História, imagem e narrativas No 11, outubro/2010 - ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.

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Símbolos religiosos dos Vikings: guia iconográfico

Johnni Langer1 Pós-doutor em História Medieval pela USP Prof. Adjunto em História Medieval na UFMA Johnnilanger@yahoo.com.br

Resumo: O artigo realiza um levantamento analítico de algumas das principais imagens religiosas veiculadas na Escandinávia durante a Era Viking, concedendo destaque para as representações visuais com caráter simbólico, mitológico e diretamente relacionadas com a tradição oral e artística dos tempos pagãos.

Palavras-chave: Vikings, Alta Idade Média, símbolos, religião, iconografia, imagem.

                                                            
Coordenador do NEVE, Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos: (http://groups.google.com.br/group/scandia); membro do Grupo Brathair de Estudos Celtas e Germânicos (www.brathair.com).
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História, imagem e narrativas No 11, outubro/2010 - ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.br

Introdução: a imagem religiosa na Era Viking Desde a pré-história, as imagens desempenham um papel fundamental nas culturas e sociedades, refletindo sua razão de ser, exprimindo valores, sentimentos, ideologias, e especialmente, crenças religiosas e mágicas. Aqui entendemos imagens como as representações visíveis de alguma coisa ou de um ser, real ou imaginário, tendo como suportes diferentes objetos materiais (Schmitt, 2007: 12).2 Na Escandinávia da Era Viking, as imagens com conteúdos religiosos dominavam totalmente o cotidiano - elas estavam presentes nas vestimentas, na arquitetura das casas e aposentos reais, nas esculturas, na escrita, nas embarcações, enfim, atuantes praticamente em todo o espaço físico e social ocupado pelos nórdicos e diretamente associadas com a tradição oral e poética. Qual a função destas imagens? A exemplo de outras representações visuais da Antiguidade e alto medievo, podemos seguir perfeitamente o modelo proposto por Schmitt (2007: 14-22) para o Ocidente medieval: dar significado ao drama escatológico, e portanto, existencial do ser humano; são presenças vivas do invisível; são mediadoras entre o divino e o humano; refletem o ser, o sonho e a experiência visionária; fornecem conteúdo psicológico para a memória e a tradição oral.3 Em específico para o caso nórdico, podemos ainda citar o uso das imagens como exemplum, referenciais de identidade para uma sociedade baseada na guerra e na obtenção de favores divinos após a morte (Fuglesang, 2006:7). Aqui evidentemente não pretendemos fornecer um quadro completo das imagens religiosas dos vikings, que aliás, ainda é um campo pouco explorado e escasso de sistematização.4 Vamos nos deter em alguns símbolos que tiveram maior relevância, especialmente do ponto de vista de sua abrangência e recorrência material. Conceituamos símbolos como representações visuais que transcendem o simples signo, sinal, e o seu significado, dependendo de certa interpretação racional e carregadas de afetividade e dinamismo. O símbolo tem natureza indefinida e ao mesmo tempo exprime-se pela emoção – no caso religioso, da vivência de fé - e revela sua função primordial, uma revelação
                                                            
“Toda imagem é tentativa de revelar um certo modelo, seja psicológico, seja social”. Franco Jr., 2003: 96. “O sentido de uma imagem é a sincronia de um espaço que é preciso aprender na sua estrutura, na disposição das figuras sobre a superfície, nas relações formais e simbólicas que mantém”. Schmitt, 2002: 595. 3 Para um panorama teórico, metodológico e analítico ao estudo das imagens no medievo, consultar especialmente Schmitt, 2007 e 2002; Baschet, 1991 e 2006; Ladner, 1979; Garnier, 1982; Bonne, 1991. 4 Em língua portuguesa, já fornecemos alguns parâmetros para uma sistematização de alguns temas da religiosidade e mitologia dos vikings: Langer, 2006 e 2003. Em língua inglesa, existem outras discussões sobre imagética na Era Viking: Fuglesang, 2006; Hupfauf, 2003. A respeito da religiosidade escandinava précristã, conferir: Langer, 2009a e 2009b. Sobre o papel dos simbolismos religiosos entre os vikings existem poucos estudos, uma exceção é: Boyer, 1986: 114-116.
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o suporte e a espacialidade de toda a estrutura (localização. muitas vezes em sequência e com inter-relação visual). magias. imagem e narrativas No 11.http://www.História. o que nos leva a elaborar poucos comentários em algumas imagens. 2002: XIII-XXXI). oferecemos um quadro de possibilidades com maior seriedade documental. o objetivo deste artigo não é realizar uma pesquisa detalhada destas imagens. mas sim o de fornecer indicações bibliográficas para análises futuras. unificadoras. como estelas e inscrições rúnicas. a maioria dos símbolos da Era Viking não contém estudos detalhados ou sequer são mencionados na bibliografia sobre religiosidade. 6 5 3    . visto a imensa quantidade de trabalhos pseudo-científicos e sem critério sobre simbolismos nórdicos. de Mirella Faur. requerem maiores detalhamentos entre a relação dinâmica das cenas (conjunto de imagens. O dinamismo simbólico estaria estreitamente relacionado com funções explicatórias.5 Alguns problemas de ordem metodológica se impõe ao nosso trabalho: analisar profundamente simbolismos presentes em contextos materiais. runas.7                                                              Em sociedades não-literárias. algo bem diferente do que analisar simples pingentes com conteúdo simbólico. podemos afirmar que os símbolos foram meios de comunicação. pedagógicas.com. verificar Langer. instrumentos para conhecimento e construção do mundo e instrumentos de dominação (Richards. Dentro do universo pagão germânico. Mesmo porque. visualização e recepção social). outubro/2010 . servindo também como elementos de identidade étnica.ISSN 1808-9895 . 2006: 134). substitutivas.6 Ao leitor. Assim. 2008: 106-110. construção de uma nova realidade e relacionados com objetivos políticos específicos (Richards.historiaimagem.br existencial e individual da experiência cosmológica. mediadoras. Para uma resenha crítica desta obra e de seus equívocos interpretativos sobre simbolismos nórdicos. 7 A exemplo da tabela “Simbolismos pictográficos” constantes na obra Mistérios nórdicos: deuses. terapêuticas (Chevalier. os simbolismos pictóricos possuem um papel muito importante. disponíveis especialmente na internet. rituais. 2006: 147).

