Você está na página 1de 12

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES (ETE) DE UMA INDÚSTRIA PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO

PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO www.unicentro.br Camila Souza de Almeida Engenheira

www.unicentro.br

Camila Souza de Almeida Engenheira Ambiental, Pós-Graduanda do Curso de Especialização em Gestão Ambiental. UNICENTRO. Email: camylla_sa@hotmail.com.

Carlos Magno de Sousa Vidal Profº Orientador. Dr em Hidráulica e Saneamento pela EESC - USP. Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Estadual do Centro Oeste- UNICENTRO. Email: cacavidal@yahhoo.com.br

RESUMO

Os efluentes gerados em indústrias papeleiras podem se tornar importantes fontes de poluição das águas e acarretarem graves problemas ambientais, quando lançados sem tratamento nos corpos d’água, devido principalmente ao seu alto teor de matéria orgânica. Os efluentes gerados na indústria, avaliada nesta pesquisa, eram todos destinados a uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) que apresentava inicialmente apenas tratamento

preliminar seguido de tratamento biológico. Com intuito de aumentar a eficiência dessa ETE,

o seu fluxograma foi alterado introduzindo-se um flotador na linha de tratamento, a fim de melhorar o efluente lançado em suas lagoas à jusante, bem como a qualidade de seu

efluente final. A presente pesquisa tem como objetivo avaliar a qualidade do efluente final e

a eficiência da ETE de uma indústria de papel, após a introdução do flotador no fluxograma

de tratamento. Para avaliar o desempenho da ETE, foram utilizados dados referentes ao período de outubro de 2006 a setembro de 2007, sendo escolhidas duas análises (DBO e SST) realizadas mensalmente como monitoramento. Conclui-se nesta pesquisa que a ETE da empresa obteve significativo aumento no desempenho quanto à remoção de DBO e de SST, com a introdução de clarificador no fluxograma de tratamento. Isto implicou melhoria da qualidade do efluente final da ETE, atendendo assim, aos padrões de emissão vigentes na legislação ambiental atual. Palavras-chave: Tratamento de águas residuárias, Flotação, Monitoramento de ETE.

ABSTRACT

The effluents generated by paper industries are important sources of water pollution and cause serious environmental problems mainly due to their high content of organic matter. The effluents generated by the industry focused on this research were all addressed to an Wastewater Treatment Station (WWTP), which, at first, just carried out a preliminary treatment followed by a biological one. Aiming to increase the efficiency of the WWTP, there was the alteration of its fluxogram by the introduction of a flotator in the treatment line, in order to improve the quality of the effluents that were dumped in its ebb tide ponds, as well as the quality of its final effluent. Thus, this work aims to evaluate the final effluent quality and the WWTP efficiency of a paper industry after the introduction of the flotator in the treatment fluxogram. To evaluate the WWTP performance, it was applied some data referring to the period between October 2006 and September 2007, and it was also chosen two analyses done monthly as monitoring parameters (BOD and TSS). It is possible to conclude that the company’s WWTP reached a significant level of improvement in its performance concerning the BOD and SST removal, due to the introduction of the clarifier in the treatment fluxogram. This implied in the improvement of the WWTP final effluent quality, which fulfill the emission patterns demanded by the present environmental regulations. Key words: Wastewater treatment, Flotation, WWTP monitoring.

Ed. 6 Ano: 2008

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

ISSN: 1980-6116

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES (ETE) DE UMA INDÚSTRIA PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO

1

INTRODUÇÃO

O termo “efluente” é utilizado para caracterizar os despejos provenientes das

mais diversas modalidades de uso da água, tais como uso doméstico, agrícola, comercial, sanitário e industrial. Os efluentes industriais apresentam características relacionadas com a matéria prima a ser processada e também com o processo industrial empregado. Segundo Nunes (2004), é possível ocorrer grande variação na composição dos efluentes, até mesmo

entre indústrias do mesmo ramo de atividade, uma vez que nem sempre as matérias primas utilizadas são as mesmas. Segundo Chernicaro (1996 apud D’ Avignon et al., 2002), uma estação de tratamento de efluentes deve ser entendida como uma indústria, transformando matéria prima (esgoto bruto) em um produto final. Os mesmos cuidados e a busca da otimização e qualidade das indústrias modernas devem estar presentes na chamada “indústria” do tratamento de esgotos. Numa indústria, antes de se conceber um projeto de uma ETE, é preciso conhecer a vazão e a composição dos efluentes gerados nos diferentes processos, assim como, a variação dessas características no tempo. Este estudo denomina-se registro de

efluentes e tem como resultado adicional uma análise das possibilidades de conservação e reutilização da água (LORA, 2002).

