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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE MEDICINA VETERINÁRIA

INSPEÇÃO DE CARNE E PRODUTOS DERIVADOS

RESÍDUOS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS EM CARNE E PRODUTOS DERIVADOS

Recife

2011

Danielle de Brito

Lidiana Holanda

Camila Marinho

Danielle de Brito Alves

Lidiana Carvalho de Holanda

Camila Marinho de Miranda Oliveira

RESÍDUOS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS EM CARNE E PRODUTOS DERIVADOS

Caderno Técnico escrito para segunda verificação de aprendizagem do componente curricular Inspeção de Carne e produtos derivados.

Orientação: Profª Andrea Paiva

RECIFE

2011

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO

04

2. RESÍDUIOS QUÍMICOS

06

3. RESÍDUIOS BIOLÓGICOS

15

4. PLANO NACIONAL DE CONTROLE DE RESÍDUOS EM PRODUTOS

DE ORIGEM ANIMAL

19

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

26

6. ANEXOS

27

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

35

1.

INTRODUÇÃO

Aditivo incidental, como consta no Decreto de Lei número 986 de 21 de outubro de 1969 é, hoje, uma terminologia em desuso sendo substituída pela definição de contaminantes, segundo a Portaria de número 540 de 27 de outubro de 1997, que define os resíduos em seu item 1.4, onde se tem:

“Contaminante: é qualquer substância indesejável presente no alimento como resultado das operações efetuadas no cultivo de vegetais, na criação de animais, nos tratamentos zoo ou fitossanitários, ou como resultado de contaminação ambiental ou de equipamentos utilizados na elaboração e/ou conservação do alimento” (ANVISA, 2011). Os contaminantes, por tanto, podem ser de origem química ou biológica e com relação à presença desses na carne e produtos cárneos, geralmente, se dá do combate as pragas das lavouras, do combate as parasitoses na pecuária, substâncias preventivas de doenças aos animais ou má utilização de conservantes cárneos, e produtos promotores do desenvolvimento corpóreo dos animais de produção (FUKUDA, R. T., 2001). Podendo ainda ser devido à contaminação biológica por baterias, fungos, parasitas e, cada vez mais, por vírus (FIB, 2008). Considerando a relação direta entre resíduos químicos e biológicos e a segurança dos alimentos, em especial os cárneos e tendo em vista a crescente busca por uma melhor qualidade de vida e conscientização dos consumidores quanto ao direito de adquirir produtos seguros à saúde, objetivou-se abordar de forma abrangente os aspectos, que dizem respeito à inspeção veterinária, para a diferenciação, identificação, causas e consequências dos contaminantes da carne e seus subprodutos.

RESÍDUOS QUÍMICOS EM CARNE E PRODUTOS DERIVADOS

RESÍDUOS QUÍMICOS EM CARNE E PRODUTOS DERIVADOS

2.

Resíduos químicos na carne e derivados:

Consiste em químicos tóxicos, irritantes ou que não são integrantes naturais da

carne ou subproduto.

Podendo ser provenientes do uso de agrotóxicos, hormônios sintéticos, antibióticos, metais pesados, produtos utilizados para higienização e desinfecção das instalações e equipamentos ou ainda da presença de microorganismos produtores de toxinas e micotoxinas (BAPTISTA, P. VENÂNCIO, A. 2003).

Os resíduos químicos são decorrentes da ineficácia de prevenção aos diversos perigos químicos aos qual a carne e derivados estão expostos, que vai desde a matéria- prima, pela ação antropogénica, perpassando pelos compostos presentes na carne, como micotoxinas, até os materiais usados como embalagem dos alimentos e também decorrente dos procedimentos tecnológicos empregados para o processamento de tal gênero alimentício (VEIGA, A. et al. 2009).

Desse conjunto de perigos geradores de resíduos químicos destacam-se:

Medicamentos Veterinários;

Aditivos alimentares;

Metais pesados;

Toxinas naturais ou produzidas por microorganismos;

Agrotóxicos

Segundo o RIISPOA (REGULAMENTO DA INSPEÇÃO INDUSTRIAL E SANITÁRIA DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL) os alimentos cárneos são considerados adulterados, dentre outros aspectos, quando contenham matérias primas, aditivos ou outros ingredientes não permitidos ou em quantidades superiores aos limites permitidos pela legislação especifica (Artigo 420, Inciso III).

2.1. Medicamentos Veterinários:

Os possíveis riscos à saúde humana decorrentes do emprego de medicamentos veterinários em animais produtores de alimentos podem estar associados aos resíduos

dos mesmos em níveis acima dos limites máximos recomendados (LMRs) segundo a Resolução GMC n.º 54/00 do MERCOSUL. Isto pode ocorrer quando o emprego do produto não observa as Boas Práticas de Uso de Medicamentos Veterinários, em especial as especificações de uso (PAMVET, 2003). O uso de antibióticos e outras substâncias químicas no tratamento ou manejo nutricional de animais podem significar a presença de resíduos de substâncias ativas dos fármacos utilizados em produtos cárneos provenientes desses animais (BAPTISTA, P. VENÂNCIO, A. 2003).

A fim de assegurar a avaliação do potencial de exposição do consumidor aos resíduos de medicamentos veterinários pela ingestão de alimentos de origem animal adquiridos no comércio, foi criado o Programa Nacional de Análise de Resíduos de Medicamentos Veterinários em Alimentos Expostos ao Consumo- PAMVet em através da Resolução RDC n° 253, de 16 de setembro de 2003, ficou estabelecido o marco legal desse programa, que veio somar-se ao Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos PARA no fortalecimento de ações efetivas de vigilância sanitária em relação ao monitoramento e vigilância de resíduos químicos em alimentos, que até o momento só atende as investigações do leite mas pretende ampliar aos demais produtos de origem animal, inclusive os cárneos das diversas espécies produtoras, como mostra a quadro 1. Sendo ele regido do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e coordenado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Quadro1. Cronograma de implantação

Sanitária). Quadro1. Cronograma de implantação Fonte: http://www.anvisa.gov.br/alimentos/pamvet/pamvet.pdf

Fonte: http://www.anvisa.gov.br/alimentos/pamvet/pamvet.pdf

Segundo o Programa Nacional de Análise de Resíduos de Medicamentos Veterinários em Alimentos Expostos ao Consumo- PAMVet, medicamentos de uso veterinário é toda e qualquer substância que se aplica ou se administra a qualquer animal destinado à produção de alimentos, como os que produzem carne ou leite, as aves de granja, peixes ou abelhas, tanto com fins terapêuticos, profiláticos ou de

diagnóstico, ou para modificar as funções fisiológicas, de comportamento ou como promotor de crescimento. E resíduos de medicamentos veterinários incluem os compostos de origem e ou seus metabólitos presentes em qualquer alimento de origem animal, assim como os resíduos de impurezas relacionadas com o medicamento veterinário correspondente.

os sulfonamidas, drogas tirostáticas e os anabolizantes.

