Curriculo

Teorias do curriculo - Presentation Transcript
1.

o

Visões de currículo João José Saraiva da Fonseca

2. 3.

Visão tradicional de currículo De acordo com a visão tradicional de currículo, este devia ser neutro, tendo como principal foco garantir que a escola funcionasse como uma fábrica. Visão tradicional de currículo 4. Para tal, a escola deveria identificar de forma precisa e de acordo com as necessidades da vida adulta, os resultados/objetivos que desejava obter (currículo), os métodos para o conseguir (ensino) e as formas de mensuração precisas do trabalho realizado (avaliação). 5. Contexto de surgimento da visão tradicional de currículo 6. Massificação da escolarização Industrialização Movimentos migratórios 7. Massificação da escolarização 8. Movimentos migratórios 9. Industrialização 10. A concepção tradicional de currículo tem por referência a fábrica e os princípios do Taylorismo e do Fordismo. Frederick Winslow Taylor - Father Henry Ford 11. Princípios do Taylorismo 12. 1º princípio do Taylorismo  A interferência do conhecimento operário e sua disciplina sob o controle da gerência.  “ À gerência é a função de reunir os conhecimentos tradicionais que no passado possuíram os trabalhadores e então classificá-los, tabulá-los, reduzí-los a normas e leis ou fórmulas, grandemente úteis ao operário para execução do seu trabalho diário.” 13. 1º princípio do Taylorismo o Técnica utilizada : o “ análise científica” do trabalho, através do estudo dos movimentos de cada operário, decifrando quais são úteis para eliminar os inúteis, e assim aumentar a intensificação do trabalho. Tal análise envolve o registro dos tempos com o intuito de identificar o “tempo ótimo” para realizar a tarefa. 14. 1º princípio do Taylorismo o Consequências : separação entre os que trabalham e os que planejam. o 1. padronização: elimina-se a iniciativa operária na escolha do melhor método. Esta função seria da gerência que imporia o método com o respectivo “tempo-padrão” para executá-lo; o 2.projeta-se um trabalho “simplificado”, contrariamente ao trabalho concreto. 15. 2º princípio do Taylorismo o Seleção e treinamento : diante do trabalho simplificado e já planejado, o trabalhador adequado pode ser escolhido mais facilmente, pois o que se procura não é um homem que conheça o ofício ou que tenha várias habilidades para desenvolver qualquer trabalho: 16. 2º princípio do Taylorismo o A par da escolha do trabalhador certo para o trabalho certo, está a necessidade de treinar o indivíduo, não em uma profissão, mas de modo que executasse uma tarefa conforme a gerência indicasse. o “ Bem, se você é um operário classificado, deve fazer exatamente o que este homem lhe mandar, de manha à noite. Quando ele disser para levantar a barra o e andar, você levanta e anda, e quando ele o mandar sentar, você senta e descansa. o Você procederá assim durante o dia todo. o E, mais ainda, sem reclamações” 17. 3º princípio do Taylorismo o O elemento central da programação do trabalho passava a ser a “tarefa” ou a “ ordem de produção ”: o “ A idéia de tarefa é, quiçá, o mais importante elemento na administração científica. O trabalho de cada operário é completamente planejado pela direção, pelo menos com um dia de antecedência, e cada homem recebe, na maioria dos casos, instruções escritas completas que especificam a tarefa de que é encarregado e também o os meios usados para realizá-la... Na

o PAPEL DA ESCOLA o Transmitir conhecimentos acumulados pela humanidade o Realizar a preparação moral e intelectual dos indivíduos para assumirem seu lugar na sociedade 30. procedimentos e métodos. conduziu a saberes unitários. visando a padronização dos processos pedagógicos. o Ocorre com o objetivo de constatar se os alunos atingiram os comportamentos desejados. o Informações ordenadas numa o seqüência lógica e psicológica 31. 21. [SILVA. o Taylorismo. metodologia. repassados aos alunos como verdades absolutas. o CONTEÚDOS o Valorização de conhecimentos e valores sociais acumulados ao longo dos tempos (conteúdos enciclopédicos descontextualizados). além do tempo exato concebido para a execução . objetivos. visando a obtenção de resultados que possam ser rigorosamente mensurados. o o o o o o o o 33. na sua empresa “Ford Motor Company”. organização.” 18. 23. 2005] Silva (2005) cita Bobbitt no livro The Curriculum: escolarização da massas ” (1918) Visão tradicional de currículo 25. avaliação. tais como: ensino. o O aluno deve reproduzir na o íntegra o que foi ensinado AVALIAÇÃO 32. dispersos. PROFESSOR E ALUNO Professor é o centro do processo. o 2) Princípio de Economia: o Consiste em reduzir ao o mínimo o volume do o estoque da matéria-prima o em transformação. planejamento.tarefa é especificado o que deve ser feito e também como fazê-lo. O currículo é visto como a especificação precisa de objetivos. espectador que está sendo preparado para o mercado de trabalho. O operário ganha o mais e o empresário tem maior o produção. O processo de parcialização dos conteúdos escolares em disciplinas. submisso e receptivo O aluno é um ser fragmentado. 27. FORDISMO . Visão tradicional o Centrada em conceitos de natureza eminentemente técnica.Princípios o Princípio de Intensificação: Diminuir o tempo de duração com o emprego imediato dos equipamentos e da matéria-prima e a rápida colocação do produto no mercado. De acordo com a proposta educacional subjacente à visão de tradicional de currículo 29. desconectados uns dos outros. 1998) Visão tradicional de currículo 24. O currículo é caracterizado por uma divisão em disciplinas. (ZABALA. (ZABALA. Visão tradicional de currículo 26. Relação baseada em regras e disciplina rígida O aluno é um ser passivo. aprendizagem. didática. Os alunos são encarados enquanto um produto fabril. Princípios do Fordismo O norte-americano Henry Ford foi o primeiro a pôr em prática. 22. Taylorismo aplicado à escola. eficiência. quem administra as condições de transmissão dos conteúdos e responsável pela eficiência no ensino. para “aprender a fazer” o o o o . 2002) 28. 20. Cadeia de trabalho 19. FORDISMO o 3) Princípio de Produtividade: Aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período (produtividade) por meio da especialização e da linha de montagem.

