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ATENEU INSTITUTO DE EDUCAÇÃO E PESQUISA O LÚDICO COMO FACILITADOR DA APRENDIZAGEM NA SALA DE AULA Luziana Maria Ferreira Peixoto
FAFIA/Pedagogia.Luzianamfpeixoto@hotmail.com.br

Resumo Este artigo tem por objetivo principal analisar a importância das atividades lúdicas Como forma de contribuir para o desenvolvimento não só cognitivo da criança, mas também para o seu desenvolvimento social, físico e moral. E com o processo de trocas, confrontos, negociações e partilhas gerado com os jogos que o indivíduo gera novas conquistas individuais e coletivas. Portanto, o ato de brincar é terapêutico, prazeroso, e o prazer é o ponto fundamental da essência do equilíbrio humano. No primeiro momento procuramos abordar algumas teorias como a de Freud, Piaget e Froebel. Num segundo momento, apresentaremos a importância do lúdico não dó para o desenvolvimento das crianças, mas a sua relevância na vida social dos indivíduos apresentado também a classificação dos jogos e as fases do desenvolvimento de acordo com Piaget. Num terceiro momento relataremos a importância do lúdico como facilitador na sala de aula. Para a realização do presente estudo, de cunho bibliográfico, se fez, Wasjskop dentre outros destacados ao longo da revisão de literatura expressa no decorrer do trabalho necessário um levantamento das concepções de autores e estudiosos da área, entre os quais podemos citar Piaget, Kishimoto.

Palavras-chave: Brincar; Saber; Educar; Brincadeira; Jogos 1 Introdução Os professores percebem que o Lúdico pode estar presente também em sala de aula sendo uma importante metodologia no processo ensino-aprendizagem, pois até então, resumiam o Lúdico somente às aulas de Recreação ou Educação Física. “ O Lúdico é eminentemente educativo no sentido em que constitui a força impulsora de nossa curiosidade a respeito do mundo e da vida, o princípio de toda descoberta e toda criação. “(Santo Agostinho). Ao brincar, a criança exercita o aspecto cognitivo, suas habilidades motoras (salta, corre, rola,...), seu equilíbrio emocional e autonomia que são bases fundamentais para suas aprendizagens futuras. Acima de tudo, o brincar motiva e dá prazer, proporcionando um clima especial para a aprendizagem, tornando-a diferente e interessante. As atividades lúdicas são fundamentais para o desenvolvimento da criatividade. Crianças criativas possuem melhor concentração, são menos agressivas, mais originais e interessantes e tendem a gostar mais do que fazem, levando essas experiências para todas as fases de sua vida. De acordo com Chateau (1987), faz parte da natureza humana o ato de brincar com a vantagem de favorecer o desenvolvimento da criança e mesmo dos adultos. Estes se realizam plenamente, entregandose por inteiro ao jogo. Já para a criança quase toda atividade é jogo e é pelo jogo que ela advinha e antecipa as condutas superiores. Portanto o brincar é uma atividade inerente ao ser humano. Assim, o momento de brincar possui grande importância, pois contribui para o desenvolvimento do potencial da criança. Sendo também o espaço que proporciona liberdade criadora, oportunidades de socialização, afetividade e um encontro com o seu próprio mundo, descobrindo-se de maneira prazerosa. Ao inserir a brincadeira dentro do conteúdo da inteligência, Piaget apud Kishimoto,(2001), distingue a construção de estruturas mentais da aquisição de conhecimentos. Nesse sentido, a brincadeira, enquanto processo assimilativo, participa do conteúdo da inteligência, igual a aprendizagem e também é compreendida como conduta livre, espontânea que a criança expressa por sua vontade e pelo prazer que lhe dá. Assim sendo, ao manifestar a conduta lúdica, a criança demonstra o nível de seus estágios cognitivos e constrói conhecimentos

