UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

RENATO FÁVERO KRZYZANOWSKI

NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS

ORIENTADOR: PROF. DR. ALEXANDRE DE ÁVILA LERÍPIO

Florianópolis 2005

ii

RENATO FÁVERO KRZYZANOWSKI

NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Engenharia de Produção Orientador: Prof. Dr. Alexandre de Ávila Lerípio

Florianópolis 2005

iii

RENATO FÁVERO KRZYZANOWSKI

NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS

Esta dissertação foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina

Florianópolis, 13 de outubro de 2005

____________________________ Prof. Edson Pacheco Paladini, Dr. Coordenador do Programa

BANCA EXAMINADORA

________________________________ Prof. Alexandre Lerípio, Dr. Universidade Federal de Santa Catarina Orientador

________________________________ Profª Dra. Alina Gonçalves Santiago Universidade Federal de Santa Catarina

________________________________ Profª. Dra. Alessandra Schmitt Universidade Regional de Blumenau

iv Dedico a todas as pessoas que. mais justo e fraterno. Verdade e Determinação. E à minha filha. . de cooperação. com Amor Universal. na esperança de ter deixado uma pequena luz para seu caminho de evolução. contribuem para um mundo melhor.

profissionalismo disponibilidade e paciência ao desempenhar o papel de orientador neste trabalho. Ao meu pai. na certeza de que o amor de vocês esta presente em todas as realizações de minha vida e pelo incentivo. À Ines e Isabela. amor.v AGRADECIMENTOS A Deus em primeiro lugar pelos dons da coragem. carinho e compreensão pela minha ausência em muitos momentos durante as atividades. . A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para a elaboração deste trabalho. por me apoiarem em todos os momentos dessa caminhada. mãe e querida avó. Universidade Federal de Santa Catarina pela acolhida e oportunidade. por seus conhecimentos. Ao professor e amigo Alexandre Lerípio. fé e perseverança em aceitar o desafio de participar do curso e concluí-lo com saúde.

de duas cordas: a Mente e o Coração. Vivas serão nossas construções. a arquitetura de nossas vilas obedecerá aos padrões poetamatemáticos da vida.vi Quando nossas almas souberem tanger com perfeição esse instrumento desconhecido. . reflexos das dimensões maiores de nossas almas. Eni Gonçalves Ge.

..................01 Contextualização do Tema.......2....51 ........ 1...4......... p.....41 O Impacto da Construção da Habitação ..................... p.....................................2................. 2....................... p................ 2..4.............3...............2........................................ Um Breve Estudo Sobre as Comunidades Intencionais........................ Desenvolvimento e Uso de Recursos Naturais...............................3................31 Plano Diretor e o Estatuto da Cidade..................................45 Assentamentos Humanos Sustentáveis.....x Lista de Tabelas.............................................................................................................2............. 1...........................2........................................... 1.......vii SUMÁRIO Lista de Figuras.................................................................................................3... Evolução Histórica da Urbanização.................2.......2....09 2...................................................2........................................3.......1......17 Equilíbrio... 2..2............1................................................7................. 2. 1................2.........5......................................................................................xiii 1......................03 Justificativa e Relevância............1...03 Objetivos Específicos..........01 Objetivos.......................1............ Sustentabilidade e as Comunidades ............................... 1...................2...................................................................................1................................2......48 2.................................................... 2....1....2........................04 Contribuição Científica da Pesquisa........................................................27 Agenda 21 Brasileira.................. 1............2........................11 2...............3.........................09 Desenvolvimento e Natureza.............1..........09 2..07 REVISÃO DA LITERATURA..................................... 2......... O Crescimento Populacional...................3..................................5............................................................................................................ 1. 2.............................24 História Recente da Urbanização no Brasil..............06 Estrutura do Trabalho ......6............... INTRODUÇÃO.........2.......06 Delimitação da pesquisa...........................36 Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente.........................................xii Abstract.................14 2.......47 2........ 2........... 2.................................................6.............1..............xi Resumo........................ p...........................................1................................ Homem X Natureza.................................03 Objetivo Geral....... 2....17 Da Aldeia para a Cidade.............................. 1...............

... 4.......................... 4........5........ 4...7..................................... 4......................................4............................................70 Arquitetura Bioclimática.......63 Princípios para Projeto e Planejamento Ambiental........2.................1.. 3............................ 4...........99 Gestão das Águas ..... 2...........2...........86 Características Regionais (Micro-região)...........75 METODOLOGIA......................1.1.................................... 4........................... Origem Histórica e Conceito.................. 4..82 Coleta de Dados.1.4.............5...........................5.... 2...........5..........4..... 4.............2.......................................................................................................................86 Dados Coletados..3.........53 Princípios Éticos.......5..................................................69 A Construção Sustentável para o Brasil.1....2....................................................................2........85 RESULTADOS E DISCUSSÃO.......... 3.........................6........ Permacultura..........................1............ 4......4.............74 Síntese...................................... 3.........................................1......100 Gestão do Esgoto. 3....2.............97 Implantação......... 4................................65 Aspectos a serem Considerados Globalmente no Design para a Construção Sustentável............................................60 Construção Sustentável.............5.........................................3.... 2..................2................................................86 Características Regionais (Macro-região)..................viii 2.............................................55 O Design de Permacultura.98 Gestão da Energia...80 Fluxograma e Diagrama das Etapas da Pesquisa.. 4......................... 2.........................5................2.................... 2.....3........................5..4 2.............2............... 2... 2.........................101 Gestão dos Materiais de Construção...............1 4..........62 O Caminho da Sustentabilidade na Construção Civil e a Bioconstrução........................... 2........53 ...............1...........4............................................................................................................................................................................................103 2............................................2.........................................2.2............4......4............. 4..6.... 2........102 Gestão de Resíduos no Uso da Habitação.. 3...89 Características do Local................... Definição e Princípios….................80 Caracterização da Pesquisa...........................................84 Caracterização Do Objeto de Estudo....2..4.103 Produção Local de Alimento......3......................................................3.........56 A Residência e a Zona Um.................................5...........................94 Diretrizes e Ações Adicionais ao Plano Diretor Vigente para a Construção e Uso Sustentável de Residências Unifamiliares........................

.141 ..................................124 5... 4............................ Estudo da Interação Bioclimática e Memorial Descritivo........131 Conclusões da Pesquisa.....1...................4.............................115 Análise das reduções dos impactos à nível local e global.................................................8......... 5................ 6..................133 Recomendações para Trabalhos Futuros... 7.. com a aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto de residência unifamiliar............9..................4...........................2.. Participação dos Futuros Usuários..................... 4...133 REFERÊNCIAS.......................... CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES........................................... 4........ix 4.................. 4....104 Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais...112 Projeto Residencial....... 5......................................................................2...3.............. 4............................3.........112 Memorial Descritivo..... 5..........2..136 APÊNDICES................................................................................................ 4...3......104 Lista de Verificação para Projetos Residenciais sob a Perspectiva da Permacultura para a Região Litoral Sul do Brasil.......2.................4...4....................106 Projeto e Análise....................................1.............................................131 Considerações Finais........................................

.118 Esquadrias em Chapas de Madeira de Lei Reutilizadas..........118 Telha ondulada reciclada de embalagens .................................................... Figura 9 Figura 10 Figura 11 Figura 12.117 Figura 8...................................................................................................................122 Cisterna de Ferrocimento para Armazenamento de Água de Chuva..................62 Levantamento das Características do Local de Estudo................................. Figura 14..............................................117 Reboco Externo 1ª demão............................122 Figuras 18 Figuras 19 Serpentina para Aquecimento de Água ...........................................123 Tanque Acumulador..... Sistema Autoportante de Tijolos de Terra Crua (adobe).............................................................................121 Novo Círculo de Bananeiras.............................................................................x LISTA DE FIGURAS Figura 1............................114 Figuras 6 e 7..................96 Fundação de Superadobe........................................ Figura 3 Figura 4 Figura 5 Reciclagem de Energia em uma Árvore de Maçã..119 Trabalhando com Ferrocimento.............. Figura 13.. Figura 2..................................................................120 Esquema de uma Bacia de Evapotranspiração................................................................ Figura 15 Figura 16 Figura 17: Estrutura de Madeira.57 Detalhe da Zona Um da Permacultura.................118 Reboco Externo Finalizado.........................................................123 ..119 OSB como Forro Base....................................115 Fundação de Pedra...

. Comparativo entre Comunidades Alternativas dos Anos 60-70 e as Comunidades Intencionais Contemporâneas.. Análise dos Parâmetros Permaculturais de Planejamento............ Diagrama das Etapas da Pesquisa............................................... Resumo das Etapas Evolutivas da Sociedade Urbanizada........ Relação entre Desenvolvimento do Trabalho e Atendimento dos Objetivos Específicos. Segundo o Segmento Considerado.....24 Quadro 2..........................................132 .........................................................124 Quadro 8..46 Quadro 3....105 Quadro 7..............83 Quadro 6: Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais...................47 Quadro 4..................................49-50 Quadro 5................. O Impacto Ambiental Das Edificações Segundo a Escala de sua Incidência............................xi LISTA DE QUADROS Quadro 1....................................... Alguns Exemplos de Alterações Ambientais Decorrentes de Empreendimento Habitacional.........................

as possibilidades de se minimizar seus impactos negativos e/ou maximizarem alterações positivas. Definida esta proposta. este trabalho parte da premissa de que. energia. até mesmo. são de extrema importância. buscando um planejamento integrado. materiais de construção e resíduos gerados diariamente. nota-se que a atual crise de sustentabilidade nos assentamentos humanos.a permacultura proporcionando condições para a utilização de um instrumento auxiliar no planejamento ambiental. Para isto. pode ter sido gerada por uma sucessão de escolhas políticas feitas ao longo do tempo. UFSC. Perante essa situação. com significativo grau de autosuficiência e baixo impacto no ambiente. satisfazendo a necessidade humana de viver numa sociedade com conteúdos sociais. 133f. para apoio a projetos arquitetônicos. foram geradas diretrizes de sustentabilidade. em conjunto com o desenvolvimento tecnológico e suas conseqüências no período. ecológicos. pois. A partir dos levantamentos bibliográficos sobre permacultura . Ao se estudar a história das cidades. . desenvolveu-se uma aplicação teórica: uma proposta de ocupação e uso do solo. além de gerar um elevado grau de auto-suficiência. Florianópolis. permacultura. contribuindo ainda. Fundamentando-se nestes princípios. com o uso a que propõe esta ferramenta . verificando-se. de dominação sobre a natureza e. para o seu abastecimento. em lote residencial padrão de 450 metros quadrados. elaborado um check-list.mais especificamente.e levando-se em consideração os dados referentes à região e ao local do estudo realizado. para tornar as urbes insustentáveis em questões básicas como água. partiu-se para a análise da redução nos impactos. ou. bioconstrução.xii Resumo KRZYZANOWSKI. Renato Fávero. Estes são fatos que transformaram as cidades e seu entorno. para seu design ecológico. alimento. Palavras-chave: desenvolvimento sustentável. assim como. cada vez mais distantes. assim. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção. quase inexistentes nos modelos da atual sociedade. econômicos e espirituais. que utilizam a permacultura como ferramenta. sobre a construção sustentável e bioconstrução . como exemplos a serem seguidos e replicados nas cidades. local e global. se faz necessária uma revisão do planejamento fragmentado das urbes. as cidades e seu entorno se tornaram dependentes de fontes. em região de forte pressão expansionista e importante foco de desenvolvimento na cidade de Florianópolis. da ocupação. comunidades sustentáveis. levando seus habitantes a um sentimento de desconexão. os estudos e o desenvolvimento de comunidades sustentáveis atuais. 2005. destinado à ocupação de lotes residenciais na região. por todo o planeta. NOVAS TECNOLOGIAS EM ASSENTAMENTOS HUMANOS: A PERMACULTURA COMO PROPOSTA PARA O PLANEJAMENTO DE UNIDADES UNIFAMILIARES EM FLORIANÓPOLIS.

because they would contribute as auxiliary instruments for environmental planning aimed at lots occupation for home building in the region. Dissertation (Master in Production Engineering) – Post-graduation program in Production Engineering. also. Renato Fávero. including the possibilities of minimizing negative impacts and/or maximizing positive alterations. a theoretical application was worked out in this study toward a proposal about soil occupation and use of 450m² pattern lots for home building in a region of Florianopolis village recognized as an important focus of development with a strong pressure for expansion. development. economic and spiritual contents almost inexistent in present-day society models. it has been observed that the present crisis on human settlements sustainability throughout the planet may have been generated by a succession of political choices carried out along time. NEW TECNOLOGIES IN HUMAN SETTLEMENTS: THE PERMACULTURE AS A PROPOSAL FOR UNIFAMILIAR UNITY PLANNINGS IN FLORIANÓPOLIS. together with technological development and their consequences in a period of time. Considering this situation. some studies carried out as well as current sustainable community development using permaculture as a tool for ecological design are extremely important examples to be followed up and repeated in cities. As a consequence human living would be much more satisfactory in a society with social. They have also contributed to make urbs unsustainable in basic questions such as water. UFSC. the possibilities of local or global occupational impacts reduction were analyzed. ecological. For this purpose. food. biobuilding. Information obtained from literature search about permaculture – more specifically about sustainable building and biobuilding as well as data concerning the region and place in which this study was carried out have enabled to generate sustainability guidelines. sustainable communities. Also. Based on these principles. Concerning history of cities. taking into account that villages and their environment have become dependent on supply sources each time more distant. Keywords: sustainable permaculture. . this dissertation premise is that villages fragmented planning should be revised and a search for an integrated planning with significant level of self-sufficiency and low-impact in the environment should be carried out. 2005. 133 pages. Florianópolis. energy.xiii Abstract KRZYZANOWSKI. These are facts that have transformed villages and their environment as well as have lead their inhabitants to a feeling of disconnection or even though of domination over nature. In compliance with this proposal. building materials and waste generated daily. a checklist aimed to support architecture projects accordingly was prepared. the generation of a high level of self-sufficiency with the use of permaculture tools was considered.

realizada em junho de 1996. Estes grupos estão tratando de criar pequenas comunidades sustentáveis que satisfaçam os requerimentos da nova sociedade. com grande preocupação. sem retirar da Terra mais do que se pode devolver. Habitat I e II de ’76 e ’96 de que se deve aprender a viver de maneira sustentável. pelos governos e seus associados no Programa Habitat. os limites do crescimento. essa situação. faz parte de um contexto maior. que os assentamentos humanos em todo o mundo estão em crise e que as atuais condições destes assentamentos são vistas. Contextualização do Tema Observa-se na Agenda Habitat. mas que considere esta como ferramenta e não como “religião”. RIO’92.1 1 – INTRODUÇÃO 1. na cidade de Istambul. para que a humanidade possa sobreviver como espécie. a resposta a esta crise vem do aumento crescente de grupos ao redor do planeta. Possivelmente. AGENDA 21. Em geral. Existe um consenso crescente refletido no Relatório Brundtland.1. e nas Conferências Sobre Assentamentos Humanos. sem negar a tecnologia existente. que estão focados em como viver suas próprias vidas nesta nova sociedade sustentável. neste momento. apontando para crise do modelo de desenvolvimento social contemporâneo. que faz com que a relação do homem com o planeta experimente. Alcançando elevada qualidade de vida. satisfazendo a necessidade . criada por ocasião da Segunda Conferência Global para os Assentamentos Humanos – Habitat II.

Esta busca está ocorrendo em vários países. no atual estágio de conhecimento e tecnologia disponíveis. ecológico e espiritual. Com base nestes dados. O desenvolvimento de exemplos eficientes. quase inexistente no principal modelo de nossa sociedade atual. existem hoje. pode ser construído o problema da pesquisa que. um modelo social de comunidades sustentáveis. estabeleceu-se a seguinte pergunta de pesquisa: Quais os fatores que orientam o planejamento de assentamentos humanos sustentáveis. é necessário para que se alcance. De acordo com o objetivo. proporcionalmente poucos exemplos. oportuniza o desafio de identificar e reunir adequadas formas e técnicas de planejamento de assentamentos humanos dentro de critérios sustentáveis. em sua maioria sem nenhum apoio oficial e. no planeta. No entanto. por gente de pouco recurso pessoal. razão principal da lentidão do avanço da comunidade humana em direção à sustentabilidade. (como nos mostram os dados da Global Ecovillages Network. que atua em todos os continentes). que serão comentados ao longo da pesquisa. culturas e climas. desde que possam ser reproduzidos. porém com alto grau ideológico e muita dedicação ao objetivo estabelecido. considerando a permacultura como ferramenta para este objetivo? . em quase todos os casos.2 humana de viver numa sociedade com conteúdo social. pela escassez de informações disponíveis. A crise dos assentamentos humanos pode ser traduzida como um desafio enorme para todo o planeta e exigirá ações em muitos níveis. em diferentes versões.

2.2.2. . através dos quais se pretende atingir o objetivo geral.2. 1. com ênfase na residência e nos equipamentos do seu entorno. Objetivos Neste tópico é apresentado o objetivo geral a que se propõe este trabalho e os objetivos específicos envolvidos. sob a ótica da sustentabilidade em assentamentos humanos. Objetivos Específicos Foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos para o trabalho: • Desenvolver e propor diretrizes e ações que auxiliem no planejamento de Assentamentos Humanos que buscam a sustentabilidade.1. em um lote residencial padrão de Florianópolis. • Apresentar uma proposta de ocupação territorial e anteprojeto arquitetônico de uma residência e de seu entorno.3 1. Objetivo Geral O objetivo geral do presente trabalho consiste em pesquisar e propor alternativas viáveis de tecnologias sustentáveis para serem implementadas no planejamento de assentamentos humanos sustentáveis. 1.

os atuais assentamentos humanos: “são importantes geradores de contaminação. 1.. 2001). contaminação das águas e destruição da fauna e flora. através da análise das conseqüências esperadas em nível local e global e em processos de planejamento. inundações.]”. mas se reflete na vida de seus habitantes [. Para Maglio (apud BRITO et al. as comunidades locais têm de procurar cada vez mais restaurar a noção de identidade e participação. Justificativa e Relevância Segundo Zepeda (1994). para assumir atitudes compatíveis em relação às necessidades com as quais se defrontam. lixo. assim como a falta de organização e consciência das comunidades.3. A questão não tem sido somente de falta de recursos materiais ou financeiros. Pouco se tem feito para minimizar o impacto que geram como erosão.4 • Realizar uma avaliação da proposta na aplicação das diretrizes permaculturais com correspondentes ações e lista de checagem. mas o inadequado manejo e aplicação dos conceitos de planejamento e projeto”. execução e ocupação da zona um da Permacultura. sendo amplamente reconhecido que o acúmulo de problemas ambientais não afeta somente a produtividade das cidades. Com a falência das sociedades urbanas complexas em todas as partes do mundo. “a sustentabilidade urbana é considerada um dos maiores desafios ambientais atuais. ..

as trocas a serem vivenciadas sempre em benefício de ambas as partes. concretizável em torno de uma década. arquitetônicos. o conceito proposto não admite o isolamento em relação ao contexto socio-cultural dominante. sistemas de compreensão e entendimento. fenômenos e realidades diferentes daqueles que se encontram na base de seu próprio modelo e suas explicações de mundo e realidade”. encontrando assim os fundamentos socioculturais. numa experiência de síntese. tecnológicos. ou. pela fragmentação e dispersão da humanidade através de uma cultura unidimensional. De Paula (2004a) faz o seguinte questionamento: “Se reunirmos as questões essenciais que queremos ver resolvidas em nossas vidas e em nossas comunidades. tão abrangente quanto possível. científicos. Na visão de De Paula (2004a). este trabalho propõe expor contribuições que ajudem no desenvolvimento de “laboratórios sociais”. e que prima por discriminar. sobre assentamentos humanos sustentáveis. artísticos. estigmatizar e segregar sistemas de conhecimento. a quê chegaríamos?” (DE PAULA.5 Buscando soluções viáveis para a sustentabilidade dos assentamentos humanos. pequenos assentamentos sustentáveis interligados. A partir destas questões. com a hipótese de que a presente crise da civilização é de “percepção”. produtivos e estéticos de uma nova civilização para a humanidade . com vistas a explorar . 2004a) Segundo o autor. “fechada em si mesma. pelo contrário. e que seja capaz de sensibilizar eventualmente muitas pessoas conscientes. marcada pela idéia do Ter e não do Ser. em ambos os sentidos. espirituais. numa perceptiva holística. integra em suas práticas de gestão princípios que permitam filtrar. podem facilitar o desenvolvimento da percepção sobre as questões fundamentais da atual situação planetária.

através de sistemas cooperativos. moradia. água e energia. Delimitação da Pesquisa. portanto.5.6 soluções viáveis. comunicação. estabelecem-se as fronteiras dos pontos a serem abordados. educação. devido a sua abordagem. 1. entre muitas disponíveis e válidas. transporte. gerando mínima entropia e buscando a máxima utilização de todos os recursos humanos e naturais. Cobrindo. que visam atingir soluções ainda não suficientemente desenvolvidas e divulgadas para o planejamento visando a sustentabilidade de assentamentos humanos.4. auto-organizados e auto-suficientes. para a formação de novos assentamentos humanos. tanto na forma de levantamento de dados da situação focada. . para que a humanidade possa enfrentar o quadro no qual hora se vê envolvida. assim. 1. cuida-se de parte dessa realidade apenas. ou seja. Contribuição Científica da Pesquisa Esta pesquisa. quanto na geração de procedimentos. saúde. as necessidades oferecidas por uma alternativa a mais. suprindo as necessidades básicas da vida como: alimento. Segundo Vergara (1998). a complexidade e a historicidade são características da realidade que impedem o seu estudo no todo. pretende contribuir com informações.

mais especificamente ao bairro do Campeche. sendo a pesquisa particularizada no modelo de pequenos assentamentos humanos que visam a sustentabilidade. 1. Estrutura do Trabalho A base do trabalho está fundamentada na adoção do desenvolvimento sustentável. cep 88063-547. trezentos e cinquenta metros quadrados quando dentro de condomínios e cento e vinte e oito metros quadrados.7 Desta forma. no Capítulo II discutem-se os aspectos ligados à formação. Para tanto. evolução histórica e estrutura dos atuais modelos de vida adotados pela sociedade contemporânea e sua tradução para os assentamentos humanos no mundo. para casos de soluções de problemas sociais. da zona zero e um da permacultura. n° 02. estão permitidos no projeto de zoneamento vigente do IPUF. Vale salientar que em alguns casos. associada a uma visão arquitetônica integral. Também é apresentada a teoria do design permacultural com a sua filosofia e técnicas. obedecendo aos princípios de sustentabilidade previstos na revisão bibliográfica. Campeche. visando a construção sustentável . no sul da Ilha.6. Aspectos genéricos e particularidades são enfocados. com a proposta de ocupação pontual de um lote de 450 metros quadrados. situado na Servidão Recanto do Lagarto. (medida mínima para a maior parte dos casos das áreas edificáveis reconhecidas pelo Instituto do Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF)). esta pesquisa restringiu-se à região de Florianópolis.

seguido das análises das consequencias esperadas. com a apresentação dos resultados da coleta de dados. realizando uma explanação sobre a metodologia de pesquisa utilizada. detalhando o instrumento de coleta de dados. possibilitaram o desenvolvimento da proposta de projeto (unidade unifamiliar para a região do litoral centro-sul de Santa Catarina). seguidas das sugestões para a condução de novos trabalhos. são tratadas no capítulo V. O Capítulo III apresenta os aspectos metodológicos. regional e globalmente. que serviram de base para o desenvolvimento das diretrizes de sustentabilidade em conjunto com o checklist de apoio ao planejamento.8 como proposta base para um modelo genérico de assentamentos humanos em busca da sustentabilidade. classificando a pesquisa. . O capítulo IV se destina à aplicação prática da pesquisa. Já as considerações conclusivas quanto aos objetivos definidos. Estas definições. além de descrever o objeto de estudo e sua apresentação.

o consumo de energia. Desenvolvimento e Natureza Neste tópico. gerando sobras e resíduos e deixando marcas da sua passagem que modificam temporariamente ou definitivamente o ambiente. Alguns povos mantêm com a Natureza uma relação amistosa. Povos tidos como primitivos desenvolveram conhecimentos sobre os fenômenos naturais que permitiram sua sobrevivência por milhares de anos em ambientes generosos ou inóspitos. transformador ou criador dos fenômenos naturais. calor. das águas e do ar.1. especialmente no tocante à poluição do solo. luz. Homem X Natureza A presença do homem em um determinado local da terra resulta sempre em alguma interação com a Natureza. da qual o ser humano obtém alimento. foram pesquisadas informações que ajudassem a compreensão de como o processo de urbanização contribui para a degradação do ambiente. mostrando a postura do Homem frente à Natureza com uma atitude predadora.1. e matéria prima para seus produtos. 2. . abrigo.1.9 2. de gratidão pelos benefícios auferidos. REVISÃO DA LITERATURA 2. de relevância diante da sua complexidade e exuberância e de temor e respeito pelas manifestações do poder destruidor. irresponsável e desrespeitosa quanto à preservação do ambiente em que vive.

no capítulo da Bíblia no qual é descrito o modo como Deus criou a terra. a relação entre o Homem e a Natureza inspirou-se nas palavras do Livro do Gênesis. e Deus lhe disse: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra e sujeitai-a. quando este afirma que “as plantas foram criadas por causa dos animais e os animais por causa do Homem. .. também encontra respaldo no pensamento de Aristóteles. Alguns destes povos desenvolveram suas religiões a partir da sua tendência de personalizar e em seguida. Por esta ou por outra razão. 1:28). as árvores e os animais e. Além de ceder ao Homem sua imagem e semelhança. “.10 Nas sociedades formadas dentro da tradição judaico-cristã. e dominai sobre os peixes do mar. os mares. a Mãe que oferece. A idéia de que a Natureza existe para o benefício do homem.” (BÍBLIA. retribui e até castiga. 1986).. o Homem ocidental foi estimulado a ver na natureza um inimigo a ser subjugado e pilhado na luta pela sobrevivência e pelo desenvolvimento. AT. divinizar as forças da Natureza (MAGNANI. e sobre as aves dos céus e sobre todo animal que se mover sobre a terra. já no sexto dia. segundo Drew (1998). enquanto outros povos menos “civilizados” viam nela. O mesmo autor comenta que o cristianismo enfatiza a separação entre o ser humano e o restante da criação. A deidade da Natureza impõe e desenvolve uma relação de respeito e reverência do Homem comum diante das suas manifestações. o Homem.Deus o abençoou..”... e que este distanciamento perdura no pensamento ocidental até nossos dias. talvez com o objetivo de desqualificar as práticas pagãs de culto à terra e forças da Natureza.. Gênesis.

mas é inegável que esta postura levou a profundas transformações no meio ambiente físico ao longo do tempo. a população precisou de 1630 anos para dobrar e atingir o meio bilhão. é discutível se o posicionamento ético tipicamente ocidental determinou ou ajudou a desenvolver a tecnologia agrícola e industrial.11 O pensamento econômico e científico se vale da mesma visão utilitarista da Natureza. era de 250 milhões de habitantes e somente em 1630 atingiu a soma de 500 milhões. a população mundial estimada no ano 0. Segundo Wilheim (1979). ao progresso material e científico que também se . O Crescimento Populacional A partir das primeiras aldeias ou aglomerados humanos. a humanidade vem crescendo e se urbanizando em velocidade também crescente.1. por exemplo.2. Como bem considera Drew (1998). Estes saltos em intervalos de tempo cada vez menores refletem a evolução das condições de sobrevivência do ser humano e também da sua interferência no ambiente natural. O autor chama a atenção para o fato de que segundo estes números. Não é difícil. associar a aceleração acentuada do crescimento populacional a partir de 1850. 80 anos para dobrar novamente e finalmente apenas 45 anos para saltar de dois para quatro bilhões de habitantes. especialmente nos locais alcançados pela civilização ocidental. para considerá-la um recurso ou fator de produção e para medir o progresso e desenvolvimento humano pela intensidade do domínio que o Homem consegue exercer sobre ela. 2. 220 nos para chegar a um bilhão.