universal. unitária. não existe uma cultura da sociedade. O aparecimento da visão crítica do currículo 36. O currículo da escola está baseado na cultura dominante. Visão crítica de currículo 50. Para a visão crítica do currículo o currículo está baseado na cultura dominante. Motivos da crítica A visão tradicional de currículo apresenta-se “neutra”. por isso. como instrumento de reprodução da sociedade de classes e que atua no sentido de sustentar a manutenção do status quo sem criticar e sem ver a desigualdade inerente à estrutura do capitalismo. Visão crítica de currículo 44. esse código é simplesmente indecifrável. a sociedade capitalista utiliza a educação para a reprodução de sua ideologia. das elites. Para as classes dominadas. as escolas reproduzem os aspectos necessários para a sociedade capitalista: trabalhadores adequados a cada necessidade dos locais de trabalho. aprendem a praticar os seus papéis. constituído de fatos. sua linguagem desqualificada. valores. Visão crítica de currículo 41. Bourdieu e Passeron  Brasil: Paulo Freire. enquanto sua fonte e justificativa). O currículo é um local no qual docentes e alunos têm a oportunidade de examinar. expressão de arte e cultura. da burguesia. questiona as desigualdades provocadas pela visão tradicional no sistema de ensino. o Bourdieu e Passeron identificam no currículo escolar os elementos simbólicos da classe dominante: sua linguagem. Visão crítica de currículo 43. ou seja. De acordo com a visão crítica do currículo. mas ao privilegiar relações sociais nas quais. Libâneo 49. não propriamente do conteúdo explícito de suas disciplinas. Visão crítica de currículo 40. Desloca a ênfase dos conceitos pedagógicos do processo ensinoaprendizagem para conceitos ideológicos. como um saber desvinculado das relações de poder e coloca-se como o saber legítimo. na linguagem dominante e é transmitido através do código cultural. surgem na década de 60. Visão crítica do currículo  EUA: Apple e Giroux  França: Althusser. A visão crítica de currículo. pois durante toda sua vida elas estiveram nele imersas. que a escola faz uma seleção daquilo que da experiência humana considera adequado para transmitir às novas gerações. questionamento e transformação radical. Para a visão crítica do currículo a educação tem sido um lugar de condicionamento e reprodução da cultura da classe dominante. As primeiras críticas à visão tradicional de currículo. científica. o Luis Althusser analisa a escola como um Aparelho Ideológico do Estado . é aquilo pelo qual se luta e não aquilo que recebemos. sua identidade. em meio aos movimentos sociais e culturais que a caracterizaram. por meio. ajuste e a adaptação. já que estas não questionam o conhecimento em si. Ele se expressa na linguagem dominante. líderes para cargos de chefia e líderes obedientes e subordinados para os cargos de produção. Visão crítica de currículo 39. Visão crítica de currículo 35. sua origem diminuída. As classes dominantes podem facilmente compreender esse código. apenas valorizam o mecanismo de eficácia da reprodução desse conhecimento. A cultura é vista menos como uma coisa e mais como um campo e terreno de luta. O currículo não é. Visão crítica de currículo 45. é transmitido através do código cultural dominante. É pelo currículo que veicula a sua ideologia. Na concepção crítica. homogênea e universalmente aceita e praticada e. aqueles significados da vida cotidiana que se acostumaram a ver como dados naturais. Para a visão crítica do currículo o importante é compreender o que o currículo faz. Saviani. Visão crítica de currículo 48. dominantes e subordinados.PROFESSOR E ALUNO 34. . Visão crítica de currículo 47. do interesse da humanidade como um todo indistinto. Visão crítica de currículo 42. de forma renovada. nem mesmo de conceitos teóricos e abstratos. Não tem preocupações em questionar os arranjos sociais ou educacionais vinculados à estrutura social. digna de ser transmitida às futuras gerações através do currículo. A cultura é o terreno em que se enfrentam diferentes e conflitantes concepções de vida social. o A visão crítica de currículo propõe-se assumir uma postura de desconfiança. Assim. fomentando a aceitação. Visão crítica de currículo 38. De acordo com a visão crítica do currículo é no interior da cultura . 37. As classes populares têm sua cultura nativa desvalorizada. As camadas sociais médias e altas mais facilmente entendem estes códigos e respondem a eles. (a cultura é o conteúdo da educação. Visão crítica de currículo 46.

no gênero. Visão crítica de currículo 53. vozes silenciadas que. multiculturalismo. raça. A visão pós-crítica distingue o currículo como uma linguagem dotada de significados. mas sim nas relações sociais na e da escola. pela proposta de uma “pedagogia da possibilidade” e da resistência. mas contraditoriamente existe nela um espaço que aponta a possibilidade de transformação social Visão crítica de currículo 58. É possível uma crítica à racionalidade técnica da escola. interfere e cria condições de conhecimento necessários à apropriação do conhecimento Aluno é participante ativo da aprendizagem.Visão crítica de currículo 51. falas. A seleção que constitui o currículo é o resultado de um processo que reflete os interesses particulares das classes e grupos dominantes. Com as teorias pós-críticas o mapa do poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça. professor é mediador entre o saber e o aluno Visão crítica de currículo 60. outro sofre exatamente o contrário. Visão crítica de currículo 55. A realidade não pode ser concebida fora dos processos lnguisticos de significação. sexualidade.  A socialização necessária para uma boa adaptação às exigências do trabaho capitalista. Visão crítica de currículo 54. posições discursivas e. regulamentado e autorizado. mas encontra-se descentrado. histórias esquecidas. o Prática pedagógica propõe uma interação entre conteúdo e realidade concreta. Não toma a realidade tal como ela é e sim como o que os discursos sobre elas dizem como ela deveria ser. Visão pós-crítica de currículo 61. etnia. políticos e culturais. se imiscuem com o estabelecido. Argumentos principais da visão crítica de currículo 57. nesse contexto. o Michael Apple explicita que “há uma clara conexão entre a forma como a economia está organizada e a forma como o currículo está organizado”. No limiar do século XXI surgem as teorias pós-críticas que direcionam suas bases para um currículo no qual se vincula conhecimento. imagens. O poder é ainda importante. o A escola é condicionada pelos aspectos sociais. o o Professor é autoridade competente que direciona o processo pedagógico. seu capital cultural fortalecido e reconhecido. o Os grupos dominantes recorrem a um processo permanente de convencimento ideológico que os leva a uma construção e reconstrução permanente do consenso para manter sua dominação. e as classes se reproduzem garantindo o processo de reprodução social. entre outros. Um grupo tem sua origem. Visão pós-crítica de currículo . não está expressa no currículo oficial. por vezes. Através destas reproduções estrutura social e econômica das sociedades capitalistas se mantêm. identidade e poder com temas como gênero. subjetividade. “espalhando por toda a rede social”. visando a transformação da sociedade = ação – compreensão – ação. Visão crítica de currículo 59. na sexualidade. Visão pós-crítica de currículo 63. na etnia. Argumentos principais da visão crítica de currículo 56. destaca que nas margens do discurso curricular se comunicam códigos distintos. Visão crítica de currículo 52. Visão pós-crítica de currículo 62. O currículo deve funcionar enquanto um instrumento de emancipação e libertação.

