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Direito Europeu

2º Semestre – Aulas Práticas

PARLAMENTO EUROPEU
Há quatro grandes aspectos com relevância substancial no momento de transição do tratado
de Roma para o tratado da União Europeia em 93.
Em 93 teve, pois, lugar uma revolução substancial: CE  UE
Com o tratado da união europeia houve uma alteração dos poderes do parlamento europeu,
que passa a assumir um papel fundamental no processo de legislativo através do processo de
co-decisão.
(art. 251º e 252º – reporta-se às matérias de co-decisão – há partilha de processo legislativo –
Parlamento Europeu e Comunidade Europeia)
A partir de então, nas matérias constantes dos artigos 251º e 252º do tratado da união
europeia (e só nestas matérias), i.e., sem o processo de co-decisão, o Parlamento Europeu
passa a partilhar, em pé de igualdade, o procedimento legislativo com o Conselho de
Ministros. Outrora, este procedimento legislativo, decisório, era só do Conselho de Ministros.
Ao nível do funcionamento do Parlamento Europeu, há uma simplificação da sua intervenção
nos processos de:
a) Emissão de pareceres favoráveis;
b) Emissão de pareceres consultivos
Outro aspecto que se releva desde Amesterdão é a composição do parlamento europeu. É
com a UE, em 93, que começam a perspectivar-se negociações das futuras adesões (o
alargamento europeu).
Assim, é necessário rever a composição do órgão colegial. Até 93, não havia limite máximo,
vigorava o sistema eleitoral de representação proporcional (clª 190º/2). A determinação de um
limite máximo surge porque o tratado de Amesterdão fixa a necessidade desse limite máximo
do Parlamento Europeu em 700 membros. Em Nice, alterou-se para 732 membros.
Porém, simultaneamente, este é o máximo, e o mínimo é a representação politica adequada
(escolhida) por cada Estado Membro.
Com o alargamento, aplicando-se o sistema eleitoral do método de Hondt, corre-se o risco de
um Estado Membro ter zero (0) deputados. Mas isto nunca pode acontecer e como tal, o
legislador ordinário, diz que pelo menos um deputado tem que representar um Estado
Membro. Isto é a representação politica adequada.
O Parlamento Europeu pode apresentar propostas quanto ao seu processo de eleição. Ele
próprio pode intervir no estatuto da sua própria eleição. É o Conselho de Ministros da UE que
toma depois a decisão.
Conselho de Ministros da União Europeia
É o centro legislativo por excelência da união europeia.
O aspecto mais relevante do Tratado da União Europeu, que se aprofundou no Tratado de
Amesterdão, é o alargamento do âmbito de aplicação das deliberações por maioria qualificada
a um conjunto mais diversificado de matérias.
Isto é, passa a existir uma maior diversidade de matérias ás quais o Conselho de Ministros da
UE, no seu processo decisório, passa a deliberar, aplicando a votação por maioria qualificada.
O objectivo da UE é um processo federalista de cúpula de poderes que, soberanamente, actue
sobre os Estados. Mas os Estados também não querem abdicar da sua soberania. Daí, a partir
da UE, com maior incidência a partir de Amesterdão, se ter passado do sistema de votação por

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unanimidade para o sistema de maioria qualificada, em determinadas matérias expressamente


legisladas. Ao nível do processo decisório legislativo, i.e., fazer leis comunitárias, há uma
evolução positiva no sentido da supranacionalidade (quando é imperativo desvincular os
Estados da sua soberania).
Unanimidade: todos votam sim ou todos votam não
Maioria qualificada: 50% + 1 voto
O Estado que vota não tem a reserva de não aplicar. Caso tenha feito o pedido de reserva, não
aplica, mas não pode impedir que os outros de aplicar.
Continua a manter-se zonas de reserva constitucionais (ou zonas de soberania Estadual),
nomeadamente nas decisões que incidam sobre revisões dos tratados que continua a regra da
unanimidade. O mesmo relativamente à adesão de novos Estados, bem como questões
fundamentais (isto porque “mexe” com os Direitos Fundamentais). Também relativamente
aos títulos novos introduzidos pelo Tratado da União Europeia e que são novas políticas da UE,
a saber:
- A cooperação reforçada;
- A cooperação policial e judiciária em matéria penal;
- A política externa de segurança comum (PESC)
Estas são áreas de aplicação da regra de unanimidade.
Comissão Europeia
Enquanto instituição (ao lado das outras), tem papel fundamental na estrutura institucional da
união europeia.
A Comissão Europeia é o verdadeiro Governo da Europa.
Juntamente com as outras, constitui um papel quase absorvente relativamente à dimensão
das outras.
É o Governo da Europa porque é o verdadeiro poder executivo da UE.
Mas tem também outros, o que quase torna monopolizante a sua função no espaço europeu.
Qualquer medida tomada, é sempre “ A Comissão Europeia” que está a mediar, a pensar
medidas executivas. É a Comissão Europeia que estuda medidas de controlo da saúde pública
no que respeita por exemplo à gripe das aves.
Mais que um poder executivo, é a Comissão Europeia, que tem a função iniciadora de todos os
processos. É ela que toma a iniciativa, o impulso.
É também administradora, mediadora (de conflitos, a nível europeu e internacional), é
negociadora (revisão dos tratados) e é guardiã dos tratados.
É nesta perspectiva deste papel crucial que, desde o tratado da união europeia, se
perspectivou a aquisição, por parte do presidente da comissão europeia de maiores poderes
no que respeita à escolha dos comissários. Há, pois, maiores poderes atribuídos ao presidente
da comissão europeia no que respeita ao exercício de uma forte liderança política.
Outro aspecto importante é um reforço e um melhoramento da organização interna e da
estruturação dos serviços da comissão.
O terceiro aspecto a analisar no protocolo anexo ao Tratado de Nice, prende-se com a
composição da Comissão.
São 20 os comissários. Como são 25 os Estados Membros, primeiro acordou-se que todos os
Estados tem 1 comissário e os Estados maiores tinham 2.

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Com o alargamento aos 25 pôs-se a questão: 20 comissários e 25 Estados Membros?