os jogos são buscados espontaneamente pelas crianças como meio de chegar à descoberta. Kishimoto. com determinação auto-ativa. Já teoria de Froebel (2001) ao ponderar o brincar como urna atividade espontânea da criança. as razões para essas permanências culturais. Nesse sentido. a inteligência se desenvolve para preencher uma necessidade. do pensamento e da concentração. Ela dá alegria. isto revolucionou a pedagogia da época. A criança que brinca sempre. descanso externo e interno. esquecendo sua fadiga física. perseverando. proporciona o desenvolvimento da linguagem. desafiador. Por acreditar no lúdico como facilitador da aprendizagem na sala de aula tem certeza que este estudo ampliará a discussão sobre o assunto levando aos profissionais da educação fazer uma análise mais profunda e qualitativa sobre o tema. Para ele. pensar o novo. onde o trabalho pautado em brincadeiras e jogos propicie um aprendizado dinâmico. Froebel (2001) acentua a importância à criança. em trabalhos de que todos participem efetivamente. ao mesmo tempo. e paz com o mundo (. é altamente sério e de profunda significação” (Kishimoto. propiciando sob vias lúdicas um ensino prazeroso e que oportunize interações sociais e cognitivas. concebida a partir dessa hipótese. que segundo o mesmo.. É através do jogo que a criança aprende a agir. unificando para o mundo espiritual. homem e sociedade estão intimamente vinculados ao brincar. o lúdico influencia enormemente o desenvolvimento da criança.. Entende também que a criança necessita de orientação para o seu desenvolvimento. O tema do presente estudo vincula-se diretamente a área da educação. em suas séries iniciais. sua curiosidade é estimulada. adquire iniciativa e autoconfiança. produzir. que os jogos consistem numa simples assimilação funcional. Desta forma no presente estudo enfocamos o seguinte problema: o uso das atividades lúdicas propiciam uma aprendizagem qualitativa?Para tratar dessa questão. sobretudo.. “O brincar. p. As concepções froebelianas de educação. 3 A Importância do Lúdico Segundo Vigotsky (1984). Froebel (2001) introduz o brincar para educar e desenvolver a criança. é responsável pelo desenvolvimento físico. reconstruir. construir. devem ser realizadas em cooperação com os outros. típico da vida humana enquanto todo — da vida natural/interna do homem e de todas as coisas. deve estimular a inteligência e preparar os jovens para descobrir e inventar. O presente trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica embasada em teóricos como Piaget. Assim focamos em reconstruir a visão errônea dos jogos educativos. ora orientada. objetos que subsidiam atividades infantis. apud Froebel. Entende que é por meio do brinquedo que a criança adquire a primeira representação do mundo. colocou os jogos como atividade indispensável na busca do conhecimento pelo indivíduo descobriu que não é o estimulo que move o indivíduo ao aprendizado. enfim um aprendizado que possua como alicerce mais que a diversão e. 2 Teorias sobre os jogos Várias teorias surgiram para explicar o significado dos jogos. capaz de auto-sacrifício para a promoção de seu bem e dos outros. cognitivo. o brincar como atividade livre e espontânea. não é trivial. concebe suporte para o ensino e permite a variação do brincar. enfocando especialmente a educação infantil.). os dons ou brinquedos. em qualquer tempo. num exercício das ações individuais já aprendidas gerando ainda. A educação. Luckesi dentre outros. estabeleceu-se como objetivo geral: propiciar uma nova visão das atividades para um ensino prazeroso. agir sobre as coisas. um sentimento de prazer pela ação . mostrando que aquilo que aparentemente é apenas uma forma de preencher o tempo de lazer.23). Faria (1995) expõe segundo a concepção piagetiana. o educador deve desafiar a criança a produzir aquilo que ele quer transmitir. tem raízes profundas no que diz relação a vida e ao saber. pode certamente tornar-se um homem determinado. Vigotsky. Assim. A brincadeira é uma atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e. 1999. liberdade. inventar estratégias.. uma prática de interação social. ora como atividade livre. perspicácia do educador levando-a a compreender que a educação é um ato institucional que requer orientação. contentamento. moral.2 de acordo com o seu nível de desenvolvimento. a seus interesses e atividades e valoriza sua liberdade de expressão. sua teoria metafísica pressupõe que o brincar permite o estabelecimento de relações entre os objetos culturais e a natureza. levando professores e pais a analisar as atividades lúdicas no desenvolvimento das crianças. Em estudos realizados por Piaget sobre o desenvolvimento da inteligência. que pode acontecer por meio das brincadeiras livres ou espontâneas.

