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Patativa do Assaré,
A Voz Que Ainda
Canta O Sertão
Luiz Carlos Lemos

Introdução

Há muitos anos, desde criança mesmo, espelhando-me em


meu pai, saudoso "Seu Geraldo Capoteiro", eu aprendi a amar a
Literatura de Cordel e seus expoentes.

Dentre eles, tantos e tão criativos, destaco a figura ímpar


de Antônio Gonçalves da Silva, O Patativa do Assaré.

Talvez por ter sido de sua autoria o primeiro Folheto de


Cordel que li na infância, presente de meu pai. Tratava-se de "Brosogó,
Militão e o Diabo", um clássico no gênero.

E fiz um compromisso comigo mesmo, naquela época:


"um dia, vou escrever a toda a história de Patativa, em versos!"

Eis aqui, depois de tanto tempo, o cumprimento dessa


promessa. Neste folheto tão simples, tão despretensioso, a biografia, o
mais exata possível, de Antônio Gonçalves da Silva, o nosso Patativa.

Disposto em 145 estrofes de sete versos heptassílabos,


com rimas em A, B, B, C, D, D, C, terminando em acróstico, o presente
folheto tenta relatar o resultado de um ano de pesquisas sobre a vida do
incomparável poeta, do seu nascimento à sua morte, com ênfase em sua
extensa obra literária e na imensa importância de que essa obra se
reveste, para a Cultura Popular do Brasil.

Que sejam perdoados os eventuais erros e que todos


possam compartilhar comigo o carinho e o respeito pela genialidade
simples de Patativa do Assaré.

Que ele esteja, neste exato momento, sorrindo, lá no Céu


dos Poetas, ao ver que as sementes de Amor e Poesia que plantou em
vida ainda estão germinando, crescendo e frutificando!

Juiz de Fora - MG,


Setembro de 2.006.
Luiz Carlos Lemos.
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Patativa do Assaré,

A Voz Que Ainda Canta O Sertão


Luiz Carlos Lemos

Amigo Leitor, os dias E a tarefa é pesada,


De hoje são diferentes. De responsabilidade.
Ainda temos repentes, Precisa seriedade,
Ainda temos Cordel. Pra não mentir, na missão.
Ainda existe alegria Pra dizer bem a verdade,
De se ler boa poesia Mentira é calamidade
Escrita em bom papel. De que não faço questão.

Porém, o que tem mudado, Mas eu começo com fé


Eu falo aqui, sem temor, Que dou conta do recado.
Não é o som, nem a cor Já rezei, "tou" preparado.
Da arte de antigamente. Para "o que dé e vié".
É a ferramenta, Doutor, Vou falar do afamado
O tal do computador, Poeta, que foi chamado
Que faz as coisas pra gente! "Patativa do Assaré".

Não se escreve mais a mão, Começando do começo:


Nem com Datilografia. Quando nasceu Patativa?
Findou-se, pois, a magia Sua fama inda é viva,
Do artesão-escritor! Seu verso é o melhor!
Por um bom tempo eu lutei Sua poesia é tão linda,
E quase que recusei Que o povo se lembra ainda!...
O tal do computador! E menino sabe de cor!

Mas, enfim, ele venceu Foi na Serra de Santana,


E eu me rendi, conformado. Município de Assaré
E um Cordel - digitado! - Que esse poeta de fé
Escrevo, neste momento. Saltou pra luz, nun repente.
Pois estaria isolado O estado do Ceará
Se tivesse recusado Muito se orgulhará
Utilizar este invento. Do poeta, eternamente!