No protocolo, diz-se que com o alargamento aos 25, e até aos 27 Estados Membros inclusive,
cada Estado tem pelo menos 1 comissário.
A partir de 27 Estados Membros, é o próprio Conselho de Ministros, que tem que encontrar
um sistema rotativo paritário entre os Estados Membros, para estabelecer quais os Estados e,
durante quanto tempo, representam os seus interesses na Comissão.
Tribunal de justiça das comunidades europeias
Verifica-se um alargamento e clarificação das suas competências, nomeadamente no que
respeita à defesa dos Direitos Fundamentais, no que respeita à intervenção da união europeia
em matéria de asilo e emigração e ainda no que respeita às matérias da cooperação policial e
judiciária. (novo estatuto do tribunal de justiça)
Com o tratado de Nice, aprovou-se o novo estatuto do Tribunal de Justiça.
Tribunal de Contas
Até Maastricht, não aparecia como instituição. Era mero órgão da Comunidade e com funções
limitadas.
Só com o tratado da união europeia (em concreto desde 1 de Novembro de 1993) é que o
Tribunal de Contas foi elevado à quinta instituição da união europeia.
As competências sofreram algumas mutações, mais poderes, sobretudo desde o tratado de
Amesterdão.
Em concreto, é mais importante em sede de democraticidade e estado de direito a
possibilidade de o próprio Tribunal de Contas recorrer ao Tribunal de Justiça para defesa das
suas próprias prerrogativas.
Outro aspecto é o alargamento significativo do seu poder de intervenção e controlo ao nível
dos fundos comunitários, sobretudo os que são dirigidos por organismos externos à
Comunidade. Maior intervenção e maior proximidade relativamente à aplicação dos dinheiros.
Tratado de Nice
Parte V (as instituições da comunidade), Capítulo I, Secção I (o Parlamento Europeu)
Apesar de serem 5 as Instituições, o triângulo institucional é constituído por:
a) Parlamento Europeu
b) Comissão Europeia
c) Conselho de Ministros
Este triângulo comunitário sai também reforçado pelas inter-relações de responsabilidade
entre estas 3 instituições.
A Comissão Europeia e o Conselho de Ministros estão em responsabilidade constante perante
o Parlamento Europeu. Este último faz o controlo parlamentar à Comissão Europeia e ao
Conselho de Ministros. O Parlamento Europeu pode fazer uma moção de censura à Comissão
ou ao Conselho de Ministros.
Há poderes de co-responsabilização. A comissão Europeia e o Conselho de Ministros são co-
responsabilizados com o Parlamento Europeu e a Comissão também é co-responsabilizada
perante o Conselho de Ministros. (Tratado de Nice cláusula 189º e seguintes)
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Vamos entrar na análise de cada uma das cinco instituições da união europeia. Mas há três
que são pilares básicos da estrutura da união.
Parlamento Europeu
Tem uma função de controlo parlamentar. O parlamento europeu enquanto instituição da
união europeia representa os interesses dos cidadãos da união, na medida em que é por estes
directamente eleitos.
Antes chamava-se Assembleia Parlamentar, remonta as suas origens aos anos cinquenta.
A eleição directa só se deu a partir de 1979.
Desde essa altura, torna-se a instituição de plena representatividade democrática directa, dos
povos da união europeia e o seu principal representante ao nível das instituições comunitárias.
Onde se encontra a sede? O funcionamento do parlamento europeu está repartido por França,
Bélgica e Luxemburgo, mas na realidade a estrutura principal está em Estrasburgo na França.
As sessões plenárias são feitas em Estrasburgo, onde se reúnem todos os deputados e secções
plenárias.
Em Bruxelas, na Bélgica, funcionam as comissões parlamentares e as sessões plenárias
extraordinárias/suplementares.
No Luxemburgo funcionam apenas os serviços administrativos – apoio logístico.
O Artigo 189º
1º Parágrafo tem dois aspectos: a representação e o princípio da competência.
“ O parlamento… comunidade” – poder de representação.
O parlamento só pode actuar nos poderes atribuídos pelo tratado. Aqui chama a
atenção para que toda a representatividade tenha de estar presente no tratado.
“ exerce…tratado” – princípio da competência.
2º Parágrafo contém a limitação quantitativa dos deputados.
Tendo em conta a negociação e o alargamento a novos membros, determinou-se um
número máximo de 732 deputados.
O Artigo 190º
Nº1 – Designação do PE – forma de eleição, sufrágio universal, directo, igual, periódico e
secreto.
Nº2 – Composição efectiva do PE – Número de deputados em efectividade de funções. Com a
adesão de novos Estados o número sobe. (Importante: no parágrafo 2 diz que o reajustamento
deve ser proporcional. Os Estados têm que ter pelo menos 1 deputado, já que pelo sistema
proporcional pode ocorrer o caso em que um Estado fique com”zero” deputados efectuados
os cálculos)
Nº3 – (este número é novo) Legislatura/mandato de 5 anos (neste momento o mandato
começou em 2004 e vai até 2005) com 25 estados membros. Cada sessão legislativa tem a
duração de um ano, a legislatura é de cinco anos.
Nº4 – Processo eleitoral do parlamento europeu. É aprovado pelo Conselho por unanimidade,
após parecer favorável do PE.
Nº5 – Aprovação do estatuto dos deputados. O PE propõe o Estatuto dos Deputados após
parecer da Comissão Europeia. O Estatuto é aprovado pelo Conselho de Ministros por maioria
qualificada.

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O Artigo 191º
Faz referência aos partidos políticos em sede de candidaturas ao parlamento europeu.
A exteriorização dos partidos em sede de representação parlamentar, é feita através dos
agrupamentos de famílias transnacionais.
A questão dos partidos em sede da representatividade é fundamental para intensificar as
questões da cidadania e da identidade europeias.
Poderes ou funções do Parlamento Europeu
O controlo parlamentar, em termos gerais exerce um controlo democrático e político sobre
todas as instituições comunitárias, mas exerce esse poder mais marcadamente sobre a
Comissão Europeia, cujo seu presidente e seus membros estão sujeitos sempre e
obrigatoriamente a um voto de aprovação do parlamento europeu.
A comissão é politicamente responsável perante o Parlamento Europeu, que pode votar uma
moção de censura contra a Comissão Europeia nos termos do artigo 201º, moção de censura
essa que a ser aprovada conduzirá à demissão compulsiva da comissão europeia.
O Artigo 201º
O parlamento examina regularmente relatórios que a comissão apresenta. Um deles, o
relatório geral anual – artigo 200º.
Os deputados fazem regularmente perguntas orais e por escrito à Comissão Europeia, nos
termos do artigo 197º, parágrafo 3º.
Este controlo parlamentar, também se exerce sobre o Conselho.
Os deputados dirigem perguntas orais e escritas aos membros do Conselho – artigo 197º, 4º
parágrafo.
Finalmente encontramos outros mecanismos de controlo:
Artigo 194º – As petições dos cidadãos: estamos a falar de actuação e cooperação.
Artigo 193º – Comissões temporárias de inquérito para analisar alegadas infracções – controlo
do funcionamento das instituições.
Artigo 195º número 1 – A nomeação do provedor de justiça.
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Parlamento Europeu (continuação aula anterior)
Das 3 funções do Parlamento Europeu, 1 delas é o núcleo do seu funcionamento: - O
Controlo Parlamentar.
2ª Função do Parlamento Europeu:
É o poder legislativo do Parlamento. Não é núcleo da sua acção (mas é do Conselho de
Ministros), mas dado que no Tratado da União Europeia foi alterado o exercício do poder
legislativo possibilitando-se a intervenção do Parlamento Europeu no poder legislativo.
O Parlamento Europeu partilha com o conselho de ministros da união europeia, o poder
legislativo, ou seja, adopta em plano de igualdade a legislação europeia como por exemplo as
directivas, os regulamentos e as decisões.
A participação do parlamento europeu no procedimento legislativo contribui para garantir a
legitimidade democrática dos textos adoptados.

