Aula de NARRATIVA JURÍDICA

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Unidade I – Estrutura das peças processuais

Prof.a. Nádia N. Pires


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- A contribuição das disciplinas de Português Jurídico - Teoria Tridimensional do Direito, gênero e tipologia textuais - Macro-estrutura da petição inicial, da contestação, da sentença, do parecer e do acórdão - Características linguísticas das peças processuais e questões gerais de norma culta jurídico aplicadas ao português - Narrativa jurídica simples - Narrativa jurídica valorada - Características da narrativa da acusação - Características da narrativa de defesa - Modalização

Unidade 2 – Tipos de narrativa jurídica


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Unidade 3 – Características da narrativa jurídica - Polifonia e intertextualidade - Seleção dos fatos juridicamente importantes e dos demais fatos esclarecedores - Organização dos fatos a serem narrados - Uso da pessoa e do tempo verbais - Paragrafação Unidade 4 – Narrativa a serviço da argumentação - Função argumentativa da narração - Relação fato – argumento. - Fundamentação simples: argumentos pró-tese, autoridade e oposição concessiva - Introdução ao texto jurídico argumentativo

Unidade I 1. ESTRUTURA DAS PEÇAS PROCESSUAIS 1.1. A Linguagem e comunicação Humana

► A contribuição das disciplinas de Português Jurídico ► O que é Linguagem?
A linguagem é algo eminentemente social; o homem precisa para viver e comunicar-se com seus semelhantes. Para isso, ele possui um dom natural, inato: a faculdade de (re)criar e manipular sistemas de comunicação. Essa faculdade criativa é chamada de linguagem. O homem é um ser de linguagem. A linguagem pode ser verbal e não verbal, porque a comunicação pode efetuar-se mediante gestos, batidas, assobios, cores e outros sinais (linguagem não verbal), e pode ser feita por meio de palavras (linguagem verbal), esta é especifica do homem e a base da sua comunicação. ► Linguagem não verbal: É importante salientar que o silêncio, ou melhor, o calar-se é um ato de comunicação, pois o calarse pode ser considerado como um “ter deixado -de- falar” ou “o não falar ainda”; é, portanto, uma determinação negativa de falar (Eugênio Coseriu, apud DAMIÃO e HENRIQUES, 2004, p.32). No Direito fala-se em tácita aceitação, tácita recondução, renúncia tácita, tácita ratificação. Magalhães Noronha (1969, apud DAMIÃO e HENRIQUES, 2004, p.32 ) diz que o silêncio do denunciado pode ser interpretado contra ele. a) Dentre os códigos não verbais destacamos: a linguagem corporal e a linguagem do Vestuário A linguagem corporal (do olhar e mãos) DAMIÃO e HENRIQUES (2004, p.19) afirmam que a falsidade de um depoimento pode revelar-se até mesmo pela transpiração, pela palidez ou simples movimento palbebral. Ressaltam ainda que o profissional do Direito precisa ficar atento para o código cultural das expressões gestuais. Exemplo: A Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) A linguagem do Vestuário De um modo geral, a vestimenta deve adequar-se ao papel social desempenhado. No Direito, a toga é uma forma, um índice da função do juiz; e a cor negra indica seriedade e compostura que devem caracterizar sua imagem profissional. Exemplo: A cor preta no vestuário ainda está associada à idéia de seriedade e respeito. Assim como a cor branca a pureza e paz. O que é Língua? É o tipo de código formado por palavras e leis combinatórias por meio do qual as pessoas se comunicam e interagem entre si. A língua representa a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, “que por si só, não pode modificá-la”. O que é Fala?

b)

juiz. no mínimo. estão estreitamente relacionadas. Instituto Literris/UMC) . tempos. O terceiro tipo de representações diz respeito ao lugar social em que o texto é produzido e em que vai circular. Vejamos quais são elas: Primeiramente.Ao contrário da língua. etc. instituição acadêmico-científica. o rádio. isto é. 1. indeciso. o qual serve-se de um código. “(. Todo ato de comunicação envolve sempre seis componentes essenciais: um objeto de comunicação mensagem (o texto) com um conteúdo “referente” (o contexto).). democrático. médico. o produtor do texto (oral ou escrito) tem. “ao passo que a língua constitui algo adquirido e convencional” (p. a comunicação só pode ser um ato político. os lugares de lazer. Como exemplos. etc. Do mesmo modo que as anteriores. ele também tem uma representação do papel social que desempenha em uma determinada atividade social (aluno. que procura desenvolver e compartilhar o seu em comum com o próximo. médico. o produtor do texto também tem representações sobre o seu interlocutor.: Saussure (p. quer este esteja presente ou ausente na situação física da produção. Essas representações vão. temos as instituições econômicas e comerciais. para Saussure. produzimos um determinado texto . espaços e a debreagem) (Projeto de Cultura da Escrita. em nível individual. É lógico que as representações. de vontade e de inteligência. Qualquer falha no sistema de comunicação impedirá perfeita captação da mensagem. pois através de um código que são transmitidas as mensagens entre o emissor e o receptor. a "zona de cooperação social" na qual se desenvolve a atividade humana especifica à qual se articula a atividade de linguagem. em bilateralidade. Nesta prática social é que se assentam as raízes do Direito.. a linguagem é a faculdade natural de usar uma língua. instituições de saúde. mas há também uma representação sobre o papel social que esse interlocutor está desempenhando na interlocução (pai.: técnico. por meio de um canal (ou contato). uma prática social básica. racional. filho. competente. 17).). essas representações seguem em dois sentidos: de um lado.) Porque o homem é um ser essencialmente político. conjunto de normas reguladoras da vida social” (DAMIÃO e HENRIQUES. um ato de partilha. o produtor do texto tem representações sobre o lugar físico em que produz o texto. p. A Linguagem jurídica e suas especificidades ► O que é Comunicação Jurídica? A busca pela interação social é considerada uma compulsão natural do ser humano. advogado. professor. no mínimo. sendo impossível conceber um sem o outro”. instituição familiar. o que implica. De um lado há uma representação do interlocutor como uma entidade física. também. Vale lembrar que.19) ► O Ato de Comunicação: A comunicação é. Mas.oral ou escrito.. comunicação é a troca de mensagens entre duas ou mais pessoas ou grupos. instituições "mediáticas [midiáticas]” (a imprensa escrita. Referência / Contexto (pessoas. mas tem também representações sobre a instituição social. até mesmo inconscientemente. que vão influenciar diversas das características de nossos textos.) Em segundo lugar. uma representação de si mesmo com uma instância física. que o produtor mantém sobre o seu papel e sobre o papel do interlocutor. isto é. basicamente. etc.2. os lugares de práticas de contato cotidiano. instituições políticas e governamentais. Obs. transmitido ao receptor (recebedor/interlocutor) pelo emissor (Locutor/produtor). colega. instituição literária. Em resumo. etc. acionamos determinadas representações sobre o contexto de produção desse texto. instituições de repressão justiça e policia. como um corpo físico separado dos demais. nos dois sentidos anteriores. ao mesmo tempo. e da imagem que quer passar de si mesmo por meio do texto produzido (ex. Ao obstáculo que fecha o circuito de comunicação dar-se o nome de ruído. ATO DE COMUNICAÇÃO Referência / Contexto ► O contexto de produção de linguagem na interação social Sempre que escrevemos ou falamos. a fala é um ato intencional. a televisão). 16) afirma e adverte ao mesmo tempo: “A linguagem tem um lado individual e um lado social. 2004. É um processo feito com base em um sistema de sinais convencionais.