A indústria papeleira em seu processo produtivo utiliza grande quantidade de

água, que após seus diferentes usos, tornam-se águas residuárias. A vazão de efluente gerada é muito variável entre as fábricas, pois está relacionada ao processo de fabricação utilizado e a capacidade produtiva empregada. As águas residuárias, após o tratamento e lançamento nos corpos d’água receptores, devem atender aos padrões preconizados na legislação. No Brasil, a Resolução em vigor é a CONAMA 357/05 que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes. Os efluentes das indústrias de papel são importantes fontes de poluição das águas e representam sérios problemas, devido ao seu alto teor de matéria orgânica. O lançamento desses despejos in natura gera inconvenientes, como por exemplo, alterações nos corpos hídricos, o desprendimento de odores desagradáveis, mortandade de peixes dentre outros.

A poluição hídrica causada pelo lançamento de efluente de uma indústria de

produção de papel pode ser controlada pela redução de fibras no processo produtivo, devendo ser adotadas novas tecnologias, sobretudo as que diminuem os impactos ambientais e reduzem o consumo de água durante o processo industrial produtivo (OLIVEIRA, 2006). Atualmente, as indústrias de papel buscam adequar-se às exigências ambientais legais, por de meio de ações modificadoras do processo, tais como a redução da

geração de efluente na fonte, o desenvolvimento de tecnologias para tratamento externo, recuperação e reaproveitamento dos efluentes. Segundo Lora (2002), estratégias de controle da poluição, nessas indústrias, podem resultar em melhoria da qualidade ambiental.

A composição do efluente da indústria de papel cartão consiste, basicamente

nas fibras que escapam do processo, as quais são compostas de aparas e pasta mecânica,

que constituem matéria prima na fabricação do papel. As fibras perdidas no processo geram grandes perdas econômicas. Essas geralmente são separadas das águas residuárias por técnicas de tratamento primário (flotadores ou decantadores) e podem ser comercializadas como fonte de matéria prima para fabricação de miolo de papel, caixa de ovos, caixas de papelão, cantoneiras de papel, enfim, na fabricação de papéis menos nobres.

A indústria papeleira estudada nesta pesquisa, assim como algumas fábricas

do ramo papeleiro, utiliza comparar os seus padrões de qualidade ambiental com o

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 2 de 12

ALMEIDA, Camila Souza de; VIDAL, Carlos Magno de Sousa

benchmarking ambiental brasileiro, com isso, tem-se um melhor investimento e um maior desempenho dos processos que, supostamente, possam agredir o meio ambiente. Com

intuito de aumentar a eficiência da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), essa indústria, procurou alterar o seu fluxograma de tratamento, no que se refere à etapa de tratamento primário, visando à melhoria da qualidade do efluente na chegada ao tratamento secundário (reatores biológicos). Desse modo, pretendeu-se melhorar a qualidade do efluente final produzido na ETE.

A presente pesquisa teve como objetivo avaliar a eficiência do tratamento de

efluentes de uma indústria de papel, após a introdução de um flotador no fluxograma do tratamento.

2

MATERIAIS E MÉTODOS

2.1

Características Gerais da Indústria de Papel Estudada

A empresa produz o cartão duplex revestido, hoje denominado papel cartão,

que é um produto integrante da categoria de "Cartões e Cartolinas”, o qual é destinado para

confecção de embalagens, tais como de: creme dental, chocolates, lâmpadas, biscoitos, calçados etc.