Portanto, eu me assento. No dia cinco de março


Em frente ao computador, De mil novecentos e nove.
Com a missão de expor O povo, então, se comove,
Uma estória verdadeira. Com o brilho daquele dia.
A Deus peço a proteção Mas não podia saber
E também a inspiração Que estava vendo nascer
Pra minha rima rasteira. Um Menestrel da Poesia!
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Naquele dia nasceu Trabalhava ele na roça,
Um forte e belo menino. Morava numa palhoça,
Na igreja tocou sino, Mas, sempre, com alegria!
Como fosse dia santo!
E no choro, parecia Aos quatro anos de idade,
Que o menino dizia: O nosso pequeno artista
"Escutem todos, meu canto!". Fica cego de uma vista,
De um mal chamado "dordói".
"Eu acabei de chegar". Mas a tudo ele resiste
Nascido nesse Nordeste. Pois da lida não desiste
E sou um cabra da peste! Quem já nasceu pra herói.
Uma promessa eu faço:
O mundo que me aprove, Continua seu trabalho,
Pois a vida me comove... Sua vidinha na roça.
Vou ser poeta, no braço!" Porém, sua língua coça
De vontade de versar.
"Eu vou cantar o Sertão". "Se óio pra qui pra li
Com a força do meu verso! Vejo um verso se buli",
E o Rei do Universo Viria ele a cantar.
Me ajude, por caridade.
Vou cantar em verso nobre Mil novecentos e dezessete.
A desventura do pobre Ele, então, com oito anos,
E sem faltar com a Verdade!" Passa por desenganos
Da sorte e triste vai,
Antônio Gonçalves da Silva Com a mãe e os irmãos,
Foi na Pia batizado. Todos, juntando as mãos,
O padre disse, assustado, Ao enterro de seu pai.
Para a mãe de Patativa:
Eita, que choro danado! Falecia, assim, Seu Pedro.
Vai ser poeta, o safado, De quem tanto ele gostava.
De poesia criativa! E Patativa chorava,
Tomado de emoção.
O pai, de nome Seu Pedro, Ao mesmo tempo, rezava.
Não ficou muito contente: E ao povo todo ele dava
"Vai sê poeta? Ô xente! Exemplo de bom cristão.
Mió sê trabaiadô!
Essa vida é uma briga Logo depois, a má sorte
Poesia não enche barriga Novamente lhe alcança.
Isso é coisa de dotô." Ele era ainda criança...
E a mãe morreu de repente.
Mas a mãe, Dona Maria. Saudosa Dona Maria!...
Disse: "Deus sabe o que faz! Mas eles, com valentia,
Deixa o menino em paz Tocaram a vida pra frente!
Móde sê o qui quisé." O Nordestino é assim:
Selava assim o destino Um forte, por natureza.
Daquele feliz menino E, mesmo em grande tristeza,
Patativa do Assaré!... Não se abate, e vai com fé.
E o Antonio menino Sua força mais se aviva!
Cresceu, ajudando os pais, E assim foi com Patativa,
Não recusando jamais O Poeta do Assaré.
O seu duro dia-a-dia.
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Já nasce do coração.
Os doze anos contava Não canto as coisa impussive,
Quando na escola entrou. Eu canto as coisa visive
Só quatro meses ficou, Do meu querido sertão".
Devido sua pobreza.
Pois nem à escola primária E continua o poeta,
A classe minoritária Com sua simplicidade,
Tem direito, com certeza. Dizendo só a verdade,
Pois quem não mente não erra:
Mas esse tempo de estudo "Assim que eu óio pra cima
Foi, pra ele, de valia. Vejo um dilúvio de rima
Rapidamente aprendia Caindo in riba da terra"
As letras do ABC.
Nesse tempo, ele já faz No ano de vinte e cinco,
Alguns versinhos e traz, Ele, já quase homem feito,
Para a professora ver! Fez um negócio direito
E ficou todo pachola:
E ele, pra conseguir Vendeu uma cabra, um dia,
Um sucesso tão marcante, Apurou uma quantia
Teve um bom ajudante, E comprou uma viola!
Facilitando o trabalho.
Estudou e deu valor E começou a cantar!
Ao livro do Professor Com a violinha na mão,
Felisberto de Carvalho. Percorria a região,
Fazendo e cantando verso.
Começa assim, nesse tempo, Viajava sempre a pé,
A carreira do poeta. Contando com sua fé
Sua alma inquieta No Criador do Universo.
Sempre buscando a Poesia.
Nas festas da redondeza Nesse tempo ele já faz
Declamava, com beleza, Sua primeira viagem.
Já dando ao povo alegria. Conhece nova paisagem
Que jamais esquecerá.
Nesse tempo, ele já lia Com o primo Zé Montoril,
Poesia de Cordel. Vai conhecer o Brasil
"Na casa dos Coronel, Lá em Belém do Pará!
Lia tudo o que achava. Ficando, por cinco meses,
Apois, então, muito bem, Naquelas terras do Norte,
Eu posso fazer também!" Conhece, com muita sorte,
Já Patativa pensava. Zé Carvalho, um jornalista,
E começou a escrever Que diz assim: "Ora, Viva!
Guardando o seu rabisco Você nasceu Patativa!
Para não correr o risco É, pois, seu nome de artista!"
De sua obra perder.
Escrevia com emoção, E Antônio logo aceita
Falando sobre o sertão, E muito gosta do nome.