Dentre

medicamentos

veterinários

destacam-se

os

antibióticos,

as

2.1.1 Antibióticos: utilizados para fins terapêuticos das diversas afecções, eles são usados como promotores de crescimento e ainda como conservantes. O uso indiscriminado de antibióticos favorece o surgimento de cepas bacterianas resistentes aos princípios antimicrobianos, o que consequentemente reduzirá a eficácia dos tratamentos em humanos, além de alergias, hepatotoxidade, lesões renais e alterações sanguíneas dependendo do principio ativo. Os principais antimicrobianos utilizados nas industrias cárneas são a bacitracina de zinco, penicilina, neomicina, tetraciclina, estreptomicina, clorofenicol (apesar de proibido na linha humana e nas rações de animais) (FUKUDA, R. T., 2001; BAPTISTA, P. VENÂNCIO, A. 2003). As sulfonamidas constituem uma classe de antibióticos sintéticos e são agentes tireotóxicos que possuem atividade bacteriostática e são utilizadas em todas as espécies de animais com a mesma finalidade dos demais antibióticos. Causa grandes problemas aos humanos como gastrites, polineurites, conjuntivites, entre outros, o que justifica seu controle em alimentos cárneos.

Segundo Fukuda, 2001 os métodos de Inspeção são:

Alguns sinais durante a inspeção ante-mortem que caracterizam o uso de antibióticos:

Animais com quadros de mastites;

Animais de emergência sem problemas de contusão.

Alguns sinais durante a inspeção post-mortem que caracterizam o uso de antibióticos:

Lesões no local de aplicação;

Penicilina causa lesão hemorrágica ou presença de fluido leitoso;

Tetraciclina causa área de necrose cor amarelada a âmbar.

Para confirmação de resíduo antimicrobiano devem-se remeter amostras de rins, fígado e músculos para análises laboratoriais, casos de positividade apenas nos órgãos condenar apenas esses, positividade nos músculos condenação total.

2.1.2. Drogas Anabolizantes: são substâncias usadas para aumentar a retenção de nitrogênio e aumentar a síntese protéica. Classificadas em endógenas (andrógenos, progestágenos e estrógeno) ou exógenas (zeranol, acetato de trembolona, acetato de melengestrol). No Brasil seu uso é restrito a fins terapêuticos e reprodutivos, mas a clandestinidade faz com que ainda haja casos de alimentos cárneos com resíduos químicos. O uso de tais medicamentos ficou proibido para o uso em bovinos através da INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 10 DE 27 DE ABRIL DE 2001.

2.2. Aditivos alimentares

Segundo o RIISPOA aditivo alimentar é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos produtos, sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação de um alimento conforme estabelecido em legislação ou Regulamento Técnico específico (Artigo 388) e sua utilização deve atender ao limites preconizados na legislação específica (Artigo 390), o Artigo 391 em seu inciso I determina as categorias de aditivos que podem ser utilizados em alimentos cárneos. Sendo considerado infração a lei quando utilizado em desacordo com a lei (Artigo 470, item XII).

2.3. Metais pesados

Resíduos de metais pesados constituem um grande risco para a saúde pública, visto que eles têm a capacidade de se acumularem nos órgãos e tecidos e não são metabolizados nem pelos animais nem pelos homens (BAPTISTA, P. VENÂNCIO, A. 2003). A presença de metais pesados nos produtos alimentícios de origem cárnea pode ser decorrente da contaminação ambiental pelas industrias ou pela presença natural dele no solo e consequentemente nas plantas (FUKUDA, R. T., 2001).

Não sendo permitido por lei nem em associação a nitratos e nitritos de sódio ou de potássio, usados na elaboração de produtos de origem animal, como preconiza o RIISPOA (Artigo 394, inciso 2º). Para Fukuda, 2001 os principais metais pesados pesquisados em animais são:

Chumbo;

Mercúrio;

Arsênio e;

Cádmio.

2.3.1. Chumbo (Pb): absorvido por via intestinal ou por inalação se depositando nos rins e ossos do corpo. Acomete os animais por contaminação alimentar propiciada pela ação do próprio homem. Os animais mostram um quadro de intoxicação com sinais clínicos neurológicos. Aos homens a ingestão de chumbo pode gerar retardo no desenvolvimento cognitivo

de crianças e desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

2.3.2. Mercúrio (Hg): pode ser encontrado em duas formas: o metil mercúrio e

o alquil mercúrio. Metal pesado encontrado mais comumente em

pescado e derivados, seu resíduo em alimentos se dá no Brasil por poluição de cursos de rios onde se faz garimpagem de ouro. Aos a ingestão elevada de Hg em humanos causa alterações na formação cerebral de fetos e crianças recém nascidas, aos adultos causa alterações neurológicas.

2.3.3. Arsênio (As): sua ação tóxica aos animais se da através da ingestão de alimentos, água e até ar. São usados em rações, principalmente na avicultura e suinocultura como controle de alterações gastroentéricas como colibacilose.

2.3.4. Cádmio (Cd): fica retido no fígado e rins, causando alterações funcionais em doses a cima de 200mg/kg. Os humanos são acometidos ao ingerirem carne e derivados de animais que tiveram contato com fertilizantes ou ainda por contaminação de vasilhames de zinco usados para

acondicionair derivados de carne, causando intoxicação com náuseas, vômitos, diarréia e até choque hipovolêmico.

