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FICHA CATALOGRÁFICA

370.9

Machado, Aldonei

M149h

História da Educação/Elaboração:

Aldonei Machado

[et.al.].-3.ed.-

Florianópolis (SC): UDESC:FAED:

CEAD, 2002. 97 p. il. - (Caderno Pedagógico;2).

1. Educação - História.I - I. Título. II. - Autor. III - Série.

- História.I - I. Título. II. - Autor. III - Série. DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DA UNIVERSIDADE
- História.I - I. Título. II. - Autor. III - Série. DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DA UNIVERSIDADE

DOCUMENTO DE PROPRIEDADE DA UNIVERSIDADE DO

UDESC

ESTADO DE SANTA CATARINA -

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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO Versão III Elaboração: Aldonei Machado Cláudia Mortari Diana Mara Gerber Felipe Augusto
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO Versão III Elaboração: Aldonei Machado Cláudia Mortari Diana Mara Gerber Felipe Augusto

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Versão III

Elaboração:

Aldonei Machado Cláudia Mortari Diana Mara Gerber Felipe Augusto Teixeira Luciana Rossato Sérgio Luiz Ferreira Viviani Poyer

Florianópolis, 2002

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC

Esperidião Amin Helou Filho Governador do Estado

Raimundo Zumblick

Reitor

Jorge de Oliveira Musse Vice-Reitor

Neli Goes Ribeiro Pró-Reitora Comunitária

Gilson Lima Pró-Reitor de Administração

Antonio Waldimir Leopoldino da Silva Pró-Reitor de Ensino

Márcia Silveira Kroeff Pró-Reitora de Pesquisa e Desenvolvimento

Centro de Ciências da Educação – FAED

José Carlos Cechinel Diretor Geral Fernando Fernades de Aquino Diretor Assistente de Ensino Elisabete Nunes Anderle Diretora Assistente de Pesquisa e Extensão

Coordenadoria de Educação a Distância - CEAD

José Carlos Cechinel Coordenador Geral Sueli Wolf Weber Coordenadora Pedagógica Liberato Manoel Pinheiro Neto Coordenador Administrativo Marcos Lourenço Herter Coordenador de Planejamento e Relações Inter-Institucionais Graziella Naspolini Dalpizzo Coordenadora UDESC Virtual Sueli Gadotti Rodrigues Coordenadora de Elaboração de Material Escrito Sônia Maria Martins de Melo Coordenadora de Pesquisa

Coordenação de Produção José Carlos Cechinel

Projeto Gráfico, Diagramação e Capa Rosana Brasco

Impressão Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina - IOESC

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA- UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO - FAED COORDENADORIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA- CEAD

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

CADERNO PEDAGÓGICO 2

Versão III

Florianópolis, 2002

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO

09

PROGRAMA DA DISCIPLINA

11

CAPÍTULO I - A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO

13

Seção 1 - O ENFRENTAMENTO DAS CULTURAS

15

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

15

COSMOVISÃO DOS POVOS PRÉ-COLOMBIANOS

16

EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL EUROPÉIA

21

O

ESTADO MODERNO

22

O

MERCANTILISMO

23

RESUMO

24

ATIVIDADE - DIFERENTES MANEIRAS DE VER E VIVER NO MUNDO

27

COMENTÁRIO

27

Seção 2 - RATIO STUDIORUM: A IMPLANTAÇÃO DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL

29

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

29

RESUMO

33

ATIVIDADE - OS JESUÍTAS E A DIFUSÃO DA CULTURA EUROPÉIA

35

COMENTÁRIO

35

Seção 3 - O IDEAL ILUMINISTA NA EDUCAÇÃO

37

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

37

A

REFORMA POMBALINA

40

RESUMO

43

ATIVIDADE - O ILUMINISMO E A EDUCAÇÃO COMO DEVER DO ESTADO

46

COMENTÁRIO

46

CAPÍTULO II - A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

47

Seção 1 - EDUCAÇÕES PÚBLICAS NACIONAIS E PRINCIPAIS PEDAGOGOS

49

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

49

RESUMO

52

ATIVIDADE - O MUNDO E A EDUCAÇÃO TRANSFORMAM-SE

54

COMENTÁRIO

54

Seção 2 - A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO IMPÉRIO

55

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

55

RESUMO

58

ATIVIDADE - BRASIL INDEPENDENTE: NOVOS RUMOS PARA A EDUCAÇÃO

60

COMENTÁRIO

60

Seção 3 - A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA

62

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

62

A PRIMEIRA REPÚBLICA

62

A EDUCAÇÃO NA ERA VARGAS(1930-1945)

65

O RETORNO A DEMOCRACIA(1945-1964)

68

A DITADURA MILITAR(1964-1985)

71

A NOVA REPÚBLICA

73

RESUMO

76

ATIVIDADE - NOVOS TEMPOS, NOVAS PRÁTICAS EDUCACIONAIS

79

COMENTÁRIO

79

Seção 4 - A EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM SANTA CATARINA

80

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

80

RESUMO

91

ATIVIDADE - DIFERENTES PROPOSTAS EDUCACIONAIS EM SANTA CATARINA

95

COMENTÁRIO

95

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

96

9

APRESENTAÇÃO

Caro aluno! Você está recebendo o segundo caderno da História da Educação.

Desta forma, iremos estudar a história da educação ocidental nos períodos Moderno

e

Contemporâneo, como também a educação no Brasil e em Santa Catarina.

Você percebeu que no Caderno Pedagógico I a educação sempre foi discutida

e

problematizada ao longo dos séculos e que a mesma não pode ser estudada

separadamente dos contextos históricos. Ela, para ser entendida, deve estar relacionada com as realidades econômicas, sociais, políticas e culturais de cada momento histórico.

Seguindo esta linha de pensamento, no capítulo sobre a educação no mundo moderno, você irá estudar a diversidade cultural dos povos pré-colombianos e o enfrentamento das culturas a partir das grandes navegações. Com a chegada do europeu ao continente americano, você irá analisar a atuação dos jesuítas e suas influências na educação praticada no Brasil, culminando com a implantação das reformas educacionais do Marquês de Pombal, o qual deixou-se influenciar pelos ideais Iluministas.

No capítulo sobre a educação no mundo contemporâneo, você estudará alguns pensadores que propuseram importantes concepções de educação que foram desenvolvidas a partir do século XIX. Na seqüência, estudaremos as propostas educacionais ocorridas no Brasil imperial, republicano e no Estado de Santa Catarina, sempre fazendo relações com as transformações históricas ocorridas na sociedade brasileira.

É importante para seu aprendizado a leitura atenta do caderno e a discussão

com seu tutor e colegas de turma sobre os conteúdos, relacionado-os sempre com

a sua prática pedagógica. Além disso, procure sempre que possível, complementar

seus estudos com as sugestões bibliográficas, de filmes e sites que sugerimos ao final de cada seção, resolvendo também os exercícios propostos no caderno. Se desejar, procure outras fontes de pesquisa.

O estudo da história da educação nos possibilita entender que todos nós somos seres históricos, e que, portanto, sofremos a influência e podemos também influenciar a história. Conhecer a história da educação nos fornece subsídios para mudarmos nossa prática pedagógica e construir uma sociedade melhor e mais justa para todos os seres humanos.

PROGRAMA DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

PROGRAMA DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO SEÇÃO 1
PROGRAMA DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO SEÇÃO 1

CAPÍTULO I

A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO

SEÇÃO 1 - O ENFRENTAMENTO DAS CULTURAS

COSMOVISÃO DOS POVOS PRÉ-COLOMBIANOS

A

EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL EUROPÉIA

O

ESTADO MODERNO

O

MERCANTILISMO

SEÇÃO 2 - RATIO STUDIORUM: A IMPLANTAÇÃO DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL

A REFORMA POMBALINA

DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL A REFORMA POMBALINA CAPÍTULO I I A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL A REFORMA POMBALINA CAPÍTULO I I A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

CAPÍTULO I I

A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

SEÇÃO 1 - EDUCAÇÕES PÚBLICAS NACIONAIS E PRINCIPAIS PEDAGOGOS

SEÇÃO 2 - A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO IMPÉRIO

SEÇÃO 3 - A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA

A

PRIMEIRA REPÚBLICA (1889 - 1930)

A

EDUCAÇÃO NA ERA DE VARGAS (1930 - 1945)

O

RETORNO A DEMOCRACIA (1945 -1964)

A

DITADURA MILITAR (1964 - 1985)

A

NOVA REPÚBLICA (a partir de 1985)

SEÇÃO 4 - A EDUCAÇÃO EM SANTA CATARINA

CAPÍTULO I

A EDUCAÇÃO NO MUNDO MODERNO

“Três anos depois do descobrimento, Cristóvão Colombo dirigiu pessoalmente a campanha militar contra os indígenas da Ilha Dominicana. Um punhado de cavaleiros, duzentos infantes e alguns cães especialmente adestrados para o ataque dizimaram os índios. Mais de quinhentos, enviados à Espanha, foram vendidos como escravos em Sevilha e morreram miseravelmente. Entretanto, alguns teólogos protestaram e a escravização dos índios foi formalmente proibida ao nascer do século XVI. Na realidade, não foi proibida, mas abençoada: antes de cada entrada militar, os capitães de conquista deviam ler para os índios, sem intérprete, mas diante de um escrivão público, um extenso e retórico Requerimento que os exortava a se converterem à santa fé católica: Se não o fizerdes, ou nisto puserdes maliciosamente dilação, certifico-vos que com a ajuda de Deus eu entrarei poderosamente contra vós e vos farei guerra por todas as partes e maneira que puder, e vos sujeitarei ao jugo e obediência da Igreja e de Sua Majestade

e tomarei vossas mulheres e filhos e vos farei escravos, e como tais vos venderei,

e disporei de vós como a Majestade mandar, e tomarei vossos bens e vos farei todos os males e danos que puder

(Eduardo Galeano. As Veias Abertas da América Latina)

Objetivo Geral

Compreender como as sociedades pré-colombianas organizavam-se e as características de sua educação e perceber as mudanças ocorridas no mundo, a partir do contato entre as culturas européia e americana e os seus reflexos na educação praticada no Brasil.

15

O ENFRENTAMENTO DAS CULTURAS

Objetivos específicos:

Seção 1

- Identificar os modos de vida das populações dos Impérios Inca, Maia e Asteca, e das populações indígenas do território brasileiro e as características de sua educação;

- Listar as principais diferenças entre o olhar dos europeus e dos povos pré- colombianos sobre o mundo;

- Identificar as transformações econômicas, políticas, sociais e culturais pelas quais passava a Europa no período das grandes navegações marítimas e a conseqüente dominação européia sobre o continente americano.

Olá, caro aluno! Vamos iniciar nosso diálogo no Caderno de História da Educação II com uma pequena reflexão. Você no seu cotidiano e em sua sala de aula já parou para perceber que seus alunos pertencem a diferentes classes sociais e religiões, são de diversas origens e possuem diferentes costumes? Pois bem! Se você nunca parou para perceber, sugerimos que nas listagens abaixo você assinale as diferenças encontradas em sua sala de aula com relação às opções religiosas, origens culturais e procedências regionais de seus alunos.

Religião:

(

( ) Afro-brasileira. Origens culturais:

) Católica, (

) Protestante, (

) Judaica, (

) Espírita, (

) Pentecostal,

(

) Alemão, (

) Italiano, (

) Africano, (

) Açoriano/Português,

(

) Indígena, (

) Outros.

Procedências regionais:

( ) Natural do município, (

Estado, (

) Cidades vizinhas, ( ) Outros.

) Estados vizinhos, (

) Outras regiões do

A atividade que você realizou acima, foi a de identificar a diversidade, ou seja, a existência de diferenças entre os sujeitos. Você sabe o que é diversidade cultural?

“Diversidade cultural é a compreensão da humanidade em sua pluralidade, ou seja, o entendimento de que existem vários comportamentos e modelos sociais existentes e que esses resultam das maneiras pelas quais os homens e as mulheres organizam as relações entre si. Essa diversidade não pode ser vista de forma hierarquizada, em superiores ou inferiores, em bem ou mal, mas na sua dimensão de riqueza por ser diferente.” (ROCHA,1984)

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Esse conceito é importante por várias razões, e, entre estas, destacaremos duas. Primeiro, para que você entenda e perceba os diferentes modos de vida dos europeus e dos povos pré-colombianos no período Moderno. Segundo, para que você respeite a diversidade cultural existente na sua escola ou na comunidade em que vive. O que queremos pontuar é que cada sociedade possui uma maneira diferente de ver e viver a vida e isso não significa considerar um modo de vida melhor do que o outro.

O nosso continente, que passou a chamar-se América a partir da conquista pelos europeus era, e ainda é, caracterizado pela diversidade. Tanto os europeus quanto os povos que aqui viviam possuíam uma visão de mundo bem diferente. Esses são alguns dos pontos que você estudará a seguir.

COSMOVISÃO DOS POVOS PRÉ-COLOMBIANOS

ABIA AYALA - Terra em Plena Madurez. Este era o nome pelo qual os nativos do continente, hoje, denominado América, designavam sua terra. Neste vasto continente que se espalha do Alasca até a Terra do Fogo, muitos povos viveram em estágios de desenvolvimento tecnológico diferentes. Podemos perceber:

* sociedades nômades caçadoras e coletoras. Entre elas os gês, botocudos, patagões, comanches e esquimós;

* sociedades sedentárias que praticavam a agricultura de subsistência.

Seus principais grupos são os guarani, tupi, caraíba, araucanos, chipchas e

iroqueses;

*

sociedades com produção de excedentes, como os Astecas, Maias e

Incas.

1 A América Latina (América Central e América do Sul), lo- caliza-se no hemisfério ocidental e é banhada pe- lo Oceano Atlântico a Leste e pelo Oceano Pa- cífico a Oes- te.

Grande parte da América Latina 1 é tropical e não tem as quatro estações do ano bem definidas. Ao longo da costa oeste há montanhas muito altas, cobertas de neve. Nesta região denominada de altiplanos (Andes Centrais: Peru, Chile e Bolívia), habitava o povo inca. No restante do continente, nas regiões chamadas de mesoamérica (América Central), território dos astecas e maias e planícies costeiras, terras dos índios da América do Sul, a estação predominante é o verão.

Inicialmente, você estudará alguns aspectos das sociedades que tinham produção de excedente - Incas, Maias e Astecas – e que se constituíram enquanto grandes estados organizados em torno da figura de um Imperador.

Os Maias floresceram ao mesmo tempo que o Império Romano, na Europa, que você estudou no Caderno I. Foram poderosos entre os anos de 300 e 900 aproximadamente e viviam na Península de Iucatã (atual Guatemala). A riqueza dessa civilização baseava-se na agricultura, principalmente do milho, cultivada pelos camponeses em terras coletivas, que pagavam impostos ao governante. A sociedade

estava dividida em classes: a dominante, composta pelos militares e sacerdotes, sendo fechada, hereditária e privilegiada; e a massa camponesa, que trabalhava no cultivo do milho, na caça e pesca e que servia à classe dominante. Cada cidade era um Estado autônomo, com seu próprio governo e leis, semelhantes às cidades-estados gregas que você já estudou no Caderno I. O regime político era teocrático 2 , baseado na dualidade de funções: os “reis” e senhores eram guerreiros e ao mesmo tempo tinham atribuições religiosas e rituais.

e ao mesmo tempo tinham atribuições religiosas e rituais. 17 2 Forma de governo em que

17

2 Forma de governo em que a autoridade, emanada dos deuses ou de Deus, é
2 Forma de
governo
em que a
autoridade,
emanada
dos deuses
ou
de
Deus,
é
exercida
por
seus
represen-
tantes na
terra. Teo =
deus;
cracia
=
governo.

A arquitetura, a escultura e a pintura estavam direcionadas para a religião. Os

imensos templos em forma piramidal e os palácios luxuosos eram decorados em honra aos deuses que regiam o destino dos homens. Os maias desenvolveram a astronomia, prevendo, inclusive, eclipses solares, pois possuíam um sistema matemático preciso, usado para calcular medidas complexas e equações. Alguns

documentos com hieróglifos comprovam que os Maias possuíam um sistema de escrita, exclusivamente sagrada, baseados na representação de idéias e objetos, usada

e entendida somente por sacerdotes. Com base nestas informações é possível perceber que a educação neste povo era diferenciada e de acesso a alguns grupos sociais.

