ROTINAS PARA ORIENTAÇÃO
NUTRICIONAL DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES
com
Diabetes Mellitus
ROTINAS PARA ORIENTAÇÃO
NUTRICIONAL DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES
com
Diabetes Mellitus
Autora:
Beatriz Xavier Peniche
Orientação:
ProfªDrª Patricia Padilha
REALIZAÇÃO:
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira - IPPMG/UFRJ
Núcleo de Estudos em Nutrição e Pediatria - NUTPED
Projeto de Extensão Bem Querer, Formação e Promoção da Saúde:
Ambientes Saudáveis na Infância
Projeto gráfico: Beatriz Xavier Peniche
Ficha cartolográfica:
Peniche, Beatriz Xavier
Rotinas para orientação nutricional de crianças e adolescentes
com Diabetes Mellitus [Recurso Eletrônico] / Beatriz Xavier
Peniche, Patricia de Carvalho Padilha - Rio de Janeiro:
UFRJ/Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira,
2023
ISBN: 978-65-00-67154-4
[Link] Mellitus na infância e na adolescência 2. Orientações
nutricionais 3. Contagem de carboidrato 4. Trabalho de conclusão
de residência. I. Padilha, Patricia de Carvalho. II. Universidade
Federal do Rio de Janeiro. III. Instituto de Puericultura e Pediatria
Martagão Gesteira
SUMÁRIO
[Link]ÇÃO..................................................................................................................................................5
2. INTRODUÇÃO......................................................................................................................................................6
[Link] E EDUCAÇÃO EM
DIABETES............................................................................................................................................................................7
[Link] MELLITUS: O QUE PRECISAMOS
SABER?...................................................................................................................................................................................8
4.1Definição..........................................................................................................................................................................9
4.2Diagnóstico...............................................................................................................................................................10
4.3Sintomas.........................................................................................................................................................................11
4.4Monitorização........................................................................................................................................................12
4.5Tecnologia em Diabetes...........................................................................................................................13
[Link]ÇÃO NUTRICIONAL EM CRIANÇAS E
ADOLESCENTES COM DIABETES.............................................................................................14
5.1Avaliação antropométrica.......................................................................................................................15
5.2Avaliação do consumo alimentar.................................................................................................17
5.3Avaliação bioquímica..................................................................................................................................18
6.CÁLCULO DAS NECESSIDADES
ENERGÉTICAS..........................................................................................................................................................19
[Link] DE CARBOIDRATO............................................................................................22
7.1Lista de substituições de alimentos na contagem de
CHO..........................................................................................................................................................................................28
7.2Edulcorantes..........................................................................................................................................................38
[Link]......................................................................................................................................................40
[Link].................................................................................................................................................45
[Link]......................................................................................................................................................................48
[Link] FÍSICA. ...................................................................................................................................50
[Link]ÇA CELÍACA....................................................................................................................................52
[Link]....................................................................................................................................................55
[Link] DE PESO..................................................................................................................................58
[Link]ÇÕES FINAIS.............................................................................................................60
15. REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................................62
1. APRESENTAÇÃO:
Este e-book é resultado de um trabalho de conclusão
de residência multiprofissional em saúde da criança e
do adolescente, baseado em evidências científicas e
experiências na prática clínica junto à equipe do
Ambulatório de Diabetes do IPPMG, um lugar especial
e cheio de competência e afeto.
O objetivo do material consiste em sistematizar as
rotinas sobre o cuidado nutricional de crianças e
adolescentes com Diabetes Mellitus. O profissional
nutricionista encontrará neste e-book: 1) aspectos
clínicos 2) avaliação nutricional (antropometria e
avaliação bioquímica) 3) planejamento dietético, com
cálculo de necessidades energéticas e orientação do
método de contagem de CHO.
Esperamos que esse e-book possa enriquecer a prática
do profissional nutricionista no atendimento às crianças
e aos adolescentes, garantindo o crescimento e
desenvolvimento dos pacientes e reduzindo o risco de
complicações ao longo do tratamento.
5
2. INTRODUÇÃO
O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica de
alta complexidade caracterizada pela hiperglicemia
persistente decorrente da produção insuficiente de
insulina ou quando o organismo não consegue utilizá-la
de forma adequada (SBD, 2020, 2022; ADA, 2022).
Um bom controle metabólico é primordial para que
sejam evitadas complicações cardiovasculares,
cerebrovasculares, neuropatia, nefropatia, retinopatia,
entre outras (SBD, 2020).
No Brasil, estima-se que 5,7 milhões de brasileiros
tenham DM, encontrando-se entre os dez países
com maior número de indivíduos com este
diagnóstico (IDF, 2021).
Os pilares do tratamento do Diabetes são:
Cuidado multiprofissional
Monitorização da glicemia
Insulinoterapia
Atividade física
Alimentação saudável
Atenção psicossocial
(SBD, 2020;2022; IDF, 2021; ADA, 2022)
6
[Link] E EDUCAÇÃO EM DIABETES
A comunicação, educação e o apoio para o
autocontrole do diabetes devem ser centrados no
paciente e sua família, podendo ser em grupos ou
individuais envolvendo toda a equipe de tratamento
do diabetes.
Resultados clínicos
Principais objetivos: Estado de saúde
Bem-estar
É essencial que todas as pessoas com diabetes
tenham acesso à educação sobre o autocuidado do
DM e recebam o apoio necessário para facilitar o
conhecimento, a tomada de decisões e o domínio das
habilidades para o autocuidado, com base nos pilares
do tratamento.
