QUESTÕES COMENTADAS – FURTO E ROUBO (Arts.

155 e 157 do CP) 1) O pai que, tendo o filho sequestrado e ameaçado de morte, é coagido por sequestradores armados e forçado a dirigir-se a certa agência bancária para efetuar um roubo a fim de obter a quantia necessária para o pagamento do resgate e livrar o filho do cárcere privado em que se encontra pode, em tese, lograr a absolvição com base na alegação de (TJSP, juiz, 2009, VUNESP) a) Inexigibilidade de conduta diversa. b) Legítima defesa. c) Exercício regular de direito. d) Estrito cumprimento do dever legal.
Comentários: Deve ser marcada a letra “a”. De fato, não era exigível outra conduta do pai nas circunstâncias que se apresentam. A inexigibilidade de conduta diversa leva à exclusão da culpabilidade, elemento integrante da estrutura do crime, segundo a doutrina majoritária[1]. Sabe-se que o CP elenca expressamente, em seu art. 22, duas causas de inexigibilidade de conduta diversa, quais sejam: coação irresistível e obediência hierárquica[2]. No caso da questão certamente vislumbra-se uma coação moral irresistível que levou o pai desesperado a praticar um fato típico e ilícito, mas que não é culpável. O enunciado não traz hipótese de legítima defesa, posto não estarem presentes seus requisitos (art. 25 do CP). Necessário observar que a ação do agente não foi voltada a repelir injusta agressão, pois na realidade cedeu à coação dos sequestradores vindo a dirigir sua conduta danosa contra terceiros. Também não é o caso de exercício regular de direito, visto que ninguém tem o direito de praticar roubo a banco. Do mesmo modo afasta-se a possibilidade de estrito cumprimento de dever legal, conquanto não havia nenhum dever imposto ao agente de proceder da forma como agiu.

2) A e B, agindo de comum acordo, apontaram revólveres para C exigindo a entrega de seus bens. Quando B encostou sua arma no corpo de C, este reagiu entrando em luta corporal com A e B, recusando a entrega da “res furtiva”. Nesse entrevero, a arma portada por B disparou e o projétil atingiu C, que veio a falecer, seguindo-se a fuga de A e B, todavia, sem levar coisa alguma de C. Esse fato configura (TJSP, juiz, 2009, VUNESP) a) Roubo tentado e lesão corporal seguida de morte. b) Roubo tentado e homicídio consumado. c) Latrocínio. d) Homicídio consumado.
Comentários: Deve ser marcada a letra “c”. O roubo qualificado pela morte da vítima é um crime qualificado pelo resultado, denominado pela doutrina e pela jurisprudência de latrocínio. O resultado agravador (morte) pode sobrevir tanto a título de dolo quanto a título de culpa. Exige-se, portanto, dolo no antecedente (roubo) e dolo ou culpa no consequente (morte). Os atos tendentes a tirar a vida da vítima devem sobrevir durante ou logo após o roubo, mas sempre em razão deste. Foi o que ocorreu no caso versado na questão em comento: houve a morte da vítima em razão do roubo, podendo-se imputar aos agressores, pelo menos a título de culpa, referido evento. Quanto ao fato de não ter havido subtração, clara é a Súmula nº 610 do STF ao estabelecer que: “Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”.

3) João, dependente químico, com intenção de subtrair valores em dinheiro para aquisição de substâncias entorpecentes, entrou em um ônibus estadual e, munido de uma arma de brinquedo, anunciou assalto, ordenando que todos os presentes colocassem, em uma sacola que deixara no chão, os valores em espécie que possuíssem, ameaçando matá-los caso se recusassem a fazê-lo. Todos obedeceram à sua ordem e ele conseguiu subtrair, ao todo, R$ 500,00. João saiu do ônibus e, após uma perseguição policial que durou cerca de meia hora, foi preso. Considerando essa situação hipotética e o concurso formal de crimes, assinale a opção correta (Exame de Ordem 2009.3, OAB, CESPE-UNB).

a) A prisão em flagrante foi ilegal, dado que a perseguição policial tornou impossível a consumação do crime. b) Como o valor subtraído ultrapassou minimamente o valor do salário mínimo em vigor, será possível aplicar o princípio da insignificância, ou da bagatela, para afastar a tipicidade da conduta de João, o qual deverá, consequentemente, ser imediatamente posto em liberdade. c) Para o cálculo da prescrição dos crimes praticados por João, é indiferente o acréscimo que se realize em face do concurso formal de crimes, haja vista que, em tais situações, a extinção da punibilidade incide sobre a pena de cada um dos crimes, isoladamente. d) João praticou crime de roubo qualificado pelo emprego de arma, visto que, embora a arma empregada tenha sido de brinquedo, foi apta a amedrontar as vítimas, tendo o agente conseguido consumar o crime.
Comentários: Deve ser marcada a letra “c”. De fato, em caso de concurso de crimes, o cálculo da prescrição deve ser realizado em relação a cada delito, sem levar em consideração eventual acréscimo decorrente do concurso. Nesse sentido: “apesar de se unificarem as penas para efeito de cumprimento, quando se tratar do cálculo da prescrição, deve-se tomar, isoladamente, cada delito” (NUCCI, 2006, p. 514). A hipótese da letra “a” é absurda. Aparentemente a perseguição policial se deu após a consumação do delito. Mesmo que a intervenção policial tivesse ocorrido antes da consumação do crime, mas já iniciada sua execução, a hipótese seria de tentativa de roubo, afastando-se a possibilidade de crime impossível. De qualquer modo, o flagrante foi legítimo. Segundo posição da doutrina e jurisprudência majoritárias, não se aplica o princípio da insignificância ao crime de roubo. Afasta-se, assim, a hipótese veiculada na letra “b”. A assertiva constante na letra “d” também não está correta. O uso de arma de brinquedo é meio idôneo para intimidação da vítima mediante grave ameaça, levando à caracterização do crime de roubo. Tal circunstância, contudo, não é suficiente para atrair a incidência da majorante prevista no art. 157, § 2º, I, do CP, que faz referência ao emprego de arma na execução do roubo. Não houve, portanto, roubo “qualificado”, “majorado” ou “circunstanciado”. O entendimento predominante atualmente, portanto, é que o emprego de arma de brinquedo para ameaçar a vítima leva à caracterização do roubo, porém não conduz à incidência da majorante em referência dada a ausência de potencialidade lesiva. A Súmula 174 do STJ, que sustentava a incidência da causa de aumento no caso do emprego de arma de brinquedo durante o roubo, foi cancelada em 24-10-2001, DJU 06-11-2001.

4) Lurdes subtraiu um passe de ônibus de Camila, utilizando-se de uma arma de brinquedo para ameaçar a vítima. A ação foi inteiramente monitorada por policiais que se encontravam no cenário do crime, os quais prenderam a agente em flagrante, lavrando termo de restituição do objeto apreendido à vítima. Com base na situação hipotética apresentada, assinale a opção correta (MPTO, promotor, 2006, CESPE-UNB). a) Lurdes responderá por roubo qualificado pelo emprego de arma de fogo. b) De acordo com recente entendimento do STF, Lurdes responderá por crime de roubo tentado, embora se tenha apoderado da res furtiva. c) É pacífico o entendimento de que o juiz, ao sentenciar o caso, poderá aplicar o princípio da insignificância. d) O monitoramento da ação de Lurdes pelos policiais não influi na consumação do crime.
Comentários: Deve ser marcada a letra “b”. A questão, formulada em concurso de 2006, visivelmente foi inspirada em julgado (HC 88.259), então recente, do STF, divulgado no Informativo-STF nº 425 (de 1º a 05 de maio de 2006). Eis a ementa do mesmo: HABEAS CORPUS. PENAL. ROUBO TENTADO OU CONSUMADO. CONTROVÉRSIA. Ainda que o agente tenha se apossado da “res”, subtraída sob a ameaça de arma de brinquedo, é de se reconhecer o crime tentado, e não o consumado, considerada a particularidade de ter sido ele a todo tempo monitorado por policiais que se encontravam no cenário do crime. Hipótese em que o paciente subtraiu um passe de ônibus, o qual, com a ação dos policiais, foi restituído imediatamente à vítima. Ordem concedida. (STF, 2ª Turma, HC 88259-SP, rel. min. Eros Grau, DJ 26-05-2006).

dispensando o seu deslocamento” (CUNHA. j. o autor do crime responde por roubo simples. 288. Comentários: Deve ser marcada a letra “e”. CESPE-UNB). não incide a majorante do repouso noturno quando o furto é praticado em estabelecimentos comerciais. consequentemente. e) O crime de defraudação de penhor configura-se com a obtenção de vantagem indevida. do CP) somente se aplica ao furto em sua forma simples (art. rel. influencia na consumação do delito. CESPE-UNB). § 1º. O crime de quadrilha armada está previsto no art. No tocante à letra “c”. No mesmo sentido: “Bis in idem que não se caracteriza. 6ª Turma. Gilson Dipp. p.06. Essa circunstância. ante a autonomia e independência dos delitos” (STJ. v.] a majorante é perfeitamente aplicável aos furtos cometidos durante o repouso noturno em automóveis estacionados em vias públicas. bem como em estabelecimentos comerciais”. mesmo que tenha havido disparo da arma de fogo. devem acompanhar os Informativos do STF e do STJ. tratando-se de crime não transeunte. a prova testemunhal não supre a ausência de perícia. de bem dado em penhor. o momento consumativo do delito de furto ocorre quando o agente consegue levar o objeto ao lugar a que era destinado. não pode ser submetida a perícia. devendo a conduta ser apenada na forma tentada. Segundo o STJ: “O crime de defraudação de penhor se configura com a obtenção de vantagem indevida. Argumenta-se na doutrina e jurisprudência que se fosse intenção da Lei aplicar a majorante ao furto qualificado (previsto no art. do CP. 17 do CP). O princípio da insignificância e inaplicável ao crime de roubo.3. a) Segundo a teoria da contrectatio. do CP). já vimos que. Afasta-se a hipótese da letra “a”. . 2. Quanto à letra “a”. 2009. p 119). acompanhado por seus pares: “É um caso típico de crime tentado.199-SP.. 155. No tocante à letra “d”. b) Segundo o STJ.153-MS. DJ 11-09-2006). a afirmação constante na letra “c”. seja ele fungível ou infungível” (RHC 23. Laurita Vaz. pois. portanto. 5) Em relação aos crimes contra o patrimônio. 03. segundo o STF. cumpre mencionar que é reiterada a jurisprudência do STJ no seguinte sentido: “Não configura „bis in idem‟ a condenação por crime de quadrilha armada e roubo qualificado pelo uso de armas. de bem dado em penhor. que a jurisprudência do STJ inclina-se no sentido de sustentar que: “[. caput. p. e não consumado. v. A questão reforça a percepção de que os estudantes de Direito e. 155. 2006. mesmo que os mesmos tenham agido depois da inversão da posse. 6) Assinale a opção correta com referência aos crimes contra o patrimônio (delegado-PB. oriunda da alienação. 2008. resta mencionar que prevalece o entendimento (CAPEZ.. HC 54773-SP. d) Caracteriza bis in idem a condenação dos mesmos agentes pelo crime de quadrilha armada e roubo qualificado pelo uso de armas e concurso de pessoas. assinale a opção correta (defensor-PI. portanto. min. DJ 07-02-2008). min. 387) de que a majorante do repouso noturno (art. § 4º. já que o agente se teve a posse da coisa roubada.2008). todavia permanecia sob vigilância do policial de rua”. o monitoramento da ação do(a) agente por policiais inviabiliza a consumação do roubo. afirma Cleber Masson (2010. principalmente. 2009. parágrafo único. rel. 5ª Turma. Quanto à letra “b”. a) No crime de roubo. os concursandos. de qualquer modo. na condenação por crime de quadrilha armada e roubo qualificado pelo uso de armas e concurso de pessoas. já vimos nos comentários da questão anterior que o emprego da arma de brinquedo para execução do roubo não se presta a majorá-lo. c) A majorante do repouso noturno incide sobre delito de furto praticado em sua forma qualificada. v. Note-se que a assertiva apenas repetiu os termos da jurisprudência referida. 155. 321). REsp 819773-TO. posto que o reconhecimento deste levaria à inviabilidade de punição da tentativa. 2. Incorreta. se a arma não é apreendida e. No tocante à letra “d”. tendo em vista a autonomia e independência dos delitos” (STJ. do CP) a mesma teria sido prevista em parágrafo posterior à previsão da forma qualificada do delito. Não se trata de crime impossível (art. citando o HC 29. posto que a teoria da “contrectatio” expressa que “a consumação se dá pelo simples contato entre o agente e a coisa alheia. 5ª Turma. seja ele fungível ou infungível.O STF considerou que a presença dos policiais durante a execução do delito interferiu na consumação deste. oriunda da alienação. de qualquer modo. Isto ficou bem claro no voto do relator.