É sabido que o uso de combustíveis fósseis aumentou significativamente a partir da segunda metade do século XIX. atingindo a marca de 6. No ano de 1800.12 acentuaram a partir do século XIX. 1999 apud ANGELO. tanto na produção de recursos para a sobrevivência quanto na busca de energia e matéria-prima para produzir conforto e riqueza. em escala acelerada. Nesta nova etapa do relacionamento do Homem com a Natureza. se observa igualmente uma inédita intensificação da ação do homem sobre a Natureza. veículos.6 bilhões de toneladas no ano de 1997 ( MARLAND. fenômeno que somente passou a preocupar quando foi associado ao efeito estufa. O gás carbônico (CO2) é um dos gases liberados na queima de combustíveis fósseis que alimentam sistemas de aquecimento. é importante considerar que nesta mesma época. 2000). e máquinas que utilizam motores à explosão. naturalmente. ocorre de forma mais intensa nos . segundo estimativas divulgadas na imprensa nacional. seria igual a 8 milhões de toneladas. BODEN e ANDRESS. Assim a impressionante escala de progresso e melhoria de condições de vida da sociedade ocidental trouxe consigo um não menos impressionante incremento no volume de emissão de CO2. A emissão de gás carbônico na atmosfera é apenas um dos subprodutos do progresso humano e. porém. passando em 1840 para 33 milhões de toneladas e. o volume de gás carbônico emitido. em decorrência do crescente processo de industrialização e de urbanização. um bom indicador da mudança é o volume de gás carbônico anualmente emitido no planeta a partir de 1800.

de modo tal que. os Estados Unidos são responsáveis por 25% do volume considerado.13 países mais industrializados e mais ricos. a mobilidade das pessoas. O combustível fóssil que viabiliza o transporte de mercadorias. algum dia as fontes não renováveis destes combustíveis se esgotarão. bem como algumas reações catastróficas da própria Natureza agredida. se era abundante para atender as necessidades da população mundial em 1850. No entanto.6 bilhões de toneladas lançadas na atmosfera no ano de 1997. Quando a evolução da quantidade anual de CO2 lançada na atmosfera é comparada com a população mundial nos anos correspondentes. . levou milhares de anos para ser formado pela Natureza em uma quantidade finita e. esta imensa quantidade de resíduos é apenas parte do preço que toda humanidade paga pelo conforto. as 8 milhões de toneladas de gás carbônico produzidas anualmente no mundo inteiro no início do século XIV exerciam um impacto sobre o ambiente muito menor que as 6. Evidentemente. entre outras muitas coisas. capazes de atender às expectativas de produção de riquezas e qualidade de vida e ao mesmo tempo preservar os recursos naturais. segundo a mesma fonte. segurança e hábitos modernos aos quais nem todos têm acesso. com o crescimento acelerado da demanda. O esgotamento de alguns dos recursos naturais utilizados na produção do bem estar e da riqueza humana. é certo que. verifica-se que o volume de gás carbônico emitido cresceu em ritmo mais acelerado. suscitaram reflexões sobre formas diferentes de relacionamento entre o Homem e a Natureza.

Segundo Meadows (1972). flora e clima de determinadas regiões. calcado na exploração sem medida dos recursos naturais. de produção e distribuição de alimentos têm reduzido bastante as taxas de mortalidade enquanto as taxas de natalidade decrescem apenas ligeiramente.3. com políticas sérias de planejamento familiar ou com formas menos nobres de controle. a população mundial tende a crescer mais rapidamente. A humanidade busca reduzir a taxa de natalidade. despertam preocupações quanto ao futuro deste modelo de desenvolvimento. representados pela fertilidade média e a mortalidade média anuais da população. os avanços seqüentes da medicina. ao mesmo . Assim.14 2. das práticas de saúde pública. Desenvolvimento e Uso de Recursos Naturais A evolução da população existente no planeta fez-se acompanhar pelo crescimento ainda mais acelerado das demandas por produtos e energia necessários à manutenção da movimentação econômica e dos padrões de qualidade de vida típicos de cada momento histórico. pois mais pessoas nascem a cada ano e mais pessoas permanecem vivas por mais tempo. na retirada de matéria-prima e devolução de resíduos à Natureza. implicando sempre. a população mundial vem aumentando de forma exponencial e crescente. em última análise. O esgotamento ou dificuldade crescente de obter algumas das matérias primas consideradas essenciais ao desenvolvimento somadas à verificação da ocorrência de alterações importantes na fauna. segundo o que chamou de ciclos positivo e negativo de realimentação. desde a Revolução Industrial.1. Porém.

outra linha confia na “.. Em contraposição à visão pessimista destes que Sachs (1993) apelidou de “maltusianos”. um indicador da evolução da atividade econômica mundial. como resultado de um sistema de relações econômicas e sociais complexas.acompanha e até supera o ritmo do crescimento populacional global.. porque as necessidades físicas e sociais que lhes dão suporte precisarão ser satisfeitas. algumas correntes de pensamento passaram a considerar a hipótese de que o mundo já estaria superpovoado e a caminho do desastre total. Meadows e equipe previram os limites de expansão da produção de alimentos e o esgotamento de algumas reservas de minerais estratégicos já para a primeira metade do século XXI.15 tempo em que também procura maneiras de prolongar a vida e preservar a saúde das pessoas. Mesmo com a dificuldade de mensurar e projetar a evolução futura dos fatores sociais que determinarão o crescimento mundial. tanto pela exaustão dos recursos naturais esgotáveis quanto pelo comprometimento dos ecossistemas pela carga excessiva de poluentes.). cit. Mais recentemente. segundo Meadows (op. o que torna quase inevitável a continuidade do processo de crescimento exponencial da população. O crescimento da produção e o crescimento populacional esperados certamente terão repercussão sobre o ambiente natural e ocorrerão.capacidade de superar a escassez física e as conseqüências deletérias do lançamento de dejetos na biosfera por meio . O mesmo autor observa que o crescimento da produção industrial.

Estocolmo. de garantir que ele atenda as necessidades do presente sem comprometer a 1 1 Unep. O Relatório Brundtland de 1987 expressa esta preocupação ao afirmar que “. aquecimento da terra.16 do ajuste tecnológico”.. no México. na busca conjunta de modos de satisfazer os “limites externos” (necessidades humanas básicas) dos direitos humanos fundamentais. na construção de estruturas sociais que os expressem e no paciente trabalho de invenção de técnicas e estilos de desenvolvimento que enriqueçam e preservem nossa herança planetária” (UNEP1. 1981)¹ Ver o processo de desenvolvimento e a preservação do meio ambiente como partes de um mesmo todo e não como antagonistas disputando o mesmo espaço. sim. Um importante encontro promovido pelas Nações Unidas em 1974. buraco na camada de ozônio e outras conseqüências mais dramáticas da ação do Homem sobre a Natureza. Os textos básicos sobre meio ambiente. produziu a chamada Declaração de Cocoyoc.119 . ameaçam a sobrevivência do planeta. Founex. na delimitação cuidadosa e desapaixonada dos “limites internos” (os recursos físicos do planeta).. Cocoyoc. 1981. Quando fenômenos como a chuva ácida. sem dar a devida importância aos limites da própria tecnologia. poderia ser a saída para o impasse instalado. eclode o debate sobre as responsabilidades que a geração que decide o futuro teria para com aquelas gerações que viverão este futuro. Nairobi.a humanidade é capaz de tomar o desenvolvimento sustentável. Baseia-se. p. In Defense of Earth. da qual Sachs destaca a mensagem de fé e esperança no futuro da humanidade no planeta expressa nos seus parágrafos finais: “O caminho à nossa frente não se assenta no desespero da simples constatação da ruína nem no otimismo leviano de ajustes tecnológicos sucessivos. segundo esta declaração.

é necessário considerá-la ao longo do tempo.1. Da Aldeia para a Cidade . Torna-se necessário. para embasar a reflexão sobre o futuro das cidades. frase esta que tornou-se a definição mais genérica de um novo ideal de desenvolvimento. compreender como se deu a inserção dos assentamentos urbanos na Natureza e a evolução dessa convivência até nossos dias. idealizada no presente com base nas experiências pretéritas.2. o que ocorre no presente e aquilo que poderá ocorrer no futuro.17 capacidade das gerações futuras atenderem também as suas” (BRUNDTLAND. será viabilizada por atitudes e posturas comprometidas com este futuro. transformando-os nos grandes aglomerados insustentáveis atuais.1987). Evolução Histórica da Urbanização Neste tópico pretende-se compreender e interpretar o histórico da formação e desenvolvimento dos assentamentos humanos e quais os fatores que os desligaram do mundo natural. Desta forma.2. e os problemas encontrados nestes assentamentos 2. a condição desejável no futuro. observando a relação entre o que ocorreu no passado. as grandes cidades. 2. Para caracterizar uma prática social como sustentável.

De fato. Eram armazenados de um ano para outro. abrigos para bens e alimentos e cemitérios. encontra-se. devido ao enriquecimento do solo. resultado do início da economia agrária. muito dos quais podiam se dedicar a outras tarefas. como as da Mesopotâmia e o Egito mantinham uma relação simbiótica com a agricultura própria das aldeias. guerra e religião. foi possível com o desenvolvimento agrário e pela melhoria das técnicas de conservação dos alimentos introduzidas pela cultura neolítica no cultivo de cereais. chegando a melhorar a produtividade natural. apesar do número considerável de famílias por hectare. para se compreender o desenvolvimento das cidades. Na era neolítica.18 Segundo Mumford (1956). nesta forma de habitação conjunta. Apesar da pequena escala de complexidade e tamanho. As primeiras cidades. deixando para trás uma economia de subsistência. residências fixas. o impacto no ambiente no qual as aldeias se estabeleciam era insignificante. permitindo assim certa segurança nos anos de escassez com a possibilidade de alimentar vários habitantes. a evolução da aldeia para a cidade. pelo acúmulo do nitrogênio proveniente de dejetos humanos e animais ao longo do tempo. Segundo o autor. do ponto de vista morfológico e funcional. . há de se considerar sua relação com as formas mais primitivas de habitação coletiva. esta relação pode até ser benéfica para a formação do solo. as características essenciais das cidades: um perímetro definido. artesanato. surgiu a primeira forma ancestral da cidade: a aldeia. como a administração. Para Mumford (1956). que permitiam uma grande produção.

em essência. A associação básica.19 Estas primeiras cidades herdaram muitas características das aldeias originais. os quais possuíam sua principal fonte de alimento localizada nos campos ao redor. continuavam sendo assentamentos agrícolas. o autor esclarece que o crescimento da maioria das cidades se deu às custas desses terrenos cultivados. nas grandes cidades. que se abasteciam de fontes longínquas. a baixa concentração de resíduos inorgânicos (vidro e metais) e a ausência de contaminação atmosférica. até metade do século XX. a maior parte das frutas e verduras consumidas provinham de hortas e pomares situadas ao seu redor. em solos enriquecidos muitas vezes manufaturados a partir dos próprios resíduos urbanos. do crescimento da cidade com a produção do alimento. como Nova York e Paris. o uso de esterco animal e humano como fertilizante. foram poucas exceções até o século XIX. . Estas condições incluíam o uso de fontes orgânicas de energia. a utilização de recursos hídricos locais. Até o início do século XX. construindo-se muitas vezes sobre os melhores solos para agricultura. diz que. 80% da população mundial vivia em condições muito parecidas com a da idade neolítica. Cidades como Roma. Porém. vegetais e animais. em uma distância que possa se recorrer a pé desde a cidade. governou a relação da cidade com o seu entorno durante muito tempo. Sorre (1952). os quais no princípio possibilitaram a própria existência desses assentamentos. o cultivo de todo solo disponível. pois. Isto significa que um dos principais determinantes das urbanizações de grande escala foi a proximidade a solos muito férteis.

a tendência de a população concentrar-se nas cidades em busca de melhor qualidade de vida ou de formas de sobrevivência. Diante desse quadro.20 Ao longo da evolução dos tempos e das cidades. ruas. energia. atingiria intensidades e velocidade que superavam a capacidade e o tempo de recuperação e renovação dos recursos naturais. comida e ao mesmo tempo. a partir de uma determinada escala. que já naquela época parecia irreversível. As indústrias que se estabeleceram nas cidades européias no início . os reflexos da utilização desmedida dos recursos da natureza para gerar lucro e conforto geraram subprodutos indesejáveis tais como a poluição dos corpos d’água. na produção crescente de resíduos sólidos. ainda na segunda metade do século XIX. a proliferação de doenças e outros males que muitas vezes se estenderiam para muito além do sítio urbano. aqueles estudiosos que Choay (1992) denomina de pré-urbanistas. Para Choay (1992). traçaram diretrizes para a ocupação racional do solo em harmonia com o ambiente natural. quando não levavam ao esgotamento de recursos não renováveis ou à extinção de espécies da flora e da fauna. processo que. do ar. era motivo de preocupação principalmente em relação às condições de moradia que estas pessoas encontravam nas cidades. a quantidade de pessoas que se estabeleciam nos centros urbanos requeria mais espaço e introduzia novos elementos na paisagem com suas construções. objetivando soluções de cunho higiênico e funcional. Também na cidade. efluentes líquidos e gasosos. aquedutos e o que mais atendesse à suas necessidades. O crescimento da população urbana implicava também no crescimento da demanda por água potável.

refletia a lógica do modo de produção que se firmava. Assim. Na visão de Burke e Ornstein (1999). um contingente populacional superior à sua capacidade de oferecer moradia. a classe dominante de então se empenhou na solução destes problemas. os estudos sobre a cidade moderna. subitamente. a habitabilidade dos alojamentos tornou-se motivo de preocupação da classe dominante quando. voltaram-se inicialmente para o combate e prevenção do estado de degradação que. patrocinando os primeiros estudos para quantificar e propor soluções para o problema. impulsionadas por inovações tecnológicas revolucionárias. serviços e infra-estrutura e as pessoas acabavam se acomodando em condições sanitárias deploráveis em bairros periféricos. mais uma vez. Cardiff e outras regiões da Inglaterra. do ponto de vista sanitário.21 do século XIX. . Menos por razões altruísticas e humanitárias do que pelo temor do efeito da redução da força de trabalho disponível sobre a produção. introduziram uma nova e permanente demanda por mão-de-obra que esvaziou os campos ao redor das cidades de Londres. o novo modo de produção trouxe para as cidades. se encontravam os grandes centros urbanos da Europa em meados do século XIX. na medicina. descobriu-se que as epidemias que regularmente ocorriam nas cidades estavam associadas a promiscuidade e falta de higiene nas habitações. Segundo esta mesma lógica. situação que. As precárias condições de moradia e sobrevivência do proletariado urbano contrastavam com os avanços tecnológicos e com o sucesso econômico das indústrias de então.

22

Apontava-se para a conveniência de limitar o tamanho das cidades até no máximo 100.000 habitantes, a densidade demográfica em 60 habitantes por hectare, de garantir boas condições de insolação e ventilação a todos os cômodos das moradias e manter atividades insalubres afastadas das áreas habitacionais. As primeiras propostas de um modelo ideal de cidade, além dos aspectos físicos, propunham também mudanças no comportamento social, enfatizando o uso de equipamentos coletivos e o cultivo do corpo, tal como sugeria Richardison na sua obra denominada Hygéia, publicada em 1876, citada por Choay (1992). No século XIX, muitas cidades da Europa sofreram um explosivo crescimento demográfico em decorrência do desenvolvimento da indústria, movida a carvão e lenha, sendo que estes dois processos provocaram uma rápida degradação do ambiente urbano. A preocupação com as condições sanitárias da cidade e a necessidade de evitar a proliferação de doenças, como o cólera ou o tifo, matavam milhares de pessoas, levou à formulação de propostas de organização do espaço urbano que melhor se relacionasse com a Natureza, principalmente a partir dos novos conhecimentos científicos sobre os efeitos da insolação, da ventilação e da arborização na qualidade dos ambientes internos e externos. A partir desse ponto, existe uma relação direta entre o crescimento das cidades e o crescimento do sistema de transporte. A partir do século XVIII, o transporte terrestre toma um novo rumo. Com a chegada da nova linha férrea, segundo Mumford (1956), a área da via de transporte teve de ser ampliada. Com a introdução do automóvel, novamente esta área se ampliou, além da

23

exigência de uma pavimentação mais pesada e da multiplicação das estradas com cinquenta metros de largura ou mais, aumentando a sua complexidade com retornos e cruzamentos em diferentes níveis para permitir o fluxo contínuo do tráfego. Com isso novas situações puderam ser observadas tais como: a abertura de grandes feridas na paisagem, a remoção de grandes quantidades de solo e terra para planificação e, em conseqüência, a erosão e impermeabilização do solo e a destruição do “habitat” natural. Para Mumford (op. cit.), este importante desenvolvimento dos meios massivos de transporte proporcionou um novo tipo de tecido urbano, dispersando a população pelos subúrbios das cidades . Essa expansão do subúrbio aumentou consideravelmente a partir de 1920, com a produção em massa de veículos populares individuais. Produto de uma iniciativa privada em busca de um benefício privado, o resultado dessa dispersão incontrolada dos bairros residências suburbanos, foi a negação dos objetivos iniciais que justificaram o nascimento dessa descentralização. A introdução do transporte motorizado nas grandes cidades permitiu que estas se expandissem horizontalmente, avançando livremente sobre áreas rurais ou cobertas de vegetação, enquanto a invenção do elevador viabilizou o crescimento vertical que ensejou a elevação da densidade demográfica. Na virada do século, a força destas novidades aliada à outros avanços tecnológicos, culturais e comportamentais exigiam uma abordagem nova do fenômeno urbano.

24

Quadro 1. Resumo das Etapas Evolutivas da Sociedade Urbanizada
Primeiro período de urbanização -O número e tamanho das cidades, bem como o aumento se sua população variava em função da disponibilidade de solo agrícola e de sua produtividade Segundo período de urbanização -Tem início com o desenvolvimento do transporte por rios e estradas -Principais fontes energéticas: vento e correntes de água Terceiro período de urbanização -Crescimento populacional constante -Desenvolvimento tecnológico/ máquinas -Aumento da velocidade do transporte com a locomotiva

-Especialização na religião e na -Produção de excedentes para exportação política -Equilíbrio e cooperação

-Aumento da superfície de solo -Crescimento demográfico além cultivado com maior produção da capacidade agrícola de alimentos energéticos e novos produtos da América. Indústria e agricultura -Sociedade eminentemente agrícola competindo por solos férteis -Migração rural/urbana -Extração de recursos naturais com propósitos industriais. Impactos e destruição do entorno -Dominação parcial do urbano -Especialização na agricultura, comércio e indústria -Transformação da civilização agrícola em urbana ou suburbana Introdução do sabão como necessidade cotidiana -Redução da taxa de mortalidade com novos hábitos de higiene -Crescimento de velhas cidades e fundação de muitas outras -Carvão como fonte energética/ expansão da indústria a vapor

Fonte: Adaptação do autor, referente ao texto “The Natural History of Urbanization”, de Mumford (1956).

2.2.2. Equilíbrio

Entre o século XIX e metade do século XX, segundo Mumford (1956), a economia do mundo ocidental substituiu sua estrutura agrícola por uma estrutura metropolitana, onde o crescimento descontrolado da urbanização prejudicou os fluxos naturais de diversos elementos necessários para a vida, que no passado serviram para compensar as deficiências do meio urbano.

ócio e usos rurais. propunha criar uma comunidade relativamente autocontida e equilibrada. esta situação requer um novo enfoque para o problema global dos assentamentos humanos. além dos custos excessivos (a distância dos recursos naturais é cada vez maior). muito antes da escassez de alimentos. já necessárias naquela época. O autor foi capaz de reconhecer as necessidades sociais que estavam causando a migração para grandes metrópoles e propôs uma comunhão entre o urbano e o rural: a nova cidade que chamou de “Cidade Jardim”. dedicados à agricultura. Este . definem um limite concreto para a expansão urbana. Para o autor. Sua maior contribuição na concepção dessa nova “Cidade Jardim” foi a reserva de solo para uma área agrícola como parte integral da cidade. não tanto por seus espaços verdes interiores. na economia das cidades-estado ou na economia da nova metrópole. diferentes daquelas que haviam se estabelecido na economia rural do passado. sustentada por uma produção local. A escassez da água potável pode limitar o desenvolvimento urbano. indústrias. com uma população permanente de número e densidade limitada. Esta proposta remetia a uma base social e ideológica sem as pressões psicológicas que crescem a cada dia no meio urbano. e regiões naturais. como por seu estabelecimento num meio rural. foram apresentadas algumas propostas. para alcançar um equilíbrio entre as cidades. Desde a última década do século XIX. o crescimento demográfico exige demandas que.25 Ainda que as tecnologias modernas superem as limitações locais. Howard (1945) em seu livro “Cidades do Amanhã”. em um terreno rodeado por uma extensão de campos abertos.

mantendo o equilíbrio entre campo e cidade. era um dispositivo público para limitar o crescimento da superfície urbana. por meio da integração de um grupo de comunidades em uma estrutura que conta com os serviços de uma metrópole. Na cidade regional. se afirmava a importância da reserva de zonas naturais para a captação de chuva. reconheceu as vantagens dos princípios da “Cidade Jardim” e após a Segunda Guerra. O “Informe Barlow” de 1940 sobre a descentralização da indústria. estas cidades mantêm um equilíbrio ambiental pela pequena escala. mas sem o congestionamento e o crescimento informal associado a ela. Sobre a base dos princípios da “Cidade Jardim”. Stein (1951) colocou a possibilidade de estabelecer um novo tipo de cidade. experimentais de comunidades. este novo enfoque sugeria a necessidade de criar um novo equilíbrio estável entre a urbe e o campo.26 “cinturão verde” imune à edificação urbana. . se iniciou um plano para construir cidades deste tipo em grande escala. Ao planejar os novos assentamentos urbanos. Mumford (1956) esclarece que a organização substituiria a simples aglomeração e desta maneira se criaria uma relação recíproca entre a cidade e o campo. Algumas iniciativas empresarias privadas. para usos recreativos e como fonte de recursos florestais ou de energia elétrica. como a comunidade de Letchworth e Welwyn. com estas características foram fundadas na Inglaterra no inicio do século XX. com o fim de absorver a população dos centros urbanos destruídos. tal como concebeu Stein (1951). Em lugar de tratar da cidade como um elemento intrusivo na paisagem. Com a possibilidade de utilizarem seus enormes jardins para a produção de alimentos.

