O NÃO-DITO NA LIDERANÇA: UMA OLHAR CRÍTICO ACERCA DA INTELIGÊNCIA PRÁTICA E COMPETÊNCIA EMOCIONAL

Debora Regina Tineo Marcelo Romeu Dalpino

O filósofo grego Aristóteles defendia a existência de um único mundo: este em que vivemos e afirmava: “A dúvida é o princípio da sabedoria” e “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”.1 Tais afirmações nos levam à reflexão acerca da Inteligência Prática e Competência Emocional, à luz das leituras dos textos de Sternberg (1998) “Inteligência Prática e o seu Desenvolvimento”, Cerniss (2002) “Competência Social e Emocional no Local de Trabalho” e por meio da análise fílmica de (1957) “Doze homens e uma sentença” 1. INTELIGÊNCIA PRÁTICA Sternberg (1998) afirmou que a inteligência prática, aquilo que a maioria entende por senso comum, pode ser perspectivada como uma aptidão que se desenvolve no tempo à medida que os indivíduos constroem os seus “depósitos” de conhecimentos e capacidades exigidas para dominar áreas específicas. De acordo com o autor, os estudos de inteligência e do seu desenvolvimento durante a idade adulta, nos últimos anos, têm apresentado uma tendência a enfocar os seus aspectos práticos. Trata-se da inteligência aplicada na vida cotidiana, na adaptação, transformação e seleção de ambientes. Desta forma, dentro do domínio da inteligência prática, estão a capacidade de resolução de problemas práticos, a inteligência pragmática e a inteligência cotidiana. Trazendo esta teoria para o filme Doze Homens e uma Sentença, notase claramente a inteligência prática sendo aplicada pelo personagem de Henry Fonda (jurado 8), quando não convicto da culpa do réu, vota pela sua

1

PERELMAN, Chaïm e OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação. Tradução de Maria Ermantina

Galvão G. PEREIRA. São Paulo: Martins Fontes, 1996 .

estimulando os demais a refletirem sobre a decisão tomada. Com isto o debate se instaura entre os doze jurados de forma calorosa. a velhice. enquanto os outros jurados levantam e lhe dão as costas. Questionado pelos demais jurados sobre a escolha de inocentar o réu. Isto faz com que tenha dúvidas em sua escolha. os preconceitos dos jurados vêm à tona: contra a pobreza. ou apenas o ignoram. A inteligência emocional do líder de um grupo terá um impacto poderoso sobre o clima e a eficácia do grupo e que os grupos também têm um impacto poderoso em seus líderes. interpretado por Henry Fonda cumpre sua obrigação moral de ajudar aos demais a tomarem uma decisão responsável e racional. . esse jurado começa a explicar quais são os pontos duvidosos. reconhece quando elas tornam perniciosas e têm a capacidade de manejá-la de maneira a minimizar o dano. Os líderes emocionalmente inteligentes entendem a dinâmica do grupo. converge no exercício da liderança. destilando preconceitos de todo tipo. O protagonista. Esse homem (representado por Henry Fonda) não está convencido da culpa. Durante a discussão. os imigrantes. que começa a abalar a certeza dos demais jurados. Demonstra um enorme poder de persuasão e senso prático frente às argumentações. baseada em fatos concretos. porém. pois está lidando com a vida de um jovem de dezoito anos. quebrando então a unanimidade necessária para condená-lo.absolvição. o líder emocionalmente inteligente é ciente dessas influências. mas também não tem certeza da inocência. COMPETÊNCIA EMOCIONAL – LIDERANÇA Cherniss (2002). e eles se dão conta dos próprios preconceitos e percebem as contradições de seus argumentos e começam a rever suas opiniões. que o impedem de tomar a decisão fatal. A argumentação é de tal maneira lógica e convincente. analisando todas as possibilidades. colocando seus pontos baseados em argumentos do cotidiano. Uma cena especialmente tocante é quando o jurado 10 começa a „argumentar‟. intergrupo e organizacional. 2. aborda que a inteligência emocional nos níveis individuais e de grupo ou organizacional. que poderá morrer se ele fizer a escolha errada.

Nas cenas finais. Este foi convencido pelo personagem de Henry Fonda que através da condenação do rapaz mexicano. o que mostra que a competência emocional demonstrada pelo personagem de Henry Fonda foi fundamental na condução e liderança deste grupo. conduzindo o grupo à reflexão com o argumento de que mesmo não tendo certeza da verdade. Mantendo-se firme em sua posição. bem como seu poder de persuasão. reflitam sobre suas visões preconceituosas e principalmente que tomem consciência da responsabilidade das suas decisões. apenas um dos jurados mantinha a posição de culpado e trata-se de um senhor que na via o filho há muito tempo.particularmente no sentido de que ela afeta o funcionamento emocional. ele mencionava que existia uma dúvida e que nenhum júri poderia declarar um homem culpado a menos que tivessem certeza. faz com que aos poucos os membros do grupo discutam sobre as provas e testemunhas. Na liderança do grupo. O filme termina com os doze jurados dando o veredicto de inocente para o réu. A autora também menciona que em posições de liderança. era importante discutirem pois tinham a vida do réu em suas mãos e uma decisão precipitada poderia condená-lo injustamente ou libertar um culpado. CONSIDERAÇÕES FINAIS . revejam algumas provas. dividindo suas preocupações com o grupo. Muitas vezes. quase 90% das competências necessárias para o sucesso são de natureza social e emocional (Goleman. o personagem de Henry Fonda. além de serem habilidosos para trabalhar com essa dinâmica em benefício dos indivíduos e de sua organização. 1998). expondo seus argumentos para que chegassem à conclusão juntos. em seu discurso. utilizando suas competências sociais e emocionais e multiculturais. o jurado estava procurando condenar o filho e ele aos prantos muda a sua decisão para não culpado.

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