Resposta aos Falsificadores

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Fonte Resposta aos falsificadores 1 http://www.horadopovo.com.br/2009/julho/2783-17-07-09/P8/pag8a.htm Resposta aos falsificadores 2 http://www.horadopovo.com.br/2009/julho/2784-22-07-09/P8/pag8a.htm

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Resposta aos falsificadores (1) Em 1948, o Ministério de Relações Exteriores da URSS, diante da campanha promovida pelos círculos reacionários e imperialistas nos EUA a respeito do pacto de não-agressão assinado com a Alemanha antes da II Guerra, emitiu um documento, “Nota sobre os falsificadores da História”. Trata-se de um texto rico em informações e tão irretorquível que os governos e a mídia dos EUA e países satélites preferiram escondê-lo de seus povos do que tentar responder a ele. Agora que a mesma campanha é exumada por algumas viúvas do colaboracionismo, numa comissão do Parlamento Europeu, é uma boa hora para conhecer esse documento. Por isso, publicaremos aqui um resumo do texto, por questões de espaço. A íntegra, no idioma castelhano, pode ser lida em www.antorcha.org/galeria/sgm.htm No final de Fevereiro de 1948, o Departamento de Estado dos EUA, em colaboração com os Ministérios dos Negócios Estrangeiros da França e da Inglaterra, publicou uma compilação de excertos de vários relatórios e notas dos funcionários hitleristas e deu a essa coletânea o título de “Relações Soviético-nazis durante os anos 1939-1941”. Como se observa no prefácio a essa compilação, no verão de 1946 os governos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França fizeram um acordo para publicar os documentos dos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, correspondentes aos anos compreendidos entre 1918 e 1945, apreendidos na Alemanha pelas autoridades americanas e britânicas. Devemos mencionar que na compilação publicada só foram incorporados os materiais dos anos 1939 a 1941, enquanto que o Departamento de Estado não incluiu na citada compilação os materiais dos anos precedentes e, em particular, aqueles correspondentes ao período de Munique, que permanecem ocultos da opinião pública mundial. Este fato, sem dúvida alguma, não é casual, correspondendo a objetivos que não têm nada em comum com uma concepção objetiva e conscienciosa da verdade histórica. Simultaneamente com a publicação nos Estados Unidos, e nos países que dele dependem, da dita compilação, levantou-se, como que por magia, uma nova onda de ataques e calúnias desenfreadas sobre o pacto de não-agressão celebrado em 1939 entre a URSS e Alemanha, que seria supostamente dirigido contra as potências ocidentais. Assim, o verdadeiro objetivo da publicação nos Estados Unidos da compilação sobre as relações entre a URSS e a Alemanha de 1939 a 1941 não deixa margem a dúvidas. Seu objetivo não é apresentar uma exposição objetiva dos acontecimentos históricos, mas desfigurar o seu verdadeiro contexto, mentir sobre a União Soviética, debilitar a influência internacional da União Soviética como referência realmente democrática e firme frente às forças agressivas e anti-democráticas. Além disso, não podemos perder de vista o desejo dos círculos dirigentes dos Estados Unidos de minar, com sua campanha de calúnias contra a URSS, a influência dos elementos progressistas de seu país, que preconizam a melhora das relações com a URSS. O golpe nos elementos progressistas dos Estados Unidos tem como objetivo, sem dúvida, debilitar sua influência nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, que terão lugar no outono de 1948.
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A compilação contém um grande número de documentos fabricados pelos funcionários diplomáticos hitleristas no labirinto das chancelarias diplomáticas alemãs. Os governos americano, inglês e francês decidiram publicar unilateralmente documentos alemães sem sequer se deter diante de uma falsificação da história e lançando calúnias contra a União Soviética, que foi quem suportou o peso principal da luta contra a agressão hitlerista. A URSS ACUSA Tendo em conta este fato, o governo soviético considera que também tem o direito de publicar os documentos secretos relativos às relações entre a Alemanha hitlerista e os governos da Inglaterra, França e Estados Unidos, documentos que caíram em mãos do governo soviético e que esses governos ocultaram da opinião pública. Ocultaram estes documentos e não querem publicá-los. Porém, nós consideramos que, depois de tudo o que aconteceu, eles devem ser publicados para que a verdade histórica possa ser restabelecida. A publicação desses documentos permitirá apresentar, tal qual foi, o curso real da preparação e desenvolvimento da agressão hitlerista e da II Guerra Mundial. I. O começo Os falsificadores americanos e seus cúmplices anglo-franceses tentam dar a impressão de que os preparativos da agressão alemã, que desembocou na II Guerra Mundial, começaram no