27 “As forças cegas da urbanização. sustentável e renovável. sobre a inevitabilidade do crescimento urbano e sobre a pressão que este crescimento exerce sobre a natureza. História Recente da Urbanização no Brasil A partir dos anos 50. o Brasil experimentou um processo de urbanização crescente e acelerado que. 1956).2. O processo de urbanização deve buscar o equilíbrio entre a população das cidades e os recursos disponíveis. segundo aumenta a densidade e prossegue a expansão da cidade. como a construção de novas autopistas ou a utilização de recursos hídricos de fontes mais distantes. Pelo contrário. contamos com uma perspectiva suficiente para por em prática alternativas que já existem no mundo e que se encontram parcialmente estabelecidas de forma distinta. ser seguida no campo do urbanismo: o restabelecimento dentro de uma unidade mais completa e com a utilização plena de todos os recursos da ciência e técnicas modernas. econômico e ambiental) necessários para a vida em comum “ (MUMFORD. não mostram nenhuma capacidade em criar um modelo urbano e industrial que seja estável. recomenda à humanidade a busca de novas formas de planejamento e organização do meio urbano que considere estes novos condicionantes. ao mesmo tempo em que as inúteis inversões para solucionar a congestão. para 175. de equilíbrio ecológico que originalmente prevaleceu entre a cidade e o campo nos estados primitivos da urbanização. elevou o número de cidades com mais de 100 mil habitantes de 12. A reflexão sobre a disponibilidade futura de recursos da natureza para dar suporte a vida humana. tanto a paisagem urbana como rural se desfiguram e se degradam. espalhados em 17 estados da Federação. aumentam as cargas econômicas e só servem para promover mais ruína e desordem do que solução. mantendo um alto nível de desenvolvimento sustentável em seus três campos (social.3. Já as cidades com mais de 1 milhão de habitantes eram apenas . Mas independentemente da dificuldade de reverter os procedimentos equivocados que oferecem uma resposta temporal e um beneficio financeiro imediato. em pouco menos de meio século. fluindo ao longo das linhas de menor resistência. Graças a estes exemplos. 2. o elenco de cidades com população superior a 500 mil habitantes saltou de 2 para 24 centros urbanos. No mesmo período. dispomos pelo menos de uma indicação da direção que deve”. em 1940. em 1996.

405 habitantes. Manaus. mesmo com o aumento do número de cidades populosas fora das regiões metropolitanas. 5 em 1970. dos quais 31. Alguns desses problemas mais evidentes estão retratados na pesquisa de características dos domicílios particulares permanentes no Brasil levantadas pelo IBGE em 1999. Segundo esta pesquisa. existem no Brasil cerca de 42.79 milhões (74. Goiânia. como seria o caso de Brasília.85 milhões de domicílios. mais recentemente. verifica-se que estas ainda concentravam cerca de 45. o que para Santos e Silveira (2001) indica uma tendência a um novo tipo de aglomeração em paralelo com o fenômeno da metropolização. cedidos ou ocupados de diversas formas.). situação em que uma cidade estende sua dinâmica socioeconômica a municípios vizinhos. tanto na ausência quanto na produção de moradias e também na utilização das mesmas pela população. A habitação é a primeira das necessidades e expectativas que o novo habitante não encontra a sua espera na cidade e. verificam-se problemas que refletem a qualidade do ambiente urbano. algo em torno de 29% da população total brasileira.2%) são imóveis próprios e 11. cit. 10 em 1980 e 15 no ano 2000 (SANTOS e SILVEIRA.28 2 em 1960.568. Campinas e Campo Grande. em 1996.8%) são alugados.06 milhões (25. 2001). em centros urbanos localizados fora das áreas metropolitanas instituídas por lei. Segundo Santos e Silveira (op. No . Este processo resultou na concentração da população urbana nas regiões metropolitanas e.

11.1%) tratam seu esgoto através de fossa séptica. pelas conseqüências danosas que tal fato acarreta à saúde da população mais pobre da região presumidamente mais rica do país. 77. é lícito supor que mais de 20 milhões de pessoas estejam vivendo em condições de habitabilidade muito baixas.2.3%) situados na região sul.29 total pesquisado. especialmente daqueles ainda não conectados à rede de esgoto (4.07 milhões (23. 5.38 milhões.1 milhão não trata seu esgoto.95%) e à rede de abastecimento de água (281. .4%) dos domicílios estão localizados em áreas urbanas. 2001). .5%) não são atendidos por rede de esgoto. . 34. Da análise dos dados sobre as características dos domicílios urbanos verifica-se que: .18 milhões não são servidos por coleta de lixo. expostas aos problemas sanitários e sociais que os acompanham e causando . Partindo desses números. cedidos.67 milhões não são atendidos por rede de abastecimento de água. favelas e alagados ou construídos em terreno alheio sugerem a necessidade de construção de novas unidades ou da melhoria das existentes. O elevado percentual de domicílios classificados como alugado. .55 milhões (47. confirmando a existência de déficit habitacional próximo a 5 milhões de unidades (SINDUSCON. bem como por refletir a disposição dos governantes em alocar recursos na superação deste quadro. Chama atenção na pesquisa do IBGE.87 milhões (81. o número elevado de domicílios urbanos carentes de saneamento básico.2.5 mil.8.

convém lembrar. introduzindo a preocupação com a preservação e conservação da natureza na formulação de seus planos e projetos. O suprimento do déficit habitacional. venham a se agravar nos próximos anos. até pouco tempo. O artigo 2°. 10. ao saneamento ambiental. ou seja. fato que torna justificável. oportuna e até um pouco atrasada a reflexão sobre alternativas de introduzir a busca da sustentabilidade urbana nos objetivos e resultados que se pretende quando da formulação dos mecanismos de controle do uso e ocupação do solo urbano. É também provável que o quadro de deficiências mostrado na pesquisa nacional por amostra de domicílio realizada pelo IBGE e o déficit habitacional levantado por organismos diversos. inciso I da citada Lei. estabelece claramente como uma das diretrizes gerais da política urbana a “garantia do direito a cidades sustentáveis entendido como o direito à terra urbana. aspiração de alguns estudiosos e profissionais do urbanismo tornou-se imperativo legal com a publicação da Lei n°. o que requer cuidadoso planejamento que também objetive a minimização dos impactos ambientais. à moradia. denominada Estatuto da Cidade.30 danos ao meio ambiente. . implica na expansão horizontal ou no maior adensamento das áreas urbanizadas. Aquilo que era. caso persistam suas causas estruturais e as dificuldades encontradas pela sociedade para eliminá-las.257/2001. devidamente embasados nos avanços tecnológicos e científicos aplicáveis. O planejamento urbano pode contribuir para a redução dos impactos ambientais decorrentes do crescimento urbano assimilando e praticando princípios e conceitos do desenvolvimento sustentável.

Agenda 21 Brasileira . de acordo com aquilo que considerar conveniente ao bom funcionamento da cidade e de sua gestão. define índices mínimos de ocupação do solo. impões a necessidade de se incluir técnicas e tecnologias que visam a redução dos impactos ao meio e à população. ao trabalho e ao lazer. ampliando sua área de influência sobre a condução do futuro das cidades brasileiras. 2. no uso e ocupação do solo nas cidades. todos os instrumentos de execução das políticas urbanas devem convergir para a concretização desta prescrição legal.2. Portanto. bem como fixa os padrões mínimos de habitabilidade das edificações. A consciência da necessidade de utilizar estes instrumentos tradicionais também para conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação da qualidade de vida da população e do meio ambiente urbano. uso e ocupação do solo urbano inserido em um plano diretor de abrangência municipal. distribui e organiza estas atividades no espaço urbano. Através deste instrumento.31 ao transporte e aos serviços públicos. Um destes instrumentos é o disciplinamento do parcelamento.4. define quais as atividades passíveis de serem instaladas em sua área urbana. para as presentes e futuras gerações”. o Município estabelece padrões mínimos de parcelamento do solo. hoje somada à prescrição do Estatuto da Cidade relativamente à garantia do direito às cidades sustentáveis.

a cidade ”. Turquia. quando promove mudanças no processo de urbanização e no desenho da rede de cidades e reforça o desequilíbrio econômico e social no desenvolvimento de regiões e cidades. apontando para o risco de não sustentabilidade de muitas cidades. Em outras palavras. depende fundamentalmente da disposição da sociedade em trocar as posturas e atitudes que produziram a situação atual. no século XXI.. a vida urbana ou a cidade. O documento denominado “Cidades Sustentáveis – Subsídios à Elaboração da Agenda 21 Brasileira” reúne conclusões de um grupo de estudos formado para investigar e propor caminhos para o desenvolvimento sustentável no Brasil. inverter a lógica em vigor. gerar alternativas concretas às injustiças. incluindo um tópico sobre a sustentabilidade das cidades brasileiras. bem como em rever os conceitos e justificativas morais e ideológicos que lhes dão respaldo. consta a afirmação de que. realizada em Istambul. para ser sustentável. constatou que o processo de urbanização nos países subdesenvolvidos apresenta um quadro de tendências negativas.para ser palco de uma vida urbana sustentável.32 A conferência sobre Assentamentos Humanos – Habitat II. precisa superar sua degradação física. em 1996. Nele. O estudo aponta como entrave à sustentabilidade a dimensão espacial do desenvolvimento econômico. tanto pela destruição dos recursos naturais e do seu patrimônio cultural quanto pela gestão e operação pouco cautelosa e não planejada de seus serviços. 2000). de lugar de consumo em consumo (usufruto) de lugar.” (BEZERRA e FERNANDES.... .

33 As principais questões intra-urbanas que comprometem a sustentabilidade das cidades brasileiras. • Promover mudanças nos padrões de produção e consumo da cidade.. incorporando no processo a dimensão ambiental e assegurando a participação da sociedade. . reduzindo custos e desperdícios e fomentando o desenvolvimento de tecnologias urbanas sustentáveis. ao transporte. a perspectiva de privatização do setor e a alegada falta de recursos para investimentos. são alguns dos fatores que prenunciam o agravamento da situação no futuro próximo. eficiência e qualidade ambiental. tanto do ponto de vista social quanto ambiental. são ligadas ao acesso à terra. ao saneamento ambiental. • Promover o desenvolvimento institucional e o fortalecimento da capacidade de planejamento e gestão democrática da cidade.” elenca as estratégias prioritárias para a promoção da sustentabilidade nas cidades brasileiras. ao déficit habitacional.. O documento “Cidades Sustentáveis. A ineficiência do atual modelo de gestão. considerando a promoção da equidade. ao emprego e à gestão urbana. contribuindo para a melhoria das condições de vida da população. a partir da realidade atual: • Aperfeiçoar a regulação do uso e da ocupação do solo e promover o ordenamento do território. como destaca o documento mencionado.

No entanto. por iniciativa própria ou para enquadrarem-se nas exigências de organismos financiadores ou para cumprir a determinação da Constituição de 1988. Em busca da melhoria da qualidade ambiental deverão ser implementadas ações normativas e preventivas de controle de impactos ambientais dos investimentos públicos e privados. eficiência e qualidade ambiental. aproveitamento de vazios urbanos. em parceria com o setor privado. que trata da regulação do uso e ocupação do solo.34 • Desenvolver e estimular a aplicação de instrumentos econômicos no gerenciamento de recursos naturais visando a sustentabilidade urbana. recuperação de áreas centrais para moradias. sistema viário e o mercado imobiliário. o combate às deseconomias de urbanização. promoção da equidade. combate à produção clandestina de lotes. os instrumentos legais sobre o uso e ocupação do solo costumam refletir o interesse mais imediato das administrações privilegiando a localização de atividades produtivas. leis e atividades destinadas ao controle do uso e ocupação do solo. Paralelamente. as cidades deverão implementar políticas de acesso à terra. O planejamento e controle do uso e ocupação do solo urbano têm sido praticados por grande parte dos município. aumento de arrecadação. planos integrados de transporte e trânsito. sem grande preocupação com o meio ambiente. financiamento para locação social. adoção de normas e . se possível. regularização fundiária e redução do déficit habitacional. chama a atenção para a necessidade de incluir nos planos. novos objetivos tais como a melhoria das condições de vida da população. A primeira estratégia.

de modo a associar os parâmetros de uso e ocupação à característica e capacidade de cada bacia. e com isso conseguir identificar e corrigir a tempo eventuais desvios que possam comprometer a preservação da qualidade ambiental desejada no futuro. Com a terceira estratégia. políticas de redução da queima de resíduos sólidos são algumas das transformações necessárias para atingir a sustentabilidade que podem e devem ser viabilizadas pela ação do poder público local. Recomenda também que se utilize a bacia hidrográfica como unidade de planejamento. acessibilidade urbana. conforto ambiental. incorporando a dimensão ambiental e a participação comunitária nesse processo. incluindo a questão ambiental. do setor público e do privado. pretende-se promover uma mudança de comportamento na produção e consumo da cidade. buscando a racionalidade e parcimônia nos hábitos e práticas da população urbana. natural ou construído. Tratando da promoção do desenvolvimento institucional. áreas verdes e conservação do patrimônio ambiental urbano. a segunda estratégia aponta para a necessidade da cidade desenvolver e fortalecer sua capacidade de gerir democraticamente o seu desenvolvimento. a administração municipal deverá aprimorar os mecanismos de controle.35 parâmetros voltados à eficiência energética. . A redução das perdas crônicas do sistema de abastecimento de água. fiscalização e monitoramento das atividades urbanas. do desperdício e da má distribuição de benefícios da iluminação publica. No exercício de suas atribuições e deveres.

.. tornando este instrumento obrigatório para o municípios com mais de vinte mil habitantes. Denominada de Estatuto da Cidade.estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem . o artigo 182 esclarece que “a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências de ordenação da cidade expressas no plano diretor”. inciso XX) e.2.. nos termos do parágrafo único do seu Artigo 1°. ao direito da terra e à moradia.257/ 2001 “. Plano Diretor e o Estatuto da Cidade A Constituição Federal.ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes. saneamento básico e transportes urbanos” (Artigo 21. Em seu parágrafo 2°.” O parágrafo 1° do mesmo artigo estabelece que o plano diretor é o instrumento básico da política urbana. inclusive habitação. promulgada em 5 de outubro de 1988.36 A viabilização destes processos requer a disponibilidade de suporte legal que garanta à administração pública e a população a defesa dos interesses coletivos.5. especialmente aqueles relacionados à manutenção da qualidade do ambiente urbano. incumbe à união a responsabilidade de “instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano. 2. quando conflitantes com interesses particulares. a lei n° 10. em seu artigo 182. delega ao Município a responsabilidade de executar a política de desenvolvimento que objetive “..

à moradia. a edificação ou os usos excessivos ou inadequados em relação à infra-estrutura urbana. Ordenação e controle do uso do solo. gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação execução e acompanhamento de planos. c) o parcelamento do solo.37 coletivo. à infra-estrutura urbana. bem como do equilíbrio ambiental.” O Artigo 2° fixa como objetivo da política urbana e relaciona as diretrizes gerais que nortearão este processo. ao transporte e aos serviços públicos. b) a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes. de forma a evitar: a) a utilização inadequada dos imóveis urbanos. ao saneamento ambiental. garantia do direito a cidades sustentáveis. da segurança e do bem estar dos cidadãos. para as presentes e futuras gerações. entendido como direito à terra urbana. ao trabalho e ao lazer. programas e projetos de desenvolvimento urbano. . (Omissis) VI. sendo que algumas delas denunciam uma acentuada preocupação com a sustentabilidade do desenvolvimento das cidades brasileiras: I. II.

que resulte na sua subutilização ou não utilização. f) a deterioração de áreas urbanizadas. o direito de uso real seja concedido coletivamente ou para ser exercido em outro local. Estas e as demais diretrizes gerais fixadas no Artigo 2° do Estatuto da Cidade. e) a retenção especulativa de imóvel urbano. foram fixadas as regras para a concessão de direito de uso real para fins de moradia em áreas urbana. devem ser obrigatoriamente seguidas pelo Poder Público Municipal. sem a previsão da infra-estrutura correspondente. social e econômica do município e de sua área de influência. adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental.38 d) a instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos geradores de tráfego. em situações que assim o exijam. g) a poluição e a degradação ambiental. . Nela. vetados pelo Presidente da República. Os artigos do Estatuto da Cidade que tratavam da regularização fundiária de áreas urbanas ocupadas por população de baixa renda. ao qual a Constituição Federal delegou a responsabilidade pela implantação das políticas urbanas. (Omissis) VII. permitindo inclusive que. foram contemplados na medida provisória editada em setembro de 2001.

as tentativas de inferir nos rumos do desenvolvimento urbano.necessariamente com a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos econômicos e sociais. Não são raras as ocasiões em que as cidades sofrem os efeitos das modificações e mesmo das agressões contra o ambiente por seus habitantes. A rigor. seja na forma de doenças e epidemias. já que boa parte dos entraves jurídicoinstitucionais foi afastada com o advento do Estatuto da Cidade. O Plano Diretor deixou de ser apenas um amontoado de promessas e intenções irrealizáveis para tornar-se efetivamente o documento norteador do desenvolvimento da cidade. Por exigência legal. do grau de consciência e comprometimento da iniciativa privada e da capacidade de mobilização e cobrança da comunidade. na implementação e gestão das decisões do Plano” (ROLNIK. a gestão da cidade rumo a uma condição de sustentabilidade dependerá cada vez mais da disposição política dos seus dirigentes. de organizar o crescimento das cidades e racionalizar a ocupação do solo urbano. 2001). não apenas durante o processo de elaboração e votação mas. tinham como referência distante um modelo idealizado de cidade que. integrava-se harmonicamente com o ambiente . além de funcionar como um relógio. A evolução das cidades ao longo da História demonstra a sua total dependência dos recursos naturais e da sua capacidade de prejudicar a reprodução e preservação destes mesmos recursos.. sobretudo. da água e do solo que tornam a vida no espaço urbano incompatível com o grau de salubridade necessário ao desenvolvimento do ser humano. deverá contar “..39 Assim. seja na forma de deterioração da qualidade do ar.

incorporar nos planos e ações voltadas a ele. destacando a importância do aprimoramento dos mecanismos de planejamento e controle da organização territorial. reafirmam o papel importante da ação local na construção da sustentabilidade urbana. incluem esta preocupação em seus objetivos. No entanto. Para acrescentar a estes instrumentos legais a preocupação com a sustentabilidade do processo de desenvolvimento urbano é importante. As diversas formas de pensar a sustentabilidade urbana convergem para a necessidade de se buscar o uso mais eficiente dos recursos naturais. As estratégias propostas pelo documento que subsidia a elaboração da Agenda 21 Brasileira. o Estatuto da Cidade fornece os instrumentos legais necessários para respaldar a implantação das diretrizes de desenvolvimento urbano e garantir a participação da população no processo de modelagem do seu futuro. controlar o crescimento e a densidade urbana. medidas que promoveriam a preservação do meio ambiente urbano freqüentemente costumavam ser negligenciadas em favor daquelas que promovem o desenvolvimento econômico ou o atendem aos interesses da especulação imobiliária. No mesmo sentido. com conseqüências danosas para o ambiente que penalizam toda a população.40 natural e com maior ou menor ênfase. de início. o conceito de meio ambiente urbano e a visão da cidade como um ecossistema sujeito às . de modo a conciliar o desenvolvimento urbano com a preservação do ambiente que lhe dá suporte. ampliar o acesso aos benefícios da vida urbana às parcelas excluídas.

ao mesmo tempo. é um ecossistema incompleto. que perpetua a cultura urbana por meio da troca e da conversão de grandes quantidades de materiais e energia. aumento da ocorrência de chuvas sob forma de tempestades. 2. aumento da nebulosidade. de forma que os ambientes de entrada e saída são relativamente mais importantes para o sistema urbano que para os sistemas naturais.6.. a mesma autora alerta que “. Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente Estudos sobre as alterações que o processo de urbanização provoca nos ecossistemas naturais foram publicados ainda na década de 50. A cidade deve ser vista como um ecossistema aberto. tratando de forma sistematizada as mudanças climáticas que aquele processo gera em termos de aumento de temperatura. bem como uma saída volumosa e venenosa de resíduos. Citando uma publicação americana de 1972. um sistema de transportes elaborado e uma área de influência que forneça os recursos requeridos pela cidade e absorva seus produtos” A cidade tal como observa Odum (1998). exige um fluxo acentuado de energia fornecida na maior parte por combustíveis fósseis.2. possui um metabolismo intenso. 1996).. dependente de grandes áreas externas a ele para obter energia. . Essas funções requerem uma concentração de trabalhadores. alimentos. água e matérias primas. diminuição da visibilidade e da atividade fotossintética das plantas (SOBRAL. capaz de influir sobre estes mesmos processos.41 influências dos processos naturais e.

42

Sobral (1996) afirma que o ecossistema urbano está sujeito ao princípio da unidade ambiental, segundo o qual todos os elementos e processos estão inter-relacionados e são interdependentes e uma mudança em um deles produzirá mudanças nos outros. Só que, no meio urbano, o Homem é o principal deflagrador das alterações ambientais, geralmente utilizando

tecnologias que produzem efeitos em tempo mais acelerado que os processos naturais. É o caso das enchentes dos cursos d’água decorrentes da impermeabilização do solo em área urbana, da canalização das águas pluviais e do assoreamento proveniente do carregamento de detritos e da erosão do solo. Sendo a cidade um sistema aberto, que interage com áreas externas ao seu território, importando o que não produz e exportando o que não consome, consumindo recursos naturais de fora e comprometendo com seus efluentes e dejetos os territórios vizinhos, só será possível tratar de sustentabilidade urbana se considerarmos todo o espaço influenciado pela existência de uma determinada cidade. Assim, as ações que pretendem garantir uma convivência harmônica e permanente entre a vida urbana e o meio ambiente, deverão considerar o sítio urbano, a bacia hidrográfica que o contém, os mananciais de abastecimento de água e a área necessária para recuperar os efluentes líquidos, sólidos e gasosos daquela aglomeração humana. Dentro dessa perspectiva, é possível que a área de abrangência dessas ações extrapole os limites do município, exigindo a ação conjunta de vários municípios, do Estado ou até da União.

43

No entanto, uma parcela importante, evidente e significativa das alterações impostas pelo crescimento urbano opera-se nos limites da área urbanizada, sob jurisdição do município e ao alcance das ações da administração municipal, normalmente adstritas aos serviços de controle do uso, obras, limpeza pública, saneamento, parques e praças etc. Estas interferências e alterações são inevitáveis na instalação de um ecossistema urbano e costumam ocorrer de forma descontrolada, sem a menor preocupação com os seus efeitos sobre o próprio ambiente a médio e longo prazo e, muitas vezes, sem que seus autores tenham consciência das mudanças que estão provocando. Sobre o espaço físico diretamente ocupado pela cidade, as alterações começam pela remoção da cobertura vegetal original, geralmente realizadas de forma indiscriminada. O relevo é modificado quando da abertura de vias, nivelamento de terrenos para construções, escavações e outras formas de adaptação da superfície do solo às necessidades do homem. As alterações no relevo e na cobertura vegetal acabam por alterar o regime de drenagem natural do local ao modificar a velocidade de escoamento superficial das águas pluviais, a percentagem de água absorvida pelo solo, contribuindo também para aumentar a quantidade de material sólido carregado para os cursos d’água. Com o tempo, estes sedimentos podem provocar a redução da calha dos cursos d’água, causando transbordamentos e conseqüentes inundações. Nas áreas urbanas, o material carregado pelo escoamento superficial incorpora o lixo e toda espécie de rejeito da atividade humana, o que expõe os

44

corpos d’água à poluição, é capaz de causar danos à fauna e flora aquáticas e por em risco a saúde da população. Segundo Mota (1981), a urbanização de uma determinada área afeta o chamado Ciclo Hidrológico, processo pelo qual a água circula através do ar, da superfície do solo e subsolo, mediante processos de Precipitação, Infiltração. Escoamento Superficial, Subterrâneo, Evaporação e Evapotranspiração. A redução ou mesmo a eliminação da cobertura vegetal que acompanha o processo de urbanização priva o meio dos seus efeitos. As árvores, arbustos, e forrações contribuem com a retenção e estabilidade dos solos, amortecendo o impacto da chuva sobre o solo, retardando o escoamento superficial das águas e interferindo na velocidade dos ventos e na incidência do sol. Além de operar a renovação do ar através da fotossíntese, a vegetação é também o habitat natural de diversas espécies de animais e insetos (MOTA, 1981). A dinâmica da vida urbana traz como subproduto a poluição ambiental, entendida como sendo “... qualquer alteração das características de um ambiente (água, ar e solo) de modo a torná-lo impróprio às formas de vida que ele normalmente abriga” (MOTA, 1981). Assim, o lançamento de resíduos dos processos biológicos humanos ou do exercício das funções urbanas dá causa a poluição ambiental, sempre que exceder a capacidade de assimilação do meio receptor, prejudicando a sobrevivência das espécies ali existentes, incluindo o próprio ser humano.

