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6. ESPÉCIES

EECOSSISTEMAS: RECURSOS

PARA O DESENVOLVIMENTO

A conservação

dos recursos

naturais

vivos -

vegetais,

animais e

microorganismos,

ambiente

do qual

e dos elementos -

dependem

não-vivos

é fundamental

presentes

no meio

para o desenvolvi-

mento. Atualmente,

consta dos planos de governos: quase 4% da superfície terrestre do planeta é gerida explicitamente para conservar espécies e ecossistemas, e s6 muito poucos países não possuem parques na- cionais. O desafio que se impõe hoje às nações já não é mais de- cidir se a conservação é uma boa idéia, mas sim como implemen- tá-la no interesse nacional e com os meios ,disponíveis em cada

a conservação

dos recursos vivos selvagens

país

6.1 O PROBLEMA:

CARACTERÍSTICAS

E ABRANGÊNCIA

As espécies e seus elementos genéticos prometem desempenhar

um papel

cada

vez mais importante

no desenvolvimento,

e já

se

faz presente

uma

vigorosa

argumentação

econômica

em defesa

dos motivos

éticos,

estéticos

c científicos

para preservá-Ios.

As

contribuições da variabilidade genética e do elemento plasma

gerrninativo das espécies

montam a muitos bilhões de d6lares anuais. No entanto, os cientistas s6 pesquisaram exaustivamente uma

à medicina e à indústria já

à agricultura,

! I em cada 100 espécies vegetais da Terra, e uma proporção muito
I

menor de espécies animais. Se as nações assegurarem a sobrevi- vência das espécies, o mundo poderá contar com alimentos novos, e melhores, novas drogas e medicamentos, e novas matérias-pri- mas para a indústria. Esta - a possibilidade de as espécies contri- buírem sempre mais e de uma infinidade de formas para o bcm- estar da humanidade - é a principal justificativa para os esforços cada vez maiores no sentido de salvaguardar os milhões de espé- cies da Terra.

Igualmente importantes são os processos vitais efdllados pela

natureza,

cias fluviais e do solo, a preservação de viveiros c ;Í1'L~asde re- produção etc. A conservação desses 'processos llfto I)()(IL~se des-

do clima, a prote(;f,o das ba-

entre

eles

a estabilização

162

vincular da conservação de cada espécie dentro dos ecos sistemas naturais. Administrar ao mesmo tempo espécies e ecos sistemas é

evidentemente

inúmeros exemplos de soluções aplicáveis a problemas làcais.1

As espécies ra o bem-estar

rara-

e os ecos sistemas naturais contribuem bastante pa-

de lidar com o problema. Há

o modo mais racional

humano.

Mas esses recursos

tão importantes

" mente são utilizados de modo a poder enfrentar as crescentes

pressões

desses recursos naturais.

Cresce o consenso

da futura demanda de bens e de serviços que dependem

no meio científico

de que as espécies estão

desaparecendo a um ritmo nunca antes presenciado no planeta. Mas também há controvérsias quanto a esse ritmo e aos riscos que acarreta. O mundo está perdendo precisamente aquelas espécies sobre as quais tem pouco ou nenhum conhecimento; elas estão desaparecendo nos habitats mais remotos. Esse crescente interes- se científico é relativamente recente e os dados em que se baseia não são muito s6lidos. Mas se consolida a cada ano, à medida que surgem novas pesquisas de campo e novos estudos J>or satélite.

biologicamente

Muitos

ecos sistemas

ricos. e promissores

em

benefícios lUateriais encontram-se seriamente ameaçados. Inúme- ras variedades biol6gicas correm o risco de desaparecer justa-

mente quando a ciência começa a aprender

dade genética

estudos

tropicais, florestas temperadas, manguezais, recifes de coral, sa- vanas, prados e zonas áridas.2 Embora a maioria desses estudos

geral e' poucos listem as espé-

apresente documentação

cies em risco ou recentemente extintas, alguns expõem pormeno- rizadamente espécie por espéci~. (Ver box 6.1.) A alteração dos habitats e á extinção das espécies não, são as únicas ameaças. O planeta tambéin vem sendo empobrecido pela

perda de raças e variedades dentro

riquezas genéticas existentes em uma única espécie é atestada

pela variabilidade evidente nas muitas raças caninas, ou nos

de' espécies. A variedade das

a explorar a variabili-

genética.

Vários

devido aos avanços

da engenharia

docUIÍ1entamessa crise com exemplos tirados de florestas

de caráter

muitos tipos de milho obtidos pelos cultivadores.3

.

.- Muitas espécies estão perdendo populações inteiras a um ritmo

que reduz rapidamente sua variabilidade genética e, portanto, sua

capacidade de adaptação

mas de adversidade

das principais espécies vegetais cultivadas como o milho e o ar-

roz, por exemplo, representam

da dive,rsidade

genética que abrigavam há apenas alguns decênios, mesmo que as

às mudanças

climáticas

e a outras

for-

ambiental. Os fundos de genes remanescentes

apenas uma fração

próprias espécies

não estejam ameaçadas.

Assim, pode haver uma

grande diferença

entre perda, de espécies

e perda

de reservas

de

genes.

163

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Box 6.1 AHgulillS exemplos de extinção de espécies

o Em Madagascar, até meados do século, havia 12 mil espé-, cies vegetais e provavelmente cerca de 190 mil espécies animais; pelo menos 60% desse total eram endêmicas na faixa florestal existente na parte oriental da ilha (ou seja, não existiam em nenhum outro lugar do mundo). Pelo menos 93% da floresta primitiva desapareceram. Com base nestes números, os cienti-stas calculam que pelo menos metade das

.espécies

recer.

originais já desapareceu

ou está em vias de desapa-

$ b lago Malavi, na África Central, possui mais de 500 es- pécies de peixes, das quais 99% endênúcas. O tamanho do lago é apenas um oitavo do dos Grandes Lagos da América

do Norte - que possuem apenas

nos de

luição causada por instalações industriais e pela possível introdução de espécies alienígenas. c Supõe-se que o Equador ocidental já tenha possuído entre

8 mil e 10 mil espécies vegetais,

micas. Considerando-se que em áreas semelhantes existem de 10 a 30 espécies animais para cada espécie vegetal, o

Equador ocidental deve ter possuído cerca de 200 mil espé- cies. Desde 1960, quase todas as florestas da região foram destruídas para ceder lugar a plantações ,de banana, poços de petróleo e assentamentos humanos. E difícil avaliar o número de espécies que desapareceram por causa disso, mas poderiam ter sido 50 mil ou mais - e em apenas 25 anos. ~ Na região do Pantanal, no Brasil, há cerca de 110.000

do

Km2 de terras úmidas, talvez as mais extensas

mundo, que são o habitat das mais numerosas e variadas es- pécies de aves'aquáticas da América do Sul. A Unesco con- siderou a região "de importância internacional", mas ela vem sofrendo cada vez mais devido à expansão da agricultu- ra, à construção de represas e outras formas de desenvolvi- mento que rompem o equilíbrio ecológico.