Na produção de papel é utilizado como matéria prima a pasta mecânica proveniente do desfibramento de espécies de coníferas, a qual é fabricada pela própria empresa. As aparas e a celulose são adquiridas por mercado externo. São adicionados

ainda tintas e aditivos para confecção do papel. Após essa etapa o papel segue para a máquina, a qual é dividida em caixa de entrada, mesa plana, prensas, secador, aplicador, calandra e enroladeira. Toda água que é utilizada no processo fabril é captada no rio Marrecas, por um canal, é enviada para estação de tratamento de água do tipo convencional, para então ser utilizada no processo fabril. A vazão captada é de cerca de 220 m 3 .h -1 .

A água excedente do processo é transferida para um reservatório e passa por

um sistema de flotação. Cerca de 30% da água clarificada retorna ao processo alimentando os chuveiros dos engrossadores de massa, e o seu excedente é encaminhado para a ETE, para seu respectivo tratamento. As fibras recuperadas nesse sistema vão para um tanque de massa e retornam para o processo como matéria prima. As águas pluviais, incidentes sobre telhados e áreas pavimentadas da indústria, são coletadas por calhas e canaletas e conduzidas através de tubulações ao corpo receptor.

Cerca de 80% dos efluentes das instalações sanitárias e lavatórios são tratados em sistema de fossas sépticas seguido de filtro anaeróbio e 20% da vazão é encaminhada para a ETE.

2.2

Descrição

da

Estação

de

Tratamento

de

Efluentes

(ETE)

da

Indústria

A ETE era composta por tratamento preliminar seguido de um tratamento

biológico. A ETE apresenta inicialmente um medidor de vazão, sendo a vazão média de efluente em torno de 200 m 3 .h -1 . Os principais pontos geradores de efluentes na fábrica são:

tanques de água branca, os tanques dos engrossadores de massa e as águas de selagem das bombas de vácuo. Como o processo de beneficiamento de papel possui elevado teor de sólidos grosseiros, constituídos principalmente por fragmentos de madeira, o efluente seguia

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 3 de 12

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES (ETE) DE UMA INDÚSTRIA PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO

inicialmente para o tratamento preliminar, com objetivo de remover esses sólidos, visando proteção dos equipamentos, como bombas e válvulas, evitando possíveis obstruções que possam ser causadas por esses materiais. O tratamento preliminar era constituído por grades com limpeza mecanizada. Após passar pelo processo de gradeamento o efluente segue para o tanque

de equalização (TQ 359), que tem a finalidade de regularizar a vazão e homogeneizar o efluente, tornando-o uniforme, para as próximas etapas de tratamento. Na entrada desse tanque, é adicionado uréia e fosfato com intuito de melhorar a atividade microbiana no tratamento biológico. Por bombeamento, o efluente era encaminhado para a fase do tratamento secundário ou biológico, sendo este constituído por duas lagoas aeradas facultativas e uma lagoa de polimento.

O sistema de lagoas aeradas facultativas difere com relação à lagoa

facultativa convencional quanto à forma de suprimento de oxigênio. Enquanto na lagoa facultativa, o oxigênio é advindo da fotossíntese, na lagoa aerada facultativa o oxigênio é

obtido principalmente através de aeradores (SPERLING, 2002).

O sistema de tratamento biológico da ETE possui as seguintes dimensões:

Lagoa aerada 01 possui as seguintes dimensões:

- Profundidade útil de 3,50 m, com 3,00 m de lâmina d’água;

- largura de 57 m;

- comprimento de 184 m;

- área de 10.448,00 m 2 ;

- volume de 31.464,00 m 3 ;

- tempo de detenção de 10,93 dias.

A lagoa 01 apresenta um sistema de aeração composto por 11 aeradores,

proporcionando a penetração de oxigênio na massa líquida e permitindo que a decomposição da matéria orgânica ocorra com maior intensidade. Lagoa aerada 02 possui as seguintes dimensões:

- Profundidade útil de 3,50 m com 3,00 m de lâmina d’água;

- largura de 56 m;

- comprimento de 184 m;

- área de 10.304,00 m 2 ;

- volume de 30.912,00 m 3 ;

- tempo de detenção de 10,73 dias.

A lagoa 02 é constituída por 18 aeradores, que possuem as mesmas

características mencionadas na lagoa 01. Lagoa de polimento 03 possui as seguintes dimensões:

- Profundidade útil de 2,50 m com 2,00 m de lâmina d’água;

- largura de 15 m;

- comprimento de 96 m;

- área de 1440 m 2 ;

- volume de 2.880,00 m 3 ;

- tempo de detenção de 1,0 dia.

A lagoa de polimento tem a finalidade de sedimentar os sólidos suspensos

(predominantemente a biomassa). Após passar pela lagoa de polimento, o efluente passava

por uma Calha Parshall, para a medição da vazão, antes de ser encaminhado para o corpo

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 4 de 12

ALMEIDA, Camila Souza de; VIDAL, Carlos Magno de Sousa

receptor, o rio Marrecas.

2.3 Alteração do Sistema de Tratamento de Efluentes da ETE

A indústria papeleira, objeto desta pesquisa, apresenta algumas variações em seu processo, como o elevado teor de fibras em seu efluente. Como a empresa produz papel branco, quando ocorrem problemas no processo fabril, como pintas ou quebras do papel, todos os tanques de massa são drenados, com isso, tem-se um excesso de vazão e uma perda elevada de fibras, o que afeta a eficiência do tratamento. A fim de melhorar a qualidade do efluente lançado em suas lagoas de tratamento e, por conseguinte, melhoria do efluente final da ETE, em março de 2007, foi incluído na linha de tratamento, uma unidade de tratamento primário, um clarificador (flotador). Atualmente, a ETE é composta

por uma unidade de tratamento preliminar, tratamento primário e tratamento biológico. São os resultados dessa alteração que são investigados nesta pesquisa.

O processo utilizado como tratamento primário é denominado “Flotação por

Ar Dissolvido por Pressurização” (FAD). Segundo Di Bernardo (1993), nesse processo, são produzidas microbolhas de ar com diâmetro na faixa de 10 a 70 µm as quais se aderem aos

flocos ou partículas em suspensão, aumentando a força de empuxo atuante sobre elas, ocasionando uma rápida ascensão até a superfície do flotador. Na flotação do efluente em questão, é utilizado polímero catiônico, o qual possibilita a formação de flocos. Nesse processo, são produzidas microbolhas de ar, as quais se aderem aos flocos, ocasionando uma rápida ascensão até a superfície do flotador, onde são removidas pela ação de raspadores e, em seguida, passa por uma prensa desaguadora, onde se tem a remoção de 70% de água, aumentando a concentração de sólidos em 30%.

O sistema de flotação empregado é constituído por um tanque vertical,

“clarificador”, o qual requer menor requisito de área, quando comparado ao sistema de clarificação na horizontal. O clarificador da ETE é constituído por um tanque em aço inox,

que possui um sistema de cones internos para orientação do fluxo da água e para os contaminantes depositados. Esse equipamento possui uma vazão de operação de 400 m 3 .h -

1 consistência de sólidos de entrada de 0,25%, diâmetro do corpo de 4,50 m e altura de 8,35

m.

O rejeito gerado no clarificador segue para uma prensa desaguadora, sendo

caracterizado como resíduo classe II A, de acordo com a Norma de resíduos sólidos da ABNT (NBR 10.004/2004). Todo o resíduo prensado é depositado em uma carreta e é

vendido como matéria prima para uma fábrica de miolo de papel e caixa de papelão. A alteração no fluxograma de tratamento ocorreu com a adição de uma etapa do tratamento primário anterior ao tanque de equalização, sendo as etapas subseqüentes

mantidas.

Na Figura 1, pode-se observar o fluxograma anterior à concepção da etapa do tratamento primário e posterior a sua concepção. A área pontilhada corresponde à modificação realizada no fluxograma com adição do clarificador.

