Atualização

Risco de Fibrose Sistêmica Nefrogênica com o Uso de Contraste à Base de Gadolínio em Doença Renal Crônica Risk of Nephrogenic Systemic Fibrosis with the Use of Gadolinium Containing Contrast Media on Chronic Kidney Disease
Marco Antonio Hegedus Karam
Instituto de Nefrologia de Campinas

RESUMO
A ressonância magnética com contrastes à base de quelatos de gadolíneo tem sido empregada como uma alternativa em pacientes alérgicos a contrastes iodados. Apesar de esses compostos serem isentos de efeitos tóxicos em pacientes com função renal normal, desde 1997, tem sido relatado o desenvolvimento de um quadro clínico denominado Fibrose Sistêmica Nefrogênica (FSN) em pacientes com ritmo de filtração glomerular menor que 30mL/min/1,73m2, especialmente naqueles submetidos a diálise. A FSN é uma doença fibrogênica sistêmica, progressiva e fatal que pode acometer vários órgãos. Mais de 215 casos já foram relatados no mundo até o presente. Atualmente, não se dispõe de tratamento específico, mas o transplante renal parece retardar sua evolução. Esta revisão reúne informações disponíveis na literatura sobre a FSN, dando ênfase à sua etiologia, evolução e prognóstico. Descritores: Quelatos de Gadolínio. Fibrose Sistêmica Nefrogênica. Diálise.

ABSTRACT
Magnetic resonance imaging with gadolinium containing contrast media has been used as an alternative in patients allergic to iodinated contrast compounds. Although devoid of toxic effects on patients with normal renal function, since 1997, a clinical condition called nephrogenic systemic fibrosis (NSF) has been reported in patients with glomerular filtration rates lower than 30 ml/min/1,73m2, particularly in those on dialysis. NSF is a systemic fibrogenic illness. It is progressive and fatal and can affect several organs. More than 215 cases have been reported around the world. Presently, there is no specific treatment but renal transplantation seems to slow down its course. This report aims to gather available information in the literature about NSF regarding its etiology, development and prognosis. Keywords: Gadolinium Chelants. Nephrogenic systemic fibrosis. Dialysis.

Recebido em 06/08/07 / Aprovado em 18/01/08
Endereço para correspondência: Marco Antonio Hegedus Karam Av Benjamin Constant 1.657 - Centro 13010-142 - Campinas/SP Email: ggmmkaram@uol.com.br

J Bras Nefrol 2008;30/1:66-71

Todos os meios de contraste com gadolínio possuem quelatos na sua composição. Praseodímio. Possuem características semelhantes em sua biodistribuição. maior seu tempo no organismo (sua meia vida aumenta para 34 horas em casos de insuficiência renal terminal sem diálise. a possibilidade de ocorrer transmetalação e efeitos colaterais é maior. A primeira utilização de um quelato de gadolínio intra-arterial foi em 1993. etc. da série dos Lantanídeos e de estrutura cristalina hexagonal. Em conseqüência. na produção de fósforos de cinescópios. esses precipitados são fagocitados por macrófagos que produzem citocinas profibróticas que agem localmente.30/1:66-71 . em que doses de 0. galactografia. disfunção endotelial. permanecendo no organismo tempo suficiente para a obtenção de imagens mais nítidas.2mmol/kg poderiam resultar em piora abrupta da função renal3. mielocisternografia. a Sociedade Européia de Radiologia Urogenital concluiu que a dose de gadolínio equivalente à dose de contrastes iodados em pacientes com insuficiência renal é mais nefrotóxica3. após extravasamento anormal vascular (trauma vascular. especialmente em casos de nefropatia diabética. conferindo maior J Bras Nefrol 2008. Cobre. Esta revisão destaca o papel dos quelatos de Gadolínio. que desestabilizam tais complexos. são