para fins de aplicação da causa de aumento de pena prevista no art. No tocante à letra “b”. o roubo. Quanto a este ponto. Quanto à letra “a”. obriga-a a entregar o cartão do banco e a fornecer a respectiva senha. inciso I. mas também outros bens jurídicos (integridade física e/ou liberdade individual). por acidente ou erro no uso dos meios de execução. Basta dizer que o famulato é largamente referido na doutrina para definir o furto realizado pelo empregado em detrimento dos bens de seu patrão. Desse modo. o roubo e a extorsão. No caso da assertiva. aproveitando-se de tal situação. do Código Penal. após subtrair os pertences da vítima com grave ameaça. o agente atinge seu comparsa. p. segundo o art. 130): O roubo de uso é crime (TJDFT 44/180). o furto de bens supérfluos. § 2º. que possam ter algum valor econômico. com ânimo de assenhoramento definitivo pelo autor do crime. situação em que há estado de necessidade. vem a atingir uma pessoa diversa”. b) De gados pertencentes a terceira pessoa. e) Se o agente. a apreensão da arma e sua respectiva perícia. d) De energia elétrica. pois são crimes da mesma espécie. p. basta deixar registrado que a doutrina e jurisprudência majoritárias afirmam que não há atipicidade no caso do crime de roubo de uso. seja ele simples. b) contudo. p. Nesse caso. logo após a subtração da coisa pretendida. apesar de terem como bem jurídico primordialmente protegido o patrimônio. v. 159) que: “Para que se possa falar em „aberratio ictus‟ deve ocorrer a seguinte situação: a) o agente quer atingir uma pessoa. . majorado ou qualificado é de mesma espécie). conforme sobrevenha ou não a morte da pessoa atingida). Deve. v. não podem ser considerados crimes da mesma espécie. entretanto. o simples fato de se afirmar que roubo e extorsão são crimes da mesma espécie já conduz à conclusão de incorreção da assertiva. não é o caso de crimes da mesma espécie. da qual o agente se investe mediante violência ao real proprietário). por aberractio ictus. para evitar perigo maior decorrente da ausência de alimentação. Comentários: Deve ser marcada a letra “c”. No tocante à letra “e”. essa circunstância. Entende-se atualmente que crimes da mesma espécie apenas são aqueles que dizem respeito à mesma figura típica (ou seja. espalhados por currais. não se incluindo no conceito. portando. isto é. pois na hipótese não se ofende somente o patrimônio. 7) Considera-se famulato o furto (delegado-PB.3. mesmo que tenha atingido seu parceiro na empreitada criminosa. c) Inexiste concurso material entre os delitos de quadrilha armada e o roubo qualificado pelo emprego de arma. o agente deve responder como se tivesse atingido a vítima. d) Ocorre crime de latrocínio se. Quando os delitos correspondem a figuras típicas distintas. tais como declarações da vítima e depoimentos de testemunhas”. leva à caracterização de latrocínio (consumado ou tentado. pedimos vênia para transcrever o seguinte ensinamento de Cleber Masson (2010. importante parcela da doutrina lecionando que o „animus‟ de uso exclui o crime. não é somente através de perícia que se pode comprovar o emprego de arma na execução do roubo para fins de imputação da forma majorada. Comentários: Deve ser marcada a letra “d”. Aqui não cabem maiores comentários. não importando se a real intenção do agente era subtrair para ficar ou subtrair apenas para usar momentaneamente (o uso da coisa é um dos poderes inerentes à propriedade. há concurso formal entre os crimes de extorsão e roubo. sob pena de bis in idem. A letra “c” também traz assertiva incorreta. 157. assim leciona Rogério Sanches Cunha (2008. Portanto. 73 do CP. querendo matar a vítima. 2. mesmo que pretenda apenas usar o objeto subtraído. porém. c) Praticado pelo empregado. para fins de afastar a tipicidade do roubo de uso. mesmo que o bem jurídico primordialmente protegido seja o mesmo. o agente responder normalmente por roubo. CESPE-UNB) a) Praticado em estado de extrema miserabilidade. Explica Rogério Greco (2009. 375): “O entendimento atual do Plenário do Supremo Tribunal Federal é no sentido de serem desnecessárias. considerando-se a intenção de matar. o agente responde como se tivesse atingido a pessoa visada. 2009. e) De bens de uso comum do povo. desde que o emprego da arma e seu potencial lesivo sejam provados por outros meios. conforme já exposto nos comentários referentes à questão anterior. Assim. devendo o porte ou a posse da arma de fogo ser considerado uma única vez. Reconhecemos. de bens pertencentes ao empregador. contra o patrimônio.b) A jurisprudência tem aplicado analogicamente o entendimento já consolidado quanto ao crime de furto.

que pressupõe não ter havido lesão significativa ao bem jurídico protegido. Como foram praticados dois roubos mediante uma única ação (segunda ação. impende absolver o réu por atipicidade da sua conduta. que embora havendo a tipicidade formal. apenas. Depois de fugirem. Após deslocar-se para outro lugar do coletivo. 155 do CP). d) Extinção da punibilidade. tipicidade material. Não há. Luiz. Diante desse aspecto. sendo que na primeira foi praticado um único crime (de furto). ameaça Pedro e Paulo. Júlio responderá pelo crime de furto. enquanto Lúcio responderá pelo crime de roubo (delegado federal. por exemplo. Há furto em concurso material com roubos em concurso formal. Avalie o contexto e assinale a alternativa CORRETA (TJ-PR. III. mais tarde . Portanto. Ao entrar na residência. Lúcio verificou que um morador estava presente. saca de uma arma de fogo. para ser reconhecida a presença da tipicidade. 69 do CP) entre o crime de furto e os roubos. Lúcio. Júlio e Lúcio dividiram as jóias subtraídas. um lápis. verificase concurso formal nesse caso entre os dois crimes de roubo (art. II. durante a subtração dos objetos. porém não se pode dizer que há uma lesão significativa ao bem jurídico protegido pelo tipo (patrimônio da vítima). destarte. 10) Coloque “C” (Certo) ou “E” (Errado): a) ( ) Júlio e Lúcio combinaram entre si a prática de crime de furto. b) Redução da pena pela regra do art. subtraindo de cada um deles 1 (um) celular e 1 (um) relógio de ouro. Hoje se aceita de forma praticamente pacífica que a tipicidade deve ser entendida em seus aspectos formal e material. porém na segunda ação identifica-se a prática de dois crimes de roubo. 2010. e subtraiu dele. certa importância em dinheiro. segundo já explicado). Apenas a assertiva II está correta.8) Se aceita a adoção do princípio da insignificância em caso de furto de bagatela. em ônibus coletivo. Há concurso formal de furto e roubo. Há roubo em concurso formal com furto em continuidade delitiva. Desse modo. CESPEUNB). Comentários: Deve ser marcada a letra “a”. Ocorrem situações. assim entendida esta como lesão significativa ao bem jurídico protegido pelo tipo. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. temos duas ações. a) b) c) d) Apenas a assertiva I está correta. Esta foi a sua segunda ação. que tinha ido armado sem avisar Júlio. segundo pensavam. imputável. IV. FCC) a) Absolvição por atipicidade material da conduta. uma vez constatada a presença de crime de bagatela (pela aplicação do princípio da insignificância). a observar Pedro. Comentários: Deve ser marcada a letra “d”. do Código Penal. ficando ajustado que aquele aguardaria no carro para assegurar a fuga e este entraria na residência – que. Nessa situação. e. Assim. 155. vindo a adentrar na residência. auxiliando-o no arrombamento de uma porta para a prática de um furto. 2009. Depois praticou o crime de roubo contra Pedro e Paulo. se alguém furta (em circunstâncias normais). 2004. Daí a assertiva correta referir que “há furto em concurso material com roubos em concurso formal”. resta concluir que o fato não é materialmente típico. contudo. Há tipicidade formal quando determinada conduta concreta se adequa ao comportamento abstratamente previsto no tipo penal. Resta claro na assertiva que Antônio inicialmente praticou o crime de furto contra João. PUCPR): I. As assertivas II e IV estão corretas. Apenas a assertiva IV está correta. juiz. Cometeu furto em concurso material com roubo continuado. o fato deve ser tanto formalmente quanto materialmente típico. aderiu deliberadamente à conduta de Pedro. sem que João percebesse. 9) Antônio sentou-se ao lado de João. c) Concessão de perdão judicial. matou o morador para assegurar a prática do crime. há tipicidade formal (adequação da conduta do agente ao comportamento previsto no art. a hipótese será de (TJ-AP. há concurso material (duas ações diferentes – art. juiz. Desse modo. Esta foi a sua primeira ação. onde se limitou. estaria vazia – para subtrair as jóias de um cofre. não há a tipicidade material. 70 do CP). e) Reconhecimento de circunstância atenuante inominada. § 2º.

autor é aquele que tem poder de decisão (mesmo que parcial) no processo de execução do delito. tendo considerado Luiz como coautor do furto. min. E. As duas pressupõem um conceito restritivo de autor. Para a teoria do domínio do fato.repartidos entre ambos. autor em Direito penal é: (a) quem realiza o verbo núcleo do tipo (que tem o domínio da ação típica). do CP: “Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave. 2008. prepondera a teoria do domínio do fato. Na situação hipotética. 2010. Para ela. Deve. como as originárias do emprego de violência ou grave ameaça (delegado-TO. Já o partícipe é aquele cuja conduta é secundária no concurso de agentes. GABARITO: 1A 2C 3C 4B 5E 6D 7C 8A 9D 10 C. […] Na atualidade. (b) quem tem o domínio organizacional da ação típica (quem organiza.] a clássica doutrina pátria (assim como a jurisprudência) adota. Napoleão Nunes Maia Filho. o conceito de autor serve também para definir o conceito de coautor[3]. Comentários: Na letra “a” temos uma assertiva correta. autor direto (delegado-TO. pertinente também ventilar que coautor. conforme entendimento consolidado do STJ (DPU. C. 2008. 155 e 157 do CP conduz à conclusão de que a diferença fundamental entre os crimes de furto e roubo está no fato deste último exigir que a subtração seja levada a efeito mediante violência (própria ou imprópria) ou grave ameaça. Cabe lembrar que na doutrina pátria temos duas teorias que disputam a preferência dos penalistas quando se trata de definir o conceito de autor. v. em geral. Precedente do STJ” (STJ. portanto. Quanto a Lúcio. no crime de furto. sendo partícipe aquele que contribui de outra maneira (acessoriamente) para o delito. CESPE-UNB). sendo partícipe quem concorre para o delito de outra maneira. ou. (d) quem tem o domínio da vontade de outras pessoas (isso é o que ocorre na autoria mediata). 5ª Turma. entretanto. Nos dois delitos há a subtração de coisa alheia móvel com intenção de assenhoreamento definitivo. quais sejam: b) teoria objetiva formal.. diferenciam autor (e coautor) de partícipe. ou seja. A situação espelhada é resolvida com base na previsão constante no art. Por fim. d) ( ) A presença de sistema eletrônico de vigilância em estabelecimento comercial torna crime impossível a tentativa de furto de um produto desse estabelecimento. Luiz figura como coautor e não como partícipe. verifica-se que Júlio quis participar apenas do crime de furto. HC 117880-SP. pela absoluta ineficácia dos meios empregados. como sabemos. CESPE-UNB). Na letra “b” temos uma assertiva errada. 495-496): [. § 2º. inegável que cometeu o crime de roubo. por absoluta ineficácia do meio. ainda. em uma análise sintética. vê-se claramente que a banca examinadora adotou a teoria do domínio do fato. a) teoria do domínio do fato. (c) quem participa funcionalmente da execução do crime mesmo sem realizar o verbo núcleo do tipo (quem segura a vítima para que seja golpeada por outra pessoa).). segundo reiteradamente tem decidido o STJ: “A presença de sistema eletrônico de vigilância no estabelecimento comercial ou mesmo a vigilância da sua conduta por preposto da empresa não torna o agente completamente incapaz de consumar o furto. DJe 03-11-2009). pp. Na assertiva ora comentada. defensor. Uma simples leitura dos arts. que é muito superior. Quanto à adoção das duas teorias no Brasil. A letra “d” apresenta assertiva errada. induzimento ou instigação. Nessa situação. quem planeja etc. No caso evidenciado não há crime impossível. No caso. enfatizam Luiz Flávio Gomes e Antonio García-Pablos de Molina (2007. afirma que autor é quem realiza o verbo núcleo do tipo. c) ( ) O roubo nada mais é do que um furto associado a outras figuras típicas. autor (ou coautor) é somente aquele que realiza o núcleo do tipo (núcleo este que. responder nos limites de seu dolo. ou seja. CESPE-UNB). a ponto de reconhecer configurado o crime impossível. 2. Luiz responderá como partícipe do delito pois atuou em atos diversos dos executórios praticados por Pedro. dessa forma. rel. a teoria objetiva formal e. ser-lhe-á aplicada a pena deste […]”. E .. é “subtrair”). nada mais é do que um autor que compartilha com um ou mais autores (também considerados coautores na hipótese de concurso de agentes) a execução de um delito determinado. Para a teoria objetiva formal. materializando-se através do auxílio. A letra “c” contém assertiva correta. 29.