outono de 1939. Mas, quem pode acreditar nisso hoje em dia, exceto aquelas pessoas predispostas a crer em toda notícia sensacionalista sem fundamento? Quem ignora a essa altura que a Alemanha começou a preparação da guerra desde o momento da ascensão de Hitler ao poder? E igualmente, quem ainda ignora que o regime hitlerista foi criado pelos meios monopolistas alemães com a inteira e plena aprovação dos dirigentes da Inglaterra, França e Estados Unidos? A AJUDA A HITLER Com a finalidade de preparar-se para a guerra e de assegurar um armamento moderno, a Alemanha devia restabelecer e desenvolver sua indústria pesada e, em primeiro lugar, a metalurgia e a indústria de guerra do Ruhr. Depois de sua derrota durante a I Guerra imperialista, a Alemanha, que se encontrava sob o jugo do Tratado de Versalhes, não podia fazê-lo por seus próprios meios, em um período de tempo curto. O imperialismo alemão se beneficiou, neste ponto, do potente apoio dos Estados Unidos da América. O plano de reparações para a Alemanha, chamado Plano Dawes, jogou um grande papel nesta questão. Com a ajuda deste plano, Estados Unidos e Inglaterra contavam por a indústria alemã debaixo da dependência dos monopólios americanos e britânicos. O Plano Dawes abriu o caminho para uma intensa afluência e penetração na indústria alemã de capitais estrangeiros, sobretudo americanos. Em seis anos, de 1924 a 1929, a afluência de capitais estrangeiros na Alemanha foi de 10-15 bilhões de marcos em investimentos de longo prazo e de mais de 6 bilhões de curto prazo. Isso reforçou enormemente o potencial econômico e, em particular, o potencial de guerra alemão. Neste aspecto, o papel preponderante corresponde aos investimentos

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americanos, que, no mínimo, representavam 70% do total dos empréstimos de longo prazo. A COALIZÃO DOS TRUSTES Sabe-se bem qual foi o papel jogado pelos monopólios americanos – com as famílias Dupont, Morgan, Rockefeller, Lamont e outros magnatas industriais dos Estados Unidos na cabeça – no financiamento da indústria pesada alemã, no restabelecimento e desenvolvimento dos laços mais estreitos entre a indústria americana e a indústria alemã. Os mais importantes monopólios americanos estavam estreitamente ligados à indústria pesada, aos consórcios de guerra e aos bancos da Alemanha. O grande consórcio americano Dupont de Nemours e o truste químico britânico Imperial Chemical Industries, que era um dos maiores acionistas do truste do automóvel General Motors, mantinham estreitas relações industriais com o consórcio químico alemão I. G. Farbenindustrie, com o qual haviam concluído um acordo de cartel em 1926 sobre a divisão dos mercados mundiais para a venda de pólvora. O presidente do Conselho de Administração da firma Rohm e Hass, de Filadélfia (EUA) era, antes da guerra, sócio do dono desta mesma empresa em Darmstadt (Alemanha). Assinalemos a este respeito que o antigo diretor deste consórcio, Rudolph Muller, desenvolve atualmente sua atividade na zona de ocupação conjunta e joga um importante papel nos círculos dirigentes da União Democrata Cristã (UCD). Entre 1931 e 1939, o capitalista alemão Schmitz, presidente do consórcio I. G.Farberindustrie, e membro do Conselho do Deutsche Bank, controlava a sociedade americana General Dyestuff Corporation. Depois da conferência de Munique (1938), o truste americano Standard Oil concluiu um acordo com a I. G. Farberindustrie, pelo qual esta última obtinha uma parte dos lucros sobre a gasolina de aviação produzida nos Estados Unidos, renunciando, em troca, a exportar da Alemanha a gasolina sintética que, na época, acumulava em estoque para fins bélicos. Mesmo na véspera da guerra existiam, por exemplo, relações econômicas muito estreitas, de importância não apenas comercial mas também militar, entre a Federação da Indústria Britânica e o grupo industrial do Reich. Os representantes destes dois grupos monopolistas publicaram em Dusseldorf, em 1939, uma declaração conjunta na qual se dizia, entre outras coisas, que esse acordo tinha como objetivo assegurar a colaboração mais completa entre os sistemas industriais de seus países. Isto se passava nos dias em que a Alemanha hitlerista havia engolido a Tchecoslováquia! Nada surpreendente, pois, que a revista londrina Economist escrevesse a este respeito: não há na atmosfera de Dusseldorf algo que possa fazer com que os homens sensatos percam a razão?. O Banco Schröder, bem conhecido, no qual predominava o truste alemão do aço Vereinigte Stahlwerke, fundado por Stinnes Thyssen e outros magnatas industriais do Ruhr, com filiais em Nova York e Londres, é um exemplo característico da interpenetração do capital americano, alemão e inglês. Allan Dulles, diretor das filiais de Londres, Colonia e Hamburgo da I. G. Schröder Banking Corporation, jogou um grande papel aqui [Nota do Editor: Allan Dulles foi, em seguida, fundador e diretor da CIA].