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A iniciativa legislativa pertence sempre por excelência à Comissão Europeia que apresenta as
propostas dos textos legislativos que pretende ver adoptados e elaborados pelo Conselho com
a participação do Parlamento Europeu.
Assim, o poder legislativo tem três dimensões de exercício:
O mais frequente é o processo da co-decisão, que coloca o parlamento europeu em pé de
igualdade e resulta da adopção de actos comunitários comuns (do conselho e do parlamento
em conjunto) conforme está no 1º parágrafo do artigo 192º Tr. Nice e 251º/252º.
O parlamento europeu participa ainda ao nível do procedimento legislativo emitindo
pareceres favoráveis (ex.: aprovação do processo eleitora – nº 4 artigo 190º) ou formulando
pareceres consultivos.
Artigos 48º e 49º do tratado da união europeia;
Artigo 300º do tratado de Roma;
3ª Função do Parlamento Europeu:
É autoridade orçamental no orçamento comunitário. Partilha com o Conselho de Ministros da
UE. Este poder do Parlamento Europeu de autoridade orçamental, manifesta-se na alteração,
modificação de certas despesas comunitárias.
O seu papel mais importante culmina, adoptando na sua integralidade, o orçamento
comunitário. É ele que o aprova definitivamente. É também uma função legislante e de
controlo. Estamos a falar de controlo de gestão das finanças europeias.
De facto o parlamento e o conselho são os principais intervenientes no processo de aprovação
do orçamento anual da comunidade.
Em termos genéricos, como se processa?
Em termos genéricos, a comissão europeia anualmente elabora um ante projecto do
orçamento o qual reúne todas as previsões de receitas e despesas das instituições
comunitárias. Este ante projecto é submetido ao conselho para ser aprovado sob a forma de
projecto de orçamento comunitário.
Este projecto de orçamento comunitário é submetido a duas leituras (do Parlamento e do
Conselho que concordam ou não nas despesas) sucessivas do parlamento europeu – artigo
272º nº 4 Tratado de Nice.
O objectivo destas duas leituras feitas pelo parlamento europeu, é para permitir a negociação
entre este e o conselho, relativamente à alteração, manutenção, rejeição de certas despesas
comunitárias e garantir uma boa repartição dos recursos orçamentais.
O conselho submete ao parlamento as despesas e as receitas para concordar ou não e o
parlamento também submete ao conselho, isto são as duas leituras.
O projecto volta ao Parlamento Europeu, o qual, finalmente, aprova, na íntegra, o Orçamento
Comunitário.
Essa aprovação é exteriorizada pelo Presidente da Comissão – artigo 272º número 7, Tratado
de Nice.
A Comissão tem a iniciativa e depois executa o orçamento comunitário.
O Parlamento Europeu tem a função de controlo: atento à execução da Comissão.
O Parlamento Europeu, no ano subsequente ao da execução, dá a quitação ou não
(accionando processos de responsabilização por má gestão dos dinheiros públicos) à Comissão,

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“ratificando”/”confirmando” que a Comissão, no ano da execução geriu bem os dinheiros


comunitários.
O Tribunal de Contas fiscaliza o Orçamento Comunitário.
Parlamento Europeu – Aplicação das regras das deliberações
O Parlamento Europeu funciona em plenário, funcionamento colegial, sendo as suas
deliberações tomadas por maioria. Sem prejuízo do Regulamento interno do PE que fixa o
“quórum” (de funcionamento e o de deliberação), a regra da maioria é a que está prevista na
2ª parte do artigo 198º: Regra da maioria absoluta dos votos expressos.
Isto é, com a actual composição (732 deputados) do PE e votando eles favoravelmente, pelo
menos 367º têm que votar a favor para que a deliberação seja aprovada.
O Conselho de Ministros da União Europeia (ou Conselho da UE)
O Conselho de Ministros assegura a representação dos Estados Membros, isto é, assegura a
representação dos seus interesses nacionais (dos governos dos estados membros) ao nível da
UE.
O Conselho de Ministros constitui a principal instância de decisão da UE, é a instituição que é o
principal centro legislativo.
Os representantes dos governos, reunidos a nível ministerial no Conselho, são politicamente
responsáveis perante os respectivos Parlamentos nacionais.
São mandatados pelo governo: os ministros ou 1º Ministro dos governos.
A representação é pois sempre a nível ministerial.
O poder que lhes é atribuído é nas mesmas condições que os poderes a nível nacional. Os
representantes ministeriais dentro do Conselho de ministros da UE são pois responsáveis
politicamente perante a Assembleia da Republica (como se estivessem cá a representar
interesses nacionais).
Os representantes ministeriais são responsáveis perante os cidadãos nacionais. Não
respondem só perante o Parlamento Europeu mas também perante os cidadãos nacionais. Isto
porque são responsáveis perante a AR e a AR representa a todos nós.
O conselho de ministros é também responsável na sua actuação perante o PE da UE.
O campo de intervenção do Conselho na UE abrange 3 pilares em sede de supra nacionalidade:
a) O pilar das comunidades europeias (matérias iniciais do Tratado de Roma)
b) A politica externa e de segurança comum
c) A politica de cooperação judicial e judiciária em matéria penal
Fisicamente o conselho de ministros funciona em Bruxelas (Bélgica) e, esporadicamente, há
reuniões no Luxemburgo.
Composição do Conselho de Ministros (art. 203º)
O Conselho de Ministros é composto por 25 membros (1 de cada Estado Membro).
O membro mandatado tem poderes não vinculativos, defende interesses nacionais no
conselho de ministros da UE.
Formalmente existe apenas o conselho, mas na prática há diferentes formações do conselho,
que se desenvolvem em função e de acordo com os assuntos agendados. Há, pois, diferentes
reuniões consoante as matérias agendadas, umas com maior periodicidade, 1 reunião por mês
(ex.: assuntos financeiros, agrícolas) ou menor 2 a 4 reuniões por ano.