A civilização Asteca se destacou-se por ter sido uma sociedade guerreira, urbana

e

agrícola. A agricultura baseava-se no cultivo do milho, algodão, tomate, abóbora

e

feijão (produtos desconhecidos na Europa na época), em terras comunais, na qual

todos trabalhavam e sustentavam, através de impostos, o clã, ou seja, o chefe, os sacerdotes, os militares e aristocracia. Possuíam um sofisticado sistema de irrigação

e açudes. O sistema religioso dos astecas era complexo, pois possuia uma infinidade

de deuses. Em suas construções destacavam-se a arte, com trabalhos feitos de madeira ou em pedras lapidadas, incluindo-se jades e turquesas. A pintura estava presente em vários espaços: muros, cerâmicas e livros. Os astecas escreviam num papel feito de casca de árvore e usavam a escrita pictória, isto é, desenhavam objetos ou figuras, e a escrita hieroglífica, baseada em símbolos. Possuíam um calendário que incorporaram dos maias, no qual os meses tinham 20 dias, sendo que um ano durava 18 meses, mais cinco dias de festa ao final do ano, o que totalizava 365 dias.

18

Havia nessa sociedade dois tipos de escola, a dos filhos dos nobres, calmecac; e a dos filhos do povo, telpochcalli. No calmecac, os que mais se destacavam aprendiam religião e tornavam-se sacerdotes. Os jovens dormiam no chão, jejuavam

e levantavam-se várias vezes à noite para rezar. Aprendiam a ler, escrever, a prever eclipses e secas e a fazer remédios com ervas. Aos 20 anos, os alunos saíam para

casar, trabalhar como escribas do rei e dirigir cerimônias religiosas. As crianças pobres eram treinadas para serem guerreiras. Aprendiam a obedecer, cavando canais

e varrendo os templos. Exercitavam-se com espadas e escudos de madeira e levavam

comida aos guerreiros nos campos de batalha. Eram iniciados nas leis das cidades, nas canções e nas danças religiosas.

Na sociedade Inca a terra pertencia ao Estado, representado pelo Imperador, detentor de um poder absoluto. Não existia, portanto, propriedade privada, e o trabalho era coletivo. Cada família era responsável por explorar um lote de terra e ficava com uma parte do que era produzido, sendo o restante repassado ao Imperador como forma de tributo. Todos tinham que trabalhar. As crianças ajudavam a proteger a colheita espantando os pássaros. Os mais velhos, por sua vez, ajudavam a educar as crianças. Até as construções eram feitas com trabalho comunitário.

Os Incas eram bastante religiosos, sendo suas vidas regidas e condicionadas pela presença constante de forças e seres sobrenaturais. A divindade que serviu para unir todo o Império foi El Sol.

Esta civilização não tinha um sistema de escrita, mas usava um sistema de cordões e nós, chamado quipu, o qual também servia como correio. Vários cordões eram pendurados num cordão principal de lã, cada um tendo uma série de nós. Identificavam a informação pela cor do cordão, pela quantidade e pela posição dos nós. Embora desconhecessem a roda, desenvolveram a metalurgia, a agricultura

(com irrigação e terraços em curva de nível), a matemática, os sistemas de correio

e transportes em vias pavimentadas.

E as populações que viviam no território brasileiro?

3 Edu- cação Pragmá- tica: voltada para apli- cações práticas, para a ação, para as
3
Edu-
cação
Pragmá-
tica:
voltada
para apli-
cações
práticas,
para
a
ação, para
as neces-
sidades do
dia-a-dia.

Essas populações são caracterizadas também pela diversidade cultural. Você lembra do conceito de diversidade discutido no início desta seção? Pois bem! Em todo o território brasileiro existiam mais de 100 línguas indígenas e cerca de 170 etnias diferentes, sendo que cada uma dessas possuíam uma maneira própria de viver, uma cultura específica. A terra era o maior bem destas populações. Sua sobrevivência dependia do domínio direto sobre o espaço que ocupavam. Por isso, conforme o meio natural em que viviam e os recursos disponíveis para suprir suas necessidades, construíam uma cultura própria, com traços diferenciados. Nessas sociedades a característica fundamental era a solidariedade e a cooperação. A educação das crianças era pragmática 3 e desde cedo aprendiam, conforme o sexo, os papéis que deveriam desempenhar quando adultas.

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No Brasil, viviam quatro troncos lingüísticos principais: tupi-guarani, macro-jê, aruak e caribe. O grupo tupi-guarani ocupava extensas faixas do litoral, compondo-se de vários grupos distintos: Guarani no Oeste e Sul, Tupiniquins em São Paulo e Tupinambás no litoral Norte. Esse grupo foi o primeiro a estabelecer contato com o colonizador. Os Guarani praticavam a agricultura e desenvolveram

a cerâmica feita de argila, cozida de formas variadas, utilizadas para armazenar água

e alimentos. Em urnas de cerâmica enterravam seus mortos, junto com alguns presentes. Também fabricavam cachimbos de barro, machados de pedra usados para derrubar árvores e fabricar canoas. Nessas sociedades o conhecimento era transmitido de forma oral, sendo que um membro é escolhido como cacique pela sua capacidade de argumentar, de falar bem, e não pela força e poder econômico.

Em Santa Catarina, três grupos indígenas ocupavam as terras antes da chegada dos europeus: Os Cario (Carijós), grupo da tradição lingüística Tupi-Guarani, ocupavam a faixa litorânea do Estado. Eram horticultores, caçadores e guerreiros. Moravam em aldeias perto dos rios e utilizavam recipientes cerâmicos para armazenar água, alimentos e enterrar os mortos. Os Kaingáng (Coroados e Guaianás) localizavam-se nos campos acima da serra. Esse povo pertencia ao grupo lingüístico Jê, eram seminômades, viviam da caça, coleta do pinhão e horticultura. Os Xokleng (Bugres ou Botocudos), grupo de língua Jê, ocupavam a região da Mata Atlântica, entre o litoral e o planalto. Eram nômades, viviam da caça e coleta de frutas, mel e pinhão.

Para você refletir:

Você estudou alguns aspectos das sociedades indígenas catarinenses. Em sua região existem na atualidade grupos indígenas? Como eles vivem? Sua cultura é respeitada?

A partir da chegada dos europeus, no século XV, e com o processo de dominação e conquista por eles empreendidos, ocorreu o genocídio 4 das populações indígenas: foram destruídos as bases da sua vida social, negados seus valores, feitos escravos e mercadoria, as doenças trazidas pelos europeus os dizimaram. A visão euro- cêntrica dos europeus, ou seja,

a que toma o seu modo de vida

dos europeus, ou seja, a que toma o seu modo de vida A caravela trouxe mais

A caravela trouxe mais do que europeus, ela simboliza também o início do genocídio indígena na América.

como o mais correto e civilizado,

por um longo tempo passou a imagem de que nocontinente americano recém “descoberto” só viviam povos “bárbaros”,

“primitivos”, que não conheciam

a “civilização”.

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Façamos uma pequena reflexão. Será que é isso mesmo? E o que dizer então das três principais civilizações americanas, com seus vastos Impérios geográficos, com organização estatal, desenvolvimento tecnológico e grande produção agrícola? E dos inúmeros e diferentes grupos indígenas no Brasil, que tinham sua própria cultura e visão de mundo baseada na solidariedade e na comunidade? Quem será que foram os “bárbaros” ou “primitivos”: as populações que viviam nesse continente ou os europeus, que com objetivos de conquista

invadiram o novo território, destruíram cidades e culturas e implantaram o terror,

o medo e a destruição?

Para você ter uma idéia, no continente americano foram exterminadas mais de 70 milhões de pessoas, das quais mais de cinco milhões no Brasil. Como se não bastasse o extermínio por doenças ou pela escravidão, ainda vieram os missionários, pregando que o flagelo se dava por causa da sua perversão e de seus pecados.

Em Santa Catarina, Os Cario (Carijós) foram os primeiros a sofrerem a ação dos bandeirantes, que vinham aprisioná-los para escravizá-los, e dos padres jesuítas que tentaram catequizá-los e mantê-los em reduções. Os Kaingáng (Coroados e Guaianás), também foram escravizados ou incorporados às fazendas de criação de gado, como peões ou na defesa contra outros Kaingáng hostis aos brancos. Os Xokleng, (Bugres ou Botocudos), sofreram o ataque do bugreiro, caçador semi-profissional de índios, encarregado pelo governo ou por particulares para eliminar os que viviam nas matas. Destes grupos que habitavam o território catarinense sobraram apenas alguns, que vivem em áreas demarcadas pelo governo, em plena miséria.

Em outros países da América Latina, como Colômbia, Bolívia, Chile, Peru

e Equador, nos quais antes da chegada dos europeus havia grandes Impérios, a

população nativa foi também massacrada. Hoje, a marca destas populações, que sobraram, é o subdesenvolvimento e a pobreza.

Mas, o que motivou os europeus a lançaram-se ao mar em busca de novos territórios? Podemos dizer que os homens eram movidos basicamente por dois sentimentos: o de submeter à fé cristã os “hereges selvagens” e enriquecer com o saque de suas riquezas.

Para você refletir:

A diferença de visão de mundo e do modo de viver dos europeus que chegaram no Brasil e das populações indígenas pode ser percebida através do texto abaixo. Leia com atenção e tente identificar essa diferença.

Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar os seus arabutan (pau-brasil). Uma vez um velho perguntou-me:

- Por que vindes vós, maírs e perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra.

- Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas.

- Retrucou o velho imediatamente: e por ventura precisais de muito?

- Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau- brasil com que muitos navios voltam carregados.

- Ah! Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?

- Sim, disse eu, morre como os outros. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam?

– Para seus filhos se os têm, respondi; na falta deste para os irmãos ou parentes mais próximos.

– Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros mairs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados (LÉRY,1960:151-61).

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EXPANSÃO MARÍTIMA E COMERCIAL EUROPÉIA

Através do seu estudo, você percebeu como as sociedades pré-colombianas eram caracterizadas pela diversidade cultural. A conquista do território inaugurou um novo período da história européia, denominado de Moderno e foi conseqüência de uma série de transformações que estavam ocorrendo na Europa. Isto é importante que você tenha presente, ou seja, de que os acontecimentos na história não ocorrem de uma hora para outra, mas são resultados de processos, de transformações ao longo do tempo e que possuem relações entre si.

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Entre as transformações que você já estudou no Caderno I, podemos citar o Renascimento Cultural, com os avanços da ciência e tecnologia, o enriquecimento da burguesia européia através do aceleramento da atividade comercial no final da

Idade Média e a Reforma e a Contra-Reforma. Acrescenta-se a isto mais duas questões fundamentais: primeiro a falta de metal precioso para abastecer o mercado, enriquecer a burguesia mercantil e os monarcas das nações européias que estavam

se formando no período; segundo, a motivação religiosa, pois era preciso expandir

a fé católica por outros territórios, já que a Igreja havia sido abalada pela Reforma

Protestante, o que vai resultar numa ação missionária de padres jesuítas pelo mundo, tendo como objetivo converter as populações não européias, denominadas pelos europeus de “pagãos”, ao catolicismo.

Em razão destes acontecimentos a Europa extrapolou os limites de seu

continente através da expansão marítima. Portugal e Espanha foram os países pioneiros no processo de conquista, seguido por ingleses, franceses e holandeses. A expansão propiciou aos europeus o estabelecimento de contatos com todas as regiões do mundo, as quais passaram a integrar-se ao modo de vida e economia européias.

A atividade comercial recebeu um grande impulso com o afluxo dos novos produtos

americanos, especialmente os metais preciosos. A América integrou-se à história

européia sob uma função complementar e subsidiária, fornecendo produtos e consumindo outros, cuja comercialização enriqueceu Estados e elites do velho continente.

Para você refletir:

Quais as consequências da chegada dos europeus à América?

O ESTADO MODERNO

Para realizar a expansão marítima, somente um Estado centralizado poderia mobilizar os recursos necessários e sofrer riscos nos seus investimentos, pois a

abertura de novos mercados significava a criação e a exploração de novas rotas pelo oceano desconhecido. Assim, um Estado centralizado tornou-se um pré-requisito

à expansão, e a exploração comercial e colonial, conseqüentemente, fortaleceu o

Estado colonizador. O Estado Moderno configurava-se como nacional, ou seja, identificava-se com a nação 5 e se caracterizava por apresentar um poder centralizado na figura do Rei, cujo poder absoluto (absolutismo) justificava-se pela concepção da “origem divina”, sendo o Rei considerado representante de Deus na terra. Essa sociedade era dividida em três estados: nobreza, clero e povo.

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No primeiro e no segundo estados encontravam-se os detentores de privilégios, os proprietários de terra e os portadores de títulos de nobreza, que além de não pagarem impostos ao Estado, recebiam do Rei o direito de cobrar tributos do

terceiro estado. A nobreza, que constituía a minoria da população, era parasitária, pois vivia às custas do Estado. O clero era formado pelos membros da Igreja Católica

e exercia influência política, religiosa e cultural na sociedade. O terceiro estado

constituía a maioria da população, sendo composto por grupos heterogêneos, desde os grandes comerciantes e banqueiros até os servos. Sobre eles recaíam os impostos que sustentavam tanto a nobreza como o Estado e a Igreja.

O MERCANTILISMO

A Europa foi a principal beneficiada com a expansão marítima. A riqueza extraída

da América serviu para fortalecer o Estado Absolutista, enriquecer a burguesia e lançar as bases para o posterior desenvolvimento da industrialização na Europa, que você estudou no Caderno I de Sociologia.

A prática econômica no período denominava-se Mercantilismo 6 , que visava o

desenvolvimento da economia de mercado, através da exploração colonial, e apresentava como princípios: a balança comercial favorável, o metalismo, o protecionismo e o monopólio. Mas, o que isto significa?

Ora, para uma nação enriquecer era preciso que o comércio fosse vantajoso:

exportar mais e importar menos, ou seja, ter uma balança comercial favorável. Para saber se um país estava alcançando esse objetivo era necessária a acumulação de moedas, pois havia uma identificação entre a riqueza de um país e a quantidade de moedas em circulação em seu território (metalismo). Estes dois fatores só dariam

certo se o Estado estabelecesse leis alfandegárias, fiscais e até mesmo militares, com

o propósito de proteger o mercado interno (protecionismo).

E o monopólio? A exploração da colônia era feita através de monopólios, ou

seja, a colônia era um centro exclusivo de exploração metropolitana. Nenhuma outra nação poderia explorá-la e sua economia deveria ser complementar e jamais concorrer com a metrópole.

Essa questão é importante você ter bem presente, pois o processo de conquista

e de colonização do Brasil, a vinda dos padres jesuítas e as posteriores reformas da

educação, durante todo o período colonial brasileiro, irão corresponder aos objetivos

e vontades da metrópole, ou seja, de Portugal.

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De acordo com tudo que você estudou até agora, é possível perceber que a exploração e a colonização da América Latina, incluindo, portanto o Brasil, ocorreu em função dos interesses dos Estados Absolutistas da Europa no período moderno, que compreende desde o século XVI até o Século XVIII. As bases desse sistema vão sofrer um grande abalo no século XVIII, conhecido como “O Século das Revoluções”, com o surgimento de movimentos contrários ao rei, a nobreza e ao clero. Isto você verá mais adiante.

Para você refletir:

Você viu que a grande beneficiada com a exploração colonial no período moderno foi a Europa. Após refletir sobre essa questão, você concorda que uma das causas do subdesenvolvimento da América Latina, hoje, é resultado dessa exploração?

Quando os europeus chegaram na América, não só a encontraram povoada, como trataram de destruir toda a manifestação cultural e econômica que lembrassem essas civilizações. Essas populações viviam espalhadas pelo continente, possuíam diferentes culturas (diversidade cultural) e estágios de desenvolvimento tecnológico. No Brasil viviam diferentes grupos indígenas, caçadores, coletores e agricultores, que fabricavam instrumentos em cerâmica, madeira, osso e pedra. As conseqüências do contato com os europeus foram a morte, as doenças e a escravidão.

A expansão marítima e a conquista do século XV alteraram o rumo da história, dando início ao chamado período moderno. Desenvolveu-se a expansão capitalista, principalmente através da exploração colonial, o que fortaleceu a burguesia e o poder do rei, este representante do Estado Nacional. A expansão fez com que os europeus mantivessem contatos com povos de todo o mundo. Dessa forma, não apenas o comércio, mas também a cultura européia espalhou-se pelos quatro cantos do mundo.

A economia desse período era a mercantilista, que se caracterizou pela intervenção do Estado na economia, pelo metalismo e pelo fortalecimento dos mercados nacionais, através da balança comercial favorável. O poder do rei foi bastante fortalecido.

RESUMO:

Quando os europeus chegaram na América, não só a encontraram povoada, como trataram de destruir toda a manifestação cultural e econômica que lembrassem essas civilizações. Essas populações viviam espalhadas pelo continente, possuíam diferentes culturas (diversidade cultural) e estágios de desenvolvimento tecnológico. No Brasil viviam diferentes grupos indígenas, caçadores, coletores e agricultores, que fabricavam instrumentos em cerâmica, madeira, osso e pedra. As conseqüências do contato com os europeus foram a morte, as doenças e a escravidão.