considerados seguros e não tóxicos quando utilizados na dose de 0. A procura. além de atraírem fibrócitos circulantes5. sua associação com moléculas orgânicas maiores (quelatos) o transforma em complexo mais estável. de alternativas para os meios de contrastes iodados nos exames radiológicos em pacientes com reações alérgicas ou com insuficiência renal preexistente demonstrou a viabilidade do uso de quelato de gadolínio em Ressonância Magnética como “intensificador de contraste” na obtenção de melhores imagens.3 hora em pessoas sem insuficiência renal) e propriedades fisicoquímicas diferentes. são autorizados pela União Européia os quelatos de Gadolínio apresentados na tabela 17. após revisões. Este é pouco solúvel e. pielografia retrógrada. Cálcio ou ácidos endógenos. liberando o gadolínio livre (Gd+3). ainda não se conhece um tratamento específico. em 2. além de urografia intravenosa. Possui aspecto semelhante ao aço. com propriedades supercondutoras e é quimicamente muito ativo.5 e 1mol/L e quase exclusivamente excretados por via renal sem produzir efeitos tóxicos diretos. A Ressonância Magnética. maleável. Ferro e Ítrio) em 1880 e nomeado gadolínio em homenagem ao cientista finlandês Johan Gadolin. edema crônico). Uma vez depositados nos tecidos. As preparações do gadolínio são comercialmente disponíveis em concentrações de 0.2mmol/kg. Recentemente. Os meios de contraste com gadolínio. durante anos. farmacocinética e vida média (cerca de 1.7 horas em pacientes submetidos a diálise peritoneal6). em um paciente portador de alergia grave a contrastes iodados. Sua evidência espectroscópica foi primeiro observada pelo químico suíço Jean Charles Galissard de Marinac nos minerais Didimio (mistura de várias terras raras) e Gadolimita (Silicato de Berílio. uretrocistografia. tendo sido o primeiro contraste paramagnético aprovado para uso clínico em 19882. dificultando sua transmetalação. Ferro. GADOLÍNIO O Gadolínio é um elemento químico metálico. Neodímio com Óxido de Tório) e Bastnazita (Fluorcarbonato de metais de terras raras). nefrostomia percutânea e drenagem do trato biliar. Lantânio. Por se tratar de íon metálico muito tóxico (pode causar necrose hepática aguda). O Gadolínio é raramente encontrado na natureza (devido às suas baixas concentrações). Esta última é facilitada pelo Zinco. De 1997 a 2006. o Gadolínio vem sendo usado como meio de contraste em Ressonância Magnética. branco prateado. cistografia. por ser método baseado em campos magnéticos gerados pelas moléculas de água no organismo.67 INTRODUÇÃO Desde 1988. Ásia e Europa. Atualmente. seu uso passou a ser indicado para qualquer leito arterial. sendo depositados no interstício4. endoscopia com colangiografia retrógrada.6 horas em pacientes sob hemodiálise e para 52. adquire um sinal mais forte devido à interação do quelato de gadolínio com tais moléculas. quanto menor for a quantidade de quelatos associados aos compostos de gadolínio. A partir de então.1 a 0. relacionando a Gadodiamida (um quelato de Gadolínio) como provável agente desencadeante em pacientes submetidos a diálise. mais de 215 casos Fibrose Sistêmica Nefrogênica foram descritos nos Estados Unidos. Seu uso é limitado a tecnologias nucleares. Apesar de essa enfermidade apresentar-se com evolução progressiva e potencialmente fatal. sendo atualmente obtido dos minerais Monazita (fosfato de Cério. pode formar precipitados de sais de fosfato.1 a 0. incluindo-se angioplastias carotídeas e implantes de “stents”. usados normalmente em ressonância magnética. Portanto. microondas. especialmente a Gadodiamida na gênese da Fibrose Sistêmica Nefrogênica em pacientes com doença renal avançada.

