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ALIMENTOS ORGÂNICOS: MELHOR PARA VIDA

05-12-2006

Alberto Feiden
Pesquisador - EMBRAPA/CPAC

Denise Justino da Silva


Jornalista - EMBRAPA/CPAC

As primeiras experiências com modelos alternativos de agricultura


ocorreram no início do século passado, sendo que o movimento
passou a ganhar força a partir dos anos 60/70, com o nome de
Agricultura Alternativa. Este movimento era a soma de diversos
grupos distintos, com base em grande diversidade de conceitos e
filosofias, todos eles tendo como princípio a busca de uma
agricultura ecologicamente sustentável, economicamente viável,
socialmente justa, culturalmente adaptada e tecnicamente
apropriada.

A partir dos anos 80 e 90, o mercado de alimentos orgânicos


passou a se expandir à razão de 30 a 50% ao ano, atingindo
atualmente um valor em torno de US$ 40 bilhões. As causas para
este aumento são, por um lado do aumento da consciência
ecológica a nível mundial, materializada na Conferência das Nações
Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), mais
conhecida como Eco 92, e por outro devido a diversos problemas
de contaminação de alimentos ocorridos na Europa. Entre estes, a
contaminação do solo e alimentos pelas nuvens de radiação
decorrente do acidente nuclear de Chernobil em 1986; a doença da
“Vaca Louca” (Encefalopatia Bovina Espongiforme, BSE), a partir de
1996 na Inglaterra; a contaminação de leite por dioxina na
Alemanha, França e Holanda em 1998; a contaminação
generalizada dos alimentos por agrotóxicos. Estes acidentes
causaram verdadeiros pânicos alimentares, levando os
consumidores a procurar alimentos mais seguros.

Alimentos orgânicos são alimentos produzidos a partir de um


sistema de produção que não se reduz a uma única cultura, mas
leva em conta o conjunto das explorações da unidade produtiva, as
interações entre si e com o ambiente do entorno. É baseado no
enfoque sistêmico, onde cada cultura ou exploração constitui um
subsistema dentro de um sistema maior que é a propriedade, que
por sua vez é um subsistema incluído dentro de um sistema maior,
como a comunidade ou a microbacia. Na produção orgânica se
privilegia a conservação ambiental como um dos componentes da
produção, alem de fomentar e destacar a biodiversidade, os ciclos
biológicos e a atividade biológica do solo.

Não é permitida a utilização de agrotóxicos tais como inseticidas,


fungicidas, herbicidas, nem de antibióticos, hormônios e aditivos
artificiais, ou de organismos geneticamente modificados (OGMs ou
transgênicos) e a utilização de radiações ionizantes. Os controles
de organismos que podem se tornar pragas ou doenças são
manejados através de controle ambiental, práticas culturais e,
eventualmente em casos de desequilíbrios extremos, utilizam-se
pontualmente produtos de baixo impacto toxicológico.
Neste sistema de produção se procura maximizar a recirculação
dos nutrientes e da matéria orgânica. Priorizam-se o uso de
recursos naturais renováveis, principalmente os localmente
disponíveis. Procura-se utilizar eficientemente a energia solar e os
processos biológicos para diminuir a dependência por recursos não
renováveis.

Visando incentivar o desenvolvimento deste sistema de produção, o


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, realizou no
período de 23 a 30 de junho, em todo território nacional, a II
Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos. No Mato Grosso do
Sul, a semana foi organizada pela Comissão Estadual de Produção
Orgânica (CEPOrg-MS) e em Corumbá foi Coordenada pela
Embrapa Pantanal, Secretaria Municipal de Pecuária e Agricultura,
Idaterra, UFMS e UCBD. Esta semana teve como objetivo o
esclarecimento da sociedade em geral, e, mais especificamente, o
consumidor urbano, sobre o que é produto orgânico e a importância
de seu consumo.

Esta campanha visou, entre outras coisas, trabalhar a idéia do


consumo responsável, que subentende um consumidor que
considere, na hora de decidir pelos produtos que vai comprar,
questões relacionadas à saúde humana, ao meio ambiente e a
aspectos sociais, relacionados ao processo produtivo.
A concentração cada vez maior da população nas áreas urbanas
aumenta o distanciamento entre quem consome e quem produz os
produtos agropecuários. Esse distanciamento dificulta que o
consumidor urbano avalie a sua influência sobre o que e como se
produz no campo.

Isto fica bastante evidenciado pelo forte aumento da demanda de


certificações relacionadas a aspectos de saúde, ambientais e
sociais, que vem acontecendo principalmente nos países mais
desenvolvidos. Esse aumento é proporcional ao crescimento da
consciência dos consumidores que nesses países possuem
maiores níveis de escolaridade e de acesso à informação.