tendo como marco inicial a I Conferência sobre Currículo.64. Por sua vez. de Bowles e Gintis. através das matérias escolares. afirma que o currículo está baseado na cultura dominante. Sua teoria diz que “a escola contribui para a reprodução da sociedade capitalista ao transmitir. de Gramsci e da Escola de Frankfurt. contribuindo assim para politizá-lo. as crenças que nos fazem vê-la como boa e desejável” (p. 66. Compreende o currículo a partir dos conceitos de emancipação e liberdade. Na década de 1960 ocorreram grandes agitações e transformações. Entre os estudos pioneiros está a obra A ideologia e os aparelhos ideológicos de Estado. através da vivência das relações sociais da escola. que buscava igualar o sistema educacional ao sistema industrial. utilizando o modelo organizacional e administrativo de Frederick Taylor. surgem duas tendências críticas no campo do currículo. “enfatiza a aprendizagem. 48). Ele utiliza estudos da Escola de Frankfurt sobre a dinâmica cultural e a crítica da racionalidade técnica. parte dos elementos centrais do marxismo. a partir dos anos 70. fala numa “pedagogia da possibilidade” (p. 29). Michael Apple. um dos expoentes nesse âmbito. Nesse contexto começam as críticas àquelas concepções mais tradicionais e técnicas do currículo. 70. já que vê a pedagogia e o currículo como um campo cultural de lutas. colocando o currículo no centro das teorias educacionais críticas e relacionando-o às estruturas mais amplas.2 67. de Henry Giroux. Já o currículo como política cultural. revelando uma postura mais progressivista. A segunda de orientação fenomenológica e hermenêutica. de Bourdieu e Passeron. liderada por William Pinar. de Louis Althusser. Aquela enfatizando “o papel das estruturas econômicas e políticas na reprodução social” (p. Voltando aos Estados Unidos. “Apple procurou construir uma perspectiva de análise crítica do currículo que incluísse as mediações. suas análises se ocupam mais com aspectos culturais do que propriamente educacionais. esta enfatizando “os significados subjetivos que as pessoas dão às suas experiências pedagógicas e curriculares” (p. o que faz com que crianças das classes subalternas não dominem os códigos exigidos pela escola. 53) que supere as teorias de reprodução. Já a escola capitalista. as contradições e ambigüidades do processo de reprodução cultural e social” (p. 38). com Bobbitt. Ultimamente. . 68. por exemplo. O primeiro defendia a idéia de organização e desenvolvimento curricular essencialmente técnica. 32). vemos que. A primeira de caráter marxista. John Dewey se preocupava com a construção da democracia liberal e considerava relevante a experiência das crianças e jovens. das atitudes necessárias para se qualificar um bom trabalhador capitalista” (p. as quais vêm se opor às teorias de Bobbitt e Tyler. 3233). Giroux incorporou contribuições do pós-modernismo e do pósestruturalismo. Bobbitt encontrou ainda suporte na teoria de Ralph Tyler e na de John Dewey.1 onde se desenvolveram duas tendências iniciais. Os estudos sobre currículo nascem nos Estados Unidos. A reprodução. Uma mais conservadora. “As teorias críticas do currículo efetuam uma completa inversão nos fundamentos das teorias tradicionais” (p. De fato. utilizando-se. Por fim. 38). PARTE I – DAS TEORIAS TRADICIONAIS ÀS CRÍTICAS 65. 69.

“constitui-se daqueles aspectos do ambiente escolar que. a obediência. estudo sobre gênero. para ele conhecimento é poder. Outro autor de destaque é Paulo Freire. ao denunciálo. 78). Distingue dois tipos fundamentais de organização: no currículo tipo coleção “as áreas e campos de saber são mantidos fortemente isolados” (p. pós-estruturalismo etc. concebe o ato pedagógico como um ato dialógico em que educadores e educandos participam da escolha dos conteúdos e da construção do currículo. pois a apropriação do saber universal é condição para a emancipação dos grupos excluídos. o individualismo. 75). sendo preciso mudanças substanciais do currículo existente.. pois ele remete à seguinte questão: o que conta como conhecimento oficial? Assim. estudos culturais. Já as póscríticas consideram importante incluir aí as dimensões de gênero. Na análise funcionalista o currículo oculto ensina noções tidas como universais. Por outro lado. 73. o que estaria na base do seu „fracasso‟ escolar. Para ambas as vertentes o multiculturalismo representa um importante instrumento de luta política. já as perspectivas críticas. Nesse âmbito. mas os métodos desse processo. Bernstein investiga como o currículo é organizado estruturalmente. dos grupos culturais dominados no interior daqueles países para terem suas formas culturais reconhecidas e representadas na cultura nacional” (p. ele também nos lembra que “a igualdade não se obtém simplesmente através da igualdade de acesso ao currículo hegemônico” (p. necessárias ao bom funcionamento das sociedades “avançadas”. pós-modernismo. 75). Nos anos 80. solução para os problemas que a presença de grupos raciais e étnicos coloca no interior daqueles países para a cultura nacional dominante” (p. conceito fundamental na teoria do currículo. raça etc. Freire seria contestado pela pedagogia dos conteúdos. não se limitando a analisar como é a educação existente. Para ele o código elaborado é suposto pela escola. 72). 72. 72). proposta por Demerval Saviani. e outra que aponta”. contribui de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes” (p. Sua crítica ao currículo está sintetizada no conceito de educação bancária. 74. Segundo Silva o fenômeno chamado multiculturalismo tem sua origem nos países dominantes do norte e é discutido atualmente em duas vertentes: “. Este autor critica a pedagogia pós-colonialista de Freire por enfatizar não a aquisição do saber. mas crianças de classe operária possuem códigos restritos. 85). mas como deveria ser. etnia. Ainda de acordo com Bernstein. sexualidade. 90). 85). Essa corrente se dissolveu numa variedade de perspectivas analíticas e teóricas: feminismo.71. o currículo oculto. . Sua teoria é claramente pedagógica. PARTE II – AS TEORIAS PÓS-CRÍTICAS 75. Elabora então o conceito de códigos: no elaborado “os significados realizados pela pessoa – o „texto‟ que ela produz – são relativamente independentes do contexto local” (p... no tipo integrado “as distinções entre as áreas de saber são muito menos nítidas e muito menos marcadas” (p. a adaptação às injustas estruturas do capitalismo. dizem que ele ensina em geral o conformismo. sem fazer parte do currículo oficial explícito. O autor quer compreender como as diferentes classes sociais aprendem suas posições de classe via escola. no restrito “o „texto‟ produzido na interação social é fortemente dependente do contexto” (p.. Já a „nova‟ sociologia da educação3 busca construir um currículo que reflita mais as tradições culturais e epistemológicas dos grupos subordinados. Antecipa a definição cultural sobre os estudos curriculares e inicia uma pedagogia pós-colonialista.

um currículo. perversa. Assim. ciência e progresso. (p. A Epistemologia que é. reafirmando uma superação e ampliação do pensamento curricular crítico que aponta a dinâmica de classe como única no processo de reprodução das desigualdades sociais. Já a pedagogia feminista introduz novas questões no tocante às formas de reprodução e produção de desigualdades sociais através da questão de gênero. à política. 105). raça e gênero. Reivindica um currículo que inclua as diferentes culturas. 107). . tais como o imperialismo econômico e cultural. As implicações curriculares desse movimento estão na desconfiança de uma pedagogia e um currículo fundamentados no pensamento moderno.76. Basicamente elas criticam conceitos e discursos da modernidade. para essa teoria. a radicalização pós-estrutural do conceito de diferença. mas que se estende para o conhecimento de identidade. 79. No tópico seguinte Silva aborda o currículo como narrativa étnica e racial. impertinente. que se caracterizem por: a) saber totalizante. não de forma simples e informativa. uma atitude epistemológica que não se restringe à identidade e ao conhecimento sexuais. profana desrespeitosa. b) razão iluminista. Isto é. A teoria pós-colonialista objetiva refletir sobre as relações de poder advindas da herança colonial. afirma que tais questões apenas recentemente estão sendo problematizadas dentro do currículo. Segundo esse pensamento. o que se torna. Para as teorias pós-modernas (que não se resumem a uma única vertente ou teoria social) vivemos uma nova cena histórica. à pátria.. discutindo a forma como os processos discursivos de significação tentam fixar determinada identidade sexual. identidade e poder que os temas da raça e da etnia ganham seu lugar no território curricular” (p. De acordo com essa teoria. 101). nesse sentido. questionaria os significados transcendentais ligados à religião. Daí. que povoam o currículo existente. por exemplo. pois “não existe sujeito a não ser como simples e puro resultado de um processo cultural e social” (p. o sujeito racional. c) progresso cumulativo. “nós somos o que nossa suposta identidade define que somos” (p. típico da modernidade. razão. que viria substituir o de desigualdade. isto é. mas refletindo sobre aspectos culturais e experiências de povos e grupos marginalizados. livre e autônomo. O autor alerta para questões como etnia. que em relação às teorias feministas ignoram outras dimensões da desigualdade (como a de gênero). 77. ampliando o processo de reprodução cultural para além da dinâmica de classe. indeterminada. 120). à ciência etc. 107) 80. Segundo o pósestruturalismo. Uma outra tendência inserida nessa discussão é a teoria “queer”. d) axiomas inquestionáveis. que “radicaliza o questionamento da estabilidade da fixidez da identidade feito pela teoria feminista recente” (p. 81. já bastante reconhecida pelas teorias críticas. a partir de análises pós-estruturalistas e dos estudos culturais: “é através do vínculo entre conhecimento. assim. 82. subversiva. Insistindo nesse processo. como. 78. configurando um novo repertório educacional significativo. e) sujeito racional. por exemplo. com novas implicações no campo educacional. O pós-estruturalismo enfatiza os jogos de linguagem e a realidade como um “texto”. Essa teoria questiona o predomínio da heterossexualidade como a identidade considerada normal. a fixidez dos significados se torna fluida. autônomo e centrado da modernidade é uma ficção.

148). identidade. Na visão do autor. não influenciam de forma significativa o processo de elaboração curricular. No entanto. Investe-se assim de for-mas sedutoras irresistíveis. por exemplo. poder etc. Pedagogia como cultura. críticas e pós-críticas nunca afirma que uma única teoria ou „tendência‟ pode. os que desejarem continuar aprofundando seus estudos sobre currículo poderão lançar mão das referências bibliográficas indicadas pelo autor.83. 84. é outro ponto destacado pelo autor para explicar uma das conseqüências da virada culturalista na teorização curricular. na qual percebese uma redução das fronteiras entre conhecimento acadêmico/escolar e conhecimento cotidiano/cultura de massa. O “currículo” e a “pedagogia” dessas formas culturais extra-escolares possuem imensos recursos econômicos e tecnológicos. como exigência de seus objetivos quase sempre mercadológicos. 89. “É precisamente a força desse investimento das pedagogias culturais no afeto e na emoção que tornam seu „currículo‟ tão fascinante à teoria crítica do currículo” (p. conhecimento escolar. o livro contém algumas contradições. Para as teorias críticas isso significa nunca esquecer. 85. especialmente por entenderem a cultura como campo de disputa simbólica pela afirmação de significados. cinema etc. ao apresentar as teorias tradicionais. mas aponta que dentro do contexto atual tais estudos apresentam conceitos relevantes à visão crítica do currículo. Silva ressalta que esses estudos.). assim como o pós-modernismo e o pós-estruturalismo. sozinha. depois de conhecer as teorias críticas e pós-críticas. cultura. 140). Por outro lado. modernismo e pós-modernismo. As teorias críticas não nos deixam esquecer. Nesse sentido. ALGUMAS QUESTÕES . mas concentrando-se também na análise da indústria cultural (revistas. 87.). o autor.). O autor conclui reafirmando que o currículo “é uma questão de saber. O livro desperta interesse para iniciantes. 147). que algumas formas de poder são visivelmente mais perigosas e ameaçadoras do que outras (p. esgotar toda compreensão sobre este artefato cultural complexo que é o currículo. e a cultura como pedagogia. pois enquanto alguns conceitos. definições e teorias tornam-se mais fáceis de ser assimiladas após a leitura (por exemplo. fazendo ainda uma relação entre as teorias críticas e pós-críticas do currículo: as teorias póscríticas podem nos ter ensinado que o poder está em toda parte e que é multiforme. COMENTÁRIOS GERAIS 88. outros já exigem um domínio prévio de fundamentos teóricos que comumente iniciantes não possuem (por exemplo. sobretudo porque resgata o essencial da discussão de currículo. estruturalismo e pós-estruturalismo etc. a determinação econômica e a busca de liberdade e emancipação. currículo. poder e identidade” (p. inacessíveis à escola. 86. entretanto. tidas como burguesas e elitistas – função semelhante à da mídia e seu papel na formação de consenso e conformismo político –. desde a origem até seus últimos desenvolvimentos. Os estudos culturais constituem um campo de investigação cujo impulso inicial foi estudar a cultura através de grandes obras literárias (e não só estas). e para as pós-críticas significa questionar e/ou ampliar muito daquilo que a modernidade nos legou. torna-se impossível conceber o currículo de forma ingênua e desvinculado de relações sociais de poder.

