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CONCORDÂNCIA VERBAL

É a concordância entre o verbo e seu sujeito.

SUJEITO SIMPLES

1) Regra geral: O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.


a) verbo posposto ao sujeito:
Ex.: O carro parou. Os carros pararam. Eu estudei. Nós estudamos.

b) verbo anteposto ao sujeito:


Ex.: Acontecem tantas desgraças nesta cidade!
A quem pertencem essas terras?

SUJEITO COMPOSTO

1) Sujeito composto anteposto ao verbo, leva o verbo para o plural.


Ex.: Pedro e Joana estudam para concursos.

 Observações:
a) Se o sujeito composto estiver posposto ao verbo, pode haver a concordância
atrativa, ou seja, com o núcleo mais próximo.
Ex.: Estudam para concursos Pedro e Joana. (concordância gramatical ou lógica)
Estuda para concursos Pedro e Joana. (concordância atrativa)

b) Se o sujeito composto estiver anteposto ao verbo a concordância será no plural.


Ex.: A esposa e o amigo seguem sua marcha.
Poti e seus guerreiros o acompanharam.

c) Sujeito formado por sinônimos a concordância no singular ou no plural.


Ex.: A ira e a raiva fará / farão dele um infeliz.
A sociedade, o povo se une / unem para construir uma nação mais digna.

d) Sujeito formado por gradação, o verbo no plural ou concorda com o termo mais
próximo.
Ex.: Um mês, um ano, uma década não calou / calaram o povo que queriam a
liberdade de expressão.
Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou / começaram a
me apertar a alma.

2) Sujeito formado por pessoas gramaticais diferentes. (1ª > 2ª > 3ª pessoa).
A concordância é feita no plural da pessoa que tiver prioridade, ou seja, a 1ª pess. vem
antes da 2ª pess. e assim por diante. O sujeito composto anteposto ao verbo:
Ex.: Eu, tu e ele diremos a verdade. (eu, tu e ele = nós)
Tu e ele direis a verdade. (tu e ele = vós)

 Observações:
a) Admite-se, neste último caso, a terceira pessoa do plural, pois a segunda do
plural está caindo em desuso. (Tu + Ele(a) = Vocês)
Ex.: Tu e ele dirão a verdade.

b) Se o sujeito composto estiver posposto ao verbo concordará com o mais


próximo ou com o plural da pessoa prioritária (eu, tu  nós; tu, ele  vós):
Ex.: Amanhã irei / iremos eu e vocês para Atibaia descansar.
Chegamos / Cheguei de viagem ontem de noite eu, tu e ele.
Semana passada vieram / veio Carlos e Daniel.

c) Se o sujeito composto for resumido por um pronome indefinido (tudo, nada,


ninguém, nenhum, cada um) o verbo concorda com o pronome, ou seja, na 3ª
pessoa.
Ex.: Desvios, corrupção, fraudes, roubos, tudo acontece no governo do PT.
Paulo, Pedro, José, todos chegaram da conferência de Telecomunicações.
Simone, Janaína, Paulo, ninguém chegou da faculdade ainda.

CASOS PARTICULARES.

1) Núcleos do sujeito unidos por OU.


a) Se a conjunção OU indicar exclusão, ou retificação, o verbo concordará com o núcleo
mais próximo.
Ex.: Paulo ou Edson fará o serviço de editoração do jornal.
O policial ou os policiais agiram com muita competência na prisão dos ladrões.

b) Se a conjunção OU indicar inclusão, ou seja, se referir a todos os núcleos o verbo irá


para o plural.
Ex.: Naquela crise somente DEUS ou Santo Antônio seriam capazes de nos salvar.
Lápis ou caneta servem para responder o questionário.

2) Núcleos do sujeito unidos pela preposição COM.


a) Utiliza- se o verbo no plural quando atribui a mesma importância, no processo verbal,
aos elementos do sujeitos unidos pela preposição:
Ex.: Eu com outros romeiros vínhamos de Aparecida à caminho de São Paulo.
O marido com a sua esposa conseguiram fugir dos seqüestradores.

b) Utiliza - se o verbo no singular quando queremos dar ênfase ao primeiro elemento do


sujeito e também quando o verbo vier anteposto deste:
Ex.: O bispo, com seus dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa.
À mesma porta por onde saíra a mulher com a sua filha, chegavam outros
pretendentes.