Terminada a operação. JOÃO CARVALHO deveria permanecer acompanhando JOSÉ PINHEIRO pelas doze horas seguintes à operação. como já se disse. Tomada por uma imensa revolta e um sentimento incontrolável de vingança. 2009). NUCCI. MARGARIDA. sem o conhecimento de HORTÊNSIA. ou seja. MARGARIDA é uma médica muito preparada e tão respeitada e competente quanto JOÃO. Ele não agiu dolosa nem culposamente em relação ao resultado. Quanto a HORTÊNSIA. TJPA. bem como deturpa várias histórias de modo que IVETE pense que nenhum de seus amigos realmente gosta dela. Não responde. A conduta de HORTÊNSIA revela a ocorrência de erro de tipo escusável. ao ver JOSÉ PINHEIRO. uma dose excessiva de anti-coagulante no soro. com sua ação estava “matando” a vítima. p. que foi a autora mediata do homicídio. De outro modo. O fato não é suficiente. MARGARIDA decide matar aquele assassino cruel que nunca fora punido pela Justiça. Percebendo que IVETE está muito triste e deprimida porque foi abandonada por MATEUS. . a) JOÃO CARVALHO: homicídio culposo – MARGARIDA: homicídio doloso – HORTÊNSIA: homicídio culposo. Ocorreu a situação prevista no art. Ocorre que. para dizer que ele foi negligente ou imprudente. por crime algum. JOSÉ morre de hemorragia devido ao efeito do anti-coagulante. 2) JORGE é uma pessoa má e sem caráter. que sempre que pode prejudica outra pessoa. pois trocou o soro de JOSÉ sem saber que dentro no novo recipiente havia uma substância letal. tomando o cuidado de misturar. Quando a MARGARIA. pelas regras do hospital. contudo. o que poderia lhe acarretar alguma responsabilização funcional. porque é afilhado de um influente político. Assinale a alternativa que indique o crime praticado por cada envolvido (FGV.QUESTÕES COMENTADAS . opera a cabeça de JOSÉ PINHEIRO. do CP (GRECO. JOÃO CARVALHO deixa o hospital e vai para casa assistir ao último capítulo da novela. Não se pode confundir eventual responsabilidade funcional com responsabilidade penal. JOÃO CARVALHO não praticou crime algum. JOÃO desrespeita essa regra e pede à MARGARIDA. 206). MARGARIDA determina à enfermeira HORTÊNSIA que troque o frasco de soro que alimenta JOSÉ. e) JOÃO CARVALHO: homicídio culposo – MARGARIDA: homicídio preterdoloso – HORTÊNSIA: não praticou crime algum. porém deixou substituta à altura. § 2º. Juiz. de fato. 121 a 128 do CP) 1) JOÃO CARVALHO. 2006. com o paciente já estabilizado e colocado na Unidade de Tratamento Intensivo para observação. portanto. não sabia que. b) JOÃO CARVALHO: homicídio culposo – MARGARIDA: homicídio doloso – HORTÊNSIA: não praticou crime algum. p. c) JOÃO CARVALHO: homicídio preterdoloso – MARGARIDA: homicídio culposo – HORTÊNSIA: homicídio culposo. Comentários: A resposta correta corresponde à letra “D”. JOÃO. percebe-se que a mesma foi utilizada apenas como um instrumento para executar a ação pretendida por MARGARIDA. que foi causada exclusivamente pela ação dolosa de MARGARIDA. médica da sua equipe. 20. 76. que acompanhe o pós-operatório. respeitado neurocirurgião. percebe-se que a conduta dele não teve vinculação direta com a morte. 2009. Como é um fanático noveleiro. d) JOÃO CARVALHO: não praticou crime algum – MARGARIDA: homicídio doloso – HORTÊNSIA: não praticou crime algum. Isso contrariou as regras do hospital. foi autora mediata do homicídio doloso. o reconhece como sendo o assassino de seu pai. se ausentou do plantão. JORGE inventa uma série de supostas traições praticadas por MATEUS que fazem IVETE sentir-se ainda mais desprezível.CRIMES CONTRA A VIDA (Arts.

Juiz. de 1 (um) a 3 (três) anos. A assertiva “B”. c) Induzimento ou instigação ao suicídio. prevê que. em regra. pois não se admite simples tentativa de praticar o crime previsto no art. a) A tentativa determina a redução de pena. se o suicídio se consuma. e) Esse comportamento não é punível. 2009). por esse comportamento. 2006. Comentários: A resposta correta corresponde à letra “B”. diz-se tentado o crime quando. instigação ou auxílio. a vítima tenta se suicidar e consegue (efetivamente morre). b) As contravenções penais não admitem punição por tentativa. Para haver punição deve ocorrer um dos resultados previstos no tipo. 3) De acordo com o art. Caso não ocorra nenhum desses resultados. pp. a) Tentativa de homicídio. 92-93). d) Considera-se perfeita ou acabada a tentativa quando o agente atinge a vítima. o reconhecimento da tentativa leva a uma redução de pena de um a dois terços. vindo a lesioná-la. Em relação ao instituto da tentativa (conatus) no ordenamento jurídico brasileiro. 4º da Lei das Contravenções Penais (Decreto-lei nº 3. Comentários: A resposta correta corresponde à letra “E”. Por causa do seu peso. sobe em um banco. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. não é fixa como afirma a assertiva. TJPA. em dois terços. Percebendo isso. verifica-se que o art. assinale a opção correta (CESPE-UNB. necessário lembrar que tentativa branca ou incruenta é aquela em que a vítima não chega a ser atingida pela ação do . No tocante à assertiva “C”. se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave”. Quanto à assertiva “A”. JORGE continua estimulando seu comportamento autodestrutivo. JORGE se oferece para ajudá-la a suicidar-se. e ensina IVETE a fazer um nó de forca com uma corda para se matar. ou se por conta de sua ação vem a sofrer lesão grave ou gravíssima. iniciada a execução. deixando inclusive uma carta para MATEUS. Assinale a alternativa que indique a pena a que. No dia seguinte. portanto. JORGE está sujeito (FGV. do CP. IVETE sofre apenas arranhões leves. o fato é atípico. este não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão. Referido dispositivo assim dispõe: “Art. amarra a corda na viga da varanda. obrigatoriamente. coloca a corda no pescoço e pula para a morte. acusando-o de causar sua morte. 14. 122 do CP se IVETE tivesse morrido ou sofrido lesão corporal grave ou gravíssima. a viga de madeira onde estava a corda se quebra e IVETE apenas cai no chão. Vai até a casa de MATEUS. 122 do CP (CAPEZ. d) Auxílio ao suicídio.Por causa das conversas que mantém com JORGE. Como consequência da tentativa frustrada de suicídio. Exame OAB 2009. construiu a doutrina que o fato somente é punível se por conta do induzimento. c) O crime de homicídio não admite tentativa branca. b) Lesão corporal leve. Quando IVETE já está absolutamente desolada. parágrafo único. ou reclusão.2. A proporção de redução. Diante dessa redação. encontra absoluta paridade com o que está previsto no art.2). inciso II. 122.688. IVETE desenvolve o desejo de autodestruição. A conduta de JORGE seria enquadrada nos termos do art. que é a correta. de 03-10-1941). IVETE prepara todo o cenário do suicídio. v. 14. do CP.

pode ocorrer tentativa cruenta na tentativa imperfeita (a vítima é ferida. 52). Ex: sujeito. . Mais. todos os meios que tinha ao seu alcance a fim de alcançar a consumação da infração penal. Operou-se um equívoco sobre o nexo causal. percebe-se que na culpa (mesmo consciente) não há aceitação do resultado. Do mesmo modo. com intenção homicida. porém erra a pontaria e não acerta em ninguém. No momento em que imaginava estar simplesmente ocultando um cadáver. que somente não ocorre por circunstâncias alheias à sua vontade” (GRECO. supondo já ter produzido o resultado. fazendo-o. sendo. esclarece-se que o conceito lá ilustrado é de culpa imprópria e não de culpa própria (GRECO. com intenção de matar. atira em alguém. ainda se encontrava viva. licitamente. Descarta-se a letra “A” por conta da previsão constante no art. acreditando ter atingido seu objetivo. por conseguinte. No tocante à letra “C”. logo após envenenar sua sogra. pois o autor pensava tê-la matado por afogamento. dispare tiros de pistola contra um desafeto e. c) Caracteriza-se a culpa própria quando o agente. Colhe-se na doutrina o seguinte ensinamento.agente. que é um dos elementos que caracteriza o dolo eventual. 2003. b) Caracteriza-se a culpa consciente caso o agente preveja e aceite o resultado do delito. de homicídio. por se tratar de um erro meramente acidental. o que supunha ser um cadáver. Nessa situação hipotética. Como se vê. caso se constate posteriormente que a vítima estava viva ao ser atirada no lago. O dolo é geral e abrange toda a situação. Leva-se em conta o meio que o agente tinha em mente (emprego de veneno). 1. e. v. para fins de qualificar o homicídio. atingia a consumação. 18. pois o que importa é que o agente queria matar. vindo. Quanto à letra “B”. acabou empregando (asfixia por afogamento). No dizer de Fernando Capez (2003. 40). pratica o que entende ser um exaurimento e nesse momento atinge a consumação. 226): “Cruenta: a vítima é atingida. no entanto. p. acreditando-a morta. o fato típico. p. p. Exemplo: um perverso genro. parágrafo único.2). 2009a. supõe estar diante de uma causa de justificação que lhe permite praticar. logo em seguida. nas profundezas do mar. 2009. segundo o seu entendimento. do CP: “Salvo os casos expressos em lei. o agente responde normalmente por tentativa. ninguém pode ser punido por fato previsto como crime. assinale a opção correta (CESPE-UNB. p. e acabou. relembra-se que a tentativa perfeita ou acabada (também conhecida como crime falho) ocorre “[…] quando o agente esgota. Portanto. 190): Dolo geral. ao contrário do que imaginava o autor. d) Considere que determinada agente. no caso do exemplo. a) A conduta culposa poderá ser punida ainda que sem previsão expressa na lei. desprezando-se o erro incidente sobre o nexo causal. nesse caso (de tentativa branca). o conceito de tentativa cruenta. na realidade. 4) Com relação ao dolo e à culpa. 1. somente é possível a punição pela modalidade culposa de determinado crime se houver previsão expressa nesse sentido. efetivamente. que demonstra a exatidão da assertiva “D” (CAPEZ. devendo o sujeito ser responsabilizado por homicídio doloso consumado. vindo a lesionar-se. até a consumação. após realizar a conduta. jogue o suposto cadáver em um lago. Tal erro é irrelevante para o Direito Penal. embora imagine que sua habilidade possa impedir a ocorrência do evento lesivo previsto. o agente vem a ser desarmado) ou na perfeita (o autor descarrega a arma na vítima. Portanto. e não aquele que. acidentalmente. a morrer afogada. joga-a. lesionandoa)”. não interessando se houve erro quanto à causa geradora do resultado morte. por erro de tipo inescusável. Exame OAB 2009. tendo a morte ocorrido por afogamento. devendo este responder por homicídio consumado. Quanto à assertiva “D”. o conceito que aparece na assertiva não possui exata relação com a noção de tentativa perfeita. fica caracterizado o dolo geral do agente. v. erro sucessivo ou “aberratio causae”: quando o agente. A vítima. senão quando o pratica dolosamente”. Comentários: A resposta correta corresponde à letra “D”.

Comentários: A resposta correta corresponde à letra “B”.] Em que pese não ser prevista como qualificadora. pelo contrário. 61-62) faz os seguintes comentários sobre ela no tocante ao crime de homicídio: Premeditar. enquanto qualificadora do crime de homicídio. contudo. c) Trata-se de causa de aumento de pena aplicada sempre que ficar provado que o agente poderia ter desistido do resultado.. [. nunca chegou a um consenso sobre o exato sentido do termo “premeditação”. estrangeira e pátria. não está prevista expressamente em nosso ordenamento jurídico como qualificadora. cultuado no interior do agente. a) Somente poder-se-á falar em premeditação. Juiz. significa resolver com antecipação e refletidamente. todavia. nem como causa de aumento de pena ou qualificadora. art. c) Deve ser reconhecido o crime continuado. A doutrina. seguiu adiante na prática criminosa. Sempre se discutiu se a premeditação denotaria um maior grau de depravação moral do agente.. que aguarda o momento ideal para fazê-lo. segundo do dicionário Aurélio. VUNESP. a premeditação está presente na conduta do agente. ou. d) Responderá por um crime de homicídio. A premeditação não é prevista no CP como agravante genérica. Comentários: A resposta correta corresponde à letra “D”. 2009). No caso. 59). O crime de homicídio é um delito plurissubsistente. (grifos nossos) 6) João matou seu desafeto com vinte golpes de faca. b) Responderá por vinte crimes de homicídio em concurso material.5) A premeditação pode ser vista como o desejo de praticar o crime. a premeditação. ao invés disso. pois entende-se que ela. na maioria dos delitos praticados. pp. motivo que não justificaria o agravamento da pena. b) Apesar de sua importância. d) Verifica-se que. A nossa legislação penal. de perversidade. se houver um lapso temporal entre o motivo que desencadeia o delito e sua ocorrência. mas. muitas vezes. funcionando como circunstância judicial (CP. 2009). FCC. denotaria uma maior resistência à prática delitiva. até mesmo porque a vítima foi uma só. Neste caso (TJMT. e) Responderá por crime de homicídio tentado e consumado em concurso material. v. 2. só há previsão legal para qualificar-se o delito no crime de homicídio. Portanto. a) Ocorreu concurso formal de infrações. . cada facada (todas desferidas em um mesmo contexto fático) foi apenas um ato integrante da conduta voltada a tirar a vida da vítima. de tal modo que vários atos integram a conduta “matar”. poderá ser levada em consideração para agravar a pena. Nesse caso (Defensor Público-MT. conforme o caso concreto. demonstraria uma maior resistência do agente aos impulsos criminosos. e) O planejamento anterior à prática do crime é previsto como circunstância agravante genérica prevista na parte geral do Código Penal. Fernando Capez (2006. Em algumas legislações a premeditação constituiria traço característico do assassinato (Código Penal suíço de 1937). ocorreu um único de crime de homicídio. não prevê a premeditação como circunstância qualificadora do homicídio.

