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OMAR DANIEL

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6,67(0$6$*52)/25(67$,6

Tese apresentada à Universidade Federal


de Viçosa, como parte das exigências do
Programa de Pós-Graduação em Ciência
Florestal, para obtenção do título de
'RFWRU6FLHQWLDH.

VIÇOSA
MINAS GERAIS - BRASIL
FEVEREIRO – 2000
OMAR DANIEL

'(),1,d­2'(,1',&$'25(6'(6867(17$%,/,'$'(3$5$
6,67(0$6$*52)/25(67$,6

Tese apresentada à Universidade Federal


de Viçosa, como parte das exigências do
Programa de Pós-Graduação em Ciência
Florestal, para obtenção do título de
'RFWRU6FLHQWLDH.

APROVADA: 29 de novembro de 1999.

Prof. Elias Silva Prof. Rasmo Garcia


(Conselheiro) (Conselheiro)

Prof. Ivo Jucksch Prof. Carlos Alberto Moraes Passos

Prof. Laércio Couto


(Orientador)
À minha esposa, Glauce.
Ao meu filho, Leonardo.
Aos meus pais, Pedro e Lídia.
Aos meus irmãos, Homero e Marlene.

ii
$*5$'(&,0(172

Ao prof. Laércio Couto, pela confiança e orientação; aos conselheiros


Elias Silva (DEF/UFV) e Rasmo Garcia (DZO/UFV); e aos componentes da
banca, Carlos Alberto Moraes Passos (DEF/UFMT) e Ivo Jucksch (DPS/UFV).
Aos professores das disciplinas cursadas: Elias Silva, Carlos Antônio A.
S. Ribeiro, Helio Garcia Leite, José Mauro Gomes, Laércio Couto, Ricardo
Seixas Brites e Agostinho Lopes de Souza.
À Universidade Federal de Viçosa, ao Departamento de Engenharia
Florestal e à Coordenação do Curso de Pós-Graduação, pela oportunidade.
À CAPES/PICDT, pela concessão da bolsa de estudos.
À Companhia Mineira de Metais, à sua gerência e aos seus técnicos, pela
disponibilização de dados para o estudo de caso.
À Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e ao Departamento de
Ciências Agrárias, pela liberação.
Ao amigo Antonio Carlos Tadeu Vitorino, pelas contribuições.
A todos os funcionários do DEF/UFV e da Coordenação do Curso de
Pós-Graduação em Ciência Florestal.

iii
%,2*5$),$

OMAR DANIEL, filho de Pedro Daniel e Lídia Sanches Daniel, nasceu


em 27 de agosto de 1960, em Barbosa, Estado de São Paulo.
Em 1978, concluiu o Curso de Técnico em Agropecuária no Centro de
Educação Rural de Aquidauana, Mato Grosso do Sul.
Em junho de 1983, bacharelou-se em Engenharia Florestal, pela
Universidade Federal de Mato Grosso. Em dezembro do mesmo ano concluiu o
Curso de Especialização em Manejo de Florestas Tropicais, pela Faculdade de
Ciências Agrárias do Pará.
Em março de 1984, ingressou como docente do Curso de Engenharia
Florestal da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, por meio de concurso
público.
Em 1988, obteve o título de Mestre em Ciência Florestal, pela
Universidade Federal de Viçosa.
Em 1990, transferiu-se como docente para o Curso de Engenharia
Agronômica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde permanece
até a presente data.
Em março de 1997, foi liberado pela Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul para iniciar o Curso de Doutorado em Ciência Florestal na
Universidade Federal de Viçosa, tendo defendido tese em 29/11/1999.

iv
&217(Ò'2

Página

EXTRATO .................................................................................................. vii


ABSTRACT ................................................................................................ ix
INTRODUÇÃO........................................................................................... 1
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................ 4

ALTERNATIVA A UM MÉTODO PARA DETERMINAÇÃO DE UM


ÍNDICE DE SUSTENTABILIDADE......................................................... 5
1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 6
2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 8
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 11
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 17

SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS:


INDICADORES BIOFÍSICOS ................................................................... 20
1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 21
2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 23
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 29
4. CONCLUSÕES....................................................................................... 36
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 36

PROPOSTA DE UM CONJUNTO MÍNIMO DE INDICADORES


BIOFÍSICOS PARA O MONITORAMENTO DA SUSTENTA-
BILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS................................... 40
1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 41

v
Página

2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 43
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 46
4. CONCLUSÕES....................................................................................... 51
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 52

SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS:


INDICADORES SOCIOECONÔMICOS .................................................. 55
1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 56
2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 59
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 64
4. CONCLUSÕES....................................................................................... 70
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 70

PROPOSTA DE UM CONJUNTO MÍNIMO DE INDICADORES


SOCIOECONÔMICOS PARA O MONITORAMENTO DA
SUSTENTABILIDADE EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS .............. 74
1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 75
2. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................... 77
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 80
4. CONCLUSÕES....................................................................................... 85
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 85

APLICAÇÃO DE UMA PROPOSTA DE MONITORAMENTO DA


SUSTENTABILIDADE A UM SISTEMA AGRISSILVIPASTORIL...... 88
1. INTRODUÇÃO....................................................................................... 89
2. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................... 91
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................ 92
3.1. Comparação entre dois métodos de geração de índices de susten-
tabilidade.......................................................................................... 92
3.2. Aplicação da proposta de geração de um índice de sustentabi-
lidade em um sistema agrissilpastoril .............................................. 95
3.3. Simulação realizada a partir dos dados atuais do sistema agrissil-
vipastoril da CMM........................................................................... 100
3.4. A aplicação dos gráficos tipo radar .................................................. 102
3.5. A qualificação dos índices de sustentabilidade ................................ 104
4. CONCLUSÕES....................................................................................... 105
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 106

RESUMO E CONCLUSÕES...................................................................... 108


APÊNDICE ................................................................................................ 110

vi
(;75$72

DANIEL, Omar, D.S., Universidade Federal de Viçosa, fevereiro de 2000.


'HILQLomR GH LQGLFDGRUHV GH VXVWHQWDELOLGDGH SDUD VLVWHPDV
DJURIORUHVWDLV. Orientador: Laércio Couto. Conselheiros: Elias Silva e
Rasmo Garcia.

Este estudo foi desenvolvido basicamente em duas etapas, tendo a


primeira o objetivo de definir grupos de indicadores de sustentabilidade biofísica
e socioeconômica para sistemas agroflorestais. Esta metodologia contemplou os
seguintes passos: a) definição do sistema; b) identificação de categorias
significativas de indicadores; c) identificação de elementos significativos em
cada categoria; d) identificação e seleção de descritores para os indicadores;
e) definição e obtenção de indicadores; e f) análise dos indicadores. Como
resultado, foi obtido um elevado número de indicadores, que foram submetidos a
critérios específicos para redução a dois grupos mínimos, para avaliação da
sustentabilidade biofísica e socioeconômica. Na outra etapa, foi realizado um
estudo de caso, considerando um sistema agrissilvipastoril, com o objetivo
principal de testar a aplicabilidade da metodologia anterior. Este sistema consiste
no cultivo do gênero (XFDO\SWXV, consorciado com arroz no primeiro ano, soja no
segundo, semeadura de braquiária no terceiro e criação de bovinos de engorda a

vii
partir do quarto ano, com o abate e a reposição dos animais feitos bianualmente.
Coletaram-se dados para atender às exigências dos indicadores biofísicos e
socioeconômicos definidos na primeira etapa. Os valores dos indicadores, dispos-
tos nos raios de gráficos tipo radar, geraram áreas que passaram a representar
índices de sustentabilidade (IS). Também, foram realizadas simulações visando
obter os IS para a idade final prevista para o ciclo do sistema. A aplicação desta
metodologia resultou na proposição de 57 indicadores de sustentabilidade
biofísica e 48 de sustentabilidade socioeconômica. Além disto, foram obtidos os
valores reais de 5,64 e 24,24 para os IS biofísica e socioeconômica para o quinto
ano do sistema, e os valores simulados de 9,61 e 90,17 para o final do ciclo, no
11o ano. Esta tese é composta de seis artigos, nos quais constam as conclusões de
cada um. Porém, de forma resumida, podem ser citadas as seguintes conclusões:
a) o uso dos grupos de indicadores obtidos mostra-se viável, em função da
facilidade de aplicação, do baixo custo com levantamentos de campo e análises
laboratoriais e da rápida obtenção dos resultados; b) o uso do gráfico tipo radar
permite a geração de IS biofísica e socioeconômica; c) o IS obtido por meio dos
procedimentos metodológicos utilizados é bastante sensível às alterações nos
indicadores; e d) quando foram comparados os valores padronizados dos
indicadores, por meio do desvio-padrão, com os valores não-padronizados,
concluiu-se pela superioridade destes nos cálculos dos IS e no monitoramento da
sustentabilidade.

viii
$%675$&7

DANIEL, Omar, D.S., Universidade Federal de Viçosa, February, 2000.


'HILQLWLRQRIVXVWDLQDELOLW\LQGLFDWRUVIRUDJURIRUHVWU\V\VWHPV. Adviser:
Laércio Couto. Committee Members: Elias Silva and Rasmo Garcia.

This study was developed basically in two stages. The first had the
objective of defining groups of biophysical and socio-economical sustainability
indicators for agroforestry systems. This methodology contemplates the
following steps: a) system definition; b) identification of significant categories of
indicators; c) identification of significant elements in each category; d)
identification and selection of descriptors for the indicators; e) definition and
acquisition of indicators; f) indicators analysis. So, was obtained a high number
of indicators, which were submitted to specific approaches for reduction to two
minimum sets for evaluation of the biophysical and socio-economical
sustainability. In the other stage a case study was carried out using an
agrossilvipastoral system, with the main objective of testing the application of
the previous methodology. This system consists on (XFDO\SWXV intercropping
with rice in the first year, soybean in the second year, sowing of %UDTXLDULD
EUL]DQWKD in the third year, and catle raising from the fourth year, with the killing
and replacement of the animals done bi-annually. Data were collected to attend

ix
demands of the biophysical and socioeconomical indicators defined in the first
stage. The values of the indicators, disposed in the rays of radar type graphic,
generated areas that represent sustainability indexes. Simulations were also
achieved seeking to obtain anticipated sustainability indexes for the final age for
the system cycle. The application of this methodology resulted in the proposition
of 57 biophysical and 48 socio-economical indicators of sustainability. Besides,
was obtained the real values of 5,64 and 24,24 for the biophysicaI and socio-
economical indexes for the 5th year of the system, and the simulated values of
9,61 and 90,17 for the end of the cycle, in the 11st year. This thesis is composed
of six articles with individualized conclusions. However, in a summarized way,
the following conclusions can be mentioned: a) the use of the sets of indicators
obtained is viable, in function of the application easiness, of the low cost with
field surveys and laboratory analysis, and of the quick obtaining of the results; b)
the use of the radar type graphic allows the generation of biophysical and socio-
economical sustainability indexes; d) when value of the indicators standardized
by means of the standard deviation were compared with not standardized values,
it is concluded by the superiority of these last ones in the calculations of the
sustainability indexes and in its monitoring.

x
,1752'8d­2

Em várias partes do mundo, muitas comunidades têm como meta


encontrar uma nova síntese que equilibre a sabedoria da natureza e as instituições
humanas, as tecnologias e os estilos de vida (Chiras, 1992, citado por HREN
et al., 1995), empreendendo projetos para reciclagem de resíduos, melhoria da
eficiência no uso de energia e restauração e conservação de paisagens.
Naturalmente, essas iniciativas isoladamente não podem tornar uma comunidade
sustentável. Porém, em conjunto, elas podem auxiliar a atingir essa meta.
Somente iniciativas dessa natureza não bastam, tendo em vista que a
primeira necessidade humana é a alimentar e que em todo o mundo a
disponibilidade de alimentos não é igual para as diferentes comunidades. IWLA
(1998) cita uma estimativa da população mundial de 9 bilhões de pessoas nos
próximos 50 anos. Para alimentar essas pessoas, serão necessários incrementos
da ordem de 30% da produção agrícola dos Estados Unidos da América, 300%
da África, 80% da América Latina e 70% da Ásia.
A produção total de alimentos é suficiente para uma população atual de
aproximadamente 6 bilhões de pessoas, em função da evolução tecnológica na
agricultura e do uso intensivo de fertilizantes e defensivos químicos derivados de
petróleo. Entretanto, o suprimento necessário de alimentos é insuficiente para
milhões de pessoas, em diversas regiões do mundo, tendo em vista as diferenças
nas necessidades individuais e nas riquezas de recursos naturais regionais, tanto

1
quanto na disponibilidade e no uso de tecnologias agrícolas. Essas disparidades
podem aumentar no futuro, pois a UHYROXomRYHUGH, que triplicou a produção de
alimentos nos últimos 40 anos, poderá não se repetir (HINRICHSEN, 1997).
Com a finalidade de reduzir a escassez de alimentos no futuro,
HINRICHSEN (1997) relatou algumas estratégias possíveis para ampliar a
produção agrícola, além do planejamento familiar: agricultura sustentável em
solos tropicais; promoção da agricultura urbana; desenvolvimento de novos
cultivares de grãos altamente produtivos; e manejo de recursos para prevenir
poluição e degradação.
Segundo a quase totalidade da literatura que trata de temas relacionados
com a preocupação em perenizar de maneira saudável a vida na Terra, a
humanidade deve se adaptar a uma nova conjuntura, que tem como base o
desenvolvimento sustentável.
Especificamente no campo do desenvolvimento da agricultura sustentá-
vel, Harwood (1990), citado por SANDS e PODMORE (1997), exemplificou
ações gerais que se subordinam à sustentabilidade: a) incrementar a produtivi-
dade, salvaguardando a capacidade inerente do solo por meio da manutenção da
matéria orgânica, das rotações de culturas e da ciclagem de nutrientes;
b) prevenir/minimizar a degradação ambiental, protegendo águas superficiais e
subterrâneas ou eliminando o uso de pesticidas e fertilizantes sintéticos;
c) assegurar a capacidade para sobreviver indefinidamente, minimizando as
perdas de solo, reduzindo o uso de energia proveniente de combustível fóssil e
mantendo a diversidade genética, a rentabilidade e a estrutura das comunidades.
A mudança de comportamento da humanidade para assumir essas e
outras atitudes conservacionistas tem sido a meta atual de grande parte dos
estudiosos do desenvolvimento sustentável, incluindo governos e organizações
não-governamentais em todo o mundo.
Nesse contexto enquadram-se os sistemas agroflorestais (SAF), que
prometem auxiliar os produtores rurais a aumentar a produtividade, a
lucratividade e a sustentabilidade da produção de suas terras (MacDICKEN e
VERGARA, 1990).

2
Embora os SAF não possam ser descritos como sistemas naturais, eles
são mais semelhantes a estes que os monocultivos, por darem ênfase à biodi-
versidade e à conservação de recursos. Além disto, apresentam um enfoque
interdisciplinar que requer a combinação de fatores sociais, ecológicos e
econômicos (ANDERSON e SINCLAIR, 1993), enquadrando-se no conceito de
desenvolvimento sustentável defendido por WCED (1987).
Entretanto, existem muitas críticas e dúvidas às propaladas vantagens
dos SAF, justificando-se pela escassez de resultados que comprovem a sua
eficiência em comparação com sistemas agrícolas tradicionais. A comparação
entre estes sistemas só tem validade se for monitorada ao longo do tempo, pois a
base da sustentabilidade apresenta caráter intergeracional.
Esse monitoramento pode ser feito com base nos indicadores de
sustentabilidade, visando consumir o mínimo possível de tempo, recursos finan-
ceiros e trabalho (HREN et al., 1995). Para CURRENT et al. (1995), levando-se
em conta a escassez de informações, monitorar sistemas agroflorestais,
particularmente do ponto de vista ambiental, pode ser útil na adoção destes
sistemas de uso da terra.
Diante do exposto, desenvolveu-se este estudo com os objetivos de:
a) propor indicadores de sustentabilidade para sistemas agroflorestais, conside-
rando os componentes ambiental, social e econômico; b) aplicar tais indicadores
em um estudo de caso de sistema agroflorestal em desenvolvimento, com a
finalidade de testar e aperfeiçoar a metodologia proposta; c) testar a aplicabili-
dade de uma metodologia para geração de um índice de sustentabilidade; e
d) desenvolver metodologia de avaliação de sustentabilidade aplicável em
qualquer modelo de SAF, de maneira rápida e econômica, com o mínimo de
técnicas e métodos de maior sofisticação e sem necessidade de alta
especialização de mão-de-obra técnica.
A edição dos artigos a seguir foi baseada nas normas da Revista Árvore,
com adaptações às normas vigentes no Conselho de Pós-Graduação da
Universidade Federal de Viçosa.

3
5()(5Ç1&,$6%,%/,2*5È),&$6

ANDERSON, L.S., SINCLAIR, F.L. Ecological interactions in agroforestry


systems. )RUHVWU\$EVWUDFWV, Wallingford, v.54, n.6, p.489-523, 1993.

CURRENT, D., LUTZ, E., SCHERR, S. &RVWVEHQHILWVDQGIDUPHUDGRSWLRQ


RI DJURIRUHVWU\: lessons form Project Expensive in Central America and
Caribbean. Washington: World Bank, 1995. 4p. (Environment Department-
World Bank. Dissemination Notes, 33).

HINRICHSEN, D. :LQQLQJWKHIRRGUDFH. Baltmore: Johns Hopkins University


School of Public Health, 1997. 7p. (Population Reports, v.25, n.4)

HREN, B.J., BARTOLOMEO, N., SIGNER, M. 0RQLWRULQJ VXVWDLQDELOLW\ LQ


\RXUFRPPXQLW\. Gaithersburg: IWLA, 1995. 20p.

IWLA - Izaak Walton League of America. Food supply: averting a global food supply
crisis. 6XVWDLQDELOLW\ &RPPXQLFDWRU, Gaithersburg, v.1, n.2, 1998. não-paginado.

MacDICKEN, K.G., VERGARA, N.T. $JURIRUHVWU\: classification and


management. New York: John Wiley & Sons, 1990. 382p.

SANDS, G.R., PODMORE, T.H. 'HYHORSPHQW RI QD HQYLURQPHQWDO


VXVWDLQDELOLW\ LQGH[ IRU LUULJDWHG DJULFXOWXUDO V\VWHPV. Colorado:
Colorado State University, 1997. 11p.

WCED - World Commission on Environment and Development. 2XUFRPPRQ


IXWXUH. Oxford: Oxford University Press, 1987. 400p.

4
$/7(51$7,9$$800e72'23$5$'(7(50,1$d­2'(80
Ë1',&('(6867(17$%,/,'$'(

RESUMO - A sustentabilidade das atividades em geral pode estar baseada em


relações ambientais, econômicas e sociais, em diversos níveis de abrangência
geográfica. Um dos meios de avaliá-la é a sintetização de indicadores
representativos desses três componentes em índices, o que facilita a sua
interpretação. Esta sintetização pode ser feita por meio da disposição dos valores
dos indicadores nos raios de um gráfico tipo radar, calculando-se a área formada
pelo maior polígono resultante, o que gera um índice de sustentabilidade. O
objetivo deste trabalho foi a adaptação de um método de cálculo alternativo ao já
existente na literatura, mais simples e rápido, com a finalidade de reduzir custos
operacionais e gerar procedimentos metodológicos que possam ser utilizados por
usuários pouco especializados. Considerando a redução do volume de cálculos, a
menor complexidade de compreensão dos passos intermediários e a maior
facilidade de aplicação do método alternativo para obtenção de um índice de
sustentabilidade, concluiu-se que este é mais adequado para atingir a meta de se
gerar metodologia de avaliação cada vez mais simplificada.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade e


índice de sustentabilidade

$/7(51$7,9(72$0(7+2')25'(7(50,1$7,212)$1
,1'(;2)6867$,1$%,/,7<

ABSTRACT - The sustainability of the activities in general can be based on


environmental, economic and social relationships, in several levels of
geographical inclusion. One of the methods of evaluating it is the synthetization
of representatives indicators of these three components in indexes, facilitating
their interpretation. This synthetesis can be made by means of the plotting the
indicators in the rays of a graphic type radar. The area composed by the largest
resulting polygon is computed, generating a sustainability index. The objective of

5
this work is the develop an alternative method to found in the literature, with the
purpose of reducing operational costs and which can be used by not so
specialized users. Considering the reduction of the volume of calculations, the
facility to understand the intermediary steps, and the facility of application of this
alternative method to obtain the sustainability index, it was concluded that this is
more adequated to reach the goal of generating a more simplified evaluation
methodology.

Key words: Sustainable development, sustainability indicators, sustainability


index.

,1752'8d­2

Um dos temas atuais mais debatidos e estudados nos meios


governamentais, acadêmicos e científicos é o desenvolvimento sustentável. Seu
conceito tornou-se público em 1972, após as reuniões da ONU (Organização das
Nações Unidas) sobre meio ambiente, realizadas em Estocolmo (IWLA, 1997).
Entretanto, somente em 1987 a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e
Desenvolvimento da ONU (WCED) emitiu a primeira definição concisa
(WCED, 1987): "É o desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações
presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as
suas próprias necessidades".
Embora esse conceito não seja ideal, ele apresenta o mérito de estimular
a integração e a eqüidade inter e intrageracional, tendo sido rapidamente com-
preendido e adotado pela comunidade em geral. Temas antes tratados de forma
isolada, como a desflorestação mundial, a superpopulação, a exaustão da camada
de ozônio e outros, passaram a ser considerados inter-relacionados nos debates
políticos e intelectuais.
Outras definições do termo foram elaboradas e publicadas por
Barbier (1989), citado por REDCLIFT (1996); por Sansoucy (1991), citado por
MURGUEITO R. (1992); por BELLIA (1996); e por BARTUSKA et al. (1998).

6
Concomitantemente, surgiu o termo sustentabilidade, que conta com
vários exemplos de definições: LIVERMAN et al. (1988), BRKLACICH et al.
(1991), DOVERS e HANDMER (1993), MOORE e JOHNSON (1994) e
BARTUSKA et al. (1998). Entretanto, o conceito de Conway (1986), citado por
FAETH (1994), apresenta-se de forma simples e resumida, porém, é suficiente
para a interpretação do termo: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em
manter sua produtividade quando este encontra-se sujeita a intenso esforço ou
alterações". Pode-se, então, entender desenvolvimento sustentável como sendo o
promotor da sustentabilidade (IWLA, 1997). Ambos os conceitos estão envol-
vidos por relações sociais, econômicas e ambientais (DOUGLAS, 1985;
SENANAYAKE, 1991; SAP, 1997).
A avaliação da sustentabilidade, em todas as suas relações, é necessária
para determinar o grau de compromisso que o promotor ou executor de uma
atividade, que envolve o consumo de bens renováveis ou não, tem com as
gerações futuras. Esta avaliação depende de diversos níveis de informações, que
podem ser classificadas em forma de pirâmide. Na sua base estão os dados não-
processados, de pouco valor para as tomadas de decisão, enquanto no nível mais
alto estão os índices, tal como o índice de preço ao consumidor, que são os
resultados da combinação de diferentes indicadores. (HAMMOND et al., 1995;
MANNIS, 1996).
BERTOLLO (1998), após ampla revisão de literatura, listou exemplos
de indicadores de sustentabilidade ambiental, enquanto no campo socioeco-
nômico podem ser consultados os trabalhos de DOBBS e COLE (1992),
ALTIERI S. (1994), UN (1995), CURRENT et al. (1996) e SCHERR (1995).
Para produzir índices de sustentabilidade com a finalidade de monitorar
os padrões de sustentabilidade em ecossistemas naturais e também para aqueles
alterados pelo homem, ULGIATI e BROWN (1998) propuseram analisar fluxos
de energia. Embora as fórmulas finais propostas pelos autores sejam simples,
nem sempre a obtenção de seus componentes o é.
Uma alternativa tem sido a elaboração de gráficos tipo radar, que repre-
sentem toda a coleção de indicadores medidos em um sistema. CALORIO (1997)
produziu metodologia para cálculo de um índice de sustentabilidade a partir

7
desses gráficos. Segundo LIGHTFOOT et al. (1993), esse tipo de diagrama
produz informações visuais que são úteis para comparar sistemas ao longo do
tempo e do espaço.
Com a finalidade de reduzir custos operacionais e gerar procedimentos
metodológicos que possam ser utilizados por usuários pouco especializados, este
trabalho teve como objetivo a adaptação de um método de cálculo alternativo ao
de CALORIO (1997), mais simples e rápido, a ser aplicado ao gráfico tipo radar,
visando gerar um índice de sustentabilidade (IS).

