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Instituto Politécnico de Santarém

Escola Superior de Desporto de Rio Maior

Índice

Introdução ......................................................................................................................... 2

Desenvolvimento .............................................................................................................. 3
Lei de Bases do Sistema Desportivo ............................................................................ 3
Lei de Bases do Desporto ............................................................................................. 5
Loi n° 84-610 du 16 juillet 1984 .................................................................................. 6

Comparação ...................................................................................................................... 8
Loi nº 84-610 du 16 juillet 1984 \ Lei n.º 30/2004 de 21 de Julho ............................... 8

Resultados Práticos ........................................................................................................... 8

Conclusão ......................................................................................................................... 9

Bibliografia ..................................................................................................................... 10
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Introdução

Este trabalho assenta na Loi n° 84-610 du 16 juillet 1984, a


designada lei Advice, centrando-se a análise nas federações,
nomeadamente nos conceitos agrément e delégation du pouvoirs.
Para isso, compara-se esta lei com as Lei de Bases do Desporto (Lei
n.º 30/2004 de 21 de Julho) , que prevê a atribuição do Estatuto da
Utilidade Pública Desportiva às federações. Mas, para que se possa
entender melhor esta lei, é preciso recuar um pouco e referir a Lei 1/90 de
13 de Janeiro de 1990, que define as bases do sistema desportivo em
Portugal.
Com este trabalho pretende-se apresentar as diferenças entre a lei
francesa e portuguesa e quais os efeitos que isso tem no desporto nos dois
países.
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Desenvolvimento

Lei de Bases do Sistema Desportivo


Lei 1/90 de 13 de Janeiro

Decorrente da revolução de 25 de Abril de 1974, surgiu , em


Portugal, uma nova constituição (1976). É com esta mudança que mais
tarde (1990) é criada a Lei de Bases do Sistema Desportivo, revogando os
decretos 32.946 de 3 de Agosto de 1943 e o decreto 2.104 de 30 de Maio
de 1960.

Do conteúdo deste decreto, podemos destacar, o assumir de que o


praticante desportivo já possa ser considerado profissional, desde que este
se dedique à prática desportiva em exclusivo ou em grande parte do seu
tempo, o que demonstra uma grande evolução nas mentalidades, uma vez
que os anteriores decretos viam a prática desportiva como algo “funesto” e
perverso. Neste sentido, defende a existência de clubes, associações, ligas ,
federações, organizações, estas, regulamentadas pelos artigos deste novo
decreto.
A principal questão, neste documento, é a relação entre Estado e
federações. O Estado passa a ser o financiador das federações e estas, em
troca, comprometem-se a cumprir um conjunto de direitos e deveres. Às
federações é atribuído, pelo Estado, o Estatuto da Utilidade Pública
Desportiva (UPD), que lhes permite ter direito a esses subsídios. Mas, para
que isso seja possível a federação terá de ser a única representante da
modalidade em questão, respondendo, assim, ao princípio da unicidade
federativa e, para além disso, terá de se comprometer a organizar uma
estrutura interna de acordo com os requisitos do Estado.
Se a federação obedecer às condições impostas, receberá do Estado
os já referidos subsídios, mas esta terá, também, direitos desportivos que
englobam a atribuição de títulos de campeão nacional, a organização dos
campeonatos e selecções nacionais.
A organização dos campeonatos ficará a cargo de um dos órgãos
constituintes da federação , a Liga Profissional de Clubes, tal como a
gestão de todo o sector da arbitragem, que antes (desde 1993) estava
dividido pela Liga e pela Federação.
Este estatuto permite, ainda, às federações integrar federações
internacionais, como é o caso da Federação Portuguesa de Futebol, que
integra a UEFA e a FIFA.

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Lei de Bases do Desporto


Lei n.º 30/2004, de 21 de Julho

Esta nova lei, que vem rectificar a lei 1/90 de 13 de Janeiro,


apresenta-se muito mais esclarecedora e completa naquelas que são as
competências de uma federação desportiva. Esta reforça as condições já
antes exigidas pelo Estado para a obtenção do Estatuto da Utilidade Pública
Desportiva e indica novos requisitos a serem cumpridos. Esta defende,
agora que as federações devem regulamentar as condições de acesso para
mulheres e homens e que passa a ser obrigatória a localização da sua sede
em território nacional, requisito, este que antes já deveria ser válido, mas
que não constava do diploma.
Deve-se referir, ainda a criação da Administração Pública Desportiva
e do Conselho Superior de Desporto, órgãos que laboram junto do Estado
para regulamentar e controlar o desporto.
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Loi n° 84-610 du 16 juillet 1984

No que diz respeito à lei francesa, temos de considerar dois


conceitos: o agrément e a delégation du pouvoirs.
O órgão que cria os decretos que regulamentam estes dois conceitos
é o Conseil d’état, com a aprovação do Comité National Olympique et
Sportif Français (CNOSF), que é também responsável por mediar a relação
entre atletas e associações desportivas.
O agrément trata-se da condição necessária às federações para que
estas possam receber subsídios do Estado. Segundo o agrément, as
federações devem adoptar um regulamento disciplinar e cumprir um
conjunto de deveres.
As federações que dizem respeito ao desporto profissional são
tuteladas pelo Ministro do Desporto, enquanto que as federações escolares
e relativas ao ensino superior estão sob a alçada do Ministro da Educação
Nacional.

Em relação à delégation du pouvoirs, as federações recebem do


ministro, o poder para atribuir títulos como “Campeão de França”, para
inscrever todos os envolvidos na pratica desportiva...
⇒ Atletas;
⇒ Atletas de Esperanças;
⇒ Treinadores;
⇒ Árbitros;
⇒ Treinadores-adjuntos;
⇒ Juizes.
As federações podem delegar nos seus órgãos constituintes as suas
competências, passando a ter a função de controlar a gestão e a
contabilidade destes órgãos. Há, ainda outra questão, o facto do Estado
poder atribuir a uma federação (por determinado período de tempo) o poder
de exercer este tipo de direitos, mediante a supervisão realizada por uma
comissão nomeada pelo CNOSF.

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Comparação
Loi nº 84-610 du 16 juillet 1984 \ Lei n.º 30/2004 de 21 de Julho

Na lei portuguesa, o Estado atribui a UPD às federações e esta


compromete-se a cumprir os seus deveres.
Na lei francesa, é o conselho de Estado quem redige as leis e é o
CNOSF que as faz cumprir junto das federações, através do agrément.

Resultados Práticos

A aplicação destas leis provoca na sociedade actual, em termos


desportivos, grandes diferenças. Como é do conhecimento geral, o desporto
em Portugal atravessa uma fase critica, apresentando-se cada vez mais
corrompido por valores como o oportunismo, a falsidade, e tudo isto em
nome da ascensão ao poder e da ganância.
Isto não quer dizer que em França possa ser ou seja diferente, mas as
mentalidades são, de facto diferentes. Não há tanto espaço á corrupção,
pelo menos com as federações, uma vez que o Estado aplica pesadas multas
(que podem ir até 7500 € ) a quem tentar usar as competências das mesmas
sem poderes para tal.
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Conclusão

Pode-se concluir que os legisladores franceses, aplicam o cuidado


exigido na criação dos deus decretos, pois analisam, ao pormenor, as
questões que podem surgir no dia-a-dia. Ao contrário destes, os
legisladores portugueses deixam muito a desejar, escusando-se a indicar
pequenos pontos que contribuiriam para melhorar, com garantias, o
desporto em Portugal.
Deste modo, o nosso país precisa de profissionais competentes que
tenham mais experiência prática para que, assim, o desporto possa tornar-se
fiável.
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Bibliografia

 Lei de Bases do Sistema Desportivo


Lei n.º 1/90 de 13 de Janeiro de 1990

 Lei de Bases do Desporto


Lei n.º 30/2004 de 21 de Julho

 Loi nº 84-610 du 16 juillet 1984

 Dicionário Enciclopédico da Língua Portuguesa ; Publicações alfa ;


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