triskelion.br 1 Fig. Idade do Bronze. círculo concêntrico. Para um excepcional catálogo virtual das manifestações visuais pré-históricas escandinavas. suástica.absoluteastronomy.História. conferir: http://image. ocupando uma grande quantidade de motivos e derivações imagéticas também na Escandinávia. os motivos solares são os símbolos religiosos mais comuns e diversificados no mundo germânico. Símbolos solares Desde o Neolítico e a Idade do Bronze.8 Bohuslan. círculo raiado. Dinamarca9 (Davidson.ISSN 1808-9895 . especialmente a do sul da Suécia e Noruega. Os símbolos podem variar na forma de uma roda. Objetivamente estavam relacionados com o deus dos Céus. cujos mitos o associavam com carro de rodas ou carro do Sol que percorria o firmamento. Suécia.htm 9 Para imagem. Além do óbvio caráter marcial.jpg 1. O objeto religioso mais famoso deste culto é o carro puxado por um cavalo com disco de ouro. encontrado em Trundholm.photographersdirect.com. cruz.http://www. 1: Guerreiros portando escudos com motivos solares: roda solar e círculos concêntricos.com/images/encyclopediaimages/s/so/solvogn. o conjunto denota um sentido de virilidade e fertilidade aos elementos masculinos. flor. imagem e narrativas No 11. 2005: 89-96.                                                              8 Para um panorama teórico dos simbolismos da arte pré-histórica escandinava. 1998: 146-162.arildhauge.com/img/484/wm/pd130139. Sognes.jpg 4    . outubro/2010 .historiaimagem. consultar: http://www. Fonte: http://img1.com/eindex. e também com o barco que viajava pela Terra. ver Aldhouse-Green. 1987: 21).

serpentes e cavalos. como New Grange (Markale. 2006: 01). 2007. Martebo.ou ainda. A conexão destas estelas com um culto guerreiro é perceptível pela presença de outros elementos figurativos. No caso escandinavo. seria o ponto de entrada para o mundo dos mortos (Aldhouse-Green. isso é pertinente.wec360. a espiral esteve vinculada à viagem da alma. ver: Nylén & Lamm. triskelion e valknut.wec360. pelo fato de encontrarmos muitos motivos espiralados em maravilhosas representações de estelas funerárias pré-vikings da ilha de Gotland: Bro I (figura 2). como cavaleiros portando lanças. 1. Hangvar. típico das emanações solares. os simbolismos solares foram transmutados nos cultos aos deuses Týr. 10 5    .11 os braços laterais da espiral principal estão ladeados de triângulos. 2002: 400). criando um efeito flamejante. Báltico sueco. como podemos perceber na estela de Stenkyrka (figura 3). Segundo Allan (2002: 102). 1999: 52) .html 12 Para uma análise das estelas pintadas de Gotland.2 – Espiral Em muitas culturas.com.http://www. a impressão de movimento das espirais de Gotland lembra rodas girando. enquanto Davidson (1987: 54) pensa que os temas envolvendo discos giratórios se adequaram à embriaguez e ao êxtase que eram essenciais ao culto odínico.historiaimagem.10 Na estela de Sanda. imagem e narrativas No 11.ISSN 1808-9895 . 2005: 53) ou até mesmo uma imagem do mundo para os antigos búlgaros (Rashev. Sanda. a espiral representava a manifestação da energia divina transfigurada na navegação noturna da divindade e foi comumente gravada em monumentos megalíticos funerários.com/public_server/fornsalen/fornsalen_bildstenshallen/popup. ao lado de uma valquíria.br entre outras. Odin e Thor. pelos caminhos desconhecidos até chegar à morada dos deuses (Chevalier.12 onde um guerreiro porta um escudo com motivos espiralados. entre outras. que possui algumas das mais importantes estelas pintadas do período Viking. outubro/2010 . Na Era Viking. No período viking a espiral vincula-se aos rituais para o deus Odin. ver: http://www. após a morte.html 11 Para imagem: http://www.História.com/public_server/fornsalen/fornsalen_bildstenshallen/popup.                                                              Para uma impressionante visita virtual ao Museu de Gotland. Para os irlandeses pré-celtas e celtas.

História. IX. a espiral solar não era meramente um motivo estético. Isso também pode ser percebido na Inglaterra anglo-saxônica.br 2 3 Fig. convergindo para percepções da cosmologia e sendo metáforas da transição entre o mundo dos vivos e dos mortos.jpg e 6    . 2005: 11.historiaimagem. 2: Motivos em espiral.coinlink. Gotland. 2002: 65. período pré-viking. ver: http://www. imagem e narrativas No 11.Fonte: Allan. Suécia. lembrando muito situações de êxtase religioso13 (Aldhouse-Green. mas relacionavase a um sistema de fé que manteve traços de antigas práticas de xamanismo e estados alterados de consciência. discos. Gotland. onde as diversas formas do simbolismo solar (espirais. estela de Bro I. séc.                                                              13 Para imagens. 127).org/assets/image/artwork/enlarged/2007008. triskelion e valknut. 3: Guerreiro portando escudo com espiral. Fig. ao lado valquíria. outubro/2010 .com. Deste modo.artfund.ISSN 1808-9895 . 2006: 103.com/News/images/anglo_saxon_penny. triquetras) foram gravadas em moedas. Estela de Stenkyrka Lillbjärs III. Fonte: Allan.http://www. Suécia.jpg http://www.