incentiva-nos ainda a ver relações também entre uma cultura corporal “erudita” e outra “popular”. as práticas corporais indígenas (corrida de tora. asiáticas (artes marciais)? A imposição de uma corporeidade-padrão nas escolas não reflete o imperialismo cultural. por exemplo. consumo e alienação.. a hegemonia de uma corporeidade quase sempre branca. É preciso refletir sobre a distância entre toda esta teorização acadêmica enfocada por Silva e a realidade da escola pública em Goiás. é preciso superar falsas dicotomias do tipo teoria crítico-superadora versus crítico-emancipatória. identidades) como Michael Jordan. afro-brasileiras (maculelê. aprendizagem. quem sabe. o que comumente as demais licenciaturas já fazem. RELACIONANDO COM A EDUCAÇÃO FÍSICA 93. dos „de baixo‟. uma questão de democracia e justiça social (como reza a boa tradição moderna). tatuados nesta mesma cultura corporal (como propõe profanamente a pós-modernidade)? 92. Precisamos também aprender melhor a descolonizar currículos de Educação Física tão cheios de figuras (logo. quantos estudos temos sobre ele na Educação Física? Que sabemos sobre seus possíveis efeitos em nossas aulas e demais experiências de ensino? O fato de que a quadra de esportes integra „oficial‟ e quase que „naturalmente‟ a arquitetura de uma escola não revela aí material para reflexão sobre os efeitos „ocultos‟ que isso pode ter na subjetividade de nossas crianças? 96. cristãos. heterossexual.. nos incentiva a ver ligações entre Educação Física e identidades sociais. 95. machista. dada a contribuição dos diferentes povos. sociedade. ou. jogo de bocha italiano). raça e etnia.90. porém.. eurocêntricos etc. em favor de figuras como Zumbi dos Palmares. Quanto ao multiculturalismo. entre uma “pedagogia moderna” e outra “pós-moderna” da Educação Física etc. logo. Nesse sentido. como. mestres Bimba e João Pequeno. burguesa. machistas. assim como questões de gênero. por exemplo. logo. diria Gramsci. além de (é claro) classe social. em prol de um diálogo mais efetivo entre ambas (resguardadas suas diferenças e conflitos). 94. Potencialmente o livro instrumentaliza estudantes e professores para uma visão crítica da escola e de seu currículo quando.? . eurocêntrica. Em relação ao currículo oculto. que não raras vezes tipificam um mundo „subalterno‟. Acreditamos ainda que os cursos de licenciatura de Educação Física devem enriquecer a formação inicial de seus professores com a discussão sobre teorias do currículo que complementam – dialeticamente – aquelas referências às teorias da educação. européias (futebol da Inglaterra. Garrincha etc. que não raras vezes tipificam um mundo capitalista de luxo. fisiologia etc. heterossexuais. tendo em vista o gesto utópico e libertário que ambas buscam lançar para o futuro. arco e flecha). Airton Sena. Romário etc. cristã. não exigiria uma compreensão dos signos sociais racistas. racista etc. Como encurtá-la? Como fazer isso quando essa “distância” muitas vezes já está cristalizada dentro dos nossos cursos de licenciatura? 91. que seria uma cultura corporal multicultural? A cultura corporal brasileira não é há muito dotada de grande diversidade. raças e etnias que a constituem. capoeira). isto. Universalizar o saber relativo à cultura corporal é um direito da classe trabalhadora.

178)5 101. tem se beneficiado enormemente de uma abordagem voltada para sua economia política. E entre outras indagações interessantes podem-se destacar: até que ponto e como a tendência à fragmentação pós-moderna está presente. claro. não o de estreitá-la. internet. Se quisermos pensar a nossa prática. Acredito que o papel de uma teoria crítica do currículo é o de ampliar essa compreensão. também. no currículo. com sérias conseqüências em termos de prática pedagógica. Por seu lado. vídeos. apontar novas possibilidades de desenvolvimento teórico e metodológico à pedagogia. a de nossos alunos. (Silva. videogames (para ficarmos apenas em alguns exemplos). Continuamos a ser uma sociedade capitalista. podemos dizer que eles possuem uma vertente crítica e outra conservadora. tanto do bacharel quanto do licenciado. Essa abordagem nos permitiu analisar o currículo em suas vinculações com a economia e a produção de características pessoais para o mercado de trabalho capitalista. Todos esses canais influenciam a nossa cultura corporal e. os estudos culturais nos trazem novas possibilidades de pesquisa e/ou intervenção a partir da cultura corporal veiculada pela TV aberta e a cabo. saber como e até onde as “provocações” pósmodernas/estruturalistas têm sido enfrentadas com responsabilidade (fugir delas é um equívoco histórico). outros conceitos‟. não podemos deixar todo esse material cultural literalmente do lado de fora de nossos currículos. seminários e congressos da área.4 99. Ligar o currículo a este processo é um dos avanços fundamentais que devemos à vertente crítica da teoria do currículo. sob nenhuma hipótese. esta última um sustentáculo ideológico do capitalismo globalizado. 1996. Elas não devem ser abandonadas. Ambas se fazem presentes na Educação Física brasileira. ser confundido com a „fundação‟ ou „descobrimento‟ . não acarreta um deslocamento de identidades. outras metáforas. bem como simpósios. produção de conhecimentos e intervenção pedagógica. p. isto é. outras abordagens. à mercê das „forças cegas‟ e anárquicas do mercado? Até onde e como a tendência pós-moderna de abandono das grandes transformações coletivas em prol de causas privadas. fazendo com que cada vez mais egressos dos cursos superiores de Educação Física busquem se tornar (ou sonhem em ser) personal-trainners e cada vez menos educadores públicos? 98. numa perspectiva crítica e dialética. que possibilitem que ampliemos nossa compreensão daquilo que se passa no nexo entre transmissão de conhecimento e produção de identidades sociais. Contudo. individualistas. Dvd‟s. Essas compreensões constituem ainda hoje recursos importantes de uma teoria crítica do currículo. ao currículo e ao ensino. É fundamental. cinema. Isso não exclui. precisamos saber mais sobre seus efeitos em termos de formação de professores. outros conceitos. por exemplo. outras metáforas. uma abordagem que deve muito às influências marxistas. nas diretrizes curriculares nacionais que colocam – em boa medida – a formação. Tratando-se de pós-modernismo/estruturalismo. entretanto. não pode. uma sociedade governada pelo processo de produção de valor e de mais-valia. Para ampliar nossa compreensão do currículo de Educação Física. recorremos a „outras abordagens. a teoria do currículo 100. Pois. Basta ver as pesquisas e publicações em periódicos e revistas. gibis e revistas em quadrinhos. Entretanto. como sabemos. sabendo que eles estão absolutamente dentro do imaginário de práticas corporais de nossas crianças.97. que nos permitissem alcançar essa meta.