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A famosa empresa de advocacia Sullivan e Cromwell jogou um eminente papel na filial de Nova York do banco Schröder. A empresa Sullivan e Cromwell era dirigida por John Foster Dulles, que é atualmente o principal conselheiro de M. Marshall. Sua empresa está estreitamente ligada com o truste mundial de petróleo, a Standard Oil dos Rockefeller, e também com o Chase National Bank, o banco mais poderoso dos Estados Unidos, que investiu imensos capitais na indústria alemã [N.E.: John Foster Dulles, irmão de Allan, foi secretário de Estado no governo Eisenhower e promotor da chantagem nuclear e da “guerra fria” contra a URSS]. Esta chuva de ouro, de dólares americanos, foi o que fecundou a indústria pesada da Alemanha hitlerista e, em particular, a indústria de guerra. Foram estes bilhões de dólares americanos, investidos na indústria de guerra da Alemanha hitlerista pelos monopólios do outro lado do Atlântico, que restabeleceram o potencial de guerra alemão e colocaram nas mãos do regime hitlerista a arma necessária para a agressão. A POLÍTICA DE APAZIGUAMENTO Outro fator decisivo que contribuiu para o desencadeamento da agressão hitlerista foi a política dos círculos dirigentes da Inglaterra e da França, política de apaziguamento da Alemanha hitlerista, política que renunciava à segurança coletiva, política de não-resistência à agressão alemã e de estímulo às pretensões agressivas da Alemanha hitlerista, que conduziu à II Guerra Mundial. Passemos aos fatos: Pouco tempo depois da subida de Hitler ao poder, em 1933, foi assinado em Roma, como consequência dos esforços dos governos inglês e francês, um Pacto de Entente e cooperação das quatro potências: Grã Bretanha, Alemanha, França e Itália. Esse pacto significava uma entente entre os governos inglês e francês, por uma parte, e o fascismo alemão e italiano, que já não dissimulava suas intenções agressivas. Igualmente, esse pacto firmado com os estados fascistas significava a renúncia à política de reforçamento da frente única das potências pacíficas contra os estados agressivos. Ao tratar com a Alemanha e a Itália e colocar de lado as demais potências integrantes da Conferência de Desarmamento que estava se reunindo nesse momento, e que examinava a proposta soviética de concluir um pacto de nãoagressão, Grã Bretanha e França assestaram um golpe no trabalho empreendido para assegurar a paz e a segurança dos povos. Depois disso, em 1934, a Inglaterra e a França ajudaram Hitler, pelas costas da URSS, para que se beneficiasse da atitude hostil da Polônia feudal, seu aliado, com a conclusão do pacto germano-polaco de não-agressão, que foi uma das etapas importantes nos preparativos da agressão alemã. Hitler necessitava deste pacto para desorganizar as fileiras dos partidários da segurança coletiva e para demonstrar, com este exemplo, que a Europa necessitava não de uma segurança coletiva, mas de acordos bilaterais. Isto permitia aos agressores alemães decidir quando e com quem deviam concluir acordos, e quando e quem devia ser atacado. Não há dúvida alguma que o pacto germano-polaco constituía a primeira brecha importante na estrutura da segurança coletiva.

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Hitler sentiu-se à solta e pôs em marcha numerosas medidas destinadas a reconstruir abertamente as forças armadas da Alemanha, o que não gerou nenhum tipo de resistência entre os dirigentes ingleses e franceses. Ao contrário, pouco tempo depois, em 1935, se concluiu em Londres - onde havia chegado Ribbentrop para levar a cabo este objetivo - um acordo naval anglo-alemão, segundo o qual a Grã Bretanha aceitava o restabelecimento das forças navais alemãs, que chegavam a ser tão importantes como a frota de guerra francesa. Hitler obtinha assim o direito a construir submarinos de uma tonelagem global equivalente a 45% da frota submarina britânica. Foi igualmente neste período quando se produziram os atos unilaterais da Alemanha hitlerista, cujo objetivo era suprimir todas as demais restrições relativas ao aumento das forças armadas, restrições estabelecidas pelo Tratado de Versalhes; estes atos tampouco provocaram nenhum tipo de resistência por parte da Inglaterra, França e Estados Unidos. As ambições dos agressores fascistas aumentavam de dia para dia, enquanto que os Estados Unidos, a Grã Bretanha e a França davam mostras de uma evidente tolerância. Verdadeiramente, é preciso dizer que não foi casual que as intervenções militares levadas a cabo nessa época pela Alemanha e Itália na Etiópia e Espanha não lhes acarretaram problema algum. A UNIÃO SOVIÉTICA A União Soviética era a única que perseguia de maneira firme e consequente sua política de paz, defendendo os princípios de igualdade em direitos e de independência com relação a Etiópia, que era, por outra parte, um dos membros da Sociedade das Nações, assim como o direito do legítimo governo republicano da Espanha de receber apoio dos países democráticos em sua luta contra a intervenção germano-italiana. A União Soviética – dizia V. Molotov, ao falar da agressão italiana à Etiópia na sessão do Comitê Central Executivo da URSS - demonstrou na Sociedade das Nações, baseando-se no exemplo de um pequeno país, Etiópia, que era fiel a este princípio: o da independência de todos os Estados e sua igualdade enquanto nações. A União Soviética também aproveitou sua participação na Sociedade das Nações para por em prática sua linha de conduta em relação ao agressor imperialista. O que faziam durante este período os governos dos Estados Unidos, Grã Bretanha e França quando, diante de seus olhos e de uma maneira cada vez mais desavergonhada, reprimiam bestialmente a suas vítimas? Não se moveram o mínimo para frear os agressores alemães e italianos, para defender os direitos dos povos pisoteados, para manter a paz e frear a iminente ameaça de uma II Guerra Mundial. Somente a União Soviética fez todo o possível para barrar a passagem dos agressores fascistas. A União Soviética se converteu na iniciadora e referência da segurança coletiva. Desde 6 de fevereiro de 1933, M. Litvinov, representante da União Soviética na Comissão Geral de Desarmamento, havia proposto que se fizesse uma declaração em que se definissem os termos agressão e agressor. Não obstante, a Conferência, sob a direção da Inglaterra e da França, que favoreciam a agressão alemã, não aceitou esta proposta.
