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UFMS

Formulário
PROJETO DE PESQUISA
Processo nº (uso da PROPP/CPQ)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

TÍTULO DO PROJETO:
INTERROGAÇÕES NO LABIRINTO DA OBRA DE CORNELIUS CASTORIADIS: Categorias, conceitos e
incursões teórico-metodológicas

I – Dados pessoais do COORDENADOR [Titulação: ( ) Mestre (x) Doutor]


1) CPF 2) Nome completo, sem abreviação 3) Matrícula SIAP
114.258.458-51 DAVID VICTOR-EMMANUEL TAURO 011447478
4) Data de nascimento 5) Sexo 6) Nacionalidade 7) Endereço eletrônico
22/06/1951 (X ) masc. ( ) fem. BRASILEIRA davidvetauro@nin.ufms.br
II – Origem ou local de trabalho do COORDENADOR
8) Câmpus ou Centro 9) Departamento
CCHS DCH
10) Situação funcional 11) Regime de trabalho
( X) Docente ( ) Técnico administrativo ( ) Recém Doutor ( ) Visitante ( ) Outro ( ) Tempo Parcial -TP (X) Dedicação exclusiva - DE

12) Carga horária semanal destinada à execução deste projeto: (10) h ( ) Outro:
Vigência do Contrato:
III – Enquadramento da solicitação (Leia instruções no Manual)
13) Subárea 14) Vigência 15) Solicitou ou recebeu apoio financeiro de outra instituição ou órgão?
7.01.00.00-4 Início: janeiro 2007 ( ) Sim ( x) Não
Filosofia Término:dezembro 2008
16) Natureza do Projeto: Exploratório

17) Grupo de Pesquisa no CNPq:

18) Linha de pesquisa: Fundamentos Social-Históricos e Filosóficos das Instituições Sociais

19) Requer parecer do comitê de ética: (x) Não ( ) Humanos ( ) Animais ( ) Bio-segurança

20) Situação atual do projeto: ( x) Em andamento ( ) Interrompido ( ) Cancelado ( ) Não iniciado

IV – Há outras Instituições participantes neste Projeto: (x) Sim ( ) Não


V – Local de execução do projeto (preencher caso não seja a mesma instituição do item II)
21) Instituição (universidade, empresa, fazenda, etc.)
UFMS
22) Unidade (núcleo, departamento, laboratório, etc.)
DCH/CCHS
23) Cidade: CAMPO GRANDE 24) UF: MS 25) País: BRASIL
VI – Orçamento Resumido (VALORES EM REAL - R$) – O orçamento detalhado deverá constar no projeto
1 º Ano 2 º Ano TOTAL IMPORTAÇÃO US$
Itens UFMS OUTRA FONTE UFMS OUTRA FONTE UFMS OUTRA FONTE
Custeio 450,00
500,00 1810,00 500.00 1950,00 0 250,00
Capital 1000,00
500,00 3000.00 500,00 8000,00 0 0
TOTAL 1450,00
1000,00 4810,00 1000,00 9.950,00 0 250,00
Local Data Assinatura do COORDENADOR
Campo Grande 01/12/2006
VII – Resumo do Projeto (Máximo 14 linhas, espaço simples entre linhas– fonte Arial tamanho 10)
Dez anos após da morte de Cornelius Castoriadis, sua obra ainda precisa ser interrogada perante as exigências
filosóficas, políticas e psicanalíticas de nosso tempo. É nessa direção que propomos investigar o
desenvolvimento das interrogações ontológicas, epistemológicas e metodológicas a partir de dois pólos: o
conceito da criação e a categoria de autonomia. Estes pólos são ancorados em seis áreas de conhecimento:
filosofia, linguagem. política, sociologia, economia, história e psicanálise. Pretendemos trabalhar a partir de
levantamentos bibliográficos e documentais de sua obra e de obras secundárias de autores em espanhol,
francês, inglês e português. A metodologia de trabalho será feito se fazendo, criando os procedimentos na
medida em que as obras pressentem suas exigências. Este procedimento se justifica devido à natureza própria
da interrogação filosófica de Castoriadis que colocou em questão a herança filosófica tradicional do Ocidente.
Espere-se uma série de monografias nos interstícios das s áreas acima citadas.