(SBD, 2020, 2022; ADA, 2022)
7
4.
Diabetes Mellitus:
O QUE
PRECISAMOS
SABER?
8
4.1 DEFINIÇÃO
Existem diferentes tipos de DM, descritos no quadro
abaixo:
Quadro 1: Diferentes tipos de DM
TIPOS DE DM CARACTERÍSTICAS
Decorrente da destruição das células beta do pâncreas,
DM tipo 1 resultando na produção insuficiente de insulina.
Caracterizada pela perda progressiva de secreção de
DM tipo 2 insulina pelas células beta-pancreáticas e pela resistência
à insulina.
DM Diagnóstico no segundo ou terceiro trimestre da gestação,
Gestacional sem diagnóstico prévio à gestação
Relacionada à outras causas como síndromes de diabetes
Outros
monogênicas, doenças do pâncreas exócrino, e drogas ou
tipos produtos químicos diabetes induzida
Fonte: SBD, 2020; IDF, 2021; ADA, 2022;2023
DM: Diabetes Mellitus
O DM1 é o tipo mais comum em crianças e
adolescentes. Porém, diante do cenário mundial da
obesidade, a prevalência de DM2 está aumentando
nesta população, principalmente, nos adolescentes
(SBD, 2022; ADA, 2022).
9
4.2 DIAGNÓSTICO
O DM pode ser diagnosticado por meio de exames
laboratoriais como glicemia em jejum, teste oral de
tolerância à glicose (TOTG) e hemoglobina glicada
(Quadro 2) (ADA, 2022).
Quadro 2: Exames laboratoriais utilizados para
diagnóstico de normoglicemia, pré-diabetes e diabetes
Normogli Pré-
Exames Características DM
cemia Diabetes
Glicemia
em jejum
Coleta do sangue
periférico após 8 h ou < 100
≥ 100 e < ≥ 126
126
(mg/dL) mais de jejum
Sangue coletado após
TOTG 8h de jejum e após 2h
< 140
≥ 140 e < ≥200
(mg/dL) a ingestão de 75g* de 200
glicose
HbA1c (%)
Reflete a glicemia dos
< 5,7%
≥ 5,7 e < ≥ 6,5
últimos 3 a 4 meses 6,5
*Em crianças: 1,75 gramas de glicose por quilo até o máximo de 75 gramas;
Fonte: SBD, 2020; ADA, 2022;2023
TOTG: teste oral de tolerância à glicose; HbA1c: hemoglobina glicada
10
4.3 SINTOMAS
Geralmente, os principais sintomas de hiperglicemia no
DM1 são sede excessiva (polidipsia), urinar em excesso
(poliúria), perda de peso, fadiga, visão embaçada e
hiperfagia (Figura 1). O DM2 trata-se de uma doença
silenciosa, sendo muitas vezes, descoberta em exames de
rotinas.
Figura 1: Principais sintomas do DM1
Fonte: Adaptado IDF (2019)
A complicação mais grave no momento de abertura do
DM1 é a cetoacidose diabética (CAD) caracterizada
pela presença de desidratação, vômitos, hálito cetônico,
dor abdominal e até redução do nível de consciência
podendo evoluir para edema cerebral que é um risco
de vida.
SBD, 2020; IDF, 2021, ADA, 2021
11
4.4 MONITORIZAÇÃO
No quadro abaixo, estão as metas glicêmicas para
crianças e adolescentes com DM1 (ADA, 2022).
Quadro 3: Metas glicêmicas para crianças e adolescentes
com DM1
Glicemia Glicemia pós- Glicemia Glicemia da
pré-prandial prandial ao deitar madrugada HbA1c (%)
(mg/dL) (mg/dL) (mg/dL) (mg/dL)
70 a 145 90 a 180 120 a 180 80 a 162 <7* a 7,5**,***
* Para crianças com acesso a análogo de insulina, monitor de glicose contínua ou bomba
de insulina;
** Metas menos rigorosas para aqueles pacientes com monitorização ruim, falta de acesso
à insulinoterapia, análogo ou bomba de insulina, ou que não conseguem articular sintomas
de hipoglicemia
*** Metas ainda menos rigorosas, como <8%, podem ser propostas para pacientes com
história de hipoglicemia grave, baixa expectativa de vida ou danos de tratamento maiores
do que benefícios.
Fonte: SBD 2020; ADA 2022, Padilha et al., 2022
HbA1c: hemoglobina glicada
É válido ressaltar que as metas de HbA1c
devem ser individualizadas e reavaliadas
ao longo do tempo (ADA, 2022).
(Padilha et al., 2022; ADA, 2022)
12
4.5 TECNOLOGIA EM DIABETES
Para os pacientes que usam sensores de glicemia,
utiliza-se o conceito do tempo no alvo para avaliação
do controle glicêmico. Ainda não há metas de tempo
no alvo estabelecidas para crianças.
TEMPO Indica por quanto tempo, seja
meses ou semanas, o paciente
NO
permaneceu com as glicemias
ALVO entre 70 e 180 mg/dL.
Quadro 4: Metas de tempo no alvo para pacientes com DM1 e DM2
% do tempo Glicose (mg/dL)
> 70% 70 a 180
< 4% < 70
<1% < 54
< 25% > 180
5% > 250
Fonte: Adaptado ADA, 2022, Padilha et al., 2022
(SBD, 2020; ADA 2022; Padilha 2022)
13
5.