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Todo o mundo conhece a persistente e prolongada luta da União Soviética e de sua delegação, presidida por M. Litvinov, na Sociedade das Nações a favor da manutenção e reforçamento da segurança coletiva, alçando sua voz a favor deste princípio em quase todas as sessões e em quase todas as comissões. Mas, como se sabe, a voz da União Soviética era como uma voz no deserto. Todo o mundo conhecia as propostas da delegação soviética sobre as medidas a tomar para reforçar a segurança coletiva, propostas dirigidas a M. Avenlo, Secretário Geral da Sociedade das Nações, seguindo as determinações do governo soviético, com data de 30 de agosto de 1936; pedia-se que a Sociedade das Nações as examinasse. Mas, como também se sabe, estas propostas se enterraram nos arquivos da Sociedade das Nações. CAPITULAÇÃO ANGLO-FRANCESA Era evidente que a Inglaterra e a França, que nesse momento desempenhavam o papel mais importante na Sociedade das Nações, renunciavam a resistir coletivamente à agressão alemã. Renunciavam à segurança coletiva porque esta lhes impedia de prosseguir sua nova política de apaziguamento da agressão alemã, em realidade uma política de concessões à agressão hitlerista. Certamente, uma política assim não podia senão reforçar a agressão alemã. Mas os círculos dirigentes anglofranceses consideravam que isso não era perigoso, posto que, ao dar satisfação aos agressores alemães no Ocidente, se lhes poderia dirigir mais tarde para o Leste e convertê-los em uma arma contra a URSS. No informe apresentado ao XVII Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em março de 1939, ao expor as razões do reforçamento da agressão hitlerista, J. Stalin dizia: A razão principal consiste em que a maioria dos países não agressivos e, sobretudo, Inglaterra e França, renunciam à política de segurança coletiva, à política de resistência ativa aos agressores, e em que adotam uma atitude de não intervenção, uma atitude de neutralidade. Para desorientar o leitor e, ao mesmo tempo, caluniar o governo soviético, o correspondente americano Nil Stanford afirma que o governo soviético se opunha à segurança coletiva, que M. Litvinov foi afastado de seu cargo de Comissário de Assuntos Exteriores e substituído por V. Molotov porque mantinha uma política cujo objetivo era reforçar a segurança coletiva. É difícil imaginar algo mais estúpido do que esta fantástica afirmação. É evidente que M. Litvinov não levava a cabo uma política pessoal, mas a do governo soviético. Por outro lado, em todo o mundo se conhece a luta que este governo e todos os seus representantes, M. Litvinov incluído, mantiveram a favor da segurança coletiva durante todo o período anterior à guerra. Quanto à designação de V. Molotov para o cargo de Comissário do Povo de Assuntos Exteriores, é evidente que em uma situação complicada, quando os fascistas preparavam a II Guerra Mundial e quando a Grã Bretanha e a França, com os Estados Unidos por trás, lhes deixavam à solta e lhes animavam em seus planos de guerra contra a URSS, era necessário por em um cargo de tanta responsabilidade como o de Comissário de Assuntos Exteriores um homem de Estado mais experimentado e que gozava de uma confiança maior que M. Litvinov no país.