Onde adorava viver. No entanto, ele diz: "Home,
Não esqueço meu lugá.
Só pra citar um exemplo, O nome bonito é...
Num poema, ele dizia: Mas vou butá "Assaré",
"Eu sei que minha poesia Pra móde identificá."
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Sempre, sua vocação.
E a fama desse poeta Na roça, durante o dia,
Em todo lugar chegava. E à noite ele fazia
O povo logo o aclamava Seus versos, de coração!
Dizendo: "Esse é que é
O poeta tão falado, E sempre fiel à terra
Que por todos é chamado Nordestina, que amava.
Patativa do Assaré!" Em seus poemas falava
Das coisas do seu Sertão.
E nesse tempo também, Observador, descrevia
Se bem me lembro e não erro, O que de belo ele via,
Ele anda de trem de ferro, Entre o céu e o chão.
Alegre, feito criança.
Pra percorrer o Estado, Amava também contar,
Ele vai aboletado Dizendo sempre a verdade,
No trem da Belém-Bragança! A enorme dificuldade
Da vida de quem é pobre.
De volta ao Ceará, Relatava, com amor,
Continua a sua luta. A vida do agricultor,
Na roça, tem a labuta. Em verso simples, mas nobre!
À noite, escreve poesia.
Conhece, ainda pequeno, Junto com João Alexandre,
A um Juvenal Galeno, Que era um bom violeiro,
Poeta, que lhe auxilia. Percorre o Sertão inteiro,
Levando a sua poesia.
Ele é citado em um livro Onde quer que ele chegasse,
Pelo seu belo trabalho. Havia quem lhe aclamasse
O mesmo José Carvalho, E ele apenas... sorria!
Lá de Belém do Pará, No ano cinqüenta e cinco
Escreve bela missiva, Conhece José Arraes
Dizendo que Patativa Que, impressionado demais,
Grande poeta será! Pega seus versos e bota
No dia seis de janeiro Nun livro de um escritor
Do ano de trinta e seis, Que lhe faz grande louvor!
De acordo com as leis, Seu nome: Moacir Mota.
Patativa quer casar.
Casa-se, então, com Belinha, No ano cinqüenta e seis,
Uma linda moreninha, Cumprindo, pois, sua sina,
E a família vai formar. "Inspiração Nordestina"
Patativa então publica.
Desse belo casamento, Poesia que dá e sobra!
Quatorze filhos nasceram. Era o começo da obra
Só sete sobreviveram... Que viria a ser tão rica!
Outros sete, Deus levou.
Mas os dois não protestavam. Já em sessenta e dois,
Humildemente, acatavam E, tendo um certo cacife,
Aquilo que Deus mandou. Vai cantar lá no Recife
Em um São João Popular.
E Deus mandou que o Poeta Miguel Arraes patrocina
Nunca esquecesse a Poesia. A Poesia Nordestina
Patativa, então, seguia
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Para o povo admirar! Que é também compositor,
Faz uma coisa malina:
Dois anos depois, somente, Compõe uma melodia
O grande Luiz Gonzaga, E, encantado com a poesia,
Encantado com a saga Grava o poema "Sina".
Contada em "Triste Partida",
Pega o poema e grava. Mas no encarte do disco,
Essa obra, aonde chegava, Esquece, sem ter má fé,
Por todos era aplaudida! De registrar de quem é
O poema que gravou.
Esse fato, por si só, Patativa não reclama.
Já grandemente projeta Mas, logo, Fagner lhe chama,
Patativa, o bom poeta, Reconhecendo que errou.
Por todo nosso país!
Mas sua simplicidade E ficam, então, amigos,
Não lhe permite vaidade Sem guardar nenhum rancor.
E, humildemente, ele diz: Patativa, o professor,
Ensinando humildade.
"A minha rima é rasteira E Fagner, reconhecendo,
É fruita de jatobá. A ele disse: "Pretendo
É fulô de trapiá Lhe mostrar, lá na cidade!
É canto de passarin. Depois, uns anos mais tarde,
É pé de pau, gamilêra, Isso iria acontecer.
É gente humilde, nas fêra, Nós ainda vamos ver
Na puêra dos camin!" Patativa, em grande show,
E, assim, nosso poeta Mostrando sua verdade,
Vai seguindo, sempre em frente, Com toda a simplicidade,
Escrevendo humildemente, Que nunca lhe abandonou!
Sem nunca ligar pra fama.
"Eu escrevo porque gosto Mas prossegue o poeta
Se não escrevesse, aposto, Cada dia, a criar mais!
Morria in riba da cama!" Aparece nos jornais,
Sua fama se espalha.
Porém, dois anos mais tarde, Enquanto o mundo comenta
No ano sessenta e seis, Patativa não esquenta.
Tendo o apoio das leis, E simplesmente... trabalha!
Mais Cultura ele incentiva:
Pois vai à luta, de novo E a sua produção
Publicando, para o povo, Vai ficando numerosa.
Os "Cantos de Patativa" O poeta, sem ser prosa,
A muita gente comove!
Já no ano de setenta, Ele não se envaidece:
J. Figueiredo Filho "Não sou aranha, que tece,
Lança, então, com muito brilho, Quem gostar... que me aprove!"
Os "Poemas Comentados"
São versos de Patativa No ano setenta e três,
Comentados, em voz viva, Um fato inesperado:
E grandemente exaltados. Patativa é atropelado,