0$7(5,$/(0e72'26

A metodologia para obtenção de um índice de sustentabilidade a partir


do gráfico tipo radar, sugerida neste trabalho, é uma alternativa à proposta de
CALORIO (1997). De posse dos valores dos indicadores selecionados para
avaliar a sustentabilidade de uma atividade, CALORIO (1997) recomenda os
seguintes passos, cujas variáveis estão indicadas na Figura 1:
a) transformação dos valores dos indicadores: visa padronizar os valores
dos indicadores para vpn, conforme descrito abaixo, eliminando os efeitos de
escala e de unidade de medida, uma vez que representam indicadores diferentes,
o que assegura que cada um deles tenha o mesmo peso relativo na determinação
do índice (DOUGLAS, 1990; TORRES, 1990):

5 + (x n − x )
vp n = (1)
S
em que
vpn = valor do indicador n padronizado;
xn = valor original do indicador n;
x = valor médio de todos os indicadores;

S = desvio-padrão para todos os indicadores; e


5 = constante acrescentada por CALORIO (1997).

8
Figura 1 - Gráfico tipo radar, utilizado para gerar um índice de sustentabilida-
de (IS), segundo CALORIO (1997): In - indicadores, α - ângulo for-
mado entre as linhas de comprimento de dois indicadores adjacentes,
vpn - valor padronizado do indicador e Sn - área do triângulo n.

b) obtenção do ângulo formado entre dois indicadores adjacentes:


360 π
α= × (2)*
N 180
em que
α = ângulo formado entre dois indicadores, em radianos;
N = número total de indicadores; e
π = fator de transformação de graus em radianos, se a rotina para
180
cálculo do coseno no passo seguinte (c) o exigir.
* - esta fórmula substitui a de CALORIO (1997), cuja justificativa está em Resultados
e Discussão.

c) cálculo da área de cada triângulo identificado no gráfico (Sn), a partir


do valor padronizado de dois indicadores adjacentes e do ângulo definido no
passo anterior (b):
c.1. obtenção do lado desconhecido do triângulo:

dn = (vp ) + (vp )
n
2
n +1
2
− 2 × (vp n × vp n +1 ) × cos α (3)

9
em que
dn = lado desconhecido do triângulo;
vpn e vpn+1 = valores padronizados dos indicadores n e n+1; e
α = ângulo formado entre dois indicadores.
c.2. cálculo do semiperímetro do triângulo:
vp n + vp n +1 + d n
pn = (4)
2
em que
pn = semiperímetro do triângulo n;e
vpn, vpn+1 e dn = lados do triângulo.
c.3. cálculo da área do triângulo:
Sn = p n (p n − vp n ) × (p n − vp n+1 ) × (p n − d n )
(5)
d) cálculo do índice de sustentabilidade:
N
IS = ∑ Sn
n =1 (6)
A alternativa proposta substituiu o passo F, utilizado anteriormente para
obtenção da área de cada triângulo (Sn) identificado no gráfico (Figura 2),
resumindo os cálculos aos seguintes procedimentos:
c - cálculo da área de cada triângulo identificado no gráfico, a partir do
valor padronizado de dois indicadores adjacentes e do ângulo definido no passo
anterior (b):
c.1. obtenção do ângulo β :
β = 180 − 90 − α (7)
c.2. cálculo da área do triângulo**:

Sn =
( vp n
× hn )
(8)
2
sendo h n = cos β × vpn +1 (9), então

Sn =
( vp n
× cos β × vpn+1 )
(10)
2
** todas as variáveis descritas encontram-se relacionadas na Figura 1, sendo intuitivas
as suas definições.

10
Figura 2 - Gráfico tipo radar (proposta alternativa), utilizado para gerar um
índice de sustentabilidade (IS): In - indicadores, hn - altura do
triângulo formado pela interface entre dois indicadores, α - ângulo
formado entre as linhas de comprimento de dois indicadores
adjacentes, β - ângulo formado entre a linha de altura hn e a linha de
comprimento do indicador In+1, vpn - valor padronizado do indicador e
Sn - área do triângulo n.

5(68/7$'26(',6&866­2

O resultado final, ou seja, o valor do índice de sustentabilidade (IS), foi o


mesmo tanto para o método proposto neste trabalho, denominado DOWHUQDWLYR,
quanto para o de CALORIO (1997), denominado RULJLQDO (Quadro 1). No
entanto, é importante ressaltar que a fórmula (2) do presente estudo substituiu a
 360 
fórmula   apresentada na página 51 de CALORIO (1997), em
 (n − 1) × (π 180) 
função de esta ter gerado inconsistência nos resultados da simulação, pois, caso
contrário, o IS calculado por meio das fórmulas de CALORIO (1997) seria de
4,00 e não de 4,39, que é o valor correto.

11
Quadro 1 - Índice de sustentabilidade (IS) para cinco indicadores hipotéticos,
gerado tanto por meio do método alternativo quanto pelo método de
CALORIO (1997), após a correção da fórmula

Dimensão do
indicador Dimensão
Indicador (I) Área (S)
padronizada (vp)
(tamanho do raio)
1 15 2,17 1,14
2 10 1,10 0,80
3 12 1,53 0,59
4 1 -0,81 0,51
5 11 1,32 1,36
IS 4,39

Essa inconsistência torna-se óbvia, já que em um gráfico tipo radar, em


que o ângulo entre os raios é o mesmo, tal raio não pode ser determinado pelo
quociente entre 360 e (n-1), mas sim entre 360 e n. Um simples exemplo elimina
qualquer dúvida a esse respeito: o ângulo entre quatro raios é 90o e não 120o,
como sugere a fórmula de CALORIO (1997); além disto, o autor usa (π/180)
multiplicando o denominador para transformar o ângulo em radianos, enquanto
deveria estar multiplicando (360/n), para que os radianos resultantes, quando
transformados em graus, dessem o mesmo resultado.
Apesar dos resultados equivalentes, o método alternativo apresentou
vantagens sobre o método original, como:
a) o volume de cálculos, em função da quantidade de passos e fórmulas
utilizadas, foi reduzido pela metade, conforme se depreende da
comparação entre os Quadros 2 e 3;
b) as fórmulas básicas da geometria foram utilizadas para o cálculo das
áreas dos triângulos Sn (Figura 2), o que facilitou a compreensão das
operações intermediárias, especialmente no que se refere à mudança
da obtenção do semiperímetro pela simples altura do triângulo;

12
Quadro 2 - Fórmulas utilizadas em planilha eletrônica para o cálculo do índice de
sustentabilidade (IS) para cinco indicadores hipotéticos, por meio do
método alternativo

Indica- Dimensão do
Dimensão padronizada (vp) Área (S)
dor (I) indicador
Colunas
Linhas
A B C D
=(5+(B1-
=(ABS(C1)*COS(RADIANOS($B$7))*
1 1 15 MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($
ABS(C2))/2
B$1:$B$5)
=(5+(B2-
=(ABS(C2)*COS(RADIANOS($B$7))*
2 2 10 MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($
ABS(C3))/2
B$1:$B$5)
=(5+(B3-
=(ABS(C3)*COS(RADIANOS($B$7))*
3 3 12 MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($
ABS(C4))/2
B$1:$B$5)
=(5+(B4-
=(ABS(C4)*COS(RADIANOS($B$7))*
4 4 1 MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($
ABS(C5))/2
B$1:$B$5)
=(5+(B5-
=(ABS(C5)*COS(RADIANOS($B$7))*
5 5 11 MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($
ABS(C1))/2
B$1:$B$5)
6 IS =SOMA(D1:D5)
7 α =360/A5

8 β =180-90-B7

c) as probabilidades de erros de cálculos diminuíram, especialmente as


provenientes da estruturação das fórmulas dentro da planilha de
cálculos;
d) os cálculos são mais simples, resultando em maior facilidade de
compreensão geral do sistema de obtenção do IS.

Além das alterações nas fórmulas de cálculo dos triângulos Sn, foi
necessário o uso do módulo ( ) de vp na fórmula (10), para gerar apenas os
valores absolutos das dimensões padronizadas dos indicadores, pois quando
existem poucos números extremos dentro dos cálculos da padronização podem
surgir resultados negativos. Para o gráfico isto não provocou alterações na forma
do polígono do IS, porém, evitou a subestimação do seu valor.

13
Quadro 3 - Fórmulas utilizadas em planilha eletrônica para o cálculo do índice de sustentabilidade (IS), para cinco indicadores
hipotéticos, por meio do método Ude CALORIO (1997)

Indica- Dimensão do Lado Desconhecido do Triângulo


dor (I) Indicador Dimensão Padronizada (vp) Semiperímetro Área (S)
(d)
Colunas
linhas A B C D E F

=(5+(B1- =RAIZ(C1^2+C2^2-
1 1 15 =(C1+C2+D1)/2 =RAIZ(E1*(E1-C1)*(E1-C2)*(E1-D1))
MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) 2*(C1*C2)*COS(RADIANOS($B$7)))

=(5+(B2- =RAIZ(C1^2+C2^2-
2 2 10 =(C2+C3+D2)/2 =RAIZ(E1*(E2-C2)*(E2-C3)*(E2-D2))
MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) 2*(C2*C3)*COS(RADIANOS($B$7)))
14

=(5+(B3- =RAIZ(C1^2+C2^2-
3 3 12 =(C3+C4+D3)/2 =RAIZ(E1*(E3-C3)*(E3-C4)*(E3-D3))
MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) 2*(C3*C4)*COS(RADIANOS($B$7)))

=(5+(B4- =RAIZ(C1^2+C2^2-
4 4 1 =(C4+C5+D4)/2 =RAIZ(E1*(E4-C4)*(E4-C5)*(E4-D4))
MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) 2*(C4*C5)*COS(RADIANOS($B$7)))

=(5+(B5- =RAIZ(C1^2+C2^2-
5 5 11 =(C5+C1+D5)/2 =RAIZ(E1*(E5-C5)*(E5-C1)*(E5-D5))
MÉDIA($B$1:$B$5)))/DESVPADP($B$1:$B$5) 2*(C5*C1)*COS(RADIANOS($B$7)))

6 IS

7 α =360/A5 =SOMA(F1:F5)

14
Deve ficar claro que o IS foi obtido a partir dos valores padronizados dos
indicadores, segundo a fórmula (1). Tal fato permite eliminar os efeitos de escala
e de unidade de medida (DOUGLAS, 1990; TORRES, 1990) e, ainda, obter um
gráfico interpretável, que é útil em comparações de monitoramento ao longo do
tempo.
Nesse ponto é importante ressaltar que CALORIO (1997) acrescentou a
constante 5 à fórmula de Z, provavelmente com a finalidade de evitar valores
padronizados iguais a zero, quando o valor de um indicador fosse igual à média
de todos. Poderia ter sido utilizada qualquer constante. A diferença para a
fórmula original é que, embora a variância continue sendo igual a 1, a média
passa a ser diferente de zero. O usuário deve apenas considerar que a constante
utilizada deve ser sempre a mesma em um processo de monitoramento ou de
comparação, tendo em vista que esta constante altera a escada do IS.
Nas simulações feitas na planilha eletrônica de cálculos, verificou-se
que, sem o artifício da padronização, a existência de valores originais de
indicadores elevados e outros baixos pode fazer com que os pontos do diagrama
referentes a estes últimos tornem-se praticamente ilegíveis. Na Figura 3 tem-se
um exemplo deste caso, em que (a) apresenta os extremos 1 e 150, podendo-se
notar que os quatro triângulos formados entre I1 e I2, I2 e I3, I3 e I4 tornaram-se
invisíveis. Este problema foi contornado com o uso da padronização dos valores
dos indicadores, conforme se observa em (b).
Outro fato importante a ser registrado é que neste trabalho foi utilizado o
desvio-padrão populacional (DESVPADP, nos Quadros 2 e 3). Tal procedimento
foi realizado, pois, em geral, no processo de avaliação da sustentabilidade, é feita
uma seleção prévia de indicadores que passam a ser considerados ideais e
suficientes, os quais são todos utilizados, ou seja, os cálculos são baseados em
uma população de indicadores.
Pelo fato de no método estudado serem utilizadas fórmulas para padro-
nização dos indicadores, as quais incluem a aplicação do desvio-padrão, é possí-
vel que esta metodologia apresente problemas se for usada em monitoramento.

15
Figura 3 - Gráfico tipo radar utilizado para gerar um índice de sustenta-
bilidade (IS), demonstrando a dificuldade de interpretação visual na
presença de valores com amplos extremos (a) e a sua correção por
meio da padronização (b).

Portanto, são sugeridas avaliações mais detalhadas em observações


sucessivas, analisando a influência da padronização aqui descrita sobre as
alterações nos indicadores ao longo do tempo. Suspeita-se que as alterações em
alguns deles, porém nenhum especificamente, possam resultar em efeitos
contrários ao que se espera no índice de sustentabilidade (IS), ou seja, o aumento
em um dado indicador, do qual se espera influência no aumento do IS, pode na
verdade reduzi-lo, e vice-versa. Enquanto isto não é analisado, o método deve ser
recomendado apenas para avaliações pontuais.
Considerando a redução do volume de cálculos, a menor complexidade
de compreensão dos passos intermediários e a maior facilidade de aplicação do
método alternativo para obtenção de um índice de sustentabilidade, concluiu-se
que este método é mais adequado para atingir o objetivo de gerar metodologia de
avaliação cada vez mais simplificada, em comparação com as sugestões de
CALORIO (1997).

16
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19
6867(17$%,/,'$'((06,67(0$6$*52)/25(67$,6
,1',&$'25(6%,2)Ë6,&26

RESUMO - Atualmente, o direcionamento dos sistemas produtivos com vistas ao


desenvolvimento sustentável, tem alcançado relevância mundial. Neste contexto,
dentro das atividades agropecuárias destacam-se os sistemas agroflorestais
(SAF), que são tidos como alternativas sustentáveis aos sistemas intensivos de
produção agrícola. Entretanto, é necessário definir indicadores que possam
monitorar esta sustentabilidade. O objetivo deste trabalho foi definir um rol de
indicadores biofísicos adaptáveis aos diversos modelos de SAF, sustentado por
recomendações de especialistas e por ampla revisão de literatura. Dentre as
conclusões obtidas, destacam-se: a) de um total de 117 indicadores de
sustentabilidade definidos, a categoria base de recursos do próprio sistema
comportou o maior número, seguida das atividades operacionais e dos recursos
externos ao sistema; e b) respectivamente para as três categorias citadas, a
primeira concentrou o maior número de indicadores nos elementos solo, flora e
fauna, a segunda no elemento manejo técnico e a terceira nos elementos flora,
fauna, energia e água.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável e indicadores de sustentabilidade.

6867$,1$%,/,7<,1$*52)25(675<6<67(06%,23+<6,&$/
,1',&$7256

ABSTRACT - Presently, sustainable development has become increasingly


relevant for the area of productive systems, especially for the agroforestry
systems (AF), which are seen as sustainable alternatives to the intensive system
of agricultural production however, it is necessary to define indicators for
monitoring such sustainability. The objective of this work was to define a set of
biophysical indicators adaptable to the various SAF models, supported by
recommendations of experts and extensive literature. These are some of the most
important conclusions reached: a) out of 117 sustainability indicators defined, the

20
category natural resource base presented the highest number of indicators,
followed by operational activities and external resources; and b) for the three
categories cited, the first one ranked highest in number of indicators in the
elements soil, flora and fauna, the second in technical management and the third
in flora, fauna, energy and water.

Key words: Sustainable development, sustainability indicators.

,1752'8d­2

Inúmeras são as definições de sustentabilidade encontradas na literatura


especializada (LIVERMAN et al., 1988; BRKLACICH et al., 1991; DOVERS e
HANDMER, 1993; MOORE e JOHNSON, 1994; BARTUSKA et al., 1998),
embora o conceito de Conway (1986), citado por FAETH (1994), seja suficiente
para a interpretação do termo: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em
manter sua produtividade quando esta encontra-se sujeita a intenso esforço ou
alterações".
Dessa forma, tomando como base o conceito de desenvolvimento susten-
tável emitido por WCED (1987), o qual conecta as ações atuais promovidas
sobre a base de recursos à capacidade de manutenção das necessidades das
gerações futuras, pode-se dizer que este tipo de desenvolvimento é capaz de
promover a sustentabilidade (IWLA, 1997). Tanto uma definição quanto a outra
estão envolvidas por relações sociais, econômicas e ambientais (DOUGLAS,
1985; SENANAYAKE, 1991; SAP, 1997). Outras definições de desenvolvi-
mento sustentável foram elaboradas e publicadas por Barbier (1989), citado por
REDCLIFT (1996); por Sansoucy (1991), citado por MURGUEITO R. (1992),
por BELLIA (1996); e por BARTUSKA et al. (1998), as quais, de modo geral,
pregam a integração e a eqüidade inter e intrageracional.
A sustentabilidade, portanto, é um conceito que pode ser aplicado a
qualquer atividade desenvolvida pelo homem, e sua avaliação recebe diferentes
enfoques, dependendo do nível de estudo e do ambiente em questão, se urbano

21
(LINARES e SELIGMAN, 1992) ou rural. Especificamente relacionado com a
agricultura, que é o principal suporte da sustentabilidade, pode-se classificar seu
ambiente nos seguintes níveis: global, nacional, regional, de propriedade, de
ecossistema e de sistema de produção (CAMINO V. e MÜLLER, 1993), sendo
este último também denominado agroecossistema (ALTIERI, 1987).
É vasta a literatura relacionada à avaliação da sustentabilidade
desenvolvida em nível de propriedade ou acima, com menos exemplos para
ecossistemas e agroecossistemas, de modo a verificar em que grau um sistema de
produção de soja, milho, feijão ou árvore contribui para um desenvolvimento
sustentável. As diferentes práticas agrícolas atuais abrangem desde os modelos
alternativos, considerados sustentáveis (PASCHOAL, 1995), até os modelos
intensivos de produção, que comportam inúmeras externalidades negativas,
contrastando com o sucesso na produtividade e no suprimento de alimentos para
a humanidade (SHIKI, 1995).
Dentre os modelos alternativos, ou tecnologias agroecológicas sustentá-
veis, destacam-se o uso de leguminosas, o controle biológico, a manutenção da
diversidade e os sistemas agroflorestais (SAF). Estas tecnologias são capazes de
criar agroecossistemas produtivos menos dependentes de recursos externos a eles
(KAIMOWITZ, 1996), estando baseadas em princípios e processos que
satisfazem requisitos ambientais (Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991),
combinando tanto elementos do conhecimento tradicional, quanto da ciência
moderna (ALTIERI, 1991).
Os sistemas agroflorestais, especificamente, preenchem muitos requisitos
da sustentabilidade, por incluírem árvores no sistema de produção agropecuária,
por utilizarem recursos existentes e práticas de manejo que otimizam a produção
combinada e por gerarem numerosos serviços (TORQUEBIAU, 1989).
No entanto, embora os sistemas agroflorestais apresentem vantagens que
superam as desvantagens (COUTO, 1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990;
ANDERSON e SINCLAIR, 1993; ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995;
URREA, 1995), estas últimas têm gerado dificuldades na sua adoção, como é o
caso do maior uso de mão-de-obra em alguns sistemas (CAVENESS e KURTZ,

22
1993), ou o insucesso na produção de madeira, em outros (CURRENT et al.,
1996).
Há necessidade, portanto, de dispor de metodologia para avaliar os níveis
de sustentabilidade de sistemas agroflorestais, o que permite a identificação da
sua verdadeira vocação como agroecossistemas sustentáveis. Um dos meios mais
utilizados para atingir esta meta é o uso de indicadores biofísicos e socioeconô-
micos, envolvendo tanto o sistema em análise quanto outros, sejam agrícolas ou
não (AVILA, 1989).
Assim, o objetivo deste estudo foi a produção de um amplo rol de
indicadores biofísicos potenciais, que possam abranger os sistemas agrissil-
viculturais, agrissilvipastoris e silvipastoris (terminologia proposta por DANIEL
et al., 1999) e, tanto quanto possível, ser adaptáveis às diversas estruturas de
sistema de produção encontradas no campo.

0$7(5,$/(0e72'26

Será descrita a metodologia utilizada para definição de indicadores de


sustentabilidade para sistemas agroflorestais, considerando apenas aqueles
correspondentes aos componentes biofísicos, embora os mesmos procedimentos
sejam aplicáveis também aos fatores socioeconômicos.
O trabalho foi baseado no roteiro proposto por CAMINO V. e MÜLLER
(1993), para sistemas produtivos em geral (Figura 1).
Segundo DE CAMINO e MÜLLER (1996), as fases deste roteiro ou
estrutura para definição de indicadores de sustentabilidade podem ser assim
descritas, com a complementar visão de outros autores:
1) 'HILQLomRGRVLVWHPDHPDQiOLVH: pode estar baseado em três níveis, segundo
YURJEVIC (1996), ou seja, nas perspectivas global, nacional e regional ou
local, podendo ainda ser acrescentado o nível de propriedade, de sistemas na
propriedade, de ecossistema e de sistema de produção, de acordo com
CAMINO V. e MÜLLER (1993), dependendo dos interesses na avaliação.

23
Definição do sistema

Identificação de categorias significativas

Identificação de elementos significativos em cada categoria

Identificação e seleção de descritores

Definição e obtenção de indicadores

Análise de indicadores

Procedimentos de monitoramento

Figura 1 - Sugestão de estrutura para definição de indicadores de sustentabilida-


de para sistemas em geral, segundo CAMINO V. e MÜLLER (1993).

2) ,GHQWLILFDomR GH FDWHJRULDV VLJQLILFDWLYDV: uma categoria é um aspecto do


sistema, o qual deve ser significativo do ponto de vista da sustentabilidade.
Segundo AVILA (1989), TORQUEBIAU (1989) e CAMINO V. e MÜLLER
(1993), para qualquer sistema e em qualquer nível de organização ou
agregação, podem ser utilizadas as seguintes categorias:
a) UHFXUVRV HQGyJHQRV: é a base de recursos do sistema, e os indicadores
desta categoria devem evidenciar se o sistema afeta ou melhora a base de
recursos;
b) RSHUDomR GR VLVWHPD: são as atividades necessárias à H[HTLELOLGDGH do
sistema, e os indicadores desta categoria devem mostrar se o seu manejo e
desempenho são compatíveis com as exigências da sustentabilidade;
c) UHFXUVRVH[yJHQRV: recursos de outros sistemas, de entrada ou saída, que
podem ser afetados pelo sistema sob estudo; e
d) RSHUDomR GRV VLVWHPDV H[yJHQRV: atividades exógenas necessárias à
exeqüibilidade do sistema.

24
3) ,GHQWLILFDomR GH HOHPHQWRV VLJQLILFDWLYRV HP FDGD FDWHJRULD: um elemento é
uma parte de uma categoria, significativa do ponto de vista da sustenta-
bilidade. Exceto o elemento "energia", identificado na Figura 2 e que está
sendo proposto neste trabalho, todos os elementos de recursos endógenos ou
exógenos foram citados por AVILA (1989) e WEBER (1990), enquanto
aqueles relacionados à operação dos sistemas foram propostos por AVILA
(1989) e ampliados por CAMINO V. e MÜLLER (1993).
4) ,GHQWLILFDomRHVHOHomRGHGHVFULWRUHVGHILQLomRHREWHQomRGHLQGLFDGRUHV:
a) 'HVFULWRUHV: descritores são características significativas de um elemento,
os quais estão subordinados aos principais atributos de sustentabilidade de
um sistema e ao seu nível de agregação. Assim, tais descritores podem ser
diferentes mesmo entre sistemas similares.

6LVWHPD

&DWHJRULDV

5HFXUVRV 2SHUDomRGR 5HFXUVRV 2SHUDomRGH


HQGyJHQRV VLVWHPD H[yJHQRV VLVWHPDVH[yJHQRV
Elementos
-Água -Manejo técnico -Água -Manejo técnico
-Minerais -Rendimento -Minerais -Rendimento
-Solo técnico -Solo técnico
-Luz -Manejo e -Luz -Manejo e
-Flora rendimento -Flora rendimento
-Fauna socioeconômico -Fauna socioeconômico
-Ar -Ar
-Energia -Energia
-Recursos -Recursos
culturais culturais
-Áreas únicas -Áreas únicas

Figura 2 - Sugestão de estrutura para definição de um grupo de indicadores de


sustentabilidade para um sistema específico, modificado de
CAMINO V. e MÜLLER (1993).

