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CARTA ABERTA A UM AMIGO Paulino Brilhante Santos, Membro da Direção do IDP Caríssimo Amigo Tens toda a razão ao assinalar a insensatez desta gente que ignora as lições da História. O primeiro sinal de alarme, para mim, surgiu quando os que me são próximos começaram com piadas jocosas a insinuar que eu estava a ter um discurso de esquerda. Ao princípio, confesso que isso me incomodou um pouco, tal como as graçolas do nosso Amigo acerca da minha pretensa adesão a teses “historicistas” e “deterministas”. Imputadas logo a mim que sempre fui um adepto ferrenho de Friedrich von Hayek, Locke, Adams, Sir Karl Poper, Isaac Ibrahim, Georges Steiner e tantos outros da nobre corrente liberal e filiado na distinta linha conservadora de um Lord Disraelli e de um Sir Winston Churchill! Mas devo dizer que, depois de madura reflexão, deixei de me preocupar com esse aparente alinhamento de posições com a esquerda. Porquê? Pela simples e óbvia razão que, recorrendo de novo aos ensinamentos da História, me apercebi que, num momento de Queda da Civilização, os liberais e conservadores como eu, que lutam desesperada e galhardamente pela sua preservação sempre se assemelharam aos elementos mais críticos e radicais da sociedade em dissolução. Não raro, os seus diagnósticos e análises coincidiram. Mas se estiveram de acordo quanto aos males sociais, tudo o mais os dividia, sobretudo quanto às curas apropriadas para tais flagelos civilizacionais. E é nessa exata posição em que eu hoje me encontro. O liberalismo quando comparado com o socialismo está para a sociedade política e para a economia como o rugby da minha juventude está para o futebol. Diz-se do rugby que é um desporto de brutos jogado por cavalheiros e que o futebol, por contraste, é um desporto de cavalheiros praticado por brutos. Este foi sempre o drama do liberalismo: só funciona quando na política como na economia é assumido um quadro institucional, social, jurídico, regulamentar e ainda ético e moral que há máxima liberdade faz equivaler a máxima responsabilidade não apenas pessoal mas também social. Só assim a lei da liberdade consente que o forte não esmague o fraco só por ser mais forte; só assim se consegue que o “vencedor não leve tudo”; só desta forma é possível que a concorrência, sendo aberta e leal não conduza inexoravelmente ao oligopólio e ao monopólio; só assim se logra evitar que o poder do dinheiro ganhe asas e o dinheiro, como um sábio uma vez disse, de “bom servo” se converta num “péssimo senhor”. E é por esta singela razão que eu tenho vindo a afirmar em todas as análises que faço a esta Crise Civilizacional que a ideologia dita “neo-liberal”, não é de todo em todo liberal;é, em boa verdade, a negação pura do liberalismo na acepção mais correta, estrita e nobre desta filosofia política que, contrariamente ao que alguns pensam, é quase tão antiga quanto o pensamento político da Humanidade, tendo pouco ou nada que ver com certas ideias ditas “liberais” que surgiram nos finais do século XVIII e com mais força no século XIX que são mais ideias de “darwinismo social”, de “lei da selva” ou pior ainda, do que ideias puramente liberais, como eu as concebo e como as conceberam originalmente grandes pensadores liberais como Locke, Adam Smith, John Quincy Adams, Benjamin Franklin e tantos outros.

