só o acórdão proferido pelo colegiado desafia recurso extraordinário. na Justiça de origem.

Realmente. sem a prévia interposição do cabível na justiça de origem. Todavia. quando não ventilada. não tem aplicação no que tange à ação rescisória. O silêncio do tribunal de origem acerca do tema tratado no recurso interposto para a corte superior conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. na decisão recorrida. O enunciado n. A precipitação na interposição de recurso. a questão federal suscitada”. O acesso ao tribunal superior via recursos extraordinário e especial depende da prévia utilização do recurso — de embargos declaratórios — cabível contra o decisum omisso. o princípio norteia apenas o sistema recursal. Em síntese. Por força do artigo 515. o acesso aos tribunais e aos órgãos colegiados superiores depende do prévio esgotamento dos recursos cabíveis perante a justiça de origem. contraditório ou obscuro. nos termos do artigo 540. princípio que geralmente prevalece até mesmo em relação ao recurso de declaração. a apelação e o ordinário são exceções à regra do esgotamento das vias recursais. Daí a necessidade da prévia interposição de embargos de declaração. sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios. Com efeito. Aliás. conforme revelam o verbete n. não pode ser objeto de recurso extraordinário. 56 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e os enunciados 98 e 211 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça.prequestionamento. à luz do sistema recursal cível brasileiro. e do artigo 516. a ausência de prévios embargos declaratórios não impede a admissibilidade da apelação. 56 da Súmula da Corte Suprema reforça: “O ponto omisso da decisão. §§ 1º e 2º. segundo o verbete n. a fim de que o tribunal de origem solucione explicitamente o assunto a ser submetido à apreciação da corte ad quem. 282 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. sem o esgotamento das vias recursais anteriores. convém lembrar a existência de exceções. Igual raciocínio serve para o recurso ordinário. “é inadmissível o recurso extraordinário. é possível concluir que a ausência da prévia interposição de embargos de declaração na origem não torna inadmissível a imediata apelação interposta para o tribunal ad quem. a admissibilidade da ação rescisória não está condicionada ao esgotamento das vias recursais cabíveis contra o decisum proferido no processo originário. por faltar o requisito do prequestionamento”. Porém. Com efeito. Por fim. ambos do Código de Processo Civil. É o que esta157 . conduz à prolação de juízo negativo de admissibilidade. considerada a regra da inadmissibilidade de recurso endereçado a tribunal ad quem. mesmo que o recurso apelatório tenha como único objetivo a cassação da sentença. ou seja. a regra consubstanciada no princípio do esgotamento das vias recursais comporta exceções.

como bem atesta o proêmio da conclusão n. diante da existência de dúvida objetiva acerca do recurso cabível. 6. desde que o recorrente. ainda que contra ela não se tenham esgotado todos os recursos”. cujo teor era o seguinte: “Salvo a hipótese de má-fé ou erro grosseiro. A conclusão da subsistência do instituto da fungibilidade é reforçada pelo artigo 579 do Código de Processo Penal. Escoado o prazo recursal. Na mesma esteira. Por tudo. conforme revela o artigo 579. não tenha cometido erro grosseiro ao impugnar o pronunciamento jurisdicional causador do inconformismo.belece o correto enunciado n. devendo os autos ser enviados à Câmara. Com efeito. ou Turma. tem-se o acesso à ação rescisória. ainda que sem a interposição de recurso algum contra o decisum rescindendo. 1 do 5º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Continua vigorante em nosso Direito Processual Civil o princípio da fungibilidade dos recursos”. Não obstante. 4. o Código de Processo Penal de 1941 também prestigiou a fungibilidade recursal. A respeito do tema. a fungibilidade recursal subsiste no sistema recursal cível vigente. o princípio da fungibilidade só tem aplicação se o recorrente não comete erro grosseiro ao interpor o recurso contra a decisão desfavorável. Com efeito. A fungibilidade recursal consiste na admissibilidade da troca de um recurso por outro.1. Em contraposição. o Código de Processo Civil vigente não contém dispositivo específico em prol do instituto. generalidades O Código de Processo Civil de 199 consagrou o instituto da fungibilidade recursal no artigo 810.657 e do artigo 126 do Código de Processo Civil. 55 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Admite-se a fungibilidade dos recursos 158 . pRINCÍpIO DA fUNgIbIlIDADE RECURSAl 6. a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro. é possível concluir que o princípio da fungibilidade também norteia o sistema recursal cível. em virtude da compatibilidade do instituto com o disposto nos artigos 154. 244 e 250 do atual Código de Processo Civil. preceito também aplicável ao sistema recursal cível à luz do artigo 4º do Decreto-lei n. merece ser prestigiada a conclusão n. a que competir o julgamento”. prevalece na doutrina e na jurisprudência o correto entendimento de que a fungibilidade subsiste no atual sistema recursal cível. 514 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em julgado.

. revela-se razoável que se exonere a parte de eventual inadequação do recurso interposto. denominá-los de sentença. Também é aceitável o erro na interposição quando o próprio julgador confere ao respectivo pronunciamento título incompatível com o conteúdo da manifestação jurisdicional. tem-se por satisfeita a exigência da dúvida objetiva. ao iniciarem o ato. porquanto o jurisdicionado foi conduzido em falsa pista216. É o que ocorre.desde que inocorrente o erro grosseiro. diante de divergência na doutrina ou na jurisprudência acerca do recurso cabível. apesar da prolação de verdadeira decisão interlocutória. v. o que torna escusável a troca no oferecimento do recurso correto pelo inadequado. tanto o juiz a quo quanto o tribunal ad quem devem aplicar — e de ofício — o princípio da fungibilidade recursal. 216. por exemplo. após a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. O eventual erro na interposição do recurso deve ser sanado mediante a fungibilidade recursal. quando o juiz confere o título “sentença”. se o próprio julgador categoriza equivocadamente o seu ato judicial. em relação ao recurso adequado. todavia. razão pela qual gera dúvida razoável sobre a via recursal a ser utilizada. ou quando a própria legislação conduz ao cometimento do equívoco na interposição. 159 . Daí a conclusão: o erro grosseiro na interposição de recurso não pode ser sanado por força do princípio da fungibilidade. merece ser prestigiada a melhor doutrina: “Nessas hipóteses. Sem dúvida. reconhecer a impropriedade do recurso interposto pela parte. o recurso interposto deve ser processado com a observância do procedimento do recurso correto.g. não é panacéia. Assim. Trata-se de princípio jurídico cuja incidência está condicionada à observância da técnica processual desenvolvida na vigência do Código de 199. Em contraposição. Ausente o erro grosseiro. e aperfeiçoada pela doutrina moderna. é comum na decisão dos incidentes processuais os juízes. com o recebimento do recurso inadequado como se fosse o cabível. desde logo. Inexiste este quando há acentuada divergência doutrinário-jurisprudencial sobre qual seria o recurso próprio”. como bem revela o parágrafo único do artigo 579 do Código de Processo Penal: “Se o juiz. mandará processá-lo de acordo com o rito do recurso cabível”. Com efeito. Há erro grosseiro quando o inconformado interpõe recurso em total desconformidade com o texto legal e em desacordo com a orientação uniforme dos doutores e dos tribunais. No mesmo sentido. A fungibilidade recursal. o recurso incabível passa a ser processado como se fosse o recurso adequado.

a que resolve a impugnação ao valor da causa. o jurisdicionado não pode ser prejudicado pelas falhas do sistema recursal ou do próprio Judiciário. conforme se infere da última parte da conclusão n. de decisões interlocutórias. A proibição da incidência do princípio quando o recurso incabível não é apresentado no prazo do apropriado configura restrição inaceitável. — Embargos de declaração contra decisão monocrática: há séria divergência em relação ao cabimento de embargos declaratórios contra decisão monocrática proferida por magistrado de tribunal. Sob outro prisma. em caso de erro grosseiro e excesso do prazo previsto para o recurso cabível”. o indeferimento do litisconsórcio. a rejeição da reconvenção. na essência. induzida em erro pela lei ou pelo tribunal. a qual traz prejuízos irreparáveis na prática forense. todavia. inaplicável. A melhor orientação está consagrada no proêmio da proposição n.2. 1 do 5º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Continua vigorante em nosso direito processual civil o princípio da fungibilidade dos recursos. conforme o caso.Do exposto é possível concluir: o escopo do instituto da fungibilidade recursal é evitar o perecimento do direito do recorrente. 6. como. Não obstante.g. de muitos casos de dúvida objetiva acerca do recurso apropriado. a parte. faz jus à chancela da fungibilidade” (LUIZ FUX. 2ª ed. por vezes ameaçado por lacunas. prevalece outro entendimento na jurisprudência. Alguns exemplos podem facilitar a compreensão do tema. as impugnações quanto à penhorabilidade no curso da execução e as liminares em geral. Em qualquer caso. em razão da existência. 160 . 2008. 74 da Segunda Subseção do quando. porquanto a quase totalidade dos recursos é apresentada nos últimos dias dos respectivos prazos legais.. não há legislação alguma acerca da obrigação da interposição de um recurso no prazo estabelecido para o oferecimento de outro. contradições e impropriedades existentes na legislação ou perpetradas pelo próprio prolator do provimento jurisdicional. não parece acertada a orientação de que o princípio da fungibilidade só pode ser aplicado quando o recurso impróprio é interposto no prazo do adequado. na prática judiciária. Pelo mesmo raciocínio. Hipóteses de fungibilidade recursal Existem várias hipóteses que ensejam a fungibilidade recursal. v. A reforma do processo civil.. se trata. 15). na qualidade de relator. em verdade. vice-presidente ou presidente. p. Nesses casos. como ocorre quando o juiz confere denominação equivocada ao respectivo pronunciamento.

Interposição de Embargos de Declaração. 1ª Turma do STF. I. p. com verdadeira contradictio in terminis.717/DF — AgRg — EDcl.Tribunal Superior do Trabalho: “Embargos declaratórios contra decisão monocrática de relator. Fundamentos não afastados. Autorizada corrente jurisprudencial nega. Agravo regimental desprovido” (não há o grifo no original). ao argumento de que o agravo interno ou regimental é o único recurso cabível. pelo Ministro Relator”. 2. Conferir: RE n. Recursos no processo penal. Conversão dos embargos em agravo regimental”. do RISTF.210/CE — EDcl. p. 05. 2001. Também assim: RE n.979 — EDcl. 557 do CPC. 5. Cabimento”. 2ª Turma do STF. conforme revela a precisa conclusão n. a doutrina sustenta o cabimento do recurso de declaração contra qualquer decisão jurisdicional. 690: “Embargos de declaração que se convertem em agravo regimental. no entanto. Cf. 454. — Apelação e agravo na argüição de falsidade: o artigo 95 do Código de Processo Civil estabelece que o “incidente” de argüição de falsidade é julgado mediante “sentença”. 3. com o aproveitamento do recurso de declaração como agravo interno ou regimental219. Na mesma esteira. 337. 152 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito de São Paulo: “Embora a lei preveja embargos de declaração apenas de sentença e acórdão. calcada no art. p. Não obstante. ª ed. 21. que. Recurso incabível contra despacho singular de relator. enquanto não ocorrer preclusão”217. 161 . Conferir: MS n.. Igualmente: AI n. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTERPOSTOS DE DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. qualquer decisão judicial pode ser embargada. Diário da Justiça de 15 de outubro de 1999: “Recurso extraordinário inadmitido. 4. 219. 24.885 — EDcl. 242. 1171: “Não cabem embargos de declaração contra decisão monocrática proferida. podem ser convertidos em agravo regimental” (não há o grifo no original). Diário da Justiça de 9 de junho de 2000. 704: “PROCESSUAL CIVIL. — Esta Corte já firmou entendimento de que contra decisão monocrática do relator não cabem embargos de declaração. até mesmo a corrente contrária ao cabimento dos embargos de declaração reconhece a existência de entendimento doutrinário e jurisprudencial em favor da adequação dos declaratórios. o cabimento dos declaratórios contra decisão monocrática218. porquanto os incidentes são resolvidos por meio de decisões interlocutórias 217. entretanto. o que enseja a aplicação do princípio da fungibilidade. ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. Embargos de declaração que se examinam como agravo regimental. omissis. Diário da Justiça de 27 de setembro de 2002. Diário da Justiça de 27 de maio de 1994. nos termos do art. p. 218. — Embargos de declaração interpostos de decisão singular do Relator. Pleno do STF. no Supremo Tribunal Federal. 2ª Turma do STF.

p. na doutrina: MOACYR AMARAL SANTOS. Saraiva. Volume III. 400. enquanto as sentenças são apeláveis.. ou tem natureza de ação e forma um processo diverso do denominado “processo principal”. 582: “De todo modo — e inclusive porque a jurisprudência é extremamente insegura a respeito — jamais seria grosseiro o erro consistente na escolha do agravo em todos os casos. 221. com a demonstração da séria divergência jurisprudencial acerca da interpretação do artigo 95 do Código de Processo Civil.21/RS. Comentários ao Código de Processo Civil. Em prol do cabimento do recurso de apelação. 1996. No mesmo sentido. Curso sistematizado de direito processual civil. ª ed. Diário da Justiça de 4 de maio de 1992. p. Tomo IV. 22. na doutrina: CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. 70. Daí a incidência do princípio da fungibilidade dos recursos22. tendo em vista a regra consagrada no artigo 51.. n. 1ª ed.1 do Capítulo 2 da Parte IV do vol. nota 186). 2005. 222. 5a ed. 2007. Rio de Janeiro. conseqüentemente. Diário da Justiça de  de março de 1997. Tomo IV. p. Volume IV. 395 e. mas apenas quando a argüição de falsidade é resolvida no curso do processo.992/RS. de que se ocupa o n. a 220. Em prol do cabimento do recurso agravo de instrumento. Volume II. também merece ser conferido o inteiro teor do acórdão proferido pela ª Turma do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n. A favor do cabimento da apelação quando a argüição é julgada em autos apartados: REsp n. nos mesmos autos: REsp n. PONTES DE MIRANDA e SERGIO BERMUDES. na doutrina: ANTÔNIO CARLOS DE ARAÚJO CINTRA. Diante das contradições nos termos dos artigos 94 e 95 do Código de Processo Civil. Com efeito. Instituições de direito processual civil. p. também em favor da aplicação da fungibilidade recursal. 19. p.. 1976. 4657.. 5889. 162 . O Professor SERGIO BERMUDES também reconhece a divergência doutrinária e jurisprudencial. tanto a doutrina quanto a jurisprudência estão divididas220 acerca do cabimento dos recursos de agravo221 e de apelação222. ª ed. ou a argüição de falsidade é incidente do processo único. 0. conseqüentemente agravável” (Comentários ao Código de Processo Civil.. tendo em vista as declarações dos votos vencedores e vencido. 247. in verbis: “Entretanto. 2000. Comentários ao Código de Processo Civil. 1996. porque ela corresponde com precisão aos conceitos de direito processual colocados pelo próprio Código de Processo Civil”. A favor do cabimento do agravo. 5. p. porquanto as expressões “incidente de falsidade” e “processo principal” são incompatíveis entre si. tomo l. à luz dos artigos 162 e 522. tem ampla incidência. Comentários ao Código de Processo Civil. 400. 1ª ed.agraváveis. Igual contradição há no artigo 94 do Código de Processo Civil. sobre qual é o recurso dela cabível. 10. 1” (CÁSSIO SCARPINELLA BUENO. havendo pronunciamentos que consideram decisão interlocutória o ato que julga a argüição de falsidade. p. doutrina e jurisprudência oscilam. Forense. 8 e nota 186. Volume IV. A propósito. ainda na doutrina: “Como há acirrada discussão da doutrina quanto à natureza da decisão que declara a autenticidade ou a falsidade do documento para os fins do art. 4ª Turma do STJ. Também em prol da fungibilidade recursal. 4ª Turma do STJ. na espécie. 290).18/PR. São Paulo. p. o chamado ‘princípio da fungibilidade recursal’.

14 e 15. demanda) incidental no mesmo processo. de impedimento e de suspeição). sem dúvida. Em contraposição. a regra é o julgamento conjunto da demanda originária e da reconvenção na mesma sentença. inciso I. 16 . ação declaratória incidental. Não obstante. a demanda originária e a reconvenção. Trata-se. conforme o caso. constata-se que a reconvenção é veiculada “no mesmo processo”. a interpretação literal dos preceitos conduz à conclusão do cabimento da apelação também quando há o indeferimento da petição inicial da reconvenção em pronunciamento específico. Daí a conclusão: a recorribilidade do indeferimento da petição inicial da reconvenção não pode ser solucionada apenas à luz dos artigos 162.. 1977. O novo conceito de sentença. Não há divergência na doutrina nem na jurisprudência acerca da perfeita incidência do artigo 51: cabe apelação contra a sentença por meio da qual o juiz resolve. de sentença apelável. § 1º. portanto. 127 e 128. a reconvenção é a resposta por meio da qual o réu pode ajuizar ação (melhor dito. 267.fim de que tanto as apelações quanto os agravos sejam recebidos e conhecidos. a um só tempo. também é 224. p. impugnação ao valor da causa. tendo em vista a combinação dos artigos 162. com o cabimento do recurso de apelação. não há sentença apelável. Enquanto a contestação é a resposta defensiva do réu. e nota 4-a. reconvenção. § 1º.. 2006. o réu pode oferecer várias respostas (contestação. 267 e 51. o problema também pode ser solucionado sob outro prisma. o mesmo processo passa a ter duas demandas: “a ação principal” (artigo 15) e a reconvenção. 1996. com a formulação de pedido próprio contra o autor. À vista do artigo 15. Recursos cíveis. Com efeito. a reconvenção é a resposta por meio da qual o réu pode contra-atacar. todos do Código de Processo Civil. Volume VII. artigo 18). quando o juiz resolve apenas uma delas. Com efeito. À vista do artigo 18 do Código de Processo Civil. p. Há sentença. 80 a 84. decisão interlocutória agravável. MARCOS AFONSO BORGES. n. e SERGIO BERMUDES. A divergência surge quando o juiz indefere a petição inicial da reconvenção em pronunciamento específico. Comentários ao Código de Processo Civil. sim. DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO NEVES. 101. p. 2ª ed. quando o juiz resolve “a ação e a reconvenção” (cf. Por conseguinte. Volume I. exceções de incompetência relativa. Autorizada doutrina224 sustenta o cabimento da apelação. e 51. 2ª ed. Reforma do CPC. Cf. mas. — Apelação em reconvenção: ao ser citado.

FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS. Curso de direito processual civil.7. Manual de direito processual civil. DECISÃO QUE INDEFERE in LiMine RECONVENÇÃO. 3 — Deu-se provimento” (AI n. 29. FREDIE DIDIER JR. Com efeito.. “PROCESSUAL CIVIL. 1 — Não configura hipótese de erro grosseiro ou má-fé a interposição de apelação ao invés de agravo de instrumento no caso de indeferimento liminar em reconvenção. n. artigo 522). 129. 2 — Aplica-se o princípio da fungibilidade recursal para receber a apelação como agravo de instrumento desde que interposta no prazo do agravo.000452-2. p. Diário da Justiça de 1 de agosto de 2004. Resta saber se a interposição da apelação conduz ao juízo negativo de admissibilidade do recurso. 2007. De acordo. Volume II. respectivamente. mesmo na literatura publicada após o advento da Lei n. APELO INTERPOSTO. Lições de direito processual civil. § 1º. tomo I. Em sentido conforme. RECURSO RECEBIDO COMO AGRAVO. Volume I. 2006. 2007. 2004. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS. O recurso cabível da decisão que indefere liminarmente a reconvenção é o agravo. 2008. 176. p. Volume I. 9ª ed.. p. MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. na jurisprudência: “AGRAVO DE INSTRUMENTO. aplica-se na hipótese o princípio da fungibilidade dos recursos. ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. Volume I.. e VICENTE GRECO FILHO. 95 e 96. 2006. 225. dos Códigos de Processo Civil e Penal. de 2005: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 149 e 150. 18ª ed. A rigor. 5ª ed. em dez dias (cf. 15ª ed. diante da dúvida objetiva existente acerca do cabimento de recurso contra o pronunciamento de indeferimento da petição inicial da reconvenção. Novo curso de direito processual civil. 11. sem o grifo no original). a interposição da apelação não pode ser considerada erro grosseiro. 470. preceitos específicos acerca da reconvenção. Volume II. Ante a inexistência de erro grosseiro ou má-fé. o Código de Processo Civil enseja duas conclusões. 2ª Turma Cível do TJDF.2. 45 e 46. p.. CÁSSIO SCARPINELLA BUENO. a despeito de não haver este reproduzido norma semelhante à 164 . APELAÇÃO RECEBIDA COMO AGRAVO. p. p. Curso sistematizado de direito processual civil. NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA INTEMPESTIVIDADE. 226. eis que tal princípio subsiste no sistema do CPC de 1973. a fim de que eventual apelação interposta seja recebida e processada como se fosse o verdadeiro recurso cabível: agravo de instrumento226. 62.22. caput e parágrafo único. n. A resposta é encontrada nos artigos 126 e 579. A combinação de todos os preceitos conduz à conclusão de que o indeferimento liminar da petição inicial da reconvenção se dá mediante decisão interlocutória passível de agravo de instrumento225. 11ª ed. Daí a incidência do princípio da fungibilidade.. Direito processual civil brasileiro. 267 e 51 com os artigos 15 e 18. 2008. tendo em vista o prisma utilizado pelo intérprete e a aparente contradição dos artigos 162. Volume I.00. 48. p.importante considerar o disposto nos artigos 15 e 18.

se o valor da dívida supera o teto de alçada.80. 6. merece ser prestigiado o verbete n.255. Em contraposição. Apelo não conhecido”. 810 do Código de 1939. Diário da Justiça de 24 de maio de 2002: “Execução Fiscal — Embargos — Valor ínfimo — Não conhecimento — Valor de Alçada — Artigo 34 da Lei de Execuções Fiscais. qualquer que seja o fundamento da sentença”.80. Inadmissível o recurso de apelação nos autos da execução quando o valor do débito relativo a esta for inferior ou igual a 50 OTN ou 283. 28 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “Em execução fiscal de valor inferior ao disposto no art.021516-5. que trata de exceção ao binômio sentença-apelação consagrado no artigo 51 do Código de Processo Civil.1. com valor da causa igual ou inferior a 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional convertidas. do Tribunal de Justiça do do art. porquanto há diferentes valores acerca do teto de alçada. em execuções fiscais de valor igual ou inferior a 50 (cinqüenta) ORTN. o que equivale a 283. O problema reside na quantificação do teto de alçada.43 UFIR. Trata-se de vexata quaestio. Há precedentes jurisprudenciais do Tribunal de Justiça de Minas Gerais227. Diário da Justiça de 6 de junho de 2001.830/80”. não são cabíveis embargos de alçada. 6. conforme já proclamou o STF.248. Somente são cabíveis os embargos infringentes e de declaração da sentença.— Apelação em execução fiscal: cabem embargos infringentes de alçada contra qualquer sentença proferida em execução fiscal ou na correspondente ação de embargos.01. essencial para fixar o cabimento da apelação ou do recurso de embargos infringentes do artigo 4 da Lei n. É o que se infere do artigo 4 da Lei n. 6. Conferir: Apelação n. quando o valor da dívida ultrapassa o teto legal. os recursos cabíveis são embargos infringentes e declaratórios. fica afastada a exceção dos embargos infringentes do artigo 4 da Lei n. contra sentença proferida em ação de execução fiscal ou nos respectivos embargos.43 UFIR’s no momento da distribuição. mas sempre com valor da causa inferior ou igual ao teto legal. além dos embargos de declaração. 6. 34 da Lei 6. Diário da Justiça de 22 de março de 2002: “Execução Fiscal — Petição inicial indeferida — Apelação — Art.80. 227. Com efeito. conforme dispõe o artigo 34 e § 1º da Lei 6. p. não se conhece do recurso” (Apelação n. 000. 000. Em face da intempestividade. No mesmo sentido: Ag n. porém. mas. sem os grifos no original). 2000. 165 . o recurso específico cabível é o de embargos infringentes de alçada — e não o de apelação.289-1/00. de 1980. 1ª Turma Cível do TJDF. 18. recurso de apelação. sim. 6ª Câmara Cível do TJMG. 6ª Câmara Cível do TJMG. com o retorno à regra da apelação.830/80. A propósito.754-4/00. 34 da Lei n. Com efeito.830/80.

2ª Câmara Cível do TJRS. a OTN. Reexame necessário não conhecido”. 229. acórdão registrado sob o n. 34 da Lei 6. na data da distribuição. Vol. ª Turma Cível. 2ª Turma do TRF da 2ª Região. 2000. e cabalmente demonstrado que o valor da execução fiscal é inferior a este.830/80.2. Recurso improvido”.85 UFIR”. nos termos do art. p. ART. o valor em reais que.43 UFIR)”. Diário da Justiça de 9 de abril de 200.00. p.5744-8/RJ. Reexame necessário. 21. 56. especificamente no tópico 45. MANOEL ÁLVARES. 48. a fim de verificar se a causa atingiu o valor de alçada (qual seja. p. 70001162692. EXECUÇÃO FISCAL. II. Diário da Justiça de 5 de fevereiro de 200. Diário da Justiça de 18 de dezembro de 2002. Lições de direito processual civil. há lição no mesmo sentido21. nota 1. que equivalem a 440. e SÉRGIO SHIMURA. Valor de Alçada. Conferir: AI n. Conferir: Ag n.85 UFIRS.. a BTN extintas. 200.43 UFIR”20. 6. 1999. correspondente hoje a 283. MAURY ÂNGELO BOTTESINI. 1998.. 283. para fins do art. p. 34 da Lei Federal n. 4ª Turma Cível. de 1995. da decisão proferida em primeira instância não caberá apelação. Extinção de ofício. 20. 6. a importância executada deve ser convertida em UFIR. ª ed.02. 170. p.30 BTN = 444. 279: “Ficam limitados a valor de alçada (50 ORTN ou 283. p. 290.830/80. Execução Fiscal. chegou a outro montante: as 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional são iguais a 50 Obrigações do Tesouro Nacional. 166 . 0ª ed.43 UFIR)” (o trecho grifado está em itálico no original). Descabe também o reexame necessário ou o recurso de ofício.007742-2. Conferir: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. equivaler a 283. o qual corresponde a 444. Execução fiscal.00. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal22. 200. II — Estando esclarecida a dúvida quanto ao valor atualizado das 50 ORTNs. Código. Ainda na jurisprudência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal: AI n. os quais 228. 2002. relator Desembargador ARNO WERLANG. À luz da doutrina. 51: “PROCESSUAL CIVIL.1 do segundo capítulo: “Nas execuções fiscais será anotado na capa. p. 0.0 Bônus do Tesouro Nacional. julgado em 29 de novembro de 2000: “Tributário.830/80 ‘só se admitirão embargos infringentes e de declaração’. 8 da Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo. Das sentenças de primeira instância proferidas em execuções fiscais e valor inferior a 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. É o que também estabelece o Provimento n.43 UFIR. 7ª ed. p.870.2. nota 201. I — Das sentenças de primeiro grau proferidas em execuções de valor igual ou inferior a 50 ORTNs só se admitirão embargos infringentes ou de declaração.. 2002. 1205.001244-9. Conferir: Reexame necessário n.4 Unidades Fiscais de Referência. 22. In THEOTONIO NEGRÃO. 66: “II — A forma correta de se obter o valor das 50 ORTNs e se saber o correto valor de alçada é fazendo a atualização pela seguinte fórmula: 50 ORTN = 50 OTN = 440. VALOR DE ALÇADA. 98. 82: “2) Tendo sido a ORTN. entretanto. Processo n. 50 ORTNs.662. Embargos infringentes.Rio Grande do Sul228 e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região229 em prol da tese de que as 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional eqüivalem a 28. Lei de Execução Fiscal. 34 DA LEI N.

Por fim. 70015706526.830/80). deve corresponder àquelas 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional convertidas. Por tudo. ou R$ 328. levando em conta o valor da causa. 4. para evitar a perda do valor aquisitivo. o valor de alçada.50 Unidades Fiscais de Referência. O valor de alçada deve ser auferido. o Superior Tribunal de Justiça indicou outro parâmetro24: 08. em BTN’s e em UFIR’s”. EXECUÇÃO FISCAL.59 UFIR’s = Cr$ 184. Apelação n. a melhor solução reside no padrão de conversão fixado nos mais recentes julgados do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: 08. 2. 2. 1. 25. 34 DA LEI 6.27”25. 24.17 = 308. VALOR DA CAUSA. 34 da LEF. no primeiro precedente. 167 .correspondem a 444. R$ 28. observada a paridade com a ORTN. 2ª Turma do STJ.830.193. sem efetuar a conversão para moeda corrente. sucedido por outros. o Tribunal de Justiça do Distrito Federal chegou ao total de R$ 47. hoje. de indexador já extinto. no entanto. 3. p. Trata-se. 175: “PROCESSO CIVIL.50 BTN = 308. O art. 609. significando que as 50 ORTNs correspondem a 308. 5. somente é cabível o recurso de apelação para as execuções fiscais de valor superior a 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. de 1980.27 (trezentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos) a partir de janeiro/2001. o valor da alçada deve ser encontrado a partir da interpretação da norma que extinguiu um índice e o substituiu por outro. R$ 28. 50 ORTN = 50 OTN = 308. isto é. Conferir: REsp n. em OTN’s. no momento da propositura da execução. Segundo o art.052/DF. que manteve seu valor histórico quando foi extinta e houve a desindexação da economia. e posteriormente pela BTN e UFIR. sucessivamente. Para que a respectiva função seja cumprida.85 Unidades Fiscais de Referência. o Superior Tribunal de Justiça fixou. julgamento em 27 de abril de 2004: “PROCESSO CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — ALÇADA RECURSAL (ART. ALÇADA.193. Na mesma esteira. que as originais 50 Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional equivalem a 11.541/MG.59 Unidades Fiscais de Referência2.27.50 Unidades Fiscais de Referência. fixa o valor de alçada nas execuções fiscais em 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. quando foi extinta a UFIR e desindexada a economia. 2ª Turma do STJ. Recurso especial provido em parte” (não há o grifo no original). Colhe-se do voto condutor: “Nessa data. Com a extinção da ORTN.01)” (não há o grifo no original).50 UFIR = R$ 328. Diário da Justiça de  de agosto de 1998.50 BTN’s = 311. 34 da Lei n.27 (trezentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos). 22ª Câmara Cível. ou seja. Em julgamento posterior. efetivamente. também decidiu o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em julgamento recente: “A ORTN foi substituída pela OTN. quando julgou a quaestio iuris. Conferir: REsp n. julgado em 20 de junho de 2006. mantendo-se a paridade das unidades de referência. 6. 85. o valor de alçada era de Cr$ 184.50 UFIRs. Com a conversão para a moeda corrente.42.01 (50 OTN’s x 6.

Com a extinção da ORTN. 50 ORTN = 50 OTN = 308. há séria divergência quanto ao valor do teto de alçada: o Superior Tribunal de Justiça adotou como parâmetros 08. 2. o princípio da fungibilidade sempre deve ser aplicado. fixa o valor de alçada nas execuções fiscais em 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN.Diante da evidente dúvida objetiva existente quanto ao valor correspondente ao teto de alçada.50 Unidades Fiscais de Referência28. O art. sucessivamente.5927 Unidades Fiscais de Referência.50 BTN = 308. levando em conta o valor da causa. de 1980.193.5026 e 11. sem efetuar a conversão para moeda corrente. 5. O valor de alçada deve ser auferido. 28. porquanto o erro na interposição na hi- 26. 609. no momento da propositura da execução. 2ª Turma do STJ. 22ª Câmara Cível. sucedido por outros. p. VALOR DA CAUSA.830. somente é cabível o recurso de apelação para as execuções fiscais de valor superior a 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN. Para que a respectiva função seja cumprida. 4. hoje.50 BTN’s = 311. 6.541/MG.4 Unidades Fiscais de Referência. a fim de que o recurso inadequado seja recebido como se fosse o correto. efetivamente. 175: “PROCESSO CIVIL. o Tribunal de Justiça do Distrito Federal fixou o teto em 444.01 (50 OTN’s x 6. Trata-se. observada a paridade com a ORTN. Com efeito.17 = 308. Apelação n. não há dúvida de que o princípio da fungibilidade recursal deve ser aplicado. 34 da Lei n. de indexador já extinto. julgado em 20 de junho de 2006. Conferir: REsp n. ALÇADA. Colhe-se do voto condutor do eminente Ministro ARI PARGENDLER: “Nessa data. ou seja. Conferir: REsp n. o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e o Tribunal Regional Federal da 2ª Região assentaram o limite de alçada em 28. Segundo o art. EXECUÇÃO FISCAL. deve corresponder àquelas 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional convertidas. para evitar a perda do valor aquisitivo.193. em BTN’s e em UFIR’s”.052/DF. 27. mantendo-se a paridade das unidades de referência. tanto na errônea interposição de apelação ao invés dos embargos infringentes de alçada quanto na equivocada interposição de embargos de alçada no lugar do recurso apelatório. o valor da alçada deve ser encontrado a partir da interpretação da norma que extinguiu um índice e o substituiu por outro. Recurso especial provido em parte” (não há o grifo no original). o valor de alçada era de Cr$ 184. 85. o valor de alçada.27 (trezentos e vinte e oito reais e vinte e sete centavos) a partir de janeiro/2001. 168 . 2ª Turma do STJ. 34 da LEF. julgamento em 27 de abril de 2004: “PROCESSO CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — ALÇADA RECURSAL (ART. Diante do dissenso em razão da existência de quatro diferentes valores. 70015706526.85 Unidades Fiscais de Referência. 34 DA LEI 6.830/80). o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul prestigiou o padrão de correção consubstanciado em 08. no entanto. 3.01)” (não há o grifo no original).50 UFIR = R$ 328. 1. quando foi extinta a UFIR e desindexada a economia. Diário da Justiça de  de agosto de 1998.59 UFIR’s = Cr$ 184. em OTN’s.

28. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. 152. Além do mais. ARTIGO 17 DA LEI 1. 1999. e REsp n. 118. p. na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. p. Diário da Justiça de 27 de agosto de 2001.890/MG. 241. segundo princípio de hermenêutica jurídica. 17)”. Diário da Justiça de 22 de março de 1999. 2ª Turma do STJ. 1755). em homenagem ao princípio da fungibilidade recursal. Quando a postulação de assistência judiciária gratuita é resolvida pelo juiz de primeiro grau em autos apartados.465/RS. APELAÇÃO.060. e não o de agravo de instrumento. Diário da Justiça de 11 de dezembro de 2000. Volume I. 6ª Turma do STJ.549/SP. tanto que são proferidas “decisões”. — Apelação e agravo em assistência judiciária: outro importante exemplo de aplicação do princípio da fungibilidade reside na Lei n. Da decisão que indefere pedido de assistência judiciária gratuita. 1. INDEFERIMENTO NOS AUTOS PRINCIPAIS DO BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA.281/AM. Enquanto o artigo 6º revela a natureza jurídica de “incidente”. Também na doutrina: NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY: “O LAJ 17 prevê o recurso de apelação para a hipótese de o benefício ser postulado em procedimento à parte” (Código. 240. Conferir. por via de incidente próprio. 261. 2. a fim de que tanto a apelação quanto o recurso de agravo do artigo 522 sejam aproveitados29. deve-se adotar a exegese favorável ao recorrente: appellatio admittenda videtur in dubio. INDEFERIMENTO. p. p..060. parágrafo único)”. Por tudo.060. Ainda que 29. Manual. de 1950. 256. tem-se que cabível o recurso de agravo241.060/50. o instituto da fungibilidade recursal merece ser utilizado. 165). 2002. Inteligência do artigo 17 da Lei 1. Conferir. p. ainda na jurisprudência: REsp n. 186. 9ª ed.pótese não pode ser considerado grosseiro. sustenta-se a adequação do recurso apelatório240. 1. 175. doutrina e jurisprudência fixaram um critério para distinguir as hipóteses de cabimento da apelação e do agravo. ª Turma do STJ. 1. na tentativa de solucionar a dificuldade gerada pela confusão terminológica existente na Lei n.060/50” (REsp n. RECURSO CABÍVEL. quando a solução do juiz se dá nos próprios autos. Ainda no mesmo sentido. Diário da Justiça de 18 de setembro de 2000.. em caso de dúvida. Conferir. que será autuada em separado. na jurisprudência: “ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. 4ª ed. p. Em contraposição. 776: “A impugnação deve ser formulada em petição própria. PRECEDENTES. RECURSO CABÍVEL. Por fim. o artigo 17 fixa o cabimento de “apelação” da “sentença”. “Contra a decisão que julgar a impugnação cabe apelação (art. Diante da confusão terminológica existente na Lei n. 7º. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. 6ª Turma do STJ. de 1950. O agravo de instrumento é o recurso cabível contra a decisão que inde- 169 . sem suspensão do curso da ação (art. 1. De acordo: REsp n. cabível é o recurso de apelação. o equívoco na interposição deve ser relevado.

p. o juiz deverá determinar que se retifique o mesmo. 1999... do Código de Processo Civil vigente. 1. 1755).247/MG — AgRg. Ainda no mesmo sentido: Ag n. 195. o pronunciamento por meio do qual o juiz decide sobre a verificação dos créditos na insolvência civil não é real “sentença”. para após decidir. a solução pragmática não afasta a contradição existente entre os artigos 6º e 17 da Lei n. ainda mais quando os preceitos são combinados com o artigo 162. 2002. Revista de Processo.muito respeitável. na verdade. 17 da Lei n. 58605911. Contra decisão interlocutória que a concede nos próprios autos da ação. fere o pedido de assistência judiciária nos autos principais” (REsp n. PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. Violação ao art. p. o recurso cabível é o agravo de instrumento. o indeferimento do mesmo enseja a interposição de agravo de instrumento por se cuidar de decisão interlocutória”. de plano. “ocorrendo de o juiz indeferi-lo no curso do processo. Conforme tem decidido esta Corte. mas que em verdade é uma decisão interlocutória. ª Câmara Cível do TJRS. 215).791/DF — AgRg. 156. Diário da Justiça de 29 de outubro de 2001. p. 1. RECURSO CABÍVEL. in fine). de decisão interlocutória passível de agravo de instrumento242. de pedido de assistência judiciária. Deci- 170 . A concessão ou não. Nesta decisão. e não a apelação” (AI n. 21). Precedentes” (REsp n. processado o pedido de justiça gratuita nos autos principais.084/PA. Recurso cabível. o deferimento ou indeferimento da postulação se dá por decisão interlocutória. Volume I. de 1950. ª Turma do STJ. 6ª Turma do STJ. AUTOS PRINCIPAIS. 775). 208). § 2º. 158. Trata-se. p. 1. Também no mesmo diapasão: “PROCESSUAL CIVIL. desafia a interposição de agravo de instrumento e não apelação. acórdão da relatoria do Desembargador Professor GALENO LACERDA: “Assistência judiciária. Diário da Justiça de  de agosto de 1998. o Professor ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS igualmente sustenta que. o juiz se limita a aprovar o quadro de credores.060. na doutrina: “Uma vez apresentado o quadro de credores pelo contador judicial. AGRAVO DE INSTRUMENTO. 9ª ed. p. porquanto há julgamento de simples incidente processual existente no bojo do processo de insolvência civil. 242. que o Código de Processo Civil chama de sentença (art. No mesmo diapasão. p. Daí a justificativa para a aplicação do princípio da fungibilidade recursal em ambas as hipóteses. Havendo alguma impugnação fundada ao quadro elaborado pelo contador judicial. Diário da Justiça de 12 de abril de 1999. 4ª ed. DEFERIMENTO. 771. tal como também existe no processo de falência. — Apelação e agravo na verificação dos créditos na insolvência civil: A despeito da literalidade dos artigos 771 e 772 do Código de Processo Civil (“sentença”). nos autos principais. também na doutrina: NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY: “Se o pedido é feito no meio de outro processo. para só então proferir sua decisão. volume 5. 4ª Turma do STJ. o recurso próprio é o agravo” (Manual. o juiz ouvirá os interessados no prazo de dez dias. 21: “1. Conferir. que desafia o recurso de agravo de instrumento” (Código. Em sentido conforme.060/50 não acolhida. Ainda a respeito do pedido de assistência judiciária.

O novo processo civil brasileiro. 162. conferir a lição do Professor ARAKEN DE ASSIS. Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. 98 e 99). § 2º) e. 381). 14ª ed. 24. p. o que explica a respeitável tese de que há sentença apelável24. 1089 e 1090). de vexata quaestio. Como se nota. a hipótese é igual à prevista nos artigos 9º a 17 da Lei n. Configurando-se. aliás dotado de efeito suspensivo. 286. na hipótese. 2005. na hipótese de resolução da(s) impugnação(ões) apresentada(s). a fim de atualizar os preceitos à luz do moderno artigo 17 da Lei n. o provimento que aprova o quadro de credores pode ser impugnado por agravo (art.. caput. Lições de direito processual civil. 8ª ed. 772. De lege ferenda. 522 do Código de Processo Civil)” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. portanto.. 162. 0ª ed. a execução coletiva continuará até o pagamento. 25ª ed. o ideal seria o legislador voltar os olhos para os artigos 771 e 772 ainda do original Código de 197. em razão da dúvida objetiva244. 520). se não houve impugnação. enfeixadas no concurso. a fim de que tanto o agravo de instrumento (recurso cabível à vista da interpretação teleológica e também da sistemática) quanto a apelação (recurso cabível à luz da interpretação literal) sejam admitidos e recebidos. 2007. 11. mas a novel lei tem a vantagem de reconhecer o cabimento do recurso de agravo de instrumento. ex vi do art. Cf. in fine. nota 1 ao artigo 772: “Da sentença cabe apelação. outra vez a terminologia da lei. preceito que revela a real natureza do provimento jurisdicional exarado no incidente são interlocutória que é. em ambos os efeitos (cf. No mesmo sentido do texto. sem dúvida. parte final. antes da satisfação dos créditos (infra. cuja importância reside na correlação obrigatória entre o tipo de provimento e o recurso cabível.. Já o Código de Processo Civil (de 197) utiliza o vocábulo “sentença” nos artigos 771 e 772. na doutrina: “O provimento contemplado no art. Direito processual civil brasileiro. 11. transcrita na posterior nota 244. 17ª ed. a apelação porventura interposta. VICENTE GRECO FILHO. Volume III. possam se encerrar nesta prematura ocasião. O ato decisório previsto no art. 2002.101. 171 . Daí a presente opção em prol da aplicação da fungibilidade recursal. Ainda no mesmo sentido. poderá ser conhecida na condição de agravo. p. de resto defendida por vozes autorizadas. Trata-se. Neste sentido: JTAERGS 92/97”. Que relação processual extinguiria? Por óbvio. Extinguirá a relação das habilitações? Tampouco parece crível que as ações executivas dos credores concorrentes.. escapa à moldura de sentença constante do art. 771. graças ao princípio do recurso indiferente” (ARAKEN DE ASSIS. se mostra inadequada à tipologia do art. p. rende agravo de instrumento. de 2005. 771 se afeiçoa à regra definidora da decisão interlocutória (art. p. THEOTONIO NEGRÃO.Com efeito. 1999. Volume II. a chamada dúvida objetiva. 244. 15 a 18.. p. de 2005. § 1º.101. art. Manual do processo de execução. BARBOSA MOREIRA. 78. 2007. 162. 558. ou no art.

Não obstante. todos do Código de Processo Civil. 505 e 515. Reforma para pior. A corte de apelação só pode manter a condenação de R$ 70. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. artigos 11. Apenas R apela. 7. o pedido formulado pelo recorrente. É o que revelam os artigos 2º. 172 .da verificação dos créditos em execução concursal (falência ou insolvência civil. o juiz de primeiro grau julga parcialmente procedente a demanda. É vedada. Após a contestação e a instrução probatória. generalidades O princípio da proibição da reformatio in peius245 consiste na impossibilidade de o órgão julgador do recurso proferir decisum em prejuízo do único recorrente. Um exemplo pode facilitar a compreensão do princípio em estudo: o autor A propõe ação contra o réu R. então. que cause. É que a vedação da reformatio in peius está atrelada ao princípio dispositivo. conforme o devedor seja empresário. ou não).00.000.2. pleiteando a improcedência do pedido formulado por A. objetivando a condenação do réu no pagamento de indenização de R$ 100.000. Com efeito. pRINCÍpIO DA pROIbIçãO DA reForMatio in peius 7.1. a prolação de julgamento fora do requerimento recursal. jamais aumentá-la.00. na prática. o órgão julgador deve lançar decisão levando em consideração a matéria impugnada no recurso. é o princípio inquisitório que determina a apreciação oficial de algumas matérias: verbi gratia. gravame ao inconformado. 128. Em tal hipótese. condenando R a pagar R$ 70. 245. não há incompatibilidade no particular. piorar a situação do único recorrente. 460. o tribunal de segundo grau não pode aumentar a condenação imposta a R. reformatio in peius e matéria de apreciação oficial Tema interessante reside no confronto do princípio da proibição da reforma para pior e da obrigação da apreciação oficial de determinadas matérias indicadas na lei.000. sob pena de ofensa ao princípio da vedação da reforma para pior. 7. que inspira o instituto recursório. por estar tal princípio vinculado ao princípio dispositivo. pa- 245.00 ou minorá-la.

O processo. 246. 10). não há reformatio in pejus se o acórdão pronuncia a ilegitimidade passiva. vinculado ao princípio inquisitório. A transferência da matéria ao conhecimento do tribunal ad quem. assim como em virtude do efeito translativo. atrelado ao princípio dispositivo. portanto. Os institutos são diferentes.3. ao Tribunal. p. Com igual conclusão. § º.. Por conseguinte. 247. agravar a condenação imposta à Fazenda Pública”247. deve) apreciar de ofício as matérias de ordem pública. à vista do enunciado n. 176. Em resumo. § 4º. a proibição da reforma para pior diz respeito apenas à matéria submetida ao tribunal pelo próprio recorrente. já que eventual reforma para pior não se dá em contrariedade direta ao próprio recurso. sim. ainda que para proferir julgamento desfavorável ao único recorrente. e não podem ser confundidos.. reformando sentença que havia julgado a ação no mérito. Volume V. 45 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “No reexame necessário. p. em razão da exigência do julgamento ex officio previsto na legislação. portanto. não há a incidência do princípio da proibição da reformatio in peius.rágrafo único. Já as matérias passíveis de apreciação oficial são transferidas por força de lei. Prevalece a tese da impossibilidade da reforma para pior em remessa obrigatória. p. 45 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: BARBOSA MOREIRA. 2ª ed. 427 e 428. em razão do efeito translativo. A reforma do processo civil. salvo o acolhimento de matérias conhecíveis de ofício. e SÉRGIO SAHIONE FADEL. 267. Eventual prejuízo ao recorrente não se dá em virtude do seu próprio recurso. 1975. em virtude da obrigatoriedade da apreciação oficial quando assim a lei dispuser246. e 01. 17 . bem como o artigo 210 do Código Civil de 2002. o órgão julgador pode (melhor dito. ª ed. Comentários. reformatio in peius e remessa obrigatória Outra vexata quaestio reside na discussão que envolve a reformatio in peius em reexame necessário. mas. mas. é defeso. 2008. Conseqüentemente. ao qual está vinculado o efeito translativo. 1999. Sob o ponto de vista estritamente jurídico. Código. Tomo III. Referida modificação decorre do chamado efeito ‘translativo’ dos recursos” (LUIZ FUX. 141. 1998. sim. na doutrina: “Assim. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 7ª ed. 7. Autorizada doutrina também prestigia a tese consagrada no enunciado n. não pode o tribunal piorar a situação do único recorrente. pela improcedência.. pode ocorrer por força do efeito devolutivo. todos do Código de Processo Civil. p. por força do princípio inquisitório.

45 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça é veiculada pelo Professor MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. resta a reformatio in mellius250. interpretação diversa não se coaduna com o princípio constitucional da isonomia249. 1996. 250. ª ed. p. merece ser prestigiada a tese segundo a qual a proibição da reformatio in peius alcança apenas os recursos propriamente ditos248. ele não o ofende.. o que não se sustenta à luz do princípio da isonomia” (Novo curso de direito processual civil. próprio dos recursos. com a vedação à prolação de julgamento ainda mais prejudicial à pessoa jurídica de direito público favorecida pela remessa obrigatória. 4ª ed. proibição da reformatio in mellius Estudada a proibição da reformatio in peius. Trata-se de princípio norteador dos recursos. 157 e 158. Aliás. 249. Com efeito. 29). em melhor estado. O que constitui injustificável privilégio é a impossibilidade de se agravar a situação da Fazenda (Súmula 45 do STJ). NELSON NERY JUNIOR. Princípios fundamentais. Volume I. “Mellius (cf. 7. 128. A procedente crítica ao enunciado n. Na verdade. mais felizmente” (FRANCISCO TORRINHA. não há no artigo 475 nenhum indício de que o “duplo grau de jurisdição” é limitado em favor dos entes públicos. p. 174 . Dicionário latino português. portanto. in verbis: “O reexame necessário também merece análise à luz do princípio da igualdade. quando não há recurso independente do particular nem do Ministério Público. Sob outro prisma. Não há. Em si. Daí a impossibilidade da aplicação do princípio da irreformabilidade para pior ao reexame necessário. 511). o qual deve ser integral. 505 e 515 do Código de Processo Civil revelam a impossibilidade jurídica do julgamento 248. superada a orientação que considerava a remessa obrigatória uma espécie de recurso de ofício. obs. tem-se atribuído ao instituto do reexame necessário a natureza jurídica de condição à formação da coisa julgada. 2007. um reexame necessário de toda a decisão. A despeito das críticas que o enunciado n. compar. 1942. 45 é alvo. o verbete subsiste na Súmula do Superior Tribunal de Justiça. nec interpres distinguere. pois apenas submete a eficácia da sentença à apreciação do tribunal. há apenas a exigência do “duplo grau de jurisdição”. De bene: melhor. p. mas reapreciação apenas daquilo em que a Fazenda sucumbiu.. 156.). Cf. por estar atrelado ao princípio dispositivo. Reforma para melhor. O princípio dispositivo e os artigos 2º. tendo em vista a inexistência de restrição no preceito de regência: ubi lex non distinguit.Não obstante. melior. conceder além do pedido do recorrente. 460.4.

tanto em prejuízo quanto em favor do recorrente. a reformatio in mellius. Conferir: “RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE.5. Conferir: “1. pois em recurso exclusivo do Ministério Público toda a matéria resta devolvida. PROCESSUAL PENAL. 75. 281).96/RS. não apenas a reformatio in pejus é proibida. Infere-se do sistema processual penal que a reformatio in mellius deve ser admitida. 7. a qual restou anulada de ofício pelo Tribunal de Justiça. OCORRÊNCIA DA reForMatio in MeLLius. 252. reformatio in peius alguma. Ainda que apenas uma parte tenha recorrido. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: imagine-se que apenas o réu apelou da sentença proferida por Juiz de Direito. 2. Diário da Justiça de 20 de março de 2006. 5ª Turma do STJ. O art. Precedentes” (REsp n. ao fundamento de que a ação é da competência da Justiça Federal. Daí a razão pela qual não há. p. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. 75. do Código de Processo Penal. podendo. porquanto o artigo 617 do Código de Processo Penal veda apenas a reformatio in peius25. 386. Recurso especial desprovido” (REsp n. p. De acordo: NELSON LUIZ PINTO. como. pois não pode o tribunal melhorar a situação do recorrente além dos limites por ele mesmo fixados em seu recurso”. também. porquanto o primeiro julgamento foi anulado por não ser ato jurídico válido. prevalece a orientação jurisprudencial de que a reformatio in mellius é admissível252. 44). 84: “Ainda segundo o princípio dispositivo. a prestação jurisdicional deve ser prestada nos precisos limites do respectivo requerimento. inciso VI. ao julgar o recurso da Acusação. em que o Tribunal a quo.215/SP. p.fora das raias do pedido recursal. com fulcro no art. a rigor. 617 do Código de Processo Penal veda. Ao proferir a respectiva sentença. reformatio in peius indireta A denominada reformatio in peius indireta consiste na prolação de posterior decisão mais desfavorável ao recorrente cujo recurso permitiu a anulação da primeira decisão. Com efeito. sendo admíssivel a reformatio in mellius na hipótese sob exame. 1999. não há como atribuir valor jurídico algum ao primeiro julgamento. a reformatio in pejus. todavia. nem mesmo indireta. RECURSO EXCLUSIVO DA ACUSAÇÃO. 5ª Turma do STJ. 251. tão-somente. a nulidade deve ser reconhecida de ofício pelo Tribunal ad quem. Por conseguinte. Manual dos recursos cíveis. reconheceu a insubsistência do conjunto probatório e absolveu o Réu. Quanto ao processo penal. 175 . 25. ser analisada a existência de ilegalidades na condenação pelo Tribunal de Origem. pode o Juiz Federal condenar o réu em montante superior ao imposto na primeira sentença? Tudo indica que sim. que igualmente não pode ser ultrapassado até mesmo em prol do recorrente251. Diário da Justiça de 8 de maio de 2006. desta forma. 1.

DECISÃO POSTERIORMENTE ANULADA. em novo julgamento. Com efeito. Porém. Então.248/MG. pRINCÍpIO DA CONSUmAçãO O legitimado tem o direito de impugnar a decisão causadora do gravame mediante recurso. não apelando dela. No entanto. assim como prejuízo irreparável ao recorrido que já tivesse apresentado resposta. a fim de que a paz social afetada pelo litígio seja restabelecida o quanto antes. o aditamento ou a correção do recurso anteriormente já interposto. Diário da Justiça de 6 de março de 2006. INTIMAÇÃO PESSOAL. PRECLUSÃO. MINISTÉRIO PÚBLICO. nem a complementação. sendo vedadas a interposição de outro recurso e a correção do inconformismo. após a anulação daquela. não pode o Juiz. ainda que no primeiro dia do prazo recursal. É possível apenas a desistência do inconformismo. ainda. interposto o recurso. exercido o direito com a concretização do ato processual. Por conseqüência. IMPOSSIBILIDADE. há a consumação do direito de recorrer. realizar ato já praticado.Não obstante. Como o Ministério Público se conformara com a primeira decisão. reForMatio in peJus INDIRETA. ou. exercido o direito. prevalece entendimento contrário em relação ao processo penal. não é possível. E por força do instituto da preclusão consumativa. CONDENAÇÃO EM SEGUNDO GRAU. vedação que igualmente impede a correção e a complementação do recurso interposto. poderia ocorrer perda de tempo e de atos processuais. mesmo que dentro do prazo recursal previsto na legislação. É que o recorrente poderia corrigir erro apontado pelo recorrido na resposta ao recurso. não é possível exercer direito já consumado. 176 . agravar a sua situação. 254. geralmente pela lei. RESP. RECURSO DESPROVIDO. se o vencido pudesse complementar o recurso após a interposição. à luz do artigo 501 do Código de Processo Civil. Conferir: “CRIMINAL. I. 225. ‘Anulada uma decisão em face de recurso exclusivo da defesa. proferir uma decisão mais severa contra o réu’” (REsp n. O princípio da consumação consiste na impossibilidade de o legitimado oferecer novo recurso — ainda que da mesma espécie do anterior — contra a decisão atacada. há a respectiva consumação. não é admissível a interposição de novo recurso contra o decisum recorrido. 427). AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. 5ª Turma do STJ. substituí-lo por outro. as partes têm a oportunidade de praticar os diversos atos processuais no tempo previamente designado. dá-se início à prática dos atos ulteriores. 8. p. com a vedação da denominada reformatio in peius indireta254. A adoção do princípio é justificada pela necessidade de o processo demorar o menos possível. Por tal razão.

É o que dispõem. 6. vale a pena conferir a precisa conclusão n.Como o sistema recursal cível pátrio é norteado pelo princípio da consumação. merece ser prestigiado o enunciado n. 524. 19 da Súmula do Tribunal de Justiça do Distrito Federal: “O preparo do recurso há de ser comprovado no momento de sua interposição. O princípio da consumação também incide em relação ao recurso adesivo. 9. Ainda a respeito do tema. aliás. moral e estético. por força do princípio da consumação. ou seja. ainda que dentro do prazo legal de interposição do recurso”. a fim 177 . 1 aprovado pelo Centro de Estudos do extinto Tribunal de Alçada do Paraná: “O preparo deve ser realizado de modo concomitante à interposição do recurso. Em ambas as hipóteses o direito foi consumado. O princípio da consumação também impede que a guia relativa ao preparo seja apresentada após a interposição do recurso. Em suma. Por oportuno. a demonstração do depósito dos encargos financeiros que dizem respeito ao recurso deve ser efetuada no momento da interposição. concomitante à sua interposição. Por tal motivo. comporta as exceções estudadas no tópico específico destinado ao requisito do preparo. o preparo de recurso cível deve ser comprovado no próprio ato da interposição. Ao proferir a sentença. o autor apela. é irrelevante se o direito de recorrer foi exercido no primeiro ou no último dia do prazo recursal. A regra do preparo imediato consagrada no caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. à vista do enunciado n. o recurso deve estar completo no ato da interposição.80. sob pena de deserção. declarandose a deserção se feito em data posterior. entretanto. Imagine-se a seguinte hipótese: o autor propõe ações cumuladas a fim de que o réu seja condenado a pagar danos material. ainda que remanesça parte do prazo para seu exercitamento. o réu também apela. 56 e 541 do Código de Processo Civil. Inconformado. as razões recursais devem acompanhar desde logo a petição de interposição. Por sua vez. quando o mesmo recorrente interpõe recursos independente e adesivo. sob pena de deserção”. assim como o caput do artigo 42 da Lei n. determina deserção”. Na mesma esteira. os artigos 514. reforça o enunciado n. o juiz de primeiro grau condena o réu apenas no tocante ao dano material. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e do enunciado n.099 e o § 2º do artigo 4 da Lei n. não é possível posterior alteração ou aditamento do inconformismo. 96 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. 2 do 9º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “O não preparo do agravo. Ex vi do caput do artigo 511 do Código de Processo Civil. na busca da reforma da sentença em relação ao dano moral. A propósito. embora feito dentro do prazo recursal.

2. PROCESSO CIVIL. sob pena de violação ao princípio da consumação.de que seja dispensado da condenação imposta pelo juiz de primeiro grau (vale dizer. espécies distintas de agravo. OCORRÊNCIA. Portanto. Se o inconformado já recorreu na primeira oportunidade mediante apelação. seja pela outra. Não se conhece. correta é a conclusão de que se operou preclusão consumativa relativamente à recorribilidade da decisão interlocutória que se pretendia modificar. 255. agora de instrumento” (REsp n. interposto o agravo. o vencido que interpôs recurso independente não tem acesso à via adesiva. Por conseguinte. não quanto à sua forma. AGRAVO RETIDO. na forma retida. 178 . a regra geral contida no artigo 522.006/PR. Hoje. Ao interpor o primeiro recurso de agravo. 11. Diário da Justiça de 0 de abril de 2007. quanto ao dano material). se tratando de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação. O recurso adesivo não é um recurso autônomo. o recurso de agravo cabível contra decisão interlocutória é um só. após a reforma introduzida pela Lei n. razão pela qual não pode acionar a mesma espécie recursal. aquelas hipóteses em que. Surge a pergunta: o autor pode interpor recurso adesivo acerca do terceiro pedido. De acordo. ainda que desista do anterior agravo interposto. independentemente da modalidade utilizada. tem-se. diversas formas ou modalidades quanto à sua interposição. INTERPOSIÇÃO. 28. 4ª Turma do STJ. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “RECURSO ESPECIAL. Em suma. Excepcionou-se. 866. Não é possível interpor mais de uma vez o mesmo recurso. determina seu processamento na forma retida. mesmo ocorrendo a desistência. como já dito. ou nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida. Por fim. DESISTÊNCIA. o direito de recorrer restou consumado com a interposição do primeiro agravo255. As formas de interposição é que são duas: independente e adesiva. porquanto. o qual versa sobre o dano estético? No plano teórico: a parte parcialmente vencida. AGRAVO DE INSTRUMENTO. p. 1. isto sim.187/2005. todavia. Com efeito. o respectivo direito restou consumado. Daí por que a impossibilidade de conhecimento do segundo agravo. razão pela qual não pode agravar novamente contra a mesma decisão interlocutória. as formas de processamento do agravo é que são duas: por instrumento ou retido nos autos. o legitimado consuma o direito de recorrer. esta deve ser entendida como desistência ao recurso em si mesmo. no ordenamento recursal civil brasileiro. O recurso é um só. mas simples forma secundária de processamento recursal. agora pela via adesiva. e que já recorreu. será admitida a sua interposição por instrumento. caput. pode interpor recurso adesivo em relação ao recurso principal interposto pelo adversário? Tudo indica que não. sem os grifos no original). seja por uma modalidade. o princípio da consumação também impede a admissibilidade do segundo recurso de agravo interposto contra a mesma decisão interlocutória.