25
b) ,QGLFDGRUHV: indicador é uma medida do efeito da operação do sistema
sobre o descritor (TORQUEBIAU, 1989). Isto significa que se um dado
descritor recebeu influência positiva da operação do sistema, este tende a
ser sustentável, e vice-versa. Para cada descritor relevante, deve-se definir
pelo menos um indicador.
c) ,GHQWLILFDomR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV: o desenvolvimento do grupo
de descritores e indicadores para sistemas agroflorestais foi baseado na
estrutura metodológica demonstrada na Figura 3, que é auto-explicativa.
Para facilitar a execução da fase 3 desta figura, aplicou-se a estrutura
conceitual observada na Figura 4.
5) $QiOLVHGHLQGLFDGRUHV:esta fase pode ser subdividida em:a) significado do
indicador; b) o que, como, onde e quando medir; c) insumos QHFHVViULRV para
o cálculo; d) limitações do indicador; e) valores-limites do indicador; e
f) apresentação e interpretação dos resultados.
6) 3URFHGLPHQWRV GH PRQLWRUDPHQWR: estes procedimentos podem ser descritos
para cada indicador selecionado ou para todo o conjunto.

5HYLVmRWHyULFD ,GHQWLILFDomRGH
UHODFLRQDGDDRVLVWHPD HQIRTXHVSDUDRVLQGLFDGRUHV
 Ecologia Meio ambiente FRPDSOLFDo}HVSRWHQFLDLV
 Sustentabilidade  Outros SDUDRVLVWHPDHPHVWXGR

(VWXGRVJHUDLV
$YDOLDomRGH
'HILQLomRGHGLUHWUL]HV VREUHDVFDUDFWHUtVWLFDV
HQIRTXHVSDUDRVLQGLFDGRUHV
SDUDDVHOHomRGH GRVLVWHPD
LQGLFDGRUHV  Diretrizes para os indicadores
 Biofísicas Culturais
 Características do sistema
 Sociais  Econômicas

6HOHomRGHGHVFULWRUHV
HLQGLFDGRUHVPDLV
VLJQLILFDWLYRV

Figura 3 - Estrutura metodológica para o desenvolvimento de descritores e


indicadores, modificada de BERTOLLO (1998).

26
Sistemas agroflorestais
Componentes biofísicos
Abióticos Bióticos
DESCRITORES/
INDICADORES Sistemas
Terres- Aquá-
Ar Água Solo
tres ticos


- Sistema agrissilvicultural, sistema agrissilvipastoril e sistema silvipastoril.

- Envolve os compartimentos flora, fauna e microorganismos.

Figura 4 - Estrutura conceitual para o desenvolvimento de descritores e indica-


dores biofísicos, modificada de BERTOLLO (1998).

No presente estudo executou-se a metodologia descrita, com algumas


adaptações, procedendo-se da seguinte forma:
a) Os itens de 1 a 3 foram executados integralmente, com exceção dos recursos
culturais, manejo e rendimento socioeconômico (Figura 2), que serão tratados
separadamente em outra oportunidade, em função do volume de informações.
b) O passo 4 é o mais importante neste trabalho, pois é ele que concentra a
maioria das operações (Figura 3) para definição dos indicadores, assim
detalhadas:
i) (QIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV FRP DSOLFDo}HV SRWHQFLDLV: monitorar o
desempenho dos fatores biofísicos, possibilitando intervenções para a
elevação dos níveis de sustentabilidade ambiental. Para chegar à
conclusão de que isto seria possível, foi realizada ampla revisão de
literatura, considerando todos os aspectos dos sistemas agroflorestais e as
possibilidades de monitoramento dos indicadores.
ii) $YDOLDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV: nesta fase de geração do
maior número possível de indicadores, foram consideradas as
peculiaridades dos sistemas agroflorestais, principalmente levando em
conta os componentes do sistema, ou seja, animais, culturas agrícolas e
florestais, e a sua composição no tempo e no espaço. Também, foram
definidas as diretrizes a partir das quais foram selecionados os indicadores

27
de sustentabilidade ambiental, tendo como base BERTOLLO (1998), que
realizou uma significativa revisão sobre o tema, resultando nas seguintes
características essenciais para escolha de um indicador: relevante para os
objetivos e as metas do problema; relevante para a orientação e o
planejamento global do projeto/pesquisa; relevante para os compartimen-
tos social, cultural e, ou, biofísico da área em questão; capaz de fornecer
um quadro representativo das condições, em função de sua correlação com
outros parâmetros do sistema; apropriado para a escala espacial da área em
consideração; sensível às alterações temporais e espaciais; cientificamente
confiável; mensurável e de aplicação prática; apoiado por dados de alta
qualidade; relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental,
social ou econômica; orientado para os temas dominantes e preocupações
da sociedade e dos envolvidos diretamente; claro e de fácil compreensão
pelos tomadores de decisão; e relevante para os propósitos dos
administradores ambientais. Um potencial indicador foi selecionado para
participar da relação final, desde que se relacionasse com pelo menos uma
das diretrizes citadas.
iii) 6HOHomR GR JUXSR GH GHVFULWRUHV H LQGLFDGRUHV PDLV VLJQLILFDWLYRV, esta
etapa foi subdividida em duas fases:
1. 5HYLVmR GH OLWHUDWXUD: foram localizados descritores e indicadores
significativos relacionados ao tema, o que permitiu uma primeira
aproximação dos resultados, com o auxílio da parte correspondente aos
componentes biofísicos, na estrutura conceitual indicada na Figura 4.
2. &RQVXOWD D HVSHFLDOLVWDV: uma equipe de sete pessoas ligadas a siste-
mas agroflorestais e meio ambiente teve a oportunidade de revisar e
ampliar a lista de descritores e indicadores gerados a partir da revisão
de literatura.
Na seleção deste grupo, foram realizadas visitas a três sistemas
agroflorestais em desenvolvimento, visando registrar impressões a respeito das
características que poderiam se enquadrar nas diretrizes citadas no item (b-ii), ou
que seriam úteis na definição dos indicadores mais significativos.

28
5(68/7$'26(',6&866­2

Como resultado principal da aplicação da metodologia proposta,


obtiveram-se os indicadores listados no Quadro 1. Considerando as recomen-
dações de CAMINO V. e MÜLLER (1993), de que o número de indicadores não
deve ser exaustivo e eles devem referir-se apenas às categorias e aos elementos
mais significativos, os resultados apresentam-se muito amplos. No entanto, este
número elevado de indicadores engloba grande parte do que é possível avaliar
em termos de sustentabilidade de sistemas agroflorestais. Sobre este rol, o
usuário tem oportunidade de escolher apenas os itens que, segundo critérios
específicos determinados de acordo com suas próprias necessidades, sejam
suficientes para a avaliação da sustentabilidade de um dado empreendimento
agroflorestal. Embora extensa, a quantidade de resultados constantes no
Quadro 1 não representa a totalidade da matriz de indicadores, posto que esta é
inimaginável física e operacionalmente (CAMINO V. e MÜLLER, 1993).
Em uma outra fase do desenvolvimento de indicadores biofísicos para
sistemas agroflorestais, deverão ser acrescentadas novas diretrizes ou critérios,
para selecionar um número mínimo essencial. Segundo CAMINO V. e MÜLLER
(1993), que trataram de sistemas genéricos, a quantidade ideal de indicadores de
sustentabilidade encontra-se entre 6 e 8, porém TORQUEBIAU (1989),
trabalhando com sustentabilidade para pomares domésticos (KRPHJDUGHQV),
obteve 24 indicadores.
No Quadro 1, pode-se notar a ausência da categoria operação de sistemas
exógenos, que faz parte da estrutura para definição de indicadores de
sustentabilidade (Figura 2). A supressão desta categoria justifica-se pelo nível de
agregação para o qual se aplica este trabalho, ou seja, em nível de sistema de
produção. Neste caso, entendeu-se que os sistemas exógenos pertencentes ao
mesmo proprietário do sistema em análise deveriam estar passando pelo mesmo
processo de avaliação da sustentabilidade, já que não faria sentido monitorar
apenas uma atividade na mesma propriedade.

29
Quadro 1 - Conjunto de indicadores biofísicos de sustentabilidade para sistemas
agroflorestais

Categoria Elemento Descritor Indicador SAF


Recursos Água Status Construção de diques para controle de enchentes (sim/não) 123
Nível médio de eutrofização dos reservatórios (Ca + Mg
Endógenos 123
por ml)
Precipitação Interceptação: Precipitação em nível do sub-bosque (mm) 123
Nível médio anual de turbidez dos reservatórios e, ou,
123
cursos d'água (TU- 7XUELGH]8QLW)
Solo Conservação Terraceamento (sim/não) 123
Preparo mecanizado intensivo (sim/não) 123
Estimativa da perda de sedimentos via escorrimento
123
superficial (t ha.ano-1)
Plantio direto (sim/não) 123
Área erodida dentro do perímetro de implantação do
123
sistema (%)
Microclima Umidade do solo (%) 123
Temperatura do solo (ºC) 123
Qualidade química Capacidade de troca catiônica (mmolc.dm3) 123
Teor de matéria orgânica (%) 123
Nível de acidez (pH) 123
Estimativa da perda de macronutrientes via escorrimento
123
superficial (kg ha.ano-1)
Estimativa da perda de macronutrientes via exportação (kg
123
ha.ano-1)
Estimativa da perda de macronutrientes via erosão e
123
lixiviação (kg ha.ano-1)
Incremento do estoque de macronutrientes (kg ha.ano-1) 123
Estimativa da população da mesofauna (no de indivíduos
Qualidade biológica 123
por dm2, até 10 cm de profundidade)
Estimativa da população da macrofauna (no de indivíduos
123
por m2, até 20 cm de profundidade)
Profundidade da camada de restrição ao desenvolvimento
Qualidade física 123
radicular (cm)
Índice médio de compactação (densidade aparente, g.dm3) 123
Capacidade de campo (%) 123
Aplicação de agrotóxicos com conhecido poder residual
Contaminantes 123
prolongado no solo e com facilidade de lixiviação (sim/não)
Aplicação de resíduos industriais no solo, utilizados como
fertilizantes ou corretivos, que contenham contaminantes 123
bioacumuladores nocivos (sim/não)
Aplicação de resíduos industriais no solo, utilizados como
fertilizantes ou corretivos, que contenham contaminantes 123
bioacumuladores nocivos (sim/não)
Luz Radiação Temperatura no sub-bosque (oC) 123
Interceptação: razão radiação fotossinteticamente ativa
123
acima do dossel/ao nível do solo
Reprodução das espécies exóticas fora do seu habitat
Flora Reprodução 123
natural (sim/não)
Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes
123
do sistema (sim/não)
Diversidade No total de componentes 123
No de componentes gerados por propagação assexuada 123
No de componentes gerados por meio de sementes não-
123
melhoradas
No de componentes gerados por meio de sementes
123
melhoradas (cultivares, variedades, híbridos)
Continua...

30
Quadro 1, Cont.

Categoria Elemento Descritor Indicador SAF


o
Cadeia trófica N de espécies consumidoras primárias 23
Espécies raras No de espécies raras nativas que compõem o sistema 123
Destruição da vegetação nativa existente no sistema, em
Alteração de
função do manejo de algum componente animal em regime 123
habitats
aberto (sim/não)
No de componentes arbóreos que apresentam regeneração
Dinâmica 123
natural suficiente para ser manejada
Aplicação prática dos conceitos de sucessão vegetal
(consciente ou não) na implantação e condução do sistema 123
(sim/não)
Uso efetivo dos conceitos de máxima exploração da
capacidade de sítio para cada componente vegetal,
123
valorizando a ciclagem de nutrientes e o aproveitamento da
luz (sim/não)
Freqüência anual de incidência de pragas em nível de dano
Pragas e doenças 123
econômico à vegetação
Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo
123
dano econômico à vegetação
No de componentes vegetais utilizados em todo o ciclo do
Estrutura 123
sistema
No de espécies vegetais nativas 123
No de espécies vegetais exóticas 123
Fisionomia semelhante ao ecossistema original (sim/não) 123
No de espécies herbáceas leguminosas ou gramíneas
Mutualismo 123
fixadoras de nitrogênio
No de espécies arbóreas leguminosas fixadoras de
123
nitrogênio
No espécies associadas com micorrizas 123
Reprodução das espécies exóticas fora do seu habitat
Fauna Reprodução 23
natural (sim/não)
Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes
23
do sistema (sim/não)
Diversidade No total de componentes 23
No de componentes melhorados geneticamente 23
Cadeia trófica No de espécies predadoras que compõem o sistema 23
Espécies raras No de espécies raras nativas que compõem o sistema 23
Vida silvestre O sistema possibilita abrigo à fauna silvestre (sim/não) 123
Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo
Parasitos e doenças 23
dano econômico aos componentes animais
Freqüência anual de incidência de parasitos com efetivo
23
dano econômico aos componentes animais
Bioacumulação: aplicação de agrotóxicos com conhecido
Contaminantes 123
poder de acumulação na cadeia trófica (sim/não)
No de componentes animais (vertebrados e invertebrados)
Estrutura 23
utilizados em todo o ciclo do sistema
No de espécies animais domésticas 23
No de espécies animais silvestres 23
No de espécies animais nativas 23
No de espécies animais exóticas 23
Fisionomia semelhante ao ecossistema original (sim/não) 23
Presença de poluentes que alteram a visibilidade com
Ar Status 123
grande freqüência (sim/não)
Presença de poluentes que geram odores desagradáveis com
grande freqüência e causam incômodo aos animais e ao 123
homem (sim/não)
Presença de poluentes que provocam irritações oculares
123
com grande freqüência (sim/não)
Continua...

31
Quadro 1, Cont.

Categoria Elemento Descritor Indicador SAF


Presença de partículas em suspensão que geram notável
deposição com grande freqüência e causam incômodo aos 123
animais e ao homem (sim/não)
Alterações benéficas nas oscilações das variáveis climáticas
Microclima 123
(temperatura, umidade, ventos,...) (sim/não)
Consumo de madeira para energia, proveniente de áreas
Energia Consumo 123
nativas manejadas ou plantadas (st ha.ano-1)
Consumo de resíduos orgânicos como combustível (t
123
ha.ano-1)
Proporção de consumo entre energia elétrica própria e
123
adquirida de terceiros (%)
Proporção entre áreas de produção e áreas de proteção
Áreas únicas Áreas de proteção 123
ambiental
Quantidade de resíduos orgânicos inaproveitados de forma
Operação do Manejo
Resíduos direta no sistema (partes de plantas, excreções animais, 123
sistema técnico
vísceras,...), em t ha.ano-1
Quantidade de resíduos inorgânicos (embalagens em
123
geral,...), em t ha.ano-1
Reciclagem de embalagens de forma direta ou
123
indireta(sim/não)
Correto armazenamento de embalagens de produtos tóxicos
123
(sim/não)
Produção de CO2 via combustão de derivados de petróleo
123
(sim/não)
Produção de CO2 via queimadas (sim/não) 123
Produção de CO2 via fogo controlado utilizado como
123
sistema de manejo (sim/não)
Uso de recursos na- Uso de combustíveis fósseis (sim/não) 123
turais não-
Aplicação intensiva de fertilizantes químicos (sim/não) 123
renováveis
Matéria orgânica No de espécies vegetais caducifólias ou subcaducifólias 123
Prática da adubação verde (sim/não) 123
Prática da incorporação de resíduos (sim/não) 123
Prática da compostagem (sim/não) 123
Prática da humificação (sim/não) 123
No de limpezas químicas, realizadas via equipamentos
Práticas culturais 123
terrestres
No de limpezas químicas, realizadas via aérea 123
No de limpezas mecanizadas 123
No de limpezas manuais 123
Colheita e manejo Corte totalmente mecanizado (sim/não) 123
Baldeio mecanizado com passagem sobre resíduos
florestal 123
florestais (sim/não)
Permanência de cascas e galhos sobre o solo (sim/não) 123
No de desbastes 123
No de desbastes totalmente mecanizados 123
No de desramas 123
No de desramas totalmente mecanizadas 123
No de árvores desramadas por ha 123
Estimativa do volume da biomassa de consumo arbórea
Rendimento Vegetais cultivados 123
(volume ha.ano-1)
Estimativa do peso da biomassa de consumo não-arbórea
Técnico 123
(t ha.ano-1)
Animais manejados Estimativa do peso (t ha.ano-1) 23
Recursos Água Status Barramento de cursos d'água (sim/não) 123
Nível médio anual de turbidez dos cursos d'água, a jusante
Exógenos 123
da área do sistema
Alterações no volume de água dos mananciais (sim/não) 123
Continua...

32
Quadro 1, Cont.

Categoria Elemento Descritor Indicador SAF


Alterações nas oscilações anuais dos níveis de água dos
123
mananciais (sim/não)
Terraceamento suficiente nas áreas vizinhas ao sistema
Solo Conservação 123
(sim/não)
Erradicação de espécies raras para implantar o sistema
Flora Espécies raras 123
(sim/não)
Alteração de Proporção de alteração da vegetação original que o sistema
123
habitats exige para sua implantação
Problemas fitossanitários para os componentes nativos da
circunvizinhança do sistema, em função dos componentes 123
vegetais do sistema (sim/não)
Impedimento do fluxo de propágulos vegetais (genes) entre
habitats que se relacionavam antes da implantação do 123
sistema (sim/não)
Proporção de madeira para energia coletada dentro e fora
Árvores em geral 123
do sistema
Alteração da cadeia trófica, se os predadores escaparem
Fauna Cadeia trófica 23
para o ambiente natural
Problemas fitossanitários para os componentes nativos da
Alteração de
circunvizinhança do sistema, em função dos componentes 123
habitats
animais do próprio sistema (sim/não)
Impedimento do fluxo de animais (genes) entre habitats que
123
se relacionavam antes da implantação do sistema (sim/não)
Geração de qualquer tipo de poluição do ar por parte de
Ar Status sistemas exógenos vizinhos ao sistema em análise, que 123
sejam fornecedores deste (sim/não)
Existência de quaisquer prejuízos às áreas de proteção
Áreas únicas Áreas de proteção exógenas, em função da necessidade do cumprimento de 123
compromissos com o sistema em análise (sim/não)
1
Sistemas agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas
silvipastoris.

Os sistemas exógenos não-pertencentes ao mesmo proprietário, mas que


se relacionam com este, também foram excluídos, pois apresentam características
próprias, a maioria difícil de ser alterada apenas em função das necessidades de
sustentabilidade ambiental de um sistema estranho que se encontra em avaliação,
o que faria com que o tomador de decisão tivesse pouca ou nenhuma influência
sobre seus indicadores.
Também, não constaram deste trabalho os indicadores pertencentes aos
elementos recursos culturais, manejo socioeconômico e rendimento socioeco-
nômico, os quais estão sendo motivo de um estudo específico.
No Quadro 2, está a quantificação dos indicadores relacionados no
Quadro 1, no qual se observa que foram encontrados 117 indicadores biofísicos

33
Quadro 2 - Quantificação dos indicadores biofísicos de sustentabilidade para
sistemas agroflorestais (SAF)

No de Indicadores por SAF


No de
Sistemas Sistemas
Categoria Elementos Sistemas Indicadores
Agrissilvicul- Agrissilvipas-
Silvipastoris por Elemento
turais toris
Água 4 4 4 4
Solo 22 22 22 22
Luz 2 2 2 2
Flora 20 21 21 21
Recursos endógenos
Fauna 2 16 16 16
Ar 5 5 5 5
Energia 3 3 3 3
Áreas únicas 1 1 1 1
Subtotal 59 74 74 74
Manejo técnico 26 26 26 26
Operação do sistema
Rendimento técnico 2 3 3 3
Subtotal 28 29 29 29
Água 4 4 4 4
Solo 1 1 1 1
Flora 4 4 4 4
Recursos exógenos
Fauna 2 3 3 3
Ar 1 1 1 1
Áreas únicas 1 1 1 1
Subtotal 13 14 14 14
Total 100 117 117 117

de sustentabilidade, sendo a mesma quantidade para os sistemas que apresentam


o componente animal, e 100 para os sistemas que apresentam apenas os
componentes agrícola e florestal. A utilização de atividade de criação de animais
no sistema agroflorestal resultou no acréscimo de 17 indicadores. Este
incremento para os sistemas com componente pastoril se deve ao aumento da
complexidade das relações ecológicas entre os componentes e à necessidade de
monitorá-las, pois nestes casos, dos 17 indicadores a mais, 14 estão especifi-
camente correlacionados com o elemento fauna.
Por ordem de grandeza da representatividade dos indicadores, verificou-
se que 63,2, 24,8 e 12,0% pertencem, respectivamente, às categorias: recursos
endógenos, operação do sistema e recursos exógenos. O maior peso dos recursos
endógenos já era esperado, tendo em vista ser esta categoria a base dos recursos
disponíveis para a produção do sistema.

34
Dentro da categoria recursos endógenos, a maioria dos indicadores
obtidos está relacionada com os elementos solo (29,7%), flora (28,4%) e fauna
(21,6%). TORQUEBIAU (1989), quando estudou a sustentabilidade para um
sistema agroflorestal específico, os pomares domésticos (KRPHJDUGHQV), obteve
maior concentração de indicadores no elemento solo. Quanto aos outros dois
elementos, é natural que sejam proporcionalmente mais representados, pois no
compartimento biofísico da avaliação o trabalho é concentrado nos fatores
ambientais e, neste caso, estes dois elementos são os principais componentes do
meio ambiente.
Na categoria operação do sistema, o elemento manejo técnico comportou
89,6% dos indicadores, comparado com o rendimento técnico, pois a tendência
dos entrevistados e da literatura em geral é dar ênfase aos trabalhos de manejo
das culturas envolvidas nos sistemas agroflorestais como sendo atividades
geradoras de impacto ao componente biofísico. O rendimento técnico é, portanto,
apenas a conseqüência deste manejo.
Para a categoria recursos exógenos, foi selecionado o maior número de
indicadores biofísicos entre os elementos flora, fauna e água. Tais elementos são
parte essencial do meio ambiente, e mesmo pertencendo a sistemas exógenos,
sejam eles dentro da mesma unidade de produção ou distantes, são capazes de
afetar o sistema em avaliação, de forma direta ou indireta. Nota-se, no entanto,
que o elemento energia não foi considerado, tendo em vista sua pequena
influência nas tomadas de decisão relacionadas com qualquer sistema em análise,
especialmente se o recurso exógeno em questão pertencer a outra propriedade ou
a outro proprietário.
É importante ressaltar que os números citados não refletem o peso dos
indicadores obtidos sobre a sustentabilidade do sistema, pois neste trabalho os
objetivos foram a obtenção e a divulgação de um amplo rol de indicadores
biofísicos, com condições para serem aplicados em qualquer composição
agroflorestal, dando suporte aos tomadores de decisão quando da implantação do
monitoramento ambiental.

35
Para uma fase mais detalhada, deve-se trabalhar na geração de um
número mínimo de indicadores significativos (conforme recomendam DE
CAMINO e MÜLLER, 1996) para os sistemas agrissilviculturais, agrissilvi-
pastoris e silvipastoris. Tal fato não impedirá que os profissionais envolvidos na
área de monitoramento ambiental de atividades agroflorestais disponham do rol
aqui apresentado (Quadro 1) e que, com seus conhecimentos técnicos natos,
possam selecionar e até mesmo incluir aqueles indicadores que melhor se
adaptem às suas condições específicas de monitoramento.

&21&/86®(6

Pelos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que: 1) A cate-


goria recursos endógenos comporta o maior número de indicadores no
componente biofísico, seguida de longe pelas operações do sistema e dos
recursos exógenos. 2) A maior concentração de indicadores sugeridos na
categoria recursos endógenos encontra-se nos elementos solo, flora e fauna. 3) O
elemento manejo técnico apresentou maior abundância de indicadores na
categoria operação do sistema. 4) Os elementos flora, fauna, energia e água
apresentaram o maior número de opções de indicadores ao tomador de decisões
na categoria recursos exógenos. 5) A metodologia aplicada identificou a
necessidade de maior número de indicadores de sustentabilidade, quando foram
analisados os sistemas agroflorestais com o componente animal.

5()(5Ç1&,$6%,%/,2*5È),&$6

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3523267$'(80&21-81720Ë1,02'(,1',&$'25(6
%,2)Ë6,&263$5$2021,725$0(172'$6867(17$%,/,'$'(
(06,67(0$6$*52)/25(67$,6

RESUMO - Em função de os sistemas agroflorestais serem considerados uma


alternativa sustentável aos sistemas intensivos de produção e da escassez de
trabalhos que considerem a avaliação da sustentabilidade destes sistemas, foram
propostos alguns critérios de seleção que foram aplicados a propostas de
indicadores já existentes na literatura. O objetivo deste trabalho foi a proposição
de um conjunto mínimo de indicadores que possam atender à demanda de
monitoramento da sustentabilidade ambiental de sistemas agroflorestais, com ou
sem o componente animal. As principais conclusões foram: a categoria recursos
endógenos comportou o maior número de indicadores no componente biofísico; a
maior concentração de indicadores na categoria recursos endógenos encontra-se
nos elementos fauna, flora e solo; o elemento manejo técnico apresentou maior
abundância de indicadores na categoria operação do sistema; todos os elementos
da categoria recursos exógenos apresentaram praticamente o mesmo número de
indicadores; o componente animal dos sistemas agroflorestais exige maior
número de indicadores; a maioria dos indicadores sugeridos depende apenas de
observações diretas e apenas uma minoria necessita de análises laboratoriais; a
maioria dos indicadores sugeridos é de aplicação rápida e pouco onerosa; os
sistemas agroflorestais sem o componente animal são mais fáceis e menos
onerosos de ser monitorados.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade e


sistemas agroflorestais.