muito mais como processos de adaptações. verificou-se que os métodos e as teorias da Geografia Tradicional não davam conta de explicar a complexidade do espaço. O que as lições da teoria. como as que resumimos acima. objetivos. 102.apesar de valorizar o papel do ser humano como sujeito histórico. nas quais a sociedade e o espaço emergiam das ações humanas desprovidas de quaisquer intencionalidades ou ideologias. propunha-se. metodologia. Estes questionamentos vão permitir o surgimento da Teoria Crítica do Currículo .(seguido de aquisição dos direitos de propriedade e da patente) da pedagogia dialética. ▪ Teoria Tradicional do Currículo – enfatiza os conceitos pedagógicos de ensino e aprendizagem. devemos pensar em formas e variedades de currículos críticos e progressistas. na análise da organização do espaço como lugar e território. p. „final e absoluta‟ da Educação Física. de práticas educacionais passadas.Tendências do Currículo e sua relação com o ensino da Geografia: Tradicional. Essa perspectiva marcou também a produção dos livros didáticos até meados da década de 70. também elas.pelo estudo meramente descritivo das paisagens naturais e humanizadas. de forma dissociada dos sentimentos humanos pelo espaço. Que alunos desejamos formar? A resposta acabou por provocar uma revisão curricular nesta área do conhecimento. No entanto. Não achamos possível deduzir princípios curriculares críticos ou progressistas em termos absolutos e abstratos. 91)6 2. Ao invés disso. podem fazer é ajudar a iluminar essas múltiplas experiências. lembrando a idéia de uma física social. Conclui-se que é preciso incluir estudos voltados para a análise das ideologias políticas. Crítica e Pós-Crítica. Nesses estudos as ações humanas eram marcadas por um forte viés naturalizante.e talvez ainda se faça . planejamento. Desta forma a pretensão era ensinar uma Geografia neutra. (Silva. didática. essa Geografia se fez . A simples descrição tornou-se insuficiente como método. supõe a neutralidade do processo. Os procedimentos didáticos adotados sob esta perspectiva valorizam a descrição e a memorização dos elementos que compõem as paisagens como dimensão observável do território e do lugar. Estudavam-se as populações e as pessoas como coisas objetivas. interpretações ou até mesmo expectativas de aprendizagem defendidas pelo Currículo da Geografia Tradicional. como resultado de elaborações. econômicas e sociais. estudantes e das outras pessoas envolvidas na educação com as situações concretas de suas lutas específicas. Envolve aspectos referentes a avaliação. Corresponde a esta visão a chamada Geografia Tradicional . Atualmente muitos destes livros ainda apresentam características. os quais surgiram e vão surgir a partir do encontro de educadores. No ensino. 1992. É no encontro da teoria [da Educação Física] com a história que residem nossas esperanças de uma educação e de uma sociedade mais democrática. Crítica e Pós-Crítica Pelo menos três grandes tendências se observam na trajetória do Currículo: Teoria Tradicional.

Agora os novos termos que a expressam são: a ideologia. a prática da maioria dos professores e de muitos livros didáticos conservava ainda a linha tradicional. Analisando então as duas Geografias. Por um lado se apresentava o cientificismo positivista da Geografia Tradicional. Essas propostas. Além disso. sua correspondente em Geografia também adota o nome de crítica que se mostra a partir dos anos 60. que se convencionou chamar de crítica. Neste sentido. Entre outras questões da prova. é possível avaliar que tanto a Geografia Tradicional como a Geografia Crítica deixaram de lado o olhar que cada pessoa tem do mundo expresso por múltiplas representações. sob influência das teorias marxistas. Essa Geografia. Convém registrar o resultado de uma avaliação nesta disciplina feita por minha filha de 11 anos. descritiva e despolitizada. 2) Como se forma o carvão mineral? Resposta: “Através de vegetais enterrados há milhares de anos atrás”. herdada da Geografia Tradicional. destaquei duas: 1) Como se forma o petróleo? Sua resposta: “Através de restos de animais enterrados há milhares de anos atrás”. essa perspectiva trouxe uma nova forma de interpretar as categorias de espaço. que acabava por negar a homens e mulheres a possibilidade de um conhecimento que passasse pela subjetividade do imaginário e do outro um marxismo ortodoxo e militante que julgava alienante . parece que da mesma forma em há repetição por parte da professora há também por parte da aluna. ou a resposta pode ser considerada mecânica? Nos sugere que há instalada uma Geografia Crítica na escola. no entanto foram criticadas em função do destaque dado as questões referentes a explicações econômicas e a relações de trabalho. emancipação e libertação. cujo centro de preocupações passa a ser as relações entre a sociedade. relações sociais de produção.cujas premissas negam a neutralidade e afirmam os conceitos de ideologia e poder. propondo uma Geografia das denúncias e lutas sociais. sintetizo para ilustração. cursista da 5ª série do Ensino Fundamental de uma escola da rede pública. ficou muito marcada por um discurso retórico. há menos de um mês. poder. sustentada pela descrição e memorização. coexiste com essa prática uma Geografia Tradicional. os geógrafos procuraram estudar a sociedade mediante as relações de trabalho e da apropriação humana da natureza para produzir e distribuir os bens necessários às condições materiais que a garantem. eram consideradas inadequadas para os alunos distantes de tal complexidade nessa etapa da escolaridade. A esse respeito. Giulia Ranah. a presença da Geografia Tradicional atualmente nas instituições de ensino. currículo oculto e resistência. Criticou-se a Geografia Tradicional. que naturalizava a ação do Estado e das classes sociais dominantes. Bom. Esse procedimento se traduz em aprendizagem significativa? Com base nestes dados é possível estabelecer outras relações para ampliação deste conhecimento. a Geografia ganhou conteúdos políticos que passaram a ser significativos na formação do cidadão. Assim. Para o ensino. uma série de propostas curriculares voltadas para o segmento de quinta a oitava séries. Ou seja. classe social. território e paisagem e influenciou. a partir dos anos 80. reprodução cultural e social. o trabalho e a natureza na produção e apropriação dos lugares e territórios. Criou-se uma contradição entre o discurso do professor e o conteúdo dos livros e dos métodos em sala de aula. capitalismo. uma vez que pelo discurso que usavam. como xeque à Geografia Tradicional.