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Presidência da UE
É o estado membro que preside à UE. A presidência é rotativa (decidida pelo conselho em
unanimidade) de 6 meses.
É o presidente que agenda, coordena, decide se há cimeiras, etc. (conforme art. 203º
parágrafo 2).
Poderes ou funções (são 3) do conselho de ministros da UE (art. 202º)
A 1ª função: poder de decisão (art. 202º 2º parágrafo) o que confirma que o conselho é o
centro legislativo da UE. Este poder de decisão é exercido com vista a garantir a realização dos
objectivos enunciados nos tratados e nas condições neles previstas.
Regra geral, o conselho só actua mediante proposta da Comissão e, no âmbito da maior parte
das suas atribuições comunitárias, só actua com a participação do PE, quer no âmbito do
procedimento de co-decisão, quer no âmbito do processo de consulta ou da emissão de
parecer favorável.
Nestes termos, a legislação comunitária é adoptada conjuntamente pelo conselho e pelo
Parlamento de acordo com o procedimento de co-decisão previsto nos art. 251º e 252º do
Tratado de Nice.
Ainda no seio do poder de decisão, o conselho de ministro da UE celebra e assina, em nome da
comunidade, os acordos internacionais entre a comunidade e os vários estados ou
organizações internacionais (conforme art. 300º e 310º). Estes acordos internacionais são
obrigatoriamente negociados pela Comissão Europeia, só depois são levados a Conselho de
Ministros.
O conselho também pode modificar os acordos.
Compete também ao conselho a revisão dos tratados nas conferências intergovernamentais.
O conselho de ministros conclui e assina também os tratados de adesão. A adesão de estados
membros só é legitimada com assinatura do conselho de ministros (art. 48º e 49º do Tratado
da UE).
Ele aprova as decisões necessárias à definição e execução da política externa e de segurança
comum, sempre tendo por base as orientações gerais definidas em cimeira de Conselho
Europeu.
Assegura ainda a coordenação da acção dos estados membros e adopta as medidas no
domínio da cooperação policial e judiciária em matéria penal (áreas de soberania indivisível
dos estados, reservada ao conselho que, normalmente, aplica a regra da unanimidade).
Ainda no seio do poder de decisão, ele tem poder para aprovar legislação comunitária, mas
questiona-se que execute essa legislação. Regra geral é a Comissão Europeia, mas o Conselho
pode chamar a si, avocando o poder executivo em determinadas matérias (conforme art. 202º,
último parágrafo), mas desde que tenha estabelecido previamente e com o parecer do
Parlamento.
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2º Poder de coordenação das politicas em geral e em particular a política económica dos
estados membros.
O tratado prevê a instauração de uma política económica global que se baseia na estrita
coordenação das políticas gerais dos estados membros.

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Para atingir esses objectivos o Conselho de Ministros adopta todos os anos um projecto de
orientações gerais das diferentes e de cada uma das políticas económicas de cada um dos
estados membros.
Este projecto normalmente é apresentado em cimeira de conselho europeu para conclusão
final.
A coordenação das políticas económicas concretiza-se na sua plenitude em sede da união
económica monetária, ao nível do conselho para os assuntos económicos e financeiros
(ECOPAN).
3º Poder de autoridade orçamental, ou seja, o Conselho de Ministros da união europeia
partilha com o parlamento europeu a função de autoridade orçamental.
O parlamento europeu e o conselho são os principais intervenientes na adopção do orçamento
comunitário anual.
O conselho de ministros da união europeia após a apresentação por parte da Comissão, do
chamado orçamento comunitário, adopta um projecto do orçamento comunitário.
Este projecto é submetido a duas leituras sucessivas do parlamento europeu com o intuito de
permitir a negociação partilhada com vista à modificação de certas despesas comunitárias e ao
garante da repartição dos recursos orçamentais.
No que respeita às despesas agrícolas e àquelas despesas que recorrem dos acordos
internacionais celebrados com países terceiros a decisão final em sede de orçamento
comunitário, cabe ao Conselho. Quanto às restantes despesas comunitárias bem como à
adopção final o orçamento é da competência do parlamento europeu.
Processo do orçamento comunitário – artigo 272º Tratado de Roma
Convocação da reunião do Conselho de Ministros (Artº 204º) feita pelo presidente do
Conselho de Ministros da união europeia pode ser feita por iniciativa do presidente, de um dos
seus membros ou pela Comissão.
Os conselhos dos assuntos gerais e os conselhos dos assuntos económicos e financeiros e de
agricultura, reúnem-se uma vez por mês. Nas outras matérias o conselho ministros reúne-se
duas a quatro vezes por ano (dependendo das matérias e das suas urgências).
Tomadas de decisão ao nível do conselho de ministros da união europeia
Formação colegial composta por 25 estados membros.
Regra da votação:
– Unanimidade (matérias sobre soberania e Intergovernabilidade)
- Maiorias (característica da supra nacionalidade)
1. Simples
2. Qualificadas
Como se articula a maioria simples com a maioria qualificada – artigo 205º
- Se o tratado nada estipular, a regra a aplicar na tomada de decisão deve ser sempre a regra
da maioria simples – artigo 205 nº 1 – 2ª parte “ salvo disposição…” por maioria dos seus
membros.
- Se o tratado der primazia e especificar qual a regra de votação, essa pode ser de maioria
qualificada nos termos do artigo 205º nº 2, ou a regra da unanimidade sempre que o tratado o
preveja (nº1, do art. 205º, 1ª parte).

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Actualmente o procedimento mais frequente é a votação por maioria qualificada.