352326$/2)$0,1,0806(72)%,23+<6,&$/,1',&$7256
)25021,725,1*7+(6867$,1$%,/,7<,1$*52)25(675<
6<67(06

ABSTRACT - In function of the agroforestry systems are considered as a


sustainable alternative to the intensive production systems, and of the shortage of
works that consider the evaluation of the sustainability of these systems, in this

40
work intended some selection approaches that were already applied the proposals
of indicators existent in the literature. The objective went to proposition of a
minimum number of indicators that can assist the demand of monitoring of the
environmental sustainability of agroforestry systems, with or without the animal
component. The conclusions were: the category endogenous resources behaved
the largest number of indicators in the biophysical component; the largest
concentration of indicators in the category endogenous resources meets in the
elements fauna, flora and soil; the element technical management presented
larger abundance of indicators in the category operation of the system; all the
elements of the category exogenous resources presented practically the same
number of indicators; the animal component of the agroforestry systems demands
larger number of indicators; most of the suggested indicators just depends on
direct observations and a minority just needs laboratorial analyses; most of the
suggested indicators is of fast and of not very onerous application; the
agroforestry systems without the animal component is easier and less onerous
for monitoring.

Key words: Sustainable development, sustainability indicators, agroforestry


systems.

,1752'8d­2

Sustentabilidade encontra-se definida de diversas formas na literatura,


pelo fato de, em geral, os autores a relacionarem diretamente com o objeto de
seus estudos. Uma delas, a de Conway (1986), citado por FAETH (1994), é
simples e genérica, por isto mesmo adaptável a diversas situações: "sustenta-
bilidade é a habilidade de um sistema em manter sua produtividade quando este
encontra-se sujeita a intenso esforço ou alterações".
Isto significa dizer que a sustentabilidade, que é promovida por ações
amplas no âmbito do desenvolvimento sustentável (IWLA, 1997), é a capacidade
de um sistema manter ou melhorar o estoque de capital, seja ele o manufaturado

41
ou o natural, de uma geração para outra (DE CAMINO e MÜLLER, 1996) e
também intragerações (BARTUSKA et al., 1998). Na interpretação de
FRANKLIN (1995), sustentabilidade refere-se à manutenção do potencial do
sistema para produzir a mesma quantidade e qualidade de bens e serviços
perpetuamente.
Alguns aspectos essenciais do desenvolvimento agrícola, subordinados à
sustentabilidade, podem ser caracterizados pelos seguintes temas (SANDS e
PODMORE, 1997): incremento da produtividade, salvaguardando a produtivi-
dade inerente do solo, por meio da manutenção da matéria orgânica, das rotações
de culturas e da ciclagem de nutrientes; da prevenção/minimização da degrada-
ção ambiental, protegendo águas superficiais e subterrâneas ou eliminando o uso
de pesticidas e fertilizantes sintéticos; assegurar a capacidade para sobreviver
indefinidamente, minimizando as perdas de solo, reduzindo o uso de energia
proveniente de combustível fóssil; manter a diversidade genética; e manter a
rentabilidade e a estrutura das comunidades.
No desenvolvimento sustentável, três fatores resumem a capacidade de
sustentabilidade dos sistemas e envolvem os temas citados por SANDS e
PODMORE (1997), além de: o econômico, o social e o ambiental (BENSIMÓN,
1991; SAP, 1997). Esta capacidade de ser sustentável pode ser avaliada em
qualquer atividade humana, estando relacionada ao ambiente em estudo, seja
urbano ou rural. Sua avaliação, para o caso da agricultura, que é considerada o
principal suporte da sustentabilidade, pode ser operada nos níveis: global,
nacional, regional, de propriedade, de ecossistema e de agroecossistema
(CAMINO V. e MÜLLER, 1993).
Por não contemplarem os princípios básicos da sustentabilidade, os
atuais modelos intensivos de produção primária são considerados não-susten-
táveis. Dentre os modelos alternativos sustentáveis e de princípios agroecoló-
gicos, destacam-se os sistemas agroflorestais (SAF). Esta tecnologia, dentre
outras, segundo KAIMOWITZ (1996), gera um agroecossistema produtivo
menos dependente de recursos externos, além de satisfazer requisitos ambientais
(Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991). Segundo TORQUEBIAU (1989), o

42
atendimento de muitos desses requisitos ocorre em função do uso de recursos
endógenos e de práticas de manejo que otimizam a produção combinada e por
gerarem numerosos serviços.
Vários autores, ao fazerem paralelos entre os SAF e os sistemas agrícolas
tradicionais, citam que as suas vantagens superam as desvantagens (COUTO,
1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990; ANDERSON e SINCLAIR, 1993;
ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995; URREA, 1995).
Entretanto, há controvérsias quanto às afirmações de que os SAF em
geral sejam realmente sustentáveis (MacDICKEN e VERGARA, 1990). Estes
autores citam outras fontes que afirmam que nem todas as combinações de
árvores e cultivos agrícolas ou animais alcançam os objetivos da sustentabi-
lidade, do incremento na produção e dos benefícios para a pobreza rural. Tal fato
induz à necessidade de dispor de procedimentos metodológicos para avaliar os
níveis de sustentabilidade dos sistemas agroflorestais.
O uso de indicadores biofísicos (DANIEL et al., 1999a) e socioeco-
nômicos (DANIEL, 1999) é atualmente a metodologia mais utilizada para avaliar
a sustentabilidade de sistemas de produção em geral, pois fornecem um simples
meio de explicá-la e de aumentar a consciência pública para a necessidade de
mudanças de comportamento diante do desenvolvimento (HART, 1995).
Portanto, desenvolveu-se este estudo, cujo objetivo foi a seleção de um
grupo mínimo de indicadores biofísicos que possam ser úteis na avaliação e no
monitoramento da sustentabilidade de sistemas agroflorestais

0$7(5,$/(0e72'26

Neste trabalho, a metodologia utilizada para definição de indicadores de


sustentabilidade para SAF considera o componente biofísico, também denomi-
nado ambiental.
Para a aplicação da proposta, foram usados os indicadores genéricos
possíveis de ser utilizados em SAF, produzidos por DANIEL et al. (1999a). Os

43
autores listaram 117 indicadores, visando oferecer ampla possibilidade de
adaptação desses indicadores às diversas variações de SAF atualmente existentes.
De modo a atender ao objetivo deste trabalho, que foi a geração de um
conjunto mínimo de indicadores biofísicos de sustentabilidade para SAF, foram
aplicados à lista de indicadores de DANIEL et al. (1999a) os critérios de seleção
listados e explicitados no Quadro 1.
As características de 1 a 13 são as mesmas aplicadas por DANIEL et al.
(1999a), para selecionar os 117 indicadores citados em seu trabalho. Tais
características, com algumas modificações, foram extraídas de BERTOLLO
(1998).
Para redução dos indicadores listados por DANIEL et al. (1999a), foram
acrescentadas as características de 14 a 19, tendo como balizamento uma 20ª
característica, que foi a manutenção de no mínimo um indicador para cada
descritor definido pelos autores. Esta 20ª característica não consta do Quadro 1,
porque foi considerada específica para este trabalho, ou seja, como estes critérios
e características fazem parte de uma proposta aberta de critérios de seleção de
indicadores de sustentabilidade para qualquer sistema, outros usuários poderão
desejar excluir algum descritor. Assim, a retirada dessa última característica
confere flexibilidade à proposta.
Os critérios utilizados no Quadro 1 foram os mesmos aplicados nos
trabalhos do 7KH 6WDWH (QYLURQPHQWDO *RDOV DQG ,QGLFDWRUV 3URMHFW (SEGIP,
1995) da Universidade da Flórida, que os divide em dois tipos básicos:
a) critérios essenciais: critérios que um indicador deve atender (relevân-
cia, representatividade, escala apropriada, qualidade dos dados,
mensurabilidade, importância, suporte de decisões, e ambigüidade); e
b) critérios preferenciais: critérios que um indicador pode atender
(sensibilidade, resultabilidade, custo, integrabilidade, compreensi-
bilidade, previsibilidade ou tendência).
Portanto, neste trabalho, os indicadores listados por DANIEL et al.
(1999a) que não tenham atendido a um ou mais dos critérios preferenciais não
necessariamente foram excluídos.

44
Quadro 1 - Características e critérios de indicadores de sustentabilidade para
sistemas em geral

Critérios de Seleção

Previsibilidade ou tendência
Qualidade dos dados

Compreensibilidade
Suporte de decisões
Representatividade
Escola apropriada

Mensurabilidade

Resultabilidade

Integrabilidade
Ambigüidade
Sensibilidade
Importância
Relevância
Características dos indicadores

Custo
1 Relevante para os objetivos e metas do problema X

Relevante para a orientação e o planejamento global do


2 X
projeto/pesquisa

Relevante para os compartimentos social, cultural e, ou, biofísico da


3 X
área em questão

Fornecer um quadro representativo das condições, devido à sua


4 X
correlação com outros parâmetros do sistema

5 Apropriado para a escala espacial da área em consideração X

6 Sensível a pequenas alterações temporais e espaciais X

7 Cientificamente confiável X

8 Mensurável e de aplicação prática X

9 Apoiado por dados de alta qualidade X

Relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental, social


10 X
ou econômica

Orientado para os temas dominantes e preocupações da sociedade e


11 X
dos envolvidos diretamente

12 Claro e de fácil compreensão pelos tomadores de decisão X

13 Relevante aos propósitos dos administradores ambientais X

Permitir alguma análise de tendência ao longo de um determinado


14 X
período, ou fornecer subsídios para isto

Dispensar especialização técnico-científica elevada para ser


15 X
aplicado, sendo simples e claro para o público em geral

16 Apresentar baixo custo de aplicação, relativo ao produtor X

Para este trabalho, os indicadores devem ser primários, ou seja,


deverão reportar diretamente as alterações nos compartimentos
17 ambiental e socioeconômico, em termos de algo que seja valioso X
para as pessoas; deve comunicar o status de um atributo, sem
necessidade de interpretação técnica extensa

18 Não ser ambíguo ou redundante X

Incorporar indiretamente, outros indicadores (ex: o uso do SODQWLR


19 GLUHWRHFXOWLYRPtQLPR como indicadores dispensa o uso do X
indicador SUHSDURPHFDQL]DGRLQWHQVLYR)

45
5(68/7$'26(',6&866­2

No Quadro 2, são apresentados os indicadores selecionados como sendo


úteis para a avaliação e o monitoramento da sustentabilidade de SAF, no compar-
timento biofísico. Tais indicadores encontram-se distribuídos em descritores,
elementos e categorias, segundo a recomendação de CAMINO V. e MÜLLER
(1993), estrutura esta que também foi utilizada por DANIEL et al. (1999a).
Embora na metodologia deste trabalho tenha sido aplicado um
argumento de seleção dos indicadores a partir de DANIEL et al. (1999a), que
determinaram a manutenção de pelo menos um indicador para cada descritor,
houve duas exceções: a) o descritor “radiação”, pertencente ao elemento "luz",
foi considerado pouco importante para a avaliação da sustentabilidade, tendo em
vista que sua qualidade e quantidade são fixas, independente do sistema
produtivo utilizado, e que seu aproveitamento depende de planejamento prévio; e
b) o descritor "mutualismo" pertencente ao elemento "flora", cujos indicadores
são atendidos de forma indireta por meio dos indicadores do descritor "uso de
recursos naturais não-renováveis", ou seja, o melhor aproveitamento de um
implica redução dos níveis dos outros, e vice-versa. Esta exclusão foi feita para o
caso em questão, no qual procura-se oferecer um grupo mínimo de indicadores
ideais, o que não significa que para SAF específicos os avaliadores não possam
adaptar-se a um ou outro dos descritores citados.
Vale a pena citar mais uma alteração significativa no conjunto de indica-
dores sugeridos por DANIEL et al. (1999a), em função do objetivo deste trabalho.
Os quatro indicadores pertencentes ao descritor "status" do elemento "ar" foram
agrupados em um único, a "produção de poluentes" de modo geral, simplificando
e reduzindo a avaliação. O mesmo foi feito com os dois indicadores anterior-
mente relacionados com "limpezas químicas", agrupados em um único.
No Quadro 2, pode-se notar a ausência da categoria operação de sistemas
exógenos, que faz parte da estrutura para definição de indicadores de
sustentabilidade, cuja justificativa encontra-se em DANIEL et al. (1999a).

46
Quadro 2 - Conjunto mínimo de indicadores biofísicos de sustentabilidade para
sistemas agroflorestais

Categoria Elemento Descritor (Número do indicador) Indicador SAF


Recursos Água Status (1) Nível médio de eutrofização dos reservatórios e, ou, cursos 123
Endógenos d'água (Ca + Mg por ml)
Precipitação (2) Nível médio anual de turbidez dos reservatórios (TU- 123
7XUELGH]8QLW)

Solo Conservação (3) Terraceamento (sim/não) 123


(4) Plantio direto de culturas agrícolas e cultivo mínimo de 123
culturas florestais (sim/não)
Qualidade química (5) Capacidade de troca catiônica (cmolc.dm3) 123
(6) Teor de matéria orgânica (%) 123
Qualidade física (7) Profundidade da camada de restrição ao desenvolvimento 123
radicular (cm)
Contaminantes (8) Aplicação de agrotóxicos com conhecido poder residual 123
prolongado no solo e com facilidade de lixiviação (sim/não)
(9) Aplicação de resíduos industriais no solo, utilizados como 123
fertilizantes ou corretivos, que contenham contaminantes
bioacumuladores nocivos (sim/não)
Flora Reprodução (10) Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes do 123
sistema (sim/não)
Diversidade (11) No total de componentes da flora, utilizados em todo o ciclo 123
do sistema
Cadeia trófica (12) No de espécies consumidoras primárias 23
Alteração de habitats (13) Destruição da vegetação nativa existente no sistema, em 123
função do manejo de algum componente animal em regime aberto
(sim/não)
Dinâmica (14) Uso efetivo dos conceitos de máxima exploração da 123
capacidade de sítio para cada componente vegetal, valorizando a
ciclagem de nutrientes e o aproveitamento da luz (sim/não)
Pragas e doenças (15) Freqüência anual de incidência de pragas em nível de dano 123
econômico à vegetação
(16) Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo dano 123
econômico à vegetação
Estrutura (17) No de espécies florestais nativas 123
o
(18) N de espécies florestais exóticas 123
Fauna Reprodução (19) Hibridação entre espécies nativas e exóticas componentes do 23
sistema (sim/não)
Cadeia trófica (20) No de espécies predadoras que compõem o sistema 23
o
Espécies raras (21) N de espécies raras nativas que compõem o sistema 23
Vida silvestre (22) O sistema possibilita abrigo à fauna silvestre (sim/não) 123
Parasitos e doenças (23) Freqüência anual de incidência de doenças com efetivo dano 23
econômico aos componentes animais
Contaminantes (24) Bioacumulação: aplicação de agrotóxicos com conhecido 123
poder de acumulação na cadeia trófica (sim/não)
Estrutura e (25) No de componentes animais (vertebrados e invertebrados) 23
Diversidade utilizados em todo o ciclo do sistema
(26) No de espécies animais domésticas 23
o
(27) N de espécies animais silvestres 23
o
(28) N de espécies animais nativas 23
(29) No de espécies animais exóticas 23

Continua...

47
Quadro 2, Cont.

Categoria Elemento Descritor (Número do indicador) Indicador SAF


Ar Status (30) Produção de poluentes que alteram a visibilidade, que geram 123
odores desagradáveis, que provocam irritações oculares ou que
geram notável deposição, causando incômodo aos animais e ao
homem (sim/não)
Energia Consumo (31) Consumo de madeira para energia, proveniente de áreas 123
nativas manejadas ou plantadas (st ha.ano-1)
Áreas únicas Áreas de proteção (32) Proporção entre áreas de produção e áreas de proteção 123
ambiental
Operação do Manejo Resíduos (33) Reciclagem de embalagens, de forma direta ou indireta 123
técnico (sim/não)
Sistema
(34) Correto armazenamento de embalagens de produtos tóxicos 123
(sim/não)
(35) Produção de CO2 via queimadas (sim/não) 123
Uso de recursos na (36) Uso de combustíveis fósseis (sim/não) 123
turais não-renováveis (37) Aplicação intensiva de fertilizantes químicos (sim/não) 123
o
Matéria orgânica (38) N de espécies vegetais caducifólias ou subcaducifólias 123
(39) Prática da incorporação de resíduos (sim/não) 123
(40) Prática da compostagem (sim/não) 123
Práticas culturais (41) No de limpezas químicas 123
o
(42) N de limpezas mecanizadas pós-plantio 123
o
(43) N de limpezas manuais 123
Colheita e manejo (44) Corte semi-mecanizado ou mecanizado (sim/não) 123
Florestal (45) No de desbastes totalmente mecanizados 123
(46) No de desramas manuais 123
o o
(47) Proporção entre o n de árvores desramadas e o n total de 123
árvores
Rendimento Vegetais Cultivados (48) Estimativa do volume da biomassa arbórea (volume ha.ano-1 123
Técnico ÷ 10)
(49) Estimativa do peso da biomassa vegetal não arbórea 123
efetivamente colhida (t ha.ano-1)
Animais manejados (50) Estimativa do peso animal (t ha.ano-1) 23
Recursos Água Status (51) Nível médio anual de turbidez dos cursos d'água, a jusante da 123
Exógenos área do sistema
Solo Conservação (52) Terraceamento suficiente nas áreas vizinhas ao sistema 123
(sim/não)
Flora Alteração de habitats (53) Impedimento do fluxo de propágulos vegetais (genes) entre 123
habitats que se relacionavam antes da implantação do sistema
(sim/não)
Fauna Cadeia trófica (54) Alteração da cadeia trófica, se os predadores escaparem para 23
o ambiente natural (sim/não)
Alteração de habitats (55) Impedimento do fluxo de animais (genes) entre habitats que 123
se relacionavam antes da implantação do sistema (sim/não)
Ar Status (56) Geração de qualquer tipo de poluição do ar por parte de 123
sistemas exógenos vizinhos ao sistema em análise, que sejam
fornecedores deste (sim/não)
Áreas únicas Áreas de proteção (57) Existência de quaisquer prejuízos às áreas de proteção 123
exógenas, em função da necessidade do cumprimento de
compromissos com o sistema em análise (sim/não)
1
Sistemas agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas
silvipastoris. Terminologia sugerida por DANIEL et al. (1999b).

48
O Quadro 3 apresenta a quantificação dos indicadores listados no
Quadro 2, onde se observa que foram encontrados 57 indicadores biofísicos de
sustentabilidade, sendo a mesma quantidade para os sistemas que apresentam o
componente animal e 45 para os sistemas que apresentam apenas os componentes
agrícola e florestal. A utilização de atividade de criação de animais no sistema
agroflorestal resultou no acréscimo de 12 indicadores. Este incremento para os
sistemas com componente pastoril se deve ao aumento da complexidade das
relações ecológicas entre os componentes e à necessidade de monitorá-las, pois,
nestes casos, dos 12 indicadores a mais, dez estão especificamente correlacio-
nados com o elemento fauna.
Embora os valores obtidos sejam bastante reduzidos em relação aos ori-
ginais de DANIEL et al. (1999a), ainda superam em muito as sugestões de outros
autores. TORQUEBIAU (1989) obteve 24 indicadores, enquanto CAMINO V.
e MÜLLER (1993) recomendam entre 6 e 8.

Quadro 3 - Quantificação dos indicadores biofísicos de sustentabilidade para


sistemas agroflorestais (SAF)

No de Indicadores por SAF


No de
Categoria Elementos Sistemas Sistemas Indicadores
Sistemas
Agrissilvicul- Agrissilvipas- por Elemento
Silvipastoris
turais toris
Água 2 2 2 2
Solo 7 7 7 7
Flora 8 9 9 9
Recursos endógenos Fauna 2 11 11 11
Ar 1 1 1 1
Energia 1 1 1 1
Áreas únicas 1 1 1 1
Subtotal 22 32 32 32
Operação do sistema Manejo técnico 15 15 15 15
endógeno Rendimento técnico 2 3 3 3
Subtotal 17 18 18 18
Água 1 1 1 1
Solo 1 1 1 1
Flora 1 1 1 1
Recursos exógenos
Fauna 1 2 2 2
Ar 1 1 1 1
Áreas únicas 1 1 1 1
Subtotal 6 7 7 7
Total 45 57 57 57

49
Por ordem de grandeza da representatividade dos indicadores, verificou-
se que 56,1, 31,6 e 12,3% pertencem, respectivamente, às categorias: recursos
endógenos, operação do sistema e recursos exógenos. O maior peso dos recursos
endógenos já era esperado, tendo em vista ser esta categoria a base dos recursos
disponíveis para a produção do sistema.
Ao comparar a categoria recursos endógenos com o número total dos
indicadores, verifica-se que ela representa 56,1% dos indicadores obtidos e que a
maioria está relacionada com os elementos fauna (19,3%), flora (15,8%) e solo
(12,3%), o que é natural, tendo em vista que estes são importantes representantes
do compartimento ambiental em qualquer ecossistema.
Fazendo o mesmo tipo de comparação com a categoria operação do
sistema, tem-se que o elemento manejo técnico comportou 26,3% do total de
indicadores, enquanto para o rendimento técnico a proporção foi de 5,3%.
Com relação à comparação dessa categoria com o total (31,6%), já era
esperado que ela não superasse a categoria recursos endógenos (56,1%), pois
estes caracterizam o próprio sistema de produção e são a fonte de todas as
influências sobre os fatores biofísicos.
Analisando os números dentro da categoria operação do sistema, conclui-
se pela superioridade dos indicadores para manejo técnico (83,3%), em relação
ao rendimento técnico (16,7%), já que o rendimento é apenas a conseqüência do
manejo (DANIEL et al., 1999a).
A categoria recursos exógenos apresentou poucos indicadores, em
função de sua menor intensidade, porém, sua atuação não é menos importante no
sistema endógeno, devendo-se ressaltar que todos os elementos tiveram
praticamente o mesmo número de indicadores.
No Quadro 4, encontra-se o número de indicadores resultantes,
distribuídos por SAF e por modo de avaliação dos indicadores.
Embora extensa, se comparada às recomendações dos autores citados, a
quantidade de indicadores constantes no Quadro 3 não é exaustiva, e também não
inclui altos custos no processo de avaliação, pois a maioria deles é obtida por
meio de avaliação direta, sejam eles por simples respostas (sim/não), como é o
caso do "terraceamento", ou por observação direta, como o "número total de
componentes".

50
Quadro 4 - Quantidade de indicadores biofísicos distribuídos por sistema e por
modo de avaliação

Sistemas
Modo de avaliação dos indicadores
Agrissilviculturais Agrissilvipastoris Silvipastoris
Resposta binária
Verificação 23 25 25
(sim/não)
direta
Observação direta 13 22 22
Instrumental 6 6 6
Laboratório
Campo 3 4 4
Total 45 57 57

Dos indicadores que necessitam de alguma análise laboratorial, apenas


seis deles exigem o uso de instrumentos e, normalmente, dependem de alguma
estrutura mais sofisticada. No entanto, três deles encontram-se relacionados com
o elemento "solo", e, destes, dois fazem parte das análises de rotina dos
laboratórios pertinentes (ind. no de 5 a 7) e um depende apenas de rápida
avaliação LQORFR(ind. no 7). Os três restantes, pertencentes ao elemento "água",
também podem ser analisados em laboratórios que operam com análises de água
ou análises químicas em geral, facilmente localizados e com rotinas já definidas.
Os resultados demonstram que é possível utilizar uma relação de
indicadores que seja abrangente e de rápida aplicação, viável para representar a
sustentabilidade de um sistema, sem que se torne exaustiva e onerosa.
Pode-se, também, observar que os SAF que não apresentam o
componente pastoril são mais fáceis e menos dispendiosos de ser monitorados,
por necessitarem de menos indicadores para avaliar a sustentabilidade ambiental.