VIII – Palavras-chave (Máximo três)


Filosofia Política Psicanálise

IX – Aprovação da Instituição

CONSELHO DE DEPARTAMENTO OU COLEGIADO DE CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO


Data Resolução número Nome e assinatura do PRESIDENTE DO CONSELHO OU COLEGIADO

CONSELHO DE CÂMPUS (OU EQUIVALENTE)


Data Resolução número Nome e assinatura do PRESIDENTE DO CONSELHO

COMISSÃO DE PESQUISA (Dispensável quando se tratar de projeto de programa de pós-graduação)


Data Parecer comissão Nome e assinatura do PRESIDENTE DA COMISSÃO
( ) Favorável
( ) Favorável com ressalvas*
( ) Desfavorável
(*) OBSERVAÇÕES:

COORDENADORIA DE PESQUISA
Data Parecer Coordenadoria Carimbo e assinatura do COORDENADOR (A) DE PESQUISA
( ) Favorável
( ) Favorável com ressalvas*
( ) Desfavorável
(*) OBSERVAÇÕES:
X – Projeto de Pesquisa

(Veja sugestões no Manual de Elaboração de Projeto de Pesquisa no site www.propp.ufms.br)

Itens mínimos exigidos para a elaboração do projeto


TÍTULO: INTERROGAÇÕES NO LABIRINTO DA OBRA DE CORNELIUS CASTORIADIS: Categorias,
conceitos e incursões teórico-metodológicas
EQUIPE (Veja sugestão a seguir):
Nome Instituição Fone E-mail
Andréia Cambiaghi Saragoça (67) 9949.5549 andreiasaragoca@gmail.com
David Victor-Emmanuel Tauro UFMS (67) 3345.7587 davidvetauro@nin.ufms.br
Fernanda Maurer Balthazar UFMS (67) 3341.5940 fernaba@pop.com.br
Graziela Cristina Jara SED/MS (67) 3385.8455 grazijara@yahoo.com.br
Leonardo Borges Reis UFMS (67) 3361.5053 leonardborges@bol.com.br
Lilian Cristina Rico UFMS (67) 84187343 licrisrico@uol.com.br
Silvana Raquel Cerquira Amado Buainain (67) 99817885 sabuainain@uol.com.br
Silvino Areco UFMS (67)8419.3666 silvinoareco@yahoo.com.br
Vanessa Clementino Furtado UFMS (67) 9201.3400 furtado.vc@gmail.com
Vivian da Veiga Silva UFMS (67)9227.3942 sokaris5@hotmail.com

(Para inserir mais linhas basta colocar o cursor na última célula da direita e pressionar a tecla TAB)

01 INTRODUÇÃO
Cornelius Castoriadis [1922-1997], grego nascido em Constantinopla, naturalizado
francês, é reconhecidamente considerado um dos pensadores revolucionários
europeus mais importante do século passado. Apenas a partir de seu falecimento, o
fluxo de trabalhos tem sido aumentado notadamente em revistas, fóruns, cursos, e
eventos, permitindo uma maior socialização de seu trabalho seminal a partir do
conceito de criação e da categoria de autonomia, em três áreas conexas, filosofia
política e psicanálise.
Castoriadis estudou direito, economia e filosofia em Atenas. Ao mesmo tempo aos
16 anos entrou na Juventude Comunista Grega. Rapidamente saiu deste grupo
stalinista e passou para seu concorrente trotskista. Durante a II Guerra Mundial, foi
perseguido pelos stalinistas tanto quanto pelos fascistas gregos, parceiros dos
nazistas. Na França, entrou no Partido Comunista Internacional, mas em 1949 se
separou e fundou juntou com Claude Lefort e outros o grupo Socialisme ou Barbarie
[SouB], com uma revista do mesmo nome. Aos poucos, a partir do desenvolvimento
do conceito da criação e da categoria de autonomia, é levado a fazer uma crítica ao
trotskismo, leninismo e, finalmente, ao marxismo1, mostrando sua filiação ao
imaginário capitalista. Ao longo dos anos 1950 e 1960, escreveu na sua revista sob

1
Vide TAURO, David Victor-Emmanuel na bibliografia, in fine.
vários pseudônimos, enquanto trabalhou, oficialmente, como economista no
Departamento de Estatística na Organização pela Cooperação e Desenvolvimento
Europeu [OCDE], emprego que lhe permitiu pesquisar com fontes de primeira mão
sobre a reconstrução pós-guerra do capitalismo mundial. Dotado de uma
inteligência incomum, trabalhou com um espírito verdadeiramente enciclopédico
mas também imbuído de uma vontade revolucionária libertária. Quando tinha
passado 20 anos na França, naturalizou-se, permitindo-o a assumir suas posições
políticas abertamente. Em 1965, o grupo SouB foi extinto e Castoriadis foi retomar
seus estudos de filosofia enquanto se formou como psicanalista sob a supervisão de
Jacques Lacan. Data, também, deste momento um estudo aprofundado sobre a
linguagem.