173 espécies,

das quais me-

pela po-

10% são nativas -

e se encontra

ameaçado

sendo

de 40

a 60%

endê-

e ricas

Fontes: Rauh, W. Prablems af biolagieal eonservation in Madagas- caro In: Bramwell, D., ed. Plants and islands. London, Aeaclemie

Press, 1979; Barel, D.C.N. et alü. Destruetion af fishcries in i\fri-

ea's lakes. Nature, 315:19-20,

1985; Gentry, A.H. Faltems of neo-

tropicalplant speciesdiversity.Evolutionary Biology,

Seott, D.A. & Carbonell, M. A direetory af ncotropical wethmcls.

Gland, SwitzerIand,IUCN, 1985.

15:I-R4,

1982;

164

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-.t.

"Nossa mata atlântica, essa massa de floresta

tropical. que se

estende nlana faixa estreita de norte a.sul, foi drasticamente re- duzida.

A floresta caracteriza-se por grande número de espécies en- dêmicas, espécies que s6 existem nessa área e apenas nd Brasil. Por isso, compete a nós, brasileiros, a respo17.sabilidadede manter vivas essas espécies. "

Ibsen de Gusmão Câmara

Presidente

da Fundação Brasileira para a Conservação

da Natureza

Audiêneiapúbliea da CMMAD, São Paulo, 28-29 de outubro de 1985

É inevitável que se perca parte da variabilidade genética, mas

todas as espécies deveriam ser protegidas na medida em que isso

fosse técnica, econômica

genético

vos, e há mais variedades do que o esperado para serem protegi- das por programas governamentais bem qefinidos. Por isso, no

que diz respeito à conservação genética, é' preciso que os gover- nos sejam seletivos e investiguem que reservas de genes merecem

ser objeto de medidas de proteção.

ampla, os governos deveriam sancionar leis e implementar políti- cas públicas que estimulassem a responsabilidade dos indivíduos, das comunidades e das empresas para co~ a proteção das reservas "

de genes.

em ndvas manei- as espécies, os planejadore!i e o público em geral

e politicamente

mudança

possível.

O panorama

evoluti-

está em constante

através de processos

Cont~do.

como proposta

nk1.is

;

Mas antes .que a ciência possa se.concentrar

ras de conservar

_ para o qual as políticas são feitas -' devem

compreender

o

quanto

é grave e premente

a ameaça. As espécies

importantes

pa-

ra o bem-estar

humano

não são apenas

os vegetais

silvestres

apa-

rentados

às culturas

agrícolas,

ou os animais criados

para consu-

mo. As minhocas,

as abelhas

e os cupins

podem

ser muito

mais

importantes devido ao papel

saudável e produtivo. Seria bastante irônico que, justo no mo- mento em que as novas técnicas da engenharia genética começam a permitir que conheçamos melhor a diversidade da vida e usemos os genes com mais eficácia para melhorar a condição humana, achemos esse te~ouro lamentavelmente desgastado.

que desempenhampum ecos sistema

6.2 EXTINÇÃO:

FORMAS

E TENDÊNCIAS

A extinção é um fato tão antigo quanto a vida. Os poucos ~lhões de espécies que sobrevivem até hoje são os q1J.erestaram do meio

165

bilhão que se calcula já haver existido. No passado, quase todas as extinções ocorreram por processos naturais, mas hoje se devem predominantemente à ação humana.

A duração

média

anos. As estimativas

de uma espécie

atuais mais otimistas

é de· cerca

de 5 milhões

de

são de que, nos últimos

200 milhões de anos, 900 mil espécies, em média, se tenham ex- tinguido a cada 1 milhão de 'anos, o que daria uma taxa média de quase uma extinção a cada 13 meses e meio; aproximadamente.4 A. taxa atual, provocada pela ação humana" é centenas de vezes

1 mais alta e pode facilmente chegar a ser milhares de vezes mais

I alta.5 Não sabemos. Não dispomos de dad4s numéricos precisos

I sobre as taxas atuais de extinção, pois as espécies que estão desa-

I parecendo são, em sua maioria, aquelas menos estudadas, como os insetos das florestas tropicais.

sejam sem dúvida as uni-

Embora

as florestas

tropicais

úmidas

genética e

as mais

ecológicas também sofrem pressões. As terras áridas e semi-ãridas abrigam apenas um número muito pequeno de espécies, em com- paração com as florestas tropicais. Contudo, devido ao fato de es- sas espécies se adaptarem a condições de vida muito duras, en- tram na composição de muitos produtos bioquímicas de grande

dades biológicas

mais ricas em termos

pela ação humana,

de diversidade

outras

ameaçadas

importantes

zonas

potencial, como a cera líquida da jojoba e a borracha natural do guaiúle. Muitas dessas espécies estão ameaçadas, entre outras causas, pela expansão dos rebanhos.

com cerca de meio milhão de espécies em

400.000 Km2, estão sendo devastados a tal ponto que provavel-

mente,

uma grande perda, pois os

organismos

que

em

século,

centes deteriorados.

Os recifes

de coral,

no início do próximo

dos recifes

para

só existirão

à "guerra

alguns remanes-

biol6gica"

vital

em habitats

Isto representaria

de coral,

graças

se empenham

garantirem

seu espaço

superpovoados, geram um número e uma variedade excepcionais de toxinas inestimáveis para a medicina moderna. 6

As florestas

tropicais

úmidas

cobrem

apenas

6% da superfície

terrestre do planeta, mas abrigam pelo menos metade das espécies da terra (que totalizam no mínimo 5 milhões, mas podem chegar a 30 milhões). Nelas vivem 90% ou mais de todas as espécies. As

florestas tropicais maduras ainda existentes cobrem apenas 900 milhões de hectares, dos 1,5-1,6 bilhão de hectares que já chega-

10 milhões de hectares são com-

pletamente

Mas esses núlIlt:fos provê:m de

ram a cobrir. De 7,6 milhões a

devastados

sofrem

sérios

danos

a cada ano e pelo menos outros

anualmente.7

10 milhões

levantamentos

que o ritmo do desflorestamento

feitos em fins dos anos 70; desde cn1iío, é provável

tenha se acelerado.

166

"(

"Há 20 anos,

quando

decidimos

explorar

mais

intensivamente

nossas florestas,

sos

que o fato de as árvores serem derrubadas não impediria a rege- neração da floresta, porque nem todas as árvores estavam sendo cortadas. Mas esquecemo:; de que ainda não sabíamos como re-

pensamos

os

apenas

Na

na disponibilidade

época,

achávamõs

de recur-

também

e simplesmente

usamos.

cuperar florestas

língua, que não dá

ranti, é nossa madeira mais

sombra durante seu período de crescimentO. E não pode sobrevi- ver sem sombra. E nós nem levamos isso em conta, simplesmente aceitamos a tecnologia ocidental que diz que é preciso derrubar

tropicais.

nativa

Uma espécie

cujo nome

s6 sei em minha

me-

nobre, e é uma árvore

e explorar nossas florestas."