Numa sessão de júri. sem abreviação do mês e ano: Lei nº 4. concisão. do receptor ou transtorno no canal. a partir do 10. como clareza. Em um ato de comunicação. 20. tratando-se de uma autoridade judiciária ou um cidadão comum. art.  destinatário da mensagem. deve se considerar algumas qualidades. seguido de algarismo arábico e do símbolo do numeral ordinal (º) até o de número 9. o ambiente.2. o melhor meio é valer-se o profissional de algumas técnicas de redação muito úteis na construção de qualquer texto No tocante as técnicas de elaboração textual. Numa sala de aula: a comunicação não se fará. a presença desses fatores resulta num maior ou menor grau de formalidade ou informalidade na linguagem. A esse obstáculo que compromete o boa recepção do enunciado é dado o nome de ruído. art. o assunto. deve haver uma demonstração de respeito e consideração.. 2º. 3.”. ao mesmo tempo. Linguagem do texto jurídico O uso de quatro formas de tratamento (Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz ) mostra o aparente “excesso” de formalismo na confecção do requerimento e. 1º. que pode ser causado pela inabilidade do emissor. 909 etc. (Fonte: Texto extraído do Jus Navigandi) Duas coisas devem ser consideradas na hora de escrever:  técnicas básicas de redação . tem-se que é inerente ao procedimento jurídico. deixa uma demonstração de respeito para com o destinatário.  Correção gramatical: representa a principal característica de um texto. que deseja e tem o direito de acompanhar o serviço contratado e a evolução do seu processo junto à justiça competente. características da boa escrita. 9º. sem “introduções” e frases iniciais desnecessárias. Exemplos de ocorrência de ruídos: 1. palavras supérfluas.mesmo com o domínio do código.860. art. A área do direito é revestida de formalidades e solenidades que a própria lei determina.860. Para que o destinatário da mensagem logre êxito na decodificação. art. de 26 de novembro de 1965. seguido da data. de 1965. A clareza é um reflexo direto da organização do pensamento de quem escreve. parcial ou nula dependendo do domínio do código por parte do espectador. suspenderse-á a sessão. Há interferência negativa no processo de comunicação. memorial. Numa projeção cinematográfica : na exibição de um filme falado em inglês (não legendado). leveza. ► Características do texto JURÍDICO  Clareza: ocorre quando as idéias contidas no texto são facilmente compreendidas pelo leitor. art. art. usa-se só o algarismo arábico. 11.860/65. Os artigos de lei são citados pela forma abreviada “art. Nas referências seguintes serão indicados apenas o número e o ano: Lei nº 4. a primeira referência deve indicar o número da lei.  Concisão: significa comunicar o essencial empregando uma quantidade reduzida de palavras. 10.. elegância e correção. ou Lei nº 4.  Objetividade: ocorre quando um texto vai diretamente ao assunto. pois há ruído impedindo a comunicação. 306. 2.Observação: Como já foi dito anteriormente. art. qualquer falha no processo de comunicação pode prejudicar a perfeita captação da mensagem por parte do receptor. Assim: art. . O mesmo ocorre se houver quebra de sigilo entre os jurados. 1. o uso exagerado de adjetivos e as frases longas e confusas. Quanto ao rigor formal. No tocante ao destinatário da peça judicial. inclusive. se o juiz não conhecer o código do acusado e o interprete estiver ausente. objetividade. sentença). a comunicação será plena.. Observe: Citação de Leis No texto jurídico (petição. o cliente.  Adequação: são vários os fatores que levam o falante a adequar sua linguagem: o interlocutor. a relação falante / ouvinte. se o referente for bastante complexo. O texto conciso é o que evita principalmente: repetições. As principais são: a clareza e a objetividade. 3º . precisão. art.

Prefeitos Municipais. mas o número da lei tem: Lei nº 5. 125. abaixo).. Redação de Atos Normativos.assegurar às partes igualdade de tratamento.. Ex. o parágrafo único do art.92) e do Decreto Estadual nº 11. Lembrete. II ... internacionalmente conhecida.1. nas referências a parágrafo único. NOTA – A técnica de citação de leis (itens 2.prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça. Já as regras de tratamento formal (item 2.: Os §§ 2º e 3º do art. seguida de parêntese: “De acordo com o § 3º. a grafia é por extenso.8) tem por fundamento as normas constantes da Lei Complementar nº 95. 20 do CPC (ou alíneas “a” a “c” do CPC). ► Tratamento formal Vossa Excelência: Presidente da República e Vice.450. 15. Governadores e Vices. seguidos de hífen (ver art. “ano” (sem i) não tem ponto. Fatores de contextualidade: a coesão e a coerência no texto jurídico Concepções sobre a Teoria Tridimensional do Direito. 125 do CPC. alíneas a) a c) do art. itens 2. de 26 de fevereiro de 1998 (ver abaixo.Os incisos são designados por algarismos romanos. logo o número da lei também tem ponto (Lei nº 5. Membros do Poder Legislativo e Judiciário. As alíneas ou letras de um inciso ou parágrafo deverão ser grafadas com letra minúscula.3.70 ou 1. Oficiais-Generais. a qualquer tempo.” Quando um artigo tiver mais de um parágrafo. 2004 é o ano da Olimpíada de Atenas).970). seguido do cargo respectivo: Senhor Juiz.05. O texto de um artigo inicia-se por maiúscula e termina por ponto. parágrafo anterior e semelhantes. As datas devem ser escritas por extenso: 2 de maio de 1970 (não se escreve 02 de maio de 1. de 6 de março de 1992. Teoria Tridimensional do Direito.1. salvo nos casos em que contiver incisos.5 a 2. parágrafo seguinte. O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas a essas autoridades é Excelentíssimo Senhor. Senhor Ministro. quando deverá terminar por dois pontos.7). As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor. conciliar as partes. Ministros.tentar. e posteriormente abordada em diversas obras. IV . da Secretaria da Administração Federal (DOU 9. gênero e tipologia textuais 2. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código. Exemplo de um Ofício Protocolar: 2.5. portanto a indicação do ano não leva ponto (em 2002 o Brasil conquistou o pentacampeonato. para memorizar: “lei” (com i) tem ponto.450/70).1 a 2. de 2 de maio de 1970 (Errado: Lei 5440.970). competindo-lhe: I . seguido do cargo respectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente do Tribunal de Justiça. 12. de 5 de janeiro de 1978.1. estes serão designados pelo símbolo §.velar pela rápida solução do litígio. seguido do algarismo arábico correspondente. . de 02.2) constam da Instrução Normativa nº 4. Exemplo: Dispõe o Código de Processo Civil: “Art.. elaborada pelo jusfilósofo brasileiro Miguel Reale em 1968. o ano não tem ponto. trata-se de uma concepção de Direito. III .074. Secretários Estaduais.

deverão passar por três grandes etapas comuns a todas as peças processuais: a) narração dos fatos juridicamente importantes do caso concreto (FATO).). solteira. Dessa forma pode-se dizer que o fenômeno jurídico se compõe. ► 2ª Caso: Adriana. finalmente. Sua gravidez era desconhecida por todos. Exemplos: ► 1º Caso: Marcela. de uma norma. há o aspecto fático. e. inclinando ou determinando a ação dos homens no sentido de atingir ou preservar certa finalidade ou objetivo (valoração desses fatos). em que o Direito se atenta para sua efetividade social e histórica. que representa a relação ou medida que integra os demais elementos (aplicação da norma). b) defesa de uma tese. após o nascimento de seu filho prematuro. em seu lado axiológico. Ao sentir a dor do parto. entra em trabalho de parto. o Direito cuida de um valor.2. mãe. pede para segurá-lo – beija-o longamente e joga-o para trás. Primeiramente. Gênero e tipologia textuais: . Em segundo lugar. Segundo a teoria tridimensional. 36 anos. O bebê sofre traumatismo craniano e morre. de um fato jurídico (narrativa do fato. Dito em outras palavras.À época de sua divulgação. desempregada. colegas de trabalho). pai. o que a lei determina (NORMA). quatro e um ano e meio). que usaria para seu parto. tratou-se em verdade. Depois de passar por vaias situações trágicas. é levada a um hospital. Em decorrências de complicações resolve puxar á força a criança e a mata afogada em uma banheira de água quente. amigas. Esquema: 2. valrativo (VALOR). mãe de três filhos (de seis anos. o Direito se compõe de três dimensões. tendo esse pensamento arregimentado adeptos e simpatizantes em todo o universo dos estudiosos do Direito. Por fim. no caso. gestava o quarto filho. Um exame realizado pelo Instituto Médico Legal atesta que essa mãe encontrava-se em estado puerperal. volta para sua casa no intuito de realizar o parto sozinha e jogar a criança em um rio próximo a sua casa. de um valor. onde. em seguida jogou no rio a criança já morta enrolada em saco preto. a Justiça. em que se entende o Direito como ordenamento e sua respectiva ciência. ao saber de sua gravidez. por meio de texto argumentativo. para os profissionais da área jurídica verificarem se a parte tem ou não direito que pleteia. há o aspecto normativo. sempre e necessariamente. c) Aplicação da norma. não conta a ninguém (namorado. de uma forma absolutamente revolucionária e inovadora de se abordar as questões da ciência jurídica. que confere determinada significação a esse fato.