A aplicação da regra da unanimidade é essencialmente reservada aos domínios de “natureza
constitucional” – segurança, justiça, política externa de segurança comum, sempre que
estivermos perante uma revisão ou modificação de tratados europeus, adesão de novos
membros, a política comum policial e judicial em matéria penal e também quando a própria
união acolhe novas políticas comuns que primam pela sensibilidade nas áreas em que operam:
por exemplo a política fiscal.
Em relação à política externa e segurança comum (esta matéria continua a exigir a regra da
unanimidade) – artigo 23º nº 1.
Regra das deliberações
Em sede do Conselho de Ministros da união europeia ao nível do modelo de integração
comunitária é a regra da maioria (simples ou qualificada), sem prejuízo da prevalência da regra
da unanimidade e a sua aplicação em situações em que relevam razões de soberania da
política nacional. Normalmente estas matérias costumam ser abordadas em sede de conselho
europeu (cimeira que se realiza ao mais alto nível).
Artigo 4º do tratado da união europeia
O Conselho de Ministros da união europeia não tem em termos institucionais equivalência em
qualquer outra parte do mundo. No seu seio (regular funcionamento dos estados membros),
elaboram por excelência toda a legislação europeia.
Os Estados Membros é no Conselho de Ministros da união europeia que estabelecem os seus
objectivos políticos, coordenam as suas políticas nacionais e ainda tentam solucionar as
diferenças que surjam no seu próprio relacionamento e com as outras instituições.
De facto, podemos apontar ao Conselho de Ministros da união europeia uma estrutura
institucional de características mistas, ou seja, simultaneamente apresenta aspectos de uma
organização supranacional e aspectos de organização intergovernamental, deliberando a
maioria das matérias por maioria qualificada e aquelas que digam respeito única e
exclusivamente ao poder de soberania por unanimidade.
Verifica-se nestes termos todos os seus procedimentos, costumes práticos, bem como disputas
que o próprio estabelece.
Verifica-se que enquanto estrutura institucional depende sempre de um grau de solidariedade
e confiança que raramente se consegue encontrar nas relações entre os estados.
Comissão Europeia – artigos 211º a 219º
A Comissão Europeia materializa-se e defende o interesse geral da união, ou seja, defende por
excelência os interesses da comunidade.
A Comissão é o motor do sistema institucional comunitário e tem actuado como motor do
próprio processo de integração europeia.
Propõe orientações e executa as acções decididas pelo Conselho e pelo Parlamento.
No âmbito do triângulo institucional, a Comissão é politicamente responsável perante o
Parlamento Europeu, que tem poderes de a destituir mediante a aprovação de uma moção de
censura nos termos do artigo 201º.
Tem a sua sede em Bruxelas.
Os Artigos 213º e 214º falam da composição e modo de designação dos membros da Comissão
Europeia.

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O artigo 213º fala especificamente da independência política dos seus membros. Deve
oferecer todas as garantias de independência.
O Tratado de Nice vem reforçar que, só nacionais dos estados membros podem ser membros
da comissão.
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A Comissão Europeia
Artigo 213º – Composição e características dos membros da comissão europeia relativamente
ao exercício das suas funções.
Artigo 213º/2
Artigo 214º – quanto ao modo de designação.
Membros da comissão europeia
Os estados indicam pessoas com mérito que já tenham desempenhado funções políticas. Mas
essas pessoas têm que ter determinadas características no exercício das suas funções, a saber:
A – total independência
B – isenção dos comissários
C – imparcialidade
D – total competência
E – no interesse geral da comunidade
A e E de duas formas (conforme art.213º/2) isto é de forma directa e indirecta
Forma directa, pela via da acção, não necessitando, não recebendo instruções de qualquer
governo.
Forma indirecta: dever geral de abstenção. Os membros não devem influenciar membros da
comissão no exercício deste princípio).
Também não devem procurar a prática de actos que não mostrem A a E.
Os Comissários no exercício das suas funções mantêm total independência A a E e pós
exercício das suas funções (obrigação de sigilo profissional) – artigo 213º/2.
Além disso, no momento da posse e pós cessação das funções devem manter o sentido de
honestidade e descrição conforme artigo 213º. Caso actuem de modo diferente perdem
regalias (direitos), se perderem estes sentidos de honestidade e descrição.
Designação dos membros da comissão
A comissão tem mandato de cinco anos.
Os membros nomeados pelo conselho durante período de cinco anos, que coincide com o
mandato do parlamento europeu, podem ser reconduzidos nas suas funções sem prejuízo de
moção de censura – artigo 201º – que poderá ser aprovada pelo parlamento europeu e
provocam demissão massiva dos membros da comissão.
O presidente da comissão é indicado pelo conselho, reunido ao mais alto nível (Chefes de
estado ou de governo que deliberam por maioria qualificada, designa/indica a personalidade
que tenciona vir a nomear como presidente da comissão europeia.
Essa designação tem que ter voto favorável, a aprovação do parlamento europeu.
O Presidente funciona como um verdadeiro primeiro-ministro.

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Na designação do presidente e comissários há papel importante do parlamento europeu e do


conselho. Sem aprovação parlamentar não há constituição do colégio de comissários.
Comissão: É o Governo da Europa;
Executa orçamento comunitário. (cabe ao Tribunal de Contas controlar)
Indicada e aprovada a personalidade, o conselho, deliberando por maioria qualificada e, de
acordo com o presidente, vai aprovar lista de personalidades apresentadas pelos estados
membros como seus representantes na comissão.
O presidente e determinados membros da comissão são colegialmente sujeitos a um voto de
aprovação do parlamento europeu. Este confirma a aceitação do conselho, confirma mais o
colégio.
Formado o colégio e votado favoravelmente pelo parlamento europeu, temos a designação
por nomeação da comissão.
É um processo complexo quanto ao modo de designação dos membros dos comissários
europeus.
Artigo 214º
De acordo com o artigo 217º, verificamos que quem define as orientações políticas do colégio
de comissários é o presidente da comissão europeia (sua responsabilidade única).
Este actua como verdadeiro primeiro-ministro da Europa equiparando-se a comissão a um
verdadeiro governo da união europeia.
Poderes e funções da comissão europeia
Artigo 211º
Quatro funções:
1 – Poder de iniciativa
A comissão é instituição que exerce o direito de iniciativa em matéria de política comunitária,
isto é, exerce o direito de iniciativa legislativa, propondo os textos legislativos que são
apresentados ao parlamento europeu e ao conselho.
Por sua vez, neste campo de actuação, isto é, como iniciadora dos procedimentos, formula
recomendações ou pareceres que embora sejam actos não vinculativos – artigo 249º –
permitem à comissão europeia uma maior flexibilidade no seu desempenho ao nível do
interesse comunitário, quer junto dos membros, quer junto dos nacionais ou dos outros
órgãos da comunidade.
É no exercício do poder de iniciativa que a comissão, quando elabora as suas propostas,
baseia-se em pelo menos três princípios:
1º - A defesa dos interesses comunitários;
2º - As propostas têm de ser elaboradas pela comissão de forma indistinta, isto é,
apesar de dizerem respeito a determinadas matérias a comissão não pode agarrar-se a grupos
sectoriais ou de interesse. Tem de ser isenta, independente, imparcial.
3º - Quando a comissão actua no exercício do princípio de iniciativa, actua respeitando
o princípio da subsidiariedade. A comissão só deve assumir encargos no âmbito dos tratados
que ela possa exercer da melhor forma e de forma mais eficaz que os próprios estados
membros – artigo 308º.