Embora não haja dados oficiais sobre a agricultura orgânica no


Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento
estima que área envolvida com produção orgânica chega a 8,6
milhões de hectares, incluindo o extrativismo sustentável, e
envolvendo cerca de 20.000 agricultores. Já segundo o Instituto
Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD), 500 mil hectares são
cultivados com produtos orgânicos (excluído o extrativismo), sendo
que o mercado brasileiro estimado entre de US$ 150 milhões a US$
300 milhões ao ano, dos quais entre US$ 100 milhões e US$ 110
milhões, destinados ao mercado externo.

No Mato Grosso do Sul, a produção orgânica começou a ter


impulso mais organizado a partir do Primeiro Seminário de
Agroecologia no Mato Grosso do Sul, realizado em 2002, e que
permitiu a união de esforços dos diferentes atores que atuavam de
forma isolada no estado. Atualmente, existe um pólo de produção
orgânica se consolidando na região da Grande Dourados,
englobando os municípios de Dourados, Glória de Dourados,
Ivinhema, Nova Andradina, Rio Brilhante, Caarapó, Douradina,
Itaporã e Juti. Outro pólo está iniciando no entorno da capital
Campo Grande, principalmente em função da demanda de produtos
orgânicos da capital. Além dos dois pólos, algumas iniciativas mais
isoladas ocorrem em outros municípios do estado, enfrentando
dificuldades devido ao seu isolamento.

Na região de Corumbá, ainda não existe produção orgânica


certificada, no entanto como é uma região ecologicamente sensível,
o sistema de produção orgânica é altamente indicado para esta
situação. Além disso, existe certa facilidade para a conversão dos
sistemas de produção existentes para o sistema de produção
orgânica já que na maioria dos casos, não se usam intensivamente
os insumos químicos que são proibidos nos sistemas orgânicos.
Como os índices de produtividade regionais são relativamente
baixos, também não haverá grande redução de produtividade das
explorações durante a transição, o que costuma acontecer
temporariamente nos sistemas de alta produtividade, dependentes
de insumos químicos.

Fonte:
http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=354&pg=2&n=2

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DIETA DE MUNDO
MODERNO: PREÇO DA
MODERNIDADE
A profunda alteração que vem ocorrendo nos nossos hábitos e
fontes alimentares, causada pelo próprio progresso tecnológico e
pelas agressões ambientais, tem levado o homem a uma
nutrição deficiente, ao aumento de estresse, à má adaptação do
nosso sistema imunológico, à diminuição de ação das enzimas que
queimam gorduras, e até mesmo à inibição da tireóide e ao
aumento precoce da incidência de doenças degenerativas.
O alimento industrializado, refinado, cheio de conservantes e de
preservativos para se tornar atraente e durar nas prateleiras, as
verduras com alto grau de agrotóxicos, pesticidas, herbicidas, as
carnes com hormônios e antibióticos, mesmo em pequenas
quantidades, e a água que bebemos, cheia de produtos químicos
tóxicos representam, cada vez que vamos à mesa para nos
alimentar, várias agressões.
No começo do século, quase não existiam doenças cardíacas e
a incidência de câncer era muito pequena. Em cada 30 pessoas,
uma tinha câncer, sendo que hoje uma entre sete pessoas terá
câncer.
Em relação à doença cardíaca, uma a cada cinco pessoas
sofrerá de infarto do miocárdio.
Em 1900, somente 10% da alimentação eram refinadas: em
1950, cerca de 25% estavam industrializadas, e hoje essa cifra
atinge 90%.
Nestes últimos 100 anos, dobrou o consumo de gorduras
(margarinas, óleo hidrogenado etc.).
As proteínas se mantiveram na mesma quantidade, porém de
fontes diferentes: antes eram principalmente provenientes de grãos,
hoje são da carne (50 kg/pessoa/ano) e de derivados do leite (190
kg/pessoa/ano).
O consumo de carboidratos complexo diminuiu:
1910 – 70% do consumo era de carboidratos complexos.
Hoje – 50% do consumo de carboidratos provêm de açúcar
refinado.
Há 100 anos se consumiam 7 kg/pessoa/ano de açúcar na
Inglaterra.
Hoje se consomem 70 kg/pessoa/ano na Inglaterra e 120
kg/pessoa/ano nos EUA e no Brasil.
Somem-se a isso centenas de aditivos químicos, preservativos,
álcool, cigarro e drogas.

(trecho do livro “Fazendo as pazes com o seu peso”, Dr. Wilson Rondó
Junior, págs. 19 a 21).

“Fazendo as Pazes com Seu Peso”, Obesidade e


Emagrecimento: entendendo um dos grandes problemas deste
século, Dr. Wilson Rondó Jr., Editora Gaia, São Paulo, 3ª Edição,
2003.

Para adquirir este livro:

Editora Gaia Ltda


(uma divisão da Global Editora e Distribuidora Ltda)
Rua Pirapitingüi, 111-A – Liberdade
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