Em 1973, começou a reeditar seus escritos publicados na revista SouB em formato


de livros [8 vol.] e, em 1975, publicou seu magnum opus, A Instituição imaginária
da sociedade, aonde apresentou uma revisão crítica do marxismo, sua
conceituação da teoria e do projeto revolucionário, uma crítica da alienação, a
apresentação do conceito do imaginário, sua análise da sociedade a partir do
conceito de social-histórico, uma crítica dos conceitos tradicionais da linguagem e
da técnica a partir da lógica conjuntista-identitária, sua teorização sobre a instituição
do indivíduo e a criação das significações imaginárias sociais2.
Em 1978, publicou o primeiro de agora 6 volumes de suas Encruzilhadas do
labirinto que estão sendo postumamente complementados pela coletânea A Criação
humana [até agora, 2 vol.] de uns 18 planejados. É deste corpo manancial que deve
ser o objeto de nossa pesquisa.

02 JUSTIFICATIVA
O presente projeto já está na sua fase preparatória. Isto é, estamos trabalhando
desde agosto de 2006 para iniciar o projeto, juntando pesquisadora[e]s, temas e os
materiais necessários. Pretendemos interrogar a sociedade humana e suas
instituições a partir da obra de Castoriadis e, por este meio, interrogar os caminhos
traçados por ele nas diferentes áreas de conhecimento. Elegemos as seguintes
áreas a serem estudadas: filosofia, linguagem, economia, sociologia, história,
política e psicanálise. Estes seis áreas escolhidas permitirão pesquisas justificáveis

2
Vide bibliografia, in fine.
de ponto de vista do conhecimento, da sociedade, da instituição e dos próprios
pesquisadores.

Fora de epistemólogos como Edgar Morin ou Claude Lefort, raramente encontramos


pesquisadores nas áreas humanas que não estão envolvidos em pesquisas
marcadas pela divisão e fragmentação do trabalho intelectual, marca de nossa
própria sociedade capitalista. O desafio do trabalho filosófico de Castoriadis foi
exatamente de contestar essa postura intelectual para desenvolver pesquisas e
análises visando a totalidade do pensar e do viver como sua contribuição para
humanidade. Sem cessar de ser um revolucionário, Castoriadis interrogou o mundo
e o pensamento herdado para criar novas orientações a partir de dois pólos
interrelacionados, o conceito da criação e a categoria da autonomia.

A criação é o conceito base pelo qual toda a atividade humana, seja individual ou
coletiva, é interrogada, elucidada e compreendida numa orientação aberta. O que
caracteriza a humanidade é essa extraordinária capacidade de criar o mundo, as
coisas, as idéias, como seu próprio mundo. Investigações sobre o caráter dessa
criatividade permitirão esclarecer os mecanismos pelos quais essa criatividade está
sendo escondida, bloqueada, desviada, etc., possibilitando um trabalho para sua
reanimação.

Por sua vez, a autonomia tem sido uma categoria social de análise sobre o modo de
ser dos homens e da sociedade visando uma postura de responsabilidade na
proposição, discussão, votação e execução de suas atividades coletivas e públicas.
Os problemas e dilemas da sociedade hoje, em parte, tem por sua origem a
ausência de uma verdadeira cultura e vida democrática aonde as pessoas deveriam
ter a possibilidade de participar na tomada e na execução das decisões que dizem
respeito às questões econômicas, políticas sociais e culturais afetando suas vidas.
O estado patético em que o País se encontra hoje é meramente uma manifestação
gritante da necessidade de compreender esses problemas para começar a pensar
meios de encontrar soluções viáveis junto à população.

Desde a década de 1970, o planeta Terra está assolado por uma crise que pode ser
descrita como tentacular. A crise monetária desencadeada pela Guerra do Golfo
Árabe em 1973 e a queda subseqüente do dólar como moeda com lastro fixo de
ouro, vários países no mundo têm sofrido chacoalhadas fortes em seus sistemas
econômicos. As tentativas monetaristas vulgarmente chamadas “neoliberais” [que
contêm nada de novo e, ainda, menos de liberal] têm se desembocado em políticas
recessivas que aumentam o desemprego, reduzem os salários e estagnam várias
economias no mundo inteiro, com a estabilidade no controle da inflação paga com
altas taxas de juros para o capital especulativo e volátil.