Emmy H. Dharsono

Rede de Organizações Não-governamentais

a Conservação

para

de Florestas

Audiênciapública da CMMAD, Jacarta, 26 de março ele 1985

Por volta do Írm do. século, ou pouco depois, talvez restem

muito poucas florestas tropicais úmidas virgens,

cia do Zaire ~ na porção ocidental da Arllazônia brasileira, e em

a não

ser na ba-

.,- algumas outras áreas, como a faixa florestar" da Guiana, no norte

da América do Sul, e partes da ilha de Nov~ Guiné. É improvável

que as florestas dessas zonas sobrevivam por muitos decênios mais, já que' a demanda mundial de seus produtos continua a au-

~entar,

terras. Se o desflorestamento na Amazônia prossegqisse ao ritmo

por completé; (o que é im-

assim como o número de agricultores; que exploram. essas

até o

ano 2000

e então cessasse

. atual

provável), ter-se-iam perdido cerca de 15% das espécies vegetais. Se a floresta amazônica acaba:;se se restringindo às áreas hoje consideradas parques e reservas florestais, 66% das espécies ve-

getais desapareceriam,

ros e proporções

rias de espécies. Quase 20% das espécies da Terra encontram-se em florestas da América Latina, excluída a Amazônia; outros 20% estiío em florestas da Ásia ~ da África, excluída a bacia do Zaire.8 Todas essas florestas estão ameaçadas e, se des'aparece-

além de quase 69% das espécies de pássa-

de todas as outras principais catego-

semelhantes

rem, as espécies perdidas podem chegar a centenas de milhares.

A menos que se tomem medidas administrativas

adequadas

de

longo prazo, pode-se perder pelo m~nos um quarto, talvez umter- ço e possi-Y:t(lmenteaté uma proporÇão ainda maior das espécies

!.,"

,,-,.

167

hoje existentes. Muitos especialistas sugerem que se protejam

pelo menos 20% das florestas tropicais,

de 5% recebem algum tipo de proteção - e muitos dos parques de florestas tropicais existem apenas no papel. É improvável que mesmo os parques e áreas protegidas mais bem administrados constituam uma solução adequada para o pro- blema. Na Amazônia, se metade da floresta fosse de alguma for- ma preservada, mas a outra metade desaparecesse ou sofresse sé-

mas até agora bem menos

I rios danos, talvez não houvesse umidade suficiente no ecossiste- ma amazônico para manter úmido o restante da floresta.9 Ela po- deria ir secando até se tornar praticamente uma floresta aberta - o que provocaria a perda da maioria das espécies adaptadas às con- dições de uma floresta tropical úmida. É provável que num futuro não muito distante venham a ocor- rer variações climáticas mais generalizadas, uma vez que o acú- mula de "gases de estufa" na atmosfera acarretará o aquecimento do planeta já no início do próximo século. (Ver capítulo 7.) Tal variação afetará bastante todos os ecossistemas; tomando parti- cularmente importante manter a diversidade natural como meio de adaptação.

j'

6.3 ALGUMAS

CAUSAS DA EXTINÇÃO

Os trópicos, que abrigam o maior número e diversidade de espé- cies, também abrigam a maioria dos países 'em desenvolvimento, onde o aU,mentopopulacional é mais acelerado e a pobreza é mais difundida. 'St; os agricultores desses países se virem forçados a

persistir

na agricultura

extensiva -

que é intrinsecamente

instável

e obriga á,deslocamentos

constantes -, então a agricultura

tenderá

a se estender por todo o meio ambiente selvagem ainda existerite.

Mas se forem. ajudados e incentivados a praticar uma agricultura mais intensiva, poderão fazer uso produtivo de áreas relativa- mente limitadas e afetar muito menos as terras selvagens.

Os

agricultores

i comercialização,

necessitarão

fertilizantes,

de

ajuda:

treinamento,

e implementos

pesticidas

apoio

à

a preços

acessíveis.

garantia de que as políticas de conservação serão elaboradas de modo a beneficiar sobretudo a agricultura. Talvez seja conve-

inclusive a

Isso exigirá o apoio integral

dos governos,

:ç.iente ressaltar que

agricultores do que para a vida selvagem, embora os destinos de

para os

esses programas

são mais importantes

ambos estejam interligados.

se ao desenvolvimento, e os problemas de ambos sflo mais políti-

cos que técnicos.

A conservação

das csp6cics

vincu'a-

168

Em muitos países em desenvolvimento,

o aumento

populacio-

O

Quênia destinou 6% de seu território a' parques e reservas, a fim

de proteger

Mas os atuais

nal é uma das maiores

ameaças

selvagem

aos esforços

e ganhar

de conservação.

sua vida

divisas

com o turismo.

20 milhões

de habitantes

do país já estão pressio-

nando tanto os parques que as terras sob proteção vêm sendo gra-

dativamente

as 40 proje)oos, anos.

perdidas devido à invasão de agricultores. E 'segundo

nos próximos

populacionais

a população

queniana

quadruplicará

O

Pressões

semelhantes ameaçam os parques da

f Etiópia, Uganda, Zimbábue e de outros países, onde um número cada vez maior, porém mais pobre, de camponeses se vê forçado

a depender de uma base de recursos naturais cada vez mais redu- zida. São sombrias as perspectivas para os parques que não. con- tribuem de modo marcante e comprovado para os objetivos do de-

senvolvimento

nacional.

 

Brasil,

Colômbia,

Costa

do Marfim,

FiUpinas,

Indonésia,

Ma-

dagascar,

Peru,

Quênia,

Tailândia

e outras

nações

com

grande

abundância

de espécies

estão

enfrentando

fluxos

maciços

dc

agricultores

das terras tradicionais

para territórios

virgens.

Esses

territórios

quase

sempre

contêm

florestas

tropicais,

que

os mi-

graptes estimulados para a atividade agrícola consideram terras "livres", onde podem se estabelecer sem empecilhos. As pyssoas

que já vivem nessas terras - em baixas densidades
"

e possuindo

vezes banidas

apenas

os direitos

desses locais,

tradicionais

à terra

populacionais

- no afã de cultivar terras que bem po-

são muitas

deriafu continuar

,_,

,.

,

J

r"

~

-

como florestas de uso extensivo;

. ' Muitos países tropicais ricos em recursos florestais provocaram "bOór/iS de madeira" devastadores ao concederem direitos de ex-

piornção em troca de pagamentos de royalties, aluguéis e impos- tos. qU"e representam apenas uma pequena fração do valdr comer- dal líquido .da extração da madeira. O dano causado por esses in- f~ntivos foi ainda agravado pelo fato de só serem oferecidas con- cessões a curto prazo - o que leva os concessionários a iniciarem imediatamente o corte da madeira -, e de serem adotados sistemas de royalties que induzem os madeireiros a só extraírem as melho-

os

empresários madeireiros de vários países arrendaram praticamente toda a área florestal produtiva em poucos anos e exploraram abu-

res árvores, danificando

demais as restantes.

Em conseqüência,

sem se preocuparem

vidade futura (enquanto, imprudentemente, permitiam na área la-

sivamente

os recursos,

muito com a produti-

vradores que a limpavam por meio de queimadas) .11

.