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2º Poder executivo
É a comissão que administra as políticas comunitárias. Enquanto instância executiva, actua em
três campos:
1 – Assegura a execução da legislação europeia (regulamentos, directivas, decisões).
2 – Assegura a execução do orçamento comunitário, sempre debaixo da alçada e
controlo do tribunal de contas.
3 – Assegura a execução dos programas adoptados pelo parlamento europeu e pelo
conselho de ministros da união europeia.
A função executiva abrange, na realidade, todos os domínios de actuação da união europeia.
Mas o papel da comissão é particularmente importante em sectores específicos como:
- A concorrência;
- A agricultura;
- A investigação e desenvolvimento tecnológico;
3º Poder – A Comissão é guardiã dos tratados comunitários (conforme o artigo 211º/1), isto
é, a comissão vela pela correcta aplicação da legislação europeia nos estados membros a fim
de assegurar a manutenção do clima de confiança mútua entre os estados membros, os
operadores económicos e os cidadãos.
Por exemplo: sempre que estamos perante situações de incumprimento das obrigações
comunitárias, a comissão tem obrigação e dever de tomar medidas (conforme os artigos
226º/227º. Guardiã e dá pareceres também (poder de iniciativa antes de ir ao Tribunal Justiça
das comunidades).
Antes do caso ser levado ao tribunal de justiça (avalia de acordo com as suas funções
jurisdicionais), a comissão deve estar atenta. O estado deve ter a possibilidade de primeiro se
defender. Se este não regularizar a situação a comissão intervém.
4º Poder ou função da Comissão:
A comissão é porta-voz do cenário internacional. É a ela que compete as negociações,
assinatura e conclusão. É ela que negoceia os acordos internacionais. Ela é a representante da
união europeia a nível internacional, cabendo-lhe a negociação dos acordos internacionais
essencialmente em matérias comerciais e de cooperação. (exemplo: convenção de Lomé).
Quanto às deliberações, a comissão também funciona colegialmente, isto por maioria (artigos
219º + 213º) por 13 comissários que votam favoravelmente as deliberações da comissão.
A comissão enquanto instituição comunitária, no seu campo de actuação, assume funções
similares a um verdadeiro governo da Europa.
Classicamente identificamos três funções:
- Apresentação das propostas;
- Guardiã dos tratados;
- Gestão e execução das políticas da união europeia e das relações comerciais internacionais.
O Papel e as responsabilidades da comissão, do seu presidente e dos seus membros, fazem
desta instituição o cerne do processo de elaboração das políticas da união europeia.
Em alguns aspectos, a comissão é o coração da Europa, no qual as outras instituições vão
buscar a maior parte da sua energia e razão de ser.

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Pela decisão das suas responsabilidades, assume-se como uma verdadeira instituição supra
nacional, dotada de soberania comum, com verdadeira identidade europeia, caracterizando-se
as funções dos seus membros, os comissários, de total independência e nunca sujeitos a
qualquer subordinação política dos governos dos estados membros, que inicialmente os
indicaram de comum acordo.
Só o parlamento europeu pode questionar politicamente os actos da comissão através da
moção de censura.
Também o Tribunal de Justiça pode questionar os actos da comissão, caso ela viole os tratados
comunitários.

- Directivas;
Fontes de Direito Comunitário - Regulamentos;
- Resoluções;
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- Parlamento Europeu
- Conselho Europeu
- Comissão Europeia
Este é o núcleo do funcionamento do poder político e que ilustra claramente, à semelhança do
que acontece nos órgãos internos, o princípio da separação de poderes.
O triângulo institucional (separação de poderes) – poder legislativo, poder executivo, poder
judicial.
Existência na união europeia de um verdadeiro poder jurisdicional (Tribunais).
Os tribunais exercem de forma vinculativa essa função jurisdicional.
Tribunal de contas – Desde 1993 foi elevada a instituição da UE. Integra-se no poder
administrativo, poder fiscalizador e controlador.
Tribunal de justiça – Referido na secção IV 220º a 245º do tratado de Nice.
É a instituição da UE que exerce hoje sem dúvidas um verdadeiro poder judicial.
Este novo estatuto é exercido em sentido restrito, por dois tribunais autonomizados desde o
tratado de Nice.
Este poder judicial é levado a efeito pelos 2 Tribunais comunitários, a saber:
- Tribunal Justiça da união europeia;
- Tribunal primeira instância da união europeia;
Em articulação e coerência na garantia da aplicação do Direito Comunitário com estes
tribunais, existem os tribunais judiciais dos estados membros.
Ambos têm a sede no Luxemburgo e, têm no exercício do verdadeiro poder judicial o papel de
fornecer todas as garantias judiciais quanto ao respeito do direito na interpretação e aplicação
dos tratados comunitários – artigo 220º tratado Nice (1º parágrafo).
Acresce, que os tribunais comunitários assumem a função de assegurar a plena efectividade do
direito comunitário através de quatro características:

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• São tribunais de jurisdição obrigatória, isto é, a simples adesão de um estado