Aqueles preceitos devem ser observados na elaboração da peça recursal. 256. todos do Código de Processo Civil. 62 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Não se conhece de apelação desacompanhada dos fundamentos”. 4 da Súmula do antigo Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: “Não se conhece de apelação quando não é feita a exposição do direito e das razões do pedido de nova decisão”.9. mutatis mutandis. § º. os artigos 514. merece ser conferido o enunciado n. 1999. e 541. em muito similares ao artigo 282 do mesmo diploma. ª ed.. a petição recursal deve. aliás. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 14. 52. p. e SEABRA FAGUNDES. 1946. no sistema recursal cível todos os recursos devem conter razões. 524. 169. as quais devem ser apresentadas desde logo no momento da interposição. 56. consoante a combinação dos princípios da dialeticidade e da consumação. Por refletir a jurisprudência predominante acerca do assunto. p. o porquê do pedido de prolação de outra decisão256. pRINCÍpIO DA DIAlETICIDADE O princípio da dialeticidade está consubstanciado na exigência de que o recorrente apresente os fundamentos pelos quais está insatisfeito com a decisão recorrida. NELSON NERY JUNIOR. pRINCÍpIO DA vOlUNTARIEDADE O princípio da voluntariedade consiste na exigência de que não haja dúvida acerca da vontade do recorrente em impugnar o decisum recorrido. A conclusão n. p. Princípios fundamentais. ser formulada nos moldes da petição inicial. A ausência das razões recursais impede a prolação de juízo positivo de admissibilidade do recurso. exercendo as garantias previstas no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal. 10. Em sentido semelhante. Por tais motivos. 1996. O oferecimento das razões recursais é imprescindível para que o órgão julgador possa apurar a matéria que foi transferida ao seu conhecimento por força do efeito devolutivo. 179 . 101. sob pena de o inconformismo não cumprir o requisito de admissibilidade da regularidade formal. Dos recursos. Em síntese. É o que revelam. O processo civil brasileiro. A apresentação das razões recursais também é fundamental para que o recorrido possa oferecer resposta ao recurso.

Princípios fundamentais. Civ. o recurso nem sequer ultrapassa a barreira da admissibilidade. 257. Cadernos de processo civil: apelação. A regra da personalidade é extraída da combinação dos artigos 2º. e NELSON NERY JUNIOR. 99. Do recurso extraordinário. Assim. 4ª ed. p. 1999. 1997. 55. quando há desistência do recurso. 146 e 147. 196. não podendo a decisão reapreciadora favorecer o recorrido”. 197. 1996. na doutrina: ELIÉZER ROSA. quem recorreu. 624: “PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE. 258. Critério observado no campo recursal. segundo o qual o meio impugnativo (apelação) só beneficia. na doutrina: ELIÉZER ROSA.sobre a insatisfação do vencido em relação à decisão atacada257. a vedação prevista no artigo 2º do Código de Processo Civil também vale para o recurso. a decisão da 1ª instância constitui caso julgado quanto aos co-interessados não recorrentes” (JORGE NORONHA SILVEIRA. quem deixou de recorrer não é favorecido pelo recurso alheio258. 128.. da voluntariedade e da vedação da reformatio in peius: apenas o legitimado que manifestou sua vontade de recorrer é favorecido pela decisão proferida pelo órgão julgador do recurso. Proc. p. por oportuno. É que o direito de recorrer está inserto no direito de ação. e OTHON SIDOU. p. 197. se procedente. Livraria Almedina. Em sentido conforme. todos do Código de Processo Civil vigente. Cadernos de processo civil: apelação. ª ed. 11. constata-se o elo entre os princípios da personalidade. O processo civil brasileiro. Dicionário jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. há didática obra específica na literatura portuguesa: “A sua resolução pode basear-se em dois princípios teóricos distintos: a) Princípio da realidade — a sua aplicação conduz à extensão máxima da eficácia do recurso: os co-interessados não recorrentes aproveitam-se sempre do eventual êxito do recurso. b) Princípio da personalidade ou da relatividade — consagra a solução oposta: restringe o âmbito de eficácia do recurso ao recorrente. 505 e 515. 1981. Por tal razão. Coimbra. p. 180 . renúncia ao direito de recorrer ou aceitação do julgado. p. 7 e 8). Volume I. Ainda a respeito do tema. 60. 170. p. que o acesso à doutrina lusitana só foi possível em virtude da amizade com o Professor RODRIGO MAZZEI. Pluralidade das partes na fase dos recursos em processo civil. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. Volume I. pRINCÍpIO DA pERSONAlIDADE OU DA RElATIvIDADE O princípio da personalidade significa que apenas o recorrente pode ser beneficiado no julgamento do recurso.. Assim. Bem examinados os preceitos. Dir. 460. JOSÉ AFONSO DA SILVA. Registre-se. 48.

por Jorge Americano. como sustentado no texto principal presente compêndio): “A legislação brasileira também dá um predomínio acentuado ao princípio da realidade. e a nosso ver bem. abre todavia uma excepção quanto aos recursos. p. Livraria Almedina. entretanto. 509º do actual CPCB. que considera o art. consagrando no art. O CPCB 1939. ao sustentar a tese de que os Códigos brasileiros revelam a predominância do princípio da realidade (e não do princípio da personalidade. quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns” (JORGE NORONHA SILVEIRA. embora no seu art. se diz que ‘havendo solidariedade passiva. com a interpretação do artigo 816 do Código de Processo Civil brasileiro de 199 e do artigo 509 do Código de Processo Civil brasileiro de 197. por exemplo. Pluralidade das partes na fase dos recursos em processo civil. o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros. 1981. 89º e 816º do CPCB de 1939 foi sublinhada. Coimbra. 89º estabeleça que ‘os litisconsortes serão considerados em suas relações com a parte adversa como litigantes distintos e os actos de um não aproveitarão nem prejudicarão aos demais’. Esta aparente contradição entre os arts. tendo em vista a extensão do julgamento do recurso também em favor de quem não recorreu259. O artigo 509 consagra exceção. 181 . não é absoluto. 48 e 49). manteve-o inalterável no corpo do art. 259. salvo se distintos ou opostos os seus interesses’. o respeitável jurista português concluiu de forma diversa. exemplificando o princípio já enunciado. 816º o princípio de que ‘o recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveitará. 816º como ‘um dispositivo fora do sistema do código’. que apenas acrescentou um § único em que.O princípio da personalidade. Mas o legislador brasileiro. Após interessante estudo de direito comparado.

além da via principal da interposição independente prevista na primeira parte do caput do artigo 500. pelo órgão julgador. sim. de apelação). Na verdade. gENERAlIDADES Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Isso significa que. recurso especial e recurso extraordinário. o recurso inominado. Com efeito. Como já anotado. apelação adesiva) fica subordinada ao conhecimento do recurso principal (no exemplo. o recurso extraordinário e o recurso especial podem ser interpostos pela via adesiva. À vista do inciso II do artigo 500. À vista do inciso III do artigo 500. porquanto não está relacionado. o recurso ordinário. consoante se depreende do disposto no artigo 500 do próprio Código. às várias espécies recursais arroladas no artigo 500 do Código de Processo Civil: apelação. o intitulado “recurso adesivo” não é uma espécie recursal autônoma.Capítulo Ix RECURSO ADESIvO 1. não são todas as espécies que dão ensejo à interposição de recurso adesivo. os embargos infringentes. razão pela qual somente são admissíveis no prazo imediatamente posterior à intimação da decisão judicial recorrida. os agravos. embargos infringentes. de procedimento recursal secundário. quando há sucumbência recíproca dos litigantes e a parte contrária interpõe recurso independente (por exemplo. o recurso adesivo não tem lugar no rol das espécies recursais. a apreciação do mérito do recurso adesivo (por exemplo. apenas a apelação. de forma exclusiva. admite-se a manifestação do inconformismo por via subsidiária. mas. Tal conclusão é confirmada pela ausência do instituto no rol taxativo inserto no artigo 496 do Código de Processo Civil. o juízo negativo de admissibilidade no recurso 182 . Em contraposição. Trata-se. apelação principal). Sob outro enfoque. os embargos de declaração e os embargos de divergência não são passíveis de interposição pela via adesiva. o instituto pertence à teoria geral dos recursos. a uma só espécie recursal.

1998. o Jurista THEOTONIO NEGRÃO também opta pela expressão recurso contraposto. 18 . Por tudo. 46. A dependência em relação ao recurso principal levou autorizada doutrina260 a sugerir a adoção das expressões “recurso dependente” e “recurso subordinado”. recurso contraposto é outra expressão que traduz a exata idéia do instituto261. p. 06. Tal conclusão é reforçada pelo princípio da consumação. no lugar da que consta do artigo 500 do Código de Processo Civil: “recurso adesivo”. 1999..principal no juízo de admissibilidade conduz ao mesmo resultado no julgamento do adesivo: igual juízo negativo de admissibilidade. recurso especial e recurso extraordinário. 1995. contra-atacar (e não apenas responder ao recurso do adversário. segundo o qual é inadmissível recurso adesivo interposto por quem já exerceu o direito de recorrer. BARBOSA MOREIRA. c) interposição de recurso principal pelo adversário.. o que se dá com a apresentação de contra-razões).. nota 2a. E é exatamente esse escopo do instituto que impede a interposição de recurso adesivo pela parte que já apresentou recurso independente. Cf. Em sua obra Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. embargos infringentes. que não interpôs recurso na primeira oportunidade.. 7ª ed. 1995. NERY JUNIOR.. e THEOTONIO NEGRÃO. Além das exigências apontadas. 4ª ed. 2ª ed. porquanto há a consumação do direito com a apresentação do primeiro recurso.. o que não condiz com o real escopo do instituto: possibilitar ao vencido em parte. 261. ARRUDA ALVIM. o recurso adesivo só passa pelo juízo de admissibilidade quando o mesmo e o principal preenchem todos os pressupostos recursais: a inobservância de algum requisito de um ou de 260. 74. ª ed. p. 1996. p. 67. Anotações. apoiando-se inclusive em precedente jurisprudencial que indica (25ª ed. nota 2a). 11. Princípios fundamentais. 1997. e d) ausência de interposição de recurso independente pelo recorrente adesivo. b) recorribilidade por meio de apelação. 1996. Dicionário jurídico. 25ª ed. Recursos cíveis. p. Volume V. 74. Com efeito. que interpôs recurso pela via principal. ainda que o principal não tenha alcançado a totalidade da sucumbência proveniente da decisão. Cf. tendo como alvo o decisum naquilo em que foi favorável à parte contrária. p. a expressão utilizada pelo legislador brasileiro causa a falsa impressão de que há adesão na apresentação do recurso adesivo. Comentários. é possível concluir que o recurso adesivo está condicionado à existência das seguintes exigências: a) sucumbência recíproca. 75. p. Por tal razão. OTHON SIDOU. Código. MARCOS AFONSO BORGES. p.

na jurisprudência: “2. inciso I. Daí a manifesta inadmissibilidade de recurso adesivo contraposto a reexame necessário. porquanto a remessa obrigatória não tem natureza recursal nem pode ser confundida com a apelação. À luz dos artigos 500. ambos do Código de Processo Civil.826/DF. 659. incisos I e II. conforme o caso. 124). embargos infringentes. as peças recursal adesiva e de resposta podem ser apresentadas em momentos distintos. p. o adesivo também deve preencher os respectivos requisitos de admissibilidade. Tal como o recurso principal. Precedentes. 3. 2. recurso especial ou recurso extraordinário. primeira parte. No mesmo sentido. o artigo 500 do Código de Processo Civil não exige correlação temática entre a matéria veiculada no recurso adesivo e a matéria impugnada no recurso principal262: é perfeitamente possível. e 508. parágrafo único. que o recurso adesivo verse sobre a reconvenção apesar de o recurso principal tratar apenas da demanda originária. RECURSO ADESIvO: REQUISITOS DE ADmISSIbIlIDADE À vista do caput do artigo 500 do Código de Processo Civil. desde que respeitado o prazo de quinze dias. o recurso adesivo deve ser interposto por petição autônoma apresentada à autoridade judiciária competente para admitir o recurso principal. De acordo. Aliás. o adesivo está sujeito aos mesmos pressupostos de admissibilidade do recurso principal. Recurso adesivo: um exame à luz da teoria geral dos recursos. e 506. O prazo para a interposição do adesivo pelo vencido em parte que não apresentou recurso independente é o mesmo para a apresentação da resposta: quinze dias. a admissibilidade do recurso adesivo depende da prévia interposição de recurso pela parte contrária (ao recorrente adesivo). conforme se infere da combinação dos artigos 500. os quais são exatamente aqueles da espécie recursal utilizada na via principal: apelação.outro acarreta a prolação de juízo negativo de admissibilidade quanto ao recurso adesivo. Por fim. consoante o disposto no parágrafo único do artigo 500 do Código de Processo Civil. p. 2ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 9 de maio de 2006. 2008. A matéria objeto do recurso adesivo não precisa guardar correlação temática com a do principal. na doutrina: “A matéria a ser impugnada no recurso adesivo independe daquela que é objeto do principal” (MÔNICA BONETTI COUTO. Não obstante. consoante se depreende 262. 184 . por exemplo. Recurso especial provido” (REsp n. 20).

última parte. sim. Por conseguinte. ainda que intempestivamente. embora tardio. Com efeito. é importante solucionar uma última pergunta relativa ao requisito da tempestividade: é possível tomar como adesivo o recurso principal extemporâneo? Tudo indica que não. que confere legitimidade recursal às partes. do que aviar recurso independente. Se o fez. sim. Quanto ao interesse recursal. é inadmissível recurso adesivo quando o recurso independente não foi interposto pela parte contrária. só as partes podem apresentar recurso pela via adesiva. Antes de passar ao estudo da legitimidade para a interposição de recurso adesivo. como custos legis.060. in verbis: “omissis. o prazo recursal do adesivo é duplicado nas hipóteses dos artigos 188 e 191 do Código e do artigo 5º da Lei n. na esperança de que o adversário adotasse igual atitude. e 508. ainda que a derrota seja mínima (por exemplo. por terceiro prejudicado ou pelo Ministério Público. não pode ser beneficiado por instituto que tem como escopo a salvaguarda do litigante que preferiu arcar com o julgado que impôs a sucumbência recíproca. 185 . houve a consumação do direito de recorrer.do disposto nos artigos 500. Ademais. de 1950. O escopo do instituto não é salvar aquele legitimado que perdeu o prazo para aviar recurso principal. 28 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. como juros. honorários advocatícios). o respectivo recurso. 1. a inteligência do artigo 500 conduz ao raciocínio de que não há lugar para o recurso adesivo quando o independente foi interposto por terceiro prejudicado ou pelo parquet. como bem revela o preciso enunciado n. é possível a utilização da via adesiva. nem há necessidade de que a matéria veiculada no recurso adesivo tenha correlação alguma com a matéria objeto do recurso principal. preservar o direito de recorrer daquele que optou (ainda que implicitamente) por não recorrer na primeira quinzena. alcance apenas pedido acessório. no ofício de fiscal da lei. Diversamente do artigo 499 do Código de Processo Civil. tanto o terceiro prejudicado quanto o Ministério Público no ofício de custos legis não têm legitimidade recursal adesiva. tanto que interpôs. Ainda em relação à tempestividade. inciso I. ao Ministério Público e a terceiro prejudicado. Já o legitimado que revelou explicitamente a vontade de recorrer na primeira oportunidade pela via principal. cuja parte final tem perfeita aplicação ao recurso adesivo em processo civil. mas. mas. sendo desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária”. A via adesiva só é aberta quando o legitimado deixa de apresentar recurso principal. correção monetária. Ainda acerca da legitimidade recursal.

Ainda à luz do parágrafo único do artigo 500 do Código de Processo Civil. 186 . mas o recurso especial não) e são julgados por tribunais diversos (enquanto o recurso extraordinário é julgado pelo Supremo Tribunal Federal. não há lugar para recurso especial adesivo de recurso principal extraordinário26. 40. A regra. 4927. comporta exceção. o juízo positivo de admissibilidade do adesivo está condicionado não só à satisfação dos pressupostos recursais por parte do principal. RECURSO ADESIvO: JUÍZO DE ADmISSIbIlIDADE E JUÍZO DE méRITO Como o recurso principal. Em sentido conforme. 11. Por conseguinte. porquanto os recursos extraordinário e especial têm requisitos de admissibilidade diferentes (por exemplo. na jurisprudência: REsp n. o adesivo deve cumprir os pressupostos de admissibilidade atinentes à espécie recursal utilizada.747/DF. Um exemplo serve para demonstrar que 26. em contrariedade ao disposto no parágrafo único do artigo 500. o recurso extraordinário depende do cumprimento do requisito da repercussão geral. bem assim ao preenchimento dos requisitos por parte do próprio adesivo. o resultado do juízo de mérito do recurso independente normalmente não interfere no juízo de admissibilidade do adesivo. todavia.Tal como o recurso principal. se o recurso principal é extraordinário.060. Daí a inadmissibilidade do denominado “recurso adesivo cruzado”. à vista do parágrafo único do artigo 500 do Código de Processo Civil e do artigo 6º da Lei n. 1. a apreciação do mérito do recurso subordinado geralmente não está condicionada ao resultado do juízo de mérito do recurso principal. Com efeito. o recurso especial é da competência do Superior Tribunal de Justiça). de 2007. p. o adesivo também deve ser (recurso extraordinário). Com efeito. Então. de 1950). Lei n. só é admissível a interposição de recurso adesivo que seja da mesma espécie do recurso principal. O inconformismo só não fica sujeito a preparo quando a respectiva espécie recursal está dispensada pela legislação pertinente ou quando o próprio recorrente adesivo é isento por força de lei (por exemplo. 3. o adesivo também depende de preparo. 2ª Turma do STJ. Em contraposição.66. o mérito do recurso adesivo só pode ser apreciado se estiverem cumpridos os pressupostos de admissibilidade de ambos os recursos. Diário da Justiça de 9 de dezembro de 1996.

a qual restou prestigiada no enunciado n. todavia. ainda que excepcionalmente: o autor A propõe ação de indenização contra o réu R. prevalece na quase totalidade dos casos. onde cabe. nos embargos para o Pleno e no agravo de petição”. Após a contestação e a instrução probatória. insista-se. previsto no art. conforme o requerimento de 20% formulado na petição inicial. é incompatível com o processo do trabalho”. preceito que sugere a aplicação do processo comum no silêncio do diploma de 194. a turma julgadora do tribunal dá provimento ao apelo principal. no recurso ordinário. a qual. Por fim. houve a inicial sustentação da tese da incompatibilidade. não há como deixar de reconhecer que o julgamento do mérito do recurso principal é relevante. interfere diretamente no desate do apelo adesivo. houve a evolução da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. o Tribunal Superior do Trabalho confirmou o cabimento de recurso adesivo no processo trabalhista. 500 do Código de Processo Civil. com a aprovação do enunciado n. na qual requer a majoração dos honorários advocatícios. o autor A interpõe apelação adesiva. Intimado. Após. o efeito extensivo do recurso principal pode ocasionar superveniente ausência de interesse recursal em relação ao recurso adesivo. no prazo de 8 (oito) dias. o verbete n. com a condenação do réu R a pagar a indenização pleiteada.o juízo de mérito do principal pode interferir no desate do recurso adesivo. na hipótese imaginada. 4. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO TRAbAlHISTA A Consolidação das Leis do Trabalho e a legislação de regência não cuidam do recurso adesivo no processo trabalhista. com o conseqüente afastamento da regra da independência no tocante ao juízo de mérito. o juiz de primeiro grau profere sentença. 28. Diante da ausência de preceito específico acerca do recurso adesivo no processo do trabalho. Daí a importância do exame do caso concreto. Em resumo. bem como verba de patrocínio equivalente a 10% do valor atribuído à causa. em prol da adoção do recurso adesivo trabalhista à luz do artigo 796 da Consolidação das Leis do Trabalho. os ônus da sucumbência são invertidos. mas na mesma esteira do enunciado n. na revista. Inconformado. para reformar a sentença e julgar improcedente o pedido de ressarcimento. o réu R apela imediatamente. Ora. A propósito. 196. 196 revela a mudança da orientação daquela Corte: “O recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho. Por tal razão. 175 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “O recurso adesivo. Após regular processamento dos recursos. verbete sumular que também assentou a irrelevância da existência de relação entre as matérias versadas no recurso 187 . a fim de que eventual relação de subordinação seja considerada.

por exemplo. merece ser prestigiada a lição do Professor LÚCIO SANTORO DE CONSTANTINO: “Como o artigo 500 do CPC que fundamenta o recurso adesivo é diploma formal civil. é admissível recurso adesivo no processo trabalhista. e que informa que a lei processual admitirá a aplicação analógica. Em suma. Com efeito. Eis o que dispõe o preciso enunciado n. 28. houve a evolução da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. 175. No processo penal. de revista e de embargos. nas hipóteses de interposição de recurso ordinário. Havendo lacuna legal. tal como no recurso adesivo cível. entretanto. também no processo trabalhista é possível que o recurso adesivo verse sobre matéria diversa da veiculada no recurso principal. não há a previsão do recurso adesivo no Código de Processo Penal de 1941. o qual deve ser interposto no prazo de oito dias. Com efeito. poderá ser promovida analogia com lei que disponha sobre fato semelhante. após inicial resistência revelada pelo enunciado n. No processo 188 . 283 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. atual verbete de regência do recurso adesivo no processo trabalhista: “O recurso adesivo é compatível com o processo de trabalho e cabe. como ocorre. Veja-se que a aplicação analógica é fonte formal do direito processual penal e serve para perfectibilizar a sistematização processual. 5. a despeito de o artigo º do Código de 1941 e de autorizada doutrina264 autorizarem a interpretação analógica e a conseqüente conclusão 264. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO pENAl Tal como no Código de Processo Civil de 199 e na Consolidação das Leis do Trabalho de 194. sem restrição nem vinculação alguma em relação à matéria veiculada no recurso principal. cujo artigo 500 incorporou o recurso adesivo ao Direito Processual Civil pátrio. A propósito. para traçar um liame com a utilização do aludido recurso na esfera penal.principal e no adesivo. consoante o disposto no artigo 769 daquela Consolidação. de agravo de petição. A omissão da Consolidação das Leis do Trabalho. Com efeito. é de se firmar no artigo 3º do CPP. todavia. no prazo de 8 (oito) dias. não impediu que o artigo 500 do Código de Processo Civil vigente também fosse aplicado por analogia ao processo trabalhista. tanto que a Corte Superior Trabalhista consagrou a admissibilidade do recurso adesivo no preciso enunciado n. sendo desnecessário que a matéria nele veiculada esteja relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária”. o instituto só surgiu no direito brasileiro com o advento do Código de Processo Civil de 197. quando um trata de dano moral e o outro de dano material.

15: “No processo eleitoral. residirem no mesmo sistema processual e serem corolários da mesma teoria geral do processo..352/2001). § 2º). de natureza eminentemente criminal. Daí a justificativa para a correta aplicação do re- penal. p. 75. na formação do traslado. propriamente. mas. raiz da sistemática processual pátria” (Recursos criminais. na doutrina: TITO COSTA. Diário da Justiça de 26 de abril de 2002: “AGRAVO DE INSTRUMENTO EM MATÉRIA ELEITORAL E COMPOSIÇÃO DO TRASLADO. IMPOSSIBILIDADE. 1190807/5. 21. c/c o art. § 2º). A propósito. em procedimento do direito de resposta. Com efeito. tem lugar a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil de 197. 541 a 546. Impõe-se à parte agravante. 544. vale a pena conferir o seguinte precedente jurisprudencial: Ag n. também. sem prejuízo da observância. 15ª Câmara do TACRimSP. em caráter irredutível. 282. OCORRÊNCIA. 2ª Turma do STF. atender.950/1994 e a Lei 10. 189 . p. ementa n. na hipótese de não-admissão de recurso extraordinário interposto em processo eleitoral. 2004. É impossível o conhecimento de inconformismo apresentado intempestivamente e manifestado através de ‘recurso adesivo’. forma estranha ao processo penal. ementa n.” (Apelação n. MANIFESTAÇÃO ESTRANHA AO PROCESSO PENAL. 265. com aplicação apenas em processo civil” (Apelação n. CONHECIMENTO. 266. que não se limita à órbita do direito civil. “RECURSO ADESIVO. ao que estabelece o Código de Processo Civil (art. cujo artigo 500 versa sobre o instituto. tanto a doutrina quanto a jurisprudência sustentam a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil para suprir as omissões do sistema recursal eleitoral266. 6. não só ao que dispõe. o Código Eleitoral (art. os recursos eleitorais seguem o disposto no Código Eleitoral. Porém. 2004. na composição do traslado. julgado em 19 de outubro de 2000). são aplicáveis. contidas no CPC (arts. 8ª ed. 1214164/6. As disposições a ele referentes. Conferir: “RECURSO ADESIVO. 112084. 279. é cabível o recurso extraordinário. A Lei de Imprensa e o Código de Processo Penal não prevêem. com redação da Lei 8. principalmente face ao aspecto de ambos. Recursos. RECURSO ADESIvO NO pROCESSO ElEITORAl Em razão da existência de diploma específico. no processo eleitoral”. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO.124/MG — AgRg. não há o grifo no original). 8ª Câmara do TACRimSP. De acordo. o recurso adesivo. tal situação é viável junto ao processo civil. das exigências fundadas no magistério jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal” (grifo e destaques constam do original). ainda prevalece na jurisprudência o entendimento contrário ao instituto265. julgado em 16 de março de 2000).favorável à incorporação do recurso adesivo também ao sistema recursal criminal. como o Código Eleitoral é omisso em relação ao recurso adesivo. 114655. subsidiariamente. processo penal e processo civil.

Acórdão n. 23. v. p. de fato. Possibilidade de aplicação subsidiária do art.391. vale a pena conferir o didático voto do Relator BARBOSA PEREIRA: “Esclarecido esse ponto.curso adesivo ao sistema recursal eleitoral267. § 1º.02.489 — Classe 2.u. Recurso n. vale citar o seguinte julgado deste Tribunal: ‘RECURSO CÍVEL — CONDUTA VEDADA AOS AGENTES PÚBLICOS E CAPTAÇÃO DE SUFRÁGIO — CABIMENTO DO RECURSO ADESIVO EM SEDE ELEITORAL — PRELIMINAR REJEITADA — UTILIZAÇÃO DE CAMINHÕES DA PREFEITURA MUNICIPAL PARA TRANSPORTAR MUDANÇA DE MUNÍCIPES — NÃO CARACTERIZAÇÃO DA PRÁTICA DE CONDUTA VEDADA AOS AGENTES PÚBLICOS OU DE CAPTAÇÃO DE SUFRÁGIO — LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ NÃO CARACTERIZADA’ (Acórdão n. 190 . julgado em 20. cabe asseverar que. Por oportuno. o prazo recursal de três dias previsto nos artigos 258.50. Acórdão n. 2128. Relatora Juíza Suzana de Camargo Gomes. Nesse sentido. por exemplo. p. De acordo.01. visto que a admissão dessa forma de interposição não colide com os princípios que regem o Direito Eleitoral. prolatado nos autos do Recurso Cível n. 500 do Código de Processo Civil ao direito eleitoral” (TRE/MG. embora não haja previsão no Código Eleitoral acerca da modalidade adesiva para interposição de recurso.669. como. publicado no DOE de 1º. o instituto do recurso adesivo é compatível com o direito eleitoral. bem assim no enunciado n. 25. 152. No mesmo sentido: “RECURSO ADESIVO — PRELIMINAR DE NÃOCABIMENTO PERANTE A JUSTIÇA ELEITORAL AFASTADA” (TRE/SP. Ademais. Diário do Judiciário de Minas Gerais de 15 de fevereiro de 200. ao qual foi corretamente incorporado. 264. 276.05. na jurisprudência: “Recurso adesivo.. 267. a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil à hipótese é plenamente aceitável. e 281. a jurisprudência mais recente desta Corte é no sentido de reconhecer a possibilidade de utilização de insurgência na forma adesiva. julgado em 2 de fevereiro de 2006).05. 154. 71). todos do Código Eleitoral. com as adaptações próprias dos recursos eleitorais. 1052002. 206)” (grifos aditados). Em suma. RAIME n. 728 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.

SUCEDÂNEOS RECURSAIS E INCIDENTES PROCESSUAIS NOS TRIBUNAIS .TOMO II AÇÕES IMPUGNATIVAS.

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Código de Processo Civil comentado. Dentre eles está a medida cautelar inominada (CPC 797 e 798)”. a reclamação correicional) e da ação cautelar originária. é conveniente estudar as ações autônomas de impugnação. Não obstante. p. quer em relação à própria subsistência da decisão (efeito substitutivo). 1219. os sucedâneos recursais e os institutos afins (como os previstos no Capítulo IX do Livro I do Código de Processo Civil). não são considerados como recursos. as ações autônomas de impugnação também têm como alvo decisões judiciais. 18ª ed.. 268. enquanto os recursos impugnam as decisões judiciais no bojo do mesmo processo no qual foram proferidas. n. 7. por absoluta falta de previsão legal. Daí a conclusão: as ações autônomas são impugnações externas em relação aos processos anteriores nos quais foram proferidas as decisões judiciais impugnadas. Daí a justificativa para o estudo do pedido de reconsideração. as ações autônomas impugnam as decisões judiciais mediante a formação de processo novo. institutos que não têm natureza recursal. Recursos. p. 1999. para evitar possível confusão com os recursos propriamente ditos.INTRODUçãO Antes de iniciar o estudo de cada uma das espécies recursais.. 52 e 5. do incidente de suspensão. na doutrina: VICENTE GRECO FILHO. instaurado para o fim específico de impugnação da decisão judicial prolatada em processo anterior. Em sentido semelhante. Já os sucedâneos recursais são verdadeiros incidentes processuais que produzem algum efeito similar aos recursos. Existem alguns remédios processuais que. internamente. ou seja. da correição parcial (isto é. 51). e NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY. por esta razão. Tal como os recursos. quer em relação à ineficácia da decisão (efeito suspensivo). 2007. Direito processual civil brasileiro. da remessa obrigatória. comentário 2: “Sucedâneo de recurso. mas tendo em vista a finalidade para qual foram criados. 19 . são denominados de seus sucedâneos (Nery. podem fazer as vezes destes e. mas são sucedâneos recursais268. Volume II. 4ª ed.

194 . ambos do mesmo Livro I do Código de Processo Civil. em razão da semelhança procedimental. os institutos afins constam de capítulo (IX) contíguo ao capítulo (X) dos recursos. dos sucedâneos recursais e dos institutos afins. há uma ação autônoma (homologação de sentença estrangeira) e incidentes processuais (uniformização de jurisprudência e incidente de inconstitucionalidade) sem escopo impugnativo algum. Aliás. já há lugar para o exame específico de cada uma das ações autônomas de impugnação.Por fim. Finda a exposição dos aspectos gerais acerca das ações impugnativas. submetidos a procedimento similar ao dos recursos. dos sucedâneos recursais e até mesmo dos institutos afins. por conseguinte. mas da competência originária de tribunais e.

Capítulo x AçãO RESCISÓRIA 1. Há muito o Professor BUENO VIDIGAL já tinha registrado a influência do direito canônico no brasileiro. publicada em 1948. NOTÍCIA HISTÓRICA Os antecedentes históricos da ação rescisória repousam no Direito Romano e no Direito Canônico. § 2º. a incompetência absoluta enseja. a querela nullitatis e. O número 4 cuida de hipótese que encontra alguma semelhança com a prevista no inciso V do 269. enquanto o inciso VI do artigo 485 do Código de Processo Civil cuida da ação rescisória pelo mesmo fundamento. especialmente nos institutos da querela nullitatis e da restitutio in integrum. Ainda no cânon 1645. Já o número  trata da restitutio in integrum por motivo de dolo processual. hipótese de rescindibilidade prevista no inciso III do artigo 485 do Código de Processo Civil. o número 2 versa sobre a mesma hipótese prevista no inciso VII do artigo 485 do Código pátrio. no Direito Canônico. por exemplo. a ação rescisória. 195 . daquele Codex dispõe sobre a restitutio in integrum fundada em prova falsa. O cânon 1620. do Código de Direito Canônico. trata da mesma hipótese de rescindibilidade prevista na segunda parte do inciso II do artigo 485 do Código de Processo Civil. à vista dos anteriores Código Canônico de 1917 e Código de Processo Civil de 199. § 2º. Com efeito. a origem da ação rescisória reside nos dois institutos encontrados tanto no Direito Romano quanto no Direito Canônico. número 1. Ainda a respeito da origem da ação rescisória. especialmente da página 21. conforme se infere de sua clássica obra Da ação rescisória dos julgados. Com efeito. o cotejo do atual Codex Iuris Canonici com o Código de Processo Civil brasileiro revela que ainda hoje existem traços comuns comprobatórios das raízes históricas269. no Direito Processual Civil brasileiro. número 1. Já o cânon 1645.

o reexame necessário. NATUREZA JURÍDICA No direito processual civil brasileiro. De acordo. Em síntese. merece destaque a ação rescisória. a correição parcial ou reclamação correicional). Com efeito. Volume V. o pedido de reconsideração. o prazo decadencial da rescisória é contado “do trânsito em julgado da decisão”. classe na qual são incluídos institutos semelhantes aos recursos. o incidente de suspensão. 271. 1999. Comentários ao Código de Processo Civil. Rescisória. Em contra- 270. a desconstituição do julgado ocorre no juízo rescindendo ou rescindente (iudicium rescindens). o número 5 do § 2º do cânon 1645 e o inciso IV do artigo 485 versam sobre a ofensa à coisa julgada. Com efeito. nos termos do artigo 495. Enquanto todos os recursos pátrios (até mesmo os recursos extraordinário e especial) são interpostos antes da formação da coisa julgada.artigo 485 do Código brasileiro. enquanto as ações autônomas de impugnação ocasionam a formação de um novo processo. diverso daquele em que foi proferido o decisum gerador da insatisfação. Além dos recursos propriamente ditos. 0.. e o eventual novo julgamento da causa primitiva é realizado no juízo rescisório (iudicium rescissorium). Aliás. dá ensejo à prolação de novo julgamento da causa solucionada por meio do decisum impugnado na rescisória. há dois remédios jurídicos tradicionais aptos à impugnação das decisões jurisdicionais: as ações autônomas de impugnação (ou ações impugnativas) e os recursos270. CALMON DE PASSOS. Código de Processo Civil comentado. NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. Trata-se de ação apropriada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata e que. p. Sem dúvida. 7ª ed. p. É o que se infere dos artigos 467 e 485 do Código de Processo Civil. 2. há os sucedâneos recursais (por exemplo. a ação rescisória é uma derivação dos antigos institutos da querela nullitatis e da restitutio in integrum existentes no Direito Romano e no Direito Canônico. ou não. os recursos são interpostos no mesmo processo em que foi proferida a decisão causadora do inconformismo271. p. comentários 4 e 5. 4ª ed. Entre as ações autônomas de impugnação. Por fim. 942. com maior autoridade: BARBOSA MOREIRA. a rescisória é ação.. 196 . em regra. 1998. a rescisória pressupõe a existência da res iudicata. A diferença entre os remédios jurídicos reside na instauração de novo processo. e não recurso. 99 e 100. mas sem todos os elementos necessários para a inclusão na classe dos verdadeiros recursos.

p. Ação rescisória.posição. na doutrina: CALMON DE PASSOS. porquanto a rescisória busca a desconstituição do julgado protegido pela res iudicata. e SÉRGIO RIZZI. Rescisória. 197 . a qual não pode ser confundida com recurso. segundo os quais a rescisória é ajuizada por meio de “petição inicial”. 1975. 551 e 55 classificam a rescisória como “ação”. na doutrina: AGNELO AMORIM FILHO. com a posterior baixa dos autos do respectivo processo. nem do Título X (“Dos recursos”). há mera intimação. 27. na doutrina: SÉRGIO GILBERTO PORTO. Por fim. 2 e 7. a rescisória está inserta no Título IX (“Do processo nos Tribunais”). temse que a rescisória é ação. 5ª ed. Assim. autorizada doutrina ensina que é ação constitutiva negativa27. Manual. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência. E a ausência da interposição de recurso no prazo legal conduz à formação da coisa julgada. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. Com maior detalhamento. Por oportuno. É que a parte contrária é citada. Conferir: CALMON DE PASSOS. con- 272. Volume III. p. 257. p. nos recursos. p. 495. 9. o prazo recursal tem como dies a quo a intimação da decisão. À luz do iudicium rescindens. inciso III. Aliás. 2001. Tanto que os artigos 527. sob todos os prismas. 0. Em síntese. 7. o artigo 491 reforça a tese de que a rescisória tem natureza jurídica de ação. 71. JOSÉ FREDERICO MARQUES. destinado aos incidentes e às ações de competência originária dos tribunais judiciários. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. Diversamente. Revista dos Tribunais.. Rescisória. 275. 296. consoante o disposto no artigo 506. Comentários. declaratória ou constitutiva. Código. com o conseqüente prosseguimento do mesmo processo no qual foi proferida a decisão recorrida. e 542 indicam que o recorrido “será intimado”. volume 00. Volume VI. tudo nos termos dos artigos 467 e 510. Quanto ao iudicium rescissorium. tem-se a repetição da natureza jurídica da ação primitiva: condenatória. p. p. a natureza constitutiva da ação rescisória já revela que o respectivo prazo é decadencial275. os artigos 489. o que revela a instauração de nova relação jurídica processual. Sob outro prisma. 2000. com o reforço dos artigos 488 e 490. Daí a explicação para a expressão “ação desconstitutiva”. p. Ao contrário. própria das ações. é possível concluir que a ação é constitutiva272. 1979. a rescisória não consta do rol de recursos do artigo 496. Com igual opinião. outra terminologia que também pode ser prestigiada274. Resta saber em que classe de ação pode ser incluída a rescisória. 274.

de nada adianta ajuizar outra ação autônoma de impugnação. quer seja negativo. 41: “A AÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA NÃO CONSTITUI SUCEDÂNEO DA AÇÃO RESCISÓRIA — A ação de mandado de segurança — que se qualifica como ação autônoma de impugnação (RTJ 168/174-175. 56: “RECLAMAÇÃO — ALEGADA USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL — INOCORRÊNCIA — DECISÃO RECLAMADA QUE TRANSITOU EM JULGADO — OCORRÊNCIA DO FENÔMENO DA res Judicata — INVIABILIDADE DA VIA RECLAMATÓRIA — RECLAMAÇÃO DE QUE NÃO SE CONHECE. No mesmo sentido: RCL n. respectivamente: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado”. 0 e 71. Precedentes”. Ação rescisória. 276.48/DF. A despeito da diversidade de soluções à luz de cada um dos juízos. De acordo. quando a decisão por ela impugnada já transitou em julgado. art. por exemplo. e SÉRGIO RIZZI. diante da adequação específica da ação rescisória contra decisum sob o manto da coisa julgada. 198 . 278.forme a natureza da ação originária276. na doutrina: CALMON DE PASSOS. Sem dúvida. eis que esse meio de preservação da competência do Supremo Tribunal Federal e de reafirmação da autoridade decisória de seus pronunciamentos — embora revestido de natureza constitucional (CF. Por ser a rescisória a ação impugnativa apropriada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata. entretanto. não podendo ser utilizada como meio de desconstituição de decisões já transitadas em julgado. Rel. 277. A EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA IMPEDE A UTILIZAÇÃO DA VIA RECLAMATÓRIA — Não cabe reclamação. p. Diário da Justiça de 5 de outubro de 2001. é possível concluir que a ação é constitutiva.975/DF — AgRg. Pleno do STF. 102. como bem assentou o Supremo Tribunal Federal nos enunciados 268 e 74. Pleno do STF. quer seja positivo. Rescisória. há o juízo de admissibilidade da ação. ‘e’) — não se qualifica como sucedâneo processual da ação rescisória. como. Min. Antes de ambos os juízos. tendo em vista a característica essencial da rescisória: desconstituição de decisão protegida pela res iudicata. 7. A inocorrência do trânsito em julgado da decisão impugnada em sede reclamatória constitui pressuposto negativo de admissibilidade da própria reclamação. Precedentes”. CELSO DE MELLO) — não constitui sucedâneo de ação rescisória. 1. 2. Diário da Justiça de 22 de novembro de 2002. p. o qual tem natureza declaratória. “Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal”. p. 1979. Em sentido conforme: MS n. são inadmissíveis as ações impugnativas de mandado de segurança277 e de reclamação constitucional278. I. p. o mandado de segurança e a reclamação constitucional. que não pode ser utilizada contra ato judicial que se tornou irrecorrível.

inciso I. À vista do artigo 105. Revista da Associação dos Magistrados do Paraná. inciso I. Tanto que. à vista do artigo 102. o vocábulo “decisão” revela que não só a “sentença” pode ser desconstituída por meio de ação rescisória. A exata compreensão do texto codificado é obtida pela interpretação sistemática. n.Estudada a natureza jurídica da rescisória. o Superior Tribunal de Justiça tem competência para processar e julgar “as ações rescisórias de seus julgados”. DOMINGOS SÁVIO BRANDÃO LIMA. À vista do método de interpretação. I. inciso I. alínea “e”. Na mesma esteira. já é possível indicar o alvo da ação. JORGE DUARTE DE AZEVEDO. 3. HERMANN ROENICK. a exegese do caput do artigo 485 não deve ser feita à luz do método de interpretação literal. 20). o julgado rescindendo. Na verdade. a correta interpretação do Código de Processo Civil também — e principalmente — é obtida à luz da Constituição Federal. Com efeito. recomendou a pertinente alteração do caput do artigo 485 do Código. no Simpósio da Associação dos Magistrados ocorrido em 1974. pelo Juiz VIVALDE BRANDÃO COUTO. alínea “j”. Ora. p. observa-se que o capítulo do Código de Processo Civil que versa sobre a ação rescisória termina no artigo 495. e pelo Procurador de Justiça CARLOS OCTÁVIO DA VEIGA LIMA. a Segunda Comissão. ao contrário do termo “sentença”. não só a “sentença” é passível de impugnação por meio de ação rescisória. ou seja. alínea “b”. fixa a competência dos tribunais regionais federais para o processamento e o julgamento das ações rescisórias “de julgados seus ou dos juízes federais da região”. o qual conduz à inaceitável conclusão de que a ação rescisória só pode ter como alvo apenas “sentença”279. também abrange o acórdão. contados do trânsito em julgado da decisão”. substituindo-se o vocábulo “sentença” pelo termo “decisão” (cf. 1974. O artigo 108. o texto constitucional revela que a ação rescisória pode ter em mira não apenas sentença. a decisão monocrática e a decisão interlocutória. IVO SELL. Com efeito. pronunciamento de autoria de juiz de 279. AlvO DA AçãO RESCISÓRIA: JUlgADO RESCINDENDO Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Volume I. o vocábulo “decisão” é genérico. ou seja. porquanto. composta pelos Desembargadores BRUNO AFFONSO ANDRÉ. cujo teor é o seguinte: “O direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos. o Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar “a ação rescisória de seus julgados”. 199 .

945. p. Não há dúvida de que. e passou a ser mera fase processual a ser resolvida mediante decisão interlocutória. Diário da Justiça de 25 de setembro de 1992. até mesmo as decisões interlocutórias282 são 280. e AR n. Como a atual liquidação deixou de ser processo autônomo. Pleno do STF. também os acórdãos. Em síntese. além das sentenças. p. 1997. 116. BRUNO FREIRE E SILVA. Como o processo segue em virtude da demanda remanescente relativa ao outro litisconsorte. porquanto o juiz resolve sobre o valor devido. Imagine-se. por exemplo. Outra não é a conclusão tirada à luz da interpretação teleológica. A conclusão é reforçada pelo artigo 259 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.4/SC.. 6. Revista de Processo. segundo o qual a ação rescisória pode ter como alvo acórdão e decisão monocrática: “Caberá ação rescisória de decisão proferida pelo Plenário ou por Turma do Tribunal. 2001. 1. p. Curso. n. p. NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. 114. bem assim pelo Presidente. 4ª ed. Ação rescisória. Na verdade. 1999. as decisões monocráticas e até mesmo as decisões interlocutórias podem estar contaminados pelos vícios previstos nos incisos do artigo 485 do Código de Processo Civil. 172. 282.. Ação rescisória. 281. tal como as sentenças. No sentido do texto. apesar de ter versado sobre matéria de mérito280. há lugar para ação rescisória. Volume I.. 15. tem-se que o pronunciamento jurisdicional é mera decisão interlocutória.52/RJ — AgRg. 2005. nos casos previstos na lei processual”. p. 1979. e SÉRGIO RIZZI. 19ª ed. Cf. Pleno do STF. Com a mesma opinião. p. 1. 115 e 647. 41. Outro exemplo de decisão interlocutória de mérito reside no artigo 475-H do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 7 de maio de 199. A finalidade do instituto da ação rescisória é a eliminação do mundo jurídico de pronunciamento jurisdicional maculado por vício de extrema gravidade. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Código de Processo Civil comentado. Os “julgados” dos tribunais são igualmente passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. 8ª ed.primeiro grau de jurisdição. 1999. Comentários ao Código de Processo Civil. 200 . 1. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Volume V.. as decisões monocráticas281 proferidas pelos magistrados dos tribunais também são passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. na jurisprudência: AR n. 656 e 657. na doutrina: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. passível de sentença. p. e 9ª ed. com evidente julgamento de mérito. Ação rescisória. Do mesmo modo. a hipótese de o juiz de primeiro grau pronunciar a decadência ou a prescrição apenas em relação a um dos litisconsortes ativos. os acórdãos também desafiam ação rescisória. Em sentido semelhante.

decadência. do prazo recursal. Escoado o prazo recursal. 1991. 1979. 86.. p.. Comentários.. 85 e 90. p. 2ª ed. a admissibilidade da ação rescisória está sempre condicionada à impossibilidade jurídica da interposição de recurso (o que geralmente ocorre com o término dos prazos recursais) e do ajuizamento de outra ação. entretanto. e não o pronunciamento do juiz de primeiro grau. SERGIO BERMUDES. merece ser prestigiado o item III do enunciado n. 19ª ed. Com efeito. sim. 1997. Com a substituição da sentença. Princípios fundamentais. e Código. 279. 247. Contra. o que acarreta a cassação do decisum recorrido. 66. Ação rescisória. 25. p. 1986. 1996. a ação rescisória deve ter como alvo o acórdão. Volume VII. 1977. prescrição. Curso. 27. 97 e 98. p. BUENO VIDIGAL. Com efeito.impugnáveis mediante ação rescisória. p. 280. é juridicamente impossível o JOSÉ RIBAMAR MORAES. 7ª ed. 4ª ed. p. COQUEIJO COSTA.. 514 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em julgado. p. 1998. Comentários. 1992.. nota 261. O labirinto da ação rescisória. Volume V. por exemplo). ainda que contra ela não se tenham esgotado todos os recursos”. tem-se o acesso à ação rescisória. também há respeitável doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. independentemente do decisum tido em mira. é inadmissível ação rescisória enquanto estiver pendente prazo recursal ou for juridicamente possível a propositura de outra ação.. À vista do artigo 512 do Código de Processo Civil. A ação rescisória. 192 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “III — Em face do disposto no art. 28. 2ª ed.. 1992. 4ª ed. Volume I. 282. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. A respeito do tema. 115 e 116. Comentários.. 2000. e SÉRGIO RIZZI. ª ed. 201 . o conhecimento de recurso pelo tribunal conduz à substituição da sentença pelo acórdão — salvo quando há a constatação de error in procedendo no juízo de mérito. ainda que sem a interposição de nenhum recurso contra o decisum rescindendo. Volume VI. p. 1991. 2: “Cumpre observar que não há necessidade de esgotamento das vias recursais para a propositura da ação rescisória”. 512 do CPC. A ação rescisória. e Código. No sentido do texto: BARBOSA MOREIRA. nos termos do artigo 268 do Código.. p. desde que versem sobre mérito (objeto da demanda. 1976. Ação rescisória. p. que deixou de existir no plano jurídico após o julgamento do tribunal. 4ª ed. e 5ª ed. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Assim estabelece o correto enunciado n. e NERY JUNIOR. p. p. Sob outro prisma. 261. p. a admissibilidade da ação rescisória não está condicionada ao esgotamento das vias recursais cabíveis contra o decisum proferido no processo originário28 — mas.

embora não tendo conhecido do recurso extraordinário. 1.pedido explícito de desconstituição de sentença quando substituída por acórdão Regional”. é fora de dúvida a incompetência da Corte Estadual para as ações rescisórias que. 249 restou superado pelo advento do verbete n. 249. Diário da Justiça de 1 de agosto de 1984. e em seguida passa ao juízo de mérito — sem pronunciar a existência de error in procedendo. independentemente da natureza da questão federal apreciada.151/RJ. 285. tiver apreciado a questão federal controvertida”285-286. ou havendo negado provimento ao agravo. quando o tribunal não conhece do recurso. 249). conhecido o recurso pelo tribunal ad quem. Do mesmo modo. 515. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. proferindo juízo de admissibilidade negativo. O Supremo Tribunal Federal é competente para a ação rescisória quando. Os enunciados não são antagônicos. o entendimento não parece ser o melhor. AÇÕES RESCISÓRIAS PROCESSADAS PERANTE O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ. conquanto houvessem impugnado apenas a decisão local. Aliás. Reclamação acolhida. são harmônicos. Contudo. para o fim de tornar sem efeito as decisões impugnadas e julgar extintas as rescisórias. Muito pelo contrário. o respectivo acórdão substitui o proferido na corte de origem. ao julgar o recurso. A propósito. 249 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É competente o Supremo Tribunal Federal para a ação rescisória. 77/PR. porquanto cuidam de assuntos diferentes. 284. conseqüentemente. 202 . 249. JÁ QUE DIRIGIDAS CONTRA ACÓRDÃOS QUE HAVIAM SIDO APRECIADOS POR ESSA CORTE. 515. razão pela qual um enunciado completa o outro. e RCL n. não é rara na literatura pátria a afirmação de que o enunciado n. É o que revela o enunciado n. tirando a exceção anotada. embora não tendo conhecido284 do recurso extraordinário. Com efeito. quando. Com todo o respeito. decidiu o STF questão federal nele suscitada. 286. por impossibilidade jurídica do pedido”. Pleno do STF. a substituiu (art. Evidenciado que. na verdade investem contra os efeitos do acórdão do STF que a confirmou e que. quando ela profere juízo de admissibilidade positivo. nem incompatíveis entre si. o que demonstra a subsistência da proposição n. Em sentido idêntico: AR n. a sentença originária subsiste. CONQUANTO DESTE NÃO TENHA CONHECIDO. É importante não esquecer que os acórdãos da Corte Suprema foram proferidos após a publicação do enunciado n. o Supremo Tribunal Federal prestigiou expressamente o verbete n. A expressão “não tendo conhecido” deve ser interpretada como “não tendo provido”. Pleno do STF. Diário da Justiça de 0 de abril de 199: “RECLAMAÇÃO. nos precedentes indicados na nota anterior. 512 do CPC). Competência que se afirma. há a substituição do acórdão proferido no tribunal a quo pelo prolatado na corte superior. estando sujeita a ataque por meio de rescisória. tiver apreciado a questão controvertida (Súmula n. COM ALEGADA USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

Em regra. quando o tema decidido pela corte superior não está em discussão na ação rescisória. Na hipótese.Entretanto. Decorrido o prazo recursal in albis. O tribunal de segundo grau nega provimento ao apelo. Com efeito. o julgamento é da competência do tribunal a quo. Exemplo tradicional pode facilitar a compreensão do assunto: o juiz de primeiro grau extingue o processo sem julgamento do mérito. quando se repete ação que já foi decidida por sentença. seja diversa da que foi suscitada no pedido rescisório”. quando a questão federal. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: o autor A propõe ações cumuladas de cobrança das dívidas X e Y contra o réu R. é inadmissível ação rescisória enquanto estiver pendente prazo recursal ou for possível a propositura de outra ação. “denomina-se coisa julgada material a eficácia. merece ser prestigiado o verbete n. o autor não 20 . À vista do artigo 467. inserta no caput do artigo 485 do Código: “sentença de mérito. O Superior Tribunal de Justiça conhece do recurso. O legislador optou por sintetizar tal asserção na seguinte fórmula. o que ocorre raramente. nos termos do artigo 268 do Código de Processo Civil. 515 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “A competência para a ação rescisória não é do Supremo Tribunal Federal. Inconformado com a sentença de procedência. Realmente. a ação rescisória que versar sobre a dívida Y deve ser proposta perante a corte de segundo grau. o réu R interpõe apelação total. a admissibilidade da ação rescisória está sempre condicionada à impossibilidade jurídica da interposição de recurso e do ajuizamento de outra ação. A respeito do tema. de que não caiba recurso”. apreciada no recurso extraordinário ou no agravo de instrumento. Quando são inconciliáveis as conclusões tiradas a partir da asserção e da fórmula legal. O Superior Tribunal de Justiça só tem competência para processar e julgar a ação rescisória que tratar da dívida X. que torna imutável e indiscutível a sentença. o réu R interpõe recurso especial apenas acerca da dívida X. mas nega provimento ao especial. a doutrina e a jurisprudência têm temperado cum grano salis a cláusula legal “sentença de mérito. Como já estudado. Insatisfeito em parte. o autor constata que a sentença está contaminada por vício arrolado no artigo 485. transitada em julgado”. transitada em julgado”. há compatibilidade entre a asserção e a fórmula utilizada pelo Código de Processo Civil. a ação rescisória que trata de tema alheio ao recurso especial deve ser processada e julgada no tribunal a quo. Todavia. A segunda parte do § º do artigo 01 reforça: “há coisa julgada. reconhecendo a existência de coisa julgada. não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário”.

pode-se admitir a ação rescisória em se tratando de acórdão que. pois há casos em que o processo é extinto sem julgamento do mérito. muito embora a decisão não seja de mérito. Com outra opinião. tem-se como admissível a rescisória na hipótese.. Curso. nota : “Em alguns casos. 1. mas pode ocorrer. p. Embora não se trate de sentença de mérito. não há possibilidade de renovar-se a causa em primeiro grau. 66. 1997. 619. p. por força do disposto no art. 1998. p. Diário da Justiça de 10 de abril de 1989. A hipótese é rara. 267. a ação não poderá ser renovada. a ação rescisória deve prevalecer”.501/RJ. 1. Em seu clássico Tratado da ação rescisória. na jurisprudência: AR n.. quando menos por eqüidade. 29 e 0. Reitera o Jurisconsulto a tese em seus Comentários. Volume I. Ainda em sentido semelhante: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1986. Dicionário jurídico. 4ª ed. e SÉRGIO RIZZI. que anteriormente lhe haviam sido negados pela Comissão Permanente do Tribunal. Também é muito elucidativa a ementa do voto vencedor declarado pelo Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO: “Reconhecida a existência de coisa julgada. a Câmara Civil isolada. em tal hipótese. Pleno do STF. PONTES DE MIRANDA também sustenta que “não só as sentenças de mérito são rescindíveis” (5ª ed. em face do disposto no art. tendo em vista o óbice previsto no artigo 268 do Código. levada por uma má redação do Regimento Interno. ª ed. De acordo. na doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO. 144). p.pode ajuizar nova ação. Volume I. em primeiro grau. Em suma. 0.. extinguiu o processo sem julgamento do mérito. Tomo VI. a fundamento de existir coisa julgada. uma juíza obtivera ganho de causa sobre adicionais de tempo de serviço. p. a magistrada não teve outra solução senão manejar a ação rescisória. admitida pelo Tribunal para não inviabilizar a tutela jurisdicional. 260 e 261. 162 e 166. A única solução é o ajuizamento de ação rescisória. p. 268)”. 1976. 268 do CPC. Daí ser cabível a rescisória”. 287. na jurisprudência: AR n. apesar de a sentença não ser de mérito. 1991.. 19: “A expressão sentença de mérito deve ser tomada com reserva (admitindo portanto interpretação ampla). já que a propositura de outra ação e a interposição de recurso são juridicamente impossíveis287. órgão composto de desembargadores mas com atribuições apenas administrativas. por equívoco. que faz expressa remissão ao inciso V do artigo 267. art. V). 1997. 19ª ed. extingue o processo sob o fundamento de coisa julgada (CPC. partindo-se da premissa segundo a qual onde quer que haja um direito violado há de existir um meio judicial de debater a ofensa”. Ação rescisória. Ação rescisória. 268 do CPC. 6ª ed. p. De acordo. ERNANE FIDÉLIS. assim como de perempção e de litispendência. ao entendimento de haver coisa julgada (CPC. 204 .. uma vez que. e. Em grau de recurso.. onde. 1998. art. A ação rescisória. a exemplo do que se deu em Minas Gerais. p. na doutrina: COQUEIJO COSTA. enseja a ação rescisória já que inadmissível seja novamente intentada a ação (CPC art. 1979. julgado em 26 de novembro de 1997. 4ª ed. Também em sentido oposto. 5004: “Ação rescisória — Impugnação de sentença que extinguiu o processo.056/GO. V). p. Manual. 2ª Seção do TFR. Assim. Impedida de retornar com a mesma ação em primeiro grau. 267. ainda na doutrina: OTHON SIDOU.

já que o mesmo não está contaminado por defeito que autoriza a rescisão. em síntese. Com efeito. importou tornar preclusa a questão de mérito decidida no julgamento precedente. que é muito mais ampla do que a da rescisória. cujo conteúdo teria sido meramente terminativo. excepcionalmente. em razão da combinação dos artigos 268.A ação rescisória. não se pode negar à parte prejudicada o direito de propor a rescisória. ª Turma do STJ. dizer que se na sentença existir motivo para a rescisória esta deveria ser requerida contra a decisão de primeiro grau e não contra o acórdão do Tribunal. embora não sendo de mérito. afetou diretamente uma solução de mérito. mas foi por meio dela que se operou o trânsito em julgado da sentença que decidiu a lide e que deveria ser revista pelo Tribunal por força da apelação não conhecida. solucionada apenas na decisão recorrida? Tudo indica que a resposta afirmativa é a melhor288. julgado em 20 de junho de 2000. embora de natureza simplesmente processual. 1997. quando a decisão última (rescindenda). pode ter em mira até mesmo julgado irrecorrido que não tratou de matéria de mérito. a ação rescisória deve ter como alvo o julgamento derradeiro. cassada a decisão ilegal do Tribunal. de nada adianta atacar o primeiro decisum. pela via normal da apelação. é o decisum recorrido que adquire a auctoritas rei iudicatae. Porém. § º. Não é juridicamente possível a interposição de outro recurso. 19ª ed. 205 . É que nem sempre é possível fazer-se o enquadramento da sentença nos permissivos do art. Assim. se houve o error in iudicando no acórdão. Mas. Volume I. É certo que a decisão do Tribunal não enfrentou o mérito da causa. sob pena de aprovar-se flagrante violação da ordem jurídica. se o vício previsto no artigo 485 diz respeito à última decisão. se. Não se pode. não é difícil responder à seguinte pergunta: é admissível ação rescisória contra o último julgado proferido no processo. por exemplo. a fim de que. nem o ajuizamento de nova ação de procedimento comum. 66: “Por outro lado. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. contaminado pelo 288. após o decurso in albis do prazo recursal para a impugnação do último julgado proferido no processo. cujo trancamento se deveu a flagrante negação de vigência de direito expresso”. se o vício reside no último julgado.41/GO. Assim. entendo que. nessa hipótese excepcional. 485. Tendo-se em vista a instrumentalidade do processo e considerando-se que o error in iudicando. ainda que nele não tenha sido resolvida a matéria de mérito. Assim. Curso. todos do Código de Processo Civil. p. Quando o recurso não ultrapassa a barreira da admissibilidade. 01. De acordo. a mens legis deve ser interpretada como autorizadora da ação rescisória.. 122. na jurisprudência: REsp n. outrossim. e 467. o Tribunal recusou conhecer de recurso mediante decisão interlocutória que violou disposição literal de lei. o apelante sofreu violento cerceamento do direito de obter a revisão da sentença de mérito. pode acontecer a necessidade de recorrer-se à rescisória. se possa completar o julgamento de mérito da apelação. tem geralmente como alvo decisum de mérito protegido pela res iudicata.

SÉRGIO GILBERTO PORTO. p. “a melhor hermenêutica. CORREÇÃO DO ERRO PELA VIA RESCISÓRIA. Direito. Volume II. p. 1996. não sendo possível interpretação extensiva291. Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. HIpÓTESES DE RESCINDIbIlIDADE 4. por via reflexa. Na verdade. Daí a necessidade da propositura da ação rescisória contra o último julgado. 206 . Porquanto o acórdão rescidendo não tenha enfrentando o mérito. 2000. JOSÉ RIBAMAR MORAES. Estudado o alvo da ação rescisória. p. 50). 9 e 4. De acordo: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 11ª ed. p. VIABILIDADE. 64 e 67. ainda que só a primeira decisão tenha sido de mérito. contaminado por vício previsto em algum inciso do artigo 485 do Código289. porque basta que a primeira decisão tenha sido de mérito para que ocorra a coisa julgada obstativa da propositura de nova ação de procedimento comum. Mais uma vez a cláusula inserta no caput do artigo 485 deve ser temperada cum grano salis. Volume VI. Manual. Também com a mesma opinião. Comentários.4/SP. Volume I.. 1997. p. p. em se tratando de rescisória. Há de ser reformado acórdão que entendeu não ser cabível a via rescisória com intuito de desconstituir julgado que não apreciou o mérito da demanda (apenas declarou a intempestividade do agravo de instrumento interposto). na doutrina estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA. 00. a despeito de não versar sobre o mérito. 19ª ed. ACÓRDÃO RESCINDENDO FUNDADO EM ERRO DE FATO (CONSIDEROU-SE INTEMPESTIVO RECURSO PROTOCOLIZADO EM COMARCA DO INTERIOR OPORTUNAMENTE). De acordo: REsp n. já é possível analisar as hipóteses de rescindibilidade. 4. AÇÃO RESCISÓRIA. 485 do CPC. 485. Diário da Justiça de 1 de maio de 2004: “PROCESSUAL CIVIL.1. gera. 1. DO CPC. 2000. 1ª Turma do STJ. 289. generalidades A ação rescisória só é admissível nas hipóteses de rescindibilidade taxativamente previstas na legislação de regência290. a res iudicata do julgamento do meritum causae ocorrido na primeira decisão. 1979. 291. 290.defeito previsto em algum dos incisos do artigo 485. o seu inciso IX admite rescisória fundada em erro de fato”. ex vi do artigo 268. embora o vício resida na última decisão. reside na inteligência restritiva para todos os incisos do art. O labirinto da ação rescisória. 267 e 269. INTERPRETAÇÃO DO ART. IX. consoante pressupõe o caput do art. 42.. 485 do Código” (Ação rescisória. 562. Curso. e VICENTE GRECO FILHO. a qual.