000 a 1:500. vasodilatação e ansiedade. debilitante e potencialmente fatal que afeta a derme. apesar de também poder ocorrer em casos de insuficiência renal aguda. tontura. fáscia subcutânea e músculos estriados.000 administrações. dor e sensação de frio no local da injeção. Menos que 5% dos pacientes em uso de compostos de gadolínio apresentam reações adversas. Gadobutrol e Gadoterato meglumine). devido a suas diferentes propriedades físico-químicas. podem ser iônicas e não iônicas. pelo Dr. Magnograf MultiHance Primovist Vasovist ProHance Gadovist Dotarem Estrutura química Linear Linear Linear Linear Linear Linear Cíclico Cíclico Cíclico Vias de eliminação renal renal renal 97% renal 3% biliar 50% renal 50% biliar 95% renal 9% biliar renal renal renal Ligação não não não < 5% < 15% > 85% Não Não não Carga Protéica Não iônica Não iônica Iônica Iônica Iônica Iônica Não Iônica Não Iônica Iônica Relato de FSN Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não estabilidade às moléculas e evitando os efeitos tóxicos do íon livre (Gd+3). cerca de 170 casos haviam sido descritos na literatura. mais instáveis8. Em agosto de 2006. e denominada “Dermopatia Fibrosante Nefrogênica” por apresentar lesões semelhantes ao escleromixedema e de etiologia desconhecida. alterações do paladar. iniciaram as notificações oficiais de casos de Fibrose Sistêmica Nefrogênica que sugeriam uma relação com contrastes de gadolínio usados em Ressonância Magnética. Shawn Cowper. e as lineares (Gadodiamida.68 Fibrose Sistêmica Nefrogênica com o uso de Gadolínio Tabela 1. sendo menos de 1% consideradas moderadas ou graves. Em janeiro de 2006. Pode também causar fibrose em pulmões. miocárdio e fígado. As mais comuns incluem náuseas. Posteriormente. em uma unidade de transplante renal na Califórnia. em dezembro do mesmo ano. Também podem raramente causar reações anafilactóides graves entre 1:100. surgiram na literatura relatos de Fibrose Sistêmica Nefrogênica como reação tardia após uso de compostos de gadolínio em pacientes com insuficiência renal crônica. Magnevist e OptiMARK. Quelatos de Gadolínio autorizados pela União Européia para uso clínico Nome Genérico Gadodiamida Gadoversetamide Gadopentato de dimeglumina Gadobenato de dimeglumina Ácido gadoxético Gadofosveset Gadoteridol Gadobutrol Gadoterato de meglumina * O OptiMARK só é utilizado nos EUA FSN=fibrose sistêmica nefrogênica Comercial Omniscan OptiMARK* Magnevist. foi modificada para “Fibrose Sistêmica Nefrogênica” após surgimento de casos com envolvimento sistêmico. ocorrendo em pacientes com insuficiência renal crônica grave ou em tratamento dialítico. Este. o FDA (Food and Drug Administration) publicou orientações aos médicos quanto aos cuidados no uso de contrastes com gadolínio em pacientes renais crônicos e. Atualmente. Pelo fato de os compostos lineares não iônicos (Gadodiamide e o Gadoversetamide) sofrerem com maior facilidade a transmetalação (liberação do Gd+3 trocado por outros cátions como zinco e cobre). diferentemente dos compostos cíclicos iônicos que liberam menos Gd+3 e não necessitam de grandes quantidades. que possuem o Gd+3 localizado no interior da molécula. particularmente com síndrome hepatorenal. Ainda quanto à carga. vômitos. etc). cefaléia. notificou ter recebido 90 relatos destes pacientes que desenvolveram FSN após Ressonância Magnética com Omniscan. conforme mostra a tabela 29. tendo sido Grobner e Marckmann os primeiros a proporem o papel de agentes menos estáveis como o Gadodiamide. J Bras Nefrol 2008.30/1:66-71 . Até junho de 2005. Existem duas categorias estruturais reconhecíveis: as macrocíclicas (Gadoteridol. FIBROSE SISTÊMICA NEFROGÊNICA (FSN) A Fibrose Sistêmica Nefrogênica (FSN) é uma rara desordem fibrótica sistêmica e grave. dificultando sua liberação e conferindo maior proteção. são produzidos com maiores quantidades de quelatos na sua estrutura. geralmente progressiva. O fato de alguns pacientes expostos precocemente à Gadodiamida não terem desenvolvido FSN e de a exposição ao gadolínio não poder ser documentada em todos pacientes sugere que outros co-fatores devem estar envolvidos na gênese da FSN. contamos com mais de 215 casos relatados na Europa. Ásia e EUA. poderia influenciar a disponibilidade do gadolínio livre em pacientes renais crônicos. Gadoversetamide. Há cerca de 10 anos. Foi descrita inicialmente em março de 1997. geralmente em pacientes sabidamente alérgicos aos contrastes iodados.