ainda que a qualificadora seja de natureza objetiva. 8) Quanto aos crimes contra a pessoa. § 8º. o STJ entende atualmente que a qualificadora não se comunica ao mandante do crime. Quanto à letra “D”.. . não se pode admitir a incidência da agravante em referência. prevê expressamente a traição. 124 do CP). Delegado-PB. 124 do mesmo “codex”. IV. Nos casos exemplificados. d) Emboscada. 2008). c) No delito de infanticídio incide a agravante prevista na parte geral do CP consistente no fato de a vítima ser descendente da parturiente. deve ser observado que quando terceiro age como co-autor no crime de auto-aborto (art. sendo nessas circunstâncias realizado o aborto. No tocante à surpresa. o terceiro responde pelo art. essa aceitação pode se dar por um motivo torpe. ainda que culposa. conforme se colhe na doutrina de Fernando Capez (2006. entende a doutrina que ela qualifica o crime de homicídio por levar à configuração de um modo de execução que dificulta ou torna impossível a defesa do ofendido (art. b) Traição. Desse modo. emboscada e asfixia como circunstâncias qualificadoras. e) Asfixia. tem reiteradamente assentado a doutrina e jurisprudência que é possível reconhecer a coexistência de qualificadora objetiva com circunstância que induza o privilégio (que são todas subjetivas). enquanto que a gestante responde pelo art. por motivo torpe. pois tal circunstância já figura como elementar do tipo insculpido no art. 121. Comentários: A resposta correta corresponde à letra “A”. § 2º. ele responde pelo crime do art. É penalmente aceitável que. por exemplo) para realizar procedimentos que levarão à morte do nascituro que ela carrega em seu ventre. “caput”. segundo prevê o art. c) Surpresa. do CP. Quanto à letra “B”. teremos uma mesma circunstância sendo utilizada para fazer a adequação típica e também para agravar a pena da agente. no tocante à letra “E”. 126 do CP. do CP). Da mesma forma. 56). Comentários: A resposta correta corresponde à letra “A”. a) São compatíveis. não se admite a aplicação do instituto do perdão judicial ao delito de lesão corporal. ocorrerá vedado “bis in idem” se admitirmos isso. quando a gestante recebe auxílio de terceiros. p. basta consignar que o perdão judicial é possível na lesão corporal culposa. Defensor Público-PI. adotada como regra geral em nosso direito penal (art. Portanto. do CP). Esta é uma exceção à teoria monista (que sustenta o entendimento de que aqueles que concorrem para um mesmo fato criminoso devem responder pelo mesmo tipo penal). em princípio. No dolo eventual não se tem presente uma vontade direta de realizar o resultado previsto no tipo. quando uma gestante. A premeditação não qualifica o crime de homicídio. No tocante à letra “C”. o dolo eventual e as qualificadoras do homicídio. b) Com relação ao motivo torpe. conscientemente. a depender da causa que a originou. a) No homicídio qualificado pela paga ou promessa de recompensa. porém responderão por tipos penais distintos. 121.7) Não se inclui dentre as qualificadoras do crime de homicídio a (Defensor Público-MT. 29. assinale a opção correta (CESPE-UNB. O art. 123 do CP. Por fim. b) É inadmissível a ocorrência de homicídio privilegiado-qualificado. aplicável ao concurso de pessoas. assuma-se o risco de produzir o resultado. fútil etc. Nessa situação ocorrerá o chamado homicídio privilegiado-qualificado. procura um terceiro (médico. 129. por exemplo. ou seja. 9) Assinale a opção correta com relação ao crime de homicídio (CESPE-UNB. 2009) a) Premeditação. segundo já se deixou claro nos comentários da questão “5”. 126 do CP e a gestante responderá pelo art.2. § 2º. do CP. porém o agente prevê e aceita esse resultado. teremos duas pessoas concorrendo para um mesmo fato. não se admite exceção à teoria monista. 2009). v. e) Por ausência de previsão legal. FCC. a vingança pode ou não configurar a qualificadora. d) No delito de aborto. 124 do CP.

121. ressalta-se que há decisões do STJ esposando o entendimento de que no homicídio qualificado pela paga ou promessa de recompensa (art. prevista no CP. julgado em 04-11-2008. que só existem elementares (que estão no caput e são essenciais para a existência do crime) e circunstâncias (que estão nos parágrafos e não são fundamentais. que esse não é o entendimento da doutrina majoritária. p. havendo também divergência jurisprudencial quanto a este ponto. No tocante é letra “D”. intermediária. Há quem sustente (Nélson Hungria) que as qualificadoras não são circunstâncias comuns. 226). Nesse sentido o HC 99. Nesse aspecto. no passado. de modo que. indubitavelmente ela apresenta uma assertiva correta. v. encontram-se situadas em uma zona cinzenta. § 2º. 3. porém. v.455/97. 281). para que se aplique a lei de tortura. estar impelido de relevante valor moral ou mesmo dominado de violenta emoção”. Com razão o Superior Tribunal de Justiça. O agente não pode.. configurando verdadeira elementar do tipo. ao se valer de um sicário (matador de aluguel). que o homicídio somente será qualificado pelo envenenamento quando o recurso a esse meio não for do conhecimento da vítima.. p. mas um meio-termo entre as elementares e as circunstâncias. equipara-se. 5ª T. 30.. Já na Lei nº 9. p. devendo responder pelo seu próprio motivo. configurar ou não o motivo torpe. este somente poderá qualificar a tortura a título de culpa. 2009a. 45). d) Para a configuração da qualificadora relativa ao emprego de veneno. 156) admitem que a ausência de motivo leva à configuração de motivo fútil para efeitos de qualificar o crime de homicídio. só que na forma simples ou privilegiada. Com efeito. que não é protegido pelo direito. No mesmo sentido explica Capez (2006. Rogério Sanches Cunha (2008. no art. na Lei nº 9. nos termos expressos do art. pode. acolheu a primeira [. terá o condão de qualificar o delito. p.] Entendemos. Rogério Greco também entende que o mandante não deve responder pela qualificadora em comento (GRECO. 3. Laurita Vaz. vale transcrever os seguintes ensinamentos de Rogério Greco (2010. p. respondem pela qualificadora tanto o executor quanto o mandante. p. embora possível. relevante.” (CAPEZ. contudo. pois cometeu o crime impelido por motivo de cupidez econômica.]. como sentimento de represália e desforra por alguma coisa sucedida. é indiferente o fato de a vítima ingerir a substância à força ou sem saber que o está ingerindo. p. o veneno deve ser ministrado de forma dissimulada. Quanto a assertiva “C”. Quanto à letra “A”. É um meio cruel de que se utiliza o agente. haver encontrado amparo no STF.455/97. permitindo que o que age sem qualquer motivo receba sanção mais branda (nesse sentido: RTJE 45/276. v. 22) não admitem raciocínio nesse sentido. com o fim de causar a morte da vítima. à luz do princípio da reserva legal” (STJ. 80). 2. Assim. os fundamentos que alimentam o sentimento de vingança. apto a qualificar o crime de homicídio. que é quem mata motivado pela remuneração. v. age com torpeza.. podem privilegiá-lo. p. Comentários: A resposta do gabarito corresponde à letra “B”. Se o agente ministra o veneno de forma violenta. RJTJSP 138/449)”. 2006. a tortura é um meio cruel.] Assim. deve ser dito que para a qualificadora de emprego de veneno se aperfeiçoar. no art. 769651-SP. a tortura é um fim em si mesmo. de modo que configura mera circunstância. podendo. responderá pelo crime de homicídio tipificado pelo Código Penal. ela é um fim em si mesmo e.. em 2003. existe polêmica na doutrina sobre o assunto lá versado. 21) registra que: “A ausência de motivo. Nem sempre o mandante. em tese. Apesar da segunda corrente. Cezar Roberto Bitencourt (2010. é tão-somente um meio para o cometimento do homicídio. Isso significa que a tortura qualificada pelo resultado morte é um delito eminentemente preterdoloso. porquanto seria um contra-senso conceber que o legislador punisse com pena [maior] aquele que mata por futilidade.455/97? A diferença reside no fato de que a tortura. éticos e morais. 74): “Insta ressaltar. quando ocorrer o emprego insidioso da substância. ou seja. segundo as circunstâncias que a determinaram. Ensina Cezar Roberto Bitencourt (2010. 2. ao pretexto fútil. [. segundo alguns. mesmo excluídas. quando o próprio pai mata o estuprador de sua filha”. nem outra. dessa forma. pois. utilizado pelo agente na prática do homicídio. não se comunica ao partícipe. min. REsp. DJ 15-05-2006. por exemplo. rel. Esse segundo entendimento foi o adotado pela banca examinadora. v. p.c) A ausência de motivo configura motivo fútil. Em sentido semelhante. 2008. quando. não se perfaz a qualificadora. e) A qualificadora relativa ao emprego de tortura foi tacitamente revogada pela lei específica que previu o crime de tortura com resultado morte. embora não justifiquem o crime. 2. de imediato identifica-se incorreção na afirmação lá constante. Nisso se pautou a banca examinadora para considerar a assertiva como incorreta. 45): “Tratando-se de circunstância de caráter pessoal.2.g. v. que possui o status de crime preterdoloso..144-RJ. Quanto à letra “B”. não sendo nem uma coisa. como se pretende. se o sujeito pratica o fato sem razão alguma. 2. Sem a qualificadora o crime ainda existe. v. v. Já decidiu o STJ que: “[…] Não se pode confundir. 20-21) assevera que: “Existe divergência na doutrina sobre se a qualificadora em tela é simples circunstância. não incide essa qualificadora. II. 159): Qual a diferença. não raras vezes. v. 79) que: “Nem sempre a vingança é caracterizadora de motivo torpe. podem ser nobres. [.] Essa posição não é pacífica. porém. p. configurem relevante valor social ou moral. v.. 3. o executor responderá pela qualificadora. caso ocorra a morte da vítima. II. pois a torpeza do motivo está exatamente na causa da sua existência. a infração continua existindo).. 156) e Celso Delmanto (apud CUNHA. a caracterização do meio cruel”. o que se verifica e dessume pela sua origem e natureza‟. ou se será aplicada também ao mandante. mas o mandante não. p. No que se refere à letra “E”. Damásio de Jesus (apud GRECO. 121. ausência de motivo com futilidade. [.2. do CP). Rogério Sanches Cunha (2008. Convivem perfeitamente as disposições da Lei de Tortura com a qualificadora de emprego de tortura no homicídio. caso contrário. v. 2010. p. Nesse sentido leciona Luiz Regis Prado (2008.. entre a tortura prevista como qualificadora do delito de homicídio e a tortura com resultado morte prevista pela Lei nº 9. I. Concluindo o raciocínio. v. RT 511/357 e 622/332. pretender a morte do agente.. p. 121. v. Cabe enfatizar. II. sustenta Fernando de Almeida Pedroso que „a vingança. portanto. 48) e Rogério Greco (2010. . para os devidos fins legais. Fernando Capez (2006. com aplicação restrita ao executor do crime. ou seja. pp. Se vier a ocorrer o resultado morte. o STJ.

por enfrentarem grave crise conjugal. inapto a produzir uma nova vida. GRECO. atual. Delegado-TO. o aborto eugênico. rev. não constitui ilícito penal.10) Coloque Certo (“C”) ou Errado (“E”): a) ( ) O Código Penal brasileiro permite três formas de abortamento legal: o denominado aborto terapêutico.Delegado-RR. A assertiva correspondente à letra “C” está Errada. considerando que matou MARIA. apesar do tiro. Por circunstâncias alheias à vontade de ambos. 7ª ed. vol. A assertiva correspondente à letra “D” está Certa. outro contra si próprio. 2008. O consentimento desta é irrelevante para fins de enquadramento da conduta típica. e o aborto humanitário. 5ª ed. a soma das penas individualizadas é consequência necessária. DelegadoRR. GRECO. por si só. 2. 2003).. a materialização de mais de um resultado típico implicará punição por todos os delitos. Luiz Regis. rev. a conduta de JOAQUIM. 2003). somando-se as penas previamente individualizadas(CESPE-UNB. Somente há duas formas de abortamento permitidas pelo nosso Código Penal. II. empregado no caso de estupro (CESPE-UNB. PRADO. 551) explica: “gravidez molar: desenvolvimento completamente anormal do ovo. Nessa situação. MANOEL. Curso de direito penal. JOÃO desfechou um tiro de revólver contra MARIA e. 2010. Rogério.Delegado-RR. – São Paulo: RT.. visto que a vida é um bem jurídico indisponível. vol. um revólver municiado. ou seja. humanitário ou ético (art.. 2009. rev. – Niterói: Impetus. Não há punição para a simples tentativa de cometimento do crime previsto no art. com o qual JOAQUIM disparou contra o próprio peito. JOÃO. sobreviveu. 2006.ampl. conforme previsto no artigo 69 do CP. quais sejam: o aborto necessário ou terapêutico (art. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. v. emprestando-lhe. instigou JOAQUIM à prática de suicídio. 2. Não há aborto. Código penal comentado. do CP). Somente haverá punição se a vítima morrer (suicídio se consumou) ou se sofrer lesão corporal grave ou gravíssima (em decorrência da tentativa de suicídio). b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. do CP) e o aborto sentimental. II. Nesse caso. 122 do CP. . JOÃO e MARIA. e ampl. Curso de direito penal. instigação ou auxílio a suicídio (CESPE-UNB. 2003). Delegado-TO. – Niterói: Impetus. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: NUCCI. 128. pela gestante. parte especial. ainda. penalmente responsável. Nessa situação. A assertiva correspondente à letra “E” está Errada. – São Paulo: RT. Rogério. e) ( ) Na gravidez molar. não tendo resultado qualquer dano à integridade física de JOAQUIM. o armamento apresentou falhas e a munição não foi deflagrada. I. 128. instigando-se mutuamente. JOÃO responderá pelo crime de induzimento. p. 108): “Já gravidez molar consiste em uma formação neoplasmática (mola). de meios abortivos que resultem na expulsão da mola (CESPEUNB. A assertiva correspondente à letra “B” está Errada. Código penal comentado. em seguida. e ampl. parte especial. rev. Guilherme de Souza. Conforme o combinado. Em complemento. empregado para salvar a vida da gestante. vide comentários à questão número “2”. Havendo o reconhecimento da ocorrência de mais de um crime em concurso material. MARIA veio a falecer. A interrupção da gravidez extra-uterina ou da gravidez molar não configura o delito de aborto”. resolveram matar-se. e atual. e atual. pois é preciso se tratar de embrião de vida humana”. mas MANOEL responderá por tentativa de participação em suicídio (CESPE-UNB.ampl. derivada principalmente das membranas fetais. Guilherme de Souza Nucci (2006. configura-se crime de aborto o emprego. é um produto conceptivo degenerado. Comentários: A assertiva correspondente à letra “A” está Errada. 2008). JOÃO deve responder pelo crime de homicídio. 2ª ed. p. No mesmo sentido o magistério de Luiz Regis Prado (2008. 7ª ed. d) ( ) Considere que um indivíduo penalmente responsável pratique três homicídios dolosos em concurso material. atual. 2008). permitido para impedir a continuação da gravidez de fetos ou embriões com graves anomalias. que foi o caso da conduta de MANOEL..