&21&/86®(6

Neste trabalho, concluiu-se que: a categoria recursos endógenos com-


portou o maior número de indicadores no componente biofísico; a maior
concentração de indicadores sugeridos na categoria recursos endógenos se deu

51
nos elementos fauna, flora e solo; o elemento manejo técnico apresentou maior
abundância de indicadores na categoria operação do sistema; todos os elementos
da categoria recursos exógenos apresentaram praticamente o mesmo número de
indicadores; o componente animal dos sistemas agroflorestais é visto como
gerador da necessidade de acréscimo na quantidade de indicadores; a maioria dos
indicadores sugeridos depende apenas de observações diretas, e apenas uma
minoria necessita de análises laboratoriais; a maioria dos indicadores sugeridos é
de aplicação rápida e pouco onerosa; os sistemas agroflorestais sem o
componente animal são mais fáceis e menos onerosos de ser monitorados.

5()(5Ç1&,$6%,%/,2*5È),&$6

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54
6867(17$%,/,'$'((06,67(0$6$*52)/25(67$,6
,1',&$'25(662&,2(&21Ð0,&26

RESUMO - É ampla a discussão que envolve a importância do enquadramento


das atividades de produção em geral ao conceito de desenvolvimento sustentável.
Dentre as atividades agropecuárias, os sistemas agroflorestais (SAF) têm sido
considerados como sustentáveis, apresentando-se como alternativas aos sistemas
intensivos de produção. Para monitorar a sustentabilidade de atividades
agropecuárias em geral, incluindo os SAF, diferentes autores enfatizam os
indicadores biofísicos, em detrimento dos socioeconômicos. Com o objetivo de
definir um rol de indicadores socioeconômicos adaptáveis aos diversos modelos
de SAF, desenvolveu-se um estudo consolidado por recomendações de
especialistas e ampla revisão de literatura. Portanto, concluiu-se que: as catego-
rias relacionadas com a operação dos sistemas comportaram o maior número de
indicadores no componente socioeconômico, com maior concentração nas
operações endógenas ao sistema, seguidas de longe pelos recursos endógenos e
exógenos; o maior número de indicadores sugeridos na categoria operação do
sistema se deu nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e sanea-
mento básico e análise econômica; na categoria operação de sistemas exógenos,
determinou-se o maior número de indicadores para os descritores comerciali-
zação e infra-estrutura rural; e, praticamente, não houve diferença entre o número
de indicadores obtidos para os sistemas agroflorestais com e sem o componente
animal.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade,


indicadores socioeconômicos e sistemas agroflorestais.

6867$,1$%,/,7<,1$*52)25(675<6<67(0662&,2
(&2120,&$/,1',&$7256

ABSTRACT - Is wide the discussion involving the importance of the adjustment


of the production activities in general, to the concept of sustainable development.
Among the agricultural activities, the agroforestry systems have been considered

55
as sustainable, coming as alternatives to the intensive systems of production. To
monitor the sustainability of agricultural activities, including AF, differents
authors emphasizes the biophysical indicators, in detriment of the socio-
economical indicators. Seeking to define defining a list of socio-economical
indicators that can be adapted to the several models of AF a study was
developed, consolidated by specialists recommendations and wide literature
review. The conclusions were: the categorie operation of the systems had the
largest number of indicators in the component socioeconômico, with larger
concentration in the endogenous operations of the system, followed for a long
distance by the endogenous and exogenous resources; the largest number of
indicators suggested in the category operation of the system meets in the
descritores health and nutrition, employments, habitation and sanity and
economic analysis; in the category operation of exogenous systems, they were
certain larger number of indicators for the descriptors commercialization and
rural infrastructure; practically there was not difference among the number of
indicators obtained for the agroforestry systems agroflorestais with and without
the animal component.

Key words: Sustainable development, sustainability indicators, socio-economical


indicators, agroforestry systems.

,1752'8d­2

Dentre as inúmeras definições de sustentabilidade encontradas na


literatura especializada (LIVERMAN et al., 1988; BRKLACICH et al., 1991;
DOVERS e HANDMER, 1993; MOORE e JOHNSON, 1994; BARTUSKA
et al., 1998), a de Conway (1986), citado por FAETH (1994), é suficiente para a
interpretação do termo: "sustentabilidade é a habilidade de um sistema em manter
sua produtividade quando este encontra-se sujeita a intenso esforço ou
alterações".

56
Assim, para manter a sustentabilidade de um sistema, quando este sofre
alterações na sua base de recursos, são necessários mudanças de atitudes e o
direcionamento de ações por parte das gerações atuais, com a finalidade de
suprir, em nível razoável, as necessidades das gerações futuras. Este pensamento
está implícito no conceito de desenvolvimento sustentável emitido por WCED
(1987), podendo-se concluir, então, que este tipo de desenvolvimento é aquele
capaz de promover a sustentabilidade (IWLA, 1997). Tanto as definições de
sustentabilidade quanto de desenvolvimento sustentável estão baseadas em
relações sociais, econômicas e ambientais (DOUGLAS, 1985; SENANAYAKE,
1991; SAP, 1997). Outras definições de desenvolvimento sustentável foram
elaboradas e publicadas por Barbier (1989), citado por REDCLIFT (1996); por
Sansoucy (1991), citado por MURGUEITO R. (1992); por BELLIA (1996); e
por BARTUSKA et al. (1998), as quais, de modo geral, pregam a integração e a
eqüidade inter e intrageracional.
Sustentabilidade, portanto, é um conceito que pode ser aplicado a
qualquer atividade desenvolvida pelo homem, e sua avaliação recebe diferentes
enfoques, dependendo do nível de estudo e do ambiente em questão, se urbano
(LINARES e SELIGMAN, 1992) ou rural. Especificamente relacionado com a
agricultura, que é o principal suporte da sustentabilidade, pode-se classificar seu
ambiente nos seguintes níveis: global, nacional, regional, de propriedade, de
ecossistema e de sistema de produção (CAMINO V. e MÜLLER, 1993), sendo
este último também denominado agroecossistema (ALTIERI, 1987).
As diferentes práticas agrícolas atuais abrangem desde os modelos
alternativos, como agricultura orgânica, biodinâmica, biológica, natural e outras,
consideradas sustentáveis (PASCHOAL, 1995), até os modelos intensivos de
produção, que comportam inúmeras externalidades negativas, contrastando com
o sucesso na produtividade e no suprimento de alimentos para a humanidade
(SHIKI, 1995).
Dentre os modelos alternativos, ou tecnologias agroecológicas
sustentáveis, destacam-se os sistemas agroflorestais. Estas tecnologias são
capazes de criar agroecossistemas produtivos menos dependentes de recursos
externos a eles (KAIMOWITZ, 1996) e estão baseadas em princípios e processos

57
que satisfazem requisitos ambientais (Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991),
combinando tanto elementos do conhecimento tradicional, quanto da ciência
moderna (ALTIERI, 1991).
Os muitos requisitos da sustentabilidade, preenchidos pelos sistemas
agroflorestais, estão em função da inclusão de árvores no sistema de produção;
do uso de recursos existentes; do uso de práticas de manejo que otimizam a pro-
dução combinada; e da geração de numerosos serviços (TORQUEBIAU, 1989).
No entanto, embora os sistemas agroflorestais apresentem vantagens que
superam suas desvantagens (COUTO, 1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990;
ANDERSON e SINCLAIR, 1993; ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995;
URREA, 1995), estas últimas têm gerado dificuldades na adoção desta
tecnologia, como é o caso de maior uso de mão-de-obra em alguns sistemas
(CAVENESS e KURTZ, 1993), ou o insucesso na produção de madeira, em
outros (CURRENT et al., 1996).
Há necessidade, portanto, de dispor de metodologia para avaliar os níveis
de sustentabilidade de sistemas agroflorestais, o que permite a identificação da
sua verdadeira vocação como agroecossistemas sustentáveis. Um dos meios mais
utilizados para atingir esta meta é o uso de indicadores biofísicos e
socioeconômicos, que envolvem tanto o sistema em análise quanto outros, sejam
agrícolas ou não (AVILA, 1989).
Em nível de ecossistemas e agroecossistemas, a literatura relacionada à
avaliação da sustentabilidade não dispõe de tantos trabalhos quanto nos níveis
global, nacional, regional e de propriedade. A dificuldade é maior com relação
aos compartimentos social e econômico, sendo a sustentabilidade ambiental a
que conta com maior esforço de pesquisa, o que justifica ainda mais a elaboração
de trabalhos desta natureza.
Em concordância com o exposto, o objetivo deste estudo foi a produção
de um amplo rol de indicadores socioeconômicos potenciais, que possam
abranger os sistemas agrissilviculturais, agrissilvipastoris e silvipastoris
(terminologia proposta por DANIEL et al., 1999b) e, tanto quanto possível, ser
adaptáveis às diversas estruturas de sistema de produção encontradas no campo.

58
0$7(5,$/(0e72'26

A metodologia utilizada para definição de indicadores de sustentabi-


lidade para sistemas agroflorestais considerou apenas aqueles correspondentes
aos componentes socioeconômicos, embora os mesmos procedimentos sejam
aplicáveis também aos fatores biofísicos (DANIEL et al., 1999a).
O trabalho foi baseado no roteiro proposto por CAMINO V. e
MÜLLER (1993), para sistemas produtivos em geral (Figura 1).
Segundo DE CAMINO e MÜLLER (1996), as fases desse roteiro, ou
estrutura, para definição de indicadores de sustentabilidade podem ser assim
descritas, com a complementar visão de outros autores:
1) 'HILQLomRGRVLVWHPDHPDQiOLVH: pode estar baseado em três níveis, segundo
YURJEVIK (1996), ou seja, nas perspectivas global, nacional e regional ou
local, podendo ser acrescentado o nível de propriedade, de sistemas na
propriedade, de ecossistema e de sistema de produção, de acordo com
CAMINO V. e MÜLLER (1993), dependendo dos interesses na avaliação.

Definição do sistema

Identificação de categorias significativas

Identificação de elementos significativos em cada categoria

Identificação e seleção de descritores

Definição e obtenção de indicadores

Análise de indicadores

Procedimentos de monitoramento

Figura 1 - Sugestão de estrutura para definição de indicadores de sustentabilida-


de para sistemas em geral, segundo CAMINO V. e MÜLLER (1993).

59
2) ,GHQWLILFDomR GH FDWHJRULDV VLJQLILFDWLYDV: uma categoria é um aspecto do
sistema, o que deve ser significativo do ponto de vista da sustentabilidade.
Segundo AVILA (1989), TORQUEBIAU (1989) e CAMINO V. e MÜLLER
(1993), para qualquer sistema e em qualquer nível de organização ou
agregação, podem ser utilizadas as seguintes categorias:
a) UHFXUVRV HQGyJHQRV: é a base de recursos do sistema, e os indicadores
desta categoria devem indicar se o sistema afeta ou melhora a base de
recursos;
b) RSHUDomR GR VLVWHPD: são as atividades necessárias à H[HTLELOLGDGH do
sistema, e os indicadores desta categoria devem mostrar se o manejo e o
seu desempenho são compatíveis com as exigências da sustentabilidade;
c) UHFXUVRVH[yJHQRV: recursos de outros sistemas, de entrada ou saída, que
podem ser afetados pelo sistema sob estudo; e
d) RSHUDomR GRV VLVWHPDV H[yJHQRV: atividades exógenas necessárias à
exeqüibilidade do sistema.
3) ,GHQWLILFDomR GH HOHPHQWRV VLJQLILFDWLYRV HP FDGD FDWHJRULD: um elemento é
uma parte de uma categoria, significativa do ponto de vista da sustentabi-
lidade. Exceto o elemento "energia", identificado na Figura 2 e que está sendo
proposto neste trabalho, todos os elementos de recursos endógenos ou
exógenos foram citados por AVILA (1989) e WEBER (1990), enquanto
aqueles relacionados à operação dos sistemas foram propostos por AVILA
(1989) e ampliados por CAMINO V. e MÜLLER (1993).
4) ,GHQWLILFDomRHVHOHomRGHGHVFULWRUHV'HILQLomRHREWHQomRGHLQGLFDGRUHV:
a) 'HVFULWRUHV: descritores são características significativas de um elemento,
os quais estão subordinados aos principais atributos de sustentabilidade de
um sistema e ao seu nível de agregação. Assim, tais descritores podem ser
diferentes mesmo entre sistemas similares.
b) ,QGLFDGRUHV: indicador é uma medida do efeito da operação do sistema
sobre o descritor TORQUEBIAU (1989). Isto significa que se um dado
descritor recebeu influência positiva da operação do sistema, este tende a
ser sustentável, e vice-versa. Para cada descritor relevante, deve-se definir
pelo menos um indicador.

60
6LVWHPD

&DWHJRULDV

5HFXUVRV 2SHUDomRGR 5HFXUVRV 2SHUDomRGH


HQGyJHQRV VLVWHPD H[yJHQRV VLVWHPDVH[yJHQRV
Elementos
-Água -Manejo técnico -Água -Manejo técnico
-Minerais -Rendimento -Minerais -Rendimento
-Solo técnico -Solo técnico
-Luz -Manejo e -Luz -Manejo e
-Flora rendimento -Flora rendimento
-Fauna socioeconômico -Fauna socioeconômico
-Ar -Ar
-Energia -Energia
-Recursos -Recursos
culturais culturais
-Áreas únicas -Áreas únicas

Figura 2 - Sugestão de estrutura para definição de um grupo de indicadores de


sustentabilidade para um sistema específico, modificado de
CAMINO V. e MÜLLER (1993).

c) ,GHQWLILFDomRGHGHVFULWRUHVHLQGLFDGRUHV: o desenvolvimento do grupo de


descritores e indicadores para sistemas agroflorestais foi baseado na
estrutura metodológica demonstrada na Figura 3, que é auto-explicativa.
Para facilitar a execução da fase 3 desta figura, aplicou-se a estrutura
conceitual observada na Figura 4.
5) $QiOLVHGHLQGLFDGRUHVesta fase pode ser subdividida em: a) significado do
indicador; b) o que, como, onde e quando medir; c) insumos QHFHVViULRV para
o cálculo; d) limitações do indicador; e) valores limites do indicador; e
f) apresentação e interpretação dos resultados.
6) 3URFHGLPHQWRV GH PRQLWRUDPHQWR: estes procedimentos podem ser descritos
para cada indicador selecionado ou para todo o conjunto.
No presente estudo executou-se a metodologia descrita, com algumas
adaptações, procedendo-se da seguinte forma:

61
5HYLVmRWHyULFD ,GHQWLILFDomRGH
UHODFLRQDGDDRVLVWHPD HQIRTXHVSDUDRVLQGLFDGRUHV
 Ecologia Meio ambiente FRPDSOLFDo}HVSRWHQFLDLV
 Sustentabilidade  Outros SDUDRVLVWHPDHPHVWXGR

(VWXGRVJHUDLV
$YDOLDomRGH
'HILQLomRGHGLUHWUL]HV VREUHDVFDUDFWHUtVWLFDV
HQIRTXHVSDUDRVLQGLFDGRUHV
SDUDDVHOHomRGH GRVLVWHPD
LQGLFDGRUHV  Diretrizes para os indicadores
 Biofísicas Culturais
 Características do sistema
 Sociais  Econômicas

6HOHomRGHGHVFULWRUHV
HLQGLFDGRUHVPDLV
VLJQLILFDWLYRV

Figura 3 - Estrutura metodológica para o desenvolvimento de descritores e


indicadores, modificada de BERTOLLO (1998).

Sistemas
Sistemas agroflorestais
Agroflorestais
Componentes socioeconômicos
e culturais
DESCRITORES/

institucionais
Econômicos
comerciais

Sistemas

Políticos
culturais

INDICADORES Técnicos
Sociais

Saúde
e

e

- Sistema agrissilvicultural, sistema agrissilvipastoril e sistema silvipastoril.

Figura 4 - Estrutura conceitual para o desenvolvimento de descritores e indica-


dores socioeconômicos, modificada de BERTOLLO (1998).

a) Os itens 1 e 2 foram executados integralmente, e no item 3 foram trabalhados


apenas os elementos: recursos culturais; manejo e rendimento socioeconômico
(Figura 2). Os outros elementos, que envolvem o compartimento biofísico,
foram tratados separadamente por DANIEL et al. (1999a).

62
b) O passo 4 é o mais importante neste trabalho, pois é ele que concentra a
maioria das operações (Figura 3) para definição dos indicadores, assim
detalhadas:
i) (QIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV FRP DSOLFDo}HV SRWHQFLDLV: monitorar o
desempenho dos fatores sociais e econômicos, possibilitando intervenções
para a elevação dos níveis de sustentabilidade socioeconômica. Para
chegar à conclusão de que isto seria possível, foi realizada ampla revisão
de literatura, considerando todos os aspectos dos sistemas agroflorestais e
as possibilidades de monitoramento dos indicadores.
ii) $YDOLDomR GH HQIRTXHV SDUD RV LQGLFDGRUHV: nesta fase de geração do
maior número possível de indicadores, foram consideradas as peculia-
ridades dos sistemas agroflorestais, principalmente levando em conta os
componentes do sistema, ou seja, animais, culturas agrícolas e florestais, e
a sua composição no tempo e no espaço. Também, foram definidas as
diretrizes a partir das quais foram selecionados os indicadores de susten-
tabilidade socioeconômica, tendo como base BERTOLLO (1998), que
realizou uma significativa revisão sobre o tema, resultando nas seguintes
características essenciais para escolha de um indicador: relevante para os
objetivos e as metas do problema; relevante para a orientação e o planeja-
mento global do projeto/pesquisa; relevante para os compartimentos
social, cultural e, ou, biofísico da área em questão; capaz de fornecer um
quadro representativo das condições, em função de sua correlação com
outros parâmetros do sistema; apropriado para a escala espacial da área em
consideração; sensível às alterações temporais e espaciais; cientificamente
confiável; mensurável e de aplicação prática; apoiado por dados de alta
qualidade; relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental,
social ou econômica; orientado para os temas dominantes e preocupações
da sociedade e dos envolvidos diretamente; claro e de fácil compreensão
pelos tomadores de decisão; relevante para os propósitos dos
administradores ambientais. Um potencial indicador foi selecionado para

63
participar da relação final desde que se relacionasse com pelo menos uma
das diretrizes citadas.
iii) 6HOHomRGRJUXSRGHGHVFULWRUHVHLQGLFDGRUHVPDLVVLJQLILFDWLYRV, que foi
subdividida em duas fases:
1. 5HYLVmR GH OLWHUDWXUD: foram localizados descritores e indicadores
significativos relacionados ao tema, o que permitiu uma primeira
aproximação dos resultados, com auxílio da parte correspondente aos
componentes socioeconômicos, na estrutura conceitual indicada na
Figura 4; e
2. &RQVXOWDDHVSHFLDOLVWDV: uma equipe de sete pessoas ligadas a sistemas
agroflorestais e meio ambiente tiver a oportunidade de revisar e ampliar
a lista de descritores e indicadores gerados a partir da revisão de
literatura.
Na seleção deste grupo, foram realizadas visitas a três sistemas
agroflorestais em desenvolvimento, visando registrar impressões a respeito das
características que poderiam se enquadrar nas diretrizes citadas no item (b-ii), ou
que seriam úteis na definição dos indicadores mais significativos.

5(68/7$'26(',6&866­2

Como resultado principal da aplicação da metodologia proposta,


obtiveram-se os indicadores listados no Quadro 1. Considerando as recomen-
dações de CAMINO V. e MÜLLER (1993), de que o número de indicadores não
deve ser exaustivo e eles devem referir-se apenas às categorias e aos elementos
mais significativos, os resultados apresentam-se muito amplos. No entanto, este
número elevado de indicadores engloba grande parte do que é possível avaliar
em termos de sustentabilidade de sistemas agroflorestais. Sobre este rol, o
usuário tem a oportunidade de escolher apenas alguns itens que, segundo
critérios específicos, determinados de acordo com suas próprias necessidades,
sejam suficientes para a avaliação da sustentabilidade de um dado empreen-
dimento agroflorestal. Embora extensa, a quantidade de resultados constantes no

64
Quadro 1 não representa a totalidade da matriz de indicadores, posto que esta é
inimaginável física e operacionalmente (CAMINO V. e MÜLLER, 1993).
Em uma outra fase do desenvolvimento de indicadores socioeconômicos
para sistemas agroflorestais, deverão ser acrescentadas novas diretrizes ou
critérios, para selecionar um número mínimo essencial. Segundo CAMINO V. e
MÜLLER (1993), que trataram de sistemas genéricos, a quantidade ideal de
indicadores de sustentabilidade encontra-se entre 6 e 8, porém, TORQUEBIAU
(1989), que trabalhou com sustentabilidade para pomares domésticos
(KRPHJDUGHQV), obteve 24 indicadores.
Nota-se, no Quadro 1, que não constaram deste trabalho indicadores
pertencentes ao elementos água, minerais, solo, flora, fauna, ar, energia, áreas
únicas, manejo técnico e rendimento técnico, os quais foram motivo de um
estudo específico, no qual foram tratados os indicadores biofísicos
(DANIEL et al., 1999a).
É importante ressaltar que, com os indicadores socioeconômicos, foram
utilizadas as quatro categorias constantes na Figura 2, o que não ocorreu com os
indicadores biofísicos de DANIEL et al. (1999a). Enquanto naquele caso os
autores justificaram que a operação de sistemas exógenos poderia ser suprimida
da análise, para este trabalho o uso desta categoria foi viável, tendo em vista as
características intrínsecas da sustentabilidade socioeconômica, pois esta
apresenta íntimo relacionamento externo, como a comercialização e infra-
estrutura rural.
No Quadro 2, observa-se que foram encontrados 65 indicadores
socioeconômicos de sustentabilidade, sendo a mesma quantidade para os
sistemas que apresentam o componente animal, e 63 para os sistemas que
apresentam apenas os componentes agrícola e florestal. A utilização de atividade
de criação de animais no sistema agroflorestal resultou no acréscimo de apenas
dois indicadores.
Foi pequeno o incremento de indicadores socieconômicos para os
sistemas agrissilvipastoris e para os silvipastoris, em relação aos sistemas que
não possuem o componente animal. Este baixo incremento justifica-se pelo fato

65
Quadro 1 - Conjunto de indicadores socioeconômicos de sustentabilidade para
sistemas agroflorestais

Categoria Elemento Descritor Indicador SAF


Recursos Recursos Patrimônio arqueológico Implantação do projeto em área contendo sítio ou 123
endógenos culturais vestígios arqueológicos (sim/não)
Preservação das áreas arqueológicas (sim/não) 123
Exposição do material arqueológico à visitação pública 123
(no de visitantes por ano)
Patrimônio religioso Preservação de templos, cemitérios ou outras áreas 123
consideradas sagradas (sim/não)
Operação do Manejo e Saúde e nutrição Ocorrências médicas anuais - proporção entre no de casos 123
sistema rendimento e no de pessoas ligadas ao sistema
socioeconô- Ocorrências anuais de intoxicação por agrotóxicos - 123
mico proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao
sistema (%)
Pessoas com características de desnutrição - proporção 123
entre no de casos e no de pessoas ligadas ao sistema
Número de refeições diárias das pessoas ligadas ao 123
sistema
Aceitabilidade Os produtores aceitaram bem o sistema e pretendem 123
manter-se na atividade (sim/não)
Agregação de valor Transformação dos produtos para comercialização 123
(sim/não)
Produtividade dos Quantidade total de produtos animais extraídos em t.ha-1 23
componentes animais
Produtividade dos Quantidade total de madeira extraída em m3.ha-1 123
componentes vegetais Quantidade total depro dutos alimentares extraídos em 12
t.ha-1
Administração Existência de um eficiente sistema de administração, 123
compatível com o nível de atividade do sistema
(sim/não)
Eqüidade Os produtores acreditam que recebem os mesmos 123
benefícios que receberiam de outra atividade
agropecuária tradicional na região (sim/não)
Economia de recursos Redução de insumos externos (agrotóxicos, fertilizantes, 123
produtos veterinários, sementes, embalagens, ...),
comparando-se com sistemas alternativos tradicionais
(sim/não)
Empregos No médio de postos de trabalho oferecidos anualmente 123
No médio de postos de trabalho fixos durante todo o ano 123
Os direitos previdenciários são garantidos (sim/não) 123
Salário mensal médio dos trabalhadores diretamente 123
ligados ao campo (exceto técnicos)
As base da mão-de-obra é familiar (sim/não) 123
Proporção entre sexos na mão-de-obra, ou seja, a relação 123
entre o no de trabalhadores do sexo feminino e
masculino
Proporção da mão-de-obra infantil e juvenil, ou seja, a 123
relação entre o no de trabalhadores infantis e juvenis (até
14 anos) e os trabalhadores de mais idade
Educação Acesso à educação das pessoas interessadas e 123
dependentes do sistema (sim/não)
No de analfabetos dependentes do sistema 123
Proporção entre o no de crianças de até 14 anos fora da 123
escola e o no delas na escola
Habitação e saneamento No de trabalhadores que habitam em construções de 123
básico alvenaria
No de trabalhadores que habitam em construções de 123
madeira serrada
No de trabalhadores que habitam em construções rústicas 123
No de trabalhadores que habitam em residências 123
abastecidas com energia elétrica

Continua...