Em algumas semanas.4% para cada exposição ao Gadolínio.0) (17. Muitos dos que desenvolveram FSN receberam dosagens de Gadolínio maior que 0. Um pequeno estudo populacional de pacientes com insuficiência renal crônica terminal conduzido por 18 meses demonstrou uma taxa de incidência de 4. Relação entre os diversos compostos de Gadolínio com suas estabilidades e excesso de quelatos na sua composição Composto de Gadolínio Gadodiamide Gadoversetamide Gadoteridol Gadopentato de dimeglumina Gadobenato de dimeglumine Constante de estabilidade (pH 7. Em todos os casos. dores em pontadas nas áreas afetadas e. nenhum caso foi relatado em pacientes com função renal normal. Não apresenta predileção por idade.4) Excesso de quelato 12mg/mL 28. na maioria dos casos12. recentes notificações relacionam a FSN com os contrastes de gadolínio. é notado edema nos pés. Considerando que a dose usualmente utilizada em angioressonância magnética é de 0. surgem grandes áreas endurecidas em placas com bordas irregulares ou difusas. oclusão vascular periférica e múltiplos infartos cerebrais. mas transitória. gadoversetamide e gadopentato de dimeglumina.30/1:66-71 .4) 10 10 10 10 10 (14. mas. Calcificações de tecidos moles podem ser vistas em radiografias e. às vezes. com sulcos profundos e perda de anexos. O envolvimento visceral é geralmente mais comum em casos com extenso envolvimento cutâneo. fígado.1) (18.9) (15. o tronco foi envolvido em 30%. o espessamento acomete vários músculos e articulações com perda da amplitude de movimentação decorrente do espessamento de tecidos periarticulares e tendões. inicialmente. positividade para anticorpos antifosfolípides. alguns pacientes. a insuficiência renal crônica estava presente. região inferior das pernas e mãos). Elevação dos marcadores de atividade inflamatória como sedimentação eritrocitária e PCR são demonstrados durante os estágios precoces desta desordem15. pulmões. Notou-se que. antebraços. especialmente gadodiamide (em cerca de 90% dos casos). Em 88% J Bras Nefrol 2008. as lesões da pele afetavam simetricamente as extremidades distais em 97% dos pacientes (pés. As extremidades superiores foram envolvidas em 77%. dando aspecto de “casca de laranja”. Um estudo realizado no Scleroderma Center of Thomas Jefferson University/ Philadelphia. também. principalmente mãos e pulsos. reuniu 82 casos (12 próprios e 70 previamente descritos) entre 2000 e 2005. cirurgia vascular recente (como revisão de fístula arteriovenosa ou angioplastia). perda do transplante renal. aspereza e endurecimento importantes na pele afetada. DIAGNÓSTICO E HISTOPATOLOGIA Não existem achados laboratoriais específicos na FSN. Posteriormente. comprometendo o coração. o risco para FSN com utilização destes contrastes em renais crônicos é elevado10. eritematosas que evoluem para espessamento. Podem surgir nódulos subcutâneos e muitos queixam de prurido. sensação de queimação. enquanto a face e o pescoço não tiveram alterações14. transplante hepático e acidose metabólica (cofator essencial na patogênese) têm sido descritas e antecedem o surgimento dos sintomas. coxas. tronco e abdome. pernas e mãos com lesões bolhosas.69 Tabela 2.1mmol/kg. prevalência de 3%–13% em pacientes com insuficiência renal crônica em estágio 5 e de 10% em estágio 411. CURSO CLÍNICO Após dois a 75 dias (média de 25 dias) da exposição do paciente à Gadodiamida.4mg/mL 0. raça ou doença renal primária. sendo que 90% estavam em hemodiálise ou diálise peritoneal. evoluindo para graves