AVALIAÇÃO
NUTRICIONAL
14
5.1 AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA
Durante a consulta, é necessário fazer uma boa
avaliação antropométrica. Assim como para as outras
crianças e adolescentes, utiliza-se as curvas da OMS
(2004).
Para crianças, utiliza-se os seguintes índices:
Peso para idade
Comprimento/estatura para idade
Índice de Massa Corporal (IMC) para idade
No caso dos adolescentes, apenas os índices
estatura para idade e IMC para idade são
utilizados.
As curvas de cada índice estão em anexo (OMS, 2004).
Para o cálculo das necessidades energéticas diárias,
deve-se utilizar o PESO IDEAL, que é calculado a partir
da seguinte fórmula.
IMC / idade no percentil 50 ou score-z 0
X
(altura*)²
*usar medida em metro
15
Exemplos das curvas da OMS:
OMS, 2006;2007
16
5.2 AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR
Uma avaliação do consumo alimentar permite uma
junção das necessidades nutricionais aos hábitos
alimentares do paciente, contribuindo assim, para uma
boa adesão à conduta e orientação nutricional
realizadas.
A avaliação pode ser realizada através de algumas
ferramentas como Recordatório de 24 horas, Registro
ou História Alimentar ou Questionários de
Frequência Alimentar.
Alguns pontos importantes a serem considerados:
Crianças menores de 8 anos, geralmente, não
conseguem recordar ou registrar os hábitos
alimentares de forma aperfeiçoada, sendo necessário o
relato dos pais ou cuidadores.
Para crianças entre 8 e 10 anos, os pais ou cuidadores
podem auxiliar quanto às informações sobre o
consumo habitual dos alimentos.
Aos adolescentes, é necessário tomar cuidado para
não haver interferências dos responsáveis, evitando
desconforto.
Quando parte da alimentação das crianças é
realizada fora de casa (como creche ou escola),
algumas informações sobre a alimentação podem
estar comprometidas.
(Ferreira et al., 2022) 17
5.3 AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA
A avaliação dos exames laboratoriais permite um
diagnóstico nutricional mais completo.
Para crianças e adolescentes com DM, além do
monitoramento glicêmico e do perfil lipídico (veja em
pagina 12 e 55, respectivamente), é importante avaliar
periodicamente:
Hemograma completo e avaliação do status
nutricional de ferro (ferritina)
Vitaminas (B12, especialmente quando há uso de
metformina, e vitamina 25(OH)D)
Marcadores inflamatórios (proteína C-reativa e
ácido úrico) também podem ser úteis diantes de
outros fatores de risco, como obesidade.
Em situações específicas, como o risco nutricional,
deve-se avaliar também as proteínas viscerais
(albumina, pré-albumina, proteína ligadora de
retinol e transferrina), conforme disponibilidade
dos serviços.
Fonte: Adaptado Lopes et al., 2022
A avaliação nutricional descrita neste capítulo
pode ser ampliada, diante de situações específicas,
e de acordo com as condições clínicas que a
criança possa apresentar.
18
6.0
CÁLCULO DAS
NECESSIDADES
ENERGÉTICAS
19
Para o cálculo das necessidades energéticas diárias,
deve-se utilizar o peso ideal e a recomendação da
FAO 2004, usando a seguinte fórmula:
Peso ideal X FAO 2004 de acordo com idade e sexo
Pode-se usar o peso atual em casos de eutrofia.
Quadro 5: Necessidades energéticas (Kcal/Kg/dia) de
crianças e adolescentes segundo FAO 2004
Após o cálculo do valor energético total (VET),
deve ser calculado a quantidade de carboidrato
(CHO) na alimentação do paciente.
20
O quadro 6 apresenta a recomendação de
macronutrientes e fibras para indivíduos com DM.
Quadro 6: Recomendação da ingestão diária de macro e
micronutrientes para indivíduos com DM
Macronutrientes Ingestão recomendada diária
Carboidrato 45 a 60%* a 65%** do VET
Sacarose 5 a 10% do VET
Não recomendada adição aos
Frutose
alimentos
Mínimo de 14 gramas/1000 kcal
Fibra alimentar
para DM2
Proteína 15 a 20% do VET
Lipídios 25 a 35% do VET
Recomendações iguais aos
Micronutrientes
indivíduos sem diabetes
*SBD considera 60%;
** IOM considera 65%;
Fonte: Adaptado SBD, 2020; IOM, 2004; Padilha et al., 2022
VET: valor energético total; DM2: Diabetes Mellitus tipo 2; IOM: Institute of Medicine; SBD:
Sociedade Brasileira de Diabetes
O ambulatório de Diabetes no IPPMG/UFRJ, para a
contagem de carboidrato, utiliza-se 55% do VET de
energia provenientes de CHO. 21
15 g
60 g
7.0
CONTAGEM DE
CARBOIDRATO
45 g
30 g
22
O método de contagem de CHO, mais consolidado no
tratamento nutricional de pacientes com DM1, consiste
no planejamento das refeições baseado na quantidade
de CHO por refeição e seu efeito pós-prandial na
glicemia.
Pode ser estabelecida a dose de insulina em bolus
necessária a partir da quantidade total de
carboidratos consumidos em cada refeição.
