O ASSÉDIO MORAL NAS RELAÇÕES DE TRABALHO

JOSÉ AUGUSTO RODRIGUES PINTO
Da Academia Nacional de Direito do Trabalho Do Instituto Goiano de Direito do Trabalho

SUMÁRIO: 1. Conceito. 2. Origem. 3. Elementos subjetivos. 4. Ambientação. 5. Dissimulação. 6. Situações de assédio moral. 7. Resultados. 8. O Direito do Trabalho diante do assédio moral. 9. Visão propedêutica contemporânea. 10. Natureza jurídica do assédio moral. 11. Modo de exercício. 12. Configuração objetiva. 13. Figuras afins. 14. Responsabilidade por danos. 15. Medidas empresariais preventivas. 16. Repressão legal. 17. Para concluir. 1. Conceito.

Assédio, no significado mais simples e substantivo, é cerco, visando à conquista física, por pressão, de um objetivo determinado. Sua ilustração mais clara era a clássica estratégia militar de assediar (cercar) fortificações ou cidades para dominá-las, antes que a arte da guerra passasse a ser um confronto de botões em lugar de um confronto de homens. A mesma idéia de sufocação opressiva é expressa por substantivos correspondentes em inglês (mobbing, ato de cercar, e bullying, ato de intimidar), em francês (harcèlement, pressão sufocante) e espanhol (acoso, ato de acossar). O qualificativo moral, aposto pelo direito, ao se preocupar com as conseqüências do assédio nas relações humanas, trouxe o substantivo para os domínios da mente, onde representa a sufocação da vontade individual com o fim de subjugar a personalidade aos desígnios do assediador pelo esgotamento da capacidade de resistir, demolindo as defesas da auto-estima. A formatação física do assédio é muito próxima dos impulsos instintivos, a exemplo do cerco do predador à caça que lhe servirá de alimento e a explosão momentânea da ira. Mas, ao merecer o qualificativo de moral, passa a ser uma atitude da razão, logo, exclusivamente humana. O conceito do assédio moral trabalhista é o do substantivo assédio duplamente qualificado pelo conteúdo psicológico e pelo tipo de relacionamento humano que o propicia. Como ocorre com os institutos jurídicos, permite formulação sintética e analítica.

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6807/922. a condições que lhe violam a integridade psíquica com o propósito de arruinar-lhe a dignidade humana. aquela remota configuração rompeu a fronteira física do simples impulso para invadir o território psíquico da atitude racional. acompanhando a evolução da nossa espécie. Todo assédio (inclusive o moral) obriga a uma dupla subjetividade. é “a sujeição. Mais adiante os elementos subjetivos serão analisados em pormenor (ver n. Outros fatores negativos de formação do caráter do homem somaram-se.” 1 Alguns autores preferem incluir num conceito único de assédio moral a exposição do trabalhador a constrangimentos físicos ou psíquicos. do trabalhador pelo empregador. é “a conduta abusiva. quando visa à desarticulação psicológica. “O assédio moral no ambiente do trabalho”. pois ninguém pode assediar. Esse tipo de polaridade (ativa e passiva) imprime ao assédio moral a marca indelével da sociedade humana. 2. seus prepostos ou colegas. no curso da relação de trabalho. de forma repetitiva e prolongada e que expõe o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. durante a jornada de trabalho no exercício de suas funções. alimentada por elementos negativos de sua natureza. tais como a ambição do domínio. de natureza psicológica. ao menos para robustecer a prática do assédio moral até o incorporá-lo firmemente ao fenômeno social. física ou psiquicamente a si mesmo. in Revista LTr. a emulação. a inveja. a obsessão possessiva e a aversão à partilha. pois sua primeira manifestação respondeu ao impulso de defesa e sobrevivência na hostil criação cercou os seres vivos. Estão entre eles a competição. que atenta contra a dignidade psíquica. insistente e prolongada. As observações proporcionadas pelo conceito formulado mostram que a origem do assédio está na essência do homem. a ambição de poder e riqueza. é processo para chegar ao assédio moral e não o assédio moral em si. Sônia A. Mascaro. 3. de sufocar (harceler dos franceses) ou de acossar (acosar) dos espanhóis. com certeza. 11 infra). capazes de causar ofensa à dignidade ou à integridade psíquica. e que tenha por efeito excluir a posição do empregado no emprego ou deteriorar o ambiente de trabalho. C. pois o constrangimento físico. Não partilhamos deste critério. racionais ou não. Analiticamente. senão para dar origem. 1 NASCIMENTO. Origem.Sinteticamente. Elementos subjetivos. Desses elementos se irradia o desejo humano irreprimível de intimidar e tiranizar (to mob e to bully dos ingleses). Entretanto. 2 . a cuja falta desaparecem também a razão e os meios para exercê-lo.