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Sou, além disso, de forma quiçá, algo contraditória ou paradoxal, um assumido conservador. Entendo, porém, que se a liberdade é decisivamente importante, não menos importante é o que fazemos com ela. Sempre defendi que as liberdades individuais devem ser exercidas num quadro de respeito por um forte sentido de pertença a uma continuidade de vida que nos precede e que nos sucederá no âmbito de uma dada comunidade de valores, de cultura e de identidade coletiva. A construção e reconstrução permanentes de um ego desenraizado, independente de tudo e de todos, por vezes “comunitarista”, mas raramente identitário é causa da alienação do que se convencionou chamar este “ser pós-moderno”, um ser egocêntrico, egotista, consumista, com a veleidade de viver para sempre e de ser eternamente jovem e saudável, prisioneiro de mitos urbanos em constante mutação, pertença apenas de efémeras e mutáveis tribos, desorientado, stressado e sem valores. Por isso sempre entendi que um verdadeiro liberal tem também que ser um conservador sob pena de não passar de um libertário, criatura “pós-moderna” muito diversa, essa sim susceptível de aderir à filosofia fácil do dito (falsamente, como vimos) “neo-liberalismo”. Criatura susceptível também de aderir à ideologia gémea dita não menos falsamente “neoconservadora”. Um verdadeiro conservador acredita, como eu, na necessidade de alcançar e manter um razoável e justo equilíbrio social. Assim sendo, aceitam-se desigualdades sociais resultantes quer de acasos inevitáveis quer de diferenças de mérito, de vocação e de níveis diversos de responsabilidade na condução dos assuntos sociais e políticos, na direção da economia e na gestão das empresas, em domínios de elevada especialização, de risco elevado e noutros casos justificados. Mas rejeitam-se desigualdades sociais excessivas e visa-se alcançar um modelo social harmonioso em que cada cidadão, independentemente dos seus méritos ou capacidades, veja satisfeitas as suas necessidades básicas e tenha acesso a condições de vida com um mínimo de conforto, segurança e dignidade. Um verdadeiro conservador, como eu, não encara, portanto, o Estado Social e os seus esquemas de proteção social como um ónus ou um custo excessivo e inútil sobre a economia que conviria minimizar, nem com um convite à preguiça ou à irresponsabilidade pessoal ou social. Tão pouco tem da segurança social uma visão assistencialista ou de caridade. Recordo-me do meu pai me contar que já o meu avô lhe ter ensinado a responsabilidade, o dever, de provermos sempre às necessidades e de acorrermos em auxílio quando necessário do que o meu avô chamava a “gente nossa”, ou seja, aqueles que dependiam de nós, os nossos empregados, os nossos vizinhos, os nossos amigos. Não se tratava de caridade que emana de pura bondade ou generosidade. Tratava-se de um dever, de uma obrigação, de uma responsabilidade que cumpria respeitar. Os falsamente ditos “neo-conservadores”, pelo contrário, defendem que ninguém é responsável senão por si próprio e, eventualmente, pela sua família mais próxima ou direta. Os outros devem cuidar de si. Quando muito, haverá um ou outro caso mais dramático que, por inspirar piedade, poderá merecer a nossa assistência ou a nossa caridade. Creio ter demonstrado cabalmente que entre aquela posição verdadeiramente conservadora e esta implacável posição do tipo “lei da selva” mitigada pela piedade e a que se pode acorrer com a caridade dos ditos (falsamente) “neo-conservadores” vai um tal abismo, são tais posições tão opostas ou antitéticas que não é possível considerar que esta última seja de todo conservadora, ainda que “neo”. O grande drama da Europa foi que, para a construção da União Europeia (UE), tornou-se obviamente necessário acentuar o liberalismo no sentido de desmantelar as barreiras proteccionistas entre os Estados-Membros que impediam a formação de um mercado único europeu, a criação de um espaço de livre circulação de pessoas, mercadorias e capitais, que obstaculizava o livre estabelecimento de empresas e de negócios, em suma, múltiplas barreiras e instituições nacionais da