3) Núcleos do sujeito unidos pela preposição NEM.


a) Usa - se comumente no plural:
Ex.: Nem a riqueza nem o poder o livraram de seus inimigos.
Nem a mãe nem o pai tinham percebidos a presença do diretor.

b) Quando o verbo precede o sujeito o verbo concorda no singular:


Ex.: Não o convidei eu nem minha esposa.
Na fazenda, não se recusa trabalho, nem dinheiro, nem nada a ninguém.

4) Sujeitos correlacionados por: não só ... mas também; Tanto ... quanto; Não só ...
como; ... assim como... ; ... bem como....
O verbo concorda no plural com o sujeito composto ou com o núcleo mais próximo.
Ex.: Tanto Júlio quanto Augusto vai / irão à loja de brinquedos.
Não só a alegria mas também a tristeza é / são sentimentos que o ser humano
escondem.
Em Atibaia, não só a Simone como o Fernando brincou / brincaram até o pôr do
sol.
A laranja assim como a goiaba tem / têm muita vitamina.
Uma BMW, bem como uma Mercedes possui / possuem total segurança contra
acidentes.
5) Verbos no infinitivo como núcleos do sujeito.
a) infinitivos determinados por artigos, o verbo no plural:
Ex.: O comer e o beber devem ser moderados neste Natal.
O caminhar e o nadar fazem bem a saúde.

 Observação:
Se os infinitivos tiverem idéias opostas, a concordância será no plural, mesmo sem
o determinante.
Ex.: Rir e chorar fazem parte do ser humano.

b) infinitivos não determinados por artigos, o verbo no singular ou plural:


Ex.: Já tinha ouvido que cantar e dançar tira / tiram o estresse.

6) Sujeito Substantivo Coletivo.


- sem determinante: verbo no singular
Ex.: A multidão invadiu o campo depois do jogo.
- com determinante plural: verbo no singular ou no plural. (concorda com o
coletivo, no singular, ou com o elemento mais próximo).
Ex.: A multidão de torcedores invadiu/ invadiram o campo depois do jogo.

7) Quando o sujeito for uma expressão partitiva (grande número de, a maioria de, a
maior parte de, grande parte de )+ substantivo ou pronome a concordância é opcional.
Ex.: A maioria dos estudantes compareceu / apareceram à solenidade.
Metade dos alunos faltou / faltaram na aula de Biologia.
Um grande número de presidiários fez / fizeram protestos por melhores condições
nas cadeias.
Grande parte das pessoas está / estão vivendo na miséria.
Durante o processo no tribunal, boa parte dos jurados estava / estavam dormindo
na sessão.

 Cuidado! Em "A maioria da turma compareceu" o verbo só pode estar no singular,


pois a palavra turma também é singular.
 Atenção! Verifique a aplicação dessas expressões em frases com o verbo ser.

8) As expressões perto de e cerca de levam o verbo a concordar com o numeral.


Ex.: Cerca de vinte pessoas estavam na loja.
O gerente do hotel contou-nos que perto de setenta e cinco pessoas se
hospedaram ali.

9) Sujeito formado por um e outro e nem um nem outro:


A concordância é optativa:
Ex.: Um ou outro fará / farão o trabalho.
Nem um nem outro pode / podem colaborar.

10) Sujeito formado pela expressão um ou outro.


O verbo concorda no singular com a expressão (sujeito) um ou outro:
Ex.: Um ou outro jogador era palmeirense.
Dentro da penitenciária do estado, um ou outro detento trabalha na oficina.

11) Sujeito formado por um dos que, uma das que: concordância opcional (singular
ou plural).
Ex.: Era um dos que mais falava / falavam em sala de aula.
Uma das meninas que tinha / tinham parentes no Paraná.
12) Concordância com mais de e menos de.
● Com numeral um: verbo no singular.
Ex.: Mais de um colono terá ajuda.

● Com dois em diante: verbo no plural.


Ex.: Mais de dez colonos terão ajuda.

● Mais de um exige plural se houver idéia de reciprocidade ou estiver repetido.


Ex.: Mais de um jogador se ofenderam.
Mais de um livro, mais de um jornal serão vendidos.

13) Concordância de pronomes interrogativos (quais?, quantos?) ou pronomes


indefinidos (alguns, muitos, poucos, etc.) seguidos dos pronomes pessoais nós ou vós: o
verbo concordará com o primeiro pronome na 3ª pessoa do plural ou com nós ou vós.
Ex.: Quais de vós são / sois, como eu, desterrados?
Quantos de nós a conhecem / conhecemos?
Alguns de nós vieram / viemos de longe.
Poucos de vós conseguiram / conseguistes terminar a corrida.