Ambientação. Humilhação pública (confinamento do ambiente de trabalho. não raro. a seu turno. Temos que nos contentar com exemplificação colhida ao acaso numa infinita messe: • • • • • • • Atribuição de tarefas complexas com prazos de cumprimento incompatíveis. 5. Segregação de trato do empregado mediante contato por meio de terceiros.4. 3 . para passar despercebido pelos circunstantes. falta de instrução). Por sua incorporação ao fenômeno social. inadequação do ambiente de trabalho). cuja escama absorve a tonalidade do meio em que se movimenta. a fé na salvação eterna e. perversamente incitante do uso da pressão psicológica que reduz a auto-estima e neutraliza a capacidade de reação defensiva da dignidade individual contra as investidas da dominação tirânica nas relações interpessoais. A maioria deles. Ocultação deliberada de informações essenciais ao bom cumprimento das tarefas. Situações de assédio moral. no entanto. raça. reconhecendo a dificuldade de flagrar sua prática aberta. Ameaças constantes de despedida individual. a proteção. como o camaleão. ocorre em ambientes reservados (34%) ou a portas fechadas (20%). Dissimulação. que o ambientam em praticamente todos os círculos de convivência gregária. são nutrientes do assédio moral os fatores negativos de formação do caráter. ambos construídos em planos desnivelados de convivência. na presença de testemunhas do vexame imposto ao assediado. ou coletiva. estatura. dissimula sistematicamente o conteúdo sombrio de suas entranhas com as cores suaves de sentimentos até mesmo nobres como o amor. todos eles autênticos microcosmos da sociedade. Vamos mais adiante. E são eles. Todo assédio (inclusive o moral). a despeito de pesquisas de campo já terem revelado que um bom número de assédios (46%) ocorre em locais públicos. tendo por eixo a ascendência de uns sobre outros. Críticas insistentes e públicas ao desempenho sem apuração das razões possíveis para o fato. Juntados os aspectos já examinados à dinâmica extremamente variável das relações de trabalho. Destaquem-se o círculo familiar e o laboral. revistas pessoais e de mesa de trabalho. com a semi-invisibilidade incolor da involuntariedade. 6. Tratamento rude ou irônico com realce de dotes individuais negativos (feiúra. Os dados estatísticos demonstram que sua detecção corre muito mais à conta da sensibilidade do que da percepção visual dos analistas. balda-se toda tentativa de aprisionar num elenco taxativo as situações configuradoras do assédio moral.

. segundo muitos autores. sufoca o assediado num clima de terror psicológico. Ociosidade deliberada. Alice Monteiro de Barros 2 colheu em cuidadosa pesquisa da doutrina corrente. que se vê abaixo: a) de relacionamento: tratar o assediado por meios que sublinham sua inferioridade.3 São muito elucidativos alguns dados estatísticos sobre os resultados do assédio moral trabalhista para a saúde do assediado. Propalação aberta ou velada de problemas familiares. Sônia A.• • • Insinuações de desvios de conduta sexual ou social. em Goiânia. Alice Monteiro de. explicando. 7. Resultados.: 84% BARROS. C. 4 . cits.. b) de isolamento: segregar o assediado da comunidade em que estiver inserido. conferência pronunciada no I Congresso de Saúde Mental realizado de 3 a 5 de maio de 2004. stress psíquico. c) de ataque: submeter o assediado a medidas que o desacreditem no seu círculo de convivência. de modo a dar objetividade consistente aos sinais indicativos de sua prática.. de devastadores: desestruturação da personalidade. Os resultados do assédio moral podem ser chamados. demandando uma espinhosa busca de parâmetros que permitam confrontar as miríades de situações imagináveis com as ocorrências reais. um feixe do que denomina de “técnicas destinadas a desestabilizar a vitima”. rebaixamento funcional. e) de dissimulação: humilhar o assediado com indiretas.. promovido pela Procuradoria Regional do Trabalho da 18ª Região e pelo Instituto Goiano de Direito do Trabalho. A ação imperceptível da insistência ou repetição de atos aparentemente inócuos e supostamente destituídos de malícia. ele pode induzir o extremo da auto-eliminação da vida.. o impacto antisocial e a evolução de seu estudo sistemático. a um só tempo. Mascaro.. sentimento de inferioridade intelectual e social.: 94% Distúrbios do sono. Graças a um pérfido método de acuação espiritual progressiva.. ob. e loc. gracejos e zombarias depreciativos.. A enumeração destaca o subjetivismo da avaliação dos elementos que formam o assédio moral trabalhista. iniciado sintomaticamente na área médica: • • 2 Ansiedade intensa. d) de punição: pressionar o assediado com infundadas admoestações ao seu comportamento. GO. em NASCIMENTO. quebra da auto-estima.. 3 Cf. sem exageros.