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mais diversa ordem que impediam que a UE funcionasse internamente como um bloco ou espaço económico unificado. Para alcançar este objetivo foram necessárias quer condições políticas quer estruturas e meios institucionais de coordenação que transcendessem os Estados Membros da UE. Tais estruturas e meios institucionais da UE ficaram naturalmente e desde a sua génese profundamente imbuídos de uma cultural liberal, como não poderia deixar de ser, atendendo justamente à sua missão primordial. Durante algum tempo, houve a preocupação, quer ao nível da UE quer das políticas económicas nacionais, de compensar estes inevitáveis efeitos da liberalização indispensável à formação do Espaço Económico Europeu com medidas de aproximação dos níveis de desenvolvimento económico real dos Estados Membros no âmbito de programas de “convergência real” das respetivas economias e estes foram sem dúvida alguma os Anos de Ouro da União Europeia que duraram aproximadamente duas décadas, as de 1980 e 1990. Muitos foram os economistas de toda a Europa, tanto do “Sul” como do “Norte” como muitos economistas americanos e de outros países que alertaram em devido tempo a UE que o processo subsequente de introdução do Euro, sobretudo às taxas de câmbio adotadas para os países do “Sul”, como foi justamente o caso de Portugal, em que as moedas desses países foram sobrevalorizadas, iriam acarretar desvantagens competitivas graves para esses países do “Sul” que poderiam comprometer os processos de “convergência real” das suas economias com o nível de desenvolvimento das economias dos países do “Norte”. Mas tais alertas foram soberba e soberanamente ignorados. Prosseguiu-se com a adoção do Euro sem quaisquer medidas de compensação para os países do “Sul”. Abandonaram-se os programas de “convergência real” das economias, tendo os mesmos sido substituídos por programas de “convergência nominal” segundo os critérios puramente financeiros de adesão ao Euro e, subsequentemente, dos critérios financeiros do “Pacto de Estabilidade e Crescimento” cujos índices consistiram (e consistem) apenas em rácios de défices dos Orçamentos do Estado, dívida pública e inflação. Não foram impostos limites ao endividamento dos países da Zona Euro numa conjuntura de dinheiro fácil e barato, antes se tendo consentido no galopante e insustentável endividamento geral de todos os Estados Membros da UE, com particular destaque para os países do “Sul”. Tentemos agora perceber porque é que os países do “Norte” aproveitaram a “bonança” do crédito fácil e dos juros baratos para reestruturar as suas indústrias virando-as decisivamente para a exportação para os mercados emergentes da região da Ásia-Pacífico, Estados Unidos, Rússia e Brasil enquanto os países do “Sul” se endividaram a um ritmo, aliás, em certos casos, superior para fazerem obras públicas e parcerias público-privadas (PPPs). E aqui vamos encontrar de novo os “suspeitos do costume”: Goldman Sachs, o defunto e enterrado Lehman Brothers, a defunta mas não enterrada, antes fusionada Merril Lynch hoje incorporada no Bank of America, o Royal Bank of Scotland (na tenda do oxigènio dos dinheiros dos contribuintes do Reino Unido), o HBSC e uns dois ou três mais. Este grupo de não mais de 6 ou 7 grandes “grossistas” de dinheiro a nível mundial, abastecia de fundos um grupo de não mais de 3 a 5 grandes bancos nacionais em cada Estado-Membro da UE do “Norte” ou do “Sul” em grandes projetos de financiamento de preferência de grande volume, alto rendimento e de baixo risco. Ora, nos países do “Norte” as grandes empresas industriais em reestruturação ofereceram a estes “grossistas” de dinheiro projetos interessantes que reuniam os três requisitos acima indicados, por isso os ditos “grossistas” financiaram, entre 2001/2002 até ao crash de crédito de 2007/2008, os bancos