1. BITENCOURT. b) E. CAPEZ. v. v. Cezar Roberto. 3. v. 2008. v. GABARITO: 1= D 2= E 3= B 4= D 5= B 6= D 7= A 8= A 9= B 10= a) E. . Curso de direito penal – parte geral.CAPEZ. 2010. Direito penal – parte especial. c) E. São Paulo: Saraiva. 2003. e) E. Tratado de direito penal – parte especial. Fernando. Fernando. – São Paulo: RT. Curso de direito penal – parte especial. 10ª ed. São Paulo: Saraiva. 2006. d) C. São Paulo: Saraiva. 6ª ed. 6ª ed. coordenação de Luiz Flávio Gomes e Rogério Sanches Cunha. 2. Rogério Sanches. CUNHA. 2.

E. vindo a morrer em decorrência de grave lesão cerebral provocada pela queda. d) Homicídio culposo e dano. 73 do CP. no caso hipotético. ao invés de parar o veículo. O objetivo do agente. veio a imprimir alta velocidade. v. b) Homicídio culposo. O desafeto do atirador não sofre qualquer lesão. c) Homicídio praticado com dolo eventual. realmente prevê que poderá ocorrer o resultado danoso.HOMICÍDIO (ART. se não houvesse ninguém pendurado no ônibus. d) Lesão corporal seguida de morte. mas nesse caso simplesmente demonstra indiferença com a ocorrência deste. Portanto. o agente. e o motorista imprimisse alta velocidade vindo a provocar um acidente com mortes. Pertinente lembrar que a culpa pode ser consciente ou inconsciente. os limites da simples imprudência. Vide quanto à temática: GRECO. Em ambas as hipóteses há a previsibilidade objetiva (aferida sob o ponto de vista do homem mediano). ou seja. imprime alta velocidade. e entrou na seara do dolo eventual. pela imprudência. porém somente na modalidade consciente há a previsibilidade subjetiva[1]. todavia no caso em epígrafe. 121 do CP) 1) O motorista de um ônibus. confia que naquela situação concreta o resultado não sobrevirá. semelhantemente à culpa consciente. numa curva acentuada. Primeiramente. desse modo. parte final. o condutor percebeu alguém pendurado no ônibus. Por erro na execução. pois se posicionou de forma indiferente ante a concreta possibilidade da pessoa pendurada. também conhecido como “aberratio ictus”. não era matar. 201-210. Houve o seguinte pensamento: “não quero matar. portanto. o pingente acabe por ser atirado contra o solo. efetua dois disparos de arma de fogo contra um seu desafeto que passava na rua. porém não aceita a possibilidade da ocorrência. c) Homicídio culposo. O enunciado deixa claro que havia o dolo de lesionar. portanto. da janela de seu apartamento. que circunscreve o seu dolo. No caso em questão. o outro projétil acerta um transeunte. pelo contrário. sem divagações). Extrapolou. se isso acontecer. e mesmo assim. Em outro prisma. percebendo a presença de um menor pendendo na traseira do veículo por ele conduzido. que percebendo alguém pendurado no ônibus que conduz. b) Tentativa de lesão corporal e homicídio culposo. I. 18. 2) Uma pessoa. produzindo-lhe a morte. tal conduta se adequa perfeitamente à modalidade dolosa da espécie eventual.I. quando por erro na execução. aceita a possibilidade dele ocorrer. Segundo o Código Penal Brasileiro. Prevê. Houve também. do CP). marque a alternativa correta sobre o crime cometido pelo motorista (TJ-MG 2004-2005): a) Homicídio culposo. cair e morrer. Diante da presente hipótese. Comentários: A alternativa correta corresponde à letra “a”. assumindo. pp. o atirador deve responder pelo crime de (42º Concurso MP-MG): a) Lesão corporal seguida de morte. Sabe-se que na conduta culposa o agente não objetiva o cometimento de nenhum ilícito penal. nem tampouco assume o risco de cometê-lo. pretendendo lesioná-lo. unicamente. que diz claramente que o agente. deve ser observado qual era a vontade do agente. no dolo eventual o agente também prevê o resultado (previsibilidade subjetiva). no caso concreto. um projétil acerta um automóvel que estava estacionado (não era seu). imprime alta velocidade. 2007. e) Homicídio doloso consumado. Daí já se exclui a possibilidade do homicídio (isso nos estreitos limites do enunciado. para mim é indiferente (tanto faz)”. previsto no art. certamente estaríamos diante de uma situação de homicídio culposo. pelo contrário. Comentários: A assertiva correta corresponde à letra “c”. pela negligência. erro na execução. responde como se tivesse . e) Homicídio privilegiado. ou seja. O enunciado em exame traz o caso de um motorista. fazendo com que. atinge outra pessoa.QUESTÕES COMENTADAS . mas sei que ele pode morrer. o risco de produzi-lo (art. em concurso material.

não lhe presta assistência. 73 do CP). Excluída a hipótese da imputação de dano culposo. tendo por fim atingir Caio. No acidente. o seu dolo era de praticar lesão corporal). Carlos. 163 do CP). por acidente ou erro na execução do crime. pois trata-se de circunstância de caráter pessoal que se comunica aos demais participantes (Defensor Público 2005 – DP/SE – UNB/CESPE). Nessa situação. O órgão do Ministério Público ofereceu denúncia contra Maria. sem risco pessoal. o delito. desgovernou-se e colidiu contra uma árvore. seu irmão. instigou Carlos a matá-lo. faleceram os passageiros Antônio. Considere a seguinte situação hipotética. termina atingindo resultado diverso do pretendido. com a intenção de matar Getúlio. 74 do CP. V. matando-o. III. Considere a seguinte situação hipotética. o lesionado veio a falecer. sem qualquer motivo aparente. por motivo de relevante valor social. Carlos. dirigiu-se à casa de José e lá resolveu levar a cabo sua intenção criminosa. por inexistir a figura culposa”. E. permanece íntegro o seu dolo (e. Acontece. igualmente decorrente de seu erro. Nesse sentido as lições de Nucci (2006.UNB/CESPE). após ser enterrada. em outro prisma. ocasião em que o agente deverá responder a título de culpa. 129. um conhecido. Nessa situação. nos exatos termos do que prevê o art. resta. ocorreu erro sobre o nexo causal. IV. Antônio.praticado o crime contra aquela que pretendia ofender. Nessa situação. 3) Julgue os itens seguintes (Certo ou Errado): I. após ferir culposamente a vítima. ambos responderão por homicídio em co-autoria (Juiz Federal 2006 – TRF da 5ª – CESPE/UNB). Leandro. No caso em exame. responde por dois crimes: homicídio culposo e omissão de socorro (Juiz Federal 2006 – TRF da 5ªR – CESPE/UNB). ministrou veneno a este. Se o sujeito. no aspecto ora enfocado (tiro no carro). e culpa no conseqüente: morte). imputando-lhe a prática de duplo homicídio culposo. o homicídio privilegiado. então. do CP. querendo a morte de José. Em lugar de alcançar a vítima. e Aurélio. na hipótese ilustrada o erro fez o agente incidir tanto em “aberratio ictus” quanto em “aberratio criminis”. de modo que Leandro responderá apenas por tentativa de homicídio (Delegado 2008 AC – CESPE/UNB). 412) quanto ao “aberratio criminis”: “trata-se do desvio do crime. parágrafo 3º. em concurso formal. O agente responde pelo resultado diverso do pretendido somente por culpa. em lugar de uma lesão corporal. a morte somente pode ter sobrevindo por culpa. O veículo que Maria conduzia. É o chamado “aberratio criminis”. ainda. Portanto. que a conduta do agente causou também dano a um carro que não lhe pertencia. Portanto. Trata-se de autêntica hipótese de crime preterdoloso (dolo no antecedente: lesão corporal. vindo posteriormente a ser apurado que a quantidade de veneno ministrada à vítima não fora suficiente para a sua morte. No exemplo supracitado. sobrevém resultado diverso do pretendido. como no caso do “aberratio criminis” o resultado diverso do pretendido deve ser imputado a título de culpa. 74 do CP. praticou um crime de homicídio com a participação de Pedro. 74. Leandro a enterrou no quintal de sua casa. O agente.: Tício. de forma que ela morreu em face da asfixia. que já havia cogitado do fato. por inexistência da figura culposa para a espécie. Nessa situação. concedido o perdão judicial pelo juiz à acusada. 1ª parte. se o fato é previsto como crime culposo. ficou dominado por ódio mortal por tudo que Antônio disse de José. termina despedaçando a vitrine do estabelecimento comercial. conforme demonstrado. Ex. vindo ela a falecer. do objeto jurídico do delito. portanto. No caso do enunciado. p. CP). seria de dano (art. no caso. que desconhecia o motivo determinante do crime. torna-se impossível a imputação de delito de dano ao agente. o que atrai os termos do art. Portanto. II. Essa situação é prevista no art. apenas a imputação da lesão corporal seguida de morte. se estenderá ao partícipe Pedro. causa de diminuição da pena descrita no CP. ocorrente quando fora dos casos de “aberratio ictus” (art. . Como o dolo era de lesionar. atira uma pedra contra sua pessoa. a extinção da punibilidade abrangerá as duas infrações penais (Promotor 2005 – MP/MT . entretanto. Fábio. ou seja. Tício não responderia por crime de dano. se for previsto como delito culposo (art. objetivando um determinado resultado. que não há a modalidade culposa de tal infração penal. vendedor de uma loja. Necessário observar. acaba praticando um dano. Presumindo que a vítima já falecera.