2.4. Toxinas naturais ou produzidas por microorganismos

A Resolução de nº 12, de 2 de janeiro de 2001 regulamenta sobre os padrões microbiológicos para alimentos e estabelece como um dos critérios para o estabelecimento de padrão microbiológico a caracterização dos microrganismos e ou suas toxinas considerados de interesse sanitário. Toxinas naturais são encontradas em pescado, como moluscos, crustáceos e alguns peixes. São resistentes aos processos químicos e físicos de conservação, chegando ao homem (BAPTISTA, P. VENÂNCIO, A. 2003). Dentre as toxinas produzidas por microorganismos as micotoxinas destacam-se, por serem produzidas por bolores quando em condições de temperatura, umidade e substrato adequados. Geralmente contaminam a carne ao serem ingeridas junto com a ração. As micotoxinas acumulam-se na carne dos animais e podem resistir a industrialização do alimento chegando ao consumidor. Seu efeito é cumulativo e não atuam de forma aguda, dificultando o diagnóstico e a identificação do alimento implicado. Entretanto o controle é possível na produção primária, no armazenamento de grãos e da ração elaborada, através do controle dos fatores que propiciam a multiplicação de bolores com a conseqüente produção destas substâncias (RASZL,S. M., 2001).

2.4. Agrotóxicos

Segundo a Lei nº 7.802 de 11 de Julho de1989, agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos.

São considerados agrotóxicos:

Pesticidas;

Fungicidas;

Herbicidas;

Fertilizantes químicos, entre outros.

Para o controle continuo dos resíduos químicos decorrentes de agrotóxicos criou-se em 2001 pela ANVISA o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos PARA.

2.4.1. Fatores que influenciam na toxidade dos agrotóxicos:

Espécie, sexo, idade e condições de saúde tanto dos homens quanto dos animais;

Composição química, características físicas, estabilizantes, tamanho das partículas, entre outros;

Temperatura, umidade, fatores sociais.

2.4.2. Precauções no uso:

Utilizações excessivas e indiscriminadas geram danos a saúde pública;

Uso em lavouras, pecuária e em hotéis, restaurantes e uso domésticos devem seguir as instruções técnicas para que não haja contaminação alimentar e intoxicação do manipulador;

Ao utilizar aviões como meio de disseminar agrotóxicos considerar a influência dos ventos;

Evitar contato direto com os produtos tóxicos.

Hidrocarbonetos clorados são os compostos tóxicos de muitos utensílios utilizados como pesticidas, mas sua utilização esta proibida desde 1971. A Portaria de nº 329 de 1985 pelo Ministério da Agricultura proibiu os demais organoclorados como o Toxofeno, Endrin, Lindane, Dicofol, Clorobenzilato, Dodecacloro, Aldrin, entre outros, sendo o Adrin liberado para ser usado como cupinicida e o Dodecacloro como isca formicida. Pesticidas da classe dos fosforados podem ser utilizados para controle e tratamento de miíases, mosca do chifre e berne.

Os organofosforados são menos agressivos que os organoclorados, podendo os animais expostos a eles serem abatidos para o consumo casão o período de carência seja obedecido (FUKUDA, R. T., 2001). Ao utilizar defensivos agrícolas ou agrotóxicos deve-se seguir a medidas de prevenção de contaminação de rios e efluentes, entre essas medidas destacam-se:

Obediência as instruções técnicas, concentrações e momento de aplicação;

Utilizar equipamentos terrestres;

Destruição dos resíduos de embalagem, água usada na lavagem de equipamentos de acordo com a legislação;

Respeitar as condições do clima no momento da aplicação;

Não fazer uso de agrotóxicos próximo a margens de rios, lagoas ou lagos, etc.

Segundo Fukuda, 2001 as recomendações para evitar os resíduos químicos decorrentes de agrotóxicos nos alimentos cárneos e demais de origem animal:

Controle das produções agrícolas destinadas ao consumo dos animais de produção;

Substituir pesticidas químicos por produtos biodegradáveis;

Educação dos produtores e trabalhadores, para que possam ter maiores cuidados com as produções agrícolas e pecuárias, minimizando assim os riscos químicos de contaminação.

RESÍDUOS BIOLÓGICOS EM CARNE E PRODUTOS DERIVADOS

RESÍDUOS BIOLÓGICOS EM CARNE E PRODUTOS DERIVADOS

3. Resíduos biológicos na carne e derivados

Os resíduos biológicos são aqueles que apresentam produtos biológicos que podem ou não representar risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente, devido à presença de microrganismos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção (ANVISA, 2005).

Agentes biológicos com efeitos nocivos para a saúde podem se associados aos alimentos pela manipulação dos operadores e pela própria matéria prima já contaminada. A maioria dos microrganismos é de ocorrência natural no local de produção do alimento. O uso de processos térmicos, boa manipulação, bom armazenamento, práticas de higiene inviabilizam a proliferação dos patógenos, assegurando aos produtos cárneos uma boa qualidade para consumo (BAPTISTA, P. VENÂNCIO, A. 2003).

Segundo

Baptista

&

Venâncio

divididos da seguinte maneira:

Bactérias;

Fungos;

Vírus;

Parasitas.

(2003),

os

resíduos

biológicos

podem ser

3.1. Bactérias

Grandes responsáveis pelo maior número de intoxicação alimentar, quando patogênicas, mas também se apresenta em determinados níveis na maioria dos alimentos crus. A manipulação da carne in natura, propicia a proliferação bacteriana, constituindo um risco ao produto final, caso haja alguma falha do processamento. Anexo IV

3.2. Fungos

Estão pertencentes a este grupo bolores e leveduras. Alguns são benéficos e desejados em alguns tipos de alimento, porém os patogênicos apresentam produção de micotoxinas capazes de trazerem ao homem enfermidades. Outro fato a ser abordado é a

mudança nas características organolépticas da carne, o que constitui em perdas econômicas, geradas pelo condenação do produto.

3.3. Vírus

Tem por característica a necessidade de uma célula viva para se reproduzirem, dessa forma são apenas veiculados pelos alimentos. Os que causam enfermidades aos consumidores são:

Vírus da hepatite A;

Vírus (tipo) Norwalk;

Rotavírus;

Astrovírus;

Calivírus;

Adenovírus entéricos.