4. 25. Volume V. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. NERY JUNIOR. 15. p. 66. o autor pode formular os pedidos rescindendo e rescisório com esteio em mais de uma causa de pedir. p. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES.2. concussão ou corrupção do magistrado que o profe- 292. 11. p. volume 164. Curso. Convém ressaltar que os permissivos de rescindibilidade são autônomos entre si. Sem dúvida.. Diário da Justiça de 7 de junho de 199. do Código de Processo Civil. Com a mesma opinião. 11. RTFR. 29. Em sentido conforme. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. p. Volume II. p. 108 e 117. 4ª ed. Ação rescisória. caput e inciso I. 7ª ed. sendo suficiente a procedência de apenas um deles para a desconstituição do julgado29. o autor pode ajuizar nova ação rescisória com esteio em outro permissivo que não foi suscitado.290/AM... Código. O labirinto da ação rescisória.. 7ª ed. per se. Não é só. Do processo nos tribunais. e não o tipo de vício apontado pelo autor. o decisum pode ser desconstituído por meio de ação rescisória quando se verificar prevaricação. Volume V. acarretando verdadeira cumulação de ações rescisórias294. De acordo. 1974. 294. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. 4ª Turma do STJ. 1ª Seção do TFR. p. 1996. p. COQUEIJO COSTA.. ainda que julgada improcedente a rescisória por alguma delas. 19. 2000. 1998. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1991. 1997. é causa eficiente para a rescisão de sentença”. a ação rescisória pode ser proposta tanto para sanar vício de juízo (error in iudicando) quanto vício de atividade (error in procedendo)292. 425. 267. Em virtude da autonomia das hipóteses de rescindibilidade. desde que no biênio fixado no artigo 495 do Código295. p. 1998. p. 207 . há também autorizada doutrina: MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. Volume I. já que é possível suscitar mais de um. se comprovado.. Comentários. 164. De acordo. O que importa para a admissibilidade da ação rescisória é a observância dos permissivos legais. A ação rescisória. Em sentido contrário. 870/RJ — EI. p. e REsp n. e VICENTE GRECO FILHO. 4ª ed. O labirinto da ação rescisória. Na mesma linha. comentários 6 e 7. 295. na jurisprudência: AR n. Comentários. prevaricação. 61. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 1999. SÁLVIO DE FIGUEIREDO.Consoante revelam as hipóteses de rescindibilidade insertas no Código de Processo Civil. letra “j”: “A autonomia dos casos de rescisão ocorre porque cada uma das hipóteses de cabimento. 11ª ed. concussão e corrupção À vista do artigo 485. p. isoladamente. Comentários ao Código de Processo Civil. 9. 1986. Volume VI. p. 19ª ed. 942. Direito.

não sendo possível o enquadramento específico da conduta do magistrado em qualquer dos tipos dos artigos 16.. 119. Ação rescisória. 94. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 262. Direito. ou aceitar promessa de tal vantagem”. 4ª ed. A admissibilidade de ação rescisória com esteio no inciso I do artigo 485 não está condicionada à prévia condenação criminal do magistrado que proferiu o decisum rescindendo. O crime de concussão está tipificado no artigo 16: “Exigir. LUCIANO LEMOS. Curso. 1996. 208 . Cabe ao órgão colegiado julgador averiguar. 19ª ed. p. consiste em “solicitar ou receber. 1999. 2ª ed. Código. 19ª ed. p. JOSÉ FREDERICO MARQUES. e SÉRGIO RIZZI. p. 2001. Rescisória. p. 04. Manual. p. ao contrário 296. BUENO VIDIGAL. na literatura estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA.. Volume III. 9. p. 1979. MÁRIO GUIMARÃES. 42. Volume VI. 2000. 54. 1997. ato de ofício. 1979. 49. 26. a rescisória não pode prosperar297. 16. que só pode ser a passiva. a ocorrência. 2000. 11ª ed. ou não. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. Volume VI. p. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 1979. Lições. 1991. 270: “Se o dolo do juiz não se integrar num dos tipos de crimes referidos. p. p. Comentários. Assim. É o que dispõe o artigo 17 do Código Criminal.. p. Volume I. 1997.riu. direta ou indiretamente. do crime imputado ao magistrado que proferiu a decisão impugnada298. 2000. Curso. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. mediante as provas produzidas no próprio processo da rescisória. vantagem indevida. Já a corrupção. para si ou para outrem. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. 1999. direta ou indiretamente. De acordo. p. mas em razão dela. p. 2ª ed. 7ª ed. 297. SÉRGIO RIZZI. Em síntese. mas em razão dela.. indevidamente. p. para si ou para outrem. p. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. 260.. O delito de prevaricação está previsto no artigo 19 do Código Penal: “Retardar ou deixar de praticar. Também é irrelevante para a admissibilidade da ação rescisória a existência de processo criminal contra o juiz. Comentários. na doutrina pátria: SÉRGIO RIZZI. 1991. 260. 14. CALMON DE PASSOS. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. não é fundamento de revisão”. Volume I. p. Ação rescisória. Ao revés. Em sentido semelhante ao texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Volume V. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. e VICENTE GRECO FILHO. Primeiras linhas. Volume II. Volume VI. 1998. 9. A ação rescisória. Manual. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. Comentários. 1975. vantagem indevida”. 298. 85. p. 1975. comentário 11. 1976.. p. 68. 56. 1958. Assim. p. LUIZ FUX. 17 e 19 do diploma penal. p. Volume III. JOSÉ FREDERICO MARQUES. NERY JUNIOR. 2000. Curso. O juiz. 67 e 68. Manual. Ação rescisória. A ação rescisória. p. Volume II. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. 51. p. 05. Os conceitos das mencionadas infrações são fornecidos pelo Direito Penal296. Comentários..

Ação rescisória. p. tendo em vista o disposto no artigo 95. p. p. 2000. p. 26. e SÉRGIO RIZZI.. a regra reside na independência do juízo civil em relação ao juízo criminal. e no artigo 65 do Código de Processo Penal.. Volume II. 1979. inciso II. p. 1999. há também autorizada doutrina: SÉRGIO GILBERTO PORTO. 265. 299. 1999. que fica irremediavelmente contaminado pela prevaricação. comentário 11. bem assim no campo civil. AMÂNCIO FERREIRA. Em sentido conforme. entretanto. 2ª ed. Aliás. concussão ou corrupção do respectivo prolator. a solução não é tão simples no que tange ao julgamento de órgão coletivo. segunda parte. 94. Comentários. o Código de Processo Civil brasileiro não exige a condenação penal do juiz em anterior processo criminal. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. inciso IV. Não há necessidade da existência de juízes infratores em número suficiente para compor a maioria. até mesmo em razão do caráter unipessoal do julgado. A despeito da ausência da necessidade de prévia condenação em processo criminal. Tratando-se de acórdão. Código. já que não é possível garantir que os demais votos vitoriosos não foram contaminados pelo defeituoso00. 06. a ação é admissível desde que o infrator tenha proferido voto que conduziu à maioria ou que simplesmente a compôs no julgamento do colegiado. 4ª ed. 56. a rescisória deve ser julgada procedente no juízo rescindendo. NERY JUNIOR e ROSA NERY. não só na esfera penal. 00. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. que pode ser proposta tendo como alvo tanto decisão monocrática como acórdão. pelo que a conduta dolosa do magistrado pode ser aferida na própria ação rescisória. Cf. Com efeito. consoante o disposto na segunda parte do artigo 95 do Código Civil de 2002. Lições. além de admissível. Basta um voto vencedor viciado para que o acórdão seja rescindido. do Código Civil. todos do Código de Processo Civil. há coisa julgada. 1975. a autoria e a materialidade no juízo criminal. Enquanto não há dúvida em relação à admissibilidade da rescisória tendo em mira decisão monocrática. Manual. p. Volume III. nada impede que a rescisória seja instruída com a respectiva sentença penal passada em julgado. Em sentido contrário. 10. JOSÉ FREDERICO MARQUES.do que ocorre no direito português299. e 475-N. letra “a”. 270. É o que também se infere da combinação dos artigos 110. é admissível a rescisória amparada em sentença criminal irrecorrida condenatória do juiz prolator da decisão cível. Volume VI. p. 260. Em suma. 209 . A ação rescisória. 1991. Manual. resolvidas. 2000. A prática da infração penal por membro de tribunal também dá ensejo à ação rescisória.

Volume II. a fim de que a causa primitiva receba novo julgamento. 264. É o que estabelece o artigo 485. Volume I. NERY JUNIOR. 1999. 1991. 2ª ed. é admissível a ação rescisória ainda que o tribunal julgue improcedente a exceção de impedimento02. Impedimento e incompetência absoluta A ação rescisória também pode ser ajuizada contra decisum proferido por magistrado impedido ou “absolutamente incompetente”. 1997.. 4ª ed. Em sentido conforme. e 210 . Volume V. Volume VI. Com o mesmo entendimento. p. pois a ausência da formulação da exceção de incompetência relativa no prazo da resposta acarreta a prorrogação da competência. Curso. 2000. p. comentário 12. p. JOSÉ FREDERICO MARQUES. na doutrina: BARBOSA MOREIRA.. se o infrator proferiu voto divergente que não foi prestigiado pelos pares e não teve nenhuma repercussão prática. No mesmo sentido do texto. 1979. 0. 1991. em seguida.. no juízo rescisório. só a absoluta acarreta a desconstituição do decisum. 1999. FREITAS CÂMARA. 4. Ainda a respeito do permissivo consubstanciado no impedimento.3. Volume III. nada impede que se chegue — no juízo rescisório — ao mesmo resultado indicado no julgado rescindido01. Ação rescisória. caput e inciso II. 69. tendo em vista a ausência de interesse processual. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. 02. Lições. SÉRGIO GILBERTO PORTO. Comentários. 08.Ao revés. Código. Lições. 122. e SÉRGIO RIZZI. 26. p. não é demais lembrar que a admissibilidade da rescisória não está condicionada à prévia argüição de exceção no processo originário. Do mesmo modo. constatado o fato delituoso em anterior processo criminal ou na própria ação rescisória. a rescisória é inadmissível por carência de ação. Por fim. p. 1975. 7ª ed. A ação rescisória. 1998. nos termos do artigo 114 do Código de Processo Civil0. de idêntico teor ao da sentença desconstituída)”.. 10: “A sentença deverá ser rescindida e. Já a mera suspeição — de que cuida o artigo 15 — não dá ensejo à rescisão do julgado. 61. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. deverá o tribunal julgar novamente a causa (e. 01. Manual.. No tocante à incompetência. 19ª ed. Comentários. se for o caso. As hipóteses de impedimento estão previstas nos artigos 14 e 16. do Código de Processo Civil. 260. p. na doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 11. p. 94. 1999. 2ª ed. Volume II. A ação rescisória. dar nova decisão. o julgado rescindendo deve ser desconstituído. p. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Já a relativa não permite a rescisão do julgado. p.

mas em hipóteses excepcionais é possível a existência de juízo rescisório. não poderá apreciar a matéria que é da exclusiva competência da Justiça da União. p. Em síntese. por incompetência absoluta. anulando. nos termos do artigo 11. Julgada procedente a rescisória e desconstituído o decisum. vale conferir o didático acórdão proferido pelo Pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região no julgamento da AR n. p. a sentença do seu juiz. II. o decisum pode ser rescindido “quando resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida. 1996. 1974. ‘se for o caso’ (arts. os autos do processo originário devem ser encaminhados à justiça competente. Assim. O que se fará então? O Tribunal Estadual formulará o ius rescindens. A propósito. 11ª ed. 777/RJ. Há dolo rescisório. Ação rescisória. também denominado dolo processual. desconstituindo a sentença proferida por juiz federal. na jurisprudência: AR n. 06. Em sentido semelhante: SÉRGIO RIZZI. 7. O interessado deverá propor ação ante o Tribunal Estadual. § 2º. 04. Em sentido semelhante: MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. Não há a possibilidade da prolação do juízo rescisório. 05. ao Tribunal Federal de Recursos. a fim de fraudar a lei”. do Código de 19705. Basta imaginar a hipótese de o tribunal regional federal reconhecer a incompetência da justiça federal. ou de colusão entre as partes. O que ocorrerá então? Evidente que não se poderia pedir. 64. caput e inciso III. Veja-se o caso da AR fundada na incompetência absoluta do juiz que prolatou a sentença. Pleno do STF. quando a parte vencedora age voluntariamente em desacordo com o estabelecido nos VICENTE GRECO FILHO. a desconstituição daquela coisa julgada emanada de Judiciário de Estado. 4. Direito. Todavia. Suponha-se que um juiz estadual tenha julgado matéria da exclusiva jurisdição da Justiça Federal. 1979.4. a regra em caso de rescisória fundada em incompetência absoluta é a ausência do iudicium rescissorium. 488. Volume II. processo fraudulento e processo simulado À vista do artigo 485. 424. p. p. Do processo nos tribunais. 168: “Uma questão surge: por que diz o Código que haverá cumulação desses juízos de mérito (rescindens e rescissorium). por sua vez. Dolo rescisório. É que pode haver ocasiões em que tal cumulação seja totalmente impossível..Característica importante da ação rescisória fundada em incompetência absoluta é a regra da inexistência de juízo rescisório04. Tendo o próprio tribunal competência para julgar a ação primitiva. Mas o ius rescissorium estará logicamente vedado à sua cognição”. nem sempre há o óbice à prolação do juízo rescisório. publicado no Diário da Justiça de 6 de novembro de 1998. é possível a realização do imediato julgamento da causa anterior06. e 494). Diário da Justiça de 28 de março de 1980. 974/CE. 211 . Mas este. ao contrário do que pode parecer à primeira vista.

do CPC. O Professor ERNANE FIDÉLIS também formula exemplos didáticos: “Os exemplos são os mais variados: o advogado do autor.. É igualmente admissível ação rescisória tendo como alvo decisão proferida em processo marcado pela colusão das partes para fraudar a lei. p. 265. e 17. I . com prejuízo à atuação da parte contrária ou induz o juiz a erro. iludindo o juiz no julgamento. O Professor BARBOSA MOREIRA apresenta elucidativo exemplo de decisum passível de desconstituição por ocorrência de dolo rescisório: “O litigante vitorioso criou empecilho. até mesmo o ato doloso do representante legal da parte autoriza a desconstituição do decisum. Cf.. p. 2ª ed. previsto no art. III. DO CPC. e SÉRGIO RIZZI. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. o simples fato de a parte vencedora haver silenciado a respeito de fatos contrários a ela. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. 485. Volume I. para que este pratique ou deixe de praticar ato que possa influenciar na decisão”. A parte suborna o advogado da outra. em conseqüência. 122 e 12. 319). por si só. 17. ERNANE FIDÉLIS. p. o do seu advogado também dá ensejo à rescisão do julgado. reforça o enunciado n. caput e inciso II. Volume V. III. 6ª ed. 485. p. 1998. deixa de juntá-la.. p. porque o procedimento. 617. JOSÉ FREDERICO MARQUES.. Manual. subtraiu ou inutilizou documento por este junto aos autos” (p.Não caracteriza dolo processual. 72. 1975. DOLO DA PARTE VENCEDORA EM DETRIMENTO DA VENCIDA. 8. Volume III. de caso pensado. a inércia da parte vitoriosa não gera a rescisão do julgado. 1976. desvie o juiz de uma sentença não-condizente com a verdade”07. nota n. fazendo petição conjunta de transação com o réu. Na mesma linha. 261. 264 e 265. 212 . ambos do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. BUENO VIDIGAL. Comentários. Curso. 40 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Na mesma esteira. 1997. consoante se infere do artigo 14. falsifica-o ou altera-o. Considera-se fraudulento o processo quando as partes fazem uso dele em 07. inciso II. 19ª ed. não constitui ardil do qual resulte cerceamento de defesa e. 76. A ação rescisória. Volume I. ART. à produção de prova que sabia vantajosa para o adversário. 1998. Uma das partes rasura documento. 77. 1991. Tal como o ato doloso da parte vencedora. com os fatos tidos por verdadeiros (art. provocando revelia. p. p. 08. Em todas as hipóteses. 12). Manual.artigos 14. e o prazo de contestação se escoa. Comentários. 80 e 81. Ao revés. 1979. 69 e 640. Resolução n. 9). Ação rescisória. a rescisão do julgado está condicionada à existência de nexo de causalidade entre o dolo e o pronunciamento do juiz08. Volume VI. 7ª ed. Aliás. o Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO indica como exemplo a hipótese “em que se inutilizou ou extraviou prova de relevo constante dos autos” (p.

96 e 97) defendem a tese da admissibilidade de rescisória para desconstituir julgado proferido em processo simulado. 2ª ed. 1998. mas. 2ª ed. Havendo nexo de causalidade entre a colusão e o pronunciamento do juiz. a Semprônio. Tem-se por simulado o processo quando as partes em conluio fazem uso dele para prejudicar terceiro10. Volume I. 95 e 97. nos termos do artigo 485. em detrimento do erário” (cf. Código. 1998. 7ª ed. 1996. 554. Os Professores ERNANE FIDÉLIS (Manual. A propósito. 1979. 94 e 95). querendo subtrair um bem do primeiro. p. visaria a frustrar o pagamento dos credores ou. para fraudar os credores. simula débito a um comparsa. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 21 . 11. O processo simulado também é marcado pela fraude à lei (fraus legis). 1979. Volume V. 6ª ed. fazem crer um vício do matrimônio que não existe. inciso III. SÉRGIO RIZZI e BARBOSA MOREIRA). porque um e outro entendem valer-se dos efeitos da sentença” (cf. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. 1979. 554. aquela sentença não terá qualquer eficácia” (SÉRGIO RIZZI. em conluio. o entendimento predominante parece ser o melhor. Ainda que muito respeitável a tese contrária. com o objetivo de criar dedução ilegal do imposto de renda. para conseguir que o juiz declare a nulidade. 1996.. prevalece a orientação pela afirmativa11. o Professor BARBOSA MOREIRA agasalha tese diversa. 1996. p. nesse caso. segunda parte. pelo menos. 125). No sentido do texto: BARBOSA MOREIRA.. 125 e 126. Outro “exemplo típico que bem ilumina o assunto é o do devedor que. p. entre eles. e b) “ação de alimentos de mãe contra filho. O processo para a cobrança do débito simulado. p. 125. 2ª ed.conluio para obter fim proibido por lei. 10. p. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. considerando inadmissível a ação rescisória na hipótese (Comentários. Se é certo afir- 09. p. a aviltá-lo” (HÉLIO TORNAGHI. Ação rescisória. Exemplos de processos fraudulentos passíveis de ação rescisória: a) “quando marido e mulher. simulam uma reivindicação de Caio contra Tício para opor a sentença que a acolha. p. Código. 1998. 618 e 619). e SÉRGIO RIZZI. p. 1976. 7ª ed. Comentários. NERY JUNIOR e ROSA NERY (Código. Comentários. sempre com o entendimento que. Volume I. Embora exista séria divergência entre os doutores acerca da admissibilidade de ação rescisória para desconstituir julgado proferido em processo simulado. à ação de execução de Semprônio. que recebe o reforço do artigo 129 do próprio Código de Processo Civil09. 2ª ed. p. p. 7ª ed... credor de Tício. Volume V. Em contraposição. Resta saber se é admissível ação rescisória tendo em vista decisão proferida em processo simulado.. NERY JUNIOR e ROSA NERY). p. Comentários. 1998.. Ação rescisória. 401). comentário 2) e SÉRGIO RIZZI (Ação rescisória. em favor do qual assina promissórias. Volume V. 55. o julgado pode ser desconstituído por meio de ação rescisória.. vale a pena conferir o seguinte exemplo de processo simulado elaborado por CARNELUTTI: “Tício e Caio..

cumprindo a ação rescisória sua missão apenas com a prolação do juízo rescindendo12. já que a exigência consta do artigo 779. a fraus legis parece ser uma característica secundária do processo simulado. O mesmo não ocorre no direito português. 4. p. na doutrina: SÉRGIO RIZZI. na legislação pátria a petição inicial da ação não precisa ser instruída com sentença proferida em anterior processo de reconhecimento da simulação.mar que a característica essencial do processo simulado é o prejuízo a terceiro. o que reforça a conclusão pela resposta positiva. Então. a fraude à lei parece ser uma conseqüência inexorável. Com efeito. na hipótese de julgamento de causa já solucionada por decisum protegido 12. é possível concluir pela admissibilidade de ação rescisória que tem em mira julgado proferido em processo simulado. o terceiro prejudicado também tem legitimidade para ajuizar ação rescisória. Ofensa à coisa julgada Decisum que ofende a coisa julgada também é passível de desconstituição por meio de ação rescisória. Há mais. Convém salientar que a simulação pode ser demonstrada na própria rescisória. não mais sujeita a recurso ordinário e extraordinário”. de que não caiba recurso”. segunda parte. nos termos do artigo 485. do Código lusitano. Por tudo. consoante se infere do artigo 129 do Código de Processo Civil e dos artigos 167 e 168 do Código Civil de 2002. § º. tendo em vista a ofensa aos artigos do Código de Processo Civil e do Código Civil que tratam do instituto. quando se repete ação que já foi decidida por sentença. O artigo 467 reforça: “Denomina-se coisa julgada material a eficácia. 1979. Consoante o inciso II do artigo 487 do Código de Processo Civil. que torna imutável e indiscutível a sentença. À vista do artigo 01.5. O enquadramento da decisão proferida em processo simulado no inciso V também parece ser inevitável. Por conseqüência. Em sentido semelhante. Daí a regra proibitiva inserta no proêmio do artigo 471: “Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas. como o processo fraudulento e o simulado são marcados pela inexistência de litígio verdadeiro. número 1. relativas à mesma lide”. do Código de Processo Civil. 214 . além da marca principal do prejuízo a terceiro. Ação rescisória. 7. caput e inciso IV. o que já basta para a admissibilidade da rescisória com esteio no inciso III do artigo 485. Por fim. é possível concluir pela ausência de juízo rescisório. “há coisa julgada.

1976. 5ª ed. Comentários.. No sentido do texto do parágrafo. se a decisão revidenda não se tiver pronunciado sobre a excepção de caso julgado.. BUENO VIDIGAL. ou não. Quanto aos enunciados das súmulas dos tribunais. Por fim. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. os regulamentos. as resoluções e até mesmo os regimentos internos dos tribunais. p. p. as leis processuais. Outra é a solução no direito português: AMÂNCIO FERREIRA. 1998. as medidas provisórias. alcançando a Constituição. apenas os da Corte Suprema. 6ª ed. 7ª ed. Com efeito. não há iudicium rescissorium quando a ação rescisória é proposta com esteio no inciso IV do artigo 485. 256. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. as leis delegadas. p. solucionada no decisum rescindendo. 19ª ed. as leis municipais. Do contrário. 641. ao julgar a ação rescisória. violação de literal disposição de lei Por força do artigo 485. 10 e 12. é admissível ação rescisória tendo como alvo a segunda decisão. p. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 46. 1997. Curso. as emendas à Constituição. 4. p. Manual. 2000. as leis complementares. do Código de Processo Civil. Volume VI. julgado que contraria “literal disposição de lei” também pode ser desconstituído.. 1976. 619.. caput e inciso V. 215 . Manual. p. Ação rescisória. p. 2ª ed.pelo manto da coisa julgada. a ofensa à coisa julgada passaria a ser perpetrada pelo próprio acórdão proferido pelo tribunal. Tratado da ação rescisória. 266. 1991. Volume I. os decretos. 1979. Volume I. 1998. No que tange à ação rescisória por ofensa à coisa julgada. desde que aprovados após o disposto na Emenda Cons- 1. É a hipótese de rescindibilidade mais acionada na prática forense. proferida em afronta à res iudicata da primeira. p.6. e SÉRGIO RIZZI. Comentários. é possível ressuscitar a ofensa à coisa julgada em ação rescisória1. as leis ordinárias. PONTES DE MIRANDA. 87. por suscitada no processo em que foi proferida”. ainda que rejeitada a preliminar. Não tem nenhuma importância para a admissibilidade da ação rescisória se a preliminar de coisa julgada foi. a prestação jurisdicional do tribunal se esgota no iudicium rescindens. as leis materiais. Com efeito. o vocábulo “lei” deve ser interpretado em sentido lato. as leis federais. 128 e 129. Volume V. A ação rescisória. 277: “Só pode verificar-se o motivo de revisão de que ora cuidamos.. ERNANE FIDÉLIS. as leis estaduais. em virtude da adoção da acepção ampla do termo “lei”.

Também não é admissível ação rescisória fundada em contrariedade a cláusula contratual. em razão da combinação do caráter genérico com o abstrato e o obrigatório.titucional n. 216 . não há no direito brasileiro restrição como a existente no direito canônico. Daí a regra: a ofensa a enunciado de súmula de tribunal geralmente não enseja ação rescisória. o número 4. 485. Pode uma questão processual ser objeto de rescisão desde que consista em pressuposto de validade de uma sentença de mérito”. uma vez que a jurisprudência consolidada dos tribunais não corresponde ao conceito de lei”. Subsiste. pois os verbetes normalmente não têm força normativa em nosso direito. O inciso V do Código brasileiro. Daí a possibilidade da discussão da ofensa direta a dispositivo de direito material e também a preceito de índole processual. do Codex de 198 só admite a restitutio in integrum por violação de preceito de direito material. 45 não autorizam a rescisória. SENTENÇA DE MÉRITO. não faz nenhuma restrição em relação ao cunho do direito contrariado. INDICAÇÃO DE CONTRARIEDADE A SÚMULA OU ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO TST. ao contrário. inciso V. 45. 485. de 2004. Como os enunciados da Súmula do Supremo Tribunal aprovados à luz do artigo 10-A da Constituição Federal terão verdadeiro conteúdo normativo. a ação rescisória pode ser proposta para sanar error in iudicando e também error in procedendo. V. O cânon 1645. do CPC. com indicação de contrariedade a súmula. DO CPC. a despeito da revogação do artigo 800 do Código de 199. já que o novel artigo 10-A da Constituição Federal consagrou o “efeito vinculante”. A respeito da regra. DESCABIMENTO. a orientação doutrinária e jurisprudencial consubstanciada no antigo preceito: “A injustiça da sentença e a má apreciação da prova ou errônea interpretação do contrato não autorizam o exercício da ação rescisória”. os enunciados dos demais tribunais pátrios e também os verbetes da Súmula do Supremo Tribunal Federal aprovados antes da Emenda n. EXPRESSÃO ‘LEI’ DO ART. QUESTÃO PROCESSUAL. Não prospera pedido de rescisão fundado no art. Em contraposição. 412 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. § 2º. Sob outro enfoque. A propósito. tudo indica que a ofensa literal a tais verbetes poderá ser objeto de ação rescisória. merece ser prestigiada a proposição n. 118 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. reforça o enunciado n. Aliás.

78. ao tempo em que foi prolatada a sentença rescindenda. ainda na jurisprudência: AR n. Volume I. na jurisprudência: REsp n. 14. prospere é necessário que a interpretação dada pelo decisum rescindendo seja de tal modo aberrante. Assim: ERE n. quando o texto legal dá ensejo a mais de uma exegese. a interpretação era controvertida nos Tribunais. publicação em 2 de maio de 2008: “4. 8 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Não procede o pedido formulado na ação rescisória por violação literal de lei se a decisão rescindenda estiver baseada em texto legal infraconstitucional. volume 77. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF”. Reforça o enunciado n. a ação rescisória não merece vingar. 16. embora posteriormente se tenha fixado favoravelmente à pretensão do autor”. 259/SP. É o que também estabelece o verbete n. que viole o dispositivo legal em sua literalidade. 4 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei. 641. Diário da Justiça de 5 de agosto de 1996: “Para que a ação rescisória fundada no art. 14 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe ação rescisória por violação de literal disposição de lei se.086/SP.O vocábulo “literal” inserto no inciso V do artigo 485 revela a exigência de que a afronta deve ser tamanha que contrarie a lei em sua literalidade14. 1ª Seção do STJ. No sentido do texto. Curso de direito processual civil. Trata-se de orientação tradicional no direito pátrio. Não obstante.  da Súmula do antigo Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: “Descabe o ajuizamento de ação rescisória. Por fim. como bem revela o enunciado n. não é possível desconstituir o julgado proferido à luz de qualquer uma das interpretações plausíveis15. Pleno do STF. Também no mesmo sentido. RTJ. de interpretação controvertida nos Tribunais”. 1997. p. Diário da Justiça de 7 de março de 1994. ainda que não seja a melhor. 78. 6ª Turma do STJ. 485. Diário da Justiça eletrônico n. V. Ação Rescisória. 217 . o acórdão rescindendo elege uma dentre as interpretações cabíveis. Em contraposição. Matéria constitucional.14.812/AM — EDcl. 28. 9. RE n. De acordo.. do CPC. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Cf. p. 489: “A má interpretação que justifica o judicium rescindens há de ser de tal modo aberrante do texto que eqüivalha à sua violação literal”. a orientação consolidada nos enunciados acima transcritos não é observada pelo Supremo Tribunal Federal e pelos demais tribunais quando está em discussão o texto constitucional16. Se. Pleno do STF. quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais”. quando fundado em nova adoção de interpretação do texto legal”. ao contrário. é o que também dispõe a proposição n. 19ª ed. Com efeito. 15. sob pena de tornar-se “recurso” ordinário com prazo de “interposição” de dois anos”.

há autorizada corrente em sentido contrário. A despeito da orientação predominante consolidada no enunciado n. seja por parte da doutrina. Reforça a orientação jurisprudencial n. 29 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho. 156. Diário da Justiça de 6 de abril de 2001. não pode ser tida como absurda a ponto de abrir a angusta via da ação rescisória aos insatisfeitos. 83 do TST e Súmula n. a ação rescisória não merece vingar. 343 do STF. 1ª Turma do STJ. Diário da Justiça 2 de março de 1998. de tese minori- 17. Cf. Se. 808/DF. Matéria constitucional. Contra a orientação consubstanciada na proposição n. é necessário que a interpretação dada pelo decisum rescindendo seja de tal modo aberrante que viole o dispositivo legal em sua literalidade. 657. 6. Diário da Justiça de 2 de março de 1998. Também em conformidade com o verbete n. na jurisprudência: AI n. ª Seção do STJ. Diário da Justiça de 16 de março de 1998. 122. a tese rejeitada pelo STF. V. 485. o acórdão rescindendo elege uma dentre as interpretações cabíveis.929/SC. 218 . 6. entretanto. Diário da Justiça de 9 de abril de 2001. Inaplicáveis. ainda que não seja a melhor. do CPC prospere. Remata o Ministro e Professor: “Como qualquer norma jurídica. p. as regras insertas na Constituição Federal não estão isentas de interpretação divergente. 10. 2ª Turma do STJ. O labirinto da ação rescisória. 49. seja por parte dos tribunais. ao contrário. 05. p.890/RS. foi prestigiada a precisa tese defendida pelo Ministro ADHEMAR MACIEL: “O respeito à coisa julgada não pode ficar condicionado a futuro e incerto julgamento do STF sobre a matéria. Quando isso ocorre. 6ª Turma do STJ. 6 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e na orientação jurisprudencial n. 1ª Turma do STF. 485. No julgamento de ação rescisória fundada no art. Trata-se. sob pena de tornar-se um mero ‘recurso’ com prazo de ‘interposição’ de dois anos”. Diário da Justiça de 18 de junho de 2001. 18. 29.592/RS. REsp n. Súmula n. do CPC. 83 do TST e 343 do STF. proferidos pelos tribunais de apelação à luz da jurisprudência prevalecente antes do julgamento proferido pelo STF”. há respeitável precedente jurisprudencial: AR n. 6 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “Não é aplicável a Súmula 343 do Supremo Tribunal Federal nas ações rescisórias versando matéria constitucional”17. ª Seção do STJ. não se aplica o óbice das Súmulas ns. Diário da Justiça de 9 de maio de 2000. Na oportunidade. No mesmo sentido do enunciado n.178/RN.477/DF. 6. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. ao exercer o controle difuso em recurso extraordinário. não tendo o ulterior pronunciamento daquela Corte. em prol da aplicação do enunciado n. Para que a ação rescisória fundada no art. e REsp n. quando se tratar de matéria constitucional”. 1. 343 da Súmula do Supremo Tribunal Federal também em relação aos preceitos constitucionais18. REsp n. inciso V. AR n. 29 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “Ação rescisória. o condão de possibilitar a desconstituição dos julgados.prevalece na jurisprudência o entendimento consubstanciado no verbete n. p. seção 2. ao exercer o controle difuso na estreita via do recurso extraordinário.

quando há superveniente julgamento do Pleno da Corte Suprema em controle de constitucionalidade concentrado. ou seja. pericial ou testemunhal. prova falsa À vista do artigo 485. a admissibilidade da ação rescisória não depende do prequestionamento do tema inserto no preceito tido por violado. se o vício que contamina a prova é de construção ou de conteúdo. 4. Em todas as hipóteses. caput e inciso VI. Por fim.868.7. o entendimento consubstanciado no verbete n. mas sempre prestigiada no presente compêndio. pelas razões veiculadas na nota abaixo19. é possível desconstituir julgado fundado “em prova. os julgamentos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal em recursos ordinário e extraordinário não são dotados dos efeitos previstos no § 2º do artigo 102 da Constituição Federal e no parágrafo único do artigo 28 da Lei n. da Constituição Federal. 6 e na proposição n. inciso III. conforme se infere do enunciado n. inciso III. a proposição n. do Código de Processo Civil.tária. decisum apoiado em prova falsa é passível de desconstituição por meio de ação rescisória. 6 só pode ser aplicada em caso de modificação da jurisprudência até então prevalecente. marcado pelos efeitos vinculante. Porém. Com efeito. a exigência prevista nos artigos 102. há na jurisprudência entendimento contrário. Com efeito. a admissibilidade da ação rescisória por violação de literal disposição de lei não está condicionada à prévia apreciação da respectiva matéria jurídica no julgado rescindendo. Diante da inexistência do requisito na legislação de regência da ação rescisória. na sentença rescindenda. sobre a matéria veiculada”. 219 . Não há. sem a necessária observância das diferenças existentes entre os controles de constitucionalidade concentrado e difuso. erga omnes e ex tunc. própria dos recursos extraordinário e especial. pelo que a garantia da coisa julgada deve prevalecer quando a questão constitucional foi resolvida apenas em controle difuso. o julgado contaminado deve 19. Em contraposição. Também não importa se a prova falsa é documental. em relação à rescisória. e 105. Sem dúvida. 298 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “A conclusão acerca da ocorrência de violação literal de lei pressupõe pronunciamento explícito. não há como cobrar o prequestionamento da quaestio iuris. Não obstante. 9. é irrelevante se a falsidade reside na forma ou no fundo. 29 tem sido aplicado indistintamente. Com todo o respeito aos que sustentam a tese predominante. cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria rescisória”. A falsidade da prova tanto pode ser material quanto ideológica.

1991. 220 .. comentário 17. 2001. 275. 147 usque 15. 22. Volume V. 268 e 269. SÉRGIO GILBERTO PORTO. de lhe assegurar pronunciamento favorável”. Manual. 19ª ed. 4. p. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 2000. 265. onde a combinação do artigo 771. porquanto o dispositivo do julgado impugnado subsiste independentemente da prova considerada falsa. A ação rescisória..8. Por fim. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Volume I. inciso II. e SÉRGIO RIZZI. a rescisória não prospera. Volume VI. inciso II. A influência da decisão condenatória passada em julgado no iudicium rescindens é extraída da segunda parte do artigo 95 do Código Civil de 2002. 2000. p. bem assim da combinação dos artigos 110. se a prova viciada não teve nenhuma importância para o desate do processo primitivo. p. O inciso VI do artigo 485 permite que a demonstração da falsidade da prova seja efetuada na própria ação rescisória — ao contrário do que ocorre no direito português. cuja existência ignorava. ou de que não pôde fazer uso. 1979. Comentários. p. 1999. 1 e 14. 1998.. Código. Documento novo Consoante o disposto no inciso VII do artigo 485 do Código de Processo Civil. 8 usque 55.. a inteligência do artigo 4º. p. p.ser rescindido. depois do decisum. A ação rescisória também pode ser proposta quando a falsidade já foi reconhecida por decisum condenatório irrecorrido exarado em processo criminal21. e 475-N. com o artigo 77 revela a exigência de prévio julgado irrecorrido de reconhecimento da falsidade20. 1 e 14. 642. inciso IV. 7ª ed. do Código de Processo Civil permite a conclusão de que o julgado proferido em ação declaratória autônoma igualmente vincula o juízo rescindendo da ação rescisória proposta com base em prova falsa22. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. A ação rescisória. 1999. letra “a”. Comentários. Porém. De acordo: AMÂNCIO FERREIRA. Ação rescisória. 944. Volume V. do Código de Processo Civil. p. alínea “b”. p. Com a mesma opinião: EVARISTO ARAGÃO FERREIRA DOS SANTOS. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Comentários. 8ª ed. 2. e SÉRGIO GILBERTO PORTO. 2000. 21. 20. Comentários. p. a ação rescisória também prospera quando. Curso. Em sentido contrário. p. 2. capaz. há também autoriza doutrina: BARBOSA MOREIRA. Volume VI. 1997. o autor obtém “documento novo. 4ª ed. por si só.

documento que não existia quando da prolação do decisum rescindendo não conduz à desconstituição do julgado. Cf. dispositivo que serviu de inspiração para o preceito nacional. Por conseguinte. A rescisória está condicionada ao desconhecimento da existência do documento ou à impossibilidade de acesso. p. A inteligência do inciso VII do artigo 485 revela a necessidade da prévia “existência” do documento. a revisão portuguesa também pode ser amparada em documento superveniente24. à época. 402 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Documento novo é o cronologicamente velho. Manual.Ao contrário do que pode parecer à primeira vista.. A propósito. além das duas hipóteses que ensejam a rescisória brasileira. 276.. 1998. p. 2. é possível concluir pela necessidade do perfeito enquadramento no permissivo de rescindibilidade. Em contraposição. mas ignorado pelo interessado ou de impossível utilização. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. posterior ao julgamento impugnado. Saliente-se que. merece ser prestigiado o proêmio do enunciado n. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Em suma. 1997. já existente ao tempo da decisão rescindenda. a novidade reside no conhecimento do documento ou na possibilidade da utilização. 19ª ed. Comentários. Volume I. 2000. ou seja. Volume I. Realmente. e não na existência em si do documento2.. O vocábulo “novo” diz respeito ao conhecimento e ao acesso ao documento. Manual. a doutrina lusitana admite a revisão com esteio em documento cuja formação se deu após o trânsito em julgado da decisão. 624. 7ª ed. p. tratando-se de documento cuja própria existência é nova. ou b) por não ter sido possível ao autor da rescisória juntar o documento aos autos do processo primitivo. 1998. a despeito da semelhança do inciso VII do artigo 485 do Código pátrio com a alínea “c” do artigo 771 do Código português. no processo”. mas que não foi apresentado em juízo: a) por não ter o autor da rescisória ciência da existência do documento ao tempo do processo primitivo. Volume V. não prosperando quando o autor busca o mero reexame da prova ou a simples correção de injustiça. 221 . p. 24. em virtude de motivo estranho a sua vontade. À luz do inciso VII do artigo 485 do Código nacional. 64. não é possível a rescisão. A cláusula “depois da sentença” — inserta no inciso VII do artigo 485 — reforça a idéia de que o documento tenha sido obtido pelo autor da rescisória quando já não podia fazer uso dele no processo originário. Curso. AMÂNCIO FERREIRA. ERNANE FIDÉLIS. 6ª ed. “documento novo” é aquele que já existia ao tempo da prolação do julgado rescindendo. 15 e 17.

pode ser revogada: I — por ação anulatória. ter alterado a formação do convencimento do juiz. nos termos 25. Como a confissão. Com a mesma opinião: AMÂNCIO FERREIRA. o rol de vícios previsto no caput do artigo 52 é exemplificativo. do Código de Processo Civil permite a desconstituição do julgado “quando houver fundamento para invalidar confissão. 1998.. quando emanar de erro.9. se pendente o processo em que foi feita. jamais em testemunha. é necessário ter em mente a distinção fixada no artigo 52 do Código de Processo Civil: “A confissão. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 141 e 142. Convém salientar que o documento novo deve ser de tal modo relevante que se tivesse sido anteriormente juntado aos autos do processo primitivo. tratado no artigo 269. ou seja. alcança a confissão propriamente dita. com o que fica afastada a possibilidade da rescisória com esteio em testemunha nova25. Documento novo irrelevante ao desate do processo originário não conduz à rescisão do julgado. caput e inciso VIII. nas hipóteses dos incisos I. observe-se que o preceito alcança apenas “documento”. dolo ou coação. poderia. 277. 2000. Assim: BARBOSA MOREIRA. No tocante à confissão propriamente dita. bem como o reconhecimento do pedido. do mesmo diploma. Manual. Em síntese. p. o dolo do juiz. desistência ou transação. a ação rescisória é admissível com fulcro em prova testemunhal a ser produzida. 7ª ed. o inciso VII só permite a rescisória com base em “documento”. o reconhecimento do pedido e a transação homologados por decisum ainda não passado em julgado também podem ser impugnados com êxito por meio de ação anulatória. Porém. renúncia e transação O artigo 485. Volume V. e não taxativo26. II — por ação rescisória. Por fim. III e VI. por si só.Não é só. inciso II. 222 . a testemunha pode revelar a falsidade da prova. Todavia. O vocábulo “confissão” deve ser interpretado em sentido amplo. p. o dolo processual do vencedor e a existência de processo fraudulento ou simulado. prevista nos artigos 48 e seguintes do Código de Processo Civil. reconhecimento do pedido. da qual constituir o único fundamento”. em que se baseou a sentença”. Confissão. 4. depois de transitada em julgado a sentença. a renúncia à pretensão. 26. apesar de não ensejar a rescisória à luz do inciso VII do artigo 485. Comentários ao Código de Processo Civil.

fruto de erro. Daí a explicação para a inadmissibilidade de ação rescisória que objetiva a desconstituição de julgado que extinguiu o processo com base em desistência da ação29. 485. VIII. 485. do Código. 404 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. 17 e 18. Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI.. Lições de direito processual civil. 1979. p. a confissão ficta proveniente do artigo 19 não autoriza a desconstituição do julgado. Ao revés. Comentários. 644. 19ª ed. 2ª ed. É que. A ação rescisória. não estão sujeitos à ação anulatória. 1975. Volume II. o autor pode ajuizar outra ação. 1997. Ainda a respeito da confissão. BARBOSA MOREIRA. Volume II. p. nota ). 28. 1986. 245 e 262. inciso V. ao tratar do fundamento para invalidar a confissão como hipótese de rescindibilidade da decisão judicial. 6ª ed.. p. o decisum homologatório só pode ser desconstituído via ação rescisória. Curso. 22 . p. p. 1998. 1991. de forma específica. refere-se à confissão real. 1974. 7ª ed. CONFISSÃO FICTA. posteriormente ao trânsito em julgado da decisão que os homologou” (Ação rescisória. conforme o disposto no artigo 267. FUNDAMENTO PARA INVALIDAR CONFISSÃO. p. VIII. De acordo: BARBOSA MOREIRA. No sentido do texto do parágrafo: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 7. 485. inciso VIII. Manual de direito processual civil. INADEQUAÇÃO DO ENQUADRAMENTO NO ART.do artigo 486 do Código27. 21. 2ª ed. Manual.. 1998. como bem revela o enunciado n. 18. p. 25. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 141 e 142. COQUEIJO COSTA. 1999. 29. Por oportuno. 626. e não à confissão ficta resultante de revelia”. VIII. o subseqüente Capítulo XI versa sobre a ação anulatória. Primeiras linhas. 2000. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. Volume I. 4. Comentários. p. Volume V. Por tal razão. p. LUCIANO LEMOS. Volume I. à luz do artigo 269. O termo “desistência” deve ser entendido como renúncia. 1999. mera desistência da ação conduz apenas à extinção do processo sem julgamento do mérito. 270. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Ao revés. ERNANE FIDÉLIS. FREITAS CÂMARA.. p. “os atos homologáveis. e JOSÉ FREDERICO MARQUES. há julgamento de mérito “quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação”. 4ª ed. p. 159 e 160. dolo ou coação. apenas a prevista no artigo 48 do Código de Processo Civil enseja ação rescisória. p. previstos no art. Volume V. do CPC. Aspectos. já que o inciso VIII do artigo 485 cuida apenas da confissão real. 1998. nos termos do artigo 268. Volume III... Comentários ao Código de Processo Civil.. Lições. Ação rescisória. O art. Já após o trânsito em julgado. 7ª ed. e não pela ação anulatória28. DO CPC. 27.

2. O mesmo não ocorre quando há prolação de sentença homologatória de transação em processo contencioso. Diário da Justiça de  de novembro de 1997. a ação apropriada é a rescisória. do CPC. VIII. predomina na jurisprudência outro entendimento0. Não obstante. 0. Direito. 14. segundo o qual a ação apropriada até mesmo em processo contencioso com decisão já protegida pelo manto da coisa julgada é a ação anulatória do artigo 486. 2000. Estudadas as hipóteses de rescindibilidade. 1996. 426.44/SP. É o que se infere da conclusão n. e REsp n. é possível imaginar um exemplo1 que alcança todas elas. 8. Manual. o reconhecimento do pedido. É o que revela a interpretação sistemática do Código. 271. a ação anulatória só poderia ser proposta antes da formação da coisa julgada. 486 e 485. Não há incompatibilidade entre os arts. p. SÉRGIO RIZZI. 2 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “A transação homologada em juízo pode ser rescindida como os atos jurídicos em geral. Diante de processo litigioso. Prevalece a orientação de que a ação apropriada na hipótese é a prevista no artigo 486. p. p. p. p. 4ª Turma. 485. Volume II. 9260. não assim mediante ação rescisória. Cf. Ainda que muito respeitável a orientação consubstanciada na conclusão n. A admissibilidade da ação rescisória não está condicionada à prévia invalidação da confissão. 224 . especialmente dos artigos 52. a renúncia e a transação efetuados por advogado sem os poderes especiais do artigo 8 do Código de Processo Civil ensejam a propositura de ações rescisórias contra as respectivas sentenças definitivas que adquiriram a auctoritas rei iudicatae.Já o vocábulo “transação” foi bem empregado pelo legislador. Após o trânsito em julgado. Diário da Justiça de 25 de abril de 1994. Não obstante a literalidade do texto codificado. da renúncia ou da Volume VI. Inspirado em exemplo da literatura portuguesa: AMÂNCIO FERREIRA. e VICENTE GRECO FILHO. 4ª Turma. Ação rescisória.059/SP. REsp n. 5626. porquanto não há formação de coisa julgada material. p. 1. A confissão. do reconhecimento do pedido. 11ª ed. 11. 1979. tudo indica que a ação anulatória tem serventia quando ocorre homologação de transação em jurisdição voluntária. que tratam de hipóteses distintas”. . estando em consonância com o disposto no inciso III do artigo 269. 46 e 88. e 486.. n. inciso VIII. 2000. há séria divergência acerca da admissibilidade de ação rescisória tendo como alvo sentença que extingue processo contencioso em virtude da transação. 10.

nos termos do artigo 485. a desconstituição do julgado ocasiona a insubsistência do ato defeituoso. “não se pode admitir. volume 501. p. 118.. A ação rescisória. 19ª ed. nota n. Comentários. 7. p. Realmente. Ação rescisória. p. 944.. Código. p. O erro que justifica o pedido de rescisão há de evidenciar-se do exame dos elementos constantes dos autos em que proferida a decisão que se intenta rescindir”. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 248. Trata-se de exceção à regra de que a injustiça do julgado em virtude de erro na apreciação da quaestio facti não pode ser corrigida em ação rescisória. o inciso IX indica que só o erro de fato perceptível à luz dos autos do processo anterior pode ser sanado em ação rescisória. Da ação rescisória. Comentários. 142 e 144... 2116: “Ação rescisória — Erro de fato. p. Tomo VI. merece ser prestigiada a conclusão do Professor SÉRGIO RIZZI: “Somente o que se contém nos autos do processo anterior.. na rescisória. em que se baseou a decisão. como bem ensina o Professor BUENO VIDIGAL. ª ed.. COQUEIJO COSTA. De acordo. 225 . Daí a conclusão: é inadmissível ação rescisória por erro de fato. Por óbvio. Ação rescisória. p. 1976. inciso IX e §§ 1º e 2º. Por tudo. A excepcionalidade da hipótese de rescindibilidade por erro de fato é revelada pelas restrições gerais e específicas previstas no artigo 485. a inteligência do inciso VIII do artigo 485 conduz à conclusão de que a ação rescisória é admissível quando houver fundamento para invalidar confissão. No entanto. 1997. 1998. servirá para evidenciar o erro” (p. 2 e 1. p. 4ª ed. 170. 22. 644. 119). Curso. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1998. SERGIO BERMUDES. 1999. que é invalidado2. cuja constatação depende da produção de provas que não figuram nos próprios autos do processo primitivo. SÉRGIO RIZZI. do Código de Processo Civil. Comentários. 7ª ed. Portanto. No sentido do texto do parágrafo: BUENO VIDIGAL. 108. 1979. especialmente a conclusão n. Volume VI. 2ª ed. Volume I.transação em processo anterior. 2. Erro de fato O erro de fato também dá ensejo à ação rescisória. reconhecimento do pedido. p. 107. na jurisprudência: AR n. renúncia ou transação cuja regularidade é discutida pelo autor da ação rescisória. além das limitações gerais insertas no caput do artigo 485. Diário da Justiça de 7 de março de 198. o julgado rescindendo só é desconstituído quando fundado em confissão. 4. 119 e 120. p. 272. renúncia ou transação. p. a produção de novos títulos ou documentos para fornecer a prova do erro em que o juiz caiu”. Revista dos Tribunais. Com efeito. Câmara Cível do TJDF. 4ª ed. 1991. Volume V. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. . 79. e SYDNEY SANCHES. comentário 20. 1986. reconhecimento do pedido.10.

p. 119 e 122. Já a equivocada interpretação da prova 4.. ou não vê o que está. Inspirado em exemplo apontado pelo Ministro SYDNEY SANCHES: “Butera recolheu da jurisprudência italiana vários casos em que se considerou ocorrido o erro de fato: omissis. volume 501. IX do art. apenas o erro relacionado a fato que não foi alvo de discussão pode ser corrigido em ação rescisória. não foi. vale dizer. Em suma: “Se houve controvérsia. “Esse erro deve decorrer de inadvertência do juiz. p. quando a sentença admitir um fato inexistente. “Esse erro há de consistir em ter a sentença considerado ocorrido um fato inocorrido ou vice-versa”. e SYDNEY SANCHES. JOSÉ FREDERICO MARQUES. o erro se registrou. ao afirmar a ocorrência ou a inocorrência de um fato. 4ª ed. o juiz considera existente um fato inexistente. IX). Assim. não o proveniente da interpretação das provas5. volume 501. p. Erro dos sentidos. 79. A expressão “erro de fato” tem significado técnico-processual. é do juiz. De acordo: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Ação rescisória. é precisa a lição do Ministro SYDNEY SANCHES: “O erro de fato a que alude o texto brasileiro (art. como tema de julgamento. BUENO VIDIGAL. 1999. existiu erro de julgamento. quando. e não das partes”. Ação rescisória. de raciocínio. no caso. Manual. decorre de inadvertência do juiz. p. 19. Volume VI. 4ª ed. o juiz não se estava pronunciando sobre questão suscitada pelas partes. 26. apesar disso. Revista dos Tribunais. 2ª ed. 6. A respeito do tema. p. 1976. 2ª ed. Volume III. neles vê o que não está. 1 e 2: “É absolutamente necessário que não tenha havido entre as partes controvérsia em torno do fato sobre o qual o juiz. SÉRGIO RIZZI. mas nunca de interpretação ou valoração da prova. 1986. o erro que pode ser corrigido na ação rescisória é o de percepção do julgador. e. ou 226 . e não o erro de fato a que a lei se refere” (FREDERICO MARQUES. 1986. no § 2º do n. 944. Volume II.. justificador da rescisão. p. como aparenta). de má percepção dos fatos. Ação rescisória. n. Código. 25 e 1). 1979. Revista dos Tribunais. colhido do italiano. A existência de controvérsia entre as partes acerca do fato impede a desconstituição do julgado4. 26). comentário 20. Lições. 80. p. 1999. 1975. E remata o eminente Ministro: “O erro de fato. COQUEIJO COSTA.. p. eventualmente de reflexão. que.. 5. 485. hipótese em que descaberia a rescisória por erro de fato)”. Com a mesma opinião: COQUEIJO COSTA. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 485 do CPC brasileiro só há um requisito. Por causa dele. discussão ou debate. ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido”.. 108. 3º) afirmar que uma prova foi produzida. lendo os autos. se manifestou (assim. 4ª ed. p. de sua desatenção na leitura dos autos e não de má interpretação ou valoração da prova” (Da ação rescisória. Ou inexistente um fato existente”. apesar disso. que consta do § 1º do artigo 485: “Há erro.À vista do § 2º do artigo 485. de percepção. pois. Da ação rescisória. na verdade. e não dois. p. Comentários. isto é. Exemplo típico de erro de fato é o ocorrido em sentença de procedência proferida tendo em conta prova pericial que não foi produzida na ação de investigação de paternidade6. não cabe a rescisória.

Comentários. e SÉRGIO RIZZI. 40. p. p. Volume VI. que o pronunciamento sobre fato incontroverso não impede a rescisão do julgado. 1999. à luz da legislação e da doutrina italianas. volume 501. O processo civil. 944. Admitido sem controvérsia fato que os autos evidenciam inexistente. Comentários. Autorizada doutrina defende que sim8. ª ed.. Da ação rescisória. o erro é geralmente perceptível quando há o pronunciamento acerca da existência de fato que não ocorreu. 1998. p. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. 7. quando. Da ação rescisória. 7ª ed. o pronunciamento judicial acerca do fato é até importante para a verificação da ocorrência do erro de fato. 1998. 108. 4ª ed. do fato. Conferir: REsp n. 272. 1986. p. e vice-versa. A ação rescisória. volume 501. Erro de fato irrelevante não dá ensejo à desconstituição do julgado. CARLOS ORTIZ. p. ou julgado inexistente fato que evidentemente existiu. No entanto. Ação rescisória. Na verdade. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 8. volume 501.. p.não configura erro de fato à luz do § 1º do artigo 485. COQUEIJO COSTA. se o juiz reconheceu explicitamente a existência ou a inexistência do fato é inadmissível ação rescisória contra o decisum.. p. Volume V. e SYDNEY SANCHES. em sentido oposto. BARBOSA MOREIRA. 57. 25 e 1). Lições. 121 e 126. 1986. Código. É necessária a existência de nexo de causalidade entre o erro de fato e a conclusão do juiz prolator do decisum rescindendo7. tanto que é prestigiada pela jurisprudência40. Erro de fato. PONTES DE MIRANDA. cabe a resci- 227 .. Revista dos Tribunais. e não ao fato em si. 29. 29. há doutrina9. ou não. 1979. 2ª ed. COQUEIJO COSTA. 25 e 1.. 119. Cf. 79. igualmente abalizada. Sem dúvida. 2ª ed. Apenas o erro de fato relevante permite a rescisão do decisum.. 1 e 2. na verdade. conforme revela a didática propo- afirmar que não foi produzida. p. defendendo. é necessário que o juiz não tenha emitido juízo expresso sobre a existência. comentário 20. Ação rescisória. Cf. p. 1991. Revista dos Tribunais.501/RS. Volume II. 4ª ed. Tomo VI. Revista dos Tribunais. Assim: BUENO VIDIGAL. Ação rescisória. p. Comentários. Tudo indica que a restrição quanto ao pronunciamento judicial diz respeito à controvérsia envolvendo o fato. não dando ensejo à desconstituição do julgado. 1999. Apud SYDNEY SANCHES. 79. p. 1976. Da ação rescisória. foi” (Da ação rescisória. p. volume 501. 249. Tal orientação parece ser a melhor.. Resta examinar se o “pronunciamento judicial” sobre fato incontroverso veda a desconstituição do julgado. 149. 4ª Turma do STJ. 4ª ed. Para tal corrente. Em síntese. p. 0. 9. Revista dos Tribunais. 19 e 20. e SYDNEY SANCHES. Diário da Justiça de 7 de agosto de 1995: “AÇÃO RESCISÓRIA.

“A sentença de partilha pode ser objeto de ação rescisória.029 do mesmo diploma e no artigo 2. embora constando esse enunciado da sentença. 4. 485. não aquele que se apresenta ao final desse mesmo silogismo.sição n. O fato afirmado pelo julgador. é preciso registrar que a hipótese inserta no artigo 1. erro essencial ou intervenção de incapaz e ao dizer que é rescindível a partilha julgada por sentença nos casos que menciona neste art. 16 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “A caracterização do erro de fato como causa de rescindibilidade de decisão judicial transitada em julgado supõe a afirmação categórica e indiscutida de um fato. O que a lei considera imprescindível é que não tenha havido pronunciamento judicial a respeito da controvérsia sobre ponto relevante para a solução da causa”. que pode ensejar ação rescisória calcada no inciso IX do art. Em sentido conforme. 42. como conclusão decorrente das premissas que especificaram as provas oferecidas. admissível contra a sentença de partilha judicial. Ação rescisória de sentença de partilha judicial Além das hipóteses gerais de rescindibilidade arroladas no artigo 485 do Código de Processo Civil.030” (HAMILTON 228 . 485 do CPC. 41.00 do mesmo diploma: ação rescisória de sentença de partilha judicial. 1. enquanto os artigos 1. se nasceu com qualquer um dos vícios taxativamente enumerados no art. Com efeito.00 dispõe sobre a ação rescisória. 1. ao exigir que não tenha havido controvérsia sobre o fato e pronunciamento judicial esmiuçando as provas”.029 e 2. Em primeiro lugar. há os motivos deste art. coação. 485 do CPC. há uma hipótese específica de rescindibilidade prevista no artigo 1. Por oportuno. o artigo 1. A importância da distinção pode ser aferida sob dois sória fundada no inciso IX. ao reservar a ação anulatória (art. adequada para impugnar a sentença homologatória de partilha amigável42.00 do Código de Processo Civil não se confunde com a prevista no artigo 1. pois tal pronunciamento é indispensável para o reconhecimento da existência do erro como um fato do processo. 1. e não como simples estado da consciência do juiz.030”. Esta última hipótese é afastada pelo § 2º do art. que não corresponde à realidade dos autos. o capítulo subseqüente (Capítulo XI) versa de forma específica sobre a ação anulatória.11. na decisão rescindenda. na doutrina: “O Código foi claro e obedeceu a bom sistema. para se concluir pela existência do fato.027 versam sobre a ação anulatória41.029) para as partilhas amigáveis viciadas por dolo. Além desses casos.027 do Código Civil. é apenas aquele que se coloca como premissa fática indiscutida de um silogismo argumentativo.

Bem examinadas as hipóteses legais. art. porquanto a ação rescisória de sentença de partilha judicial pode ser acionada à vista dos vários incisos do artigo 485. 1. nota 8. 262 e 26). entretanto. 1. 1. que é passível de ação rescisória (art. 229 . 486. em situações como as de partilha contenciosa. coação. 1974. Recursos no Superior Tribunal de Justiça..029 do Código de Processo Civil. 2008.030)”. quando a sentença se limita a julgar os termos do esboço organizado. julgada por sentença. “A partilha pode ser. p. sem que haja litigiosidade entre os herdeiros. os quais. é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam. 544 a 546). poderá ser rescindida (art. como erro.. 1999. 1. art. também na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. com referência ao Código Civil de 1916). contados do trânsito em julgado da decisão (art. como visto (CPC. DE MORAES E BARROS. como já dito. 495)”. Volume VIII. da partilha judicial. coerente com sua posição de se ter o inventário e partilha como de jurisdição contenciosa. 2ª ed. dolo. anulada ou rescindida. Volume IX.00. mas sim de ação anulatória. Ainda em sentido conforme.. que pode ser objeto de ação anulatória (art. incisos V e VIII). poderá ser simplesmente anulada por ação ordinária. decidida por sentença.030) no prazo decadencial de dois anos. ª ed. na doutrina: “O Código de Processo Civil é mais minucioso no tocante à invalidade da partilha. sendo de um ano o prazo para a propositura da ação. simplesmente homologada. a ser ajuizada no prazo de um ano (CPC. ainda que indiretamente (cf.029. No mesmo sentido. não estando sujeita à rescisória. não se há de cogitar de rescisória. constata-se que as mesmas estão insertas nos amplos incisos V e VIII do artigo 485 do mesmo diploma.prismas: a ação rescisória de partilha judicial é da competência originária de tribunal e está sujeita a prazo decadencial de dois anos. ainda na doutrina: “Destarte. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. p. se a partilha for amigável (CC. artigo 485. p. art. 27.0129)” (SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. “Desse modo. 1. estabeleceu apenas uma distinção. pois. 4: “O Código de 1973. 1991. direcionamento de quinhões em disputa. A partilha judicial. De acordo. por sua vez. Esta é reservada às hipóteses de sentença de mérito. Comentários ao Código de Processo Civil.” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. A ação rescisória de partilha judicial é admissível nos casos arrolados no artigo 1. na conformidade do art. homologada pelo juiz. Se julgada por sentença. exclusão de herdeiros etc. A partilha será amigável ou julgada por sentença. A amigável. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil.00 é de índole didática. cujo inciso I faz remissão aos três incisos do artigo 1. Se amigável. a fim de evitar confusão com a ação anulatória prevista no artigo 1. com impugnação ao seu conteúdo decisório. alcançam os arrolados no artigo 1. p. é rescindível”.00. os atos e negócios jurídicos. Daí a conclusão: a maior finalidade do artigo 1. 1. etc.029). distinguindo a partilha amigável. em geral.029) no prazo decadencial de um ano. a ação anulatória de partilha amigável é da competência de juiz de primeiro grau e está sujeita a prazo decadencial de um ano.773). não passa de homologatória. Direito civil brasileiro.