Andando em Fortaleza.
No ano setenta e dois Perna mecânica ganhou
Raimundo Fagner, cantor,
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Até o fim da vida, usou. Fagner de novo estava
Mas não chorava tristeza! Com ele, e assim grava
"Vaca Estrela e Boi Fubá".
Dizia ele, brincando: E, sem correr qualquer risco,
"Chorar, por que, meu irmão? Patativa grava o disco
Eu escrevo é com a mão "A Terra é Naturá".
Obedeço o que Deus qué.
Não tenham pena de mim. Tinha um programa na Globo,
Sou poeta, até o fim! Chamado de "Som Brasil".
Não faço verso com o pé!" O poeta, então, se viu
Convidado a apresentar.
Chegando setenta e oito, Foi o Rolando Boldrin
Conformado com o acidente, Quem lhe chamou e, assim,
O Poeta, diligente, Não podia recusar.
Continua a trabalhar. Foi um sucesso da gota!
E publica, sem problema, Foi um show de Patativa!
O seu mais lindo poema: O povo, gritando "Viva
"Cante Lá, Que Eu Canto Cá". O nosso Poeta Maior!"
Um ano depois, se muda, E Patativa seguia,
Indo morar na cidade. Humilde, como se via,
Pois já tá com certa idade Sem querer ser o melhor.
E se vai, todo feliz,
Residir no Assaré. Já no ano oitenta e quatro
Porque é homem de fé, As multidões, inquietas,
Bem na Praça da Matriz. Lutavam pela Diretas
E a História registrou.
Nesse ano acontecem Patativa, convidado,
Inúmeras homenagens, Participou e, aclamado,
Onde grandes personagens Ao povo assim falou:
Se rendem ao seu talento.
Entre participações, "Eu sou home lá da roça,
Faz "Poemas e Canções" Mas respondo meu presente
Em disco, nesse momento. E, junto com minha gente,
Eu tomém quero falá
Na Campanha da Anistia Ao Governo Brasileiro
Ampla, Geral, Irrestrita, Que este povo ordeiro
Sua poesia bonita Só qué as Direta Já".
Comove o Brasil inteiro.
Fizeram um filme, até! Não vai ter revolução
Patativa do Assaré Queremos paz, nessa terra.
Participou, bem faceiro. Somos todos contra a guerra!
A gente só qué votá.
Do Show Massafeira Livre, É um direito da gente
"Theatro José de Alencar", De votá pra presidente.
Ele foi participar, Queremos Direta Já!"
Nesse ano produtivo.
Sua obra, conhecida! O seu verso assim ajuda
E ele, feliz da vida, Ao sucesso da Campanha.
Um poeta sempre ativo. E Patativa, assim, ganha
Mais respeito popular.
No ano seguinte, oitenta, Vídeo e filme são lançados
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Para os fatos detalhados E já no ano seguinte,
De sua vida contar. Trabalhando sem parar,
Volta ele a publicar
Mas Patativa, humilde, Mais um poema de amor.
Nada disso lhe envaidece. Revelando-se romântico,
Volta ao Sertão e se esquece Escreve um belo cântico,
De toda essa homenagem. Chamado "Espinho e Fulô".
Como roceiro que é, No mesmo ano, porém,
Só quer viver no Assaré, Já quase sem poder ver,
Em sua bela paisagem. É obrigado a fazer
Mas Jefferson de Albuquerque Uma grave cirurgia.
E Rosemberg Cariry, Em São Paulo, em Campinas,
Dois cineastas dali, Operou-se das retinas
Fizeram um filme novo. E a vista quase perdia.
Para mostrar como é
Patativa do Assaré, Chega o ano oitenta e nove!
Filmam "O Poeta do Povo". Comemora oitenta anos.
Este fato, então, dá panos
Nesse tempo, grande enchente Pras mangas de toda a Imprensa.
Se abate sobre o Sertão. São muitas as homenagens,
Patativa, com emoção, Recebe tantas mensagens
Ajuda ao povo carente. Que, refletindo, ele pensa:
Pra consolar tanta mágoa,
Faz a canção "Seca Dágua" "Meu Padin Ciço, me diga:
E ao povo dá, de presente! Como é que pode, um roceiro
Desse sertão brasileiro
Ajudando, dessa forma, Ser querido, desse jeito?
Ao flagelado Nordeste, Eu não sou nada, sou pobre,
Vai socorrendo o Agreste E esse povo, tão nobre,
Com chuva ou sol a pino! Dizendo que sou perfeito?...
O Sertão lhe agradece.
Por isso, ninguém lhe esquece O Senhor que me perdoe,
Nesse solo nordestino. Se eu tô dizendo besteira.
Mas penso dessa maneira:
Nesse ano ainda grava O bom aqui não sou eu!
Novo disco, que encerra O Senhor, que é meu Padin,
"Poesia de minha terra, Foi quem fez isso por mim...
Móde o povo adimirá" Isso é milagre seu!"
O disco é, por sinal,
Um projeto cultural E assim, o nosso Poeta,
Do Banco do Ceará. Com grande simplicidade,
Não enxergava a verdade
Em oitenta e seis, apóia, Sobre o seu próprio talento.
E da campanha faz parte, E tudo o que recebia
Doutor Tasso Jereisati Ao "Padin" agradecia,
Ajudando a eleger. Demonstrando sentimento.
E Patativa, na hora,
Diz: "Dotô, tu, agora, E nesse ano, embalado,
Que faça por merecer!" Pelo reconhecimento
Que tinha, nesse momento
Bonito, do seu destino,