Existem dois modos mais utilizados: grama/grama,
onde soma-se em todas as refeições o CHO de cada
alimento, sendo esta informação obtida pelos
rótulos/tabelas de alimentos, ou o método de
equivalentes em que cada porção conta 15 gramas de
CHO.
No método de equivalentes, a variação de 8 a 22
gramas de CHO, considera-se 15 gramas de CHO a
fim de facilitar o cálculo.
Não confundir o peso do alimento com a
quantidade em gramas de CHO.
Na prática assistencial do ambulatório de Diabetes
IPPMG/UFRJ utiliza-se o método de equivalentes.
Tascini et al., 2018; SBD, 2009;2016;2020; Padilha et al., 2022; Bosh et al., 2012; Rotinas
assistenciais do ambulatório de Diabetes IPPMG/UFRJ
23
Alimentos do dia-a-dia que contam carboidratos:
Leite Pão Arroz Feijões Frutas
Como CONTAR CHO?
Cada porção dos alimentos conta 15 gramas de
CHO.
Exemplos:
Leite - 1 porção - 200 mL - 15 gramas de CHO
Arroz - 1 porção - 2 colheres de sopa -
15 gramas de CHO
Pão - 1 porção - meio francês ou 1 fatia de
forma - 15 gramas de CHO
Feijão- 1 porção - 1 concha - 15 gramas de CHO
Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de Diabetes IPPMG/UFRJ
24
Alimentos que NÃO contam carboidratos:
Manteiga ou margarina: não contam CHO
Carnes e ovos só irão contar quando tiver 3
porções na mesma refeição.
Queijos e frios também NÃO contam CHO, só
conta a partir de 3 fatias médias na mesma
refeição.
Verduras, folhosos e legumes coloridos NÃO
contam CHO. Só irão contar CHO quando
preparados em forma de suflês ou bolos de
legumes.
E alimentos DIET?
Podem conter CHO. Deve-se consultar a
quantidade de carboidratos nos rótulos destes
alimentos.
Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de Diabetes IPPMG/UFRJ
25
Há esta preocupação com o carboidrato
justamente por ser o principal macronutriente
que interfere na glicemia pós-prandial.
Figura 2: Efeito dos macronutrientes na glicemia pós-prandial
Fonte: Adaptado SBD (2016)
Assim, o método de contagem de CHO pode
ajudar na monitorização da glicemia de
crianças e adolescentes com DM.
(SBD, 2009;2016; ADA, 2023)
26
Além de auxiliar no controle glicêmico, uma das
vantagens do método de contagem de CHO é a
flexibilização da alimentação, permitindo uma maior
variedade dos alimentos.
Não há necessidade de restrições
alimentares porque as necessidades
energéticas de crianças e adolescentes
estão aumentadas nesta fase devido ao
crescimento e desenvolvimento corporal.
Fazer restrições desnecessárias podem
prejudicar o crescimento e o desenvolvimento
desta fase.
A alimentação da criança e do adolescente
com DM deve ser a mesma do que aqueles
sem a doença: ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
levando em consideração a individualidade,
contexto sociocultural e econômico.
Padilha et al., 2022; ADA, 2023;Rotinas assistenciais do ambulatório de Diabetes
IPPMG/UFRJ 27
7.1
LISTA DE
SUBSTITUIÇÃO DE
ALIMENTOS NA
CONTAGEM DE CHO
28
Lista de substituição dos grupos alimentares
PÃO: 1 porção =15 gramas de CHO = meio francês ou 1 fatia
de forma: pode substituir por:
Pão de forma integral 1 fatia
Pão careca meia unidade ou 1 unidade mini
Pão coió 1 unidade mini
Pão de hamburguer meia unidade
Bisnaguinha 1 unidade
Torrada de pão francês 4 unidades
Torrada industrializada 2 unidades
Biscoito de água e sal 2 unidades
Biscoito tipo maisena 3 unidades
Biscoito de polvilho 5 roscas
Milho cozido 1 espiga grande
Aveia em flocos ou milharina 2 colheres de sopa
Maisena ou tapioca 1 colher de sopa
Pipoca de sal 1 saco pequeno
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 29
Lista de substituição dos grupos alimentares
FRUTA: 1 porção =15 gramas de CHO
Pode substituir por:
Abacaxi 1 fatia média
Abacate 2 colheres de sopa
Açaí (polpa) 100mL
Açaí com xarope 200mL - 45g de CHO
Acerola 10 unidades
Água de coco 1 coco ou 240mL
Ameixa preta fresca 2 unidades grandes
Ameixa vermelha 5 unidades médias
Ameixa seca 4 unidades
Banana prata/ouro 1 unidade média
Banana d'água 1 unidade pequena
Cajá 1 unidade grande
Caju 1 unidade média
Caqui meia unidade ou 1 unidade pequena
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 30
Lista de substituição dos grupos alimentares
FRUTA: 1 porção =15 gramas de CHO
Pode substituir por:
Carambola 1 unidade grande
Damasco seco 5 unidades
Figo 1 unidade média
Fruta do conde 1 unidade média
Goiaba meia unidade média
Jaca 5 bagos
Jambo 2 unidades médias
Kiwi 1 unidade média
Laranja 1 unidade pequena
meia unidade grande ou 1 unidade
Maçã
pequena
Mamão formosa 1 fatia média
Mamão papaya meia unidade pequena