contraturas incapacitantes em flexão.1) (18. um risco de 2.4mg/mL 0mg/mL ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA Embora a causa da FSN ainda seja desconhecida. com ou sem alteração da pigmentação (marrom). sexo.3 casos por 1. seguidas da parte superior das pernas. aumento de temperatura local13.000 pacientes/ano.3mmol/kg. à medida que diminui o edema. Associações com distúrbios de coagulabilidade (trombose venosa profunda de membros inferiores). relatam dores ósseas nos quadris e costelas.23mg/mL 0. Alguns pacientes referem surgimento de pápulas ou placas amareladas próximas aos olhos e hipertensão arterial súbita. Se a FSN ou a IRC são responsáveis em alguns pacientes pelo aparecimento de polineuropatia sensitivo/motora leve a moderada ainda é motivo controverso. hepatopatia crônica a vírus B e C. em fevereiro de 2006. esôfago e eventos trombóticos como oclusão da fístula arteriovenosa.

Histopatologicamente. diabetes mellitus. tem mostrado efeitos benéficos em alguns pacientes10. mieloma múltiplo. substância com ações vasodilatadoras e antifibróticas. podem ser vistos valores de CK abaixo dos valores de referência.73m2 e em pacientes com disfunção renal submetidos ou que irão se submeter a transplante hepático. porém não há relatos de melhora completa. um mês antes do uso dos quelatos de Gadolínio11. conjuntamente com o European Pharmacovigilance Working Party (PhVWP) do Committee for Medicine Products for Human Use (CHMP). apresentam células inflamatórias e plasmáticas). fibrose induzida por drogas. • Todos os pacientes com fatores de risco para doença renal crônica (maiores de 60 anos. Alguns podem apresentar certa melhora da movimentação com amolecimento da pele no decorrer do tempo. Cobre e Zinco em amostras de tecido das áreas com lesões. • Os outros meios de contraste de gadolínio poderão ser usados em pacientes com RFG menor que 30mL/ min/1. histopatologicamente. acrescido de numerosos fibroblastos. Ferro. após avaliação cuidadosa. devendo ser utilizado com cautela em pacientes com insuficiência renal moderada (RFG entre 30 e 59mL/min) e. Diagnóstico diferencial deve ser feito. uma vez que a melhora da função renal retarda a evolução das lesões.30/1:66-71 . • Magnevist (Gadopentato de dimeglumina) – Está contra-indicado em pacientes com RFG menor que 30mL/ min/1. podendo ir a óbito devido a complicações do acometimento de vários órgãos como disfunções. Estas podem algumas vezes se estabilizar e raramente entrar em remissão espontânea. ocorrem faixas de fibrose intersticial com células inflamatórias. Em junho de 2007. etc. fibras elásticas na ausência de sinais inflamatórios14. lúpus eritematoso. Fibrose perivascular em arteríolas coronárias também pode ser observada. TRATAMENTO. principalmente com escleromixedema (cujas placas e pápulas não poupam a face e o pescoço e. Já foram relatados depósitos de gadolínio16. Nos músculos esquelético e cardíaco. restrição da ventilação e dos movimentos (que podem causar quedas com fraturas). deposição de mucina. Fisioterapia para pacientes com contraturas pode ser útil. espessamento da adventícia de arteríolas de pequenos e médios calibres. o UK Commission on Human Medicines (CHM).200mg/d. • Pelo fato de a realização de hemodiálise após o procedimento com quelatos de Gadolínio eliminar o contraste circulante em 78% na primeira sessão. O prognóstico depende da extensão. distúrbios da coagulação e complicações do transplante ou da insuficiência renal. também espessada. apresenta