http://www. imagem e narrativas No 11. conferir: http://freepages.htm Fig. mas do mesmo modo sendo uma figuração do sol. IX. Para imagem.ancestry.16 Os chifres simbolizam a lua.15 a espiral surge ao lado direito de uma cabeça masculina. existindo em culturas como as dos povos das estepes até as ilhas britânicas. Dinamarca. outubro/2010 . Noruega. a partir do período de migração populariza-se a espiral com quatro braços recurvados. enquanto que do oposto. 7    .ca/fylfot.JPG 16 Nos antigos cultos germânicos. No famoso bracteado (medalhão) de Gerete. Um dos mais antigos e difundidos símbolos do mundo euro-asiático. detalhe do tapete de Oseberg. séc. a suástica recorda o sol. IX.rootsweb. aparece o chifre de um cavalo.br 1.ISSN 1808-9895 .3 – Fylfot14 (Suástica). Estela rúnica de Snoldelev (DR 248).História.ca/fylfot. não há registro do termo original nas fontes literárias. 4: Pingente em forma de machado com fylfot.                                                              14 15 Denominação moderna. alguns cavalos eram adornados com chifres falsos. 4 5 6 Fig.historiaimagem.com/~catshaman/24erils4/0Geretefiler/62a1Gerete-CGs.history. 6: Suástica.htm Fig. Escandinávia. trifot e roda/cruz solar. Fonte: http://home. séc. Fonte: http://odinsvolk.net/ahrunes Na região escandinava. séc. VIII Fonte: http://odinsvolk. enquanto que neste caso. percebe-se claramente a suástica como uma derivação da espiral – se antes o símbolo era representado com inúmeros braços.no. 5: Mulheres e suásticas.com.

ISSN 1808-9895 . Bray. conferir em: http://en.org/wiki/File:Drum_described_by_K. figura 9).http://www. Em outros casos. o que pode ser constatado em alguns objetos de uso pessoal. os medalhões de ouro germânicos realçam o poder da realeza e aristocracia. a versão finlandesa do deus do trovão . século IV e V). outubro/2010 .htm Para imagem. como também um elemento pictórico identificando os reis ao deus Wodan (Davidson. aproximando a figura retratada aos grandes astros.História.br Imitando moedas romanas.fr/archeometrie/swastika. Para a Era Viking.18 7 8 9                                                              17 18 Para imagens: http://pagesperso-orange. da transição da própria vida humana.wikipedia. 2006. elas também surgem representadas em bainhas de espadas – ao mesmo tempo um símbolo de vitória e proteção marcial aos seus possuidores (como nas lanças de Kovel e Dahmsdorf.historiaimagem.com. como pingentes em forma de machado com suástica – o machado antecede o martelo na Escandinávia. 1930: plate XXXI.jpg 8    . Davidson._Leems_Sami_Norway_lapper_Thor_or_Horagales _as_dobbel_hammer_blue.existiram tambores xamânicos pintados com suásticas. 2004: 69). lembrando este objeto sendo girado (Macculocch. Nas insígnias reais de reis pagãos anglo-saxões. como suásticas utilizadas em potes cerâmicos para uso funerário na área germânica setentrional e continental17 (Inglaterra anglo-saxônica e Alemanha. diversos pesquisadores opinam que a suástica acabou sendo vinculado ao martelo do deus Thor. ou para representar o trovão e o fogo do céu. 1987: 55-56). Outra evidência desta associação com este símbolo é sua incidência na área lapônica – no culto a Horagales. elas podem significar a passagem ou transitar das estações durante o ano – um símbolo de sazonalidade. imagem e narrativas No 11.

http://www. séc. O primeiro é um friso existente em uma igreja de Essex. Mas sem dúvida. as maiores associações de Odin com o fylfot foram gravadas em monumentos cristãos que conservaram parte da simbologia ancestral. Alemanha. Andreas. e ao lado direito do conjunto. IX ornamentadas com o fylfot. Talvez uma das mais interessantes continuidades do simbolismo da suástica na área escandinava seja a estela de Snoldelev (DR 248) (figura 6).ISSN 1808-9895 .com/Swasart. representando uma cena do Ragnarök escandinavo (figura 7): um ser masculino. espadas do séc. o mais importante é destacar que ao centro da cruz. Fig. Ao lado de um triskelion com cornos. uma suástica foi representada – mas um detalhe. 2006: 134). Essex. imagem e narrativas No 11.hildolf. Mas sem dúvida. Ilha de Man.História. séc. segura uma lança e sua perna é devorada por um lobo. surge uma cruz cuja base se ramifica num entrelaçado – conectando a nova religiosidade à Yggdrasill.html Apesar de não descartamos o vínculo com Thor. Dinamarca.br Fig.historiaimagem. Ilha de Man. ela foi esculpida acima de uma roda solar. outubro/2010 . X. 2000: 70. Fonte: Pennick. Acima e ao lado desta representação. No lado oposto à imagem do deus. séc. Inglaterra. Fig. ao lado de um pássaro. Fonte: http://www. a suástica pode ter tido amplos significados em diferentes ocasiões (Richards.20 A questão da sobrevivência de elementos simbólicos e religiosos do paganismo em um contexto cristão é                                                              19 No contexto do paganismo germânico. que possivelmente foi entalhada em um período muito mais antigo e quase não se percebem mais os sulcos. 7: A cruz de Thorwald.com. Outro são detalhes esculpidos na cruz de Thorvald. 20 9    . com representação de Odin no Ragnarok e quatro suásticas. XII. existem representações de suásticas do período viking que nos remetem a uma continuidade de sua associação com Wodan/Odin em tempos mais antigos. Fonte: Grant. III. foi representada uma suástica: o novo culto está conectado à velha tradição. O contexto geral do conjunto na cruz de Thorvald remete a uma idéia de decadência e fim do paganismo: a lança de Odin está apontada para baixo. 8: Representação do deus Odin. portando suásticas. foram esculpidos dois pássaros. um sinal de derrota (Davidson. Inglaterra. 1987: 123). Igreja de Canfield. vemos belos desenhos de pelo menos quatro suásticas. 1997: 161. dos corvos Hugin e Munin e de suásticas. séc XII (figura 8): ao lado de um rosto masculino barbado. 9: Lança de Dahmsdorf. No tapete de Oseberg existe uma explícita conotação odínica (um representação de funeral e de enforcados em uma árvore) e as várias suásticas representadas devem ter conotação mortuária e fúnebre (figura 5). cinco suásticas. seguindo uma tradição de representar armas protegidas pelo deus caolho (figura 40).19 Em primeiro lugar.