Manga espada 1 unidade pequena
Manga tommy 1 fatia média
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 31
Lista de substituição dos grupos alimentares
FRUTA: 1 porção =15 gramas de CHO
Pode substituir por:
Maracujá 1 unidade média
Melancia 1 fatia média
Melão 2 fatias grandes
Morango 9 unidades médias
Pêra 1 unidade média
Pêssego 1 unidade grande
2 colheres de sopa cheia ou meio
Salada de frutas
copo pequeno
Tangerina 1 unidade média
Uva 10 unidades médias
Uvas passas 1 colher de sopa cheia
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 32
Lista de substituição dos grupos alimentares
ARROZ: 1 porção = 2 colheres de sopa = 15 gramas de CHO
Pode substituir por:
Aipim 1 pedaço pequeno
Angu ou polenta 2 colheres de sopa cheia
Batatas (doce, inglesa, baroa...) 2 colheres de sopa cheia
2 colheres de sopa cheia ou 1 pedaço
Inhame
pequeno
Cará 1 pedaço pequeno
Farofa 2 colheres de sopa cheia
Macarrão ou massas em geral 2 colheres de sopa cheia
Tabule 2 colheres de sopa cheia
Purê de batata 2 colheres de sopa cheia
FEIJÃO: 1 porção = 1 concha cheia = 15 gramas de CHO
Pode substituir por:
Feijões em geral/ Lentilha/ Sopa
1 concha cheia
de ervilha
Grão de bico 3 colheres de sopa cheia
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 33
Lista de substituição dos grupos alimentares
LEITE INTEGRAL: 1 porção = 200mL = 15 gramas de CHO
Pode substituir por:
Leite integral/desnatado em pó 2 colheres de sopa cheia
Iogurte natural ou light 1 pote (200mL)
Coalhada sem açúcar 1 pote (200mL)
Queijo minas ou prato 3 fatias médias
200mL de leite + 1 colher de chá
Leite com chocolate em pó
de chocolate ou cacau em pó
QUEIJOS E FRIOS: Só conta CHO a partir de 3 fatias
médias na mesma refeição = 15 gramas de CHO
Pode substituir por:
Queijo bola ou prato ou minas 2 fatias médias
Ricota ou queijo cottage 3 fatias médias
Poleguinho Ⓡ
ou Polenguinho
Light Ⓡ 1 unidade
Peito de peru 3 fatias médias
Presunto 2 fatias médias
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 34
Lista de substituição dos grupos alimentares
CARNE: Até 2 porções NÃO conta CHO
Pode substituir por:
Almôndega caseira 1 unidade média
Bife grelhado ou bife de fígado meia unidade média
Bife rolê 1 unidade pequena
Carne refogada ou moída 2 colheres de sopa
Hamburguer caseiro 1 unidade média
Coxa de frango assado 2 unidades médias
Filé de frango grelhado 1 unidade média
Peito de frango assado meia unidade média
Sobrecoxa de frango assada 1 unidade média
Fígado de galinha 2 unidades médias
Peixe assado ou cozido 1 filé pequeno
Posta de peixe assada ou cozida 1 unidade média
Peru ou chester 2 fatias
Quibe de forno 1 pedaço pequeno
Ovo cozido 1 unidade e meia
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 35
Lista de FESTAS
Alimento Quantidade Carboidrato (g)
Bolo de festa 1 fatia fina 30 a 45g
Cachorro quente caseiro 1 unidade 30g
Cachorro quente comercial 1 unidade 45 a 60g
Mini cachorro quente 1 unidade 15g
Mini docinho 3 unidades 15g
Mini hamburguer 1 unidade 15g
Mini pipoca 1 unidade 15g
Mini pizza 2 unidades 15g
Mini salgadinho 3 unidades 15g
Mousse de chocolate 1 unidade comercial 30g
Mousse de chocolate 2 colheres de sopa 15g
Mousse de maracujá 1 unidade comercial 45g
Mousse de maracujá 2 colheres de sopa 30g
Pão de queijo 3 unidades médias 30g
3 unidades
Pão de queijo 15g
pequenas
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 36
Lista de FESTAS
Alimento Quantidade Carboidrato (g)
1 fatia fina ou 2
Pavê de chocolate 15g
colheres de sopa
Picolé de fruta comum 1 unidade 15g
Pizza 1 fatia pequena 15g
Pizza 1 fatia grande 30g
1 fatia fina ou 2
Pudim de leite 30g
colheres de sopa
Salgado comercial 1 unidade 45g
Sorvete de casquinha 1 bola 30g
SBD, 2016; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 37
7.2 Edulcorantes
Não são essenciais no tratamento do diabetes.
Todavia, podem ser utilizados com moderação pois
permitem uma flexibilização da alimentação uma
vez que reduzem o consumo de calorias e
carboidratos.
A única contraindicação do uso de adoçantes,
especificamente aspartame e neotame, são
crianças com fenilcetonúria. O uso de
acessulfame de potássio em pacientes com
doença renal crônica devido à sua quantidade
de potássio.
Manitol, sorbitol, maltilol, isomaltitol, lactitol, xilitol e
eritrol são exemplos de edulcorantes calóricos
comercializados no Brasil e aprovados pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
Nenhum deles possui uma recomendação de
ingestão diária aceitável (IDA).
(SBD, 2020; Padilha et al., 2022).