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A expansão marítima e a conquista do século XV alteraram o rumo da

história, dando início ao chamado período moderno. Desenvolveu-se a expansão capitalista, principalmente através da exploração colonial, o que fortaleceu a burguesia e o poder do rei, este representante do Estado Nacional. A expansão fez com que os europeus mantivessem contatos com povos de todo o mundo. Dessa forma, não apenas o comércio, mas também a cultura européia espalhou-se pelos quatro cantos do mundo.

A economia desse período era a mercantilista, que se caracterizou pela

intervenção do Estado na economia, pelo metalismo e pelo fortalecimento dos mercados nacionais, através da balança comercial favorável. O poder do rei foi bastante fortalecido.

Para saber mais:

1. O texto abaixo, de autoria de Eduardo Galeano, argumenta que a economia da América Latina desenvolveu-se em função do mercado internacional desde o processo de colonização. Leia o texto com atenção e depois reflita: será que o argumento do autor ainda se aplica hoje à realidade brasileira?

“Escreveu Karl Marx, no primeiro tomo de O Capital: “O descobrimento das jazidas de ouro e prata da América, a cruzada de extermínio, escravização e sepultamento nas minas da população aborígene, o começo da conquista e o saqueio das Índias Orientais, a conversão do continente africano em local de caça de escravos negros são todos feitos que assinalam os alvores da era de produção capitalista. Esses processos idílicos representam outros tantos fatores fundamentais no movimento da acumulação original”.

O saqueio, interno e externo, foi o meio mais importante para a acumulação primitiva de capitais que, desde a Idade Média, possibilitou o surgimento de uma nova etapa histórica na evolução econômica mundial. À medida que se estendia a economia monetária, o intercâmbio desigual ia abarcando cada vez mais segmentos

sociais e regiões do planeta (

conquistadas e colonizadas dentro do processo de expansão do capital comercial. A

Europa estendia seus braços para alcançar o mundo. (

A rapinagem dos tesouros

acumulados sucedeu a exploração sistemática, nos socavãos e jazidas, do trabalho forçado dos indígenas e escravos negros, arrancados da África pelos traficantes.

)

As colônias americanas foram descobertas,

)

A Europa necessitava de ouro e prata. Os meios de pagamentos, em circulação, se multiplicavam sem cessar e era preciso alimentar os movimentos do capitalismo na hora do parto: os burgueses se apoderavam das cidades e fundavam bancos, produziam e trocavam mercadorias, conquistavam novos mercados. Ouro, prata, açúcar: a economia colonial, mais abastecedora que consumidora, estruturou-se em função das necessidades do mercado europeu, e a seu serviço. O valor das exportações latino-americanas de metais preciosos foi, durante prolongados períodos do século XVI, quatro vezes maior que o valor das importações, composta

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por escravos, sal e artigos de luxo. Os recursos fluíam para que os acumulassem às nações européias emergentes do outro lado do mar. Esta era a missão fundamental que trouxe os pioneiros, embora, além disso, aplicasse o Evangelho quase tão freqüentemente como o chicote, aos índios agonizantes. A estrutura econômica das colônias ibéricas nasceu subordinada ao mercado externo e, em conseqüência, centralizada em torno do setor exportador, que concentrava renda e poder.

Ao longo do processo, desde a etapa dos metais à provisão de alimentos, cada região identificou-se com o que produzia, e produzia o que dela se esperava na Europa: cada produto, carregado nos porões dos navios que sulcavam o oceano, converteu-se numa vocação e num destino. A divisão internacional do trabalho, tal como foi surgindo junto com o capitalismo, parecia-se mais com a distribuição de funções entre o cavaleiro e o cavalo, como diz Paul Baran. Os mercados do mundo colonial cresceram como meros apêndices do mercado interno do capitalismo que emergia.” (GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. 25.ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. pp. 39/41)

2. Para aumentar seu conhecimento sobre o que você estudou até este momento,

sugerimos que assista os seguintes filmes:

1492: A Conquista do Paraíso – (Ridley Scott: EUA/França/Espanha, 1992) Aguirre, A Cólera dos Deuses - (Werner Herzog: Alemanha, 1972)

3. Para leituras complementares sugerimos:

GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. 25.ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. LOPEZ, Luiz Roberto. História do Brasil Colonial. 7.ª ed., Porto Alegre:Mercado Aberto, 1993. CARDOSO, Ciro Flamarion S. América Pré-Colombiana. 8.ª ed., São Paulo:Brasiliense, 1992. ROCHA, Everardo. O que é etnocentrismo. 11.ª ed., São Paulo: Brasiliense,1994.

4. Se você fazer uma pesquisa na Internet, sugerimos os seguintes sites:

http://www.djweb.com.br/historia/capaesq.html

http://www.met.gov.br/500anos/

http://www.historiadobrasil.com.br/index.html

27

ATIVIDADES: DIFERENTES MANEIRAS DE VER E VIVER NO MUNDO

27 ATIVIDADES: DIFERENTES MANEIRAS DE VER E VIVER NO MUNDO 20 minutos As atividades, a seguir,

20 minutos

As atividades, a seguir, foram elaboradas a partir dos objetivos expostos no início do capítulo. Assim, ao realizar suas atividades você estará reforçando sua aprendizagem, apontando a existência da diversidade cultural entre os povos que viviam no continente que veio a denominar-se América e as diferentes visões de mundo destes povos em relação aos conquistadores europeus. Essas diferenças resultaram também em diferentes concepções de educação.

1. Você estudou que os povos pré-colombianos são caracterizados pela diversidade

cultural e que possuíam diferente desenvolvimento tecnológico. Explique porque

é importante perceber a diversidade cultural e de que forma ela está presente em

seu cotidiano?

Comentário: Em sua resposta tem que estar presente o que significa a diversidade cultural e que a importância de se perceber a diversidade implica em conhecer e respeitar a diferença existente em sua comunidade ou na escola.

2. Relacione as colunas:

I – Desenvolveram a Astronomia e a

Matemática. Possuíam um sistema de escrita, exclusivamente sagrada, usada e

entendida por sacerdotes, e baseada na representação de objetos ou idéias.

II – Possuíam escolas diferenciadas entre

nobres e pobres, e um sistema de escrita pictória, objetos e figuras, e hieroglífica,

símbolos.

III - Não possuíam escrita, mas usavam

um sistema de cordões e nós, chamado

quipu. A informação era identificada pela

cor do cordão, pela quantidade e posição

dos

nós.

IV

– Um traço fundamental nesta

sociedade era a solidariedade e a cooperação. A educação das crianças era pragmática e desde cedo aprendiam os papéis que iriam desempenhar quando

adultas. A ordem correta é:

(

) Incas

(

) Maias

(

) Guarani

(

) Astecas

(A). I, II, III e IV (B). I, III, IV e II (C). III, I, IV e II D). II, I, III e IV

Comentário: Se você assinalou a opção (C) parabéns, sua resposta está correta. O que é possível perceber através desta atividade é a diversidade cultural, que você já discutiu anteriormente.

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3. Explique as transformações ocorridas na Europa que implicaram no processo

de expansão e na conseqüente conquista da América.

Comentário: Em sua resposta tem que estar presente as seguintes idéias: os motivos religiosos, a necessidade de metais preciosos para o mercado europeu, o mercantilismo e a formação dos estados nacionais.

4. Aponte quais as conseqüências da expansão européia para as sociedades pré-

colombianas.

Comentário:Sua resposta tem que compreender as seguintes idéias: a visão eurocêntrica dos europeus e o conseqüente genocídio e destruição de povos e culturas americanas e o enriquecimento das nações européias através da exploração colonial.

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RATIO STUDIORUM: A IMPLANTAÇÃO DA EDUCAÇÃO CATEQUÉTICA NO BRASIL

Objetivos específicos:

Seção 2

- Perceber o papel dos Jesuítas na educação brasileira no período colonial;

- Diferenciar o plano de estudos do Padre Manoel da Nóbrega da Ratio Studiorum.

Para compreendermos o papel dos jesuítas na educação, antes de tudo é preciso nos localizarmos no tempo e no espaço e tomar conhecimento do cenário daquela época. Você concorda?

Os séculos XV e XVI foram transformados pelo Renascimento, que aos poucos foi se afastando do mundo medieval. Buscava-se, sobretudo, a revalorização da cultura grega, deixando de lado as explicações teológicas, que foram substituídas por idéias com base no uso da razão. Percebe-se assim a importância de diversos acontecimentos que marcaram o Renascimento: grandes invenções (bússola e pólvora), grandes descobertas (caminho para as Índias e para a América), revolução comercial, formação das monarquias nacionais, Humanismo (procura da nova imagem do homem e da cultura), Reforma Protestante e a Contra Reforma Católica.

Com a preocupação de não perder fiéis, a Igreja Católica desencadeou uma forte reação com a Contra Reforma, instituindo, como você já estudou no caderno pedagógico I, o Concílio de Trento (1545-1563). Partindo desta preocupação, a Igreja Católica criou também várias ordens religiosas, entre elas a Companhia de Jesus, fundada, em 1534, pelo padre espanhol Inácio de Loyola.

Você sabe algo mais aprofundado sobre os jesuítas no Brasil? A vinda do padre Manuel da Nóbrega para o Brasil, em 1549, representa o início do trabalho de “catequização”. Os jesuítas tinham como principal objetivo converter os povos indígenas e, ao mesmo tempo, expandir a fé católica e contra-atacar a Reforma Protestante.

“Companhia, aliás, era o termo adequado para nomear um pelotão de soldados de Cristo e da Igreja, que tinha pela frente a arriscada batalha de fazer recuar a invasão protestante que se verificava no ‘mundo civilizado’, justamente nos seus pólos mais avançados, pondo em risco a hegemonia do catolicismo entre ‘os povos eleitos por Deus’ para propagar seu nome e seus mandamentos”. (XAVIER, 1994, p.40).

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A educação das populações indígenas do território brasileiro antes da chegada

dos jesuítas era diferente da dos europeus. A criança participava diretamente nas atividades tribais, tomando conhecimento das funções que iria exercer quando adulto. Os trabalhos dos jesuítas eram voltados para a conquista dos jovens, uma vez que os adultos eram mais difíceis de serem convertidos. A criança era usada para infiltrar na comunidade os valores da fé cristã, daí utilizarem como principal instrumento a educação através de escolas. Em meados do século XVI, já se encontravam aproximadamente dez jesuítas no território brasileiro e esse número aumentou cada vez mais. Em 1552 existia um grande número de alunos nas três escolas de instrução elementar no Brasil: em Salvador, Espírito Santo e São Vicente.

no Brasil: em Salvador, Espírito Santo e São Vicente. Padre Jesuíta em atividade de catequização indígena.

Padre Jesuíta em atividade de catequização indígena.

A princípio, as instalações eram precárias. O Pe. José de Anchieta, em carta a

Santo Inácio de Loyola, escrevia:

“As vezes, mais de vinte dos nossos, numa barraquinha de caniço e barro, coberta de palha, longa de catorze pés, larga de dez. É isso a escola, a enfermaria, o dormitório, a cozinha, a despensa. Quando a fumaça da cozinha incomoda os professores e alunos, a educação prossegue ao ar livre: porque é preferível sofrer o incômodo do frio de fora do que o fumo de dentro” ( TOBIAS, 1986,

p.44).

A partir da segunda metade do século XVI (1564), foi criado um imposto

destinado à manutenção dos colégios jesuítas, chamado de “Padrão de Redízima”,

compreendendo 10% de todas arrecadações dos impostos. Com o passar do tempo,

os jesuítas acabaram se tornando ricos e poderosos frente à coroa portuguesa, sendo

este um dos motivos para serem expulsos pelo Marquês de Pombal, que você verá

mais adiante.

Os jesuítas ficaram conhecidos como soldados de Cristo, com a missão cristã

e civilizatória de acabar com as crendices indígenas, impondo assim uma nova

forma de ver e conceber o mundo. Dessa forma, a educação brasileira, nesse período, estava estreitamente vinculada à política colonizadora portuguesa. A metrópole desejava que a educação dos índios servisse para formar súditos do rei em terras tropicais, ou seja, através da uniformização da fé buscava-se uma unidade política, facilitando a dominação do povo que se encontrava na colônia.

Inicialmente o plano educacional, desenvolvido pelo Pe. Manoel da Nóbrega e implantado no Brasil, tinha a intenção de catequizar e instruir os indígenas, bem como os filhos dos colonos 7 , já que os jesuítas eram os únicos educadores oficiais da colônia. Foram instituídos os “Recolhimentos”, sendo que através deles se processaria a educação dos mestiços, dos órfãos e dos filhos dos caciques, além dos filhos dos colonos, em regime de externato.

Esse plano de estudos foi elaborado para atender a objetivos muito diversos. Iniciava pelo aprendizado do português, que incluía o ensino da doutrina cristã e a escola de ler e escrever. Depois continuava, em caráter opcional, o ensino de canto orfeônico (coral) e de música instrumental. A partir daí, havia uma bifurcação:

podia-se seguir pelo aprendizado pro- fissional e agrícola, ou pelas aulas de gramática seguidas de viagem à Europa.

ou pelas aulas de gramática seguidas de viagem à Europa. Pintura retratando um engenho de cana-de-açúcar

Pintura retratando um engenho de cana-de-açúcar do nordeste brasileiro

Inicialmente, não havia a intenção de oferecer um ensino diferenciado aos indígenas e aos filhos dos colonos, mas diante da falta de “adequação” do índio e de acordo com as características da colônia, (latifúndio, escravidão e monocultura), aos índios foi reservada a aprendizagem agrícola e aos filhos dos colonos, o ensino da gramática, seguido de viagem à Europa. A partir da publicação das “Constituições da Companhia de Jesus” em 1556, o plano do Pe. Manuel da Nóbrega deixou de vigorar, excluindo-se das etapas iniciais de estudo o aprendizado de canto, música instrumental, profissional e agrícola. Esse processo culminará com a instituição da Ratio Studiorum, em 1599, que trouxe grandes mudanças à prática pedagógica dos jesuítas. Esse plano de estudos concentrou seu programa nos elementos da cultura européia.

Com o passar do tempo, os jesuítas começaram a se preocupar em atingir como público alvo os filhos dos colonos, ao invés dos índios, e formar futuros padres, ao invés de leigos 8 .

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7 Os

co-

lonos

eram

os

portu-

gueses que

recebiam

terras da

Coroa

Portu-

guesa para

ocupar o

novo

território,

ou

seja,

tratava-se

de

uma

elite local.

8 Neste

caso, leigo

significa o

aluno dos

colégios

jesuítas

que

não

seguiriam

a carreira

religiosa.

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Segundo a Ratio Studiorum, o ensino abrangia três cursos com diferentes conteúdos:

* Humanidades - Retórica e gramática latina e grega;

* Filosofia - Lógica, Cosmologia, Matemática, Metafísica, Ética e Ciências;

* Teologia - Estudos baseados na Escolástica de São Tomás de Aquino

e nas Sagradas Escrituras, interpretadas à luz dos dogmas da Igreja.

A formação intelectual oferecida pelos jesuítas foi marcada por uma intensa

“rigidez” na maneira de pensar e, conseqüentemente, de enxergar e interpretar a realidade. A preparação dos professores recebia uma atenção toda especial através de treinamento e leitura. Somente após os trinta anos, o professor começava a lecionar. Havia um controle rigoroso para manter a tradição: “Se alguns forem amigos de novidades ou de espírito demasiado livre devem ser afastados sem

hesitação do serviço docente”. (Trecho da Ratio conforme PAIM, 1967, p. 28).

O plano inicial de catequizar e instruir os índios foi alterado. A partir da Ratio

Studiorum os instruídos serão os filhos dos colonos e os índios apenas serão catequizados. A catequese interessava à Companhia de Jesus porque aumentava o número de adeptos do catolicismo, abalado pela Reforma Protestante. Ao colonizador interessava pelo fato de tornar o índio mais dócil, e, portanto, mais fácil de ser aproveitado como de mão-de-obra escrava.

Convém lembrar, que no século XVI, a economia colonial desenvolveu-se em torno do engenho de açúcar no Nordeste, através do trabalho escravo e, sobretudo centrada no poder do senhor de engenho, daí o caráter patriarcal 9 da sociedade do período. Neste contexto é possível perceber a influência que os jesuítas exerceram sobre as decisões destes senhores. Conseguiam essa façanha não só através dos colégios, mas também pelo teatro, ou pelo terceiro filho, que deveria seguir a vida religiosa - o primeiro seria o herdeiro, o segundo, o letrado.

Até agora falamos da educação para os filhos dos nativos, mestiços e filhos dos colonos. E a educação feminina, como ficou? Os índios, diferentemente dos europeus, preocupavam-se com a educação das mulheres, por isso foram ao Pe. Manoel da Nóbrega pedir-lhes escolas para as cunhataís (meninas), que nunca foram permitidas pela Coroa Portuguesa. As cunhataís recebiam lições diárias da doutrina cristã, a qual era decorada. Porém, não aprendiam nem a ler, nem a escrever, vivendo em função dos afazeres domésticos, sem participar do mundo externo, exceto o da igreja.