http://www. 2007: 59-95. outubro/2010 .jpg                                                              Sobre este tema. não há registro do termo original nas fontes literárias. séc. Suécia.se/1engelska/bildstenar/bilder/bild_smiss_nar_a1. Gotland. chaveiro. séc. Também na área celta isso é constatado: na cruz de Argyll e Bute. Estela de Stenkyrka Smiss I. existindo da Turquia até as ilhas britânicas.historiaimagem.gotmus.21 mas sem sombra de dúvidas o culto ao deus Odin esteve relacionado diretamente com a representação do fylfot no mundo germano-escandinavo. séc. verificar: Langer. 10: Trefot de corvos. 11: Trefot com formas animais. Os símbolos associados ao número três são alguns dos mais comuns na área nórdica e incluem uma variedade de formas e derivações morfológicas.4 – Trefot22 (triskelion).ISSN 1808-9895 . 1999: 225). 2004:113. 1. existe um formidável testemunho da transição de simbolismos religiosos: no centro da runestone de Ekillabro. o trefot (também chamado de triskelion) é outra derivação direta da espiral.com.br polêmica. imagem e narrativas No 11. Seu significado da Idade do Bronze até o início da Idade Média é muito semelhante aos outros símbolos solares: conectado à sazonalidade da vida e a divindades do céu. 2004: 21 11 Fig. Na área sueca. e especialmente a análise iconográfica de monumentos cristãos portando símbolos do paganismo nórdico. conferir: http://www. VII. Fonte: http://www. Inicialmente.História. onde ele incorporou as tradições míticas da tripartição (Markale.com/arild-hauge/se-rune-ekillabro. É uma figura que possui três pernas que partem de um centro em comum. VIII-IX. particularmente na Irlanda. 22 Denominação moderna.arild-hauge. 10    .jpg). ver: Foster. Fonte: Glot. 10 Fig. Para imagem. uma suástica transforma-se em uma cruz latina! (para imagem. o seu centro é ocupado por uma bela representação de suástica formada por quatro espirais.i. vários pesquisadores atentaram para uma origem celta do triskelion entre os indo-europeus. IX-X. França Merovíngia. Devido a sua alta incidência no mundo antigo. tendo um terminal a menos que a suástica. motivo da sua sobrevida pelas comunidades cristianizadas.

a estela de Smiss (figura 11) pode ser interpretada como uma grande propiciadora mágica para alguma figura feminina ou para as mulheres de uma região. Esta última tanto pode significar o próprio Odin. explicando porque muitas tumbas de mulheres da Era Viking possuíam amuletos de serpentes enroladas: eram símbolo de renascimento e de vida (Gräslund.historiaimagem. ilha de Gotland (figura 11). que se transformou em serpente.http://www. valknut24). onde uma valquíria o espera com um corno de hidromel: na Edda em Prosa (Skáldskaparmál 1). 11    . uma lembrança de que este alcançou. outubro/2010 . Obviamente entre todos existe uma conexão.com. o sangue do sábio Kvásir.5 . especialmente no contexto de Stenkyrka III (figura 3).br 71. No contexto do folclore popular da Idade Média. 1.                                                              23 De forma e estética muito semelhante às três cabeças de animais encontradas na sepultura de Vaslgarde 7 (para imagem. um estado de sabedoria.História.23 logo acima da figura de uma mulher portando duas serpentes em cada mão.ISSN 1808-9895 . Na enigmática estela pré-viking de Smiss. pois são relacionados ao deus Odin e à sacralidade do número 3. foi recolhidos em três recipientes de nome Son. imagem e narrativas No 11. Assim. Diversos acadêmicos denominam o trefot e a triqueta na área nórdica como sendo variações do valknut. além do vínculo odínico. o trefot surge relacionado com as cabeças de três animais diferentes. como observado em uma fivela franca. Nestas duas imagens ocorreu uma fusão das representações de dois animais. este monumento provém para a família do morto e sua comunidade. que foi morto pelos anões Fiálar e Gálar. como o Outro Mundo (representada pelo dragão Nidhogg). a serpente relacionava-se com a proteção da fertilidade feminina. 24 Denominação moderna. uma águia e um javali. Esse sangue foi misturado a mel.Coração de Hrungnir (triquetra. 2006: 126). ver: Gräslund. Bodn e Odrórir. e formou o hidromel mágico que transforma qualquer pessoa em poeta e sábio. um pássaro e uma serpente. mas acreditamos que sejam símbolos distintos. Uma variação rara do trifot é a que utiliza três cornos de bebidas. observável na estela de Stenkyrka Lillbjärs III (figura 3) e na pedra rúnica de Snoldelev (figura 6). festa e regozijo. um lobo. onde os dois símbolos se conectam junto à figura de pássaros (figura 10). Neste caso. 2006:126). Seu significado parece estar ligado à recepção do guerreiro morto no Valhala.