. dá-nos a visão bastante clara de que o princípio da proteção. e os da sociedade.. Lúmen Juris..... tenha sido de alheamento à problemática do assédio moral... Não admira... quando o Estado trocou a postura liberal do laisser faire.. que suporta os custos assistenciais do sistema de seguridade social..... fundamento básico do Direito do Trabalho. portanto.... que a primeira reação do juslaboralismo.. laissez passer pelo intervencionismo fundado no bem-estar social... Somente no correr do século XX – mais concretamente. segurança e salubridade dos ambientes e da prestação do trabalho – um contexto em completa sintonia com a conformação da “herrshaft” (empresa autoritária) que se reconhecia à empresa. quer por meio da jurisprudência. A contemporaneidade da Revolução Industrial com a Revolução Francesa... da legislação.. em termos doutrinários e legislativos.. Manoel Jorge e Silva. mais tarde ampliados pelos da segunda geração (direitos sociais ao trabalho... no pós-guerra de 45 – este aspecto cruciante das relações de trabalho começou a emergir nas mentes e consciências para o clamor da realidade pela proteção da essência espiritual do trabalhador.. se consolidou primeiramente com vistas apenas à valorização física do trabalhador.. Rio. pág.: 33% Fadiga crônica.. 464 5 . à moradia e ao lazer).. horrorizados. 8... que “determinou o surgimento dos direitos fundamentais de primeira geração” 4 (civis e políticos)... à segurança.....: 31% Enxaqueca. sistematização científica dos repousos. do trabalhador.. antiga como a própria sociedade. Assim também evoluiu a própria luta operária do século XIX: duração e retribuição do trabalho... mas não discernida com o mínimo sequer de clareza. distanciando a relação com os subordinados de cogitações sobre a valorização da essência humana do trabalhador e dando foros de emanação normal da autoridade hierárquica ao que hoje.: 41% Acessos de pânico.. Assim nos informa a doutrina: “Somente na virada deste século é que o tema passou a receber tratamento jurídico quer por meio da doutrina.. Os prejuízos da família da vítima abalada em seu equilíbrio estrutural também são visíveis – não menos do que os da empresa privada em termos de produtividade.. “Curso de Direito Constitucional”.. à seguridade...: 23% Vê-se por ai não haver nenhum extremismo no nexo intelectivo que se faz do assédio moral com o terror psicológico... pelo menos plena. embora 4 NETO. O Direito do Trabalho diante do assédio moral. denominamos terror psicológico.. 2006..• • • • • Perda de concentração: 82% Depressão. que está muito além da proteção ao valor físico ou social do trabalho..

direitos fundamentais formalmente constitucionais. a vestimenta jurídica dos valores humanos essenciais. 5 6 BARROS. particularmente o do trabalho. 6 . a teor de Manoel Jorge e Silva Neto que as constituições (entre elas a brasileira de 1988) ainda não esgotaram o rol dos direitos fundamentais dignos de proteção. A Constituição admite. 467. dignidade. que são. porque eles são enunciados por normas com valor constitucional formal (normas que têm a forma constitucional). sem. destaques do Autor. porém. cit. pág. definir o assédio moral e estudando-o juntamente com o stresse e a saúde laboral. 9. agora objeto de tutela jurídica. 16 da Constituição portuguesa de 1976: “Os direitos fundamentais consagrados na Constituição não excluem quaisquer outros constantes das leis e das regras aplicáveis de direito internacional. no terreno da proteção dos direitos fundamentais. Daí vem sendo irradiada para a legislação regulamentar infraconstitucional. art. evidentemente. Por isso. adverte. igualdade).” 7 NETO. ob.6 Em virtude de as normas que os reconhecem e protegem não terem a forma constitucional.. Visão propedêutica contemporânea. cit.se afirme que já havia trabalhos sobre o assunto desde os anos 70. cujo perfil é também. O salutar avanço do direito. sob o pálio do princípio da proteção. onda violenta de exclusão social dos desempregados crônicos. Cf. 4 supra). oferecerem uma das ambientações mais apropriadas para sua ação (ver n. selvageria da competição nos dois pólos das relações de trabalho. contudo. do trabalhador. É bom lembrar. insistimos. estes direitos são chamados direitos materialmente fundamentais. regramento e atuação. mais nobres do que o valor material e os valores sociais do trabalho já cristalizados em norma jurídica. mais do que justifica submetê-los a uma visão contemporânea de equacionamento. O novo desenho traçado por esses fatos sinalizou certos valores fundamentais do homem (honra. e a de emprego. como espécie.”5 A nova percepção foi fortemente induzida pelas seqüelas vertiginosas da Revolução Tecnológica: assalto antropofágico do emprego pela automação da produção.” 7 O assédio moral agride exatamente esses valores humanos fundamentais. inspirando-se em ensinamento de Canotilho: “Os direitos consagrados e reconhecidos pela constituição designam-se. justifica-se o interesse de investigá-lo. por vezes. Alice Monteiro de. intimidade. E em vista de as relações de trabalho. ob. Manoel Jorge e Silva. como metas de prioridade máxima do princípio da proteção. Os valores fundamentais do homem obtiveram consistência definitiva pela paulatina absorção nos estatutos constitucionais sob o rótulo de direitos e garantias fundamentais do cidadão. equacioná-lo e reprimi-lo que se assenhoreou do Direito do Trabalho. como gênero. outros direitos fundamentais constantes das leis e das regras aplicáveis do direito internacional.