O Brasil é um destes países que sofre com este modelo de política econômica.
Para piorar a situação, a vida política e social está em frangalhos com as
conseqüências da política econômica e o aumento da criminalidade. Em toda parte,
o tecido social tem sido lacerado pela delinqüência, pelos delitos, crimes, violência
urbana e rural e banditismo. O sentimento de impunidade marca as relações sociais
a todo nível. As respostas em termos de medidas de segurança pública e/ou
políticas sociais parecem pífias, incapazes de resultar em soluções eficazes e, ao
contrário, apenas geraram novas criações social-históricas como o PCC. Há
crescentes índices de conluio entre o mundo político, econômico, jurídico e criminal
que até chega a ser tolerado pelos intelectuais e artistas. A amoralidade não apenas
virou corrente, mas, aceitável quando não avalizada pelos intelectuais membros dos
dois principais partidos políticos nacionais, o PSDB e o PT. A média, em sua grande
maioria, contribui à configuração da crise: com agendas quase sempre escondidas,
às vezes faz denúncias estrondosas sobre escândalos implicando altas autoridades
do país, e, muitos casos agindo como polícia, promotor e juiz, impávida quanto às
leis e as reputações dos acusados. Com poucas exceções, jornais e revistas,
programas de rádio e de televisão pasteurizam as notícias, seguindo as vozes de
seus donos e os parentes e amigos destes. Devido à participação dos donos da
mídia no Congresso Nacional e Senado, a informação é a primeira vítima no festival
das inverdades. Os meios de comunicação estão rateados entre os amigos dos
políticos influentes à perda dos interesses comunitários e populares.

A vida política do país tem sido marcada pela ausência de alternativas às praticas
correntes de governança e de política econômica. Políticas sociais de assistência
são ofertas como esmolas viciadoras aos pobres e excluídos, simples meios de
abafar qualquer explosão social. As camadas sociais intermediárias pagam
impostos elevados para bancar esse fardo financeiro enquanto as atividades
econômico-financeiras, da ínfima minoria opulenta, continuam com a especulação e
a financiamento crediário das vendas de seus produtos industriais. Os brasileiros
vivem endividados, financiando suas compras, pagando taxas e juros proibitivos
para bens de consumo e até para suas compras de supermercado. Junto com esse
crescente endividamento pessoal dos brasileiros temos a dívida pública interna que
também é alta, beirando a metade do PIB nacional.

A cretinização cultural avança com largos passos e configura-se como um processo


contribuindo à crescente atomização da sociedade, premissada sobre valores de
individualismo e hedonismo, desprezando valores de solidariedade, de justiça
social e de cidadania. O que é proposta como entretenimento não passa de
vulgaridade e humor de baixa gosto, expressões de pré-conceito de toda espécie.
As novelas revelam exatamente os valores de hoje: delinqüência, criminalidade,
violência, impunidade, trapaça, egoismo, safadeza, etc.

Para a sociedade, estimamos que carece meios de avaliar, difundir e trabalhar


interrogações sobre nossos destinos, tanto ao nível individual quanto coletivo, dado
a falência de mecanismos e instituições existentes. O desgaste das instituições
políticas assoladas pela corrupção, a falência das políticas sociais reduzidas à
assistencialismo, a situação critica da economia, a inexistência de um projeto da
sociedade para saúde, educação, habitação, emprego, segurança, lazer, cultura,
apenas mostra quanto precisamos sair dos caminhos trilhados para encontrar novas
orientações para ação cívica na sociedade.

A UFMS é uma instituição central na formação de uma consciência política e


individual para a cidadania presente e ativa. Carecem à instituição esforços
filosóficos para por em questão teorias e explicações correntes quanto aos dilemas
e as situações em que se encontram os brasileiros. É necessário aproveitar a
disponibilidade de docentes, discentes e intelectuais formados para realizar sua
tarefa de produzir novos conhecimentos, debater com outros pesquisadores e
fomentar atividades intelectuais capazes de se endereçar aos anseios da
população.
Os pesquisadores participando do projeto esperam beneficiar pela formação
continuada e, para alguns, pela formação formal no âmbito do Programa de Pós-
Graduação em Educação da UFMS durante a execução deste projeto. Pretende-se
criar um grupo de pesquisa a nível nacional dedicado à pesquisa da obra legada de
Castoriadis.