Como você pode perceber, os jesuítas tornaram-se instrumentos na formação da elite colonial, já que foram os educadores durante 210 anos. O modelo de educação implantado era adequado à política colonial portuguesa, pois se privilegiava o trabalho intelectual, deixando de lado o trabalho manual. Desta

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forma, os alunos ficavam distantes da realidade em que viviam. A maioria da população era iletrada - pobres, negros e mulheres - o que fazia a elite colonial acreditar que o mundo civilizado estava lá fora, sendo a metrópole o modelo ideal. Ainda hoje observamos que a elite brasileira continua de costas para o Brasil e de joelhos dobrados para tudo o que é europeu ou norte-americano.

RESUMO:

O trabalho de catequese e educação, no Brasil, iniciou-se com a chegada do Pe. Manuel da Nóbrega, em 1549, com o objetivo de converter os indígenas e evitar a propagação da Reforma Protestante. Os “soldados de Cristo” deveriam extinguir as crendices nativas, impondo-lhes uma nova realidade, sendo a educação marcada pela disciplina e rigidez. Nóbrega criou os “Recolhimentos”, atendendo uma clientela específica, mestiço, filhos de colonos, de caciques e órfãos. Para a manutenção de seus colégios criou-se o “Padrão de Redízima”, imposto de 10% sobre as transações econômicas da colônia. Na Ratio Studiorum (1599) o ensino abrangeria três cursos:

Humanidades, Filosofia e Teologia. Após a instituição deste plano de estudos, os jesuítas passaram a se preocupar especificamente com a instrução dos filhos dos colonos, formando portanto a elite colonial. Os índios serão apenas catequizados, o que era fundamental para os colonos, pois tornava-os mais dóceis e fáceis de serem aprisionados. Para a Igreja isso significava a conquista de mais fiéis. Pobres, índios, negros e mulheres eram excluídos do processo educacional, se caracterizando como uma educação elitista, o que se repete até hoje!

Para saber mais:

1. No texto abaixo você encontrará uma visão da descoberta e destruição das culturas nativas:

“O incomparável choque ecológico e cultural que representou a conquista da América começou para os europeus com a “visão do paraíso”, tão estimulada pela mitologia medieval. Além da esplendorosa natureza, a expectativa da “descoberta”de incontáveis riquezas (que já estavam lá, bastando que fossem descobertas), num primeiro momento fez com que pouquíssima atenção fosse dedicada às culturas autóctenes da América e essa nova humanidade, inteiramente

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desconhecida, que recolocava a questão da alteridade. Coerente com a “visão de paraíso” os ameríndios foram vistos, de início, com um outro igual, só que incompleto como a infância: a esses homens, (muitos dos quais andavam nus) faltavam a cristianização e o reconhecimento da Coroa de Portugal e da Espanha para que se tornassem homens completos.

Na medida, porém, que as riquezas fáceis não vinham sendo encontradas e que se manifestava a resistência mimética ou aberta dos indo-europeus, a concepção de outro igual, mas infantil, rapidamente se transmutava na de um outro inferior, subalterno. Ainda que guardadas todas as enormes diferenças de padrão etnocultural no continente invadido pela Europa, cuja ponta de lança foi a Ibéria, todos os povos americanos foram submetidos à servidão, ou para a mineração (no caso dos povos de alta cultura da meso-América e dos Andes), ou para a agricultura predatória (no caso do Caribe e do Nordeste brasileiro). Para justificar essa situação, embora dotados de “alma”, os índios passaram a ser considerados filhos decaídos de Deus, degenerados, incapazes de reconhecer a verdadeira religião.

Diante da resistência, em grande parte passiva dos índios e da inacreditável mortandade da qual foram vítimas, a necessidade da colonização e principalmente do comércio atlântico fez com que o tráfico de escravos negros se estendesse por toda a orla leste da América. Quando os povos negros subjugados e arrancados de seu continente de origem vieram servir de bestas de carga nas plantações do “Novo Mundo”, a invasão e destruição da América, tal qual existira até o século XV, já ia adiantada; aos negros não foi reconhecido o direito de serem filhos legítimos de Deus e, portanto, subalternos pela origem e na pela queda, como no caso dos Ameríndios.

O choque cultural provocado pela invasão européia gerou a destruição das culturas ameríndias, interrompendo um desenvolvimento histórico autônomo que havia produzido organizações estatais relativamente avançadas e aglomerados urbanos significativos como Tenochtitlan, no Império Asteca, e Cuzco, no Império Inca. A força militar, a sujeição ao trabalho servil e as doenças epidêmicas trazidas pelos europeus provocaram o maior genocídio da história da humanidade:

no primeiro século da conquista, a população originária da América foi reduzida em cerca de 90 % - dos cerca de 80 milhões de habitantes do momento da chegada de Colombo, no início do século XVII restavam não mais que 8 milhões”.

DEL RIO, Marcos. “A sujeição das culturas e a reinvenção do subalterno. In:

Seminário: 500 anos de América. Cadernos do IFAN, Bragança Paulista, EDUSF, n 4, 1993, p. 17-18.

2. Para ilustrar a ação dos jesuítas na América assista o filme:

A Missão (Roland Joffe: Inglaterra, 1986)

3. Para leituras complementares sugerimos:

MAIA, Pedro Américo. José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil. São Paulo:

FTD, 1997.

SEBE BOM MEIHY, José Carlos. Os Jesuítas. São Paulo: Brasiliense, 1982.

VILELA, Magno. Uma questão de igualdade

negra na Bahia do século XVII. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.

Antônio Vieira. A escravidão

4. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet sugerimos os seguintes sites:

http://www.jesuitas.com.br/

http://venus.rdc.puc-rio.br/jesuitas/index.htm#forma

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ATIVIDADES: OS JESUÍTAS E A DIFUSÃO DA CULTURA EUROPÉIA

ATIVIDADES: OS JESUÍTAS E A DIFUSÃO DA CULTURA EUROPÉIA 20 minutos 1. Você lembra que no

20 minutos

1. Você lembra que no início desta seção nós fizemos um breve retorno a

alguns aspectos que marcaram o mundo moderno? Relacione as transformações que estavam ocorrendo neste período com a vinda dos jesuítas para o Brasil.

Comentário: No início do período, com o desenvolvimento das idéias renascentistas, ocorreu a revalorização da cultura grega, ocorrendo um afastamento do obscurantismo religioso através do uso da razão. Neste período tivemos acontecimentos que marcaram o mundo: grandes invenções, grandes descobertas, revolução comercial, formação das monarquias nacionais, Humanismo, Reforma e a Contra Reforma. Inseridos neste contexto ocorrerá a vinda dos jesuítas para o Brasil, com o objetivo de expandir a fé católica, combater a Reforma Protestante e educar os habitantes da colônia.

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2. Você estudou nesta seção como foi implantada a educação jesuítica no Brasil colonial. Os jesuítas permaneceram durante 210 anos, como os principais educadores no Brasil. Destaque as principais características da educação jesuítica e faça um contraponto com a sua prática pedagógica.

Comentário: Gostaríamos que você percebesse aspectos como ensino diferenciado, educação elitista, disciplina e rigidez, procurando fazer um contraponto com a sua prática pedagógica atual.

O IDEAL ILUMINISTA NA EDUCAÇÃO

Objetivos específicos:

Seção 3

- Identificar as mudanças no pensamento europeu e na educação européia com o desenvolvimento do pensamento iluminista;

- Explicar a influência das idéias iluministas na reforma pombalina e na educação no Brasil colonial.

A partir do século XV, ocorreram profundas mudanças na sociedade européia, entre elas você já viu: as Grandes Navegações, o Mercantilismo, a Reforma Protestante e a Contra-Reforma Católica. Todos esses acontecimentos influenciaram na educação praticada, como, por exemplo, a ação dos jesuítas no Brasil durante 210 anos do período colonial.

Você já deve ter percebido, ao longo do estudo do caderno, que a história é processo e que, portanto, ocorrem transformações constantes nas sociedades. Isto é importante você ter presente para poder compreender que desde o Renascimento, quando o homem buscou valorizar seus poderes em oposição ao teocentrismo medieval 10 , foi-se formando um novo entusiasmo pela razão. Tal tendência foi acentuada no século XVII pelo racionalismo 11 , através do qual o homem procurou desenvolver o uso da razão, chegando ao século XVIII confiante o suficiente para não mais contemplar a natureza, mas sim, conhecê-la para dominá- la. Todos esses acontecimentos resultaram na modificação do pensamento europeu, inclusive no que diz respeito à educação. Estamos falando do movimento denominado Iluminismo, também conhecido como “Século das Luzes”.

Um dos pensadores (precursores), que contribuiu para o surgimento de novas idéias foi o filósofo inglês John Locke (1632-1704). Na sua obra Alguns pensamentos sobre educação (1693), esse autor destacou a educação como sendo um instrumento de formação, tanto da mente como da moral de todo indivíduo burguês, o que afirmaria sua soberania social. Locke defendia a idéia de que era preciso submeter toda afirmação à prova da experiência e da interferência empiricamente comprovada.

Essas idéias, que podem ser entendidas no contexto histórico da sociedade inglesa no decorrer do século XVII, ou seja, através de um desenvolvimento caracterizado por uma radical mudança político-econômica que transformou a Inglaterra de estado feudal e agrícola em monarquia parlamentar e a direcionou para a industrialização, num processo que ficou conhecido como revolução industrial, que você já estudou no Caderno I de Sociologia. Com essas mudanças, ocorreu a emergência de novos grupos sociais, a começar pela alta burguesia, que na segunda metade do século XVIII foi assumindo um papel cada vez mais relevante, até conquistar sua hegemonia na sociedade.

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10 Teocentris- mo medie- val: crença ou doutri- na caracte- rística da Idade Mé- dia
10 Teocentris-
mo medie-
val: crença
ou doutri-
na caracte-
rística da
Idade Mé-
dia
que
considera
Deus
o
centro do
universo.
11 Racio- nalismo: método de observar as coisas baseado exclusiva- mente na razão. Considera- da
11
Racio-
nalismo:
método de
observar as
coisas
baseado
exclusiva-
mente
na
razão.
Considera-
da a única
autoridade
quanto
à
maneira de
pensar ou
de agir.

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São justamente estas transformações que levaram Locke a colocar no centro de sua reflexão educativa o modelo do gentleman (homem bem educado, cavalheiro). O gentleman era visto como o modelo ideal para a burguesia, para o

qual ele traçou também um renovado currículo de estudos: o latim ficou reduzido

o suficiente para enfatizar as boas maneiras e o trabalho passou a ser visto pelos

pensadores do período como um hobby. Locke ressaltou a liberdade do homem e

a potencialidade infinita de seu intelecto. Assim, a pedagogia será a arte e a técnica de modelar indivíduos conformes, o quanto possível, à aspiração a uma razão iluminada”. (Gusdorf. In: CAMBI, 1999, p. 327).

Mas, o que viria a ser essa “razão iluminada?” A idéia de “razão iluminada”

estava ligada ao movimento Iluminista. Seus pensadores defendiam o uso da razão para explicar os fenômenos ocorridos na natureza e na sociedade. Este pressuposto tornou possível iluminar o pensamento do homem, favorecendo a criatividade e

a renovação.

O Iluminismo acarretou em modificações políticas, econômicas, sociais

e culturais na sociedade européia. No que se refere à educação, estabeleceu-se a idéia de uma cultura pedagógica inovadora, através da qual os povos submetiam-

se ao domínio da razão, fazendo com que cada homem desenvolvesse sua identidade

nacional.

12 Alguns

pensado-

res do pe- ríodo ilu- minista:

Diderot,

D’Alambert

e Voltaire

13 Laici- zação educacio- nal: for- mação de uma edu- cação laica, ou seja, sem
13
Laici-
zação
educacio-
nal:
for-
mação de
uma edu-
cação
laica, ou
seja, sem
vínculo
religioso.

Os filósofos iluministas 12 projetaram uma educação que visava formar um cidadão com bom senso, sendo esta centrada e organizada pelo Estado. Foram elaborados planos de estudos práticos e científicos no lugar de eruditos e literários, remodelou-se a metodologia, bem como as próprias instituições de ensino, as quais promoveram programas de estudos renovadores e funcionais, com a finalidade de formar o homem moderno (livre, ativo e mais responsável socialmente). Surgiu, assim, um novo intelectual, não mais emissário do poder religioso e político, mas sim, autônomo, incisivo e dinâmico.

Nesse contexto, já não era possível ligar a educação à religião, como nas escolas confessionais, nem aos interesses da aristocracia. É possível perceber um processo de laicização educacional 13 , que contrapõem uma concepção de mundo dominada pela Igreja. Nem livros como a Bíblia, nem figuras como a do padre, nem saberes como a teologia serão considerados como centrais no universo do saber. O que podemos considerar é que os ideais iluministas vão romper com os padrões estabelecidos pelo Antigo Regime, opondo-se aos jesuítas e à metodologia de ensino por eles idealizada.

Em alguns países europeus, como na França, o Iluminismo conseguiu produzir teorias pedagógicas inovadoras e orgânicas, com programas escolares atentos às ciências, à história e às línguas modernas. Tentaram deixar de lado o latim, opondo-se ao trabalho desenvolvido pelos jesuítas, à sua cultura e ao seu

39

ideal formativo. Na Áustria, o Estado controlava toda a instrução, sendo que os professores eram vinculados a ele, bem como criou escolas com a preocupação de formar professores (Escolas Normais), ou seja, assumiu a função Pedagógica, até então controlada pela Igreja. Ao contrário desses dois países, o Iluminismo Português apresentava características diferentes. Neste ainda permaneceram traços da cultura “da imitação, memorização e erudição literária”. (XAVIER, 1994, p.

51).

Para você refletir:

Neste momento você poderia refletir sobre o que mudou na educação com o Iluminismo em relação à educação praticada anteriormente pelos Jesuítas. Lembra- se das características dessa educação, baseada no estudo da retórica, filosofia e teologia?

Com o Iluminismo formou-se, no período contemporâneo, um novo

intelectual, que desenvolveu um papel decisivo e central na sociedade, uma vez que

a função educativa deve promover o progresso, apaziguar conflitos sociais, bem como minimizar os contrastes ideológicos.

As idéias iluministas foram difundidas de diversas formas: nos cafés, locais de encontros burgueses em que eram discutidas questões referentes à política; na Enciclopédia, uma espécie de dicionário organizado por Diderot, com a contribuição de 130 autores de diversos campos do conhecimento, com o objetivo de abordar de forma resumida todo o conhecimento do século; e na Maçonaria, sociedade secreta que buscava propagar as novas idéias contra o obscurantismo da Igreja e o absolutismo real.

As artes e as ciências também sofreram a influência do pensamento iluminista. Academias e associações de cientistas foram fundadas por toda a Europa. Os ramos científicos especializaram-se, como a Biologia, que se dividiu em Botânica e

Zoologia, a Física, a Química (Lavoisier é considerado o “pai” da Química moderna)

e a Medicina (várias vacinas foram descobertas).

Sob a influência das idéias iluministas ocorreram diversos movimentos revolucionários em vários países da Europa em oposição ao Absolutismo. As desigualdades sociais, as injustiças e as graves condições de pobreza da grande maioria da população européia, aliada ao desejo da burguesia por maior participação nas decisões do governo, foram os elementos chaves para que ocorresse a luta contra o Antigo Regime, a nobreza e o clero. Foi nas idéias dos filósofos racionalistas que a burguesia encontrou argumentos em sua luta contra o despotismo e a favor da igualdade de direitos. No entanto, mesmo com a mudança na ordem política, ou seja, a substituição do governo de minoria aristocrática do Antigo Regime pelo de minoria burguesa, não significou melhores condições de vida para a maioria da população.

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As Revoluções Burguesas 14 representaram transformações substanciais no plano jurídico-político, enquanto à Revolução Industrial significou mudanças profundas no nível econômico-social, constituindo, assim, o quadro básico para o

estabelecimento de uma sociedade capitalista e liberal.

Nesse período, ou seja, século XVIII, considerado a época das grandes revoluções e da proliferação de ideologias, surge um novo homem, a imagem do

Estado e da economia. Portanto, este século foi o divisor de águas entre o moderno

e o contemporâneo, fazendo surgir novas realidades, observadas sob diferentes olhares, ou seja, o da razão.

A REFORMA POMBALINA

Você estudou até agora algumas transformações ocorridas na Europa, entre elas a emergência das idéias iluministas que defendiam a formação de um novo homem e, portanto, de uma nova educação. E no Brasil? De que maneira as novas idéias influenciaram a educação aqui praticada durante o período colonial?

Você viu, anteriormente, que os jesuítas eram os responsáveis pela catequização

dos índios e pela instrução dos filhos dos colonos, o que deu um caráter elitista à educação. Mas sob a influência das idéias iluministas ocorreram algumas transformações. De que forma isto se deu? É sobre essa questão que iremos estudar

a seguir.