66
Quadro 1, Cont.

Categoria Elemento Descritor Indicador SAF


Proporção de residências aparelhadas com fossas 123
sépticas e ligadas a sistema de esgotos
Proporção de residências com abastecimento de água 123
proveniente de fonte de boa qualidade, ou seja, tratada,
de mananciais não poluídos ou de poços tecnicamente
construídos
Relações de propriedade Os produtores são proprietários (sim/não) 123
Os produtores são parceiros (sim/não) 123
Os produtores são arrendatários (sim/não) 123
Análise econômica: Valor presente líquido (VPL) 123
Taxa interna de retorno (TIR) 123
Razão benefício/custo (B/C) 123
Período de reembolso (no de anos para que os benefícios 123
excedam os custos)
Valor médio da jornada de trabalho 123
Trabalho investido para o componente arbóreo (no de 123
diárias utilizadas em ha por ano)
Capital investido para o componente arbóreo (ha por 123
ano)
Retorno do trabalho (razão entre o valor dos produtos 123
obtidos e o número de jornadas de trabalho consumidas
no empreendimento, em valor por dia)
Recursos Recursos Patrimônio arqueológico A operação do sistema afeta positivamente o patrimônio 123
exógenos culturais arqueológico dos sistemas exógenos envolvidos
(sim/não)
Patrimônio religioso A operação do sistema afeta positivamente o patrimônio 123
religioso dos sistemas exógenos envolvidos (sim/não)
Viabilidade cultural Participação das pessoas em eventos culturais 123
importantes para elas, fora da sua circunvizinhança
(sim/não)
Freqüência média familiar de participação em eventos 123
culturais
Disponibilidade para livre visitação a outras pessoas, e 123
vice-versa (sim/não)
Operação de Manejo e Comercialização Há mercado para os produtos do sistema (sim/não) 123
sistemas rendimento A comercialização é direta ao consumidor (sim/não) 123
exógenos socioeconô- O mercado para os produtos é local (sim/não) 123
mico O mercado para os produtos é regional (sim/não) 123
O mercado para os produtos é internacional (sim/não) 123
Relação entre a quantidade de produtos comercializados 123
por meio do sistema de escambo e o sistema monetário
Agregação de valor Valorização dos produtos em função de terem origem em 123
um sistema dito sustentável (sim/não)
Produção, transformação e comercialização cooperadas 123
(sim/não)
Uso de técnicas de divulgação dos produtos do sistema 123
(sim/não)
Disponibilidade de Existem linhas de crédito específicas para os SAF 123
crédito (sim/não)
Inexistência de linhas de crédito específicas mas as 123
agências de crédito financiam os SAF (sim/não)
Proporção entre contrapartida financeira e créditos 123
obtidos em agências
Há disponibilidade de crédito para produtores não 123
proprietários (sim/não)
Infra-estrutura rural Existência de infra-estrutura de armazenamento acessível 123
e suficiente, dentro do sistema ou à sua disposição
(sim/não)
Acesso a entrepostos comerciais (sim/não) 123
Existência de infra-estrutura de abate dos animais 23
produzidos, acessível e suficiente, dentro do sistema ou à
sua disposição (sim/não)
As estradas de acesso à propriedade e ao sistema são 123
transitáveis durante todo o ano (sim/não)
1
Sistemas Agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas
silvipastoris.

67
Quadro 2 - Quantificação dos indicadores socioeconômicos de sustentabilidade
para sistemas agroflorestais (SAF)

No de Indicadores por SAF


No de
Categoria Elementos Sistemas Sistemas Indicadores
Sistemas
Agrissilvi- Agrissilvipas-
Silvipastoris por Elemento
culturais toris
Recursos Recursos
4 4 4 4
endógenos culturais
Operação do Manejo e rendimento
38 39 38 39
sistema socioeconômico
Recursos
Recursos exógenos 5 5 5 5
culturais
Operação de Manejo e rendimento
16 17 17 17
sistemas exógenos socioeconômico
Total 63 65 64 65

de os descritores para o compartimento socioeconômico da sustentabilidade, pela


sua própria natureza, relacionarem-se com qualquer SAF, independente de sua
estrutura. Os dois indicadores a menos foram: quantidade anual de produtos
animais extraídos e existência de infra-estrutura de abate. Estes, pertencentes aos
descritores produtividade dos componentes animais e infra-estrutura rural,
respectivamente, são muito específicos da atividade de criação.
Por ordem de grandeza da representatividade dos indicadores, verificou-
se que 6,2, 60,0, 7,7 e 26,1% pertencem, respectivamente, às categorias: recursos
endógenos, operação do sistema, recursos exógenos e operação dos sistemas
exógenos. O menor peso referente aos recursos, sejam eles endógenos ou
exógenos, já era esperado, pois esta categoria conta com o elemento recursos
culturais, que em geral são poucos, comparados com a necessidade de
rendimento do sistema.
O maior número de indicadores nas categorias operação dos sistemas,
sejam estas endógenas (60,0%) ou exógenas (26,1%), também já era previsto, uma
vez que os indicadores sociais e econômicos estão bastante relacionados com os

68
elementos que compõem estas categorias, e menos com as categorias de recursos.
Tais elementos possuem descritores extremamente específicos, como a saúde e
nutrição, a agregação de valor, a produtividade, a administração e outros
relacionados no Quadro 1.
Mas enquanto nos indicadores biofísicos, conforme observado por
DANIEL et al. (1999a), há dificuldades de determinar aqueles relacionados à
operação dos sistemas exógenos, para os indicadores socioeconômicos a sua
representação atingiu 26,1%. Tal fato é explicado por meio do conjunto de
descritores obtidos nesta categoria (Quadro 1), os quais são formados pela
comercialização, agregação de valor, disponibilidade de crédito e pela infra-
estrutura rural disponível. Estes descritores e seus indicadores, em sua maioria,
são específicos de sistemas externos ao sistema sob análise ou até mesmo à
propriedade e não podem ser subestimados em uma avaliação de sustentabilidade
socioeconômica.
No trabalho pioneiro de TORQUEBIAU (1989), que estudou a sustenta-
bilidade para um sistema agroflorestal específico, os pomares domésticos
(KRPHJDUGHQV), foi identificado que a maior concentração de indicadores
também foi determinada para a categoria operação do sistema, com 77,8%, e o
restante deles para a operação de sistemas exógenos (22,2%).
É importante ressaltar que os números citados não refletem o peso dos
indicadores obtidos sobre a sustentabilidade do sistema, pois neste trabalho os
objetivos foram a obtenção e a divulgação de um amplo rol de indicadores
socioeconômicos, com condições para ser aplicados em qualquer composição
agroflorestal, dando suporte aos tomadores de decisão quando da implantação do
monitoramento ambiental.
Para uma fase mais detalhada, deve-se trabalhar na geração de um
número mínimo de indicadores significativos (conforme recomendam
DE CAMINO e MÜLLER, 1996) para os sistemas agrissilviculturais, agrissil-
vipastoris e silvipastoris, o que não impedirá que os profissionais envolvidos na
área de monitoramento socioeconômico de atividades agroflorestais disponham
do rol aqui apresentado (Quadro 1), e que com seus conhecimentos técnicos

69
natos possam selecionar e até mesmo incluir aqueles indicadores que melhor se
adaptem às suas condições específicas de monitoramento.

&21&/86®(6

Pelos resultados obtidos, concluiu-se que: a categoria operação dos


sistemas comporta o maior número de indicadores no componente socioeco-
nômico, com maior concentração nas operações endógenas ao sistema, seguidas
de longe pelos recursos endógenos e exógenos; o maior número de indicadores
sugeridos na categoria operação do sistema encontra-se nos descritores saúde e
nutrição, empregos, habitação e saneamento básico e análise econômica; na
categoria operação de sistemas exógenos, foi determinado o maior número de
indicadores para os descritores comercialização e infra-estrutura rural; e pratica-
mente não houve diferença entre o número de indicadores obtidos para os
sistemas agroflorestais, com e sem o componente animal.

5()(5Ç1&,$6%,%/,2*5È),&$6

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73
3523267$'(80&21-81720Ë1,02'(,1',&$'25(6
62&,2(&21Ð0,&263$5$2021,725$0(172'$
6867(17$%,/,'$'((06,67(0$6$*52)/25(67$,6

RESUMO - Embora os sistemas agroflorestais sejam considerados sustentáveis


e, portanto, tidos como alternativas aos sistemas de produção intensivos, a
escassez de trabalhos que consideram a avaliação da sustentabilidade desses
sistemas permite que sejam geradas controvérsias a este respeito. Tomando como
base uma lista de indicadores já existentes na literatura, foram propostos alguns
critérios de seleção, visando obter um conjunto mínimo de indicadores que
possam atender à demanda de monitoramento da sustentabilidade socioeco-
nômica de sistemas agroflorestais em geral. As principais conclusões obtidas
foram: a categoria operação do sistema comportou o maior número de
indicadores; a maior concentração de indicadores sugeridos nesta categoria
encontrou-se nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e saneamen-
to, análise econômica, comercialização e infra-estrutura rural; a avaliação da
sustentabilidade socioeconômica baseada nos indicadores propostos valoriza o
aspecto de eqüidade intrageracional; a inclusão de descritores relacionados à
operação de sistemas exógenos é essencial para avaliar a sustentabilidade de um
sistema; a maioria dos indicadores sugeridos depende apenas de observações
diretas e de entrevistas, e apenas uma minoria necessita de cálculos mais
detalhados ou de histórico preciso; e a maioria dos indicadores sugeridos é de
aplicação rápida e pouco onerosa.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, indicadores de sustentabilidade e


sistemas agroflorestais.

352326$/2)$0,1,0806(72)62&,2(&2120,&$/
,1',&$7256)25021,725,1*7+(6867$,1$%,/,7<,1
$*52)25(675<6<67(06

ABSTRACT - The agroforestry systems are considered sustainable and because


this are had as alternative to the intensive production systems. However, there are
controversies regarding this affirmative one, what becomes worse with the

74
shortage of works that consider the evaluation of the sustainability of these
systems. Being taken as base a list of indicators already existent in the literature,
intended some selection approaches, with the objective of proposing a minimum
set of indicators that for assist the demand of monitoring of the socio-economical
sustainability of agroforestry systems in general. The main conclusions were: the
category operation of the system behaved the largest number of indicators; the
largest concentration of indicators obtained in this category met in the descritores
health and nutrition, employments, habitation and sanitation, economic analysis,
commercialization and rural infrastructure; the evaluation of socio-economical
sustainability based on the proposed indicators values the aspect of justness
intragenerational; the descriptors inclusion related to the operation of exogenous
systems is essential to evaluate the sustainability of a system; most of the
suggested indicators just depends on direct observations and interviews, and a
minority just needs more detailed calculations or of accurate historical; most of
the suggested indicators is of fast and not very onerous application.

Key words: Sustainable development, sustainability indicators, agroforestry


systems.

,1752'8d­2

Dentre as inúmeras definições de sustentabilidade, cujas referências


podem ser encontradas em DANIEL (1999) e DANIEL et al. (1999a), a de
Conway (1986), citado por FAETH (1994), é adaptável a diversas situações:
"sustentabilidade é a habilidade de um sistema em manter sua produtividade
quando este encontra-se sujeita a intenso esforço ou alterações". FRANKLIN
(1995) é mais específico e deixa claro que esta produtividade está relacionada a
bens e serviços, produzidos perpetuamente.
No desenvolvimento sustentável, três fatores resumem a capacidade de
um sistema ser sustentável: o econômico, o social e o ambiental (BENSIMÓN,
1991; SAP, 1997). Essa capacidade de ser sustentável é o que se denomina

75
sustentabilidade, e pode ser avaliada em qualquer atividade humana, estando
sempre relacionada ao ambiente em estudo, seja urbano ou rural. Especifica-
mente na agricultura, a sustentabilidade pode ser avaliada nos níveis global,
nacional, regional, de propriedade, de ecossistema e de agroecossistema
(CAMINO V. e MÜLLER, 1993).
Embora nas atividades de produção primária haja muita polêmica sobre o
que é sustentável ou não, de modo geral, consideram-se não-sustentáveis os
modelos intensivos de produção, consumidores de grandes quantidades de insu-
mos não-renováveis ou poluentes do meio ambiente e exigentes em operações de
preparo do solo e maquinaria. Como alternativa, dispõe-se dos sistemas
agroflorestais (SAF), os quais são considerados tecnologias sustentáveis.
Essa tecnologia, dentre outras, segundo KAIMOWITZ (1996), gera um
agroecossistema produtivo menos dependente de recursos externos, além de
satisfazer requisitos ambientais (Knight, 1980, citado por ALTIERI, 1991).
Segundo TORQUEBIAU (1989), o atendimento de muitos destes requisitos
ocorre em função do uso de recursos endógenos e de práticas de manejo que
otimizam a produção combinada e por gerarem numerosos serviços.
Vários autores, ao fazerem paralelos entre os SAF e os sistemas agrícolas
tradicionais, citam que as suas vantagens superam as desvantagens (COUTO,
1990; MacDICKEN e VERGARA, 1990; ANDERSON e SINCLAIR, 1993;
ESTRADA, 1995; REICHE C., 1995; URREA, 1995).
Entretanto, há controvérsias quanto às afirmações de que os SAF, em
geral, sejam realmente sustentáveis (MacDICKEN e VERGARA, 1990). Estes
autores citam outras fontes, que afirmam que nem todas as combinações de
árvores e cultivos agrícolas ou animais alcançam os objetivos da sustenta-
bilidade, do incremento na produção e dos benefícios para a pobreza rural. Tal
fato induz à necessidade de dispor de procedimentos metodológicos para avaliar
os níveis de sustentabilidade dos sistemas agroflorestais.
O uso de indicadores biofísicos (DANIEL et al., 1999a) e socioeconô-
micos (DANIEL 1999) é atualmente a metodologia mais utilizada para avaliar a
sustentabilidade de sistemas de produção em geral, pois fornece um simples

76
meio de explicá-la e de aumentar a consciência pública para a necessidade de
mudanças de comportamento diante do desenvolvimento (HART, 1995).
Portanto, desenvolveu-se este estudo, cujo objetivo foi a seleção de um
grupo mínimo de indicadores socioeconômicos que possam ser úteis na avaliação
e no monitoramento da sustentabilidade de sistemas agroflorestais

0$7(5,$/(0e72'26

Neste trabalho, a metodologia utilizada para a definição de indicadores


de sustentabilidade para SAF considera o componente socioeconômico.
Para aplicação da proposta, foram utilizados os indicadores genéricos
para SAF, citados por DANIEL (1999). Este autor listou 65 indicadores, visando
oferecer ampla possibilidade de adaptação desses indicadores às diversas
variações de SAF atualmente existentes.
De modo a atender ao objetivo deste trabalho, que é a geração de um
conjunto mínimo de indicadores socioeconômicos de sustentabilidade para SAF,
foram aplicados à lista de indicadores de DANIEL (1999) os critérios de seleção
listados e explicitados no Quadro 1.
As características de 1 a 13 já foram aplicadas por DANIEL (1999), para
selecionar os 65 indicadores citados em seu trabalho. Tais características, com
algumas modificações, foram extraídas de BERTOLLO (1998).
Para redução dos indicadores listados por DANIEL (1999), foram
acrescentadas as características de 14 a 19, tendo como balizamento uma 20a
característica, que foi a manutenção de no mínimo um indicador para cada
descritor definido pelo autor. A 20a característica não consta do Quadro 1, porque
foi considerada específica para este trabalho, ou seja, como estes critérios e
características fazem parte de uma proposta aberta de critérios de seleção de
indicadores de sustentabilidade para qualquer sistema, outros usuários poderão
desejar excluir algum descritor. Assim, a retirada desta última característica
confere flexibilidade à proposta.

77
Quadro 1 - Características e critérios de indicadores de sustentabilidade para
sistemas em geral

Critérios de Seleção

Previsibilidade ou tendência
Qualidade dos dados

Compreensibilidade
Suporte de decisões
Representatividade
Escola apropriada

Mensurabilidade

Resultabilidade

Integrabilidade
Ambigüidade
Sensibilidade
Importância
Relevância
Características dos indicadores

Custo
1 Relevante para os objetivos e metas do problema X

Relevante para a orientação e o planejamento global do


2 X
projeto/pesquisa

Relevante para os compartimentos social, cultural e, ou, biofísico da


3 X
área em questão

Fornecer um quadro representativo das condições, devido à sua


4 X
correlação com outros parâmetros do sistema

5 Apropriado para a escala espacial da área em consideração X

6 Sensível a pequenas alterações temporais e espaciais X

7 Cientificamente confiável X

8 Mensurável e de aplicação prática X

9 Apoiado por dados de alta qualidade X

Relacionado com conceitos históricos de qualidade ambiental, social


10 X
ou econômica

Orientado para os temas dominantes e preocupações da sociedade e


11 X
dos envolvidos diretamente

12 Claro e de fácil compreensão pelos tomadores de decisão X

13 Relevante aos propósitos dos administradores ambientais X

Permitir alguma análise de tendência ao longo de um determinado


14 X
período, ou fornecer subsídios para isto

Dispensar especialização técnico-científica elevada para ser


15 X
aplicado, sendo simples e claro para o público em geral

16 Apresentar baixo custo de aplicação, relativo ao produtor X

Para este trabalho, os indicadores devem ser primários, ou seja,


deverão reportar diretamente as alterações nos compartimentos
17 ambiental e socioeconômico, em termos de algo que seja valioso X
para as pessoas; deve comunicar o status de um atributo, sem
necessidade de interpretação técnica extensa

18 Não ser ambíguo ou redundante X

Incorporar indiretamente, outros indicadores (ex: o uso do SODQWLR


19 GLUHWRHFXOWLYRPtQLPR como indicadores dispensa o uso do X
indicador SUHSDURPHFDQL]DGRLQWHQVLYR)

78
Os critérios utilizados no Quadro 1 foram os mesmos aplicados nos
trabalhos do 7KH 6WDWH (QYLURQPHQWDO *RDOV DQG ,QGLFDWRUV 3URMHFW (SEGIP,
1995) da Universidade da Flórida, que os divide em dois tipos básicos:
a) critérios essenciais: critérios que um indicador deve atender (relevân-
cia, representatividade, escala apropriada, qualidade dos dados,
mensurabilidade, importância, suporte de decisões, ambigüidade); e
b) critérios preferenciais: critérios que um indicador pode atender
(sensibilidade, resultabilidade, custo, integrabilidade, compreensibili-
dade, previsibilidade ou tendência)
Portanto, neste trabalho, é possível verificar a permanência de indica-
dores listados por DANIEL (1999), mesmo que não tenham atendido a um ou
mais dos critérios preferenciais
As listagens dos indicadores encontram-se estruturadas segundo reco-
mendação de CAMINO V. e MÜLLER (1993), estrutura esta que também foi
utilizada por DANIEL (1999).
Vale a pena citar duas fusões de indicadores realizadas sobre a proposta
de DANIEL (1999), visando a simplificação, em função do objetivo deste
trabalho:
a) os dois indicadores pertencentes ao descritor "empregos" do elemento
"manejo e rendimento socioeconômico", relacionados com o número
de postos de trabalho, foram agrupados em um único, a "proporção
entre o número médio de postos de trabalho fixos e o número médio
de postos de trabalho oferecidos anualmente"; e
b) os três indicadores pertencentes ao descritor "habitação e saneamento
básico" do mesmo elemento anterior, relacionados com o número de
trabalhadores e as suas habitações, foram agrupados em "proporção
entre o número de trabalhadores que habitam em construções de boa
qualidade, de alvenaria ou madeira, e aqueles que habitam em tipos
piores".

79
5(68/7$'26(',6&866­2

No Quadro 2, estão apresentados os indicadores mínimos selecionados


para a avaliação e o monitoramento da sustentabilidade de SAF, no compar-
timento socioeconômico, obtido pela aplicação dos critérios constantes no
Quadro 1 sobre a lista elaborada por DANIEL (1999).
DANIEL (1999) apresenta 65 indicadores socieconômicos de sustenta-
bilidade, que foram reduzidos para 48 (Quadro 3), sendo a mesma quantidade
para os sistemas agrissilvipastoris, 46 para os sistemas agrissilviculturais e 47
para os silvipastoris.
Verificou-se que 4,2, 61,4, 8,3 e 27,1% pertencem, respectivamente, às
categorias: recursos endógenos, operação do sistema, recursos exógenos e
operação dos sistemas exógenos. Nota-se maior peso na categoria operações do
sistema, tanto endógenos quanto exógenos. Tal fato já era de se esperar, tendo
em vista que os aspectos relacionados à economia, como agregação de valor,
produtividade, mecanismos de comercialização, além daqueles relacionados à
sociologia, como infra-estrutura, eqüidade, saúde e nutrição e empregos, fazem
parte exclusivamente das categorias operacionais.
A menor representação de indicadores para a categoria recursos, sejam
endógenos ou exógenos, não significa determinação de menor importância a
estes aspectos na vida das pessoas envolvidas no sistema produtivo. Cada grupo
familiar ou comunidade valoriza a seu modo tais aspectos, tornando-se difícil a
inclusão de indicadores que capturem comportamentos específicos, o que eleva-
ria muito o número de itens a ser avaliados em um estudo de sustentabilidade.
Outro motivo para esta baixa representatividade é de natureza conjuntural.
Dentro das categorias propostas para avaliação, citadas em DANIEL (1999),
apenas os recursos culturais enquadram-se nos indicadores socioeconômicos, e as
demais estão relacionadas aos indicadores biofísicos, já tratados por DANIEL
et al. (1999a).

80
Quadro 2 - Conjunto mínimo de indicadores socioeconômicos de sustenta-
bilidade para sistemas agroflorestais

Categoria Elemento1 Descritor (Número do indicador) Indicador SAF


Recursos Recursos Patrimônio arqueológico (1) Exposição do material arqueológico à visitação 123
endógenos culturais pública (no de visitantes por ano)
Patrimônio religioso (2) Preservação de templos, cemitérios ou outras áreas 123
consideradas sagradas (sim/não)
Operação do Manejo e Saúde e nutrição (3) Ocorrências anuais de intoxicação por agrotóxicos 123
sistema rendimento - proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao
socioeconômico sistema
(4) Pessoas com características de desnutrição - 123
proporção entre no de casos e no de pessoas ligadas ao
sistema
(5) Número de refeições diárias das pessoas ligadas ao 123
sistema
Aceitabilidade (6) Os produtores aceitaram bem o sistema e 123
pretendem manter-se na atividade (sim/não)
Agregação de valor (7) Transformação dos produtos para comercialização 123
(sim/não)
Produtividade dos (8) Quantidade anual de produtos animais extraídos em 23
componentes animais t por ha por ano
Produtividade dos (9) Quantidade anual de madeira produzida em st por 123
componentes vegetais ha por ano
(10) Quantidade anual de produtos agrócolas extraídos 12
em t por ha por ano
Administração (11) Existência de um eficiente sistema de 123
administração, compatível com o nível de atividade do
sistema (sim/não)
Eqüidade (12) Os produtores acreditam que recebem os mesmos 123
benefícios que receberiam de outra atividade
agropecuária tradicional na região (sim/não)
Economia de recursos (13) Redução de insumos externos (agrotóxicos, 123
fertilizantes, produtos veterinários, sementes,
embalagens, ...), comparando-se com sistemas
alternativos tradicionais (sim/não)
Empregos (14) Proporção entre o no médio de postos de trabalho 123
fixos e o no médio de postos de trabalho oferecidos 123
anualmente, exceto técnicos
(15) Os direitos previdenciários são garantidos
(sim/não)
(16) Salário mensal médio dos trabalhadores 123
diretamente ligados ao campo (exceto técnicos)
(17) As base da mão-de-obra é familiar (sim/não) 123
(18) Proporção entre sexos na mão-de-obra, ou seja, a 123
relação entre o no de trabalhadores do sexo feminino e
masculino
(19) Proporção da mão-de-obra infantil e juvenil, ou 123
seja, a relação entre o no de trabalhadores infantis e
juvenis (até 14 anos) e os trabalhadores de mais idade
Educação (20) Acesso à educação das pessoas interessadas e 123
dependentes do sistema (sim/não)
(21) Proporção entre o no de crianças de até 14 anos 123
fora da escola e o no delas na escola
Habitação e saneamento (22) Proporção entre o no de trabalhadores que habitam 123
básico em construções de boa qualidade, de alvenaria ou
madeira, e aqueles que habitam em outros tipos mais
rústicos
(23) Proporção de residências aparelhadas com fossas 123
sépticas e ligadas a sistema de esgotos
(24) Proporção de residências com abastecimento de 123
água proveniente de fonte de boa Qualidade, ou seja,
tratada, de mananciais não poluídos ou de poços
tecnicamente construídos

Continua...