o dano se traduz em prejuízo determinado pela diminuição do patrimônio em qualquer dos seus dois aspectos. que poderá ser civil ou trabalhista (conforme a relação seja do gênero trabalho ou da espécie emprego). dano ao patrimônio material. contrário ao direito. Portanto. Para o interesse do direito. O direito construiu uma corrente lógica irremissível a unir a figura do ato ilícito a três outras. de que resulte o abalo ou a destruição de seu patrimônio material ou imaterial. em vista de se originar da relação jurídica genérica de trabalho. Patrimônio é o conjunto de bens materiais ou imateriais pertencentes a uma pessoa. atingido no seu patrimônio imaterial. se for o caso. vejamos como tratá-lo na seara das relações de trabalho e de emprego. cumulado com a indenização do dano material. ou 7 . ou em ambos. aptidão para produzir validamente o efeito desejado por sua prática e. reconhece a responsabilidade do agente pelo ressarcimento do dano material e/ou pela reparação do dano moral que causar. conceito traduzido pelo interesse do direito em obrigação de satisfazer prestação ou cumprir fato atribuído ou imputável a alguém. tem a natureza de ato ilícito. 9 supra). ou reparação. O elo seguinte da corrente que ele inicia é o dano moral sofrido pelo assediado. É indispensável defini-las: Dano é o mal causado por alguém a outrem. patrimônio. pelo responsável. Ressarcimento é o ato de satisfazer a indenização do prejuízo causado a outrem por ato ou fato danoso de responsabilidade reconhecida a alguém. cumulativamente. indo adiante. responsabilidade e ressarcimento. Tudo quanto já visto não permite duvidar de que o assédio moral é um ato ilícito civil ou trabalhista. a natureza qualificada do ato ilícito (assédio moral) preside a mesma qualificação do dano.O assédio moral. convenciona-se chamar de reparação o ressarcimento do dano causado ao patrimônio imaterial (dano moral). Natureza jurídica do assédio moral. no seu alcance mais amplo. O elo final é o da reparação do dano moral. Responsabilidade é a obrigação de responder por algo. Juridicamente. isto é. dele conseqüentes: dano. portanto. instituição ou coletividade. que lhe nega. Neste elo deve ser considerada a possibilidade de o ato ilícito ter causado. de que fazem parte os valores humanos essenciais já considerados (ver n. Assentadas estas noções essenciais à boa compreensão do assédio moral trabalhista. ou específica de emprego. 10. da indenização (prejuízo do patrimônio material). por isso.

11. em que o subordinado. 3 supra). mas por enquadramento em várias das figuras-tipo ali descritas. Já ressaltamos que o assédio. ocupe o pólo ativo e o dirigente. pois. entre os sujeitos ativo e passivo. muito importante no estudo da subjetividade. Por um primeiro ângulo. ou o tomador. o passivo. seu (s) preposto (s) ou o colega do assediado (tratando-se de relação de emprego). suas formas se diversificam tanto que inviabilizam toda tentativa de enumeração taxativa. 13 infra). em face da impossibilidade lógica de alguém o impor sem que alguém o sofra. ou o prestador. como sejam o empregador.reparação (prejuízo do patrimônio moral) e. art. 12. em verdade. exemplificativa (ver n. o assédio é horizontal. não consideramos descartável a hipótese do assédio vertical ascendente. é simples biombo do assediador. ela terá que ser. Modo de exercício. Embora seja natural considerar que o assédio vertical tenha sempre direção descendente. ou seu preposto. pois só por força do artifício legal da personalização da empresa (CLT. Exercido de um plano superior para outro inferior (do empregador ou tomador. o assédio moral é justa causa para extinção do contrato individual de emprego pelo empregado (CLT. art. seu preposto ou o colega do assediado (tratando-se de relação de trabalho). depende dos planos da hierarquia empresarial em que estejam situados os sujeitos ativo e passivo. contra empregado ou prestador). ou o tomador. a pessoa jurídica será aceita como sujeito ativo.º). considerado substantiva ou qualificadamente. 2. aqui alinhados numa espécie de hierarquia calcada na ênfase dos traços com que contribuem para completar o perfil: a) Conteúdo psicológico. a nosso entender. a caracterização do assédio moral civil ou trabalhista ganha notável relevo no conjunto deste estudo. necessariamente. o assédio é vertical. mesmo sem tipificação própria. No pólo ativo podem estar diferentes sujeitos da relação. é que serão sempre pessoas físicas. Dada a variedade de hipóteses e pelas dificuldades que oferece à positivação de sua prática. A este ponto retornaremos nas considerações a respeito do assédio moral e suas figuras afins (ver n. ou tomador / prestador. 6 supra). 8 . em importante projeção processual. Exercido no mesmo plano (do empregado ou prestador contra empregado ou prestador). O modo de exercício. Dos pontos de vista jurídico e legal. se caracteriza pela subjetividade bipolar (ver n. partindo do exame dos elementos constitutivos. cabendo ao intérprete ou julgador definir o reconhecimento caso a caso. a competência material e pessoal do juízo. conforme as circunstâncias que a instrução evidenciar. em virtude da correlação dirigente / subordinado. 483). Configuração objetiva. Importante.