qualquer explicação subjetiva e afetiva da relação da sociedade com a natureza que não levasse em conta a luta de classes. a estrutura das relações sociais e as instituições. Nesta perspectiva. de bairro ou de cidade. mas encontra-se pulverizado. as relações com o mundo. orientação sexual. A ruptura com a Teoria Crítica do Currículo se dá no campo do entendimento de que o poder não se limita às classes sociais. imaginário. representação. Vale salientar que é a questão do poder que vai separar as teorias tradicionais das teorias críticas e pós-críticas do Currículo. por sua vez. as teorias críticas e pós-críticas. Portanto. Enfim. dependendo do gênero. as Ciências Políticas. subjetividade. ela torna-se insuficiente como método quando se procura compreender o mundo simbólico e das representações que orientam. alteridade. Se o marxismo possibilita compreender a maneira como a sociedade se organiza em torno das atividades básicas da produção e reprodução da vida material e mesmo de aspectos não-materiais como a linguagem. já que está inevitavelmente implicada em relações de poder: interessa saber o quê ensinar. rompendo. de micro poder e. ou seja. raça ou etnia. a Biologia. É inegável a contribuição do marxismo para o aluno e aluna compreender e explicar o processo de produção do espaço. Enquanto as teorias tradicionais se consideram neutras. as crenças. buscam-se explicações mais plurais. ele não sente apenas as diferenças das condições materiais nos novos . essa tendência curricular corresponde a Geografia Pós-crítica que privilegia as dimensões subjetivas. portanto. tampouco pautada exclusivamente pela explicação política e econômica do mundo. de escola. mesmo nas classes oprimidas. um homem branco. que promovam a intersecção da Geografia com outros campos do saber. raça e etnia. mas que trabalhe tanto as relações socioculturais da paisagem como os elementos físicos e biológicos que dela fazem parte. assim. multiculturalismo. as relações de poder acontecem de forma multifacetada. diferença. desencadeando múltiplos processos de hierarquias de poder. por exemplo com a Antropologia. buscar explicar para compreender. gênero. Nesta linha. argumentam que não há neutralidade na teoria. dialogando. cultura. também. científicas e desinteressadas. pois basta-lhes responder o quê ensinar. significação e discurso. Uma Geografia que não seja apenas centrada na descrição empírica das paisagens. Estas perguntas provocam o delineamento da recente Teoria Pós-Crítica do Currículo onde a ênfase posta é no conceito de discurso e nas representações como determinantes do processo curricular: expressões que traduzem um pouco desta concepção é a identidade. mas sobretudo o por quê ensinar esse conhecimento e não aquele. singulares dos seres humanos em sociedade. a Sociologia. Sabemos que em seu cotidiano os alunos e alunas convivem de forma imediata com essas representações e significados que são construídos no imaginário social. tanto com o positivismo como com o marxismo ortodoxo. investigando as múltiplas interações entre eles estabelecidas na constituição dos lugares e territórios. tanto no campo como na cidade. por exemplo. É por meio dele que se poderá chegar a compreender as desigualdades na distribuição da renda e da riqueza que se manifestam no espaço pelas contradições entre o espaço produzido pelo trabalhador e aquele de que ele se apropria. pode mais (tem mais poder) que uma mulher. Quando um aluno muda de rua. uma mulher branca pode mais que uma mulher negra.

um projeto de Currículo estará em curso. os mapas mentais que se constroem para orientar as pessoas no mundo. se o Currículo é uma questão de poder na medida em que seleciona e privilegia determinados saberes. Para tanto. em relações de poder uma vez que transmite visões particulares que acaba por constituir identidades individuais e sociais. Nesse sentido. o Currículo não é de modo algum inocente nem tampouco neutro. possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e propositiva os educandos e educandas. alunas queremos formar no Curso de Geografia. Em cada imagem ou representação simbólica. Daí decorre a necessidade de se discutir o Currículo no âmbito do debate público de forma a não permitir seu confinamento na esfera privada onde se acham os interesses particulares e dessa forma possam continuar as práticas de dominação e poder. os vínculos com a localização e com as outras pessoas estão a todo momento. pois se visto como um artefato cultural e social. Professor Ruy Coelho* . Quando se pensa sobre o mundo rural e urbano. se constroem esses espaços com os recursos do imaginário. falar do imaginário em Geografia é procurar compreender os espaços subjetivos. Considerações Finais: Pensamos que o ensino de Geografia pode nos ajudar a compreender de forma mais ampla a realidade. sua transmissão não pode mais ser compreendida como algo simplesmente desinteressado. no dizer de Tomás Tadeu da Silva. saber e poder. de modo que possam não apenas compreender as relações socioculturais e o funcionamento da natureza às quais historicamente pertence. um bairro ou mesmo um país. evidenciando sua identidade.lugares. mas também conhecer e saber utilizar uma forma singular de pensar sobre a realidade: o conhecimento geográfico. acreditamos que trabalhar com o imaginário dos alunos e alunas no estudo do espaço. Ora. O CURRÍCULO E SUAS IMPLICAÇÕES NO FAZER PEDAGÓGICO DO PROFESSOR. é preciso que eles adquiram conhecimentos. então. que paisagens merecem ser destacadas e sobretudo quais serão os lugares que iremos mostrar? Certamente nestas respostas. permitindo compreender ao mesmo tempo a singularidade e a pluralidade dos lugares no mundo. códigos e significados com os lugares. consciente ou inconscientemente. Nesta disputa por espaço no Currículo. Ele está implicado sim. mas também as mudanças de símbolos. a cartografia do olhar. valorizar os fatores culturais da vida cotidiana. conceitos e procedimentos básicos com os quais este campo do conhecimento opera e constitui suas teorias e explicações. lugares e coisas tem para ele. resta saber que alunos. estamos pisando em um território cujas questões já estabelecidas precisam ser questionadas. Tudo isso significa dizer. orientando as ações humanas. dominem categorias. Assim. considerando a reflexão desenvolvida: que novos mapas devem ser selecionados. é facilitar a interlocução com ele e compreender o significado que as diferentes paisagens. contestadas.