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Resposta aos falsificadores (2) A campanha contra a URSS no pós-guerra praticamente iniciou-se com as falsificações sobre o Pacto de Não-Agressão germano-soviético de 1939. Procurava-se acusar o país que foi a força decisiva para a derrota do nazismo de ter colaborado com ele – e, por consequência, ser o responsável pela eclosão da II Guerra. O motivo da campanha era evidente: manchar o imenso prestígio da URSS em todo o mundo, obtido pelo sangue vertido heroicamente em Moscou, Stalingrado, Leningrado, Odessa, Kerch, Minsk, Kursk, Kharkov, Orel, Smolensk, Tula, Kíev, Sebastopol, Berlim e inúmeras outras batalhas contra Hitler. A “Nota sobre os falsificadores da história”, emitida pelo Ministério das Relações Exteriores da URSS em 1948, descreve minuciosamente o processo anterior à Guerra, em que os governos da Inglaterra e da França, incentivando Hitler a agredir a URSS, permitiram que a Alemanha nazista, armada até os dentes com a cooperação desses governos, violasse acordos e tratados, ocupando a Áustria e a Tchecoslováquia, e preparando abertamente o ataque à Polônia. Essa tentativa de isolar a URSS, e empurrar os nazistas contra ela, custaria logo muito caro a esses governos – e, infelizmente, mais caro ainda aos povos de seus países. C.L. O desenvolvimento posterior dos acontecimentos mostra ainda mais claramente que os círculos governantes da Inglaterra e da França se dedicavam a alentar a Alemanha e a empurrá-la para o caminho das conquistas ao outorgar concessões e favores aos estados fascistas que, em 1936, se haviam agrupado em um bloco militar e político conhecido pelo nome de eixo Berlim-Roma. Ao rechaçar a política de segurança coletiva, Inglaterra e França adotaram a atitude de uma pretendida não-intervenção, a respeito da qual Stalin dizia: ...a política de não-intervenção pode ser caracterizada como: cada país se defenda dos agressores como queira e como possa, isto não nos afeta, vamos comerciar tanto com os agressores quanto com as vítimas. Mas, na realidade, a política de não-intervenção equivale a deixar o agressor fazer, desencadear a guerra e, portanto, a transformá-la em uma guerra mundial. (Informe ao XVIII Congresso do Partido Comunista (bolchevique) da URSS). O amplo e perigoso jogo político iniciado pelos defensores da política de nãointervenção pode acabar em um grande fiasco. (Ibidem). Desde 1937, estava perfeitamente claro que se ia em direção a uma grande guerra maquinada por Hitler, que se beneficiava do fato de que a Grã Bretanha e a França lhe deixavam fazê-la. A POLÍTICA ANGLO-FRANCESA Os documentos do Ministério de Assuntos Exteriores alemão apreendidos pelas tropas soviéticas, revelam a verdadeira natureza da política exterior da Grã Bretanha e da França durante esse período. Tal e como demonstram esses documentos, o fundo da política anglo-francesa não consistia em agrupar as forças dos estados
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pacíficos para uma luta comum contra a agressão, mas em isolar a URSS e dirigir a agressão hitlerista para o Leste, contra a União Soviética, utilizando Hitler como instrumento de seus objetivos. Ao fazer isso, os governos da Inglaterra e da França conheciam a orientação fundamental da política exterior hitlerista, que o próprio Hitler havia definido da seguinte forma: Nós, nacional-socialistas, damos ponto final, sabendo plenamente o que estamos fazendo, à orientação de nossa política exterior de antes da guerra [I Guerra Mundial]. Começamos no mesmo lugar em que paramos há seis séculos. Abandonamos o perpétuo desejo de expansão para o Sul e o Oeste da Europa, e voltamos nosso olhar para as terras do Leste. Rompemos, enfim, com a política colonial e comercial de antes da guerra e passamos à política territorial do futuro. Mas, hoje, quando falamos de novas terras na Europa, não podemos senão sonhar, em primeiro lugar, com a Rússia e com os estados limítrofes subordinados a ela. Parece como se o próprio destino nos mostrasse o caminho (Hitler, “Mein Kampf”, Munique, 1936, pág.742). TRÁFICO DE TERRITÓRIOS ALHEIOS Os documentos dos arquivos do Ministério de Assuntos Exteriores alemão mostram o verdadeiro sentido da diplomacia das potências ocidentais no período anterior à guerra: mostram como se jogou com os destinos dos povos, com que impudicícia se traficava com territórios alheios, como se recortava o mapa mundial em segredo, como se alentava a agressão hitlerista e que esforços faziam para orientar essa agressão contra a União Soviética. Por exemplo, o documento alemão que contém o texto de uma entrevista, celebrada a 19 de novembro de 1937 em Obersalzberg, entre Hitler, Halifax [ministro dos Negócios Estrangeiros da Inglaterra] e o ministro alemão dos Assuntos Exteriores, von Neurath. Halifax declarou que: Ele e os demais membros do governo inglês estavam convencidos de que Hitler havia obtido grandes resultados não só na Alemanha, mas que, além disso, ao destruir o comunismo em seu país, lhe havia cortado o caminho para a Europa Ocidental e que, por esta razão, se podia considerar a Alemanha, com toda razão, como o bastião do Ocidente contra o bolchevismo. (Texto da entrevista entre o Führer e Lord Halifax, Obersalzberg, 19/11/1937, Arquivo do Ministério de Assuntos Exteriores alemão). EXTENSÃO DO EIXO Halifax dizia: Uma vez preparado o terreno, graças à aproximação germano-britânica, as quatro grandes potências da Europa Ocidental [Grã Bretanha, França, Alemanha e