ela é o centro das atenções. para outro em que ela já é capaz de uma organização perceptiva e motora dos fenômenos do meio.. apesar de brincar com outras crianças. mas utiliza a imagem. de construir esquemas simbólicos. medos e angústias. A Fase-Sensório Motor. É a fase da tomada de consciência compreensão do que está à sua volta. o jogo é uma atividade que tem sua própria razão de ser e contém em si mesmo. (1997). representações teatrais e outros. . [. a palavra. o processo de socialização transcende suas brincadeiras conjuntas. A criança já não depende só de sensações e movimentos. transferindo e substituindo suas ações cotidianas pelas ações e características do papel assumindo. o seu objetivo. Vigotsky (1984. Na terceira fase que é das Operações Concretas. (1997) afirma que. uma posição situada a meio de caminho entre o jogo e o trabalho inteligente [. o simbolismo decai e começam a aparecer com mais freqüência desenhos. frente à realidade de maneira não liberal. A segunda a Pré-Operatória o principal progresso nessa fase que vai dos 2 (dois) aos 6 (seis) anos. não gosta de dividir brinquedos nem suas idéias. através da brincadeira simbólica e da imitação. ansiedades. formar esquemas simbólicos. aliviando tensões e frustrações. a criança passa no nível neonatal. brincar é sua linguagem secreta. isto é. coloca que os objetivos ditam a ela a ação que deve ser executada. construções de materiais didáticos. Portanto. utilizando-se de objetos substitutos. Surge o egocentrismo que é uma característica principal nesta fase. Portanto. p.]é evidente que os jogos de construção não definem uma fase entre outras. Piaget apud Rizzi. Classificando os jogos em três grandes categorias que correspondem as três fases do desenvolvimento infantil.. é a que nos interessa. A criança tem a tendência de reproduzir nos jogos as relações predominantes no seu meio ambiente e assimilar dessa maneira a realidade e uma maneira de se autoexpressar. distinguidas as abstrações empíricas. problemas. trabalhos manuais. revelando conflitos. mas ocupam. Piaget apud Rizzi. Ao brincar a criança procura apoio nas coisas visíveis e palpáveis do mundo que a cerca. elaborou uma classificação genética baseada na evolução das estruturas. trocas de objetos ou mesmo o relacionamento afetivo com adultos. reflexiva e refletida.Sobre a importância do ato de brincar para o desenvolvimento psíquico do ser humano Bettelheim (1984.]. De acordo com Piaget (1998). Esta adaptação ocorre pelo fato da criança construir novos conceitos e aprender a relacionar-se com outros. intervêm dois mecanismos: abstração e generalização. Nesse período dos seis aos doze anos. 105) coloca que: Nenhuma criança brinca espontaneamente só para passar o tempo. pois nesta idade é o período de ingresso do aluno no ensino fundamental. 96). Sua escolha é motivada por processos íntimos. experimentando o prazer em unir a elas seus objetivos e situações imaginárias. em relação ao sensório-motor. desejos. Ela é capaz de representar uma coisa por outra. marcado pelo funcionamento dos reflexos inatos.3 lúdica em si e pelo domínio sobre as ações. aceitar o outro e se ver como membro do grupo. p. A criança começa a verbalizar o que só realizava motoramente. O desenvolvimento cognitivo se inicia a partir dos reflexos que gradualmente se transformam em esquemas de ação do nascimento até os dois anos de idade aproximadamente. Através da brincadeira a criança expressa sua forma de representação da realidade. Ela desenvolve mais suas habilidades de comunicação passando a ouvir melhor o que os outros tem a lhe dizer e tornase capaz de emprestar o que lhe pertence. formados no período anterior.. que devemos respeitar mesmo se não a entendermos. é o desenvolvimento da capacidade simbólica. a criança está se desenvolvendo ativamente e isso lhe dá possibilidades de se utilizar da inteligência prática decorrente dos esquemas sensoriais motores.. Contudo é relevante diferenciar as formas de jogo nas fases da infância. no segundo e sobretudo no terceiro nível. Piaget (1978) atesta que a passagem de ação a representação. Na brincadeira a criança assume diferentes papéis e nessa representação age. É inaceitável que outra criança tome seu lugar de líder numa brincadeira ou discorde do que está pensando. O que está acontecendo com a mente da criança determina as suas atividades lúdicas. Colocando em palavras o seu pensamento referente às brincadeiras de fantasiar. Os jogos de faz-de-conta possibilitam à criança a realização de sonhos e fantasias. os jogos têm dupla função: consolidar os esquemas já formados e dar prazer ou equilíbrio emocional a criança. as primeiras reconstituições lingüísticas de ações surgem junto à reprodução de situações ausentes.