3.4. Parasitas

São espécie específicos, para cada hospedeiro animal e podem ter o homem como constituinte de seu ciclo de vida. A ingestão de produtos crus, mal cozidos ou prontos para consumo são as principais causas de contaminação. A técnica de congelamento é uma maneira de neutralizar alguns desses patógenos, mas é variável com o tempo e temperatura de congelamento. Como exemplo tem-se os seguintes parasitas que infectam o ser humano:

Anisax simplex;

Áscaris lumbricoides;

Contracaecum spp.;

Cryptosporidium pardum;

Cyclospora cayetanenses;

Diphyloboturium sp.;

Entamoeba histolytica;

Fascíola hepática;

Taenia solium;

Toxoplasma gondii;

Trichuris trichiura.

Baptista & Venâncio (2003) correlacionaram três pontos a serem considerados para que o resíduo biológico constitua um perigo biológico, as variáveis do patógeno, o nível da dose infectante e variáveis do hospedeiro.

3.5. Variáveis do patógeno

Esta correlacionado a variabilidade de expressão do mecanismo patogênico, dessa forma diferentes patógenos apresentam diferentes níveis de patogenicidade, com a potencialidade dessa patogenicidade, a sensibilidade ao meio de cultura que este se encontra, por exemplo o pH do meio influencia na ocorrência ou não de determinada bactéria, por fim a natureza da interação entre o patógeno e o hospedeiro.

3.6. Dose infectante

Número mínimo de microrganismos para causar a doença, sendo variável de individuo para individuo, assim grupos de risco como crianças e idosos infeccionam-se mais facilmente que indivíduos adultos e saudáveis.

O crescimento microbiano é relacionado diretamente com a dose infectante e é variável com os fatores intrínsecos aos alimentos, como: atividade de água, pH, potencial de oxirredução, composição química e presente de antimicrobianos naturais, também com os fatores extrínsecos como temperatura, umidade relativa e composição da atmosfera em contato com o alimento, e com fatores de processamento, como a forma de manipulação, armazenamento e transporte.

3.7. Variáveis do hospedeiro:

Os fatores de risco que expõem o hospedeiro a infecção é relativo a idade, estado de saúde, estado nutricional, quantidade de alimento contaminado ingerido e a existência de distúrbios genéticos.

PLANO NACIONAL DE CONTROLE DE RESÍDUOS EM PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

PLANO NACIONAL DE CONTROLE DE RESÍDUOS EM PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

4. Plano Nacional de Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal

De acordo com Portaria Ministerial nº 51, de 06 de maio de 1986 e adequado pela Portaria Ministerial nº 527, de 15 de agosto de 1995, o PNCR se trata de um instrumento instituído para o controle de resíduos em produtos de origem animal que está subdividido em programas setoriais: carne (PCRC), mel (PRCM), leite (PRCL) e pescado (PCRP). Dentre os quatro programas, apenas o PCRC se implementa na Portaria SIPA nº 01, de 08 de junho de 1988.

Suas principais finalidades são entendidas por: conhecer o potencial de exposição da população aos resíduos que são nocivos à saúde do consumidor; parâmetro orientador para a adoção de políticas nacionais de saúde animal e fiscalização sanitária, como também impedir o abate para consumo de animais vindos de criatórios onde se tenha constatado violação dos Limites Máximo de Resíduos -LMRs e, sobretudo, o uso de drogas veterinárias proibidas no território nacional.

O PNCR objetiva fazer parte integrante do esforço que é destinado à melhoria da produtividade e da qualidade dos alimentos de origem animal colocados à disposição da população brasileira. Da mesma forma, o PNCR almeja, dispor à nação, condições de adequação sanitária às regras do comércio internacional de alimentos, preconizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e órgãos auxiliares (FAO, OIE e WHO).

Ressalta-se que as principais avaliações feitas e elaboradas pelo PNCR se constituem da verificação do uso correto e seguro dos medicamentos veterinários de acordo com as práticas veterinárias recomendadas e das tecnologias utilizadas nos processos de incrementação da produção e produtividade pecuária. O PNCR ainda comporta um esforço governamental, para que possa ofertar aos consumidores, alimentos que sejam seguros e competitivos.

No que se refere às suas funções, destacam-se a regulamentação do controle e da vigilância, referindo-se ao conhecimento e prevenção da violação dos níveis de segurança ou dos LMR‟s de substâncias autorizadas e dos resíduos de compostos químicos que são proibidos no país. A forma de avaliação das suas funções é através da coleta de amostras de animais que foram abatidos e que estão vivos, que fazem parte

dos derivados industrializados e/ou beneficiados, que tem como origem final a alimentação humana, que advém dos locais sob Inspeção Federal (SIF).

4.1. Limites Máximos de Resíduos (LMR’s)

Cabe ao Ministério da Agricultura da Saúde através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa o estabelecimento dos LMR‟s em alimentos seja de medicamentos veterinários, agrotóxicos, contaminantes e aditivos. Como os limites nacionais, no caso de medicamentos veterinários ainda não foram definidos pelo setor saúde, utiliza-se os níveis obtidos de referências internacionais, como MERCOSUL, Codex Alimentarius, FDA/USA e União Européia).

4.2.

Avaliação

4.2.1.

Critérios de seleção das drogas para monitoramento:

Se

uma substância deixa resíduo;

A

toxicidade do resíduo para a saúde do consumidor;

O potencial de exposição da população ao resíduo;

O potencial do mal emprego das drogas que resultam em resíduos;

A disponibilidade de metodologias analíticas adequadas;

Superveniência de implicações do comércio internacional, participação do país em blocos econômicos e problemas que tragam riscos à saúde publica;

Os resíduos que possam constituir barreiras às exportações de produtos de origem animal.

4.2.2. Perigo Potencial:

O composto em avaliação se caracteriza como perigo potencial se apresentar

pelo menos uma das seguintes categorias:

Droga com uma probabilidade alta de exposição para os seres humanos representa, pois, um perigo grave para a saúde;

Droga com uma probabilidade moderada de exposição para os seres humanos é um perigo moderado para a saúde;

Droga com uma probabilidade baixa de exposição para os seres humanos compreende um baixo perigo para a saúde;

Droga com probabilidade mínima de exposição para os seres humanos revela um perigo mínimo para a saúde;

Droga com informação insuficiente para estimar a probabilidade de exposição significa a designação de compostos para os quais não há informação suficiente que permita utilizar uma avaliação toxicológica ou farmacológica adequada.