14. sua compreensão pode estar condicionada a questões de ordem regional. 2. Para exemplificar. Exemplos de gêneros de textuais que pertencem à comunidade discursiva forense criminal que. Não podemos desconsiderar. Segundo Fetzner (2008). Sentença e muitos outros que compõem o processo pertencem a um único gênero textual: o de Redação Forense. um advogado pode dizer a mesma coisa com textos bastante diferentes. mas seu objetivo e intenção já não são mais os mesmos: se antes pretendia mostrar a procedência de seu pedido. pelo promotor. a influência do veículo onde se vai expor/publicar esse conteúdo. Ou nos casos abaixo: 1. Portaria. apenas as relataremos abaixo: 1. pelo juiz de direito. orientado pelo princípio da razoabilidade. Relatório de ordem de serviço. por exemplo. O tipo de publicação: 3. Procuração. Para Marcuschi essas funções são pressentidas e vivenciadas por seus usuários. mas já teve grande aceitação. Despacho de deferimento de pedido de fiança. .A estrutura da narrativa jurídica Distinção entre gênero textual e tipologia textual A diferença entre gênero e tipos textuais é importante para o profissional do Direito. A finalidade de quem produz o texto: Em uma exrordial. ainda que o texto seja produzido no mesmo processo pelo mesmo advogado. posto que deve orientá-lo na produção de suas peças processuais. 8. Auto de busca e apreensão. Assentada. Exceção de suspeição e de impedimento. pelas partes. Isso implica dizer que. ► Gêneros de textuais Autores como Marcuschi (2002) definem os gêneros textuais como uma noção ou forma de orientação para os textos que são elaborados no dia a dia e que apresentam características sociocomunicativas definidas pelos conteúdos. 8. mesmo para quem não é profissional da área. que esse último já foi julgado e rejeito. essa tese certamente não tem mais acolhida no Judiciário. Vários fatores influenciam a conduta do advogado que atua em uma Vara Criminal ou no Tribunal do Júri. Logo a finalidade de cada peça é diferente. Distribuição. devemos considerar: 1. 16. é a reunião de cinco fatores relevantes para a produção exata do sentido e objetivo desse gênero Portanto. Dependendo do lugar em que o texto é veiculado. 18. O lugar em que o texto é veiculado: 5. para ilustrar essa questão. propriedade funcionais. 7. decisões interlocutórias. o momento de sua produção e o momento de sua leitura podem também influenciar a sua compreensão. Portaria.10 Auto de busca e apreensão. no tratamento que pessoas mais humildes dão a seus filhos. Despacho de expediente. sentiam-se no direito de “lavar a sua honra com o sangue da mulher que praticou o adultério”. 3 Qualificação. Quem desconsidera isso terá reduzidas suas chances de sucesso. Pense. uma vez traídos. seja a mesma em todo o território nacional. Determinadas obrigações que toda criança do campo tem poderiam (e o são comumente) ser compreendidas na capital do Rio de Janeiro como exploração do trabalho infantil – e lá não são assim visitas. 2. agora. Sabe-se que o texto jurídico costuma apresentar uma redação bastante peculiar. Certamente a sua abordagem será diferente. e isso influencia a produção de o que e como se diz algo Os documentos jurídicos como Petição Inicial. Boletim de ocorrência. 4 Auto de prisão em flagrante. sua finalidade é mostrar (ainda de forma persuasória). 11. estilo e composição (determinando um certo padrão). Relatório. 12. Ao tratar do método de fixação do quantum indenizatório. Despacho. como se sobre elas tivessem o direito de vida e morte. Os valores da sociedade mudam. Requisição de Instauração de Inquérito Policial. Noticia. 4 Auto de prisão em flagrante. o advogado deve expor de forma persuasória (tendenciosa) para o juiz as razões de fato e de direito que o motiva a acreditar que um direito – objetivo de seu cliente – foi violado e por isso deve ser ressarcido. Liminar que rejeita a resposta do exceto. Contestação. porém. ainda que a lei penal. A identificação desse gênero textual não é muito difícil. o que pode influenciar a percepção sobre o uso desses gêneros em cada situação concreta. sua aceitação pode ser maior ou menor. Determinadas comarcas do interior recebem peças processuais cuja fundamentação seria inviável em grandes centros urbanos. Ordem de serviço. 6. Nota de culpa. 15. por questão de delimitação. exercendo uma função social específica. É comum os advogados comentarem que convencer juízes não é a mesma coisa que convencer jurados do Tribunal do Júri.A NARRAÇÃO NO TEXTO JURÍDICO . Requisição de Instauração de Inquérito Policial. Auto de busca pessoal. A condição social.crime. podemos fazer referência à tese de legítima defesa da honra. O público-alvo do texto: 4. 10 Relatório. 17. Nota de culpa. 7. É preciso apenas pensar que ele pode falar dessa questão tanto em uma Petição Inicial quanto em uma artigo publicado em revista jurídica. Despacho que determina ordem de serviço. por exemplo. sobretudo pelos operadores do Direito. Exemplos: A estrutura textual de um e-mail escrito para uma universidade não é a mesma se o destinatário for um amigo. 9. 5. 6. 5. Exceção de suspeição e de impedimento. 9. agora em grau de recurso deverá também expor as razões de fato e de direito que sustentam o recurso. Hoje. Se o mesmo advogado estiver atuando nesse processo. 3 Qualificação. para que possam redigir seus documentos com segurança. Boletim de ocorrência. Termo de fiança. 13. Conclusão dos autos. O momento em que o texto é veiculado: Assim como o lugar condiciona os valores predominantes em um texto. costumeiramente definida pelos advogados de maridos que. Noticia. competência e profissionalismo.crime. Termo de representação. os valores não são os mesmos para os dois grupos. Procuração.que a decisão proferida pelo juiz de primeiro grau não foi acertada. a formação técnica específica. mesmo sendo idênticos o tema e a tese defendidos. 2. Ordem de serviço.