O currículo tradicional de educação tem seu alicerce sedimentado dentro da filosofia positivista de Augusto Comte. distinção de disciplinas masculinas e femininas. enquanto seres formadores de opinião devem procurar fundamentar sua prática em teorias que lhes dê a possibilidade desenvolver seu fazer pedagógico de forma a atender as inquietudes dos educandos diante da sociedade tecnológica. analisar o significado. mas sim como ensinar. o pensamento voltado para o tecnicismo. O que se pretende ensinar depende da concepção de currículo que está presente na ação de ensinar.. o saber fazer. iremos a priori tecer uma breve consideração sobre o currículo dentro da perspectiva tradicional. pouco conhece o currículo.. Apesar das grandes contribuições no âmbito educacional dos teóricos críticos. A ação educativa fundamentada neste paradigma implica em uma dicotomia entre ensino e aprendizagem. Tomaz Tadeu da. A teoria linear de currículo de Tyler tem o ensino como instrução. critica e pós-critica de educação. No Currículo tradicional o aluno é um mero receptor e a pedagogia(professor) se preocupa em o que ensinar. muitos estudiosos dentre eles podemos destacar Paulo Freire .. onde o professor é o que ensina e o aluno o que aprende. Com o pós modernismo emergiu movimentos como multiculturalismo. uma introdução às teorias do currículo. em que a cultura dominante faria o papel de permitir que outras formas culturais tivessem seu “espaço”. o movimento feminismo questionamentos acerca da desigualdade entre homens e mulheres. A teoria pós-critica busca identificar. esse movimento questiona as dinâmicas do mundo moderno nos âmbitos social. com esse movimento surgiu as teorias pós-critica de currículo que vai alem da teoria tradicional que se preocupa em o que ensinar e a critica no como ensinar. Diante de todas as implicações causadas pela teoria tradicional de currículo. o que é considerado verdadeiro em termos de conhecimento e o porquê de sua prática? Porque o conhecimento se tornou verdadeiro? Que homem se pretende formar? Para que tipo de sociedade? As perspectivas pós-criticas estão alicerçadas sobres o eixo liberal ou humanista. procedimentos metodológicos e avaliativos. informacional vigente. conteúdos. Bibliografia. através da teoria de currículo de Tyler. As teorias criticas de currículo são teorias que põem em discussão o status quo daqueles que detêm o poder. através da problematização e do questionamento entre professor. de alunos e professores de forma dinâmica e recíproca. Essa teoria de currículo permeou e ou permeia o fazer pedagógico de muitos professores que apesar de todas as evoluções no âmbito das teorias educacionais ainda se prende a ela para a efetivação de sua pratica de ensino. Mas o que toda essa discussão tem haver com o fazer pedagógico do professor? O currículo se materializa na pratica e é através deles que os professores escolhem seus temas. político. Documentos de Identidade. pois os alunos são considerados um papel em branco a ser preenchido pelo professor através de sua pratica pedagógica onde ensinar é transferir conhecimentos. delineada pela teoria tradicional. onde as informações são depositadas nos alunos. a atenção está voltada não para o que ensinar. Atualmente o professor pouco fala de currículo. é a busca de procedimentos metodológicos que garantam uma maior apreensão e domínio do conteúdo de ensino por parte dos alunos e que garantam um espaço democrático participativo no âmbito da sala de aula. que defende idéias de tolerância. a questão de gênero e a Identidade étnica e racial diferenças determinadas histórica e politicamente. Paulo Freire denominou essa pedagogia tradicional de educação bancária. ou seja. Belo Horizonte: autêntica SISTEMA ELETRÔNICO DE EDITORAÇÃO DE REVISTAS/OPEN JOURNAL SYSTEMS Ajuda do sistema/Journal Help USUÁRIO/USER Login Senha . Na ação pedagógica baseada nas teorias critica de currículo.. respeito e convivência harmoniosa entre as culturas e a mais crítica –discutem que as relações de poder. Devemos salientar que esse ensaio não esgota as questões relacionadas ao tema discutido. é preciso que a escola discuta o currículo que sedimenta sua prática através da ação do seu Projeto Político-Pedagógico.Para uma melhor compreensão do tema em questão. emergiu um movimento intelectual que fez nascer o mundo pós-moderno ( metade do século XX). A prática pedagógica do professor dentro dessa perspectiva está voltada para a ação-reflexão-ação do ato pedagógico onde o professor reflexivo busca interagir com os alunos numa dialética que envolve o saber ser.conhecimento . o tecnicismo . SILVA. pois. o professor é o detentor do saber e o transfere para o aluno para que este o receba sem questionar. que pressupõe que nenhuma cultura pode ser julgada superior a outra. que visa preparar indivíduos para desempenhar situações definidas. essa teoria está voltada para o porque ensinar ele diz o que deve ser ensinado. buscou introduzir no âmbito escolar as dinâmicas estabelecidas por Taylor na linha de montagem de carros. Louis Altusser começaram a esboçar o paradigma critico de currículo em “oposição” as práticas educacionais baseadas na teoria tradicional de currículo de Tyler que estava voltado para atender as necessidades do mercado de trabalho.aluno. Assim de forma consciente ou não ele reproduz as ideologias contidas no currículo.

4 (2001) > de Souza CAPA SOBRE ACESSO CADASTRO PESQUISA/SEARCH  ATUAL ANTERIORES NOTÍCIAS RESUMOS DE TESES RESENHA SILVA. 156 p. Tomaz Tadeu da.Lembrar usuário Acesso IDIOMA/LANGUAGE Português (Brasil) C O N T E Ú D O D A R E V I S T A Pesquisa/Search Todos Pesquisar Procurar/Browse     Por Edição/By Issue Por Autor/By Author Por Título/By Title Outras revistas/Other journals TAMANHO DE FONTE Make font size smaller Make font size default Make font size larger INFORMAÇÕES    Para Leitores/For Readers Para Autores/For Authors Para Bibliotecários/For Librarians         Capa > v. [Resenha]* RAQUEL LENNER PEREIRA LOPES DE SOUZA** FERREIRA** . Belo Horizonte: Autêntica. 1999. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo.

raça. tais como: o que é uma teoria do currículo? Onde começa e como se desenvolve a história das teorias do currículo? Quais são as principais teorias do currículo? O que distingue as teorias tradicionais das teorias críticas do currículo? E estas das pós-críticas? Antes. 14). críticas e pós-críticas e tratando introdutoriamente cada uma dessas perspectivas. PEREIRA*** CAVALCANTI** Neste livro encontramos um panorama das teorias do currículo. c) significação e discurso. ou melhor. Para Silva. Segundo ele. alteridade e diferença. entre eles: Michael Apple. que identidades construir? Com base em quais relações de poder serão essas perguntas respondidas? O texto está dividido em duas partes. etnia e sexualidade. há questões que toda teoria do currículo enfrenta: qual conhecimento deve ser ensinado? O que eles (alunos) ou elas (alunas) devem ser. h) multiculturalismo . A primeira aborda teorias tradicionais e teorias críticas.ELIENE ROSIRIS PEREIRA MARCELO GUINA FERREIRA**** LACERDA DE S. g) gênero. a gênese das teorias críticas e estudos de vários autores. a partir de vários estudos e autores que abordam a origem do campo do currículo. b) subjetividade. A segunda parte aborda as teorias pós-críticas. d) saber-poder. O autor levanta indagações essenciais sobre o currículo. porém. Paulo Freire. o autor fala sobre sua compreensão de teoria do currículo. passando pelas teorias tradicionais. e) representação. assim como os principais conceitos e definições que elas enfatizam. f) cultura. Demerval Saviani etc. apresentando a origem dos estudos sobre currículo. ressaltando os conceitos de: a) identidade. Henry Giroux. definições não revelam uma suposta „essência‟ do currículo: “uma definição nos revela o que uma determinada teoria pensa que o currículo é” (p.

A primeira aborda teorias tradicionais e teorias críticas. Henry Giroux. h) multiculturalismo . alteridade e diferença. d) saber-poder. entre eles: Michael Apple. ou melhor. etnia e sexualidade. e) representação. apresentando a origem dos estudos sobre currículo. raça. há questões que toda teoria do currículo enfrenta: qual conhecimento deve ser ensinado? O que eles (alunos) ou elas (alunas) devem ser.Antes. f) cultura. 14). Paulo Freire. definições não revelam uma suposta ‘essência’ do currículo: “uma definição nos revela o que uma determinada teoria pensa que o currículo é” (p. b) subjetividade. a gênese das teorias críticas e estudos de vários autores. A segunda parte aborda as teorias pós-críticas. porém. Demerval Saviani etc. g) gênero. Segundo ele. Para Silva. ressaltando os conceitos de: a) identidade. o autor fala sobre sua compreensão de teoria do currículo. que identidades construir? Com base em quais relações de poder serão essas perguntas respondidas? O texto está dividido em duas partes. c) significação e discurso.

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