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Já lança um disco novo E já em noventa e um,
Tira, "da casca do ovo", Gê Gonçalves, um amigo,
O seu "Canto Nordestino". Dá apoio e dá abrigo
E faz apresentações Ao poeta brasileiro.
Em diversas capitais. E, cheio de esperança,
Raimundo Fagner jamais Patativa então lança
Lhe esqueceu! E cumpriu Mais um livrinho: "O Balseiro".
O compromisso que um dia
Ele, com muita alegria, Esse livro não contém
Com Patativa assumiu. Só poemas de Assaré.
Pois o dito cujo é
Leva o Poeta a São Paulo, Uma linda coletânea
Recife e Fortaleza. De poemas nordestinos,
E um show de muita beleza Mostrando "a esses meninos",
Para ele então criou. Poesia contemporânea.
O povo não esquece mais
Pois em muitas capitais No ano noventa e três,
Nosso roceiro reinou! Indo pra boca do lobo,
Vai parar na Rede Globo
Este show, gravado em disco, E ator ele vai ser.
Foi sucesso! Genial! Participa, com talento,
Do simples ao maioral, Com arte, com sentimento,
Cada um reconheceu Da novela "Renascer".
Que ali estava a Poesia!
O Brasil todo aplaudia Faz a novela na Globo,
E o poeta mereceu! Depois, muda de estação.
Pois "a tal televisão
No ano seguinte, noventa, Tinha muito a oferecer".
Dois fatos muito marcantes: Querendo mudar de ares,
Violeiros atuantes No SBT, Jô Soares
Das mais diversas escolas, É quem vai lhe receber.
Com grande contentamento,
O levam para o evento Conheço gente que tem
"Fortaleza das Violas". A entrevista gravada.
Jô Soares dá risada
"Patativa do Assaré - Admirando o progresso
Oitenta Anos de Luz ". Do poeta brasileiro
É lançado, e Jesus Que, sendo um simples roceiro,
Abençoa o lançamento. Consegue fazer sucesso!
E mais um disco termina:
O seu "Canção Nordestina", E, ainda nesse ano,
Confirmando seu talento! Com sua vontade de ferro
Diz: "Trabalho e não erro,
O artista Cleyvan Paiva Quero estar sempre na ativa".
Musica vários poemas Na luta, nunca se abaixa,
Que, trazendo belos temas, Lança, então, em bela caixa,
São lançados no mercado. "Os Cordéis do Patativa".
O povo, então, se admira No ano seguinte, o Poeta
Que esse pobre caipira Não pára de trabalhar.
Seja um poeta inspirado! Agora vem a lançar
Um livro novo na praça.
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"Aqui tem coisa" é o nome
Da obra, e o couro come! E assim, no ano seguinte,
O povo, achando graça! Continua trabalhando.
E logo está mostrando
Ronaldo Nunes juntou-se Um novo livro, na mão.
Com o Osvaldo Barroso Falando sobre o seu verso.
E um filme caprichoso "Patativa e o Universo
Fizeram, com inventiva. Fascinante do Sertão".
Trabalho extraordinário,
Chamou-se o documentário Plácido Cidade escreveu
"O Vôo da Patativa". Essa obra muito altiva.
Falando de Patativa
Ainda em noventa e quatro, E tudo que ele criou.
Mais um disco ele grava. Patativa, lhe ajudando,
O poeta não parava Conferindo e revisando,
De rimar, com maestria. Da obra muito gostou.
Abrem-se, pois, os panos,
Para "Oitenta e cinco anos Chegando noventa e sete,
De Luz e de Poesia". Já temos mais novidade:
Oitenta e oito de idade,
Nosso poeta, então, Primeiro CD lançado!
De outro evento faz parte, Com humor que não se apaga,
Mostrando assim sua arte, Pega o CD e indaga:
Do jeito que ele queria: "O que tem, do outro lado?"
"Oitenta e cinco de idade,
De amor e fidelidade E o nome do CD
À sua gente e à Poesia" Já presta justa homenagem
Ao poeta de coragem,
"Esse ano foi o pior Que a força nunca perdia,
Que tive na minha vida" Idoso, porém afoito:
Diz ele, voz abatida, "Patativa, oitenta e oito
Voz saudosa, bem baixinha: Anos de Poesia!"
"Uma grande dor senti,
Pois nesse ano eu perdi Sua cidade querida,
A minha esposa Belinha!" Numa homenagem pura,
Já nesse ano inaugura
"Pessoa a quem devo muito, Uma Rádio Comunitária.
Ela foi a companheira. E o Nome da Rádio é
Pois, muito trabalhadeira, "Patativa do Assaré",
Igual, assim, não havia! O que a torna lendária.
Eu, quase não enxergando, No ano noventa e oito,
Meus versos ia ditando... José Lourenço Gonzaga
Era ela que escrevia!" Ao nosso poeta afaga,
"Pro resto da minha vida, Com respeito e com doçura.
Eu nunca vou me cansar Lança um álbum bonito
De desse jeito falar, Para enaltecer o mito,
Fazendo verso e Cordel. Usando a Xilogravura.
Aqui, na nossa terrinha,
Eu cuido da sorte minha. Contém dezesseis matrizes,
Belinha... já tá no céu!" Bem feitas, em umburana.
Sua beleza empana
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As outras obras que havia. Milagre do Padin Ciço!"
E intitula, belamente,