03 OBJETIVOS
Geral: Investigar o desenvolvimento das interrogações ontológicas, epistemológicas
e metodológicas na obra de Cornelius Castoriadis a partir de dois pólos: o conceito
de “criação” e a categoria de “autonomia” para a sociedade, educação e cidadania.
Específicos:
1. Trabalhar o conceito de “criação” e a categoria de “autonomia” a partir dos
elementos ontológicos da obra castoriadiana;
2. Investigar as dimensões políticas de “criação” e de “autonomia” nessa obra;
3. Analisar o legado castoriadiano em seus aspectos sociológicos;
4. Distrinchar os elementos críticos de suas análises econômicas;
5. Examinar o peso da “história” como categoria relacionada à “criação” e à
“autonomia” na obra de Castoriadis;
6. Investigar a importância da psicanálise em sua obra.
7. Investigar a relação entre a insitutição da linguagem e da sociedade.

04 METAS (Opcional)

05 METODOLOGIA
A metodologia adotada será pesquisa bibliográfica-documental, bem como, de
redação de artigos e relatórios de pesquisa.
3
A questão do método quase sempre é posto como coisa teórica, em termos
simples, como fetiche, cujo sentido social e humano é ocultado: um referencial
teórico seco, desligado do mundo, estipulado, tipo funcionalista, estruturalista,
marxista, experimental, etc. Quase sempre é também constatável que essa questão
do método, em termos aristotélicos, é uma questão de substância. Pretendemos
interrogar essa visão.

3
Metodo: literalemte, em grego, “meta” = sobre, a proposta de, e “odos” = caminho.
Propunhamos, ao contrário, que o método seria um projeto, isto é uma questão da
criação, visando uma práxis e poéisis humana? Isto é, em primeiro lugar, a
questão do método é uma questão do sujeito, [aqui entendido como ser individual
ou da coletividade humana, indistintamente]; é uma interrogação sobre o fazer,
sobre a consciência deste fazer, sobre o desejo deste sujeito, sobre o sentido dado
as seus atos, incluindo sobre o sentido dos meios utilizadas para alcançar seus
objetivos. Em fim, podemos perguntar: não é uma interrogação sobre a própria
faculdade humana de se interrogar? Isto é, questionar radicalmente seus próprios
atos em relação a si e aos seus semelhantes não significa uma possibilidade mais
profunda: duvidar de si e buscar o sentido do ser individual/social? Essa
interrogação tem dois elementos fundamentais: a característica intrínseca do ser
como ser criativo, e o projeto humano de autonomia como projeto político de
liberdade, de justiça, de igualdade, de solidariedade, de conhecimento de e de
criatividade, fosse necessidade de reforçar, individual ou socialmente.

Não há método que não busca o sentido, o entendimento, a elucidação, a


compreensão, a comprovação, a justificação, a razão de ser, a universalidade, a
generalização. Não há método que não foi derrubado, em seguida, perante uma
verdade que tema em se mostrar elusiva. Sobram duas escolhas: a dogmática
perseguição do caminho já trilhado ou, traçar um outro, inovando ao longo do andar.
Os grandes fizeram essa última escolha, e, por isso, são consagrados, que seja na
história, na filosofia, na política, na ciência, nas artes, etc.

Para nos exigir ainda mais, a constituição do que chamamos de realidade se faz
não apenas como realidade física e biológica, assujeitada à lógica conjuntista-
identiária, mas também a realidade humana e social, isto é, ao sujeito socialmente
instituído, que mal se conforma a essa mesma lógica, feita pelos próprios homens
para fugir da desrazão. O pouco do sujeito, seja individual seja coletivo, que é
passível a um entendimento conjuntista-identitário pertence ao suporte bio-físico.
Por mais que o positivismo, o funcionalismo e/ou o estruturalismo têm tentado, há
pouco realmente explicável no que diz respeito a este sujeito seja em relação à
imaginação radical da psique individual ou ao imaginário social do coletivo. Seja,
não há explicação causal possível quanto aos fazeres do[s] homem/ns.
O positivismo pretende objetivar a realidade sob forma de “fatos”, que existiriam
independentemente dos homens. No entanto, são os próprios homens que criam a
realidade e postulam a existência do mundo “material” que existiria
independentemente deles. Isto é a própria concepção da “realidade material” é uma
criação humana, produto de seu imaginário radical e social. Depende dos homens
para sua concepção, teorização e comprovação a partir de experiências de
percepção sensorial. Logo, não há realidade nenhuma, livre dos homens. O que
passa por “realidade” ou por “fatos” depende dos homens e de sua vontade de dizer
o mundo.