231 do CPC). os acontecimentos do conflito que levam a crer que haja um direit a ser protegido e todos os fundamentos jurídicos com os quais se pretende mostrar esse dreito. na qual o autor formula o seu pedido. 5) "o valor da causa"(art. 6) "as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados" (art. contra o réu. 2003) ► REQUISITOS DA PETIÇÃO INICIAL Como antedito. descrição. ou seja. domicílio e residência do autor e do réu". 8) declaração do endereço em que o advogado receberá intimações (art. 213. por seu turno. Tipologia textual: narração. no Direito. de forma escrita. é de grande relevância o que se denomina tipologia textual: narração. em regra. Leonardo C. é considerada como o ato jurídico processual mais importante praticado pela parte autora dentro do processo. 219. é o art. a Sentença. sentença jurídica é o nome que se dá ao ato do juiz que extingue o processo decidindo determinada questão posta em juízo. dando início ao processo “A petição inicial. ou seja. quais sejam: 1) "o juiz ou tribunal a quem é dirigida" (Em CAIXA ALTA).2. estatuindo-os um a um. Observe como todos os tipos textuais ocorrem em um único gênero textual: Petição Inicial: ► Petição Inicial ► Definição: A petição inicial é uma peça escrita. argumentação. como a Petição Inicial. o Parecer. dentre outras denominações. Como vemos em Fetzner (2007).3. 222. injunção e dissertação. descrição. 4) "o pedido.. 283 do CPC). do CPC).. a um só tempo. mas em todos eles compreende a finalidade essencial de solucionar uma questão posta em julgamento. O que torna essa questão de natureza textual importante para o direito é a sua utilização na produção de peças processuais. 7) "o requerimento para a citação do réu" (arts. e a sua qualificação: estado civil. 259 do CPC). A sentença assume feições próprias de acordo com os diversos sistemas jurídicos existentes. expondo os fatos e sua fundamentação legal. inciso I. entre outras. o que exige do profissional do direito o domínio pleno desses tipos textuais. podendo cada uma delas apresentar diferentes estruturas. argumentação e injunção. além de ser o ato por intermédio do qual provoca-se a jurisdição a ser exercida pelo Estado-Juiz”. 224. 39. . (BARROS. com as suas especificações". 3) "o fato e os fundamentos jurídicos do pedido". 2) as partes: autor e réu – "os nomes e prenomes (Em CAIXA ALTA). resolvendo o conflito de interesses que suscitou a abertura do processo entre as partes. também chamada de peça de ingresso. observe o esquema da Petição Inicial e perceba como essa peça pertence a um gênero híbrido do discurso jurídico. Já os requisitos externos referem-se à forma pela qual deve ser objetivada a peça. Para melhor compreender essa afirmação. peça atrial. Os requisitos acima enfocados podem ser classificados como requisitos internos da exordial que. isto porque. a Contestação. dissertação. profissão. peça preambular ou exordial. define os limites da litiscontestatio em relação ao titular do direito perseguido. 282 do Código de Processo Civil que regula os requisitos da petição inicial. englobam os requisitos atinentes ao processo e requisitos atinentes ao mérito. ► Sentença jurídica Segundo o conceito antigo.

tornando irrelevante a orientação temporal. expositiva. que pode ser. – Tipos de narrativa jurídica Característica da Narração Tem por objetivo contar uma história real.  Injuntiva : é aquela que indica procedimentos a serem realizados. Já a narrativa em 3ª pessoa traz o narrador como um observador dos fatos que pode até mesmo apresentar pensamentos de personagens do texto (narrador = observador).motivo que determinou a ocorrência (Por quê ?) Modo . subjetiva . particularizado. ao tipo de estrutura do texto. Sobre este tipo gostaríamos de ressaltar que nos textos forenses as narrativas se mostram muito argumentativas e podemos perceber o enunciador como emissor de argumentos no ato de narrar.como se deu o fato (Como ?) Conseqüências (Geralmente provoca determinado desfecho)  Narrativa simples ou valorada: . dependendo do papel que o narrador assuma em relação à história. o enunciador se coloca na perspectiva do tempo e a narração instaura o interlocutor como o assistente. Nesses textos.  Elementos básicos da narrativa: Fato . (iii) e a resolução. como já vimos acima. convencendo-o de que estão de posse da verdade.  Narrativa (padrão): tem como características principais: (i) cenário ou orientação. mesmo que não mantenham relação de linearidade com o tempo real.o que se vai narrar (O quê ?) Tempo .apenas informa os fatos.[1] 3. interlocutor. os sentimentos envolvidos na história. mesmo que não seja a personagem principal (narrador = personagem). primeiramente. os elementos tipológicos que estariam presentes na composição de todos ou da maioria dos textos existentes em nossa cultura/sociedade. De acordo com Travaglia (1991. no momento em que um objeto ou uma cena deve ser destacado.leva-se em conta as emoções. necessitam dos gêneros para tomarem forma.  Descrição: esse tipo de estrutura. onde acontecem os fatos e são apresentadas as personagens. como diz Travaglia. narrativa. Sendo assim. é encontrado no interior de uma narrativa ou de uma exposição. está pautada em verbos de ação e conectores temporais. o desenvolvimento. por exemplo. que é o processo inicial da trama. Unidade 2 4. São ressaltados os efeitos psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nos personagens.onde o fato se deu (Onde ?) Personagens . por exemplo. a elaboração do enredo. Argumentar é convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões. É de cunho impessoal e direto. o que se pretende é dizer os fatos. Baseia-se numa evolução de acontecimentos. 11. 267 e 269 desta Lei.  Expositiva (dissertativa): é. os tipos e espécies não se apresentam sozinhos.232/2005.Segundo o novo conceito. instituído pela Lei nº. geralmente. Voltaremos a esta questão ao discutirmos a segunda tipologia proposta por Travaglia (1991). sem se deixar envolver emocionalmente com o que está noticiado. geralmente.quando o fato ocorreu (Quando ?) Lugar . Numa narrativa em 1ª pessoa. Bons exemplos desse tipo de texto são as receitas e os manuais de instrução. a estrutura que dá destaque às idéias em detrimento das ações. E para fins de trabalho sobre os gêneros textuais próprios da comunidade discursiva forense. sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. as frases. fictícia ou mesclando dados reais e imaginários. o narrador participa ativamente dos fatos narrados. independentemente da classificação tipológica desses textos. são no modo imperativo. os tipos e as espécies compõem os gêneros. 2001 e 2003a). é preciso perceber que a tipologia textual serve.  Argumentativa: procura principalmente formar a opinião do leitor. “o espectador não participante”. ou seja. descritiva. para que se compreenda a estrutura de um texto. contar os acontecimentos. A narrativa pode estar em 1ª ou 3ª pessoa. TIPOLOGIA TEXTUAL O conhecimento textual diz respeito. argumentativa e injuntiva. Na narração.quem participou ou observou o ocorrido (Com quem ?) Causa . (ii) a complicação. ao contrário da narrativa. em face das evidências das provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente.  Narração objetiva X Narração subjetiva objetiva . o desenrolar da trama até o final (entre a complicação e a resolução está o ápice da trama).

Segundo De Plácido (2006. O quê Quem (ativo e passivo) Onde Quando Como Por isso Inicia-se por “Fulano ajuizou ação de . 2007) 2º esquema: Em síntese: Narrativa simples dos fatos Narrativa valorada dos fatos Narrativa marcada pelo compromisso de expor os fatos de acordo com a versão da parte que se representa em juízo. relatório “designa a exposição ou a narração. acerca de um fato ou de vários fatos..” Narrativa sem o compromisso de representar qualquer das partes. Deve apresentar todo e qualquer fato importante para a compreensão da lide. 1192).. apenas informá-los na lide ou demanda processual. apresenta o pedido (pretensão da parte autora) e recorre a modalizadores... em face de Beltrano. Estrutura argumentativa da narrativa dos fatos 1º esquema: (FETZNER. Somente aqueles considerados importantes para a elucidação ou explicação do fato principal (fato gerador da situação de conflito) devem ser destacados: os chamados fatos importantes. A narrativa jurídica deve selecionar os fatos ou eventos envolvidos no caso concreto no momento de compor o relato. Por essa razão. sem interpretá-los (ausência de valoração).na qual pleiteia .  Características mais relevantes em um relatório jurídico: ..” O relatório é um tipo de narrativa em que os fatos importantes de uma situação de conflito devem ser cronologicamente organizados. O quê Quem (ativo e passivo) Onde Quando Como Por quê Inicia-se por “trata-se de questão sobre. escrita ou verbal. Na seleção dessas informações — é preciso reiterar — depende do fato de a narrativa ser simples ou valorada. p. com a discriminação de todos os seus aspectos ou elementos”.. de forma imparcial.A narrativa jurídica deve selecionar os fatos ou eventos envolvidos no caso concreto no momento de compor o relato.