A obra resplandecente: Já quase no fim da vida,
"Patativa - Amor, Poesia". Já poeta consagrado,
Sendo homenageado,
No Estado de São Paulo, Ele nunca se envaidece.
A Câmara Legislativa E, falando com humildade,
Recebe, então, Patativa, Agradece "a bondade
Com uma grande homenagem. De louvar quem não merece".
Com lavratura em Ata,
Marcam pra sempre a data Chega então noventa e nove.
Da importante passagem. A festa de Aniversário!
O feito mais legendário,
"Patativa - Novent'anos" Um evento magistral!
Discursa até o Prefeito! Na cidade de Assaré,
E poetas de respeito Inauguram, pois, com fé,
Só louvam o Menestrel. O Grande Memorial.
E cada um, em seu canto,
Declara: "Ninguém fez tanto Trata-se de um museu
Assim, por nosso Cordel". Com toda sua grande obra
Poesia lá tem de sobra,
Em Fortaleza inauguram Pois o poeta escreveu.
Uma grande exposição, O povo reverencia
Para louvar, com emoção, O Poeta e sua poesia
O Mestre das Obras Primas. Que os noventa já venceu!
Da Poesia, que deságua,
Nasce, "De um pingo d'água E pede a Deus saúde
Um oceano de rimas". E vida mais longa ainda,
Ao que tanta coisa linda
Então, a Universidade A todos proporcionou.
Federal do Ceará Parece que Deus, ouvindo,
Promove o que será Diz ao poeta: "Vá indo,
Um pleito extraordinário. Dois anos mais Eu lhe dou".
Usando a Xilogravura, Já velho e bem cansado,
O Poeta ela figura E cego, o nosso bardo
Em um lindo calendário! Carrega ainda o fardo
O autor desse projeto Da fama, como poeta.
Foi o artista Evandro Abreu. Sentado em sua cadeira
A Xilogravura, deu De balanço, a tarde inteira,
O artista José Lourenço. Sua alma se aquieta.
Patativa, bem contente,
Só dizia: "Minha gente... Não pode mais escrever,
Assunta só o que eu penso: Mesmo assim não se entristece.
O coração não esquece
Já tenho noventa anos Toda a vida que viveu.
E ainda não fiz nada. Se alguém lhe diz "-Obrigado",
Minha obra ser louvada? Ele diz: "Cê tá errado!
Eu ser louvado por isso? Quem agradece sou eu!"
É só por muita bondade
Dos amigos, dos cumpade, Filhos, netos, parentes
E fãs, em todo país,
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Querendo lhe ver feliz, Mas levo muita saudade
Nunca o deixam sozinho. Desse povo nordestino".
Ele, inverno ou primavera,
Cisma, recorda e espera "Saudade da minha serra,
Sua hora, seu caminho. Que eu cantei, parcamente.
Saudade da minha gente,
E fala um dia, a um neto: Saudade do meu Sertão.
"Poeta é só quem diz Mas vou-me embora contente
Escrevendo, fui feliz, Pois a chuva, docemente,
Pois escrevi para o povo. Já molha o meu caixão".
Se morrer, eu morro em paz.
Quem sabe bem o que faz "E peço a todo poeta
Faria tudo de novo!..." Que vai ficar nesse chão:
Que abra o coração,
Até que chegou o dia. Quando for versar de novo.
Foi pouco tempo depois. Para cantar nossa terra,
No ano dois mil e dois Pra castigar a quem erra,
No dia oito de julho. Pra defender nosso povo".
A figura se aquieta.
Acharam morto o poeta, "Nunca perca a fé em Deus,
Motivo do nosso orgulho. Nem no maior sofrimento.
De Jesus, o ensinamento,
Morreu em sua cadeira Guarde bem, no coração.
Na varanda, que gostava. E tenha sempre na mente
A ninguém incomodava O que ensinou lindamente
Como dissera, um dia. O Padin Ciço Romão!"
"Quando eu seguir meu caminho, "Eu não quero ser lembrado!
Eu quero é ir sozinho, Lembre somente a Poesia!
Sem alarde ou arrelia". E cante, com alegria,
O Brasil, naquele dia, Para o povo se animar.
Perdia um maioral! No Brasil, de sul a norte,
Pobre, até o final O povo tem que ser forte,
Da carreira, mas contente, Pra dureza suportar."
Por ter cantado a beleza
Da terra e da Natureza "Tenha pena dos pequenos,
E o sofrer de sua gente. Dos fracos, dos que não podem.
Enquanto bombas explodem
O Brasil, naquele dia, Causando tristeza e dor...
De sul a norte, chorou. Tenha dó do povo inteiro
Muita gente lamentou E, no solo brasileiro,
O Mestre, que ia embora. Espalhe um pouco de amor".
Mas ele, tranquilamente,
Só dizia: "Calma gente, "Pra ver um mundo melhor,
É que chegou minha hora". Tenha fé, tenha esperança!
Eduque toda criança
"Essa hora é Deus quem marca, E lhe dedique atenção.
Com a Sua Onipotência. Pois, em meio a tanta guerra,
Não há recurso ou ciência Felicidade, na terra,
Pra se mudar um destino. Só vem pela Educação".
Vou-me embora, é verdade,
Assim diria o Poeta,
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Se, morto, fosse falar.
Sua gente, a aconselhar,
Arrebatado de amor.
Resumindo: "a esperança
É ver, um dia, a bonança
Chegar ao trabalhador!"