Esse tipo de jogo continua durante toda a vida do indivíduo. 7). Aparece com mais freqüência os jogos de competição. ginásticas. corrida de velocidade. bola-de-gude. bandeira). jogos de perguntas e respostas. boliche. o que facilitará o próprio auto-desenvolvimento individual. mamãe da rua. Segundo Carneiro (2007. basquetebol e outro. gol a gol. Os jogos de regras começam a se manifestar por volta dos cinco anos. Pela intensidade que as relações sociais vão acontecendo na vida da criança. não um aprender mecânico. rebatida. pião. mas de maneira diferente. portanto estabelecer metodologias e condições para desenvolver e facilitar este trabalho. saltos em altura e em distância. O interesse por coleções e esportes aumenta nessa idade. dois toques. será o visualmente o mais bonito e nem o já construído. desenvolvendo-se principalmente na fase das operações concretas. malha). o material mais apropriado. taco. No plano afetivo o grupo tem um papel primordial na descentralização e na conquista de seu pensamento. devendo oportunizar atividades na sala de aula. sendo que seu descumprimento é normalmente penalizado. O jogo pressupõe a existência de parceiros e um conjunto de obrigações o que lhe confere um caráter eminentemente social. esportes com bastões e raquetes. Com isso muitos professores que não conseguem alcançar resultados satisfatórios por si só estão procurando novas maneira de melhorar este quadro. as regras são mais discutidas e importantes para a criança. assim como viver educa: sempre sobra alguma coisa. proporcionando um ambiente onde os educandos sejam . reelaborando o saber historicamente produzido e superando. chute em gol. O professor acadêmico acha que o aluno já tem que ter uma capacidade de abstração e não precisa de brincadeira. compreendendo. nem sempre. não há mais a necessidade da presença do objeto. jogos de regra (dama. As brincadeiras e brinquedos que apresentam maiores interessem as crianças nessa fase são: Jogos Esportivos (futebol. bobinho). obstáculos. mini-laboratório e vídeo-game. O professor deverá. Jogos pré-desportivos do futebol: (controle. não em proporções verbais. esportes sobre rodas. Muitas vezes. Entretanto costuma-se justificar sua importância apenas pelo caráter motivador ou pelo simples fato de ter ouvido falar que o ensino através dos jogos é mais estimulante para o processo de ensino-aprendizagem. normalmente são necessários. com vara. mas ela usa uma lógica e raciocina ainda de modo elementar. Jogos populares: (bocha. carta e outros). oferecendo materiais e partilhando das brincadeiras. carrinho de rolimã.4 A criança demonstra a necessidade de ter um espaço agradável para brincar e encontrar amigos. jogar educa. cabo de guerra). o professor é a figura fundamental para que isso aconteça. durante a construção de um material proposto pelo professor se tem a oportunidade de aprender de forma mais efetiva. O aluno tem todo o direito de aprender. brincadeiras (pipa. Jogos pré-desportivos (pique. bonecas menores. Observa-se o simbólico ainda nesta fase. Portanto. mas na verdade desconhece o efeito dos jogos no desenvolvimento cognitivo da criança. jogos de montar que sejam desafiante (quebra-cabeça e outros). atletismo (resistência. xadrez. As relações lógicas abstratas só serão possíveis a partir dos onze ou doze anos. o problema não é dos professores. elástico. Leif (1978) expõe que. repetitivo e muito menos um aprender que se esvazia em brincadeiras sem significados. assim. Nesse sentido. drible. Oportunizando a interação uns com os outros. selecionar aquelas mais significativas para seus alunos criando condições para que estas atividades sejam concretizadas. A própria universidade tem uma rejeição em relação ao brincar. O professor nem sempre tem clareza das razões fundamentais pelas quais os materiais ou jogos são importantes para o ensinoaprendizagem e. Mas um aprender significativo do qual o aluno participe raciocinando. queimada. fragmentada e parcial da realidade. Há uma imagem mental já formada que permite a criança evocar esse objeto em sua ausência. O que distingue o jogo de regras e a existência de um conjunto de leis impostas pelo grupo. o professor terá que se integrar da importância do lúdico na formação da criança. apenas os aplicando na manipulação de objetos concretos. p.Jogos de construção. 4 Atividade Lúdica na Escola As dificuldades encontradas por alunos e professores no processo ensino-aprendizagem são muitas. e em que momento deve ser usado. de adivinhação. Os professores não sabem porque ninguém os ensinou. voleibol. verifica-se que as brincadeiras simbólicas vão sendo substituídas por jogos construtivos e de regras. triplo. sua visão ingênua. e uma forte competição entre os indivíduos. arremesso de peso e dardo). tabuleiros.