membro às comunidades sujeita-o desde logo à sua jurisdição bem como os seus
cidadãos ficam com o direito imediato de aceder a esses tribunais
• São tribunais de jurisdição exclusiva, isto é, não podem deixar de decidir os
litígios que lhes foram submetidos, invocando por exemplo que primeiro serão
decididos pelos Tribunais Nacionais sob pena de poderem vir ser acusados (os
Tribunais Comunitários) de denegação da justiça.
• São tribunais de acesso directo por parte dos particulares.
• São tribunais cujas decisões são imediatamente e por si próprios executórias.
Tem força executiva – artigo 244º tratado de Nice.
Composição do Tribunal de Justiça da união europeia (art. 221º Tr. Nice)
É um verdadeiro poder jurisdicional. Os seus membros são juízes com independência, isenção
e imparcialidade.
O Tribunal de Justiça é composto por um juiz de cada estado membro.
Reúne-se em secções conforme estatuto do Tribunal.
Para além dos 25 juízes, há outras 8 figuras: A dos Advogados Gerais (art. 222º). É uma figura
imperativa. Vão assessorar os juízes. Ainda conforme o art. 222º pode-se aumentar este
número.
Devem apresentar publicamente, com imparcialidade e independência, o que não corresponde
à figura do advogado que é parcial e exerce com dependência.
É tipo Procurador-geral do Ministério Público, visa garantir a legalidade e interesse público da
comunidade.
Na aplicação da lei tem que ser isento e imparcial.
Assim, o Advogado Geral, não representa nem defende o interesse de qualquer parte, pelo
contrário, tem de agir com toda a imparcialidade e independência, como um verdadeiro
Procurador Geral ou Procurador público, semelhante ao nosso Ministério Público,
desenvolvendo funções de um promotor da legalidade, com total independência e apenas no
interesse geral da comunidade
Juízes e Advogados: Artigo 223º – designação
São escolhidos de entre as personalidades que ofereçam garantias de independência e
imparcialidade.
São nomeados de comum acordo pelos Governos dos Estados Membros
Têm um mandato de 6 anos (de 3 em 3 anos há substituição dos mesmos)
Tribunal de primeira instância da UE artigo 223º
Composto pelo menos por um Juiz de cada estado membro (artigo 224º), mas pode haver mais
que um por estado membro. Há estados que podem não ter.
O tribunal pode ser assistido por advogados gerais. Não é obrigatório. (conforme art. 48º e 49º
Tr. Nice).
Os membros podem vir a exercer a função de advogados gerais.
Actualmente tem 25 Juízes e não tem advogados gerais.
Art. 225º - Competências do tribunal 1º instância

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Art. 225º a) – Inovação do Tratado de Nice é a deste Tribunal funcionar como Tribunal de
Recurso.
Tribunal de Contas
É a 5ª Instituição da UE conforme está referido no artigo 246 e seguintes do tratado de Nice.
Desde 1977, que o Tribunal de Contas existe na união europeia, mas só com o tratado
Maastricht (1993) é que foi convertido em pleno direito.
Em 1999 (com a entrada em vigor do tratado de Amesterdão), o Tribunal de Contas viu os seus
poderes de controlo e investigação alargados e assim poder com maior eficácia lutar contra a
fraude financeira, sobretudo a fraude fiscal, altamente prejudicial para o orçamento
comunitário.
O Artigo 246º do tratado de Nice diz que “O Tribunal de Contas não é um tribunal, exerce
magistratura financeira da comunidade, os seus membros não são juízes, são técnicos.
Hoje são 25 membros, com mandato por 6 anos renováveis.
Exige a intervenção doutras instituições.
São nomeados pelo Conselho Europeu, em deliberação por maioria qualificada, após consulta
ao Parlamento Europeu (art. 247º /3)
Cada estado membro apresenta os técnicos, mas só são nomeados da forma acima descrita.
O tribunal de contas aprova relatórios de contas no acompanhamento de gestão de
orçamentos. Faz considerações, emite pareceres. Não emite sentenças nem acórdãos.
Acórdão decorre de decisão do poder jurisdicional.
O Ministério Público também formula pareceres.
Há semelhanças entre Comissários e Membros do Tribunal de Contas.
Funções do Tribunal de Contas (art. 248º)
O Tribunal de Contas exerce como uma das funções essenciais a verificação da boa execução
do orçamento comunitário. Isto é, fiscaliza a legalidade e regularidade das despesas da união,
garantindo a correcta gestão financeira daquele orçamento o que contribui para a eficácia e
transparência do sistema comunitário.
O Tribunal de Contas colabora com o parlamento e o conselho enquanto autoridade
orçamental elaborando um relatório anual relativamente ao exercício anterior onde formula as
observações que entender por adequadas e que serão fundamentais para o parlamento
decidir dar ou não quitação à comissão europeia quanto à execução do orçamento
comunitário – artigo 248 nº 4 parágrafo 4.
O Tribunal de Contas transmite ao conselho e ao parlamento uma declaração de fiabilidade
relativa à boa utilização dos dinheiros dos contribuintes europeus – Artº 248º /1.
O Tribunal de Contas elabora ainda relatórios chamando a atenção da comissão europeia e dos
estados membros da existência dos problemas, quais e como resolvê-los – artigo 248 nº 3;
O Tribunal de Contas formula pareceres sempre que estejam em causa a adopção de
regulamentos financeiros e ainda em qualquer momento pode apresentar observações sobre
questões específicas ou ainda formular pareceres a pedido de uma das instituições europeias.

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Carta dos Direitos Fundamentais


Em Dezembro de 2000 o presidente da comissão, do conselho e do parlamento proclamou a
Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, tendo esta publicação ficado solenemente
formalizada por via da sua publicação no Jornal das Comunidades.
A Carta é um instrumento jurídico, mas não é vinculativo nem obrigatório, devido à suspensão
da ratificação do tratado constitucional da UE. Só passa a ser vinculado a partir do momento
que o tratado constitucional da UE for ratificado por todos os estados membros.
Não é obrigatório a transposição do conteúdo da carta para o ordenamento jurídico interno
dos vários estados membros, ele é uma proclamação, com vista a ser lei, mas somente a partir
do momento da ratificado do tratado constitucional da UE.
Objectivos da carta
a) Aumentar a legitimidade política da U.E. – impõe-se uma carta dos direitos fundamentais
na medida em que neste momento que a união europeia entrou numa nova fase do seu
processo de integração política, exigindo a carta que se reforce o enquadramento da Europa
como um espaço de liberdade, segurança, justiça como sequência directa da criação de um
novo espaço de cidadanias. A carta é um instrumento indispensável de legitimidade política e
moral para todos os cidadãos para a classe política, para as administrações, e autoridades
nacionais e ainda para todos as agentes económicos e sociais. A carta é a expressão de valores
comuns que retratam a essência das sociedades democráticas.
b) Reforçar a segurança jurídica – permite melhorar o actual nível de protecção dos direitos
fundamentais na U.E., porque a única norma de referência até agora existente em matéria de
direitos fundamentais é o artigo 6º, nº1, par.2 do tratado de Nice. Este faz referência aos
princípios gerais em que assenta a U.E. (respeito pelas liberdades fundamentais) e enumera as
fontes dos direitos fundamentais que têm de ser respeitadas pelos estados membros. Até esta
data verifica-se que esta é a única norma de referência.
A carta confere um conteúdo preciso e previsível aos direitos fundamentais referidos no nº2
do art.6º de Nice. O art.6º de Nice e a carta têm um teor equivalente só que a carta vem
concretizar/especificar todas as potências do artigo 6º.
A carta agora proclamada apresenta a vantagem de tornar os direitos fundamentais
directamente acessíveis às instituições e aos cidadãos que deixam de procurar a definição
desses direitos em fontes dispersas e de difícil acesso.
Relação entre a carta e a constituição nacional
A carta não vem exigir nenhuma alteração da constituição dos estados membros nem
substitui-la a nível nacional no que se refere ao respeito dos direitos fundamentais as
constituições.
Notas extras da CARTA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DA UNIÃO EUROPEIA
Á ideia de salvaguardar e proteger os DF emergiu o início do processo de integração europeia.
O plano de Shuman tinha como objectivo a integração europeia, a paz, e o progresso social.
Em 1999 uma comissão foi incumbida de elaborar a carta dos DF da U.E. para todos os
cidadãos da U.E. As quatro liberdades, características da União mantiveram-se:
o Liberdade de livre circulação de pessoas;
o Liberdade de livre circulação de bens;
o Liberdade de livre circulação serviços;
o Liberdade de livre circulação de capitais;