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 5 de 12

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES (ETE) DE UMA INDÚSTRIA PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO

Alteração realizada no fluxograma
Alteração realizada
no fluxograma

FIGURA 1- Fluxograma antigo e na nova concepção da ETE

2.4 Métodos Utilizados para Avaliação do Desempenho da ETE

Para avaliar o desempenho da ETE, foi utilizada uma série de dados referentes ao período de outubro 2006 a setembro de 2007, sendo escolhidas duas análises que são realizadas mensalmente pela empresa no monitoramento. Os parâmetros que foram utilizados para avaliação da eficiência do clarificador estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1- Parâmetros Analisados para Avaliação da Eficiência do Flotador e sua Respectiva Importância.

Parâmetro

Importância da análise

Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)

Sólidos Suspensos Totais (SST)

Indica a fração da matéria orgânica biodegradável presente no efluente

Indica a quantidade de resíduos sólidos suspensos totais presentes numa amostra de água ou de esgoto.

É importante ressaltar que as análises foram realizadas por um laboratório terceirizado, de acordo com os procedimentos preconizados no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (APHA, 1998).

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para os parâmetros analisados (DBO e SST) do afluente (efluente bruto industrial) e efluente (tratado), foram elaboradas tabelas e gráficos das médias mensais, o período de outubro de 2006 a março de 2007 corresponde aos valores anteriores à

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 6 de 12

ALMEIDA, Camila Souza de; VIDAL, Carlos Magno de Sousa

concepção do clarificador, de abril a setembro de 2007 são posteriores. A Tabela 2 corresponde aos valores mensais de DBO de entrada e saída do clarificador e a eficiência quanto à remoção desse parâmetro.

TABELA 2 – Valores de DBO da entrada e saída do clarificador (flotador) e a eficiência quanto a sua remoção.

Meses

DBO (mg.L -1 )

DBO (mg.L -1 )

Eficiência

Entrada

Saída

(%)

Abr/07

554

400

28

Mai/07

429

252

41

Jun/07

1182

750

37

Jul/07

475

175

63

Ago/07

890

212

76

Set/07

507

311

39

Média

672

350

48

Com base nos dados apresentados na tabela 2 é possível identificar que os valores de DBO de saída do clarificador, oscilaram entre 28 e 76%. Todavia, a média referente aos 06 meses apresentou um resultado satisfatório, alcançando 48% de remoção, valor usual em sistemas de flotação por ar dissolvido. Na Tabela 3, são apresentados os resultados de SST de entrada e saída do

clarificador.

TABELA 3 - Valores da Concentração de Sólidos Suspensos Totais de Entrada e Saída do Clarificador e a Eficiência da Remoção desse Parâmetro.

Meses

SST (mg. L -1 ) Entrada

SST (mg. L -1 ) Saída

Eficiência

(%)

Abr/07

2366

44

98

Mai/07

1640

38

98

Jun/07

1511

90

94

Jul/07

2014

10

99

Ago/07

3379

60

98

Set/07

686

23

97

Média

1932

44

98

Verifica-se, pelos dados apresentados, na tabela 3, que os valores de SST de saída do clarificador apresentaram valores bem abaixo dos preconizados na Resolução CONAMA 357/05 que é de 500 mg.L -1 , sem levar em consideração que esse efluente ainda seguirá para o tratamento biológico. No mês de julho obteve-se eficiência de remoção de 99%, sendo que, a média final foi de 98% de remoção de sólidos suspensos totais. Na Figura 2, são apresentadas as eficiências do clarificador quanto à remoção de DBO e de SST.

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 7 de 12

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES (ETE) DE UMA INDÚSTRIA PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO

Eficiência (%)

120%

100%

80%

60%

40%

20%

0%

Eficiência de remoção de DBO (mg.L -1 ) e de SST (mg.L -1 )

98%

98%

100%

98%

94%
94%

98%

) e de SST (mg.L - 1 ) 98% 98% 100% 9 8 % 94% 98%
) e de SST (mg.L - 1 ) 98% 98% 100% 9 8 % 94% 98%

76%

37%
37%

63%

48%

39%
39%
41%
41%

97%

28%

out/06

nov/06

dez/06

jan/07

fev/07

mar/07

Média

abr/07

mai/07

jun/07

jul/07

ago/07

set/07

SST(eficiência)jan/07 fev/07 mar/07 Média abr/07 mai/07 jun/07 jul/07 ago/07 set/07 Meses DBO (eficiência)