Terminando, meu amigo,


Agradeço, emocionado.
O meu recado foi dado
Cumprida, a minha missão.
Com o meu verso rasteiro,
Quem falou, sempre primeiro,
Foi a voz do coração.

Agradeço a Deus do Céu


A graça de escrever
Podendo, assim, dizer
O que foi e o que é,
Para o Povo Brasileiro,
O Poeta verdadeiro
Patativa do Assaré!
Pergunte, leitor amigo,
Aonde foi Patativa?
Terminando a narrativa,
Atentamente eu lhe digo:
Teve ele o seu abrigo
Imediato, no Céu.
Velando pelo incréu,
Além de todo perigo.

Dizendo, sempre consigo:


O Pai proteja o Cordel!

Assim, fique, eternamente,


Seu verso, sempre presente,
Seu exemplo mais profundo!
Ao reviver Patativa
Repito: sua chama viva
É uma lição para o mundo!

Antônio Gonçalves da Silva


Neste Nordeste nasceu.
Para a Poesia viveu!
Estará morto?... Sei não!...
Ainda o vejo entre nós!
Pois Patativa é "A Voz
Que Ainda Canta o Sertão"!

Dedicatória
Para Jussiara, Lara e Lívia, minha família, a razão de tudo!

Para Seu Geraldo Capoteiro, meu pai, pura saudade!

Juiz de Fora - Minas Gerais, Junho a Setembro / 2006.

Luiz Carlos Lemos.


Cronologia de Pativa do Assaré

1909 - Nasce, dia 5 de março, na Serra de Santana (Assaré), Antônio Gonçalves da Silva,
O Patativa do Assaré. É o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da
Silva, pequenos proprietários rurais

1913 - Fica cego de um olho, em decorrência de uma doença chamada Conjuntivite. No


Nordeste rural, essa enfermidade é conhecida como "Dordói" ( Dor de Olhos ).

1917 - Morte do pai, a 28 de março. A pequena propriedade da família, na Serra de Santana,


é dividida entre os filhos José, Antonio, Joaquim, Pedro, Maria e Mercês.

1921 - Vai para a escola aos 12 anos, onde passa quatro meses. É alfabetizado por meio do
livro de Felisberto de Carvalho. Mantém o trabalho na agricultura, ajudando a família.

1922 a 1923 - Começa a fazer os primeiros versos sobre brincadeiras de noite de São João,
queima de Judas, plantio das roças, etc.

1925 - Vende uma ovelha para comprar a primeira viola. Passa a se apresentar nos sítios e
festas da região.

1928 - Viaja para Belém do Pará, com o primo da mãe, José Alexandre Montoril, que já
morava lá. Patativa fica cinco meses em Belém. É lá que ganha, de José Carvalho de Brito,
jornalista e advogado do Crato radicado na capital paraense, o nome de Patativa.
Apresenta-se nas "colônias'', núcleos de nordestinos que migraram para o Pará. Faz o
percurso, pela da linha férrea, de Belém a Bragança.

1929 - De volta ao Ceará, visita a Casa de Juvenal Galeno, onde se apresenta em noite
festiva e tem o privilégio de conhecer o poeta das "Lendas e Canções Populares''.

1931 - Citado no livro "O Matuto Cearense e o Caboclo do Pará'', de José Carvalho, que
relembra o episódio do encontro com o jovem poeta.

1936 - Casa-se, dia 6 de janeiro, com Belarmina Paes Cidrão, a Dona Belinha, com quem
teve 14 filhos, dos quais sete morreram.

1940 - Apresenta-se com violeiros, como João Alexandre, nos sítios e festas do Cariri.

1955 - Conhece José Arraes de Alencar, que toma a iniciativa de transcrever seus poemas por
meio de Moacir Mota, filho de Leonardo Mota.

1956 - Publicação de "Inspiração Nordestina", por Borsi Editor, do Rio, reeditado em 1967.

1962 - Apresenta-se no São João Popular, no sítio Trindade, em Recife, promovido por Miguel
Arraes.

1964 - Luiz Gonzaga grava "A Triste Partida", poema de Patativa.

1966 - Lançado o livro "Cantos de Patativa".

1970 - Publicação de "Patativa do Assaré - Novos Poemas Comentados", de J. de


Figueiredo Filho.

1972 - Raimundo Fagner musica e grava "Sina", no disco "Manera Fru-Fru, Manera", poema
cuja autoria não lhe foi atribuída.
1973 - É atropelado na avenida Duque de Caxias, em Fortaleza, dia 13 de agosto. O acidente
deixou seqüelas e Patativa usou uma perna mecânica até o fim de seus dias.

1978 - Lançado, pela Editora Vozes, "Cante Lá Que Eu Canto Cá", seu mais belo poema.

1979 - Passa a residir em Assaré, à rua Coronel Onofre, 27, Praça da Matriz.
- Homenageado pela programação cultural do encontro da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência, em Fortaleza.
- Grava o disco Poemas e Canções e participa da campanha pela Anistia aos presos
políticos brasileiros.
- Atua em "Patativa do Assaré", filme super-8 de Rosemberg Cariry.
- Participa da "Massafeira Livre", de 15 a 18 de março, no Theatro José de Alencar,
lançado em disco pela Epic (CBS), no ano seguinte.

1980 - Fagner grava "Vaca Estrela e Boi Fubá" (CBS).

1981 - Lança o disco "A Terra é Natura"

1981 - continuação:
- Apresenta-se no programa Som Brasil, da Rede Globo, a convite de Rolando
Boldrin, dia 31 de outubro.

1984 - Participa da campanha pelas "Diretas Já" e sobe ao palanque, em Fortaleza, para dizer
poemas, ao lado de lideranças políticas nacionais.
- Publicação de "O Metapoema em Patativa do Assaré", uma introdução ao
pensamento literário do poeta, de Francisco de Assis Brito, pela Faculdade de Filosofia do
Crato.
- Vídeo "Patativa do Assaré", realizado pelo projeto Experimental dos alunos do Curso
de Comunicação Social da UFC, com apoio da Tv Educativa.
- "Patativa do Assaré - Um Poeta do Povo", filme de Jefferson Albuquerque Jr. e
Rosemberg Cariry, em 16mm, ampliado para 35mm, em cores.

1985 - Faz a letra de "Seca d'Água", criação coletiva para angariar fundos para as vítimas
das enchentes, que assolaram o Nordeste naquele ano.
- Lança o disco "Patativa do Assaré", um projeto cultural do Banco do Estado do
Ceará.