I

. Nas Américas Centnll

e do Sul, muitos governos

incentivaram

a conversão

criação de gado. Muitas dessas fazendas se revelaram inviáveis

em larga escala de florestas

tropicais

em fazendas

de

169

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;.:;.;-"-"'*--

:

i-.;

"Todos n6s, na África, estanios lentamente despertando para o fato de que a crise africana é em essência wn problema de meio ambiente que ,trouxe conseqüências negativas como seca, fome, desertificação, superpopulação, refugiados, instabilidade

, Estamos despertando para o fato de que a Africa está mor-

rendo porque seu rneio ambiente foi pilhado, superexplo'rado e

negligenciado.'

polftica, pobreza generalizada etc.

, Muitos de n6s, na África, estamos também começando a per-

ceber qúe nenhuinpom sanÍaritano irá cruzar os mares para vir

ambiente africano. S6 mesmo nós, africanos, po-

demos e deveremos ser suficientemente sensfveis ao bem-estar de nosso meio ambiente."

salvar o meio

Srà.

Rahab

W. Nwatha

Tlze Greenbelt Movement

Audiência pública da CMMAD, Nairóbi, 23 de setembro de 1986

do ponto de vista ecológico e econômico, pois o solo logo perde seus nutrientes; as espécies 'daninhas tomam o lugar da granúnea plantada e a produtividade das pastagens declina abruptamente.

No entanto, dezenas de milhões de hectares de florestas tropicais

se

por-

que os governqs garantiram as conversões por meio de conces-

sões de terras, créditos e isenções fiscais, empréstimos subsidia-

dos e outros incentivos. 12

em certos

perderam

para dar lugar a essas fazendas,

.

das importações

de madeiras

principalmente

A promoção

tropicais

in-

,centivos comerciais bastante favoráveis -, somada às frágeis po- líticas florestais dos países tropicais e aos altos custos e desin- . centivos à exploração madeireira vigentes nos países industriali- zados, também leva ao desflorestamento. Alguns países industria- lizados até importam toros não-beneficiados sem pagar impostos ou a taxas tarifárias mínimas. Isso estimula as indústrias dos paí- ses desenvolvidos a usarem a madeira das florestas tropicais e não a própria, fato que é reforçado por restrições internas à quantida-

países

industrializados

-

que fixam tarifas baixas e concedem

de de árvores que podem ser cortadas

nas florestas

desses países.

6.4 VALORES ECONÔMICOS

EM JOGO

A conservação das espécies não se justifica apellas em termos

econômicos.

e muito, por cOllsideraç{)cs cs-

Também

é motivada,

170

téticas, éticas, culturais e científicas. Mas para aqueles que exi- gem prestações de conta, os valores econômicos inerentes às substâncias genéticas das espécies já bastam para jQstifi"ar a sua preservação.

Hoje,

as nações industrializadas

registram benefícios

financei-

que os

" países em desenvolvimento, embora os benefícios não registrados para os habitantes interioranos das regiões' tropicais possam ser consideráveis. Os países industrializados dispõem da capacidade científica e industrial para aproveitar substâncias selvagens na in- dústria e na medicina. E também comercializam uma proporção

'1

muito maior de sua produção agrícola do que as nações em de- senvolvimento. Os cultivadores do Norte dependem cada vez

mais das substâncias genéticas provenientes de variedades selva- gens de milho e trigo, duas culturas que desempenham papel de destaque no comércio internacional de grãos. O Departamento de Agricultura dos EUA estima que as contribuições do material ge-

nético vegetal geram aumentos de produtividade que, em média, se situam em torno de 1% ao ano, com um valor para o produtor bem superior aUS$1 bilhão (dólares de 1980).13

ros muito maiores decorrentes

das espécies

selvagens

po

i

\

de milho

fa-

zendo os agricultores

se, então, uma substância genética resistente

genéticas provenientes do México.14 Mais recentemente, uma es- pécie primitiva de milho foi descoberta numa floresta alpestre do Centro-Sul mexicano.15 Esta planta silvestre é a espécie mais an-

revés em

,A

safrano'iie-americana

!,>ofreuum grave

1970, quarido um fungo de folha

atacou

as terras de cultivo,

perderem mais de US$2 bilhões. Descobriu-

a fungos em reservas

L

tiga que se conhece aparentada ao milho moderno e sobrevivia em apenas três estreitas faixas de terreno que se estendiam por uns parcos quatro hectares de uma área ameaçada, de destruição por

agricultores e madeireiros. A espécie selV'agem é perene; todas as

demais formas de milho são anuais.

des comerciais de milho abre aos agricultores a perspectiva de poderem vir a poupar os gastos anuais com a arada e a semeadu- ra, pois a planta cresce por si mesma todos os anos. Os benefícios

genéticos dessa espécie silvestre, descobertos quando s6 restavam alguns milhares de talos, podem totalizar vários bilhões de dóla- res ao ano.16

Sua hibridação

com varieda-

-;>

As espécies

selvagens

também

contribuem

para

a medicina.

Metade

selvagens)7 O valor comercial desses medicamentos e drogas nos EUA chega hoje a cerca de US$14 bilhões anuais.18 Em termos

que não entram na composição de

receitas

de todas

as receitas

aviadas

originam-se

de organismos

mundiais, incluindo substâncias

e produtos

farmacêuticos,

o valor comercial estimado

excede a US$40 bilhões ao ano.19

171

'-'"T,-,""";"';-:,"::

"';~~:

A indústria também se beneficia da vida selvagem.20 Com as

substâncias dela' extraídas produzem-se gomas, óleos, resinas, tinturas, tanino, gorduras e ceras vegetais, inseticidas e muitos

têm semen-

tes ricas em óleo que podem ser utilizadas na fabricação de fibras, detergentes, colas e comestíveis em geral. Por exemplo, as videi- ras de floresta pluvial do gênero F evillea, encontradas na Ama- zônia ocidental, contêm sementes tão ricas em óleo que um hecta- .re dessas videiras na floresta original poderia produzir mais óleo do queúm hectare de uma plantação comercial de palmeiras olea-

ginosas.21

de

contêm

outros compostos. Muitas espécies vegetais silvestres

carboidratos2

ram inúteis devido a atividades como a mineração de corte aberto.

Assim, as terras deterioradas pela extração de hidrocarbonetos como o carvão poderiam ser recuperadas mediante o cultivo de hidrocarbonetos na superfície. Além disso, ao contrário de um poço petrolífero, uma "plantação de petróleo" nunca chega ne- cessariamente a secar.

'.Poucas' es~cies

e algumas podem germinar

vegetais

hidrocarbonetos

em áreas que se torna-

em vez

através' do qual a ciên-

cia projeta novas variações de formas de vida, não inutiliza genes selvagens. Na verdade, esta nova ciência deve se basear no mate-

rial genético existente, tomando-o, assim, ainda mais útil e valio-

so. A extinção,

da ComeU Univer-

a novo campo da engenharia

genética,

segundo o Prof. Tom Eisner,

sity, "já

não significa mais a simples perda de um volume nabi-

blioteca

da natureza.

Significa a perda de um livro de folhas sol-

tas, em cada página - para que as espécies sobrevivam - perma-

neceria perpetuamente

disponível.