38
7.2 Edulcorantes
Quadro 7: Adoçantes não calóricos comercializados no
Brasil e aprovados pela ANVISA
Edulcorante Tipo IDA (mg/Kg/dia)
Ciclamato Não calórico
11
Sacarina Não calórico 5
Aspartame Não calórico 40
Acessulfame-K Não calórico 15
Estévia Não calórico 4
Neotame Não calórico 2
Sucralose Não calórico 15
Taumatina Não calórico Não especificada
Fonte: Adaptado Padilha et al., 2022
Legenda: IDA: ingestão diária aceitável
O uso de edulcorantes deve ser mínimo na
alimentação do dia-a-dia, não
ultrapassando 6 sachês ou 15 gotas por dia.
SBD, 2020; Padilha et al., 2022); Rotinas assistenciais do ambulatório de
diabetes IPPMG/UFRJ. 39
8.
PRATICANDO...
40
Criança, sexo masculino, 7 anos e 1 mês (data de
nascimento em 20/05/2015), com diagnóstico de
DM1 há 3 anos.
No dia da consulta em 17/07/2022:
Peso = 28 Kg Peso/idade score z = +1,28
Estatura = 123 cm Estatura/idade score z= +0,07
IMC = 18,5 Kg/m² IMC/idade score z = +1,73
Estado nutricional segundo antropometria:
peso e estatura adequados para idade e sobrepeso
conforme curva de IMC/idade
OMS (2006;2007)
41
Calculando o peso ideal:
IMC no score z 0 (ou percentil 50): 15,5 Kg/m²
OMS (2006;2007)
Peso ideal:
IMC no score z 0 x (altura)²=
15,5 x 1,23² = 23,47 Kg
Necessidades energéticas diárias
Peso ideal x FAO 2004 =
23,4 Kg x 70,5 = 1700 Kcal por dia
Distribuição de carboidrato:
55% do VET para carboidratos =
900 kcal -> 225 g de CHO por dia
(OMS, 2006;2007) 42
Exemplo de plano alimentar:
HORÁRIOS QUANTIDADE DOS ALIMENTOS
Leite integral _ 1 porção _ 200 mL
06:00h às 08:00h Pão _ 1 porção _ meio francês ou 1
Café da manhã fatia de forma
30 gramas de CHO Manteiga _ pouca quantidade
09:00h às 10:00h
Colação Fruta - 1 porção
15 gramas de CHO
Feijão com caroço _ 1 porção _ 1
concha
Legumes coloridos _ 2 a 3 col. de
12:00h
sopa
Almoço
Verduras/Folhosos _ diariamente
60 gramas de CHO
Arroz _ 2 porções _ 4 col. de sopa
Carnes ou ovo _ 2 a 3 col. de sopa
Fruta _ 1 porção
15:00h às 16:00h
Leite integral _ 1 porção _ 200 mL
Lanche da tarde
Fruta _ 1 porção
30 gramas de CHO
18:00h
Jantar Igual ao almoço
60 gramas de CHO
21:00h às 22:00h
Igual ao café da manhã ou lanche da
Ceia
tarde
30 gramas de CHO
43
ESTRATÉGIAS PARA ENVOLVER O PACIENTE E
SUA FAMÍLIA NO TRATAMENTO DO DM
Oriente que as refeições sejam realizadas com
todos os integrantes da família, sempre que
possível
Redução do tempo de tela (televisão, celular,
computador), principalmente durante as
refeições
Incentive que o paciente participe das
preparações culinárias, desde a aquisição dos
alimentos até à mesa, sempre com supervisão
dos cuidadores
Se o planejamento dietético for a contagem de
carboidrato, oriente que a família explique ao
paciente desde cedo para que possa haver
conhecimento e autonomia no futuro
Faça atividades educacionais sobre alimentação
saudável, exemplificando sobre alimentos in
natura, minimamente processados, processados
e ultraprocessados
Esclareça sobre mitos e dúvidas relacionados à
alimentação e DM, principalmente, no que se
refere aos ultraprocessados direcionados ao
público infantil
44
9.0
HIPOGLICEMIA
45
É a complicação aguda mais frequente em
indivíduos com DM1. Pode ocorrer devido à doses
excessivas de insulina, refeições em horários
irregulares ou exercícios excessivos.
Sudorese, sonolência, fraqueza, tremores são
alguns dos sintomas de hipoglicemia.
Quadro 8: Classificações de hipoglicemia
Classificação Definição
Nível 1 (leve) 54 a 69mg/dL
Nível 2
<54mg/dL
(moderada)
Funcionamento mental e/ou
Nível 3 (grave)
físico alterado
Fonte: Adaptado SBD, 2020; ADA, 2022;2023
SBD, 2020; ADA, 2022;2023; Padilha et al., 2022 46
Como corrigir:
Deve-se oferecer 15 gramas de CHO e, após 15
minutos, aferir novamente a glicemia.
Exemplos de 15 gramas de CHO de rápida
absorção:
1 colher de sopa rasa de açúcar OU
150mL de refrigerante não dietético OU
150mL de suco de laranja OU
3 sachês de mel
Pacientes assintomáticos e com horários próximo
das refeições, devem antecipar, começando pelo
CHO.
Aqueles inconscientes, sugere-se esfregar açúcar na
mucosa da bochecha a fim de evitar
broncoaspiração.
Para evitar hipoglicemia, orienta-se realizar as
refeições em horários regulares, evitando jejum
prolongado.
SBD, 2016; SBD, 2020; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais
do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ. 47
10.