1986 - Apóia a candidatura de Tasso Jereissati ao governo do Estado.

1988 - Publica o livro "Ispinho e Fulô", pela Imprensa Oficial do Ceará.


- Submetido a cirurgia em clínica oftalmológica de Campinas (SP).

1989 - seminário "Oitenta anos de Patativa do Assaré", promoção da Urca


- Lança o disco "Canto Nordestino".
- Apresentação de Patativa do Assaré e Théo Azevedo, no teatro das Nações (Avenida
São João, 1737), em São Paulo.
- Evento "Patativa do Assaré - Oitenta Anos de Vida e Poesia", dia 30 de
novembro, no BNB Clube, em Fortaleza.
- Apresentação de Patativa do Assaré com Fagner, no Memorial da América Latina, em
São Paulo, de 7 a 9 de dezembro.

1990 - Participação no evento "Fortaleza das Violas", no BNB Clube, em Fortaleza, dias 26
e 27 de janeiro, como convidado especial, juntamente com Otacílio Batista e Geraldo
Amâncio.
- Lançamento do disco "Patativa do Assaré - Oitenta Anos de Luz", com apoio da
Prefeitura Municipal de Assaré, Urca, Secretaria da Cultura do Estado e Associação dos
Artistas e Amigos da Arte, de Juazeiro do Norte.

1990 - continuação:
- Lançado o disco "Canção Nordestina", com poemas musicados por Cleivan Paiva.
1991 - Lança o livro "Balseiro", organizado por ele e por Geraldo Gonçalves, que reúne parte
da produção dos poetas de Assaré, publicado pela Secretaria da Cultura do Estado
(Secult)/Ioce.

1993 - Participa da novela "Renascer", da Rede Globo de Televisão.


- Entrevistado pelo programa Jô Onze e Meia, do SBT.
- Lança a caixa "Cordéis do Patativa'', editada pela Secult, com apoio da Prefeitura
Municipal de Juazeiro do Norte, na Casa de Juvenal Galeno, em Fortaleza, dia 20 de
novembro.
1994 - Lança o livro "Aqui Tem Coisa", na I Feira Brasileira do Livro de Fortaleza.
- Documentário "O Vôo da Patativa", com roteiro de Oswaldo Barroso e direção de
Ronaldo Nunes, produzido pela TV Ceará.
- Grava o disco "Patativa - Oitenta e Cinco Anos de Luz e Poesia"
- Evento "Patativa do Assaré - Oitenta e Cinco Anos de Fidelidade e Amor à
Poesia e à Sua Gente'', dias 4 e 5 de março, em Assaré.
- Morte de dona Belinha, dia 15 de maio.

1995 - Lançamento de "Patativa e o Universo Fascinante do Sertão", de Plácido Cidade


Nuvens.

1997 - Seminário "Oitenta e Oito Anos de Patativa do Assaré", promovido pela Urca e
Secretaria da Cultura do Estado, no Crato.
- Lançamento do CD "Patativa 88 anos de Poesia".
- Inauguração da Rádio Comunitária Patativa do Assaré, em sua cidade natal.
- Defesa da dissertação "A Linguagem Regional Popular na Obra de Patativa do
Assaré", de Maria Silvana Militão de Alencar, no Mestrado em Lingüística e Ensino da Língua
Portuguesa da UFC, dia 5 de dezembro de 1997, sob a orientação de Maria do Socorro Silva
de Aragão.

1998 - Álbum de xilogravuras "Patativa - Vida, Amor, Poesia", com 16 matrizes em


umburana, de autoria de José Lourenço Gonzaga.
- Sessão solene da Assembléia Legislativa do estado de São Paulo, dia 10 de agosto, em
homenagem aos noventa anos de Patativa do Assaré. Transcrita no volume 108, número 166,
do dia 1 de setembro de 1998, do Diário Oficial do Estado de São Paulo.
- Inauguração, dia 1° de outubro, da exposição "De Um Pingo D'água, Um Oceano
de Rimas", em homenagem a seus 90 anos na III Feira Brasileira do Livro de Fortaleza.

2002 - Dia oito de Julho - Falece, em sua residência, na cidade de Assaré, à Rua Coronel
Onofre, 27, Praça da Matriz, Antônio Gonçalves da Silva - Patativa do Assaré, para lamento e
pesar de todos os brasileiros.

Fontes: Banco de Dados do O POVO, Arquivo do professor Gilmar de Carvalho e


Jornal de Poesia: www.revista.agulha.nom.br/poesia.html

Pesquisa e compilação de dados: Luiz Carlos Lemos


Agradecimentos:

Ao meu compadre Petronilo Filho, (João Pessoa - PB), pela paciente revisão.

Ao meu compadre Paulo Wanderley, (Fortaleza - CE), por disponibilizar o


Servidor.

A Deus, por ter-me providenciado paciência e perseverança, na tarefa.

E... a você, que acabou de ler este folheto!

Obrigado!

Luiz Carlos Lemos

Juiz de Fora - MG, Setembro - 2006.

luzcar@oi.com.br

www.elivro.zip.net elivro@oi.com.br

“Pra todo canto que eu olho,


Vejo um verso se buli”
(Patativa do Assaré)