à transferência

seletiva

e

ao

aperfeiçoamento

de outras espécies" .23 a Prof. Winston Brill, da

numa

era em que a riqueza genética, sobretudo a de áreas tropicais co- mo as florestas pluviais, até agora um fundo fiduciário relativa- mente inacessível, está se tomando uma moeda de alto valor ime-

diato."24

Graças à engenharia genética, pode ser que a Revolução Verde

da

Essa

Universidade

de Wisconsin,

assinalou:

"Estan1os entrando

agricultura

tecnologia

seja suplantada

cria

por uma "Revolução

de que

algum

Genética".

a

a esperança

dia se venha

plantar nos desertos, no mar e em outros ambientes que antes não podiam ser cultivados. No campo da medicina, os pesquisadores antevêem que sua própria Revolução Genética obterá mais pro-

gressos

do q\le nos 200 anos

nos últimos 20 anos deste

século

anteriores.

Muitas das nações menos capacitadas

a administrar

sells recur-

sos vivos

são as mais ricas em espécies;

os trópicos,

onde estão

pelo menos dois terços de todas as espécies e uma proporção ain-

172

I

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I

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i

da maior de espécies ameaçadas, coincide aproximadamente com a área que se convencionou chamar de Terceiro Mundo. Muitas nações em desenvolvimento reconhecem a necessidade de prote- ger as espécies ameaçadas, mas não dispõem do instrumental científico, ~a capacidade institucional nem dos recursos financei- ro·s necessários a essa conservação. As nações industrializadas que prOCUf<Ullcolher alguns dos benefícios econômicos dos recur- sos genétic;os. deveriam ajudar 'as nações do Terceiro Mundo em seus esforços,conservacionistas; também deveriam procurar meios de ajudar os países tropicais - sobretudo a população rural, que está mais diretamente ligada a essas espécies - a obter alguns dos benefícios econômic;os ,propiciados por esses recur.sos.

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6.5 UMA NOVA

ABORDAGEM:

PREVER

E EVITAR

a método histórico de criar parques nacionais até certo ponto isolados da .sociedade foi superado por uma nova .abordagem de

conservação das espécies e ecos sistemas que se pode definir co-

mo "prever

são ao método já tradicional,

áreas protegidas. Os modelos de desenvolvimento precisam ser alterados para se tomarem mais compatíveis\com a preservação da valiosíssima diversidade biológica do planeta. Alterar as estrutu-

ras econômieas e de uso da terra parece ser a melhor abordagem

de longo prazo para garantir a sobrevivência das espécies selva- gens e de seus ecossistemas.

da dizi-

e evitar"

. Isso implica acrescentar

uma

nova

dinicn-

das

se bem que viável e necessário,

Essa abordagem

mais estratégica

trata dos problemas

mação das espécies em sua origem nas políticas de desenvolvi- mento, prevê os resultados óbvios das políticas mais destrutivas e evita danos desde agora. Uma boa maneira de promover essa

abordagem é a elaboração de Estratégias Nacionais de Conserva- ção (ENC), que reúnem os processos de conservação e desenvol- vimento. Na elaboração de uma ENC participam agências gover-

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I

I

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I

:1

namentais,

a

recursos naturais e estabelecer prioridades. Espera-se que, desta

forma, os interesses setoriais tenham uma melhor compreensão de suas inter-relações com outros setores e que se possa chegar a

e a comunidade em geral, a fim de analisar questões

organizações

não-governamentais,

interesses

privados

relativas

novas possibilidades

de conservação

e desenvolvimento.

i a vínculo

entre conservação

e desenvolvimento

e a: nécessida-

de de atacar o problema na origem são visíveis no caso das flores- tas tropicais. Às vezes, não é a necessidade econômic'a que leva à exploração abusiva e à destruição dos recursos, mas a' política governamental. Os custos econômicos e fiscais diretos dessa ex-

173

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"Não é poss{ve! fazer com que as oomurasaki - nossa borboleta

imperial púrpura - voltem a existir em quantidade, como no pas-

exige a extirpação de

ervas daninhas, o plantio de árvores, cuidados e manutenção. A

sado. A floresta ideal para as oomurasaki

floresta será passada às futuras gerações. Não é maravilhoso

pensar que se está ligado às gerações futuras pelo fato de lhes

deixar wna floresta

onde voam tantas oomurasaki e as pessoas

instalar. no coração das

crianças o amor pela

resta que estamos plantando às crianças que viverão no século

desfrutam de momentos de alegria?

Seria

XXI."

muito bom se pudéssemos

natureza. Esperamos dar de presente aflo-

MikaSakakibara

••.••

••~.•

Alunada UniversidadedeAgriculturae Tecnologiade T6quio

Audiência pública da CMMAD, Tóquio, 27 de fevereiro de 1987

- enormes. O resultado tem sido a exploração ruinosa das florestas

ploração abusiva - somados aos da extinção

de espécies

são

tropicais, o sacrifício da maioria de suas riquezas em madeira e de

para o governo e

outros tipos, perdas enormes

de receita

potencial

a destruição de recursos biplógicos de grande valor. Os governos do Terceiro Mundo podem conter a destruição das florestas tropicais e de outras reservas de diversidade biológi- ca sem comprometer suas meurs econômicas., Podem conservar

espécies

micos e fiscais.

termos de concessão poderia gerar bilhões de dólares de receita

e habitats

valiosos

enquanto

reduzem

seus ônus econô-

florestal

e dos

A reforma

dos sistemas

de receita

adicional,

promover

o uso mais eficiente

e mais prolongado

dos'

recursos florestais

e reduzir

o desflorestamento.

Os governos

po-

deriam evitar enormeS despesas e perdas de receita, promover usos mais sustentáveis da terra e refrear a destruição das florestas

tropicais,

se eliminassem

os incentivos

à atividade

pecuária.

O vínculo

entre conservação

e desenvolvimento

também exige

certas alterações nas estruturas do comércio. Isso foi reconhecido quando se criou, em 1986, a Organização Internacional dc Madei- ras Tropicais, sediada em Iocoama, Japão, com o objctivo de ra- cionalizar os fluxos comerciais. Sua criação visava ;\ implementa-

ção do primeiro acordo

sobre

produtos

básicos

a incorporar

um

componente

específico

relativo

à conservação.

 

Podem-se

encontrar

inúmeras

outras

oportunidades

(k l~lIcora-

jar tanto a conservação das espécies quanto a produtividadc cco-

174

-

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:1

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nômica. Muitos governos mantêm impostos irrealisticamente bai- xos sobre terras rurais, enquanto pennitem que colonos se apro-

priem de terras "virgens"

donos

e pouco

Assim, os ricos

pelo fato de cultivá-Ias.

ficar com propriedades

de terras podem

iménsàs

" exploradas a um custo baixo ou nulo, enquanto

'"

carentes de terra são incentivados

oS camponeses

a derrubar florestas e se instalar

" em assentamentos marginais., A reforma dos sistemas tributário e

de ocupação da terra poderia aumentar a produtividade nas pro-

priedades existentes e reduzir as pressões para expandir em florestas e bacias de planaltos.

contribui de

muitas formas para a consecução

de faixas vitais de terras sel-

vagens ajuda também, por exemplo, a proteger terras agricultá-

veis. Isso se aplica de modo especial às florestas de planaltos dos trópicos, que protegem os vales das inundações e da erosão e os cursos d'água e os sistemas de irrigação do assoreamento.

volvimento sustentável.