Ninguém consegue viver ao lado de uma mulher tão ciumenta. tive de passar por cima de muita coisa. diante do Estado. tiveram filhos. Joelson. mediante uma sentença homologatória. mas sabe cuidar como ninguém da casa: duvido que alguém faça uma moqueca melhor que a dela. Construíram patrimônio. a partir de certos enunciados. por sentença. pois. ainda tinha que ouvir que havia demorado muito. marcada. os atos de enunciação têm funções argumentativas. geralmente.. Os Requerentes viveram como se casados fossem por cerca de 10 anos. por mais de dez anos.Atenção: exceto pela última característica. imprimindo à sociedade a precisa sensação de que constituíam uma nítida família conjugal. isto é. apenas que subtraída da prévia formalidade de sua pública celebração. que analisa todo um conjunto de estratégias conclusivas que não se integram no raciocínio lógico. Como ela acha que eu consegui comprar o que temos hoje? O dinheiro não cai do céu. o casal amealhou bens que constituem o patrimônio comum de ambos. para além . em sua perspectiva. Ao procurar um advogado. com vistas à estruturação da narrativa a ser apresentada na Petição Inicial. causaram-lhe prejuízo do ponto de vista moral ou material. Durante a constância dessa união de fato. E. ora no Estado e Cidade do Rio de Janeiro. O casal viveu. tivemos filhos e construímos patrimônio. Ducrot (1977). nós dois viemos aqui ao juiz. conforme atestam as certidões em anexo. como se marido e mulher fôssemos. Exemplo de narrativa simples (do advogado) Reconhecimento de Sociedade concubinária. nasceram dois filhos. mas. Por esse fato. a sociedade havida. frequentes rodeios e muita parcialidade. Contará sua versão do conflito. que devia estar na vadiagem: isso não é justo. 2007) No discurso jurídico. ora nesta Cidade de Paranavaí. “o pra sempre sempre acaba. Ao profissional do Direito caberá. depois de um dia longo de trabalho. o primeiro. sendo que os bens foram sendo registrados em nome ora do primeiro requerente. mantendo residência. cumpriram aqueles deveres recíprocos inerentes à condição de casados. conforme se evidencia nos documentos em anexo. portanto. O ciúme que ela sente por mim gerou a discórdia entre nós. visam levar destinatário a uma certa conclusão ou a desviá-lo dela. todas as narrativas jurídicas devem obedecer a essas orientações. por comoção. Viviam. que eu não tinha muito futuro ao lado dela. merecem ver reconhecida. Função argumentativa da narrativa dos fatos: a questão do ponto de vista do narrador Segundo Ducrot (1980). o cliente iniciará seu relato dos acontecimentos que. Exemplo de narrativa Jurídica (do cliente) Eu e Sandra vivemos sob o mesmo teto. Essa função argumentativa implícita tem marcas explícitas na própria estrutura da frase: morfemas e expressões que. o que se requer. (FETZNER. em seguida. sejamos orientados em direção a outros. porquanto organizada nos moldes do casamento tradicional. 5. Essas estratégias centram-se nas relações entre enunciados aceitos como prováveis pelo bom senso de uma época e de relações que fazem com que. Vivemos bem por alguns anos. quando chegava em casa. quase acreditando que a nossa união seria para sempre. para requerer o reconhecimento e a dissolução dessa sociedade conjugal. Ao longo do relacionamento. Sandra estudou pouco e nunca trabalhou de carteira assinada. em 09 de fevereiro de 1992. com certa razão. ”. 2007). organizar as informações importantes obtidas nessa conversa. e o segundo. viveram sob o mesmo teto. ora do segundo. Mariângela. sejam elas valoradas ou não. Tive de trabalhar muito pra conseguir tudo que temos.. Por conta de toda essa situação. como se casado fosse. ou ainda em nome dos menores. em 09 de setembro de 1997. é necessário ater-se aos fatos do mundo biossocial que levaram ao litígio (FETZNER. Minha família não aceitava nossa união e meu pai dizia. de acordo com sua tese geral. a teoria argumentativa conecta-se à Retórica aristotélica dos Tópicos. Para que isso acontecesse. como já disse a música. Deste relacionamento.

podem ser falseada. porque há um elemento linguístico que o comprova a validade de sua interpretação. A argumentação discursiva faz uso de determinados elementos da língua denominados de operadores e conectores argumentativos.  Os modalizadores que revelam sua atitude perante o enunciado. situando o enunciado numa certa direção. Obs. produzir comunicação.do seu valor informativo. . pois não aparecem explicitamente no texto.será comprado. polifonia e intertextualidade. A inferência pode ser percebida. como mera tentativa de adivinhação. Observem que todas podem ser negadas. ou melhor. a direção (o sentido) para que apontam.  As pressuposições. os quais devem obedecer também às condições de progresso e coerência. do sentido de certas palavras ou expressões contidas na frase. P. servem. “para designar certos elementos da gramática de uma língua que têm por função indicar a força argumentativa dos enunciados. por si só. p. sejam eles quais forem. sobretudo. A inferência científica é examinada por Charles Sanders Peirce em diversos trabalhos. (O verbo parou pressupões que João jogava) Pressupor é literalmente. Ele concebe o método científico em termos de deliberada e sistemática “submissão aos fatos”.Está no provão. pois consta na bibliografia do Provão do Curso de Letras ) Miguilim (Campo Geral e Uma estória de amor de Guimarães Rosa) b) Inferência Inferência é a operação pela qual.   Informações explícitas: . utilizando seu conhecimento de mundo. que mais se destacam são:  Os implícitos e explícitos:  As Inferências (subentendidos). implicitando determinadas conclusões. Dentre esses elementos devemos dar bastante atenção aos implícitos. Modalização. Esses operadores argumentativos transformam os enunciados referenciais em premissas das quais podemos tirar uma conclusão e não outra. sua validade pode ser negada.” 6. portanto. em outras palavras. grosso modo. deve constituir um texto.Paulo é rico (? ou !) . para. Respostas: -. supor de antemão. Koch (1992. isto é.A faculdade vai comprar o Manuelzão e Miguilim? .João parou de jogar. obviamente. no momento de constituição da enunciação. para dar ao interlocutor direção na construção do sentido do enunciado.(A resposta é dada como de modo a entender que o livro . 30) se refere à existência de vários operadores argumentativos em um texto. Exemplo: . Outro exemplo: “Paulo tornou-se um vegetariano convicto e um defensor ferrenho dos animais”.Está no provão Informações implícitas: . 32). o receptor (leitor/ouvinte) de um texto estabelece uma relação não explícita entre dois elementos (normalmente frases ou trechos) deste texto que ele busca compreender e interpretar. sobretudo aos pressupostos e inferências a) Implícitos Os implícitos são aquelas informações que necessitam de um ato de inferência ou de pressuposição para o entendimento. ou seja. sendo definida como um ato voluntário que culmina na “adoção controlada de uma crença como consequência de um outro conhecimento” (PEIRCE. todos os elementos necessários à sua compreensão. as quais decorrem. Elementos básicos participantes das condições da argumentação As relações estabelecidas entre o texto e o evento. Sendo assim. Exemplo: . é a relação que fazemos através de idéias não expressas de maneira explícita. O discurso para ser bem estruturado deve conter explícitos e implícitos.Manuelzão e . 1975. As respostas mostram as possíveis inferências feitas a partir da declaração apresentada.Paulo é melhor companhia que você (? ou !) Exemplo: Declaração: “Paulo comprou um Clio novinho em folha”.: Mas o qual a diferença entre inferência e pressuposição? c) Pressuposição : Pressuposto é uma afirmação implícita que não pode ser negada pelo texto.

Paulo tornou-se algo. etc…) ou advérbios (provavelmente. Pode realizar-se de várias maneiras diferentes. permitido.Paulo é um defensor ferrenho dos animais Informações implícitas: . Proibido: Não se deve fumar na sala de espera do consultório Modalização é o fenômeno pelo qual o locutor expressa sua adesão ao texto. crer. A modalização é expressa por elementos lingüísticos.2. 1990). ótimo. verbos auxiliares. a informação veiculada pelo verbo. Polifonia e intertextualidade A polifonia na narrativa jurídica Não podemos iniciar uma análise sobre polifonia e intertextualidade sem deixar de registrar que a concepção dialógica da linguagem.  Modalidades Epistêmicas: referem-se ao eixo do saber (certeza/ probabilidade). expressando obrigatoriedade ou permissibilidade. // Poderia prometer que estará em casa hoje à noite. é certo Virei sem falta. etc. verbos de atitude proposicional. Dentro desse grupo inserem-se os modalizadores apreciativos. predicativos cristalizados (é certo). conselho. Saber – eu sei. tornar-se vegetariano. sugestão. ele pode tornar seu discurso mais polêmico ou autoritário. pois isso correspondem aos eixos do CRER e do SABER. de certeza. e . Tipos Básicos: Epistêmicos: esses revelam o grau de conhecimento do sujeito falante. d) Modalização Enfim. precisar de. Os modos e tempos verbais expressam maneiras diferentes de se posicionar frente a um enunciado. 6. O indicativo produz efeito de verdade. entre esses podemos citar: advérbios. O processo de modalização não se verifica somente nos verbos modais (dever. Ou seja. a modalização é uma operação pela qual a relação predicativa é localizada em relação à classe de sujeitos enunciativos que integram o sistema referencial. possivelmente. chamados modalizadores.). De acordo com os modalizadores que um autor utiliza. como no uso de determinados verbos e adjetivos: Exemplo: Adjetivos: possível. sentimentos e atitudes do locutor com relação a seu discurso. ou seja.. implicitamente nos informa que anteriormente Paulo não o era. É a marca que o sujeito deixa no seu discurso As Expressões Modalizadoras: são elementos lingüísticos diretamante ligados ao evento de produção do enunciado. Pelo fato de a modalização expressar o ponto de vista do sujeito. agora não o é mais.  funcionam como indicadores de intenções.  revelam o grau de engajamento do falante em relação ao conteúdo proposicional veiculado. Deônticos: inserem-se no eixo da conduta. necessariamente. Margarida Graça. saber. performativos explícitos. // Promete que estará em casa hoje à noite. modos e tempos verbais  Modalidades Deônticas: referem-se ao eixo da conduta (obrigatoriedade/ permissibilidade). Informações explícitas: . A modalização permite o uso de uma expressão que vai suavizar. modalização é o sustentáculo da enunciação na medida em que ela permite explicitar as posições do sujeito falante em relação a seu interlocutor. Já o subjuntivo expressa incerteza. aquilo que se deve fazer. provável. possibilidade. ter de. a modalização expressa o modo como o sujeito defende seu ponto de vista. Há vários tipos de modalizadores. O imperativo exprime ordem. ou clarificar. Essa pode sim ser mais explícita ou mais discreta. Expressam certeza ou probabilidade. Outros verbos: assegurar. e o infinitivo também serve para reforçar a idéia de verdade. obrigatório. etc. Exemplo: Prometa que estará em casa hoje à noite. . ou seja. Exemplo: O noivo chega às 18h // O noivo chegaria às 18h. é possível Provavelmente virei. a ele mesmo e a seu propósito (Charaudeau. poder. Da modalização resultam os valores da categoria gramatical modalidade ou valores modais. não existe texto sem modalização. logo: mudou de postura sobre O verbo tornar-se significa vir a ser. logo: Paulo era carnívoro. Crer – eu acho.Paulo é vegetariano determinado assunto. Há dois tipos básicos de modalizadores: Como bem coloca a pofa. capaz.

"Os países da União Europeia não assinaram a Convenção para a Proteção dos Imigrantes e de suas famílias. por oposição aos textos monofônicos. como muitos. em Genebra Conteúdo Informativo Texto sobre o discurso da Comissária da ONU. (KOCH. atrás dele estão posições do partido ao qual pertence. e produzam a metade da totalidade dos alimentos no mundo. comissária dos Direitos Humanos da ONU Barros (1999). que vai ser comemorado na próxima quinta-feira. etc. De acordo com Barros (2003). mas segue prevalecendo no mundo todo". no qual não é necessário a materialização das diversas vozes. o estereótipo se mantém. especialmente na Europa. faz-se necessária a presença de um intertexto. perspectivas ou pontos de vista de enunciadores (reais ou virtuais). disse Navi em entrevista coletiva às vésperas do Dia dos Direitos Humanos. Nem humano. eu a. considerávamos os brancos em geral como opressores. "Embora as mulheres trabalhem dois terços do total das horas trabalhistas em nível mundial. que tenta mobilizar um combate mundial à discriminação "Discriminação não faz sentido. o discurso nunca se constrói sobre ele mesmo. A nossa opinião quase sempre resulta dos cruzamentos antes referidos (intertextualidade).assim. são distinguidos em estudos da Lingüística Textual. É o que Bakhtin (1992) denomina de o grande diálogo da comunicação verbal. “nossas opiniões” podem não ser tão nossas como imaginamos. de onde podem surgir temas. "É preciso assumir que todos discriminamos. Apesar da origem comum. e lamentou a existência de discriminação em todos os lugares e em todas as camadas da população. distinguindo-se. encenem.. da intertextualidade. é ativado um complexo jogo dialógico. acabemos com a discriminação". mas jamais monológico. nesta terça-feira. Com um certo grau de consciência. não como seres individuais. que escondem os diálogos que os constituem” (p. não tem nenhum sentido.) sem que se trate. mas segue prevalecendo no mundo todo" Relevância Divulgar o movimento de combate à discriminação encabeçado pela Comissão para os Direitos Humanos da ONU. recebem apenas 10% das receitas e possuem menos de 1% das propriedades" no mundo todo. 181). o termo intertextualidade deve ser reservado apenas para os casos em que a relação discursiva é materializada em textos.. e é preciso lutar contra ele". Ocorrência de Polifonias Vozes Autor do texto. mas em vista do outro. para a autora. “aquele em que se deixam entrever muitas vozes.16h31 Comissária da ONU pede combate mundial à discriminação da Efe. De fato. nem econômico.) exige apenas que se representem. Neste ano. do cruzamento das vozes (polifonia) que falam e polemizam em um texto. Segundo Barros (2003). valores. que lembrou a Conferência contra o Racismo realizada neste ano. como podemos distinguir a intertextualidade de polifonia. Exemplo: Quando um deputado se manifesta na tribuna da Câmara. (pré-)conceitos. pois. refere-se à questão da intersecção dos muitos diálogos no interior de um discurso. de textos efetivamente existentes. Nem humano. 5-6). destacou. lugares comuns. Enquanto nesta. 79).. p. Logo: O conceito de polifonia é mais amplo que o de intertextualidade. no momento de formulação de um discurso. em Genebra. "Consideramos necessário refletir sobre a discriminação e alertar sobre seu estado no mundo".) o conceito de polifonia. eu.. mas sim a encenação. Asseguram que é porque ela não distingue imigrantes ilegais de legais. mas eu digo que todos os emigrantes têm direitos e devem ser protegidos. Dessa forma. nem econômico. (. (. necessariamente. nem social. 2007.. jornalista da Efe. Sendo assim. CAVALCANTE. BENTES. comenta que a polifonia caracteriza um certo tipo de texto. De fato. já que o dialogismo é um aspecto constitutivo da linguagem. um texto pode ser monofônico (quando consegue mascarar as vozes que o constituem). o lema escolhido para comemorar o Dia dos Direitos Humanos foi "abracemos a diversidade. Para Fiorin (2006. em dado texto." A alta comissária também se referiu às mulheres e à "dupla e múltipla discriminação que elas sofrem no mundo todo". "Discriminação não faz sentido. polifonia seria usada para caracterizar um certo tipo de texto. a sul-africana Navi Pillay. conhecimentos. inclusive. Por ter crescido na África do Sul e ter sofrido racismo. quando crescemos. disse a alta comissária. Nesse sentido. p. não tem nenhum sentido. traçou um panorama sombrio para os direitos humanos no mundo. tal como elaborado por Ducrot. a expressão de interesses de eleitores e grupos de pressão que representa. em Genebra A alta comissária para os Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). Esses conceitos de intertextualidade e polifonia têm sua origem na concepção de dialogismo de Bakhtin. diferentes (. Pillay também disse estar "muito preocupada" com a situação dos imigrantes. Exemplo: 08/12/2009 .. nem social. Depois. disse. cuja fonte é explicitamente mencionada ou não. Posicionamento da ONU em relação ao problema de discriminação vivenciada por várias sociedades em todo o mundo Navi Pillay. partindo dessa concepção. .

