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O poeta faz diversas consideraes principalmente no fim dos cantos da sua epopeia, criticando e aconselhando os portugueses Por um lado,

refere os grandes e gravssimos perigos, a tormenta e o dano no mar, a guerra e o engano em terra. Por outro lado, faz a apologia da expanso territorial para divulgar a f crist, manifesta o seu patriotismo e exorta D. Sebastio a dar continuidade sua grandiosa obra dos portugueses. Nas suas reflexes, h louvores e diversas queixas aos comportamentos. Se reala o valor das honras e da glria alcanadas por mrito prprio (cantoVI), lamenta que os portugueses nem sempre saibam aliar a fora e a coragem ao saber e eloquncia, destacando a importncia das letras (Canto V). Se critica os povos que no seguem o exemplo dos portugueses atrevidos, por chegarem a todos os cantos do mundo, no deixa de queixar-se de todos os que pretendem alcanar a imortalidade, dizendo que a cobia, a ambio e a tirania so honras vs, que no do o verdadeiro valor ao homem. Da lamentar a importncia atribuda ao dinheiro, fonte de corrupes e traies. Lembrando o seu honesto estudo, longa experincia e engenho, confessa estar cansado de cantar a gente surda e endurecida, que no erconhece nem incentiva as suas qualidades artsticas

Os Lusadas celebram os portugueses enquanto nao, colectividade. Para isso o poeta desenvolve uma histria de Portugal como epopeia, seleccionando os episdios e as figuras, de modo a fazer avultar o lado herico e exemplar da histria, cantando-a. Por um lado, o poema tende universalidade, louva no s os portugueses, mas o homem em geral: a sua capacidade realizadora e descobridora. As descobertas a grande prova dessas capacidades: a de se impor natureza adversa, de desvendar o desconhecido, de ultrapassar os seus limites traados pela cultura antiga e pelo conceito tradicional do homem e do mundo que eram difceis de superar. Os Lusadas celebram a capacidade de alargar e aprofundar o saber, a realizao do homem no que respeita ao amor e ao poder de edificar a vida face ao destino. O saber permite a elevao do homem em divindade, confere-lhe o estatuto de heri, imortalizando-o. O autor da epopeia considerado tambm um modelo de heri.