na qual não podem deixar de ser consideradas as diferenças de estrutura psíquica dos assediados. Alice Monteiro de. de intensidade da pressão psicológica.). O Dr. 8 O alvitre é um bom parâmetro.Sendo destinado a minar a personalidade. nisto se compreendendo também uma razoável relação de imediatidade entre eles. e pelo resultado visado. em 1% dos casos reportados o teria identificado em episódio único. 8 Apud BARROS. na área médica em que foi inicialmente explorada. sugeriu que somente se considerassem sob assédio moral as pessoas expostas a violência psicológica extrema freqüente (pelo menos uma vez por semana) e prolongada (cerca de seis meses). Isto irá dizer o julgador. à luz dos dados de instrução fática.. em face de considerarem o dano psíquico uma modalidade. apesar de reconhecer que o assédio moral. ou reconhecê-lo. pânico etc. Aliás. usando dos comportamentos já sistematizados de deterioração do relacionamento. stress. por cindir as opiniões entre só reconhecer o assédio moral trabalhista quando houver comprovação pericial da provocação de seqüelas médicas (e. desde que desenhado o quadro o terror psicológico. Os atos configuradores do assédio moral devem ser repetitivos. àquela do salitre sobre as superfícies ferrosas. Por isso. por exemplo. o assédio moral civil ou trabalhista alveja a mente do assediado com o propósito de anular-lhe a vontade. digamos assim. achamos bom ressalvar que os atos de ordem física. mesmo tendo nós encontrado em pesquisa divulgada pela “bullying institute. é um ato repetitivo. respeitado pioneiro no estudo da matéria. É claro que a ação corrosiva da mente que ele provoca. 6 supra) cujo conjunto se coaduna com a noção de terror psicológico. que sofreriam o assédio moral sem possibilidade de reconhecimento de danos. isolamento do assediado. mesmo que a personalidade e a mente do empregado saiam indenes do processo. c) Ocorrência de dano psíquico. mais forte do dano moral. mas não deve ser tomado como uma demarcação fixa de fronteira temporal entre o que é e não é assédio moral. ataques à capacidade de trabalho e perseguição disciplinar (ver n. serão apenas processo de efetivação do assédio moral. b) Repetitividade. cit. mensurável pelo grau de virulência do assédio. a exemplo do confinamento ou inadequação do ambiente de trabalho. a elevação a um posto de chefia ou exclusão do trabalhador da empresa. 9 . ob.org” que. Heinz Leymann.g. por definição. a questão da repetitividade com imediatidade sempre preocupou os estudiosos da matéria. síndrome depressiva. Este é um campo espinhoso de indagação. que pode ser simplesmente a desistência de melhoria salarial. não se completa com exposições ocasionais. Os adeptos desta última corrente consideram que exigência de prova da seqüela médica seria injusta com os assediados de compleição psicológica mais resistente. similar.

10 . Mascaro. mesmo que não consiga atingir sua higidez psíquica.Já os filiados ao primeiro entendimento argumentam que o assédio moral em si é tão sério quanto a agressão especificamente psíquica. não chegando à identidade. a imposição do assediado a situações de humilhação e vexame diminutivos da dignidade humana é uma clara fonte de dano moral. jurídica e constitucionalmente representados pelas garantias fundamentais cidadão (do trabalhador). fugindo da natureza que o criou. 13. o assédio sexual e a discriminação. essencialmente da medicina. a vítima do assédio moral é credora de reparação. ao conceituar o assédio sexual. pág. cit. Desse modo. É útil. por tudo isso. procura aliciá-lo com regalias e promessas de recompensa. O máximo a que podemos chegar é à visão do dano psíquico como um estágio mais avançado do próprio dano moral. ai sim cabendo a prova pericial da circunstância agravante. com a segunda vertente de opinião. A relação entre elas termina exatamente na afinidade. Afora isso. Se chegar. visando ambos ao desequilíbrio da estrutura emocional. Sônia A. é. não poderá ser excluído das conseqüências jurídicas por não ter chegado até ela. cits.C. capaz de agravar. Como diz Pamplona Filho. Nosso alinhamento. São figuras afins ao assédio moral. Então. sem duvida. ele caracteriza uma “conduta indesejada que. Mas o assédio sexual tem um fim único – obter do assediado favor de ordem libidinosa – estreitando o círculo da prática. 9 10 NASCIMENTO. em suma. que sujeita o responsável à reparação. Discordamos. esse valor se eleva na medida do resultado psicologicamente desestabilizador do assédio. o meio de pressão psicológica se iguala. e loc. em lugar de humilhação e ameaças que repelem o assediado. tenha ele sido ou não chegado ao extremo do dano psíquico. Logo. Além disso. 296 PAMPLONA FILHO. cerceando-lhe a liberdade sexual” 10 – e na qualificação do cerceamento esgota sua prática. Assédio moral e assédio sexual se distinguem claramente no aspecto finalístico. para justificar a indenização. proporcionalmente. Em ambos. Realmente. aproximam-se tanto que chegam a se misturar e até suceder no iter da opressão transgressora de valores humanos fundamentais. que é a preocupação com as doenças psicológicas” 9. o assediador. em face da perceptível distinção de fins. Rodolfo. compará-las. com a máxima vênia da justificativa de que “o que se pretende é justamente delinear os limites em que o assédio moral se dá para que não haja generalização do instituto. ob. é continuadamente reiterada. nesta cisão. porém não a única e sequer a principal do direito. portanto. a causa do dano moral está na violação de valores humanos fundamentais cujo nicho é o patrimônio imaterial da vítima.. o valor da reparação. Figuras afins. ob. embora repelida pelo destinatário.