roda solar e cruzes. 1986: 114). X.http://www. igual as inscrições gravadas de nome Hrungnishjarta (coração de Hrungnir).historiaimagem. Apesar de surgir nos mitos relacionados ao deus do trovão. a aparição deste símbolo nos monumentos pétreos. outubro/2010 . Suécia. séc. é um sinal de poder e magia. que desempenha um papel importante no ritual da morte (Boyer. é descrito que este último teria um coração de pedra dura com três pontas. 2007: 106. após o deus Thor confrontarse com o gigante Hrungnir. séc. Gotland. Fonte: http://www. contendo triquetra. 12 13 14 Fig.com.br De todos os símbolos solares. 1986: 114. 13: Estela rúnica de Uppsala (U 937).com/arild-hauge/harune-getinge. contendo a figura de uma triquetra. A primeira forma do coração de Hrungnir no mundo escandinavo-germânico é a triquetra.História. Segundo o Skáldskaparmál 7. Inglaterra. a triquetra (ou valknut) é o único que possui uma indicação nas fontes literárias. Fig. Basicamente. 2002: 33. 14: Estela rúnica de Sanda 2. 15: Estela rúnica de Getinge. Suécia. Brompton. IX.jpg 12    . Fig. imagem e narrativas No 11. Suécia. que se entrelaçam em um centro não definido. que é mais antiga: uma figura formada por três terminais. está totalmente subjugada aos domínios de Odin.ISSN 1808-9895 . 12: Hogback com figuras de ursos e triângulos com triquetras.arildhauge. Fonte: Boyer. IX. com representações de Odin e triquetra. Fonte: Allan. de igual aspecto à correspondente céltica. séc. 15 Fig. Fonte: Hall. ao contrário.

o que sugere um controle de um dos mais importantes animais relacionados ao rito odínico. 1999: 20). imagem e narrativas No 11. como o hogback de Brompton (figura 12). a idéia do número três). 16 17 18 19 13    .com. a triquetra é inserida em um conjunto ladeado por triângulos (novamente. e rodeado pelas patas de ursos com as bocas amarradas.http://www. O conjunto todo comemora e glorifica o culto guerreiro.br Nos monumentos religiosos escandinavos na Inglaterra. a triquetra surge lateralmente ao trono do deus caolho.História.ISSN 1808-9895 . Na estela funerária de Sanda 2 (figura 14).historiaimagem. com sentido semelhante. marcado pela intervenção de Odin e possivelmente patrocinado por berserkir (Stone. outubro/2010 .

Suécia. Mas não apenas o coração de Hrungnir teria esse significado: mesmo na vida cotidiana. c. Segundo alguns pesquisadores. detalhe de objeto em madeira. Aby Stone registra o fato de não existirem referências visuais do valknut antes do século VII e também que as nornas. Fonte: Langer. IX. a paralisia de guerra – um tipo de magia onde o guerreiro por influência de Odin.historiaimagem.ISSN 1808-9895 .História.6 – Quadrefólio (shieldknot28). cervo27 com espiral e a máscara odínica (figura 16). séc. Estela de Larbrö Tangelgarda I. Detalhe da estela de Hammar I. trefot.com. todos os simbolismos gráficos do deus Odin: valknut. 18: Valknut. 16: Valknut. os três animais nórdicos que mais mantém relações com a tradição finlandesa são o alce. serpente em espiral. 17: Valknut. Fig. 28 Denominação moderna. com ornamentos entrelaçando uma escultura em múltiplos adornos laterais. 14    . não poderia se mexer durante a batalha. Suécia. 2004: 125). não há registro do termo original nas fontes literárias. 2002: 5). outubro/2010 . o significado desta imagem religiosa seria o de ligamento ou conexão entre as deidades. Fonte: Haywood. seria uma representação mágica do infinito ou da eternidade – devido ao fato de ser um desenho que não tem começo nem fim. Para alguns estudiosos. corvos. denominada nos tempos modernos de valknut (nó dos mortos). Para outros. o cachorro e o urso (Tolley. seria uma variação visual da serpente do mundo (Jörmungandr). Moeda de Hedeby.nederlandsheidendom. 2007: 17). utilizado recentemente pelas autoridades públicas da Escandinávia como representação em placas e sinalizações do patrimônio histórico dos antigos nórdicos. Dinamarca. nunca foram retratadas iconograficamente.nl Fig.25 Gotland.26 Uma moeda de Hedeby concentra em um mesmo conjunto imagético. Noruega. 2002: 5). 19: Valknut. Mas a forma mais importante do coração de Hrungnir no mundo escandinavo é a de três triângulos unidos. imagem e narrativas No 11. de modo semelhante ao Herfjoturr. séc. Hupfauf. a morte e as nornas (Stone. 2003: 229. Fonte: Haywood. sacrifício humano. máscara de Odin. Gotland. 2003. serpente espiralada. águia. uma exclusividade imagética da Era Viking. todos teriam o mesmo princípio: o örlog (destino). 2000: 146. Fonte: http://www.br Fig. cervo. Um interessante símbolo dos tempos pagãos. Oseberg. séc. 1. apesar da sua importância na mitologia e religiosidade. Talvez o valknut seja um símbolo das nornas (Stone. Fig. 27 Segundo um especialista em xamanismo escandinavo. demonstrando que o valknut também podia servir como amuleto de uso pessoal. Essa segunda concepção parece                                                              25 26 Para uma análise detalhada da estela de Hammar I. entrelaçando-se em si mesmo. VIII. VIII-IX. 825. o cosmos e o destino humano. o valknut simbolizaria o destino inevitável que existe entre o deus supremo e cada indivíduo: “um símbolo do poder que o deus tem de atar e desatar” (Davidson. Assim. escudo espiralado e anéis.http://www. com o uso de nós em cabelos das mulheres e na arte. 2000: 48. 2003. consultar: Langer.