1998). e metais sanitários e supõe que é ambientalmente insustentável o modelo de construção que demanda materiais e componentes. o vidro. a acentuação da deteorização da camada de ozônio. são necessários. supõe uma diminuição do potencial destes recursos para as gerações futuras (XERCAVINS e VALLS apud ALAVEDRA et al. cujo processo de produção envolve elevado consumo de energia. 2001). fenômenos como mudanças climáticas.). principalmente na forma de esgoto e lixo além da constante demanda de energia e água” (FREITAS et al . gera poluição na fase de construção e passa a gerar novos e constantes resíduos na fase de ocupação. 2001) A atual utilização dos recursos naturais. Diversos materiais e componentes construtivos. uma área deve ser desmatada. que as edificações consomem entre 20 e 50% dos recursos físicos de seu entorno. ainda. tendo especial responsabilidade na atual deteorização do meio ambiente. louças.7. a ampliação do setor da construção civil. E a origem principal destes problemas não é exclusivamente da indústria e dos sistemas de transporte. são causadas pelas atividades econômicas atuais. O autor alerta que: “entre os materiais de maior consumo energético em sua produção estão o cimento. é em grande parte culpado destes problemas. chuva ácida. O Impacto da Construção da Habitação “O binômio habitação/meio ambiente está relacionado a um universo complexo de questões e situações” (FREITAS et al . O autor diz que o entorno construído. onde passamos 90% de nossas vidas. seguida de alterações no lote.2. modificando as características físicas e ambientais locais e do entorno. Alavedra et al (op. componentes cerâmicos. aliado à grande velocidade do crescimento demográfico. Segundo Freitas (2001): “para que uma habitação seja edificada. cujo processo . diz. Para Alavedra et al (1998). o aço.45 2. o alumínio e demais produtos metálicos. cit. deflorestação ou a perda da biodiversidade.

além da utilização de fontes não renováveis de energia..): “na construção de casas e no próprio ato de morar são identificados diversos aspectos que apontam uma diversidade de situações geradoras de impactos no meio ambiente” e. 2001). cit.] necessita da revisão de diversos conceitos sociais arraigados. como consumo de combustível. Conclui afirmando que.htm> . “a intervenção efetivamente integrada no binômio habitação / meio ambiente [.46 envolve um elevado consumo energético”. como derrubada de florestas para obtenção de biomassa ou pela inundação de imensas áreas florestadas para construção de hidrelétricas. “a consciência atual de que os recursos naturais são ilimitados. bem como os sérios problemas ambientais que o mundo está passando.. complementa dizendo que. Quadro 2.net/castellano/acs. Segue afirmando que “o uso de tais materiais gera efeitos ambientais significativos em algum outro lugar. 2001).asp?pag=conceptos. O transporte destes produtos até o local da obra também implica diversas questões ambientais. Ainda de acordo com Freitas ( op. Agrega-se a isto tais materiais provêm de matérias-primas obtidas com alterações importantes na região das jazidas. relativos ao habitat humano”.csostenible. O Impacto Ambiental Das Edificações Segundo a Escala de sua Incidência. co2 emitido. aponta a necessidade de um crescente investimento em pesquisas que permitam a construção do hábitat com menor impacto global” (FREITAS et al . resíduos espalhados" (FREITAS et al . Impactos Escala regional Na obra Impacto visual Impacto na paisagem Impacto acústico Geração de resíduos de obra Impacto na produção de materiais Energia necessária Durante a vida útil Consumo de água Produção de resíduos Impacto visual Conduta dos inquilinos Gasto energético Emissões de CO2 Emissões de NOx Consumo de CFC Após a vida útil Resíduos da demolição Escala global Resíduos perigosos Fonte: Agenda para a Construção sustentável para a Espanha Disponível em : <http://www.

Alguns Exemplos de Alterações Ambientais Decorrentes de Empreendimento Habitacional. a habitação deve ser considerada não como um elemento isolado. . intrinsecamente inseparável de seu entorno e inter-relacionada com a política de ocupação do solo. Assentamentos Humanos Sustentáveis Neste tópico.47 Quadro 3. Fonte : Freitas et al (2001) Portanto. na construção da cidade. Segundo o Segmento Considerado. desenvolveu-se um breve estudo sobre as comunidades intencionais e a busca pela sustentabilidade nestas comunidades. 2.3. mas.

) “. que estimulava a capacidade de expressão. ainda que fora dos padrões convencionais da Igreja Católica. pacífico e ecológico. mas com o desenvolvimento e crescimento das cidades. Queriam acabar com a pobreza e o racismo. astrologia. 2001). com inspirações nas culturas orientais” como o budismo e o hinduísmo “onde a natureza é considerada essencial para o bem estar humano e cósmico”. Na opinião de Bissolotti et al (2003) este movimento foi “um retorno à natureza. A busca de liberdade e de novas emoções fez com que muitos jovens se recusassem a continuar o estilo de vida de seus pais e colocassem a mochila nas costas e o pé na estrada. sem violência” (BARBOSA. “Ideais de vida comunitária e amor livre”. Buscando informações sobre a origem do movimento consciente de retorno à natureza.3.. “Os Hare Krishna começaram a ganhar força no mundo ocidental e. Os hippies questionaram a ordem estabelecida e propuseram muitas mudanças. e suas conexões com a natureza e seus ciclos..1.48 2. próspero. O sonho era de um mundo igualitário. magia. figuras como São Francisco de Assis e Jesus Cristo foram revalorizadas. . os jovens passaram a ser mais críticos e contestadores. Um Breve Estudo Sobre as Comunidades Intencionais Segundo Jackson (1998) “por milênios o homem viveu em comunidades integradas à natureza”. “como resultado de uma educação liberal. diz que nos anos 60. criando o “paraíso dos sonhos”. Essa foi a semente do movimento hippie. denunciar a poluição atmosférica. 2001). Barbosa (2001). etc. no cristianismo. Eles acreditavam conseguir modificar a sociedade moderna. segue Barbosa (2001). Embora isso pudesse ter sido um sonho suficientemente grande. baseado apenas no amor e na arte. exigindo soluções para os problemas que os rodeavam. pode-se observar que o ser humano perde suas raízes nas comunidades em que nascem. não eram só a paz e a liberdade que os hippies pregavam” (BARBOSA. se libertar da inveja e da cobiça. andavam de braços dados com velhas crenças das ditas ciências tradicionais (tarô.

Comunidades alternativas anos 60-70 Consciência individualista Sem consciência de coletividade Muito subjetiva . pois.fuga da realidade Falta de planejamento hippies Comunidades intencionais atuais Vêem o homem em um contexto holístico.). A Permacultura como ferramenta para o design de sistemas naturais produtivos integrados e de longa duração. Comparativo Entre Comunidades Alternativas dos Anos 60-70 e as Comunidades Intencionais Contemporâneas.as comunidades hippies eram por demais subjetivas. laboratórios de desenvolvimento e ensino de tecnologias sustentáveis. amadurecidas com nova visão e dimensão”. segue Bissolotti et al (2003). perdendo assim a objetividade e a noção de realidade. nesse período surgiram as comunidades alternativas. pode-se observar grandes diferenças entre uma “comunidade intencional” atual e as comunidades do movimento hippie. “perduram até hoje. “algumas das comunidades originadas nesta época”. Apesar de muitas não progredirem por falta de preparo e dificuldades na tomada de decisão e resoluções de conflitos entre seus membros. perdurar a identificação. A despeito de hoje em dia. em geral.49 Ainda segundo Bissolotti et al (2003. no inconsciente das pessoas. Pouco ou nenhum uso da tecnologia de ponta disponível . desenvolvimento e disseminação de tecnologia sustentável como aliada dos processos naturais. Quadro 4. Uso. inserido dentro de um todo Consciência coletiva fortemente valorizada empowerment Equilíbrio entre subjetividade e objetividade Planejamento contínuo. segundo Reis (2003) ao contrário das comunidades excessivamente objetivas embasadas nas teorias de Marx .

cria-se um sistema paralelo para substituí-lo.) acredita que um dos maiores motivos de formação comunitária se deve ao “inconformismo com o sistema vigente em seus múltiplos aspectos: social. 2002) Eknath (op. segundo Eknath (2002) pode-se dizer que: “são organizações grupais. as escolas.50 Busca do equilíbrio entre mente e corpo. rurais ou urbanas. a busca de soluções. pode-se inferir que se trata de um termo amplo. além da pressão familiar. Assim. das religiões e da sociedade. educacionais. terapêuticas. como uma saída viável de vida equilibrada em todos os sentidos e planos. mas que se resume em uma organização grupal humana.cit. fraternidade e ajuda mútua. . A revolta interna em relação ao que acontece externamente. culturais. visando encontrar Alternativas de Vida. educacional. econômico. artísticas.. pois elas são formadas por distintos grupos com diferentes “colas”. a injustiça social e econômica. De uma maneira geral. Com tendências variadas ou de caráter eclético e integral. religioso. A idéia de vida comunitária existe desde a antiguidade.. Segundo ele. corpo e espiritualidade Total negação ao sistema dominante Travessia entre o sistema vigente e proposta de mudanças sustentáveis e de auto-suficiência para uma nova era. se apresentando assim com diversas formas. em contato e harmonia com a natureza e possibilitando o desenvolvimento de todos seus membros. é o que denomina-se de “alternativo”. Fonte: Adaptação do autor São vários os conceitos que definem as comunidades intencionais. quando se percebe que um sistema já não satisfaz mais. que visam integrar as pessoas em divisão de tarefas e bens em busca de sua auto-suficiência. sempre com a proposta de união. a educação “intencionalista” para o sistema consumista. Encontro do equilíbrio entre A espiritualidade era ligeiramente tocada. cultural e espiritual”. mente. a experiência com o sistema vigente conhecendo suas deficiências. minimizando as dificuldades do mundo externo. o Bem Comum e a Realização do Ser” (EKNATH. participando de atividades sociais. espirituais.

A sustentabilidade é um processo dinâmico de evolução conjunta. como por exemplo. a poluição em todos os sentidos. Isto significa que a sustentabilidade ecológica e a justiça econômica são interdependentes. a falta de tempo útil para as artes. com base nos conceitos relacionados com o Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 21. existem alguns ingredientes que são comuns em todas as experiências bem sucedidas. O modo de sustentar a vida é construir e manter comunidades. a falta de humanismo. o autor aponta uma série de razões que fizeram. .2 Sustentabilidade e as Comunidades Para Capra (2002): “A sustentabilidade não é uma propriedade individual. Ela sempre envolve toda a comunidade. Não desperdiça recursos e produz pouco lixo. o envolvimento da comunidade para alcançar a participação e o 'empoderamento'. Nesta busca pela sustentabilidade nas comunidades. São eles: 1. apesar de não haver uma 'receita' pronta. de espiritualidade. e a execução de projetos-piloto que possam ser postos em prática rapidamente e tornaremse exemplos. 2. 2002). enfim. Para se compreender melhor como se daria um processo em busca da sustentabilidade em comunidades. Ela inclui o respeito à integridade cultural e ao direito básico de autodeterminação e autoorganização das comunidades. mas uma propriedade de uma rede inteira de relações. a pressão comercial e industrial. fazem (e farão) com que surjam sistemas de vida alternativos. a cultura e o desenvolvimento interno. o Instituto 21 (2005).51 a necessidade econômica.3. Esta é a lição profunda que precisa ser aprendida com a natureza. São dois lados da mesma moeda” (CAPRA. desenvolveu “Os Treze Princípios de uma Comunidade Sustentável”. As comunidades interagem entre si.

O primeiro passo deste desafio é entender o princípio da organização dos ecossistemas para sustentar a rede da vida. 7. Na opinião de Capra (2002): “Uma comunidade sustentável é organizada de maneira a promover a vida. Desde o princípio. A rede é o padrão básico de organização da vida. Dá a todos.52 2. Quando estudamos os princípios básicos da ecologia. lazer e recreação. Atende as necessidades locais localmente. 11. mas através da cooperação. Provê casa. 6. enfatizando a higiene e a prevenção. Em uma comunidade que visa a sustentabilidade. 9. 3. a vida surgiu no planeta não através da competição. 12. Protege a saúde de seus habitantes. Dá a todos. a qualidade de vida da população é priorizada em relação ao crescimento econômico ou o consumo . a economia. 13. Valoriza e protege a natureza. 10. 5. de parcerias e da formação de redes” Capra (2002). descobrimos que eles são os princípios de organização de todos os sistemas vivos. Provê meios de transporte acessíveis para todos. e todos produzem lixo. sempre que possível. mas o lixo de uma espécie é o alimento de outra. Permite que todos tenham acesso ao processo de decisão. comida e água limpa para todos . Dá oportunidades para que todos tenham um trabalho do qual gostem. há mais de três bilhões de anos. os negócios. Valoriza o trabalho doméstico. acesso igual às oportunidades. Todos os organismos vivos dependem de um fluxo contínuo de energia e matéria. Limita a poluição de forma que possa ser absorvida pelos sistemas naturais. A energia que move os ciclos ecológicos flui do sol. Dá segurança para que todos vivam sem medo de crimes ou perseguições. 8. oportunidades de cultura. infra-estrutura e tecnologia sem interferir com a herança da natureza de sustentar a vida. 4.

Os cardumes de peixes. não existe uma comunidade sustentável. Assim. Permacultura Neste tópico. seja a figura central no surgimento da Permacultura. Desde 1954. pretende-se compreender e interpretar o histórico e o desenvolvimento além de contextualizar os conceitos e condicionantes que caracterizam a ferramenta de ecologia mais utilizada para o planejamento de assentamentos humanos que buscam a sustentabilidade. Tasmânia (1928). considera-se que o australiano Bill Mollison2.4. 2. as algas na costa e as florestas. Origem Histórica e Conceito Historicamente. passou boa parte de sua adolescência trabalhando em indústrias de pesca e silvicultura. estavam morrendo para dar lugar ao cultivo agrícola.53 imediato. já que vive em harmonia com seu meio ambiente. Ainda nos anos 50. a Permacultura. trabalhou como biólogo realizando estudos científicos em lugares remotos da Austrália. começou a notar que boa parte do meio em que vivia. . Entretanto..1. essa comunidade garante a disponibilidade dos recursos naturais. Nascido em Stanley. estava desaparecendo. 2.4. mas existem os caminhos a seguir para aproximarem-se dela.

porém. Neste sentido. à informação e aos recursos econômicos”. Em 1974. O autor considera que Massanu Fukuoka sintetiza muito bem a filosofia básica da Permacultura: “trabalhar com a natureza e não contra ela” (FUKUOKA apud MOLLISON. “a autosuficiência não têm razão se as pessoas não têm acesso à terra. além de sistemas econômicos alternativos”.” (MOLLISON. desenvolveu o conceito da Permacultura. em conjunto com seu aluno David Holmgren. dinâmica e diversidade de sistemas naturais.54 Ele era um apaixonado pela natureza e por seu país. deve ser observado cuidadosa e profundamente como a natureza trabalha. como uma estratégia focalizada no design sustentável para propriedades urbanas e rurais. a Permacultura apontou para a auto-suficiência familiar e comunitária. na opinião de Mollison (1990): “é o design consciente de ecossistemas de produção agrícola e de conservação energética. 1990). 2 Graduou-se em bio-geografia e psicologia social e foi professor por dez anos de Pósgraduação na área de Ciências Ambientais na Universidade da Tasmânia . estabelecidos com resistência. a Permacultura está voltada também à estratégia para o acesso à terra. Para isto. Tais sistemas provêm para necessidade própria. 1990) No início. não poluem ou exploram e desta forma são sustentáveis. em meios legais e financeiros como Cooperativas de Autofinanciamento Regional. trabalhou no sentido de criar algo que permitisse que todos vivessem sem o colapso total dos sistemas biológicos. como florestas ou pastagens. antes de se intervir. A Permacultura ou cultura permanente. tendo se convertido em um crítico radical dos sistemas industriais e políticos. segundo o autor. E complementa afirmando que “nos últimos anos. estabilidade. intercambio de serviços e produtos. afirma Mollison (2003).

água [. como se sabe. . à população local e compartilhar os recursos e capacidades. aproximadamente 250.000 permacultores graduados pelo mundo. Ao assegurarmos que todos os produtos e excedentes estejam . Poucos são os países que não tem um grupo de permacultores. Na opinião de Mollison e Holmgren (1978) “são três os princípios éticos da Permacultura : .]. 2. significa cuidar de todas as coisas vivas ou não como solos.2. todas as ações empreendidas devem ser de tal forma que os ecossistemas se mantenham substancialmente intactos e capazes de funcionar saudavelmente.. Atualmente existem mais de 140 centros disseminadores e.Cuidar das pessoas. foi desenvolvida ao redor de um sistema de éticas e princípios. com saúde e segurança. seres vivos. objetiva assegurar que todos tenham acesso ao que se necessita para viver dignamente. .55 alguns dos principais sistemas produtivos e estilos de vida indígenas de todo o mundo têm sido incorporados pela Permacultura.4. associação ou professores ensinando Permacultura”.. Princípios Éticos A Permacultura. As informações sobre Permacultura foram livre e rapidamente disseminadas.Limitar o consumo. atmosfera.Cuidar da Terra. florestas.

enquanto aumenta o capital natural para futuras gerações. o design de permacultura é “uma redescoberta de diversas soluções.56 dirigidos aos objetivos anteriores.” Já. 2. cujas funções devem beneficiar a vida e outras formas.” Na opinião de Holmgren (2004). são a base para uma linguagem internacional de design de sistemas sustentáveis. este é denominado design e não projeto ou planejamento.3. que design de Permacultura é “um sistema que une componentes conceituais. em alguns casos pode para a compreensão de um planejamento “vivo”. O Design3 de Permacultura. ou seja. Definição e Princípios Afirma Mollison (1990).4. desta forma. que sempre se renova. em constante evolução. habilidades e estilos de vida que estão sendo recriadas para nos possibilitar prover nossas necessidades. “os princípios de design variam de autor para autor por uma questão de ênfase e organização. 3 . como o processo de um ecossistema buscando o equilíbrio.” Mollison (1990) observa que “os princípios de design derivam de uma detalhada observação de como funcionam os sistemas naturais. Na permacultura. na opinião de Holmgren (2004). podemos iniciar a criação de uma cultura verdadeiramente sustentável e permanente”. Busca providenciar um ambiente sustentável e seguro para as espécies deste planeta. materiais e estratégicos em um padrão.

57

indicar uma diferença substancial, o que não surpreende devido à nova e ainda emergente natureza da Permacultura.” Estes são alguns dos critérios de design de Permacultura, desenvolvidos por Mollison (1990): - Múltiplas funções. Cada elemento (planta, animal, estrutura) deve ser colocado ou utilizado de tal maneira que cumpra pelo menos duas ou mais funções diferentes. - Múltiplos elementos. Cada função (produção de alimento, captação de água, proteção contra fogo) é suportada por diferentes elementos. - (Re)ciclar energia. Na natureza, a energia não é desperdiçada, não há poluição, tudo se recicla. Em termos de design significa que devemos criar ciclos de energia concentrados e eficientes sem desperdício”. Figura 1. Reciclagem de Energia em uma Árvore de Maçã.

Fonte: Tierramor (2004) autor Earthcare Education (Austrália).

- Recursos biológicos. Dar preferência ao uso de plantas e animais sempre que possível para se fazer os trabalhos necessários (fertilizante,

58

cultivo, controle de pragas, fogo, erosão) no lugar de sistemas mecanizados ou químicos. - Sistemas intensivos de pequena escala. Buscar o melhor rendimento possível no menor espaço possível, satisfazendo nossas necessidades otimizando o espaço, trabalhando de maneira intensiva. - Localização relativa. Para que um componente do design funcione corretamente devemos posicioná-lo no local adequado. - Maximizar as bordas. Na natureza, podemos observar que as bordas entre diferentes ecossistemas são mais produtivas que cada sistema individualmente. Nestas bordas se mantêm espécies dos dois ecossistemas e outras que não se desenvolvem neles. - Sucessão natural. Os sistemas naturais evoluem geralmente na seqüência: ervas, arbustos, árvores pioneiras, árvores grande porte. É possível acelerar esta sucessão, plantando espécies úteis para cada nível de sucessão juntas, e ao mesmo tempo, possibilitando uma redução no tempo para que se estabeleça um sistema natural. - Diversidade. Os ecossistemas possuem uma estabilidade dinâmica, baseada na diversidade de espécies e inter-relações que possuem, enquanto a monocultura favorece o aparecimento de pragas e ervas daninhas. O design de Permacultura deve incorporar e construir a maior variedade e diversidade possível de fauna para criar uma rede de inter-relações benéfica entre todos os elementos do design.

59

- Princípios de atitude. Todo recurso tem uma vantagem e uma desvantagem, depende do uso que fazemos dele e da visão do designer . O conceito da desvantagem pode ser invertido e ser visto como uma solução. - Padrões. Quando se faz planos para uma propriedade, estamos impondo padrões sobre a paisagem. Com um pouco de observação, as formas da natureza nos mostram sua praticidade, funcionalidade e eficiência em termos de espaço, materiais, energia e tempo. Os padrões naturais nos ensinam a produzir mais com menos. - Planejamento eficiente de energia: a- Planejar considerando a topografia. Um bom conhecimento topográfico de um lugar, suas depressões, elevações, curvas de nível, podem nos ajudar na hora de planejar sistemas de água, drenagem, saneamento, produção agrícola, produção de mel. Como exemplo, os sistemas de armazenamento de água, podem ser locados acima da comunidade e os sistemas de tratamento e reuso de água, abaixo dela. b- Planejar considerando os setores. Este conceito trata da observação das energias (vento, chuva, fogo, sol, vista) que atravessam um sistema. São fluxos que surgem de direções específicas. São estas direções que definem os setores. c- Planejar considerando as zonas. A localização dos elementos em diferentes lugares depende da importância, prioridade e número de vezes que é visitado. O conceito de zonas pode ser visualizado como uma série de círculos concêntricos, nos quais o menor e mais próximo ao centro se refere à

alcança-se a maior eficiência energética possível. integram como zona um. seus equipamentos e o entorno imediato. 1998). A Residência e a Zona Um Os autores Soares (1998) e Holmgren (2004) demonstram considerar a casa como a zona zero. contendo a residência. Mollison (1990) acompanha-os no raciocínio. em relação ao trabalho humano e à movimentação de água e nutrientes. toda integrada. e inclui a possibilidade de toda uma vila (conjunto de residências) pertencer a esta zona. sendo a zona de maior empenho energético. Planejamos todo o projeto de forma a realizar uma economia máxima de trabalho e recursos. de forma que os elementos que mais necessitamos. reduzindo ao máximo o trabalho e evitando a poluição. Com o sistema de zonas. projetos de design permacultural que não diferenciam a zona zero da um e. com a boa locação dos elementos e suas conexões. principalmente. 2. .60 área visitada com mais freqüência e que necessita ser manejada intensivamente. estarão sempre próximos e os produtos de um elemento serão utilizados como insumo por outros.4.4. Nota-se na prática. Segundo Soares (1998): “as zonas dizem respeito às energias internas do sistema. criando pontos de utilização que estejam ligados aos pontos onde esses recursos estão sendo produzidos” (SOARES.