4.2.3. Efeitos Crônicos:

Se os resíduos são mutágenos;

Se os resíduos são carcinógenos;

Se os resíduos são tóxicos para a reprodução;

Se os resíduos são teratógenos.

4.2.3.1. Efeitos Tóxicos:

Toxidade específica sobre parte dos órgãos;

Imunotoxidade;

Hemotoxidade.

4.3.4. Classificação do tipo de exposição:

Avaliar os fatores relevantes na probabilidade da exposição humana aos resíduos

químicos de

Pesticidas

Drogas veterinárias

4.3.5. Seleção de drogas objeto do PNCR:

Droga com uma probabilidade alta de exposição para os seres humanos, representa, pois, um perigo grave para a saúde;

Droga com uma probabilidade moderada de exposição para os seres humanos é um perigo moderado para a saúde;

Droga com uma probabilidade baixa de exposição para os seres humanos

Compreende um baixo perigo para a saúde;

Droga com probabilidade mínima de exposição para os seres humano revela um perigo mínimo para a saúde;

Droga com informação insuficiente para estimar a probabilidade de exposição significa a designação de compostos para os quais não há informação suficiente que permita utilizar uma avaliação toxicológica ou farmacológica adequada.

4.4. Metodologia Analítica:

Os métodos analíticos que são utilizados pelo PNCR são adotados através de métodos validados e/ou recomendados pelo Comitê do Codex Sobre Resíduos de Drogas Veterinárias nos Alimentos (CCRVDF), incluindo métodos de triagem eficazes e viáveis economicamente.

4.4.1. Avaliação segundo critérios relativos:

Especificidade;

Exatidão;

Precisão;

Limite de detecção;

Limite de quantificação;

Praticidade;

Aplicabilidade em condições normais de praticidade.

4.5. Avaliação da Qualidade Laboratorial:

Compreende um sistema de atividades com a função de:

Assegurar a qualidade analítica necessária;

Manter a credibilidade do analista;

Manter a credibilidade do laboratório;

4.6. Drogas Objeto do PNCR:

Todos os organoclorados são lipofílicos, estocando-se na gordura. A maioria deles tem o uso é proibido e apenas alguns são permitidos como usos específicos e limitados, como por exemplo o Clordane, no uso controle de cupins.

Aldrin

BHC/Hexaclorociclohexano

Clordane

Dieldrin

DDT/Metabólicos

Endrin

Heptaclor/Heptaclor Epóxido

Lindane/Gama BHC

Metoxicolor

PCB‟s/ Policlorados Bifenílicos

HCB/Hexaclorobenzeno

Mirex/Dodecaclor

4.6.2. Antibióticos Substâncias químicas produzidas a partir de cepas bacterianas, fungos e actomicetos. Usa-se essas drogas para o tratamento e prevenção de doenças, como também na complementação e eficiência das rações dadas aos animais.

Penicilina

Estreptomicina

Cloranfenicol

Tetraciclina

Eritromicina

Neomicina

Oxitetraciclina

Clorotetraciclina

Amoxicilina

Ampicilina

Ceftiofur

4.6.3.

Metais pesados

A presença desses metais são comuns, naturalmente, em solos, como também advindos de processos onde houve contaminação industrial. Seu grau de toxidade pode variar e seus resíduos são analisados, também, para se obter informações sobre seus níveis médios regionais, tendo, assim, a possibilidade de localizar as áreas de poluição ambiental

Arsênio

Mercúrio

Chumbo

Cádmio

4.6.4. Promotores de crescimento

Trata-se de eficientes compostos nos processos de engorda e crescimento. O uso dessas drogas é restrito, sendo aceito apenas com fins terapêutico, sincronizadores de cio e preparação de animais doadores e receptores de embriões.

Dietilestilbestrol - DES

Zeranol

Trembolona

Hexestrol

Dienestrol

4.6.5.

Tireostáticos

Apresenta atividade principal no que se refere às ações inibidoras da função tireioidiana. Também são usados no intuito de elevar o crescimento animal.

Tiouracil

Metiltiouracil

Propiltiouracil

Tapazol

São drogas detentoras de atividade bacteriostática, sem descriminação de espécie animais na intenção de tratar ou curar doenças ou ainda como contribuinte no ganho de peso do animal. Podem ser administradas via oral ou adicionada à água e ração de suínos e aves. Os peixes também são beneficiados com a Sulfametazina, já que ela combate a doença da coluna, da boca vermelha e as septicemias por Peseudomonas e Aeromonas.

Sulfadimetoxina

Sulfametazina

Sulfatiazol

Sulfaquinoxalina

4.6.7. Outras drogas

Abamectina

Doramectina

Ivermectina (controla endo e ectoparasitas)

Nitrofurazona

(controle

da

Salmonelose,

Coccidiose)

Colibacilose

e

Furazolidona (benefício nas atividades tecnificadas de avicultura e suinocultura)

Nicarbazina

4.6.8. Beta-agonistas

Clenbuterol

Salbutamol

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No mundo globalizado da atualidade, a economia gira em torno dos mais diversos países, facilitando a troca de mercadorias, entre elas os produtos cárneos. Dessa maneira, faz-se necessário um bom controle da sanidade dos animais, produzindo carne de qualidade e sem riscos ao mercado consumidor, que passa a ser exigir uma excelente segurança alimentar dos produtos que adquire.

Os programas de controle de resíduos biológicos e químicos implementados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em carnes bovina, suína, equina e de aves é a ferramenta principal para o combate a contaminação, assegurando aos consumidores uma carne de boa qualidade, fazendo com que o Brasil se mantenha como grande fornecedor de carne para vários países, que são cada vez mais exigentes quanto ao âmbito da segurança alimentar.

O sucesso de nosso trabalho depende de todos nós”

6. ANEXOS

ANEXO 1

Pesquisa aponta excesso de mercúrio em peixes-espada do rio Goiana (PE)

Aliny Gama Especial para o UOL Notícias Em Maceió (AL)

27/10/2011 - 07h00

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Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Ecologia e Gerenciamento de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) apontou que os peixes-espada que vivem no rio Goiana, a 62 km do Recife (PE), estão com alta concentração de mercúrio e o consumo em excesso pode causar problemas à saúde.

Segundo a pesquisa, os 104 peixes analisados em épocas distintas apresentaram concentração média dez vezes maior do que o limite máximo semanal para consumo humano proposto pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O mercúrio é um metal pesado e causa doenças neurológicas e câncer.

A espécie foi escolhida para a pesquisa por estar situada no topo de cadeia alimentar, o

que indicaria níveis de mercúrio acima dos outros animais, e como eles estavam mais altos que o normal, chamaram a atenção.

“Existe ali um caso bastante interessante para ser estudado do ciclo biogeoquímico do mercúrio em águas costeiras tropicais. Não sabemos a fonte desse mercúrio. Estimamos que venha da bacia hidrográfica, da atmosfera, ou até mesmo de outros estuários ao longo da costa, pois os peixes não frequentam apenas aquele local”, constata a professora Mônica Costa, pesquisadora da UFPE e uma das autoras do artigo publicado

na revista científica Environmental Science and Pollution Research International.

A pesquisa sugere que seja investigada a origem do mercúrio. Uma das hipóteses levantadas para o excesso de mercúrio nos peixes-espada é que a espécie é predadora dos peixes sardinhas e manjubas que são filtradores dos poluentes das águas. Outros fatores que podem contribuir para a presença em excesso do metal seriam o desmatamento da bacia do rio, uso do solo para a agricultura e o despejo de esgotos domésticos.

Consumo moderado

O alto índice de mercúrio aponta que o consumo do peixe-espada que for pescado no rio

Goiana deve ser moderado. Segundo o índice de contaminação, o consumo humano não

deve superar 100 gramas ao mês. Devido à concentração de mercúrio, os peixes-espada não são recomendados como fonte de alimento para mulheres grávidas e crianças.

A professora orienta à comunidade que se alimenta da pesca do rio Goiana para mesclar

a dieta com peixes de outras espécies, crustáceos e moluscos, além de moderar o

consumo de peixe-espada.

“Nós recomendamos que as pessoas evitem uma dieta concentrada em uma única espécie animal. A concentração não impede o consumo semanal de 100g. Mais que isso deve ser controlado”, afirmou.

FONTE:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/10/27/pesquisa-aponta-excesso-de-

mercurio-em-peixes-espada-do-rio-goiana-pe.jhtm

ANEXO 2

Corte no orçamento federal afeta controle de resíduo em carne

Diz Fontes do setor alegam que os cortes obrigaram as próprias companhias a arcar com os cursos de exames para a detecção de resíduos, que são obrigatórios antes da

exportação

17 de agosto de 2011 | 17h 14

Gustavo Porto e Venilson Ferreira, da Agência Estado

RIBEIRÃO PRETO e BRASÍLIA Mais do que uma simples discussão sobre a rejeição de uma carga de carne processada de uma planta do Friboi pelos Estados Unidos, a reunião desta quinta-feira, 18, entre representantes do Ministério da Agricultura e da indústria, em Brasília (DF), discutirá quem pagará a conta das análises feitas para a detecção de resíduos na carne exportada. Fontes do setor alegam que os cortes no orçamento do Ministério, determinados pela presidente Dilma Rousseff, fizeram com que as próprias companhias arcassem com os cursos de exames para a detecção de resíduos químicos e biológicos, obrigatórios antes da exportação.

No primeiro trimestre a indústria pagou os exames, exemplificou um executivo. O setor privado, que já tem problemas com o dólar, a crise e a queda nas exportações, não pode mais arcar com essa obrigação, completou.

Em junho deste ano, após o embargo imposto pela Rússia às carnes brasileiras, em função da presença de resíduos, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, conseguiu da presidente Dilma a liberação de R$ 50 milhões para reequipar os laboratórios agropecuários da rede oficial. Entretanto, o processo ainda tramita nas instâncias de outros ministérios, sem perspectivas de liberação dos recursos.

Farmacêuticas

Outra demanda que a indústria de carne deve levar ao governo são os problemas com as companhias farmacêuticas veterinárias em relação ao período de carência após a vacinação dos animais. As companhias exportadoras garantem é comum surgirem casos de resíduos de medicamentos na carne, mesmo após o período de carência respeitado para o abate.

Com isso, casos como o ocorrido com o Friboi, que teve uma carga de carne processada rejeitada semana passada pelos Estados Unidos, voltaram a ocorrer. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Francisco Jardim, afirmou hoje que na sexta-feira (19) deverá se reunir com as companhias farmacêuticas para tratar do assunto.

FONTE:

ANEXO 3

OPINIÃO DO LEITOR - Segurança alimentar: o risco dos resíduos químicos

Por Dean Howes

Você correria o risco de oferecer para sua família produtos que pudessem conter resíduos químicos de antibióticos?

Provavelmente não! Pois é exatamente a preocupação com esse risco que fundamenta o banimento de antibióticos promotores de crescimento na alimentação animal em curso na União Européia.

Até 2006, os últimos quatro produtos ainda permitidos na UE serão definitivamente proibidos.O movimento lá ganhou impulso por pressão dos consumidores, que conseguiram convencer as autoridades de que era preciso dar um basta na utilização desses insumos na produção animal. A discussão sobre o banimento de antibióticos promotores de crescimento na nutrição de animais não é um processo recente.

Desde 1991, por exemplo, os chamados ionóforos são proibidos na UE para utilização na pecuária leiteira e a partir de 2006 não poderão ser utilizados na pecuária de corte. A mesma classe de antibióticos está proibida para uso em vacas leiteiras nos Estados Unidos.

Mas, afinal, o que são os ionóforos? Trata-se de uma classe específica de antibiótico utilizado como promotores de crescimento em ruminantes (bovinos, especialmente).

Sua ação deprime ou inibe o crescimento de microorganismos do rúmen, o que aumenta

a eficiência produtiva dos animais, resultante da maior retenção de energia durante a fermentação ruminal.