81
Quadro 2, Cont.

Categoria Elemento1 Descritor (Número do indicador) Indicador SAF


Relações de propriedade (25) Os produtores são proprietários (sim/não) 123
Análise econômica: (26) valor presente líquido (VPL) 123
(27) taxa interna de retorno (TIR) 123
(28) razão benefício/custo (B/C) 123
(29) Período de reembolso (no de anos para que os 123
benefícios excedam os custos)
(30) Trabalho investido para o componente arbóreo (no 123
de diárias utilizadas em ha por ano)
(31) Retorno do trabalho (razão entre o valor dos 123
produtos obtidos e o número de diárias consumidas no
empreendimento, em valor por dia)
Recursos Recursos Patrimônio arqueológico (32) A operação do sistema afeta positivamente o 123
exógenos culturais patrimônio arqueológico dos sistemas exógenos
envolvidos (sim/não)
Patrimônio religioso (33) A operação do sistema afeta positivamente o 123
patrimônio religioso dos sistemas exógenos envolvidos
(sim/não)
Viabilidade cultural (34) Freqüência média familiar de participação em 123
eventos culturais, de lazer e educacionais
(35) Disponibilidade para livre visitação a outras 123
pessoas, e vice-versa, em função da disponibilidade de
tempo (sim/não)
Operação de Manejo e Comercialização (36) Há mercado para os produtos do sistema 123
sistemas rendimento (sim/não)
exógenos socioeconô- (37) A comercialização é direta ao consumidor 123
mico (sim/não)
(38) O mercado para os produtos atinge abrangência 123
além do local (sim/não)
(39) Relação entre a quantidade de produtos 123
comercializados por meio do sistema de escambo e o
sistema monetário
Agregação de valor (40) Valorização dos produtos em função de terem 123
origem em um sistema dito sustentável (sim/não)
(41) Produção, transformação e comercialização 123
cooperadas (sim/não)
(42) Uso de técnicas de divulgação dos produtos do 123
sistema (sim/não)
Disponibilidade de crédito (43) Existência de linhas de crédito específicas para os 123
SAF (sim/não)
(44) Há disponibilidade de crédito para produtores não 123
proprietários (sim/não)
Infra-estrutura rural (45) Existência de infra-estrutura de armazenamento 123
acessível e suficiente, dentro do sistema ou à sua
disposição (sim/não)
(46) Acesso a entrepostos comerciais (sim/não) 123
(47) Existência de infra-estrutura de abate dos animais 23
produzidos, acessível e suficiente, dentro do sistema
ou à sua disposição (sim/não)
(48) As estradas de acesso à propriedade e ao sistema 123
são transitáveis durante todo o ano (sim/não)
1
Este quadro apresenta apenas um elemento por categoria, pelo fato de os outros elementos
pertencerem aos componentes biofísicos, não abordados neste trabalho.
2
Sistemas Agroflorestais: 1) sistemas agrissilviculturais, 2) sistemas agrissilvipastoris e 3) sistemas
silvipastoris. Terminologia sugerida por DANIEL et al. (1999b).

82
Quadro 3 - Quantificação dos indicadores socioeconômicos de sustentabilidade
para sistemas agroflorestais (SAF)

No de Indicadores por SAF


No de
Categoria Elementos 1 Sistemas Sistemas Indicadores
Sistemas
Agrissilvi- Agrissilvipas- por Elemento
Silvipastoris
culturais toris
Recursos Recursos
2 2 2 2
endógenos culturais
Operação do Manejo e rendimento
28 29 28 29
sistema endógeno socioeconômico
Recursos
Recursos exógenos 4 4 4 4
culturais
Operação de Manejo e rendimento
12 13 13 13
sistemas exógenos socioeconômico
Total 46 48 47 48
1
Este quadro apresenta apenas um elemento por categoria, pelo fato de os outros elementos
pertencerem aos componentes biofísicos, não abordados neste trabalho.

Observa-se, também, a grande importância dada ao elemento manejo e


rendimento socioeconômico, dentro da categoria operação dos sistemas
endógenos, por meio de um número maior de indicadores, no que se refere a
descritores relacionados diretamente ao homem, como: saúde e nutrição,
empregos, habitação e saneamento básico. Isto reforça o caráter intrageracional
nos conceitos de desenvolvimento sustentável, exemplificados por Barbier
(1989), citado por REDCLIFT (1996); por Sansoucy (1991), citado por
MURGUEITO R. (1992); por BELLIA (1996); e por BARTUSKA et al. (1998).
Nos debates a respeito de desenvolvimento sustentável, há uma
tendência de valorizar o caráter intergeracional, pensando somente nas conse-
qüências das ações presentes sobre as gerações futuras. A proposta mínima de
indicadores socioeconômicos de sustentabilidade, listada no Quadro 2, vai além,
contemplando o presente, por meio da valorização das condições de vida para a
atual geração envolvida no sistema de produção, sem se esquecer do passado,
como por exemplo os vestígios arqueológicos.

83
Um aspecto que deve ser observado é a quantidade de indicadores
obtidos (Quadro 3). Embora tenha havido redução dos 65 originais listados por
DANIEL (1999) para 48 após a aplicação dos critérios expostos no Quadro 1,
estes ainda superam em muito as sugestões de outros autores. TORQUEBIAU
(1989) obteve 24 indicadores entre biofísicos e socioeconômicos, enquanto
CAMINO V. e MÜLLER (1993) recomendam que o número máximo oscile
entre 6 e 8.
Embora extensa, se comparada às recomendações da literatura, a
quantidade de indicadores constantes no Quadro 3 não é exaustiva e também não
inclui altos custos no processo de avaliação, pois eles são obtidos ou por meio de
entrevistas aos produtores e trabalhadores, o que pode inclusive ser feito por
amostragem, ou por meio de cálculos, os quais podem ser assessorados por
técnicos das empresas de extensão, para o caso de o sistema não ter condições de
manter uma equipe técnica própria.
São os cálculos do descritor análise econômica os que demandam mais
especialização por parte dos avaliadores, particularmente o valor presente
líquido, a taxa interna de retorno e a razão benefício/custo. No entanto, eles são
essenciais para determinar a viabilidade econômico-financeira do empreendi-
mento, oferecendo oportunidade para tomadas de decisões que possam modificar
a tendência do rendimento financeiro proporcionado até o momento da avaliação,
com vistas ao futuro.
Porém, muitas vezes, a comunidade envolvida nos sistemas de produção
agrícola não tem condições de oferecer os dados necessários para a estruturação
do fluxo de caixa, ou não possuem condições financeiras para a execução de uma
análise econômica, ou simplesmente esta questão não tem importância no seu
cotidiano, pois, muitas vezes, são obrigados a continuar a viver no campo, na
mesma atividade, independente de auferirem lucro sobre ela. Nesta situação, o
avaliador pode optar por utilizar os outros indicadores do descritor "análise
econômica": o período de reembolso, o valor da jornada de trabalho, o trabalho
investido e o retorno do trabalho, os quais não dependem da existência de um
registro periódico e são tão precisos e organizados quanto os indicadores
econômicos tradicionais.

84
Aspectos relevantes na operação de sistemas exógenos também foram
detectados (Quadro 2), ou seja, a comercialização, a agregação de valor, a
disponibilidade de crédito e a infra-estrutura rural. Sem que estes itens estejam
minimamente atendidos, em qualquer investimento na atividade rural, dificil-
mente o empreendimento se sustentará permanentemente. Entretanto, o descritor
"disponibilidade de crédito" nem sempre deverá ser incluído na avaliação de
sustentabilidade, já que, em alguns casos, o empreendedor não utiliza o sistema
de financiamentos externos para exercer sua atividade.
Os resultados demonstram que é possível utilizar uma relação de
indicadores que seja abrangente e de rápida aplicação, viável para representar a
sustentabilidade de um sistema, sem que se torne exaustiva e onerosa.

&21&/86®(6

Pelos resultados obtidos neste trabalho, concluiu-se que: a categoria


operação do sistema, seja endógeno ou exógeno, comportou o maior número de
indicadores; a maior concentração de indicadores sugeridos na categoria opera-
ção do sistema se deu nos descritores saúde e nutrição, empregos, habitação e
saneamento e análise econômica, comercialização e infra-estrutura rural; a
avaliação de sustentabilidade socioeconômica baseada nos indicadores propostos
valoriza o aspecto de eqüidade intrageracional; a inclusão de descritores relacio-
nados à operação de sistemas exógenos é essencial para avaliar a sustentabilidade
de um sistema; a maioria dos indicadores sugeridos depende apenas de
observações diretas e entrevistas, e apenas uma minoria necessita de cálculos
mais detalhados ou de histórico preciso; e a maioria dos indicadores sugeridos é
de aplicação rápida e pouco onerosa.

5()(5Ç1&,$6%,%/,2*5È),&$6

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87
$3/,&$d­2'(80$3523267$'(021,725$0(172'$
6867(17$%,/,'$'($806,67(0$$*5,66,/9,3$6725,/

RESUMO - A sustentabilidade de sistemas de produção é um tema atual,


inserido no amplo conceito de desenvolvimento sustentável, que visa assegurar a
manutenção dos níveis de produtividade, em conjunto com a conservação
ambiental, a justiça social e rentabilidade econômica. Por meio da aplicação de
uma listagem de 57 indicadores biofísicos e 48 socioeconômicos a um sistema
agrissilvipastoril implantado na região noroeste do Estado de Minas Gerais,
desenvolveu-se este estudo, cujos objetivos foram: aplicar e testar propostas de
monitoramento da sustentabilidade ambiental e socioeconômica e simular
possíveis alterações nos indicadores. As principais conclusões obtidas foram: a) o
uso dos valores dos indicadores sem nenhuma transformação, para o cálculo dos
índices de sustentabilidade, foi mais adequado ao monitoramento do que os
indicadores padronizados pelo desvio-padrão; b) o sistema proposto de avaliação
da sustentabilidade gera índices que podem ser aplicados no gerenciamento da
sustentabilidade dos sistemas agroflorestais; c) os gráficos tipo radar mostra-
ram-se como boa opção para apresentação dos indicadores e índices de
sustentabilidade de forma didática; e d) pode-se considerar que o nível de
sustentabilidade ambiental e socioeconômica do SAF analisado é intermediário.

Palavras-chave: Sustentabilidade ambiental, sustentabilidade socioeconômica e


sistemas agroflorestais.

$33/,&$7,212)$352326$/2)6867$,1$%,/,7<
021,725,1*72$$*526,/923$6725$/6<67(0

ABSTRACT - The sustainability of individual production systems is a current


theme, inserted in the wide concept of sustainable development, that has the
objective of assuring the maintenance of the productivity levels, together with the
environmental conservation, the social justice and economic profitability. By
means of the application of a list of 57 biophysical and 48 socioeconomical

88
indicators, to a agrosilvopastoral system introduced in the northwest area of
Minas Gerais State, this study was developed, with the objectives of to apply and
to test proposal of environmental and socioeconomical monitoring, and to
simulate possible alterations in the indicators. The main conclusions were: a) the
use of the values of the indicators without any transformation, for the calculation
of the sustainability indexes was more adapted to the monitoring than the
indicators standardized by the standard deviation; b) the proposed system of
evaluation of the sustainability generates indexes that can be applied in the
management of the sustainability of the agroforestry systems; c) the graphic radar
type is a good option for presentation of the indicators and indexes of
sustentabilidade in a didactic way; d) can be considered that the level of
environmental and socioeconomical sustainability of analyzed SAF are
intermediary.

Key words: Environmental sustainability, socioeconomical sustainability,


agroforestry systems.

,1752'8d­2

A sustentabilidade de um sistema de produção, de forma simples e


resumida, pode ser conceituada como sendo a capacidade de um sistema em
manter sua produtividade, quando esta se encontra sujeita a intenso esforço ou
alterações (Conway, 1986, citado por FAETH, 1994).
Portanto, manter ou elevar os níveis de sustentabilidade, abrangendo
desde o nível local até o global, deve ser a principal meta dos gerenciadores de
sistemas produtivos de qualquer natureza, procurando incluir suas atividades
particulares dentro da idéia geral de desenvolvimento sustentável.
Os principais sistemas de produção são os que envolvem a produção de
alimentos e as alterações ambientais. Dentre aqueles considerados sustentáveis,
encontram-se os sistemas agroflorestais (SAF), que preenchem muitos
requisitos da sustentabilidade, por incluírem árvores no sistema de produção

89
agropecuário, por utilizarem recursos existentes e práticas de manejo que
otimizam a produção combinada e por gerarem numerosos serviços
(TORQUEBIAU, 1989).
Há, no entanto, dúvidas a respeito da sustentabilidade dos sistemas
agroflorestais. Segundo MacDICKEN e VERGARA (1990), a afirmação de que
a adoção de sistemas agroflorestais pode gerar benefícios para as populações
rurais está mais relacionada à intenção dos programas com base em tais sistemas,
do que realmente a uma descrição precisa do que os SAF podem alcançar. Os
autores, por várias razões, consideram que a sustentabilidade ao longo do tempo
é muito difícil de ser monitorada e avaliada.
Embora sejam abundantes as referências bibliográficas relacionadas ao
tema sustentabilidade, considerando muitas áreas da produção, são raras as
propostas apresentadas e que podem dar suporte ao monitoramento da
sustentabilidade em SAF. São de AVILA (1989) e TORQUEBIAU (1989) as
primeiras tentativas nesse sentido, entretanto, sem maiores aprofundamentos.
Um trabalho mais amplo, com base em metodologia sugerida por
CAMINO V. e MÜLLER (1993) e BERTOLLO (1998), foi desenvolvido por
DANIEL et al. (1999b, c), que propuseram uma relação de indicadores para ser
utilizados no monitoramento de SAF em geral, considerando tanto a sustenta-
bilidade ambiental, quanto a socioeconômica. Para facilitar e tornar mais rápidos
e econômicos os estudos de monitoramento, DANIEL (1999b, c) propôs também
um número mínimo de indicadores necessários para o acompanhamento da
evolução dos sistemas.
Um dos SAF de maior sucesso no Brasil, envolvendo o gênero
(XFDO\SWXV, é aquele conduzido pela Companhia Mineira de Metais (CMM).
Esse sistema apresentou viabilidade técnica e econômica nos estudos conduzidos
por DUBÈ (1999).
Aplicar e testar as propostas de monitoramento da sustentabilidade
ambiental e socioeconômica de DANIEL (1999b, c) em um sistema agrissilvi-
pastoril e simular possíveis alterações nos indicadores são os objetivos deste
trabalho.

90
0$7(5,$/(0e72'26

Para aplicação da metodologia de monitoramento da sustentabilidade,


foram utilizadas informações obtidas junto à Companhia Mineira de Metais
(CMM).
O sistema que serviu de base para este trabalho foi implantado na Fazen-
da Riacho, de propriedade da CMM, localizada na região noroeste do Estado de
Minas Gerais, Brasil, município de Vazante, situada em zona de cerrado.
Toda a caracterização edafoclimática da região onde se encontra a
fazenda, bem como dos sistemas agroflorestais desenvolvidos pela CMM,
incluindo os híbridos de eucalipto utilizados, foi descrita por DUBÈ (1999).
Os dados foram obtidos a partir de visitas LQORFR, entrevistas e consultas
aos arquivos da CMM, especificamente relacionados ao sistema agrissilvipastoril
implantado no ano de 1994, que abrange uma superfície de 300 ha.
Em linhas gerais, esse sistema é assim caracterizado: no primeiro ano,
após as operações de desmatamento e limpeza de área, é realizado o plantio de
clones híbridos de (XFDO\SWXV spp, em cujas entrelinhas cultiva-se arroz; no
segundo cultiva-se soja; no terceiro é semeada a %UDFKLDULDEUL]DQWKD; e a partir
do quarto ano o sistema recebe bovinos de engorda, que são abatidos e
substituídos em intervalos bienais. No momento da coleta de dados, o sistema
encontrava-se no quinto ano de desenvolvimento, prevendo-se uma rotação de 11
anos para a madeira, destinada para energia (60%) e serraria (40%).
O sistema selecionado para a análise apresenta viabilidade técnica e
econômica considerando um ciclo de 11 anos, com possibilidades de redução
para oito anos, segundo as avaliações de DUBÈ (1999).
Os indicadores biofísicos (ambientais) e socioeconômicos utilizados
foram propostos por DANIEL (1999b, c). O primeiro grupo abrange 57 indica-
dores e o segundo, 48, devendo-se ressaltar que para este trabalho foram
utilizados, respectivamente, apenas 46 e 41 indicadores.
A redução do número de indicadores, com relação à proposta feita por
DANIEL (1999b, c), deve-se à não-aplicabilidade de alguns deles às condições

91
do sistema agrissilvipastoril analisado. Devem ser citados como exemplo os
indicadores biofísicos: indicador 51 - nível médio anual de turbidez dos cursos
d'água, a jusante da área do sistema (não há mananciais de água superficiais no
entorno do sistema); e indicador 54 - alteração da cadeia trófica, se os predadores
escaparem para o ambiente natural (não são utilizados predadores no sistema).

5(68/7$'26(',6&866­2

 &RPSDUDomR HQWUH GRLV PpWRGRV GH JHUDomR GH tQGLFHV GH


VXVWHQWDELOLGDGH

O sistema de monitoramento da sustentabilidade utilizado para o estudo


do caso da Companhia Mineira de Metais (CMM), apresentado neste trabalho,
gera um índice de sustentabilidade (IS) que é proveniente do cálculo da área de
um gráfico tipo radar (a discussão sobre o gráfico encontra-se no item 3.4.),
originalmente utilizado por CALORIO (1997).
Para o cálculo dessa área (IS), CALORIO (1997) utilizou a padronização
dos valores dos indicadores, acompanhando a metodologia proposta por
DOUGLAS (1990) e TORRES (1990), quando trabalharam com classificação de
propriedades rurais por meio de análise multivariada. Esses autores justificaram
que a padronização foi utilizada para reduzir o efeito de escala de cada um dos
indicadores. Os detalhes da geração do IS, incluindo algumas sugestões de
melhoria no procedimento citado por CALORIO (1997), foram publicados por
DANIEL et al. (1999b).
Procurando avaliar a aplicabilidade do sistema gráfico para o cálculo
do IS, foram realizadas simulações, tanto com os indicadores padronizados
(CALORIO, 1997, modificado por DANIEL et al., 1999b), quanto não-
padronizados (DANIEL et al., 1999b, sem a fórmula de padronização).
Para isso, foram selecionados, aleatoriamente, apenas dez indicadores
biofísicos e dez socioeconômicos. Em seguida, foram desenvolvidos os cálculos
do IS, com e sem padronização, em três situações: a) para as condições reais das
observações feitas no sistema da CMM, no quinto ano de existência do SAF

92
(monitoramento atual); b) para condições simuladas sobre o mesmo sistema,
considerando os aumentos ou o estacionamento dos valores dos indicadores
(monitoramento 2≥); c) para condições simuladas sobre o mesmo sistema,
considerando a diminuição ou o estacionamento dos valores dos indicadores
(monitoramento 2≤). Os valores alterados para cada monitoramento e os
respectivos IS encontram-se nos Quadros 1 e 2.
A análise dos resultados apresentados nos Quadros 1 e 2 deixa claro a
impossibilidade do uso em monitoramento do IS calculado a partir de indicadores
padronizados. Tanto para a sustentabilidade biofísica, quanto para a
socioeconômica, o IS padronizado produziu resultados inversos ao esperado, ou
seja, quando foram aumentados os indicadores (monitoramento 2), o IS foi
reduzido, e quando foram diminuídos (monitoramento 3), o IS foi aumentado.
Tal fato é explicado porque, para a padronização, é utilizada a fórmula
(1), descrita a seguir, que contém como redutor da dispersão entre os indicadores
o desvio-padrão.
5 + (x n − x )
vp n = (1)
S
em que
vpn = valor do indicador n padronizado;
xn = valor original do indicador n;
x = valor médio de todos os indicadores;
S = desvio-padrão para todos os indicadores; e
5 = constante acrescentada por CALORIO (1997).

Assim, quando são aumentados ou diminuídos os valores dos indica-


dores, particularmente daqueles que naturalmente apresentam dimensões
maiores, como é o caso do volume de madeira por hectare, aumenta-se
concomitantemente o S. Como S é denominador na fórmula (1), há uma redução
geral dos indicadores, reduzindo, portanto, o IS. Isto é o que realmente se espera
da fórmula, e é justamente o que a impede de ser eficiente no monitoramento.
Ao aplicar a mesma idéia em monitoramento, o resultado não pode
ocorrer dessa forma. O que se espera é que o aumento dos valores dos

93
indicadores resulte diretamente em aumento no IS, e o inverso para quando os
valores diminuem. Foi o que aconteceu com as simulações 1 e 2, nos Quadros 1 e
2, quando foram utilizadas as dimensões não-padronizadas (normais) dos indica-
dores. O IS normal acompanhou o aumento ou a redução dos valores de tais
indicadores.

Quadro 1 - Simulação de monitoramento da sustentabilidade biofísica de um


sistema agrissilvipastoril implantado na Companhia Mineira de
Metais, município de Vazante-MG, alterando-se os valores de dez
indicadores referentes à lista proposta por DANIEL (1999b)

Monitoramentos
Número do Indicador
Atual Simulados*
Alterado
1 2 (≥) 3 (≤)
5 7,30 8,00 6,00
11 5,00 6,00 4,00
18 -7,00 -8,00 -5,00
29 -1,00 -2,00 0
32 -2,80 -3,00 -1,00
35 0 1,00 0
43 4,00 6,00 2,00
44 1,00 1,00 0
48 8,83 12,00 8,83
55 0 1,00 0
IS(b) normal 5,64 7,02 5,05
IS(b) padronizado 15,76 10,65 22,21
* simulados com valores maiores ou iguais (≥), ou menores ou iguais (≤), aos atuais.

Outra observação detectada foi a pouca sensibilidade do método da


padronização, para o caso de a mudança nos indicadores ser muito pequena. Pode
acontecer de o IS não acompanhar as alterações, em função da diluição
provocada pelo uso do desvio-padrão como padronizador. Com o uso do IS
normal, isto não acontece.

94
Quadro 2 - Simulação de monitoramento da sustentabilidade socioeconômica de
um sistema agrissilvipastoril implantado na Companhia Mineira de
Metais, município de Vazante-MG, alterando-se os valores de dez
indicadores, referentes à lista proposta por DANIEL (1999c)

Monitoramentos
Número do Indicador
Atual Simulados*
Alterado
1 2 (≥) 3 (≤)
4 0 0,05 0
6 1,00 1,00 0
9 8,83 12,00 8,83
14 0,80 1,00 0,60
27 1,81 5,00 0,50
30 2,82 3,00 2,00
31 13,96 20,00 10,00
38 1,00 1,00 0
42 1,00 1,00 0
47 1,00 1,00 0
IS(s) normal 24,24 31,59 18,25
IS(s) padronizado 3,95 3,29 4,11
* simulados com valores maiores ou iguais (≥), ou menores ou iguais (≤), aos atuais.

Esses resultados deixam claro a adequação do IS normal, o que


desautoriza a aplicação do IS padronizado no monitoramento da sustentabilidade.

$SOLFDomRGDSURSRVWDGHJHUDomRGHXPtQGLFHGHVXVWHQWDELOLGDGHHP
XPVLVWHPDDJULVVLOSDVWRULO

Esta etapa do trabalho representa a aplicação prática das propostas de


DANIEL (1999b, c), relacionadas às listas de indicadores biofísicos e socioeco-
nômicos, e foi desenvolvida utilizando indicadores não-padronizados, conforme
já foi detalhado no item anterior (3.1.).
Os dados obtidos da CMM foram inseridos em uma planilha eletrônica
de cálculos, previamente programada (publicada por DANIEL, 1999a - anexos),
cujos valores de indicadores e os respectivos índices de sustentabilidade biofísica
[IS(b)] e socioeconômica [IS(s)] encontram-se nos Quadros 3 e 4.