Inclui também a produção de energia limpa como a eólica e solar. alguns animais de pequeno porte e árvores frutíferas de uso freqüente. espaço para a produção de composto e uma área onde lavar os produtos da horta e as ferramentas. O autor segue dizendo que: “A zona um compreende as áreas mais próximas da casa. Também é onde concentraremos a armazenagem de ferramentas e de alimentos. 1998). Em resumo. captação de água de chuva. os ítens integrantes da zona um e residência citados por Soares (1998) e Mollison (1990) segundo os critérios permaculturais são: habitação sustentável e saudável.”. Peitorais de janelas. árvores ou treliças para sombreamento e estufa para viveiro de mudas e aquecimento passivo. pois funciona como base de sustentação da alimentação da família. como base para a diversificação da produção” (SOARES.. depósito ou . É na Zona 1 que incluímos os elementos necessários à nossa sobrevivência elementar: água potável. existem muitos espaços que podem se tornar produtivos. espiral de ervas culinárias e medicinais. para utilização em longo prazo. pondo a casa em ordem. “a partir do qual iniciamos os nossos trabalhos. e à sua volta. Na própria casa. que visitaremos diariamente e onde colocamos os elementos que necessitam cuidados diários: a horta. pequeno pomar intensivo (paisagismo produtivo) . área para reciclagem. bacia de evapotranspiração ou biodigestor. composteira. laterais de parede. Mollison (1990) acrescenta a possibilidade de termos nesta zona um. Ela poderá ser manejada com o auxílio de animais que façam o trabalho de fertilização e controle..61 Para Soares (1998) a casa é o centro do sistema. A horta é um elemento essencial da Zona 1. as ervas culinárias. os tratamentos de águas servidas como círculo de bananeiras. Um viveiro de mudas também deve ser incluído. círculo de bananeiras e bacia de evapotranspiração. minhocário. além da captação de água de chuva por telhado de grama e armazenamento em cisterna. horta.

biodigestor). solar. Figura 2.5. Construção Sustentável Aqui foi desenvolvido um estudo sobre a busca da sustentabilidade na construção civil no Brasil e no mundo. incluindo aspectos de projeto e concepção do produto.62 despensa para alimentos e ferramentas. pequenos animais (coelhos. . Fonte: Soares (1998) 2. Croqui exemplo de uma Zona Um da Permacultura em uma área. galinhas) e geração de energia limpa (eólica.

. CAR. incluindo mão de obra. 2003) definem a construção sustentável como o compromisso com: • Sustentabilidade econômica: aumentar a lucratividade e crescimento através do uso mais eficiente de recursos. começaram a surgir investigações que levassem a um sistema construtivo que não apenas conservasse energia. as quais até então demandavam grandes quantidades de energia para seu funcionamento e calefação. produtos e também nas edificações. pela primeira vez. • Sustentabilidade ambiental: evitar efeitos perigosos e potencialmente irreversíveis no ambiente através de uso cuidadoso de recursos naturais. materiais.63 2. Conferência Mundial para o Desenvolvimento e Meio Ambiente – Rio’92. ECLIPSE (apud SILVA. BRE. Foi quando o mundo desenvolvido se deparou com a carência de recursos energéticos em todos os segmentos da economia e começou a pensar. após a 1ª Crise do Petróleo (1973). em como obter maior eficiência em processos industriais.5. O Caminho da Sustentabilidade na Construção Civil e a Bioconstrução Os primeiros debates sobre a necessidade de construções com menor impacto sobre o meio ambiente ocorreram nos anos 70. Nascia a idéia de Construção Sustentável. O tema iria ganhar forma definitivamente depois da 2a. mas que incorporasse o próprio conceito de ecologia e desenvolvimento em seus processos.1. A partir daí. água e energia.

Para Soares (2002b). A habitação com qualidade é uma necessidade que deve ser satisfeita sem comprometer os eco-sistemas existentes. A consciência quanto à finitude dos recursos naturais e à degradação ambiental fomentada pela construção civil vêm despertando preocupação. fornecedores. Também é possível substituir nas construções grande parte do cimento. quando possível. A questão ambiental.64 minimização de resíduos. vivendo bem. com seus ecosistemas e ciclos de renovação preservados. Para Silva (2003) : “buscar uma indústria da construção mais sustentável é fornecer mais valor. e melhorar a qualidade de vida presente sem comprometer o futuro. nem desempenho financeiro excepcional. é vista hoje como necessidade de sobrevivência dentro de um mercado competitivo e como forma de sobrevivência do planeta. sem consumir à exaustão. Construção sustentável não é desempenho ambiental excepcional à custa de uma empresa que saia do mercado. à custa de efeitos adversos no ambiente e comunidade local” Silva (2003). e proteção e. principalmente devido ao déficit habitacional de 5. sem poluir. sem destruir o meio ambiente. • Sustentabilidade social: responder às necessidades de pessoas e grupos sociais envolvidos em qualquer estágio do processo de construção (do planejamento a demolição).4 milhões de novas habitações. responder mais efetivamente às partes interessadas. poluir menos. dos plásticos e dos materiais tóxicos por elementos inócuos . atrelada à gestão empresarial. funcionários e comunidades locais. e trabalhando estreitamente com clientes. melhoria do ambiente. ajudar no uso sustentado de recursos. provendo alta satisfação do cliente e do usuário. é possível habitar este planeta de maneira mais saudável.

Com a tecnologia disponível adicionada aos conhecimentos de nossos antepassados. a primeira vez que a palavra foi usada no evento Bioconstruindo 2001. e de tecnologias brandas”.2. 2. como a terra.65 existentes na natureza. reduzindo gastos com fabricação e transporte e construindo habitações com custo reduzido e que oferecem excelente conforto térmico” Soares (2005a). Soares (2005a) acrescenta outro termo e complementa dizendo que: “a bioarquitetura visa a utilização de materiais ecológicos. técnicas de bioconstrução “são métodos de construção onde se predomina a utilização de materiais naturais. locais. algumas delas com centenas de anos de história e experiência. disponíveis na região. que não comprometam o meio ambiente nem a saúde do ser humano que trabalhará na obra ou usará a edificação.5. Princípios para Projeto e Planejamento Ambiental Na tentativa de educar os arquitetos sobre os princípios do projeto ambiental. para definir as técnicas naturais de construção no Brasil. além do uso de materiais em seu estado natural. Kim (1998) desenvolveu uma estrutura conceitual com três níveis: . Para Soares (2005b). A palavra bioconstrução foi adaptada por Soares (2002b). reduzindo o impacto ao meio ambiente através de técnicas da arquitetura vernácula mundial. o evento da construção natural que se repete todos os anos no ecocentro de Pirinópolis (IPEC. Segundo informações do Instituto de Permacultura Ecovilas do Cerrado. torna-se perfeitamente possível substituir sistemas construtivos e materiais de acabamento não recicláveis ou causadores de grande impacto ambiental por outros. 2005). tendo como característica a preferência por materiais do local.

Economia de Recursos: está relacionada à redução. Há um fluxo contínuo de recursos. estratégias e métodos. Após sua vida útil. e reciclagem dos recursos naturais que são utilizados na construção civil. naturais ou industriais. local e global. o arquiteto reduz o uso de recursos não renováveis na construção e operação das edificações. correspondentes aos três objetivos para uma educação arquitetônica ambiental: criar consciência ambiental. conservação da água e a conservação . Kim (1998) propõe três princípios em arquitetura ambientalmente sustentável: 1. ensinar como projetar edificações ambientalmente sustentáveis. gerado pelo consumo arquitetônico. estes princípios podem ampliar a consciência do impacto ambiental. -Princípio 1 Economia de Recursos: Através da economia de recursos. Segundo o autor. a construção deveria se transformar em matéria prima ou componentes para outra construção. Este fluxo começa com a produção dos materiais de construção e continua ao longo da vida útil da edificação para criar um ambiente que sustente o bem estar humano e suas atividades. Projeto do Ciclo de Vida (LCD): propõe uma metodologia para analisar o processo do edifício e seu impacto no ambiente. explicar a construção do ecossistema. 2. As três estratégias para economia de recursos são a conservação de energia. reuso. Projeto Humanitário: focado nas interações entre humanos e seu mundo natural.66 princípios. entrando e saindo de uma construção. 3.

sem fim para sua utilização. inclusive plantas e animais selvagens. desde a extração até seu retorno à natureza. Um exame mais profundo revela que este princípio é . Esta proposta do “berço-ao-túmulo" reconhece as conseqüências ambientais de todo o ciclo de vida dos recursos arquitetônicos. o segundo princípio da arquitetura ambientalmente sustentável é o Projeto do Ciclo de Vida (LCD).67 de material. construção e pós-construção. O LCD está baseado na noção de que um material transmigra de uma forma à outra em sua vida útil. operação e demolição. -Princípio 2 Projeto do Ciclo de Vida (LCD): Para Kin (1998). Com a análise da construção em cada uma destas três fases. Este princípio surge da meta humanitária altruística do respeito à vida e dignidade entre organismos vivos que se inter-relacionam em diversos níveis. O ciclo de vida de uma edificação pode ser categorizado em três fases: pré-construção. -Princípio 3 Projeto Humanitário: O Projeto Humanitário é o terceiro e talvez o mais importante princípio de projeto ambientalmente sustentável. têm-se uma compreensão melhor de como o projeto de uma edificação. Enquanto a economia de recursos e o Projeto do Ciclo de Vida possibilitam a eficiência e a conservação. É necessário focar em particular em cada recurso na construção e operação da edificação. afeta o ecossistema maior. Podem ser desenvolvidas estratégias de LCD para as três fases buscando minimizar o impacto ambiental de uma construção. sua construção. o projeto humanitário está relacionado com a habitabilidade de todos os componentes do ecossistema.

e finaliza concluindo que as soluções de projeto específicas compatíveis para se alcançar a sustentabilidade ambiental na construção. O autor resume seu estudo. que permitem a sobrevivência humana. os arquitetos devem ser educados sobre assuntos ligados ao meio ambiente durante seus estudos profissionalizantes. apresentar suas éticas aos estudantes e desenvolver suas habilidades e o conhecimento base dentro do paradigma do projeto sustentável. . operação. Projeto do Ciclo de Vida e Projeto Humanitário. uma edificação deve ser holisticamente equilibrada entre os três princípios propostos: Economia de Recursos. já que leva em consideração todas as formas de vida e não somente o homem como foco de estudo. A faculdade tem de nutrir a consciência ambiental. Kim (1998) acrescenta que para se alcançar a sustentabilidade ambiental no setor da construção civil. No caso do princípio Projeto Humanitário. habilidades e métodos para a implementação de metas específicas de projeto ambiental.68 profundamente arraigado à necessidade de se preservar os elementos da cadeia dos ecossistemas. talvez fosse mais apropriado o termo anti-humanismo. manutenção e demolição e reuso ou reciclagem de seus recursos. O autor fala sobre a urgência de se desenvolver o conhecimento base científico possibilitando o desenvolvimento de técnicas. dizendo que para se alcançar a sustentabilidade ambiental. emanarão destes princípios. nas fases de projeto. construção.

procedimentos.Trabalhar para a promoção de mudanças políticas. e o público geral sobre a importância do design sustentável. Alemanha. . Aspectos a Serem Considerados Globalmente no Design para a Construção Sustentável Para Muller (2002) “a busca de uma alternativa ecológica no setor da construção forma parte de um conjunto de reflexões realizadas em escala internacional [.Desenvolver e melhorar as práticas. segundo documento do United States National Park Service (1994) no Bill of Rights for the Planet. assumida também pelo American Institute of Architect’s que em resumo diz: ..Educar a indústria da construção. e padrões continuamente para o design sustentável.}”. . clientes. regulamentos.5. . produtos. serviços. O desenvolvimento destes princípios foi baseado.Adaptar as construções existentes aos padrões de design sustentável.. desenvolvido por William McDonough Architects para a EXPO 2000 de Hannover. Por sua vez. Para McDonough (2000): . a União Internacional dos Arquitetos (UIA) preparou uma “Declaração de Interdependência para um Futuro Sustentável”. e padrões no governo e no mercado de forma que o design sustentável se tornará a prática padrão com total apoio destes atores.3. .69 2.Colocar a sustentabilidade ambiental e social no topo das práticas e responsabilidades profissionais.

5. com base na Agenda 21 on Sustainable Construction. Esses critérios ou. propõe uma Agenda 21. mais corretamente. princípios de sustentabilidade levarão a uma conservação dos recursos naturais. uma gestão do ciclo de vida. O autor considera ainda que: “Designing for sustainability requires awareness of the full short and long-term consequences of any transformation of the environment. A Construção Sustentável para o Brasil Como “uma contribuição à discussão de uma agenda ambiental adaptada ao caso brasileiro. assim como reduções da energia utilizada. publicada pelo International Council for Research and Innovation in Building and Construction (CIB). Sustainable design is the conception and realization of environmentally sensitive and responsible expression as a part of the evolving matrix of nature” McDonough (2000). a aplicação dos critérios de sustentabilidade e uma utilização racional dos recursos naturais disponíveis na construção irão requerer a realização de algumas importantes mudanças nos valores pertencentes a ela como cultura própria. uma maximização na reutilização dos recursos. adaptada às necessidades e realidades da construção civil brasileira. . 2000). Segundo Alavedra et al (1998).70 “Designers include all those who change the environment with the inspiration of human creativity. em que são consideradas as particularidades e demandas nacionais em termos econômicos. John et al (2001).4. sociais e ambientais”. Design implies the conception and realization of human needs and desires” (McDONOUGH. 2.

Qualidade ambiental de edifícios. evitando a estanqueidade das edificações. processos e produtos de construção. “Fabricantes de materiais utilizam em seus processos materiais perigosos que poderiam ser substituídos como o chumbo e amianto” (JOHN et al.71 Abaixo estão relacionados dois blocos com os principais itens propostos por John et al (2001). 2001). Uso racional da água. no caso do ar condicionado e a utilização de materiais e substâncias que causem prejuízo à saúde dos habitantes. de relevância para esta pesquisa: 1. 2001).Redução do consumo de recursos naturais: • • • Redução do desperdício e gestão de resíduos. . “A análise do ciclo de vida é uma ferramenta fundamental para medir o impacto ambiental de medidas que visem reduzir a quantidade de recursos naturais incorporadas à produção de bens e materiais e na introdução de esquemas de certificação e rotulagem” (JOHN et al. • Avaliação ambiental de edifícios e produtos para construção com base em seu ciclo de vida. • Seleção de materiais ambientalmente saudáveis. 2. que inclui aspectos de: • Qualidade do ar interno. em favor da conservação de energia. Reciclagem e uso de materiais reciclados.

. será necessária uma radical transformação organizacional/gerencial do setor.. 3. demanda por tecnologia de conservação de energia.. é necessário integrar a melhoria da qualidade à Agenda 21 da construção. • Aumento da durabilidade e planejamento da manutenção.. ampliando seu conceito para além dos aspectos técnicos. . • “Intensificação do caráter multidisciplinar do projeto. construção de má qualidade é desperdício de recursos.] integrado para ganho de eficiência global do processo.Melhoria da qualidade da construção: Para John et al (2001). [. processo e produto”. Para ele. É também necessário incentivar e aperfeiçoar o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H). E dá exemplos: • “Definições de padrões e melhoria da qualidade ambiental das construções – projeto.72 • Uso racional de energia e aumento da eficiência energética. 4. incorporando a dimensão humana. Ênfase na formação do profissional e adoção de princípios de projeto ambientalmente responsável”.Gerenciamento e organização de processos: John et al (2001) cita que para a viabilização dos itens ambientais da Agenda 21 para a Construção Civil. • “Re-engenharia do processo construtivo [.]”.

.Necessidade da interação institucional: Para John et al (2001): “é importante observar que como o impacto ambiental de uma construção é função do impacto ambiental de cada um de seus componentes. segundo John et al (2001).. de infra-estrutura e serviços sanitários: Ainda. 5. Essa busca de soluções inovadoras introduz problemas técnicos relacionados ao desenvolvimento de alternativas tecnológicas que aliem baixo custo a baixo impacto ambiental” . A transposição desse conceito para o campo da construção sustentável inclui a melhoria da qualidade de vida para toda a população”. • ‘Educação/informação e conscientização pública”. Portanto o estabelecimento de redes . . deficiência em coleta e tratamento de esgoto resultam na contaminação de cursos d’água. Segue dizendo que: “o cumprimento de metas sociais depende em grande medida de vontade política.parcela crescente da população urbana vive em favelas. (JOHN et al. infra-estrutura e serviços sanitários. o princípio do desenvolvimento sustentável apoia-se na igualdade econômica e social. não raro em áreas de proteção ambiental” (JOHN et al. “além do plano ambiental. • “Desenvolvimento de normatização orientada à qualidade ambiental de edifícios e produtos para a construção”. 2001).Agenda social: Déficit habitacional. mas também de uma maior aproximação do setor de construção aos agentes sociais interessados.73 • “Capacitação de recursos humanos e melhoria da segurança no ambiente de trabalho”. 6. os efeitos de qualquer medida ambiental de um determinado agente são multiplicados quando a sua ação é coordenada com ações de outros agentes. ... Particularmente nas grandes cidades. Para o autor: “o Brasil tem ainda um grande caminho a percorrer para superar seus problemas de habitação. 2001).

O autor afirma que “este trabalho contribui para o controle da temperatura no interior da habitação. Além destas.5.. para Mollison (1990).5. toda habitação pode ser planejada ou modificada para que seja mais eficiente na utilização de recursos e na produção de alimentos. a partir de interesses ambientais e econômicos comuns. para”: (JOHN et al. 2001) • • “A transferência de conhecimento [.]”. • “Auxiliar no desenvolvimento de metodologias de avaliação ambiental de edifícios e de instrumentos que possam ser utilizados desde as etapas iniciais de projeto [. anexada a esta. algumas outras estruturas vivas podem ser integradas como telhado de grama.74 de trabalho sinérgicas.. para aquecimento da habitação e ventilação forçada. Em termos permaculturais.. e estruturas para sombreamento. uma estufa. fortalecer o seu apelo mercadológico e facilitar o acesso e a compreensão do consumidor final [. torna-se uma estratégia das mais eficientes.]”. Arquitetura Bioclimática Na opinião de Soares (1998). “Desenvolvimento de soluções abrangentes para edifícios e outros produtos de construção.... além da produção de mudas e alimento.]. 2. a zona “0” “pertence a um bom design da residência”. funcionando simultaneamente como ferramentas de informação e marketing”. jardim produtivo. além de utilizar os microclimas criados pela existência da própria estrutura” como é descrito à seguir. videiras e .

elaborou alguns temas para se atingir a sustentabilidade ambiental da construção.75 treliças. investiga as relações entre os seres humanos (animais homeotérmicos) e as características climáticas de um local. No caso de Florianópolis. A garantia de um bom projeto não depende somente dos critérios climáticos [.]” Pereira et al (1997).6. materiais e paisagismo) com o objetivo de minimizar a quantidade de energia operante consumida no edifício” Adam (2001). paredes e coberturas. Para Adam (2001): “a arquitetura bioclimática. Todos estes equipamentos e muitos outros pertencem à estratégias de arquitetura bioclimática.. No entanto. proporção e composição das aberturas. layout. Síntese Finalmente. Pereira et al (op. deve se ter em mente que o clima é apenas uma das muitas variáveis componentes de um projeto. proporcionando conforto térmico com a otimização de energia” Pereira et al (1997). 2. Cortez et al (2001). concluíram que: “ a região apresenta um clima úmido predominantemente desconfortável tanto no verão pelo calor como no inverno pelo frio. È através da correta implementação das estratégias bioclimáticas que se poderá chegar a um projeto apropriado. disposição das vedações. Segundo Pereira et al (1997): “o projeto bioclimático é resultado da interação do projeto arquitetônico com as condicionantes climáticas de cada região. como uma síntese da discussão de projeto e construção ambientalmente eficientes. refletindo-se no partido arquitetônico (orientação dos ambientes.5. citados a seguir: . As estratégias indicadas foram ventilação cruzada e sombreamento para combater o calor e massa térmica com aquecimento solar passivo para se alcançar níveis de conforto térmico no inverno. cit). que são absorvidas e transformadas pelos edifícios.. estruturas.

Áreas verdes: como barreiras de vento indesejáveis. Circulação de pedestres e veículos. pedologia. Estudos da interação climática entre implantação do edifício e o meio ambiente. paisagismo produtivo e áreas de preservação. isolamento acústico.Escolha dos materiais de construção: Cortez et al (2001) levanta duas questões de fundamental importância na escolha de um material de construção: “a capacidade de suporte na exploração deste recurso natural e o impacto global no uso do mesmo sobre o meio”. devendo ainda apresentar bom desempenho térmico e acústico e baixo consumo energético na produção e transporte. orientação solar para definição de: • • Localização e caracterização construtiva e espacial das edificações. direção dos ventos. áreas produtivas integradas à construção. e propõe privilegiar o uso de recursos renováveis.76 1. disponíveis localmente e com possibilidade de reciclagem. 2.Gestão da energia: . 3. • • • Localização dos equipamentos de saneamento e abastecimento. sombreamento. materiais tradicionais. através de dados levantados referentes à topografia.Implantação e organização dos espaços construídos e naturais.

2001) diz que é necessária a análise de três elementos importantes para a redução ou racionalização no uso da energia: • A concepção geral do espaço no urbanismo (implantação. eficiência no uso.77 Sachs et al (apud CORTEZ et al. limpeza e transporte de dejetos.Gestão da água e do esgoto “Um dos símbolos do conforto nos países desenvolvidos é o consumo excessivo de água” (CORTEZ et al. na escolha dos materiais. análise do desperdício e quantidade consumida. adequação ao clima e relevo / hidrografia local e outras. Segundo o autor. nota-se que a água potável além de ser utilizada para consumo direto. Mollison (1990) acredita que não há problema em se utilizar a água para diversos fins. desde que ela seja devolvida à natureza tão pura ou mais do que . no isolamento térmico e outros. é também utilizada para cozer alimentos. 4. na arquitetura. • A concepção e funcionamento dos equipamentos: exigência correta de uso. isolamento apropriado ou desenho mal elaborado que aumentam o consumo e a localização inadequada na instalação dos aparelhos. transporte). água que na maioria das vezes é simplesmente misturada à água que poderia ser reciclada e novamente utilizada na habitação. • Análise do tipo e da qualidade da energia fornecida: redução no uso de energia não renovável ou nobre. 2001). racionalização/necessidade real.

Sachs e Caso (apud CORTEZ et al. reservadas em tanques ou açudes. esta alternativa tem. possibilita uma significativa retenção das águas que formam enchentes. substituindo-se o uso de águas das concessionárias e subterrâneas. a introdução de sanitários compostáveis. a princípio. sendo um equipamento já muito utilizado em países da Europa tanto para banheiro quanto para cozinha. Possivelmente.Participação dos futuros usuários: Cortez et al (2001) lembra que é de fundamental importância para o sucesso do uso de inovações e tecnologias sustentáveis na construção. baixa aceitação por nossa comunidade. Mollison (1990) e Cortez et al(2001) indicam o uso de sistemas de captação de água de chuva. que não utilizam água para conduzir os dejetos para uma rede coletora. Van Lenghen. como a bacia de evapotranspiração. através de cálculos simples de médias pluviométricas do local e área de captação (coberturas ou encostas). juntamente com o telhado verde (cobertura de grama). todos eles proporcionam a purificação do esgoto juntamente com a criação de áreas de cultivo de subsistência. O uso deste recurso. para uso nas edificações em diversos fins. por questões culturais. o círculo de bananeiras e os wetlands (áreas alagadas construídas). 2001). através de sistemas biológicos de tratamento de águas servidas que imitam a natureza. principalmente em cidades cujo solo já se encontra impermeabilizado devido à falta de atenção nas estratégias de infiltração ou nas cidades que se localizam próximas de rios. a . 5.78 foi coletada. propõem como uma das alternativas para a racionalização da água.

apesar de em essência. com incorporação tecnológica e suas qualidades estão sendo reconsideradas. Com a crise ambiental atual. diversas técnicas estão sendo redescobertas e estudadas sob um novo aspecto.79 correta assimilação técnica. além do baixo custo na produção da habitação popular. os futuros usuários. compreensão e a consciência da importância para os próprios beneficiados. o princípio construtivo ser o mesmo. principalmente a população de baixa renda “obtidas gradativamente através de mudanças nos processos de educação da população”. . simples e de baixo impacto energético e ambiental. além da necessidade do desenvolvimento e aplicação de técnicas dentro da cultura e realidade local.

1998). ou seja. segundo Gil (1991). pode ser classificado como Pesquisa Aplicada. dirigidos à solução de problemas específicos. envolvendo para isso levantamento bibliográfico e a análise de exemplos que estimulem a compreensão. pois procura levantar o que foi publicado sobre o assunto em livros. Quanto à sua natureza. Este tipo de pesquisa pode ainda ser entendido como a primeira etapa de uma investigação mais ampla. ser realizada em área cujo conhecimento seja ainda embrionário. por meio de dados qualitativos (ROESCH. 1998). colocando o pesquisador em contato com o maior número de situações do que . METODOLOGIA 3. com pouco conhecimento acumulado e sistematizado (VERGARA.80 3. Caracterização da Pesquisa O trabalho desenvolvido leva em consideração as diversas classificações de pesquisa sob diferentes pontos de vista. com a finalidade de levantar informações para estudos futuros. Do ponto de vista dos procedimentos técnicos pode ser classificada como Pesquisa Bibliográfica.1. periódicos. artigos e material disponibilizado na Internet. pois objetiva gerar conhecimentos para a aplicação prática. Do ponto de vista de seus objetivos pode ser classificada como Pesquisa Exploratória. pois. É próprio de uma pesquisa exploratória. visa proporcionar maior familiaridade com o problema.

. Tem a contribuição de diversos autores sobre determinados assuntos. segundo Gil (1991).81 poderia pesquisar diretamente. Também como procedimentos técnicos pode ser classificada como Pesquisa Documental a qual. é elaborada a partir de materiais que não receberam tratamento analítico. neste caso se justifica pela escassez de documentos publicados sobre o assunto em geral.