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Itália] deverão preparar conjuntamente a base sobre a qual se possa estabelecer na Europa uma paz duradoura. (Ibidem). Assim, desde 1937, em nome do governo inglês, Halifax propunha a Hitler a adesão da Inglaterra e, ao mesmo tempo, da França, ao eixo Berlim-Roma. Apesar disso, Hitler respondeu declarando que um acordo como esse lhe parecia muito fácil de realizar sempre e quando se atuasse com boa vontade e respeito mútuo, mas que as coisas se complicariam se não se considerasse a Alemanha como um Estado que já não levava o estigma moral ou material do Tratado de Versalhes. Halifax respondeu: Nós, ingleses, somos realistas e, talvez mais que quaisquer outros, estamos convencidos de que os erros da imposição de Versalhes devem ser corrigidos. Também em outras épocas, a Inglaterra exerceu sempre sua influência neste sentido realista. Halifax destacou o papel jogado pela Inglaterra quando da evacuação prematura da Renânia [região alemã na fronteira da França, desmilitarizada em 1919 pelo Tratado de Versalhes e ocupada militarmente por Hitler, violando o Tratado, em 1936, sem reação da Inglaterra e França]. A continuação do texto demonstra que o governo inglês havia adotado uma atitude favorável aos planos hitleristas de ocupar Dantzig [cidade polonesa], Áustria e Tchecoslováquia. Halifax declarou: De todas as demais questões, pode-se dizer que dizem respeito a mudanças da ordem europeia, que se levarão a cabo, com toda probabilidade, mais tarde ou mais cedo. Em relação a essas questões figuram Dantzig, Áustria e Tchecoslováquia. A Inglaterra só está interessada em uma coisa: que essas mudanças aconteçam por meio de uma evolução pacífica e que se possam evitar os métodos suscetíveis de ocasionar novas desordens que nem o Führer nem outros países desejariam. (Ibidem). Convém frisar, sobre isso, a declaração do ministro inglês Simon no Parlamento, a 21 de fevereiro de 1938, de que a Grã Bretanha jamais havia dado garantia especial alguma sobre a independência da Áustria. Tratava-se de uma mentira manifesta, posto que tais garantias estavam nos Tratados de Versalhes e de Saint-Germain. Na mesma época, o primeiro-ministro Chamberlain declarou que a Áustria não podia contar com nenhum tipo de defesa por parte da Liga das Nações. Não devemos tentar, disse Chamberlain, cair nós mesmos no erro e, menos ainda, enganar as nações pequenas e débeis, fazendo-as crer que a Liga das Nações vai defendê-las contra a agressão e que se poderá atuar em consequência, pois todos nós sabemos que nada disso se pode levar a cabo. (The Times, 23/02/1938, pág. 8). AMIZADE COM A ALEMANHA

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Os arquivos alemães contêm também o texto de uma entrevista entre Hitler e o embaixador britânico na Alemanha, Henderson, em presença de Ribbentrop, a 3 de março de 1938. Falando em nome do governo inglês, Henderson destacou que: Não se trata de uma transação comercial, mas de uma tentativa de estabelecer as bases de uma verdadeira e cordial amizade com a Alemanha, começando por melhorar a situação e acabando por criar um novo espírito de compreensão amistosa. (Texto da entrevista, 3/03/1938, Berlim, Arquivos do Ministério de Assuntos Exteriores alemão). Ao não colocar objeções às exigências de Hitler de agrupar a Europa sem a Rússia, Henderson recordou que Halifax, que já era nessa época ministro dos Negócios Estrangeiros, havia aceito já as mudanças territoriais que a Alemanha se dispunha a fazer na Europa, e que: Deu provas de uma grande coragem quando, apesar de tudo, arrancou a máscara de frases internacionais como a segurança coletiva, etc. Por isso, acrescentava Henderson, a Inglaterra se declarava disposta a descartar todas as dificuldades e indaga à Alemanha se, por sua vez, está disposta a fazer outro tanto (Ibidem). Quando Ribbentrop interveio na conversação para frisar a Henderson que o ministro da Inglaterra em Viena havia efetuado a von Papen [embaixador alemão na Áustria em 1938] uma declaração em tom dramático sobre os acontecimentos da Áustria, Henderson se apressou a dessolidarizar-se da declaração de seu colega, dizendo que ele mesmo, Neville Henderson, havia se pronunciado com frequência sobre o Anschluss [a anexação da Áustria pela Alemanha]. A CRISE DO ANSCHLUSS Depois dessa entente, a 12 de março de 1938, Hitler se apoderou da Áustria sem enfrentar nenhuma resistência por parte da Inglaterra e da França. Nesse momento, a União Soviética foi a única a lançar um grito de alarme e um novo chamamento à organização da defesa coletiva da independência dos países ameaçados de agressão. Em 17 de março de 1938, o governo soviético dirigiu uma nota às potências imperialistas, na qual se declarava disposta a empreender, na Liga das Nações, junto às demais potências, ou à margem dela, o exame de medidas práticas destinadas a frear o desenvolvimento da agressão e a suprimir o perigo mais agudo, o de uma nova carnificina mundial (Izvestia, 16/03/1938). A resposta do governo inglês à nota soviética punha a descoberto que tal governo não queria opor-se aos planos de agressão hitlerista. Ali se disse que, na opinião do governo de Sua Majestade, realizar uma conferência para adotar ações conjuntas contra a agressão não exerceria, necessariamente, uma influência favorável para as perspectivas da paz europeia (nota do Ministério de Negócios Estrangeiros britânico, 21/03/1938).