O problema está no fato de que alguns desses microorganismos, como as bactérias

fibrolíticas - que ajudam a digerir as fibras auxiliando na digestão dos animais - são destruídas pelos ionóforos.

O Brasil ainda não restringe a utilização de ionóforos na pecuária leiteira ou de corte.

Mas é hora de começar a pensar seriamente no assunto, pois ainda que não participe do comércio internacional de leite é um importante exportador de carne bovina.

A

comprovação é científica. Apesar de os ionóforos ser utilizados em baixas dosagens,

a

administração contínua nas vacas ou gado de corte deixa resíduos no leite.

O

que isso significa? Que há possibilidade de resistência a antibióticos usados na saúde

humana, principalmente em crianças, maiores consumidores das proteínas do leite e que ainda estão desenvolvendo seu sistema imunológico.

Na carne bovina, o acúmulo de resíduos durante anos pode proporcionar resistência de

determinadas bactérias no organismo

E, por outro lado, considerando apenas os riscos à saúde humana, são pequenas as

vantagens do uso desses antibióticos promotores de crescimento.

humano.

Atualmente, existem alternativas naturais como o uso de leveduras vivas de cepas selecionadas especialmente para exercer o mesmo papel dos ionóforos, estimulando o

crescimento das bactérias fibrolíticas e utilizadoras de ácido lático que reduzem a acidez

do rúmen e proporcionam maior eficiência da produção.

Além disso, não trazem conseqüências negativas aos consumidores do produto final, pois não deixam resíduo na carne ou no leite.

* O norte-americano Dean Howes é consultor internacional e diretor técnico da Alltech

nos Estados Unidos. Ph.D. em Nutrição pela „„Washington State University‟‟, foi Professor de Nutrição de Ruminantes nas Universidades de Alberta (Canadá) e Idaho (EUA). Howes esteve no Brasil visitando propriedades leiteiras e fazendo palestras em instituições de ensino.

Fonte: Folha de Londrina/PR - Edição de 13/09/2003

O nosso prato está cheio de resíduos químicos

Limites legais impostos pela Comissão da União Europeia não são ultrapassados

2010-12-04

Conteúdo

cuidadosamente analisado.

dos

tabuleiros

foi

Conteúdo cuidadosamente analisado. dos tabuleiros foi Uma análise realizada em França, pela Associação Geração

Uma análise realizada em França, pela

Associação Geração Futura, revela que os menus tipos com a recomendação do Ministério da Saúde , para as crianças de dez anos, têm mais de 80 substâncias

químicas potencialmente cancerígenas, apesar de cumprirem os critérios.

O estudo recaiu em diferentes

supermercados de Paris e em produtos

não biológicos, geralmente consumidos

diariamente por crianças. Três referentes a refeições-tipo e uma a alimentos que compõem o lanche da tarde incluíam cinco frutos e legumes frescos, três produtos lácteos, água e algumas guloseimas.

Os tabuleiros das escolas foram cuidadosamente analisadas por diferentes laboratórios acreditados pelas autoridades francesas e belgas. O objectivo foi medir a presença de um determinado número de substâncias químicas, pesticidas, metais pesados e outros poluentes. O resultado comprovou a presença de 80 substâncias químicas recenseadas, onde cinco foram classificadas como cancerígenas, 42 são consideradas potencialmente prováveis e 37 susceptíveis de perturbar o sistema hormonal.

Para o pequeno-almoço, manteiga, chá e leite contêm apenas uma dezena de resíduas possivelmente cancerígenos, onde três são certos e vinte outros nocivos para o sistema hormonal. Já para o almoço, o estudo alerta para a presença de resíduos na carne picada, no atum de lata, pesticidas usadas nos legumes e substâncias químicas na pastilha elástica. A água da rede revelou conter nitrato de clorofórmio, entre outros.

Finalmente, para jantar, o bife e o salmão são mais ricos em resíduos químicos e neste caso, nem se consideraram os possíveis resíduos libertados por um prato de plástico aquecido no microondas.

Em quase a totalidade dos casos, os limites legais impostos pela Comissão da União Europeia e outras instâncias internacionais não foram ultrapassados o que pode impor a necessidade de uma revisão, segundo acentuou a associação. O estudo assinalou ainda que os riscos deste cocktail de contaminantes sejam subestimados e conclui que pode estar na origem do aumento de doenças cancerígenas.

FONTE: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=46317&op=all

ANEXO 4

E.coli aparece na França; cinco crianças são hospitalizadas

Por Pierre Savary, Thierry Leveque e Nick Vinocur 16 de junho de 2011 | 13h 21

Cinco crianças hospitalizadas no norte da França depois de comerem hambúrgueres de carne bovina contaminados com uma cepa da bactéria E.coli estão gravemente doentes, disseram autoridades de saúde na quinta-feira, intensificando os receios de um surto mais amplo.

As autoridades disseram que a bactéria não parece estar relacionada à cepa letal de E.coli que já matou 37 pessoas e deixou 3.000 doentes, em sua maioria no norte da Alemanha.

A rede particular de supermercados populares Lidl tirou de suas prateleiras caixas de

hambúrgueres congelados que se acredita serem as responsáveis pelas contaminações na

França. As caixas foram vendidas sob a marca "Steaks Country" e tinham datas de vencimento de 10, 11 e 12 de maio.

Na quarta-feira, seis crianças de diferentes cidades na região de Pas de Calais, com idades de entre 20 meses e 8 anos, foram levadas a um hospital na cidade de Lille, com diarreia hemorrágica.

Uma das crianças teve alta, mas cinco estão "em condição grave" e ainda estão sendo tratadas no hospital. Três delas estão recebendo hemodiálise, um método de remoção de toxinas do sangue utilizado em casos de falência renal.

Embora o surto tenha ocorrido na esteira dos casos de E.coli relacionados a brotos de feijão contaminados que mataram 36 pessoas na Alemanha e uma na Suécia, as autoridades de saúde disseram que os casos na França não têm ligação aparente com os

da Alemanha.