ela é tão estreita. por isso. cabem igualmente nas duas figuras.. todavia. 11 Responsabilidade por danos. É oportuna a lembrança da proclamação doutrinária de que o Direito do Trabalho reconhece formas de discriminação positiva. ou não.” 11 Pelo contraste da descrição acima. o assediador passa ao segundo. seqüelas médicas. quer se destine a impedir a celebração da relação de trabalho (com mulheres gestantes. Por isso. destacar um detalhe: o assédio sexual é facilmente conversível em assédio moral. por diferentes aspectos (físico. in literis: “Na busca da igualdade real. Francisco Ferreira Jorge e CAVALCANTI. ou reparação etc. deficientes físicos. alcançando situações extremas de superposição das figuras. modos de exercício.). porém é especificado e limitado pelo resultado a obter. por exemplo). como sinônimo de justiça social (a efetiva proteção dos grupos sociais em situações desfavoráveis. pelas medidas de pressão psicológica humilhante e de rejeição na comunidade de trabalho. Note-se. é deteriorar a relação de trabalho com pessoas tidas por inferiores pelo discriminador. 3 ed. elas se fundem num mesmo epílogo jurídico: havendo.. dano e sua indenização. por exemplo). moral. 14. Então.. por exemplo) ou a forçar sua extinção (com infectados pelo vírus HTIV. a discriminação passa a ser um processo de execução do assédio moral (com homossexuais. sob os ângulos de malignidade de propósito e de processo. social etc. ilicitude. Trata-se de simples afinidade com o assédio moral. 96 11 . houve a necessidade do implemento de uma série de medidas e políticas sociais com o intuito de atenuar ou eliminar desigualdades (discriminações) de determinados grupos sociais.). sempre que. Lumen Júris. Convém.Consideramos correto pensar que o assédio sexual é o mesmo assédio moral. devido à violação de valores (direitos) humanos fundamentais. graças exatamente ao seu revestimento moral. A esse conjunto de medidas dá-se o nome de ação afirmativa. a despeito da evidente conveniência de estabelecer as aproximações e distinções das três figuras. colocada no extremo oposto do conceito que formulamos. todos os comentários sobre a subjetividade. NETO. Jouberto de Quadros Pessoa. homossexuais etc. pág. percebe-se que alvo o da discriminação. todas constituem justa causa para a demissão forçada do emprego com indenização (por danos materiais) e/ou reparação (por danos morais). tais como: mulheres. tomo I. mas. negros. por fim que. “Direito do Trabalho”. de terror psicológico destinado à desestabilização emocional do assediado.. que é capaz de ser absorvida pelo seu conceito e resultado. juridicamente transgressores de direitos fundamentais. Rio. A discriminação é o tratamento dispensado ao trabalhador para marcá-lo negativamente perante os circunstantes na comunidade de trabalho sob pretextos materiais e morais contrários aos valores humanos fundamentais e. impelindo-o a romper a relação de trabalho ou de emprego. sentindo o insucesso do primeiro intento. caracterização objetiva. crianças e adolescentes. afim ao assédio moral.