de forma tão grave que a aplicação da pena não teria sentido. in verbis: “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal. basta dizer que Antônio ao instigar Carlos atua apenas como partícipe e não como co-autor. Confessou a autoria da infração penal perante a autoridade judiciária e no plenário do júri. parágrafo 5º. IV – De acordo com a jurisprudência dominante. rel. Pedro. no qual morrem sua esposa. após dar um exemplo onde o genro que envenenou a sogra. Sabe-se que no concurso de pessoas pode haver autores (ou co-autores) e partícipes. se em um deles é cabível o perdão judicial. 510): “a extinção da punibilidade não atinge apenas o crime ao qual se verificou a circunstância excepcional. enquanto que os partícipes. salvo quando elementares do crime”. até a consumação.)”. praticados mediante uma única ação ou omissão). 2003. teria agido imbuído de relevante valor social. do CP). se houve ou não crime.ou a um dos co-autores. surge a questão central: em caso de dois homicídios. a circunstância atenuante da menoridade relativa não é preponderante sobre as demais. p. mesmo que seja do conhecimento destes. a circunstância pessoal (vinculada a um ou a alguns concorrentes na prática de um delito) não se comunica aos demais. 30 do CP. mesmo que tenha natureza pessoal (ver. a elementar “funcionário público”. para fins de qualificar o homicídio. DJU de 9-12-2002. insusceptível de comutação de pena. relativos à situação hipotética apresentada e à legislação a ela pertinente. Tal narrativa merece uma crítica. do Código Penal Brasileiro. pois se diz que o acidente sobreveio sem qualquer motivo aparente. . devendo-se pressupor a hipótese de aplicação da causa extintiva de punibilidade referida. Em desate dessa questão. A primeira se dá pelo induzimento ou instigação. não há que se falar em crime. 4) Tibúrcio praticou um homicídio sob o domínio de violenta emoção.1. Observar também que circunstância é diferente de elementar. era reincidente. Mais. Nesse caso. e não aquele que. pratica dois ou mais crimes. min. jogou-a no mar. quando o agente. estamos diante de uma participação mediante instigação. diante do quê sobreveio a morte por afogamento: “O dolo é geral e abrange toda a situação. devendo o sujeito ser responsabilizado por homicídio doloso consumado. o partícipe. apesar de ser maior de dezoito e menor de 21 anos de idade. 190). do CP só se refere às mortes da esposa e filho. Portanto. e pensando que ela estivesse morta. 121. Os autores (ou co-autores) são responsáveis pela conduta principal. por se tratar de um erro meramente acidental. que determina a unificação das penas. No tocante à assertiva “IV”. parágrafo 4º. esse não é o ponto de enfoque. a jurisprudência tem entendido que o perdão judicial concedido em relação a um dos crimes deve se estender ao outro. o autor. O que é reforçado pela interpretação do art. seu filho e um desconhecido. A circunstância excepcional prevista no art. Fábio. no caso do crime de peculato – art. Na ocasião. sob pena de nulidade da sentença. pois se Maria agiu sem culpa. Então. portanto. com o uso de asfixia. porém não haveria respaldo legal para o perdão judicial referente ao homicídio que vitimou o terceiro. Na assertiva “III” evidencia-se uma situação de “aberratio causae” (erro sobre o nexo causal). p. 121. no entanto.. se comunica aos demais concorrentes se for do conhecimento destes). No mesmo sentido posiciona-se a doutrina (CAPEZ. III – Caso Tibúrcio venha a ser condenado pelo júri popular. pois quanto a esta a regra é a comunicabilidade. não se estende ao partícipe.Comentários: Apenas a assertiva “IV” está correta. 361. pela conduta acessória. importante relembrar os termos do art. p. que o instituto do Perdão Judicial é admitido toda vez que as conseqüências do fato afetem o respectivo autor. A participação pode ser moral ou material. concurso de crimes.. porém a conclusão correta é diversa da contida na alternativa. Quanto à primeira assertiva (“I”). desprezando-se o erro incidente sobre o nexo causal. logo em seguida a injusta provocação da vítima. calha repetir que. mas todos os crimes praticados no mesmo contexto.442-SP (STJ. 312 do CP. observamos que não está claro na mesma se Maria agiu de forma culposa. presuntivamente.1. mediante uma ação.. e a segunda. o juiz presidente deverá observar o critério trifásico na dosimetria da pena. exceto quando a circunstância for elementar do crime. Diante disso. I – Tibúrcio praticou um crime de homicídio privilegiado-qualificado. Nesse andar. Considerando-se. acidentalmente. Quanto à assertiva “II”. este se estenderá ao outro crime? Sabe-se que no caso em testilha seria cabível. ao tratar do concurso formal. Não há. resta lembrar que a omissão de socorro funciona apenas como causa de aumento de pena do homicídio culposo (art. acabou empregando (asfixia por afogamento)”. em concurso formal (ou seja. O ponto de discussão. não é este. deduz-se que o benefício deve ser aplicado a todos os efeitos causados por uma única ação delitiva. Na assertiva “V” se faz referência a uma hipótese de crime cometido em concurso de pessoas. v. Jorge Scartezzini): “Sendo o perdão judicial uma das causas de extinção da punibilidade (. visto que se enfoca expressamente a hipótese do juiz aplicar o perdão judicial. por exemplo. que mesmo apenas atrelada ao autor . Julgue os itens que se seguem. v. como regra geral. conforme ensina Capez (2003. sendo a motivação do delito (in casu relevante valor social) uma circunstância pessoal (subjetiva). II – O homicídio privilegiado-qualificado é crime hediondo. visto que incomunicável. 70. No caso em epígrafe. Leva-se em conta o meio que o agente tinha em mente (emprego de veneno). segundo preceituado no HC 21.. o perdão judicial quanto à morte do irmão de Maria (art. parágrafo 5º. mas o perdão judicial extinguirá a punibilidade em todos os três homicídios culposos”. pelo auxílio. 121. desconhecia a circunstância motivadora do crime. injustificável se torna sua cisão (.). idênticos ou não. ainda. Exemplo: o agente provoca um acidente. do CP).

67 do CP. Assertiva “I”. com as qualificadoras que sejam também de natureza pessoal. 2º) reincidência. entende preponderar o privilégio. Por exemplo: não se pode reconhecer homicídio privilegiado-qualificado quando a qualificadora for por conta do motivo do crime (motivo torpe. Assim ensina Rogério Greco (2007. portanto. Assertiva “V”. parágrafo 1º. a menoridade relativa (réu menor de 21 anos de idade) prepondera sobre todas as demais circunstâncias legais. segundo aduz Rogério Sanches Cunha (2008. da personalidade do agente e da reincidência”. lecionando que o art.3. O art. Ressaltamos. em caso de concurso entre elas. se construiu. não havendo. com o privilégio de natureza subjetiva”. dispondo que:“No concurso de agravantes e atenuantes. 121. nos cabe formar a seguinte escala de preponderância: 1º) menoridade. Segundo a doutrina e jurisprudência majoritárias. o juiz presidente poderá fixar a pena privativa de liberdade em quantidade inferior ao mínimo previsto no tipo. Outra. sendo entendimento assente que nessa fase não é possível que a sanção penal seja reduzida abaixo do mínimo previsto no tipo (no caso de reconhecimento da preponderância de atenuantes) e nem elevada acima do máximo em abstrato (por força do reconhecimento de agravantes)[3]. Assertiva “II”.88): “Diante disso. para o fato de serem inconciliáveis as circunstâncias que induzem o privilégio (art. policial militar. Consoante posição majoritária. Comentários: Está correta a letra “b”. a faixa da reprimenda em abstrato fixada no tipo qualificado para iniciar a operação de fixação da pena em concreto. no primeiro momento. e) IV e V. há circunstâncias que preponderam sobre as outras. reconhecidas as atenuantes da menoridade e confissão espontânea. 3º) confissão.930/94 qualquer ressalva. v. não cabendo ao juiz utilizar outro para a dosimetria da pena. 67 aplica-se somente para agravantes e atenuantes. Está sedimentado na doutrina e jurisprudência. atendendo ocorrência solicitada ao COPON 190 foi informado sobre um crime de roubo que estava sucedendo próximo ao Fórum de Macapá. b) I e III. o uso de asfixia é uma circunstância qualificadora de natureza objetiva. contudo. doutrinária e jurisprudencialmente. óbice ao reconhecimento da mesma concomitantemente à admissão do privilégio. majoritariamente. No tocante à circunstância privilegiadora. Nesse norte.V – No caso de condenação de Tibúrcio. e não fazendo a Lei 8. p. haja vista que – é o argumento – não se compatibiliza a essência do delito objetivamente qualificado. considerando que apenas as assertivas I e III são verdadeiras. No caso em exame. entende que o homicídio qualificado-privilegiado permanece hediondo”. segundo ensina Schmitt (2006. do CP). Ao passar pela Avenida Fab. 195): “Contudo. 68 do CP). . onde o juiz analisa atenuantes e agravantes. Isto porque a qualificadora funciona como tipo derivado enquanto que a hipótese privilegiadora. onde atenderia a ocorrência. fazendo uma analogia com o disposto no art. c) II e IV. não passa de uma causa de aumento de pena. Uma primeira corrente. a doutrina repele a natureza hedionda do homicídio qualificadoprivilegiado. valora-se a mesma somente na terceira fase da dosimetria como minorante (causa de diminuição). a seguinte ordem de preponderância. Deve se atentar. Daí decorre a nulidade da sentença quando o magistrado se afastar do sistema eleito como obrigatório pela lei penal. O reconhecimento do privilégio é incompatível com a hediondez do homicídio. no caso do homicídio. Assertiva “IV”. Assim. Assertiva “III”. tido como hediondo. 67 procura nortear a ordem de preponderância. portanto. que tal posição não é pacífica. considerando-a como ponto de partida da dosimetria. 4º) motivos do crime”. fútil ou mediante paga ou promessa de recompensa)[2]. d) III e V. pp. a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes. p. não obstante. O sistema trifásico é imposto pelo CP (art. As atenuantes são analisadas na segunda fase da dosimetria da pena. 5) Tício Micio. que na segunda fase da dosimetria da pena. desnaturando a hediondez do delito (RT 754/689). De fato a situação narra um caso de homicídio privilegiado-qualificado (ou qualificado-privilegiado como preferem chamar alguns autores).II. v. todas de caráter subjetivo (pessoal). não há óbice em reconhecer qualificadora e privilégio diante de um mesmo fato criminoso. no momento da dosimetria da pena utiliza-se. 23-24): “A doutrina diverge. entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime. Estão certos apenas os itens (Promotor 2001 – MP/AM – CESPE/UNB) a) I e II.

na posse de um objeto metálico parecido com uma arma branca (mais tarde constatou-se que o objeto era um isqueiro) e simulava através de gestos bruscos que estava ameaçando gravemente seu filho Técio Micio.)”. Comentários: A alternativa correta corresponde à letra “d”. 25 do CP). mesmo que se possa aventar um perigo atual.depara com Felício Louco. dentro de uma perspectiva pragmática. Se há legítima defesa. Em ambas. à prevalência de um sobre o outro”. não há estado de necessidade. 25 do CP) em um determinado caso concreto. leva à conclusão. portanto. no estado de necessidade a regra é de que ambos os bens em conflito estejam amparados pelo ordenamento jurídico. I. tomado pouco antes de ser atropelado. 1. de não haver estado de necessidade. c) Independente do resultado aplica-se a teoria do evento mais gravoso. pois era seu dever salvar o filho e. obrigando-o a entregar sua carteira porta cédulas. A hipótese se encaixa perfeitamente no que prevê o art. diante do quê revidou. podia usar dos recursos necessários para detê-lo. Trata-se de legítima defesa putativa de terceiro. d) É caso específico de legítima defesa putativa de terceiro.. v. c) Agiu Tício em estado de necessidade putativa. Tício. de regra. visto que neste há perigo atual (art. considerando que a injusta agressão não era real. 23. (.. Cezar Roberto Bitencourt também delimita que (2004. Entendemos ser este o melhor critério de diferenciação. b) A brincadeira era com Técio. Fazendo-se uma interpretação sistemática. era Felício Louco foragido. enquanto naquela a ação dirige-se. Pergunta (Promotor 2005 – MP/AP): a) A conduta de Tício não foi legítima. supõe situação de fato que. e 25 do CP. parágrafo 1º. 320): “Diferentemente da legítima defesa. v. a reação realiza-se contra bem jurídico pertencente ao autor da agressão injusta. matando-o. Comentários: A alternativa correta corresponde à letra “b”. por erro plenamente justificado pelas circunstâncias. Entretanto. mas somente imaginária. deve responder por crime na sua forma tentada. 308): “O estado de necessidade não se confunde com a legítima defesa. repeliu-a através do uso dos meios necessários para tanto. No caso hipotético há uma causa absolutamente independente (ingestão de veneno) que se sobrepôs à conduta de Joaquim. p. atual ou iminente (art. interpretado em consonância com o art. portanto. mas responderá pela lesão corporal sofrida pelo Raimundo. explica Greco (2007. 20. É o caso da questão. Do enunciado é certo aduzir (Promotor 2005 – MP/AP): a) Joaquim deve ser punido por crime de homicídio culposo. sem o conhecimento de Tício. se existisse. por exclusão. em sua parte inicial[4]: “É isento de pena quem. Rompido o nexo de causalidade . vindo a tirar a vida de Felício Louco. em que o agente atua defendendo-se de uma agressão injusta. p. determinando a morte de Raimundo. Trata-se de uma causa preexistente. em virtude da situação em que se encontravam. tornaria a ação legítima. Técio era amigo de Felício Louco. foragido do COPEN (IAPEN) e considerado de alta periculosidade (condenado por 17 homicídios). além disso. ao se deparar com a situação ilustrada. b) Há a exclusão da causalidade decorrente da conduta causa absolutamente independente. imaginou que seu filho estivesse sendo vítima de agressão injusta. 6) Joaquim atropela Raimundo que veio a falecer em decorrência da ingestão de veneno. onde se narra que o agente imaginou que o terceiro (seu filho) estivesse sofrendo uma injusta agressão atual. pela não observância dos princípios gerais do direito. 24 do CP) e não agressão humana injusta. contra um bem jurídico pertencente a terceiro inocente. Sob um prisma dogmático. Esse conflito de bens é que levará. Afasta-se a hipótese de estado de necessidade putativo. d) É o genuíno caso do crime preterdoloso. considerando possíveis pontos em comum dos dois institutos. II. vê-se que o preenchimento dos requisitos da legitima defesa (art. Neste momento Tício sacou seu revólver e desferiu um tiro em Felício Louco. Nesta. há a necessidade de salvar bem ameaçado”. deve Tício ser processado por crime doloso consumado e qualificado. mesmo tratando-se de vítima perigosa.