Se o autor aforma que algo é pouco não há uma argumentação tão forte quanto em um pouco. Transmite a avaliação do autor e direciona o ponto de vista do leitor. nem mesmo. oposição. um pouco. as várias previsões do final do mundo). ele trata de duas coisas paralelas. ou seja. apenas. é porque muitas outras previsões de “final dos tempos” foram feitas anteriormente. o uso retórico da pressuposição consiste em apresentar como já sendo do conhecimento público aquilo que se deseja veicular (no nosso caso. causalidade. JÁ: Pode marcar uma antecipação ou uma mudança de estado. NA VERDADE: Introduz a versão final de um argumento. seriam as conjunções de coordenação e subordinação.e negativamente. dizer. Pode também marcar uma urgência em relação a algo. Nesta passagem da ordem do expor.. aplicado a um conteúdo. Esses operadores são descritos simplesmente como “conectivos”. Refere-se a algo que detem mais importância pelo acréscimo ou pela falta de algo ou alguém. os operadores argumentativos transformam os enunciados referenciais em premissas das quais podemos tirar uma conclusão e não outra. ALIÁS: Introduz um argumento decisivo. afirmar (verbos mais neutros). situam o enunciado numa certa direção. até. portanto. ► Conectores Conectores são termos que asseguram a ligação de uma frase complexa. MAIS: argumenta que o fato é recorrente. há um processo polifônico de pressuposição: se o mundo “mais uma vez” não acabou. implicitam determinadas conclusões. . ainda. AINDA: Aqui há dois sentidos possíveis. argumenta negativamente.. restrição. APENAS: estabelece uma noção de tempo e pode instituir uma justificativa para um comportamento. disjunção. transforma as potencialidades argumentativas desse conteúdo (cf. mais. Um pouco pode argumentar negativa e positivamente. como etc. p. conforme. podem determinar o valor argumentativo de um enunciado. pelo menos.. como dispositivos (advérbios. partículas meramente relacionais que permitem a conexão ou a ligação recíproca de dois ou mais enunciados. falar. apresenta uma nova versão. ora denominados de operadores e conectores argumentativos. pouco. É. Segundo Koch (1984). já passou do tempo. 1985. introduz mais um elemento no discurso. 61-2. ou contrapõe dois argumentos. ATÉ MESMO: Argumenta positiva.. São esses mesmos componentes que. Elementos lingüísticos que têm o papel de marcar a polifonia: Conjunções conformativas Verbos introdutores de vozes (dicendi — verbos de dizer) segundo. ponderar. Operadores e Conectores Argumentativos A argumentação discursiva disponibiliza determinados elementos existentes na língua.. até mesmo. já que o mundo mais uma vez não acabou [. conjunções. já. exprimindo conjunção. Nas palavras da nossa gramática normativa. “morfemas gramaticais”. na verdade. POUCO / UM POUCO: Entre os dois operadores há uma distância. de descontração ao discurso. De maneira que. Quando "já" possui valor de "enquanto". alegar. Moeshler. Uma espécie de "golpe final".Exemplo: [. citado por Marlene Teixeira) Os operadores argumentativos mais relevantes são: demais. O outro. O objeto a que se refere pode estar no topo da lista ou no final. segundo a Semântica Argumentativa. Um denota excesso temporal.]. confidenciar. a voz dos apocalípticos que é trazida pela enunciação com a finalidade de dar um tom de humor. DEMAIS: argumenta que o objeto ou ser a que se refere "extrapola os limites". ATÉ: Institui uma escala de valores. ► Operador Argumentativo é um morfema que.. pronomes). na verdade e aliás. enfatizar.] os frustrados cabalistas do Apocalipse recolheram as premonições. advertir. preposições. 6. Tornando-se nesse caso um conector e não um operador argumentativo.

Conectores de Disjunção Os conectores de disjunção ligam duas proposições.: Não sei se compro um carro azul ou vermelho. Em dia de tempestade devemos cobrir os espelhos.1. Ele pode estabelecer uma relação de hierarquia entres os termos ou desfazer essa hierarquia. como também pela seleção dos fatos a serem narrados.: A conta corrente pode ser movimentada por Augusto ou (e/ou) Amélia. Na narrativa jurídica. Efeito: casa não construída Causa real: demissão.. quer. já que dos fatos surgem os direcionamentos da argumentação e as informações necessárias para que uma tese seja compreendida e aceita. conduzido pelo transcurso do tempo.. Esse fato não é comprovado cientificamente. grande poder de convencimento. porque ele foi demitido. o ponto de vista do narrador.Conectores de Causalidade Moura Neves considera que a noção de causa abrange não só causa real. como também razão. estabelecendo alternância entre o elemento coordenado e o elemento anterior. depende muito mais das crenças de cada um. Usa-se e/ou para indicar a disjunção inclusiva.seja.quer. c) Entre enunciados: relacionam-se pelo conector o ato de fala e a causa que o motivou. abre espaço para a aceitação de uma tese.. Para exprimir a disjunção sem hierarquia (ou. A marca privilegiada dessa relação é o articulador "ou". Exemplo: caso concreto . Ou seja. ainda que não venha expresso diretamente. Observe o esquema que traduz esse raciocínio.ora tem valor iterativo (repetição no tempo). A questão do ponto de vista Como foi visto acima. somente uma das alternativas é possível. (posted by Raquel @ 8:28 AM 1 comments) 8. existem outros articuladores: seja. pois eles atraem raios. Esses têm valor pontual. que somente poderá ser exposta em outro momento e em outro discurso: o argumentativo. Ex. A função argumentativa da narração: a questão do ponto de vista.ou). . 8. b) Entre proposições: causalidade que decorre da visão do sujeito falante sobre determinado fato. Esse ponto de vista... As construções causais podem se dar: a) Entre predicações: causalidade real / efetiva Não construímos a casa. embora a narrativa de certas peças processuais não admita uma atividade persuasória expressa. tem diluído. motivo..ou inclusivo: Liga duas proposições compatíveis no mesmo universo. Lava a roupa para mim. enquanto que ora. justificativa ou explicação. Ex. em seu conteúdo. pode estar sugerido não só pela seleção vocabular.ou exclusivo: Liga duas proposições não compatíveis no mesmo mundo.. Disjunção inclusiva/disjunção exclusiva: Há dois efeitos de sentidos produzidos pelo ou: .. porque não tenho tempo! As construções de causalidade englobam as orações chamadas pela gramática normativa de coordenadas explicativas.