Vale recordar que todas as deliberações ocorridas no Reino português acabavam repercutindo no Brasil colônia. Neste sentido, temos um personagem que será o

responsável pelas transformações na educação brasileira: Sebastião José de Carvalho

e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal (1699-1782), que administrou Portugal de 1750 a 1777.

A principal tarefa do Marquês de Pombal foi a de reestruturar e proteger a economia e a política portuguesa. A nação que tanto havia lucrado com a exploração colonial, destacando-se como pioneira do mercantilismo, não se adaptara ao novo contexto econômico, moderno e capitalista, e dependia da importação de produtos manufaturados da Inglaterra.

Dessa forma, era necessário tomar medidas urgentes para a recuperação portuguesa, através de uma nova estratégia cultural e educacional, em todo o império lusitano, e pela superexploração colonial. Assim, a reforma desenvolvida por Pombal, nos campos econômico e social, buscou controlar as riquezas que chegavam das colônias portuguesas. No Brasil, tais medidas resultaram no aumento do número de impostos e o esvaziamento do aparelho administrativo local, desencadeando inúmeras revoltas, entre elas a Inconfidência Mineira.

41

A reforma pombalina também trouxe modificações na educação praticada tanto na metrópole quanto na colônia. A nova proposta educacional contava com a colaboração de vários cientistas ligados às discussões das idéias iluministas em toda Europa, e se opôs à educação praticada pelos jesuítas no Brasil. Para Pombal era necessário expulsá-los, pois os mesmos eram considerados, no período, culturalmente retrógrados, politicamente ambiciosos e poderosos no que se refere à economia, pois possuíam muitos bens.

Como você viu, o modelo educacional dos jesuítas estava restrito aos fundamentos católicos, distantes da realidade vivida na colônia. Conforme nos aponta Freire:

“Quando expulsos, em 1759, os jesuítas nos legaram um ensino de caráter literário, verbalista, retórico, livresco, memorístico, repetitivo, estimulando a emulação através de prêmios e castigos que se qualificava como humanista clássico. Enclausurando alunos em preceitos católicos, inibiu-os de uma leitura do mundo real, tornando os cidadãos discriminatórios, elites capazes de reproduzir ‘cristãmente’ a sociedade preservando contrastes e discrepâncias, dos que tudo sabem e podem e dos que a tudo se submetem. Inculcaram a ideologia do pecado e as interdições do corpo. ‘Inauguraram’ o analfabetismo no Brasil”.(Freire citado por FERREIRA, 1998, p. 55).

As reformas na educação, realizadas pelo Marquês de Pombal, visavam romper

com esse modelo e restringir a participação da igreja no âmbito educacional. Buscou- se a implantação de um sistema utilitário e prático, que incorporasse o estudo das ciências experimentais. Apesar do caráter modernizante de suas propostas, no intuito de formar uma elite colonial apta a gerenciar as atividades internas de acordo com os interesses da metrópole, essas não significaram mudanças de caráter qualitativo para a educação. A expulsão dos jesuítas desestruturou o sistema educacional existente no Brasil, pois esses eram, em sua grande maioria, os educadores daqui.

Ao invés de uma reforma efetiva na educação, Pombal organizou um novo sistema educacional através de “Alvarás” (decretos). Assim, instituiu cargos como o de “Diretor de Estudos”, criado para cuidar do planejamento da educação na metrópole e na colônia. Esses Alvarás quase não saíram do papel ou demoraram mais de dez anos para se concretizar.

O curso de Humanidades, praticado pelos jesuítas, foi modificado e substituído

de forma irregular para o sistema de “aulas régias” de disciplinas isoladas, nas quais foram incorporadas matérias como matemática, física, ciências naturais, além de

aulas de gramática latina, grego e retórica. Essas aulas eram mantidas através de um novo imposto colonial, “o subsídio literário”. Tratou-se de uma tentativa de preparar a comunidade para estudos futuros na Europa. Entretanto, aspectos burocráticos retardaram a implementação dessas aulas, que demoraram cerca de quarenta anos para serem implantadas.

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Com a reforma pombalina, os índios deixaram de ter acesso à catequização. Anteriormente, com os jesuítas, os índios e os negros tinham acesso à educação e à instrução, uma vez que a Companhia de Jesus tinha o interesse de ampliar o número de fiéis da Igreja Católica. Esta situação modifica-se após a Reforma Pombalina, uma vez que o governo português não possuía interesse filosófico ou religioso em educá-los. Com a expulsão dos padres, não havia mais dinheiro nem professores para os índios. Os padres da Companhia de Jesus eram remunerados pelo Rei, por isso o ensino brasileiro até 1759 era gratuito. Com a reforma pombalina, os professores-padres foram substituídos por cidadãos que iriam ser pagos. Quando as aulas fossem oficiais teriam que ser pagas pelo governo. Porém, tanto Portugal quanto o explorado Brasil, não dispunham de recursos para pagar dignamente os professores que, mal remunerados, desenvolviam outras funções para garantirem seu sustento. Parece que a situação do magistério não mudou muito, você não acha?

Os investimentos eram reduzidos não apenas no pagamento de salários dos professores, mas também na estrutura dos prédios escolares. Deu-se, portanto, uma “aristocratização” do ensino, tornando possível percebermos que a reforma pombalina era elitista, destinada a poucos, principalmente à classe latifundiária, limitando-se à formação de bacharéis.

Aos habitantes do Brasil-colônia restava o ensino oferecido pela ordem dos franciscanos, dos beneditinos e das irmãs carmelitas, além de alguns professores leigos, oriundos de outras profissões. Desse modo, a educação tornara-se ainda mais precária do que a desenvolvida pelos jesuítas. Muitos desses “novos professores” eram frutos do trabalho jesuítico, portanto, davam continuidade àquele trabalho.

Dessa forma, a expulsão dos jesuítas, que foram os responsáveis pela educação

por mais de dois séculos, significou o desmantelamento da estrutura educacional

sem sistematização, sem pessoal docente em

quantidade e de qualidade suficiente, já que eram extremamente parcos os proventos provenientes do novo imposto cultural, é possível concluir que a

instrução do país foi drasticamente limitada”. (XAVIER, 1994, p.52).

na colônia. Segundo Xavier (

)

As instituições de maior destaque, geradas a partir desse processo reformador, foram os cursos de estudos literários e teológicos, criados em 1776 no Rio de Janeiro e o Seminário de Olinda, fundado em 1800 pelo Bispo Azeredo Coutinho. Esse último “tinha uma estrutura escolar propriamente dita, em que as matérias apresentavam uma seqüência lógica, os cursos tinham uma duração determinada e os estudantes eram reunidos em classe e trabalhavam de acordo com um plano de ensino previamente estabelecido”. (PILETTI, 1996, p. 37).

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Essa realidade só passou a se alterar a partir do início do século XIX com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808. Com a transferência da corte portuguesa, o novo contexto político-econômico exigia uma nova postura com relação ao ensino, preparando profissionais aptos a assumir cargos de defesa, manutenção e de administração da Coroa na colônia.

Para você refletir:

Ao analisarmos as reformas efetuadas pelo marquês de Pombal, percebemos o caráter aristocrático das mesmas. Você acha que nos dias atuais a educação permanece aristocratizada ou você acredita que o acesso ao sistema educacional por parte das camadas populares se modificou?

RESUMO:

O século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes, através do qual

o iluminismo passou a transformar a forma dos homens verem o mundo. O absolutismo, até então incontestável, passou a ser criticado de forma mais efetiva. Negou-se a origem divina do poder real através da contestação dos novos filósofos (iluministas), defendeu-se a liberdade pessoal e religiosa, movimentos que provocaram transformações no campo político.

John Locke, um dos pensadores iluministas, defendia uma educação burguesa ao apontar que esta deveria formar o gentleman, o homem cavalheiro, bem educado, que deveria servir ao Estado. Ocorre nesse período a laicização da educação, no qual esta deveria ser desvinculada dos preceitos religiosos e voltada para a formação do cidadão.

O Marquês de Pombal, que governou Portugal entre 1750 e 1777, empreendeu reformas que visavam reestruturar a nação portuguesa. Para tanto, era necessário conter os gastos do governo, tanto na metrópole, quanto na colônia. Parte dos impostos arrecadados, no Brasil, ficavam nas mãos dos jesuítas, que aos poucos, além de poderosos ideologicamente, tornaram-se ricos. Dessa forma, Pombal resolveu expulsá-los de todas os seus domínios.

A educação, no Brasil, ficava sob a responsabilidade dos jesuítas. Após sua

expulsão, devido a reforma pombalina, a educação no país ficou entregue a uma minoria de pessoas nem sempre gabaritada para tal tarefa. Os poucos professores habilitados eram formados nos colégios jesuíticos. A educação tornou-se ainda mais elitizada.

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Para saber mais:

1. O texto abaixo, de J. J. Rousseau, descreve como as crianças deveriam ser educadas na Europa do século XVIII. A partir dele reflita sobre quais os aspectos que, na sua opinião, devem ser considerados, atualmente, na educação das crianças.

“Toda nossa sabedoria consiste em preconceitos servis; todos os nossos usos não são senão sujeição, embaraço e constrangimento. O homem civil nasce, vive e morre na escravidão; ao nascer, envolvem-no em um cueiro; ao morrer,

encerram-no em um caixão; enquanto conserva sua figura humana está acorrentado

a nossas instituições.

Sofrer é a primeira coisa que deve aprender e a que terá mais necessidade de

A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de ser homens. Se

quisermos perturbar essa ordem, produziremos frutos precoces, que não terão maturação nem sabor e não tardarão em corromper-se; teremos jovens doutores e crianças velhas. A infância tem maneiras de ver, de pensar, de sentir que lhe são próprias; nada menos sensato do que querer substituí-las pelas nossas; e seria o mesmo exigir que uma criança tivesse cinco pés de altura do que juízo aos dez

saber. (

)

anos. Com efeito, que lhe adiantaria ter razão nessa idade? Ela é o freio da força, e

a

criança não tem necessidade desse freio.(

)

Como não se quer fazer de uma criança uma criança e sim um doutor, pais

e

ameaçar, prometer, instruir, apelar para a razão. Fazei melhor: sede sensato e não raciocineis com vosso aluno, principalmente para fazerdes com que aprove o que lhe desagrada, pois meter sempre a razão nas coisas desagradáveis é tornar-lhe aborrecida, é desacredita-la desde cedo num espírito que ainda não está em estado

de compreende-la. Exercitai seu corpo, seus órgãos, seus sentidos, suas forças, mas

todas as dilações como

deixai sua alma ociosa enquanto for possível(

vantagens: é ganhar muito, caminhar para o fim sem nada perder; deixai a infância amadurecer nas crianças. Alguma lição se faz necessária? Evitai dar-lhe desde logo,

se puderdes adia-la sem perigo.

mestres nunca acham cedo demais para ralhar, corrigir, repreender, lisonjear,

)Encarai

Outra consideração que confirma a utilidade deste método está no temperamento particular da criança, que é preciso conhecer bem para saber que regime moral lhe convém. Cada espírito tem sua forma própria segundo a qual precisa ser governado e o êxito depende de ser governado por essa forma e não por outra. Homem prudente, atentai longamente para a natureza, observai cuidadosamente vosso aluno antes de lhe dizerdes a primeira palavra; deixai antes de tudo que o germe de seu caráter se revele em plena liberdade, não exerçais nenhuma coerção a fim de melhor vê-lo por inteiro. Pensais que esse período de liberdade seja perdido para ele? Ao contrário será o mais bem empregado, pois assim é que aprendereis a não perder um só momento de tão preciosa fase. Ao

passo que se começardes a agir antes de saber como, agireis ao acaso; expondo-vos

a engano, sereis obrigado a voltar atrás; estareis mais afastado da meta do que se

O médico sábio não receita às tontas

tivésseis tido menos pressa em atingi-la. (

à primeira vista, estuda primeiramente o temperamento do doente antes de

prescrever; começa a tratá-lo tarde mas o cura, enquanto o médico demasiado

apressado o mata.

)

Mas onde poremos essa criança para educa-la assim como ser insensível, como um autômato? Na lua, numa ilha deserta? Afastada de todos os humanos? Não terá ela continuamente no mundo o espetáculo e o exemplo das paixões alheias? Não verá nunca outras crianças de sua idade? Não verá seus pais, seus vizinhos, sua ama, sua governanta, seu criado, seu mestre mesmo que, afinal não será um anjo?

Essa objeção é séria e sólida. Mas vos terei dito porventura que uma educação natural fosse uma empresa fácil? Ó homens. Será culpa minha se tornartes difícil

tudo que é certo? Sinto tais dificuldades, confesso: talvez sejam insuperáveis, mas

o fato é que, procurando aplicadamente preveni-las, até certo ponto as prevenimos.

Mostro a meta que é preciso atingir, não digo que se possa consegui-lo; mas digo

que quem dela mais se aproximar terá tido o maior êxito.”

(ROSSEAU, J. J. Emilio. In: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. São Paulo: Moderna, 1989. pp. 169-170)

2. Para leituras complementares sugerimos:

FORTES,Luiz R. Salinas. O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo:

Brasiliense, 1995 (Coleção Tudo é História) CERQUEIRA, Adriano L. da Gama & LOPES, Marcos Antonio. A Europa na Idade Moderna. Belo Horizonte: Lê, 1995 (Coleção Horizontes) FLORENZANO, Modesto. As revoluções Burguesas. São Paulo:

Brasiliense,1991 (Coleção Tudo é História)

3. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet sugerimos os seguintes sites:

http://www.hystoria.hpg.ig.com.br/iluminis.html#ini.

http://mail.iis.com.br/~jbello/hepombal.htm#texto

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ATIVIDADES: O ILUMINISMO E A EDUCAÇÃO COMO DEVER DO ESTADO

O ILUMINISMO E A EDUCAÇÃO COMO DEVER DO ESTADO 30 minutos 1. O Iluminismo propiciou modificações

30 minutos

1. O Iluminismo propiciou modificações políticas, econômicas, sociais e culturais na Europa, principalmente, a partir do século XVIII. Salientado que a reforma pombalina foi influenciada pelo Iluminismo, elenque tais influências e comente as mudanças educacionais provocadas por esta reforma no Brasil.

Comentário: Você deve comentar que a partir da reforma pombalina a educação no Brasil adquiriu um caráter aristocrático, passou a receber menos investimento por parte da metrópole o que ajudou a aumentar sua precariedade.

2. Como você pôde perceber, após a leitura dessa seção, a reforma pombalina tornou ainda mais problemática a questão da educação no Brasil. Trazendo essa leitura para os nossos dias, comente sobre os investimentos dos atuais governos no sistema educacional? Faça uma pesquisa sobre os investimentos que têm sido aplicados na educação em seu município.

CAPÍTULO II

A EDUCAÇÃO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Objetivo Geral

Listar os principais pedagogos dos séculos XIX e XX, sistematizando seus pensamentos sobre a educação. Descrever as transformações no processo educacional brasileiro e caracterizar a construção e as transformações da sociedade e da educação no estado de Santa Catarina.

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EDUCAÇÕES PÚBLICAS NACIONAIS E PRINCIPAIS PEDAGOGOS

Objetivos específico:s

Seção 1

- Relacionar as transformações econômicas e políticas e a sua influência nas reflexões pedagógicas do período;

- Identificar as principais idéias pedagógicas desenvolvidas no período, relacionando-as com a nossa prática educacional.

O início do mundo contemporâneo é marcado pela Revolução Francesa, ocorrida em 1789. Neste momento a burguesia chega ao poder e inicia sua luta

pelo fim do regime aristocrático e feudal, no qual somente o rei e a nobreza possuíam poder político. Uma das características da sociedade burguesa, na qual vivemos, e que se iniciou a partir desse momento, refere-se a possibilidade de ascensão social.

O nascimento e não a capacidade intelectual era o que definia o futuro de uma

pessoa no período feudal e moderno. Isso é questionado pela burguesia uma vez que tinha interesse em assumir cargos na burocracia estatal.

que tinha interesse em assumir cargos na burocracia estatal. Fábrica têxtil paulista do início do século

Fábrica têxtil paulista do início do século XX

Além disso, com o advento da Revolução Industrial (século XVIII), as relações de trabalho e de produção são modificadas. A industrialização e a introdução

de novas técnicas de trabalho no campo, que passa a produzir para o mercado,

força os servos a deixarem suas terras e irem em direção as cidades em busca de

melhores condições de vida. Surge uma nova classe social, os operários, que vendem sua força de trabalho em troca do pagamento de um salário. As cidades crescem, a sobrevivência torna-se precária e apesar dos avanços tecnológicos da industrialização,

os operários não têm acesso aos benefícios da nova ordem econômica, o capitalismo.

A exclusão social da maioria da população faz com que surjam as primeiras

organizações de trabalhadores e as primeiras críticas à exploração, fundamentando as teorias socialistas.