Alvino. independentemente da posição que ocupe na escala hierárquica da empresa. a responsabilidade também pode ser trabalhista ou civil. ficando por examinar-se os detalhes da natureza e a qualidade do próprio dano. São Paulo RT. se. conforme a relação atividade seja de emprego (trabalhador subordinado) ou de trabalho (trabalhador autônomo). 218. que. 12 GAGLIANO. cumulativamente. lembrete que fazemos com vistas à extensão da competência da Justiça do Trabalho a todos os tipos de relação de atividade. 159 do Código Civil de 1916) para a teoria objetiva. Os perigos advindos da vida moderna. A natureza pode ser trabalhista ou civil. por seus empregados. O direito brasileiro evoluiu da teoria subjetiva (que ainda se vê expressa no art. Mais importante do que isso. isto é. Rio. inclusive psíquico (e também pelo dano material. Saraiva. uma vez caracterizada a prática de assédio moral. “Culpa e Risco”.” 12 A razão disso teve esta explicação de Alvino Lima. “sem sombra de dúvida” “é a prevista na Constituição Federal de 1988. ainda sob as luzes da jurisprudência que antecedeu o legislador civil de 2002: “Foi assim que a teoria da responsabilidade civil evoluiu de um conceito em que se exigia a existência de culpa para a noção de responsabilidade civil sem culpa. de responsabilidade objetiva e solidária do empregador (art. porém. 15-7. instamos por que se abandone o vezo de identificar uma responsabilidade civil por dano oriundo da relação de emprego. logicamente. Rodolfo. causado a qualquer subordinado. hoje. 2003. trabalhista). tem responsabilidade trabalhista pelo dano moral. a multiplicidade de acidentes e a crescente impossibilidade de provar a causa dos sinistros e a culpa do autor do ato ilícito acarretaram o surgimento da teoria do risco ou da responsabilidade objetiva. 9). é impossível fugir ao raciocínio de que. 12 . a demonstrar que o direito é uma ciência nascida da vida e feita para disciplinar a própria vida. é que a responsabilidade patronal “pela reparação civil (rectius. diante do assediado. fundamentada no risco. obviamente. pág. subentendido que as manobras do assédio intentam vulnerar o patrimônio imaterial do assediado. Civ. de onde passou a ter aplicação subsidiária no do trabalho. haverá responsabilidade pelo dano decorrente./2002) leva a que todo dano produzido por assédio moral vertical (descendente ou ascendente) e horizontal é. 932).Considerando as reflexões de há pouco (ver n. 1960. “Novo Curso de Direito Civil”. uma vez que acompanha a natureza da relação e. de nada lhe servindo. existir) descendente. serviçais e prepostos” (Cód. A qualidade é necessariamente moral. 13 LIMA. Conseqüentemente. em virtude de sua omissão legislativa na matéria. aferrado à gênese de direito material comum.” 13 O empregador. do ato ilícito que a determina. o direito de regresso contra o praticante do assédio horizontal. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. Neste aspecto. pág.

De um guia de comportamento em face do assédio moral. • de preposto a subordinado (s) – Causa provável: inabilidade de trato. O maior interesse da empresa em prevenir a instalação de práticas de assédio moral no seu ambiente é econômico. • entre subordinados – Causas prováveis: inveja. eventualmente. multas administrativas. 13 . cuja ruptura será inapelavelmente de sua responsabilidade. insatisfação com o trabalho. a saber: a) Localização mais provável da prática: • diretamente do empregador – Causa provável: pressão para reestruturação ou redução de pessoal. criminais. deseducação. afastar o temor do assediado de denunciar o ilícito a que for submetido. detecção e repressão ao assédio moral. promover a recuperação terapêutica do assediado. ressarcimento ou reparação de danos. promover campanhas de orientação a respeito do assédio moral. redução da lealdade e dedicação dos subordinados. descrédito do público externo. despesas judiciais com demandas trabalhistas e. resumimos informações preciosas para a adoção de uma política de prevenção. 15. competição. Esses pesados inconvenientes recomendam à empresa: • • • • • • dispor de uma carteira de controle e erradicação do ilícito. quando necessária.A responsabilidade civil do empresário e do tomador individual na relação de atividade com seus prepostos e prestadores autônomos marcha pela mesma trilha – e isso é um sinal de alerta máximo para que a empresa procure excluir da convivência da gnossenschaft (empresa paritária) da sociedade contemporânea os já comentados fatores negativos latentes na natureza do homem. b) Reflexos negativos para a empresa: • • • • redução da produtividade e da rentatibilidade. e faça observar o respeito aos valores humanos essenciais. Medidas empresariais preventivas. problemas pessoais fora do emprego. tentar a mediação entre os protagonistas do assédio para solução amigável do conflito. apurar criteriosamente as denúncias oferecidas. acréscimo de custos derivados de substituições por auxílio-doença. em vista da fonte de prejuízos múltiplos que ele representa para a atividade produtiva. endereçado a empregadores.