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Às 4 liberdades foi acrescentado os seguintes aspectos:


o Livre iniciativa privada;
o Não discriminação;
o Direito de petição;
o Direito ao sigilo profissional;
o Direito de reparação aos lesados da responsabilidade extra contratual.
O TJ considerou os DF como património jurídico das comunidades salvaguardou–os invocando
constituições nacionais, a Convenção Europeia dos DF Humanos; a Declaração Universal dos
direitos do Homem.
Só com o TUE é que os DF tiveram na escrita o acolhimento da jurisprudência comunitária
sobre esta matéria.
O tratado de Amesterdão reforçou a protecção destes direitos exigindo que os estados
membros que quisessem aderir à U.E. tinham que os acolher e respeitar os DF.
O tratado de Nice trouxe duas novidades:
o Aplicação de sanções aquando de violação grave e persistente dos dtos fundamentais;
o Sendo isto válido na cooperação com países terceiros.
Os DF foram postos sobre tutela do TJ alargando-se sua competência no domínio da justiça e
assuntos internacionais.
A carta é aprovada em 2001 na cimeira de Nice adquirindo pois natureza jurídica de acordo
interinstitucional. Com a carta surgiu pela 1ª vez um documento que consagra os direitos
económicos, sociais, políticos, culturais, civis, inerentes à pessoa humana.
Na carta temos uma compilação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, do Pacto das
nações Unidas. Estes direitos foram actualizados no que respeita ao conteúdo, foram
acrescentados novos direitos: direito de petição, proibição de práticas; Dto. ao asilo; direito de
uma justa indemnização em caso de expropriação pública. Isto em sintonia com exigências do
mundo actual em que urge proteger os direitos do homem.
Os DF são valores nucleares da ordem jurídica da U.E. As liberdades estão relacionadas com a
dignidade, justiça, solidariedade cidadania. A carta não só reconhece direitos aos nacionais dos
estados membros como também as todos os indivíduos sob sua jurisdição.
Surgiu uma polémica em torno do carácter jurídico da carta, questiona-se se esta é um acto
jurídico ou uma declaração política.
Há 3 argumentos a favor do acto jurídico:
o A carta é um acordo interinstitucional, logo é um acordo jurídico;
o A carta codifica direitos que constam nas constituições dos estados membros, que
constam em actos de dto internacional público, logo tem natureza jurídica;
o A carta foi publicada em 2000 no jornal oficial das comunidades europeias;
Quanto à sua força vinculativa a resposta não é simples, o Prof. Fausto Quadros diz que não
tem força obrigatória porque a matéria de direitos fundamentais não é atribuição expressa da
U.E. mas mesmo assim há que respeitá-la na sua conduta.
Os tribunais constitucionais das ordens jurídicas internas têm-na também em referência.
Continua porém em debate a ausência de um corpus de direitos fundamentais própria da
União.

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Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia


Os 6 direitos autonomizados em Capítulos são:
• Dignidade
• Liberdade
• Igualdade
• Solidariedade
• Cidadania
• Justiça
A Carta, proclamada em Nice pelo triângulo institucional (PE, Conselho e Comissão).
Quando a Constituição Europeia for ratificada a Carta será aí integrada e deixa de haver
tratado comunitário.
A Carta será tratada pelo poder jurisdicional. A obrigatoriedade da aplicabilidade da Carta será
por ele fiscalizada, isto a partir do momento em que haja Constituição Europeia.
Porquê da autonomização de alguns direitos na Carta?
Neste momento a Carta é acto jurídico, mas não vinculativo, isto é, o seu conteúdo não se
torna obrigatório para os estados, mas estes devem respeitar os valores.
• Liberdade Profissional
• Liberdade de Circulação de pessoas e trabalhadores, bens, serviços e capitais
• Liberdade de expressão e de informação – art. 11º
Conforme artigo 20º e 21º.
O direito à liberdade tem o seu limite no direito à segurança
Colisão de direitos (ex.: liberdade de expressão versus direitos de personalidade)
Os últimos actos comunitários (Artº 249)
Decisões Comunitárias
As decisões comunitárias podem se de dois tipos:
a) As que são dirigidas aos estados membros;
b) As que são dirigidas aos particulares ou outros destinatários.
As que são dirigidas aos estados membros não tem aplicabilidade directa, mas podem ter
efeito directo, quando atribuem direitos aos particulares
As decisões que não se dirigem aos estados, tem aplicabilidade directa e efeito directo
(parágrafo IV do Artº 249).
O regulamento é obrigatório e tem carácter geral.
A directiva tem conteúdo normativo e só tem como destinatários os estados membros.
A decisão é obrigatória, não tem o carácter de norma, é um acto individual e concreto,
impondo-se em todos os seus elementos (obriga-se quanto aos resultados a atingir, bem como
quanto aos meios e aos modos de os atingir) e não tem carácter de abstracção.

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A decisão tem de identificar os destinatários (o estado ou os particulares) e devem ser


notificadas, quanto à produção dos seus efeitos, aos seus destinatários, nos termos do n.º 1 e
n.º 3 do Artº 254.
Os pareceres e recomendações (parágrafo 5.º do Artº 249), são actos não vinculativos – não
obrigam os seus destinatários – e podem ser formados por qualquer uma das instituições.
Os pareceres têm uma função mais informativa, consequentemente não tem efeito directo.
As recomendações visam a articulação entre a legislação comunitária e a dos estados
nacionais.

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