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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE DO PARANÁ – UENP/FAFIJA

Departamento de História
PLANO DE AULA - TEMA: A questão de Lei e de propriedade nas primeiras civilizações

DADOS

Escola: EMEF Professora Amélia Abujamra Maron


Acadêmico Ricardo Jeferson da Silva Francisco (3º “A” – Noturno)
Professora Marisa Noda (Metodologia e Didática do Ensino de História)
Duração da atividade: 4 horas-aula
[ X ] Ensino Fundamental [ ] Ensino Médio 5ª Série
Conteúdos: Análise documental, pesquisa, interpretação e redação.
Disciplinas envolvidas: História Antiga.

Introdução

O conteúdo da História e suas reflexões apresentam-se de formas diversas no cotidiano das


pessoas. Suas análises, buscadas através de expressões como para, então porque e para que,
por exemplo, são modulações próprias do discurso e da construção cognitiva individual. O
trabalho com fontes em sala de aula, debatido no decorrer das duas últimas décadas, agrega
em sua temática uma opção metodológica mais ampla, tanto do ponto de vista do historiador,
quanto no processo ensino-aprendizagem, neste segundo especialmente levando-se em conta a
teoria de Vigotsky de Zona de Desenvolvimento Proximal: que quanto menos próximo do
conhecimento, mais opções de métodos haverá para o aluno atingir esse conhecimento e maior
será a zona de desenvolvimento proximal desse aluno. Em ordem contrária, com o aumento de
métodos e exemplos, mesmo um aluno que tenha uma menor zona de desenvolvimento
proximal terá um maior número de chances para chegar ao conhecimento-alvo, por mais
próximo que dele esteja.
A importância do documento escrito para a disciplina de História data do século XIX, oriundo
das idéias iluministas e racionalistas da época. Apesar da crítica ao método positivista, a
principal fonte de trabalho do historiador é o documento, talvez por termos um método mais
desenvolvido para esse tipo de fonte. A problematização através de documentos em sala de
aula desenvolve nos alunos a técnica de pesquisa, não somente na disciplina de História,
dentro de sala de aula e no cotidiano, o uso da problematização em vários tipos de documentos
aos quais o aluno tem acesso no seu dia-a-dia, um melhoramento no diálogo e nas
interpretações intertextuais, e o processo de construção e sistematização do conhecimento.

Objetivos

Objetivo Geral
Reconhecer as primeiras necessidades organizacionais e suas diferenças com o modelo atual
de organização, através de trechos da Lei Mosaica descrita na Bíblia e do Código de
Hamurabi.

Objetivos específicos:
Realizar um trabalho voltado a desenvolver o conhecimento e identificação de realidades
históricas;
Estimular a caracterização de relações sócio-culturais, ambientais e as relações de trabalho,
Localizar e identificar situações e exemplos no espaço-tempo;
Utilizar-se e reconhecer, dentro dos critérios anteriores, as fontes documentais, desenvolver
seu uso como ferramenta de aprendizado;
Metodologia

1. Em primeiro plano, deve-se dividir a classe em quatro grupos, para que o trabalho de
pesquisa possa ser desenvolvido de maneira mais ágil, com uma divisão de trabalho.

2. Passar os trechos dos documentos para os alunos, para que cada um tenha uma cópia dos
mesmos a serem trabalhados.

3. Estimular uma leitura em conjunto, e estimular os alunos a criar um “Glossário”, contendo


os vocábulos que os alunos não conheçam.

4. Orientar os critérios de pesquisa, da seguinte maneira:


Explicar aos alunos quais os tipos de fontes e, o que diz o documento, a natureza,
a datação e o autor (cada grupo se responsabilizará, depois, em pesquisar um
desses pontos);
Os quatros grupos, nesse ponto, deverão levantar os pontos importantes do
documento (como a idéia principal, as palavras-chave, etc.);
Num segundo estágio, os alunos buscarão a explicação do documento com base
no que pesquisaram, seguindo uma divisão de perguntas (O documento procura
expor a verdade? – Grupo 1, O que é realçado no documento? – Grupo 2, Há
correspondência entre as datas de produção e difusão do documento? – Grupo 3 e
Quais conhecimentos permitem compreender melhor o sentido do documento? –
Grupo 4)

5. Depois desses trabalhos desenvolvidos, os grupos, em conjunto, deverão desenvolver os


comentários sobre o documento, divididos em introdução (o conteúdo do primeiro estágio),
desenvolvimento (o segundo estágio) e conclusão (evidenciando a ponte entre o interesse
pela pesquisa e as idéias discutidas)

6. Por fim, ler o artigo da constituição brasileira que descreve os delitos à propriedade e
debater as diferenças entre o passado e o presente.

Recursos

Lousa e Giz;
Dicionário;
Recursos de pesquisa selecionados pelos alunos (Enciclopédias, livros, Internet, etc.);

Avaliação

Como critério serão considerados os índices de envolvimento do aluno na atividade, seu


empenho em participar das atividades de expressão oral e pesquisa, bem como seu
desenvolvimento de trabalho em equipe e autonomia, bem como o material redigido pelos
mesmos.

Bibliografia

FONSECA, Selva Guimarães. “A incorporação de diferentes fontes e linguagens no ensino de


História” In: Didática e Prática do Ensino de História. Papirus, Campinas-SP. Pp – 163 -
231

PINSKY, Jaime (Org.) “A propriedade” In: Cem textos de História Antiga. 2ª ed. Global, São
Paulo, 1980. Pp. 140 – 142.

GASKELL, Ivan “História das imagens”. In: BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas.
São Paulo, UNESP, 1992. Pp. 237

CARDOSO, Oldimar Pontes “Representação dos professores sobre o saber histórico escolar”. In:
História e Ensino: Revista do laboratório do ensino de História/UEL. Volume X. Londrina-PR,
EDUEL, 2004. Pp. 53 – 63.
91. Atentados contra a propriedade, entre os Hebreus

“Se alguém furtar boi ou ovelha, e o abater ou vender, pagará cinco bois por
um boi, e quatro ovelhas por uma ovelha.
Se se pegar um ladrão arrombando uma casa, e, ele sendo ferido, morrer,
quem o feriu não será culpado.
Se, porém, já havia sol quando isso acontecer, quem o feriu será culpado;
neste caso o ladrão devolverá tudo. Se não tiver como pagar, será vendido por seu
furto.
Se aquilo que roubou for achado vivo em seu poder, seja boi, jumento ou
ovelha, pagará o dobro.
Se alguém fizer pastar o seu animal num campo ou numa vinha, e o largar
para comer no campo de outrem, pagará com o melhor do seu próprio campo e o
melhor de sua própria vinha.
Se irromper o fogo, e pegar nos espinheiros e destruir as medas de cereais,
ou a messe, ou o campo, aquele que acendeu o fogo, aquele que acendeu o fogo
pagará totalmente o queimado.
Se alguém der para o seu próximo guardar dinheiro ou objetos de e isso for
furtado, caso seja achado o ladrão, isso será pago em dobro.
Se o ladrão não for achado, então o dono da casa será levado perante os
juízes, a ver se não se apossou dos bens do próximo.
Em todo o negócio fraudulento, seja a respeito de boi, ou de jumento, ou de
ovelha, ou de roupas, ou de qualquer cousa perdida, de que uma das partes diz: Esta
é a cousa, a causa de ambas as partes será submetida aos juízes; aquele que for
condenado pelos juízes pagará o dobro ao seu próximo.
Se alguém der ao seu próximo a guardar jumento, boi ou ovelha, ou outro
animal qualquer, e este vir a morrer, ou ficar aleijado, ou for afugentado sem que
ninguém o veja,
Então haverá juramento do Senhor entre ambos, de que um não se
apoderou dos bens do próximo; o dono aceitará o juramento, e o outro não fará
restituição.
Porém se de fato lhe for furtado, paga-lo-á ao seu dono.
Se for dilacerado, tra-lo-á em testemunho disso, e não pagará o dilacerado.
Se alguém pedir emprestado a seu próximo um animal, e este ficar aleijado
ou morrer, estando ausente o dono, paga-lo-á.
Se o dono estava presente, não o pagará; se foi alugado, o preço do aluguel
será o pagamento.”

ÊXODO; 22: 1-15.

92. Atentados contra a propriedade na legislação de Hamurabi

“Se um homem roubou o tesouro do Deus ou do palácio, este homem será


morto, e aquele que recebeu o objeto roubado pela sua mão (o receptador) será
morto.
Se um homem roubou, seja um boi, carneiro, asno, porco ou uma barca,
Se (for propriedade) de um deus, de um palácio, ele dará trinta vezes,
Se (for) de um muskenum ele devolverá até dez vezes,
Se o ladrão não tiver como pagar, ele será morto.
Se um homem deixou escapar um boi ou um asno que lhe haviam confiado,
Ele devolverá a seu proprietário boi por boi, asno por asno.
Se o pastor, a quem foi lhe entregue gado de pequeno ou grande porte, para
fazer pastar, tiver recebido todo o seu salário, e estiver com o coração alegre,
Se com ele diminuir o gado de grande porte, o gado de pequeno porte,
diminuir a reprodução, conforme a boca (texto) de suas convenções, ele entregará a
reprodução e a renda.
Se o pastor a quem de pequeno ou grande porte tornou-se infiel e mudou a
marca e deu-a por dinheiro,
Ele será persuadido, e ele dará ao proprietário até dez vezes o que roubou
do rebanho.”

Código de HAMURABI, § 6, 8, 263-265