"Espero que possamos iniciar um programa de investigação muito rapidamente. Já estamos trabalhando sobre isso com pesquisadores franceses, para identificar a origem e lidar rapidamente com os problemas de saúde", disse na rádio RTL o ministro da Saúde francês, Xavier Bertrand.

Ele disse que toda a cadeia de produção dos hambúrgueres terá que ser analisada e que será preciso implementar controles mais rígidos.

Um porta-voz da Lidl disse que a carne bovina usada nas caixas suspeitas foi comprada

da fornecedora francesa SEB-CERF, sediada na cidade de Saint-Dizier, nordeste do país

e que produz cerca de 400 toneladas semanais de carne congelada.

"Os produtos foram feitos na França, mas, dependendo da data de vencimento e das oportunidades que se apresentam a nossos fornecedores, a carne pode vir da Alemanha,

Itália, França, Holanda ou até mesmo outros lugares", disse à Reuters um porta-voz da Lidl, Jerome Gresland.

"Compramos a carne através deste fornecedor com um selo dizendo que vem da União Europeia."

Uma caixa de hambúrgueres suspeitos, encontrada na casa de uma das crianças que adoeceu, dizia conter carne vinda da Alemanha, disse à Reuters o executivo-chefe da SEB-CERF.

Mas ele disse que a embalagem não é o suficiente para determinar a origem da contaminação com qualquer grau de certeza, porque muitas outras caixas de produto suspeito continham carne produzida em outras partes da Europa.

As autoridades de saúde francesas ordenaram que a Lidl retire de suas prateleiras as

caixas de hambúrguer "Steaks Country" com várias datas de validade, depois de encontrar uma caixa com validade até 10 de maio na casa de uma das crianças

contaminadas.

de

congelados.

A rede

supermercados

tirou

de

circulação

toda

sua

linha

de

hambúrgueres

FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ecoli-aparece-na-franca-

cinco-criancas-sao-hospitalizadas,733218,0.htm

ANEXO 5

Salmonela mata criança em Americana (SP)

Da Folha Online, em Campinas

21/12/2000 - 10h53

Luiza Polini Nunes, 6, morreu ontem em Americana (133 km de São Paulo), vítima de

infecção generalizada causada por infecção por Salmonela.

A menina foi internada há 25 dias no Hospital São Francisco depois de comer maionese

em um restaurante tradicional da cidade. Na época a maionese fez com que pelo menos

40 pessoas fossem internadas com crises digestivas. A vigilância Sanitária da cidade

confirmou através do Instituto Adolfo Lutz a contaminação por salmonela. A causa da

morte, divulgada pelo chefe da UTI do hospital, José Maria Rodriguez Perez, foi

salmonelose pregressa e hepatite fulminante.

Luiza chegou a sair do hospital dias depois de internada, mas seu estado de saúde voltou

a piorar no último dia 4, apresentando infecção generalizada que evoluiu para hepatite.

Chegou-se a cogitar o transplante de fígado mas quando o Hospital das Clínicas de São

Paulo

tinha condições de remoção.

abriu

vaga

a

menina

não

A Salmonela é uma bactéria variante que age no organismo humano penetrando na parede intestinal e multiplicando-se nos folículos linfóides e gânglios linfáticos mesentéricos. Reproduzem-se rapidamente contaminando todo o corpo. A infecção recebe o nome de salmonelose. A Salmonela pode contaminar ovos e sua presença é mais coum em maioneses deterioradas por mau estado de conservação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RASZL,S. M. A INOCUIDADE COMO PARÂMETRO DE QUALIDADE O HACCP NA PRODUÇÃO DE CARNE SUÍNA. 2a Conferência Internacional Virtual sobre Qualidade de Carne Suína 5 de Novembro a 6 de Dezembro de 2001 Concórdia, SC, Brasi. Disponível em:

http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/anais01cv2_raszl_pt.pdf. Acesso em 04 de novembro de 2011.

FERRAZ SPISSO, Bernardete; WANDERLEY DE NÓBREGA, Armi y SÍPOLI MARQUES, Marlice

Aparecida. Resíduos e contaminantes químicos em alimentos de origem animal no Brasil: histórico, legislação e atuação da vigilância sanitária e demais sistemas regulatórios. Ciência & Saúde Coletiva [en

14 [citado 2011-11-04]. Disponible en

Internet: http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=63012431014. ISSN 1413-8123.

línea]

2009,

vol.

BAPTISTA, P., VENÂNCIO, A. Os Perigos Para a Segurança Alimentar no Processamento de Alimentos 1ª Edição. Editor: FORVISÃO CONSULTORIA EM FORMAÇÃO INTEGRADA, LTDA. Guimarães Portugal. 2003.

http://www.anvisa.gov.br/alimentos/pamvet/pamvet.pdf, Acesso em 02 de novembro de 2011.

http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/anvisa/home/laboratorios/!ut/p/c5/rY5JlqpAEEXX4gLKDJ

DOIWBC0kuaqDDh0Kglgk3RKav_1p9XjSrixOieF-

iBL33mg3nU9adb9esRnuUSKluqkSQXQCQNB0sU_QlMQzA1OQ3j3_kEPDfaScklgnALwOmrMASG

CVLRw8MjkM7tAch3VSvuzVdJlpNm5fnBuCt8Pi-

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oueTu3hozDr8CqCWLPdy_x6fGiXV7wSioXfPJzPcTZD9yYa7mTkFE4Z_wGEr5_4/dl3/d3/L2dBISEvZ

0FBIS9nQSEh/?pcid=2869840047281d8987d6ef310a69e80a, Acesso em 02 de novembro de 2011.

http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/540_97.htm, Acesso em 02 de novembro de 2011.

http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc106/05antibioticos.html#Restri%C3%A7%C3%B5es,

Acesso em 03 de novembro de 2011.

hospitalizadas,733218,0.htm. Acesso em 02 de novembro de 2011.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/10/27/pesquisa-aponta-excesso-de-mercurio-em-peixes-espada-

do-rio-goiana-pe.jhtm. Acesso em 04 de novembro de 2011.

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http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios%20agronegocio%2ccorte-no-orcamento-federal-afeta-

controle-de-residuo-em-carne-diz-fontes%2c80564%2c0.htm, Acesso em 04 de novembro de 2011.