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A ocupação da Tchecoslováquia por parte de Alemanha foi o elo seguinte na cadeia da agressão alemã e da preparação da guerra na Europa. E esse importante passo para o desencadeamento da guerra na Europa, Hitler unicamente pode fazer com o apoio direto da Inglaterra e da França. A 10 de julho de 1938, o embaixador da Alemanha em Londres comunicava a Berlim que o governo inglês: considerava a busca de um compromisso com a Alemanha um dos pontos essenciais de seu programa e manifestava à Alemanha a máxima compreensão (Informe Político de 10/07/1938, Arquivos do Ministério de Assuntos Exteriores alemão). Dircksen [o embaixador alemão] escrevia que o governo inglês: havia se aproximado bastante da compreensão dos pontos mais essenciais das reivindicações fundamentais da Alemanha: a eliminação da União Soviética do acordo sobre o destino da Europa e, nesse mesmo espírito, o isolamento da Liga das Nações e a oportunidade de negociações e tratados bilaterais. Dircksen mandava dizer igualmente a Berlim que: o governo inglês estava disposto a fazer grandes sacrifícios para satisfazer as demais reivindicações, totalmente justas, da Alemanha. TRAIÇÃO EM MUNIQUE A 19 de setembro de 1938, isto é, quatro dias depois da entrevista HitlerChamberlain, os representantes dos governos britânico e francês exigiam do governo tchecoslovaco a transferência para a Alemanha dos territórios da Tchecoslováquia povoados principalmente por alemães dos Sudetos. Para justificar essa exigência, declaravam que, sem isso, seria impossível manter a paz e assegurar os interesses vitais da Tchecoslováquia. Os protetores anglo-franceses da agressão hitlerista tentavam encobrir sua traição com a promessa de uma garantia internacional das novas fronteiras do Estado tchecoslovaco como contribuição à obra de apaziguamento da Europa (Correspondance Czecheslovakia, setembro, 1938, cid 5847, pág.8922). A 20 de setembro, o governo tchecoslovaco respondia às propostas anglofrancesas. Declarava que a adoção de tais propostas equivaleria a uma completa e voluntária mutilação do Estado, de todos os pontos de vista. Chamava a atenção dos governos inglês e francês sobre o fato de que a paralisia da Tchecoslováquia traria profundas mudanças políticas em toda a Europa Central e no Sudeste. O equilíbrio de forças na Europa Central, e na Europa em geral - declarava o governo tchecoslovaco - seria destruído, o que acarretaria graves consequências para todos os demais Estados, muito particularmente para a França. O governo tchecoslovaco fazia um último apelo aos governos da Inglaterra e da França; pedia-lhes que reconsiderassem seu ponto de vista, frisando, além do mais, que isso não somente era do interesse da Tchecoslováquia, mas também do interesse de seus amigos, da causa da paz e de um normal desenvolvimento na Europa. No dia seguinte, o governo inglês enviava sua resposta ao governo tchecoslovaco. Em sua nota, propunha-lhe que retirasse sua resposta às propostas iniciais angloComunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 12

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francesas e que sopesasse com urgência e seriamente os prós e os contras antes de criar uma situação cuja responsabilidade o governo inglês não poderia assumir. Em conclusão, o governo inglês frisava não acreditar que o projeto tchecoslovaco de arbitragem fosse aceitável nesse preciso momento. A nota sublinhava que o governo inglês não pensava que o governo alemão considerasse a situação como suscetível de poder-se resolver pela via da arbitragem, tal e como propunha o governo tchecoslovaco. Finalmente, a nota inglesa lançava uma advertência ao governo tchecoslovaco e declarava em tom ameaçador que, se o governo tchecoslovaco rechaçasse o conselho da Inglaterra, seria lícito a este recorrer a todo tipo de ações que considerasse adequadas à situação. A CONFERÊNCIA DE MUNIQUE A Conferência de Munique, celebrada nos dias 29 e 30 de setembro de 1938 entre Hitler, Chamberlain, Mussolini e Daladier, foi o remate da vergonhosa transação, inteiramente concertada de antemão entre os principais participantes do complot contra a paz. A sorte da Tchecoslováquia se decidiu sem que ela participasse em nada das decisões tomadas. Os representantes da Tchecoslováquia unicamente foram convidados a Munique para esperar submissamente as decisões da entente entre os imperialistas. Nessa época, Stalin denunciou o verdadeiro sentido da Entente de Munique ao dizer que deram à Alemanha regiões da Tchecoslováquia em pagamento do compromisso de desencadear a guerra contra a União Soviética. A essência da política dos círculos governantes anglo-franceses durante esse período tornou-se manifesta nas seguintes palavras de Stalin, no XVIII Congresso do Partido Comunista (bolchevique) da União Soviética, celebrado em março de 1939: A política de não-intervenção equivale a tolerar a agressão, a desencadear a guerra e, em consequência, a transformá-la em Guerra Mundial. Na política de nãointervenção subjaz a aspiração, o desejo de não impedir que os agressores levem a cabo sua tenebrosa obra; de não impedir, por exemplo, que o Japão se emaranhe na guerra com a China e, melhor ainda, com a União Soviética; de não impedir, sobretudo, que a Alemanha se atole nos assuntos europeus, se enrede na guerra contra a União Soviética; de permitir a todas as partes beligerantes afundar-se até o pescoço na lama da guerra, estimulá-las a isso hipocritamente, deixar que se debilitem e se esgotem mutuamente e, depois, quando já estejam suficientemente debilitadas, aparecer em cena com forças frescas e intervir, naturalmente ‘no interesse da paz’ e ‘impor suas condições aos beligerantes debilitados’. A UNIÃO SOVIÉTICA De todas as grandes potências, a União Soviética foi a única que tomou parte ativa em todas as etapas na defesa da independência e dos direitos nacionais da Tchecoslováquia. Em suas tentativas para justificar-se aos olhos da opinião pública, os governos da Inglaterra e da França pretenderam fazer crer, de maneira hipócrita, que não sabiam se a União Soviética cumpriria os compromissos com a Tchecoslováquia, que decorriam do Tratado de Assistência Mútua. Afirmavam algo
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que sabiam que era falso, pois o governo soviético declarou publicamente que estava disposto a intervir ao lado da Tchecoslováquia contra a Alemanha, de acordo com as cláusulas desse Tratado, que estipulava a intervenção simultânea da França em defesa da Tchecoslováquia. Mas a França se negou a cumprir com seu dever. Na véspera da transação de Munique, o governo soviético declarou novamente que advogava pela convocação de uma conferência internacional para aportar uma ajuda prática à Tchecoslováquia e manter a paz. Quando a ocupação da Tchecoslováquia era um fato consumado, e os governos dos países imperialistas declaravam, um atrás do outro, que reconheciam o fato consumado, o governo soviético, em sua nota de 18 de março, condenou a ocupação da Tchecoslováquia como um ato arbitrário de violência e agressão. Nessa mesma nota, o governo soviético frisava que os atos da Alemanha haviam criado e reforçado a ameaça para a paz mundial, que haviam turvado a estabilidade política na Europa Central, multiplicando os elementos do estado de alarme já existente na Europa e dado um novo golpe no sentimento de segurança dos povos (Izvestia, 20/03/1939). Porém, não se limitaram somente a entregar a Tchecoslováquia a Hitler. A 30 de setembro de 1938, Chamberlain e Hitler assinaram uma declaração anglo-alemã em que se dizia: ...chegamos unanimemente à convicção de que a questão das relações germanoinglesas tem uma importância de primeira ordem para ambos os países e para a Europa. Consideramos o acordo assinado ontem a tarde, da mesma forma que o acordo naval germano-inglês, como o símbolo do desejo de nossos povos de não declarar-se nunca mais a guerra. Igualmente, estamos firmemente decididos a examinar as demais questões importantes para nossos dois países, via consultas, e a esforçarmo-nos para descartar qualquer diferença no futuro, com a finalidade de contribuir também para assegurar a paz na Europa (Archiv für Aussenpolitik und Landerkunde, setembro 1938, pág.483). Tratava-se, por parte da Inglaterra e da Alemanha, de uma declaração de nãoagressão entre esses países. O ACORDO BONNET-RIBBENTROP A 5 de dezembro de 1938 se assinou uma declaração franco-alemã entre Bonnet e Ribbentrop, análoga à declaração anglo-alemã. Nela se dizia que os governos alemão e francês haviam chegado à convicção de que as relações pacíficas e de boa vizinhança entre a Alemanha e a França constituíam uma das premissas essenciais da consolidação das relações europeias e da salvaguarda da paz mundial, e que ambos os governos se esforçariam todo o possível para assegurar a manutenção de relações dessa natureza entre seus países. A declaração constatava que entre a França e a Alemanha já não existia nenhuma questão em litígio de ordem territorial e que a fronteira entre seus países era definitiva. Em conclusão, a declaração dizia que os dois governos haviam adotado a firme resolução, sem prejuízo de suas relações particulares com terceiras potências, de manter um contato mútuo sobre todas aquelas questões relativas a seus dois países
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e para consultar-se mutuamente nos casos em que essas questões pudessem conduzir a complicações internacionais em sua evolução posterior. No fundo, a conclusão desses acordos significava que a Inglaterra e a França haviam assinado pactos de não-agressão com Hitler. Podemos ver com toda a clareza como se perfila nesses acordos com a Alemanha hitlerista o desejo dos governos inglês e francês de descartar a ameaça da agressão hitlerista contra eles, com a ideia de que o acordo de Munique e outras conversações análogas já haviam aberto as portas à agressão hitlerista para o Leste, para a região da União Soviética.

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