Também em sentido conforme. Recursos no Superior Tribunal de Justiça. Volume IX. 1ª Turma do STF. 45. se a sentença proferida se enquadrar em um dos nove incisos do art. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Por fim. e SILVIO RODRIGUES e ZENO VELOSO. o herdeiro que não participou do processo de inventário tem ação própria: ação de petição de herança44. Direito civil brasileiro. De acordo. no caso. em prol da admissibilidade também da ação rescisória (cf. Com efeito.700/GO. o eminente Ministro e Professor SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA vai além. a petição de herança ou petitio hereditatis é a ação adequada em prol de herdeiro que busca o reconhecimento do respectivo direito sucessório e a restituição da herança ou da respectiva parte contra o atual possuidor da mesma (artigo 1. a ação rescisória só pode ser ajuizada por herdeiro (e também pelo legatário) que participou do inventário e foi preterido ou prejudicado no respectivo processo45. 27). na jurisprudência: RE n. como no caso de herdeiro dela afastado injustamente. tem ele ação de petição de herança. só diz respeito àqueles que participaram do inventário.00 do Código de Processo Civil. na doutrina: “Não é a ação rescisória o remedium iuris apropriado de que dispõem os herdeiros que não participaram do inventário. cabente àqueles que foram parte no inventário. Comentários ao Código de Processo Civil. p. a fim de afastar uma hipótese não inserta no preceito: a do herdeiro terceiro ao processo de inventário. p. para atacar a partilha. é importante examinar o inciso III do artigo 1. qualquer dos herdeiros. 1991. sem o grifo no original). 2ª ed. 547 e 548. dos legatários ou o cônjuge supérstite. entretanto. Direito das sucessões. Diário da Justiça de 22 de outubro de 1982. 2002. 48.Por fim. p. cujo caráter reivindicatório é incontestável”. Volume VII. 25ª ed.. Direito civil. Na verdade. Em suma. Com igual opinião. 485 do Código de Processo Civil. se devidamente representados. Volume VIII. de ação rescisória de partilha. 20 . 2008. p. 2005. têm legitimidade para propor ação rescisória da sentença dentro do prazo de dois anos. 26). p. é preciso registrar a existência de respeitável opinião contrária. Se algum interessado não participou do processo de inventário e foi prejudicado na partilha. 10740.824 do Código Civil). ou seja. No mesmo sentido. com ampla fundamentação doutrinária no voto condutor do Ministro Relator RAFAEL MAYER. Tal remédio é a ação de petição de herança” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. admissível nas hipóteses antes enumeradas”. 1974. se foram partes nos autos do inventário. “Isso. tal como defendido no presente compêndio. autor do projeto que deu origem ao Código de Processo Civil de 197. ainda que em parte: apesar de reconhecer que “própria seria a ‘ação de petição de herança’”. o qual foi acompanhado pelo Ministro ALFREDO BUZAID.. a rescisória não é a ação adequada para a impugnação da partilha que não contemplou herdeiro alheio ao inventário4. p. 9. na doutrina: “Em se tratando de partilha judicial julgada por sentença. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. 0: “Trata-se. contados do trânsito em julgado da decisão” (ANTÔNIO JOSÉ TIBÚRCIO DE OLIVEIRA. na doutrina: CARLOS ROBERTO GONÇALVES. 4. 44.

Como a mera correção de injustiça quanto aos fatos e o simples reexame das provas não estão entre as hipóteses excepcionais que dão ensejo à rescisória. A ação rescisória calcada em violação de lei não admite reexame de fatos e provas do processo que originou a decisão rescindenda”. Ação rescisória e Juizados Especiais Cíveis As sentenças e os acórdãos proferidos nos Juizados Especiais Cíveis e nas respectivas Turmas Recursais também não podem ser impugnados por 21 . REEXAME DE FATOS E PROVA. 5.3. já é possível retomar o estudo das hipóteses que não autorizam ação rescisória. a interpretação sistemática e a teleológica do diploma atual conduz à conclusão de que a orientação moderna é exatamente a mesma da legislação processual pretérita. Ação rescisória e processo cautelar À vista do artigo 810 do Código de Processo Civil. na verdade. analisadas nos tópicos subseqüentes.5. HIpÓTESES QUE NãO ENSEJAm AçãO RESCISÓRIA Ainda que de forma perfunctória. 5. salvo quando há a pronúncia — no próprio processo cautelar — da prescrição ou da decadência do direito do autor. consagrada no caput do artigo 800 do anterior Código de 199: “A injustiça da sentença e a má apreciação da prova ou errônea interpretação do contrato não autorizam o exercício da ação rescisória”. 5.2. não é possível a desconstituição do julgado. Fora delas. reexame de provas e interpretação de cláusula contratual As hipóteses excepcionais de rescindibilidade em matéria probatória estão taxativamente previstas no Código de Processo Civil. a sentença proferida em cautelar não pode ser impugnada por meio de ação rescisória. de orientação tradicional em nosso direito. Ação rescisória fundada em correção de injustiça quanto aos fatos. 410 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. A despeito da ausência de preceito similar no Código de Processo Civil vigente. INVIABILIDADE. Estudados os permissivos de rescindibilidade. especialmente nos incisos VI. merece ser prestigiado o enunciado n. VII e IX do artigo 485.1. Trata-se. foram escritas algumas linhas acerca da impossibilidade da rescisória no tópico inicial dedicado às generalidades do instituto.

5. Por oportuno. 27.meio de ação rescisória. as decisões proferidas nas ações que seguem o rito sumaríssimo instituído pelas Leis 9.868.259 não são passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. são diferentes os campos de incidência das ações rescisória e anulatória. 22 . Reforça o artigo 41 da Resolução n. não podendo ser objeto de ação rescisória”.4. É o que estabelece o artigo 12 da Lei n. 5. é inadmissível ação rescisória contra julgado proferido em ação direta de inconstitucionalidade e em ação declaratória de constitucionalidade. Enquanto a ação rescisória está sujeita a prazo decadencial de dois anos (artigo 495 do Código de Processo Civil). Em suma. de 12 de julho de 2001. 9. cuja via impugnativa apropriada é a ação rescisória do artigo 485. Também é inadmissível ação rescisória contra julgado proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ação de argüição de descumprimento de preceito fundamental. consoante o disposto no artigo 59 da Lei n. Com efeito. do Presidente do Conselho da Justiça Federal: “Nas causas de que trata a Lei n. 9. a rescisória não pode ser proposta no lugar da anula- 46.099 e 10.099. Ação rescisória e controle concentrado de constitucionalidade Por força do artigo 26 da Lei n. Também há a carência da ação anulatória que tem como alvo decisão de mérito sob o manto da res iudicata. Sob todos os prismas. bem assim os procedimentos.882.259. de 1995: “Não se admitirá ação rescisória nas causas sujeitas ao procedimento instituído por esta Lei”. 10. a ação anulatória é da competência de juiz de primeiro grau e segue o procedimento comum. de 1999: “A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em argüição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível. Ação rescisória e ação anulatória Não é admissível a ação rescisória quando a via apropriada for a ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil46. Enquanto a rescisória é ação de procedimento especial de competência originária de tribunal. o prazo decadencial da ação anulatória é de quatro anos (artigos 52 e 486 do Código de Processo Civil combinados com o artigo 178 do Código Civil de 2002). prazos e os órgãos judiciários competentes para os respectivos julgamentos. o capítulo subseqüente (Capítulo XI) versa de forma específica sobre a ação anulatória. 9. 5. não haverá rescisória de seus julgados”.

há a formação da res iudicata49. na jurisprudência: “Processo 2 . 99 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É incabível ação rescisória para impugnar decisão homologatória de adjudicação ou arrematação”. alienação (artigo 685-C) e arrematação (artigos 69 e 694) em processo de execução também não são passíveis de impugnação mediante ação rescisória. 49). conforme o caso). há a instauração de processo de conhecimento. sob pena de extinção liminar dos respectivos processos. 48. Reforça o inciso I do enunciado n. Diário da Justiça de 1º de julho de 1970.982/PI. Manual de direito processual civil. na jurisprudência: “Anulação de cessão de herança. Como bem ensina o Professor HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Ação rescisória. Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul. Com a mesma opinião do texto do parágrafo. merece ser prestigiada a conclusão n. mas. p. todos do Código de Processo Civil. que devem ser atacadas por ação ordinária”48. 50. incisos I e VI. “Quando há interposição de embargos do devedor. Porto Alegre. realizada com simulação e fraude. Também em sentido conforme. Assim. nem a ação do artigo 486 pode ser ajuizada quando for apropriada a rescisória47. Tanto quanto sutil. Definitiva a sentença proferida na ação de embargos. por carência de ação. e SÉRGIO RIZZI. Legitimidade da ação anulatória. p. embargos à alienação ou embargos à arrematação. ajuizada a respectiva ação de embargos do artigo 746 (ou seja. 1988. As decisões homologatórias irrecorridas de adjudicação (artigos 685A e 685-B). Anais do VIII Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada. p. sendo a medida um procedimento de cognição. Revista Forense. A propósito. volume 256. 1975. não prospera ação rescisória ajuizada contra decisum proferido em jurisdição voluntária. a questão é simples. sim. arrematação ou remição. por meio da ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil. Descabimento da ação rescisória” (RE n. Assim. 14 do 8º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Incabível é a ação rescisória contra sentenças homologatórias de adjudicação. eventual vício pode ser denunciado na ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil. sem o grifo no original). 66. 295 e 490. Em contraposição. acaba por gerar a coisa julgada” (Execução forçada e coisa julgada. 1979. porque. a diferença é muito relevante 47. com a possibilidade da prolação de sentença de mérito. razão pela qual é admissível ação rescisória após o trânsito em julgado50.tória. 49. 1ª Turma do STF. 229. na doutrina: JOSÉ FREDERICO MARQUES. “há consenso entre os doutores a respeito da inexistência de coisa julgada no processo de execução”. 264. 22 e 25. embargos à adjudicação. consoante a combinação dos artigos 267. p.

054/SP. será necessária ação rescisória para anular a decisão neles proferida” (REsp n. Anulação. Volume I. a impugnação da decisão arbitral viciada só pode ser feita em ação anulatória de procedimento comum. porém. Arrematação. 108). Diário da Justiça de 21 de novembro de 1994. quando apresentados embargos à arrematação. A despeito da existência de civil. p. p. 9. 2ª Turma do STJ. 1762). na forma prevista no art. por exemplo. § 1º. Novo curso de direito processual civil. 4ª ed. 5. 0. Desconstituição. conforme se infere da combinação do artigo . a atividade jurisdicional51. 5. Em tais hipóteses. Ainda no mesmo sentido: “Processual civil. forem apresentados embargos à arrematação. Resta saber se é admissível ação rescisória contra sentença proferida em processo de conhecimento contaminado por ausência ou nulidade de citação. Só quando há sentença de mérito. o que reforça a inadmissibilidade da ação rescisória no particular.para a separação dos campos de incidência da ação rescisória e da ação anulatória. Além da ação de embargos. considerados inexistentes os atos processuais praticados por juiz que já estava aposentado ou não tinha tomado posse de suas funções” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. a decisão arbitral também não enseja ação rescisória. podendo até mesmo ser declarada em ação autônoma. também é inadmissível ação rescisória contra sentença inexistente. 24 . a ação rescisória é inadmissível. como os atos jurídicos em geral. Diário da Justiça de 16 de maio de 1994.. A arrematação é anulável por ação ordinária. 51.6. p. sentença inexistente.07. Por fim. a exarada por quem não exerce o ofício judicante. 2007. na doutrina: “Serão. 11746).956/SP. I — A arrematação é anulável por ação ordinária. já que a inexistência jurídica da sentença pode ser suscitada no bojo de qualquer processo. da Lei n. com a conseqüente revelia do réu. nos termos do inciso I do artigo 4º do Código de Processo Civil. vale dizer. ª Turma do STJ. Arrematação. como a proferida sem dispositivo. a prolatada sem assinatura do magistrado. com o artigo 486 do Código de Processo Civil. Em sentido semelhante. Além do mais. a sentença juridicamente inexistente não passa em julgado. se. ausência de citação e nulidade da citação Por fim. como os atos jurídicos em geral. é que a desconstituição exige ação rescisória” (REsp n. 486 do CPC. Ação rescisória.

embora reconheça que “seria. portanto. Em primeiro lugar. por inexistência da necessidade da tutela jurisdicional)”. JOSÉ RIBAMAR MORAES. e LIEBMAN. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 7 e 8: “Igualmente sustentamos que é inexistente a sentença dada contra quem não foi citado. que indica a hipótese como ensejadora do instituto similar do direito lusitano: “A decisão transitada em julgado só pode ser objecto de revisão nos seguintes casos: omissis. não há em nosso direito preceito similar ao artigo 771. f) Quando. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. Com a mesma opinião. p. Sob outro prisma. 259. na execução. 2001. p. O labirinto da ação rescisória. 8ª ed. p. “Em tôdas as circunstâncias estudadas.696/RJ.. 8ª ed. 109). alínea “f”. RTJ. 7). com a declaração de inexistência do julgado” (p. 54. 1ª Turma do STF. 7. 141 usque 146: “Primeiro e fundamental requisito para a existência de um processo 25 . deve ela ser repelida liminarmente. Estudos. e MONIZ DE ARAGÃO. 5. Comentários. Cf. desnecessária (e. 1999. Volume II. Volume II. 1995. 107.autorizada doutrina em prol da admissibilidade52. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. De acordo. independe a sentença de ser rescindida. por falta absoluta de intervenção do réu. 1995. p. pois faltaria interesse de agir. p. volume 104. Volume I. AJURIS. p. de sentença inexistente54.. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. Comentários. O Professor BARBOSA MOREIRA igualmente defende que “a rescisória é. E se sua inexistência pode ser argüida nos embargos do executado. nada obsta a que ela possa ser oposta em outra oportunidade qualquer” (p. 8ª ed. a rigor. 96. Volume V.. na doutrina: CALMON DE PASSOS. pelo que o suposto réu se coloca fora da jurisdição do magistrado e liberto da sujeição da coisa julgada. na oposição que se ofereça à pretensão que nela procure ter assento. Em qualquer tempo a ela se pode opor a argüição de ser nenhuma. Rescisória. tudo indica que a resposta negativa é a melhor5. inadmissível)” (Comentários.. do Código de Processo Civil português. se mostre que faltou a sua citação ou é nula a citação feita”. Novo curso de direito processual civil. a rigor. Assim. pois nada haverá a rescindir. tendo corrido a acção e a execução à revelia. Rescisória. nota 17). p. MONIZ DE ARAGÃO. A ausência de citação impede a formação da relação processual em ângulo. na jurisprudência: RE n. denominada querela nullitatis insanabilis. Em embargos. 2ª ed. tanto que não adquire a auctoritas rei iudicatae e pode ser impugnada até mesmo 52. p. 29. Volume II. Lições. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. na hipótese. 4ª ed. 8). 1999. 46. 2007.. p. 826: “Desnecessidade da ação rescisória”. E hoje ainda é nenhuma a mesma sentença. E se acaso rescisória fôr proposta. trata-se. ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. na doutrina: CALMON DE PASSOS. p. volume 42. 259. p. Já diziam as Ordenações que era nenhuma a sentença dada sem a parte ser primeiro citada. 49 usque 51. desnecessária admitir-se a possibilidade de rescisão dessa sentença (o que tornaria a ação rescisória inadmissível.

daí a possibilidade de o juiz da execução obstar as medidas constritivas do devedor independentemente de ação rescisória. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. para que possa ser ouvido em suas defesas”. 106). meramente declaratório. Portanto. Volume III. É este o único caso que sobrevive nos nossos dias de sentença ‘que é per Direito nenhuma. denominada querela nullitatis insanabilis. assim como pode ser pleiteada em processo principal. o processo adequado para a declaração de tal nulidade? Não há outra resposta que esta: todo e qualquer processo é adequado para constatar e declarar que um julgamento meramente aparente é na realidade inexistente e de nenhum efeito. que é nenhuma e de nenhum efeito’” (p. e sempre será. “Qual seria. vícios essenciais. in RT 573/289). função esta reservada privativamente a uma instância superior. ofende tão profundamente o direito reconhecido a todo cidadão de defender-se perante o juiz que vai julgá-lo. estando correto o enunciado no particular” (Código de Processo Civil comentado. que torna radicalmente nulo. 1999. merece ser conferida a conclusão do Professor ALFREDO BUZAID. em tempo algum. Com esteio na lição do eminente processualista italiano. 4ª ed. Por todos. e sim de reconhecer simplesmente como de nenhum efeito um ato juridicamente inexistente” (p. igualmente nula e inexistente a sentença proferida. volume 104. voto. Como bem sustentou o eminente processualista italiano. A nulidade pode ser alegada em defesa contra quem pretende tirar da sentença um efeito qualquer. 826).sempre foi. 26 . que sobrevivem à coisa julgada e afetam a sua própria existência. pois nada haverá a rescindir. e também à vista da lição de LIEBMAN e do voto proferido pelo Ministro BUZAID. é ainda hoje motivo de nulidade absoluta ou de inexistência da sentença” (p. lançada no voto proferido no RE n. Nunca. em verdade. p. embora se tenha tornado formalmente definitiva. o processo é para eles juridicamente inexistente. 145 e 146). 141). que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. 142). é. 1997. A falta ou nulidade da citação do réu e a circunstância de que o processo tenha corrido à sua revelia impediram a própria formação da relação processual. p. Porque não se trata de reformar ou anular uma decisão defeituosa. 146).. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. que conduziu a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal: “Se aqueles em cujo nome está transcrito o título de domínio não foram citados para a ação de usucapião. 96. Est. Min. mas em todo tempo se pode opor contra ela. Volume I. p. Ainda a respeito do tema. juridicamente inexistente o processo. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. e daí ser a sentença um mero simulacro ou aparência de ato jurisdicional” (Direito Processual Civil brasileiro. Como inexistente. ainda que de hierarquia inferior à do juiz que proferiu a sentença exeqüenda. Novo curso. 2004. “Sem esse ato essencial não há verdadeiramente processo. é coisa vã. “E a razão é que a falta de citação infringe de tal modo os supremos princípios do processo. 145).696/RJ. Neste caso a sentença. “a falta de citação. os Professores NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY sustentam a tese prestigiada no presente compêndio: “A ausência de citação acarreta inexistência da relação processual relativamente ao réu (existe entre autor-juiz) (Liebman. p. “Não se lhes pode impor a propositura de ação rescisória.. Alfredo Buzaid. a citação do réu. 179. porque contra eles não há sentença nem coisa julgada” (RTJ. ela pode ser desconhecida por qualquer juiz. existem “vícios maiores. STF. mera aparência e carece de efeitos no mundo jurídico” (p. nem pode valer a sentença que vai ser proferida” (p. o Professor VICENTE GRECO FILHO também sustenta a tese defendida no texto: “Liebman classificou a sentença proferida sem a citação do réu ou com nulidade desta como sentença inexistente. vícios radicais. nunca em tempo algum passa em cousa julgada. 12ª ed. 11). 82). a sentença pode atingi-los e a fortiori a coisa julgada”.

CONCEITO. 7 e 8: “Igualmente sustentamos que é inexistente a sentença dada contra quem não foi citado.0019-1/DF. bem como o título executivo dela resultante. apesar de ter tido origem no direito medieval. De acordo: AC 94. Comentários. EXISTÊNCIA NO DIREITO PROCESSUAL BRASILEIRO. 1. p. 214 do CPC e Art. Volume II. p. 27 . inexistente. não transita em julgado. inciso I. p. 2. APELAÇÃO PROVIDA. também há abalizada doutrina: ADROALDO FABRÍCIO FURTADO. ª Turma do TRF da 1ª Região. como ação ordinária autônoma. se não há o trânsito em julgado. volume 42. DECLARAÇÃO DE NÃO OPONIBILIDADE DOS EFEITOS DA SENTENÇA PARA O RÉU NÃO CITADO. Apelação provida. isto é. 5º. e BARBOSA MOREIRA. E.. 10. A CEF. Rescisória. Diário da Justiça de 20 de agosto de 1986. 2ª ed. para que seja examinado o mérito do pedido”. Câmaras Cíveis Reunidas do TJSC. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. nem enseja a formação da coisa soberanamente julgada. merece ser prestigiado o verbete n. Então.. Lições. 18. da CF) não lhe é oponível. 57. A sentença proferida contra réu não citado para a ação. não é admissível ação rescisória. por ser depositária dos bens. LIV e LV. AÇÃO DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE INSANÁVEL (QuereLa nuLLitatis insanaBiLis). conforme se infere do artigo 485 do Código de Processo Civil vigente. do Código de Processo Civil. Como a referida sentença juridicamente inexistente jamais adquire a auctoritas rei iudicatae. subsiste no direito processual brasileiro. ajuizada contra Terceiros Interessados. objeto da Ação Declaratória de Outorga de Consentimento Presumido de Doação. Diário da Justiça de 28 de maio de 1999. Volume V. INEXISTÊNCIA DE res Judicata. para declarar a não oponibilidade dos efeitos da sentença proferida contra réu não citado para a ação. 3. tem interesse processual em ver declarado. além Em sentido contrário. 7 da Súmula do Tribunal de Justiça de Santa Catarina: “Ação declaratória é meio processual hábil para se obter a declaração de nulidade do processo que tiver corrido à revelia do réu por ausência de citação ou por citação nulamente feita”55. que a relação jurídica decorrente da sentença proferida em processo inválido (Art. nota 17. que subsiste em nosso direito56. pelo que o suposto réu se coloca fora da jurisdição do magistrado e liberto da sujeição da coisa julgada. é possível concluir que a ação declaratória autônoma também não está sujeita a prazo. 214 do CPC e Art. p. AJURIS. 45 e 46. 5º. É a intitulada querela nullitatis. na qual não foi citada.após o biênio que geralmente enseja a formação da denominada coisa soberanamente julgada. podendo ser ajuizada a qualquer tempo57. 1999. 106 e 107. por ser inválido o processo. da CF). A ação declaratória de nulidade insanável — querela nullitatis insanabilis. tornando inválido o processo contra ele (Art. 8ª ed. 525: “PROCESSUAL CIVIL. 29. 56. p. LIV e LV. p. A propósito. pela Justiça Federal. 4. A ausência de citação impede a formação da relação processual em ângulo. 6. 55. Uniformização de jurisprudência n. 1999. conforme se infere do artigo 4º. Com a mesma opinião: CALMON DE PASSOS. seu foro natural.01.

I)”. se causada pela inexistência ou pela nulidade da citação do réu58. independentemente do prazo para a propositura da ação rescisória. 7. o ato inexistente é impugnável em qualquer tempo e em qualquer processo” (p. a rigor. 28 . não estará sujeita a nenhum prazo preclusivo. 8). que. não se constitui a relação processual e a sentença não transita em julgado. a utilização da ação autônoma declaratória (ou desconstitutiva) da nulidade. 741. com a declaração de inexistência do julgado” (p. em qualquer tempo”. do atual CPC — que é a de falta ou nulidade de citação. p. o que implica dizer que a nulidade da sentença. denominada querela nullitatis insanabilis. podendo a nulidade ser argüida no recurso. a omissão não impedirá o exercício da ação de nulidade. “E mais. 7). E se acaso rescisória fôr proposta. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. Em tais casos. deve ela ser repelida liminarmente. pode ser declarada em ação declaratória de nulidade. 2ª Turma do STF. Também em sentido semelhante: RE n. a rescisória igualmente não cumpre outra condição da ação: interesse de agir. Por tudo. I. caso não o seja. havendo revelia — persiste. o que implica dizer que a nulidade da sentença. E hoje ainda é nenhuma a mesma sentença. 118: “Por outro lado — é uma conseqüência necessária da natureza dessas nulidades —. 741. Sobrevivência da querela nullitatis. Também em sentido semelhante. Em sentido semelhante. do atual CPC — que é a da falta ou nulidade de citação. nesse caso.74/GO. p. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. volume . persiste. na doutrina: OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. é inadmissível ação rescisória que tem como alvo sentença proferida em processo de conhecimento que correu à revelia. Revista Forense. não é a cabível para essa hipótese”. podendo. ser declarada nula. 106). havendo revelia —. RTJ. Em qualquer tempo a ela se pode opor a argüição de ser nenhuma. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. Novo curso.da impossibilidade jurídica ex vi do caput do artigo 485. volume 107. independentemente do prazo para a propositura da ação rescisória. p. 778: “Para a hipótese prevista no art. no direito positivo brasileiro — a querela nullitatis.550/RO: “Nula a citação. em rigor. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. Em embargos. E se sua inexistência pode ser argüida nos embargos do executado. p. I. Já diziam as Ordenações que era nenhuma a sentença dada sem a parte ser primeiro citada. 6). a qualquer tempo. pois não há necessidade da utilização da via derradeira da rescisória para o réu revel obter o resultado prático desejado. 96. na jurisprudência: REsp n. independe a sentença de ser rescindida. Volume I. 741. Ainda em sentido semelhante. pois nada haverá a rescindir. art. na jurisprudência: RE n. nada obsta a que ela possa ser oposta em outra oportunidade qualquer” (p. “Em tôdas as circunstâncias estudadas. 97. na execução. 58. que. ou em embargos à execução. se o caso (CPC. diante da possibilidade de o revel propor ação declaratória autônoma de procedimento comum. no direito positivo brasileiro — a querela nullitatis. na oposição que se ofereça à pretensão que nela procure ter assento. volume 110. RTJ. não há necessidade da ação rescisória.589/SC. Com efeito. 2004. nesse caso. não é a cabível”. 210: “Para a hipótese prevista no art. Pleno do STF. pode ser declarada em ação declaratória de nulidade. em ação com esse objetivo.

O direito à rescisão é regido pela lei em vigor na data do trânsito em julgado do decisum. Pelo mesmo motivo. 207 e 208. todos do Código Civil de 2002. Revista dos Tribunais. ex vi dos artigos 207 e 210 do Código Civil de 2002. ficam preservados os direitos adquiridos processuais dos litigantes. já que a rescisória tem natureza de ação constitutiva e versa sobre direito potestativo59. pRAZO 7. 198. Assim. Trata-se de prazo decadencial. volume 00. A propósito. dispositivo que atualmente rege o tema. Portanto. Por força do artigo 495 do Código de Processo Civil de 197. conforme revela o § º do artigo 12: “Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. foi revogado pelo artigo 495 do Código de Processo Civil de 197. AçãO RESCISÓRIA E DIREITO INTERTEmpORAl Tema interessante em matéria de ação rescisória é o relativo ao direito intertemporal.6. se faltar exata correspondência”. decorrido in albis o biênio previsto no artigo 495. conforme se infere da interpretação sistemática dos artigos º. do anterior Código Civil de 1916. De acordo: AGNELO AMORIM FILHO. p. Em síntese.1. ou no imediato. preceito que fixava o prazo em cinco anos. a decadência em relação aos absolutamente incapazes. O prazo decadencial é apreciável de ofício e não enseja interrupção nem suspensão. A criação de novo permissivo de rescindibilidade não atinge os julgados já protegidos pela res iudicata. ocorre a extinção do direito à rescisão. 2 e 7. 29 . § 10. que podem ser desconstituídas à luz de permissivo posteriormente eliminado pela lei nova. generalidades Assunto importante em matéria de ação rescisória é o que diz respeito ao prazo para o exercício do direito de rescisão. trata-se de regra tradicional em nosso 59. Não corre. o artigo 178. inciso I. a rescindibilidade é aferida à luz da legislação vigente quando da formação da coisa julgada. a ulterior eliminação de hipótese de rescindibilidade também não alcança as decisões já passadas em julgado. o direito à desconstituição do decisum extingue-se “em dois (2) anos”. inciso VIII. O Código Civil de 2002 igualmente indica como deve ser feita a contagem do prazo. 7. Aliás. todavia. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência.

Segundo o atual entendimento predominante na Corte Suprema. da última decisão de mérito. Na esteira da respeitável doutrina. O reconhecimento da 60. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume V. 7. decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal em recente acórdão resumido na seguinte ementa: “DECADÊNCIA — AÇÃO RESCISÓRIA — BIÊNIO — TERMO INICIAL. ou seja. 7ª ed. Com efeito. Resta saber se deve ser pronunciada a decadência quando a citação não é concretizada por morosidade do próprio Poder Judiciário. A tese hoje predominante é sustentada por autorizada doutrina: BARBOSA MOREIRA. Por conseguinte. o biênio legal destinado à ação rescisória nem sempre é contado do último julgamento proferido no processo. 240 a 252.472/DF. 2007. Tomo VIII. este findará no primeiro dia subseqüente”. 297. O termo inicial de prazo de decadência para a propositura da ação rescisória coincide com a data do trânsito em julgado do título rescindendo. A resposta negativa se impõe. A propósito. A atual orientação do Pleno do Supremo Tribunal Federal seguiu a fundamentação do respeitável voto proferido pelo Ministro Relator: “Esta ação 240 . 106 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. É o que se infere dos artigos 219 e 220 do Código de Processo Civil. merece ser conferido o correto verbete n. p. já que prevista no artigo º da Lei n. de 1949: “Quando no ano ou mês do vencimento não houver o dia correspondente ao do início do prazo. hoje predomina a orientação de que a prolação de juízo negativo de admissibilidade de recurso não tem o condão de postergar o momento do trânsito em julgado. considera-se que a coisa julgada teve lugar com a anterior decisão de mérito.. José Carlos Barbosa Moreira. convém lembrar que a citação válida evita a consumação da decadência. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência”. Recurso inadmissível não tem o efeito de empecer a preclusão — ‘Comentários ao Código de Processo Civil’. volume 5. Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2007). por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça. 810. Comentários ao Código de Processo Civil. a demora na citação. se o último julgamento proferido no processo foi de simples juízo negativo de admissibilidade do recurso. a qual é tida como o termo inicial do biênio para a ação rescisória60. Pleno do STF. mas. Editora Forense” (AR n. Por fim. retroativo. p. 1998. Ação rescisória. e PONTES DE MIRANDA. p. 26.direito. Termo inicial Após décadas de divergência na doutrina e na jurisprudência. o Plenário do Supremo Tribunal Federal assentou que o juízo negativo de admissibilidade de recurso tem efeito ex tunc. 1. FREITAS CÂMARA. sim.2.

desde a primeira edição. qual seja. quando há recursos sucessivos. o recorrente não pode invocar nenhuma dúvida. portanto. em prol da “segurança jurídica”. ele está. eventualmente. se os descarta para entrar com ação rescisória. não obstaculiza o trânsito em julgado. o prazo decadencial para a propositura de ação rescisória só começa a fluir no momento em que passa a ser inadmissível recurso para impugnar a última decisão proferida no processo. mas.predominância do entendimento acima exposto não significa. A data em que ocorrida a preclusão fixa o termo inicial dos dois anos para o ajuizamento da rescisória. Ele tem que esgotar todos os recursos. sendo antieconômico. peço vênia para divergir. adesão à respectiva tese. como os embargos de divergência protocolizados. 9. com inteira razão — é que o único requisito de inadmissibilidade que se pode. a tese consagrada no inciso I do enunciado n.868 e o artigo 11 da Lei n. consoante as razões agora deslocadas para a nota abaixo61. Daí a ressalva do ponto de vista sustentado no presente compêndio desde a primeira edição. defende-se o entendimento sustentado nos votos vencidos. E. retroagir. sim. § º. Por tudo. no presente compêndio. É certo que houve a interposição de embargos de divergência. Prestigia-se. assento a decadência”. in fine. é o da intempestividade. a declaração da impropriedade destes afastou a possibilidade de tê-los como a projetar no tempo o trânsito em julgado. O acórdão rescindendo foi publicado em 23 de agosto de 1996. É um problema seríssimo o da contagem do prazo. ainda que perfeita sob o prisma teórico. nesse caso. a qual. ambos do Código de Processo Civil. porquanto recurso inadmissível.882 revelam a possibilidade de provimentos jurisdicionais declaratórios com efeito apenas ex nunc. porque todos os demais são requisitos cuja discutibilidade cria situação de insegurança ao recorrente. Noutras palavras. Ademais. ao invés da tese vencedora no Plenário do Supremo Tribunal Federal (cf. insegurança jurídica. Por conseguinte. a de que a prolação de juízo de admissibilidade negativo tem efeito ex nunc. mesmo que o decisum derradeiro não seja de mérito. já que ele deve ter certeza a respeito da tempes- 241 . Todavia. O artigo 27 da Lei n. entretanto. conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. e 467. o argumento de que o provimento jurisdicional de inadmissibilidade recursal produz efeito ex tunc em razão da natureza declaratória não é invencível. porque pode obter o resultado dentro daquele processo. porque. Assim. em especial a divergência inaugurada pelo eminente Ministro CEZAR PELUSO: “Senhora Presidente. na Ação Rescisória. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I — O prazo de decadência. Só há coisa julgada após a irrecorribilidade do julgado negativo de admissibilidade do último recurso interposto no processo. sem correr os riscos da rescisória. só admito que retroaja a inadmissibilidade de algum recurso. rescisória somente veio a ser ajuizada em 15 de junho de 1999 — carimbo de protocolo de folha 2. Ainda que hoje minoritária. conforme se infere da interpretação dos artigos 01. 61. sustenta-se no presente compêndio a opinião defendida desde a primeira edição. se a causa for intempestividade. 9. O que a doutrina apreendeu e a jurisprudência consagrou — a meu ver. para efeito de contagem do prazo da ação rescisória. não apresenta resultado satisfatório sob o enfoque pragmático. seja de mérito ou não”. sem grave prejuízo para o recorrente. e não ex tunc. uma vez que há sempre a possibilidade de serem admissíveis. que não pode desistir dos recursos. nota anterior).

RE n.Outro problema relativo ao termo inicial do biênio previsto no artigo 495 do Código de Processo Civil reside na interposição de recurso parcial. p. p. 100. p. Frise-se. quanto a esta parte”. 1996. Nos demais casos. 252 a 262. sobretudo. 11. 2007. p. a parte veio a ser surpreendida. RE n. para conhecer do pedido”. 11764. do seu recurso. 1996. Quer dizer. penso que se cria dificuldade de ordem prática muito grande. Em sentido semelhante ao texto da presente nota. forma-se a coisa julgada sobre o que não fora objeto do recurso. 1ª Turma do STF. muito tempo depois. salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida. É a melhor solução62. também há respeitáveis precedentes jurisprudenciais em prol da tese defendida na presente nota: AR n. NELSON LUIZ PINTO. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. 11.. o prazo para propositura da rescisória. hipótese em que flui a decadência. Ação rescisória. 11ª ed. e VICENTE GRECO FILHO. in fine). iniciando-se. 2ª Turma do STF.055/RJ. na doutrina: FREDIE DIDIER JR. 505 e 512. RTJ. Curso de direito processual civil. 727: “Se a impugnação à sentença foi parcial (arts. 92. 1220. Com efeito. com a edição do enunciado n. também peço vênia para acompanhar a divergência instalada a partir do voto do Ministro Cezar Peluso”. à tividade. porquanto contou com o apoio do Ministro GILMAR MENDES: “Senhora Presidente. REsp n. 1999. 2ª ed. portanto. Diário da Justiça de 4 de dezembro de 1981. e REsp n. Diário da Justiça de 28 de novembro de 1994.420/PR. 2568. RE n. 2001. 94. cujo inciso II versa sobre o tema: “II Havendo recurso parcial no processo principal. ou não. em que estavam em jogo embargos de divergência que podiam ser conhecidos ou não. 1ª Turma do STJ. como este. 1ª Turma do STF. Curso de direito processual civil. contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de cada decisão.. tem-se o imediato trânsito em julgado da decisão em relação ao julgamento irrecorrido da outra ação. volume 84. que a tese divergente sustentada pelo Ministro CEZAR PELUSO não foi isolada. 80. a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial”. p. 2007. por alcançar apenas uma das ações. e Recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. Volume II. p.691/RJ. 2ª Turma do STJ. na doutrina: FREITAS CÂMARA. com a fluência do prazo decadencial da rescisória desde logo. 8777. Manual dos recursos cíveis. o trânsito em julgado dá-se em momentos e em tribunais diferentes. 242 .. Direito Processual Civil brasileiro. p. Pleno do STF. 684. 87. p. se o processo contém ações cumuladas (por exemplo. 55 e 56. ainda que dele não se tenha conhecido”. Com igual opinião. 18. Diário da Justiça de 12 de agosto de 198. Diário da Justiça de 2 de novembro de 1979. p. 421 e 422. ª ed. p. e LUIZ FUX. com o reconhecimento de que seu prazo de ação rescisória já se teria consumado! Peço vênia. A vexata quaestio foi bem resolvida pelo Tribunal Superior do Trabalho. Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997: “O biênio para a propositura da ação rescisória corre da passagem in albis do prazo para recorrer da decisão proferida no último recurso interposto no processo.106/SC. 96/CE. por oportuno. indenizações por danos material e moral) e o recurso interposto é parcial. Por fim.816/SC. 62. p. Volume III.

a lide. Na sua contagem é de observar-se a regra geral do art. Aplicação do art. Eis a ementa do acórdão proferido pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. p. o direito de propor a ação rescisória se extingue após o decurso de dois anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida na causa — Embargos de divergência improvidos” (EREsp n. 775 da CLT. devendo os dias. 505. Termo final No que tange ao prazo decadencial da rescisória. 64. Art. Ação rescisória. 6.vista da combinação dos artigos 292. Diário da Justiça de 11 de abril de 2005). coincidirem com dias úteis” (não há o grifo no original). 162. 24 . todos do Código de Processo Civil. 163. 1996. conforme entendimento jurisprudencial predominante. finais de semana ou em dia em que não houver expediente forense. quando há a formação da coisa julgada “total”6. computando-se o prazo com a exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. na doutrina: FRANCISCO ANTONIO DE OLIVEIRA. §§ 1º e 2º. Prorroga-se até o primeiro dia útil imediatamente subseqüente o prazo decadencial para o ajuizamento de ação rescisória quando expira em férias forenses. 7. em prol da fluência do biênio legal somente após o julgamento final do recurso parcial. o que afasta a possibilidade do seu trânsito em julgado parcial — Consoante o disposto no art. Decadência. 104: “Cuida-se de prazo decadencial e que tem início ao dia seguinte ao trânsito em julgado. 184. do CPC. Aplicável. contra cinco vencidos): “PROCESSUAL CIVIL — EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL — AÇÀO RESCISÓRIA — PRAZO PARA PROPOSITURA — TERMO INICIAL — TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS — CPC. extinguindo. Corte Especial do STJ. 404. — Sendo a ação una e indivisível. pois. Com o mesmo entendimento. 775 da CLT”64. feriados. por escassa maioria (seis votos vencedores. ARTS.777/DF. não há que se falar em fracionamento da sentença/acórdão. 1 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “Ação rescisória. na esteira da proposição n. incide a regra da inexistência de interrupção e de suspensão. 267. Não obstante. 512 e 515. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça consagrou outro entendimento. Porém.3. dies ad quem. 269 E 495 — A coisa julgada material é a qualidade conferida por lei à sentença/acórdão que resolve todas as questões suscitadas pondo fim ao processo.. 2ª ed. 495 do CPC. conforme o disposto no artigo 207 do Código Civil de 2002. do início e do término. ocorre a prorrogação do prazo quando o biênio termina em dia em que não há expediente forense normal.

ad exemplum. Em todos os casos. a petição inicial da ação rescisória deve ser liminarmente indeferida pelo relator se consumada a decadência. e não há incompatibilidade alguma na aplicação do preceito ao processo da rescisória. momentos da pronúncia da decadência A decadência pode ser pronunciada em várias fases processuais: a) liminarmente. de voto divergente e da procedência da rescisória. da Constituição Federal.7. já que a decadência deve ser pronunciada de ofício.4. Já o acórdão proferido pelo colegiado pode ser impugnado via embargos infringentes. 8. bem como o artigo 494 do Código de Processo Civil estabelecem que a ação rescisória será julgada 244 . consoante a regra do artigo 210 do Código Civil de 2002. inciso IV. b) após as “providências preliminares” dos artigos 2 usque 28. ambos do Código de Processo Civil. inciso I. Em suma. e 490. e d) no julgamento dos recursos cabíveis. pronunciada a decadência pelo próprio relator isoladamente. o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. pelo relator. pelo órgão colegiado. ou não. COmpETêNCIA Os artigos 102. Quanto aos recursos cabíveis. 105. nas duas primeiras hipóteses. Não é só. alínea “e”. em sede de embargos declaratórios. também são cabíveis embargos declaratórios. alínea “j”. O órgão colegiado julgador da ação rescisória também tem competência para averiguar de ofício a ocorrência da decadência. a decadência também pode ser pronunciada na fase recursal. O próprio relator ainda pode extinguir o processo por meio de decisão monocrática após as providências preliminares. É bom não esquecer que a interposição de apelação contra a decisão monocrática do relator configura erro grosseiro. como. nos quais pode ser suscitada omissão. pronunciando a decadência no momento tratado no artigo 29. convém estudar cada um deles em separado. É que o artigo 491 faz remissão ao capítulo onde está inserido o artigo 29. recurso especial e recurso extraordinário. Consoante o disposto nos artigos 295. também pelo relator. o autor pode interpor agravo interno contra a decisão monocrática extintiva do processo da rescisória. alínea “b”. inciso I. primeira parte. inciso I. ou seja. e 108. dependendo da existência. inciso I. c) na sessão de julgamento da ação rescisória. Apontados os momentos de pronúncia da decadência.

2004. É o que estabelece o inciso I do artigo 487. pelo que não pode ser julgada por juiz de primeiro grau. o artigo 6º. que afasta qualquer dúvida acerca da competência para o processamento e o julgamento da ação: “Do processo nos tribunais”. inciso I. uma vez iniciada. Consoante o disposto no parágrafo único do artigo 52. Comentários ao Código de Processo Civil. 245 . passa aos seus herdeiros”. O inciso II do artigo 487 confere legitimidade ativa ao terceiro juridicamente interessado. trata-se de ação de competência originária de tribunal.por “tribunal”. o próprio Título IX. É terceiro legitimado aquele não participou 65.. Volume III. quem foi parte no processo primitivo tem legitimidade para ajuizar a rescisória. Tal regra comporta exceção. 9ª ed. A propósito. 469 até 474. recebeu denominação didática. confere ao “Plenário” competência para “processar e julgar originariamente” “a ação rescisória de julgado do Tribunal”. mas. p. Do mesmo modo. nos casos de que trata este artigo. ainda que tenha sido réu revel65. Em primeiro lugar. e tirando as hipóteses excepcionais marcadas pela inexistência de juízo rescisório. Os textos constitucional e codificado revelam que as cortes de segundo grau têm competência para processar e julgar as ações rescisórias dos julgados proferidos pelos juízes de primeiro grau. Por fim. “cabe ao confitente o direito de propor a ação. Já ao Superior Tribunal de Justiça compete processar e julgar originariamente apenas as ações rescisórias dos julgados do próprio tribunal. assim como das próprias decisões. o sucessor da parte a título universal ou singular também tem legitimidade ativa. o mesmo tribunal que tem competência para o juízo rescindendo também é o competente para proferir o iudicium rescissorium. Em síntese. 9. alínea “c”. lEgITImIDADE O artigo 487 do Código de Processo Civil traz o rol dos legitimados à propositura de ação rescisória. no qual o Capítulo IV da rescisória está inserto. De acordo: CALMON DE PASSOS. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo. Aliás. o Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar originariamente tão-somente as ações rescisórias dos julgados da própria Corte Suprema.

tais como: o adquirente. Manual. 487. 420. ainda que indiretamente67. O labirinto da ação rescisória. vale a pena conferir a didática lição do Professor SÉRGIO GILBERTO PORTO: “Por terceiro juridicamente interessado entenda-se aquele que é titular de relação jurídica que. 1999. JOSÉ RIBAMAR MORAES. A propósito. 90. § 2º. tal como. merece ser prestigiado o seguinte precedente jurisprudencial: “Ação Rescisória — Legitimidade ativa ad causam. 69. os herdeiros. Em sentido semelhante: JOSÉ FREDERICO MARQUES. 169. mas foi prejudicado do ponto de vista jurídico pelo decisum nele proferido. tem legitimidade ativa ad causam para propor ação rescisória contra sentença que declarou a autofalência da referida empresa. o espólio. o adquirente e o cessionário também têm legitimidade para ajuizar ação rescisória69. 260. o substituído. 67. sem prévia autorização da assembléia geral. parágrafo único. o sócio da sociedade. p. À luz do § 2º do artigo 42. 1975. têm legitimidade processual para propor ação rescisória. Volume VI. Volume II. Ad exemplum. 69. 299). 68. 7ª ed. Volume I. O sócio majoritário da empresa. c/c o art. venha a ser atingido pela sentença rescindenda. p. p. e VICENTE GRECO FILHO. contra o locatário” (Comentários. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA.627/40. p. ‘i’. é possível que terceiros interessados. NERY JUNIOR. Comentários ao Código de Processo Civil. Por fim. 1998. que não foi parte no processo e o substituto processual. quando a empresa já tiver sido extinta. 1998. 66. p. Então. p. que não foi parte em processo falimentar. Código de Processo Civil comentado. II do CPC e arts. 4ª ed. o cessionário. p. comentário 16. direta ou reflexamente. 248. 42. Volume III. têm legitimidade ativa na condição de terceiro prejudicado os que poderiam ter ingressado no processo primitivo como assistente — simples ou litisconsorcial — e litisconsorte68. e JOSÉ FREDERICO MARQUES. Volume III. evidentemente. 487. 61. 6ª ed. Manual de Direito Processual Civil. 87. Com a mesma opinião: JOSÉ RIBAMAR MORAES. III. Negativa de vigência aos arts. já que atingido diretamente pela coisa julgada formada no processo primitivo que teve como parte o substituto processual70. 246 . p. 5. não há como negar a legitimatio ad causam do terceiro prejudicado por julgado proferido em processo simulado71.. 1996. 2000. 94 e 105 do DL 2. Igualmente tem legitimidade na qualidade de terceiro o substituído processualmente nos termos do artigo 6º. 70. Manual. por exemplo. II... ERNANE FIDÉLIS. na dicção do art. 1975.. Volume V. Rescisória. Direito Processual Civil brasileiro. RE conhecido e provido”. p. reforçado pelo § º. II.do processo originário66. 11ª ed. 5: “Excluindo-se as partes. O labirinto da ação rescisória. o sublocatário na ação de despejo promovida. Com a mesma opinião: CALMON DE PASSOS. p. 71. conforme se infere dos artigos 167 e 168 do Código Civil de 2002. do CPC”.

p.Resta examinar o inciso III do artigo 487 do Código de Processo Civil. p. 1996. É o que se depreende do artigo 168 do Código Civil de 2002. JOSÉ FREDERICO MARQUES. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. artigo 82 do Código) exigir a intervenção ministerial. Volume V.. DO CPC. o parquet tem igual legitimidade ativa como custos legis. prevalece a orientação jurisprudencial de que são apenas exemplificativas as hipóteses previstas no inciso III do artigo 487. deve ser citado como litisconsorte passivo necessário na ação rescisória daquele julgado. uma vez que traduzem hipóteses meramente exemplificativas”7. Ainda em sentido semelhante. Com efeito. Assim. p. 1998.. AS HIPÓTESES SÃO MERAMENTE EXEMPLIFICATIVAS. o Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação rescisória. Resolução n. e VICENTE GRECO FILHO. Por força da alínea “a” do inciso III do artigo 487. Comentários. No tocante à legitimidade passiva. a regra é a de que quem figurou como parte no processo originário também deve participar do processo da ação rescisória74. o decisum prolatado em processo simulado também pode ser alvo de rescisória movida pelo Ministério Público72. Não é só. ainda que não tenha sido parte no processo que deu origem à decisão rescindenda. Manual. 2ª ed. 74. o que enseja o ajuizamento da ação rescisória com esteio no inciso I do artigo 487. Manual. 259. Em sentido semelhante. p. Volume III. BARBOSA MOREIRA. não está limitada às alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso III do art. 21. O Ministério Público também tem legitimidade para propor ação rescisória quando o julgado resulta de colusão entre as partes para fraudar a lei. 72. na esteira dos artigos 105 e 146 do antigo Código Civil de 1916. além da legitimidade como parte. 407 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. III. Direito. 11ª ed. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. com maior autoridade: JOSÉ FREDERICO MARQUES. O marido. a fim de desconstituir julgado proferido em processo que não teve a participação do parquet. Volume II. CITAÇÃO. todos aqueles que participaram da relação 247 . Lições. Eis o enunciado n. 172 e 17. na jurisprudência: “AR. Volume II. 265. 1975. 17. Além do julgado proferido em processo fraudulento. 420. consoante o disposto na letra “b” do inciso III. LEGITIMIDADE ad causaM PREVISTA NO ART. 487. 1975. 487 do CPC.. 7ª ed. réu na ação anulatória de venda de bem imóvel. 7. p. LITISCONSORTE NECESSÁRIO. Volume III. De acordo. Cf. A legitimidade ad causam do Ministério Público para propor ação rescisória. MINISTÉRIO PÚBLICO. Em síntese. 1999. apesar de a lei (verbi gratia. o que também permite a propositura da ação com fulcro no inciso III. ‘A’ E ‘B’.

984-22/00 e reedições e o artigo 273. 2001. 234 do extinto TFR que. 24 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe medida cautelar em ação rescisória para obstar os efeitos da coisa julgada”. A primeira introduziu o instituto da tutela antecipada em nosso direito.212: “Será cabível a concessão de liminar nas ações rescisórias e revisional. e REsp 162. número . para suspender a execução do julgado rescindendo ou revisando. reputava como inadmissível a suspensão dos efeitos da coisa julgada via medida cautelar preparatória de ação rescisória. primeira parte. 75. Com efeito. Precedentes citados: AR 2. como litisconsortes necessários.069/DF. 8. Diário da Justiça de 29 de agosto de 1994. 266. não é compatível com a moderna leitura da dicção do ordenamento processual” (MC n. 24 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos está ultrapassada75. Em idêntico sentido: “A Súm.009-PR. Tanto que hoje é possível afirmar que a orientação consolidada no enunciado n. por muitos anos prevaleceu na jurisprudência a orientação consubstanciada no enunciado n. respectivamente. 689. DJ 3/5/2004. n.952 e 9. 248 . 405 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I — Em face do que dispõe a MP 1. do CPC. 2). e 489. A segunda acrescentou o seguinte parágrafo único ao artigo 71 da Lei n. a propositura de ação rescisória não impede a execução definitiva do julgado rescindendo. Em seguida. com nova redação ao artigo 27 do Código de Processo Civil. 66/CE. consoante o disposto nos artigos 475-I. Houve. § 1º. Informativo de Jurisprudência STJ. Instituto dos Magistrados do Distrito Federal. do Código de Processo Civil vigente. especialmente após o advento das Leis 8. de 1994 e 1995. primeira parte. AçãO RESCISÓRIA E ExECUçãO DO JUlgADO RESCINDENDO O ajuizamento de ação rescisória não tem o condão de retirar a eficácia do julgado rescindendo. Tutelas de urgência nos tribunais. A propósito. 16. DJ 24/8/1998” (REsp n. 46860). Ano 1. outrora. O Magistrado. p. não obstante.10. merece ser prestigiado o inciso I do recente enunciado n. para a ação rescisória sob pena de nulidade. 4ª Turma do STJ. p. À luz da literalidade do anterior artigo 489 do Código de Processo Civil original de 197.21/DF. p. é cabível o pleito liminar formulado na petição inicial de processual da ação em que se proferiu o acórdão rescindendo devem ser citados. em caso de fraude ou erro material comprovado”. importante evolução jurisprudencial. § 7º. a doutrina e a jurisprudência passaram a sustentar a admissibilidade da suspensão da execução via decisão jurisdicional. Com a mesma opinião: ELIANA CALMON.02.

81. que desencadeia um processo de conhecimento do qual o cautelar. Defendo a admissibilidade de cautelar para suspensão da execução. p. julgado em 249 . 6ª ed. À luz do novo artigo 27 do Código de Processo Civil. 4ª ed. 2002. formou-se respeitável corrente doutrinária e jurisprudencial em favor do instituto da tutela antecipada77. 6ª ed. JOSÉ RIBAMAR MORAES. Com efeito. Sob outro enfoque. p.47/SP. Comentários. visando a suspender a execução da decisão rescindenda”76. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. O processo civil brasileiro. no entanto. e SERGIO BERMUDES. Ação rescisória. BRUNO NOURA DE MORAES RÊGO. instituída a fim de assegurar a eficácia prática da providência jurisdicional demandada. n. Suplemento. na doutrina: BRUNO FREIRE E SILVA. Pleno do STF. especialmente a parcial. e AR n. preparatório ou incidente.. p. Comentários. o artigo 27 não proíbe a antecipação da tutela em ação rescisória. A antecipação da tutela na ação rescisória. 120 e 121. p. inclusive na ação rescisória. Manual.. GALENO LACERDA. 1. 5774. Conferir. comentário .42/PB. p. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. 2005. à concessão de medida cautelar. ª ed.. LUCIANA DINIZ NEPOMUCENO. Boletim da AASP. ERNANE FIDÉLIS. 76. há na doutrina e na jurisprudência entendimento em prol da admissibilidade de ação cautelar para obstar a execução do julgado rescindendo79. p. 1999. 12: “Não obsta. Diário da Justiça de 27 de março de 2000. p. 29 usque . 10. na jurisprudência: Petição n. Assim. já que proposta antes do ajuizamento da principal: ação rescisória. 12. a discussão passou a residir na via processual adequada para a obtenção da paralisação da execução do julgado rescindendo: a) requerimento de antecipação de tutela na própria ação rescisória. Ação rescisória. Ação rescisória. 1999. REsp n. 1994.ação rescisória ou na fase recursal. 127. 5 usque 8. No mesmo sentido. p. 954. julgado em 19 de abril de 2001. na jurisprudência: REsp n. comentário 17. existe corrente igualmente abalizada que sustenta a adequação da cautelar. 612 e 61. Cf.027. p. 6 do 9º Encontro dos Tribunais de Alçada: “É cabível a concessão de tutela na ação rescisória. visando à suspensão dos efeitos práticos da sentença rescindenda”78. apenas para sustar a execução do julgado rescindendo. 17. 2007. noticiado no Informativo de Jurisprudência STJ. 1998. Com efeito. 11 e 115. Resolução n..529/PI. 150. e p. 911/MG — AgRg. Volume VIII. 750. 1998. 78. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. especialmente a antecedente. Tomo VI. p. p. p. Assim. 177 e 178. também chamada de preparatória. é fâmulo”. 1999. número 92. Cf. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. 2ª Turma do STJ. 2. 77. Código. O labirinto da ação rescisória. É a orientação predominante e que restou consolidada na conclusão n. 79. Volume I. ou b) ação cautelar. Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997. 4ª Turma do STJ.

vale a pena conferir o excelente trabalho de autoria do Professor ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. sim em decorrência do momento de seu deferimento” (CALMON DE PASSOS.766/SP. 51. p. “Pode-se falar. 75 usque 109). 25). numa ação cautelar..952 e 9. “Outrossim. o que pode ocorrer sem citação do réu ou com sua ciência para acompanhar a justificação exigida para apreciação da liminar“. p. 7). Ainda sobre as diferenças entre a tutela antecipada e a tutela cautelar. que (a) toda liminar é antecipatória de tutela. A tutela cautelar pode igualmente ser liminar. Por conseguinte. a antecipação da tutela in initio litis configura provimento liminar. não é liminar em função do seu conteúdo. e REsp n. em 1994. Realmente. 214: “Cabe medida cautelar em ação rescisória para atribuição de efeito suspensivo à sentença rescindenda”. de 1995. antes de efetivado o contraditório. A respeito das diferenças entre a tutela antecipada. julgado em 12 de junho de 2001. A tutela cautelar tem como característica essencial a preservação do resultado útil do processo principal. Volume III. É liminar o provimento lançado in limine litis81. cautelares e liminares. Comentários. como liminar que se configura como verdadeira antecipação da tutela”. em verdade antecipa-se a providência cautelar” (CALMON DE PASSOS. Petição n. 9ª ed.4/ES. ª Turma do STJ. 9ª ed. De acordo: “Liminar é o nome que damos a toda providência judicial determinada ou deferida initio litis. 2004. 2. Mas a tutela antecipada também pode ser ulterior.. p. vale a pena conferir os didáticos ensinamentos do Professor HUMBERTO THEODORO JÚNIOR (O processo civil brasileiro.02 que permitiram o afastamento da orientação consubstanciada no antigo enunciado n. ou não82. assim. 1ª Turma do STF. pois foram as Leis 8. cautelares e liminares80. intitulado Breves notas sobre provimentos antecipatórios. 1999. 81. (b) nem toda antecipação de tutela é liminar. e (c) a antecipação de tutela pode ser ou não cautelar” (ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. Então. 7 e 74). 82. 24 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos. Já o segundo. número 22. pois. portanto. p. Breves notas. Volume III. isto é. O instituto da tutela antecipada é marcado pelo adiantamento do provimento jurisdicional que o magistrado vislumbra como o provável ao final do processo. 1999. “Ficou visto. Já o vocábulo “liminar” diz respeito ao momento da prestação jurisdicional. de liminar de natureza cautelar. publicado nos justos Estudos de direito processual civil em memória de LUIZ MACHADO GUIMARÃES. 80. a tutela cautelar e a liminar. quando perde o caráter de liminar. Diário da Justiça de 26 de agosto de 2002. 2004. O primeiro diploma instituiu a antecipação da tutela.A solução do problema da via processual adequada depende do estudo — ainda que perfunctório — dos provimentos antecipatórios. permitiu a concessão de “liminar” para suspender a execução de julgado impugnado via ação rescisória. Informativo STF. “as medidas cautelares têm presente a 250 . quando liminarmente se defere a medida. “A liminar. Comentários. o termo “liminar” inserto no novo pa- 17 de setembro de 1997. p.

8. 2000. só seria obtida com a sentença no processo cautelar” (WILLIAM SANTOS FERREIRA. p. no entanto. Após sustentar a “possibilidade de medida cautelar inominada para suspensão da execução”. da Constituição Federal. Se é certo que os dois institutos não podem ser confundidos8. 1998. o das medidas urgentes” (REsp n. 251 . 202. O exemplo é de autoria do Professor ERNANE FIDÉLIS. ª Turma do STJ. A carga antecipatória é revelada pelo parcial adiantamento de conseqüência importante da procedência da rescisória. conceitos que não podem ser tratados como absolutamente distintos. pois a única preocupação do legislador foi instituir um provimento “liminar nas ações rescisórias” “para suspender a execução do julgado rescindendo”. com os artigos 154. diversamente. Trata-se. 11). por exemplo. Na prática forense. de duas categorias pertencentes a um só gênero. Diário da Justiça de 7 de junho de 2004. 6ª ed. p. 244 e 805 do Código de Processo Civil reforça a conclusão de que o periculum in mora ocasionado pela execução definitiva do decisum pode ser amparado tanto por meio de tutela antecipada como via ação cautelar. p. sem suspensão da execução?” (Manual.212 não esclarece se a suspensão da execução do julgado rescindendo deve ser objeto de requerimento de antecipação de tutela na própria ação rescisória ou de ação cautelar. daí normalmente verificar-se a concessão de uma liminar que nada mais é do que uma antecipação de cautela que.. 8. a rescisória de sentença que determinasse a demolição de prédio. qual seja.02 parece permitir as duas soluções. pelo seu trâmite normal. A combinação do artigo 5º. é a existência das cargas antecipatória e cautelar no provimento jurisdicional de suspensão da execução do julgado impugnado pela rescisória que explica a divergência doutrinária e jurispru- preocupação com a urgência. “nem sempre é fácil distinguir se o que o autor pretende é tutela antecipada ou medida cautelar. obstar a execução do julgado rescindendo. Imagine-se a hipótese de a ação rescisória ter como alvo sentença de procedência proferida em ação demolitória84. parece ser igualmente correto afirmar que o provimento jurisdicional de suspensão da execução do julgado rescindendo possui cargas antecipatória e cautelar.740/PB. 612 e 61). Com efeito. 84. 9. nada impede a prolação do referido provimento liminar em virtude de requerimento de antecipação da tutela rescindenda e via ação cautelar. Aliás. Portanto. inciso XXXV. lança a seguinte pergunta: “De que adiantaria. A carga cautelar é revelada pela preservação da utilidade do processo principal da rescisória. Tutela. o artigo 2º da Lei n. Volume I.rágrafo único do artigo 71 da Lei n. 215).