mas criar possibilidades para sua produção ou sua construção” (2001. 3. A narração a serviço da argumentação: a formulação dos argumentos na fundamentação simples. fidedignos. por meio de um raciocínio silogístico (premissa maior. .8. Cláudio Moura. a hora na sala de aula. Ora. adequados e pertinentes. ”Ensinar não é transferir conhecimento. Exemplo: A educação é o alicerce do futuro. No entanto. Exemplo: Pesquisas do Banco Mundial mostram que a jornada escolar é curta e uma baixa proporção do tempo é gasta em tarefas propriamente escolares (CASTRO. o profissional Tese: sou a favor da maioridade aos 16 anos. 24-25). 2. 2) Fora da praxes jurídica. suficientes. cabe a ele discutilas e sobre elas apresentar suas opiniões. E o profissional do direito não pode ficar alheio a essas questões. deve-se aplicar a norma ao caso concreto por meio de um procedimento demonstrativo silogístico (“Ocorreu x. o réu desrespeitou a Constituição Brasileira e incorreu no crime de homicídio doloso previsto no artigo 121 do Código Penal Brasileiro”. (um registro do fato – relação direta): documentais. para efeito de argumentação. 2002. o terceiro argumento é reservado à tentativa de enfraquecer a argumentação da parte adversa. “A Constituição é muito clara quando diz que a vida é um bem inviolável. 2) Fora da praxes jurídica: é quando o profissional não está inserido na pragmática do direito.2. devemos observar dois contextos diferentes: 1) Na praxes jurídica. uma tese. mas simplesmente está defendendo uma opinião acerca de um assunto ou uma questão de interesse social e jurídico. ARGUMENTO BASEADO EM PROVAS CONCRETAS: Apoia-se em evidências dos fatos que corroboram a validade do que se diz. todo fato precisa ser comprovado. no primeiro argumento. Teresa foi atacada de maneira covarde e violenta. Preferiu pegar uma faca e. No caso em questão. Nesse sentido. Para analisar como no direito utilizamos os argumentos baseados em fatos. O profissional do direito está sempre envolvido em temas polêmicos. está amplamente difundida na sociedade. evitando todas as outras soluções pacíficas existentes. não se deve confundi-los com declarações sem base científicas e de validade discutível. são exemplos disso. a lei é clara quando diz que y. porque não dispunha de meios para ao menos tentar preservar sua vida. assassinar a mulher. em uma audiência (pragmática do direito) nesse caso. “A sociedade brasileira sofre com a violência cotidiana em diversos níveis e não tolera mais essa prática. como um bárbaro. veja. Precisamos apresentar provas que tenham relação direta com os fatos alegados. Em outros termos. premissa menor e conclusão). que fomentam divergências e controvérsias. desarmamento. Não foi essa a opção de Anísio.1. ARGUMENTOS DE AUTORIDADE: Consiste em um recurso linguístico que utiliza a citação de autores renomados e de autores de um certo domínio do saber para fundamentar uma idéia.”). Certamente. (refere-se a uma idéia aceita como válida) É importante observar que o argumento de senso comum consiste no aproveitamento de uma afirmação que goza de consenso. Esse tipo de argumento é constituído com base nas fontes do direito e/ou em pesquisas científicas comprovadas.1. Exemplo: Segundo Freire.Argumentos Baseados em fatos: é quando nos baseamos em fatos. legalização dos jogos de azar. Questões como: pena de morte. Então. TIPOS DE ARGUMENTOS 9. como a imediata separação que o afastaria definitivamente de quem o traiu. As características da argumentação simples: A fundamentação simples é aquela que propicia a subsunção do fato à norma. dialoga ou se afasta de situações que podem desencadear embates violentos. 1) Na praxes jurídica: em uma ação ou processo judicial. 9. z. Uma pessoa sensata pondera. 20) 1. periciais. p. um ponto de vista. 8 mai. Deve enfatizar-se. testemunhais etc. p. ARGUMENTO BASEADO NO CONSENSO: Consiste no uso de proposições evidentes por si mesmas ou universalmente aceitas como válidas. no segundo argumento. Portanto. Fato: um acontecimento que foi registrado e documentado. Aceitar sua conduta desmedida seria instituir a pena de morte para a traição amorosa”. Uma sociedade democrática defende esse direito e recorre a todos os meios disponíveis para que a vida seja sempre preservada e para que qualquer atentado a esse direito seja severamente punido. a violência é o pior recurso para a solução de qualquer tipo de conflito. que não se podem fazer afirmações sem apoio de dados consistentes. basta. apresentar o ponto de vista que se pretende defender e os três fatos de maior relevância para conseguir defender essa tese.

Exemplo: “Embora se possa alegar que Teresa tenha desrespeitado Anísio. A escolha de um termo em detrimento de outro implica no cruzamento dos planos estilísticos e ideológicos na direção do discurso PERSUASIVO (CITELLI. A estrutura adequada para desenvolvê-lo seria: tese + porque + e também + além disso. A interação pela linguagem. assim. São Paulo: Saraiva.V.br/ doutrina/texto. • _______. Referências Bibliográficas • BITTAR. Linguagem e Persuasão. Regina Toledo.mundojuridico.. cada um desses elos coesivos introduz fatos distintos favoráveis à tese escolhida.. Redação forense e elementos da gramática. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. Campinas. traindo-o com outro homem em sua própria casa. p. Alexandre Moreira. Comunicação em Prosa Moderna. É um aumento bastante significativo. e também porque agiu covardemente contra uma pessoa desarmada e fisicamente mais fraca.adv.2003 • MEDEIROS. • DUCROT. repudiado com veemência pela sociedade.asp?id=2341 . 5. Gisele. São Paulo: Atlas. ele já estava desconfiado do caso extraconjugal da mulher.com.br/doutrina/texto. 4. • NERY JÚNIOR. A busca dos efeitos argumentativos envolve uma conduta quanto à escolha das palavras. 1990. desferiu três facadas certeiras no peito de sua companheira. I. • SABBAG. Além disso. • KOCH. São Paulo: Contexto. essa estratégia permite antecipar as possíveis manobras discursivas que formarão a argumentação da outra parte durante a busca de solução jurisdicional para o conflito. L. Português no direito: linguagem forense. Carolina. 1989. São Paulo: Contexto. TRAVAGLIA. I. a perspectiva contrária. 2006. Ingedore. Alencar. 2000. Rio de Janeiro: Forense. Tratado de Sociologia. • XAVIER. 2004. 4. 1992. Exemplo: “Anísio cometeu um crime doloso inaceitável. diante de situações adversas. O instituto da denunciação da lide. Linguagem jurídica. ARGUMENTOS DA COMPETÊNCIA LINGUÍSTICA: Consiste no uso da linguagem adequada à situação de interlocução. Othon M. como argumento decisório. • FETZNER. • KOCH. 1989.07. Boletim “Paulistão”. porque 6.  http://jus2. 69). Técnica de Redação Forense. Antonio. depois. 1988. Argumentação e Linguagem. Código de Processo Civil comentado e legislação extravagante. Eduardo Carlos Bianca. 1986. São Paulo: Premier Máxima. • KOCH. • LEITE. São Paulo: Contexto. São Paulo.Boletim Jurídico. Tradução do Prof. apresentar. ARGUMENTO DE OPOSIÇÃO Apoiada no uso dos operadores argumentativos concessivos e adversativos. João Batista Aguiar. Rio de Janeiro: Forense. edição .Argumento: Nos últimos anos. O Dizer e o Dito. É certo que o flagrante de uma traição provoca uma intensa dor.uol. TOMASI. Rio de Janeiro: Forense.com. • SICHES. Interpretação e produção de textos aplicados ao direito: programa do livro universitário. Eis o que nos separa dos criminosos. os fundamentos mais fortes da parte oposta. Eduardo de Moraes. Adolescentes andam armados. in Mundo Jurídico (www. o que afastaria a hipótese de privação de sentidos”. Neli Luiz Cavalieri.uol. 2005 • DAMIÃO. 1987. Considerações sobre Petição Inicial. 2008. • THEODORO JÚNIOR. uma pessoa de bem. Humberto: Curso de Direito Processual Civil. 1999. Pontes. 1970. Texto e coerência. São Paulo: Contexto. V. Disponível • GARCIA. locuções e formas verbais.  <http://www. Adilson.br/doutrina/texto. Curso de português jurídico. ARGUMENTO PRÓ-TESE Caracteriza-se por ser extraído dos fatos reais contidos no relatório. a. cap IV. Eliane Simões Pereira. Porto Alegre: Editora Globo. por sua desproporção. Português Forense: a produção do sentido. 22ª ed. porém o ato extremo de assassinar a companheira. o índice de criminalidade juvenil aumentou 60%2. 9a.com. admitindo-a como uma possibilidade de conclusão para. A coesão textual. São Paulo: Cortez. Nelson. L. HENRIQUES.. • GERMANO. Luis Recaséns. 2005. 2006.asp?id=1311> Acesso em: 3 mai. A coerência textual. Compõe-se da introdução de uma perspectiva oposta ao ponto de vista defendido pelo argumentador. vol I. João Bosco. TRAVAGLIA. 2001. [1] • CITELLI.asp?id  Texto extraído do Jus Navigandi http://jus2. no 180. 2000. o que a impede de agir contra os valores sociais. pondera. Uberaba/MG. O. à espera de uma vítima. Deve ser o primeiro argumento a compor a fundamentação. • _______. 2010. 1ª ed.br) em 29. • BULHÕES.boletimjuridico. C. 1982. em: • FREDERICO. reflete. São Paulo: Atlas.São Paulo:Editora Revista dos Tribunais. não pode ser aceito como uma resposta cabível ao conflito amoroso”. 3ª impressão. C. enfraquecendo. Ronaldo Caldeira.

php?id=331 .com/mod/resource/view.org/wiki/Linguagem_jurídica  www.studantina. pt.wikipedia.

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