Meses DBO (eficiência)
Meses
DBO (eficiência)

FIGURA 2 - Eficiência de remoção de DBO e de SST do clarificador

Pelos dados apresentados na figura 2, pôde-se verificar que, as eficiências de remoção de SST foram consideradas excelentes, atingindo uma média de remoção de 98%. Quanto à remoção de DBO, foram observadas muitas oscilações que são justificadas, na maioria das vezes como problemas operacionais. No mês de abril, início da operação com o flotador a remoção de DBO, foi de 28%, isto foi devido às dificuldades operacionais encontradas no início da operação do equipamento, bem como na definição do polímero que proporcionasse o melhor resultado. O polímero que vem sendo utilizado é o 857 BS, um polímero catiônico. Nos meses de junho e setembro, a eficiência do equipamento quanto à remoção de matéria orgânica decaiu, isto foi proveniente da drenagem de tanques de tinta e de soda, que alterou pH da água bruta, reduzindo a eficiência da reação do polímero com o efluente. Além disso, nesses meses, ocorreu transbordo de tanque de massa e o efluente bruto chegou a uma consistência acima da capacidade de tratamento que é de 0,25 %; com isso, ocorreu um aumento de perdas de fibras, o que refletiu no resultado do tratamento. Conforme as médias de eficiências dos parâmetros SST e DBO, identifica-se que o equipamento obteve maior resultado de eficiência na remoção de SST do que DBO, o que já era esperado segundo dados da literatura. A redução de DBO ocasionada pelo equipamento refletiu no resultado final de lançamento do efluente, como pode ser verificado na Figura 3. A Figura 3 apresenta valores de DBO na entrada da primeira lagoa de tratamento “lagoa 01”. Os resultados do período de outubro de 2006 a março de 2007 correspondem aos valores obtidos anteriormente à concepção do clarificador, e os valores de abril a setembro de 2007 são os resultados obtidos após a sua concepção.

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 8 de 12

ALMEIDA, Camila Souza de; VIDAL, Carlos Magno de Sousa

Valores de DBO (mg.L -1 ) de entrada da lagoa 01 - Anteriores e posteriores
Valores de DBO (mg.L -1 ) de entrada da lagoa 01 - Anteriores e
posteriores à concepção do clarificador
2500
1940
2000
1725
1500
1163
908
1000
869
752
750
832
500
702
409
252
311
212
175
0
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
Média
abr/07
mai/07
jun/07
jul/07
ago/07
set/07
Meses
DBO - Antes
DBO - Pós
DBO (mg/l)

FIGURA 3 – Valores de DBO de entrada da lagoa 01- anteriores e posteriores à concepção do clarificador.

Observa-se, na figura 3, que os valores de DBO de entrada da lagoa 01 foram diminuindo após a implantação do clarificador. As curvas referentes a esse parâmetro decaíram bastante quando comparadas com a média de DBO anterior que era de 1163 mg.L -1 , passando a atingir uma média de DBO de 409 mg.L -1 . Este resultado foi muito satisfatório para a estação, pois contribuiu para uma menor carga orgânica para as lagoas de tratamento, aumentando a sua eficiência de tratamento, bem como na qualidade do efluente final, como pode ser observado na Figura 4.

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 9 de 12

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES (ETE) DE UMA INDÚSTRIA PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO

Valores de DBO (mg.L -1 ) da saída da lagoa 03 anteriores e posterior ao
Valores de DBO (mg.L -1 ) da saída da lagoa 03 anteriores e
posterior ao clarificador
450
390
400
350
300
268
250
222
213
200
228
161
127
150
108
100
66
70
83
41
50
52
38
0
out/06
nov/06
dez/06
jan/07
fev/07
mar/07
Média
abr/07
mai/07
jun/07
jul/07
ago/07
set/07
Meses
DBO - Antes
DBO- Pós
DBO (mg/l)

FIGURA 4 - Valores de DBO anteriores e posteriores à concepção do clarificador, da saída da lagoa 03

Os valores de DBO do efluente final, anteriores à concepção do clarificador, eram acima dos preconizados na Resolução CONAMA 357/2005 que é de 55mg.L -1 . No mês de janeiro, por exemplo, a ETE apresentou valor de DBO de 390 mg.L -1 , resultado mais elevado durante a série de dados analisados, podendo ser verificado no entanto, pela figura 4 que os valores decaíram, após esse período. É importante ressaltar que, o órgão ambiental competente o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), estava ciente dessa deficiência que o sistema de tratamento estava apresentando e concedeu licença para esse lançamento, até a normalização do sistema após a concepção do clarificador. Com base nos resultados apresentados, verificou-se que após a implantação do clarificador no fluxograma de tratamento, os valores de DBO no efluente final foram reduzidos. No mês de junho, foi obtido o valor de DBO de 52 mg.L -1 próximo ao exigido na legislação CONAMA 357/2005. No entanto, em julho, este valor teve um pequeno aumento para 66 mg.L -1 , provavelmente devido a transbordos de tanques e também picos de vazão, afetando a eficiência do tratamento primário. Nos meses de agosto e setembro, foram os melhores índices alcançados de remoção de DBO, com resultados em conformidade com os padrões estabelecidos pela legislação CONAMA 357/2005 que é 55 mg.L -1 de DBO.

4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Conclui-se nesta pesquisa que a ETE da empresa melhorou seu desempenho quanto à remoção de DBO e de SST do efluente industrial com introdução do clarificador no fluxograma de tratamento. Isso implicou melhoria na qualidade do efluente final da ETE, atendo assim, aos padrões de emissão vigentes na legislação brasileira (Resolução CONAMA 357/2005). Como recomendação, sugere-se que sejam realizados estudos, a fim de identificar as principais causas de distúrbios no processo produtivo, visando minimizá-los e,

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 10 de 12

ALMEIDA, Camila Souza de; VIDAL, Carlos Magno de Sousa

por conseguinte, manter a qualidade do efluente industrial mais homogênea possível e de acordo com os padrões exigidos pela legislação ambiental. É importante também a inserção no fluxograma da ETE de um tanque reserva para as oscilações de vazão e de processo. Para melhorar a eficiência do flotador quanto à remoção de DBO, sugere-se que sejam realizados testes com outros polímeros.

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 11 de 12

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES (ETE) DE UMA INDÚSTRIA PAPELEIRA APÓS ALTERAÇÃO EM SEU FLUXOGRAMA DE TRATAMENTO

REFERÊNCIAS

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004: Classificação de Resíduos. Rio de Janeiro:71 p. 2004.

AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION – APHA. Standard Methods For The Examination Of Water And Wastewater, 16 ed., Washington.1998.

BRASIL,CONAMA. Resolução n° 357 de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes. Brasília.2005.

D’ AVIGNON, A.; PIERRE, C.V.; KLIGERMAN, D. C.; SILVA, H. V. O. de.; BARATA, M. M. L. de; MALHEIROS, T. M. M. Manual de Auditoria para Estações de Tratamento de Esgotos Domésticos. Rio de Janeiro: Qualitymark. 2002.151p.

Di Bernardo, L. Métodos e Técnicas de Tratamento de Água. Rio de Janeiro. 1993 p.

LORA, E. E. S. Prevenção e controle da poluição nos setores energéticos, industrial e de transporte. 2° ed. Rio de Janeiro: Interciência. 2002. 481 p.

NUNES, J. A. Tratamento físico-químico de águas residuárias industriais. 4 ed. Aracaju:

Editora Andrade Nunes, 2004. 298 p.

OLIVEIRA, N. S. Avaliação Do Desempenho Da Estação De Tratamento De Efluentes Da Klabin Papéis Monte Alegre (Telemâco Borba- Pr). Irati-PR. 2006. 81p.

SPERLING, M. V. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de águas residuárias. 2° ed. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental- DESA da Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG. 1996. 243 p.

SPERLING, M. V. Lagoas de estabilização. 1° ed. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental-DESA da Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG.2002. 196p.

Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO

Página 12 de 12