O processo civil brasileiro. como assentou o Tribunal Superior do Trabalho no enunciado n. Mas a interessante discussão acerca do meio processual mais adequado à luz da carga predominante não deve comprometer um valor que ambos os institutos buscam proteger: o perigo da demora85. a qual acrescentou o § 7º ao artigo 27 do Código de Processo Civil. ou mais precisamente. será recebido como medida acautelatória em ação rescisória.984-22/00 e reedições e o artigo 273. 2006. bastando formular simples requerimento de medida cautelar ao relator da ação rescisória” (RODRIGO DA CUNHA LIMA FREIRE. com o advento da Lei n. 50). passou a ser admissível a concessão de tutela cautelar no bojo do próprio processo de conhecimento. de 2002. 91 usque 95: “Ao aplicador da lei processual incumbe. em nada contribuem para a implementação das metas instrumentais do moderno direito processual. 85. a Lei n. 10. não precisará ajuizar uma ação cautelar autônoma perante o tribunal. visando a suspender a execução da decisão rescindenda. cada vez menos voltado para o dogmatismo e cada vez mais preocupado com os resultados práticos capazes de criar nesse limiar de um novo século um processo que mereça. na doutrina: “Vale ressaltar que. Sem dúvida.444. preceito originalmente destinado ao instituto da antecipação de tutela. realmente. de um processo justo”. Volume I. 252 . 1999. vítima de discussões acadêmicas que acabam contaminando a prestação jurisdicional. formulado nas mesmas condições. Tal evolução legislativa parece estar relacionada com a preocupação dos excessos teóricos na separação das tutelas de urgência. LIMINAR. o epíteto do devido processo legal.dencial que envolve a via processual. p. Com a mesma opinião. caso a parte opte pela tutela cautelar — esse é um caso em que a distinção entre a tutela cautelar e a tutela antecipada é meramente acadêmica. Também em sentido semelhante. esforçar-se para fugir de tecnicismos estéreis na separação dos terrenos da tutela cautelar genérica e da antecipação de tutela. por não se admitir tutela antecipada em sede de ação rescisória”. I — Em face do que dispõe a MP 1. então. Tutela de urgência na ação rescisória. Reforma do CPC. p. Em reforço. com notório prejuízo para o jurisdicionado. II — O pedido de antecipação de tutela. é cabível o pleito liminar formulado na petição inicial de ação rescisória ou na fase recursal. se podem satisfazer vaidades acadêmicas.444 reforçou a tese da fungibilidade das tutelas de urgência. que. 10. 405 da Súmula da Corte: “AÇÃO RESCISÓRIA. ainda na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. porque ambas produzem rigorosamente o mesmo efeito —. § 7º. em prol da efetividade da prestação jurisdicional. do CPC. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA.

§ 7º. alterado pelas Leis n.444 e 11. Cabimento. ainda na jurisprudência: REsp n. p. p. diploma que conferiu nova redação ao artigo 489 do Código de Processo Civil86. tanto o pleito de antecipação de tutela quanto o pedido cautelar in limine litis podem ser decididos pelo relator da ação rescisória. ambos do Código de Processo Civil. 214). no prazo de cinco dias. 11. ‘Fungibilidade’ das medidas urgentes. Interpretação controvertida nos Tribunais — Cabe medida cautelar em ação rescisória para atribuição de efeito suspensivo à sentença rescindenda — Se o autor. de 2006. Fumus boni iuris. Inocorrência. de 2002 e 2006. 89. e 489. Também denominada preparatória. ª Turma do STJ. Em sentido semelhante. 10. Diário da Justiça de 26 de agosto de 2002. mediante decisão monocrática. a qual pode ser impugnada por meio de agravo interno (ou regimental). Violação a literal disposição de lei. é possível concluir pela admissibilidade da suspensão da execução do decisum rescindendo por meio de requerimento de tutela antecipada na própria ação rescisória como também via ação cautelar87. a título de antecipação de tutela requer providência de natureza cautelar. 202. Volume VI. ª Turma do STJ.740/PB. Também em sentido conforme. Reforma infraconstitucional do processo civil. 111). permitindo a suspensão da execução do julgado rescindendo tanto por meio de requerimento de tutela antecipada como via ação cautelar: SÉRGIO GILBERTO PORTO. 489 do CPC apenas incorpora ao ordenamento jurídico positivo o entendimento dominante na jurisprudência quanto à possibilidade de concessão de medidas de urgência concomitantes com o ajuizamento de demanda rescisória. deferir a medida cautelar em caráter incidental no processo ajuizado. 215. é importante registrar que a fungibilidade89 entre as tutelas de urgência restou consagrada nos artigos 27. 2000. 66 usque 68. pelo que não nos parece haver óbice a sua aprovação” (Exposição de Motivos do Ministro da Justiça. 25 . 51.766/ SP. Tutela antecipatória para conferir efeito suspensivo à sentença rescindenda. na jurisprudência: “Processual Civil. Por tudo. Diário da Justiça de 7 de junho de 2004. Com o mesmo entendimento defendido no texto. “8. Volume 4. em atendimento ao princípio da economia processual” (REsp n. p. ou seja. especialmente a antecedente88. 87.Com o advento da Lei n. houve a adoção da tese de que a execução do julgado rescindendo pode ser suspensa tanto em virtude de pedido de antecipação da tutela quanto em cautelar. A nova redação apresentada ao art. Em reforço. 88. respectivamente.280. cujo pleito pode ser feito de forma incidental ou mediante ação cautelar antecedente à rescisória. 2005. p. Comentários. presentes os respectivos pressupostos.280. pode o juiz. endereçado ao próprio relator. Por fim. Ação rescisória. para o juízo de retratação ou a apresentação do agravo na mesa 86.

§ 7º. o valor da causa deve ser proporcional. câmaras reunidas. com as redações conferidas pelas Leis 10. que o relator submeta o pedido ao órgão colegiado competente. o novo julgamento da causa primitiva (pedido rescisório). por fim. ao invés do valor atualizado da causa primitiva. ex vi dos novos artigos 27. inciso V.280. o autor deve indicar o valor da causa na petição inicial da ação rescisória. o autor também pode formular o pedido de imediato sobrestamento daquela (execução) no bojo da própria petição inicial da ação rescisória. Na ausência do relator (por exemplo. respectivamente. o autor pode requerer a tutela de urgência tanto antes (por meio de cautelar antecedente) quanto no bojo da própria inicial da ação rescisória. quando a ação rescisória não alcança todas as ações solucionadas no decisum anterior. Na falta também do revisor. órgão especial ou plenário. conforme estabelece o inciso I do artigo 488. quando a rescisória tem como alvo apenas parte do julgado proferido 254 . Com efeito. e 488. 11.444 e 11. Com efeito. Na verdade. da qual a rescisória será a ação principal. a petição inicial da ação rescisória deve ser elaborada com a observância do disposto no artigo 282. grupo de câmaras. compete ao presidente do tribunal. ambos do Código de Processo Civil. pROCEDImENTO DA AçãO RESCISÓRIA À vista do artigo 488 do Código de Processo Civil. com correção monetária na data da inicial”. o autor da rescisória pode formular pedido de antecipação — parcial — da tutela para suspender a execução do julgado rescindendo liminarmente já na petição inicial da rescisória. caso não ainda esteja em condições de ajuizar desde logo a rescisória. se for o caso. na primeira sessão subseqüente à conclusão dos autos do processo da ação rescisória. antecedente). e 489. bem como pode ajuizar prévia ação cautelar preparatória (rectius. A regra é a de que o valor da ação rescisória é o atualizado atribuído à causa primitiva. o autor deve.do órgão colegiado competente indicado no regimento interno do respectivo tribunal (seção. férias. cabe ao revisor da ação rescisória decidir o pedido de imediata suspensão da execução do julgado rescindendo. licença). além da rescisão do julgado impugnado (pedido rescindente). Porém. É o que revela a seguinte conclusão do 7º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “O valor da causa na ação rescisória é o mesmo da ação originária. Se a execução do julgado rescindendo causar lesão grave e de difícil reparação. requerer. Nada impede. Ao formular o pedido. conforme o caso). como ocorre de regra. Por força dos artigos 282.

2 — O valor da causa na ação rescisória é. 92. bem como do 90. O labirinto da ação rescisória. o valor da causa não deve ser mera atualização do inserto na primitiva petição inicial90. entretanto. Agravo regimental. Com a mesma opinião: EDSON PRATA. a importância equivalente a cinco por cento sobre o valor da causa deve ser recolhida in limine litis. 255 . basta a “procuração geral para o foro”. 1986. 9. mas apenas uma parte. cujo voto foi prestigiado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e restou sintetizado na seguinte ementa: “1 — Ação rescisória. Volume I. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 198). inciso I. são isentas de custas e emolumentos e demais taxas judiciárias. a teor do parágrafo único do artigo 488. Entretanto. de regra. pode ocorrer. 99 e 192: “Conforme se passa com a rescisória no cível. há autorizada doutrina: COQUEIJO COSTA. os Municípios e o Ministério Público estão livres do depósito. os Estados. devendo o valor corresponder apenas a esta parte”. Aliás. que o autor não busque desconstituir integralmente a sentença rescindenda. 17. 4ª ed. A petição inicial da ação rescisória deve ser subscrita por advogado. 91. todos do Código de Processo Civil. 1987. o valor da causa na ação rescisória de um modo geral deve ser o mesmo da ação originária.. a regra do valor da causa originária como referência para a ação rescisória não é absoluta e pode ser objeto de impugnação ao valor da causa91. cuja decisão deseja o autor desconstituir. Todavia. as autarquias e fundações federais igualmente estão isentas do depósito prévio e até mesmo da própria multa na ação rescisória. sob pena de indeferimento da petição inicial — desde que o autor não comprove o recolhimento no decêndio para a emenda da inicial. 26: “Todavia. Em suma. na prática. Ação rescisória. Com outra opinião. Impugnação ao valor da causa. inciso I e parágrafo único. já que não existe tal restrição no artigo 8 do Código. suas autarquias e fundações.no processo originário. A propósito da regra e também da possibilidade de exceção. p. vale a pena conferir acórdão da relatoria do Ministro ALFREDO BUZAID. 295. o valor da ação. conforme revela o artigo 24-A da Lei n. ainda que a rescisória vise apenas a um dos capítulos da decisão rescindenda”. a União. 1.028: “A União. cujo aresto se pretende rescindir” (AR n. É o que se infere da combinação dos artigos 6. e 490. conforme revela o proêmio do artigo 8.112/SP — AgRg. inciso VI. p. Porém. 9. Sem dúvida. Em sentido semelhante: JOSÉ RIBAMAR MORAES. Comentários ao Código de Processo Civil. o Distrito Federal. p. O autor deve instruir a petição inicial com a guia do depósito da verba exigida no inciso II do artigo 488. Com efeito. a União. não há necessidade de poder especial na procuração para a propositura da ação rescisória92. o valor da causa é o da ação cuja sentença se quer desconstituir.

1. prevalece a regra de que a petição inicial deve estar acompanhada da guia reveladora do pagamento do depósito de cinco por cento. entretanto. o instrumento de mandato outorgado ao advogado subscritor da petição inicial também deve acompanhá-la. 11. o autor deve protocolizar. É possível. Além do pagamento imediato dos 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa a título de multa processual destinada ao réu em caso de julgamento unânime de inadmissibilidade da ação rescisória ou de improcedência do pedido rescindendo. merece ser prestigiado o enunciado n. e no prazo previsto na legislação pertinente. nos termos do parágrafo único do artigo 488. segundo as quais o autor deve instruir a petição inicial com a guia comprobatória do recolhimento das custas previstas no inciso II da Tabela “B” (ou 256 . quando exigidas. O particular sob o pálio da assistência judiciária também está dispensado do recolhimento da verba prevista no inciso II do artigo 488. de 2008. da respectiva Resolução de Custas do Supremo Tribunal Federal. 108 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “A gratuidade de justiça abrange o depósito na ação rescisória”.66. petição avulsa acompanhada da guia comprobatória do recolhimento das custas iniciais. consoante o disposto no artigo 28 do Código de Processo Civil. caso não apresente desde logo com a petição inicial da ação rescisória. 175 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Descabe o depósito prévio nas ações rescisórias propostas pelo INSS”. o autor também deve efetuar o recolhimento e a respectiva demonstração das custas iniciais. No Supremo Tribunal Federal. 299 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É indispensável ao processamento da demanda rescisória a prova do trânsito em julgado da decisão rescindenda”. merece ser prestigiada a orientação consubstanciada no proêmio do verbete n. vale dizer. No que tange ao Superior Tribunal de Justiça. conforme o caput do próprio artigo 7. No mais. A certidão comprobatória do trânsito em julgado do decisum rescindendo e a certidão de inteiro teor ou fotocópia do julgado impugnado são documentos que devem acompanhar a petição inicial da rescisória. incidem a Lei n. em quaisquer foros e instâncias”. a apresentação posterior da procuração. A petição inicial também deve ser instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. e a Resolução n. item III. A propósito. Por fim. Reforça o enunciado n. É o que se infere do artigo 59. fora das hipóteses de dispensa estudadas. tendo em vista o disposto no artigo 7 do Código de Processo Civil. do Regimento Interno de 1980.depósito prévio e multa em ação rescisória. dentro do decêndio posterior ao protocolo da inicial. A propósito. combinado com a Tabela “B”. de 2007. inciso II.

É o que se depreende do disposto no artigo 490. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Havendo irregularidade sanável. que deve verificar desde logo a regularidade da petição inicial. 11. A distribuição segue o disposto no artigo 548 do Código e nos artigos 76 e 77. que exclui apenas o relator primitivo. Após. nos termos do artigo 284 do Código de Processo Civil.66). Feita a distribuição. o relator deve conceder ao autor dez dias para que emende a petição inicial. a necessidade do pagamento de custas iniciais na ação rescisória. Diante da ausência ou da insuficiência do depósito exigido pelo inciso II do artigo 488. ressalvada a existência de preceito regimental específico em sentido contrário. Por força dos artigos 126 e 548 do Código de Processo Civil e dos preceitos do Regimento Interno de 1980. 257 .seja. Por oportuno. Em seguida. 299 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Verificando o relator que a parte interessada não juntou à inicial o documento comprobatório. consoante o disposto no artigo 547 do Código de Processo Civil. a petição inicial deve ser indeferida pelo próprio relator. caput. salvo disposição em contrário no respectivo regimento interno. como as leis de custas e os regimentos internos dos tribunais. Não sendo sanado o vício pelo autor. R$ 200. a regra parece ser a da exclusão do relator e do revisor originários da distribuição da ação rescisória. É o que ocorre no Superior Tribunal de Justiça. os magistrados que atuaram como relator e revisor no processo primitivo devem ser excluídos da distribuição das ações rescisórias em geral. Em suma. bem como o prazo para a demonstração do respectivo recolhimento são fixados na legislação pertinente.00). sob pena de indeferimento”. artigos 2º. no momento da distribuição da ação rescisória (cf. 5º e 9º da Lei n. como o artigo 28 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. autuação e distribuição do tribunal competente. A petição inicial da ação rescisória deve ser apresentada na seção de registro. ocorre o registro e a autuação. abrirá prazo de 10 (dez) dias para que o faça. a ação rescisória é distribuída. vale a pena conferir o artigo 28 do Regimento do Superior Tribunal de Justiça: “À distribuição da ação rescisória não concorrerá o Ministro que houver servido como relator do acórdão rescindendo”. É o que também estabelece a segunda parte do preciso enunciado n. os autos sobem à conclusão do relator. Em síntese. é igualmente necessária a intimação do autor para regularizar a petição inicial no decêndio do artigo 284. cujo Regimento Interno contém preceito específico excluindo da distribuição da ação rescisória apenas o ministro que atuou como relator no processo originário.

atribuindo correta qualificação jurídica às razões expostas na inicial. Se a petição inicial estiver em ordem. Consoante o artigo 9 da Lei n. em cinco dias. Causa de pedir. p. Enquadramento legal. 284. para finalizar. Também em sentido conforme. cabe ao relator proferir decisão monocrática de indeferimento da petição inicial. 258 . Em tópico destinado ao princípio iura novit curia. deduz como causae petendi circunstâncias fáticas que encontram correspondência normativa na disciplina dos incisos V e IX. o relator também deve determinar a emenda da petição inicial da ação rescisória sem pedido específico de novo julgamento da causa primitiva. Não importa. que raciocínio análogo aplica-se à ação rescisória. IV — O que não se admite é o decreto de procedência estribado em fundamentos distintos dos alinhados na peça vestibular” (REsp n. nada obsta que o julgador. 485 do Código de Processo Civil”. Resta saber se a petição inicial com irregularidade no enquadramento dos fatos narrados às hipóteses de rescindibilidade previstos nos incisos do artigo 485 é inepta e deve ser indeferida pelo relator. No mesmo sentido. o relator deve determinar a citação do réu.Por força dos artigos 282. Tudo indica que não. quando indispensável o iudicium rescissorium. I — Os brocardos jurídicos iura novit curia e da mihi factum dabo tibi ius são aplicáveis às ações rescisórias. oportunidade na qual estabelece o prazo para a apresentação 9. a decisão monocrática de indeferimento da petição inicial da ação rescisória pode ser impugnada por meio de agravo regimental (melhor dito. entretanto. Se os fatos estão devidamente esclarecidos na petição inicial e permitem a incidência de algum permissivo de rescindibilidade que não foi evocado pelo autor.08. na jurisprudência: “Processo civil. embora fazendo menção aos incisos III e VI do art.958/SP. 488. p. incumbindo ao juiz conferir-lhes adequado enquadramento legal. 189. CPC. dabo tibi ius e iura novit curia9. Recurso desacolhido. Já a petição inicial contaminada por vício insanável deve ser indeferida desde logo pelo relator. A interposição de apelação contra a decisão monocrática indeferitória da inicial configura erro inescusável. inciso IV. II — Ao autor cumpre precisar os fatos que autorizam a concessão da providência jurídica reclamada. nos termos dos artigos 295 e 495 do Código de Processo Civil. devem-se prestigiar os princípios da mihi factum. inciso I. 4ª Turma do STJ. ou deixado de invocar o inciso pertinente do art. agravo interno). 1991. e 490. Decorrido in albis o decêndio. tenha invocado erradamente. acolha a pretensão rescisória. III — Se o postulante. iura novit curia. Ação rescisória. 8. Recurso especial — Algumas questões de admissibilidade. o que impede o aproveitamento do recurso inadequado. 7. 1687). Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 199. na doutrina: EDUARDO RIBEIRO DE OLIVEIRA. 485. Se o autor pretende ter havido violação da lei deve indicá-la. concluiu o eminente Ministro: “Consigne-se. de 1990.

p. Diário da Justiça de 6 de agosto de 1990. Realmente. Diário da Justiça de 8 de outubro de 1982. dentre eles o previsto no artigo 491. Portanto. p. na jurisprudência: RE n. e AR n. 16. Contra. e AR n. A adoção da tese — em prol da aplicação do artigo 188 — conduz à inutilidade do artigo 491. º Grupo de Câmaras do 2º TACivSP. p. é admissível reconvenção.960-7/RJ. de quinze a até trinta dias. volume 104. Volume V. 4ª ed. AR 78. Também em sentido contrário. 95. na lei. RJTJSP. 45. o réu só pode ajuizar verdadeira ação rescisória reconvencional. sob pena de o prazo máximo previsto no artigo 491 poder ser ultrapassado. O labirinto da ação rescisória. parece não ser possível a incidência do artigo 191 do Código de Processo Civil95. não se presumem. Revista dos Tribunais. É que o artigo 188 não pode ser estendido aos prazos judiciais. Por oportuno. Há respeitável doutrina em sentido contrário: JOSÉ RIBAMAR MORAES. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. já que. 7ª ed. volume 547. em última análise. uma das justificativas para a possibilidade da fixação do prazo da contestação em trinta dias parece ser a existência de litisconsórcio passivo. consoante o proêmio do artigo 491 do Código de Processo Civil. 80. exceções e reconvenção).79. Comentários. Tudo indica que não94. 2ª Seção do STJ. volume 571. p. Ainda em matéria de resposta. se o relator já tem tal competência à luz das peculiaridades do caso concreto. 190. impugnação ao valor da causa. Código. 45. O labirinto da ação rescisória. Registre-se que o relator deve efetuar em relação à petição inicial da recon- 94. p. 4º Grupo de Câmaras do TJRJ. 19. p. comentário 1. não seria observado o prazo máximo de trinta dias nele fixado. 286. 67. Na verdade. 1ª Turma do STF. 177.528-2 — AgRg. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Também no mesmo sentido. 250/MT — AgRg. 94. Pelos mesmos motivos. Revista dos Tribunais..das respostas (contestação. segundo princípio de hermenêutica jurídica.. E. desde que o réu tenha como alvo capítulo do julgado rescindendo favorável ao autor. Com a mesma opinião. e NERY JUNIOR. 2º Grupo de Câmaras Civis do TJSP. 955. o eminente processualista defendeu a tese em acórdão do qual foi redator: AR n. 5º Grupo de Câmaras Civis do TJSP. Resta saber se o artigo 188 do Código alcança a contestação à ação rescisória. p. 259 . 1998. volume 60.018-1 — AgRg. palavras inúteis: verba cum effectu sunt accipienda. 90. nada justifica a duplicação do prazo para os litisconsortes com advogados diferentes. Revista dos Tribunais. na jurisprudência: AR n. pág. 1999.

Comentários. o réu ainda pode aviar as exceções de impedimento e suspeição. REsp n. o rito ordinário só é aplicável apenas no que for compatível com o instituto da rescisória. É imaginável a ocorrência de vícios em razão da matéria e da hierarquia. 98 da Súmula do Tribunal Superior 96. Por tal razão. O labirinto da ação rescisória. Com efeito. 192. do Código de Processo Civil. a ser suscitada como preliminar na contestação. inciso V e § º. o réu ainda pode apresentar impugnação ao valor da causa à luz do artigo 261 do Código de Processo Civil. Civ. Assim. p. 1998. p. Câmaras Cíveis Reunidas do TJMS.79. reforça o enunciado n.  e 7. Manual. 0: “A norma do art. 12566. Por tudo. Diário da Justiça de 22 de abril de 1996. não se aplica no juízo rescisório”. na literatura estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA. p.. onde se afirma que. 319 do C. p. 7ª ed. volume 256. já que a ação rescisória versa sobre direito indisponível. o inciso II do artigo 320. na doutrina pátria: BARBOSA MOREIRA. À luz da segunda parte do artigo 491 do Código de Processo Civil. Por fim. 167. agravo interno). e AR n. 2. 19. 16. consoante o disposto no artigo 267.596/RS. nos termos do artigo 490 do Código de Processo Civil. 1. Já a exceção de incompetência relativa parece ser de difícil ocorrência na ação rescisória. Também com a mesma opinião. Incide. a ausência de contestação à rescisória não gera a presunção — nem mesmo relativa — da veracidade dos fatos narrados na petição inicial96. Diário da Justiça de 5 de março de 1990. incontestada a ação. a coisa julgada é direito indisponível. com o cabimento de agravo regimental (ou agravo interno) contra a respectiva decisão monocrática proferida pelo relator. De acordo. 19/SP. Com efeito. tanto que enseja a apreciação oficial em qualquer grau de jurisdição. 1ª Seção do STJ. Também em relação às respostas possíveis. p.95. p. “no que couber”. ª Turma do STJ. deve ser observado o disposto nos capítulos destinados às “providências preliminares” e ao “julgamento conforme o estado do processo”. p. findo o prazo para a apresentação das respostas do réu. AR n. Revista Forense. Da aludida decisão monocrática também é cabível agravo regimental (melhor dito. em cinco dias. os fatos afirmados pelo autor reputar-se-ão verdadeiros. na jurisprudência: AR n. volume 571..venção o mesmo controle da petição inicial da ação rescisória principal. 260 . e JOSÉ RIBAMAR MORAES. Pr. ao contrário do que ocorre na maioria das ações. ao revés. Volume V. o relator pode proferir decisão de indeferimento liminar da petição inicial da ação reconvencional. Com efeito. que ocasionam a incompetência absoluta. 2000. Revista dos Tribunais. 286. º Grupo de Câmaras do 2º TACivSP. pois o artigo 19 e o inciso II do artigo 0 são incompatíveis com o instituto da rescisória.

70. O Ministério Público. Sendo necessária a produção de outras provas além das já carreadas aos autos. volume 246. CARLOS OCTAVIO DA VEIGA LIMA. a revelia não produz confissão na ação rescisória”. p. Volume III. p. Na ação rescisória. 19ª ed. 97. Assim sendo.do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. 261 . o relator pode delegar a juiz de primeiro de grau a competência para a respectiva instrução probatória. p. Rescisória. a secretaria do tribunal expedirá cópias autenticadas do relatório e as distribuirá entre os juízes que compuserem o tribunal competente para o julgamento”. IVAN DE HUGO SILVA. caput e parágrafo único. 259 e 264. 1997. e 262. conforme dispõe o artigo 55. AUSÊNCIA DE DEFESA. 1975. nos termos do artigo 549.. acobertado pelo manto da coisa julgada. Finda a instrução probatória. p. Curso. inciso III. é possível concluir que o parquet atua na ação rescisória no mínimo como custos legis. 1996. 1978.. O labirinto da ação rescisória. Revista Forense. 2ª ed. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. o que se ataca na ação é a sentença. Apresentado o parecer. cuja intervenção é obrigatória97. Após. e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública. Recursos. Porém. p. Direito. 429. cabe agravo interno para o colegiado contra a respectiva decisão monocrática. A interpretação do artigo 10 conduz à resposta afirmativa. 29. p. os autos são remetidos ao Ministério Público. Volume II. Não é demais lembrar que a delegação de atos instrutórios a juiz a quo configura faculdade atribuída ao relator da ação rescisória. É o que revela o artigo 49 do Código de Processo Civil. No prazo fixado pelo relator à luz do artigo 492. ato oficial do Estado. já que também pode intervir como parte. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. e VICENTE GRECO FILHO. do Código de Processo Civil. 6. inciso X. Volume I. 651. 252. combinado com os artigos 52. INAPLICÁVEIS OS EFEITOS DA REVELIA. JOSÉ RIBAMAR MORAES. p. conforme o disposto no parágrafo único do artigo 261 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Aide. Resta saber se o relator pode determinar de ofício a produção de provas que entender necessárias. reforçado pelo artigo 262 do Regimento Interno de 1980. 11ª ed. “Devolvidos os autos pelo relator. De acordo: CALMON DE PASSOS.. Manual. do Código de Processo Civil. o juiz de primeiro grau deve determinar a remessa dos autos ao tribunal. cada uma das partes tem dez dias para a apresentação de razões finais. Em suma. o relator lança o relatório nos autos. JOSÉ FREDERICO MARQUES. É o que se infere do artigo 82.

252 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. até mesmo — e especialmente — ao relator da ação rescisória. completar ou retificar o relatório. inciso I. A teor do artigo 6º. por turma ou pelo Pleno da própria Corte Suprema. ocorre a publicação no órgão oficial de imprensa. pede dia para julgamento (cf. do Código). Por fim. após a revisão do relatório.sugerir ao Relator medidas ordinatórias do processo que tenham sido omitidas. de 1990. Após a inclusão da ação em pauta. Por força do § 1º do artigo 551. inciso I. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. a pauta é afixada na entrada da sala do colegiado competente.À vista do caput artigo 551 do Código de Processo Civil. as ações rescisórias são julgadas pelos órgãos coletivos indicados nos regimentos internos dos tribunais e nas leis de organização judiciária. Posteriormente. os autos sobem à conclusão do revisor. conforme o disposto no artigo 552. a secretaria do tribunal deve remeter cópias da emenda aos outros juízes que compõem o órgão julgador. caput. JUlgAmENTO DA AçãO RESCISÓRIA A ação rescisória é julgada por órgão colegiado de tribunal judiciário. letra “c”. determinando a inclusão da ação rescisória em pauta. não estão impedidos juízes que participaram do jul262 . última parte. caput e § 2º. os autos devem ser apresentados ao presidente do órgão colegiado competente. É o que dispõe o artigo 552 do Código de Processo Civil. II . Cabe ao presidente designar a data do julgamento. da Lei n. que. 12.confirmar. se o revisor efetuar aditamento ao relatório. Por força do artigo 49. reforçado pelo artigo 262. do Código de Processo Civil. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. “será revisor o juiz que se seguir ao relator na ordem descendente de antigüidade”. “na ação rescisória. assim como pelo artigo 40. III . Realmente.08. pelo presidente. parte final e incisos. 8. caput e § 2º. Em seguida. tendo em vista o disposto no artigo 126 do Código de Processo Civil. compete ao Plenário processar e julgar originariamente a ação rescisória de julgado proferido por relator. Tudo indica que o preceito alcança os demais tribunais. do Código de Processo Civil. artigo 551. o presidente do colegiado designa dia para julgamento. As atribuições do revisor constam do didático artigo 25 do Regimento Interno de 1980: “Compete ao Revisor: I . À luz do enunciado n. após o pedido de dia para julgamento da ação rescisória pelo revisor.pedir dia para julgamento dos feitos nos quais estiver habilitado a proferir voto”. reforçado pela compatibilidade do artigo 25 com o § 2º do artigo 551.

Do processo nos tribunais. o tribunal verifica se em tese há o 98. na doutrina: SÉRGIO RIZZI. Ação rescisória. inciso III. 957. 99. o relator faz a exposição da causa. Sem dúvida. o magistrado que proferiu a decisão impugnada ou que participou da votação no colegiado não está impedido de participar do julgamento da ação rescisória98. O artigo 14. a ação rescisória dá ensejo à formação de novo processo. Sem dúvida. 167. 1979. Assim: BARBOSA MOREIRA. Comentários. do Código de Processo Civil proíbe o exercício da atividade judicante apenas no mesmo processo em que o magistrado proferiu decisão. Em seguida. e a ação rescisória no título que trata “do processo nos tribunais”. o presidente concede novamente a palavra ao relator para a prolação do primeiro voto. 1999. 4ª ed. 7ª ed. 42 e 45. 1998. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Em primeiro lugar. O labirinto da ação rescisória. nos termos dos artigos 560 e 561. Portanto. p. p. Noticiado que o julgamento ocorre em órgão coletivo.. aplica-se o artigo 554 no particular. e NERY JUNIOR e ROSA NERY.. com a observância dos artigos 556. resta tratar da sessão de julgamento. 59. tem-se a realização do julgamento propriamente dito. a regra é a de que o julgamento da ação rescisória é dividido em três etapas. tudo indica que o preceito deve ser aplicado. até mesmo em respeito do artigo 126 do Código de Processo Civil. comentários 1. Os votos devem ser proferidos em relação a cada juízo — de admissibilidade. os vogais passam a votar.. assim como que os magistrados que proferiram decisão ou voto no processo anterior não estão impedidos. 1974. p. o julgamento da ação rescisória é geralmente realizado em três etapas consecutivas99. diverso daquele em que prolatado o decisum rescindendo. Nela. os advogados das partes podem sustentar oralmente as razões finais. p. MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 1997. Código. Realmente. Em seguida. p. p.gamento rescindendo”. Depois. Diante do silêncio da legislação de regência. 20 e seguintes. Após. após as sustentações orais. 19ª ed. vota o revisor. É o que revelam os artigos 55 e 554. Porém. estando o artigo 554 inserto no capítulo que cuida “da ordem dos processos no tribunal”. 560 e 561. A primeira está consubstanciada no juízo de admissibilidade da ação rescisória. rescindendo e rescisório —. 652. Sem dúvida. 26 . Em sentido conforme. Curso. 2 e . Volume V. geralmente com a leitura do relatório que já foi distribuído aos demais componentes do órgão colegiado julgador. Volume I.

É certo que não há em nosso Código preceito idêntico ao artigo 775. Sendo positivo. enquanto no juízo de admissibilidade da rescisória ocorre uma análise em tese da possibilidade jurídica em sentido amplo. p. segunda parte. Sendo positivo. tendo em vista a existência. 167. Antes de passar ao estudo do iudicium rescissorium. converter o julgamento em diligência. do vício que autoriza a rescisão. o órgão julgador passa à segunda etapa do julgamento: o juízo rescindendo. também denominado juízo rescindente. 491. extinguindo o processo sem julgamento do mérito. p. 42 e 45. 66. do diploma português. Em regra. Rescisória. 492 e 560. bem como se estão satisfeitos os pressupostos processuais e as condições da ação400. 70. precedendo as diligências que forem consideradas indispensáveis”. Porém. parágrafo único. ou não. Sendo negativo o juízo de admissibilidade da ação. A interpretação sistemática dos artigos 10. que trata do julgamento do instituto lusitano similar: “o tribunal conhecerá do fundamento da revisão. Manual. JOSÉ RIBAMAR MORAES. É no iudicium rescindens que o tribunal decide se o julgado impugnado deve. o colegiado julga improcedente a rescisória. ou seja. conduzem à resposta afirmativa. é no juízo rescindendo que o colegiado julgador verifica se houve na espécie o vício apontado pelo autor. O Professor CALMON DE PASSOS resumiu com perfeição o que ocorre na segunda etapa da ação rescisória: “Examina-se. no caso concreto401. determinando de ofício a produção de provas. p. Volume I. ser desconstituído. 491. 264 . parágrafo único. Realmente. extinguindo o processo com julgamento de mérito. é importante definir se o tribunal pode. 1974. Do processo nos tribunais. número 1. p. ou não. O labirinto da ação rescisória. 401. 1998. que é eliminado do mundo jurídico.enquadramento em permissivo legal de rescindibilidade. tudo indica que os artigos 10. e tendo em vista o disposto no artigo 126 do Código nacional. há a desconstituição do julgado. quando o juízo rescindendo tem resultado positivo. ERNANE FIDÉLIS. 19ª ed. com a desconstituição do julgado rescindendo. Volume I. 71). 492 e 560. o órgão julgador ingressa de 400. no juízo rescindente tal verificação se dá in concreto. Curso. p. 1997. Em sentido semelhante: CALMON DE PASSOS. ou não. p... e MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. Portanto. 652. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. já agora em sua existência concreta” (Rescisória. do Código de Processo Civil brasileiro permite a resposta afirmativa. 6ª ed. Sendo negativo o juízo rescindendo. o colegiado julga inadmissível a rescisória.

265 . A importância de cinco por cento também 402. chegar a conclusão idêntica à do juiz de primeiro grau. através de decisão de igual teor àquela proferida no juízo absolutamente incompetente” (Ação rescisória. É importante que os votos acerca dos juízos de admissibilidade. Por tal motivo. haverá somente rejulgamento da demanda apreciada pela decisão rescindida” (Ação rescisória. Por ser didático. mas. Lições. 1998. cada uma será votada separadamente para se evitar dispersão de votos. p. Volume I. a fim de que não sejam somados votos acerca de juízos diversos. o depósito é levantado pelo autor. pois. 1979. ou soma de votos sobre teses diferentes”. 287. será extrínseco ao julgado. ambos do Código de Processo Civil. 6ª ed. com efeitos a partir dela própria”. Com a mesma opinião: ERNANE FIDÉLIS. também merece ser prestigiada a correta lição do Professor SÉRGIO RIZZI: “O vício da incompetência. pode manter a condenação. p. “no juízo rescisório. rescindendo e rescisório sejam tomados em separado. p. 10. rejulgue o mérito. que ficou pendente após a desconstituição do julgado que o extinguiu402. Também em sentido conforme. perfeitamente admissível que o Tribunal. merece ser prestigiado o artigo 61 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: “Sempre que o objeto da decisão puder ser decomposto em questão ou parcelas distintas. 7). na rescisória. É no juízo rescisório que ocorre o novo julgamento do processo primitivo. quando ocorrente.imediato na terceira etapa do julgamento: iudicium rescissorium. 1999. 2ª ed. julga inadmissível a ação rescisória ou improcedente o pedido rescindendo. ou seja. À vista dos artigos 488. na literatura portuguesa: AMÂNCIO FERREIRA. quando cabível. apreciando o conjunto probatório remanescente. A nova decisão. 66: “O novo julgamento pode perfeitamente coincidir com o da sentença rescindida.. no juízo rescisório. após desconsiderar a prova falsa reconhecida no juízo rescisório. Tendo sido o julgamento de inadmissibilidade ou de improcedência proferido por maioria de votos. p. 2000. Manual. porém. em princípio. à unanimidade de votos. p. A propósito. absoluta. Tal coincidência é perfeitamente possível. Basta imaginar a hipótese de o tribunal. Volume II. a rescisória é admissível e deve ser julgada procedente. sendo. 1979. Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. em votação específica.. e 494. o depósito exigido naquele preceito é destinado ao réu quando o tribunal. 40. Manual. 64). Juiz impedido profere sentença condenatória contra a parte. inciso II. o resultado do juízo rescisório pode ser o mesmo do julgado desconstituído40. Ainda com o mesmo entendimento: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA.

Tratado da ação rescisória. que o autor fizera. o acórdão é redigido pelo revisor ou. p.. O presidente também designa o redator do acórdão. se tinha razão o autor.é devolvida ao autor quando o pedido de rescisão é julgado procedente. 6ª ed. ou se não tinha. Ou a quantia é restituída ao autor. Ainda em sentido conforme: ERNANE FIDÉLIS. p. 1998. ou a falta de razão. ou reverte em benefício do réu. Sem dúvida. ou das partes. Geralmente. Está em causa o iudicium rescindens. dever dos juízes. Após os votos dos magistrados que compõem o órgão julgador da rescisória. 1976. no juízo rescisório404. nem estão relacionadas à multa prevista no inciso II do artigo 488. independentemente do resultado do novo julgamento do processo primitivo. pelo vogal prolator do primeiro voto vitorioso. no iudicium rescissorium. havendo julgamento de inadmissibilidade ou de improcedência da rescisória por maioria de votos. 209 e 210: “Diz o art. 266 . No texto comentado. 66. aí. ou improcedente.. Convém lembrar que a condenação relativa às verbas de sucumbência não está condicionada à unanimidade de votos no julgamento realizado pelo tribunal. ou se não tinham. tem-se de decidir quanto ao depósito de cinco por cento do valor da causa. se for o caso. ou se tinham razão os autores. Tais verbas não podem ser confundidas. Volume I. favorável ou desfavorável — pouco importa — ao autor”. o presidente do colegiado anuncia o resultado do julgamento. É o que se depreende do disposto na segunda parte do artigo 494. pois não é preciso que tenha havido qualquer requerimento da parte. Mas quando o relator fica vencido. Resta saber qual o magistrado responsável pela redação do acórdão quando o relator reconsidera o seu voto anterior para acompanhar a diver- 404. as palavras procedente e improcedente referem-se ao pedido de rescisão. Consoante o disposto no artigo 20 do Código de Processo Civil. p. a parte vencida deve arcar com o pagamento dos honorários advocatícios e das custas processuais. 494 que a restituição ocorrerá quando se julgar procedente a ação. Volume V. Portanto. mas não dos honorários advocatícios e das custas processuais tratados no artigo 20. ou aos autores. sendo o revisor igualmente vencido. tudo nos termos do artigo 556. ou dos réus. a regra é que o redator do acórdão seja o relator da ação rescisória. Há. cabe ao relator redigir o aresto. Manual.. Em sentido idêntico: BARBOSA MOREIRA. e portanto ao resultado do iudicium rescindens. 5ª ed. Comentários. o autor fica livre da multa prevista no inciso II do artigo 488. 1998. sendo irrelevante o teor do julgamento proferido. isto é. a razão para a rescisão. Também no mesmo sentido: PONTES DE MIRANDA. 7ª ed. e não o iudicium rescissorium”. 548: “Ao julgar-se a ação rescisória. Ou a ação rescisória é julgada procedente. e que a importância será entregue ao réu quando a ação for declarada inadmissível ou improcedente.

Em suma. só é possível aferir se o relator é vencedor — quando o presidente do colegiado anuncia o resultado coram populo. por conseqüência. 56 e 564. RECORRIbIlIDADE O acórdão que soluciona a ação rescisória pode ser impugnado por meio de embargos declaratórios. Há orientação jurisprudencial em favor da redação do acórdão pelo próprio magistrado que suscitou a divergência. o artigo 556 parece revelar que o redator do acórdão será o relator até mesmo quando ocorre reformulação do anterior voto para acompanhar posterior divergência. Como o mérito da rescisória pode ser separado nos dois juízos. a regra da redação pelo relator merece ser prestigiada até mesmo quando há retratação. não retira do Juiz que apresentou a divergência a redação do acórdão”. ainda que ocorra retratação pelo relator. a procedência exigida pelo artigo 50 do Código de Processo Civil pode se 267 . Não importa se o dissídio ocorreu no juízo rescindendo ou no juízo rescisório. basta a alegação — de algum dos defeitos arrolados no artigo 55 do Código de Processo Civil. ou não. tudo indica que o artigo 556 do Código de Processo Civil enseja outra solução. inciso III. É o que dispõem os artigos 506. não tendo nenhuma importância se reconsiderou o seu voto.gência inaugurada pelo revisor ou por vogal. o acórdão também é passível de ataque por meio de embargos infringentes. 13. ou não. É irrelevante para o cabimento do recurso de declaração se o aresto foi proferido por unanimidade. Os embargos declaratórios são cabíveis quando há a veiculação — insista-se. Com efeito. Lavrado o acórdão. ou não. Antes da proclamação do resultado do julgamento pelo presidente só existem votos que ainda podem ser reformulados. Realmente. para o cabimento. 1 da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. pois o término do julgamento só ocorre — e. com sede em Brasília: “ACÓRDÃO — REDATORIA — REFORMULAÇÃO DE VOTO — A reformulação de voto por parte do Relator ou Revisor. derivada de voto divergente. É o que se infere do verbete n. a exegese do artigo 556 permite a conclusão de que o relator será o redator do acórdão sempre que for vencedor. pelo que não há como afirmar se o relator é vencedor. Diante de divergência no julgamento de procedência da rescisória. há a publicação da ementa e do dispositivo no órgão oficial de imprensa. Ainda que muito respeitável a orientação jurisprudencial consubstanciada no verbete.

não pode o Supremo Tribunal Federal apreciar a matéria julgada na decisão rescindenda. da Constituição Federal de 1988. 406. Se isso acontecesse. desde que o dissídio tenha ocorrido no iudicium rescindens ou no iudicium rescissorium. Em sentido semelhante: BARBOSA MOREIRA. Basta a existência de um voto vencido para a interposição dos embargos infringentes. Realmente. indevidamente. Volume V. 21 e 214. p. desde que satisfeitas as exigências previstas nos artigos 102. 188: “Concebem-se. Ao contrário. 48: “Em se tratando de recurso extraordinário contra decisão proferida em ação rescisória. os embargos não são cabíveis quando ocorre inadmissibilidade e improcedência. pois. 2ª ed. 295 da Súmula da Corte Suprema reforça: “São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão unânime do Supremo Tribunal Federal em ação rescisória”. a fim de permitir o conhecimento do recurso especial para interpretar não apenas os artigos 485 a 495 do 405. relativos ao iudicium rescissorium e referentes a ambas essas etapas do julgamento do mérito da rescisória”. Comentários. inciso III. conforme se infere do atual artigo 50. Assim também decidiu o Superior Tribunal de Justiça até 2004. A doutrina ensina que os recursos para as cortes superiores só podem versar sobre vício surgido no próprio processo da rescisória. com a redação conferida pela Lei n. inciso I. na relação jurídica processual extinta”... a combinação dos artigos 488. 7ª ed. e SERGIO BERMUDES. de 2001. conforme se infere do artigo 50 do Código de Processo Civil. Os demais arestos proferidos por maioria ou por unanimidade de votos em rescisória podem ser impugnados desde logo por meio de recursos extraordinário e especial. 10. 1998.52. O enunciado n. com o artigo 50 permite a conclusão de que os infringentes são adequados quando o dissenso reside no juízo rescindendo e no juízo rescisório405. Em resumo. Comentários. Com opinião conforme: BARBOSA MOREIRA. primeira parte. 1977. 212. em tese. 2002. Volume VII. não é possível ressuscitar defeito relativo ao processo primitivo406. p. e 494. desde que por maioria. p. inciso III. 268 . quando a Corte Especial reexaminou a vexata quaestio e evoluiu. Ao revés.dar tanto no juízo rescindente como no rescisório. entrarse-ia. ou seja. acórdão tomado por unanimidade de votos não enseja recurso de embargos infringentes. não pode haver recurso extraordinário na relação jurídica processual em que se pede a rescisão quanto ao que se passou na relação jurídica processual em que foi proferida a sentença rescindenda. os embargos infringentes são cabíveis apenas contra acórdão de procedência proferido por maioria de votos em julgamento de ação rescisória. Conforme leciona Pontes de Miranda. e 105. Novas vicissitudes dos embargos infringentes. embargos do réu concernentes ao iudicium rescindens.

não acolher a pretensão deduzida na ação rescisória fundada no art. No mesmo sentido. alterando entendimento anterior. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. Ação rescisória.06. (. 4ª Turma.665/SP.) — O Recurso Especial pode vir calcado nos mesmos dispostivos que ensejaram a Ação Rescisória por violação literal a disposição de Lei. “Direito Processual Civil. I — Quando existir violação de literal disposição de lei e o julgador.81/PR. 580. 476. sem os grifos no original). V.2006. decidiu que não há óbice para o conhecimento de recurso especial interposto em ação rescisória que se fundamenta em ofensa a literal disposição de Lei quando. Diário da Justiça de 20 de junho de 2005. Fundamentos do acórdão recorrido. alterou tal procedimento. DJ de 20. AÇÃO RESCISÓRIA. Min. 485. em recurso especial interposto contra acórdão proferido em ação rescisória proposta com fundamento no art. 660. A nova orientação da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça merece ser prestigiada. 476. Diário da Justiça 4 de setembro de 2006). com o que dará ensejo à interposição de recurso especial com base na alínea ‘a’ do permissivo constitucional. Min. Min. Corte Especial do STJ.. revendo posição anterior. SÚMULA 514/STF. Recurso especial. a 3ª Turma já teve oportunidade de acompanhar esse entendimento. assim ementado: ‘AGRAVO REGIMENTAL. ª Turma do STJ. do CPC. deve ser citado como litisconsorte passivo necessário. Rel. 112. Antônio de Pádua Ribeiro.596/ SP.665/PÁDUA.03..º 6. deveria o recorrente apontar objetivamente quais as violações a Lei Federal ocorridas no julgamento da própria rescisória.)” (não há os grifos no original). o acórdão estará contrariando aquele mesmo dispositivo ou a ele negando vigência. a Corte Especial do STJ. DESNECESSIDADE DO ESGOTAMENTO DAS VIAS RECURSAIS. no recurso especial).015/73 pode ser alcançado pela coisa julgada. do Código de Processo Civil. mas também os preceitos legais referentes ao processo primitivo e que foram evocados na ação rescisória407. AgRg no Ag n. QUESTÃO DE DIREITO.2000). 167 da Lei n. Humberto Gomes de Barros. ORIENTAÇÃO DA CORTE ESPECIAL. o recorrente reproduz os artigos violados pelo acórdão rescindendo. no AgRg no Ag n. 485. Em recente julgamento. e não apenas repetir as supostas ofensas cometidas pelo acórdão rescindendo (exemplificativamente. 113. no REsp n. no REsp 476. PROCESSO CIVIL. Assim decidiu. II — Se terceiro que adquire bem a respeito de cujo litígio não há o registro exigido pelo art. porquanto não há como separar a interpretação dos artigos 485 407. 269 . o recorrente reproduz os artigos violados pelo acórdão rescindendo” (REsp n. (. MOMENTO DA FLUÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS. V. naquela via (ou seja.. também na jurisprudência do STJ: “A Corte Especial. a Corte Especial. relatado pelo i.04.. Aldir Passarinho Junior. III — Recurso conhecido e provido para se julgar procedente o pedido da ação rescisória” (REsp n. ficando decidido que não há óbice para o conhecimento de recurso especial interposto em ação rescisória que se fundamenta em ofensa a lei dispositivo de Lei se. é de se verificar que a jurisprudência do STJ havia se consolidado no sentido de que. naquela via. mesmo assim.665/SP. DJ de 20. Rel. p. Colhe-se do preciso voto vencedor da Ministra Relatora: “Inicialmente.2005.724/MA. DJ de 03.Código de Processo Civil. Contudo.

a decisão monocrática também pode ser impugnada por meio de embargos declaratórios. 270 . ou seja. terminativa e interlocutória. mas possui conteúdo decisório. o que torna impossível a reiteração exigida pelo § 1º do artigo 52. O que marca a decisão monocrática não é o conteúdo. tratando-se de ação rescisória. como bem revela o disposto no inciso V do artigo 485. Quanto ao agravo retido. sentença é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau por meio do qual o processo é extinto. não há prolação de sentença em tribunal. especialmente para a fixação da recorribilidade. decisão monocrática é o pronunciamento jurisdicional com conteúdo decisório proferido isoladamente por magistrado de tribunal. Como já estudado. Ao revés. 8.a 495 do Código de Processo Civil dos preceitos legais referentes ao processo primitivo. sob o ponto de vista técnico-processual. tendo em vista a inexistência de sentença em ação rescisória. também não cabe agravo do artigo 522. melhor dito. A propósito. o relator pode proferir decisão monocrática de natureza definitiva. É que não há decisão interlocutória no processo da rescisória. seja retido ou de instrumento. Contra decisão monocrática cabe agravo regimental. o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Realmente. Assim. a interposição de apelação em sede de rescisória configura erro grosseiro. As decisões monocráticas proferidas desafiam agravo regimental. a interposição de agravo de instrumento ou de agravo retido configura erro inescusável. Na verdade. pelo que é capaz de causar prejuízo a algum dos legitimados a recorrer. some-se o argumento de que não é cabível apelação em sede de ação rescisória. nos termos do artigo 9 da Lei n. decisão interlocutória é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau que não provoca a extinção do processo. Como todas as decisões jurisdicionais. É certo que há decisão monocrática de conteúdo interlocutório. não é cabível agravo de instrumento nem agravo retido. não é cabível apelação. tanto a decisão monocrática de indeferimento da petição inicial da rescisória como o acórdão proferido pelo colegiado no julgamento da ação não estão sujeitos a ataque por meio de apelação. de 1990. Realmente. agravo interno. a diferença é relevante. agravo interno. é possível a prolação de decisão monocrática no processo da rescisória. Com efeito. Em síntese. Por fim.08. como a lançada pelo relator ao apreciar pedido de tutela antecipada formulado na petição inicial da ação rescisória. Sem dúvida. mas a autoria. Tanto quanto sutil. Aliás.

Daí a explicação para a formulação de teses divergentes acerca do assunto.. Com a mesma opinião: ADA PELLEGRINI GRINOVER. p. 410. L. Comentários. e Tratado da ação rescisória. de 1876. ao contrário do Código de Processo Civil italiano de 1865. não havia em nosso direito norma proibindo a rescisão de julgado proferido em ação rescisória409.. e dos Códigos de Processo estaduais. ao argumento de que. 172. 111. Volume IX. a sua impossibilidade. Código. p. 411. e PONTES DE MIRANDA. p. Comentários. 5ª ed. 76. Volume IX. da Consolidação Ribas. de 1898. É o que se inferia da interpretação a contrario sensu do artigo 799. Comentários.. 157 e 158. b) com ofensa à coisa julgada.084. Volume I.14. 2ª ed. p. quando o julgado prolatado na rescisória antecedente tivesse sido proferido: a) por juiz peitado. outros. 69). 90. No sentido do texto do parágrafo: CARVALHO SANTOS. p. 1947. PONTES DE MIRANDA.. AçãO RESCISÓRIA DE JUlgADO pROfERIDO Em AçãO RESCISÓRIA Ao tempo das Ordenações Filipinas — aplicáveis ao Império do Brasil por força do artigo 1º da Lei de 20 de outubro de 182 —. 1998. de 1890. 19. 1976. do Decreto n. 574.. Aspectos. ou c) com base em prova cuja falsidade tivesse sido apurada posteriormente em juízo criminal. Curso. Ação rescisória. FRANCHI. Em razão da matéria. p. 409. prevaleceu a tese da admissibilidade. Tratado da ação rescisória. 1949. no entanto. p. 5ª ed. 180. 1976. 65. 408. Uns defendiam a sua admissibilidade. 7ª ed. 271 . e SÉRGIO RIZZI. 77. impedido ou incompetente ratione materiae410. do Regulamento n. outra ação rescisória quando a decisão prolatada na rescisória antecedente tivesse sido proferida contra literal preceito de lei411. Cinque Codici. ODILON DE ANDRADE. 85. 85. Volume V. p. no artigo 799. 1998. não havia norma que versasse sobre a possibilidade de ação rescisória de julgado proferido em anterior ação rescisória. Comentários. BARBOSA MOREIRA. . o Código de 199. O Código de Processo Civil brasileiro de 199 admitiu expressamente. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. Direito processual civil. p. de 1850. 1975.. a propositura de ação rescisória impugnando decisão proferida em anterior ação rescisória. do Decreto n. Volume IX. 1946. 10 e 104. Volume VI. 19ª ed. 156. Comentários. p. 2ª ed. 1976. p. Volume IV. que vedava a propositura de rivocazione contra julgado prolatado em anterior rivocazione408. Por fim. 1979. 222. p. Não admitia. BUENO VIDIGAL. ODILON DE ANDRADE. 92. O artigo 509 do Codice di Procedura Civile de 1865 dispunha: “La domanda di rivocazione non è ammessa contro le sentenze pronunziate in giudizio di rivocazione” (cf. 1946. 1974. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE.

156 e s. Assim. ao contrário dos Códigos italianos de 1865 e de 194041. Commento. Já o Código de 199 impôs restrição à desconstituição de decisão prolatada em ação rescisória. 2000. e PONTES DE MIRANDA. prevalecia a tese da admissibilidade. Repetindo. Antes do diploma de 199. o Codice di Procedura Civile de 1940 estabeleceu em seu artigo 40: “Non può essere impugnada per revocazione la sentenza pronunciata nel giudizio di revocazione”. 65. a sentença proferida em substituição da que foi rescindida poderá igualmente ser objecto de um novo recurso de revisão. 1974. nas mesmas hipóteses em que é possível a desconstituição das decisões proferidas nas ações em geral. “com formulazione più generale” (VIRGILIO ANDRIOLI.. 2000. 4ª ed.. p. pois não admitia ação rescisória para afastar violação a literal disposição de lei praticada em decisão proferida em anterior rescisória. nec interpres distinguere. Volume IX. com base numa das anomalias das alíneas a) a g) do art. 1976. Volume VI. Curso.. 289. Aspectos. 1945. 272 . Volume I. o disposto no artigo 509 do diploma de 1865. 5ª ed. p. 415. Código. Comentários. Volume II. 2ª ed. há autorizada doutrina: SÉRGIO SAHIONE FADEL. Tratado da ação rescisória decisões. 46). é possível desconstituir julgado prolatado em ação rescisória. Manual. 1998. 41.O Código de Processo Civil de 197 retornou às origens do direito brasileiro. 222. na literatura portuguesa: “Por a nossa lei nada dizer em contrário. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. De acordo: CARVALHO SANTOS. p. Volume II. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. 412. 414. desde que constatado algum dos vícios que autorizam a rescisão das decisões proferidas nas demais ações415. p. e à luz do princípio de hermenêutica jurídica consubstanciado no brocardo ubi lex non distinguit. 19ª ed. 172. Sob outro prisma. 121. 1976. 2ª ed. E não havia norma limitando os casos de rescisão do decisum proferido em ação rescisória412.. 289). p. a solução do problema da sua admissibilidade passa pelo estudo do nosso direito sob o ponto de vista histórico. ficando silente sobre a possibilidade da desconstituição de decisão proferida em ação rescisória. Ao não repetir a regra inserta no artigo 799 do diploma pretérito. não proíbe a rescisão de decisão proferida em ação rescisória414. p. p. 1947. Registre-se que a própria doutrina italiana reconhece “ser difícil de justificar logicamente esta norma” (AMÂNCIO FERREIRA.º 771” (AMÂNCIO FERREIRA.. No mesmo sentido: BUENO VIDIGAL. o Código de Processo Civil brasileiro de 197. Com outra opinião. Com o mesmo argumento. p. Manual. nota 458). 90. 1982. Assim. o Código de 197 optou pela orientação original do direito pátrio: a admissibilidade da rescisão de julgado prolatado em ação rescisória. p. Código.

na jurisprudência: AR n. Volume V.. SERGIO PINTO MARTINS. 1. Cf. RTJ. Volume IX. Volume VI. p. 1. Comentários. Comentários. e SÉRGIO RIZZI. p.. 104. Comentários. 1976. p. 8. No entanto.. PAULO LÚCIO NOGUEIRA. na doutrina: ADA PELLEGRINI GRINOVER. 2ª Seção do TRF da 1ª Região. Não pode. 91. 1975. 22 e 172. p... até mesmo em caso de violação a literal disposição de lei perpetrada em decisão proferida em anterior rescisória418. o inconformado. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. repetir em outra rescisória a mesma causa de pedir que deu ensejo à propositura da antece- 416. 1994. AR n. Pleno do STF. Com a mesma opinião: BUENO VIDIGAL.. 2ª Seção do STJ. Ação rescisória. Volume II. Vingou a tese da possibilidade da rescisão de decisum prolatado em ação rescisória. em nova rescisória. 417. 192/SP. faz-se necessário fixar o limite a ser observado na propositura de ação rescisória de decisão prolatada em anterior rescisória. O labirinto da ação rescisória. 2ª Seção do STJ. Diário da Justiça de 11 de outubro de 199. as proferidas em ação rescisória também podem estar contaminadas pelos vícios que possibilitam a rescisão dos julgados em geral416. 4ª ed.Além do mais. 65. Comentários. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. Diário da Justiça de 27 de novembro de 1989. p. 172. p.168/GO. RTJ. Volume II. 1982. 85. 462. 0. 1974. 92. 1 e 2. 27 . Aspectos. 2ª ed. Comentários.. 96. RTJ. 1946. 7ª ed. AR n. Só é possível discutir. 1991. 111. AR n. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. p. 1998. p. 5ª ed. Ação rescisória. p. No sentido do texto. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Afastada a tese da irrescindibilidade dos julgados proferidos em ação rescisória. 19ª ed. vícios atinentes ao decisum proferido na rescisória antecedente. volume 110. e ODILON DE ANDRADE. e SÉRGIO SAHIONE FADEL. ERNANE FIDÉLIS. 7. 1976. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 9 e 94. 9. Código. A ação rescisória. Tratado da ação rescisória. em quaisquer das hipóteses do artigo 485 do Código vigente. p. 627. voto vencido proferido na AR n. p. p..01.10/GO. 1998. Não obstante os argumentos acima apresentados. chegou-se a afirmar que com o advento do Código de 197 as decisões proferidas em ação rescisória se tornaram irrescindíveis417. Diário da Justiça de 19 de outubro de 1998. p. 274. MARCOS AFONSO BORGES. p. 4ª ed. 120. p. 510 e ss. 5ª ed. COQUEIJO COSTA. Aspectos. volume 110. 1998. 418. 1.. volume 110. p. 7/RJ. Direito processual civil. 8ª ed. Volume I. p. tampouco logrou êxito nos tribunais. 222. tal orientação não prevaleceu entre os doutrinadores. p. 1998. p. 1986. 2ª ed. p. portanto. BUENO VIDIGAL.019400-6. 6ª ed.. 2ª ed. BARBOSA MOREIRA. 206. Direito. 19.00. p. Curso. 1976. e AR n.. ALFREDO BUZAID. 1975. De acordo.10/GO. 121 e 122. 219. Curso. p. Volume I. 7. Volume VI. 1979. 1974. 1. 180. como todas as decisões jurisdicionais. 22. 1997. PONTES DE MIRANDA.. Pleno do STF. Manual.

9.dente419. Em reforço.. p. na jurisprudência: AR n. Pleno do STF. 420... 2ª ed. Volume I. 4ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil. RTJ. Comentários ao Código de Processo Civil. 65. 627. Pleno do STF. o que poderia permitir alteração daquele julgado original. 1986. 1976. Volume VI. BUENO VIDIGAL. 421. p. Volume IX. 7/RJ. 104. Em se tratando de rescisória de rescisória. o julgamento da ação rescisória. não se admite rescisória calcada no inciso V do art. 1998... Curso de direito processual civil. 419. nota 4). por má aplicação dos mesmos dispositivos de lei. 1976. 5ª ed. 216 e 217. há o enunciado n. 8ª ed. 1998. Volume II. Volume V. 1999.. com a eternização do conflito de interesses e a instabilidade nas relações jurídicas. o vício apontado deve nascer na decisão rescindenda. 17. Requereu a condenação do réu R ao pagamento de indenização por dano moral. 7ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 11 de outubro de 199. Basta pensar. 19ª ed. 400 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. ao ser rescindido. AR n. INDICAÇÃO DOS MESMOS DISPOSITIVOS LEGAIS APONTADOS NA RESCISÓRIA PRIMITIVA. sendo certo que este. p. Manual de direito processual civil. e SERGIO PINTO MARTINS. p. 85 e 86. 2ª Seção do STJ. ODILON DE ANDRADE. não se admitindo a rediscussão do acerto do julgamento da rescisória anterior. p. 1998. 92. 7. Cf. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. p. Ação rescisória. Rescindível será. PONTES DE MIRANDA.. p. o vício alegado na primeira rescisória poderia ser ressuscitado em outras ações rescisórias. 2ª Seção do STJ. 1. ERNANE FIDÉLIS. Direito processual do trabalho. o eminente Professor ALEXANDRE FREITAS CÂMARA indica didático exemplo de ação rescisória contra julgado proferido em anterior ação rescisória: “Nada impede que se proponha ação rescisória com o objetivo de rescindir o julgamento proferido em ação rescisória. por exemplo. De acordo. COQUEIJO COSTA. 96. p. Se assim não fosse. Por oportuno. 1. 485 do CPC para discussão. Volume I. No sentido do texto. p. 6ª ed. Assim. 8. p. Na tentativa de facilitar a compreensão do limite a ser observado na propositura de ação rescisória de julgado proferido em anterior ação rescisória. p. 14. AR n. 1998. Tratado da ação rescisória.. bem como para argüição de questões inerentes à ação rescisória primitiva”420. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. RTJ. 9 e 94. e AR n. 19 e s. Diário da Justiça de 27 de novembro de 1989. com voto vencedor. volume 110.. 274 . 510. tidos por violados na rescisória anterior. volume 110. então. numa ação rescisória de cujo julgamento tenha participado juiz peitado. 24. permitirá que se julgue novamente a matéria objeto daquele primeiro processo” (Lições de direito processual civil. 192/SP.10/GO. Resolução n.168/GO. VIOLAÇÃO DE LEI. 1946. seguem dois exemplos421: 1º) O autor A ajuizou ação sob o rito ordinário contra o réu R. 2ª ed.