 Observações: Se o pronome indefinido estiver no singular o verbo


necessariamente concordará com o pronome na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Algum de nós fará o concurso.
Qual de vós pode ajudar Carlos na construção da casa?

14) Concordância de QUE, QUEM e locução de realce É QUE.

● QUE: leva o verbo a concordar com o antecedente.


Ex.: Fui eu que notei o problema.

● QUEM: leva o verbo à 3ª p.s., ou a concordar com o antecedente.


Ex.: Fui eu quem notou o problema.
Fui eu quem notei o problema.

• Locução de realce é que. O verbo ser fica invariável.


Ex.: Você é que fez o cardápio?
Durante o ano todo nós é que estudamos de verdade.

 Observação:
Os verbos pospostos à locução de realce concordam com o pronome do caso reto.

15) Pronomes de Tratamento.


O verbo concorda com o pronome de tratamento sempre na 3ª pessoa.
Ex.: Vossa Excelência aderiu ao manifesto por vontade própria.
Sua Santidade realizará uma missa em nome dos falecidos na guerra da Bósnia.
Vossa Santidade não poderá sair do Vaticano, por enquanto.

16) Sujeito plural com artigo plural: a concordância é com o artigo, mesmo que se trate
de unidade (nome de livro, país etc.)
Ex.: Os Sertões foram escritos por Euclides da Cunha.
Os Estados Unidos assinaram o tratado.

 Observações:
a) Sem artigo, verbo no singular.
Ex.: Minas Gerais tem muitas fazendas.
Alpes fica na Europa.
b) Com o sujeito livro (ou sinônimos), verbo no singular.
Ex.: O livro Os Sertões foi escrito por Euclides da Cunha. (concordância com “livro”
e não com “Os Sertões”).

c) Com o verbo ser e a palavra livro (ou sinônimos) na função de predicativo, a


concordância é opcional.
Ex.: Os Sertões é um grande livro.
Os Sertões são um grande livro.

d) Se o artigo fizer parte do nome próprio, o verbo poderá ser usado no singular ou
plural.
Ex.: Os Lusíadas conta / contam uma bela história.

17) Sujeito sendo a expressão Haja vista.


Há três construções possíveis:
- Haja vista os resultados do concurso...
- Haja vista aos resultados da prova de ontem...

 O verbo haver poderá variar:


- Hajam vista os resultados do concurso realizado ...

18) Verbos dar, bater, tocar e soar, indicando horas concordam com o sujeito (hora,
horas, badaladas ou relógio).
Ex.: Já deram quatro horas. (sujeito: quatro horas)
O relógio já deu quatro horas. (sujeito: O relógio)
Davam nove horas na torre do castelo.
Soaram treze horas no relógio da catedral da Sé.
*No relógio já deram quatro horas. (sujeito: quatro horas)

 Observação: Na última frase, no relógio (com preposição) é adjunto adverbial; o


sujeito volta a ser quatro horas, por isso o verbo vai ao plural.

19) Concordância com numerais fracionários:


O verbo concorda com o numerador.
Ex.: Mais ou menos um terço dos guerrilheiros ficou ferido.
Um quinto dos bens cabe ao menino.
Dois terços dos vendedores alcançaram a meta deste ano.

 Observação: entretanto, não estará errado, quando o número fracionário, seguido de


substantivo plural e que tenha o numerador um, o verbo concorda no plural.
Ex.: Um terço das mortes violentas no país acontecem nos grandes centros urbanos.
Um quinto dos homens eram casados.

20) Concordância com percentuais.


O verbo deverá concordar com o número expresso na porcentagem.
Ex.: Só 1% dos alunos compareceu à formatura.
Cerca de 40% dos jogadores estavam acima do peso ideal.
Foi anunciado que 39% dos funcionários da empresa seriam demitidos na próxima
semana.

22) Sujeito Oracional.


O verbo concorda com o sujeito oracional na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Parecia que os dois homens estavam embriagados. (sujeito – oração subjetiva).
Não conseguiu conter as pessoas furiosas. (sujeito – oração subjetiva).
CASOS QUE MERECEM DESTAQUE.
1) Verbo haver no sentido de existir, acontecer, realizar-se e decorrer é impessoal
e, portanto, fica na 3ª pessoa do singular. É um caso de Oração Sem Sujeito.
Ex.: Havia muitos riscos. (Existiam muitos riscos)
Houve inúmeras dificuldades. (Existiram inúmeras dificuldades)

 Observações:
a) O verbo existir não é impessoal, portanto, concorda normalmente com o sujeito.
Ex.: Existirão muitas dificuldades.
Nessa cidade deveriam existir mais fiscais para autuar os infratores.

b) Se o verbo haver, com o sentido de existir, for o principal de uma locução verbal,
seu auxiliar também ficará no singular, ou seja, a impessoalidade do verbo haver
passa ao verbo principal.
Ex.: Deve haver reclamações. (Devem existir reclamações).
Há de haver falhas no sistema de injeção eletrônica.

c) O verbo haver no sentido de ter (posse), conseguir, julgar, alcançar, sentir é


transitivo, portanto, concorda normalmente com o sujeito.
Ex.: Aquelas pessoas houveram que a decisão do júri foi injusto.
Hão de existir melhores condições de trabalho.

2) Verbos impessoais haver e fazer, indicando tempo decorrido, não admitem plural.
A impessoalidade dos verbos haver/ fazer passam para o verbo principal em locuções
verbais.
Ex.: Faz dois meses que não jogo futebol.
Deve fazer dois meses que não jogo futebol.
Há muitos dias que não saio.
Deve haver muitos dias que não saio.

 Observações: Verbos que exprimem fenômenos meteorológicos e naturais também


não admitem verbos no plural.
Ex.: Chovera e Nevara bastante, depois de muito tempo.

3) Concordância em frases com a palavra SE.


a) Partícula apassivadora (ou pronome apassivador).
Seguem - se os seguintes quesitos para determinação do pronome apassivador. (verbo
transitivo direto ou transitivo direto e indireto).

 Oração na “Voz Passiva Sintética”;


 Sujeito existe e deve estar expresso na oração;
 O verbo concorda com o sujeito.

Ex.: Espera-se um bom resultado. (v.t.d.)


Ouviram - se vozes fortes de comando. (v.t.d.)
Ofereceram - se empregos aos que tinham qualificações necessárias para o cargo.
(v.t.d.i.)

b) Índice de indeterminação do sujeito.


O índice obriga o verbo a ficar sempre na 3ª pessoa do singular. (Verbos transitivos
indiretos ou intransitivos). Devem - se seguir as seguintes regras:

 A frase deve estar na “Voz Ativa”;


 O sujeito deve ser “Indeterminado”;
Ex.: Precisa - se de computadores. (verbo transitivo indireto)
Estuda - se muito. (verbo intransitivo)
Ficou - se feliz. (verbo de ligação)

 Observações:
a) Cuidado para não confundir com a letra a. O sujeito, nas três frases, está
indeterminado. Nenhuma palavra poderia atuar como sujeito. A que mais pode confundir
é a primeira. Acontece que de computadores é um termo introduzido por preposição, e
sujeito nunca pode ser preposicionado. Trata-se, realmente, de um objeto indireto.

b) Às vezes o verbo transitivo direto apresenta um objeto direto preposicionado. O se,


no caso, é símbolo de indeterminação do sujeito, e o verbo fica na terceira pessoa do
singular.

Ex.: Comeu-se dos bolos. (dos bolos não pode ser sujeito, pois tem preposição)

4) Concordância do verbo SER.


a) Indicando horas, datas e distâncias: concordância com o numeral.
Ex.: Já são dez horas.
Hoje são cinco de agosto.
Eram seis horas da tarde quando papai chegou.
São horas de acabar a aula.
Quando vi o relógio já era uma hora da manhã.
Já é uma e meia?
De casa até o metrô são seiscentos metros.

 Observação: Com a palavra dia expressa, o verbo concorda no singular.


Ex.: Hoje é dia cinco de agosto.

b) Sujeito formado por tudo, nada, isto, isso, aquilo, o: concordância opcionalmente com
o predicativo.
Ex.: Tudo era / eram alegrias.
O que disse era / eram bobagens.
Isso é / são sonhos, apenas isso.
Não acredito que tudo isso é / era ilusão que a vida nos impôs...

 Quando o predicativo é formado por dois núcleos, o verbo concorda no singular.


Ex.: Tudo leva a crer que a dor sentida por ele é ilusão e decepção.

c) São invariáveis as locuções que indicam quantidade (é pouco, é suficiente, é demais,


é muito, é bom, é mais que), preço (é o preço), distância (é a distância).
Ex.: Cinco metros cúbicos de água é pouco para abastecer a cidade.
Cinco quilos de carne é mais do que suficiente para o churrasco.
Cem mil reais é o preço do carro.
Vinte e sete quilômetros era a distância de casa até a empresa.

d) Os pronomes interrogativos que e quem levam o verbo a concordar com o


predicativo.
Ex.: Quem são aqueles que nos querem mal?
Que seriam deles sem os mandamentos do mestre?

e) se o predicativo tiver o pronome demonstrativo o (aquilo) ou a palavra coisa, o verbo


concorda no singular.
Ex.: Linda é o que dizem de você na escola.
Era só o que me faltava, meu filho de recuperação.
Calças “boca de sino” é coisa do passado.

f) O verbo ser sempre concorda com a pessoa ou o pronome pessoal, não importando a
ordem da frase.
Ex.: Carlos era as alegrias da família.
As alegrias da família era Carlos.
Nós éramos as alegrias da família.
As alegrias da família éramos nós.

 Se o predicativo é um pronome pessoal do caso reto o verbo de ligação concorda com


o pronome.
Ex.: A pessoa que fez o bolo de coco sou eu.
O Brasil, senhores, sois vós.
Quem ganhará a corrida seremos nós.

g) quando o sujeito é nome de coisa (singular) e o seu predicativo um substantivo no


plural, o verbo de ligação concorda com seu predicativo.
Ex.: O cachorro são alegrias da casa.
A única esperança eram as provas substitutivas.

 Se o sujeito for uma pessoa o verbo concordará com este.


Ex.: Fernando era as alegrias da família.
Ana Cláudia é só problemas para a mãe.

h) Sujeito formado por uma expressão partitiva ou de sentido coletivo (grande número
de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de, o resto, o mais).
A concordância do verbo de ligação é com o seu predicativo.
Ex.: Grande parte eram alunos de escolas particulares.
Quando fui a Recife, a maior parte eram paulistas.
O resto são pequenas coisas sem importância.

i) Expressões numéricas (quantidade, preço e medida) como sujeito, o verbo concorda


no singular.
Ex.: Seis dias é uma eternidade por um resultado de concurso.
Cobrar trezentos e setenta e cinco reais por um tênis é um assalto.
Setenta quilos é um absurdo.

5) Verbo parecer + verbo no infinitivo.


Nas construções com o verbo parecer seguido de um verbo no infinitivo, flexiona- se o
infinitivo ou o verbo parecer de acordo com o sujeito.
Ex.: Parecem brincar as crianças. / Parece brincarem as crianças.
O amanhecer e o anoitecer parece deixarem- me relaxado. / O amanhecer
parecem deixar- me relaxado.
Os metrôs de São Paulo parece estarem mais lentos hoje. / Os metrôs de São
Paulo parecem estar mais lentos hoje.

No primeiro caso, temos uma locução verbal, cujo verbo auxiliar é parecem,
concordando com o sujeito as crianças. No segundo, há duas orações, sendo a oração
do infinitivo sujeito da primeira. Pode-se escrever, também: "Parece que brincam as
crianças", sendo a segunda oração (que brincam as crianças) o sujeito da primeira
(parece).

 Observações:
a) Fica errado colocar os dois no plural.
Ex.: Parecem brincarem as crianças.

b) Tome cuidado com as inversões, pois a frase continua correta.


Ex.: As crianças parece brincarem.
As crianças parece que brincam.

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Regra geral:
Adjetivos, artigos, pronomes e numerais concordam em gênero e número com o
substantivo a que se referem.
Ex.: O aluno. Os alunos. A aluna. As alunas.
Meu livro. Meus livros. Minha pasta. Minhas pastas.
Garoto alto. Garotos altos. Garota alta. Garotas altas.
Primeiro filho. Primeiros filhos. Primeira filha. Primeiras filhas.

1) Concordância do adjetivo, com função de adjunto adnominal, ocorre:


1.1) o adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo:
Ex.: Um homem alto pegou duas lâmpadas fluorescentes para a senhora.

1.2) Um adjetivo refere – se a mais de um substantivo.


O adjetivo posposto aos substantivos:

a) Concordância no masculino plural quando há substantivos com gênero e número


diferentes:
Ex.: O ipê e a macieira estão floridos.
Em Cruzeiro há montanhas e rios encantadores.
Homem e meninas altos.

b) Concordância atrativa ou com o substantivo mais próximo.


Ex.: O homem e a mulher esperta foram embora sem deixar pistas.
Os japoneses comem carne e peixe cru.
Homem e menino alto.

1.3) O adjetivo anteposto aos substantivos, concordância com o elemento mais próximo:
Ex.: Escolheste má hora e lugar para falar.
Escolheste mau lugar e hora para falar.
Eram velhos os livros e as revistas do sebo.
Era velha a revista e o livro.

 Quanto aos pronomes adjetivos, a regra é a mesma:


Ex.: Seus ideais e pensamento alimentavam – no a luta pela liberdade.
No livro as pessoas tinham tanto ódio e raiva.

2) Dois ou mais adjetivos referem – se a um substantivo, a concordância segue dois tipos


de construção.
a) com determinante nos adjetivos (artigo):
ex.: Estudo a língua francesa e a alemã.
A música clássica e o rock combinam perfeitamente.

b) sem determinantes:
ex.: Estudo as línguas francesa e alemã.
As músicas clássica e rock combinam perfeitamente.
3) A estrutura Pronome Neutro + Preposição + Adjetivo, a concordância no singular
masculino ou por atração concordar com o substantivo. Entende – se por pronome
neutro nada, muito, algo, tanto, que, etc.
Ex.: Meus pensamentos têm algo de misterioso.
Na câmara de vereadores da cidade falam tanto de bobagem que eles deixam
transparecer algo de cinismo.
Elas nada tinham de ingênuas.
Os olhos daquela que agente chamava de princesinha tinha muito de sedutor.

4) O sujeito concorda com o predicativo adjetivo da seguinte maneira:


4.1) O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito simples.
Ex.: O mar é uma incontestável beleza que atraem os olhos dos poetas.
Os jornalistas andam tristes com as declarações do presidente.
As matas estavam encobertas de árvores centenárias.

4.2) O predicativo concorda no plural e no gênero dos substantivos de gêneros


semelhantes.
Ex.: O mar e o céu estavam serenos.
A ciência e a virtude são necessárias para a sobrevivência do homem.

4.3) Concordância do predicativo com substantivos de gêneros diferentes.


a) predicativo posposto aos substantivos, concordância no plural masculino.
Ex.: O céu e as árvores estavam assombrados.
O motorista e a cobradora foram mal – educados com o passageiro.

b) predicativo anteposto aos substantivos, concordância com o mais próximo.


Ex.: Era deserta a vila, a casa e o templo.
Permaneceu vazia a sala e o ginásio da escola.

4.4) O predicativo concorda com a pessoa do pronome de tratamento.


Ex.: Vossa Senhoria ficará satisfeito com a hospedagem. (homem)
Vossas Excelências permanecerão contentes com a proposta do povo.
Vossa Majestade ficará lisonjeada com a presença de seu súdito. (rainha)
Vossa Alteza foi muito severa com o serviçal. (princesa)

5) Predicativos como expressões (é bom, é necessário, é preciso, é proibido, etc.) são


invariáveis.
Ex.: Marinha é necessário para manter a segurança no litoral brasileiro.
É proibido entrada no recinto.
Comer salada no almoço é bom para saúde.

 Observação 1:
O predicativo concordará com o sujeito se este estiver determinado (artigo,
pronome).
Ex.: É proibida a entrada no recinto.
A marinha é necessária para manter a segurança no litoral brasileiro.
Esta salada é boa para a saúde.

 Observação 2:
Tomar cuidado com a frase “Proibida entrada.”
1º não se trata da expressão (é proibido);
2º o adjetivo concorda com o substantivo independente de estar determinado.

6) Concordância do predicativo com o objeto, ocorre nas formas abaixo descritas.


6.1) Adjetivo concorda em gênero e número com o objeto quando este é simples.
Ex.: Olhou para as suas terras e viu – as incultas e maninhas.
Ontem à noite lavei as roupas sujas.
Minha mãe mandou gostosas bolachas.

6.2) Objeto composto por elementos de mesmo gênero, o predicativo concordará no


plural e gênero dos elementos.
Ex.: O presidente emitiu incorretos o projeto e o comunicado para a imprensa.
Carla achou fáceis a prova e a redação do concurso.

6.3) Objeto composto por elementos de gêneros diferentes, o predicativo concordará no


masculino plural.
Ex.: Eu vi a régua e o lápis jogados no chão.
Vi setas e carcás espedaçados.
Amanhã trarei para vocês um livro e uma revista especializados.

 Observação:
O predicativo estando anteposto ao objeto a concordância é atrativa.
Ex.: Eu vi jogada a régua e o lápis no chão.

7) O particípio passivo concorda em gênero e número com o sujeito.


Ex.: Foi declarada culpada pelos crimes.
Passado três meses após o desaparecimento foram encontrados os corpos.
*Foram vistos milhares de peixes no rio.

 Observação.
a) núcleo do sujeito é um coletivo numérico: concordância com o substantivo que o
acompanha.
Ex.: Centenas de vacas foram vistas andando pelas ruas na Suíça.
Uma dúzia de livros tinham sido doados à biblioteca da cidade.

b) o particípio referindo – se a mais de um substantivo de gênero diferente, a


concordância será no masculino plural.
Ex.: Mas achei natural que o clube e suas ilusões fossem leiloados.
O carro e a caminhonete foram vendidos para quitar uma dívida.

8) O pronome, quando flexionado, concorda em gênero e número com o substantivo a


que refere.
Ex.: O velho abriu as pálpebras e cerrou – as logo.
Um transeunte deixou cair o seu relógio e um motoqueiro que passava por ali avisou
– o do ocorrido.
Arrancou uma faca da bolsa e utilizou – a para abrir a caixa.

 Quando o pronome refere – se a substantivos de gêneros diferentes, flexão no


masculino plural.
Ex.: Salas e coração habita – os a saudade!
Quando fui ao cinema peguei pipoca e refrigerante que logo os comi.
A generosidade, o esforço e o amor, ensinaste – os tu em toda a sua sublimidade.
Roberta, Carlos e Camila, queria conhecê – los.

9) Pronomes um... outro, quando se referem a substantivos de gêneros diferentes, a


flexão será no masculino.
Ex.: Repousaram bem perto um do outro a matéria e o espírito.
A cadela e o gato ficaram longe um do outro.
Nas grandes capitais polícia e o cidadão ajudam um ao outro para combater a
violência.

Casos Particulares

2) Alerta (atentamente, de prontidão), menos, pseudo, a olhos vistos


(visivelmente), em mão são invariáveis.
Ex.: Eles estavam alerta. (e não alertas)
Tinha menos convicção. (e não menas)
Aquele hospital tinha um pseudo – médico.
Lúcia emagrecia a olhos vistos.
O convite do casamento fora entregue em mão. (não existe “em mãos”)

 Observação:
Se uma palavra for substantivada, irá normalmente ao plural.
Ex.: o alerta − os alertas
o não − os nãos.

3) Bastante e muito pode ser variável ou invariável.


a) quando bastante e muito forem advérbios são invariáveis.
Ex.: Estavam bastante (muito) cansados. (bastante: advérbio, pois modifica um
adjetivo)
Meus alunos escrevem bastante (muito) bem.
Os garis trabalharam bastante (muito) hoje.

b) quando forem pronome adjetivo são variáveis.


Ex.: Recebeu bastantes (muitos) prêmios. (bastantes: pronome adjetivo indefinido)
Recebeu prêmios bastantes (muitos). (bastantes: adjetivo)
Muitos (Bastantes) torcedores estavam embriagados após o jogo.

 Observação:
As pessoas erram muito o emprego de bastante. Pode ser tanto advérbio quanto um
adjetivo. Tudo depende da frase. Quando sentir dificuldades na concordância do
“bastante”, substitua – o por “muito”.

4) Anexo, obrigado, quite e leso (adjetivos), concordam em gênero e número com o


substantivo.
Ex.: Certidão anexa. Requerimento anexo. Mandei anexas as notas fiscais.
−Obrigada, disse a mulher. − Obrigado, disse o homem.
Muito obrigadas, disseram as senhoras.
O cidadão está quite com o serviço militar e vocês estão quites?
Crime de lesa-pátria. Crime de leso-patriotismo.

 Observação:
Em anexo é invariável. (locução adverbial)
Ex.: Mandei em anexo dois recibos.

5) A palavra possível sendo um adjetivo é variável.


Ex.: Mudança possível. Mudanças possíveis.
As notas dos alunos da 8ª série são as melhores possíveis.

 Observação:
Às vezes, é empregado como expressões superlativas, em que concorda com as
expressões o mais, o menos, o maior, o menor, etc.
Ex.: Histórias o mais tristes possível.
Histórias as mais tristes possíveis.
Ela sempre está a mais bem vestida possível.

 Observação:
Quando a palavra, possível, está concordando com um advérbio é invariável.
Ex.: Histórias quanto (mais) possível tristes.

6) Mesmo e próprio: a concordância se dá de duas maneiras.


a) variável (pronome demonstrativo).
Ex.: Ela mesma (própria) fez a entrega da carta.
Eles mesmos (próprios) fizeram as cestas de Natal.

b) invariável (significando realmente é um advérbio).


Ex.: Você limpou a casa mesmo (próprio)?
Susie ficou mesmo em primeira no concurso?
Ela falou mesmo tudo aquilo durante a reunião.

7) Um e outro, um ou outro, nem um nem outro: substantivo no singular e adjetivo


no plural.
Ex.: Um e outro animal ferozes fugiu.
Durante a viagem nem um nem outro ficou tristes.

8) A palavra tal qual é variável. Tal concorda com o primeiro termo e qual, com o
segundo.
Ex.: Os filhos tais qual o pai são parecidos.
A filha tal qual a mãe cozinhava muito bem.
Ele era tal quais os irmãos, torcedor fanático do Milan.
Os alunos eram tais quais os professores, ou seja, eram atenciosos.

9) A palavra só concorda das seguintes maneiras:


a) advérbio significando somente é invariável.
Ex.: Fernando e Simone tinham só pensamentos alegres.
Os mercadores de Veneza só vendiam especiarias.

b) adjetivo significando sozinho é variável.


Ex.: As alunas estavam sós na sala.
O lutador estava só contra a multidão enfurecida.
Os viajantes estão sempre sós na dura caminhada da vida.
Admiro-os: são rapazes que se fizeram por si sós.

 Observação 1:
a expressão “a sós” é invariável.
Ex.: Enfim ele ficou a sós com a namorada.
Jorge ficou a sós com a triste lembrança de seu amanhecer.

 Observação 2:
A expressão “por si só” varia de acordo com a frase, pois, a palavra “só” tem valor
de adjetivo e equivalente a sozinho, portanto é variável.
Ex.: Os fatos falam por si sós.
As provas apresentadas, por si sós, não foram suficientes para caracterizar o
crime.
10) As expressões como “é proibido”, “é bom”, “é necessário” utilizando o verbo ser:
a) concorda com o determinante junto ao substantivo.
Ex.: É proibida a conversa entre os assistentes.
Esta salada é boa para a saúde.
A medida é necessária para o bem da comunidade.

a) sem o determinante junto ao substantivo é invariável.


Ex.: É proibido conversa entre os assistentes.
Peixe é bom para saúde.
É necessário medida cautelar.

 Observação:
A frase “Proibida entrada” está correta porque é um adjetivo qualificando um
substantivo e não uma das expressões citadas acima.

12) Nenhum é pronome adjetivo, portanto, concorda com o substantivo em gênero e


número.
Ex.: Nenhum livro. Nenhuns livros. Nenhuma caneta. Nenhumas canetas.

13) Todo no sentido de inteiramente, completamente, embora seja advérbio, variável ou


invariável.
Ex.: Os professores estavam todos (todo) cansados.
As cachorras ficaram todas (todo) imundas de lama.
O tanque de gasolina do carro estava todo vazio.

 Observação:
Em todo-poderoso, todo é invariável.
Ex.: O todo-poderoso. Os todo-poderosos
A todo-poderosa. As todo-poderosas.

14) Palavra meio varia ou não de acordo com a classe gramatical:


a) como advérbio, no sentido de um pouco, mais ou menos é invariável.
Ex.: Ela estava meio chateada.
As janelas estavam meio abertas.
Os sapatos ficaram meio apertados depois que engordei.

b) como numeral é variável e concorda em número e gênero com o substantivo.


Ex.: Pedi para o quitandeiro cortar meia melancia.
É melhor evitarmos meios termos na reunião de amanhã.

15) Concordância das cores com o substantivo.


Ex.: blusas brancas. (brancas é adjetivo simples)
blusas laranja. (laranja é substantivo: invariável ao indicar cor)
blusas verde-amarelas. (dois adjetivos: regra geral: só o segundo se flexiona)
blusas verde-abacate. (adjetivo + substantivo: composto comparativo invariável)
blusas cinza-claro. (substantivo + adjetivo: composto invariável)

 Observações:
a) Adjetivo composto é invariável, nomes de cores cujo segundo elemento é substantivo.
(Elemento Comparativo).
Ex.: Tenho duas blusas verde – limão.
Haviam rosas amarelo – ouro.
Juliana tinha olhos verde – mar.
b) Adjetivo composto formado por “Cor de ...” é invariável.
Ex.: Camisas cor de laranja.
Minha esposa tinha várias saias cor de rosa.

c) Azul-marinho e azul-celeste são invariáveis.


Ex.: Blusas azul-marinho. Camisas azul-celeste.

d) Se o composto for usado como substantivo, os dois elementos se flexionarão.


Ex.: O azul-claro. Os azuis-claros.