95
Quadro 3 - Valores dos indicadores propostos por DANIEL (1999b) e do índice
de sustentabilidade biofísica de um sistema agrissilvipastoril,
implantado na Companhia Mineira de Metais, município de
Vazante-MG

Característica Característica
Número do Dimensão do Número do Dimensão do
Especial de Especial de
Indicador1 Indicador Indicador1 Indicador
Medição2 Medição2
1 {-} nsa3 30 sim[0]/não[1] 1,00
(st ha.ano-1)
2 {-} nsa 31 nsa
÷10
3 sim[1]/não[0] nsa 32 {-} -2,80
4 original nsa 33 sim[1]/não[0] 0
5 cmolc.dm-3 7,30 34 sim[1]/não[0] 1,00
6 original 3,30 35 sim[0]/não[1] 0
7 original nsa 36 sim[0]/não[1] 0
8 sim[0]/não[1] 1,00 37 sim[0]/não[1] 0
9 sim[0]/não[1] 1,00 38 original 0
10 sim[0]/não[1] 1,00 39 sim[1]/não[0] 1,00
11 original 5,00 40 original nsa
12 original 1,00 41 {-} -1,00
13 sim[0]/não[1] 1,00 42 {-} 0
14 sim[1]/não[0] 1,00 43 original 4,00
15 {-} 0 44 sim[0]/não[1] 1,00
16 {-} 0 45 {-} nsa
17 original 0 46 original 2,00
18 {-} -7,00 47 original 1,00
(volume
19 sim[0]/não[1] 1,00 48 8,83
ha.ano-1)÷10
20 {-} 0 49 original 2,90
21 original 0 50 original 0,15
22 sim[1]/não[0] 0 51 {-} nsa
23 {-} 0 52 sim[1]/não[0] nsa
24 sim[0]/não[1] 1,00 53 sim[0]/não[1] 1,00
25 original 1,00 54 sim[0]/não[1] nsa
26 original 1,00 55 sim[0]/não[1] 0
27 original 0 56 sim[0]/não[1] 1,00
28 original 0 57 sim[0]/não[1] 1,00
29 {-} -1,00
IS(b) [considerando todos os indicadores aplicáveis] = 5,64
1
referente à tabela original de DANIEL (1999b);
2
transformações dos valores originais de alguns indicadores, visando a redução do efeito de
dispersão; valor correspondente a respostas sim/não; sinal do indicador; e
3
não se aplica às condições do sistema em análise.

96
Quadro 4 - Valores dos indicadores propostos por DANIEL (1999c) e do índice
de sustentabilidade socioeconômica de um sistema agrissilvipastoril,
implantado na Companhia Mineira de Metais, município de
Vazante-MG

Característica Característica
Número do Dimensão do Número do Dimensão do
Especial de Especial de
Indicador1 Indicador Indicador1 Indicador
Medição2 Medição2
1 Original nsa3 25 sim[1]/não[0] 1,00
2 sim[1]/não[0] nsa 26 original -17,99
3 {-} 0 27 original 1,81
4 {-} 0 28 original 0,89
5 original 3,00 29 {-} -5,00
6 sim[1]/não[0] 1,00 30 original 2,82
7 sim[1]/não[0] 1,00 31 original 13,96
8 original 0,15 32 sim[1]/não[0] nsa
-1
(st.ha.ano )
9 8,83 33 sim[1]/não[0] nsa
÷10
10 original 2,90 34 original 20,00
11 sim[1]/não[0] 1,00 35 sim[1]/não[0] 1,00
12 sim[1]/não[0] 1,00 36 sim[1]/não[0] 1,00
13 sim[1]/não[0] 1,00 37 sim[1]/não[0] 0
14 original 0,80 38 sim[1]/não[0] 1,00
15 sim[1]/não[0] 1,00 39 original nsa
salário médio
16 3,00 40 sim[1]/não[0] 0
÷100
17 original nsa 41 sim[1]/não[0] 0
18 original 0 42 sim[1]/não[0] 1,00
19 {-} 0 43 sim[1]/não[0] 0
20 sim[1]/não[0] 1,00 44 sim[1]/não[0] 0
21 original 0 45 sim[1]/não[0] 1,00
22 original 1,00 46 sim[1]/não[0] nsa
23 original 1,00 47 sim[1]/não[0] 1,00
24 original 1,00 48 sim[1]/não[0] 1,00
IS(s) [considerando todos os indicadores aplicáveis] = 24,24
1
referente à tabela original de DANIEL (1999c);
2
transformações dos valores originais de alguns indicadores, visando a redução do efeito de
dispersão; valor correspondente a respostas sim/não; sinal do indicador; e
3
não se aplica às condições do sistema em análise.

97
Nesses mesmos quadros, encontram-se as colunas de dados denominadas
“característica especial de medição”, que tem extrema importância para o correto
uso da metodologia, cujo conteúdo é assim definido:
- sinal negativo {-}: utilizado quando o aumento ou a redução no valor
absoluto do indicador, deve provocar efeito inverso no IS. Utilizando
o indicador 15 como exemplo, a “freqüência anual de incidência de
pragas em nível de dano econômico à vegetação”, verifica-se
claramente que o aumento na incidência de pragas deve representar
uma queda no IS, o que não ocorreria sem o sinal negativo;
- sim[0]/não[1]: embora nas listas originais propostas por DANIEL
(1999b, c) as respostas a alguns indicadores sejam sim/não, no
momento de inserir na planilha de cálculos eles devem ser converti-
dos a números 0 ou 1. Conforme pode-se observar no Quadro 3, nem
sempre é atribuído o mesmo número a uma resposta (ex: indicadores
13 e 14). Isto foi feito para que seja dado valor zero, representando
um aspecto ruim de um dado indicador, e valor um para aspecto bom.
Um exemplo, utilizando os indicadores 13 e 14:
Œ 13: “destruição da vegetação nativa existente no sistema, em
função do manejo de algum componente animal em regime aberto
(sim[0]/não[1])”. Se a resposta for sim, é um aspecto negativo,
resultando em redução do IS(b), e vice-versa;
Œ 14: “uso efetivo dos conceitos de máxima exploração da capacida-
de de sítio para cada componente vegetal, valorizando a ciclagem
de nutrientes e o aproveitamento da luz (sim[1]/não[0])”. Se a
resposta for sim, é um aspecto positivo, resultando no aumento do
IS(b), e vice-versa.
- ÷10 ou por 100: como foi abolido o uso de indicadores padronizados
em monitoramento, há necessidade de reduzir a dimensão de alguns
indicadores, para evitar deformação excessiva nos gráficos tipo radar
(a discussão sobre o gráfico encontra-se no item 3.4.), e diluição da
importância de indicadores de valores de menores dimensões;

98
- cmolc.dm-3: embora seja comum o uso da unidade mmolc.dm-3 para a
“capacidade de troca catiônica”, cmolc.dm-3 trabalha com valores dez
vezes menores, gerando os mesmos efeitos citados no item anterior;
- original: quando as unidades dos indicadores são as mesmas
propostas nas listas originais de DANIEL (1999b, c).
É importante registrar que essas “características especiais de medição”
são aquelas propostas pelos autores, as quais originaram um resultado
satisfatório. Entretanto, se o usuário da metodologia achar por bem alterá-las, de
modo a adaptá-las a condições específicas, ou até mesmo a outros sistemas de
produção, que não os SAF, ele pode fazê-lo, desde que de forma coerente. Neste
caso, o usuário deve se lembrar que, para que os diversos monitoramentos sejam
comparáveis entre si, há necessidade de que sejam utilizados sempre os mesmos
indicadores e características especiais de medição que foram aplicados desde a
primeira vez.
Outro fator de extrema importância para que os IS resultantes das
análises de sustentabilidade sejam confiáveis é a rigorosa padronização da coleta
de dados. Podem ser citadas como exemplos as amostragens de solo, das quais
são obtidos os valores de CTC e o teor de matéria orgânica (indicadores
biofísicos 5 e 6). As amostras com padrões distintos de coleta, análise e unidades
podem causar sérias distorções nos IS.
Os Quadros 3 e 4 indicam também os valores de IS(b) = 5,67 e IS(s) =
24,73. Esses são os índices de sustentabilidade ambiental e socioeconômica do
SAF da CMM, implantado em 1994.
Tendo em vista que é a primeira vez que é gerado um índice de
sustentabilidade para o SAF com as características iguais ao CMM, não há
parâmetros para colocar os valores obtidos em qualquer escala de qualidade, ou
seja, se o resultado é alto, médio ou baixo, por exemplo. Os IS atuais são
comparáveis entre os próximos monitoramentos dentro do próprio sistema, ou
entre IS obtidos de sistemas semelhantes.

99
Com as informações disponíveis no momento, não é possível dizer se o
SAF da CMM é mais ou menos sustentável, considerando a amplitude encerrada
no conceito, porque não há termo de comparação relativa.
Espera-se que, em virtude da facilidade e dos baixos custos (DANIEL
199b) para aplicação do sistema de monitoramento e geração do IS aqui
apresentados, em alguns anos comecem a surgir os termos de comparação
necessários para obtenção da escala de qualidade, com base na qual se possa
qualificar a sustentabilidade dos SAF.

6LPXODomR UHDOL]DGD D SDUWLU GRV GDGRV DWXDLV GR VLVWHPD


DJULVVLOYLSDVWRULOGD&00

Embora não se disponha de informações reais para a aplicação de dados


seqüenciais de monitoramentos da sustentabilidade, foi feita uma simulação,
cujos dados, acredita-se, sejam coerentes e possíveis de ser aplicados na prática.
A intenção foi produzir algum parâmetro de comparação entre IS.
Os dados dos Quadros 3 e 4 serviram de monitoramento atual (1) para
ser comparados com o monitoramento 2 (Quadros 5 e 6), o qual foi simulado
para o 11o ano, ano em que está previsto o final do ciclo.
Nesses quadros estão destacados os indicadores que foram alterados, os
quais, resumidamente, são assim definidos, de acordo com a ordem que
aparecem:
Quadro 5 – CTC; matéria orgânica; número de componentes; número de
espécies consumidoras; abrigo à fauna; número de componentes animais; propor-
ção de áreas de proteção ambiental; reciclagem de embalagens; mecanização do
corte; volume de madeira; e peso animal; e
Quadro 6 – peso animal; proporção de postos de trabalho fixos;
proporção de trabalhadores do sexo feminino; valor presente líquido; taxa interna
de retorno; razão benefício/custo; período de reembolso; e participação das
famílias em eventos culturais, educativos e de lazer.
Nota-se, pelos resultados referentes à sustentabilidade biofísica (Quadros
3 e 5), a grande sensibilidade do índice de sustentabilidade [IS(b)] em capturar a

100
variação das mudanças nos indicadores. Este passou de 5,64 para 9,61, corres-
pondendo a uma evolução de 1,7 vez, enquanto a média dos valores aumentou
1,5 vez.
Utilizando o mesmo raciocínio para a sustentabilidade socioeconômica
(Quadros 5 e 6), verifica-se que o índice de sustentabilidade [IS(s)] evoluiu
3,7 vezes, enquanto a média dos valores aumentou 2,3 vezes.

Quadro 5 - Valores simulados dos indicadores propostos por DANIEL (1999b) e


do índice de sustentabilidade biofísica de um sistema agrissilvi-
pastoril, implantado na Companhia Mineira de Metais, município de
Vazante-MG

Número do Dimensão do Número do Dimensão do Número do Dimensão do


Indicador1 Indicador Indicador1 Indicador Indicador1 Indicador
1 Nsa2 20 0 39 1,00
2 Nsa 21 0 40 nsa
3 Nsa   41 -1,00
4 Nsa 23 0 42 0
  24 1,00 43 4,00
     
7 nsa 26 1,00 45 nsa
8 1,00 27 0 46 2,00
9 1,00 28 0 47 1,00
10 1,00 29 -1,00  
  30 1,00 49 2,90
  31 nsa  
13 1,00   51 nsa
14 1,00   52 nsa
15 0 34 1,00 53 1,00
16 0 35 0 54 nsa
17 0 36 0  
18 -7,00 37 0 56 1,00
19 1,00 38 0 57 1,00
IS(b) [considerando todos os indicadores aplicáveis] = 9,61
1
referente à tabela original de DANIEL (1999b); e
2
não se aplica às condições do sistema em análise.

101
Quadro 6 - Valores simulados dos indicadores propostos por DANIEL (1999c) e
do índice de sustentabilidade socioeconômica de um sistema
agrissilvipastoril, implantado na Companhia Mineira de Metais,
município de Vazante-MG

Número do Dimensão do Número do Dimensão do Número do Dimensão do


indicador1 indicador indicador1 indicador indicador1 indicador
1 nsa2 17 nsa 33 nsa
2 nsa    
3 0 19 0 35 1,00
4 0 20 1,00 36 1,00
5 3,00 21 1,00 37 0
6 1,00 22 1,00 38 1,00
7 1,00 23 1,00 39 nsa
  24 1,00 40 0
9 8,83 25 1,00 41 0
10 2,90   42 1,00
11 1,00   43 0
12 1,00   44 0
13 1,00   45 1,00
  30 2,82 46 nsa
15 1,00 31 13,96 47 1,00
16 3,00 32 nsa 48 1,00
IS(s) [considerando todos os indicadores aplicáveis] = 90,17
1
referente à tabela original de DANIEL (1999c); e
2
não se aplica às condições do sistema em análise.

$DSOLFDomRGRVJUiILFRVWLSRUDGDU

Os gráficos tipo radar, sugeridos por CALORIO (1997) e DANIEL et al.


(1999b), relacionados aos índices de sustentabilidade biofísica [IS(b)] e
socieconômica [IS(s)] do sistema agrissilvicultural em análise encontram-se na
Figura 1.
Cada raio dos gráficos representa um indicador, cujos valores, unidos,
formam a área central representativa dos IS(b) (Figura 1a e 1b) e IS(s)
(Figura 1c e 1d).

102
 
       
     
   
   


   
   
 
  

   
 
  

   
 
   
   
   
   
   
   
   
   
     
     
 

a b
 
         
   
   
     
   
     
   
 
   
 
  

   
   
   
   
   
   
   
   
       

c d

Figura 1 - Gráficos tipo radar, mostrando: as áreas que representam o índice de


sustentabilidade biofísica (a e b) e socioeconômica (c e d), reais para
o quinto ano do sistema agrissilvipastoril (a e c), e as simulações para
o 11o ano (b e d).

Uma sugestão de aplicação desses gráficos é a possibilidade de


acompanhar as alterações dos indicadores para mais ou para menos, em um
processo de monitoramento. Naturalmente que tais figuras devem ser impressas
em maiores dimensões, para que as variações se tornem mais visíveis; caso
contrário as mudanças ficarão claras somente para os maiores valores.
Outra sugestão de uso é a impressão dos gráficos em transparências,
utilizando a mesma escala entre IS da mesma natureza, o que permite a sua
sobreposição. Esta forma de aplicação propicia melhor idéia do aumento ou
redução da área envolvida pelos indicadores.

103
Os IS são uma generalização dos valores individuais dos indicadores de
sustentabilidade, dando idéia de conjunto. Portanto, pode ocorrer a necessidade
de avaliar individualmente as alterações em cada indicador. Neste caso, além do
uso dos próprios valores numéricos, pode-se dispor, com os gráficos, de uma
opção mais didática de apresentação e verificação das mudanças na sustenta-
bilidade, o que permite a tomada de ações individuais para levar os IS aos níveis
desejados.

$TXDOLILFDomRGRVtQGLFHVGHVXVWHQWDELOLGDGH

Está claro que atualmente não é possível enquadrar os índices de


sustentabilidade (IS) em escalas de qualidade comparativas para diferentes
sistemas agroflorestais, em função da ausência de termos de comparação. No
entanto, com os dados deste trabalho já é possível fazer alguma inferência sobre
uma escala de qualidade, referente à metodologia sugerida.
Fazendo uma avaliação geral das condições ambientais e socioeconô-
micas do sistema agrissilvipastoril analisado, com base nos valores dos índices
(IS) obtidos, incluindo as visitas LQORFR pode-se dizer que os IS encontram-se no
máximo em um nível intermediário. Isso se for suposta uma escala caracterizada
por três níveis crescentes de qualidade (sustentabilidade inadequada, interme-
diária e suficiente).
Assim, para o monitoramento do quinto ano, o IS(b) = 5,64 e o IS(s)
=24,24, e no 11o ano, o IS(b) = 9,61 e o IS(s) = 90,17, podem ser considerados
valores representativos de bom nível de sustentabilidade ambiental e socioeco-
nômica.
Dois aspectos devem ser considerados ao acatar essa sugestão de escala e
de classificação do SAF analisado: a) por ser a primeira vez que essa metodo-
logia de avaliação da sustentabilidade é aplicada, os valores servem apenas de
guias, que poderão ser modificados em novos estudos de caso; e b) qualquer
escala que seja usada para classificar a sustentabilidade de SAF deve estar

104
relacionada com sistemas específicos, ou seja, a escala gerada para um sistema
poderá não servir para outro.
Vale a pena, também, fazer um comentário sobre o SAF em avaliação,
que tem como componente arbóreo o eucalipto. Há muitas críticas ao uso deste
gênero vegetal em reflorestamentos (COUTO et al., 1998). As proposições e
discussões feitas neste trabalho não as levam em consideração e nem entram no
mérito das polêmicas, tendo em mente ser inevitável o uso dessa espécie arbórea
na produção de madeira para diversos fins, em função da sua precocidade e
qualidade dos produtos finais.

&21&/86®(6

As análises realizadas entre os métodos de obtenção dos índices de


sustentabilidade, tanto biofísica quanto socioeconômica, demonstraram a
inviabilidade da realização dos cálculos a partir da padronização dos indicadores
por meio do desvio-padrão, no que se refere a aplicações comparativas entre
diversas etapas de monitoramento.
Os resultados comprovam que o uso dos indicadores sem nenhuma
transformação, para o cálculo dos índices de sustentabilidade, é uma metodologia
adequada para monitorar as mudanças de valores ao longo do tempo.
Com relação à exeqüibilidade, o sistema de avaliação da sustentabilidade
proposto pode ser considerado pouco oneroso e de rápida e fácil aplicação,
gerando índices que podem ser aplicados no gerenciamento da sustentabilidade
dos sistemas agroflorestais.
Os gráficos tipo radar mostraram-se como boa opção para apresentação
dos indicadores e índices de sustentabilidade de forma didática.
Embora em primeira aproximação, em função da falta de parâmetros de
comparação com outros sistemas, pode-se considerar que o nível de sustenta-
bilidade ambiental e socioeconômica do SAF analisado é intermediário.

105
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107
5(6802(&21&/86®(6

Este estudo foi desenvolvido basicamente em duas etapas, sendo a


primeira constituída da aplicação de parte da metodologia proposta por
CAMINO V. e MÜLLER (1993), complementada por BERTOLLO (1998), com
o objetivo de definir grupos de indicadores de sustentabilidade biofísica e
socioeconômica para sistemas agroflorestais. Em resumo, esta metodologia
contempla os seguintes passos: a) definição do sistema; b) identificação de
categorias significativas de indicadores; c) identificação de elementos significa-
tivos em cada categoria; d) identificação e seleção de descritores para os
indicadores; e) definição e obtenção de indicadores; f) análise dos indicadores; e
g) procedimentos de monitoramento, devendo-se ressaltar que esta última etapa
não foi objeto desta tese. A metodologia utilizada resultou na obtenção de um
elevado número de indicadores, os quais foram submetidos a critérios específicos
para redução a dois grupos mínimos, para avaliação da sustentabilidade biofísica
e socioeconômica.
Na outra etapa, foi realizado um estudo de caso, considerando um
sistema agrissilvipastoril implantado na região noroeste do Estado de Minas
Gerais. Este sistema consiste no cultivo do gênero (XFDO\SWXV, consorciado com
arroz no primeiro ano, soja no segundo, semeadura de braquiária no terceiro e
criação de bovinos de engorda a partir do quarto ano, com o abate e a reposição

108
dos animais feita bianualmente. Coletaram-se dados para atender às exigências
dos indicadores biofísicos e socioeconômicos definidos na primeira etapa. Os
valores dos indicadores, dispostos nos raios de gráficos tipo radar, geraram áreas
que passaram a representar índices de sustentabilidade (IS). Também, foram
realizadas simulações para obter os IS para a idade final prevista para o ciclo do
sistema.
A aplicação desta metodologia resultou na proposição de 57 indicadores
de sustentabilidade biofísica e 48 de sustentabilidade socioeconômica. Além
disto, foram obtidos os valores reais de 5,64 e 24,24 para os IS biofísica e
socioeconômica para o quinto ano do sistema e os valores simulados de 9,61 e
90,17 para o final do ciclo, no 11o ano.
Esta tese é composta de seis artigos, nos quais constam as conclusões de
cada um. De forma resumida, podem ser citadas as seguintes conclusões: a) o uso
dos grupos de indicadores obtidos é viável, em função da facilidade de aplicação,
do baixo custo com levantamentos de campo e análises laboratoriais e da rápida
obtenção dos resultados; b) o uso do gráfico tipo radar permite a geração de IS
biofísica e socioeconômica; c) o IS obtido por meio da metodologia utilizada é
bastante sensível às alterações nos indicadores; e d) quando foram comparados os
valores padronizados dos indicadores, por meio do desvio-padrão, com os
valores não-padronizados, concluiu-se pela superioridade destes nos cálculos dos
IS e no monitoramento da sustentabilidade.

109
$3Ç1',&(

110
$3Ç1',&(

Quadro 1A - Relação de pesquisadores e técnicos que contribuíram com a


seleção de indicadores de sustentabilidade

Pesquisadores/Técnicos Instituição/Empresa
Carlos Alberto Moraes Passos, Engenheiro Florestal Universidade Federal de Mato Grosso
Elias Silva, Engenheiro Florestal Universidade Federal de Viçosa
Ivo Jucksch, Engenheiro-Agrônomo Universidade Federal de Viçosa
Laércio Couto, Engenheiro Florestal Universidade Federal de Viçosa
Omar Daniel, Engenheiro Florestal Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Rasmo Garcia, Zootecnista Universidade Federal de Viçosa
Vicente de Paula Silveira, Engenheiro Florestal Companhia Mineira de Metais

Quadro 2A - Modelo de estrutura e cálculos na planílha eletrônica, para geração


do índice de sustentabilidade biofísica [IS(b)]

No Dimensão do
Indicador Área
Indicador Indicador
Linhas
Colunas
A B C D
=SE(ÉNÚM(C1);(C1*COS(RADIANOS(90-
Nível médio de eutrofização dos
1 1 nsa1 (360/CONT.VALORES($A$1:$A$57))))*(SE
reservatórios e, ou, cursos d'água
(ÉNÚM(A2);C2;$C$1)))/2;"-")
Nível médio anual de turbidez dos Célula preenchida, copiando/colando o
2 2 nsa
reservatórios conteúdo da célula D1 na planilha eletrônica
Célula
Célula preenchida com o indicador preenchida com
3 3 Idem D2
correspondente o valor
correspondente
  Idem B3 Idem C3 Idem D2
Existência de quaisquer prejuízos às
áreas de proteção exógenas, em função
57 57 1,00 Idem D2
da necessidade do cumprimento de
compromissos com o sistema em análise
IS(b) = =SOMA(D1:D57)
1
utilizado quando o indicador não se aplica às condições do sistema em análise.

111
Quadro 3A - Modelo de estrutura e cálculos na planílha eletrônica, para geração
do índice de sustentabilidade socioeconômica [IS(s)]

No Dimensão do
Indicador Área
Indicador Indicador
Linhas
Colunas
A B C D
=SE(ÉNÚM(C1);(C1*COS(RADIANOS(90-
Exposição do material arqueológico à
1 1 0,00 (360/CONT.VALORES($A$1:$A$57))))*(SE
visitação pública
(ÉNÚM(A2);C2;$C$1)))/2;"-")
Preservação de templos, cemitérios ou Célula preenchida, copiando/colando o
2 2 0,00
outras áreas consideradas sagradas conteúdo da célula D1 na planilha eletrônica
Célula
Célula preenchida com o indicador preenchida com
3 3 Idem D2
correspondente o valor
correspondente
  Idem B3 Idem C3 Idem D2
As estradas de acesso à propriedade e ao
48 48 sistema são transitáveis durante todo o 1,00 Idem D2
ano
IS(s) = =SOMA(D1:D48)
1
utilizado quando o indicador não se aplica às condições do sistema em análise.

Figura 1A - Localização da Fazenda Riacho, município de Vazante-MG, de


propriedade da Companhia Mineira de Metais, onde está implanta-
do o sistema agrissilvipastoril utilizado no estudo de caso.

112