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nacionais desses países com fundos para estes projetos, sobretudo na Alemanha, Holanda, Áustria, Suécia, Dinamarca e noutros países do “Norte” da UE. Mas os países do “Sul” nos quais a chamada “economia real” mais precisava e precisa de financiamentos deste tipo para a reconversão dos respetivos perfis económicos no sentido de apostar mais nos setores de bens transacionáveis para substituir importações e desenvolver as exportações, não havia nem há assim tantas grandes empresas industriais que ofereçam projetos de grande volume, alto rendimento e baixo risco. Geralmente, os projetos são de baixo volume relativo e o risco é maior dada a menor dimensão das empresas, embora o rendimento dos financiamentos até pudesse ou possa ser mais elevado. Porém, os países do “Sul” tiveram nos setores das obras públicas e das PPPs verdadeiras minas de ouro para estes “grossistas” de dinheiro: projetos de grande porte, elevado volume de financiamento necessário, alto rendimento e, como o risco era sempre assumido pelo Estado, de baixo risco. Não admira, porém, que se tenham lançado preferencialmente a estes projetos que eram também, pelas mesmíssimas razões, os preferidos pela banca portuguesa que estes “grossistas” financiaram. E foi assim que ao eclodir a crise financeira de 2007/2008, devido a estas diferenças estruturais entre as economias do “Norte” e as economias do “Sul” da UE, enquanto as primeiras enfrentaram a crise após uma reestruturação bem sucedida do seu tecido industrial com um aumento de exportações para fora da Europa, as economias do “Sul” quedaram-se por um saldo de dívida pública acrescido com as obras públicas e as PPPs financiadas pelos ditos “grossistas” de dinheiro entre 2001 e 2007 a agravar a “crise das dívidas soberanas” que se lhe haveria de seguir. Como se vê, é pura estultícia dizer-se que foi apenas o “despesismo” e a “irresponsabilidade” dos países do “Sul” a provocar esta atual “crise das dívidas soberanas”. A grande falácia oculta nesta ideia “neo-liberal” é que os países do “Sul” usaram o financiamento internacional disponível para projetos que os ditos “grossistas” de dinheiro internacional estavam dispostos a apoiar. Não tenho acesso aos dados, mas seguramente é lícito assumir que tais “grossistas” terão lucrado a parte de leão destes financiamentos, tendo os bancos nacionais ficado apenas com uma espécie de comissão. Acessoriamente, sei que bancos nacionais dos países do “Norte” também terão lucrado bastante com estes negócios em parceria com estes “grossistas” de dinheiro internacionais. Não descartemos, porém, culpas próprias. A nossa classe política corrupta até à medula, os nossos “empresários” clientelistas e rentistas do Estado e os nossos bancos, foram, na retaguarda nacional, os grandes co-responsáveis por tamanho descalabro e não podem, de modo algum ser absolvidos deste imenso crime de lesa Pátria. Mas, quando a Fuherina Merkel fala em “sanções automáticas” para os incumpridores deveria recordar-se de que em direito penal é de regra punir não apenas os autores materiais mas também os mandantes e cúmplices do crime nos quais se incluem, aliás, diversos dos grandes bancos alemães. Aliás, um dos sinais típicos do sub-desenvolvimento é precisamente esta aliança contra-natura e anti-patriótica das elites locais com interesses estrangeiros em detrimento dos interesses nacionais e é fácil verificar que esta ímpia aliança da grande negociata e finança nacional com a alta finança internacional se verificou na prática deste crime, não só em Portugal como decerto na Grécia, Itália, Irlanda, Espanha e por aí fora. Portugal terá sem dúvida de assumir as suas responsabilidades e de assumir os enormes sacríficios necessários para por as suas finanças públicas em devida ordem. Mas os ditos países do “Norte” terão também de por a mão na consciência e de assumir a sua justa quota parte de responsabilidades nesta situação que, como acabei de demonstrar, está longe de ter saido criada apenas