para ele: Se o brinquedo é um objeto menor do ponto de vista das ciências sociais. pois a importância do brincar e dos brinquedos. Na escola a função de brincar não tem sido realizada de forma adequada. sentirem e experimentarem.5 estimulados às pesquisas e experiências. A brincadeira cria zona de desenvolvimento proximal da criança que nela se comporta além do comportamento habitual para sua idade. ao menos. Com a brincadeira a criança tem a chance não apenas de vivenciar as regras impostas. Como não há gestos inúteis. ouvirem. acrescido da desqualificação do lúdico fazem com que as instituições escolares favoreçam uma formação. O qual pode variar de caráter de sua mediação entre as crianças e a cultura em vários pontos: quando se estão estabelecendo as metas. Porém. devido à exigência de se alfabetizar as crianças o quanto antes. as representações largamente difundidas que circulam as imagens que nossa sociedade é capaz de segregar. Esta começa com uma situação fantasiosa. concentração e outros. recriá-las de acordo com as suas necessidades de interesse e ainda entendê-las. o que vem criar uma estrutura básica para as mudanças da necessidade e da consciência. Quanto mais as crianças virem. principalmente no que diz respeito ao brincar. A construção do real parte então do social. incorpora nossos conhecimentos sobre a criança ou. acarretando assim mudanças metodológicas de ensino nas salas de aula. O brinquedo é um dos reveladores de nossa cultura. não constitui apenas uma necessidade biológica destinada a descarregar energia. Vigotsky (1984) coloca que ao reproduzir o comportamento social do adulto em seus jogos. Na brincadeira. mostra a imagem que faz da infância. Vigotsky (1984. porque pensam sobre suas experiências emocionais e torna (re)conhecível suas potencialidades. o contrario daquele apresentado nas situações de brincadeira. as conseqüentes modificações no contexto sócio cultural e econômico. sem perceber as necessidades básicas das crianças. a criança está combinando situações reais com elementos de sua ação fantasiosa. no sentido clássico do termo. A participação do adulto nesse caso o professor na brincadeira eleva o nível de interesse pelo enriquecimento que proporcionam além de contribuir para o esclarecimento de dúvidas referentes às regras das brincadeiras. deste modo. É no brincar que o indivíduo criança ou adulto pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu. como também limitando os professores acompanharem o desenvolvimento das crianças e de conhecerem o universo sócio cultural de cada um de seus alunos. Mas. com o desenvolvimento do raciocínio da linguagem. aos poucos é internalizada pela criança. p. força. aparece tanto a ação na esfera imaginativa numa situação de faz-de-conta. produtiva e criativa será a atividade de sua imaginação. quando está em processo a avaliação. sendo que a brincadeira é muito mais que a lembrança de alguma coisa que de fato ocorreu. quanto mais aprenderem e assimilarem. não a reconhecem como a principal forma de interação da criança com o mundo que a cerca. quando a criança imita o adulto e é orientada por ele. destreza. a sociedade se mostra duplamente naquilo que é mais. quanto maus elementos reais tiverem em suas experiências. comprometendo o desenvolvimento da criatividade da criança. quando está em andamento uma interação humana. Conforme a brincadeira vai se desenvolvendo acontece uma aproximação com a realização consciente do seu propósito. . Assim sendo. quanto mais rica for a experiência humana. o que pode tornar o brincar mais estimulante e mais rico em aprendizado. é um objeto de profunda riqueza. tanto mais prazerosa. A relação da brincadeira e o desenvolvimento da criança permitem que se conheça com mais clareza importantes funções mentais. maior será o material disponível para as imaginações que irão se materializar em seus jogos. que é a reprodução da situação real. essa reprodução necessita de conhecimentos prévios da realidade exterior. A sua sombra. originando um novo tipo de atitude em relação ao real. 117) expõe que: O comportamento das crianças em situações cotidianas é uma relação aos seus fundamentos. do que uma situação fantasiosa totalmente nova. rapidez. Esta fantasia surge da necessidade da criança em reproduzir o cotidiano da vida do adulto da qual ela ainda não pode participar ativamente. O jogo favorece a aquisição de condutas cognitivas e o desenvolvimento de habilidades como a coordenação. sobretudo naquilo que se dá a conhecer as suas crianças. Quando as crianças brincam é a verdade. Brougêre (2000) faz uma colocação muito importante sobre aqueles que criticam o brinquedo como uma atividade sem importância. qualquer que seja a atividade lúdica conduz ao encontro da criatividade. quando se está processando a informação. com isso sente-se desafiado e prestigiado quando o outro parceiro é um adulto. mas de transformá-las.