a ambulância que levava Tício para o hospital é atingida violentamente pelo caminhão dirigido por Mévio.entre sua conduta e o resultado morte. Destarte. considerando a sua imprudência. às 20h. Manoel de Souza. vindo o caminhão que conduzia a colidir com a ambulância que estava prestando socorro à vítima. (C) Homicídio culposo e homicídio culposo. os fatos anteriores. De acordo com a escala de trabalho divulgada no início do mês. mas a conduta de Caio também contribuiu para esse evento. por si só. 8) Maria da Silva é médica pediatra. produziu o resultado. criança de apenas 6 anos. pois se houvesse dolo nesse sentido responderia por tentativa de homicídio[6]. pela tentativa de homicídio. Essa solução depreende-se da análise do art. diante de uma causa (provocada pela conduta de Mévio) relativamente[7] independente superveniente. portanto. que ultrapassara o sinal vermelho. Responda: quais os crimes imputáveis a Caio e Mévio. mas o papel que o continha se extraviou do quadro de avisos. depois de passar toda a noite do dia 5 sem nada para fazer. Durante o socorro. Maria deixa o hospital às 12h do dia 6 de janeiro sem. Maria resolve sair do hospital para participar da comemoração do aniversário de uma prima sua. Maria não retornou mais ao hospital até o final do plantão. Tendo como referencial de análise a conduta de Caio. Em razão da colisão. Joaquim responde apenas pelo dano que provocou[5]. Caio almejou matar Tício. do CP: “A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando. Maria deixou o número de seu telefone celular. imprudentemente avançou um sinal vermelho. (B) Lesão corporal seguida de morte e homicídio culposo. é levado ao hospital por . 7) Caio dispara uma arma objetivando a morte de Tício. Assim. Maria seria a única médica pediatra com obrigação de trabalhar no plantão que se iniciava no dia 5 de janeiro. porém não conseguiu atingi-lo em órgão vital. Contudo. por lesão corporal. Ocorre que. trabalhando no hospital municipal em regime de plantão. sendo certo que o tiro não atinge um órgão vital. ou seja. 13. provocando a morte desta. subentendendo-se que não tinha intenção de matar Raimundo. (E) Tentativa de homicídio e lesão corporal seguida de morte. Mévio. de tal modo que provavelmente sobreviveria se não fosse a superveniência de outra causa. nisso residiu seu dolo. Comentários: A alternativa correta corresponde à letra “D”. contudo. avisar onde estaria. (D) Tentativa de homicídio e homicídio culposo. respectivamente? (Juiz 2007 TJ-PA FGV) (A) Tentativa de homicídio e homicídio doloso consumado. ou seja. um churrasco que se realizaria em uma casa a poucas quadras do hospital. às 14h do dia 6 de janeiro. Tício falece. estamos. Caio deve responder somente pelos atos por ele praticados. imputam-se a quem os praticou”. parágrafo 1º. Mévio deve responder por homicídio culposo. às 20h e findava no dia 6 de janeiro. entretanto. a conduta de Mévio foi que originou a morte de Tício.

consistente em não haver atuado o omitente. Como o homicídio prescinde de um resultado naturalístico para se consumar. segundo o gabarito. 2007. Resta. então. 429-433): a) constatação da situação típica de perigo e o conseqüente resultado naturalístico. Segundo tem sedimentado o STF: “A casualidade. O simples não agir criminalizado leva à sua consumação. considerando que. O caso é de uma médica que abandonou o seu plantão (saiu antes do horário estabelecido). resultado naturalístico para sua consumação. Comentários: A alternativa correta. que veio a falecer por falta de assistência. para impedir o resultado”[10]. a verificação se há crime omissivo impróprio. Embora houvesse outros médicos de plantão (um cardiologista e uma ortopedista). deixar de prestar assistência ao doente. O delito omissivo impróprio pode ser imputado ao agente tanto a título de dolo quanto a título de culpa. (E) Homicídio doloso. mas sim que não evitou este quando o agente tinha obrigação de fazê-lo. O crime omissivo impróprio apresenta sete requisitos que determinam sua tipicidade (GOMES e MOLINA. Quando o dolo ou culpa se apresentam em suas formas comissivas. O crime em questão não admite a forma culposa. não é fática. ambos se recusaram a examinar Manoel. analisar a possibilidade de ocorrência de delito omissivo. se a médica sequer estava presente no hospital não tinha como. enquanto elemento do fato típico. deve-se lembrar que a conduta. sem ter sido atendido. No caso do homicídio (para o qual a lei prevê a forma culposa). pp. na porta do hospital. É um delito omissivo próprio. (C) Omissão de socorro. v. portanto. parágrafo 2º. certamente que não pode tomar a forma de crime omissivo próprio[9]. pode ser dolosa ou culposa. No caso dos primeiros há uma tipificação da inação proscrita. Exige. Desse modo. O crime de homicídio é um crime material. a hipótese de delito comissivo. é a de letra “B”: não houve crime. em uma relação fática de causalidade. Afasta-se. (D) Homicídio doloso. conscientemente (dolosamente)[8]. certamente não ocorreu uma ação da médica que gerou o resultado (morte). FGV) (A) Homicídio culposo. nos crimes comissivos por omissão. como devia e podia. seja em sua forma dolosa ou culposa. 13. c) possibilidade concreta de agir (para evitar o resultado). Nesse desiderato. Quando estava ausente. a identificação do nexo causal é relativamente fácil. e) juízo de desaprovação da conduta (incremento ou não diminuição de . dependendo do elemento subjetivo presente na conduta em concreto e da admissão da forma culposa para o tipo penal que se busca adequação. na modalidade de ação omissiva. Aqui não se fala em conduta que produziu faticamente o resultado. 135 do CP). independentemente de resultado naturalístico. Resta. e por tal razão deve a ele ser imputado o delito. na modalidade de ação comissiva por omissão. indagar se ocorreu o crime de homicídio. Nesta espécie delitiva aparece a figura do garante (vide art. b) especial dever jurídico de agir para evitar o resultado. Sob o ponto de vista teórico a questão é de difícil solução. Sabemos que os crimes de tal categoria podem ser próprios ou impróprios. portanto. que seria a pessoa com o dever de agir com o escopo de evitar a produção do resultado danoso previsto no tipo. para o fato típico ser imputado ao agente deve haver um liame (nexo de causalidade) entre o resultado (morte) e a conduta. Na questão em exame. seja ele derivado de uma conduta dolosa ou culposa. então. Qual foi o crime praticado por Maria? (Juiz 2007 TJ-PA. portanto.parentes precisando de socorro médico imediato. Manoel de Souza morre de meningite cerca de oito horas depois. é admissível a sua imputação sob o aspecto omissivo impróprio tanto na forma dolosa quanto culposa. do CP). no tocante ao caso hipotético apresentado na questão. Resta. mas jurídica. em uma relação de causa e efeito. (B) Nenhum crime. deu entrada um paciente. Basta identificar a conduta e averiguar o resultado fisicamente produzido por ela. alegando que não eram especialistas e que a responsável pelo plantão da emergência era Maria da Silva. d) omissão da conduta esperada (que evitaria o resultado). e comissiva ou omissiva.2. afastemos a hipótese de ocorrência do crime de omissão de socorro (art. Primeiramente.

. é repugnada pelo Direito Penal contemporâneo. por falta de atenção ou de diligência a que estava obrigado em face das circunstâncias reinantes. Para que fique configurado o homicídio culposo. Por tal razão que Rogério Greco (2007. 13. afasta a incidência do disposto no artigo 13. solução nesse sentido. por isto ou por aquilo. Por essa razão. não impedindo a ação de depredadores e o salva-vidas que faltou ao trabalho em dia em que uma criança se afogara na piscina. assentando-se que a ausência ao trabalho. do Código Penal. seria de molde a colocar o servidor como . segundo Celso Delmanto. é caminhar-se para a confusão entre a responsabilidade penal e administrativa. indispensável é que se tenha postura humana voluntária. p.) Não é demais ter presente a premissa de que o homicídio culposo pressupõe haver o agente causado a morte por omissão. se recusou a trancar a ação penal. f) juízo de desaprovação do resultado (resultado jurídico desvalioso. não há crime a ser imputado. mas sem se decidir propriamente o mérito (o Tribunal alegou que na sede recursal utilizada não seria possível aprofundar a análise probatória). a Segunda Turma do STF. O Supremo Tribunal Federal já teve a oportunidade de apreciar recurso através do qual se buscava trancar ação penal decorrente de fato semelhante ao ilustrado na questão ora apreciada[12]. mesmo que a consideremos como garante. precisando ou que precisará de seus cuidados. grave e intolerável). e que durante sua ausência um paciente veio a falecer por falta de atendimento. transcendental. Por fim. olvidando-se noções de cuidado via imprudência.um risco proibido relevante). que no caso não gera diretamente um resultado[11]. lembro que o posicionamento aqui adotado não tem suporte em doutrina e jurisprudência unânimes. A especialidade em pediatria não atrai. do CP. conclui que: “A impossibilidade física afasta a responsabilidade penal do garantidor por não ter atuado no caso concreto quando. A imputação delitiva. em tese. sendo imprescindível para caracterização do delito omissivo impróprio. vindo a morte a ser involuntária. não pode funcionar como base da imputação de lesões posteriores sob o simples argumento de que o agente poderia prever a ocorrência de riscos. Indaga-se: teria esse salva-vidas cometido homicídio? A resposta é desenganadamente negativa. Voltando ao caso em exame: da médica que abandonou o plantão. por maioria. Essa possibilidade (podia agir) deve ser encarada sob o ponto de vista físico. sem saber (concretamente) que tem alguém em risco. deve abarcar o aspecto subjetivo do agente. alínea “b”. I. Nesse andar. Roberto Delmanto e Roberto Delmanto Júnior... tinha o dever de agir”. v. Não serão autores de crime o guarda de segurança que se atrasou para o serviço. e g) juízo de imputação objetiva do resultado (conexão direta entre o resultado jurídico e o incremento ou não diminuição do risco proibido). após citar Sheila de Albuquerque Bierrenbach (que defende que a possibilidade de agir demanda a presença física do agente quando o perigo se instala ou está na iminência de se instalar sobre o bem jurídico).) Em não estando no local a pessoa. Ela não estava mais no hospital quando o paciente deu entrada. quando exige que o omitente.. a ser implementada com parcimônia. não há como considerá-la responsável. a ausência verificada no plantão do hospital público no qual a Paciente não era a única médica. Houve intenso debate. Em determinado dia. era de esperar-se comportamento inerente à ordem natural das coisas. não tendo como evitar o resultado. por fatos nele ocorridos. mas a partir de ângulo simplesmente objetivo. É claro que a mesma agiu incorretamente ao se afastar do plantão antes do final de seu turno. chegou às nove horas e tomou conhecimento de que na aula das oito e meia uma criança falecera afogada. porquanto. tendo em conta a atividade profissional que exerce. Longe disso. por todos os resultados danosos que sobrevierem aos pacientes a quem tinha obrigação de atender. Na situação hipotética apresentada na questão certamente não havia possibilidade física da médica agir. (. em posição que se coaduna com a espelhada nas linhas pretéritas. positiva ou negativa. por motivo qualquer. Decerto que tal proceder produz reflexos no tocante à sua relação funcional. Daí o consagrado mestre ter concluído. Os ministros vencidos defenderam a atipicidade da conduta. Raciocínio nesse sentido equivaleria em fazer uma ponte subjetiva (sob o pálio da previsibilidade no campo culposo) entre a conduta e o risco previsível. acarreta a sua responsabilização criminal. mas desprezar qualquer liame imediato (fático. Logo. O voto condutor da divergência vencida foi capitaneado pelo ministro Marco Aurélio. diante dos quais teria que agir para proteger os bens jurídicos ameaçados. Fora isso. o dever de agir deriva principalmente de uma situação de fato e não apenas do contrato. parágrafo 2º. ofensa real. além do dever de agir tenha a possibilidade de agir para evitar o resultado. porém o Direito Penal não se contenta somente com isso. do qual peço vênia para transcrever alguns trechos: “(. estaremos descambando para o lado da mera responsabilização objetiva. É dar-se às normas do Código Penal o sentido de revelarem não a glosa com base na culpa ou dolo. ainda que colocado em segundo plano o aviso da Chefia sobre tal ausência. E. sem perquirição da existência de dolo ou culpa que vincule o agente ao resultado ocorrido. 234). jurídico ou subjetivo) entre a conduta e o resultado. tendo em conta a morte da vítima. quando. em „Manual de Direito Penal‟ que em tais casos. negligência ou imperícia. a responsabilidade excepcional.. considerando a sua imensa complexidade. dentre os sete requisitos acima mencionados. queremos destacar o de letra “c”. a questão ainda está sendo amadurecida pelos juristas. se admitirmos que o simples fato do médico abandonar o plantão (ou mesmo faltar a este). possível fisicamente. que se extrai literalmente do art. dada a sua condição de garante. Daí o exemplo colhido em obra de Júlio Fabrini Mirabete: Imagine-se a hipótese de um salva-vidas contratado para chegar às oito horas da manhã no clube contratante. Um descuido. parágrafo 2º.