ESCOLA
48
No caso de crianças e adolescentes com DM, é
essencial um bom diálogo com a escola e a cooperação
do estabelecimento para um bom seguimento do
tratamento do DM. Além disso, é muito importante que
pessoal da creche ou da escola seja treinado para
fornecer os cuidados necessários para uma criança
com DM.
As refeições na escola devem considerar o plano
alimentar proposto pela nutricionista.
Quando o paciente tem como planejamento
dietético o método de contagem de carboidrato e
recebe a alimentação pela escola, o profissional
nutricionista pode fazer uma "carta à escola" com
as quantidades adequadas dos alimentos
adaptado aos horários de refeições da escola.
Recomenda-se optar por escolhas saudáveis
disponíveis na escola ou levá-las de casa e
adaptação da alimentação escolar ao esquema de
insulina, quando houver.
SBD, 2020; ADA, 2022; Padilha et al., 2022
49
11.
ATIVIDADE
FÍSICA
50
Todas as crianças, com ou sem diabetes,
devem ser estimuladas a praticar atividade
física regular. A atividade física é um dos
pilares do tratamento do DM.
O ideal seria a prática diária pelo menos 60
minutos de atividade aeróbica moderada a
vigorosa, com atividades de fortalecimento
muscular e ósseo pelo menos 3 dias por semana.
No DM1 e na insulinoterapia, a atividade física
pode causar hiper ou hipoglicemia tardia.
Recomenda-se que aqueles pacientes em
insulinoterapia consumam 15 gramas de CHO antes
da atividade física ou realizem ajustes na insulina se a
glicemia estiver abaixo de 100mg/dL.
Fonte: Adaptado SBD (2020)
Em alguns pacientes pode ser necessário diminuir a
dose de insulina de ação rápida nas refeições
precedentes à atividade física. A necessidade vai
depender do comportamento da glicemia antes,
durante e após a atividade física.
ADA, 2022;2023; SBD, 2022; Padilha et al., 2022; Rotinas
assistenciais do ambulatório de Diabetes IPPMG/UFRJ
51
10.
DOENÇA CELÍACA
52
A doença celíaca (DC) é uma doença crônica e
autoimune que ocorre com maior frequência em
indivíduos com DM1 do que na população em geral.
A recomendação pela ADA (2023) é, logo após o
diagnóstico, rastrear anticorpos IgA
transglutaminase tecidual (tTG), com
documentação de níveis séricos de IgA totais
normais ou IgG tTG e anticorpos de gliadina
desamidada se IgA for deficiente.
Orienta-se repetir esta triagem dentro de 2 e 5
anos após o diagnóstico de diabetes. Pode ser
considerada uma triagem mais frequente em
jovens que apresentam sintomas ou um parente
de primeiro grau com doença celíaca.
Sintomas sugestivos de DC:
Baixa estatura;
Velocidade de crescimento anual baixa;
Diarreia frequente e intensa
Dor abdominal
Baixa absorção
Hipoglicemias frequente e inexplicáveis
SBD, 2020; ADA, 2023; Padilha et al., 2022 53
Se o diagnóstico for confirmado, os indivíduos
devem ser colocados em dieta isenta de glúten
para o tratamento e para evitar complicações;
O glúten é um composto de proteínas encontrado
em cereais como trigo, centeio, cevada.
Naturalmente, a aveia não possui glúten, mas
pode haver contaminação cruzada.
Alimentos com Pão;
glúten que devem Bolos;
ser retirados da Macarrão;
dieta: Biscoitos
Arroz, milho, mandioca, batata, trigo sarraceno e
farinha de araruta são alimentos sem glúten que
podem ser usados em substituição aos cereais não
permitidos.
Frutas, verduras, legumes, leguminosas, óleos,
carnes, ovos e leite podem ser inseridos
normalmente no plano alimentar.
SBD, 2020; ADA, 2023; Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais
do ambulatório de diabetes IPPMG/UFRJ.
54
11.
DISLIPIDEMIA
55
Definida pela alteração nas concentrações
plasmáticas das variáveis lipídicas, a dislipidemia
pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares,
incluindo crianças e adolescentes com DM.
Na tabela a seguir, encontra-se os valores
desejáveis das frações lipídicas segundo a ADA
(2022).
Quadro 9: Valores desejáveis do perfil lipídico para
crianças e adolescentes com diabetes
Frações lipídicas Valores desejáveis
LDL-c < 100mg/dL
HDL-c > 35mg/dL
TG < 150mg/dL
Legenda: LDL-c: colesterol lipoproteína de baixa densidade; HDL-
c: colesterol lipoproteína de alta densidade; TG: trigicerídeo
Fonte: Adaptado SBD, 2020; ADA, 2022;2023
SBD, 2020; ADA, 2022;2023, Padilha et al., 2022 56
Se os valores das frações lipídicas estiverem
alteradas, o principal objetivo do tratamento será
controle da glicemia e orientações nutricionais para
dislipidemia.
Para LDL-c aumentado:
Recomenda-se limitar a quantidade de calorias
proviniente de lipídios a 25 a 30% do VET, gordura
saturada a 7% do VET e 200mg/dia de colesterol.
Ainda, orienta-se que 10% do VET seja proviniente
de ácidos graxos monoinsaturados e que gordura
trans sejam evitadas.
Para TG aumentado:
Recomenda-se todas as orientações acima e
diminuir a ingestão de açúcar simples e aumentar os
ácidos graxos n-3 da dieta.