1995. 94p. LEIF. 2001. praticadas com emoção. 6ª. indispensável à prática educativa. 224p. 110p. 238 p. da brincadeira do jogo O lúdico é um laboratório vasto de novas experiências onde toda a atenção tanto dos pais quanto educadores é de fundamental relevância. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Atica. 3. e Brunelle. ter objetivos e consciência da importância de sua ação em relação ao desenvolvimento e à aprendizagem infantil. J. Jean. Brincadeira e a Educação. Regina Célia. Leonor. v. FROEBEL. O jogo pelo jogo. e também por influências contemporâneas que colocam em evidência este ou aquele brinquedo. 1997. rever o tempo necessário para a execução das atividades. A educação do homem. por isso. 144p. Uma vida para seu filho. 1998. O desenvolvimento da criança e do adolescente segundo Piaget. VIGOTSKY. Brinquedo. RIZZI. prazer e seriedade. de colegas de escola. 144 p. 144p. FARIA. ou seja.6 como a criação das intenções voluntárias e as formações dos planos da vida real. pelos grupos de crianças da comunidade em que vivem. São Paulo: Artmed. Anália Rodrigues de. 1987. podemos dizer que a brincadeira deve ocupar um ambiente central na educação. Assim é importante que o professor insira o brincar em um projeto educativo. Maria Ângela Barbato e DODGE. 6 Referência BETTELHEIM. ed. As atividades lúdicas são muito variadas e a maioria delas está intimamente ligada às brincadeiras difundidas pela família. não esta colocando de lado o conteúdo formal.43) CARNEIRO. PIAGET. com isso aprendendo novas experiências que ainda não consegue realizar de imediato no mundo real. CHATEAU. A formação social da mente. Jean. Portanto devemos criar espaços. oferecendo-lhes material e partilhando das brincadeiras das crianças. Zahar. 1978. sendo. L S. ed. 62p. . É o mundo da imaginação da fantasia. O jogo e a criança. ______________Jogo. Brinquedo e cultura. São Paulo: Summus. 183 p. Rio de Janeiro. as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo. Atividades lúdicas na educação da criança. KISHIMOTO. A psicologia da criança. Já Piaget (1998) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança. São Paulo: Cortez. 25p. constituindo assim. Bertrand Brasil. Maria Helena Câmara Bastos. aquisições que no futuro tornarse-ão seu nível mais básico de ação real e moralidade. 1999. o que supõe intencionalidade. L. São Paulo: Cortez. Janine J. 3ª ed. A descoberta do brincar. T M. entendemos que o professor é figura fundamental para que isso aconteça. 3. A através das atividades do brinquedo ou da brincadeira que a criança descobre sobre si mesma e sobre o outro. HAYDY. Trad. Passo Fundo: UPF. 1984. Vigotsky (1984) coloca que. Agindo desta maneira estaremos construindo um ambiente que estimule a brincadeira em função dos resultados desejados. do faz-deconta. ed. BROUGÈRE. Bruno. 2007. Rio de Janeiro. no mais alto nível do desenvolvimento pré-escolar. mas trabalhando com o processo de construção de conhecimentos. 1984. 2001. O professor ao desenvolver o conteúdo programático através do ato de brincar. respeitando o estágio de desenvolvimento no qual a criança se encontra e de forma agradável e significativa para o educador. Gilles. São Paulo: Atica. 179p. vivencia comportamentos e papéis num espaço imaginário em que a satisfação dos seus desejos podem ocorrer. pois é através delas que ocorrem experiências inteligentes e reflexivas. 5 Conclusão O mundo do lúdico é um mundo onde a criança está em constante movimento. 358p. São Paulo: Editora Melhoramentos. (Coleção Questões da Nossa Época. Concluindo. F. 2000. São Paulo: Pioneira. São Paulo: Martins Fontes.

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