vem a iniciar novo quadro convulsivo.criatura garantidora da não ocorrência de um certo resultado. Inobservância de regra técnica. Recurso parcialmente provido. É claro que. e) Homicídio doloso e homicídio culposo. a chegada de outro médico. Há desse modo. depois de passar toda a noite do dia 5 sem nada para fazer. inclusive. por serem sabedores do dever de permanecer no local. revela atuar além do culposo. Josefina é surpreendida pela chegada de José de Souza. sem aguardar. . a presença do dolo eventual (do qual são requisitos[13]: representação do resultado. José de Sousa morre em decorrência de ter ficado sem atendimento por quatro horas. Aqui a médica plantonista estava presente quando foi apresentada a vítima em risco. no horário de plantão. dando causa a sua morte. vindo a criança a falecer. deixando sem assistência um paciente que ela mesma constatou estar em estado grave.05510. mas simplesmente se comportou de forma indiferente ao possível resultado que poderia. b) Homicídio doloso e homicídio doloso. pois deixaram de assistir à criança com nova crise convulsiva.” (TJRJ. Não há simples culpa consciente da profissional. assumiu o risco que este sobreviesse. A mera suposição de que outro médico chegaria antes do seu horário normal de serviço. julgamento em 27-05-2003) 9) Josefina Ribeiro é médica pediatra. Nexo de causalidade omissiva. De acordo com a escala de trabalho divulgada no início do mês. deixado o hospital. doloso sob a modalidade eventual. Se a vítima internada com crise convulsiva e diante do tratamento emergencial e oportuno saíra do quadro apresentado no ingresso. des. Terceira Câmara Criminal. dando causa por omissão consciente. evitar. Comentários: A presente questão é semelhante à anteriormente comentada. já que ele tinha o hábito de se apresentar no plantão sempre com uma ou duas horas de antecedência. admitindo o risco desaprovado. portanto. O gabarito apresenta a letra “d” como alternativa correta. Álvaro Mayrink da Costa. a médica não teve vontade (elemento do dolo direto) que a vítima morresse. Josefina seria a única médica no plantão que se iniciava no dia 5 de janeiro. rel. não serve para afastar a indiferença frente ao bem jurídico em perigo e a aceitação do resultado. não tendo sido atendida porque haviam. e indiferença frente ao bem jurídico). Abandono do plantão. tão-só para reduzir o período de prestação de serviço à comunidade.050. às 20h. sendo os médicos pediatras de plantão chamados pelo serviço de alto-falante do nosocômio. naquele dia. aceitação desse resultado. regra técnica e não genérica. d) Homicídio doloso e nenhum crime. além de prevê o resultado. mas decide deixar o hospital mesmo assim.” Reiterando que o entendimento de atipicidade no caso em análise não é pacífico. Quando se preparava para deixar o hospital às 18 h do dia 6 de janeiro. pois ao se afastar do hospital. criança de apenas 06 anos. às 20 h. Contudo. e findava no dia 6 de janeiro. respectivamente? (Juiz 2008 TJ-MS FGV) a) Homicídio culposo e homicídio culposo. do CP). mencionamos o seguinte aresto: “Penal. Médico. A hipótese é de delito omissivo impróprio (art. Josefina resolve sair do hospital um pouco mais cedo para participar da comemoração do aniversário de uma prima sua. Joaquim chega ao hospital com duas horas de atraso (às 22 h) porque estava atendendo em seu consultório particular. Pena privativa de liberdade substituída por restritiva de direitos. acreditando que Joaquim da Silva (o médico plantonista que a substituiria às 20 h) chegaria a qualquer momento. Josefina percebe que José se encontra em estado grave. em tese. realizam conduta reprovável diante da ausência de cuidado comportamental devido. trabalhando no hospital municipal em regime de plantão. Os médicos plantonistas não podem se afastar do setor de emergência. 13. pelas circunstâncias evidenciadas. Homicídio negligente. ao hospital precisando de socorro médico imediato. Contudo. Que crime praticaram Josefina e Joaquim. abandonaram o hospital. parágrafo 2º. c) Omissão de socorro e omissão de socorro. ou seja. A conduta em evidência. Apelação Criminal nº 5510/2002 -processo nº 2001.

parágrafo 1º.. Direito penal – parte geral. atual. NUCCI. PRADO.ampl. coordenação de Luiz Flávio Gomes e Rogério Sanches Cunha. 2006. – Niterói : Impetus. 2006. 530-531). desde que exista compatibilidade lógica entre as circunstâncias. Salvador : Juspodivm. v. que são de ordem subjetiva (motivo de relevante valor e domínio de violenta emoção). 2004. [3] Vide NUCCI. violentamente emocionado. consoante interpretação do art. vol. Código de processo penal comentado. Notas: [1] Nesse particular vide Capez (2003. Já está sedimentado que as circunstâncias que induzem ao privilégio no homicídio são de caráter subjetivo (pessoal). MOLINA. (.ampl. [2] “Tem sido posição predominante na doutrina e na jurisprudência a admissão da forma qualificada-privilegiada. e ampl. Das qualificadoras elencadas na questão em exame. se possa sustentar que o ataque ocorreu de surpresa. 380. 7ª ed. pois revela a motivação do agente. rev. 10) O reconhecimento do homicídio privilegiado é incompatível com a admissão da qualificadora (Promotor 2009 MP-CE. b) do emprego de explosivo. Luiz Flávio. matando a vítima. Curso de direito penal – parte geral. Antonio García-Pablos de. d) da utilização de meio que possa resultar em perigo comum.. 6ª ed. . Rogério. do CP. 2007.Quanto a médico que se atrasou para o plantão. c) do meio cruel. – São Paulo : RT. Embora. apenas o motivo fútil tem natureza subjetiva. O que não se pode acolher é a convivência pacífica das qualificadoras subjetivas com qualquer forma de privilégio. 1. ao mesmo tempo. Luiz Regis. sendo as demais de ordem objetiva (dizem respeito a meios de execução).. BITENCOURT. 2003. sem equilíbrio e de inopino. Ricardo Augusto. 2008. em tese. FCC) a) do motivo fútil. (. rev. pode-se aceitar a existência concomitante de qualificadoras objetivas com as circunstâncias legais do privilégio. 2006. parte geral. 1. 2. Cezar Roberto. a coexistência entre uma qualificadora objetiva e o privilégio. quando. I. v. II. o agente. GRECO.. Tal aconteceria. coordenação de Luiz Flávio Gomes. 121. por motivo fútil e por relevante valor moral. Rogério Sanches. v. 193). v. 3. Rogério. e atual. onde se aborda temática similar. – São Paulo: RT. v. rev.)Excepcionalmente.. Nesse andar. logo após injusta provocação. 5ª ed. 9ª ed. por exemplo. pode ser incabível. Curso de direito penal. – São Paulo : RT. São Paulo : Saraiva. Vide comentários da questão 4. p. atual. Curso de direito penal. 2007. p. parte especial. 2007. ora se invoca os mesmos fundamentos demonstrados nos comentários da questão anterior para justificar a posição que defende ser tal fato atípico. 2007. e ampl. GOMES. há incompatibilidade entre as circunstâncias privilegiadoras e as qualificadoras que também forem de ordem subjetiva.) Em regra. tal como seria o homicídio praticado. 1. reage. – Niterói : Impetus. parte geral.1. CAPEZ. Direito penal – parte especial. 8ª ed. CUNHA. Guilherme de Souza. 2006. pp. é preciso destacar que a provocação injusta foi o motivo suficiente para uma reação súbita” (NUCCI... vol. conforme o caso concreto. Referências bibliográficas: GRECO. 3ª ed. vol. Tratado de direito penal. Curso de direito penal. rev. – São Paulo : RT.. Sentença penal condenatória. SCHMITT. e atual. Fernando. Comentários: A letra “a” corresponde à assertiva correta. São Paulo : Saraiva. dificultando a defesa do ofendido.

o agressor deixa de ser considerado causador da morte da vítima na ambulância. por conseguinte.1. [9] Observar que mesmo no homicídio provocado (em uma relação direta de causalidade) por uma conduta culposa caracterizada pela negligência. v. 2007. no exemplo que acabamos de ver. Para entendermos isso cabe citarmos os ensinamentos de Gomes e Molina (2007. Como resultado dessa teoria. v. embora pela regra geral a conduta seja causa. pois o art. 2007. [8] A recusa em prestar o socorro é uma característica intrínseca ao elemento subjetivo do tipo da omissão de socorro (GRECO. Portanto. porém. uma omissão de salvaguarda de bem jurídico (caracterizadora do crime omissivo). a vida).. 396. v. a conduta de Caio contribuiu (de forma relativa) para o resultado. pp. . Há. 368-369). p. determina a ruptura do nexo causal. Seu soco. portanto. 147). fica rompido o nexo de causalidade. 2007. contudo. a culpa por negligência. Assim. duas formas de se realizar o tipo penal: por ação (crimes comissivos) ou por omissão (crimes omissivos). pp. 265. como exceção. [7] É relativamente independente porque se não fosse a ação de Caio a vítima não precisaria ser conduzida de ambulância. a mandamental por meio de uma abstenção da ação esperada. Lecionando sobre as causas relativamente independentes supervenientes Capez (2003.I. 13.) O sujeito que feriu a vítima com um soco foi um dos que causaram sua morte no acidente da ambulância. provocou a morte do ofendido. [6] GOMES e MOLINA.[4] PRADO. onde o traço característico peculiar é a omissão do dever de cautela. p. 2. Convém lembrar. p. [5] O art. v. cria uma situação de perigo para o bem jurídico protegido (no caso do homicídio. 2007. mas sim de um delito comissivo. isoladamente. fala-se nesse caso em crime omissivo. o legislador adotou outra teoria. enquanto nos omissivos o agente se omite. 423-424): “A norma proibitiva é violada por meio de uma ação (fala-se nesse caso em crime comissivo). p. pois sem aquele ela não estaria no veículo. No caso das causas supervenientes relativamente independentes. 13 do CP diz claramente que o resultado só é imputável a quem lhe deu causa. portanto se o agente sequer presenciou o risco a que a vítima estava submetida não tinha como recusar ajuda. (. v. seria a manutenção do nexo causal. pp. por opção do legislador. pois. portanto. se fôssemos aplicar a teoria adotada como regra pelo Código Penal (equivalência dos antecedentes). revelando seu caráter comissivo. 2. qual seja. isto é. Em outras palavras: nos crimes comissivos o agente cria uma situação de perigo para bens jurídicos alheios. a da condicionalidade adequada. [10] Citação colhida na obra de Capez (2003. v. que isso é uma exceção que só se aplica às causas supervenientes relativamente independentes. mesmo que a causa determinante deste tenha sido outra conduta. II. 342. destarte. E. pela teoria da equivalência dos antecedentes. não estamos diante de um crime omissivo. 154-155) explica: “A conseqüência dessas causas.. exceto no caso de incidência de crime omissivo impróprio. Não há. parágrafo 1º. o parágrafo 1º do art. V.1. e GRECO. ela não teria idoneidade para produzir o resultado.1. 13 do CP é bastante claro ao limitar o seu alcance a elas”. há ausência de uma intervenção para a salvaguarda de bens jurídicos alheios”. ressalvada a hipótese de ocorrência de crime omissivo impróprio.

378). não é da simples ocorrência do risco. HOMICÍDIO CULPOSO. mas sim da ocorrência do resultado. 52). se o agente não tem conhecimento do risco diante do qual deve agir para evitar o dano. Recurso ordinário a que se nega provimento. p. segundo se demonstrou. provocando mortes e lesões corporais. No caso dos crimes omissivos impróprios. [13] Como esse teor os ensinamentos de Gomes e Molina (2007. que é pressuposto do aspecto subjetivo da imputação: o não agir movido por descuido (culpa). sem saber exatamente quais nem quantos. por deliberalidade (dolo direto) ou por indiferença frente à possível ocorrência do resultado projetado (dolo eventual). a tão-só previsibilidade exigível pelo dolo eventual e pela culpa para imputação de crime de dano. o agente não provoca diretamente o resultado. Destarte. por exemplo. necessariamente. rel. de forma negligente. p. A previsibilidade que justifica a imputação a título de culpa ou dolo eventual no caso dos crimes omissivos impróprios de dano. precisando de cuidados médicos) não interfere. NÃO-CABIMENTO DO WRIT. Maurício Corrêa. não há como imputar a ele o resultado.2. Ora. RHC 78707-SP. [12] O Acórdão referido foi assim ementado: “RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS-CORPUS. havia uma situação de risco (conhecida e presenciada pelo agente) e havia uma previsibilidade objetiva do resultado. (STF. mandando o mesmo retornar para casa dizendo que ele está apenas com um passageiro mal-estar. Nesse caso. diz respeito à projeção de que uma situação de risco já identificada poderá gerar um resultado danoso. É o caso. Dilação probatória incompatível com o rito do hábeas-corpus. Nesse caso. o descuido provocou diretamente os resultados. . vindo o paciente a morrer posteriormente vitimado por um infarto. DJ 10-10-2003. mesmo que a título de culpa. por falta de justa causa. mas sim se furta a evitar que ele aconteça. OMISSÃO. do médico que se deparando com um paciente que chega para ser atendido (situação de risco) não se digna a fazer um exame clínico adequado. se afastara de seu plantão. que. A previsibilidade da ocorrência do risco impreciso (por exemplo: prever que pode chegar algum ou alguns pacientes. o que a acarreta a imputação. v. sendo perfeitamente imputável ao médico o resultado.[11] A solução é diferente quando o descuido provoca diretamente o resultado. NEGLIGÊNCIA MÉDICA. na imputação. Vítima que veio a falecer em razão do descaso da paciente. Segunda Turma. médica. segundo penso. devendo e podendo fazê-lo. principalmente o poder fazer deve ser encarado sob o ponto de vista físico. p/Acórdão min. Denúncia por crime omissivo impróprio. Nesse passo. Por exemplo: alguém constrói um prédio com material de qualidade ruim para economizar e o prédio vem futuramente a desabar por conta de falhas estruturais. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Pretensão de trancar a ação penal. não havendo dificuldade nenhuma na imputação.

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