50

Com a industrialização ocorre também uma revolução nos meios de transportes com o desenvolvimento do navio a vapor e a construção de ferrovias, com os meios de comunicação, invenção do telégrafo, a difusão da imprensa e posteriormente do rádio, e com a utilização de novas fontes de energia, como o carvão, o petróleo e posteriormente a eletricidade.

A industrialização e o fortalecimento dos Estados-Nações levou os governos

nacionais a preocuparem-se com a formação de seus cidadãos e trabalhadores. Logo,

os estados europeus passam a tomarem para si o encargo da escolarização, dando especial atenção à educação elementar, até então relegada à segundo plano. Esse movimento em prol da escola elementar estatal consolida-se no decorrer do século XIX, na Europa, e expande-se para os países subdesenvolvidos no século XX.

Em relação à vinculação da educação com o estado, enquanto alguns pedagogos viam-na como uma forma de perpetuar o domínio da burguesia através da formação do povo, outros entendiam-na como uma forma do povo emancipar- se através do acesso ao conhecimento e a instrução. Para Hegel a educação é um meio de espiritualização do homem. Já os socialistas lutavam pela democratização do ensino (universal) e pela escola única (não dualista), isto é sem distinção entre o pensar e o fazer (ARANHA, 1998. pp.141-142).

Esse movimento de estatização das escolas elementares ocorreu de forma diferenciada em cada país. Para exemplificarmos tomaremos o caso da Alemanha e dos EUA. Na Alemanha a preocupação com a educação elementar vem desde Lutero, ou seja, desde o século XVI. A derrota para a França, no início do século XIX, prejudicou sua organização escolar e a partir de então sua política foi a de implantar uma escola unificada acessível para todos. Nos EUA, a instalação das escolas públicas começou no início do século XIX, atingindo também o ensino universitário, com a fundação da primeira universidade estatal em 1819, na Virgínia. No Brasil, a organização escolar no século XIX será tratada na próxima seção.

Nesse contexto de transformações econômicas, políticas, sociais e educacionais, vários pensadores desenvolveram reflexões sobre a educação, influenciando até os dias atuais o fazer pedagógico. Na impossibilidade de falar sobre todos, selecionamos alguns deles. 1

Johann Heinrich Pestalozzi (Zurique: 1746-1824)

É considerado um dos defensores da escola popular extensiva a todos. Para

ele o ensino tem uma função social e o povo não deveria ser apenas instruído, mas ter uma formação completa, pela qual cada um é levado à plenitude do seu ser. O homem deve ser visto como “um todo cujas partes devem ser cultivadas: a unidade espírito-coração-mão corresponde ao importante desenvolvimento da tríplice atividade conhecer-querer-agir, por meio do qual se dá o aprimoramento da inteligência, da moral e da técnica” (ARANHA, 1998. pp. 143) A tarefa do mestre

51

é estimular o desenvolvimento espontâneo do aluno, procurando compreender o

espírito infantil. A criança tem potencialidades inatas que serão desenvolvidas até a

maturidade. Dessa forma o método para educar fundamenta-se em um princípio que deve seguir a natureza.

Friedrich Froebel (Turíngia: 1782-1852) É historicamente conhecido como o criador dos Jardins de Infância. Para ele na infância está contida a voz de Deus. Portanto, a educação deve apenas deixar

a criança se desenvolver, reforçando a sua capacidade criativa com cores, ritmos e

figuras. Froebel “privilegia a atividade lúdica por perceber o significado funcional do jogo e do brinquedo para o desenvolvimento sensório-motor e inventa métodos para aperfeiçoar as habilidades. Estava convencido de que a alegria do jogo levaria a criança a aceitar o trabalho de forma mais tranqüila” (ARANHA, 1998. pp. 143-

144).

Johann F. Herbart (Alemanha: 1776-1841):

Foi o precursor de uma psicologia experimental aplicada à pedagogia.

Desenvolveu uma pedagogia social e ética que pretendia formar o caráter moral através da instrução. Para ele a educação moral não pode ser separada da instrução:

unidade querer-pensar. Para Herbart, a conduta pedagógica segue três procedimentos básicos:

1. O governo: forma de controle a ser exercido sobre as crianças para submetê-las às regras do mundo adulto, combinando autoridade, amor e a manutenção da criança ocupada. 2. A instrução: procedimento educacional que supõe o desenvolvimento dos

interesses. O interesse, para Herbart, é um poder ativo que determina quais idéias e experiências receberão atenção.

3. A disciplina: este é o procedimento que dá firmeza à vontade educada no propósito

da virtude. Enquanto o governo é exterior, a disciplina supõe a autodeterminação, característica do amadurecimento moral que leva à formação do caráter proposto.

John Dewey (USA: 1859-1952) Dewey fez severas críticas à educação tradicional, sobretudo à predominância do intelectualismo e da memorização. O conhecimento deve ser uma atividade voltada para a experiência e a função do professor é estimular a atividade dos alunos para que eles aprendam fazendo. Além disso, deve ser estimulado o espírito de iniciativa e a independência, devendo levar a autonomia e ao autogoverno, virtudes de uma sociedade democrática. Deu grande contribuição para a divulgação dos princípios da escola nova, a qual se difundiu no Brasil no início do século XX.

Maria Montessori (Itália: 1870-1952) Montessori era médica e desenvolveu inicialmente trabalhos educacionais com crianças excepcionais. Em 1907 abriu a casa dei bambini para atender a filhos de operários. Empenhou-se na individualização do ensino, através do qual cada criança escolhe o material e desenvolve suas atividades de forma individualizada,

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seguindo a orientação do professor. A individualização e a atenção ao ritmo próprio de cada criança não se opõem à socialização. Além disso, a pedagogia montessoriana privilegia o ambiente, tornando-o adequado ao tamanho das crianças, como mesas, cadeiras, estantes e banheiros. Destaca também o material didático, voltando-o para a estimulação sensório-motora: cores, sons, qualidades táteis, movimentos, ginástica, tudo com a clara intenção de alcançar o domínio do corpo e das coisas.

Antonio Gramsci (Itália: 1891-1937) Pensador marxista que morreu na prisão durante o governo de Mussolini, desenvolveu reflexões sobre o papel do intelectual na cultura e na educação. “A educação proposta por ele está centrada no valor do trabalho e na tarefa de superar as dicotomias existentes entre o fazer e o pensar, entre cultura erudita e cultura popular” (ARANHA, 1998. p. 175). Defende a substituição da escola classista burguesa por uma escola unitária que deve oferecer a mesma educação para todas as crianças. Uma educação que possibilite o contato com a técnica de seu tempo sem deixar de lado a cultura geral, humanista e formativa. O pensamento de Gramsci irá influenciar as reflexões de muitos educadores, os quais serão chamados de marxistas revisionistas.

Para você refletir:

A história da educação não se restringe a estudar somente as teorias pedagógicas por que entende que elas foram desenvolvidas dentro de um determinado contexto histórico. O que levou Froebel a criar os jardins de infância e Pestalozzi a defender a educação popular extensiva a todos?

RESUMO:

Nessa seção, foi estudado que os países europeus estavam passando por grandes mudanças. Economicamente estava ocorrendo a Revolução Industrial que trouxe transformações nas relações de trabalho, fazendo com que surgisse uma nova classe social, os operários. Politicamente estavam se formando os Estados nacionais, ao mesmo tempo que a burguesia se fortalece e passa a deter o poder político. Nesse novo contexto desenvolve-se o processo de laicização da educação, bem como a implantação de uma rede de ensino mantido pelo estado. Em diversos países desenvolve-se um sistema escolar que tem como objetivo formar o cidadão e o trabalhador. Vários pensadores desenvolvem reflexões sobre a educação. Entre eles estão: Pestalozzi que defende uma escola popular para todos; Froebel que cria os jardins de infância; Herbart, mais conhecido como o precursor da psicologia educacional; Dewey, o defensor da escola nova; Montessori, que defendeu a individualização do ensino e Gramsci que pensava na superação entre o pensar e o fazer e defendia uma escola unitária.

Para saber mais:

1. O texto abaixo aponta as principais características da pedagogia de John

Dewey. Após a leitura, tente perceber se na sua prática pedagógica está presente algumas das idéias do autor.

“A reflexão pedagógica acompanhou, de fato, toda a rica e complexa produção deweyana, no campo filosófico, epistemológico, político etc., e dirigiu-se com

o mesmo empenho, seja para a construção de uma rigorosa filosofia da educação,

seja para a elaboração de um eficaz projeto operativo, radicalmente inovador no campo escolar e no didático. Nas muitas obras que Dewey dedicou ao problema

educativo, e especialmente naquelas mais engajadas e que muito logo o tornaram célebre no plano internacional, vai sendo elaborada uma pedagogia extremamente atenta aos problemas da sociedade industrial moderna, bem como às instâncias de promoção humana típicas de muita pedagogia contemporânea. Em geral, a pedagogia de Dewey caracteriza-se: 1. como inspirada no pragmatismo e portanto num permanente contato entre o momento teórico e o prático, de modo tal

que o “fazer” do educando se torne o momento central da aprendizagem; 2. como entrelaçada intimamente com as pesquisas das ciências experimentais, às quais a educação deve recorrer para definir corretamente seus próprios problemas,

e em particular à Psicologia e à Sociologia; 3. como empenhada em construir

uma filosofia da educação que assume um papel muito importante também no campo social e político, enquanto a ela é delegado o desenvolvimento democrático da sociedade e a formação de um cidadão dotado de uma mentalidade moderna, científica e aberta à colaboração. Tais características gerais tornaram a pedagogia deweyana uma espécie de modelo-guia dentro do movimento da “escola ativa” que, desde o fim do século XIX e até os anos 30 do novo século, tanto na Europa como na América, teve (como já vimos) um rico florescimento de posições teóricas e de iniciativas práticas, todas elas destinadas a valorizar a criança como protagonista do processo educativo e também a colocá-la no centro de toda iniciativa didática, opondo-se às características mais autoritárias e intelectualistas da escola tradicional.”

(CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999. p. 549)

2. Para aprofundar o assunto estudado você pode assistir aos seguintes

filmes:

Tempos Modernos (Charles Chapin: EUA, 1936). Danton, o processo da revolução (Andrzei Wajda: França/Polônia,1982). Daens, um grito de justiça (Stjin Cominx: Bélgica, 1992).

3. Para leituras complementares sugerimos:

CANÊDO, Letícia Bicalho. A Revolução Industrial. 3º ed., São Paulo:

Atual/ Campinas: Ed. da Unicamp. 1987.

DECCA, Edgar de. O Nascimento das Fábricas. 8º ed., São Paulo:

Brasiliense,1991.

HOBSBAWN, Eric J. A Era das Revoluções (1789-1848). 7º ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

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4. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet, sugerimos os seguintes sites:

http://members.tripod.com/lfcamara/dewey.html

http://members.tripod.com/lfcamara/montesso.html

http;//www.jcwilke.hpg.ig.com.br/pestalo.

ATIVIDADE: O MUNDO E A EDUCAÇÃO TRANSFORMAM-SE

ATIVIDADE: O MUNDO E A EDUCAÇÃO TRANSFORMAM-SE 20 minutos Ao final dessa seção esperamos que você

20 minutos

Ao final dessa seção esperamos que você tenha percebido como o pensamento sobre a educação mudou em relação ao período moderno. Antes a educação era uma preocupação essencialmente da Igreja, agora o Estado passa a se ocupar da formação do seu cidadão e do seu trabalhador. Além disso, você também estudou sobre as principais idéias pedagógicas desenvolvidas neste período.

1. Relacione as transformações ocorridas, na Europa, no período de desenvolvimento das idéias pedagógicas.

Comentário:Em sua resposta você deve salientar as idéias pedagógicas desenvolvidas relacionando-as com as mudanças sociais e econômicas do período. Por exemplo, no contexto do surgimento da economia industrial e do fortalecimento do movimento operário, Gramsci defendeu a substituição da escola burguesa pela escola única que ofereça a mesma educação para todas as crianças. Sugerimos que você estabeleça esta reflexão em relação aos outros pedagogos.

2. Dentro do que você estudou, destaque quais as idéias desenvolvidas neste momento que vão ao encontro da sua prática pedagógica e da sua concepção de educação.

Comentário: Você deve ter se deparado com várias de suas práticas, não é mesmo? Pestalozzi, por exemplo, defende a escola popular e vê o ensino com o objetivo de formar um indivíduo consciente da sua importância. Tal consciência cresce juntamente com a criança. Froebel volta seu olhar para a primeira infância, que deve despertar na criança a vontade de aprender, através de jogos e brincadeiras. Herbart preocupa-se com a formação ética através de regras, instruções e disciplina. Para Dewey a criança deve aprender fazendo. Montessori diz que cada criança aprende de uma forma e que ele deve receber uma educação individualizada e para Gramsci a educação deve ser unitária, ou seja, todas as crianças devem receber a mesma educação, sem diferenciação social.

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A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO IMPÉRIO

Objetivos específicos:

Seção 1

- Apontar as mudanças políticas e econômicas ocorridas com a independência do Brasil e suas implicações na educação;

- Pontuar as propostas educacionais do período imperial a fim de suprir as deficiências da educação no Brasil.

Com a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal, o governo português tentou implantar um sistema educacional para ocupar seu lugar. Como você viu na parte que trata das reformas pombalinas, foi criado um sistema de Aulas Régias que era mantido pelo imposto chamado de “subsídio literário”. Esse sistema não conseguiu suprir as necessidades educacionais da colônia, uma vez que não havia profissionais qualificados, nem recursos suficientes.

Essa situação somente começa a mudar no momento em que a Família Real Portuguesa mudou-se para o Brasil. Fugindo da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte, a corte transfere-se para sua colônia mais importante, fixando- se na cidade do Rio de Janeiro. Nesse momento, o Brasil é elevado a categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves e ocorre a abertura dos portos as nações unidas. Isso significou que todas as mercadorias importadas e exportadas pelo Brasil que antes eram comercializadas somente com Portugal, agora são comercializadas diretamente com os países interessados. O principal parceiro comercial na época era a Inglaterra.

A partir desse momento, o Brasil seria a sede da administração do Reino e,

portanto, tornava-se fundamental diminuir as deficiências do ensino brasileiro, gerando uma nova estrutura escolar que preparasse um conjunto de funcionários

qualificados para a nova realidade política.

O primeiro passo foi multiplicar o número de cadeiras de ensino e criar cursos

superiores e instituições culturais. Foram criadas a Academia Real da Marinha (1808) e a Academia Real Militar (1910), destinadas a preparar oficiais e engenheiros para a defesa militar da Colônia. Para formar médicos e cirurgiões para atender às necessidades da Corte, da Marinha e do Exército, foram criados os cursos de Cirurgia, Anatomia e Medicina (1808-1809). Por fim, foram criados cursos voltados para a formação de técnicos para os campos da economia, indústria e agricultura.

Para incrementar a vida cultural e social do Rio de Janeiro, foram criados o Jardim Botânico (1810), a Biblioteca Nacional (1810) e o Museu Real, posteriormente Museu Nacional (1818). Foram incentivadas a vinda de missões

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estrangeiras compostas por pintores, músicos, cientistas, entre outros estudiosos. Em 1808, também foi liberada a imprensa e a criação de indústrias no país. A imprensa era proibida devido o medo da metrópole de que, através dos jornais e dos livros, se difundissem idéias que levassem a independência. Também por causa disso, a entrada de livros na colônia era controlada.

Alguns anos depois, em 1822, ocorre a Independência do Brasil. A antiga colônia de Portugal torna-se um país independente sem muitas mudanças e sem ter que se envolver numa luta. O país, economicamente, continua baseado na grande propriedade da terra, na qual os escravos produzem para a exportação. No

aspecto político, sai o rei de Portugal, D. João VI e em seu lugar fica seu filho, D. Pedro I, Imperador do Brasil. No aspecto social mantém-se a principal característica:

a maioria da população é escrava. Esse fator marca toda a sociedade da época e

influencia a educação praticada mesmo após a Abolição da Escravatura (1888) e o fim o Império (1889).

2 As escolas domésticas ou privadas fun- cionavam em espaços cedidos ou organizados pelos pais das crianças e jo- vens, os quais os professores deveriam en- sinar. O paga- mento desse professor era de responsa- bilidade dos pais em con- junto, ou, em muitas vezes, do chefe da família que o contratava, geralmente um fazen- deiro. Neste último caso, na escola, ao lado dos filhos do fazendeiro, podem ser encontrados seus vizinhos e parentes.

A primeira constituição brasileira (1824) garantia instrução primária para todos os cidadãos do Império. Salienta-se que neste período são cidadãos somente os indivíduos livres, do sexo masculino e possuidores de uma determinada renda anual. Isto significa que não era vista como função do Estado educar os escravos. Mesmo os negros livres eram proibidos de freqüentar as escolas até meados do

século XIX, o que não significa que não havia outras possibilidades deles terem contato com as letras. Podemos, nesse sentido, citar a ação das Irmandades Religiosas de afro-descendentes existentes em diversas Igrejas durante todo o período do Brasil colonial e Imperial, que possuíam professores que ensinavam a ler, escrever

e contar aos filhos de escravos, livres e libertos.