O aresto transitou em julgado. pois se trata de mera repetição da rescisória antecedente. § 1º. negou provimento ao recurso. Reiterou o argumento de que houve violação à literalidade do artigo 186 do Código Civil. do Código de Processo Civil. A 1ª Turma Cível do Tribunal. apoiando-se na prova pericial referente ao DNA. A Seção Cível do Tribunal. inciso V. acarreta nulidade” (verbete n. O juiz de primeiro grau julgou procedente a demanda. da Constituição Federal. mais uma vez. julgou improcedente a ação rescisória. o autor A propôs ação rescisória para desconstituir a sentença. decidiu que “tendo o julgamento sido proferido com infringência ao disposto no art. vez que a violação de literal disposição de lei pode ocorrer tanto de error in iudicando como de error in procedendo” 275 . do Código de Processo Civil. § 1º. inciso VI. Na 422. que os autos não foram conclusos ao revisor. à unanimidade de votos. Inconformado. sem a participação do seu advogado. Bateu-se. 552. Com efeito. o réu R ajuizou outra ação rescisória. a nova ação rescisória é inadmissível. O acórdão transitou em julgado. Apoiando-se nos artigos 485. todos do Código de Processo Civil422. A reiteração da primeira rescisória é revelada pela identidade das causas de pedir: ofensa ao artigo 186 do Código Civil e ao artigo 5º. surgida no processo originário. Não se dando por vencido. pela condenação do réu R ao pagamento de indenização por dano moral. O prazo recursal decorreu in albis. propôs ação rescisória com fulcro no artigo 485. Tanto que a 1ª Seção do TFR. entre a publicação de pauta e o julgamento sem a presença das partes. o réu R constatou a falsidade da prova pericial. ainda. Constatou. “A inobservância do prazo de 48 horas. Posteriormente. Em seguida. bem como do artigo 5º. Por tal razão. à unanimidade de votos. tendo o próprio relator pedido dia para julgamento.O juiz de primeiro grau julgou improcedente a demanda. O acórdão passou em julgado. o réu R verificou que o julgamento ocorreu apenas vinte e quatro horas depois da publicação da pauta. inciso V. o que explica a inadmissibilidade da nova rescisória. 551. cabe ação rescisória para desconstituir o acórdão dele resultante. Na hipótese. caput e § 2º. da Constituição de 1988. ao fundamento de que houve ofensa ao artigo 186 do Código Civil de 2002 e ao inciso X do artigo 5º da Constituição Federal. 2º) O autor A ajuizou ação de investigação de paternidade contra o réu R. julgou improcedente a ação rescisória. em ambas as ações rescisórias foi suscitado vício referente ao processo primitivo. o réu R apelou. inciso X. 117 da Súmula do STJ). do Código de Processo Civil. A Seção Cível do Tribunal. e 552. inciso X. à unanimidade de votos. o autor A ajuizou nova ação rescisória com fulcro no artigo 485. à unanimidade de votos. Apoiando-se no inciso V do artigo 485 do Código de Processo Civil.

já que os alegados vícios ocorreram no processo da anterior rescisória. “é nulo o julgamento sem revisão.218/RS. Em síntese. 24.hipótese. § 2º” (REsp n. O que não é permitido é repetir em outra ação rescisória a causa de pedir que deu ensejo à antecedente. conforme se depreende da ementa do seguinte precedente: “Ação rescisória. 552 do Código de Processo Civil. 276 . volume 164. 85. volume 96. Além do mais. e não da ação originária. 4ª Turma do STJ. a nova ação rescisória é admissível. Diário da Justiça de 28 de setembro de 1992). RTFR. Recurso extraordinário conhecido e provido” (RE n. 1ª Turma do STF. A nova ação rescisória só pode versar sobre vício diretamente ligado ao processo da anterior rescisória. (AR n. 665). p.440/RJ. RTJ. Julgamento nulo por não observado o prazo previsto no § 1º do art. No mesmo sentido é a jurisprudência. 551. p. art. nos casos em que exigida em lei — CPC. 870/RJ — EI. 11). o direito brasileiro admite ação rescisória de decisão proferida em anterior ação rescisória. e não no da ação de investigação de paternidade.

cuja hermenêutica há de ser conjugada com os arts. que não dependem de sentença. ou em que esta for meramente homologatória. ambos do Código Civil de 2002. excludente da anulatória. a ação anulatória 423. 2008. que deve ser entendida como ‘anulados’. Tal dispositivo incide em impropriedade terminológica quando usa a palavra ‘rescindidos’. 2. 424. 2ª ed. bem assim nos artigos 178 e 2.030 do mesmo diploma. À vista do artigo 485 do Código de Processo Civil. nos termos da lei civil’. Em contraposição. podem ser rescindidos. como os atos jurídicos em geral. inciso I. na doutrina: “O art. marcadas pela resolução definitiva do litígio gerador do processo contencioso.. a ação própria é a rescisória. 486 do Código de Processo Civil. Também em prol da interpretação sistemática.027. 545.029. p. Na verdade. sem o grifo no original). não protegidas pela coisa julgada material. a ação anulatória não é admissível contra as decisões judiciais de mérito. em virtude da atuação judicial na solução do conflito de interesses. 1.Capítulo XI AÇÃO ANULATÓRIA 1. consoante apontado pela doutrina” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. 486 e 1. 277 . trata-se da ação prevista nos artigos 352. mas também os atos praticados por terceiros intervenientes no processo igualmente são passíveis de ação anulatória. Volume VIII. prescreve que ‘os atos judiciais. Sob o prisma legislativo. não só das partes originárias. CONCeITO A anulatória é a ação de conhecimento cujo escopo é a desconstituição de atos jurídicos viciados praticados pelas partes423 em processos judiciais e de decisões judiciais de simples homologação daqueles (atos jurídicos viciados). PRAzO Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Direito civil brasileiro.029 e 1. todos do Código de Processo Civil424.

a ação anulatória segue o procedimento comum ordinário427 e reside na competência de juízo de primeiro grau de jurisdição428. Assim.027 do Código Civil: um ano. com transcrição em nota de rodapé inserta no posterior tópico 4. é preciso afirmar que não se aplica à ação anulatória o disposto no art. 1ª Turma do STF. 2ª ed. na doutrina: “Além disso. Comentários ao Código de Processo Civil. p. Volume IX. Na verdade. 2007. do Código de Processo Civil. A competência. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. Em virtude da natureza constitutiva426 da ação anulatória. 2007.029 do Código de Processo Civil e no artigo 2. a regra de quatro anos) e no artigo 2. a ação anulatória não segue procedimento especial e nem reside na competência originária de tribunal. a regra consagrada no artigo 178 do Código Civil não é absoluta. o prazo geral para a ação anulatória reside no artigo 178 do Código Civil: quatro anos.651/RS. Melhor dito. na jurisprudência: RE n. constitutiva negativa. porquanto a ação anulatória de partilha amigável tem prazo específico previsto no artigo 1. 1999. 495 do CPC” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Com efeito. na doutrina: “A ação anulatória não leva a que se instaure processo de competência originária dos tribunais. na doutrina: CARLOS ROBERTO GONÇALVES. 546 e 547. 3. 426. Direito civil brasileiro. parte final. Volume VIII. 3ª ed. isto é. Com efeito.. De acordo. 334. 273). Ação rescisória. p. p.027 (isto é. 427. p. p. a ‘ação anulatória’ é de competência originária dos juízos de primeira instância” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. é do juízo de primeira instância” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 1974. a exceção de um ano) do Código Civil de 2002. Não obstante. PROCedImeNTO e COmPeTêNCIA Ao contrário da ação rescisória. De acordo. 2008. o qual é próprio para a ação rescisória425. 428. 8729.não está sujeita ao prazo previsto no artigo 495 do Código de Processo Civil. 105 e 106). aqui. 262.2 do presente capítulo. 273). Diário da Justiça de 1º de junho de 1984.. e ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. A regra do artigo 178 do Código Civil é aplicada por força do artigo 486. 87. Ainda em sentido conforme. são decadenciais os prazos previstos no artigo 178 (ou seja. desconstitutiva. Ação rescisória. p. Ação rescisória. Também no mesmo sentido. 278 . p. 425. 2007. “enquanto a ação rescisória é de competência originária dos tribunais. na doutrina: HAMILTON DE MORAES E BARROS.

CPC). de sentença de mérito com trânsito em julgado. 486 DO CPC. “PROCESSUAL CIVIL. de arrematação430 e 429. sendo incabível o ajuizamento da ação rescisória” (REsp n. 755. 1ª Turma do STJ. ARREMATAÇÃO. Diário da Justiça de 21 de março de 1985). 4ª Turma do STJ. forem apresentados embargos à adjudicação. Adjudicação. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA E AÇÃO RESCISÓRIA: QUANDO TEM CABIMENTO. II — Agravos retidos não conhecidos. 49.1. 33. De acordo. como os atos jurídicos em geral. sendo inadmissível a exigência de ser movida Ação Rescisória”. Precedentes jurisprudenciais. ART. cabível era a ação anulatória” (REsp n. e não de ação rescisória” (REsp n. p. 16670). é adequada a ação anulatória contra os atos e as respectivas decisões homologatórias de adjudicação429. 86. 2ª Turma do STJ. nos termos do art. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DE ADJUDICAÇÃO. Para a desconstituição de ato de arrematação. p. Ainda em sentido conforme: “Processual civil.255/BA. cabe a via ordinária e não a ação rescisória. Recurso especial provido” (REsp n. 11245).155/PR. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. Também no mesmo sentido: “ARREMATAÇÃO.123/MG. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA.553/RJ. Aplicação do art. I — A ação adequada para anular a arrematação de bem imóvel. Diário da Justiça de 23 de agosto de 2007. Anulação. como os atos jurídicos em geral. 1ª Turma do STJ. Assim. Diário da Justiça de 15 de maio de 1986). p.260/SP. 6ª Turma do TFR. não tendo sido oferecidos embargos à adjudicação. 486 do CPC. 245).105/RJ. 279 . HIPÓTeses de AÇÃO ANULATÓRIA 4.4. 430. 1. no caso. I — A adjudicação é anulável por ação ordinária. Diário da Justiça de 18 de abril de 1994: “A arrematação é anulável por ação ordinária (art. será necessária ação rescisória para anular a decisão neles proferida. 4ª Turma do TFR. Ainda em sentido conforme. remição e adjudicação são impugnáveis através da ação anulatória. As sentenças homologatórias de arrematação. Por fim. DESCONSTITUIÇÃO. ART. Diário da Justiça de 5 de junho de 1995. A arrematação pode ser desfeita através de ação de anulação. EXECUÇÃO FISCAL. Ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil O artigo 486 do Código de Processo Civil versa sobre duas hipóteses gerais de ação anulatória. 3ª Turma do STJ. p. Diário da Justiça de 7 de junho de 1993. 2. Anulação. 286). 146. 90. 486 do Código de Processo Civil. II — No caso. prevista no art. DESCONSTITUIÇÃO.694/RS. se. porém. AÇÃO ANULATÓRIA. sua respectiva carta e sua matrícula e registro no cartório competente é a ação anulatória. Apelação provida” (Apelação n. e não a ação rescisória. Diário da Justiça de 13 de junho de 2005. 486 do CPC. na jurisprudência: REsp n. A pretensão de desconstituição da arrematação não pode ser examinada nos autos do processo de execução quando já houve a expedição da respectiva carta e sua transcrição no registro imobiliário. III — Apelação provida” (Apelação n. 486. ARREMATAÇÃO. em face da inexistência. 486. 3. contra os atos jurídicos viciados praticados pelas partes nos processos judiciais e as decisões judiciais de simples homologação dos mesmos. À luz do artigo 486. anulatória. mas em ação autônoma.

Também em sentido conforme: “PROCESSUAL CIVIL. na jurisprudência: “Processo civil. porém. Só quando há sentença de mérito. na doutrina: JOSÉ FREDERICO MARQUES. 35. Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul. para invalidar arrematação. desde que não tenham sido oferecidos os embargos respectivos. de verdadeira resolução do mérito do litígio veiculado na ação de embargos. não há o grifo no original). 30. Arrematação. 83. e SÉRGIO RIZZI. na forma prevista no art. 3ª Turma do STJ. ARREMATAÇÀO E REGISTRO IMOBILIÁRIO. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. Anais do VIII Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada. a ação anulatória tem lugar contra as sentenças homologatórias proferidas nos processos de jurisdição volun- 431. arrematação ou remição. 1988. não há o grifo no original). a rescisória só é adequada contra sentença de mérito. será necessária ação rescisória para anular a decisão neles proferida” (REsp n. 11746. Com a mesma opinião do texto do parágrafo. é que a desconstituição exige ação rescisória” (REsp n. sim.054/SP. porquanto as respectivas decisões não são de simples homologação. Também em sentido conforme. 22 e 25. Desconstituição. p. Porto Alegre. Manual de direito processual civil. Diário da Justiça de 21 de novembro de 1994. 5ª Turma do TFR. 31762. é inadmissível a ação anulatória contra as sentenças (e os posteriores acórdãos) provenientes de embargos à adjudicação. 486 do CPC. I — A arrematação é anulável por ação ordinária. 14 do 8º Encontro dos extintos Tribunais de Alçada: “Incabível é a ação rescisória contra sentenças homologatórias de adjudicação.de alienação (artigo 685-C) em processos judiciais. 433. Cf. merece ser prestigiada a antiga conclusão n. A propósito. forem apresentados embargos à arrematação. em ordem a ensejar a sentença pertinente. p. Ainda à vista do artigo 486. não há o grifo no original). 264. como os atos jurídicos em geral. Na sistemática processual atual. p. Diário da Justiça de 16 de maio de 1994. 2ª Turma do STJ. 1975. Ainda no mesmo sentido: “Processual civil. razão pela qual a ação apropriada é a rescisória433. mas.956/SP. INTIMAÇÃO PRÉVIA. AÇÃO ANULATÓRIA. 280 . Precedentes desta Corte e do Alto Pretório” (Apelação n. Idoneidade da ação anulatória (art. quando apresentados embargos à arrematação. 432. se. Anulação. vale dizer. que devem ser atacadas por ação ordinária”431. à arrematação e à alienação (artigo 746). Arrematação. Ação rescisória. 1979. Em contraposição. A arrematação é anulável por ação ordinária. 229. 137. Resolução n. p. p. 399 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É incabível ação rescisória para impugnar decisão homologatória de adjudicação ou arrematação”432.041/SE. 486 do CPC). Reforça o novo inciso I do enunciado n. Diário da Justiça de 25 de setembro de 1986. como os atos jurídicos em geral.

tendo por finalidade elidir a coisa julgada. No mesmo sentido. e SÉRGIO RIZZI. 404 e 405. parágrafo único. É o que se dá. e. 74. O juiz e a função jurisdicional. face à inexistência de lide. na jurisprudência: “1. na doutrina: SÉRGIO RIZZI.833/PR. não é meio idôneo para desfazer decisões proferidas em processos de jurisdição voluntária e graciosa. É anulável. 486)”. 1979. Ainda em sentido conforme. 286). Código de Processo Civil de 1973. Tratando-se de ratificação necessária à homologação da fase executória da divisão e demarcação. na jurisprudência: REsp n.070.tária434. 1ª Turma do STF. através de ação anulatória. Recurso extraordinário provido” (RE n. Revista Forense. 1ª Turma do STF. 486. Sentença homologadora de desquite amigável ou separação consensual dos cônjuges. 5. por ser aquêle processo de jurisdição contenciosa” (RE n. “Ação rescisória. 434. 486 do CPC)” (grifos aditados). 800. 281 . pelo advogado. MÁRIO GUIMARÃES. na jurisprudência: RE n. 271). Em contraposição. 437. volume 256.810/RJ. p. Por exemplo. incabível é a ação anulatória. 3ª Turma do STJ. não assinado pelo casal. mas. Manual de direito processual civil. Doutrina da matéria. Diário da Justiça de 27 de março de 1981. Código de Processo Civil de 1939. Por fim.625/SP. por exemplo. rescindível. De acordo. na doutrina: JOSÉ FREDERICO MARQUES. as sentenças — ainda que homologatórias — proferidas em processos contenciosos são impugnáveis mediante ação rescisória437. Diário da Justiça de 15 de setembro de 1978: “AÇÃO RESCISÓRIA — PRESSUPOSTO. A ação rescisória. Diferença entre a anulatória e a rescisória. 2. por exemplo. 1979. Assim: “2. p. para julgar a autora carecedora da ação” (não há o grifo no original). não há sentença de mérito. 62: “As sentenças proferidas em procedimentos de jurisdição voluntária são anuladas como os atos jurídicos em geral. p. 435. Na jurisdição voluntária não há processo. p. 422: “Não cabe ação rescisória de sentença homologatória de separação consensual. A declaração de nulidade de aditivo à inicial. não há coisa julgada material”. em virtude da ausência de litígio e da inexistência de coisa julgada material435. mormente quando a pretensão é formulada por quem não foi parte do feito administrativo. 71. não. Exceção ao princípio. 436. Ainda na doutrina. na sentença que homologa divórcio consensual)” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Ação rescisória. a sentença homologatória proferida em processo de separação consensual436 é passível de impugnação mediante ação anulatória (quando não há mais tempo hábil para a interposição de recurso processual). RSTJ. art. com as sentenças de jurisdição voluntária (pense-se. volume 17. art. p. deve ser perseguida em ação ordinária (art. não suscetíveis de trânsito em julgado. também merece ser prestigiada a seguinte lição: “A ação anulatória será cabível sempre que houver fundamento para impugnar sentença homologatória que não seja apta a alcançar a autoridade de coisa julgada material. em virtude da formação da coisa julgada material. 2ª Câmara do TJMG. não há lide. Recurso extraordinário conhecido e provido. 1975. sem o grifo no original). através de ação anulatória (art. p. a rescisória. sim. independentemente de ação rescisória” (Apelação n. p. 30 e 31: “Todas as sentenças proferidas em procedimentos de jurisdição voluntária são irrescindíveis. sem o grifo no original). 86.348/CE. na jurisprudência: “SENTENÇA — ANULAÇÃO — JURISDIÇÃO GRACIOSA — A anulação de sentença simplesmente homologatória proferida em processo de jurisdição graciosa há de ser intentada como a dos atos jurídicos em geral. 2007. 1ª Turma do STF. De acordo. 2. 1958. 259. Ação rescisória. apenas. mas. Diário da Justiça de 26 de novembro de 1971. Com o mesmo entendimento.

exceção à regra do artigo 178 do Código Civil.027 do Código Civil: ação anulatória de sentença homologatória de partilha amigável438. na doutrina: “A ação para anular sentenças homologatórias de partilha ou de divisões. se a partilha for amigável (CC. porquanto a mesma não se confunde com a simples partilha amigável do artigo 1. decidida por sentença.029 do Código de Processo Civil e no artigo 2. 495)” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. 1.029) para as partilhas amigáveis viciadas por dolo. 2ª ed.. Diário da Justiça de 16 de agosto de 2004. não se há de cogitar de rescisória. art. 260: “Inventário. na doutrina: “O Código foi claro e obedeceu a bom sistema.312/SC. ao reservar a ação anulatória (art. Comentários ao Código de Processo Civil. na jurisprudência: REsp n. Recursos no Superior Tribunal de Justiça. contados do trânsito em julgado da decisão (art. 586. p. 3ª Turma do STJ. Por outro lado. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. a ser ajuizada no prazo de um ano (CPC. ainda na jurisprudência: REsp n. 1974. Herdeiro menor. Em sentido conforme. Ação anulatória do artigo 1. p. 1. a ação anulatória só pode ter em mira sentença homologatória de partilha amigável. Diário da Justiça de 7 de novembro de 1994. De acordo.029 do Código de Processo Civil439. 1. e não a ação rescisória propriamente dita. No mesmo sentido. p. 544 e 545). homologada pelo juiz.029) no prazo decadencial de um ano. Assim. face à existência no inventário de interesse de menor. 273. erro essencial ou intervenção de incapaz e ao dizer que é rescindível a parti- 282 .027 do Código Civil Hipótese especial de ação anulatória contra sentença homologatória proferida em processo de jurisdição voluntária reside no artigo 1. que é passível de ação rescisória (art. nota 38. coação. mas sim de ação anulatória. que pode ser objeto de ação anulatória (art.2. A sentença proveniente de partilha judicial é impugnável mediante ação rescisória440. 1991. p. em que não houve contestação. 438. Volume VIII. art. 440. 2008. “Destarte. da partilha judicial. 262). Partilha judicial. Em suma. 1.306/RS. A competência para as ações de anulação de partilha amigável é do juiz de primeira instância” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. Trata-se de hipótese especial em razão do prazo inferior de um ano. 32.029 do Código de Processo Civil e do artigo 2. 1. 3ª Turma do STJ. Comportabilidade. Tratando-se de partilha judicial. não é admissível ação anulatória contra sentença em inventário com partilha judicial. com referência ao Código Civil de 1916).029)” (SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA.030) no prazo decadencial de dois anos. é a anulatória. ou ação de anulação. p. 439. distinguindo a partilha amigável.773). o meio impugnativo cabível da sentença proferida é o da ação rescisória e não o da ação de anulação”. “O do Código de Processo Civil é mais minucioso no tocante à invalidade da partilha. Ação rescisória. Volume IX. 30019. Direito civil brasileiro.4.

Ainda no mesmo sentido. 1998. Comentários ao Código de Processo Civil. 332.. e não taxativo441. 1. 3ª ed. 283 . poderá ser simplesmente anulada por ação ordinária. exclusão de herdeiros etc. dolo ou coação. é importante levar em consideração a distinção fixada no artigo 352 do Código: “A confissão. II — por ação rescisória. A partilha judicial.030” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. sendo de um ano o prazo para a propositura da ação. da qual constituir o único fundamento”. os atos e negócios jurídicos. A partilha será amigável ou julgada por sentença. pois. estabeleceu apenas uma distinção. como visto (CPC. Comentários ao Código de Processo Civil. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. quando emanar de erro. mas homologados por sentença ainda não passada em julgado. em geral. Volume IX. Assim: BARBOSA MOREIRA. também podem ser lha julgada por sentença nos casos que menciona neste art. etc. 141 e 142. anulada ou rescindida. art. quando a sentença se limita a julgar os termos do esboço organizado. Volume V. p.3. pode ser revogada: I — por ação anulatória. coação. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Volume VIII. 1999. poderá ser rescindida (art. Ainda em relação à confissão. a fim de desconstituir atos jurídicos praticados pelas partes (como a confissão). 2000. a coação). Volume VI. mas contaminados por algum dos defeitos jurídicos (como o erro. p. o reconhecimento do pedido e a transação com defeito jurídico. Ação anulatória do artigo 352 do Código de Processo Civil O artigo 352 do Código de Processo Civil também autoriza a ação anulatória. 7ª ed. Cf.029). p. o rol de vícios previsto no caput do artigo 352 é exemplificativo. é rescindível”. 334: “O Código de 1973. é anulável pelos vícios e defeitos que invalidam.. na conformidade do art. Esta é reservada às hipóteses de sentença de mérito. 1. p. “Desse modo. A amigável. 1974. 545 e 546).. também na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS.” (CARLOS ROBERTO GONÇALVES. sem que haja litigiosidade entre os herdeiros. Tal como a confissão. não passa de homologatória. não estando sujeita à rescisória. em processos judiciais pendentes. o dolo. 486. direcionamento de quinhões em disputa. Se amigável. 2ª ed.4. Comentários ao Código de Processo Civil. Direito civil brasileiro. simplesmente homologada. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 1. Imagine-se a hipótese de confissão realizada por advogado sem o poder especial exigido pelo artigo 38 do Código442. como erro. p. com impugnação ao seu conteúdo decisório. 442. 2008. 262). a renúncia ao direito. depois de transitada em julgado a sentença. coerente com sua posição de se ter o inventário e partilha como de jurisdição contenciosa. se pendente o processo em que foi feita. 441. por sua vez. julgada por sentença. “A partilha pode ser. Se julgada por sentença. ainda que contenciosos.. em situações como as de partilha contenciosa.030)”. dolo.

VIII. 309: “Acordo judicial. segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça. posteriormente ao trânsito em julgado da decisão que os homologou” (Ação rescisória. 443. 486 e 485. 245 e 262.4. Diário da Justiça de 18 de setembro de 2007. 103. Diário da Justiça de 3 de dezembro de 2007. 3119. Diário da Justiça de 23 de setembro de 1991).impugnados por meio de ação anulatória do artigo 486. 9. 56326. p. 13. do Código. separação consensual. não assim mediante ação rescisória. AÇÃO RESCISÓRIA. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DE ACORDO. Com efeito. ainda na jurisprudência: REsp n. REsp n. 485. Ação anulatória de sentença homologatória de transação: artigo 485. pode ser desconstituído na forma do art. p. 1ª Câmara Cível do TJDF. 445. e REsp n. do CPC.. Volume III. previstos no art. 1979. De acordo. 1.651/SP.059/SP. 4ª Turma do STJ. 4. 2 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “A transação homologada em juízo pode ser rescindida como os atos jurídicos em geral. não há o grifo no original).014344-4. divórcio consensual). dada a ausência de conteúdo decisório”. inciso VIII. 444. nos termos do art. No mesmo sentido. a divergência reside apenas no processo contencioso.365/MS. 486 do CPC” (AR n. n. Manual de direito processual civil. NÃO CABIMENTO. 4. porquanto é admissível a ação anulatória. ambos do Código de Processo Civil Há séria divergência acerca da admissibilidade de ação rescisória contra sentença homologatória de transação em processo contencioso444. Daí a inadequação da ação rescisória. inciso VIII. versus artigo 486. “os atos homologáveis. Como também ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. VIII. 159 e 160. Volume V. 2007. a sentença homologatória exarada em processo contencioso só pode ser desconstituída mediante ação rescisória443. No que tange à sentença homologatória de transação em processo de jurisdição voluntária (por exemplo. que tratam de hipóteses distintas”. 648. 284 . p. Diário da Justiça de 8 de março de 1993. 1998. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 143. 4ª Turma do STJ. p. mas. De acordo. Após o trânsito em julgado. não há dúvida de que não incide o artigo 485. 109 a 113. Não há incompatibilidade entre os arts. p. Ação rescisória. JOSÉ FREDERICO MARQUES. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. 486 do Código de Processo Civil. BARBOSA MOREIRA. Diário da Justiça de 3 de novembro de 1997. o artigo 486 do Código de Processo Civil.2. homologado pelo Juiz. Prevalece a orientação de que a ação apropriada é a prevista no artigo 486: anulatória445. 1975. Comentários ao Código de Processo Civil. 7ª ed. não estão sujeitos à ação anulatória. nota 3). sim. p. Não cabe ação rescisória de sentença homologatória de acordo em separação consensual. “A ação cabível para atacar sentença homologatória de transação é a ação anulatória e não a rescisória” (REsp n. p.00. É o que se infere da conclusão n. 2006. 3ª Turma do STJ.102/SP. p. 4ª Turma do STJ.

p. p. Curso de direito processual civil. 4ª ed. inciso III. 4ª ed. MÁRIO GUIMARÃES. 2007. Ação rescisória. do CPC. 448. Volume I. 66: “TRANSAÇÃO — Ação anulatória de homologação — Improcedência — Inteligência do art. FREITAS CÂMARA. p. volume 558. p. Curso de direito processual civil. 226: “Processual civil. 1975. 109 a 113. FREDERICO MARQUES. 19ª ed. e SÉRGIO RIZZI. à luz dos artigos 269. 245 e 262. 485 do CPC. 352. 16. inciso VIII. do art. Não obstante. 646 e 647. é sede própria para a discussão a respeito dos vícios na transação homologada judicialmente. 485 endereça a ação rescisória contra sentença de mérito. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. No mesmo sentido. p. 109 a 113. Agravo no recurso especial. Revista dos Tribunais. 596. 485. Após o trânsito em julgado. a ação anulatória só poderia ser proposta antes da formação da coisa julgada. p. na doutrina: COQUEIJO COSTA. na doutrina: COQUEIJO COSTA. 2 e na jurisprudência dos tribunais pátrios. É o que revela a interpretação sistemática do Código. 30 e 31. à vista do artigo 269. é a sentença transitada em julgado. O mesmo não ocorre quando há prolação de sentença homologatória de transação em processo contencioso447. p. O juiz e a função jurisdicional. 646 e 647. O art. Volume III.. e 486. há didático acórdão da relatoria do Desembargador ARRUDA ALVIM: Apelação n. p. 1997. predomina outro entendimento jurisprudencial448. E a transação julgada por sentença é representativa de que houve julgamento de mérito”. do CPC. tem por finalidade desconstituir o ato processual. Diário da Justiça de 17 de maio de 2004. 1979. 486. homologado judicialmente. a ação apropriada é a rescisória. A rescisão de sentença que homologa transação. Ação rescisória. do Código de Processo Civil. Ação rescisória. FREITAS CÂMARA. até mesmo em processo contencioso com decisão já protegida pelo manto da coisa julgada. 19ª ed. 74 e 82.. Em sentido semelhante..Ainda que muito respeitável a orientação predominante consubstanciada na conclusão n. Precedentes”. 14ª Câmara Civil do TJSP. porquanto não há formação de coisa julgada material446. que faz coisa julgada material. 82 e 83. A ação anulatória. 1986. a ação anulatória tem serventia quando ocorre homologação de transação em jurisdição voluntária. 446. Ação rescisória. Volume I. Com a mesma opinião. segundo o qual é a anulatória do artigo 486 a ação apropriada contra sentença irrecorrida homologatória de transação. p. 1986.. prevista no art. 447. 486 do CPC. Diante de processo litigioso. 1958. Ressalvado o ponto de vista sustentado no bojo do texto. 1997. 404 e 405. Transação homologada judicialmente. 2007. é importante reconhecer que prevalece a tese em prol da ação anulatória contra sentença homologatória de acordo em processo contencioso: REsp n. p. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 3ª Turma do STJ. p. e Manual de direito processual civil.9592. — A ação anulatória. inciso III. 485. O efeito pretendido pela primeira é a anulação do ato enquanto que na 285 .271/RS — AgRg. enquanto que o alvo da ação rescisória. prevista no art. “2. Ação anulatória. Ação rescisória.

7ª ed. 4. Nestes casos. hipóteses nas quais a ação anulatória deve ser proposta no juízo de origem (artigo 19. a mesma discussão. 4. 486. posto ausente requisito primordial da rescindibilidade do julgado. A ação anulatória tem como escopo a exclusão. bem assim de documentos ignorados no momento do julgamento do crédito ou da respectiva inclusão no quadrogeral de credores. Ainda que muito respeitável a denominação sugerida pela melhor doutrina. a ação anulatória deve ser proposta perante o juízo de primeiro grau competente para o processo de recuperação judicial ou de falência. 485.5. 185). p. § 1º). incabível a ação rescisória do art. a ação do artigo 19 da Lei n. 3. 11.. com igual solução.101 versa sobre a ação anulatória sob o procedimento comum ordinário perante juiz de primeiro grau. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 5. erro essencial. porquanto tem como alvo a decisão homologatória do quadro-geral de credores do artigo 18 da Lei n. A ação rescisória somente é cabível quando houver sentença de mérito propriamente dita. outra classificação ou a retificação de qualquer crédito.101. rescisória é a prolação de nova sentença no judicium rescissorium.101 não é a rescisória449 do artigo 485 do Código de Processo Civil. 1ª Turma do STJ. 11. 11. Diário da Justiça de 20 de outubro de 2003. 344). 11. do CPC. Volume III. pelos defeitos dos atos jurídicos em geral. e 486 do Código de Processo Civil. VIII. Não obstante. 2007. a desconstituição da transação. mas. do CPC” (REsp n. salvo quando o crédito for de natureza trabalhista ou proveniente de ação por quantia ilíquida. ou seja. mas também nos casos dos incisos II e V do mesmo artigo 269. p.101 O artigo 19 da Lei n. 450. do CPC. 449. simulação. adstrita aos aspectos formais da transação. Curso de direito comercial: direito de empresa. em razão da descoberta de falsidade. Não obstante. fraude. “ação de rescisão” (FÁBIO ULHOA COELHO. a anulatória do artigo 486.431/PR. 286 . em sendo a sentença meramente homologatória do acordo. 485. consoante a interpretação dos artigos 485. Em regra. dolo. Ação anulatória do artigo 19 da Lei n. VIII.101 não tem ligação com a ação rescisória do artigo 485 do Código de Processo Civil. A sentença que homologa a transação fundamentando-se no conteúdo da avença. sim. se faz por meio de ação anulatória. a ação do artigo 19 da Lei n. é desconstituível por meio de ação rescisória fulcrada no art. sim. com a ação anulatória do artigo 486. mas. 11. que é aquela em que o magistrado põe fim ao processo analisando os argumentos suscitados pelas partes litigantes e concluindo-a com um ato de inteligência e soberania. tem lugar não só na hipótese do inciso III do artigo 269. autorizada doutrina chama que a ação prevista no artigo 19 de “rescisória”. fulcrada no art.Por fim. inciso VIII.

63 e 156. o titular do crédito questionado somente pode levantar o pagamento da respectiva importância mediante caução no mesmo valor (artigo 19. pelo administrador judicial. tudo à luz dos artigos 19. 11. até o encerramento do processo de recuperação judicial ou da falência. § 2º). todos da Lei n. pelo Comitê e por qualquer credor.Quanto aos legitimados. 287 .101. Proposta a ação anulatória. a ação anulatória pode ser ajuizada pelo Ministério Público.

da Constituição Federal de 1988. 8. de atos omissivos e comissivos de autoridades públicas em geral. bem como pelas Leis 1. assim como contra ameaça de lesão praticada por autoridade pública ou por agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas. NOTíCIA HIsTÓRICA dO mANdAdO de seGURANÇA O mandado de segurança foi instituído pela Constituição de 1934. especificamente pelo inciso XXXIII do artigo 113.348.014. habeas data. 5. CONCeITO de mANdAdO de seGURANÇA O mandado de segurança é a ação de estatura constitucional adequada para a impugnação. no prazo decadencial de cento e vinte dias.259 (embora as duas primeiras sejam as principais leis de regência do mandado de segurança). recurso processual específico). 6.038 e 9. a omissão ou a ameaça não sejam impugnáveis por meio de habeas 288 . mANdAdO de seGURANÇA CONTRA deCIsÃO JUdICIAL No que tange à admissibilidade. ação popular. e hoje é regido pelo artigo 5º. incisos LXIX e LXX. em procedimento especial marcado pela celeridade e pela produção de prova apenas documental. bem assim de atos de particulares no exercício de delegação pública.533.021. 2.071. desde que o ato. desde que a omissão e o ato comissivo contaminados por ilegalidade ou abuso de poder não possam ser impugnados por outra via processual específica (habeas corpus. o mandado de segurança é a ação de rito especial apta à proteção de qualquer pessoa ou grupo de pessoas em face de ato e omissão contaminados por ilegalidade ou abuso de poder.Capítulo XII mANdAdO de seGURANÇA CONTRA ATO JUdICIAL 1. 6. ação direta de inconstitucionalidade. 4. 3. ação rescisória.

533. entretanto. de natureza jurisdicional. decisão monocrática — proferida por relator. revela que o alcance do mandado de segurança é obtido por exclusão. presidente de seção. reforça o preciso enunciado n. de 1951. Em contraposição. 1. Não é admissível. como nas hipóteses dos incisos II e III do artigo 527 do Código de Processo Civil. Um exemplo muito freqüente na prática forense pode facilitar a compreensão do assunto: em regra. 4 do Primeiro Colégio Recursal de São Paulo: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso”. nem por outra ação própria ou algum recurso processual específico. É a regra consagrada no artigo 39 da Lei n. da Constituição Federal.corpus ou habeas data. Colhe-se da didática ementa do precedente 289 . por conseguinte. Com efeito. 121 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe mandado de segurança contra ato ou decisão. a regra reside na inadmissibilidade da ação de segurança contra decisão judicial. 1. Na mesma esteira. é inadmissível a ação de segurança. da Lei n. Quando a decisão judicial. presidente de turma.533. também denominado agravo regimental). Com efeito. quando não há recurso específico para impugnar a decisão. inciso II. é admissível a ação de mandado de segurança. 24. inciso LXIX. presidente de tribunal — pode ser impugnada por meio do recurso de agravo interno (ou regimental). de 1951.533. a interpretação do artigo 5º. 8. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007.654/PA. de 1951. 102 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Descabe a impetração de mandado de segurança perante o Órgão Especial contra as decisões das Câmaras isoladas. nos casos em que a lei prevê recursos para os Tribunais Superiores”. ex vi do artigo 5º. A propósito. Em sentido conforme. na jurisprudência: RMS n. da Lei n. Diante da existência de recurso processual específico (agravo interno. 3ª Turma do STJ. consoante a interpretação a contrario sensu do próprio inciso II do artigo 5º da Lei n. a ação de segurança quando há outra ação específica para a impugnação da decisão jurisdicional. diante da irrecorribilidade das decisões monocráticas 450. como bem revela o enunciado n.038. é admissível mandado de segurança contra a decisão judicial450. 1. reforçado pelos artigos 1º e 5º. de 1990. não é admissível o mandado de segurança quando cabe algum recurso processual específico contra a decisão jurisdicional. inciso II. emanado de relator ou presidente de turma”. não comporta recurso processual específico. conforme revela o enunciado n. Na verdade. bem assim no § 1º do artigo 557 do Código de Processo Civil.

REFORMA DA DECISÃO. INDEFERIMENTO DE EFEITO SUSPENSIVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. Mandado de Segurança contra ato judicial. número 12. Sendo irrecorrível. não cabe qualquer recurso contra decisão de Relator que confere ou denega efeito suspensivo em agravo de instrumento. em casos teratológicos. Com a violação. Indeferimento liminar da inicial de Mandado de Segurança interposto contra decisão de relator. ou na iminência de prejuízos irreparáveis ou de difícil reparação dela decorrentes” (não há o grifo no original).00. quando haja recurso previsto nos leis processuais ou possa ser modificado por via de correição’. 2001. da Lei n.025040-9/DF — AgRg. 293 do Regimento Interno deste Tribunal Regional Federal. não se dará mandado de segurança contra ‘despacho ou decisão judicial. da Lei 1. A possibilidade da formulação do pedido de reconsideração previsto no parágrafo único do mesmo artigo 527 não impede a impetração da segurança. mas apenas a competência do próprio relator que proferiu a decisão monocrática causadora do inconformismo452. 1. CABIMENTO. sendo. 24. 5º. que atribuiu efeito suspensivo em agravo. 3ª Turma do STJ. 1. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO RECURSAL.01. A teor do art. Da decisão de relator sobre efeito suspensivo em agravo de instrumento não cabe agravo regimental (art. 293. ou de manifesta ilegalidade. logo. turma especial de férias) do próprio tribunal451. Iminência de prejuízos irreparáveis. p. pois. a contrario sensu do citado dispositivo.654/PA. De acordo com o § 1º do art. por disposição expressa de lei. Turma Recursal de Férias do TRF da 1ª Região: “CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. na jurisprudência: RMS n. mandado de segurança” (não há o grifo no original). 452. 71: “Processual Civil. ela somente é impugnável pela via do remédio heróico”. Assim. Provimento do regimental.044260-1/MG — AgRg. nem aciona órgão colegiado com competência para reforma e cassação. a decisão que determina a conversão de agravo de instrumento em agravo retido. § 1º. DO MANDADO DE SEGURANÇA. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. Agravo Regimental. na hipótese do art. do Regimento Interno). Em sentido conforme. Também em sentido semelhante: MS n. porquanto o pedido de reconsideração não tem natureza recursal. dezembro de 2002. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. “Já com a retenção do agravo pode haver violação a direito líquido e certo do impetrante. é cabível. 2. Nos termos do artigo 5º. 527. 1. 451.533/51.533/51. II. 2002. ano 14. é admissível a ação de segurança para o colegiado competente (verbi gratia. na jurisprudência: MS n. não cabe mandado de segurança contra despacho ou decisão judicial quando haja recurso previsível nas leis processuais ou possa ser modificado por via de correição. II. DECISÃO DE RELATOR. Corte Especial do TRF da 1ª Região. nasce para o impetrante a pretensão de obter segurança para afastar o ato coator”. INDEFERIMENTO DA INICIAL.00. não é possível restringir o cabimento de mandado de segurança.01. parágrafo 290 . 2. órgão especial. EM TESE. pleno. em tese.arroladas nos incisos II e III do artigo 527 mediante agravo interno ou regimental. tal decisão impugnável por via de mandado de segurança. Colhe-se da precisa ementa do precedente jurisprudencial: “O pedido de reconsideração não tem. Daí a conclusão: a regra da jurisprudencial: “Por ser garantia constitucional.

inadmissibilidade de mandado de segurança contra decisão monocrática comporta exceções. 291 .95. as decisões interlocutórias são irrecorríveis” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. A Lei de Regência dos Juizados Especiais — Lei n. 453. como nas hipóteses dos incisos II e III do artigo 527. natureza recursal. 2007. p.099/1995 — prevê apenas duas espécies de recurso: inominado e embargos declaratórios. que não desafia recurso. a fim de único. Novo curso de direito processual civil. da Lei n. é admissível a impetração de mandado de segurança contra sentença proferida em justificação judicial. Assim. Por fim. Outro exemplo reside na impossibilidade jurídica de recurso de agravo de instrumento contra decisão interlocutória proferida em processo da competência dos Juizados Especiais Cíveis453. 42). LXIX. de 1951. Assim.1. 1.533. da Lei n. merece ser prestigiado recente precedente jurisprudencial: ”MANDADO DE SEGURANÇA — ADMISSIBILIDADE NO JUIZADO ESPECIAL. em que a oralidade é observada de forma mais intensa. o pedido de reconsideração é simples decorrência lógica do sistema de preclusões processuais” (não há o grifo no original). de 1951. Também de acordo.533. ainda na jurisprudência: “É cabível mandado de segurança contra ato ilegal ou abusivo de juiz federal com jurisdição nos Juizados Especiais Federais (JEFs)” (Processo n. na falta de recurso específico para a hipótese de negativa de transcrição para meio impresso dos depoimentos das testemunhas. Daí a admissibilidade da ação de mandado de segurança454.71. da Constituição Federal e no artigo 5º. devendo tal custo ser suportado pelo Estado. cabível se mostra a impetração do Mandado de Segurança. É admissível a impetração de Mandado de Segurança contra decisão interlocutória proferida por magistrado do Juizado Especial Cível. a fim de impedir lesão a direito líquido e certo. 454.10117234. inciso II. Volume I. consoante a interpretação a contrario sensu do artigo 5º. 142). Com efeito. diante da restrição contida no artigo 865 do Código de Processo Civil. na doutrina: “Nos procedimentos do Juizado Especial. 5ª Turma do STJ. máxime quando capaz de inviabilizar sua defesa” (MS n. além de se caracterizar como meio de oportunizar ampla defesa ao litigante. 2005. na jurisprudência: “Cabível a impetração do mandado de segurança contra decisão irrecorrível de Juiz singular do Juizado Especial” (RMS n. 9. 2004. Diário da Justiça de 13 de setembro de 2004. 1. 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal.006166-0/RS). Da mesma forma. p. 17. nas quais a impetração da ação de segurança encontra sustentação no artigo 5º. CPC. 264). À parte reconhecidamente hipossuficiente deve ser estendido o benefício da gratuidade na degravação da fita magnética. abre-se a via excepcional do mandado de segurança como sucedâneo recursal. em razão da inadequação do agravo interno ou regimental.113/MG. sendo ambos voltados à sentença. Assim. Assim.03. Informativo n. inciso II. A possibilidade de haver retratação pelo relator indica apenas que a legislação afastou a preclusão pro judicato.

Diário da Justiça de 7 de novembro de 2005. Com efeito. Daí a asserção de que só excepcionalmente o mandado de segurança tem em mira decisão jurisdicional — e como alvo tradicional ato de 455.247/CE. procedimento de jurisdição voluntária destinado. 6ª Turma do STJ. conforme revela a interpretação a contrario sensu do inciso II do artigo 5º da Lei n. A ação de segurança é admissível apenas quando não for cabível recurso processual específico algum e também não for adequada outra ação própria. Não obstante. em razão da inadmissibilidade — e da conseqüente carência — da ação de segurança. É o que ocorre com decisão de mérito sob o manto da coisa julgada. Recurso provido” (RMS n. Ao contrário. É o que se infere do preciso verbete n. não há lugar para o mandado de segurança. consoante o disposto no verbete n. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA SENTENÇA PROFERIDA EM JUSTIFICAÇÃO JUDICIAL. Sem dúvida. é inadmissível o mandado de segurança. a produzir princípio de prova quanto à existência e veracidade de um fato ou de uma relação jurídica. grifos aditados). Reforça o enunciado n. pois se trata de decisão irrecorrível. Por tudo. se a decisão não for — nem em tese — impugnável por recurso específico. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. 33 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial passada em julgado”. 267. não incidindo. Há outra via processual de impugnação específica: ação rescisória (ou revisão criminal. como a rescisória é a ação cível impugnativa apropriada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata. conforme a natureza do processo no qual houve o julgamento originário). Em sentido conforme ao raciocínio sustentado no texto. em desacordo com o disposto no artigo 866 do Código de Processo Civil)455. a ação de segurança é admissível. 292 . Se existe outra ação própria. 1. assim. quase sempre. tem-se a impossibilidade jurídica da ação de segurança. CABIMENTO.afastar eventual ilegalidade (por exemplo. É possível o manejo de mandado de segurança contra sentença proferida em justificação judicial. o campo de incidência do mandado de segurança é residual. 1. 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição”. 19. a prolação da sentença com juízo de mérito acerca das provas produzidas na justificação judicial. o raciocínio pode ser assim resumido: se for cabível algum recurso processual específico. 268 da Súmula do Supremo Tribunal Federal reforça: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado”. 2. enunciado de n.533 e do enunciado n. não é toda decisão irrecorrível que enseja mandado de segurança. SÚMULA 267/STF. ATO IRRECORRÍVEL. 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. NÃO INCIDÊNCIA.

2ª) declaração de inconstitucionalidade de ato administrativo em mandado de segurança. Já na segunda 293 . a despeito da natureza vinculada do ato. habeas data. Com efeito. vale dizer. o mandado de segurança é a ação constitucional que tem como alvo ato comissivo ou omissivo do Poder Público. desde que não seja admissível recurso processual ou ação específica. mas sem a respectiva proteção por outra via processual. lesivo a direito subjetivo ou que coloque em risco o mesmo. Tanto quanto sutil. ação direta de inconstitucionalidade. Legislativo ou Judiciário pode ser impugnado por outra via processual (verbi gratia. não há dúvida de que. é comum a confusão entre duas hipóteses bem distintas sob o ponto de vista jurídico: 1ª) mandado de segurança para declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. a inconstitucionalidade do ato comissivo ou omissivo também autoriza a impetração. 4. a diferença é muito relevante. o mandado de segurança não é admissível na primeira hipótese. Como não há restrição alguma na Constituição Federal e na legislação de regência acerca da natureza da autoridade pública.autoridade administrativa. por não ser a ação adequada para a declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo em tese. A utilização do mandado de segurança como sucedâneo recursal é excepcionalíssima. recursos processuais específicos). Daí a conclusão: o vocábulo “ilegalidade” deve ser interpretado em sentido amplo. ILeGALIdAde OU AbUsO de POdeR A ilegalidade consiste na prática de ato ou omissão contra texto de lei. a autoridade pública é omissa ou pratica o ato contra o disposto na lei. A ação de segurança só é admissível contra atos dos Poderes Públicos específicos ou delegados e que não sejam impugnáveis por outra via processual. 266 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. A propósito. ação declaratória de constitucionalidade. não há a admissibilidade do mandado de segurança. o mandado de segurança foi inicialmente idealizado como ação pessoal contra os atos da Administração Pública. habeas corpus. mas geram lesão ou ameaça a direito subjetivo. Na verdade. Com maior razão. em razão de ilegalidade ou abuso de poder. porquanto a inconstitucionalidade do ato também pode ser impugnada mediante mandado de segurança. Na esteira do enunciado n. os atos dos outros poderes (Judiciário e Legislativo) também podem ser impugnados mediante mandado de segurança. além dos atos provenientes do Poder Executivo. ação rescisória. Se o ato lesivo ou intimidador proveniente do Executivo.

533. o que explica a celeridade. 282 e 283. em virtude da celeridade que marca o procedimento.636 e o inciso XIII da respectiva Tabela “B”. Também incidem o artigo 257 do Código de Processo Civil e. especialmente se comparado o rito do mandado de segurança com o procedimento comum seguido pela maioria das ações. dIReITO LíqUIdO e CeRTO A proibição de dilação probatória no mandado de segurança nasceu da interpretação dada pela jurisprudência e pela doutrina à expressão “di294 . os artigos 2º e 5º da Lei n. o rito da ação de mandado de segurança é especial. mas não pratica o ato dentro dos parâmetros nos quais pode exercer o livre juízo de conveniência e oportunidade. cuja norma geral e abstrata na qual está fundamentado pode ser declarada inconstitucional incidenter tantum. 11. Com efeito. quando o Chefe do Poder Executivo (Presidente ou Governador. por exemplo. Há abuso de poder. Ainda a respeito da petição inicial da ação de mandado de segurança.hipótese. só não pode deixar de fazê-lo (ato omissivo) ou escolher um nome que não conste da lista (ato comissivo). Há o abuso de poder quando a autoridade pública conta com margem de discricionariedade. inciso LXIX. 1. PROCedImeNTO: esPeCIAL No que tange ao procedimento. conforme o caso) recebe a lista tríplice com as indicações do Tribunal competente e deixa transcorrer in albis o prazo de vinte dias para a respectiva escolha prevista no parágrafo único do artigo 94 da Constituição Federal. 258. da Constituição Federal. no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Ressalvada a hipótese prevista no parágrafo único do artigo 6º da Lei n. 5. como bem revela o artigo 5º. é admissível a declaração da inconstitucionalidade incidental da lei ou do ato normativo na qual reside a sustentação jurídica do ato administrativo. o alvo do mandado de segurança é o ato administrativo. Além da ilegalidade. 6. até mesmo por ser permitida apenas a produção de prova documental. Daí a possibilidade de impetração de mandado de segurança contra ato inconstitucional. Não há dúvida de que o Chefe do Executivo pode escolher qualquer um dos três nomes indicados pelo Tribunal competente. a prova documental comprobatória dos fatos deve acompanhar desde logo a petição inicial. todos do Código de Processo Civil. o mandado de segurança também é admissível para a impugnação do ato e da omissão contaminados por abuso de poder. com a posterior concessão da segurança. incidem os artigos 39.

resta saber se a veiculação de simples pedido de reconsideração tem o condão de suspender ou interromper o prazo previsto no artigo 18 da Lei n. 7. O que pode ser confusa.reito líquido e certo”. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. devem ser comprovados de plano. A rejeição do pedido de reconsideração é mero desdobramento do ato coator anterior. inicia-se o prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança. Precedentes” (não há o grifo no original). PRAzO deCAdeNCIAL dO mANdAdO de seGURANÇA O direito ao rito especial do mandado de segurança deve ser exercido dentro dos cento e vinte dias posteriores à data em que o prejudicado atingido pelo ato teve ciência da sua concretização. 625 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Controvérsia sobre matéria de direito não impede a concessão de mandado de segurança”. Colhe-se da precisa ementa do precedente jurisprudencial: “Com a publicação da decisão que retém o agravo de instrumento. Tal cláusula indica que os fatos narrados na petição inicial não podem ser duvidosos. vale a pena conferir o correto enunciado n. 1. Ainda em relação ao prazo de impetração do mandado de segurança. 456. que o insatisfeito proponha ação de procedimento comum para impugnar o ato tido por coativo.533. Por oportuno. no entanto. de 1951. tanto na esfera administrativa quanto na judicial456. Não obstante. À vista do artigo 207 do Código Civil. o prazo decadencial não diz respeito ao suposto direito material sustentado pelo prejudicado por ato de autoridade pública. Ademais. bem assentou o Plenário do Supremo Tribunal Federal no enunciado n. 295 . 430 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança”. Pedido de reconsideração não suspende ou interrompe o prazo para impetrar mandado de segurança. e não uma nova violação a direito líquido e certo.654/PA. a resposta é negativa. Nada impede. O decurso in albis do prazo previsto no artigo 18 da Lei n. 1. Em suma. complexa e intrincada no mandado de segurança é a matéria de direito. correta é a solução consagrada no enunciado n. 632: “É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de mandado de segurança”. na jurisprudência: RMS n. 24. mas nunca a de fato. De acordo. A respeito da exegese da cláusula constitucional “direito líquido e certo”.533 apenas fecha a via especial do writ. 3ª Turma do STJ.

não basta o mero receio. 630 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria”. mANdAdOs de seGURANÇA RePRessIVO e PReVeNTIVO Além da forma tradicional de impetração repressiva. No entanto.8. a omissão ou a ameaça atingir um grupo de pessoas. mas apenas indícios de que o ato será perpetrado. já que na impetração preventiva não existe um ato coator já concretizado a ser impugnado. Como tal legitimidade reside no artigo 5º. pode ser impetrado mandado de segurança coletivo por organização sindical. Também em relação ao sujeito ativo e ao mandado de segurança coletivo. pela qual se combate ato ou omissão já perpetrados. conforme revela o preciso enunciado n. O mandado de segurança preventivo não está sujeito ao prazo decadencial previsto no artigo 18 da Lei n. o mandado de segurança pode ser preventivo. assim como por partido político com representação no Congresso Nacional. a associação e o partido figuram no pólo ativo da relação processual como substitutos processuais das pessoas integrantes da coletividade prejudicada. Ao contrário do mandado de segurança repressivo. LeGITImIdAde O sujeito ativo no processo de mandado de segurança é a pessoa física ou jurídica ameaçada ou prejudicada pelo ato — comissivo ou omissivo — de autoria da autoridade pública ou delegada. É necessário que haja ameaça real e atual de o ato — comissivo ou omissivo — vir a ser realizado por parte da autoridade pública. quando impetrado com o fito de impedir a concretização de ato ou omissão ofensivos a direito do impetrante. a entidade. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. Aliás. a organização. 9. a impetração preventiva exige apenas a existência de ameaça. Se o ato. o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado até mesmo em favor apenas de uma parcela da coletividade.533. não há necessidade de autorização 296 . inciso LXX. 1. medo do impetrante de que o ato e a omissão sejam perpetrados. da Constituição de 1988.

do Código de Processo Civil. só haverá a necessidade da identificação dos substituídos no momento do cumprimento da decisão concessiva da segurança. Ainda em razão da substituição processual prevista no artigo 5º. a fim de que a ordem concedida seja cumprida.específica dos associados e filiados. ou seja. 27 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “A legitimidade para recorrer em mandado de segurança é da pessoa jurídica e não da autoridade apontada como coatora”. e não a autoridade coatora. Fixada a premissa de que o pólo passivo da relação jurídica processual é ocupado pela pessoa jurídica da qual a autoridade coatora é órgão. Além do mais. Como o pólo ativo do mandado de segurança coletivo é ocupado pela organização. como bem revela o enunciado n. § 1º. dos associados e filiados. A propósito. O interesse jurídico que permite a interposição de recurso está 297 . A pessoa física cujo ato ou omissão foi alvo da impetração pode. nem ao menos de personalidade judiciária — conferida ex vi legis em hipóteses excepcionais a órgãos de pessoas jurídicas. como bem revela o enunciado n. da litispendência é a pessoa jurídica. Só então. interpor recurso em nome próprio na qualidade de terceiro prejudicado. como nos casos dos incisos do caput do artigo 103 da Constituição Federal. 629 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “A impetração do mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe de autorização destes”. pode ser necessária a posterior apresentação da relação nominal dos associados e filiados. em virtude da substituição processual. inciso LXX. porquanto não é dotado de personalidade jurídica. órgão de pessoa jurídica não pode ser parte. da coisa julgada. merece ser prestigiado o enunciado n. após a concessão da segurança. pela associação ou pelo partido político. pela entidade. entretanto. 114 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Legitimado passivo do mandado de segurança é o ente público a que está vinculada a autoridade coatora”. o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado sem que a petição inicial esteja acompanhada com a relação nominal dos substituídos. conforme o disposto no artigo 499. que passam a ter capacidade para ser parte. Já a parte passiva no processo de mandado de segurança é a pessoa jurídica da qual a autoridade coatora é órgão. E a razão é simples: quem sofre as conseqüências jurídicas da sucumbência na ação de segurança. fica evidente que só aquela (pessoa jurídica) tem legitimidade para recorrer como parte. da Constituição Federal.

do Procurador-Geral da República. inciso I. 11. 1990. inciso I. p. Sob outro prisma. É o didático exemplo indicado pelo Ministro EDUARDO RIBEIRO (Recursos em mandado de segurança. do Tribunal de Contas da União e do próprio Supremo Tribunal Federal. 108. a precisa indicação da autoridade coatora é essencial para a fixação da competência do órgão judiciário para processar e julgar a ação de mandado de segurança. inciso I. p. Em tais hipóteses. 3ª ed. todos da Constituição Federal. 290) e pelo Professor SÉRGIO FERRAZ (Mandado de segurança. 105. há o problema da legitimidade passiva. nos termos do § 6º do artigo 37 da Constituição Federal457. letra “d”. 10. da Constituição Federal. a qual é imediatamente conhecida pela só indicação daquela (autoridade coatora). a correta indicação da autoridade coatora é até mais importante do que a da parte passiva. alínea “d”. o mandado de segurança pode ser da competência originária de tribunal. a qual também está relacionada à perfeita indicação da autoridade coatora. inciso I. a ação de segurança deve ser impetrada desde logo no Supremo Tribunal Federal. Na verdade. conforme o caso. consoante o disposto nos artigos 102. Daí a exigência de que a petição inicial da ação de segurança deve conter a indicação precisa da autoridade coatora. Portanto. A competência é originária do Supremo Tribunal Federal quando a impetração tem como alvo ato ou omissão do Presidente da República. o erro na indicação da autoridade coatora pode gerar a incompetência absoluta do juízo ou tribunal. mas também pode ser da competência de juízo de primeiro grau (artigo 109. ex vi do artigo 102. COmPeTêNCIA A competência do juízo ou tribunal para o processamento e o julgamento do mandado de segurança está diretamente relacionada à autoridade coatora. 186).. da Mesa da Câmara dos Deputados Federais. 298 . da Mesa do Senado Federal. como bem revela o 457. alínea “c”. da Constituição). Por conseguinte. letra “b”. AUTORIdAde COATORA A petição inicial do mandado de segurança deve conter a indicação da autoridade coatora com precisão. portanto. Aliás. tudo conforme a autoridade coatora. inciso VIII.consubstanciado na possibilidade de a pessoa física poder vir a sofrer ação regressiva.

de orientação jurisprudencial tradicional. reforça o enunciado n. ex vi do artigo 105. letra “b”. quanto aos demais tribunais. o writ refoge à competência da Corte. conforme revela o enunciado n. do Exército e da Aeronáutica. O mesmo raciocínio alcança os Tribunais de Justiça ex vi do caput do artigo 125 da Constituição Federal. os Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal têm competência originária para o processamento e o julgamento das ações de segurança impetradas contra atos do próprio tribunal e dos juízes de direito. inciso I. Em contraposição. todavia. 41: “O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para processar e julgar. A propósito. Ao revés. ainda que judiciários. mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou dos respectivos órgãos”. o Supremo Tribunal Federal. alínea “b”. 330 da Súmula da Corte Suprema: “O Supremo Tribunal Federal não é competente para conhecer de mandado de segurança contra atos dos Tribunais de Justiça dos Estados”. prevalece o entendimento jurisprudencial de que compete à Turma Recursal dos Juizados Especiais processar e julgar mandado de 299 . originariamente. À luz do artigo 105. 624: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais”. para mandado de segurança contra ato do Tribunal de Contas da União”. inciso I. bem assim do próprio Superior Tribunal de Justiça. a alínea “c” do inciso I do artigo 108 da Constituição Federal versa sobre a competência originária dos Tribunais Regionais Federais para o processamento e o julgamento dos mandados de segurança contra atos do próprio tribunal e dos juízes federais de primeiro grau. Com efeito. o Superior Tribunal de Justiça tem competência para processar e julgar originariamente mandado de segurança contra ato do “próprio Tribunal”.enunciado n. dos Comandantes da Marinha. Com efeito. No que tange aos tribunais intermediários. compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar os mandados de segurança contra ato e omissão de Ministro de Estado. Trata-se. não compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar mandado de segurança contra ato unipessoal ou colegiado proveniente de tribunal local. não compete ao Supremo Tribunal Federal processar nem julgar os mandados de segurança contra atos — unipessoais e coletivos — de outros tribunais. como bem revela o enunciado n. Por fim. da Constituição Federal. 248 da Súmula da Corte Suprema: “É competente. originariamente. de tribunal regional federal e até mesmo de outro tribunal superior. da Constituição Federal. aliás.

