A Essência da Constituição

Prefácio de Aurélio Wander Bastos 6º edição As informações sobre esta conferência de Lassale tiveram outras três publicações, esta é a 4ª publicação editada pela Editora Lúmen Júris e tomou como base a tradução feita por Walter Stöner. Comparando o texto com o original em outras línguas foi feito algumas adaptações de linguagem, assim, não divulgando o texto com sua denominação original em português, Que é uma Constituição? Por fidelidade ao teor político e jurídico da obra, entendemos mais conveniente publicá-la com o título A Essência da Constituição. Este livro de Ferdinand Lassale ( Breslau, 1825 -1864 ) é um clássico do pensamento político constitucional. Lassale não se destacou como jurista ou intelectual erudito, mas produziu trabalhos de significativa importância filosófica, sendo este, o último trabalho para dar continuidade à coleção de clássicos do Direito. Esta obra o consagrou entre os constitucionalistas, porém seu trabalho político mais importante é sobre o estudo de problemas e alternativas para o sindicalismo, especialmente alemão – prussiano da época: Programa dos operários, tendo como tese principal o sufrágio universal igual e direito para os operários. A Essência da Constituição é dos únicos trabalhos constitucionais de alcance acadêmico que estuda os fundamentos, não formais, mas, como ele denomina essenciais, sociais e políticos de uma Constituição. Lassale, neste trabalho, explicita com límpida clareza os fundamentos sociológicos das constituições: os fatores reais de poder; constituem esses fatores: a monarquia, a aristocracia, a grande burguesia, os banqueiros e, com específicas e especiais conotações, a pequena burguesia e a classe operária, e o que elas representam da ciência nacional. Ele estuda também o papel do exército ou das forças policiais não como fator autônomo e real do poder, mas como instrumentos desses fatores. Qual será a verdadeira essência, o verdadeiro conceito de Constituição? Talvez muitos procurariam na legislação prussiana de 1850 ou se perguntasse a um jurisconsulto receberia mais ou menos esta resposta: Constituição é um pacto de juramento entre o rei e o povo, estabelecendo os princípios alicerçais da legislação e do governo dentro de um país. O conceito da Constituição – é a fonte primitiva da qual nascem a arte e a sabedoria constitucionais. Lei e Constituição – Qual a diferença entre elas? - Constituição não é uma lei como as outras, é uma lei fundamental da nação. Como distinguir uma lei fundamental de outra lei qualquer? 1º Deve ser uma lei básica; 2º Que constitua; 3º Que tenha fundamentos. Fatores reais de Poder – Atuam no seio de cada sociedade e são essa força ativa e eficaz que informa todas as leis e instituições jurídicas vigentes, determinando que não possam ser, em substância, a não ser tal como elas são.

Senado – Estabelece que alguns grandes proprietários da aristocracia reúnam em suas mãos tanto poder como os ricos. a Constituição de um país: a soma dos fatores reais do poder que regem uma nação. mas entre essas forças existe uma diferença muito grande: o poder da nação é desorganizado e o do exército é organizado e disciplinado. A grande Burguesia. Para a burguesia uma constituição escrita era o de menos. Constituição Escrita e Real – Quando podemos dizer que uma constituição escrita é boa e duradoura? – Quando essa constituição escrita não corresponder à constituição real e tiver suas raízes nos fatores do poder que regem o país. Aristocracia. O Sistema Eleitoral das Três Classes – Dividia a nação em três grupos eleitorais. vinte ou cinqüenta vezes maior que o do exército. nem intervir nos seus assuntos e organização. de acordo com os impostos por eles pagos e que. em síntese. Quando esses fatores reais do poder se incorporam a um papel tornam –se um verdadeiro direito – instituições jurídicas. supremacia esta que ficaria diminuída embora o poder efetivo da nação fosse dez. intrometer – . no qual lhes permitirá contrabalancear a vontade nacional e de todas as classes que a compõe.Monarquia. num instrumento da nação. O poder da Nação é Invencível – Em 1848. por conseguinte é punido. Primeira conseqüência – Para transformar o exército de um rei. mas o que queriam era. Assim o rei consegue reunir um poder muito superior ao que goza a nação inteira. Gritavam todos à Assembléia Legislativa: Ocupai – vos da Constituição e somente da Constituição. evitar o afastamento dos fatores reais e efetivos do poder dentro do país. por mais unânime que seja. Esta é. Constituição Real e Efetiva – Em nenhum documento constavam os direitos do povo e os do governo. foi aprovada a proposta de obrigatoriedade de todos os oficiais reacionários a resignar seus postos. estariam de acordo também com as posses de cada eleitor. ficou demonstrado que o poder da nação é muito superior ao do exército. O Rei e o Exército – O rei nomeará todos os cargos do exército e da marinha e não será exigido deles o juramento de guardar a Constituição (Constituição Prussiana). A pequena Burguesia e a Classe Operária. era pois a expressão simples e clara dos fatores reais do poder que vigoravam na França medieval. a Revolução Burguesa. A realidade era esta: o povo estava sempre por baixo e devia continuar assim. o Absolutismo. em essência. os Banqueiros. por isso vence sempre. As transformações que afetam os fatores reais do poder de uma sociedade: A Constituição Feudal. Quem atentar contra eles atenta contra a lei e. nem a câmara dos deputados e nem a nação têm que se preocupar com o exército. limitando-se somente a votar as quantias necessárias para que a instituição subsista. solicitando a aposentadoria. naturalmente. a não ser em casos isolados que acontece em momentos históricos de grande emoção.

ia ao encontro à constituição real. porém. se não se justifica pelos fatos reais e efetivos do poder”. Assim a constituição real abriu caminho. CLEIDE CALGARO RAFAEL STAPASOLLA ZANOTTI VITÓRIA MEYER . imiscuir-se nele tanto e de tal forma. “De nada servirá o que se escrever em uma folha de papel. como as organizações dos funcionários públicos. Esta Constituição poderá ser reformada radicalmente. de um modo especial. não pode existir um partido político que tenha por lema o respeito à Constituição. o rei em 5 de dezembro de 1848 proclamou a Constituição baseada nos papéis da assembléia. mas do poder. contra os fatores reais do poder. isto é. mas também existem outros valores. que podem ser considerados também como forças orgânicas do poder de uma sociedade. passo a passo. a verdadeira Constituição de um país somente tem por base os fatores reais e efetivos do poder que naquele país vigem e as constituições escritas não tem valor nem são duráveis a não ser que exprimam fielmente os fatores do poder que imperam na realidade social: eis aí os critérios fundamentais que devemos sempre lembrar. Terceira conseqüência – Onde a Constituição reflete os fatores reais e efetivos do poder. mantida integralmente. que ficasse impossibilitado de aparecer como soberano perante a nação. porque ela já é respeitada. Conclusões Práticas – Os problemas constitucionais não são problemas de direito. o valor que representa o exército como fator decisivo e importantíssimo do poder organizado. Nesta conferência eu quis demonstrar. nunca. UCS – NUCAN – DIREITO CONSTITUCIONAL I PRFª.se no Poder Executivo. etc. invulnerável. Segunda conseqüência – A Assembléia Nacional foi dissolvida. O rei continuava com o poder. até impor-se à constituição escrita. Somente o fato de existir o grito de alarme que incite a conservá-la é uma prova evidente de sua caducidade para aqueles que saibam ver com clareza.

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