82 3.2. Fluxograma e Diagrama das Etapas da Pesquisa Percepção do Problema Pesquisa bibliográfica sobre o tema Escolha da Região e do Lote Coleta de dados referentes à Região Coleta de dados referentes ao Lote Definições de Estrat. de sustentabilidade na forma de diretrizes e ações adicionais ao Plano Diretor vigente Desenvolvimento de check-list de apoio para elaboração de estudos e projetos Proposta de ocupação (implantação) e anteprojeto para uma residência unifamiliar Apresentação de resultados esperados através de estudos da interação bioclimática da proposta Apresentação de resultados esperados através do estudo das diretrizes aplicadas ao projeto Considerações Finais Apresentação do Relatório .

Diagrama das Etapas da Pesquisa Etapas Atividade Estratégia de pesquisa Descrição Percepção do problema Estudo sobre o desenvolvimento das cidades e fundamentos teóricos sobre alternativas sustentáveis para habitação e vida.4 subitem 4.83 Quadro 5. Capítulo 4 seção 4.4.3. Conclusão Capítulo 5 Elaboração e aplicação do questionário Conclusões.4.4.2. Análise dos dados Elaboração de Estratégias de diretrizes e ações sustentabilidade sustentáveis adicionais ao plano (permaculturais) diretor vigente para o local. 4. Capítulo 4 seção 4. e check-list de apoio à elaboração dos estudos e anteprojeto. redação e apresentação da dissertação Elaboração da dissertação Defesa da dissertação Capítulos de 1 à 5 Apresentação do relatório . Capítulo 4 seção 4.4.2. Aplicação prática Concepção e Proposta de ocupação elaboração do e anteprojeto para anteprojeto uma residência uni arquitetônico familiar. quadro 6.1. subitem 4.1 e 4. Escolha da região e do lote à ser aplicada a pesquisa Resultados Problema identificado e proposta idealizada Fundamentação teórica empírica I Base teórica Pesquisa Bibliográfica Escolha do local de estudo Foco nos estudos sobre local e biorregião II O lugar III A fundição IV A prática V O fechamento Fonte – o Autor Construção dos Questionário utilizado instrumentos de coleta para levantamento de dados dos dados referenciais (questionário) sobre o local e biorregião. Análise das propostas Compatibilização do Apresentação de sob perspectiva projeto às diretrizes resultados esperados permacultural permaculturais e através do estudo da check-list interação bioclimática e das diretrizes aplicadas ao projeto.3 e subitens. Capítulo 4 seção 4.

revistas especializadas. hidrológicos e de saneamento (anexo 2).3. através de órgãos federais e municipais como a prefeitura municipal (PMF). culturais. • Foram feitas também observações in loco. artigos. . • pesquisa documental: primeiramente foi elaborado um questionário para o levantamento dos dados. geográficos. teses e sites da Internet. para a qual foi elaborado um memorial de observação. da macro e micro-região na qual se insere o lote. Esta forma de coleta de dados permitiu observar diferentes visões sobre o tema do trabalho. de relevância para a pesquisa. para a definição das estratégias do projeto de implantação e arquitetura proposto: • quanto à pesquisa bibliográfica: foi realizada em livros. climáticos. os dados foram coletados como descritos a seguir. conforme apresentada na lista de referências bibliográficas ao final do trabalho. contribuíram para a verificação de dados sociais. objeto de estudo.84 3. econômicos. Os dados coletados por este meio. o Instituto do Patrimônio Histórico de Florianópolis (IPUF) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). cuja finalidade foi levantar aspectos específicos do lote e aumentar a percepção sobre os aspectos arquitetônicos e ambientais envolvidos na etapa delimitada para estudo (anexo 3). Coleta de Dados Pela própria caracterização da pesquisa e devido aos objetivos a que se propunha o estudo.

mais especificamente ao bairro do Campeche. para casos de soluções de problemas sociais. estão permitidos no projeto de zoneamento vigente do IPUF. (medida mínima para a maior parte dos casos das áreas edificáveis reconhecidas pelo Instituto do Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF)).4. gerando permanente impacto no meio ambiente e na qualidade de vida de seus habitantes. Vale salientar que em alguns casos. obedecendo aos princípios de sustentabilidade previstos na revisão bibliográfica. situado na Servidão Recanto do Lagarto. da zona zero e um da permacultura. Caracterização do Objeto de Estudo Esta pesquisa restringiu-se à região de Florianópolis. no sul da Ilha. A proposta se consiste na de ocupação pontual de um lote de 450 metros quadrados. n° 02.85 3. . cep 88063-547. trezentos e cinqüenta metros quadrados quando dentro de condomínios e cento e vinte e oito metros quadrados. campeche. local escolhido com base na acessibilidade e por ser uma região de grande importância relativa à expansão da ocupação territorial da Ilha de Santa Catarina. construções de residências e equipamentos. mas com visível crescimento desordenado dos loteamentos.

na região Central litorânea. . onde são apresentados os resultados da coleta de dados referentes à macro.Altitude: 0 à 540 metros . 116) seguido de breve discussão sobre as aplicações desta pesquisa. 4.1. Localização O município de Florianópolis localiza-se à leste do Estado de Santa Catarina. RESULTADOS E DISCUSSÃO Este é o tópico da aplicação prática da pesquisa. assim como ao local de estudo. pág. o qual também faz parte deste capítulo. Características Regionais (Macro-região) Apresentação dos dados colhidos. bem como as definições das diretrizes de sustentabilidade e o checklist desenvolvidos para apoio ao planejamento de ocupação e projeto arquitetônico proposto. micro-região e local de estudo.1. Dados Coletados Neste tópico serão apresentados os resultados da coleta de dados referentes à macro e micro-região.86 4.5 km2. ocupando uma área de 436. referentes ao município de Florianópolis e seu entorno. 4. que é finalizado com as análises de aplicação dos parâmetros permaculturais (quadro 6.1. A.

Longitude: 48 25’ W B.4º. E. com chuvas distribuídas uniformemente durante o ano. A insolação apresenta o valor médio anual de 2025. Limites territoriais Os limites geográficos do município estão divididos por duas porções de terras.Anual: 20. possui uma área de 424.Velocidade média: 10 nós. o que permite dizer que mais da metade do ano o sol permanece encoberto. ao norte pela baía norte e ao sul pela baía sul). Clima Mesotérmico úmido. Ventos predominantes .direção nordeste em aproximadamente 40 % das ocorrências . a que se refere à Ilha de Santa Catarina. no sentido norte-sul .Latitude: 27 50’ S .Verão: 25º . . Temperatura média .Inverno: 16. representando 46% do total possível.54/18 Km (ao leste é banhada pelo oceano Atlântico.direção sul em 16% das ocorrências .87 .4 Km2 de forma alongada. D.6 horas.4º . A umidade relativa do ar é alta e sua média anual 82%. C.

H. pontas. Geologia Os terrenos cristalinos formam as partes mais elevadas da Ilha. com inúmeras praias. Todo o litoral é recortado.521 mm. F. Geomorfologia e Relevo Na Ilha de Santa Catarina. promontórios. I.88 . . ilhas e lagoas. A altimetria baixa em direção Leste. onde ocorrem esparsamente planícies costeiras e fluviais ao longo do litoral e nos baixos vales dos rios. formado por cristas montanhosas.Possui 24 principais rios .Possui 5 importantes lagoas.6 principais bacias hidrográficas . seu relevo apresenta uma morfologia descontínua. destacando-se a cadeia central de direção norte/sul e os pontos rochosos que se sobressaem na periferia. Os terrenos sedimentares constituem as partes baixas onde há formação de dunas. intercalados por pequenas planícies.Velocidade máxima: 23 nós.Pluviosidade média anual: 1. G. restingas e manguezais. Hidrografia . Características Gerais . com altitudes que variam de 400 a 540 metros e por morros isolados com altitudes inferiores.

2. Características Regionais (Micro-região): Apresentação dos dados colhidos. Existe uma grande diversidade de bambus na região.89 • • • População: 369.32 Km2. como opção às madeiras do norte. Diversas fábricas de esquadrias de madeira. referentes a biorregião em que a área escolhida esta inserida (distrito do Campeche e entorno).102 habitantes (censo 2000) Código DDD: 048 Colonização: açoriana. porém quase toda a produção utiliza madeiras do norte do país de extração ilegal ou sem manejo apropriado. F. Área de Abrangência e Localização . A. Região produtora de pinus e eucalipto. sua área é de 35. alemã. Lagoa Pequena e Rio Tavares. além de diversos migrantes de várias partes do país.1. 4. Fazem parte do Campeche as seguintes localidades: Morro das Pedras. Campeche. Outros Dados Fábricas de Materiais da Região (<150km): A região possui diversas olarias para a produção de tijolos de vários tipos e telhas. .Distrito Administrativo Municipal CAMPECHE. Possui também diversas fábricas de pisos cerâmicos. Praia do Campeche. Segundo dados da prefeitura do município.

ao leste com o Oceano Atlântico e ao oeste com o aeroporto Hercílio Luz. ao sul com o Parque da Lagoa do Peri. colocando em risco as dunas da praia. Nas áreas de dunas são comuns a ocupação clandestina. as cercas e aberturas de ruas. Aspectos Ambientais A região do Campeche apresenta como problema básico a descaracterização de diversos condicionantes naturais. os desmatamentos. A faixa de marinha está sendo ocupada por residências. que funcionam como uma espécie de dique natural que ajuda a proteger as áreas interiores contra as ressacas com marés muito altas. visto que já se encontra em avançado processo de urbanização. com um forte impacto sobre a paisagem e o ambiente.90 A área de estudos está localizada entre as coordenadas 48º28’16” a 48º30’39” de longitude Oeste e 27º38’48” a 27º42’47” de latitude Sul. Devese salientar que a área tombada é bastante inferior à verdadeira bacia de . na porção Sul da Ilha de Santa Catarina. havendo destruição e colocação de cercas na própria área tombada para proteção da Lagoa. Limita-se ao norte com a Lagoa da Conceição . as terraplanagens. B. O caráter irracional dessas agressões ao meio ambiente torna-se óbvio quando se constata que a região possui vários quilômetros adequados à urbanização não predatória. Em torno da Lagoa da Chica proliferam os loteamentos clandestinos.

Boa parte da região apresenta dificuldades de drenagem. nas vias de acesso ao Rio Tavares e Aeroporto. absorve todos os dejetos humanos através das fossas. reduzida pelo rebaixamento do lençol freático. esta área compreende um grande aqüífero natural. devido a ausência de tratamento de esgoto. com qualidade das águas para consumo humano de maior grandeza.91 acumulação da Lagoa. de forma clandestina. a qual é agravado pelos parcelamentos clandestinos que interrompem a drenagem natural. . por uma rede de caminhos embutidos em vegetação baixa. Em se tratando de uma planície quaternária. As áreas de mangues estão sendo aterradas e ocupadas com residências. Assim como as jazidas de pedras. As encostas estão sendo degradadas com a retirada da vegetação e extração de blocos de rocha de maneira generalizada. por onde escoa. causado pelo uso excessivo de ponteiras para captação de água do subsolo. a extração das pedras. as de saibro ocorrem em diversos locais e estão sendo executadas sem plano de recuperação ambiental e paisagístico. que cedem lugar ao comércio vicinal e de passagem. criando áreas inundáveis. Os dois pequenos córregos que correm paralelos às dunas estão sendo aterrados e servem de depósito de lixo. constantemente inundadas pela posição superficial do lençol freático em toda a região. que está sendo colocado em risco devido a grande quantidade de residências sobre a área que.

influência oceânica. A precipitação é bastante significativa e bem distribuída. . conseqüência da circulação atmosférica do Atlântico Sul.1. As estações demonstram que. A predominância das edificações é de alvenaria com dois pavimentos. em acelerado processo de urbanização de áreas rurais para fins residenciais. excetuando-se os condomínios fechados. D. 1995). Ainda. vegetação e recursos hídricos.92 C. Os ventos predominantes são os de quadrante nordeste. estações climáticas definidas e precipitação pluviométrica anual abundante. o verão e inverno são definidos e que o outono e a primavera são bastante similares entre si. Aspectos Físicos Dados referentes ao clima. Em termos sociais.4º). A temperatura média anual é de 20.4º). é atingida por grandes massas de ar formadas pelos anticiclones tropicais. chegando a 1500 mm/ano para um período de 75 dias. observa-se crescente mistura das comunidades nativas com imigrantes e trabalhadores urbanos. CLIMA A região em estudo apresenta as condições climáticas inerentes ao litoral sul-brasileiro. D. além dos anticiclones polares migratórios. Aspectos Urbanos O caráter geral da região é o de uma zona de expansão urbana. sem pavimentação e sem escoamento.4º (1926-1984). que possuem ruas largas e pavimentadas. A maioria das ruas é estreita. sendo que o mês de fevereiro é mais quente (24. mas os ventos do sul atuam com maior intensidade (IPUF . e julho o mês mais frio (16.

E. RECURSOS HíDRICOS A rede hidrográfica é representada pelo Rio Tavares e seus afluentes que banham a parte norte da planície.214 homens e 9. Os trabalhos feitos para a exploração dos recursos hídricos subterrâneos indicam um aqüífero de boa qualidade e quantidade.39. além de pequenos córregos indefinidos e uma série de canais construídos com o objetivo de drenar as áreas alagadas.356 mulheres. vegetação de praia.2.93 D.3. localizada na área sul do Campeche. • Rendimento médio mensal do responsável pelo domicilio particular permanente = R$1. Deve-se incluir entre os recursos hídricos a Lagoa do Peri. sendo 9. Na área próxima as dunas existem dois corpos lagunais: a Lagoinha Pequena. VEGETAÇÃO A vegetação da região em estudo diversifica-se em mangues.158. D.000 pessoas. principalmente na planície da Ressacada e do Alto do Ribeirão. restingas e floresta de planície podendo ser dividida em dois grupos principais: vegetação litorânea e floresta pluvial Atlântica. .570. Aspectos Sociais Segundo os dados do IBGE pelo censo de 2000: • População residente = 18. pelo menos 200. com água potável. e a Lagoinha da Chica. situada no limite sul da região em estudo e com potencial para abastecer. dunas. próxima ao Rio Tavares.

Não possui rede coletora nem tratamento adequado de esgoto e 5. além de hotéis e instituições como igrejas e escolas. Florianópolis. Endereço do lote: Servidão Recanto do Lagarto.25. o restante se abastece de água de poço e outras fontes.699. 4. SC.562 domicílios. estabelecimentos comerciais e serviços. referentes ao lote de aplicação da proposta.1. Características do Local Apresentação dos dados colhidos. • Média de moradores por domicílio = 3.94 • N° domicílios particulares permanentes próprios = 5. Embora o uso residencial seja predominante. mar ou lagoa. o distrito abriga uma agência bancária. n°2.3. • A região possui abastecimento de água através da distribuidora local Casan em 4. Não foi encontrado em literatura o número destes estabelecimentos.357 domicílios utilizam fossa séptica como esgotamento. vala ou lançamento em rio. Campeche. Forma do Terreno (Croqui sem escala) Medidas Indicação do Norte Gráfico de Ventos Predominantes Insolação Relevo . O restante faz uso de fossa rudimentar.

Quedas para Geração Energia. AREIA ( X ) (com sais solúveis). Taxa de Ocupação: 40% de acordo com Índice de Aproveitamento: 0. Rios. PEDRA ( ) Espécies de Madeira Disponível: não há Outros Materiais: não há Zoneamento: De acordo com a LC 116/2003 a área em estudo se caracteriza como ARE-5 (área residencial exclusiva) e de acordo com o zoneamento no Plano Diretor dos Balneários. . Relevo para Sistema Aabastecimento e Tratamento. Nascentes. Córregos. Recuos: frontal e fundos 4m.95 - Vegetação Vistas Privilegiadas Poluição Sonora Águas: Fontes. Testada Mínima: 15m . lateral 1. N° Máximo de Pavimentos: 2 . Possibilidades Açudes. Caminhos Naturais. Identificar Áreas Produtivas Identificar Áreas para Recuperação Acessos e Caminhos Materiais de construção do Local: TERRA ( ). IPUF devem ser observadas as seguintes informações para as edificações: Lote Mínimo: 450m2.8 .5m.

como serão vistos nos próximos capítulos.96 Figura 3. que serão utilizadas nas estratégias de aquecimento e resfriamento passivos respectivamente. a testada mínima e o número de pavimentos não impossibilite a captação de insolação e de ventilação predominantes. opta-se pela implementação do número máximo de estratégias em busca da redução dos impactos gerados pelo uso da edificação. . Em caso da não possibilidade da aplicação de todas as estratégias propostas que veremos a seguir. índice de aproveitamento. Levantamento das Características do Local de Estudo Fonte : o Autor A implementação das estratégias de redução de impacto propostas neste estudo se viabiliza por completo. tamanho do lote mínimo. apenas em áreas onde os recuos.

97 4. Diretrizes e Ações Adicionais ao Plano Diretor Vigente. a residência e equipamentos de seu entorno. os seguintes aspectos que serão detalhados a seguir: • • • • • • Implantação. em consideração. Gestão de energia. observando-se sempre que são medidas adicionais ao Plano Diretor local o qual deve sempre ser observado e com estas diretrizes complementado. foi desenvolvido o check-list de apoio para a orientação do planejamento e projeto da unidade unifamiliar. que devem ser aplicadas sempre que possível em seu maior número. na forma de diretrizes e ações. Gestão das águas. Gestão dos materiais de construção. para a Construção e Uso Sustentável de Residências Unifamiliares Neste item. Gestão do esgoto. .2. Os critérios utilizados nesta seção seguem a proposta do planejamento de Permacultura para ocupação da zona um (residência e entorno) para se alcançar um alto grau de sustentabilidade. foram identificadas as medidas. A partir da definição destas diretrizes. com foco na unidade básica de um assentamento humano. para se alcançar um alto grau de sustentabilidade na etapa delimitada para estudo. Gestão de resíduos. onde se levam.

Participação dos futuros usuários. . áreas produtivas integradas à construção. através de dados levantados referentes à topografia. de modo a reduzir ao máximo a movimentação de terra. utilizando-se da topografia local e conseqüente gravidade para drenagem natural.1.98 • • Produção local de alimento. vegetação. Escolha do local. direção dos ventos e orientação solar para definição das ações a seguir. Áreas verdes: como barreiras de vento indesejáveis. isolamento acústico.2. Localização correta dos equipamentos de saneamento e abastecimento. para a proposta de ocupação e uso do solo foram definidas as seguintes diretrizes sustentáveis. Diretriz 01: Baseado em Cortez et al (2001) propõe-se a implantação e organização dos espaços construídos e naturais. 4. Ações: Estudos da interação lumino-climática entre implantação da edificação e o meio ambiente (Arquitetura Bioclimática). Implantação A partir dos dados levantados referentes à região e ao lote. paisagismo produtivo e áreas de recuperação ou preservação. pedologia. sombreamento.

Ações: Uso de equipamentos que utilizam fontes renováveis de energia para o abastecimento do lote e residência tais como: Painéis de aquecimento solar para água. Concepção e funcionamento dos equipamentos: exigência correta de uso. isolamento apropriado ou desenho mal elaborado que aumentam o consumo. captação de luz. Ações: Observação da concepção geral do espaço.99 4. isolamentos. através das estratégias da arquitetura bioclimática para a região. adequação ao clima e relevo / hidrografia local e outras. é necessária a análise de três elementos importantes para a redução ou racionalização no uso da energia.2. calor e ventilação) ao clima e iluminação natural. Análise do tipo e da qualidade da energia fornecida: redução no uso de energia não renovável ou nobre. e a localização inadequada na instalação dos aparelhos. Diretriz 02 : Potencialização do abastecimento local autônomo. análise do desperdício e quantidade consumida. foram propostas as diretrizes que seguem: Diretriz 01: Baseada em Cortez et al (2001). no isolamento térmico e outros. implantação. Gestão da Energia Em busca de uma gestão sustentável de energia. escolha dos materiais. Adiciona-se à estas a adequação da edificação (materiais. .2.

ou. Diretriz 02 : Racionalização do uso da água. na medida em que estes equipamentos se tornarem viáveis economicamente e de acordo com as possibilidades do local.3. Gestão das Águas Para se otimizar o uso do recurso. 4.2. Ações: Uso de equipamentos que permitam a racionalização e redução da quantidade necessária da água para diversos fins: Sugere-se a utilização do sistema de caixa acoplada nos vasos sanitários de no máximo 6 lpf (seis litros por fluxo). gerador eólico. Prever e dar preferência ao uso de painéis fotovoltaicos (energia solar) e. Ações: Implantação de sistema de captação e armazenamento de água de chuva – captação por calhas nos beirais dos telhados encaminhando para préfiltragem e armazenamento em tanques (cisternas) de ferrocimento para posterior utilização em descarga sanitária. para geração de energia elétrica local. irrigação e outros usos. as seguintes diretrizes devem ser observadas: Diretriz 01 : Potencialização do abastecimento local autônomo. limpeza. Privilegiar os equipamentos que trazem o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL) e que indicam o baixo consumo. dando-se preferência à sistemas que permitem a escolha da descarga para líquidos (3 lpf) ou sólidos (6 lpf) já à disposição no mercado.100 - Uso de biodigestores individuais ou coletivos. .

101 .4. desde que ela seja devolvida à natureza tão pura ou mais do que foi coletada de fontes próximas ( MOLLISON . 4. filtragem e purificação apropriados para o fim e com uso permitido pela legislação vigente – e serem reutilizadas para vários fins como limpeza. a introdução de sanitários compostáveis (banheiro seco). se possível. 2001). máquina de lavar roupa e lavatórios – encaminhadas para pequenos sistemas biológicos de tratamento. tanto para banheiro quanto para cozinha.procedentes de chuveiros.2. temporizadores automáticos. é também utilizada para cozer alimentos.Utilizar arejadores em todas as torneiras e. água que na maioria das vezes é simplesmente misturada à água que poderia ser reciclada e novamente utilizada na habitação (CORTEZ et al. Gestão do Esgoto A água potável além de ser utilizada para consumo direto. sendo um equipamento já muito utilizado em países da Europa. 2001) Diretriz 01: Não há problema em se utilizar a água para diversos fins. (CORTEZ et al. descarga em sanitários e irrigação. que não utilizam água para conduzir os dejetos para uma rede coletora. 1990) Ações: As águas servidas podem ser separadas entre: • Águas cinzas . limpeza e transporte de dejetos. Adotar como alternativa para a racionalização da água. .

proporcionando a purificação do esgoto (juntamente com a criação de áreas de cultivo de subsistência). atingindo o lençol freático. a total purificação deste recurso rico em nutrientes e evitando que se infiltre “contaminada”. Caso não seja separada. 2001). anexada a uma bacia de evapotranspiração. apropriado para o fim e com uso permitido pela legislação vigente. ligado em uma área de cultivo de frutíferas como a bananeira e mamoeiros ou pequeno lago para aquicultura. assim. porém esta deve ser anexada à um tanque de filtragem. como a fossa séptica convencional. como a fossa séptica convencional. a água servida deve ser encaminhada para um pequeno sistema biológico de tratamento que imita a natureza. Gestão dos Materiais de Construção Diretriz 01: Aqui devem ser observadas duas questões de fundamental importância na escolha de um material de construção: “a capacidade de suporte na exploração deste recurso natural e o impacto global no uso do mesmo sobre o meio” (CORTEZ et al. permitindo assim a total purificação deste recurso rico em nutrientes e evitando que se infiltre “contaminada”.2. . atingindo o lençol freático. 4. • Águas negras – procedentes dos vasos sanitários – encaminhadas para pequenos sistemas individuais biológicos de tratamento apropriados para o fim e com uso permitido pela legislação vigente.5. permitindo.102 • Águas cinzas – procedentes da pia da cozinha – encaminhadas para irrigação por ser rica em resíduos orgânicos excelentes para criação de áreas de cultivos de subsistência.

Gestão de Resíduos no Uso da Habitação Diretriz 01: Possibilitar o Reaproveitamento dos Resíduos. Produção Local de Alimento Diretriz 01: Implementar a produção local de alimento.7. 2001). tradicionais da região (considerar os saberes e as técnicas regionais de construção). 4. Lixo seco e lixo orgânico. Promover o paisagismo produtivo. materiais naturais.103 Ações: . disponíveis localmente e com possibilidade de reciclagem ou de matéria prima reciclada. .6. devendo ainda apresentar bom desempenho térmico e acústico e baixo consumo energético na produção e transporte (CORTEZ et al .2. Ações: Programar um sistema de separação de lixo preliminar. Fazer uso de mulch nos pomares. 4. Depositar os resíduos inorgânicos nas áreas destinadas à coleta seletiva e reciclagem. Incentivar o tratamento local dos resíduos orgânicos com a compostagem para posterior adubação de hortas e pomares. Reduzir o consumo de produtos que contribuam para a geração de lixo.2.Privilegiar o uso de recursos renováveis.

Documento 3- . Destinar área interna dos lotes para produção de hortas individuais ou comunitárias para alimento.“Estatuto da Cidade” .104 Ações: Destinar área interna dos lotes para produção de frutíferas em pequeno pomar. 4. Para o bom funcionamento das técnicas propostas. Participação dos Futuros Usuários É de fundamental importância para o sucesso do uso das inovações e tecnologias sustentáveis na construção e moradia.. temperos. os futuros usuários.”.9. é imprescindível o acompanhamento de um profissional capacitado na implementação e manejo destes sistemas (CORTEZ et al. compreensão e a consciência da importância para os próprios beneficiados. chás e medicinais.2. chás e medicinais.2. Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais. considerados como linhas gerais nos instrumentos legais (Documento 1“Cidades Sustentáveis. Fazer uso de pequenas espirais de ervas para produção de temperos. Abaixo seguem alguns dos princípios de sustentabilidade incomuns. obtidas gradativamente através de mudanças nos processos de educação dos usuários.8. 2001). que fazem parte destas diretrizes. 4. Documento 2. a correta assimilação técnica..

Alguns Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais Estatuto da Cidade 1 Promover mudanças nos padrões de produção e consumo da cidade (Documento 1). uso e tratamentos) (Documento 1). social e econômica do município e de sua área de influência (Documento 2).. Fonte: o autor ٧٧٧٧ Permacultura Plano Diretor . 2 3 4 5 6 ٧٧٧٧ Fomentar o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis ٧٧٧٧ nas cidades (Documento 1)..105 Plano Diretor (regras gerais para a elaboração)) e Documento 4. ٧ ٧ ٧ ٧ abastecimento. Adoção de normas e parâmetros voltados ao conforto ٧٧٧٧ ambiental (Documento 1). 8 ٧٧٧٧ Adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites ٧ ٧ ٧ ٧ da sustentabilidade ambiental. 9 Fixar padrões mínimos de habitabilidade das edificações (Documento 3). 7 Ordenação e controle do uso do solo de forma à evitar a poluição e a degradação ambiental (Documento 2).A Permacultura: Quadro 6: Princípios Permaculturais e os Instrumentos Legais Cidades Sustentáveis. Incorporar a dimensão ambiental no processo de ٧٧٧٧ planejamento e gestão das cidades (Documento 1). Cuidados com o ciclos da água (captação. Redução da perda nos sistemas de abastecimento de água. Adoção de normas e parâmetros voltados à eficiência ٧٧٧٧ energética (Documento 1) .

e a participação da população (local) torna-se outro fator positivo. nos padrões de produção e consumo. para a sustentabilidade da região e da comunidade. os hábitos e costumes locais. como sua menor unidade. no sentido de valorizar seus próprios recursos naturais e. pode oferecer aos profissionais da área. Para isso. de forma alguma. Lista de Verificação para o Desenvolvimento de Projetos Residenciais. em qualquer região. com relação aos elementos naturais em todas as escalas do projeto. por outro lado. Importante salientar que a proposta deste trabalho. a oportunidade de compreenderem e trabalharem com os processos naturais.3. . passa pela mudança de paradigmas da própria sociedade. 4. especialmente na utilização dos conhecimentos locais. o planejamento local reveste-se de grande importância. As possibilidades de utilização da permacultura no desenvolvimento das políticas públicas. já que ela marca o início do todo. deve ser vista como objeto isolado da cidade. no planejamento arquitetônico e na construção civil.106 Estas e demais diretrizes gerais devem ser seguidas no planejamento das edificações bem como na implantação de políticas publicas pelo Poder Publico Municipal. pois é quem melhor conhece a região. sob a Perspectiva da Permacultura para a Região Sul do Brasil.

para o desenvolvimento do projeto arquitetônico. construção e uso das residências unifamiliares e equipamentos do entorno. Acrescentou-se novo item para resíduos e energia. A ordem de apresentação dos itens foi mantida como descrita no início do Capítulo 4. As diretrizes desenvolvidas na seção anterior foram desmembradas em itens e subitens pela complexidade evidente do tema. com algumas modificações: • • A gestão das águas e esgoto. foram unificadas em gestão das águas.107 Desenvolvida como uma guia auxiliar adicional ao plano diretor local. durante a fase de execução da obra. facilitando desta forma a aplicação do check-list em projeto e execução da residência. .

3. Células fotovoltaicas ou gerador eólico para geração de energia elétrica substituindo em parte o uso da energia da concessionária local Previsão em projeto e instalações para futura expansão da geração de energia renovável local (solar. B. A oeste para proteção da insolação indesejada A . para o desenvolvimento do projeto arquitetônico. B..4.3.2.4. ou construir estruturas tipo “treliças” e pergolados para produção de trepadeiras frutíferas nos locais estratégicos para o clima da região. que tirem o máximo proveito da gravidade para circulação B. frios e úmidos A ..1.1.Altos níveis de insolação para inverno com proteção de verão para um aquecimento/resfriamento inteligente e natural quando necessários sem o uso de condicionadores de ar.3.1. Aproveitamento da ventilação de oeste cruzada para resfriamento para noites mais quentes Atenção ao adequado isolamento térmico do envelope (vidros duplos.1. isolantes a base de fibras vegetais.1. B. Locação Observar topografia para correta locação da residencia e equipamentos de saneamento e abastecimento para A. PROJETO E GESTÃO DE ENERGIA Arquitetura Bioclimática Projete uma residência energeticamente eficiente que faz uso de conforto gratuito .2.1. B.1. IMPLANTAÇÃO A .6. garantido o resfriamento quando necessário e higiene (retirada da umidade) eventual no inverno B.2. eólica. O aquecimento solar passivo e resfriamento natural podem ser incorporados com baixo custo e alto benefício na maioria das edificações.1.4.) Otimizar o aproveitamento da iluminação natural para conforto visual no maior tempo possível reduzindo B.2.1. Projeto de paisagismo com plantas nativas e frutíferas perenes A . paredes duplas.5. biodigestor) B.1.1.2. Caso necessite.3. Especificar: . B. A sul /sudeste (barreira de ventos) para proteção de ventos fortes. permitindo que esta cruze B. que forneçam madeira (bambu). Energia Renovável Redução gradativa do uso da energia de fontes externas B.108 4. A . em todos os cômodos da residência. Projeto arquitetônico adequado para o uso de aquecimento solar de água.2. frutíferas.1. futuro uso A .2.1. B. Outros. plantar árvores nativas.2. etc.1.Lista de Checagem da Zonas Zero e Um Para a Região do Litoral Centro-Sul de Santa Catarina Desenvolvido como uma guia auxiliar adicional ao plano diretor local.1. Orientação das residências com grandes frentes e janelas para norte com proteção de beirais para bloqueio da luz do sol acima de 70° Uso de massa térmica (paredes e pisos com grande expessura e alta densidade) para aquecimento passivo Aproveitamento da ventilação natural de Norte/Nordeste com saída menores para sul. Check Inter. Vegetação Situar a edificação de maneira a se beneficiar da vegetação existente para otimizar o conforto térmico e acústico na edificação. sensivelmente o uso da energia elétrica B.2.1. Permacultura . construção e uso das residências unifamiliares e equipamentos do entorno. A norte apenas de folhas caducas no inverno para permitir aquecimento pelo sol nesta época e um significativo refresco no verão A .2.

Descarga dos bacios C. Outros.4. Irrigação C.2.2.1 Bacia de evapotranspiração C.3. Outros. Uso de materiais de pavimentação que facilitem a absorção da água de chuva. lavatórios.1.2.1.2 Círculo de Bananeiras C.4.5. Bacio sanitário com caixa acoplada para descarga de no máximo 6 litros por fluxo.3. bacio sanitário. Redução no Abastecimento por Reuso de Água Servida Cinza Reuso de águas servidas cinzas (sem matéria fecal) após tratadas em sistema natural de filtragem e purificação (biológico aeróbico ou anaeróbico) para reuso em: OBS: água não potável. Sanitário Compostável (banheiro seco) C. chuveiros. Lavadora de roupas C. PROJETO E GESTÃO DA ÁGUA C. C. Limpeza geral C.4 Outros.1. C.4.1.1. Outros.4.1.4. Uso de arejadores de torneiras e torneiras com temporizadores. C.3.3. C. Descarga de bacios C.2.3.3. Especificar: C.3.1. Especificar: . Irrigação C.4.2.109 C. Sistema natural de Filtragem e Purificação de Águas Servidas através do aproveitamento de resíduos orgânicos gerados na residência para a produção de alimentos e outros cultivos para as águas provenientes da pia de cozinha.4.4. Especificar: C.4.2.2.2. lava roupas.3 Swales (áreas alagadas em estágios de tratametos) C. Limpeza C. Especificar: C.3. C. C.2.5. Uso de Equipamentos Eficientes tais como: C. Redução no Abastecimento por Uso de Água de Chuva Sistema de captação de água de chuva por calhas instaladas nos beirais da cobertura e armazenamento em cisternas para diversos usos como: OBS: água não potável.1.

3. D.1. que venham a ter contato com o solo.2. adesivos e resinas sintéticos D. materiais de fábricação local. Alumínio / Aço D.2.9. agrega enormes quantidades de produtos químicos e energia e gera grande percentual de poluição. Vernizes.4.1.2.2.8. Especificar: D. ou D. Tijolo Cozido D. Pisos D.7. Materiais e Equipamentos que fazem uso de CFC’s (condicionadores de ar.7.1. Cobertura D. madeira certificada ou de correto manejo de pequenas produções próximas. espumas sintéticas e outros) Redução de produtos químicos para a limpeza que serão despejados nos sistemas de tratamentos biológicos. reusados ou reciclados e da região.4. materiais naturais como preservantes.2. compostos orgânicos voláteis e formaldeidos (Tintas comuns do mercado). D. refrigeração. PVC D.10.1.2.1. Tintas e outros produtos que contenham chumbo. resinas. Mobiliário interno D.1.2.110 D. processamento e transporte e redução no uso de materiais que contribuam como fontes de contaminação do ambiente interno e externo. Esquadrias D. Uso de Materiais da Região (< 150km) e ou Naturais Como pedras da região. Outros.1. Alvenaria (paredes) D.9. Acabamentos D. GESTÃO DE MATERIAIS O processamento para a transformação da matéria prima no material a ser consumido e o transporte de materiais para a construção civil por longas distâncias.1. tintas.5. terra crua de fontes próximas com manejo apropriado. materiais em reuso ou reciclados para: D.2.2.1.1. Estruturas D. Redução do Uso de Materiais de Grande Impacto e Gasto Energético Na extração da matéria prima.3. Dê preferência sempre à materiais naturais renováveis. tais como: (Assinalar somente os itens não utilizados ou de uso drasticamente reduzido) D. Cimento D.1. Fundações D.5.6.6.2.2. Impermeabilizantes a base de petróleo D. sendo substituídos por produtos naturais biodegradáveis orgânicos para estes fins . Solventes químicos ou a base de petróleo D.2.2.1.8.

1 Facilidades de projeto que possibilitem aos ocupantes a separação do lixo reciclável e orgânico G.1. G.2 H PRODUÇÃO LOCAL DE ALIMENTO H.2. Planejamento da execução para redução de resíduos não recicláveis na construção F GESTÃO DE ENERGIA NA CONSTRUÇÃO F. etc) na construção G GESTÃO DE RESÍDUOS NA OCUPAÇÃO Uso de composteira para transformação do lixo orgânico a ser aproveitado na produção local de alimento (horta. Destinar área interna dos lotes para produção de frutíferas em pequeno pomar H. Destinar área interna dos lotes para produção de hortas individuais ou comunitárias para alimento. temperos.1. Planejamento da execução para redução do uso de energia (elétrica. chás e medicinais H. Fazer uso de pequenas espirais de ervas para produção de temperos.1. etc).111 E GESTÃO DE RESÍDUOS NA CONSTRUÇÃO E. chás e medicinais . pomar. combustíveis.3.

a seguir. Na folha de número dois. apresenta-se. é apresentada a localização do lote. as análises dos efeitos da aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto da residência à nível local e global.4. o texto sobre o programa e a proposta de residência permacultural.1. PROJETO e ANÁLISE Para exemplificar uma das possibilidades de utilização das recomendações do trabalho no planejamento de ocupação e projeto de residências unifamiliares. seguido de um estudo bioclimático e na seqüência. uma proposta de projeto. além de uma perspectiva.4.112 4. estão representados os estudos da interação bioclimática. . Em seguida é apresentado o memorial descritivo da proposta de projeto. nas diversas situações a que a residência está sob influência do clima local. Estudo da Interação Bioclimática e Memorial Descritivo Na folha de número um. Projeto Residencial. a implantação da proposta no lote. 4.

.

.

4. Sob pilares externos: sapata isolada em concreto armado à 80cm da superfície. Figura 4.2.115 4. Fundação: Descrição: Opção 1 – Sob paredes: Sistema mixto em Superadobe (areia do local ensacada e empilhada) sob cinta armada de concreto. Bagé 2004 . Memorial Descritivo Neste item são apresentados os materiais propostos para o projeto da residência Itens: A. Fundação de Superadobe Fonte: Arquivo Pessoal do Autor.

Vergas sobre esquadrias em chapas sobrepostas de madeira de lei de reuso com aproximadamente 20cm de largura por até alcançarem 10cm à 20cm variável conforme local e comprimento indicado em projeto. Estrutura e Alvenaria: Opção 1 – Sistema autoportante de tijolos de terra crua (adobe) com assentamento conforme projeto. Sob pilares externos: sapata isolada em concreto armado à 80cm da superfície. Figura 5. Fundação de Pedra Fonte: Arquivo Pessoal do Autor B.116 Opção 2 . .Sob paredes: Pedra do local ou cabeça de pedra assentada em massa de areia e cimento sob cinta de concreto armada.

e fechamentos em alvenaria mista de pau-a-pique nas paredes internas e tijolo comum nas externas sendo que nas paredes de sul / sudeste o tijolo deve estar deitado para maior proteção. com medidas indicadas e execução conforme projeto. Figura 8. vigas e caibros) em eucalipto com tratamento por difusão à base de sais de boro e acabamento com óleo vegetal ou verniz atóxico base d’água.117 Figuras 6 e 7 Sistema Autoportante de Tijolos de Terra Crua (adobe) Fonte: Arquivo Pessoal do Autor foto de San Pedro do Atacama. Estrutura de Madeira Fonte: Arquivo Pessoal do Autor . 1995 Opção 2 – Sistema de estrutura para cobertura ( pilares.

Esquadrias em Chapas de Madeira de Lei Reutilizadas Fonte: Arquivo Pessoal do Autor. Possibilidade de uso de chapas de madeira de lei de demolição para confecção das esquadrias. Bagé 2004 Esquadrias: Conforme quadro de esquadrias indicado e detalhamentos em futuro projeto executivo. Reboco Externo Fonte: Arquivo Pessoal do Autor. areia. Figura 9. cinza de casca de arroz e esterco). Figura 11. Bagé 2004 Fonte: Arquivo Pessoal do Autor. Campinas . Reboco Externo 1ª demão Finalizado Figura 10. para aplicação em 3 demãos. com traço a ser definido no local por meio de testes.118 Reboco Interno e Externo: Massa (argila. Fechamentos nas esquadrias à sul com vidro de 4mm duplo para melhor proteção.

de manta de bidim de 5mm em duas camadas ou painés feitos de embalagens longa vida de leite ou suco encontradas em cooperativa de catadores. Figuras 12 e 13. entre a telha e o OSB.119 Cobertura: Em telha ondulada produzida a partir de resíduos de embalagens diversas. com juntas dilatação de filetes de madeira e acabamento em resina natural de mamona. Piso Interno: Cimento queimado cor clara. sugere-se a colocação. sobre forro em OSB (aglomerado de pinus) e ripas 5x10cm. Telha Ondulada Reciclada de Embalagens e OSB como Forro Fonte: Arquivo Pessoal do Autor Isolamento Térmico: Devido ao bom isolamento já alcançado pelo conjunto telha + OSB. Ou cerâmica da região .

Cubas e Lavatório: Em ferrocimento (tela metálica recoberta por dupla camada de massa de areia e cimento no traço 2X1) moldados na obra. Trabalhando com Ferrocimento Fonte: Arquivo Pessoal do Autor.120 Decks: Estrutura em cabeça de pedra assentada e piso de bambu tratado com tanino e protegido com verniz atóxico base d’água. Figura 14. . Tampos. Bagé 2004 Louças Sanitárias: Bacio – sistema com caixa acoplada 6lpf branca. Tubulação Hidráulica: PVA ou cobre para água quente e PP ou PVA para água fria. Revestimentos das Paredes Molhadas: Acabamento cerâmico (azulejo) cor clara com medida a definir na compra.

.121 Tubulação para Esgoto: PP ou PET. Esquema de uma Bacia de Evapotranspiração Fonte: Barroso (2003) Sistema de Tratamento de Águas Cinzas da Cozinha: Círculo de bananeiras conforme detalhamento em projeto executivo. Sistema de Tratamento de Águas Negras e Cinzas do Banheiro: Bacia de evapotranspiração conforme detalhamento em projeto executivo. Figura 15.

Figura 17. . Cisterna de Ferrocimento para Armazenamento de Água de Chuva Fonte: Arquivo Pessoal do Autor. Bagé RS 2004 Sistema de Aquecimento de Água para Pia da Cozinha. limpeza.122 Figura 16. irrigação. Lavatório e Chuveiro: Coletores solares de baixo custo de mangueira em polipropileno (PP) e tanque de acumulação com apoio de chuveiro eletrônico. Novo Círculo de Bananeiras Fonte: Arquivo Pessoal do Autor Fonte: Infoteca IPAB (2005) Sistema de Captação de Água de Chuvas: Calhas instaladas no beiral do telhado conduzindo a água pluvial para um tanque de 6000 litros em ferrocimento com pré filtragem para diversos usos como descargas.

Figuras 18 e 19. com acabamento em cimento queimado com corante ou azuleijado. Fogão à Lenha: Deve ser executado em alvenaria de tijolo maciço e refratário conforme projeto executivo. Chaminé em tijolo comum rebocada e pintada. Serpentina para Aquecimento de Água e Tanque Acumulador Fonte: Infoteca IPAB (2005) Pintura: Paredes externas e internas – Caiadas (à base de cal cola e corante) com cor à definir.123 Serpentina de cobre em fogão à lenha e acumulador de tonel de chapa metálica de reuso. .

concorrem para a sustentabilidade da cidade de Florianópolis. com a aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto de residência unifamiliar. O Quadro 6. com as correspondentes ações. Análise das reduções dos impactos à nível local e global.124 4. em Florianópolis. através da aplicação das diretrizes. e da lista de checagem. Diante das projeções elaboradas. serão atingidos com a aplicação dos parâmetros permaculturais de planejamento da ocupação e projeto de residência unifamiliar. resta verificar se os objetivos ambientais que. no Distrito do Campeche.4. QUADRO 7. em Florianópolis. Análise de Aplicação dos Parâmetros Permaculturais de Planejamento da Ocupação e Projeto de Residência. resumidamente apresenta a análise da influência destes parâmetros à nível local e global. no distrito do Campeche.3. segundo a proposta deste trabalho. .

. no isolam térm e outros.4 m o a m entação de terra. im natural e o im pactoglobal no uso do m o sobre o m esm eio. redução dos gastos com energia C. redução no elétrica e m elhoria do conforto térm ico m ateriais. para se alcançar im pacto da produção. Im plantaçãoeorganizaçãodosespaçosconstruídosenaturais. Conservação de 's apresentar bom desem penho térm e ico florestas (flora e fauna) e qualidade das águas acústico e baixo consum energético na o produção e transporte C. disponíveis localm ente e qualidade do ar interno. ento ico im pacto da produção. m etais m atéria prim reciclada. de saneam e abastecim ento ento. Redução dos custos com serviços Escolha do local de m a reduzir ao prelim odo inares.3 indesejáveis. atravésdedadoslevantadosreferentesà topografia.1 m ateriais de construção nos com ponentes com possibilidade de reciclagem ou de naturalm ente.125 Diretrizes Sustentáveis e A ções Consequências Esperadas à nível Consequências Esperadas à nível Local G lobal A . bas Áreasverdescom obarreirasdevento O ização do conforto térm e tim ico A. Através da topografia. Escolha dos M ateriais de Construção: A devem ser observadas duas questões de fundam qui ental portâncianaescolhadeumm aterial deconstrução: acapacidade desuporte naexploraçãodesterecurso B. m ateriais naturais. do conforto térm ico B. se fizerem necessárias. im plantação. G estão da Energia: É necessária a análise de três elem entos im portantes para a redução ou racionalização nouso da energia: Redução e racionalização no uso da Redução da necessidade de produção O bservação da concepção geral do energia. Redução na exploração de m atérias tradicionais da região (considerar os prim não renováveis.1 entre im plantação da edificação e o m aquecim eio ento e resfriam ento natural quando concentrada de energia elétrica. m causados na produção e transporte dos construção). excelente grau de conforto térm e de ico ilum inação. m izando gastos de energia elétrica com inim bom e tubulações. a ento ia pesados. interno. isolam ento acústico. acústico. devendo ainda desenvolvim da econom local.2 circulação. otim izando o aproveitam ento da inação natural e estratégias para Redução da necessidade de produção Estudos da interaçãolum ino-clim ática ilum A. Privilegiar o uso de recursos renováveis. contribuição para o com produtos quím o icos tóxicos. além de reduzir as distâncias. direção dos ventos e orientaçãosolar para definiçãode: Significativa redução do uso da energia elétrica. CVO e outros. m anutenção da drenagem e A. possibilitar o m o aproveitam áxim ento da gravidade para Correta localização dos equipam entos A. pedologia. redução dos im as pactos elhoriada saberes e as técnicas regionais de Reduçãonos custosdiretos. vegetação. reduçãodapoluição e gasto energético Contribuição na produção de áreas verdes Evita o gasto energético e poluição. escolha dos concentrada de energia elétrica.1 espaço. som bream ento. redução no am biente local (Arquitetura Bioclim ática). naturalm ente. através de fontes naturais. áxim ovim característicasnaturais.