símbolo do raio na Escandinávia. séc. séc. Fonte: http://oldgoths. do mesmo modo que a serpente do mundo (Langer. outubro/2010 . usado para localizar ladrões. Gotland. Várias representações rupestres do Neolítico e idade do Bronze mostram guerreiros                                                              29 30 Para imagem. juramentos. 2007: 59-95).http://www. 21: Medalhão de ouro de Lyngby.com. se verificarmos que na representação de Solberga29. Dinamarca. relativa à pesca deste monstro. casamentos.historiaimagem. funerais. 20: Estela de Hablingbo Havor II. como arma: ele defende o mundo. os deuses e os homens contra as forças do caos. 20 Fig.br ser a mais correta. 1997: 102. propicia a ressurreição e a fertilidade da vida. 2006: 5. mortes. E se observarmos a estela de Hablingo (figura 20). o simbolismo do quatrifólio poderia remeter a uma idéia de estabilidade e conservação da ordem natural do universo. O martelo deve ter sido uma variação do machado. certamente o martelo de Thor (mjöllnir: triturador30) é o que possui a maior quantidade de referências literárias.História. o deus Thor e a serpente possuem ornamentos em seus centros que recordam os entrelaçados do quatrifólio. Nestas fontes.ISSN 1808-9895 . imagem e narrativas No 11. VII. podemos caracterizar o martelo de Thor em três significados principais: como instrumento ritual e mágico: o martelo consagra nascimentos. 2003: 229. Mjöllnir (martelo de Thor). assegura propriedades. 1994: 489). 15    . tanto nas Eddas quanto nas sagas islandesas. Fonte: Hupfauf. Boyer. como instrumento: o martelo protege contra os elementos naturais (Bray.html 21 Fig. Neste caso. verificar Langer. De todos os simbolismos religiosos da Escandinávia da Era Viking. 2007: 75. VII. Suécia. consagra a terra e a propriedade.blogspot. 2. símbolo fálico. perceberemos que as suas laterais e na base inferior são ocupadas por serpentes (cujas cabeças recordam pássaros). Lindow. marca de fronteira.com/2009/05/pictorialconnections-betwen-nordic.

machados ou pedras de raio. 24: Pedra rúnica de Laberg.http://www. séc. pedra. Para imagem. 34 Especialmente Altuna (U 1161). Na estatueta islandesa de Akureyri. como mágico e protetor. os ferreiros e os cultos de guerreiros. cujo cabo se funde na sua barba. imagem e narrativas No 11.arildhauge. mas que o culto a Thor pode ter ligação com sacerdotes barbudos (Davidson.jpg Fig. 1994: 500). X. E em terceiro. Os mais comuns e numerosos                                                              31 32 Para imagem. 16    .br portando machados cerimoniais (Davidson.org/wiki/Stenkvista _runestone Existem três tipos básicos de representação do martelo na Era Viking. ver: Langer.jpg Para imagem.com/arild-hauge/derune-laberg.História. Outras conexões relacionam Thor com o xamanismo. ver: http://www.31 decorada com um rosto barbudo – e pingentes de machado ao lado de pequenos martelos (como no colar votivo de Birka.wikipedia.historiaimagem. Desta maneira. séc.34 Em segundo. imagens do martelo em pedras rúnicas (ver figuras 22. ver figura 25). Fonte: http://en. que o termo hamarr não significava originalmente martelo. demonstrando não somente que a barba e o martelo eram símbolos fálicos.edu/vikings/voyage/subset/homelands/pop_archeo. Lotte Motz defende a idéia de que na realidade. na área lapônica. os amuletos da Era Viking não representavam martelos e sim.oocities. XI. 1987: 68). com cenas da pesca da serpente do mundo por Thor. XI. 1987: 68) (ver figura 1). geralmente encontrados em tumbas (figuras 25. Suécia. 1997: 329-350. A primeira são as imagens encontradas em esculturas. não há como desvincular mjöllnir de ser tanto um objeto heróico. representações do martelo em pingentes usados como adornos pessoais.ISSN 1808-9895 .com/iceland002001/icelandicreligion. o que nos leva a acreditar que as achas continuaram a ser conectadas ao culto de Thor – exemplo é a famosa Lâmina de Mamen. 26 e 27).html 33 Em um denso e documentado artigo. ver: http://www. na prestigiada revista Saga-Book.32 datada do ano mil. Não há registros de martelos sendo utilizados em batalhas durante a Era Viking. Dinamarca. Motz. 2007: 74. mas sim. 22: Pedra rúnica de Stenkvista (Sö 111).33 22 23 Fig.com. séc. uma figura masculina segura um machado.arild-hauge.mnh.si. Fonte: http://www. cujos tambores mostravam uma figura masculina com um martelo ou suástica (Lindow.jpg 24 Fig. Suécia. e também. 23 e 24).com/arildhauge/se-rune-aeby-vaestermo. 23: Pedra rúnica de Åby (Sö 86). outubro/2010 . Fonte: http://www. como em Horagales.

séc.História. com o cabo pequeno e cabeça lembrando a forma de machados com lâminas largas. 28: Parte de uma moeda árabe com o símbolo do martelo de Thor inciso. Fonte: http://www. 1997: 349. séc. Suécia. séc. Kaupang. Bredsätra e Skane (figuras 29. 1997: 349. Ingl. Fonte: Haywood. 1989: 17. 2007: 107. Norfolk. Fig. séc. 29: Mjöllnir de Odeshog.ISSN 1808-9895 . séc. Fig. 26a: Pingentes com miniaturas de machado. 2007: Fig. X. Schonen e Halland.http://www. Fonte: Motz. outubro/2010 . contendo um pingente de machado e outro do martelo de Thor. Fonte: Motz. 25: Colar votivo de Birka. Fig. X. 31: Mjöllnir de Skåne. Alemanha da Idade do Ferro. uma figura formada por olhos fixos. Fig. 27: Pingente do martelo de Thor. imagem e narrativas No 11.html 17    . Suécia. Fonte: Hall..br possuem uma forma simples. X. Era Viking. Os três com desenhos mais complexos fazem referência aos mitos literários: Odeshog. Suécia.com. 26b: Pingentes do martelo de Thor. 2000: 131. 30: Mjöllnir de Bredsätra.   25 26 27 28 29 30 31 Fig. lembrando o barbudo do machado de Mammen – e que deve ser uma representação de Thor no momento que se defronta com Jörmungandr (Gylfagining 47). X.historiaimagem. Fig. Fonte: Fuglesang. Suécia. Fig. séc.de/Mjoellnir. Fonte: Haywood.lokismythologie. X. Suécia. X. 30 e 31) possuem na extremidade de seus cabos. Fonte: Hall. 2000: 131. túmulo 985.