1. para concluir o capítulo destinado ao mandado de segurança.segurança contra atos emanados de juízes dos Juizados Especiais. mANdAdO de seGURANÇA e COIsA JULGAdA Resta. 12. caso a decisão proferida no mandado de segurança não tenha versado sobre o mérito da causa. Se o fez.533 e o enunciado n. 304 da Súmula do Supremo Tribunal Federal asseguram apenas a possibilidade da propositura de ação de procedimento comum. o decisum — concessivo ou denegatório da ordem — fica protegido pelo manto da coisa julgada após o decurso in albis do prazo recursal e só pode ser desconstituído por meio de ação rescisória. o Superior Tribunal de Justiça e o Fórum Nacional dos Juizados Especiais — FONAJE assentaram que a competência é sempre da Turma Recursal dos Juizados Especiais: “Cabe exclusivamente às Turmas Recursais conhecer e julgar o mandado de segurança e o habeas corpus impetrados em face de atos judiciais oriundos dos Juizados Especiais”. anotar que as decisões de mérito proferidas em processos de mandado de segurança também adquirem a auctoritas rei iudicatae. Os artigos 15 e 16 da Lei n. Embora seja discutível o acerto de tal orientação jurisprudencial. 300 .

longe de ser uma ação. inciso I. há a autorizada lição do Professor EGAS DIRCEU MONIZ DE ARAGÂO em favor da natureza jurídica de incidente processual: “A reclamação. NATURezA JURídICA e CONCeITO A reclamação também é denominada reclamação constitucional. 8. ao revés. de 2006. Ainda que muito respeitáveis todas as diferentes correntes existentes na doutrina e na jurisprudência. Com efeito. Diário da Justiça de 20 de março de 1998. 3ª ed. caput e §§ 1º e 2º. 707/SP — AgRg. de 1999. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. e MARCELO NAVARRO RIBEIRO DANTAS.. do artigo 7º.417. 374 a 377.038. De acordo.882. a reclamação também consta dos artigos 13 usque 18 da Lei n. e 105. 1969. na doutrina: FREDIE DIDIER JR.Capítulo XIII ReCLAmAÇÃO CONsTITUCIONAL 1. inciso X. 2007. um recurso. p. Em sentido semelhante. p. todos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Há séria controvérsia acerca da natureza jurídica da reclamação. 301 . de 1990. Reclamação constitucional no direito brasileiro. alínea “g”. na jurisprudência: Rcl n. Pleno do STF. em virtude da previsão do instituto na Constituição Federal. inciso III. Se fosse recurso. respeitável pronunciamento do Ministro MOACYR AMARAL SANTOS em prol da natureza recursal: “E entendo que a reclamação do nosso Regimento é recurso criado pelo Supremo” (RCL n. a reclamação estaria nos incisos 458. 2000. inciso I. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. portanto. alínea “f”. inciso III. NomeN iuris. 461. 12. mas. inciso I. 103-A. assim como dos artigos 11. 12. letra “c”. § 3º. Há. da Lei n. Além dos dispositivos constitucionais. PReCeITOs de ReGêNCIA. p. Também em sentido contrário. além da previsão constitucional nos artigos 102. do artigo 13 da Lei n. p. ação458. a reclamação não é recurso nem incidente processual. Volume III. 187 usque 192. 156 até 162. 9. inciso I. é incidente processual” (A correição parcial. 831/DF. 9º. dos artigos 6º. 149. Curso de direito processual civil. sim. há outros preceitos de regência da reclamação. 11. 110). em 11 de novembro de 1970). letra “l”.

Como os Tribunais de Justiça ocupam no plano estadual papel similar ao do Supremo Tribunal Federal (cf. inciso I. 20: “Ação direta de inconstitucionalidade: dispositivo do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba (art. ao lado das ações e dos incidentes processuais. a fim de que o respectivo julgamento seja respeitado. com a aplicação analógica das disposições da Constituição Federal. Aliás. 302 . Resta saber se ação é admissível perante todos os tribunais. ou pela autoridade administrativa responsável pelo cumprimento da decisão ou pela prática do ato omitido. artigos 102.II ou III dos artigos 102 e 105 da Constituição Federal. Sob outro prisma. A Constituição Federal é explícita acerca da admissibilidade da reclamação perante o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. Em sentido conforme. mas até necessária para que aqueles tribunais (de Justiça) garantam a autoridade dos respectivos julgamentos. a reclamação pode ter lugar depois do término do processo originário.480/PB. a reclamação é mais do que compatível. 357). da Constituição Federal”. Por tudo. 2. tanto o recurso quanto o incidente processual pressupõem a existência de processo em curso. que admite e disciplina o processo e julgamento de reclamação para preservação da sua competência ou da autoridade de seus julgados: ausência de violação dos artigos 125. § 1º). Não obstante. tanto no artigo 102 quanto no artigo 105. ao lado dos recursos ordinário. Pleno do STF. p. entretanto. caput e § 1º. § 1º). AÇÃO de COmPeTêNCIA ORIGINáRIA de TRIbUNAL A reclamação é ação constitucional de competência originária de tribunal. alínea “a”. Daí a admissibilidade da reclamação perante os Tribunais de Justiça. Diário da Justiça de 15 de junho de 2007. o artigo 125 revela a adoção do princípio da simetria. tal como bem assentou o Plenário da Suprema Corte459. 2. na jurisprudência: ADIn n. é possível concluir que a reclamação é a ação constitucional originária de tribunal ad quem cuja competência foi usurpada ou teve julgado não observado por juiz ou tribunal a quo. Com efeito. 459. A reclamação. como os proferidos no controle concentrado de constitucionalidade (125. e 22. extraordinário e especial. No que tange aos Tribunais de Justiça. e 125. I. não depende da existência de processo em curso. a reclamação consta do rol do inciso I. a reclamação pode ter lugar até mesmo sem a existência de anterior processo.

com o artigo 709. também na doutrina: ADA PELLEGRINI GRINOVER. 2007. da Constituição Federal.533. com o artigo 265 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ainda no mesmo sentido. Em suma. da Consolidação das Leis do Trabalho. p. Aquela (reclamação) é a ação constitucional cuja admissibilidade encontra sustentação em alguma das duas causas de pedir: a) preservação da competência do tribunal. correição parcial). 460. do Código de Processo Penal Militar.3. Volume III. ReCLAmAÇÃO CONsTITUCIONAL. a correição tem como alvo ato de magistrado na qualidade de servidor público. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. 1. de 1951. com o artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. a despeito da semelhança terminológica e de por vezes atuarem como sucedâneos recursais. Já a correição parcial (ou reclamação correicional) tem outras duas funções: a) como remédio administrativo-disciplinar. nota 11). CORReIÇÃO PARCIAL. embora conhecida pelo mesmo nome que lhe dão em alguns Estados. porquanto têm previsões e finalidades constitucionais. alínea “b”. todos aplicáveis ao processo civil por força do artigo 126 do Código de Processo Civil. legais e regimentais distintas. 254 e 255. porquanto a função precípua do instituto reside no controle previsto no artigo 96. 66. 2005. Com igual opinião. p. inciso II. AÇÃO ResCIsÓRIA e mANdAdO de seGURANÇA: dIfeReNÇAs Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. é a reclamação. FREDIE DIDIER JR. 303 . in fine. 374. p. 91).. Reforça o Eminente Professor: “Não confundir com a reclamação prevista no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. na doutrina: MONIZ DE ARAGÃO: “Bem distinta da correição parcial. da Lei n. a reclamação constitucional não pode ser confundida com a correição parcial460. existente no Regimento Interno do Supremo Tribunal” (Correição parcial. p. inciso II. inciso I. alínea “a”. 168. Revista Forense.. e b) garantia da autoridade das decisões do tribunal. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. n. 3ª ed. com o artigo 498. a correição é apta à impugnação de decisão judicial irrecorrível contaminada por error in procedendo. cuja natureza e finalidade não coincidem com as da correição parcial” (MONIZ DE ARAGÃO. b) como sucedâneo recursal. a reclamação (constitucional) não se confunde com a reclamação correicional (vale dizer. Considerações. Recursos no processo penal. consoante revela a combinação do artigo 5º. Curso de direito processual civil. volume 246. 1969. 4ª ed. para a apuração de falta perante a corregedoria do respectivo tribunal.

caput. Diário da Justiça de 28 de abril de 1989. Por ser verdadeira ação. LeGITImIdAde ATIVA e PeTIÇÃO INICIAL A reclamação constitucional pode ser ajuizada pelo Ministério Público. da Lei n. conforme revela o enunciado n.507/DF. Aliás.417. terceiro juridicamente prejudicado também tem legitimidade ativa. 51). Mandado de segurança denegado” (MS n. Por tudo.875/RO — QO. a despeito de ser uma das fontes da reclamação constitucional. de 2006). Pleno. p. 20. embora seja admissível a reclamação constitucional. não há lugar para dúvida acerca da adequação de cada ação. Diário da Justiça de 8 de maio de 2000. O reclamante deve comprovar o respectivo recolhimento das custas iniciais eventualmente devidas. Não obstante. nem proposta lugar da última (rescisória). bem como pelo litigante prejudicado em razão da usurpação da competência ou do desrespeito ao julgado proferido no processo primitivo. a reclamação constitucional deve ser proposta mediante petição inicial. confor- 461. No que tange aos atos e omissões das autoridades administrativas.A reclamação também não pode ser confundida com a ação rescisória. 4. A decisão que nega seguimento a agravo de instrumento interposto contra decisão que não admite recurso especial deve ser atacada por reclamação. de 2006). De acordo: “PROCESSO CIVIL. 11. RECLAMAÇÃO. além da propositura da ação de reclamação. Embora não seja específico. 734 da Súmula da Corte Suprema: “Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal”. a admissibilidade da reclamação constitucional é específica e não enseja fungibilidade com outros institutos jurídicos. ambos do Código de Processo Civil. do qual era parte. é admissível a interposição prévia. até mesmo por força dos enunciados 330 e 624 do Supremo Tribunal Federal. simultânea ou posterior do recurso processual cabível contra a mesma decisão judicial reclamada (artigo 7º. Diante de hipótese específica da reclamação constitucional. a propositura da ação só é admissível após o esgotamento das vias administrativas (artigo 7º. Quanto ao mandado de segurança. 11. p. da Lei n. caput e § 1º. também há precedente da Corte Suprema que merece ser conferido: MS n.417. 6295. com a completa observância dos artigos 282 e 283. 4. 304 . 1ª Seção do STJ. é inadmissível mandado de segurança461.

O relator também pode proferir decisão monocrática liminar de suspensão do processo anterior ou do ato impugnado. todavia. Satisfeitas as condições da ação e os pressupostos processuais. Após a distribuição. especialmente a parte contrária no processo primitivo. 10. salvo se for o próprio autor da reclamação constitucional. inciso I. conforme o disposto nos artigos 6º. A reclamação é julgada pelo órgão coletivo indicado no regimento interno. 11. caput e parágrafo único. Se procedente a reclamação constitucional. Se manifestamente inadmissível a reclamação constitucional. Incidem. Já no Supremo Tribunal Federal. além do plenário. os artigos 552 e 554 do Código de Processo Civil.636 e no inciso XVI da respectiva Tabela “B”. 149. e 12. Em seguida. os autos sobem conclusos ao relator. Por força do artigo 16 da Lei n. cabe ao relator requisitar informações da autoridade reclamada.038. e no artigo 2º da Lei n. inciso X. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. respectivamente. conforme o disposto no artigo 14 da Lei n. No que tange ao Superior Tribunal de Justiça. de 1990. inciso II. de 1990. é obrigatória a intervenção do Ministério Público como custos legis. nos termos do artigo 70 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. alínea “g”. também as turmas e até mesmo os relatores têm competências próprias. 8. ambos do Regimento Interno de 1989. inciso III. compete ao próprio relator proferir decisão monocrática de indeferimento da petição inicial. por analogia. compete ao relator pedir dia para julgamento ao presidente do colegiado competente. a reclamação é distribuída ao mesmo relator do processo primitivo. e 161. 8. com as redações alteradas pelas Emendas Regimentais números 9 e 13. dIsTRIbUIÇÃO. o tribunal cassa a decisão exorbitante do seu julgado ou determina a providência necessária à preser305 . todos do Regimento Interno de 1980. inciso III. a qual. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO Quando possível. Após o oferecimento do parecer ministerial.038. Após. letra “c”. 5. é impugnável mediante agravo interno (ou regimental). os autos são remetidos à presidência do tribunal para a distribuição da reclamação. qualquer interessado pode impugnar a reclamação constitucional. 9º. inciso I.me o disposto no artigo 59. de 2001 e 2004. tanto a corte especial quanto as seções têm as respectivas competências fixadas nos artigos 11.

da Constituição Federal. da Constituição Federal. não há o cabimento de embargos infringentes contra acórdão em reclamação. “c” ou “d”. salvo quando prolatados na própria Corte Suprema. de 1990. As decisões monocráticas proferidas pelos relatores (e. 8. Além dos recursos cabíveis. de 1990. inciso III. com a posterior redação do acórdão. também há o cabimento de recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. “b”. Aliás. Também são inadmissíveis embargos de divergência contra aresto prolatado em julgamento de ação de reclamação. inciso III. pelos presidentes. tendo em vista o disposto nos artigos 17 e 18 da Lei n.038. 6. nas férias. também é admissível ação rescisória de julgado proferido em processo de reclamação. É o que estabelece o correto verbete n. ReCORRIbILIdAde NO PROCessO de ReCLAmAÇÃO Resta estudar a recorribilidade no processo de reclamação constitucional. 306 . cabe ao presidente do colegiado determinar o imediato cumprimento da decisão. alíneas “a”. letras “a”. 368 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não há embargos infringentes no processo de reclamação”. vice-presidentes ou substitutos regimentais) são impugnáveis por meio de agravo interno (ou regimental) à vista do artigo 39 da Lei n. licença ou afastamento. 8. não há previsão da reclamação no artigo 530 nem no artigo 546 do Código de Processo Civil. Sem dúvida. Já os acórdãos desafiam recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Com efeito. no casos do artigo 105. A propósito dos acórdãos prolatados pelos Tribunais de Justiça.vação da respectiva competência. Ainda que proferido por maioria de votos. “b” e “c”.038. Por fim. nas hipóteses do artigo 102. tanto as decisões monocráticas quanto os acórdãos proferidos na reclamação são passíveis de embargos declaratórios. desde que proposta com a observância do artigo 485 do Código de Processo Civil. os acórdãos proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça e pelos Tribunais de Justiça em processo de reclamação são passíveis de recurso extraordinário.

1989. a lei prevê apenas o agravo. Comentários ao Código de Processo Civil. A correição parcial é recurso de natureza puramente administrativa e serve para. Curso de direito processual civil. é a correição parcial. n. Volume III. sob a denominação de correição parcial ou reclamação. 18ª ed. 13ª ed. 2006. e. 2005. tem lugar contra atos omissivo e comissivo provenientes de desvio administrativo-disciplinar do juiz na condução de processo judicial463. omissis” (BARBOSA MOREIRA. ou adotando a que lhe sucedeu: ‘reclamação’” (ADA PELLEGRINI GRINOVER. Direito processual civil brasileiro.. 426). “convém esclarecermos que a ‘reclamação’. “Correição parcial como é chamada em alguns Estados ou Reclamação segundo a denominam em outros” (MONIZ DE ARAGÃO. Em sentido conforme. p. conservando a denominação inicial de ‘correição parcial’.. 4ª ed. aliás. já que. contra decisões interlocutórias. 17). e com a apontada finalidade de coibir erros ou abuso que importassem a tumultuação da marcha do processo” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. no Estado do Rio de Janeiro. com o tempo... 463. mencionada no aludido artigo. Volume II. 307 . 1997. 73. na doutrina: “A correição parcial não é recurso no sentido processual. Recursos no processo penal. pois era sob essa denominação que alguns textos do passado se referiam à medida” (MANOEL ANTÔNIO TEIXEIRA FILHO. “Foi a correição adotada por quase todos os Estados. 2007. 1969. 352). “A correição parcial nasceu nas leis estaduais de organização judiciária. p. que a prática se cristalizou. “Quanto à correição parcial. é oportuno registrar que. p. p. Volume V. nas leis de organização judiciária ou nos regimentos internos dos tribunais. Correição parcial. e foi referida na Lei do Mandado de Segurança e na lei que disciplinou a Justiça Federal” (VICENTE GRECO FILHO. 254). 491). p. 395). sendo chamada em alguns Estados de reclamação. 9ª ed. p. onde se denomina reclamação. como veremos adiante. Por oportuno. também denominada “reclamação correicional” ou apenas “reclamação”462. Sistema dos recursos trabalhistas.Capítulo XIV CORReIÇÃO PARCIAL (OU ReCLAmAÇÃO CORReICIONAL) 1. bem assim contra omissão e decisão irrecorríveis con462. a providência passou a ser regulamentada nas leis locais de organização judiciária. NomeN iuris e CONCeITO A correição parcial. “Foi exatamente por isso.

p... Diário da Justiça de 12 de junho de 1995. 1995. p. Nova no processo. Abusiva seria a designação de audiência para data longínqua. a correição parcial atua como sucedâneo recursal. paralisação. 197 e nota 3. por erro ou abuso de poder. Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. 2007. há outra finalidade igualmente importante. 374. 396 e 397. à falta de recurso previsto em lei. Correição parcial: subsiste ou não em nosso sistema processual civil? LEX. afastando os obstáculos (inversão tulmutuária. Foi a opinião também defendida em publicações anteriores466. 1975. ano VII. Processo civil: recursos. mas apenas como remédio administrativo-disciplinar cabível contra eventuais desvios funcionais dos juízes.272/ES. 3ª ed. 2006. p. sUbsIsTêNCIA dA CORReIÇÃO (OU ReCLAmAÇÃO) COmO sUCedâNeO ReCURsAL Autorizada doutrina sustenta a respeitável tese de que a correição parcial não subsiste como sucedâneo recursal465. porquanto visa à impugnação de decisão proferida em processo judicial. Manual de direito processual civil. portanto. sem justificativa” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. Volume III. p.. exercitável subsidiariamente. por exemplo. nota 10. número 26. Volume I. 666). A correição parcial é providência destinada a ordenar a administração do processo. p. n. como custos legis” (RMS n. 11ª ed. como verdadeiro sucedâneo recursal admissível contra omissões e decisões jurisdicionais irrecorríveis. São duas. Curso de direito processual civil. na jurisprudência: “1. 5. 868. em decorrência de omissão ou ação do juiz. p. Na última hipótese. Administrativamente ilegal seria. Em sentido conforme.. JOSÉ FREDERIDO MARQUES. Manual de direito processual civil. dilatação de prazos) que o impeçam de alcançar os seus fins. nas três primeiras edições do compêndio Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. 26ª ed. corrigir atos de administração ou despachos de mero expediente. 2.. 3ª ed. houve a defesa do entendimento consubstanciado na insubsis- 308 . a simples negativa do juiz em despachar petições da parte. quando cometidos com ilegalidade ou abuso de poder. 57.taminadas por error in procedendo464. Eminentes processualistas sustentam a respeitável tese da impossibilidade da utilização da correição parcial ou reclamação correicional como sucedâneo recursal: FREDIE DIDIER JR. e THEOTONIO NEGRÃO. p. as finalidades da correição parcial no direito brasileiro contemporâneo: ao lado do escopo tradicional como remédio administrativo-disciplinar. p. 465. LOURI GERALDO BARBIERO. 17627). com error in procedendo. 2002. 4ª Turma do STJ. GILSON DELGADO MIRANDA e PATRÍCIA MIRANDA PIZZOL. Comentários ao Código de Processo Civil. 2ª ed. 1977. Volume III. construída na praxe forense e hoje já reconhecida em muitas leis federais. SERGIO BERMUDES. 384. A propósito. 466. 15. O direito à correição é de natureza processual. Volume VII. 464. pelas partes ou pelo Ministério Público.

11. 1996.961. inciso I. p. 18ª ed. 11. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 467. 113 e 124. Volume II.533. inclusive em relação ao processo civil. para a impugnação tanto de omissão jurisdicional quanto de decisão contaminada por error in procedendo.. 1ª ed. p. p. 3ª ed. combinados com o artigo 8º. Diário da Justiça de 5 de setembro de 1994. p. de 2008 (com o reforço do artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal).. de 1967). CONsTITUCIONALIdAde dAs LeIs esTAdUAIs e dOs ReGImeNTOs INTeRNOs Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. tanto uma quanto outro ainda subsistem em algumas hipóteses que o agravo não pode corrigir” (grifos aditados). alínea “l”. 2007. p. Também em prol da subsistência da correição parcial. da Lei n. 1ª Turma do STJ. com os artigos 1º. 549 e 550. Volume I. Em sentido conforme.697. inciso II.. de 2008. na doutrina: CALMON DE PASSOS. e VICENTE GRECO FILHO. entretanto. com o artigo 709. Curso de direito processual civil. da Consolidação das Leis do Trabalho (com a redação conferida pelo Decreto-lei n. que não mais haveria campo para a correição parcial e para o mandado de segurança contra ato judicial. 132 a 137). desde que ambas (omissão jurisdicional e decisão) não sejam recorríveis467. com o artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e com o artigo 126 do Código de Processo Civil. inciso I. inciso I. p. ocasionou a reconsideração da opinião de outrora.reflexão sobre a vexata quaestio. 100 a 104. e § 1º. e com o artigo 498. 3. penal. 229. 73. e 498. Direito processual civil brasileiro. 1999. com o artigo 8º. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. da Lei n. Nova reflexão sobre a vexata quaestio. 1. 309 . 19ª ed. p. 174 e 175. entretanto. O mandado de segurança contra atos jurisdicionais. 23028. com o artigo 22. inciso II. na jurisprudência: RMS n. de 1951. da Lei n. 1997..697. 2004. 4. tal como sustentado no presente compêndio. à luz do artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e do artigo 126 do Código de Processo Civil. num primeiro momento. em razão da ausêntência da correição parcial no direito processual civil posterior ao Código de 1973 (cf. § 2º. BERNARDO PIMENTEL SOUZA. 352: “Com a amplitude que o Código de Processo deu ao cabimento do agravo de instrumento pareceu. alínea “a”. letra “i”.807/RJ. n. com a adoção da atual conclusão em prol da subsistência da reclamação correicional como sucedâneo recursal nos processos em geral (civil. trabalhista. e O processo civil no limiar do novo século. 103. Todavia. de 1966). com a adoção do novo entendimento favorável à subsistência da correição parcial (ou reclamação) no direito brasileiro em geral. 1. alínea “a”. permitiu a reconsideração da primeira opinião. do Código de Processo Penal Militar. 2000. da Consolidação das Leis do Trabalho. com o artigo 709. eleitoral e militar). alínea “l”. inciso II. do Código de Processo Penal Militar. à luz da combinação do artigo 5º. do Código Eleitoral (alínea acrescentada pela Lei n.

não há inconstitucionalidade alguma nas leis estaduais e nos regimentos internos que versam sobre o instituto. as normas estaduais e regimentais de regência da reclamação correicional encontram sustentação na Constituição Federal e em leis federais. 310 . alínea “a”). O verdadeiro silêncio daqueles Códigos não significa que o instituto não tem previsão em lei federal. quer sob a denominação “reclamação correicional” ou. inciso II. artigo 22. com o reforço da Lei n. Por sua vez. do Código de Processo Penal Militar. da Consolidação das Leis do Trabalho. artigo 8º. alínea “l”. inciso I. inciso XI. Assim: RE n. GILSON DELGADO MIRANDA e PATRÍCIA MIRANDA PIZZOL. de 1951. inciso I. simplesmente. alínea “l”. que perturbem a ordem legal do processo”. a regulamentação do procedimento da correição parcial por meio das leis estaduais e dos regimentos internos dos tribunais também tem assento constitucional (artigos 24. NATURezA JURídICA dA CORReIÇÃO PARCIAL (OU ReCLAmAÇÃO CORReICIONAL) Reconhecidas a existência e a constitucionalidade da correição parcial no direito brasileiro. p. 21. letra “i”. da Lei n.429/SP. inciso I.. Diário da Justiça de 14 de dezembro de 1953. em capítulos alheios ao destinado ao sistema recursal. 11. Processo civil: recursos. 469.697. De acordo: HC n. 5: “No sistema do processo militar. conforme revelam o artigo 709 da Consolidação das Leis do 468.039/MG. 78. da Lei n. sim. p.533. inciso I. 57: “A elasticidade imposta pela legislação estadual à correição parcial descaracteriza-a como instrumento destinado a verificar a regularidade dos serviços forenses. e § 1º).697. do Código Eleitoral. ainda que muito respeitável a doutrina contrária468. 2ª Turma do STF. mas simples emenda de erros ou abusos. o que a torna inconstitucional”. artigo 709. quer sob o título “correição parcial”. 1. inciso I. mas apenas sucedâneo recursal. Trata-se de vexata quaestio. 4. a correição parcial não é recurso469. inciso II. os diplomas que versam sobre a correição parcial ou reclamação correicional não incluem o instituto no rol dos recursos. p. alínea “a”. 3ª ed. 2002. sob o vocábulo “reclamação”. e 96. artigo 498. da Constituição de 1988. Sob ambos os prismas. 3779: “A correição parcial de autos não é recurso. 11. Daí a observância da exigência constitucional inserta no artigo 22. de 2008. Cf. A rigor. a correição parcial não é recurso”. já é possível estudar a natureza jurídica do instituto. de 2008 (artigo 8º. Em primeiro lugar. porquanto a reclamação correicional está consagrada em vários preceitos de leis federais: artigo 5º. Diário da Justiça de 26 de março de 1999. 1ª Turma do STF.cia de previsão nos Códigos de Processo Civil e de Processo Penal. mas.

Direito processual civil brasileiro. na doutrina: VICENTE GRECO FILHO. Não obstante. inciso II. como providência de natureza processual assemelhada a recurso e destinada a fazer-lhe as vezes.. na forma como vem regulada no Estado de São Paulo. as vezes. de 1951. e na esteira de ensinamento de José Frederico Marques. alínea “a”.697. alínea “l”. Por outro lado. Volume II. desse modo. como precedentemente visto. 352. da Lei n. p. e ROGÉRIO LAURIA TUCCI. os obtáculos existentes em relação à taxatividade. 2005. à legitimidade e ao objeto impedem a inclusão da correição parcial no rol dos recursos. artigo 499 do Código de Processo Civil) e a legitimidade correicional. Cf. Ainda que muito respeitável o entendimento. ou reclamação. Recursos no processo penal. não pode ser considerada.. como recurso”. tem natureza jurídica de recurso”470. HIPÓTeses de AdmIssIbILIdAde dA CORReIÇÃO (OU ReCLAmAÇÃO) COmO sUCedâNeO ReCURsAL No que tange à admissibilidade da correição parcial como sucedâneo recursal. ainda que omissa. p. a combinação dos preceitos legais e regimentais de regência do instituto revela que a reclamação correicional depende da inexistência de recurso processual específico contra a decisão exarada no processo judicial: artigo 5º. 11. ou. autorizada doutrina sustenta a tese de que a correição parcial tem natureza recursal. “Ainda que. da Consolidação das Leis do Trabalho. realmente. artigo 709. 18ª ed. do Código de Processo Penal Militar. até recurso supletivo. 4ª ed. de modo algum. enquanto os recursos sempre têm em mira decisão. Volume III. Sob outro prisma. da Lei n. resulte ou possa resultar dano irreparável para o litigante”. n.Trabalho e o artigo 498 do Código de Processo Penal Militar. com a melhor inserção do instituto no quadro dos sucedâneos recursais471. a correição parcial. artigo 8º. também há dessemelhança quanto ao objeto. Em sentido conforme. de decisão interlocutória irrecorrível. 397 e 399: “E. Eminentes Professores da respeitável Faculdade de Direito de São Paulo chegaram a tal conclusão: “A correição parcial. de 470. Súmula 160 das Mesas de Processo Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (ADA PELLEGRINI GRINOVER. sempre que.533. 311 . 1989. definiu-se a correição parcial. concebida como sucedâneo de recurso. 471. inciso II. artigo 498. 256 e 462). p. inciso I. porquanto a correição pode ter como alvo simples omissão. Curso de direito processual civil. 5. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. não há identidade entre a legitimidade recursal (cf. 73. e lhe faça. ou reclamação. 2007. 1.

0000. 1. todavia. p. em que a oralidade é observada de forma mais intensa. Diário da Justiça de 19 de maio de 2004). Volume III. INCONFORMISMO MINISTERIAL. 475. 20040160002753. recurso processual específico na legislação pertinente. RECURSO ORDINÁRIO. inciso IX. Curso de direito processual civil. artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.019.03. Correição parcial que se defere” (CPar n. Reclamação provida para determinar o processamento do recurso” (RCL n. na doutrina: “A recorribilidade do ato decisório constitui. do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 198. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. ARGUMENTAÇÃO RAZOÁVEL. as decisões interlocutórias são irrecorríveis” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. Assim. destarte. 1989. PREVISÃO. 473.550/RJ. há muitas decisões jurisdicionais irrecorríveis passíveis de correição parcial ou reclamação correicional. artigo 265 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. incisos II e III. há farta jurisprudência de ambas Turmas dos Juizados Especiais do Distrito Federal: “JUIZADOS ESPECIAIS. ausente. p. 401). 543 e 865 do Código de Processo Civil versam sobre decisões irrecorríveis.403671-5. PLAUSIBILIDADE. acórdão registrado sob o n. O inconformismo ministerial deduzido em desfavor de ato judicial contra o qual inexiste recurso ordinário previsto e que. com a redação conferida pela Resolução n. INEXISTÊNCIA. Novo curso de direito processual civil. p. Diário da Justiça 312 . óbice insuperável ao uso da correição parcial” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI. Quando as alegações do reclamante aparentam razoabilidade. há lugar para a veiculação da reclamação correicional473. Daí a admissibilidade da reclamação correicional contra as decisões irrecorríveis proferidas nos Juizados Especiais475. 145. Nos Juizados Especiais tem cabimento a reclamação para que sejam corrigidos os atos judiciais à ausência de outro recurso para esse fim. Por exemplo. 472. na doutrina: “Nos procedimentos do Juizado Especial. de 2003. 480). autoriza a sua apreciação em sede de correição parcial. na jurisprudência: “A correição parcial não é cabível quando houver recurso para impugnar a decisão” (REsp n. Volume I. 420. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. assim se revela plausível. Daí a conclusão: não há lugar para a correição parcial quando cabe algum recurso processual472. os artigos 527. 474. as decisões interlocutórias proferidas pelos juízes dos Juizados Especiais Cíveis também são irrecorríveis474.2008. CORREIÇÃO PARCIAL. 2004. Diário da Justiça de 9 de maio de 2005. na jurisprudência: “ATO JUDICIAL. 42). artigo 24. 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. confirma-se a liminar concedida para que o recurso considerado intempestivo pelo juiz da causa tenha a sua admissibilidade examinada pela Turma Recursal ao qual for distribuído. De acordo. Em sentido conforme. DEFERIMENTO. Assim. No sentido do texto. RECLAMAÇÃO. 6ª Turma do STJ. Em regra.

219). por falta de recurso próprio” (RCL n.05. Diário da Justiça de 3 de maio de 2005. inciso I. Em sentido conforme. CORREIÇÃO acolhida. art. 20050160003373. Suspensão indevida do feito.À vista do artigo 8º. letra “i”. sob alegação de litispendência. p. “1. 11. Cabe em sede de Juizado Especial Cível a reclamação prevista no artigo 184 do Regimento Interno do TJDFT. 1. e do artigo 498.400. da Lei n. Diário da Justiça de 10 de agosto de 2005. 476. No mesmo sentido: “1. inciso I. embargos de declaração) também são passíveis de correição parcial ou reclamação correicional476.0000. Comentários ao Código de Processo Civil. Feito suspenso no Juizado Especial Cível. Diário da Justiça de 25 de novembro de 2005). de 2008. que a parte que entenda estar havendo prejuízo a direito seu fique sem possibilidade de o impugnar. 110). por analogia. alínea “l”. evitando-se. não há o grifo 313 . 220. 1. 2006. no Estado do Rio de Janeiro. SURPREENDIDA PELA REVOGAÇÃO eX oFFiCio DA BENESSE — INCIDÊNCIA DA VEDADA reFormATio iN PeJus — OFENSA AO PRINCÍPIO DEVOLUTIVO DOS RECURSOS — AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA PAGAMENTO DO PREPARO — VIOLAÇÃO À GARANTIA CONSTITUCIONAL DO AMPLO ACESSO AO JUDICIÁRIO — PEDIDO CORRECIONAL DEFERIDO” (CPar n. Diário da Justiça de 23 de novembro de 2005). 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. do Código Eleitoral. na doutrina: “Quanto à correição parcial.434761-0. assim. 124).0000.0000.417122-8. 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. Ausência de identidade entre o objeto dessas ações. as omissões jurisdicionais não sujeitas a recurso processual (ou seja.420920-0. Diário da Justiça de 1º de abril de 2005. é oportuno registrar que. por analogia. do artigo 22. 20050460004351. 1.836. eis que pendente de julgamento uma ação civil pública manejada pelo Ministério Público. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.. pois omissão não é decisão” (BARBOSA MOREIRA. cabe em face de ‘omissões do juiz’ (Código de Organização e Divisão Judiciárias. onde se denomina reclamação. 491.06.697. acórdão registrado sob o n. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. “CONSELHO DA MAGISTRATURA — CORREIÇÃO PARCIAL — TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL — RECURSO NÃO CONHECIDO EM RAZÃO DA DESERÇÃO — NÃO PAGAMENTO DE PREPARO — BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA EXPRESSAMENTE CONCEDIDOS À REQUERENTE APÓS A PROLAÇÃO DA SENTENÇA — AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO HÁBIL DE INCONFORMISMO CONTRA A DECISÃO MONOCRÁTICA — LEGÍTIMA EXPECTATIVA DE DIREITO DA POSTULANTE. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. e aí não existe agravo de instrumento que a substitua. em defesa de direitos coletivos. alínea “a”.05. para evitar que direito da parte fique sem possibilidade de impugnação. por falta de recurso próprio” (RCL n. Volume V. p. e RCL n. Diário da Justiça de 1º de novembro de 2006. p. 89). 20040660003709. Ainda no mesmo sentido: CPar n. p. Ainda no mesmo sentido: “CORREIÇÃO PARCIAL. 211. 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. acórdão registrado sob o n. p. para determinar o prosseguimento da ação manejada perante o Juizado Especial Cível” (CPar n. 167. 13ª ed. de 9 de setembro de 2004. Cabe em Juizado Especial a reclamação prevista no artigo 184 do Regimento Interno do TJDFT. do Código de Processo Penal Militar.

que estão causando evidente tumulto processual. na jurisprudência: “I — Contra suposto ato omissivo imputado a juiz de primeira instância. 1989. De acordo. error in iudicando não enseja no original). Magistrado. Correição parcial provida para que o d. inciso II.218211-1. Curso de direito processual civil. oportuna a manifestação de correição parcial e não a impetração de mandado de segurança” (RMS n. ou seja. não há o grifo no original). também na jurisprudência: “CORREIÇÃO PARCIAL. “Nos termos do parágrafo único do art. Assim. isto é. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 11. 91.856/RJ. a correição parcial só pode veicular error in procedendo.00. é de se dar provimento à correição parcial que visa atacar desídia de Magistrado na condução do processo.05. 15. de 2008. Volume II. Diário da Justiça de 18 de maio de 2001). após a interposição da apelação em face da sentença que indefere liminarmente a petição inicial. erro de procedimento cometido pelo juiz (artigo 8º. praticando um ato pelo outro. CORREIÇÃO PROVIDA. 270. 314 . sendo indevida. não sendo reformada a decisão recorrida. “Trata-se.. 5ª Turma do STJ. Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 477. da Consolidação das Leis do Trabalho. Curso de direito processual civil. de que resulte ou possa resultar dano irreparável para o litigante” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI. Diário da Justiça de 26 de abril de 2006). alínea “l”. letra “a”. p. 73. do RITJMG.697. p. 1. sem decidir formalmente.01. Corte Especial do TRF da 1ª Região.0000. 352. consistente no não-julgamento definitivo de pedido de restituição de numerário. Nos termos do art. da Lei n. abuso ou omissão de juiz de primeiro grau. 2007. inciso IX.04048-0/DF. do Código de Processo Penal Militar)477. Diário da Justiça de 30 de junho de 2003. grifos aditados). p. Diário da Justiça de 24 de junho de 1991. 296 do Código de Processo Civil. de medida de caráter processual. que dele decorra a inversão tumultuária da marcha do procedimento” (ROGÉRIO LAURIA TUCCI. DESÍDIA DO MAGISTRADO NA CONDUÇÃO DO PROCESSO. 14681). De acordo. por erro ou abuso constituírem inversão tumultuária da ordem legal dos atos processuais (error in procedendo)” (MS n.Em relação ao objeto. assemelhada ao recurso.0000. não há o grifo no original).422528-9. destinado a coibir a inversão tumultuária da ordem processual. ABERTURA DESNECESSÁRIA DE SUCESSIVAS VISTAS. Volume III. p. na doutrina: “Além do que. p. TUMULTO PROCESSUAL EVIDENCIADO. a abertura de vista à parte contrária para apresentação de contra-razões e ao Ministério Público para parecer” (CPar n. Volume III. artigo 709. pois. “A correição pode ser necessária se o juiz se omite no decidir questão controvertida durante o desenvolvimento do processo ou inverte tumultuariamente a ordem processual. Em sentido conforme. deverá ostentar error in procedendo. n. portanto. 1989. sem exteriorizar decisão agravável” (VICENTE GRECO FILHO. Direito processual civil brasileiro. inciso I. erro ou abuso tal. 18ª ed. 401). na jurisprudência: “A correição parcial é instrumento jurídico destinado a corrigir atos dos juízes que. e tendente a resguardar as formalidades extrínsecas do processo — autêntico incidente procedimental. com redação oferecida pela Lei n.952/94. 8. em virtude de erro. Em contraposição. os autos serão encaminhados imediatamente ao tribunal. 24. chame o feito à ordem” (CPar n. requerido nos autos. e artigo 498. 1. 400. com as características de recurso. evidenciada nas sucessivas aberturas de vistas totalmente desnecessárias.

2005. inciso II.697. REsp n. 261). do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região). já a decisão com error in iudicando irrecorrida é passível de impugnação por meio de ação rescisória (artigos 485 e 495 do Código de Processo Civil) ou revisão criminal (artigo 621 do Código de Processo Penal) — e não mediante mandado de segurança (enunciado n.533. 11. § 2º. alínea “l”. o assistente da acusação479 e o terceiro prejudicado não têm legitimidade para veicular correição parcial. sim. inciso I. Diário da Justiça de 6 de março de 2006. artigo 8º. da Lei n. 11. p. e artigo 498. inciso I. no Estado de São Paulo. 94. 5ª Turma do STJ. da Lei n. 604. 3ª Turma do TRF da 1ª Região. 11. Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 1996. De acordo. alínea “l”. 6. § 1º. p. Lei n. p. de 2008. a contrario sensu). na jurisprudência: “O prazo para requerer correição parcial é de cinco dias.01. da Lei n. mandado de segurança contra a decisão irrecorrível (artigo 5º. 7. combinado com o artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. e enunciado n. e artigo 265. de 1951. na qualidade de fiscal da lei (artigo 8º. LeGITImIdAde No que tange à legitimidade. do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região)478. Recursos no processo penal. Em sentido conforme. a correição parcial pode ser veiculada pela parte prejudicada no processo judicial. do Código de Processo Penal Militar.379/SP. PRAzO Quanto ao prazo. 479. 4ª ed. 268 da Súmula do Supremo Tribunal Federal). 7612). 1. contados da ciência do ato do juiz de que não caiba recurso” (CT n. § 1º. § 1º. 428. é de cinco dias a contar da ciência da decisão ou despacho impugnado” (ADA PELLEGRINI GRINOVER.697.reclamação correicional. a reclamação correicional deve ser veiculada dentro de cinco dias da ciência da decisão a ser impugnada (artigo 8º. de 2008. Por exclusão. bem assim pelo Ministério Público. 478. 315 .697. artigo 265. mas.35709-9/MT. de 2008. na doutrina: “O prazo para interpor correição parcial. Cf. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES.. 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.

da Lei n. 316 . da Constituição Federal) e os regimentos internos dos respectivos tribunais (artigo 96. 2005. inciso I. o competente para exercer o controle administrativo-disciplinar dos atos omissivos e comissivos do juiz reclamado (artigo 96. 4ª ed. Cf. do Código de Processo Penal Militar. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO Quanto ao procedimento da reclamação correicional nos tribunais. alínea “l”. com a redação conferida pela Resolução n. inciso I. 402. artigo 8º. n. ANTONIO MAGALHÃES GOMES FILHO e ANTONIO SCARANCE FERNANDES. 462. qual seja. 11. A correição parcial deve ser veiculada mediante petição fundamentada (artigo 498. 8. inciso II. Curso de direito processual civil. incidem as leis estaduais (artigo 24. da Lei n. bem assim a revisão jurisdicional das decisões irrecorríveis contaminadas por error in procedendo (artigo 8º. Volume I. inciso I. é o que determina a última parte do inciso IX do artigo 24 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 165 aprovada por Professores Titulares da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo: “O procedimento a ser adotado na correição parcial é o do agravo de instrumento. inciso I. 2006. de 2008. p. de 2003: “observando-se a forma do processo do agravo de instrumento”. do Código de Processo Penal Militar). Volume III. de 1991. 11. alínea “l”. Aliás. Manual de direito processual civil. alínea “b”. alínea “a”. artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e artigos 265 a 268 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal da 1ª Região). 1989. de 2008. 868. da Lei n. Vale dizer.697. da Constituição Federal. 482. ADA PELLEGRINI GRINOVER. 11ª ed.. além das regras gerais previstas nas leis federais480. da Constituição). 481. 667. inciso I. Quando as leis estaduais e os regimentos internos forem omissos em relação ao procedimento. artigo 709. deve ser adotado o procedimento do agravo de instrumento previsto nos artigos 524 e seguintes do Código de Processo Civil.8. cujos preceitos são aplicáveis por analogia481. alínea “l”. na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS..185. e artigo 498. na forma prevista no vigente Código de Processo Civil” 482. p. inciso XI. da Consolidação das Leis do Trabalho. e § 1º. artigo 8º. inciso I. p. 420. inciso 480. Recursos no processo penal.697. conforme revela a conclusão n. artigo 709. Trata-se de orientação predominante também na doutrina. endereçada sempre a tribunal. alínea “a”. Em sentido conforme. e ROGÉRIO LAURIA TUCCI.

cabe agravo interno (ou regimental) contra a decisão monocrática do corregedor ou do relator da reclamação correicional (artigo 709. 483. Protocolizada a petição no tribunal competente. inciso IX. Volume III. conforme o disposto na legislação estadual e no regimento interno. com a redação conferida pelo Decreto-lei n. alínea “l”. com a oitiva obrigatória tanto do juiz reclamado quanto do Ministério Público483. § 1º. mediante decisão monocrática (artigo 8º. de 1967). do Código de Processo Penal Militar). de 1967. Em qualquer caso. 420. com a redação conferida pelo Decreto-lei n. artigo 498. é admitida pelo corregedor ou pelo relator. combinado com o artigo 39 da Lei n. com a posterior conclusão dos os autos ao corregedor ou a outro relator.038. de 2008).II. da Consolidação das Leis do Trabalho. no prazo de cinco dias. da Consolidação das Leis do Trabalho. Tribunal Pleno Administrativo. o corregedor e o relator também têm competência para a prolação de decisão monocrática de indeferimento liminar da petição. artigo 24. 229. com a redação conferida pela Resolução n. A reclamação correicional é processada à vista da lei estadual de organização judiciária e do regimento interno do tribunal competente. Curso de direito processual civil. Não obstante. conforme o caso. Conselho da Magistratura484. alínea “a”. e § 1º. 484. 8. Turma. tanto o corregedor quanto outro relator também têm competência para suspender liminarmente o ato do juiz ou a decisão reclamada. 229. Se a reclamação correicional for manifestamente inadmissível. recurso a ser interposto no prazo de cinco dias (artigo 709. regular e tempestiva. 402. conforme o disposto no regimento interno). do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Cf. de 2003. cabe agravo interno-regimental quando há o indeferimento liminar da própria correição parcial pelo corregedor ou pelo relator. de 1990). Em sentido conforme. § 1º. Se a correição for adequada. 1989. p. 11. 317 . na doutrina: ROGÉRIO LAURIA TUCCI. da Lei n. da Consolidação das Leis do Trabalho.697. antes do julgamento da correição pelo órgão colegiado competente indicado no regimento interno do respectivo tribunal (por exemplo. inciso I. Aliás. a correição parcial é distribuída à vista do disposto na lei estadual de organização judiciária e do regimento interno do tribunal.

Não obstante. in fine. 489. tópico número 5 do presente capítulo.01. 485.02173-7/MT. 318 . 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. de 1951. Cf. 4ª Turma do TRF da 1ª Região. 1. da natureza jurídica489 e da adequação490 da correição parcial ou reclamação correicional. Cf. RMS n. inciso II. considerando-se a alegação de suposta ilegalidade na condução do trâmite processual. concomitantemente486. 14. 486. 488. Diário da Justiça de 5 de setembro de 1994. 5ª Turma do STJ. há jurisprudência em prol da admissibilidade das duas vias. 13939. no que se torna inviável a utilização do mandado de segurança. Cf. e RMS n. 1999. É a tese predominante na jurisprudência pátria485. 490. CORReIÇÃO PARCIAL e mANdAdO de seGURANÇA À vista da parte final do inciso II do artigo 5º da Lei n. sem o aconselhável tempero cum grano salis. p. bem assim do enunciado n. Diário da Justiça de 3 de fevereiro de 2003. 2ª Turma do STJ. p. p. Cf. Diante das inúmeras divergências encontradas na doutrina e na jurisprudência.511/PE. com o reforço do artigo 250. 267 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. a melhor solução reside na possibilidade da utilização de ambas as vias (correição parcial e mandado de segurança).802/RJ. tópico número 4 do presente capítulo. e Ag n. cabível seria o ajuizamento da correição parcial. Cf. 64. Súmula 267/STF”. Não obstante. tópico número 3 do presente capítulo. de 1951. 487. não é admissível mandado de segurança contra ato judicial passível de correição parcial ou reclamação correicional.03. anterior tópico número 2 do presente capítulo. Diário da Justiça de 24 de maio de 2000.533. Ag n.000005-0. do mesmo diploma. à vista do disposto na parte final do caput do artigo 154 do Código de Processo Civil. caput e parágrafo único. todas com reflexo no desate do problema da admissibilidade do mandado de segurança. O rigor da tese predominante seria aceitável se não houvesse séria divergência acerca da subsistência487. 322: “Na espécie.9. da Lei n.533. p. Diário da Justiça de 17 de junho de 1991. prevalece o rigor da literalidade do artigo 5º. 1. da constitucionalidade488.6. 1. Cf. 23028. 91.

com o pedido de reconsideração. na esteira do verbete n. 46 na Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Não se suspende. A propósito. trata-se de orienta- 491. Volume III. Por conseguinte. natureza recursal. de sucedâneo recursal492 sem forma prevista em lei. Em sentido semelhante. Trata-se. Por oportuno. 492. A possibilidade de haver retratação pelo relator indica apenas que a legislação afastou a preclusão pro judicato. pedido de suspensão da segurança (Lei Federal n. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. 2007. na jurisprudência: RMS n. 4º). Curso de direito processual civil. Em sentido conforme. o pedido de reconsideração é simples decorrência lógica do sistema de preclusões processuais” (não há o grifo no original). 4º. na hipótese do art. 33 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “O pedido de reconsideração não interrompe nem suspende o prazo para interposição do competente recurso”. Lei Federal n.654/PA. como bem estabelece o enunciado n. na verdade. o prazo para interpor recurso de agravo”. 527. art. Aliás. 8. na doutrina: “Sucedâneo recursal é todo meio de impugnação de decisão judicial que nem é recurso nem é ação autônoma de impugnação. 4. art. art.Capítulo XV PedIdO de ReCONsIdeRAÇÃO O pedido de reconsideração não é recurso491. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. 6. houve a posterior inclusão do enunciado n. a remessa necessária (CPC. com o pedido de reconsideração. 27. 6 do Centro de Estudos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “Não se suspende. o prazo para interposição de qualquer recurso”. não submetido a prazo peremptório. não há os grifos no original). 319 . CPC. nem tem o condão de suspender — muito menos interromper — prazo para interposição de eventual recurso cabível. p. 24. 3ª Turma do STJ.. parágrafo único. Trata-se de categoria que engloba todas as outras formas de impugnação da decisão. Assim. 3ª ed. Colhe-se da didática ementa do precedente jurisprudencial: “O pedido de reconsideração não tem. 475) e a correição parcial” (FREDIE DIDIER JR. também merece ser prestigiado o verbete n.437/1992.348/1964. São exemplos: pedido de reconsideração. mero pedido de reconsideração não impede a formação da preclusão e da coisa julgada. acionado mediante simples petição.

porquanto todo recurso está sujeito a prazo peremptório. Sob outro prisma. mandado de segurança 493). o inconformado poderia ressuscitar matéria preclusa.ção tradicional em nosso direito. conforme o caso. como bem revela a precisa conclusão n. Não fosse assim. se já ultrapassado o prazo legal”. como se infere do parágrafo único do artigo 527 do Código de Processo Civil. o pedido de reconsideração não é recurso nem produz os efeitos jurídicos gerais dos recursos. a qual é o verdadeiro alvo do recurso processual (por exemplo. agravo) ou da ação autônoma de impugnação (por exemplo. 61 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Pedido de reconsideração não suspende o prazo para interposição do recurso próprio. São tardios. 3ª Turma do STJ. inicia-se o prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança. O recurso cabível e a ação impugnativa admissível só não são extemporâneos se veiculados dentro dos respectivos prazos legais para a impugnação da decisão primitiva. 24. Em suma. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2007. e não uma nova violação a direito líquido e certo. 493. os eventuais recurso processual e ação autônoma de impugnação veiculados após o indeferimento do pedido de reconsideração. na jurisprudência: RMS n. o pedido de reconsideração tem utilidade em algumas hipóteses excepcionais. quando o inconformismo versa sobre a controvérsia solucionada na primeira decisão. 320 . A rejeição do pedido de reconsideração é mero desdobramento do ato coator anterior. por conseguinte.654/PA. Colhe-se da precisa ementa do precedente jurisprudencial: “Com a publicação da decisão que retém o agravo de instrumento. Estudadas a natureza jurídica (sucedâneo recursal acionado mediante simples petição) e a ausência de efeito obstativo (da preclusão e do trânsito em julgado). é importante registrar que o pedido de reconsideração também não produz efeito devolutivo para o colegiado ad quem. a inexistência de prazo legal é outro importante motivo pelo qual o pedido de reconsideração não tem natureza recursal. Não obstante. De acordo. Por tudo. 25 da Súmula do extinto Tribunal de Alçada Cível do Estado do Rio de Janeiro: “Não cabe agravo contra despacho que denega reconsideração de outro. E não se pode transformar mero pedido de reconsideração em agravo”. Daí o acerto do enunciado n. Precedentes”. Pedido de reconsideração não suspende ou interrompe o prazo para impetrar mandado de segurança. o pedido de reconsideração não pode ser aproveitado no lugar do recurso processual cabível que deixou de ser interposto.

O § 2º do artigo 523 do Código de Processo Civil revela que o juiz poderá reformar sua decisão. ou seja. desde que antes da prolação do julgado final. o pronunciamento referente à antecipação de tutela pode ser reexaminado a qualquer tempo. é admissível nas duas hipóteses previstas no único preceito do Código de Processo Civil destinado ao pedido de reconsideração: parágrafo único do artigo 527. o pedido de reconsideração pode ser apresentado independentemente da interposição do recurso de agravo.Em primeiro lugar. o pedido pode ser apresentado em seguida à interposição de apelação contra sentença de indeferimento liminar de petição inicial. É o que se infere do artigo 296 do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. nos termos do artigo 273. O pedido de reconsideração igualmente pode ser formulado para que o juiz reexamine decisão interlocutória que versa sobre questão de ordem pública. É que. É o que há muito estava assentado na conclusão n. É o que ocorre quando o pedido de reconsideração é formulado para acelerar o desate de recurso que produz efeito de retratação. segundo a correta conclusão n. de retratação. na hipótese. “a preclusão não se opera quanto às matérias enume321 . a ser formulado perante o relator do agravo de instrumento no tribunal. Além das duas remissões existentes no parágrafo único do artigo 527 do Código de Processo Civil. apresentado sem a prévia interposição de agravo. § 4º. o requerimento de reconsideração pode ser apresentado ao prolator de decisão monocrática impugnada via agravo interno. Em suma. nada impede que o agravante formule pedido de reconsideração após a interposição do recurso ou no bojo da própria petição recursal. Daí a possibilidade do pedido de reconsideração tanto da decisão monocrática de conversão do agravo de instrumento em retido (inciso II) quanto da decisão referente ao efeito suspensivo e à antecipação da tutela no agravo de instrumento (inciso III). É que. vale dizer. É que o § 1º do artigo 557 trata expressamente da possibilidade da retratação em sede de agravo regimental. O pedido de reconsideração também pode ser formulado após a interposição de recurso de agravo. Sob outro prisma. em razão do efeito regressivo produzido pelo recurso. 60 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Interposto agravo retido. Do mesmo modo. como os agravos produzem efeito regressivo. Com efeito.187. há outras hipóteses ensejadoras do pedido de reconsideração. de 2005. ao juiz é facultado reexaminar sua decisão”. Aqui também o pedido de reconsideração pode ser isolado. com a redação conferida pela Lei n. Aliás. 15 do Simpósio de Curitiba de 1975. 11. o requerimento de retratação ainda pode ser utilizado para que o juiz reconsidere a decisão que versa sobre tutela antecipada.

Com efeito. no particular. Em síntese. A parte poderá.P. 322 . É o que revelam as conclusões 6 e 7 do Encontro dos Magistrados dos Juizados Especiais do Estado da Bahia: “Não há recurso contra decisão interlocutória. V e VI do art. 4ª ed.. IV. As decisões interlocutórias proferidas nas ações da competência dos Juizados Especiais também ensejam pedido de reconsideração. Com efeito.C. o pedido de reconsideração desemboca na regra da inutilidade do expediente. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 9 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada. o presidente do tribunal. já que a inexistência de preclusão revela a possibilidade de o juiz de primeiro grau proferir outro pronunciamento em sentido contrário ao primeiro. p. 1999. Fora das hipóteses excepcionais apontadas. em razão da inexistência de preclusão. o juiz de primeiro grau. 2260. diante de questão de ordem pública solucionada em decisão interlocutória. por ser o mesmo o competente para reconsiderar a respectiva decisão. Código de Processo Civil comentado. § 3º)”. É o que estabelece a conclusão n. como não estão sujeitas à preclusão. o pedido de reconsideração é dirigido ao próprio magistrado prolator da decisão (por exemplo. mesmo existindo explícita decisão a respeito (C. conforme o caso). as decisões interlocutórias prolatadas nos Juizados Especiais ensejam pedido de reconsideração por meio de simples petição. o pedido de reconsideração igualmente pode ter êxito. todavia. “Não há preclusão em relação às decisões interlocutórias”494. 494. Em todas as hipóteses arroladas. art. pedir reconsideração ao juiz”.radas nos ns.. todavia. ou não. 267. o relator no tribunal. Cf. 267 do CPC”. “em se tratando de condições da ação não ocorre preclusão.

por não gerar a reforma. o artigo 12. 2. 2007. Volume III. Desse modo.. 4. 286: “Vê-se que se trata de medida especialíssima que não há de ser confundida ou equiparada a recurso”. 8.. 8. de 1951. 1.437. 4ª ed. PReCeITOs de ReGêNCIA dA sUsPeNsÃO O instituto da suspensão está previsto em muitos preceitos legais. Merecem destaque o artigo 13 da Lei n. também na doutrina: NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. apenas. p. mas. Assim. 2. de 1992.038. Recorribilidade. § 1º. 323 . pois não visa à reforma da decisão. igualmente. da Lei n. Na verdade. Agravo e suspensão de liminar ou de sentença. p. Também com igual opinião. à suspensão. porque ajuizada diretamente no tribunal ad quem.. na acepção processual. 512 do CPC” (Curso de direito processual civil.348. Com a mesma opinião. CONCeITO e NATURezA JURídICA dA sUsPeNsÃO Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. e os incisos XIX e XX da Tabela “B” da Lei de Custas Judiciais do Superior Tribunal de Justiça. p. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA: “O pedido de suspensão não detém natureza recursal. de 2001. 5ª ed. de 1964. Em sentido conforme. 7. 3ª ed. trata-se de incidente proces- 495.357. caracterizando incidente autônomo” (NERY JUNIOR. p. a Medida Provisória n. na doutrina: FREDIE DIDIER JR.Capítulo XVI INCIdeNTe de sUsPeNsÃO 1. 404 e 405). p. de 1990. nem é sucedâneo de recurso”. Recursos em mandado de segurança.533. na doutrina: ARNALDO ESTEVES LIMA. Princípios fundamentais. o artigo 4º da Lei n. comentário 1: “Não se trata de recurso”. 2443. anulação nem desconstituição da decisão liminar ou antecipatória. III: “Convém observar que o procedimento em foco não constitui recurso. também na doutrina: BARBOSA MOREIRA. de 1985. 2000. 222: “A suspensão por ato do presidente não tem a natureza de recurso. não é recurso autêntico. Código de Processo Civil. o artigo 25 da Lei n. o requerimento de suspensão não contém o efeito substitutivo a que alude o art. a suspensão não tem natureza recursal 495. de sua execução”. por não estar previsto em lei como recurso e. o artigo 4º da Lei n. si et in quantum. entretanto. 1999. 1989. Em sentido conforme. 250). “Esta medida. ainda na doutrina: EDUARDO RIBEIRO.180-35.

eis que o Regimento Interno desta Corte preconiza. 497. 3: “Não há contraditório e nem mesmo prazo. Com maior autoridade. 496. p. 2007. Agravo e suspensão de liminar ou de sentença.. Manual. conclusão 33. do respectivo presidente). o recurso denominado Suspensão de Segurança. entretanto. os Professores FREDIE DIDIER JR. não é menos certo que sua decisão o atinge frontalmente. O Agravo Regimental dito interno. Assim: LINO ENRIQUE PALACIO. ao contrário dos recursos. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA também sustentam a tese de que “não restam dúvidas de que o pedido de suspensão constitui incidente processual” (Curso de direito processual civil. pois que assim voltados para os dois aspectos que nela estão presentes: o requerimento e o recurso” (grifos aditados). Unânime” (não há o grifo no original). 3º) Su interposición dentro de un plano perentorio”. não há o grifo no original). na doutrina: JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO. Volume III. p. Em fase desse óbvio hibridismo. com o que a medida passa a guardar semelhança com os recursos em geral. na doutrina ARNALDO ESTEVES LIMA. Também com entendimento semelhante. Em contraposição. 324 . 237.000398-8. um interesse revisional do postulante. interposto com fulcro no art. p. há respeitável precedente jurisprudencial: AgRg no MSG n.316. Também em sentido contrário. não Em sentido contrário. p. p. 8. 1995. a possibilidade da interposição do recurso propriamente dito cabível contra o decisum cuja eficácia se pretende suspender por meio do incidente em estudo. acórdão registrado sob o n. p. 11ª ed. parece-nos cabível caracterizar a medida como sendo requerimento de natureza recursal. 406. constitui o reconhecimento de que ao ato impugnado não merece ter inteira eficácia. 39 da Lei n. 280: “Ocorre que o atendimento do pedido. 569: “Constituyen requisitos comunes a todos los recursos: omissis. também na doutrina: MARCELO ABELHA RODRIGUES.2. Se o Presidente do Tribunal não chega a cassar o ato.00. Há. Com a mesma opinião. Ação civil pública. não se presta a atacar decisão concessiva de liminar em mandado de segurança. 2002. Suspensão de segurança. Conselho Especial do TJDF. Em primeiro lugar. legalmente fixado. sem afastar. 2001. por conseguinte. o instituto recursório é marcado pela existência de prazo peremptório para o exercício do direito de recorrer 497. 1995. 137.sual 496 de competência exclusiva de tribunal (mais especificamente. determinando a suspensão da execução da liminar. pois que lhe retira a idoneidade de produzir efeitos jurídicos. 498. Diário da Justiça de 2 de maio de 2001. Não conhecido.038/90 — REGIMENTO INTERNO — IMPOSSIBILIDADE — NÃO CONHECIMENTO. para fazê-lo”. 31: “PROCESSUAL CIVIL — AGRAVO INTERNO CONTRA DESPACHO CONCESSIVO DE LIMINAR EM MS — LEI N. 8. Com efeito.038/90. Vários são os motivos que impedem a inserção da suspensão de segurança no rol taxativo dos recursos. para a presente hipótese. não há na legislação de regência do instituto da suspensão prazo peremptório para a formulação do requerimento 498.

269: “Tem-se admitido. porquanto não há a substituição da decisão. No incidente de suspensão. sem restrição. p. 8. conclusão 61. p. 4ª ed. respectivamente. só é possível alegar a ocorrência de grave lesão aos bens jurídicos consubstanciados na ordem pública. 222.348. 2002. e artigo 4º da Lei n. A rigor. 3. p. como o próprio nome do instituto revela. 39. 2003. BARBOSA MOREIRA. até mesmo os cometidos contra os interesses dos entes públicos.há no instituto da suspensão o requisito da tempestividade. p. possam fazer uso da medida”. os recursos podem veicular qualquer error in procedendo e error in iudicando. não há como negar a existência de diferença entre o disposto no artigo 499 do Código de Processo Civil e o que estabelecem os artigos 4º e 25 das Leis n. Em favor da tese liberal: MARCELO ABELHA RODRIGUES.437).217/SC. Diário da Justiça de 28 de setembro de 1998. 2ª Turma do STJ. 499. e NERY JUNIOR. na doutrina: ARNALDO ESTEVES LIMA. que empresas públicas e mesmo pessoas jurídicas de direito privado. 155: “mutatis mutandis. a cassação ou a integração da decisão jurisdicional impugnada. Código. 4. esta parece ser a tendência jurisprudencial no tocante ao conceito de pessoa jurídica de direito privado legitimada a requerer a suspensão de segurança”.. 2443. da Lei n. a suspensão não enseja a cassação. 1999. 500. em virtude da ausência de previsão legal de prazo peremptório para o respectivo exercício. muito menos a reforma da decisão. 4. quando exercendo atividade delegada do Poder Público. p. 325 . 160. artigo 4º da Lei n. Por outro lado.348 e 8. Suspensão de sentença e liminar. Em sentido conforme.038. entretanto. Em contraposição. Suspensão de segurança. em casos excepcionais. p. conseqüências jurídicas só possíveis nos verdadeiros recursos. não é possível reformar ou cassar a própria decisão jurisdicional na angusta via da suspensão499. § 1º. Em prol de solução intermediária: ELLEN GRACIE NORTHFLEET. economia pública. segurança pública e saúde pública (cf. De acordo. Ainda que controvertida500 a extensão dos preceitos que tratam da suspensão. A suspensão de segurança. Sob outro prisma. artigo 12. conforme o caso. Agravo e suspensão de liminar ou de sentença.357. à vista do artigo 512 do Código de Processo Civil. na jurisprudência: REsp n. Conclusão oposta configuraria verdadeira contradictio in adiecto. Recorribilidade. 7. comentário 1. 241. Em relação à legitimidade. MARCELO ABELHA RODRIGUES. p. o instituto da suspensão tem como finalidade específica “suspender” “a execução” do decisum concessivo do provimento liminar ou final. o recurso pode ensejar a reforma.