Os seres humanos são dotados da linguagem, linguagem que os marcam há


milhões de anos de historicidade e sociabilidade. A linguagem é a relação
estabelecida entre os homens como manifestação de sua condição de conjuntos de
relações sociais. Para o funcionalismo, no entanto, todas as instituições e os atos
4
dos seres humanos têm que preencher alguma função . Assim, todas as instituições
deveriam realizar sua operacionalidade e todos os homens seriam socialmente
fabricados para cumprir suas funções sociais. Todas as funções sociais ou
individuais deveriam ser coordenadas em vista de alguma finalidade maior: garantir
a reprodução da espécie, produção e reprodução ilimitada da vida material, escolha
e sobrevivência do tipo de sociedade mais apta a sobreviver, etc. Nenhuma destas
finalidades têm alguma “explicabilidade” lógica prestável à cientificidade.

No marxismo, o que é funcional na sociedade, mesmo o contraditório, existe em


função da produção e reprodução da vida material, e o progresso técnico é
explicado em função de uma outra finalidade, a produção e reprodução da vida
material “mais elevada”. Em si, não há nenhuma lógica! A não ser realizar o projeto
de Descartes do domínio irrestrito da natureza. De resto, impossível realizar. Pelo
menos, por hora, não ouvi nenhum marxista pretender parar a rotatividade do
sistema solar ou acabar com a irreversibilidade do tempo.

Se o estabelecimento das realidades econômicas é apenas uma parte, e não-


privilegiada de nossa pesquisa, apesar de sua importância em nossa sociedade
4
Há de entender “função” aqui no mesmo sentido em que falamos quotidianamente de função como no caso da
função dos rins na purificação sangüínea, etc.
atual, devemos procurar estabelecer as significações encarnadas nas instituições da
sociedade. Precisamos tentar apontar as significações imaginárias sociais que
permitem construir o mundo próprio da sociedade contemporânea, os mecanismos
que permitem seu funcionamento. Evidentemente, estas significações imaginárias
sociais sempre contêm um componente conjuntista-identitário que contribui a sua
funcionalidade e instrumentalidade; aqui se encontra a produção e reprodução da
vida material. No entanto, essa parte permanece subordonada à tarefa principal:
restituir as significações e instituições nas quais essas significações se encarnam,
pelas quais nossa sociedade se constitui qua sociedade com seu mundo próprio.
Há de insistir que essa restituição de significação não é um exercício livre ou
arbitrário. Toda escolha é feita baseada em premissas implícitas ou explícitas.
Entendemos que há uma relação entre os conceitos e as categorias usadas e o
objeto de pesquisa em vias de construção, cujos limites estão no próprio material
sob investigação. Apesar do fato que toda obra de restituição de significado implica
necessariamente uma relação entre um sujeito já dotado de uma certa bagagem
intelectual e o material que nunca é neutro, o projeto aqui proposto, visa a
compreensão da totalidade do objeto, e não apenas uma interpretação da obra.

06 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADAMS, Suzi. Castoriadis’ Shift Towards Physis. In Thesis Eleven, #74, August
2003, 105-112.
________. Interpreting Creation: Castoriadis and the Birth of Autonomy. In Thesis
Eleven, #83, November 2005: 25-41.

BOLTANSKI, Luc. The Left after May 1968 and the Longing for Total Revolution. In
Thesis Eleven, # 69, May 2002: 1–20.