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o cultivo

do desen-

Uma conservação

bem planejada

A proteção

dos ecossistemas

das metas principais

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Um bom exemplo é a Reserva de Dumoga-Bone,

em Sulawcsi,

norte da Indonésia, que abrange cerca de 3.000 Km2 de florcst:lS de planalto. Ela· protege grandes populações da mai'oria cIos ma- míferos endêmicos de Sulawesi e muitas das 80 espécies endêmi-

cas de pássaros

o Sistema de Irrigação

~ do Vale de Dumoga, financiado pelo Banco Mundial e instalado

:1

da ilha. Também

protege

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nas planícies próximas a fim de tripIicar,~ produção de arroz em

mais de 13 mil hectares de terras agrícolas de primeira qualida-

de.25 Outro exemplo é o Parque Nacional de Canaima, na Vene- zuela, que protege o abastecimento de água residencial e indus-

trial para uma grande hidrelétrica que, por ~ua vez, gera eletrici-

dade para o principal centro industrial

do país e sua capital.

Daí se conclui que os governos

poderiam

considerar

a criação

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de "parques para o desenvolvimento", já que servem ao duplo propósito de proteger, simultaneamente, os habitats das espécies e os processos de desenvolvimento. Os esforços nacionais no senti- do de prever e evitar as conseqÜências negativas das políticas de desenvolvimento em qualquer, dessas áreas seriam certamente muito mais úteis à conservação das espécies do que todas as me- didas tomadas nos últimos 10 anos a fim de promover a criação

de parques, a guarda de áreas florestais, o combate à caça e à pesca ilícitas e outras formas convencionais de preservação da vi- da selvagem. O TIl Congresso Mundial sobre Parques Nacionais, realizado em Bali, Indonésia, em outubro de 1982, leyou esta mensagem dos administradores de áreas protegidas, a todos os planejadoresdo mundo, demonstrando as muitas contribuições

que as áreàs"protegidas sociedade humana.

à maneira moderna estão trazendo

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().6 A AÇÃO

INTERNACIONAL

NACIONAIS

ÀS ESPÉCIES

EM RELAÇÃO

As espécies e seus recursos genéticos - quaisquer que sejam suas 'origens - evidentemente beneficiam todos os seres humanos. Os recursos genéticos selvagens do México e da América Central atendem totalmente às necessidades dos produtores e eonsuniido- res de milho. As principais nações produtoras de cacau encon-

de

que as modernas cacauiculturas dependem para manter sua pro- dutividade situam-se nas florestas da Amazônia ocidental.

Os produtores e consumidores de café, a fim de obterem boas safras, dependem do fornecimento constante de novas matérias genéticas de espécies selvagens da farmlia do café, localizadas sobretudo na Etiópia. O Brasil, que fornece plasma gei:minativo de borracha selvagem para os seringais do Sudeste asiático, de- pende também do plasma gerrninativo proveniente de diversas partes do mundo· para manter suas lavouras de cana-de-açúcar,

tram-se na África ocidental,

enquanto

os recursos

genéticos

soja e outras de igual importância.

da Europa

e

da

América

plasma germinativo clinaria.

do Norte

Se os países a fontes

não tivessem

acesso ano após ano, sua produção

de

agrícola logo de-

estrangeiras

As espécies

e os ecossistemas naturais da Terra dentro em bre-

ve serão considerados

para o 'benefício de toda a humanidade. Por isso, será 'absoluta- mente necessário incluir a conservação das espécies nas' agendas

políticas internacionais.

um

conflito

nação em separado e os interesses de longo prazo do desenvolvi-

mento

nidade mundial como um todo. As ações que visama

diversidade

das espécies selvagens e de seus ecos sistemas mais atraentes do

ponto

Deve-se

eqüitativa do lucro econômico proveniente fins comerciais. ,

econômico

conServar a

ativos a serem preservados

'

:

está

o fato de quase

econômicos

de curto

e administrados

No âmago

entre

da questão

os interesses

sempre haver

prazo

de cada

da comu-

sustentável

e dos ganhos econômicos

devem, portanto,

tanto

aos países

potenciais

genética

procurar

quanto

tornar a proteção

a longo prazos. uma parcela

de vista

a curto

asseguràr

em desenvolvimento

do uso de gcnes para

6.6.1

Algumas

iniciativas

em curso

Uma série de medidas em nível internacional já estão sendo tcn- tadas, mas em âmbito limitado, com êxito apenas relativo c de

I(du-

natureza reativa. A Organização das Nações Unidas para a

cação, Ciência e Cultura (Unesco) mantém um centro dc inrorllla~

176

ções sobre áreas naturais,e

Patrimônio

temas de características excepcionais em todo o mundo, mas essas

recursos

genéticos.

Seu Fundo para o

de alguns

ecossis-

Mundial

financia

a administração

atividades

dispõem

de orçamentos

limitados.

A Urtesco procurou

estabelecer

um sistema global de Reservas

da Biosfera,

onde esti-

vessem representadas as 200 "províncias bióticas" da Terra e que abrigasse amostras de comunidades de espécies. Mas só um terço das reservas necessárias foi criado, apesar de o estabelecimento e

a manutenção

dos dois terços

restantes

viessem

a custar

apenas

. Outros órgãos da ONU, como a Organ}zaçãopara a Alimenta- ção e a Agricultura (FAO) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mantêm programas relacionados com espécies ameaçadas, recursos genéticos e ecossistemas im- portantes. Mas suas atividades conjugadas pouco representam diante do muito que é necessário fazer. Dentre os orgãos nacio- nais, a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Inter- nacional é a mais importante no que tange ao, reconhecimento da necessidade de conservar as espécies. Por lei 'aprovada no Con~

cerca de US$150 milhões anuais.26'

gresso dos EUA em 1986, serão', destinados anualmentc US$2,5 milhões a esse objetivo.27 Mais uma vez, esta deveria ser consi- derada uma atitude importante se comparada com o que tcm sido feito até agora pelas agências bilaterais, mas insignificante em termos de necessidades e oportunidades.

A União

Internacional

para a Conservação

da Natureza

e dos

Recursos Naturais (UlCN), trabalhando' em estreita colaboração

com o PNUMA, o Fundo, Mundial para a Vida' Selvagem, o Ban-

co Mundial

ca, criou um ','Centro de Monitoração da Conservação", para for-

necer infonriações sobre espécies e ecos sistemas a qualquer parte

do mundo,

ajuda a gafantii que os 'Projetos de desenvolvimento sejam elabo- rados contando com todas as informações disponíveis sobre as

espécies eos ecos sistemas que possam vir a afetar., presta também assistência técnica a nações, setores e organizações interessados em criar bancos de dados locais para uso próprio.

às espécies

e várias

agências

internacionais

de assistência técni-

aberto a todos,

com rapidez e facilidade.