tanto para os guerreiros quanto para as mulheres em geral. Nestes três pingentes. a triquetra de terminais arredondados recorda muito a mesma figura gravada no deus Thor de Solberga. ao rodear o oceano de ponta a ponta. outubro/2010 . além do penteado com três nós (figuras 3. hamingja. o nariz abaixo dos olhos possui uma curvatura aquilina. De um lado. runas. muito comum na internet. Langer. Também existem outras imagens e supostas réplicas de martelos de Thor pela internet. Valquírias. Em ambos os casos.http://www. imagem e narrativas No 11. 36    3. sem nenhuma consistência histórica. que lembra muito a existente nos capacetes cerimoniais de Vikso (Dinamarca da Idade do Bronze). e de outro. As valquírias formam um dos mais importantes mitos para o imaginário nórdico. No martelo de Bredsätra. as valquírias são representadas de forma mais domesticada – em trajes femininos tradicionais e portando um corno de hidromel. revelam e tutelam os indivíduos e a coletividade (Boyer.com.br 60.it/3/1/8/6/0/7/0/1256057480.ISSN 1808-9895 . 18    .História.                                                              35 Para imagens. 2004: 52-69). (figura 30) em especial. além de terem função como espírito tutelares. misturando reinterpretações do esoterismo.   Ainda nestes três pingentes. dís – os espíritos femininos que guiam. neo-paganismo e heavy metal a este objeto (por exemplo. acrescentando caveiras. dragões e entrelaçados celtas). Nas estelas funerárias e em alguns pingentes. 1987: 26).35 representando o deus do céu com bicos de ave de rapina (Davidson. 34 e 35). são mulheres sobrenaturais que atendem no outro mundo. a cabeça do martelo possui entrelaçados e espirais que podem ser representações metafóricas da serpente do mundo. 1995: 108.forumcommunity.historiaimagem. recordando que a serpente está relacionada à estabilidade do mundo. as valquírias encarnam a fylgja. em réplicas de joalherias modernas e até em capas de discos de bandas de rock. ver: http://image. Pode tratar-se de uma representação moderna.jpg 36 Não encontramos nenhuma referência histórica para esta imagem do martelo de Thor (portando uma triquetra tradicional). são associadas com os heróis e a escatologia odínica. São diretamente relacionadas aos cultos da morte e do destino.

Em alguns escassos pingentes. tanto na área finlandesa quanto nas ilhas britânicas. Um tipo de amuleto muito difundido na Era Viking. demonstrando a continuidade de antigos cultos pré-vikings na área nórdica (figura 37). 2006: 127). Em alguns pingentes. 2007: 107. Diversas imagens confirmam esses cultos. Fonte: Glot. X. 34: Pingente de valquíria levando hidromel.enquanto a águia é emblema de poder (Gräslund. imagem e narrativas No 11.http://www. dois corvo metamorfoseiam-se nas pontas dos chifres de uma figura barbada. Animais totêmicos (urso. 2001: 183.com. demonstrando que as mulheres também tinham fortes relações com os cultos odínicos e o seiðr (Price. era o uso de dentes de ursos – tanto imitações em bronze quanto peças 19    . X. X. Suécia. 2001: 114. 35 Fig. especialmente para o grupo dos berserkir. Fonte: GrahamCampbell. séc. lobo). 2004: 29. como gaviões e falcões são tradicionalmente signos da aristocracia . 2006: 124).ISSN 1808-9895 . especializados na arte da guerra. lanças. grupo de homens jovens e não casados. Praticamente todos os animais citados nas fontes literárias e que foram representados imageticamente na Era Viking. 33: Pingente de valquíria. corvo. Suécia. Várias gerações de guerreiros combinavam o nome de termos de batalha com elementos relacionados ao lobo – também se referindo a iniciação de jovens para o mundo marcial. Inglaterra.historiaimagem. Fonte: GrahamCampbell. escudos e espadas (figuras 32 e 33). 34 Fig. outubro/2010 . como a figura 40. séc. Fonte: Hall. 2004: 118). 32: Pingente com duas valquírias. 4. Os pássaros – aves de rapina. Muitas destas figuras foram encontradas em tumbas femininas. são diretamente associados ao deus Odin. Dinamarca. 33 Fig. séc. Cachorros e lobos estão conectados com a ideologia guerreira. O lobo e o cão geralmente são companheiro das jornadas da alma para o outro mundo em rituais votivos (Gräslund. Tissø.História. Cawthrone. 35: Pingente de valquíria. as valquírias surgem como nas fontes literárias: armadas com cotas de malha. porém.br 32 Fig. séc. X.

Supunha-se que continham propriedades mágicas.ISSN 1808-9895 . 2007: 19).br originais. o personagem Bodvarr tem a sua alma transformada em urso. 36 37 38 39 40 20    . outubro/2010 .http://www. Na Hrólfs saga kraka.História. 2005).historiaimagem. imagem e narrativas No 11. relacionada à captura do espírito dos ursos (karhunpeijaiset) (Media Lab Helsinki. uma referência aos antigos rituais pré-cristãos ainda preservados na literatura centro-medieval (Tolley.com.