punindo-a com a pena de detenção de um a dois anos. ob. a melhor solução para problemas muito complexos é tratá-los com simplicidade. inclusive levando em conta a responsabilidade solidária com o preposto que o praticar. MENEZES. a tipificação de justa causa caberá na “exigência de serviços superiores às suas forças” etc. 483 da CLT. a repressão legal do assédio moral. atualmente. pág. Cláudio Armando Couce de. somente do ponto de vista econômico: a) As despesas de prevenção e repressão do ilícito são orçáveis e praticamente fixas. (a) no “rigor excessivo” (b). Inúmeras e minuciosas são as fontes 14 15 NASCIMENTO. 146-A ao Código de Penal vigente.• aplicar ao responsável pelo assédio a pena disciplinar correspondente à gravidade de sua conduta. enquanto o valor dos prejuízos é imprevisível e totalmente aleatório. no “descumprimento das obrigações do contrato” (d) e /ou nos “atos lesivos à honra ou a integridade física do empregado ou de pessoa de sua família” (e/f). cit. normas destinadas a regulamentá-las nas suas relações com os respectivos servidores públicos. O Projeto de Lei n. em diversos municípios de São Paulo. b) As despesas de prevenção e repressão tendem a diminuir na medida do seu próprio sucesso. Em termos de legislação federal brasileira.14 Em ordenamentos estrangeiros. Sônia Mascaro Nascimento anota que. Sônia Mascaro. a nosso ver. Repressão legal. dos males e dos remédios preventivos e repressivos a respeito do assédio moral e das figuras similares do assédio sexual e da discriminação. propõe o acréscimo do art. Cláudio Couce de Menezes informa a existência de lei em vigor na França e de projeto de lei em Portugal sobre a matéria. muito mais adequadamente denominável como demissão forçada. sobretudo nos aspectos de subjetividade. cit. pág. configurando a conhecida despedida indireta. estão em vigor. 15 Freqüentemente. procedimento e sanção. Dessa comparação nos parece que ele seguramente colherá que é lucrativo adotá-las porque. ob. enquanto o valor dos prejuízos tende a aumentar pela deterioração progressiva do ambiente de trabalho. em relação à empresa.274/2001. para tipificar como crime uma figura híbrida de assédio moral e discriminação. que disciplina a denúncia do contrato individual de emprego pelo empregado. a despeito de ser atribuição privativa da União legislar sobre matéria trabalhista. Dependendo do perfil assumido em cada situação concreta. com fundamento em conduta faltosa do empregador.. em tramitação. 14 . 4. continua difundida em algumas alíneas do art.. Já se tem. 929. domínio bastante sólido a respeito do conceito. Cabe a cada empregador comparar o custo das medidas de prevenção e repressão do assédio moral na empresa com o dos prejuízos acarretados por sua prática. 16. observado os princípios da moderação e da proporcionalidade. 293.

assim como os interlocutores sociais. ao menos no curto prazo.informativas. Eis a síntese do nosso pensamento em torno do tema abordado: • O assédio moral é tão velho quanto o homem. reconhecido como “um grave problema” e. é sempre da empresa. seja bastante incluir no art. por extensão. os poderes públicos. objeto de amplo receituário recomendado aos seus países membros e. Para concluir. 12. e formule o conceito legal das respectivas figuras jurídicas. • • • • 15 . por exemplo. de que é espécime o trabalhador. a proteção do deficiente econômico. Á luz do ordenamento legal brasileiro. criar um sistema de intercâmbio de experiências e definir procedimentos adequados a solucionar o problema de vítimas do assédio e a evitar que se repita. leva-os necessariamente para a órbita do principio básico do Direito do Trabalho. como justa causa de resilição contratual contra o empregador. a exemplo da Resolução do Parlamento Europeu sobre o assédio moral no local de trabalho. Sua inserção na órbita de preocupações do juslaboralismo só ocorreu a partir da percepção da existência de valores humanos essenciais. difusamente distribuída pelas alíneas do art. A responsabilidade pelo ressarcimento ou reparação de prejuízos causados ao patrimônio material e imaterial do trabalhador pelo assédio moral praticado em função da relação de trabalho ou de emprego. porque integra o próprio fenômeno social. admitidos nos ordenamentos constitucionais como direitos e garantais fundamentais do cidadão. sendo sempre imputáveis à empresa todas as reparações devidas em razão da prática de ato ilícito. Reflita-se. entendemos que. o assédio sexual e a discriminação de empregado. a colocar em prática políticas eficazes de prevenção. Tal percepção geratriz dos direitos e garantias fundamentais do cidadão. à toda a comunidade internacional. ou rescisória do contrato de trabalho autônomo. tanto quanto pelas figuras similares do assédio sexual e da discriminação. pois o ímpeto de praticá-lo é parte de sua natureza.” Por isso. sobre uma de suas recomendações: “Que obriguem as empresas. 483 da CLT. menos com a preocupação de converter em leis o que já se sabe pela doutrina do que monitorar o problema. e quanto a sociedade humana. 483 da CLT uma alínea que tipifique especificamente o assédio moral. acima dos valores materiais e sociais do trabalho e do trabalhador. por isso. o assédio moral e seus similares se enquadram na tipificação de justa causa resilitória do contrato individual de emprego pelo empregado (demissão forçada). por qualquer pretexto.

cujo retorno mais imediato virá com a elevação de sua própria credibilidade e da produtividade dos trabalhadores. sucessivamente. ao menos pelo interesse econômico de eliminar os múltiplos custos da prática do assédio moral e seus similares. • 16 . conceituando o assédio moral e seus similares e tipificando-os diretamente como justa causa para justa denúncia do contrato individual emprego pelo empregado seria a única sugestão inclusiva da matéria em nossa legislação. Em termos. é de interesse da empresa desenvolver políticas de prevenção e. a inserção de alínea específica no art. 483 da CLT. pelo menos. de repressão. a diminuição do índice de licenças para tratamento de distúrbios psíquicos e a manutenção mais saudável e fraterna do ambiente de trabalho.• Conseqüentemente. de futuro próximo.