437. o artigo 25 da Lei n. Mandado de segurança. com o artigo 25 da Lei n. conforme se infere da combinação do artigo 4º da Lei n. Mandado de segurança: da suspensão de segurança. com o artigo 12. 4. além de não ter natureza recursal. o artigo 12. O proêmio do § 3º do artigo 25 da Lei n. delegados ou concessionários do serviço público. 4. todos do Código de Processo Civil. de 1985. 1989. conforme o caso501. 541 e 559. p. 501.437 também reforça a conclusão de que o instituto da suspensão não pode ser confundido com o recurso próprio. Ademais. e.a legitimidade recursal tem alcance superior. a regra na suspensão reside na legitimidade ativa exclusiva da parte que seja pessoa jurídica de direito público e pelo Ministério Público. de 1992. 8. raciocínio incompatível com o princípio da singularidade. ao que se nos afigura. 507. 7. Também a favor da interpretação estrita: ANA LUÍSA CELINO COUTINHO.348. Aliás. conforme revelam os artigos 506. da Lei n.348. sob pena de verdadeiro bis in idem. os preceitos revelam que a suspensão não dispensa o julgamento do posterior recurso interposto contra a decisão suspensa. nos termos do artigo 499. de 1990. no artigo 12. 508.437 utilizam o vocábulo “requerimento” ao tratar da suspensão. 509. O artigo 4º da Lei n. e no artigo 4º da Lei n. Já a legitimidade para requerer a suspensão não é tão ampla como a legitimidade recursal: enquanto o recurso pode ser interposto por qualquer uma das partes. o recurso é “interposto”. 8. na doutrina: EDUARDO RIBEIRO. pelo Ministério Público e até por terceiro prejudicado. 113. da Lei n. 146: “O pedido de suspensão deverá ser examinado com a maior detença.357. A legislação de regência da suspensão ainda fornece outros argumentos que demonstram a ausência da natureza recursal do instituto. embora a jurisprudência seja em sentido contrário. 1997. 4. presta-se a finalidades estritas que não se confundem 326 . § 1º.357. 7. 8. 8. se há o respectivo recurso contra a mesma decisão.038 e o artigo 4º da Lei n. a suspensão não substitui nem impede a interposição do recurso processual cabível contra o decisum concessivo do provimento liminar ou final. a única conclusão possível é a de que a suspensão não tem natureza recursal. 8. não poderia ser feito pelos entes privados. da Lei n. Em contraposição. Em favor da tese restritiva: LÚCIA VALLE FIGUEIREDO. § 1º.038 conduz ao mesmo raciocínio: “A suspensão de segurança vigorará enquanto pender o recurso”. 286: “Ademais. 511.357. p. 1998.348. Como é perceptível primo ictu oculi. p. Recursos em mandado de segurança. 8. Com opinião similar.038. § 1º. a expressão “respectivo recurso” inserta no artigo 4º da Lei n. Ora. de 1964. embora saibamos ser nossa posição minoritária”. e com o artigo 4º da Lei n. 7.

p. Não obstante. p. que ademais do requerimento de suspensão seja aviado o recurso cabível na espécie. 217: “Não cabe agravo de decisão que indefere o pedido de suspensão da execução da liminar. 2002. mais especificamente. 39. 188). 2ª Turma do STJ.1964. do despacho do Presidente do Supremo Tribunal Federal que defere a suspensão da liminar. Com orientação similar. 4. de incidente processual de competência exclusiva dos tribunais. o Superior Tribunal de Justiça editou o enunciado n. Aliás.348 e do § 2º do artigo 25 da Lei n.348. como nas excepcionais hipóteses dos artigos 540 e 544 do Código de Processo Civil). 3. 4º da Lei n. 241. com o conseqüente amplo cabimento de agravo interno contra toda decisão monocrática (salvo quando adequado outro recurso de agravo ex vi de preceito específico.038. ou da sentença em mandado de segurança”. mas.217/SC. volume 97. 4. Diário da Justiça de 28 de setembro de 1998. 8. em mandado de segurança. 8. dos respectivos presidentes. o Supremo Tribunal Federal chegou até mesmo a tratar da vedação do agravo interno contra a decisão presidencial denegatória. na jurisprudência: REsp n. somente. 506 da Súmula da Suprema Corte: “O agravo a que se refere o art.038 não resiste ao confronto com a extraída da exegese teleológica do artigo 39 do último diploma. 506. de 26. é indispensável. não do que a denega”. Revista de Processo.Por tudo. a decisão monocrática indeferitória de suspensão também enseja agravo interno ou com as que podem ser buscadas com o agravo”. é possível concluir que o instituto da suspensão não tem natureza jurídica de recurso. Na esteira do verbete n. É amplo o alcance do artigo 39 da Lei n. na doutrina: MARCELO ABELHA RODRIGUES. a conclusão extraída da interpretação literal do artigo 4º da Lei n. Diante da inexistência de outro recurso na legislação processual.6. conclusão 63. sim. 160. A propósito. Suspensão de segurança. seja o agravo contra a liminar ou a apelação contra a sentença de mérito” (Suspensão de sentença e de liminar. vale a pena conferir o preciso pronunciamento da Ministra ELLEN GRACIE NORTHFLEET: “Para que a preclusão não ocorra. conforme revela o enunciado n. Também com entendimento semelhante. cabe. ReCORRIbILIdAde dA deCIsÃO mONOCRáTICA PResIdeNCIAL PROfeRIdA NO INCIdeNTe de sUsPeNsÃO Durante muitos anos prevaleceu a tese da inadequação do agravo interno contra decisão monocrática presidencial denegatória da suspensão. p. 327 .

por maioria. 328 . a natureza jurídica da suspensão e 502. caberá agravo. Em reforço. noticiado no Informativo n. o artigo 4º da Lei n. 2000. 504. em sessão de 23. p. julgado em 19 de dezembro de 2002. 217 pelo Superior Tribunal de Justiça504. 506 da Súmula da Corte Suprema503. Posteriormente.166/SP — AgRg. como no de denegação de suspensão da segurança (vide Súm. no dia 23 de outubro de 2003. restou superada a orientação contida na Súmula 506 do Supremo Tribunal Federal. A Súmula 506 do Supremo Tribunal Federal. 1. com o igual posterior cancelamento do enunciado n. 177). 503. decidiu pelo cabimento de agravo regimental contra despacho do Presidente do Supremo Tribunal Federal que indefere o pedido de suspensão de segurança. n. 8. 217 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Também. A Súmula 506 do Supremo Tribunal Federal. 1. de 1990. Suspensão de segurança. 15). julgado em 16 de junho de 2003. na doutrina: MARCELO ABELHA RODRIGUES. 15). além da decisão monocrática presidencial de deferimento.038.945/AL — AgRg. no prazo de 5 (cinco dias)”. Conferir: “A Corte Especial. 2005. 1. como bem reconheceu o Pleno do Supremo Tribunal Federal.204-AM” (GILMAR MENDES. preliminarmente. 8. ser cabível agravo regimental tanto no caso de concessão. reafirmada em diversas decisões da Corte” (GILMAR MENDES.regimental502. ao cancelar o verbete n. resolvendo questão de ordem suscitada pelo Min. “Dessa forma. Gilmar Mendes.03. por maioria. 193 e nota 195. portanto. Pleno do STF.437 assegura o cabimento do agravo interno. À vista da regra da ampla recorribilidade das decisões monocráticas consagrada no artigo 39 da Lei n. apreciando o AgRg na SS. p. o Verbete 506 da Súmula do STF” (SS n. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça deliberou pelo cancelamento da Súmula n.10. 4. 217. também cabe agravo interno contra decisão monocrática denegatória de requerimento de suspensão. 2005. Com a mesma opinião. p. a fim de que o órgão colegiado competente do tribunal possa efetuar o controle jurisdicional da atividade judicante do respectivo presidente. já que da decisão do presidente “que conceder ou negar a suspensão. noticiado no Informativo n. Em suma. cancelando. 295). no julgamento do AgRg na SS n. Não importa se houve o deferimento ou a denegação da suspensão na decisão presidencial. a Corte Especial cancelou o enunciado n. cabe agravo interno contra toda decisão presidencial proferida em suspensão. ReCURsOs eXTRAORdINáRIO e esPeCIAL em INCIdeNTe de sUsPeNsÃO Estudadas a legislação de regência. cabe agravo interno em ambas as hipóteses. “O Tribunal. 217-STJ)” (SS n. entendeu.

Conferir: REsp n. a que o juiz que a proferiu está vinculado.038. diploma que igualmente cuida de “normas procedimentais para os processos que especifica”. Há. recurso tipicamente processual. em que as controvérsias são decididas à base do juízo de legalidade. a suspensão é suscitada sempre em processo judicial (por exemplo. desafia recurso especial ou extraordinário com possibilidade de concessão de efeito suspensivo pelo relator. 7. resta saber se o acórdão prolatado pelo pleno ou órgão especial do tribunal competente para o julgamento do agravo interno enseja recursos extraordinário e especial. e no artigo 4º da Lei n. Assim: MS n. da Lei n. desde que satisfeitas as demais exigências dos artigos 102.437.348. 2ª Turma do STJ.437. na forma do art. no artigo 12. inciso II. é. Tanto que contra a respectiva decisão monocrática presidencial cabe agravo interno. o que revela a natureza jurisdicional do incidente previsto no artigo 4º da Lei n. de mandado de segurança. 4º — DECISÃO DE TRIBUNAL LOCAL — PRECEDENTE — A decisão suspensiva da execução de medida liminar. inciso III e alíneas. 116. todavia. da estrita competência do Tribunal (Presidente e Plenário).357. à saúde.832/MG.a recorribilidade da decisão monocrática presidencial proferida à luz do artigo 4º da Lei n. 8. não se sujeitando a recurso especial. Diante da natureza jurisdicional do julgamento proferido pelo 505. 545 e 557. Ainda que muito respeitável a orientação predominante contrária ao cabimento dos recursos. 8. a tese favorável merece ser prestigiada. ART. 506. da Constituição Federal. 531. 7. 8. da Lei n. 4. 1ª Seção do STJ. de 1990. Prevalece a orientação jurisprudencial contrária ao cabimento dos recursos extraordinário e especial contra o acórdão proferido em agravo interno interposto contra decisão presidencial prolatada em incidente de suspensão. quer como antecipação de tutela recursal. e 105. julgado em 26 de fevereiro de 2004: “2. em mandado de segurança. § 1º. Com efeito. entendimento jurisprudencial em prol do cabimento506.433/PR — AgRg. 9. quer via cautelar” (não há o grifo no original). inciso III e alíneas. 4. de ação cautelar).348/64. em sede de Agravo Regimental em Suspensão de Segurança.357. de ação civil pública. à segurança e à economia públicas. em razão da natureza política do respectivo juízo505. e do artigo 4º da Lei n. 4º da Lei 4. Recurso não conhecido” (grifos aditados). do artigo 12. O acórdão proferido pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. 329 . conforme revelam os artigos 496.348. com o reforço dos artigos 25 e 39 da Lei n. Diário da Justiça de 28 de fevereiro de 2000: “PROCESSUAL CIVIL — MANDADO DE SEGURANÇA — PEDIDO DE SUSPENSÃO FUNDADO NA LEI 4. todos do Código de Processo Civil. §§ 1º e 2º. pois.348/64 é resultado de Juízo político a respeito da lesividade do ato judicial à ordem. § 1º.

330 . O presidente do tribunal a quo denegou a suspensão. 4. inserto no inciso III do artigo 105 da Constituição Federal.348/64). Não se dando por vencida. 86 da Súmula da Corte” (grifos aditados). Aplicação do enunciado n. é perfeitamente possível o enquadramento na expressão “causas decididas. a despeito da predominância do entendimento contrário ao cabimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça.867/RJ. deve ser entendido em sentido amplo’ (REsp n. Irresignada. 4º da Lei n. Volume 732. inciso III. Com efeito. o recurso é incabível. já na última. 507. 187: “II — A UFFRJ. O STJ já decidiu que cabe recurso especial em hipóteses como a dos autos. pois ‘o vocábulo causa. já que a adequação à espécie depende do disposto no acórdão proferido no julgamento do agravo interno ou regimental. Por tudo. Revista dos Tribunais. Na eventualidade de o quadro fático narrado no próprio acórdão proferido pelo tribunal dispensar o reexame do conjunto probatório. 38. ambos os recursos (extraordinário e especial) são cabíveis. inciso III. 6ª Turma do STJ. fica aberta a angusta via recursal. Autarquia Federal. em tese. em única ou última instância”. De acordo: REsp n. a recorrente interpôs agravo regimental. 5. porquanto o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal podem encontrar no bojo do próprio acórdão todos os elementos fáticos necessários à verificação da correta interpretação da lei federal e da Constituição Federal. pelo menos em tese. do caso concreto. p. a diferença entre reexame de provas e qualificação jurídica dos fatos é muito relevante: naquela hipótese. a autarquia interpõe o presente recurso especial.659-0/SP). Tanto quanto sutil. interpôs recurso para suspender a execução de liminar concedida em writ (art. conforme o caso. da Constituição Federal507.tribunal no recurso processual de agravo interno interposto contra a decisão monocrática prolatada em incidente de suspensão. a incidência dos enunciados 7 e 279 das Súmulas do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal e de outros tantos verbetes sumulares depende da espécie sub examine. Daí o cabimento dos recursos extraordinário e especial. e 105. dos artigos 102. ou seja. O Plenário do TRF da 2ª Região negou provimento ao agravo. o recurso é próprio e adequado.

pelo menos em regra — artigo 520. que mesmo o provimento do recurso especial não teria o condão de reparar. “PROCESSUAL CIVIL. do Código de Processo Civil). RECURSO ESPECIAL.Capítulo XVII AÇÃO CAUTeLAR ORIGINáRIA 1. Por oportuno. Outros recursos não têm o efeito automático. embargos de divergência). I — A execução do decreto de quebra. quando não produz o efeito suspensivo imediato — artigo 558. do Código de Processo Civil). Dois exemplos freqüentes na prática forense podem facilitar a compreensão do problema: imagine-se a execução imediata do acórdão de decretação da falência. há precedentes jurisprudenciais em sentido semelhante ao exemplo indicado: “CAUTELAR. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. Há. com a lacração do estabelecimento da requerente e a paralisação de suas atividades. ou a execução 508. o agravo de instrumento de decisão interlocutória e a apelação. JÁ QUE EVIDENTE O PeriCuLum iN morA E RELEVANTES OS FUNDAMENTOS INVOCADOS” (MC n. INTROdUÇÃO Alguns recursos produzem efeito suspensivo ex vi legis (por exemplo. a apelação. os recursos que não produzem efeito suspensivo e que também não têm previsão legal de outorga mediante simples requerimento na própria petição recursal (por exemplo. 54784). em contraposição. causará sem dúvida. o recorrente pode correr risco de dano irreparável ou de difícil reparação. recurso especial. 3ª Turma do STJ. a ela e à coletividade de seus empregados. Diário da Justiça de 27 de outubro de 1997. 873/SP. CONCESSÃO DE LIMINAR PARA SUSTAR OS ATOS DECORRENTES DA DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA. II — Defere-se efeito suspen- 331 . caput e parágrafo único. MEDIDA CAUTELAR. p. recurso extraordinário. graves danos. após o provimento unânime da apelação interposta contra a anterior sentença de improcedência da falência508. Diante da falta de efeito suspensivo imediato e da ausência de previsão legal para a concessão do mesmo mediante requerimento na petição recursal. mas permitem a produção mediante simples requerimento na própria petição recursal e até em petição avulsa (por exemplo. FALÊNCIA DECRETADA — LIMINAR CONCEDIDA. caput.

834/PR. art. n. p. até 30 de junho/95 — Lei 8. há lugar para a propositura de ação cautelar originária. PROCessO CAUTeLAR e medIdA CAUTeLAR A medida cautelar é a providência urgente a ser tomada para evitar prejuízo jurídico de natureza processual511.245/91. Volume II. 1. p. Liminar parcialmente deferida” (MC n.. 511. III — liminar concedida e referendada pelo colegiado” (MC n. 18ª ed. 193/SP. 3ª Turma do STJ. AÇÃO CAUTeLAR. para garantir o êxito de um processo. 2. Em ambas as hipóteses. p. A propósito. 14422). 2. Por exemplo. evitar o prejuízo à instrução probatória para processo no qual será discutido o direito material. Diário da Justiça de 27 de outubro de 1997. a parte sucumbente pode sofrer sérias conseqüências em razão da imediata execução dos respectivos acórdãos. afiguram-se presentes os pressupostos fumus boni juris e periculum in mora. 2007. DESPEJO. pela ausência da oitiva de testemunha com doença em estado terminal. 352 e 353). Com efeito. ESTABELECIMENTO DE ENSINO. 332 . 63. há precedente jurisprudencial semelhante ao exemplo indicado: “AÇÃO CAUTELAR INOMINADA. 54784). Suspende-se a execução do despejo de estabelecimento de ensino. na concessão de liminar para tal. Direito processual civil brasileiro. a fim de que seja concedida medida cautelar perante o tribunal competente. 73. pode ser necessária a imediata apreensão de bens do devedor para garantir a sa- sivo a especial quando. pode ser indispensável alguma providência imediata de proteção. Também reconhece que a cautelar pode ser utilizada como real sucedâneo recursal. com a atribuição de efeito suspensivo ou o deferimento de outra providência urgente para garantir o resultado útil daqueles recursos e dos respectivos processos principais510. Diante do risco de dano iminente e da probabilidade do provimento dos eventuais recursos especiais interpostos (ou a serem interpostos) nos respectivos processos principais de falência e de despejo. Diário da Justiça de 22 de maio de 1995. denominada medida cautelar. na doutrina: “Outra medida que tem sido utilizada e tende a ser cada vez mais aplicada é a da utilização de medida cautelar para obter providências urgentes durante a tramitação de recursos sem efeito suspensivo. 510. § 2º. Por exemplo. 5ª Turma do STJ. especialmente no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça” (VICENTE GRECO FILHO.do acórdão de despejo imediato em conseqüência do provimento unânime do recurso apelatório interposto contra a anterior sentença de improcedência proferida na ação de despejo509. 509. verifica-se que dos fatos documentalmente comprovados e contidos nos autos da cautelar.

após a provocação da prestação jurisdicional mediante ação específica (denominada ação cautelar). a fim de que seja prestada a medida cautelar. a proteção consubstanciada na medida cautelar é obtida mediante o exercício da ação cautelar. porquanto já há preceitos legais512 que autorizam a concessão daquela providência urgente de proteção no bojo do mesmo processo já em curso. petição avulsa). Em regra.tisfação do crédito em futura execução por quantia certa. § 7º. Além da medida cautelar antecedente e da medida cautelar incidental no curso do processo principal consagradas nos artigos 796 e 800. com a instauração de processo cautelar. Cf. É certo. Não obstante. caput. do Código de Processo Civil. artigos 273. mas também por simples petição (vale dizer. A medida cautelar pode ser requerida tanto antes quanto no curso do processo principal. petição avulsa. Se pleiteada no curso do processo principal. todavia. Em síntese. e 489. a ação cautelar é o direito de provocar a atuação do Poder Judiciário. a medida cautelar é a providência em si. ambas de competência de juiz de primeiro grau de jurisdição. a mesma medida cautelar pode ser obtida independe do exercício do direito de ação específica (ação cautelar) e da existência de processo próprio (processo cautelar). a fim de obter a prestação jurisdicional diante de alguma situação de risco iminente ao êxito de outro processo. O exercício do direito consubstanciado na ação cautelar provoca a instauração do processo cautelar. em razão da existência de relação jurídica processual específica que se desenvolve em procedimento próprio. denominado principal. a medida cautelar é denominada incidental e pode ser requerida por meio de ação cautelar própria. ajuizada por meio de petição inicial. a medida cautelar é denominada antecedente (ou preparatória) e só pode ser requerida mediante a propositura de ação cautelar própria. Quando pleiteada antes do processo principal. Com efeito. mediante requerimento veiculado em simples petição. aquela providência urgente protetiva da execução é denominada medida cautelar (no exemplo. que a regra ainda é a medida cautelar requerida em processo próprio (denominado processo cautelar). 333 . também é admissível a concessão de medidas cautelares 512. o ato indispensável a ser praticado para a proteção de algum suposto direito. ambos do Código de Processo Civil. de arresto). veiculada no bojo do próprio processo principal.

inciso I. 130. 156. todos daquele diploma. a exigência prevista no inciso III do artigo 801 não alcança a ação cautelar em sede recursal. inciso I. a respectiva petição inicial deve conter a exposição da ação principal. bem assim dos artigos 39. § 1º. artigos 796 e 801.— antecedente e incidental — de competência originária de tribunal. e 304 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 514. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Por conseguinte. No que tange à ação cautelar em sede recursal. tanto a de competência de juiz de primeiro grau quanto a originária de tribunal) deve ser proposta mediante petição inicial elaborada com a observância do artigo 801 do Código de Processo Civil. 796 e 800. em razão da necessária distribuição por dependência e da posterior apensação dos autos514. todavia. 159 e 288 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. bem assim dos artigos 34. com a demonstração do nexo de interdependência daquela em relação à ação principal513. do Código de Processo Civil). 258 e 282. artigos 800 e 809 do Código de Processo Civil e artigo 288. a ação pode ser proposta antes ou depois da interposição do recurso cabível. a petição inicial deve conter a indicação do juízo ou do tribunal competente para a concessão da medida cautelar (artigo 801. parágrafo único. 3. PeTIÇÃO INICIAL A ação cautelar (tanto a antecedente quanto a incidental. a petição inicial da ação cautelar também deve conter as qualificações completas tanto do autorrequerente da medida cautelar quanto do réu-requerido. incisos IV e V. como bem autorizam os artigos 489. Consoante o disposto no inciso II do artigo 801. com o reforço dos artigos 21. inciso III e parágrafo único. 131. Em ambas as hipóteses. Não obstante. Em primeiro lugar. Quando preparatória a ação cautelar. 67. Cf. porquanto a mesma tem natureza incidental. o autorrequerente deve indicar o número do registro do processo principal. 334 . 513. do Código de Processo Civil. todos do Código de Processo Civil. 257. § 2º. incisos V e VI. inciso XVIII. na petição inicial da ação cautelar. a ação cautelar tem natureza incidental em relação ao processo no qual foi prolatado o julgamento recorrível ou já recorrido. Cf.

No que diz respeito ao periculum in mora (ou seja. incisos IV e V. diante de risco de dano iminente. consoante determina o artigo 282. Com efeito. perigo da demora). basta o autor-requerente demonstrar a simples probabilidade de sucesso do processo principal com o qual há a relação de interdependência. O autor-requerente também deve especificar as provas que pretende produzir (artigos 282. é que a petição inicial da ação cautelar deve cumprir o disposto no artigo 258 do Código de Processo Civil. ambos do Código de Pro335 . Com efeito. incisos V e VI. do Código de Processo Civil). e 801. consoante autorizam o artigo 804 do Código de Processo Civil. consoante a possível repercussão patrimonial do deferimento da medida cautelar. diante da iminência do dano.A petição inicial da ação cautelar também deve conter a fundamentação referente ao fumus boni iuris e ao periculum in mora. fumaça do bom direito). O certo. O valor da causa da ação cautelar tanto pode ser igual quanto pode ser diferente do valor da causa da ação principal. o artigo 21. Ainda em relação aos pedidos. Aliás. inciso VII. a petição inicial deve conter o requerimento de citação do réu-requerido (artigo 282. O valor da causa da ação cautelar deve refletir a eventual vantagem econômica proveniente da concessão da medida cautelar. cabe ao autor-requerente demonstrar o risco de dano iminente que está sujeito a sofrer. Como toda petição inicial. Após a fundamentação do fumus boni iuris e do periculum in mora. a petição inicial da ação cautelar deve conter a indicação do pedido de concessão da medida cautelar (típica ou atípica) necessária para evitar o risco de dano. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e o artigo 34. inciso IV. inciso VI. No que tange ao fumus boni iuris (vale dizer. os quais formam o mérito do processo cautelar. a medida cautelar pode ser concedida pelo relator no tribunal. inciso V. mediante simples decisão monocrática. todavia. do Código de Processo Civil. para que possa exercer o respectivo direito de defesa (artigo 802 do Código de Processo Civil). o autor-requerente deve arrolar os respectivos pedidos. o autor-requerente pode pedir a concessão da medida cautelar in limine litis. a da ação cautelar também deve conter a indicação do valor da causa. proferida in limine litis. mas que é evitável mediante a concessão da medida cautelar pleiteada.

de 1950. incide a respectiva Lei n.060. No que tange ao Superior Tribunal de Justiça. 336 . Como as ações em geral. 515. até mesmo quando é ação originária de tribunal515. caput. e 13. A petição inicial da ação cautelar deve ser subscrita por advogado.038. prevista no artigo 257 do Código de Processo Civil. ambos da novel Lei de Custas Judiciais no Superior Tribunal de Justiça. artigos 113 a 121 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigos 139 a 147 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. para que possa ser intimado dos diversos atos processuais mediante publicação no órgão oficial de imprensa ou até pessoalmente. consoante o inciso I da Tabela “B”. primeira parte. No que tange à prova documental. Não obstante. à vista dos artigos 5º. de 2007. 5º e 9º). 1. tal como autoriza a Lei n. quando fica dispensado do pagamento. R$ 200. tal como autoriza a Lei n. de 1950. a cautelar também está sujeita à regra do pagamento das custas iniciais. a petição inicial da ação cautelar deve ser desde logo instruída com os documentos disponíveis (artigo 283 do Código de Processo Civil). em reforço à regra do pagamento das custas iniciais em ação cautelar.00). também incidem os respectivos regimentos internos e resoluções internas. No que tange às ações cautelar de competência originária do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. mas há a possibilidade de posterior juntada do instrumento de mandato. 1. tal como revela o artigo 41-B da Lei n. de 1990. artigos 2º.cesso Civil). 333 dispõe sobre as Tabelas de Custas referentes ao Supremo Tribunal Federal.060. segundo a qual o autor-requerente deve instruir a petição inicial com a guia comprobatória do recolhimento das custas previstas no inciso XIV da Tabela “B” (ou seja. em caso de urgência (artigo 37. Cf. 8. de 2007. a cautelar também enseja instrução probatória. primeira parte. no momento da distribuição da ação rescisória (cf. Não obstante. 11. Como toda ação judicial. do Código de Processo Civil). quando fica dispensado do pagamento. o autor-requerente pode pedir a concessão de assistência judiciária. A Resolução n. segunda parte).636. o autor-requerente também pode pedir a concessão de assistência judiciária. A petição também deve ser instruída com a procuração outorgada pelo autor-requerente ao advogado subscritor da inicial (artigo 37. o qual deve declarar na inicial o respectivo endereço profissional e inscrição perante a Ordem dos Advogados do Brasil.

a medida cautelar será requerida diretamente ao tribunal”). mas a nosso sentir será competente. na doutrina: “Não é pacífica a solução do problema. o tribunal a que couber a competência para apreciar o recurso já interposto.” “Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade. entretanto. a ação cautelar516 originária será da competência do mesmo tribunal competente para a ação rescisória. À vista do parágrafo único do artigo 800 do Código de Processo Civil. não é tão simples a identificação do tribunal competente para processar e julgar aquela (ação cautelar). ainda é controvertida a competência para a concessão de medida cautelar.4. ex vi legis. 519. do CPC) ser clara ao estabelecer. Com efeito. quando não há dificuldade alguma na aferição da competência: o mesmo tribunal. Consoante os enunciados 634 e 635 da Súmula do Supremo Tribunal Federal519. ainda aqui. “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem. compete ao tribunal ad quem processar e julgar a ação cautelar517. por exemplo. é necessária a admissão do recurso na origem para que o tribunal superior seja 516. No mesmo sentido. 64). as exceções previstas nos artigos 853 e 880.” 337 . a jurisprudência predominante segue outro critério distintivo da competência. a hipótese prevista no artigo 489 do Código de Processo Civil não apresenta dificuldade alguma. a interposição do recurso contra a sentença” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. tão logo interposto o recurso.. COmPeTêNCIA A ação cautelar originária pode ter como principal um processo já da competência do próprio tribunal. Lições de direito processual civil. para deslocar a competência da Justiça de origem para o tribunal superior518. parágrafo único. parágrafo único. quando o processo principal é uma ação rescisória. Isto se deve ao fato de a lei processual (art. p. Tanto a antecedente (isto é. 518. 11ª ed. basta a mera interposição do recurso. 2006. como fato determinante da fixação da competência do tribunal. Não obstante a literalidade do parágrafo único do artigo 800 do Código de Processo Civil. 800. todavia. É o que ocorre. 517. mediante o simples protocolo da petição recursal. Volume III. Com efeito. do Código de Processo Civil. preparatória) quanto a incidental. mais do que a mera interposição. Há. a despeito da literalidade do parágrafo único do artigo 800 do Código de Processo Civil (“Interposto o recurso. Quando a ação cautelar originária tem como principal um processo em fase recursal.

o autor-requerente deve ser intimado para a emenda daquela. em cinco dias524. com a prolação de decisão monocrática a ser submetida ao órgão colegiado competente segundo o regimento interno do tribunal523. incisos V e VI. e 288.038. 522. parágrafo único. deixar o decêndio legal correr in albis. Se. artigo 38 da Lei n. 8. Formulado o pedido de concessão liminar na petição inicial da ação cautelar. entretanto. Cumpridas as formalidades arroladas nos artigos 282. artigo 21. 523. Além de determinar a citação do réu-requerido. de 1990. Por exemplo. PROCedImeNTO Se a petição inicial da ação cautelar contiver algum vício sanável520. em caso de urgência. Cf. o pleito acautelatório ainda deve ser formulado perante a Justiça de origem. Cf. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. para que possa apresentar contestação. Cf. e 804.competente para conhecer de requerimento de medida cautelar. 338 . preceito também aplicável à petição inicial da ação cautelar. 295 e 801 do Código de Processo Civil. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. artigos 801. § 2º. Cf. ausência de valor da causa. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. e artigos 34. compete ao próprio relator decidir desde logo o pleito. consoante estabelece o artigo 284 do Código de Processo Civil. § 2º. houver tempo hábil para a apreciação do pedido de concessão da medida cautelar liminar pelo órgão coletivo competente. artigo 39 da Lei n. falta de requerimento de citação do réu-requerido. mediante decisão monocrática521. inciso VI. inciso V. e 288. inciso XVIII. a petição inicial deve ser indeferida pelo relator do tribunal competente. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 34. e artigos 34. artigo 21. § 2º. Se o autor-requerente. 5. 524. em dez dias. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. artigo 317 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 521. o relator também deve de imediato verificar se há pedido específico de concessão liminar da medida cautelar522. todavia. Tanto a decisão monocrática de concessão liminar quanto a denegatória são impugnáveis mediante agravo interno ou regimental. o relator deve admitir a petição inicial e determinar a citação do réu-requerido. o 520. incisos IV e V. artigo 21. ambos do Código de Processo Civil. antes. de 1990. 8.038.

bem assim as exceções de impedimento. 526. artigos 126 e 129 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigos 153 e 156 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. a qual incompatível com o processo cautelar. Compete ao presidente do colegiado incluir o processo cautelar em pauta. 527. consoante autoriza a interpretação do artigo 804 do Código de Processo Civil. Cf. Da respectiva decisão monocrática do relator cabe agravo interno ou regimental. o relator também pode indicar preferência para o julgamento do processo cautelar. artigo 21. só não há lugar para reconvenção. II e VII. Aliás. Se necessária a intervenção ministerial. artigo 21. Diante da urgência do julgamento do processo cautelar. em relação às respostas previstas no Código de Processo Civil. a qual deve ser publicada no órgão oficial de 525. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. para o órgão colegiado competente: Turma. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 339 . Cf. Solucionado o pleito liminar pelo relator ou pelo órgão colegiado competente. para parecer. em cinco dias. inciso IV. conforme a urgência do caso. porquanto eventual pedido de contracautela pode ser veiculado tanto na contestação quanto em petição avulsa. Corte Especial ou Plenário. Contestada a ação. os autos devem ser remetidos ao Ministério Público. Turma. incisos I. em cinco dias. compete ao relator decidir sobre as provas a serem produzidas526. Com efeito. de suspeição e de incompetência relativa. Seção. e artigo 34. artigo 809 do Código de Processo Civil. excepcionalmente. A despeito de o artigo 802 do Código de Processo Civil versar apenas sobre a contestação. e artigo 34.relator deve submeter o pleito à apreciação do colegiado. o réu-requerido também pode veicular impugnação ao valor da causa. Findo o processamento da cautelar. ao qual compete decidir sobre o deferimento ou a denegação da medida cautelar525. sempre no prazo de cinco dias do artigo 802. Cf. em regra. cabe ao relator pedir dia para julgamento perante o órgão colegiado competente indicado no regimento interno: em regra. incisos I. bem como a realização de julgamento conjunto dos processos cautelar e principal527. o Ministério Público pode requerer preferência de julgamento (artigo 130 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. inciso V. II e VIII. o réu-requerido é citado para responder aos termos da ação cautelar.

inciso III. só há o cabimento de embargos de declaração. Em seguida. a qual é impugnável mediante agravo interno ou regimental528. a fim de que os advogados das partes sejam intimados do acórdão. do Código de Processo Civil). 6. até para que possam recorrer (artigos 506. o presidente do colegiado anuncia o resultado do julgamento e designa o redator do acórdão. com a observância do artigo 556 do Código de Processo Civil. §§ 2º e 3º. o artigo 554 do Código de Processo Civil não alcança o processo cautelar de competência originária de tribunal. e 564. já não há lugar para sustentação oral pelos advogados das partes. mas há a possibilidade de pedido de vista (artigo 555.038. 528. Aliás. Na verdade. com a leitura do respectivo relatório. há o imediato julgamento do processo cautelar pelo colegiado competente. Proferidos todos os votos. a interposição de agravo interno contra o acórdão proferido no processo cautelar significa erro grosseiro. razão pela qual não há lugar para o aproveitamento do recurso mediante fungibilidade. O relator do processo cautelar é o primeiro a proferir voto perante o colegiado. Decorrido o prazo legal de quarenta e oito horas da publicação da pauta no órgão oficial de imprensa. 8. não há lugar para embargos de divergência nem para embargos infringentes. porquanto o § 2º do artigo 131 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e o artigo 159 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça estabelecem que não há sustentação oral no processo cautelar. de 1990. Em seguida. Com efeito. o processo já pode ser julgado perante o órgão colegiado competente (artigo 552 do Código de Processo Civil). o acórdão proferido no processo cautelar não enseja recurso de agravo algum. Ao contrário da decisão monocrática proferida por relator. O acórdão deve ser lavrado com o cumprimento do disposto nos artigos 165. JULGAmeNTO Após a exposição do relator. artigo 39 da Lei n. 340 . a ementa e as conclusões devem ser veiculadas no órgão oficial de imprensa. ambos do Código de Processo Civil). artigo 317 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e artigo 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 458 e 563 do Código de Processo Civil. em regra. os demais ministros presentes proferem os respectivos votos. Cf.imprensa.

além dos embargos de declaração. se o processo cautelar já é da competência da Corte Suprema. entretanto. o outro recurso cabível contra o acórdão proferido em processo cautelar é o recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal — salvo. 341 . Em tese. quando não cabe outro recurso algum senão os embargos declaratórios.ainda que o acórdão esteja em divergência com algum precedente do próprio tribunal ou tenha sido proferido por maioria de votos.

Em sentido contrário. 2006. ao Ministério Público e ao terceiro prejudicado legitimidade para recorrer. 4ª ed. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. Volume II. 1999. Tomo VII. comentário 1. já que o artigo 499 do Código de Processo Civil conferiu apenas às partes. 1996. decorrido o prazo para a interpo- 529. Princípios fundamentais. Curso de direito processual civil.Capítulo XVIII RemessA ObRIGATÓRIA OU ReeXAme ObRIGATÓRIO 1. 2ª ed. Revista Forense. Com efeito. 1998. Por tal razão. Lições. p.. e o magistrado não pode ser considerado terceiro prejudicado em relação ao julgamento por ele mesmo proferido. Já os recursos são manifestações de vontade e estão condicionados à interposição dentro de prazo peremptório previsto em lei.. JOSÉ AFONSO DA SILVA. Aspectos e inovações. 1996. 339. 479 e 480. 174 e 175. 1974. Volume IV. Curso. há autorizada doutrina: ARAKEN DE ASSIS. OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. p.. e SERGIO BERMUDES. ARAÚJO CINTRA. Os recursos. 53 e 254. p. Comentários. NERY JUNIOR. p. bem assim “duplo grau de jurisdição”. 130. Dos recursos. diferentemente dos recursos. 226. p. 3ª ed. 1999. o reexame necessário não está sujeito à observância do requisito de admissibilidade da tempestividade. 93. 2ª ed. 1974. a “remessa” obrigatória ocorre independentemente da manifestação de quem quer que seja. em prazo determinado. 1977. nem tem interesse de impugnar pronunciamento de sua autoria. FREDIE DIDIER JR. p. 2000. p. e PONTES DE MIRANDA. 31 e s. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Admissibilidade. 43. 849. p. Comentários. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. 5ª ed. Volume VII.. 192. 2ª ed. Em primeiro lugar. p. 3ª ed. p. p. 1999. o juiz não tem legitimidade recursal. NomeN iuris e NATURezA JURídICA A “remessa” obrigatória. Comentários. 131 e 134. p. não tem natureza recursal529. PINTO FERREIRA. São várias as razões que conduzem a tal conclusão. 102. 310. também denominada “reexame necessário”. p. Em sentido conforme: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. 2001. Volume 3. Volume I. e Código.. 342 .. Sob outro enfoque. 245.. Volume 246. Vocabulário jurídico. 2000. p.

a qual não traduzia a natureza do instituto. Daí a conclusão acerca da natureza jurídica do instituto: condição à formação da coisa julgada. como já reconheciam até mesmo os comentadores do diploma pretérito530. ELIÉZER ROSA. Eis o primitivo parágrafo único do artigo 475 do Código de 1973: “Nos casos previstos neste artigo. 452. prevista no artigo 822 do anterior Código de 1939. p. Ainda sob o aspecto histórico. ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. 1947. o Código de Processo Civil vigente tratou da “remessa” obrigatória fora do título destinado ao sistema recursal (Título X).sição do recurso cabível. p. e GABRIEL REZENDE FILHO. 343 .. Volume IX. Curso. o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal. a anterior redação do artigo 475 do Código de 1973 ensejava 530. haja ou não apelação voluntária da parte vencida. 1956. poderá o presidente do tribunal avocá-los”. p. 125 das Mesas de Processo Penal da Universidade de São Paulo: “O denominado ‘recurso necessário’ não é recurso. Recursos. o atual Código de Processo Civil não prestigiou a expressão “apelação necessária ou ex officio”. 103. a ausência de interesse recursal e a inexistência de prazo peremptório como condição para a realização do reexame da causa pelo tribunal ad quem. ao contrário do que ocorre com os diversos recursos processuais. 54 e 55. que só transita em julgado após confirmada em segundo grau de jurisdição”531. não o fazendo. convém lembrar que no original Código de Processo Civil de 1973 havia a palavra “voluntária”. caso não tenha ocorrido a “remessa” de ofício na Justiça de origem. CARVALHO SANTOS. Hoje a “remessa” consta do artigo 475. 282. conforme revela a precisa conclusão n. 1973. Cadernos. 3ª ed.. 4ª ed. 2001. Aliás. Em reforço. a qual gerava dúvida acerca da existência de outra “apelação” que não fosse apenas a “voluntária”. mas sim condição de eficácia da decisão. embora o Código de Processo Penal de 1941 ainda trate do instituto como “recurso de ofício” nos artigos 574 e 746. Não bastassem a ilegitimidade recursal. Sem dúvida. a combinação do caput do artigo 475 com o § 1º conduz à conclusão de que o reexame não está condicionado a prazo peremptório. Com efeito. Código. Volume III. o presidente do tribunal ad quem competente para o reexame deve avocar os autos. a doutrina bem sustenta a erronia da denominação legal. Cf. p. preceito inserto em seção destinada ao tratamento da coisa julgada (Seção II do Capítulo VIII do Título VIII). Cf. 531.

Por exemplo. incidem as regras gerais do mesmo capítulo VII. Na verdade. ressalvados os preceitos específicos de determinada espécie recursal (verbi gratia. o reexame obrigatório e as ações originárias. recurso ex officio não deveriam ser mais utilizadas na linguagem forense. 10. é possível concluir que a “remessa” necessária não tem natureza de recurso processual. não o fazendo. a palavra já não é encontrada no atual § 1º do artigo 475: “Nos casos previstos neste artigo. mas que geralmente seguem o mesmo procedimento nos tribunais.352 já não há a palavra “voluntária”. quanto ao nomen iuris do instituto. já que não encontram sustentação na doutrina e na legislação moderna. Por conseguinte. No mais. de condição para a formação da coisa julgada. em prol do esclarecimento da natureza jurídica e do nomen iuris do instituto. 344 . trata-se. A adoção de procedimento semelhante. merecem ser prestigiadas as expressões “remessa” e “duplo grau de jurisdição”. É certo que a confusão tão comum entre “remessa” e recurso ocorre em razão de o reexame da causa ser igualmente realizado por “tribunal”. institutos diferentes. remessa obrigatória ou ação originária). ambas previstas pelo próprio artigo 475 do atual Código de Processo Civil. A ausência merece elogio. conforme se infere dos artigos 551 e 553. deverá o presidente do tribunal avocá-los”. na Lei n. as expressões recurso necessário. artigos 551 e 553). Realmente. não permite a confusão dos institutos. bem como conduzem o intérprete em falsa pista. Portanto. Portanto. 10. Por tudo. na verdade. A propósito. o reexame também segue o procedimento do capítulo VII: “DA ORDEM DOS PROCESSOS NO TRIBUNAL”.352.a errônea interpretação favorável à existência de outra apelação que não fosse voluntária. a necessária. 553 e 555. de 2001. caput) ou de alguma ação específica (ad exemplum. a ordem dos processos no tribunal é geral. ou seja. Porém. a ação rescisória também está sujeita à incidência do capítulo VII. o vocábulo que pode ser encontrado tanto no texto original como no atual é “remessa”. haja ou não apelação. já que afastou a redundância do Código de 1973. todos os processos seguem nos tribunais o procedimento geral previsto nos artigos 547 até 565. qualquer que seja a natureza do julgamento no tribunal (recurso. Realmente. conforme revelam o caput e o § 1º do artigo 475 do Código de Processo Civil. Porém. até mesmo para a remessa necessária. assim como a expressão “reexame necessário”. o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal. pois toda apelação é voluntária. inserta no comando da Lei n. artigos 551. todavia. dispositivos com aplicação particular. recurso oficial. a semelhança procedimental não justifica a confusão entre os recursos.

da Constituição Federal). Generalidades Estudados o nomen iuris e a natureza jurídica do instituto. só é obrigatória a remessa de “sentença”. com enfoque especial no Direito Processual Civil. basta a prolação de sentença contrária ao ente público. Também há a inspiração no artigo 10 da Lei n. sentenças contrárias aos entes públicos Há a necessidade de reexame oficial pelo tribunal quando “a sentença” é “proferida contra a União. 2. Não importa. Quanto ao Distrito Federal. as respectivas autarquias e fundações de direito público”. É o que dispõe o atual inciso I do artigo 475. o Distrito Federal. o Estado e o Município”. entretanto. 137 do antigo Tribunal Federal de Recursos.352. se a União. o Município. razão pela qual não são alcançadas pelo artigo 475 do Código de Processo Civil. HIPÓTeses de RemessA ObRIGATÓRIA 2. o Estado. Na esteira do enunciado n. da Constituição Federal de 1988 já revelavam a necessidade do mesmo tratamento ao Distrito Federal. Para que seja necessária a remessa oficial. de 2001. inspirado no antigo inciso II do mesmo dispositivo: “proferida contra a União. o Município. Antes de ingressar no estudo das hipóteses específicas. não são beneficiadas pela remessa oficial. de 1997. previstas nos incisos I e II do artigo 475. 9. a Autarquia ou a Fundação ocupou o pólo ativo ou o pólo passivo da relação processual. jamais houve dúvida acerca da igual obrigatoriedade do duplo grau de jurisdição. o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é indispensável 345 .469. porquanto estão sujeitas ao regime jurídico privado (artigo 173. a despeito do silêncio do texto primitivo do artigo 475. porquanto o preceito já versava sobre a necessidade do reexame também na hipótese de sentença prolatada contra as autarquias e as fundações públicas.2. O atual Código de Processo Civil contém duas hipóteses de reexame necessário. com a redação conferida pela Lei n. o Estado. já é possível apontar as hipóteses de remessa obrigatória. § 1º. 10. inciso II e § 2º.1. consoante o caput do artigo 475 do Código de Processo Civil. No que tange às empresas públicas e às sociedades de economia mista.2. convém registrar que. Tanto a interpretação teleológica como a sistemática do antigo artigo 14 do Código Civil de 1916 e do artigo 32. o qual pode ser o autor ou o réu no processo. o Distrito Federal.

Também é necessário o reexame na hipótese de procedência dos embargos à execução fiscal movida pelas “respectivas autarquias”. A remissão ao inciso VI do artigo 585 revela que o reexame obrigatório alcança apenas a sentença de total ou parcial procedência proferida em ação de embargos proposta em execução aparelhada em título executivo extrajudicial consubstanciado na “certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União. a atual redação é superior em relação ao antigo inciso III do original Código de 1973.3. por ter sido proferida com esteio no artigo 267 do Código de Processo Civil. Ainda no tocante ao vigente inciso II do artigo 475. já que verdadeira ação de conhecimento. prevista no artigo 475 do Código Buzaid. Cf. Estado. INAPLICABILIDADE ÀS SENTENÇAS DE EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. VI)”. com julgamento de procedência. a redação atual está em harmonia com a linguagem técnica. foi apenas terminativa. 2. com os artigos 475. 2ª Turma do STJ. no todo ou em parte. inciso VI. ART.533.931/PB. sentença de improcedência em embargos à execução fiscal Também há necessidade da remessa dos autos ao tribunal para o reexame da sentença “que julgar procedentes. o atual inciso II cuida do duplo grau de jurisdição da sentença “que julgar procedentes. e 585. Portanto. inciso II. Por força do artigo 12. parágrafo único. de 532. 688. os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública”. Diário da Justiça de 25 de abril de 2005. Distrito Federal. 1. Território e Município”. se a sentença. ambos do Código de Processo Civil. da Lei n.a prolação de julgamento de mérito contrário ao ente público para que ocorra a remessa oficial. 346 . 475 DO CPC. não há a remessa oficial532. 324: “RECURSO ESPECIAL. 2. entretanto. REEXAME NECESSÁRIO. que previa o reexame da sentença “que julgar improcedente a execução de dívida ativa da Fazenda Pública”. 585. os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art.830. somente se aplica às sentenças de mérito”. É cediço o entendimento de que a exigência do duplo grau de jurisdição obrigatório. conforme revela a combinação do artigo 1º da Lei n. sob o enfoque científico. p. REsp n. 6. no todo ou em parte. só os embargos são efetivamente marcados por juízo de cognição de mérito. Ao contrário do anterior inciso III. de 1980. Realmente. PROCESSO CIVIL.4. Outras hipóteses legais de reexame necessário Também há outras hipóteses de remessa obrigatória em outras leis processuais. PRECEDENTES. ou não.

exceções ao reexame necessário Estudadas as hipóteses de remessa oficial. a regra é a de que as sentenças em geral não estão sujeitas ao reexame necessário. de 1951. ainda que provisória. conforme o disposto no caput do artigo 19 da Lei n.1951. Por conseqüência. também está sujeita ao reexame necessário a sentença proferida em ação anulatória de registro ou de matrícula de imóvel rural. O mesmo ocorre com a sentença condenatória do expropriante em quantia superior a cinqüenta por cento sobre o valor oferecido na petição inicial da ação de desapropriação de imóvel rural para reforma agrária. § 1º.352. 6. do Decreto-lei n. conforme o novo § 2º do artigo 475. que as exceções alcançam não só os casos de necessidade de duplo grau de jurisdição por força do Código de Processo Civil.533. Por fim. desde logo. 4. Da mesma forma.739. Igualmente está sujeita ao reexame necessário a sentença condenatória da Fazenda Pública em quantia superior ao dobro da oferecida na petição inicial da ação de desapropriação. na hipótese do parágrafo único do artigo 3º da Lei n. 1. 76. da Lei Complementar n. como também os previstos nas leis especiais. a sentença concessiva da segurança tem eficácia imediata. É o que se infere do artigo 28. de 1993. a sentença concessiva de mandado de segurança está sujeita ao reexame necessário.5. convém destacar as exceções ao reexame obrigatório. Há. a sentença condenatória de ente público que não ultrapassar sessenta salários mínimos e a de procedência — ainda que parcial — dos embargos na execução fiscal que não superar o mesmo valor estão dispensadas do reexame necessário. o artigo 13 da Lei n. consoante a inteligência do parágrafo único do artigo 12 da Lei n. À luz do mesmo preceito. 347 . todavia. acrescentado pela Lei n. 2. § 1º. Já a sentença denegatória do mandado de segurança não está sujeita ao reexame necessário. uma peculiaridade: apesar da obrigatoriedade da remessa ao tribunal. de 1965.365. Em primeiro lugar. A sentença terminativa e a definitiva de improcedência proferidas em ação popular também dependem da remessa obrigatória. de 1979. de 2001. 3. Aliás.259 revela a inexistência de reexame necessário nas causas em geral processadas nos juizados especiais federais.717. e do artigo 13. porquanto apenas algumas sentenças contrárias aos entes públicos estão submetidas ao reexame obrigatório pelo tribunal ad quem. Convém registrar. 10. 10. não há remessa obrigatória de acórdão proferido em mandado de segurança de competência originária de tribunal.

independentemente da interposição de recurso voluntário533. todo recurso é voluntário. Por fim. a interposição de recurso.352. a qual é realizada à luz dos princípios do artigo 548. o próprio magistrado prolator deve desde logo determinar a remessa dos autos ao tribunal ad quem. de 2001. em razão da autorização expressa inserta no § 1º do artigo 475 do Código de Processo Civil. a fim de reforçar a separação do recurso em relação à remessa oficial. 6. Se interposto e recebido o recurso. o artigo 557 igualmente alcança o reexame necessário. Logo após. mas a preocupação do legislador com a preservação do matrimônio restou incompatível com o advento do divórcio. PROCedImeNTO e JULGAmeNTO Proferido o julgamento sujeito ao reexame necessário. 557.ainda que condenatória da União. ocorre a distribuição. o reexame segue o procedimento estabelecido nos artigos 547 até 565 do Código de Processo Civil. 253 e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no enunciado n. Após a chegada dos autos no tribunal ad quem. as sentenças proferidas nos juizados especiais não estão sujeitas ao duplo grau de jurisdição ex vi legis. os autos seguem ao relator. até mesmo pelo ente público já beneficiado pela remessa oficial. 348 . convém lembrar que. Em primeiro lugar. Na verdade. todavia. Independentemente do valor da condenação ou da execução fiscal. É admissível. de autarquia federal ou de fundação pública. há a autuação prevista no artigo 547. 10. com a superveniência da Lei n. do Código de Processo 533. A remessa era necessária na vigência do original Código de Processo Civil 1973.515. conforme já assentou o Superior Tribunal de Justiça no enunciado n. de 1977. A outra exceção reside no § 3º do mesmo artigo 475. assim como enunciado de tribunal superior. 3. Embora não seja recurso. o pleonasmo no texto foi proposital. 53: “O art. a sentença de anulação do casamento não está mais sujeita ao reexame obrigatório. instituto previsto na Lei n. os autos sobem ao tribunal ad quem para o julgamento conjunto do recurso e do reexame obrigatório. está livre do reexame obrigatório a sentença proferida com esteio em enunciado ou precedente do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Em seguida. Daí a explicação para a eliminação da hipótese de reexame prevista no inciso I do artigo 475 do original Código de 1973.

Ademais. em cinco dias. admitido e conhecido o recurso voluntário do particular ou do Ministério Público. Resta saber se o acórdão proferido por maioria de votos contra a sentença de mérito é impugnável por meio dos embargos infringentes do artigo 530 do Código de Processo Civil. Diante da falta de previsão legal acerca do cabimento de embargos em reexame necessário e da significativa restrição proveniente da Lei n. não só julgamento dos recursos arrolados no art. 4.352. se o relator constatar que o julgamento não está sujeito ao reexame obrigatório. de 2001. 496. o Superior Tribunal de Justiça assentou que o tribunal competente para o reexame necessário não pode majorar a condenação imposta ao ente público. ambos da Constituição Federal. a Lei n. porque a remessa oficial ocasiona o julgamento da causa em última instância por tribunal de justiça ou por tribunal regional federal. e 105. Em contraposição. Daí a conclusão em prol da inadequação dos infringentes. 45. 77.J. no reexame obrigatório desacompanhado de recurso particular ou ministerial. 10. ReCURsOs eXTRAORdINáRIO e esPeCIAL em ReeXAme NeCessáRIO A interpretação dos artigos 102.352.T. porquanto a remessa não é recurso e nem pode ser confundida com a apelação. o que justifica o cabimento de ambos os recursos. Ainda que muito respeitável.Civil abrange. salvo se interposto.)”. como o reexame necessário previsto no art. Quanto ao julgamento. não há lugar para interpretação extensiva. inciso III. todavia. conduz ao cabimento de recursos extraordinário e especial contra acórdão proferido em reexame necessário. Primeiro. com o perfeito enquadramento nos permissivos constitucionais. 349 . Da decisão do relator. ainda que o legitimado não tenha manifestado prévio inconformismo. cabe agravo interno-regimental para a turma julgadora. consoante o enunciado n. bem assim se a causa versar sobre questão de direito já pacificada na jurisprudência. do mesmo diploma legal (Súmula 253 do S. diploma que conferiu nova redação ao artigo 530 do Código de Processo Civil. o verbete não merece ser prestigiado. restringiu o cabimento dos embargos infringentes. o tribunal não pode piorar a situação do ente público. 475. inciso III. O antigo Tribunal Federal de Recursos assentou o entendimento favorável ao cabimento dos embargos infringentes no enunciado n. pode proferir decisão monocrática ex vi do artigo 557. 10. Por conseguinte.

é preciso reconhecer que há respeitável corrente jurisprudencial contrária ao cabimento de recurso contra acórdão proferido em reexame necessário. Ora. a ausência da interposição de recurso pretérito (por exemplo. com muito maior razão o acórdão contrário proveniente do reexame ex officio é passível de impugnação mediante recursos extraordinário e especial. se a anterior sentença não foi impugnada mediante apelação. até mesmo a pessoa jurídica beneficiada pela remessa obrigatória pode aviar recursos extraordinário e especial. se a sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório enseja. especialmente em relação ao particular. porquanto é o aresto desfavorável que fica protegido pela res iudicata — ao contrário da sentença do artigo 475. Na verdade. 350 . ainda que não tenha sido interposto prévio recurso da sentença. a qual depende da remessa e não passa em julgado. do que em relação à sentença prevista no artigo 475. porquanto a sucumbência pode surgir apenas no reexame da causa pelo tribunal. são cabíveis recursos extraordinário e especial contra acórdão proferido em remessa obrigatória.Sob outro prisma. ex vi do § 1º do artigo 475. Por conseguinte. porquanto é o acórdão contrário proferido no reexame oficial que passa em julgado. apelação) é irrelevante. conforme se infere do caput do artigo 475 do Código de Processo Civil. a qual também pode ser impugnada por recurso (§ 1º). Não obstante. a interposição de apelação pela pessoa jurídica já favorecida pela remessa. o interesse recursal da pessoa jurídica é muito maior diante do acórdão contrário proferido no reexame necessário. Por tudo.

351 . Ademais. Sob outro enfoque. do revisor e até mesmo de vogal. que não é recurso e tem natureza preventiva. não há previsão de citação na legislação de regência do instituto da uniformização. o magistrado não possui legitimidade nem interesse processual. ação rescisória). o instituto não tem finalidade corretiva. o instituto tem finalidade preventiva: prevenir a continuação do dissenso intra muros acerca da exegese de norma jurídica. antes de seu julgamento. não é conhecido se. Além da ausência de condições da ação. a uniformização da jurisprudência não tem como escopo a correção de decisão jurisdicional por meio de reforma ou cassação. ao contrário do que pode parecer à primeira vista. como bem revela o proêmio do enunciado n. o órgão suscitante decide o processo que lhe deu causa”. CONCeITO e NATURezA JURídICA dA UNIfORmIzAÇÃO de JURIsPRUdêNCIA O instituto da uniformização de jurisprudência previsto no artigo 476 do Código de Processo Civil é o incidente processual de competência exclusiva dos tribunais judiciários cujo escopo é a pacificação da divergência interna corporis acerca da interpretação do direito em tese. Em primeiro lugar. A uniformização de jurisprudência também não é ação. a uniformização de jurisprudência pode ser instaurada por força de requerimento do próprio relator. a uniformização também pode ser instaurada em ação de competência originária de tribunal (verbi gratia. Com efeito. Na verdade. 13 da Súmula do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: “O Incidente de Uniformização de Jurisprudência. Em síntese.Capítulo XIX UNIfORmIzAÇÃO de JURIsPRUdêNCIA 1. Em primeiro lugar. ou seja. e não apenas no exercício da competência recursal. a uniformização de jurisprudência não é recurso. e magistrado não tem legitimidade recursal à luz do artigo 499 do Código. o instituto da uniformização de jurisprudência inserto no artigo 476 do Código de Processo Civil não tem natureza recursal. razão pela qual é possível concluir pela inexistência de formação de nova relação jurídica processual.

. Resta saber se a questão prévia é prejudicial ou preliminar. Dicionário. 8. “São exemplos de questão prejudicial: a do parentesco na ação de alimentos ou de investigação de paternidade. 148. Já a preliminar 534. 5. de incidente processual de competência exclusiva de tribunal. 84 e 87. cuja dissolução foi requerida. p. 372.” (ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. p. Comentários. Manual. divórcio ou de anulação de casamento. 2000. 11ª ed. BOTELHO DE MESQUITA. p. 213. o que explica a possibilidade da respectiva instauração em sede de recurso.. p. Ainda a respeito do assunto. 83. 1994. 1998. NERY JUNIOR. 1975. cujo julgamento ocorre necessariamente após o daquela535. 38 e 42. a de já estar extinta a sociedade comercial. de ação originária da competência do tribunal no qual reside o dissídio jurisprudencial acerca da interpretação do direito objetivo. seja em fase recursal. BARBOSA MOREIRA. 89. NELSON LUIZ PINTO. Do processo nos tribunais. 2000. 7ª ed. inciso II. 13. 15.. e VICENTE GRECO FILHO. 2ª ed. 104. 91 e 92. etc. é importante estudar o significado da combinação do vocábulo “prévio” com a expressão “interpretação do direito”. Volume II. PEDRO BARBOSA RIBEIRO e PAULA RIBEIRO FERREIRA. Prejudicial é a questão cuja solução influencia no resultado da questão subseqüente. 3ª ed. 52. Volume V. Com efeito. Tomo III. Da combinação é possível concluir pela existência de uma questão de direito prévia em relação às questões de fato e de direito a serem solucionadas no julgamento propriamente dito a ser realizado pelo órgão fracionário do tribunal.. p. tomo V. ROBERTO ROSAS. 15. 254. p.Por tudo. 2ª ed. p. a uniformização de jurisprudência tem natureza jurídica de incidente processual. e 118. 3. na verdade. Em reforço. 1996. e in Revista de Doutrina e Jurisprudência. p. O papel constitucional do STF. 11. Da uniformização da jurisprudência. a da inexistência do casamento na ação de separação judicial. p. n. Direito. caput e § 3º. seja no exercício de competência originária. convém registrar que os artigos 64. Curso. Trata-se. 5ª ed. seja em reexame obrigatório. 1988. Em sentido semelhante ao texto dos parágrafos anteriores: ALFREDO BUZAID. p.. 255 e 257. 535. p. existentes no caput do artigo 476 do Código de Processo Civil. de remessa necessária. SÉRGIO SAHIONE FADEL. a uniformização de jurisprudência não tem natureza recursal nem de ação. p. 352 . MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. 488). ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 1999. conferem ao instituto a correta natureza de “incidente de uniformização de jurisprudência”534. 1974. 1998. Volume I. Uniformização da jurisprudência. 9 e 11. 25. Volume V. Comentários.. Princípios fundamentais. já que emerge no curso de algum processo em tramitação perante tribunal. 27