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pelos “irresponsáveis” e “despesistas” países do “Sul”, tanto que, não fora a crise financeira de 2007/2008, teria alegremente continuado para maior lucro e proveito dos países do “Norte”. A ideia que parece grassar pelo “Norte” de que os países do “Sul” de alguma maneira estarão dispostos a aceitar ilimitados sacríficios, retornar a níveis de vida inaceitáveis de miséria e mesmo, como parece agora ter virado moda, renunciar à democracia em benefício de “governos tecnocratas” compostos, na verdade, por elementos da Goldman Sachs, por vigaristas que chegaram a ser responsáveis- pasme-se a onde isto chegou!- por viciar as estatísticas que levaram à adesão da Grécia e da Itália ao Euro quando estes países não reuniam as condições para tanto, é, como bem disse o Velho Amigo Frederico, algo que só pode ocorrer a um bando de boches e de austríacos arrogantes que por mais que sejam derrotados nunca aprendem nada com a História! Mas, na minha opinião, os povos do “Sul”, se esta política do “Norte” de bloqueio total às Eurobonds, à emissão de moeda pelo BCE, à compra pelo BCE de dívida pública no mercado primário e até mesmo, como a Alemanha e a França já vêem dizendo, restrições à compra de dívida pública até no mercado secundário, ameaça de sanções, continuação de manobras para a exclusão dos países do “Sul” do Euro continuar, não irão tolerar a situação por muito mais tempo. Agora é a própria democracia que começa a estar em causa: os “mercados” parece que já derrubam governos e até conseguem fazê-lo evitando a realização de eleições (no caso da Itália) ou ameaçando adiar tais atos eleitorais (como na Grécia em que o “tecnocrata” indigitado para Primeiro-Ministro Papademos já anda a dizer que não sabe se conseguirá concluir a sua “missão”- puramente “técnica”, é claro- até Fevereiro). E desenganem-se aqueles que imaginam que lá porque uns quantos milhares de Italianos (aliás, poucos) celebraram nas ruas a demissão de Berlusconi e nenhum grego pareceu lamentar a demissão de Papandreous isso significa que preferem este tipo de governos de “tecnocratas” impostos do exterior, claramente alinhados com a Alemanha. Às tensões económicas e sociais irão doravante juntar-se as tensões políticas. Numa primeira fase, certos setores da opinião pública até poderão pensar que os “tecnocratas” poderão ser melhores do que os “políticos”. Mas depressa a maioria da população dos países do “Sul” perceberá que estes “tecnocratas” são também “políticos” com a peculiaridade de serem políticos de ideologia “neoliberal” extrema disfarçados de “técnicos” e ainda por cima aceitando ordens da Fuherina Merkel. O Dr. Pedro Passos Coelho é, a este respeito, um caso deveras curioso de um “político” já convertido numa espécie de “tecnocrata” que ameaça repetir, como terão visto pela amostra do seu comentário contra as declarações sensatas e avisadas do Chefe do Estado sobre o alargamento necessário e urgente da intrervenção do BCE no mercado primário da dívida pública e na necessidade do BCE emitir moeda, as posições da Fuherina Merkel como se fosse o seu porta-voz para Portugal... Prevejo que a situação irá estourar a breve trecho com a contestação na Grécia à descarada tentativa do “tecnocrata” Papademos se eternizar no poder sem eleições e na Itália à mais do que certa violenta contestação que aguarda o outro “tecnocrata” Monti que teve a supina lata de declarar a sua intenção de governar a Itália sem qualquer legitimidade democrática até, nada mais, nada menos ,do que...2013! Em Espanha Mariano Rajoy não terá nem uma vitória tranquila e tão inequívoca como inicialmente esperado nem um consulado fácil. O que se pode adivinhar com facilidade é que não terá nenhum período de graça por parte dos especuladores que já iniciaram o seu assalto final à dívida pública espanhola. Dadas as consabidas fragilidades económicas e financeiras de Espanha, vaticino que este País cairá ainda antes da Itália ou ao mesmo tempo que uma inevitável queda do atrevido Monti ao qual não dou nem dois meses, “entalado” como ficará entre a vingança do Berlusconi e a contestação da rua italiana.

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Depois, pediremos aos “neo-liberais” que nos expliquem de novo, como se nós fossemos umas crianças de 6 anos muito, muito estúpidas, que “não há alternativa”.

Um Abraço

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