intenso espessamento da derme com acúmulo de colágeno em feixes separados por grandes fendas em sua profundidade. fasciíte eosinofílica. surgem intensa inflamação do perimísio e endomísio com tecido fibrótico e atrofia de células musculares. A Pentoxifilina na dose de 1. etc) devem ser avaliados quanto à possibilidade da presença de disfunção renal através de testes laboratoriais. gravidade. Um tecido fibroso espesso se estende através do tecido adiposo até a fáscia. deve ser usado somente após avaliação cuidadosa. rapidez no desenvolvimento das lesões cutâneas e da severidade das complicações sistêmicas. uma droga antioxidante e quelante do Gd+3 depositado nos tecidos. em neonatos e crianças até um ano de idade. Para pacientes com insuficiência renal moderada (RFG entre 30 – 59mL/min/1. O transplante renal é o tratamento de escolha. esclerose sistêmica. não existe tratamento específico conhecido para impedir ou retardar o surgimento das lesões fibróticas. história familiar de doença renal. fáscia e músculos. recomendou: • Omniscan (Gadodiamide) – Está contra-indicado em pacientes com ritmo de filtração glomerular (RFG) inferior a 30mL/min/1. 96% na J Bras Nefrol 2008.73m2.73m2) ou recémnascidos (menor que 4 meses) e crianças de até um ano (devido à imaturidade da função renal). Nos pulmões. Dados publicados na literatura mostram que cerca de 5% dos pacientes evoluem com curso rápido e fulminante. levando à redução da capacidade de difusão de CO214. assim como a prática da natação. O padrão ouro para o diagnóstico é dado pela biópsia da pele acometida através de amostra adequada. baixos títulos de anticorpo antinúcleo (<1/360) e estados de hipercoagulabilidade em pacientes com déficit de função renal. pois a doença estende-se para o tecido subcutâneo.73m2 somente após cuidadosa consideração do risco/benefício individual e descartada possibilidade do uso de outros métodos diagnósticos. o tratamento com corticóides sistêmico na dose de 1mg/kg por dia ou uso local tiveram alguma eficácia e a fotoforese.70 Fibrose Sistêmica Nefrogênica com o uso de Gadolínio dos casos. mostrou retardo da evolução nas alterações da pele em poucos pacientes18. O uso de imunossupressão não obteve êxito. Tiossulfato de Sódio (STS). PROGNÓSTICO E PREVENÇÃO Até o momento. plasmaferese e talidomida produziram melhora em alguns pacientes14. carcinoma inflamatório de mama em pacientes com IRC17.

especialmente com a Gadodiamida. 2007. 16.21:1104-8. 2007. 9. New Haven: Center for Nephrogenic Fibrosing Dermopathy Research.56:21-6. Girguis MS. Mark AP. 2006.242: 647-9. Nephrogenic fibrosing dermatopathy: the first 6 years. Sergio AJ.188:586-92. Fibrose sistêmica nefrogênica: possível relação com contrastes à base de Gadolínio. Por não existir ainda tratamento específico. Radiol.doh. Reed AA. Cowper SE. 18. Sonsoles PV.fda.35:238-49. Broome DR.4:45-7.14:1055-62. causam distúrbios geralmente reversíveis. kidney disease. provavelmente o uso de radiocontrastes contendo iodo parece ser a única alternativa viável (exceto em pacientes alérgicos). Nephrogenic systemic fibrosis/nephrogenic fibrosing dermopathy: clinical aspects. Disponível em: http://www. Gadolinium – based MR contrast agents and nephrogenic systemic fibrosis. 2006. 4. Eur Radiol. A diálise peritoneal remove pobremente estes contrastes21. Nephrogenic systemic fibrosis. J Am Acad Dermatol. Corot C. Disponível em: http://info.edu/ derma tology/edpath/nfd/ 19.nsf/vwDiscussionAll/6F400BE10D03362380257306003452D2 21.uk Idée JM.6:24-7. Fundam Clin Pharmacol. Skov L. Miller JC. Solomon GJ. 2006.gov.131:145-8. Radiology Rounds 2007. 2007. 2007. Sandorfi N. Gadolinium a specific trigger for the development of nephrogenic fibrosing dermopathy and nephrogenic systemic fibrosis? Nephrol Dial Transplant. Eur. embora não existam dados adequados que possam avaliar a prevenção ou o tratamento da evolução da FSN com esta modalidade dialítica após exposição ao Gadolínio20. Le Greneur S. 7.info.gov/ medwatch/index.mhra.30/1:66-71 . embora outros co-fatores possam estar envolvidos. Tem sido sugerida a relação com os meios de contrastes de gadolínio. Heaf JG.20:563-76. Vera KC. Kjellin I. CONCLUSÃO Fibrose Sistêmica Nefrogênica é doença nova. Rosen PP. J Am Soc Nephrol. Jimenez SA. 3. Wu E. J Inter Diagn. Clin J Am Soc Nephrol. Grobner T. Description of 12 cases of nephrogenic fibrosing dermopathy and review of the literature. et al. Curr Opin Rheumatol. González BS. Roger AR. 14. rara e que evolui com fibrose extensa. Concha RM. Marckmann P. 2. et al. Kamal E. Public Assesment Report: Increased risk of nephrogenic fibrosing dermopathy/nephrogenic systemic fibrosis and gadoliniumcontaining MRI contrast agents. 2003. Disponível em: http://www. Nephrogenic systemic fibrosis. Cottrell AC. Strunk H. Perazella MA. 2006. 2006. Outro aspecto que merece destaque é o esclarecimento dos riscos desta manifestação tardia e grave aos pacientes que serão submetidos ao uso do gadolínio e aos profissionais que manipulam tais compostos. Dupont A. Artlett CM. REFERÊNCIAS 1. John C. 2004. Nephrogenic systemic fibrosis: a devastating complication of gadolinium in patients with severe renal impairment. et al. 2006. Thonsen HS.Update [acesso em 6 mar 2008]. 2007. Nora S. and gadolinium: is there a link?. a instituição de hemodiálise em até três horas após a administração destes agentes e repetida dentro das próximas 24 horas19 parece ser medida prudente na sua remoção. Kuo PH. Rossenk K. 2007. Jara CA. Schaefer M. Am J Roentgenol. Apesar de seus riscos. Whitney AH. Raynal I. 4:1654-6. Mendoza FA.5.73m2. Piera-Velazquez S. Atabales AF. Casos de reações adversas em pacientes que foram submetidos aos quelatos de gadolínio poderão ser notificados em vários órgãos competentes como ESUR Contrast Media Safety Committee através do endereço eletrônico http://www. Arch Pathol Lab Med. 2006. Vascular Dis Manag. 13. Dermopatia fibrosante nefrogénica: reporte de dos casos. 15. Gadolinium-based contrast media maybe nephrotoxic even at approved doses. contrariamente à FSN desenvolvida pelos contrastes contendo quelatos de Gadolínio21. 10.org ou http://www. 8. 2:2000-2. a melhor alternativa está em evitar-se o uso de quelatos de Gadolínio em pacientes com RFG menor que 30mL/min/1. Fenelon S. Eur Radiol. Quanto mais grave o envolvimento sistêmico. Nephrogenic systemic fibrosis: suspected causative role of Gadodiamide used for contrast enhanced magnetic resonance imaging. Port M. pior será a evolução. Abu-Alfa AK. 20. Thomsen HS.35 J Bras Nefrol 2008. Actual clinical use of Gadolinium-Chelates for non-MRI applications. grave e debilitante.71 segunda e 99% na terceira sessão. Quando o uso do Gadolínio for contra-indicado em pacientes com insuficiência renal crônica terminal e outros exames não invasivos forem insuficientes.gov.html.med. 17:2359-62. Cowper SE. Nephrogenic Systemic fibrosis mimicking inflamatory breast carcinoma. Semin Arthritis Rheum. 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