Este serviço,

Os problemas

atinentes

tendem,

de modo geral,

e conservacionistas

a

ser considerados

do que uma importante questão econômica e de recursos. Sendo assim, a questão carece de suporte político. O Plano de Ação so- bre Silvicultura Tropical é uma importante iniciativa nQ sentido de dar maior ênfase à conservação no debate das questões relati- vas ao desenvolvimento internacional. Esse esforço conjunto, co-

ordenado

tuto de Recursos

Unidas para

mais em termos

cientítlcos

pela FAO, envolve

Mundiaise

o Banco Mundial,

o Programa

a UICN,

o Insti-

das Nações

177

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"A medida

que o desflorestamento

progride,

cai a qualidade

de

vida de milhões

de pessoas

nos países

em desenvolvimento;

sua

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sobrevivência está ameaçada pela perda de vegetação da qual dependem cpmo fonte de energia doméstica e de muitos outros bÓwfícios. Se as florestas tropicais continuarem a ser derruba- das no ritmo de agora, pelo menos 225 milhões de hectares terão

sido destruí dos por volta do ano 2000; se a destruição das flo-

10 a 20% da

restas pluviais tropicais continuar, estima-se que de

vida vegetal e animal'da Terra terão desaparecido no ([no 2000. ~ , Conter o de.yflorestamento depende de liderança política e de mudanças adequadas de polftica por parte dos governos dos pa{- ses em desenvolvimento, em apoio a iniciativas no n[vel da co-

munidade. O principal ingrediente é a participClÇão ativa de mi- lhões de pequenos agricultores e sem4erras, que, todos os dias, llsam florestas e árvores para atenderem às suas necessidades. "

.;;.

J. Gustave Speth Presidente do Institutode Recursos Mundiais Audiência publica da CMMAD, São Paulo, 28-29 de outubro de 1985

o Desenvolvimento, aIém de várias outras instituiç,ões. Essa ini- ciativa, muito ampla, propõe que se proceda à revisão da silvi- cultura nacional, que se formulem planos nacionais de silvicu:Itu- ra, que se adotem novos projetos, que se aumente a cooperação entre as agências de assistência ao desenvolvimento que atuam no setor florestal e que haja um maior fluxo de recursos técnicos e financeiros para a silvicultura e campos correlatos, como o da agricultura em pequena escala. Estabelecer normas e procedimentos para questões relativas a recursos é pelo menos tão importante quanto aumentar recursos financeiros. Exemplos de tais normas são, entre outros, a Con- venção sobre Terras Úmidas de Importância Internacional, a Convenção sobre a Conservação de Ilhas para a Ciência (ambas visando à salvaguarda de habitats originais e suas espécies) e a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaça- das. As três Convenções são úteis, embora as duas primeiras se-

jam basicamente

tentativas

de criar "refúgios

6.6.2 Estabelecendo

prioridades

de espécies".

Uma prioridade básica é fazer com que o problema das espécies em extinção e dos ecossistemas ameaçados conste das agendas de políticas como uma importante questão relativa a recursos. () Ma-

178

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pa Mundial da Natureza, adotado pela ONU em outubro de 1982, foi um passo importante nesse sentido. Os governos deveriam estudar a possibí1idade qe firmar uma "Convenção sobre as Espécies", semelhante em espírito e em al- cance à Lei do Tratado. do Mar e a outras convenções internacio- nais que exprimem princípios de '''recursos universais". Uma Convenção sobre as Espécies, nos moldes de um documento ela- borado pela UICN, deveria enunciar o conceito de espécies e de variabilidade genética como um patrimônio comum. Responsabilidade coletiva pelo patrimônio comum não signifi- caria direitos internacionais coletivos aos recursos de uma nação. Não haveria interferência nos conceitos de soberania nacional. Significaria apenas que as nações já não teriam de contar somente com seu territ6rio seus esforços . isolados para proteger espécies ameaçadas em

Tal Convenção precisaria apoiar-se num acordo financeiro que

contasse

- deve apenas tentar assegurar a conservação dos recursos genéti-

quer

não

e são inúmeras

cop1 o ativo patrocínio

da comunidade de mrçõe~.Qmu-

as possibilidades

ajuste' deste tipo -

, cos para todos, mas também garantir que as nações detentoras de grande parte desses recursos tenham uma participação eqüitativa nos benefícios e ganhos advindos de seu aproveitamento. Isso se- ria um grande estímulo à conservação das espécies. Tal acordo poderia ser um Fundo Fiduciário para'o qual todas as nações contribuíssem, cabendo uma participação maior às que mais se beneficiassem com o uso dos recursos'. Os governos dos países que possuem florestas tropicais poderiam ser pagos para conser~ var determinadas áreas florestais, e tais pagamentos aumentariam

ou das diminuiriam florestas.28

dependendo

do nível

de manutenção

e proteção

Para uma conservação eficiente são necessárias somas eleva- das. S6 a conservação de florestas tropicais por meios tradicionais exige um dispêndio de US$170 milhões por ano durante pelo me- nos cinco anos.29 Contudo, na rede de áreas protegidas de que o mundo necessitará por volta de 2050, têm de estar incluídas áreas

muito mais vastas, que precisam de diferentes

níveis de proteção

e de técnicas de administração bastante flexíveis.30 Também são necessários Ipais recursos financeiros para as ati- vidades de conservação fora'·das áreas protegidas: administração da vida, selvagem, áreas de ecodesenvolvimento, campa~as edu- cativas etc. Entre outras medidas menos dispendiosas.está a con- servação de bancos de genes selvagens de importância e,speciaI, por meio da criàção de "áreas de conservação genética" nos paí- ses de grande riqueza biol6gica. A maioria desse trabalho pode

179

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ser levada a efeito por grupos de cidadãos e por outros meios não-govern~entais. As agências internacionais de desenvolvimento - o Banco Mundial e outros grandes bancos de crédito, as agências da ONU

e as agências bilaterais - deveriam atentar, de modo detido e sis- temático, para os problemas e as oportunidades de conservação das espécies. Embora já exista um grande comércio internacional

a

devida importância

genética e aos processos ecológicos, Entre as possíveis medidas a serem tomadas estão a análise dos efeitos de projetos de desen- volvimento sobre o meio ambiente, dando-se especial atenção a habitats de espécies e sistemas de manutenção da vida; a identifi- cação dos locais onde existem concentrações excepcionais de es- pécies com níveis muito elevados de endemismo e de perigo de extinção; e as oportunidades de vincular a conservação das espé- cies à assistência ao desenvolvimento.

da vida selvagem,

de espécies

e produtos

até hoje

inerente

não se deu

à variabilidade

ao valor econômico

6.7 A AÇÃO NACIONAL

Como já se disse, os governos têm de partir para uma nova abor-

dagem nesse campo - prever o impacto de suas políticas sobre vá-

rios

veis. Deveriam rever seus programas em setores como agricultura, silvicultura e assentamentos, que degradam e destroem habitats de

espécies. Os governos deveriam também determinar quantas áreas protegidas ainda são necessárias, tendo em mente sobretudo de

que forma tais áreas podem contribuir para os objetivos do desen-

setores

e agir no sentido

de evitar conseqüências

indesejá-

,volvimento

nacional,

e redobrar

as providências

para a proteção

de bancos de genes (como, por exemplo, variedades originais cultivadas) que talvez não possam ser preservados por meio das

áreas protegidas

convencionais. é preciso que os governos reforcem

Além disso,

e ampliem as

estratégias

tão uma administração

tegidas, um maior número de áreas protegidas do tipo não-con- vencional (como as estações ecológicas que estão tendo relativo sucesso no Brasil), mais projetos ligados à pecuária c a rcservas de caça (como os esquemas referentes a crocodilos na fndia, Pa- pua Nova Guiné, Tailândia e Zimbábue), uma prolllt)(Jio mais in- tensa do turismo em regiões de vida selvagem, c medidas mais

severas para impedir a caça ilícita (embora as espécies atllcaçatlas

com

o elevado número de espécies ameaçadas pela pcrda de S(~lIS ha-

já existentes.