Neste momento a “presença do Estado não apenas era muito pequena e pulverizada, como, em algumas vezes, foi considerada perniciosa no ramo da instrução” (FARIA Fº, 2000, p. 135). Pela constituição de 1824, a iniciativa privada tinha direito de implantar escolas, que poderiam ser laicas ou religiosas. Para as camadas privilegiadas da população brasileira a instrução elementar de suas crianças era função da própria família, que a fazia através da contratação de preceptores, normalmente estrangeiros, ou enviando-as para colégios internos, normalmente religiosos. Para a elite, a tarefa fundamental do Estado era instruir as “classes inferiores”, ou seja, os brancos pobres. Além de ler, escrever e contar, outros conteúdos foram sendo incluídos com o passar do tempo, como, por exemplo, rudimentos da gramática, aritmética e conhecimentos religiosos.

Apesar da aprovação do Projeto Januário da Cunha Barbosa (1826), que propunha a criação de escolas primárias no país, na prática pouco foi realizado pelo ensino popular, permanecendo uma grande massa de analfabetos. Além disso, por causa da escravidão, havia um desprezo pelas atividades manuais, o que justifica o abandono do ensino primário e o total desinteresse pelo ensino profissional. Nesse período a rede de escolas domésticas 2 atendia um número de pessoas bem superior ao da rede pública estatal.

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Em 1820, foi implantado no Brasil o método Lancaster ou de “ensino

mútuo”, 3 que tinha como objetivo ampliar o papel do Estado na educação elementar

e suprir a escassez de professores, uma vez que atribuía aos alunos mais adiantados

a tarefa de repassar aos colegas a instrução recebida de um professor. Além de

tentar resolver a falta de professores, buscava economizar recursos com salários. No entanto, não se investiu em criar as condições necessárias para que tais escolas funcionassem como espaços adequados, materiais didático-pedagógicos para os alunos e formação dos professores. Os resultados obtidos não foram satisfatórios

e após 15 anos ele foi substituído por outras metodologias.

Entre essas, podemos citar o método simultâneo e o método intuitivo. O método simultâneo possibilitava a organização de classes mais homogêneas e dos

conteúdos em diversos níveis, nos quais o professor trabalhava com vários alunos simultaneamente, aproveitando melhor o tempo escolar. Isso somente foi possível com a produção de materiais didáticos como livros e cadernos e a disseminação das lousas individuais e do quadro negro. O método intuitivo, inspirado nas experiências de Pestalozzi, considerava como fundamental prestar atenção nos processos de aprendizagem do aluno. Esse método dava importância à intuição, à observação das coisas, da natureza, dos fenômenos e na educação dos sentidos. A implantação desses novos métodos requeria a construção de espaços próprios para

a escola, o que só irá ocorrer no final do império e no início da república quando são concebidos os grupos escolares.

Através do Ato Institucional de 1834 foi dada às províncias a responsabilidade pela formação das Escolas de Primeiras Letras, voltadas para a educação elementar e para a educação secundária, enquanto o governo central deveria concentrar seus esforços no ensino superior. Quanto ao ensino secundário, inicialmente foi ministrado em aulas isoladas (as antigas aulas régias) por professores particulares. Aos poucos foram criados os Liceus Provinciais que reuniam no mesmo prédio as aulas que antes eram ministradas separadas. Em 1837, foi criado no Rio de Janeiro o colégio D. Pedro II, que permaneceu por muito tempo como o único estabelecimento de ensino oficial do país, e por isso, o único autorizado a realizar exames parcelados para conceder grau de bacharel, tornando-se o padrão a ser seguido nas demais províncias. Em geral, devido aos interesses específicos de cada província, o ensino secundário desenvolveu-se de forma desarticulada, com aulas isoladas, sem continuidade entre si, sendo mantido sobretudo pela iniciativa privada.

Quanto a educação da população feminina, apesar da legislação prever a

criação de escolas para as meninas, pouco foi feito. As moças da elite tinham acesso

à educação em níveis variados, normalmente ministrado por preceptoras. O mesmo

não se pode dizer das meninas das camadas populares.

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Visando a formação de professores, foram criadas as escolas normais que ofereciam, inicialmente, dois anos de curso de nível secundário. Tais instituições funcionavam de forma irregular e em condições precárias, e muito pouco era discutido sobre as questões técnicas, teóricas e metodológicas referentes ao trabalho docente (Cf. Aranha, 1996). A primeira escola normal foi fundada em Niterói (1835) e, até a década de 1860, existiam seis escolas no país, localizadas nos centros mais populosos. Essas escolas voltavam-se preferencialmente para o público masculino e apenas ao final do século XIX é que as mulheres tornaram-se predominantes. Até então, elas viviam restritas ao lar e apenas as de famílias ricas recebiam alguns conhecimentos elementares, prevalecendo o cultivo dos dotes domésticos e a aprendizagem das boas maneiras.

Finalmente, no que diz respeito ao ensino superior, além das instituições voltadas para atender as demandas da corte portuguesa no Brasil, como foi comentado anteriormente, outras instituições foram criadas também com papéis definidos na estrutura social vigente, ou seja, formar profissionais qualificados para atuar nas atividades liberais. Além disso, a procura pelo ensino superior era devido ao prestígio e a possibilidade de ascensão social que a posse do título de bacharel trazia.

As carreiras de maior prestígio eram direito, engenharia e medicina. Valorizava-se primeiro os bacharéis em Direito, curso que formava juristas, preparava bons administradores que ocupariam os cargos na burocracia estatal. Em seguida, vinham os engenheiros, importantes para os empreendimentos relacionados aos transportes, mineração e urbanização das cidades que se desenvolviam, principalmente na região sudeste. E, por fim, os formados em Medicina, que seguiam carreira como funcionários públicos ou tornavam-se profissionais liberais exercendo sua especialidade.

Para você refletir:

Após a leitura de como foi estruturado o ensino no país durante o Império, você deve ter percebido o que significava a obtenção de um diploma de ensino superior: um emprego público ou fazer carreira como profissional liberal, mas principalmente o status de “doutor” num país de analfabetos. Atualmente, o que significa ter acesso a formação superior?

RESUMO:

Você estudou que a Reforma pombalina desestruturou a organização educacional que os jesuítas haviam implantado no país durante o período colonial. Durante algumas décadas a educação não foi considerada prioridade do governo, não recebendo investimentos suficientes para sua manutenção. Essa realidade

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somente começou a mudar a partir da chegada da família real portuguesa no Brasil, uma vez que se tornou necessário oferecer educação para os filhos da elite, bem como formar um corpo de funcionários para trabalhar nos órgãos governamentais.

Através da Constituição de 1824, Dom Pedro I procurou ampliar o número de escolas por todas as cidades, vilas e lugarejos. A educação primária tornou-se obrigação das províncias, enquanto que o ensino médio e o superior ficaram a cargo do governo imperial. Foram implantados novos métodos como o Lancaster e o Intuitivo. Apesar da abertura da primeira escola normal em 1835, o aumento do número de escolas elementares e médias, bem como de faculdades não permitiu que a maioria da população tivesse acesso a educação. Praticamente metade do número de alunos não eram alfabetizados nas escolas mantidas pelo estado, mas sim em escolas domésticas, irmandades ou então com professores particulares. Ao final do Império, o Brasil continuava com um sistema educacional precário, acessível a um numero reduzido de pessoas e com um corpo de professores leigo e despreparado.

Para saber mais:

1. O texto abaixo, intitulado Como Passar na Peneira, nos mostra quais eram as possibilidades que um aluno brasileiro do século XIX tinha para obter uma formação de nível superior. Após a leitura reflita sobre quais são as possibilidades que tem atualmente um jovem, tanto de classe média e alta como os filhos dos trabalhadores, de completar sua formação.

“Os filhos de famílias de recursos, que podiam aspirar a uma educação superior, iniciavam a formação com tutores particulares, passavam depois por um liceu, seminário ou, preferencialmente, pelo Pedro II, e afinal iam para a Europa ou escolhiam entre as quatro escolas de Direito e Medicina. As quatro cobravam anuidades e seus cursos duravam cinco anos (Direito) e seis anos (Medicina). Um estudante típico entraria numa dessas escolas na idade de 16 anos e se formaria entre 21 e 22 anos. Outra alternativa para os ricos era a Escola Naval, sucessora da Real Academia de 1808, a qual, apesar da gratuidade do ensino, era mantido um recrutamento seletivo baseado em mecanismos discriminatórios, o mais importante dos quais era a exigência de custosos enxovais.

De modo geral, os alunos das escolas de Direito provinham de famílias de recursos. As duas escolas cobravam taxas de matrícula (que no primeiro ano de funcionamento foi de 51$200 réis). Além disso, os alunos que não eram de São Paulo ou do Recife tinham que se deslocar para essas cidades e manter-se lá por cinco anos. Muitos, para garantir a admissão, faziam cursos preparatórios ou pagavam repetidores particulares. Eram obstáculos sérios para alunos pobres, embora alguns deles conseguissem passar pelo peneiramento. Menciona-se, por exemplo, a presença

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4 No título original, a grafia da pa- lavra “prin- cesa” é com “z”.

de estudantes de cor já nos primeiros anos da escola de São Paulo, aos quais, por sinal, um dos professores se recusava a cumprimentar alegando que negro não podia ser doutor.

As pessoas de menores recursos podiam completar a educação secundária nos seminários ou em escolas públicas. A partir daí a escolha podia ser os seminários maiores, para uma carreira eclesiástica, a Escola Militar, sucessora da Academia de 1810, para uma carreira no exército, a Politécnica ou a Escola de Minas, para uma carreira técnica. Nenhuma dessas escolas cobrava anuidade. A Escola de Minas dava bolsas para alunos pobres e a Escola Militar pagava pequeno soldo aos alunos. Alguns dos mais capazes políticos do Império seguiram esse caminho, salientando- se o caso do Visconde de Rio Branco, ex-aluno da Academia Militar.

Ao final do Império, a Escola Militar se transformara num serviço de oposição intelectual e política ao regime, tanto pelo tipo de estudante que selecionava como pelo conteúdo da educação que transmitia. Seus alunos vinham em geral de famílias militares ou famílias remediadas, quase nunca de famílias ricas, sua educação era técnica positivista, em oposição à formação jurídica e eclética da elite civil.” (CARVALHO, José Murilo. A Construção da Ordem: A elite política Imperial. Rio de Janeiro: Campos, 1980, p. 60/61).

2. Para aumentar seus conhecimentos sobre o que você estudou até agora

sugerimos que assista os seguintes filmes:

Independência ou Morte (Carlos Coimbra: Brasil, 1976) Carlota Joaquina: princeza do Brasir 4 (Carla Camurati: Brasil, 1994)

3. Para leituras complementares sugerimos:

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. São Paulo: Ática, 1990. CAMINHA, Adolfo. A Normalista. São Paulo: Ática, 1990. SALLES OLIVEIRA, Cecília H. A Independência e a construção do Império. São Paulo: Atual, 1995

4. Se você quiser fazer uma pesquisa na Internet, sugerimos o seguinte

site: http://redeglobo.globo.com/brasil500/index.htm

ATIVIDADES: BRASIL INDEPENDENTE: NOVOS RUMOS PARA A EDUCAÇÃO?

BRASIL INDEPENDENTE: NOVOS RUMOS PARA A EDUCAÇÃO? 30 minutos Ao final dessa unidade esperamos que você

30 minutos

Ao final dessa unidade esperamos que você tenha compreendido que a educação elementar, média e superior no Brasil Imperial foi desenvolvida a fim de atender uma parcela da população brasileira, que era a população branca, e com o

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objetivo principal de formar uma elite encarregada de suprir as necessidades administrativas do Estado, primeiro da corte portuguesa e após a independência, da nação brasileira. Para reforçar seu entendimento, responda as questões abaixo de forma sucinta e com as suas palavras.

1. Descreva as características econômicas e sociais do Brasil após a independência

de Portugal.

Comentário: Você respondeu corretamente se falou da dependência econômica do Brasil em relação à Inglaterra, principal importadora dos produtos agrícolas produzidos no país. Além disso, o Brasil não tornou-se uma república mas sim um Império, no qual quem governava era D. Pedro I, filho do rei de Portugal. As terras continuaram nas mãos de poucos, nos detentores do poder político, que viviam do trabalho dos escravos.

2. Explique as propostas educacionais implantadas pelo governo imperial, bem

como as dificuldades enfrentadas no decorrer do processo de criação de um sistema estatal de educação.

Comentário: Deve-se salientar que apesar das tentativas de governo de garantir o que estabelecia a primeira constituição brasileira, ou seja, acesso para todos os cidadãos ao ensino oferecido pelo estado, na verdade, as escolas mantidas pelo governo eram em menor número do que as escolas domésticas e religiosas. Estabeleceu-se que as escolas de primeiras letras e as escolas secundárias seriam mantidas pelos governos provinciais, enquanto ao governo imperial caberia manter o ensino superior. Uma das dificuldades enfrentadas foi, além dos baixos investimentos, a falta de profissionais qualificados. Uma das tentativas de resolver o problema foi adotando o método Lancaster e, posteriormente, a abertura das primeiras escolas para a formação de professores, as escolas normais.

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A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REPÚBLICA

Objetivos específicos:

Seção 3

- Enunciar as principais características e as transformações ocorridas na educação brasileira durante o período republicano;

- Relacionar a educação brasileira com os processo históricos ocorridos no contexto do Brasil republicano.

A Primeira República (1889 - 1930)

O Império Brasileiro, nas últimas décadas do século XIX, perdeu suas bases, ou seja, a escravidão e o apoio da Igreja e dos militares. Sem sustentação o Império caiu, e, em 1889, nasceu a República. O final do Século XIX e as primeiras décadas do Século XX trouxeram profundas mudanças sociais, políticas e econômicas para o Brasil. O país saiu do escravismo e ingressou, lentamente, no processo de construção de uma sociedade urbana-industrial, marcada ainda pelo poder das oligarquias, dos coronéis e dos cafeicultores. Além disso, “a imigração européia foi a alternativa escolhida para trocar o negro pelo branco, sustando a onda negra para transformar e branquear a raça brasileira”. (CARVALHO, 1989, pp. 35-36).

A Constituição Republicana de 1891 implantou no Brasil o governo repre- sentativo, federal e presidencial. O regime federativo ofereceu a utonomia política e administrativa aos Estados, mas trouxe também sérias desigual- dades entre as regiões brasileiras em função do crescimento eco- nômico de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

eco- nômico de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Pátria, de Pedro Bruno.

A Pátria, de Pedro Bruno. Filhas de Benjamin Constant bordando a Bandeira do Brasil.

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No entanto, no que se refere aos assuntos sobre a educação, podemos identificar mudanças pouco significativas, pois os padrões escolares do Império praticamente permaneceram os mesmos. O Brasil mudou o regime de governo, mas continuou relegando ao abandono milhões de analfabetos rurais e urbanos. Como se não bastasse, o negro recém liberto dos grilhões da escravidão, bem como seus descendentes continuaram estigmatizados e excluídos do processo educacional. Porém, é com a República que, pela primeira vez, as autoridades brasileiras pensaram e tentaram solucionar com mais seriedade os problemas referentes à educação.

Influenciadas pelos ideais positivistas do século XIX, novas propostas educacionais foram aplicadas no Brasil. Cabe lembrar que o Positivismo, criado pelo francês August Comte, valorizava as ciências, as quais eram vistas como a forma ideal do conhecimento produzido pelo ser humano. Foi esta premissa que orientou a Escola Militar do Rio de Janeiro a incluir no seu currículo disciplinas voltadas para as Ciências Exatas e para a Engenharia, além de implantar uma moral rígida e uma severa disciplina, características estas típicas do positivismo comtiano.

Entre 1890 e 1892 realizaram-se reformas no ensino primário e secundário, organizadas pelo então Ministro da Instrução, Correios e Telégrafos, Benjamim Constant. Com essas reformas, o Colégio D. Pedro II passou a se chamar Ginásio Nacional, sendo incluídas na sua grade curricular as Ciências Físicas e Naturais, bem como a Sociologia, a Moral, o Direito e a Economia Política.

O positivismo, no Brasil, sofreu duras críticas. Rui Barbosa, por exemplo, acusou os positivistas brasileiros de não conhecerem com profundidade as idéias de Comte. Ao introduzir as disciplinas científicas nas escolas primárias e secundárias, tal reforma contrariava as concepções positivistas, que as recomendava apenas para as pessoas maiores de 14 anos.