X. Odin metamorfoseou-se de serpente. com lobos ao fundo (Geri e Freki).dk/Default. Fonte: Glot. Fonte: http://www. junto aos seus dois corvos (Hugin e Munin).http://www. e na base. Dinamarca. 2005. Rússia.br Estatueta de Odin no trono (Hlidskjalf). Odin metamorfoseou-se em águia. 1997: 190. Dente de urso usado como pingente. Alguns berserkir se vestem com pele de lobo. Fonte: Ament.História. 1980: 67. Fonte: Grahamcampbell. uma suástica. Gutenstein.historiaimagem. surgiram diversos símbolos adaptados ou relacionados com as runas e vinculados diretamente com processos mágicos. Pingentes de bronze. outubro/2010 .com. Finlândia. não existem quaisquer vestígios de runas na Islândia em toda a Idade Média. Serpentes Pássaros 5. Staraya Ladoga. Bainha de espada com imagem de guerreiro com máscara de lobo e lança. Os berserkir saem em fúria como lobos.roskildemuseum.aspx?ID=313  Pendente de bronze. Um lobos enforcado na frente do palácio de Odin. Motivos de serpentes enfeitam elmos do período Vendel. Finlândia. IX. Fonte: Media Lab Helsinki. Símbolos rúnicos. VII. séc. Aliás. 2004: 136. O Renascimento popularizou o uso destes símbolos em livros mágicos 21    . séc. Este mesmo animal foi representado em elmos do período Vendel. imitando dente de urso. Apesar dos escandinavos durante a Era Viking utilizarem runas simples e combinadas para rituais religiosos e mágicos. Alemanha. A partir do final da Idade Média. Conexões entre Odin e animais totêmicos (Gräslund. Lejre. Pingentes femininos deste animal ocorrem em diversas sepulturas. séc. Raisio. 2006: 128) Lobos Lobos de Odin: Freki e Geri. Era Viking.ISSN 1808-9895 . Odin e seus corvos. Era Viking. imagem e narrativas No 11. somente em outras regiões da Escandinávia (e mesmo na Groelândia). não há evidências de que os símbolos islandeses mágicos já fossem conhecidos e utilizados antes do século XI.

De todos os símbolos presentes nesta obra e em outros grimórios escandinavos.http://www. O mais famoso grimório nórdico é o Galdrabók. Ao mesmo tempo. com o olhar mortífero que este tipo de monstro teria (o “olhar de fogo”) 22    . Fig. que fundem uma tradição advinda dos tempos vikings à magia européia continental que se solidificou após o século XV. datado de 1600 e que contém 47 encantamentos mágicos. imagem e narrativas No 11. outubro/2010 . o símbolo traria vitória a seu possuidor (segundo o dragão Fáfnir). que é citado no Fáfnismál 16. essa descrição de um objeto mágico na cabeça de Fáfnir tem relação com uma tradição européia que remonta aos gregos e que sobreviveu até o fim da Idade Média: de uma pedra que os 41 Fig. Dinamarca. XVI e XVII. séc. 41b: detalhe de dois guerreiros. Fonte: Macculloch. 41a: Símbolos rúnicos da tradição islandesa tardia. utilizada para fins curativos.ISSN 1808-9895 . de onde se deduz que estaria gravado em um elmo.historiaimagem.br chamados de grimórios. kabala. 17 e 19. V. alquimia e rituais mágicos orientais e ocidentais. chifre de Gallehus. alude-se a pertencer ao tesouro de Sigurðr. o único que pode ter uma origem viking é o denominado Ægishjálmur (figura 41). e no mesmo poema. que mesclavam conhecimentos advindos da astrologia. e por outro lado.História. Neste poema éddico. 1930: plate XLVI.com. séc. dragões possuíam em suas cabeças (snakestone ou dracontite).

Elder Edda. The Poetic Edda. onde ao lado de inscrições ogâmica céltica.br (Langer. mas que é apontado pelos especialistas como um símbolo feito por cristãos. 37 23    . Tradução ao espanhol por Luis Lerate. 2004. London: Penguin Books. no imaginário cristão). De qualquer maneira. 2007: 113).no/wiki/Eddukvæði Tradução ao inglês por Carolyne Larrington. com a finalidade de espantar seus inimigos (Macculloch. séc.historiaimagem. Tradução por Stephen Flowers. Galdrabók.ISSN 1808-9895 .heimskringla.no/wiki/Edda_Snorra_Sturlusonar  Tradução ao inglês por Jesse L. outubro/2010 . Kerry. mas as representações presentes nestas gravuras recordam espirais e estrelas. Alguns especialistas traduzem Ægishjálmur como leme do pavor ou de Æegir. 1990: 11). um círculo formado de oito braços em forma de tridentes. e não temos como saber sua forma entre os vikings. Byock. algo bem distante dos formatos presentes nos grimórios. edição de Guðni Jónsson: http://www. 2005. o símbolo também é citado como proteção nas batalhas. devido ao seu formato nos grimórios. talvez os eruditos nórdicos tenham fundido a este folclore o tridente de Netuno.heimskringla. ANÔNIMO.http://www. edição de Guðni Jónsson: http://www.                                                              A mais antiga representação semelhante ao Ægishjálmur que encontramos é na estela ogâmica de Ballintaggart. assemelhando-se ao leme de roda das embarcações. The Galdrabók: an Icelandic grimoire. Bibliografia Fontes primárias: ANÔNIMO. Irlanda.História. London: Red Wheel Weiser. imagem e narrativas No 11. XVI. Edda Menor. não há imagens deste símbolo anterior ao século XV. O problema é que esse tipo de instrumento náutico só foi conhecido na Escandinávia a partir do século XIII: os vikings utilizavam um remo transversal como leme (Atkinson. Como Æegir era uma divindade relacionada ao mar. Texto em nórdico antigo. como Sverris saga 38. 2000. Tradução ao espanhol por Luis Lerate. Edda em Prosa. IX e X. The Prose Edda. Madrid: Alianza Editorial.com. Snorri. 1220. como nos escudos de guerreiros do chifre de Gallehus (figura 41). existe um desenho de uma cruz com quatro braços terminando em tridentes (datada da Alta Idade Média). 1999. Madrid: Alianza Editorial. mesmo que este já fosse conhecido. Oxford: Oxford University Press. Em algumas sagas islandesas. 1989. 1930: plate XLVI). explicando a sua morfologia (ou mesmo o tridente do demônio. Edda Mayor. séc.37 Alguns intentaram ver em objetos anteriores à Era Viking o uso do Ægishjálmur. STURLUSSON. Texto em nórdico antigo.

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