Entre as necessidades melhor da vida selvagem

mais urgentes

es-

e das ~reas pro-

pela caça ilícita sejam relativamente

poucas

em COlllp:II;H;:tO

180

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problemas

o mundo

e

não é o que gostar{amos

graves, Na verdade, '

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Sei que conto com o total apoio de nossos membros

que estanws

vidos com cooperação

e talento.

Represento

wna organização

preocupados

Natureza

caso

não

com o futuro

,

danças drásticas em relação ao modo como o mundo VOI/ ri 11ri 111 do de nossa condição essencial, a natureza. N6s que trabalhamos com a juventude, e que somos jO\'('l/s /111 Noruega de hoje, sabemos muito bem que a destruição rllI 1/11(11

reza' provoca

turo, e com a feição

nos jovens

um medo apático

com relação

tenham

que ele tomará_

E muito

importante

que as pessoas

comuns

fl

,\'('11/11

a d/tll/'('

de participar

za."

nas decisões

quanto ao modo de tratar a TltI!lIll'

Audiência pública da CMMAD,

Fredcric Ilall)','-

Natureza

e J/I

1't'I111/1

Ir'

Oslo, 24-25 de junho de I'IE',

bitats). As Estratégias Nacionais de Conservação, como :IS j{1 existentes em mais de 25 países, podem ser muito úteis para a co

ordenação

Reconhecendo que o desaparecimento de espécies represcnta um sério desafio aos recursos e ao desenvolvimento, os governos poderiam tomar ainda outras medidas para enfrentar esta crise -- entre as quais considerar as necessidades e as oportunidades da conservação das espécies no planejamento do uso da terra e in- corporar ·explicitamente suas reservas de recursos genéticos aos sistemas de contas nacionais. Daí poderia advir a criação de um sistema de contas de recursos naturais que dedicasse especial- atenção às espécies, considerando-as recurso de grande valor em- bora ainda pouco reconhecido. Por fim, os governos deveriam apoiar e expandir programas de educação pública para assegurar que as questões atinentes às espécies merecessem a atenção devi- da por parte da população. Toda nação dispõe apenas de recursos limitados para lidar com as prioridades de conservação. O dilema consiste em como usar esse recursos com o máximo de eficiência. A cooperas;ão com países linútrofes que partilham dos mesmos ecos sistemas e espé- cies pode ajudar no tocante à elaboração de programas e. também à divisão das despesas com iniciativas regionais. Só será possível tomar medidas precisas para salvar um número relativamente pe-

de conservação

dos programas

e desenvolvimento.

181

-"::ú\,,:~_:';"-~";'::.--i-'~:"C

queno das espécies mais importantes. Como essa escolha é dificí- lima, os planejadores precisam tornar as estratégias de conserva- ção o mais seletivas possível. Ninguém se alegra com a perspecti- va de relegar espécies ameaçadas ao esquecimento. Mas na mçdi-

sendo feitas,

da em que as escolhas

estão

inconscientemente

elas deveriam

ter por base

um critério

seletivo

que levasse

em

conta o impacto da extjpção de uma espécie

sobre a biosfera

ou

para a integridade

de determinado

ecossistema.

Mas mesmo que os esforços

públicos

se concentrem

em umas

poucas espécies, todas ;São importantes e merecem algum tipo de

atenção, que poderia se traduzir em créditos fiscais para os agri-

cultores que desejassem manter cultivares

incentivos à derrubada de florestas virgens, no incentivo das uni-

versidades locais à pesquisa, e na elaboração de inventários da flora e da fauna nativas pelas instituições nacionais.

primitivos,

no llill dos

6.8 A NECESSIDADE DE AÇÃO

Há inúmeros indícios de que a perda de espécies e de seus ecos-

como um fenômeno com

conseqüências práticas para todos os povos do mundo, tanto hoje

quanto para as gerações

O aumento recente dessa preocupação fatos como os Clubes de Vida Selvagem

chegam a mais de 1.500 clubes escolares com cerca de 100 mil

membros.31 Algo semelhante

em que hoje já

sistemas está sendo encarada

seriamente

vindouras.

popular

manifesta-se

do Quênia,

à educação

no tocante

para a con-

servação ocorreu em Zfímbia,. Na lndonésia, cerca de 400 grupos conservacionistas se reunirain sob a égide do Forum lndonésio

para

o Meio Ambiente

e já

exercem

forte

influência

política.32

Nos

EUA,

o número

de membros

da Audubon

Society

chegou

a

I

I'

385 mil em 1985.33 Na URSS,

mais de 35 milhões

atribui

micos normais.

os clubes da natureza

isso

contam com

de sócios.34

um valor

Tudo

indica que o público os imperativos econô-

à natureza

que ultrapassa

estão

tomando providências para assistir às espécies ameaçac1as em seus

Em resposta

a essa

preocupação

popular,

os governos

territórios,

principalmente

por

meio da instituição

de mais áreas

protegidas.

Hoje,

a rede mundial

Km2,

de áreas protegidas

totaliza mais

de 4.000.000

o que equivale

aproximadamente

ao tamanho

da maioria dos países da Europa ocidental combinados,

as

áreas protegidas na Europa (excluída a URSS) corrcspolldiam em 1985 a 3,9% do território; na URSS, a 2,5°1<,; na J\1I1L-ricado

vezes o tamanho da lndonésia.

ou a duas

No que tange

a cada continente,

182'

Norte, a 8;1 %; na América do Sul, a 6,1%; na África, a 6,5%; e na Ásia (excluída a URSS) e na Austrália, a 4,3% cada.35 A partir de 1970, essas redes cresceram em extensão em mais de 80%, cerca de. dois terços desse total no Terceiro Mundo. Mas ainda há muito a ser feito. Há entre os profissionais um consenso de que a extensão total das áreas protegidas precisa ser no míni- mo triplicada para constituir uma amostra representativa dos ecos- sistemas da Terra. 36 Ainda está em tempo de salvar as espécies e seus ecossistemas. Este é um pré-requisito indispensável ao desenvolvimento sus- tentável. Se falharmos, não seremos perdoados pelas gerações futuras.

Notas

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15 Iltis, H.H. et alü. Zea diploperennis (grarnineae), a new teosinte from

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24 Brill, W,J. Nitrogen

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25 McNeely, J. & Miller, K. op. cito

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27 Carta

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1985.

36 McNeely, J. & Miller, K. op. cito

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