Ainda sobre as reformas de cunho positivista, Constant, ao instituir no ensino normal e secundário disciplinas como “a matemática, elementar e superior, a astronomia, a física, a química, a biologia, a sociologia e a moral, o reformador rompeu com a tradição do ensino literário e clássico e, pretendendo estabelecer o primado dos estudos científicos, não fez mais do que instalar um ensino enciclopédico nos cursos secundários, com o sacrifício dos estudos de línguas e literaturas antiga e moderna”. (AZEVEDO, 1963, p. 616).

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5 Ensino prope- dêutico é aquele que possuí como ob- jetivo a prepa- ração para
5
Ensino
prope-
dêutico é
aquele que
possuí
como ob-
jetivo
a
prepa-
ração para
o ingresso
do aluno
nos cursos
supe-
riores.

Tais reformas pouco resolveram o problema estrutural do ensino brasileiro.

O ensino secundário, acadêmico e propedêutico 5 , continuou sendo um privilégio

das classes mais abastadas. O ensino elementar e o ensino profissional ficaram a cargo dos Estados, ao contrário do superior e do secundário, os quais passaram a

ser organizados e a receber uma quantidade maior de verbas do Governo da União.

No entanto, após a 1ª Guerra Mundial, a industrialização e o crescimento

das cidades fazem com que a burguesia e o operariado passem a exigir maior acesso

à educação. A partir da década de 20, discutiu-se com mais freqüência a necessidade

de expansão do sistema escolar no Brasil. Desenvolveu-se no país o “entusiasmo pela educação” e o “otimismo pedagógico”, sendo seus maiores representantes os chamados “escolanovistas brasileiros”, entre eles Anísio Teixeira, Fernando Azevedo, Lourenço Filho, assim como o médico Miguel Couto e o antropólogo Roquette Pinto.

As conseqüências imediatas das discussões desenvolvidas por esse grupo de intelectuais foram o surgimento de educadores profissionais e o aumento significativo de obras, congressos, manifestos e conferências sobre a educação

brasileira, além da organização, em 1920, da primeira universidade oficial do Brasil,

a Universidade do Rio de Janeiro.

A escola, para tais educadores, teria como função instaurar no Brasil uma nova ordem. Ordem esta que levaria o país à modernidade, eliminando os entraves que o impediam de alcançar o progresso, como, por exemplo, o alto número de analfabetos, cerca de 80% da população. No entender de Miguel Couto, na sociedade brasileira “a ignorância reinante é a causa de todas as crises. A educação do povo é base da organização social, portanto, o primeiro problema nacional. A difusão da instrução é a chave para a solução de todos os problemas sociais, econômicos e políticos”. (NAGLE, 1990, p. 263).

Sendo assim, a escola nova defendia o ensino público como a única forma

de se alcançar uma sociedade mais justa e democrática. A proposta central deste

grupo opunha-se totalmente ao modelo dual de ensino, defendendo uma escola única e para todos, gratuita, leiga, nacional e, principalmente, organizada pelo

Estado.

No entanto, a escola deveria ir além e se aliar aos projetos médicos de higienizar e normatizar os corpos, como, por exemplo, preconizar hábitos de higiene e polidez, sendo indispensável que as crianças tomassem banho diariamente, mesmo que no morro faltasse água”. (NUNES, 1994, p. 185). A escola, portanto, deveria ser utilizada como um instrumento civilizador, possuindo como objetivo principal atingir a mente, o corpo e a saúde da nação, a qual se apresentava “sem eira, nem beira, sem educação e sem higiene”. (Roquette Pinto, In: RIBAS, 1990, p. 90).

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Ao defender um ensino laico e gratuito, a escola nova no Brasil foi de encontro aos ideais dos católicos, para os quais a verdadeira educação seria aquela vinculada aos preceitos cristãos. Os católicos consideravam os escolanovistas ateus e comunistas por que queriam tirar a educação das crianças e dos jovens das mãos da família e da Igreja e entregá-la para o Estado. Para além dessas críticas, podemos dizer que a escola nova representou apenas o liberalismo burguês da época, acreditando na ilusão do Estado imparcial, neutro, servindo, sem distinção, todas as classes sociais.

Paralelamente, outros grupos sociais irão tentar construir modelos educacionais diferentes dos colocados pela Igreja Católica e/ou pela escola nova. Os socialistas, por exemplo, exigiam um maior empenho do governo em estender para todas as pessoas o acesso à escola. Já os anarquistas, ao contrário, criticavam e rejeitavam a educação estatal por considerá-la ideológica demais e comprometida unicamente com os desejos da burguesia. Assim, o movimento anarquista brasileiro, formado basicamente por imigrantes italianos e espanhóis, criou jornais, bibliotecas, centros de estudo e escolas com o objetivo de além de educar, combater a obediência às instituições, aos superiores hierárquicos e a necessidade das instituições políticas, entre outros pontos propostos pela educação burguesa e estatal.

A Educação na Era Vargas (1930 - 1945)

A partir de 1930, governo e educadores dedicaram mais atenção aos

problemas sofridos pela educação brasileira. Getúlio Vargas, nesse ano, criou o

Ministério da Educação e Saúde, o qual se tornou um órgão de suma importância no planejamento e na implantação de reformas educacionais com abrangência nacional.

Com a Reforma Francisco Campos, (1931/1932), vários decretos reorganizaram o ensino secundário e as universidades. Foram criados os Conselhos Nacional e Estaduais de Educação. As universidades, através das Faculdades de Educação, Ciências e Letras, dedicaram-se à formação de docentes para atuarem no nível secundário.

O ensino secundário foi dividido entre o ciclo fundamental, com duração

de cinco anos e o complementar, com apenas dois anos, este último com o objetivo

de preparar o aluno para ingressar no ensino superior. Dessa maneira, pretendeu-se

evitar que o ensino secundário

descuidando-se da formação geral do educando.

continuasse simplesmente propedêutico,

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66 Estudantes da Era Vargas Cabe destacar também o interesse renovado pelos cursos de magistério, principalmente

Estudantes da Era Vargas

Cabe destacar também o interesse renovado pelos cursos de magistério, principalmente a partir da integração de novos docentes oriundos dos bancos das faculdades de letras, além daqueles recém-formados em filosofia, os quais recebiam complementação pedagógica noInstituto de Educação para atuarem no magistério.

Em 1937, diplomaram-se no Brasil os primeiros professores devidamente licenciados para o ensino secundário. Sobre este fato, Fernando Azevedo nos diz que inaugurou-se no Brasil “uma nova era no ensino secundário, cujos quadros docentes eram constituídos até então de egressos de outras profissões, autodidatas ou práticos experimentados no magistério”. (ARANHA, 1996, p. 201).

Ainda em 1937, Vargas implantou o Estado Novo, que perdurou até 1945. O Brasil viveu, nesse contexto histórico, um período de ditadura, censura e repressão aos direitos individuais: partidos políticos foram fechados, prisões, exílios e torturas realizadas, interventores foram nomeados para governar os Estados, além da instalação da campanha pela nacionalização do ensino.

Através do Ministro Gustavo Capanema, novas reformas foram realizadas, conhecidas como Leis Orgânicas do Ensino. Com essas leis ocorreu uma reestruturação no ensino secundário, sendo o mesmo dividido em quatro anos de ginásio e três anos de curso colegial.

Ficou determinado também que o ensino secundário teria por obrigação “formar a personalidade integral dos adolescentes, acentuar e elevar a consciência patriótica e humanística, dar preparação intelectual geral que possa servir de base para estudos mais elevados e formar individualidades condutoras”. (ARANHA, 1996, p. 202).

Porém, a educadora Otaíza Romanelli, em aguçada crítica, nos mostra que o secundário, com outras palavras, nada mais fez que oferecer ao aluno “cultura geral e humanística, alimentar uma ideologia política nacionalista e patriótica de caráter fascista (muito em voga no período), proporcionar condições para o ingresso no curso superior e formar líderes. Na verdade, tais reformas apenas acentuaram a tradição do ensino secundário acadêmico, propedêutico e aristocrático”. ( ARANHA, 1996, p. 202).

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Com a construção de um modelo econômico baseado na indústria e no comércio, a sociedade (burguesia, Estado e operários) passou a exigir uma maior escolarização, principalmente para as camadas urbanas. As classes médias, que por sua vez desejavam ascender socialmente através da educação e da escola, preferiam os cursos de formação, desprestigiando os cursos profissionalizantes. No entanto, os cursos profissionalizantes mantidos pelo governo não conseguiam acompanhar a expansão da indústria e o crescimento das cidades.

Para diminuir este problema, foram criadas em 1942 e 1946, respectivamente, as escolas do Senai e do Senac 6 . As classes sociais menos abastadas encararam estas alternativas escolares como a possibilidade de se prepararem com maior rapidez e eficiência para o mercado de trabalho, mesmo por que os alunos eram pagos para freqüentar tais escolas.

Contudo, podemos verificar a existência de um sistema de ensino com forte teor de discriminação social, visto que à burguesia coube às escolas que visavam preparar, formar e classificar socialmente, enquanto que para as camadas populares restavam as escolas que ofereciam uma educação voltada para o trabalho.

Nesse período, a implantação do ensino supletivo, com duração de dois anos, foi importante para o decréscimo do número de analfabetos. Mas, ao alfabetizar adultos e adolescentes, o supletivo visava, principalmente, atender ao mercado de trabalho, o qual necessitava de trabalhadores com o mínimo possível de instrução.

Numa análise geral, a Era Vargas pode ser caracterizada por manter o sistema dual de ensino. Porém, é perceptível a expansão significativa do número de escolas, pois “de 1930 a 1940 o desenvolvimento do ensino primário e secundário alcança níveis jamais registrados até então no país. De 1936 a 1951 o número de escolas primárias dobrou e o de secundárias quase quadruplicou, ainda que essa expansão não seja homogênea, tendo se concentrado nas regiões urbanas dos Estados mais desenvolvidos. Também as escolas técnicas se multiplicaram, e se em 1933 havia 133 escolas de ensino técnico e industrial, em 1945 esse número subiu para 1.368. O número de alunos, quase 15 mil em 1933, ultrapassou 65 mil em 1945”. (ARANHA, 1996, p. 203)

Para você refletir:

Para os integrantes da Escola Nova, a existência de um ensino público seria a única forma de se garantir uma sociedade igualitária. Você acredita que essa proposta ainda é viável nos dias atuais? É possível ter uma escola igual numa sociedade desigual?

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O Retorno a Democracia (1945 - 1964)

No período de 1945 a 1964 a sociedade brasileira voltou à democracia, com governos escolhidos diretamente pela população. Passou a existir no país a esperança de progresso e de desenvolvimento através do Presidente Juscelino Kubitschek e seu projeto de fazer o Brasil “crescer 50 anos em 05”.

No entanto, a ampliação do parque industrial brasileiro, o ingresso de multinacionais no país, a internacionalização da economia, o crescimento econômico de algumas regiões, Sudeste, por exemplo, provocaram o inchaço das cidades e elevaram os problemas causados pelas grandes distorções na concentração de renda.

No campo da educação, destacou-se o debate suscitado pela organização da Lei 4.024 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), cujas discussões iniciaram em 1948, no Governo Gaspar Dutra, mas somente entrou em vigor 13 anos depois, em 1961.

As discussões da LDB foram intensas entre os defensores das escolas públicas e os das escolas privadas. Em 1959, o deputado Carlos Lacerda apresentou uma emenda constitucional defendendo a liberdade de ensino e a iniciativa privada da educação, além de criticar o “monopólio” do governo sobre a educação.

A Igreja Católica entrou no debate defendendo a posição de que a escola leiga e estatal não educava, apenas instruía, alegando também que as famílias deveriam ter a liberdade de escolher a melhor educação para os seus filhos, no caso, as escolas particulares e religiosas. O que podemos perceber é que tanto Lacerda quanto os católicos, ao defenderem a liberdade de ensino, posicionam-se na verdade contra a democratização e a laicidade deste mesmo ensino. A educação estatal e popular poderiam ampliar a participação política do povo, podendo alterar, portanto, as estruturas e as bases do poder político e econômico.

Combatendo esta visão conservadora e elitista, posicionaram-se intelectuais, estudantes e sindicalistas. Liderados por Fernando Azevedo, assinaram em 1959 o Manifesto dos Educadores, defendendo a escola pública e exigindo que o Estado demonstrasse maior empenho em favor do ensino público.

Apesar das pressões sociais para que o Estado viabilizasse verbas apenas para o ensino público, a LDB, em seu artigo 95, afirmava que “a União dispensará a sua cooperação financeira ao ensino sob a forma de financiamentos para estabelecimentos mantidos pelos Estados, Municípios e particulares para a compra, construção ou reforma de prédios escolares e suas respectivas instalações e equipamentos”. (ARANHA, 1996, pp. 204 e 205).

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Além das verbas, as escolas particulares passaram a ter representação nos Conselhos Federal e Estaduais de Educação, o que aumentou a influência destas na obtenção de recursos para si próprias. O que podemos perceber é que esta ajuda financeira com dinheiro público para os estabelecimentos particulares de ensino acentuou e muito a injustiça social num país em que boa parte da população em idade escolar encontrava-se excluída do processo educacional.

Em 1955, a preocupação com a modernização industrial do país impulsionou a criação do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros). Esse órgão, constituído por Nelson Werneck Sodré, Hélio Jaguaribe, Celso Furtado, entre outros, foi o responsável em pensar teorias que viabilizassem o progresso interno do Brasil através de uma ideologia baseada no nacional-desenvolvimentismo. Segundo o ISEB, o desenvolvimento econômico advindo do capitalismo mostrava- se incompetente para impedir o aumento da pobreza e as desigualdades sociais da nação. Consideravam que o Estado deveria proteger a população excluída deste processo desenvolvimentista.

Com o golpe militar de 1964 o ISEB foi fechado, mas a sua influência no movimento pedagógico foi marcante, estimulando a criação dos chamados Movimentos de Educação Popular, entre eles podemos citar: De pé no chão também se aprende a ler; Centro Popular de Cultura da Une e o Movimento de Cultura Popular, do qual fez parte o educador pernambucano Paulo Freire.

A proposta de Paulo Freire, também chamada de “Pedagogia do Oprimido”, se destacou pelo seu caráter essencialmente democrático e libertador, com o objetivo de levar o aluno a não ler só palavras, mas também a ler o mundo. A educação para Paulo Freire deveria “demandar consciência, passar do senso comum para a análise e a tomada de decisões frente aos fatos. Da mesma forma, visava uma educação conscientizadora para a transformação do indivíduo em sujeito, ao invés de objeto. Sua proposta previa os seguintes passos: pesquisa para o levantamento de dados, problematização, discussão, análise e conscientização. Dessas etapas brotou o método para alfabetizar adultos, reconhecido e adotado em países africanos e em atividades alfabetizadoras no Brasil”. (FERREIRA, 1998, p. 96)

Nessa perspectiva, é possível afirmar que a educação para Paulo Freire é uma ação política, um processo de ampliação da visão crítica da sociedade para transformar a própria realidade do aluno. Suas principais críticas são destinadas à educação tradicional e autoritária, chamada por ele de educação bancária.

Nesse tipo de educação, o professor apenas faz um depósito de conhecimentos no educando, o qual, passivamente, memoriza-os e repete-os. Para o aluno cabe apenas receber os depósitos, arquivá-los em suas cabeças, para que o professor os saque no melhor momento, ou seja, na avaliação.

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Contrapondo este tipo de educação e de relação hierarquizada entre professor e aluno, Paulo Freire propõe uma educação baseada na problematização do conhecimento e no “diálogo profundo entre o educador e o educando, de maneira que o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa é educado em diálogo com o educando, que ao ser educado, também educa. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo, crescem juntos e se educam em comunhão”. (COTRIM, 1993, p. 295).

Para Paulo Freire, a alfabetização não se resume em uma simples técnica. Inicialmente, um companheiro já alfabetizado ou um educador, considerados animadores do processo, deverão realizar uma pesquisa e/ou um levantamento do universo de vocabulários 7 dos educandos. Feito o levantamento, mais do que ensinar a escrita e a leitura das palavras seca, fome ou terra, por exemplo, o educando deverá compreender a sua relação com estas palavras, debatê-las com o grupo, problematizá-las e, principalmente, conscientizar-se e agir para transformar a sua realidade social. Posteriormente, passa-se a uma outra etapa, que seria a visualização das palavras escolhidas.

Além desta concepção de educação, o Brasil experimentou, também no início da década de 60, inúmeros movimentos de educação popular que ultrapassaram os limites da escola. Assim, encenação de teatro nas ruas, atividades nos sindicatos e nas universidades, cursos, exposições, exibição de filmes, tentativas de alfabetização da população do campo e da cidade e a animação cultural nas periferias possuíam como objetivo primordial melhorar não só nível de instrução do indivíduo, mas também a sua conscientização para uma maior atuação na vida política do país. No entanto, face ao impacto do Golpe Militar de 1964, tais ações educativas e políticas são duramente silenciadas por longos 21 anos.

Para você refletir:

Na concepção de Paulo Freire, a tarefa do educador não se limita apenas à