BUSINO, Giovanni. Autonomie et transformation de la société : la philosophie


militante de Cornelius Castoriadis. Genève : Librairie Droz, 1989.
Calhoun, Craig. The University and the Public Good. In Thesis Eleven, Number 84,
February 2006: 7–43.
CASTORIADIS, Cornelius. "Epilégomènes à une théorie de l'âme que l'on a pu
présenter comme science". L'Inconscient, 8 (octobre 1968): 47-87.
________ . La société bureaucratique 1 [SB1]. Paris Union Générale d'Éditions, col.
10/18, 1973, (tradução parcial portuguesa: A sociedade burocrática 1: as relações
de produção na Rússia. Porto, Afrontamento, 1979).
________ . La société bureaucratique 2 [SB2]. Paris Union Générale d'Éditions, col.
10/18, 1973.
________ . La Société bureaucratique (nouvelle édition). Paris : Christian Bourgois
Éditeur, 1990. 492pp.
________ . L'Expérience du mouvement ouvrier 1: comment lutter [SB3] Paris,
Union Générale d’Éditions, 1974 (traduc portuguesa: A experiência do movimento
operário 1: como lutar. Lisboa, A Regra do Jogo, 1979.
________ . L'Expérience du mouvement ouvrier 2: prolétariat et organisation. [SB4].
Paris, Union Générale d’Éditions, 1974 (tradução parcial portuguesa: A experiência
do movimento operário. São Paulo, Brasiliense, 1985).
________ . Le contenu du socialisme [SB5]. Paris, Union Générale d’Éditions, 1979
(tradução portuguesa: Socialismo ou barbárie: o conteúdo do socialismo. São Paulo,
Brasiliense, 1983).
________ . Capitalisme moderne et révolution 1: l'impérialisme et la guerre [SB6]
Paris, Union Générale d’Éditions, 1979.
________ . Capitalisme moderne et révolution 2: le mouvement révolutionnaire sous
le capitalisme moderne.[SB7] Paris, Union Générale d’Éditions, 1979.
________ . Dialogue. La Tour d'Aigues: Éditions de l'Aube, 1998. 112pp.

________ . De l'écologie à l'autonomie. Avec Daniel Cohn-Bendit et le public de


Louvain-la-Neuve. Paris: Éditions du Seuil, 1981. 126pp.
________ . Devant la guerre. Tome 1: Les Réalités, 1e éd. Paris: Librairie Arthème
Fayard, 1982. 285pp. 2e éd. revue et corrigée, 1983. 317pp.
________ . La société française.[SB8] Paris, Union Générale d’Éditions, 1979.
________ . L'Institution imaginaire de la société. [IIS]Paris: Éditions du Seuil, 1975.
503pp.
________ . Les Carrefours du labyrinthe. [CL I]Paris: Éditions du Seuil, 1978. 318pp.
________ . Domaines de l'homme: Les carrefours du labyrinthe II. [CL II] Paris:
Éditions du Seuil, 1986. 460pp.
________ . Le Monde morcelé. Les carrefours du labyrinthe III. [CLIII] Paris: Éditions
du Seuil, 1990. 281pp
________ . La Montée de l'insignifiance. Les carrefours du labyrinthe IV. [CL
IV]Paris: Éditions du Seuil, 1996. 245pp.
________ . Fait et à Faire. Les Carrefours du labyrinthe V. [CL V]Paris : Éditions du
Seuil, 1997, 284p.

________ . Post-Scriptum sur l'insignifiance. Entretiens avec Daniel Mermet


(novembre 1996). La Tour d'Aigues: Éditions de l'Aube, 1998. 37pp.

________ . Figures du pensable. Les carrefours du labyrinthe VI. [CL VI] Paris:
Éditions du Seuil, 1999. 308pp.
.
________ . Sur Le Politique de Platon. Avec: "Préface. Castoriadis et Le Politique".
Pierre Vidal-Naquet: 7-13. Et avec: "Présentation. 'La pensée vivante au travail'".
Pascal Vernay: 15-19. Paris: Éditions du Seuil, 1999. 199pp.

________ . Sujet et vérité dans le monde social-historique: Séminaires 1986-1987.


La création humaine I. Paris: Seuil, La couleur des idées, 2002.
________ , Ce qui fait la Grèce: 1. D’Homère à Héraclite. Séminaires 1982-1983. La
création humaine II. Paris: Seuil, La couleur des idées, 2004.
________ . Une société à la dérive: Entretiens et débats 1974-1997. Paris: Seuil, La
couleur des idées, 2005.
________ . A Instituição imaginária da sociedade.[IIS] (Guy Reynaud Trad.); Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1982.
________. Os Destinos do Totalitarismo & Outros Escritos. Trad. Zilá Bernd e Élvio
Funck. Porto Alegre: L & PM, 1985.
________ . As Encruzilhadas do Labirinto 1. [EL1] Trad. Carmen Sylvia Guedes &
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