SBD, 2020; ADA, 2022, Padilha et al., 2022 57
12.
EXCESSO DE PESO
58
A obesidade infantil é um problema de saúde
pública mundial. Sua prevalência vem aumentando
em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Pode ser considerada um dos fatores
ambientais envolvidos com o DM1.
Pode aumentar o risco para o
desenvolvimento de DM2 em crianças e
adolescentes.
Deve-se manter as mesmas recomendações de
crianças e adolescentes com obesidade, seguindo as
orientações da contagem de CHO, com devida
atenção ao crescimento e desenvolvimento,
enfatizando a importância da alimentação
saudável, o estímulo à prática de atividade física,
higiene do sono e incentivo aos hábitos alimentares
saudáveis para a família.
da Costa et al., 2016; SBD, 2020; March et al., 2021; ADA, 2022,
Padilha et al., 2022; Rotinas assistenciais do ambulatório de
diabetes IPPMG/UFRJ.
59
13.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
60
A orientação nutricional é uma parte integrante do
cuidado de crianças e adolescentes com DM, sendo
um dos pilares de seu tratamento. Desta forma, é
de suma importância a presença do profissional
nutricionista na equipe multiprofissional de
cuidados relacionados ao DM.
Espera-se que este e-book possa ser útil e
divulgado por todo território brasileiro a fim de
auxiliar no tratamento de crianças e adolescentes
com DM.
Em caso de dúvidas:
ProfªDrª Patricia de Carvalho Padilha
email: patricia@[Link]
Beatriz Xavier Peniche
email: beatrizxpeniche@[Link]
61
13. Referências:
[Link] Diabetes Association. Standards of Medical Care in
Diabetes-2022. Diabetes Care, v.45, n.1, jan. 2022. Supplement 1.
[Link] Diabetes Association. Standards of Medical Care in
Diabetes-2023. Diabetes Care, v.46, n.1, jan. 2023. Supplement 1.
[Link] Costa VM, de Carvalho Padilha P, de Lima GC, Ferreira AA,
Luescher JL, Porto L, et al. Overweight among children and
adolescent with type I diabetes mellitus: prevalence and
associated factors. Diabetololy & Metabolic Syndrome,
Brasil, v. 8, n.39, 2016.
[Link] Onis M, Onyango AW, Borghi E et al., Development of a
WHO growth reference for school-age children and adolescents.
Bull World Organ. v. 85, p.660-7, 2007.
[Link] Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas. 10th
Edition. Bruxelas: 2021.
[Link], Aline Alves; Farias, Dayana Rodrigues; de Miranda,
Adriana Benevenuti Rebelo; Padilha, Patrícia de Carvalho:
Avaliação Nutricional de Crianças e Adolescentes. In: PADILHA,
Patricia de Carvalho & ACCIOLY, Elizabeth (org). Nutrição
Clínica Aplicada à Pediatria. Rio de Janeiro: Rubio, 2022. p.535-
563.
[Link] CS, Becker DJ, Libman, IM. Nutrition and Obesity in the
Pathogenesis of Youth-Onset Type 1 Diabetes and Its
Complications. Frontries in Endocrinology, Lausanne, v. 12, n.
622901, 22 Mar. 2021.
62
13. Referências:
[Link], Patrícia de Carvalho; da Costa, Verônica Medeiros;
Silverio, Raquel Nascimento Chanca; Dalsgaard, Haline; Fortins,
Roberta Ferreira; Luescher, Jorge Luiz: Diabetes. In: PADILHA,
Patricia de Carvalho & ACCIOLY, Elizabeth (org). Nutrição
Clínica Aplicada à Pediatria. Rio de Janeiro: Rubio, 2022. p.535-
563.
[Link] Brasileira de Diabetes. Manual oficial da Contagem
de Carboidrato para profissionais da saúde. Departamento de
Nutrição. Rio de Janeiro: 2C, 2009.
[Link] Brasileira de Diabetes. Manual oficial da Contagem
de Carboidrato para profissionais da saúde. Departamento de
Nutrição. Rio de Janeiro: 2C, 2009.
[Link] Brasileira de Diabetes. Manual oficial da Contagem
de Carboidrato para profissionais da saúde. Departamento de
Nutrição. Rio de Janeiro: 2C, 2009.
[Link] Brasileira de Diabetes. Diretrizes Sociedade
Brasileira de Diabetes 2019-2020. São Paulo: Clannad Editora
Científica, 2020.
[Link] G, Berioli MG, Cerquiglini L, Santi E, Mancini G, Rogari
F, Toni G, Esposito S. Carbohydrate Counting in Children and
Adolescents with Type 1 Diabetes. Nutrients, v. 10, n. 1, 22 jan.
2018.
[Link] Health Organization (WHO). Length/height-for-age,
weight-for-age, weight-for-height and bodymass index-for-age:
method and development. Genebra: WHO; 2006.
63
ESTE E-BOOK FOI CRIADO COM O
OBJETIVO DE AUXILIAR O
PROFISSIONAL NUTRICIONISTA
SOBRE CONDUTA NUTRICIONAL
PARA CRIANÇAS E
ADOLESCENTES COM DIABETES
MELLITUS
Autores:
Beatriz Xavier Peniche
ProfªDrª Patricia de Carvalho Padilha
ROTINAS PARA ORIENTAÇÃO
NUTRICIONAL DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES COM
DIABETES MELLITUS
Rio de Janeiro
2023