Uso de equipamentos que permitam a racionalização e redução da quantidade necessária da água para diversos fins.2 sanitários de no máximo 6 lpf ( seis litros recurso do recurso por fluxo ).2 geração de energia elétrica. impacto da produção. Retenção temporária lagoas e de rios.3 fotosensores para a iluminação externa energia renovável (eólica. redução dos custos ao E. irrigação e outros usos. solar.1 filtragem e armazenamento em tanques longo do tempo. Uso de equipamentos que utilizam fontes renováveis de energia para o abastecimento do lote e residência tais como: Redução da necessidade de produção Redução e racionalização no uso da concentrada de energia elétrica. redução no Conservação de Energia Elétrica energia. redução dos gastos com energia impacto da produção. Prever e dar preferência ao uso de Redução e racionalização no uso da Redução da necessidade de produção painéis fotovoltaicos (energia solar) para energia: possibilidade de produção local de concentrada de energia elétrica. . Desenvolvimento de Amortização gradual dos custos. Desenvolvimento de água. sistema solar embutido). redução no energia renovável (metano) redução impacto da produção. Abundância F. evolução nos sistemas de certificação. hidráulica). Credibilidade e (PROCEL) e que indicam o baixo elétrica.126 Diretrizes Sustentáveis e Ações Consequências Esperadas à nível Consequências Esperadas à nível Local Global D. Privilegiar os equipamentos que Redução da necessidade de produção Redução e racionalização no uso da trazem o selo do Programa Nacional de concentrada de energia elétrica. hidráulica). Gestão das águas: Potencialização do abastecimento local autônomo. Gestão de Energia: Potencialização do abastecimento local autônomo. E. Redução da necessidade de produção Tratamento local de resíduos. enchentes. redução no Painéis de aquecimento solar para D. aliado à biodigestores produção de fertlizante e geração local de concentrada de energia elétrica. Gestão das águas: Racionalização do uso da água. tecnologias alternativas. aquiferos e lençóis d'água. redução no D. solar. redução no D. telhados encaminhando para pré. impacto da produção. tecnologias alternativas. viáveis economicamente. Privilegiar o uso de iluminação Redução e racionalização no uso da Redução da necessidade de produção abastecida por energia solar com energia: possibilidade de produção local de concentrada de energia elétrica.1 energia. na medida energia renovável (eólica. tecnologias alternativas. limpeza.Manutenção de (cisternas) de ferrocimento para posterior evitando utilização emdescarga sanitária. Sistema de captação e Redução da dependencia ou até armazenamento de água de chuva – captação por calhas nos beirais dos independencia do abastecimento pela Manutenção de águas subterrâneas. Fazer uso de D. consumo. redução dos gastos com energia impacto da produção. tecnologias alternativas. F.4 individuais ou coletivos. dando-se preferência à sistemas que permitem a escolha da descarga para líquidos (3 lpf) ou sólidos (6 lpf) já à disposição no mercado. elétrica. Desenvolvimento de (luminárias de baixo consumo com Amortização gradual dos custos.distribuidora local. Desenvolvimento de em que estes equipamentos se tornarem Amortização gradual dos custos. É desaconselhável o uso de válvula de descarga (tipo válvula hidra de parede) sendo sugerido a utilização do sistema de caixa acoplada nos vasos Economia no uso e no gasto com o Economia no uso do recurso.

chás e alimentos e remédios. permitindo assima total purificação deste recurso rico emnutrientes e evitando que se infiltre “contaminada”. redução do do recurso despoluído. As águas servidas procedentes das residências podem ser separadas entre: Águas cinzas ( sem matéria fecal) – encaminhadas para tratamento e purificação e reuso emfins como limpeza. Abundância negras (procedentes dos vasos a produção local de alimento. Fazer uso de mulch (proteção do solo e depósito de matéria orgânica na H. Produção local de alimento: Implementar a produção local de alimento e medicinais. redução da necessidade de áreas. Águas Reuso de águas ricas emnutrientes para Economia no uso do recurso. Consciência ambiental. aterros sanitários.2 orgânico. Produção de solo fértil. em aterros sanitários.1 chás e medicinais. H. pomares. I. medicinais. Evita a perda orgânico. hortas para alimento. bem pequenas espirais de ervas para reduzindo custos com a compra de como de fertilizantes e "defensivos agrícolas".127 Diretrizes Sustentáveis e Ações Consequências Esperadas à nível Consequências Esperadas à nível Local Global G. principalmente de embalagens.1 separação de lixo. de matéria orgânica. temperos. Destinar área interna dos lotes para produção de frutíferas em pequeno Produção local de alimento orgânico e Redução no transporte de alimentos. ervas para medicina natural e preventiva.4 projeção das copas das árvores com folhagens do próprio local) nos pomares. reciclagem.5 Redução do consumo de produtos que contribuam para a geração de lixo. H. reduz gastos. Promover o paisagismo produtivo. retirada do campo. descarga em sanitários e irrigação. desde que ela seja devolvida à natureza tão pura ou mais do que foi coletada de fontes próximas. Redução na exploração de recursos naturais e dos gastos enérgéticos com produção e transporte no processo produtivo principalmente de embalagens. Lixo seco e lixo emprego e renda. Conservação de florestas. Redução do volume de lixo. produção de temperos. Gestão do Lixo doméstico e outros resíduos: Incentivar a Separação e o Reaproveitamento do Lixo e Resíduos Orgânicos Gerado no Uso da Residência Redução na exploração de recursos naturais e dos gastos enérgéticos com Implementar um sistema de Possibilidade de geração local de produção e transporte no processo produtivo H. para I. pomar. . Incentivar o tratamento local dos Produção local de fertilizante e alimento Redução de emissões com o transporte e resíduos orgânicos com a compostagem H. Melhora na estrutura e saúde. Evita gastos cominfraG. Gestão do esgoto: Não há problema emse utilizar a água para diversos fins. Fazer uso de incentivando o resgate desta cultura e produção de alimentos emoutras regiões. retirada do campo.3 nas áreas destinadas à coleta seletiva e coleta e a consciência e apoio dos usuários. Redução do volume de lixo para da contaminação do solo e águas em aterros para posterior adubação de hortas e sanitários. em aterros sanitários. Depositar os resíduos inorgânicos Organização dos espaços para facilitar a H.1 sanitários) para filtragem e irrigação de consumo. área isolada com cultivo de frutíferas qualidade das águas subterrâneas perenes como a bananeira e papaia ou pequeno lago para aquicultura. Evita a perda de matéria orgânica.

As aplicações práticas deste estudo sugerem algumas discussões: Para o desenvolvimento sustentável na construção civil. os custos com materiais podem baixar significativamente pela produção do material no local e da não necessidade da compra dos materiais para a estrutura e vedação da alvenaria aparente. por exemplo. • • Área edificada: 60m2.000. SINDUSCON SC) para janeiro de 2006: R$ 368. Os valores apresentados acima se referem ao uso de materiais de construção do mercado tradicional (encontrados nas lojas do ramo). . temos: • Valor do CUB materiais (custo unitário básico.96 por metro quadrado.137. a busca de metodologias que permitam aproveitar seus recursos e garantir sua permanência. • Valor do CUB mão de obra (custo unitário básico. Valor total dos materiais para a construção da proposta: CUB materiais X área edificada: R$ 368.36 CUB) para o sistema de captação de água de chuva. • Tempo estimado para a execução do projeto: 75 dias. • Acréscimo de R$ 2. entende-se como fundamental a realização da pesquisa dos ecossistemas naturais em cada região. sem destruí-los. com suas características e. paralelamente. SINDUSCON SC) para janeiro de 2006: R$ 478.96 x 60 = R$ 22.00 (2.128 Em relação aos custos da proposta apresentada. o adobe. No caso do uso de tecnologias alternativas como.60 valor estimado para janeiro 2006.36 por metro quadrado.

Dentro deste contexto. Observou-se que a incorporação destes “novos” elementos nos projetos. nas fases de planejamento. em seus projetos. no sentido de que seja considerada. pode ser considerada.129 As diretrizes bioclimáticas propostas são direcionadas à região do litoral sul do Brasil. de forma mais enfática. da água e nos tratamentos de resíduos. como uma necessidade. sugere-se a aplicação destas diretrizes. desta forma. e até uma obrigação. a arquitetura traduza as exigências ambientais da época presente. devendo oferecer efetivas contribuições de participação na incorporação destes elementos. adaptadas ao seu clima. Para que se possa obter edificações mais eficientes do ponto de vista energético. principalmente. nas escolas de arquitetura de todo o país. Os profissionais da área têm papel fundamental neste contexto. a produção local de alimento ou paisagismo produtivo. torna-se necessário e imprescindível um enfoque adequado a estas questões. além da necessidade de conscientização por parte dos usuários das edificações. na reutilização dos resíduos . a necessidade de edificações energeticamente eficientes. assim como. No tocante ao trabalho criativo dos arquitetos. para que. no sentido da utilização correta e sem desperdício do componente energia. e sua racional utilização. execução e ocupação das edificações. além da importância para a redução dos impactos causados pela agricultura moderna e pela possibilidade dos fechamentos de ciclos. atualmente. a própria sociedade. O mesmo procedimento é sugerido na utilização sustentável dos diversos materiais de construção. pode se revestir como um assunto de significativa riqueza cultural pelo resgate que proporciona para esta região.

trabalhando com a natureza e não contra ela. 112) das análises de impactos locais e globais. em pequena área é possível produzir quantidade adequada de alimento vegetal.130 gerados na ocupação. com o menor impacto possível. . tipo de solo. As propostas apresentadas neste estudo procuram reaproximar o homem da natureza. O homem deve procurar o equilíbrio no seu ecossistema. suficiente para suprir boa parte da demanda de uma família . sempre reutilizando os recursos disponíveis. facilmente identificados no Quadro 6 (pág. Interessante notar que dependendo das características locais como tamanho do lote em relação à edificação. constituída de três a quatro pessoas. imitando-a e trabalhando com ciclos fechados. tornando-se parte deste. insolação.

Conclusões da Pesquisa Neste trabalho. ao mesmo tempo. com ênfase na residência e nos equipamentos do seu entorno. criando condições que possam proporcionar aos mesmos.1. quanto aos aspectos destes impactos e. Na conclusão buscou-se. . principalmente. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES A seguir são apresentadas as conclusões resultantes das atividades de pesquisas desenvolvidas ao longo do estudo. 5.131 5. previamente estabelecidos foram atendidos. proceder-se à análise da redução nos impactos em nível local e global. Para que fosse possível atingir este objetivo. com foco na sensibilização dos usuários. o objetivo geral consistiu em pesquisar e propor alternativas viáveis de tecnologias para serem implementadas no planejamento de assentamentos humanos sustentáveis. através de diretrizes sustentáveis e check-list e. são demonstradas no Quadro 8. saber se os objetivos específicos. posteriormente. em lote residencial padrão para Florianópolis. um instrumento auxiliar no planejamento ambiental. A relação entre os objetivos específicos e as etapas e atividades do presente trabalho. optou-se por criar uma proposta de ocupação e uso do solo.

proposta de projeto com base nas diretrizes sustentáveis desenvolvidas sob a ótica da permacultura. seção 4. como apresentados no capítulo 4.4 subitem 4. em um lote residencial padrão de Florianópolis. . quadro 6. seção 4. Capítulo 4. Fonte: o Autor Visualizando-se o Quadro 7. Relação entre Desenvolvimento do Trabalho e Atendimento dos Objetivos Específicos. sob a ótica da sustentabilidade em assentamentos humanos. Realizar uma avaliação da proposta na aplicação das diretrizes. seção 4. Apresentar uma proposta de ocupação territorial e anteprojeto arquitetônico de uma residência e seu entorno.4.3.1. o que permitiu o atendimento do objetivo geral deste estudo. pode-se concluir que é possível o uso da permacultura enquanto ferramenta ecológica para o planejamento de assentamentos humanos visando a sua sustentabilidade por proporcionar significativa redução nos impactos causados além de possibilitar a regeneração de ambientes já degradados. para a certificação ambiental na construção civil no Brasil.4 subitem 4. tornou-se possível a análise da redução dos impactos ambientais em nível local e global.4. Desta forma.3 check-list.132 Quadro 8. através da análise dos parâmetros permaculturais. o qual pode servir de base para um futuro estudo de avaliação de impactos ambientais da edificação. Com a aplicação das diretrizes e lista de checagem.2 diretrizes e ações Sustentáveis. com correspondentes ações e lista de checagem. para a efetiva implantação em processos de planejamento e execução de Assentamentos Humanos Sustentáveis. e 4. observa-se que todos os objetivos específicos foram alcançados. Etapas e Atividades Objetivos Específicos Revisão bibliográfica com estudo Desenvolver e propor diretrizes e ações que auxiliem no planejamento para a identificação de aspectos de Assentamentos Humanos relevantes ao desenvolvimento do capítulo 4. obtendo-se uma proposta de projeto de implantação.

Recomendações para Trabalhos Futuros . 5. Toda a argumentação. A contribuição deste trabalho sempre objetivou o melhor entendimento dos assuntos referentes à questão da permacultura. considera-se que outras formas de abordagem do problema. trazendo para o rigor da ciência. por ser uma ciência relativamente nova. comentários e críticas realizadas ao longo deste trabalho. certamente deverão merecer análise mais profunda dos aspectos técnicos da metodologia adotada. igualmente. entende-se que outros questionamentos serão feitos.2. mas. poderão contribuir para melhor avaliar a interferência da permacultura no desenvolvimento de pesquisas e implementações necessárias para aproximar a realidade das construções sustentáveis em nosso país. Considerações Finais Ao concluir este estudo.3. sua aplicabilidade e o comportamento das variáveis intervenientes. comentários e sugestões que possam contribuir para a evolução de estudos que tenham propósitos e finalidades com as mesmas características. 5. ao contrário. pois não se pretende esgotar as possibilidades de análise. e pouco divulgada pela falta de exemplos eficientes que possam ser reproduzidos.133 Conclui-se também que a permacultura ainda não é amplamente utilizada para o planejamento destes assentamentos. que exige um trabalho interdisciplinar. complexa.

. por exemplo. com base na Permacultura. substitutos de produtos poluentes comumente utilizados na construção civil no Brasil. A partir de todas as considerações tecidas neste trabalho. de acordo com a região em que se encontra. visando uma melhor avaliação quanto à funcionalidade desses equipamentos. com as adaptações necessárias. como tantos outros. • Desenvolvimento de ferramentas e metodologias. não esgota o assunto. condomínios e loteamentos. • Pesquisas para o desenvolvimento de materiais de baixo impacto (não degradantes). • Ampliação da área de abrangência das propostas desta pesquisa para o projeto urbano. o que permite perceber algumas outras oportunidades de aplicação das ferramentas da permacultura na construção civil e no planejamento das cidades. para o monitoramento e avaliação da sustentabilidade da proposta. • Execução das propostas e monitoramento para estudos referenciais sobre cada equipamento sustentável proposto no projeto da residência. • Propostas para o desenvolvimento e mapeamento da cadeia produtiva de materiais de baixo impacto como. o bambu. cabe deixar algumas sugestões para futuras pesquisas: • Estudo para a implementação de certificação de sustentabilidade para residências no país.134 Este trabalho de pesquisa.

• Proposta de estudo que objetive a inclusão da Permacultura como parte do currículo nas universidades. nas mais diversas áreas.135 • Proposta para o desenvolvimento de um centro de divulgação. . pesquisas e capacitação em técnicas permaculturais para esta região.

Anthony M.net/intracad/SaoPaulo2000. Anais.es/boletin/n4/apala. Folha de São Paulo. . jan. SP. Rio de Janeiro. A trajetória da sustentabilidade.. In: III ENCONTRO NACIONAL SOBRE EDIFICAÇÕES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS. Cristina W. Brasília.28. Ministério do Meio Ambiente. 2002. Anais eletrônicos. Florianópolis. e FERNANDES. Royal Commission on Distribution of Industrial Population Report. M.C.1 ver. Disponível em: <http://habitat. BEZERRA. London: H. Disponível em: <http://www. Caderno Mais! P. [Acesso em]: jul. REFERÊNCIAS ADAM. Verônica. São Paulo. Aquariana. [Acesso em: 20 jan 2004].home>. ÂNGELO.interacademies.n. A. La construcción sostenible. RS. BARLOW. 2002. São Carlos.. 2001.C. 2004].26/27. Cidades Sustentáveis: subsídios à elaboração da Agenda 21 brasileira. consciência e edifício. BARBOSA. 121p. Sociedade Bíblica de Brasília. A novilíngua do clima mundial. BÍBLIA. BARROSO.136 6. 2001..upm. 320 pp. Instituto Juan Herrera. 1969. Tradução: João Ferreira de Almeida. 1998..aq. Princípios do ecoedificio: interação entre ecologia. 2000. ANTAC. C. Stationery Office. 2003. 2003..) – PPGEP.A. Cap. BISSOLOTTI. et al.4. 2001.M. A aplicação da metodologia de produção mais limpa: estudo em uma empresa do setor de construção civil. ISBN 85-7217-069-3. M. Roberto S. ALAVEDRA.P. Madrid. Avaliação da sustentabilidade urbana da cidade de Nova Hartz. 2003.html >. 128p. Pere et al. BRITO. Boletin Ciudades para um Futuro más Sostenible. Propostas regenerativas para comunidades habitacionais de interesse social – o caso alvorada. Anais. 17/09/2000. et al. Aline M. CD-ROM. 2003. El estado de la questión. Canela. Alexandre F.). In: II ENCONTRO LATINO-AMERICANO SOBRE EDIFICAÇÕES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS. Português.L. ANTAC.. (coord. Dissertação (Mestrado em E. UFSC. 2001. ARAÚJO. AT Gênesis. et al. Paula M.. As Ecovilas e os fatores paisagísticos para escolha de sítios e implantação. In: VII CONGRESSO BRASILEIRO DE DEFESA DO MEIO AMBIENTE. 1940.

abra144. EcoRedes. A comunidade alternativa. Rio de Janeiro. The essence of permaculture. Disponível em: http://www. Perspectiva. cap. Antônio C. Disponível em: <www. HOLMGREN. São Paulo: Atlas. Projeto Aurora Editorial. Juliana et al. Como elaborar projeto de pesquisa. Fundação Getúlio Vargas. 1992 CORTEZ. 2001. As conexões ocultas – uma ciência para uma vida sustentável.. 1975.br/asc/11comunic/ecoredes. Canela. Bertrand Brasil. GEN – Global Ecovillages Moviment. In: COMISSÃO MUNDIAL SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. ANTAC. et al. São Paulo: IPT.com. Anais. Agrovila sustentável – Fazenda Cachim. Cultrix.holmgren. 1998. David. .org. [Acesso em: 10 fev. De PAULA. De PAULA. RG..pdf>. ISBN 85-09-00117-0. 1975.O Urbanismo. 2002. Ecovilas .L. Luiz G. O Presente do Fazedor de Machados. What is an ecovillage? Disponível em: <http://gen. F.ecovillages.. Luiz G. Rio de Janeiro.137 BRUNDTLAND. Fritjof. D. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Rio de Janeiro. [Acesso em: 25 jul. 2004]. Disponível em: <http://www. 1991. 1988. R.4 ed.com. S. Carlos G. e ORNSTEIN. São Paulo. GIL. O resgate da utopia. Amazonas. Processos interativos Homem-Meio ambiente. FREITAS. Da terra ao mundo. 2. CHOAY. Trabalho de Graduação em Arquitetura e Urbanismo). Nosso Futuro Comum. In: II ENCONTRO LATINO-AMERICANO SOBRE EDIFICAÇÕES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS. Habitação e meio ambiente – abordagem integrada em empreendimentos de interesse social. 2004a .assentamentos agroecológicos comunitários estruturados em rede. G. Brasília. [Acesso em: 27 mar.au/DownloadableFiles/PDFs/EssenceofPC3. Bertrand Brasil. BURKE. [Acesso em: 3 abr 2004].org/about/wiaev. DREW.br>. Uma proposta para o III milênio. Universidade de Brasília. H. EKNAT. 2001. 2003].1999. 2002. 2003].aurora.htm>. J. 2001.S..php>. CAPRA.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 168 p. 1986.org. Anais. Michigan: National Pollution Prevention Center for Higher Education. G.1998.: Tagari Publications. Hildur. out. Design for sustainability. MEADOWS.gov. Os treze princípios de uma comunidade sustentável. RG.org. Disponível em: <http://www. HOLMGREN. JACKSON.edu/~nppcpub/resources/compendia/ARCHpdfs/ARCHdesIntro. Bill. Hannover.org. [Acesso em: 20 jan 2005]. pdf>. 1998. Agenda 21: Uma proposta para o construbusiness brasileiro. D. 2005]. K.Instituto de Permacultura Autro-brasileiro. Disponível em: www.br. [Acesso em: 20 jan. de 2005]. 1991. Aust. 2002]. Limites do Crescimento. Garden cities of to-morrow. Gland. WWF.ipuf. Disponível em: <http://www. The Hannover principles. Introduction to sustainable design. São Paulo. IUCN. MOLLISON. 1973. Summary: caring for the earth. Disponível em: < http://www.com/principles. In: II ENCONTRO NACIONAL SOBRE EDIFICAÇÕES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS.mcdonough.pdf >. Perspectiva. KIM. 2001. 1945. [Acesso em: 12 out. A strategy for sustainable living. Thy. Candomblé. 2000 Disponível em: <http://www. Ática. David. [Acesso em: 17 fev. Jong-Jin. Switzerland. UNEP. Vanderley M. . [Acesso em : jan. William. Ebenezer.. Canela. Tyalgum.138 HOWARD.br >. et al. Acesso em 05/05/2003 INSTITUTO 21.agrorede.br/ >. set. Permaculture one: a perennial agriculture for human settlements.gaia. In: Expo2000 The Word’s Fair.ibge.pdf >. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – 1999 Disponível em www. São Paulo. Et. [Acesso em: 25 jul 2003].instituto21. ANTAC. Germany. Disponível em: <http://ambar. MAGNANI.jsp#>. JOHN. 2001. Denmark.br:8080/ambar/Publico/ipab/index. IPAB . 1978.sc. London: Faber & Faber. MCDONOUGH.. IPUF – Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis. What is an ecovillage? In: Gaia Trust Education Seminar. Al.org/resources/HJackson_whatIsEv.umich. J. 2005].

139

MOLLISON, Bill. Permaculture: a pratical guide for a sustainable future. Washington: Island Press. 1990. ............................ Personal statement. 2003. Disponível em: http://www.tagari.com/PermInst/BillMollison/PersStatBillMollison.htm>. [Acesso em: 15 out 2004]. MOTA, S. Planejamento Urbano e Preservação Ambiental. Fortaleza. UFCPROEDI, 1981. MÜLLER, Dominique G. Arquitectura ecológica. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2002. 286p. MUMFORD, Lewis. The natural history of urbanization. In: SAUER, Carl et al (Cood.). Man’s role in changing the FACE of the earth. Chicago: William L. Thomas, 1956. p. 98-110. ODUM,E. Ecologia. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1988. PEREIRA, Fernando O. R. et al. Aplicação de princípios bioclimáticos no projeto de assentamentos humanos em Florianópolis. In: IV ENCONTRO NACIONAL DE CONFORTO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO. nov. 1997. Salvador. Anais... ANTAC, 1997. REIS, Denis. Projeto Ecovila Naufragados. Naufragados, 2003. Disponível em: http://www.ijuris.org/Nucleos/ECOTEC/Apresentacoes/EcovilaEcotecWrd1.p df [Acesso em: out. 2005]. ROLNIK, R. Estatuto da cidade- instrumento para as cidades que sonham crescer com justiça e beleza. IN : SAULE JR, N. e ROLNIK, R. Estatuto da Cidade – novas perspectivas para a reforma urbana. São Paulo, Caderno Polis, 2001. p. 5-10. SACHS, I. Ecodesenvolvimento: crescer sem destruir. São Paulo: Vértice. 1986. ................. Estratégias de Transição para o Século XXI – Desenvolvimento e Meio Ambiente. São Paulo, Studio Nobel, 1993. SANTOS , M. e SILVEIRA, M.L. O Brasil – território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro/ São Paulo. Record, 2001. SILVA, V.G. Avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios brasileiros: diretrizes e base metodológica. São Paulo, 2003. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – USP, São Paulo, 2003. 210p. SINDUSCON. Sindicato da Construção Civil do Paraná. Construbusiness 2001. Curitiba, 2001.

140

SOARES, André L. J. Conceitos básicos sobre Permacultura. Brasília: MA/SDR/PNFC, 1998. 53 p. Disponível em: <http://www.agrorede.org.br/biblioteca/permacultura-andre/#PNFC >. [Acesso em: 25 jul 2004]. ........................................ Um lugar ao sol. Correio Brasiliense. Suplemento Pensar. Brasília, 07 jul. 2002b. Disponível em: <http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020707/sup_pen_070702_39. htm>. [Acesso em: 15 jul 2003]. .................................. Bioarquitetura. 2005a. Disponível http://www.ecocentro.org/site.htm >. Acesso em: 02 fev 2005]. em:

.................................... Bioconstrução bioarquitetura. Mensagem para: [renatofk@hotmail.com]. 7 mar. 2005; 16:41 [citado em 8 mar. 2005] 2005b. SOBRAL, H.R. O meio ambiente e a cidade de São Paulo. São Paulo, Makron Books, 1996. SORRE, Max. Les Fondements de la géographie humaine. Paris: Librairie Armand Colin. 3 v. 1952. STEIN, Clarence S. Toward new towns of America. Chicago: Public Administration Service, 1951. 245p. TIERRAMOR. Eco-desarrollo y Permacultura. [online]. Disponível em: < http://www.tierramor.org/permacultura/permacultura.htm>. [Acesso em: 20 out 2004]. VERGARA, Sílvia C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas, 1998, 90p. WILHEIN, J. O substantivo e o adjetivo. São Paulo: Perspectiva, 1979. ZEPEDA, Rolando F. (Coord.). Conjuntos habitacionales ecológicamente sostenibles con participación comunitaria (Costa Rica). 1994 Disponivel em: <http://habitat.aq.upm.es/dubai/96/bp086.html>. [Acesso em: 25 fev. 2005].

141

Apêndice 1 Instrumento de coleta de dados referente às características regionais (Macro-região)

A. Localização B. Limites territoriais C. Clima D. Temperatura média E. Ventos predominantes F. Geologia G. Geomorfologia e Relevo H. Hidrografia I. Características Gerais F. Outros Dados

CLIMA D. VEGETAÇÃO D. Aspectos Sociais . Aspectos Ambientais C.142 Apêndice 2 Instrumento de coleta de dados referente às características regionais (Micro-região) A. RECURSOS HíDRICOS E. Área de Abrangência e Localização B.1.2. Aspectos Urbanos D.3. Aspectos Físicos D.

Nascentes. Caminhos Naturais.143 Apêndice 3 Instrumento de coleta de dados referente às características do local de estudo (lote). Rios. AREIA ( ). Possibilidades Açudes. PEDRA ( ) Espécies de Madeira Disponível: Outros Materiais: Zoneamento: Lote Mínimo: Taxa de Ocupação: . Identificar Áreas Produtivas Identificar Áreas para Recuperação Acessos e Caminhos Materiais de construção do Local: TERRA ( ). Córregos. • - Endereço do lote: Forma do Terreno (Croqui sem escala) Medidas Indicação do Norte Gráfico de Ventos Predominantes Insolação Relevo Vegetação Vistas Privilegiadas Poluição Sonora Águas: Fontes. Relevo para Sistema Aabastecimento e Tratamento. Quedas para Geração Energia.

144 - Índice de Aproveitamento: N° Máximo de Pavimentos: Testada Mínima: Recuos: .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful