A IMPORTÂNCIA DA PSICOPEDAGOGIA

© Celeste Duque – Psicóloga Clínica (celeste.duque@gmail.com ) .Este texto pretende ser uma reflexão sobre a importância da Psicopedagogia para o sujeito individual e social, baseado na experiência do dia-a-dia. Não serão aqui citados autores, nem perspectivas teóricas (serão objecto de estudo em artigos posteriores). Psicopedagogia é definida no Dicionário de Língua Portuguesa como a aplicação dos princípios da Psicologia à pedagogia (2001, p. 1232), o que não serve de grande esclarecimento. Mas, sabendo que pedagogia vem do latimpaedagogia e do gregopaidagogía, e que se refere à teoria que estuda a educação, por muitos considerada como “a arte de educar e ensinar”, que visa o estudo dos ideais de educação de acordo com concepções de vida específicas, adaptando-se-lhes os processos da forma considerada mais eficaz para se alcançarem os ideais, então, a definição ganha sentido (ibidem, p. 1148). De facto a psicologia dedica-se ao estudo do comportamento humano e de tudo o que lhe subjaz, i.e., todos os processos envolvidos na acção/reacção, mas também na percepção, avaliação, raciocínio, pensamento, representação, personalidade, em que o sujeito é indissociável das suas múltiplas vertentes (biológica, psicológica, social, cultural, económica, ecológica, espiritual, etc.). A Psicopedagogia é, deste modo, uma área de saber que se ocupa em estudar as melhores estratégias para levar os sujeitos a adquirir/integrar conhecimento... Isto é a melhor ensinar mas, também, aprender... Ao contrário do que se possa pensar a Psicopedagogia não é de uso exclusivo dos Psicólogos, é um importante instrumento de trabalho para todos os que se dedicam ao Ensino! Todos os profissionais que se inserem no âmbito do Ensino seja ele básico, secundário, superior ou universitário devem dominar e aplicar na prática conhecimentos desta área específica já que esta os auxilia a melhor lidar com o indivíduo e com o grupo turma, mas também a melhor ensinar conhecimentos que à partida podem parecer sem aplicabilidade na prática logo considerados como desinteressantes, sem utilidade supérfluos, e tantos outros adjectivos tão negativos que levam os alunos a não investir na sua aprendizagem. Estuda os processos que subjacentes à percepção, aprendizagem, motivação, relacionando-os entre si e com o desenvolvimento global do sujeito (personalidade, meio em que se insere social e culturalmente, situando na época histórica em que vive). Estuda, igualmente, as representações que cada um individualmente e em grupo faz do ensino e da vida em geral (por exemplo, como os estereótipos e preconceitos influenciam as primeiras impressões que se fazem acerca das outras pessoas ou das novas situações/acontecimentos de vida que se presenciam ou se vivem) e como

todas estas variáveis vão inevitavelmente ser fonte de profunda influencia ao nível formação da própria personalidade. O indivíduo humano é um ser que deve ser, invariavelmente, encarado na sua complexidade e de forma holística, tendo em atenção que todas as suas dimensões influenciam e são influenciadas umas pelas outras e que é deste incessante jogo de influências que depende o equilíbrio, bem- estar e qualidade de vida do sujeito. Este equilíbrio é, também ele, resultado de permanentes equilíbrios e desequilíbrios, por exemplo, basta que a situação ultrapasse as expectativas iniciais do sujeito para que este sinta algum grau de frustração ou de desânimo, o que provoca algum desequilíbrio, para logo depois se transformar num novo equilíbrio, quando o indivíduo reflecte acerca do sucedido e decide não valorizar esse pequeno insucesso, traçando novos objectivos para si. Podemos então afirmar de forma resumida que a Psicopedagogia é uma área de charneira entre a Psicologia e a Pedagogia e que visa desenvolver métodos e estratégias de ensino/educação mais adaptados ao sujeito individual, já que todos os elementos de um grupo ou sociedade são diferentes, e aprendem através de modelos e estratégias também eles muito diversificados, não raras vezes mesmo díspares. A Psicopedagogia fornece os instrumentos e explicações que permitem facilitar a aprendizagem, e mais importante ainda, que levem à criação de novas estratégias e metodologias de ensino que facilitem o trabalho do docente e se adaptem não apenas a ele mas igualmente aos grupo de alunos turma para o qual o professor deve dirigir o seu ensino. A par desta sua vertente, constitui- se como uma fonte privilegiada ao nível da intervenção em sujeitos que apresentam dificuldades específicas de aprendizagem e na gestão de conflitos em sala de aula. Aliando-se à área da Psicologia da Saúde desempenha um papel fundamental e coloca em destaque pelos estilos de vida e comportamentos de risco adoptados pelos sujeitos em geral, das sociedades modernas, que vivem ritmos alucinantes e são confrontados com níveis excessivos de stress pelo que há necessidade de educar os sujeitos por forma a aprenderem a respeitar o seu corpo, e ensinar-lhes a lidar e gerir com situações potencialmente geradores de stress, o qual é altamente prevalente em grupos profissionais que já são identificados como grupos de risco, por exemplo: professores; profissionais que trabalham por turno; profissionais da área da saúde; profissionais com cargos de topo; gestores de Bolsa, etc.). Como se pode inferir a Psicopedagogia tem um papel muito importante ao nível do trabalho e da realização de tarefas, bem como da formação, não é pois de admirar que se possa afirmar que a Psicopedagogia está directa ou indirectamente presente na vida de todos os sujeitos desde a mais tenra idade.

Sabe-se que num primeiro momento aprende-se por imitação e à medida que o ser humano vai amadurecendo e crescendo, vai-se desenvolvendo a sua capacidade de percepcionar os estímulos e de os seleccionar, a sua capacidade de: pensamento e de comunicação, de aprendizagem, de relacionamento e inter-relacionamento com os outros, de dar e receber afecto, permitindo um gradual alargamento dos seus horizontes, isto é, de adaptação aos diferentes meios a que pertence, que vão desde a família, escola, grupo de pares e amigos, diversos grupos sociais, relacionamento com etnias, nacionalidades e línguas diferentes, lidar com a diversidade cultural, isto é à medida que o bebé cresce, se torna criança, adolescente, jovem adulto, etc. a sua aprendizagem vai sendo progressivamente mais complexa e remete-se para a leitura de algumas teorias explicativas do ser humanos, por exemplo, de Sigmund Freud, de Jean Piaget e Erik Erikson, de Abraham Maslow, entre muitos outros. Não raras vezes deparamo-nos com pessoas que encaram a vida de uma forma demasiado negativa em que tudo se passa como se, para eles o futuro não existisse, até porque este mais não é que uma repetição de um passado tão frustrante e doloroso. Outros, pelo contrário, por mais adversas que possam ser as suas condições de vida, esperam sempre que “dias melhores” possam acontecer. Nestes dois casos extremos aquilo que se pode concluir é que a aprendizagem e interiorização que fizeram da vida os influenciaram e transformaram radicalmente. No primeiro caso, em alguém profundamente ancorado numa realidade/humor negativo (talvez mesmo deprimido) incapaz de se descentrar da sua realidade para observar o mundo tal como ele é. No segundo caso, alguém otimista que apesar do sofrimento presente, consegue perceber que “nada está perdido”, e que se hoje se vive a renúncia, amanhã pode-se estar a viver um grande sucesso... Destes dois exemplos consegue-se facilmente perceber a importância da aprendizagem, e muito particularmente das aprendizagens precoces, já que, em situações de

conflito/adversidade o sujeito tem tendência, num primeiro momento, de grande emotividade, em regredir a fases do desenvolvimento mais precoces e reagir de acordo com..., posteriormente, e após alguma reflexão e análise da situação, vai reagir e emitir um comportamento mais adequado à sua condição social, idade e ao mas também, e não menos importante, ao que se espera dele. Ainda de acordo com o exemplo apresentado será de esperar que o primeiro sujeito seja alguém pessimista, inseguro/imaturo, que se acomoda facilmente à opinião da maioria, algo desequilibrado por receio de falhar ou magoar os outros; enquanto que o segundo sujeito é alguém que facilmente aceita os desafios que se lhe deparam e que em situações críticas, consegue mobilizar as suas capacidades/competências e resolver os problemas, alguém mais equilibrado, mais seguro, com uma melhor auto-estima.

ali o ensino pautava-se pelo verbalismo e informações. o trabalho psicopedagógico na instituição escola tem como caráter preventivo no sentido de procurar criar competências e habilidades para solução dos problemas com esta finalidade e em decorrência do grande número de crianças com dificuldade de aprendizagem e de outros desafios que englobam a família e a escola. O mundo do trabalho hoje. Ali. atualmente. Nesse processo de busca e reflexão um questionamento sempre vinha à tona: como educar sem que o processo educativo se transforme num instrumento de manutenção da situação? O nosso maior cuidado era refletir sobre essas questões sem colocar a culpa nos principais atores do processo educativo. Aprendizagem.BIBLIOGRAFIA (2001). e seus familiares. preparo técnico. por um curto espaço de tempo. sendo que estes fatores determinarão sua inclusão ou exclusão no mundo do trabalho. uma cultura ampla e diversificada. em função do processo de reestruturação do capitalismo. a intervenção psicopedagógica ganha. Lisboa: Porto Editora. Sabemos que as transformações que estão ocorrendo no mundo todo. pudemos perceber que a educação escolar era saída mais viável para escapar da situação de ignorância em que se encontrava a maioria das crianças. inclusive de forma interdisciplinar. dependendo da educação recebida. espaço nas instituições de ensino. Começamos a interessar pela presente temática logo que ingressamos no curso de psicopedagogia. requer profissionais com maiores conhecimentos. que são a maioria em nossa cidade. Colecção “Universal” – edição digital. tem exigido que a sociedade reflita sobre o papel do trabalho e do trabalhador frente as mudanças que estão ocorrendo em níveis mundiais. 1 Introdução O presente estudo está centrado na importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem. especialmente as de baixa renda. coordenadores e alunos. os professores. convivendo com professores. A aprendizagem era entendida como acumulação de conhecimentos onde cada professor cuidava de sua disciplina. Dicionário de Língua Portuguesa. Palavras chave: Aluno. Mas não a educação que era oferecida. ao perceber o quanto a educação de qualidade é importante na formação do cidadão. sem conexão com as demais e sem levar em conta a experiência e os significados que os alunos haviam construídos ao longo de suas experiências pessoais. Psicopedagogia. Essa convicção se consolidou logo ao iniciar as atividades de estágio em uma escola pública de Imperatriz. Assim. A importância aprendizagem Silvia novembro/2006 RESUMO do Suely psicopedagogo Sillos frente às de dificuldades de Oliveira* Considerando a escola responsável por grande parte da formação do ser humano. os alunos. Este artigo surgiu da preocupação existente diante as dificuldades dos alunos em que faz-se construir seus próprios conhecimentos por meio de estímulos. tem justamente o objetivo de fazer uma abordagem sobre a educação e a importância do psicopedagogo diante da instituição escolar. as instituições de ensino e o trabalho docente .

A expressão facial mostra-nos bem: os olhos arregalados de curiosidade empenho e dedicação. inevitavelmente. é bastante oportuno um trabalho que reflita sobre o papel e a importância de um psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem. Kiquel. 1991). é com ele que o aluno conta (ou deveria contar) nas suas angústias e dúvidas quando a família não tem condições de auxiliá-lo. jogos e livros de histórias. Além dessa conjuntura. em que pensamos? Vinte (e tantos) meninos e meninas sentadinhos enquanto ouvem a explicação do professor. isso nos levou a concluir que os mesmos precisam estar atualizados em conhecimentos gerais e específicos para que possam corresponder às exigências do mundo globalizado e também às expectativas do educando. o João a bater no Paulo. pois tem como objetivo central de estudo o processo humano do conhecimento: seus padrões evolutivos normais e patologias bem como a influência (família. muito tem contribuído para explicar a causa das dificuldades de aprendizagem. É importante ressaltar a psicopedagogia como complemento. no atual momento é preocupante.. que esteja atento a uma nova prática onde ensinar e aprender sejam atos que caminhem para a mesma direção. Assim sendo. suas relações de produção para compreender as especificidades do trabalho psicopedagógico que. a Maria a gritar com a Joana. psicólogos. Precisamos compreender a sociedade com a qual vivemos. enfrentam sérias dificuldades em relação à aprendizagem dos alunos. Se acendermos ao nosso imaginário. dizendo que esta comprou uma caneta . escola. Nas paredes desenhos de casas. No ar sente-se um cheiro de se ser criança. A escola pública é construída com a participação da família. suas relações de classe. Quando um desses atores deixa de cumprir o seu papel. em vez de acendermos ao mundo imaginário. estudar a importância do psicopedagogo dentro de uma instituição não pode se dar de forma isolada. que é a ciência nova que estuda o processo de aprendizagem e dificuldades. Por cima das mesas um livro e um lápis para aprender. Como sabemos também que. Por outro lado. é o educador a figura mais próxima do aluno. Devemos reconhecer as mudanças que tem ocorrido nas diversas fases de desenvolvimento da criança. deparamo-nos com a situação específica da aprendizagem no interior de nossas escolas.. bonecos. que é de natureza mais ampla. Estamos perante um ambiente de aprendizagem que tem meninos bem comportados e confiantes e um professor invariavelmente eficaz. Isso nos leva. É importante que haja uma reflexão a respeito do processo da qualidade da educação e a contribuição de outros profissionais nesse processo. porque lhe tirou a borracha. a uma reavaliação do papel da escola e dos professores diante do ato de ensinar.não ficaram imunes à realidade da globalização. lógico dos educadores. depois da família. pensarmos no mundo real. sabemos que os problemas de aprendizagem não podem ser resolvidos apenas com a instrumentalização dos educadores. Sabemos que a situação de aprendizagem. E se. Por um lado. o que vemos? Vinte e muitos meninos e meninas. Observamos nas salas de aula durante os nossos estágios um espaço calmo e harmonioso com vinte (e tantas) mesas e cadeiras. A convivência na escola pública nos deu condições de perceber que os profissionais na atualidade. árvores e paisagens. não se dá desconceitualizado. sociedade) no seu desenvolvimento (Scoz. Não podemos ser ingênuos achando que basta o professor estar bem preparado no campo científico e pedagógico para desempenhar satisfatoriamente o seu papel. dos professores e do estado. Portanto. através de sua cultura. por sua vez. 1992. a infância e a adolescência já requerem novos olhares por parte dos psicopedagogos. Ao canto. fora do contexto mais amplo que é a sociedade. dos pediatras e. compromete o trabalho dos demais.

Há uma grande discrepância entre o que desejamos e o que temos. o Luís fazendo desenho no caderno. isto tudo influi muito na questão. o afeto. isto demonstra-se haver variado leque de aspectos que estão na origem do comportamento. Quando perguntou qual frasco continha mais água. assume o papel de desmitificadora do fracasso escolar. Segundo Alícia Fernandes (1990 p.. no encontro inicial com o aprendente e seus familiares. Esta falta de interesse vem consequentemente de uma causa. as crianças dessa idade não tem ainda desenvolvida a operação de pensamento chamado reversabilidade. Assim o professor espera-se que ensine e do aluno que seja bem comportado e que este aprenda. mas há um processo a ser visto. Sociologia. mas o poder para mobilizar a modalidade de aprendizagem. a [. pôs um mesmo volume de água em dois frascos com formatos distintos. 2 . “é comum. na realidade da escola. esses inúmeros fatores. Desta forma. a atenção. o psicopedagogo procura avaliar a situação da forma mais eficiente e proveitosa. e outros. a estabilidade ou a instabilidade emocional dos alunos. culturais. O psicopedagogo assume papel relevante na abordagem e solução dos problemas de aprendizagem. 117). as crianças com menos de sete anos responderam: O mais fino tem mais água porque é mais longo. às vezes. Segundo Piaget. o seu contexto familiar ou até dificuldades de aprendizagem ainda não diagnosticadas. Não procura culpados e não age com indulgência. p. com os familiares e com os professores. Apresenta assim. Nesse caso. No entanto. Portanto a psicopedagogia não lida diretamente com o problema. Lida com as crianças. que é um recurso importantíssimo. levando em conta aspectos sociais. por contar com a contribuição de várias áreas do conhecimento. enfim. econômicos e psicológicos. De acordo com Bossa (2000. uma perspectiva diferenciada daquelas que há muito permeia a mente de muitos professores. e é a partir daí que vai transformando o processo ensino aprendizagem. Por isso temos que estar atentos a tais situações. Psicologia. normalmente associado a este quadro comportamental acrescenta-se o insucesso escolar. resolveu fazer esse experimento com um grupo de adultos. entendendo o erro apresentado pelo indivíduo no processo de construção do seu conhecimento (Piaget). utiliza a “escuta psicopedagógica”. não é sobre a etiologia destes comportamentos que nos vamos debruçar. o que torna mais urgente uma intervenção psicopedagógica. do silêncio. e tem que haver uma intervenção sobre isto. Antropologia. que o auxiliará a captar através do jogo. a as interações (Vygotsky). a Madalena impaciente à espera do intervalo para tomar a sua primeira refeição do dia.. colocando a mesma quantidade de água em outros frascos com formatos diferentes. na literatura. mas sobre as conseqüências e possíveis estratégias de intervenção. como fator importante no desenvolvimento das habilidades cognitivas. lida com as pessoas envolvidas. Sabendo que os .PERSPECTIVAS PSICOPEDAGÓGICA A psicopedagogia. Piaget fez o seguinte experimento: na presença das crianças. os métodos de ensino tem que ser mudados. como. um fino e outro largo. 14). o amor. A título de curiosidade. e o grande número de dificuldades escolares. Em sua avaliação.igual a dela.] intervenção psicopedagógica não si dirige ao sintoma. dos que possam explicar a causa de não aprender. os professores serem acusados de si isentarem de sua culpa e responsabilizar o aluno ou sua família pelos problemas de aprendizagem”. É verdade. o sintoma cristaliza a modalidade de aprendizagem em um determinado momento.

adultos já tem a operação de reversibilidade desenvolvida, e convidados a dizer qual frasco continha mais água, suas respostas divergiram, similarmente ao que sucede com as crianças. Pode-se concluir, que desse simples experimento, que os seres humanos têm dificuldades para discriminar uma constante no meio de muitas variáveis. O leitor poderia perguntar? Que relação tem entre esse experimento e o tema a importância do psicopedagogo nas dificuldades de aprendizagem. Bem, pelo menos esse experimento nos sugere que convém duvidarmos de nossas opiniões sobre o problema da aprendizagem. Será que a coisas nesse campo acontecem da maneira como costumeiramente as vemos? Elas não estariam sujeitas a equívocos semelhantes ou mais graves do que aqueles com os frascos de água? Convém ressaltar que na aprendizagem, por ser um processo humano, um equívoco quanto à concepção tem implicações muito mais graves, comparado com a situação dos frascos. Nesta, o equívoco de percepção é facilmente corrigível por meio de uma medida padrão de volume. Já com a aprendizagem, a situação é bem outra, pois esta é incomparável e bem mais complexa, e facilmente se pode entrar num beco sem saída ao se tentar explicar o problema da aprendizagem orientado apenas por nossa percepção ordinária. Por isso, penso ser recomendável uma boa dose de prudência ao se pisar nesse terreno. No entanto, este equilíbrio nem sempre é conseguido e o professor, na sua formação base, não tem técnicas para intervir nestes casos. Como tal, como psicopedagogos, pensamos que, se o professor utilizasse algumas estratégias, estas situações poderiam ser minimizadas. 3 - O PSICOPEDAGOGO E OS ASPECTOS DA RELAÇÃO PROFESSOR ALUNO Percebe-se nas salas de aulas que a maioria dos professores não estão preparados tanto no campo científico, metodológico ou político, na verdade eles se preocupam mais em passar o conteúdo, e que o aluno aprenda o que foi dito por ele. Ao considerarmos a aprendizagem com base nos pilares cognitivos e das emoções, fazemos uso dos sentimentos envolvidos na relação professor-aluno e como o processo de ensino é efetivado em função dessa interação. Se o professor não si preocupa com a aprendizagem do aluno, no final do ano ele não terá uma posição satisfatória. Falar da relação professor aluno é falar de relações humanas, é falar de alegria e da angustia do outro e até da falta de interesse por parte do aluno e suas respectivas dificuldades. Cada um tem uma história diferente, uma linguagem diferente, uma maneira diferente, um incentivo diferente, esses elementos foram construídos pela múltiplas relações da realidade. O aluno segundo Luckesi (1994, p. 117), “[... ] é um sujeito ativo que, pela ação, ao mesmo tempo se constrói e se aliena. Ele é um membro da sociedade como qualquer outro sujeito, tendo caracteres de atividade, sociabilidade, historicidade, praticidade. ” Na relação educativa, dentro das práxis pedagógica, ele é o sujeito que busca uma nova determinação em termos de patamar crítico da cultura elaborada. Ou seja, é um ser humano que busca adquirir um novo patamar de conhecimentos, habilidades e modo de agir. Mas, o próprio aluno não tem essa visão e muitas vezes se angustia dentro da escola porque ao chegar ali traz de casa o auto-conceito e auto-estima a partir das relações que desenvolve com os pais ou pessoas de seu convívio diário. O professor, em sala de aula, não pode destruir essa relação. O educando não pode ser considerado, pura e simplesmente, como massa a ser informada, mas sim como sujeito, capaz de construir a si mesmo, desenvolvendo seus sentidos, entendimentos e inteligências, a educação escolar não pode exigir uma ruptura com a condição existente sem suprir seus elementos. Há uma continuidade dos elementos anteriores e, ao mesmo tempo uma ruptura, formando o novo.

O que o aluno traz de seu meio familiar e social não deve ser suprimido bruscamente, mas sim incorporado às novas descobertas da escola. Quando uma criança aprende um novo modo de executar uma brincadeira, um modo de ser, não suprime o modo anterior, ao contrário, incorpora o modo anterior ao novo modo de execução. É o novo que nasce do velho, incorporando-o por superação (Luckesi, 1994, p. 118). Assim as relações entre os professores e alunos, as formas de comunicação, os aspectos afetivos e emocionais, a dinâmica das manifestações na sala de aula, segundo Libâneo (1994), fazem parte das condições organizativas do trabalho docente, juntamente com os aspectos cognitivos e sócio-emocionais da relação professor-aluno. Isso significa que o trabalho docente se caracteriza não apenas pelo preparo pedagógico e científico do professor e de toda a equipe da escola, mas também, pelo constante vaivém entre as tarefas cognoscitivas colocadas pelo professor e o nível de preparo dos alunos para resolverem as tarefas. A importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem começa a configurar-se quando se toma consciência das dificuldades dos alunos e cuida-se em apresentar os objetivos, os temas de estudos e as tarefas numa forma de comunicação clara e compreensível, juntamente com o professor e na escola, em um todo. As formas adequadas de comunicação concorrem positivamente para a interação professor-aluno e outros que fazem parte do contexto escolar. Alves (2003, p. 36), faz uma metáfora que ilustra bem essa questão. Sabe quando você tem duas taças de cristal? Elas estão em silêncio. Ai a gente bate uma na outra e elas reverberam sonoramente. Uma taça influencia a outra. Uma taça faz a outra emitir um som que vivia silencioso no seu cristal. Assim é a educação, um toque para provocar o outro a fazer soar a música. Cada aluno tem uma história diferente, uma necessidade diferente, uma expectativa diferente quando se relaciona com o outro, inclusive com o professor. Por sua vez, o professor em sala de aula não vê o aluno com o mesmo olhar de outro professor. O professor não apenas transmite os conhecimentos ou faz perguntas, mas também ouve o aluno, deve dar-lhe atenção e cuidar para que ele aprenda a expressar-se, a expor suas opiniões. Para obter uma boa interação no aspecto cognoscitivo, é preciso levar em conta o manejo no recurso da linguagem; variar o tom da voz, falar pausadamente quando necessário e falar com simplicidade sobre os temas complexos. Nesse sentido, o que mais conta é a condição social do aluno e não a sua idade cronológica, conhecer também o nível de conhecimento dos alunos, ter um bom plano de aula, entendemos como sendo um bom plano de aula aquele que tem objetivos claros e estratégias de ensino capazes de ser colocadas em prática de acordo com a capacidade dos alunos e os recursos de sala de aula disponíveis na escola, explicar aos alunos o que espera deles em relação à assimilação da matéria. Outros aspectos indispensáveis são os sócio-emocionais. Estes aspectos referem-se aos vínculos afetivos entre o professor e os alunos, como também às normas e exigências objetivas que regem a conduta dos alunos na aula. 4 - O PSICOPEDAGOGO E A INSTITUIÇÃO ESCOLAR

Diante do baixo desempenho acadêmico, as escolas estão cada vez mais preocupadas com os alunos que têm dificuldades de aprendizagem, não sabem mais o que fazer com as crianças que não aprendem de acordo com o processo considerado normal e não possuem política de intervenção capaz de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem. Neste contexto, o psicopedagogo institucional, como um profissional qualificado, está apto a trabalhar na área de educação, dando assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para a melhoria das condições do processo ensinoaprendizagem, bem como para prevenção dos problemas de aprendizagem. Por meio de técnicas e métodos próprios, o psicopedagogo possibilita uma intervenção psicopedagógica visando à solução de problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar, está mobilizado na construção de um espaço adequado às condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. Elege a metodologia e/ou a forma de intervenção como o objetivo de facilitar e/ou desobstruir tal processo. O desafio que surgem para o psicopedagogo dentro da instituição escolar relaciona-se de modo significativo. A sua formação pessoal e profissional implicam a configuração de uma identidade própria e singular que seja capaz de reunir qualidades, habilidades e competências de atuação na instituição escolar. A psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o número de crianças com problemas seria bem menor. Para Bossa (2000), o psicopedagogo tem muito o que fazer na escola: Sua intervenção tem um caráter preventivo,sua atuação inclui:
• • • •

orientar os pais; auxiliar os professores e demais profissionais nas questões pedagógicas; colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento em todos os integrantes da instituição e; principalmente socorrer o aluno que esteja sofrendo, qualquer que seja a causa.

São inúmeras as intervenções que o psicopedagogo pode ajudar os alunos quando precisam, e muitas coisas podem atrapalhar uma criança na escola, sem que o professor perceba, e é o que ocorre com as maiorias das crianças com dificuldades de aprendizagens, e às vezes por motivos tão simples de serem resolvidos. Problemas familiares, com os professores, com os colegas de turma, no conteúdo escolar, e muitos outros que acabam por tornar a escola um lugar aversivo, e o que deveria ser um lugar prazeroso. Dentro da escola, a experiência de intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores forem especialistas em suas disciplinas. Não só a sua intervenção junto ao professor é positiva, também com a participação em reuniões de pais, esclarecendo o desenvolvimento dos seus filhos, em conselhos de classe com a avaliação no processo metodológico, na escola como um todo, acompanhando e sugerindo atividades, buscando estratégias e apoio necessário para cada criança com dificuldade. Segundo Bossa (l994, p. 23), [...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem,

usando drogas. de fato. lentidão de raciocínio. abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. e de sua aprendizagem. Vale lembrar o que diz Bossa (1994. seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento do filho é de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico. favorecendo a integração. e para isso é importante que os pais contribuem nesse processo. segundo vimos afirmando. com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito. A família é o primeiro vínculo com a criança e é responsável por grande parte de sua educação. a família tem grande participação nesse fracasso. promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo. sobre o diagnóstico: O diagnóstico é um processo contínuo sempre revisável. separados e mães solteiras. na própria intervenção. Às vezes. Desta forma o psicopedagogo institucional passa a tornar uma ferramenta poderosa no auxílio da aprendizagem.participar da dinâmica da comunidade educativa. e esta entra num processo de dificuldade. prossegue durante todo o trabalho. para tomar conhecimento de informações sobre sua vida orgânica. Sabemos que uma criança só aprende se tem o desejo de aprender. o que temos observado é que as famílias estão meio perdidas. Esses aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento intelectual. muitas vezes não quer enxergar essa criança com dificuldades que muitas vezes está pedindo socorro. quando o fracasso escolar não está associado às desordens neurológicas. simbólico e começa a construir seus saberes. pedindo um abraço. seus anseios. 5 . junto com sua família e no mundo que o cerca. Na realidade atual. e acabam depositando toda a responsabilidade para a escola. 74). diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou. da própria ensinagem. p. sendo que. pais analfabetos. e a escola tendo que desviar de suas devidas funções para poder suprir outras necessidades. Essas famílias acabam transferindo para a criança. e por meio desta aprendizagem ela é inserida no mundo cultural. Percebe-se nos problemas. fazendo com que os professores. É cobrado da criança que esta seja bem sucedida. realizando processos de orientação. é construído pela criança em contato com o social.O PSICOPEDAGOGO E A FAMÍLIA DO EDUCANDO O aprendizado não é adquirido somente na escola. um carinho. É preciso observar que esta atitude investigadora. tem a compreensão das necessidades de aprendizagem de determinado aluno. pais que brigam o tempo todo. cognitiva. Já que no caráter essistencial. social e emocional. e desinteresse. em decorrência disso. a sua carência. Porém quando este desejo não si . Cabe ai o psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. não sabendo lidar com situações novas: pais que trabalham o dia todo fora de casa. por meio de uma entrevista e de uma anammese com essa família. Esse vínculo afetivo é muito importante para o desenvolvimento da criança. Estar atentos no que a família pensa. numa atitude investigadora. o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais. onde a intervenção do psicopedagogo inicia. A família desempenha um papel importante na condução e evolução do problema acima mencionado. falta de atenção. para chamar a atenção para o seu pedido. O psicopedagogo atinge seus objetivos quando. desempregados. até a intervenção. presenciamos gerações cada vez mais dependentes.

em primeiro lugar a apropriação dos principais conceitos de dificuldades de aprendizagem e também o entendimento do papel do psicopedagogo na educação no atual momento histórico. opinando e participando. ao longo desse estágio e ainda dúvidas e incertezas permanecem. problemas que precisam ser resolvidos. Chegamos a este final não isentos de dúvidas e perguntas. ora estão na família ou no ambiente no qual se insere o aluno. pois exerce seu trabalho de forma multidisciplinar numa visão sistêmica. a Psicopedagogia contribui significativamente com todos os envolvidos no processo de aprendizagem. Nesta perspectiva. Tornamos manifestas nossas angústias e. se não conhecermos o ser que si educa e a grande responsabilidade que é de participarmos da sua formação com grandes êxitos. principalmente. Porém. De um lado presenciamos. sem dúvidas. resignifica conteúdos e adotamos novas posturas avaliativas. tais práticas resultam falaciosas e irresponsáveis. ora estão no aluno. seus princípios. O que nos causou admiração é que tanto a escola quanto a família estão distante como se não fizessem parte da mesma relação. onde todos deverão ter “olhar” e sua “escuta” para o sujeito da aprendizagem. Não há como refletirmos sobre este trabalho e buscarmos continuamente agregar valores a nossa formação. 6 . com melhorias relacionados à pobreza e exclusão social. dificuldades. Segundo. Para que o aluno com dificuldades de aprendizagem receba uma educação apropriada as suas necessidades. o desafio do educador do século XXI. A intervenção psicopedagógica si propõe a incluir os pais no processo. e proporcionando as dificuldades de aprendizagem. da adequada formação dos professores e dos agentes educativos. Questionamo-nos.Conclusão Expusemos a visão que tivemos de um percurso. por parte da escola. em equipe. Referências . não existem respostas prontas. possibilitando o acompanhamento do trabalho junto aos professores. sabemos que as dúvidas nos ajudam a caminhar quando procuramos esclarecê-las. Percebemos. Cada situação exige reflexão específica e resposta específica. porque entre o educador e o educando existem barreiras. surge a frustração e a raiva que acabam colocando a criança num estado de menos valia. a vontade e disposição de promover uma discussão mais aprofundada em relação ao papel do psicopedagogo na instituição. seus frutos. tivemos a ousadia de manifestar nossa opinião sobre a psicopedagogia frente às dificuldades dos alunos. Por isso a proposta exposta neste artigo reforça o pensamento que devemos exercer uma prática docente em parceria. Por que desafio? Primeiro. Fazer essa mediação é. através de reuniões. De posse desses referenciais concluímos que a importância da educação é confirmada quando esta contribui com o desenvolvimento social. que os problemas de dificuldades de aprendizagem ora estão no professor. há que ter em conta que o conceito de dificuldade de aprendizagem não implica apenas no reconhecimento do direito que assiste ao educando de freqüentar uma escola regular. pois. porque da mesma forma que não existe lugar para as certezas absolutas.realiza. e isto é de suma importância. caso as práticas educacionais se resumem apenas à sua colocação na escola. Sendo assim os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho. sem nenhum tipo de serviços especiais. diante o estágio na escola. para além dos profissionais e pais. Pesquisar as dificuldades de aprendizagem em um escola pública e identificar a importância do educador nesse processo exigiu-nos.

________________. Fomos maus alunos. A. VYGOTSKY: Aprendizado e desenvolvimento num processo histórico. Campinas: Vozes. BARRY. 2 ed. 1973. Psicopedagogia e Realidade Escolar. Porto Alegre: ARTMED. Nádia. PIAGET. Rio de Janeiro: Sextante. 2000. Pais Brilhantes. LUCKESI. J. Adeus Professor. São Paulo: Cortez. Rubem. exercido sobre o proletariado a partir dos progressos da Revolução Industrial. estado e sociedade. Suas origens denotam a íntima relação entre ambos e a sociedade que a produziu. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. a escola se consolida no compromisso de dotar a burguesia dos meios que justificariam seu poder. Kohl de Oliveira. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. São Paulo: Pioneira. São Paulo: Cortez. em seu processo de ascensão social. No decorrer de todo o século XIX. 1996. SCOZ. 1997. 1990. São Paulo: Papirus. CURY. Wadsworth. 1994. Jean. de forma a refletir sobre a importância de processos educativos como formadores da humanidade e sobre a função do psicopedagogo neste cenário. adeus professora: novas exigências educacionais e docente. A inteligência Aprisionada. BOSSA. 5 ed. FERNANDES. * Trabalho apresentado e avaliado no curso de Psicopedagogia daFaculdade Estadual do Maranhão (UEMA) imprimir esta página O PSICOPEDAGOGO NA SOCIEDADE ATUAL Júlia Eugênia Gonçalves SUMÁRIO: O propósito deste artigo é pensar as relações entre escola. 2004. LIBANÊO. José Carlo. 1994 (Coleção Magistério 2º grau). . MARTA. Professores Fascinantes. 2003. 2003. fruto da Revolução Francesa. Filosofia da Educação. Para onde vai a educação? Rio de Janeiro: Olympio / UNESCO. visto que a burguesia nascente identificava na educação em valor a ser conquistado. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget. Porto Alegre: Artmed.ALVES. Cipriano Carlos. A Escola. enquanto instituição surge com o estado democrático burguês. Alícia. B. 2002. São Paulo: Spcione.

investimentos na formação continuada. construído nos bancos escolares não é mais aceito. já enunciados nos documentos que pautaram o “Plano Decenal de Educação”. este processo sofre algumas mudanças com o advento do estado socialista instaurado após a revolução russa de 1917. . complementando as oportunidades de acesso. traz em seu bojo as seguintes tendências. visto que a educação escolar. na qual um “saber”. •Qualidade educacional. que compõem a didática mais utilizada nas escolas. em inícios do século XIX. pautadas em processos de transmissão e de assimilação de disciplinas isoladas e estanques apresentadas em aulas expositivas. o estado capitalista pós-moderno. Após a 2ª metade deste século. são as “experiências de aprendizagem” que o indivíduo possui. apesar de algumas iniciativas jesuíticas do período colonial. ou seja. prevalência dos processos de aprendizagem sobre os processos de ensino. Estes três aspectos são reflexos das tendências que estão em jogo na sociedade contemporânea. o que se relaciona com programas de valorização do trabalho docente. que marcam o início do século XXI: •Universalização do ensino. não correspondem mais aos anseios e às necessidades de uma sociedade em mudança acelerada e de comunicação constante. A análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 1990-2000. acesso a novas tecnologias etc. que vai alterar profundamente o cenário político europeu e a sociedade da época. As respostas tradicionais da pedagogia. a dicotomia capitalismo/socialismo se acentua com a chamada “guerra fria” e enquanto os segmentos ligados às ideologias marxistas defenderam programas de “educação de base”. No caso do Brasil esta perspectiva também pode ser considerada. como nos diz Hugo Assmann. exige da escola novas posições. pautados no princípio filosófico que associa a educação à possibilidade de ascensão social. igualdade de acesso e permanência na escola. fruto da economia globalizada. Hoje. neste momento. projeto inicial do grande educador brasileiro Darcy Ribeiro. com gestão democrática. as capitalistas desenvolveram programas de “universalização do ensino” e “educação para todos”. estado e sociedade. pois o que é valorizado. somente se consolida entre nós com a vinda da corte. podemos identificar a base ideológica contida nas relações entre escola. reiterando o aspecto funcional da escola a serviço da classe dominante. Durante o século XX. •“Aprender a Aprender”. fruto da filosofia contida no relatório da Unesco sobre a Educação neste século e de toda a veiculação dos pressupostos construtivistas que se tornaram paradigmas educacionais dominantes. a ponto de grandes críticos marxistas a identificarem como um dos “aparelhos ideológicos de estado”.A partir deste vetor de análise.

As novas tecnologias da informação e os novos suportes (Internet. precisa estar inserida no sistema. pelas que se seguem: •Todas as instituições necessitam estar contextualizadas e estabelecer compromissos sociais e. engajar-se num acordo. •Quaisquer ciências sejam as “duras” ou as “moles ou humanas. num verdadeiro pacto social em torno dos processos de aprendizagem que temos que desenvolver para formar cidadãos autônomos e aptos para as exigências que a tecnologia nos traz. não dá conta de responder a todas as perguntas e. como diz Michel Sérres. aquela que lhe interessa. tem uma limitação. na atualidade. A cultura não pode ser mais compreendida como um acúmulo de saber. que tanto podem ser encaradas como perversas ou como utópicas. de identificar no meio do acúmulo incomensurável de informação disponível. As relações educativas não ficam distantes destas situações. vídeo-conferência) causam um profundo impacto sobre a sociedade. No nosso ponto de vista. e as biociências situam os processos cognitivos como processos vitais. •Não há uma relação biunívoca entre ensino/aprendizagem e uma boa pedagogia não se resume num bom ensino. evitando a exclusão social que ela pode. principalmente. ou seja. pois hoje toda filosofia da ciência caminha na direção de compreender o conhecimento como uma aquisição individual. para se relacionar com o estado e a sociedade. por isso. A sociedade globalizada. É preciso adaptar-se às novas mídias. ao mesmo tempo. a escola hoje. construída sobre uma base biológica e relacional. O homem culto. é aquele que tem condições de escolher. como prenunciava Ilich. dentre outras características. estado e sociedade são pautadas por necessidades produtivas. A contemporaneidade tem suscitado questões relevantes para todo ser humano. comprometerse com a diminuição dos índices de repetência e evasão escolar. infinita. necessariamente. No caso da pedagogia. Diante dos desafios da pós-modernidade.Vivemos um momento em que as relações entre escola. a escola muda ou desaparece. é aquele que sabe onde encontrar a informação que necessita e. representar. necessita sempre de uma “meta ciência” que possa lidar com o que ela não consegue explicitar”. Sua proposta de uma “sociedade sem escolas” antecipava a “sociedade aprendente” de hoje. utilizando processadores de informação para garantir a ação educativa. o que se vê é um caminhar no sentido da substituição de saberes pré-fixados. por uma prática da pergunta. apesar de indicar possibilidades de criação de uma cultura universal. pois a velocidade das mudanças paradigmáticas que as ciências apresentam se coloca como . intranet. Tais tendências podem ser expressas. aguça o individualismo e a competição.

A psicopedagogia tem um papel a desempenhar nesta nova escola e deverá ser a nosso ver. O trabalhador de século XI é um “aprendente”. o profissional deve possuir capacidade de liderança e empreendedorismo. para saber o que é. Deve também ser criativo e inovador. Deve ter consciência de seus compromissos sociais e uma ética pautada na solidariedade.um fator que. quando não considerado. o que significa uma mudança radical na prática pedagógica. não significam nada. onde há trabalho. Tais características não são fáceis de serem alcançadas. para saber de si. São também estratégias relacionais. O psicopedagogo tem um papel decisivo na formação deste profissional para o século XXI. pautados numa lógica da diferença e da alteridade. sobretudo. O saber universitário. A fim de poder lidar com as profundas transformações que ocorrem na sociedade. Experiências como as dos “Institutos Politécnicos” com cursos de curta duração têm sido realizadas com êxito em vários países. basicamente. mas falta emprego. empregando novas tecnologias e. se distanciados de atualização constante. Deve ter humildade para compartilhar informações e conhecimentos. para poder ter respostas novas para problemas antigos. o setor que cumpre o papel de velar. qualificando seus docentes como mediadores do conhecimento. lembrando que criar é descobrir o novo no conhecido. para fazer frente às novas necessidades com as quais se depara. precisam ser adaptados e reformulados para atender às necessidades individuais. Os cursos de graduação estão tentando adaptar-se a esta nova realidade. precisa estar com o outro. O homem é. nos quais cada elemento da comunidade escolar possa ser e fazer-se. abrindo espaços de autoria. abandonando corporativismos. na medida em que pode apontar os . sobretudo os de avaliação. necessita de constante atualização. Os processos de ensino/aprendizagem e. considerado até então como uma espécie de “reserva” do conhecimento científico. precisa adaptar-se e situar-se numa perspectiva de produção de novos saberes. para atuar no mercado de trabalho. Necessitam de empenho e dedicação contínuos. no sentido de que. organizar as relações comunicativas. leva o processo pedagógico a uma situação obsoleta. para trabalhar em “time”. As estratégias que se colocam à disposição da escola para o encaminhamento de tais questões são pautadas em processos de educação continuada e de educação à distância utilizando todos os suportes de informação disponíveis. um ser da comunicação. cuidar. A Universidade de hoje forma um profissional que. Experiência e conhecimento acumulado.

Petrópolis.Hermes: uma filosofia da ciência. Neide. o psicopedagogo pode vir a ser o profissional que articula instâncias reguladoras entre os diversos âmbitos da realidade educacional. de forma a que o estado brasileiro cumpra com sua função de velar pela educação em nosso país. múltiplos olhares. acredita sempre no homem. considerando a contribuição que os novos profissionais surgidos no mercado de trabalho. Elevação.Curitiba. 2003. Rio de Janeiro. PINTO. Vozes. A função do psicopedagogo. ou seja. Nas relações entre escola. 1998. Sociedade sem Escola. Por isso. São paulo. Maria Alice leite. de ser um mediador de informações. Psicopedagogia. O Projeto de Lei que regulamenta a profissão de psicopedagogo tramita no Congresso Federal desde 1997. em nossa perspectiva. sem imposições de qualquer natureza.2003.caminhos para que tais metas sejam se não totalmente alcançadas. Seu trabalho é pautado na crença da capacidade humana de aprender e renovar-se continuamente. Psicopedagogo na rede de ensino. precisa ser regulamentada o quanto antes. NOFFS. projetadas. tem fé no humano e não desanima diante de qualquer dificuldade. de forma a que possa desempenhar o papel que lhe cabe neste momento histórico. Graal. desadaptando-se a cada mudança que ocorre no ambiente. pois é um multiespecialista em aprendizagem humana e detém conhecimentos fundamentais para o momento em que vivemos. estado e sociedade. de ser aquele que indica caminhos possíveis para serem trilhados pelo sujeito. pelo menos.diversas faces. Urge que a sociedade se organize em torno desta proposta. pois sabe que todos os seres são dotados da possibilidade de transformar vida em existência. Laura monte Serrat.A psicopedagogia no âmbito da Instituição Escolar. São Paulo. informação em conhecimento. BARBOSA. H.Expoente. Olho DÁgua. A trajetória institucional de seus atores-autores. sua atuação profissional legitimada socialmente. ILICH. sem qualquer tipo de reação normativa. BIBLIOGRAFIA: ASSMANN. Editora Vozes. e todos têm um saber a ser explorado em benefício da sociedade. Por isso. 1990. 1977. Petrópolis. têm a oferecer. Publicado em 28/06/2005 15:27:00 . SERRES M. é a de ser “suporte”.Reencantar a Educação: rumo à sociedade aprendente.2001.

Piaget separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento. Piaget. sendo que nos últimos anos de sua vida centrou seus estudos no pensamento lógico e matemático. procurando entender os mecanismos mentais que o indivíduo utiliza para captar o mundo. Por ainda lhes faltarem certas habilidades. Suiça em 1896 e faleceu em 1980. não somente em grau. do mesmo modo que eram fisicamente maiores.Jean Piaget nasceu em Neuchâtel. aprendida em função da experiência. investigou o processo de construção do conhecimento. Como epistemológico. como em classe. Estudou a evolução do pensamento desde o nascimento até a adolescência. obtida de forma sistemática ou não. concluiu que em muitas questões cruciais as crianças não pensam como os adultos. Para Piaget. a maneira de pensar é diferente. . sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos. A crença da maior parte das sociedades era a de que qualquer diferença entre os processos cognitivos entre crianças e adultos era sobretudo de grau: os adultos eram superiores mentalmente. Até o início do século XX assumia-se que as crianças pensavam e raciocinavam da mesma maneira que os adultos. Piaget. a aprendizagem refere-se à aquisição de uma resposta particular. quando descreve a aprendizagem. a partir da observação cuidadosa de seus próprios filhos e de muitas outras crianças. mas os processos cognitivos básicos eram os mesmos ao longo da vida. Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato. tem um enfoque diferente do que normalmente se atribui à esta palavra.

linguagem. o Operações concretas (7 – 12 anos) e o estádio das operações concretas. Tal esforço. descreve-a. costumes e padrões culturais e sociais) e equilibrarão (processo de auto regulação interna do organismo. A adaptação. o Préoperatória (2 – 7 anos). exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos). Considera ainda que o processo de desenvolvimento é influenciado por factores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos). a partir de diferentes metodologias e pontos de vistas. englobando fases desde o nascimento até o seu mais completo grau de maturidade e estabilidade. em 4 estados. aprendizagem social (aquisição de valores. quando postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança. configurando os estádios de desenvolvimento. como o próprio desenvolvimento da inteligência. que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido). quando definida por Piaget. as condições de . que ele próprio chama de fases de transição essas 4 fases são o Sensório-motor (0 – 2 anos). basicamente. tem culminado na elaboração de várias teorias que procuram reconstituir. conforme mostra a linha evolutiva da Psicologia. AS FASES DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO – PIAGET O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA TEORIA DE PIAGET Márcia Regina Terra* mterra@estadao. ocorre através da assimilação e acomodação. Os esquemas de assimilação vão se modificando.Piaget.com.br Apresentação O estudo do desenvolvimento do ser humano constitui uma área do conhecimento da Psicologia cujas proposições nucleares concentram-se no esforço de compreender o homem em todos os seus aspectos.

a intenção de Piaget não tenha propriamente incluído a idéia de formular uma teoria específica de aprendizagem (La Taille. Coll. o qual. conforme procuraremos discutir na seqüência deste trabalho. curiosamente aliás. portanto. 1992. na medida em que ela busca. é o de que o modelo piagetiano prima pelo rigor científico de sua produção. Rappaport.ambas marcadas pelo antagonismo inconciliável de seus postulados que separam de forma estanque o físico e o psíquico. é tecer algumas considerações referidas ao eixo principal em torno do qual giram as concepções do método psicogenético de Piaget. al.1999. Dentre essas teorias. não foge à regra. a de Jean Piaget (1896-1980). segundo Coll e Gillièron (1987:30). principalmente. Furtado et. são herdadas do dualismo radical de Descartes que propôs a separação estanque entre corpo . que trouxe contribuições práticas importantes. etc. elaborador de conhecimentos válidos". No entanto. 1992. compreender o desenvolvimento do ser humano. O propósito do nosso estudo. ela se destaca de outras pelo seu caráter inovador quando introduz uma 'terceira visão' representada pela linha interacionista que constitui uma tentativa de integrar as posições dicotômicas de duas tendências teóricas que permeiam a Psicologia em geral . que é a referência deste nosso trabalho.muito embora. segundo estudiosos. ampla e consistente ao longo de 70 anos. às visões de duas correntes antagônicas e inconciliáveis que permeiam a Psicologia em geral: o objetivismo e o subjetivismo. 1981.). por sua vez.produção da representação do mundo e de suas vinculações com as visões de mundo e de homem dominantes em cada momento histórico da sociedade. tem como objetivo "compreender como o sujeito se constitui enquanto sujeito cognitivo. como as demais. Um outro ponto importante a ser considerado.o materialismo mecanicista e o idealismo .. ao campo da Educação . conforme mencionamos mais acima. 1) A visão interacionista de Piaget: a relação de interdependência entre o homem e o objeto do conhecimento Introduzindo uma terceira visão teórica representada pela linha interacionista. Ambas as correntes são derivadas de duas grandes vertentes da Filosofia (o idealismo e o materialismo mecanicista) que. as idéias de Piaget contrapõem-se.

Nesse sentido.. a Psicologia objetivista. pois a grande preocupação da teoria é desvendar os mecanismos processuais do pensamento do homem.que o rodeia (Coll. "(. entre físico e psíquico. argumentando que "o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação inata pré-formada no sujeito. Ela é 'um sistema de . id est. em contraste. como procuraremos expor em seguida. 2003. e a Psicologia subjetivista. a primazia do sujeito sobre o objeto (Freitas. Esse processo. portanto. 1992. matemático. equivale à compreensão dos mecanismos envolvidos na formação do pensamento lógico. são reorganizadas pela psique socializada.) a lógica representa para Piaget a forma final do equilíbrio das ações. 1992. Como lembra La Taille (1992:17). 2) O processo de equilibração: a marcha do organismo em busca do pensamento lógico Pode-se dizer que o "sujeito epistêmico" protagoniza o papel central do modelo piagetiano. significando entender com isso que as formas primitivas da mente.). Freitas. existe uma relação de interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. Assim sendo. Piaget formula o conceito de epigênese. mas de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas" (Piaget. 2000:63).e alma. a compreensão dos mecanismos de constituição do conhecimento. Quer dizer. entende que todo conhecimento é anterior à experiência. por sua vez. na concepção de Piaget.físico e social . calcada no substrato psíquico. afirmando que todo conhecimento provém da experiência. reconhecendo. privilegia o dado externo. La Taille. o processo evolutivo da filogenia humana tem uma origem biológica que é ativada pela ação e interação do organismo com o meio ambiente . etc. 1976 apud Freitas 2000:64).. 2000. biologicamente constituídas. ou seja. Considerando insuficientes essas duas posições para explicar o processo evolutivo da filogenia humana. desde o início da sua vida até a idade adulta. se efetua através de um mecanismo auto-regulatório que consiste no processo de equilíbração progressiva do organismo com o meio em que o indivíduo está inserido.

uma vez que para tanto é preciso. esse fato per se não assegura o desencadeamento de fatores que propiciarão o seu desenvolvimento. Piaget focaliza o processo interno dessa construção. Por assim dizer. Quer dizer. ou seja. Procurando soluções para esse problema central. embora essencial. o exercício do raciocínio. de ações que se tornaram reversíveis e passíveis de serem compostas entre si'". Imbricam-se nessa questão. da mesma forma também não é uma condição suficiente ao desenvolvimento cognitivo humano. ao tentar descrever a origem da constituição do pensamento lógico. é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. o desenvolvimento humano. O maior problema. Por sua vez. que é ativado pela ação e interação do organismo com o meio ambiente físico e social (Rappaport. concentrase na busca de respostas pertinentes para uma questão fulcral: "Como os homens constróem o conhecimento?" (La Taille: vídeo). o 'status' da lógica matemática perfaz o enigma básico a ser desvendado. o pensamento lógico não é inato ou tampouco externo ao organismo mas é fundamentalmente construído na interação homem-objeto.). Piaget sustenta que a gênese do conhecimento está no próprio sujeito. Esses fatores que são . haja vista que este só acontecerá a partir da interação do sujeito com o objeto a conhecer. nesse sentido.operações. Tais aspectos deixam à mostra que. a elaboração do pensamento lógico demanda um processo interno de reflexão. Id est. no entanto. no método psicogenético. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são fundantes do processo de constituição da inteligência. a relação com o objeto. ou do pensamento lógico do homem. quer sejam: como é que a lógica passa do nível elementar para o nível superior? Como se dá o processo de elaboração das idéias? Como a elaboração do conhecimento influencia a adaptação à realidade? Etc. op. outras indagações afins. Precipuamente.cit. portanto. naturalmente. Simplificando ao máximo. ainda. o desenvolvimento da filogenia humana se dá através de um mecanismo auto-regulatório que tem como base um 'kit' de condições biológicas (inatas portanto). Está implícito nessa ótica de Piaget que o homem é possuidor de uma estrutura biológica que o possibilita desenvolver o mental. no modelo piagetiano. isto é.

tais como: o processo de maturação do organismo. o equilíbrio é o norte que o organismo almeja mas que paradoxalmente nunca alcança (La Taille. já que é de igual ocorrência para todos os indivíduos da espécie humana mas que pode sofrer variações em função de conteúdos culturais do meio em que o indivíduo está inserido. sendo um elemento que se tranforma no processo de interação com o meio. a equilibração do organismo ao meio. a experiência com objetos. Em síntese. .complementares envolvem mecanismos bastante complexos e intrincados que englobam o entrelaçamento de fatores que são complementares. visando à adaptação do indivíduo ao real que o circunda. Nessa linha de raciocínio. (a) Os fatores invariantes: Piaget postula que.que permanecem constantes ao longo da sua vida. ao nascer. portanto. (b) Os fatores variantes: são representados pelo conceito de esquema que constitui a unidade básica de pensamento e ação estrutural do modelo piagetiano. o 'motor' do comportamento do homem é inerente ao ser. que. a teoria psicogenética deixa à mostra que a inteligência não é herdada.cit. Trata-se de um fenômeno que tem. O conceito de equilibração torna-se especialmente marcante na teoria de Piaget pois ele representa o fundamento que explica todo o processo do desenvolvimento humano. para Piaget. na linha piagetiana. considerase que o indivíduo carrega consigo duas marcas inatas que são a tendência natural à organização e à adaptação. o trabalho de Piaget leva em conta a atuação de 2 elementos básicos ao desenvolvimento humano: os fatores invariantes e os fatores variantes. Em vista disso. sobretudo. mas sim que ela é construída no processo interativo entre o homem e o meio ambiente (físico e social) em que ele estiver inserido. haja vista que no processo de interação podem ocorrer desajustes do meio ambiente que rompem com o estado de equilíbrio do organismo. Essa busca do organismo por novas formas de adaptação envolvem dois mecanismos que apesar de distintos são indissociáveis e que se complementam: a assimilação e a acomodação. significando entender.). a vivência social e. pode-se dizer que. um caráter universal. o indivíduo recebe como herança uma série de estruturas biológicas . São essas estruturas biológicas que irão predispor o surgimento de certas estruturas mentais. Com isso. op.sensoriais e neurológicas . em última instância. eliciando esforços para que a adaptação se restabeleça. em sua essência.

) É muito difícil. por sua vez. imaginar uma situação em que possa ocorrer assimilação sem acomodação. portanto. Como o processo de assimilação representa sempre uma tentativa de integração de aspectos experienciais aos esquemas previamente estruturados. vídeo). ao entrar em contato com o objeto do conhecimento o indivíduo busca retirar dele as informações que lhe interessam deixando outras que não lhe são tão importantes (La Taille. os processos de assimilação e acomodação são complementares e acham-se presentes durante toda a vida do indivíduo e permitem um estado de adaptação intelectual (. como o elemento complementar das interações sujeitoobjeto.(a) A assimilação consiste na tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento específico da sua existência.cit. gerando um processo de acomodação. a acomodação representa "o momento da ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas. pois dificilmente um objeto é igual a outro já conhecido. se não impossível. consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. op. ou uma situação é exatamente igual a outra. tendo que se adaptar a ela.. Tal processo pode ser representado pelo seguinte quadro: equilibração majorante ambiente è desequilíbrio è assimilação adaptação í î è acomodação . Como observa Rappaport (1981:56). consequentemente. (b) A acomodação.. Vê-se nessa idéia de "equilibração" de Piaget a marca da sua formação como Biólogo que o levou a traçar um paralelo entre a evolução biológica da espécie e as construções cognitivas. toda experiência é assimilada a uma estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo provocar uma transformação nesses esquemas. ou seja. visando sempre a restabelecer a equilibração do organismo. Em síntese. Representa um processo contínuo na medida em que o indivíduo está em constante atividade de interpretação da realidade que o rodeia e.:65) emergindo. Quer dizer.

o conceito de equilibração sugere algo móvel e dinâmico. deixa ver que é no contato com o mundo que a matéria bruta do conhecimento é 'arrecadada'. na medida em que toda experiência leva em graus diferentes a um processo de assimilação e acomodação. id est. É bom considerar. a concepção do desenvolvimento humano. é necessário que se estabeleça um conflito cognitivo que demande um esforço do indivíduo para superá-lo a fim de que o equilíbrio do organismo seja restabelecido.). As fases do desenvolvimento infantil segundo Piaget Cada uma dessas fases é caracterizada por formas diferentes de organização mental que possibilitam as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a realidade que o . esse processo de transformação vai depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e assimilar as suas interações com o meio. isso porque a visada conquista da equilibração do organismo reflete as elaborações possibilitadas pelos níveis de desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos diversos estágios da sua vida. trata-se de entender que o mundo das idéias. que. para Piaget. como destacaremos na próxima seção deste trabalho. pois que é no processo de construções sucessivas resultantes da relação sujeito-objeto que o indivíduo vai formar o pensamento lógico. ainda. os modos de relacionamento com a realidade são divididos em 4 períodos. Em última instância. No entanto. é um mundo inferencial. A esse respeito. na linha piagetiana.Dessa perspectiva. Haja vista que o "objeto nunca se deixa compreender totalmente" (La Taille. da cognição.cit. e assim sucessivamente. Para avançar no desenvolvimento é preciso que o ambiente promova condições para transformações cognitivas. na medida em que a constituição do conhecimento coloca o indivíduo frente a conflitos cognitivos constantes que movimentam o organismo no sentido de resolvê-los. o processo de equilibração pode ser definido como um mecanismo de organização de estruturas cognitivas em um sistema coerente que visa a levar o indivíduo a construção de uma forma de adaptação à realidade. op.

Preferências afetivas . Piaget usa a expressão "a passagem do caos ao cosmo" para traduzir o que o estudo sobre a construção do real descreve e explica. 1987). Abordaremos. as funções mentais limitam-se ao exercício dos aparelhos reflexos inatos. Por isso mesmo é que "a divisão nessas faixas etárias é uma referência.Desenvolvimento da percepção . conforme lembra Furtado (op. porém o início e o término de cada uma delas pode sofrer variações em função das características da estrutura biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulos proporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido. tempo. todos os indivíduos vivenciam essas 4 fases na mesma seqüência.Período Sensório-Motor (0 a 2 anos) . agente e paciente dos eventos que nele ocorrem" (id ibid). entre os quais situa a si mesma como um objeto específico.Noção de permanência do objeto . espaço. e não uma norma rígida". De uma forma geral.). portanto. 1 . o movimento dos olhos. a seguir. o universo que circunda a criança é conquistado mediante a percepção e os movimentos (como a sucção. causalidade objetivados e solidários.Aquisição da linguagem até a construção de frases simples .Aprendizagem da coordenação motora elementar . por exemplo). Progressivamente. De acordo com a tese piagetiana. em uma forma de onipotência" (id ibid). (a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): segundo La Taille (2003). a criança vai aperfeiçoando tais movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor já se concebendo dentro de um cosmo "com objetos. sem entrar em uma descrição detalhada. as principais características de cada um desses períodos. e causalidade reduzida ao poder das ações.Início da compreensão de regras .cit. Assim sendo. com tempo e espaço subjetivamente sentidos. "a criança nasce em um universo para ela caótico.rodeia (Coll e Gillièron. habitado por objetos evanescentes (que desapareceriam uma vez fora do campo da percepção). No recém nascido.

ou seja. conforme salienta Rappaport (op. sugerindo. paradoxalmente. Furtado. Nessa concepção. pelo egocentrismo.).cit.(b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para Piaget. ainda. pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva que não é dado pela linguagem.cit. o egocentrismo característico desta fase do desenvolvimento..). afetivos e sociais da criança. portanto. principalmente.cit.cit. a emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspectos cognitivos. Em uma palavra. é a emergência da linguagem. nessa faixa etária. a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica. etc. é atribuída. uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual não faça parte.. uma vez que ela possibilita as interações interindividuais e fornece. o que marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica. 2 . ele caracteriza-se. lembro-me muito bem que me chamava à atenção o fato de. a capacidade de trabalhar com representações para atribuir significados à realidade. em grande parte. que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do desenvolvimento. Tanto é assim.Período Pré-Operatório (2 a 7 anos) . Todavia. op. Para citar um exemplo pessoal relacionado à questão. op. conforme alerta La Taille (1992). conforme demonstram as pesquisas psicogenéticas (La Taille. embora o alcance do pensamento apresente transformações importantes. que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron. às possibilidades de contatos interindividuais fornecidos pela linguagem. Na linha piagetiana.). Contudo. devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica. embora a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas sensoriaismotores na fase anterior) ela apresentará. isso implica entender que o desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência. Assim. o meu filho dizer coisas do tipo "o meu carro do meu pai". neste estágio. a linguagem é considerada como uma condição necessária mas não suficiente ao desenvolvimento.Domínio da linguagem . op. um entendimento da realidade desequilibrado (em função da ausência de esquemas conceituais). desse modo.

Além disso.. op.). nesta fase. ou seja. limitação em se colocar no lugar dos outros . de diâmetro menor)". os objetos são percebidos como tendo intenções de afetar a vida da criança e dos outros seres humanos. tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem. por exemplo. a ausência de conservação da quantidade quando se transvaza o conteúdo de um copo A para outro B.. i.Brincadeiras individualizadas. conforme pontua La Taille (1992:17) se no período pré-operatório a criança ainda não havia adquirido a capacidade de reversibilidade. finalismo e antropocentrismo/egocentrismo. sem precisar medi-las usando a ação física). entre várias. embora a criança consiga raciocinar de forma coerente. a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta.Número. isto é.Período das Operações Concretas (7 a 11 ou 12 anos) . conservação de massa e noção de volume . 3 . "a capacidade de pensar simultaneamente o estado inicial e o estado final de alguma transformação efetuada sobre os objetos (por exemplo. Contudo.Possibilidade da moral da obediência. qual é a vareta maior. tal reversibilidade será construída ao longo dos estágios operatório concreto e formal.Coordenação motora fina. que o certo e o errado é aquilo que dizem os adultos. ela será capaz de responder acertadamente comparando-as mediante a ação mental. ou seja. . Um outro aspecto importante neste estágio refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de interiorizar as ações. 12 anos): neste período o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem ) e de integrá-los de modo lógico e coerente (Rappaport. (c) Período das operações concretas (7 a 11.Animismo. . isto é. ela começa a realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da inteligência sensório-motor (se lhe perguntarem.e.cit.Início da capacidade de utilizar a lógica .

:74) a criança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais e contrói os seus próprios (adquirindo. mas não na aquisição de novos modos de funcionamento mental". autonomia)". . a partir do ápice adquirido na adolescência. no fim do período mais concentrada no mesmo sexo).ex.Julgamento moral próprio que considera as intenções e não só o resultado (p. Isso não quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas. jogos em equipe. o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio. ou seja.Auto-análise.Planejamento das ações . gramática. capacidade de compreender e se lembrar de fatos históricos e geográficos .:63). ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior. possibilidade de compreensão dos próprios erros .cit. já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. Menos peso à opinião dos adultos.cit. De acordo com a tese piagetiana. 2001a:148). portanto.Compreensão do ponto-de-vista e necessidades dos outros . a partir da seguinte reflexão: resultados de pesquisas* têm indicado que adultos "poucoletrados/escolarizados" apresentam modo de funcionamento cognitivo "balizado pelas informações provenientes de dados perceptuais. "esta será a forma predominante de raciocínio utilizada pelo adulto. como enfatiza Rappaport (op. do contexto concreto e da experiência pessoal" (Oliveira. ele consegue alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta.Coordenação de atividades. Seu desenvolvimento posterior consistirá numa ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade. De acordo com os pressupostos da teoria de Piaget. perdoar se foi “sem querer”). Cabe-nos problematizar as considerações anteriores de Rappaport. conforme aponta Rappaport (op.. formação de turmas de amigos (no início de ambos os sexos. Com isso. (d) Período das operações formais (12 anos em diante): nesta fase a criança. ao atingir esta fase.Operações matemáticas. tais .

Quer dizer. haja vista que as relações entre moral x inteligência têm a mesma lógica atribuída às relações inteligência x linguagem. Para Piaget (1977 apud La Taille 1992:21). vale ressaltar.adultos estariam. a própria moral pressupõe inteligência. porém não suficiente ao desenvolvimento da moral. Para Piaget. a inteligência é uma condição necessária. ou seja. de acordo com a respectiva teoria. 10 anos de idade). Piaget argumenta que o desenvolvimento da moral abrange 3 fases: (a) anomia (crianças até 5 anos). corresponde ao último estágio do desenvolvimento da moral. no estágio operatório-concreto. em que há a legitimação das regras e a criança pensa a moral pela reciprocidade. as regras não correpondem a um acordo mútuo firmado entre os jogadores. ainda. o estágio final do desenvolvimento que caracteriza o funcionamento do adulto (lógico-formal). em que a moral não se coloca. portanto. retomando a nossa discussão. imutável.aliás. para Piaget. ou seja. em 3 . de acordo com os estágios do desenvolvimento humano. que. a capacidade de desenvolver "novos modos de funcionamento mental"? . sendo que cada um deles consegue conceber a si próprio como possível 'legislador' em regime de cooperação entre todos os membros do grupo. ou seja. de dever. Nesse sentido. em que a moral é = a autoridade. ainda. não teriam alcançado. "toda moral consiste num sistema de regras e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por estas regras". a moralidade implica pensar o racional. podem ser modificadas consensualmente entre os jogadores. quer seja o respeito a regras é entendido como decorrente de acordos mútuos entre os jogadores. ainda. de acordo com a teoria. adquirir condições de ampliar e aprofundar conhecimentos (lógico-formal) se não lhes é reservada. porém o indivíduo ainda não está mobilizado pelas relações bem x mal e sim pelo sentido de hábito. portanto. não dependeria do desenvolvimento da estrutura cognitiva a capacidade de desenvolver o pensamento descontextualizado? Bem. apesar de herdadas culturalmente. sendo que o dever de 'respeitá-las' implica a moral por envolver questões de justiça e honestidade. mas sim como algo imposto pela tradição e. (c) autonomia. as regras são seguidas. Como é que tais adultos (operatório-concreto) poderiam. Assim sendo. Isso porque Piaget entende que nos jogos coletivos as relações interindividuais são regidas por normas que. (b) heteronomia (crianças até 9. existe um desenvolvimento da moral que ocorre por etapas.

relações de coação . estimuladas pelo grupo de amigos .Abstração matemática (x. infinito) . 21). não precisaria de polícia. mas não condição suficiente.Reflexão existencial (Quem sou eu? O que eu quero da minha vida?) . envolvendo não apenas a noção de 'dever' mas a de 'querer' fazer.Crítica dos valores morais e sociais .que corresponde à noção de dever.Criatividade para trabalhar com hipóteses impossíveis ou irreais (se não existe gravidade.Moral própria baseada na moral do grupo de amigos . que uma das peculiaridades do modelo piagetiano consiste em que o papel das relações interindividuais no processo evolutivo do homem é focalizado sob a perspectiva da ética (La Taille. por exemplo).Experiência de coisas novas. Possibilidade de dedicação para transformar o mundo. como funcionaria o elevador? Se as pessoas não fossem tão egoístas. raiz quadrada.Desenvolvimento da sexualidade 4) As conseqüências do modelo piagetiano para a ação pedagógica . por sua vez. portanto. e de cooperação . pois uma postura ética deverá completar o quadro" (idem p. 4 . permitindo entender de onde são derivados os princípios das regras a serem seguidas.Formação de conceitos abstratos (liberdade. por exemplo). c) valores: que dão respostas aos deveres e aos sentidos da vida. Assim sendo.dimensões: a) regras: que são formulações verbais concretas. Vemos.que pressupõe a noção de articulação de operações de dois ou mais sujeitos. Isso implica entender que "o desenvolvimento cognitivo é condição necessária ao pleno exercício da cooperação. . explícitas (como os 10 Mandamentos.). justiça) .Período das Operações Formais (11-12 anos em adiante) . b) princípios: que representam o espírito das regras (amaivos uns aos outros. as relações interindividuais que são regidas por regras envolvem. 1992).

exigindo um alto grau de especialização e de prudência profissional. na Europa e no Brasil. que a aplicação educacional da teoria genética tem como fatores complicadores. o modelo piagetiano. nos USA. inclusive. no entanto os resultados práticos obtidos com tais aplicações não podem ser considerados tão frutíferos. d) a idéia básica do construtivismo postulando que a atividade de organização e planificação da aquisição de conhecimentos estão à cargo do aluno acaba por não dar conta de explicar o caráter da intervenção por parte do professor. Uma das razões da difícil penetração da teoria genética no âmbito da escola deve-se. dessa forma. . ele [Piaget] nunca participou diretamente nem coordenou uma pesquisa com objetivos pedagógicos".Como já foi mencionado na apresentação deste trabalho. c) a parte social da escola fica prejudicada uma vez que o raciocínio por trás da argumentação de que a criança vai atingir o estágio operatório secundariza a noção do desenvolvimento do pensamento crítico. 174).) ressalta. Coll (op. entre outros: a) as dificuldades de ordem técnica. por exemplo. o objeto a conhecer não deve estar nem além nem aquém da capacidade do aprendiz conhecedor. portanto. De acordo com Coll (op. veio a se tornar uma das mais importantes diretrizes no campo da aprendizagem escolar. A esse respeito. ao caráter fundamental de transmissão do saber acumulado culturalmente que é uma função da instituição escolar. por ser esta de caráter preeminentemente político-metodológico e não técnico como tradicionalmente se procurou incutir nas idéias da sociedade. principalmente.cit. "ao difícil entendimento do seu conteúdo conceitual como pelos método de análise formalizante que utiliza e pelo estilo às vezes 'hermético' que caracteriza as publicações de Piaget" (idem p. contrapondo-se. metodológicas e teóricas no uso de provas operatórias como instrumento de diagnóstico psicopedagógico. Não obstante esse fato. e) a idéia de que o indivíduo apropria os conteúdos em conformidade com o desenvolvimento das suas estruturas cognitivas estabelece o desafio da descoberta do "grau ótimo de desequilíbrio". também. ou seja. a fim de se evitar os riscos de sérios erros. de forma contraditória aos interesses previstos. Coll (1992:172) faz a seguinte observação: "ao que se sabe.cit. a teoria psicogenética de Piaget não tinha como objetivo principal propor uma teoria de aprendizagem. curiosamente. b) a predominância no "como" ensinar coloca o objetivo do "o quê" ensinar em segundo plano.) as tentativas de aplicação da teoria genética no campo da aprendizagem são numerosas e variadas. segundo o autor.

como contribuições contundentes da teoria psicogenética podem ser citados. Em face às discussões apresentadas no decorrer do trabalho. pode-se considerar que a teoria psicogenética trouxe contribuições importantes ao campo da aprendizagem escolar. apesar dos complicadores decorrentes da "dicotomia entre os aspectos estruturais e os aspectos funcionais da explicação genética" (idem. Considerações finais A referência deste nosso estudo foi a teoria de Piaget cujas proposições nucleares dão conta de que a compreensão do desenvolvimento humano equivale à compreensão de como se dá o processo de constituição do pensamento lógico-formal. c) uma outra contribuição importante do enfoque psicogenético foi lançar luz à questão dos diferentes estilos individuais de aprendizagem. os erros passam a ser entendidos como estratégias usadas pelo aluno na sua tentativa de aprendizagem de novos conhecimentos (PCN. Em resumo. envolve mecanismos complexos e intrincados que englobam aspectos que se entrelaçam e se complementam. b) em oposição às visões de teorias behavioristas que consideravam o erro como interferências negativas no processo de aprendizagem. por exemplo: a) a possibilidade de estabelecer objetivos educacionais uma vez que a teoria fornece parâmetros importantes sobre o 'processo de pensamento da criança' relacionados aos estádios do desenvolvimento. a equilibração do organismo ao meio. a vivência social e. cremos ser lícito concluir que as idéias de Piaget representam um salto qualitativo na compreensão do desenvolvimento humano. Paradoxalmente. um reducionismo psicologizante em detrimento ao social (aliás. Tal processo. p. (PCN. matemático. 1998). tais como: o processo de maturação do organismo. 5. contudo . na medida em que é evidenciada uma tentativa de integração entre o sujeito e o mundo que o circunda. conforme aponta Coll (1992).Por outro lado. motivo de caloroso debate entre acadêmicos *). as relações entre teoria psicogenética x educação. que é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer. dentro da concepção cognitivista da teoria psicogenética. sobretudo. 192) e da tendência dos projetos privilegiarem. entre outros.no que pese a . a experiência com objetos. em grande parte. 1998).

ao contrário. o ambiente social. vai formando uma visão desse mundo através da interação com adultos ou crianças mais experientes. não se pode aceitar uma visão única. Há.o papel do meio no funcionamento do indivíduo é relegado a um plano secundário. uma vez que permanece. postula que o desenvolvimento segue uma seqüência fixa e universal de estágios. Vygotsky. a predominância do indivíduo em detrimento das influências que o meio exerce na construção do seu conhecimento. grandes diferenças na maneira de conceber o processo de desenvolvimento. objetiva. no entanto. ainda. ao longo do desenvolvimento. A construção do real é. PIAGET E VYGOTSKY . são as seguintes: A) QUANTO AO PAPEL DOS FATORES INTERNOS E EXTERNOS NO DESENVOLVIMENTO Piaget privilegia a maturação biológica. progressivamente. Com isso. ele minimiza o papel da interação social. Piaget. em resumo.Diferenças e semelhanças Do que foi visto. Neste sentido. de desenvolvimento humano. por aceitar que os fatores internos preponderam sobre os externos. de acordo com o estágio de desenvolvimento em que esta se encontra. então. universal. desde o nascimento. quanto mais aprendizagem. aproximando-se da concepção dos adultos: torna-se socializada. mais desenvolvimento. postula que desenvolvimento e aprendizagem são processos que se influenciam reciprocamente. Vygotsky. procede-se do social para o individual. é possível afirmar que tanto Piaget como Vygotsky concebem a criança como um ser ativo. Em seu entender a criança já nasce num mundo social e. C) QUANTO AO PAPEL DA APRENDIZAGEM Piaget acredita que a aprendizagem subordina-se ao desenvolvimento e tem pouco impacto sobre ele. ao salientar o ambiente social em que a criança nasceu. D) QUANTO AO PAPEL DA LINGUAGEM NO DESENVOLVIMENTO E Á RELAÇÃO ENTRE LINGUAGEM E PENSAMENTO . Desta forma. As principais delas. B) QUANTO À CONSTRUÇÃO REAL Piaget acredita que os conhecimentos são elaborados espontaneamente pela criança. Vygotsky discorda de que a construção do conhecimento proceda do individual para o social. A visão particular e peculiar (egocêntrica) que as crianças mantêm sobre o mundo vai. mediada pelo interpessoal antes de ser internalizada pela criança. o desenvolvimento também variará.rejeição de Piaget pelo antagonismo das tendências objetivista e subjetivista . que constantemente cria hipóteses sobre o seu ambiente. reconhece que. atento. Vygotsky. em se variando esse ambiente. de modo que.

testados pelos meios científicos. o uso da memória e o planejamento da ação. diferentemente daquilo que Piaget postula. Este é o caso das operações cognitivas que não podem ser trabalhadas por meio de treinamento específico feito com o auxílio da linguagem. ou seja. reconhecido pelos estudiosos sobre a formação de conceitos. A linguagem possibilita à criança evocar um objeto ou acontecimento ausente na comunicação de conceitos.Aproximadamente aos 4 anos de idade. a sua Zona de Desenvolvimento Proximal será ampliada. isto é. Síntese das idéias da Vygotsky Para Vygotsky.Piaget. esta é a zona de desenvolvimento real nossa. apenas usando palavras. Por exemplo. Os conceitos são construídos no processo histórico e o cérebro humano é resultado da evolução. são aqueles que não passaram pelo crivo da ciência. da coordenação dos esquemas sensorimotores e não da linguagem. a mente vai sendo substituída historicamente pala pessoa. ainda psicológicos evolui em fases e a escrita acompanha. Para os outros 70. Todos temos uma zona de desenvolvimento real. Já para Vygotsky. que pode ser Unigráfica: semelhante ao desenho anterior. ela faz um risco grande. através de símbolos criados pela cultura. todavia. È a Dialética. A linguagem representa a cultura e depende do intercâmbio social. possibilita o aparecimento da imaginação.aproximadamente. mas mais bem elaborado. Vamos imaginar que numa escala de zero a 100. composta por conceitos que já dominamos. basicamente. Vygotsky chama de ZONA de DESENVOLVIMENTO PROXIMAL. Os conceitos científicos são formais. três anos de idade escreve o nome da mãe ou do pai. em transformação. reorganizando os processos que nele estão em andamento. sistematiza a experiência direta das crianças e por isso adquire uma função central no desenvolvimento cognitivo.O 1º é o dos Conceitos Sincréticos. Em todas as culturas. a seriar. praticando a Escrita Indecifrável. estamos no 30. também chamados de senso comum. pois. a classificar. Pessoas de diferentes culturas têm diferentes perfis psicológicos. Letras Inventadas: não é . os símbolos culturais fazem a mediação. pensamento e linguagem são processos interdependentes. A formação do pensamento depende.Segundo Piaget. subordinando-se. o início de tudo e tem vários significados. porque estamos sempre adquirindo conceitos novos. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais superiores: ela dá uma forma definida ao pensamento. que apenas é uma das suas formas de expressão. Neste sentido. As funções psicológicas de uma pessoa são desenvolvidas ao longo do tempo e mediadas pelo social. sistematizados. ou seja. a criança entra numa nova fase. se a mãe é baixa. aos processos de pensamento. a Escrita Pré-silábica. Uma criança de. a pensar com responsabilidade. é polissêmica. Os conceitos são construídos e internalizados de maneira não linear e diferente para cada pessoa. Trabalha com a idéia de zonas de desenvolvimento. não se pode ensinar. desde o início da vida. estabeleceu uma clara separação entre as informações que podem ser passadas por meio da linguagem e os processos que não parecem sofrer qualquer influência dela. ela risca algo pequeno.Toda abordagem é feita de maneira de maneira holística (ampla) e o cotidiano é sempre em movimento. o pensamento aparece antes da linguagem. organizados. Vygotsky desenvolveu um grande trabalho.A palavra é o microcosmo. Estabelece três estágios na aquisição desses conceitos. Os conceitos espontâneos ou do cotidiano. a linguagem.Esta só pode ocorrer depois que a criança já alcançou um determinado nível de habilidades mentais. que é sujeito do seu conhecimento. sendo o nosso potencial. se o pai é alto. Determina a maneira de pensar. que em geral são transmitidos pela escola e que aos poucos vão sendo incorporados ao senso comum. a cultura molda o psicológico. Se uma pessoa chega ao 100.

Com aproximadamente 5 anos. Há mudanças no sujeito e tem início o processo de acomodação. de voltar ao equilíbrio.Somente com o hábito de ler e escrever que esses erros vão sendo corrigidos. diálogo.possível ser entendido. Erro na teoria Piagetiana Se uma pessoa erra e continua errando. que aos poucos chega à organização interna. Trabalha com hipóteses. uma das três situações está ocorrendo: Se a pessoa não tem estrutura suficiente para compreender determinado conhecimento. deve fazer a mediação. a pessoa conhece números e letras. estágios etc. clima. O processo começa com a assimilação do elemento novo. Nesse instante o erro deve ser trabalhado. Com mais ou menos 6 anos de idade. não separa vogais e consoantes. mas apresenta evolução em relação à fase anterior. faltam letras. considera que as fases iniciais já foram eliminadas. Considera a Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky. Sobre educação de adultos. aceitando a problematização. a criança entra na fase da Escrita Alfabética: já conhece o valor sonoro das letras. • Se a pessoa possui estruturas em formação.Ferreiro aconselha não corrigir a escrita da criança durante as primeiras fases. • . períodos. No desenvolvimento. a lei de equilíbrio e desequilíbrio de Piaget e a internalização do conhecimento. com visão de processo. Teoria Piagetiana A Psicologia de Piaget está fundamentada na idéia de equilibração e desequilibração. a Escrita Silábica Alfabética. ela não tem estrutura e depois vai adquirindo aos poucos. Piaget trabalhou o desenvolvimento humano em etapas. o professor deve trabalhar com a idéia de que o erro é construtivo. a criança entra na fase da Escrita Silábica. Letras Convencionais: jogadas aleatoriamente sem obedecer a nenhuma seqüência lógica de escrita. Começa a adaptação externa do sujeito e a internalização já aconteceu. No início. Neste momento a escrita é caótica. dentro da visão Dialética holística. EX: não se deve ensinar conhecimentos abstratos. faz uma mistura e às vezes só maiúsculas ou só minúsculas. ajudando o aluno a superar as dificuldades. porque é impossível criar estruturas necessárias. teorias complicadas para uma criança que ainda não atingiu a faixa etária esperada. dúvida etc. com a incorporação às estruturas já esquematizadas. Quando uma pessoa entra em contato com um novo conhecimento. no processo endógeno. curiosidade. aos 4 ou 5 anos. O movimento é dialético (de movimento constante) e o domínio afetivo acompanha sempre o cognitivo (habilidades intelectuais). que se encontra no período das operações concretas. através da interação. quando as letras convencionais representam sílabas. a criança entra em outra fase. mas ainda erra. porque não pertence a nenhum sistema de signo. há naquele momento um desequilíbrio e surge a necessidade. no contexto. porque mesmo sendo analfabeta. deve-se criar um ambiente melhor de trabalho. porque a criança está adquirindo as estruturas necessárias. Um novo desequilíbrio volta a acontecer e pode ser provocada por carência.

ou seja. Gesell. Sua teoria é a de que a hereditariedade promove o desenvolvimento em uma seqüência pré-ordenada. Todos acreditam que há estágios ou períodos de desenvolvimento. Já Arnold Gesell.Jean Piaget foi um psicólogo suíço que pode ser chamado de interacionista. enquanto os cronogramas de Gesell sobre o desenvolvimento do comportamento ainda são usados como ferramentas clínicas e de diagnóstico por pediatras especializados no desenvolvimento. Em muitos casos quem deve mudar os seus procedimentos é o professor • Por Renata Gonçalves Desenvolvimento cognitivo e social de um recém-nascido por Michael Meyerhoff. .Se a pessoa possui estruturas e não aprende. um pediatra americano que conduziu suas pesquisas no Yale Child Study Center (Centro para Estudo Infantil da Universidade de Yale). mas cada um enfatiza uma abordagem diferente para o estudo dos padrões de aprendizagem e pensamento de uma criança. isso é só um apanhado geral. mais capazes eles serão para escolher.traduzido por HowStuffWorks Brasil Teorias do desenvolvimento cognitivo Não há um único conjunto de instruções aos pais que assegure resultados perfeitos quando seguido à risca. as que acreditam que funcionarão para eles e serão compatíveis com seus temperamentos e estilos de vida. A opinião dos especialistas no desenvolvimento cognitivo Um único artigo como este não pode cobrir todo o trabalho que já foi feito sobre a cognição. Ed. Embora estejam em pólos opostos. ambos possuem fatos registrados úteis para os pais e profissionais na hora de fazer observações importantes sobre o comportamento da criança. Piaget e Gesell . Nesta página. o que torna impossível e não inteligente tentar seguir somente um método de educação infantil.D. Erikson e Spock. Isso não significa que os pais não devem se interessar pelas descobertas dos pesquisadores dessa área. . sua teoria declara que o desenvolvimento intelectual é resultado de um intercâmbio dinâmico e ativo entre uma criança e seu ambiente. Ambos contribuíram muito para os conhecimentos sobre o desenvolvimento de bebês e crianças. como uma espécie de cronograma. pode ser chamado de maturacionista. Inúmeras variações e experiências humanas que não fazem parte de qualquer teoria em particular integram as ações dos pais. vamos fornecer um esboço geral das teorias de desenvolvimento cognitivo ensinadas pelos quatro especialistas. entre as muitas atitudes e pontos de vista dos especialistas. Mas lembre-se. As contribuições de Piaget para a teoria da aprendizagem ajudaram a formar muitos programas educacionais em nossas escolas. O texto a seguir tenta lhe dar um apanhado geral sobre as premissas básicas dos quatro principais teóricos: Piaget. com algumas diferenças individuais. Quanto mais informados os pais estiverem. os procedimentos estão errados. O professor fará intervenção para que o aluno tome consciência do erro.

por exemplo. Enquanto Piaget e Gesell enfatizam o desenvolvimento motor e intelectual. por exemplo. Mesmo o comportamento não-verbal.Erikson e Spock . para alguém capaz de organizar as atividades sensório-motoras em resposta ao ambiente. Adolescentes. No entanto. lugares e pessoas. Os 4 estágios teóricos do desenvolvimento de Piaget . teóricos do desenvolvimento de uma criança: sensório-motor. Os símbolos. Piaget acredita que cada estágio do desenvolvimento ocorre como resultado da interação entre a maturação e o ambiente. 1.ela chegou no estágio operacional formal (acima dos 12 anos). No ponto de vista de Piaget. o desenvolvimento do conhecimento é um processo ativo e depende da interação entre a criança e o ambiente. Gesell vê a maturação seguindo um cronograma herdado em que as habilidades e capacidades emergem em uma seqüência pré-definida. são sensações visuais.neste estágio (dos 2 aos 7 anos). devido ao fato de que o bebê e a criança estarem sujeitos a forças do crescimento previsíveis. sonoros ou de toque invocadas internamente. pré-operacional. Ele descreve quatro campos . ou estágios. ao contrário do psicólogo suíço. ou para sair de perto de um estranho assustador. 2. imagens que representam algum objeto ou pessoa. Ela começa a usar símbolos para representar objetos. é ilógico e totalmente concentrado em si próprio. Pré-operacional . eles diferem de Piaget e Gesell ao realçar a importância das diferenças individuais entre as crianças. Operacional concreto . um psicanalista infantil do Institute of Child Welfare (Instituto do Bem-estar da Criança) na Califórnia. o movimento cada vez mais dá lugar ao pensamento e o aprendizado continua a ser um processo interativo. em seu ponto de vista. até o ponto em que é adaptativo. podem ser discutidos juntos. Os quatro estágios são muito diferentes uns dos outros. Como um interacionista. cada um revela uma maneira diferente na qual um indivíduo reage ao seu ambiente. de acordo com os padrões de um adulto. é inteligente. e Benjamin Spock. A partir da infância. Operacional formal . Embora eles também pensem no desenvolvimento em termos de estágios ou períodos. A criança não possui um conjunto prédefinido de habilidades mentais e nem é um recipiente passivo de estímulos do ambiente. Gesell tira a ênfase das diferenças individuais entre crianças e realça a importância da maturação. a criança começa a ganhar a capacidade de pensar de maneira lógica e entender os conceitos que usa ao lidar com o ambiente ao seu redor. Um bebê gradativamente vai se tornando mais organizado e suas atividades ficam menos aleatórias. uma criança age de acordo com sua visão do mundo. produtos finais previsíveis de um processo de desenvolvimento total que funciona em uma seqüência específica.assim como Piaget. Sensório-motor . Erikson e Spock estão mais interessados no desenvolvimento emocional da criança. o mestre dos pediatras americanos.Piaget descreve quatro períodos. A teoria da maturação de Gesell . Através de cada encontro com o ambiente. quando começa a pensar em termos abstratos e concretos.Erik Erikson. Gesell acredita que. Ele também acredita que a inteligência ou o comportamento inteligente é a habilidade de se adaptar. a criança se transforma de uma criatura que responde na maior parte das vezes com reflexos. os padrões de comportamento resultantes não são subprodutos estranhos ou acidentais. 4. operacional concreto e operacional formal. Esses períodos já criaram uma grande quantidade de pesquisas. usando um sistema de símbolos para representar o que ela vê em seu ambiente.no estágio operacional concreto (de 7 a 11 anos). a maioria das quais apoiou as conclusões de Piaget sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças. podem discutir tanto problemas teóricos como reais.neste estágio (do nascimento aos 2 anos de idade). Esses padrões são. 3. como para alcançar um brinquedo. ele progride de um estágio de reflexo para o estágio do aprendizado via tentativa e erro e solução de problemas simples. Nas brincadeiras. o pensamento de uma criança.

para permitir pegar pequenos objetos. 3. eles diferem de Piaget e Gesell ao realçar a importância das diferenças individuais entre as crianças. Fala sem fazer sons infantis e pode contar uma história longa e algumas piadas simples. ele descreve os seguintes pontos de referência: • No primeiro trimestre do primeiro ano de vida (16 primeiras semanas). o recémnascido ganha o controle sobre os músculos e nervos da face (envolvidos na visão. paladar. e começa a desenvolver um sentido de identidade pessoal e de posse. em que a criança ganha liberdade considerável. Em um resumo do desenvolvimento comportamental. • No segundo ano. o bebê ganha controle do tronco e das mãos. O período da confiança cobre os primeiros meses da vida do bebê e é chamado assim porque os bebês precisam criar confiança em seus pais e em seu ambiente. por sua vez. • No quarto ano. 2. Problemas ocorrem freqüentemente devido à inexperiência dos pais ou porque há diferenças marcantes no temperamento entre o pai e o bebê. da cabeça e move seus braços intencionalmente. deglutição e olfato). Spock chama os bebês desse estágio de "fisicamente indefesos e emocionalmente adaptados". audição. Erikson e Spock . além de ser bastante segura no mundinho doméstico. fala algumas palavras e frases com clareza. Seus pais não conseguem distinguir o choro de fome. As classificações a seguir são de Erikson. Erikson e Spock estão mais interessados no desenvolvimento emocional da criança. linguagem e pessoal-social. são mais difíceis de se compreender e seus pedidos de ajuda não são claros. Já deixou de ser um bebê e agora tenta manipular o ambiente. a criança usa frases claras. Esse período representa o desenvolvimento do autocontrole e autoconfiança. a organização do comportamento começa bem antes do nascimento e segue seu caminho da cabeça aos pés. Spock. 1. Já Spock fala que a criança nesse estágio possui uma "percepção de sua própria individualidade e força de vontade" e vacila entre a dependência e a independência. o bebê anda e corre. adaptativo. sucção. • No segundo trimestre (de 16 a 28 semanas). chama o que a criança faz nesse período de "imitação através da admiração". O bebê também começa a falar. Os medos são um problema comum e a criança tem uma . Os pais dessa criança devem aprender a aceitar um pouco de perda de controle para manter os limites necessários. a criança faz várias perguntas e começa a formar conceitos e generalizar. • No terceiro ano. • No último trimestre (de 40 a 52 semanas). começa a pegar objetos. • Aos 5 anos. Esse período de confiança dá uma base sólida para o desenvolvimento futuro. E também sente orgulho de suas realizações. o controle se estende às pernas e pés do bebê. • No terceiro trimestre (de 28 a 40 semanas). Alguns bebês. assim como aos dedos indicadores e polegares. O período da iniciativa cobre os anos anteriores à escola. Já depende quase que totalmente dela mesma nas rotinas domésticas. Tem explosões de raiva. pula num pé só. Embora também pensem no desenvolvimento em termos de estágios ou períodos. fadiga ou o desconforto de fraldas molhadas do choro por atenção. mas as descobertas de Spock também são mostradas. tornando as palavras suas ferramentas para expressar seus pensamentos. O período de autonomia é aquele em que o bebê luta por independência. O bebê tenta pegar objetos. o bebê começa a desenvolver o comando dos músculos do pescoço.enquanto Piaget e Gesell enfatizam o desenvolvimento motor e intelectual. no entanto. adquire o controle sobre a bexiga e o intestino.do comportamento: motor. a criança já está bastante madura no controle motor de grandes músculos: ela brinca e salta normalmente. passá-los de uma mão à outra e demonstrar afeto por eles. De acordo com esse ponto de vista.

Nos últimos 15 anos. além do acúmulo de fatos. Isto inclui o desenvolvimento da memória. embora se considere que o recém-nascido tenha uma visão extremamente pobre em comparação com um adulto. mas esperamos que tenha lhe dado uma boa base de conhecimento sobre o que esperar do seu filho no que se refere ao desenvolvimento cognitivo. como nós a conhecemos. William James disse que a criança é tão abruptamente "atacada pelos olhos. o seu bebê tem uma posição de dormir favorita. normalmente causadas ou reforçadas pelos problemas que os próprios pais têm em se separar deles. 4. pronta para ser preenchida. ajuda saber um pouco sobre cada uma delas. Os pais devem apoiar de maneira que deixem claro o respeito pelos sentimentos e orgulho da criança. o filósofo Inglês John Locke descreveu a mente infantil como uma tábula rasa. . constantemente se sentindo magoados ou decepcionados. 1 . incluindo o debate natureza x criação e uma explicação do chamado desenvolvimento normal. As crianças nessa fase costumam ter dificuldades para se separar de seus pais. ouvidos. Na próxima página. pele e entranhas de uma só vez" que acaba enxergando seu ambiente como "uma grande e barulhenta confusão". Embora Piaget. e muito bem diga-se de passagem. descobrir quem são e o que querem fazer da vida. O período da criação (ou finalização do trabalho) é quando a criança em idade escolar aprende a receber elogios ao realizar e produzir resultados. Há muitas discussões sobre várias descobertas. Ele realça a necessidade dos pais continuarem a definir limites apropriados. apesar de suas tentativas superficiais de auto-afirmação. O desenvolvimento cognitivo do seu bebê No século XVII. um livro médico afirmava não apenas que o recém-nascido comum era incapaz de fixar seu olhar ou responder a sons. Eles percebem muitas coisas e têm preferências também. Seus intelectos estão funcionando. Gesell.vida cheia de fantasias. percepção e julgamento.Desenvolvimento cognitivo do recém-nascido O desenvolvimento cognitivo está associado à aquisição de conhecimento em seu sentido mais amplo. mas posteriormente você conseguirá tirar mais proveito da abordagem emocional. vai descobrir mais sobre o progresso das habilidades de linguagem do seu filho. O que aprendemos acima são somente as teorias básicas de cada um desses especialistas. reagindo de maneira particularmente forte às cores primárias brilhantes vermelho e azul. ele é capaz de diferenciar formas. nariz. Pode ser que você ache útil pensar no desenvolvimento do seu filho em termos de sua interação com o ambiente quando ele é um recém-nascido. Erikson e Spock tenham abordagens diferentes para o tema do desenvolvimento da criança. Os testes que os adolescentes fazem com seus relacionamentos e o desenvolvimento de uma visão da realidade com a experimentação constante podem ser bem difíceis para os pais. Os pais reagem a essa declaração de independência de várias maneiras diferentes. muito antes de poderem falar. O ponto de vista de Spock é que os adolescentes são extremamente focados nos colegas. imbuir valores pertinentes e servirem de modelos positivos. Mesmo em 1964. Desde o começo. Por exemplo. provavelmente não existe no bebê". preferir rostos a objetos inanimados e enxergar cores. Ele diz que a principal tarefa dos adolescentes é estabelecer a identidade. Spock descreve este período como o período no qual a criança tenta se ajustar em um grupo estranho de amigos e se afastar de seus pais. Continue lendo para ver uma explicação sobre o desenvolvimento cognitivo de um bebê. e sim como um participante pronto e ansioso para interagir com o ambiente. 5. Duzentos anos depois. o número de estudos sobre a cognição infantil aumentou de maneira enorme. mas também que a "consciência. A adolescência é o quinto e último estágio de desenvolvimento de Erikson. Mas agora sabemos mais do que isso. As crianças em idade escolar ainda precisam de bastante apoio dos pais. ou papel em branco. Quando completa oito semanas. ele é capaz de distinguir entre o claro e o escuro e focar objetos a uma distância de 20 a 30 centímetros. mas os pesquisadores definitivamente concordam que o recém-nascido não vem ao mundo como um receptáculo passivo.

o número que indica o nível da inteligência de uma pessoa e é avaliado em testes especiais). Durante o segundo ano. há pouco tempo os geneticistas presumiram que. afirmou sobre a maneira prazerosa de um recém-nascido enxergar a vida. o aumento rápido de sua habilidade de se comunicar através da linguagem representa uma grande conquista. Hoje. o ambiente deve suprir calor e nutrição. olhos e cabelos. Quando chega aos dez meses. os bebês são muito diferentes em suas capacidades e uma parte dessa variação está ligada a diferenças herdadas. Outros psicólogos que conduziram estudos clássicos de gêmeos idênticos separados no nascimento foram mais conservadores. Cada bebê provavelmente estará "adiantado" em algumas coisas e "atrasado" em outras. Mas tenha em mente que o "bebê comum" não existe na realidade. dizendo que o ambiente pode causar uma diferença de até 20 pontos. já reconhecem e reagem à voz de sua mãe. Eles preferem sons berrantes e. Parece claro que não nascemos com um nível pré-definido de inteligência e que muitos fatores ambientais podem afetar o nível da inteligência de uma criança durante o seu desenvolvimento. "Não" se torna a palavra favorita e . a habilidade de usar as mãos se desenvolve. mas os perigos aumentam conforme ele fica mais ágil e curioso. Na verdade. Existe um grande debate sobre até que ponto a inteligência é herdada. ele reconhece e sorri para pessoas familiares e pode ficar ansioso na presença de estranhos. "Desenvolvimento normal" Lembre-se: tudo o que você lê ou ouve sobre o desenvolvimento normal de uma criança de uma certa idade se refere ao que é esperado da criança comum. além de controlar a cor da pele. Nos segundo e terceiro anos. os genes também podem controlar o comportamento sob certas condições ambientais. que estuda os bebês há mais de 40 anos. da cabeça aos pés: ele adquire o controle sobre os olhos. Logo. para que ele possa atingir todo o seu potencial de desenvolvimento. As teorias que ressaltam a inferioridade ou superioridade genética de determinados grupos raciais ou étnicos não podem ser provadas. o melhor que podemos fazer é falar sobre o potencial de desenvolvimento ao tentar medir a inteligência de uma criança muito nova. Não importa quais sejam as diferenças individuais em relação à norma. Na mesma época. ele já começa a andar sozinho. seu filhinho concentra-se bastante na própria boca porque as sensações de sugar e enfiar coisas na boca são as que dão mais prazer. pescoço e mãos antes de aprender a usar suas pernas para andar. "ele está comendo o mundo"! Genética x ambiente Assim como os adultos. Resumindo. No início. nação. Com cerca de cinco meses. Você já vai ter descoberto a necessidade de arrumar sua casa de maneira que ele não se machuque quando aprender a engatinhar. ele já pega brinquedos e seu aprendizado se relaciona com a habilidade de manipular objetos. após algumas semanas. ele se torna um especialista na arte de engatinhar (e de entrar em todos os lugares). independentemente da herança genética de um bebê. as crianças ficam cada vez mais independentes e curiosas. alguns psicólogos cognitivos acreditam que embora os limites externos da inteligência possam ser fixados no nascimento. Este valor é espantoso se considerarmos que é a mesma distância entre o limite de retardamento mental (80 pontos de QI) e o valor médio de um formando da faculdade (120 pontos). você pode ter certeza que o seu bebê se desenvolverá em um ritmo incrível durante o primeiro ano de vida. os sentidos participam no processo de desenvolvimento desde o momento em que ele nasce. um verdadeiro marco no desenvolvimento dele. uma combinação que faz com que fiquem um pouco perigosas para si mesmas e para tudo ao seu redor. tribo e cultura tornam as comparações genéticas de raças ou grupos étnicos inteiros cientificamente impossível de se comprovar. Porém. Como um professor de psicologia da Universidade de Yale. Dadas as enormes diferenças entre os seres humanos.Ele pode distinguir o gosto doce da água açucarada e prefere o cheiro de banana ao de camarão. As diferenças entre os ambientes de casa. Com cerca de um ano. tanto emocional como física. o ambiente em que uma criança vive pode fazer uma diferença de até 40 pontos no seu QI (quociente de inteligência.

mas devemos usá-los apenas como guias para ter uma idéia geral do que esperar do seu filho. Geralmente. Conforme ele cresce e se transforma. mas em momentos específicos e de repente. mais cedo do que eles. mas no final. como nas habilidades motoras. além de ir ao banheiro sozinhas. Você vai ouvir que o bebê de um amigo dormiu a noite toda com duas semanas de vida. Esses cronogramas são úteis se não forem levados a ferro e fogo.explosões de raiva podem aparecer com freqüência enquanto ele se frustra com os limites que você deve impor. acredita-se que o aspecto da criação de um bebê pode fazer muito para melhorar suas habilidades.Promovendo o desenvolvimento do bebê Como pai ou mãe. E mais. Leia esta seção para ter sugestões sobre passos adicionais que podem ser tomados para promover o desenvolvimento do seu bebê. Promovendo o máximo de desenvolvimento . Na próxima página. não significa que ele é menos inteligente do que o filho do seu amigo ou do seu vizinho ou mesmo do bebê comum em quem os gráficos se baseiam. Como aprendemos na página anterior. Tome a dianteira e promova o desenvolvimento cognitivo de seu filho. falar. isso só vai perturbar e fazer com que fique impossível curtir o seu bebê. além de outro que já sabia ir ao banheiro sozinho quando tinha um ano de idade. Elas costumam andar. Pratique constantemente a arte da aceitação do seu bebê como ele é. Algumas crianças se desenvolvem de acordo ou acima da média em uma área. sem classificações ou comparações com os outros. Algumas crianças amadurecem mais devagar do que outras. Não é culpa sua se ele não for um gênio e o crédito não é todo seu se ele for. o QI de uma criança pode variar bastante dependendo de sua criação. as meninas amadurecem mais rapidamente do que os meninos. Saiba que embora o ambiente que você fornece seja importante. Um erro comum dos pais é exagerar um pouco enquanto tentam dizer que seu filho é o número um. Expectativas dos pais Comparar o desenvolvimento do seu filho com o dos filhos de amigos e vizinhos é fútil e improdutivo. O nível de maturidade de um bebê pode determinar sua taxa de desenvolvimento melhor do que o QI dele. vai condenar seu filho a uma vida de baixa auto-estima e uma luta sem fim para ir de encontro às suas expectativas. como a linguagem. Cada bebê se desenvolve em um ritmo diferente. aprenda o que pode fazer para promover o desenvolvimento do seu bebê de modo que ele atinja todo o seu potencial. outro andou com nove meses e falou frases completas aos 18 meses. Se você se preocupa que seu filho não está à altura dos padrões definidos pelos outros. ter mais interesse nas habilidades intelectuais como desenhar e rabiscar. Prometa a si mesmo desde o início que vai respeitar e amar o seu bebê como o indivíduo único e diferente que ele é. fornecendo a ele um ambiente seguro e acalentador. o que faz com que nem tudo que ouvimos seja verdade. E também deve-se levar em consideração o sexo do bebê. Como dissemos acima. a genética controla certos aspectos do potencial de uma criança. com sua própria beleza e charme. e se o seu demorou para rolar ou construir uma torre de blocos. 2 . seus feitos costumam ser iguais ou melhores do que os dos outros. você provavelmente notará que o desenvolvimento não ocorre de maneira constante e moderada. Mesmo o mais preciso e realista cronograma de desenvolvimento preparado pelos pediatras e psicólogos após suas observações de milhares de crianças não pode lhe dizer exatamente o que seu bebê deveria estar fazendo em um momento específico. Os maiores feitos (e os mais superestimados) de bebês provavelmente vêm de pais cujos filhos já passaram há muito dos estágios sobre os quais eles se gabam. e abaixo da média em outra. você terá um papel importante na determinação do tipo de pessoa que seu filho eventualmente se tornará.

Crianças que são amadas como são e não pelo que virão a ser desenvolvem um sentimento de segurança e inclusão. Reconhecendo que seu filho é único As influências ambientais por si só não podem explicar a variabilidade no desenvolvimento de uma criança. quando acordado. esses pais e filhos simplesmente não conseguem conviver em paz. A consistência geral é importante porque constrói sentimentos de segurança na criança. não deve estar constantemente no meio de uma tarefa ativa demais. O ambiente em que seu bebê aprende e se desenvolve deveria ser um ambiente protetor e seguro. Muitos psicólogos e . Crianças que são estimuladas em excesso passam seus dias em lugares lotados e nunca ficam sozinhas. mas também de calor humano. Ele precisa de um lugar calmo e silencioso para dormir e. mas sim fornecer um ambiente estimulante e uma atmosfera repleta de apoio emocional. aconselha o proeminente pediatra T. assim como um mundo de brinquedos. Se tiver de confiar os cuidados diários da sua criança a outra pessoa. As crianças devem estar com pessoas que as amam e valorizam para que aprendam a amar e valorizar a si mesmas e aos outros. Por mais profundo que seja o amor e respeito que eles têm um pelo outro. ser dependentes de outros para se divertir e não conhecer suas próprias habilidades. Outra coisa essencial no desenvolvimento de seu filho é sua orientação: a definição de limites e estabelecimento de fronteiras. em situações que podem durar a vida inteira. algumas vezes acontecem combinações mal sucedidas entre os temperamentos dos pais e dos filhos. o vínculo pode ser conquistado mais tarde através de amor e toques físicos. em vez de forçá-la e tentar apressá-la. um programa de gerenciamento específico instituído por um terapeuta pode ajudar a melhorar a relação. É importante que os pais venham a entender as diferenças entre eles e seus filhos. Ao construir sentimentos de confiança. ela precisa não só dos brinquedos apropriados. Precisam de tempo para recarregar as baterias. Mantenha os estímulos visuais e auditivos em um tom baixo para gerar uma atmosfera calma na qual o bebê possa desenvolver suas percepções sobre o mundo exterior. honestidade. pois é o contato corporal que dá início ao processo de criação de vínculo. As crianças são extremamente adaptáveis e não podemos falhar em promover o desenvolvimento máximo se o objetivo for fornecer um relacionamento profundo e caloroso com a criança. desta forma. proteção e liberdade. experiências e instrução apropriados. eles também precisam de momentos de paz e silêncio longe de pessoas e atividades. O autocontrole e a disciplina se desenvolvem somente após os limites terem sido definidos com firmeza. Os primeiros três anos de vida da criança são extremamente importantes para o desenvolvimento e os maiores presentes que você pode dar a ela durante esse período são o seu tempo e entusiasmo pelas habilidades que ela está desenvolvendo. Além disso. Confie em seus instintos. A idéia básica é tentar atingir um equilíbrio entre a rotina e a variedade. Os pais que promovem um sentimento de confiança básico permitem que seus filhos desenvolvam relacionamentos mais profundos no futuro e. os pais podem ir longe na tentativa de promover o desenvolvimento máximo. Em casos especialmente difíceis. atenção e orientações. Uma criança precisa de pais que definam limites apropriados a sua idade de acordo com cada passo do desenvolvimento. Berry Brazelton. exceto na hora de dormir. contribuem de maneira positiva para a formação das personalidades de seus filhos. Para que a brincadeira seja recompensadora e criativa. O ideal é que seu papel na promoção do desenvolvimento do seu filho comece no momento do nascimento. o que é que move seus filhos e qual a melhor maneira de ajudá-los e guiá-los. O termo temperamento significa o comportamento único de cada indivíduo. escolha com cautela. Ela precisa aprender durante cada momento acordada. para descansar e organizar suas vidas interiores. Siga as pistas que sua criança dá. tendem a se excitar facilmente. o igual e o diferente. Mesmo os bebês precisam de privacidade e tempo para si mesmos. Infelizmente. Quando essa proximidade física inicial com a mãe não é possível por alguma razão. O temperamento do seu filho tem um papel significativo e ativo na interação com o seu próprio estilo como pai/mãe. integridade e confiabilidade. e o melhor que você pode fazer não é ensinar.

"mama" e "papa"). arrulhar e gritos que começam mais ou menos aos 3 meses de idade. a "criança difícil" possui irregularidades biológicas. Você sabe que seu filho está realmente ansioso para falar como os adultos quando começar a ouvir jargões contínuos. A partir do dia em que seu filho nasce. As crianças variam nessa área como em qualquer outra área do desenvolvimento. Quando completar 3 anos de idade. um bebê que começa a falar mais cedo pode conhecer e usar até doze palavras ao completar um ano de idade. 3 . você e ele se comunicam através de conversas com olhares. especialmente durante os primeiros meses de vida. dor. cachorro e copo. As crianças costumam começar a colocar substantivos e verbos juntos para formar frases de duas ou mais palavras entre dois e dois anos e meio. A criança fácil tem como característica a regularidade biológica (dos intestinos. Esse tipo de conversa pode continuar por muito tempo após o seu filho ser capaz de se fazer entender com palavras de verdade (normalmente quando ele está brincando sozinho). O que é fácil ou difícil para uma pessoa pode não ser para outra. Esteja ciente de que é raro um bebê seguir quaisquer cronogramas para o desenvolvimento das habilidades da fala. cheios de inflexões que os fazem parecer uma conversa em alguma língua estrangeira. Tenha em mente que termos como "fácil" e "difícil" são subjetivos. repare que o temperamento não é necessariamente estável. Entre 1 e 2 anos de idade. Além disso. Por exemplo. bexiga e alimentação) e a adaptabilidade. ele já deve ter uma vocabulário de cerca de 50 palavras (e não tenha dúvida de que uma delas é "não") e gosta de cantar músicas familiares e repetitivas com você. é difícil dar duro em duas habilidades de uma só vez. . Quando está com 2 meses de idade. O desenvolvimento da fala Os primeiros sons não relacionados ao choro que seu bebê faz são sons guturais que surgem com uma produção aumentada de saliva: o gargarejar. Então. combinando os dois tipos de temperamento. o que esperar do seu filho? Vá para a próxima página para ter uma visão geral das teorias cognitivas dos quatro maiores especialistas da área: Benjamin Spock. suco. No outro extremo do espectro. Na verdade. uma categoria de temperamento a que se refere com freqüência é a "criança fácil". Esta seção detalhará os marcos do desenvolvimento da linguagem do bebê e dará dicas para você encorajar o seu filho a falar. Estas palavras provavelmente são todas substantivos e representam as versões do bebê para objetos familiares como biscoito. Não se surpreenda se o seu filho parecer atingir um platô no progresso da fala quando aprender a falar. fadiga e desconforto. A principal ferramenta de comunicação dele é o choro. Ele reage à sua voz e ao som do seu coração. ele já pode ter um vocabulário de até 300 palavras. Logo ele começa a juntar os sons e repetir combinações de consoantes e vogais como "ba-baba". cuspir. sorrisos e linguagem corpórea. Pode ser em qualquer momento entre os 6 meses e 1 ano de idade que ele chame uma ou duas pessoas muito importantes pelo nome (muito provavelmente.outros profissionais descreveram o que acreditam ser as características mais facilmente identificáveis dos vários tipos de temperamentos e personalidades. E finalmente. montes de sons sem sentido.Desenvolvimento da linguagem em um recém-nascido A linguagem é muito mais do que simplesmente falar. cuidado para não associar "fácil" com "bom" ou "difícil" com "mau". foge de situações novas. e quem começou a falar mais cedo pode até adicionar uma preposição (debaixo da mesa) ou um adjetivo (cachorro grande). Erik Erikson e Arnold Gesell. Jean Piaget. ele provavelmente já desenvolveu choros diferentes para indicar fome. Talvez você note que a freqüência de explosões de raiva e períodos de frustração diminuem à medida que ele descobre palavras para expressar sua raiva e seus desejos. E também há a "criança morna" que está em algum ponto no meio da escala. O temperamento e experiência dos pais também são importantes. tem variações de humor e se adapta lentamente.

tentando lhe alcançar. ele será capaz de fazer o que você pede se der comandos como "Traga uma fralda". peças de roupas. Vá para a próxima página para ver uma explicação completa sobre a evolução do relacionamento do recémnascido com seus pais e outros membros da família. ele vai poder interagir melhor com você. "O que é isso?". Tenha paciência e espere que ele fale as palavras certas para terminar um pensamento em vez de terminar esses pensamentos você mesmo ou dar o que ele quer antes que as palavras tenham saído da boca dele. ensine brincadeiras com os dedos e use canções que são acompanhadas por ações. • explique tudo de maneira simples. adicione o fato de que o animal está na árvore para procurar coisas para comer. Por exemplo. • não estimule quando ele faz sons de bebê ou usa gramática incorreta. em vez de chinelos e tênis. as crianças sempre podem entender muito mais do que conseguem dizer. provavelmente não há com o que se preocupar se estiver notando que o vocabulário "receptivo" está aumentando continuamente. e especialmente durante os anos como bebê. repita as palavras ou frases da maneira correta.Encorajando seu filho a falar Estimule o seu filho a falar o tempo todo em que estiverem juntos. não importando se parece que elas nunca acabam. Logo os olhos do seu bebê começam a seguir os seus movimentos em uma sala e depois ele até vira a . Por isso. o bebê ou a casa nas figuras. Os recém-nascidos são atraídos por rostos e gostam do som de vozes. mas não o corrija.. • tenha paciência também ao responder todas as perguntas. se você começou o processo de vínculo com o contato da pele logo após o nascimento do seu bebê. • preste atenção ao seu filho quando ele falar com você. pois isso o deixa com medo do ato de falar em si. Quando tiver cerca de 15 meses. deve ter percebido que ele certamente estava ciente da sua presença. Use as mesmas palavras para objetos semelhantes quando o seu filho tiver menos de 2 anos de idade. por exemplo. As interações sociais dele vão a um novo nível de complexidade e a frustração diminui à medida em que a habilidade de se expressar aumenta. sempre apontando objetos familiares e pedindo que ache o cachorro. • use livros de figuras para ajudá-lo a desenvolver as associações palavra-objeto.. Veja algumas maneiras de ajudar no desenvolvimento da linguagem: • fale bastante com o seu bebê. Durante toda a primeira infância. Abaixe-se até a altura do seu filho e olhe nos olhos dele. dando total atenção a ele. descrevendo o que está fazendo com ele e para ele. Você vai causar confusão se usar uma frase longa que comece com "Vá até o quarto e.O recém-nascido e os relacionamentos familiares O comportamento social começa bem cedo nas vidas dos seres humanos. Brinque com jogos de palavras. mesmo que com 2 anos de idade. usando todas as palavras necessárias: partes do corpo. Os bebês reagem às pessoas praticamente a partir do nascimento. Em vez disso. tipos de alimentos. Chame todos os calçados de sapatos. 4 . apontando para um esquilo. Pratique ampliar um pouco uma pergunta dando informações adicionais. • fale devagar e claramente. se o seu filho pergunta.". se seu filho não está falando tanto. Conforme os hábitos relacionados ao ato de falar vão amadurecendo. brinquedos favoritos. Na verdade. Tenha em mente que o desenvolvimento da linguagem inclui a linguagem "receptiva" (a compreensão das palavras) assim como a linguagem "expressiva" (falar as palavras). enquanto realizam suas atividades diárias. especialmente vozes femininas.

As faixas etárias indicadas são orientações. Palhaçadas que fazem o seu filho mais velho ou o bebê do vizinho rolarem de rir podem muito bem fazer esse novo bebê chorar e se assustar. mas no geral. Um dia vai perceber que o bebê fica quieto se você fala ou canta ao se aproximar do berço. Mas isso vai mudar. Nesta página. pai. E isso é completamente natural. Ninguém exceto a mamãe ou a babá pode lidar com um corte ou machucado ou fazer um brinquedo teimoso funcionar da maneira que deveria. Lembre-se de que bebês variam muito no seu desenvolvimento social. Não vai demorar muito até ele fazer um som para responder à sua voz. um grupo sortudo e seleto. Mas lembre-se de que a palavrachave de todo o comportamento humano é "único". a criança dessa idade se concentra tanto nela mesma e no ambiente que os adultos parecem não existir por outro motivo que não seja satisfazer as suas necessidades. caso o bebê tenha algum tipo de pessoa que faça isso. o bebê reage feliz a pessoas sorrindo e sorri ao ver qualquer pessoa se aproximando. mas quando isso acontecer. e é assim que tem que ser. o bebê já é extremamente sociável. vamos examinar as primeiras interações do recém-nascido com a família durante os primeiros anos de vida. O seu nenê é tão diferente de todos os outros bebês do mundo quanto cada floco de neve é diferente dos outros. exceto quando você diz "Não". O seu bebê está ciente da total dependência que tem de você para sobreviver. e nada os deixará tão estimulados como quando ele responder e reagir a vocês. Ele fica feliz em sair com você quando tem que fazer compras ou resolver problemas. o grupo social do bebê também vai incluir os coleguinhas de brincadeiras e outras pessoas de fora da família. Assim. o medo vai dominá-lo. irmãos e alguém que cuide dele. abraçando. o bebê parece perder a necessidade que tinha de você. Ansiedade da separação e outros medos O amor assume muitas formas e o seu bebê muitas vezes pode mostrar amor ao resistir a qualquer tipo de separação de você. Logo ele vai adorar ter uma platéia e se deleitar ao fazer o sinal de "tchau" e outras coisas que chamam a atenção. Vale tudo. . Ele sabe a diferença entre pessoas familiares e estranhos e já pode ter medo de estranhos. Você nunca mais voltará a ser tão importante para ele como foi no primeiro ano. você não quebra a necessidade que o bebê tem de você ao forçar separações freqüentes ou longas. dê um tempo. acariciando e confortando. são o primeiro grupo social dele. A verdade é que. Ele adora fazer parte de qualquer reunião familiar e obviamente adora todo mundo. De vez em quando. como ganhar a atenção ao fingir tossir ou fazer algo que fez você rir em outra ocasião. ele volta às suas antigas maneiras de mostrar carinho e brincar como um bebê. subir as escadas. não há exigências absolutas. Ela mal nota a sua presença no dia-a-dia. a interação social tem início. O impulso rumo à independência sobre a qual você leu e ouviu acaba se tornando realidade e em algum momento quando estiver com cerca de 18 meses. A sociabilidade acaba voltando no momento certo. A exceção disso ocorre quando os problemas acontecem. Ao contrário do que muitas pessoas pensam. na verdade. faz e recebe visitas sociais com você e aprecia bastante o simples fato de estar com você na casa. O primeiro grupo social: a família A família que mora na mesma casa: mãe. Aprender a deixar as coisas acontecerem é uma das lições mais importantes para os pais. Quando o seu bebê tem entre 8 meses e 1 ano. mostra a língua ou faz caretas. ele aprende a ser "uma gracinha". O bebê aprendeu a obter uma reação de outra pessoa. caretas ou movimentos repentinos. Aos 3 ou 4 meses. correr. Se você se ausentar. ele coopera nos jogos com canções e movimentos de dedos que você vem fazendo para agradálo. mais confiante e sem medo ele vai ficar. Ele até tenta lhe imitar quando você o encara. Com cerca de um ano de idade. Todos vocês vão se superar para entreter e agradar o bebê. explorar e satisfazer sua curiosidade de tudo absorvem toda a atenção dele.cabeça para lhe observar. Pegue a dica de seu filho: se ele se assusta fácil ou parece com medo dos seus sons altos. contanto que um membro da família esteja por perto. Dos 5 aos 8 meses. quanto mais seguro ele se sentir com sua presença. Andar.

Você compartilha feriados e as famílias costumam estar nas casas uns dos outros para visitas rápidas e refeições. Outros medos infundados vêm e vão repentinamente. O ideal é que a vovó ou vovô morem na mesma rua ou na vizinhança. a criança mais nova pode ficar com ciúmes da mais velha por causa daquelas mesmas habilidades e feitos. O bebê exibe admiração pelas habilidades e feitos de crianças mais velhas e tem um prazer puro em ter a permissão de estar na companhia delas. outros insistem que têm de sair e que tanto eles como os filhos vão aproveitar uma separação ocasional. Mais tarde. Quando a mãe sai do seu campo de visão. peça que essa babá chegue com antecedência para poder conhecer o bebê enquanto você ainda está lá. Tente não mostrar irritação com o que você sabe ser medo infundado porque isto deixa o bebê ainda mais inseguro. envolva-o no trabalho de cuidar do bebê. trovões e pessoas com roupas diferentes. Volte quando disse que voltaria. como porteiros e freiras. e o mesmo vale para os outros parentes. os fantasmas e monstros que aparecem à noite. de modo que os dois possam se tornar amigos antes dela começar a ficar sozinha com ele. Mas o relacionamento nem sempre vai ser harmonioso e uma certa quantidade de rivalidade é normal e esperada. a sua melhor escolha para uma babá é alguém que a criança conheça: a vovó ou algum outro parente costuma ser o ideal. Com sorte. Alguns pais acreditam que simplesmente não devem deixar a criança nesse ponto. ela se foi. verá que o bebê também reage. e defina o horário como "após a sua soneca". Se você está no segundo grupo. Primeiro. Muitos bebês relutam em ficar com suas babás. Caso o bebê pareça não conseguir ficar sem você nem mesmo por um único momento. Avós e avôs. Enquanto você ensina o mais velho a brincar com o bebê e a deixá-lo feliz. tias e tios O momento de começar um relacionamento de amor entre os avós e outros parentes mais velhos é o mais breve possível após o nascimento do seu filho. Não force um período prolongado no chiqueirinho ou um período de exercício no meio do chão da sala se o bebê parecer com muito medo de ficar no centro de todo esse espaço vazio. em vez de "às 3 da manhã". ou com fantasias. Pode ser bom que uma babá que o bebê ainda não conheça venha visitá-lo uma ou duas vezes quando você também estiver em casa. Nunca saia escondidinho. Não se preocupe com a possibilidade de mimar um bebê carente ou protegê-lo excessivamente ao evitar situações que sabe que irão deixá-lo com medo. Use um "tchau" normal. Quando os bebês estiverem um pouco mais velhos. A maneira de manter relacionamentos tão maravilhosos é deixar o contato aberto e freqüente. entenda que essa é uma das fases pelas quais ele vai passar e faça o melhor que puder para conviver com ela. Tendo os irmãos como primeiros amigos Os irmãos do seu bebê são os primeiros amigos dele. concordam a maioria dos pais. eles verão cada casa da família como parcialmente sua. Esses medos vão passar e ser esquecidos se ajudar o seu filho a superá-los. mesmo se for um parente cujos sentimentos podem ser magoados pela rejeição. mesmo se ela for uma vovó carinhosa e querida. Ele tem um impulso humano natural para ser maduro e independente. Se deixar o bebê na casa da babá. Alguns dos mais comuns são o medo de cachorros e gatos. para uma criança que ainda não sabe medir as horas. mas sentem que não há nada como ter um irmão ou irmã mais velho para observar e amar.Você vai perceber que algo que antes ele achava assustador. Para isto. com beijo e aceno. como palhaços e o Papai Noel. não o faz ter o mesmo sentimento no conforto dos seus braços. e crianças menores de um ano de idade ainda não conseguem racionalizar ou perceber que ela vai voltar. Deixe a porta do quarto dele entreaberta na hora de dormir e deixe-o seguro de que você está por perto ao fazê-lo ouvir sua voz de qualquer lugar da casa em que estiver. sua preocupação é ajudar o mais velho a lidar com o ciúmes de ser substituído. certifique-se de levar o animalzinho de pelúcia ou cobertor favorito do bebê. eles vão permanecer bons amigos pelo resto da vida. . talvez o aspirador ou a lavadora de louças. Se não tiver outra escolha a não ser deixar um estranho no comando. sirenes de emergência. Não faça um bebê relutante ir para o colo de outra pessoa.

pode não haver espaço o bastante na casa e nem horas no dia para ter a privacidade e o tempo sozinhos que todos precisam. Não pense nem por um minuto que em algum ponto durante a visita o seu filho não vai demonstrar hábitos feios e fazer coisas desagradáveis (porém normais) para a idade dele. trazemos algumas causas que podem comprometer a aprendizagem. telefonemas. esta criança pode estar necessitando de um acompanhamento diferenciado. Um pouco de carinho. mesmo que seja só como um observador. Embora aprender a brincar de verdade com outras crianças leve algum tempo. a criança já está pronta para dar o próximo passo social. Um fato triste é que as visitas para lugares distantes podem ser extenuantes para os pais. Existe uma proposta de investigação para saber o motivo desta criança não estar conseguindo acompanhar as outras da sua idade. As rotinas são irritantes e o cronograma de atividades pode ser longo. Outras vezes porém. a tarefa de ajudar a criança a se lembrar dos parentes e fazer com que os parentes e a criança se sintam próximos é sua. utilizando procedimentos próprios. Lidar com visitas familiares da maneira correta exige tempo. Ela aprende muito a partir da observação. Não espere que os avós e outros parentes achem seu filho e os seus métodos de educação perfeitos. filhos e parentes. bem como. Mostre fotos dos parentes a ele. assim como reflexão e boa vontade. a saber: → lesão cerebral. Não pense que pode ir a todos os lugares. ela quer ficar perto delas. . e talvez nem mesmo morem no mesmo estado ou região do país. → alteração no desenvolvimento cerebral. os pais e/ou professores notarem nas crianças dificuldades de aprendizado. ver todas as pessoas e fazer tudo o que quer e acima de tudo. além de insatisfatórias devido às expectativas altas demais e à proximidade excessiva durante um período de tempo curto demais. use os nomes deles freqüentemente e conte histórias sobre a sua infância para inclui-los. Nessas visitas. A importância da Psicopedagogia muito comum nos dias de hoje. levando em consideração que a maturação cognitiva de cada uma se difere. atenção extra e afrouxamento das regras podem deixar a visita mais especial e memorável. Diminuir um pouco as suas expectativas ajuda. nos momentos em que eles ou vocês viajam para visitas. Muitas vezes isto é perfeitamente normal. fotos e gravações de vídeo e áudio ajudam. alguns comportamentos que podemos observar nas crianças com dificuldades ou distúrbios de aprendizagem.Mas infelizmente. Por isso. A psicopedagogo é um profissional que visa trabalhar as dificuldades dos alunos e os seus processos de aprendizagem. não se preocupe com a possibilidade de seus parentes mimarem seu filho. Algumas das pessoas que gostaria que estivessem por perto do seu filho podem vê-lo somente de vez em quando. Mantenha os parentes informados sobre o crescimento do seu filho: cartas. Entre 1 e 3 anos de idade. e com o intuito de ajudar aos pais e professores a reconhecerem quando uma criança pode estar necessitando de uma ajuda mais específica. Vá para a próxima página para saber sobre as interações sociais do seu filho com as outras crianças. a maioria das famílias não vivem dentro de uma distância que permita visitas.

escolar e em casa: o fracasso escolar pode ser forte comprometedor da aprendizagem do aluno. ter um ambiente diferenciado para estudar. → dificuldade para seguir instruções. → imaturidade social → dificuldade na conversação – crianças que tem dificuldade para se comunicar por causa do vocabulário.→ falhas nos neurotransmissores. como o seu quarto ou escritório. procure um Psicopedagogo para melhor avaliação e orientação sobre o que pode ser feito. para que não tire a atenção da criança. Mas este ambiente deve ter o mínimo de estímulo possível. → inflexibilidade – criança que teima em fazer as coisas á suas própria maneira. → falta de controle dos impulsos – toca em tudo que vê que lhe interessa – verbaliza suas observações sem pensar – interrompe ou muda rapidamente de assunto em conversas ou tem dificuldades para esperar a sua vez. . → falta de destreza – criança desajeitada e sem coordenação motora – deixa cair as coisas ou as derrama – péssima caligrafia – sem jeito para esportes e jogos. Se o seu filho possui alguma destas caracteristicas e estã com dificuldades na escola. → hereditariedade – alguns transtornos de aprendizagem podem ser hereditários. * Agora listamos tambem alguns comportamentos que podem comprometer o aprendizado: → déficit de atenção. → distração. a criança deve ser estimulada. Em casa. por exemplo. → fraco planejamento e habilidades organizacional – não planeja o tempo para realizar as tarefas. não sabe por onde começar a fazer as tarefas ou estudar quando tem um vasto material. → influências ambientais .

A intervenção psicopedagógica. a escola de hoje se depara com sérios entraves que a impede de ser lócus principal no processo de desenvolvimento do sujeito. exercida por um profissional habilitado na área da Psicopedagogia institucional fará um trabalho de prevenção a fim de perceber possíveis falhas no sistema educativo que dificulta a aprendizagem dos alunos participando do processo de reorientação metodológica da escola. sendo a escola o espaço institucional propício para ser desenvolvida uma prática psicopedagógica. Nesse contexto.CONTRIBUIÇÕES DA PSICOPEDAGOGIA NO CONTEXTO ESCOLAR SANZIA GEINY PAULO DE ALMEIDA RESUMO: A psicopedagogia se constitui como novo campo do conhecimento voltado a pensar e a agir sobre as dificuldades de aprendizagem. O referencial teórico adotado para argumentação e confrontação dos dados obtidos é respaldado nas idéias de Bossa (2007) onde se enfatiza as contribuições da psicopedagogia e as limitações ainda existentes na práxis psicopedagógica. Entretanto. tendo em sua configuração institucional a função de pensar e refazer o trabalho no cotidiano da escola. foco principal do estudo da psicopedagogia. Como instituição social tem a incumbência de garantir aos que nela ingressam a construção saudável de saberes e competências necessárias para o enfrentamento dos desafios que a atual sociedade lhes apresenta. INTRODUÇÃO A escola é considerada por excelência o veículo de difusão do conhecimento e espaço onde ocorre o desenvolvimento sócio-cognitivo dos indivíduos. a formação psicopedagógica constitui-se para os professores como uma oportunidade para entender o sujeito em suas múltiplas dimensões e refazer suas concepções e atitudes frente ao processo de ensino-aprendizagem. À ineficiência da escola e dos professores diante dos problemas de aprendizagem sugere especialmente aos educadores a busca por uma formação que lhes permita uma compreensão global do sujeito em processo de aprendizagem. A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA PSICOPEDAGÓGICA NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR. Ao mesmo tempo em que realiza o trabalho preventivo poderá diagnosticar perturbações na aprendizagem do aluno numa ação educativa que envolva a escola. a psicopedagogia surge como nova área do conhecimento na busca de compreender e solucionar os problemas de aprendizagem. sobretudo das crianças com dificuldades de aprendizagem. Nesse sentido. Este artigo aborda a importância do professor psicopedagogo na instituição escolar na superaçãodos problemas de aprendizagem. dando-lhes instrumentalização necessária para atender as demandas da escola especialmente no que concerne aos alunos com dificuldades de aprendizagem. a família e outros profissionais na busca de soluções para o problema de aprendizagem que o aluno apresenta. .

Conforme Bossa (2007.Apesar de todo o debate em torno da importância da educação e da relevância das propostas que objetiva a melhoria das condições educativas. o sistema educacional brasileiro encontra-se ainda escamoteado. levando em . atua em uma função. É papel do professor agora psicopedagogo na instituição conhecer a intencionalidade da escola em que atua através do seu projeto político pedagógico. para a qual foi habilitado na graduação. Nesse processo interfere o seu equipamento biológico. à medida que se propõe a fazer uma reorientação do processo de ensino-aprendizagem refletindo os métodos educativos e numa atitude investigativa descobrir as causas dos problemas de aprendizagem que se apresenta na instituição e que se depara em sala de aula. mas um aparato teórico metodológico que redimensione o seu fazer pedagógico na instituição educativa. trabalho este de extrema relevância para os sujeitos envolvidos na dinâmica ensinoaprendizagem. sobretudo as dificuldades de aprendizagem dos alunos. Conforme diz Bossa (2007. o psicopedagogo lança seu olhar numa perspectiva multidimensional do sujeito aprendente constituído de natureza biológica e social. determinado pelas dimensões sócio-históricas em que vive. p. 63) "Alguém que. Nessa perspectiva faz-se necessário o psicopedagogo se debruçar sobre os aspectos constituintes do aprendiz. como ser cognoscente envolvido na teia das relações sociais. inapto a desenvolver-se e em conseqüência excluído e culpabilizado pelo seu não aprender. sendo influenciado por condições orgânicas e culturais. a educação convive com graves problemas históricos que se arrastam até os dias de hoje entre os quais destacamos a desvalorização do profissional e a falta de uma formação adequada que ofereça ao professor lidar com problemas que vivencia na escola. em geral. p. as suas condições afetivas emocionais e as suas condições intelectuais. Em busca de redirecionar à sua prática o professor encontra na Psicopedagogia não o remédio para a cura dos males da educação. A psicopedagogia entendeainda que essas condiçõesafetivo-emocionais e intelectuais são geradas no meio familiar e sociocultural no qual nasce e vive o sujeito. Nesse sentido. O conceito de aprendizagem com o qual trabalha a psicopedagogia remete a uma visão de homem como sujeito ativo em um processo de interação com o meio físico e social. e que ao completá-la com estudos em nível de especialização em Psicopedagogia. desnutrido. O Psicopedagogo na instituição assumirá o compromisso com a transformação da realidade escolar. Mesmo com a evolução da oferta de vagas e os programas instaurados pelo governo que visam à melhoria do ensino nas instituições. Alunos que por falta de competência do professor é taxado como retardado. de modo que o permita além de identificar as concepções de aluno e de ensino-aprendizagem que a instituição adota reconstruir esse projeto junto à equipe escolar conduzindo a reflexão e a construção de um ambiente propício à aprendizagem significativa. modifica a sua práxis". sedentos de respostas ao como fazer e lidar com problemas de aprendizagem. Neste quadro de incertezas e esperanças surge a figura do psicopedagogo geralmente professores vindos das diversas modalidades de ensino.74). Além de repensar o fazer pedagógico da escola o psicopedagogo deve ter um olhar atento para entender o sujeito em suas características multidisciplinares. O trabalho do Psicopedagogo aqui é tratado no âmbito da instituição escolar.

esse é um ato irresponsável do professor que ao terminar um curso de pós-graduação se porta de maneira errônea e incompetente. Segundo Benzoni (2007. Como fala a autora. Deixamos claro que não é função do psicopedagogo ser um "detetive" em busca de encontrar alunos-problemas. pois é isto que lhe compete e para qual foi habilitado conforme os estudos da Psicopedagogia institucional. sendo ainda o lugar onde estas podem ser ocasionadas. quanto naquilo que silencia. o conceito social onde está inserido e os fatores orgânicos que podem estar ocasionando o não . mas é possível encontrá-las. e acima de tudo ver suas potencialidades que por vezes é ignorada pelo meio escolar e familiar. pois acreditamos que grande parte das dificuldades de aprendizagem acontece devido à inadequada pedagogia da escola.02). de modo que seja resgatado o prazer de aprender pelo sujeito. Apostar numa postura psicopedagógica é contemplar o sujeito em sua plenitude. É necessário ao psicopedagogo que atua em sala de aula considerar o nível de aprendizagem do aprendiz. mostrando-se inabilitado para exercer uma prática . Dentro da escola. que classifica e pré-julga o indivíduo. tanto no jeito de dizer. ou seja. o professor deve adotar o olhar e a escuta psicopedagógica como forma de identificar. De fato o trabalho psicopedagógico na instituição é essencialmente preventivo. esta não é uma tarefa da mais fácies. Pensar o sujeito que aprende conforme os princípios da Psicopedagogia é reconhecê-lo como ser ativo e contextualizado onde a aprendizagem é um processo inevitavelmente produzido e inter-relacionado pelas relações que estabelece com a escola. Não são respostas simples de serem encontradas. elencar maneiras de atender ao aluno com dificuldades. rever suas metodologias. Cabe ao professor vê o seu aluno. como um processo que é vivenciado por cada aprendiz de maneira diferente. e revelar-se como aprendente numa relação de troca e diálogo com os alunos. bem como através do diagnóstico encaminhá-lo se preciso a outros profissionais além de realizar um trabalho preventivo para que sejam evitadas perturbações no processo de aprendizagem. Segundo (Bossa 2007). compreendendo as etapas evolutivas da aprendizagem. Torna-se essencial ao professor pensar e agir psicopedagogicamente. como sujeito da aprendizagem. conhecimentos trazidos da vida cotidiana. considerar sua forma de ser e estar no mundo.conta a instituição onde o aluno constrói o conhecimento. seus interesses. Nesse sentido. do grupo social da qual é integrante. intervir e prevenir os problemas de aprendizagem de modo a entender seu aluno. temos que ver aquilo que não está visível.aprender. que carrega em sua bagagem. onde numa relação dialógica tentarão compreender suas dificuldades. Com a finalidade de verificar como este aprende e o que dificulta no desenvolvimento de suas habilidades. porém é possível olhar o aprendente numa visão totalizante. suas expectativas diante do aprender. a família. é fundamental ao professor fazer uma leitura da sua prática.p. pois é na escola que se manifesta e tornam-se visíveis as chamadas dificuldades de aprendizagem. O olhar psicopedagógico tem que buscar as respostas para as perguntas: "Por que este indivíduo não aprende?" "ou" Por que este indivíduo não estar conseguindo utilizar em plenitude as suas potencialidades?"" O que estar impedindo de se desenvolver?" ". temos que ver o que está no não dito. bem como a realidade onde o aluno constrói o conhecimento.

Nádia A. se comprometendo a modificá-la tornando-a um ambiente que proporcione e favoreça a aprendizagem ao mesmo tempo buscando soluções para os problemas já existentes. pois ao professor a partir dos conhecimentos psicopedagógicos adotarem o olhar e a escuta direcionado ao sujeito multidimensional. <!--[if !supportLists]-->3. 160 p. buscando respostas para inquietações que surgem no seu fazer pedagógico.psicopedagógica. Disponível em: < http: // www. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática / Nádia A. Caberá. BOSSA.com. ed – Porto Alegre: Artmed. a ação psicopedagógica na instituição escolar configura-se como uma prática instigante e desafiadora que exige do profissional a adoção de uma postura que veja o sujeito na sua integralidade. Assim consideramos de extrema relevância a ação do professor numa perspectiva psicopedagógica. 2007. 23 cm Leia mais em: http://www. Para tanto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENZONI: G. Selma. pois essa possibilita uma intervenção e reorganização do processo de aprender para que este seja significativo para todos os sujeitos que deles fazem parte. sujeito da aprendizagem. Bossa – 3. Portanto. rompendo com velhas práticas que não condizem com o nível de formação do qual é portador.webartigos. Jl. Ao contrário dessa postura o profissional que atua com seriedade busca constantemente além de refletir sobre as dificuldades de aprendizagem busca fazer uma revisão de sua práxis.abpp.<!--[endif]-->CONSIDERAÇÕES FINAIS: Portanto a Psicopedagogia contribui significativamente para o processo de ensino – aprendizagem. É lançar um olhar reflexivo no cotidiano da escola. 2007.com/articles/26599/1/CONTRIBUICOES-DAPSICOPEDAGOGIA-NO-CONTEXTO-ESCOLAR/pagina1. Reflexões sobre diagnóstico psicopedagógico.br / acesso em 26 de julho de 2008.A.html#ixzz1VuA9LCEz Psicopedagogia: seu campo de atuação e sua importância frente às dificuldades de aprendizagem Publicado em: 27/06/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 307 | 1Share Anúncios Google . defende-se o processo de formação constante e permanente para a construção de uma prática e de uma postura essencialmente psicopedagógica.

Inscrevase www. devendo-se fazer muito no sentido de ela sair da esfera da empiria e poder vir a estruturar como tal (BOSSA. ao oportunizar a estes algumas condições para o exercício da liberdade política e intelectual. que tem como protagonistas alunos. .00 mensais. na vida dos filhos. pais. culturais.posgraduacao-cursos. a psicopedagogia emerge da necessidade de buscar soluções para os problemas de aprendizagem. bem como dos profissionais docentes ou ainda de outros profissionais que trabalham com a educação. as transformações têm se revelado na perspectiva dos alunos. Estude na ESAB.PosEadUninter. "a psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades. a Psicopedagogia também tem sido provocada. a validade dessa área como um corpo teórico organizado. que a psicopedagogia não atua diretamente com a dificuldade. integrando-os e sintetizando-os". o psicopedagogo busca neles.com 1. Acesse já! www. social.com. mães. Em relação à instituição. Ao nos atentar para essas transformações e para as exigências a elas relacionadas. Conheça nosso site.edu. Segundo Scoz (1994. mas corrobora para saná-la. diante desse terreno imerso em contestações.com. Dentre as mudanças que temos percebido na família está a incipiente participação desta. 1992). Longe de competir com outros profissionais.Buzzero. percebemos que a instituição de ensino tornou-se definitivamente o lugar de socialização e formação de sujeitos. cultural e tecnológica. PATTO. conta com a colaboração de outras áreas do conhecimento. 2007. INTRODUÇÃO O contexto educacional tem sofrido intenso impacto decorrente das mudanças de ordem econômica. Atrelada aos vários campos científicos.br Pós em Psicopedagogia Pós Graduação em Psicopedagogia. No âmago dessas questões são percebidas também modificações nas relações sociais que.Curso de Psicopedagogia Cursos a partir de R$91. mas ainda hoje. detectando ou extinguindo os problemas de aprendizagem que erigem dentro do contexto escolar e fora dele.ESAB. e psicológicos. no sentido de contribuir com a educação. 02). por sua vez. cujos desdobramentos são manifestos pela instância educativa compreendida pela escola e pela família. Matrículas abertas! www.br Transtorno Aprendizagem Curso pela Internet com Certificado Experimente Antes de Pagar www. atingem os processos de ensino-aprendizagem e o exercício da docência (LIBÂNEO. 2004). e aqui incluímos o psicopedagogo. e numa ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento. p. Levando em consideração os aspectos socioeconômicos. política. É interessante ressaltar. a psicopedagogia não trabalha isoladamente. professores. Nesse cenário. Para atuar frente a esses problemas. subsídios para seu trabalho. ainda não lhe assegura a qualidade de saber científico. na busca de soluções para o problema de aprendizagem. ao contrário. familiares e professores.br/Psicopedagogia Pós a distância Uninter Confira o curso de Psicopedagogia Clínica e Institucional. ela atua junto às crianças.

para um outro. a fim de dominar os aspectos teóricos e metodológicos da posição assumida. mas como novas possibilidades que se abrem para o campo da psicopedagogia. Discutimos no momento seguinte as interfaces entre psicopedagogia e educação. um breve apanhado sobre os elementos que constituem o objeto. mas a interpretação e produção de novos conhecimentos. perpassando pela atuação institucional e clínica. o objetivo da pesquisa. Nesse sentido. Por fim.Percebemos aí que o termo psicopedagogia está imerso em um campo conceitual passível de contestação. A preparação remete aos momentos de análises indispensáveis ao estudo. Nesse sentido. a finalidade desta abordagem é colocar o pesquisador em contato com tudo que já foi produzido sobre o assunto. . Como aponta Lino Macedo (apud BOSSA. trazemos as considerações finais emanadas durante o estudo não como fechamento definitivo deste trabalho. As discussões que balizam o campo da psicopedagogia a concebem como área de aplicação que antecede o status de área de estudos. 1992). menos claro ele nos parece. a psicopedagogia enquanto produção de conhecimento científico. bem como seu campo de atuação. torna-se mais fácil. No segundo momento fazemos uma breve incursão acerca da conceituação e do processo histórico da psicopedagogia. para Marconi e Lakatos (2009). Após esta breve incursão. nos orientamos por um sistema de pensamento. A pesquisa bibliográfica foi essencial para nos apropriarmos de conceitos relacionados ao tema. o termo já foi criado e assinala uma das mais importantes razões de produção de um conhecimento científico: o de ser meio. identificar seus desdobramentos. fazemos aqui uma espécie de duplo questionamento que acaba por convergir para um ponto comum: Qual o campo de atuação e a importância do Psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem escolar? Essa pergunta é formada no sentido de se considerar a necessidade de apontamentos sobre as questões concernentes à psicopedagogia. a qual tem buscado sistematizar um corpo teórico próprio. em que quanto mais se procura elucidá-lo. e buscando respostas às interrogações levantadas. através das lentes teóricas. Inicialmente empreendemos uma pesquisa bibliográfica com leituras e fichamentos a fim de aprofundarmos o entendimento acerca do objeto de estudo. até a sistematização com os apontamentos do olhar da psicopedagogia sobre a família e a escola. Ao desenvolver nossas primeiras idéias. o objetivo deste artigo é conhecer o campo de atuação e a importância do psicopedagogo na realidade escolar. Posto isto. determinar seu objeto de estudo. Inicialmente apresentamos o tema em estudo e suas noções gerais. cujos momentos se afetaram de forma recíproca. numa perspectiva teórica ou aplicada. O ideal é que a pesquisa bibliográfica não seja a mera repetição de escritos. apontando na seqüência as (in) definições que se fixam acerca desta área. Ainda no segundo momento apresentamos uma discussão sobre o campo de atuação da psicopedagogia. reconhecendo ser este um campo vasto e muito desafiador. A partir de uma maior clareza acerca do objeto de estudo. o de ser instrumento. Frente a esse quadro. partimos para o percurso metodológico. bem como o percurso metodológico adotado. não basta como aplicação da psicologia à pedagogia.

Acoplavam-se nesses Centros. apresentamos alguns aspectos gerais para a compreensão acerca dessa área enquanto campo de saber. permitia a aceitação da criança por parte da família e da escola. essencialmente as colaboraçãoes de Johnson e Myklebust (1987) que enfatizavam os conceitos de Disfunção Cerebral Mínima (DCM). Os primeiros Centros Psicoterápicos foram instituídos por Boutonier e Mauco em 1946 na Europa. Nesse período. bem como os de Distúrbios de Aprendizagem (DA). considerados fatores diretamente responsáveis pela dificuldadeem aprender. cursos de formação de especialistas em psicopedagogia na clínica médico-pedagógica. conhecimentos da psicologia.2. A literatura estrangeira tinha grande aceitação em nosso meio. os psicopedagogos nutriam a concepção de que os indivíduos com dificuldade de aprendizagem escolar eram portadores de disfunções psiconeurologicas. os psicopedagogos. mas contribuía também para desmotivar os professores a investirem na aprendizagem. destituindo essa criança da culpa pelo seu insucesso. conduzindo as crianças a profissionais da área médica. PSICOPEDAGOGIA: SUA HISTÓRIA E SEU CONCEITO Antes de aprofundarmos nossa discussão sobre a atuação e importância da psicopedagogia. consideradas inaptas dentro do sistema educacional convencional. desencadeando classificações equivocadas dos problemas de aprendizagem. . mentais e/ou psicológicas. A partir da década de 60. à luz das contribuições de diversas áreas do conhecimento. Atualmente. Segundo Kiguel (apud Bossa. psicanálise e pedagogia na tentativa de readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados e/ou com dificuldades de aprendizagem. a partir das necessidades de atendimento de crianças com distúrbio de aprendizagem. É com base nos escritos de Scoz (1994) e de outros autores renomados que discutem esta área. 1992) historicamente a psicopedagogia surgiu na fronteira entre a pedagogia e a psicologia. vêm reformulando sua linha de análise. A Psicopedagogia foi inserida no Brasil baseada em modelos médicos e foi assim que se iniciaram nos anos 70. com direção médica e pedagógica. a fim de melhor situar a psicopedagogia nos dias atuais. Essasidéias acabaram atingindo as escolas. os profissionais da psicopedagogia começaram a se organizar no intuito de entender os motivos do fracasso escolar. que fazemos uma breve retrospectiva histórica. produtor de um conhecimento específico. O fato de existir um diagnostico de (DCM).

quanto na saúde pode-se considerar que o psicopedagogo tem uma postura crítica frente ao objeto de estudo. tardam em se tornar ação concreta em nosso país. o psicopedagogo deve procurar se revestir de um arcabouço teórico das outras ciências para se constituir enquanto profissional com uma visão ampla que acolhe a interdisciplinaridade.1 O Psicopedagogo e suas (in)definições Comecemos esse tópico. de que modo métodos pedagógicos interferem no desenvolvimento da criança. ainda assim. 2.º 10. o Código de Ética. e sua configuração nas etapas da vida. já que é através desta instituição que o aluno se situará participando assim da construção coletiva da sociedade. a exemplo da Lei n. que continua lutando para que essa profissão se regulamente. uma ação auxiliar da medicina e da psicologia. mas afinal. Desse modo. Alguns avanços consistentes já podem ser percebidos nesse campo. A ele cabe saber como se constitui o sujeito. quais os fatores envoltos nas dificuldades de aprendizagem. não podemos desconsiderar que essas medidas. aprova-se em 1996 pela Associação Brasileira de Psicopedagogia. instituindo-se como saber independente e complementar. que define o psicopedagogo como um professor de um tipo particular que realiza a sua tarefa de pedagogo sem perder de vista os propósitos terapêuticos da sua ação. tendo seu objeto de estudo definido – o processo aprendizagem – e recursos diagnósticos próprios. nos apontam algumas incongruências. devendo primar pela interdisciplinaridade e podendo ser exercida tanto clínica quanto institucionalmente. Qualquer que tenha sido a sua formação. mas nos referimos às atitudes do psicopedagogo ao longo da sua atuação. quem é esse profissional? Trazemos aqui uma colocação de Janine Mery (1985).891. Em sua atuação. ele deverá subsidiar a criança no enfrentamento do modelo de escola que dispomos. com uma colocação pontual certamente aplicável as áreas correlatas: a de que. bem como do Projeto de Lei nº 128/2000. esse profissional deve respeitar a escola como tal. o que consequentemente converge para uma certa (in) definição conceitual do termo. segundo Visca (1987). a Psicopedagogia foi. os traços históricos da psicopedagogia. ele sempre assumirá a dupla polaridade de seu papel. Ainda segundo esta autora. bem como. Mediante o entendimento que começa a emergir acerca do seu objeto de estudo. tanto na sua atividade na área educativa. o que não quer dizer que o local de trabalho desse profissional seja sempre a clínica. que condensa os principais pontos a serem seguidos pelo psicopedagogo. o que significa ensinar e aprender. Como se vê. diante disso. vejamos quem é o psicopedagogo. dentre as diretrizes previstas pelo código está a deliberação da Psicopedagogia como um campo de atuação em saúde e educação que envolve com o processo de aprendizagem. sem sufocar-lhe a individualidade. como uma tentativa de elucidação dos constitutivos desta área. .No momento inicial. Essas são algumas questões que permeiam o trabalho do psicopedagogo.

o psicopedagogo ocupa-se das orientações de estudos. apropriação de conteúdos escolares. O trabalho preventivo é sempre clínico. Segundo Bossa (1992). 2. Posto isto. não deixam de resultar um trabalho teórico. atendimento de crianças. segundo. o psicopedagogo pode atuar preventivamente contribuindo com o educador na sua prática docente. assim como. assumir características específicas a depender da modalidade: clínica. essa mesma autora faz uma análise interessante. ao tratar alguns transtornos de aprendizagem. Nessa proposição de articulação. Subsidiado por esse referencial.Segundo Lino Macedo citado por Bossa (1992). por ser no desempenho da função preventiva dentro do espaço escolar. que o psicopedagogo detecta prováveis perturbações relativas à aprendizagem. uma vez que. dentro da própria instituição de ensino. a área de abrangência que esse profissional ocupa parece ser dotada de especificidades que requerem um considerável cuidado.2 O Campo de atuação da psicopedagogia O campo de atuação do pisicopedagogo transcende ao mero espaço físico em que o trabalho é desenvolvido. A importância desse profissional na instituição se justifica e se legitima por várias vias: primeiro. É partindo desse entendimento que encerramos o debate acerca das (in)definições do psicopedagogo para abrirmos um debate muito mais aprofundado que versa sobre o campo de atuação da psicopedagogia. na preparação dos profissionais. por ser mediante ao convívio cotidiano com os sujeitos da instituição que o psicopedagogo participa das relações da comunidade educativa favorecendo assim o processo de integração e troca. levando em conta a singularidade de cada processo. estar o trabalho psicopedagógico atrelado com o trabalho escolar. preventiva e teórica. o autor apregoa. Desse modo. Tanto na prática preventiva como na clínica. Anúncios Google . O psicopedagogo deve levar o sujeito a reintegrar-se a vida normal. ao esclarecer que o trabalho clínico não deixa de ser preventivo. pode evitar o aparecimento de outros. Esses dois modos de atuação. mesmo que com ele não esteja diretamente comprometido. uma articulando-se às outras. o profissional se embasa sempre em um referencial teórico. desenvolvimento do raciocínio. pode ainda. no Brasil. respeitando os seus interesses e possibilidades. ele perpassa pelo lugar desse campo de atividade e pelo modo de abordar o seu objetivo de estudo. podendo promover orientações relacionadas às peculiaridades dos sujeitos.

com os colegas da classe. já que a heterogeneidade presente na sala de aula trás consigo a necessidade de novos métodos que assegurem a pluralidade. tendo a compreensão das dificuldades de aprendizagem de determinado aluno. entre as múltiplas atribuições que o psicopedagogo assume no espaço escolar está a orientação à família. Cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem. essencialmente se considerarmos a quantidade de questões que estão atreladas à dificuldade de aprendizagem. É sabido por todos que no contexto da sala de aula. favorecendo a integração. o universo das interações humanas é complexo e permeado por conflitos. Já que no caráter essistencial.O trabalho do psicopedagogo na escola é bastante denso. De acordo Bossa (2000). participar da dinâmica da comunidade educativa. a colaboração com a direção e a mais importante delas: a assistência ao aluno que esteja com algum tipo de necessidade. envolvendo a escola na . O psicopedagogo alcança seus objetivos quando. Nesse contexto. promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo. o professor é desafiado a lidar com a singularidade dos sujeitos bem como com os métodos de ensino a ser adotados. Muitas vezes os problemas que afetam as crianças são desencadeados por motivos extremamente simples. diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou. Nessa dinâmica. e muitos outros que acabam por desencadear na criança. Bossa (l992. da própria ensinagem. com o conteúdo. visto que. consegue meios para ajudá-lo. podendo não ser nem mesmo detectado pelo professor. Problemas com a família. aversão à escola. fazendo com que os professores. argúi que. 23). com os educadores. realizando processos de orientação. muitos são os fatores que corroboram ou interferem no desenvolvimento da criança. o auxilio aos professores e demais profissionais nas questões pedagógicas. p. o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais.

Estas são interfaces que discutiremos na seqüência. mesmo que sobrepostas. Scoz (1994) nos confere uma importante contribuição. é sumamente relevante que a psicopedagogia contribua com a escola. tendo por enfoque o indivíduo ou a instituição de ensino público ou privado. são feitos. mas transcende esse espaço e atinge o contexto da sociedade. Por ser um profissional ainda em construção da sua própria identidade. no âmbito da atuação psicopedagógica. Deste modo. Assim. De acordo Paín (1985). em sua grande maioria. seja na promoção da aprendizagem. toma-se emprestado da medicina o termo "olho clínico". . Os encaminhamentos ao consultório psicopedagógico. Destarte. que o olhar que esta área possibilita não se resume às ações apenas no campo escolar. É importante destacar. Quando os problemas concernentes ao fracasso escolar advêm de motivos ligados à estrutura familiar e/ou individual. os problemas de aprendizagem podem ser gerados por razões internas ou externas à família e ao indivíduo. o psicopedagogo pode contribuir com as relações inter e intrapessoais dos indivíduos que atuam na organização. Isso nos aponta que a prática psicopedagógica também possui uma configuração clínica. Orientar. Apoio psicopedagógico aos trabalhos realizados nos espaços institucionais. seja no tratamento dos distúrbios e dificuldades nesse processo. nos conferem apontamentos acerca do campo de atuação do psicopedagogo. temos projetos como a Lei nº 3. Atuar preventivamente nos problemas de aprendizagem. Nessa linha de apontamentos. Oferecer assessoria psicopedagógica aos trabalhos realizados em espaços institucionais. fazendo com que cada situação seja única. faz-se necessária uma intervenção psicopedagógica. sendo possível considerar que certa representação da profissão está se constituindo por meio das relações concretas entre os sujeitos. Desenvolver pesquisas científicas relativas ao processo de aprendizagem e seus problemas. Abordamos aqui.124/97 que ao regulamentar a profissão. ressaltando que ambas estão atreladas ao processo de aprendizagem. pela instituição. coordenar e supervisionar cursos de especialização de Psicopedagogia. ao remeter a atuação do Psicopedagogo tanto a identidade clínica quanto a institucional. identificando os empecilhos e os elementos facilitadores numa ordem preventiva. na prática profissional. alguns dos seus desdobramentos no campo empresarial. Neste campo. O psicopedagogo pesquisa as condições para que se produza aprendizagem escolar. Isso nos faz entender que o Psicopedagogo é um profissional ligado historicamente à educação. em nível de pósgraduação.busca de condições para amenizar e/ou sanar tal dificuldade. Eis que esses elementos são condicionados por fatores distintos. ele torna-se uma ferramenta poderosa no auxílio da aprendizagem. ao referimos à postura terapêutica do profissional. Os principais itens podem ser assim colocados: Intervenção psicopedagógica visando à solução dos problemas de aprendizagem. Possibilitar intervenção visando solucionar problemas de aprendizagem tendo como enfoque o aprendiz ou a instituição de ensino público ou privado. expedidos por instituições ou escolas devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da legislação vigente.

culmina no comprometimento do trabalho das outras esferas. através da cultura. PSICOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO: DELINEANDO INTERFACES As análises que se incidem no campo da educação apontam para a questão do envolvimento do aluno no ato de aprender e do professor no de ensinar.3. é bastante preocupante. Isso trás em foco. já que este último tem na família e no professor seus referenciais. A escola é construída com a participação dos diversos segmentos sociais. a urgência de novos olhares sobre as questões que afloram no contexto escolar e que consequentemente influem no desenvolvimento do educando. Pensar sobre as ações educativas desenvolvidas e os desdobramentos que delas decorrem para o sujeito infantil significa. É importante e necessária a compreensão de que a escola não é. e nem pode ser a única responsável por sanar as questões relativas à aprendizagem. família e educadores. Diante disso. com o advento da modernidade. portanto. torna-se clara a importância de um trabalho que reflita sobre o papel e a importância de um psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem. Ademais. a importância da compreensão do contexto que circunscreve este ato ganha corpo. se a Psicopedagogia surgiu da necessidade de compreensão e atendimento aos indivíduos com dificuldades e distúrbios de aprendizagem. Desse modo. a necessidade da psicopedagogia no contexto escolar e fora dele. Essencialmente hoje. alunos e os conteúdos de aprendizagem. que é de natureza mais ampla. a situação da aprendizagem. O Psicopedagogo na instituição escolar . o educador estabelece uma relação de muita proximidade com o aluno. É necessário que haja uma compreensão do contexto social. a discussão do campo de atuação e da importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem não pode se processar de modo isolado.1. Além dessa conjuntura. para compreender as especificidades do trabalho psicopedagógico que. não basta o educador estar preparado pedagogicamente para desempenhar seu papel de modo satisfatório. das relações de classe. 3. a depender dos seus "mundos de vida". deparamo-nos com a situação específica da aprendizagem no interior das escolas. trazendo em voga elementos importantes para o entendimento das interfaces da educação. não se dá descontextualizado. de modo que a abnegação de qualquer um desses segmentos no cumprimento do seu papel. pensar sobre as relações que se estabelecem entre educadores. fora do contexto mais amplo que é a sociedade. É nesse contexto que as dificuldades de aprendizagem acabam erigindo como um desafio para a educação desencadeando assim. visto que. Comumente. tais conteúdos atingem cada indivíduo de modo diferente. por sua vez. como Estado.

Em se tratando das ações preventivas delineadas no espaço físico e psíquico que configura a instituição escolar. Sabemos que a ação preventiva pode evitar muitos problemas dessa ordem. a investigação cuidadosa e a realização de propostas para uma formação docente eficaz e verdadeiramente comprometida. como uma possibilidade de sanar tal problema e/ou de buscar possibilidades para a criança. deve priorizar o conhecimento do sujeito. o que e como ele conseguirá aprender. o desenvolvimento da escuta. Dentre as muitas proposições da Psicopedagogia. o psicopedagogo deve refletir acerca das questões aqui elencadas. órgãos especializados para transmitir os conhecimentos. professores. está a ressignificação do desejo do educando. o psicopedagogo. Esse trabalho ocorre geralmente de forma individual. atitudes e destrezas que a sociedade estima necessárias para a sobrevivência. promover o desenvolvimento cognitivo e a construção de regras de conduta. o alargamento do olhar. a busca pelo sucesso escolar e acrescentamos à essas. a instituição escolar é responsável pela aprendizagem sistêmica. É na instituição de ensino que os educandos adquirem as aprendizagens instrumentais que irão permitir o acesso a níveis mais elaborados de pensamentos. O psicopedagogo na clínica O trabalho clínico pode ocorrer em hospitais ou em consultórios. e por meio dele. dentro de um projeto social mais amplo (BOSSA. incluindo alunos. pais e comunidade do entorno escolar. Visca (1987) apregoa que no intuito de prevenir os problemas de aprendizagem. A partir dela. Nos casos em que a criança já apresenta o distúrbio ou dificuldade de aprendizagem. buscando oferecer sua contribuição no sentido de prevenir os problemas de aprendizagem. àquela que se opera na interação com as instituições educativas. a promoção do pensar. mediadoras da sociedade.A atuação psicopedagógica pode e deve ser pensada a partir da escola. Segundo Jorge Visca (1987). embora não seja a única ação possível para o psicopedagogo. nesse caso é necessário a intromissão do trabalho clínico. . É por meio da aprendizagem que os indivíduos se inserem no mundo. o trabalho preventivo por si só não conseguirá abarcar a demanda da criança. No trabalho junto à instituição escolar. 3. ainda que para isso necessite encaminha-lo a outros profissionais. 1992). Entendemos que pensar a instituição escolar a partir da psicopedagogia implica atuarmos frontalmente sobre a formação do professor. são avaliados os procedimentos didáticometodológicos que interferem no processo de aprendizagem. a qual cumpre uma função social: a de socializar os conhecimentos disponíveis.2. o psicopedagogo procura compreender o porquê do sujeito não aprender. Seu papel é de focalizar a problemática dentro do contexto causa/sintoma e atuar sobre ele. uma formação que seja capaz de transcender os muros da escola e abarcar a sociedade em geral.

Nesse sentido. ensaiando na brincadeira as suas expectativas da realidade. provas pedagógicas. Pain (1986. Diante disso. na medida em que é por meio dela que se constroem os códigos simbólicos e se processam os paradigmas do conhecimento conceitual. sem perder o foco do seu compromisso com a aprendizagem e lembrando que toda . a produção do conhecimento acaba sendo bastante acelerada. É através da relação lúdica. não basta ter os conhecimentos relativos à psicopedagogia. observação. a relação que se estabelece entre o psicopedagogo e o educando é mediada por ações que apresentam como principal objetivo: solucionar rapidamente os efeitos mais nocivos do sintoma para depois dedicar-se a afiançar os recursos cognitivos (PAIN. visando a superação das dificuldades que este sujeito venha a apresentar. visto que. ele poderá compreender o quadro diagnóstico do sujeito a que se destina a atender. o que favorecerá a escolha da metodologia mais adequada. que se estabelece a comunicação. de um gesto. sempre em um contínuo revisável. Mas o que não se pode esquecer é que mais importante do que o instrumento adotado é a atitude do profissional diante do cliente. visto que o jogo é uma atividade criativa e curativa que permite a criança (re) viver situações. 1992). utilizam-se entrevistas e anamnese. o exercício de todas as funções semióticas que supõe a atividade lúdica possibilita uma aprendizagem adequada. a percepção e observação a fim de decifrar a mensagem que se externa por meio de um silêncio. pois ao passo que ele busca se nutrir de um arcabouço teórico consistente. O olhar. É importante. de um suspiro. é necessário estabelecer e interpretar dados em outras áreas. provas psicomotoras. Tendo em vista que o psicopedagogo detenha esses conhecimentos. O trabalho psicopedagogico apresenta vicissitudes que concentram na existência de um objetivo bem definido a se alcançar que é a eliminação do sintoma. 1986 apud BOSSA. Em relação aos instrumentos. esta mesma autora. Tais procedimentos são denominados por Bossa (1992) de metodologia ou modus operandi do trabalho clínico. levantamento de hipóteses. a observação se constitui num elemento essencial para melhor precisar o quadro e processar o tratamento curativo. assinala queno diagnóstico psicopedagógico. como muito bem nos lembra Bossa (1992). 1992) argúi que.O diagnóstico psicopedagógico é como um procedimento de pesquisa em que há investigação. alguns procedimentos específicos são adotados. o profissional lança mão de diversos jogos que possam lhe auxiliar no trabalho. Durante o tratamento clínico. este profissional deve ter conhecimentos multidisciplinares. a escuta. a depender do referencial adotado pelo psicopedagogo. em um processo diagnóstico. É importante lembrar que independente do referencial adotado. Além da postura ética e atitudes corretas frente ao trabalho. provas de nível mental. Destarte. do jogo. a formação continuada desse profissional tende a ser bastante acelerada. do brinquedo. provas de percepção. são posturas que o psicopedagogo não pode negligenciar no trabalho clínico. que o psicopedagogo busque mecanismos que lhe permitam jogar o jogo da criança. favorecendo uma intervenção psicopedagógica. No processo diagnóstico e no tratamento. provas de linguagem. Eis que este aspecto relaciona-se não somente a operacionalização do trabalho psicopedagógico como também com o êxito do mesmo. provas projetivas e outras. apud BOSSA.

e isto é de suma importância. seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento do filho é de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico. Estar atentos ao que a família pensa. Sabemos. onde cada membro exerce uma função distinta e complementar. social e emocional. e instrumento privilegiado para o governo da população (FOUCAULT apud DORNELLES.3. talvez por não terem se adequado às novas mudanças que vêm erigindo no cenário da modernidade. que a relação da família com a escola é ainda. as famílias encontram-se em sua grande maioria. É o primeiro lugar de aprendizado. e a construção da identidade. crenças. Sendo assim. são altos os índices de desempregados. No contexto atual. e esta. o que influi na dinâmica familiar. então essas duas instâncias devem atuarem parceria.relação do sujeito com o mundo. através de encontros que possibilitem o acompanhamento do trabalho junto aos professores. A intervenção psicopedagógica deve buscar a inclusão dos familiares. cresce o número de separações e de mães solteiras. igualmente alarmente é o número de analfabetos. a família vai tornar-se instrumento. constituindo desta forma. Se a família e a instituição de ensino devem primar pelo desenvolvimento da criança. em que ocorrem às primeiras trocas afetivas emocionais. é pela família que se deverá passar. em primeira instância. opinando e participando. cognitiva. reverbera. em alguns . De modelo. o que consequentemente. assim a sociedade é composta pela soma de famílias. os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho. Este profissional intervém junto à família das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. no entanto. no contexto da escola e depois passa para a incumbência do psicopedagogo. A família é composta de indivíduos que estabelecem relações entre si e compartilham o mesmo contexto social de pertencimento. uma identidade particular. seus anseios. 2005). e cada uma delas é possuidora de culturas. Família e Escola: Um olhar a partir da psicopedagogia Quando se quiser obter alguma coisa da população. tornam-se uma constante. demanda aprendizagem. já que o mundo do trabalho lhes roubam o tempo de ficar com seus filhos. 3. as brigas entre casais na presença dos filhos. um tanto desestruturadas. há ainda questões mais contundentes como o uso de drogas nas famílias. As famílias que apresentam esses problemas acabam transferindo para a criança. por sua vez começa a apresentar certas dificuldades. por meio de suas metodologias a fim de tomar conhecimento de informações sobre sua vida orgânica. A família é a célula máter da sociedade. depois que deixa de ser conseqüência de um reflexo.

relações pautadas pela confiança e respeito. nos deparamos com angústias inerentes ao (dês) conhecer. 4. na mais tenra idade. a modalidade de aprendizagem é como um esquema de operar que vamos utilizando nas diferentes situações de aprendizagem. Se pensarmos que as rupturas no vínculo da família provocam bloqueios em relação ao conhecimento da criança. a busca de uma relação confiável e colaborativa entre escola e família com fins ao desenvolvimento integral do educando é uma questão importante e necessária que o psicopedagogo não pode fazer vistas grossas e nem ouvidos moucos. mas como contribuições que desencadeiam um chamamento a novas reflexões . ALGUMAS CONSIDERAÇÕES As colocações aqui expostas aludem à existência de questões que na situação pedagógica interpõe-se entre o ensino. a fim de descobrir os motivos do não aprender. incentivando a escola a se interessar pela opinião dos familiares. Cada indivíduo possui uma maneira pessoal de apropriar-se do conhecimento. e procurar propor metodologias que viabilizem e/ou facilitem os processos de aprendizagem. Isso nos leva a entender que o rompimento no vínculo afetivo consequentemente desencadeia bloqueios no aspecto cognitivo. a forma como a criança recebe e/ou absorve o conhecimento. que inexoravelmente. compreender como se processa o conhecimento na família e. Diante disso.aspectos. não como um fechamento definitivo e inalterável. Tal como argúi Fernandez (1991). e os desdobramentos desses processos. se relacionam com o contexto de vida da criança. Ainda segundo esta mesma autora. O psicopedagogo deve procurar o significado do aprender para a criança e sua família. posto que o conhecimento é dinâmico. Por isso. apresentamos nossas considerações. Tomando como ponto de partida as discussões e idéias apresentadas e sem ter a pretensão de esgotar esse debate. estaremos admitindo que o campo afetivo e o campo cognitivo estão sempre juntos. dada sua complexidade. o psicopedagogo costuma primar pela busca dos elementos positivos entre essas esferas e a partir daí institui-se a cooperação da família para a escola e desta para aquela. desencadeando assim. conflituosa. a aproveitar as idéias e/ou proposições advindas das famílias. como o psicopedagogo poderia ajudar no estabelecimento dessa via de mão dupla? O psicopedagogo pode colaborar nessa tarefa. Assim. é uma tarefa que o psicopedagogo não pode desconsiderar em sua atuação. Essas proposições nos conduzem a reflexões que se concentram essencialmente no âmbito familiar. A participação da família na escola contribui efetivamente para uma observação mais eficaz das significações sintomáticas relacionadas ao aprender. as formas de aprendizagem constroem-se desde o nascimento. e através destas formas. Nessas relações. sobretudo na instituição consagrada para tal que é a escola.

a agilidade e a lentidão e outros elementos que tanto se contrastam. Acreditamos que. é um problema comum aos nossos dias que precisa urgentemente ser superado. o psicopedagogo deve evitar os prognósticos que o educador costuma levantar acerca da criança. de considerar a criança como pessoa inteira. Para isso. Estes dados apontam a importância de se olhar para a criança na sua singularidade. A partir do entendimento resultante da referenciação teórica adotada. Enfim. consideramos. quanto se complementam nos processos de aprendizagem. o campo que se delineia é vasto. a importância e o universo de atuação do Psicopedagogo como o de instituir caminhos que conectem o (não) saber. que diante do campo de atuação e da importância do Psicopedagogo. Nesse contexto. de considerar a constituição dramática daquelas que não aprendem.acerca do campo de atuação e da importância do Psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem escolar. A função do Psicopedagogo é intervir em caráter preventivo e curativo. prevenindo-a e/ou sanando-a. sem antes. Esta dificuldade em enxergar a criança como sujeito na sua integralidade. tem muito a aprender e muito a contribuir. a facilidade e a dificuldade. gerando orientações metodológicas seguras e fazendo com que os sujeitos da educação repensem o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança. Firma-se assim. bem como participar do processo educativo. Como muito bem nos lembra Barbosa (2002). em consonância com Bossa (1992). perceber prováveis perturbações no processo aprendizagem. ele precisa incidir suas atenções na dificuldade de aprendizagem. é a percepção desta particularidade que irá delinear o processo e não um padrão universal de desenvolvimento. nesse contexto. destarte. compete a ele. não se concentram unicamente na criança ou adolescente ou no educador. existe um conjunto bem mais amplo com outros elementos que precisam ser percebidos e analisados pelo psicopedagogo no entrelaçamento de sujeitos e situações. visto que. viabilizando a integração entre os indivíduos. o (dês) acesso ao conhecimento. é condição sine qua nom para o seu trabalho. a Psicopedagogia. BIBLIOGRAFIA . como uma das áreas responsáveis pela aprendizagem. levar em consideração o seu mundo de vida. um olhar acurado e uma postura crítica frente à realidade com vistas a melhoria da aprendizagem. é possível inferir que os motivos do (não) aprender.

6 ed. FERNANDEZ. Infâncias que nos escapam: da criança na rua à criança cyber. São Paulo: Atlas. Curitiba. M. BOSSA. In: MARCONI.67. 1991. MARCONI. DE 1997 Autor: Deputado BARBOSA NETO. São Paulo: Cortez. 1985. 2007. PATTO. Leni Vieira. Técnicas de pesquisa. LIBÂNEO. LAKATOS. 2000. Marina de Andrade. Nádia. MERY. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Formação de professores: o lugar das humanidades. Adeus professora? novas exigências educacionais e profissão docente. LAKATOS. Coleção Questõesde nossa época v. Sara. 10. PAÍN. Rio de Janeiro: Vozes. Coletânea de reflexões. Pedagogia curativa escolar e psicanálise. . DORNELLES. A inteligência aprisionada. Marina de Andrade. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. Eva Maria.ed. In: Barbosa. 2005. Porto Alegre: ARTMED. 1992. J. Janine. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. S.104p. Adeus professor. A história da psicopedagogia contou também com Visca. Porto Alegre. Laura Mont Serrat. Artes Médicas. 2009. C. Fundamentos de Metodologia Científica. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Petrópolis. Alícia. 2002. COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE REDAÇÃO PROJETO DE LEI No 3.124.BARBOSA. ________________. H. In: Psicopedagogia e Aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas. Eva Maria. Porto Alegre: Artes Médicas. 1985.

(Org.R. Clínica Psicopedagógica. VISCA.L. SCOZ. p. Petrópolis. Rio Grande do Sul: Artes Médicas. Rio de Janeiro: Vozes. Beatriz. 1994.Trajetórias e perspectivas de formação de educadores. Psicopedagogia e realidade escolar: O problema escolar e de aprendizagem.L. 2004. São Paulo: Editora UNESP. Jorge. 61-78. Porto Alegre.). 1987 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful